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Quatro, o convencido

Era uma vez o Quatro, o convencido. Tinha a mania que era o maior, porque os carros tinham 4 rodas, as mesas tinham quatro cantos e as cadeiras tinham quatro pernas… Os outros algarismos não gostavam da sua maneira de ser. Quando o ouviu dizer que era o maior, o Dois respondeu, muito furioso: — Já estou farto de ti! As pessoas têm duas orelhas, dois olhos, duas pernas e dois braços! Como vês, não és o único número famoso. O Um também é muito famoso! — Exclamou o Um. Há bicicletas de uma roda só, como no circo, só temos uma boca, um nariz… Então o Quatro respondeu: — Faz-me rir! Não sabes que eu sou mais popular que vocês todos? Se eu não existisse, o quadrado não tinha quatro lados iguais, o cubo não podia ser formado e não havia carros. Então o Três, que tinha estado muito atento à conversa, disse: — Não te esqueças que há carros com três rodas, ó convencido! Andaste na escola a fazer o quê? Todos os números são importantes na vida! — Mas olha, ninguém estava a falar contigo, pois não? A conversa era entre mim e esse betinho, o Dois. — Disse o Quatro. O dois, furioso, respondeu-lhe: — Só tu para me fazeres rir! Eu é que sou o convencido, ó fala barato? Nessa altura, o Quatro disse: — Estou a gastar a minha linguagem com um desonesto, mal-educado e convencido. Com muita calma, o Nove entrou na conversa: — Acabaram estas discussões, aqui na minha zona. Então, com muita delicadeza, o Quatro anunciou a toda a vila: — Esta noite vai haver um concurso entre mim e esse betinho. O Dois, muito ansioso, foi a correr para casa para se arranjar.


— Ó meu querido homenzinho, não dês trela a esse tal Quatro — pediu a esposa ao Dois. — Ele precisa de uma lição, e vai ser esta noite. Ah, isso vai! — Mas homem, tem cuidado. — Respondeu-lhe a sua mulher. — Não te assustes! Sabes que comigo está tudo tranquilo. — Já agora, o que pensas fazer? — Vou jogar ao 24. Ele vai ver como não tem um raciocínio melhor que o meu! O concurso decorreu durante 4 horas, mas o vencedor foi o Número Dois. Quando chegou a casa, disse à mulher: — Espero que ele tenha aprendido a lição e que vá para a escola aprender que o valor aproximado de π é igual a 3,14, que o perímetro e as áreas são muito importantes, que a tabuada é necessária para efectuar as contas de dividir e multiplicar. É que ele era tão analfabeto que nem sabia que existia o jogo do 24!

Pedro Monteiro, 6º C


Quatro, o convencido