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Antonio C Almeida Rafael e Marquinhos Dias de Escola

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Rafael e Marquinhos Dias de Escola

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Sumรกrio

O Sapato O Uniforme A menina nova Natal na escola Alfabeta

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O Sapato

Um vento forte dominava a noite na cidade. Uma chuva fina obrigava as pessoas a procurarem seus lares ou qualquer outro tipo de abrigo. Quem passasse na periferia da cidade, pr贸ximo aos barracos e favelas, poderia ver uma luz e uma sombra que se destacava naquela completa escurid茫o. Chovia forte na vila pardal, pela janela do c么modo do 4


barraco onde morava Marquinhos olhava desolado a rua. De férias escolares, sabia que pela manhã estaria nos semáforos vendendo balas e tentando receber alguma esmola. No outro dia seria véspera de natal e sua mãe queria reunir o máximo de dinheiro possível para poder comprar alguma coisa a mais para por a mesa. Ele estava entristecido, pois lembrava que no dia anterior, de tarde, quando estava no semáforo tentando ganhar algum dinheiro, o seu colega da Escola Alfabeta, melhor amigo, passara dentro do carro de seus pais. Rafael estava com algo na mão, que marquinhos percebeu ser um sapato, parecido com o que se usava na escola. 5


Quando Rafael o viu pedindo esmolas e vendendo balas ao lado do semáforo escondeu o que segurava e seus pais rapidamente fecharam as janelas do carro e seguiram em frente. Marquinhos não conseguiu entender, apesar de ser pobre e morar em um barraco, várias vezes ele andou naquele carro. Quando a mãe de Rafael, fazendo questão de ajudar, mudava o seu percurso e o pegava na porta de casa. Levava ele e Rafael para a escola, isto todos os dias. Várias vezes a sua mãe não queria deixá-lo ir para escola e a mãe de Rafael falava com a sua para ele não faltar. Então ia para a escola sempre rindo e brincando com o seu amigo. Naquela tarde no semáforo, o seu melhor amigo escondeu o rosto. 6


Marquinho conseguiu ver o que Rafael trazia, por que era o que ele mais queria. Todos os dias quando Marquinhos partia para escola a sua professora cobrava o sapato da escola. Todos tinham e ele não. Caminhava para escola de sandálias. Foi o que a sua mãe pôde comprar. No recreio ele se isolava dos colegas, pois sem o sapato ele não conseguia acompanhar as brincadeiras de pique tá, pique bandeira, pique esconde. Por isto ele muitas vezes preferia ficar em casa. Até que um dia chegou um menino engraçado que abraçava todo mundo e se tornou seu amigo. Rafael em um dia na hora do recreio fez questão de tirar o seu sapato para que ele brincasse. Agora ele viu seu amiguinho se esconder dele. 7


Entretanto Marquinhos imaginava que não perderia seu amigo, pois as pessoas são diferentes em cada lugar e Rafael seria aquele amigo de sempre na escola. Marquinhos foi deitar e como se passasse poucos minutos ele foi acordado pela sua mãe que mandava que ele se apressasse e colocasse logo a roupa retalhada que ela separara; fosse para a rua e pegasse logo um pouco de dinheiro. Ainda chovia na cidade, um vento frio atormentava quem andava com pouco agasalho, Marquinhos se colocou encolhido próximo a um semáforo e ele começou a tentar vender ou pedir algum dinheiro. Os carros passavam com seus vidros fechados. Com a chuva ninguém abria os vidros e o vento frio não permitia que as pessoas 8


pelo menos arriscassem a olhar para aquele menino que pedia esmolas. Foi assim a tarde toda até que ele percebeu que a noite estava chegando e caminhou para sua casa. Marquinhos imaginava que sua mãe iria reclamar e até tentar bater nele, estava chegando de mãos vazias. Na porta de sua casa Marquinhos foi recebido pela sua mãe, que já o esperava preocupada. Deu-lhe um banho e colocou a sua roupa de natal. Marquinhos não entendeu muito, mas ficou satisfeito. Sua mãe havia recebido da sua patroa, a mulher ao qual ela era empregada, uma cesta de natal com vinho, frutas cristalizadas e pernil. Ela estava animada e Marquinhos muito mais, pois teria um natal maravilhoso. Passava das 22h00min 9


quando alguém bateu na porta, a mãe de Marquinhos correu para atender, ela convidara suas irmãs para compartilhar daquela cesta de natal, as irmãs da mãe de marquinhos não tinham além de pão e água para comemorar. Quando a mãe de marquinhos chegou até a porta, a abriu para atender as pessoas que batera, chamou Marquinhos. Ele assustado correu em direção a voz de sua mãe. Quando chegou até a porta, lá estava Rafael e seus pais. Rafael estendeu a mão e deu uma caixa embrulhada com papel de presente para Marquinhos. Chorando Marquinhos começou a abrir a caixa até que percebeu, era o sapato da escola, justamente o que ele havia visto quando estava no semáforo. Marquinhos deu um longo 10


abraรงo em seu amigo e o resto da noite foi muito feliz para Marquinhos. Sem seu amigo Rafael, pois ele acompanhou seus pais para uma noite de Natal.

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O Uniforme

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ete horas da manhã e o sinal de início das aulas tocou. As crianças corriam desesperadas para as salas de aula, todas bem arrumadas. Rafael com a sua roupa limpa e bem passada colocada cuidadosamente pela sua mãe. Marcela com os cabelos arrumados em cachos bem entrelaçados, vestida com uma roupa colorida. Todos 12


entraram em suas salas de aula e se sentaram em cadeiras que se colocavam alinhadas em frente ao quadro branco. Marquinhos com sua roupa surrada se escondia no fundo da sala de aula tentando colocar-se de maneira que não fosse notado. Chegou a Tia (Professora), colocou-se diante das crianças e antes de iniciar a aula permitiu que a Supervisora da Escola Alfabeta entrasse na sala para dar um aviso. - Bom dia crianças! - Bom dia Fessora! - Tenho uma novidade para vocês. A partir da próxima semana todos usarão uniformes, para isso vocês terão que levar um bilhete para seus pais. -Todas as crianças se entreolharam, como se perguntasse, “O que é 13


uniforme?” Rapidamente a supervisora percebendo a dúvida das crianças tentou dar explicações: - O uniforme é uma roupa que a escola mandou fazer e após os seus pais comprarem vocês passaram a usá-los todos os dias aqui na escola. As crianças se entreolharam, mas aparentemente gostaram. Afinal de contas era uma novidade. No fundo da sala Marquinhos matinha um olhar assustado, ele como aluno bolsista não tinha condições de comprar roupas e mesmo sendo maltratado por alguns colegas se achava colocado na turma. Tinha o seu sapato, mas agora como ele iria comprar um uniforme. Sábado, Marquinhos acorda, sua mãe o prepara para seguir na sua rotina de fim de semana. Ele vai até o sinal de transito, próximo a um 14


supermercado. Limpando para-brisas e vendendo balas teve um dia mito bom. Conseguiu algum dinheiro para ajudar a pagar algumas despesas, mas em sua cabeça não saia o grande problema de segunda feira, uniforme, ainda não entregara o bilhete da professora para a sua mãe, ele sabia que sua mãe não tinha condições de comprar um uniforme; estaria ele mais encrencado ainda, pois seria o único a não ter uniforme. Domingo, a mãe de Marquinhos mandou que ele ficasse em casa. Naquele dia a família tinha um compromisso. Haviam sido convidados por parentes para um churrasco. Cada parente levaria uma colaboração. Refrigerante ou cerveja, carne entre outras comidas seriam opções para se 15


levar. A mãe de Marquinhos preparou arroz, farofa e pediu que Marquinhos levasse, pois pegariam um ônibus e levaria algumas horas até chegar ao destino que eles desejavam. Passavase das vinte e duas horas quando Marquinhos e sua mãe chegaram em casa. Cansados e satisfeitos pela belo domingo. Tomaram um rápido banho e foram dormir. Segunda-feira, Marquinhos acorda em um salto, procura uma roupa para ir a escola e encontra em uma cadeira o uniforme do colégio, assustado procura a sua mãe: - Mãe tem um uniforme no meu quarto! - Claro menino, você recebeu uma bolsa e a escola me ligou e pediu que eu o buscasse; se veste e vá para a 16


escola. Marquinhos corre feliz e rapidamente coloca o uniforme. Escola Alfabeta, as crianรงas comeรงam a entrar na escola, todos vestindo o mesmo uniforme. Bruno que repetia a roupa e era vaiado, agora poderia repetir a vontade. Marcela, com seus grandes cabelos, adorou a cor azul da camisa e Marquinhos sentou na frente quando entrou em sala de aula. Agora ele estava em uma escola toda AZUL.

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A Menina Nova

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scola Alfabeta, Sete horas e trinta da manhã. A mãe de Rafael resolveu pegar Marquinhos em casa e junto a Rafael levá-los para a aula. Marquinhos dormia um sono profundo enquanto Rafael não parava de jogar com o seu Vídeo Game que estava ligado a um aparelho de DVD portátil instalado no carro, atrás do banco do carona. Mônica olhava as 18


crianças pelo retrovisor enquanto guiava. Ao chegar à escola Rafael acordou Marquinhos com uma cotovelada. Ambos correram em direção à escola, entraram na sala de aula, se sentaram em suas cadeiras. Neste momento chegou a Tia. Ela estava de mãos dadas com uma aluna nova. Toda a turma voltou a sua atenção para a menina. Ela se chamava Raquel. Raquel caminhou lentamente até chegar ao fundo da sala. Os meninos ficaram intrigados, pois Raquel usava batom, brincos e pegava no seu material com as pontas dos dedos. Marcela a olhava com um olhar sério e transparecendo irritação, afinal ela não estava com o sapato da escola e muito menos com o uniforme da blusa toda AZUL. Quem seria esta pessoa, tão abusada e ousada. A 19


professora começou a passar os deveres, corrigir os da aula anterior e agendar um passeio. Enquanto Rafael, Marquinhos e Marcela não paravam de olhar a menina nova. Tocou o sinal de recreio e as crianças correram para o pátio da escola. Rafael, Marquinhos e Marcela cercaram a menina nova e começaram a interrogá-la: - Por que você não está com o uniforme da escola? A Menina Nova não respondia, apenas fechava a boca como se não gostasse da conversa. - Por que você está tão calada? A Menina Nova não respondia, fechava a boca e a cara. Marcela ficou irritada, observava a Menina Nova dos pés à cabeça e perguntou: - Por que não está de uniforme, de sapato da escola! E este batom? 20


A Menina Nova abriu a boca para responder. Daí pode-se perceber que ela estava sem dois dentes, que haviam caído, sua boca estava ressecada então ela usava um Batom hidratante. E ela respondeu: - Não uso porque sou Nova. Marquinhos, Rafael e Marcela deram uma longa risada e se abraçaram a nova colega Correram pelo pátio felizes de mãos dadas à nova amiga, agora eram dois casais.

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Natal Na Escola Alfabeta

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arquinho descia correndo pelas ruas da Vila Pardal. Em sua cabeça não saia à imagem do último natal em que o seu grande amigo Rafael o presenteara com O Sapato. Sabendo que naquele dia seria comemorado o fim do ano letivo, Natal e o Ano Novo; imaginava o quanto seria maravilhoso estas festas com seus grandes amigos. 22


Marquinho recordava do ano que tivera. O Uniforme da escola que transformou a todos os alunos em colegas iguais e sempre arrumados. A Menina Nova que chegou. Raquel que se juntou a Rafael, Monica e ele, para se tornarem grandes amigos. Na escola Alfabeta o volume de trabalho aumentara. Diretora, Professores e alunos se empenhavam para arrumar a escola. Fora contratada uma empresa para colocar os enfeites mais pesados. Tudo corria adequadamente atÊ que a Diretora lembrou que não haviam contratado uma pessoa para se vestir de Papai Noel. Rapidamente a Diretora se dirigiu ao porteiro que apesar de relutar muito aceitou o papel, mas lembrou – E os presentes? 23


A Diretora reuniu algumas mães para verificar a possibilidade de que cada Pai trouxesse uma lembrança para seu filho. Nada muito caro, apenas algo para encher o saco de presentes de Papai Noel. Todos estavam reunidos para a grande festa. Pais, professores e alunos aguardavam a chegada do bom velhinho. Música, cores e enfeites tomavam a sala dos alunos. Todos se cumprimentavam entre sorrisos e apertos de mão. Em um canto da sala uma criança se encolhia e chorava. A mãe de Marquinhos não conseguiu ir até a festa. Como empregada doméstica teria que preparar a Ceia de Natal para os seus empregadores. Rafael estava tentando consolar o seu amigo. Raquel e Monica falavam 24


e gesticulavam fazendo que Marquinhos em determinados momentos caísse em gargalhada. Então uma senhora entra na sala de Marquinhos, chega até a Diretora e lhe fala ao ouvido; olha para marquinhos e caminha até ele acompanhada da Diretora. - Olá Marquinhos, eu sou a patroa de sua mãe e vim lhe trazer o seu presente. Marquinhos observa o presente com o olhar arregalado. Todos os seus amigos ficam impressionados e tristes, pois Marquinhos recebera um belo presente. A patroa da Mãe de Marquinhos começa a sair da Sala de Aula quando para e fala aos alunos: - Ah! Eu também trouxe alguém que gostaria de falar com vocês. Então entra na sala um homem com 25


uma longa barba branca gritando Feliz Natal. O porteiro que se fantasiara de Papai Noel saiu de fininho e o Bom Velhinho abriu a sacola de presentes. A patroa da Mãe de Marquinhos começou a distribuir presentes e a cada presente que ela dava falava: - Um presente de seu amigo Marquinhos. Em um canto da sala um garoto que a pouco chorava não se aguentava de tanta alegria ...

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AUTOR

Antonio C. Almeida nasceu no estado do Rio de Janeiro em 23 de Outubro de 1964. Aos 18 anos participou e ganhou o seu primeiro concurso de poesias com a poesia “De Olhar Para O Céu”. Escreve desde os treze anos de idade e mantém um acervo de mais de dois mil escritos. Estudou Matemática na UERJ. No ano de 2011 lançou seu primeiro livro, “Caminhos do Destino”, em 2013 lançou o seu segundo livro “Alma Assassina”. No momento encontra-se envolvido no projeto de seu terceiro livro, voltado na publicação de contos. Está reunindo material para o início do projeto do livro “A Ponta da adaga”. Sinopse do livro a Ponta da Adaga: A Sociedade parece caminhar em direção de inovações e comportamentos cada vez mais ordenados e controlados pela Lei, mas um grupo que se denomina “A Ponta da Adaga”, tem em sua filosofia a ordem sobre o inverso, seguindo filosofias medievais. Tudo que é denominado correto é do leigo e a sua seita acorda que o inverso é o caminho do poder para os cordatos. Entretanto um amor rompe as ideologias e sobre sangue e morte o destino deixará claro quem sentirá a “Ponta da Adaga”. 27

Rafael e marquinhos  

Algumas Histórias de Crianças enquanto frequentam as suas escolas

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