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www.expansao.sapo.ao Sexta-feira, 6 de Julho 2012 | Número 173 | Directora Executiva Nilza Rodrigues Subdirector António Nogueira | Preço Kz 400

Entrevista Ministro de Cabo Verde prioriza turismo sénior P38

Opinião Alves da Rocha Martin Wolf

Gadgets Guerra entre Apple e Samsung P24 BANCA

NOVAS REGRAS CAMBIAIS

BNA aperta o cerco à fuga de divisas O banco central avança com medidas explícitas quanto à transferência de divisas para o exterior. As novas regras relativas a importações, exportações e reexportações serão apresentadas aos agentes económicos na pró-

O V I US L C EX

xima terça-feira pelas autoridades envolvidas no processo, nomeadamente o Banco Nacional de Angola, o Serviço Nacional de Alfândegas e os ministérios da Economia e do Comércio. Uma das principais novidades é

que os pagamentos de compras ao exterior têm de ser feitos exclusivamente através de transferência bancária e com recurso a divisas solicitadas ao BNA pelos bancos comerciais por indicação dos importadores.| P2

Fundo de Garantia de Depósitos ainda este ano | P14 FINANÇAS PESSOAIS

Cheques electrónicos prometem reduzir fraudes | P16 FUNDADOR DO VC4AFRICA

Ben White fala sobre negócios online em África | P30 PROVÍNCIA

Feira do Uíge reúne mais de 500 expositores | P36

Walter Fernandes

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EXPANSÃO

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OPINIÃO AGENDA

ESTRATÉGIA

Angolapodereceber 4,6milhõesdeturistas Angola poderá atingir, até 2020, a meta de 4,6 milhões de turistas e 1 milhão de postos de trabalho directo, prevendo-se que as receitas neste período atinjam os 4,7 mil milhões USD, afirmou há dias o vice-ministro da Hotelaria e Turismo, Paulino Baptista, citado pela Angop. Para o governante, o sector da hotelaria e turismo tem conhecido um crescimento considerável nos últimos anos, tendo passado de 61 hotéis e 2822 quartos em 2008 para 155 hotéis e 7956 quartos em 2012.

Traçada meta para erradicar analfabetismo O Executivo angolano tem como uma das suas prioridades declarar o país livre do analfabetismo até 2025, com a implementação do Plano Estratégico para a Revitalização da Alfabetização, anunciou, em Luanda, o ministro da Educação, Pinda Simão. Segundo o ministro, desde os primórdios da independência nacional que a alfabetização constitui uma prioridade das prioridades do Executivo. Neste compromisso, disse, o Estado nunca esteve sozinho, as igrejas e a sociedade civil organizada sempre estiveram ao lado do Governo dando o seu melhor com maior ou menor dificuldade, com o propósito único de lutar para a erradicação do analfabetismo.

Novas centrais vão gerar 80 megawatts Duas novas centrais térmicas, com capacidade nominal para gerar de 80 megawatts, estão a ser instaladas na cidade do Lubango, província da Huíla, cuja previsão para entrada e m funcionamento está aprazada para Agosto próximo. A informação foi prestada à Angop, pelo director provincial de energia e águas, Abel João da Costa. Afirmou que as bases para instalação dos grupos geradores da central térmica da Arimba estão prontas, aguardando pelo material que deve chegar ao País no dia 20 deste mês para gerar energia.

Edson Horta Docente universitário

A estratégia de marketing como factor crítico de sucesso

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ctualmente as empresas não devem produzir sem antes conhecer as necessidades e os desejos dos consumidores, pois deste modo a empresa poderá conceber e oferecer produtos ou serviços que satisfazem de forma antecipada as necessidades e os desejos dos clientes, porque sabemos que, por um lado, as necessidades dos clientes mudam constantemente e, por outro lado, os produtos já não se vendem por si só como acontecia na era industrial, considerando que naquela era os mercados não eram dinâmicos como os actuais. Por esta razão, para ser competitivo, hoje é preciso agregar valor aos produtos ou serviços, e um dos meios para agregar valor pode ser através da publicidade, que é parte do marketing, ou então através da diferenciação pelo preço, custo e foco. Através do marketing, a empresa liga-se mais aos clientes, pois divulgará aquilo que efectivamente produz, mas é importante também ter em consideração que nem toda a campanha publicitária aproxima a empresa aos clientes, pois uma péssima campanha publicitária, em vez de ter um efeito positivo sobre o aumento das vendas, poderá diminuir as vendas, e isto acontece quando a campanha publicitária é realizada por pessoas que não são profissionais na produção de eventos publicitários. Muitas vezes, as empresas não querem gastar muito dinheiro com empresas renomadas na área da publicidade e que normalmente prestam um melhor serviço. Outras empresas procuram ser elas mesmas a desenvolver as suas campanhas publicitárias, mas não é recomendável, pois é aconselhável que a empresa se concentre nos seus pontos fortes e nas operações que sabe fazer melhor e assim passar para terceiros as actividades que não estão ligadas ao seu core business, para reduzir custos e aumentar a competitividade. É nesta perspectiva que muitas empresas fazem investimentos significativos em campanhas publicitárias contratando empresas especializadas, para produzir campanhas publicitárias que estimulam o consumo, bem como para criar necessidades aos clientes. Peter Drucker considera que “criar necessidade deve ser a principal preocupação da empresa”, e através da publicidade as empresas criam-nos necessidades. Por exemplo, antes de ser criado o iPad, quem tinha necessidade de ter um iPad? Mas hoje, fruto dos grandes eventos publicitários, observamos que as pessoas querem ter um iPad. Isto mostra claramente que a empresa Apple criou uma necessidade tecnológica, e aqueles que têm recursos financeiros para tal poderão eventualmente adquirir este produto para satisfazer a necessidade de ter um iPad. Uma empresa que queira ter vantagem competitiva deve necessariamente seguir este caminho, que através de pesquisas de mercado criará produtos ou serviços inovadores e deste modo sustentará a sua vantagem competitiva conquistada através da inovação e criatividade. É claro que para estar a este nível é preciso investir profundamente em pesquisa e desenvolvimento (P&D) e também deve existir dentro da empresa um ambiente que favoreça o surgimento de novas ideias, e isso só é possível se esta for a visão dos líderes que dirigem a empresa. É do nosso conhecimento que muitas vezes o clima empresarial é influenciado pela visão que o líder tem sobre o comportamento humano nas organizações. Algumas empresas do nosso País têm adoptado boas estratégias na área de marketing, e um bom exemplo disso são

as práticas de marketing da empresa Refriango, que tem investido muito em publicidade e em alguns casos tem surtido efeitos positivos, pois as marcas que são criadas têm tido bom desempenho no mercado angolano, excepto a N´ice Tie e a Red Cola, que parecem ser produtos que ainda não granjearam grande simpatia por parte dos clientes angolanos. Mas o fracasso destas marcas parece que tem sido suplantado pelo sucesso de outras marcas da mesma empresa que já competem com renomadas marcas. Um exemplo disto é o sumo Nutry, que tem conseguido competir com os sumos portugueses e sul-africanos Compal e Seres, pois o sumo Nutry é favorecido por alguns factores: é um produto nacional, tem uma embalagem que chama a atenção e apresenta preços competitivos. A capacidade de inovação e de investimento em eventos publicitários e de associar as suas marcas à realidade do nosso País representa o factor crítico de sucesso da empresa Refriango. Entendemos como factores críticos de sucesso, do ponto de vista da gestão, aqueles elementos que permitem que a empresa agregue valor aos seus produtos, bem como aqueles que proporcionam vantagem competitiva, como, por exemplo: a reputação,

3,3

32,8

biliões USD

Valor gasto pelo Governo angolano no processo de construção e modernização dos caminhos-de-ferro de Luanda, Moçâmedes e Benguela, segundo o ministro dos Transportes, Augusto da Silva Tomás. Esse investimento enquadra-se no âmbito de uma estratégia global de desenvolvimento económico e social do País.

Entendemos como factores críticos de sucesso, do ponto de vista da gestão, aqueles que permitem que a empresa agregue valor aos seus produtos, bem como aqueles que proporcionam vantagem competitiva qualidade do produto, preço, diversidade de produtos, inovação e outros. Factores críticos de sucesso também podem ser aqueles atributos que são indispensáveis para o sucesso de uma empresa. É aqui que reside a sede da palavra crítica e não em outro sentido. É importante perceber que os factores críticos de sucesso variam de empresa para empresa, por exemplo, no caso de um supermercado, são factores críticos de sucesso: o preço, a qualidade e a diversidade dos produtos, o número de caixas que atendem os clientes, o tempo de espera durante o atendimento, a segurança, a localização do supermercado, a dimensão do parque de estacionamento. Estes são alguns exemplos que se enquadram muito bem no Hipermercado Kero, cujos factores críticos de sucesso estão associados às características que já mencionámos. Fruto da identificação dos factores críticos de sucesso, a empresa consegue perceber quais são os seus pontos fortes e em que pontos a empresa se deve concentrar para obter vantagem competitiva. Os factores críticos de sucesso são também um dos elementos a ter em consideração no momento da elaboração e implementação da estratégia empresarial.

mil milhões USD

É o orçamento do Programa de Investimentos Públicos (PIP) de Angola, em execução desde 2003 e que deverá vigorar até final deste ano, conforme indicam documentos do Ministério da Economia. Cerca de um terço desta verba (30,8%), especificam os dados, correspondem à construção, reabilitação e manutenção de estradas e pontes em todo o País.


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SUSTENTABILIDADE

Pedro Luís Gomes Especialista de seguros

Riscos climáticos aplicados à agricultura

FOTO DO MÊS

– Necessidade de clarificar e difundir melhor os termos e definições utilizados em meteorologia e agrometeorologia; – Necessidade de continuar os programas de formação em análise de risco climáticos aplicados à agricultura com exemplos específicos para Angola; – Necessidade de difundir mais o uso da informação agrometeorológica. O que sinto em relação a isto tudo é que há de facto muito para se caminhar. Esta área da agrometeorologia é riquíssima e essencial para o nosso desenvolvimento agrícola.

Para a actividade seguradora, estes ensinamentos da agrometeorologia são muito importantes

Vi que o INAMET tem hoje já bons profissionais aptos a começarem a desenvolver e a publicar as primeiras análises agrometeorológicas. Para a actividade seguradora, estes ensinamentos da agrometeorologia são muito importantes, pois são eles que nos permitem ter consciência da tarifa adequada que deveremos ter em consideração quando estamos a assumir o risco de colheitas. Como é sabido, não é possível ter uma agricultura sustentada sem um sistema de seguros agrícolas adequado à nossa realidade. Não posso deixar de aconselhar, se me permitem, os nossos jovens estudantes universitários ou profissionais da meteorologia, a olharem para este caminho com muita atenção, pois não tenhamos dúvidas de que o mesmo é de sucesso garantido. Os agricultores precisam, as seguradoras desejam, a protecção civil pede. Mãos à obra, porque o tempo não pára! www.omundodosseguros.com

Uma imagem de dor em homenagem ao presidente Hosni Mubarak

Mohammed Salem / Reuters

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ecorreu na semana de 10 a 16 de Junho o curso de “Riscos climáticos aplicados à agricultura”, organizado pelo INAMET, no Kariango, província do Kwanza Sul, no projecto Terra do Futuro. Aparentemente tratar-se-ia somente de mais uma boa iniciativa no INAMET, em parceria com o projecto Terra do Futuro, onde a este louvável evento formativo iria-se associar a entrega das primeiras fazendas aos jovens agricultores, num financiamento significativo, por parte do BDA, bem como a assinatura do protocolo entre o INAMET e a PTF, SA. Aparentemente porque o curso em questão excedeu, de facto, todas as expectativas. O mesmo foi superiormente ministrado pelo prof. doutor Orivaldo Brunini a convite de outra ilustre figura da meteorologia mundial, o dr. Sérgio Ferreira, actualmente consultor do INAMET. Os participantes foram essencialmente pessoas ligadas ao INAMET, ao Ministério da Agricultura, ao Ministério do Ambiente, jovens agricultores, empresas privadas na área de prestação de serviços associados e seguradoras, onde se lamenta, infelizmente, só terem estado presentes a ENSA e A Mundial Seguros. As conclusões desse curso são de facto importantes para o nosso desenvolvimento agrícola e no qual deverá ser base de reflexão, a saber: – Falta de estudos detalhados do fenómeno seca, no território nacional e necessidade de melhorar o suporte técnico científico dos estudos já existentes; – Ausência efectiva de técnicos da assistência agro-pecuária e Protecção Civil nos programas de disseminação de informações agrometeorológicas e meteorológicas. O grupo em questão não se limitou somente a concluir como também levantou recomendações importantes, tais como: – Necessidade de melhoria da rede meteorológica promovendo uma expansão e distribuição mais adequada; – Necessidade de atribuir ao INAMET um papel mais activo na integração das redes já existentes dentro de padrões a serem estabelecidos; – Necessidade de desenvolver métodos de análise de riscos específicos para o território nacional; – Necessidade de dar suporte ao estabelecimento de programas de informações climáticas;


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NOVAS REGRAS CAMBIAIS COMBATE À FUGA DE DIVISAS É O OBJECTIVO

Revolução nas operações de comércio externo Quem não tiver os impostos em dia ou não respeitar a lei contra o branqueamento de capitais não vai ter acesso a divisas para pagar as compras de bens e serviços ao estrangeiro, de acordo com instruções do banco central que atribui aos bancos comerciais o papel de polícia, incluindo o de verificar se as mercadorias entradas ou os serviços prestados correspondem às divisas disponibilizadas. JOEL ANITO COSTA

Está em curso uma revolução nos sistemas de licenciamento e liquidação das operações de comércio externo. As novas regras relativas a importações, exportações e reexportações serão apresentadas aos agentes económicos na próxima terça-feira pelas autoridades envolvidas no processo, nomeadamente o Banco Nacional de Angola, o Serviço Nacional de Alfândegas e os ministérios da Economia e do Comércio. Uma das principais novidades é que os pagamentos de compras ao exterior têm de ser feitos exclusivamente através de transferência bancária e com recurso a divisas solicitadas ao BNA pelos bancos comerciais por indicação dos importadores. “Está expressamente proibido o pagamento de importações sem recurso às reservas internacionais”, lê-se no Aviso n.º 20/12 do banco central que entrou em vigor em 25 de Junho de 2012. Ou seja, a partir de agora, quem disponha de divisas não as pode utilizar, devendo comprar as divisas ao BNA através dos bancos. A venda de divisas não será sem condições. Doravante, as empresas têm de apresentar documentos que atestem que as divisas que saem do País servem efectivamente para o pagamento de mercadorias ou serviços comprados ao exterior nas condições e quantidades definidas na factura pró-forma e que a transacção trará benefícios para o País. Sob pena de serem proibidas de efectuar outras transacções. O papel dos bancos A tramitação do processo depende dos prazos de pagamento. Só as operações com prazo de pagamento superior a 1 ano a contar da data de embarque/desembarque correm no BNA. As restantes são da responsabilidade dos bancos. Para o efeito, os bancos comerciais são obrigados a verificar toda a documentação que comprova a legitimidade da operação. Por outras palavras, as instituições onde os agentes económicos têm as contas

domiciliadas e através das quais solicitam as divisas nos leilões do BNA passam a ser os polícias dos importadores. Os bancos devem entregar ao Banco Nacional de Angola, departamento de controlo cambial, até ao dia 15 de cada mês, a lista das operações de comércio externo para serem incluídas no sistema integrado de operações cambiais do BNA (SINOC). O prazo para começar a enviar estas informações no SINOC começou em Julho. O banco central deu instruções aos bancos comerciais para recusarem as operações de clientes que não cumpram com as regras estabelecidas, devendo comunicar ao departamento de controlo cambial os nomes dos agentes económicos nessa situação. Sob pena de serem as próprias instituições financeiras responsabilizadas caso se prove que estão a ser coniventes com práticas a margem da lei.

Doravante, as empresas têm de apresentar documentos que atestem que as divisas que saem do País servem efectivamente para o pagamento de mercadorias ou serviços comprados

Segundo João Fonseca, ex-vice-presidente do banco Keve e actualmente administrador executivo do Banco BAI, “as novas regras cambiais já não permitem que um cliente solicite uma transferência para pagamento de importações sem entregar todos os documentos comprovativos de que existe de facto uma mercadoria ou serviço por trás da operação”. “Situações em que se peçam divisas para pagar compras ao exterior de 1 milhão USD e as mercadorias que entram no País correspondem a apenas um terço do valor também já não serão possí-

veis”, reforça o gestor que falava durante a apresentação do caderno do banco Keve sobre normas cambiais que vai na terceira edição. São frequentes as denúncias de que em Angola são pagos ao estrangeiro valores que não correspondem a mercadorias entradas ou serviços prestados, o que configura fuga de divisas e branqueamento de capitais. O presidente da AIA, José Severino, defendeu em várias ocasiões a necessidade de um maior controlo sobre as transferências ligadas ao comércio externo alegando que as divisas saem com um determinado fim mas acabam por servir outros propósitos que em nada beneficiam o País. Estabilidade das reservas As novas regras visam salvaguardar a estabilidade das reservas externas líquidas num quadro em que a entrada de moeda estrangeira depende essencialmente do petróleo, uma matéria-prima muito volátil. Em 2010, último ano para o qual o BNA divulgou dados, Angola exportou quase 50,6 mil milhões USD de mercadorias, dos quais 49,4 mil milhões USD correspondentes a 97,4% do total foram petróleo. As exportações de serviços ficaram-se pelos 857 milhões USD. Segundo dados recentemente divulgados pelo banco central, as reservas brutas de Angola estão avaliadas em 33 mil milhões USD,que correspondem a 7,5 meses de importação. Este é o limite mínimo estabelecido pelo programa de governo do MPLA para o período 2012-2017. Em 2010, Angola importou 16,7 mil milhões de bens e 18,8 mil milhões de serviços. Outra justificação para a implementação das novas regras para as transacções cambiais ligadas ao comércio externo prende-se com o combate ao branqueamento de capitais e à fuga ao fisco. As operações relacionadas com o comércio externo são igualmente uma importante fonte de receitas para os bancos, representando cerca de 50% do total, segundo especialistas. Os clientes com maior capacidade financeira, como as petrolíferas, as con-

33 mil milhões USD valor das reservas internacionais brutas de angola que cobrem 7,5 meses de importação

50,6 mil milhões USD valor das mercadorias exportadas por Angola em 2010

97,4% peso da exportações petrolíferas em 2010

49,4 mil milhões USD Valor das exportações de petróleo por Angola em 2010

16,7 mil milhões importações de bens por parte de Angola

18,8 mil milhões Valor da importação de serviços por parte de Angola

cessionárias automóveis, as empresas de construção civil e as distribuidoras de alimentos, entre outras, estão envolvidos em operações de comércio externo. As novas regras cambiais vão permitir reforçar a componente externa no negócio dos bancos que contam ainda com a ajuda da nova lei cambial para as petrolíferas, que vai obrigar estas empresas a fazer circular o dinheiro do petróleo pelos ban-

Vista parcial do porto de Luanda

cos nacionais. Com a subida do peso do comércio externo no balanço dos bancos, desce a importância das operações com o Estado que já chegaram a representar mais de 50% da carteira de negócios da banca. Não obstante a melhoria da gestão das finanças públicas, nomeadamente a redução dos atrasados, é fundamental que a banca mantenha uma certa independência dos negócios com o Estado, consideram especialistas. Pagamentos antecipados são excepção Outro alvo das novas regras cambiais são os pagamentos antecipados de importações, nomeadamente aqueles que excedem 100 mil USD. Pagamentos antecipados acima deste valor só serão permitidos nos casos em que isso seja uma prática da indústria, a mercadoria seja especifica-


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Lídia Onde

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mente fabricada para o importador ou de difícil aquisição em mercado alternativo. Adicionalmente, o beneficiário do pagamento não pode ser uma pessoa ligada ao importador, e o valor antecipado não pode exceder 2,5 vezes o capital so-

As novas regras relativas a importações, exportações e reexportações serão apresentadas aos agentes económicos na próxima terça-feira

cial do importador. O que na prática significa que para fazer pagamentos superiores a 100 000 USD é necessário ter um capital social superior mínimo de 40 mil USD, duas vezes o capital social mínimo exigido pela lei comercial para as sociedades anónimas. Isto para já não falar das sociedades por quotas, cujo capital social mínimo exigido por lei é de 1000 USD. Coincidência ou não, a verdade é que o Expansão apurou junto de fontes dos notários de Luanda que os pedidos para passagem de sociedades por quotas para sociedades anónimas e para aumentos de capital aumentou substancialmente nos últimos 12 meses. E espera-se que ainda aumente mais com a entrada em vigor das novas regras cambiais para as operações de comércio externo. Fora das novas normas ficam os pequenos importado-

res, já que as importações abaixo de 5000 USD não precisam de ser licenciadas pelo Ministério do Comércio. A papelada do importador As empresas importadoras de mercadorias de valor superior a 5000 USD devem estar registadas no Siminco – Sistema de Informação Integrado do Ministério do Comércio de Angola. Todas as operações de comércio externo têm de ser licenciadas pelo Siminco, sendo que cada licenciamento dá direito a uma transferência a ser efectuada por um banco comercial. A solicitação da transferência deve ser feita através de uma carta, onde conste o número de registo do importador e o número de identificação fiscal, acompanhada de uma factura pró-forma e documento único. Como referido anteriormente, os bancos têm de veri-

As novas regras visam salvaguardar a estabilidade das reservas externas líquidas num quadro em que a entrada de moeda estrangeira depende essencialmente do petróleo

ficar se os agentes económicos envolvidos em operações de comércio externo cumprem com a legislação sobre prevenção do branqueamento de capitais e financiamento do terrorismo, além das leis fiscais. Só depois vem a regulamenta-

ção cambial. O branqueamento de capitais e fiscal passou a sobrepor-se à questão cambial. Neste quesito, os bancos têm de verificar se o cliente que pede a transferência está na posse dos documentos que comprovem a legitimidade da operação. No caso dos pagamentos antecipados, o importador é obrigado a apresentar, ao banco através do qual efectuou a operação, o documento justificativo de entrada da mercadoria no País no prazo mais curto dos dois seguintes: 180 dias a contar da data de efectivação da operação cambial, ou 30 dias da data de entrada da mercadoria no País. Compete ao banco do importador a responsabilidade de verificar e assegurar ao BNA o cumprimento do prazo de entrega de documentos comprovativos da entrega de documentos comprovativos da entrada da mercadoria no País.


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Expansテ」o/ Anyforms Design

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NOVAS REGRAS CAMBIAIS

Entrevista João Fonseca

“Os bancos deverão orientar o cliente importador para a melhor solução” O especialista esclarece a respeito da importância das novas normas da política cambial e alerta que, face à entrada em vigor das mesmas, algumas empresas serão forçadas a aumentar capital social. JOEL ANITO COSTA

As novas normas da lei cambial trazem alterações importantes para a banca na relação com os clientes. Que inovações se podem notar na relação banca-cliente face à entrada de novas exigências da política cambial? Há um aumento na exigência por partedabancatendoemvistaassegurar o cumprimento das normas. Tal implicará que os clientes tenham também de ser bastante organizados ao solicitar a execução de operações ao seu banco. Para operações comerciais envolvendo invisíveis correntes, como sejam os contratos de gestão ou assistência técnica, recomenda-se que estes sejam elaborados por juristas de forma a assegurar a conformidade com a legislação em vigor e que o processo de licenciamento junto do Ministério da Economia ou do BNA seja feito no mais curto espaçodetempopossível.

“Angola depende essencialmente de um único produto de exportação, o petróleo, sendo do cumprimento das obrigações fiscais que advêm deste produto que as reservas internacionais são formadas”

ressadorelacionar-sedirectamente com esta instituição, diminuindo desta forma a intervenção dos bancos. Para o banco, é necessário apenas a apresentação da documentação quando o contrato for aprovado.Éimportante,noentanto, notar que a banca irá continuar a desempenhar um papel fundamental a montante do processo, pois terá de controlar se o pedido deoperaçãocambialrequerounão licenciamento.

Edson Chagas

Os bancos comerciais passam a ser cada vez mais o elo de ligação entre os empresários e o bancocentral? No caso dos pedidos de licenciamento junto do BNA, a banca continuaráadesempenharumimportante papel de interlocutor entre o clienteeoBNA.Mas,nocasodoslicenciamentos junto do Ministério da Economia, cabe ao cliente inte-

Quemodalidadesdepagamento passam a ser mais favoráveis paraosclientes? O novo aviso é mais favorável para as empresas que utilizam o pagamento antecipado, pois alarga as condições em que estes podem ser efectuados. Anteriormente, o pagamento antecipado de valores acima de 100 mil USD era possível apenascomaaberturadecartasde crédito. Agora, para além desta condição,podem,porexemplo,ser feitos mediante a apresentação de uma garantia bancária de boa execução pelo banco do exportador. Podem ainda ser feitos pagamentos antecipados mediante o cumprimento de outras condições, impondo-se, no entanto, uma nova regra de que o valor do pagamento não deverá exceder 2,5 vezes mais ovalordocapitalsocial. Para que tipo de empresas a entrada em vigor do Aviso n.º 20/12 sobre as operações cambiais força o aumento de capital? Para as empresas que queiram fa-

zer os pagamentos antecipados acima do limite, que não seja através da abertura de uma carta de crédito ou da prestação por parte do seu fornecedor de uma garantia, a nova regra deverá implicar que muitas delas tenham de fazer um aumento de capital. Acima de tudo, o importador tem de conhecerqueexistemalternativasaopagamento antecipado, que também garantem que não haverá pagamentodemercadoriassemqueestas sejam entregues: é o caso das cobrançasdocumentáriasedasremessas documentárias. Por isso, o aviso refere que os bancos deverão orientar o cliente importador na procuradamelhorsoluçãoemtermos de pagamentos com o exterior. Como entende a obrigação de que o pagamento de importações tem de passar necessariamente pelo recurso às reservas líquidasinternacionais? Por um lado, Angola depende essencialmente de um único produtodeexportação,opetróleo,sendo

“A nova regra deverá implicar que muitas empresas tenham de fazer um aumento de capital. Acima de tudo, o importador tem de conhecer que existem alternativas ao pagamento antecipado” do cumprimento das obrigações fiscais que advêm deste produto que as reservas internacionais são formadas. Por outro lado, o sector não petrolífero depende ainda essencialmente da importação de produtos e serviços. Como as empresas do sector não petrolífero não são exportadoras, não têm receitas directas em divisas, e portantoprecisamdeasadquirirjunto

do BNA por intermédio da banca. Quando BNA vende divisas aos bancosparaatenderemasnecessidades dos seus clientes importadores, tal implica uma redução das reservasinternacionais.Éumciclo queserepete. Outro regulamento importante éodecretopresidencialquefixa como data-limite para contratos de prestação de serviços com empresas estrangeiras 3 anos? Não é proibida a celebração de contratos por prazo superior a 1 ano.Oqueodecretorefereéqueos contratos devem estabelecer um prazoglobal,eéconsideradocomo sendo 3 anos o prazo máximo razoávelparaumcontrato.Opreâmbulo do próprio decreto presidencial que aprova este limite refere queaaprovaçãopréviapeloMinistério da Economia tem três objectivos: a protecção do interesse nacional, a promoção do desenvolvimento do mercado de trabalho e a racionalização dos recursos cambiaisdoPaís.


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OPINIÃO ANÁLISE

DITO

Os laços históricos de Cuba com África e Angola, em particular, tornam este país num baluarte da luta pela autodeterminação dos povos, com incidências significativas, sobretudo para os países da região austral do continente africano” João Lourenço Primeiro vice-presidente da Assembleia Nacional

“Hoje o povo egípcio estabeleceu as bases de uma vida nova, de uma liberdade total, de uma verdadeira democracia” Mohamed Mursi Presidente do Egipto

“Seremos severamente julgados pela História se formos incapazes de seguir o bom caminho. Desejamos adoptar compromissos que conduzam a acções que teremos de aprovar colectivamente” Kofi Annan [a propósito da situação da Síria] Enviado especial da ONU e da Liga Árabe para a Síria

“O Executivo está a trazer boas coisas, e todos estão a ver o comboio a circular, o que é uma vitória sobre a pobreza, porque vai trazer o desenvolvimento e a alegria para os filhos da região sul e de Angola inteira” Cândida Celeste Governadora do Namibe

” Conselho de Gerência Victor Fernandes, Sílvio Baptista e Adriano Carvalho Conselho Editorial Victor Fernandes, Sílvio Baptista, Carlos Rosado de Carvalho, Juvenis Paulo, Miguel Coutinho, Nilza Rodrigues, Raul Vaz e Verónica Pereira

Manuel Alves da Rocha Professor associado da Universidade Católica de Angola

Industrialização e diversificação da economia

O

s processos de diversificação das estruturas económicas estão muito correlacionados com a diversificação das exportações e com a industrialização dos países. Quanto mais elevados forem os índices de industrialização, melhores serão as condições para disputar a concorrência internacional, nos mercados internos e em diferentes segmentos dos mercados mundiais. Angola esteve sujeita a um processo violento de desindustrialização depois da independência, em 1975, tendo a participação do Valor Agregado Bruto industrial (indústria no sentido estrito, abarcando apenas a manufactura) atingindo uma cifra média, entre 1975 e 2000, de 3% do PIB global. A produtividade foi um dos segmentos onde o choque da desindustrialização maiores estragos provocou, com um valor médio, no mesmo período, de cerca de 3400 USD por trabalhador empregado. De resto, a baixa produtividade acabou por ser, também, um dos factores de desindustrialização do País. As empresas industriais – à época, na sua maior parte propriedade do Estado – funcionavam com índices muito baixos de eficiência económica, e a sua principal tarefa era a de preservar o emprego, à custa de transferências financeiras do Orçamento Geral do Estado.

Podem ser elencados alguns factores da desindustrialização em Angola entre 1975 e 20001: • As profundas distorções económicas introduzidas pelos princípios socialistas da gestão unificada, centralismo democrático e planificação administrativa. • O comportamento desfavorável da produção nacional – excepto a de petróleo depois de 1977 – logo depois da independência, como consequência da fuga de grande parte dos colonos portugueses. As quebras foram impressionantes: 68% no café, 80%-98%

Angola esteve sujeita a um processo violento de desindustrialização depois da independência, em 1975, tendo a participação do Valor Agregado Bruto industrial (indústria no sentido estrito, abarcando apenas a manufactura) atingindo uma cifra média, entre 1975 e 2000, de 3% do PIB global

em outras culturas agrícolas (em 1980 a agricultura supria, tão-somente, 12% das necessidades alimentares da população e 15% das necessidades da indústria transformadora), 72% na indústria transformadora2 (em 1984, existiam apenas 241 empresas na indústria transformadora, que empregavam 85000 trabalhadores), 85% nos diamantes, 20% no petróleo (só em 1976, a produção de 144 000 barris diários de 1973 foi retomada, depois do regresso das petrolíferas norte-americanas). • A continuação da guerra, tendo a partir de 1993 afectado entre 60% e 70% de todo o território nacional. • As severas limitações em recursos humanos, determinadas pelo êxodo dos técnicos e quadros portugueses e pela natureza do regime colonial, que só nos anos terminais estendeu a educação à população angolana.

Directora Executiva Nilza Rodrigues Subdirector António Nogueira Editores António Pedro, César Silveira, Francisco de Andrade Redacção André Samuel, Aylton Melo, Estêvão Martins, Joel Anito Costa, José Zangui, Juvenis Paulo, Pedro Fernandes, Ricardo João, Manuela Costa (Secretária de Redacção), Rui Gouveia (Revisão) Colaboradores Alexandre Frade Batista, Cândido Mendes Fotografia Edson Chagas (Subeditor), César Magalhães, Lídia Onde Exclusivos Diário Económico, Financial Times Departamento Gráfico Gilson Cássio, Marta Gregório Infografia Expansão/Anyforms Design Projecto Gráfico Económica/+2 designers Produção Ana Marques (Chefia), Artur Camarão, Carlos Martins, João Santos Tratamento de Imagem Samuel Rainho (Coordenador), Paulo Garcia, Tiago Maia Impressão Sogapal Distribuidora Score Media Direcção Comercial Tânia Vasconcelos (Directora), Carina Amuedo, Deolinda Oliveira, Telma Sonhi Direcção Administrativa e Financeira Sérgio Gama (Director), Egídio Francisco, Garcia José, Herlander Tomás, Julieta Paulo, Katila Denise, Rosa Ngola, Stanislau Pataca Contactos: 244 222 322 665 / 244 222 322 654 / 244 222 322 674 Fax: 244 222 443 453. Rua Damião de Góis, n.º 81 – Bairro de Alvalade, Luanda – Angola Contactos E-mail: expansao@scoremedia.co.ao / comercial@scoremedia.co.ao Representação em Portugal Estratégia Media Direcção-Geral Nilza Rodrigues Departamento Administrativo Amélia Saavedra Contactos +351 927747062 Registo MCS-520/B2009


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Apesar das abordagens que enfatizam a entrada de alguns países numa sociedade de lazer e de serviços, conhecida também por sociedade pós-industrial, a indústria continua a ser fonte de poder económico e a desempenhar um papel fundamental na organização dos territórios, na dinâmica das transformações dos sistemas produtivos e na criação de valor. Por isso, todos os países, independentemente do seu estádio de desenvolvimento, inscrevem nas suas agendas de desenvolvimento a industrialização. A geografia industrial mundial tem mudado muito desde 1980, mas com uma acentuação depois de 1990. Em 20 anos, portanto entre 1990 e 2010, ocorreram transformações profundas na hierarquia económica mundial. Alguns dos países emergentes são os responsáveis por estas fantásticas mudanças. O peso industrial da Europa (União Europeia, Islândia, Noruega e Suíça) diminuiu consideravelmente durante aquele lapso de tempo: de 36% passou para 24,5%, estando-se perante um processo acentuado de desindustrialização (ainda que relativa) induzida pela deslocalização das indústrias dos centros desenvolvidos para as periferias em desenvolvimento. Em 2011, a China tornou-se na primeira potência industrial do mundo, acabando com dois séculos de hegemonia dos Estados Unidos da América. O Brasil, actualmente a sexta economia mundial (segundo a classificação do Banco Mundial)4, ultrapassou a França na produção industrial, de acordo com o IHS Global Insight5. A Coreia do Sul está à frente do Reino Unido na capacidade de produção industrial, e a Índia apressa-se a ultrapassar a sua antiga potência colonial e imperial. A emergência de uma nova divisão internacional do trabalho, associada à globalização neoliberal depois de 1980 e às acentuadas dinâmicas de transformação a ocorrer em alguns países emergentes (com a China claramente no comando) explicam o extraordinário movimento de deslocação geográfica da produção, dos mercados e dos serviços que atrai investimentos, tecnologias e emprego6.

As lógicas da deslocalização das empresas multinacionais, embora mantenham como razão principal as diferenças de custos salariais, alicerçam-se num novo motivo dado pela procura das camadas sociais médias dos países da periferia, sustentada pelos crescentes aumentos do rendimento médio associados aos elevados índices de crescimento económico. Ao juntar-se a este raciocínio a constatação de que nos países industrializados do centro desenvolvido os rendimentos médios estão em processo de ajustamento em baixa provocado pelas crises orçamentais e de dívida soberana, entendem-se, claramente, as estratégias de deslocalização das multinacionais. E compreende-se, igualmente, que bastante do crescimento económico de países como a China e a Índia tenha como componente a exportação de produtos para satisfazer uma procura de padrão mais baixo nos países desenvolvidos (produtos de gamas médias e baixas). Esta nova divisão internacional do trabalho comprova, afinal, a teoria de Stephan B. Linder da sobreposição das procuras, ainda que os custos salariais continuem a contar como elemento definidor das vantagens comparativas de David Ricardo8. A estratégia que alguns países emergentes estão a seguir, no quadro da sua crescente afirmação na geografia industrial mundial, passa por negociações profundas e duras com as multinacionais estrangeiras para a transferência de tecnologia, um esforço sério de formação da sua mão-de-obra9 e uma política de constituição de empresas nacionais com perfil internacional. Em contraponto com estes desenvolvimentos e ajustamentos, está a Europa e mesmo os Estados Unidos, que se encontram seriamente afectados por períodos e processos de desindustrialização acentuados. Em dois anos, 2007 e 2009, a crise europeia destruiu 20% do valor da produção industrial10, com recuos diferenciados consoante os países: 15% na Europa Central e Oriental, 1/3 na Estónia, 1/4 na Letónia. Nos grandes países europeus as quebras igualmente se pautaram por registos impressionantes: 20% na Alemanha, 25% em França e mais de 21% na Itália, na Finlândia e na Suécia. Dir-se-ia que os países das grandes revoluções industriais estão afectados pela globalização do comércio, pela incapacidade de competir com os mais aguerridos países emergentes e por desequilíbrios internos que consequencializam margens de crescimento cada vez mais

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reduzidas. Naturalmente que esta intensidade de desindustrialização se reflecte no desemprego – um dos segmentos mais importantes da constituição de procuras internas sólidas, representativas e estimulantes do investimento. Desde o início da última crise financeira e económica – Outono de 2008 – e o final de 2010, a União Europeia assistiu à destruição de mais de 4 milhões de empregos industriais (11% dos efectivos totais empregados). E o cenário para 2012-2014 pode ser ainda pior, devido aos fortes impactos negativos dos programas de austeridade orçamental que a maior parte dos países da Zona Euro está a implementar com a finalidade de se tornarem sustentáveis as respectivas dívidas soberanas. 1 - Retirados dos primeiros resultados de um estudo mais global que tenho em mãos e intitulado “Industrialização/Desindustrialização/Reindustrialização em Angola: Problemas, Dilemas e Desafios”. 2 - Só entre 1975 e 1976 a produção industrial caiu 30%. 3 - Plano Director de Reindustrialização de Angola, Ministério da Indústria, Cadernos Económicos Portugal-Angola, Câmara de Comércio e Indústria Portugal-Angola, 1995, 180 páginas. 4 - World Bank – World Development Indicators, 2012. 5 - World Manufacturing Production 2010, www.ihs.com 6 - Entre 1990 e 2010, os lucros dos 220 maiores grupos europeus obtidos no estrangeiro obtidos nos países emergentes passaram de 15% para 24%. Ver Laurent Carroué, A Indústria, Alicerce de Poder, Le Monde Diplomatique Angola, Abril de 2012. 7 - A crise de rendimentos e o empobrecimento na Europa são uma oportunidade para os produtos de média e baixa gama provenientes da China e da Índia, o que explica a enorme procura em praticamente todos os países da Zona Euro. No entanto, estes dois países estão, do mesmo modo, a competir em produtos de alta gama, nos domínios das telecomunicações, indústria espacial, aeronáutica, comboio de alta velocidade, nuclear, indústria naval, etc. 8 - Guillochon, Bernard etKawecki, Annie – Économie Internationale, Dunod, sixiéme édition, 2009, e também Appleyard/Field/Cobb – International Economics, Fifth Edition, McGraw-Hiil International Edition 2006: “The Linder theory postulates that tastes of consumers are conditioned by their income levels; the per capita income level of a country will yield a particular pattern of tastes”. 9 - Já por algumas vezes escrevi e me pronunciei publicamente sobre a contradição inerente à opção doutrinária do MPLA e do Governo de se criar uma burguesia nacional endinheirada como forma de oposição a uma penetração exageradamente “violenta” das empresas e dos capitais estrangeiros. O mais importante era ter-se dotado o País de uma mão-de-obra, a todos os níveis, com elevadas qualificações e excelência de procedimentos, trabalho e produtividade. O retorno para o Orçamento do Estado seria muito maior, pois a maior parte desta burguesia nacional é improdutiva. 10 - A queda no valor bruto da produção industrial em Angola entre 1991 e 2000 foi de 21,6%.

Edson Chagas

• A gestão económica deficiente e políticas económicas totalmente inadequadas. • A obsolescência tecnológica dos equipamentos industriais, cuja idade média, de acordo com o Plano Director de Reindustrialização de Angola, era de 30 anos em 19903.

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EXPANSÃO

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EMPRESAS LSG SKY CHEFS TAAG ANGOLA

Novo serviço de catering a bordo Com uma capacidade de produzir até 10 mil refeições por dia, a LSG Sky Chefs TAAG Angola irá servir, numa primeira fase, as operadoras proprietárias. Contudo, o projecto visa estender-se a todo o mercado.

A LSG Sky Chefs TAAG Angola, vocacionada para o serviço de catering a bordo, começa as suas operações, no mercado angolano, a partir de 16 de Julho, servindo, numa primeira fase, os voos das transportadoras TAAG e Lufthansa. Segundo os responsáveis da empresa, determinou a criação da mesma a necessidade de melhorar a qualidade do serviço de catering a bordo, tanto das duas companhias como das restantes que operam no País. Grande parte das companhias estrangeiras que aterram no País, segundo o chefe das operações da empresa, Norbert Moog, transporta a comida do país de origem consumindo cerca de 7 toneladas que, calcula, poderia servir aos clientes. A referida realidade, a qualidade assegurada pelos responsáveis da empresa, é, em princípio, garantia de que grande parte das operadoras se tornará cliente da segunda empresa do sector no País (a outra é a Maboque). Fazendo fé nas palavras dos responsáveis da empresa, algumas destas operadoras aguardavam com expectativa pelo arranque da LSG Skt Chefs TAAG Angola. Relativamente aos preços a serem praticados, Nobert Moog garante que serão concorrenciais, sobretudo porque a LSG é das principais empresas do sector a nível mundial e pretende assegurar os clientes de outros mercados que voam para o País. O empreendimento possui uma capacidade de produção que pode variar entre as 6 mil e as 10 mil refeições por dia, numa área de 1750 m2. As instalações possuem uma estrutura envolvente de 2700 m2 e contarão com mais de 200 trabalhadores, entre os quais três

Lídia Onde

EUNICE SEBASTIÃO

expatriados que passarão o know-how aos nacionais. A LSG Sky Chefs TAAG Angola surge de uma parceria entre a empresa alemã LSG Sky Chefs, da companhia aérea alemã Lufthansa, e a transportadora nacional TAAG, com 40% e 35%, respectivamente. Os outros parceiros são a Angola Air Catering, com 20%, e a Empresa Nacional de Exploração de Aeroportos e Navegação Aérea (ENANA), com 5%. Foram investidos cerca de 12 milhões USD, dos quais mais

A LSG Sky Chefs TAAG Angola surge de uma parceria entre a empresa alemã LSG Sky Chefs e a transportadora nacional TAAG, com 40% e 35%, respectivamente

de 3 milhões foram canalizados para equipamentos técnicos. Em Angola, a LSG Sky começou a servir as caixas de refeições ligeiras para os voos domésticos da TAAG em Julho de 2011, na sequência da visita da chanceler alemã, Angela Merkel, que fez o lançamento da primeira pedra para a construção do empreendimento que arrancou no dia 12 de Agosto do mesmo ano. As instalações da empresa situam-se no Aeroporto 4 de Fevereiro.

Sobre a LSG Sky Chefs A LSG Sky Chefs é considerada um dos maiores fornecedores mundiais de serviços a bordo, incluindo o catering, equipamentos de bordo e logística em voos, bem como a gestão de serviços aeroportuários a bordo e afins. O grupo é composto de 148 empresas com 194 centros de atendimento ao cliente em 52 países. Em 2011, produziu cerca de 492 milhões de refeições para mais de 300 companhias aéreas em todo o mundo.

CIMENFORT

FERPINTA

SOMAGUE

720 mil toneladas

6 milhões USD

400 milhões USD

Capacidade de produção da nova fábrica de cimento da Catumbela

Previsão de facturação para o ano de 2012

Montante aproximado do total de contratos de empreitadas em Angola

A fábrica tem uma capacidade produção anual de 720 mil toneladas de cimento, mas a previsão para este ano está abaixo das 70 mil toneladas. No entanto, a capacidade poderá fixar-se entre 1100 e 1200 toneladas/ano em virtude do investimento que será feito na construção de um 2.º forno. A Cimenfort ocupa uma área de 150 hectares.

A Ferpinta calcula atingir a referida cifra por alento do investimento de 1,5 milhões USD na recém-inaugurada fábrica siderúrgica e metálica. Nessa unidade fabril de Benguela, a Ferpinta gerou 40 postos de trabalho, elevando para 140 o número de trabalhadores que a empresa possui no País. Em Angola desde 1997, conta agora com 3 fábricas, duas das quais em Luanda.

A construtora fortaleceu a sua carteira depois dos recentes contratos, como a conclusão do terminal internacional do aeroporto de Catumbela, no valor de 69 milhões USD. Realizará também a instalação de sistemas de navegação aérea e equipamentos, no valor de 54 milhões USD. Estes juntam-se aos que tem em curso no terminal doméstico Aeroporto 4 de Fevereiro (32 milhões USD).


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TABACO

BREVES

GII investe na capacidade dos distribuidores

ENSA assegura comitiva olímpica Os 37 elementos que compõem a missão angolana que vai participar nos Jogos Olímpicos, de 27 de Julho a 12 de Agosto, em Londres, Inglaterra, serão assegurados pela ENSA. A apólice de contrato de patrocínio contempla a cedência de seguros contra acidentes pessoais, bem como assistência de viagem, e é válido até ao dia 31 de Dezembro de 2013. O acordo de patrocínio foi rubricado no dia 2 de Julho entre o presidente do conselho de administração da ENSA, Manuel Gonçalves, e o presidente do Comité Olímpico Angolano (COA), Gustavo da Conceição.

A representante da multinacional Japan Tobacco International prepara-se para enfrentar a concorrência do sector e superar as 50 mil caixas comercializadas em 2011. Tem novos projectos orçados em cerca de 16 milhões USD.

DR

Pilotos da TAP obrigados a garantir voos para o País

Vuandaba da Cruz, administrador da GII

CÉSAR SILVEIRA

Com o objectivo de fortalecer a relação com os distribuidores dos produtos e informar as novas políticas e decisões da fábrica, a empresa que representa os cigarros da multinacional JTI (Japan Tobacco International) no País promoveu um encontro entre as partes no dia 30.06. Na ocasião, a direcção da Gerência Imobiliária e Investimentos (GII Lda.) informou os clientes da possibilidade de efectuarem crédito no BAI Micro Finanças em resultado de uma parceria da GII com a referida instituição bancária. “O valor dependerá da necessidade do cliente e da nossa capacidade de garantir o empréstimo”, explicou, acrescentando que o objectivo é garantir o crescimento dos distribuidores e, sequencialmente, da empresa. “Garantir o sucesso do cliente é garantir o nosso”, argumentou o administrador da GII Vuandaba da Cruz. Os clientes foram ainda informados sobre a decisão da JTI em aumentar o preço dos produtos e determinar a margem de lucro dos distribuidores, que, inicialmente, se manifestaram descontentes, enquanto Vuandaba da Cruz se mostrou preparado para as consequências. “Aumentar o preço de um produto não é fácil, porque o cliente perde margem e as vendas por norma registam alguma diminuição. Foi difícil informar, mas

conseguimos passar a mensagem. Esta decisão poderá criar uma lentidão no negócio de dois ou três meses, mas depois tudo voltará ao normal”, calculou. Continuando, o empresário argumentou que o importante é garantir a margem dos distribuidor. “Têm um lucro de 50 USD por caixa, que é bom, sobretudo porque é um produto de rotação rápida”, argumentou. Fernando Combe, que participou no encontro na condição de distribuidor dos produtos na província do Namibe, considerou “compreensível” o aumento do preço dos produtos, salientando a necessidade de os comerciantes nacionais estarem imbuídos na política do comércio. “É preciso termos em conta que o produtor e o importador têm custos de produção e importação que são elevadíssimos, por isso, não podemos pretender ganhar mais que estes. Temos, sim, de apostar em dinâmicas que nos permitam vender mais para ganhar mais.” Por outro lado, manifestou-se satisfeito pelo facto de existir cada vez mais aproximação entre produtores/importadores e distribuidores. “É salutar e julgo que estamos em bom caminho, as companhias começam a ter uma forma de interagir com os seus clientes de modo que estes possam melhor levar a imagem da marca para as suas localidades”, para depois realçar o encontro com a GII. “Das várias companhias que conheço, é a primeira a ter um

trabalho muito rápido e abrangente que deixa as pessoas sem dúvidas. Exerceu-se a democracia, porque os clientes tiveram a oportunidade de apresentar propostas de maneira a encontrar um denominador comum.” Uma das preocupações manifestadas pelos distribuidores dos cigarros da JIT tem que ver com a recepção dos produtos depois da facturação. Este atraso, segundo explicações de Vuandaba Cruz, deve-se tanto a burocracia para a recep-

“É preciso termos em conta que o produtor e o importador têm custos elevadíssimos, por isso, não podemos pretender ganhar mais que estes” ção do mesmo após a importação como a dificuldade na distribuição, pois é a empresa a fazê-la no sentido de reduzir os custos dos distribuidores com a transportação. Porém, garante, trata-se de uma realidade prestes a fazer parte do passado em virtude dos investimentos que estão a ser feitos no aumento de stock e na compra de viaturas para a distribuição do produto nos diferentes pontos do País.

A concorrência do tabaco Por outro lado, o gestor considerou forte a concorrência no mercado no que diz respeito a venda de cigarros, tanto entre as fábricas como entre as representantes das diferentes marcas. “É um negócio muito lucrativo, e onde há dinheiro há muita concorrência, por isso é preciso trabalhar com muita inteligência”, disse, adiantando ter conhecimentos de que mais marcas se preparam para entrar no mercado. Actualmente a GII representa três marcas da JTI, nomeadamente Aspen, Camel e LD, e prepara-se para ainda este ano introduzir uma quarta. O mercado conta ainda com as marcas da British American Tobacco Angola e da Barco Trading. Estas duas, no entanto, já produziram localmente, contrariamente à JTI, que se prepara para produzir localmente assim que o mercado oferecer condições, segundo Vuandaba da Cruz. “Para garantir uma produção local, o tabaco deve ser produzido localmenteenãoimportado,devidoaoriscodeapodrecer,porissoé que algumas empresas interromperam a produção. A JTI está preparadaparaproduzircáassimque as condições permitirem porque sabe que deve acompanhar a concorrência”,adiantou. A relação da GII com a JTI iniciou em 1997 com a importação de um contentor de Aspen que é actualmente o produto mais comercializado, seguindo-se o Camel e depois o LD, que foi lançado em 2011, ano em que a empresa terá comercializado cerca de 50 mil caixas de todas as marcas.

O sindicato dos pilotos da TAP marcou greve para os dias 5 a 8 de Julho, assim como de 1 a 5 de Agosto, mas nestes dias os pilotos estão obrigados a assegurar, entre outros, os voos entre Lisboa e Angola como resultado da decisão do Conselho Económico Social (CES). O referido conselho foi chamado a arbitrar o desentendimento entre o sindicato e a administração da empresa relativamente aos serviços mínimos no período de greve. Porém, ao invés dos actuais dez voos semanais apenas serão feitos dois, sendo que entre 1 e 5 de Agosto passam para três. Os pilotos terão ainda de assegurar os voos mínimos para o Brasil, Suíça e França.

Vinhos portugueses facturam 16 milhões EUR No primeiro trimestre do ano em curso, o mercado angolano valeu 16 036 milhões EUR aos produtores de vinho, representando um crescimento de cerca de 40% face ao período homólogo anterior. A informação foi prestada pela ViniPortugal em véspera da 4.ª Grande Prova Anual de Vinhos Portugueses no País que aconteceu no dia 5 de Julho e na qual participaram mais de 82 empresas produtoras e cerca de 350 referências de vinho. Em 2011, o mercado angolano valeu 72 milhões EUR.


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ECONOMIA & FINANÇAS BANCA

País terá Fundo de Garantia de Depósitos ainda este ano Neste momento, o banco central trabalha na regulamentação do instrumento, que representa uma peça importante para a credibilização do sistema bancário, para posterior apreciação do Executivo. FRANCISCO DE ANDRADE

O que levou à constituição do FGD Desde a crise económica e financeira de 2007/2008 e a crise da Zona Euro, os governos e os bancos centrais decidiram implementar o Fundo de Garantia de Depósitos para servir de plataforma de resgate aos bancos comerciais. O instrumento é normalmente controlado pelo banco central e

“É um trabalho que está a correr, e a seu tempo nós traremos a público os resultados. O que queremos agora é continuar a fazer uma abordagem interna”

Edson Chagas

O governador do Banco Nacional de Angola (BNA), José de Lima Massano, revelou, em entrevista recente ao Expansão, que o País pode contar, ainda este ano, com o Fundo de Garantia de Depósitos, escusando-se, no entanto, a avançar o valor do mesmo. De acordo com o n.º 1 do banco central angolano, neste momento, está a ultimar-se a regulamentação para a operacionalização do referido fundo, que deverá posteriormente ser submetida a apreciação do Executivo. “É um trabalho que está a correr, e a seu tempo nós traremos a público os resultados. O que queremos agora é continuar a fazer uma abordagem interna. A nossa intenção é termos o Fundo de Garantia de Depósitos operacional no decurso do segundo semestre deste ano”, afirmou Massano, sem avançar mais detalhes. O Fundo de Garantia de Depósito é uma peça importante na credibilização do sistema que proporciona, também, segurança aos clientes bancários.

José Massano, n.º 1 do banco central, garante que tudo está a ser feito para que o Fundo de Garantia de Depósitos esteja operacional neste semestre

pelos Ministérios das Finanças, de acordo com as normas de cada país. Assim, todos os bancos comerciais que operam no mercado devem contribuir anualmente para o fundo, dependendo do capital social ou do volume dos depósitos, assim como da carteira de clientes. Falando a respeito ao Expansão, o macroeconomista do Ministério do Planeamento Cristóvão Neto explicou que a constituição do Fundo de Garantia de Depósitos visa evitar que o Governo ajude directamente os bancos a resgatarem os “seus péssimos empréstimos ou maus investimentos”, sendo que o mesmo servirá exclusivamente para preservar o capital dos ordinários depositários, de forma a não perderem os seus investimentos (dinheiro) feitos junto dos bancos. “Com isto, evita-se que o Governo gaste milhões na recuperação de certos bancos”, pontualizou. Por outro lado, acrescentou Cristóvão Neto, o Fundo de

Garantia de Depósitos servirá ainda como um indicador importante para monitorizar o comportamento dos bancos. “Os bancos que recorrerem ao fundo de garantia automaticamente revelariam os seus estados de liquidez, apesar dos testes de stress que deverão ser exigidos regularmente”, esclareceu. Como funciona o fundo Como já referido, o Fundo de Garantia de Depósitos funciona junto do banco central, através de uma conta onde os bancos comerciais devem fazer os depósitos de um valor dependente do porta-fólio de clientes e do capital social. Na eventualidade de os bancos comerciais enfrentarem dificuldades de liquidez, o resgate será feito através do fundo de garantia de forma a salvaguardar o dinheiro dos depositários e do sistema financeiro do País, em particular. O fundo obriga assim as instituições bancárias a adoptarem procedimentos mais respon-

O Fundo de Garantia de Depósitos servirá ainda como um indicador importante para monitorizar o comportamento dos bancos

sáveis na gestão dos recursos em sua posse. As experiências dos Estados Unidos da América e de outros países do mundo mostram que os bancos comerciais não tiveram prudência na gestão dos recursos dos depositários nos períodos antes da crise. Por outro lado, verificou-se vários “abusos” por parte das referidas instituições, sobretudo na

utilização aos recursos de resgate para os bancos em dificuldades de liquidez. Deste modo, os governos destes países acabaram por ser defraudados pelos próprios bancos. Nesta ordem de pensamento, o Fundo de Garantia de Depósitos visa essencialmente prevenir, dentre outras, a intervenção directa do Estado no resgate dos bancos, assegurar o dinheiro dos depositários, a estabilidade do sistema financeiro do País, reduzir a intervenção directa do Estado sobre o resgate aos bancos em dificuldades de liquidez e monitorar a situação financeira dos bancos. O Fundo de Garantia de Depósitos garante o valor dos depósitos até um limite que é fixado para cada depositante, quer sejam residentes ou não, em cada instituição de crédito. O mesmo abrange todos os tipos de depósitos, nomeadamente, à ordem, com pré-aviso, a prazo, a prazo não mobilizáveis antecipadamente, em regime especial.


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ECONOMIA & FINANÇAS Angola pode ser a maior economia de África até 2016 Angola pode ultrapassar a África do Sul, actual maior economia do continente, segundo projecta a Economist Intelligence Unit (EIU) num relatório recente intitulado “Para Dentro de África: Oportunidades Emergentes para Negócios”. Segundo a EIU, Angola deverá registar, entre 2012 e 2016, um crescimento que superará os 5%, enquanto Moçambique, outro país lusófono, deverá crescer, no mesmo período, entre 7,5% e 10%, estando também, por isso, no grupo dos 10 mercados africanos com maior potencial de crescimento. De acordo com a consultora, embora o peso do continente na economia mundial seja ainda pequeno (apenas cerca de 3%), África vai tornar-se cada vez mais importante nos negócios internacionais.

Sonangol no aumento do capital social do Millennium BCP A Sonangol vai participar no aumento do capital social do Millennium BCP, refere um comunicado da empresa a que a agência portuguesa Lusa teve acesso. De acordo com a nota, a petrolífera angolana destaca que tomou conhecimento “com agrado” do plano aprovado pelo conselho de administração do banco português, no âmbito da operação de recapitalização com recurso a investimento público e privado.

Exploração de ouro na Jamba e Kuvango A exploração de ouro nos municípios da Jamba e Kuvango, província da Huíla, arranca em breve, segundo avançou, há dias, o governador Isaac dos Anjos. De acordo com o governante, o Executivo vai apostar numa exploração susceptível de implantação no País de uma indústria de ouro, sem descurar a actividade artesanal. Sem avançar dados sobre as quantidades e qualidade do produto, esclareceu que haverá uma abertura do mercado para investidores nacionais e internacionais interessados na extracção deste minério. Pontualizou que, neste momento, os trabalhos de prospecção estão em fase de conclusão.

FINANÇAS

EMIS inova sistema de pagamentos Dados avançados apontam para um crescimento dos usuários de caixas de pagamento automático, em 2011, na ordem dos 35%, enquanto o número de transacções efectuadas atingiu os 85%. MARCELINO VON-HAFF

A Empresa Interbancária de Serviços (EMIS) está a trabalhar na preparação do subsistema de compensação de cheques electrónicos e num novo sistema de débito directo que serão as próximas novidades do sistema de pagamentos angolano, avançou, há dias, em Luanda, o administrador executivo da instituição, Edgar BrunoCosta. O responsável, que falava ao Expansão à margem da 3.ª edição do Congresso Cards & Payments, explicouquecomissooscartõespré-pagos passarão a ser também instrumentos de débito que darão acesso aos cidadãos, em qualquer caixa de pagamento automático, a serviços financeiros, ainda que nãopossuamcontabancária. Considerou que a utilização dos cheques electrónicos vai reduzir “consideravelmente” a possibilidades de existência de fraudes, na medida em que a compensação passará a ser mais eficaz. “Já não será necessário ir até ao banco central com um bloco de cheques em mão e fazer a troca de cheques com o banco respectivo e depois ir para o banco de destino e fazer o depósito.Agoraaúnicacoisaqueo seu balcão deve fazer é scanar o cheque e mandar a imagem para a EMIS, que em seguida se encarregará de fazer a devida compensação. Isto vai, sem dúvidas, tornar o processo mais viável”, explicou EdgarCosta. Com os novos instrumentos, na visão do administrador da EMIS, abre-se a possibilidade de um nú-

mero considerável de angolanos terem acesso, de forma fácil, aos serviços bancários, embora possam não vir a ser na totalidade, mas sobretudo aqueles ligados à assistênciasocial. “Por exemplo, os novos serviços permitirão aos detentores de contas Bankita ter também cartões pré-pagos com valores reduzidos e, ao deixarem de transportar cédulas de dinheiro, evitarão o risco deseremassaltados”,indicou. Por sua vez, Pedro Abreu, chefe do gabinete de controlo de gestão da EMIS, fez saber que a taxa de crescimento dos usuários de caixas de pagamento automático, no

A utilização dos cheques electrónicos vai reduzir consideravelmente a possibilidade de existência de fraudes ano passado, cresceu na ordem dos 35%, comparativamente a 2010, enquanto o número de transacçõesefectuadasatingiuos85%, emcercade1600ATMespalhadas peloPaís. Já o gestor da unidade de Sistema de Informação Industriais e Consultoria (SINFIC), Jorge Miguel Bastos, referiu que as estatísticas mostram “claramente” que o nível de bancarização no País está a subir, assim como cresce, também, o nível de cartões activos.

César Magalhães

BREVES

Participantes no evento testam novos meios de pagamento

APOIO À ECONOMIA

BANC com carteira de crédito de 40 milhões USD Desde a última assembleia-geral, realizada no passado mês de Junho, o banco aumentou para 58,6 milhões USD o seu capital social, contra os 22 milhões USD anteriores. NÉLSON RODRIGUES

Acarteira de créditodoBancoAngolano de Negócios e Comércio (BANC) está avaliada em 40 milhões USD, revelou, há dias, em Luanda, o presidente do conselho de administração da instituição, José Aires, falando à margem da conferência subordinada ao tema “Banca: Veículo para o Desenvolvimento”, promovida pelo BANC no âmbito da participação da ins-

tituição na estrutura accionista da EGP-UniversityofPortoBusiness School. José Aires avançou igualmente que o capital social do banco foi reforçado, passando de 22 milhões USD para 58,6 milhões USD, após realização da assembleia-geral na última semana de Junho. Referindo-se à participação do BANC naquela que é tida como a maior universidade do Porto, o PCA fez saber que a capacitação dos recursos humanos e a criação de valores dentro da empresa constituem os principais objectivos da instituição que dirige. Conforme disse, é preocupação do BANC encurtar o tempo de resposta da instituição na sua relação com o mercado, sendo que neste âmbito o banco identificou caminhos tecnológicos que carecem de quadroscapazesdeadministrar. Entretanto, esclarece que não se trata propriamente de uma entrada da instituição na estrutura accionista da Universidade do

Porto, como se diz em alguns círculos. “A relação com a maior universidade do Porto é no sentido de encontrarmos os nossos objecti-

O BANC possui actualmente cerca de 10 mil clientes, 90% dos quais instituições empresariais, e 16 agências em todo o País vos, que passam pela satisfação cadavezmaiordosnossosclientes emcurtoespaçodetempo”,frisou. Por sua vez, Nuno Pereira, presidentedoconselhodedirecçãoda escoladegestãodoPorto,reforçou que a parceria entre as duas insti-

tuições visa, essencialmente, a melhoriadaqualidadedegestão,o que levará a aliar a competência teórica e a sabedoria científica da maior universidade portuguesa com uma interacção permanente comotecidoempresarial. “Pensamos nós que poderemos contribuirtambémparamelhorar a qualidade de gestão, ajudando a capacitar os quadros do BANC, num momento em que os recursos humanos constituem a base fundamental para a condução e robustezdosectorbancário”,sublinhou. Criadoem2007,oBANCpossui actualmente cerca de 10 mil clientes, 90% dos quais instituições empresariais, 16 agências distribuídas nas províncias de Luanda, Benguela, Huambo Huíla, Zaire, Cabinda e Cunene, assim como três centros de empresa. Até ao finaldoanoemcursoestáprevistaa abertura de mais cinco agências, segundo avançou ao nosso jornal, JoséAires.


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BANCA

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Os passos que se seguem à fusão entre os bancos

BIC garante créditos fiscais com incorporação no BPN Ao contrário do esperado, é o Banco Português de Negócios quem absorve o BIC. Isto traz vantagens operacionais e fiscais.

BIC vai cortar custos, em áreas como o pessoal e balcões.

Edson Chagas

Racionalizar meios, ter uma gestão integrada do negócio, eliminar custos e ter melhores condições para lidar com a “evolução do mercado nos próximos anos”. São estes alguns dos benefícios que o BIC enumera para defender a fusão dos dois bancos. A compra do BPN pelo BIC, concretizada finalmente este ano, sempre teve como pressuposto que as duas entidades não iriam permanecer independentes. Aindaqueodocumentonãoorefira explicitamente, a marca BPN foi perdendo credibilidade nosúltimosanos,comosproblemas financeiros e as investigações que ainda decorrem sobre a gestão do banco. Assim que o BIC concretizou a compra, um dos primeiros passos foi mesmo pôrfimàmarcaBPNnosbalcões.

A instituição liderada por Fernando Teles tomou uma decisão pragmática neste processo

MARIA ANA BARROSO e TIAGO FREIRE Exclusivo Diário Económico

A fusão jurídica do Banco BIC Português com o BPN, prevista para o mês de Julho, vai passar pela incorporação do comprador na instituição adquirida. Esta opção, prevista na lei, deverá permitir ao banco daqui resultante manter a dedução de prejuízos fiscais do BPN, nos próximos exercícios. Se fosse o BPN o banco incorporado – e logo extinto –, seria necessária uma autorização expressa do ministro das Finanças para que

Se fosse o BIC a “engolir” o BPN, para manter os créditos fiscais deste último seria preciso pedir autorização ao ministro das Finanças

tais créditos fiscais se mantivessem. Com esta fórmula, a entidade resultante da fusão poderá poupar na factura fiscal dos próximos exercícios, graças ao crédito fiscal a que o BPN tem direito, por vir de vários anos de prejuízos. O BIC concretizou recentemente a compra ao Estado do banco nacionalizado em 2008 e desde sempre manifestou a intenção de realizar a fusão dos dois bancos. No entanto, apesar de ser o BIC a instituição compradora, vai ser esta a sociedade integrada no BPN e não o inverso. No projecto de fusão das duas sociedades – a que o Diário Económico teve acesso – é referido que, “sendo a sociedade incorporante [BPN] integralmente detida pela sociedade incorporada [BIC] e, portanto, equivalente a fusão de qualquer uma delas na outra, opta-se pela incorporação do Banco BIC no BPN”. A justificar a decisão está o “menor impacto que a fusão terá, assim, nas rotinas e procedimentos próprios da actividade desenvolvida, atenta a maior dimensão relativa do segundo [BPN]”. Fora a dimensão, não é referida nenhuma outra razão. No en-

tanto, ao que o Diário Económico apurou, há também a vantagem fiscal. Até ao fecho da edição, não foi possível obter de Luís Mira Amaral, presidente do Banco BIC português, um comentário. No projecto de fusão é, no entanto, referido que, em simultâneo com a fusão, “será alterada a denominação social actual do BPN” para “Banco BIC Português”, ou seja, a denominação da sociedade que será tecnicamente extinta com a fusão. “Por razões de ordem logística, de marketing e comercial, é do interesse das sociedades participantes que, em virtude da projectada fusão, o BPN passe a

Crédito fiscal O crédito fiscal significa, na prática, que uma empresa que tenha prejuízos num exercício ganha o direito de, quando voltar aos lucros, ter um “desconto” na factura a pagar ao fisco. Esse crédito pode ser acumulado ao longo de vários anos e não pode ser esgotado num só exercício. O crédito fiscal, uma dedução do imposto a pagar, pode ser utilizado durante os cinco exercícios seguintes ao período em que foram registados os prejuízos.

adoptar a denominação social ‘Banco Bic Português’.” A sede da nova instituição será a antiga morada oficial do BPN, na Avenida António Augusto de Aguiar, em Lisboa. O BPN soma há largos anos prejuízos na sua actividade. Tal como está previsto no Código do Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Colectivas (IRC), “os prejuízos fiscais apurados em determinado período de tributação (...) são deduzidos aos lucros tributáveis, havendo-os, de um ou mais dos cinco períodos de tributação posteriores”. Em casos em que há uma “alteração de titularidade de, pelo menos 50%” ou , no limite, a extinção da sociedade (por incorporação noutra), diz a lei que “o ministro das Finanças pode autorizar, em casos especiais de reconhecido interesse económico, e mediante requerimento a apresentar na Direcção-Geral dos Impostos, antes da ocorrência das alterações referidas (...) que não seja aplicável a limitação aí prevista”. Ou seja, com a fórmula escolhida, os créditos fiscais estão assegurados, não requerendo autorização das Finanças. Não seria inédita a atribuição dessa autorização, mas desta forma a questão nem se coloca.

Aumento de capital de 1 milhão EUR É já no próximo mês que será realizada a fusão jurídica do BIC e do BPN. “Em resultado da projectada fusão”, o capital social será aumentado de 380 para 381 milhões EUR. Com a incorporação do BIC no BPN, os accionistas verão “trocadas” as suas acções por correspondentes acções na sociedade incorporante. Américo Amorim, através da Amorim Projectos, e Isabel dos Santos, através da Santoro Financial Holding, mantêm-se com 25% cada, seguidos de Fernando Teles, com 20%. Corte de custos de pessoal Metade dos trabalhadores e 70% dos balcões. Foi este o compromisso assumido pelo BIC quando acordou a compra do BPN. Será essa a base de trabalhodeLuísMiraAmaral,queirá, com a fusão, começar o trabalho de selecção de quadros e agências. Estes são, à partida, valores mínimos, não sendo, por isso, de excluir que se mantenham mais activos. As rescisões contratuais com os restantes trabalhadores serão custeadas pelo Estado, ficou ainda previsto. Outras poupanças de custos serão tentadas. Carteira de créditos O contrato que foi estabelecido entreoEstadoeoBancoBICPortuguêsprevêqueagestãodeLuís Mira Amaral possa escolher os créditos com que pretende ficar da carteira do Banco Português de Negócios (BPN). Esta escolha foi feita no início do ano, ainda antes da assinatura do contrato decompraevendadainstituição. O BIC pode, até 9 de Dezembro deste ano, devolver créditos no valorde75%dacarteira.Istoseas empresas financiadas não pagaremoqueédevido.


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ECONOMIA & FINANÇAS

Martin Wolf Exclusivo Financial Times

Thorning-Schmidt, primeira-ministra da Dinamarca, Van Rompuy, presidente do Conselho Europeu, e Durão Barroso, presidente da Comissão Europeia

Não é com cimeiras que se vai salvar o euro

A

União Europeia organiza, mais uma vez, uma cimeira para debelar a crise na Zona Euro. E, mais uma vez, não é provável que se encontre uma solução convincente. O fardo sobre os ombros dos líderes europeus, cansados e desiludidos, é pesado. Resta saber se ainda há esperança num triunfo. Como já referi noutras crónicas, é preciso uma solução politicamente exequível e economicamente viável. Ou seja, por um lado, capacidade para se alcançar um acordo entre governos responsáveis perante o eleitorado nacional e para sensibilizar os eleitores para a necessidade de aceitá-lo ou, pelo menos, de tolerá-lo – cerne das preocupações de Angela Merkel, líder proeminente da Zona Euro. Por outro, capacidade para oferecer aos eleitores alguma esperança no futuro para que estes elejam líderes preparados para defender a sua permanência na Zona Euro. Tendo presente estes critérios, consideremos três soluções possíveis: uma Europa federal, o statu quo e reformas circunscritas. As propostas em prol de uma união bancária e orçamental, através da emissão de eurobonds, a par de maior disciplina orçamental, visam resolver as actuais dificuldades de uma Zona Euro frágil. Estas medidas seduzem os defensores do ideal europeu e aqueles que preferem que sejam os outros a pagar as consequências de erros

passados. Mas também assustam e revoltam aqueles que julgam estar condenados a subsidiar a imprevidência de terceiros. Quem quiser “vender” tais propostas terá de argumentar que o todo é mais forte do que a soma das partes e que não se trata de obrigar a Alemanha ou a Holanda a resgatar os seus parceiros em apuros. A união faz a força e é isso que está em causa. Basta pensarmos que a saúde da Zona Euro no seu todo é muito melhor que a dos EUA. Juntos, os Estados-membros poderão beneficiar de taxas de juro baixas, à imagem do que acontece com os EUA.

É pouco provável que se chegue a acordo sobre a necessidade de “mais Europa”, mas, se tal acontecer, em última instância será um fracasso

O sistema bancário da Zona Euro também pode beneficiar se, em vez de uma garantia dada por governos fracos e apenas parcialmente soberanos, se acordar uma garantia colectiva aos bancos. Por último, o pior das crises orçamentais actuais acabaria por dissipar-se dando margem de manobra aos Estados-membros para gerir as crises nacionais mais prementes. Mesmo que aceitássemos a lógica acima explanada, pessoalmente, já não acredito que possa resultar – por três razões. Primeiro, a política é uma questão nacional e, à medida que a crise evolui, mais assim é. Segundo, dificilmente se pode alegar que os custos não vão onerar mais uns do que outros. Solidariedade precisa-se. Por último, os compromissos anunciados poderão, por estas mesmas razões, não convencer os eleitores europeus de que a união é irrevogável. É pouco provável que se chegue a acordo sobre a necessidade de “mais Europa”, mas, se tal acontecer, em última instância será um fracasso. Consideremos agora a manutenção do statu quo sem reformas adicionais, que se traduziria, muito provavelmente, numa série de crises: o resgate antecipado de Espanha, novos problemas com a Grécia, incapacidade para prolongar os prazos de pagamento da dívida pública italiana e, a qualquer momento, um acelerar da fuga aos bancos mais fracos. Dadas as necessidades de ajustamento na


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Fotos: Reuters

Angela Merkel, chanceler alemã

David Cameron, o primeiro-ministro britânico

Zona Euro, é muito provável que tais crises se prolonguem no tempo. A que ponto tal miséria é sustentável? Nesta questão até podemos atrever-nos a ser optimistas. Seria muito difícil sair do euro, na medida em que a incerteza se sobreporia a eventuais ganhos económicos e políticos. Também seria necessário criar uma forte tolerância para com a miséria, no entanto, essa complacência enfrentaria duas ameaças (interligadas entre si). Primeiro, a ameaça de desintegração do sistema político e de escalada do extremismo, como já aconteceu na Grécia. Segundo, a possibilidade de o sector público incorrer em incumprimento, daí resultando o colapso do sistema bancário. Não é provável que os principais países europeus continuem empenhados no euro no meio de uma crise desta dimensão, na medida em que ficariam à mercê de recessões colossais. A solução pressupõe que os parceiros estejam dispostos a recapitalizar os bancos para que o Banco Central Europeu (BCE) possa manter o seu papel de prestamista de última instância. A meu ver, seria o mínimo necessário para manter o rumo actual. Porém, importa sublinhar que este caminho é feito de miséria, não apenas nos países em dificuldades, mas também nos seus parceiros. Na minha opinião, a opção federal é excessiva, mas o rumo actual também fica muito aquém do necessário. Resta saber se é possível encontrar uma solução intermédia.

Mariano Rajoy, PM espanhol

Passos Coelho, o primeiro-ministro português

Creio que seria do interesse de todos, comparativamente ao colapso do euro. Eis os elementos fundamentais: planos claros e objectivos para resolver os problemas da banca, de preferência através dos credores e não de uma recapitalização assegurada por estados com grandes fragilidades orçamentais – abordagem que permitiria repartir melhor o sofrimento entre credores e devedores; um compromisso firme em prol de um ajustamento económico simétrico em toda

Na minha opinião, a opção federal é excessiva, mas o rumo actual também fica muito aquém do necessário. Resta saber se é possível encontrar uma solução intermédia

a Zona Euro, em vez do ajustamento actual, focalizado nos devedores; o reconhecimento por parte do BCE da sua obrigação em sustentar a procura; e financiamento condicionado, mas suficiente, para os governos empenhados nas reformas terem condições para gerir as suas economias e afastar situações calamitosas. A isto pode dar-se o nome de “statu quo positivo”. Não sendo o rumo desejável, talvez fosse politicamente exequível e economicamente viável. De que forma estas três opções divergem da posição dos principais Estados europeus? A Alemanha tem um compromisso retórico com soluções federais, mas não para já. Esta abordagem pode, no entanto, ser vista como um ritual iniciático imposto aos seus parceiros. Neste momento, quer funcione quer não, é preciso mais ajuda. A vontade de aceitar as perdas de quem concedeu crédito ao exterior e correu mal seria um começo – o “risco moral” (moral hazard) começa em casa. Assim como uma maior intervenção ao nível das políticas nacionais que, como alguns políticos já reconheceram, fazem sentido para a Alemanha, como salários mais elevados, procura mais forte e, inclusive, inflação mais alta. Os países deficitários teriam, contudo, de aceitar que não haverá um resgate federal. Não devem olhar para as cimeiras em busca de salvação, mas, sim, para si próprios. Tradução de Ana Pina


Bazuki Muhammad / Reuters

Gestão

FELDA GLOBAL VENTURES Operação com grande impacto na comunicação social mundial, a IPO da Felda Global Ventures, pela companhia estatal malaia Felda, foi o sucesso que o Facebook não conseguiu ser. Após ter angariado 3200 milhões USD de investidores como o fundo francês especializado em agricultura Louis Dreyfus, a companhia cresceu 20% na bolsa de Kuala Lumpur, logo no dia seguinte. A verba será agora utilizada na expansão territorial, designadamente para o nosso continente, num momento em que a Malásia já tem pouco terreno que o óleo de palma ainda não tenha conquistado. ALEXANDRE FRADE BATISTA

Há dias, o nome Felda tornou-se notícia mundial. Terceiro maior produtor mundial de óleo de palma e segundo maior refinador da Malásia, a Felda Holdings pretendia colocar a sua participada FGV em bolsa, numa operação pública inicial (IPO) de 3,2 mil milhões USD. A concretizar-se, seria a segunda maior operação do ano, após a do Facebook. No final de Junho, concretizou-se. A FGV tem a seu cargo cerca de 350 mil hectares de plantações de óleo de palma e produziu 5,2 milhões de toneladas de cachos no ano passado. A “casa-mãe”, Felda, ou Federal Land Development Authority, nasceu há 56 anos, com o intuito social de aliviar a pobreza e promover o desenvolvimento dos agricultores da Malásia então ainda em subdesenvolvimento, no período que se seguiu à independência face a Inglaterra.Estaestratégiaécomuma outras geografias, designadamente o

nosso País, onde contamos com o projecto Aldeia Nova. A agência criada pelo governo malaio conseguiu transformar áreas rurais pobres em novas zonas desenvolvidas, sendo actualmente um dos maiores operadores mundiais de plantações agrícolas. A base da sua produção é o óleo de palma, “espalhado” por 880 mil hectares de área agrícola, contando a empresa também activos em uma dúzia de países. No início, em 1956, o core da Felda era a borracha, numa área de cerca de 3000 hectares,masnadécadaseguinteogoverno malaio iniciou a diversificação das plantações, de modo a fugir aos efeitosdavolatilidadedopreçodaborracha.Oóleodepalmacomeçouaconquistar terreno em 1961 e hoje já é largamente maioritário face à borracha e ao açúcar. Para passar pelo crivo da Autoridade Federal para o Desenvolvimento Agrícola, os agricultores ne-


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cessitamderespeitaralgunscritérios,comoaidadeentre21 e 50 anos, boa capacidade física, serem casados e residirem na propriedade que lhes é atribuída. Para fixar as populações, o governo alocou recursos para construção de equipamentossociais,entreasquaiscentrosmédicoseescolas. Aolongodestes56anos,avalorizaçãodeterrenosparaoutros fins que não a agricultura tem permitido a reconversão de propriedades rurais (a venda tem de ser permitida pela Felda)eoenriquecimentodealgunsagricultoresporviadestenegócioimobiliário. Emmuitoscasos,famíliaspobresquereconverteramasua actividadeparaaproduçãodeóleodepalmaconseguiramultrapassar a pobreza e confessam-se em boa situação económica.Aprópriaentidade,Felda,iniciouinvestimentosforada agricultura,nomeadamentenabancadaMalásia(oMaybank é uma das participadas, sendo também um dos gestores na operação bolsista), e ganhou o estofo financeiro que lhe permitiuteragoraasegundamaioroperaçãobolsistamundialde 2012 com a Felda Global Ventures, terceira maior produtora mundialdeóleodepalmaemáreacultivada.

Operação-surpresa A oferta pública inicial (IPO) da Felda Global Ventures (FGV) nesta altura foi uma surpresa em vários quadrantes, sobretudo face ao valor que o governo da Malásia (accionistaquemanteráumaposiçãode40%)colocoucomoobjectivo. Os 3,2 mil milhões USD fizeram muitos questionarem-se sobre a viabilidade da operação, sobretudo por ainda estar bem vivo o conturbado processo do Facebook, única operaçãodoanoqueultrapassaestevalor.Tambémaretirada das IPO da londrina Graff Diamonds e ainda da Fórmula 1emSingapuracolocavamdúvidassobreotimingdogoverno da Malásia, no entendimento de alguns especialistas. O anúnciodaquebrade46%noslucrosnoprimeirotrimestre doanotambémajudouàsinterrogações. Chamadosforamdesdelogoalgunsinvestidores“anónimos” abonados e um lote de 12 investidores de elite – entre os quais Quek Leng Chan, um dos mais prósperos cidadãos malaios, a Qatar Investment Authority e ainda o Louis Dreyfus Commodities Asia, fundo especializado em agricultura e que chegou a ser apontado como futuro accionista de referência com 2,5% da FGV, mas que deverá ficar apenas com 0,5%, para já, devido à elevada procura pelo título FGV. Respaldado nesta “tropa de elite”, o executivo de Kuala Lumpur revelava esperança no sucesso da operação bolsista da companhia que garante 10% do óleo de palma consumido mundialmente. O envolvimento governamental e a liquidez do mercado doméstico seriam pontos a favor,admitia,antesdaconcretizaçãodaoperação,umfundo de Singapura, Samsung Asset Management. Após a concretização da operação, o sucesso foi imediato, não só pelo objectivo financeiro atingido, mas também pela escalada imediata de 20% do valor, residindo aqui a grande diferença face à única operação do ano de valor superior, a do Facebook, cuja cotação começou em queda logo na sessão seguinte à IPO.

O próximo passo OquadronaMalásiaépintadoavermelho,cordoscachosde óleo de palma. Ao fim de 50 anos de plantação promovida PUB

Bazuki Muhammad / Reuters

GESTÃO

Mohd Isa Abdul Samad, chairman da Felda Global Ventures Holdings Berhad, e Sabri Ahmad, o presidente e CEO da companhia

pela Felda, o país converteu-se no segundo maior produtor mundial, com um rendimento extraído deste fruto que soma 16,6 milhões USD anuais. Dentro de um par de anos não haverá mais terrenos vagos para o óleo de palma, alertam alguns especialistas. Esta colonização do espaço pelo óleo de palma leva também a protestos de ambientalistas, que alertam para a deflorestação e para o ataque aos habitats de espécies como orangotangos. Após a operação em bolsa, a FGV estará já a planear o alargamento ao downstream, com produção de químicos derivados do óleo de palma, por exemplo. De biscoitos a champôs, passando pelos pratos, o óleo de palma está um pouco por todo o lado, e a procuravaicrescendo. Comaangariaçãododinheirodosinvestidoresatravésda bolsa, a FGV procurará reforçar a expansão internacional, conquistando ainda mais terrenos na Indonésia e alargando ao Camboja e Burma. Também o nosso continente é há algumtemporeferenciadocomoumdosobjectivosdaFGV, quepretendetornar-senumdoscincomaioresgigantesdas commodities até ao final da década. “Vamos crescer oito vezes mais em oito anos”, promete o presidente da FGV, Sabri Ahmad. Em termos de mercado, a China e a Índia estão no centrodasatençõesparaacompanhia,dizoseupresidente, enquanto a Europa e os EUA (neste país, tal como no Canadá, tem plantações de soja e canola) ficam em segundo plano,pelomenorcrescimentodaprocura. Quanto às críticas dos proprietários, que ao longo destes quase60anosdeexistênciadaFeldaforampassandodapobreza extrema para a classe média (alguns nada tinham até que a agência governamental lhes facilitou o acesso a um terreno, casa e meios para fazer a sua própria plantação, alémdeescolaparaosfilhoseassistênciamédicaparatodaa família), os ecos têm sido menores desde a operação bolsista.Muitosforamouvidospelacomunicaçãosocial,eosseus comentários espelhavam a insatisfação e receio pelo que poderiaaconteceràFGVeàssuaspropriedadesaquandoda privatização. Quanto ao futuro da companhia, os analistas apontam o apoio do Governo à operação (foi o próprio primeiro-ministroquemfezoanúnciodaIPO)eofortecontributodaindústriadoóleodepalmanaeconomiadaMalásia. A crescente procura por alimentos (não só a população mundial cresce como também a vida em muitas geografias se torna gradualmente melhor) e o ganho de mercado do óleo de palma – desde 2005 que este ultrapassa a soja em

vendas, com forte ajuda da China, maior consumidor mundial – dão perspectivas de alavancar o negócio. Agora, consumada a IPO, aos muitos agricultores-accionistas, a Felda aconselha a não venderem de imediato as suas acções, apesar de muitos relatarem contactos de investidores que pretendem adquiri-las já. Prevê a Felda que a procura do mercadovaifazercrescerovalorbolsista. Ainda que consciente de que a economia global está a abrandar o crescimento, o presidente da Felda Global deixou (sem surpresa), em entrevista à CNBC, uma perspectiva animadora da performance para a companhia. “Resiliente à recessão” é como descreve o sector agro-alimentar. “Desde que a Índia e a China continuem a comprar óleo de palma, estamos confiantes de que os preços se manterão.” Apesar de o downstream ser uma opção para reforço, Sabri Ahmad diz que o foco continuará no upstream e que a companhia continuará apostada no óleo de palma, borracha e açúcar. Como seria de esperar numa operação que envolve umacompanhiaestataldadimensãodaFeldaGlobal,aclassepolíticaenvolveu-senodebate,comaoposiçãoaacusaro governo, que vai a eleições em Abril próximo, de apenas estarapromover-seaopermitiraosagricultoresarrecadarem deimediato500milhõesUSDporviadaprivatização.Adiscussão está lançada. O óleo de palma está em alta, na bolsa de apostas, mas será que a Felda Global Ventures suportará opesodaidadedassuasplantações,numamédiade20anos, face ao melhor rendimento de plantações com uma dezena deanosnoutrospaísesprodutores?

No final do último ano fiscal, terminado em Março, o EBITDA anunciado foi de 652 milhões USD, enquanto o lucro líquido foi de 652 milhões, para receitas de 2330 milhões USD. A companhia tem cerca de 19 000 funcionários em 300 plantações e 70 fábricas de transformação de óleo de palma. O sucesso da operação vê-se nas 58 526 candidaturas para 565 milhões de acções, 6,5 vezes acima do capital disponível. A operação rendeu 3232 milhões USD.


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GESTÃO

Apple consegue proibir venda do Samsung Galaxy nos EUA Tribunal da Califórnia conclui que o Galaxy Tab de 10.1 polegadas é “indistinguível” do iPad. A Samsung deverá recorrer da decisão judicial. SARA PITEIRA MOTA Exclusivo Diário Económico

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Apple venceu o primeiro round contra a Samsung, naquela que já é considerada a maior guerra de patentes tecnológicas. A partir de hoje, a Samsung está proibida de vender, nos Estados Unidos, o Galaxy Tab 10.1 polegadas, o principal concorrente do iPad. Para já, a decisão do Tribunal da Califórnia é temporária, e a Samsung deverá recorrer. Em causa está uma providência cautelar colocada pela Apple no âmbito de um processo a decorrer num tribunal americano, da Califórnia sobre o design do Galaxy Tab. A decisão entra em vigor assim que a Apple deposite os 2,6 milhões USD que servem de garantia. A verba servirá como uma compensação a entregar à Samsung caso venha a provar-se que a providência era desnecessária, de acordo com a agência Reuters.

“Não é coincidência que os últimos produtos da Samsung se pareçam bastante com o iPhone e o iPad, quer no hardware quer na interface”, defende a Apple, em comunicado. A decisão judicial é da responsabilidade da juíza Lucy Koh, que anteriormente já tinha rejeitado outros pedidos da Apple para proibir as vendas de vários tablets e smartphones da linha Galaxy, uma gama que a criadora do iPad e do iPhone acusa de copiar “descaradamente” o design dos seus produtos. Porém, desta vez, a juíza considerou que, “apesar de a Samsung ter direito a competir, não tem o direito de competir de forma injusta, inundando o mercado com produtos que violem [os direitos dos concorrentes]”. A decisão final foi tomada tendo em conta a baixa probabilidade que a Samsung terá de conseguir invalidar a acusação da Apple relativamente à patente do design.

Compensação

2,6 milhões A decisão do tribunal da Califórnia entra em vigor assim que a Apple deposite os 2,6 milhões USD que servem de garantia. A verba servirá como uma compensação a entregar à Samsung caso venha a provar-se que a providência era desnecessária.

O tribunal referiu ainda que o tablet de 10.1 polegadas da construtora sul-coreana é “virtualmente indistinguível” do iPad e, como tal, existe uma violação de direitos. “O design é fundamental na hora de comprar um tablet, logo por cada Galaxy Tab vendido a Apple estaria a ter prejuízos”, justifica o acórdão. Embora a venda esteja proibida nos Estados Unidos, a decisão judicial pode ser anulada num futuro próximo, uma vez que, ao que tudo indica, a Samsung irá apresentar recurso. No entanto, este não deixa de ser um duro golpe para a fabricante sul-coreana, pois enquanto a proibição se mantiver irá perder milhões de dólares em vendas. Ao invés, uma vez excluída uma das suas principais concorrentes naquele país, a Apple fica com o caminho aberto para manter a liderança do segmento de tablets, onde o iPad é campeão de vendas desde o lançamento em Novembro de 2010.


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Guerras em tribunal Março de 2011

A Samsung faz quatro acusações contra a Apple na Alemanha. Em causa estão as 4 patentes relacionadas com tecnologia WCDMA para telemóveis 3G.

Janeiro de 2012

A Samsung recorreu a uma estratégia comum na indústria e processou a Apple por violação de patentes. A jogada é uma resposta a um processo aberto pela multinacional americana, que acusa a sul-coreana de imitar o iPhone e o iPad.

O Tribunal Superior Regional de Dusseldórfia, na Alemanha, dá razão à Apple e proíbe a venda do Galaxy Tab 10.1 polegadas e 8.9 polegadas no mercado germânico.

Junho de 2012

Agosto de 2011 A venda de três smartphones Samsung Galaxy foi proibida em alguns países da Europa. O tribunal holandês de Haia emitiu uma decisão judicial preliminar à escala europeia contra os smartphones Galaxy S, Galaxy S II e Ace.

Setembro de 2011 Samsung processa Apple e quer impedir venda do iPhone 5 na Coreia do Sul.

Dezembro de 2011

O novo Samsung Galaxy SIII entrou no contexto das batalhas judiciais que já são comuns entre a Samsung e a Apple. A fabricante da Califórnia entrou com uma acção nos EUA para incluir o Galaxy SIII num processo já existente contra o Galaxy Nexus. A Apple decidiu examinar o smartphone da Samsung e concluiu que, tal como o Galaxy Nexus, o SIII apropriou-se de várias patentes da Apple e, como tal, a sua venda deve ser impedida no mercado americano. PUB


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EXPANSÃO UNIVERSIDADE Quarenta e cinco mil novos estudantes ingressaram, em 2012, nas diferentes unidades orgânicas do ensino superior do País, informou a ministra do Ensino Superior e da Ciência e Tecnologia, Maria Cândida Teixeira. A governante fez este pronunciamento quando procedia à abertura da I Conferência do Ensino Superior, tendo realçado que actualmente existem cerca de 195 mil estudantes no ensino superior no País. Essa cifra, sublinhou, representa um aumento de cerca de um terço, representando mais de um terço do número estabelecido nas metas do Executivo. Este aumento, ressaltou, só foi possível devido ao investimento efectuado pelo Executivo ao nível das infra-estruturas de ensino superior no País, com vista a uma maior absorção da população estudantil. Reconheceu, na mesma esteira, o esforço dos seus parceiros do sector privado que muito tem contribuído para a expansão e melhoria do ensino superior no País.

“Temos muitos estudantes universitários, mas a maioria são maus porque ainda recorrem a cábulas, estão em busca de um título e não de conhecimento, e um País não se desenvolve com títulos” Bruno Chitanda Estudante do 3.º ano d ePsicologia da U. Jean Piaget

“As escolhas de cursos deviam ser precedidas por uma avaliação vocacional quer pessoal quer por uma entidade vocacionada. Isso evitaria a mobilidade dos estudantes de curso em curso com um enorme desperdício de tempo e dinheiro” Alcaz Gomes Estudante de Administração Pública da UAN

Lídia Onde

Ensino superior regista ingresso de 45 mil novos estudantes

O IFBA é a instituição que forma quadros especializados para o sector bancário nacional FORMAÇÃO ESPECIALIZADA

Universitários e pós-graduados representam 50% da banca nacional O papel do capital intelectual no desenvolvimento do sistema financeiro nacional foi discutido, recentemente, em Luanda, pelos profissionais da banca, num evento organizado pela Escola Nacional de Administração (ENAD). ANDRÉ SAMUEL

O sector bancário é dos mais bem servidosdecapitalhumanoformado nas universidades angolanas em relação aos restantes sectores que suportam a economia nacional, revelou administrador do Banco Nacional de Angola, Manuel António, apontando que 49,8% dos colaboradores da banca são pós-graduados e estudantes com frequência universitária, num universo de 15 676 funcionários. Nesta sequência, sublinhou que o sector bancário é composto de 2931 licenciados e pós-graduados que correspondem a uma taxa de 18,7%dototaljáapontado. Os dados estatísticos apontados pelo quadro sénior do BNA referem-se, igualmente, aos 12 642 jovens bancários com idades compreendidasentre20e35anos,pois estes representam actualmente 77,5%. No ranking de instituições bancárias,oBancodePoupançaeCrédito, o maior banco comercial do País, é o que mais emprega estudantes universitários, liderando, desta forma, a lista com 4029 quadros,quecorrespondema25%,seguido pelo Banco de Fomento Angola, com 2038 colaboradores, representando13%. O agora Banco Angolano de Investimentos (BAI) detém 9,7% no ranking de instituições bancárias que mais empregam estudantes

universitários,com1526colaboradores. O administrador do BNA defendeu que a massificação do ensino superior, hoje, contribui qualitativamente para um futuro bancário promissor e encorajou a intensificação da cooperação trilateral entre as universidades, o Estado e o sector empresarial, “visando a satisfação da procura em novos serviços,produtosetecnologias”. Evolução das empresas vs. capital humano A evolução das empresas está ligada também à evolução do conhecimento humano, que, por sua vez, se tem tornado uma ferramenta essencial neste processo, segundo o presidente da Associação Angolana de Bancos (ABANC), Amílcar Silva. Entretanto,advertequetaldesideratosóépossívelcasooscolaboradores se adaptarem à actualização do presente contexto, face aos desafios, e as organizações investirem em formação e qualificação profissional. A necessidade de formação, na óptica de Amílcar Silva, transformou-se numa palavra de ordem maisrecorrenteemtodososdiscursos, desde os gestores aos técnicos nacionais. Explica ainda que é, no entanto, necessário avaliar qual o efeitoeaimportânciaqueelatraduz noincrementodacompetitividade, umavezqueéimportanteanalisara formaçãocomoumaferramentade importânciaestratégica. “Seaceitamosqueaspessoassão o factor crítico para o sucesso dos

bancos, então chegaremos à conclusão de que a formação pode constituir uma via de investimento nas pessoas e de desenvolvimentodesuascapacidades”,disse. O presidente da ABANC defendeu que a formação não deve ser encarada como um custo, porque estasignificaumaumentodacompetitividadeatravésdavalorização das pessoas, desde que enquadrada numa estratégia empresarial e orientada para objectivos muito precisos.

BPC, BFA e BAI lideram o ranking de quadros em formação nas universidades angolanas Sublinhou que o investimento na formação é ideia que transparece nas opções estratégicas do Governo, através do Plano Nacional, onde para o sector da Educação surgem, entre outros, os objectivos de assegurar a formação dos recursos qualificados necessários ao desenvolvimento da economia, e desenvolver o ensino técnico profissional, assegurando a sua articulação com o ensino médio e superior, e com o sistema de formação profissional.

Desenvolvimento de capital humano A banca nacional começou a fazer investimentos nos seus colaboradores, da base ao topo, há 20 anos quandoreconheceuanecessidade de desenvolver os seus serviços. Nesta altura, começou a dotar os quadros de novas competências, quer em termos técnicos, quer em termos comportamentais, segundoopresidentedaABANC. “A competição implica uma utilização mais completa e ajustada das capacidades e das motivações dos recursos humanos e neste campo a opção pela formação foi fundamental”, justificou. Para Amílcar Silva, uma das razões que podem explicar o facto acima é o Programa de Modernização das Instituições Financeiras (PMIF), iniciado em 1992, onde se desenhou, em harmonia com o processo de abertura do sector bancário, a criação do Instituto de Formação Bancária de Angola (IFBA). Nesta vertente, e de acordo comoadministradordoBancode Comércio e Indústria, Leão Peres, em Maio de 2009 o Instituto de Formação Bancária de Portugal (IFB), no âmbito do projecto de reestruturação do IFBA, financiado pelo Banco Mundial, propôs para o sistema financeiro angolano um novo paradigma educacional assente no princípio de “aprendizagem ao longo da vida”, com resultados já visíveis como a formação de quadros da banca angolana dotados aos desafios da globalização.


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GESTÃO

Dizer a verdade a quem manda Colunista do Financial Times

Podemos discordar nos detalhes, mas teremos de ultrapassar essas diferenças ainda neste fim-de-semana e tomar uma decisão sobre os passos a dar. As nossas políticas para resolver a crise falharam sucessivamente. É urgente encontrar uma resposta que funcione – e rapidamente

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magine o leitor que esta noite, na reunião do Conselho Europeu, o primeiro-ministro italiano se dirige aos seus pares nos seguintes termos: “Sr. presidente, caros colegas. A escolha é simples: ou salvamos o euro hoje e lançamos as fundações para uma futura união política, ou estrangulamos o euro e goramos ambas as hipóteses. Todos sabemos o que é preciso fazer para salvar o euro: uma união bancária para Espanha, uma união orçamental p ara Itália e uma união política para a Alemanha. “Podemos discordar nos detalhes, mas teremos de ultrapassar essas diferenças ainda neste fim-de-semana e tomar uma decisão sobre os passos a dar. As nossas políticas para resolver a crise falharam sucessivamente. É urgente encontrar uma resposta que funcione – e rapidamente. Se fracassarmos, não poderei manter-me neste grupo e o meu país terá de abandonar este projecto.” Antes de mais, não acredito que Mario Monti diga tal coisa, nem sequer numa versão mais encriptada. Afinal, é o líder de um governo técnico. Fazer frente a Angela Merkel ou apostar o futuro de Itália ultrapassa as suas competências. Os partidos políticos italianos nomearam-no porque precisavam de um canalizador para suceder ao playboy, e não de um apostador. A última coisa que queriam era um líder. Acredito que há espaço para uma aposta calculada, no entanto, importa perceber muito bem quais são os riscos e as recompensas. Ora, isto não passa por denunciar o bluff de Angela Merkel, como alguns amigos espanhóis e italianos tanto desejam. Até porque Merkel não tem feito bluff – apesar de a desagregação da Zona Euro ter consequências catastróficas para a Alemanha. Joschka Fischer, ex-ministro dos Negócios Estrangeiros, disse recentemente que, se a Alemanha permitir

a desintegração da Zona Euro, isso significa que, pela terceira vez num século, infligirá à Europa e a si própria uma devastação total. Quando houver pressão para uma ruptura, esta virá de Itália. Na semana passada, Silvio Berlusconi declarou que sair do euro não é uma blasfémia e elencou alguns cenários: Itália é resgatada, a Alemanha sai, ou a Itália sai. Quando isso acontecer, talvez já seja demasiado tarde para salvar o euro. Os líderes da Zona Euro tiveram mais de três anos para (re)agir e desperdiçaram-nos. Podem ser pessoas inteligentes a título individual, mas enquanto grupo demonstraram um extraordinário grau de iliteracia económica e financeira. Recordam-se da contracção orçamental expansionista? Ou da ideia absurda de alavancar o fundo de resgate? Ou de envolver os investidores privados numa base voluntária? Alguém acredita que poderão fazer tudo bem num dia quando fizeram tudo mal nos últimos três anos? A única esperança que nos resta é que alguém de dentro desafie Angela Merkel e vete as propostas evasivas que, uma vez mais, vão dominar o Conselho Europeu. Que credibilidade poderá ter uma união política no futuro se não formos capazes de salvar o euro no presente? Chegámos a um momento crucial e ninguém está mais bem posicionado para fazer frente à chanceler alemã do que o primeiro-ministro italiano – inteligente, eloquente e um dos últimos insiders da máquina europeia. Itália é o próximo país na mira dos mercados, e a União Europeia não tem um plano B. A ameaça de demissão, além de credível, assustaria muita gente. O que tem a perder? A sua popularidade está em queda e já perdeu o apoio de parte da coligação governamental. Mario Monti só poderá salvar o seu país – e o euro – dizendo a verdade a quem manda. Tradução de Ana Pina

Fabian Bimmer/Reuters

Wolfgang Münchau


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CIÊNCIA PALEONTOLOGIA

Neandertais, os primeiros artistas rupestres Uma nova datação confirma que as pinturas em cavernas no Norte de Espanha têm pelo menos 41 mil anos de idade, 10 mil anos mais do que se pensava, fazendo delas os mais antigos exemplares dessa forma de arte. E, mais importante, a antiguidade das imagens pode indicar que os neandertais foram os seus autores. BENJAMIM CARVALHO

Um estudo publicado na revista Science trouxe novas informações sobre as pinturas rupestres mais antigas já identificadas – 50 pinturas em 11 cavernas no Norte da Espanha –, feitas há mais de 40 000 anos, possivelmente por neandertais, parentes próximos do homem moderno. Até ao momento, as pinturas encontradas na caverna de Chauvet, no Sul da França, eram as mais antigas: entre 28 000 e 40 000 anos atrás. Uma equipa de arqueólogos ingleses, espanhóis e portugueses aplicou uma nova técnica de datação baseada nas proporções dos isótopos de urânio e de tório nas camadas de milímetros de calcite que cobrem as pinturas, mais preciso que a do carbono 14 – a única utilizada até agora em análises estilísticas – e ainda com uma vantagem adicional: requer apenas 10 miligramas de mineral, pelo que se torna menos destrutiva. O urânio permite, com efeito, datar elementos minerais enquanto o carbono 14 se limita à matéria orgânica – facilmente contaminável por agentes externos – como o carvão de madeira que os “artistas” da gruta de Chauvet utilizavam como lápis. Mas nem todos os pintores da pré-história o utilizavam. Assim, graças a esta nova técnica, todas as obras murais podem agora ser datadas: mãos negativas feitas com ocre em pó, desenhos pintados com pigmentos naturais, gravuras, etc. Assim, a gruta de El Castillo, na Cantábria, tem pinturas rupestres de pelo menos 40 800 anos de antiguidade, o que as situa como as mais antigas do

As pré-históricas silhuetas de mãos impressas nas paredes das grutas espanholas são as pinturas rupestres mais antigas

mundo, segundo as novas datações. A investigação demonstra também que algumas das pinturas de Altamira, situadas 15 quilómetros a noroeste de El Castillo, têm o dobro da idade que se pensava: mais de 36 000 anos, e não 15 000 como se havia calculado anteriormente. Mas ao aumentar a antiguidade das pinturas rupestres aumentam também, inevitavelmente, as dúvidas sobre a autoria dessas obras de arte primitivas. Quem pintou as grutas? Ainda não é possível afirmar com certeza a autoria das pinturas, dado que, mesmo assim, a datação é ainda frágil, mas a possibilidade de que tenham sido feitas por neandertais anima os pesquisadores. Tudo depende das datas e, por enquanto, as novas datações obtidas nas cavernas espanholas estão no limite do período em que os primeiros seres humanos modernos chegaram à Europa (enquanto os neandertais já ocupa-

vam o continente 100 mil anos antes deles). No entanto, conforme frisam os arqueólogos do estudo, trata-se de uma idade mínima. O que dataram foi a capa calcária que recobria parte das imagens. Como o mineral está por cima das pinturas, a única certeza é que se depositou lá depois do trabalho do artista, pelo que as imagens foram feitas bem antes. Se alguma dessas datas for de 43 mil anos, por exemplo, quase certamente os autores das pinturas serão neandertais. A capacidade intelectual dos neandertais E enquanto ainda não se comprova se as descobertas na Espanha são realmente obra de neandertais, outras possibilidades são estudadas, como a hipótese de que elas teriam sido realizadas com a chegada do homem moderno à Europa, cuja evidência mais antiga data de há 41 500 anos. O neandertal desa-

pareceu da Terra há 40 000 anos. É muito provável que os nossos antepassados pré-históricos tenham desenvolvido mais ainda a sua inovação cultural, já no continente europeu, em competição pelos recursos com os neandertais. Sempre se considerou que foi a nossa espécie, a humanidade moderna, a autora dessas obras de arte primitivas, entre outras coisas porque quando muitas delas foram pintadas já tinham desaparecido os neandertais.

Com estas novas datações cai definitivamente por terra a ideia de que a mente neandertal era “inferior” à humana

Mas não há razão para negar a estes últimos a capacidade de pintar, para se afirmar que careciam da cultura simbólica necessária para fazê-lo. Essa impressão que punha em dúvida a capacidade intelectual dos neandertais mudou nos últimos anos, em parte graças à descoberta de pigmentos e pequenos objectos em zonas habitadas por neandertais. Os arqueólogos não podem assim descartar a possibilidade de que os autores não foram os nossos antepassados, mas a “outra” espécie humana que então vivia na Europa. Os neandertais, com efeito, já ali estavam quando os primeiros “humanos modernos” chegaram. A criação artística é um feito da evolução das capacidades cognitivas e do comportamento simbólico, e pode ser associado ao desenvolvimento da linguagem, realçam os investigadores. Conhecem-se vestígios de capacidade simbólica da humanidade moderna anteriores è sua chegada à Europa, como contas perforadas e cascas de ovo de avestruz decoradas de há 70 000 a 100 000 anos, encontradas em África, recordam os cientistas. A capacidade intelectual dos neandertais na Europa era similar à dos primeiros humanos modernos em África. É a conclusão a que chegou uma equipa de cientistas depois de analisar conchas marinhas perfuradas encontradas nas Cueva de los Aviones e na Cueva Antón, ambas em Múrcia, Espanha. Para além da sua utilização como adorno, a análise dos pigmentos encontrados junto às conchas sugere que tiveram uma utilização cosmética, que os arqueólogos consideram como uma conduta moderna e um pensamento simbólico característicos dos seres humanos modernos.

CIÊNCIA EM NÚMEROS

21 astronautas já morreram em viagens espaciais, sendo 17 homens e 4 mulheres. O Sol necessita de 200 milhões de anos para realizar uma volta completa em redor do centro da galáxia. Na nossa galáxia, a Vía Láctea, existem

200 000 milhões de estrelas. O diâmetro aparente do Sol e da Lua é igual porque o diâmetro do Sol é 400 vezes maior que o da Lua mas também está 400 vezes mais distante. A partir da altura das suas pirâmides, os maias determinaram que a duração do ano solar era de 365,2420 dias. Só se equivocaram em 0,0002 dias. A mais rápida ave terrestre é a avestruz, a qual, apesar de seu tamanho, pode correr à velocidade de 72 km/h quando necessário. A pele é responsável por cerca de 16% do peso corporal total de uma pessoa. Num adulto pesa mais ou menos 9 kg. Temos mais de 30 músculos faciais que nos permitem realizar expressões tais como: surpresa, alegria, tristeza ou choro. A temperatura do corpo não fica estabilizada em 37 graus o dia inteiro. Ela sobe para 37,2 às 5 ou 6 da tarde e vai caindo para os 36 graus durante a madrugada. Nas investigações para a obtenção de um novo fármaco de interesse comercial, os laboratórios sintetizam em média outros 10 000 desconhecidos. pelo menos


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ENTREVISTA Ben White

“A VC4Africa oferece apoio para a criação de negócios no continente” Um dos fundadores da VC4Africa (Venture Capital for Africa), a maior comunidade online de investidores, business angels e empresários que têm como objectivo desenvolver negócios no continente, fala desta sua iniciativa.


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empreendimentos VC4Africa “ Os encontram-se numa fase inicial e requerem investimentos entre 10 000 USD e 1 milhão USD

Texto ASSINATURA Fotos DR

Como conseguiram alcançar este sucesso online num continente que ainda se encontra numa fase inicial no acesso à Internet já para não falar no simples acesso a um serviço básico como a eletricidade? O acesso à Internet e às comunicações móveis está a aumentar em África a um ritmo incrível. Por exemplo, o crescimento na Nigéria é fenomenal. Existem cerca de 1000 milhões de pessoas em África, e de acordo com o ITU (International Telecommunication Union), 9,6% da população já tem acesso à Internet. Em alguns países as taxas de penetração estão a aumentar a percentagens de 3 e 4 dígitos. É simplesmente uma questão de tempo antes que a maioria da população africana tenha acesso à Internet seja via PC ou por móvel. Mesmo assim, os números actuais são significativos. Se 4% da população africana é empreendedora (definição dada por Andrew Mwenda do jornal Independent) – aliás, um número até conservador para um país como o Uganda – podemos verificar que já existem, potencialmente, 384 000 empresários que podem fazer parte da nossa rede. Igualmente pode traduzir-se num potencial de 384 000 empresas, criadoras de emprego, serviços e pagadoras de impostos. Se 16% da população seguir esta tendência, verificamos que existem cerca de 1,5 milhões de indivíduos que queremos que estejam conectados online. Combinado com o nosso público-alvo actual, temos assim 1,9 milhões de potenciais agentes de mudança que lutam para estabelecer empresas prósperas em todo o continente. No entanto, optamos por nos focar no subconjunto desta população, mas o potencial é real – estes empreendedores existem e estão a conectar-se cada vez mais rápido de uma forma nunca antes vista, e o seu número está predestinado a crescer exponencialmente. Nós juntamos estes empreendedores como fundadores líderes da nossa rede. Quantas pessoas integram a

vossa rede? A VC4Africa possui associados em 159 países e mais de 400 empresários registam os seus negócios online em mais de 30 países africanos. Os associados da VC4Africa também realizam encontros offline, nomeadamente através dos eventos VC4Africa Meetups e de reuniões informais que têm sido realizadas em mais de 35 cidades espalhadas por todo o mundo Em que região de África tem visto mais actividade? A VC4Africa tem 400 empreendimentos registados em mais de 30 países africanos. Verificamos muita atividade nos ditos “suspeitos do costume” como África do Sul, África Oriental (Quénia, Uganda, Ruanda e Tanzânia), Nigéria, Gana e Camarões. Mas vemos igualmente empresários a registarem-se em Moçambique, Somália, Etiópia, Sudão do Sul, etc. Mais não fosse, estamos convencidos de que somos testemunhas de uma verdadeira onda que está a varrer o continente e a penetrar todos os cantos. Os empreendimentos VC4Africa encontram-se numa fase inicial e requerem investimentos entre 10 000 USD e 1 milhão USD. Estes investimentos estão concentrados nos sectores primários, incluindo comunicações móveis, Internet, energia, saúde, entre outros. E 30% o dos empreendimentos registados têm alguma forma de missão social e podem ser qualificados como empresas sociais. Cada empreendimento é disruptivo no uso de tecnologia ou na aplicação de um modelo de negócio disruptivo. Os empresários são livres para se inscreverem por sua própria iniciativa ou como parte das parcerias preexistentes. Várias colaborações já estão em andamento através de empresas incubadoras líderes como ActivSpaces nos Camarões, a MEST no Gana e a Nailab no Quénia. A VC4Africa coordena também o evento “Desafios Startup”, cuja primeira competição online irá decorrer nos Camarões. Como analisa a situação actual das pequenas e médias empresas africanas? Quais são os principais desafios para este sector? O due diligence* é um dos fac-

tores limitadores para os interessados em investir em África. É simplesmente caro encontrar genuínos empreendedores com uma ideia e plano de negócio sólido. É só perguntar a qualquer pessoa com fundos de PME e ela irá dizer-lhe como “é difícil encontrar um fluxo de negócios qualificado”. Como resultado, a maioria dos fundos existentes procura negócios maiores e com melhores margens. Ao mesmo tempo, o microcrédito é limitado na sua capacidade de apoiar as empresas de alto crescimento para além da subsistência, o que deixa a maioria dos empresários com potencial à margem deste processo. Esta dinâmica cria uma espécie de PME “meio ausente”, no qual um grande número de potenciais e inovadoras empresas ora são forçadas a ser microempresas e, logo, a ter um impacto limitado quer no crescimento económico quer na criação de emprego, ou a não existir de todo. Na verdade, este meio que falta é um fenómeno generalizado na maioria dos países em desenvolvimento; enquanto no mundo desenvolvido as PME são o motor do crescimento económico e de criação de emprego, já na maioria dos países em desenvolvimento predomina um grande número de pequenas e microempresas ou de grandes empresas. Há uma série de possíveis causas para o tal meio ausente nestas PME. Contudo, o acesso limitado ao financiamento é consistentemente encontrado como uma das barreiras mais importantes para a existência de PME e para o crescimento de microempresas nos países em desenvolvimento. Este problema é particularmente acentuado na África subsariana, onde as micro e pequenas empresas representam uma maior percentagem em comparação com outras regiões de países em desenvolvimento. É importante ressaltar que as PME não são geralmente “ausentes” porque não são rentáveis: a evidência sugere que os retornos de capital no segmento das PME nos países em desenvolvimento são de facto bastante altos. Mais, existem barreiras para a alocação eficiente de capital de investimento para as PME nos países em desenvolvimento, o que eleva o custo

“A VC4Africa tem 400 empreendimentos registados em mais de 30 países africanos”

“O acesso limitado ao financiamento é consistentemente encontrado como uma das barreiras mais importantes para a existência de PME e para o crescimento de microempresas nos países em desenvolvimento”

de investimento nessas empresas. Por exemplo, a ausência em muitos países em desenvolvimento de agências de crédito robustas associadas a sistemas de informação de crédito eleva efectivamente os custos de transação para os bancos e investidores de capital de empréstimo, ou investidores em PME. Este cenário tende a excluir os empresários promissores de forma indiscriminada ou a aumentar o custo de capital para valores proibitivos – acima da taxa já elevada de retorno sobre o capital exibido pelas PME – tornando assim o financiamento antieconómico. VC4Africa é parceira do Project Incubator Award 2012. Que comentários quer deixar a todos aqueles que consideram participar nesta competição? Pensamos que os empresários gastam muito tempo a preparar as candidaturas para competições. Quando não são seleccionados, todo o trabalho investido na preparação da candidatura é perdido. Não será melhor usar esse tempo no próprio desenvolvimento da empresa? No VC4Africa queremos mudar esta atitude. Sempre que se regista um perfil de investidor no site (www.vc4africa.biz), automaticamente estará habilitado a participar num crescente número de competições. O esforço aplicado é mínimo, e o custo de oportunidade é limitado. É possível usar o perfil para postar vagas de trabalho, contactar com possíveis consultores, obter comentários sobre uma demonstração ou contactar com colegas empreendedores e investidores. É um recurso que pode gerar valor de muitas maneiras diferentes ao longo de um período mais longo. Qualquer empresário que queira participar neste desafio é elegível para um perfil gratuito na VC4Africa. A comunidade VC4Africa oferece apoio para o desenvolvimento de um negócio, e é possível tirar proveito do nosso programa de tutoria peer to peer ou mesmo receber assistência por parte dos vários investidores registados na nossa rede. Estamos muito satisfeitos em colaborar como parceiros nesta competição juntamente com a EMRC e a Hivos. Esperamos que seja o início de uma colaboração de longo prazo.


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NACIONAL CRESCIMENTO E DESENVOLVIMENTO SOCIAL

Que investimentos estrangeiros o comboio vai atrair ao Moxico?

César Magalhães

O Executivo lançou-se ao desafio de levar o comboio do CFB até ao Luena, em Agosto próximo. Expansão apresenta a posição da província no ranking de investimentos públicos de 2008 a 2012. Afinal como será o crescimento almejado?

O comboio do CFB pode influenciar na atracção de investimentos externos ao Moxico

ANTÓNIO PEDRO

A província do Moxico aguarda para Agosto próximo a chegada do comboio do Caminho de Ferro de Benguela (CFB), concretamente nacidadedoLuena,suacapitaladministrativa, segundo o desafio lançadopeloExecutivo. Após tal fase, segue-se outra na qual as locomotivas do CFB se propõem chegar até ao município do Luau, naquela província, na fronteira com a República da Zâmbia e intensificar o comércio transfronteiriço com os países da SADC. As perspectivas económicas paraaprovínciasãobastanteoptimistas, devido à previsão de chegada da do comboio no próximo mês. Desta forma, a previsão sobre o crescimento da economia local, e seu respectivo desenvolvimento com repercussão na esfera social, temsidoelevada. No entanto, e face a estas expectativas, o Expansão mostra a realidade em números de investimentospúblicosdireccionadosaoMoxico. De 2008 a 2012, o terceiro ano foi o de bonança financeira para a província, em relação aos montantes alocados, sem incluir os investimentossobresponsabilidade da estrutura central, nos respectivos anos económicos, e sem apegar-se aos relatórios de execução.

Aliás, quanto a este pormenor, a capacidade de execução de empreitadas em todas as províncias tem sido reduzida em função dos valores alocados, devido à falta de capacidade técnica e de know-how. Noranking das 18 províncias do País, em termos de dinheiros consignados no Orçamento Geral do Estado, sem incluir dinheiros alocados à estrutura central, Moxico alcançou em 2009 a 9.ª mais confortável posição, com uma verba parainvestimentospúblicosorçada em 16,1 mil milhões Kz (173,9 milhões USD, face à taxa de câmbio média/referência do BNA naqueleano). Apesar da relevância geoestratégica do Moxico, favorável ao comérciointernacionalpelafronteira com a Zâmbia, esta continua a aguardar pelos grandes projectos, mas precisam encontrar no local infra-estruturas de energia, água, telecomunicações para atender à instalação de grandes fábricas. A província não constou, em 2008, 2011 e 2012, no top 10 das que receberam maior verba para investimentos, conforme ilustraçãoemgráficos. Atracção de investimento externo A questão de fundo é que os montantes para investimentos não permitiram a atracção de investimento estrangeiro directo para a região à dimensão do potencial local para se transformar em riqueza.

A nova Lei de Investimento Privado angolana dividiu o País em três zonas de isenção fiscal, e MoxicoconstadazonaC. Segundo a lei, “os lucros resultantes de investimento privado podem estar sujeitos à isenção ou reduçãodopercentauldoimposto industrial,porumperíodode1a10 anos”,aocontráriodaszonasAeB, que atingem até 5 e até 8 anos, respectivamente. Das vezes que o Expansão abordou a contextualização da antiga e da nova lei de investimento privado, especialistas justificaram razões que impedem investidores externosdeaplicaremdinheirona província em megaprojectos, apesar da isenção ou redução do percentual do imposto industrial até 10anos. Moxico não tem infra-estruturas tal como Luanda, Benguela, Huambo, Huíla, capazes de influenciar tais investidores, apesar das isenções fiscais, avançaram na altura alguns especialistas e que aindahojedefendemamesmaposição. As observações apontam para um revirar de página quanto aos investimentospúblicos. Se até Agosto o comboio chegar ao Luena, já se pressupõe, à partida, um ganho quanto à aprovação pelo Conselho de Ministros, em Maio último, do projecto de construçãodoaproveitamentohidroeléctrico Chiumbe-Dala, da linha de transporte de energia Dala-Luena e da subestação do Luena. Os equipamentos poderão se-

guir ao Luena de comboio, poupando custos de transportação, poisvisa fornecerenergiaàcidade do Luena, e interligar às cidades do Luena, Saurimo e Dundu. Destaforma,aregiãojápode“sonhar” com um pólo de desenvolvimento industrial. Top 10 das províncias com maior investimentos públicos (mil milhões Kz)


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NACIONAL PARCERIAS PÚBLICO-PRIVADAS

Novas fontes de financiamento constituem um desafio para África ANDRÉ SAMUEL E EUNICE SEBASTIÃO

Um dos maiores desafios a vencer de modo que África se coloque ao nível dos demais continentes com desenvolvimento assinável, nas diferentes esferas sociais, é a captação de investimentos anuais de 90 mil milhões USD até 2020. Esta concertação foi feita na quarta edição da conferência internacional sobre parcerias de infra-estruturas para o desenvolvimento de África (IPAD) realizada em Luanda, nesta semana, sob o tema “Acelerando o desenvolvimento e a reconstrução de Angola”. Tal montante é duas vezes superior ao que é gasto actualmente, o que pressupõe que é necessário identificar e mobilizar outras fontes de financiamento que complementem as actuais. “A grande questão é saber em que medida será possível mobilizarem-se somas tão avultadas, num contexto tão difícil para as economias desenvolvidas, em particular para as de países europeus”, questionou a ministra angolana do Planeamento, Ana Dias Lourenço, num evento que reuniu peritos de Angola, Portugal e Moçambique, principalmente. A governante acrescentou que a mobilização de recursos para socorrer as economias do

continente africano torna-se ainda mais difícil quanto à identificação de fontes de financiamento externo para a melhoria das infra-estruturas dos países africanos. Face a este cenário, Ana Dias aconselhou a busca de soluções ousadas que permitam a concretização do objectivo de dotar África de sólidas e modernas infra-estruturas capazes de promover o desenvolvimento do continental. Na visão da presidente do conselho de administração da Agência Nacional para o Investimento Privado (ANIP), “para além dos projectos de parcerias regionais no âmbito da SADC, há ainda que utilizar as parcerias público-privadas para investir na construção das infra-estruturas básicas, não podendo esperar um Estado-providência que dá todos os meios”. Incentivou para uma relação de ganho para ambas as partes, na execução de projectos que possam contribuir para o desenvolvimento económico de Angola visando a redução da pobreza e o bem-estar da população angolana. De acordo com a presidente da ANIP, Maria Luiza Abrantes, a alteração da antiga Lei do Investimento Privado (da Lei n.º 13/03) para a actual Nova Lei de Investimento Privado (Lei n.º 20/11), permitiu aos investidores estrangeiros actuarem no sector da produção

Edson Chagas

O continente necessita de 90 mil milhões USD anuais para as infra-estruturas até 2020. Ministra angolana do Planeamento sugere a busca de soluções ousadas.

de água e energia e na construção de estradas, pontes barragens e nas telecomunicações. Para a responsável da ANIP, apesar da aposta do Estado na reabilitação e construção das infra-estruturas, é, no entanto, impossível de forma isolada arcar com a totalidade das despesas para o efeito. Neste sentido, exorta aos investidores estrangeiros e nacionais a investirem na reabilitação das infra-estruturas básicas em Angola, para que não se viva apenas de prestação de serviços de empresas estrangeiras nessas áreas, ainda que necessário. Clima de negócios favoráveis O evento internacional sobre parcerias de infra-estruturas para o desenvolvimento de

Apesar da aposta do Estado nas infra-estruturas, é, impossível de forma isolada arcar com a totalidade das despesas para o efeito África juntou durante três dias mais de 80 oradores dos sectores público e privado, angolanos e estrangeiros, no domínio da indústria, telecomunicações, energia, água e saneamento, financeiro e investimento, transportes e logística,

bem como mineração. A ministra Ana Dias Lourenço considerou o evento como o espaço para a troca de ideias e experiências, sobre os grandes temas de interesse para o País e para o continente, na perspectiva de um desenvolvimento económico sustentado. “Com este tipo de iniciativa, estaremos a estabelecer e a fortalecer os laços entre o sector público e o privado, ou entre o sector privado no domínio do desenvolvimento das infra-estruturas”, reforçou. Para o presidente da ENDITRADE, Noé Mateus, uma empresa do sector mineiro e participante no encontro, o certame constituiu-se numa oportunidade de aproximação entre empresários, entre potenciais parceiros e expandir negócios. “O clima de negócio é favorável, o País tem e vai melhorando as condições para atrair investimentos. São essas parcerias que vão permitir que as empresas adquiram maior competência, experiências e competitividade”, assim como irão favorecer o seu crescimento, de modo a transformar as vantagens comparativas do País. O gestor entende que “o momento é exactamente propício para que as empresas possam interagir e dialogar encontrando o caminho para a sua evolução conjunta, no interesse do ganho mútuo”.

FORMAÇÃO ACADÉMICA

França reforça contingente de bolseiros angolanos O país europeu concedeu mais 25 bolsas de estudo a estudantes angolanos, que já se encontram naquele território há uma semana. ANTÓNIO PEDRO

Um grupo de 25 bolseiros angolanos partiu no final da última semana para França, após uma cerimónia de despedida com o embaixador do país europeu em Angola, Philippe Garnier. Do total de bolseiros, 18 fazem parte de um pacote de parceria entre a cooperação francesa no nosso País e o Instituto Nacional de Bolsas de Estudo (INABE), enquanto quatro foram apurados por intermédio

da petrolífera Total e três, igualmente, pela petrolífera Schlumberger. Este é o segundo grupo que segue para estudos em França, ao contrário do primeiro, composto de 18 bolseiros, que partiu para França há um ano, no início de Julho de 2011. O programa previa o envio de 40 bolseiros até à presente fase, mas já se ultrapassou tal meta. Em Julho passado, a embaixada de França e o INABE afirmaram que o investimento acordado entre Luanda e Paris está avaliado em 4 milhões USD para a formação de estudantes angolanos durante três anos. Tal como o grupo de 2011 foi escolhido a partir das províncias de Luanda, Benguela, Cabinda e Huambo, o presente modelo de escolha não foi alterado. Entre os 25 bolseiros, os seleccionados das petrolíferas

Total e Schlumberger são originários de diferentes províncias e estudarão cursos direccionados ao sector petrolífero. Para além dos cursos indicados pelas petrolíferas, os bolseiros continuarão a optar por outras especialidades, do ramo industrial, construção civil, telecomunicações, informática, e demais especializações. Um dos bolseiros, proveniente de uma das escolas Eiffel da província do Cunene, Manuel Madeca, vai para o

Desde Julho de 2011, a França recebeu 43 jovens bolseiros angolanos

Burkina Faso estudar engenharia de água na cidade de Ouagadougou. Explicou ao Expansão que a província do Cunene enfrenta escassez de água há décadas, e a Total entendeu que é altura de se formar especialistas locais na matéria, para ajudar a inverter o quadro menos favorável que a região enfrenta. A formação tem prazo de três anos e serve para prestar apoio até em barragens hidroeléctricas. Formação da língua Os bolseiros seleccionados, em declarações ao Expansão, afirmaram que estudaram a língua francesa durante dois meses, em módulo intensivo. A Alliance Française de Luanda avaliou o grupo e assegurou que está em condições de se comunicar na língua francesa. “Quando chegarmos a Fran-

ça, vamos fazer mais um curso intensivo de língua francesa durante dois meses”, explicou o bolseiro Rangel Oliveira, proveniente da província de Malanje. O bolseiro que foi um dos melhores estudantes das escolas Eiffel (escolas secundárias) na sua província, teve um rendimento acima da média, 17 valores, e vai estudar engenharia química na região francesa de Limon. “É uma formação que me permite trabalhar até em indústrias têxteis”, enfatizou. Refira-se que, para a selecção de bolseiros, a embaixada de França tem deslocado especialistas do seu país para prestarem apoio na avaliação dos candidatos. O INABE e a embaixada continuam a velar pelo acordo de acompanhamento dos estudantes, para um melhor aproveitamento do investimento feito.


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PROVÍNCIAS BOLSA DE NEGÓCIOS

Feira agro-pecuária e industrial do Uíge reúne mais de 500 expositores A feira regista a participação de quatro países estrangeiros, Portugal, Alemanha, Namíbia e África do Sul, que trouxeram ao evento cerca de 15 empresas expositoras. Província Uíge Capital Uíge Superfície 58 698 km2 Habitantes 1 000 000 Municípios Ambuíla, Bembe, Buengas, Bungo, Damba, Alto Cauale, Maquela do Zombo, Milunga, Mucaba, Negage, Puri, Quimbele, Quitexe, Sanza Pombo, Songo e Uíge Principais sectores de actividade Agro-pecuária e indústria

Huíla

Edson Chagas

Exploração de ouro na Jamba e no Kuvango começa em breve

O café, principal referência da província, está em grande nesta 3.ª edição da feira do Uíge

ESTÊVÃO MARTINS

A 3.ª edição da feira agro-pecuária e industrial do Uíge, que decorre desde o último domingo naquela cidade, na Praça da Independência local, congrega mais de 500 expositores dos mais variados sectores, num espaço de 10 mil metros quadrados. A presente edição, que decorre no âmbito das comemorações dos 95 anos de existência da cidade do Uíge, está a ser organizado pelo governo local em parceria com a Feira Internacional de Luanda (FIL). O término está previsto para amanhã, dia 7. Sob o lema “Uíge, Renascer para o Desenvolvimento”, o objectivo fundamental do certame é relançar a economia da província, dinamizando para o efeito parcerias estratégicas de negócios, bem como o fomento de uma base sustentável de desenvolvimento da região. A gestora da feira, Luiana Valejo, falou ao Expansão a partir da província cafeícola, afirmando que dos objectivos da realização da feira consta a criação de novas oportunidades de negócio com vista a potenciar o empresariado local, assim como contribuir para a recuperação e o relançamento da actividade agro-industrial da província nos sectores do turismo e do comércio.

Identificar e envolver actores públicos ou privados, que directa ou indirectamente venham a impulsionar a implementação do Plano Estratégico de Desenvolvimento da província, para estimular parcerias entre as empresas nacionais, locais e estrangeiras. Luiana Valejo considerou ainda que consta dos objectivos da feira engajar todas as forças da sociedade civil no desenvolvimento estratégico da província e “angariar” investidores a través da realização de bolsas de negócios constantes.

Entre os objectivos da realização da feira consta a criação de novas oportunidade para atrair potenciais investidores à região

Atracção de investimentos Segundo a gestora do evento, é ainda missão da feira do Uíge dar visibilidade às potencialidades e oportunidades de negócios que a província oferece, e atrair potenciais investidores nacionais e estrangeiros à província para o seu rápido desenvolvimento. “A província do Uíge é uma

das regiões mais populosas de Angola e uma das que possuem muitas potencialidades, do ponto de vista agrícola e industrial”, notou, anunciando que a parceria entre a FIL e o governo provincial se vai manter. Os sectores agrícolas e industriais, na opinião da gestora, sempre constituíram a base fundamental da sua economia, desenvolvendo-se inicialmente a agro-pecuária e, posteriormente, a indústria. Refira-se que o Uíge foi considerado o quarto maior parque industrial de Angola na era colonial. Nesta altura, em que a província se encontra numa fase de desenvolvimento, a realização da feira lança as bases para a recuperação do sector produtivo e industrial, para além de fortalecer o sector empresarial tornando-se cada vez mais competitivo, segundo Luiana Valejo. Sectores em exposição Na feira estão em exposição diferentes sectores de actividade, nomeadamente banca, telecomunicações, agro-pecuária, indústria transformadora, área cultural e uma área de inovações, informou a gestora do evento. Consta ainda a presença de uma área ligada às administrações municipais, que exibem os principais produtos do campo produzidos nas respectivas regiões, uma área de exposição de animais e de máquinas e uma praça de alimentação. Além de expositores nacio-

nais, nesta 3.ª edição, a feira regista a participação de quatro países estrangeiros, designadamente Portugal, Alemanha, Namíbia e África do Sul, que trouxeram cerca de 15 empresas expositoras. A organização espera receber 100 mil visitantes durante os sete dias de exposição.

No certame estão em exposição diferentes sectores de actividade, nomeadamente banca, telecomunicações, agro-pecuária, indústria transformadora, entre outros Em paralelo, realizou-se nos dias 4 e 5 o I Fórum Provincial de Oportunidades de Negócios e Investimentos, que decorreu numa das unidades hoteleiras daquela província. No fórum, debateu-se as potencialidades do sector agro-pecuário da província, as grandes linhas do desenvolvimento agro-pecuário de Angola e sua incidência no desenvolvimento da região, em que foi orador o ministro da Agricultura e das Pescas, Afonso Pedro Canga.

A exploração de ouro nos municípios da Jamba e do Kuvango, leste da cidade do Lubango, província da Huíla, começa tão logo terminem os trabalhos de prospecção que estão em fase conclusiva, anunciou o governador Isaac dos Anjos. Ao falar à margem da inauguração da agência do banco BTV-África, na cidade do Lubango, o governante notou que os trabalhos de prospecção estão em fase de conclusão. Sem avançar dados sobre as quantidades e qualidade do produto, Isaac dos Anjos esclareceu que haverá uma abertura do mercado para investidores nacionais e internacionais interessados na extracção deste minério.

Kwanza Norte-Ngonguembo

Nova captação de água nasce no Ngonguembo

A sede do município de Ngonguembo, província do Kwanza Norte, terá a partir de Agosto um novo sistema de captação, tratamento e distribuição de água, inserido no programa da administração local de combate à fome e à pobreza. De acordo com o responsável da empresa encarregada da execução das obras, António Tchiong, a água que vai abastecer o projecto será captada a partir do rio Sengueji, localizado a três quilómetros da sede municipal de Ngonguembo, será suportado por um tanque reservatório com capacidade de 200 mil metros cúbicos.


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DESPORTO FUTEBOL

Espanha conquista 70 milhões em quatro anos Aos 23 milhões EUR deste título europeu juntam-se 22 milhões EUR de 2008 e os 24,8 milhões EUR do Mundial há dois anos. Jogadores recebem 300 mil, Fisco está atento.

Exclusivo Diário Económico

O Europeu de 2008 garantiu 22 milhões de euros; dois anos depois, o Mundial valeu 24,8 milhões EUR; agora, o título europeu assegura mais 23 milhões EUR. Só em prémios pagos por UEFA e FIFA em função dos triunfos, a selecção espanhola reuniu, em quatro anos, uma verba muito próxima dos 70 milhões EUR (69,8 milhões). Em relação a este montante, a Federação Espanhola distribui uma parte por jogadores e equipa técnica. No caso do Europeu, cada elemento recebe 300 mil euros, metade do que valeu o triunfo no Mundial sul-africano e mais 86 mil euros face aos pagamentos pelo Campeonato da Europa de 2008.

Segundo a imprensa espanhola, haverá sempre diferenças no modo como são tributados estes valores. Por um lado, a UEFA estabeleceu com Polónia e Ucrânia, organizadores do evento, um acordo que isenta os jogadores de pagamento fiscal nos países onde se realizou a competição, transferindo essa questão para as áreas de residência de cada premiado. No fundo, algo de semelhante ao que a UEFA conseguira a propósito das duas últimas finais da Liga dos Campeões, da final da Liga Europa deste ano e também em relação aos Jogos Olímpicos de Londres. No entanto, um outro acordo entre Polónia e Espanha prevê que, embora não paguem ao Fisco por aquilo que ganhem no país – e os espanhóis realizaram três jogos em solo polaco –, esse montante será depois somado aos ganhos anuais e mencionado na declaração de

IRS. Reina, Torres, Mata e Silva, jogadores do futebol inglês, ficam sujeitos às leis locais. Quanto ao que têm de entregar ao Fisco, em Espanha a percentagem pode variar por cada comunidade autónoma. Exemplos: 51% em Madrid e 56% na Catalunha. Assim, caso não exista algum acordo que salvaguarde outras situações entre RFEF, jogadores, técnicos e o Conselho Superior de Desporto, cada premiado pode receber de 132 mil a 147 mil EUR. Na Internet circula um abaixo-assinado com milhares de participantes, entre os quais alguns políticos, pedindo que, neste contexto de crise no país, o prémio total de 7 milhões EUR seja entregue ao Estado para ajudar no esforço de equilíbrio das contas públicas. Krugman e o consumo interno O Nobel da Economia Paul Krugman apontou a vitória es-

Na Internet circula um abaixo-assinado pedindo que, neste contexto de crise no país, o prémio do Euro 2012, de 7 milhões EUR, seja entregue ao Estado para ajudar no esforço de equilíbrio das contas públicas

panhola no Europeu como uma hipótese interessante no aumento do consumo interno. “Felicito a equipa pela conquista do título e penso que pode ajudar a que se gaste um pouco mais, impulsionando a autoconfiança da população”, referiu à agência EFE. Dados da Federação Espanhola de Hotelaria e Restauração indicam que domingo à noite se registou mais 40% de facturação nos bares e restaurantes, enquanto a Confederação de Empresários do Comércio da capital revelou ter havido mais 20 milhões de euros de receitas no sector, incluindo hotéis e actividades nocturnas, desde o início do Europeu, a 8 de Junho. “España entera se va de borrachera”, cantava-se nas ruas espanholas depois do título. As informações económicas das duas entidades confirmam que houve muita gente a fazer despesa.

Andrea Comas / Reuters

PAULO JORGE PEREIRA


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INTERNACIONAL Entrevista Humberto Santos de Brito Entrevista Ministro do Turismo, Indústria e Energia de Cabo Verde

“O turismo sénior tem prioridade em Cabo Verde” O governo cabo-verdiano aposta na criação do melhor sistema de saúde da região, para atrair o turismo sénior. Oposição vence nas autárquicas

PEDRO DUARTE Exclusivo Diário Económico

O Movimento para a Democracia (MpD) obteve uma nova vitória nas eleições autárquicas que se realizaram no domingo em Cabo Verde, revelou a Direcção Geral de Apoio ao Processo Eleitoral do país. Segundo esta fonte, o MpD venceu as eleições em 13 das 22 câmaras do país, o que representa a vitória em mais uma câmara do que nas eleições de 2008. Já o Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV), actualmente no governo, ficou com apenas 9 câmaras, contra as 10 que detinha antes. O MpD conseguiu 46,5% dos votos, enquanto o PAICV ficou com apenas 40%.

Em visita a Portugal para participar num seminário sobre o investimento em Cabo Verde, o ministro Humberto Brito explica as prioridades de investimento do governo cabo-verdiano, que tenciona fazer do arquipélago um hub de saúde da África Ocidental, para atrair o turismo sénior dos países desenvolvidos. Que oportunidades de investimento há em Cabo Verde? Existem vários sectores abertos a potenciais investidores, nomadamente no turismo, nas energias renováveis – que estamos a abrir ao sector privado – na saúde, na privatização da gestão dos portos, e na futura privatização da empresa energética nacional. Também há possibilidades de investir em

tualmente, havemos de chegar aos 100%. Para desenvolver estas energias renováveis, há que apostar no sector privado. Por isso, vamos criar condições para que muitas empresas, nacionais e estrangeiras, participem nos concursos que serão abertos.

“Estamos a promover um hub de saúde regional, de modo a que os turistas possam desfrutar das nossas ilhas enquanto tratam da sua saúde”

negócios nas empresas regionais. Há uma série de possibilidades interessantes para os investidores. Algum sector que saliente? O melhor campo é o da saúde, que representa a aposta mais importante que o governo de Cabo Verde tem em mãos. Temos vários hospitais, formamos especialistas nas mais diversas áreas, e muito boas avaliações das entidades internacionais, e podemos sustentar este desenvolvimento. Com esta base, temos agora como prioridade garantir a segurança para o turismo sénior [turistas maiores de 65 anos] . Estamos a contar com o investimento privado para promover

Para desenvolver o turismo, o acesso fácil ao país é vital. Como planeia o executivo resolver este problema? O destino turístico tem de ser acessível, e o melhor são os voos de tipo low cost. As rotas fixas regulares têm tido um custo muito elevado, o que prejudica a desejabilidade do destino. um hub de saúde regional, de modo a que os turistas seniores possam desfrutar das nossas ilhas, ao mesmo tempo que tratam dos seus problemas de saúde. Sublinho que, para além dos incentivos já existentes, vamos anunciar em breve o lançamento de mais incentivos aos investidores. Actualmente, os incentivos variam conforme a natureza da actividade e o volume de investimento. Não obstante, a lei permite a negociação das condições, que podem ir desde a isenção de impostos durante cinco anos, um prazo que pode ser alargado. Os impostos so-

bre os rendimentos também são reduzidos, e igualmente as taxas sobre o repatriamento de capitais. Mencionou também o sector energético. É um sector importante? Temos tido parcerias importantes. Há menos de dois anos foram instalados dois campos de painéis solares que têm tido grande importância para a geração de energia nacional. A nível da potência instalada, atingimos a meta de ter 25% da nossa energia como renovável em 2011, estando a apontar para os 50% em 2020. Even-

“O destino turístico tem de ser acessível, e o melhor são os voos de tipo low cost”

A crise europeia está a afectar Cabo Verde? Somos uma economia muito exposta à Europa. No nosso país há muito investimento de empresas europeias e o câmbio da moeda está ligado ao euro. Além disso, existe uma grande comunidade dispersa pelo continente europeu, que sente directamente os efeitos da crise. É preciso ter em conta que o sistema bancário cabo-verdiano é sólido, por assentar em bancos locais, que são menos afectados pela crise. Mas a verdade é que temos uma economia aberta, e esta obriga-nos a estar expostos à crise.


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Carlos Garcia Rawlins / Reuters

INTERNACIONAL

A PENSAR NO DESENVOLVIMENTO

Mercosul dá boas-vindas à Venezuela A pátria de Hugo Chávez teve de aguardar sete anos para ser aceite como membro pleno do bloco económico do Sul, uma demora justificada pela falta de consenso no grupo quanto à entrada de “los hermanos”. PEDRO FERNANDES

Embora sem consenso, a Venezuela torna-se a partir do próximo dia 31 de Julho no mais novo membro pleno do Mercosul, projecto de integração económica, política e social dos países da América do Sul. A decisão deu-se à revelia do Paraguai, suspenso do grupo após a polémica destituição do ex-presidente Fernando Lugo por “mau desempenho das suas funções”. O país era o único integrante do bloco que ainda não havia ratificado a adesão dos venezuelanos. A deliberação foi anunciada na última sexta-feira (dia 29) pela presidente da Argentina, Cristina Fernández de Kirchner, durante a cúpula de chefes de Estado do bloco, realizada em Mendonza. O país governado por Hugo Chávez pediu para entrar no

Mercosul em 2005, durante uma cúpula de presidentes, realizada em Caracas. Desde então, a Argentina, o Brasil e o Uruguai aprovaram a incorporação nos poderes Executivo e Legislativo. A aprovação pelo Paraguai estava pendente desde 2009. Consultados pela Reuters, economistas norte-americanos acreditam que, com a entrada da Venezuela, o bloco incorporará uma economia de peso, fortemente demandante e importadora de todo tipo de bens, especialmente alimentos e serviços, o que tornará a sua economia mais consistente. Segundo a secretária-executiva da Comissão Económica para América Latina e o Caribe (Cepal), Alicia Bárcena, a adesão venezuelana ao Mercosul constitui um sinal “muito poderoso”. “O Mercosul tem um terço das reservas de água do mundo, um terço das terras cultiváveis, mais de 45% da produção de

soja. É uma região muito forte. E agora com a integração da Venezuela há expectativa que a integração energética possa ser maior no futuro”, disse Alice Bárcena. Governada pelo presidente Hugo Chávez desde 1999, a Venezuela passou, depois da Primeira Guerra Mundial, de uma economia essencialmente agrícola para uma economia centrada na extracção e exportação de petróleo, sendo actualmente a actividade responsável por cerca de um terço do Produto Interno Bruto, bem como representante de 80% das receitas de exportação. Recentemente, a Venezuela foi certificada como detentora da maior reserva de petróleo do mundo, com aproximadamente 297 bilhões de barris. Esse potencial energético atingiu dimensões políticas, económicas e sociais inéditas quando o Estado assumiu em 2013 o controlo da PDVSA, principal empresa do sector petrolífero.

Não obstante a estes elementos, vantajosos a princípio, a comunidade política paraguaia repudiou a adesão da Venezuela no Mercosul, considerando-a mesmo um “golpe rasteiro” aplicado aos países vizinhos. Já Hugo Chávez comemorou a decisão, garantindo que constitui “uma derrota para o imperialismo” e para as “burguesias lacaias, incluindo a burguesia venezuelana que também, conectada com a burguesia do Para-

A decisão deu-se à revelia do Paraguai, suspenso do grupo após a polémica destituição do seu ex-presidente por “mau desempenho das suas funções”

guai, fez todo o possível para impedir a entrada da Venezuela no bloco”. A suspensão do Paraguai do Mercosul pela destituição do presidente Lugo permitiu que a Argentina, o Brasil e o Uruguai decidissem pela entrada da Venezuela no bloco. Paraguai fora O Paraguai foi suspenso temporariamente do Mercosul devido à decisão do Senado em destituir no dia 22 de Junho o presidente Fernando Lugo, na sequência de um processo que durou 36 horas. A falta de ratificação legislativa do país era o último obstáculo que existia para a Venezuela aderir ao Mercosul. A animosidade tanto do Congresso quanto do novo governo paraguaio com a Venezuela é grande. Nesta semana, a Câmara dos Deputados do Paraguai deverá declarar o chanceler venezuelano Nicolás Maduro “persona


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Hotel Luanda R. Joaquim Capango/ Sagrada Família

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BA – Restur Benfica

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Quiosque Ukinha Maculusso

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Hotel Alvalade Cabeleireiro R. Comandante N’zagi, Alvalade

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R. Rainha Ginga S/N, Mutamba

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non grata” no país. Nicolás Maduro está a ser acusado de ter tentado entrar em contacto com as Forças Armadas do Paraguai quando esteve no país, junto com os demais chanceleres do continente, para tentar impedir a destituição de Fernando Lugo. Vantagens em ter a Venezuela por dentro O ingresso venezuelano, em tese, agrega ao bloco um mercado comprador potencialmente relevante, mas o Mercosul hoje é pouco importante para a Venezuela. Segundo dados do banco central do país, em 2011 a Venezuela gastou 50,7 mil milhões USD em importações de bens, o equivalente a duas vezes o PIB do Paraguai. Os Estados Unidos responderam por 12,3 mil milhões USD em compras e os países do Mercosul, somados, por 6,7 mil milhões USD, sendo 4,6 mil milhões do Brasil. Apenas com Uruguai e o Paraguai a Venezuela possui uma relação superavitária, graças à venda de óleo. No caso do Paraguai, as exportações venezuelanas são de 360 milhões USD e as compras de 100 milhões USD. No caso uruguaio, as vendas da Venezuela são de 460 milhões e as importações de 140 milhões USD. O fluxo de comércio da Venezuela para a Argentina é praticamente nulo. O país presidido por Cristina Kirchner adqui-

riu apenas 20 milhões USD de bens e serviços da Venezuela em 2011, que importou 1,8 mil milhões de origem argentina. Para este não, o Ministério do Desenvolvimento, da Indústria e do Comércio do Brasil refere que as exportações brasileiras para a Venezuela cresceram 40% em relação ao ano passado. De Janeiro a Maio, o Brasil vendeu ao país vizinho 1,9 mil milhões, ante 1,4 mil milhões no mesmo período de 2011. A exportação de bovinos vivos foi o principal item, com 9,4% do comércio, seguido de carne bovina, com 9,1%; aparelhos para destilaria de álcool, com 6,5%; e carne de frango, com 5,1%. As importações da Venezuela, que foram de 1,3 mil milhões em 2011, devem manter o ritmo este ano. Quando Chávez assumiu, em 1999, a Venezuela comprava do Actualmente, os Estados Associados ao Mercosul são: A República da Bolívia desde 1997

A República do Chile desde 1996

A República da Colômbia desde 2004

A República do Equador desde 2004

A República do Peru desde 2003

A República da Venezuela a partir de 2012

mundo apenas 15,4 mil milhões USD. Nesses treze anos, entretanto, a evolução esteve longe de ser linear. Em 2003, por exemplo, as importações não passaram de 11,2 mil milhões USD e em 2008 chegaram a 55,4 mil milhões USD. Comparativamente a 2010, as importações aumentaram 20%. A Venezuela exportou 92,6 mil milhões USD no ano passado (mais do que a Argentina), mas com uma pauta praticamente restrita ao petróleo e aos seus derivados. De tudo que a Venezuela vendeu, 88 mil milhões foram óleo e gás, explorados pela estatal PDVSA. Os Estados Unidos, país com o qual Chávez mantém uma agressividade retórica permanente, pagaram 42,2 mil milhões por petróleo venezuelano. O Mercosul, Mercado Comum do Sul, é a União Aduaneira a Argentina, o Brasil, o Paraguai e o Uruguai, instituída pela assinatura do Tratado de Assunção, em 26 de Março de 1991. O aprofundamento do processo de integração, com a consolidação do livre comércio e da política comercial comum na região, pretende alcançar, no futuro, um Mercado Comum. O Mercado Comum é o estado de integração económica que compreende a União Aduaneira e o livre movimento de factores produtivos.

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S. Casa dos Frescos, Viana Estrada direita do Zango Viana

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Expansão/ Anyforms Design

INTERNACIONALO MUNDO NUMA PÁGINA


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ESTILO TENDÊNCIAS CULTURA

SELDA

“Ainda acredito no amor à moda antiga e, no final, ele vence sempre!” É já no próximo dia 21 de Julho que a intérprete e compositora se estreia no mercado discográfico, apresentando um álbum dirigido a um público selecto.

Texto JOÃO DA CUNHA Foto DR

Canta principalmente soul music, dentro de várias influências: afro jazz, blues, massemba, e bossa nova. Canta inspirada por nomes sonantes da nossa música e não só: Sara Tavares, Paulo Matumina, Filipe Mukenga e Filipe Nzau, André e Rui Mingas e Djavan são alguns. O amor é a principal bandeira das suas canções, por isso muitos apostam nela como sendo a futura embaixadora da música romântica angolana, pelo menos na classe feminina. De tão diferenciada e madura que a sua música é, a cantora às vezes tem sido desacreditada toda a vez que afirma ter 22 anos. “Sim, ninguém acredita que tenho a idade que tenho, por causa da música que faço, por considerarem tratar-se de um estilo típico de artistas com mais idade.” Recuando no tempo, aos 12 anos, a convite do seu professor de música, cantou pela primeira vez em público, no encerramento de fim de ano escolar. A experiência nem por isso correu tão bem, pois só a dado momento da actuação é que teve a coragem de enfrentar o público, pois durante boa parte

“ Ninguém acredita na idade que tenho pela música que faço da actuação esteve de costas viradas para a audiência. Guiselda Tainara Salgueiro Portelinha ou Selda, como é carinhosa e artisticamente conhecida, começou a escrever poesias e algumas letras após ter conhecido e começado a trabalhar com os também músicos Zé Maria

Boyote e Paulo Chicangala. Com este último, aprendeu a aplicar melodias às suas canções e a ter mais noção sobre música e domínio de voz. “Estas duas pessoas foram muito importantes para mim, porque com elas iniciei a trilhar os meus primeiros passos no longo caminho da música”, recorda. Dona de uma voz sensual e cativante, Selda apresenta o seu disco de estreia no primeiro semestre deste ano, ela que em tempos idos, e também fruto da voz que tem, foi convidada para fazer vários spots publicitários para a Rádio Luanda bem como a participar em coros de algumas bandas e artistas angolanos. Em 2005, tornou-se uma das fundadoras da banda The Kings, como vocalista. Era o único elemento feminino da banda, que se apresentava todas as sextas-feiras no clube com o mesmo nome. E assim foi durante quatro anos. Em Setembro de 2006, tinha ela 16 anos, é convidada pelo autor, professor e compositor Jomo Fortunato a interpretar uma das suas canções no Festival da Canção da Luanda Antena Comercial (LAC), um evento comemorativo do aniversário natalício da cidade de Luanda. Essa Voz, assim se intitulou a música, acabou por ser eleita a Canção Preferida do Público. A convite do também músico Konde, volta a participar no mesmo festival em 2008. Tendo interpretado a música Luanda Kianda, ficou com o terceiro lugar daquela edição, correspondente à melhor letra. Desde então, não mais parou, participando em trabalhos de vários artistas. Como já referimos, gosta de cantar principalmente sobre o amor nas suas diversas variantes: ciúme, conquistas, amores e desamores, encontros e desencontros. Apesar de solteira, acredita que as suas canções podem ser fonte de cura e solidificação de muitos casais apaixonados. “É que sou daquelas

que ainda acreditam no amor à moda antiga, e que no final de tudo, o amor vence”, afirma, terminante. “Menina dos pés descalços” Não poucas vezes, Selda tem sido confundida com outras cantoras já firmadas. Até mesmos os radialistas tendem a fazê-lo. Curiosamente, nunca é confundida com uma artista nacional, mas sim como moçambicana, cabo-verdiana ou mesmo portuguesa. Para desfazer qualquer equívoco, a artista decidiu denominar o seu álbum de estreia com o título de Morena de Cá. É uma forma que encontrou para enfatizar que é, efectivamente, de nacionalidade angolana. Normalmente, a cantora canta sempre descalça quando actua ao vivo, qual Cesária Évora em plena performance. Sim, a cabo-verdiana é para ela uma referência, inclusive uma musa, mas não é por isso que

Morena de Cá O álbum, uma produção independente, tem 12 faixas musicais. Morena de Cá, a designação da obra, tem todos os temas cantados em português. Tem participações de Paulo Matumina e Toti. Foi gravado no Estúdio Companhia dos Técnicos, Rio de Janeiro, e na Nossa Música. Ana Limar, filha de Martinho da Vila, é uma das participantes nos coros deste disco. Contou igualmente com a participação de alguns instrumentistas brasileiros, e 40 mil unidades do disco serão colocadas ao dispor do público. Seis das letras foram escritas por si, enquanto Paulo Matumina (1), Filipe Zau-Mukenga (1), Jomo Fortunato (2) e Totó (1) escreveram os demais temas.

Selda optou por passar a cantar descalça. Foi tudo um acaso, conforme conta: “No Festival da Canção da LAC, quando eu me aprestava para subir ao palco, senti-me inconfortável com os sapatos; decidi então descalçá-los e cantar assim, sem nada nos pés. Foi uma das melhores coisas que fiz e sinto-me bem. A partir daquele momento, e até hoje, apresento-me sempre descalça, confere uma certa paz e creio que vai

ser sempre assim”, diz, determinada e orgulhosa. Até agora, a artista já tem gravados dois videosclips, designadamente das canções Apaixonada e Aquela Rua, também elas integrantes do álbum, um trabalho que a obrigou a cancelar a matrícula no ensino superior em que cursa Administração. Além de cantar, é agente de viagens numa agência. Mas é da música que quererá viver integralmente um dia.


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TRÊS GAMAS RENOVADAS… E PREMIADAS!

WeekendLivro

O Escândalo do BPN contado em livro O Banco Português de Negócios tem marcado a agenda da Polícia Judiciária, da justiça e da política portuguesa. A sigla BPN tornou-se sinónimo de suspeita num escândalo financeiro, ainda hoje por determinar na sua verdadeira dimensão, que arrastou o nome de muitas figuras da economia e da política e envolveu os últimos dois governos lusos: um primeiro que nacionalizou a instituição bancária para evitar um contágio perigoso e de contornos impossíveis de adivinhar no decurso de uma das maiores crises financeiras e económicas do último século; e um segundo a braços com o período de tempo dado pela troika para negociar a venda do banco, que fez aos angolanos do BIC, por valores bastante baixos. Reúne-se agora num volume o trabalho de investigação realizado pelo jornal português Diário de Notícias para revelar o buraco nas contas públicas provocado por este banco e dar o nome dos envolvidos, bem como a operação que encobriu este escândalo da supervisão dos responsáveis do Banco de Portugal. Uma obra que reúne o melhor jornalismo de investigação num livro desassombrado e esclarecedor. O livro O Escândalo do BPN, da autoria da equipa de investigação do DN que esteve na génese dos artigos que foram publicados pelo jornal, será lançado no próximo dia 28 de Junho em Lisboa e será apresentado por Nuno Melo, eurodeputado e deputado coordenador do CDS/PP na I Comissão Parlamentar de Inquérito ao Banco Português de Negócios, que também prefacia a obra. Deste modo, o DN e a Gradiva dão um contributo para uma reflexão objectiva por parte dos cidadãos e dos responsáveis políticos, económicos e sociais, a exemplo do sucedido nos anteriores quatro volumes da colecção Grande Investigação já publicados, a que acrescenta um novo capítulo: o dos trabalhos em curso na segunda Comissão de Inquérito ao BPN na Assembleia da República lusa. • O estado a que o Estado chegou; • O estado do Parlamento e as contas da Presidência da República; • O estado da saúde; • O poder da maçonaria em Portugal. EQUIPA DE INVESTIGAÇÃO Sílvia Freiches, 43 anos, cursos de Comunicação Social/Jornalismo e Psicologia. Curso Profissional do CENJOR. Iniciou a sua

/ CULTURA

carreira no Público. Ingressou no Diário de Notícias em 1997 e integra a coordenação da Grande Investigação. Carlos Rodrigues Lima, 34 anos, licenciado em Jornalismo pela Universidade do Minho, iniciou a sua carreira no jornal Alto Minho em 1998. Rui Pedro Antunes, 25 anos, licenciado em Jornalismo na Universidade de Coimbra, iniciou a sua carreira no DN em 2008 . Sónia Simões, 30 anos, licenciada em Jornalismo pela Escola Superior de Comunicação Social, Lisboa, e pós-graduada em Criminologia, iniciou carreira em 2003 no jornal Correio da Manhã. Marina Marques, 42 anos, iniciou a carreira jornalística na secção de economia de O Jornal, em 1990. No ano seguinte, entrou no Diário de Notícias, na secção de Economia, que abandonou em 1992 para fundar a revista Notícias Magazine. Em 1999 regressa ao DN. Miguel Marujo, 40 anos, esteve nas redacções do Portugal Diário, Metro, 24 Horas e escreve na secção de Política do Diário de Notícias. Rui Marques Simões, 27 anos, licenciado em Jornalismo pela Universidade de Coimbra, iniciou a carreira na redação do Porto do DN, em 2007. Tiago Figueiredo Silva, 30 anos, licenciado em Comunicação Social e Cultural na Universidade Católica Portuguesa, iniciou a sua carreira jornalística no Diário Económico em 2005. Em 2011, integrou a secção de economia do Diário de Notícias, conhecida por Dinheiro Vivo.

Adega de Borba apresentou novas colheitas

A Adega de Borba assinalou o lançamento de novas colheitas, em trêsdassuasgamas,comumaprova de vinhos e um almoço de degustaçãonoRestauranteBelcanto parajornalistasespecializados. A acompanhar uma ementa especialmente preparada para o evento pelo chefe José Avillez, foi possível provar as novas colheitas dos vinhos Senses Alvarinho 2011, Montes Claros Reserva Branco 2011, Adega de Borba Premium 2010, Montes Claros Reserva Tinto 2010, Montes Claros Garrafeira 2008. Comaorientaçãoeoscomentários do director de enologia da Adega de Borba, Óscar Gato, foram provados, antes do almoço, os novos vinhos Adega de Borba Rosé 2011, Montes Claros Colheita Branco 2011, Montes Claros Colheita Tinto 2010, Senses Syrah 2010, Senses Touriga Nacional 2010eSensesAlvarinho2011. Manuel Rocha, CEO da Adega de Borba, sublinhou na ocasião que“ascolheitasde2010e2011revelaram um excelente comportamento, permitindo dotar as diversas marcas da Adega de Borba de uma qualidade acrescida. As gamas Montes Claros e Senses saem especialmente favorecidas, com novas colheitas já medalhadas a ouro em concursos internacionais”. Segundo Óscar Gato, director deenologiadaAdegadeBorba,“na colheita de 2010, os vinhos tintos apresentam características para uma boa evolução em cave, equilibrados em álcool, acidez, antocianas e polifenóis, ao passo que os tintosdacolheitade2011têmmais cor, estrutura e maior equilíbrio, nomeadamente em acidez e elegância, pelo que aguardamos uma evoluçãofavorávelduranteoestágio”. E conclui: “De uma forma global, o comportamento das castas foi muito bom, sobretudo na colheita de 2011.Os vinhos brancostêmmaisfrescuraedestacam-se pela predominância de fruto tropical.” As novas colheitas Nas novas colheitas, o destaque

O Montes Claros Garrafeira 2008 foi distinguido com ouro no 19.º Concurso Mundial de Bruxelas

grou também a ementa do chefe Avillez. Casta recente nos encepamentos da região Alentejo, apresenta um aspecto cristalino e cor de limão maduro. O seu aroma é intenso, a frutos tropicais e frutos citrinoscristalizados. Naprovaqueantecedeuoalmoço, destaque para outros dois vinhos da gama Senses e para um vinho Montes Claros. Medalhado com ouro no Challenge Internacional du Vin-France 2012, o SensesTourigaNacional2010temum sabor macio, equilibrado na acidez, com taninos a frutado maduro e frutado silvestre e com especiarias em sintonia. Por seu lado, o Senses Syrah 2010 distingue-se pela boa intensidade aromática, evidenciando frutos pretos, bolo inglês e chocolate. Esta casta encontra na região de Borba condiçõesexcecionaisparaoseudesenvolvimento e expressão das suas características sensoriais tão apreciadas,afrescuraeamadurez. NagamaMontesClaros,édesalientar o Montes Claros Colheita Tinto 2010, medalhado com ouro no Sélections Mondiales des Vins 2012.

distinguepeloseuaspectocristalino, com uma cor esverdeada a dourada,epelopaladarmacioerefrescante. Com um aroma rico e cheio, o Montes Claros Reserva Tinto 2010evidenciaaromasacompota, geleia e cacau, e deve ser servido em acompanhamento de pratos de carne ou de queijo de pasta semidura. No almoço, foi ainda possível provar o Adega de Borba Premium 2010, o qual provém de uvas seleccionadas nas mais antigas vinhas da região de Borba. De corgranadacomgrandeprofundidade, é um vinho ideal para acompanhar pratos elaborados como borrego, caça ou queijos tradicionais. Depoisdefazerpartedosvinhos da prova, o Senses Alvarinho inte-

Sobre a Adega de Borba Fundada em 1955, a Adega de Borba reúne hoje cerca de 300 viticultoresassociadosquecultivamcercade2000hectaresdevinha(70% castas tintas e 30% de castas brancas), produzindo anualmente 1 milhão de caixas de 9 litros, sendo um dos 10 maiores produtores portuguesesdosector. Dentro das suas marcas, destacamos o Adega de Borba DOC, um dos vinhos mais vendidos em Portugal no seu segmento, o icónico Adega de Borba Reserva “Rótulo de Cortiça”, uma marca com mais de45anosqueseimpôscomouma das referência no Alentejo, o histórico Montes Claros, uma marca que remonta a 1945 e uma das primeiras a distinguir-se pela sua qualidade singular em Portugal, o Convento da Vila, que tem sido largamente reconhecido pela sua óptimarelaçãopreço/qualidade,e a recente gama de monovarietais sobadenominaçãodeSenses.

vai sem dúvida para a gama Montes Claros, com cinco novas colheitas, entre as quais duas medalhas de ouro. O Montes Claros Garrafeira 2008, distinguido com o ouro no 19.º Concurso Mundial de Bruxelas, caracteriza-se por uma boa intensidade aromática, com destaque nas notas de frutos vermelhos em compota, café, chocolate e especiarias. Pode ser consumidodeimediato,masdepreferência deverá ser deixado a estagiaraté10anos. No caso do Montes Claros Reserva Branco 2011, as castas foram acompanhadas separadamente durante o estágio, sendo o lote final realizado apenas com os melhores vinhos avaliados durante a Primavera.Esteéumvinhoquese


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EXPANSÃO

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6 de Julho 2012

WEEKENDEXPANSÃO

ESTILO

/

TENDÊNCIAS

/ CULTURA

WeekendGourmet

WeekendBeleza

Um dos melhores azeites virgens extra do mundo

Para um cabelo nutrido e sem pesar, eis o novo Gliss Óleo Elixir Diário

Está já disponível na loja online www.chaodaserra.com uma extensa gama de azeites de extrema qualidade, produzidos na região de Sierra de Cazorla, Jaén, na Andaluzia, Espanha, considerados dos melhores azeites virgens extra do mundo. Nos últimos anos houve uma aposta na inovação, investigando e desenvolvendo novos produtos que potenciam os benefícios saudáveis deste azeite, e foi criada uma gama de sabores de excelência a partir das azeitonas seleccionadas. A Andaluzia é uma região de oliveiras por excelência desde há milhares de anos. Em nenhum outro lugar do mundo crescem mais olivais nem se produz tanto azeite virgem extra de tão boa qualidade. O azeite virgem extra é predominantemente da variedade Picual, rico em vitaminas A, D, E e K, possui uma acidez não superior a 0,4º, tendo um elevado conteúdo em gorduras monoinsaturadas e antioxidantes naturais. Ajuda a prevenir tanto o cancro como enfermidades cardiovasculares. É uma garantia de sabor e saúde essencial à dieta

mediterrânica. A loja online Chão da Serra nasceu a partir da ideia inequívoca de promover produtos alimentares e bebidas de qualidade. Nas parcerias que desenvolve e nos produtos que selecciona, procura disponibilizar soluções inovadoras mantendo sempre presente a tradição, onde a arte, a dedicação, a originalidade e a constante procura pela excelência e sabor se mesclam e se confundem, tornando mais clara e apetecível a sua aposta. Nesta loja online é disponibilizado um conjunto de propostas de produtos alimentares e bebidas de qualidade a partir da oferta de produtores e fabricantes nacionais e internacionais com um denominador comum: A constante procura pela excelência.

A Gliss acaba de lançar o novo Gliss Óleo Elixir Diário, o tratamento de beleza Gliss com óleos de cuidado desenvolvido especialmente para os cabelos muito secos e estragados. Este óleo ajuda a nutrir e a tornar o cabelo mais macio, brilhante e com um aspecto verdadeiramente saudável. As suas propriedades permitem que seja absorvido rapidamente e sem deixar resíduos. Não necessitando de enxaguar, o novo Gliss Óleo Elixir Diário pode ser utilizado todos os dias, ajudando a proporcionar uma suavidade que se pode ver e sentir. Para maximizar os resultados pretendidos e ir ao encontro das reais necessidades de quem o usa, este novo óleo pode ser utilizado de três formas diferentes:

3. No cabelo seco, como acabamento de beleza para dar estrutura ao cabelo e ajudar a reforçar o seu brilho natural. Para uma utilização óptima, o novo Gliss Óleo Elixir Diário deverá ser utilizado com moderação (uma a duas dosagens) no comprimento e nas pontas do cabelo.

Este óleo ajuda a nutrir e a tornar o cabelo mais macio, brilhante e com um aspecto verdadeiramente saudável

1. Antes da lavagem para um cuidado especial; 2. Depois de lavar e secar o cabelo com uma toalha como um tratamento mais intensivo e nutritivo, ajudando a suavizar o cabelo, sem pesar;

CAMPANHA

Martini procura a próxima Martini Girl A marca lança o Martini Royale Casting com o designer Christian Louboutin para encontrar a próxima Martini Girl.

A Martini, uma das mais emblemáticas marcas do mundo, lança uma nova e emocionante campanha com o objectivo de encontrar a nova mulher Martini que será a estrela da campanha publicitária que conta com a colaboração de Christian Louboutin no júri internacional. O Martini Royale Casting, que foi buscar o seu nome ao cocktail Martini Royale, é uma pesquisa global para encontrar a mulher querepresentaafilosofiaMartini “Luck is an attitude”. “Luck is an attitude” está profundamente enraizado na história da marca, promovendo a jovialidade e encorajando todos a viverem a vida ao máximo. Para além de seguir os passos das anteriores estrelas Martini, como Charlize Theron, Nicollette SheridaneMonicaBellucci,avencedora do casting irá também ganhar 150 mil EUR, 12 pares de sapatosChristianLouboutine12peçasderoupadedesigner.

O Martini Royale Casting começou com um primeiro casting ao vivo aberto a todas as mulheres,commaisde25anosdeidade, no Museu do Design em Londres no dia 23 de Maio. O Martini Royale Casting global realizar-se-á a 28 de Maio em 25 países, desde o Brasil a Portugal, passando pela África do Sul e Itália. A candidata vencedora seráeleitaemOutubroporChristian Louboutin e um importante painel de jurados. As mulheres poderão aderir à iniciativa em www.facebook .com/martini, onde terão de fazer o upload de um pequeno vídeo demonstrando o porquê de serem elas as próximas estrelas Martini. A escolha de Louboutin para o júri internacional do Martini Royale Casting deveu-se ao seu estatuto como ícone do mundo da moda. Nos seus vinte anos de existência,osencantadoressapatos Louboutin têm-se diferenciado firmemente no mercado, marcando uma era. Os sapatos são imediatamente reconhecidos pela sola vermelha, a sua imagem de marca. Os seus modelos surtem em todos os lugares onde encontramos mulheres elegantes e com estilo. Para premiar o 20.º aniversário de Christian Louboutin e a sua dedicação ao design inovador e perfeição, a Mar-

tini irá também patrocinar a sua exposição retrospectiva no Museu do Design em Londres. Esta retrospectiva mostra criações icónicas de Christian Louboutin e uma carreira que tem superado os limites no que respeita ao design de calçado. “Tenho prazer em fazer parte do painel de jurados do Royale Martini Casting, associando-me a uma marca icónica, como a Martini,nestaprocura.Asuafilosofia ‘Luck is an attitude? é semelhante ao meu lema de vida – ‘Porquenão?’–eeuestouansioso de encontrar a mulher que exemplifica estas duas máximas”, diz

Christian Louboutin. O designer estará acompanhado por Yuri Buzzi no painel de selecção internacional. O aspirante aactorBuzzifoiescolhidocomoo vencedor 2011 Martini Kisser Casting de entre mais de 6000 participantes,nãosóporcausado seu talento em frente às câmaras, mas pela sua atitude positiva perante a vida, demonstrando verdadeiramente que “Luck is an attitude.” Arnaud Meysselle, director global da marca, diz que “o Martini Royale Casting está a provar ser uma maneira emocionante de a marca Martini se envolver

com a nova geração de amantes da marca. O nosso jurado internacional é um ícone do mundo da moda. Portanto, é para nós um privilégio Louboutin ter aceitado fazer parte do painel internacional de jurados e acreditar na filosofiaMartini, “Luck is an attitude.” Estamos muito entusiasmados com esta procura da próxima estrela feminina da Martini através dos 27 países que estão a participar no casting. Em Outubro, a estrela do Royale Martini Casting será revelada para nos ajudar a celebrar o cocktail para a nova geração – o Martini Royale.” O que se entende por “Luck is an attitude”? Martini lançou o conceito “Luck is an attitude” para o mundo em Setembro de 2011 ao verdadeiro estilo italiano em Roma com David Gandy e 2manydjs. A Martini acredita que não existe uma coisa chamada sorte. Cada um de nós pode criar a sua própria sorte com a atitude e o estado de espírito certos. “Luck is an attitude” é atrever-se a ser divertido, é aproveitar o dia e ser fiel a si mesmo e ao momento. Escrita nas paredes da sede da Martini, em Pessione, a frase “querer é poder” mostra que onde há uma vontade há um caminho. Esta tem sido a filosofia da Martini.


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EXPANSÃO

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6 de Julho 2012

EMPRESAS

GESTÃO

NACIONAL

06.07.12

GII investe O sucesso anunciado na capacidade da Felda Global dos distribuidores P13 Ventures P21

Novas fontes de financiamento para África P34

EMPRESAS

UNIVERSIDADE

WEEKEND

Universitários Novo serviço de catering a bordo e pós-graduados na banca nacional P27 em Julho P12

Selda estreia-se no mercado discográfico P43

COMUNICAÇÃO SOCIAL

Editorial

Conselhos de administração da TPA e da RNA tomam posse

NILZA RODRIGUES DIRECTORA EXECUTIVA

Restart: política cambial e divisas em jogo Edson Chagas

O ministro da Economia, Abraão Pio Gourgel, conferiu posse, terça-feira última (03/07), aos novos membros dos conselhos de administração (CA) da Televisão Pública de Angola (TPA) e da Rádio Nacional de Angola (RNA), nomeados recentemente pelo Presidente da República. Foram empossados 17 membros, nove dos quais da Rádio Nacional de Angola (RNA) e sete da TPA. Deste grupo, constam os novos dois presidentes dos conselhos de administração (PCA) da TPA, Hélder Manuel Bárber Dias dos Santos, e da RNA, Henrique Manuel João dos Santos. Além do PCA tomaram também posse pela RNA os administradores executivos António Sebastião Lino, Cândido da Rocha Pinto, Filipe Diatezua Nsungu Miguel, Maria Perpétua da Cruz Cabral, Manuel de Jesus Vital Dias e Miguel da Conceição Brás e os não executivos Humberto Jorge Machado de Passos e Carlos Alberto André Gregório. Para a Televisão Pública de Angola foi conferida posse aos

administradores executivos Manuel António da Silva, Nelson de Almeida, Manuel Florindo Rosa dos Ramos, João Maria Borges e Victor Fernandes, enquanto Maria de Lourdes Pereira de Lima Mouzinho e António Baptista foram empossados como administradores não executivos. Na presença da ministra da Comunicação Social, Carolina Cerqueira, os recém-empossados juraram fidelidade a cooperar na realização dos fins superiores do Estado, respeitar e fazer respeitar a lei e, com zelo e dedicação, cumprir as funções

para as quais foram nomeados. Na ocasião, o ministro da Economia, Abraão Gourgel, felicitou os novos membros dos conselhos de administração dos dois órgãos públicos, reiterando a sua impotência no sector da comunicação social em Angola. “Endereço aos empossados votos de muito sucesso no vosso trabalho, saúde e desejo, também, que as tarefas que essas duas empresas têm, e que são de dimensão muito elevada para a comunicação social e para o País, possam ser desempenhadas com zelo e empenho de todos”, disse.

NEGÓCIOS

Santoro reforça participação no BPI A sociedade gestora de participações sociais Santoro Finance – Prestação de Serviços passou a controlar 19,336% do banco português BPI ao ter adquirido um lote de acções representativo de 9,436% do capital social ao banco espanhol CaixaBank, informou o regulador do mercado. Num comunicado enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários, o BPI afirma ter-se concretizado, segunda-feira última (02/07) o negócio de venda daquela participação à SGPS controlada pela empresária Isabel dos Santos, na sequência da obtenção da decisão do Banco de Portugal de não-oposição à transacção. Este negócio tinha sido anunciado em Maio, tendo a Santoro Finance acordado pagar 0,50

euros por cada acção do BPI que comprou aos espanhóis do CaixaBank, passando a deter 19,336% do banco português, contra os anteriores 9,9%. Na mesma data, o CaixaBank informou o regulador de Espanha de que tinha assinado um acordo de venda de uma participação de 9,436% no Banco BPI à

O banco espanhol fica com 39,5% do BPI, enquanto a Santoro duplica a posição no banco para 19,43%

Santoro Finance por 46,7 milhões de euros, a 50 cêntimos do euro por acção, o mesmo preço a que as tinha pago ao banco brasileiro Itaú. O BPI tem sido alvo de uma reorganização accionista. Depois de o “La Caixa” ter anunciado em Abril a aquisição da participação de 18,87% do BPI ao banco brasileiro Itaú por 93,4 milhões de euros, no início de Maio ficou-se a saber que a instituição espanhola assinou um acordo para a venda, por 46 milhões de euros, da participação de 9,4% no BPI à holding Santoro, de Isabel dos Santos. Assim, o banco espanhol fica com 39,5% do BPI, enquanto a Santoro duplica a posição no banco para 19,43%, mantendo-se como a segunda maior accionista da instituição.

Não se trata de uma nova consola. Nem tão-pouco de um novo Game Boy com um novo circuito ou novos peões. O jogo é o mesmo, os players também, as regras é que são outras. E quem as impõe está firme nos seus intuitos e nas consequentes sanções... Em causa, a transferência de divisas para o exterior. O Expansão apurou, em primeira mão, que o banco central vai assumir uma nova postura a este respeito. O disposto lançado em 25 de Junho passado é explícito: “Está expressamente proibido o pagamento de importações sem recurso a reservas internacionais.” Assim, todo e qualquer pagamento para o estrangeiro tem de ser efectuado mediante transferência bancária e com divisas solicitadas ao BNA através dos bancos comerciais. Estes assumem o papel de polícias, a quem cabe fiscalizar se as mercadorias importadas e os serviços prestados correspondem às divisas disponibilizadas. A este novo rigor O cinto está acrescenta-se ainda o facto de que quem a apertar, mas há não tiver os impos- que estar preparado, tos em dia ou não respeitar a lei de igualmente, para branqueamento de um abrandamento capitais está out of the game. Em bom na economia face português, elimina- ao rigor dos novos do, proibido de fazer transacções desta procedimentos natureza. Outro alvo das novas regras cambiais são os pagamentos antecipados de importações, que só serão permitidos em casos excepcionais. E tudo porque são muitas as especulações e denúncias sobre os valores que saem de Angola para o mundo, sem como nem quê. O cinto está a apertar, mas há que estar preparado, igualmente, para um abrandamento na economia face ao rigor dos novos procedimentos, num momento em que o País está no auge do seu crescimento. Ainda esta semana, Angola é referida no relatório “Para dentro de África: Oportunidades Emergentes para Negócios” da autoria do Economist Intelligence Unit (EIU) como capaz de ultrapassar a África do Sul, actual maior economia do continente. Uma boa nova para o País, mas, entretanto, dura lex, sed lex...

Jornal Expansão  

Jornal Económico

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