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editorial

Rubato. Roubado em italiano. Assim é a literatura: um pouquinho de roubo. São conversas, sentimentos, ideias, passado, nós e os outros. Acredito que, para contar uma história, aquele que a escreveu, pintou, desenhou, petrificou ou sonhou, reuniu um pouco daquilo que viu e ouviu e no final produziu um roubo criativo, um roubo simbólico, um roubo bom. Pensando nisso, e adicionando uma palavra que não me sai da cabeça, resolvi chamar esse projeto, esse filho, esse experimento de Rubato. É forte, é misterioso, é estranho e soa criativo. Uma mistura de revista literária com suplemento experimental. Talvez uma vontade, uma quimera ou um anseio. Tudo deve ter começado naquele instante em que as letras se juntaram e eu finalmente consegui ler o que estava escrito pela cidade enquanto olhava pela janela do ônibus. Essa foi a minha real independência: não precisar pedir para ninguém ler aquilo que eu queria saber. O afinco e a paixão que coloquei nessa simples e obstinada ação me fez entrar em bibliotecas e livrarias e com pouquíssimos anos devorar livros ao ponto de entristecer a carteira da minha mãe. Deve ser por isso que livrarias e bibliotecas exercem sobre mim um fascínio e me deixem em casa, em paz e ao mesmo tempo agitada e louca. Tenho vontade de deitar no chão delas ou então sair correndo, quem sabe passar com um carrinho de supermercado pelas prateleiras e levar todos aqueles livros que

Rubato  

Revista com espaço total dedicado à Literatura.

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