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Witch’sMind A História de Susan Granger

“A Pedra Filosofal, Do ponto de vista de Susan Granger


“Retorno à Família” Capítulo Um

Muita gente duvidava das capacidades ocultas que a pequena Susan Granger conseguira obter durante sua vida. Nem ela mesma podia assimilar tudo o que era capaz de fazer, mas ainda assim, aparentava ser a mesma menina anormal de apenas onze anos – ou quase onze – que sempre fora. Susan vivia em Nova York com seus tios maternos e lá mantinha uma vida corrida e monótona. Sarah e John Granger cuidaram de Susan por longos dez anos, pois os pais da menina ( por alguma razão indefinida ) não podiam cuidar dela, segundo a versão de seus tios. Susan sempre fora solitária, mesmo que vivesse junto de cinco primos quase da mesma idade e não se parecia nada com nenhum deles. Tinha os cabelos castanho-claros e olhos azulados, embora estes tombassem muito mais para o tom verde que para o azul. Sua pele era macilenta e seu rosto fino, meio que em formato de coração; tinha lábios carnudos e os dentes da frente eram relativamente maiores e um pouco mais avantajados que os outros, o que a deixava intrigada. Era demasiada alta para a idade e magricela, com cabelos fartos e ondulados que lhe atingiam às alturas dos ombros. A esquisitice e o brilhantismo de Susan Granger poderia ser narrado em dezenas de parágrafos, mas como já previsto, é óbvio que toda a sua anormalidade tinha uma razão. E esta razão foi descoberta logo ao café da manhã turbulento que Susan tinha todos os dias. Ela acordou e se vestiu, descendo em direção à cozinha logo em seguida. Tia Sarah terminava de dispor os waffles à mesa quando encarou Susan e suspirou. Parecia um pouco tristonha, um pouco admirada, um pouco confusa. Antes que pudesse se sentar à mesa, a menina ouviu: — Susan, você poderia apanhar o correio para mim? — tia Sarah indagou. Relutante e coçando os olhos devido à sonolência, Susan saiu em passos lentos até o exterior da casa, em direção à caixa de correio. Puxou a dúzia de cartas que lá havia, e caminhou de volta à cozinha, lendo os remetentes de cada uma. Ela costumava fazê-lo todos os dias, mesmo que não houvesse explicação, mesmo que ela própria não entendesse o porquê daquilo. Passou os olhos pelos nomes de seu tio e sua tia, uma carta de sua tia Magda para sua prima Eveline, contas, contas... E uma carta para Susan Granger. A menina parou diante da porta da cozinha, sobressaltada com o que lera. Virou e revirou a carta dezenas de vezes e notou como era pesada. O envelope feito de pergaminho amarelado, os dados de remetente estavam escritos em tinta verde-esmeralda e havia um carimbo rubro colado na carta. Nele estava estampado o desenho de um brasão dividido em cinco partes: quatro às extremidades, com um leão, uma serpente, um texugo e uma águia e


no meio, um H. Esquadrinhou a carta mais uma vez, sem saber exatamente o que fazer e leu o endereçamento: Srta. S. Granger Cozinha Central, 757, 5th Ave, Upper East Side, Manhattan, Nova York “Como pode estar endereçado onde eu estava dentro de casa?” ela pensou confusa. Ainda absorta e maravilhada com a carta recebida, Susan adentrou a cozinha e despejou as outras cartas sobre a mesa, sentando-se em seguida. Seus olhos ainda estavam presos ao envelope pesado e ela parecia estar com piedade de rompê-lo. Tia Sarah olhou-a assombrada e pigarreou alto: — O que é isso? — indagou trêmula e curiosa. — É uma carta — Susan proferiu sem desgrudar os olhos da carta — Endereçada a mim. Os olhos da tia arregalaram-se e Susan ficou desconfiada. Era como se ela já soubesse que aquilo poderia acontecer. A mulher engoliu em seco e pareceu agradecer internamente quando o marido juntou-se a eles à mesa do café. — O que há com vocês duas? — tio John questionou ao ver as caras de espanto de tia Sarah e Susan. Tia Sarah piscou atordoada e pareceu voltar a si. Indicou a carta na mão de Susan com a cabeça e sentou-se diante dele. — Acho que devemos contar a ela — disse confusa — Você sabe, minha irmã me ligou há três dias dizendo que Hermione recebera uma carta igual a esta. — Quem é Hermione? — Susan indagou, começando a prestar atenção na conversa. — Por que minha mãe ligou? Como assim minha mãe ligou? — Sua mãe me pediu para dizer que... que... — Se fosse confirmado que você recebeu esta carta — tio John falou — Seus pais iriam recebê-la em Londres. Susan congelou. — De que está falando, tio John? — perguntou exasperada. — Estou falando que seus pais estão dispostos a recebê-la em Londres — tio John disse — Você vai se mudar para lá. A menina boquiabriu-se mais de pânico que de surpresa. Seu coração batia a mil por hora e sua boca estava seca. Comprimiu os dedos nodosos sobre o envelope, de modo a mantê-lo seguro em suas mãos macias. — Leia a carta — tia Sarah incentivou com um tom de curiosidade. Um pouco hesitante, Susan deslacrou o envelope de forma trêmula. Puxou o pergaminho que estava no interior do envelope e correu seus olhos pelo conteúdo escrito em tinta verde-esmeralda. Assim que leu quatro vezes as mesmas palavras, respirou fundo. Estava meio em choque, mas conseguiu pigarrear e ler em voz alta para que todos ouvissem: ESCOLA DE MAGIA E BRUXARIA HOGWARTS


Diretor: Alvo Dumbledore ( Ordem de Merlin, Primeira Classe, Grande Feiticeiro, Bruxo Chefe, Cacique Supremo, Confederação Internacional de Bruxos ) Prezada Srta. Granger, Temos o prazer de lhe informar que a senhorita tem uma vaga na Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts. Estamos anexando uma lista dos livros e equipamentos necessários. O ano letivo começa em 1º de Setembro. Aguardamos sua coruja até 31 de Julho, no mais tardar. Atenciosamente, Minerva McGonagall Diretora Substituta. — Escola de magia? — indagou confusa e zangada — Isso é alguma brincadeira? — Ora, está maravilhada ou assustada com a ideia? — tio John perguntou curioso — Afinal, ter um bruxo na família é algo bastante peculiar. — Ambas as coisas — Susan resmungou — Não posso ser uma bruxa, sou uma menina comum. Apenas comum. — E as coisas esquisitas que já fez? — tia Sarah indagou instigando-a a pensar —Digo, você costuma estourar pratos quando muito zangada ou triste, e lembro-me bem da geleia de MaddieMaddox que você jogou contra ela sem sequer colocar a mão. — Não posso ser nada disso — Sue proferiu aflita. — Não pode ou não quer? Tal frase ecoou na cabeça da menina, que apenas maneou-a levemente. — Quem é Hermione? — perguntou. — Sua irmã — tia Sarah falou arduamente. A menina piscou atordoada. — Irmã? Eu tenho uma irmã…? — indagou confusa. Os tios não responderam muito, apenas lhe contaram que tinha uma irmã alguns meses mais velha e que ela fora um dos motivos essenciais pelo fato de Sue ir morar com os tios. Era algo relacionado à saúde e no mesmo momento em que sentiu raiva, Susan sentiu muita pena da garota e desejou intensamente poder vê-la. Guardou o envelope e o pergaminho consigo, e retirou-se da mesa sem comer nada. Não tinha fome, na verdade, não sentia nada. Nada além de um frio na barriga gigantesco. Deitou-se na cama e encarou o teto de seu quarto. Toda a expectativa dominava-a de forma bruta. Estava prestes a entrar em um redemoinho de sensações que jamais experimentara. Ia conhecer seus pais, e aquilo era ótimo, mas sentia-se confusa e aflita. Fechou os olhos, as mãos agarradas ao envelope que já estava um pouco amassado devido sua emoção ao


segurá-lo. Não aparentava ser tão real assim, mas tudo lhe estava sendo tão bom que preferiu deixar-se levar por aquela sensação. Sem que percebesse cochilou, embora aquilo fosse lhe fazer bem no momento, mesmo que seus sonhos estivessem tornando-se reais.


“Visita ao Beco” Capítulo Dois

Susan precisou de uma semana para finalmente arrumar todas as suas coisas, e então, mudar-se para Londres. Acompanhada de sua tia Sarah, ela fora acomodada na casa dos pais. Sua primeira semana fora bastante perturbadora e constrangedora, já que se sentia bastante deslocada naquela habitação. Os britânicos pareciam mais secos e frios que os americanos com quem convivera, mas seus pais aparentavam ser bem carinhosos embora ela ainda os chamasse de Sr. e Sra. Granger. A garota que devia chamar de irmã era Hermione, e sem dúvida, Susan jamais pensou que encontraria alguém tão parecido e tão oposto a si como Hermione era. Ela possuía cabelos castanhos e fartos e assim como Sue, tinha os dentes da frente avantajados, o que também parecia incomodar Hermione. Ela era extremamente dedicada aos estudos e passava a maior parte do tempo lendo ou estudando, o que deixava Susan entediada. Ambas agora dividiam o quarto, e Susan vivia trancafiada ali junto com Hermione, embora estivesse mais interessada em ficar olhando a rua pela janela que prestar atenção nas revisões de Hermione. Como estavam de férias, não precisava se preocupar em ir à escola, mas Sue estava muito entristecida pelo fato de estar só. Porém, as coisas saíram da monotonia no final de Julho, quando a porta de seu quarto irrompeu logo cedo e a voz de sua mãe tornou-se audível. — Susan. Hermione. Acordem rápido! — ela falou enquanto abria as cortinas e deixava a luz do sol matinal iluminar o quarto. Susan revirou-se na cama, ainda muito sonolenta e ouviu Hermione bocejar animada. —Acorde, Susan! — a irmã entoou com a voz embargada mas bastante eufórica — Nós iremos comprar nossos materiais! Com o rosto mergulhado no travesseiro, Susan meditou por segundos. Esquecera-se completamente de seus materiais; aliás, esquecera-se de toda àquela história de Hogwarts, magia, bruxos... Parecia que a Inglaterra havia limpado de sua mente aquela história insana e fantástica da escola de magia. Porém, tudo viera à tona no momento em que sua mãe lhe acordara, e então, levantou-se sonolenta. Em duas horas, os quatro estavam prontos e dentro do carro, em direção à Londres. Susan mal tomara café, pois sentia-se enjoada devido à ansiedade e estava irritada com o falatório de Hermione sobre as matérias e os livros que deveria comprar. Nem se deu conta do quão rápido chegaram à Londres, pois apenas notou que haviam parado o carro em frente a um edifício muito velho e que aparentava estar abandonado. As pessoas que passavam em frente a ele na calçada pareciam sequer nota-lo e Susan começou a ceder ao fato de que devia ser magia. Antes de entrar acompanhada dos pais e da irmã, Susan conseguiu dar uma boa olhada na placa que dizia: “O Caldeirão Furado” mas quando ia


examinar melhor, foi puxada pela mãe para dentro do lugar. De fato, não se parecia nada com o que esperava, mas não excedia suas expectativas. Um pequeno pub com cheiro de xerez estava diante de seus olhos, junto com pessoas que usavam capas de diversas cores, formatos e texturas, umas com chapéus-coco, outras usavam cartolas, e bebidas estranhas espalhavam-se pelas mesas de madeiras do âmbito. Ao balcão, achava-se um homem de aparência cansada que limpava um copo de vidro enquanto conversava com um bruxo de turbante ali mesmo ao balcão. Lançou um sorriso ao Sr. e Sra. Granger e em seguida, uma pergunta: — O que desejam? O Sr. Granger respondeu de forma polida e animada. — Tom não é? Queremos ir ao Beco Diagonal— e indicou Susan e Hermione com os olhos — Comprar o material de ambas. O homem que era barman e chamava-se Tom sorriu e indicou o caminho com a cabeça, seguindo-os em seguida. Acabaram por sair nos fundos da loja, que era pequeno e cheio de caixotes de madeira e sacos de lixo bem amarrados. Havia uma parede de tijolos feita, e assim, havia apenas isso. Susan arqueou a sobrancelha quando viu Tom caminhar em direção à parede de tijolos e tocar com a varinha em alguns pequenos tijolos vermelhos. O último a ser tocado estremeceu, e num piscar de olhos de Susan, a parede havia desaparecido e dado lugar a um arco. Do outro lado, achava-se a visão sensacionalista de uma rua grandiosa e não muito estreita, feita com pedras irregulares e apinhada de gente usando capas e até mesmo roupas comuns, como as que Sue e seus parentes usavam. Havia dezenas de lojas espalhadas por toda a rua principal, e bem ao fundo, ela pôde ver uma gigantesca construção feita de mármore branco que reluzia à luz do dia. Sem perceber, Susan começou a caminhar pela rua, maravilhada com tudo aquilo que estava diante de seus olhos, mas mesmo assim mantinha-se incrédula. Era inacreditável como tudo aquilo podia ser real. Parou de supetão ao ouvir a voz do pai, que ainda estava ante o arco conversando com Tom. — Susan, espere! — o Sr. Granger falou. A menina aguardou os pais e Hermione, embora desejasse que eles fossem mais rápidos. Estava demasiado ansiosa para ficar ali parada, enquanto podia ver todas aquelas maravilhas que as outras pessoas admiravam. Alguns minutos depois, Sue começou a caminhar com os pais um pouco descontente. Havia tanto para ver e parecia ter tão pouco tempo para tudo. Logo de cara notou que andavam em direção à grande construção de mármore ao fim da rua principal.Era difícil andar em meio àquela multidão, e mais difícil ainda quando ambas as irmãs Granger estavam encantadas e paravam à cada cinco minutos para ver as vitrines das lojas. Havia uma com um letreiro desgastado que dizia “Caldeirões – Todos os tamanhos – Cobre, Latão, Estanho, Prata e Ouro; Automexediço, Dobrável”, com muitos caldeirões empilhados do lado de fora. Mais à frente, muitos garotos esmurravam-se para dar uma espiada no que se parecia uma loja de vassouras. Uma extensão de lojas diferentes espalhava-se


por toda a rua, de todos os gêneros e coisas, como uma loja de animais, e um empório de corujas. Susan estava rodando para poder ver tudo o que ali havia e parecia estar fora de seu mundo quando a mão de sua mãe puxou-a para perto dos pais. Hermione estava maravilhada da mesma forma, porém parecia mais convicta de tudo que Susan, que ainda estava duvidosa. Aparentava ser bom demais para ser real. Num segundo estavam adentrando a grande construção, e Susan nem se dispôs a perceber que havia criaturas pequenas e mal-encaradas postados de guarda. Sue agarrou-se à mão da mãe com firmeza, pois sentiu uma onda de arrepio que se espalhou por seu corpo inteiro. As portas de ouro deixaram ambas as irmãs maravilhadas, mas a visão de outros anões que trabalhavam por toda a extensão do lugar, deixou Susan preocupada. Não parecia gostar nada deles. — Que lugar é esse? — Susan sussurrou baixinho, lançando olhares furtivos para todos os lados. — Chama-se Gringotes, como disse Tom — a Sra. Granger falou calmamente — É o banco dos bruxos. — Banco dos bruxos? — indagou Hermione depressa, antes que Susan pudesse dizer qualquer coisa. — Sim e precisamos arranjar dinheiro para vocês duas comprarem suas coisas. Os olhos de Susan varriam o lugar de maneira absorta e maravilhada. Ainda firmemente agarrada à mão da mãe, Susan ficou na ponta dos pés para ver um duende de cara amarrada detrás do balcão de madeira, onde a família parou. — Precisamos trocar dinheiro de gente normal — o Sr. Granger proferiu com um sorriso. Susan reparou como os dentes do pai eram branquíssimos e todos bem alinhados, assim como os de sua mãe. Talvez porque fossem dentistas, mas ainda desconfiava o fato de Hermione ter os dentes da frente maiores que o normal. Era difícil entender os pais. — O senhor quis dizer dinheiro trouxa, certo? — o ser falou com a voz arrastada; o Sr. Granger assentiu animado — Muito bem! A tabela está cotada em duas libras em quatro galeões e... Sue não se preocupou em ouvir o resto da conversa entre seu pai e o duende, pois o restante da habitação aparentava ser bem mais interessante que a cotação de dinheiro. Jamais imaginara que os bruxos pudessem ter um banco só deles, ou dinheiro próprio; tampouco pensava que eles existissem, mas estava revogando tal ideia cada vez mais. O Sr. Granger gastou em torno de dez minutos para trocar dinheiro suficiente para Sue e Hermione comprarem os materiais, e a família saiu do banco com duas sacas de couro pequenas, uma para cada irmã Granger.


Caminhando agora na rua apinhada de gente, Susan olhava para os lados, maravilhada com tudo. Bateu os olhos na lista de materiais, e averiguou os itens mais estranhos que já vira na vida.Hermione falava animada aos pais: — Vamos comprar primeiro os livros! — exclamou agitada. — Não podemos ir ver os caldeirões? — Sue argumentou, lançando olhares curiosos para todos os centímetros do perímetro que pertencia ao Beco Diagonal. Dezenas de crianças e adultos conversavam alegremente, carregando pacotes de vários tamanhos e formatos. — Acho melhor irmos juntos a um único lugar — o Sr. Granger disse — A livraria seria melhor. — Por favor, posso ir sozinha até a loja de caldeirões, então? — Sue implorou. O casal se entreolhou e esquadrinhou a menina, analisando a situação. — Não sei... — Já andei sozinha por toda a Manhattan — a menina suspirou esperançosa — Por favor, sei me cuidar! — Está bem! — bufou a Sra. Granger — Mas nos encontramos em frente ao banco ao meio-dia, certo? Vamos comprar roupas e varinha em seguida. Compro seus livros, Susan. Susan afastou-se dos pais, o coração palpitando de curiosidade. Caminhou por entre os outros bruxos, a lista de materiais guardada novamente dentro do bolso e bem segura entre seus dedos, Susan rumou até a loja de caldeirões, averiguando se a bolsa de dinheiro bruxo ainda estava segura em seu bolso esquerdo da jaqueta. Dirigiu-se ao balcão e indagou à mulher sobre os caldeirões de Hogwarts. — Estanho, número dois, querida — ela respondeu agitada com toda a movimentação de gente na loja, levando um caldeirão até a base do balcão e indicando-o a Susan — São quatro galeões e onze sicles. A menina arregalou os olhos para a mulher. Galeões, sicles... Aquilo deixou-a bastante confusa e a bruxa vendedora pareceu entender. Susan abriu a bolsa de dinheiro e viu que havia muitas moedas douradas, pratas e dezenas feitas de bronze. Lançou um olhar furtivo para a mulher. — Galeões são as moedas de ouro, sicles são as de prata — a bruxa explicou, enquanto atendia outra garota da idade de Susan, que usava mariachiquinhas nos cabelos loiros. — As de bronze chama-se nuques. Dezessete sicles formam um galeão, e vinte e nove nuques formam um sicle. Dê-me quatro moedas de ouro e onze de prata. Susan confundiu-se por um tempo, mas conseguiu pagar a bruxa e pegar o caldeirão que estava empacotado em uma sacola de papel pardo. Saiu da loja, analisou mais uma vez a lista de materiais e depositou-a no bolso, junto com a bolsa de dinheiro. Estava tentando decorar a estratégia do dinheiro bruxo, quando rumou até a farmácia. Era um lugar que cheirava coisas estranhas e às prateleiras de latão existia todo tipo de liquido e coisa esquisita enlatada ou enfrascada em recipientes de vidros. Havia bastante gente ali, a grande maioria


era composta por crianças da idade de Susan acompanhada de seus pais ou responsáveis. Parou diante do balcão, onde havia um menino de rosto redondo e expressões assustadas, acompanhado de uma bruxa alta e um pouco rechonchuda, que trajava vestes luxuosas e extravagantes, com um chapéu assustador composto por um urubu empalhado. O menino estava encolhido perante o olhar severo da mulher, que expunha para outra bruxa seus pensamentos sobre ele. — Ah, Neville, um menino muito desajuizado, Merine— ela exclamou — Não sei o que faria se não tivesse a mim como avó. — Pobre coitado, miolos fracos os dele, não? — a bruxa chamada Merine entoou educadamente. Susan parou de prestar atenção na conversa delas e lançou um sorriso discreto a Neville, que retribuiu timidamente e depois retornou seu olhar para o chão. Sue não o culpava; parecia que o menino era meio avoado, esquecido de tudo. Olhando mais uma vez a lista de materiais, Susan olhou para o moço atrás do balcão e indicou que precisava de ingredientes básicos para poções, e perguntou sobre os frascos e a balança que deveria comprar. O moço lhe deu os ingredientes e os frascos, e indicou que onde ela deveria a balança e o telescópio era na loja de caldeirões. Pagando ao homem doze galeões e treze sicles, Sue rumou de volta à loja de caldeirões para apanhar o que lhe faltara; uma balança de latão e um telescópio também de latão. Agora carregando uma sacola um pouco mais pesada e com mais cuidado para não quebrar nada, Susan passou em frente à loja de Artigos de Qualidade para Quadribol, e deu uma espiada no que aquela multidão de crianças e adolescentes observavam. Precisou ficar nas pontas dos pés para poder vislumbrar uma vassoura de cabo polido, e cerdas bem alinhadas, com letras douradas manuscritas na ponta do cabo. —Nimbus 2000 — leu em voz alta, estranhando o suficiente para que um garoto alto e forte, aparentando ter uns quinze anos, lhe encarasse. — É a vassoura mais rápida até então! — ele exclamou excitado e voltou sua atenção para a vassoura. Apesar da cena engraçada, Susan estava bastante confusa quanto ao fato daqueles garotos darem tanta importância a uma vassoura, que deveria voar, de acordo com os conhecimentos básicos de Susan sobre bruxas. Entretanto, a menina continuou caminhando, desta vez descendo a rua e parando em frente ao Empório de Corujas, e não deu muito valor ao letreiro, adentrando a habitação apertada. O lugar era meio escuro, e cheio de olhinhos brilhantes que pertenciam à corujas de diversos tamanhos, cores e espécies. O homem atrás do balcão era um pouco velho e de aparência cansada, tentando limpar as penas em cima do balcão e atender os clientes que alvoroçavam na loja. Sue olhou mais uma vez a lista de material e confirmou que ali dizia que os alunos poderiam trazer ou um sapo, ou um gato, ou uma coruja. Embora não soubesse das utilidades de uma coruja, a menina sentiu interesse em procurar algum bichinho de estimação.


— Qual a utilidade de uma coruja? — ouviu um menino moreno indagar a outro vendedor. — São muito fiéis e também podem levar cartas e encomendas, e não ocupam muito espaço e caçam por conta — o moço ia dizendo, mostrando os diversos tipos de corujas nas gaiolas pregadas às paredes e dispostas nas prateleiras — Ou seja, comem pouco e são bem limpinhas, embora soltem muitas penas. “Vou querer uma” Susan pensou, analisando as espécies. Havia uma coruja branca feito a neve, grande e imponente, e outra era toda alaranjada, mas Susan grudou os olhos em uma coruja negra de olhos amarelados, quase um gato de penas. Era do tamanho da coruja branca, grande e tinha uma expressão de austeridade, que parecia uma pessoa. A menina indicou ao moço que a queria, e enquanto o homem a dispunha sobre o balcão, Sue comprou ração e um pequeno recipiente de latão com duas divisões: uma para água e a outra para comida, de modo que já o colocou dentro da gaiola e pagou sete galeões pela coruja. Carregando a gaiola e as sacolas, Susan averiguou seu relógio de pulso e viu que já eram onze e meia da manhã. Bateu a mão no bolso, garantindo que a bolsa de dinheiro ainda estava ali e a lista de material também, rumando então até a entrada do Gringotes. Seus pais já a esperavam com um pacote de livros cada um e sacolas também. — Comprou uma coruja? — a Sra. Granger questionou admirada. — Achei que seria útil, sabe, elas entregam cartas e encomendas — Susan explicou, entregando o caldeirão com os ingredientes e frascos dentro a seu pai — Compraram meus livros? — Estão aqui, depois você precisa reembolsar Hermione, tiramos do dinheiro dela — o Sr. Granger disse, indicando os pacotes em papel pardo na mão da esposa — Agora falta o uniforme e a varinha. — Varinha! — Susan entoou agitada. — Uniforme! — Hermione bradou animada. As irmãs se entreolharam, e Susan deu de ombros. — Podemos tomar sorvete depois? — indagou — Assim, deixamos as varinhas por último e depois vamos tomar sorvete! — Aqui? — o Sr. Granger indagou curioso — Vi uma sorveteria lá atrás. Tudo bem, então. Os Granger, então, dirigiram-se à loja de roupas. O letreiro dizia Madame Malkin— Roupas para todas as ocasiões e Susan adentrou a loja junto com Hermione, enquanto os pais dirigiram-se até a sorveteria. Madame Malkin era uma bruxa atarracada e sorridente, que lançou um olhar animado para as meninas. — Hogwarts, queridas? — ela questionou e viu-as assentir — Muito bem, venham até aqui. As crianças estão dando muitos encontrões hoje, há uma mocinha aqui também. Hermione e Susan seguiram a mulher até o fim da loja, onde havia vários banquinhos de madeiras e em um deles havia uma menina de cabelos louros e


maria-chiquinha. Susan reconheceu-a da loja de caldeirões e enquanto subia no banquinho à direita da garota, retribuiu o sorriso que ela lançou. — Vocês também vão para Hogwarts? — a menina questionou animada, os braços abertos, com longas vestes negras cobrindo-os. Madame Malkin agora despejava o mesmo tecido sobre Hermione e Susan, e voltara a alfinetar a menina em partes onde estava tudo comprido — Sou Ana Abbott. — Susan e Hermione Granger — Susan respondeu com a mesma animação, indicando a irmã com a cabeça — Vi você na loja de caldeirões. — Ah sim, você era a menina que se confundiu com o dinheiro bruxo — Ana riu — É muito comum isso acontecer. Você é nascida-trouxa? — Meus pais não são bruxos, então acho que sou — Susan refletiu — É assim que vocês chamam as pessoas que não são bruxas, não é? Trouxas. — Por assim dizer, é, mas gosto dos trouxas e dos nascidos-trouxas — Ana falou animada, enquanto Madame Malkin ajeitava as vestes da garota — Eles, em geral, são mais compreensíveis que os outros bruxos. —Estou doida para ler mais sobre isso — Hermione comentou animada — Comprei alguns livros extras, sabe, para poder conhecer mais. Susan precisou rir e Ana fez o mesmo. Hermione era completamente obcecada por querer sempre ser a melhor em tudo, sempre saber de tudo, mesmo quando não aparentava ser algo cabível. Hermione soltou um muxoxo de impaciência, mas Susan ignorou-a. — Sua família inteira é bruxa, Ana? — perguntou curiosa. — Até onde sei, sim, mas sempre acontece de existir um parente distante que é trouxa — Ana falou com animação — A maioria dos bruxos precisou casarse com trouxas, então temos muitos mestiços. São raras as famílias inteiramente bruxas. — Aposto como eles devem se sentir superiores — Susan resmungou amargurada. — Ah, com toda a certeza, mas são a minoria então não há porque se preocupar — Ana disse, descendo do banquinho e pagando Madame Malkin— Bom, vejo vocês em Hogwarts. Susan teve suas medidas tiradas, Hermione também e ambas pagaram Madame Malkin, recebendo em troca pacotes macios com todas as vestes necessárias. As meninas caminharam até o lado de fora da loja, e foram abordadas pelos pais com dois grandes sorvetes de amora e castanhas. Felizes, as duas acabaram rapidamente com os sorvetes enquanto rumavam em direção à única loja de varinhas em todo o beco: Olivaras. A julgar pela aparência velha e feia da loja, Susan sentiu-se extremamente empolgada com o fato de possuir uma varinha. Se havia alguma coisa que poderia provar que tudo aquilo era real, seria uma varinha de verdade. Estava tão maravilhada com a ideia, que foi a primeira a chegar à loja e precisou esperar os pais e a irmã, que carregavam mais pacotes. O casal deixou as irmãs à porta da loja e rumou de volta ao Caldeirão Furado, enquanto Hermione e Susan adentravam a habitação. Era, de fato, uma lojinha pequena, com várias estantes detrás de um balcão de madeira,


todas abarrotadas de caixinhas retangulares. Havia um banquinho de madeira que parecia prestes a desabar a qualquer momento e um sino sobre a porta soou assim que elas entraram no lugar. — Olá? — Susan proferiu ao nada, esperando que aparecesse alguém. A menina aproximou-se do balcão e postou as mãos sobre o mesmo. No instante seguinte, um homem muito velho surgiu do meio das estantes, os olhos claros e brilhantes cintilando assustadoramente. — Boa tarde — ele proferiu suavemente, sorrindo discretamente. Susan sobressaltou-se com a chegada do homem e perdeu a voz momentaneamente, mas nem preocupou-se com Hermione que parecia estar no mesmo estado de espanto. — Boa... Boa tarde, senhor — Sue disse trêmula. O homem deu meia volta e saiu de trás do balcão, carregando em sua mão uma fita métrica e uma varinha. — Vejo que ambas vieram comprar suas varinhas, certo? — ele entoou calmo, caminhando até Susan com a fita — Comecemos pela mais nova então, senhorita Grant...? — Granger, senhor — Susan corrigiu-o delicadamente, ainda trêmula — Como sabe que sou mais nova? — Suas expressões são mais leves e despreocupadas que as de sua irmã — ele disse, dando um toque com a varinha sobre a fita — Granger? Bom, nascidatrouxa presumo eu. Entretanto, muitos bruxos excepcionais vieram de famílias trouxas, enquanto muitos sangue-puros mal são capazes de fazer um feitiço sem explodir um lugar. Mas, diga-me, qual o braço da varinha? O cérebro de Susan pareceu falhar por segundos. — Sou canhota — a menina proferiu. Hermione ouvia a tudo atentamente, tentando não perder uma só palavra do que o Sr. Olivaras dizia. — Toda varinha Olivaras tem seu cerne, o núcleo mágico, feito de uma substância poderosa — ele dizia, medindo todos os ângulos possíveis do braço; Susan percebeu que a fita media sozinha e ficou maravilhada com aquilo — Uso, em específico, pelos de unicórnios, cordas de coração de dragão e penas de caudas de fênix. Nenhuma varinha é igual, assim como não existem dragões, nem fênix ou unicórnios iguais. É uma coisa única, e obviamente, a senhorita nunca obterá resultados tão bons com uma varinha alheia, a menos que lhe seja obtida com a dignidade de um duelo e nunca em roubo. — E o que acontece se eu partir a minha varinha? — Hermione questionou a mesma coisa que passava pela cabeça de Susan. — A varinha escolhe o bruxo, senhorita Granger, mas uma vez que ela se quebre, supostamente outra varinha a escolherá, mesmo que não seja a mesma coisa que antes —Olivaras disse, agora medindo Hermione com a fita mágica.— Cada varinha é única e específica, não há muito que discutir. Pronto — ele entoou e a fita caiu no chão, enrolando-se — Vejamos a varinha da Granger mais nova.


O homem sumiu por entre as estantes, e voltou segundos depois, com duas caixas retangulares nas mãos. Ele abriu uma delas e entregou uma a varinha de madeira escura e cheia de farpas, ligeiramente torta. — Experimente essa — ele disse animado — Azevinho, Corda de Coração de Dragão, vinte e sete centímetros. Maleável. Susan olhou abobalhada para a varinha, e sem saber o que fazer, sacudiua, mas no mesmo instante Olivaras arrancou-a de sua mão. Ele apresentou-lhe outra varinha. — Aqui, bordo, pelo de unicórnio, vinte e três centímetros. Farfalhante. A garota agitou a varinha de novo, e um dos pés do banquinho soltou um rangido e despedaçou-se. A menina largou a varinha sobre o balcão, bastante assustada e analisou o homem acenar com a própria varinha para o banco, e reconcertá-lo. O Sr. Olivaras sumiu de novo nas estantes, e trouxe outras caixas de varinhas. Uma a uma, Susan experimentou-as e de fato, nenhuma lhe servira. Mais um pouco e destruiria a loja do homem, que parecia frustrado quando mordeu o lábio inferior. — Estou recheado de clientes difíceis, mas a senhorita está ultrapassando as minhas expectativas — o Sr. Olivaras disse calmo — Acho que sua varinha será, sem dúvida, uma com características especiais e únicas, mais única que o comum. — Talvez seja tudo um grande engano — Sue proferiu, analisando Hermione que parecia estar entediada com tudo aquilo já; Susan olhou para seu relógio de pulso e percebeu que já se passara quase uma hora que estava ali. — Não seja tola, iremos encontrar a varinha perfeita para você. — e mais uma vez ele sumiu. Desta vez, demorou mais que o normal para voltar, e quando voltou, Susan viu que trazia apenas uma caixa, esta branca com gravuras douradas. O homem tirou a varinha e entregou-a a Susan. No mesmo momento, a menina sentiu uma leve brisa surgir entre os dedos onde apertava a varinha e no instante seguinte, viu o senhor Olivaras bater palmas com um sorriso. Susan examinou a varinha cuidadosamente; era branca e fina, parecia ser feita de marfim e era muito bonita. — Muito bem, muito bem! — o Sr. Olivaras exclamou, guardando de volta a varinha na caixa — Álamo, pena de fênix, trinta centímetros. Uma varinha extremamente forte, senhorita Granger, além de muito bonita também. Creio que terá uma dificuldade pequena mas existente em confiar em sua varinha, uma vez que a pena de fênix é rígida e desconfiada, mas com o tempo, a senhorita realizará grandes feitos com ela, não? Susan assentiu trêmula, dividida entre a felicidade e o espanto, além é claro, da confusão interna. Demorara quase duas horas para adquirir sua varinha, e quando o fazia, obtinha uma varinha complicada, temperamental. Hermione agora experimentava as varinhas, mas na quinta tentativa obteve a sua.


— Ora, muito bem, videira, corda de coração de dragão — o Sr. Olivaras falou entusiasmado — Ambas as irmãs com varinhas fortíssimas e bonitas. São catorze galeões tudo. As irmãs pagaram pelas varinhas e guardaram as caixas, rumando de volta para o Caldeirão Furado com passadas rápidas. Susan sentia-se faminta e seu estômago já começara a roncar. Estava demasiado ansiosa, embora ainda lhe faltassem um mês até que de fato chegasse o dia de ir para a tão desejada Hogwarts. Ainda assim, muita coisa empertigava na cabeça de Susan Granger, como o fato de uma varinha tão boa e um mundo novo além de seus olhos. Entretanto, outras coisas que ela duvidava haviam sido concretizadas: de fato, aquilo não era um sonho. Ou talvez fosse, aquele sonho maravilhoso que se tornou real.


“O Expresso de Hogwarts” Capítulo Três

Já havia se passado um mês desde que Hermione e Susan haviam comprado todo o material escolar no famoso Beco Diagonal, e Sue pagaria quantos galeões fossem necessários para ir dar outra olhada caprichada no lugar. Seus sonhos estavam sendo alimentados através do desejo de tomar outro sorvete delicioso, ou até mesmo ir ver as coisas nojentas e pegajosas que o Apotecário resguardava. Até sua conversa com Ana Abbott, a menina de mariaschiquinhas, voltara à tona quando Hermione e Susan discutiam sobre as vestes de Hogwarts. Hermione já lera todos os livros dezenas de vezes e não parava de entoar que sabia todos de cor, mas Sue preferiu dar olhadas furtivas, tentando conhecer apenas o básico, para não se sentir burrinha perto de outros alunos. Sua coruja, a quem batizara de Zeus, o deus grego dos raios, rei dos deuses e poderoso senhor do Olimpo, voava feliz todas as noites e vez ou outra trazia ratos mortos para o quarto. Ele era uma boa companhia para Susan, que constantemente testava-o, fazendo-o levar bilhetes para a mãe enquanto ela trabalhava. Hermione, apesar de desaprovar tal atitude da irmã, gostava bastante de Zeus, mas estava bem mais interessada em testar seus novos feitiços aprendidos. Consertara páginas rasgadas, vidros partidos e fazia bolhas surgirem por todo o quarto. Feliz com si mesma, recebia muitos elogios dos pais, mas Susan mesmo maravilhada, não via tanta graça em lançar feitiços pelo quarto. Conseguira resultados tão bons quanto os de Hermione, mas estava mais interessada em ler os livros sobre plantas mágicas, poções e animais. Estava assombrada com a ideia de poder fazer poções para inchar, desinchar, poções para curar furúnculos, e outras mais coisas que lera em Bebidas e Poções Mágicas, mas vira tantas outras maravilhas em Mil Ervas e Fungos Mágicos e Animais Fantásticos e Onde Habitam,que estava em dúvida sobre qual leria primeiro antes de chegar à escola. Curiosamente, a menina encontrou livros pelo quarto que não estavam na lista, mas sabia que Hermione os comprara por compulsão de saber mais. Estava folheando Hogwarts, uma História quando a irmã irrompeu a porta do quarto, correndo arrumar as coisas. Ambas as meninas ganharam malões com suas iniciais gravadas na frente, os malões pareciam feitos de madeiras e na parte superior tinham o brasão de Hogwarts gravado. — O que está fazendo? — indagou Susan, sentada em sua cama e fechando o livro com baque surdo — Para que todo esse desespero? — Vamos sair amanhã cedo! Quero arrumar logo as coisas para poder dar uma última olhada nos livros antes de irmos! — Hermione bradou agitada, dobrando as vestes negras com o símbolo de Hogwarts bordado no peito e colocando-as cuidadosamente dentro do malão.— Você também deveria arrumar suas coisas.


— Já arrumei tudo, Hermione — Sue resmungou, colocando o livro sobre a cama da irmã, que a olhou surpresa — Faz dois dias que já guardei tudo no malão. As únicas coisas que não guardei foram Zeus, que viajará na gaiola e minha varinha, que vem comigo no bolso. Susan sentiu Hermione frustrar-se com aquilo, mas ignorou repentinamente.Verificou as trancas do malão, a gaiola de Zeus e por fim, colocou a varinha em cima da mesinha de cabeceira, junto à carta. Encontrara o bilhete do trem, e desde que o lera, sentia-se confusa. Dizia para tomar o trem na plataforma nove e meia, mas decididamente sabia que não existia a tal plataforma e mais uma vez, sentiu que tudo era um sonho. Porém, o fato de tudo encaixar-se perfeitamente modificava as coisas. Guardou o bilhete dentro do envelope já violado, que por alguma razão tinha dificuldade de livrar-se dele e agora guardava-o no bolso. A bolsa com dinheiro bruxo estava dentro de sua gaveta, ainda lhe restavam alguns trocados e provavelmente haveria comida no trem. O pouco que folheara de Hogwarts, uma História a deixara fascinada e ainda mais empolgada com a viagem até a escola. Entretanto, parara de ler porque queria sentir-se surpreendida e havia até ofendido Hermione por falar sem parar das coisas que Hogwarts possuía, porque o que Susan mais desejava era espantar-se com o surreal. Elevando sua mente às nuvens, a menina deitouse e virou-se para a parede, e em questão de segundos, adormeceu. O dia seguinte foi turbulento e começou bem cedo para as irmãs, que acordaram às cinco da manhã. Hermione não parava de abrir o malão para averiguar se todos os livros e materiais estavam ali dentro e Susan andava de um lado para o outro, girando a varinha entre os dedos finos e nodosos. Os pais preparam um café da manhã sem açúcar para as meninas, mas Susan não sentia fome e fingiu comer a torrada, quando na verdade depositou-a de volta na bandeja assim que sua mãe virou o olhar para o lado oposto. Como o expresso só saía às onze horas, Susan e Hermione ansiaram por quase três horas até que nove e meia da manhã chegasse. As duas carregaram os malões para dentro do carro do pai, junto com a gaiola de Zeus e todos embarcaram com destino à estação de King’s Cross. Pegaram um leve trânsito congestionado, mas chegaram à estação às 10:25 da manhã. O Sr. Granger foi buscar carrinhos para as irmãs e eles entraram na estação tumultuada naquele primeiro de setembro um pouco nublado. A gaiola de Susan com Zeus chamava bastante a atenção dos trouxas ali, mas a menina tentava ser discreta e a coruja negra não dava um pio sequer, como se soubesse o que devia fazer. Passaram pelas plataformas cinco, seis, sete, oito e finalmente chegaram à plataforma nove e dez. Os números de plástico eram bem claros. — Muito bem, você lembra quais eram as instruções? — a Sra. Granger questionou ao marido, que revirou os bolsos e puxou um papel amarrotado. — Certo, não podemos passar daqui — ele disse, lendo o papel — Vocês terão que passar por esta parede entre as plataformas nove e dez, é uma espécie de portal. Acho que as pessoas não podem ver vocês indo, então, uma de cada vez e esperem meu sinal. Quem vai primeiro?


As irmãs se entreolharam, aflitas. E se a parede... E se realmente fosse uma parede? Susan só conseguia pensar no pior e isso incluía se esborrachar contra uma parede maciça. Entretanto, Hermione parecia ainda mais amedrontada e com certeza Sue teria que ir primeiro. — Muito bem, eu vou — disse, tentando parecer convicta. Endireitou o carrinho na direção do muro de divisão, respirou fundo e esperou até ouvir a voz do pai. Suas mãos suavam ligeiramente e as pernas estavam bambas, insensíveis. Deu umas palmadas na saia de prega que vestia, o vermelho deixando-a atordoada e ajeitou a blusa branca e jaqueta preta. Devia ao menor parecer apresentável. Tentou domar os cabelos, e quando ouviu o sinal do Sr. Granger, desatou a correr em direção à barreira. Parecia a maior loucura de sua vida, mas quando pensou em parar de correr já era tarde. Fechou os olhos por instinto assim que a beirada do carrinho tocou a parede, mas a colisão que esperava não aconteceu. Sentiu uma brisa rodear sua juba castanha, quase loira, e parou de correr. Um alto silvo, um cheiro de fumaça e ruídos de passos apressados e conversas adentraram os tímpanos da menina, que abriu os olhos e deparou-se com uma cena incrível. Mais bruxos que no Beco Diagonal, havia tanta gente usando trajes incomuns que Susan quis chorar tamanha sua emoção. No alto, pouco acima de onde ela estava, havia um letreiro escrito Plataforma Nove e Meia —Expresso de Hogwarts. A menina tratou logo de sair do caminho, porque Hermione logo chegaria correndo também e não queria chamar muito a atenção das pessoas. Caminhou, seguindo a locomotiva vermelha que soltava baforadas de fumaça e seguiu alguns alunos que aparentavam ter sua idade, lançando um olhar para trás enquanto empurrava o carrinho. — Você podia ter me esperado, não é? — ouviu Hermione ralhar ofegante, enquanto igualavam os carrinhos ao empurrá-los. — Desculpe, só quis evitar uma colisão desnecessária — Susan bufou entediada — Além do mais, fiquei maravilhada com isso. — Ora, você não sabia que a locomotiva era vermelha? — Hermione bufou, soltando um muxoxo de impaciência — Qualquer um que leu Hogwarts, uma História saberia disso. Não há nada de especial. — Hermione, a única pessoa que adora estragar surpresas aqui é você — Sue resmungou, e assobiou alto quando viu que a irmã ia retrucar — Não quero saber de nada. Prefiro que as coisas cheguem até mim da mesma maneira maravilhosa que têm chegado. Assim, Hermione calou-se até que encontraram um lugar por onde subir. No meio do caminho, Susan viu Ana Abbott empurrando seu carrinho ao lado de uma mulher que só podia ser sua mãe, e mais à frente viu o menino de rosto rosado chamado Neville, choramingando à sua avó que perdera um sapo. Pararam diante de uma porta, onde quatro garotos ruivos acompanhados de uma mulher baixinha e gordinha também ruiva ( que só poderia ser a mãe deles ) e uma menininha ruiva, um pouco mais nova que Susan. Hermione e ela esperaram até todos eles entrarem, e subiram os malões com certa dificuldade.


Susan ainda tinha a gaiola de Zeus e averiguou se a bolsa de dinheiro ainda estava em seu bolso, junto da varinha e do bilhete. Ela cambaleou um pouco, tentando manter a gaiola no alto e o malão sempre subindo. — Eu ajudo você — ela escutou uma voz e viu que era um dos ruivos. — Obrigada. O garoto alto e magricela levou o malão até o corredor e depositou-o no chão, onde ajudou Susan a subir com a gaiola de Zeus. O irmão dele, o gêmeo, chegou aos pulos e sorridente e Susan não teve dúvidas de que eram grandes pregadores de peças, porque os sorrisos eram travessos demais. — Jorge, vem cara, Lino arrumou uma tarântula gigante e você ainda está aqui! — o gêmeo ruivo disse. — Estava ajudando Fred — Jorge falou — Esses novatos precisam mesmo arrumar pessoas para ajuda-los! — e piscou para Susan, correndo na direção oposta do corredor— Tchau! Susan perdera Hermione de vista, mas nem preocupou-se em procura-la. Estava mesmo querendo dar um tempo, então rumou pelo corredor arrastando o malão e a gaiola de Zeus. A grande maioria das cabines estava cheia e Sue estava ficando cansada de carregar todo aquele peso, mas encontrou uma cabine onde dois garotos estavam sentados. Um deles era outro menino ruivo, tão sardento e magro quantos os gêmeos e o outro tinha cabelos pretos e era baixo e magricela, usando óculos de aro redondo e remendados com fita. Suspirou e meteu a cabeça para dentro da cabine. — Com licença — disse, educadamente — Posso me sentar aqui? Não tem espaço nas outras cabines. Ambos os meninos assentiram com um sorriso, e Sue arrastou o malão para dentro da cabine, colocando-o na parte superior, junto com a gaiola de Zeus e o próprio bicho, que dormia tranquilo. Sentou-se no mesmo banco que o menino de cabelos pretos, mas encolheu-se perto da porta tentando não incomodá-los. — Obrigada — murmurou baixinho. O silêncio abateu-os por um tempo, e então, ouviu-se a voz risonha dos gêmeos ruivos aparecendo ali. — Oi, Rony — eles entoaram. — Escuta, vamos para o meio do trem. Lino trouxe uma aranha monstruosa! — um dos gêmeos disse animado. — Harry! — o outro entoou, encarando o menino de óculos — Já nos apresentamos? Fred e Jorge Weasley. E este aqui é o Rony, nosso irmão. Temos que ir, até mais — e fecharam a porta da cabine ao passarem. — Você é mesmo Harry Potter? — Rony indagou O menino de óculos confirmou com a cabeça. — Então você tem mesmo a cicatriz? Susan observou o menino chamado Harry erguer a franja para mostrar o que Susan nomeou de bizarro ao extremo. Uma fina cicatriz em forma de raio


estava estampada na testa do menino e Rony ficou tão absorto com aquilo, que Susan não resistiu a perguntar. — Por que está tão assustado com uma simples cicatriz? — Seus pais são trouxas? — Rony questionou curioso. — Sim, mas que isso tem a ver? —Bom, esta cicatriz é famosa entre os bruxos, é a marca de Você-SabeQuem, a marca de quando ele sumiu — Rony falou. — Voldemort? — Susan indagou, lembrando-se do que lera em um dois livros de Hermione. O nome Harry Potter lhe veio à mente no mesmo momento e ela fez uma cara de quem entendera; Rony, porém, fez uma careta feia e Harry olhou-a admirado — Desculpe, disse algo errado? — Nós não falamos o nome dele— Rony grunhiu, mas voltou a ser simpático. Virou-se para Harry — Então foi aí que Você-Sabe-Quem...? — Foi, mas não me lembro de nada — Harry disse indiferente. — Nadinha mesmo? — Rony perguntou ansioso. — Bom... Lembro-me de muita luz verde, mas nada mais. — Uau! — Rony exclamou, e encarou Harry por segundos, virando o rosto para a janela. Susan, porém, ficou maravilhada com a história de Harry Potter e fixou os olhos nele por instantes. Lembrou-se de poucas coisas do livro, como Voldemort perdendo seus poderes para um bebê, deixando uma cicatriz nele e nada mais. Harry não aparentava ter o físico de nenhum herói que Susanconhecesse, mas ele demonstrava ser alguém muito bom. Seus olhos se encontraram, mas Susan não desviou; apenas sorriu. — Todos na sua família são bruxos? — Harry questionou e Susan arrumou-se no assento, atenta às palavras deles. — Acho que sim, mas creio que mamãe deve ter um primo distante que é contador, mas não falamos muito nele — Rony disse. Susan achou aquilo divertido, porque afinal, Rony vinha de uma família inteiramente bruxa e aquilo era incrível. — Ouvi dizer que você foi viver com os trouxas? — o menino ruivo disse — Como é que eles são? — Horríveis, mas nem todos são assim — Harry disse, rindo — Mas minha tia, meu tio e meu primo são. Gostaria de ter tido três irmãos bruxos. — Na verdade, são cinco — Rony disse, meio desgostoso — Sou o sexto da família a vir para Hogwarts, então tenho que honrar nosso nome. Gui e Carlinhos já terminaram a escola, e Gui foi monitor-chefe. Carlinhos foi capitão do time de Quadribol. Percy é monitor agora, e Fred e Jorge só fazem bagunça, mas tiram notas muito boas e todos adoram eles, acham que são engraçados. Todos esperam que eu me saia tão bem quanto os outros, mas seu o fizer, não será grande coisa, porque eles já fizeram tudo. E também há a desvantagem de não se ganhar nada novo quando se tem cinco irmãos. Uso as vestes velhas de Gui e a varinha de Carlinhos, e o rato velho de Percy.


Ele tirou do bolso do paletó um rato gordo e cinzento que dormia profundamente. — O nome dele é Perebas, e é um completo inútil. Percy ganhou uma coruja por ter virado monitor — Rony resmungou amargurado — Mas eles não podiam... Quero dizer, em vez disto, ganhei Perebas. Susan viu as orelhas dele ficarem vermelhas, mas não o culpou por isso. Sabia como era viver numa casa com crianças, onde não se ganhava quase nada novo. Além do mais, fora deixada pelos pais e aquilo era muito pior que um rato velho. — A propósito, como disse que se chamava? — Harry indagou a Susan. — Susan Granger. Harry voltou-se para Rony e começou a falar sobre sua vida dura com os tios, os Dursleys. Contara como usava as roupas velhas de Duda, seu primo, e que nunca ganhara nada de aniversário. Aos olhos de Susan, aquilo animou um pouco Rony. — E até Hagrid me contar tudo, eu não sabia que era bruxo, nem quem era meus pais, muito menos Voldemort — Harry concluiu. Rony soltou uma exclamação e Susan arqueou a sobrancelha. — Você disse o nome de Você-Sabe-Quem! — Rony exclamou — Achei que de todas as pessoas você... — Está vendo? Eu não faço isso por coragem, é porque não sei nada sobre nada! — Harry entoou cabisbaixo — Aposto que vou ser o pior aluno da turma! — Ah não vai não — Susan interveio, e ambos os garotos encararam ela — Eu também não conhecia meus pais. Eles me deixaram quando eu era muito nova, e cresci com meus tios, numa casa com cinco primos. Descobri ser bruxa há pouco tempo, e tentei pouca coisa em casa. Obtive resultados bons até, em visão de quem duvidava até mesmo que magia pudesse existir. — E é verdade, tem alunos de famílias trouxas que aprendem tudo muito rápido — Rony disse. Agora o trem aparentava ter saído de Londres e corria por um campo cheio de vacas e carneiros, e o silêncio abateu-os de novo. Por volta do meio-dia e meia, Susan sentiu seu estômago roncar e no mesmo momento uma mulher gorducha apareceu no corredor, empurrando um carrinho cheio de doces. — Querem alguma coisa, queridos? — ela perguntou amável. Susan deu um salto, enfiando a mão no bolso e apanhando a bolsa de dinheiro. Harry também levantara-se para comprar, mas Rony murmurou algo sobre ter trazido sanduíches de casa. A menina dirigiu-se até o carrinho, esperando encontrar muitas barrinhas de chocolate, mas tudo o que viu foi uma sucessão de doces bizarros. Havia feijõezinhos de todos os sabores, balas de goma, chicles de bola, sapos de chocolates, tortinhas de abóbora, bolos de caldeirão, varinhas de alcaçuz e outras loucuras que aparentavam ser maravilhosas, deixando Susan duvidosa sobre o que comprar. Escolheu uma caixa de feijõezinhos, alguns sapos de chocolate e varinhas de alcaçuz e pagou à


mulher com alguns sicles e nuques, sentando-se logo em seguida. Harry voltou para seu lugar, os braços carregando um monte de doces. Apesar das curiosidades pelos doces, Susan não conseguiu comer nada porque Rony começara a queixar-se dos sanduíches que trouxera. Chegava a ser penoso. — Ela sabe que detesto carne enlatada! Susan e Harry lançaram olhares de compaixão a ele. — Troco com você por um destes! — Harry disse, dando para Rony um pastelão de carne. — Posso trocar também, se quiser — Sue completou — Eu gosto de carne enlatada. Rony mudou de lado, sentando-se entre Susan e Harry e começando a comer fervorosamente junto com eles. Estavam tão entretidos com os doces diferentes, que os sanduíches do menino foram esquecidos. Rony contou aos dois sobre sua família; os Weasleys pareciam ser uma família bruxa antiga. O irmão mais velho, Gui, trabalhava no Egito e Carlinhos, o segundo mais velho, trabalhava com dragões na Romênia. — E você, Susan? — Rony perguntou. — Bom, eu cresci nos Estados Unidos, meus tios me criaram desde que eu era bem pequena. Depois que descobri ser bruxa, recebi a carta sabe, conheci meus pais e descobri que tinha uma irmã, mas já estava acostumada com outras crianças em casa. Além do mais, ela também é bruxa. — Em que ano ela está? — Harry indagou curioso. — Primeiro ano, é só alguns meses mais velha que eu, mas começaremos juntas. Logo eles voltaram sua atenção para os doces. Harry e Susan estavam bastante entretidos com os feijõezinhos de todos os sabores, que segundo Rony, erammesmo de todos os sabores. Sue deu o azar de sortear um com gosto de cera de ouvido. Os sapos de chocolates traziam figurinhas colecionáveis de bruxos e bruxas famosas, e os sapos eram enfeitiçados para que pulassem loucamente. — Devo ter umas quinhentas figurinhas já — disse Rony, estufando o peito — Só não tenhoAgripa e Ptolomeu. Dê-me um, quem sabe eu o tiro. Susan observou Harry abrir um sapo e exclamar admirado ao ver a figurinha. — Tirei o Dumbledore! — ele disse, lendo as informações na parte detrás da carta pentagonal, mas Sue nem prestou atenção. — Quem é Dumbledore? — questionou. — Ele é o diretor de Hogwarts e talvez o bruxo mais genioso que já existiu! — Rony falou, bufando ao ver a figurinha que conseguira — Droga! Tirei Morgana outra vez! Tome, pode ficar e começar a colecionar. Em questão de segundos, Harry já estava com várias cartas. Sue lançou um olhar curioso a Perebas, que dormia em um sono morto no colo de Rony.


— Patético, não é? — Rony bufou mal-humorado, ao ver os olhares se voltarem para o rato. — Só um pouquinho — Harry disse. —Jorge me ensinou um feitiço para deixa-lo amarelo, querem ver? Susan endireitou-se, esperançosa para ver um feitiço diferente e Harry parecia ter a mesma empolgação. Rony puxou a varinha do bolso do paletó e pigarreou alto, porém a porta da cabine abriu-se e o menino de rosto redondo chamado Neville, apareceu ali. — Vocês viram um sapo? — ele questionou choroso. Os três negaram com a cabeça. — Perdi-o! Vive fugindo de mim! — Ele vai aparecer — Harry consolou. — Se o vir... — e saiu, fechando a porta. Susan suspirou. — Pobre coitado, esse menino! — disse aos outros dois — Ele é meio esquecido, sabe? O vi no Beco Diagonal com a avó, era meio confuso. — Ele está reclamando demais! — Rony resmungou — Se eu tivesse perdido um sapo, não teria me dado o trabalho de procura-lo. Mas tenho Perebas, não estou muito atrás... Rony lembrou-se que ia deixar o rato amarelo, e pigarreou de novo, mas outra vez foi interrompido. Susan soltou um muxoxo quando viu Hermione aparecer na porta da cabine, já usando as vestes novas da escola. — Vocês viram um sapo? Um menino chamado Neville perdeu o dele — ela disse, fingindo nem ver Susan. Os olhos dela recaíram-se sobre a varinha de Rony, quando os três negaram com a cabeça à pergunta de Hermione. — Está fazendo magia? — Hermione disse em tom de desafio — Essa eu quero ver! Rony lançou olhares furtivos à Harry e Susan antes de pigarrear mais uma vez. —Sol, margaridas, amarelo maduro — ele disse, apontando a varinha desgastada a Perebas —Torna amarelo esse rato velho e burro. Perebas deu um leve salto para frente, mas continuava cinzento e adormecido. — Isso é um feitiço? — Hermione debochou — Parece que não é muito bom. Tentei alguns simples em casa e não tive problema. Ela puxou a varinha de dentro do bolso interno das vestes e apontou para os óculos de Harry. —Óculos Reparo! — entoou e os óculos ficaram limpos e consertados. Sue revirou os olhos, enquanto Harry examinava os óculos que pareciam novos e Rony olhava boquiaberto. Hermione viu a cicatriz de Harry quando ele recolocou os óculos e soltou uma exclamação esganiçada. — Ai meu Deus! Você é Harry Potter!— ela desatou a falar rapidamente — Já li tudo sobre você e já ouvi falar é claro. Você está em História da Magia


Moderna, Ascensão e Queda das Artes das Trevas e em Grandes Acontecimentos do Século XX. Meus pais são trouxas e foi uma surpresa e tanto quando recebi a carta. Fiquei tão contente e me disseram que é a melhor escola de magia que existe. Já sei de cor todos os livros que nos mandaram comprar e espero que seja o suficiente. A propósito, sou Hermione Granger — ela virou-se furtivamente para Rony — E você é? Susan fez uma careta ao ver as caras incrédulas de Rony e Harry ao ouvirem que Hermione decorara todos os livros. Obviamente, nenhum deles, assim como Susan, não decorara todos os livros e tampouco lera livros recomendados. A menina manteve-se quieta ao canto do assento. — Rony Weasley. — ele murmurou com a boca cheia de doces. — Prazer — Hermione falou, vez ou outra lançando olhares furtivos para Susan — Já sabem em que casa vão ficar? Andei perguntando e espero ficar na Grifinória, me parece a melhor e ouvi dizer que o próprio Dumbledore foi de lá. Mas, acho que a Corvinal não seria ruim. — Hermione parou, inspirando profundamente e levantando-se, rumando para a porta — Se vocês virem o sapo de Neville, avisem. E é melhor irem se trocar, acho que já estamos chegando. E saiu da cabine. Susan estirou a língua para as costas de Hermione que sumiram no corredor. — Seja qual for a minha casa, espero que ela não esteja nela — Rony bufou mal-humorado.— Feitiço besta, aposto como Jorge sabia que não prestava. — Às vezes ela extrapola — Susan disse rindo. — Um pouco arrogante ela, não? — Harry argumentou, lançando olhares pela janela e depois para Susan — Ela nem perguntou seu nome. — É porque já nos conhecemos — Susan explicou, fazendo uma careta — Ela é minha irmã. — Meus pêsames — Rony disse, afundando no assento. Susan abafou um risinho e parou quieta por alguns segundos. Então, voltou-se para Rony. — O que diabos são casas? — São como turmas de Hogwarts — Rony disse, emburrado — São quatro casas, é onde dividem os alunos. — Em que casa estão seus irmãos? — Harry indagou. —Grifinória, meus pais também estiveram lá. Não sei o que vão dizer se eu não for para lá também. — disse Rony, ainda mais emburrado — Acho que a Corvinalnão seria muito ruim, mas imagine só se me puserem na Sonserina! — É a casa em que Vol... Você-Sabe-Quem esteve, não é? — Harry indagou curioso. Rony assentiu, ainda mais desanimado. — Você-Sabe-Quem esteve em Hogwarts? — Susan indagou confusa. Harry assentiu e Susan afundou-se no banco, pensativa. Em termos de conhecimento, Susan parecia saber tanto quanto Harry, talvez até menos, mas conviver com Hermione tinha lá suas vantagens. A menina olhou pela janela e


os campos estavam escurecendo, o sol afundando no horizonte deixando o céu arroxeado. Harry e Rony conversavam sobre Quadribol( na verdade, Rony falava e Harry e ouvia tudo com atenção ) mas Susan não estava muito atenta a eles. — Vou dar licença para vocês mudarem de roupas — disse, saindo da cabine. Depois que os garotos se vestiram, Susan ficou sozinha na cabine para colocar as próprias vestes e mais uma vez eles se sentaram para aguardar a chegada. O trem, quando o céu estava todo escuro e cheio de estrelas brilhantes, foi diminuindo a velocidade. Uma voz metálica ecoou pelo trem. — Vamos chegar em Hogwarts dentro de cinco minutos — dizia — Deixem sua bagagem no trem, ela será levada para a escola. O silêncio beirou-os mais uma vez. Susan notou como seus colegas de cabine pareciam nervosos, assim como ela estava; Rony parecia pálido e Harry revirava as mãos. Susan sentiu as mãos transpirarem e prendeu a respiração por alguns segundos. As vestes pretas pareciam bem largas sobre seu corpo, mas ela não ligou; as de Rony estavam curtas e podia se ver a calça dele. O trem parou e os três saíram pelos corredores, juntando-se aos outros alunos que tumultuavam o caminho. As pessoas se empurravam para chegar até a porta e descer na plataforma escura, e Susan encolheu-se quando uma brisa gélida tocou-lhe a face. Uma lanterna balançou pouco a frente dos alunos e Susan deparou-se com uma visão inusitada. Um homem enorme e barbudo segurava a luz e gritava a plenos pulmões. — Alunos do primeiro ano! Primeiro ano aqui! — então ele virou-se para Harry e Sue sobressaltou-se — Tudo bem Harry? As pessoas olhavam assombradas, inclusive Susan, mas já era de se esperar. O gigante guiou-os por uma trilha estreita e íngreme, que mesmo escuro, Sue tinha quase certeza que havia árvores tortuosas por ali. Escorregando e tropeçando, os alunos seguiam a lanterna do gigante e Susan tentou manter-se perto de Harry e Rony. — Vocês vão ter a primeira visão, logo após aquela curva — o gigante disse. Uma cortina de murmúrios de espanto surgiu. Todos ficaram arrebatados com a visão e Susan sentiu-se maravilhada. O caminho levava à margem de um lago escuro e imenso e no alto de um penhasco, estava um castelo gigantesco, cheio de torres e torrinhas. — Só quatro em cada barco! — gritou o gigante, que usava um barco exclusivo devido ao seu tamanho e peso — Vamos! Susan separou-se de Harry e Rony, dividindo um barco com um menino moreno que ela lembrou ter visto no Beco Diagonal, e outros dois garotos completamente desconhecidos para ela. Todos os barcos saíram juntos de onde estavam e Sue encarava maravilhada o grande castelo. O lago era tão negro que parecia um grande lençol estendido, com uma mancha esbranquiçada que era a lua refletindo ali. Ninguém dizia uma só palavra, afinal, estavam todos


admirados com a visão do castelo, que tornava-se cada vez mais imenso conforme aproximavam-se. Foram guiados através de um túnel escuro, que parecia leva-los para debaixo do castelo, e finalmente chegaram à uma espécie de cais subterrâneo, cheio de pedras limosas. Susan estava absorta que não ouvia quase nada do que o gigante dizia, apenas seguia os outros alunos e praticamente perdera Harry e Rony de vista. Olhava maravilhada para tudo, enquanto subiam pela rocha e finalmente saíram em um gramado úmido. Neville encontrara seu sapo e agora todos subiam uma escada de pedra, seguindo furtivamente a lanterna que o gigante balançava. Logo estavam diante de enormes portas de carvalho, que fizeram o gigante parecer menor quando pararam ali. Susan prendeu a respiração levemente quando ele bateu três vezes com o pulso gigantesco na porta e esperou. Foi como ver as portas de seu mundo imaginário, abrindo-se lentamente com a brisa gélida que rondava ali fora, dando espaço para Susan entrar e afogar-se em seus mais belos sonhos.


“A Seleção sob o Céu Estrelado” Capítulo Quatro

As portas abriram-se repentinamente, soltando um rangido que fez Susan suspirar. Uma bruxa alta apareceu ali, os cabelos pretos presos em um coque bem arrumado e trajando vestes verde-esmeralda. Suas expressões eram muito severas e Susan não se arriscou em encará-la por muito tempo. — Alunos do primeiro ano, esta é a professora Minerva McGonagall— o gigante disse. — Obrigada Hagrid— a mulher disse — Eu cuido deles daqui em diante. A mulher escancarou a porta e Susan quase desmaiou. O saguão era extremamente grande, com archotes iluminando toda a sua extensão, o teto era alto e quase impossível de ser visto. A professora guiou os alunos rapidamente até uma sala vazia e apertada ao lado do saguão. Todos agruparam-se lá dentro, nervosos e lançando olhares furtivos para todos os lados. — Bem-vindos a Hogwarts — a Prof.ªMcGonagall disse — O banquete deabertura do ano letivo vai começar daqui a pouco, mas antes de se sentarem às mesas, vocês serão selecionados por casas. A seleção é uma cerimônia muito importante porque, enquanto estiverem aqui, sua casa será uma espécie de família em Hogwarts. Vocês assistirão às aulas com o restante dos alunos de sua casa, dormirão no dormitório da casa e passarão o tempo livre na sala comunal. As quatro casas chamam-se Grifinória, Lufa-Lufa, Cornival e Sonserina. Cada casa tem sua história honrosa e cada uma produziu bruxas e bruxos extraordinários. Enquanto estiverem em Hogwarts, os seus acertos renderão pontos para sua casa, enquanto os erros a farão perder. No fim do ano, a casa com o maior número de pontos receberá a Taça da Casa, uma grande honra. Espero que cada um de vocês seja motivo de orgulho para sua casa, seja elaqual for. A Cerimônia de Seleção vai se realizar dentro de alguns minutos na presença de toda a escola. Sugiro que vocês se arrumem o melhor que puderem enquanto esperam. Susan notou muitos rebuliços de alunos tentando arrumar as capas amassadas, cabelos desarrumados, narizes sujos e outras coisas. — Voltarei quando estivermos prontos para recebê-los — a professora disse — Por favor, aguardem em silêncio. Ela retirou-se rapidamente e Susan prendeu a respiração mais uma vez. Os alunos se moviam agitados e Susan nem pensou em prestar atenção em nada mais. Viu Harry conversar com Rony e um garoto loiro ir ter com eles. Logo de cara, não gostou do menino, mas evitou olhá-lo. Todo mundo parecia preocupado com aquela história de seleção, principalmente porque seria diante de toda a escola. Susan não queria nem ouvir o que os outros diziam, apenas notara poucas tentativas falhas de Hermione repetindo todos os feitiços que aprendera. Sue deu de ombros; jamais imaginara um teste do gênero logo que chegassem à escola. Jamais imaginara qualquer coisa do gênero, mas parecia a mais calma de todos ali. Piscou um pouco atordoada e ofegou quando deparouse com uma cena bizarra. Quase vinte fantasmas, todos branco-pérolas e ligeiramente transparente, sobrevoaram a sala, ultrapassando as paredes e conversando entre si, sem reparar nos alunos ali. Discutiam algo, mas logo um


fantasma com gola de rufos engomados reparou nos alunos e um que parecia um frade gorducho disse, sorridente: — Alunos novos! — ele exclamou —Esperando pela Cerimônia, não é? Poucos ali assentiram, sem dizer nada. Susan riu baixinho, maravilhada. — Espero ver vocês na Lufa-Lufa, minha antiga casa — o gorducho disse. — Vamos andando agora — a voz energética da professora Minerva aparecera ali de novo — A Cerimônia de Seleção vai começar. Um a um os fantasmas sumiram e a professora guiou os alunos para fora da sala, mandando-os fazerem fila. Susan entrou logo atrás de Rony e não parava quieta, sempre pendurando-se nas pontas dos pés para ver melhor às coisas a frente. A professora guiou-os até o outro lado do saguão e atravessaram portas duplas que levavam ao Salão Principal. Susan prendeu outra vez a respiração, mas desta vez foi para não soltar um palavrão de exclamação. Era um lugar esplêndido, belo e extremamente mágico, iluminado por milhares de velas que flutuavam no ar, bem acima de quatro mesas compridas dispostas na vertical, onde os outros estudantes estavam sentados. No extremo da sala havia mais uma mesa comprida, esta disposta na horizontal, onde os professores sentavam-se. Os pratos, taças e talheres eram dourados e tudo ali reluzia, conforme a professora McGonagall os levava até a frente da mesa dos docentes, parando por ali. Os alunos pararam enfileirados diante dos outros alunos, tendo os professores às suas costas. Havia centenas de rostos que os encaravam e os fantasmas parados, misturados com os alunos ali, cintilavam fracamente. Susan olhou para cima ao ouvir Hermione comentar alguma coisa sobre o teto, num cochicho baixo. Inacreditavelmente, era todo escuro e estrelado, como se o salão abrisse-se para o infinito que era o universo, ou pelo menos, como se não houvesse teto algum ali. Seus olhos piscaram devido às lágrimas que surgiram, como se aquilo fosse a coisa mais bonita que já vira em toda a sua vida, mas não chorou. Engoliu em seco, voltando seu pânico para a seleção. A professora colocou um banquinho de três pernas diante dos alunos do primeiro ano, e em cima dele depositou um chapéu pontudo de bruxo todo sujo, mal cuidado e remendado. Sue prendeu mais uma vez a respiração, enquanto encarava o chapéu. Nem imaginava que diabos teria que fazer ou que aconteceria, apenas olhou, assim como o fazia todo o resto do salão. O silêncio fez-se sobre o lugar e por segundos, Susan quis rir da situação, mas não o fez, pois no mesmo instante em que pensara, o chapéu se mexeu. Um rasgo perto da aba abriu-se feito uma boca e o chapéu cantou, em alto e bom som: Ah, vocês podem me achar pouco atraente, Mas não me julguem só pela aparência Engulo a mim mesmo se puderem encontrar Um chapéu mais inteligente do que o papai aqui. Podem guardar seus chapéus-coco bem pretos, Suas cartolas altas de cetim brilhoso Porque sou o Chapéu Seletor de Hogwarts. E dou de dez a zero em qualquer outro chapéu. Não há nada escondido em sua cabeça Que o Chapéu Seletor não consiga ver, Por isso é só me porem na cabeça que vou dizer Em que casa de Hogwarts deverão ficar Quem sabe sua morada é a Grifinória, Casa onde habitam os corações indômitos.


Ousadia e sangue-frio e nobreza Destacam os alunos da Grifinória dos demais, Quem sabe é na Lufa-Lufa que você vai morar, Onde seus moradores são justos e leais Pacientes, sinceros, sem medo da dor, Ou será a velha e sábia Corvinal A casa dos que têm a mente sempre alerta, Onde os homens de grande espírito e saber Sempre encontrarão companheiros seus iguais, Ou quem sabe a Sonserina será a sua casa E ali estejam seus verdadeiros amigos, Homens de astúcia que usam quaisquer meios Para atingir os fins que antes colimaram. Vamos, me experimentem! Não devem temer! Nem se atrapalhar! Estarão em boas mãos! (Mesmo que os chapéus não tenham pés nem mãos) Porque sou único, sou um Chapéu Pensador! O salão explodiu em aplausos e Susan ficou dividida, um pouco horrorizada, um pouco estupefata, um pouco maravilhada com tudo aquilo. Entretanto, voltou a se sentir ansiosa com relação a seleção. Estava realmente ficando nervosa com aquilo, ainda mais quando descobrira o que realmente ia acontecer. Ouviu Rony cochichar frustrado para Harry. — É só experimentar um chapéu?! — murmurou — Vou matar Fred, ele não parava de falar numa luta contra um trasgo. Susan riu, mas sentiu um frio na barriga já familiar. Suas mãos suavam frio e ela tentou manter-se de pé. Embora a tarefa fosse simples, não conseguia raciocinar sobre suas qualidades, parecia que não se encaixava em nenhuma das características das casas que o chapéu mencionara. E se não fosse para nenhuma? E se fosse para uma casa ruim? Seu pensamento recaiu-se sobre a Sonserina, mas descartou a possibilidade. Era muito improvável. A menina viu a professora McGonagall se aproximar do banquinha, segurando um rolo de pergaminho amarelado ao qual desenrolava aos poucos. — Quando eu chamar seus nomes, vocês colocarão o chapéu e se sentarão no banquinho para a seleção — ela anunciou, lendo o pergaminho — Ana Abbott! Sue viu Ana avançar trêmula, a maria-chiquinha no cabelo como sempre, e colocar o chapéu, que cobriu-lhe os olhos. Ela sentou-se e ouve uma pausa momentânea. — LUFA-LUFA! — o chapéu anunciou com uma exclamação alta para todo o salão. A mesa à direita deu vivas assim que a garota foi sentar-se à mesa de sua nova morada, sendo bem-recebida pelo Frei Gorducho. — Susana Bones! — a professora anunciou outra vez. — LUFA-LUFA! — exclamou o chapéu logo que a menina o experimentou, e Susana correu para a mesa da Lufa-Lufa, que deu mais vivas ainda, enquanto ela sentava-se perto de Ana. —Teo Boot! — CORVINAL! — anunciou o chapéu e a mesa da esquerda explodiu em aplausos.


Susan ouviu os outros nomes pela metade, estava preocupada ainda.Revia a todo o momento, suas qualidades e defeitos e tentava averiguar para qual casa iria. Viu uma talMádi ser mandada para a Corvinal e a primeira garota da Grifinória foi Lilá Brown. A mesa da extrema esquerda explodiu em vivas e os irmãos gêmeos de Rony assobiaram enquanto a garota sentava-se à mesa. Emília Bulstrode foi para a Sonserina e definitivamente, Susan decidiu que não queria nem pensar em ir para lá. Eles formavam um grupo esquisito e decididamente mal. Refletiu um pouco mais. Não era burra, mas não era uma Hermione da vida; na verdade, era bastante esperta até, só não apreciava viver afogada em conhecimento e esquecer-se de outras coisas, mas adorava conhecer coisas novas. “Não sou corajosa” pensou “Mas eu posso ser”. Não era de sua vontade ir para a Grifinória, mas qualquer coisa que a tirasse da linha da Sonserina era útil. Reparou que algumas pessoas mal recebiam o chapéu sobre suas cabeças e já tinham suas moradas anunciadas, mas outras ele parecia pensar. Susan sabia que o Chapéu Seletor parecia comunicar-se com as pessoas, ele se mexia o tempo todo, mas só era audível quando ele anunciava a casa. “Privacidade” Sue pensou. Ouviu um menino chamado Justino Finch-Fletchley ser mandado para a Lufa-Lufa e viu um dos meninos que viera consigo no barco, com cabelos corde-palha, gastar quase um minuto no banquinho antes de ser mandado para a Grifinória. Susan prendeu a respiração quando ouviu: — Hermione Granger! Tentou rir quando a irmã quase caiu enquanto correu ansiosa até o banquinho e experimentou o chapéu. Dois minutos depois, Susan voltou a prender a respiração. — GRIFINÓRIA! — o chapéu anunciou e Hermione correu até a mesa da Grifinória. Sue viu Rony gemer, mas não teve tempo de dizer nada, porque ouviu a professora McGonagall anunciar o próximo nome. — Susan Granger! A menina respirou fundo e adiantou-se. Colocou o chapéu e afundou-se no banquinho, enquanto sua visão estava completamente coberta pelo Chapéu Seletor. Um silêncio abateu todo o salão e a cabeça de Susan. Sentiu seu corpo enrijecer-se e ficou a pensar se realmente era uma bruxa, se realmente seria escolhida. Ao que lhe pareceu quase cinco minutos, finalmente ouviu uma vozinha em sua cabeça e presumiu que era o Chapéu Seletor. — Eis então, a duvidosa — ele disse — Você está sendo uma das mais difíceis seleções que já tive de fazer. Vejamos, inteligência, mas nada de extremo como sua irmã. Esperta, ah sim, muito esperta, capaz de passar por cima de tudo por seus ideais e isto a qualificaria para ser uma Sonserina mas... — Não! — Susan pensou aflita — Digo, é melhor não... —Mas, há em você uma coragem extrema embora você a desconheça no momento e é um dom de justiça e igualdade, que nenhuma outra casa tem senão a Lufa-Lufa — a voz prosseguiu — Mas estou duvidoso, não sei onde devo colocá-la. Suas características pertencem a todas as casas e estou pensando, qual seria a melhor. Susan prendeu a respiração. — Sua honestidade e sua índole de justiça e amizade, a honra que você tem diante da dor a faz uma lufana nata, mas sua coragem e destreza... Ah sim, tomei minha decisão.


Seu estômago deu uma cambalhota e o coração acelerou bruscamente quando Susan ouviu o chapéu anunciar ao Salão. — GRIFINÓRIA! Sue sentiu seu corpo inteiro relaxar quando a mesa da Grifinória estourou em aplausos e vivas, mais os assobios que os gêmeos Weasley fizeram. Sentou-se à mesa de frente para Hermione, apertando a mão de outro garoto ruivo que Sue teve certeza que era outro Weasley. O chapéu anunciava outros nomes e aos poucos, os alunos rumavam para suas respectivas mesas. O menino loiro que Susan viu conversando com Harry e descobriu que ele chamava Draco Malfoy, mal colocou o chapéu e já fora enviado para a Sonserina. Sue voltou sua atenção para a mesa e percebeu que Neville Longbottom também estava na Grifinória. Hermione parecia um pouco desapontada por estar na mesma casa que Susan, mas ela não fez uma cara feia tão grande quanto Susan esperava. Sentada ao lado de um dos gêmeos ( e ela nem arriscava chutar quem era quem ) Sue esperava que a seleção acabasse logo. Ouviu vários nomes diferentes, e finalmente viu Harry ser chamado. Como estava esperando, um rebuliço ocasionou-se pelo salão, e várias pessoas levantaram-se ligeiramente para ver o famoso Harry Potter. Susan olhou melhor para Harry e viu os olhos verdes dele sumirem por baixo do chapéu e ele pareceu demorar ali tanto quanto ela. Susan piscou atordoada. “Não seja boba” repreendeu-se em pensamento “Você não pode fazer isso”. O chapéu anunciou Grifinória e Harry correu sentar-se à mesa da casa, enquanto a mesa toda aplaudia violentamente e os gêmeos Weasley começaram a gritar “Ganhamos Potter!” enquanto o outro Weasley, que era monitor, apertava a mão de Harry. O menino sentou-se ao lado de Hermione e Susan sentiu uma pontada pequena de inveja. Os outros alunos estavam sendo selecionados e Susan aplaudiu com força também quando Rony foi selecionado para a Grifinória também. Finalmente, a seleção havia acabado e a professora McGonagall recolheu o chapéu e o banquinho. Rony sentara-se ao lado de Harry, enquanto seu irmão monitor o parabenizava. Susan examinou os pratos e talheres vazios diante de si e olhou para Harry e Rony, que pareciam tão famintos quanto ela. Um novo silêncio abateu o local e um homem de longas barbas prateadas que prendiam em seu cinto, que Susan reconheceu ser Alvo Dumbledore. Ele sorria e mantinha os braços abertos, como se os recebesse de uma forma calorosa. — Sejam bem-vindos! - disse. - Sejam bem-vindos para um novo ano em Hogwarts! Antes de começarmos nosso banquete, eu gostaria de dizer umas palavrinhas: Pateta! Chorão! Desbocado! Beliscão! Obrigado.— e se sentou. Susan boquiabriu-se com aquela loucura e virou-se paraPercy, o irmão monitor de Rony, que falava com Harry sobre Dumbledore. — Maluco?! —Percy comentou — Ele é um gênio! Um dos maiores bruxos que já existiu, mas é um pouquinho maluco sim! Batatas, Harry? Sue sentiu sua boca encher de água quando reparou que toda a mesa da Grifinória estava abarrotada de comida, que surgira simplesmente do nada ali. Tinha rosbife, galinha assada, costeletas de porco e de carneiro, pudim de carne, ervilhas, cenouras, molho, ketchup, e até mesmo docinhos de hortelã. Susan tomou seu prato em mãos e serviu de tudo um pouco, até dos docinhos de hortelã. Não demorou muito para o fantasma de golas de rufos começar a conversar com Harry sobre a comida e sua boa aparência. Susan não prestou muita atenção até ouvir Rony contestá-lo:


— Eu sei quem o senhor é! — ele exclamou — Meus irmãos me falaram do senhor. O senhor é o Nick-Quase-Sem-Cabeça! — Eu prefiro Sir Nicholas de Mimsy— o fantasma começou educadamente, mas o menino chamado Simas cortou-o. —Quase-sem-Cabeça? Como alguém pode ser quase sem cabeça? O fantasma pareceu muito aborrecido e puxou a orelha esquerda, fazendo com que sua cabeça saísse do pescoço e caísse sobre seu ombro, como se estivesse presa por um tendão apenas. Parecia que tentaram decapitá-lo, mas não funcionara direito. Nick pareceu perceber a cena nojenta e recolocou a cabeça no lugar, enquanto Susan largava o garfo sobre a mesa, enjoada. — Enfim, novos moradores da Grifinória! — retomou — Espero que este ano ajudem a casa a vencer o campeonato das casas. Grifinória nunca passou tanto tempo sem ganhar a taça. Os últimos seis anos foram da Sonserina e o Barão Sangrento está ficando insuportável. Ele é o fantasma da Sonserina. Susan não se preocupou em saber quem era o tal Barão Sangrento, afinal, ainda gostaria de comer tudo o que podia comer ali e por um momento, pensou que perderia a fome se o encarasse. Hermione não parecia muito feliz em dividir a mesa com Sue, mas não comentava nada, apenas comia silenciosamente. Então, depois de fartos, os vasilhames vazios foram substituídos por tijolos de sorvetes de todos os sabores possíveis, tortas de maçãs, tortinhas de caramelo, bombas de chocolate, rosquinhas fritas com geleia, bolos de frutas com calda de vinho, morangos, gelatinas, pudins de arroz e outras coisas extremamente doces e saborosas. Susan abarrotou o prato de tudo um pouco, ignorando o olhar de censura que Mione lhe lançava. Agora, o assunto dos garotos ali voltara-se para famílias. — Eu sou meio a meio —Simas disse, enquanto comia suas tortinhas de caramelo — Papai é trouxa. Mamãe só contou a ele até depois de se casarem. Foi um choque horrível. Todos riram, inclusive Susan. — E você Neville? — indagou Rony. — Bom, minha avó me criou e ela é bruxa, mas todos na família acreditaram durante anos que eu era completamente trouxa. Meu tio-avô Algivivia tentando me pegar desprevenido e me forçar a recorrer à magia. Ele me empurrou pela borda de um cais uma vez, eu quase me afoguei. Mas nada aconteceu até eu completar oito anos. Meu tio Algi veio tomar chá conosco e tinha me pendurado pelos calcanhares para fora de uma janela do primeiro andar, quando a minha tia-avó Enid lhe ofereceu um merengue e ele sem querer me deixou cair. Mas eu desci flutuando até o jardim e a estrada. Todos ficaram realmente satisfeitos. Minha avó chorou de tanta felicidade. E vocês deviam ter visto a cara deles quando entrei para Hogwarts. Achavam que eu não era bastante mágico para entrar, entendem. Meu tio Algi ficou tão contente que me comprou um sapo. Susan desligou-se do mundo enquanto comia, e apenas viu Hermione conversando com Percy, o monitor, sobre as aulas. Os gêmeos de Rony, Fred e Jorge, conversavam enlouquecidamente ao seu lado e Sue estava fartando-se de mais doces, quando ela ouviu um som inesperado. Ergueu os olhos do prato e lançou-os a Harry, que apertava a cicatriz na testa, enquanto olhava para a mesa dos professores. Sue lançou um olhar furtivo até lá, mas não conseguiu averiguar exatamente o que Harry vira. Ouviu-o questionar a Percy quem era o tal professor de cabelos pretos que conversava com um professor de turbante, ao qual Harry chamara de Quirrell.


— Ah, você já conhece o prof. Quirrell? —Percy disse admirado — Não é de se espantar que ele esteja tão assustado, aquele é o professor Snape. Ele ensina Poções, mas o que ele quer mesmo é o cargo do Quirrell. Conhece um bocado de Artes das Trevas, o Snape. Susan refletiu por um tempo, mas depois deixou aquilo de lado. Tivera professores psicopatas em outras escolas, admiraria se não tivesse nenhum agora. Finalmente todas as sobremesas desapareceram, deixando os alunos ali satisfeitos com a refeição. O professor Dumbledore levantou-se e o salão silenciou-se. — Só mais uma palavrinhas já que estamos todos alimentados. Tenho alguns avisos de início de ano letivo para vocês. Os alunos do primeiro ano devem estar cientes de que é proibido andar na floresta da propriedade. E alguns dos nossos estudantes mais antigos fariam bem em se lembrar dessa proibição. Sue jurou ter visto os orbes dele cintilando na direção dos gêmeos Weasley. — O Sr. Filch, o zelador, me pediu para lembrar que é proibido fazer mágicas nos corredores durante os intervalos das aulas. Os testes de Quadribol serão realizados na segunda semana de aulas, e quem tiver interesse em entrar para o time da sua casa, basta falar com Madame Hooch. E, por último, é preciso avisar que durante este ano, o corredor do terceiro andar do lado direito está proibido a todos que não desejam uma morte dolorosa. Susan não sabia se ele estava falando sério, mas tentou manter a calma. Quando ia começar a pensar, ouviu Dumbledore recomeçar a falar. — Agora, antes de irmos para a cama, vamos cantar o hino da escola! — ele exclamou e com uma aceno de varinha, conjurou uma longa fita dourada que enroscou-se feito uma serpente formando palavras no alto das quatro mesas. E a escola entoou alto: Hogwarts, Hogwarts, Hogwarts, Hogwarts, Nos ensine algo por favor, Quer sejamos velhos e calvos Quer moços de pernas raladas, Temos às cabeças precisadas De idéias interessantes. Pois estão ocas e cheias de ar, Moscas mortas e fios de cotão. Nos ensine o que vale a pena. Faça o melhor, faremos o resto, Estudaremos até o cérebro se desmanchar. Todos terminaram a música em tempos diferente, e os gêmeos Weasley foram os últimos a terminar de cantar em uma marcha fúnebre lenta. Dumbledore regeu os últimos versos com a varinha e foi um dos que mais aplaudiu quando terminaram. — Ah, a música — disse, secando os olhos — Uma mágica que transcende todas as que fazemos aqui! E agora é hora de dormir. Susan acompanhou os outros alunos da Grifinória seguindo Percy, que saíra do Salão Principal e subiram a escadaria de mármore. Sentia-se sonolenta mas estava completamente atenta e satisfeita com o que via. Os retratos que estavam dispostos na grande escadaria moviam-se, apontavam, falavam e


faziam de tudo um pouco, deixando muitos ali e incluindo Susan, surpresos e maravilhados.Percy, o monitor, os guiava por portais corrediços e tapeçarias penduradas e todos se arrastavam sonolentos, exceto Susan, que parecia ainda mais acordada. De repente pararam e Sue tevevisão de um feixe de bengalas que flutuavam no ar, bem à frente deles e Percy avançou um passo. — Pirraça, um poltergeist— cochichou aos alunos e em seguida virou-se para Pirraça — Calma, Pirraça. Um som alto e grosseiro, como um balão soltando ar respondeu a Percy, que bufou irritado. — Quer que eu vá procurar o Barão Sangrento? —Percy ameaçou. Ouviu-se um estalo e um homenzinho de olhos escuros e maus e boca escancarada apareceu, flutuando enquanto segurava as bengalas. Susan abriu a boca admirada, mas não emitiu som algum. —Oooooh! — disse com uma risada malvada, fazendo os alunos do primeiro ano sobressaltarem-se—Calourinhos! Que divertido! Pirraça mergulhou sobre eles, que no mesmo instante abaixaram-se. Percy bradou nervoso. — Vá embora Pirraça ou vou contar para o Barão, estou falando sério! O poltergeist estirou a língua para eles e sumiu, largando as bengalas na cabeça de Neville. Os escudos de metal zuniam conforme ele passou correndo pelos corredores. — Sejam cuidadosos com Pirraça —Percy disse, retomando a caminhada — Ele não dá confiança aos monitores, só o Barão Sangrento consegue controlalo. Ah sim, chegamos. Bem no fim do corredor havia um retrato de uma mulher gorda, trajando um vestido rosa carmesim. Ela tinha os cabelos pretos e ao fundo, a paisagem era campestre e harmoniosa. A moldura do retrato era dourada e bem moldada. Ela moveu-se delicadamente e encarou os alunos. — Senha? — pediu. Susan maravilhou-se com aquilo e ouviu Percy dizer em alto e bom som: —Cabeça de Dragão— e o retrato inclinou-se para frente, revelando um buraco redondo na parede. Todos passaram, e Neville precisou de um calço. Finalmente estavam no tão sonhado salão comunal da Grifinória. O salão era um aposento redondo e cheio de poltronas vermelhas e fofas. Na verdade, toda a decoração era baseada nas cores da casa, no caso, vermelho e dourado. Uma lareira estava acesa e iluminava bem o âmbito. Percy indicou às meninas o dormitório delas e fez o mesmo com os meninos. Susan acenou com a cabeça para Harry e Rony, quando subiu a escada em caracol que levava à parte superior do salão. Hermione ainda estava bastante desanimada e irritada com Susan, e seguiu pela escada de cara amarrada, os cabelos fartos balançando. Duas garotas seguiam ali e Sue lembrou-se dos nomes delas quando foram chamadas para experimentar o chapéu. A garota de cabelos loiros e olhos castanhos escuros era Lilá Brown e sua amiga recém-feita era Parvati Patil. Sue jurava ter visto uma menina parecida com ela sentada na mesa da Corvinal, mas no mesmo momento lembrou que Parvati tinha uma irmã gêmea. Passando por uma placa que dizia “Primeiro Ano”, Sue e as outras meninas entraram no dormitório que também era uma sala circular. Havia quatro camas dispostas ali, todas com reposteiros e colchas de veludo vermelho. Lilá e Parvati conversavam abruptamente e Hermione também meteu-se entre elas, mas Susan apenas respondia às perguntas que elas lhe dirigiam. Apesar disso, não dizia mais nada. Estava tão encantada com tudo que vira, ouvira e vivera que não se importou


muito em dormir. Na verdade, cerrou as cortinas de seu dossel e ali ficou, encarando o veludo vermelho, imaginando milhões de coisas que poderiam ou não suceder. Não queria dormir, mas precisava teria um dia cheio na manhã seguinte, um dia repleto de coisas novas e mágicas, coisas que nem Susan poderia imaginar. O quarto escureceu e ela ouviu as outras meninas acomodarem-se em suas camas, com um último risinho, as vozes de Lilá e Parvati desapareceram. Então, Sue ouviu Hermione soprar baixinho. — Você está bem? — ela questionou num sussurro. — Melhor impossível — Susan respondeu no mesmo tom. Um minuto de silêncio. — Isso é incrível, não? — Hermione falou. — Acho que não poderia ser mais incrível. Mais silêncio. — Quer que eu a acorde amanhã? —Mione disse, finalmente parecendo ser seus últimos dizeres — Você tem dificuldade para acordar cedo. — Faria isso por mim? — Sou sua irmã, afinal. Susan murmurou qualquer coisa, que Hermione entendeu como sim. A menina virou-se na cama e tentou pregar os olhos, mas não conseguiu. Ainda estava extasiada com tudo aquilo.


“Semana de Aulas” Capítulo Cinco

A semana toda que se seguiu, Susan fora acordada bem cedo por Hermione. Apesar de ter praguejado e resmungado um pouco, ficou agradecida por ter sido acordada ou do contrário teria dormido até meio-dia. Levantou-se e vestiu as vestes negras ( que agora tinham detalhes em vermelho e um brasão pequeno da Grifinória bordado no peito ), apanhou seus livros no malão ao pé de sua cama e colocou-os cuidadosamente na mochila preta e média, junto com rolos de pergaminho, tinteiros e penas. Ajeitou as vestes e tentou apaziguar os cabelos, depois saiu do dormitório junto de Hermione, indo em direção ao salão principal. O passeio fora acompanhado por um falatório interminável de Hermione sobre Hogwarts e as aulas, sobre as cento e quarenta e duas escadas que o castelo possuía, umas largas, outras estreitas, outras tantas precárias, umas que levavam à um lugar diferente às sextas-feiras e outras que faziam loucuras maiores ainda. Também havia portas que não abriam a menos que a pessoa pedisse ou havia a necessidade de se fazer cócegas nela no lugar certo, e portas que não eram portas mas paredes que fingiam ser portas. Era até uma sorte que Hermione soubesse tudo isso, pois Susan detestaria ter que passar por um aperto como tentar passar por uma porta que na verdade era uma parede. Na sexta-feira, as duas rumaram até o salão principal, que já tinha alguns alunos sentados, cada um em sua respectiva mesa. Susan dirigiu-se à mesa da Grifinória, dando uma boa olhada no céu. Estava com algumas nuvens, mas o azul-turquesa era evidente: estava um dia bonito lá fora. Era um pouco cedo demais e Sue ajeitava cuidadosamente seu relógio de pulso, enquanto servia-se de um pouco de mingau. A comida dos britânicos ainda não era bem aceita por seu estômago, mas ela estava se adaptando aos poucos. Como Susan previra logo cedo ( com uma irmã igual Hermione, qualquer um poderia prever isso ), fazer magia não era tão simples quanto parecia. Estudavam Astronomia toda quarta-feira à noite e tinha três aulas de Herbologia ( o que Sue descobriu ser algo interessante, relacionado à plantas mágicas ) durante a semana com a Prof.ª Sprout. O professor de Feitiços era Flitwick, um bruxo baixinho que subia em uma pilha de livro para poder ver todos os alunos. Curiosamente, quando ele fez a chamada na primeira aula, deu um gritinho ao chamar o nome de Harry e caiu da pilha. Susan não conseguiu deixar de rir. A aula de Defesa Contra as Artes das Trevas era a mais esperada pelos alunos, mas como Susan imaginara, fora uma piada total. O professor Quirrell era um homem magricela que usava um turbante e gaguejava loucamente. Fred e Jorge contaram à ela que o professor vivia com medo de tudo e constantemente eles estavam a pregar peças nele. A sala cheirava a alho e tal como os gêmeos haviam lhe contado, era para afastar uma possível vinda de um vampiro com que o Prof. Quirrel arranjara uma breve confusão. O turbante roxo dele também cheirava alho e Susan desconfiou que era para ele sempre estar protegido, onde quer que estivesse. De fato, a aula mais tediosa era a de História da Magia, lecionada pelo Prof. Binns, que era um fantasma. Sinceramente, a voz asmática dele causava sono e estupor em todos os alunos, falasse ele o que quisesse. A aula mais animada que Susan tivera até então fora Herbologia e Transfiguração, que era lecionada pela Prof.ªMcGonagall. Curiosamente, ela deu um sermão sobre brincadeiras tolas durante sua aula e contou-lhes um


pouco mais sobre a arte que era Transfiguração e o quão difícil era aquele ramo da magia. De fato, a aula ficou interessante quando ela transformou a própria mesa em porco e depois o transformou de volta em mesa. A turma toda ficou animada para começar, mas logo foi deixado bem claro que Transfiguração era muito difícil. Ela obrigou-os a fazer anotações complexas e Susan precisava olhar as anotações de Harry, pois não enxergava a lousa muito bem. A menina evitava ficar muito tempo perto de Hermione, porque a menina afastava pessoas ( assim como Susan também o fazia ) e sentava-se sempre perto de Harry e Rony, ou de qualquer pessoa. A Prof.ª Minerva deu a eles um fósforo e disse que teriam de tentar transformar ele em agulha. Basicamente, ninguém conseguiu nada a não ser Hermione. A professora pegou o fósforo dela e comentou sobre como ficara levemente prateado e pontiagudo, e lançou um sorriso raro à aluna. Sue conseguira deixar o próprio fósforo em uma cor parecida com prata, mas ainda parecia demais com um fósforo. Tal como Susan imaginara, não estava tão atrasada, na verdade, estava acompanhando melhor que muitos outros que vieram de famílias inteiramente bruxas. Apesar de gostar muito de Neville Longbottom, Susan via como ele era um fiasco total e sua família era muito respeitada no âmbito mágico. Hermione estava se saindo muito melhor, é claro, mas podia acompanhar a irmã sem dificuldades. A única diferença é que não era tão aplicada. Naquele dia então, Susan e Hermione discutiam sobre a única aula que ainda faltava ter: Poções. De acordo com o horário, a turma da Grifinória estaria dividindo as aulas com a turma da Sonserina. “Maravilha” Sue pensou amargamente “Era só o que faltava”. Lembrou-se do professor de Poções e logo teve a sensação de que a aula não seria nada sossegada. Terminou seu mingau e encarou Hermione. O salão já estava um pouco mais cheio e Susan acenou com a cabeça para Harry e Rony, que haviam acabado de sentar-se à mesa junto delas. Não prestou muita atenção no que diziam, mas sabia que tinha relação com a aula do dia. Voltou sua atenção para o prato vazio, quando ouviu o correio da manhã chegar. Dezenas de corujas de diversas cores sobrevoavam o salão em busca de seus destinatários, trazendo doces, pacotes esquecidos, embalagens ou o Profeta Diário – jornal dos bruxos – para aqueles que tinham assinatura. Susan sempre recebia Zeus, embora ele nunca lhe trouxesse nada. E mais uma vez, Zeus pousou suavemente a seu lado, dando lhe bicadas carinhosas na orelha. Sue apanhou a tigela de mingau e ofereceu a coruja, que mergulhou o bico no conteúdo do prato. Perto dali, Harry recebera uma coruja branquíssima e Susan ficou admirando-a, embora estivesse olhando mais para o nada que para a coruja. — Acho melhor irmos — Hermione murmurou, levantando-se. Susan fez o mesmo, despachando Zeus da mesa e, apanhando sua mochila, saiu com Hermione para fora do salão principal. A aula de Poções aconteceria em uma das masmorras, o único lugar para onde não haviam ido até então e Sue ficou feliz por ter que aparecer ali uma vez na semana apenas, porque era o lugar mais desagradável que podia ir. Todas as masmorras eram iguais: escuras, sombrias e frias, e para colaborar, a sala de aula era assombrosa. Se já não bastasse a parte fria e escura, os animais embalsamados flutuando dentro dos frascos ao fundo da sala davam arrepios. Já havia alunos sentados ali, a grande maioria era da Grifinória e Sue imaginou o motivo. Havia escutado que Snape, que era o professor e diretor da Sonserina, protegia seus alunos mesmo quando errados. Então, provavelmente, chegar atrasados não faria


diferença alguma para eles. Hermione queria sentar-se à frente, mas Susan não quase fez birra para ficar mais ao fundo, fora do alcance da vista do professor, que não estava na sala no momento. Bufando, cada uma foi para um lado, Hermione sentando-se três mesas à frente de Susan. Aos poucos, os alunos chegavam e acomodavam-se e Susan estava rezando para que a aula fosse rápida e sem problemas, afinal, tinha sua tarde inteira livre para explorar o castelo. Viu Harry e Rony acabarem sentados na mesma mesa que Hermione e Susan acabou dividindo a mesa com Dino Thomas, o menino moreno que vira no Beco Diagonal, SimasFinnigan e Neville. Do outro lado da sala, o pessoal da Sonserina se acomodava calmamente. Sue viu Draco Malfoy, o menino loiro e debochado, acompanhado de seus comparsas grandalhões, Crabbe e Goyle. Não tolerava aquele menino, mas seus pensamentos esvaíram-se dele quando o professor entrou furtivamente na sala. A capa negra dele esvoaçava e o fazia parecer um grande morcego mal. Tinha olhos escuros e vazios e uma expressão eterna de azedume. Sue afundou-se o suficiente na cadeira, a ponto de seu caldeirão escondê-la totalmente. Snape esquadrinhou a sala, apanhou a chamada e como Flitwick fizera, parou no nome de Harry. Sue pensou sobre como seria engraçado vê-lo caindo enquanto soltava uma exclamação esganiçada.Mas: — Harry Potter — ele disse baixinho, encarando Harry — Nossa nova celebridade. Susan, definitivamente, irritou-se com ele. Ele terminou a chamada e encarou a sala, medindo aluno por aluno. Não era difícil notar isso quando estava bem claro na cara de Snape que ele detestava todo mundo. Ele encarou a classe, que prendeu a respiração apreensivamente. Os olhos frios e vazios de Snape esquadrinhavam tudo e todos. — Vocês estão aqui para aprender a ciência sútil e a arte exata do preparo de Poções —falou, sua voz não passando de um sussurro um pouco mais elevado, o que o tornava ainda mais assustador. Susan tentou manter-se fora da vista dele, deslizando um pouco na cadeira, de modo que seu caldeirão a esconderia. A sala nem suspirava — Como aqui não fazemos gestos tolos, muitos de vocês podem até pensar que isto não é mágica, mas não espero que vocês realmente entendam a beleza de um caldeirão cozinhando a fogo lento, com a fumaça a tremeluzir, o delicado poder dos líquidos que fluem pelas veias humanas e enfeitiçam a mente... Posso ensinar-lhes a engarrafar a fama, a cozinhar a glória, até a zumbificar, isso se não forem o bando de cabeças-ocas que geralmente me mandam ensinar. Susan abafou um riso com dificuldade, quando viu Hermione sentada na beiradinha da cadeira, pronta para provar que não era nenhuma cabeça-oca. Provavelmente se afogaria no próprio caldeirão se não se saísse bem. — Potter! —Snape disparou de repente — O que eu obteria se eu adicionasse raiz de asfódelo em pó à uma infusão de losna? A mão de Hermione pairou no ar, enquanto Harry lançou um olhar confuso a Snape. De acordo com a capacidade de dedução de Susan, ele provavelmente não decorara todos os livros como Hermione, e Snapeparecia saber que ele jamais poderia responder-lhe a questão. Aliás, os nomes não pareciam estranhos a Sue, que lembrou ter lido sobre o assunto em um dos livros que comprara. Snape não deu atenção à mão de Hermione, mesmo quando Harry disse que não sabia a resposta. Um sorriso de desdém apareceu em seu rosto. — Pelo visto a fama não é tudo — os lábios dele se crisparam.


— Vamos tentar mais uma vez, Potter. Se eu lhe pedisse, onde iria buscar bezoar? Esta Susan sabia e ao ver Hermione esticar a mão o máximo que pôde sem se levantar, percebeu que a irmã sabia. Era pedra de estômago de cabra, uma coisa realmente nojenta embora servisse de antídoto para a maioria dos venenos. Mas, a julgar pela expressão de surpresa de Harry, ele não sabia disso. Susan lançou um olhar breve à turma da Sonserina e viu que Draco e os amigos, Crabbe e Goyle, se contorciam em risos silenciosos. Soltou um suspiro baixo, sabendo que Snape nunca os puniria. Harry disse a ele que não sabia e o sorriso desdenhoso de Snape aumentou. — Qual a diferença, Potter, entre acônito licoctono e acônito lapelo? Susan afundou-se mais na cadeira, quando viu Hermione levantar-se, a mão esticada em direção ao teto. Harry balançou a cabeça. — Eu não sei, senhor — disse — mas acho que Hermione sabe, por que o senhor não pergunta a ela? “Isso foi uma bofetada bem dada na face pálida dele” Sue pensou. Alguns garotos riram, mas Snape não gostou nada daquilo. — Sente-se — rosnou para Hermione — Para sua informação, Potter, asfódelo e losna produzem uma poção de adormecer tão forte que é conhecida como a Poção do Morto-Vivo. O bezoar é uma pedra retirada do estômago de cabras e poderia salvá-lo da maioria dos venenos. Quanto aos dois acônitos, são plantas do mesmo gênero botânico. Então, por que não estão copiando o que estou dizendo? Ouve um rebuliço de mochilas abrindo-se e penas riscando contra pergaminhos. Susan tentou não ouvir a voz de Snape, determinando que não poderia se zangar com ele senão acabaria falando besteira, mas: — E vou descontar um ponto da Grifinória, por sua impertinência Potter. Sue cerrou os punhos, mas voltou sua atenção. O resto da aula foi tão ruim quanto o começo. Snape realmente protegia os alunos de sua casa e criticava todo mundo, exceto Draco, de quem parecia gostar. A menina pesou as urtigas secas e pilou cuidadosamente as presas de cobras que precisava para preparar sua poção. Snape acabara de dizer como Draco cozinhara bem as lemas quando um silvo alto ecoou pela masmorra e nuvens de fumaça ocre e verde invadiram o lugar. Neville conseguira derreter o caldeirão próprio, que agora não passava de uma bolha cinzenta retorcida. As crianças treparam em seus banquinhos conforme a poção escorria, mas Neville já estava coberto de poção e agora tinha furúnculos enormes espalhados pelo corpo, que o faziam gemer de dor. — Menino idiota! —Snape vociferou contra ele, limpando a poção derramada com um aceno de varinha — Você adicionou as cerdas de porcoespinho antes de tirar o caldeirão do fogo? Neville choramingou de dor. — Leve-o para a Ala Hospitalar —Snape rosnou para Simas e depoisse voltou zangado para Harry e Rony, que estavam trabalhando com Neville; os punhos de Susan cerraram-se com força novamente —Potter, por que não disse a ele para não adicionar as cerdas? Achou que pareceria melhor se ele errasse, não foi? Mais um ponto que você perde para a Grifinória. Susan olhou zangada para Snape e voltou um olhar furtivo para Dino, que a cutucou de leve. — Relaxa — ele disse num murmúrio baixo — Você pode causar mais problemas se falar qualquer coisa.


Sue abaixou a cabeça e mordeu o lábio inferior, fazendo força para não xingarSnape. Tinha uma personalidade para lá de explosiva e se não controlasse sua língua ardida, acabaria em um semestre de detenção. Ao fim da aula, foi a primeira a juntar as coisas e retornar ao saguão de entrada, ainda furiosa e frustrada. Meteu-se no salão principal, o estômago roncando e sentou-se discretamente à mesa da Grifinória. Muitos alunos almoçavam agora e Susan serviu-se do frango assado com batatas com tanta violência, que umas batatas voaram para longe e atingiram Fred na nuca. Ele olhou surpreso para Susan, que bufou para o prato, ainda irritada. Ambos os gêmeos Weasley aproximaram-se dela. — Aula do Snape? — Jorge indagou, embora Susan não tivesse certeza se era Jorge ou Fred. — Com certeza, aquele morcego asmático — ela vociferou, fincando o garfo na coxa de frango — Como pode ser tão fútil e imbecil? Tirou dois pontos da Grifinória sem motivo algum! — Acostume-se — Fred disse, o sorriso travesso estampado no rosto — Ele sempre faz isso e vai continuar fazendo. O segredo é: ou você não se importa ou você piora ainda mais as coisas para ele. — Incentivo para atormentar as aulas dele? — Sue riu-se indignada — Isso é crueldade... — Mas é o Snape— Jorge interveio, com um sorriso tão travesso quanto o de Fred— Relaxa e esquece isso. Vai acontecer de novo. — E enquanto isso, porque não decide trocar conosco alguns feijõezinhos? — Fred murmurou, ainda com seu sorriso — Vendemos coisas legais lá! —Lá exatamente onde? — Susan indagou curiosa. — Sexto andar, banheiro interditado. — Jorge disse, enquanto levantavase da mesa junto do gêmeo — Apareça se tiver interesse em comprar alguma coisa, mas lembre-se, nenhuma palavra sobre isso com gente que não é de confiança. Até mais! — eles entoaram em uníssono e saíram do salão. Susan respirou um pouco mais calma e comeu até fartar-se, sem dar bola para qualquer outra coisa senão sua comida. Terminou seu almoço, pegou suas coisas e rumou até o quarto andar, em busca da Ala Hospitalar. Fez uma rápida visita para ver como Neville estava e encontrou-o dormindo em uma maca, mas sem sinal dos furúnculos. Madame Pomfrey, a enfermeira, espantou Susan do lugar dizendo que ele deveria repousar e Sue rumou de volta aos terrenos da escola, caminhando até à beira do lago negro. Sentou-se debaixo de uma árvore, despejou a mochila no chão ao seu lado e fitou o lago, que estava liso e plano, sem um sinal sequer de movimento. Não havia sido uma semana ruim, na verdade, estava maravilhada com tudo, mas alguma coisa dentro de si lhe dizia que as coisas não terminariam bem. Era como se pudesse pressentir toda a história que se sucederia. Não deu bola, afinal, era uma menina de onze anos, uma bruxa qualquer como as outras e estava apenas aprendendo a dominar o seu eu interior mágico.


“Malfoy causando Problemas” Capítulo Seis

Susan tinha um talento natural para prever confusões, aquilo era realmente algo fascinante. As semanas de aulas estavam correndo bem, quando a Grifinória tinha apenas uma aula dupla com o pessoal da Sonserina. As aulas de Feitiços eram acompanhadas com os alunos da Corvinal e Lufa-Lufa, quando em Transfiguração tinham aulas com a Corvinal e a Sonserina. Herbologia era compartilhada com os alunos da Lufa-Lufa, que assim como os da Corvinal, eram bastante amigáveis com os da Grifinória. Entretanto, a quinta-feira que se seguiu balançou os alicerces de todos os alunos do primeiro ano, principalmente os da Grifinória. As aulas de voo começariam e os alunos da casa do leão partilhariam a aula com os alunos da Sonserina. Aquilo deixou muito alunos intrigados e outro rebuliço de curiosidade e expectativa. Ao parecer de Susan, a coisa não parecia tão assustadora assim, mas muita gente estava preocupada. Neville parecia nervoso, apenas com a ideia de voar, mas tinha razão em ter ansiedade: já era uma catástrofe com os dois pés bem firmes aos chão, quem diria se montasse numa vassoura, que espécie de ameaça apocalíptica ele ofereceria. Para o aborrecimento extremo de Sue, Hermione parecia aflita ao extremo e tentara aprender a voar usando um livro que emprestara da biblioteca, mesmo que não fosse possível – mas era difícil convencê-la e Susan desistiu na primeira tentativa. No café-da-manhã daquele dia, Susan conversava fervorosamente com Dino, Simas e Neville sobre a aula que teriam, enquanto o salão enchia-se aos poucos. — Eu já montei em vassouras —Simas disse animado — Faço isso a todo o tempo, no quintal de casa. Papai fica meio frustrado, mas é bom. Quero muito ir a próxima Copa Mundial de Quadribol! — Acho que todos os que nasceram em famílias bruxas sabem como é voar? — Susan entoou, lembrando-se de uma breve fala de Draco Malfoy ao qual se gabava de ter uma tal Comet 260, uma vassoura considerada rápida pelos meninos a quem Susan indagou sobre. — Vovó nunca me deixou montar em uma vassoura — Neville murmurou tristonho — Ela diz que são perigosas. — É uma sorte que ela o tenha feito — Susan alertou-o, com um sorriso — Você teria se matado. Susan sabia que Neville estivera tentando aprender algumas coisas rápidas com Hermione e seu livro “milagroso”, como Sue o batizara, mas a menina também sabia que Neville jamais aprenderia algo tão complexo em tão pouco tempo. Harry e Rony sentaram-se à mesa com eles, parecendo tão cheios de expectativas quanto os outros. Como Susan, Harry e Dino haviam crescido entre trouxas e jamais montaram em uma vassoura. Os meninos no mundo bruxo ( e garotas mais ousadas ) idolatravam o Quadribol, o esporte mais famoso dos bruxos, que constituía-se em um jogo com vassouras e muitas bolas. Rony falava


muito sobre isso, assim como Simas e até mesmo Neville, discutindo jogos famosos aos quais compareceram, times bons e ruins, jogadores e vassouras. Ouvira falar também que Rony entrara numa breve discussão com Dino sobre o futebol, esporte muito popular dos trouxas, ao que Rony pareceu não achar graça alguma em um esporte em que consiste correr em um campo atrás de uma única bola. Susan achou graça. Às três e meia daquele dia, Susan rumou junto com os outros alunos da Grifinória até as escadas que levavam aos terrenos de Hogwarts. O dia estava claro e com uma brisa leve e fresca, que os deixava animados e ainda mais cheios de expectativas. Enquanto ouvia Parvati e Lilá cochicharem histéricas entre si, Sue decidiu ficar entre os meninos que discutiam ainda mais sobre as vassouras de corrida. Tentava assimilar algumas coisas e parecia maravilhada com as coisas que ele diziam, sobre como era degradante voar com as vassouras velhas e surradas da escola. Finalmente chegaram a um gramado plano e verdejante, que ondulava cuidadosamente sob seus pés e Susan deu uma boa olhada nos garotos da Sonserina, que já estavam lá, bem como vinte vassouras dispostas em fileiras pelo chão. A professora, Madame Hooch, chegou. Sue deu uma boa olhada nela; era uma mulher com cabelos grisalho e curtos e olhos amarelos como os de um falcão. — O que é que estão esperando? — ela disse rispidamente — Cada um ao lado de uma vassoura, rápido! Os alunos amontoaram-se para chegar às vassouras. Susan vislumbrou rapidamente a vassoura que usaria; era velha e surrada, com muitas palhas espetadas. — Estiquem a mão direita sobre a vassoura — Madame Hooch disse em seu tom mandão — E digam com firmeza: Em pé! — EM PÉ! — gritaram todos os alunos. A vassoura de Sue revirou-se no chão e a menina repetiu com mais firmeza. Três vezes foram o suficiente para fazê-la subir até sua mão, embora uns poucos tivessem conseguido de primeira. Entretanto, a grande maioria dos alunos estava tendo dificuldade. A vassoura de Hermione revirou-se no chão e a de Neville nem se mexeu, o que para Susan pareceu ser algo bom. Quando todos conseguiram, a professora ensinou-os como montar na vassoura sem escorregar pela outra extremidade e passou por entre as fileiras, corrigindo a maneira de segurar a vassoura. — Sei como segurar, professora — Sue ouviu Malfoy exibir-se — Faz anos que eu monto desse jeito. — Então creio que faz anos que segura a vassoura de maneira errada, senhor Malfoy — Madame Hooch rebateu educadamente. Susan lançou um olhar animado para Harry e Rony que pareceram satisfeitos com aquilo. Ela corrigiu um a um ( disse a Susan que precisava relaxar mais as mãos ), Madame Hooch voltou-se à classe: — Quando eu apitar, deem um impulso forte com os pés — disse — Mantenham as vassouras firmes, saiam alguns centímetros do chão e depois


voltem, inclinando o corpo um pouco para a frente. Quando eu apitar... Três... Dois... Antes que Susan percebesse, Neville dera um impulso assustado e nervoso antes mesmo da professora apitar e subia com violência, mesmo com a professora gritando para que ele inclinasse o corpo e descesse. Susan juntou-se à Harry, Rony, Simas e Dino que olhavam Neville tal como os outros alunos. O menino já estava há seis ou sete metros do chão. — Ah, ele vai cair — Susan murmurou. — Você acha? —Simas indagou parecendo preocupado. Antes que Sue pudesse responder, Neville escorregou da vassoura, o rosto pálido e de repente, um baque surdo. O garoto caíra de borco e em segundos a professora estava debruçada sobre ele, tão branca quanto ele. A vassoura sumira em direção a floresta proibida. — Pulso quebrado — as vozes dos alunos anunciaram baixinho o que a professora dissera. Susan suspirou. Todo mundo já sabia que Neville acabaria machucado, mais cedo ou mais tarde, entretanto, a voz arrastada de Draco Malfoy ecoou na cabeça de Susan, que virou-se bruscamente para ele. Carregava nas mãos uma esfera de vidro que continha uma fumaça esbranquiçada dentro. Sue puxou levemente a manga de Hermione e cochichou: — O que é aquilo? Hermione ainda parecia emburrada com a irmã, mas não resistia a uma pergunta. — Um Lembrol— disse prendendo a respiração — Se você o aperta, ele diz se a pessoa esqueceu alguma coisa, a fumaça fica vermelha. Susan assentiu e encarou Malfoy, que ria-se com os outros nojentos da Sonserina, lançando o Lembrol de uma mão a outra e assim sucessivamente. —Você viram a cara dele, o panaca? — zombou —Se ele tivesse apertado essa coisa, talvez se lembrasse de cair com o traseiro no chão e não o pulso— e os alunos da Sonserina gargalharam. Susan ficou furiosa, mas Harry chegou primeiro até Malfoy, a mesma cara de raiva que Sue estava. — Me dá isso aqui Draco— ele crispou os lábios. Malfoy, porém, riu. — Não — vociferou com um riso desdenhoso — Vou deixar em algum lugar para Neville pegar. Que tal no telhado? Harry insistiu, mas Malfoy já havia montado na vassoura e elevara-se a quase sete ou nove metros do chão. — Muito alto para você, Potter? Susan achou que tinha adormecido, pois em questão de segundos, Harry havia montado na vassoura sem que ela notasse e agora estava no ar, parado na mesma altura que Malfoy. Os dois vociferavam um para o outro até que finalmente algo extraordinário aos olhos de Sue aconteceu. Harry investiu contra Malfoy, que desviou por um triz e em seguida, lançou a esfera de vidro no


ar. Sue boquiabriu-se quando Harry disparou veloz atrás do Lembrol e desapareceu de vista. Alguns minutos se passaram mas ele não voltara e Malfoy já havia descido e ria satisfeito. — Será que ele está bem? —Parvati Patil indagou trêmula. Antes que qualquer um dissesse qualquer coisa, todos olharam para o céu enquanto a figura de Harry surgia. Trazia o braço direito levantado de forma triunfante, o Lembrol firmemente preso em sua mão. Toda a Grifinória ali presente foi ter com ele, dando vivas e Susan ficou satisfeita em ver a cara de aborrecimento que Malfoy fazia. — Harry Potter! — a voz da Prof.ª Minerva sobressaiu-se sobre as exclamações dos grifinórios— Venha comigo! A expressão severa da professora fez Susan soltar uma exclamação involuntária que não foi ouvida. — Professora, não é culpa dele! — Rony começou desesperado. — Quieto Sr. Weasley! — Mas professora — Sue começou — Malfoy lançou o Lembrol! — A senhorita também, Granger! — a professora vociferou, caminhando com Harry pela trilha de pedras irregulares que levava de volta ao castelo. Sue bateu o pé emburrada e quase não resistiu à tentação de espancar Malfoy, que ria debochado junto com os outros alunos da Sonserina. Por um momento, ficou pensando se Harry acabaria encrencado, mas o retorno de Madame Hooch dispersou suas ideias. Os alunos retomaram suas posições ao lado das vassouras e repetiram o procedimento de invocá-las. Susan conseguiu de primeira desta vez, mas muita gente ainda encontrava dificuldade. — Muito bem, vamos tentar de novo — a professora disse — Quando eu apitar, subam até um metro e meio do chão, planem e depois curvem-se ligeiramente para retornar ao chão. Três, dois, um... O apito da professora soou e todos os alunos deram um impulso com os pés. Sue atingiu a altura máxima permitida pela professora em questão de segundos e planou com um pouco de dificuldade. Era uma coisa maravilhosa, voar, como se livrar de um peso ruim que se carrega nas costas ou qualquer negatividade que se é imposta. Malfoy estava um pouco à frente de Susan, e abaixo dele estavam Crabbe e Goyle. A menina admirou-se que os dois conseguissem voar; eram enormes e grotescos e Susan sentiu pena das vassouras que os suportavam. Estava tão empolgada em voar, que deu dois loops no ar e custou-lhe muito descer quando a professora ordenou. Madame Hooch analisou cada pouso de cada aluno e Susan ficou muito satisfeita quando ela disse a Malfoy que ele ainda tinha muito que aprender antes de querer entrar para o time da casa. Susan conseguira pousar suavemente, embora tenha tropeçado levemente ao parar. — Muito bem Granger — Madame Hooch disse, de maneira energética — Mais um pouco de prática e vai estar tinindo. Sue corou levemente e empolgou-se com o elogio, mesmo com Hermione lançando lhe um olhar de inveja. Deixando as vassouras ali, as duas seguiram


em silêncio para o castelo. Assim que cruzaram o saguão de entrada, Susan lembrou-se de Harry. Será que estava bem? Tinha sido expulso? — Eu o avisei — Hermione resmungou, enquanto entravam no salão principal — Disse a ele para não ir. — Não foi culpa dele, Hermione — Sue rebateu — Malfoy é que é um babaca. Quando sentaram-se à mesa da Grifinória, Simas e Dino já estavam comendo e conversavam agitados. Susan servia-se de frango ensopado quando Simas exclamou: — Você ouviu Susan? Hermione? — disse animado — A mais recente novidade da Grifinória! — O que é? — Sue indagou curiosa. — Ah, você nem vai acreditar! — Dino exclamou excitado. — Fala! — É simplesmente fantástico! —Simas exclamou absorto de tanta euforia. — Desembucha logo, vocês dois! — Susan ralhou frustrada. Os dois se entreolharam animados. — Harry entrou para o time de quadribol! — eles entoaram juntos. — Impossível! — Sue exclamou admirada. — Impossível mesmo! — Hermione falou com um quê de quem sabe das coisas — Os alunos novos não têm permissão para jogar no time da casa. — Parece que McGonagall falou com Dumbledore e ele abriu uma exceção — Dino explicou — E falando no apanhador, olha ele aí! Harry e Rony sentaram-se animados à mesa da Grifinória. — Parabéns, apanhador! — Dino e Simas exclamaram juntos, batendo palmas. —Calem a boca, vocês dois! — Rony murmurou, socando Dino no braço — Não é para ninguém ficar sabendo! — Wood me disse que sou a arma secreta do time — Harry riu. — Puxa, você deve ser o apanhador mais jovem... —Simas começou empolgado, mas Harry cortou-o com a mesma empolgação. — Do século! De acordo com a McGonagall! Susan reparou que de repente a expressão de euforia no rosto de Harry aliviou-se e mudou para uma expressão de tensão. Ele olhou de Susan para Rony, de Rony para Hermione e de Hermione para Susan. — Mas... E se eu não me sair bem? — questionou duvidoso. — Você vai se sair bem — Hermione disse — Está no seu sangue. Susan deu um suspiro indignado, principalmente quando Hermione fez um gesto para que a seguissem. Eles ultrapassaram o saguão e rumaram para a sala de troféus. Era um lugar calmo e todo reluzente, com escudos, brasões, taças e distintivos de bronze, prata e ouro, espalhados em vitrines e nas paredes. Hermione indicou uma vitrine onde havia uma taça de prata – a Taça de Quadribol – e abaixo dela, havia sete distintivos com nomes diferentes. Em um deles, estava escrito “Tiago Potter – Apanhador”.


— Puxa vida, Harry! — Rony exclamou — Você nunca me disse que seu pai era apanhador.

“Dia das Bruxas” Capítulo Sete Aula de Feitiços, Hermione magoada, banquete lindo, trasgo no banheiro, amigos eternos

“Buscando Ingredientes” Capítulo Oito Atrás de flores, vasculhando a biblioteca, quadribolmaligno

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