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Índice

EDITORIAL COLUNA VERTEBRAL

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Nucleoplastia da coluna vertebral Dr. Fernando Sanchis

CIRURGIA PLÁSTICA

Nevus Gigante: muito mais que marca de nascença

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Dr. Ricardo Lodeiro

DOENÇAS AUTOIMUNES

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Lúpus: um companheiro para a vida toda

A estação mais esperada do ano chegou. Com ela o calor, as férias, a diversão, roupa curta e uma alegria contagiante. Assim como no inverno, onde as atenções devem ser redobradas, o verão merece precauções específicas com a sua saúde e a de sua família. Nesta primeira edição do ano, produzimos reportagens especiais sobre os cuidados com as crianças, seja na utilização das roupas e alimentação. Alguns temas merecem atenção como a proteção contra o sol e a cautela com os alimentos vendidos na beira da praia, por isso, também separamos matérias específicas para esclarecer todas as suas dúvidas. Todo esse cuidado só realmente valerá à pena se as famílias se conscientizarem que álcool e direção não combinam. Passado 2010, quando quase duas mil famílias, somente no Estado, foram arrasadas por tragédias no trânsito, vale a pena redobrar a atenção sobre os efeitos do álcool no sangue. Ainda temos muitas férias pela frente e o carnaval. Esse número só será diferente em 2011 se cada um mudar a sua atitude. Para complementar, você também poderá conferir artigos com especialistas das mais diversas áreas, que esclarecem as principais dúvidas dos leitores. Boa leitura e até março!

Expediente GERIATRIA

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Idosos: como prevenir as quedas

Janeiro - 2011 - Ano II - 5a Edição Circulação: 5000 Exemplares Jornalista Responsável: Roselaine Vinciprova (MTB 11043) * Os artigos assinados não refletem, necessariamente, a opinião da revista Matéria de Saúde e são de inteira responsabilidade dos autores. * Procure o seu médico para diagnosticar doenças, indicar tratamentos e receitar remédios. As informações disponíveis na revista Matéria de Saúde possuem apenas caráter educativo.

Contatos:

ORTOPEDIA E TRAUMATOLOGIA

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Artrose de quadril Drs. Alfredo Sanchis e Pablo Lessa

PROFISSIONAIS QUE COLABORARAM COM ESTA EDIÇÃO Fernando Sanchis (CRM 25665), Ricardo Lodeiro (CRM 18066), Carlos Teodósio Da Ros (CRM 16962), Angela M.T. de L. Bohlke (CRF 11949), Eneida Kompinsky (CREMERS 15849), Andrea Engel de Jesus (CRP-RS 11998), Aline Oliveira de Carvalho (CREFITO 41722/F), Peter Hiwatashi Ymay (CREMERS 27712), Leandro Müllich (CRM 25274), Sabrina F. Pereira (CRF 10120), Laura Souto (CRM 026715), Patrícia Gordin Panni (CRM 27.244), Maria Bernadete G. Ornaghi de Aguiar (CRP 07/18091), Alfredo Sanchis (CRM 025970) e Pablo Lessa (CRM 029083).

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Coordenação: - Roselaine Vinciprova - roselaine@trcomunicacao.com - Tadeu Battezini - tadeu@trcomunicacao.com Fone: 51 3041.2333 | e-mail: saude@trcomunicacao.com Comercial: Tadeu Battezini - tadeu@trcomunicacao.com Leonardo Azevedo - vendas@trcomunicacao.com Colaboração: Camila Schäfer - camila@trcomunicacao.com Rodrigo Viegas - rodrigo@trcomunicacao.com Kamyla Jardim - redacao@trcomunicacao.com Matéria de Saúde é uma publicação bimestral da TRCOM. Todos os direitos reservados.


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:: COLUNA VERTEBRAL

Dr. Fernando Sanchis Especialista em Cirurgia da Coluna Vertebral CRM 25665

A nucleoplastia do disco intervertebral pode ser considerada uma modalidade de tratamento conservador

www.room4.co.uk

Nucleoplastia da coluna vertebral: um novo tratamento para as doenças da coluna Divulgação

Estatísticas americanas revelam que cerca de 1,5 milhão de americanos são diagnosticados anualmente com hérnia de disco/protusões discais na coluna vertebral (também conhecida como “ciática”). Um novo e promissor tratamento chamado de nucleoplastia de disco utiliza ondas de rádio para dissolver suavemente pequenas porções indesejáveis de tecido do disco e aliviar a pressão que pode causar dor na parte inferior e/ou superior das costas e na parte superior das pernas e/ou nos braços.

A nucleoplastia do disco intervertebral pode ser considerada uma modalidade de tratamento conservador, muito semelhante aos medicamentos para dor, injeções epidurais de esteroides (bloqueios/infiltrações) e fisioterapias. A nucleoplastia é um procedimento minimamente invasivo muito semelhante ao receber uma vacina ou injeção de esteroides, do que uma operação tradicional de coluna. Na maioria dos casos, a

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nucleoplastia é a resposta para um alívio rápido e durador - mas sem os riscos de uma cirurgia tradicional. Para entender como funciona um disco herniado, pense no pneu de uma bicicleta com uma saliência. Com certeza, a saliência tornará mais difícil o andar da bicicleta. Quando uma saliência ou "hérnia" surgir no invólucro de um disco devido a uma lesão ou ao processo normal de envelhecimento, o resultado será uma dor forte. Isso acontece porque o disco está envolto por raízes nervosas sensíveis na coluna. Se a saliência for grande o suficiente para roçar nessas raízes nervosas, a dor pode se irradiar por toda a parte inferior das costas e/ou pescoço e parte superior das pernas e/ou braços. De modo muito semelhante ao pneu com uma saliência, que pode ser corrigido com a saída de um pouco de ar, um disco herniado pode ser tratado se for aliviada a pressão dentro dele. Essa é a finalidade da descompressão da nucleoplastia de disco. O procedimento começa com um sedativo anestésico suave local (ou tópico). Com o paciente acordado, pequenas quantias de energia de ondas de rádio são liberadas no disco lesionado através de um dispositivo semelhante a um cateter que tem a espessura de uma agulha. A energia cria uma reação molecular que causa a dissolução de parte do tecido gelatinoso do interior do disco lesionado. Com a diminuição da pressão no interior do disco, a hérnia se retrai, a irritação nas raízes dos nervos nas proximidades se reduz, ocasionando um alívio da dor.

Um disco herniado pode ser tratado se for aliviada a pressão dentro dele. Essa é a finalidade da descompressão da nucleoplastia de disco.

Normalmente, todo o procedimento de injeção de ondas de rádio da nucleoplastia dura de 5 a 10 minutos e o paciente estará pronto para sair andando em cerca de uma hora. Qual é a taxa de sucesso da nucleoplastia? De acordo com estudos clínicos, os resultados são semelhantes àqueles das cirurgias de disco tradicionais - porém sem o trauma, período longo de recuperação, custo alto ou a maioria das complicações em potencial. Com base nesses estudos, aproximadamente quatro entre cinco pacientes de nucleoplastia obtiveram resultados satisfatórios com significativa redução na dor, ausência de uso de remédios narcóticos e retorno ao trabalho. Entretanto, a nucleoplastia não está indicada para todos os tipos de hérnias de disco/protusões discais e/ou para todos os pacientes, devendo cada caso ser avaliado por um ortopedista especialista em coluna para que os melhores resultados sejam alcançados. Informe-se mais em nosso site: www.colunars.com.br.


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:: CIRURGIA PLÁSTICA

Dr. Ricardo Lodeiro Cirurgião Plástico CRM 18066

Sempre que possível, procura-se indicar a retirada deste nevus ou ao menos a redução de seu tamanho

Nevus Gigante: muito mais que marca de nascença Não é raro cruzarmos, nas andanças da vida, com pessoas que carregam consigo grandes "sinais" de pele, cujas dimensões vão de alguns centímetros de diâmetro até a cobertura de grandes áreas do corpo, incluindo membros e face. Esta manifestação é conhecida no meio médico como "nevus gigante" e, quando acompanhado da presença de cabelos ou pelos, "nevus gigante piloso". Para muitas pessoas não passa de uma marca com a qual se nasceu e a vida transcorre sem maiores influências, mas é comum que, pelo menos em alguma etapa da vida, esse sinal represente um transtorno estético e social. Na fase da adolescência, onde o culto à imagem fica mais aflorado, a presença de um nevus gigante pode trazer sérios transtornos sociais, impedindo o indivíduo de se expor como os demais por considerar-se "diferente" e sentir-se envergonhado ou constrangido. O nevus gigante carrega consigo outra face importante: da mesma forma que peles muito claras apresentam maior risco de desenvolver alguns tumores, a área do nevus apresenta chances maiores de sofrerem transformações ao longo da vida, podendo gerar alguns tipos de tumores bastante graves (melanomas) se não diagnosticados a tempo. Sempre que possível, procura-se indicar a retirada deste nevus ou ao menos a redução de seu tamanho (quanto menor a área, menos tecido para haver transformação). Um dos principais problemas ocorre em situações de grande extensão ou próximos a articulações e na face. Hoje há, no arsenal da cirurgia plástica, diversos recursos capazes de contornar estas 6 | janeiro de 2011 |

limitações - sendo que cada caso deve ser cuidadosamente avaliado. Estes recursos incluem técnicas de reposicionamento dos tecidos, colocação de expansores de pele (que esticam a pele normal próxima ao nevus como uma gravidez faz com a barriga, permitindo uma sobra de pele normal capaz de cobrir a área retirada) indo até o uso de matrizes de regeneração dérmica para casos muito extensos, onde a derme (parte elástica da pele) que sai com a retirada da lesão é regenerada e coberta com um fino enxerto, cujo comportamento elástico equivale ao da pele normal. O aspecto estético costuma ser muito aceitável, pois troca-se uma área escura com pelos por outra mais clara sem pelos (embora praticamente nunca seja igual à pele normal). Todos este recursos estão à disposição em nosso meio, fruto da globalização da saúde, que trouxe o que existe de mais moderno e eficiente até nós. Profissionais bem peparados e atualizados correspondem à maioria dos cirurgiões plásticos brasileiros e devem ser procurados para ajudar nestes casos. barresiderm

nonaenfermaria

O nevus gigante carrega consigo outra face importante: da mesma forma que peles muito claras apresentam maior risco de desenvolver alguns tumores, a área do nevus apresenta chances maiores de sofrerem transformações ao longo da vida saudetotal.com.br


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Pelo Mundo ○

Principais estudos e pesquisas realizados na área de saúde ○

SUBSTÂNCIA DE ESTRELAS-DO-MAR CHAMA A ATENÇÃO

BENEFÍCIOS DO SEXO Diversas pesquisas pelo mundo têm evidenciado os benefícios do sexo para a saúde do ser humano. Um estudo feito por Yvonne Ulrich-Lai e James Herman, da Universidade de Cincinnati (EUA) e publicado no National Academy of Sciences, demonstrou que o sexo inibe as respostas do cérebro à ansiedade e ajuda a combater os efeitos do estresse. A pesquisa mostrou que ficar um tempinho a mais na cama com o parceiro pode fazer bem para a saúde. Outro estudo da Universidade de Rutgers (EUA) mostrou que a liberação de endorfinas, corticosteroides e outros analgésicos naturais durante o ato sexual é a melhor maneira de combater as dores. Além disso, o relaxamento dos músculos também ajuda no controle da dor. Outra pesquisa da Universidade de Wilkes (EUA) chegou à conclusão de que pessoas que faziam sexo de uma a duas vezes por semana tinham o nível de anticorpos 30% maior do que aquelas pessoas que eram abstinentes. Além disso, outros estudos sugerem que homens que ejaculam mais durante a vida podem ter um menor risco de desenvolver o câncer de próstata e que mulheres em idade pós-menopausa e que tenham vidas sexuais ativas são dez vezes menos propensas a problemas relacionados com a atrofia urogenital.

Pesquisadores do King´s College, em Londres, dizem que as estrelas-do-mar podem ajudar na descoberta de novos tratamentos para doenças como a asma, a febre do feno e a artrite. Eles ficaram interessados em uma substância viscosa que cobre o corpo da espécie Marthasterias glacialis - também conhecida como estrela-domar de espinhos ou estrela-do-mar verde. Ela possui uma superfície antiaderente muito eficiente, que impede que as coisas grudem e é esta propriedade que chamou a atenção dos cientistas, particularmente no que diz respeito a condições inflamatórias. A ideia agora é criar um tratamento baseado no exemplo da estrela-do-mar.

REDUÇÃO DE SAL NA ADOLESCÊNCIA Pesquisadores americanos afirmam que a redução de 3 gramas no consumo diário de sal na adolescência reduz significativamente (de 30 a 40%) o risco de doenças cardíacas e derrames na idade adulta. Adolescentes que consomem menos sal também têm outros benefícios quando chegam aos 50 anos: redução de 7% a 12% nas doenças coronarianas, de 8% a 15% na incidência de ata-

ques cardíacos, e de 5% a 8% na incidência de derrames, segundo dados apresentados em reunião da Associação Americana do Coração, em Chicago. A entidade recomenda que o consumo diário de sódio seja limitado a 1,5 grama. Os alimentos industrializados costumam conter muito sódio. A pizza é um dos piores vilões, segundo o Centro Nacional de Estatísticas da Saúde.

VINAGRE DE MAÇÃ AUMENTA NÍVEIS DE HDL Um estudo de Minnesota, nos Estados Unidos, mostrou que uma ou duas colheres diárias de vinagre de maçã podem aumentar os níveis de colesterol bom (HDL), que tem efeito protetor sobre a saúde cardiovascular. Para chegar a essa conclusão, a equipe analisou 120 pessoas. Metade delas teve de ingerir por oito dias a iguaria e, a outra, uma solução de água e 2% de vinagre balsâmico (placebo). Segundo o jornal Daily Mail, um estudo anterior em animais com diabetes mostrou que o vinagre de maçã reduziu as taxas de colesterol ruim e melhorou as de HDL. Os cientistas acreditam que o produto acelere o processamento das gorduras.

BEBÊS QUE NASCEM NO VERÃO SÃO MAIS BEM-HUMORADOS Uma pesquisa da Universidade de Vanderbilt (EUA) quer demonstrar que os bebês que nascem no verão são mais bem-humorados e de bem com a vida. Já vir ao mundo durante o inverno tende a tornar o relógio biológico mais lento, o que afetaria a saúde e a personalidade. Para chegar a essa conclusão, a equipe expôs camundongos a dife-

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rentes quantidades de luz nos primeiros meses de vida. Alguns viveram em condições de verão, com 16 horas de luz e oito sem e a outra parte ficou apenas oito horas na luz. Depois do desmame e de continuar no mesmo ciclo de luz por várias semanas, os animais foram submetidos à escuridão. Aqueles que viveram com mais claridade mantiveram

a mesma rotina diária, enquanto o restante mostrou dificuldade de se adaptar à mudança. Sendo assim, os nascidos nos meses de pouca luz têm elevado risco de problemas como depressão sazonal, depressão bipolar e esquizofrenia. Segundo o jornal Daily Mail, mais estudos são necessários para confirmar os resultados.


:: UROLOGIA

Há risco de câncer em pacientes vasectomizados? Por Carlos Teodósio Da Ros Urologista CRM 16962 Aproximadamente 2/3 dos casais adotam alguma forma de anticoncepção e a vasectomia é a opção de apenas 1% destes casais. Trata-se de um procedimento cirúrgico relativamente simples e seguro, realizado em regime ambulatorial. Como qualquer cirurgia, existe a necessidade do treinamento para tal e quem o faz são os urologistas. O Conselho Federal de Medicina, através da Resolução 1901/2009, artigo 4, reforça esse comentário, dizendo que apenas cirurgiões habilitados a fazer o procedimento de reversão é que podem realizar a vasectomia. A cirurgia pode ser feita com anestesia local e/ou sedação, onde os ductos deferentes (esquerdo e direito), responsáveis pelo transporte dos espermatozoides desde os testículos até próximos da próstata, são ligados e seccionados. O procedimento, como já foi comentado, pode ser revertido cirurgicamente, com auxílio de um microscópio cirúrgico e apre-

senta alto índice de sucesso, em mãos treinadas para este fim. O câncer de próstata é o tumor maligno mais frequente no sexo masculino e a segunda causa de morte por neoplasia em homens. Sugere-se que todos os homens, a partir dos 40 a 45 anos de idade, façam a avaliação da próstata anualmente, que consiste em um toque retal associado ao exame de sangue chamado Antígeno Prostático Específico (PSA). Comenta-se sobre uma possível correlação entre a vasectomia e o câncer de próstata. A Organização Mundial da Saúde (OMS) reuniu um grupo de investigadores, em 1994, para avaliar e estudar a possível associação entre a vasectomia e o câncer de próstata. A conclusão deste grupo foi de que não havia tal tendência. A Associação Americana de Urologia (AUA) também formou um comitê para rever estes dados e a conclusão foi de que não existe relação entre a vasectomia e o câncer. Logo após, o Instituto Nacional de Saúde (NIH), dos EUA, também realizou uma reunião com a mesma finalidade e declarou que não existia

motivo de preocupação, uma vez que não foi identificada nenhuma relação entre a cirurgia e o tumor. Apesar de toda esta informação, muitos pacientes, ainda hoje, temem a vasectomia pelo medo de disfunção erétil, perda de orgasmo ou ejaculação, ou mesmo desenvolvimento de câncer de próstata. A vasectomia não altera o desempenho sexual do indivíduo. A ejaculação também não sofre nenhuma modificação significativa no seu volume, uma vez que menos de 10% do ejaculado provém dos testículos e o restante do volume do ejaculado é proveniente das vesículas seminais e próstata. Algumas publicações sugerem uma possível associação entre a vasectomia e o câncer de próstata. Porém, outras relatam exatamente o contrário, isto é, não se consegue provar relação direta entre o procedimento cirúrgico e o desenvolvimento do tumor. Não se sabe, na verdade, se é erro de análise ou se realmente há algum efeito causal. Porém, ainda hoje não se identificou uma correlação entre o tumor e este procedimento.

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:: CUIDADO

A esterilização

na prevenção de doenças Segundo o Ministério da Saúde, o processo de esterilização que oferece maior segurança é o vapor saturado sob pressão, realizado através do aparelho autoclave A esterilização dos instrumentos utilizados em hospitais, cirurgias, consultórios dentários e até mesmo de uso mais frequente como alicates, tesouras de unha e outros materiais encontrados nas estéticas de beleza requer bastante cuidado. Doenças como a hepatite e a AIDS podem ser adquiridas através do contato com alguns desses materiais mal higienizados. Isso sem contar os problemas mais comuns, como os fungos, que se proliferam em função do ambiente úmido e se alimentam da queratina, substância que forma as unhas.

sos tipos de autoclave, porém os mais utilizados e realmente confiáveis são o autoclave convencional horizontal e autoclave de alto vácuo.

A esterilização é o processo de destruição de todas as formas de vida microbiana, como as bactérias, os fungos e os vírus, mediante a aplicação de agentes físicos e químicos. Segundo o Ministério da Saúde, o processo de esterilização que oferece maior segurança é o vapor saturado sob pressão, realizado através do aparelho autoclave.

Antes de iniciar o processo de esterilização no autoclave, o material deve ser lavado, escovado e secado. Depois de inserir este material no envelope especial de autoclave, a esterilização pode ser iniciada. O processo se baseia em três etapas: aquecimento, esterilização e secagem. Para cada uma das etapas deve ser seguido o manual de instruções do fabricante e observados os valores de temperatura recomendados.

Diferente das estufas comuns, em que o processo de esterilização não é garantido, pela dificuldade de certificar sua eficácia, o autoclave esteriliza por completo diferentes materiais, além de ser seguro para o meio ambiente e para o operador. Existem diver-

Diferença de autoclave para estufas simples: Estufas • Baixo custo de manutenção • Impossibilidade de garantir o processo de esterilização • Tempo prolongado de exposição dos artigos ao agente, agressão aos materiais e limitação de uso • Utiliza temperaturas elevadas • Variação importante de temperatu-

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O equipamento é mais caro que outros, como as estufas, entretanto o seu custo durante a utilização é relativamente mais baixo. A dificuldade de encontrar locais que utilizam autoclave ocorre pelo valor do aparelho e pelo processo de esterilização, que é mais trabalhoso do que o processo nas estufas, porém mais eficaz.

A eficácia do aparelho é válida por dois métodos: os indicadores químicos, que mudam de cor conforme a temperatura, e os indicadores biológicos, tubo com suspensão

ra dentro da estufa e das caixas de metal • Temperatura varia de acordo com a quantidade de instrumentos dentro da caixa

Autoclave • Tempo de esterilização é variável • Método mais econômico • Seguro para o meio ambiente e para o operador • Ciclo fácil de monitorar e controlar • Esterilização eficaz

Materiais que podem ser esterilizados em autoclave: • Roupas • Escova de fibra sintética • Material de aço inox • Instrumentos metálicos • Agulhas • Seringas de vidro • Lâminas de corte, tesouras e serras • Frascos, balões de vidro e tubos de ensaio

de esporos de bactérias muito resistente, que morrem quando expostos por 12 minutos ou mais a uma temperatura de 122°C. A utilização do aparelho autoclave em hospitais e grandes clínicas se tornou comum pela determinação do Ministério da Saúde. Entretanto, nas clínicas odontológicas e estéticas de beleza não ocorre uma fiscalização constante a respeito da esterilização dos materiais. Certifique-se de que o local escolhido para os tratamentos de saúde e beleza utiliza o autoclave na esterilização dos artigos. Afinal, o contágio com as doenças é rápido, fácil e imperceptível.

Como saber se o local utiliza autoclave? • Os aparelhos de autoclave ficam expostos nos consultórios e estéticas • O material que será utilizado deve ser retirado de um envelope lacrado • O canto do envelope indica se houve esterilização: * Cor rosa: Não foi esterilizado * Cor cinza: Material esterilizado -> Caso permaneça com dúvida se o local utiliza autoclave, questione o modo de esterilização dos materiais para o profissional responsável


:: ODONTOLOGIA

Salve sua pele enquanto é tempo Colaboração de Angela Maria Tubbs de Lucena Bohlke Farmacêutica da Central de Fórmulas CRF 11949 Para evitar o envelhecimento precoce da pele, o protetor solar deve ser usado o ano todo, na praia, no trânsito ou em qualquer lugar. E quanto mais cedo começar, melhor. Os dias ensolarados dos países tropicais são realmente maravilhosos, mas cobram um preço alto com o passar dos anos. Quem não se protege do sol, a médio e longo prazo pode conviver com sérios problemas, que além de envelhecimento precoce, pode incluir até um câncer de pele. Os especialistas dizem que é preciso começar cedo o uso do filtro solar, porque nos primeiros vinte anos de vida, recebemos cerca de 75% de radiação solar que iremos nos expor durante toda a vida. Isso porque é nessa fase da juventude que se passa mais tempo ao ar livre, as férias são mais prolongadas e acabamos recebendo em cheio toda

a radiação solar de um país tropical. Os efeitos nocivos só começam a aparecer por volta dos 40 anos. Portanto, se você perdeu a oportunidade de se proteger, estimule as crianças e adolescentes a tomarem algumas precauções na exposição ao sol. Evite o exagero! A exposição solar moderada, nas primeiras horas da manhã e nas últimas horas da tarde, é uma prática saudável, pois ajuda o organismo a sintetizar a vitamina D, tão importante para os ossos. Mas acontece que nos acostumamos a exagerar especialmente na praia, quando a maioria das pessoas está indo para a beira do mar na hora em que deveria estar voltando para casa, pois o período de sol entre as 10h e 16h deveria ser evitado.

Você sabe aplicar o filtro solar? Regras para obter o máximo de proteção para sua pele: • Não economize o filtro solar. Passe uma camada generosa em todo o corpo. Dê preferência aos filtros com FPS 30 no mínimo. • Não deixe para aplicar o protetor apenas na hora de sair ao sol. O ideal é aplicar na pele seca meia hora antes da exposição. • Dê atenção especial às orelhas, pescoço, atrás dos joelhos e pés. • Reaplique o filtro a cada duas horas de exposição ou sempre que sair da água. • Bebês não devem se expor excessivamente ao sol, nem usar filtros solares. O banho de sol deve ser de, no máximo 15 minutos, nas primeiras horas da manhã. Assim, se você pretende voltar bronzeado da praia neste verão, analise os riscos. Cuide-se! Use filtro solar! A sua pele agradece.

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:: EVENTOS

- Quer divulgar um evento? Mande um e-mail para saude@trcomunicacao.com -

ENCONTRO INTERNACIONAL DE FISIOTERAPIA DERMATO-FUNCIONAL Entre os dias 17 e 19 de fevereiro ocorre o V Encontro Internacional de Fisioterapia Dermato-Funcional, em Belo Horizonte (MG). O encontro objetiva informar os profissionais que se dedicam a essa especialidade, abordando as aplicações da Dermato-Funcional nas diversas áreas, com os mais atuais recursos terapêuticos. O evento, que será realizado no Centro de Convenções do Hotel Mercure BH Lourdes, contará com palestras de médicos, fisioterapeutas e farmacêuticos vindos de diferentes Estados e países. Paralelos à programação do Encontro, ocorrerão mini cursos e o Simpósio: Aplicação da Dermato-Funcional na Cirurgia Plástica no mesmo hotel, porém as inscrições deste simpósio são separadas do Encontro. Para maiores informações, acesse o site do evento: www.dermato-funcional2011.com.br. O que? V Encontro Internacional de Fisioterapia Dermato-funcional Onde? No Centro de Convenções do Hotel Mercure BH Lourdes em Belo Horizonte Quando? De 17 a 19 de fevereiro

CONGRESSO INTERNACIONAL DE EDUCAÇÃO FÍSICA – FIEP Entre os dias 15 e 19 de janeiro será realizado o 26º Congresso Internacional de Educação Física – FIEP, em Foz do Iguaçu, com o tema “O Profissional de Educação Física na América Latina”. A Fédération Internationale d'Education Physique (FIEP), através do Comitê Latino-Americano e da Delegacia da FIEP no Brasil, realiza o congresso que proporciona momentos de aprendizagem, discussões e pesquisas sobre diversos assuntos ligados à educação física, fisioterapia, nutrição e outras áreas. Reconhecido como o maior congresso de educação física da FIEP do mundo, oportuniza conhecimento, cooperação e integração entre os participantes do Brasil e do exterior. Para maiores informações acesse o site: www.congressofiep.com. O que? 26º Congresso Internacional de Educação Física Onde? Casa da Educação Física – FIEP, Foz do Iguaçu Quando? De 15 a 19 de janeiro

CURSO DE EXTENSÃO PSICOLOGIA HOSPITALAR EM VÁRIAS ESPECIALIDADES As inscrições para o Curso de Extensão Psicologia Hospitalar em Várias Especialidades estarão abertas a partir do dia 18 de fevereiro até 18 de março. O curso terá carga horária de 48h e ocorrerá em sábados alternados do mês de abril à junho. Realizado pelo Instituto de Cardiologia do Rio Grande do Sul, o curso discutirá artigos, doenças, a hospitalização e os casos clínicos, com prática observacional no Instituto de Cardiologia IC/FUC, entre outras atividades. O curso ocorrerá na Fundação Universitária de Cardiologia no bairro Santana, em Porto Alegre. A ficha de inscrição estará disponível a partir do dia 1º de fevereiro no site: www.cardiologia.org.br. O que? Inscrições para o Curso de Extensão Psicologia Hospitalar em Várias Especialidades Onde? Fundação Universitária de Cardiologia, em Porto Alegre Quando? Do dia 18 de fevereiro a 18 de março

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CONGRESSO INTERNACIONAL DE ODONTOLOGIA DO CENTENÁRIO DA APCD O Expo Center Norte, Centro de Exposições e Convenções de São Paulo, sediará o Congresso Internacional de Odontologia. Em comemoração ao centenário da Associação Paulista de Cirurgiões-Dentistas (APCD), o evento será realizado entre os dias 29 de janeiro a 1º de fevereiro e promete proporcionar oportunidades de aperfeiçoamento profissional, onde cirurgiões-dentistas poderão acompanhar adequadamente as transformações do mercado e os avanços científicos. O evento contará também com a participação da Feira Internacional, que apresentará as grandes novidades do mercado em equipamentos, materiais e serviços para todas as especialidades, com a participação de grandes empresas do setor. Maiores informações sobre o congresso da APCD no site: www.apcd.org.br/centenario. O que? Congresso Internacional de Odontologia do Centenário da APCD Onde? Expo Center Norte, em São Paulo Quando? De 29 de janeiro a 1º de fevereiro

CONEXÃO VERÃO: ESPORTE | FITNESS | LAZER Com o objetivo de promover diferentes atividades esportivas, educacionais, culturais e recreativas, a Unesporte de Santa Catarina criou o programa Conexão Verão. Em sua segunda edição, o evento interligará quatro praias de Florianópolis para desenvolver as atividades. A programação ocorrerá nos finais de semana entre 8 de janeiro a 6 de fevereiro, e as praias escolhidas são Ingleses, Canasvieiras, Praia Mole, Campeche, Pântano do Sul e Lagoa do Peri. Os interessados em participar podem optar entre as atividades: Conexão Open Sport (torneios esportivos), Conexão Experience (aulas de fitness, recreação e jogos amistosos), Conexão Adventure (clínicas e atividades de aventura e esportes radicais) e Conexão Expert (cursos de capacitação profissional em esporte e fitness). Para saber mais sobre o evento e realizar a inscrição, acesse o site www.unesporte.org.br. O que? 2ª edição Conexão Verão: esporte | fitness | lazer Onde? Praias de Santa Catarina Quando? Finais de semana de 8 de janeiro a 6 de fevereiro


:: PSIQUIATRIA

Transtorno de Estresse Pós-Traumático Para fazer esse diagnóstico, a pessoa com esse transtorno deve ter sofrido exposição a um evento envolvendo morte, ferimento grave ou ameaça à integridade física Por Eneida Kompinsky Psiquiatra CREMERS 15849 A ansiedade é um estado emocional desagradável que tem uma causa pouco clara e é frequentemente acompanhada por alterações fisiológicas e de comportamento semelhantes às causadas pelo medo. Por causa destas semelhanças, às vezes usam-se os termos "ansiedade" e "medo" de forma indistinta. Ansiedade é uma resposta ao estresse, como a interrupção de uma relação importante ou o ver-se exposto a uma situação de desastre com perigo de vida. Ela aparece em diversas situações da vida e de formas variadas como pânico, fobia, ansiedade de separação, entre outras. Vamos falar hoje do Transtorno de Estresse Pós-Traumático. Para fazer esse diagnóstico, a pessoa com esse transtorno deve ter sofrido exposição a um evento envolvendo morte, ferimento grave ou ameaça à integridade física sua ou de outros, evocando uma resposta de medo intenso, desamparo ou horror. Tais eventos podem incluir combate militar, assalto, agressão física violenta, grave acidente de automóvel ou doença ameaçadora à vida. Se não houver esse acontecimento, será possível fazer o diagnóstico, pois a definição dele envolve o evento externo. Os sintomas têm que estar diretamente relacionados ao evento estressante, as imagens, as recordações e a revivescência têm que ser a respeito do ocorrido e não sobre outros fatos quaisquer, ainda que ameaçadores.

O Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT) também pode resultar de situações em que a pessoa testemunhou determinado evento ou sabe que um ente querido o vivenciou. Em pacientes com TEPT, a resposta não dura mais de um mês e consiste na revivência persistente do evento que consistiu no trauma. A reexperiência persistente pode incluir recordações do evento, sonhos, flashbacks e sofrimento intenso ante situações que relembrem o fato. Os sintomas podem incluir transtornos do sono, irritabilidade, dificuldade para se concentrar, hipervigilância e resposta de sobressalto exagerada. A pessoa costuma não conseguir pensar em outra coisa, conta o fato inúmeras vezes, numa tentativa de digerir aquilo que não teve tempo de digerir, por ter sido um evento repentino e maior emocionalmente do que podia digerir. O Transtorno de Estresse Pós-Traumático pode ocorrer em qualquer idade, incluindo a infância. Os sintomas em geral iniciam nos primeiros três meses após o trauma, embora possa haver um lapso de meses ou mesmo anos antes do seu aparecimento. Frequentemente, a perturbação inicialmente satisfaz os critérios para Transtorno de Estresse Agudo imediatamente após o trauma. A duração dos sintomas varia, ocorrendo recuperação completa dentro de três meses em aproximadamente metade dos casos, com muitos outros apresentando sintomas persistentes por mais

de 12 meses após o trauma. A gravidade, duração e proximidade da exposição de um indivíduo ao evento traumático são os fatores mais importantes, afetando a probabilidade de desenvolvimento deste transtorno. Existem algumas evidências de que os suportes sociais, história familiar, experiências da infância, variáveis da personalidade e transtornos mentais preexistentes podem influenciar o desenvolvimento do Transtorno de Estresse Pós-Traumático. Este transtorno pode se desenvolver em indivíduos sem quaisquer condições predisponentes, em particular se o estressor for extremo. Uma coisa importante e cada vez mais frequente nos consultórios é que nem sempre são necessários grandes eventos. Há certos fatos que podem não ser considerados graves, como um acidente de carro sem vítimas. Mesmo assim, uma pessoa pode vir a apresentar o quadro de estresse pós-traumático perante uma situação que pode não ser considerada forte o suficiente para causar danos à maioria das pessoas. As pessoas têm tido eventos traumatizantes no trabalho. Por exemplo, uma professora que é agredida moralmente na escola por alunos e não consegue mais voltar a dar aulas, assédios morais no trabalho, patrões que humilham os funcionários. O tratamento para este tipo de transtorno deve ser ministrado por um psiquiatra, pois inclui tratamento medicamentoso e também por psicólogo através de psicoterapia.

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:: FÉRIAS DE VERÃO

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FÉRIAS: fundamental para a saúde

Estudos científicos comprovam que um período contínuo de férias e descanso longe da rotina diminui o estresse, refletindo na maior eficiência e melhor qualidade de vida O trabalho, a lida da casa e o cuidado com a família são atividades indispensáveis na vida da maioria das pessoas. A correria para a realização de todas as tarefas no dia-a-dia acaba aumentando o estresse, o que pode trazer problemas de saúde. Estudos científicos comprovam que um período contínuo de férias e descanso longe da rotina diminui o estresse refletindo na maior eficiência técnica e melhor qualidade de vida na volta ao trabalho. O estresse laboral que se acumula quando o indivíduo fica longos períodos sem se desligar do trabalho pode causar queda na imunidade, problemas cardiovasculares, ansiedade, depressão, problemas digestivos constipação, diarreia, gastrite e até úlceras -, hipertensão, alergias e problemas respiratórios. O organismo necessita de período livre das obrigações habituais, não só para descansar corpo e mente, mas também para reorganizar a vida. Apesar de ser um momento excelente para descansar e renovar forças, voltar das férias pode ser uma fase crítica, por causa da readaptação com a rotina e a volta dos horários. A chamada depressão pós-férias surge logo nos primeiros dias de trabalho e desenvolve sintomas como desânimo, dores de cabeça e cansaço profundo. Além de se sentirem deprimidas, várias pessoas atingem o mesmo nível de estresse de antes 14 | janeiro de 2011 |

das férias. A depressão ocorre, principalmente, em trabalhadores insatisfeitos com o emprego ou aqueles que sentem dificuldade para retornar ao dia-a-dia. É fundamental que o ser humano encontre diversão e prazer na profissão, trabalhando em um ambiente agradável, com bom relacionamento com os colegas. Para a maioria os sintomas da depressão vão embora depois de uma semana, porém outros precisam buscar auxílio de profissionais. Medo de tirar férias Enquanto a maioria das pessoas espera ansiosa pelas férias e algumas até desenvolvem depressões por terem que voltar a rotina de trabalho, existem pessoas que adiam ou encurtam o intervalo de descanso o máximo, por medo de se afastarem do emprego. De acordo com uma pesquisa realizada pela International Stress Management Association no Brasil (Isma-BR) com 678 profissionais de 25 a 55 anos, 38% dos entrevistados têm fobia de tirar férias. O principal receio dos participantes do estudo é que decisões importantes sejam tomadas na empresa durante sua ausência (46%). Outros 32% têm medo de mudanças de cargo ou responsabilidades, enquanto a preocupação de 3% é que ninguém sinta a falta deles. Segundo a pesquisa, os maiores responsáveis por disseminar essa sensação entre os

empregados são os chefes. Os funcionários precisam lembrar que mudanças não acontecem apenas quando estão ausentes e os chefes têm que entender que as férias fazem bem tanto para a saúde do empregado, quanto para a própria empresa, pois o funcionário retornará do descanso com mais entusiasmo e trabalhará melhor. Férias trazem mais satisfação do que bens materiais Estudo realizado nos Estados Unidos afirmou que gastar dinheiro com viagens de férias torna as pessoas mais felizes do que a compra de bens materiais. Psicólogos da Cornell University, em Nova York, avaliaram outras oito pesquisas e perceberam que o ser humano tende a comparar seus bens com os de outras pessoas. Sendo assim, as experiências de férias trazem mais satisfação, já que são mais pessoais e difíceis de serem comparadas. Segundo o estudo, a decisão de gastar dinheiro com uma "experiência" é mais fácil de ser tomada do que a de um bem material. Além disso, quando as pessoas compram algo, elas tendem a ficar ruminado sobre as alternativas que poderiam ter optado ou a continuar comparando o que têm com o que não puderam comprar. Já com as viagens é difícil de ocorrer, afinal é uma experiência única e especial.


:: FÉRIAS DE VERÃO

Cuidados com os pequenos nas férias de verão Chegaram as férias de verão, época em que as crianças estão mais tempo em casa e fazendo de tudo um pouco: brincando na rua, jogando videogame, tomando banho de piscina... Como atualmente muitos pais trabalham, fica difícil conciliar suas férias com as dos filhos, por isso a preocupação com os pequenos aumenta e o cuidado deve ser redobrado para que eles curtam o sol, praia, piscinas e parques com segurança. No verão, algumas doenças oportunistas são mais frequentes, como aquelas associadas à perda de líquidos e, consequentemente, à desidratação, que pode ser causada por diarreias, vômitos ou suor intenso. Portanto, os pais devem ficar atentos à alimentação da criança e outros hábitos. Exposição ao sol Não use filtro solar em bebês com menos de 6 meses de idade e mantenha-os longe do sol. Para os maiores, evite o sol entre 10h e 16h, quando a radiação é mais intensa e proteja a criança com chapéus e roupas adequados. Use um filtro solar com no mínino FPS 30. O ideal é aplicar 30 minutos antes da exposição

e reaplicar a cada duas horas, principalmente quando a criança for à água ou transpirar muito. Utilize o filtro mesmo em dias nublados, pois os raios solares atravessam as nuvens e a neblina. Se a criança se queimar, o conselho é tomar um banho quase frio e utilizar hidratante ou loções pós-sol. Se a queimadura parecer mais grave, ou surgirem sinais como moleza excessiva e febre, dê bastante água fria e procure atendimento médico. Não deixe de expor a criança ao sol, pois o passeio ao ar livre faz bem à saúde, como também é essencial para que o organismo absorva, por exemplo, a vitamina D. Mas sem exageros. Roupas As roupas devem ser preferencialmente de algodão, pois facilitam a evaporação do suor. Evite que a criança fique com a roupa molhada após sair da praia, pois isso favorece o surgimento de micoses de pele. As roupas também podem proporcionar uma barreira contra a radiação ultravioleta. Procure não deixar os pequenos sem roupa. O contato com a areia ou cadeiras sujas pode trazer problemas de pele e proble-

mas no trato geniturinário. Alimentação No verão, a alimentação é simples, com muito líquido e frutas, de preferência trazidos de casa, para evitar intoxicação alimentar. Evite comidas pesadas e frituras. Deve-se ingerir pelo menos 2 litros de líquidos como água natural, sucos, chás, etc. Inclua saladas bem coloridas na dieta. Frutas e legumes ricos em caroteno e em vitaminas, que deixam a pele mais protegida contra os raios solares, são bastante indicados nessa época. Entre eles estão as folhas verdes escuras e os legumes como espinafre, couve, folhas de mostarda, brócolis, pimentão, tomate, nabo, cenoura, abóbora e abobrinha. Entre as frutas: laranja, ameixa, ameixa seca, nectarina, cereja, pêssego, melão, manga e mamão. Águas-vivas Outro perigo constante nas praias é o de queimaduras por contato com águas-vivas. Nesses casos, deve-se lavar o local com água fria corrente e, conforme a gravidade da queimadura, procurar assistência médica.

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:: FÉRIAS DE VERÃO

Os efeitos do álcool no organismo No verão, com a chegada das festas e das férias, muitas pessoas acabam aderindo ao "beber socialmente", que já é apontado como um dos grandes causadores dos acidentes no trânsito Nas festas de final de ano é comum presenciarmos a mudança de comportamento daquele tio ou parente mais distante, que esteve tão quietinho, se transformar após beber um pouco além da conta. Ele se torna o palhaço da noite, arrancando gargalhadas e tornando inesquecível aquela festa que está devidamente registrada nas fotos e filmagens da família. Nas próximas reuniões, os familiares não só vão incentivar o parente a beber para se tornar aquela pessoa legal e divertida, como vão oferecer bebida a todo instante até ele assumir seu papel de atração da noite. Apesar de agir em um primeiro momento como estimulante, causando sensação de bem-estar e facilitador da comunicação, logo em um segundo momento o álcool age no organismo como depressor do Sistema Nervoso Central, podendo causar irritabilidade, sonolência, tontura, fala arrastada e diminuição dos reflexos. Segundo a psicóloga Andrea Engel de Jesus (CRP-RS 11998), os danos causados pelo álcool estão relacionados ao padrão de consumo, ou seja, à quantidade e frequência do uso, que ocasiona alterações na capacidade de julgamento, percepção, coordenação e emoções. No verão, com a chegada das festas e das férias, muitas pessoas acabam aderindo ao "beber socialmente", que já é apontado como um dos grandes causadores de acidentes no trânsito. Isto porque as pessoas que bebem em eventos ou esporadicamente dificilmente admitem que não podem assumir o volante. Por ficarem mais "alegres" acabam convencendo os outros de que estão bem. A pessoa pode até se sentir mais esperta, mas na verdade a capacidade de percepção de tempo, distâncias e velocidades está reduzida, tem pouca ou nenhuma

consciência de situações de perigo, ocorrem distúrbios visuais e diminuição da capacidade de reação rápida diante de emergências. Estudos apontam que quase 60% dos acidentes de trânsito têm como pano de fundo o indício alcoólico de um dos motoristas. Muitas vezes o motorista "alegre" causa um grande acidente que acaba por suprir a vida de pessoas que estão totalmente sóbrias. São as conhecidas vítimas inocentes. Segundo Andrea, as altas taxas de consumo de álcool em pessoas que dirigem e se envolvem em acidentes de trânsito tem sido maior entre os jovens. Além da pouca experiência no volante, os jovens formam o principal público que busca o álcool pela sensação de bemestar, coragem e desinibição. Bebem para comemorar, relaxar, dançar e se divertir, sem avaliar os riscos e problemas que esta droga pode desencadear.

A consciência ainda parece o melhor caminho para uma redução das tragédias relativas a álcool x direção. O papel da família de impor regras claras sobre quem será o motorista da noite é essencial. Findadas as estatísticas das festas de final de ano e a impossibilidade de mudar as tragédias, é possível mudar esses números para 2011.

Além do “socialmente”

A lei de tolerância zero ao álcool, sancionada em 2008, causou uma grande discussão pública que ficou conhecida com a lei seca, que aplica sanções rigorosas aos motoristas que apresentarem 0,2 gramas de álcool por litro de sangue, ou seja, mais que um copo pequeno de cerveja. Nos primeiros meses o índice de acidentes diminuiu em 40% no país. A fiscalização foi amenizando e hoje os índices voltam a crescer a cada dia. O Brasil está entre os 20 países que têm maior

Álcool não combina com direção Com 0,6 g/litro de sangue, o risco de acidente é 50% maior Com 0,8 g/litro de sangue, o risco de acidente é quatro vezes maior Com 1,5 g/litro de sangue, o risco de acidente é 25 vezes maior

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rigor na lei, segundo uma pesquisa do International Center For Alcohol Policies (Icap), sediado nos Estados Unidos. O país só perde para aqueles onde o limite é zero. Na Califórnia, por exemplo, nem os ciclistas podem guiar suas bicicletas sob o efeito do álcool. Na Itália, o limite zero álcool é exigido para condutores com menos de três anos de habilitação (entre 18 e 21 anos) e para condutores de cargas e transporte de passageiros.

A dependência do álcool pode levar ao desencadeamento de várias doenças, principalmente relacionadas ao fígado. Segundo o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-IV), os critérios para a dependência de substâncias são as manifestações de 3 ou mais dos seguintes: •Necessidade de quantidades maiores de álcool para atingir o efeito desejado; •A substância é consumida para aliviar ou evitar os sintomas de abstinência; •Consumo de maior quantidade por período mais longo do que o pretendido; •Existe desejo de parar ou reduzir, mas não consegue; •Tempo gasto para aquisição da substância; •Interferência nas atividades sociais e/ou ocupacionais; •Continuidade do uso, apesar da consciência de ser um problema. Segundo a psicóloga Andrea, o tratamento mais indicado para dependentes do álcool é a psicoterapia. Baseado na intervenção breve motivacional, o tratamento apresenta maiores chances de mudança de comportamento do usuário. Através do acolhimento e perguntas abertas e reflexivas, o indivíduo percebe os problemas relacionados ao uso do álcool, despertando a motivação para mudança e acreditando que as coisas podem melhorar. "É importante que o paciente reflita sobre possíveis prejuízos causados pelo consumo do álcool e por fim buscar soluções para as possíveis dificuldades que levam ao uso da droga", explica Andrea.


:: FÉRIAS DE VERÃO Divulgação

Os riscos dos petiscos de praia Alimentos comercializados por vendedores ambulantes, principalmente na beira da praia, podem representar riscos para a saúde dos consumidores

Recentemente foi divulgada a determinação da Vigilância Sanitária do RioGrande do Sul à Prefeitura de Torres, para que não permita o comércio de produtos alimentícios nas ruas, onde a elaboração não tenha sido previamente inspecionada, principalmente à beira mar, pela difícil conservação. De acordo com a entidade, este tipo de comércio constitui risco à saúde da população, já que os produtos comercializados podem ser facilmente contaminados por micro-organismos patogênicos devido às condições inadequadas do local de preparo e à falta de conhecimento sobre técnicas de manipulação higiênica por parte dos comerciantes. A venda de alimentos na beira das praias é comum, não só no litoral gaúcho, mas principalmente no Nordeste do país. Centenas de ambulantes passam o dia vendendo alimentos expostos ao sol, o que provoca a degradação rápida dos produtos. Além disso, durante a elaboração dos alimentos, diversos agentes podem levar a uma contaminação, que colocará em risco a saúde do consumidor. Dados do Ministério da Saúde indicam que mais de 45% das doenças transmitidas por alimentos ocorrem pela falta de cuidados na elaboração. A principal forma de contaminação desses produtos está relacionada com o manuseio incorreto e a conservação inadequada de alimentos. Existem três tipos de contaminação: a físi-

ca, que ocorre pela queda de um objeto estranho no alimento, como por exemplo, um cabelo, um inseto, pedaços de embalagens e outros. A química, quando qualquer substância ou um resíduo entra em contato com o alimento, por exemplo, por má utilização de detergentes e desinfetantes. E a biológica, que acontece pela atividade de micro-organismos.

jo coalho, entre outros, não podem mais ser vendidos nas ruas, beira mar, beira rio, praças e locais públicos de Torres. Entretanto, nas outras praias, o comércio desses alimentos permanece e cabe ao consumidor prestar atenção ao que ingere.

Os micro-organismos que são responsáveis pelas toxinfecções alimentares, infecções e intoxicações, são as bactérias, vírus, leveduras e bolores. As bactérias são as mais perigosas para a saúde pública, causando uma maior porcentagem de doenças de origem alimentar do que os outros micro-organismos.

• Nutrientes/alimento - as bactérias desenvolvem-se mais facilmente nos alimentos que constituem um meio nutritivo para elas, como é o caso das carnes, pescado, ovos, e laticínios. • Temperatura - as bactérias podem multiplicar-se facilmente entre 5o e 65oC, sendo este intervalo considerado a "zona de perigo". Abaixo de 5oC as bactérias não morrem, mas também não se multiplicam. A eliminação delas só ocorre em temperaturas elevadas (entre 90o-100oC), se aplicadas por mais de 15 minutos. • Umidade - a maior parte das bactérias necessita de água para poder utilizar os nutrientes, sendo a umidade um fator de crescimento bacteriano. • Tempo - as bactérias precisam de tempo para se multiplicar, apesar de o fazerem com uma elevada rapidez. Um alimento já preparado que seja deixado à temperatura ambiente e que esteja contaminado por um pequeno número de bactérias poderá ter centenas delas depois de algumas horas.

As consequências mais frequentes da ingestão desses alimentos são as gastroenterites, cujos sintomas habituais são diarreia, dores abdominais, vômitos e febre. Nos casos mais graves, elas podem até levar à morte. A dificuldade de detecção da bactéria que provocou a doença ocorre pelos sintomas serem comuns entre as doenças alimentares e até as de origem não alimentar. Segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), para evitar esse tipo de doença, responsável por cerca de 670 surtos com 13 mil doentes todo ano, a população precisa estar atenta com os cuidados de higiene e com os alimentos ingeridos nas ruas. Produtos como pastel, cachorro quente, doces, risoles, castanha do Pará à granel, quei-

Condições favoráveis para as bactérias:

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:: PILATES Divulgação

Pilates

na gestação O exercício evita o ganho de peso em excesso, reduz o estresse cardiovascular, estimula a boa postura, previne dores na coluna, o diabetes gestacional, melhora a imagem corporal, e, com isso, o estado psicológico.

Por Aline Oliveira de Carvalho Formada em Pilates no pré e pós parto e obstetrícia e coordenadora da Pilates Fisiomed CREFITO 41722/F No período gestacional, a mulher sofre alterações temporárias capazes de criar situações biológicas corporais, mentais e sociais, sintomas e sinais relacionados com alterações psicossomáticas. São alterações no Sistema Endócrino, no Cardiovascular, Tegumentar (estrias, ganho de pelos, cabelos e unhas, glândulas sudoríparas e sebáceas, varizes e mamas), no Sistema Respiratório e também modificações posturais. A prática de exercícios na gestação é então indicada para proporcionar uma maior qualidade de vida para a gestante. O exercício evita o ganho de peso em excesso, reduz o estresse cardiovascular, estimula a boa postura, previne dores na coluna, o diabetes gestacional, melhora a imagem corporal, e, com isso, o estado psicológico. Alguns aspectos deverão ser obser18 | janeiro de 2011 |

vados durante a prática, como por exemplo: a intensidade do exercício é considerada normal quando possível executá-lo simultaneamente a uma conversa, sem apresentação de nenhum mal estar; os exercícios respiratórios deverão acompanhar a atividade; deve-se explorar ao máximo as diferentes posições para a execução dos exercícios, observando-se as peculiaridades de cada pessoa. O Método Pilates é um exercício indicado no período da gestação, pois: • Busca melhorar a flexibilidade, principalmente da pelve; • Diminui o desconforto lombar causado pelas alterações posturais; • Fortalece os membros superiores; • Prepara para todas as mudanças próprias deste período, principalmente as musculoesqueléticas; • Trabalha os gestos motores que envolvem a vida cotidiana da gestante; • Realiza exercícios respiratórios com controle de frequência cardíaca que auxiliam no trabalho de parto;

• Proporciona uma conscientização corporal e um bem estar geral para a gestante. Além disso, no Pilates são trabalhados exercícios para o assoalho pélvico que são recomendados durante todo o período gestacional, podendo ser executados em todas as posições. O assoalho pélvico é formado por músculos e ligamentos que sustentam os órgãos internos, principalmente o útero e a bexiga. A recuperação da integridade da musculatura do assoalho pélvico, em níveis normais, ocorre de 4 à 6 meses após o parto, garantido, principalmente, pelo trabalho preventivo durante a gestação. O que a gestante não pode deixar de levar em consideração antes de iniciar a prática de qualquer exercício, é a procura de uma orientação adequada e de um profissional apto para esclarecer todas as dúvidas e proporcionar o maior benefício possível nessa fase de vida tão importante.


:: ACUPUNTURA Divulgação

A acupuntura na cefaleia proporciona, em geral, o alívio da dor, mediada pela ativação dos circuitos da supressão da dor

Cefaleia e acupuntura Por Peter Hiwatashi Ymay Especialista em Acupuntura pela Associação Médica Brasileira CREMERS 27712 Dentro da clínica dos médicos acupunturistas, a cefaleia é uma das queixas mais comuns e tratadas. É, em geral, uma condição prevalente, geralmente incapacitante para as atividades diárias, muitas vezes tratadas pelos pacientes com automedicação e, consequentemente, com uso excessivo de analgésico e anti-inflamatório. É estimado também que ocorra mais no sexo feminino e tem a maior frequência nos anos em que o indivíduo tem maior produtividade no seu trabalho. Entre os diferentes tipos de cefaleia, a do tipo tensional é a mais prevalente, se-

guida da enxaqueca ou migrânea. É preciso enfatizar que o médico acupunturista faça o diagnóstico correto da patologia, pois, se um dos sintomas apresentados pelo paciente suspeitar ao médico acupunturista outra patologia associada à cefaleia, ou cefaleia de origem secundária, este deverá sempre pedir os exames complementares necessários e encaminhar ao especialista. A acupuntura na cefaleia proporciona, em geral, o alívio da dor, mediada pela ativação dos circuitos da supressão da dor, conhecido como sistema inibitório des-

cendente. Além disso, promove a liberação de beta endorfinas, substâncias que promovem sensação de alívio da dor e bem-estar. O efeito da acupuntura em uma crise de enxaqueca ou também em uma cefaleia tensional pode ser muito rápido, com graus de alívio satisfatórios e sem os efeitos colaterais dos medicamentos, podendo ser utilizada também na prevenção da dor. As sessões são iniciadas após uma avaliação médica, podendo, se necessário, a realização de exames complementares, obtendo seus efeitos benéficos com o prosseguimento do tratamento.

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:: PSIQUIATRIA

O que é o Bullying Especialistas revelam que esse fenômeno, que acontece no mundo todo, pode provocar nas vítimas diminuição da autoestima, depressão, angústia, estresse, absenteísmo ou evasão escolar, atitudes de autoflagelação e até o suicídio Por Leandro Müllich Psiquiatra do Caepsy CRM 25274 Quem nunca foi zoado ou zoou alguém na escola? Risadinhas, empurrões, fofocas, apelidos como "bola", rolha de poço, quatro-olhos. Todo mundo já testemunhou uma dessas brincadeirinhas ou foi vítima delas. Mas esse comportamento, considerado normal por muitos pais, alunos e até professores, está longe de ser inocente. Ele é tão comum entre crianças e adolescentes que recebe até um nome especial: bullying. Trata-se de um termo em inglês utilizado para designar a prática de atos agressivos entre estudantes. Traduzindo ao pé da letra, seria algo como intimidação ou assédio. Trocando em miúdos: quem sofre com o bullying é aquele aluno perseguido, humilhado, intimidado. E isso não deve ser encarado como brincadeira de criança. Especialistas revelam que esse fenômeno, que acontece no mundo todo, pode provocar nas vítimas diminuição da autoestima, depressão, angústia, estresse, absenteísmo ou evasão escolar, atitudes de autoflagelação e até o suicídio. Enquanto que os autores dessa prática podem adotar comportamentos de risco, atitudes delinquentes ou criminosas e acabar tornando-se adultos violentos. Além disso, muitas vítimas de bullying podem se tornar algozes e praticar agressões semelhantes às sofridas por ele em pessoas que elas considerem mais frágeis que ela, ou ainda, se voltarem com a situação através de atitudes extremas como o ocorrido no tiroteio contra estudantes em Columbine - (EUA), dirigindo sua revolta não contra os agressores, mas para as pessoas que teriam se omitido ou ignorado o seu sofrimento e humilhação. Os autores de bullying normalmente são indivíduos com pouca empatia. Frequentemente vêm de família desestruturada, na qual há pouco

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relacionamento afetivo entre seus membros. Seus pais exercem supervisão pobre sobre eles, toleram e oferecem como modelo de resolução de conflitos o comportamento agressivo ou explosivo. Bullying diz respeito a atitudes agressivas e negativas, intencionais e repetidas praticadas por um ou mais alunos contra outro. Portanto, não se trata de brincadeiras ou desentendimentos eventuais. Os estudantes que são alvos de bullying sofrem esse tipo de agressão sistematicamente, explica o médico Aramis Lopes Neto, coordenador do primeiro estudo feito no Brasil a respeito desse assunto - "Diga não ao bullying: Programa de Redução do Comportamento Agressivo entre Estudantes", realizado pela Associação Brasileira Multiprofissional de Proteção à Infância e Adolescência (Abrapia). A prática do bullying pode ser dividida em duas categorias: direto e indireto. O bullying direto é a forma mais comum entre os agressores (bullies) masculinos. Exemplos: ataques físicos repetidos contra uma pessoa, seja contra o corpo dela ou danificando sua propriedade (livros, material escolar, roupas, etc.); fazer com que a vítima faça o que ela não quer, ameaçando-a para seguir as ordens. Colocar a vítima em situação problemática com alguém (geralmente uma autoridade), ou conseguir uma ação disciplinar contra a vítima, por algo que ela não cometeu ou que foi exagerado pelo bully; chantagem; expressões ameaçadoras e grafitagem depreciativa. A agressão social ou bullying indireto é a forma mais comum em bullies do sexo feminino e crianças pequenas, e é caracterizada por forçar a vítima ao isolamento social. Este isolamento é obtido

através de uma variedade de técnicas, que incluem: espalhar comentários negativos sobre a vítima ou família (particularmente a mãe), depreciando-a sem qualquer motivo (acusar sistematicamente a vítima de não servir para nada); recusa em se socializar com a vítima; intimidar outras pessoas que desejam se socializar com a vítima; criticar o modo de vestir ou outros aspectos socialmente significativos (incluindo local de moradia de alguém, aparência pessoal, orientação sexual, religião, etnia, nível de renda de qualquer outra inferioridade depreendida da qual o bully tenha tomado ciência). Usar a informática para praticar o cyberbullying (criar páginas falsas sobre a vítima em sites de relacionamento, de publicação de fotos, etc). Em escolas, o bullying geralmente ocorre em áreas com supervisão mínima ou inexistente. Ele pode acontecer em praticamente qualquer parte, dentro ou fora do prédio escolar. Como resultado destas tendências, escolas em muitos países passaram a desencorajar fortemente a prática do bullying, com programas projetados para promover a cooperação entre os estudantes, bem como o treinamento de alunos como moderadores para intervir na resolução de disputas, configurando uma forma de suporte por parte dos pares. Diante da relevância e da gravidade deste assunto, é importante que a comunidade escolar (direção, professores, pais e alunos) esteja preparada para reconhecer e identificar situações de bullying para que se atenuem os riscos deste comportamento, lembrando que tanto o agressor quando o agredido são vítimas silenciosas que merecem auxílio para vencerem seus traumas.


:: FARMÁCIA

Por que escolher

medicamentos manipulados? Além da personalização, o medicamento manipulado tem custo menor porque não possui intermediários em seu processo de fabricação e tem embalagens mais simples Os medicamentos manipulados podem trazer diversas vantagens aos pacientes. Além de a fórmula atender as necessidades individuais de cada pessoa, o processo de manipulação traz segurança porque segue normas determinadas pelo Ministério da Saúde. A qualidade das matérias-primas utilizadas e o processo de manipulação são rigorosamente controlados através de Procedimentos Operacionais Padrão (POP's). Existem ainda entidades com a Associação Nacional dos Farmacêuticos Magistrais (ANFARMAG) que promove auditorias, treinamentos e análises de controle de qualidade através do Sistema Nacional de Monitoramento Magistral (SINAMM), que tem chancelado a qualidade das farmácias. Segundo a farmacêutica da Central de Fórmulas, Angela Maria Tubbs de Lucena Bohlke (CRF 11949), entre as vantagens oferecidas pelos medicamentos manipulados está a economia, porque sua utilização é feita de acordo com a quantidade exata para o tratamento, o que evita sobras, desperdícios e a automedicação. Como esses medicamentos precisam de receita, a prática da automedicação pode ser diminuída. Na manipulação, todos os remédios são personalizados, com a dosagem e quantidade exata do tratamento, além de rótulo contendo a fórmula e nome do paciente. Se um

medicamento industrializado só existe em cápsulas no mercado e o paciente tem dificuldade de engolir, a farmácia pode prepará-lo em forma de xarope, por exemplo. "Algumas doenças precisam ser tratadas com vários remédios ao mesmo tempo e a fórmula pode ser manipulada associando essas substâncias em um único medicamento, o que facilita, por exemplo, a adesão ao tratamento de pacientes idosos", afirma a farmacêutica da Essência Farmácia de Manipulação, Sabrina F. Pereira (CRF 10120). Outra vantagem que a farmacêutica cita é que, como os produtos são utilizados por períodos pré-determinados, eles exigem menos conservantes e antioxidantes em sua composição, o que torna as fórmulas mais ecologicamente corretas e menos agressivas principalmente para o paciente com históricos alérgicos. Além da personalização, o medicamento manipulado tem custo menor porque não possui intermediários em seu processo de fabricação e tem embalagens mais simples. Na hora de escolher uma farmácia de manipulação, verifique se o farmacêutico está presente. Segundo Angela, por lei ele deve permanecer no estabelecimento durante todo o horário de funcionamento. Ele é o profissional habilitado a dar orientação correta sobre seu medicamento. Observe

também a higiene da farmácia e de seus funcionários.

Cuidados com os medicamentos: • Não guardar em armários de banheiro ou perto de pias e lavatórios. • O medicamento é de uso exclusivo do paciente e não deve ser usado por outra pessoa sem autorização médica. • Respeitar os horários de administração do medicamento e não alterar a dosagem prescrita pelo médico. • Respeitar o tempo de tratamento indicado pelo médico. Interromper ou estender a medicação por conta própria, pode resultar em problemas à saúde. • Se você já estiver tomando algum medicamento, avise o seu médico no momento da consulta. • Não misturar diferentes medicamentos numa mesma embalagem. Mantê-los sempre na embalagem original, bem fechados, sem remover o rótulo, pois nele há informações importantes. • Seguir corretamente as orientações das tarjas: "Manter em geladeira", "Agite antes de usar", etc. • A cor da cápsula é uma opção da farmácia e pode variar de uma farmácia para outra, o que não interfere na qualidade do produto.

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:: DOENÇAS AUTOIMUNES Carine Schäfer

O lúpus se manifestou em Luciane no ano de 2009 e a acompanhará por toda a sua vida, mas isso não é motivo para ela se abater. Algumas celebridades como a cantora estadunidense Lady Gaga e o cantor britânico Seal, também convivem com a doença, pouco conhecida por grande parte das pessoas

Lúpus: um companheiro para a

VIDA TODA Por Camila Schäfer Jornalista (MTB 15120) camila@trcomunicacao.com "Se Deus me trouxe essa doença, é porque eu tenho condições de vencer e conviver bem com ela. Não me sinto uma 'coitadinha'". É com esse pensamento que a auxiliar administrativa Luciane Maria Oliveira leva sua vida depois da chegada de um novo companheiro: o lúpus. A doença, que se manifestou em 2009, acompanhará Luciane por toda a sua vida, mas isso não é motivo para ela se abater. Fazendo o tratamento e tomando alguns cuidados, hoje a auxiliar administrativa leva uma vida normal e encara esse momento de forma muito positiva. Algumas celebridades como a cantora estadunidense Lady Gaga e o cantor britânico Seal, também convivem com o lúpus, doença ainda pouco conhecida por grande parte das pessoas e que não tem cura. O lúpus é uma doença autoimune do tecido conjuntivo que pode afetar qualquer 22 | janeiro de 2011 |

parte do corpo. Nesse tipo de doença, o sistema de defesa do organismo ataca as próprias células e tecidos, resultando em inflamação e dano tecidual. De acordo com a reumatologista Laura Souto (CRM 026715), o lúpus pode afetar qualquer pessoa e iniciar em qualquer idade, sendo mais comum nas mulheres jovens, entre 15 e 45 anos. As pessoas do sexo feminino são as mais afetadas, respondendo por 90% dos casos. Indivíduos com histórico familiar de lúpus também têm maior chance de desenvolver a doença. "Vários órgãos podem ser afetados, mas nem todos desenvolvem a doença da mesma forma. Nos casos leves, apenas a pele e as articulações são atingidas. Em outros pacientes, a enfermidade torna-se mais grave, podendo afetar o sangue, os pulmões, os rins ou até mesmo o sistema nervoso", explica Laura. No caso de Luciane, o lúpus trouxe outros proble-

mas, como o hipotiroidismo e a nefrite lúpica III (problema no rim). "As pessoas ficam com receio quando falo da minha doença e me tratam como 'coitadinha', mas eu reagi e estou seguindo em frente. Eu seria 'coitadinha' se tivesse desistido e baixado a cabeça", afirma. A evolução da doença é imprevisível, com crises e remissões a qualquer momento. A reumatologista conta ainda que há suspeita de lúpus quando a pessoa apresenta manchas vermelhas no rosto, que costumam piorar com a exposição ao sol, aftas frequentes na boca, queda de cabelo, febre persistente, dores articulares (nas juntas), anemia, episódios repetidos de pleurite (líquido na pleura, camada que envolve o pulmão), alterações no exame de urina, redução das células brancas (leucócitos ou linfócitos), redução das plaquetas (células da co-


:: DOENÇAS AUTOIMUNES agulação) entre outros. Antes de descobrir a doença, Luciane teve vários desses sintomas e consultou diversos especialistas. "Tinha dores nas juntas há três anos e achava que era só uma tendinite, mas os exames mostraram que não. O médico me orientou e explicou que eu poderia ter lúpus e aí eu já comecei a me preparar. Quando o diagnóstico mostrou que era mesmo, eu estava esperando, contudo, tremi na base e até chorei, mas continuei mantendo o pensamento positivo", conta. Como o lúpus pode se manifestar de muitas maneiras diferentes, deve-se prestar atenção em sintomas que não curam ao longo do tempo ou que retornam após o tratamento. "Muitas pessoas solicitam ao clínico 'exames para reumatismo' e com frequência se assustam ao ver resultados fora da faixa de referência. Gostaria de lembrar a todos que isto não é motivo para pânico, como já escutei algumas vezes. Nestes casos, o ideal é consultar um reumatologista e fazer os exames necessários (sangue, urina, RX), que poderão auxiliar no diagnóstico, seja de lúpus ou outra doença", disse a médica. Embora o lúpus não tenha cura, existe tratamento que varia de acordo com os órgãos afetados, com o grau de atividade da doença e com as características de cada paciente. De acordo com Laura, os medicamentos utilizados atuam bloqueando as células que produzem a inflamação nos diferentes locais. Uma vez combatida a infla-

"Os médicos ficam admirados com minha atitude e afirmam que grande parte da minha melhora é graças à forma como lido com a doença. Hoje em dia, a concentração dos medicamentos é menor porque estou reagindo melhor e o lúpus há tempo não se manifesta"

mação, mantém-se um tratamento específico, que é uma medicação que previne as recaídas da doença. O lúpus pode ter complicações fatais, no entanto, as fatalidades têm-se tornado cada vez mais raras. A doença não é transmissível e suas manifestações variam muito de pessoa para pessoa. Segundo Laura, a maioria dos pacientes convive bem com a doença, realizando os exames periódicos e tomando os cuidados básicos de não se expor ao sol, usar filtro solar, fazer exercícios físicos regulares para manter um bom condicionamento físico, evitar a osteoporose e o ganho de peso. "Como podemos perceber são orientações indicadas a qualquer pessoa, mesmo àquelas saudáveis", conta. A orientação ao paciente com lúpus em relação à sua doença, ao tratamento e aos sintomas que possam sugerir uma recaída é de grande importância no tratamento e na manutenção da qualidade de vida. Para entender melhor a doença, Luciane pesquisa e procura sempre por novidades na área. Manter o pensamento positivo também faz parte de seu tratamento, que nunca deverá ser interrompido. Essa forma de encarar a doença já refletiu nos exames, que aos poucos vão mostrando melhores resultados. "Os médicos ficam admirados com minha atitude e afirmam que grande parte da minha melhora é graças à forma como lido com a doença. Hoje em dia, a concentração dos medicamentos é menor porque estou reagindo melhor e o lúpus há tempo não se manifesta", afirma. A gravidez também é um assunto delicado para as pacientes com lúpus. Alguns médicos defendem que a mulher não pode engravidar, mas, segundo Laura é importante lembrar que o lúpus não reduz a fertilidade, mas costuma piorar durante a gestação, levando a complicações não apenas para a futura mãe, mas também para o feto. "Apesar do risco, a gravidez não é proibida, porém deve ser planejada, aguardando o momento em que o lúpus esteja fora de atividade por um longo período", afirma. De acordo com a reumatologista Laura, os exames frequentes, o fato de receber o diagnóstico de uma doença crônica ainda pouco conhecida, os próprios sintomas da doença e as altas doses de medicação costumam reduzir a qualidade de vida princi-

"Vários órgãos podem ser afetados, mas nem todos desenvolvem a doença da mesma forma. Nos casos leves, apenas a pele e as articulações são atingidas. Em outros pacientes a enfermidade torna-se mais grave, podendo afetar o sangue, os pulmões, os rins ou até mesmo o sistema nervoso" Laura Souto Reumatologista palmente nos doentes mais graves, gerando muitas vezes um quadro depressivo associado. A redução da imunidade causada não apenas pelo lúpus, mas também pelos medicamentos utilizados durante o tratamento aumenta o risco de infecções e também sua gravidade. Com esses novos cuidados, a vida de Luciane também mudou. Agora ela precisa evitar a exposição ao sol e diminuir o consumo de sal e carne vermelha, por exemplo. "A partir de agora vou conviver com esse parceiro pelo resto da vida. Eu sei que não tem cura, mas tenho fé e aprendi a conviver bem com o lúpus", finaliza Luciane. Divulgação

Asa de borboleta é uma das manifestações do lúpus

Luciane Maria Oliveira | janeiro de 2011 | 23


Associação Médica de Gravataí

oferece site com dicas de saúde A Associação Médica de Gravataí (AMG) completou 11 anos de atuação junto a profissionais e entidades envolvidas com a saúde em Gravataí. Agora busca também se aproximar da comunidade, oferecendo um site para quem quer conhecer mais a atuação da associação e também buscar informações sobre saúde. Criada em 1999 por um grupo de médicos que sentia a necessidade de agregar os colegas, hoje a AMG é presidida pelo Dr. Rubem Brust, em mandato com duração até outubro de 2011. A associação busca o diálogo e troca de experiências no dia-a-dia do trabalho médico, promovendo intercâmbios científico, profissional e social entre os médicos que atuam em Gravataí. Com um quadro de associados em constante crescimento, busca reunir os médicos em torno de ideais éticos, buscando um convívio fra-

As reuniões promovidas pela AMG enfatizam questões éticas e associativas e ampliam a inserção de temas livres que enriquecem e valorizam os médicos, preservando a dignidade do profissional, fortalecendo o espírito associativo da classe e promovendo a capacitação e o ensino continuado. Após dez anos de trabalho, a AMG construiu uma "sede virtual" que é o site www.amg.med.br. Ele é o ponto de encontro diário e fácil para todos os sócios e para a comunidade, com um canal sempre aberto para comunicação por e-mail. O público em geral encontrará artigos e dicas de saúde redigidas pelos próprios médicos da associação. Também poderá con-

Grupos de Nutrição em Gravataí O município de Gravataí formou os Grupos de Nutrição com o objetivo de melhorar a qualidade de vida da população. Pertencentes às Unidades de Saúde da Família, os grupos têm como meta esclarecer e orientar as pessoas sobre seus hábitos alimentares. O primeiro encontro aconteceu no dia 15 de dezembro na USF Itatiaia. O tema abordado foi "Dez passos para uma alimentação saudável", sob a coordenação da nutricionista Juliana Fontoura. No encontro foram debatidos os temas alimentação saudável, alimentação no diabetes, hipertensão, dislipidemias, obesidade e síndrome metabólica, nutrição e envelhecimento. O próximo encontro na USF Itatiaia acontece no dia 26 de janeiro, às 15h. Grupos de Nutrição também se reúnem no distrito Centro e nas USF Érico Veríssimo, Nova Conquista, Granville, Barro Vermelho, Parque dos Anjos e Centro. Interessados podem buscar informações nas respectivas unidades de saúde.

24 | janeiro de 2011 |

Reprodução

terno, dialogando e trocando experiências para cada vez mais prestar à comunidade serviços de saúde de alta qualidade.

Site traz também artigos de médicos da associação

tar com uma lista de profissionais associados, com seus respectivos endereços e especialidades, que constitui um guia bastante útil para quem busca serviços médicos. Quem quiser se associar, pode entrar no site na seção "quero me associar", preencher todos os dados e remeter à AMG. Os sócios que quiserem atualizar seus dados usam a aba "sócios", com um link para atualização de cadastro.

Cachoeirinha é a segunda em mamografias na Grande Poa Depois de Porto Alegre, Cachoeirinha é o segundo município que mais oferece exames de mamografia na região metropolitana. O levantamento foi destacado por jornal da capital com base em informações fornecidas pelas prefeituras da Grande Porto Alegre. Cachoeirinha tem convênio para realizar 2 mil mamografias por mês. Porto Alegre, 7,5 mil. A cidade que mais se aproxima da oferta local é Gravataí, com 1,5 mil. O Comitê Viva Mulher foi criado na cidade com a proposta de alertar a população feminina para a importância do exame preventivo, que pode evitar problemas futuros para a saúde da mulher. Ao longo do ano, o Comitê promoveu ações de mobilização nos bairros Olaria e Jardim do Bosque e "acampou" em indústrias como a Ritter Alimentos,

levando a mensagem da prevenção e mobilizando dezenas de lideranças femininas e entidades. Nessas ações, a mulher já sai com o exame liberado. A prefeitura tem convênio com duas clínicas da cidade para fazer os exames. O ponto de partida é uma das 16 unidades de saúde do município. O ranking da oferta de mamografias (mês) 1º - Porto Alegre - 7.500 2º - Cachoeirinha - 2.000 3º - Gravataí - 1.500 4º - Canoas - 900 5º - Sapucaia - 600 6º - Alvorada 530 7º - Viamão - 500 8º - Esteio - 500 9º - São Leopoldo - 300 10º - Guaíba - 140 11º - Eldorado do Sul - 60


:: REGIÃO

Gravataí vai ampliar os serviços de saúde no SUE 24 horas A população de Gravataí terá novos serviços de saúde a partir de 2011. A Prefeitura está reformando a área anexa do Serviço de Urgência e Emergência 24 horas (SUE) para a implantação dessas novas especialidades no município e a expansão das já existentes. Na área anexa do Centro de Especialidades Odontológicas (CEO), será instalado o Centro de Pré-Natal de Risco, uma área de Leitos de Observação e outra para cirurgias ambulatoriais. Em relação aos serviços já existentes, o Centro de Diagnósticos e o Laboratório Municipal serão ampliados. Com a implantação do

CEO, a população terá disponíveis diversas especialidades de tratamento dentário, diagnósticos de lesão bucal e serviço de radiologia. O Centro de Especialidade Odontológica disponibilizará também quatro profissionais por turno. O Centro de Pré-Natal de Risco atenderá casos em que a gestante ou o bebê estão sujeitos a algum tipo de lesão ou óbito durante o período de gestação. A área de Leitos de Observação será destinada aos pacientes com patologias que necessitem de isolamento, tais como as doenças infectocontagiosas, e

também para internações psiquiátricas. Com o objetivo de desafogar o hospital Dom João Becker e, inclusive, os hospitais de Porto Alegre, será criada uma área para cirurgias ambulatoriais, ou seja, aquelas intervenções que não necessitam de grandes complexidades. A média diária de atendimento do SUE é de aproximadamente 350 pacientes. Estruturado para atender os moradores de Gravataí, a ampliação do serviço é fundamental, pois também recebe demandas de outros municípios como: Cachoeirinha, Alvorada, Viamão, Santo Antônio e Canoas.

Dom João Becker figura entre os 10 melhores do RS Arquivo

O Hospital Dom João Becker está entre os dez melhores hospitais do Rio Grande do Sul avaliados em 2009 e 2010, em escolha feita com base na pesquisa de satisfação com usuários do Sistema Único de Saúde (SUS), realizada pela Secretaria Estadual de Saúde. O anúncio ocorreu em Porto Alegre, em cerimônia onde foram entregues certificados aos 10 melhores hospitais no ranking estadual e aos três melhores hospitais por região de saúde. O objetivo da pesquisa é verificar a qualidade do atendimento prestado pelos hospitais gaúchos. O campeão deste ano foi, mais uma vez, o Instituto de Cardiologia do Rio Grande do Sul. A metodologia da pesquisa teve como foco 24% dos pacientes internados por mês, considerando que no período de setembro de 2009 a junho de 2010 foram computadas mais de 1 milhão de internações. Entre os resultados, 94% consideraram excelente e bom o atendimento prestado pelas equipes de saúde e 56% apontaram como excelentes as instalações físicas e equipamentos das instituições.

Um novo contrato firmado com a Prefeitura de Gravataí permitirá ao hospital a ampliação dos serviços prestados aos usuários do SUS

Becker (Gravataí), Hospital São Carlos (Farroupilha) e Hospital Municipal Getúlio Vargas (Sapucaia do Sul).

Um novo contrato firmado com a Prefeitura de Gravataí permitirá ao Hospital Dom João Becker a ampliação dos serviços prestados aos usuários do Sistema Único de Saúde. Estão sendo disponibilizados à população atendimentos cirúrgicos de média complexidade em traumatologia e ortopedia desde outubro. O investimento possibilita ainda a ampliação em cerca de 10% no número de leitos destinados para o atendimento de pacientes pelo SUS, além de aumentar a diversidade de exames e de procedimentos. Confira a lista dos 10 melhores hospitais: Instituto de Cardiologia (Porto Alegre), Hospital de Clínicas (Porto Alegre), Hospital São Lucas da PUC (Porto Alegre), Hospital São Vicente (Passo Fundo), Fundação Hospitalar Santa Terezinha (Erechim), Irmandade Santa Casa de Misericórdia (Porto Alegre), Hospital Universitário (Santa Maria), Hospital Dom João

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wesley s/stock.xchng

:: GERIATRIA

Idosos: como prevenir as quedas

As quedas já respondem à boa parte das hospitalizações de idosos e cada vez são mais frequentes. Dados mostram que o inimigo mora em casa e que pequenas mudanças no ambiente podem prevenir este problema Por Camila Schäfer Jornalista (MTB 15120) camila@trcomunicacao.com Com a chegada da idade avançada, nosso corpo começa a se transformar. Essas transformações acontecem principalmente na pele e cabelos, mas também na mobilidade e elasticidade do corpo. Os movimentos ficam mais lentos com a perda da agilidade, os ossos ficam mais fracos, o sistema respiratório mais comprometido e o aparelho cardiovascular também sofre diminuição de sua capacidade. Com todas 26 | janeiro de 2011 |

essas modificações no organismo, é natural que ocorram quedas, que podem trazer sérios problemas de saúde aos idosos. Por isso, toda a prevenção é importante para evitar que acidentes como esses aconteçam. De acordo com a geriatra Patrícia Gordin Panni (CRM 27.244), o exercício físico melhora o equilíbrio e força muscular, pre-

venindo possíveis quedas. Os familiares também devem estar sempre atentos com as doenças de base que o idoso tem. "Verificar se a pressão e a glicose estão bem controladas, se ele está tomando as medicações adequadamente, conforme foram prescritas pelo médico - não é incomum que eles se esqueçam de tomar as medicações ou que tomem novamente, ocasionando uma superdose", afirma. A médica


:: GERIATRIA explica ainda que os familiares não devem permitir que o idoso tome medicações orientadas por vizinhos e amigos, pois o que funcionou muito bem para o amigo pode ser prejudicial para o idoso. Outra recomendação é observar qualquer alteração como excesso de sono, agitação, falta de fome. "Estes podem ser o alerta de que algo está errado e com isso aumenta a chance de perda de equilíbrio e queda", conta Patrícia. É importante também prevenir a osteoporose, porque ela aumenta a chance de queda com fratura, por isso a necessidade de dieta rica em cálcio e exercício físico - sem esquecer de procurar o médico, porque muitas vezes é necessária também a reposição destes nutrientes para tratamento adequado. O próprio envelhecimento é uma condição que predispõe às quedas, pois há uma lentidão dos reflexos posturais, dificuldades visuais, principalmente à noite, fraqueza muscular das pernas e braços, além de maior dificuldade do organismo em se adaptar com as mudanças de posição do corpo. Outras causas incluem problemas visuais como a catarata e o glaucoma, doenças neurológicas como a doença de Parkinson e os acidentes vasculares cerebrais, doenças ortopédicas como as osteoartrose e osteoporose e o uso de alguns medicamentos, que podem causar tonturas e pres-

são baixa. O idoso é muito mais suscetível ao efeito adverso de qualquer medicamento, por isso a recomendação é de que o paciente só use a medicação prescrita pelo seu médico e que, no caso de qualquer sintoma diferente, que retorne para reavaliação. De acordo com a geriatra, os principais remédios que podem aumentar a chance de quedas são os benzodiazepínicos (diazepam), diuréticos e antiarrítmicos. A interação medicamentosa também pode aumentar a chance de quedas. Segundo Patrícia, os idosos precisam gostar de si próprios e isto significa aceitar as limitações da idade, pelo qual a maioria das pessoas também passará. "Aceitando estas limitações, ele cuidará da dieta, tentará manter um exercício físico regular, tomará as medicações adequadamente e se sentirá confortável para aceitar que necessita de andadores e muletas. É extremamente necessário que o idoso tenha este cuidado com ele mesmo", explica a geriatra. Recentemente, uma pesquisa realizada pela Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo mostrou que o número de mortes de pessoas com mais de 60 anos provocadas por queda aumentou quatro vezes em dez anos. O índice passou de 7,6 mortes a cada 100 mil, em 2000, para 28,4 para cada 100 mil, em 2008.

CUIDADOS A maioria das quedas acontece dentro da própria casa, por isso algumas mudanças no ambiente são importantes, confira as dicas da Dra. Patrícia Panni: • Retirar os tapetes da casa; • As escadas devem ter adesivos antiaderentes e corrimão; • Os pisos escorregadios também devem ter antiaderência; • São necessários suportes de apoio tanto ao lado do vaso sanitário como no chuveiro, para que o idoso possa se apoiar durante seu banho e evitar que escorregue dentro do box, além de ter firmeza para levantar e sentar com os apoios ao lado do vaso sanitário; • Para aqueles que já apresentam difi-

culdade, é necessário o uso de muletas e andadores; • A casa deve estar sempre bem iluminada; • Não deixar objetos pelo caminho (pano de chão, sapatos, brinquedos, fios); • Cuidar dos animais de estimação para que não fiquem dormindo no meio da casa; • Retirar mesas de centro e qualquer outro móvel que possa impedir uma adequada locomoção do idoso dentro de casa; • Utilize camas de altura adequada, nem baixas ou altas demais; • Evite cadeiras baixas e sem braços para apoio.

NÚMEROS • No Brasil, 30% dos idosos caem ao menos uma vez ao ano; • 5% das quedas resultam em fraturas; • 5% a 10% resultam em ferimentos importantes, necessitando cuidados médicos; • Mais de dois terços daqueles que têm uma queda cairão novamente nos seis meses subsequentes; • Os idosos que caem mais de duas vezes em um período de seis meses devem ser submetidos a uma avaliação de causas tratáveis de queda; • Quando hospitalizados, os idosos que sofrem quedas permanecem internados o dobro do tempo se comparados aos que são admitidos por outra razão. Segundo o estudo, 32% das pessoas com 65 a 74 anos caem uma vez por ano e entre aqueles que estão acima dessa idade, o percentual aumenta para 51%. Os especialistas relacionam esse crescimento ao aumento na expectativa de vida e ao maior número de pessoas com mais de 85 anos. Os médicos alertam ainda para a síndrome de pós-queda, que é o medo de cair novamente, o que leva a pessoa a evitar a exposição fora de sua casa. Isso pode trazer sérios problemas psicológicos e de convivência social para o idoso. Em casos de queda, a geriatra recomenda que a pessoa que estiver junto chame o Samu (192), que possui uma equipe preparada para atender um trauma, mesmo que seja queda da própria altura. Além disso, eles podem orientar os familiares sobre condutas a serem tomadas enquanto aguardam a ambulância. Naqueles locais em que o Samu não atende, o paciente deve ser encaminhado para um hospital a fim de investigar os motivos que levaram à queda, assim como tratar as lesões ocasionadas pela mesma - cortes, fraturas entre outras. "Sempre que o idoso cair, ele deve ser levado para avaliação médica porque mesmo que não apresente sintomas, ele pode ter uma fratura de coluna ou fêmur (principalmente)", finaliza Patrícia. | janeiro de 2011 | 27


:: NECESSIDADES ESPECIAIS

Nasceu nosso bebê, mas não é

aquele que estávamos esperando... Por Maria Bernadete Gazzoni Ornaghi de Aguiar Psicóloga da APAE Cachoeirinha CRP 07/18091

Um fator de enorme importância para a melhor adaptação desses pais à realidade que lhes foi imposta é poder contar com pelo menos um profissional acolhedor O desejo de engravidar inaugura o processo afetivo entre pais e filhos. Durante a gestação, os vínculos se tornam mais fortes, o afeto vai aumentando e se fortalece totalmente no nascimento. Com a chegada do bebê, os pais se deparam com muitas expectativas e, talvez, a principal delas seja a concretização do sonho da criança "perfeita". Esta expectativa se frustra diante do nascimento de um filho que apresenta algum "defeito", principalmente se a anomalia for visível. Antes de ter um bebê real nos braços, existe aquele do mundo imaginário e subjetivo de cada mãe e de cada pai e o desejo deles é que o bebê que acaba de chegar seja exatamente aquele que foi idealizado. Os pais, quase sempre, sentem-se chocados, angustiados, confusos e assustados quando olham seu bebê “não perfeito” pela primeira vez. A notícia de uma má formação produz uma crise. Acarreta também a negação das expectativas, pois a criança representa a autoimagem dos pais, é o espelho deles. Há um abalo na autoestima e um processo é necessário para que estes pais consigam a adaptação do filho idealizado para o filho real. Como as fantasias e idealizações dos pais estão destroçadas, aparece o luto pela perda da criança perfeita que não veio. Muitos conseguem falar da sua angústia, da sua frustração, da sua raiva; outros, não. E é ali, quando não se consegue falar da dor, que o sofrimento mais agudo se instala. Sobre os vínculos mãe-bebê Quando a mãe não consegue aceitar a substituição do filho desejado pela sua criança real, ficará submersa no luto. Vinculase ao fantasma do filho desejado que está morto, porém insepulto. Estabelece-se, 28 | janeiro de 2011 |

então, uma relação frágil: a mãe não consegue compreender as necessidades de seu bebê que, por sua deficiência, tem, também, dificuldade em expressar suas necessidades. A relação fica incompreendida para ambos. Esta criança jamais irá satisfazer as expectativas dessa mãe.

do-a como algo passageiro e curável. Assim sendo, a criança muitas vezes será submetida a vários exames com diversos profissionais, na esperança de obter outro diagnóstico. Os pais vão em busca de tratamentos diferenciados na ilusão de obter a cura da deficiência.

Em outros casos, a mãe estabelece uma relação com a deficiência e não com o bebê. Esta mãe sente-se mártir, vítima ou orgulhosa lutadora por seu filho. Assim ela suportará melhor sua "carga". A criança será apenas um objeto complementar para o personagem encarnado pela mãe.

Já a formação reativa é um recurso defensivo por meio do qual um impulso indesejável é mantido inconsciente por conta de uma forte adesão ao seu contrário. Neste caso, a ira é substituída por um amor extremado, superprotetor, onde a mãe, principalmente, assume todos os cuidados com o bebê e passa a nutrir a crença de que somente ela é adequada para cuidar da criança. Constantemente coloca em dúvida a competência dos profissionais que tratam a criança, os tratamentos e, posteriormente, a competência da escola que a criança vier a frequentar.

Estas duas possibilidades de vínculo impedirão o aparecimento do sujeito psicológico. A criança fica impossibilitada de expressar seus desejos, ficando presa ao desejo materno. Para as mães que conseguem falar de sua dor e da sua frustração e vivenciar sua depressão, a cicatrização da ferida narcísica se dará de melhor forma. Seu luto será melhor elaborado, e seus vínculos com o bebê mais cedo se estabelecerão. Isto é muito importante, pois um bebê mais frágil não admite demora, precisa de um acréscimo de estímulos o mais rápido possível. Sobre os mecanismos de defesa Inúmeras vezes os pais sentem-se envergonhados e culpados pelo nascimento de uma criança com deficiência. E envergonham-se por sentirem vergonha e culpa. Para fazer frente a este desamparo, muitos farão uso, principalmente, de dois mecanismos de defesa: a negação e a formação reativa. A negação consiste na fantasia de aniquilar a percepção da deficiência, imaginan-

Um fator de enorme importância para a melhor adaptação desses pais à realidade que lhes foi imposta é poder contar com pelo menos um profissional acolhedor, que lhes dê sustentação e lhes assegure que não estão sozinhos nesta caminhada. Além dos profissionais das diversas áreas da medicina, que lhes responderão às múltiplas dúvidas sobre o diagnóstico e prognóstico de seu filho, é importante que os pais contem com um profissional de referência que possa tranquilizá-los, devolvendo-lhes a confiança e ajudando-os a entender as necessidades do bebê não perfeito que ali está e oportunizando que a criança seja vista como um sujeito com possibilidades. Isso poderá despertar nos pais a busca da superação e do enfrentamento de conviver com este filho diferente, ultrapassando os obstáculos e buscando saídas.


:: OFTALMOLOGIA Divulgação

Botox no tratamento do estrabismo Na oftalmologia, a toxina botulínica tipo A é utilizada também no tratamento de problemas como distonias faciais, blefaroespasmos e espasmos hemifaciais Quem ouve falar em botox (toxina botulínica) pensa logo nas artistas que aparecem na televisão, lindas e rejuvenescidas. Porém, o que pouca gente sabe é que a substância também pode ser utilizada para fins não estéticos. Além de o botox ser usado para reduzir as rugas, ele também pode tratar o estrabismo - condição marcada pela perda do posicionamento normal dos olhos, conhecida popularmente como "vesguice", que faz com que apenas um olho ou ambos sejam desviados. Essa substância foi aprovada pela primeira vez há 20 anos nos Estados Unidos para tratar o problema. No Brasil, ela é aprovada pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), para oito indicações cosméticas e terapêuticas. A Toxina Botulínica tipo A (TBA) tem sido uma grande aliada no tratamento de estrabismos por ser uma opção que não apresenta efeitos sistêmicos ou oculares

sérios, por ser um procedimento rápido, seguro e menos invasivo que a cirurgia, além de causar menos cicatrizes.

cluindo a correção de problemas nas pálpebras e do lacrimejamento após paralisia facial.

A substância é aplicada diretamente no músculo ocular externo, o que proporciona relaxamento e o alinhamento dos olhos. Os médicos explicam que o uso da toxina botulínica não traz efeitos tão estáveis quanto a cirurgia convencional, mas é efetivo para desvios de pequenos ângulos, desvios secundários, paralisias agudas do nervo, oftalmopatia subaguda da moléstia de Graves, hipo e hipercorreções pós-cirúrgicas e outros. Para grandes desvios, o procedimento cirúrgico ainda é o mais indicado.

As desvantagens do seu uso são o alto preço, alguns efeitos colaterais como ptose (pálpebra superior fica caída, cobrindo o olho mais que o normal), difusão em outros músculos, possível hemorragia retrobulbar ou perfuração ocular, necessidade de sedação em crianças e necessidade de reaplicações, o que aumenta o número de procedimentos para a resolução do desvio.

Na oftalmologia, a Toxina Botulínica tipo A é utilizada também no tratamento de problemas como distonias faciais, blefaroespasmos e espasmos hemifaciais, além de ter aplicação no campo da plástica ocular, in-

Vale lembrar que um bom resultado com a aplicação da TBA depende de uma indicação adequada, da causa do estrabismo, da resposta à aplicação inicial, da magnitude e do tempo do desvio ocular. Por isso, é sempre importante conversar com um médico oftalmologista para saber em quais casos o tratamento é mais indicado. | janeiro de 2011 | 29


:: ORTOPEDIA E TRAUMATOLOGIA

Centro de Especialidades Ortopédicas e Traumatológicas de Gravataí - CEOT Dr. Fernando Sanchis (Coluna Vertebral) | Dr. Paulo Velasco (Ombro) | Leohnard Bayer (Mão e Cotovelo) Dr. Pablo Lessa (Quadril e Fraturas) | Dr. Roberto Schwanke (Joelho) | Dr. Alfredo Sanchis (Quadril e Fraturas)

Artrose de quadril Divulgação

O quadril é a articulação que une o fêmur à pelve (a coxa à bacia). Esta articulação é extremamente móvel e estável. Ela nos permite caminhar, correr, sentar e levantar, rodar o membro inferior e uma série de outros movimentos. Algumas vezes, esta articulação pode sofrer um desgaste excessivo. Este desgaste pode estar relacionado com algumas doenças da infância e adolescência, com traumatismos, com o uso de certas substâncias, mas em muitos casos, não é possível identificarmos a causa.

O que quer dizer esse desgaste? Quer dizer que a superfície que reveste o osso dentro da articulação, que é a cartilagem, foi comprometida. Esta cartilagem vai se deteriorando e desaparecendo com o passar dos anos. Em função do desgaste da cartilagem, o movimento do quadril vai sendo prejudicado e a dor aparece. O nome que damos a todo este processo de desgaste da articulação é artrose. A artrose pode atacar todas as outras articulações. Segundo os dados coletados internacionalmente, a artrose é a doença articular mais frequente. Após os 65 anos de idade, os exames demonstram que a maioria das pessoas já apresenta alRaio X de um quadril gum grau de artrose e, com artrose 30 | janeiro de 2011 |

após os 75 anos, pode chegar a 80% da população. Em pessoas com mais de 64 anos de idade, uma em cada dez, apresenta dor por causa da artrose. Quais os sintomas? Às vezes os sinais podem ser muito sutis, mas algum grau de dor costuma estar presente. A dor pode se apresentar na nádega, na virilha, na coxa e até mesmo no joelho. O aumento da rigidez do quadril tam- Dr. Alfredo Sanchis e Dr. Pablo Lessa e Traumatologistas bém pode estar presente. Ortopedistas Especialistas em fraturas e cirurgia do quadril do CEOT Por vezes, nem mesmo reparamos que começa a ficar difícil se dobrar para calçar o sapato ou colocar a meia. Atenção! Este pode ser outro sinal de que já existe algum problema com o seu quadril. A artrose do quadril é considerada uma doença degenerativa crônica, ou seja, o processo de desgaste dificilmente pode ser freado. Assim, a melhor maneira de lidarmos com o problema é realizando o mais rápido possível uma avaliação detalhada com o seu ortopedista, de preferência alguém que esteja habituado a tratar as doenças do quadril. Através de exame físico e de exames de imagem (na maioria das vezes um raio X), é possível diagnosticar a doença e iniciar o tratamento. O tratamento irá variar de acordo com o grau de artrose que o paciente apresenta e também com as limitações que a doença já está trazendo para a sua vida. Em muitas situações, o uso de medicações alivia bastante o desconforto. Outras vezes é necessário associarmos um programa bem elaborado de exercícios. Entretanto, não é raro que o paciente acabe necessitando de uma intervenção cirúrgica.

Raio X pós-operatório

Nos casos de artrose do quadril avançada, uma das cirurgias mais indicadas é a artroplastia total, ou prótese de quadril. Isso quer dizer que aquela articulação com defeito será substituída por uma articulação artificial. Quando bem indicada e realizada por um ortopedista apto e treinado, esta cirurgia costuma apresentar excelentes resultados. É imprescindível lembrar de que se trata de uma cirurgia de grande porte e que uma série de cuidados devem ser tomados para minimizarmos todos os riscos. Se você está em dúvida, procure o ortopedista da sua confiança para esclarecimentos. O tratamento adequado pode trazer uma grande melhora para o paciente.


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32 | janeiro de 2011 |


Matéria de Saúde - 5ª edição  

Janeiro de 2011

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