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O Escafandro e a Borboleta

jean-dominique bauby

editora martins fontes

DENTRO DO ESCAFANDRO. Não haveria melhor metáfora para descrever o estado em que Jean-Dominique Bauby se encontrou após ser acometido por um acidente vascular cerebral no dia 8 de dezembro de 1995, que o deixou trancafiado na rara “síndrome do encarcerado”. Um escafandro. A ideia de permanecer dentro do aparelho de mergulho sufoca e parece dar conta de exprimir o que o jornalista francês vivenciou durante cerca de um ano, período em que esteve internado no hospital de Berck-sur-Mer, no norte da França, até sua morte em nove de março de 1997. Mas e a borboleta? Qual seria o sentido em aproximar a leveza, a agilidade e a liberdade desse belo inseto com a rusticidade, o peso e a claustrofobia do estrambótico escafandro? A resposta para tal indagação só se torna consistente após a leitura do livro em que o próprio Bauby concentra algumas memórias de vida e sua experiência como paciente da síndrome do encarcerado. Paciente que não podia mover nenhum de seus membros, mas que tinha perfeita consciência e se comunicava através do piscar do olho direito. Uma piscada significava sim, duas não. Além disso, a fonoaudióloga de Bauby desenvolveu um método para que ele pudesse comunicar-se em outras palavras. Por meio do ditado do alfabeto em ordem de frequência de uso na língua francesa e muita paciência, a médi-

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Rubato  

Revista com espaço total dedicado à Literatura.

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