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ENGENHOS DE OURO


CACHAÇA

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CACHAÇA

ENGENHOS DE OURO


Diretores Claudio Schleder Claudio Schleder Filho

CACHAÇA

ENGENHOS DE OURO Editor e Diretor Claudio Schleder Diretor Executivo Claudio Schleder Filho Consultor Renato Frascino Redatora Colaboradora Solange Souza Direção de Arte RL Markossa Circulação Maria Adelina de Oliveira Diretora Administrativa e Financeira Tábata Schleder Impressão e Acabamento Prol Gráfica CACHAÇA • ENGENHOS DE OURO é uma publicação de INBOOK EDITORA Rua Jerônimo da Veiga, 428 – 8º Andar – CEP 04536-001 – Tel. (11) 3078-7716 – São Paulo – Brasil www.inbook.com.br © INBook 2014 Todos os direitos reservados ISBN 978-85-64654-11-2

CACHAÇA • ENGENHOS DE OURO não se responsabiliza pelos conceitos emitidos nos artigos assinados e anúncios ou mensagens publicitárias desta edição. As pessoas que não constam do expediente não têm autorização para falar em nome de CACHAÇA • ENGENHOS DE OURO. É proibida a reprodução parcial ou total desta publicação sem autorização.

Ilustração da Capa Hare Lanz


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daniel.mello-pereira@saint-gobain.com


Engenhos de coração A Inbook tem editado livros em nichos especiais para informar um público exclusivo, no mundo da arte, história, tecnologia e savoir vivre, que traduzimos simplesmente como saber viver. A prioridade é publicar livros inusitados, criando tendências. Nossa primeira publicação, Vinícolas de Charme foi dedicada especialmente aos vinhos produzidos no Cone Sul, e seguimos viagem em busca dos melhores rótulos fincados entre os Andes e as montanhas costeiras. Na sequência foram para o prelo, Champagne que trata dos top vinhos borbulhantes do planeta e depois Cervejaria, um guia do mercado de cervejas artesanais. Quando aceitamos o convite do consultor Renato Frascino para editarmos este livro Engenhos de Ouro, retratando o momento do boom dos engenhos de cachaça no Brasil, decidimos que o conceito do livro seria apresentar o personagem que está fazendo cachaça de qualidade e propondo coisas novas, e que transformou o engenho em seu projeto de vida. Nossa proposta foi acompanhar a rota deste movimento, com todas as dificuldades que se apresentaram em sua trajetória, porque este é um mercado competitivo, também parcialmente dominado por grandes corporações. Esses donos de engenho são pessoas que estão fazendo um trabalho bacana em seus alambiques artesanais, com um salto de qualidade inquestionável em seus produtos. O movimento se alastra pelo país inteiro, tem mais força em algumas regiões por razões óbvias, onde tudo é mais fácil, a matéria prima, a mão de obra e o mercado de consumo. Nossa seleção de engenhos usou um processo similar à destilação, somente o ‘coração’ do universo das cachaças, a parte mais nobre do mercado, foi convidada a participar do livro, para garantir a pureza da informação. Para finalizar, nos apropriamos de uma sentença filosófica e verdadeira, de um dono de engenho nada convencional, o músico e compositor Marcelo Bonfá, que revela muito do status quo deste movimento: “Se a gastronomia é o novo rock’n’roll, eu não poderia fazer ‘queijinhos’, eu tinha de fazer uma cachaça!” Claudio Schleder, editor


O momento do nobre destilado brasileiro: novo estilo, mantendo a tradição Após anos de estudo e pesquisas, assim como participando de provas e concursos de destilados, resolvi compilar os melhores engenhos do Brasil em um livro. Para realizar esse sonho, procurei a Inbook, editora com alto profissionalismo e qualidade editorial, e a jornalista Solange Souza, uma profissional de respeito. O Brasil possui seu território de norte a sul e de leste a oeste apropriado à cultura da cana-de-açúcar, trazida pelos portugueses da Ilha dos Açores e da Madeira, que em 1520 eram os maiores produtores. Assim, foram surgindo engenhos, com produção de açúcar e cachaça, em São Vicente (SP), Paraty (RJ), Pernambuco e outras regiões do Nordeste, Minas Gerais, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e São Paulo. Passaram-se os séculos e a cachaça acompanhou a história do país até os dias de hoje. Essa bebida nunca esteve no lugar certo, sendo menosprezada ou no mínimo pouco valorizada. Meu objetivo com este livro é mostrar o valor de empresários que vêm investindo na busca de excelência, com alto controle de qualidade e higiene, com tecnologia do campo ao copo e respeito ao consumidor nacional e internacional. É preciso ter cuidado quando usamos a palavra “artesanal”,mas com ela, refiro-me à cachaça elaborada dentro de padrões sanitários e técnicos elevados, envolvendo o plantio da variedade adequada de cana, o desenvolvimento das leveduras apropriadas, a destilação exímia, o armazenamento cuidadoso, seja em tonéis de madeira próprias para a tanoaria ou em tanques de aço, além da paixão do produtor, o que resultará em uma bebida de excelência. Nas páginas a seguir, vamos mostrar os verdadeiros engenhos de ouro do Brasil, que elaboram uma cachaça de qualidade, em embalagens que destacam essa bebida brasileira. A cachaça bem feita possui aromas primários e sabores típicos, provenientes da cana-de-açúcar, sendo possível identificar outros, frutados, incluindo os cítricos, assim como notas minerais. Quando armazenada em tonéis de carvalho ou em madeiras brasileiras por alguns anos, destacam-se aromas mais complexos, secundários, que vão desde mel, baunilha coco, anis, cítricos, até frutas secas, couro e especiarias. Para concluir, a cachaça, o nobre produto brasileiro, requer muito conhecimento, técnica e tecnologia, assim como embalagem elegante e muito amor de quem a elabora. O consumidor deve degustar em copos apropriados, sendo usual os típicos para “shots” e, mais recentemente, os cálices, para se apreciar melhor os aromas e sabores. A cachaça pode ser degustada tanto pura quanto em coquetéis (em copos adequados), acompanhando pratos e canapés. Independente do copo utilizado, a apreciação lenta e a moderação da dose ao consumo são recomendadas. Convido vocês a percorrer cada uma dessas páginas, descobrindo a evolução da cachaça nestes últimos anos e a seriedade com que tem sido tratada pelos produtores. Renato Frascino, Curador e pesquisador

De origem de uma família de usineiros, técnico sensorial de bebidas e alimentos – formado pelo professor Dante Calatayud – vice-presidente de pesquisa e desenvolvimento nos laboratórios da Heublein/Diageo – 1980


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Retrato do bom momento dos

Engenhos Bebida genuinamente brasileira, obtida a partir da destilação do mosto fermentado de cana-de-açúcar, a cachaça encontra-se hoje em um dos seus melhores momentos. Os grandes investimentos na produção, com o uso de tecnologia de ponta, combinado com a tradição, o cuidado

Velho Engenho Santa Izabel, localizado ao lado da rodovia que liga os municípios de Areia a Alagoa Grande no estado da Paraíba. A foto foi provavelmente tirada em meados dos anos cinquenta, e mostra em toda a sua plenitude os momentos áureos deste engenho

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com todo o processo produtivo, incluindo o aspecto da sustentabilidade ambiental e social, e a apresentação em embalagens elegantes certamente têm contribuído para a mudança de patamar da cachaça, valorizada tanto no mercado interno quanto no exterior. Atualmente, uma vasta


gama de rótulos provenientes de várias regiões pode ser encontrada não

Moinho de açúcar, cerca de 1835

somente em bares e botequins, como também nas cartas dos melhores restaurantes do país. Além da dedicação dos produtores, colaboram para a sua valorização a criação de entidades regulamentadoras, como o Instituto Brasileiro da Cachaça (Ibrac), e feiras como a Expocachaça, com premiações feitas a partir de degustações às cegas. Por outro lado, a participação da bebida, com excelentes resultados, em importantes concursos internacionais como o Concours Mondial de Bruxelles e o World Spirits Competition, em São Francisco (EUA), reforçam o seu crescimento qualitativo, colocando-a entre os principais destilados do mundo. O consumidor também tem um importante papel no crescimento qualitativo da bebida, ao buscar produtos de diferentes terroirs, como Paraty, RJ, e Salinas, MG, regiões demarcadas pelo Sebrae, e outras que começam a despontar nesse cenário, caso de engenhos do Rio Grande do Sul, Alagoas, Pernambuco, São Paulo e outras localidades do Rio de Janeiro, além de Paraty. CACHAÇA • ENGENHOS DE OURO

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Retrato do bom momento dos Engenhos

A origem da cachaça confunde-se com a história do País e envolve a combinação das culturas indígena, portuguesa e africana. No capítulo dedicado às “Bebidas do Brasil” no livro História da Alimentação no Brasil, de Luís da Câmara Cascudo, ele relata: “Os indígenas e africanos no século XVI usavam bebidas fermentadas. O português, bem antes, já conhecia as obtidas pela destilação”. Portanto, o surgimento da cachaça foi natural e teve início com a expansão da cultura da cana-de-açúcar pelo país. Durante o ciclo do açúcar, surgiram pequenos engenhos que produziam cachaça, e em 1629 existiam mais de 300 deles espalhados pelo Brasil.

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Trazida da ilha dos Açores pelos portugueses, a cana começou a ser cultivada praticamente ao mesmo tempo em São Vicente, no litoral paulista, e em Pernambuco, estendendo-se depois à Bahia e ao Maranhão. Em 1532, surgiram os primeiros engenhos em São Vicente e em 1535 em Pernambuco. Com a exploração dos minérios em Minas Gerais, os engenhos chegaram a esse Estado, que se transformou em uma renomada região produtora de cachaça. Como esses minérios eram escoados para Portugal pelo porto de Paraty, RJ, a bebida passou a ser produzida nessa localidade, reconhecida por sua tradição em cachaças de qualidade.

Fazenda e engenho de açúcar e cachaça em Pernambuco, cerca de 1635

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Retrato do bom momento dos Engenhos

A colheita da cana, artista anônimo

Alguns historiadores acreditam que o nome dessa bebida tem origem na palavra espanhola cachaza, usada na Península Ibérica para descrever um vinho inferior, obtido com as borras da primeira fermentação (bagaceira), abrasileirada para denominar a aguardente de cana. Os primeiros relatos sobre a cachaça datam do ano de 1610, quando era consumida pelos escravos e “filhos da terra”, como mencionado no referido livro. No período da escravidão, era usada como remédio e como moeda de troca e entre 1639 e 1659 a bebida passou por várias fases de proibição, decretadas pela Coroa Portuguesa. Em 1808, a aguardente de cana era considerada um dos principais produtos da economia brasileira, apreciada também pelos nobres.

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© Liza Flores

Seu consumo, muitas vezes, esteve associado a um cunho político, como no período pré-independência, quando em sinal de patriotismo

Alambique Vila Verde, com produção artesanal e tecnologia pensada especialmente para cachaça

substituiu as bebidas vindas de Portugal, durante a conjuração mineira em 1789 e na revolução pernambucana em 1817, sempre como uma forma de reforçar a oposição aos portugueses. Na semana de Arte Moderna de 1922, a cachaça ganhou os intelectuais, na tendência de reforçar os produtos nacionais. Outro momento histórico importante em que essa bebida esteve presente foi na comemoração dos 500 anos do Brasil, em 22 de abril de 2000, quando o então presidente Fernando Henrique Cardoso fez um brinde com cachaça. Em 1994, a cachaça foi declarada Patrimônio da Cultura Brasileira e apenas em 2012 foi reconhecida como produto de origem brasileira pelos Estados Unidos. CACHAÇA • ENGENHOS DE OURO

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índice engenhos de ouro

Retrato do bom momento dos Engenhos....................... 14 Armazem Vieira............................................................................................................................................................ 22 Áurea Custódio......................................................................................................................................................... 24 Barreiras............................................................................................................................................................................................ 26 batista.......................................................................................................................................................................................................... 28 alambique Bel Vedere............................................................................................................................... 32 Bento Albino........................................................................................................................................................................34 Cambraia........................................................................................................................................................................................... 36 Casa Bucco............................................................................................................................................................................... 40 Casa do Engenho................................................................................................................................................ 42 Companheira........................................................................................................................................................................44 Coqueiro.......................................................................................................................................................................................... 46 da boa......................................................................................................................................................................................................... 48 da quinta....................................................................................................................................................................................... 50 Dona Beja......................................................................................................................................................................................... 54 Engenho Caraçuípe.......................................................................................................................................58 ENGENHO D’OURO..................................................................................................................................................... 60 Engenho São Luiz................................................................................................................................................ 62 Engenho São Paulo..................................................................................................................................... 64 Espírito de Minas........................................................................................................................................................68 Fazenda Soledade................................................................................................................................................. 70 Fuzuê................................................................................................................................................................................................................ 72 germana............................................................................................................................................................................................. 74 Gogó da Ema.......................................................................................................................................................................78 Gouveia Brasil............................................................................................................................................................... 80 Guaraciaba............................................................................................................................................................................. 84 Harmonia........................................................................................................................................................................................86


Harmonie Schnaps.............................................................................................................................................88 Leblon........................................................................................................................................................................................................... 90 Magnífica....................................................................................................................................................................................... 92 Matriarca..................................................................................................................................................................................... 94 Paratiana........................................................................................................................................................................................96 Pedra Branca......................................................................................................................................................................98 Perfeição Perfeição..................................................................................................................................... 100 Prazer de Minas.........................................................................................................................................................102 Reserva do Barão..............................................................................................................................................106 Reserva do Nosco.............................................................................................................................................108 Rio do Engenho.........................................................................................................................................................110 Sanhaçu.............................................................................................................................................................................................. 112 Santa Terezinha....................................................................................................................................................... 114 Santo Grau Itirapuã...............................................................................................................................116 Santo Grau Coronel Xavier Chaves.................................................118 Santo Grau Paraty.....................................................................................................................................120 Sapucaia............................................................................................................................................................................................ 122 Seiva Missioneira...................................................................................................................................................124 TRIUMPHO......................................................................................................................................................................................... 126 Vale Verde...................................................................................................................................................................................... 128 Velho Alambique................................................................................................................................................ 132 Volúpia..................................................................................................................................................................................................134 Weber Haus................................................................................................................................................................................. 136 Werneck............................................................................................................................................................................................... 138 yaguara............................................................................................................................................................................................ 140 boteco de ouro...................................................................................................................................................... 144 Senhores do Engenho........................................................................................................................150


As condições de clima e solo e o tipo de cana-de-açúcar “cana fita” (Saccharum

sinensis) cultivado na região, resultam em uma cachaça com características únicas. A Canafita Indústria de Bebidas, empresa que produz as cachaças armazem vieira, foi indicada para o International Qualit Summit Award, em Nova York, EUA, na categoria Ouro, pela qualidade de seu trabalho

Armazem Vieira Originária de Florianópolis, SC, a cachaça armazem foi lançada em 1985 e logo conquistou o Brasil. Desde então, tem sido destacada pelo seu aroma e sabor em diversas revistas de distribuição nacional e conquistado cada vez mais os consumidores dentro e fora do país. Em 2009, a Canafita Indústria de Bebidas, empresa que produz as cachaças armazem vieira, foi indicada para o International Qualit Summit Award, em Nova York, EUA, na categoria Ouro, pela qualidade de seu trabalho. A história dessa cachaça teve início em 1983, quando os engenheiros e blenders Wolfgang Schrader e Renato Grasso Bollo adquiriam o armazem vieira, um edifício declarado patrimônio histórico e que data de 1840, onde funcionou um entreposto marítimo na pequena baía do Saco dos Limões. Esse entreposto foi um importante marco na comercialização entre as diferentes freguesias da região, bem como com os navios e veleiros internacionais que aportavam na Ilha para se abastecer de água, café, farinha de mandioca e açúcar, entre outros produtos, além de artigos náuticos e da cachaça, que já era produzida na Ilha desde o século XVIII. Fascinados por essa tradição, Schrader e Grasso Bollo estudaram e pesquisaram

vieira

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bastante antes de criar sua própria história e começar a produzir a cachaça armazem vieira. Esta cachaça é envelhecida naturalmente, por longos períodos, de até 30 anos, em tonéis de ariribá e grápia, madeiras nativas da região. A linha de produtos inclui as cachaças armazem vieira turmalina, safira, esmeralda, porto nossa senhora do desterro, rubi, terra e ônix. A armazem vieira turmalina repousa até um ano em tonéis de madeiras brasileiras, sendo ideal para caipirinhas e outros drinques. A armazem vieira safira passa três anos em ariribá e seu sabor remete ao açúcar mascavo, sendo também indicada para drinques. A armazem vieira esmeralda é envelhecida por quatro anos em ariribá, que aporta complexidade de aromas, deixando ao mesmo tempo um toque suave da madeira. A armazem vieira porto nossa senhora do desterro, também conhecida como tradicional por ter sido a primeira a ser engarrafada em 1985, é envelhecida por seis anos em tonéis de ariribá e grápia, sendo ideal para ser servida pura, “on the rock’s” ou em coquetéis.


A armazem vieira rubi, lançada no ano 2000, permanece durante oito anos em contato com essas madeiras, sendo uma cachaça mais complexa. A armazem vieira terra é envelhecida durante 12 anos em tonéis dessas madeiras nativas, resultando em uma bebida complexa e aveludada, ideal para ser degustada pura ou para acompanhar um bom charuto. A armazem vieira ônix apresenta características únicas de envelhecimento, pois permanece 16 anos nos antigos tonéis do armazem vieira, uma cachaça complexa que pede um momento especial. www.armazemvieira.com.br Rua Aldo Alves, 15 – Saco dos Limões Florianópolis – SC Tel: (48) 3333-8687 voce@armazemvieira.com.br

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Áurea Custódio

A Áurea CUSTÓDIO utiliza apenas leveduras selecionadas com alto grau de pureza, classificadas e identificadas por DNA. A fermentação ocorre de maneira assistida, no qual é acompanhado, passo a passo, o andamento de todos os eventos envolvidos nesta etapa

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Ela surgiu de forma espontânea, como um sinal da natureza e do terroir do município mineiro de Ribeirão das Neves, região metropolitana de Belo Horizonte. Onde hoje está o engenho, em uma área de transição - entre a endêmica Mata Atlântica e o Cerrado, com rico solo para diversas culturas -, a cachaça áurea custódio nasceu das mãos dos produtores de leite, Luiz Flamarion e de seu pai Flamarion Ferreira. Em 1984 durante a época de estiagem, o pasto secava e a melhor alternativa era oferecer cana-de-açúcar picada ao gado para complementar a alimentação. Nos meses de outubro e novembro as chuvas retornavam e os pastos começavam a brotar novamente. Já não era mais necessário o uso da cana. Contudo, era preciso cortá-la para que ela pudesse produzir para a safra do ano seguinte. Como resultado havia um excedente, sem utilidade, que teria que ser descartado. Naquela época o assunto sustentabilidade ainda era algo novo, mas já havia no ar conceitos e filosofias pontuais surgindo no país. O funcionário da pequena produtora, Ozório Damasceno, sugeriu então, transformar todo o excedente em algo produtivo, encaminhado para alambiques de outros engenhos, dando uma destinação correta às sobras. Por treze anos a família Flamarion adquiriu expertise, colhendo conhecimento através de parcerias com diversos bons produtores da região, até que em 1997 a áurea custódio foi criada, com seu engenho próprio. Ela ganharia mercado, tendo a qualidade como filosofia central e assim, poder entrar para o hall de uma das melhores cachaças do país. Hoje, o processo de produção é minucioso e começa a ser construído no momento da colheita, com cuidadosa seleção das canas. A escolha é realizada com rigoroso controle, pois trata-se da única e principal matéria-prima da cachaça. Ela é processada


e não somente esmagada para a retirada do caldo. São aplicadas diversas técnicas para eliminar a maior quantidade possível de substâncias estranhas ou nocivas à fermentação. São utilizadas apenas leveduras selecionadas com alto grau de pureza, classificadas e identificadas por DNA. A fermentação ocorre de maneira assistida, no qual é acompanhado, passo a passo, o andamento de todos os eventos envolvidos nesta etapa. Já a destilação é fracionada, com a devida separação técnica da chamada “cauda e cabeça”, parte inicial e final da cachaça de baixa qualidade. Após o processo de elaboração de uma bebida premium, o líquido segue para evoluir em tonéis de carvalho europeu por até cinco anos. Como resultado surgem cachaças reconhecidas por especialistas e em alguns principais concursos de avaliação do país. Entre diversos prêmios relevantes, a áurea custódio foi eleita em primeiro lugar no ranking da revista Veja em 2012.

Também venceu o desafio promovido pela rede Accor de Hotéis em 2005 - em competição às cegas. Foi eleita a número 1 no Festival Gastronômico de Tiradentes (MG) em 2003/2004 e no Concurso Oficial da Cachaça de Minas em 2009/2010, promovido pela Federação Nacional das Associações de Cachaça do Brasil. Outro reconhecimento de destaque foi o terceiro lugar no ranking nacional promovido pela revista VIP no ano passado. São três linhas que completam o portfólio da cachaça áurea custódio: a áurea caipira descansa por um ano em barrica e é destinada para a elaboração de drinks diversos. Os produtos premium da empresa são as bebidas com longo período de envelhecimento em carvalho europeu: a áurea 3 anos e a 5 anos. Km 516, BR 040 – Munícipio de Ribeirão das Neves – MG Tel: (31) 3223-6653

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Barreiras

A cachaça barreiras, um produto 100% natural e artesanal, é proveniente da pequena cidade de Senador Modestino Gonçalves, que fica a 90 km de distância da cidade histórica de Diamantina. As mãos do mestre cachaceiro seguem à risca o processo artesanal que teve início há mais de 300 anos na região e tem conquistado e agradado os mais finos paladares

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A região do Vale do Jequitinhonha, no nordeste do estado de Minas Gerais, é conhecida por suas belezas naturais, por sua cultura de raízes indígena e africana e pelo famoso artesanato de cerâmica, com suas bonecas moldadas por cenas do cotidiano. Nessa região diferenciada, encontra-se a Fazenda Barreiras. Conhecida inicialmente como a sede de uma mineradora, também se transformou, cinco anos atrás, em um campo para produção da mais antiga e consumida bebida brasileira: a cachaça. Com um toque de empreendedorismo do administrador de empresas Antônio Augusto Barbosa Melo e do engenheiro de minas Ramiro Dias Toledo, parte da fazenda foi transformada em um moderno centro produtor de cachaça, equipado com alambique de cobre,  vários barris de carvalho para armazenamento, canavial próprio e capacidade para elaborar dois mil litros por mês, sempre com a filosofia de produzir uma bebida digna dos grandes apreciadores.


A cachaça barreiras, um produto 100% natural e artesanal, é proveniente da pequena cidade de Senador Modestino Gonçalves, que fica a 90 km de distância da cidade histórica de Diamantina. As mãos do mestre cachaceiro seguem à risca o processo artesanal que teve início há mais de 300 anos na região e tem conquistado e agradado os mais finos paladares. Os cuidados na produção têm início desde o cultivo da cana-de-açúcar, que é beneficiado pelas características favoráveis, tanto no clima quanto no solo, e é feito sem nenhuma adição de agrotóxicos. Segue-se um processo com um alto padrão de controle em todas as etapas: colheita, moagem, fermentação, destilação e armazenamento, de modo a garantir o melhor produto, em qualidade e procedência. Atualmente, são produzidos dois tipos de cachaça barreiras: a prata, que não passa pelo processo de envelhecimento, e a ouro, armazenada durante dois anos em carvalho. A primeira é frutada e fresca, sendo ideal para a

elaboração de drinques, como a clássica caipirinha. A ouro, ganha complexidade e sabor, com o período em que passa para apuração no “roble”, sendo indicada para ser bebida pura ou com gelo. A cachaça barreiras é distribuída e comercializada desde o fim de 2013, sendo seu principal revendedor em Belo Horizonte os Supermercados Verdemar. Já participou de várias feiras como o Festival Mundial de Cachaça de Salinas, Superminas, Expocachaça e Cachaça Gourmet, conquistando reconhecimento, admiradores e mercado em Minas Gerais e São Paulo. É uma bebida com fórmula exclusiva, cor inconfundível, aroma suave e sabor especial, ingredientes que todo bom apreciador exige. www.cachacabarreiras.com FazendaBarreiras – Zona Rural – Estrada Penha de França – km 2 Senador Modestino Gonçalves – MG Tels: (38) 3525-1212 / (38) 3261-6802

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batista A cachaça batista foi fundada pelo Sr. José Batista de Oliveira, em 1943, na Fazenda Cachoeirinha, na cidade de Sacramento, situada no Triângulo Mineiro, em terras que limitam com o Parque Nacional da Serra da Canastra. Naquela época, em plena Segunda Guerra Mundial, com o Brasil em crise na produção de açúcar, José Batista cultivava em sua fazenda uma variedade de cana conhecida como “Argentina” ou “Tucumã”, que era utilizada na fabricação de rapaduras para suprir o desabastecimento do açúcar. Foi então que ocorreu a José Batista a ideia de fermentar e destilar o caldo feito das rapaduras, inaugurando assim a produção da bebida que se tornaria uma lenda na região. Em 1958, a marca produzida por José Batista de Oliveira, na época nomeada “Caninha Batista”, ganhou a famosa logomarca da estrela – associada ao slogan “a Estrela das Gerais” – encantando paladares até 1974, quando foram paralisadas suas atividades. Hoje, pouquíssimas garrafas

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daqueles primeiros tempos são guardadas como joias raras na coleção de poucos privilegiados. Ao completar 90 anos, o Sr. José Batista confessou ao genro Marco Antonio Afonso da Mota o desejo de dar continuidade ao seu projeto. Desafio aceito, Marco Antonio herdou os segredos e técnicas de como se fazer uma boa cachaça e segue perpetuando o sonho do sogro, mantendo acesa a lenda da bebida e sua qualidade inigualável. Em 2008, com entusiasmo e aguçado espírito empreendedor, Marco Antônio e o filho, Marco Elísio, construíram na Fazenda Boa Sorte as novas instalações da cachaça batista, resgatando uma tradição de mais de 70 anos, renovada por modernas técnicas de produção. Hoje, a nova fábrica consolida sua posição como empreendimento que honra a tradição da marca e projeta um novo ciclo para sua permanência num cenário francamente receptivo à cachaça brasileira de alambique.


Em 1958, a marca ganhou a famosa logomarca da estrela associada ao slogan “a Estrela das Gerais” – encantando paladares até 1974, quando foram paralisadas suas atividades. Hoje, pouquíssimas garrafas daqueles primeiros tempos são guardadas como joias raras na coleção de poucos privilegiados

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batista A Fazenda Boa Sorte mantém, muito além do que a legislação exige, sua área preservada com vegetação predominante de cerrado e transição para nichos remanescentes da Mata Atlântica. Uma rica diversidade de fauna e flora, clima ameno, sol e chuva em regimes equilibrados. Cenário acolhedor para elaborar uma cachaça de excelência. Um dos diferenciais de qualidade da cachaça batista está no terroir da região, com a mata nativa protegida no entorno da fábrica, solo e condições climáticas favoráveis ao cultivo da cana e à fermentação – tradicionalmente mantida com fermento “selvagem” ou “caipira” – tornando possível o resgate de características originais da produção da nossa cachaça e propiciando aromas desejáveis ao destilado. Em cada etapa da produção é adotado um rigoroso controle de qualidade, mediante práticas ambientalmente corretas, instalações e equipamentos de alta tecnologia e colaboradores especializados, um conjunto de fatores que conferem ao produto final um padrão que mereceu a Certificação de Qualidade Inmetro.

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Tradicionalmente, a destilação é realizada em alambiques artesanais de cobre e o destilado repousa então em barris de carvalho de origem francesa e americana, além de uma tiragem especial de carvalho oriundo do Leste Europeu, cuidadosamente selecionada, com uso programado para, no máximo, quatro anos. A cachaça batista é uma das pioneiras em utilizar na sua adega barris de carvalho de primeiro uso. Hoje, a batista conta com grande variedade de opções de envelhecimento, com madeiras de tostas variadas. Com isso, abre-se um novo horizonte de pesquisas sensoriais, uma verdadeira universidade dos sentidos. Com a preservação do meio ambiente e a valorização dos parceiros que a natureza oferece – flora, fauna, recursos aquíferos –, a Fazenda Boa Sorte reúne atrativos que vão além da qualidade de sua cachaça, criando um ambiente propício para roteiros de turismo temático, onde visitantes e degustadores encontram um cenário natural acolhedor, matas e lagos, uma


bela capela em estilo colonial brasileiro, equipamentos e peças de um acervo que resgata a história da região. Digna dos melhores degustadores, colecionadores e sommeliers de cachaça, essa bebida extraordinária renasce com novo design nas embalagens da linha standard, na versão prata e ouro, e na nova linha premium, ambas com garrafas importadas de padrão internacional. Sua fórmula consiste em harmonizar tecnologia e sensibilidade para produzir a famosa “cachaça da estrela” em moldes que honram a tradição da cachaça brasileira de alambique. Mais recentemente, a alta qualidade do nosso destilado vem atraindo o interesse de investidores internacionais, inaugurando, agora em 2014, uma nova era da nossa história.

A cachaça Batista Ouro – série especial comemorativa de 70 anos da fundação da fábrica – é um blend equilibrado e elegante composto por cachaças selecionadas das safras 2009

www.cachacabatista.com.br Rodovia MG 428 – Km 101 – Zona Rural de Sacramento – MG Tel: (34) 3351-2337

e 2010, que passaram por barricas de carvalho francês e por tonel de jequitibá rosa

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alambique Bel Vedere A cantina e alambique bel vedere são fruto do trabalho e da experiência acumulados ao longo de três gerações da família Scarton. Hoje, a empresa é administrada por Luis Antônio Scarton e as cachaças bel vedere se destacam pela forma que conseguiram manter a tradição de qualidade dos produtos sem deixar de acompanhar a modernização da indústria. Seu sabor diferenciado é resultado da estocagem e envelhecimento em barricas de carvalho, cabreúva e grápia. Localizada no interior de Augusto Pestana, na localidade de Rosário, RS, conserva ainda a essência dos ideais trazidos pelos seus antepassados que vieram da Itália. O processo de produção obedece a um rígido controle de qualidade desde a origem da matéria-prima. A cana-deaçúcar é cultivada sem uso de agrotóxicos, a colheita é feita manualmente sem queimar e para a limpeza da lavoura é usada a capina manual. As condições ideais de solo e clima dessa região favorecem o cultivo da cana, que é colhida em seu melhor ponto de doçura. A chegada do inverno faz com que a cana-de-açúcar complete naturalmente seu ciclo vegetativo, amadurecendo por completo, propiciando mais qualidade à garapa (caldo da cana) obtida a partir da decantação e filtragem, após a moagem da cana. O processo de fermentação é feito com leveduras selecionadas, eliminando possíveis aromas e sabores indesejáveis. A cachaça bel vedere é processada em uma moderna destilaria, em condições capazes de garantir higiene absoluta ao ambiente e pureza total à bebida, sendo todos os equipamentos revestidos com aço inoxidável e polipropileno. Além disso, os espaços de produção têm revestimento de cerâmica. O produto é envasado na origem, em garrafas de vidro transparente específicas para exportação e com qualidade

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A filosofia da bel vedere é preservar seu patrimônio, experiência acumulada ao longo de três gerações da família Scarton que produz tradicionalmente bebidas de qualidade superior sem deixar de acompanhar a modernização da indústria


certificada pelo Ministério da Agricultura. Nesse processo de fabricação artesanal, por ser um sistema intermitente que produz 300 litros de cachaça por vez, se consegue por meio de descarte dos primeiros 10% do produto (cabeça) e dos últimos 20% (cauda), eliminar os elementos nocivos à saúde, que dariam aromas e sabores desagradáveis à bebida final. Apenas o coração é aproveitado, o que dá à cachaça de alambique bel vedere um sabor e um aroma diferenciado e inconfundível. Mais que uma bebida autenticamente brasileira, a cachaça é hoje considerada um patrimônio do país. Mesclando doçura e pureza, seu sabor característico traduz a essência do povo desse país tropical. A filosofia da bel vedere é preservar esse patrimônio, produzindo bebidas de qualidade superior. O resultado se reflete nos prêmios conquistados. A bel vedere premium e a ponto

alto ouro ganharam na Expo-Cachaça Dose Dupla 2013 de SP medalha de ouro nas suas categorias. Durante a Expocachaça 2014 realizada em Belo Horizonte, MG, o alambique bel vedere conquistou duas medalhas, sendo ouro na categoria Madeiras Brasileiras com a cachaça ponto alto ouro, e prata na categoria Carvalho com Cachaça para a bel vedere premium. A cachaça bel vedere premium 3 anos obteve medalha de ouro na 15ª edição do Councours Mondial Spirits Selection, do Mundial de Bruxelas, realizado em Florianópolis também em 2014.

www.alambiquebelvedere.com.br Município de Augusto Pestana – Distrito de Rosário – RS Tels: (55) 9178-2413 / (55) 3332-9971 cantina.belvedere@hotmail.com

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Bento Albino A cidade de Maquiné, RS, que atrai turistas em busca de suas cachoeiras e outras riquezas naturais, é conhecida pela produção de cachaça desde 1790, pelo fato de a cana-de-açúcar se adaptar muito bem nas encostas dos morros que miram o litoral. A história da cachaça bento albino, produzida no Alambique do Espraiado desde 2002, tem origem nessa tradição e é inspirada no jovem tropeiro de mesmo nome, que nos anos 1930-1945 transportava a bebida dos alambiques do litoral para a Serra Gaúcha, com sua tropa de mulas carregando os pequenos barris pendurados em cangalhas. Na época, era comum que os pequenos produtores delegassem aos melhores tropeiros a tarefa de distribuir suas cachaças a diversos locais na região. Como a imagem do referido tropeiro ficou muito associada a um produto de qualidade, seu nome foi escolhido como a marca do Alambique do Espraiado, que mantém a filosofia de criar bons momentos por meio de sua cachaça, combinando a tradição de Maquiné à mais alta tecnologia para produzir uma bebida de excelência. O processo de produção da bento albino se diferencia desde o cultivo, feito pelo método orgânico. A cana-de-açúcar proveniente dos morros tem um sabor muito especial e a utilizada na produção das cachaças tem entre 1 e 2 anos de idade, colhida em seu melhor ponto de maturação, apresentando alto teor de sacarose. O manejo dos canaviais é feito por capina

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Inspirada no jovem tropeiro de mesmo nome, a BENTO ALBINO vêm acumulando prêmios e conquistando paladares em todo o Brasil e no exterior, possuindo certificação do Inmetro e produzida pelo método orgânico


manual, sem queimadas, o que não causa danos ao meio ambiente. A moagem ocorre em 18 horas após o corte; a garapa é peneirada, decantada e filtrada, para que se obtenha um produto livre de impurezas. A fermentação é natural e ocorre em até 24 horas, com controle de temperatura. A destilação, em alambiques de cobre, é realizada uma única vez para manter o aroma e o sabor característicos da cana. As cachaças do Alambique do Espraiado são obtidas do coração, parte nobre da destilação. O envelhecimento é feito em barris de inox para as cachaças da série prata, o que mantém seu frescor e o caráter frutado, tornando-as ideais para o preparo de caipirinhas e outros drinques. As da série ouro são envelhecidas em barris de carvalho por dois anos; a extra premium passa quatro anos em barris de carvalho e pode ser encontrada em embalagem diferenciada de 810 ml, além da versão em garrafa de 750 ml. São bebidas mais estruturadas e complexas, tanto em aromas quanto em sabores.

As cachaças bento albino, que vêm acumulando prêmios e conquistando paladares em todo o Brasil e no exterior, possuem certificação do Inmetro. Em 2010, a bento albino Prata recebeu medalha de prata no International Spirits Award; nesse mesmo ano, a extra premium obteve a Grande Medalha de ouro no Concurso de Bruxelas. Em 2014, a extra premium obteve medalha de ouro no Concurso de Bruxelas, além de ter sido eleita pela Cúpula da Cachaça entre as 20 melhores do Brasil. O Alambique do Espraiado está aberto para visitação diariamente, das 7h às 19h. www.bentoalbino.com.br BR 101, Km 67, Maquiné – RS Tels: (51) 3022-3952 / (51) 3628-1235 (fábrica) cachaca@bentoalbino.com.br

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Em 2013, a cambraia 1 ano recebeu medalha de bronze na categoria Cachaças Envelhecidas em Carvalho, em uma degustação às cegas realizada pela Expocachaça Dose Dupla. Esse prêmio veio confirmar a qualidade e a excelência das cachaças da marca

Cambraia Um ano antes de completar 90 anos, a tradicional indústria de bebidas Pirassununga lançou sua primeira cachaça artesanal – a cambraia –, em embalagens elegantes e diferenciadas que reforçavam o posicionamento da marca na categoria premium e extrapremium. Originalmente, o produto foi apresentado em duas versões: a cambraia 1 ano premium e a cambraia 3 anos extrapremium, ambas envelhecidas em tonéis de carvalho francês. A primeira, mais suave, é ideal para a caipirinha e outros drinques e a segunda, mais complexa, é perfeita para ser degustada pura. Em 2013, a cambraia 1 ano recebeu medalha de bronze na categoria Cachaças Envelhecidas em Carvalho, em uma degustação às cegas realizada pela Expocachaça Dose Dupla. Esse prêmio veio confirmar a qualidade e a excelência das cachaças da marca. Em 2011, foi lançada a cachaça cambraia 5 anos, versão extrapremium que passa cinco anos em tonéis de carvalho francês de 250 litros. O resultado é uma bebida complexa, de paladar aveludado, com notas de baunilha, frutas secas e chocolate, mescladas ao suave sabor da cana-de-açúcar e do carvalho. Uma bebida refinada e elegante para ser degustada pura como um bom single malt. Apresentado inicialmente no mercado externo, esse rótulo recebeu medalha de ouro tanto como bebida quanto em design de embalagem na categoria de cachaças envelhecidas por mais de três anos na competição “Cachaça Master 2011”, promovida pela revista britânica The Spirits Business, uma das mais importantes publicações europeias do setor de bebidas. 36

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cambraia

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Em 2011, foi lançada a cachaça cambraia 5 anos, versão extrapremium que passa cinco anos em tonéis de carvalho francês de 250 litros. O resultado é uma bebida complexa, de paladar aveludado, com notas de baunilha, frutas secas e chocolate, mescladas ao suave sabor da canade-açúcar e do carvalho. Uma bebida refinada e elegante para ser degustada pura como um bom single malt

As cachaças cambraia são elaboradas com um blend de cachaças artesanais produzidas em alambiques do interior de São Paulo e de Minas Gerais, sendo envelhecidas na Indústria de Bebidas Pirassununga, localizada na cidade de mesmo nome no interior do estado de São Paulo, considerada pelo Ministério da Agricultura uma empresa-referência em envelhecimento de cachaças no Estado. Sua fabricação segue os mais altos padrões internacionais de envelhecimento de bebidas – que consideram “envelhecida” a bebida mantida pelo menos 1 ano em barris de carvalho. No caso da cachaça cambraia, 100% envelhecida, o afinamento se dá em tonéis de carvalho de apenas 250 litros, por períodos que variam de um a cinco anos. A origem do nome cambraia data do século XVII, época em que os senhores de engenho de Recife, costumavam tomar somente a parte mais nobre da bebida, o coração, que por sua maciez e sabor suave ganharam esse apelido, numa referência ao fino tecido importado da França. O nome atravessou fronteiras e passou a ser usado também por artistas e poetas do Rio de Janeiro, que frequentavam a boemia carioca. O termo cambraia era então uma forma de ressaltar a nobreza e a elegância do líquido resultante da destilação. Desde o lançamento da cambraia, a Pirassununga se dedica a criar ações para divulgar a sua linha premium de cachaças, envolvendo chefs de cozinha e bartenders da cidade de São Paulo. Uma delas,realizada em 2013 em parceria com o restaurante Marakuthai da chef RenataVanzetto, foi o festival Fogão&Alambique, em que a chef criou pratos e drinques que levavam cachaça e que foram harmonizados com o criativo cardápio. O Conexão Cambraia, criado em 2011 pela Pirassununga, envolve renomados bares da capital paulista, cujos bartenders têm como desafio criar drinques inéditos com a cachaça. Ao mesmo tempo em que se mostra para os profissionais a versatilidade dessa bebida genuinamente brasileira, é uma forma de incentivar os consumidores a experimentar drinques e coquetéis com a cachaça, em vez de outros destilados, ampliando a dimensão da bebida. Em 2014, foram selecionados 14 bares que criaram drinques com a cambraia 1 ano, num total de 28 opções diferentes. Outro rótulo premium da Indústria de Bebidas Pirassununga é a terra roxa, bebida artesanal produzida a partir de um blend de cachaças de alambique produzidas em São Paulo e Minas Gerais, e que descansa de seis meses a 1 ano em tonéis de carvalho. O resultado é uma bebida de qualidade, leve e aromática. Outro diferencial da terra roxa é a garrafa moderna e exclusiva, permitindo visualizar no contrarrótulo uma antiga vila produtora de cana-de-açúcar, referência à tradição brasileira da produção de cachaça. terra roxa recebeu medalha de prata na categoria “cachaças envelhecidas em carvalho” em degustação às cegas na Expocachaça Dose Dupla, em 2014, em São Paulo. www.cachacacambraia.com.br Rodovia Anhanguera, km 210 – Pirassununga – SP (19) 3561-5433 CACHAÇA • ENGENHOS DE OURO

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Casa Bucco

Trabalhando de forma sustentável, integrada com a comunidade e a região da Serra Gaúcha, a casa bucco recebe mais de dez mil visitantes por ano, interessados na cachaça, no processo de elaboração e na avaliação sensorial

A história desse engenho teve início com a chegada da família Bucco no Vale do Rio das Antas, em Bento Gonçalves, na Serra Gaúcha, em 1875. Imigrantes italianos provenientes de Udine, norte da Itália, traziam na bagagem a tradição na elaboração de grappa, o famoso destilado do bagaço de uva. Logo que chegaram, iniciaram o cultivo da cana-de-açúcar e a produção de cachaça, mas a aquisição do primeiro alambique de cobre aconteceu somente em 1925. Hoje, a qualidade da casa bucco é mantida não apenas pela tradição da família, mas pela presença do consultor técnico Moacir A. Menegotto, um profundo conhecedor da arte de destilar em alambique de cobre com fornalha a lenha. Os canaviais estão plantados no clima frio da Serra Gaúcha, rodeados por montanhas, com solo basáltico de boa fertilidade. O terroir dessa região se diferencia ainda por estar próximo ao rio das Antas, que produz alta intensidade de neblina e impede as geadas, pelo clima quente no verão e pela boa intensidade de chuvas. Com essas condições, a casa bucco produz uma das melhores e mais premiadas cachaças brasileiras, com características diferenciadas, como 40

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notas de melado, palmito, aspargos e abacaxi. O processo de produção é cuidadoso: a fermentação ocorre com leveduras selecionadas, a destilação descontínua é feita por alambique Charentais, a exemplo dos melhores destilados do mundo, e o envelhecimento se dá por longos períodos em carvalho e, um toque de bálsamo, a fim de obter um produto com qualidade sensorial realmente premium. A casa bucco se destaca no cenário nacional por ser uma das marcas que mais conquistou prêmios em concursos nacionais e internacionais na última década. São produzidas as cachaças casa bucco prata, armazenada em tonéis de aço inox, e casa bucco envelhecida, complexa e estruturada, resultado dos seis anos que permanece em barris de carvalho. A bidestilada bi bucco é armazenada durante um ano em barris de carvalho; por sua leveza, é indicada para a elaboração de coquetéis e caipirinha, realçando o sabor das frutas. A calor brasilis, que expressa na embalagem toda a brasilidade e desperta o desejo por mais uma caipirinha, é armazenada em tonéis de aço inox o que a torna bastante aromática e suave.

A qualidade dos produtos casa bucco se evidencia em toda sua linha de produtos. O licor de cachaça casa bucco, com oito anos de envelhecimento, também consolida a qualidade da cachaça brasileira. Trabalhando de forma sustentável, integrada com a comunidade e a região da Serra Gaúcha, a casa bucco recebe mais de dez mil visitantes por ano, interessados na cachaça, no processo de elaboração e na avaliação sensorial. Na casa de hóspedes da casa bucco, pode-se vivenciar a experiência do dia de cachaceiro, acompanhando todas as etapas da elaboração da bebida, desde o cultivo da cana-de-açúcar, passando pelos processos de fermentação, destilação e engarrafamento, além do desfrute desse lote exclusivo. www.casabucco.com.br Rodovia RSC 470 – km 194,3 – Distrito de Tuiuty Vale do Rio das Antas – Bento Gonçalves – RS  Tels: (54) 3504-2026 / (54) 9112-1517 / (54) 9129-1586 casabucco@casabucco.com.br CACHAÇA • ENGENHOS DE OURO

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Cada garrafa da cachaça casa do engenho traz uma história que tem como base a sustentabilidade, tanto do meio-ambiente quanto das pessoas envolvidas em seu processo de produção. A Fazenda Morro Azul recebe visitas do mundo inteiro por esse trabalho de sustentabilidade

Casa do Engenho Com sede na Fazenda Morro Azul, em Mococa, a cachaça casa do engenho iniciou sua operação em 2006, embora a marca exista desde 1939. Essa fazenda, que data de 1860, é reconhecida pelas condições privilegiadas de solo, clima e água, e tem uma longa tradição no cultivo do café. Com o tempo, descobriu-se que essas condições, que resultam em um café de qualidade superior, seriam ideais também para o cultivo da cana-de-açúcar, que no início de 1900 passou a ser cultivada na propriedade, e, mais recentemente, para a produção de cachaças premium. Por trás desse projeto bem-sucedido estão os empresários Jorge Scuracchio e Flavio Machado. Jorge Scuracchio vem de uma família ligada à usina de cana-de-açúcar e durante mais de 30 anos envelheceu cachaças que presenteava aos amigos. Após se aposentar no mercado financeiro, decidiu se dedicar profissionalmente à cachaça e fez cursos em Minas Gerais. Flavio Machado é gestor de negócios, casado com Maria Lúcia Barretto, cuja família é proprietária da Fazenda Morro Azul desde sua origem, e há 20 anos vem fazendo um trabalho de recuperação da fazenda. Até ser produzida a primeira cachaça com o selo casa do engenho foram oito anos de investimento. 42

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Lançada com sucesso no mercado europeu, mais especificamente a Bélgica, chegou ao mercado brasileiro há apenas dois anos, mas já conquistou os mais refinados paladares. Todo o processo de produção dessa cachaça é extremamente cuidadoso. A cana é colhida manualmente, limpa e transportada para as esteiras de recepção, sem nenhum contato com o solo. A fermentação, que é o coração da produção, é feita com leveduras selecionadas, com controle de temperatura e ocorre naturalmente. A escolha da madeira e dos blends completa a arte da produção dessa premiada cachaça, elaborada em quatro tipos: pura, aged, reserva e premium. Destinada exclusivamente ao mercado internacional, a casa do engenho pura é uma cachaça branca indicada para a elaboração de caipirinhas e de outros drinques. A casa do engenho aged apresenta cor amarelo ouro, típica do envelhecimento em carvalho europeu, é encorpada, exuberante e suave. Assim como a pura, é destinada ao mercado externo. A casa do engenho reserva é envelhecida por três anos em tonel de jequitibá, madeira neutra que mantém as características originais da bebida, que pode ser consumida pura ou em drinques.


A casa do engenho premium passa três anos em tonéis de amendoim e jequitibá rosa e mais cinco anos em tonel de carvalho europeu. O resultado é uma cachaça suave, com madeira sutil, aromas de cana-de-açúcar e macia no paladar. É indicada como aperitivo, como digestivo ou para acompanhar um charuto. O reconhecimento da qualidade dessa cachaça pode ser traduzido nos prêmios que vem conquistando. A casa do engenho reserva obteve medalha de prata no Concours Mondial Bruxelles 2011, em Luxembrugo, e no Concours Mondial Bruxelles 2013, no Brasil. A casa do engenho premium conquistou medalha de prata no Concours Mondial Bruxelles 2012, em Guimarães, Portugal, e no Concours Mondial Bruxelles 2013, no Brasil. Cada garrafa da cachaça casa do engenho traz uma história que tem como base a sustentabilidade, tanto do meio-ambiente quanto das pessoas envolvidas em seu processo de produção. A Fazenda Morro Azul recebe visitas do mundo inteiro por esse trabalho de sustentabilidade. www.casadoengenho.com.br Casa do Engenho Fazenda Morro Azul Mococa – SP CACHAÇA • ENGENHOS DE OURO

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Inspirado no pássaro joão-de-barro, a cachaça companheira tem origem em uma variedade de cana de alto

Companheira

teor de açúcar colhida no inverno. A escolha e o projeto de plantio e colheita da cana-de-açúcar passam por uma pesquisa metódica, o seu cuidado é harmonioso e competente, e a poda é manual e detalhada

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Somente em 1994 começa esta jornada. Um ano de muito trabalho, investimento e escolhas corajosas, sabiamente vindas da experiência do produtor, Natanael Carli Bonicontro. A paixão pela produção de cachaça teve início nas aulas de engenharia bioquímica, em cujo laboratório fabricou pela primeira vez uma cachaça que o surpreendeu. Seu nome é inspirado no pássaro joão-de-barro, espécie famosa por passar a vida toda ao lado de uma única companheira. Todo o engenho foi projetado e desenhado pelo engenheiro químico Natanael, possuindo a Cachaçaria Companheira, engenho de criação própria, idealizado e arquitetado exclusivamente para a produção da cachaça companheira. O alambique foi construído na cidade de Jandaia do Sul, ao Norte do Estado do Paraná, região do Vale do Rio Ivaí, lugar de boas terras, água proveniente de um poço artesiano e clima favorável para o cultivo da cana-de-açúcar. A cachaça companheira tem origem em uma variedade de cana de alto teor de açúcar colhida no inverno. A escolha e o projeto de plantio e colheita da cana-de-açúcar passam por uma pesquisa metódica, o seu cuidado é harmonioso e competente, e a poda é manual e detalhada. Com o caldo de cana se prepara o mosto, onde a temperatura e o teor


de açúcar são controlados, para depois ser fermentado em dornas de aço inoxidável, onde é transformado em vinho. Este precioso vinho é destilado de tal modo que com a riqueza de aromas nele concentrada faz brotar uma cachaça cristalina, suave, aromática e extremamente agradável ao paladar. Assim nasce a cachaça companheira, cujo caráter não poderia ser, se não único e inimitável, particularmente intenso e amplo nas múltiplas e inconfundíveis notas de madeira e, ao mesmo tempo, equilibrado e franco. Em 2012, Sara e Raquel abraçaram o sonho do pai, que com o mesmo encanto e amor, dedicam-se à empreitada de continuar produzindo uma cachaça de excelência. A cachaçaria produz atualmente quatro tipos: companheira prata, companheira envelhecida – Blend, companheira armazenada em tonel de imburana e companheira extra premium. A cachaça que mais se destaca é a companheira extra premium, envelhecida durante oito anos em barris de carvalho, com a finalidade de atingir sua maciez, aparência e cor uniformes, que proporcionam virtudes sensoriais e requinte, com presença marcante de baunilha, tabaco e notas de banana e figo seco. Uma cachaça com corpo, equilibrada, perfeita

para quem aprecia o sabor harmônico de um destilado envelhecido, elogiada pelos cachaciers. Dentre as últimas conquistas podemos citar que foi eleita a 7ª melhor do Brasil no Ranking da Cúpula da Cachaça, em 2014. Obteve medalha de ouro no Concurso de Degustação às Cegas, realizado durante a Expocachaça 2014, em Belo Horizonte, ocasião em que a companheira foi reconhecida como a “Cachaçaria do Ano”, por ter obtido a maior pontuação da história do concurso. Em junho de 2014, conquistou medalha de prata no Concurso Mundial de Destilados (Concours Mondial Spirits Selection). Em breve a cachaça companheira terá garrafa personalizada e em 2015 haverá uma seleção de barris, reserva especial 12 anos, assinada por um grupo de renomados cachaciers. cachacacompanheira.com.br Rodovia BR 369 – Km 4 – Zona Rural Jandaia do Sul – PR Tel: (44) 8802-8475

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A produção da coqueiro é toda artesanal, do plantio da cana-deaçúcar ao engarrafamento, resultando em uma cachaça de excelência, com aroma e sabor de cana, características que remetem ao engenho, à garapa, ao melado e à rapadura. Todo esse cuidado reflete na trajetória dessa cachaça, que foi a primeira a receber o Certificado de Cachaça de Excelência do Ministério da Agricultura

Coqueiro A família Mello é conhecida por sua tradição na produção de cachaça em Paraty, desde o século XVIII. Atualmente, Eduardo José Mello e seu filho, Eduardo Calegário Mello, dão sequência a essa arte, com a premiada cachaça coqueiro. Fabricada na Fazenda São João, na Destilaria Engenho D’Água, a 7 km do bairro Histórico, a coqueiro foi adquirida por Eduardo Mello em 1980, mas seu nascimento remonta ao ano de 1803. Alambiqueiro de talento e apaixonado pelo ofício de produzir cachaça, Eduardo Mello aprendeu com seu pai, o mestre Antônio Mello, e com o seu avô, o lendário José Mello. Estudioso e dedicado, trabalhou com afinco para o aprimoramento da coqueiro, uma cachaça com caráter e personalidade, reconhecida por sua qualidade. O processo de produção da coqueiro é todo artesanal, do plantio da cana-de-açúcar ao engarrafamento, resultando em uma cachaça de excelência, com aroma e sabor de cana, características que remetem ao engenho, à garapa, ao melado e à rapadura. Isto porque em todo o seu processo de produção não são utilizadas substâncias artificiais ou estranhas ao universo do engenho. A coqueiro é resultado do “coração” da destilagem, sendo desprezados a “cabeça” e a “cauda”. A sensibilidade e a técnica do alambiqueiro, controlando cada etapa do processo de 46

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produção, somadas ao que a natureza fornece resulta em uma bebida que prima por sua qualidade e sabor. Tudo acontece no momento exato: a colheita da cana em seu melhor momento de maturação, a moagem, a decantação e a filtragem do caldo, a preparação do mosto, a fermentação e a alambicada, seguindo rigorosos padrões de higiene e de controle tecnológico, de acordo com as rígidas normas legais da produção. Todo esse cuidado reflete na trajetória dessa cachaça, que foi a primeira a receber o Certificado de Cachaça de Excelência do Ministério da Agricultura. Além disso, a coqueiro possui o certificado de qualidade do Inmetro e o selo de Indicação Geográfica de Procedência Paraty (IP Paraty), reconhecida pelo INPI em 2007. A coqueiro é produzida nas versões tradicional, prata, envelhecida e ouro, além das aromatizadas com frutas e especiarias. A tradicional é uma cachaça branca, que fica no mínimo seis meses armazenada em tonéis de amendoim. Seu sabor remete à cana-de-açúcar e quando levemente resfriada se torna mais leve e suave. A prata também é uma cachaça branca, que permanece durante dois anos em tonéis de amendoim. O tempo mais

longo de envelhecimento faz com que seja mais encorpada e persistente, com um toque de ervas, além da cana. Pode ser degustada à temperatura ambiente ou resfriada. A coqueiro envelhecida é armazenada durante dois anos em barris de carvalho, o que confere complexidade à essa cachaça. A ouro também é envelhecida em barris de carvalho, permanecendo pelo período de três anos. O resultado é uma bebida encorpada e complexa, tanto em aromas quanto em sabores. Pode ser degustada pura ou com cubos de gelo, nos dias mais quentes. O Engenho D’Água está aberto a visitação todos os dias, e as visitas de grupos devem ser previamente agendadas. www.cachacacoqueiro.com.br Fazenda São João – Cabral – 2° Distrito – Paraty – RJ Tel/Fax: (24) 3371-0016 – Cel: (24) 7834-0651 ID 55*4045 emello@gmail.com / cachacacoqueiro@hotmail.com

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A cachaça serra da boa esperança possui uma estrutura de armazenamento do engenho com dois grandes galpões de mil tonéis de carvalho francês de 200 litros, além de dois tonéis de 70 mil litros e quatro de 50 mil litros de jequitibá rosa, onde são envelhecidas as cachaças. A produção média do engenho é de 120 mil litros ao ano

da boa Fundado em março de 2003, o Alambique Toledo e Moura está localizado ao sul do Estado de Minas Gerais, na divisa entre os municípios de Campos Gerais e de Boa Esperança, na Fazenda Vargem do Ribeirão São Pedro. Nessa região de clima tropical e de altitude, é produzida a Cachaça Serra da Boa Esperança, conhecida como da boa, uma referência à forma popular de pedir uma bebida de qualidade. Os proprietários do engenho, Gil Antonio de Moura Junior e Silvia Helena Siqueira de Moura, moravam em Belo Horizonte quando surgiu a oportunidade de montar um alambique nas terras da família, cujas origens estão no sul de Minas. A princípio, o objetivo era o lucro, mas os dois ficaram encantados com a produção. O nome da cachaça foi inspirado na canção “Serra da Boa Esperança”, de Lamartine Babo, simbolizando as belezas dessa cidade, os cafezais, os festivais da canção. O Engenho possui uma nascente, uma represa de 10 mil metros quadrados, e uma reserva ambiental de 3,5 ha, e toda a sua estrutura se encontra dentro dos padrões do Ministério da Agricultura, com o objetivo de produzir uma cachaça artesanal premium. O alambique mantém um rigoroso padrão técnico, tanto para a produção da bebida quanto para a preservação ambiental. A água usada no seu resfriamento é reutilizada 48

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junto ao vinhoto na irrigação, o bagaço da cana é usado para a caldeira, além de servir como alimento para o gado. Na fermentação, é utilizada levedura natural selecionada, o que resulta em uma cachaça de qualidade, com leve toque frutado e suavidade característica. A estrutura de armazenamento do engenho conta com dois grandes galpões com mil tonéis de carvalho francês de 200 litros, além de dois tonéis de 70 mil litros e quatro de 50 mil litros de jequitibá rosa, onde são envelhecidas as cachaças. A produção média do engenho é de 120 mil litros ao ano. A linha de produtos da cachaça serra da boa esperança inclui desde a cachaça mais jovem até a reserva especial, em vários formatos e tipos de garrafas. A prata é envelhecida por dois anos em tonéis de jequitibá rosa, enquanto a ouro é composta por duas cachaças, sendo uma delas envelhecida por 1 ano e a outra por dois anos em tonéis de carvalho francês. A reserva especial prata é envelhecida por cinco anos em tonéis de jequitibá rosa e a reserva especial ouro inclui duas cachaças, sendo uma delas envelhecida por cinco anos e a outra por oito anos em tonéis de carvalho francês. A cachaça serra da boa esperança é comercializada no Sul e no Oeste de Minas Gerais, na Zona da Mata e na região

metropolitana de Belo Horizonte, além de São Paulo, Rio de Janeiro e capitais do Nordeste; em breve deve ser encontrada em todo o Brasil. Além de conquistar cada vez mais o paladar dos consumidores, essa cachaça tem obtido destaques em feiras como a Expocachaça em Minas Gerais e em São Paulo, além de várias feiras regionais. cachacadaboa.com.br Boa Esperança, MG Tels: (35) 3851-2717 / (31) 9621-3545 / 9743-9943 cachacadaboa@cachacadaboa.com.br

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A produção da cachaça da quinta obedece a procedimentos sustentáveis e normas rigorosamente controladas de fabricação, além de se beneficiar das condições de solo, clima e microclima da região serrana fluminense, no Município do Carmo, ideais ao cultivo da cana, à fermentação e à elaboração do produto

da quinta A cachaça da quinta assumiu projeção internacional de relevo, quando sua versão “branca” se tornou o primeiro destilado brasileiro da história a receber a Grand Gold Medal (dupla medalha de ouro) durante o Spirits Selection, prova do Concours Mondial de Bruxelles de 2013, disputando com centenas de destilados entre whisky, cognac, armagnac, vodka e outros. Em 2014, a cachaça da quinta amburana foi premiada com a Gold Medal, no Spirits Selection desse mesmo concurso, sendo a marca reeditada como um dos melhores destilados do mundo. A história de sucesso dessa premiada bebida teve início, em 1923, quando o imigrante português Francisco Lourenço Alves adquiriu a Fazenda da Quinta e prosseguiu com a produção da já existente cachaça da quinta, notabilizando-se pela introdução de cuidados especiais de produção e qualidade do produto. Seu filho, José Ramos Alves, dedicou-se com paixão e cuidados à arte de produzir uma bebida superior durante meio século. 50

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da quinta

A distribuição da cachaça da quinta está direcionada para os melhores estabelecimentos das cidades do Rio de Janeiro e São Paulo, conquistando posição de destaque na preferência de clientes e especialistas. A Fazenda da Quinta também exporta seus produtos para mercados exigentes como os Estados Unidos, Taiwan e, mais recentemente, Inglaterra e França

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Em 2003, transmitiu detalhadamente toda essa tradição à sua filha, Katia Alves Espírito Santo, que estudou de forma profunda o assunto e, com o apoio de profissionais bem selecionados, realizou o projeto de renovação da fábrica e da marca, mantendo a tradição e inovando em termos tecnológicos e estéticos. Desenvolveu os produtos e a identidade visual da marca, com embalagens em padrão internacional de alta qualidade e elegância. Em 2009, a distribuição da cachaça da quinta foi direcionada para os melhores estabelecimentos da cidade do Rio de Janeiro e, posteriormente, de São Paulo, conquistando posição de destaque na preferência de clientes e especialistas. Em seguida, a Fazenda da Quinta passou a exportar seus produtos para mercados exigentes como os Estados Unidos, Taiwan e, mais recentemente, Inglaterra e França. A Fazenda da Quinta situa-se no final da região serrana fluminense, na divisa com a centro sul, em um belo vale da bacia do rio Paraíba do Sul, no Município do Carmo, com altitude em torno de 200 metros. A produção da cachaça da quinta obedece a procedimentos sustentáveis e normas rigorosamente controladas de fabricação, além de se beneficiar das condições de solo, clima e microclima ideais ao cultivo da cana, à fermentação e à elaboração do produto, sendo o terroir especialmente propício à elaboração da bebida de reconhecido padrão superior de qualidade.


A cachaça da quinta é elaborada em três versões, todas com o Certificado de Conformidade do Inmetro, bem como o Certificado de Produto Orgânico, emitido pelo Instituto Nacional de Tecnologia. A cachaça da quinta armazenada em tonéis de aço inoxidável (branca) é uma bebida leve, equilibrada, macia, intensa e persistente, com aroma fino e sabor frutado que remete à cana. É ideal para o preparo de drinques, mas igualmente deliciosa para ser consumida pura, em temperatura ambiente, resfriada ou com gelo. A cachaça da quinta armazenada em tonéis de Amburana, é uma bebida muito fina, intensa e delicada, com o toque

discreto da madeira, frutas secas e especiarias. Na boca, é leve, redonda e persistente. A cachaça da quinta armazenada em tonéis de Carvalho, é fina e intensa, com aromas de baunilha e frutas maduras. Na boca, é elegante, macia, equilibrada, deixando uma sensação muito agradável e persistente. www.cachacadaquinta.com.br Fazenda da Quinta, s/nº Município do Carmo – RJ Tel: (21) 3502-9091 cachaca@cachacadaquinta.com.br

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Os diferenciais da premiada cachaça dona beja estão embasados na tradição, nos valores familiares, no processo de produção, no segredo de envelhecimento, na higienização e, acima de tudo, na paixão com que a bebida é concebida com o único objetivo de agradar seus clientes

Dona Beja As raízes e a tradição familiar da cachaça dona beja foram plantadas há 130 anos, quando começou a ser elaborada em um pequeno engenho em Morrinhos, no interior de Goiás. Até 1984 a bebida era comercializada com o nome de Cachaça Rainha. Por decisão estratégica do proprietário Mário Morais Marques, em 1992 a produção foi transferida para Araxá (MG) sendo, então, renomeada para dona beja. Essa cachaça é uma das mais renomadas do país, e em 2014 foi qualificada entre as 22 melhores do Brasil na tradicional avaliação ‘às cegas’ realizada pela revista Playboy. A dona beja é a cachaça envelhecida por mais longo tempo no país. Desde 1992, são guardados 5 mil litros de cada produção para um envelhecimento prolongado, gerando um produto de qualidade para fazer o blend da cachaça extra premium e a cachaça de 12 anos, que é produzida há mais de 20 anos sob a responsabilidade de Mário Marques. A região onde é plantada a matéria-prima da bebida tem clima ameno, e recebe um frescor por causa da altitude de quase mil metros acima do nível do mar. Toda a colheita é realizada cuidadosamente à mão no período da tarde. No dia seguinte, pela manhã, a cana já é encaminhada à moagem para ser produzida em um espaço de tempo curto entre o corte e a destilação. As bebidas são envelhecidas entre um e 40 anos, algo raro entre as marcas brasileiras. Em prol de prezar pela qualidade, a dona beja elabora apenas 10 mil litros por mês e opta pelo uso de tonéis de carvalho negro de Portugal, de barricas já usadas para que haja um equilíbrio ideal de intensidade. 54

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dona beja

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A cachaça dona beja é um produto oriundo de uma receita e de um alambique centenários. Os seus diferenciais estão embasados na tradição, nos valores familiares, no processo de produção, no segredo de envelhecimento, na higienização e, acima de tudo, na paixão com que a bebida é concebida com o único objetivo de agradar seus clientes. A linha mel com limão é de cachaças brancas mistas, com mel puro e suco do fruto cítrico e também são comercializadas em garrafas de porcelana. As cachaças brancas summer times são produtos descomplicados e disponibilizados em garrafas de vidro ou porcelana, em diversos tamanhos. As cachaças maria bonita descansam em inox por seis meses. As cachaças da linha classic são envelhecidas durante 3 anos em tonel de carvalho português. A linha extra premium é um blend especial de cachaças velhas e novas envelhecidas por 8 anos em barricas de carvalho português. As cachaças sarau são os produtos top da dona beja. As duas versões envelhecidas por 12 e 40 anos em tonéis de carvalho negro de Portugal, são comercializadas em garrafas de porcelana espanhola filetadas em ouro fino. Há ainda a opção de adquirir o estojo sarau, que além da cachaça de 750 ml, repleta de história, também acompanha duas taças de cristal. www.cachacadonabeja.com.br Tel: (34) 3664-7120 / (34) 8405-2472 / (34) 8401-8467 CACHAÇA • ENGENHOS DE OURO

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O objetivo da família Coutinho é combinar as melhores características técnicas e as tradições artesanais, adotando o sistema orgânico com a finalidade de produzir uma cachaça de qualidade, colocando Alagoas entre os melhores produtores de cachaça de alambique do país. A engenho caraçuípe prata tem tido destaque na mídia e recebeu medalha de bronze na 24ª Expocaçhaça, a maior feira do setor

Engenho Caraçuípe A família Coutinho tem uma tradição centenária na produção de cana-de-açúcar, em empreendimentos açucareiros e na produção de cachaça, originalmente em Pernambuco, no engenho caraçuípe. Em meados do século passado, os irmãos Antônio e Benedito Coutinho decidiram expandir seus negócios e adquiriram a Usina Cansanção de Sinimbu, em Alagoas,uma das mais antigas e tradicionais do Estado, situada no município de Jequiá da Praia e que se transformou em um grande empreendimento da família. Há quatro anos, renasce em Campo Alegre, Alagoas, o engenho caraçuípe pelas mãos de Renato Coutinho, neto do comendador Antônio Coutinho, um dos precursores dos negócios da família. Mantendo o nome do antigo engenho, a Caraçuípe é uma homenagem de Renato Coutinho à memória do avô. Com o apoio da esposa Cristiane Dantas Coutinho e com as referências familiares que possuía, Renato passou a ter como objetivo produzir uma cachaça de altíssimo padrão de qualidade e reconhecimento internacional. Para isso, construiu um alambique moderno, combinando as 58

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melhores características técnicas e as tradições artesanais, com a finalidade de produzir uma cachaça de qualidade, colocando Alagoas entre os melhores produtores de cachaça de alambique do país. Os cuidados na produção dessa cachaça de sabor único começam com o cultivo da cana-de-açúcar, que adota o sistema orgânico. A colheita é manual, sem queimadas, e a cana é levada ao engenho poucas horas após o corte para a seleção, também manual. A cana é então esmagada em moendas de alta eficiência na extração do caldo que, por meio de tubulação de inox, é conduzido e filtrado em peneira rotativa e decantado em decantador de passagem. Assim, o caldo fica livre do bagacilho e outras impurezas prejudiciais à fermentação. Em seguida, é ajustado em seu teor ótimo de brix (diluição com água potável), visando uma fermentação perfeita. O engenho caraçuípe adota a produção sustentável, usando o bagaço como combustível das caldeiras, cujo vapor abastece os alambiques. A fermentação ocorre com leveduras e substratos naturais, com temperatura controlada, e a destilação é feita em


alambiques de cobre de última geração. Após a filtragem, as cachaças passam pelo processo de maturação e envelhecimento, em que são usadas madeiras neutras ou barris de carvalho. São produzidas a engenho caraçuípe prata, maturada em tonéis de madeira neutra, resultando em uma bebida transparente e pura; e a engenho caraçuípe ouro, cachaça premium envelhecida em barris de carvalho europeu, resultando na bela tonalidade amarelada e na complexidade de aromas e sabores. Sua produção é feita em ambiente controlado, monitorado pelo Ministério da Agricultura. A embalagem usada para acondicionar a engenho caraçuípe também representa um diferencial. A garrafa

escolhida pela empresa faz parte da linha Covet de embalagens de luxo da Owens-Illinois, visando posicionar melhor a bebida tanto no mercado externo quanto no mercado brasileiro. A engenho caraçuípe tem tido destaque na mídia e a prata recebeu medalha de bronze na 24ª Expocaçhaça, a maior feira do setor, realizada em Belo Horizonte, concorrendo com mais de 500 marcas. www.cachacacaracuipe.com.br Rua Eugênio Albuquerque – Sítio Escorrega Rodovia BR-101, Km 159, s/n° – Campo Alegre – AL Tel. (82) 3275-9120 CACHAÇA • ENGENHOS DE OURO

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ENGENHO D’OURO O município de Paraty, localizado no litoral sul do Rio de Janeiro, possui um clima tropical, quente e úmido, com temperaturas anuais que variam da mínima de 12 °C a máxima de 38 °C, caracterizado por um verão quente e chuvoso com alta umidade relativa do ar, seguido de um inverno mais frio e seco. O relevo acidentado da Serra do Mar apresenta trechos montanhosos, com grandes vales, e também trechos de planície, com extensas e férteis várzeas, e se caracteriza pelo encontro do mar com a montanha, proporcionando uma bela particularidade em sua bacia hidrográfica em que todos os rios nascem e deságuam no próprio município. A soma desses fatores cria em Paraty um microclima com características únicas que influenciam no comportamento da cana-de-açúcar e também no processo de sua fermentação, resultando em um destilado com características únicas. Nesse terroir privilegiado, nasce a cachaça engenho d’ouro, um

Do sonho do pai, tradicional produtor de farinha de mandioca, em fabricar cachaça à realização pelas mãos do filho, a premiada engenho d’ouro se destaca por suas características sensoriais e aceitação geral. Com um terroir privilegiado e o intuito de produzir uma cachaça cada vez mais apurada e de melhor qualidade, atende a requisitos e práticas internacionais de produção

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sonho acalentado durante 20 anos por Francisco Carneiro, tradicional produtor de farinha de mandioca, que se interessou em fabricar cachaça, por lazer, marcado e inspirado pela tradição de mais de 300 anos de história da cachaça de Paraty. No ano 2000, esse sonho transforma-se em realidade pelas mãos de seu filho, Norival da Silva Carneiro, que instalou no sítio da família um alambique. A cachaça resultante despertou a atenção da família e dos amigos, por suas características sensoriais e aceitação geral. Tal fato motivou a família a ampliar o negócio, ao mesmo tempo em que se especializava na produção de cachaça. Em 2007, a cachaça engenho d’ouro participou de um trabalho conjunto com mais seis produtores de Paraty, o que resultou na Primeira Indicação de Procedência para a cachaça no Brasil. Em 2012, iniciou-se um processo voluntário de Certificação do INMETRO, regulamentado pelo MAPA –


Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, e em 2013, obteve-se essa certificação, que garante a conformidade e processos assistidos com o intuito de produzir uma cachaça cada vez mais apurada e de melhor qualidade, atendendo a requisitos e práticas internacionais de produção. Norival da Silva Carneiro está constantemente em busca de ações que possam melhorar ainda mais sua cachaça e promover Paraty, onde foi nascido e criado, mais especificamente no Bairro Penha, que recebe o sobrenome da família Penha Carneiro, onde mora atualmente e construiu o alambique. A linha de cachaças da marca inclui: prata inox, armazenada em tanques de inox por seis meses; prata jequitibá, envelhecida em tonéis de jequitibá rosa por dois anos; ouro carvalho, envelhecida em tonéis de carvalho francês por um ano e meio; e super premium carvalho, envelhecida em tonéis de carvalho francês por sete anos; além das cachaças aromatizadas.

Entre os prêmios mais recentes conquistados pela estão: medalha de ouro no Concurso Mundial de Bruxelas 2014; único produtor a obter duas medalhas de ouro na Expocachaça 2014 em Belo Horizonte, com a envelhecida em jequitibá e a super premium carvalho; em 2013, obteve duas medalhas de prata na Expo Dose Dupla SP/BH, com a envelhecida em carvalho e a prata inox; em 2012 foi considerada a segunda melhor cachaça branca (prata inox) do Estado do Rio de Janeiro no I Concurso das Cachaças do Rio de Janeiro, organizado pela APACERJ e SINDBEBI. engenho d’ouro

www.engenhodouro.com.br Estrada Paraty-Cunha, s/nº – km 8 – Penha– Paraty – RJ Tels: (24) 99832-7339 / 99905-8268 / 7812-1543 / 7812-3290

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A produção da cachaça engenho são luiz segue os mais rigorosos padrões de qualidade e conquista cada vez mais apreciadores e seu sucesso pode ser medido pelos prêmios conquistados

Engenho São Luiz O engenho são luiz, que pertence à família Zillo, está localizado em Lençóis Paulista, na região centro-oeste do estado de São Paulo. Famosa pela produção de cachaça, essa cidade cujo apelido é “Princesa dos Canaviais”, já contava com mais de 50 alambiques, no fim da década de 1940. Uma das pioneiras na elaboração dessa bebida foi a família Zillo, que em 1906 vinda da Itália se estabeleceu na região. Na época, os irmãos Giuseppe (José), Girolamo e Fortunato Zillo começaram a plantar cana-de-açúcar e montaram um engenho artesanal, com moenda movida por tração animal (“engenho trapiche”), com alambique (destilador artesanal) e chaminé de ferro, iniciando assim a produção de cachaça. Em 1926, uma torre quadrada de tijolos, de 26 metros de altura, substituiu a chaminé de ferro. Após um breve período desenvolvendo essa atividade, José Zillo acabou direcionando seus negócios para o setor sucroalcooleiro. Entretanto, a história da família Zillo na fabricação de cachaça continuou com um dos sobrinhos de José, Gino Zillo, que manteve a produção até meados de 1971. João Zillo, filho de José Zillo e conhecido como “Seu Joanin”, cuidou da parte comercial dos negócios da família durante um período. 62

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Em 2007, Luiz Santana Zillo, neto de José Zillo e filho de João Zillo, o “Joanin”, junto com seus filhos, resgatou as origens da família criando o engenho são luiz, com a proposta de produzir uma bebida de qualidade diferenciada, com base na tradição das cachaças artesanais da região. Para isso, participou de cursos e seguiu orientações minuciosas de profissionais da área. A produção da cachaça engenho são luiz segue os mais rigorosos padrões, desde a colheita da cana-de-açúcar, feita manualmente. Na moagem, separa-se a garapa (caldo) do bagaço (fibra da cana). Depois da decantação, inicia-se o processo de fermentação natural, em que o açúcar presente no caldo é transformado em álcool. Nessa fase, tem início a destilação em alambiques de cobre, tal como era feito nos primórdios da produção de cachaça. Somente o ‘coração’, parte mais nobre do destilado, é utilizado para garantir a pureza da cachaça. São produzidas a engenho são luiz branca, que descansa por seis meses em tonéis de amendoim de 20 mil litros, e a premium, que passa 18 meses em barris de carvalho de 200 litros. A cachaça engenho são luiz conquista cada vez mais apreciadores e seu sucesso pode ser medido pelos prêmios


conquistados, entre os quais o primeiro lugar no ranking de cachaças premium, realizado por Marcelo Camara, profissional reconhecido em técnicas de desenvolvimento de degustação de cachaça e segundo no ranking de cachaças novas armazenadas (descansadas) desse mesmo profissional. Na categoria cachaças brancas em degustação às cegas, a engenho são luiz obteve o quinto lugar na Expocachaça Dose Dupla, em São Paulo, em 2011; e medalha de bronze na Expocachaça Dose Dupla, em São Paulo, em 2012, nas categorias cachaças brancas e envelhecidas em degustação às cegas. No Festival de Cachaça de Ourinhos, em 2011, ficou em terceiro lugar na categoria cachaças brancas. Além disso, o engenho possui duas estrelas no “Superior Taste Award”, selo de qualidade obtido pela cachaça premium, conferido pelo ITQI International Taste & Quality Institute - de Bruxelas como um produto excelente. www.cachacasaoluiz.com.br Estrada Municipal LEP, 454, Km 0 + 172 metros Lençóis Paulista – SP Tels: (14) 3263-3227 / 3263-0630 CACHAÇA • ENGENHOS DE OURO

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A cachaça de alambique do engenho são paulo se encontra entre as melhores produzidas no Brasil. As cachaças brancas vão para pipas de madeira com até 150 mil litros, onde ficam descansando por no mínimo quatro meses. Já as envelhecidas, são colocadas em barris de carvalho e de amburana. Sua produção para a safra 2014/2015 está prevista em cinco milhões e quinhentos mil litros

A origem desse engenho remonta ao ano de 1909 quando começou a produzir açúcar mascavo, mel, rapadura e cachaça de alambique, nas várzeas do rio Paraíba, a 28 quilômetros de João Pessoa, capital do estado da Paraíba. Nessa região predomina o solo do tipo massapé, ideal para a cana-deaçúcar, cujo cultivo é uma tradição local há quase 500 anos. Na década de 1930, com o surgimento na região das usinas, grandes produtoras de açúcar, o engenho são paulo não tendo como competir com seu açúcar mascavo, passou a direcionar sua produção para a cachaça de alambique, até que no início da década de 1940 passou a engarrafar a bebida com as marcas cigana e são paulo. Hoje, o engenho é administrado pelo neto de seu fundador, Múcio Carlos Lins Fernandes, que mantém a tradição e a qualidade da cachaça. A produção do engenho são paulo para a safra 2014/2015 está prevista em cinco milhões e quinhentos mil litros, dentro dos moldes da cachaça de alambique, em que a cana-de-açúcar, que é cortada crua, é moída em no máximo 24 horas. Seu caldo vai para as dornas 64

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© Cacio Murilo

Engenho São Paulo


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Engenho São Paulo

de fermentação onde leveduras isoladas de cana-de-açúcar do próprio engenho, que são multiplicadas em um moderno laboratório de microbiologia, transformam por meio de um processo natural que dura 24 horas, todo o açúcar do caldo em álcool. Completado o processo de fermentação, o mosto vai para os alambiques de cobre, onde, após o descarte da cabeça e da cauda, sobra o “coração”, que é a cachaça de alambique do engenho são paulo, que se encontra entre as melhores produzidas no Brasil. As cachaças brancas vão para pipas de madeira com até 150 mil litros, onde ficam descansando por no mínimo quatro meses. Já as envelhecidas, são colocadas em barris de carvalho e de amburana. São produzidas a cachaça são paulo nas embalagens de 970 ml, 630 ml, 355 ml e 1.000 ml (envasada nos Estados Unidos); a cachaça são paulo cristal nas embalagens de 700 ml e 355 ml (a Gorduchinha); a cachaça caipira na embalagem de 355 ml; a cachaça cigana nas embalagens de 700 ml e 1.000 ml (exportação) e a cachaça cigana envelhecida nas embalagens de 700 ml e 1.000 ml (exportação), que passa por um período de pelo menos três anos em tonéis de carvalho, com capacidade para 200 litros. Entre os prêmios conquistados pelo engenho são paulo estão medalha de ouro pela cigana envelhecida e cigana envelhecida premium no Concours Mondial de Bruxelles Spirit Selection Brasil 2014, no Costão do Santinho, SC; medalha de bronze no San Francisco World Spirits Competition 2014

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para a cachaça são paulo; 1º lugar para a cachaça são paulo cristal e 2º lugar para a cachaça caipira no Concurso Paraibano de Cachaça de Alambique 2013; medalha de ouro obtida pela cachaça cigana no Concours Mondial de Bruxelles 2012; medalha de ouro para a cachaça são paulo cristal no Concours Mondial de Bruxelles 2010; medalha de ouro para a cachaça cigana e de prata para cachaça são paulo no Concours Mondial de Bruxelles 2009; e medalha de

ouro para a cachaça de Bruxelles 2008.

são paulo cristal

no Concours Mondial

www.engenhosaopaulo.com.br Engenho São Paulo, s/nº – Zona Rural Cruz do Espírito Santo – PB Tels: (83) 3254-1222 / 3254-1210 / 9308-5110 contato@engenhosaopaulo.com.br

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Espírito de Minas A espírito de minas nasceu na fazenda Santa Luzia, localizada na pequena São Tiago, no interior de Minas Gerais, próxima às cidades históricas de São João Del Rei e Tiradentes. Os canaviais, assim como o moedor, os alambiques, os tonéis de carvalho e a engarrafadora se encontram nessa fazenda, cuja sede foi construída em 1910 e passou por uma restauração em 1988, preservando as características coloniais da arquitetura original. O nome dessa tradicional cachaça, criada pelo vanguardista Gilberto Mansur, foi inspirado na frase “Espírito de Minas, me visita”, que abre o poema “Prece de Mineiro no Rio”, de Carlos Drummond de Andrade, em que o poeta evoca

Originária dos canaviais da fazenda Santa Luzia, saborosa e aromática, a espírito de minas reúne a poesia, o “espírito” de Minas e o gostinho de Brasil

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as lembranças e o estilo de vida de sua terra. Além de ter sido um dos pioneiros a desenvolver a categoria de cachaça premium no Brasil, desbravando e trazendo novidades para esse mercado, Mansur sempre valorizou bastante o jeito mineiro de ser e as coisas boas de lá. Assim, a espírito de minas reúne a poesia, o “espírito” de Minas e o gostinho de Brasil. O processo de produção da espírito de minas é artesanal e ecológico, seguindo um rigoroso controle de qualidade. A colheita da cana-de-açúcar é manual, sem queimadas. Após a moagem, a garapa é armazenada em dornas de madeira para a fermentação. O bagaço da cana resultante da moagem


é reaproveitado como combustível para os alambiques ou usado para alimentar o gado da fazenda, enquanto o vinhoto, misturado ao esterco, se transforma em adubo para as novas plantações. Nenhum elemento químico é utilizado para acelerar o processo de fermentação, apenas o mais puro fubá de milho produzido na própria fazenda. A destilação é feita em alambiques de cobre e o envelhecimento em tonéis de carvalho, onde a bebida permanece durante um período mínimo de um ano. Saborosa e aromática, a espírito de minas pode ser degustada pura em temperatura ambiente ou gelada, e entrar na composição de vários drinques. Vários barmen já desenvolveram coquetéis com

essa cachaça, que traz no nome a tradição de Minas Gerais na produção de cachaça de qualidade. Tradição essa que é reavivada cada vez que a bebida é servida, seja em taças de vidro ou em copos mais rústicos, mas sempre na companhia de bons amigos. Fazenda Santa Luzia – São Tiago – MG www.facebook.com/espiritodeminas Tels: (11) 3875-1223 / SAC: 0800-55-80-18

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As nascentes da fazenda soledade encontram-se preservadas em áreas de Mata Atlântica, situadas a cerca de 1.200 metros de altitude. A qualidade e leveza dessa água de altitude, captada antes de qualquer contato humano e desmineralizada naturalmente, dispensa tratamento químico. A altitude de montanha e o ar puro formam uma combinação ideal para o destilado repousar em temperaturas amenas, que preservam sua qualidade e contribuem para a

A fazenda soledade iniciou a produção de cachaça em 1977, combinando a tradição artesanal e o uso de tecnologia moderna para produzir bebidas de altíssima qualidade, sempre com respeito às práticas ambientalmente responsáveis. Como fruto do reconhecimento dessa qualidade, suas cachaças conquistaram o mercado internacional em 1981, sendo hoje exportadas para países como Alemanha, Itália, Suíça e Estados Unidos. A produção se diferencia por vários fatores, sendo um deles a bidestilação, processo de refinamento usado em destilados finos como o conhaque e o uísque. Lenta e artesanal, essa fase exige talento e sensibilidade, além de rígidos controles e registros. A separação em pequenos lotes produz em cada destilação ou batelada uma bebida única. É a partir da riqueza desses pequenos lotes que o mestre-cachaceiro elabora seus blends e finaliza suas cachaças. Outro fator importante é a qualidade da água que é adicionada nos alambiques de cobre para a bidestilação das cachaças. As nascentes da fazenda soledade encontram-se preservadas em áreas de Mata Atlântica, situadas a cerca de 1.200 metros de altitude. A qualidade e leveza dessa água de altitude, captada antes de qualquer contato humano e desmineralizada naturalmente, dispensam qualquer tratamento químico. 70

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© João Lebrão

Fazenda Soledade

© João Lebrão

© Ricardo Azoury

complexidade do sabor e do aroma


Para o processo de envelhecimento, os lotes selecionados descansam de um a três anos de acordo com a madeira utilizada. A adega fica na própria fazenda, a uma altitude superior a 900 metros. A altitude de montanha e o ar puro da Mata Atlântica formam uma combinação ideal para o destilado repousar em temperaturas amenas, que preservam sua qualidade e também contribuem para a complexidade do sabor e do aroma. Após o envelhecimento, chega-se à etapa do blending, arte que consiste em combinar cada lote de cachaça na busca do equilíbrio perfeito entre as diversas nuances de aroma e sabor, um processo que exige sensibilidade e dedicação. Depois de lapidada, uma joia deve ser polida e isso é justamente feito na filtração a frio. Quando atinge uma temperatura próxima a zero grau Celsius, a cachaça se apresenta mais viscosa, estado ideal para ser filtrada lentamente por meio de placas especiais para polimento de bebidas em um filtro prensa, ganhando brilho e limpidez sem alterar as suas características originais. Estilos das cachaças produzidas na fazenda soledade: fazenda soledade pura – armazenada em tonéis de aço inox, é leve e suave.

fazenda soledade jequitibá – armazenada em tonéis de jequitibá, é bem equilibrada, revelando a sofisticação da madeira brasileira. fazenda soledade ipê – mais encorpada, armazenada em tonéis de ipê, surpreendente com seus aromas florais delicados. nêga fulô – armazenada em barris de carvalho, é delicada e tradicional, podendo ser encontrada em botija de terracota com 700 ml e em garrafas de 750 ml. fulô jequitibá – armazenada em tonéis de jequitibá, é suave, destacando o frescor da cana. fulô ipê – armazenada em tonéis de ipê, é uma cachaça diferenciada com notas tropicais da madeira. Apesar do seu crescimento, a fazenda soledade continua uma empresa familiar, dirigida com o envolvimento direto dos irmãos Bastos Ribeiro, que asseguram pessoalmente a consistência da qualidade de seus produtos. Em 2013, a cachaça fazenda soledade jequitibá recebeu “Medalha de Ouro” no Concurso Internacional de Bruxelas realizado no Brasil.

www.fazendasoledade.com.br Est. do Rio Grande de Cima, s/nº – Nova Friburgo – RJ Tels: (22) 2522-7186 / 2521-6774 CACHAÇA • ENGENHOS DE OURO

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Dotada de um espírito irreverente, a fuzuê se diferencia e se torna superlativa por ser produzida sob um método orgânico certificado, do cultivo à produção, além de expressar a tradição da Família Zurita em fazer uma boa cachaça. Nada melhor para ilustrar esse clima do que a arte de Gustavo Rosa, um dos maiores artistas brasileiros, que retrata nos rótulos da Fuzuê, de maneira criativa e original, toda a descontração e a beleza dessa forma bem humorada de levar a vida: ser brasileiro

Fuzuê O Engenho Zurita produz a premiada cachaça fuzuê no município de Rio Claro, tradicional região canavieira do estado de São Paulo, que fica a 180 km da capital. Por trás de seu sucesso está o jovem empresário Erick Zurita, da terceira geração da família a produzir cachaça, que começou a trabalhar no alambique de seu pai, Ivan Elpidio, em 2004. Turismólogo de formação, Erick decidiu se especializar e cursou Tecnologia da Cachaça pela Universidade Federal de Lavras. Alguns anos depois, fez mestrado em Agroecologia e Desenvolvimento Rural na Universidade Federal de São Carlos. Na ocasião, ele teve a oportunidade de pesquisar a tiquira (aguardente de mandioca) e a agricultura orgânica, que adotou para a produção da cachaça da família. A fuzuê é fabricada com foco na qualidade, para ser apreciada por pessoas de bom gosto. Os cuidados começam no local onde se encontram os canaviais, com condições ideais de solo e clima. A cana-de-açúcar é cultivada de maneira natural e de forma a apresentar os melhores níveis de açúcar, o que vai refletir diretamente na qualidade da cachaça. A colheita é feita manualmente, o que permite escolher apenas as melhores canas maduras, evitando a queima do canavial. 72

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Para a fermentação, é utilizado somente fermento natural e o processo ocorre sem qualquer controle químico. A destilação é feita em alambique de cobre tradicional, aliada ao estudo e aprimoramento de novas tecnologias. O produto final passa por um processo de inspeção de qualidade antes de ser embalado cuidadosamente. Com tanta dedicação e carinho, os resultados não poderiam ser diferentes: a fuzuê foi eleita em 2010 entre as três melhores cachaças do estado de São Paulo e em 2013 a melhor cachaça do Brasil pela Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Unesp/Araraquara na categoria não envelhecida, além de ter vencido o X Concurso de Qualidade da Cachaça do ano de 2014, na categoria descansada. Toda a produção da fuzuê é limitada à capacidade de 10 mil litros ao ano, que brinda os apreciadores e colecionadores com uma cachaça nobre, nas versões pura e amendoim. A fuzuê pura é engarrafada para conservar as características obtidas no momento da destilação e é uma excelente opção no preparo de coquetéis. Possui aroma característico e absorve com perfeição e harmonia os sabores das frutas. A fuzuê amendoim é armazenada em tonéis de amendoim do Brasil, madeira que proporciona aroma discreto e pouca


interferência durante o processo de maturação, resultando em uma cachaça de sabor aveludado e com bastante permanência, enquanto mantém seus traços originais. Dotada de um espírito irreverente, a cachaça fuzuê se diferencia e se torna superlativa por ser produzida sob um método orgânico certificado, do cultivo à produção, além de expressar a tradição da Família Zurita em fazer uma boa cachaça. Nada melhor para ilustrar esse clima do que a arte de Gustavo Rosa (1946-2013), um dos maiores artistas brasileiros, que retrata nos rótulos da fuzuê, de maneira criativa e original, toda a descontração e a beleza dessa forma bem humorada de levar a vida: ser brasileiro. A fuzuê é uma bebida extraordinária, feita com carinho, especialmente para colecionadores, degustadores, chefs e sommeliers de cachaça, e tem conquistado espaço nas melhores adegas e mesas do Brasil e do exterior. O Engenho Zurita abre suas instalações, aos finais de semanas, para visitação e degustação da fuzuê. www.cachacafuzue.com.br contato@cachacafuzue.com.br – facebook.com/cachacafuzue CACHAÇA • ENGENHOS DE OURO

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A GERMANA vem conquistando vários prêmios em concursos nacionais e internacionais, além de estar presente nas adegas dos mais exigentes consumidores brasileiros e estrangeiros, sendo distribuída em todos os estados do Brasil e exportada para oito países

germana A história dessa cachaça tem início no ano de 1912, em José de Melo, hoje Nova União, Minas Gerais, quando seu fundador, Sergio Caetano, começou a produzi-la no pequeno alambique da fazenda para consumo próprio, como faziam seus pais. A marca germana foi inspirada em uma freira de mesmo nome, que atraía numerosos romeiros ao Santuário da Serra da Piedade, na cidade de Caeté, no começo do século XIX, que iam em busca de suas curas com remédios à base de cachaça e ervas. Em 1988, os dez irmãos Caetano – hoje acionistas do Grupo Germana – participaram da liderança da AMPAQ, (Associação Mineira dos Produtores de Cachaça de Qualidade), projeto esse, que teve início em Minas Gerais, e que hoje se estendeu por todo o Brasil. Desde o início e ainda hoje, o objetivo deste projeto, é dar à cachaça o mesmo status de todas as bebidas destiladas do mundo. Para que o trabalho dos irmãos Caetano fluísse com intensidade, contagiando o maior número de consumidores possível, foi por eles criada, em 1989, a primeira Cachaçaria do Brasil, em Belo Horizonte, batizada com o nome de 74

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germana

Alambique Cachaçaria e Armazém, que completa seus 25 anos de sucesso em 2014. Hoje, o Grupo Germana emprega 200 funcionários em suas empresas, onde as temáticas são sempre baseadas na cachaça. Esse tradicional rótulo vem conquistando vários prêmios em concursos nacionais e internacionais, além de estar presente nas adegas dos mais exigentes consumidores brasileiros e estrangeiros, sendo distribuída em todos os estados do Brasil e exportada para oito países. Produzida artesanalmente em alambiques de cobre, a germana pode ser encontrada em cinco versões de acordo com seu local de armazenamento, tempo de envelhecimento e das madeiras utilizadas. A germana tradicional descansa por dois anos em tonéis de carvalho francês (um ano) e em dornas de bálsamo (um ano), o que proporciona um agradável aroma de tubérculos, além de ser uma bebida suave, porém de sabor marcante, indicada para todos os paladares. A germana heritage traz no nome a ideia de herança e patrimônio da família Caetano, no legado que deixa para todo o Brasil pela sua participação histórica nos movimentos da cachaça no país. Armazenada durante oito anos em carvalho e dois anos em tonéis de bálsamo, é uma cachaça equilibrada, muito macia, de bouquet intenso e muito saborosa. A germana soul é uma cachaça branca não envelhecida, desenvolvida especialmente para o mercado das caipirinhas, dos drinques e coquetéis, e também para quem curte a cachaça branca em estado cremoso, denso e supergelada. Para isso, recomenda-se o seu descanso permanente dentro de um freezer, resultando assim em aroma e sabor refrescantes e suaves de cana-de-açúcar. Seu nome “Soul (alma)” expressa a pureza do produto, em sua forma pura e original, já que é produzida e imediatamente depositada em dornas de inox. 76

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Nas versões HERITAGE, BRASIL e TRADICIONAL, a Germana é apresentada com uma embalagem feita de palhas do caule da bananeira, embaladas uma a uma, artesanalmente, por um grupo de “empalhadeiras”. Cada garrafa é portanto única, exclusiva.


A germana caetano’s passa um ano em tonéis de umburana, processo que confere aroma e sabor suaves, porém bem adocicados, exclusivos dessa madeira e muito diferentes das cachaças envelhecidas em carvalho. A germana brasil é uma cachaça especial, preparada pelo “masterblender” Walter Caetano. Envelhecida durante cinco anos em barris de carvalho francês, é uma bebida complexa, com aroma muito equilibrado e sabor harmônico, único e incomparável. Entre os vários prêmios recebidos pela germana estão medalhas de ouro e de prata para as cachaças germana heritage e soul, no San Francisco World Spirits Competition de 2009, e no Concours Mondial de Bruxelles, no Hyatt Hotel, SP, em 1999. As germanas vêm sendo sempre eleitas também, nos grupos das melhores cachaças do Brasil, em todos os rankings

da revista Playboy. No Concours Mondial de Bruxelles de 2014, que reuniu cerca de 220 cachaças de todo o Brasil, a germana umburana (Caetano’s) 2013 recebeu a Grand Gold Medal, a germana brasil 2011 obteve medalha de ouro e a germana heritage 2010, medalha de prata. www.cachacagermana.com.br Fazenda Vista Alegre – Zona Rural – s/nº – Nova União – MG Tels: (31) 2517-7110 / (31) 2517-7122 (31) 3665-8006 / (31) 3426-2902 cachaca@cachacagermana.com.br export@cachacagermana.com.br

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Gogó da Ema A cachaça gogó da ema é produzida e envasada na Fazenda Recanto, no município de São Sebastião, região agreste do estado de Alagoas. Localizada em uma planície com cerca de 200 metros de altitude, essa região possui características de solo, clima e microclima ideais para o cultivo da cana-de açúcar e para a produção de cachaça de qualidade. Com uma tradição familiar de mais de 50 anos no cultivo da cana-de-açúcar, o alambique gogó da ema – cujo nome presta homenagem à palmeira típica de Alagoas – foi fundado em 2004. Quatro anos depois do lançamento dos primeiros rótulos, a marca obteve grande destaque no cenário nacional, tendo a sua distribuição intensificada para os principais centros urbanos, conquistando posição de prestígio nos melhores estabelecimentos comerciais do segmento de bebidas e na preferência de clientes e especialistas.

O processo de fabricação da Gogó da Ema – cujo nome presta homenagem à palmeira típica de Alagoas – obedece aos melhores padrões de qualidade. Como reconhecimento da sua capacidade de inovação, que preserva técnicas tradicionais de produção artesanal, aliada à utilização de modernos equipamentos tecnológicos, essa cachaça já conquistou vários prêmios

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Hoje, a cachaça gogó da ema é distribuída para todo Brasil por meio das suas representações em Maceió, Brasília, Recife, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo, Fortaleza, João Pessoa, Foz do Iguaçu e Porto Alegre. O processo de fabricação da gogó da ema obedece aos melhores padrões de qualidade, sendo destilada artesanalmente em alambique de cobre, onde são separadas as frações: “cabeça”, “coração” e “cauda”, aproveitando-se apenas o “coração”, parte nobre do procedimento da destilação que corresponde a uma cachaça pura de excelência. A gogó da ema pode ser encontrada em cinco versões: nox, beach, tradicional, mix e reserva especial. A nox descansa dois anos em tanques de inox, uma cachaça branca que traz o mais puro sabor da cana, leve, jovem e com baixa acidez, indicada para caipirinhas e outros drinques.


A beach, cachaça branca com um rótulo representativo das praias alagoanas, passa um curto período em tanques de inox e traz o sabor característico da cana. A tradicional é envelhecida durante dois anos em barris de bálsamo, o que resulta em uma bebida macia e encorpada. A mix é envelhecida por quatro anos em barris de jequitibá rosa, o que dá um toque rosado à sua cor. Ideal para caipirinhas e outros drinques, pode ser saboreada pura e gelada. A reserva especial é envelhecida durante cinco anos em barris de jequitibá rosa e bálsamo, resultando em uma cachaça com aromas agradáveis, macia e equilibrada no paladar. Como reconhecimento da sua capacidade de inovação, que preserva técnicas tradicionais de produção artesanal, aliada à utilização dos modernos equipamentos tecnológicos

disponíveis no mercado e respeitando as práticas ambientais de produção, a gogó da ema conquistou vários prêmios. A gogó da ema tradicional (armazenada em tonéis de bálsamo) ganhou medalha de ouro no Concours Mondial Bruxelles 2013 e de bronze na Expocachaça São Paulo 2013. A cachaça gogó da ema reserva especial obteve medalha de prata na Expocachaça Belo Horizonte 2014. Além disso, a gogó da ema conquistou o Prêmio Expressão Alagoana em 2013 e o Troféu Gogó da Ema em 2014. www.cachacagogodaema.com.br Município de São Sebastião – AL Tels: (82) 3241-4237 / 9935-9065

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Gouveia Brasil A produção de cachaça está no DNA da família Gouveia Vieira desde 1900, época em que os avós dos atuais proprietários iniciaram os negócios para atender a uma demanda local, constituída inicialmente pelos trabalhadores do Porto Vianna e pelos operários e engenheiros alemães, que vieram para o Brasil instalar uma ponte trazida da Alemanha e que ainda hoje interliga os municípios de Turvolândia e São Gonçalo do Sapucaí, no sul de Minas Gerais. Atualmente, o engenho é administrado por Roberto Brasil, publicitário com larga experiência, que vem dando modernidade e agregando valor à marca, sem perder a sua essência de qualidade, carinho e paixão que vêm de geração. Localizado em uma fazenda centenária da família, às margens do rio Sapucaí, o engenho da gouveia brasil se encontra em uma microrregião de clima temperado e solo de característica argilosa, que propiciam um terroir de altíssima qualidade para o plantio de variedades de cana-de-açúcar. Os cuidados vão desde o cultivo, a manutenção do canavial e a colheita, até o processamento da cana-de-açúcar, fatores que são determinantes para a qualidade da cachaça. A colheita é manual, sem utilização de queimadas, sendo o cultivo totalmente orgânico e sem uso de agrotóxicos em todas as etapas.

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Para a elaboração da gouveia brasil cachaça premium, o laureado

Master Blender Armando Del Bianco, usa toda a sua sensibilidade ao combinar as melhores cachaças resultantes do envelhecimento em tonéis de carvalho europeu por 5 anos e em tonéis de amburana por 10 anos, em um blend único e harmonioso, em que nuances de amadeirado, floral e abaunilhado podem ser percebidos no paladar


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Gouveia Brasil

O fundador Alfredo Vieira Gouveia

A gouveia brasil PREMIUM conquistou em 2013 o Prêmio Ouro da ABRE na categoria Bebidas Alcoólicas. Esse prêmio é conferido às embalagens que se destacam como ícones de excelência em qualidade, tecnologia, design, funcionalidade e inovação

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A gouveia brasil mantém uma estrutura verticalizada de produção, visando assegurar absoluto controle de qualidade em todas as fases do processo. Após cortada, a cana passa pela moagem, em seguida, seu caldo é centrifugado, decantado e filtrado com todos os cuidados de higiene, para assegurar uma garapa de excelente qualidade. Operando no conceito de sustentabilidade, o bagaço da cana é utilizado como combustível na caldeira de vapor e como adubo na plantação. A partir da garapa em nível adequado de sacarose, há a transformação do açúcar em álcool, obtendo-se o mosto fermentado com a utilização somente de nutrientes naturais, sem aditivos químicos. Na destilação, o mosto é aquecido, evapora e condensa em equipamentos de cobre, resultando na separação das substâncias voláteis, tais como água e álcoois, que formam a cachaça, das não voláteis, como células de leveduras e bactérias, que formam o vinhoto, resíduo que recebe tratamento e que é reutilizado como fertilizante. Na gouveia brasil somente o coração da destilação é utilizado, o que permite obter o melhor dos compostos, descartando-se a cabeça e a cauda, assegurando assim a qualidade e o equilíbrio ímpar da cachaça. O volume descartado é reutilizado como álcool combustível na frota da empresa. Para a elaboração da gouveia brasil cachaça premium, o laureado Master Blender Armando Del Bianco, usa toda a sua sensibilidade ao combinar as melhores cachaças resultantes do envelhecimento em tonéis de carvalho europeu por 5 anos e em tonéis de amburana por 10 anos, em um blend


único e harmonioso, em que nuances de amadeirado, floral e abaunilhado podem ser percebidos no paladar. A gouveia brasil cachaça profissional é envelhecida em tonéis de jequitibá rosa e foi especialmente desenvolvida para atender ao público profissional, como um produto base na preparação e criação dos mais variados drinques. Possui o endosso e a assinatura de um dos barmen e mixologistas mais premiados do Brasil, o mestre Derivan. A gouveia brasil conquistou em 2013 o Prêmio Ouro da ABRE – Associação Brasileira de Embalagem – na categoria Bebidas Alcoólicas. Esse prêmio é conferido às embalagens que

se destacam como ícones de excelência em qualidade, tecnologia, design, funcionalidade e inovação e é reconhecido como o Oscar da embalagem brasileira. grupogouveiabrasil.com.br escritório minas gerais

Rua Camilo Gonçalves De Melo, 47 – Turvolândia – MG Tels: (35) 9854-1137 / 9821-1137 escritório são paulo

Rua do Rócio, 423 – Sala 1712 – SP Tel: (11) 3459-4664 / 98555-8665

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Seguindo a filosofia do seu fundador, “Zé Santana”, a guaraciaba investe em cursos e melhoria de estrutura produtiva, a fim de produzir uma cachaça de qualidade com aroma inigualável, sabor único e assim conquistar notoriedade em

© Interminas, Mateus A. Araujo

seu segmento

Guaraciaba Uma das marcas mais conhecidas de cachaça de Minas Gerais, a guaraciaba vem conquistando outros estados e a cada dia recebendo mais notoriedade em seu segmento. Na 24ª edição da Expocachaça, a maior e mais importante feira do setor, sediada em Belo Horizonte, um dos grandes destaques foi o lançamento da guaraciaba drink. Como o nome sugere, trata-se de uma bebida direcionada ao preparo de coquetéis e batidas, chamando a atenção não apenas pelo sabor mas por sua identidade visual inovadora. Nesse mesmo evento, a guaraciaba foi certificada pelo Júri de Degustação Anual de Cachaças, determinando mais uma vez sua comprovada qualidade. Sua história teve início em 1960, na cidade mineira de mesmo nome, quando o Sr. José Maria Santana, mais conhecido como “Zé Santana”, começou a produzir cachaça em um pequeno engenho movido a roda d’água. Seu produto era vendido nos mercados dos arredores no lombo de burros pelos tropeiros. A 84

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fama da cachaça correu a região e aumentou a demanda, fazendo com que o pequeno engenho fosse trocado por um maior, movido a vapor. Em 1965, foi registrada a marca e a tropa de burros foi trocada por um caminhão. Em poucos anos, a guaraciaba já era uma das preferidas na capital. No ano de 1983, a empresa perde seu grande empreendedor, faleceu José Santana. Apesar das dificuldades geradas pela perda de seu “homem de negócios”, a empresa sobreviveu em função de uma clientela fiel à marca guaraciaba, e que acima de tudo aprecia um produto de qualidade. Administrada pelos sucessores de “Zé Santana”, a cachaça guaraciaba, conta com 62 colaboradores fixos e mais 40 temporários no período da safra. A produção começa em junho e termina em outubro, com uma média de 600 mil litros de cachaça por ano. A cana é cortada em seu estágio mais doce, sem queima, e passa pela moenda para a retirada do caldo; em seguida, esse caldo sofre uma fermentação que dura de 24 a 36 horas e após esse


período o caldo fermentado é destilado em alambiques de cobre. A cachaça resultante é armazenada em dornas de madeira (bálsamo, cerejeira e jequitibá ) por um período que varia de seis meses a um ano, para que possa ser engarrafada e comercializada. Seguindo o empreendedorismo do seu fundador, “Zé Santana”, a guaraciaba investe em melhoria de estrutura produtiva e capacitações de seus colaboradores, produzindo cachaça de qualidade com aroma e sabor inigualável, conquistando assim notoriedade em seu segmento. O portfólio da empresa inclui a guaraciaba tradicional, fabricada desde 1960 e com um ano de armazenamento; e a guaraciaba premium, um blend de safras armazenadas com média de oito anos de envelhecimento em tonéis de umburana. O resultado é uma bebida de aroma inigualável e sabor único, mais suave e amadeirado. A premium conquistou o primeiro lugar no Festival da Cachaça do Vale do Piranga, realizado em Ponte Nova, em 2002; em maio de 2014, foi reconhecida como

a segunda melhor cachaça amarela do Brasil em degustação às cegas feita pela revista Sexy. A marca é tetracampeã no Top of Mind Matas de Minas (2004, 2006, 2007 e 2008), eleita pelo voto popular com pesquisa orientada pela Excelência Consultoria, empresa de pesquisa e uma das realizadoras do evento. Dando sequência à filosofia do seu fundador, a guaraciaba tem investido em cursos e melhoria de estrutura produtiva, a fim de produzir uma cachaça de qualidade, gerando emprego e renda para a região. A empresa mantém um time de futebol, fundado em 1968, e a Escola Municipal Antônio Crisóstomo Fernandes, com ensino básico para as crianças que residem na localidade e ensino noturno para os funcionários. www.cachacaguaraciaba.com.br Fazenda Independência Zona Rural, Guaraciaba – MG CACHAÇA • ENGENHOS DE OURO

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A produção de cachaça harmonia é limitada a cerca de vinte mil litros anuais, sendo que parte significativa desse volume é envelhecida em tonéis de carvalho europeu, mantendo as tradições das boas cachaças das regiões Sul e da Zona da Mata mineiras e já vem sendo conhecida e avaliada nos Estados Unidos e Europa

Harmonia Se um dia a região da pequena cidade de Rio Preto, localizada no vale do Rio Paraíba do Sul, nos limites dos estados de Minas Gerais e Rio de Janeiro, foi considerada área proibida por estar fora da rota da Estrada Real – por onde deveriam escoar os preciosos metais por ordem da Coroa Portuguesa –, hoje é um caminho obrigatório para quem busca belas paisagens, cachoeiras exuberantes e fazendas coloniais. Desde 2009, os viajantes que transitam por essa região podem conhecer também as instalações onde são produzidas as cachaças harmonia e aproveitar para experimentar essas preciosidades que não são proibidas. A história dessa cachaça teve início há dez anos, quando Afonso Portugal, José Duque Portugal e Thiago Costa, proprietários do engenho onde a harmonia é produzida, iniciaram os estudos das técnicas mais modernas de produção, 86

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com o objetivo de obter uma bebida premium. Para isso, buscaram conhecimentos em centros tradicionais como a Universidade Federal de Lavras e a região de Salinas, além de se equiparem com o que existe de melhor dos mais renomados fabricantes do país, como os Alambiques Santa Efigênia. Para fazer jus a esse conhecimento, foi montada no engenho uma estrutura, que além de valorizar a beleza natural e as vantagens topográficas do local, minimiza o uso de energia elétrica para transporte da cachaça ao longo da cadeia produtiva e de maquinários pesados no transporte da cana, garantindo uma preocupação com a sustentabilidade e o baixo impacto ambiental. Complementando essa estrutura bem planejada e projetada, a cachaça harmonia conta com o acompanhamento contínuo do responsável técnico Bruno Zille, que tem mais de


15 anos de experiência na produção e padronização de cachaças de alto nível e busca atender a públicos exigentes e fiéis, que procuram um produto diferenciado e confiável, comparável a destilados de alto padrão de qualquer parte do mundo. Todo esse cuidado reflete a filosofia dos produtores de trabalhar a imagem da cachaça, que deve ser tratada sem nenhum tipo de preconceito e com o respeito que merece. Hoje, a produção de cachaça harmonia é limitada a cerca de vinte mil litros anuais, sendo que parte significativa desse volume é envelhecida em tonéis de carvalho europeu, mantendo as tradições das boas cachaças das regiões Sul e da Zona da Mata mineiras. O nome dessa cachaça é uma proposta dos produtores para que os apreciadores da bebida sintam uma absoluta harmonia de sabores e de prazeres ao degustá-la tanto

pura quanto em drinques. A garrafa segue nessa mesma linha, com um rótulo de linhas fluidas e harmoniosas, tornando completo o produto. Além da qualidade da bebida, a elegante embalagem é perfeitamente adequada para ser exposta em qualquer mesa e ocasião. A cachaça harmonia, que já vem sendo conhecida e avaliada nos Estados Unidos e Europa, pode ser encontrada em Rio Preto, sua cidade de origem, e nas regiões metropolitanas de Belo Horizonte e Brasília. www.cachacaharmonia.com.br Rua Francisco Deslandes, 507 / 301 – Anchieta Belo Horizonte – MG Tels: (31) 9115-7938 / 9115-7714 / 9135-5194 CACHAÇA • ENGENHOS DE OURO

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Harmonie Schnaps Localizada na cidade de Harmonia, no interior do Vale do Rio Caí, a 70 km de Porto Alegre, a cachaçaria harmonie schnaps traz no nome a influência da cultura alemã (schnaps é a palavra alemã para aguardente), fortemente representada nessa cidade de aproximadamente cinco mil habitantes. A família de Leandro Augusto Hilgert, responsável pela produção dos destilados da marca, foi pioneira em elaborar cachaça artesanal na região. O microclima e o solo fértil da zona do Vale do Rio Caí são extremamente propícios para o cultivo da cana-de-açúcar. O verão é bem quente e o inverno muito frio, fazendo com que ocorra um choque térmico, elevando o percentual máximo de açúcar na cana-de-açúcar e originando, assim, um produto de notável qualidade, com aromas e sabores ricos. Foram mais de quatro décadas de paixão familiar dedicadas à produção dessa bebida, entre 1940 e 1980, até ser retomada em 2004 por Leandro Augusto Hilgert. Para produzir suas premiadas cachaças, a harmonie schnaps sempre investiu na qualidade e em todos os detalhes a fim de obter o mais puro destilado. A elaboração das cachaças ocorre em instalações próprias e exclusivas, de forma artesanal, com uma produção máxima de 20 mil litros/ano. O processo produtivo possui um rigoroso controle de qualidade e rastreabilidade, que tem início na lavoura da cana-de-açúcar, cultivada pelo método orgânico, até a venda final do produto. São produzidas a harmonie schnaps prata e ouro. A primeira passa no mínimo seis meses em aço inox e apresenta graduação alcoólica de 38% e sua fermentação é de levedura francesa. O resultado é uma cachaça suave e pura, que pode ser degustada gelada ou entrar na composição de drinques como

A harmonie schnaps sempre investiu na qualidade e em todos os

caipirinhas e outros coquetéis. Esta cachaça recebeu, em 2007, Medalha de Bronze no Rio Grande do Sul; em 2013, obteve a Grande Medalha de Ouro no Concurso Mundial de Bruxelas e Medalha de Prata na 23ª Expocachaça em São Paulo; em 2014, recebeu Medalha de Ouro no Concurso Mundial de Bruxelas. No ranking da edição de junho de 2014 da revista Sexy, ela ficou em 2º lugar na categoria cachaça branca. A harmonie schnaps ouro é envelhecida durante três anos em carvalho, grápia, louro e cabriúva e apresenta graduação alcoólica de 38%. Resultado de um blend de diferentes tipos de madeira, é uma cachaça complexa, harmônica e elegante, ideal para ser degustada pura. Em 2013, recebeu Medalha de Ouro no Concurso Mundial de Bruxelas e Medalha de Bronze na 23ª edição da Expocachaça em São Paulo. Em 2014, obteve Medalha de Ouro no Concurso da 24ª edição da Expocachaça em Belo Horizonte. A harmonie schnaps obteve, em 2009, o Troféu Senar – O Sul, no Rio Grande do Sul, prêmio que foi recebido em uma das maiores feiras da agricultura familiar da América Latina, a Expointer de Esteio. A cachaçaria lançou recentemente uma nova marca, a alambicana, uma cachaça realmente surpreendente. Seu nome e o design inovador da embalagem foram desenvolvidos para atrair o público jovem, os turistas e para exportação. A alambicana prata passa no mínimo três meses em aço inox, enquanto a ouro é envelhecida durante dois anos em carvalho. Ambas têm graduação alcoólica de 38% e sua fermentação é de levedura brasileira. A harmonie schnaps também elabora licores, oferecendo 16 sabores entre cremosos e finos, buscando sempre manter a qualidade e o teor artesanal de cada produto, resultando em bebidas de sabores e aromas naturais.

detalhes a fim de obter o mais puro destilado. A elaboração das cachaças ocorre em instalações próprias e exclusivas, de forma artesanal, com uma produção máxima de 20 mil litros/ano

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www.harmonieschnaps.com.br Rua Jacob Fink, 2000 – Norte – Bairro Morro azul Harmonia – RS Tel: (51) 9899-2046


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Leblon Coração mineiro, toque da sofisticação francesa e presença global. A cachaça leblon é produzida na cidade de Pato de Minas, em sua própria destilaria – a Maison Leblon – e é hoje a cachaça premium mais vendida nos mercados da Europa e dos Estados Unidos. A bebida é elaborada de forma integralmente artesanal, garantindo o extremo cuidado na produção, e resultando em um destilado único. Toda a produção, do cultivo ao engarrafamento, conta com a diferenciada supervisão e consultoria do Top Master Distiller francês, Gilles Merlet, tradicional produtor da região francesa de Cognac, considerado um renomado alquimista, por desenvolver blends de sucesso entre frutas e destilados. O expert coordena junto com Carlos Oliveira, diretor de produção da destilaria, todo o processo de condução dos 100 hectares de cana-de-açúcar da Maison Leblon, com o mesmo cuidado minucioso utilizado por enólogos e produtores de uvas, do campo para a moagem, passando por fermentação 100% natural, até ser destilada em alambiques de cobre. A bebida jovem é então armazenada em barris de carvalho da região francesa de Limousin, escolhida por Merlet, por conferir mais complexidade e suavidade à cachaça leblon. A cachaça leblon é descansada nessas barricas de carvalho previamente utilizadas no envelhecimento do Cognac XO (extra envelhecido). O resultado é um produto diferente de uma cachaça típica brasileira. Com aroma robusto e frutado, a bebida possui notas complexas de cana, especiarias, frutas e um acabamento suave. leblon se mescla com quase todas as frutas e combina bem com outros ingredientes como ervas e licores. A leblon envelhecida (signature merlet) combina o sabor frutado da cana-de-açúcar, com os aromas finos de carvalho francês. É uma cachaça especial, que envelhece por no mínimo dois anos em barricas novas, de primeiro uso. A bebida suave e complexa, com fragrâncias de mel, frutas secas e nozes, foi considerada a melhor cachaça em 2012 e conquistou a medalha de ouro em 2013 passado na World Spirits Competition. Faz parte ainda do portfólio da marca o cedilla licor de açaí, feito a partir da

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A mineira leblon é considerada uma das melhores do mundo, tendo sua qualidade comprovada por diversos prêmios internacionais. Um dos mais importantes reconhecimentos é a conquista, por nove vezes consecutivas (de 2006 a 2014), de medalhas de ouro no prestigiado concurso mundial World

Spirits Competition, realizado na cidade de São Francisco, EUA


cachaça e frutos de açaí orgânicos (cerca de 500 por garrafa). Um produto inovador, com um sabor frutado, apresenta notas de chocolate e especiarias. É saboroso tanto puro, com gelo, ou ainda, com água gaseificada, perfeito também para elaborar coquetéis. Foi considerado em 2013 o melhor licor de fruta também na World Spirits Competition, em São Francisco (EUA).

Desde fevereiro de 2014, a marca passou a incorporar o portfólio de destilados da Bacardi Brasil, que intensificou a distribuição pelo país. A capacidade de elaboração da Maison é de 550 mil litros. Todos os rótulos da leblon são certificados pelo Instituto Mineiro de Agropecuária como ‘Produtora de Cachaça de Alambique Tradicional de Minas Gerais’. Hoje, a cachaça leblon é considerada uma das melhores do mundo, tendo sua qualidade comprovada por diversos prêmios internacionais. Um dos mais importantes reconhecimentos é a conquista, por nove vezes consecutivas (de 2006 a 2014), de medalhas de ouro no prestigiado concurso mundial World Spirits Competition, realizado na cidade de São Francisco, EUA. A leblon é atualmente a cachaça mais oferecida em renomados estabelecimentos de mercados exigentes como nas cidades americanas de Manhattan e Beverly Hills e nas capitais europeias Londres e Paris. No Brasil, ela já conquistou São Paulo e Rio de Janeiro e, com a distribuição da Bacardi, logo estará presente em todo o território nacional. www.cachacaleblon.com.br Patos de Minas – MG www.facebook.com/liveloveleblon

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Na Fazenda do Anil, de João Luiz Coutinho de Faria, que desde o início esteve envolvido ativamente no processo de valorização da cachaça no Brasil, o processo de produção da Magnífica é cuidadosa em todas as etapas, o que garante a qualidade da bebida

Magnífica A Fazenda do Anil foi adquirida em 1985 pela JLF Agropecuária, empresa do engenheiro João Luiz Coutinho de Faria. Situada em Vassouras, região serrana do estado do Rio de Janeiro, no limite dos municípios de Paty do Alferes e Miguel Pereira (por onde é feito o acesso), possui 90 alqueires de terra e é rodeada por montanhas, com altitudes entre 700 e 850 metros, onde é cultivada a cana-de-açúcar. Nessa fazenda, onde a magnífica é produzida com este nome desde 1997, estão instalados o engenho, o alambique e os tonéis de envelhecimento. O processo de produção é cuidadoso em todas as etapas, o que garante a qualidade da bebida. A cana-de-açúcar é cortada manualmente, sem queima, e a extração do caldo é feita no mesmo dia. A fermentação ocorre em dornas de aço inox, com seleção de leveduras. A destilação é feita no “Alambique Alegria” de cobre, um dos únicos que continuam em operação no Brasil, que se diferencia pelo fato de ter três corpos e permitir a destilação de 2 mil litros de mosto fermentado a cada batelada. Para o afinamento são usados tonéis de aço inox, tonéis de ipê de 50 mil litros, barris de carvalho de 200 litros e 92

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o sistema de “soleira” (usado na produção de jerez), pioneiro no envelhecimento da cachaça. A magnífica é produzida nas versões safra do ano, tradicional, envelhecida e reserva soleira. A primeira, lançada em 2013, é armazenada em tonéis de aço inox e não tem contato com madeira, sendo fresca e frutada, ótima para drinques ou para ser degustada levemente resfriada. A magnífica tradicional é armazenada em tonéis de ipê, madeira neutra que mantém as características originais da cachaça. A envelhecida permanece no mínimo dois anos em barris de carvalho, que confere à cachaça complexidade e riqueza. A magnífica reserva soleira envelhece em barris de carvalho selecionados, pelo processo de “soleira”, que consiste em transferir a cachaça de um barril para outro, a cada cinco meses durante o processo de envelhecimento, até a bebida ser engarrafada após um período de 40 meses. Os barris são dispostos em estantes com oito níveis e a cachaça engarrafada é a mais próxima do solo (de onde deriva a palavra “soleira”). Intensa e elegante, pode ser apreciada como aperitivo “on the rock’s” ou como digestivo.

Entre os vários prêmios recebidos pela magnífica reserva destacam-se o Troféu Ouro 2012 no I Concurso de Cachaças do Rio de Janeiro (Sindibebi/Sebrae/Firjan), Medalha de Ouro 2012 no I Concurso de Cachaças do Rio de Janeiro (Apacerj/Sebrae/Firjan), segundo lugar na Expocachaça São Paulo 2011 e segundo lugar no Concurso Nacional do I Ranking Cúpula da Cachaça 2014. João Luiz Coutinho de Faria, que desde o início esteve envolvido ativamente no processo de valorização da cachaça no Brasil, foi um dos participantes na formulação e criação do Programa Brasileiro de Desenvolvimento da Cachaça, lançado em 1997, que posteriormente deu origem, em 2006, ao Instituto Brasileiro da Cachaça (Ibrac). Em 2005, ele recebeu o Troféu Ouro para Produtor no XXV Troféu Internacional de Alimentação e Bebidas New Millennium Awards.

soleira

www.cachacamagnifica.com.br Rua Felício dos Santos 32 - A – Santa Teresa – RJ Tel: (21) 2508-9042

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Matriarca A cachaça matriarca nasceu em 1989 pelas mãos do baiano Adalberto (Beto) Pinto. Criado em Minas Gerais, ele foi influenciado pela paixão mineira pela cachaça, e há trinta anos, quando voltou à Bahia, decidiu aproveitar a produtividade da cana-de-açúcar em sua fazenda e instalou um pequeno alambique, ainda de tração animal, para a produção da bebida. Depois de tentativas e aperfeiçoamentos, a cachaça artesanal da fazenda Cio da Terra foi adquirindo um estilo próprio e recebeu o nome de matriarca, uma homenagem à dona Aracy, mãe de oito filhos, incluindo Beto Pinto, e avó de 21 netos. A fazenda está localizada no extremo Sul da Bahia, no paradisíaco município de Caravelas, na divisa com os municípios de Medeiros Neto e Lajedão, próxima à cidade de Prado e a apenas 280 km de Porto Seguro.

A cachaça matriarca, da fazenda Cio da Terra, adquiriu um estilo próprio e um compromisso com o bem-estar de todos e com o meio ambiente. Toda a sua linha de cachaças é bastante gastronômica, sendo indicada para acompanhar petiscos e pratos da cozinha brasileira

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Há quase cinquenta anos atuando no setor agropecuário, o nome da fazenda reflete a filosofia de seu proprietário: produzir com cuidado e respeito à natureza. O engenho está localizado no meio do canavial, com uma área plantada de 200 hectares. O clima tropical da Mata Atlântica e o solo areno-argiloso favorecem o cultivo da cana-de-açúcar. A proximidade do engenho com a plantação ajuda a reduzir a sujeira e aumenta a rapidez com que a cana-de-açúcar sai da colheita para a moagem, o que é essencial para a qualidade da cachaça. A colheita é manual e a cana é transportada por tratores até a moagem, sem que haja queima no canavial. A fermentação é feita em tonéis de inox, com leveduras selecionadas, e a destilação ocorre em dois alambiques de cobre com dois préaquecedores. No processo de envelhecimento, são usadas


apenas as madeiras brasileiras bálsamo, umburana e jequitibá. A matriarca, que possui tanoaria própria, trabalha também com uma madeira “renovável” – a jaqueira – que leva apenas vinte anos para sua colheita. A fazenda Cio da Terra tem um compromisso com o bem-estar de todos e com o meio ambiente. O bagaço da cana, por exemplo, é aproveitado como combustível para as fornalhas do alambique e como alimento para os animais da propriedade. A linha produzida pelo engenho inclui três cachaças ouro e uma prata, engarrafadas em vários tipos de embalagens como vidro e cerâmica. A matriarca prata é a tradicional cachaça branca, apenas destilada, ideal para caipirinha e outros drinques. A ouro bálsamo passa pelo menos dois anos em tonéis de bálsamo e pode ser degustada pura, depois de mantida

no freezer. Tanto ela quanto a prata foram eleitas “Cachaça do ano 2011” pela Rede Sul-Bahia de Comunicação em suas categorias. A matriarca ouro umburana passa pelo menos dois anos em tonéis de umburana e pode ser apreciada pura ou em drinques. A ouro jaqueira, envelhecida em tonéis de jaqueira, apresenta aroma marcante e único, com sabor frutado e um toque picante. Toda a linha de cachaças da matriarca é bastante gastronômica, sendo indicada para acompanhar petiscos e pratos da cozinha brasileira, como a feijoada. matriarca.com.br Fazenda Cio da Terra BA290, Km 53 Caravelas – Medeiros Neto – BA

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Paratiana Em janeiro de 1996, Carlos José Gama Miranda (conhecido como Casé ) e Dom João Orleans e Bragança iniciam no bairro do Corisco, em Paraty, uma sociedade na produção da cachaça Maré Alta. Em abril de 1999, Casé forma uma nova sociedade com seu irmão, Paulo Eduardo Gama Miranda, e tem início o desenvolvimento de um novo alambique, em um antigo casarão, cercado pela Mata Atlântica e ladeado de cachoeiras no bairro Pedra Branca, também em Paraty. Tendo em mente criar uma bebida de alta qualidade, que mantenha o método tradicional de produção das cachaças de Paraty aliado à inovação tecnológica, Casé realiza seu antigo sonho e lança a cachaça paratiana. Hoje, essa marca é uma das mais tradicionais dentre as cachaças artesanais de alambique em sua região, possui o selo de Indicação Geográfica de Procedência de Paraty, reconhecida pelo INPI em 2007, e é certificada pelo Inmetro.

A cachaça paratiana rompe as fronteiras de Paraty e conquista as mesas de todo o Brasil e do exterior. Sua fórmula consiste em harmonizar tecnologia e sensibilidade para produzir uma cachaça destinada a ocupar lugar de destaque na constelação das melhores marcas brasileiras

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O processo de produção da paratiana obedece aos critérios tradicionais, fazendo uso da tecnologia moderna, e segue rigorosos controles de qualidade. A cana-de-açúcar, após selecionada, gera um suco puro, que é fermentado de forma natural, em dornas de aço inoxidável. A destilação é feita em alambiques de cobre e apenas a melhor parte do destilado é extraída do processo. O envelhecimento ocorre em barris de carvalho, jequitibá e umburana, sendo que cada madeira aporta uma característica única à cachaça. O carvalho empresta a cor dourada e uma textura levemente oleosa, resultando em uma bebida bem marcante, com sabor aveludado; o jequitibá possui sabores e aromas marcantes e únicos, com gosto mais acentuado da canade-açúcar; já a umburana (também conhecida como cerejeira), aporta aromas frutados e uma moderada cor amarelada.


A linha de cachaças paratiana inclui prata, ouro, e mulatinha. A paratiana prata está entre as 30 melhores cachaças do Brasil e ganhou medalha de ouro no Concurso Mundial de Bruxelas de 2014. É envelhecida pelo menos um ano em barris de jequitibá, madeira brasileira que confere sabor e aromas marcantes e únicos. A paratiana ouro é armazenada por um a dois anos em tonéis de carvalho, madeira europeia que lhe empresta cor dourada e garante uma textura leve no paladar, com ótimo equilíbrio entre fruta e madeira. A labareda, envelhecida  de um a dois anos em barris de umburana e jequitibá, é o membro mais novo da família paratiana. O grande diferencial dessa cachaça é o blend, que resulta em uma bebida de aroma frutado e moderada cor amarelada, provenientes da madeira. labareda

A mulatinha não passa por nenhum tipo de envelhecimento e apresenta o puro sabor da cana-de-açúcar. Desenvolvida especialmente para drinques, também pode ser degustada pura. Digna dos melhores degustadores, colecionadores e cachaciers, a cachaça paratiana rompe as fronteiras de Paraty e conquista as mesas de todo o Brasil e do exterior. Sua fórmula consiste em harmonizar tecnologia e sensibilidade para produzir uma cachaça destinada a ocupar lugar de destaque na constelação das melhores marcas brasileiras. Estrada da Pedra Branca, km 1, nº 1.100 Ponte Branca – Paraty – RJ Tel: (24) 3371-9620

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Pedra Branca O Sítio Pedra Branca está localizado em uma das mais belas regiões de Paraty, o Vale da Pedra Branca. Com natureza preservada, belas cachoeiras e vista para o mar e para a serra, o sítio é cortado pela trilha da Estrada da Patrulha, trecho do antigo caminho do ouro e de antigas fazendas produtoras de cachaça. É nesse ambiente de história e cultura, envolto pela Mata Atlântica preservada, que nasce a cachaça pedra branca. O alambique começou a ser construído em 2007 e a instalação dos equipamentos foi finalizada em 2009, quando teve início a produção da cachaça pedra branca. O processo de fabricação é caracterizado por manter o método tradicional e artesanal de produção das cachaças de Paraty, alinhado com a utilização dos mais modernos equipamentos existentes no mercado. A pedra branca é destilada em alambique de cobre de alta tecnologia, garantindo a produção de uma cachaça pura e de altíssima qualidade, seguindo critérios de sustentabilidade e responsabilidade ambiental e social. Com gestão do produtor Lúcio Gama Freire, a cachaça pedra branca possui o selo de Indicação Geográfica de Procedência Paraty (IP Paraty), reconhecida pelo INPI em 2007, e é certificada pelo Inmetro. São produzidas as cachaças pedra branca drink’s, pedra branca prata e pedra branca ouro. A primeira é armazenada em tanques de aço inox, sendo a mais recomendada para caipirinha e outros drinques. A pedra branca prata é armazenada em tonéis de amendoim, o que confere notas de ervas aromáticas, além da cana. Apresenta corpo médio, acidez equilibrada e é muito macia e persistente no paladar.

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O processo de fabricação da pedra branca é caracterizado por manter o método tradicional e artesanal de produção das cachaças de Paraty, alinhado com a utilização dos mais modernos equipamentos existentes no mercado, garantindo a produção de uma cachaça pura e de altíssima qualidade, seguindo critérios de sustentabilidade e responsabilidade ambiental e social


A pedra branca ouro é envelhecida em barricas de carvalho francês, o que resulta em uma cachaça rica, com aromas de folhas secas, fruta madura e madeira. No paladar, é equilibrada, elegante e persistente. As primeiras garrafas da cachaça pedra branca entraram no mercado em dezembro de 2010. No ano seguinte, a pedra branca ouro ficou em primeiro lugar entre 90 marcas de cachaças envelhecidas no concurso com degustação às cegas na Expocachaça Dose Dupla, no Mercado Municipal de São Paulo. Em 2012, no I Concurso de Cachaça do Estado do Rio de Janeiro, a pedra branca ouro obteve primeiro lugar na categoria de armazenadas em madeira e a pedra branca drink’s ficou em terceiro lugar na categoria das brancas. Esse concurso também foi realizado com degustação às cegas e contou com a participação de 46 amostras. Ainda em 2012, na classificação anual de cachaças realizada na Expocachaça Dose Dupla no Mercado Municipal de São Paulo, a pedra branca ouro recebeu medalha de prata.

Em 2013, as cachaças pedra branca ouro e pedra branca receberam, também em degustação às cegas, medalha de bronze. Em 2014, no I Ranking Cúpula da Cachaça, em competição com mais de mil marcas de cachaça de todo o Brasil, a pedra branca prata amendoim ficou na 38ª posição. Ainda em 2014, durante a 24ª edição da Expocachaça no Expominas, em Belo Horizonte, a pedra branca ouro recebeu medalha de bronze e as cachaças pedra branca prata e pedra branca drink’s receberam medalha de prata. O alambique é aberto a visitação de segunda-feira a sábado das 9h às 17h e aos domingos das 9h às 15h. Durante a visita, é possível conhecer todas as instalações, com degustação gratuita das cachaças e dos doces artesanais produzidos no local. Na loja do alambique é realizada a venda das cachaças e doces artesanais. drink’s

www.cachacapedrabranca.com contato@cachacapedrabranca.com

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O músico e compositor Marcelo Bonfá viajou por todo o Brasil com a Legião Urbana, conhecendo muitos lugares, mas acabou se encantando com as montanhas da Serra da Mantiqueira, em Minas Gerais. Amante da natureza, encontrou na produção da cachaça perfeição uma forma de levar um pouco do espírito desse lugar mágico às outras pessoas

Perfeição O Alambique da cachaça perfeição está localizado no Vale do Paiól de Santo Antônio do Rio Grande, em Minas Gerais, um altiplano na Serra da Mantiqueira, onde nasce o rio Grande, um dos maiores e mais importantes rios brasileiros. Por trás de sua produção está o músico e compositor Marcelo Bonfá, que com Dado Villa Lobos e Renato Russo criou a Legião Urbana, maior banda brasileira de rock. De família italiana, Marcelo Bonfá nasceu em Itapira, uma pequena cidade cercada por canaviais e cafezais no interior do estado de São Paulo. De seu avô materno, Alberto Nozari, herdou o gosto pelo desenho, seu ponto de fuga. Do avô paterno, João Bonfá, herdou a paixão pela gastronomia, seu pé no chão. Sobre sua decisão de produzir cachaça, o músico costuma declarar: “Se a gastronomia é o novo rock’n’roll, eu não poderia fazer ‘queijinhos’, eu tinha de fazer uma cachaça!”. Nos anos 1980, Bonfá viajou por todo o Brasil com a Legião Urbana, conhecendo muitos lugares, mas acabou se encantando com “a harmonia perfeita de um clima frio e um povoado hospitaleiro”, que o fizeram fincar raízes nas montanhas da Serra da Mantiqueira, em Minas Gerais. Amante da natureza, encontrou na produção da cachaça perfeição uma 100

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forma de levar um pouco do espírito desse lugar mágico às outras pessoas. O canavial da Fazenda Vista Linda está localizado em uma pequena área livre de agrotóxicos, onde um dia ocupavam pastagens, a 1.300 metros de altitude. O ciclo longo de temperaturas baixas no inverno favorece a concentração de açúcar na cana, resultando em bebidas saborosas e intensamente aromáticas. As canas são selecionadas manualmente, sem uso de queimadas, e o fermento é preparado apenas com o caldo puro, sem adição de qualquer outro elemento, preservando assim o “espírito” de um lugar único e envolto de magia. Todo o processo de produção segue rígidos padrões de higiene em equipamento da mais alta qualidade e o engenho adota o sistema de sustentabilidade.​​O bagaço proveniente da moagem é totalmente utilizado na queima dentro da caldeira de vapor, que mantém o padrão da destilagem com temperaturas controladas em um processo lento, garantindo a alta qualidade da cachaça. O vinhoto, caldo resultante da destilagem, é armazenado e reutilizado como adubo orgânico no próprio canavial, fechando um ciclo de sustentabilidade sem qualquer dano ao meio ambiente. Todo o entorno é preservado com as espécies vegetais nativas da Mata Atlântica.​

São produzidas a cachaça perfeição pura e a perfeição A primeira, é um destilado de aroma intenso, lembrando a cana no momento em que se extrai dela o caldo, extremamente adocicada, com um toque de erva-doce logo no primeiro contato, mas que finaliza em um paladar complexo. A perfeição carvalho é um corte composto pela cachaça perfeição preservada em barris de carvalho por 3 anos com a cachaça perfeição pura e fresca. A presença da madeira é tão sutil quanto o bend de uma guitarra acústica, mas determinante como o rufo da bateria. Apresenta um elegante equilíbrio na tonalidade, no aroma e no sabor, pelos toques de baunilha e caramelo, provenientes do carvalho europeu. Como o bom e clássico rock’n’roll. carvalho.

www.cachacaperfeicao.com.br contato@cachacaperfeicao.com.br

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A destilação é feita em alambiques de cobre e, apenas a melhor parte do destilado, é armazenada em dornas ou barris de madeiras jequitibá ou carvalho. Envelhece por um período entre 2 e 10 anos, para que a bebida aprimore suas qualidades sensoriais de aroma e paladar, bem como, aparência e cor. É a união de tradição, tecnologia e rigorosa higiene que fazem da PRAZER DE MINAS uma das cachaças mais premiadas do Brasil. A edição CELEBRATION envelhece 10 anos em barris de carvalho e está disponível em garrafas de Cristal da Bohemia

Prazer de Minas Em 1999 na cidade de Esmeraldas, interior de Minas Gerais, Euler Chaves decidiu usar parte de sua propriedade para investir em uma cachaça de alta qualidade. Em visita à Universidade Federal de Lavras (MG), Euler conheceu uma nova concepção na fabricação da bebida, mais higiênica e com total respeito ao meio ambiente. O empreendedor trouxe de lá leveduras selecionadas, uma grande novidade naquela época. Durante a fermentação as leveduras transformam moléculas de açúcar em moléculas alcoólicas, incorporando características superiores à cachaça. “Acreditei na produção de uma bebida nobre, de qualidade especial, com aroma e sabor refinados. A conhecida ressaca dava lugar ao prazer. Vem desse conceito o nome que virou marca”, lembra Chaves. A cachaça prazer de minas é produzida unindo a tradição mineira à tecnologia. Em canaviais próprios, sem queima, a cana de açúcar é selecionada, cortada, lavada e esmagada em moendas gerando um puro suco, que é fermentado, de forma natural, em dornas de aço inoxidável e em sala climatizada. São usadas “leveduras selecionadas”, livres de aditivos químicos, gerando uma fermentação de baixa acidez. A prazer de minas é uma das primeiras a utilizar esta tecnologia 102

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prazer de minas

A destilação é feita em alambiques de cobre aquecidos por caldeira e, apenas a melhor parte do destilado, é envelhecida em dornas de madeira jequitibá ou em barris de carvalho inglês ou americano. Ficam por um período entre 2 e 10 anos, para que a bebida aprimore suas qualidades sensoriais de aroma e paladar, bem como, aparência e cor. É a união de tradição, tecnologia e rigorosa higiene que fazem da prazer de minas uma das cachaças mais premiadas do Brasil.

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Todas as etapas de produção são registradas para manter um padrão que é aferido e auditado pelo Inmetro. A empresa também está comprometida com o meio ambiente e consciente de seu papel social com a comunidade. Como resultado deste esforço, a prazer de minas foi eleita a preferida dos visitantes da Expocachaça nos anos de 2009 e 2010 e com o prêmio Cachaça Top of Quality Brazil nos nos anos 2011, 2012 e 2013.


A Prazer de Minas produz duas versões de cachaças envelhecidas: a

A Prazer de Minas disponibiliza duas versões de cachaças envelhecidas, a prata e a ouro. A prata é envelhecida por 2 anos em dornas de madeira jequitibá. Já a linha ouro é envelhecida pelo período de 2 a 10 anos em barris de carvalho inglês e americano. A cachaça das garrafas mini, bolso e fina é envelhecida por 2 anos. A edição luxo é envelhecida por 3 anos e pode acompanhar um estojo com copinhos para degustação. A versão gold é envelhecida durante 5 anos e está disponível em garrafas de cristal francês, podendo acompanhar um estojo de madeira com copinhos de estanho. A edição celebration é envelhecida por 10 anos e está disponível em garrafas de cristal da Bohemia, todas numeradas, podendo o cliente adquirir refil da cachaça para reposição.

PRATA e a OURO. Dentre as opções de embalagem está o estojo GOLD, que traz em uma elegante embalagem de cristal francês uma cachaça envelhecida durante 5 anos. O estojo de madeira inclui copinhos de estanho.

www.cachacaprazerdeminas.com.br Rodovia Esmeraldas a Betim – Km 69 Esmeraldas – MG Tels: (31) 3398-5600 / 9281-3390 vendas.prazerdeminas@yahoo.com.br

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Cor, maciez, aroma e um sabor inconfundível. Todas estas características fazem da reserva do barão uma bebida digna da homenagem ao ‘Barão do Timbó’

Reserva do Barão A inspiração para esta bebida sergipana remonta a uma tradição de mais de 150 anos. A cachaça reserva do barão é uma homenagem a João José de Oliveira Leite, o ‘Barão do Timbó’, e o seu enteado, o major Paulo Vieira, que em 1857 fabricava bons exemplares da bebida no Engenho São Félix, na cidade de Santa Luzia do Itanhy, em Sergipe. Já naquele tempo eles utilizavam alambiques de cobre. Após admirar as histórias da cachaça elaborada pela família do Barão, o empresário Martinho Miranda Barreto, proprietário de terras vizinhas ao engenho São Félix, decidiu em 1995 começar um longo caminho para tornar-se um produtor de qualidade. O empreendedor passou então a viajar para conhecer os processos de elaboração em diversos alambiques no Rio de Janeiro, Bahia e principalmente em Minas Gerais, onde por quatro anos adquiriu valioso conhecimento e se apaixonou pela arte de fazer cachaça. Em 2002, de volta às suas terras em Sergipe, inaugurou o alambique na Fazenda Priapú da Feira. As primeiras garrafas somente foram comercializadas após quatro anos, tempo 106

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reservado para que a bebida evoluísse em tonéis de carvalho e estivesse pronta para ser comercializada. Hoje são produzidos 100 mil litros por safra da cachaça reserva do barão, presente em diversos Estados do país. A produção do destilado obedece a critérios rigorosos desde a escolha da cana, até o engarrafamento. A moagem ocorre no mesmo dia da colheita, cujo caldo é filtrado, decantado, diluído e posteriormente fermentado. A fermentação é feita em dornas de aço inox, usando apenas leveduras naturais e em um ambiente higienizado. Todo o processo dura 24 horas até a destilação. A etapa de destilar, ou seja, separar o álcool etílico do vinhoto é realizada em destiladores de cobre, em bateladas de mil litros, o que permite a separação da chamada ‘cabeça e cauda’ (partes mais intensas), que são eliminadas, assim como outros componentes indesejáveis no produto. Do processo é utilizado somente o chamado ‘coração’ do que foi destilado, que representa cerca de 75% do volume. A parte nobre da cachaça é então armazenada em dorna de aço inox, onde permanece seis meses em descanso. Após esse


período, a bebida é encaminhada a barris de carvalho com 200 litros cada, para o processo de envelhecimento e evolução entre quatro e seis anos. Durante esse repouso a reserva do barão adquire cor, maciez, aroma e sabor inconfundíveis. O engarrafamento ocorre depois da padronização do lote e da filtragem, em ambiente extremamente limpo, livre de qualquer tipo de odores. Todos os cuidados de higiene e critérios de produção obedecem as mais rigorosas exigências dos órgãos Federais, levando ao consumidor o que há de melhor. A cachaça reserva do barão produz duas linhas especiais: a série ouro, que envelhece por quatro anos em barris de carvalho, comercializada em garrafas de 700 ml. E a série premium, que evolui em barricas de carvalho por seis anos e é ofertada em garrafa de louça de 750 ml. www.reservadobarao.com.br Rodovia Estância/Indiaroba, KM 16 s/nº Fazenda Priapú da Feira – Santa Luzia do Itanhy – SE Tels: (79) 3522-5651 / (79) 9954-2055 CACHAÇA • ENGENHOS DE OURO

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Decidido a produzir uma cachaça diferenciada e com alto padrão de qualidade, Marcelo Nordskog se dedicou e aprendeu as técnicas de plantio e produção. O resultado foi a cachaça Reserva do Nosco, uma bebida premiada e digna da homenagem ao seu avô, Erik Nordskog

Em 1916, o empresário norueguês Karl Nordskog, que tinha negócios no Brasil, adquiriu a Fazenda Valparaíso, em Engenheiro Passos, no município de Resende, RJ, vindo conhecer a propriedade somente em 1926. Na época, nessa propriedade que data da primeira metade do século 19, cultivava-se o café. Por ocasião da celebração do centenário da independência dos Estados Unidos, o café da Fazenda Valparaíso, levado por Dom Pedro II, representou o Brasil na Philadelphia International Exhibition, a primeira grande feira de alcance mundial. O certificado de participação nessa feira encontra-se na parede da sala de visitas da fazenda. Os anos se passaram e, com a abolição da escravatura, iniciou-se o declínio das fazendas de café no Vale do Paraíba, tanto pela questão da mão-de-obra quanto do esgotamento dos solos, após anos e anos de uso. Iniciou-se então a atividade de gado de leite, tendo a fazenda continuado nas mão dos descendentes. Nos anos 1970, plantou-se eucalipto na propriedade, o que continua até os dias de hoje. Nessa mesma fazenda, que hoje pertence a Marcelo Nordskog, colecionador e apreciador de cachaça e quarta geração da família, é produzida a reserva do nosco. Após anos trabalhando no mercado financeiro, Marcelo Nordskog decidiu produzir cachaça de qualidade e 108

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se mudou para a fazenda, onde restaurou as antigas tulhas de armazenamento do café e ambientou as instalações do alambique nesse local. Após estágios em fazendas produtoras de cachaça em Minas Gerais e muitas conversas com os experientes alambiqueiros, onde foi aprendendo as técnicas de produção e os cuidados necessários, voltou para a propriedade da família já com as mudas de cana-de-açúcar que mais aptidão tinham para essas terras e iniciou o plantio do canavial, embora tenha aproveitado os resquícios de canaviais antigos. Enquanto a cana crescia, era feita a restauração do local e a instalação dos equipamentos. Para o envelhecimento das cachaças, Nordskog escolheu os barris de carvalho europeu, madeira que envelhece os melhores destilados do mundo. Afinal, sua meta era produzir uma cachaça diferenciada e de alto padrão. A escolha da marca foi uma homenagem ao avô, Erik Nordskog, que era conhecido como Sr. Nosco, pronúncia norueguesa do seu sobrenome. A primeira safra foi produzida no ano de 2007, o que trouxe muita alegria por sua qualidade excepcional e a certeza do caminho correto escolhido, o de fazer cachaça de qualidade, com produção limitada em torno de 10 mil litros por safra (meses de julho, agosto e setembro).

© LAURA AMORIM

Reserva do Nosco


Em 2012, por ocasião do evento Rio+20, a Firjan (Federação das Indústrias do Rio de Janeiro) decidiu fazer um concurso para escolher a melhor cachaça do Estado e serví-la nos coquetéis do evento. Foi o primeiro concurso oficial do Rio de Janeiro, sendo apoiado pelo Mapa, Sebrae e Apacerj. A reserva do nosco ganhou o primeiro lugar entre as cachaças brancas e o segundo lugar entre as envelhecidas. Nesse mesmo ano, participou da Expocachaça em São Paulo e ganhou medalhas de prata na categoria envelhecida e bronze na branca, concorrendo com cachaças do Brasil todo. Em 2013, participou do Concurso Mundial de Bruxelas, ganhando medalhas de prata nas categorias branca e envelhecida. Em 2014, obteve nesse mesmo concurso medalha de prata na categoria envelhecida, disputando com 604 cachaças, e ainda ganhou o primeiro lugar no ranking das cachaças brancas do Brasil, na degustação às cegas promovida pela revista Vip, que reuniu 27 marcas. A fazenda Valparaíso recebe visitantes no alambique, com prévio agendamento. reservadonosco.blogspot.com.br marcelo.nordskog@uol.com.br Fazenda Valparaíso, s/nº Engenheiro Passos – Município de Resende – RJ Tels: (24) 99268-2238 / 3357-1586 CACHAÇA • ENGENHOS DE OURO

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Rio do Engenho Sediada em Ilhéus, sul da Bahia, a cachaça rio do tem suas origens na região das terras onde outrora funcionou a sede do primeiro engenho de cana-de-açúcar do Brasil. A cana que ali florescia, em 1537, para a fabricação de açúcar deixou de existir juntamente com o engenho que se transformou em ruínas. Porém, o plantio foi retomado em 2005 com uma nova estrutura e um novo propósito: transformar o caldo da cana fermentado no destilado genuinamente brasileiro. Por trás desse empreendimento está Luiz Fernando Galletti, natural de Campinas, interior do estado de São Paulo. Graduado em Química e Ciência da Computação, ele participou, em 2004, do curso de mestre-alambiqueiro realizado pelo CTC – Centro de Tecnologia em Cachaça. Inicialmente, a ideia era fazer uma cachaça para os amigos, como hobby, mas o negócio tomou outras proporções e se profissionalizou. Entretanto, não bastava apenas trazer mais uma marca para um mercado tão extenso quanto o da cachaça, era necessário criar um diferencial. Para isso buscou-se novas madeiras (dando exclusividade às nacionais) para conceber um destilado de sabor diferenciado. A combinação das madeiras em uma única bebida tornouse marca registrada e inquestionável da rio do engenho. Dessa forma, com a união do verde doce e fresco da cana aliado ao alquimismo, amor e dedicação, alcançou-se na cachaça Reserva um blend requintado e com uma personalidade única, que seduziu, inclusive, o público feminino. O envelhecimento engenho

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Com a finalidade de ter um buquê único e refinado, as cachaças rio do engenho envelhecidas são armazenadas por períodos que variam de seis meses a três anos, em tonéis de madeiras mistas. Esse envelhecimento, além de salientar seu aroma e paladar, modifica a coloração de branca para amarelada, tornando-a macia e aveludada. Trata-se de uma bebida artesanal, sem conservantes químicos, sem a adição de açúcar ou corantes, seguindo todas as exigências do Ministério da Agricultura


mínimo de três anos em tonéis de madeira de bálsamo, umburana, itiúba e louro-canela, proporciona características inigualáveis ao produto. Suas notas amadeiradas, sua cor amarelo ouro e seus sabores que se sobrepõem, combinadas com especiarias, frutas secas e coco, criam um aroma marcante e uma bebida inconfundível. São mais de 30 mil litros de cachaça por ano, produzidos em alambiques de cobre e envelhecidos em tonéis de madeira. No processo de fabricação se utilizam equipamentos de aço inoxidável e cobre, para obter a máxima qualidade do produto. Todas as etapas de produção são rigorosamente controladas. O plantio da cana é feito com mudas certificadas, garantindo maior rendimento e produtividade. A colheita é realizada manualmente, sem queima, e a cana é moída no mesmo dia do corte. A fermentação é natural, sem aditivos químicos, minuciosamente acompanhada, levando cerca de 24 horas para transformar o açúcar da cana em álcool etílico. No processo de destilação é separado somente a parte nobre do destilado – o coração. Com a finalidade de ter um buquê único e refinado,

as cachaças rio do engenho envelhecidas são armazenadas por períodos que variam de seis meses a três anos, em tonéis de madeiras mistas. Esse envelhecimento, além de salientar seu aroma e paladar, modifica a coloração de branca para amarelada, tornando-a macia e aveludada. Trata-se de uma bebida artesanal, sem conservantes químicos, sem a adição de açúcar ou corantes, seguindo todas as exigências do Ministério da Agricultura. Entre os prêmios acumulados pela rio do engenho estão a medalha de prata no Concurso Mundial de Bruxelas em 2014; a classificação de quinta melhor cachaça envelhecida do Brasil pelo Ranking da Revista VIP; e medalha de bronze na IV Brazilian Meeting on Chemistry of Food and Beverages, em 2010. www.riodoengenho.com.br Fazenda Chapada dos Boiadeiros, s/nº Distrito de Japú – Ilhéus – BA Tels: (73) 3231-3701 / (73) 9981-7196 / (73) 8142-3019 vendas@riodoengenho.com.br

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Sanhaçu Produzida no município de Chã Grande, a cerca de 15 km da cidade de Gravatá e a 85 km de Recife, a cachaça sanhaçu foi a primeira a receber a certificação orgânica do Estado de Pernambuco, ao ser lançada no mercado, em 2008. Seu nome foi inspirado no pássaro nativo da região e toda a sua história está ligada à preservação do meio ambiente. Desde a aquisição da propriedade pela família Barreto Silva, em 1993, foi adotado o cultivo da agricultura orgânica e o sistema de manejo agroflorestal, o que fez ressurgir a flora e a fauna originais. Parte da energia utilizada na propriedade é proveniente de fontes renováveis, como solar e eólica, e os resíduos são quase todos reaproveitados no próprio processo de produção da cachaça. Esse compromisso constante com o meio ambiente resultou à sanhaçu o Certificado de Carbono Zero, obtido em 2013. A matéria-prima da sanhaçu é proveniente de canavial próprio, que tem condições ideais para o cultivo da cana-de-

O compromisso constante com o meio ambiente resultou à sanhaçu o Certificado de Carbono Zero e primeiro lugar na seleção de produtos-prêmio da economia pernambucana, feita pela Secretaria de Desenvolvimento Econômico do Governo do Estado de Pernambuco, passando a figurar entre os 10 produtos que o representaram em 2014

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açúcar. O processo de moagem ocorre no máximo 24 horas depois que a cana é cortada. A fermentação, que acontece ao som de música clássica e instrumental suave, é feita em dornas de inox, com leveduras desenvolvidas e multiplicadas naturalmente. A destilação ocorre em alambiques de cobre, o que propicia características especiais de aroma e sabor. O armazenamento é feito por um período mínimo de dois anos em três tipos diferentes de madeira: freijó, carvalho e umburana. O freijó é oriundo da Amazônia e confere à cachaça cor, sabor e aromas delicados, deixando-a leve, com suaves notas de madeira. A sanhaçu armazenada em tonéis de freijó pode ser degustada pura ou em coquetéis, não interferindo no sabor final do drinque, e é ideal para acompanhar pratos de entrada como queijos, saladas, peixes e crustáceos. O carvalho confere complexidade e estrutura à cachaça. A sanhaçu utiliza o carvalho americano, que aporta à


bebida um sabor amadeirado, lembrando whisky ou bourbon. Cachaças armazenadas em tonéis de carvalho harmonizam com pratos condimentados e suculentos. A umburana é encontrada em várias regiões do Brasil. A sanhaçu armazenada em tonel de umburana apresenta notas de canela, com um toque de especiarias, e pode acompanhar pratos salgados, mas sua harmonização é perfeita com doces, sobretudo bolo de rolo (patrimônio cultural do Estado de Pernambuco), sorvetes e salada de frutas. A sanhaçu umburana é assinada pelo especialista em cachaça, o Prof. Jairo Martins (www.ocachacista.com.br), e a sua harmonização assinada por Gilberto Freyre Neto. Em setembro de 2013, a sanhaçu umburana ganhou medalha de ouro na Expocachaça realizada em São Paulo, uma das feiras mais expressivas do setor. Em dezembro de 2013, ficou em primeiro lugar na seleção de produtos-prêmio da economia pernambucana, feita pela Secretaria de Desenvolvimento

Econômico do Governo do Estado de Pernambuco, passando a figurar entre os 10 produtos que o representaram em 2014. A sanhaçu obteve ainda medalha de prata no Concurso Mundial de Bruxelas, realizado em 2014. A fábrica é aberta diariamente para visitações individuais ou em grupo, de segunda-feira a sábado, das 9h às 17h, e aos domingos e feriados de 9h às 15h. Os produtos da sanhaçu também podem ser encontrados em charmosos kits para presente. www.sanhacu.com.br Sítio Valado s/nº – Chã Grande – PE Tel: (81) 3537-1413 contato@sanhacu.com.br

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Santa Terezinha Essa cachaça é produzida cuidadosamente da mesma forma desde sua criação, em 1943, na região do vale de Canaã, interior do estado do Espírito Santo. A cana-de-açúcar é selecionada e apresenta um alto teor de sacarose, resultado das excelentes condições de solo e clima da região. A colheita, feita sem queima no canavial, tem início nos últimos dias de maio, muito ensolarados, em um processo bastante delicado. As águas que encharcaram o solo durante o verão secaram e a cana-deaçúcar está em seu melhor ponto de maturação. O sabor mágico dessa bebida é resultado de uma receita familiar: mistura-se em um tanque uma parte de caldo de cana ao natural, com uma parte igual de caldo fervido, acrescentando-se uma braçada de bagaço tostado e um punhado de fubá de milho. Para conseguir a temperatura correta, esquenta-se uma pedra de bom tamanho

Desde o preparo de caipirinha e de outros drinques com frutas à uma cachaça delicada que tem feito sucesso entre os chefs de cozinha na elaboração de pratos, a santa terezinha leva à risca a máxima de que fazer cachaça é uma arte e seu grande diferencial está justamente na beleza de seus produtos e na alquimia de seus blends, criados desde 1943, na região do vale de Canaã, interior do estado do Espírito Santo

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e joga-se dentro da mistura. Durante essa geração, recomenda-se queimar folhas de tangerina ou laranja, numa fogueira vizinha. Depois de quatro ou cinco dias, o fermento já está pronto para ser distribuído nos grandes tanques de garapa. Mais cinco dias, a garapa vira mosto e entra pela boca do alambique de cobre, aquecido com fogo a lenha, para ser finalmente destilado pelo método tradicional. O responsável por manter essa receita de família é o produtor Adwalter Menegatti. Dentre a variada gama de cachaças produzidas por ele estão a artes, a clássica branca e a gourmet sassafrás. A artes é uma cachaça branca elaborada há mais de 70 anos e cuja elegante garrafa foi a primeira a ser fabricada, em 1994, com design diferenciado em Turim, na Itália. A clássica branca é


excelente para o preparo de caipirinha e de outros drinques com frutas, enquanto a gourmet sassafrás é uma cachaça delicada que tem feito sucesso entre os chefs de cozinha na elaboração de pratos, em especial para flambar (o nome gourmet revela sua versatilidade na cozinha e em harmonizações). A cachaça santa terezinha leva à risca a máxima de que fazer cachaça é uma arte e seu grande diferencial está justamente na beleza de seus produtos e na alquimia de seus blends. Os rótulos que estampam suas garrafas exaltam a cultura nacional e local e foram desenvolvidos pelos artistas plásticos Hélio Coelho e Haroldo Bussotti. Em 1996, Adwalter Menegatti recebeu uma menção honrosa no Primeiro Festival de Cachaça da Ampac, realizado na Serraria Souza Pinto, em Belo Horizonte, pelo pioneirismo no uso de embalagens diferenciadas.

Entre os prêmios recebidos pela cachaça santa terezinha estão o de melhor cachaça do Brasil, em 2007, no concurso feito pela revista Prazeres da Mesa; medalha de ouro no World Spirits Competition 2009; segundo lugar no Prêmio Capixaba de Inovação em Alimentos e Bebidas da FINDES em 2012; primeiro lugar no Prêmio Capixaba de Inovação em Alimentos e Bebidas Sindibebidas em 2013; medalha de ouro no International Taste & Quality Institute, de Bruxelas, com 95 pontos, em 2014. www.cachacasantaterezinha.com.br Rua Licínio dos Santos Conte, 51 – Lj 31 – Hortomercado Enseada do Suá – Vitória – ES Tels: (27) 3326-3900 / 3325-3175 / 9982-3246 / 9818-4025 contato@cachacasantaterezinha.com.br

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A produção artesanal da santo grau itirapuã inclui a fermentação natural a partir de leveduras locais cultivadas em uma mistura de fubá e farelo de arroz, produzidos no antigo moinho de pedra da propriedade. Após o processo de destilação, a bebida é armazenada em tonéis de jequitibá e de carvalho.

Santo Grau Itirapuã A marca santo grau foi criada em 1992 a partir de uma seleção dos melhores pequenos e tradicionais engenhos e reúne os rótulos: santo grau itirapuã (SP), santo grau coronel xavier chaves (MG), santo grau século xviii (MG) e santo grau paraty (RJ). Produzidas a partir de matéria-prima controlada, e da sabedoria e dos segredos passados de geração a geração nas três famílias responsáveis pelos diferentes engenhos, cada cachaça apresenta características próprias, típicas de sua região. Alguns procedimentos são comuns a todos os rótulos, como o corte manual da cana-de-açúcar, a moagem até 24 horas após o corte, a fermentação lenta e natural, a destilação cuidadosa, e o descanso da bebida. O extremo controle em cada etapa resulta em cachaças de excepcional qualidade, saborosas e com grande riqueza aromática. Todo esse processo requer paciência, além dos conhecimentos passados de geração a geração. Para a santo grau, a qualidade de uma bebida artesanal vai além dos fatores naturais e matérias-primas utilizadas, que variam de região para região. 116

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O fator humano tem papel fundamental na interação com esses recursos naturais, e a experiência dos mais velhos, que traz o conhecimento da região, as melhores práticas ambientais e o respeito à natureza, vai refletir na qualidade da bebida. Por isso, a santo grau valoriza as diferentes regiões e as famílias que comandam esses engenhos há gerações. Produzida na cidade de mesmo nome no único engenho do Estado de São Paulo ainda movido por roda d’água, a santo grau itirapuã carrega em cada garrafa mais de 150 anos de história, sendo elaborada pelo engenho da Barra Grande há quatro gerações. Esse engenho, construído em 1860, encontra-se hoje sob o comando de Maurílio Figueiredo Cristófani, que mantém essa tradição e controla todas as etapas da produção. Segundo ele, cada detalhe reflete no sabor da bebida, desde o cuidado com o corte da cana-de-açúcar, a moagem, o tempo de fermentação, até o corte da cachaça e o descanso da bebida. No engenho, a safra vai de agosto a dezembro, período em que o fermento utilizado atinge o seu auge.


A produção artesanal da santo grau itirapuã inclui a fermentação natural a partir de leveduras locais cultivadas em uma mistura de fubá e farelo de arroz, produzidos no antigo moinho de pedra da propriedade. Após o processo de destilação, a bebida é armazenada em tonéis de jequitibá e de carvalho. O resultado é uma cachaça de textura aveludada, saborosa, macia e ampla no paladar, com aromas complexos e toques suaves da madeira, que aporta ainda a cor suavemente amarelada. Indicada para ser bebida pura, a santo grau itirapuã pode ser usada também em coquetéis e caipirinhas elaboradas. www.santograu.com.br www.facebook.com/cachacasantograu Tels: (11) 3875-1223 / SAC: 0800-55-80-18

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Santo Grau Coronel Xavier Chaves

A santo grau coronel xavier chaves não passa por madeira, mas descansa durante seis meses em tanques de pedra parafinados e subterrâneos, construídos há 250 anos e tombados pelo Patrimônio Histórico Nacional. O resultado é uma cachaça transparente e complexa. Seu aroma intenso remete aos canaviais de antigamente e seu sabor, inicialmente vigoroso, torna-se doce e agradável, preenchendo toda a boca

A cachaça santo grau coronel xavier chaves, que recebe o nome do município onde é produzida, simboliza a tradição da cachaça mineira de qualidade. É elaborada no engenho mais antigo do Brasil ainda em funcionamento, segundo a Embratur, que data de 1755 e que pertenceu ao irmão mais velho de Tiradentes, o padre Domingos da Silva Xavier. Hoje o engenho está sob o comando de Fernando Chaves, que mantém o lema de que “seus segredos estão guardados a sete Chaves”, numa referência às sete gerações responsáveis por sua produção ininterrupta desde o século XVIII. Resultado de um terroir privilegiado, essa cachaça é elaborada com a porção mais pura, sendo aproveitados apenas os melhores 130 litros de cada uma após a fermentação. A santo grau coronel xavier chaves não passa por madeira, mas descansa durante seis meses em tanques de pedra parafinados e subterrâneos, construídos há 250 anos e tombados pelo Patrimônio Histórico Nacional. O resultado é uma cachaça transparente e complexa. Seu aroma intenso remete aos canaviais de antigamente e seu sabor, inicialmente vigoroso, torna-se doce e agradável, preenchendo toda a boca. Perfeita para ser degustada pura, fica deliciosa em caipirinhas de frutas 118

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cítricas. Essa cachaça foi eleita entre as melhores no ranking da revista Playboy em 2009 e 2011. Em 2002, foi produzida a santo grau coronel xavier chaves século xviii a partir de uma seleção das melhores safras desse engenho mineiro e que permaneceu armazenada durante dez anos em uma adega de pedra centenária, climatizada naturalmente. O descanso por 10 anos, sem passar por madeira, é o principal diferencial do rótulo, aflorando os traços mais puros e autênticos dessa cachaça, sem alterar suas características originais. Seu aroma revela o melhor da cana e seu sabor redondo, marcante e muito suave se torna amplo na boca. Completamente branca, é produzida seguindo a mesma receita há mais de 250 anos. Ainda restam algumas unidades de um lote limitado com garrafas numeradas uma a uma. Além da santo grau coronel xavier chaves e da santo grau século xviii são produzidas a santo grau paraty (RJ) e a santo grau itirapuã (SP). www.santograu.com.br www.facebook.com/cachacasantograu Tels: (11) 3875-1223 / SAC: 0800-55-80-18 CACHAÇA • ENGENHOS DE OURO

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Santo Grau Paraty Conhecida como a terra da cachaça desde o fim do século XVI, Paraty, no Rio de Janeiro, tem tradição na produção dessa bebida, mantendo o caráter artesanal e fazendo uso dos avanços mais recentes da tecnologia. Já em 1600, designar uma cachaça como “paraty” significava se tratar de uma aguardente de canade-açúcar de qualidade superior. Até hoje na região, é comum encontrar consumidores que pedem uma cachaça usando a frase: “Pode me servir uma paraty?”. Com características de clima e solo singulares, devido à influência da serra e do mar, Paraty produz cachaças com características únicas e é a primeira região do Brasil a possuir “Indicação Geográfica de Procedência” para essa bebida. Nesse terroir privilegiado é produzida a santo grau paraty, cuja marca foi criada em 1992. Em cada garrafa, a santo grau paraty traz uma dose da história e da tradição desse município, onde a mesma

A santo grau paraty é destilada em alambiques de cobre aquecidos por fogo direto, um estilo tradicional de desenvolver a bebida lenta e naturalmente. Essa clássica cachaça fluminense apresenta características típicas da região, com aroma exuberante e sabor intenso. Na página ao lado, o antigo engenho que, até a metade do séc. XX, localizava-se à beira mar e onde hoje, fica uma marina de navegadores. Atualmente o engenho situa-se no pé da Serra do Mar

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família produz a bebida desde 1803 pela quinta geração de alambiqueiros. O engenho, localizado à beira da Serra do Mar, consagra a fama de Paraty na produção de cachaça de excelente qualidade há quase cinco séculos, preservando segredos transmitidos entre as famílias da região. A santo grau paraty é destilada em alambiques de cobre aquecidos por fogo direto, um estilo tradicional de desenvolver a bebida lenta e naturalmente. Hoje, quem comanda sua produção é Eduardo Mello, o único que sabe a receita do fermento natural utilizado, auxiliado por seu filho, Eduardo (Dudu) Calegario Mello, que aprende, aos poucos e pacientemente, os ensinamentos do pai. A filosofia da família é manter a tradição e ao mesmo tempo incorporar novas tecnologias, como no trabalho de seleção e teste das variedades de cana-de-açúcar produzidas na região. Essa clássica cachaça fluminense apresenta características típicas da região, com aroma exuberante e sabor intenso.

O engenho produtor da santo grau paraty foi o primeiro do país a receber do Ministério da Agricultura o selo de qualidade e excelência. Indicada para ser bebida pura ou em drinques foi eleita entre as três melhores cachaças brancas do Brasil pelo ranking da revista Veja de fevereiro de 2010. Além da santo grau paraty são produzidas a santo grau coronel xavier chaves (MG), a santo grau século xviii (MG) e a santo grau itirapuã (SP). www.santograu.com.br www.facebook.com/cachacasantograu Tels: (11) 3875-1223 / SAC: 0800-55-80-18

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A premiada SAPUCAIA conserva o estilo visionário do seu produtor, Cicero da Silva Prado. Desde sua garrafa em estilo Art Déco e as técnicas e máquinas modernas de engarrafamento, além de um sistema rígido de controle de qualidade

Sapucaia Com uma tradição que remonta ao ano de 1933, a Cachaça sapucaia é uma das representantes de peso dentre as cachaças paulistas. Originária do distrito de Moreira César, no município de Pindamonhangaba, interior de São Paulo, no Vale do Paraíba, seu nome presta homenagem à árvore típica da Mata Atlântica, a Sapucaia, abundante nessa região. Cicero da Silva Prado, um empreendedor bastante conhecido por seu estilo visionário, decidiu produzir uma cachaça de qualidade, voltada para a exportação, a partir das plantações de cana-de-açúcar que introduziu na fazenda. Entre suas inovações está a garrafa, em estilo Art Déco, única e desenvolvida especialmente para o mercado externo, mantida até hoje nas versões superiores da linha. Esse mesmo empresário fundou em São Paulo o Banco Cicero Prado, vendido em 1967 ao Banco Bradesco, além de outras obras como escola e maternidade. Cicero Prado foi também pioneiro no plantio de arroz na região. Em 1959, foi rodado nas dependências das fazendas Sapucaia e Coruputuba o conhecido filme Jeca Tatu, de Mazaroppi. Na abertura, o artista agradece a Cicero Prado e no filme são mostradas cenas do corte tradicional da cana-de-açúcar para a produção da cachaça. 122

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Na década de 1980, a empresa incorporou diversos alambiques e marcas da região como a Senzala e Florida. Foram realizadas obras e instalações de equipamentos, aumentando o número de alambiques. Novos tonéis de carvalho foram adquiridos, ampliando a capacidade de estocagem e envelhecimento das cachaças. Em 2012, foram feitos novos investimentos e reformas na estrutura física da empresa, com a abertura de filiais em São Paulo e Pirassununga. A sapucaia é, portanto uma tradicional marca paulista de cachaça de alambique, que sempre contribuiu para o desenvolvimento do setor com seu apreço pela qualidade de produção e apresentação dos seus produtos. Suas cachaças brancas apresentam características muito similares às cachaças de Paraty-RJ, pela condição climática local da Serra da Mantiqueira e Serra do Mar. A linha de produtos inclui diversos rótulos: sapucaia florida cristal, com 2 anos de envelhecimento em barris de amendoim; sapucaia florida ouro, com 2 anos em barris de carvalho, sapucaia velha tradicional, com cinco anos de envelhecimento em barris de carvalho, saborosa e de aromas finos; velha reserva da família, que passa 10 anos em barris de


carvalho, com suavidade única e sabor inigualável; e sapucaia real 18 anos, resultado de um blend de 28 barricas, selecionadas a partir de 500 amostras envelhecidas em tonéis de carvalho. Lançado em 2009 na Expovinis, esse rótulo mudou o patamar das cachaças envelhecidas e contribuiu para o desenvolvimento das cachaças especiais. A sapucaia acumula diversos prêmios, sendo destacada em renomadas publicações. Em 2007, a reserva da família 10 anos figurou entre as 20 melhores cachaças do Brasil na revista Playboy, sendo a mais bem colocada no Estado de São Paulo; em 2009, a tradicional 5 anos ficou entre as 20 melhores no ranking dessa mesma publicação; em 2010, os rótulos da marca figuraram entre as melhores da Playboy argentina; em janeiro de 2014, a sapucaia velha reserva da família foi listada entre as melhores do Brasil no Caderno Paladar, do jornal O Estado de São Paulo. www.cachacasapucaia.com.br Pindamonhangaba – SP info@sapucaia.net CACHAÇA • ENGENHOS DE OURO

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A cachaça seiva missioneira une arte e tecnologia, preservando as tradicionais técnicas de produção e garantindo um requintado sabor à verdadeira bebida artesanal

Seiva Missioneira Da cidade gaúcha de Caibaté, no noroeste do Rio Grande, surge em 2006 a cachaça seiva missioneira, nascida em uma região turística conhecida pelas famosas Missões Jesuíticas dos séculos XVII e XVIII realizadas em ‘Terras Guarani’. A marca artesanal foi criada a partir da união de Omar Jung e seus filhos, Darceli e Sérgio, motivados pelo sonho de produzir uma bebida premium. As excelentes condições climáticas e de solo para o desenvolvimento da cultura da cana-de-açúcar são fatores essenciais para gerarem matérias-primas que dão origem a uma cachaça de qualidade superior. O terroir é marcado por solos férteis, de profundidade que dispensam qualquer adubação, posicionados em altitude média de 285 metros acima do nível do mar, sujeito a frio moderado e com incidência de geadas pouco severas que contribuem de forma positiva para a maturação uniforme dos talhões de cana-de-açúcar. O cultivo é orgânico, sem uso de qualquer fertilizante químico. As canas são cortadas manualmente, sem queimas. O transporte para o abrigo fechado ocorre imediatamente após o corte o que evita a acidez dos materiais. O frescor das matérias-primas dispostas 124

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à moagem é um dos fundamentos para a produção da cachaça artesanal de qualidade. A maturação é medida pelo percentual de açúcar dos materiais. São elaboradas anualmente 60 mil litros de cachaça artesanal. O processo une arte e tecnologia, preservando tradicionais técnicas como a destilação do caldo da cana-deaçúcar, fermentado sem aceleradores, a partir de leveduras naturais selecionadas. A destilação feita em alambiques de cobre martelado garante a separação perfeita da cachaça de coração, livre de substâncias tóxicas e perigosas ao corpo humano. A ausência de agentes contaminantes é um dos segredos que faz da seiva missioneira uma cachaça de corpo e alma. Padronizada e descansada em tonéis de madeiras nobres como carvalho, jequitibá, grápia, bálsamo e umburana, o processo de amadurecimento em barricas garante requintado sabor à verdadeira cachaça artesanal. A cachaça seiva missioneira extrapremium é envelhecida por sete anos em barris de carvalho. Apresenta sabor suave e marcante com intenso amadeirado e coloração dourado-rubi. Disponível em embalagens de 700 e 30 ml.


A seiva missioneira ouro é envelhecida por três anos, em barris de carvalho, grápia, cabreúva jequitibá e bálsamo, o que lhe confere sabor suave e marcante. A coloração dourada é resultante da armazenagem em barris dessas madeiras nobres. Disponível em embalagens de 700, 160 e 50 ml. A seiva missioneira prata é descansada por seis meses em dornas de jequitibá, uma madeira que amacia o sabor da cachaça sem, no entanto, interferir em sua coloração. O resultado é uma bebida límpida, leve e que preserva o aroma natural da cana. Disponível em embalagens de 700, 160 e 50 ml. Os licores seiva missioneira sobres trocais são elaborados a partir da cachaça seiva missioneira prata por processo de infusão, nos sabores: Butiá, Cravo & Canela, Abacaxi, Mel & Gengibre, Mel &Guaco, Menta, Jabuticaba, Anis, Amora, Morango, Nêspera, Figo e Erva-Mate. Disponíveis em embalagens de 375 ml. seivamissioneira.blogspot.com.br Linha Santo Ângelo, s/nº Caibaté – RS CACHAÇA • ENGENHOS DE OURO

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TRIUMPHO O Engenho São Pedro foi criado no início do século passado, na turística cidade de Triunfo, no Estado de Pernambuco, considerada a mais alta de todo o Nordeste. O Engenho faz parte de um complexo rural junto com Águas Parque e a Pousada Baixa Verde, que formam uma bela propriedade histórica. É deste canto do sertão brasileiro que surge a cachaça triumpho, batizada em homenagem ao munícipio de sua sede. Nessa linda região serrana, de terras altas, mil metros acima do nível do mar, são plantados canaviais que seguem preceitos orgânicos de condução agrícola e de onde vem a matéria-prima para a produção da premiada bebida. Todo o processo produtivo segue preceitos ecológicos rigorosos. A cachaça triumpho preza por uma filosofia de sustentabilidade, de trabalhar com a integração de atividades, diversificação de culturas e o mínimo de perdas energéticas.

Com capacidade de produção do engenho de até 20 mil litros de cachaça por ano, a bebida é colocada em vasilhame revestido com resina à base de cerâmica e bagaço de cana, que gera um diferencial expressivo e único. O resultado é um produto reconhecido no mercado, e que após rigorosas auditorias, tornou-se a primeira cachaça do Brasil a receber a certificação de qualidade do Inmetro

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O comprometimento tem como base a preservação do meio ambiente e a busca por qualidade de seus produtos. No campo não se utiliza agrotóxico, venenos ou fertilizantes químicos. Pelo contrário, a meta é a de sempre manter a vida em todos os níveis. A nascente e a vegetação local também são protegidas. A vida na terra e no ar é preservada. A empresa tem na ética e no respeito aos ciclos da natureza, sua principal bandeira. Todo o corte da cana é realizado sem queima da palha, que é utilizada também para a proteção do solo. Após a colheita a matéria-prima segue para a moagem, que é feita no mesmo dia do corte para evitar a inversão da sacarose. Surge o caldo de cana, que após ser processado é imediatamente transferido para dornas. Começa então o processo de fermentação conduzida por componentes naturais, em temperatura e características especiais ideais, que só são possíveis alcançar em uma região serrana


acima de mil metros de altitude, onde a variação anual é entre 12 e 26 graus centígrados. A alimentação da caldeira do engenho segue preceitos “verdes” na qual utiliza-se o bagaço da própria cana como combustível. Já a destilação é realizada em alambique misto de cobre e inox, observando-se as temperaturas ideais aferidas durante todas as fases do processo para a obtenção de um produto premium. Por fim, a cachaça triumpho é levada para descansar em barris de freijó, que é uma madeira neutra (não deixa gosto ou cheiro), e envelhecida em barris de carvalho por até dois anos a fim de conquistar características singulares de aroma e sabor. Este processo produtivo de respeito à natureza proporciona melhor qualidade de vida a quem elabora e para quem a degusta. Como resultado a este esforço e reconhecimento do mercado, após rigorosas auditorias, a cachaça triumpho foi a primeira do Brasil a receber a certificação de qualidade do Inmetro.

A capacidade de produção do engenho é de até 20 mil litros de cachaça por ano, que são colocados em vasilhame revestido com resina à base de cerâmica e bagaço de cana, que gera um diferencial expressivo e único. São produzidas, a cachaça artesanal, que descansa seis meses em barris de freijó, envasada em garrafa de vidro de 980 ml, revestida com resina à base de argila e bagaço de cana; e a cachaça artesanal envelhecida, armazenada por dois anos em barris de carvalho a fim de ganhar complexidade e estrutura, engarrafada em vidro de 500 ml e também revestida com resina à base de argila e bagaço de cana. A cachaça triumpho produz ainda o licor de cana de açúcar, que leva diversas especiarias regionais. www.cachacatriumpho.com.br Rua Manoel Paiva dos Santos, nº 114 – Centro – Triunfo – PE Tels: (87) 3846-1103 / 3846-1229 cachaca@cachacatriumpho.com.br

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A marca vale verde nasceu em 1985 e seu foco é buscar crescimento sustentável. Com as 6 toneladas de cana que são utilizadas por dia durante a safra foram produzidos em 2014 cerca de 140 mil litros de cachaça

Vale Verde A paixão pelo que faz e a incansável busca pela qualidade definem a tônica idealizadora do Grupo Vale Verde. Seu fundador, Luiz Otávio Pôssas Gonçalves, trabalha com bebidas há mais de 50 anos, iniciou com a fabricação de Coca-Cola em Minas Gerais e é conhecido também por ter criado a cerveja Kaiser e a Kero Coco, a primeira água de coco em caixinha do país, além de continuar sendo um empreendedor do ramo. O surgimento do vale verde foi gradativo e começou quando Luiz Otávio ganhou de seu tio um pequeno alambique que o inspirou a entrar no mercado de cachaças. Inicialmente, a pequena produção era consumida apenas entre amigos, contudo, a apreciação de especialistas e a qualidade conferida ao destilado levou ao início da comercialização das cachaças: nascia então a marca vale verde, no ano de 1985. Nesse período, Luiz Otávio saiu em busca de novas técnicas para aprimorar a fermentação e a destilação da cachaça. Na Europa, ele identificou que as práticas usadas na fabricação de uísques finos poderiam ser utilizadas nas cachaças. Com know-how europeu, logo surgiu a vale verde extra premium, envelhecida por três anos e que segue o mesmo padrão de fabricação de destilados internacionais, com técnicas que garantem a qualidade e sabor diferenciados à bebida. A cachaça vale verde passou então a conquistar prêmios e, consequentemente, a sua fama cresceu Brasil afora. A fazenda que mantém a tradição da fabricação passou a receber muitos visitantes, foi assim que nasceu, em 2002, o Parque Ecológico Vale Verde, um local que abriga cerca de 1.300 animais, entre aves, répteis e mamíferos. Na propriedade, que ficou conhecida como o Parque Temático das Cachaças, em Betim (MG), há diversos atrativos de lazer e aventura para família. 128

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© Elderth Theza

vale verde

No Parque é possível acompanhar todo o processo de produção das cachaças vale verde, que é 100% sustentável, além de conhecer o Museu da Cachaça, com relatos da história da bebida desde o Egito Antigo. O local conta com mais de dois mil rótulos diferentes, além da coleção completa da marca vale verde. O foco do Grupo Vale Verde é buscar crescimento sustentável. Com as 6 toneladas de cana que são utilizadas por dia durante a safra foram produzidos em 2014 cerca de 140 mil litros de cachaça. Parte do bagaço da cana foi utilizado como combustível para as máquinas da produção e o restante como adubo orgânico para o canavial. A produção da vale verde extra premium é totalmente artesanal e o título de Extra Premium é comprovado pelo Ministério da Agricultura, que acompanha o processo de fechamento e a abertura dos barris; dali saem as cachaças envelhecidas por três e doze anos. Outro ponto de controle da qualidade é a auditoria dos processos avaliados pelo Inmetro, órgão que certifica a vale verde com um selo. Produzida com uma tecnologia pensada especialmente para bebidas alambicadas, é um dos melhores e mais premiados destilados do Brasil. Sua qualidade foi comprovada por conquistas relevantes como nos concursos promovidos pela revista Playboy, entre 2007 e 2011. Nos anos em que a premiação ocorreu, a vale verde foi eleita, consecutivamente, a melhor Cachaça Extra Premium do Brasil. Também venceu o primeiro Festival da Cachaça realizado pela Associação Mineira de Produtores de Cachaça de Qualidade – AMPAQ. Em 2010 foi medalha de ouro da categoria “Envelhecida” da revista inglesa The Spirits Business, no prêmio Cachaça Masters. A vale verde extra premium foi considerada ainda a melhor cachaça do Brasil em 2014, conforme o prêmio conferido pela Cúpula da Cachaça. Outro rótulo do portfólio vale verde é a minha deusa. Produzida com os mesmos padrões de qualidade, descansa por seis meses em tonéis de grápia, madeira que confere um sabor mais 130

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O Parque Ecológico Vale Verde abriga cerca de 1.300 animais, entre aves, répteis e mamíferos. Na propriedade, que ficou conhecida como o Parque Temático das Cachaças, em Betim (MG), há diversos atrativos de lazer e aventura para família, dentre eles o Museu da Cachaça


aveludado à bebida, tornando o paladar mais suave e mantendo-o por mais tempo após a degustação. Também foi agraciada com o prêmio Cachaça Masters, da revista inglesa The Spirit Business. Em maio de 2014 uma nova cachaça passou a integrar a linha de produtos, a vale verde prata, que já representa 10% das vendas de bebidas do grupo. Com um sabor genuíno, teor alcoólico de 40º, coloração natural e, claro, o padrão de qualidade vale verde, a bebida também é conhecida popularmente como branca ou prata. A vale verde prata não passa por barris, após a destilação é envasada e está pronta para o consumo. É perfeita para os amantes da “branquinha” e para a elaboração de drinks, pois confere um sabor marcante aos coquetéis e caipirinhas. Em 2010, para celebrar o sucesso dos 25 anos do Alambique, foi criada a vale verde edição presente, comercializada em uma garrafa francesa elaborada exclusivamente para valorizar ainda mais a bebida. A beleza da embalagem e o produto de qualidade incontestável a tornam um presente ideal. A vale verde 12 anos nasceu como uma edição especial da extra premium. Envelhecida por 12 anos em barris de carvalho europeu, possui sabor incomparável e a qualidade dos melhores destilados do mundo. A edição é apreciada por degustadores de bebidas finas, o que lhe conferiu diversas premiações, dentre elas, a melhor cachaça do Brasil em 2014. Com a consolidação das cachaças vale verde no mercado e a incansável busca de Luiz Otávio Pôssas por novos produtos, deu-se início ao desenvolvimento de novas bebidas, uma delas é o licor do mestre, uma mistura de sete ervas finas nacionais e de outros países, dentre elas o zimbro, um dos componentes

conhecido por ser utilizado na produção do gin. As demais ervas são um segredo compartilhado apenas entre o alquimista, Luiz Otávio, e o enólogo responsável pelas bebidas vale verde. O licor de café 1727 surgiu como uma homenagem ao ano em que o café chegou ao Brasil. A produção é feita por meio de um processo inovador, chamado Arraste Super Crítico (arraste de aromas e sabores em uma atmosfera super crítica de gás carbônico), que extrai todo o aroma de um grão de café selecionado. É uma excelente combinação entre a cachaça vale verde e o café arábica. O canavino nasceu por meio de um processo de fermentação que se assemelha muito à produção de vinhos. O amadurecimento do canavino é feito em barris de carvalho norte americanos, utilizando o processo de solera, o que agrega um sabor amadeirado e seco à bebida. A gelatina de cachaça é uma receita tradicional de família, uma lembrança da sobremesa preparada pela avó do fundador do Grupo Vale Verde na cidade de Itabirito, em Minas Gerais. Possui teor alcoólico sutil que evidencia o sabor cítrico e adocicado da gelatina. O vale verde é responsável pela produção de uma das melhores cachaças do Brasil e vem conquistando gradativamente o mercado internacional. O grupo busca a inovação e está sempre visando desenvolver novos produtos que se alinham à tradição e qualidade da marca, além de agradar o paladar dos mais diversos apreciadores de cachaça e bebidas finas. www.cachacavaleverde.com.br Rua Ary Barbosa da Silva, 950 – Betim – MG Tel: (31) 3079-9140 CACHAÇA • ENGENHOS DE OURO

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Velho Alambique O solo do vale do rio Taquari, identificado como um dos mais férteis do mundo, em Santa Tereza (RS), tem as condições ideais para o plantio de cana-de-açúcar, matéria-prima das cachaças velho alambique e a locomotiva. As empresas Remus e Bettinelli Ltda, administradas pelos sócios Ivandro Remus e Michel Bettinelli desde 2001, ampliaram seus canaviais na Serra Gaúcha para apostar na produção de uma bebida premium, elaborada em uma região com mais de 100 anos de tradição na arte de fazer cachaça artesanal. No campo, a colheita é realizada quando a cana atinge o ponto ideal de maturação. O plantio é totalmente sustentável, certificado com o selo “Produto Orgânico do Brasil” de uma entidade participativa e fiscalizada pelo núcleo Serra da ECO VIDA! Ter esse selo significa poder dar garantia ao consumidor que nenhum tipo de aditivo químico foi utilizado em todo o processo, do cultivo à colheita, além de ser uma comprovação da bandeira e filosofia ‘verde’ da direção da cachaça velho alambique. Após a colheita manual, a moagem é feita no mesmo dia para que o caldo seja extraído o mais rápido possível. Esta ação é essencial para alcançar um líquido de qualidade. A proposta das famílias é elaborar cachaças que unam técnicas tradicionais com

A velho alambique ouro evolui por três anos em três tipos diferentes de barricas: carvalho, grápia e angico. O blend confere maior complexidade de aromas e uma coloração peculiar e única. Graças a essa preocupação, a cachaçaria alcançou importante reconhecimento em provas às cegas

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toques modernos de produção, com foco em bebidas artesanais, com apenas 30 mil litros por ano. Depois de destilada, a velho alambique ouro é envelhecida por três anos em três tipos diferentes de barricas: carvalho, grápia e angico. O blend confere maior complexidade de aromas, além de contribuir para que a bebida ganhe uma coloração peculiar e única. A velho alambique branca é armazenada em tanques de inox. A linha a a locomotiva segue o mesmo estilo, sendo a branca armazenada em inox, enquanto a ouro é resultado de um blend de cachaças armazenadas em três tipos de madeira: carvalho, angico e grápia. Embora o foco seja ampliar cada vez mais a presença da marca em novos estados brasileiros, a velho alambique também já alçou voo em mercados competitivos como Inglaterra, Irlanda e Itália. “Temos um longo trabalho de mostrar para o público brasileiro a diferença, em termos qualitativos, das cachaças artesanais das industriais. O segundo passo será disseminar essa cultura também em outros países”, explica Ivandro Remus, um dos sócios da destilaria. Graças a essa preocupação com a qualidade dos produtos, a cachaçaria alcançou importantes reconhecimentos em concursos às cegas. A velho alambique ganhou medalha

de prata na 10ª edição brasileira do Concurso Mundial de Destilados de Bruxelas em 2013. Entre as avaliações brasileiras, foi eleita a terceira melhor na categoria “Top 10 Envelhecidas” em 2011, durante a Expocachaça, além de receber, na mesma competição, duas medalhas de prata em 2012, e medalha de prata e duas de bronze em 2013. Na Expointer 2014 – Exposição Internacional de Animais, Máquinas, Implementos e Produtos Agropecuários –, a velho alambique envelhecida e a branca conquistaram medalha de prata e as  brancas conquistaram  a 2ª colocação na Expointer. Para celebrar a união e a história das famílias Remus e Bettinelli, criadoras da cachaçaria, a empresa está lançando  a velho alambique cenário – cachaça extra premium, envelhecida 5 anos em tonéis de carvalho, grápia e angico. Foram produzidas apenas 2.100 garrafas dessa edição especial. www.velhoalambique-rs.com.br Linha Barão de Capanema – s/nº Santa Teresa / Serra Gaúcha – RS Tels: (54) 9171-1653 / (54) 3456-1024 comercial@velhoalambique-rs.com.br www.facebook.com/cachacariavelho.alambique

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Sedução, tentação ou desejo. A VOLÚPIA nasceu em 1946 com a filosofia de ousar. Produzida a partir de canaviais gerados de forma orgânica, garante à premiada cachaça um produto 100% natural, colocando o Estado da Paraíba no mapa de produtor de alta qualidade da bebida ícone no país

Volúpia Do Engenho Lagoa Verde, município de Alagoa Grande (PB), surgiu a cachaça volúpia, uma das melhores do país, elaborada de forma artesanal, tendo como pilar a tradição de cinco gerações da família Lemos. Sua produção começou no século XIX com Antônio Lemos, passando sempre de pai para filho, até que em 1946 a bebida foi batizada de volúpia, com a essência de buscar a mais pura qualidade. O nome significa sedução, tentação ou desejo. Uma marca que nasceu com a filosofia de ousar. Hoje, sob a gestão de Vicente Otávio Neves Lemos, que também é presidente da Associação dos Engenhos de Cachaça da Paraíba (Aspeca), a volúpia elabora artesanalmente cerca de 180 mil litros do destilado por ano. A matéria-prima vem dos próprios canaviais conduzidos de forma orgânica para garantir a pureza e a qualidade de um produto 100% natural, feito por uma família que preza pela ética, compromisso, honestidade e lealdade. A volúpia foi uma das grandes responsáveis por colocar o Estado da Paraíba no mapa de produtor de alta qualidade 134

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da bebida ícone no país. Uma das comprovações desta responsabilidade é a relevante conquista do prêmio de “Melhor Cachaça do Brasil” em 2010 na avaliação conduzida pela revista Veja, reconhecidamente idônea em seu processo de julgamento. Anterior a isso, nos anos de 2003, 2007 e 2009, a revista Playboy também a colocou no ranking das “Cachaças Mais Gostosas do Brasil”. Em 2009 ela entrou para a seleta lista das top 10 da publicação. Também por três vezes em 2004, 2006 e 2008 a volúpia foi agraciada no concurso Brazilian Meeting Chemistry of Food and Beverage, com a menção honrosa pela avaliação da qualidade da cachaça, pelos resultados alcançados em análise química e sensorial. Já em 2005 ela recebeu o prêmio ‘Sebrae Revelação Empresarial’ que reconhece iniciativas de gestão inovadoras, premiando a marca por ter cuidados na elaboração do produto, de forma sustentável e integrada com a comunidade que a cerca. O município de Alagoa Grande fica a 105 Km de distância da capital João Pessoa. A cachaça tradicional volúpia descansa por um ano em


barris de freijó e é comercializada em embalagens de vidro de 700 ml e 275 ml além de também ser ofertada em belas garrafas de porcelana. Já a cachaça premium da empresa é a linha envelhecida. Além de passar um ano em barricas de freijó, também evolui por mais quatros anos em tonéis de carvalho. Tanto a tradicional como a Envelhecida são disponibilizadas na versão mini de 50 ml. Há ainda a linha cocktail frutta frozen que mescla variedades tropicais e outros ingredientes, dando novas personalidades à cachaça. Elas estão disponíveis em sete opções: Tangerina, Morango, Menta, Frutas Vermelhas, Coco, Banana e Canela. Trata-se de um bebida apropriada para se tomar gelada, em harmonia com o calor brasileiro, e que possui apenas 18% de grau alcoólico, ideal para eventos sociais e descontraídos. www.cachacavolupia.com.br Engenho Lagoa Verde s/nº – Alagoa Grande – PB Escritório: Av. Olinda, 292 – Tambaú – João Pessoa – PB Tels: (83) 3226-7382 / (83) 9982-2917 CACHAÇA • ENGENHOS DE OURO

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Weber Haus Instalada em Ivoti, na Rota Romântica do Rio Grande do Sul, a weber haus completa 66 anos em 2014, sendo a cachaçaria brasileira mais premiada no mundo, com mais de 40 prêmios em dez diferentes rótulos de seu catálogo. O processo de produção de suas cachaças artesanais de alambique, certificadas pelo Inmetro em 2005, se diferencia a partir do cultivo da cana-deaçúcar, de cultura orgânica. A destilação acontece em alambiques de cobre de até 2 mil litros de capacidade e o envelhecimento é feito em madeiras selecionadas. No comando de sua produção está o químico Evandro Weber, da quinta geração da família de origem alemã, que assumiu a empresa em 2001 e posicionou a marca no mercado nacional e internacional. Em 2005, a weber haus fez sua estreia em feiras de bebidas, turismo e alimentos na Europa. Em 2006, conseguiu a primeira exportação, que hoje representa 30% do faturamento da empresa, presente em países como Estados Unidos, China, Alemanha, Itália, Irlanda, Canadá, Ilhas Bermudas, Japão e França. Sua linha de produtos inclui a cachaça branca e as envelhecidas, que respondem por 50% do volume comercializado pela empresa. Entre elas estão a extra premium 6 anos, que passa cinco anos em carvalho francês e um ano em bálsamo, e a premium orgânica 3 anos, que repousa apenas em carvalho francês. São bebidas macias e complexas, com notas frutadas e o toque

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O processo de produção de suas cachaças artesanais de alambique, certificadas pelo Inmetro em 2005, se diferencia a partir do cultivo da canade-açúcar, de cultura orgânica. A destilação acontece em alambiques de cobre de até 2 mil litros de capacidade e o envelhecimento é feito em madeiras selecionadas


agradável da madeira, que podem ser degustadas puras ou harmonizadas com aperitivos e pratos. Um dos destaques entre as envelhecidas é o rótulo lote 48 weber haus 12 anos extra premium, lançado em 2013 em embalagem luxuosa banhada a ouro 18 quilates e edição limitada de 2 mil unidades numeradas, com preço que chega a quase R$ 2.700. O blend da cachaça foi escolhido por especialistas entre 18 barris de bálsamo e carvalho francês guardados na cachaçaria há 12 anos, como os bons uísques e conhaques. Os três melhores barris foram selecionados para compor essa bebida exclusiva. Entre os muitos prêmios que a weber haus acumula, um dos mais memoráveis foi o “Best in Show White”, em 2008, no San Francisco World Spirits Competition, nos Estados Unidos,

em que foi necessário obter nota 10 de todos os 27 jurados. O mais recente é o de melhor cachaça de 2014, obtido no Concurso Mundial de Bruxelas, para a weber haus envelhecida em amburana. A cachaça orgânica weber haus brazilian alchemy gold camisa 8 obteve medalha de prata nesse mesmo concurso. Essa cachaça, armazenada um ano em tanque de inox com um toque de carvalho e envelhecida por um ano em barris de amburana e canela sassafrás, é acondicionada em embalagem exclusiva e faz parte da Seleção Brasileira de Alimentos, que inclui onze produtos brasileiros de excelência. www.weberhaus.com.br Rua 48 Alta, nº 2625 – Ivoti – RS Tels: (51) 3563-4800 / 3563-3194 / 3563-2144

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Werneck A Destilaria Werneck está localizada na cidade de Rio das Flores, no Estado do Rio de Janeiro, dentro do chamado Vale Histórico do Café, região do médio Vale do Paraíba, onde a grande maioria das fazendas do século XIX produzia café e cachaça. O projeto de produzir uma cachaça de qualidade teve início no fim de 2008, e o primeiro rótulo com a marca werneck foi lançado em 2010. Seus criadores são Cilene e Eli Werneck, que cuidam de cada detalhe da produção dessa cachaça, que em pouco tempo conquistou o paladar de especialistas e obteve vários prêmios. Cilene, artista plástica de formação, é perfeccionista ao extremo e participa de várias fases da produção, incluindo a análise sensorial de todos os lotes de engarrafamento. O engenheiro Eli foi o responsável pelo projeto e pela construção da destilaria e, desde o início, engloba as funções de alambiqueiro (quem faz a destilação), armazenamento em barris e tonéis, preparação de lotes e engarrafamento. Sua experiência de engenheiro e executivo de multinacional por mais de 30 anos o ajudou a desenhar detalhadamente cada fase do processo de produção, criando relatórios de controles. Tudo isso, sem se descuidar da responsabilidade ambiental, com plantio constante de mudas da Mata Atlântica nas áreas de encosta e de matas ciliares, que já se encontravam devastadas na época da aquisição da propriedade.

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Localizada no chamado Vale Histórico do Café, a Destilaria Werneck cuida de cada detalhe da produção da cachaça que conquistou o paladar de especialistas e obteve vários prêmios. Tudo isso, sem se descuidar da responsabilidade ambiental, com plantio constante de mudas da Mata Atlântica


Todo esse cuidado se reflete em cada garrafa de cachaça que sai das mãos desse casal. Observando a etiqueta de lote no rótulo, é possível dizer de que área do canavial é proveniente a cana e em que dia ou período foi cortada e moída. A cachaça werneck é produzida nas versões tradicional (descansada em inox), prata (armazenada em jequitibá) e ouro (armazenada em carvalho), todas certificadas pelo Inmetro. A werneck tradicional, que passa de três a quatro meses em reservatórios de aço inox, é pura e cristalina e seus aromas e sabores remetem ao frescor da cana-de-açúcar. É excelente para ser degustada pura ou em caipirinhas e outros drinques. Essa cachaça ficou em primeiro lugar na 4ª edição do Concurso de Cachaças do Vale Histórico do Café, realizado pela Prefeitura Municipal de Piraí durante o Café, Cachaça & Chorinho, e obteve medalha de prata no Concours Mondial de Bruxelles de 2013. A werneck prata descansa de seis a oito meses em tonéis de jequitibá, resultando em uma cachaça cristalina e quase incolor, suave e com um sabor frutado muito especial, para ser degustada pura ou em caipirinhas e outros drinques. werneck

Muito apreciada por especialistas, obteve medalha de ouro no Concours Mondial de Bruxelles de 2013 e de prata na categoria das “armazenadas” no primeiro Concurso de Cachaças do Estado do Rio de Janeiro em 2012. A werneck ouro é envelhecida de um a dois anos em barris de carvalho europeu. Com tonalidade amarelo claro, é uma cachaça suave e levemente amadeirada, com aroma e sabor que remetem a baunilha, para ser degustada pura ou “on the rocks”. Essa cachaça obteve medalha de prata na 21ª Expocachaça – Dose Dupla, em 2012. Eli Werneck é presidente da Cachaças do Vale, uma associação regional de produtores, e diretor da APACERJ – Associação dos Produtores e Amigos da Cachaça do Estado do Rio de Janeiro. www.cachacawerneck.com.br Rio das Flores – RJ Tels: (24) 99298-9900 / 99298-9998 / 99298-9992 contato@cachacawerneck.com.br

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yaguara Lançada em outubro de 2013, a yaguara é a primeira cachaça branca, blended e orgânica do mundo. Sua criação tem raízes na amizade de três jovens empreendedores, Hamilton Lowe, Thyrso Camargo Neto e Thiago Camargo. Eles estudaram juntos na adolescência e, ao longo dos anos, Hamilton viajou muitas vezes da Inglaterra, onde vive, para visitar os amigos no Brasil. Eles passavam muitas horas ​​com o avô de Thyrso e Thiago, um homem que dedicou boa parte de sua vida aperfeiçoando sua própria cachaça no Paraná. Vislumbrando a oportunidade de aliar a tradição familiar da cachaça ao Brasil contemporâneo, os três desenharam o projeto para criar a yaguara. Hamilton Lowe é filho de Sir Frank Lowe, um dos pioneiros da indústria de publicidade da Inglaterra, e cresceu em torno da criação de algumas das marcas mais icônicas do mundo, como Heineken, Stella Artois, Mercedes-Benz e Reebok. Respondendo pela estratégia de marketing, Hamilton traz para a yaguara um olhar aguçado e uma excelente visão de negócios. Como diretor executivo, Thyrso Camargo Neto combina as competências adquiridas em seus bem-sucedidos empreendimentos anteriores com a tradição da família em criar ótimas cachaças. Tendo crescido em torno dos campos de cana-deaçúcar no Brasil, vendo seu avô destilar e envelhecer sua própria cachaça, a criação de yaguara foi um passo natural para ele. Seu irmão Thiago Camargo, também sócio do empreendimento, supervisiona os aspectos operacionais e financeiros da empresa, valendo-se de sua experiência no mercado financeiro. Concebida na fazenda da família, no Paraná, yaguara é artesanal, destilada em pequenos lotes supervisionados pelo experiente Erwin Weimann, o master blender brasileiro da marca, em Ivoti, no Rio Grande do Sul. O resultado é uma bebida de aromas intensos e finos, com estrutura macia no paladar, leve acidez, suavidade e bom corpo, podendo ser degustada pura ou utilizada na composição dos mais variados drinques. A qualidade do líquido da yaguara conquistou, em apenas cinco meses após seu lançamento, medalha dupla de

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Concebida na fazenda da família, no Paraná, yaguara é artesanal, destilada em pequenos lotes supervisionados pelo experiente Erwin Weimann, o

master blender brasileiro da marca, em Ivoti, no Rio Grande do Sul. O resultado é uma bebida de aromas intensos e finos, com estrutura macia no paladar, leve acidez, suavidade e bom corpo, podendo ser degustada pura ou utilizada na composição dos mais variados drinques


ouro no San Francisco Spirits Competition, premiação mais importante do mundo na área de bebidas. A cachaça também foi considerada como “excelente e altamente recomendada” no Ultimate Spirits Challenge, uma competição em ascensão no mundo das bebidas, realizada em Nova York, recebendo a maior pontuação para uma cachaça branca (92 de um total de 100) na história do prêmio. A garrafa da yaguara é outro diferencial. Unindo os atributos da tradição e da contemporaneidade, ela foi desenhada para se destacar em bares em todo o mundo. O design criado por Brian Clarke, o principal artista de vidro no mundo, é inspirado no ornamento romano, mais tarde redesenhado por Roberto Burle Marx no calçadão de Copacabana. Em

setembro de 2014, a yaguara recebeu da Associação Brasileira de Embalagem (ABRE) prêmio como melhor embalagem na categoria bebidas alcoólicas, sendo também eleita por profissionais do setor como a melhor embalagem entre todas as participantes de diversos setores. yaguara está presente nos melhores bares, restaurantes e varejo selecionados de São Paulo e Rio de Janeiro. Em maio de 2014 foi lançada em Nova York, onde vem rapidamente conquistando fãs, e até o fim do ano faz sua estreia na Europa, chegando a Londres e a Itália. www.cachacayaguara.com.br contato@carmosina.com.br

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eologastronomia.com.br Rua Dr. Renato Paes de Barros, 125 (11) 2338-6197


Boteco de Ouro O boteco é um estado de espírito, aonde se vai para encontrar os amigos, de conversa jogada fora, de papo sobre futebol e da novela das nove, dos palavrões contra os políticos... O nosso boteco serve uma seleção das melhores cachaças artesanais produzidas de norte a sul do país, experimente... Depois é só vestir uma camisa listrada e sair por aí...

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Tradicional na Lapa, em São Paulo, o Bar Valadares tem um ambiente simples e aconchegante, com mesas no salão e na calçada e banquetas em torno do balcão, oferecendo diversas batidas de frutas e caipirinhas e petiscos bem variados. Sua carta de Cachaças conta com mais de 100 rótulos de todo Brasil, mas, a maioria vem de Minas Gerais terra natal dos donos, Tuca, Luiz e Valdir, selecionados pelo Gerente e Cachacier Mauricio Morais. O público é composto por fiéis clientes, apreciadores e procuradores de um bom boteco e boas cachaças. E nossa cachaça própria, a Valadares, produzida em alambique na cidade de Cambuí, no Sul de Minas, foi especialmente desenvolvida para o gosto dos exigentes freqüentadores do bar. Se for dirigir não beba, se for beber cachaça de qualidade vem pro Bar Valadares.

Rua Faustolo, 463 « Lapa « São Paulo « barvaladares.com.br


boteco de ouro

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Senhores do Engenho Técnicos e visionários, eles são responsáveis pela excelência que gerou a revolução da boa imagem da cachaça junto aos críticos e consumidores nacionais e internacionais

Thyrso Camargo, Hamilton Lowe, Thiago Camargo e Serafim Meneghel, da Yaguara

Norival Pena Carneiro, da Engenho D’Ouro

Maria Fabiani Hansen e Leandro Augusto Hilgert, da Harmonie Schnaps

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Walter Caetano, da Germana

Ivandro Remus e Michel Batista Bettinelli, da Velho Alambique


© Antônio Rodrigues © Cacio Murilo

Carolina de Tommaso, da Cambraia Marco Antônio Afonso da Mota, da Batista

Eduardo José Mello, da Coqueiro

Luiz Otávio Pôssas Gonçalves, da Vale Verde

Jorge A. F. Scuracchio, da Casa do Engenho

Henrique Medeiros Tenorio Ferreira, da Gogó da Ema

Adwalter Menegatti, da Santa Terezinha

Múcio Fernandes, da Engenho São Paulo

Silvia Helena Siqueira de Moura e Gil Antônio de Moura Junior, da Da Boa

Roberto Brasil, da Gouveia Brasil

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Senhores do Engenho

Marcelo Nordskog, da Reserva do Nosco

Marcelo Bonfá, da Perfeição

Luiz Fernando Galetti, da Rio do Engenho

Luiz Flamarion e Liliana Araujo, da Áurea Custódio

Luzia Rodrigues de Abreu, da Bento Albino

Lúcio Freire, da Pedra Branca

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CACHAÇA • ENGENHOS DE OURO

Euler Chaves, da Prazer de Minas

Moacir Alberto Menegotto, da Casa Bucco

Pedro Gomes de Oliveira Jr., da Triumpho

João Luiz Coutinho de Faria, da Magnífica


© kaes

Giles Merlet, master distiller francês e Carlos Oliveira, diretor de produção, da Leblon

Katia Alves Espírito Santo, da Da Quinta

Renato Coutinho, da Engenho Caraçuipe

Luiz Antonio Scarton, da Belvedere

Wolfgang Schrader e Renato Grasso Bollo, da Armazem Vieira

Ivan Elpidio Zurita, da Fuzuê

Adalberto Pinto, da Matriarca

Raquel, Natanael e Sara de Brito Bonicontro, da Companheira

Paulo Eduardo Gama Miranda e Carlos Jose Gama Miranda, da Paratiana

Eli e Cilene Werneck, da Werneck

Erick Zurita, da Fuzuê

O sócio Darceli Afonso Jung e sua esposa Maria Isabel e o técnico Carlos Mineiro, da Seiva Missioneira

CACHAÇA • ENGENHOS DE OURO

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CACHAÇA • ENGENHOS DE OURO

bardadonaonca.com.br


ISBN 978-85-64654-11-2

9 788564 654112

Cachaça - ENGENHOS DE OURO - ISSUU  
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