Issuu on Google+

P N T cego


ll

Abra bem os olhos.

...as janelas da alma.


cego


cego

Índice

bb bb pág. 5 Expediente.

pág. 6 - Olhar de dentro.

pág 18 - Olhar interior.

pág 22 - pág 27 Olhos de Ponto de ressaca vista.

pág 7 - Olhar pra dentro.

pág 12 - Olhar pra fora.

pág 30 Dedo no olho.

pág 31 Agradecimentos.

4


Expediente @masmariaelisa

17 anos. Estudante de Publicidade. Tuiteira. Sonha em ser redatora. Tem astigmatismo. Diretora de Arte,

@pimentapaulo

19 anos. Estudante de Jornalismo. Blogueiro. Sonha em ser correspondente internacional. Tem astigmatismo e miopia. Editor-chefe.

@lailataleite

24 anos. Estudante de Jornalismo. Adora ler. Sonha em conhecer o mundo. Tem astigmatismo, miopia e ceratocone. Rep贸rter.

5


Olhar de dentro.

cego

Carta do Editor.

E

sta é uma revista diferente. Bom, na verdade, ela é um pouco parecida com as outras. Tem uma capa com foto legal, seguida de página dupla com cara de anúncio, nomes daqueles que fizeram a edição e umas palavras soltas escritas pelo editor que, na maioria das vezes, quase ninguém dá importância. No entanto, o conceito da Ponto Cego a difere das outras. Aquela que nasceu da imaginação de três jovens em uma sala cheia e quente tenta trazer outro olhar sobre olhares. É bem confuso assim mesmo, num primeiro momento. Queremos que você, leitor, passe a enxergar não com os olhos, mas sim com a alma As . dificuldades foram muitas até o fechamento desta edição, mas o esforço para um bom resultado foi muito maior. Três estudantes de Comunicação Social deram o pontapé inicial rumo ao que almejam. Cada um em sua área, a revista foi tomando forma. Com dois alunos de Jornalismo e uma de Publicidade, a equipe parecia ser a mistura perfeita. E foi. Depois desta publicação fica a lembrança da primeira revista inteiramente produzida por nós, da excelente parceria, da incrível orientadora Célia Matsunaga e do eterno aprendizado. Quanto ao futuro, os desejos são muitos, mas ele ainda se encontra em nosso ponto cego (literalmente!). Quem sabe esta não vire uma revista com certa periodicidade daqui alguns anos? Quem sabe esse trio se encontre em outros trabalhos? O sentimento de agora, é o orgulho de saber que somos capazes. Deixo nosso agradecimento aos nossos pais, irmãos, amigos e professores, que aguentaram todo nosso estresse e deram palpites valiosíssimos para que esta ficasse como ficou.

Um forte abraço, Paulo Pimenta.

6

a


Olhar pra dentro.

Qual é o seu estilo?

por Laila Ataíde.

D

epois de muito estudo e ralação para passar no vestibular, a faculdade é o primeiro passo em rumo ao tão sonhado futuro. Tempo de mudanças e crescimento, sem pressão dos pais pelo boletim, as pessoas começam a caminhar sozinhas. Agora é cada um por si. As mudanças ocasionadas pelo ingresso na vida universitária vão além do campo das responsabilidades, envolvem também, entre outros, o quesito estilo e o modo de se vestir. Pelo menos na teoria. Com o tempo, oportunidades de estágio começarão a aparecer e será notada a necessidade de algumas mudanças. Quanto mais cedo começar a preocupação com um modo mais elaborado de se vestir, melhor. Agora as camisas “t-shirts ou baby looks” com estampas de desenhos e frases engraçadas precisam ser deixadas de lado para serem trocadas por roupas mais sofisticadas e com tecidos mais planos.

7


Olhar pra dentro.

cego

N

ão é perder o estilo e muito menos vestir-se como velhas, mas sim amadurecer. Vestir-se com estilo, de forma mais adequada e modesta, preparando-se pouco a pouco para a vida profissional que lhe aguarda. A aparência é cartão de visitas, tanto em relações profissionais, como em relações afetivas. A credibilidade aumenta caso seja visto uma preocupação com ela, vestindo-se de modo adequado e respeitando cada ocasião.

8

Dicas

F

ê Resende e Cris Gabrielli, donas do blog: “Oficina de Estilo: Moda para vida real”, deram ótimas dicas para os leitores da Ponto Cego se vestirem melhor e com mais estilo no contexto universitário.

O requisito pra sobreviver a maratonas de estudo é se vestir de maneira confortável. É quase-quase guardaroupa profissional mesmo, que na faculdade tá todo mundo quase lá.”


Olhar pra dentro.

V

alem decotinhos decentes e comprimentos curtos-nãotão-curtos que não tirem a concentração dos colegas, mas não vale tudo ao mesmo tempo. É bom escolher um ou outro porque, se na profissão o que precisa aparecer mais é a nossa capacidade e não a nossa graça, na faculdade o que mais tem que aparecer é a nossa dedicação, o nosso

N

esse clima, roupa justa demais não acha lugar num guardaroupa pré-

9


Olhar pra dentro.

cego

A

lém dos cuidados com a vestimenta, é essencial lembrarmos que o make complementa o look. No dia a dia, para não errar, a boca pede cores neutras; o blush de leve, só para dar uma aparência saudável, nada de ficar com cara de Emília do Sítio do Pica-Pau Amarelo! Lápis de olho, rímel de leve e no máximo delineador. Deixe as sombras e iluminadores para a balada. E como diria Pedro Bial: “Se eu pudesse dar só uma dica sobre o futuro seria esta: usem o filtro solar! Os benefícios a longo prazo do uso de filtro solar estão provados e comprovados pela ciência, já o resto de meus conselhos, não tem outra base confiável.”

P

ara os estudantes de comunicação social, está mais do que claro que o equilíbrio é princípio fundamental. Então não custa nada dar uma olhadinha no espelho antes de sair de casa. Lembrar um pouquinho de Fundamentos da Comunicação Visual (Funcomvis) e verificar se está tudo em cima: equilíbrio, ponto focal, contraste etc. Cuidado para que o caminho de leitura não acabe onde você não quer.

l 10


Anna S 2째 sem ugai estre

Definindo o estilo da FAC.

de Pu blicid ade

ade s licid Alve pub rigo tre de Rod mes 2째 se

i entin cidade c n i i V Publ nna a e v d o i G estre m e s 1째

Olhar pra dentro.

Maria 2째 sem Beatriz Vil el estre de Pu a blicid ade

11


cego

Olhar pra fora.

Uma viagem pode sim mudar a sua vida!

Independente do objetivo, os intercâmbios tem sido a escolha de muitos jovens que estão atrás de novas experiências. por Fernanda Nalon

N

ovas experiências, trabalho, diversão, fazer novos amigos, aprimorar um língua estrangeira. É isso que os jovens procuram quando se inscrevem em algum programa de intercâmbio. Quase 50 mil jovens por ano viajam em programas como o de cursos de idiomas, au pair (babá), extensão universitária, turismo ou experiência de trabalho. Duas empresas que trabalham com esse serviço em Brasília são a Central do Intercâmbio (CI) e a Student Travel Bureau (STB). Ambas dão todo o suporte para os jovens lá fora, como assistência médica, acomodações e transporte. A STB é a empresa que tem um programa de trabalho exclusivo com a Disney.

~ d 12


Olhar pra fora.

C

amila Amorin, 20, acabou de voltar da Disney, onde participou do programa International College Program (ICP), a estudante conta que o processo de seleção foi muito longo. Foram duas etapas, uma palestra e entrevista em Brasília e outra palestra e uma última entrevista em Belo Horizonte. Em cada encontro ela tentava mostrar o seu amor pela Disney. Nas entrevistas, vestia roupas que mostrassem o quão fã ela é. Após a última etapa ela recebeu uma ligação da STB oferecendo trabalho em um dos parques. Ela aceitou na hora, mas o nervosismo não passou, “A gente vai para o programa sem saber o local de trabalho. E, foram quatro dias de ansiedade para descobrir o meu local”, lembrou Camila.

A

~ t

o chegar à Disney, nem acreditou em qual parque iria trabalhar. Por sorte, recebeu proposta para seu parque favorito, o Magic Kingom, e na rua principal, a Main Street, como vendedora. Para ela foi uma experiência única, “Você mora com pessoas de todos estilos. E, aprende a conviver e amálas como se fossem a sua família. Cria-se uma independência e responsabilidade.”

13


Olhar pra fora.

cego

“V

ocê tem uma casa para cuidar, certas contas a pagar e um trabalho. Além disso, você convive com pessoas de toda parte do mundo, conhece culturas diferentes aprende com elas. E, trabalha num lugar mágico, onde você ajuda a construir a magia”, completa Camila.

O

utro recurso é o “High School”, um programa que muitos jovens no ensino médio escolhem. Neste programa eles convivem com famílias e frequentam uma escola local. Eles têm a opção de fazer todo o Ensino Médio ou só uma parte.

~ 14


Olhar pra fora.

E

ste foi o caso de Alice Dantas, que em 2006 resolveu ir para a Dinamarca passar um ano estudando e conhecendo a cultura do país. A experiência foi ótima, ela amadureceu de uma forma que nem ela imaginava que pudesse acontecer, “Acabei construindo em mim uma ponte entre duas culturas diferentes”.

N

a Dinamarca, Alice ia as aulas e participava do Rotary, onde ela interagia com as familías e amigos da escola. O processo foi longo e durante esse um ano ela passou pro três famílias diferentes. História com certeza é o que não falta, trocar uma palavra por outra é muito comum, “Conversando com meus amigos eu falava sobre a quantidade de joaninhas que tinha nos muros de heras da escola e falei das ‘hønsemarie’, trocando o nome, que na verdade é ‘marie høner’, causando motivos até hoje para eu e minhas colegas rimos disso até hoje”.

~

0

15


Olhar pra fora.

cego

M

as nem tudo são flores, Alice aponta que um dos pontos negativos de sua viagem foi ter ficado doente, apesar de ter acesso a um sistema de saúde pública ótimo, entrega de remédios em casa, ela não teve muito o apoio do host pai da primeira família que ela morou, “Ele considerou ser ‘doença de terceiro mundo’ � tendo ele mesmo vivido na África, e me senti rejeitada, apesar do resto na família me ajudar”. E Camila conta que passou por um situação desagradável com a sua colega de quarto na Disney, “Eu dividia meu quarto com uma sul africana que eu gostava muito. E, quase no final do programa tive a decepção de descobrir que ela estava me roubando da forma mais cruel, sem consideração alguma”.

8 ~ 16


Olhar pra fora.

P

ara fazer uma viagem tranquila, sem ter muitas preocupações, é bom começar a organizar as coisas meses antes. É o que a estudante de Letras Espanhol, Léia Ferreira, 20, está fazendo. Apesar de cursar Espanhol na UnB, ela pretende ir ano que vem para Londres para aprimorar o Inglês, “Sei que curso espanhol, mas acho importante eu saber falar o inglês muito. Vou ser cobrada no futuro”. Ela está planejando a viagem com os amigos. A ideia surgiu de uma amiga dela, Fernanda Alves, 19, que passou o dia pesquisando escola de inglês na Irlanda, mas não achou nenhuma que agradasse. Pesquisando algumas em Londres, elas acharam uma que atendia os requisitos que elas estavam avaliando. Entre uma conversa no Facebook e um tweet no twitter, o grupo já está com 5 pessoas. Todos já estão correndo atrás de todos os documentos necessários, como passaporte e visto de estudante. Eles já estão correndo atrás, mas talvez a viagem tenha que ser adiada. Ano que vem acontece as Olimpíadas de Londres. E se a cidade já tem um custo de vida bem alto, com as Olimpíadas ele irá triplicar durante o evento esportivo. “A prima da Fernanda que mora em Londres que nos alertou, mas a viagem só vai ser adiada se de fato o custo ficar bem mais alto do que estamos calculando”. A estudante acrescenta que se não acontecer em Julho de 2012, eles estão pretendendo ir em Novembro ou Dezembro. Para ela a única consequência negativa de adiar o intercâmbio, é passar o Natal longe da família.

~

17


Olhar interior.

cego

o b Escrevendo com luz.

por Laila Leite

D

eficientes visuais agora têm mais uma oportunidade de serem inseridos no meio cultural. “Olhar interior: fotografando com a alma”, é um projeto totalmente voluntário de curso de fotografia para cegos. Realizado pela escola de fotografia Quarto Eclipse, sob coordenação do fotógrafo e empresário Edmar Gonçalves, em parceria com o estudante de psicologia Sidraque Rocha e alguns alunos estudantes, o curso vai em frente sem nenhuma contribuição financeira ou patrocinadores.

18


Olhar interior.

o 19


Olhar interior.

cego

y

o

M

otivados pelo filme Janela da Alma, documentário com depoimento de vários artistas e intelectuais, Edmar relata que: “José Saramago, em seu depoimento, diz que nós estamos vivendo hoje o grande mito da caverna de Platão. É como se vivêssemos em uma grande caverna presos de costas para a entrada à culturas, crenças, medos; tudo que faz parte do ser humano. O que vemos na verdade são silhuetas projetadas pela luz que entra na caverna. Não conseguimos ver as coisas, só vemos silhuetas e achamos que elas são a realidade das coisas. O homem precisa sair em busca dessa luz para ver realmente e com mais profundidade como as coisas são. Quando o homem consegue esse conhecimento, esse esclarecimento, Platão dizia que era seu dever do voltar e transmitir essa luz”. Foi na busca por ir além do que o sentido da visão pode transmitir através da fotografia, que Edmar viu, no projeto “Olhar interior: fotografando com a alma”, uma relação de troca: ensinar para os cegos e aprender com eles. O objetivo era aguçar os outros sentidos (tato, olfato, audição, paladar) e fotografar com a alma. Enxergar menos para ver mais.

20


Olhar interior.

o A

s aulas foram realizadas na Biblioteca Braille em Taguatinga, com deficientes visuais que frequentavam o local. Os equipamentos utilizados foram câmeras digitais comuns, reflex, mas com funções automáticas e foco com sinal sonoro. Havia aulas teóricas nas quais, de acordo com Edmar, eles aprenderam noções de distância e enquadramento, “tudo no sentido, no toque. Eles tinham que ir até a pessoa, tocar e dar um ou dois passos para saber o que está enquadrando”, lembra Edmar. Além das aulas de técnicas de fotografia, foram realizadas discussões filosóficas, religiosas etc. Edmar, ao fim do curso da primeira turma, reconhece o sucesso do projeto e sente-se realizado. “Eu aprendi com eles, eu também fui vendado, fui guiado por eles. Foi uma experiência humana incrível com pessoas maravilhosas”.

m ioneiro e p é o h l traba ealizado r é s a m Brasília, ade de d i c a n 2 0 desde 20 Paulo. A o ã S m e , ro Sorocaba financei o i o p a r l busca po essencia é e u q der , o continua ontinuidade e po r c a fim de para da , o t e j o r e o p maior d o expandir r e m ú um n ressados e t n atender i s i a es visu deficient . endizado r p a e t s ne

O

21


Olhos de ressaca.

cego

A arte de tirar risadas da plateia. por: Maria Elisa

R

odolfo Cordón, 28 anos, bacharel em Direito. Felipe Gracindo, 29, jornalista. Frederico Braga, 29, bacharelado em Direito e Ciências Políticas. Benetti Mendes, 31, formado em “arte da vida”. Quatro rapazes que aos olhos de qualquer pessoa seriam comuns, mas que compartilham uma paixão que os diferencia dos demais: o teatro. O grupo já levou muitas risadas e aplausos a mais de meio milhão de espectadores em diferentes cidades do Brasil, e no próximo mês de agosto, o G7 comemora dez anos de existência. Entrevistamos o grupo para saber um pouquinho mais sobre esse longo caminho percorrido.

22


Olhos de ressaca.

Quando vocês se sentiram prontos para subir aos palcos? Nós achávamos que estávamos prontos, mas ao mesmo tempo nunca estamos. Quanto mais a gente acha que sabe, menos conhecimento de causa nós temos. Toda apresentação é como se fosse a primeira, nunca sabemos o que pode acontecer, e sempre aprendemos mais com o público.

Qual é a visão de vocês sobre o teatro brasiliense, não somente no âmbito humorístico, mas um olhar geral sobre a importância que ele vem adquirindo? Brasília está aos poucos retomando a ideia de capital cultural, e pelo fato de ser o centro e capital do país, aqui há um grande choque, uma mistura muito grande de diferentes culturas, que você não vê em outro estado. Claro que o Brasil está muito bem servido de companhias de teatro, mas Brasília tem um diferencial de inspiração artística. Por isso mesmo que o teatro deve sempre se renovar. Aqui há uma riqueza cultural muito grande, um céu lindo, e muitos outros motivos que levam os grupos a se inspirarem cada vez mais. Além disso, as pessoas vêm tomando consciência de que essa é uma profissão tão digna quanto as outras, e isso contribui em inúmeros fatores, inclusive nesse poder que a cidade tem de exportar um grande pacote cultural para os outros estados.

23


cego

Olhos de ressaca.

O teatro já trouxe decepções para algum de vocês? O que os incentivou a nunca desistir dentro desses dez anos? O que incentiva o grupo é o fato de que as coisas boas da vida vêm através de muito esforço. “Fugir” e “desistir” são palavras que não existem no nosso vocabulário. E claro, o teatro já nos trouxe muitas decepções, desde financeiras à pessoais, mas grandes conquistas só existem depois de muitas batalhas vencidas.

24


Olhos de ressaca.

Como vocês se colocam no lugar do público ao elaborarem um novo roteiro? Nós damos o nosso melhor, escrevemos as peças com as melhores intenções. Pensamos no cotidiano, estudamos situações, até encontrar aquelas que encaixarão no estilo do novo roteiro. A receptividade do público é variável, e é de acordo com ela que nós vamos moldando a peça. O teatro é vivo, adaptável. Essas mudanças aprimoram a peça, o conteúdo. Em dez anos, somos capazes de conhecer o público a ponto de deduzir o que os fará rir, chorar, aplaudir. Esse poder que eles exercem sobre nós também nos faz seguros de que nós mandamos no palco.

Algum plano particular já colocou em risco a união do grupo? Já, mas a primeira coisa que nós colocamos na cabeça ao formar o G7 é que um grupo de teatro funciona como uma família, e como toda família, os desentendimentos não são capazes de quebrar a união.

25


cego

Olhos de ressaca.

Por fim, o que vocês diriam às pessoas que não acreditam no futuro dos próprios projetos? Que elas mudem de opinião. Se a própria pessoa não acredita no futuro dos projetos, quem vai acreditar por ela? E se não há fé no que está sendo feito, planejado, a pessoa se torna reclamona, não vê vantagem em nada. Meu pai sempre me dizia que já bastam os problemas normais da vida, então por que inventar problemas piores? Todos devem aceitar as mudanças, estamos sempre sujeitos à elas. Seguir em frente e acreditar faz parte disso. (906 e l l a La S cia ao o r t o Tea obrevivên com n z carta ual de S de julho, h. O m e s 20 “Man o mês está à a s o ç o p e p o gam ing d a gru a o p m t o s d m co ante ante h e r d 1 u 2 u sul) rinha t d i s s e , E t à ” r . o ment s sábados a inteira ção da ca uedos e a s a C enta o, brinq sconto s ao ta R$50 s e e õ r s s p se cus a a salh 50% de de o a s m g s o a e c ingr trada ações de garantem n e veis meia ntil. Do í c e r e a para o ã estud tos não-p ç enta s en uma e r m o i p d l . a o a n s uma promove squetes gres n i á r o a e n G7 f o grupo, ores agosto, o h , l o e t d os gos as m ia 3 de Em a r os 10 an entando D l, por . a s n o o b s i moc mora ial, apre la-Lo o l e i r V p m o c c espe s, na sala esso será ada. o ã s ses ingr eia-entr peça o s d a u de s . O preço R$10 a m h às 20 inteira e a R$20

O

26


Ponto de vista.

Tátil

O

ntem, quando acordei pude ver uma manhã azul, chuveiro branco, blusa cinza, manteiga amarela, leite branco, creme dental tricolor, beijo vermelho, cabelo dourado, vestido rosado. Trânsito lotado, relógio prata, escada infinita, computador preto, macarrão colorido, edredom azul, sonhos multicoloridos. Luz, cores, estrelas enchendo meus olhos... Hoje foi tudo diferente. A manhã era fria, o era chuveiro quente, blusa macia, manteiga cremosa, leite docinho, creme dental de menta, beijo melado, cabelo sedoso, vestido com pregas. Trânsito barulhento, relógio sonoro, elevador, maquina de escrever, macarrão gostoso, edredom aconchegante, sonhos demorados. Escuridão infinita, fiquei cego. Os dias não podiam mais ser normais. A vida que eu levava beirava a perfeição: família linda, bom trabalho e ótimos amigos. Achava que entendia do mundo e de suas armadilhas. Não percebia a superficialidade com que via as coisas. Mesmo vendo, não enxergava a infinidade do mundo. Não sei se por castigo, acaso da vida, força divina ou diabólica. O que sei é que querendo ou não fui forçado a ir além. Deixei de ver para poder sentir, e as cores... As cores agora são só recordações.

Laila Leite. 27


cego

Ponto de vista.

O pior cego.

V

eio um amigo meu me falar sobre a morte, mas eu não entendi muito bem. Meu cérebro estava meio amortecido por causa do cansaço, e acho que alguém instalou uns air-bags no meu crânio sem a minha autorização. Eu tinha as mãos descalças, e o vento nos açoitava, trazendo o inverno para abraçar minhas pernas como um amante sem valor. Ele falou alguma coisa sobre morte rimar com sorte. Eu prestava atenção em algumas coisas, aí abafava as minhas mãos, esfregava, olhava para os pés. O sujeito tinha morrido de infarto. Infarto é mais ou menos quando o coração não agüenta mais e joga a toalha. Acho que eu já morri de infarto umas cinco vezes. Eu só queria ir pra casa e pegar um casaco, ou enfiar o dedo nos ouvidos. O sujeito tinha tido câncer no pulmão sem nunca ter pegado em um cigarro. Pro diabo com essa história! Pulmão “entumorado”... Foi uma palavra assim que ele usou. Aí falou de novo sobre morte rimar com sorte. E que sorte tem um homem que morre de AVC? Bom, pelo menos morrendo ele não ficou com seqüela nenhuma. O médico disse que foi fulminante, mas eu duvido muito... Falei que ia pra casa. Meus joelhos estavam doendo de ficar em pé, e eu ainda tinha que passar no mercado. Ele me mandou tomar cuidado, deu um beijo na minha testa. Acho que já era verão quando o assunto acabou.

Maria Elisa Medeiros. 28


Ponto de vista. Medo de escuro.

N

ão tenho medo do escuro como muitos têm. Aliás, nem sei o que é escuro. Por conta de uma aventura de minha mãe quando estava grávida de mim, não pude ver seu rosto. Não, ela não morreu. Fui eu que nasci cego. Minha mãe disse que eu sou branco, grande, meus cabelos são pretos e tenho um sorriso bonito. Por incrível que pareça, sou muito feliz. É claro que há dias em que tenho vontade de sair e não voltar ou mesmo desaparecer. Mas são apenas dias. O que me deixa triste é a forma como as pessoas me enxergam. Logo elas que foram agraciadas com a capacidade de ver as coisas boas que o mundo lhes oferece, são as primeiras a me discriminar ou vitimar. Pra mim, o mundo é perfeito. Você pode até dizer algo como lógico-você-não-enxerga, mas a vida vai além do que os olhos podem ver. A vida a gente sente. E eu sinto que um futuro incrível me espera. Vezenquando ouço um coitado-do-menino-tãojovem-e-não-vê-nada, e tenho vontade de ir até ela e convidá-la a tampar os olhos por um tempo a fim de perceber que também sou uma pessoa normal e não preciso da piedade de ninguém. A vida eu sinto com as mãos, com os ouvidos, com o nariz... Meus pensamentos vão longe e meu mundo tem as cores que eu invento. Posso até não enxergar com os olhos, mas enxergo com as janelas da alma.

Paulo Pimenta. 29


Olho no dedo.

cego

Quem foi que disse? Tenho maior inveja do pessoal que consegue desenhar coisas complicadas com mouse, tipo um círculo. @Cardoso

Emissoras de tv do brasil, um recado: não adianta exibir em ALTA definição se a programação é de BAIXA qualidade.

@georgemacedo

Educação: minha filha de 3 anos, aprendendo as letrinhas, viu um G. Eu falei: G de gato. Ela: não, G de Google.. @leandrooduarte

Algum hacker conseguiu decifrar o código de ética de Sérgio Cabral? Ou devo perguntar a um psiquiatra? @marcelotas 30


-> 31


Bic. É assim que se escreve.


Ponto Cego.