Page 1

Escola de discípulos – Vida de louvor e adoração

Apostila de Vida de Louvor – Escola de discípulos INTRODUÇÃO. Quando falamos de louvor e adoração associamos rapidamente a música, tocar, cantar ou dançar. Existe sim uma grande ligação entre o louvor e a música, no cenário da adoração nos céus vemos muitos louvores sendo entoados pelos anjos, pelos vinte e quatro anciãos e pela multidão lavada pelo sangue do Cordeiro. Veremos adiante que o louvor e a adoração não se limitam a música, e até mesmo pode não ter louvor e adoração nesses momentos. Qual o objetivo principal das reuniões das Igrejas? Por que vamos aos domingos ao Templo? O que vamos fazer lá? Muitos, com muita simplicidade, responderiam espontaneamente: “Ouvir o sermão do pregador. ”ou até mesmo “vou para receber minha bênção, a minha vitória!” Esse tipo de resposta acontece comumente, pela falta de informação bíblica sobre o propósito de Deus para o homem: Ser criado para o louvor da Sua glória (Ef 1:6). O verdadeiro homenageado do nosso culto é o Senhor. Cultuar também significa HOMENAGEAR. Logo, estamos no culto oferecer (se dar) como oferta. Prestar culto é dar algo para o Senhor, e isso inclui sua vida. A motivação deve ser adorar ao Senhor. Mas por quê? O que eu ganho nisso? O Senhor deve ser adorado simplesmente porque ele é Deus, o Criador. •

Adorar para receber algo é princípio de Satanás.

Muitas vezes, nossa intenção nos cultos não é apresentar-nos a Deus, mas sim, esperarmos que Deus se apresente a nós através da oração, leitura bíblica, mensagem, músicas apresentadas e hinos que cantamos. É evidente que Deus se utiliza de todas essas formas para falar aos corações e nos levar a tomarmos atitudes. Mas Ele quer que nos apresentemos, para que, OFEREÇAMOS LOUVOR e não, simplesmente, para que RECEBAMOS ALGO. Em Lucas 5, Jesus é conduzido pelo Espirito ao deserto. Em momentos de jejum e oração, Satanás se apresenta a Jesus com ofertas. Observe: “ Se me adorares, tudo será seu” Lucas 4:5 Satanás oferece algo em troca pela adoração. A Bíblia diz que o Senhor Deus é galardoador, ou seja, presenteador daqueles que o buscam ( Hebreus 11:6). Mas qual é a diferença? O Senhor presenteia porque faz parte de seu caráter ser BOM. Agora a “retribuição” de Satanás é em troca de adoração. Adorar para receber algo é um princípio Satânico. 1


Escola de discípulos – Vida de louvor e adoração

O texto de Efésios também diz: “Porquanto, Deus nos escolheu Nele Antes da criação do mundo, para sermos SANTOS E IRREPREENSÍVEIS em sua presença. E, em seu amor nos predestinou para sermos adotados como filhos, por intermédio de Jesus Cristo, segundo a benevolência da sua vontade, para o louvor da sua gloriosa graça, a qual nos outorgou gratuitamente no Amado.” Efésios 1:4,5 e 6 Os versículos 4 e 5 não estão isolados, ou desconectados do versículo 6. Existe um estilo de vida daqueles que são criados para o louvor da glória de Deus, existe uma maneira de se viver, e esta é sermos santos e irrepreensíveis na presença do Senhor. O nome da matéria é VIDA de louvor e adoração. A versão Judaica exemplifica o tipo de louvor que o Senhor merece. Sua versão diz : “UM LOUVOR PROPORCIONAL A SUA GLÓRIA”. Já parou para pensar o que é um louvor proporcional a gloria do Senhor? É muito mais que um momento nos cultos, é uma vida diante do Senhor. A correria do dia, nos enchem de afazeres e negligenciamos o momento de ouvir a voz do Senhor. De maneira especial. Num casamento, o casal está junto em todos os momentos do dia, conversam no café, almoço, mas existe um momento de intimidade reservado chamado sexo. O momento mais íntimo não é feito por esse casal na rua, no trem. Deus fala no trem, no carro, no café? FALA. Mas existe um momento de maior profundidade que é quando estamos sozinhos na presença do Senhor, com o anseio de ouvir e desfrutar de sua poderosa e suave presença.

DEFININDO AÇÕES DE GRAÇA, LOUVOR E ADORAÇÃO. Temos a tendência de associarmos em nossa mente os verbos LOUVAR E ADORAR.A Palavra de Deus apresenta diferenças entre essas duas ações, logo é perceptível que há um propósito específico em cada uma dessas manifestações. Algo pouco falado, porém, praticado ainda sem muito entendimento, são as ações de graças. O que devemos nos perguntar é : “ Que diferença a bíblia faz entre ações de graça, louvor e adoração? “ Vejamos: •

Louvor:

A palavra LOUVOR significa: ato de louvar, aplaudir, exaltar, ELOGIAR A DEUS, pelo que Ele fez NUM TODO. Como assim? Existe diferença no que Deus faz por mim no particular da minha vida, e o que Ele faz no geral. Seus feitos gerais são manifestados em seu favor pelo seu povo ou pela criação. Portanto, louvor é o reconhecimento do que Deus fez por nós. “ Louvar a Deus é proclamar o seu valor. O valor que damos a Deus, determina o nosso louvor” Dick Bernal 2


Escola de discípulos – Vida de louvor e adoração

Todos podemos louvar, não precisamos ser salvos para louvar a Deus. A Bíblia diz: “Todo ser que respira louve ao Senhor” Salmos 150:6 Por isso é importante examinarmos o valor que o Deus, o nosso pai, tem em nossas vidas, pois o seu valor para nós influenciará nas nossas manifestações com corações gratos a Ele. PALAVRAS NO ANTIGO TESTAMENTO QUE REPRESENTAM LOUVOR: Hãlal -> fazer ruído. Yãdhã-> Ações e gestos corporais Zamar -> música tocada ou cantada. “Portanto, ofereçamos sempre, por ele, a Deus sacrifícios de louvor, isto é, o fruto dos lábios que confessam o seu nome.” Hebreus 13:15 O LOUVOR É FONTE DE ALEGRIA “Senhor, quero te dar graças de todo o coração e falar de todas as tuas maravilhas. Em ti quero alegrar-me e exultar e cantar louvores ao teu nome, ó Altíssimo. Salmos 9:1e2 Celebrar-> Ruwa ->Gritar, aclamar, fazer barulho forte. Júbilo -> Renahnah -> Cântico, grito de alegria e voz de gozo. O verdadeiro louvor brota do coração daquele cujo a vida testifica o que os lábios cantam. EXPRESSÕES DE LOUVOR Com instrumentos e com danças: Salmos 149:3 Cantando e salmodiando: Salmos 89:30 Com palmas: Salmos 47:1 Erguendo as mãos: Salmos 134:2 Com palavras: Salmos 119:171 Com bandeiras, gritos e vivas de júbilo: Salmos 20:5; Salmos 74:4 Existem várias formas de expressarmos nosso louvor ao Senhor, isto é, nosso reconhecimento, nossa gratidão pelo que Ele fez. Um dos meios mais usados é através da música, porém não é o único e nem deve ser. Davi usou a música para expressar-se a Deus. Esta foi a forma que ele mais se identificou. Ele cantava, tocava harpa (II Samuel 16:23), compunha (Salmos 23), saltava e 3


Escola de discípulos – Vida de louvor e adoração

dançava (II Samuel 6:16; 20:23). Mesmo na cultura em que vivia não deixou de expressar a Deus da melhor forma que podia. Deus era o centro de tudo em sua vida, não importava se agora ele havia se tornado rei, e era observado por todos. Ele permaneceu com o mesmo coração. Em público ou em particular, como rei ou como simples pastor de ovelhas, ele dava o seu melhor. Em momentos de louvor e adoração encontramos instrumentos que potencializam a nossa expressão ao Senhor. As bandeiras, as fitas, as flâmulas são instrumentos que vão além do nosso corpo, além daquilo que vemos em nós. Você é livre para se expressar alegremente ao Senhor, da forma que você desejar. Talvez, alguns possam pensar:” mas isto é coisa da alma e não do espírito” . Foi Deus quem faz a sua alma e o seu corpo e eles devem ser usados para a Sua glória. No Salmo 103:1 diz: “ Bendiga ao Senhor a MINHA ALMA! Bendiga ao Senhor todo o meu ser” Que o seu espírito, alma e corpo louvem livremente ao Senhor. CORES E SIGNIFICADOS Vermelho- sangue, reconciliação, sacrifício, pecado (Lv 17:11, Hb9:12-14) Azul- céu, graça celeste, revelação divina (Nm 15:38) Púrpura/roxo- realeza, majestade (Mc 15:17-18) Branco – pureza e santidade, justiça (Sl 51:7) Prata- redenção, Palavra de Deus (Sl 12:6) Ouro/dourado- divindade, glória de Deus (Ex 25:11,22) Bronze/ cobre / metal- julgamento, juízo (Ex 27:1-3) Amarelo/laranja- celebração e alegria (em relação ao óleo), glória de Deus (Is61:3) Verde- nova vida, florescimento, renovo, vigor, prosperidade (Sl 92:12-14) Marrom/ cinza- arrependimento, humilhação (Ester4:3) Laranja, amarelo e vermelho- fogo do Espírito Santo, louvor (Sl 113:3) Preto- pecado, morte (Ef 5:11) LOUVOR – CANAL DO PODER DE DEUS

COMO ARMA DE ATAQUE (II Crônicas 20:21-22) Deus deve ser sempre o motivo do nosso louvor, embora seja verdade que somos abençoados quando O louvamos. Um grande exército vinha contra Josafá e ele não tinha condições de vencê-lo. Então, ele consultou ao Senhor e Ele o acalmou dizendo que a 4


Escola de discípulos – Vida de louvor e adoração

batalha não era dele, mas de Deus. Na frente do exército, Josafá nomeou alguns homens para cantarem e louvarem a Deus pelo esplendor de sua santidade. Eles não guerrearam, eles louvaram! E quando começaram a louvar, Deus preparou emboscadas contra o exército inimigo e foram derrotados sobrenaturalmente. Existe um poder sobrenatural quando louvamos ao Senhor. O LOUVOR QUE LIBERTA Paulo e Silas foram severamente açoitados e lançados na prisão e tiveram seus pés presos no tronco, tudo isso por pregarem o Evangelho, por terem sido fiéis a Deus. Eles tinham muitos motivos para se entristecerem, ficarem desanimados e desistirem do chamado de Deus para a vida deles. Poderiam pensar: ” Não vale a pena ser fiel ao Senhor, olha o que nos aconteceu”. Poderiam ficar reclamando, murmurando e se deprimindo a cada dia. Mas eles decidiram não olhar para as circunstâncias e louvar a Deus em todos os momentos. Eles decidiram orar e cantar hinos a Deus, e de repente, todas as portas se abriram, e as correntes de todos soltaram. O louvor a Deus gera libertação. E não apenas para eles, mas para todos que estavam encarcerados como eles. O LOUVOR QUE ATRAI A PRESENÇA DE DEUS (Sl22:3) Deus é entronizado entre os louvores do seu povo. Quando o louvamos fazemos um trono para Ele se assentar e a sua presença poderá ser sentida entre nós. Portanto, atraia seu pai através do louvor sincero de seus lábios, oferecendo um louvou PROPORCIONAL à sua glória, erguendo um trono que aguente sua presença. O LOUVOR NOS ENCHE DO ESPÍRITO SANTO (Ef 5:18-21) Não devemos pedir para sermos cheios do Espírito Santo. Nesse texto de Efésios ele nos ensina como devemos fazer para nos encher. Não é Deus que nos enche, somos nós! Como? 1.Falando entre si com salmos, hinos e cânticos espirituais; 2.Cantando louvores de coração ao Senhor 3.Dando graças constantemente a Deus Pai por todas as coisas. DESENVOLVENDO UMA VIDA DE LOUVOR “ Deem graças em todas as circunstâncias, pois esta é a vontade de Deus para vocês em Cristo Jesus” I Tes 5:18 “Louvarei ao Senhor em todo tempo; o seu louvor estará continuamente em minha boca. A minha alma se gloriará no Senhor; os mansos o ouvirão e se alegrarão. Engrandecerei ao Senhor comigo, e juntos exaltemos ao seu nome” 5


Escola de discípulos – Vida de louvor e adoração

Salmos 34:1-3 O que Deus quer é nos ensinar que devemos ser agradecidos a Ele em todas as situações, pois Ele está cuidando de nós e ainda que nós não entendamos, todas as coisas irão cooperar para nosso bem (Romanos 8:8) LOUVOR VERSUS MURMURAÇÃO Se tivermos demorando demais nos “desertos da vida”, é hora de mudarmos de atitude. Murmurar é o contrário de louvar. Se ao louvarmos reconhecemos o cuidado e sua amor por nós, quando reclamarmos, estamos afirmando que Deus não está olhando para nós, que se esqueceu de seus filhos, que não está sendo justo, que não responde nossas orações e por aí vai. Tudo o que foi escrito foi para o nosso exemplo. Se o povo de Israel pereceu por murmurar, façamos como Paulo e Silas, louvemos ao Senhor e as portas se abrirão. Deus deseja mais que momentos de louvores nos cultos. Ele deseja que tenhamos uma vida de louvor, em todo o tempo, em todas as circunstâncias. O louvor que agradará mais a Deus é aquele que é movido por fé, não por coisas que Ele fez por nós , mas pela certeza que Ele fará. Declare e se posicione como o profeta Habacuque: “ Ainda que a figueira não floresça, nem haja fruto na vide, o produto da oliveira minta, e os campos não produzam mantimentos; as ovelhas sejam arrebatadas do aprisco e nos currais não haja gado, todavia eu me alegro no Senhor, exulto o Deus da minha salvação. O Senhor Deus é a minha fortaleza, e faz os meus pés como os da corça, e me faz andar altaneiramente. ” Hab 3:17-19

LOUVAR É GUERREAR O míssil é o LOUVOR As ogivas nucleares espirituais são: •

O nome de Jesus

O sangue de Jesus

A palavra de Deus

AÇÕES DE GRAÇA Ações de graça é o reconhecimento dos feitos do Senhor no individual. É o que Ele tem feito por mim. É o agradecimento e reconhecimento a Deus

6


Escola de discípulos – Vida de louvor e adoração

por bênçãos que Ele tem derramado sobre as particularidades da minha vida. A gratidão é a expressão de uma coração caloroso e cheio de amor a Deus. Salmos 100 é um exemplo de ações de graças. ADORAÇÃO – UM NÍVEL MAIS PROFUNDO “Mas vem a hora e já chegou em que os verdadeiros adoradores adorarão ao Pai em espírito e em verdade; porque são estes que o Pai procura para o adorar. Deus é espírito e importa que os seus adoradores o adorem em espírito e em verdade.” João 4:23,24

7


Escola de discípulos – Vida de louvor e adoração

Átrio O louvor acontece neste primeiro ambiente

SANTO DOS SANTOS A adoração acontece aqui 8


Escola de discípulos – Vida de louvor e adoração

SANTO LUGAR Neste lugar só entra quem já se santificou

Portas Ações de Graças “Entrai por suas portas com ações de graça e nos átrios com hinos de louvor, render-lhe graças e redizei-lhe o nome” Salmos 100:4

Na antiga aliança o povo ficava no átrio (pátio) e apenas os sacerdotes podiam entrar no santo lugar e o sumo-sacerdote era o único que podia (uma vez por ano ) entrar no Santo dos Santos. Através de Jesus, esse caminho até Deus foi aberto diariamente para todos os que desejarem. Em Hebreus 10:19,23 diz:

" Tenho, pois, irmãos ousadia para entrar no Santuário, pelo sangue de Jesus, pelo novo e vivo caminho que ele nos consagrou, pelo véu, isto é, pela sua carne, e tendo um grande sacerdote sobre a casa de Deus, cheguemos -nos com verdadeiro coração, em inteira certeza de fé, tendo o coração purificado 9


Escola de discípulos – Vida de louvor e adoração

da má consciência e o corpo lavado com água limpa, retenhamos firme a confissão da nossa esperança, porque fiel é o que prometeu." A Adoração: A unção e a Glória. A Verdadeira adoração. É para quem? "Mas vem a hora, e já chegou, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque são adoradores assim que o Pai procura. Deus é espírito; e é necessário que os seus adoradores o adorem em espírito e em verdade." João 4:23-24 Verdadeira adoração não tem a ver com canções, vocais, bandas ou corais. Todas essas coisas contribuem para uma grande EXPRESSÃO de adoração, mas a essência da adoração é quando seu coração e alma e todo o seu ser estão ligados e adoram o Espírito de Deus. A maioria das pessoas estão mais acostumadas com adoração congregacional como uma igreja, mas é quando você adora um a um, como um amante de Cristo que você entra em uma intimidade onde estão só você e o Senhor, como nunca se viu antes. Adoração é um ato de obediência do coração. É uma resposta que exige a plenitude de tudo o que você é, por amor ao Senhor pelo que Ele é, não apenas pelo que Ele faz. Adoração é alguma coisa que é vista pelos seus atos e não apenas pelas palavras que se fala ou canta. Não é um ritual. Você não vai a igreja e segue fórmulas. Adoração envolve o nosso coração, mente e vontade. Adoração é se dar totalmente, em toda verdade e honestidade, envolvendo e refletindo o amor e generosidade de Cristo. A palavra adorar é um verbo, uma palavra de ação. Isto significa estar cheio de adoração, se prostrar, reverenciar, e permanecer na profundidade da beleza do Senhor. Adoração é mais do que cantar belas canções na igreja no domingo. É mais do que instrumentos e música. Como um verdadeiro adorador, seu coração poderá adorar ao Senhor em todo o tempo, em todos os lugares e com toda a sua vida. As escrituras dizem que devemos trazer uma oferta, embora você sinta que não tem nada a oferecer. TUDO O QUE DEUS QUER É SEU CORAÇÃO. Ele não precisa do seu talento, sua habilidade musical ou todas as coisas que você pode fazer - Ele quer você! Nós podemos aprender muito com o salmista Davi. Como um jovem pastor de ovelhas, ele não era tão surpreendente - ele era simplesmente muito fiel e verdadeiramente amava a Deus. Deus viu o coração daquele servo e o descreveu como "eu encontrei Davi, filho de Jessé, um, homem segundo o meu coração, que fará toda minha vontade." (Atos 13:22). 10


Escola de discípulos – Vida de louvor e adoração

Você não tem que ser um grande cantor ou músico para ser um grande adorador. Mesmo estando em um corpo, ou como um indivíduo, abra o seu coração e adore ao Senhor com todo o seu ser. Isto é o que ele está pedindo. 2.2- A Unção na Adoração Há um relato no Antigo Testamento que reflete um ensino tremendo quanto à unção na Adoração. Adoração sem unção é como ungüento (perfume) com mau cheiro; Qual a mosca morta faz o ungüento do perfumador exalar mau cheiro, assim é para a sabedoria e a honra um pouco de estultícia. Eclesiastes 10:1 Quando a unção de Deus se reflete sobre a carne humana faz com que tudo flua melhor. Uma das imagens bíblicas mais claras a respeito da unção e de seus propósitos está no livro de Ester. Ester estava sendo preparada para sua apresentação ao rei da Pérsia. Foi necessário um ano de purificação, durante o qual ela se banhava repetidamente em óleo perfumado - que curiosamente era feito dos mesmos ingredientes do óleo hebreu usado para unção e como incenso. Um ano de preparação para uma noite com o Rei! Além disso, o texto relata que Ester recebia “alimentação devida”. Uma conseqüência lógica é que, depois de todos estes banhos com óleo perfumado,

os homens que se aproximassem de Ester, pensariam ou diriam:

"Como você está perfumada!" E é claro que Ester não gastaria tempo com eles, assim como eu e você não deveríamos nos deixar levar pela aprovação dos homens. O relato do qual falamos acima, é sobre Ester que se torna Rainha no império do rei Assuero. A função de Rainha do Rei estava vaga. Entre todas as virgens (puras e separadas) do reino de Assuero, Ester foi escolhida e cuidada durante um ano (Et.2.12) por Hagai – guarda das mulheres do Rei. Em se divulgando, pois, o mandado do rei e a sua lei, ao serem ajuntadas muitas moças na cidadela de Susã, sob as vistas de Hegai, levaram também Ester à casa do rei, sob os cuidados de Hegai, guarda das mulheres. A moça lhe pareceu formosa e alcançou favor perante ele; pelo que se apressou em dar-lhe os ungüentos e os 11


Escola de discípulos – Vida de louvor e adoração

devidos alimentos, como também sete jovens escolhidas da casa do rei; e a fez passar com as suas jovens para os melhores aposentos da casa das mulheres . Ester 2.8,9 Observe algo tremendo que está contido neste relato: Durante aqueles doze meses, Ester estava sendo banhada de UNGUENTOS e ALIMENTADA CUIDADOSAMENTE, que representa a unção e a Palavra (Col.3.16,17). Para que? Para se apresentar diante do Rei. Durante cada dia em que Ester recebia os perfumes, certamente que outras pessoas estavam experimentando primeiro que o Rei o aroma crescente dos ungüentos sobre Ester. Mas todo este processo tinha como alvo O REI e não as pessoas ao redor de Ester. Até chegar ao Rei Ester certamente recebeu muitos elogios e “cantadas” por causa do seu perfume. Gente, Adoração é para O REI! Quando você recebe toda a capacitação pela Palavra

(O alimento de Ester) e a unção (Os ungüentos de Ester) é

possível que na caminhada você receba elogios que podem alterar o propósito para o qual você foi separado entre tantos : estar diante do REI. Somente os puros estão aptos a serem admitidos nos aposentos do Rei. Estou dizendo que corrompemos a unção de Deus quando dizemos: “Aquela foi uma boa pregação!" ou: “Aquele louvor estava realmente muito bom!" e damos ao homem a glória e a atenção devidas a Deus - ou então, buscamos a glória e a atenção vindas de homens. Nós estaríamos buscando, assim, agradar à carne, mas nunca a Deus.

A unção realmente tem maravilhosos efeitos em nossas vidas: ela quebra o jugo da opressão. Mas isto é uma conseqüência. Por exemplo: quando me perfumo para minha esposa, fico, como conseqüência, perfumado para todos em redor. Mas o meu propósito é estar perfumado para minha esposa, não para os outros! O problema está em querer impressionar outra pessoa, desviando-se do propósito original da unção, que é encobrir o odor natural de nossa carne.

12


Escola de discípulos – Vida de louvor e adoração

Enquanto permaneceu na "casa das mulheres", Ester recebeu óleos, especiarias

perfumes e alimentos para purificação. Submeteu-se a um

processo destinado a transformar uma plebéia em princesa. Mais uma vez, digo: o propósito da unção não é fazer com que fiquemos melhores, mais atraentes ou perfumados para os homens, tudo isto é conseqüência da unção, cujo objetivo é encontrar favor diante do Rei. Nossa carne não cheira bem perante o Senhor, e a unção nos faz aceitáveis para Ele. Esse é o processo através do qual Deus transforma plebéias em princesas - ou seja, em noivas em potencial! O culto é para Deus! Tópico II 3. O significado da adoração

"Tu és o meu Senhor, outro bem, não posso senão a Ti somente". (Salmo 16:2) Adoração deve exprimir a riqueza que Deus representa para o adorador. 3.1 - Nossa visão de Deus afeta nossas atitudes de adoração. J. B. Phillips, no seu livro "Seu Deus é Pequeno Demais", Ed. Mundo Cristo, SP, pg. 9 a 50, nos dá uma visão desta realidade, onde ele denuncia os conceitos inadequados que muitos têm sobre Deus, que impedem uma visão correta do Deus verdadeiro. Exemplos: •

O Deus de exclusividade – O Deus daqueles que tem mais acesso que outros

O Deus do Clero – O Clero do Louvo, do Pastor como sendo estes os que tem mais acesso a Ele

A Deus do “entretenimento” – A adoração como meio de enfeitar e alegrar o culto.

O policial Onipresente - transforma sua própria consciência em Deus.

Tal pai, Tal Deus - uma transferência da imagem paterna.

O idoso antiquado - Deus como um velho "Papai Noel". 13


Escola de discípulos – Vida de louvor e adoração •

O manso e suave - Deus, bonzinho e que não repreende.

O Deus dos 100% - quer de nós perfeição absoluta.

O Deus do escapismo - busca a Deus somente na hora dos problemas.

O Deus capturado - Igrejas que "capturam" Deus para suas 4 paredes, achando que são objetos exclusivos do Seu amor.

O Deus Diretor-Presidente - aquele que é grande demais para se importar com...

O Deus "de segunda-mão" - conhecemos a Ele pelo que os outros nos dizem.

O Deus "da desilusão" - o culpado por uma oração não respondida, da tragédia imerecida, deus que é "desmancha-prazeres".

O Deus "Negativo" - pessoas que têm um "masoquismo espiritual", achando que Deus não lhe permitirá serem expansivos, alegres e bem sucedidos.

Imagem Projetada - enxergam a Deus através da imagem que têm de si próprios.

O Deus "da barganha" - só obedecem a Ele em troca de benefícios.

Quando temos uma visão deturpada sobre Deus, nossa adoração será distorcida. Precisamos conhecer Sua natureza e caráter, para adorá-lo de maneira mais significativa.

3.2 - Adoração é Meditação e Celebração.

A meditação nos prepara para gozarmos da comunhão com Deus. É o tempo que usamos a imaginação para trazer à mente tudo o que Deus já fez e fará por nós. A meditação produz a expectativa que alimenta a esperança do adorador, que resulta num culto alegre e de celebração. Conseqüentemente, nossos cultos na igreja devem ser elaborados visando também expectativas dos ouvintes: participação e entusiasmo. 14


Escola de discípulos – Vida de louvor e adoração

3.3 - Adorar é render-se (do grego: "proskuneo"). Reconhecer a nossa inferioridade e a superioridade de Deus, colocando-nos à Sua inteira disposição. A ideia básica é a de submissão. O gesto de curvar-se diante de uma pessoa e ir até o ponto de beijar os seus pés. Ex.: a intenção de Satanás na tentação de Jesus (Mt 4:9, Lc 4:7-8). Jesus responde: "Ao Senhor Teu Deus adorarás (proskunesis) e só a Ele darás culto (Mt 4:10). 3.4

-

Adorar

é

servir

(do

grego

"latreia")

Este termo é usado por Paulo em Rm 12:1, para descrever o corpo entregue a Deus como sacrifício vivo, santo e agradável. Ofertar a Ele toda a nossa

potencialidade,

capacidade,

inteligência,

energia,

experiência

e

dedicação. Servir, como reconhecimento da transformação que Ele operou em minha vida. Ele merece o melhor do meu serviço, como forma de gratidão. 3.5 - Adorar é reverenciar (gr. "sebein") a Deus, com temor (gr. phobos")

O verdadeiro adorador, tem uma reverente preocupação de fazer o que agrada a Deus, e fugir do que agrada ao diabo. João relata : "Sabemos que Deus não atende a pecadores, mas pelo contrário se alguém teme a Deus (gr. "theosebes", que tem a mesma raiz de "sebein") e pratica sua vontade, a este atende" (Jo. 9:31). Temos de reconhecer não apenas a Sua bondade, como também Sua severidade (Rm 11:2 - considerai a bondade e a severidade de Deus). Reconhecer Sua justiça (Hb 10:31) - terrível coisa é cair nas mãos do Deus vivo). A santidade de Deus nos estimula a obedecê-lo (1 Pe. 1:16 - sede santos, porque Eu Sou santo). 3.6 - Adorar é realizar serviço sacerdotal (do grego: "leitourgeo"). O serviço dos sacerdotes no templo foi superado com o sacrifício de Cristo, o Sumo-Sacerdote, na cruz (Hb 7:26-28). Paulo oferecia seu serviço pastoral às igrejas, como uma oferta aceitável a Deus (Rm 15:16). A obtenção de fundos para os carentes da igreja de Jerusalém chama-se "leitourgia" (2 Co 9:12) . 15


Escola de discípulos – Vida de louvor e adoração

Os cristãos, quando servem aos irmãos, motivados pelo amor a Deus, exercem a "liturgia" (At 13:2). Quem serve a Deus serve a igreja e vice-versa.

Tópico III 4. OS Contrastes da Adoração do Velho e Novo Testamento É importante como Igreja de Cristo que tenhamos uma compreensão correta entre as alianças de Deus no passado, chamadas de “redentivas”, pois apontavam para uma melhor e mais perfeita aliança a ser manifestada em Cristo. Esta compreensão correta, afeta a qualidade da nossa adoração. Jesus declarou que já não mais adoraríamos segundo os modelos passados. Um novo tempo estava sendo inaugurado e, consequentemente, uma nova dimensão de adoração: Em espírito e em verdade Tudo o que está registrado no Antigo Testamento com relação ao tabernáculo, tinha uma finalidade: revelar Jesus. Cada aliança era uma revelação progressiva daquela que se tornaria a plenitude da revelação maior de Deus : Jesus . Em Colossenses 1.17 diz: “Ele é antes de todas as coisas. Nele, tudo subsiste. ” Cada ambiente do tabernáculo revelava a imperfeição do sacerdócio, das ofertas e do ofertante. “Isso é um símbolo para hoje. Quer dizer que as ofertas e os sacrifícios de animais oferecidos a Deus não são capazes de fazer com que o coração dos que o adoram seja como deveria ser. Essas ofertas e sacrifícios têm a ver somente com comida, com bebida e com várias cerimônias de purificação. São regras externas que têm valor somente até que Deus renove todas as coisas. Mas Cristo veio como o Grande Sacerdote das coisas boas que já estão aqui. A Tenda em que ele serve é melhor e mais perfeita e não foi construída por seres humanos, isto é, não é deste mundo.” Hebreus (BLH) 16

9.9-11


Escola de discípulos – Vida de louvor e adoração

Se Jesus já percorreu o caminho do átrio exterior até o santo dos santos com o objetivo de apresentar o sacrifício perfeito, porque vamos retornar aos velhos padrões imperfeitos da Antiga Aliança na tentativa de oferecer o perfeito louvor? É incoerência e ausência de conhecimento da palavra, acharmos que roda vez que adoramos, estamos fazendo de novo o caminho que já foi feito! Ele, Jesus, é o novo e o mais perfeito caminho que nos conduz à Deus! 4.1- A Adoração E o Templo O culto em Israel no Velho Testamento, foi divinamente determinado (Nm 29:39). Estes cultos eram considerados partes centrais na adoração a Deus. Os eventos passados, nos quais Deus agira, nunca deveriam ser esquecidos. Havia o sacrifício diário, o descanso do sábado, os primeiros dias do mês e as cinco festas anuais do período pré-exílio, além do ano do jubileu. Para os cristãos da Nova Aliança com Deus, as "festas fixas" também chamadas de "tempos designados" foram rompidos. O tempo é fundamental por causa da salvação que Deus proporcionou na História ( em grego "kairós"). O tempo perdeu seu significado sacro, a visão cristã santificou todos os tempos. A Igreja Judaica ( No início de Atos dos Apóstolos ) continuou a observar os sábados e celebrar as festividades, mas a motivação era meramente um fenômeno cultural. A celebração cristã do significado da cruz, que liberta o homem do pecado, transpõe ao tempo e deve ser contínua. O mundo físico e material deve ser encarado do ponto de vista espiritual. Não há mais diferença sobre o momento mais apropriado para adoração. Toda nossa vida, quer seja o trabalho, a profissão ou nossas atitudes de oração, cantar, ir à igreja, tudo deve ser uma celebração da nossa vida em Cristo. 4.2 - O Templo No antigo Israel, Deus escolheu locais especiais para Se revelar no decorrer da história. O Santo dos Santos, o Tabernáculo e o Templo, foram lugares de adoração. Com a vida ressurreta de Jesus e a descida do Espírito Santo, anularam-se as distinções geográficas "santas". A Glória de Deus ("Shekinah"), antes localizada no Templo, agora habitaria no Filho (Jo 1:14) e 17


Escola de discípulos – Vida de louvor e adoração

seria compartilhada com todos os que nEle habitam (Jo17:22). “Eis o Tabernáculo de Deus entre os homens” Este tabernáculo aponta para Cristo e não mais para o tabernáculo de Moisés, ou a tenda de Davi ou até mesmo o Templo de Jerusalém. Tudo isso era sombra do “maior e mais perfeito tabernáculo, não feito por homens, não desta criação” ( Hb.9.11). Paulo identifica a Igreja com aqueles que em todo lugar invocam o nome do Senhor Jesus Cristo (1 Co 1:2), presumivelmente na assembléia dos santos. Os membros da Igreja precisam se reunir para se edificarem uns aos outros (1 Co 14:26). Jesus em seu diálogo com a mulher samaritana, depara-se com o entendimento imperfeito que ela possuía sobre “o lugar” de adoração. Jesus respondeu que não era nem em Jerusalém e nem em Samaria, apontando assim, para o novo lugar de onde partiria a adoração: O ESPÍRITO DO HOMEM RECRIADO EM DEUS! 4.3 - O Sacrifício No Antigo Pacto, sacerdote e pecador se uniam para oferecer a Deus uma vítima sacrificial propiciatória. Do ponto de vista cristão, todo sacrifício animal é contrastado com a morte expiatória de Cristo. Apenas através do Servo Sofredor, o Filho de Deus, é que qualquer pecador tem livre e pleno acesso à presença de Deus (Rm 5:1; Hb 10:19). Cabe aos crentes a gratidão pelo sacrifício de Cristo na cruz. 4.4 - O Sacerdócio O sacerdócio sob a Antiga Aliança, unido ao Templo, sacrifica e festeja como uma parte essencial ao rito estabelecido por Deus, através do qual Seu povo poderia adorá-Lo. Os sacerdotes eram pontes vivas entre o Deus Santo e o homem pecador. Deus tinha confiado a Israel Seus oráculos (Rm 3:2), a nação foi consagrada como um "reino de sacerdotes" (Ex 19:6). A missão de Israel consistia em tornar o nome e a vontade de Deus conhecidos por todas as nações. Pela sua união com Cristo, a Igreja tornou-se um "reino" e seus membros, sacerdotes. O Novo Israel tem a responsabilidade de executar a missão

18


Escola de discípulos – Vida de louvor e adoração

original do Antigo Israel, isto é, proclamar as "virtudes daquEle que vos chamou das trevas para Sua maravilhosa luz"(1Pe 2:9). A Igreja também, como os sacerdotes, foi consagrada para ministrar em favor dos homens, através da intercessão. Outro ministério sacerdotal da Igreja, é o de ajuda mútua. Nas páginas do Novo Testamento, acumulam-se cerca de 35 exemplos de responsabilidade mútua, indicados pela frase "uns aos outros". O Novo Testamento nos desafia a nos apropriarmos do verdadeiro conceito de adoração. Todos os pensamentos, palavras e atos devem ser realizados como adoração, porque o Cordeiro é "digno de receber o poder, a riqueza e a sabedoria, força, honra, glória e louvor" (Ap 5:12). Para Sua honra, glória e benção, falamos, escrevemos, trabalhamos, brincamos, comemos e dormimos, pois Ele é digno de toda força da vida que pulsa dentro de nós (1 Co 10:31 - portanto, quer comais, quer bebais ou façais qualquer coisa, fazei tudo para a glória de Deus).

Tópico IV 5. O Espetáculo da Adoração no Céu. A grande maioria dos cristãos não é muito atraída pela leitura do livro de Apocalipse. Acham-no um livro difícil de ser compreendido em razão dos seus inumeráveis simbolismos. Mas uma das principais razões da dificuldade de compreendê-lo, é o desconhecimento do princípio do Tempo e da Eternidade: a cronologia Temporal e a Eterna. É em razão disso, que, antes de entrarmos na abordagem do espetáculo da Adoração no céu relatada por João, será importante estabelecermos base para

a

compreensão

da

ETERNIDADE

DE

DEUS

e

o

TEMPO

CRONOLÓGICO DO HOMEM. No Apocalipse eles se fundem. Por isso vamos primeiro entender sobre esses dois conceitos:

5.1 – A Eternidade e o Tempo

19

“A Eternidade e o Tempo”.


Escola de discípulos – Vida de louvor e adoração

A Eternidade abrange todos os tempos e épocas. A eternidade não está limitada a qualquer fator do tempo. Isto porque a eternidade fala da própria essência de Deus. O relato de Apocalipse se dá no “tempo presente” de João, sendo que ele mesmo se vê em espírito, ou seja acima da dimensão “espacial ou temporal”. Para a mente humana esse não é um entendimento fácil de ser assimilado, pois quando o pecado entrou no homem, este saiu da dimensão espiritual de Deus (Ecl.3.11 :”Pôs no coração do homem a eternidade”) e passou a viver na dimensão temporal do próprio homem. Quando falamos da dimensão espiritual chamada Eternidade, é o mesmo que Jesus declarou para João em Apoc. 1.8: “Eu SOU o Alfa e Ômega, diz o Senhor Deus, Aquele que É, que Era e que Há de vir, o Todo-Poderoso.“ Veja o gráfico a seguir e creio que ele ajudará na sua compreensão e entendimento do que se passa no céu da eternidade de Deus e revelada no tempo finito do apóstolo João:

1 – Toda a Eternidade, abrange o Tempo e suas Épocas. 2 – O passado, presente e o futuro estão presentes no tempo presente de Deus. 3 – João em Apocalipse, vê todos os aspectos do tempo, ou seja, ele entra na Eternidade. Por exemplo, João vê no passado a luta de Satanás contra Miguel. João está vendo no passado do TEMPO, o que será no futuro na Eternidade 5.2 – As Cenas do Espetáculo da Adoração no Céu João inicia a sua deslumbrante visão do Trono dizendo:

"...e eis grande multidão que ninguém podia enumerar, de todas as nações, tribos, povos e línguas, em pé diante do trono e diante do Cordeiro, 20


Escola de discípulos – Vida de louvor e adoração

vestidos de vestiduras brancas, com palmas nas mãos; e clamavam em grande voz..." (Ap 7.9,10).

Nenhum outro livro do Novo Testamento apresenta o júbilo dos remidos de forma tão clara, viva e intensa como o de Apocalipse. Quando acompanhamos a seqüência de adoração, percebemos um envolvimento de todos os seres criados numa explosão de louvores nos céus, diante de Deus e do Cordeiro. Penetrar o sentido dos cânticos e ver a cena é como se estivéssemos diante de um grande cenário em que se descortinam vários episódios de cantos e declarações ao Senhor. Se as epístolas não registram a presença de instrumentos musicais na vida da Igreja, no último livro eles são usados pelos anjos e pelos remidos no louvor a Deus.

1ª Cena: Os 4 Querubins assumem a Adoração “e eis armado no céu um trono, e, no trono, alguém sentado."

(Ap 4.2.)

Nessa primeira cena aparece um trono e aí alguém sentado nele. Os querubins iniciam o louvor e apenas eles cantam ao Todo-Poderoso. Depois de descrever a glória do Senhor, João fala do que aconteceu ao redor do trono de Deus. Ele vê os quatro querubins proclamando a santidade divina continuamente e descreve a movimentação dos vinte e quatro anciãos que, deixando os tronos em que se assentavam, prostram-se em adoração diante de Deus. Começa, então, a descrição do louvor a ele. Os querubins, sobre os quais falo mais adiante, comandam o louvor no céu. Um deles é semelhante a leão, o outro a novilho, um terceiro tem rosto como de homem e o quarto é como uma grande águia no seu vôo. Outras partes das Escrituras fazem menção a eles. Ezequiel, logo no capítulo 1, faz uma descrição pormenorizada desses seres que lhe apareceram em visão. Eles abrem caminho diante do profeta, encobrindo, com sua glória, a que é ainda mais transcendental, a de Deus. São eles que preservam a santidade 21


Escola de discípulos – Vida de louvor e adoração

do Senhor, segundo um comentarista bíblico e, de acordo com Ezequiel 10, eles são os querubins de Deus. Após a queda do homem no Éden, um deles ficou guardando o caminho da árvore da vida (Gn 3.24). Duas esculturas de ouro, representando dois deles, um de cada lado, foram colocadas em ambas as extremidades do propiciatório (Êx.25.18,19). Aqui, no Apocalipse, eles estão diante do trono, proclamando incessantemente: "... Santo, Santo, Santo é o Senhor Deus, o Todo-poderoso, aquele que era, que é e que há de vir." (4.8.) São eles que começam o coro dos que adoram a Deus.

2ª Cena: Os 24 Anciãos unem-se aos Querubins na Adoração Abrem-se mais cortinas e uma segunda cena aparece diante do espectador. Então os querubins, que estavam sós no seu louvor, recebem a companhia dos anciãos nesse início de adoração. Às vozes do quarteto juntam-se mais vinte e quatro, numa proclamação de louvores a Deus. Os querubins são seguidos, quase que simultaneamente, por vinte e quatro anciãos que têm no céu uma posição de governo e autoridade ao lado do Senhor. A Bíblia diz que eles estão assentados cada um em um trono ao redor do trono principal e têm coroa de ouro na cabeça (Ap 4.4). Quando os querubins começam a cantar, eles saem do lugar, dirigem-se ao trono onde Deus está assentado, depositam sua coroa de ouro aos pés do Criador, proclamando: "Tu és digno, Senhor e Deus nosso, de receber a glória, a honra e o poder; porque todas as cousas tu criaste, sim, por causa da tua vontade vieram a existir e foram criadas." (V 11.) Assemelha-se a um coral responsivo. Algumas vozes começam a cantar e recebem, noutras estrofes, acompanhamento. E uma grande proclamação de bela harmonia musical.

3ª Cena: O Cordeiro é visto no trono e a Adoração se intensifica. 22


Escola de discípulos – Vida de louvor e adoração

O capítulo cinco amplia o cenário. Agora não há apenas um trono com vinte e quatro outros ao redor, com querubins, relâmpagos, trovões e tochas. O Criador está sentado no trono com um livro fechado na mão, enquanto um anjo forte anuncia em grande voz: "... Quem é digno de abrir o livro e de lhe desatar os selos?" (V. 2.) A visão é emocionante. O céu irrompe em música, sons e louvores quando o Cordeiro toma o livro. Nessa cena, temos um livro, um anjo forte, o próprio apóstolo João, o Cordeiro e, para surpresa do espectador; milhões de milhões de anjos. Eles entram no cenário e, ao lado dos anciãos e dos querubins, adoram a Deus e ao Cordeiro. Agora os querubins e os vinte e quatro anciãos já não louvam alternadamente. Eles se unem num único cântico. Há, porém, um detalhe importante: não é apenas um cântico. E um novo cântico! Imagino que o Cordeiro de Deus nunca o ouvira ser cantado antes. Talvez tenha sido composto para ele enquanto ainda estava na terra, redimindo o homem. Tendo cada um deles uma harpa, anciãos e querubins prostram-se e começam a entoar o novo cântico preparado para aquele momento nos céus. Apesar de ser dedicado ao Cordeiro por sua obra redentora a favor da humanidade, não são os homens redimidos que o cantam. São, porém, os seres celestes, cuja proclamação enche os céus com a nota dominante da redenção:

"... Digno és de tomar o livro e de abrir-lhe os selos, porque foste morto e com o teu sangue compraste para Deus os que procedem de toda tribo, língua, povo e nação e para o nosso Deus os constituíste reino e sacerdotes; e reinarão sobre a terra." (Ap 5.9,10.)

Esses seres compreenderam a situação do homem e o drama da sua redenção, pois fizeram um cântico em homenagem a Jesus. Eles dizem "com o teu sangue compraste para Deus", dando a entender que um alto preço foi pago pelo resgate da humanidade. É o céu acompanhando de perto o que se 23


Escola de discípulos – Vida de louvor e adoração

passa com os habitantes do planeta Terra!

Os seres celestes conseguiram perceber o drama da redenção, dedicando ao Cordeiro uma música toda especial. Os redimidos então podem compor também

novos

cânticos

que

exaltem

a

obra

da

cruz:

afinal,

nós

experimentamos a libertação. Aqueles seres espirituais contemplam e proclamam a redenção, da qual nós somos participantes. Nós fomos alcançados pelo Cordeiro de Deus que nos resgatou de nossa maneira vã de viver. O que quero dizer com isso? Se o céu, que não experimentou pecado, pode proclamar a obra redentora de Cristo, muito mais nós, os que por ele fomos resgatados. Atrevo-me a dizer que o cântico dos remidos aqui na terra inspirou o dos anjos nos céus. Esses seres não experimentaram pecado, entretanto escreveram a letra e a música de uma nova canção de adoração nos céus. Pedro diz que eles, os anjos, anelam perscrutar (investigar, conhecer com profundidade) a mensagem do evangelho (1 Pe 1.12). Querem entender como um remido se sente depois de resgatado das trevas. O novo cântico dos querubins e anciãos possui várias características: A primeira delas é que nele os seres celestes conferem ao Cordeiro o direito de abrir o livro. Ele é o único que foi encontrado digno de tomá-lo e abrir-lhe os selos. Daqui em diante, o livro de Apocalipse vai se referir a ele como o "Cordeiro". O choro de João foi compensado com o esplendor do cântico. Quando ele olha e não vê ninguém digno de abrir o livro, fica tomado de intensa emoção. Ele foi amigo inseparável de Jesus na terra. Acompanhou-o até à cruz, viu o túmulo vazio, esteve com ele várias vezes depois da ressurreição. Já o vira em glória resplandecente na primeira parte da visão de Patmos. E agora, onde está o Cordeiro? Por que ninguém foi achado digno? A cena é muito rápida e o choro é logo compensado por uma explosão de louvores nos céus: "Digno és...!" A segunda característica é o atestado de que Jesus de fato morreu. “Porque foste morto" diz o cântico novo! Este, portanto, não poderia ser cantado antes da cruz, mas somente depois da ressurreição, quando Cristo, triunfante, entrou 24


Escola de discípulos – Vida de louvor e adoração

na glória do Pai. Jesus dissera a João no início da visão: "Estive morto, mas eis que estou vivo pelo séculos dos séculos." A terceira característica é a confirmação da eficácia do sangue. Aquilo que as Escrituras atestam doutrinariamente é proclamado e cantado nos céus. O sangue do Cordeiro tem o poder de remir o homem para Deus. João, no início do livro, diz que Jesus "pelo seu sangue nos libertou dos nossos pecados" (1.5). A quarta característica é a abrangência da salvação: ela é universal. Não são apenas os judeus, mas pessoas de "toda tribo, língua, povo e nação" foram alcançadas pela obra redentora de Cristo. Novamente o céu vibra com o que acontece na terra. Aliás, Jesus contou três parábolas aos discípulos a respeito da alegria do céu quando alguém se arrepende na terra (Lc 15). Quem encontra sua ovelha perdida reúne os amigos para festejar. Jesus diz que assim também é no céu: há alegria e júbilo quando alguém se arrepende. A mulher que perde uma dracma dá uma festa quando a encontra, e o Senhor diz que "há júbilo diante dos anjos de Deus por um pecador que se arrepende" (Lc 15.10). Finalmente o filho gastador retorna ao lar e é recebido pelo pai com alegria e grande comemoração. Podemos concluir que a salvação do homem é a nota musical que alegra o céu. A quinta característica é profética. O cântico anuncia que todos os remidos, de todos os povos, foram constituídos reino e sacerdotes e reinarão sobre a terra. Tal proclamação nos coloca no centro da vontade de Deus, confirma aquilo que ele tem preparado para nós. 4ª Cena: As miríades de anjos entram na Adoração

Um novo cenário de adoração se abre nos céus. João percebe que, ao som do novo cântico, milhões de milhões e milhares de milhares de anjos começam a aproximar-se do trono. Eles vêm de todas as partes. Imagino que eles deixam seus postos de trabalho em vários lugares do universo e se 25


Escola de discípulos – Vida de louvor e adoração

reúnem todos no céu. O texto não diz que é um novo cântico, mas como faz parte da mesma cena, acredito que seja a continuação do anterior. Eles chegam proclamando:

"... Digno é o Cordeiro que foi morto de receber o poder, e riqueza, e sabedoria, e força, e honra, e glória, e louvor." (Ap 5.12.)

Chego a pensar que os querubins e os anciãos tinham muito interesse na redenção da humanidade. Eles glorificam a Cristo por causa de sua obra redentora a favor do mundo, anunciando que os remidos participarão do novo reino na terra. Os anjos vindos de todas as partes exaltam o Cordeiro, atribuindo-lhe o direito de receber poder, riqueza, sabedoria, força, honra, glória e louvor. No capítulo quatro ouvem-se apenas os querubins cantando ao Criador, seguidos dos anciãos. Na descrição do capítulo cinco, porém, o som dos louvores começa a aumentar nos céus. Ele enche cada espaço da morada do Senhor. Já não há apenas vinte e quatro anciãos e quatro querubins cantando diante de Deus e do Cordeiro. Agora se somam milhões e milhões de anjos! Apenas alguns deles encheram com sua voz as campinas de Belém, cantando para os pastores. Imagine essa cena de adoração ao Cordeiro!

5ª Cena: As miríades de anjos entram na Adoração

Novas cortinas se abrem e aparecem as obras das mãos de Deus que se unem a todos os demais participantes:

“Então, ouvi que toda criatura que há no céu e sobre a terra, debaixo da terra e sobre o mar, e tudo o que neles há, estava dizendo: Àquele que está sentado no trono e ao Cordeiro, seja o louvor, e a honra, e a 26


Escola de discípulos – Vida de louvor e adoração

glória, e o domínio pelos séculos dos séculos." (Ap 5.13.)

As cenas foram se modificando. Novas personagens juntam-se às anteriores. Há uma fusão da terra com o céu. Aquelas obras, as mesmas que Davi tão insistentemente convidara a louvar a Deus (Sl.148 – Não deixe de ler. Veja a dimensão da Adoração), chegaram também. O cântico agora é entoado ao Criador e ao Cordeiro! Já não é apenas o Pai que recebe o louvor, mas o Filho também é adorado pela obra redentora em favor da humanidade. Os seres da terra, as criaturas, as obras das mãos de Deus, unem-se aos anjos numa única proclamação. Isso significa que as plantas e os animais terrestres cantam com os anjos nos céus, à semelhança do que hoje os remidos fazem. Nos cultos, entoamos louvores em parceria com os anjos de Deus. Estes cantam com a igreja. A natureza canta com eles! Quando o apóstolo Paulo declara em Rom 8.22,23 que a criação geme aguardando sua redenção, ele revela que esta redenção vem pelo ministério dos remidos na Terra. Nossa adoração como remidos, introduz a adoração da criação. A visão de João quando ele vê toda Criação louvando ao Cordeiro é o cumprimento no futuro do Tempo e presente da Eternidade de Romanos 8:19: “A ardente expectativa da criação aguarda a revelação dos filhos de Deus”.

6ª Cena: Os Remidos entram no cenário da Adoração _ Ap.7.9 Nosso quadro se amplia no capítulo sete. Ao lado dos anciãos, dos querubins e dos milhões de milhões de anjos, aparecem os remidos de toda a terra. Eles superam em número os anjos, já que estes (os anjos) foram, de certa forma, enumerados. Os remidos, porém, são uma multidão que ninguém pode contar. Eles vêm de todas as nações, povos, tribos e etnias do planeta. Esta é a mais linda das cenas. Você pode imaginar a cena: enquanto todos os querubins, anciãos e anjos adoram, começa a se ouvir lá no fundo, o som inigualável da multidão dos remidos. Os anjos olham para trás e vêm àquela multidão de seres semelhantes ao Cordeiro marchando com suas cabeças erguidas e sorriso nos lábios cantando a plenos pulmões, 27


Escola de discípulos – Vida de louvor e adoração

preenchendo de forma jamais vista a Adoração no céu. Na primeira cena, apenas os querubins adoram; na segunda, entram os anciãos; na terceira, querubins e anciãos louvam juntos; na quarta, os anjos cantam e na quinta unem-se a eles toda a natureza e as obras das mãos de Deus. Aqui os remidos, "roubam a cena". Eles enchem os céus. Aparecem de todas as partes, cercando os anjos, os anciãos, os querubins e o lugar ficam tomados da presença deles.

Agora os querubins, os anciãos, os anjos e o céu silenciam, a natureza se cala e ouvem-se somente os redimidos do Cordeiro. Eles cantam com grande voz diante do Senhor: "...Ao nosso Deus, que se assenta no trono, e ao Cordeiro, pertence a salvação.". Então os querubins, os anciãos e os milhões de anjos, que estavam em pé, prostram-se sobre o próprio rosto diante do Criador e do Cordeiro. Os remidos, portanto, lideram a adoração.

Com os Remidos, a Batuta! Há uma mudança de comando: os querubins cedem aos remidos o direito de dirigir o louvor nos céus. Eles podem fazer isso, pois obtiveram a redenção, receberam o perdão dos seus pecados, foram arrancados das trevas e experimentaram a eficácia do sangue em sua vida. Agora tem um cântico para cantar, fruto de uma transformação inquestionável. Eles viviam sob o domínio do diabo e foram libertos e transportados das trevas para o reino da luz. A multidão dos remidos, na linguagem popular, "é gente que não acaba mais!". Eles clamam em grande voz, dizendo: "...Ao nosso Deus, que se assenta no trono, e ao Cordeiro, pertence a salvação." (Ap.7.10.) Vamos revisar um pouco o cenário. O Criador e o Cordeiro merecem todo o louvor. Enquanto os milhões de milhões de anjos, Os anciãos e os querubins se prostram sobre o rosto, os remidos ficam em pé diante do trono. Por que eles se colocam nessa posição? Por que não se curvam como os demais? Uma primeira resposta que nos ocorre é que estejam em pé para serem vistos pelo Cordeiro. Isso é compreensível apenas dentro de nossa dimensão 28


Escola de discípulos – Vida de louvor e adoração

humana, pois a espiritual é diferente e mostrar-se não se faz necessário. Eles tampouco necessitam ficar em pé para ver o Cordeiro, já que se encontram em outra dimensão. Uma outra resposta que se pode dar é que eles se colocaram nessa posição por causa da sua dignidade espiritual. Eles estão de "cara limpa", no dizer popular, nada têm para esconder e podem fitar o Criador e o Cordeiro face a face. O fato de estarem em pé não significa que não estejam numa atitude de adoração. Eles podem estar assim porque o Cordeiro os purificou de seus pecados e lhes deu essa posição de honra. Todos se prostram, menos os remidos. E é isto o que diz um dos anciãos: Eles "lavaram suas vestiduras e as alvejaram no sangue do Cordeiro, razão por que se acham diante do trono de Deus" (7.14, 15). Isto é, eles podem ficar em pé diante do Criador e do Cordeiro porque foram purificados. Podemos divagar um pouco mais neste assunto e encontrar mais uma resposta: eles estão em pé para que o Criador e o Cordeiro tenham satisfação completa. Talvez a profecia de Isaias se encaixe perfeitamente aqui: "Ele verá o fruto do penoso trabalho de sua alma e ficará satisfeita..." (Is.53.11.) Pode ser também que o Cordeiro esteja mostrando o fruto de sua obra a Deus. Uma multidão que não se pode enumerar é apresentada ao Pai por Aquele que os resgatou. E eles chegam proclamando o direito que o Criador e o Cordeiro têm sobre eles.

Os Anjos Dizem “Amém”! Logo que os remidos chegam proclamando, diante do trono e do Cordeiro, os anjos, os querubins e os anciãos se prostram, respondendo à manifestação deles. Eles dizem “Amém", como se dissessem:

"É isso aí! Nós

concordamos com vocês!" A eles pertence a salvação. O cântico dos que se curvam complementa o dos remidos. Aqueles que vêm de todos os povos e nações são saudados pelos anjos, querubins e anciãos, que dizem:

"...Amém! O louvor, e a glória, e a sabedoria, e as ações de graças, e a honra, e o poder, e a força sejam ao nosso Deus, pelos séculos dos séculos, Amém!" (Ap 7.12.) 29


Escola de discípulos – Vida de louvor e adoração

Tópico V 6. Os Efeitos da Adoração. A Adoração é para Deus. Entretanto, o adorador experimenta os efeitos da sua própria adoração a Deus. Deus habita no meio dos louvores do seu povo e isto significa que Sua presença traz favor ao homem em meio a adoração. 6.1 - Segurança – a adoração fortalece a confiança íntima (Fp 4:6-7). É uma "terapia" que levanta nossos olhos para o horizonte e nos faz andar confiantes e esperançosos (Sl.37:5; Pv 3:5-6). 6.2 - Comunhão – a adoração gera intimidade com Deus e com as pessoas (1 Jo 1:3). Faz desaparecer as barreiras entre os irmãos (At.2:4). Um adorador tem excelente nível de relacionamento. 6.3 - Visão Transformada – quando vivemos na presença de Deus, temos nossa visão de mundo mudada. O resultado da íntima comunhão com Deus, cria em nós o desejo de colocar a honra a Deus acima dos nossos próprios valores e prioridades. Temos uma nova perspectiva de ver as realidades ao redor. Elas já não nos intimidam, pois na consciência de Adorador, sabemos que Deus é maior que todas as circunstâncias ou realidades. (II Tm.1.12) 6.4 - Evangelização – um culto digno do Senhor, faz crescer em nós o desejo de testemunhar de Jesus Cristo e anunciar as boas novas. Jesus convidou os discípulos a seguirem-nO (Mt 4:19; Mc 1:17; Lc 5:10), mas os enviou sem obrigá-los a ir (At.1:8). A comunhão com Ele e o Seu poder motivou toda a realização da tarefa missionária.

7. - Obstáculos à Adoração 7.1 - Atitude Incoerente – um espírito ferido, amargurado, de incredulidade, ou ressentimento, ou vingança, cobrança pela dívida moral do passado de outro, impedem uma adoração real. É necessário retirar do íntimo 30


Escola de discípulos – Vida de louvor e adoração

todo e qualquer espírito faccioso se pretendermos nos tornar adoradores verdadeiros de Deus (Mt 5:23-24). 7.2 – Falso Ritualismo e Tradicionalismo – toda prática que faz parte da liturgia da igreja teve sua origem em boas intenções. Entretanto, o bom desejo por um culto ordeiro, muitas vezes acarreta na implantação de atividades que, com o tempo, vão sendo exercidas mecanicamente. Tornam-se uma porta aberta para um falso ritualismo, um mero exercer automático de atividades religiosas, bem como uma crescente convivência com a hipocrisia. Devemos lembrar que Deus examina nossas intenções mais íntimas, muito antes de começar a adorá-lO (Mc.7.6). Portanto, se há hipocrisia, o Senhor exige arrependimento e a volta à Sua Palavra, não aceitando o continuísmo de rituais e tradições desprovidas da verdade. 7.3 - A Rotina – assim como em nossa vida surgem hábitos que regulam o nosso dia-a-dia, com muita facilidade a rotina pode caracterizar os cultos. Estes se tornam monótonos, com repetições cansativas, sendo um obstáculo à adoração. Quando a rotina toma conta, o adorador precisa estar disposto a pensar, a mudar os hábitos estéreis e revitalizar o "resto que estava para morrer" (Ap 3:2). Quem se "acostuma" com Deus será condenado por causar-lhe cansaço, como aconteceu com Israel no tempo de Isaías (Is 1:14). 7.4 - Amor às coisas do mundo – as vaidades humanas, os prazeres, pessoas, lugares, desejos e pensamentos que consciente ou inconscientemente tomam o primeiro lugar de Deus, nos impedem de adorar ao Senhor em espírito e em verdade. "Se você se encontra amando qualquer prazer mais do que as orações ou a Bíblia, qualquer casa mais do que a de Deus, qualquer pessoa mais do que Cristo, você está correndo o perigo do mundanismo" (citação de Guthrie, registrada em "Adoração Bíblica", p.131, Ed. Vida Nova, Dr. Russell Shedd). 7.5 - Pecado não confessado – somente após a confissão do pecado, tendo a confiança no sangue purificador de Cristo, teremos livre acesso ao Trono da Graça (Hb 4:16). No Velho Testamento, antes do sacerdote

31


Escola de discípulos – Vida de louvor e adoração

oferecer sacrifícios a Deus pelo pecado dos outros, ele era obrigado a purificarse por seus pecados (Ex. 30:17-20). 7.6 - O Desinteresse e a Ingratidão – (Ml.1.13) A época em que vivemos, notabiliza-se pelos grandes empreendimentos e mudanças rápidas. Os meios de comunicação (TV, Jornais, Internet), aprimoram-se para cativar cada vez mais a nossa mente. Muitos cristãos com isto, mostram desinteresse pelos valores eternos, ocupando seu tempo e mentes com seus interesses e preocupações, deixando pouco espaço para os elementos da adoração: louvor, comunhão, oração e gratidão. 7.7 - A Preguiça e a Negligência – os motivos que geram a preguiça são comuns: sono, o contágio por outros preguiçosos, e um ambiente onde o culto não é valorizado. A pessoa desmotivada, deixa alguma coisa ocupar o lugar de prioridade, que antes pertencia ao Espírito. Ocorre a diminuição da "fome" pela comunhão com o Senhor. Como conseqüência natural, vemos um aumento da negligência às coisas de Deus. O irmão André (Missão Portas Abertas) disse que é mais fácil "esfriar" um fanático do que "esquentar" um cadáver. 7.8 - Repressão Satânica – o inimigo detesta ouvir as pessoas louvando a Deus. Foi o profundo ciúme de Satanás em relação a Deus que causou sua queda. Ele tenta desanimar e suprimir todo louvor dirigido a Deus por parte dos crentes sinceros. Não se esqueça que este ambiente de adoração ele desejou para si, quando tentou a Jesus(Mt.4.9). O que não lhe foi dado, ele busca roubar por meio de intenso bombardeio de idéias erradas.

Tópico VI

8. A Expressão na Prática de Adoração Deus nos ensina, por toda a Sua Palavra, que MUITAS são as formas de adorá-lO. Por que o Senhor não escolheu uma única forma de Adoração? Exatamente porque sendo Ele o Criador dos seres humanos, sabe da diversidade que há quanto a predileções, temperamentos, talentos e culturas. Deus nos criou com estas diferenças ! 32


Escola de discípulos – Vida de louvor e adoração

Assim sendo, as maneiras de expressar Adoração, também são diferentes ! Alguns, identificam-se mais com algumas formas; outros, sentemse mais à vontade, louvando de outra forma. Apesar de APROVAR as diferenças na Adoração, Deus também prega a unidade do corpo, e que devemos nos "esforçar diligentemente" para preservá-la, no vínculo da paz (Ef.13). Para o bem da unidade, devemos entrar em acordo: não deveríamos fazer julgamentos precipitados, das pessoas que não têm as mesmas preferências que nós temos, quanto à forma de adorarem ao Senhor. Um dia, perceberemos que podemos louvar a Deus lado a lado, mesmo através de formas diferentes de Adoração. Esta diferença, bem dirigida e orientada ao respeito mútuo, trará riqueza, profundidade e maturidade ao Louvor. O Senhor, no entanto, não abre mão do conteúdo da Adoração: "Mas, vem a hora e já chegou, em que os verdadeiros adoradores, adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque são estes que o Pai procura para seus adoradores" (Jo. 4:23). A Bíblia nos relata várias formas de expressão. Algumas, calmas; outras, vigorosas. Mas todas glorificam a Deus. Entre elas : glorificam a Deus. Entre elas :

NA QUIETUDE Sl 46:10 "aquietai-vos e sabei..." Mt 6:6 "no silêncio do quarto..." COMPARTILHANDO Sl 9:1 "louvar e testemunhar os feitos do Senhor" Sl 105:2 "cantar e narrar Suas maravilhas"

CANTANDO 33


Escola de discípulos – Vida de louvor e adoração

Sl 28:7 "com o meu canto O louvarei" Sl 89:1 "cantarei para sempre"

SALMODIANDO Sl 30:4 "citar salmos" Sl 47:6 "salmodiarei a Deus"

COM INSTRUMENTOS Sl 149:3 - louvor instrumental Sl 150:3-5 - variedade de instrumentos

COM PALMAS Sl 47:1 - sinal de alegria e júbilo Sl 98:8-9 - a criação é conclamada a louvar

COM EXPRESSÃO CORPORAL Sl 150:4 – movimento rítmico, acompanhado por adufes Ex 15:20-21 - música, dança e cântico (Miriã) 2 Sm 6:14-15 – Davi dança com vigor, seriedade, alegria e música diante de Deus

COM MÃOS LEVANTADAS Sl 134:2 "levantai as vossas mãos no Santuário..." Sl 143:6 "estendendo para Ti as minhas mãos..."

34


Escola de discípulos – Vida de louvor e adoração

COM OS LÁBIOS Sl 63:3 "...os meus lábios Te louvarão" Sl 119:171 "profiram louvor os meus lábios..."

COM ACLAMAÇÃO Dicionário Aurélio – aclamar : "aprovar entusiasticamente, por meio de brados ou aplausos" Sl 98:4 "aclamai, regozijai-vos..." COM AÇÕES DE GRAÇAS Sl 147:7 "cantai ao Senhor em ação de graças" Sl 92:1 "bom é render graças ao Senhor..." Sl 136:1 "dai graças ao Senhor, porque Ele é bom ." BENDIZENDO Sl 134:1 "eis aqui, bendizei ao Senhor..." ORANDO Fp 4:6 "diante de Deus, pela oração e súplica, com ações de graças."

Finalmente...

"E, "voltando-se para a mulher, disse a Simão: Vês esta mulher? Entrei em tua casa, e não me desta água para os pés; esta, porém, regou os meus pés com lágrimas e os enxugou com os seus cabelos. Não me deste ósculo; ela,entretanto, desde que entrei não cessa de me beijar os pés. Não me ungiste a cabeça com óleo, mas esta com bálsamo ungiu os meus pés. Por isso te digo: Perdoados lhe são os seus muitos pecados, porque ela muito amou; mas aquele a quem pouco se perdoa, pouco 35


Escola de discípulos – Vida de louvor e adoração

ama.

(Lucas 7.44-47)

Este impressionante relato, revela como o Senhor observa os propósitos do coração humano. A adoração revela quem nos somos. Quando adoramos na dimensão “em espírito” nos tornamos semelhantes àquele a quem adoramos. Note que Jesus se identifica com aquela mulher com relação ao quebrantamento e atitude de adoração.

O Senhor disse: "Maria despojou-se de sua glória para ministrar a Mim." Se todos os discípulos estivessem presentes, havia, no mínimo, mais doze pessoas naquela casa. mas ninguém alcançou o mesmo nível de intimidade que aquela mulher. Os discípulos, embora fossem boas pessoas como Pedro, Tiago e João, fracassaram. Você pode estar tão ocupado sendo um discípulo atuante, que pode estar fracassando na adoração! Você acha que Deus precisa que façamos coisas para Ele? Não é Ele o Criador que deixou os céus para escavar os sete mares com a palma da mão? Não foi Deus que modelou a terra para fazer as montanhas? Então, é óbvio que Ele não precisa que você "faça" nada. O Senhor quer sua adoração. Jesus disse à mulher junto ao poço:

“... os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque são estes que o Pai procura para seus adoradores." (João 4.23) Assim como muitos pastores, ministros e diáconos nas igrejas de hoje, os discípulos ficaram nervosos ao ver aquele tipo de fome por Deus: "Alguém pare esta mulher", teriam dito. Mas Jesus interveio: "Não, finalmente alguém está fazendo algo correto. Não ousem parar esta mulher!" As igrejas hoje não têm lugar para "Marias com vasos de alabastros", porque elas nos 36


Escola de discípulos – Vida de louvor e adoração

constrangem quando começam a desmantelar sua glória, orgulho e ego na frente de todo mundo (o problema é que nossa glória, orgulho e ego se sobrepõem à humildade).

Deus está dizendo ao Seu povo: "Se vocês estiverem dispostos a se despojarem de sua glória, Eu os trarei para perto de Mim." Posso ouvi-Lo dizer: "Esqueça sua glória, coloque seu ego de lado. Não Me importa quem você seja, o que sinta ou quão importante pense ser. Eu o quero, mas primeiro você tem que 'esmigalhar' sua glória." Por quê? Porque o sepultamento da glória do homem é o nascimento da glória de Deus.

A paixão de Maria atingira tão alto nível, que ela poderia dizer: "Não ‘estou nem aí' se as pessoas estão me vendo fazer isso!" Talvez você sinta um aperto no peito ao ler estas palavras. Posso quase garantir que você já aprendeu como manter a pose, mesmo que esteja louco para cair aos pés do Senhor clamando por perdão e misericórdia. Deixe que o amor que existe em você quebre aquela casca que encobre aquilo que você realmente é: "Você é aquilo que pensa." Deus quer que você, espontânea e corajosamente, deixe que o mundo saiba o quanto O ama - mesmo que tenha você que "esmiuçar" sua glória na frente de vários discípulos críticos. Quebre seu vaso de alabastro, onde está guardado o que você tem de mais precioso, e mostre publicamente sua paixão pelo Senhor.

Deus não precisa de seu culto religioso: Ele quer a sua adoração. E a única adoração aceita por Ele é a que provém da humildade. Se você quiser vê-Lo, terá que se despojar de sua glória e banhar os pés do Senhor com suas lágrimas. Esta mesma mulher, mais tarde, ao terceiro dia após a morte de Jesus, foi ao sepulcro. Ela já o havia ungido com sua adoração em vida; agora ela o busca para ungi-lo na sua morte. Jesus acabara de sair do túmulo e já estava em seu caminho para a glória, a fim de apresentar seu sangue diante do Pai. 37


Escola de discípulos – Vida de louvor e adoração

Um Adorador pode, literalmente, interromper os planos e propósitos de Deus. Jesus adiou, por instantes sua missão, para ir à pessoa que havia quebrado o vaso mais precioso que possuía para ungi-lo. Ele viu a adoração dela e, colocando-se por detrás, chamou: Maria, Maria. O Senhor conhece seus adoradores pelo nome. O bálsamo de adoração foi para Jesus, mas, certamente, Maria foi igualmente alcançada pelo derramar daquele bálsamo sobre Jesus. Sua adoração é para o Senhor, mas Ele mesmo reparte seu perfume sobre os vasos de alabastros que se deixam quebrar e só assim, exalam sua perfumada adoração. O interior do vaso guarda intenso aroma de seu perfume: Cristo.

38

Apostila de vida de louvor  
Read more
Read more
Similar to
Popular now
Just for you