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na faixa dos 20. Minha geração representava o que havia de mais novo na literatura e foi beneficiada em muito pela internet, pelos blogs etc. Nós mais ou menos nos conhecíamos todos, ainda que só de nome. Era a tal “Geração 00”. Mas, mal entramos na década de 10, eu já me sinto velho e não sei mais quem é quem. Começa a surgir gente nova, gente de que nunca tinha ouvido falar porque, claro, jogava bolinha de gude quando comecei. Mas já estão publicando, montando revistas, sites, blogs, estão interagindo e fazendo as mesmas coisas que fazíamos na nossa época. E gente muito boa, com um potencial cada vez maior se comparado com as gerações anteriores. O nível de exigência e amadurecimento está aumentando e estão trabalhando cada vez mais a sua escrita, o que é muito bom. Por outro lado, gosto dessa outra parte da pergunta, sobre o que espero dessa geração, que acaba sendo, essa sim, uma catalogação do futuro. Porque o futuro tem vários passados e presentes e é aí que devemos construir conscientemente as nossas escolhas. Se posso escolher, eu espero inteligência e autocrítica. Algo que falta na sociedade brasileira como um todo e que tem nos feito seguir caminhos muitas vezes duvidosos. Espero que as novas gerações saibam se mover não pela aparência das coisas, mas pelo que é verdadeiro e essencial nelas, pelo que pode desparafusar as máquinas da realidade, e não mantê-las funcionando. Está todo mundo tão crente nas estruturas midiáticas, jornalísticas, nos pensamentos já pensados e nos processos de canonização que me pergunto sempre se os poetas serão capazes

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Rubato  

Revista com espaço total dedicado à Literatura.

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