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REVISTA

eclesiates por marina linhares

ABUB NORDESTE Julho 2017 - N.2


Essa é uma revista experimental da coordenação de literatura e artes regional da ABUB Nordeste. Sem direitos reservados, com contribuições entregues de forma deliberada, pelos coordenadores locais, regionais, estudantes e profissionais. Nº 2, julho de 2017

COORDENADORES LOCAIS DE LITERATURA, PROCURE O SEU: ABS Natal Ravena Albuquerque ABU Natal Anderson de Oliveira ABU João Pessoa Danielle Silva ABU Areia Samuel Diniz ABU Caruaru Nathalia de Amorim ABU Maceió Ewerton dos Santos ABU Aracaju Stefany Santos ABU Lagarto Amenaide Nascimento ABU Salvador Aimée Santos ABU Vitória da Conquista Bárbara Xavier


EDITORIAL

NESTA EDIÇÃO

Na comemoração nacional dos 60 anos da

03 - RESENHA

ABUB, o E60, um nome foi bastante citado:

     LIVRO "CRER É TAMBÉM PENSAR"

Hans Bürki. Através de seu livro, "A vida cristã no mundo moderno hoje", um calouro de História chamado Walace, chegou no núcleo que participo na FFCH/UFBA. Ele contou que encontrou esse livro na biblioteca do pai e

04 - INDICAÇÃO DE DISCOS      SOLTA O SOM...

resolveu procurar se essa tal de ABUB ainda existia, visto que o livro foi lançado já havia umas décadas, e chegou até nós. Que alegria ouvirmos o compartilhar dele. Que alegria fazer parte desse movimento! Mais uma vez o

05 - GALERIA        WENDELL REZENDE

Senhor permite que vejamos a relevância da literatura pra nosso movimento, de como através de um livro mais um missionário chegou a ABU. Que o Senhor do tempo, que

06 - NOTÍCIAS

durante esses 60 anos tem sustentado essa

     FORRÓ COM CUSCUZ

missão, continue sendo nossa inspiração,

     SARAU DA AMIZADE

gratidão, alegria!

Vanessa Santos Presidente ABU NE

07 - ESPECIAL      CURSO DE FÉRIAS 2017        POR CAIO CABRAL

EXPEDIENTE CAPA: "ECLESIASTES"

08 - CRÔNICA       "PALAVRA I"

MARINA RAMALHO ELABORAÇÃO: MARÍLIA TELES CAVALCANTE REVISÃO: DAYSE ALÉXIA EDIÇÃO DE ARTE E DIAGRAMAÇÃO: MARYLIN BANDIM TEXTOS: EVA CAROLINE - ABU ARACAJU MARÍLIA TELES - ABU JOÃO PESSOA CAIO CABRAL - ABU MACEIÓ

CONTATOS

IASMIM SANTOS - ABU ITABAIANA FOTOS DA GALERIA E DO CURSO DE FÉRIAS:

Site: www.abub.org.br/regiao/nordeste

WENDELL REZENDE - ABU ARACAJU

Facebook: www.facebook.com/abunordeste/


RESENHA DO LIVRO:

CRER É TAMBÉM PENSAR

JOHN STOTT

Eva Caroline de Sena Castro – ABU João Pessoa O livro “Crer é também pensar, do teólogo John Stott, é publicado no Brasil por meio da ABU Editora. O capítulo introdutório do livro já nos traz um impacto quanto ao seu título: Cristianismo Tolo. Com isso, o autor cita alguns exemplos de cristãos na atualidade e suas defesas, equivocadas, do sentido do cristianismo. Usar a mente como cristão está relacionado a difundir o evangelho de Cristo. Todo tipo de ideologia ou teoria primeiro nasceu na mente e depois se difundiu conseguindo seguidores. Da mesma forma ocorre com o Cristianismo. Stott aponta que enfrentamos uma batalha, que não utiliza armas nem tanques de guerra, nossa força motriz é o intelecto; e indaga se nós acreditamos mesmo no poder da verdade. A racionalidade está presente na vida humana desde a criação, Stott afirma que “os animais foram criados para terem instinto; os seres humanos, para terem escolhas inteligentes”. Essa era a realidade no Éden, contudo, a queda trouxe vários reflexos à mente humana, pois a corrompeu, entretanto, não podemos usar esse fato como justificativa para dar lugar ao irracional. Outro argumento utilizado pelo autor, além da criação, é a revelação de Deus, pois Ele se revela além das palavras e que o homem tem a capacidade de entender essa revelação através dos processos da natureza. Mas isso também ocorre com a leitura das Sagradas Escrituras. Afinal é a própria palavra revelada de Deus, e, aquele que lê e a interpreta, consegue entendê-la através do uso do intelecto. A revelação está diretamente ligada à redenção. A revelação de Cristo é racional (I Coríntios 1:21) e a redenção também o é.

O julgamento é outra doutrina tratada por Stott que tem a relação com a razão, afinal os homens serão julgados quanto ao conhecimento de Deus e sua aceitação ou negação à revelação em Cristo Jesus. O apóstolo Paulo, em diversas passagens afirma a necessidade de conhecermos e entendermos sobre Deus, sermos sábios e usarmos o discernimento. Em Cristo temos nossas mentes renovadas, por Ele podemos pensar a luz de sua Palavra. A Bíblia nos aponta um caminho de fé através do uso da razão. No capítulo 3, denominado “A mente na vida Cristã”, o autor propõe uma análise de seis aspecto da vida Cristã. Que não podem ser vivenciados sem o uso do intelecto: a verdadeira adoração; a fé; a santidade, o evangelismo, o ministério e os dons. Após todas estas considerações a respeito da importância da razão e da fé andarem juntas, é preciso ainda ressaltar o cuido necessário para que não sejamos extremistas unilaterais. Stott afirma que “Deus nunca quis que o conhecimento fosse um fim em si mesmo, mas sempre o meio para outra finalidade”. A medida que nossa busca pelo conhecimento aumenta, deve aumentar proporcionalmente o nosso temor a Deus. Quanto mais o conhecemos mais devemos nos render a Ele. Quanto mais buscamos entender as escrituras, mais devemos obedecê-las. Não podemos cair no erro de vangloriarmos por nossos conhecimentos, mas sim usar aquilo que conhecemos para engrandecer o nome do Senhor. O nosso conhecimento deve nos levar a uma verdadeira adoração, à fé, à santidade, ao amor.

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INDICAÇÃO DE DISCOS por Marília Teles

SE LIGA NO SOM! O disco “Quero aprender a orar” é mais uma obra de Gerson Borges, com a participação de muitos cantores conhecidos entre nós abuenses, ele traz canções que parecem mais orações. É um cd-oração! Todas as músicas versam sobre a oração, o desejo de praticá-la e sobre atitudes de oração. Com melodias que relembram a música brasileira, somos conduzidos a pensar sobre o tema e a procurar uma atitude de quebrantamento diante de Deus. Começa o álbum com o Pai Nosso, uma versão musicada, termina com a oração-pedido “Ensina-nos a orar”. Vale a pena ouvir!

O álbum “O grande medo do pequeno mundo” é o terceiro LP do português Samuel Úria, com letras marcantes e com uma perspectiva cristã nos ensina melodicamente sobre profundidades da vida. É incrível como um disco consegue reunir tantas músicas boas, mesmo assim, dou destaque as músicas Forasteiro, Eu seguro, Deserto e Lenço enxuto. Membro de uma editora discográfica independente de seu país, FlorCaveira, é por ela que lança seu disco. Em 2014, uma das canções ganha o prêmio de melhor canção da Sociedade Portuguesa de Autores (SPA). Com participação de diversos cantores e cantoras portugueses, Úria nos fala sobre o deserto e esperança; sobre o lenço enxuto dos homens que são acusados de chorar, como se fosse uma ação única das mulheres; sobre a esperança de que não precisamos nos sujeitar as dores que o mundo nos impõe, somos só forasteiros aqui; fala sobre o silêncio; sobre a segurança das relações; e mais... O LP é um grande conforto, e desafio, em meio aos medos que nos assaltam.

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GALERIA

Imagens: WENDELL

REZENDE

“A FOTOGRAFIA É A POESIA DA IMOBILIDADE: É ATRAVÉS DA FOTOGRAFIA QUE OS INSTANTES DEIXAM-SE VER TAL COMO SÃO.” PETER URMENYI


NOTÍCIAS SARAU DA AMIZADE ABU SALVADOR

FORRÓ COM CUSCUZ ABU ARACAJU E aconteceu o Forró com cuscuz! O evento, que já está na quarta edição, foi feito com o intuito de ajudar a enviar estudantes para o Curso De Férias, promovendo a comunhão e celebrando a cultura nordestina. E como em todos os anos, foi maravilhoso! Teve arrasta-pé a noite inteira e o cuscuz, prato principal, estava delicioso. Além das atrações principais que dão nome ao evento, tivemos um agitadíssimo correio elegante e um sarau que abrilhantou mais ainda a nossa festa com uma paródia bem divertida das meninas da ABS e lindos e emocionantes poemas de Jon e de Carol Acioli. A equipe da cozinha caprichou e a mesa estava farta, além do cuscuz, já citado, tivemos outros quitutes típicos: diferentes tipos de bolos, brigadeiro de paçoca, sucos e um café bem quentinho, para aquela noite que já estava muito acalorada. E, para fechar com chave de ouro, tivemos a quadrilha improvisada e liderada por Guto, que apesar das pequenas confusões com a coreografia (risos), foi divertidíssima e deixou todos bem cansados, mas com a alegria de ter feito parte da festa e o gostinho de quero mais, desejo que, com a benção de Deus, será satisfeito na próxima edição do Forró com cuscuz.

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Sábado à tarde, 10 de junho de 2017. Esse foi o quarto ano do Sarau da Amizade da ABU Salvador. Ele acaba sempre acontecendo antes do dia da amizade, mas seu intuito é celebrar os amigos que o Senhor nos proporciona ter ao longo da caminhada. São sempre momentos de comunhão e também onde amigos de nossos amigos passam a ser nossos amigos também. Esse ano tivemos o sarau foi realizado em conjunto com a ABS, o que tornou tudo ainda mais divertido. Ouvimos duas histórias engraçadíssimas contadas por Thiago e Agnes, poesias lidas por Vanessa, Rithiane e Luana, algumas várias canções, e dentre elas as que tinham significados que remetiam à infância, com Agnes e Aimée e Larissa; à conversão, com Luana e que traduzia o que se tem aprendido na caminhada, composta e cantada por Pedro. Gabriel compartilhou uma reflexão sua a partir de um trecho de Grey's Anatomy e o que aprendera em Eclesiastes, e Daniele trouxe um conto, como um muito obrigado às amizades que possui. Como não poderia faltar, houveram vários recadinhos e lanchinhos. Foram três horas bastante especiais, nas quais pudemos ser, mais uma vez, gratos à Deus pelas amizades que Ele nos concede, pois sabemos que "melhor é serem dois do que um, porque têm melhor paga do seu trabalho. Porque se um cair, o outro levanta o seu companheiro [...] e, se alguém prevalecer contra um, os dois lhe resistirão; e o cordão de três dobras não se quebra tão depressa." (Eclesiastes 4:9, 10a, 12)


ESPE CIAL

CURSO DE FÉRIAS 2017 - MACEIÓ CURTA VIDA - LIVRO:ECLESIASTES

PREPARAÇÃO, DIFICULDADES E APRENDIZADO Foram 20 meses desde que demonstramos intenção de recebermos o CF 2017 em nosso estado. Estive naquele CR mas nem sequer era da diretoria local, mesmo assim tinha muita disposição em envolver. Éramos em torno de meia dúzia de pessoas que nunca haviam se envolvido tão diretamente na preparação de um evento deste porte, que no início da organização, nas primeiras reuniões, olhávamos um para cara do outro e não sabíamos nem ao menos por onde começar. Tivemos problemas com o acampamento que, a princípio, receberia o CF, mas um outro lugar foi providenciado (Melhor e mais barato). Agora teríamos que arranjar o valor de entrada deste novo local, conversamos com a responsável, pedimos prorrogação, redução, e no fim extrapolamos o prazo e não entregamos nem metade da entrada acordada, mesmo assim foram bem complacentes conosco, não fizeram caso. Nosso maior perrengue foi a baixa expectativa de pessoas presentes no evento, a princípio esperávamos entre cem e cento e cinquenta pessoas,

nossa expectativa caiu para cinquenta e oitenta pessoas. Nas vésperas do evento tínhamos uma lista enorme de materiais pendentes, poucas inscrições e muito trabalho a ser feito. Nossa lista foi reduzindo, as inscrições foram aparecendo e o trabalho foi feito. Chegamos no evento com quase tudo em ordem, bem cansados, mas com uma gratidão imensa! O evento passou, no entanto, esse sentimento de gratidão permanece. Gratidão porque, como disse mais ou menos um abuense contemporâneo que não lembro o nome, somos uma cambada de incompetentes que Deus dá o privilégio de fazer o trabalho dEle. Para nós é evidente a ação de Deus no meio disso tudo, resolvendo os problemas que estavam além de nossa jurisdição e também aqueles que, por desleixo mesmo, negligenciamos. É uma mistura de vergonha com gratidão, que nos faz ver que, apesar de nosso tremendo descaso em muitas circunstancias que envolvem a ABUB, nossas falhas como ser humano, a obra não deixará de ser feita, afinal, Cristo é o senhor dessa missão.

CAIO CABRAL Presidente da ABU Maceió


CRÔNICA

PALAVRA I Tomo o silêncio, dele me aproprio, do que gostaria de dizer e não digo. Por que razão não digo? Porque não cabe nas palavras. Volto a volver-me sob as palavras e pensar a necessidade de usá-las e a limitação que lhes é compacta. Quando criança, pensava na palavra e na brincadeira de coordenar grafemas; enquanto adolescente, achei a palavra uma amiga infalível; cresci, tornei-me jovem e achei a palavra libertária; fiquei adulta e percebi a sua insuficiência em expressar o que foi dito. Então, fico velha e a vejo perto de mim e assenhorada dos meus cabelos brancos. Morro e sinto falta da palavra que outrora fora instrumento do meu viver. Tomo a palavra, menos lúdica, pouco amiga, nada libertária, e ainda incipiente, e toco nela como o oleiro toca o barro. Nas suas mãos, o barro, que é apenas barro, torna-se vaso, ganha forma, corpo e tamanho. Desfaz-se e faz-se de novo. Tomo a palavra, enxertada das ideologias que lhes fomenta a condição exata do ser “palavra”, e dou-lhe forma, corpo e tamanho. Semelhante ao oleiro, quebro-a e ressignifico-a. Olho-a, como o oleiro olha a sua obra diante de si mesmo, no mais profundo dos seus olhos de alma, e vejo que ela é tão eu que cabe dentro de mim. IASMIM SANTOS FERREIRA

Graduanda em Letras-Português pela Universidade Federal de Sergipe Secretária da ABU Itabaiana.

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Revista Encontros/abub nordeste/Nº2 Julho 2017  

Essa é uma revista experimental da coordenação de literatura e artes regional da ABUB Nordeste. Sem direitos reservados, com contribuições...

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