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O meu grupo começou o segundo período do 11º ano na tecnologia de Multimédia. Antes de começarem estas aulas específicas numa proposta posteriormente apresentada, a turma começou por realizar um brainstorming de palavras relacionadas com o tema: “Fronteiras”. Assim, cada aluno escolheria cinco palavras constituintes do brainstorming, para a realização do seu projecto individual, estivesse ele integrado na tecnologia de Vídeo, Multimédia ou Fotografia. De seguida, já nas aulas da tecnologia , começámos por pensar numa história, como se fossemos fazer uma curtametragem. Estas proposta consistia em, depois de pensada a história, criar um “cinemagraph” que retratasse a nossa história num só frame. Cinemagraph é uma mistura de video e fotografia. Diferencia-se do ‘gif.’ animado na medida em que necessita de um maior cuidade na animação de uma só parte do resto de imagem estática. Posto isto, tivemos de pensar em vários conceitos, tendo em conta o tema principal “Fronteiras”, e pormenores da nossa história, como por exemplo, os planos de todas as cenas. Este foi um processo difícil e complexo pois, não só, o contéudodo da história, no seu modo conceptual seria muito elaborado mas também a história de uma maneira mais fisica teria de obedecer a regras básicas da construção de um argumento.

Algumas destas regras seriam a resposta, integrada na história, às perguntas: “Quem?”, “Onde?”, “Quando?”, “O quê?”, “Porquê?” E “Como?”. Para além disto, uma história deve, também um arco narrativo, ou seja, cumprir acções por uma ordem pré-definida: O primeiro acto, de modo a mostrar onde ocorre a história, o desenrolar da mesma e a caracterização do/dos personagens principais. O primeiro ponto de enredo é caracterizado por ser o momento decisivo no final do primeiro acto. O segundo acto é o miolo da história onde a personagem enfrenta problemas e obstáculos. O segundo ponto de enredo é o momento onde a personagem se depara com uma dificuldade ainda maior que no primeiro ponto de enredo. O clímax é o auge da história, onde a personagem toma a decisão mais importante do filme. Para redigirmos a nossa própria história, foi também preciso pensar e reflectir sobre alguns aspectos a salientar, como a iluminação, a composição e as referências de audio.


No início deste projeto, foi realizado um brainstorming, de onde cada aluno teve de retirar cinco palavras-chave, de forma a criar um conceito para o trabalho. As palavras que eu escolhi foram: Inocência, Desconhecido, Medo, Existência e Infinito. Deste modo, todas as minhas escolhas representam estes cinco conceitos: - a personagem principal: chama-se Diana e é uma criança com 12 anos de idade, olhos claros e cabelo escuro. Tem uma doença terminal e vive infeliz e perturbada. Representa a Inocência. - a sala escura: espaço entre o inferno e o céu. Representa o Medo e o Desconhecido. - as luzes: a escuridão representa a doença de Diana e a mente assustada e desorientada da personagem. O foco de luz significa a esperança da rapariga fazer a escolha acertada. - o colar: representa o Infinito. Na elaboração do argumento, tive em conta todos estes conceitos e ideias e, por isso mesmo, penso que resultaram muito bem uns com os outros.

Para a concretização deste projeto foram precisos vários elementos indispensáveis. Comecei por pensar na personagem e decidi que a atriz a desempenhar este papel seria a minha prima Carolina, pois tinha parecenças com a minha descrição. Posteriormente, tive de pensar nos objetos que precisava para realizar, por fim, o cinemagraph e percebi que tinha de arranjar um colar com o símbolo do Infinito. Desta forma, este processo demorou bastante tempo, pois o símbolo foi feito artesanalmente, na oficina de metais da escola. Depois disto, como este foi feito em cobre (a cor não era exactamente a esperada), comprei um spray de cor prateada para pintar o colar. Este, então, ficou com a cor pretendida e, depois de seco, foi só amarrar um fio de forma a que este pudesse baloiçar.


A personagem principal deste argumento é uma criança do sexo feminino, com doze anos, olhos e pele clara, e cabelo escuro, chamada Diana. Esta rapariga era uma criança normal e muito curiosa, que tentava conhecer tudo o que existia, com o objectivo de chegar até ao infinito.Vivia com os seus avós, pois os seus pais tinham morrido há já algum tempo, num acidente de avião. Um dia, a rapariga foi ao hospital, pois tinha marcada uma consulta de rotina. Inesperadamente e, sem saber porquê, Diana ouve o médico a chamar a sua avó, pois queria falar com ela sem que Diana ouvisse esta conversa. Assim, passados uns minutos, a sua avó entra, novamente, no consultório, e desata a chorar em frente à sua neta. Nesse momento, Diana ficou confusa, preocupada e percebeu, então, que algo de grave tinha acontecido. A sua avó, recusando-se a falar, levou a sua neta para casa, não dizendo uma única palavra durante a viagem. Ao ouvir os avós a falarem, a rapariga percebe que lhe fora detectado um cancro no cérebro, irreversível, e que só lhe restavam dois meses de vida.

Após este acontecimento, a rapariga seguiu a sua vida normalmente, indo à escola, convivendo com os seus amigos habituais e brincando como uma criança normal. Num dia como outro qualquer, quando a avó de Diana a vai buscar à escola, diz-lhe que tem uma prenda para ela. Diana, muito curiosa, pergunta-lhe, durante a viagem de carro da escola para casa, o que é. A avó mantém a surpresa em segredo, até que chega a casa e lhe entrega uma pequena caixa. Quando a rapariga a abre, lá dentro encontra-se um colar, com o símbolo do infinito pendurado. Uma tarde, nos últimos dias do segundo mês, Diana, quando chega a casa, senta-se na sua cama, pensando se prefere que algo a mate, ou seja, para a rapariga, seria um sinal de fraqueza, ou, pelo contrário, se prefere ser ela própria a acabar com a sua vida. Assim, apagamse as luzes do seu quarto, ficando este espaço completamente às escuras, não deixando Diana ver o que quer que fosse.


Este espaço, o quarto escuro de Diana, não se vendo o seu fim, representa o espaço entre o inferno e o céu. O escuro representa o medo, o desconhecido, a doença terminal da rapariga e também a mente assustada e desorientada de Diana, visto estar num sítio onde não tem qualquer sentido de orientação. Surge um foco de luz, de forma a representar a pouca esperança da escolha da rapariga ser ir para o céu e não para o inferno. Quando a rapariga vê o foco de luz reflectindo no seu colar, levanta-se, sobresaltada, repara que o seu colar está a baloiçar no seu peito, o que faz o nó pelo qual o fio estava preso desapertar-se e, então, cair no chão. Esta acção pretende representar a má escolha da criança, ao escolher ir para o inferno, ou seja, o suicídio. O inferno pode ser interpretado como uma metáfora ao medo do desconhecido, ou seja, a morte. Assustada e desorientada, a rapariga começa a correr e desaperece. Este acontecimento mostra a escolha de fugir aos problemas, que Diana tomou.

Uns anos mais tarde, a rapariga encontra o colar no sitío onde Diana está, ou seja, no inferno e, nesse momento, percebe que o seu colar estava ali com um propósito: mostrar que a decisão dela foi a mais errada, e que terá de permanecer naquele sitío até ao infinito, por muito que não seja a sua vontade.


Para a produção do meu projecto foi necessária uma equipa de filmagem, dos quais fizeram parte os meus colegas de turma: Henrique, como camera man; e Diogo, como técnico de luzes. Para além disto, foi preciso também um reflector, para que iluminasse a face da personagem. Este trabalho foi filmado no estúdio de vídeo, pois as suas paredes são pretas e, com as luzes, consegui um grande contraste. Não foi usada qualquer tipo de maquilhagem, de forma a que transparecesse uma maior naturalidade e, assim, realçando a ideia de inocência. Numa primeira fase, usei o primeiro plano como enquadramento da imagem mas, no entanto, surgiram vários problemas: o colar (objecto essencial deste trabalho) ficou cortado e o baloiçar do mesmo de um lado para o outro não resultava como esperado. Deste modo, o vídeo teve de ser gravado novamente, com outro tipo de plano: o plano médio. Desta forma, a leitura de todos os elementos presentes foi possível, sendo este, então, o vídeo final. Para a realização deste trabalho foram precisos os seguintes elementos: Reflector de luz, três focos de luz, um tripé e uma câmera de filmar.


Numa primeira fase, aquando da entrega e apresentação da proposta de trabalho, achei a mesma um pouco desinteressante, pois, do meu ponto de vista, a grande maioria do nosso trabalho seria pensar num argumento com todos os pormenores possíveis e, só depois, o cinemagraph propriamente dito. Visto que o meu interesse se direccionava mais para a parte prática do trabalho (a filmagem e pós-produção da mesma), as primeiras aulas, embora muito produtivas, não foram o que esperava. Apesar de tudo isto, penso que o maior obstáculo encontrado não só para mim, como para todos os outros meus colegas, foi a falta de tempo e, assim, o pouco que tínhamos não poderia ser desperdiçado. Consequentemente, foi uma proposta que exigiu não só empenho e dedicação durante as aulas como também em casa. Depois de melhor perceber o objectivo deste projecto, então compreendi que, de facto, a sua elaboração ia ser Em suma, penso que foi um trabalho bem conseguido, tanto a nível de proposta como, da minha parte, a nível técnico. Assim, posso dizer que estou muito curiosa para concluir este trabalho, pois penso que ficará com um resultado muito interessante.


Dossier Multimédia.Comunicação Audiovisual.2011/2012  

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