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colapsam quando uma jornalista independente chamada Oriana Skarlat descobre V.I.S.H.N.U e o transforma em um ícone pop mundial. Bressane conta que já tinha lido bastante Moebius, cujas graphic novels, embora silenciosas, possuem uma sofisticação narrativa que transformaram o autor num grande clássico. Mas Bressane só foi se dar conta de que HQ era alta literatura lendo o Monstro do Pântano e Watchmen, ambas de Alan Moore. De lá pra cá sempre quis fazer alguma coisa, mas nunca achava o parceiro certo e, infelizmente, ele não sabe desenhar. Foi quando surgiu o projeto e ele teve que aprender a criar em conjunto um livro com outras possibilidades de linguagem. "Havia sempre a necessidade de pensar em cenas e sequências de ação, porque o argumento é complexo e requer muitos diálogos. Então a história foi sempre sendo pensada de modo a criar uma dinâmica de sequências espetaculares e longas inserções de texto, o que trouxe um ritmo muito peculiar”, diz Bressane. Os quadrinhos, segundo ele, iluminaram totalmente o texto. “Em uma sequência, a inteligência artificial V.I.S.H.N.U. precisava demonstrar que podia agir sobre a matéria, mas ao mesmo tempo ela não poderia ser liberada de dentro do ambiente confinado em que foi criada, por questões de segurança. Então pensamos em um globo de cristal, como se fosse um outro mundo em que os cientistas que queriam entender V.I.S.H.N.U. desembarcassem, como astronautas. Foi uma imagem tão iluminadora que nos levou a reescrever totalmente a passagem. Já nem sei de quem é a ideia já que tivemos que refazer tudo em conjunto", finaliza.

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Rubato  

Revista com espaço total dedicado à Literatura.

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