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da minha geração e de ter feito muitos amigos com diferentes estilos de escrita. Como faço poesia sonora e instalações performáticas, há quem já tenha me chamado de poeta cibernético ou radioativo. Há alguma vantagem em ser classificado, claro. As pessoas conseguem falar tudo de você sem conhecer o seu trabalho; coisa com que os acadêmicos vibram e os poetas aceitam, porque querem ser assim facilmente biografados no futuro. Mas, sinceramente, acho meio besteirol essa coisa de taxonomia dos anjos. Se um dia eu for lembrado, espero que seja como poeta, sem predicativos.

O que você considera como sendo a nova poesia brasileira? Em sua opinião, quais caminhos, assuntos e problemas circundam esse grupo? Quais autores e obras se destacam nessa nova geração? O que você gostaria de encontrar nessa geração e nessa nova poesia que você não encontrou? É uma pergunta difícil. Eu já respondi a ela algumas vezes, mas com o tempo vi como as minhas respostas eram idiotas. A verdade é que estamos ainda muito em cima dos acontecimentos e, por mais que queiramos, é impossível catalogar o presente – se catalogar o passado já é injusto e tendencioso, imagine o presente. Aliás, essa necessidade de catalogar o atual momento é fruto justamente da velocidade com que as coisas estão surgindo. O conceito de geração foi encolhendo em quantidade de anos. Por exemplo, eu comecei a publicar nos anos 2000, quando estava

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Rubato  

Revista com espaço total dedicado à Literatura.

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