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Copyright © MS Fayes, 2016 Todos os direitos reservados Copyright © 2016 by Editora Pandorga

Direção Editorial Silvia Vasconcelos Produção Editorial Equipe Editora Pandorga Preparação de texto Fernanda S. Ohosaku Revisão Márcio Barbosa e Tássia Carvalho Projeto gráfico e diagramação Fernanda S. Ohosaku Composição de capa Gabriella Regina

Texto de acordo com as normas do Novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa (Decreto Legislativo nº 54, de 1995)

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) Ficha elaborada por: Tereza Cristina Barros - CRB-8/7410 Fayes, MS. Dange rock : (no limite da fama) / MS Fayes. – 1.ed. –- São Paulo : PandorgA, 2016. 288 p. ; 16 x 23 cm.

ISBN 978-85-8442-121-3

1. Ficção brasileira 2. Literatura juvenil I. Titulo. 15.12/047-2015

2016 IMPRESSO NO BRASIL PRINTED IN BRAZIL DIREITOS CEDIDOS PARA ESTA EDIÇÃO À EDITORA PANDORGA AVENIDA SÃO CAMILO, 899 CEP 06709-150 – GRANJA VIANA – COTIA – SP TEL. (11) 4612-6404

WWW.EDITORAPANDORGA.COM.BR

CDD- 869.3


Dedico este livro a todos os meus leitores que acompanham todas as histórias que saem da minha mente. A vocês que incentivam e me dão o estímulo necessário para prosseguir.


Agradecimentos

Este é o momento mais complexo de todos. É a hora em que tenho que agradecer a várias pessoas, responsáveis por diversas etapas da criação do livro... Em primeiro lugar, sempre, agradeço a Deus, que me proporcionou viver o sonho de desenterrar meus talentos e dar início à carreira tão árdua de ser escritora. A Ele que me enche de ânimo em momentos que realmente necessito. À minha família espetacular que acompanha cada criação de um livro novo, do início, passando pelo meio surtante e até o final exaustivo. Neste processo, com certeza fiz com que eles passassem por todas as etapas loucas que vivi. Meu marido, meus filhos Érico, Annelise e Christian. Obrigada por me dividirem com o mundo. Devo agradecer nominalmente também à minha fã número 1, minha sobrinha Ana Flávia, que monitora cada livro que escrevo como um guardião temível. Aos meus outros sobrinhos deixo um beijo e um sorriso para cada vez que surto no carro e conto os detalhes das próximas cenas... Eles fingem que prestam atenção, mesmo que não estejam ouvindo absolutamente nada. Aos meus irmãos, cunhados, mãe, pai, sogros, primos, que sempre fazem questão de prestigiar meu trabalho, enchendo suas estantes com meus livros, em especial minha sogra “Dona Meg”. Amo vocês. Muito e muito. Ao meu coach e irmão, Marcio Lopes, que desde sempre acreditou no meu projeto louco e sempre esteve ao meu lado para direcionar ao caminho certo. Agradeço às minhas amigas de perto e de longe, de sempre e de agora. Minhas amigas que seguram minhas mãos num momento mais melancólico, que me estapeiam num momento mais deprimido, que me jogam pra cima e me incentivam e enchem a boca para falar que somos amigas. Eu curto cada uma de vocês em cada processo de criação dos meus livros, desde o compartilhamento de informações privilegiadas sobre o andamento da história, ou simplesmente um bate papo pra esfriar a cabeça.


Lisa, que foi a primeira a me apoiar em busca dos meus sonhos, Andréa Beatriz, minha irmã adquirida, Gi, Samantha, que conheceu o Brandon antes de todas, Luciana Galvão, minha gêmea loira, Ludmila, minha “irmã” japonesa, Elisa, minha gêmea louca, Ulla, Rôsangela, minha pernambucana linda, Luci, Alê, Mimi, Mércia, Jujuba... Nossa... eu queria poder agradecer e citar os nomes de todas que sempre fizeram e ainda fazem parte de cada coisa que eu escrevo. Só posso agradecer a Deus pela oportunidade de tê-las conhecido e por chamá-las de amigas. Às minhas betas, especialmente Ludmila Fukunaga, que nunca se contém e me desce a bordoada por algum rumo estranho durante o percurso da história. Eu sei que você briga comigo, mas você me ama, Lud! E o sentimento é totalmente recíproco. A cada leitor maravilhoso que conheci nesta minha jornada e espero conhecer no meu caminho adiante. Obrigada pelo tempo gasto em ler um livro, cuja história eu gostaria que você guardasse em seu coração. E obrigada, obviamente, à Editora Pandorga, por me acolher em seu meio, acreditando em mais um sonho e por fazer meu coração palpitar loucamente pela chance de pegar “meu filho” em mãos. Meu agradecimento vai ser eterno. Love Ya’ll


P rólogo Eu não podia acreditar no que meus olhos viam. O garoto por quem eu sempre fui apaixonada se esfregava de maneira vulgar com a garota mais popular da escola. Tudo bem, isso soou clichê, mas acontece de fato. São tantas cenas iguais às retratadas em vários filmes que perdi a conta. Elas, porém, reportam o que realmente rola nos corredores escolares de uma boa high school. Além de batida, a cena ainda era péssima, já que parecia que meu inferno estava bem à minha frente. Minha vontade era virar e fugir aos prantos, entrar no banheiro feminino mais próximo e sufocar minhas lágrimas dentro da cabine fedida do sanitário. Com toda certeza o odor me faria pensar em outra coisa que não na boca dele sugando a língua da menina. Eu sempre soube dos casos de Brandon. Como amiga dele desde o jardim de infância, não tinha como não saber certas coisas. Como vizinha dele então, não havia a menor possibilidade de não ver as diversas garotas saindo satisfeitas de sua casa. Com um belo sorriso no rosto, consegui avançar pelo corredor sem esbarrar nas pessoas ou nos armários. Quando cheguei ao meu armário, que por coincidência era justamente aquele que a garota amassava com suas costas pressionadas, apenas pude observar o casal. — Aham — pigarreei de maneira pouco educada. Brandon levantou a cabeça e, com seus olhos azuis enevoados, deu-me um sorriso oportunista. — Sabe, Brandon, se o diretor te pega fazendo esse exame de endoscopia na sua namoradinha, garanto que não seria apenas uma detenção que vocês dois conseguiriam — eu disse e sorri inocentemente. Por dentro, estava fervendo. Queria ter telefonado de maneira anônima para o diretor da escola e indicado a direção exata onde o casal de coelhos praticamente copulava. Em cima do meu armário!


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Minha mão coçou para descer uma mãozada naquela cara sem-vergonha de Brandon. — Evie, ainda bem que você me despertou do meu sonho molhado — ele disse. A garota ridícula se chamava Amber... eca... Quer coisa mais clichê? Por que todas as rainhas da escola tinham que ter aquele tipo de nome ostentoso? AAAmmmbeeeeeer... que ódio. — Braaan, te vejo na última aula, lindo? — indagou ela e arranhou o tórax dele. As unhas como garras em um formato pontiagudo. Uau, o que era aquilo mesmo? A garota era felina ou o quê? No mínimo era fã da Rihanna. Quando ela saiu rebolando e ainda olhando com aqueles olhinhos enviesados por cima do ombro, senti uma vontade enorme de vomitar meu lanche. Dentro da mochila de Brandon. — Evie, e aí? Qual é a da vez? — ele perguntou enquanto bagunçava meu cabelo já bagunçado. Tentei afastar ao máximo minha cabeça do alcance de sua mão. Eu ainda fervilhava de raiva e, quando Brandon fazia isso, ele meio que amansava e eu só faltava miar como um gato pedinte. — Para com isso! — Tirei sua mão do meu cabelo. — Porra. Você estragou meu penteado! — E desde quando rabo de cavalo é um penteado? — perguntou ele cruzando os braços fortes e rindo. — Desde quando não foi você que passou horas domando os fios e ajeitando os cabelos desse jeito — respondi a contragosto. — Sério, Brandon... se agarrando no corredor? E ainda amassando meu armário? Acho até que deixou a impressão da bunda dela ali! — Ah, Evie, deixa de ser rabugenta, vai. Eu só estava aliviando o estresse antes da prova... — ele disse e colocou o braço desavergonhadamente em meus ombros. Eu podia sentir o cheiro do perfume da nojenta impregnado na camisa xadrez de Brandon. — Porra, Brandon. — Tentei me soltar, mas ele apertou ainda mais. — Me larga. Você está com o perfume doce mais enjoativo do país! — eu disse e cheirei. — Eca... — Sério? — Ele cheirou novamente a camisa. — Ah, doce Amber. Seu perfume delicado me fará perder a concentração na prova. Eu tive que rir do ar teatral de Brandon. Por mais que meu coração estivesse devastado, ainda assim, aquele era meu melhor amigo. E suas piadas


DangeRock infames e tiradas hilárias ainda enterneciam meu coração, afinal Brandon conseguira passar por um grande drama familiar sem se tornar amargo. Na verdade, ele passou foi a encarar a vida de um modo despojado e sem seriedade alguma. Quando perdeu a mãe há alguns anos, acabou ficando sozinho no mundo, sem família de sangue. O pai morreu quando ele era apenas um bebê. Uma amiga da mãe se responsabilizou por ele até que atingisse a maioridade, o que ocorreria em alguns meses. Ou era isso, ou entrar para o sistema. Brandon optou por manter seus sentimentos verdadeiros muito bem trancados. Adotou seu estilo vadiagem e ganhou fama no ensino médio. — E então? Vamos ao ensaio juntos depois da aula? — ele perguntou enquanto abria um chiclete e jogava o papel no meu bolso. Ah... eu esqueci de dizer que sou a vocalista do nosso grupo de rock. Pois é. Tudo começou com uma brincadeira despretensiosa e virou algo mais intenso. Tivemos uma matéria que requeria trabalhos na aula de música. Resolvemos criar uma banda alternativa que recriava clássicos do rock. Éramos covers de vários sucessos. Às vezes, um ou outro compunha uma música e tentávamos evoluir, mas sempre numa boa, sem pressão. Éramos até então os High Rockers. Uma referência à high school, sacam? Brandon na guitarra, Phil no baixo, Malcom na bateria e eu nos vocais. Embora eu também arranhasse um piano e algumas cordas. Formávamos uma banda legal e bacana. Muitas vezes, tocávamos nos bailes de acolhidas de calouros e veteranos. Entradas e saídas de estação. Nosso grupo se tornava conhecido. Até a rádio local já tocava algumas demos nossas. — É... acho que vou contigo. Mas você me deixa de volta depois? Tenho que pegar minha bicicleta — falei sem ânimo algum. — Ah, qual é, Eve. Eu já falei que posso te dar carona numa boa, não é? — ele disse irritado. — Porra... você fica nesse vaivém com aquela tranqueira que chama de bicicleta enquanto seu carro está no conserto, sendo que a gente mora um do lado do outro. Pois é. Vizinhos. Quase janela com janela. Eu acompanhava o entra e sai de meninas na casa do lado, quando a dona dela viajava. Era uma merda. Com toda certeza, eu deveria ganhar um Oscar com minha atuação de “amiga do peito”. — Brandon, eu já te expliquei — tentei falar, mas ele me interrompeu. — Sem chance de essa sua explicação ter colado, né?! — ele falou e me parou no meio do corredor, apoiando-me na parede. Senti meu corpo se aquecer porque ele estava quase reproduzindo a cena

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com a garota da vez. Pena que sem nenhum afeto realmente quente. Pelo menos não da parte dele. — Brandon... — Eve! — ele imitou meu tom. — Porra, somos amigos há quanto tempo? Somos vizinhos, parceiros de aula, amigos de banda. Qual é? — Eu já disse que não quero atrapalhar seus encontros e escapadas — falei amuada. — Quando eu achar que não posso te dar carona eu te falo, okay? — Ele puxou meu rosto para que nossos olhos se conectassem. Nesses momentos, eu sentia as faíscas de eletricidade entre nós. Porém, dava o crédito à minha paixonite por ele. Quando ele sentiria algo assim por mim? Nunca. Eu não fazia nem um pouco o estilo das garotas com quem ele ficava. Enquanto ele só pegava as exuberantes e loiras, eu era magra e com cabelos castanhos. Okay. Meu rosto era bem charmoso. Todo alinhadinho. Meus olhos eram meio puxados e verdes. Talvez fosse o que mais chamava a atenção das pessoas. Muitas falavam que eu parecia uma boneca de porcelana. Eu não queria me parecer uma boneca. Eu queria me parecer uma uber model e conquistar o coração de Brandon. Já ele era lindo na expressão da palavra. Alto, com um corpo magro e bem formado, um rosto lindo de morrer. Sem uma espinha ou marca de espinha qualquer. Os olhos azuis eram de uma candura impressionante. Você sentia vontade imediatamente de pegá-lo no colo. Os cabelos negros estavam sempre em uma bagunça “organizada” que o deixava charmoso ao extremo. Eu queria muito que ele me notasse como garota. Eu queria a cena clichê do patinho feio que se transforma em um cisne no baile de formatura e arrebata o cara mais gato da escola. Eu queria as expressões de choque nos rostos das pessoas que me menosprezaram. Porque uma coisa que sempre odiei era quando as pessoas julgavam “o livro pela capa”. Aos meus olhos, eu era uma capa com edição esculhambada, enquanto Brandon era uma edição de luxo. — Okay, Braaaan — imitei a periguete em quem ele tinha dado uns amassos ainda há pouco. — Então estamos combinados — ele disse feliz e entramos na sala de aula.


Capítulo 1 Cinco anos depois... As luzes pipocavam e giravam como um caleidoscópio alucinante. O gelo seco flutuava no palco, criando uma atmosfera enigmática enquanto as cordas da guitarra de Brandon produziam a melodia que enlouqueceria o público. Malcom girou suas baquetas e iniciou sua mágica performática. Phil deixou o cabelo loiro cair sobre um olho, enquanto fazia charme para as garotas da frente do palco. Seus dedos acrescentavam o fundo proporcional para a música que logo eu estaria cantando. Com a luz centrada em mim, girei meu corpo para o público e deixei minha voz alcançar as notas da nossa canção de maior sucesso do momento. A letra da música mexia tanto comigo... De maneira tão intimista... Quando a cantava, era como se somente eu estivesse presente naquele lugar. Eu fechava meus olhos e me permitia viajar nos sonhos que sempre tive, nos sonhos que deixei para trás. Eu sonhava com os momentos por que sempre ansiei. A canção falava de um amor profundo e enlouquecedor. Igual ao que eu sentia por Brandon. Meu amigo de infância. Apenas isso. Meu amigo. Totalmente por vontade dele, porque por mim ele seria muito mais. Cada vez que eu o via com suas groupies, meu coração se quebrava mais um pouco. Até o presente momento, era bem capaz que ele estivesse como o solo da Lua. Em um determinado momento da música, senti ele se aproximar de mim. Abri meus olhos e cantei diretamente para ele. Aquele momento mágico sempre gerava um frenesi na multidão. Acredito que os fãs viam o verdadeiro amor brilhar em meus olhos. Pena que somente Brandon não via. Mas nossa performance era muito bem elaborada e dirigida exatamente para alucinar o público.


DangeRock Por que você não me enxerga? Você não vê que eu desejo seu toque? Que eu derreto por você? Minha pele deseja seu afago, com a mesma intensidade que uma flor deseja chuva. Eu ainda permaneço aqui de qualquer forma. Ainda permaneço exatamente aqui. Com o som de sua guitarra circulando as veias do meu corpo, meu vocal alcançou a potência máxima que sugeria noites de luxúria e amor correspondido. Brandon chegava bem próximo e, com um sorriso no rosto, passava o nariz delicadamente no meu pescoço. O público não via, mas eu sentia seu sorriso antes de ele depositar um beijinho delicado. No momento que se afastava, eu ainda cantava olhando para ele, insistindo com meu olhar para que nos desse uma chance. E a música terminava assim. Com esse clímax. O público ia ao delírio. Os gritos eram ensurdecedores. Eu podia sentir minhas lágrimas se formando. Todas as vezes eram assim. A emoção criada naquele momento trazia minhas fantasias à tona. O carinho dos fãs, os gritos emocionados, o amor incondicional. Nossa banda, antes High Rocker, agora era conhecida nos quatro cantos do país como DangeRock. No meu íntimo, sempre teria a imagem de nós ali na garagem da casa do Phil, ensaiando para valer. Estávamos em turnê pela primeira vez em nossa carreira. O que começou na escola evoluiu para um sucesso imenso que nos rendeu até mesmo uma indicação ao Grammy. Tudo bem que não ganhamos, mas pelo menos estivemos lá. Minha voz era comparada à de Christina Aguilera, Leona Lewis e outras. Uma voz rouca, potente e com acordes variados e mistos. Eu poderia cantar uma balada ou um som mais pop de maneira igual. Meus garotos eram o máximo. Era assim que a mídia se referia a eles. Num apelido carinhoso, eles se tornaram os garotos de Eve. E eu era comparada à primeira mulher da criação. Uma piada hilária, claro. De majestosa e sedutora eu não tinha nada. Eu me escondia por trás do meu visual completamente avesso à moda. Meus cabelos, antes longos e castanhos, agora eram descoloridos e com tons variáveis. Nessa época, eles estavam lilases. Minhas roupas eram pretas ou com apenas uma tonalidade de azul para entremear. Minhas unhas estavam sempre pintadas de preto ou azul e suas

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M.S. Fayes diversas variações. Talvez para compensar meu coração e tentar recriar os olhos azuis de Brandon. Eu desfiz a imagem de boneca de porcelana. A não ser que fosse uma boneca de porcelana gótica. Sabe a história do patinho feio? Eu havia virado um cisne. Um cisne negro. Abaixei minha cabeça quando as luzes se apagaram. Mais um show se acabara. ***

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Enquanto eu seguia em silêncio para o camarim, podia ouvir as risadas das groupies enlouquecidas por um momento com os garotos. Bem, eu tinha que confessar que todos eram lindos. A esquisitice da adolescência deu lugar aos homens volumosos que agora faziam as fantasias das mulheres. Os caras derretiam as calcinhas por onde passavam. Nesse quesito, eu não sentia ciúmes do sucesso deles. Sentia apenas um vazio. Enquanto eles se aventuravam por todas as variações de sotaques disponíveis na língua, eu ficava sozinha no meu quarto. Nosso ônibus de turnê era uma zona de guerra. O quarto era meu, claro. Exigência deles. Ou isso ou eu viajaria sempre de avião. Eles me tinham como a adorável irmã caçula. E cuidavam de mim tal qual irmãos superprotetores pentelhos do caralho. Às vezes, eu sentia falta da van com a qual costumávamos transitar pelas estradas. Era muito mais emocionante e aconchegante. Não havia espaço para as putarias que rolavam agora. Aquilo estava realmente me irritando. Eu queria um pouco mais de liberdade. Eu queria espantar o vazio. Eu queria sentir aquilo que eu cantava. Eu queria explorar. Eu queria ser feliz e esquecer ao menos por alguns momentos que meu coração nunca seria completo. Vi quando Brandon saiu com duas garotas a postos. Ele me deu um sorriso safado e eu respondi com apenas um leve esgar dos meus lábios. Filho da puta. — Evie — uma voz me chamou de trás. Eu vi e arregalei os olhos quando identifiquei o astro da FunBock, Mitchell Clay. Oh... uau! Ele era bem mais bonito ao vivo. Cabelos negros e compridos, olhos verdes penetrantes, um físico invejável. — Oh... oi... — Mitch — disse ele.


DangeRock —Sim. Eu sei — respondi e sorri quando ele levou minha mão aos lábios. Oh, um roqueiro charmoso e cavalheiro. — Será que poderíamos trocar uma palavrinha? — ele perguntou e sinalizou para seu segurança que estaria comigo no camarim. — Ah, claro — eu disse. Abri a porta do meu camarim e peguei uma garrafa de soda gelada que fora deixada para mim. Passei a mão em meus cabelos suados e com um lápis fiz um coque rápido no alto da cabeça. Eu nem havia percebido que ele estava me observando. Quando peguei seus olhos firmes em mim, senti meu rosto adotar tons de rosa. Ele se sentou na poltrona preta e confortável, enquanto eu seguia até a bancada e pegava uma fruta. — Você aceita alguma coisa? — perguntei educadamente. — Não, obrigado — ele disse, e seus olhos ainda estavam concentrados em mim. Ajeitei-me na poltrona ao seu lado e dobrei uma perna para baixo do corpo, ficando de lado para ouvir o que ele queria conversar. Eu precisava disfarçar de alguma maneira que me sentia nervosa com ele ali. — Então? — perguntei enquanto mordia a maçã. — Eve — ele falou sério. — Eu venho acompanhando a carreira de vocês já há algum tempo e realmente me impressionei com as performances que vocês têm executado. Eu sorri envaidecida. Isso era a glória de um roqueiro. Ser reconhecido por outro de porte muito maior que o seu. E Mitchell Clay estava na escala top dos tops. Aos 34 anos de idade, já tinha arrebanhado mais prêmios que muitos cantores, em apenas 13 anos de carreira. — Uau. Ficamos felizes por estarmos atingindo essa proporção — eu disse. — Sério. Eu não tomo parcerias por pura escolha — ele falou e sondou meu rosto. — Fiz uma escolha recente e gostaria de saber se você estaria interessada. Larguei a maçã quase inacabada e me concentrei no que ele queria me dizer realmente. Meu coração martelava em meu peito. — Queria que vocês acompanhassem a turnê da FunBock em todo o país. E queria muito que você cantasse uma canção em parceria comigo — ele disse de supetão. Posso dizer como fiquei? Completamente catatônica e sem fala. Mitchell

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Clay me solicitava para uma canção em dupla? Como assim? Ele só fazia dupla com grandes nomes do mundo da música. Oh... uau... Ele me achava bacana o suficiente para isso? — Diga alguma coisa — ele falou. — Alguma coisa? — tentei brincar. Nós dois rimos enquanto eu tentava fazer meu cérebro funcionar de maneira coerente. — É verdade? Tipo... Não é uma pegadinha? — Aproximei-me dele e, com meus dedos, puxei a pele do seu rosto. — Isso não é uma máscara de Mitchell Sensacional Clay e alguém tentando me pregar uma peça? Ele agarrou minha mão, não a deixando cair de seu rosto e apertou meus dedos em sua mandíbula barbeada. — Não. Sou eu mesmo — ele disse e deu um sorriso “derruba coração”. — Minha banda concorda plenamente que vocês têm estilo próprio e são muito inovadores em termos de som. Sua voz é poderosa o suficiente para fazer um cara ter um orgasmo só de ouvir. Oh... uau... Essa foi embaraçosa. Tentei soltar a mão. Ele não permitiu. Meu rosto devia estar da cor de um tomate bem maduro. — Não falei com intenção de ofender — ele disse apologeticamente. — Apenas me expressei em termos mais evidentes. — Nossa! — suspirei. — Nem sei o que dizer. — Quanto à proposta ou quanto ao orgasmo? — ele brincou. Eu ri deliciada. Era uma sensação nova vestir essa minha faceta mais sexy. Meus garotos sempre me viam como uma menininha. Os fãs me viam como um ser mágico e intocável. — Os dois — eu disse e me levantei. Senti a ausência de sua mão na minha. Fiquei de costas para ele e, quando se levantou e colocou as duas mãos em meus ombros para chamar minha atenção, a porta do camarim se escancarou. ***

DangeRock - M.S. Fayes - divulgacao  

Eve McGannon lidera a banda “DangeRock” desde adolescente. Sua voz atrai multidões como um ímã, da mesma forma que sua timidez a impede de c...

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