Page 78

Como surgiu a ideia das adaptações? E as parcerias? Quando criança, quando era lançado um novo filme da Disney nos cinemas, eu via que a mesma história era contada em filme, HQ, livro infantil, disquinho, e que muitas vezes era adaptação de outro livro, como Pinocchio (de Carlo Collodi) e Mowgli (O livro da selva, de Rudyard Kipling). Teve obras do Júlio Verne (como Vinte Mil Léguas Submarinas) que eu li primeiro em HQ adaptada de filme Disney, depois li o livro, e finalmente, adulto, assisti ao filme. Então o conceito de adaptação de um meio para outro era bastante familiar e, sempre que eu gostava de um livro, queria fazer a adaptação em quadrinhos. Sempre percebi as semelhanças e diferenças entre o livro original e sua adaptação para HQ ou cinema: as mudanças que o novo meio exige, e a história essencial que precisa ser preservada nas diferentes versões. Já as parcerias são fruto dos vários encontros e oportunidades com que vamos topando pela vida. Como eu também faço HQs sozinho (como Santô e Os Pais da Aviação), quando faço uma parceria preciso abrir mão de algumas decisões para deixar o outro participar criativamente. É importante fixar algumas responsabilidades, alguns terrenos onde cada um dos parceiros tem a última palavra, e no meio disso um território comum onde ambos palpitam e negociam os caminhos da obra. A primeira adaptação que publiquei foi na revista Níquel Náusea a adaptação de um conto de Machado de Assis chamado Quem conta um conto, na década de 90. Bem depois, em

78

Rubato  

Revista com espaço total dedicado à Literatura.

Read more
Read more
Similar to
Popular now
Just for you