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EM NOTA QUE SE SEGUE ao final de O Lobo da Estepe da edição de 1961, Hermann Hesse demonstra preocupação com a maneira pela qual a sua obra tem sido interpretada desde seu lançamento, em 1927. Ele diz: “Parece-me que, de todas as minhas obras, O Lobo da Estepe é a que vem sendo mais frequente e violentamente incompreendida, e o curioso é que, em geral, a incompreensão parte mais dos leitores entusiastas e satisfeitos com o livro do que com os leitores que o rejeitaram.”. Qualificar o trabalho mais notório do escritor suíço-alemão não é uma tarefa carente de instrumentos. O livro, que é considerado uma das obras cânones do século XX, é um clássico porque envolve aspectos biográficos da vida do autor, faz referências à história política e social de sua época – a Alemanha pré-nazista - e conjuga elementos da ciência da qual Hesse foi apóstolo e que estava em destaque, a psicanálise, na configuração dos cenários, personagens e de sua própria narrativa. A cortina se abre e nós, público, somos apresentados ao enredo por meio de um relato do editor desta obra. O editor mais tarde se revela ser sobrinho da dona de um pensionato no qual Harry Heller – O Lobo da Estepe – se hospeda durante alguns meses. Ele encontra manuscritos que o homem misterioso, de poucas palavras e de aparência ambígua no que se refere à sociabilidade. A nossa primeira sugestão de quem vem a ser Heller é construída pelos rápidos diálogos e impressões do editor-sobrinho. Depois, somos introduzidos às suas anotações.

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O Lobo da Estepe

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Rubato  

Revista com espaço total dedicado à Literatura.

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