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que no Pelourinho naquele tempo tinha postes de iluminação, e que hoje não tem mais; e que as roupas das pessoas eram outras, de vez em quando o escritor diz “fulano tirou o relógio da algibeira” e eu tenho que saber como é que se pendurava o relógio no colete, etc. É um trabalho enorme, mas gosto muito de fazer esse tipo de pesquisa, de reconstrução de época e lugar. Até aqui só falei das necessidades interiores, da obra em si; além disso, tenho em mente os aspectos práticos e comerciais. Por exemplo, a quantidade de páginas aceitável para esse projeto editorial (cerca de 80 páginas), dentro dos limites dos custos editoriais e comerciais, e também dentro dos limites da minha própria produção: precisa ser uma adaptação que eu consiga realizar em um tempo determinado (de um a dois anos por projeto, não exclusivamente). Resumindo, eu adapto com um olho na obra, e outro no editor.

Quais pontos interessantes você destacaria na sua parceria e no resultado do seu projeto? Um deles é a viabilidade desse projeto - refiro-me não a uma obra só, mas à sequência de obras de HQ em formato de livro, lançados pela Companhia das Letras, com biografia, literatura, história etc. Depois de muitos anos dedicados a trabalhos rápidos e de resultado imediato e efêmero - charge, propaganda - este formato de livro em HQ me dá a chance de realizar trabalhos duradouros. Lembro-me do Guimarães

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Rubato  

Revista com espaço total dedicado à Literatura.

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