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Edição 001 VERÃO 2012

ELEIÇÕES FICHA LIMPA

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LUTAS VIRAM FEBRE

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É PROIBIDO SUJAR

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JARDIM BOTÂNICO Pág. 19


EDITORIAL

Crédito na mão é vendaval

Evitar crises econômicas é necessário, porém o caminho que o Brasil tomou pode não ser o ideal a longo prazo As crises econômicas pelo mundo afora sempre atormentaram a vida dos brasileiros. Os mais jovens não lembram, mas ainda sentem o medo do fantasma da inflação sem controle, do desemprego e todos os outros problemas trazidos por uma instabilidade econômica. Nas ultimas recessões, vividas pelos estaduinensses e agora pelos europeus, o Brasil conseguiu se desvencilhar dos efeitos da crise com a adoção de estratégias nas quais o consumo ajudava a manter o mercado em expansão. Partidários e não partidários do governo que estimulou as compras para movimentar a economia são obrigados a aceitar que a estratégia deu certo. Porém até em que ponto? É verdade que o mercado brasileiro não foi tão atingido como se esperava, mas e o endividamento das famílias brasileiras que só crescem a cada dia. São faturas de cartões atrasadas, carros devolvidos por falta de pagamento,

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juros altos, financiamentos impagáveis que tiram o sono de uma boa parcela da população. Maruza Silverio

EXPEDIENTE Revista Laboratório Inspire Produção e Edição de Revistas II Escola de Comunicação e Artes PUCPR 6º período de Jornalismo Reitor Prof. Doutor Clemente Ivo Juliatto Decana Prof.ª Dr.ª Eliane Cristine Francisco Maffezzolli Direção do Curso de Jornalismo Prof.ª Julius Nunes Coordenação geral Prof.ª Dr.ª Maria Teresa Marins Prof.ª Juliana Pereira Editor de Arte Miguel Rezende Auxílio na edição de arte Mariana Azevedo

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2 - EDITORIAL 4 – OPINIÃO ARTIGO - A MÁQUINA QUE FAZ O MUNDO GIRAR 7 - ATITUDE COLUNA - ATITUDE DE FÃS E TORCEDORES 8 – CRÔNICA UM GRANDE ACONTECIMENTO NA PEQUENA VIZINHANÇA 12- POLÍTICA ELEIÇÕES FICHA LIMPA 14 - ESPECIAL É PROIBIDO SUJAR 19 - ENSAIO FOTOGRÁFICO JARDIM BOTÂNICO 28- ENTREVISTA ELÓI PIRES FERREIRA CINEASTA 32 – COMPORTAMENTO OS SINAIS DA MENTIRA 36 – ESPORTE LUTAR VIRA FEBRE 40 – CULTURA MAS E VOCÊ, CONHECE? REVISTA INSPIRE - ED. 001 VERÃO 2012


OPINIÃO

A MÁQUINA QUE FAZ O R A R A A R R I I I G R MERCADO GIRAR G GGI

ARTIGO - Por Maruza Silverio

Obsolescência programada movimenta o mercado, porém gera toneladas de lixo com objetos que ainda poderiam ser úteis Em uma sociedade pós-moderna com o sistema econômico capitalista vigente, o principal objetivo do sistema é o lucro. Os meios de produção e de distribuição são de propriedade privada e as decisões sobre preço, oferta, distribuição, demanda, e investimentos são feitas para garantir os lucros e a sobrevivência das empresas. O capitalismo só funciona se houver a compra de produtos ou serviços, se as vendas diminuem as crises econômicas aumentam trazendo uma série de consequências para a população, como o endividamento, a inflação, os

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desperdícios de produtos, o desemprego, entre outras. Para movimentar a economia e evitar essas crises as empresas capitalistas criaram algumas táticas para aumentar as vendas de seus produtos e ter mais lucro. A chamada obsolescência programada ou planejada é um exemplo. A obsolescência programada surgiu por volta da década de 1930 e é caracteriza pela vida útil curta dos produtos. É também o nome dado ao processo de descarte dos produtos para movimentar a economia. Ela faz parte de uma estratégia de mercado que tem o objetivo de

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OPINIÃO garantir um consumo constante por meio da insatisfação. As empresas que produzem esses produtos os projetam de tal forma que a sua durabilidade será menor do que o tempo que o consumidor leva para se satisfazer com ele. Assim os produtos quebram ou acabam em pouco tempo e o

indivíduo precisa comprar outro para continuar se satisfazendo. Segundo o teórico Zygmunt Bauman (2001) “para que as possibilidades continuem infinitas, nenhuma [vitória] deve ser capaz de petrificar-se em realidade para sempre. Melhor que permaneçam líquidas e flui-

das e tenham data de validade, caso contrário poderiam excluir as oportunidades remanescentes e abortar o embrião da próxima aventura”. Essa frase trás a ideia de que é necessário que um produto acabe para que se crie outro melhor. Mas essa pratica chamada de obsolescência programada é mais

comumente usada para vender e gerar lucros em cima de produtos que não tiveram nenhuma grande evolução tecnológica. As críticas sobre essa estratégia são variadas. A principal delas é o uso indiscriminado dos recursos não renováveis do planeta na produção desses produtos. Um estudo feito pela

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OPINIÃO ONG internacional WWF diz que atualmente a população mundial consome cerca de 30% a mais do que o planeta pode suportar e repor. As políticas de reciclagem ainda não são adotadas por toda a população e muito menos pelas empresas que também consomem recursos na produção de um produto. Assim a maior parte do material usado em produtos com obsolescência programada serão descartados junto com o produto. Isso gera um serio problema ambiental

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que é outra critica sobre a obsolescência programada. O lixo produzido por produtos quebrados tal como computadores, celulares e carros são depositados em aterros sanitários, muitas vezes contaminando o solo e a água do local, trazendo mais danos para a população. E é claro que também há as consequências econômicas que afeta principalmente os menos favorecidos, que necessitam gastar sempre com as mesmas coisas.

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OPINIÃO

Atitudes de fãs e torcedores

COLUNA - Por Miguel Rezende

O jogo diante do Coritiba diante do São Paulo já havia acabado no Couto Pereira, quando um gesto de carinho do ídolo Lucas com uma fã provocou uma reação espantosa nas arquibancadas. Foi na partida válida pela 28ª rodada do Campeonato Brasileiro, após o apito do árbitro decretar o empate por 1x1, Lucas se dirigiu até uma menina de 13 anos que gritara o seu nome o jogo inteiro e lançou sua camisa. Torcedores do Coxa que já rumavam para fora do estádio voltaram e tentaram agredir a menina e seu pai, que a acompanhava. Uma cena lamentável, mas que levanta diversas questões em torno do acontecido. Visto que a menina estava acompanhando a partida no setor reservado para a torcida do time da capital paranaense e gritara o nome do seu ídolo, mas que joga no time adversário, é justificável a reação destes torcedores? Lucas, conhecendo o futebol e os torcedores apaixonados que frequentam os es-

tádios em cada canto do país, poderia ter tomado uma atitude diferente? É bem provável que se tivesse acontecido em qualquer outro estádio, com qualquer outro time, a atitude dos fiéis torcedores seria a mesma, não é? Mas analisemos o outro lado da situação, nosso país esta prestes a sediar uma Copa do Mundo, onde não há divisão de torcidas, visto que as pessoas que frequentam uma partida estão buscando assistir há um espetáculo do mundo esportivo e, também, apoiar seu país. Sempre nos perguntamos se o país está preparado para receber este evento, mas e as pessoas, estão preparadas? E não são apenas dos profissionais que irão trabalhar durante a Copa que estamos falando, mas sim dos torcedores e cidadãos comuns, que irão “recepcionar em sua casa” várias pessoas de etnias e culturas diferentes. É esperar para ver, e torcer para que a paz e a alegria reinem nos estádios, não só do Brasil, mas do mundo inteiro.

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OPINIÃO

Um grande acontecimento na pequenina vizinhança CRÔNICA - Por Maria Elisa Brenner Acordei com o som estridente das máquinas e percebi que o dia já havia começado há muito tempo. Um som de esguicho de ar invadiu meu quarto junto com os raios de sol e apesar da preguiça gostosa da manhã, minha curiosidade não permitiu que eu continuasse onde estava. Quando olhei para rua, não tinha nada além do comum ou eu não percebi nada de diferente. Mais tarde escutei os barulhos misteriosos novamente e quando olhei para a rua, lá estava, uma faixa amarela pintada bem no seu centro, da esquina até a casa do vizinho. E lá apareceram também um caminhão e outra geringonça da prefeitura, conduzidos por quatro funcionários. Um senhor de boa idade, um jovem rapaz, um motorista quarentão e uma moça toda enrolada em seu uniforme para se proteger do sol. Sem demorar um instante, ela e o rapaz pegaram uma pesada placa de metal amassada na carroceria do ca-

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minhão, cada um segurando o peso em uma ponta, caminharam alguns metros e a jogaram no chão, fazendo um belo barulho. Depois voltaram à carroceria do caminhão, pegaram outra e fizeram a mesma coisa. Depois mais outra e foram fazendo isso até completar seis placas de metal jogadas no meio da rua. Eram aproximadamente 11h30min da manhã. Nessa hora pais, mães e vans escolares enchem a rua para buscar seus filhos na escola que fica a uns 250 metros. O caminhão e as pesadas chapas de metal impediam a circulação. Um carro parou depois uma van e mais um carro. Os pedestres apreçados para o almoço passavam desconfiados pela calçada. Os curiosos chegavam e paravam do lado e na frente do caminhão, sondando o acontecimento. Os comerciantes das redondezas saíram nas portas de suas lojas. Já havia muitas pessoas paradas, outras olhando e outras passando, quando os

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OPINIÃO carros mais apreçados subiram nas calçadas para passar enquanto, outros davam meia volta. Nesse momento, com a plateia completa, entra em cena o senhor de boa idade e sua geringonça, jogando tinta branca em cima das placas de metal através de um esguicho de ar e líquido, enquanto isso a moça e o rapaz pegam mais placas e jogam do outro lado da rua e o motorista quarentão espalha um pozinho branco em cima da tinta branca. O senhor termina seus afazeres nas primeiras placas e vai para as outras placas onde faz a mesma coisa. Sem demora a moça e o rapaz voltam e pegam todas as chapas de metal amassadas e sujas de tinta e jogam de volta na carroceria do caminhão, depois atravessam a esquina e colocam todas as placas do outro lado da rua. Tudo se repete lá. Chega o chefe deles em um carro branco e pergunta se eles já vão almoçar. “Sim só va-

mos terminar ali em cima e já vamos”, responde o senhor. “Depois do almoço vocês vão para a outra rua, okey?”, pergunta o chefe enquanto o seu subordinado balança a cabeça positivamente. Todos pegam suas coisas e vão embora rapidamente. Aos poucos o publico se espalha, meu vizinho permanece e não resiste ao comentário, se aproxima de mim e diz “que serviço mal feito, eles nem varreram a rua”. E por alguns minutos observamos as palavras, “PARE” e “ESCOLA”, pintadas no chão e os pedestres passando com cuidado para não pisar na obra prima, ou para não sujar seus sapatos de tinta branca. No dia seguinte acordo novamente com uma movimentação anormal na rua. Dessa vez são portas de carros batendo, ônibus manobrando e um helicóptero sobrevoando o bairro. O que será dessa vez. Vou até a janela e vejo um car-

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OPINIÃO ro da imprensa, dois ônibus e três Kombis estacionados além de uns carros chiques e caros. Vejo também pessoas bem arrumadas com toda pompa e elegância. Nossa, será que todos vieram ver a pintura da rua. “Mãe, o que está acontecendo?” pergunto a minha mãe. Sim, eu sou a jornalista da casa, mas minha mãe sempre esta melhor informada nesses assuntos de vizinhança. “É a inauguração da creche nova do lado da escola”, responde ela orgulhosa por saber mais do que eu. “O prefeito, o governador e metade da cidade estão

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ai”, completa ela. “Ahh então por isso que pintaram a rua ontem?” pergunto. “Pintaram a rua e cortaram a nossa grama, você viu?” ela continua a conversa. Ficamos ali paradas, acompanhando a movimentação desse grande acontecimento. Os vizinhos chegaram para conversar e por o assunto em dia, tivemos distração por uma manhã inteira. O helicóptero se foi, e alguém falou, porque limpar e pintar a rua se as pessoas mais importantes vieram voando? Quando o carro da imprensa saiu da rua, tudo fez sentido. É ano de eleição.

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POLÍTICA

S E Õ Ç I E EL

Por Miguel Rezende

Primeiro pleito com a nova lei não teve todos os pedidos de impugnação julgados a tempo A Lei da Ficha Limpa regeu sua primeira eleição e foram mais de 1300 pedidos de impugnação a candidaturas de prefeitos, vice-prefeitos e vereadores em todo o Brasil. Originada de um projeto de lei de iniciativa popular, que reuniu cerca de 1,3 milhões de assinaturas, a Lei Complementar nº. 135/2010 torna inelegível por oito anos um candidato que tiver o mandato cassado, renunciar para evitar a cassação ou for conde-

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nado por decisão de órgão colegiado, mesmo que ainda exista a possibilidade de recursos. Mas “nem tudo está como deveria” é o que afirma o eleitor de Curitiba, Eduardo Gavinho, de 21 anos. Para ele, ainda há muitos políticos corruptos e que já se beneficiaram com verba pública concorrendo a cargos nesta eleição e ainda acredita que para a Lei funcionar, os julgamentos precisam demorar menos. “A burocracia é muito grande no

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POLÍTICA Brasil, vemos casos se arrastarem por anos a fio sem ninguém pagar por nada e com certeza nestas eleições ainda tiveram alguns candidatos que não deveriam concorrer disputando cargos importantes”, desabafa. O administrador de empresas curitibano Carlos Pereira, 28 anos, acredita ser difícil julgar tantos políticos em tão pouco tempo e brinca com a situação atual do país. “Na verdade precisaríamos de mais pessoas para julgar do que temos no meio político, afinal cada um deles tem pelo menos

um ou dois processos nas costas. Impossível julgar todos antes das eleições”, ironiza o eleitor. De acordo com o TSE, não foi possível julgar todos os processos antes das eleições. Na verdade, a maioria dos pedidos serão julgados após o pleito, mas mesmo que tenham conquistado a vitória nas urnas a posse no cargo ao qual disputou não é garantida. Se o candidato tiver o registro impugnado pelo TSE, posteriormente, os votos serão considerados nulos e o tribunal analisará caso a caso qual será o procedimento nestas situações.

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É PROIBIDO SUJAR Lei visa melhorar o ambiente nas cidades e prevê instalação de coletores de cigarros em locais com grande circulação de pessoas Por Maruza Silverio Gozer


ESPECIAL A cultura do cigarro foi incentivada durante anos como uma prática de status. Protagonistas glamorosos e divas nos filmes hollywoodianos exibiam-se fumando ou segurando uma bituqueira com todo charme e elegância. Belas propagandas na TV, com um cavaleiro cavalgando livremente mostravam a sensação de poder e liberdade que o produto supostamente oferecia. De alguns anos para cá isso mudou e vem surgindo uma nova tendência. A sociedade deixou de valorizar as coisas que não fazem bem para a saúde. O ato de fumar tornou-se feio para os olhos da população e até proibido em muitos locais. Várias leis criadas nos últimos anos restringem os lugares onde é permitido fumar. As propagandas do produto desapareceram e as embalagens agora devem vir com avisos nada amigáveis. Os fumantes dividem opinião sobre isso, afinal está mais difícil fumar e isso faz com que muita gente abandone ou pelo menos diminua o consumo do tabaco melhorando sua saúde e ambiente onde vive. Mas o fato é que o nú-

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ESPECIAL

mero de fumantes em locais públicos, como ruas, praças e pontos de ônibus aumentou. Com tantas restrições, um dos poucos lugares onde ainda é permitido fumar é a rua. São raros os fumantes que esperam chegar a uma lixeira para descartar o cigarro que acabou. Na maioria das vezes é mais fácil jogar no chão e dar um pisão com o pé para apagar. Isso evidenciou um velho problema, a sujeira deixada na cidade por bitucas queimadas aumentou muito. Segundo especialistas a bituca de cigarro é extremamente tóxica e poluente. Ela tem aproximadamente 4,7 mil substâncias tóxicas, como pesticidas, arsênico e metais pesados, que são

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danosos à natureza. Sem contar que sua fibra demora mais de cinco anos para se decompor e é uma das principais causas de entupimento de bueiros. Em julho desse ano foi sancionada a lei estadual 17230/12 que prevê a instalação de coletores específicos para cigarro em locais públicos por meio de uma parceria entre o setor publico e o setor privado. A lei é baseada em outro artigo que diz que os fabricantes, distribuidores e comerciantes do cigarro devem dar destinação correta aos resíduos poluentes. De acordo com a nova lei as empresas que fabricam ou vendem o produto devem fornecer esses coletores especiais, conhecidos como

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ESPECIAL bituqueiras, em locais onde há grande circulação de pessoas. Cabe também à empresa fazer a retirada, transporte e dar a destinação adequada aos resíduos. O deputado Rasca Rodrigues, autor da lei diz que teve a idéia do projeto de lei ao constatar que as ruas estavam mais sujas, devido às restrições para fumar em locais fechados. “A Lei Antifumo, sancionada há três anos proibindo que se fume em ambientes fechados, ajudou a melhorar a qualidade do ar. Mas também fez com que os fumantes procurassem espaços abertos, principalmente as ruas, aumentando assim o volume de bitucas de cigarros nas calçadas, sarjetas e nas pistas”, comentou Rodrigues. Para ele a poluição gerada pela bituca é um grande problema e a lei é uma forma de colocar em discussão o assunto e ajudar na conscientização da população para a destinação correta do lixo. “É preciso ter coletores específicos para isso, pois é muito difícil separar uma bituca do

lixo comum e sabendo que a reciclagem é possível, não tem porque deixar essa sujeira nas ruas”, complementa o deputado. De acordo com dados divulgados pela Assembléia Legislativa do Paraná, oito milhões de bitucas são descartadas diariamente em Curitiba, desse total cerca de 3,5 milhões acaba se tornando lixo em espaços públicos. Visando solucionar esse problema, Roberto Façanha, dono da Ecocity, uma empresa curitibana de soluções ambientais, criou o projeto Bituca Zero. “Sempre tive a preocupação com as questões ambientais e em especial com a grande quantidade de re-

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ESPECIAL

síduos nos aterros sanitários sem necessidade. Estudei o assunto, e a partir daí estruturei um projeto de logística para coleta e desenvolvi coletores especiais para o resíduo”, conta Façanha. Para a instalação do projeto Bituca Zero é feito um estudo na empresa que será cliente para saber quais são os locais mais adequados para se colocar os coletores. Depois de instalados, um profissional da ecocity visita os clientes uma vez por semana e coleta os resíduos, enviando-os para a Conspizza que faz a quantificação de bitucas e o processo de desintoxicação. Durante a visita do funcionário também é feia a higienização do coletor para que não fique com mau cheiro.

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A empresa também desenvolveu a Ecotuca, que é um coletor portátil que apaga o cigarro, no qual as pessoas podem guardar os restos dentro da bolsa ou carro sem se preocupar com o cheiro. As bitucas coletadas pela empresa passam por um processo de decomposição avançada, no qual, os resíduos do cigarro tornam-se inertes, pois as bactérias se alimentam de todas as toxinas. Após esse processo elas são transformadas em biomassa e recebe outros resíduos como fibra de coco, e restos de materiais decompostos, servindo como base para projetos de hidrossemeadura ou para construção de redes para contenção de assoreamento e erosão de encostas. “O que vai para o meio

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ESPECIAL ambiente é um substrato limpo e rico em matérias orgânicas prontas para receber sementes de grama e repovoar áreas degradadas pelo ser humano ou pela natureza”, comenta Façanha. A empresa de Curitiba já trabalha com 12 grandes empresas e em nove meses de projeto conseguiu retirar das ruas e reutilizar mais de um milhão de bitucas. O dono da empresa busca expandir o projeto para outras cidades do estado e também recebeu convites para expor em Portugal e na Argentina. As empresas ainda têm 18 meses para se adaptar a lei. Até agora poucos coletores po-

dem ser encontrados nas ruas e os donos de bares, lanchonetes e outros estabelecimentos que vendem cigarro dividem opiniões sobre o assunto. Entre aqueles que não acham que essa é uma responsabilidade privada e sim da prefeitura a opinião de que essa lei será mais uma sem fiscalização e sem cumprimento domina. Já há outros que tem interesse de manter o ambiente no qual recebem seus clientes limpos e seu o cheiro desagradável do cigarro que já instalaram as lixeiras coletoras e defendem que uma cidade limpa fará bem para todos que habitam ela.

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JARDIM BOTÂNICO Por Maria Elisa Brenner


Projetado pelo arquiteto Abrão Assad, o complexo conta ainda com o Museu Botânico, auditório, centro de pesquisas, espaço para biblioteca especializada e salas de exposições temporárias e permanentes. A principal estufa possui três abóbodas do estilo Art Nouveau e foi inspirada no Palácio de Cristal de Londres, do século XIX.


ENSAIO FOTOGRÁFICO

O jardim contém inúmeros exemplares vegetais do Brasil e de outros países, espalhados por alamedas e estufas de ferro e vidro. A estufa é climatizada e mantém espécies da Floresta Atlântica como Caraguatá, Caetê e Palmito. Do seu interior é possível ter uma vista privilegiada do jardim em estilo francês.


Em 2007 o Jardim Botテ「nico foi o monumen das Sete Maravilhas do Brasil, pr

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ENSAIO FOTOGRテ:ICO

nto mais votado numa eleiテァテ」o para escolha romovido pelo site Mapa-Mundi. REVISTA INSPIRE - ED. 001 VERテグ 2012

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ENTREVISTA

Elói Pires Ferreira

Cineasta

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O cinema paranaense ganhou dois novos filmes produzidos na cidade de Curitiba no ano de 2012. “Curitiba Zero Grau” dirigido por Elói Pires Ferreira que estreou nas bilheterias da capital no inicio do segundo semestre e fez com que muitos curitibanos se reconhecessem nos personagens ou reconhecesse a cidade é um deles. O cineasta lançou seu primeiro longa metragem, Sal da Terra, em 2008. Ele conversou com a equipe da Revista Inspire. Se você é um cinéfilo de plantão ou apenas gosta de cinema, vale

a pena conferir esta entrevista. RI:Como foram as produções dos seus longas-metragens? Tem algum que você gostou mais de produzir? A produção de qualquer longa-metragem é sempre muito trabalhosa, mas também muito prazerosa. O “O Sal da Terra”, sendo um filme de estrada que envolve muito deslocamento e exigiu um empenho extra da equipe e do elenco, no sentido de, a cada momento, ter de estar num lugar diferente e distante de casa. Além

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ENTREVISTA do que, filmar na estrada expõe as pessoas a uma série de riscos próprios daquele ambiente. Enfim, para quem tem uma vida muito urbana, conviver com o universo estradeiro durante dois meses é uma grande aventura. O “Curitiba Zero Grau”, por sua vez, também foi uma produção que envolveu muito deslocamento, porém localizado e sempre na área urbana. O desafio, além de ter que enfrentar o trânsito pesado, bloqueando ruas - o que aumentava o caos -, era coordenar uma equipe de mais de 50 pessoas, 60 atores e centenas de figurantes, em meio a uma grande instabilidade climática. Eu tenho um carinho muito especial pelas duas produções. RI: O filme Curitiba Zero Grau conta a história dos personagens por meio da relação deles com o trânsito da cidade. Por que você escolheu esse tema? O deslocamento físico do ser humano como metáfora da busca interior que move as pessoas é um tema que sempre me instiga e que está nos dois longas. RI:

Como

foi

a

repercus-

são do Curitiba Zero Grau após passar pelos cinemas? O filme conseguiu alcançar as suas expectativas? O que mais me agrada é que as pessoas, de um modo geral, estão gostando bastante do filme. Parece que ele caiu no gosto do público, ou seja, rola uma empatia com a platéia. Nós percebemos isso através de centenas de manifestações extremamente positivas (pessoalmente e principalmente via redes sociais). Hoje, sexta-feira, dia nove de novembro, o filme entra na sua décima terceira semana de exibição com mais de 18 mil espectadores. Mas o potencial de público é pra muito mais do que isso. O filme continua em cartaz em três salas em Curitiba, está entrando em Cascavel e Castro esta semana e estamos em negociação com outras praças no interior do Paraná e fora do Estado. RI: É possível perceber algumas mensagens de otimismo e fé em suas obras. Essa é uma preocupação sua? O que um filme deve ter para que esse “valha a pena” ser assistido? Alma. Se você não for impulsio-

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ENTREVISTA nado por uma força muito grande que vem lá de dentro do seu eu mais profundo e também se você não tiver o que dizer através de um filme é melhor não fazê-lo. RI: Você já tem algum projeto de novos trabalhos? Muitos. RI: Qual a importância dos incentivos na produção de um filme? Fundamental. Sem os incentivos fiscais, aqui no Brasil, é praticamente impossível fazer cinema. Os custos de produção e distribuição são muitos elevados e apenas com a bilheteria (num mercado dominado pelo cinema estrangeiro, leia-se estadunidense) esses investimentos não se pagam. Como o audiovisual é uma atividade estratégica para o País (qualquer país, diga-se) ele deve ser incentivado, pelo

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menos até que se mudem alguns aspectos desse quadro, favorecendo a auto sustentabilidade. Mas o processo é longo e requer paciência. Mesmo assim, superando barreiras aparentemente intransponíveis, o setor alcançou inúmeras conquistas nos últimos anos, fruto de muita dedicação da categoria. RI: Agora com a produção curitibana aumentando o que você acha do futuro dos longas-metragens Curitibanos? Você acha que a tendência é só aumentar ou não? Hoje, estamos com dois longas curitibanos simultaneamente no circuito de exibição comercial (O “Circular” e o “Curitiba Zero Grau”). Tem mais o “Nervo Craniano Zero” fazendo um circuito paralelo. Em dezembro entra em cartaz nas salas comerciais o longa de animação “Brichos 2”. Acredito que a tendência é a continuidade desse crescimento.

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Atitude Sustentável: você tem? Por Mariana Azevedo Cada vez mais os ambientalistas se preocupam com o futuro do planeta e das gerações, e temas como aquecimento global, efeito estufa e consumismo são os responsáveis por tirar o sono deles. A sustentabilidade trata-se de um tema que começou a ter repercussão há pouco tempo, mas que ainda não tem o valor e a atenção que merece. De uma forma geral, o termo significa: uma série de ações e atividades humanas que visam suprir as necessidades atuais dos seres humanos, sem comprometer o futuro das próximas gerações. Atitudes como ir de bicicleta (ou a pé) a locais próximos, dar ou pegar carona, não jogar lixo no chão, dar prioridade a produtos que sejam recicláveis, e principalmente controlar o consumismo fazem sim a diferença para o futuro do planeta. Ediney Soares, 24 anos, estudante de Educação Física,

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afirma que ele e sua família realizam algumas atitudes em seu dia a dia que fazem a diferença na hora de ajudar o meio ambiente. “Sempre penso em como estará o planeta quando eu tiver filhos, e se cada um pensasse dessa forma talvez as coisas fossem diferentes, pois se preocupariam mais com o que estão fazendo nos dias de hoje”. Ele conta que sempre pega carona quando vai pra faculdade, separa o lixo reciclável do comum, compra produtos que economizam energia (com o selo A), etc. “Muitas pessoas não fazem nada pelo simples fato de pensarem que não estão ajudando, mas se cada um fizer a sua parte, teremos um mundo melhor. Basta acreditar e fazer a diferença, pois são atitudes simples que estão ao alcance de todos nós”, finaliza. A principal atitude que

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COMPORTAMENTO deve estar presente entre todas as pessoas é a disciplina, pois se ela estiver presente em temas como meio ambiente, estará também em sua vida, você fará a diferença no mundo em que vive. Porque não começar agora? Vale a pena tentar! Como você pode contribuir para um mundo mais sustentável: - Compre com moderação - Pense duas vezes antes de comprar um produto. Você realmente precisa dele? Consumir menos é a atitude individual mais importante que você pode tomar para diminuir as emissões de gases causadores do efeito estufa. - Dedique-se a ações comunitárias - Não se deixe influenciar pelos anúncios publicitários. - Para tirar da cabeça a ideia de fazer compras, você pode, por exemplo, passar mais tempo com a família e se dedi-

car a atividades comunitárias. - Escolha bem os produtos - Já que vai comprar, dê preferência a produtos sustentáveis, como os eletrodomésticos que consomem menos energia. - Evite o uso de sacolas plásticas e colabore para aumentar a reciclagem de embalagens. - Selecione o fabricante - Consuma produtos éticos, fabricados por empresas reconhecidas por adotar boas práticas no seu relacionamento com os parceiros de negócios, aí incluídos os clientes, os funcionários e os fornecedores. - Use o transporte coletivo e ca minhe - Evite o transporte individual e utilize mais o transporte público. Se tiver de usar o carro para locomover-se no dia-a-dia, procure compartilhar a viagem com outras pessoas que fazem o mesmo roteiro. Caminhe mais, pois também estará contribuindo para a sua saúde.

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comportamento

Os sinais da

MENTIRA Por Mariana Azevedo A mentira tornou-se uma atitude comum e presente em diversas situações no mundo e nas relações de hoje em dia. Algumas pessoas se acostumam tanto com o ato de mentir, que muitas vezes mentem mesmo sem motivo ou razão para isso, fazem pelo simples fato de estarem acostumadas. É aí que começam os problemas, pois pode-se tornar uma doença psicológica. Quem mente por hábito, faz da mentira a resposta padrão a qualquer pergunta. Para ele, falar a verdade pressupõe algum tipo de desconforto. Enquanto a boca mente com a maior desenvoltura, a mente se perde entre o que conhece como verdade e o que está sendo afirmado mentirosamente como verdade.

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Durante esse pequeno curto-circuito, ocorrem mudanças fisiológicas comuns a todo e qualquer mentiroso: a respiração se interrompe por um segundo e depois volta num ritmo acelerado; o coração também passa a bater rápido e a transpiração aumenta. Como nada disso pode ser percebido diretamente, existe o polígrafo, ou detector de mentira, um aparelho que em contato com o peito, o pescoço e as pontas dos dedos registrando em gráficos aquelas manifestações fisiológicas. O mentiroso, por melhor que seja, tende a apresentar determinadas atitudes que acabam por denunciá-lo. Se você conhece alguém que toma este tipo de atitude (ao invés de

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simplesmente contar a verdade – por pior que seja), saiba como identificá-los, pois podem estar em qualquer lugar. Aí vão algumas dicas: • Desviar os olhos quando perguntado sobre assuntos delicados • Piscar os olhos com maior frequência • Piscar rapidamente quando a conversa declina para um tópico comprometedor • Inclinar-se para trás • Responder “não” e balançar a cabeça afirmativamente, mesmo que de leve

• Respirar em pequenas e rápidas golfadas e entremeá-las com suspiros longos e profundos • Evitar apontar o dedo ou enfatizar as palavras com movimentos amplos dos braços • Falar com a mão ou alguns dedos na frente dos lábios. • Ao narrar uma história, fazer “pontes de textos”, que consistem em acelerações artificiais da sequência dos fatos • Pedir que o interlocutor repita a pergunta, com intuito de ganhar mais tempo na elaboração de uma resposta • Não falar mal de si, mesmo em assuntos que não tem nada a ver com a mentira.

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Lutas viram febre Cada vez mais curitibanos procuram academias especializadas na prĂĄtica desta atividade fĂ­sica Por Miguel Rezende


ESPORTE Com o crescimento do número de academias especializadas em MMA, já é possível perceber que foi dado um nocaute no preconceito e, cada vez mais, vira febre entre os brasileiros de todas as idades. Isto mostra que as lutas marciais já caminham para se transformar em um dos esportes mais populares do Brasil. Primeiramente, você sabe o que é MMA? A sigla em inglês significa Mixed Martial Arts e traduzido para o português Artes Marciais Mistas, ou seja, o lutador pode utilizar qualquer técnica aprendida em basicamente qualquer arte marcial para derrotar um oponente. Conforme o MMA foi se tornando mais e mais popular, competidores e competições se tornaram muito comuns, tanto no mundo das artes marciais quanto na mídia, em formato de entretenimento. Não é fácil determinar o motivo do sucesso das lutas em que além de socos, pontapés, cotoveladas e estrangulamentos também é comum ver hematomas, edemas e sangue manchando o tatame. Para ter uma ideia os duelos do UFC, Ultimate Fight

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esporte

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Championishp campeonato mais famoso desta modalidade, aumentaram em mais de 75% a audiência média do horário em que foram exibidos na TV aberta. O episódio de estreia do reality TUF Brasil – Em Busca de Campeões marcou 15 pontos, crescendo a audiência em mais de 15%, segundo dados da Central Globo de Comunicação, mesmo não sendo horário nobre. Em Curitiba são inúmeras as academias e todo tipo de

to muito bem quando estou no tatame, é uma forma de relaxar mentalmente e sair do estresse da vida corrida que levo.” O irmão mais novo Gabriel, 14, parece também seguir o caminho de Gilberto e mescla as lutas com as atividades do colégio, e garante que estas não atrapalham seu rendimento em sala de aula. “Consigo levar numa boa a escola com as aulas de luta, sem afetar em nada.

aluno, desde os que fazem para aperfeiçoar a forma física e definir o corpo até os que sonham em se tornar campeões mundiais. Gilberto Pinto Kondlatsch, 21, tem como hobbie fazer aulas de lutas e acredita que estas podem ser mais uma saída para evitar o estresse do dia a dia. “Eu amo lutar, faço boxe às segundas e quartas e muay thai às terças e quintas. Me sin-

Na verdade os professores de muay thai nos incentivam a ir bem e tirar notas altas.” Outra alteração percebida por alguns professores são as atitudes, principalmente dos adolescentes, depois que começam a praticar qualquer tipo de luta. A psicóloga Maria Freitas explica que é normal esta mudança de atitude, pois o adolescente gasta energia

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esporte fazendo esta atividade física. “Primeiramente, querer lutar tem a ver com a relação com os nossos instintos, que aprendemos desde cedo que devemos lutar contra todas as dificuldades que a vida nos impõe. E depois este jovem vai praticar uma atividade física e deixar um pouco de lado o videogame, o computador, melhorando a saúde.” Ela apenas faz um alerta para a forma como estas pessoas vão encarar as au-

vem e primeiro lugar. Além das lutas, outros esportes como o futebol, o vôlei ou até uma simples caminhada, desde que feita com frequência também podem trazer resultados positivos.” A relação das lutas com a violência é muito comum, mas tem mudado, principalmente com a figura de grandes nomes, campeões mundiais, mostrando seu lado família, humano, com uma vida normal. O exemplo mais claro é do Anderson Silva, que

las, pois deve sempre ter regras e mostra que há outros esportes que tem o mesmo efeito na cabeça destes jovens. “Parece que o conceito de luta ser sempre violento está indo por água a baixo, mas mesmo assim é muito importante cuidar da parte mental do adolescente, deixando sempre muito bem claro que isto é apenas um esporte e que a saúde

fora dos octógonos é uma pessoa carismática e tranquila. Os motivos para começar aulas de luta são muitos e os ganhos à saúde também, porém temos que seguir regras em todo lugar, e neste esporte há muitas. Antes de sair por aí dando socos e pontapés, vá a uma academia especializada. Pratique esporte!

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Por Mariana Azevedo


CULTURA A Música Erudita, ou Clássica, ou de Concerto (como pode ser chamada) surgiu no Brasil dos primeiros séculos de colonização portuguesa, e vinculava-se estritamente à Igreja e à catequese. Mas mesmo nos dias de hoje, após tanto tempo de história, este estilo não possui o devido reconhecimento. Temos por perto um exemplo de música erudita, a Camerata Antiqua de Curitiba, o grupo mais expressivo de Música de Câmara do Brasil e da América Latina, e uma das únicas sobreviventes deste estilo no Brasil. Ao longo de seus 37 anos de existência, consolidou-se como um grupo de grande prestígio nacional, oferecendo ao público seu trabalho de excelência artística, e é referência determinante da cultura curitibana. Com um currículo respeitável, que inclui a gravação de oito LPs, seis CDs e centenas de apresentações no Brasil e exterior, a Camerata revela sua versatilidade na interpretação tanto do repertorio antigo quanto do contemporâneo. Ivan Moraes, 52 anos, é coralista na Camerata Antiqua de Curitiba há 17 anos, e assumiu há 7 anos o cargo de representante do Coro.

Foi o último cantor que entrou no quadro funcional da Camerata por concurso, e graças a esta conquista hoje trabalha como funcionário público concursado. Ele conta que a agenda anual possui grandes e expressivos concertos, e que por isso, os ensaios são diários. “O cantor é como um atleta, tem sempre que estar em exercício e em constante busca pelo aperfeiçoamento de sua técnica. Portanto, ensaiamos de manhã e sempre estudamos à tarde, o que completa nosso resultado de desempenho no palco. Isso tudo porque respeitamos o nosso público, sabemos que temos que estar 100% para quem nos prestigia”, conta. Ivan afirma que o cenário da música erudita em Curitiba não possui grande reconhecimento, e que é muito difícil para os jovens cantores exercitarem a sua profissão em um ‘cenário árido’ (como ele mesmo colocou) como o de nossa cidade. Quando questionado sobre a presença dos jovens nas apresentações, ele afirmou que a participação ainda é pequena e não o que gostaria de ver nos concertos. “Ainda existe a ideia de que mú-

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CULTURA sica erudita é elitista. O jovem de hoje precisa ser despertado para essa música, seja ela erudita, popular, ou qualquer outra. Recentemente participei de um concerto voltado para crianças, e o que me chamou a atenção nesta experiência foi a espontaneidade do olhar da criança ao se deparar com esse mundo musical erudito pela primeira vez”, finaliza. Raquel Elise Venâncio, 30 anos, é tecnóloga em mecânica e já participou de algumas apresentações. Ela afirma que falta conhecimento e incentivo à música erudita por parte dos pais aos jovens, e que consequentemente a maioria deles

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não adquire gosto pelo gênero. “Música erudita é arte, cultura, valorização, prazer, conhecimento. A música pode nos levar a sentimentos e emoções incontáveis. Vale a pena abrir a nossa mente (que não é pequena) para “degustar” um estilo que é antigo, mas que de tão belo, perdura até nossos dias”, finaliza. E aí, que tal você tirar as suas próprias conclusões? Todo estilo musical deve ser respeitado, e por que não conhecer outros novos? Aproveite a oportunidade, e aprecie um pouco mais este estilo, que canta e encanta gerações através do tempo.

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Revista Inspire  

Maria Elisa, Mariana Azevedo, Maruza Silverio e Miguel Rezende

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