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2008, adaptei Jubiabá de Jorge Amado. Com a historiadora Lília Schwarcz, tenho dois trabalhos diferentes: uma parceria (livro feito em co-autoria), D.João Carioca, e agora estou fazendo uma adaptação de um livro já existente, As Barbas do Imperador, que não é um literatura, mas um ensaio histórico-antropológico sobre D. Pedro II.

Como é construir um projeto com outra pessoa pensando nas várias possibilidades expressivas da linguagem e do desenho? Pois é, como eu disse, os parceiros precisam ter suas competências específicas e complementares, como um território comum. E esse território comum é feito tanto de sensibilidade verbal como pictórica. Por exemplo, a Lília Schwarcz não desenha, mas os temas que aborda (a pintura de Taunay, a propaganda no século XIX, a teatralidade da corte, etc) são relacionados à comunicação visual, seus livros são bastante ilustrados, e eu, por minha vez, sou um desenhista que gosta de ler e escrever. Então nós temos esse território comum e, ao mesmo tempo, sabemos fazer obras independentes. A HQ permite, conforme se queira, deixar-se aproximar ora mais da literatura, ora mais do cinema ou do teatro. Num quadrinho a ação pode ser contada em palavras e ilustrada com uma imagem que apenas sugere o conteúdo; e em outro a palavra pode estar totalmente ausente, enquanto o desenho se encarrega de narrar ou mos-

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Rubato  

Revista com espaço total dedicado à Literatura.

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