Page 1


editorial A Revista Nacional de Reabilitação - REAÇÃO - é uma publicação bimestral da C & G 12 – Comunicação e Marketing S/C Ltda. Telefone (PABX): (11) 3873-1525 Fax: (11) 3801-2195 www.revistareacao.com.br contato@cg12.com.br Diretor Responsável - Editor Rodrigo Antonio Rosso Reportagem: Maria Luiza de Araujo Beatriz Martins Consultores Técnicos: Romeu Kazumi Sassaki Carlos Roberto Perl Colaboradores: Samara Andresa Del Monte Kica de Castro Deborah Prates Scott Rains Linamara Rizzo Battistela Robson Gonzales Luciene Gomes Mariana Alves Montoia Flavio Scavasin Silvia de Castro Marcia Gori Clarisse Wiliam Machado Lucio Carvalho Celise Melo (Celelê) Hermes Oliveira Fernando Montanari Evandro Bonocchi Tatiana Rolim Adriana Buzelin Geraldo Nogueira Marta Gil Neivaldo Zovico Alex Garcia Isabel McEvilly Fabiano Puhlmann Silvana Cambiaghi Foto Capa Graziela Teixeira Marketing: Jackeline Oliveira Depto. Comercial: Etiane Bastos Administração: Amanda Lucas Assinaturas:

Fone: 0800-772-6612 Tiragem: 20 mil exemplares Redação, Comercial e Assinaturas: Caixa Postal: 60.113 - CEP 05033-970 São Paulo - SP É permitida a reprodução de qualquer artigo ou matéria publicada na Revista Nacional de Reabilitação, desde que seja citada a fonte.

twitter.com/revista_reacao

facebook.com/reacaorevista

Rodrigo Antonio Rosso Diretor/Editor

Concorrência é saudável, porém, calúnia e difamação é crime !

E

xiste um velho ditado que diz: “falem bem ou mal, mas falem de mim”... Isso é verdade. É até de certa forma, propaganda gratuita. Porém, tudo tem limite e quando é em excesso, acaba incomodando. Não prejudica – porque graças a Deus, tanto eu como a Revista Reação temos uma história de mais de 16 anos nesse setor, uma reputação construída e pautada na ética, confiança, credibilidade e transparência – que impede que algumas pessoas de má índole, com comentários maldosos e mentirosos, acabem manchando nossa imagem. Como eu disse: não prejudica... mas em excesso, incomoda. Em todos os segmentos de mercado existe concorrência. É bom, é salutar, necessário até. Mas o brasileiro, em geral, não sabe bem conviver com isso, e acha que ser concorrente é ser inimigo. O que não é verdade. Quem é concorrente está no mesmo barco, navega nas mesmas águas e está sujeito às mesmas intempéries, solavancos e inconstâncias da faixa de mercado em que atuam, portanto, o mais lógico é que sejam parceiros e não inimigos, concordam ? Pois é... mas na maioria das vezes, o que acontece é o contrário. Infelizmente, a deslealdade, a injúria, falácia e outros tipos de ataques é que acabam imperando quase que sempre e em praticamente todos os segmentos e setores econômicos. E no caso da Revista Reação, no segmento de publicações do nosso setor, não vem sendo diferente, infelizmente. Sempre costumo dizer que a Revista Reação não tem “concorrentes” no mercado. Existem sim, “outras publicações”, que surgiram bem depois da nossa, no intuito de atingir a mesma fatia de mercado. Mas não nos fazem “concorrência”, até porque tem outros princípios, foco editorial diferente (falam “de” pessoas com deficiência e a Reação fala “para a” pessoa com deficiência), a distribuição é diferente, as “concorrentes” são vendidas em bancas e a Reação vai pelo correio diretamente no endereço do leitor enfim... São produtos distintos e há espaço para todos trabalharem no mercado, sem ter que haver uma disputa desleal e antiética. Mas o que vem acontecendo já há algum tempo, vem me deixando particularmente um pouco chateado, decepcionado até. Sem generalizar ou citar nomes, até porque temos sim um bom relacionamento com a maioria das pessoas que atuam nessas publicações “concorrentes” da Revista Reação, mas estamos – eu e a Revista Reação – sofrendo uma série de ataques verbais e até por escrito, colocando a seriedade de nosso trabalho em dúvida, junto aos nossos anunciantes e clientes. Algumas pessoas que trabalham em algumas dessas publicações, não sei se por inveja, recalque, desespero ou simples despreparo, no afã de conseguir “vender um anúncio/publicidade” para essa ou aquela empresa que atua no mercado, vem levantando dúvidas sobre a idoneidade da Revista Reação. Isso é até patético... chega a ser triste. Fica feio para a própria pessoa que faz isso, porque ela acha que está se dando bem assim, quando na verdade, acaba se queimando no mercado. Também costumo dizer que a Revista Reação não tem “anunciantes”, não temos “clientes”, nem leitores e assinantes... Nós temos sim, muitos AMIGOS, PARCEIROS, que conquistamos nesses mais de 16 anos de vida, justamente por atuarmos no mercado com ética, seriedade, responsabilidade, verdade e comprometimento. Conquistamos nossa posição com muito trabalho e perseverança. Peço desculpas aos nossos leitores por usar esse espaço para tratar desse tipo de assunto, mas esse esclarecimento se fazia necessário. Afinal, calúnia e difamação é CRIME e precisam ser combatidos. Aproveito também, para agradecer a confiança de todos vocês em nosso trabalho e o reconhecimento e respeito que tem por mim e pela Revista Reação. Muito obrigado. Esse tipo de coisa só serve para fortalecer ainda mais nossos laços e saibam que estamos juntos sempre, mais unidos do que nunca !

“Alarga o espaço da tua tenda, estenda-se o toldo da tua habitação, para que haja espaço para todos” Isaias 54.2

3


8

entrevista

Suely Carvalho de Sá Yañez Terapeuta ocupacional com especialização em orientação e mobilidade para pessoas com deficiência visual, ela pode ser chamada de “prata da casa” da Revista Reação. Participa de tudo que envolve a publicação, de eventos a reuniões de pauta...

S

eu relacionamento com a Revista Reação começou na feira Integrare, em 1998. Já conhecia a publicação desde o seu lançamento, em 1997, durante outra feira, a REA´97 – como Revista Nacional de Reabilitação e desde então, passou a acompanha-la. Conheceu Rodrigo Rosso, editor da revista, que na época estava começando um novo projeto editorial para o veículo. Ele logo reconheceu a importância e a necessidade de levar aos leitores, artigos referentes ao desenvolvimento de habilidades, qualidade de vida e o dia a dia da pessoa com deficiência visual. Viu o entusiasmo e o profissionalismo de Suely e conheceu o trabalho dela nessa área, fez o convite para que ela então assumisse uma coluna na publicação. A parceria começou na edição Nº 4 da revista e, com o tempo – hoje já são 90 edições juntos - Suely passou a representar a Revista Reação em diversos eventos e a participar das discussões internas e a praticamente fazer parte da equipe. Paulistana de nascimento, casada com o dentista Albeto Yañez, é formada em Terapia Ocupacional pela USP e com especialização (pós-graduação) em Orientação e Mobilidade para Pessoas com Deficiência Visual, ela escolheu a profissão pelo desejo de trabalhar na área de uma forma não apenas técnica, mas de uma maneira que pudesse estar mais próxima do ser humano. Na época da universidade conheceu o palestrante argentino Shalom Levy, que tinha sequelas de pólio, como cegueira, hidrocefalia e paraplegia. Foi seu primeiro contato próximo com a deficiência visual: se correspondiam com frequência e ele ensinou a ela o Braille. Formada, foi admitida em 1988 em uma instituição de reabilitação para jovens e adultos com deficiência visual - total e parcial - onde trabalhou por 17 anos. Paralelamente, atuou na área da deficiência intelectual com crianças e, mais tarde, na psiquiatria, com adultos, e em implantação de brinquedotecas e recursos humanos. Já trabalhou em atendimentos domiciliares na área das Atividades da Vida Diária, Grupos de Passeio, Grupos de Relacionamentos, Implantação de Projetos e também ministra eventualmente palestras em Universidades e na Reatech, atuando em frentes de voluntariado para acompanhamento de PcD visuais em eventos inclusivos, além de consultorias. Além de tudo isso, ainda acha tempo para outra paixão: a música ! Suely é cantora de música gospel e fez parte de um grande e conhecido grupo. Assim, dando continuidade à série de entrevistas que a Revista Reação está fazendo com seu time de tradicionais articulistas, vamos conhece-la um pouco mais:


entrevista

Revista Reação - Sua escolha pela profissão foi por poder aliar a parte técnica com a proximidade com o ser humano. Como você trabalha esses dois lados ? Suely Carvalho de Sá Yañez - Existe a técnica, que é extremamente importante, e todo o seu contexto. Porém, em todos esses anos, pude observar que ela não está acima do ser humano, mas sim, anda em conjunto com ele e, algumas vezes, em segundo plano. A técnica não pode ser absoluta. O que se aplica para um não necessariamente serve para outro. A técnica não perdura se o ser humano não acreditar que é preciso, não se torna eficaz no dia a dia se o ser humano não praticar. RR - Qual a importância da Terapia Ocupacional na reabilitação dos cegos? Como pode ser desenvolvida uma vida autônoma ? SCSY - A Terapia Ocupacional (TO), sendo uma das áreas da reabilitação, desenvolve atividades que possibilitam à pessoa conquistar seus objetivos de independência ou o nível mais próximo que consegue chegar. O instrumento de trabalho da TO chama-se “atividade”. São atividades previamente avaliadas e selecionadas, relacionadas à estimulação do tato, coordenação motora fina, orientação espacial, temporal, lateralidade, imagem corporal e outras, por meio de jogos adaptados, atividades manuais e expressivas. As Atividades de Vida Diária (AVD), como alimentação, vestuário, cuidados pessoais, higiene, lazer, vida social e outras relacionadas à vida prática, fazem parte de todo o programa da TO, sendo sua prática exclusiva do profissional dessa área. RR - Quanto tempo demora um processo de reabilitação ? Há casos mais difíceis que outros ? Quais são as prin-

cipais dificuldades para o profissional e para o interessado ? SCSY - O tempo é tão variável... Atendi casos em que depois de quatro meses a pessoa já estava exercendo as atividades da vida diária e já atendi outros que levaram mais de um ano para se desenvolver. Depende do estilo de vida que levam, do contexto familiar, do tempo da deficiência, do tipo de limitação visual, comprometimentos e, principalmente, do fator emocional, em que o desejo, a autoestima e autoconfiança estão desajustados. Não são raros os casos em que se leva algum tempo para a pessoa querer se desenvolver e acreditar que os limites podem ser transponíveis. Um caso bem interessante foi de um rapaz que queria se servir sozinho, colocando chocolate e açúcar no copo de leite e também usar uma faca para descascar uma fruta. Parece simples, não ? Porém, o jovem tinha muitas dificuldades de coordenação motora fina, força muscular e orientação espacial. Foi necessário um programa de atividades para a aquisição dessas habilidades antes de realizar a atividade que desejava. Ele entendeu esse tempo para a aquisição, mas

nem todos compreenderam. O profissional tem que saber lidar com as expectativas não apenas próprias, mas de todos os envolvidos em cada caso. Cada pessoa apresenta um tempo que pode ser acelerado, mas que também deve ser respeitado. Nesse aspecto, e em outros também, atendimentos em grupo são importantes para que experiências de superação sejam trocadas e possam “contaminar” uns aos outros e, assim, todos podem ser estimulados. RR – Em seu ponto de vista, até que ponto é importante para uma pessoa com deficiência ter um vínculo com uma instituição ? SCSY - É muito importante sim. Elas também são pontos de contato (acredito que devam ser), com o que se tem de atual e novas perspectivas. O cuidado é para que a pessoa não fique institucionalizada, dependente de um local por falta de alternativas sociais. Estar em contato depois de reabilitado, com projetos, centros de convivência, grupos de relacionamentos, atividades culturais, ainda é raro, mas sempre considerei necessário. Por lidar também com adultos mais idosos, percebo a necessidade de programas mais voltados a esse aspecto, pois muitos acabam se isolando. Penso muito nisso... RR - Nessa sua já longa trajetória na área, o que costuma enfocar em suas palestras ? SCSY - O enfoque está sempre na necessidade do profissional ter a visão ampla do ser humano e estar JUNTO, interagindo com a pessoa que está atendendo, estimulando, acreditando por ela até que ela acredite por si só, utilizando a técnica sem deixar de considerar que, o desempenho da técnica, está diretamente relacionado ao estímulo emocional aplicado no atendimento. Parece

9


10

entrevista experiência muito rica ver o despertar dessas pessoas para a área e fico feliz por contribuir para a formação de possíveis futuros profissionais.

óbvio, mas nem sempre é. Os resultados são surpreendentes e faço questão de mostrar alguns deles, por incentivo dos próprios atendidos. Sempre ressaltando que: “assim como o homem se imagina na sua mente, assim ele é” (Salomão - Provérbios). Não escondo o que acredito porque em 20 e poucos anos de trabalho, pude conferir e viver os resultados. RR - Você é conhecida por preparar os voluntários que acompanham os cegos na Reatech, a grande feira do setor. O que eles devem saber para realizar um bom acompanhamento ? SCSY - Fazemos uma preparação com uma capacitação básica de como acompanhar pessoas com deficiência visual que chegam desacompanhadas na feira (e em outros eventos também). Nesta capacitação, os acompanhantes recebem informações sobre o evento, passam por algumas vivências (com vendas nos olhos), orientações e uma apostila com conteúdos sobre deficiência visual. Temos parcerias com universidades (cursos de Terapia Ocupacional, Educação Física e outros), em que alunos participam desse trabalho, enriquecendo a sua formação. O trabalho é voluntário e qualquer pessoa pode participar desde que apresente condições para o acompanhamento e participe da capacitação. Depois do evento, lógico que elas não serão pessoas pós-graduadas em deficiência visual. São pessoas de boa vontade que se dispõem a acompanhar e mostrar a feira com muita dedicação e, principalmente, amor. É uma

RR - Você costuma trabalhar com familiares e amigos de PcD ? SCSY - Sim, família e amigos também são orientados e trabalhados, tanto em relação à falta de interesse quanto à superproteção. Os dois polos interferem. Acontecem muitos casos conflitantes em que a pessoa se esforça para realizar uma determinada atividade, como por exemplo, usar uma faca para cortar seu próprio pão, mas a família não colabora (por superproteção ou falta de confiança). RR - Mudou muito a forma de encarar a PcD de uma maneira geral - e a pessoa cega em particular - da época em que você começou a trabalhar até agora ? Quais foram as principais conquistas ? SCSY – Sim, mudou muita coisa. A mudança tem sido gradativa. Naquela época, as pessoas com deficiência visual existiam, mas muitas dentro das próprias casas. Aos poucos, com a mídia abordando assuntos (em novelas, alguns documentários, noticiários e outros), com algumas instituições cada vez mais ampliando seus atendimentos e procurando investir na formação profissional, alguns movimentos políticos e sociais debatendo questões sobre a deficiência, enfim, foram deixando de ser seres inexistentes para pessoas que podem ter uma vida comum, independente, que pensam, estudam, trabalham, votam e sabem que têm deveres e direitos também, como qualquer cidadão. Ainda assim é pouco, perto do que precisamos. Precisamos de acordos e leis que garantam o cumprimento das propostas de melhorias já aprovadas e outras em andamento. Infelizmente, a conscientização não é natural, mas tem que ser por lei. Ainda vemos falta de educação no ensino escolar, professores despreparados, acessibilidade comprometida. Por outro lado, percebemos algumas ações se movendo e isso também acontece porque estão saindo dos casulos

para uma sociedade melhor. As manifestações que têm acontecido tem tido uma participação das pessoas, o que gera uma credibilidade maior de que muita coisa pode mudar... RR - Você tem muitos leitores fiéis, que acompanham seu trabalho ao longo dos anos, tanto profissionais da área como leigos. Qual a mensagem que você gostaria de deixar para eles ? SCSY - Em primeiro lugar, gostaria de um dia conhecer todos eles... Escrevo pensando em ser “entendível”, pois nem sempre são profissionais do setor. Meu desejo é que também sejam multiplicadores e que reflitam sobre a mensagem que procuro transmitir em relação às pessoas com deficiência visual... pessoas comuns que realizam atividades comuns, com potenciais e que também são dignos de oportunidades de vida melhor. Muitas vezes escrevo sobre cada um de nós que, com ou sem alguma deficiência, precisa ter a consciência de que todos têm valor e que está dentro de nós a escolha de como podemos viver. Quem me conhece sabe que sou uma pessoa alegre na essência, mesmo em situações difíceis. Também enfrento situações de enfermidade, de exclusão, de falta de reconhecimento, injustiças. Mas, o bom humor faz parte de um fruto de Vida que vem de dentro, do Espírito. E esse fruto – a alegria - é o responsável pelo sucesso do meu dia a dia, do meu trabalho, da minha vida. E isso ninguém pode me tirar... Podemos sorrir agora ? (risos)


12

coluna especial

por Romeu Kazumi Sassaki

Pessoa com deficiência 206 anos antes da inclusão Parte 06 Nota A: Repito os três critérios adotados nas Partes 1, 2, 3, 4 e 5 da tradução do capítulo 10 do livro British social work in the nineteenth century (Londres, 1956): /a/ Os termos técnicos utilizados nesse livro serão negritados. /b/ Entre parênteses, traduzirei com terminologia brasileira em vigor em 1956 os termos ingleses negritados. /c/ A equivalente terminologia atual utilizada no Brasil e comentários meus virão entre colchetes. CRIPPLES (aleijados) [pessoas com deficiência física] Informações sobre o trabalho entre os ortopedicamente deformed (deformados) e handicapped (incapacitados) [pessoas com deficiência física] são notavelmente escassas, considerando a incidência do ‘crippling’ (‘aleijão’, defeito) [deficiência física] na população. Relatórios governamentais e outras publicações têm enfatizado que os acidentes, particularmente em fábricas e minas, ocasionavam a deformity (deformidade, defeito) [deficiência física] e agora se sabe que a insuficiência alimentar e diversas doenças foram responsáveis por raquitismo e outras malformações. No entanto, os filantropos parecem ter feito pouco por aqueles que, por hereditariedade ou seu ambiente, eram incapazes de levar uma vida normal e com frequência foram condemned (condenados) a permanecer dependentes de outros. Alguns se tornaram mendigos, e the workhouses (os lares correcionais) devem ter abrigado um grande número deles, mas existe pouca informação sobre os milhares de cripples (aleijados, deformados) [pessoas com deficiência física] espalhados na população geral. Não havia nenhum relatório governamental que considerasse as necessidades, gerais ou específicas, deste tipo de handicap (incapacidade) [deficiência]. Mesmo a escolarização de crianças, que se poderia esperar que atraísse atenção oficial, parece ter sido ignorada e, conquanto as diretorias educacionais por todo o país estivessem lutando para oferecer instrução para os cegos e os surdos, foi apenas em 1901 que as diretorias de Londres abriram sua primeira escola para cripples [pessoas com deficiência física]. Apesar deste curioso silêncio, não há dúvida de que the paralyzed (os paralisados) e the lames (os coxos) [as pessoas com deficiência física] não só despertaram piedade, mas se tornaram objetos de muito bom trabalho das sociedades de visitadores, a Sociedade para Organização da Caridade, os grupos religiosos e os caridosos. Mas, não havia divulgação sobre suas necessidades de independência ou sobre os meios de atingi-la, e poucas instituições estavam disponíveis para cuidar de suas necessidades ou seu desenvolvimento físico e mental. O estado do conhecimento médico pode ter sido parcialmente responsável, pois - apesar do trabalho pioneiro de Dupuytrew e Delpech, no Continente [Europa], e de W. J. Little, H. O. Thomas e Sir Robert Jones, na Grã-Bretanha - o nosso conhecimento científico sobre as causas e o tratamento da orthopaedic handicap [deficiência física] estava então em seus estágios iniciais. Algumas atividades para os crippled [pessoas

com deficiência física] foram desenvolvidas, contudo eram inteiramente locais em extensão e eram de quatro tipos: (1) médicas, (2) residenciais, (3) educacionais e (4) caritativas, estas no sentido de atender necessidades recreacionais e de material dos crippled [pessoas com deficiência física] que moravam em asilos. 1. Médicas. A primeira clínica ortopédica foi iniciada em Genebra em 1780 e centros posteriores foram abertos em Montpellier (c. 1820), na Bavária (1832), em Nova York (1863). Mas na Inglaterra o verdadeiro trabalho pioneiro foi realizado por William John Little, ele próprio um cripple [pessoa com deficiência física], que foi qualificado como médico e começou a se especializar em deformities [deficiências físicas] nos pés. Seu livro publicado em 1839 sobre este assunto influenciou profundamente toda a teoria e a prática médicas, o mesmo acontecendo com seus trabalhos posteriores sobre outros assuntos ortopédicos. Em grande parte devido à sua influência, o que veio a ser chamado Real Hospital Ortopédico Nacional foi fundado em Londres em 18381840. Embora ele não fosse o primeiro de tais hospitais (Birmingham afirma ter fundado um em 1817), causou muita influência e muitos hospitais gerais, inclusive o St. Bartholomew’s, desenvolveu departamentos ortopédicos inspirados no trabalho de Little. Na sequência, outros hospitais especializados foram fundados em Londres e nas Províncias (particularmente, em Liverpool, onde Hugh Owen Thomas, inventor da tala Thomas, abriu uma clínica ortopédica em 1870 e Sir Robert Jones foi designado para dirigir a recém-instalada unidade de Heswall do Real Hospital Infantil de Liverpool em 1899). Desta forma, ao final do séc. 19, alguns dos aspectos médicos da deformity [deficiência física] foram bem compreendidos e foi dado início a alguns centros para desenvolver o uso da manipulação e de exercícios especiais, como a natação, e de suporte e tala para certas condições. Contudo, os maiores desenvolvimentos na área médica ocorreram no séc. 20, e é talvez significativo que o ano de 1900 viu a fundação do Centro para Crippled [Pessoas com Deficiência Física] de Baschurch, mais tarde chamado Hospital Ortopédico Oswestry, pela Dama Agnes Hunt. 2. Residenciais. Embora hospitais deste tipo possam, em certo sentido, ser considerados como aspecto residencial das atividades para the cripples [as pessoas com deficiência física], os vários lares para férias e asilos tiveram um propósito maior que o de cura e estudo de uma condição física. Eles estavam preocupados com as dificuldades sociais e materiais e médicas; muitos deles foram originalmente fundados para aliviar as necessidades dos pobres e crianças negligenciadas, mas foram com frequência forçados a prover unidades especiais para the cripples [as pessoas com deficiência física] porque a necessidade era tão evidente. Entre estes estavam o Lar para Crippled (Deficientes Físicos) Winchmore Hill e a Escola Industrial para Meninas (1851), o Lar Alameda Wright para Meninos Crippled [com Deficiência Física] e os Asilos de Meninos e Meninas, fundados em Manchester em 1870. O Asilo de Manchester (Informações sobre a história deste asilo foram generosamente cedidas aos autores deste livro pelo Sr. R. E. Hughes, Secretário da Sociedade para


14

coluna especial Organização da Caridade) veio a desenvolver seu setor de cripples porque um grande número de crianças crippled [com deficiência física] foi descoberto nas favelas miseráveis de Manchester e Salford por visitadores da Sociedade para Organização da Caridade. Os asilos existentes não eram adequados e muitas crianças tiveram sua admissão recusada porque suas deficiências físicas eram tão severas. Em consequência, em 1890, foi instalado o Lar Bethesda para Crianças Crippled and Incurable (Aleijadas e Incuráveis), em Cheetham Hill. Ele tinha 35 camas e abrigou pacientes a quem o tratamento médico poderia ser útil e que, portanto, ficariam curados o suficiente para retornar para casa ou pacientes que poderiam levar uma vida satisfatória sob constante tratamento ou aqueles considerados incuráveis que foram admitidos devido às doenças terminais. A equipe do Lar era necessariamente formada por enfermeiros qualificados e treinados por causa da condição imediata das crianças, mas o Lar não era apenas para finalidades médicas. Ele se preocupava com aspectos mais amplos do desenvolvimento infantil, incluindo o treinamento do caráter através do ensino e da influência cristãos e da escolarização comum. Escassa é a evidência sobre a escolarização no Lar Bethesda, embora os relatórios de casos sugiram que os fundadores compreendiam a necessidade de trazer a escola para as crianças e disponibilizaram professores vindos de entidades voluntárias até que a autoridade local assumiu no séc. 20. A educação não estava limitada aos conteúdos da escola comum, pois as moças recebiam algum treinamento em ocupação se elas fossem adequadas. Assim, elas aprendiam bordado e com frequência eram capazes de obter uma renda desta forma depois de saírem do Lar. Os rapazes aprendiam ocupações de vários

tipos, particularmente alfaiataria, em que a agulha demandava menos esforço físico que as ferramentas de carpintaria e outras habilidades. Quando o rapaz deixava o Lar, era feito um esforço para lhe arranjar um emprego e para manter contato com ele, embora não houvesse um esquema claro de cuidados pós-saída; nem também algum sistema de ‘indústria caseira’. Em Londres, a sociedade mais ativa que se preocupava com o cuidado residencial dos cripples [pessoas com deficiência física] era a Ragged Schools’ Union (em 1894, renomeada Sociedade Shaftesbury). Para isto, em 1869, a autora A.L.O.E. doou sua casa de campo em Sutton onde as pessoas cripples [com deficiência física] pudessem passar férias. Mais tarde, outros lares para férias foram abertos, alguns após 1890 sendo projetados especialmente para este fim. Isto constituiu um passo para a criação de lares para convalescência e tratamento e, nos anos 90 do séc. 19, muitas pessoas começaram a obter cura. Por exemplo, uma menina abandonada foi admitida no Lar Southend, cujo cirurgião honorário, dr. Clough Waters, decidiu operá-la; mais tarde, ela conseguiu caminhar com muletas e não demorou muito para dispensá-las. Outra menina em condições semelhantes foi encaminhada ao Lar Margate; em poucas semanas, ela também conseguiu andar de um lado para outro. Em uma ocasião, a Rainha Vitória visitou o Palácio do Povo, em Londres, e entre as crianças estava um garoto deitado sobre três cadeiras. Ele também foi encaminhado a um dos lares para férias e, em um ano, estava frequentando a escola como qualquer criança normal [sem deficiência]. Tudo isso, dizia-se, foi devido a ‘alimentação nutritiva, ar fresco, banhos de mar, exercícios e atmosfera alegre dos Lares’ (J. Stuart, Mr. John Kirk, the Children’s Friend, 1907, p. 77). Aquele trabalho, embora muito valioso, não pode ser comparado ao dos Asilos Manchester; pois foi desenvolvido com o objetivo de recuperação com curta estadia e não como a reabilitação do corpo inteiro e do caráter da criança crippled [com deficiência física]. Outros exemplos de cuidado residencial para the physically handicapped [as pessoas com deficiência física] são quase raros e está claro que este tipo de provisão social não foi muito desenvolvido até a chegada do séc. 20. Este artigo será concluído na próxima edição. REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA YOUNG, A.F.; ASHTON, E.T. British social work in the nineteenth century. Londres: Routledge and Kegan Paul, 1956, 264 p.

Romeu Kazumi Sassaki é consultor e autor de livros de inclusão social E-mail: romeukf@uol.com.br

Dia Internacional das Pessoas com Deficiência: 3 de dezembro Tema de 2013: “Quebrem Barreiras, Abram Portas: Por uma Sociedade Inclusiva para Todos”


ONE WORLD WHEELCHAIR VENTUS – A CADEIRA DE RODAS ATIVA

“Uma cadeira de rodas tem que me aguentar. Simplesmente isso.” Kevin, paraparesia T11/12, atleta de wakeboard.

As demandas para uma cadeira de rodas são diferentes. Tão diferentes como as pessoas, para alguns

desenho compacto e alto desempenho é importante, para outros o conforto e a facilidade de manuseio.

Mas há algo que une a todos os usuários: obter máxima mobilidade. Por isso a Ottobock criou um produto funcionamento excelentes, propriedades de giro extraordinárias; a união ideal de ergonomia e conforto com uma relação custo/benefício fantástica.

Para pessoas exigentes! No mundo inteiro. Venha conhecer, você vai se apaixonar!

Saiba mais sobre a nova Ventus. E sobre as pessoas que a testaram: www.ottobock. com.br/ventus www.ottobock.com.br · contatoventus@otobock.com.br · Fone: (19) 3729-3500 · Fax: (19) 3729-3539

© Otto Bock · OK2798_2=PT-01-1207

que combina tudo isto: a Ventus – a sua nova geração de cadeira de rodas monobloco. De qualidade e


16

associações

ADEFILP

D

Trabalhando com geração de renda, esporte e reabilitação no interior paulista !

esde maio de 1997, o estado de São Paulo conta com uma entidade diferente, que reúne três vertentes de atendimento. Assim é a ADEFILP - Associação dos Deficientes Físicos de Lençóis Paulista, que trabalha com geração de renda através da reciclagem, esporte e reabilitação. O início foi com as duas primeiras vertentes e hoje, em sede própria, tem como principal fonte de recursos, a venda de material reciclável. Há também subvenção da prefeitura da cidade de Lençóis Paulista/SP e contribuições particulares. Uma de suas características é o atendimento, não só às pessoas com deficiências, mas também ao público em geral. “O trabalho que a entidade desenvolve é de extrema importância para a região, tendo uma grande visibilidade também nas cidades vizinhas, recebendo diversas homenagens, prêmios e visitas de municípios que têm o projeto como referência. Para as pessoas com deficiência que participam é imensurável, pois se consegue devolver a autonomia, independência social e financeira e, o principal, melhoria na qualidade de vida delas”, explica o fundador e presidente José Carlos de Oliveira, conhecido por todos como “Baixinho”. Os projetos são gratuitos à população atendida apenas para o tratamento na água (hidrocinesioterapia). As pessoas que necessitam de habilitação e/ou reabilitação precisam passar por uma avaliação social que define se elas possuem ou

não condições de realizar alguma contribuição. Há então duas categorias: Atendimento Social (100% gratuito) e Sócio Contribuinte (pessoas que realizam uma doação para serem atendidas).

Os projetos “Transformando Lixo reciclável em Moeda Social”: o projeto atua na coleta, separação e venda de material reciclável, visando oferecer atendimento às pessoas com deficiência e também às famílias em vulnerabilidade social e econômica. Oferece aos participantes “ajuda de custo” pela participação, proporcionando inclusão social e auxílio na renda dos associados. Sua capacidade de atendimento é de 50/60 pessoas ao mês. “Centro de Esporte e Reabilitação José Carlos de Oliveira”: oferece tratamento de fisioterapia e exercícios na água (hidrocinesioterapia) para pessoas com e sem deficiência, a fim de proporcionar habilitação e reabilitação. A capacidade é para 1.000 pessoas/mês.

“Projeto Esporte”: apenas para pessoas com deficiência, desenvolvido em parceria com a Prefeitura Municipal, que disponibiliza um técnico para desenvolver as modalidades de atletismo e natação. A Equipe atual tem 11 atletas e representa o município em competições regionais e estaduais, possuindo grande número de medalhas e índices. Vale destacar que dois conhecidos atletas paralímpicos, os velocistas medalhistas de ouro Alan Fonteles e Yohansson do Nascimento, representam a entidade em competições, numa parceria com a Secretaria Estadual dos Direitos da Pessoa com Deficiência. O objetivo é fomentar a prática esportiva, aliando um atleta de alto nível


KIDS WCMX

INFINITY BASQUETE

Ultra Resistentes

Leves

Confortรกveis

+55 (19) 3522.2260 / Rua 27, 1886 -Jd. Mirassol - Rio Claro-SP

Sob Medida

www.jumperequipamentos.com.br


18

associações a um clube e/ou associação para possibilitar mais visibilidade e estímulo aos atletas iniciantes. Dentro de 6 meses deverá

estar pronto um novo ginásio que possibilitará o desenvolvimento de projetos esportivos que até o momento não foram realizados devido a falta de espaço físico adequado.

RJ: País de autistas se mobilizam por uma vida melhor

Por acreditarem numa vida mais digna e com tratamento adequado, pais de autistas do Rio de Janeiro se articulam para a criação da Fundação Mundo Azul, que terá por finalidade a implantação do Projeto Casa do Autista para atendimento de autistas carentes e seus familiares, nas áreas de saúde, educação, habilitação profissional, socialização e residência assistida. “Não existe tratamento adequado e especializado para autistas na rede pública de saúde, fazendo com que 90% das famílias fiquem desamparadas”, explica Ilton Caruso, um dos seis fundadores do Grupo Mundo Azul, em março de 2011 (www.mundoazul.org. br). Além dele, participaram também da idealização Christiane Salgueiro, Luciano e Denise Aragão, Rogério Decnop e Keyla Blank Decnop. “A opção pelo nome se deve à escolha pela ONU, em 2008, da cor azul para simbolizar a Síndrome e a palavra mundo remete a um sentido amplo e total do universo autista”, explica Caruso. O objetivo final do grupo, que hoje já tem vários membros colaboradores, é esclarecer e lutar para

que todos os autistas tenham tratamento integral na rede pública de saúde. No início, os pais consideraram que a sociedade, de maneira geral, não conhecia a questão e, para seu esclarecimento criaram o slogan: “O Brasil precisa conhecer o Autismo”. Foram feitas várias inserções na mídia, iluminaram o Cristo Redentor no Dia do Autismo em abril, e houve ainda panfletagem e eventos sociais informativos. Passada essa fase, a atuação se voltou para as esferas governamentais: com a bandeira do tratamento integral e gratuito, conseguiram, apoiados pelo deputado Xandrinho (PV/RJ), a aprovação na Assembleia Legislativa da lei Nº 6169/12, que cria os centros de atendimento especializado para autistas e pessoas com deficiência mental, cuja implantação esta sendo negociada com o governo do Estado. Na esfera municipal, com o apoio da vereadora Tânia Bastos (PRB-RJ) e do

subsecretário de Saúde, Daniel Soranz, está em negociação a implantação dos protocolos de diagnóstico precoce na rede de atenção primária. “Na esfera federal, participamos ativamente indo a Brasília/DF para reuniões com os senadores Paulo Paim (PT/RS) e Marcelo Crivella (PRB-RJ)”, conta Caruso, que entregou em mãos da presidenta Dilma Rousseff a Lei Nº 2.764, de 27/12/2012, que institui a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista, ajudando em sua aprovação. Por enquanto, o Mundo Azul se sustenta pela realização de eventos sociais e jornadas científicas, bem como venda de camisetas e doações de benfeitores. Com a Fundação que está sendo criada, serão possíveis outras formas de financiamento para a concretização da Casa do Autista.


associações O projeto começou em abril de 2013 e vai até dezembro, com o atendimento de 32 alunos. “Hoje o assunto deficiência está em alta, o que não se via há alguns anos. Tem se falado muito nas ações voltadas a esse público e isso está fazendo com que muitas dessas pessoas saiam de casa para buscar vaga no mercado de trabalho, praticar esporte e ter uma vida ativa. O cenário atual é animador e de grandes expectativas”, finaliza “Baixinho”, o presidente da entidade, que também possui um jornalzinho bastante conhecido na região.

“Clube Escolar Paralímpico”: desenvolvido pelo Comitê Paralímpico Brasileiro e o Governo do Estado de São Paulo, com apoio da Unidade Municipal de Esportes (UME) e das empresas Lutepel e Zilor. São disponibilizados recursos para que entidades e associações desenvolvam trabalhos de modalidades esportivas. É destinado a crianças e jovens com deficiência (8 a 21 anos), matriculados em escolas públicas ou particulares, e tem duas modalidades, natação e atletismo.

19


22

olhar inclusivo

por Marta Gil

mais eficiente

por Samara Del Monte

Todo dia é dia de luta ! Como é bom aprender e se divertir lendo...

S

etembro é o momento em que a Natureza capricha no festival de flores, cores e cantos. Mesmo quem vive em cidades caóticas, cinzentas e poluídas é convidado a parar e curtir, nem que seja entre buzinadas. Foi exatamente a Força da Vida, simbolizada pela Primavera, que motivou a criação do Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência, oficialmente instituído em 2005. É o dia em que pessoas com deficiência, movimentos sociais, entidades de/para pessoas com deficiência e órgãos públicos ocupam todos os espaços possíveis para mostrar sua cara, falar do que ainda falta, falar de seus direitos e mostrar quanto podem contribuir para a sociedade. Embora o Brasil tenha um arcabouço legal avançado, reconhecido como tal pela OEA - Organização dos Estados Americanos – ainda falta muito para que esses direitos se tornem realidade. Por isso, é preciso abrir espaço na correria do cotidiano das pessoas, no noticiário repleto de fatos sobre corrupção, crime, desastres de toda ordem para chamar a atenção da sociedade sobre esta sua parcela, tão significativa. As pessoas com deficiência estão se fazendo presentes, visíveis e atuantes dos mais variados jeitos. Suas estratégias de luta e de visibilidade são variadas. Quer ver ? • Elas estavam nas manifestações de rua, em cidades grandes e médias; • A Câmara Federal finalmente terá acessibilidade em todos os seus espaços, inclusive na Mesa Diretora, mostrando de forma eloquente, que pessoas com deficiência podem chegar a todos os lugares, como representantes legítimos da sociedade; • Débora Seabra, a primeira pessoa com Síndrome de Down a se formar professora no Brasil, acaba de lançar o livro “Débora conta histórias”, com fábulas curtas e divertidas, mostrando que as diferenças não impedem a construção de relações de afeto; • O Movimento Cidade para Todos tem apresentado reivindicações sobre transporte público, mobilidade urbana e acesso a livros para gestores públicos, entidades de normas técnicas e empresários. Esses são apenas alguns exemplos, dentre muitos e muitos outros, que mostram que todo dia é dia de luta pelo exercício da cidadania. Marta Gil é consultora na área da Inclusão de Pessoas com Deficiência, socióloga, Coordenadora Executiva do Amankay Instituto de Estudos e Pesquisas, Fellow da Ashoka Empreendedores Sociais, colaboradora do Planeta Educação e colunista da Revista Reação. Autora do livro “Caminhos da Inclusão – a trajetória da formação profissional de pessoas com deficiência no SENAI-SP” (Editora SENAI, 2012), organizou livros; tem artigos publicados; participa de eventos no Brasil e no exterior. Áreas de competência: Inclusão na Educação e no Trabalho.

A

lém das novelas e dos filmes com personagens com deficiência, temos as revistas em quadrinhos que ajudam muito as crianças entenderem as diferenças e o quanto pode ser legal serem amiguinhas de uma criança diferente. Maurício de Souza, o grande criador das histórias em quadrinhos, também se preocupou em dar vida a personagens com várias deficiências para fazerem parte da Turma da Mônica. “Para criar o Luca, cadeirante, conversei com os atletas paralímpicos e toda a energia deles foi transportada para o personagem, que continua acontecendo muito fortemente nas nossas histórias, a ponto de a Mônica estar meio de asinha caída para o Luca. Quando pensei em criar uma menina cega, a Dorinha, me veio a figura de Dorina Nowill que era de inteligência brilhante, líder e elegante. André tem autismo e Humberto é surdo (e mudo). Já a menina Tati, com Síndrome de Down, é pouco conhecida e ainda está em fase de estudos, pois estou buscando qual o nível da síndrome tem a personagem e seu nome veio de Tathiana Heiderich, que tem Down e é ativista na área”, explica Maurício. Outros criadores também estão surgindo do anonimato. Um projeto que tenta virar um gibi é a Turma da Febeca. “A ideia era criar personagem protagonista que tivesse deficiência. Conheci duas meninas, Fernanda e Rebeca, com lesão medular, que me ajudaram muito e batizaram a personagem com seus nomes”, conta Victor Klier. Os personagens também ajudam muito uma criança que tem deficiência a entender o que acontece com ela. Foi assim que Fábio Yamashita fez surgir a Turma do Lukas: “queria que meu filho, que tem paralisia cerebral, tivesse um personagem com o qual pudesse se identificar, pois até então, todos eram bem diferentes do Lucas, e o gibi conta histórias do nosso dia a dia de forma bem humorada”. E assim, se divertindo com boas gargalhadas as crianças vão aprendendo a conviver com as diferenças e aceitar que amiguinhos com alguma deficiência podem ser companheiros para muitas brincadeiras. Samara Andresa Del Monte é jornalista, idealizadora da Revista Mais dEficiente, tem paralisia cerebral, é cadeirante, se comunica com símbolos bliss e escreve no computador usando capacete com ponteira. E-mail: samarandresa@gmail.com

C

M

Y

CM

MY

CY

CMY

K


Mobilidade

com liberdade. Roda easyMOB. Simplificando

a vida do cadeirante. A roda easyMOB é um lançamento inovador idealizado para proporcionar mais autonomia e independência ao cadeirante. Totalmente fabricado no Brasil, seu sistema integrado de duas marchas e freio antirretorno reduz os esforços e aumenta a segurança, facilitando a locomoção no dia-a-dia.

www.rodaeasymob.com.br

rodaeasyMOB

Preço de lançamento

1 ano de garantia

R$ 2.800,00*

Em até 10x ou financiado

pelo Banco do Brasil.

*Consulte condições nas revendas participantes. Condição sujeita a aprovação de crédito. Promoção válida até o término do estoque. Serviço de instalação não incluso no preço, consulte uma revenda abaixo.

São Paulo/SP 11-5576-0543

S. B. do Campo/SP 11-2758-5667 11-97189-5060

Osasco/SP 11-3683-3482

Bragança Paulista/SP 11-2473-5017

Rio de Janeiro/RJ 21-3325-0288

Ribeirão Preto/SP 16-3635-8010

Rio de Janeiro/RJ 21-2430-3132 21-7844-8594

Campinas/SP 19-9294-8495 19-2513-5346

São Paulo/SP 11-2060-0805 11-98580-0082

Campinas/SP 11-99336-9693

Salvador/BA 71-3243-9258 71-8765-1551


26

movimento

21 de Setembro Dia Nacional de Luta comemora conquistas e destaca

I

importância do trabalho e outras reinvindicações

nstituída em Encontro Nacional que reuniu entidades nacionais do movimento social, em 1982, a data foi oficializada pela Lei Nº 11.133, de 2005. O dia 21 de setembro foi escolhido pela proximidade com a primavera e o dia da árvore, representando o nascimento das reinvindicações de cidadania e participação plena, em igualdade de condições. A cada ano, mais estados e municípios desenvolvem programações específicas para marcar o dia, sempre enfatizando o caráter de discussão dos problemas enfrentados e a busca por soluções. Em São Paulo, por exemplo, um dos principais eventos foi o ato público “Defesa da Lei de Cotas – Um caminho para a inclusão”, realizado em 23 de setembro na sede da Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência. Na ocasião, foi lançada a cartilha: “Pessoas com Deficiência no Trabalho – Criando Valor pela Inclusão”. O material foi desenvolvido pelo governo do Estado em parceria com a PWC Brasil. O objetivo da publicação é discutir alternativas que incentivem empresas a praticarem a inclusão por meio da contratação de PcD. Para a secretária Linamara Rizzo Battistella, conscientizar o empresariado sobre as reais possibilidades da inclusão profissional é tão importante quanto fiscalizar

o cumprimento da legislação, tarefa de responsabilidade exclusiva do Ministério do Trabalho. “Assim como ocorreu com a entrada da mulher no mercado de trabalho, décadas atrás, a incorporação da pessoa com deficiência só traz benefícios para empresas, governo e sociedade. Em 2010, quase 11 milhões de brasileiros com deficiência em idade economicamente ativa estavam desocupados. Quando estiverem trabalhando, serão 11 milhões de novos consumidores”, afirmou.

Avaliação da comemoração pelo Brasil

“É um dia para comemorar os avanços obtidos no Brasil, fruto de seus marcos legais. É preciso comemorar que hoje temos

a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência; a Constituição Brasileira de 1988, que compreende em vários de seus temas as pessoas com deficiência; e o fato de que todos são favoráveis às pautas e demandas deste segmento da população”, disse o secretário nacional de Promoção dos Direitos da Pessoa com Deficiência, Antônio José Ferreira, na véspera da comemoração. Ele apontou ainda o papel das PcD no processo de esclarecimento e sensibilização do cidadão para que a sociedade avance para uma cultura de inclusão. “Depende de nós, pessoas com deficiência, mobilizar cada vez mais militantes para a nossa luta. Temos muito espaços a conquistar, mais respeito e um olhar mais inclusivo da sociedade”, complementou Ferreira. Ele enfatizou também que o Plano Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência - Viver sem Limite já conta com a adesão de mais de 700 municípios e 24 estados, além do Distrito Federal.

Outros eventos Ainda na capital paulista, o espetáculo “Somos Todos Brasileiros” marcou o início


movimento Belezas que Quebram Barreiras

da semana. O evento, realizado em 15 de setembro foi promovido pela Universidade Livre do Circo (UNICIRCO), com apoio da Prefeitura e da Petrobrás, no Ginásio do Ibirapuera. A celebração contou com acrobacias, malabares e palhaços da trupe; Companhia de Ballet de Cegos Fernanda Bianchini; Maestro João Carlos Martins, que tocou juntamente com a Orquestra Jovem Bachiana Filarmônica; e o grupo Paralamas do Sucesso. No próprio dia 21, foi lançado o Fórum Paulista de Entidades das Pessoas com Deficiência. Além de acompanhar e fiscalizar os recursos destinados ao Plano Nacional Viver Sem Limite, o Fórum foi criado

A exposição “Belezas que Quebram Barreiras”, da fotógrafa Kica de Castro, foi pensada para o mês de setembro, em comemoração ao Dia Nacional da Luta das Pessoas com Deficiência e teve inicio no dia 27 de agosto no Shopping de Piracicaba/SP, pelo convite de Elenice Gaiad, para o Fórum Municipal da pessoa com deficiência, que o vereador André Bandeira faz parte. No dia 3 de setembro a exposição foi encerrada na cidade com um desfile de moda no local. Quatro das modelos da agência Kica de Castro, estiveram presentes desfilando para a marca M Officer de Piracicaba: Juliana Caldas, Maraisa Proença, Paula Ferrari e Mah Mooni. A exposição também fez parte da festa de comemoração dos 45 anos da Cavenaghi – empresa de adaptações de veículos e loja de produtos para PcD com sede na capital paulista - que começou em 14 de setembro, na loja de São Paulo e vai ficar por um mês, seguindo para as lojas do Rio de Janeiro/RJ, Salvador/BA e São Carlos/SP. A abertura da exposição foi marcada pelo show de Paulinho Dias, entre vários amigos e clientes da Cavenaghi. No dia 21 de setembro, a exposição fez parte das atividades da Somar Brasil, organizada por Thais Altomar, em Juiz de Fora/ MG. Entre os dia 23 a 27 de setembro, uma mini exposição fez parte da semana de comunicação visual da ETEC Tiquatira, em São Paulo/SP.

27


movimento Passeata Superação Rio chega à 6ª edição Fotos Carlos Simon

28

A Orla de Copacabana, no Rio de Janeiro/RJ, foi cenário de mais uma caminhada para comemorar o Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência. Organizada por uma parceria entre o Instituto Novo Ser, Movimento SuperAção e a ONG Mais Diferença, a passeata aconteceu no domingo, 22 de setembro, um dia após a data oficial. Na avaliação do Instituto Novo Ser, cerca de 1.200 pessoas participaram do evento, que teve como lema: “Pelo Respeito à Diversidade”. Entre as várias reivindicações, o destaque foi para a acessibilidade urbana. Além de celebrar o Dia Nacional de Luta, se afirmou, junto aos setores da sociedade, a importância de se respeitar e garantir os direitos de todas as pessoas, independentemente de cor da pele, gênero, idade, ideologia política ou religiosa, orientação sexual ou cultural, condição física, intelectual, sensorial ou social: “Juntos e misturados, lado a lado, irmanados”. Como de praxe, antes da passeata ganhar a avenida, houve a apresentação do Hino Nacional Brasileiro, na interpretação de Aída Guerreiro, que tem deficiência visual, acompanhada pelos acordes do violão de Jorge Luiz Guerreiro. No trajeto, várias apresentações artísticas ocorreram sobre um trio elétrico acessível, com a participação de intérpretes de Libras. Participaram: Gabrielzinho do Irajá, Murilo Di Vangô, Aída e Jorge Guerreiro, Tupã, Billy Saga, Ju Caldas e Cone Crew

Diretoria, tendo na retaguarda o ritmo da bateria Nota 10 da GRES Embaixadores da Alegria, primeira escola de samba inclusiva do país. Foi dedicado, ainda, um minuto de silêncio em homenagem a Fernando Cândido, o Fernandão, da Associação de Nanismo do Estado do Rio de Janeiro (ANAERJ) e a Paulo Sérgio Fernandes, o Paulinho, da Associação dos Amigos Deficientes Físicos (AADEF), pela luta que desenvolveram em prol da inclusão. O movimento teve colaboração de várias entidades, setores e órgãos do Governo do Estado e da Prefeitura do Rio de Janeiro, patrocínio da Fundação JK, Reatech, Rougue e Talento Incluir, além de apoio da Unimed Rio, OAB Rio – Comissão de Defesa de Direito da Pessoa com Deficiência e Revista Na Luta. “Vamos Que Vamos (continuar cobrando a quem de direito)”, prometeu o Instituto Novo Ser.

para defender a construção e a implementação de políticas públicas baseadas em alianças estratégicas entre Estado e sociedade civil. Na abertura da 7ª Edição da Virada Esportiva realizada no Vale do Anhangabaú, na capital paulista, a data foi celebrada com a apresentação de karate e taekwondo promovida por alunos com autismo e Síndrome de Down do Instituto Olga Kos. Atletas com deficiência que praticam futebol também participaram. Ao longo dos dois dias de evento, foram oferecidas várias atividades adaptadas.

Estados comemoram Vários estados também comomoraram, como Pernambuco: a agenda contou com uma série de atividade dentro da Campanha Municipal – “Respeite a Pessoa com Deficiência – Ela é cidadã como você!”. O “Projeto Praia sem Barreiras”, em Boa Viagem, ofereceu uma partida da Seleção pernambucana de Vôlei Sentado e apresentação da Banda Segnos, com todos os integrantes cegos, entre outras atividades. No Maranhão, a semana toda foi de atividades promovidas pelas secretarias de Saúde, Educação, Assistência Social, Trânsito e Transporte, encerrando no Parque do Bom Menino, em São Luís/MA, com consultas médicas gratuitas e informações sobre direitos. No Amapá, mais de 5 mil alunos de escolas estaduais percorreram, no dia 20, as ruas do centro de Macapá/AP com o objetivo de chamar a atenção da população para a data. O ato fez parte da programação que ocorreu durante a semana e teve como tema: “Sou diferente, e daí?”. A iniciativa foi da Secretaria de Estado da Educação. Em Rondônia, a secretaria de Assistência Social da Prefeitura de Porto Velho/RO, em conjunto com a Rede de Proteção e Promoção dos Direitos da Pessoa com Deficiência, realizou a VI Mostra Cultural dos Trabalhos das Pessoas com Deficiência. Em Mato Grosso do Sul, equipes do Conselho Municipal dos Direitos da Pessoa com Deficiência promoveram, em Campo Grande/MS, uma “Blitz Educativa” como forma de garantir a inclusão social através da reflexão e da busca por novos caminhos e soluções que promovam a cidadania plena e a igualdade de condições.


30

direito

por Geraldo Nogueira

O

Rio de Janeiro se une para garantir Direitos

Rio de Janeiro se prepara para encaminhar ao Congresso Nacional propostas de alteração do texto elaborado pelo Grupo de Trabalho instituído pela Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, por meio da Portaria SDH/PR Nº 616/2012, para rever o conteúdo do PL Nº 7.699/2006, que institui o Estatuto da Pessoa com Deficiência, outros projetos de lei a ele apensados e leis pertinentes que requerem atualização. A Comissão de Defesa dos Direitos da Pessoa com Deficiência (OAB/RJ), a Frente Parlamentar do Congresso Nacional em Defesa das Pessoas com Deficiência, a Comissão da Pessoa com Deficiência da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (ALERJ) e a Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro, promoveram em parceria dois seminários e três audiências públicas para discutir a melhor proposta de lei federal para regulamentar a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência. Os eventos aconteceram nos meses de agosto e setembro de 2013 nas sedes da OAB/RJ, ALERJ, pela Defensoria Pública no JW Marriott Hotel em Copacabana e contaram com a presença de técnicos, lideranças das áreas das deficiências, juristas, parlamentares, representantes e gestores de órgãos públicos, além de audiência ativa das associações de pessoas com deficiência. O objetivo foi identificar os acertos e falhas do texto enviado à Câmara dos Deputados e apresentar à Frente Parlamentar e relatora, Deputada Federal Mara Gabrilli, propostas de revisão, modificação ou atualização de direitos, conceitos e garantias legais. Durante as discussões promovidas nos eventos, evidenciou-se uma grande preocupação das associações que desenvolvem terceirização de mão-de-obra de pessoas com deficiência com a edição do Art. 122, cuja proposta é alterar os artigos 23, 24 e 27 da Lei Nº 8.666/93 (Lei das Licitações), o que em nosso entendimento imporá retrocesso no acesso de pessoas com e sem deficiência ao mercado de trabalho. Ocorre que a sugestão feita pela edição do Art. 122, acrescenta os parágrafos 9º e 10 ao Art. 23 e inciso VI ao Art. 27, procedendo ainda importante mudança na redação do Art. 24 da Lei, conforme determina: Art. 122. A Lei no 8.666, de 21 de junho de 1993, passa a vigorar com as seguintes alterações: “Art. 23............................................................................... § 9º - As empresas contratadas para a prestação de serviços deverão cumprir durante todo o período a reserva de cargos para pessoas com deficiência e as regras de acessibilidade em seus edifícios, ambientes de trabalho e serviços prestados.

§ 10 - O administrador público também é responsável pelo cumprimento da acessibilidade nos serviços e nos ambientes de trabalho.” (NR) “Art.24............................................................................... XX - na contratação de entidades de pessoas com deficiência sem fins lucrativos e de comprovada idoneidade, cuja natureza e grau de severidade da deficiência dificultem a inserção da pessoa no mercado de trabalho regular, por órgãos ou entidades da Administração Pública para a prestação de serviços, com preço contratado compatível com o praticado no mercado. ................................................................”(NR). “Art. 27........................................................................... VI - comprovação do cumprimento da reserva de cargos para pessoas com deficiência e regras de acessibilidade.” (NR) (destacamos). Como se observa, as alterações propostas criam dificuldade para contratação de mão-de-obra de pessoas com e sem deficiência, ao impor, no ato de feitura do convênio, a comprovação de que a contratada cumpre os requisitos da reserva de vagas e de acessibilidade nos seus edifícios, serviços e ambientes de trabalho. Além de responsabilizar o administrador público pela acessibilidade nos serviços e ambientes de trabalho. Tratar-se-á de mera burocracia, que ao final acabará prejudicando as pessoas com a perda de uma oportunidade de inserção no mercado de trabalho. Senão vejamos: se o Decreto Nº 5.296/04 é garantidor da acessibilidade e a Lei Nº 8.213/91da reserva de vagas, então para que impor o controle tanto da acessibilidade, quanto do cumprimento da reserva de vagas, à lei de licitações, justamente no momento de se ofertar emprego, correndo-se o risco de inviabilizar o processo? Essas empresas ou associações, fornecedoras de mão-de-obra, deverão sofrer a fiscalização dos órgãos competentes por falta de cumprimento da reserva de vagas ou dos requisitos de acessibilidade como qualquer outra empresa e a qualquer momento e não no momento que procuram inserir pessoas no mercado de trabalho.


direito Como está na proposta feita pelo Art. 122, a acessibilidade deixa de ser vista no contexto estrito da limitação (impedimento que impõe para determinada ação ou atividade) e passa a ser vista num ambiente amplo das relações de trabalho. Desta forma a falta de acessibilidade para determinado tipo de deficiência será compreendida como um conceito de impedimento para toda pessoa, servindo para inviabilizar a todos o acesso ao emprego. Isto, além de expor o segmento a uma imagem negativa, servirá como meio de acirrar ainda mais a burocracia, a que são submetidas estas empresas e associações, no momento de conveniar. Avaliando a alteração proposta no corpo do Art. 24, acima em destaque, percebe-se que a intenção do legislador é proteger as pessoas com deficiência severa. No entanto, poderá causar preconceito e discriminação. Por que uma pessoa sem deficiência pode concorrer a uma vaga de emprego terceirizado e uma pessoa com deficiência leve, moderada ou grave não pode ? A primeira limitação ao emprego é justamente a falta de vagas, depois vem a falta de escolaridade e de qualificação profissional, na sequência vem o preconceito inserido na analise do candidato como indivíduo diferente. Neste ponto a deficiência começa a pesar do lado desfavorável da balança da oportunidade e, claro, que a partir desse momento quanto mais severa for a deficiência, maior será o preconceito e, por conseguinte, a discriminação. Portanto, uma medida protetiva é necessária, mas não inviabilizando acesso a emprego para outras pessoas. Por fim, é visível que se uma pessoa com deficiência vai buscar apoio através da terceirização é porque ela não encontrou oportunidade no mercado regular e autônomo. Portanto, necessitada e merecedora da oportunidade modal intermediada. Outro fato a ser levantado é a preocupação com a tutela da pessoa com deficiência pelas associações. Na realidade esta modalidade de inserção no mercado de trabalho ainda se faz necessária, principalmente num país que pouco investe em educação e qualificação profissional. E neste quesito, as associações têm importante papel, pois

que sua intermediação serve ao indivíduo como uma oportunidade para se qualificar e se aprimorar nas relações sociais e do trabalho, o que acaba por impulsionar e determinar sua independência e autonomia social. Hoje, levando-se em conta os contratos de terceirização feitos pelas associações de e para pessoas com deficiência somente no Rio de Janeiro, podemos afirmar que prevalecendo as propostas do artigo em comento, nada menos do que duas mil pessoas com deficiência leve, moderada e grave, perderiam de imediato os seus empregos. Portanto, o melhor mesmo será manter a Lei das Licitações como está.

Geraldo Nogueira é Advogado, cadeirante e Presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Pessoa com Deficiência (OAB-RJ).

HAND DRIVE EQUIPAMENTOS ESPECIAIS PRODUTOS PARA PESSOAS COM DEFICIÊNCIA

OS MELHORES PREÇOS DO MERCADO CADEIRAS DE RODAS MANUAIS E CADEIRAS PARA BANHO

ÁGILE 2009

GAZELA

FREEDOM PLUS

M3

STANDARD PLUS

DB

ULX

JAGUAR

CADEIRAS DE RODAS MOTORIZADAS

MIRAGE LX

2001

DINAMICA PLUS

FREEDOM SX

ADAPTAÇÕES VEICULARES – PASSEIO

ACELERADOR E FREIO MANUAL

ACELERADOR LADO ESQUERDO

KIT NANISMO

POMO GIRATÓRIO FIXO E REMOVÍVEL

POMO GIRATÓRIO 3 PONTOS

EMBREAGEM PROGRESSIVA

ADAPTAÇÕES VEICULARES - TRANSPORTE

PLATAFORMA ELEVATÓRIA

PLATAFORMA ELEVATÓRIA

BANCO GIRATÓRIO

BANCO GIRATÓRIO

RAMPA DE ACESSO

RAMPA DE ACESSO

CONSULTE OUTROS MODELOS DE CADEIRAS E ADAPTAÇÕES HAND DRIVE EQUIPAMENTOS ESPECIAIS LTDA. RUA JOSÉ BERNARDO PINTO, 639 – VILA GUILHERME – 02055-001 – SÃO PAULO – SP 11-2901-0086 11-2901-3072 11-2901-3082 11-9-8585-0982 comercial@handdrive.com.br www.handdrive.com.br

31


32

preconceito

Companhia aérea barra criança com doença rara

O

caso teve grande repercussão na mídia em agosto. Théo, de 3 anos de idade, acompanhado pela mãe, pai e avó, quase não consegue viajar em um vôo da Gol Linhas Aéreas, entre Salvador/BA e Rio de Janeiro/RJ, no dia 19 de agosto. O menino tem uma doença rara congênita - Epidermólise Bolhosa que causa várias erupções na pele, mas não é contagiosa. Na ida do Rio à Bahia, pela mesma companhia, não houve nenhum problema. A própria mãe, Clara Colker, filha da aclamada coreógrafa Deborah Colker, contou o caso em sua página no Facebook. Já dentro do avião, foi abordada por um comissário que perguntou se o menino tinha atestado. Ela explicou o caso, que não havia perigo de contágio. Outra funcionária foi chamada, o diálogo continuou ríspido, alguns passageiros começaram a protestar pela insólita situação, até que a comissária saiu do avião, indo chamar um médico da INFRAERO. Quando ele veio, disse claramente que não havia problema na viagem e foi comunicar isso ao comandante, que afirmou só aceitar um atestado por escrito. O médico não havia trazido o carimbo, e precisou sair de novo do avião para poder assinar e carimbar. “Nunca senti uma coisa tão ruim. Um preconceito e discriminação tão grandes. Ando na rua já acostumada a ser bombardeada por olhares curiosos, mas nunca tinha sentido uma agressão, violência mesmo, tão grande com Theo. O dedo na cara dele, sem a menor piedade. Nenhum funcionário daquela tripulação pensou no constrangimento que estavam proporcionando àquele menino de 3 anos”, desabafou a mãe. O vôo, que chegaria no Rio às 13h50, só pousou às 16h10. Já a Gol, divulgou nota dizendo que cumpriu rigorosamente as recomendações do Manual Médico da IATA - Associação Internacional de Transportes Aéreos e da ANVISA - Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Ressaltou ainda que, visando a segurança de um dos passageiros do voo, bem como de todos a bordo, solicitou um atestado médico. Na falta deste documento, um médico foi acionado. “Lamentamos profundamente os transtornos causados à família com relação à forma como foi conduzido o cumprimento de tais recomendações. A estes e aos demais passageiros, pedimos sinceras desculpas”, divulgou em nota a companhia. Já a ANVISA divulgou nota condenando o procedimento da Gol e informou que vai apurar o que ocorreu para “avaliar o adequado cumprimento das normas aplicáveis ao caso”. A coreógrafa disse que vai processar a companhia aérea pelo ocorrido e que todo o dinheiro, se vencer o processo, será revertido para pesquisas genéticas no Brasil.

nota Guarda Civil Metropolitana tem 100 vagas para PcD em São Paulo/SP

A Prefeitura de São Paulo abriu concurso público para a Guarda Civil Metropolitana, incluindo 100 vagas (70 para homens e 30 para mulheres) voltadas a pessoas com deficiência, que perfazem 5% do total de 2.000. O salário inicial é de R$ 1.377,72 e as inscrições devem ser feitas de 7 de outubro a 8 de novembro pelo site www. vunesp.com.br. A taxa é de R$ 52,40. A prova objetiva será em 1º de dezembro, em São Paulo/SP. Segundo o edital, são consideradas pessoas com deficiência aquelas que se enquadram nas categorias relacionadas na Lei Municipal Nº 13.398/2002 e na Súmula 377 do Superior Tribunal de Justiça, que dá o direito a pessoa com visão monocular de concorrer. Os candidatos devem ter nível médio de ensino, idade entre 18 e 35 anos até março de 2014, carteira de habilitação na categoria B, além de altura mínima de 1,60m para mulheres e de 1,65m para homens.

Imposto de Renda O valor máximo das deduções do imposto sobre a renda correspondente a doações e patrocínios diretamente feitos em 2013, em prol de ações e serviços desenvolvidos no âmbito do Programa Nacional de Apoio à Atenção da Saúde da Pessoa com Deficiência (Pronas/PCD), foi regulamentado por portaria do Ministério da Saúde, publicada em 06 de setembro. No caso de pessoas físicas, o teto para deduções é de R$ 72.630 e para as pessoas jurídicas, R$ 233.240. Poderão ser beneficiadas com deduções fiscais as pessoas físicas e jurídicas que contribuem com doações de recursos a entidades sem fins lucrativos que se dedicam ao desenvolvimento de ações de reabilitação de pessoas com deficiências físicas, motoras, auditivas, visuais, mentais, intelectuais, múltiplas e de autismo.


A sensação de dirigir um Honda é para todos. Todos mesmo.

FIT

CITY

CIVIC

• Serviço de despachante para tratar de sua documentação • Planos de financiamento sem IOF em até 60 meses

ATENDIMENTO EXCLUSIVO LIGUE DIRETAMENTE PARA UM DE NOSSOS REPRESENTANTES ESPECIALIZADOS

• Isenção de IPI e de ICMS para não condutores

www.riotokio.com.br

Rio Tókio A mais Honda do Rio!

www.hondanarita.com.br

Botafogo

Botafogo

Recreio

Rua General Severiano, 201

Rua Real Grandeza, 400

Av. das Américas, 14.001

2122-4999 2114-0400 2323-9000

Isenção de IOF para financiamentos, desde que atendidos aos requisitos da legislação. Reservamo-nos o direito de corrigir possíveis erros de digitação. Fotos meramente ilustrativas.

Narita Um novo tempo!

Barra

3987-8888 Av. das Américas, 2001

RESPEITE OS LIMITES DE VELOCIDADE.


arte

Grafite para todos !!!

U

ma manifestação artística em espaços públicos, o grafite é conhecido desde os tempos do Império Romano e, atualmente, ganhou novo status com mostras em galerias e museus de várias partes do mundo. Sua apreciação, porém, deixa de fora as pessoas cegas ou com baixa visão. Para resolver o problema, três grafiteiras de Campinas/SP desenvolvem o projeto “Grafite Sensorial”, que incorpora outros elementos nos desenhos, possibilitando que se tornem acessíveis. Fernanda Sunega e Vanusa Passos grafitam juntas há 7 anos, e Danielle Pellizzer se juntou às duas há cerca de um ano. As formações são diferentes: Fernanda é antropóloga de formação, mas trabalha como fotógrafa; Vanusa é pedagoga e atua como coordenadora pedagógica numa ONG de acolhimento para crianças e adolescentes; e Danielle é formada em magistério e trabalha numa construtora. “A gente faz grafite pela mudança, para questionar, intrigar e fazer as pessoas pensarem sobre seus cotidianos. Não pintamos apenas para colorir... nossos desenhos são para levar informações. A arte da rua é efêmera, um dia está lá e no dia seguinte pode não estar, ou pode estar com alguma intervenção de quem passou pelo muro”, explica Fernanda. A ideia de grafitar um muro que pudesse ser apreciado também por cegos, surgiu de um trabalho que Fernanda fez, como fotógrafa, no jardim sensorial da CEASA de Campinas, montado no início do ano para comemorar o aniversário da central de abastecimento. Ela esteve na inauguração e voltou depois durante uma vista de escolas: “nunca tinha imaginado um ambiente inclusivo como aquele, capaz de despertar sensações em todos que passaram por lá, de maneiras diferentes. Até o momento minha arte não era inclusiva e acessiva a todo mundo, e vendo aquelas crianças com deficiência visual tocando, sentindo o cheiro e reconhecendo frutas e flores através dos sentidos, pensei que teria que transformar meu trabalho em algo que todos pudessem sentir”, conta. Fernanda diz ainda que a inspiração veio também de Emanuelle Garrido Alkimin, secretária Municipal dos Direitos da Pessoa com Deficiência de Campinas/SP, uma advogada cega. “Pelo meu trabalho como fotógrafa já a acompanhei em algumas atividades e escutar sua experiência de vida é uma inspiração não só para mim mas para todos que a conhecem”, assegura Fernanda.

Fotos Rodrigo França/Rebeca Carolina

34

Foi fácil convencer as outras grafiteiras e, em 25 de agosto, a intervenção das três começou a ser vista no muro da “Casa Verde”, uma local de passagem para crianças e adolescentes, localizada no centro da cidade, ao lado do Mercadão. A entidade é parceira dos grafiteiros da cidade e, a cada seis meses, costuma fazer um evento para renovar os desenhos do muro externo, sempre com temáticas de reflexão sobre violência contra o público que atende. “Como foi a nossa primeira experiência, ainda estamos testando os materiais mais adequados para isso. Usamos as técnicas tradicionais de grafite com tinta latex e spray, mas também fizemos colagens de materiais com texturas diferentes no muro. Eu usei materiais com textura de tecidos e feltros, a Dani usou materiais mais duros como ladrilhos de azulejos e a Vanusa trabalhou com barbantes e colagens de isopor. A ideia é que cada uma crie características próprias nos materiais utilizados, assim as pessoas poderão identificar cada artista pelos traços e pelos materiais utilizados. Também fizemos a colagem de uma poesia e descrição do muro em braile para contextualizar a criação do muro e seus personagens”, explica Fernanda. As três gostaram tanto da experiência que têm planos para a realização de um novo trabalho por mês: “Com o graffiti sensorial queremos que as pessoas com deficiêcia visual possam sentir também o que existe nos muros das cidades às quais elas pertencem, afinal a cidade é para todos. Também queremos que as pessoas que costumam enxergar nossos traços por aí pensem: por que dessa vez esse grafite está com coisas coladas no muro ? Para que são esses textos em Braille ?”, conclui a grafiteira.


notas Julgamento de Oscar Pistorius

O atleta sulafricano Oscar Pistorius - o primeiro corredor com pernas amputadas, usuário de próteses a participar dos Jogos Olímpicos (Londres, 2012) - será julgado entre 3 e 20 de março de 2014. A decisão foi anunciada no último mês de agosto, em audiência realizada em Pretória, capital daquele país. Ele é acusado de matar a tiros a namorada, a modelo Reeva Steenkamp, em fevereiro desse ano, em sua própria casa. Na versão de Pistorius, ele matou “por engano”, atirando através da porta fechada do banheiro da suíte do casal, com uma pistola que guardava debaixo da cama, acreditando tratar-se de um ladrão que teria invadido o local. Segundo a acusação, o crime foi premeditado, após uma briga entre os dois. Ele é acusado também de porte ilegal de armas. Se for considerado culpado, a pena pode ser de prisão perpétua.

35

Centro de Exposições Imigrantes tem nova concessão O destino do Centro de Exposições Imigrantes, sede da REATECH, na capital paulista, causou preocupação em promotores de feiras e usuários. Muitos temiam que o espaço pudesse mudar suas atividades com o final da concessão aos administradores anteriores – grupo Agrocentro – e deixasse de ser um espaço para realização de eventos e feiras. Mas em 21 de agosto último, o governador Geraldo Alckmin assinou a concessão de uso e exploração do recinto para a empresa GL Events Centro de Convenções SA, por 30 anos. Assim, o Centro que funciona desde 1978, será todo reformado e modernizado. Haverá um novo pavilhão com 50 mil m², um novo centro de convenções com 10 mil m², estacionamentos e um hotel com 252 apartamentos. A proposta comercial da empresa foi de R$ 201,5 milhões e a nova gestora do espaço deve atrair mais feiras e negócios para São Paulo. O Estado vai receber R$ 200 milhões, além de 1% de faturamento e investimentos. O governador, durante a assinatura, explicou que metade dos recursos ficará na região onde está localizado o espaço, para melhorar a parte ambiental, e a outra metade servirá para apoiar o turismo no Estado. Assim, o setor que esteve apreensivo pode ficar tranquilo que a Reatech continuará acontecendo no mesmo local de sempre !


tênis

36

por Adriana Buzelin

Fotos: Kleber Bertholdo e Leo Santos

O tênis adaptado em Minas Gerais

O

s resultados do esporte adaptado na vida de pessoas com deficiência são muito compensadores, gratificantes e inclusivos. Muito se tem falado sobre os esportes paralímpicos e seus atletas brasileiros. A garra, dedicação e superação de obstáculos são características comuns nesses atletas. Foi o que tive o prazer de presenciar quando visitei a escola de tênis adaptado do técnico da seleção brasileira, Léo Butija. A Butija Wheelchair Tennis Cup é uma escola de tênis adaptado que nasceu em novembro de 2009, em Belo Horizonte/MG. Seu fundador, Léo Butija, me relatou como começou. “Eu sempre trabalhei como instrutor de tênis. Voluntário em uma ONG, fui completamente conquistado pelo tênis adaptado quando comecei a treinar atletas como Rafa e me envolver com a história de superação e dedicação deles. Depois veio Daniel e hoje tenho vários alunos que treinam na escola, cada um com uma história de vida e todos com muita vontade de vencer”, lembra Léo. Detalhe: o amigo e aluno Rafa, a quem Léo se refere, é Rafael Medeiros, que atualmente ocupa o 3º lugar no ranking nacional e o 38º no ranking internacional. E a equipe não está para brincadeira não, segue com Daniel Alves, que ocupa o 33º no ranking internacional. A dupla esteve em Londres em 2012 na Paralimpíada, através do apoio financeiro que conseguiu da Confederação Mineira de Tênis e do Comitê Paralímpico Brasileiro, porém não é suficiente para saltar no ranking. Afinal, a dupla não tem dinheiro suficiente para participar de todo circuito. Mesmo assim, o tênis adaptado em Minas, em especial na escola de Léo Butija, tem evoluído muito e participado de torneios por todo Brasil. O que muitos não sabem é que Minas Gerais tem feito muito bonito no tênis em cadeira de rodas. Nos dias 25 a 28 de julho, aconteceu em Belo Horizonte a Copa Butija de Tênis em Cadeira de Rodas, que contou com a presença internacional de um colombiano e 6 chilenos. Ao todo, foram 40 atletas, a maioria do Distrito Federal, Santa Ca-

tarina, Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro, Goiás e Espírito Santo. O torneio teve a chancela da ITF Federação Internacional de Tênis, da CBT - Confederação Brasileira de Tênis e da FMT - Federação Mineira de Tênis. Mas não para por aí, em setembro deste ano, aconteceu também o Vitória Open que iniciou dia 22 de setembro, no Espirito Santo. Quando visitei a escola, estavam lá os atletas fazendo seu último treino. Foi com muita admiração que vi este esporte adaptado pela primeira vez. É incrível a rapidez e a garra desta equipe de atletas. O grupo de tenistas da escola Butija Tennis, conta com uma média de 14 atletas ativos e muitos iniciantes. O esforço é grande: “para ir bem, um bom condicionamento físico é necessário, já que o atleta deve manter a cadeira em movimento todo o tempo. Além disso, cadeiras especiais são usadas. Elas são importadas e custam caro, fazendo toda a diferença para diminuir o desgaste físico e aumentar o foco do jogador”, indica o técnico. As cadeiras são feitas sob medida para cada atleta conforme suas necessidades e muitas são doadas devido ao elevado preço, por isso qualquer contribuição é bem vinda para os grandes atletas. Nesta história toda acabei me contaminando pelo vírus do tênis adaptado e arrisquei a fazer uma aula experimental. Léo, com toda paciência e percepção, me auxiliou enfaixando minha mão na raquete, já que não tenho movimentos nos dedos das mãos desde que me tornei tetraplégica devido a um acidente automobilístico, e foi me dando as primeiras coordenadas. Confesso que me surpreendi, pois jamais imaginei que daria conta de jogar uma bolinha a mais de 1 metro e ainda com uma raquete de tênis ! É... me contaminei e decidi ser mais uma aluna desta escola exemplar em profissionalismo, dedicação, respeito ao próximo, compartilhando a alegria do esporte e de se sentir incluído na sociedade. Para quem quiser conhecer mais o trabalho desenvolvido por Léo Butija: https://www.facebook.com/ButijaTennis e http://butijatennis.wordpress.com/

Adriana Buzelin cursou Relações Públicas, Produção Editorial, Design Gráfico e fez muitos cursos na área de artes plásticas. É artista plástica, escultora e modelo. Retomou sua vida após um acidente que a deixou tetraplégica estudando, trabalhando, rompendo o preconceito, encarando desafios. É a primeira cadeirante tetraplégica a ser registrada em mergulho adaptado pela HSA/Internacional no estado de Minas Gerais. Como modelo, encara batalha pela inclusão social. Site: www.adrianabuzelin.com


esporte

37

A

competição foi realizada em agosto, em Montreal (Canadá), e consagrou atletas de destaque, mas revelou novos nomes também. No total foram 26 medalhas, sendo: 11 de ouro, 9 de prata e 6 de bronze, o que deixou o Brasil na 6ª colocação, atrás apenas da Ucrânia, Rússia, Reino Unido, Nova Zelândia e Estados Unidos. O Mundial é realizado a cada 4 anos e reuniu em 2013 cerca de 60 países. Mais uma vez, o grande destaque foi o nadador Daniel Dias. André Brasil, outro atleta bastante conhecido, também se consagrou. A eles se somaram os gaúchos Susana Schnarndorf e Roberto Alcalde, todos vencedores de medalhas de ouro. “Nossa participação foi dentro das expectativas. Na nossa avaliação, o Brasil se consolidou como uma das grandes potências do esporte”, afirmou Andrew Parsons, presidente do CPB - Comitê Paralímpico Brasilleiro.

O Mundial também serviu para mostrar outros talentos promissores do país, como os vencedores de medalhas de prata: Matheus Rheine e Talisson Glock. Eles também são esperanças do Brasil para as Paralimpíadas do Rio de Janeiro, em 2016. A preparação da delegação brasileira incluiu uma temporada de 10 dias na cidade de La Loma, no México, para treinamentos em altitude. No grupo do Mundial estavam 5 atletas do Time São Paulo: Daniel Dias, André Brasil, Talisson Glock, Matheus Silva e Carlos Farrenberg. O Time Rio tinha também 5 representantes: Caio Oliveira, Phelipe Rodrigues, Edênia Garcia, Susana Schnarndorf e Camille Cruz. A participação brasileira no Mundial de Montreal foi custeada por um convênio com o Ministério do Esporte. Washington AlvesMPIX CPB

Washington AlvesMPIX CPB

Brasil se destaca no Mundial de Natação Paralímpica !


38

política

Presidenta Dilma faz balanço do “Viver sem Limite”

O

governo federal vai investir, até o ano que vem, R$ 7,6 bilhões em ações que integram o Programa Viver sem Limite - Plano Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência, lançado em novembro de 2011. Dilma Rousseff fez um balanço das atividades no programa semanal de rádio “Café com a Presidenta”, no final de setembro. Segundo ela, em relação a casas adaptadas, desde janeiro de 2012 foram contratadas 630 mil unidades, construídas por meio do Programa Minha Casa, Minha Vida que, neste caso, atende a pessoas com renda mensal até

R$ 1,6 mil. Contam com portas mais largas, banheiros mais espaçosos, corredores mais amplos e barras que facilitam a locomoção. No total, foram entregues 9 mil casas adaptadas. A expectativa do governo é contratar 1,2 milhão de casas adaptáveis até 2014. Na área da educação, destacou que 600 cidades receberam 830 ônibus adaptados para levar crianças com deficiência às escolas, sejam elas públicas ou ligadas às APAES. Dilma disse que até dezembro serão entregues mais 900 desses veículos e, até 2014, um total de 2,6 mil. Ela acrescentou que o governo repassou R$ 235 milhões para 26 mil escolas de todo o país se tornarem acessíveis às pessoas com deficiência. Ainda com foco na acessibilidade, a presidenta reforçou que foram criados 30 núcleos de pesquisa em universidades e institutos federais de educação tecnológica, como o Centro Nacional de Referência em Tecnologia Assistiva, em Campinas/SP. O objetivo é favorecer o desenvolvimento de produtos e equipamentos que facilitam a rotina dessas pessoas como o vocalizador, que ajuda que tem dificuldade na fala; as cadeiras ajustáveis, que oferecem mais conforto na sala de aula; softwares que ajudam a alfabetizar as crianças com deficiência; além de órteses e próteses com novos materiais, que reduzem o custo. Dentro da linha de crédito especial do Banco do Brasil para a compra de produtos, foram financiados R$ 66 milhões e o governo pretende liberar o crédito também para que pessoas com deficiência façam obras de adaptação nas suas casas, como a construção de rampas ou a mudança das portas. Em relação à saúde, a presidenta ressaltou a importância do teste do pezinho em recém-nascidos para detectar alguma deficiência ou doença genética e informou que o governo espera começar, ainda este ano, a oferecer o teste do olhinho para prevenir doenças como a catarata congênita, que é a segunda causa de cegueira infantil, além de ampliar o número de maternidades que oferecem o teste da orelhinha. Ela ressaltou ainda que estão sendo construídos três centros de treinamento de cães-guia para auxiliar pessoas com deficiência visual, além da unidade que já foi inaugurada em Camboriú/SC.


saúde

Liberado acesso a medicamentos inovadores

A

ANVISA - Agência Nacional de Vigilância Sanitária atendeu a uma reivindicação antiga de muitos pacientes com doenças debilitantes e graves, para as quais não existe medicação ou cujo tratamento disponível é insuficiente. Em 13 de agosto de 2013, foi publicada no Diário Oficial da União a resolução RDC Nº 38/2013 que regulamenta o acesso aos medicamentos inovadores que ainda não estão disponíveis no mercado. Três programas foram regulamentados: uso Compassivo, de Acesso Expandido e de Fornecimento de Medicamento Pós-Estudos. No primeiro caso, a ANVISA emitirá uma autorização para que a indústria execute determinado programa assistencial no Brasil, fornecendo medicamento novo, promissor e ainda sem registro na Agência. O programa também permite que a empresa seja autorizada a importar medicamentos não registrados no país, que tratam doenças raras e graves. O Acesso Expandido é um programa de disponibilização de medicamento novo, promissor, ainda sem registro na ANVISA ou não disponível comercialmente no país, que esteja em estudo clínico em fase III, em desenvolvimento ou concluído. Esta modalidade é voltada para o grupo de pacientes por-

tadores de doenças debilitantes graves que ameacem a vida e sem alternativa terapêutica satisfatória. A última modalidade é o Programa de Fornecimento de Medicamento Pós-Estudo que define a disponibilização gratuita de medicamentos pela indústria aos voluntários que participaram da pesquisa e que se beneficiaram do medicamento durante o desenvolvimento clínico. A medida se aplica nos casos de encerramento do estudo ou quando finalizada a participação do voluntário no programa de uso compassivo. As solicitações de anuência da ANVISA para os programas de acesso expandido e de uso compassivo serão analisadas de acordo com os critérios de gravidade e estágio da doença e da ausência de alternativa terapêutica satisfatória no país para a condição clínica e seus estágios. Com a RDC Nº 38/2013 fica garantido o fornecimento do medicamento autorizado nos programas de acesso expandido, uso compassivo e fornecimento de medicamento pós-estudo nos casos de doenças graves e crônicas enquanto houver benefício ao paciente, a critério médico.

Atendimento e preços mais do que especiais. A Issa preparou ofertas incríveis e presentes para você economizar para valer. Aproveite!

Comprou, ganhou:

A ISSA AutoMóveIS contA com: 1. EQUIPE ESPEcIALIZADA. 2. ASSESSoRIA PARA oBtEnÇÃo DA DocUmEntAÇÃo DE ISEnÇÃo DE ImPoStoS. 3. AGILIDADE nA EntREGA Do VEÍcULo.

Acesse nosso site e conheça os casos que o programa pCd da ISSA Motors beneficia: www.issamotors.com.br

veículo isento de impostos, mas repleto de vantagens. só na Honda issa. Kit 1: refere-se às isenções de IPI/ICMS/ IPVA E RODÍZIO ou kit 2: consulte nossos consultores. Existe um kit para cada modelo específico.

Unidade Mooca Tobias Barreto, 812

Unidade Anália Franco Abel Ferreira, 970

Unidade Anhaia Mello Anhaia Mello, 808

11

11

11

2603-4772

2344-4772

3469-4772

39


40

trabalho

Curso baiano de psicologia capacita para o trabalho

O

Projeto Novo Olhar é uma iniciativa do curso de psicologia da Faculdade Ruy Barbosa, de Salvador/BA. Inclui uma série de módulos de curta duração, destinados à capacitação para o trabalho de pessoas com deficiência. No mês de setembro começou nova turma e, dependendo do assunto, as aulas devem ir até o final de outubro. A partir daí serão abertas vagas para novembro e dezembro e fevereiro de 2014. Além disso, as oficinas - pátina em móveis, textura, maquiagem, entre outras - recebem inscrições em qualquer época. A turma atual tem 55 alunos que estudam para auxiliar administrativo (módulos I e II), informática básica e avançada, informática para um grupo só de surdos e contas a pagar. Está sendo estudada a abertura da turma de gastronomia ainda neste semestre. “O objetivo maior é o de contribuir no processo de inclusão através do empoderamento que acreditamos existir na qualificação”, justifica a coordenadora do projeto, Jaqueline Vianna. A ideia é que qualificação, para qualquer profissional, não implica somente em conheci-

mentos técnicos, mas também em habilidades sociais. “Por isso buscamos, sobretudo, criar um ambiente de aprendizado que remeta às relações de trabalho. Estar numa faculdade, conviver com universitários, falar de coisas do trabalho, simular situações cotidianas, são iniciativas que visam propiciar a percepção de estar inserido num contexto, ou de alguma forma, se perceber possível nesse contexto”, explica a coordenadora. Para ela, existe também a responsabilidade social de uma instituição de ensino que é formar não apenas profissionais habilitados e competentes, mas entregar algo mais à sociedade da qual faz parte. Nesse sentido, o curso de psicologia permite a análise de diferentes variáveis que envolvem a inclusão. “Mesmo não tendo o objetivo de atendimento clínico, o olhar dos alunos facilita a compreensão de algumas dimensões e permite intervenções assertivas na condução das aulas”, diz. Um ou mais alunos acompanham as turmas e, além disso, a ênfase de Psicologia Organizacional e do Trabalho está completamente voltada para esse tema. A primeira turma, formada em dezembro de 2012, teve 25 alunos e a segunda, em junho passado, 36. Como o curso é oferecido em módulos, permite ao interessado escolher quais temas e dias estudar. Ele pode, por exemplo, fazer o curso de informática avançada na

quinta à tarde e o de gastronomia na segunda; o auxiliar administrativo na terça e informática básica na quarta. Os módulos têm duração de cinco a sete semanas e a proposta é, a cada semestre, ampliar a oferta de módulos e temas. “Percebemos que muitas empresas ainda se mostram resistentes, adotando postura de sub-contratação, com pouco ou nenhum investimento em acessibilidade ou mesmo de exigir uma pessoa com o que chamam de ‘deficiência leve’, ou seja, que pouco ou nenhuma adaptação seja necessária”, analisa a coordenadora. “Há um despreparo grande para a contratação, o que prejudica a pessoa com deficiência e a própria empresa que desconhece o tema, não tem clareza das dificuldades nem das possibilidades”, complementa. “Pretendemos ampliar nosso escopo oferecendo treinamentos para empresas que já contratam e que queiram melhorar o desempenho, investindo na qualificação”, finaliza Jaqueline. O curso é gratuito e qualquer pessoa com deficiência pode participar. Algum pré-requisito como escolaridade mínima ou conhecimento prévio, pode ser requerido conforme o módulo, mas isso é verificado na triagem e discutido com o aluno interessado. Para se inscrever, basta deixar os contatos para agendamento da entrevista de triagem. Mais informações pelo e-mail: projetonovoolhar@hotmail.com.


42

informe publicitário

Autoescola especializada habilita pessoas com deficiência na região de Osasco/SP

Com experiência de quase 20 anos no atendimento em habilitação para pessoas com deficiência, a empresária Daniele Almeida comanda a Autoescola DF, na cidade de Osasco/SP, realizando um trabalho diferenciado e que vem se destacando em toda a região. A autoescola e Daniele já atuavam em Osasco e região há alguns anos, porém, foi a pouco mais de um ano que a empresa passou a se chamar Autoescola DF, que conta hoje com 3 carros – inclusive adaptados – para a formação de seus alunos, com e sem deficiência, atendendo aproximadamente 200 pessoas com deficiência por mês em sua unidade na cidade da região metropolitana de São Paulo. Reconhecida pelo seu trabalho neste segmento de formação de condutores com deficiência, Daniele é palestrante há muitos anos na AACD – tanto em Osasco/SP como na Vila Mariana, na capital paulista. E toda essa sua experiência ela traz para o dia a dia do atendimento em seu estabelecimento. Na DF a pessoa com deficiência encontra acessibilidade total, até mesmo no atendimento, inclusive com profissionais que se comunicam em Libras com pessoas surdas. “Nossos instrutores, por exemplo, são credenciados pelo DETRAN, com os cursos obrigatórios no órgão e também com a especialização para o atendimento às pessoas com deficiência auditiva, além de todo treinamento para o atendimento a PcD de maneira geral, sabem manusear os equipamentos usados pelos alunos, até como montar e desmontar uma cadeiras de rodas, se necessário”, destaca Daniele. A sua autoescola é especializada em habilitar pessoas com deficiências físicas (amputados, cadeirantes e pessoas com mobilidade reduzida com sequela motora), nanismo, deficiências auditivas etc, porém, também habilita pessoas comuns, sem deficiência. Por isso, Daniele faz questão de frisar o diferencial da sua empresa: “a intenção da nossa autoescola não é só habilitar, mas sim assessorar, ajudar a pessoa com deficiência em suas necessidades, seja elas quais forem”. “Muitos que nos procuram tem sequelas de doenças degenerativas (artrose, artrite, LER, câncer, entre outras) – e eles tem benefícios, como: isenção IPI, ICMS, isenção de rodízio, IPVA – e na maioria das vezes, desconhecem seus direitos”, comenta a empresária, lembrando que para ter acesso aos benefícios as pessoas tem que tirar a sua habilitação primeiro. “Nós auxiliamos também as pessoas na obtenção desses benefícios”, ressalta Daniele.

notas Organização Mundial do Turismo

É esperada para o final do ano a publicação do manual “Turismo acessível para todos”, que tem como objetivo orientar o setor sobre como melhorar a acessibilidade dos destinos, instalações e serviços turísticos de todo o mundo. O documento foi aprovado em setembro pela assembleia-geral da Organização Mundial do Turismo (OMT). O material é uma versão atualizada das recomendações de 2005 e foi desenvolvido no âmbito da Convenção das Nações Unidas sobre os direitos das pessoas com deficiência, ratificada em 2007. São definidas medidas adequadas que garantam às pessoas com deficiência o acesso em igualdade de condições a espaços físicos, meios de transporte, informação e comunicações e a instalações abertas ao público ou de utilização pública.

Ambiente virtual de aprendizagem ganha acessibilidade O Núcleo de Educação a Distância da Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Neto (NEaD/UNESP) anunciou o aprimoramento da plataforma virtual de aprendizagem Moodle com recursos de acessibilidade. O objetivo é facilitar o acesso das pessoas com deficiências motoras, visuais e auditivas aos cursos não presenciais. A novidade será oferecida em janeiro de 2014, primeiramente, aos alunos dos sete novos cursos do Programa Rede São Paulo de Formação de Docente (REDEFOR), desenvolvido pela Secretaria Estadual de Educação, a Universidade de São Paulo, a Universidade Estadual de Campinas e a UNESP. Foram implementadas a navegação via teclado, que beneficia pessoas com deficiência visual e motora; o tema “Alto Contraste” com conteúdos em fundo preto e letras em amarelo, verde e branco, para quem possui baixa visão; navegação via botão “TAB” por meio do leitor de tela NVDA (com instalação gratuita) e também o ícone “Pular para Conteúdo”, no qual o aluno pode ir direto para as leituras e exercícios sem precisar encontrá-los via “TAB”. Uma barra de acessibilidade no Moodle, também inserida, apresenta o mapa da plataforma e do site de entrada para os cursos. Ela direciona os alunos para uma página informativa sobre os recursos disponíveis, trazendo as funcionalidades, quando e onde podem ser utilizados, e desta forma funcionará como um guia para as pessoas com deficiência.


por Tatiana Rolim

crônica

Imagina na Cota ?

H

á poucos dias estive numa faculdade para assistir a mais uma palestra sobre um tema que tem sido evidenciado nos últimos anos: Lei de Cotas – Empregabilidade e Inclusão. Entre um palestrante e outro, chegou a minha vez e, com a minha fala, procurei fazer algumas colocações necessárias a fim de não cair na repetitividade do que vemos e ouvimos em tantos eventos sobre o assunto. Resolvi apontar algumas situações sutis – e ao mesmo tempo provocativas o suficiente –, pois ali o público alvo eram os alunos, futuros gestores das empresas que não EMPREGAM pessoas com deficiência nas suas corporações. Quando a oferta de empregabilidade para pessoa com deficiência é recusada, é tirado o direito à cidadania desta pessoa. Penso que uma ação imediata para os formandos deve ser contemplada com o tema da inclusão e empregabilidade com base “Lei de Cota” que, para quem é do meio, a repetitividade da palavra composta (Lei de Cotas) parece até soar como o slogan: “Imagina na Copa”... mas ainda há muita, muita desinformação e muitas ações para serem feitas. Ainda assim, podemos sonhar com um slogan: “Imagina na Cota”... quando realmente ela estiver em ação. Noutro dia fui eu, como ouvinte, num evento sobre a Lei de Cotas e, lá à frente, alguém que não dominava o assunto da empregabilidade da

respeito

E ducação

diversidade

pessoa com deficiência parecia incapaz de ter decorado até o número da “santa lei”, mas isso não foi a pior retratação do cenário real das empresas: deparar-se com o despreparo dos profissionais do RH, a maioria psicólogos, da mesma categoria que a minha, mas que se mostram

43


44

crônica absurdamente desqualificados para executar um programa de inclusão de colaboradores com deficiência tem sido decorrente. Mais absurdo ainda é a resistência para flexibilizarem os perfis de vagas a serem preenchidos pela Lei de Cotas, onde por vezes exigem escolaridade e experiência para uma função de modo desnecessário, o que resulta num processo de recrutamento e seleção longo e cheio de justificativas para a não contratação da mão de obra com estes profissionais, deixando a questão do trabalho e seus resultados nulos... Não é de hoje que nos meios de discussões entre articuladores, facilitadores e parceiros junto ao Ministério do Trabalho, criamos um jargão de que a empresa, para contratar um

profissional com deficiência, criou um perfil próprio, que chamo aqui de PDL - Pessoa com Deficiência Leve. Neste perfil, constam as seguintes características: - Candidato tem que mancar, mas pouco; - Pode ser surdo, mas tem que ouvir; - Pode ser cego, mas não total, ou seja, tem que enxergar ... De preferência com experiência, domínio em idiomas, disponibilidade imediata, fácil acesso etc. E de “d” em “d”, vão traçando um perfil para depois justificarem que não existem profissionais com deficiência no mercado para cumprirem a cota. E, quando encontram o sujeito neste perfil, alegam capacitação abaixo do esperado para o padrão da organização.

Se com um perfil tão exigente assim já é difícil, imagine onde ficam os profissionais com deficiência como eu, cadeirantes, as pessoas com deficiências múltiplas e a demanda do emprego apoiado. E ainda falam em flexibilizarem a Lei de COTAS ??? Santo Deus !!! Temos que ir para a rua, porque pela calçada não dá (slogan de uma das campanhas do movimento superação). A questão é simples, óbvia e transparente: as “empresas” não estão de fato preparadas e não querem se preparar. Alegam alto custo de investimento para algo que vai agregar na cultura organizacional. Ainda no contexto da minha apresentação aos alunos, depois de algumas colocações e alguns esclarecimentos, direcionei o conteúdo com o seguinte slide, pontuando que independentemente do número de Leis existentes para garantir a inclusão de pessoas com deficiência no mercado de trabalho – que se estende por tantos documentos (OIT - Organização Internacional do Trabalho, Constituição 1988, Ano Internacional, Ano Ibero Americano, Decreto 3298, Decreto 5296, outros tantos e Artigo 27 da Convenção da ONU) – a maior de todas as ferramentas ainda é a EDUCAÇÃO e assim concluí com a fala baseada no texto de uma criança de 5 anos de idade ao declarar a necessidade de ser aceita por amiguinhos da escola e ser recebida por inteiro, mesmo na falta de alguma parte. Assim, Rebeca quis dizer que amor é inclusão e que implica em respeito e reconhecimento da diversidade. Sobretudo, educação ainda é o primeiro passo para que todos estes valores sejam agregados e assim tenhamos gestores mais capacitados, mais humanizados e aptos a conviver com a diversidade para vivermos o: “Imagina na Cota”... todos contratados, todos empregados, com direitos garantidos em igualdade de oportunidades no mercado de trabalho ! Tatiana Rolim é psicóloga, escritora e consultora em inclusão social e autora dos livros “Meu Andar Sobre Rodas” e “Maria de Rodas – Delícias e Desafios na Maternidade de Mulheres Cadeirantes”.


turismo

46

por Evandro Bonocchi

Fotos Graziela Teixeira

Caminho de Santiago de Compostela e a Expedição “Handgrinos” !!!

S

omos os “Handgrinos”, e como já foi explicado aqui na Revista Reação na edição anterior, essa é uma expressão que criamos fazendo a junção da palavra “hand” (mãos em inglês) e “peregrinos”. Eu, Evandro Bonocchi - 37 anos, e Josimar Sena da Silva - 29 anos, ambos paraplégicos - em nossas handbikes - e Leandro Bonocchi, Miltinho Miranda, Luis Pimentel e André Silva - os bikers de apoio - e mais Graziela de Souza Teixeira, nossa fotográfa, compomos esse grupo que partiu em expedição para essa verdadeira aventura. Essa Expedição só aconteceu porque contei com a ajuda de alguns patrocinadores, entre eles a VEMEX - empresa na qual trabalho no desenvolvimento de um novo conceito em cadeira de rodas e no projeto da primeira Handbike em alumínio fabricada no país. Iniciamos nossa viagem no dia 29 de agosto, partindo do aeroporto de Guarulhos/SP. Nosso destino: Pamplona, na Espanha. Em nosso planejamento, iniciaríamos a peregrinação pelo Caminho de Santiago de Compostela no dia 31 de agosto, um sábado, em Roncesvalles, cidade


turismo

a cerca de 40 Km de Pamplona... mas, para a nossa surpresa, tivemos uma das handbikes destruída e 3 bikes extraviadas pela companhia aérea. Por sorte, uma fundação de Madri (Fundación Tambíen), que promove o bem estar da Pessoas com Deficiência através do esporte na Espanha, se sensibilizou com o ocorrido e, aos 45 minutos do segundo tempo nos emprestou uma handbike, “impedindo” – ainda bem - que o Josimar regressasse ao Brasil sem percorrer um quilômetro sequer do nosso percurso. Com isso, tivemos que alterar todo

o planejamento de mais de 10 meses, como: rota, hotel, dinheiro, enfim... Com 4 dias de atraso, partimos de Ponte la Reina a caminho de Santiago de Compostela. Foram dias incríveis, com paisagens maravilhosas e grandes aprendizados. Vi coisas que jamais sonhei... Com essa equipe da Expedição Handgrinos, pude aprender ainda mais sobre as diferenças, não só as físicas, mas as de personalidade, de crenças, e a maneira de encarar as dificuldades. Para muitos, o Caminho de Santiago é que é mágico, mas para mim, são as

pessoas que encontramos pelo caminho é que fazem essa magia. Encaramos grandes desafios, percorríamos cerca de 30 Km por dia, cada um carregando sua mochila, e no meu caso e do Josimar, ainda puxávamos nossas cadeiras de rodas atreladas às nossas handbikes, com um peso total do conjunto de aproximadamente 34 Kg. Tenho alguma experiência em corridas de handbike, já corri algumas maratonas e corridas de aventura, mas nada se compara a um dia seguindo o Caminho de Santiago. A superação é presente a todo

47


48

turismo

momento. Quando imaginava que não conseguiria mais, o Caminho nos presenteava com algum peregrino, ora uma senhora peregrina no alto dos seus setenta e poucos anos, carregando uma mochila tão pesada quanto seu corpo, e mesmo assim, no sacrifício, sorria para todos... ora um casal jovem disposto a compartilhar um cacho de uvas... Sem perceber, um peregrino acaba motivando o outro quando solta a frase, que por lá é universal: BUEN CAMINO !!! Jamais poderia deixar de relatar aqui, o mérito dos quatro bikers que nos acompanharam: Leandro (meu irmão), Pimentel, Miltinho e André... por muitos quilômetros suas pernas tiveram que ajudar nossos braços. E a nossa fotógrafa Graziela, que no

fim de cada etapa, nos enchia os olhos com belas imagens captadas por sua câmera. Um momento especial foi quando conseguimos alcançar a Cruz de Ferro, conhecida como o teto do Caminho, com seus 1.505 metros de altitude. É costume deixar no pé dessa cruz uma pedra, ou algo que queira deixar para trás ou homenagear... tivemos a oportunidade de levar uma homenagem ao nosso saudoso amigo e irmão Clodoaldo Luciano, um promissor paratleta que nos deixou no início do ano... INESQUECÍVEL ! Em Manjarín recebemos a benção do Thomáz, o ultimo cavalheiro Templário. Em Ponteferrada conhecemos um Castelo Templário e, ao subirmos a rampa desse monumen-


turismo

to, o contraste entre a construção medieval e as handbikes chamou a atenção de todos que estavam no local. Pelo facebook passamos a receber mensagens de apoio dos amigos do Brasil, isso nos deu mais forças ainda para seguirmos em frente, rumo à etapa crucial... O momento mais difícil foi a subida do Cebreiro, uma aldeia Celta, com uma energia incrível. Foram mais de 6 horas de subida para chegarmos a 1.300 metros. Passamos a noite em um albergue municipal excelente e adaptado. À noite conhecemos um pouco sobre esse lugar e confraternizamos com peregrinos de outros países. Depois de 15 dias pedalando e mais de 450 Km de uma experiência que jamais sairá da minha cabeça, chegamos a Santiago de Compostela. Nossa entrada na praça da cadetral foi emocionante... um misto de dever cumprido, de sonho realizado e de um ciclo que se encerrava e outro que começava.... ao som de uma gaita de foles, nos abraçamos, choramos e por mais de uma hora ninguém arredava pé dali... No dia seguinte, voltamos à catedral para assistirmos a missa dos peregrinos. Recebemos a benção de Santiago para voltarmos para o Brasil, ainda mais fortes que nunca ! Ultreia Handgrinos !!!

NOTA DA REDAÇÃO A Revista Reação em um compromisso assumido com Evandro (KIKO), desde o início do projeto, acompanhou toda essa aventura de perto e conforme prometido, deu destaque na publicação – inclusive sendo chamada e motivo da capa desta edição - e em suas redes sociais à essa aventura maravilhosa desse grupo de amigos... Parabéns “Handgrinos” !!! Evandro Bonocchi, também conhecido como “KIKO” é ator profissional, coach, palestrante motivacional com formação em Programação Neurolinguística (PNL) e estratégias em vendas. Desenvolve o site: www.tocandoavidasobrerodas. com.br

49


50

sexualidade

por Fabiano Puhlmann

Educação Sexual com repetição, retomada de conceitos e temas

N

a escola, a educação sexual deve se apresentar com amor e ciência. O aconselhamento sexual da pessoa com deficiência é um trabalho organizado com diversos objetivos, como por exemplo: à prevenção de gravidez indesejada, transmissão de informações sobre doenças sexualmente transmissíveis, o aumento da compreensão sobre o próprio corpo, a orientação sobre os códigos do comportamento sexual, a melhora do relacionamento com sua família e os profissionais, favorecendo o desenvolvimento da identidade sexual. Pais e educadores precisam lembrar que a vivência sexual da pessoa com deficiência, quando bem conduzida, implementa o desenvolvimento afetivo, a capacidade de estabelecer contatos interpessoais, fortalecendo a autoestima, o bem-estar e a inclusão na comunidade. É essencial enfatizar a importância do relacionamento afetivo dos pais e familiares para um adequado desenvolvimento da sexualidade, pois a família nuclear representa o protótipo de todos os relacionamentos que a pessoa terá com os outros no decorrer de toda a vida. A pessoa com deficiência necessita de respostas coerentes às suas solicitações afetivo-sexuais, que favoreçam sua autoconfiança, sua autoestima e seu senso de valor. A ambiguidade no comportamento dos pais frente à sexualidade gera conflitos e atitudes incoerentes de ambas as partes, gerando frustração, dor e muita angústia. A ansiedade e falta de confiança no potencial afetivo-sexual das pessoas com deficiência faz com que fiquemos agitados e irracionais quando temos de lidar com o problema. A pessoa com deficiência encontra muita dificuldade para desenvolver sua

identidade sexual de forma saudável e a primeira barreira a ser superada é a ruptura da simbiose, com os cuidadores, familiares, parentes, o vínculo patológico de dependência, onde duas pessoas se misturam deixando de perceber onde termina a necessidade de um e onde começa a exploração do outro. Os familiares também enfrentam grandes dificuldades para incluir seus filhos com deficiência na comunidade, desde problemas internos da família até resistências da sociedade. A família deve proporcionar os princípios básicos para convivência social, valores, normas, limites, direitos e deveres, porém a realidade das famílias envolve problemas estruturais que podem comprometer o bom andamento de uma construção de identidade equilibrada, figuras maternas e paternas em conflito, a influência nociva de um pai ausente, agressivo ou manipulador pode ser de difícil superação. Os pais apresentam muito medo quando os filhos com deficiência manifestam interesse sexual. Esquecem que o flertar, o ficar, o namorar são exercícios necessários de intimidade. Para que os comportamentos e manifestações sexuais não se tornem

problemáticos, existe a necessidade de investimentos na educação sexual. De uma perspectiva mais ampla, os pais e familiares podem favorecer o desenvolvimento psicoemocional – o relacionamento parental favorece a transmissão de valores para a aquisição de limites. O educador, ao abordar temas ligados à sexualidade, deve se guiar por atitudes éticas, não se esquecendo de estar atento às suas concepções pessoais sobre sexualidade, verificando com precisão aquilo que a pessoa com deficiência quer saber, interpretando os acontecimentos afetivos sobre sua perspectiva, lidando com comportamentos inadequados através da colocação de limites claros e objetivos e favorecendo o equilíbrio afetivo-sexual. A educação sexual deve ser incluída na educação geral, integradas à estimulação sensório-motora, intelectual e das capacidades adaptativas ao meio social, de modo natural. Os recursos didático-lúdicos, como, por exemplo, os jogos, a música, o esporte, de modo adequado à idade e ao nível de compreensão, são elementos integradores e interativos. A pessoa com deficiência necessita que os pais, os educadores e os terapeutas


sexualidade sexuais utilizem mediações pedagógicas para educação sexual. Indiquem acessórios e recursos sexuais para masturbação daqueles que não conseguem ter relacionamentos. E principalmente o fomento de uma rede de apoios para o relacionamento afetivo sexual. Dentro de uma escola existem muitos atores do processo educativo: Professores, Gestores, Orientadores pedagógicos, além da equipe da administração e de manutenção, todos interagem diretamente com alunos com e sem deficiência em um contexto sócio-educativo. A sexualidade tem aspectos biológicos, psicológicos e sociais que devem ser levados em conta quando queremos ter uma visão ampla do desenvolvimento saudável da sexualidade. Todo professor deve receber treinamento para atuar como facilitador do desenvolvimento afetivo sexual de todos os seus alunos. A sexualidade, antes de fazer parte do plano cognitivo, é sensorial e emocional. Os educadores devem estudar e trabalhar com sexualidade de maneira responsável. Na escola, são consolidados os principais valores que irão nos acompanhar durante a vida. O educador, através de intervenções, comportamentos e atitudes pode colaborar para a estruturação de alunos menos preconceituosos frente à diversidade humana, as diferentes orientações sexuais e o respeito aos sentimentos, valores e crenças de cada pessoa com a qual nos relacionamos. Desde quando a criança entra na escola, ela é tratada através de padrões de comportamento dos educadores que irão imprimir uma visão de si mesmos que pode determinar atitudes futuras frente à afetividade e sexualidade. Manifestações sexuais acontecem junto com o desenvolvimento dos papeis sociais. A construção da identidade é gradual e se inicia no contato dos pais com a criança se estendendo. A sexualidade não se restringe ao desabrochar da adolescência que acontece normalmente no ensino médio se estendendo ate o nível universitário. Nas creches, nas escolas de ensino fundamental, são construídas as bases de uma sexualidade saudável e inclusiva. Fabiano Puhlmann Di Girolamo é psicólogo formado pela Universidade São Marcos; psicoterapeuta especialista em Psicologia Hospitalar da Reabilitação pela Faculdade de Medicina da USP; especialista em Sexualidade Humana pelo Instituto H. Ellis; especialista em Integração de Pessoas com Deficiências pela Universidade Salamanca, Espanha; especialista em Reabilitação pela Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo; educador sexual pela Sociedade Brasileira de Sexualidade Humana e Faculdade de Medicina do ABC; MBA em gestão para entidades do Terceiro Setor pelo IGESC/FEA; membro do corpo docente do Curso de Pós-Graduação da SBRASH; atuação reconhecida nas áreas de Acessibilidade, Tecnologias de Apoio e inclusão.

notas Brasaimara x Preconceito: campanha marca inauguração de loja em Goiânia/GO Aconteceu no dia 14 de agosto, em Goiânia/GO, a inauguração da loja Brasaimara, grife italiana que está trazendo para o Brasil toda a sofisticação da alta costura europeia. Um espaço elegante, localizado no setor Marista, que vai poder atender todo o território nacional. Igor Ferracin é sócio da marca e o dono da loja no Brasil. A marca foi criada pelo empresário e médico Gabriele Benedetti, com lojas em Milão e Roma. Os estilistas que assinam pelas criações são Ilaria Gozzani e Roberto Trancina. No dia 15, foram feitas as novas fotos da campanha Brasaimara x Preconceito, que envolve as celebridades para divulgar uma mensagem contra homofobia, racismo e defesa dos direitos das pessoas com deficiência. A campanha é gerenciada pela fotógrafa Kica de Castro, que possui uma agencia de modelos apenas para profissionais com alguma deficiência. Kica chamou o fotógrafo Jean Carlos para ajudar nos clicks e passou um pouco da sua experiência em retratar PcD, forma de incluir novos colegas de profissão nas causas relacionadas com a inclusão. As modelos participantes da campanha foram: Ariadna Arantes, representado o mundo GLS, Paula Ferrari modelo usuária de cadeira de rodas, representando as PcD, Nathalia Muniz e Karina Carvalho, mostrando duas diferenças de beleza brasileiras e a modelo Jacqueline Schmidt, valorizando a beleza negra. Benedetti também participou do ensaio, mostrando as novas camisetas e pulseiras da campanha. Ele ressalta com entusiasmo: “em qualquer lugar do mundo, que seja com nossa camiseta ou usando a pulseira, todos podem ser protagonistas da nossa campanha e ajudar na inclusão de todos os grupos que sofrem algum tipo de preconceito”.

Aposentadorias especiais entram em vigor em novembro As regras especiais de aposentadoria para pessoas com deficiência, definidas pela Lei Complementar 142, aprovada pelo Senado, entram em vigor em 08 de novembro próximo, seis meses depois de sancionadas pela presidente Dilma Rousseff. A aposentadoria pelo Regime Geral de Previdência Social será garantida à pessoa com deficiência grave aos 25 anos de contribuição para os homens e 20 anos para mulheres. Em caso de deficiência moderada, serão exigidos 29 anos para homens e 24 anos para mulheres; em caso de deficiência leve, 33 anos e 28 anos, respectivamente. Também poderão se aposentar aos 60 anos de idade, se homem, e 55 anos, se mulher, pessoas com qualquer grau de deficiência, desde que tenham contribuído por pelo menos 15 anos e comprovem a existência da deficiência pelo mesmo período. De acordo com a lei, o grau de deficiência será atestado por perícia do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). O valor do benefício será de 100% do salário no caso de aposentadoria por tempo de contribuição. Já no caso de aposentadoria por idade, o benefício será de 70% do salário, mais 1% para cada 12 contribuições mensais.

51


52

convenção

por Fernando Antonio Pires Montanari

O Conceito de Deficiência na Convenção da ONU sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência

A

deficiência é um “conceito”. Essa declaração contida na letra “e” do Preâmbulo da Convenção da Organização das Nações Unidas sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, traz em si uma mudança fundamental de paradigma no entendimento do fenômeno da deficiência. A partir dela, a deficiência, em sendo um conceito, não é mais somente uma condição pessoal definida por critérios funcionais, como a paraplegia ou a surdez, por exemplo. Segundo o conceito de deficiência da ONU, esta passa a ser um fenômeno social, cuja manifestação requer a interação entre a as condições pessoais e as barreiras ambientais que impeçam ou limitem a interação social. No Brasil, particularmente, com a recepção da Convenção pelo sistema jurídico com natureza de emenda constitucional, é preciso que o novo conceito de deficiência seja analisado a fundo para que a legislação e mais, a sociedade brasileira, passem a ter uma nova percepção do fenômeno da deficiência. É, portanto, o propósito do presente trabalho propor uma leitura do conceito de deficiência inscrito na Convenção tendo por foco a interação entre o indivíduo e seu ambiente.

O conceito de deficiência na Convenção da ONU O conceito de deficiência trazido pela Convenção estabeleceu um novo paradigma no trato do fenômeno da deficiência ao destacar os fatores sociais de sua manifestação em relação aos conceitos médico-funcionais até então prevalecentes. No caso brasileiro, a legislação sempre se baseou em características funcionais e anatômicas, definidas a partir de critérios médicos, como aquelas que, apresentadas por um indivíduo, o elegeriam para um tratamento diferenciado, consistente em prestações positivas ou negativas por parte do Estado ou da sociedade civil. Exemplo dos caracteres distintivos destacados pela legislação brasileira pode ser visto na leitura da definição de deficiência que consta do Decreto Nº 3.298, de 20 de dezembro de 1999: I – deficiência – toda perda ou anormalidade de uma estrutura ou função psicológica, fisiológica ou anatômica que gere incapacidade para o desempenho de atividade, dentro do padrão considerado normal para o ser humano;

Como se vê, é uma definição totalmente fundada em avaliações médico-funcionais centradas nas características individuais. Esse entendimento da deficiência contrasta com aquele trazido pela Convenção. Na já citada letra “e” do Preâmbulo, a Convenção diz: e - Reconhecendo que a deficiência é um conceito em evolução e que a deficiência resulta da interação entre pessoas com deficiência e as barreiras devidas às atitudes e ao ambiente que impedem a plena e efetiva participação dessas pessoas na sociedade em igualdade de oportunidades com as demais pessoas; Mais à frente, no Artigo 1, diz: 1 - Pessoas com deficiência são aquelas que têm impedimentos de longo prazo de natureza física, mental, intelectual ou sensorial, os quais, em interação com diversas barreiras, podem obstruir sua participação plena e efetiva na sociedade em igualdades de condições com as demais pessoas. Nestes termos, a Convenção trata expressamente a deficiência como um fenômeno resultante da interação entre pessoas e as barreiras sociais que impedem a plena participação em sociedade, indo além do indivíduo e evidenciando a importância chave do ambiente para sua manifestação. Reivindicação


convenção antiga dos movimentos sociais de pessoas com deficiência, o reconhecimento do meio social como fator de limitação da participação social atenua o foco colocado sobre a pessoa pelas antigas definições que se restringiam à caracterização da deficiência a partir das limitações individuais em contraponto com o ambiente ou com algo chamado “padrão normal”. As definições da Convenção também vão além do paradigma da integração, de acordo com o qual as pessoas com deficiência deveriam se adaptar às condições de seu meio social, mudando-o para o de inclusão, pelo qual a sociedade é a principal responsável por receber adequadamente as pessoas com deficiência e dar-lhes condições para uma participação em condições de igualdade. Não obstante, essa ampliação rumo ao fator ambiental não pode fazer perder de vista a existência de características pessoais inafastáveis na definição daqueles que serão o alvo das políticas de ação afirmativa. Essa é a razão pela qual o novo conceito de deficiência somente pode ser corretamente entendido a partir do termo chave “interação”, uma vez que a Convenção trata a deficiência como um fenômeno social cuja manifestação requer dois conjuntos de questões em intersecção. Primeiro, existem as características individuais, traduzidas em limitações, impedimentos, disfunções, que algumas pessoas apresentam e que as distinguem dos demais no desempenho de algumas atividades. Em segundo lugar, existem as

condições ambientais, materiais e atitudinais, que representam barreiras para que aquelas pessoas que pertencem ao primeiro conjunto atuem em seu ambiente social em igualdade de condições. Na manifestação da deficiência, os dois conjuntos de fatores devem estar presentes concomitantemente, sem o que o fenômeno não se materializa. No entanto, o primeiro, que reúne as pessoas, tem precedência lógica sobre o segundo. Sem as limitações individuais não há sentido em se falar em barreiras ambientais. Nesse contexto, embora o fenômeno da deficiência requeira a interação dos fatores pessoal e ambiental, estes não se confundem. Pelo contrário, possuem realidade própria e um deles possui precedência lógica sobre o outro. Tanto é assim que o Artigo 1 da Convenção, ao firmar o conceito de pessoa com deficiência, primeiro vetor do fenômeno da deficiência, assim se expressa: 1 - Pessoas com deficiência são aquelas que têm impedimentos de longo prazo de natureza física, mental, intelectual ou sensorial (...). Portanto, o texto da Convenção deixa claro que as características pessoais são parte essencial no âmbito da problemática da deficiência e não desaparecem com a importância dada ao ambiente.

Tratamento de pacientes e mobilidade O sistema Guldmann de elevadores de teto • • • •

Sempre disponível – pronto para uso Fácil de entender e usar Parar e carregar em qualquer lugar Ampla variedade de módulos de elevação e especificações • Velocidade e capacidade ajustáveis

Um elevado grau de conforto para os pacientes, combinado com máximo de assistência ao cuidador, sempre foi prioridade para Guldmann. Com o sistema GH3 aprimoramos ainda mais o seu grau de conforto.

Representante Exclusivo no Brasil

RJ: 21 2121-1300 - rj@strattner.com.br SP: 11 2185-2300 - sp@strattner.com.br www.strattner.com.br

53


54

convenção Nos termos acima, os impedimentos físicos, mentais, intelectuais e sensoriais caracterizam a existência do que podemos chamar de deficiência individual. São assim porque são indissociáveis do indivíduo, independentemente do ambiente. Dito isso, é importante trazer a segunda parte da definição, em conjunto com a parte inicial já transcrita. Diz o Artigo 1 em sua inteireza: 1 - Pessoas com deficiência são aquelas que têm impedimentos de longo prazo de natureza física, mental, intelectual ou sensorial, os quais, em interação com diversas barreiras, podem obstruir sua participação plena e efetiva na sociedade em igualdades de condições com as demais pessoas. Aqui novamente a Convenção usa a noção de interação entre pessoa e ambiente, ambiente este que, para que se manifeste a deficiência, deverá apresentar barreiras à participação plena daquelas que apresentem impedimentos de longo prazo de natureza física, mental, intelectual ou sensorial. Essa observação é importante para explicitar que, embora sempre se refira à importância do ambiente, a Convenção não se furta a definir as características pessoais que servem de parâmetro para a manifestação da deficiência e, com isso, circunscrever o conjunto daqueles indivíduos a que diz respeito. Nesses termos, embora a Convenção atribua ao contexto social, de forma inovadora, uma participação decisiva na manifestação da deficiência, reconhece também a precedência lógica das características pessoais na materialização da deficiência como fenômeno social. E essa precedência da esfera individual é condição de inteligibilidade de seu propósito. É importante notar que, ainda que todo o ambiente seja adequado e não apresente mais as diversas barreiras identificadas pela Convenção, uma pessoa com paraplegia continuará a apresentar um comprometimento da função física. Portanto, o componente individual da deficiência, definido e identificado por critério médico-funcionais permanece como condição necessária, ainda que não suficiente, para a manifestação da deficiência pensada como fenômeno social.

Deficiência: um fenômeno com duas dimensões Assim, conforme aqui se argumentou, o fenômeno da deficiência passa a requerer, para sua manifestação, a conjunção de dois grupos

fatores. Primeiro, um conjunto de características pessoais, individuais, de natureza físico-funcionais cujos elementos são determinados por critérios médicos. Segundo, um conjunto de características sociais, integrado por atitudes e barreiras físicas limitadoras da interação social. É a intersecção desses dois conjuntos que determina e delimita a manifestação da deficiência. Vamos a um exemplo da interação desses dois universos de fatores. Imaginemos um aluno com paraplegia, usuário de cadeira de rodas, em uma sala de aula. Enquanto sua atividade for à de ouvinte da explanação do professor, sua deficiência individual em nada o destacará dos demais alunos. Participarão todos nas mesmas condições. Não se manifestará a deficiência. Suponhamos que esse mesmo aluno seja chamado a expor aos seus colegas a partir de um palco. Caso não exista acesso para a cadeira de rodas, haverá um fator social, ambiental, que fará se manifestar o fenômeno da deficiência representada pela impossibilidade do desempenho das atividades escolares em igualdade de condições. Por outro lado, caso exista acesso arquitetônico, ou seja, adequação ambiental, o aluno continuará em igualdade de condições com os demais. Em ambas as situações a paraplegia segue inalterada, pelo que é a presença ou não do fator ambiental que determinará a manifestação do fenômeno da deficiência. No entanto, para que o vetor ambiental se faça sentir, é requisito indispensável que exista o vetor individual. A determinação do vetor individual pertence ao mundo da medicina. A identificação das barreiras sociais às diversas ciências que tratam da sociedade. Ter o aluno paraplegia ou não independe da existência ou não de uma rampa ou elevador que permita seu acesso ao palco. Depende, no entanto, da presença de características físico-funcionais de acordo com critérios médicos. A verificação das barreiras físicas ou atitudinais pertence ao campo da arquitetura ou sociologia, por exemplo.

A Convenção e o fim da deficiência Na esteira da existência desses dois universos de fatores definidores da deficiência, é possível especular que a Convenção tenha aberto a possibilidade da extinção da deficiência. A lei tem por campo de atuação a regulação do universo social por força de atribuir aos comportamentos os valores de permitido, proibido e


convenção entendimento das questões que a envolvem. Não obstante, essa modificação não vai ao ponto de afastar a outra faceta do fenômeno, a individual, cuja manifestação se relaciona diretamente com a identificação de características físicas e funcionais e, a partir delas, defina aqueles elegíveis como detentores de direitos sociais especificamente desenhados para a proteção das pessoas com deficiência. Não poderia fazê-lo, de qualquer forma, sem tornar sem sentido os direitos por ela reconhecidos. Entendido em sua essência, esse novo paradigma afasta o estigma que sempre pesou exclusivamente sobre as pessoas com deficiência e chama a sociedade a assumir sua parte.

Fernando Antonio Pires Montanari é servidor público federal, Bacharel em Ciências Econômicas pela Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP, ex-presidente do Conselho Municipal de Atenção às Pessoas com Necessidades Especiais de Campinas/ SP (2001/2002).

Conclusão A Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência deu ao fator ambiental um destaque novo e importante na definição da deficiência, modificando sensivelmente o

VERSÁTIL - USO SOCIAL/SANITÁRIO

ANGRA

IGUAPE

Televendas: (85) 3387.1600 carone@carone.ind.br www.carone.ind.br MANE:

Mesa adequada às necessidades especiais

Higiênica I

Entregamos para todo o Brasil

OBESO

Fotos apenas ilustrativas

obrigatório. É de se esperar que os dispositivos trazidos pela Convenção, se observados pelos indivíduos e instituições, levarão à eliminação dos fatores ambientais. Com efeito, a partir de sua edição, certas prestações positivas passam a ser obrigatórias ao mesmo tempo em que certas situações e comportamentos sociais passam a ser proibidos. Sendo assim, faltaria ao fenômeno da deficiência um dos requisitos para sua manifestação: os fatores ambientais. Estes estariam superados pela aplicação da legislação. Um mundo inclusivo estaria estabelecido. De toda a forma, os fatores individuais persistiriam. Somente avanços médico-biológicos poderiam eliminar os componentes físico-funcionais da deficiência. A existência de um ambiente acessível fisicamente não elimina a paraplegia ou a surdez. Essas consequências decorrem do âmbito de atuação da lei, ainda que constitucional. A lei não atinge a realidade social em si, somente se presta a modificar comportamentos.

55


56

notícia

notas

Pessoa com Deficiência tem representatividade no Ceará !

O

CEDEF - Conselho Estadual dos Direitos da Pessoa com Deficiência do Ceará, como órgão colegiado da Secretaria da Justiça e Cidadania do Estado do Ceará - SEJUS, tem por missão trabalhar pela efetivação dos direitos da pessoa com deficiência - PcD, atuando como instância de interlocução das políticas públicas. Em uma perspectiva inter setorial, o CEDEF é um colegiado representativo, deliberativo, articulado, local e nacionalmente, para atuar no controle social. Suas ações são pautadas nos valores de participação, compromisso, transparência e inclusão. Na expectativa de promover ações que visem a inclusão social da pessoa com deficiência, o conselho elaborou no início do ano de 2013 seu plano de ação baseado nas demandas discutidas em plenária, ao longo de quatro reuniões, como também, nas propostas que foram aprovadas dentro da III Conferência Estadual dos Direitos da Pessoa com Deficiência do Ceará, para assim, de forma não taxativa, servir de norte para a consecução de suas competências elencadas na Lei Estadual Nº 13.393 de 31 de outubro de 2003. Como instrumento de orientação e de intermediação para resolução de violação de direitos das PcD, tem atendido estudantes universitários interessados em in-

formações sobre o universo da PcD, como também cidadãos(ãs) com deficiência da capital e interior, que se sentiram violados em seus direitos sociais, civis ou políticos, emitindo ofícios aos diversos órgãos competentes para solução da demanda. Em uma perspectiva de parceria com outras instituições públicas ou privadas para a promoção dos direitos desse segmento, tem participado de conferências, congressos, oficinas, seminários, audiências públicas no poder legislativo estadual e municipal, como também da sua participação mensalmente no Fórum do Idoso e da PcD (FID) da Procuradoria Geral da Justiça – PGJ. Empenhado em proporcionar uma capacitação para conselheiros(as) e conselhos do Ceará, os(as) conselheiros(as) têm se reunido semanalmente, através de sua comissão de políticas públicas, para elaboração de projetos, visando também assegurar a sua participação em datas comemorativas alusivas ao segmento. Atualmente tem se articulado junto ao CONADE e com os conselhos municipais do Ceará, desenvolvendo, dentre outros objetivos, metodologias que visem o monitoramento das ações do Programa Viver sem Limites no Estado do Ceará. A sede do CEDEF fica no bairro de Meireles, em Fortaleza/CE. Mais informações pelo e-mail: cedefce@gmail.com

CEJAM: Cartilha de Orientação a Pessoas com Deficiência e seus Familiares Em evento realizado no dia 27 de setembro na capital paulista, encerrando as comemorações do Dia Nacional de Luta das Pessoas com Deficiência, o CEJAM - Centro de Estudos e Pesquisas “Dr. João Amorim” promoveu o lançamento da 2ª edição da Cartilha de Orientação a Pessoas com Deficiência e seus Familiares. O livreto, escrito pelo Coordenador do Programa Deficiente Saudável, Lourivaldo Ribeiro (Lory), foi lançado pela 1ª vez em 2007 e tem como objetivo oferecer informações, dicas de acessibilidade e de cuidados, além de uma lista completa de serviços destinados a este público. Seu conteúdo baseia-se em vivências do próprio autor e de pessoas com histórias de superação. O lançamento foi marcado pela presença de Steven Dubner, fundador da ADD-Associação Desportiva para Deficientes, que apresentou a palestra: “Não sabendo que era impossível, ele foi lá e fez”, contando divertidas e emocionantes experiências de pessoas com deficiência que se reabilitaram através do esporte. Autoridades e amigos se fizeram presentes e abrilhantaram ainda mais o evento. A Cartilha foi relançada graças ao apoio da Secretaria Estadual de Saúde de São Paulo. A tiragem é de 5 mil exemplares, que serão entregues à população atendida nos serviços de saúde gerenciados pelo CEJAM. Além de São Paulo, o CEJAM atua também em Arujá/SP e Mogi das Cruzes/SP. Interessados em receber a Cartilha podem entrar em contato através do email: responsabilidadesocial@cejam.org.br


lição de vida

Vlamilton Borges

S

dando sentido a vida, ajudando a quem precisa...

eu trabalho já é bastante conhecido em todo Brasil pela solidariedade e seriedade com que se dedica aos menos favorecidos. Vlamilton Borges trabalhava como cinegrafista na EPTV, filiada da TV Globo, em Mogi Mirim/SP, quando em 1996, sofreu um acidente automobilístico que o deixou paraplégico, em uma cadeira de rodas. Para completar, logo após o acidente, sua mãe faleceu e ele se viu sozinho, já que não tinha mais parentes. Muitos amigos se mobilizaram para ajudá-lo, inclusive até com doação de alimentos. Dessa situação pessoal difícil, Vlamilton conseguiu dar a volta por cima e optou por um novo sentido para sua própria vida. Foi por sugestão da amiga Cristiane, que trabalhava na AACD - Associação de Assistência à Criança Deficiente, que surgiu a ideia de fazer um trabalho social voluntário diretamente de sua casa, na cidade de Conchal/SP. “Por coincidência,

57


58

lição de vida

no mesmo dia veio em casa um vizinho dizendo que precisava de uma cadeira de rodas para a mãe dele que havia caído em casa... Coincidência ? Acho que não”, conta Vlamilton, que hoje aos 48 anos, dedica todo seu tempo em conseguir doações para quem precisa. Aposentado por invalidez depois de 4 anos de acidentado, já pensou em abrir uma ONG - Organização Não Governamental, mas desistiu pela burocracia necessária, além da exigência de três pessoas para sua constituição. A lista de materiais doados por ele é grande: aparelhos auditivos, cadeiras

de rodas de passeio e banho, muletas, bengalas, fraldas, andadores, sondas, próteses e computadores, estão entre os itens obtidos e doados por Vlamilton. Em seu site - www.exemplodevida.com. br - que está no ar há cerca de 10 anos, ele afirma que mais de 4 mil famílias já foram beneficiadas. “Preciso de ajuda de pessoas e/ou empresas que acreditam no meu trabalho para que façam doações nas compras de muitos desses produtos. Dessa forma, consigo auxiliar as pessoas carentes que me contatam pelo site. Peço o laudo, prescrição do médico, documentos pessoais e outros comprovantes para dar andamento nos processos”, explica. Uma ajuda fixa é a da primeira dama de sua cidade, Maria Inês Pereira da Silva Lourenço, que cede um carro da Prefeitura para que ele pegue doações em São Paulo e em outros locais e também acompanhe o processo de evolução de algumas pessoas a quem ajuda. No momento, seus maiores sonhos são conseguir um carro adaptado, que permita seu deslocamento com maior facilidade, e um trabalho, mesmo que à distância, para ajudar na aposentadoria. “Tem empresas aqui e na minha região que não contratam pessoas com deficiência e não cumprem a lei de cotas”, afirma. Vlamilton não poupa esforços para conseguir seus objetivos. Costuma dar várias entrevistas à imprensa, sempre contando sua história e falando de seu trabalho em ajudar a quem precisa. Recentemente, em agosto último, teve um encontro com a primeira dama paulista, Lu Alckmin, no Palácio do Governo Estadual, na capital paulista. Os dois se conheceram na Festa do Peão de Ame-

ricana/SP, ainda no ano passado, e ela ficou muito interessada nas atividades desenvolvidas por ele, se dispondo a agendar uma audiência. “Pedi a ela que ajude a divulgar meu trabalho na mídia”, contou. Dedicando sua vida ao voluntariado, ele se considera feliz ao lado na namorada Elisa, que conheceu pela Internet. “São 9 anos de muito amor e companheirismo, sempre juntos”, lembra. Ele afirma que da época em que se acidentou até agora, houve mudanças na situação das pessoas com deficiência. “A evolução existe, mas a persistência tem que ser seu objetivo de vida. É difícil, muito difícil... Tentar não se abater é primordial. Hoje em dia, os paraplégicos saem mais às ruas, por isso que é obrigatória a acessibilidade. Eu, por exemplo, saio bastante, viajo com minha noiva, ficamos em hotéis com adaptação... claro que é necessário bastante pesquisa, pois muitos lugares vendem algo que não têm”, alerta. Vlamilton faz um balanço de sua vida: “depois que comecei esse trabalho, conheci pessoas interessantes, desde quem precisa de doação, sabendo da sua vida, o que aconteceu... até as pessoas que querem ajudar o próximo, como eu. Sinto-me realizado com esse trabalho, estou sempre disposto a colaborar. Mesmo nos dias que não estou muito legal, saio de casa para cumprir minha missão. Já passei por muitas dificuldades, sei bem o que as pessoas sentem, e o fato de eu poder estender a mão com uma palavra ou com um carinho especial, me faz entender o sentido do meu trabalho. É gratificante demais!”, conclui Vlamilton.


60

conquista

por Hermes Oliveira

Os pilotos com deficiência não param de correr !

A

Parakart ainda não disponibilizou os karts este ano, mas os pilotos com deficiência não pararam. Estão pilotando por lugares e categorias diversas, como pró 500 de Kart, e Kart Adaptado no Kartódromo Granja Viana, campeonato de marcas e pilotos no autódromo de Interlagos, em São Paulo/SP, e em outros.

Copa São Paulo de Kart Adaptado 2013 A primeira etapa foi no dia 28 de setembro, e Paulo Polido que já é bem conhecido por unir pessoas com deficiência ao mundo do automobilismo, retorna com a organização da equipe Kart Adaptado. Já na primeira etapa o grid foi formado por alguns pilotos com deficiência e completado com grandes personalidades, como o piloto e ator Paulo Migro, e o piloto da Fórmula Truck, Beto Monteiro. A próxima etapa será em 26 de outubro, no Kartódromo Granja Viana, em Cotia/SP.

Equipe RSports e o piloto Tales Lombardi

Parakart e as 500 milhas da Granja Vianna, além de disputar o Campeonato Paulista de Marcas e Pilotos, Tales agora parte para um novo desafio: a disputa de um torneio nacional em um Mercedes-Benz C 250 turbo - Grande Charllenge. Sobre esse passo à frente em sua carreira, o piloto comenta: “Não estou conseguindo nem dormir, não vejo a hora de começar... Por isso, quero muito, também, agradecer ao Gustavo Marques, com quem vou dividir o cockpit do meu carro, e a equipe RSport, do Lendro Romera, por nos ajudar a realizar este sonho, e se esforçando para fazer as adaptações necessárias no carro”, encerra Tales. A estreia especial na disputa será na sua 6ª etapa da temporada, realizada no Autódromo Internacional Velopark, em Nova Santa Rita, Rio Grande do Sul, entre os dias 4 e 6 de outubro. Tales ainda continua no campeonato de marcas e pilotos em Interlagos, onde divide a pilotagem com o também piloto com deficiência Tiago Cenjor. Já eu, Hermes Oliveira, piloto de Parakart, desejo voltar as pistas em breve e sempre contando com apoio e patrocínio da Revista Reação. Vamos aguardar !!!

Hermes Oliveira é cadeirante, piloto de Pa-

Desde 2008 disputando competições de Kart Adaptado, como a Copa São Paulo de

rakart patrocinado pela Revista Reação, estudante de administração de empresas, autor do livro “Um motorista especial de carreta”. www.hermespilotoblogsport.com.br


acontecendo

REHACARE 2013

A

cidade de Düsseldorf, na Alemanha, é palco da REHACARE - Feira Internacional de Reabilitação. A edição deste ano do evento aconteceu entre 25 e 28 de setembro. Considerada a maior feira do mundo em reabilitação, prevenção, inclusão e cuidados de PcD, a mostra de 2013 recebeu 43.500 visitantes, que puderam visitar 750 estandes de 37 países. Não havia nenhum expositor do Brasil, mas cerca de 500 visitantes brasileiros estiveram presentes no Centro de Exposições alemão. Além da apresentação dos produtos mais modernos disponíveis no mercado, o evento também apresentou um fórum de discussões. Os cuidados em casa, informações sobre conceitos de vida relacionadas com a idade, os sintomas do acidente vascular cerebral, medidas preventivas e opções de reabilitação foram alguns dos temas em debate. A mostra conta ainda com test-drive de diversos tipos de cadeiras de rodas e aparelhos motorizados para mobilidade, movimentando a área ao ar livre, inclusive com motoristas com deficiência ou pessoas que quiseram informações sobre o assunto puderam conhecer as opções que o mercado de adaptações veiculares oferece. Estiveram presentes também expositores das áreas de habitação e construção que mostraram as inovações que permitem a vida em casa, de forma independente. A inclusão através do mundo digital foi um dos temas em um dos vários pavilhões que comportam a feira. O turismo para todos também foi tema, com várias dicas com destinos para férias sem

barreiras, incluindo operadoras de turismo, hotéis, associações e locais que estão perfeitamente preparados para receber os turistas com deficiência na Europa. Num dos pavilhões foi montado um Centro de Esporte em que a Associação Desportiva Renânia do Norte mostrou as muitas opções de esportes disponíveis para pessoas com deficiência e doentes crônicos, convidando todos os presentes, com ou sem deficiência, a participarem de atividades conjuntas. No Brasil, os interesses da feira são representados pela MDK Feiras Internacionais. A próxima edição da REHACARE será realizada de 24 a 27 de setembro de 2014. Mais informações sobre o evento podem ser obtidas no site, em inglês, www.rehacare.com.

“Aprendendo a Viver” vira livro e é lançado em São Paulo/SP !!!

Luiz Eduardo Boudakian acaba de lançar na capital paulista, durante a Feira do Conhecimento, no Colégio Silvio Gonzalez, no bairro do Limão, o seu livro “Aprendendo a Viver”. As proprietárias do Colégio de ensino fundamental e médio da zona norte de São Paulo, Carmem e Debora, são as patrocinadoras do livro de Boudakian, que faz questão de enfatizar o carinho e a amizade das amigas. “Elas tem uma preocupação muito grande com o ser humano, são muito família, acreditaram e apoiaram meu projeto do livro. Graças a elas tenho mais um dos meus sonhos realizado”, comenta o autor. O livro custa R$ 35 e pode ser adquirido pelo site: http://www.aprendendoaviver.com.br/

61


64

comemoração

Cavenaghi comemora 45 anos ! Empresa festeja aniversário em sua sede e uma série de atrações...

E

m 45 anos de história, a Cavenaghi é reconhecida como a principal empresa em atuação no mercado de adaptação veicular e soluções para pessoas com deficiência física ou mobilidade reduzida do país. E para celebrar seu aniversário, realizou no último dia 14 de setembro, em sua sede, no bairro do Jaguaré, zona oeste de São Paulo/SP, uma linda festa com a presença de colaboradores, clientes e amigos. O evento contou com várias atrações e presenças ilustres. A principal delas foi uma exposição de fotos, com as obras de Kica de Castro, fotógrafa conhecida pelos trabalhos com modelos com deficiência. No dia da festa, que contou também com um delicioso coquetel e show com Paulinho Dias, cantor com sequela de Pólio conhecido por todos do movimento, a loja realizou uma série de promoções especiais em seus produtos. A exposição de fotos “Belezas que quebram barreiras” de Kica de Castro, contou com o patrocínio exclusivo da Ottobock e apoio da Revista Reação, e ficará na loja de São Paulo até dia 18 de outubro. Depois seguirá para as lojas da Cavenaghi no Rio de Janeiro/RJ, Salvador/BA e São Carlos/SP. No dia também foi lançada a promoção “Semana da Beleza”, que vai até 11 de novembro, onde 75 pessoas com deficiência serão contempladas gratuitamente para realizarem uma seção de fotos com Kica de Castro. Os interessados em ter uma linda lembrança para a vida toda. Para isso é preciso ser maior de idade e possuir algum tipo de deficiência, se inscrever enviando um e-mail para: semanadabeleza@cavenaghi. com.br , com o assunto “PROMOÇÃO SEMANA DA BELEZA”. A inscrição deve conter no corpo do e-mail: nome completo, endereço (rua, número, bairro, cidade, estado, CEP), data de nascimento, telefone com DDD, tipo de deficiência e CPF.


por Lucio Carvalho

educação especial

Educação Especial uma miragem no Plano Nacional de Educação ?

U

m fator importante deve recolocar no cenário político, através da expectativa pela votação na CCJ - Comissão de Constituição e Justiça do Senado Federal, do PNE - Plano Nacional de Educação, uma situação recorrente no que diz respeito ao financiamento da oferta de Educação Especial no Brasil. Trata-se da polêmica Meta 4, que organiza o plano sobre a distribuição de verbas do FUNDEB - Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação. A polêmica, que envolveu entidades filantrópicas associadas ao modelo de escolarização especial e movimentos em defesa da educação inclusiva irrestrita, resume-se para este caso na disputa em torno a presença ou não da expressão “preferencialmente na rede regular de ensino”, o que garantiria - ou não - a continuidade do financiamento público da escolarização no ensino especial, contrariando orientação do direito constitucional vigente, principalmente após a adoção da CPCD - Convenção sobre Os Direitos da Pessoa com Deficiência, que orienta os países a adotar sistemas inclusivos em todos os níveis, com a Educação Especial servindo de modalidade complementar e transversal. Mas afinal, o que significa dizer “preferencialmente” ? Preferencialmente quando ? Preferencialmente por quê ? Talvez aí esteja o erro fundamental, a miopia verdadeira. Não se trata de simplesmente suprimir o “preferencialmente”, mas de explicar em detalhes as condições para que um aluno não possa frequentar a escola regular. O cruel de manter o “preferencialmente” assim, como um termo vago, é que a culpa, no caso, recai sempre sobre o elo fraco da corrente, ou seja, o cidadão: o aluno e sua família, e se obtêm vilões e heróis automaticamente. O que o executivo deveria assumir, mas prefere deixar em suspenso, é que muitas vezes não tem como ofertar uma educação com dignidade. Não digo que se precise ver com os próprios olhos a situação de muitas escolas, fotografias já são suficientes. Relatos são de fazer c(h)orar. E não é porque lhe falte recursos, mas na perspectiva do pacto social vigente, ele (o governo) prefere simplesmente lavar as mãos e manter a roubalheira que se faz com os recursos públicos. Inclusive os do FUNDEB, que sabidamente são foco de intensa corrupção. Suprimir o “preferencialmente” para agradar a quem não está na escola pública sem enfrentar o problema em si mesmo, que é a oferta de uma educação pública de qualidade para todos, não é nem miopia, é uma política minuciosamente

equivocada que envolve sistemáticos desrespeitos, a começar pelo salário dos professores, passando por escolas esfrangalhadas, salas de aula lotadas, serviços especializados sobrecarregados (porque os problemas educacionais atingem a muito mais pessoas que as pessoas com deficiência), carência de equipamentos e, principalmente, o direito - este sim inalienável - dos alunos em ter na escola pública uma educação que não seja meramente aquela que nos envergonha quando a UNESCO e outros organismos multilaterais vêm olhar de perto, já que a tal “sociedade” prefere olhar bem de longe os próprios problemas, ou tratá-los como se fossem alheios. Então eu penso que o “preferencialmente” deveria ser mais bem detalhado e que se o usasse simplesmente quando o Estado não tivesse nada melhor para substituir as escolas especiais e que, nesse ínterim, o Ministério Público se ocupasse em punir e exigir do executivo até que ele se mostrasse em condições de oferecer o que suas leis constitucionais ordenam, e o judiciário prendesse os políticos e gestores comprometidos exclusivamente com sua vida eleitoral e sua corrupção ordinária, e a cadeia os mantivesse presos lá, a fim de evitar danos sociais repetitivos. O que eu quero dizer é que há bem mais que um termo impreciso atrapalhando a inclusão de alunos com deficiência na escola regular pública. Preferencialmente, a sociedade deveria entrar em consenso sobre essas coisas mais do que por uma terminologia formal. Eu fico me perguntando é se é digno tratar dos interesses públicos tão restritamente ou se não estamos fazendo disso um tipo de miragem com a qual nos compadecemos do centro do oásis da nossa vida privada.

65


66

educação especial Já disse em outra oportunidade e volto a dizer: se enfrentar o “preferencial” no campo político é duro, talvez seja mais oportuno criar debates de outra ordem. Penso que a construção dos indicadores de qualidade previstos no item 13 da Meta (definir, no segundo ano de vigência deste PNE, indicadores de qualidade, política de avaliação e supervisão para o funcionamento de instituições públicas e privadas que prestam atendimento a alunos com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação) já está mais do que atrasada no âmbito da sociedade civil, até para que se possam contrabalançar os apelos assistenciais com dados mais concretos que a simples contabilização de matrículas. Do ponto de vista estratégico, mesmo com o aporte legal da CPCD, o debate está sustentado pelos argumentos - e pela realidade - de sempre, onde se sabe bem como as coisas terminam, principalmente quando os atores que a decidem são preferencialmente os atores políticos, através de suas emendas à legislação e bastidores costumeiros. Se a sociedade e seus representantes se ocupassem da qualidade da educação pública e dos direitos dos outros com a mesma intensidade que defendem os próprios direitos, esse “preferencialmente” não significaria absolutamente nada. Além disso, as pessoas, que deveriam ter o direito a sempre deixar seus filhos na escola com toda a tranquilidade do mundo, também não precisariam se preocupar com isso. Nada mais justo, nada mais complicado que isso... Lucio Carvalho é

música e arte

por Celise Melo (Celelê)

“Abrimos o Coração” Hino da ADID

O

lá, amigos! Conversei com Alda Vaz, diretora educacional da ADID Associação para o Desenvolvimento Integral do Down, que contou um pouco da história da entidade, a qual compartilho com vocês. A ADID foi fundada em 1989, em São Paulo... há 23 anos, por um grupo de pais idealistas, que buscavam um padrão diferenciado de educação e profissionalização, com vistas no desenvolvimento integral da pessoa com síndrome de Down, através da inclusão familiar, social e profissional, para aquisição do maior nível possível de autonomia. É uma entidade particular sem fins lucrativos, pioneira em pesquisas e aplicação de metodologias inclusivas, atuando em áreas interligadas como: pedagogia, apoio educacional, programa de formação pessoal e social e educação profissional, empregabilidade, psicologia e serviço social, além de oferecer atividades direcionadas à cultura e ao lazer, como teatro, dança, música, piano, teclado, capoeira, informática e fonoaudiologia. Em 2011, a ADID obteve autorização

de funcionamento como escola, sendo a primeira instituição a conquistar reconhecimento como ensino regular. Assim, fundou a E. Ensino Fundamental Professor Antonio Francisco de Carvalho Filho (do 1º ao 5º ano), com atendimento especializado em classes regidas por professor especialista. A entidade desenvolve, já há alguns anos, um projeto específico com Celise Melo, a Celelê, que contribui com a musicalização dos nossos alunos. Compus o Hino da ADID, a música: “Abrimos o Coração”. O Hino já está incorporado à rotina e aos eventos. A letra forte, o ritmo marcante e a linda melodia do hino, proporcionam momentos de muita alegria com os alunos. Já participei como Celelê de várias apresentações externas na Reatech, na Virada Inclusiva e na USP no auditório da Marinha, entre outras, todas com muito sucesso com o pessoal da ADID. A ADID fica na Avenida Vereador José Diniz, 2436 - Brooklin, zona sul da capital paulista. Mais informações: www.adid.org.br

Coordenador-Geral da revista digital Inclusive - inclusão e cidadania (www.inclusive.org.br) e autor de Morphopolis (www.morphopolis. wordpress.com).

Celise Melo (Celelê) é cantora, compositora, atriz, autora, educadora, musicoterapeuta e é sucesso de público e crítica. E-mail: celelerecords@celeleeamigos.com.br Site: www.celeleeamigos.com.br


polêmica

Fotos: Fabiana Fortunato, Fábio Adrion e Kélia Ramos

Votação no Senado abre discussão sobre educação especial

A

votação do Plano Nacional de Educação (PNE 2011-2020) no Senado mobilizou familiares e entidades que trabalham com ensino. O documento tem 14 artigos e 20 metas e, entre outros itens, determina que ao menos 10% do Produto Interno Bruto (PIB) seja destinado às políticas educacionais. Já votado pela Câmara, trazia a Emenda Nº 4 que dizia: “É preciso universalizar para a população com deficiência entre 4 e 17 anos o acesso à educação, preferencialmente na escola regular”. Quando os senadores votaram na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), foi retirada a palavra “preferencialmente” do texto. Foi o que bastou para reacender o debate sobre escolas especiais X escolas comuns. Sem o termo, o temor era de que as famílias não pudessem mais escolher o que seria mais adequado a cada um. O chamado PLC 103/2012 provocou uma mobilização em Brasília em 14 de agosto, organizada pelo Fórum Nacional de Entidades de e para Pessoas com Deficiência e liderada pela Federação Nacional das APAEs, que reuniu várias entidades como Associações Pestalozzi, Federação Nacional de Educação e Integração de Surdos e Organização Nacional dos Cegos no Brasil, entre outras. Os participantes saíram do Museu da República e foram até o Senado, recebendo apoio de deputados federais e senadores. No dia seguinte houve uma audiência pública no Senado para discutir o assunto. Uma comissão, posteriormente, também foi

recebida pela ministra da Casa Civil, Gleisi Hoffmann e pelo ministro da Educação, Aloízio Mercadante. Tanto empenho deu resultado: em 26 de setembro foi aprovado um texto de consenso na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ): “Meta 4 - universalizar, para a população de 4 a 17 anos, com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação, o acesso à educação básica, assegurando-lhes o atendimento educacional especializado, preferencialmente na rede regular de ensino (...)”. O texto foi sugerido pelas entidades em conjunto com o MEC. A matéria ainda passará pela Comissão de Educação, Cultura e Esporte (CE), provavelmente em novembro, antes de ir ao plenário.

Posição das APAES “A Federação Nacional das APAEs entende que há casos de alunos com deficiências com graves complexidades ou com deficiência múltipla e que necessitam de ajudas e apoios intensos que a escola comum ainda não tem condições de atender. Para essa população, a FENAPAEs defende a escola especial”, justifica Fabiana Maria das Graças Soares de Oliveira, Coordenadora Nacional de Educação e Ação Pedagógica da entidade. “Também, por ser preferencialmente na rede regular de ensino, conforme o art. 208 da Constituição Federal (1988) há possibilidade da pessoa com deficiência ou sua família optar por uma ou outra escola”, explica. “Entendemos que é possível manter no sistema de ensino no País, a escola especial e a escola comum, sem prejuízo do aluno, muito pelo contrário, é uma possibilidade dele e sua família fazerem opção pela escola onde querem estudar, a partir do momento que satisfaçam suas necessidades básicas para a aprendizagem”, complemente a orientadora. Já a APAE de São Paulo lançou nota oficial em que explica sua opção por fechar sua escola especial em 2010, assinada por Cássio dos Santos Clemente, Diretor-Presidente Voluntário. “Atuamos com a educação inclusiva através do Serviço de Apoio à Inclusão Escolar, dando suporte para crianças e jovens com Deficiência Intelectual, família e escola,

67


68

polêmica contribuindo para o desenvolvimento efetivo e a integração social (...). Valorizamos a discussão como parte do exercício da democracia, entendemos ser natural a diversidade de posicionamentos de outras APAES que ainda possuem escolas especiais, respeitamos as distintas opiniões entre as organizações, uma vez que a educação inclusiva ainda está se consolidando no País”. Há cerca de 10 anos a APAE SP começou a se preparar para o fechamento da escola especial. “A criança alfabetizada em uma escola baseada na educação inclusiva ganha em diversos pontos, que vão da socialização, melhora na aprendizagem formal, entre outros. Com relação à evolução normal da turma, a participação de pessoas com deficiência intelectual em nada atrapalha, pelo contrário, garante que o nível de aprendizagem de todos seja elevado, uma vez que o professor desenvolve novas formas de transmitir conhecimento e os demais alunos melhor aproveitam o modo de ensino”, afirma Valquíria Barbosa, gerente do Serviço Socioassistencial da APAE SP.

Educação inclusiva O consenso parece difícil. Fábio Adiron, por exemplo, pai de duas crianças (uma com Síndrome de Down), é membro da Comissão Executiva do Fórum Permanente de Educação Inclusiva e coordenador do Centro de Estudos Multidisciplinar pró-Inclusão (CEMUPI), além de moderador dos grupos Síndrome de Down e Educação & Autismo e colaborador de publicações ligadas à educação e inclusão. Ele é completamente a favor da escola regular. “O que os pais devem levar em conta é o que levariam em conta se o filho não tivesse deficiência. No caso das escolas públicas, aquelas que estejam mais próximas do seus domicílios, e nas privadas, aquelas que sejam compatíveis com os valores da família”, explica. “Claro que vão encontrar obstáculos, mas se cada família não lutar para que seus filhos (todos os filhos) sejam incluídos, acabarão por condenar as crianças à eterna dependência da guarda e da tutela de entidades segregadas. Meu filho tem 14 anos, sempre estudou em escola comum. Está acabando o ensino fundamental e no ano que vem vai para o ensino médio, sem nenhuma adequação curricular, nem tratamento de café com leite”, garante Adiron. Para ele, a política do MEC é a de que as crianças obrigatoriamente estudem em escolas regulares e, quando necessário, tenham suporte de Atendimento Educacional Especializado (AEE) que pode ser oferecido na própria escola, através das salas de recursos, ou de instituições que prestem esses serviços (aqui incluídas as escolas especiais). “As escolas especiais são,

como deveriam ter sido sempre, complementares à educação regular e não substitutivas. As que oferecerem AEE inclusive vão receber verba do MEC pelo atendimento”, explica. O consultor de educação inclusiva, Romeu Kazumi Sassaki, articulista da Revista Reação há 16 anos, afirma que não há unanimidade entre os pais, entre os educadores, entre pais e educadores, entre as escolas comuns, entre as escolas especiais e entre escolas comuns e especiais. “Dentro de cada um desses seis grupos, a opinião se divide em dois posicionamentos: contra ou a favor, no sentido de que todos os alunos estudem em escolas comuns”, comenta. De acordo com ele, a tese mais divulgada é a de que as escolas comuns não estão preparadas para receber e ensinar os alunos com deficiência. “Essa preparação é um processo que está em andamento, embora lentamente. Dentro desse processo, a Meta 4 apresenta um elenco de 14 estratégias (4.1 a 4.14), capazes de, em conjunto, oferecer uma educação de qualidade a todos estes alunos em salas comuns, em base individualizada, além de reforçar o trabalho das escolas especiais (4.3 e 4.13). Independentemente da Meta 4, há vários anos existem escolas comuns preparadas para ter estes alunos estudando juntos com os demais. Elas atuam em parceria com escolas especiais”, garante o consultor. O professor Sassaki também discorda que as escolas especiais particulares seriam extintas sem a palavra “preferencialmente” no texto do Plano. Segundo o Ministério da Educação, o financiamento, por meio do FUNDEB, da matrícula nas escolas comuns garante o atendimento educacional especializado que poderá ser feito na escola no contraturno das aulas ou em escolas especiais. O art. 211, da Constituição Federal, em seu § 5°, diz: “A educação básica pública atenderá prioritariamente ao ensino regular.”. Portanto, a palavra correta é “prioritariamente” e não “preferencialmente”. A II Conferência Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência, realizada em 2008; o Decreto 6.949/2009, que trata da execução e cumprimento da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência e o Plano Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência (Plano Viver Sem Limite), instituído pelo Decreto 7.612/2011, todos reafirmam a educação inclusiva no país.


por Wiliam Machado

educação

Um xeque-mate na Educação Inclusiva

E

m ano pré-eleitoral todo cuidado é pouco para que não caiamos em cilada armada por inúmeros políticos oportunistas de plantão, em especial quando colocado em pauta questões relativas ao implemento da tão sonhada Educação Inclusiva nos sistemas de ensino público brasileiro. Havemos de refletir sobre o quão custoso foi incluir nas deliberações da Convenção das Nações Unidas sobre Direitos das Pessoas com Deficiência, a histórica conquista de ver garantido acesso de todas as crianças e adolescentes com deficiência, ao ensino em classe regular. Conquista há muito esperada para erradicar de vez a segregação escolar das PcD, dando-lhes direito de conviver com outras com e sem deficiência, vivenciando o compartilhamento de experiências em grupo, como oportunidades de vislumbrar efetivas transformações no âmbito das relações humanas e processos interacionais em nossa sociedade. Concordo com a jurista Juliana Segalla: “O direito à educação inclusiva não é apenas um direito dos alunos que têm deficiência, porém também daqueles que não as têm, porque TODOS precisam aprender a conviver com as diferenças e assim se desenvolverem plenamente como seres humanos e cidadãos conscientes”. p. 137 [grifos nossos] Como militante do segmento organizado das pessoas com deficiência, percebo que os dirigentes das Federações das APAES, Brasil afora, estão sendo manipulados com interpretações politicamente tendenciosas acerca das implicações da Meta 4 do Plano Nacional de Educação (PNE) do MEC, a ser implementada a partir de 2016. Afinal, a Meta 4 do PNE visa universalizar, para a população de 4 a 17 anos, o atendimento escolar aos estudantes com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação na rede regular de ensino. De acordo com o Programa Nacional de Direitos Humanos PNDH 3, toda pessoa tem direitos inerentes à sua natureza humana, sendo respeitada sua dignidade e garantida a oportunidade de desenvolver seu potencial de forma livre, autônoma e plena. O eixo prioritário e estratégico da Educação e Cultura em Direitos Humanos, do PNDH 3, se traduz em uma experiência individual e coletiva que atua na formação de uma consciência centrada no respeito ao outro, na tolerância, na solidariedade e no compromisso contra todas as formas de discriminação, opressão e violência. É esse o caminho para formar pessoas capazes de construir novos valores, fundados

no respeito integral à dignidade humana, bem como no reconhecimento das diferenças como elemento de construção da justiça. Ademais, a Meta 4 traz como estratégias centrais o contabilizar, para fins do repasse do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação – FUNDEB: a) as matrículas dos estudantes da educação regular da rede pública que recebam atendimento educacional especializado complementar e suplementar, sem prejuízo do cômputo dessas matrículas na educação básica regular; b) até 2016, as matrículas efetivadas, conforme o censo escolar mais atualizado, na educação especial oferecida em instituições comunitárias, confessionais ou filantrópicas sem fins lucrativos, conveniadas com o poder público, com atuação exclusiva na modalidade, nos termos da Lei n° 11.494, de 20 de junho de 2007. Consoante com a Convenção da ONU sobre Direitos da Pessoa com Deficiência, a Meta 4 do PNE determina que o ensino suplementar será preferencialmente oferecido pela rede fundamental, enquanto a Federação da APAEs pretende que seja preferencialmente em escolas especiais. Interpretação distorcida que preservaria a segregação escolar, uma vez que retira da rede fundamental a obrigação de se preparar para receber as crianças com deficiência. Confundindo as dimensões conceituais de escolarização e educação complementar e habituados a receber a dupla matrícula dos seus assistidos, dirigentes das APAEs estão sendo levados a acreditar que essas instituições estão fadadas ao fracasso e paralização das suas atividades. Nada disso, ao contrário, o que está em jogo envolve conquista de valor imensurável para pais, familiares e amigos de pessoas com deficiência, porque representa o fim da exclusão escolar desses cidadãos brasileiros. A propósito, a gestão dessas instituições deve ser fortalecida através da proposição de convênios com os governos municipais, visando repasses mensais de recursos para pagamento de despesas com fornecedores, profissionais, materiais de consumo, equipamentos etc, além de criteriosa prestação de contas com

69


70

educação

notas Minha Vida Melhor contemplará Tecnologia Assistiva

outras fontes oficiais de apoio. Busca de parcerias na iniciativa privada, também é deveras proveitosa. Embora milhares de municípios brasileiros não contem com os importantes serviços prestados pela APAE, o reconhecimento do seu relevante papel na valorização dos potenciais humanos dessas pessoas é uníssono. Definitivamente, não se está aqui a negar a importância das instituições que tiveram papel fundamental na educação das pessoas com deficiência, quando ninguém queria saber de educá-las, mas agora o papel dessas instituições mudou, evoluiu. Atualmente, essas instituições devem dar suporte, ensinar a escola comum a receber todos os alunos. A meta deve ser o fim da segregação, podemos sugerir uma reestruturação de papéis: as instituições especializadas (que têm tanta experiência no assunto), em vez de oferecer ensino segregado, devem destinar-se a oferecer um conjunto de instrumentos auxiliares e complementares à educação formal de pessoas com deficiência (que deve ser oferecida pela rede regular), servindo inclusive para capacitação de pais e profissionais, conforme pontua Juliana Segalla. É preciso que se coloque em prática a mudança paradigmática apregoada pela Convenção da ONU, pois a deficiência não é propriamente uma característica médica, mas sim a condição social produzida pelo déficit de acesso aos direitos e bens sociais que esses indivíduos enfrentam, considerando a sociedade tal como está organizada. Que tenhamos muito cuidado para não sermos influenciados por políticos inescrupulosos em ano pré-eleitoral, pois cidadania, tratamento igualitário e dignidade, implícitos nos inestimáveis avanços decorrentes da educação inclusiva serão legados que deixaremos para novas gerações de pessoas com deficiência. Mais que isso, que se quebre o ciclo da visão assistencialista e paternalista da deficiência, assumindo que as pessoas com deficiência não precisam da pena dos outros, precisam sim de oportunidades para se desenvolver, como qualquer um.

REFERÊNCIAS Segalla, Juliana Izar Soares da Fonseca. Direito à Educação. In: Ferraz, Carolina Valença; Leite, George Salomão; Leite, Glauber Salomão; e Leite; Glauco Salomão. (Org.) Manual dos Direitos da Pessoa com Deficiência. São Paulo. Ed. Saraiva. 2012.

Wiliam Machado é pessoa com deficiência, professor-doutor e Secretário Municipal do Idoso e da Pessoa com Deficiência de Três Rios/RJ.

Os plenários da Câmara e do Senado aprovaram projeto em setembro passado que incluiu a possibilidade de aquisição de bens com a chamada Tecnologia Assistiva, que visa ampliar as habilidades funcionais de pessoas com deficiência, e equipamentos para adaptação de espaços. A matéria faz parte da Medida Provisória Nº 620/13, posteriormente transformada no Projeto de Lei de Conversão (PLV Nº 22/2013) no Senado que, entre outros temas, tratava da concessão de crédito adicional de R$ 8 bilhões à Caixa Econômica Federal para financiamento ao programa Minha Casa Minha Vida, do qual o Minha Vida Melhor faz parte. A emenda sobre as pessoas com deficiência foi apresentada pelos deputados do PSDB Mara Gabrilli (SP), Eduardo Barbosa (MG) e Otavio Leite (RJ) e acatada pela relatora da MP, senadora Ana Rita (PT-ES). Cada família pode solicitar até R$ 5 mil de empréstimo, com a possibilidade de pagamento em até 48 meses e taxa de juros de 5% ao ano. Os beneficiários poderão comprar: sofá, geladeira, fogão, lavadora de roupas, computador, TV digital, guarda-roupa, cama e mesa com cadeiras, e produtos de Tecnologia Assistiva que permitam melhor qualidade de vida ligados a residência. A condição para ter acesso ao crédito é estar em dia com as prestações do imóvel adquirido por meio do Minha Casa, Minha Vida.


por Isabel McEvilly

internacional

Joshua, 5 anos... o novo amor americano !

C

omo sabem, moro nos EUA há alguns bons anos, mas só fiquei sabendo da CAF através do meu amigo no Brasil, Fernando Aranha, e depois de me tornar amiga da organização no Facebook, acabei me tornando amiga também do TeamJJ. E sabem porque ? É que o sorriso do pequeno atleta Joshua James Miller me

encantou. E passei então a trocar algumas mensagens com sua mãe, Laura, e fiquei sabendo um pouco mais da história desse pequeno guerreiro. E é isso que quero contar um pouco mais para todos vocês. Joshua é um menino de apenas 5 anos, acabou de ingressar na pré-escola aqui nos EUA, agora, em agosto. É que aqui o ano letivo começa no mês de agosto, em pleno verão americano.

Ele tem uma patologia conhecida nos EUA como Werner Mesomelic Hirschsprungs – uma espécie de displasia com muitas complicações, mas a principal delas é a ausência das tíbias das duas pernas, além de uma dupla via de saída do ventrículo direito, o que faz com que ele não receba oxigênio suficiente. O pequeno Joshua gosta de ler, jogar e criar. Atualmente ele está na fase de gostar de fantasmas e casas assombradas. Ele é um menino muito inteligente e criativo, recolhe brinquedos diferentes e as peças de seus jogos para criar coisas novas com eles. Ele também gosta de criar brinquedos de forma que eles interajam uns com os outros, causas e efeitos, por exemplo: uma parte de uma pista de corrida de carrinhos, com uma parte de trilhos de trem de madeira... personagens do Toy Story

71


72

internacional

com Imaginex, mármore, pedras, pinha, e obras de arte que ele criou, com fantasmas etc. Ele é um menino bastante ativo e interessante. E fora tudo isso, Joshua também gosta de passear, ir à Disney e brincar com seus pais. Seus pais tem tentado fazer com que Joshua participe em vários eventos de atletismo. Tentam expô-lo a uma variedade de atividades, ou seja, andar de bicicleta, piscina, caiaques, e trenó, hóquei... tudo para ver o que ele gosta e experimentar diferentes esportes. Joshua gosta de baseball, mas ele ainda não tem um esporte preferido. Mas ele estava com apenas 2 anos quando correu na sua primeira Kids`Fun Run em San Diego - Triathlon Challenge em La Jolla, para Challenge Athletes Foundation. E tem mais: ele já correu em um triatlo de PossAbilidades, quando tinha só 3 anos de idade. Joshua correu, enquanto outra atleta fez a natação, e outro menino pedalou o triciclo. Recentemente, Joshua completou todo o triathlon PossAbilities para crianças na idade de 4 anos. Veja o vídeo na página do Youtube – pesquisar como “goteamJJ”. Lá tem vários vídeos desse amor de garotinho.

Joshua já participou de muitos jornais, revistas e foi destaque na TV americana O garotinho participou do seu primeiro SDTC da CAF quando tinha só 2 anos. E a imagem dele que vê no seu Facebook, no topo, foi tirada durante a execução da corrida das criancas. No ano seguinte, os pais de Joshua criaram equipes para participarem em nome dele, (Team JJ), e levantar dinheiro para CAF. Leia a história na página do site: http://www.teamjj.org/ E para saber mais sobre a CAF, visite o site: http://www.challengedathletes.org A CAF - Challenge Athletes Foundation, é uma fundação que também se preocupa com a recuperação e a reabilitação dos atletas, fornecendo subsídios para o financiamento de equipamentos desportivos, tais como: cadeiras de rodas, handbikes, mono esquis e esportes que precisam de próteses, e os recursos para a formação e a concorrência de atletas vence obstáculos financeiros para a participação deles nos esportes. Os recursos vão diretamente para as pessoas com deficiência, garantindo o acesso dos atletas, para que eles não sejam deixados de fora por não poderem arcar com os custos de equipamentos caros ou de treinamentos específicos. A CAF acredita que, participando em atividades desportivas, os atletas aumentam suas aptidões físicas, além de aumentar sua confiança e autoestima. Isso faz parte da Missão & Valores da fundação, para que as pessoas com deficiência busquem estilos de vida ativos no tocante à sua aptidão física e esportes competitivos. A entidade acredita que a participação no esporte, em qualquer nível, favorece sua independência e melhora a qualidade de vida.

A vitória de Joshua Joshua recebeu um subsídio para a confecção das suas próteses de pernas logo da primeira vez que pediu ajuda à CAF. Ele recebeu dois blades da Ossur e o protesista da Universidade de Próteses e Órteses do Hospital Loma Linda é que fez o seu atendimento e produziu os equipamentos com as lâminas blades.


internacional

Joshua recebeu no ano passado, em outubro, as suas próteses de pernas. Ele ainda está aprendendo a como usá-las. Esse último período de concessão, Joshua recebeu também um subsídio que será usado para pagar o seu hotel, viagens, despesas e alimentação para participar este ano em San Diego (EUA), do Triathlon Challenge , no dia 20 de outubro, um domingo muito especial para ele, em La Jolla. Como uma forma de agradecimento e para que a CAF continue a ajudar outras pessoas, os pais de Joshua criaram TeamJJ em 2011. No primeiro ano, tiveram 25 atletas na equipe. No ano passado foram 32 atletas. E para esse ano de 2013, já terão mais de 43 atletas. No seu primeiro ano, arrecadaram cerca de US$ 35.000 para CAF, no ano passado, foram cerca de US$ 26.000 . Para 2013, esperam levantar mais dinheiro ainda para a entidade. Joshua teve várias dificuldades e problemas médicos desde que nasceu. Foram 8 cirurgias, das quais duas no coração. Joshua quase morreu após uma cirurgia cardíaca com 7 semanas

de vida, para colocar um shunt em seu coração, para que ele pudesse obter mais oxigênio. No dia seguinte, precisou de CPR (ressuscitação cardiopulmonar) duas vezes. Seus pais foram levados para seu quarto depois de terem sido informados de que Joshua tinha recebido a CPR durante 25 minutos e verificaram que o médico ainda realizava o procedimento em seu pequeno e doce bebê. Em seguida, informaram que Joshua não poderia sobreviver e deram a eles a oportunidade de dizer adeus ao menino. O CPR durou de cerca de 30 minutos... e ele sobreviveu ! O garotinho também teve vários problemas alimentares na sequência da cirurgia cardíaca e na parte inferior do seu corpinho, várias feridas abertas. Também foi difícil seguir com a amputação das suas perninhas, isso com cerca de apenas 18 meses de vida. A cicatrização foi difícil e uma das pernas foi aberta ao longo da sutura. Além disso, Joshua teve grave constipação por 6 semanas após a cirurgia, devido à anestesia, drogas, ex-hirsprung’s. Tudo isso fez com que Joshua fosse para a sala de emergência muitas vezes e seus pais foram sempre muito preocupados com ele, pois o menino não poderia ter movimentos intestinais – segundo os médicos - e ele tinha muitas dores, tanto, que cortava o rostinho com as próprias unhas de desespero e dor, enquanto chorava muito. Isso era demais para uma mãe suportar. Joshua e seus pais são evangélicos e sentem que o objetivo fundamental do que estão fazendo com a Equipe JJ, ou com qualquer outro programa que participem, tem sempre como fundamento, também partilhar a boa nova do Evangelho de Jesus Cristo sempre que possível. Além disso, procuram partilhar uma mensagem em prol da vida sempre que tem a oportunidade. Acreditam no valor de cada vida independentemente da capacidade física ou mental da pessoa. Acreditam também na proteção da vida das crianças, independentemente de sua localização (no ventre) ou estágio de desenvolvimento (idade). Esperam

ter a oportunidade de ajudar os outros e criar uma vida melhor para todos, como um resultado de sua fé no Senhor Jesus Cristo e no seu amor e sacrifício de toda a humanidade. Seus pais souberam que Joshua teria problemas quando sua mãe ainda estava com apenas 20 semanas de gravidez. Laura jamais pensou em abortar. Ela sentia fortemente que Joshua tinha o direito à vida como qualquer outro ser humano tem, e que o aborto é um homicídio. Eles oraram para que Joshua pudesse sobreviver à gravidez e ao parto, e que o Senhor lhe desse uma excelente disposição. Deus assim o fez ! Joshua tem um temperamento maravilhoso e através de todas as dificuldades que ele teve para suportar, como o fato de ter sido paciente no hospital semanas após semanas, tendo as cirurgias, lidado com a dor, ter perdido suas pernas, ter que aprender a usar próteses, tendo questões alimentares graves, alterando próteses etc. Joshua continua a ser uma criança positiva e feliz. Seus pais esperam que ele continue a inspirar, ajudar e amar os outros, sendo exemplo para todas as pessoas em seu caminho, tanto nos EUA como em todo o mundo. Parabéns pequeno JJ !!! Isabel McEvilly tem sequela de Pólio, é brasileira radicada nos EUA, onde trabalha em controle de qualidade, é assinante e agora, colunista da Revista Reação.

73


74

espaço aberto

por Alex Garcia

Reunião de Alto Nível sobre Deficiência e Desenvolvimento na ONU

Não podemos deixar ninguém para trás !

O

caminho a seguir: Agenda de Desesenvolvimento Inclusivo em Deficiência para 2015 e além ! Este foi o tema do encontro - para Chefes de Estado e de Governo, realizada em Nova Iorque em 23 de setembro para incluir as pessoas com deficiência nos “Objetivos de Desenvolvimento do Milênio até 2015 e além”. Minha pré-candidatura foi aprovada e assim o meu nome foi aceito para acompanhar a reunião. Assim, estive em Nova York (EUA) de 20 a 24 de setembro, participando desse importante marco para as PcD. Um bilhão de pessoas com deficiência habitam o planeta, 80% nos países em desenvolvimento, e ficamos de fora no esforço para alcançar os “Objetivos de Desenvolvimento do Milênio” (ODM) estabelecidos pela ONU em 2000, com o apoio de 191 nações. Estes objetivos são: 1 - Erradicar a fome e a pobreza 2 - Proporcionar educação básica de qualidade para todos 3 - Promover a igualdade entre os sexos e a autonomia das mulheres 4 - Reduzir a mortalidade infantil 5 - Melhorar a saúde materna

6 - Combater a AIDS, a malária e outras doenças 7 - Garantir a qualidade de vida e respeito ao meio ambiente 8 - Estabelecer parcerias para o desenvolvimento A reunião de alto nível foi realizada com a plenária de abertura, duas mesas redondas interativas e consecutivas e a plenária de encerramento. A plenária de abertura contou com as declarações do Presidente da Assembleia Geral, o Secretário - Geral, o Presidente do Comitê sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, uma personalidade que está ativamente envolvida em questões de deficiência e um representante das organizações não-governamentais. A ordem dos discursos foi a seguinte: 1 - William John Ashe, presidente da Assembleia Geral 2 - Ban Ki-moon, Secretário Geral da ONU 3 - María Soledad Cisternas Reyes, presidente do Comitê sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência na ONU 4 - Stevie Wonder, lendário compositor premiado e músico cego, mensageiro da Paz pela ONU 5 - Yannis Vardakastanis, presidente do Fórum Europeu da Deficiência, o pai de duas crianças com autismo e autor do slogan: “ Nada sobre nós sem nós” E ainda foram compostas mesas, da seguinte forma:

Mesa Redonda 1 - Cooperação e parcerias para o desenvolvimento inclusivo deficiência a nível internacional e regional. Coordenação: Filipinas e Espanha. Mesa Redonda 2 - A agenda de desenvolvimento pós - 2015 e o desenvolvimento inclusivo das pessoas com deficiência Coordenação: Finlândia e Tunísia Alguns pronunciamentos também foram relevantes: “Muitas pessoas com deficiência vivem em situação de pobreza. Muitos excluídos socialmente... a muitos são negados: educação, emprego, serviços de saúde e sistemas de apoio social e legal”, disse Ban Ki-moon, Secretário Geral da ONU.


75

Sobre alguns países...

Mães guerreiras! O cantor cego Stevie Wonder falou da importância da criação de publicações que podem ser lidas por pessoas com deficiências visuais, disse que apenas 5% das publicações estão disponíveis em formatos acessíveis para pessoas com deficiência visual. Wonder reconheceu a grande importância das mães, e eu, Alex Garcia, concordo totalmente. Ele disse: “Deus me abençoou com uma mãe que me ensinou o mundo”. E que, segundo ele, o ajudou a crescer com a educação e disciplina. Ele ainda recorda: “Minha mãe me disse que se eu fizesse algo errado levaria uma surra de cinta”. Todas as pessoas com deficiência sabem que as mães são fundamentais para o nosso desenvolvimento integral. Eu, graças a Deus, tenho a minha mãe aqui - e meu pai - e ela esteve sempre ao meu lado, correta, com firmeza, mas com cuidado. Stevie Wonder obrigado por lembrar das mães do mundo !

Não podemos deixar ninguém para trás ! Esta foi a frase mais citada pelos Chefes de Estado e de Governo, e renova a esperança de dias melhores. Foi um erro não incluir as pessoas com deficiência ! Esta foi a segunda frase proferida pelos Chefes de Estado e de Governo. Vários admitiram diretamente o erro de não terem incluído as pessoas com deficiência nos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio. Notei que apenas os Estados Unidos destacou um programa de governo que fornece Tecnologia Assistiva para pessoas surdocegas, que garantem o direito estabelecido na Convenção. Os EUA reconhecem a enorme complexidade da pessoa surdocega para se desenvolver.

Fiquei impressionado com o representante autorizado da Suécia, a não falar sobre o que fazer ou o que eles vão fazer. Ela perguntou: “Como faremos isso ?”. Este ponto de interrogação mostra a compreensão da complexidade das relações. Estou convencido de que é melhor perguntar do que falar inverdades. A Ministra da Educação da Finlândia, muito educada e correta, como de costume, coordenou uma mesa e quando os outros chefes de Estado passavam do tempo ela lhes chamava a atenção. Muitos perderam tempo e passaram do tempo com politicagem. Intervenções da Inglaterra e Austrália foram muito boas. Os países africanos, sempre conscientes de suas necessidades, tiveram uma boa atuação. Eu gostei ! Os países latinos, como sempre, com falsidades de vários tipos. É incrível, eu estou no movimento desde que nasci e sei que na América Latina, em geral, as alegações são conversa fiada. As pessoas com deficiência da América sabem: há muitas pessoas que vão nas Nações Unidas, com suas “mentiras”. Por exemplo: Estávamos num ambiente diplomático para tratar um assunto, a fim de mudar as coisas. O representante da Venezuela, no final do discurso vazio gritou: “Chávez vive!” Não duvido, favorecer as pessoas com deficiência a encontrarem oportunidades. Respeito suas crenças a Chávez, mas o tempo era curto e não é barato estar em NY ! O chanceler do Equador perdeu três minutos e quase deixou cair lágrimas, porque o ex-vice-presidente de seu país não ganhou o Prêmio Nobel da Paz no ano passado. Cruz credo ! Nem eu e nem a minha acompanhante na viagem à ONU, Denise Rocha – a quem agradeço muito o apoio e a companhia - percebemos a presença de representante ou Chefe de Estado brasileiro. Será que me passei ou passei por um ? Pode ser, sou surdocego. Por favor, se alguém seguiu o discurso do representante brasileiro, por favor, comente para mim !

Alex Garcia é gaúcho e Pessoa Surdocega. Presidente da Agapasm. Especialista em Educação Especial. Autor do livro “Surdocegueira: empírica e científica”. Vencedor do II Prêmio Sentidos. Rotariano Honorário - Rotary Club de São Luiz Gonzaga/RS. Líder Internacional para o Emprego de Pessoas com Deficiência pela Mobility International USA/MIUSA. Membro da Federação Mundial de Surdocegos. Site: www.agapasm.com.br E-mail: contato@agapasm.com.br


76

veículos e adaptações

Adaptações veiculares podem ficar isentas de impostos

T

ramitam no Senado dois projetos de lei que podem tornar mais baratas as adaptações para veículos destinados a pessoas com deficiência. O PLS Nº 257/2013, da autoria do senador Casildo Maldaner (PMDB-SC), foi aprovado em 05 de setembro na Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa e seguiu para a Comissão de Assuntos Econômicos. Se aprovado, o projeto será enviado para análise na Câmara dos Deputados. O projeto concede isenção de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) nas operações com acessórios e adaptações especiais e a medida deverá abranger também a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS) e a Contribuição para o PIS/PASEP. Pela proposta, ficariam isentos dos tributos elevadores do tipo lift; plataformas de elevação para cadeira de rodas e rampas para cadeira de rodas; guinchos para transporte de cadeira de rodas; bancos móveis e outros equipamentos necessários à adaptação de motoristas impossibilitados de dirigir um veículo convencional. O relator, senador Anibal Diniz (PT-AC), aceitou emenda da senadora Ana Amélia (PP-RS), segundo a qual a União fica obrigada a compensar financeiramente os demais entes da federação pelas isenções criadas. A isenção do IPI impacta diretamente nos repasses constitucionais da União destinados a estados e municípios. De acordo com a Agência Senado, a Comissão

de Direitos Humanos também aprovou outro projeto do mesmo senador, o PLS Nº 256/2013, que permite ao contribuinte deduzir do Imposto de Renda as despesas com acessórios e adaptações especiais a serem instalados. A proposta permite deduzir doações que sejam feitas a pessoas com deficiência e que não tenham renda suficiente para fazer as adaptações. Maldaner explica que a legislação federal e nos estados isenta de alguns impostos a aquisição de veículos, permitindo uma considerável redução de preço, mas isso não basta porque é necessário instalar equipamentos especiais, adaptações que permitam sua plena utilização, caso típico, por exemplo, dos cadeirantes, sejam eles motoristas ou passageiros. “Na maioria das vezes, o custo dos equipamentos e adaptações inviabiliza sua aquisição. Podem alcançar, facilmente, quantias elevadas, como R$ 50 mil”, declarou o senador, para quem a transformação em lei desses projetos permitirá um pouco mais de mobilidade e independência às pessoas com deficiência.

C

M

Y

CM

MY

CY

CMY

K


78

teste drive

Onix e Novo Prisma (Automáticos)

Funcionalidade e beleza em dose dupla nos modelos da Chevrolet

D

urante todo o ano de 2013, a Revista Reação, em parceria com a GM/Chevrolet, realizou e trouxe para os leitores uma série de testes realizados com praticamente toda linha da montadora, dos modelos disponíveis para a comercialização para pessoas com deficiência – pelo menos os modelos mais procurados da marca. E encerrando este trabalho iniciado em março deste ano, trazemos para essa edição mais um teste duplo: Onix e o Novo Prisma ! Para que o teste pudesse acontecer, a montadora nos cedeu um carro de cada modelo, automático, que foi por nós encaminhado para adaptação – instalação de alavanca de freio-acelerador e pomo giratório – na Cavenaghi, tradicional empresa de adaptação com sede na capital paulista, nossa parceira nessas ações. Vamos conhecer então, um pouco mais sobre estes dois modelos da marca que estão dando o que falar no mercado, por serem compactos e dotados de câmbio automático, seguindo uma tendência no mercado brasileiro, conquistando consumidores – com deficiência e familiares - de todos os perfis e de todas as idades:

Novo Prisma

O que dizer dessa repaginada que a Chevrolet deu no Prisma ? A resposta é simples: é um outro carro. Não lembra em nada o modelo anterior da marca com o mesmo nome. Este sedan compacto, dotado de câmbio automático de 6 marchas, com linhas modernas e o traço característico de design da linha dessa nova fase da GM/Chevrolet, vem surpreendendo o mercado e a todos que o experimentam. Confortável e espaçoso, apesar de pequeno, tem seu charme.

Confortável, espaçoso, ágil e gostoso de dirigir O modelo agrada pelo seu visual moderno e belo design. É ágil e gostoso de dirigir, deixando o motorista numa posição confortável. Espaçoso internamente, tanto para o motorista como até mesmo para os passageiros do banco de traz, o Novo Prisma Automático é macio, seu motor e câmbio respondem bem – apesar do motor 1.4 ser um pouco fraco para uma transmissão automática de 6 marchas – e é relativamente silencioso. Se exigido, pisando fundo numa retomada, você nota o esforço do motor e da transmissão para acompanhar o que o motorista exige. Mas nada que prejudique o desempenho do carro, que é muito bom. O câmbio é bem simples de manusear e não apresenta trancos nas trocas das marchas. É suave e eficiente nas retomadas e ultrapassagens. A suspensão é um pouco dura. O carro sente um as imperfeições das ruas, principalmente na traseira. Tanto na estrada quanto na cidade, o consumo de combustível é razoável, um pouco mais puxado no Etanol quando exigido pelo motorista que gosta de uma condução mais arrojada, porém, na gasolina ele chega a ser até econômico. A posição de dirigir


teste drive Alice da Silva, 43 anos, testou e aprovou o Novo Prisma !

é boa, os comandos do painel estão muito à mão, facilitando a condução por PcD, exceto o botão redondo para acionamento de faróis do lado esquerdo abaixo no painel, que com a instalação da alavanca – adaptação – acaba ficando quase que escondido atrás do equipamento, dificultando um pouco o manuseio para aqueles que tem um pouco mais de dificuldade nos membros superiores. A visibilidade é muito boa. A inclinação acentuada do para-brisa oferece uma visibilidade fantástica. Já o vidro traseiro é pequeno e alto, devido ao design da traseira do carro, limitando a visibilidade do motorista, mas isso é compensado pelos grandes retrovisores.

Ela é uma das figuras mais conhecidas e queridas do movimento da pessoa com deficiência, e por isso, fizemos questão que experimentasse o Novo Prisma. Além disso, é consultora de vendas da Cavenaghi, o que dá a ela ainda mais condição de testar e bem o modelo. Alice é paraplégica, tem lesão medular, dirige e tem carro há muito tempo. Ela adorou o Novo Prisma. Elogiou a abertura de portas – até porque sua cadeira é monobloco e ela a guarda dentro do carro desmontada. E fez isso com facilidade usando o modelo. Também elogiou a visibilidade do carro e a posição do banco para dirigir, mas destacou o vidro traseiro, que é pequeno. Mas foi o porta-malas que chamou mais sua atenção, bem como a beleza e o conforto do carro. “Ele é bem espaçoso... coube bem minha cadeira dentro do carro. É lindo, excelente visibilidade, pretendo comprar um no final do ano”, garantiu Alice.

79


80

teste drive

Transferência e porta-malas O porta-malas do Novo Prisma é o seu ponto alto. A transferência do carro para a cadeira de rodas e da cadeira para o carro também merecem destaque tranquila. O modelo tem uma altura boa de assento e o ângulo de abertura de portas é bem satisfatório, facilitando a entrada e saída dos cadeirantes, inclusive para quem prima pela independência total e costuma desmontar

Onix

Também seguindo a linha dos modelos novos lançados pela Chevrolet, com a mesma “cara” dessa renovação na linha da montadora, este lançamento da marca veio para concorrer diretamente na faixa dos hatch compactos, com os líderes Pálio e Gol, só que com mais requinte e com equipamentos de linha que traduzem uma ideia de modernidade e versatilidade ao modelo.

Com visual imponente, o pequeno é bem resolvido e veio mesmo, ao que parece, para ocupar o espaço do antigo Corsa no coração dos consumidores Chevrolet, e com a função e potencial para atrair novos para a marca nessa faixa de modelo. Ele é bem parecido em muitos pontos com o próprio Novo Prisma, tanto no conforto e na sua condução, como em alguns itens de série, parecendo até ser a versão hatch do modelo.

a cadeira e leva-la dentro do carro. Para quem leva a cadeira no porta-malas, ele é fundo, tem uma boca grande e a tampa abre bastante. Isso é muito bom, pois o espaço permite que a caibam todos os tipos de cadeira de rodas, tanto monoblocos como as dobráveis em “x”.


teste drive Conforto, visibilidade e dirigibilidade Quando o assunto é conforto, a Chevrolet, mesmo nos modelos mais compactos, não costuma deixar a desejar, e também foi assim com o Onix. Muito gostoso de dirigir, o modelo deixa o motorista numa boa posição ao volante. O carro é confortável, silencioso e bastante seguro nas curvas, sua estabilidade é excelente. Com uma boa pegada, apesar do motor 1.4 com câmbio de 6 marchas - automático, é razoavelmente econômico, tanto no Etanol quanto na gasolina. Outro item que merece destaque é o ajuste de altura do banco do motorista e o ajuste do volante. A visibilidade é muito boa, os retrovisores são bons e compensam também o pequeno vidro traseiro. O modelo é compacto, prático e bastante eficiente no que se propõe. A alavanca do câmbio do Onix, assim como no Novo Prisma, é de fácil manuseio e bem simples e bem colocada, numa posição confortável e prática para o motorista. E possui, para quem gosta, a possibilidade da condução com trocas manuais de marcha, através de um botão lateral no alto da alavanca.

Transferência e porta-malas Numa altura boa em relação ao solo, e novamente, ressaltando o ajuste de altura do assento do motorista, a transferência é tranquila

Testado e aprovado em dupla ! Luiz Carlos Buarque de Gusmão – deficiência motora por sequela de Pólio, e Cícero Antonio da Silva, com deficiência visual, testaram juntos o Onix e aprovaram o carro. Quem dirigiu foi Gusmão, claro, mas Cícero esteve o tempo todo ao seu lado e como bom co-piloto, deu seus palpites. “O carro é compacto, mas muito espaço e gostoso de dirigir”, afirmou Gusmão. “Ele é macio, silencioso e confortável... tá aprovado”, comentou Cícero. Ambos se empolgaram com o modelo, a tecnologia disponível no carro e principalmente, com a ótima relação custo x benefício, quando aplicadas ao modelo as isenções que as PcD tem direito.

81


82

teste drive

para cadeirantes, tanto da cadeira para o carro, como do carro para a cadeira, até com certa facilidade, levando em conta o bom ângulo de abertura da porta do motorista. Também tem bom espaço interno para quem leva a cadeira de rodas dentro do carro. Já o porta-malas engana num primeiro momento. Quem vê o Onix de fora, imagina logo que terá dificuldades em levar uma cadeira de rodas no porta-malas do compacto. Mas até que, se retirarmos o tampão interno, ele ganha um bom espaço, permitindo que se transporte uma cadeira de rodas – dobrável ou monobloco – desmontada, facilmente. Fica apertadinho, mas dá para levar sem transtorno.

Alteração de procedimentos no ICMS - Gravataí/RS Os modelos Novo Prisma e Onix são produzidos na fábrica da GM/Chevrolet no Rio Grande do Sul, e as pessoas com deficiência que optam pela compra dos modelos vinham sofrendo com as exigências do Posto Fiscal da Receita Federal do RS. Agora isso acabou. Acaba de ser publicado um Ofício pelo Posto Fiscal da cidade de Gravataí/RS, dispensando a Carta de Isenção de ICMS para a venda dos modelos Celta, Onix, Novo Prisma e Agile. Para eles, basta somente a Carta de Isenção do Estado de domicílio da pessoa interessada. Essa “desburocratização” vai facilitar o processo de compra desses modelos para os clientes PcD de todo o país.

Novo Prisma e Onix: puxador interno das portas e sistema MyLink Como foi citado nessa matéria de test-drive, os dois modelos testados pela Revista Reação – Novo Prisma e o Onix – são muito parecidos e tem vários itens em comum, principalmente no acabamento interno. E um desses itens que chama a atenção, porém negativamente foi o puxador das portas dianteiras, tanto do motorista como do passageiro. Ele fica numa posição extremamente desconfortável e mal localizado no design ergonômico e anatômico da porta. Seu manuseio é muito ruim, e isso foi uma unanimidade atestada por todos que testaram os carros, sejam pessoas que possuíam deficiência ou não. É um ponto a ser revisto pela montadora. Outro item, também em comum nos dois carros, é o sistema MyLink instalado no centro do painel, substituindo o sistema tradicional de som do carro. O equipamento é moderno e tem muita tecnologia embarcada, porém, para quem tem deficiên-

cia, com o carro em movimento, os comandos na tela e sensíveis ao toque do MyLink se tornam complicados e quase que inacessíveis. Os ícones são pequenos, as vezes respondem bem ao toque e outras não. Mesmo o liga/desliga. Obriga o motorista a tirar o olho da pista, e a mão do volante por muito tempo, pela dificuldade na operação do sistema, o que é perigoso. Faz falta nesse caso e tipo de sistema de som, o comando no volante.


por Carlos Roberto e Clarice Perl

inclusão

Todo Mundo Junto e Misturado !

O

movimento “Projeto Mães Guarapiranga” – e as entidades: INIS e IAD, planejaram um domingo diferente em 29 de setembro, com um passeio/encontro com direito a piquenique no Parque da Água Branca, na zona oeste da capital paulista. Aproveitando que no mesmo período acontecia no local a ExpoCavalos, o passei ficou ainda mais divertido.

Mas “São Pedro” não estava cooperando muito e a previsão do tempo era de pancadas de chuva... nosso piquenique ao ar livre ficaria prejudicado, por que não dizer “aguado”. Fomos então solicitar ajuda do Coordenador de Parques Urbanos da Secretaria do Meio Ambiente do Estado de São Paulo, Joaquim Hornink Filho, para tentar conseguir um local coberto para a eventual possibilidade de chuva. Ele prontamente acionou a diretora do Parque, a

Sra. Libois, e resolveram o problema. A dinâmica foi perfeita. Foi nos destinado um prédio/galpão bem no centro do Parque, com banheiros acessíveis. Disponibilizaram também, uma entrada e estacionamento alternativo para o desembarque e embarque das PcD nas 14 vans cedidas ao grupo pelo “Sistema Atende/SP Trans” – nossos grandes parceiros - que fizeram o transporte das Pessoas com Deficiência e acompanhantes.

83


84

inclusão Tivemos um domingo maravilhoso e gratificante... passeio, divertimento, boa comida, diversão, contato com a natureza e informação. Todos foram para casa felizes, contentes e sorridentes... e nós, com a sensação mais uma vez de dever cumprido... Por isso, aproveito para agradecer o apoio que tivemos: Obrigado a Todos !!! E até a próxima !!!

Carlos Perl é Diretor de Relações Institucionais do IAD, Presidente do INIS e Presidente do Núcleo 1- Capital do CEAPcD

Fomos carinhosamente recebidos no Parque com uma mesa de frutas e bolos e bolinhos de chuva quentinhos e saborosos. A equipe de segurança e de limpeza do Parque da Água Branca, vale citar, foram super atenciosos e prestativos. O dia foi maravilhoso, todos passearam pelo lindo parque, curtiram as árvores, os passarinhos, o frescor do vento no rosto. Participaram do grande evento “ExpoCavalos”, como iguais que são - TODOS JUNTOS E MISTURADOS - a verdadeira inclusão ! O nossa Equipe do IAD – Instituto Anjos de Deus, a Rosana, a Cintia e a Joyce, enfeitaram os cavalos “Bebel” e “Big”, e as crianças e jovens com deficiências e seus acompanhantes, e até as pessoas sem deficiência, puderam conhecê-los de perto e fazer carinho neles, sentir seu cheiro e até alimentá-los com guluzeimas próprias para os animais. Na confraternização antes de deixarmos o Parque, o editor da Revista Reação Rodrigo Rosso, nosso parceiro, levou um grande número de exemplares da revista que foram distribuídas para todos. Inclusão é isso ! Se faz com atitudes como esta, eliminando barreiras arquitetônicas e atitudinais. É o que faz a nossa Coordenadoria de Parque Urbanos da Secretaria do Meio Ambiente de São Paulo. Parabéns !

Clarice Kammer Perl é lesada medular, Geografa e diretora de politicas sociais do IAD

Missa da Acessibilidade - Aparecida/SP No dia 22 de setembro, realizou-se a Missa da Acessibilidade em Ação de Graças pelo dia Nacional de Luta das Pessoas com Deficiência e defesa de seus direitos, no Santuário de Aparecida, localizado na cidade de Aparecida/SP. O tema da celebração foi: “Atenção às pessoas com deficiência e sua plena participação na sociedade”. A Missa da Acessibilidade no Santuário Nacional é uma oportunidade de mostrar aos devotos de Nossa Senhora Aparecida que estiveram no local e também àqueles que acompanharam a missa pelos meios de comunicação, que o Evangelho deve ser transmitido e partilhado por todos independentemente do modo como cada devoto o recebe e o profere. A Missa é uma parceria da Pastoral das Pessoas com Deficiência da Arquidiocese de São Paulo com o Santuário Nacional. Carlos Alexandre Campos, coordenador da Pastoral, destaca que esta é a terceira vez que a Pastoral das Pessoas com Deficiência realiza uma missa em parceria com uma paróquia com recursos de acessibilidade. “Em 2011, foi realizada uma missa na paróquia de Santa Cecília e, em 2012, no Santuário São Judas Tadeu, ambas na cidade de São Paulo”, afirma Carlos e acrescenta: “o objetivo da pastoral é criar nas paróquias e demais espaços religiosos uma cultura de acessibilidade física, comunicacional, atitudinal e de acolhida às pessoas com deficiência, de maneira a estimular e fortalecer sua participação e o seu protagonismo na vida da Igreja e na sociedade”. A missa contou com diversos recursos de acessibilidade, que permitiu a plena participação de pessoas com qualquer tipo de deficiência. Entre os recursos utilizados, podemos destacar: Interpretação em língua brasileira de sinais (LIBRAS) e legendagem, por meio de aparelhos de TVs presentes no Santuário, para as pessoas com deficiência auditiva; folhetos em Braille e com letra ampliada para as pessoas com deficiência visual; Audiodescrição para as pessoas com deficiência visual e intelectual; rampas de acesso para pessoas com deficiência física e mobilidade reduzida. O Santuário conta com toda a Acessibilidade Arquitetônica e tem todos os espaços muito limpos, inclusive os banheiros. O Secretário Adjunto da Secretária Municipal das Pessoas com Deficiência de São Paulo, Tuca Munhoz, também participou da Missa. Parabéns a Pastoral e ao Santuário Nacional, e que tenhamos mais e mais celebrações acessíveis !


por Márcia Gori

mulher

Quero um pouco mais de SORORIDADE !!!

O

assunto hoje é para dar um toque para nós, mulheres, no que diz respeito à falta de parceria e amizade entre nossa convivência, isso se observa na vida cotidiana, novelas e filmes. A falta de companheirismo e amizade é muito grande, olhamos uma para outra como se fossemos inimigas, sempre denegrindo a imagem da “amiga” para se garantir como as melhores, tanto no profissional como no sentimental, mas será que necessitamos, de verdade, ter esse tipo de comportamento ? Enquanto nos digladiamos nos apartamos do nosso coletivo, somos motivo de teses feitas por homens, dizendo que somos individuais, egoístas... que olhamos uma para a outra como concorrentes, que não existe lealdade entre mulheres. Todas essas afirmativas tem efeito e certeza, porque aceitamos e fomos conduzidas para essa finalidade por séculos, e o pior, vivenciamos e até mesmo representamos muito bem essas personagens. Quem é culpado, afinal ? Eu tenho comigo que nós mesmas, as mulheres, somos as maiores culpadas... seja por comodismo, por falta de conhecimento, imaturidade em assumir o nosso papel social... é mais cômodo viver uma realidade alienada de tudo, paparicada, bajulada, porém quietas, submissas a um contingente masculino “inteligente” e que tem prazer pelo poder, um patriarcado manipulador e poderoso. Opa ! Lá vem ela com o papo feminista, de que os homens são nossos inimigos e que temos que rasgar nossos soutiens novamente em praça pública, ainda mais nós, mulheres com deficiência, para efeito de demarcação de território !!! Nem pensar nisso... Ainda mais que nossas peças íntimas são difíceis de encontrar um pouco de conforto (risos)... Digo, usar a inteligência, ser mais companheiras, não olhar para a outra como concorrente, claro que se tiver na convivência uma que nos prejudica, está sendo falsa, deve ser corrigido, também não é necessário conviver com pessoas que usam de má fé para demonstrar que se for mulher é perfeita... estamos lidando com pessoas, antes de qualquer coisa.

Mudanças de pensamentos e atitudes, se é para se vestir, que seja para nosso deleite e não para o homem e nem para causar inveja as outras, antes de tudo autoestima, amor próprio, segurança em você mesma, sem essa que a outra vai tirar o que é seu, somente se perde aquilo que não te pertence ou que não houve interesse de sua parte em construir algo sólido. É preciso trazer mudanças dentro de nós para que haja a transformação em nossa volta e depois na sociedade. E porque as mulheres com deficiência não podem ser o diferencial ? E afinal, o que é Sororidade ? Sororidade vem do latim, “sororis” irmã e “idad”, relativa a qualidade. Se o pacto entre os homens é conhecido como fraternidade e reconhece parceiros e sujeitos políticos excluindo as mulheres, a “Sororidade” é o pacto entre as mulheres que são reconhecidas irmãs, sendo uma dimensão ética, política e prática do feminismo contemporâneo. A irmandade entre mulheres, a união acima de tudo, mexeu com uma, mexeu com todas... Não é isso que queremos, jamais ! A intenção é ser unida, transparente, leal com nossos princípios. Deixar a inveja de lado, porque nossa colega ou melhor amiga tem mais oportunidades que nós ou um marido legal. Conheço vários casos de mulheres que viveram, reclamam que perderam o namorado, marido, amante para a melhor amiga... sabe, aquela que não saia de casa e compartilhava tudo ? Então, no final é descoberta a partilha do marido, namorado, amante da outra... Triste realidade, porém é a verdade nua e crua, entretanto somos induzidas e conduzidas para este comportamento, porque é interessante para o patriarcado nos manter desunidas, como inimigas, descontentes com nosso papel feminino no contexto da vida. Também ultimamente tenho ouvido que os homens estão se engajando em várias frentes do movimento feminista na questão da violência doméstica, dos homicídios contra as mulheres, espero mesmo que isso surta algum efeito, contudo ainda acredito que assunto de mulher deve ser tratado mais a sério e em nosso meio,

porque são poucas que tem consciência verdadeira do seu papel social e político, sendo manipuladas e usadas para várias finalidades. A mulher quando se apaixona, perde toda a noção do perigo e se desarma, porque somos criadas para encontrar o príncipe encantado em seu maravilhoso cavalo branco, que nos levará para um final feliz... Mas nossas mães, avós esqueceram de nos contar que sempre existe o dia seguinte, sabe aquele dia que todo o conto de fadas é desmanchado, o lindo príncipe põe o pé no sofá e pede a cerveja, se negando a ajudar nos afazeres domésticos, deixando bem claro que agora é o rei e a mulher tem que ser submissa. A luta ainda continua... os nossos salários ainda são mais baixos que dos homens, sofremos assédio sexual, a mulher ainda apanha e se cala por medo, morre nas mãos de um homem ciumento e machista. Imaginem nós, mulheres com deficiência usadas como brinquedinhos sexuais para suprir a curiosidade e a lascívia de alguns senhores “modernos”, mas com pensamentos feudais. Mas nem tudo é negativo nessa relação de gêneros e de sexo, existem também os lordes, os príncipes que realmente entendem o que vai na alma de uma mulher, que são o diferencial de toda uma história da civilização humana, pena que ainda são poucos. Mulher é mulher e ponto ! Não tem mistérios, entretanto temos entrelinhas... Até nosso próximo encontro !!! Márcia Gori

é bacharel em Direito-UNORP, Presidente-fundadora da Ong “ESSAS MULHERES”, Idealizadora da Assessoria de Direitos Humanos ADH Orientação e Capacitação LTDA, Ex-presidente do Conselho Estadual para Assuntos da Pessoa com Deficiência - CEAPcD/SP 2007/2009, ex apresentadora do Programa Diversidade Atual no canal 30-RPTV, ex-Conselheira Estadual do CEAPcD/ SP 2009/2011, ex-Presidente do Conselho Municipal da Pessoa com Deficiência de São José do Rio Preto/SP 2009/2012, membro do CAD - Clube Amigos dos Deficientes de São José do Rio Preto/SP. Idealizadora do I Simpósio sobre Sexualidade da Pessoa com Deficiência do NIS – Núcleo de Inclusão Social da UNORP, Seminário sobre Sexualidade da Pessoa com Deficiência na REATECH 2010/2011/2012/2013, co-realizadora do I Encontro Nacional de Políticas Públicas para Mulheres com Deficiência em 2012, capacitadora e palestrante sobre Sexualidade, Deficiência e Inclusão Social da Pessoa com Deficiência, modelo fotográfico da Agência Kica de Castro Fotografias. E-mail: marcia_gori@yahoo.com.br Blog/site: www.marciagori.net

85


86

momento surdo

por Neivaldo Zovico

Dia Nacional do Surdo – Setembro Azul !

O

mês de setembro é um mês especial para a Comunidade Surda, visto que comemoramos o Dia do Surdo. Durante todo o mês setembro são realizados diversos eventos, tais como: festas dos alunos surdos, seminários, palestras, apresentações teatrais, passeatas, audiências públicas, exposições, caminhada, encontro dos Surdos etc. em todas as cidades do Brasil. A Comunidade Surda chama de “Setembro Azul”, a data para a comemoração do Dia do Surdo é dia 26 de setembro, foi reconhecido e assinado pelo Ex-Presidente do Brasil Luis Inácio Lula da Silva com o número de Lei Nº 11.796 de 29 de outubro de 2008. Internacionalmente também se comemora o dia dos surdos, ele é datado de 30 de setembro, a comemoração é chamada de “Dia Internacional dos Surdos”. Escolheram esta data pela lembrança do Congresso de Milão ocorrido no mês de setembro de 1880, no qual foi analisado e determinado a proibição do uso das Línguas de Sinais na Educação dos Surdos em Mundo, um marco triste para esta comunidade. O “Setembro Azul” é um grande marco histórico das lutas e conquistas dos Surdos que, destacamos as lutas pelos direitos linguísticos e culturais. Consideramos ser importante a comemoração do Dia do Surdo para que neste momento a Sociedade Brasileira tenha mais uma oportunidade de receber informações sobre a Comunidade Surda. A Comunidade Surda conquistou o reconhecimento nacional sobre a LIBRAS – Língua Brasileira de Sinais como uma língua natural, registrado na Lei Nº 10.436 de 24 de abril de 2002 e Decreto Nº 5.626/2005, respeitando os valores da Linguística e Cultura dos Surdos, respeitando a LIBRAS como primeira Língua de Sinais dos Surdos e a Língua Portuguesa como segunda, como também o direito por Escolas Bilíngues para Surdos.

O dia 26 de setembro é um dia importante para a comemoração, pois no ano 1857 foi criada a primeira Escola de Surdos no Brasil na cidade de Rio de Janeiro. Na época, o Imperador Dom Pedro II convidou o professor Surdo Huet, da França para vir ao Brasil para lecionar aulas com crianças Surdas no prédio que se chamava Instituto Imperial de Surdos-Mudos, hoje INES - Instituto Nacional de Educação de Surdos, onde os Surdos foram internados para ser educados, o professor lecionava em Língua de Sinais Francesa que influenciou diretamente na construção da Língua Brasileira de Sinais. O INES atualmente é uma Escola Bilíngue para Surdos com apoio do Governo Federal e também tem Ensino Superior onde Surdos e ouvintes podem estudar em cursos bilíngues. Sobre cor, Azul foi escolhida pelo Dr. Paddy Ladd (surdo), usado em laço de fita na cor azul como símbolo, e representa no XIII Congresso Mundial de Surdos na Austrália, durante a cerimônia que faz lembrança dos Vitimas Surdos da opressão e Audismo. No processo de criação do nome “Setembro Azul”, o azul também simboliza para a Comunidade Surda o período da Segunda Guerra Mundial em que as PcD deviam usar uma faixa de cor azul fixada no braço, sendo identificados e mortos pelos Nazistas, porque eles acreditam que os as pessoas com deficiência eram incapazes e dentre estes, os surdos eram classificados, não reconheciam o potencial dos Surdos. A comunidade surda ainda escolheu a cor Azul Turquesa, por ser uma cor “viva” para representa o SER SURDO, por não termos vergonha de sermos surdos, pois nós temos a nossa própria Língua de Sinais que faz parte da Cultura Linguística e também lutamos por sermos respeitados pela Sociedade Brasileira. Passamos por várias lutas e conquistamos muitos de nossos objetivos, marcados em Leis que tem como princípio o respeito aos Surdos e a sua diferença, como, por exemplo, a Lei de Acessibilidade Nº 10.098 de 19 de dezembro de 2000. A Lei de Acessibilidade concomitante à evolução das tecnologias provocou um interesse de criar equipamentos para melhorar a comunicação dos Surdos, por exemplo, surgiu a legenda ou Close Caption na televisão e a janela para intérprete de LIBRAS.


momento surdo

por Silvia de Castro

moda e estilo

Mobilidade reduzida temporária

A tecnologia para comunicação à distância se tornou uma febre e os Surdos Brasileiros a aderiram, pois se comunicam pela mensagem tipo SMS do celular, chat da internet e, hoje, com a chegada do videofone onde o Surdo pode se comunicar em LIBRAS com a Central de Intérpretes de LIBRAS que faz o serviço de interpretação em Língua Portuguesa - oral, mediando a relação com quem o Surdo deseja se comunicar facilita muito a vida das pessoas surdas. Atualmente, o maior desafio do Movimento Surdo é a luta em Defesa das Escolas Bilíngues para Surdos no PNE – Plano Nacional de Educação, este plano se refere ao projeto para 10 anos de Educação, a nossa preocupação é oportunizar para as crianças surdas um espaço escolar que favoreça a construção da Identidade Surda e formação com a Cultura Surda em sua própria língua para evitar a extinção da nossa Cultura Surda da Língua de Sinais dos Surdos. Por isso que no mês “Setembro Azul” é importante o movimento surdo, como um momento de oportunizar a sociedade brasileira o acesso à informações. Utilizamos a cor Azul Turquesa como conceito de SER SURDO, em memória das pessoas Surdas: por suas lutas e conquistas até então, levantando a nossa bandeira da Cultura Surda. É importante que todos os órgãos públicos e a sociedade brasileira reflitam sobre os Surdos, sobre a comemoração no Dia Nacional do Surdo, compreendendo os Surdos como cidadãos iguais aos outros, dando-lhes uma atenção mais justa e respeitando a Cultura Surda e a língua da Comunidade Surda. Neivaldo Augusto Zovico é professor, Consultor de Acessibilidade para Surdos e pessoas com deficientes auditivos, Coordenador Nacional de Acessibilidade para Surdos da FENEIS, Diretor de Relações Públicas da APSSP – Associação dos Professores Surdos do Estado de São Paulo, Colaborador da equipe do site : www.portaldosurdo.com www.acessibilidadeparasurdos.blogspot.com email : neivaldo.zovico@terra.com.br

D

esta vez o tema é sobre experiência de vida em um acidente com fratura óssea e consequente mobilidade reduzida temporária, com mudanças radicais de hábitos no dia a dia. A internet colabora com a qualidade de vida nessas situações, no meu caso, pude continuar o curso de pós-graduação que é à distância. Precisamos estar atentos em relação à autoestima, falemos então sobre Moda Inclusiva ou Moda Universal, pois mesmo que a vida social não esteja ativa, recebendo visitas ou não, o mais importante é cuidar de nós mesmos como um todo, seja no psicológico, espiritual e também no visual. Podemos estar vestidos de forma simples, porém que nos faça sentir bem, isto inclui conforto, praticidade no vestir, maciez e frescor do tecido. Vejamos as dicas:

Primeiro - Vestir a calça na perna com bota de gesso.

Segundo - Vestir a calça na outra perna.

87


88

moda e estilo

MODELO A:

MODELO B:

Calça de malha = 100% algodão.

Calça de malha: 100% poliamida.

CARACTERÍSTICAS DA CALÇA:

CARACTERÍSTICAS DA CALÇA:

- Tecido maleável, que transfere conforto ao corpo; - A cintura ajustável através de um cadarço no cós, que facilita o vestir; - Largura da boca da calça, que facilita a passagem da perna com bota de gesso.

- Tecido maleável, que transfere conforto ao corpo; - A cintura com elástico torna-se ajustável, facilitando o vestir; - Largura da boca da calça, que facilita a passagem da perna com bota de gesso.

E para quem tem a experiência como muletante, lembre-se: Mesmo não conseguindo andar de cabeça erguida, pois seus olhos e cabeça se inclinam em direção ao chão, devido ao cuidado necessário para caminhar e “pisar” com as muletas, tenha o “olhar” de sua mente sempre focado a seguir em frente. Mais uma vez, importante lembrar que devemos estar atento aos produtos e serviços do mercado, que devem ser criados e desenvolvidos valorizando os princípios de universalidade, respeitando a heterogeneidade das pessoas. Até a próxima e um abraço a todos !!!

Silvia de Castro é professora, consultora e estilista de moda, especializada em moda e estilo para pessoas com deficiência, E-mail: scestiloterapia@gmail.com Blog: www.estiloterapia.com.br


prêmio

Revista Reação presente na entrega do Prêmio Marca Brasil ! como sendo as melhores em suas áreas de atuação. Sua história ao longo destes 14 anos revela números expressivos, que atestam sua abrangência e credibilidade: cerca de 514.000 votos apurados, 587 categorias pesquisadas, 26 setores econômicos abrangidos e 698 marcas de empresas e/ou produtos laureadas. As empresas eleitas pelos leitores da Revista Reação dentro do nosso setor de “Reabilitação de Pessoas com Deficiência”, cada uma em sua categoria, foram:

C

erca de 300 empresários e executivos de várias partes do Brasil estiveram presentes na 14ª Cerimônia de Entrega do Prêmio Marca Brasil, realizada no dia 17 de setembro de 2013, no Salão Nobre do Esporte Clube Sírio, na capital de São Paulo/SP. Na ocasião, 42 marcas de empresas e entidades foram agraciadas em 72 categorias de 14 setores econômicos, e no caso do segmento de Pessoas com Deficiência, o programa Atende (SP TRANS) da cidade de São Paulo, foi mais uma vez agraciado com o Prêmio, eleito pelo voto direto dos leitores da Revista Reação, publicação parceira do Prêmio Marca Brasil. Ao todo, foram entregues 106 láureas. O Prêmio Marca Brasil é organizado pela Trio International Distinction - uma parceria da Tarcom Promoções e de 11 Revistas Técnicas setoriais que agem como canal de comunicação direta e de alta credibilidade entre os respectivos mercados e os seus consumidores – e a Revista Reação é a revista escolhida como parceira pela organização para ser a publicação que representa o nosso setor. O Prêmio Marca Brasil tem por objetivo identificar e destacar, dentre os inúmeros fornecedores de produtos e serviços, as marcas de empresas e produtos que esses consumidores - de forma espontânea e sem qualquer tipo de indução - consideram

- Acessibilidade (Bancos) – Banco Itaú - Acessibilidade (Rede de Supermercados) – Pão de Açucar - Acessibilidade (Shopping Center) – Shopping Aricanduva (São Paulo/SP) - Autoescola – Javarotti (São Paulo) - Cadeiras de Rodas Manuais – Ortobras - Cadeiras de Rodas Motorizadas e Triciclos - Freedom - Clínica de Reabilitação e Fisioterapia – AACD - Componentes de Próteses e Órteses – Otto Bock - Elevadores e Plataformas – Ortobras - Empresa de Adaptação de Veículos – Cavenaghi - Montadora de Automóvel – Ford - Ortopedia: Confecção de Próteses e Órteses – AACD - Entidade do Setor – Atende/SP Trans

89


90

Um período de muito trabalho e conquistas importantes !!!

N

a reunião de 8 de agosto, a diretoria da ABRIDEF alinhou suas ações até 2014, elaborando, de maneira organizada e profissional, seu “Planejamento Estratégico” por meio da análise SWOT - uma ferramenta utilizada como base de gestão e planejamento estratégico. Para essa realização, contamos com a colaboração de nosso associado Breno Horta, da empresa VEMEX, que possui ampla experiência com o sistema que pode ser utilizado para qualquer tipo de análise de cenário, desde a criação de um blog à gestão de uma multinacional. Esse é o exemplo de um sistema simples destinado a posicionar ou verificar a posição estratégica da empresa/instituição no ambiente em questão. Dessa reunião, partiram pontos importantes apontados para o crescimento da Associação, que com o engajamento de seu corpo diretivo e participativo por meio de seus associados, conseguiremos alcançar o crescimento da entidade em menor tempo e de maneira cada vez mais organizada.

as empresas que fazem parte dela, entre as mais competitivas do mercado e, por ser uma constante indagação de nossos associados, os entraves encontrados na ANVISA com relação ao registro de seus produtos, a ABRIDEF convidou a associada e coordenadora da Comissão de Cadeiras de Rodas da entidade, Mara Servan, da Ortopedia Jaguaribe, para falar de sua experiência nessa área de relacionamento e registro com o órgão. Nesse sentido, Mara Servan promoveu gratuitamente aos nossos associados interessados, uma palestra juntamente com um palestrante especialista trazido por ela, Paulo Passarini, que assessora sua empresa há anos nessas questões de registros, para tirar as todas as dúvidas dos presentes de forma definitiva com relação a esse assunto. Essa orientação ocorreu também na sede da entidade, no dia 19 de agosto e a apresentação foi de extrema competência, deixando os associados presentes, muito satisfeitos !

Audiência Pública – Brasília/DF

Assembleia Geral Em 12 de setembro foi realizada na sede da ABRIDEF na zona oeste de São Paulo/SP, a Assembleia Geral Ordinária, com a apresentação prestação de contas de 2012, que foi prontamente aprovada pelos associados, garantindo a transparência de gestão. Na Assembleia também foram feitos importantes e necessários ajustes e atualizações no Estatuto da entidade, que vem crescendo e se modernizando, e para isso, precisa cada dia mais de um Estatuto ágil e moderno, que permita que suas ações sejam mais dinâmicas e sempre prezando pela transparência, ética e o bem dos associados e do setor.

ANVISA Todos sabemos a importância de participar de uma entidade de classe, e a ABRIDEF tem a constante preocupação em colocar

Conforme já tínhamos avisado que iria ocorrer, na edição anterior, a Audiência Pública aconteceu em Brasília/DF. Por fruto dos trabalhos da ABRIDEF em parceria com a Frente Parlamentar em Defesa dos Direitos da Pessoa com Deficiência do Congresso Nacional, e empenho particular da Deputada Federal Rosinha da ADEFAL, presidente dessa Frente, e membro da Comissão de Desenvolvimento Econômico da Câmara dos Deputados, a ABRIDEF foi convocada, enquanto “Entidade de Classe Representativa do Setor”, para uma Audiência Pública no Congresso Nacional, no dia 17 de setembro em Brasília/DF. A nosso


91

pedido, foi chamada também a ABOTEC, entidade parceira da ABRIDEF nas lutas pelas conquistas no nosso setor. A Audiência Pública convocou para a discussão o CONFAZ, representado então por Arnaldo Barbosa Júnior - Coordenador Geral da Secretaria Política e Econômica do Ministério da Fazenda, e também a ANVISA – Agência Nacional de Vigilância Sanitária, representada no dia por Joselito Pedrosa - Gerente Geral de Tecnologia de Produtos para a Saúde. Quem comandou a mesa foi o presidente da Comissão de Desenvolvimento Econômico, Indústria e Comércio, Deputado Federal Ângelo Agnolin (PDT/TO). Também se fez presente à mesa, Fernando Ribeiro, representando a Secretaria Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência, juntamente com Flávio Scavasin, representando a sociedade civil. Também compuseram a mesa o presidente da ABRIDEF, Rodrigo Rosso e o diretor da ABOTEC, Henrique Grego, com Rosinha da ADEFAL. A Audiência contou com a presença da Deputada Federal Mara Gabrilli e os cumprimentos do Deputado Federal Otávio Leite, ambos membros também da Frente Parlamentar da PcD. Os temas discutidos foram: 1 - a isenção do ICMS para veículos automotores novos, quando adquirido por pessoas com deficiência ou seus representantes legais; 2 - Procedimentos da ANVISA relativos às Tecnologias Assistivas e ajudas técnicas (fiscalização e registro do setor). Nessa audiência, o presidente da ABRIDEF teve a oportunidade de levar ao conhecimento dos representantes da ANVISA e do CONFAZ, as necessidades e dificuldades do setor, relativas à pauta supra citada, resultando em maior aproximação desta entidade junto aos respectivos órgãos que se manifestaram a favor de um novo agendamento para alinharmos os trabalhos. Essa é uma conquista que devemos aos esforços de nossa direção, gestão, associados e à aliança política que trabalha em prol do nosso setor. Estiveram presentes em Brasília/ DF acompanhando a audiência e dando suporte necessário, a superintendente da ABRIDEF, Mara Di Maio e os diretores: Gino Salvador (Freedom), Valério Câmara (Seat Mobile) e Marcos Freitas (Otto Bock), além do advogado Antonio Natrielli Neto, do setor jurídico da entidade.

SECIS - Secretaria de Ciência e Tecnologia para Inclusão Social – MCTI No mesmo dia da Audiência Pública, 17 de setembro, na parte da manhã, os representantes da diretoria da ABRIDEF, jurídico, a superintendente e o presidente da entidade foram recebidos em

Brasília/DF no MCTI – Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, pelo atual secretário da pasta de Ciência e Tecnologia para Inclusão Social, Oswaldo Baptista Duarte Filho, que recém assumiu o cargo. Os representantes da ABRIDEF foram pessoalmente falar com o secretário e levar o apoio da entidade, colocando-a à disposição do MCTI para toda e qualquer ação em conjunto em prol do setor, bem como expor a importância e necessidade da normatização e certificação de produtos e serviços de Tecnologia Assistiva no Brasil, com o apoio do CTI e dos Núcleos de TA criados pelo MCTI em todo território nacional. A recepção foi fantástica e o contatos estreitados mais uma vez. Os representantes da diretoria e presidente também aproveitaram para convidar o MCTI para ser um parceiro no FINETECA – Fórum Internacional de Tecnologia Assistiva que será promovido pela ABRIDEF em 2014.

ANFAVEA No dia 23 de setembro, Jaime Stabel do ITS, nosso associado, marcou uma reunião entre o nosso presidente Rodrigo Rosso e a diretoria da ANFAVEA – Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores, na sede da entidade, no bairro de Moema, em São Paulo/ SP. Rodrigo Rosso e Jaime foram recebidos pelo diretor executivo da entidade, Aurélio Santana, e por Fred Carvalho, diretor de assuntos institucionais. Participaram da reunião a gerente de assuntos institucionais, Beth Lira de Luca – que fica sediada em Brasília/DF - e a analista Luana Nakasone. O encontro contou ainda com um bate-papo com o presidente da ANFAVEA, Luiz Moan. O motivo da conversa foi uma aproximação das duas entidades representativas em prol do segmento das Pessoas com Deficiência, unindo interesses e ações específicas quando esse for o tema das suas respectivas reinvindicações. O encontro foi positivo e mais uma parceria importante e de peso foi firmada !

SENAI – ITU/SP

Dia 26 de setembro, representantes da ABRIDEF foram recebidos pelo professor Helvécio Siqueira de Oliveira, Diretor de Unidade do SENAI de Itu/SP, unidade que desde 1996, iniciou uma nova era com a especialização da escola na área


evento

92

I Simpósio de Novas Tecnologias a Serviço da Mobilidade da Pessoa com Deficiência movimenta profissionais em Campinas/SP

de inclusão profissional e desenvolvimento de produtos para pessoas com deficiências. A visita é fruto da aproximação da ABRIDEF com a FIESP/CIESP. O SENAI de Itu/SP é um Centro de Referência em Tecnologia Assistiva, trabalha no desenvolvimento, difusão de metodologias e tecnologias de inclusão nas unidades do SENAI-SP e no mercado de trabalho. A Escola oferece cursos, treinamentos, assessorias e assistência tecnológica. Dessa forma, propicia capacitação profissional por meio de equipamentos adaptados que podem ser transportados e instalados para atendimento às empresas, instituições e entidades, visando a inclusão das pessoas com deficiência no mercado de trabalho. Estiveram representando a ABRIDEF na visita ao SENAI de Itu/SP, o presidente Rodrigo Rosso e a superintendente, Mara Di Maio. Tivemos dias agitados, parcerias firmadas, encontros importantes. Novas parcerias e muito trabalho pela frente já estão agendados para outubro e novembro, garantindo à ABRIDEF a ampliação de sua atuação e também a sua representatividade, firmando cada vez mais a entidade como o órgão de representação do setor de Tecnologia Assistiva e da indústria e dos serviços ligados à PcD no Brasil. Tudo isso, em razão dos trabalhos realizados, da dedicação da sua diretoria e participação ativa do seu quadro de associados (empresas e entidades), unido à uma gestão sempre transparente e comprometida com a nossa causa e os objetivos comuns do setor ! ABRIDEF e você, juntos, fazendo a diferença !!!

A

Ortopedia Fubelle, em parceria com a Freedom (cadeira de rodas e triciclos motorizados), realizou no último dia 25 de setembro em Campinas/SP, um projeto inovador na região: o “I Simpósio de Novas Tecnologias a Serviço da Mobilidade da Pessoa com Deficiência”, com a apresentação de palestras/workshops e exposição de produtos. A Dra. Maria José de Melo Scolaro, Terapeuta Ocupacional, pós-graduada em Seating and Positioning, e consultora terapêutica da Freedom, foi a principal palestrante. Além dela, outros profissionais construíram a grade do evento, como: Alexandre Lapenna (Fubelle), Alexandre Saldanha (Gerente do Banco do Brasil Crédito Acessibilidade), Alan Michel (Easymob) e a Orthopauher. O evento contou com a participação de mais de 230 pessoas, fazendo dessa primeira edição um sucesso ab-

Alexandre Lapenna de Oliveira, gerente da Fubelle e Dra. Maria José de Melo Scolaro, Terapeuta Ocupacional da Freedom

soluto. Para 2014 a Fubelle já programa mais eventos e espera um público ainda maior, já que o conteúdo apresentado chamou muito a atenção dos participantes. Alexandre Lapenna de Oliveira, gerente de novos negócios da Ortopedia Fubelle, conta que a empresa está com um novo departamento de eventos, e que promete muita informação referente às novas tecnologias no mercado, não só em Campinas e região, mas em outros pontos do País. O evento em Campinas/SP destacou a tecnologia de ponta para mobilidade da pessoa com deficiência e as novas tendências para um futuro ecologicamente correto. Com demonstração de novidades e muita tecnologia em produtos para a mobilidade da pessoa com deficiência, como: scooters, cadeiras de rodas motorizadas e guinchos para transportar o paciente com direito aos inscritos do Simpósio se colocarem no lugar dos usuários e experimentar os produtos. Na abertura do Simpósio, quem se fez


93 presente também foi a Dra. Emmanuelle Garrido Alkmin (Secretaria da Pessoa Com Deficiência e Baixa Mobilidade da Cidade de Campinas/ SP), além de outras figuras ilustres e importantes do movimento da PcD, e o diretor/editor da Revista Reação e presidente da ABRIDEF – Associação Brasileira das Indústrias e Revendedores de Produtos e Serviços para Pessoas com Deficiência, Rodrigo Rosso. Alexandre Lapenna aproveitou para apresentar a todos a mais nova unidade da Ortopedia Fubelle, tradicional em Campinas e região, que acaba de ser inaugurada. Trata-se de um novo conceito em ortopedia, produtos e serviços. É a Fubelle Premium, que fica no centro da cidade de Campinas. Moderna e muito bonita, com visual agradável e exposição estratégica de produtos, segundo o Grupo Fubelle, a loja Premium marca uma nova fase da empresa, que pretende expandir esse formato para outras regiões.

Rio Incluir: evento tratou da inclusão da PcD no ambiente corporativo

Organizado pelo Instituto Simetria, aconteceu nos dias 2 e 3 de outubro, no Centro de Convenções da Bolsa de Valores no Rio de Janeiro/RJ, o 1º Congresso Brasileiro da Diversidade no Ambiente Corporativo – Rio Incluir. O evento foi destinado a gestores de RH e administração das empresas, fomentando um amplo intercâmbio de conhecimentos, gerando iniciativas mais responsáveis e acessíveis nas organizações. Com o auditório lotado, 27 palestrantes especialistas de todo o Brasil puderam expor os temas de interessa a um público composto por mais de 200 pessoas. Do lado de fora do auditório, empresas puderam montar seus espaços. Foram 12 expositores. A Revista Reação apoiou o evento, que teve alguns dos grandes nomes que são parceiros e colaboradores da publicação há muitos anos, como palestrantes. Articulistas como Romeu Sassaki, Geraldo Nogueira, Tatiana Rolim, entre outros, foram destaque como palestrantes no Rio Incluir.


94

mercado

H

Gino Salvador

á 23 anos atuando no mercado brasileiro, o gaúcho Gino Muenzer Salvador, titular da Freedom, com sede em Pelotas/RS, dá continuidade à seção de entrevistas sobre o tema “mercado” da Revista Reação. Seus produtos, desenvolvidos com tecnologia nacional e própria, foram pioneiros no País há mais de duas décadas, com o lançamento do primeiro modelo de cadeira de rodas motorizada totalmente brasileira. Hoje, sua produção permanece respeitando os valores de customização, personalizando toda a linha para adequação total de seus consumidores. Confira a seguir a história, desafios, conquistas e pontos de vista do empresário e industrial, e um dos fundadores da ABRIDEF, para o nosso setor. Acompanhe:

Revista Reação - Como surgiu a Freedom? Gino Salvador - A Freedom foi criada exatamente para produzir cadeiras motorizadas no Brasil e teve como motivação inicial uma questão pessoal, de família. Ela foi a primeira empresa a desenvolver este tipo de produto no País, com tecnologia 100% nacional, e isso há 23 anos. Revista Reação – No seu ponto de vista, a junção da tecnologia aos produtos é o diferencial da Freedom ? A customização é o ponto forte da empresa ? Gino Salvador - O maior diferencial da nossa empresa é exatamente esse conceito, dos produtos serem desenvolvidos do usuário para indústria e não da indústria para o usuário e, com isso, agrega-se a realidade de mercado, e arquitetônica das cidades brasileiras, e também a de suporte de pós-vendas. Na hora da composição, respeitamos essa cadeia, pensando nas variáveis possíveis de temperatura, clima, relevo e cultura de cada região brasileira onde o produto será usado. Outro ponto é que não podemos preparar o equipamento para a necessidade do usuário só para aquele momento e sim, prepará-lo para se adequar aos momentos evolutivos ou regressivos que ele vai ter na vida. Para isso, temos uma tecnologia chamada: “Freedom Connect”, que além do conceito de design, de construção mecânica e construtiva, traz um projeto que permite interagir no software do produto e alterar a perfomance do aparelho ao momento de vida da PcD, adequando o produto a necessidade real e ao desempenho sob aquela circunstância. Revista Reação - A cadeira Stand Up – que deixa o usuário em pé - versões manual e mo-

torizada, sempre fez muito sucesso. Ela pode ser considerada o grande destaque da Freedom ? Gino Salvador - Essa cadeira, com o projeto desenvolvido para que o usuário fique de pé, foi lançada há alguns anos. A primeira versão foi a motorizada. Posteriormente, entendemos que muitos usuários tinham a necessidade de ficar na posição ortostática, que é em pé, e que isso tinha uma aplicação terapêutica muito grande, porém nem todos que tinham essa especificidade precisariam de uma cadeira motorizada. Precisavam da funcionalidade da cadeira, mas não de uma motorizada. Por isso, por respeito ao consumidor, desenvolvemos o projeto de cadeira manual, com acionamento Stand Up motorizado elétrico. Isso fez com que o produto ficasse com um design mais leve, e com custo bem menor, com a mesma função. Mais tarde lançamos outros sistemas de “levante”, como o banco do usuário que subia a um nível mais alto ao invés do usuário ficar em pé – uma vez que nem todos tem uma constituição óssea que permite isso, por isso o banco que pode ser levantado na altura de uma pessoa caminhante. Mas a cadeira que deixa a pessoa em pé foi sim e ainda é um marco para a empresa. Revista Reação - Quantos produtos de sua linha são voltados a PcD ? Gino Salvador -Temos hoje, quatro famílias de produtos na linha PcD. Uma delas é a cadeira de rodas manual, representada pela Freedom Clean e a top de linha, Freedom Emotion – cadeira ativa, extremamente leve, que pesa menos de 10 Kg com adequação postural. Depois, há a família de cadeiras de rodas motorizadas, com todos os tipos de motorização e sistemas de transmissão por engrenagem ou por correia. Tudo é desenvolvido em plataformas para pessoas com estatura de 1,60 m até 2 m. A terceira família é dos scooters elétricos (uso coletivo/individual). Com ela, temos o objetivo de atender não somente a deficiência física, mas também a terceira idade ou pessoas que tenham um comprometimento momentâneo de mobilidade. Temos também, equipamentos de transferência, que são os guinchos elétricos de uso pessoal ou corporativo. E lançaremos agora uma nova linha para fisioterapia, com equipamentos (guinchos), que colocam o usuário em esteiras paralelas para fazer pequenos exercícios para movimentação, controlando o peso que ele vai colocar nos membros inferiores. Vale, principalmente, para pessoas que fazem exercícios de recuperação para processos cirúrgicos traumáticos. Outro lançamento para o ano de 2013, será a cadeira de rodas que concentra todos os conceitos de Stand Up em único produto – será nosso top de linha e passará a ter todas as funções para acessibilidade ortostática. Isso sem falar na nossa linha de almofadas. Revista Reação – Todos seus produtos são fabricados no Brasil ? Gino Salvador - Hoje, 90% dos produtos são fabricados com tecnologia nacional. Nós temos uma linha de equipamentos que possuem alguns componentes fabricados no exterior, então nós importamos alguns componentes dele, mas temos toda a montagem no Brasil. A fabricação nacional é o grande portfólio da empresa e os componentes produzidos lá fora, na maioria mecânicos, apenas entram em nossa linha de montagem. Toda a parte de tecnologia eletrônica é fabricada pela Freedom no Brasil. Revista Reação - Como é a assistência técnica dos produtos Freedom pelo Brasil? Gino Salvador - A Freedom tem, dentre as empresas do mercado


mercado brasileiro, a melhor estrutura de pós-vendas. Hoje, nós temos mais de 125 cidades atendidas com a assistência técnica autorizada da Freedom. Então, se levarmos em conta que o Brasil tem mais de 256 municípios com população acima de 100.000 habitantes, quase 50 % é atendido pela assistência técnica da Freedom. Revista Reação - Como vê a concorrência dos produtos similares importados ? É saudável ? Gino Salvador - Todas as empresas brasileiras têm consciência sobre as parcerias que estão fazendo e dos produtos que estão trazendo lá de fora, mas o que diferencia esses produtos da Freedom – que é fabricante nacional - é o pós-venda. Esses equipamentos de fora, são de qualidade, só não tem o processo de manutenção, de assistência técnica. A política do importado é de substituição e não manutenção das peças. Infelizmente, se uma parte eletrônica de um produto importado der problema, tem que ser substituída em sua totalidade. O diferencial que a Freedom tem em relação a isso não é na qualidade e sim no pós-venda. Como a empresa tem a tecnologia de fabricação, esses produtos tem manutenção e não precisam ser substituídos obrigatoriamente – o que o torna mais competitivo nesse quesito, quando comparado àqueles que precisam de uma interferência para o suporte. Hoje, com o projeto do governo - “Viver sem Limites” - com toda a interação da sociedade e todas as regras de cotas, a pessoa com deficiência está num processo acelerado de inclusão na sociedade. Isso faz com que um maior número de PcD busque a sua independência socioeconômica, assim, eles vão para o mercado – que precisa de todo o tipo de tecnologia assistiva. Nós, fabricantes, estamos muito conscientes da nossa responsabilidade quanto ao mercado emergente. Revista Reação - Os preços dos produtos nacionais hoje, já são mais acessíveis do que quando a Freedom começou a atuar no mercado ? Gino Salvador - Há 23 anos, uma cadeira de rodas, em dólar, custava U$ 7.500. Hoje, temos essa mesma cadeira por pouco mais de U$ 3.000. Ou seja, em 20 anos, o produto reduziu 50 % de seu valor e evoluiu em tecnologia, em design e qualidade. Isso é ótimo para o consumidor ! Revista Reação - Como é o relacionamento da Freedom com as revendas de seus produtos ? Gino Salvador - Normalmente, todas as revendas que trabalham com a área ortopédica, cirúrgica, equipamentos e tecnologia assistiva, atuam com multimarcas. O mercado de revenda está cada vez mais se especializando e com necessidade de ter em seu quadro pessoas capacitadas, com formação, para especificar o produto e dar orientações adequadas sobre seu uso. As revendas têm consciência disso e a Freedom, particularmente, tem um projeto de treinamento dos pontos de revendas, através de nossos consultores, que é feito a cada 4 ou 5 meses nas lojas, incluindo o corpo de vendas e técnico, para reciclar e atualizar os conceitos. Nós enxergamos essa mudança concreta de perfil, tanto na área de revenda como na área de serviços. Revista Reação - Existe ética na revenda para com o consumidor ? Gino Salvador - A ética é uma necessidade obrigatória de cada empresa que quer ficar no mercado. Hoje, em função da internet e da

comunicação virtual, a informação roda muito rápido. Se uma revenda, uma empresa de serviços, ou o próprio fabricante não tiver isso como respeito, como obrigação em sua prestação de serviço, sua história tende a ser muito curta. O consumidor está muito informado sobre seus direitos, a sociedade tem consciência disso e hoje, a estrutura comercial de revenda e serviços tem que ter a ética como uma questão fundamental. A concorrência não permite que a ética seja comprometida. Revista Reação - O perfil PcD vem mudando? O que os clientes procuram e como a empresa acompanha isso? Gino Salvador - O perfil da pessoa com deficiência mudou muito. Ele deixou de ser o “coitadinho” e passou a buscar e brigar por seu espaço – vemos isso em vários segmentos. Você vê a PcD circulando no mercado, usando os meios de transporte, buscando acesso. Também percebe a PcD capitaneando uma família onde antes era capitaneado, passando a ter o comando e não a tutela. Claro que nós estamos muito aquém do que pode ser feito, mas se compararmos o que era há 10 ou 20 anos, com os dias atuais, veremos uma grande mudança nesse processo. Revista Reação - Você é um dos fundadores e diretor da ABRIDEF. Fale um pouco da importância da entidade no setor no seu ponto de vista. Gino Salvador - Hoje, se uma sociedade não é organizada, se não “senta junto numa mesma mesa” para discutir seus processos, é difícil ter um quadro evolutivo. A ABRIDEF vem com essa missão: de organizar o setor produtivo, de revenda e de serviços, todos eles trabalhados num mesmo foco, para tornar o processo ético, responsável, crescente, onde ganha a sociedade e o setor. A área de tecnologia assistiva, até há alguns anos, era um segmento da saúde e não tinha todo o contexto que tem hoje. O próprio governo não a enxergava como uma especificidade. A partir do momento em que tiveram a consciência que a tecnologia assistiva precisava de uma interferência do Estado para acelerar o processo, a sociedade começou a se mexer e a ABRIDEF, que tem pouco mais de 3 anos, veio para organizar, como uma entidade de classe, representando o setor produtivo – revenda e serviço – e ajustando os assuntos entre a sociedade, os processos produtivos e o governo. O triângulo precisa dessas três pontas iguais, por isso a atuação da ABRIDEF é tão importante. Revista Reação - Qual sua perspectiva para esse mercado para os próximos anos ? Gino Salvador - O mercado da tecnologia assistiva terá crescimento sempre, independente do que aconteça – e será acima dos índices de PIB do Brasil. Isso ocorrerá porque é um mercado novo, emergente. O governo estima que haja em torno de 45 milhões de pessoas com deficiência no Brasil, sendo que parte dessa população estava no processo marginalizado, mas passou a ser incluída, conquistando um grande poder de compra. Nós, como organização, enxergamos que esse setor é o maior para crescimento nos próximos anos, porém o governo tem que estar atento nas suas ações. Terá que integrar fomentando o setor produtivo, o consumidor e a academia, porque nós também precisamos desse triângulo, e ele tem que ser muito bem estruturado. Revista Reação - Qual sua mensagem para os consumidores dos seus produtos ? Gino Salvador - Todo o usuário de tecnologia assistiva deve ter em sua consciência que não existem mais barreiras que impeçam sua inserção na sociedade. Basta querer que é possível fazer com que o processo mude. Hoje, a sociedade de modo geral é receptiva e não mais discriminativa.

95


tecnologia

96

Fotos Everton Amaro

SENAI de Itu é referência em educação e tecnologia para pessoas com deficiência

U

ma escola que é muito mais do que isso: a Ítalo Bologna, unidade do SENAI - Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial, localizada na cidade de Itu, no interior paulista, é uma escola que tem múltiplas atividades. Fundada em 1947, foi em 1996 que a unidade começou também a ensinar pessoas com deficiência. A primeira turma foi de 18 alunos cegos e, a partir daí, tornou-se uma referência nacional, desenvolvendo não só o ensino, mas também atuando em outros setores de pesquisa e desenvolvimento de produtos para todos os tipos de deficiências. Um dos destaques é o núcleo de impressão Braille, que funciona desde 1997 e imprime em 19 idiomas, tendo recebido vários prêmios internacionais pela excelência do trabalho. Também se dedica ao atendimento e preparação de empresas para receber profissionais com deficiência, cuidando do equipamento, adequação do ambiente e método de trabalho. Outra vertente que tem rendido vários prêmios à escola ituana é o desenvolvimento de tecnologia assistiva. Internamente, foi até instituído o prêmio Engenheiro Ítalo Bologna, disputado por formandos dos cursos técnicos que, como trabalho de final de curso, desenvolvem equipamentos para acessibilidade. Os projetos são apesentados a uma banca, formada também por representantes da indústria, que analisa a viabilidade, inclusive econômica. Aprovados, os alunos passam ao desenvolvimento, sendo que a premiação ocorre no final do ano. Em visita à unidade em Itu/SP, a ABRIDEF - Associação Brasileira das Indústrias e Revendedores de Produtos e Serviços para Pessoas com Deficiência foi convidada para a próxima banca.

Evolução e projetos desenvolvidos “Quando entrei na escola, em 1996, não tinha nada, nem material Braille. O próprio professor e a mulher dele liam e

gravavam fitas cassete”, lembra Gelson Inácio dos Santos, da primeira turma, que hoje é um dos instrutores da escola. “Se não fosse o SENAI estaria uns 20 anos atrasado na minha vida, tenho certeza disso”, garante o ex-aluno e hoje funcionário da escola. O “professor” a quem ele se refere é Helvécio Siqueira de Oliveira, diretor da unidade desde 1995 e um dos principais responsáveis pelo desenvolvimento da escola na área de inclusão. Ele explica que a sequência foi natural. “Na medida em que qualificamos pessoas com deficiência, começamos a discutir a educação básica, que é bastante carente nesse grupo. Então abrimos uma linha de ação para desenvolver material didático e investir na formação de professores para trabalhar com elas. A experiência do ensino mostrou que um dos grandes desafios era adaptar espaços dentro da indústria para que as PcD pudessem trabalhar, e assim por diante”, conta Helvécio. João Luiz da Silva ensina no curso técnico de eletrônica e eletromecatrônica e conta que a unidade hoje tem 256 alunos nos cursos técnicos, aprendizagem industrial e de formação inicial e continuada. Desses, cerca de 40 possuem alguma deficiência. Ele é o orientador do grupo de alunos que desenvolve um projeto vencedor do 4º Prêmio Nacional de Reabilitação, um semáforo para travessia de cegos. “Contatamos as prefeituras de Sorocaba/SP e Itu/SP e, através da última, o fornecedor fez uma parceria, emprestou o equipamento em comodato para a gente fazer os testes e validar o processo, até a fabricação”, conta Silva, afirmando que como a premiação era nacional, despertou interesse de muitos estados. O semáforo prevê o envio de sinais sonoros e vibração por meio de um “tag” para ser colocado no braço da pessoa cega que quer atravessar a rua. Os alunos Wellington Henrique da Silva e Marcelo Augusto do Amaral, que participam do grupo, garantem que o sistema é totalmente seguro, enquanto o cego não passar pelo chamado portal de saída, o sinal não abre. Andando pela escola, é possível ver vários exemplos de projetos desenvolvidos pelos alunos dentro dessa área, como uma cadeira de rodas adaptada que torna mais fácil


97

para o cuidador os trabalhos com a higiene dos usuários. Outro exemplo é o bebedouro adaptado, desenvolvido em conjunto com a Indústria Brasileira de Bebedouros (IBBL), também com sede em Itu/SP. Hoje em dia, os locais que querem um bebedouro acessível para pessoas em cadeiras de rodas costumam instalar dois modelos, lado a lado, em tamanhos diferentes. Os alunos da escola desenvolveram agora um só equipamento, que pode subir e descer, de acordo com a necessidade, não havendo mais a partir desse invento, a necessidade de dois equipamentos diferentes instalados lado a lado. O projeto ganhou o prêmio da escola em 2012. Projeto premiado também foi o paquímetro que permite às pessoas cegas serem inspetores de qualidade. Faz a leitura de medidas, o registro delas, com uma tecnologia de leitor de tela e sonora, além de imprimir um relatório diário dos resultados. Outro projeto desenvolvido, aprovado pela ANVISA, inclusive, e que já está em uso pelo Hospital Oftalmológico de Sorocaba/SP, é uma caixa de transporte de córneas que possibilita a total integridade do material. A mais recente mostra do trabalho desenvolvido em Itu foi no “Inova SENAI”, uma das

atividades que ocorre no SP Skills, a maior competição do ensino técnico e profissionalizante do estado, que reuniu as diversas unidades do SENAI entre 22 e 29 de setembro, numa grande mostra no Palácio das Convenções do Anhembi, na capital paulista. O “Inova” apresentou 80 trabalhos, em 9 categorias, de 46 escolas SENAI paulistas.

Destaques do INOVA SENAI

O “Cooktop”, desenvolvido pelos estudantes do curso de técnico em mecânica Rafael Sabaini Garcia, Rogel Pinotti da Silva, Elisabete Ribeiro Proença e Marcos Roberto Silvério da Cruz, foi pensado para ajudar pessoas com deficiência motora na cozinha. É um fogão de 4 bocas com tampa giratória e um “painel” de comando com números de 1 a 4 para indicar qual boca virá para a parte frontal do utensílio a fim de ser utilizada. A equipe criou um sistema que permite a rotação da tampa onde estão as bocas do fogão, sem movimentar o restante do objeto. Ideal para a utilização de pessoa em cadeira de rodas. A produção em larga escala já está em negociação com empresas interessadas. A “Estante para PcD” é ideia dos alunos Henrique Tatsunori Yonamine Mitsugui, Lucas


98

tecnologia A unidade Ítalo Bologna ainda foi premiada nas modalidades inclusivas da São Paulo Skill: 1º lugar em Solução de Software TI para pessoas com deficiência visual, com Fernanda Paiva da Cunha Rosa e 1º, 2º e 3º lugares em Costura (deficiências auditivas) com Deisy Morais dos Santos, Carolina Maiante, Aline do Carmo Pacheco Nunes dos Santos e Fernanda Cristina de Abreu Veiga.

Pranstete Fabrício, Murilo Gianotto Siqueira e Arthur Vinícius Dias. O produto tem prateleiras móveis que giram em sentido horário e anti-horário à medida que o usuário pressionar o botão de comando para cima ou para baixo. Há, também, um botão de emergência em caso de algum incidente durante o uso. O “Incitador Muscular para as Pernas” representou o campo de produtos para reabilitação. Desenvolvido por Kelvin

Wallace de Oliveira Barbosa, Patrícia Camolesi, William Reinaldo Silva de Melo e Verônica Santos da Silva, o projeto foi criado para exercitar pessoas que não movimentam as pernas ou têm movimentação parcial. A velocidade pode variar, de acordo com o problema de cada um. O projeto da estante foi o grande vencedor do “Inova SENAI” na categoria especial Ambiente. O mesmo trabalho levou o 3º lugar na categoria Responsabilidade Social. A escola ficou com o 2º lugar em Responsabilidade Social com o “Cooktop”, que também foi premiado com o 2º lugar na categoria especial Design e 3º lugar na categoria especial Ambiente. Os projetos vencedores do “Inova” foram convidados para se inscrever na etapa nacional, que será realizada em 2014, em Minas Gerais.

Vagas do SENAI para cursos técnicos estão à disposição ! As pessoas com deficiência estão incluídas no Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (PRONATEC). O Serviço Nacional de Aprendizagem Industria (SENAI) oferecerá, até o fim do ano, 13,7 mil vagas em cursos de formação inicial e continuada e cursos técnicos. Como todos os beneficiários do programa, matrícula, mensalidade, transporte, alimentação e material didático são custeados pelo governo federal. Para eles, há ainda o direito à inscrição prioritária. A inscrição pode ser feita na página pronatec.mec.gov.br que traz a lista das opções disponíveis. Também podem ser procuradas instituições como os Centro de Referência de Assistência Social (CRAS), as secretarias municipais de direitos humanos e as agências do Sistema Nacional de Emprego (SINE), responsáveis por encaminhar os pedidos de matrículas para o SENAI. Quem for estudante do ensino médio de escolas públicas deve procurar a secretaria das escolas. De janeiro a agosto foram realizadas cerca de 1,3 mil matrículas em cursos como costureiro industrial, padeiro/confeiteiro, operador de computador, eletricista industrial, entre outros, oferecidos nos 26 estados e no Distrito Federal. As aulas são ministradas em turmas inclusivas, das quais participam estudantes com e sem deficiência.


l a i c e Esp


100

por Flávio Scavasin

Cidade para Todos

O

Movimento “Cidade para Todos” foi constituído há pouco mais de um ano por cidadãos com e sem deficiência – em sua maioria cegos - não vinculados a governo ou instituições, que lutam por espaços públicos e privados, que ofereçam as mesmas condições de inclusão e acessibilidade a todas as pessoas. Recentemente com um perfil no Facebook (www.facebook.com/cidadeparatodosacessibilidade), vem ganhando notoriedade por exigir dos governos que as boas leis sejam cumpridas e que os discursos oficiais sejam substituídos por ações concretas em prol da acessibilidade e inclusão das pessoas com deficiência.

Breve “RAIO X” da Deficiência no Brasil Apesar dos discursos oficiais que nos fazem pensar que estamos na Dinamarca ou Suiça, os brasileiros com deficiência ainda se encontram em situação de exclusão com relação aos outros cidadãos, incluindo os com deficiência de muitos outros países. Mesmo se desconsiderarmos as deficiências leves do Censo de

2010 (aqueles com “alguma dificuldade para realizar algo”), a população com deficiência no Brasil soma algo próximo às populações somadas de países como Suécia e Porto Rico. E as políticas públicas devem considerar que a população com deficiências sensoriais (surdos e cegos) é praticamente o dobro da com deficiências físicas, mostrando que há muito a ser feito além das rampas e elevadores. Muitos brasileiros com deficiência não são sequer atingidos pelo Estado ou mercado, já que, mesmo os advindos de famílias abastadas, se surdos, não conseguem ser inclusos adequadamente em programas educacionais ou quaisquer outras atividades culturais. Se cegos, conseguem acessar apenas ínfima parcela dos mais de 60 mil títulos publicados anualmente no Brasil pelas editoras, além de terem grande dificuldade para se locomover com autonomia. Se cadeirantes, não conseguem transitar pela maioria das calçadas brasileiras. E se com alguma deficiência intelectual, ficam praticamente sem qualquer oportunidade de se valer das funcionalidades não abarcadas pela deficiência. Os problemas são muitos e envolvem todas as deficiências. Na Locomoção e transporte, por exemplo, exige-se a difusão das novas tecnologias, hoje disponíveis e em franco desenvolvimento, para que os cegos possam se servir de todos os transportes públicos com autonomia, como necessitam até mais que outras pessoas, lembrando estarem totalmente excluídos como condutores de carros, motos, bicicletas, patins ou skates. Pagando impostos como outros cidadãos, os cegos também ficam excluídos de apreciar a arquitetura de edificações e de perceber a disposição geográfica de seu próprio bairro, por não existirem maquetes e mapas táteis. Como todos sabemos, grande parte das questões relativas à acessibilidade, embora

amparadas pela legislação e em especial Lei 10.098, de 2000, não vêm sendo cumprida pela maioria dos entes públicos ou privados. No tocante à acessibilidade urbana, o Movimento tem algumas propostas interessantes:

Calçadas Acessíveis e sem postes No Brasil, a conservação dos passeios públicos é de responsabilidade do munícipe, que determina o material utilizado e inclinação do piso conforme a sua conveniência. Em países desenvolvidos há o enterro do cabeamento, sem haver necessidade dos postes, e toda a extensão da calçada é padronizada pela prefeitura, como o é o leito carroçável. Com isso, além da acessibilidade e melhoria estética, os custos de manutenção são bastante inferiores e com segurança muitas vezes maior - como atesta o Edson Electric Institute, um dos mais respeitáveis dos Estados Unidos - bem como a tarifa de energia é menor do que a praticada no Brasil.

Proposta do Movimento: 1 - Mudança na legislação para que a responsabilidade de todos os passeios públicos seja municipal, com acessibilidade e enterro de fiação, bem como, na medida do possível, plantem-se árvores no lugar de postes retirados quando desnecessário ou quando não sustentem semáforos ou iluminação pública, desde que haja área para trânsito superior a 1,20 m destinada à acessibilidade. 2 - Eliminação de obstáculos aéreos


101 incluindo a poda regular de árvores em altura mínima de 2 metros na primeira bifurcação, visando evitar acidentes especialmente com os cegos.

Quando se fala em acessibilidade, não falamos apenas na acessibilidade física ou do meio físico. Para os cegos, mais uma vez, por exemplo, o governo poderia disponibilizar equipamentos como scanners “falantes” e softwares leitores de tela, bem como outros dispositivos e softwares voltados à acessibilidade para leitura em todas as bibliotecas, escolas, telecentros, centros culturais, museus etc. Também poderiam providenciar a instalação de Semáforos Sonoros, e o modelo mais apropriado seria o de cidades como Madri (Espanha), por exemplo, onde cada vez em que o semáforo para pedestres “abre” é emitido um sinal sonoro que lembra o canto de pássaros, facilmente identificado pelos cegos para realizar a travessia de forma segura e que também torna o ambiente agradável a todos. Nesta proposta de semáforos sonoros com acionamento automático para a travessia de pedestres deve ser rejeitada qualquer proposta que exija que a pessoa cega acione algum botão, dadas as suas dificuldades de localização do próprio poste ou display que o contenha, além de ser uma equiparação de oportunidades com relação às pessoas videntes, já que a maioria dos sinalizadores de pedestres não contém botões. O Piso tátil em espaços de uso público é extremamente necessário à pessoa cega, que o tateia com sua bengala e detecta os pontos em que pode avançar (piso direcional, com faixas em relevo) e parar ou se preparar para alguma alteração (piso de alerta, com saliências como pontos ou bolas). Como há pisos táteis apropriados a cada superfície, deve ser instalado no maior número possível de calçadas, bem

como em demais espaços de uso público. Deveríamos ter a obrigatoriedade do piso tátil em calçadas e em todos os locais de trânsito de pedestres visando a autonomia da pessoa cega, conforme normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas - ABNT e em atendimento ao Decreto Federal 5.296/2004.

Transporte público Ainda focando nas pessoas com deficiências visuais, o comunicador sonoro nos transportes públicos, especialmente no caso dos ônibus, mas extensível aos demais transportes municipais ou intermunicipais é essencial. Deveria haver a possibilidade de identificação sonora da chegada do ônibus desejado ao ponto e – muito importante - também do local da porta de entrada, bem como, quanto ao motorista do veículo, a confirmação por aproximação eletrônica de que o cego ainda se encontra no ponto. Essa última observação decorre de que, especialmen-

te em um ponto com muitas pessoas, o próprio motorista pode ter dificuldade de visualizar rapidamente a pessoa cega – que ainda pode estar tentando passar por pessoas para chegar ao ônibus - ou que essa já não estaria no ponto por ter subido em ônibus anterior. Esse equipamento também é útil para cadeirantes, já que o motorista – ao saber que uma pessoa com deficiência o espera - pode posicionar o ônibus da melhor forma junto à calçada. Além disso, A Lei 10.098 do ano 2000 e o Decreto 5.296 do ano de 2004, são claros e respectivamente criaram e regulamentaram esse direito, ou seja, o direito da pessoa com deficiência visual de atravessar com segurança ruas, avenidas e cruzamentos das cidades brasileiras. Além da sinalização visual, comum em salas de espera e outros locais de uso público – destinadas às pessoas sem deficiência, os pontos de ônibus deveriam ter esses equipamentos,


102 que também servem aos surdos. Por isso são necessários painéis visíveis e senhas sonoras para o atendimento ao em todos os locais, públicos ou privados.

culturais, hospitais, postos de saúde, escolas, delegacias, postos policiais, bombeiros, cemitérios, parques, zoológico e até determinadas praças.

Os surdos

Maquetes e Mapas Táteis As maquetes táteis permitem que todos – especialmente as pessoas cegas - possam conhecer, mesmo em ambiente fechado, os detalhes arquitetônicos externos e internos de uma determinada edificação. No caso dos cegos, é a única opção para “sentir” com as mãos esses detalhes, especialmente importantes em se tratando de centros urbanos, servindo como exemplo os novos e majestosos estádios construídos em função da Copa do Mundo e dos Jogos Olímpicos. Qual cego conhece as asas de avião com que Lucio Costa planejou Brasília ? E as obras de Oscar Niemeyer e outros grandes arquitetos, quando serão apreciados pelos cegos ? Atualmente existem profissionais de grande desenvoltura na área de maquetes táteis e que prestam excelentes serviços, procurando e desenvolvendo materiais que cada vez mais se aproximam da textura original da edificação. Mas também pode-se recorrer, em alguns casos, às novas impressoras em três dimensões, eventualmente com um novo acabamento, podendo ficar disponível em base fixa ou removível, recomendando-se, nesse caso, a utilização de uma simples bússola que reposicione a maquete tátil na mesma posição da obra original. Igualmente, os mapas táteis são necessários ao cego para se posicionar em um determinado ambiente desconhecido e, de forma autônoma, tomar decisões quanto à sua destinação. Por isso, deveria-se ter a obrigatoriedade de que todas as edificações públicas ou de uso público, dispusessem desses recursos em sua entrada, como em estações de metrô, rodoviárias, estações de trem, museus, teatros, cinemas, centros

Os problemas mais comuns no dia a dia para as pessoas com deficiência auditiva passam, portanto, pela falta de informação da população em geral, aliado à falta de acessibilidade nas escolas e universidades, a dificuldade de resolver problemas que requerem contato telefônico e dificuldade de localização em situações que só usam informações sonoras. Dentre as pessoas com deficiência, os surdos são os mais excluídos socialmente. Por isso, acreditamos que caiba ao Estado disponibilizar o implante Coclear aos surdos, dando ainda a eles todo acompanhamento especializado. Aos que usam aparelhos auditivos, o SUS deveria fornecer as baterias e manutenção aos que não tem condição financeira. A Libras – Língua Brasileira de Sinais deveria fazer parte do currículo do ensino fundamental. Dessa forma, crianças surdas e ouvintes se integrariam desde o início de seus estudos. E os órgãos públicos e de atendimento ao público em geral, deveriam ter funcionários aptos em Libras. Bem como devemos incentivar o uso do sistema de Estenotipia (legenda em tempo real) nos eventos públicos, como forma de atender mais surdos, muitos deles com boa leitura e que não se valem de Libras, como forma de atraí-los a participar de discussões às quais fazem jus na qualidade de cidadãos. No Brasil, esse é ainda um serviço muito caro, especialmente pela falta de profissionais. Isso sem falar nos programas de TV e cinemas, que deveriam ter as legendas embutidas ou em Closed/Open Caption. Existe ainda o recurso do chamado Aro Magnético, comum em outros países, inclusive na nossa vizinha Argentina, mas que não temos no

Brasil. É comum também, que em locais públicos, como aeroportos, as informações aos usuários seja prestada exclusivamente pelo auto-falante, excluindo o surdo do entendimento de mudança de portão de embarque ou outra informação importante. Por isso, alarmes luminosos e informações escritas são essenciais nesses locais, assim como avatares em Libras, quando possível, em todos os locais onde haja alto-falantes destinados ao público, de forma que tudo que seja dito por alto falantes apareça também escrito em telões. Ainda tocando nos problemas dos surdos, eles não conseguem sequer acionar um serviço de emergência, sendo necessário que haja profissionais preparados para trocar mensagens via celular ou smartphones com o surdo, com a devida compreensão das dificuldades de alguns quanto ao nosso idioma. Serviços essenciais, como polícia, bombeiros, ambulâncias, bancos etc... deveriam ter atendimento ao surdo via “chat” ou SMS.

Pessoas com Deficiências Físicas e com dificuldades de locomoção Agora com o advento da Copa do Mundo no Brasil e das Olimpíadas, o número de turistas com deficiência será grande pelas nossas cidades. E como o nosso sistema atual de Taxis vai dar conta de atender a todo esse contingente ?


103 Os chamados Táxis Acessíveis já existem nas grandes cidades, mas o modelo atualmente utilizado, será que é o correto? Vemos o modelo dos taxis acessíveis em Londres, por exemplo, que permite que praticamente todos os modelos de automóveis de todas as montadoras, possam atuar no transporte de PcD, por simplesmente portar uma rampa dobrável lateral, que não traz nenhum transtorno a outros usuários e que permite ao motorista transportar, além de cadeirantes, mães com carrinhos de bebê ou mesmo outros objetos de maior porte, que passam a caber no banco traseiro a partir do rebatimento dos bancos. Sabemos que se houver a exigência do Poder Público para que todos os táxis sejam acessíveis em um determinado prazo, as próprias montadoras disponibilizarão modelos de veículos com essa finalidade, que também servirão para serem comercializados para usuários comuns, sem perder valor de revenda. Sugerimos que haja a exigência do Poder Público de que 100 % da frota dos táxis da cidade

seja acessível a partir de um determinado prazo a ser estabelecido, com a concessão de novas licenças apenas sob essa condição. E isso não trará custo algum ao Estado. E os ônibus ? No Brasil, os ônibus foram adaptados em estruturas de caminhões, o chassi é o mesmo, o que gerou os degraus que, além de inacessíveis, comumente provocam acidentes, especialmente para idosos. Assim, para todas as pessoas, e não só para as com deficiência, o modelo de ônibus com o piso baixo é o mais adequado, exigindo menor esforço para rapidamente entrar ou sair do veículo, assim como eliminando-se a necessidade de uso de elevadores, geralmente caros e com dificuldade e morosidade de operacionalização pelo motorista. Além disso, os ônibus mais modernos dispõem de suspensão regulável, podendo rebaixar a sua estrutura até próximo à altura da calçada. Por isso nossa sugestão é que a frota brasileira seja renovada, com ônibus de piso baixo e com rampas removíveis.

Temos consciência que muita coisa precisa ser feita, essas apresentadas aqui e muitas outras ideias e experiências efetivas já aplicadas em outros países devem ser avaliadas e colocadas em prática para uma melhor qualidade de vida das pessoas com deficiências em nosso País. Muito já se fez, é fato, mas há muito a se fazer ainda, e boas ideias a de serem levadas em conta. Por isso devemos lutar por um Brasil melhor e mais acessível a todos ! Flávio Scavasin é pessoa com deficiência, membro do grupo “Cidade para Todos – Acessibilidade”, consultor e palestrante em temas voltados a pessoas com deficiência. Foi fundador e vice-presidente da Associação Brasileira dos Portadores da Síndrome da Talidomida – ABPST, ex-presidente voluntário do Instituto de Acessibilidade para a Diversidade (IAD), foi coordenador de Desenvolvimento de Programas da Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência de São Paulo (2008 – 2012), foi gestor do Parque Villa-Lobos, segundo em importância na cidade de São Paulo, que se tornou no período o primeiro parque acessível do Estado de São Paulo (2004 – 2008). É ex-presidente do Conselho Estadual para Assuntos da Pessoa com Deficiência – CEAPcD, é pós-graduado em Administração pela Fundação Getúlio Vargas – FGV, formado em Direito pela Universidade de São Paulo – USP. E-mail: fscavasin@uol.com.br


104

por Mariana Alves Montoia

Calçadas e Estádios

A

calçada é parte integrante do sistema viário público, e é destinada a circulação de pessoas, implantação de mobiliário urbano, vegetação, sinalização, e outros, oferecendo dessa maneira um ambiente acessível para as pessoas com deficiências, idosos, gestantes e pessoas com mobilidade reduzida, além oferecer uma cidade com maior qualidade de vida e com uma paisagem urbana mais interessante para todos. Na maioria de nossas cidades é comum não haver a preocupação com a calçada, como resultado, aumenta-se o número de atropelamentos, já que o pedestre é obrigado a disputar espaço na pista com o veículo. Toda calçada deve assegurar o deslocamento de qualquer pessoa, independente de sua idade, estatura, limitação de mobilidade ou percepção, com autonomia e segurança. Para isso ela deve atender aos itens abaixo citados: • Acessibilidade: as calçadas e passeios devem assegurar a completa mobilidade dos usuários, especialmente das pessoas que tenham alguma dificuldade de locomoção, com espaço suficiente para circulação e sinalização tátil adequada. • Dimensões: deve atender às dimensões necessárias na faixa livre de circulação (largura mínima de 1,50 m) e ser projetada para acomodar de maneira agradável o maior número possível de pessoas andando ao mesmo tempo simultaneamente. • Segurança: propiciar a todos segurança e tranquilidade enquanto caminham. • Continuidade: a calçada deve servir como rota acessível ao usuário, sendo um caminho contínuo e de fácil percepção, resguardando sempre seus aspectos estéticos e harmônicos. • Espaço de sociabilização: deve oferecer espaços agradáveis para o encontro entre as pessoas e interação social dessas na área pública. • Desenho da paisagem: organizar todos os elementos da via, propiciando climas agradáveis e contribuindo para o conforto visual do usuário.

Na cidade de São Paulo, por exemplo, existe um projeto da prefeitura para padronização e adequação das calçadas, apesar desses esforços o pedestre continua sendo um cidadão de segunda classe. Calçadas com inclinações e pisos inadequados continuam a ser construídas em frente a novos prédios. Em grande parte dos casos a calçada é na verdade a rampa de acesso de veículos, deixando ao pedestre o desconforto de se equilibrar, quando consegue. Idosos, cadeirantes e mães empurrando carrinhos de bebês preferem andar pela rua, junto ao meio fio, do que correr o risco de cair nessas rampas. Da mesma forma, nas regiões de terreno acidentado, as inclinações ao longo da calçada são muitos grandes e geram problemas para as pessoas com mobilidade reduzida. A calçada tem espaço para todos, menos para o pedestre, mas com os atuais projetos da Prefeitura, já podemos ter esperança, de que num futuro próximo o pedestre possa tomar posse do seu direito mais simples: Caminhar. E falando em calçadas acessíveis são elas que nos levam aos tão esperados estádios da Copa do Mundo. Quando se fala em acessibilidade, a primeira palavra que me vem à mente é Bom Senso. Existe uma fina linha entre a falta e o excesso de acessibilidade. Sim EXCESSO ! Durante minha atuação em alguns dos estádios me deparei


por Luciene Gomes

com essa situação, com a falta de conhecimento no assunto, as pessoas enchem os estádios de piso tátil, e “bolsões” reservados para cadeirantes, achando que dessa forma o estádio ficou muito acessível. É importante ter muito cuidado com isso. O piso tátil, por exemplo, é um aliado da pessoa com deficiência visual, ele facilita a circulação, e avisa quando existem obstáculos, porém, quando usado em excesso acaba por confundir e atrapalhar a circulação da pessoa. Além do projeto de sinalização tátil, também é importante pensar em quais materiais usar, para que eles tenham boa fixação e durabilidade, e beleza. Hoje o mercado dispõe de uma ampla gama de materiais, modelos e cores para aliar a necessidade e boa estética. Outro ponto de extrema importância nos estádios são os locais reservados para cadeirantes e obesos. Eles não devem estar todos juntos, formando um “bolsão” de assentos e espaços reservados. O correto é coloca-los em espaços diversos, com fácil acesso e junto a outras cadeiras comuns, para que a pessoa que vai utilizar esses locais possa ir acompanhada e desfrutar do evento junto aos seus amigos e familiares que utilizarão as cadeiras comuns. Por isso, na hora de projetar um estádio, ou simplesmente reformar uma calçada é importante ter dois itens em mente: Norma Técnica e Bom Senso ! Mariana Alves Montoia

é Arquiteta Urbanista especializada e Pós Graduada em Acessibilidade, tendo iniciado seu engajamento pela arquitetura acessível desde seu estágio na São Paulo Transportes (SPTrans), onde já demonstrava grande entusiasmo pela implementação de acessibilidade nos Terminais de ônibus da Cidade. Como docente, trabalhou ativamente no desafio de difundir a causa através do “Curso Acessibilidade na Prática” para representantes das mais diversas áreas técnicas da construção civil, tendo alcançado avanços positivos entre os novos adeptos. Como coordenadora da área de Projetos e Obras da Andaluz Acessibilidade, vem desenvolvendo projetos e consultorias para Estádios, Shoppings e Edifícios residenciais e comerciais de todo o país, sempre focando na arquitetura inclusiva e acessível para todos.

Escolha de piso pode se tornar uma armadilha

A

ndar de cadeira de rodas pela cidade, para mim, é quase sempre um prazer. Meu humor só muda quando não consigo chegar onde quero por falta de acessibilidade, e um elemento importante para permitir ou não o meu (e o de todo mundo) deslocamento é o piso utilizado no espaço construído, uma questão importante em todos os ambientes. A primeira exigência é o uso de antiderrapantes especialmente nas “áreas molhadas” como banheiros, cozinhas e próximo a piscinas, por exemplo, já que nesses locais o uso de água é constante e pisos úmidos e molhados se tornam perigosos e o risco de acidentes aumenta. É fácil imaginar alguém que faz uso de uma bengala utilizando um piso molhado, não é? Sei que nem sempre é fácil fazer alterações nos espaços construídos, mas existem algumas soluções como a colocação de piso antiderrapante sobre o piso existente, só é preciso evitar qualquer desnível acima de 1,5cm como diz a NBR9050/2004 da Associação Brasileira de Normas Técnicas. Outra solução é o uso de fitas antiderrapantes principalmente em rampas e escadas, já que elas também podem ser colocadas sobre o piso já existente. Essas opções são mais baratas e rápidas, mas nem sempre são soluções eficazes e possíveis. Os pisos são diversos e segundo a norma brasileira NBR 13.818/1997 re-

vestimentos antiderrapantes são as placas de cerâmica com coeficiente maior ou igual a 0,4 (sempre se informar antes da compra). Algumas pedras não polidas também são antiderrapantes. Para ser acessível, o revestimento precisa ser utilizado de forma fácil e segura, devendo ser também de fácil manutenção e resistente, principalmente quando utilizado nos espaços públicos. Como arquiteta e cadeirante, acho concreto moldado in loco e o concreto os mais adequados, porque quando bem utilizados, são contínuos e possibilitam o uso por usuários de cadeira de rodas, pessoas com mobilidade reduzida ou por pessoas sem dificuldade de locomoção, além de exigirem pouca manutenção. O ladrilho hidráulico, as placas pré-

105


106

por Linamara Rizzo Battistella

Mobilidade urbana: uma questão de acessibilidade

A -moldadas de concreto e o piso intertravado também podem ser utilizados, mas a manutenção deve ser constante e, sempre que necessário, os pisos devem ser trocados ou reparados. Alguns devem ser evitados como o mosaico tipo português e os pisos de pedra, em especial a Miracema. O mosaico português, que foi amplamente difundido e utilizado na arquitetura brasileira, apesar de lindo, se solta com facilidade e os buracos que acabam se formando por conta de pedras soltas e pela falta de manutenção se tornam perigosos: se as rodas dianteiras da minha cadeira se encaixarem em um desses buracos, posso cair, assim como qualquer pessoa pode tropeçar, mulheres podem enroscar o salto do sapato e se desequilibrar... Além disso, os pisos de pedra em geral provocam trepidações por conta do formato irregular e podem ser escorregadios. É preciso estar atento também à escolha dos pisos táteis que devem ser antiderrapantes, se colados podem se soltar aumentando o risco de tropeços, e quando colocados no contra piso, devem ser nivelados com os demais. É importante pensar no projeto e materiais a serem utilizados nas construções desde a sua concepção sempre se adequando às normas de acessibilidade e ao Desenho Universal, possibilitando assim o uso da cidade por todos.

Luciene Gomes é Arquiteta e Urbanista, Mestranda do Programa de Pós-Graduação em Terapia Ocupacional (UFSCar) na área de Acessibilidade e Desenho Universal e Docente do SENAC São Carlos/SP na área de Acessibilidade e Desenho Universal. E-mail: contato@planolivre.com.br

Lei Federal Nº 12.587, de janeiro de 2012, que instituiu a Política Nacional de Mobilidade Urbana, tornou obrigatório que as cidades brasileiras com mais de 20 mil habitantes possuam, integrado aos seus Planos Diretores, um Plano Municipal de Mobilidade Urbana, sendo maio de 2015 o prazo final para tal adequação, sob pena de não receberem verbas federais para a área, até que atendam à exigência da lei. Além de buscar eficiência e segurança na circulação urbana, essa norma traz, como primeiro princípio, a “acessibilidade universal”. Assim, para que as cidades cumpram com os requisitos exigidos pela Política Nacional de Mobilidade Urbana, é necessário que adotem os critérios e normas de acessibilidade como pilares fundamentais de seus planos municipais, conforme as leis Nº 10.048 e 10.098 de 2000, bem como o Decreto Federal Nº 5.296 de 2004. Cabe aos estados, como já faz o Estado de São Paulo, tornar prioritárias suas políticas inclusivas e aplicá-las transversalmente. O Metrô paulista, com estações 100% acessíveis, o Rodoanel e os ambulifts entregues aos aeroportos, sob administração estadual, são exemplos marcantes nessa área, bem como, de forma emblemática, a atuação da Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência de São Paulo. Com o aprimoramento de seus Planos Diretores, pela inclusão de Plano de Mobilidade Urbana, lastreado em acessibilidade universal, certamente veremos a otimização de esforços na revisão do desenho urbano, priorização dos equipamentos, mobiliários e veículos acessíveis, redução das barreiras arquitetônicas e urbanísticas, entre outras ações que, além de cumprir a legislação vigente, permitirão o acesso igualitário aos diversos bens, produtos e serviços disponibilizados na sociedade, beneficiando, sem dúvida, toda a população. Prefeitos, mãos à obra ! Linamara Rizzo Battistella é médica fisiatra, professora da FMUSP e Secretária de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência de São Paulo.


por Robson Gonzales

A

Acessibilidade !

cessibilidade, segundo a NBR 9050/04 é a “possibilidade e condição de alcance, percepção e entendimento para a utilização com SEGURANÇA e AUTONOMIA de edificações, espaço, mobiliário, equipamento urbano e elementos”. Destaquei duas palavras que são de extrema importância no entendimento do conceito de acessibilidade: promovendo segurança nos acessos e travessias, uso de equipamentos e mobiliários, já temos boa parte da legislação atendida. Para isso, utilizamos a sinalização de piso direcional e de alerta para as pessoas com Deficiência Visual, guarda-corpos e corrimãos, portas com sensores que evitam seu fechamento enquanto se está acessando ao elevador ou edificação etc. Se temos então um ambiente seguro, agora precisamos dar autonomia para que a pessoa utilize este ambiente de forma plena. Como ? Através de sinalização eficiente e com clareza de informações, com rampas que tenham inclinação adequada para que a pessoa em cadeira de rodas possa superar o desnível sem auxílio. Além dos prédios públicos, os condomínios comerciais e residenciais devem permitir acesso e uso, inclusive das áreas comuns, como o hall de entrada do prédio, piscinas, churrasqueiras, salão de festas, banheiro do salão de festas, auditórios etc. Áreas de uso comum, por definição são: espaços, salas ou elementos externos ou internos que são disponibilizados para o uso de um grupo específico de pessoas (por exemplo: salas em edifício de escritórios, ocupadas geralmente por funcionários, colaboradores e eventuais visitantes). Integram ainda estes espaços: as piscinas, salas de jogos, salas de vídeo, brinquedoteca, cozinha gourmet, sala de ginástica, sauna etc. Recentemente fui contratado para fazer um laudo de acessibilidade de um condomínio entregue em 2012, e o que vou relatar me deixou extremamente preocupado: A área comum do condomínio residencial, formado por 2 torres, possui exatamente 73 itens de acessibilidade que não atendem à legislação. Como uma das maiores construtoras do país executa e entrega uma obra com esta quantidade de erros e de barreiras arquitetônicas que impedem a acessibilidade ? Alguns itens somente alguém com olhar treinado e conhecedor da legislação poderia constatar, como a falta de piso tátil no início e término de rampas e escadas, aplicação do Braille e Signos em relevo nas placas de informação, inclinação acentuada em rampas, a bitola dos corrimãos, largura das rampas etc. A edificação foi entregue com erros crassos: a porta do banheiro acessível tem apenas 61cm de largura. Para que serve um banheiro acessível se ele não permite que a cadeira de rodas passe pela porta ? Além disso, todas as portas de acesso possuem 2 degraus

de 3 cm cada e a rampa que dá acesso à quadra de esportes termina num outro degrau de 4 cm. A Piscina também não é acessível. A situação relatada é comum à maioria dos edifícios entregues, que deveriam atender a legislação. E 3 fatores são a causa: 1 - Falta do projeto de acessibilidade, ou o projeto feito por arquiteto sem especialização. Não basta “dominar” ou “saber de cor” a Norma NBR 9050. A legislação em questão é bem mais ampla, abrangendo resoluções de CPA´s, Leis e Decretos municipais, estaduais e federais. 2 - Falta de treinamento em acessibilidade dos engenheiros e arquitetos que acompanham a execução da obra. 3 - Fiscais da prefeitura que também não tem o conhecimento necessário sobre acessibilidade e aprovam o habite-se sem que essa questão seja verificada de maneira satisfatória. Além do treinamento dos profissionais envolvidos no projeto e na execução, na minha opinião, o projeto de acessibilidade deve ter o status de “projeto complementar”, assim como os projetos de elétrica e hidráulica, que são executados por profissionais especializados. Este procedimento aumentará a qualidade do projeto e consecutivamente do produto final (obra executada), gerando inclusive economia para as construtoras. Por isso, recomendo: na dúvida, consulte um profissional.

Robson Gonzales é arquiteto e urbanista, proprietário da ARPA – arquitetura e projetos para acessibilidade e pós-graduado em acessibilidade e especialista em desenho universal, além de membro da ABNT, ABERGO e CBCS E-mail: gonzales@arpaacessibilidade.com.br

107


108

por Silvana Cambiaghi

Condomínios antigos podem se tornar acessíveis com poucas adaptações Promover acessibilidade em edificações residenciais construídas há mais de 20 anos não é algo tão complexo, basta bom senso e planejamento das adaptações...

P

romover acessibilidade em condomínios residenciais verticais construídos anteriores à Lei Nº 11.228/92 (Código de Obras e Edificação da Cidade de São Paulo) não é tão complexo como a maioria imagina e, por isso, pode se avançar bastante nessa questão. O Decreto Federal Nº 5.296/2004 determina, em seu artigo 18, que a construção de edificações de uso privado multifamiliar e a construção, ampliação ou reforma de edificações de uso coletivo devem atender aos preceitos da acessibilidade na interligação de todas as partes de uso comum ou abertas ao público, conforme os padrões das normas técnicas de acessibilidade da ABNT e também os acessos, piscinas, andares de recreação, salão de festas e reuniões, saunas e banheiros, quadras esportivas, portarias, estacionamentos e garagens, entre outras partes das áreas internas ou externas de uso comum das edificações de uso privado multifamiliar e das de uso coletivo [...]. Embora o município de São Paulo possua um Código de Obras e Edificações bastante exigente, muitas construções anteriores a esta data ainda não contemplam as determinações de acessibilidade previstas, porém qualquer pessoa que se sinta prejudicada pode entrar com uma ação judi-

cial baseada na Constituição Federal de 1988, em seu artigo 3º, inciso IV e 5º inciso XLI, que garante a todos os cidadãos direito a igualdade, independentemente da condição do indivíduo, sem distinção de qualquer natureza. De acordo com a arquiteta da Secretaria Municipal da Pessoa com Deficiência e Mobilidade Reduzida, Silvana Cambiaghi, promover acessibilidade em edificações residenciais construídas anteriormente à Lei 11.228/92 não é algo tão complexo. “Construções antigas podem se tornar acessíveis bastando bom senso e planejamento das adaptações”. Silvana lista algumas modificações mínimas para serem feitas em edifícios residenciais, tais como: rampas na entrada de acesso de pedestres e nas vagas reservada na garagem (quando necessário) sempre com no máximo 8,33% de inclinação, elevadores com metragem de 1,10m por 1,40m e botoeira dos elevadores em Braille. A vaga na garagem para pessoa com deficiência deve ter medida de 3,50m por 5,50m e é obrigatório a reserva de 1% das vagas em prédios que possuam acima de 100 veículos. Silvana Cambiaghi é arquiteta, usuária de cadeira de rodas, mestre em Desenho Universal pela FAU-USP, arquiteta da Secretaria da Pessoa com Deficiência da Cidade de São Paulo, Membro Fundador da Comissão Permanente de Acessibilidade (CPA - SP) e sua atual secretária executiva. Membro da revisão da NBR9050 da ABNT sobre Acessibilidade. Docente dos cursos de Acessibilidade no SENAC, Fupam - FAUUSP , Câmara de Arquitetos e FGVOnline, ABRAFAC, IABSP. Autora do Livro “Desenho Universal: “Métodos e Técnicas para Arquitetos e Urbanistas”, entre outras atividades.


nota Supervisor de Acessibilidade A Prefeitura de São Paulo criou o cargo de supervisor de acessibilidade em todas as 32 subprefeituras da capital. O responsável técnico fará o acompanhamento de projetos, obras e demais assuntos relacionados à acessibilidade de pessoas com deficiência e mobilidade reduzida. A portaria foi publicada em 21 de agosto no Diário Oficial do Município pelas Secretarias Municipais da Pessoa com Deficiência e Mobilidade Reduzida (SMPED) e de Coordenação das Subprefeituras. Um servidor público, arquiteto ou engenheiro, será designado em cada local para exercer o cargo e terá que observar a adoção de critérios básicos para a promoção da acessibilidade, incluindo a supressão de barreiras e de obstáculos nas vias e espaços públicos. Um grupo formado por integrantes das duas secretarias coordenará as atividades realizadas pelos “Responsáveis Técnicos para Assuntos de Acessibilidade das Pessoas com Deficiência e Mobilidade Reduzida”, como serão denominados os supervisores nas subprefeituras. Esses profissionais farão a interlocução com a Comissão Permanente de Acessibilidade (CPA), órgão vinculado à SMPED, que oferecerá o suporte técnico e legal referente às normatizações vigentes sobre rampas, calçadas, piso tátil, inclinações, espaçamentos, dentre outras. Os supervisores não terão o papel de fiscalização, que já é feito pelos agentes vistores das subprefeituras, mas poderão fornecer os subsídios técnicos do que deverá ser fiscalizado.

Empresas se especializam em acessibilidade para atender a demanda do mercado nacional A lei prevê que todos os edifícios, de uso coletivo (públicos ou privados) e as áreas comuns dos edifícios residenciais (condomínios horizontais e verticais) devem atender as especificações de acessibilidade conforme a Norma NBR9050. E a ACESSO, empresa especializada em consultoria e projetos de arquitetura em acessibilidade atua fortemente em projetos que requerem prioridades técnicas e de melhor solução espacial e estética atendendo ao Decreto 5.296 / 2004 que regulamenta a lei 10.048/2000. Ela oferece consultoria junto aos escritórios de arquitetura não especializados em projetos de acessibilidade e trabalha em parceria na concepção de novos projetos e laudos técnicos para empresas públicas e privadas com comprometimento técnico e legal, requisitos vitais no setor. “Os projetos elaborados pela Acesso, são orientados para atender instituições e órgãos públicos, shoppings, escolas, supermercados, prefeituras, hotéis, hospitais entre diversos estabelecimentos que são nossos clientes, e que em muitas vezes, não possuem um arquiteto responsável para orientá-los no projeto ou execução, o que resulta em compras e instalações equivocadas de produtos de acessibilidade”, comenta Jair Rais, diretor da empresa Andaluz, empresa parceira da Acesso, que também viabiliza projetos de mobiliário urbano, comunicação visual e tátil vertical e horizontal que atendam a legislação. A equipe de arquitetos da empresa, possui experiência e especialização em acessibilidade.

Levando acessibilidade para todo Brasil Empresa 100% brasileira, a recém inaugurada Tátil Acessibilidade, fica na região do Butantã, na capital paulista, já firma parcerias estratégicas para seu negócio com duas importantes empresas do setor de acessibilidade. Dentre outras, ela é distribuidora oficial da empresa Andaluz Acessibilidade, líder em produtos para sinalização vertical e horizontal focados na pessoa com deficiência visual, e também parceira da empresa Acesso, especializada em consultoria e projetos de arquitetura em acessibilidade, com forte atuação em empresas públicas e privadas. A empresa comercializa e distribui nacionalmente produtos como: sinalização podotátil em placas e elementos soltos que podem ser colados ou adesivados ao piso, como também fixados em carpete para rede de cinemas e hotéis através de um novo conceito de fixação mecânica, além de toda linha de sinalização alerta e direcional, com placas em porcelanato, para utilização em áreas internas ou externas em shoppings, hotéis e prédios comerciais. Também comercializa placas em Braille, pictogramas, placas de comunicação visual, barras de apoio e anel de corremão.

109


110

por Scott Rains

Design for All India Turismo Inclusivo é a aplicação sistemática dos sete princípios do Desenho Universal pela indústria de viagens e hospitalidade. Abordam a idealização, desenvolvimento, marketing e supervisão de todos os seus produtos e serviços. Desenho Universal inclui sempre a acessibilidade para pessoas com deficiência. No entanto, ele sempre supera a acessibilidade, apontando até o objetivo da atitude da inclusão. Esta filosofia de projetar visa a inclusão da mais ampla gama de pessoas sob a mais ampla gama de circunstâncias. Resumindo os objetivos em uma só palavra, eles abrangem os temas de:

I

magine que você foi a um restaurante com algumas pessoas. Você ficaria se descobrisse que não havia cadeiras suficientes para todos do seu grupo de amigos ? Se todas as luzes do estabelecimento estivesse apagadas ? Se você fosse proibido de falar dentro do ambiente ? Você provavelmente iria embora e nunca mais voltaria, não é mesmo ? Algo publicado este mês pela Dra. Regina Cohen colocou a indústria do turismo do Brasil em estado de alerta, pois dizia que o país era visto como um restaurante que não tinha o essencial. Esse momento é ideal para nós, como pessoas com deficiência. Imaginem novamente: e se o nosso restaurante imaginário for de comida japonesa, tailandesa ou afegão, onde sentar em almofadas no chão é tradicional ? Ou se este é um dos vários restaurantes boutiques do mundo, onde todos os cozinheiros e empregados são cegos e compartilhar essa experiência sensorial junto com a comida boa é a sua especialidade ? Ou se você tiver escolhido um teatro e depois um jantar ? Cultura, atitude e definições de lazer guiam um negócio, uma

indústria, ou mesmo um país inteiro na construção da experiência que eles consideram normal. Não conseguem entender que o “normal” não é universal, e eles simplesmente nunca vão ver aqueles que optaram por não vir por terem sido excluídos da imaginação daqueles que tem o poder de construir a realidade social. Viagens para pessoas com deficiência é o tema da edição recente da Design for All India, revista que a professora Regina Cohen, da UFRJ escreve. Especificamente, na seção “Turismo Inclusivo: Perspectivas Internacionais, Acessibilidade e Inclusão no Turismo Brasileiro”, este é o nome da edição com 183 páginas de artigos em Inglês. O que trago aqui é uma rápida revisão.

* Desenho para corpos atuais * Conforto * Consciência * Entendimento * Integração social * Personalização * Adequação A partir desta perspectiva de renome mundial Regina Cohen junta com 5 outros autores, inclusive eu, para analisar os resultados do seu trabalho abrangente dos últimos 10 anos e orientar a indústria para o que é necessário na proxima etapa. E o que é necessário agora ? O que é necessário agora é chamado de cadeia de fornecedores ?


111 Cada cidade deve garantir que eles tenham pelo menos um itinerário totalmente acessível disponível para cada uma das três principais classes de turistas com deficiência: cegos, surdos e pessoas com mobilidade reduzida. Eles devem incluir: transporte adequado, opções para comer, alojamento e acesso aos seus destinos turísticos, como praias, museus e estádios da Copa 2014. Felizmente, a recente edição da “Design for All India” fornece a base de conhecimento para lançar estas cadeias de fornecedores regionais e alia-las a nível nacional e internacional. Ela contém artigos como: - Acessibilidade no lazer e turismo: Reflexão de uma Nova Sociedade - Ricardo Shimosakai - A cidade do Rio de Janeiro, Inclusive Turismo e megaeventos - Augusto Cardoso Fernandes - Acessibilidade e Turismo Inclusivo em Cidades Históricas. O Caso de Ouro Preto/MG - Brasil - Natália Rodrigues de Mello, Cristiane Rose Duarte e Regina Cohen - Perspectivas Internacionais - a experiência de Scott Rains Pense nisso como a rede movimentada que o nosso restaurante precisa para permanecer no negócio: os agricultores, os caminhoneiros, os mercados, os fabricantes de utensílios de cozinha, até mesmo as pessoas que vendem cadeiras e lâmpadas, porque não? O Brasil deve unir os seus fornecedores distintos de conhecimentos, serviços e produtos, que possibilitam o turismo para pessoas com deficiência. Três autores deste jornal, Regina Cohen, seus colegas de pesquisa: Cristiane Rose Duarte e Natalia Rodrigues de Mello, juntos com o Grupo Pro Acesso da UFRJ, fazem um dos mais fortes motores de conhecimento no Brasil neste campo. Autores: Augusto Cardoso Fernandes, do Comitê Paraolímpico Brasileiro e Ricardo Shimosakai, da Turismo Adaptado, colocam esse conhecimento em prática através de serviços, como oficinas. De fora do Brasil, eu ajudo em ambas as áreas de conhecimento e de serviços, bem como direcionando produtos de turismo e reabilitação do exterior para o mercado brasileiro. Mas é necessário ainda mais. Para crescer nessa cadeia, ajudaria se cada uma das 12 cidades-sede da Copa 2014 pensasse em si como um produto, que é montado por cada turista que a visita. Esse produto é uma experiência de lugar. Algumas pessoas que vêm a ter essa experiência terão deficiência. Quem dá o ritmo dessa experiência, de antemão, é normalmente chamado de itinerário. Itinerários acessíveis e inclusivos são os “produtos”, que uma cadeia de fornecedores inclusiva no Brasil torna possível.

No coração desta edição da revista está uma peça escrita por Regina Cohen e Duarte chamada: INCLUSÃO NO TURISMO BRASILEIRO. Ela abrange sustentabilidade, características do mercado de pessoas com deficiência que viajam, a importância da imagem de acessibilidade para um destino turístico, e uma metodologia para a criação de um guia de acessibilidade para os destinos. Algum dia, toda esta revista de 183 páginas poderá ser traduzida em Português - ou talvez não. O que importa agora é que este tesouro de pesquisa e visão traduzida em ação e absorvido pelo DNA cultural do Brasil.

Scott Rains é cadeirante,

americano, escritor e palestrante, mora na Califórnia, e é um dos maiores consultores mundiais sobre acessibilidade, uma verdadeira referência. Foi o fundador do Fórum Global em Turismo Acessível e escreve artigos para várias publicações em diversos países falando sobre o tema da pessoa com deficiência. E-mail: srains@oco.net


112

por Deborah Prates

Rock in Rio não foi para todos !

F

oram 150 mil m² de área glamorosa, maravilhosa, mágica, mas que pessoas com algum tipo de necessidade especial - dentre elas as pessoas com deficiência - não puderam usufruir inteiramente. Lamentável ! E olha que o slogan do evento é: “POR UM MUNDO MELHOR”... Vale enfatizar que as acessibilidades constituem genuínos DIREITOS HUMANOS. Sem elas estão maculadas a dignidade, honra e a cidadania das pessoas. Deixam de ser assegurados os direitos de ir e vir, igualdade, segurança, lazer... Dessa sorte, justificadas foram as visitas da Comissão de Direitos Humanos da OAB/RJ à Cidade do Rock, em 28 de agosto e 09 de setembro. Entre uma e outra, nenhuma mudança foi registrada a favor das acessibilidades quanto aos erros apontados. As rampas erradas (fora do padrão de acessibilidade) continuaram condenadas; o acesso que ficou de ser providenciado na entrada da sala de imprensa não foi feito; a palestra de capacitação que fiquei de fazer, pelo avançado da hora para a abertura da programação especial para convidados e fornecedores foi adiada e não ocorreu; o piso de pedras continuou solto por todo espaço e perigoso para qualquer transeunte. De novidade, conseguiu-se ver apenas um banheiro acessível, numa das seis ilhas que estariam disponíveis ao grande público. Os banheiros feitos sob encomenda ficaram excelentes. O piso plástico imitando tábua corrida não estava derrapando. O espaço permitia um giro de 360º com a cadeira de rodas. Foram colocados dois vasos sanitários de boa altura e disposição, sendo um deles protegido com barras de ferro atrás e do lado direito. A pia

estava bem posta, dando para a entrada da cadeira e para que o cadeirante pudesse usar a torneira adequadamente. Toalheiro e porta sabão estavam em boa altura. Foi sentida a falta de um apoio para bolsas e utensílios que também pudesse servir de trocador de fraldas. Notou-se que a torneira da pia deveria ser de alavanca pensando em pessoas com deficiência que não tenham mãos ou dedos para girar sua chave. Pena que no dia da inauguração muitos banheiros estavam interditados em todas as seis ilhas. Numa delas, o banheiro acessível (com uma plaqueta com uma cadeira de rodas) estava sendo usado por mulheres SEM deficiência. A fila, como de se esperar numa noite com cerca de 90 mil pessoas, era quilométrica. Sem qualquer funcionário para organizar, tive mesmo foi que brigar para entrar. Para tanto, várias poças de urina tiveram que ser vencidas ! Inacreditavelmente a rampa de acesso às ilhas de banheiros estavam fora do padrão, pelo que inacessível aos cadeirantes e demais pessoas com deficiências físicas. Os setores específicos para acomodar pessoas com algumas necessidades especiais (PcD, grávidas, idosos, pessoas com limitações temporárias etc) não estava satisfatório. Por ilustração o espaço voltado para o palco mundo estava com parapeitos, em forma de grades de proteção, soltos e muito elevados. Portanto, além de perigosos, ainda atrapalhando a visão dos cadeirantes. A rampa de acesso estava absolutamente cruel. Nenhuma independência teria um cadeirante para subi-la. Inexistia corrimão que o caminho exigia como medida de segurança. Havia um tapume que tentava atuar como amparador, sendo


113

que um funcionário sugeriu que os que necessitassem poderiam ir fazendo dessa falsa parede seu apoio. Desumano ! A vedação provisória, feita de tábuas, que acompanhava o percurso iniciava depois de alguns metros do começo dessa inacessível rampa, estando frouxo/instável e terminando numa enorme fenda/fresta, à espera do pé de algum cego ! Esse espaço - localizado debaixo do brinquedo tirolesa para aproveitamento do terreno na diagonal principal - prejudicou a visão, por inteiro, do palco. A promessa de existência de Equipe de Apoiadores para o trato/recepção dos “diferentes” somente funcionaria com palestras de capacitação. No dia da estreia, de fato, existiam pessoas credenciadas, no entanto NADA sabiam acerca desse contingente “especial” de pessoas. Nadamos, nadamos e morremos na praia ! Em relação aos brinquedos, a roda gigante estava inacessível às pessoas com deficiências físicas, bem como aos que estivessem com alguma limitação motora

temporária. Para os pessoas com deficiências visuais encontrava-se em boas condições. No entanto, qualquer pessoa com deficiência precisaria de ajuda nesse parque. Solicitou-se para a edição 2015, pelo menos, uma cabine com total acessibilidade, melhor explicitando, daquelas que a cadeira de rodas pode entrar e ser protegida pelas grades de segurança. Nenhum dos apoiadores com quem trocou-se ideias havia ouvido falar em parques/brinquedos ACESSÍVEIS !!! Na área VIP havia uma rampa que deveria levar um cadeirante e outras pessoas que necessitassem de acessibilidade a um platô, todavia, íngreme. Seu destino seria um elevador que tinha um degrau para a entrada. Descrição que foge totalmente ao raciocínio lógico, valendo dizer ao bom senso. O elevador estava em sintonia com os critérios de acessibilidade, mas sem eficácia ante os obstáculos apontados. Ao lado do elevador havia uma escadaria onde o corrimão começava, inacreditavelmente, no terceiro degrau, totalmente fora dos parâmetros determinados. Nessa enorme e linda área também havia uma corrediça/trilho - bem saliente no chão - dividindo a área coberta da varanda - que impedia a passagem de cadeiras de rodas e de todos aqueles com dificuldades para andar. Sem contar os distraídos que, certamente, estariam correndo risco de acidente. Assim, no quesito acessibilidade, pouco foi feito para essa edição 2013 que diferencie a situação da edição 2011. Sem dúvida um ponto favorável foi o terreno estar bem mais plano. A nosso pedido fora disponibilizada pulseira, com o objetivo de melhor atendimento aos diferentes que quisessem. Importante deixar esse ponto bem claro,

valendo dizer que aos que se sentissem desconfortáveis em seu uso bastaria a recusa. Logo, uma opção a mais sem constrangimento de parte a parte. É o que muitos juristas denominam de “discriminação positiva/afirmativa”. De qualquer forma, ficou a proposta para que, na edição 2015, a campanha do Rock in Rio tenha como foco a pessoa com deficiência, como forma de sensibilizar a coletividade para a construção de um “MUNDO MELHOR PARA TODOS”. Restou ratificada e reiterada a necessidade de, ao longo dos próximos dois anos, fazer palestras de capacitação para toda equipe de trabalho, inserindo, é óbvio, os parceiros/apoiadores, objetivando despertar a solidariedade. A Comissão da OAB/RJ preparou um relatório de falhas a serem corrigidas, na intenção de colher flores na edição 2015 do Rock in Rio. Os grandes eventos têm o dever de deixarem bons legados à coletividade ! Deborah Prates é advogada e delegada da Comissão de Direitos da Pessoa com Deficiência da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/ RJ). Mantém um blog em que trata de questões sobre os direitos dessas pessoas (http://deborahpratesinclui. blogspot.com/)


114

ensaio A falsa moda brasileira O look foi inspirado na chegada da Família Real no Brasil, em 1808. Na época, as mulheres pegaram piolho na viagem de Portugal ao Brasil, e tiveram que usar tecidos para encobrir a cabeça raspada. Com isso, as mulheres brasileiras acharam que aquilo era uma moda da Europa e adotaram o turbante. Na foto, as cores e o modelo, tudo é baseado na tendência primavera/verão 2014.

Modelo: Juliana Caldas Estilistas: Aline Soares e Marina Cassará Foto: Kica de Castro


Revista Reação  

Edição N° 94 - Setembro/Outubro 2013

Read more
Read more
Similar to
Popular now
Just for you