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Desafios e oportunidades num mercado crescente !

ode até parecer meio “clichê” o título dessa mensagem, mas é verdade. Este ano de 2016 será marcado por isso mesmo: muitos desafios, mas também, por muitas oportunidades. E o nosso mercado, o de Tecnologia Assistiva – pessoas com deficiência, familiares e profissionais do setor de um modo geral – é sim, feliz ou infelizmente, um mercado crescente. Existem estatísticas que mostram que, no Brasil, cerca de 500 pessoas por dia “ingressam” nesse mercado como usuários de produtos ou serviços de Tecnologia Assistiva, com algum tipo de deficiência, seja ela congênita ou adquirida (prática de esportes radicais, acidentes de trânsito, violência urbana etc). Ou seja, independentemente de crise econômica ou política, a vida não pára. As pessoas continuam nascendo, os acidentes continuam acontecendo, as pessoas continuam envelhecendo, as patologias continuam aparecendo... e com isso, o número de “usuários” de equipamentos, de tratamentos e terapias, dos serviços correlatos, cresce diariamente. Hoje estamos percebendo no Brasil um clima de medo, de assombro, insegurança, descrença... a incerteza paira no ar. A crise atualmente vivida por todos nós é uma das piores já vividas, porém, mais que uma crise econômica ou política, ela é pior porque é uma crise moral. É uma crise quase de alma. É epidêmica... estranha, parece até mais psicológica até do que real. E quando não se sabe ao certo qual é o “foco da doença” – no caso a crise – fica muito mais difícil se encontrar o “remédio” para curá-la, não é mesmo ? Como combater algo que existe, de fato, porém não se sabe ao certo qual o seu real fundamento ? Parece que voltamos no tempo. Hoje voltamos a falar em crise, inflação, empresas fechando suas portas, desemprego... O Brasil parece que regrediu décadas em meses. É como um sonho... dormimos num paraíso como nunca antes vivido “na história desse País” (lembram-se dessa frase ?), e acordamos no dia seguinte, vivendo um dos piores pesadelos que já atravessamos. Foi muito rápido, um golpe que não nos deu sequer chance de defesa. Mas, o brasileiro é guerreiro... apanha, enverga mas não quebra. Vamos passar por mais essa, se Deus quiser ! Até porque, apesar de tudo que estamos vivenciando e vivendo, podemos dizer que este segmento de Tecnologia Assistiva e pessoas com deficiência, em termos de “mercado”, está sim sendo afetado, principalmente por conta da alta do dólar incidindo diretamente nos produtos e suas matérias-primas e tal... mas mesmo assim, somos parte de um dos mercados menos afetados diretamente por essa crise que o Brasil está vivendo. Olhem ao redor com discernimento e vão perceber claramente isso. Nesta mesma edição – janeiro/fevereiro – do ano passado (2015), o título desse meu editorial foi: “Fazendo do limão uma Limonada”... lembram-se disso ? Pois é amigos... vamos ter que continuar nesse mesmo passo em 2016 também. Tirando as lições da crise e do nosso dia a dia. Reaprendendo com essa nova situação, lutando, trabalhando duro e dentro do cenário que temos, achar nele as “oportunidades” que uma realidade como essa nos oferece. Em todos os sentidos. Tanto como pessoas, particularmente falando, dentro de nossas casas ou no nosso trabalho, como também como empresas e empresários. Vamos enxergar 2016 de um modo positivo ? Este ano temos Olimpíadas no Brasil... Paralimpíadas em setembro no Rio de Janeiro. Um marco histórico para nosso País e para as pessoas com deficiências. Antes disso, teremos em junho a segunda edição da feira MOBILITY & SHOW, que este ano será no Campo de Marte, em São Paulo/SP, maior e com muitas novidades. Em janeiro agora, passou a vigorar a LBI – Lei Brasileira de Inclusão, que chegou para mudar a vida das pessoas com deficiência no Brasil. Acabamos de ter um Carnaval onde as pessoas com deficiência tiveram um super destaque nos Sambódromos de todo País... daqui para frente, teremos todos os meses, eventos espalhados por todo Brasil onde a pessoa com deficiência será o grande protagonista, seja por conta das Paralimpíadas ou por conta da regulamentação da LBI. A mídia estará dando destaque para o nosso setor e temos que aproveitar essa deixa, tirar dos fatos positivos, as oportunidades ! Olhem o setor automobilístico, por exemplo: enquanto as vendas no chamado “varejo” caem desde o final de 2014, em 2015 as vendas com “isenção de impostos” – as chamadas Vendas Especiais, para PcD ou familiares – cresceu 26,5 %, batendo um recorde histórico, e o mais interessante, com uma significativa tendência de crescimento para os chamados modelos da linha “Premium”, que no geral, cresceram mais de 100 % em vendas no ano passado. Estão vendo só ? Cadê a crise ? Ela existe sim... mas será que ela é desse tamanho que nós estamos pintando e sentindo ? Tudo na vida tem dois lados... ficar mais velho tem algumas vantagens, não muitas, mas tem. E uma delas é que a experiência vai nos mostrando e ensinando a enxergar melhor as coisas. Vamos em frente, reclamando menos e trabalhando mais... Feliz 2016 !!! “... Seja forte e corajoso ! Não se apavore, nem se desanime, pois o Senhor, o seu Deus, estará com você por onde você andar”. Josué 1:9

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entrevista

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Billy Saga Rapper, publicitário, ator, artista plástico, presidente e consultor de ONGs, estreando agora no papel de pai, ele liderou desde 2003, o Movimento SuperAção, que levou às ruas milhares de pessoas em 28 edições. Em dezembro passado, em São Paulo/SP, em plena avenida paulista, veio o anúncio que seria a última vez que o evento aconteceria naquele formato, causando surpresa aos participantes

N foto: Fabiana Stig e Rodrigo Reis

ascido na capital paulista em 1977, William Coelho se tornou Billy na infância, apelido dado pelo pai. Saga veio muito depois, denominação de seu primeiro projeto musical que acabou

incorporado ao nome. Em 1998, um acidente de moto transformaria sua vida: uma viatura policial, sem qualquer sinalização, atravessou o sinal vermelho e o arremessou longe. O motorista estava com a carteira vencida e até hoje ele espera a conclusão do processo na Justiça. Apaixonado por música, lançou o primeiro CD solo em 2012: “Me jogue aos lobos e eu volto comandando a matilha”. Em 2015 apresentou o clipe: “Derrubo um rei”, para anunciar o segundo CD - “As ruas estão olhando” - que será lançado ainda neste primeiro semestre. Como ator, participou de mais de 150 apresentações da Companhia dos Menestreis. É presidente da ONG Movimento SuperAção, consultor da ONG Mais Diferenças e conselheiro da Ouvidoria da Defensoria Geral do Estado de São Paulo. Recentemente começou um novo trabalho, como analista de marketing institucional em uma grande empresa. Casado com a cantora Ju Caldas, é pai de Emília, recém-nascida em 14 de janeiro passado. Foi em 2003 que, com os amigos Gui

(Guilherme Roca) e Luca (Luciana Salomão), começou a dar forma ao SuperAção. Em 2004 foi realizada a primeira manifestação de rua que, além de São Paulo (só na capital paulista foram 12), se espalhou para o Rio de Janeiro/RJ, Porto Alegre/RS e as cidades argentinas de São Justo e Santa Fé. Durante este período se transformou em um dos principais nomes na defesa dos interesses das pessoas com deficiência em nosso País. Vamos juntos conhecer um pouco mais de sua trajetório e seus planos: Revista Reação – Como surgiu o Movimento SuperAção ? Billy Saga – Quando me tornei cadeirante, comecei a reparar o quanto a pessoa com deficiência era excluída e não tinha seus direitos cumpridos. Nesse momento, eu comecei a me sentir indignado e achar que a gente tinha que fazer alguma coisa para chamar a atenção da sociedade em geral, que não vivenciava, não conhecia essa causa, para que a gente conseguisse mudar esse panorama excludente que a pessoa com deficiência sofria. Criei então um movimento, na verdade um laboratório que acabei fazendo, e uma mobilização na avenida Paulista. Isso foi no ano de 2000, aproximadamente, e eu não fui muito bem sucedido, porque na época não conhecia o segmento, estava há muito pouco tempo na cadeira, não tinha ainda um envolvimento político ou social para poder articular um movimento de amplo porte. Quando fui para o teatro, em 2003, comecei a conviver com


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pessoas com deficiência que compartilhavam desse desejo de mudança. Nessa época, junto com o Guilherme Rocha, o Guizaul, que é um dos cadeirantes fundadores do Superação, junto com a Luca, a Lúcia Salomão, locutora da 89 e que não tem deficiência nenhuma, tivemos a ideia de fazer alguma coisa para chamar a atenção da sociedade. Ao lado de outras pessoas com quem compartilhamos a ideia, pessoas com a sem deficiência, eu idealizei o SuperAção e fizemos o primeiro evento na avenida Paulista, em 2004. RR – Como foi a repercussão, a ideia foi bem aceita na época ? BS – A partir de então, começou a se tornar praxe, todo ano a gente se reunia próximo ao dia Mundial da Pessoa com Deficiência para fazer esse evento que começou a ganhar corpo, ganhar adesões. Depois de algum tempo, teve um pessoal do Rio que procurou a gente e, no segundo ano que fizermos lá, o boom foi muito maior, conseguimos juntar 40 mil pessoas na orla de Copacabana. Enquanto em São Paulo a gente ganhava o cartão postal do Brasil, que é a avenida Paulista, lá a gente ganhava o cartão postal da América Latina, que é Copacabana. E era outra vibe, na beira do mar, um caráter de festa, que foi o que a gente teve como proposta. Apesar da gente lutar por nossos direitos, tínhamos como estratégia trazer a pessoa com deficiência para protagonizar um processo de inclusão, no qual ela celebrasse a vida. Não no qual ela ficasse naquela caixinha assistencialista, reclamando, dizendo que é vítima da sociedade. A gente não queria ser nem coitadinho e nem super-herói, nenhum dos dois extremos. O que a gente queria era ocupar a faixa do meio e lutar por equiparação de oportunidades. De lá, a gente foi para a Argentina e depois para Porto Alegre/RS.

RR – Depois desta trajetória tão bem sucedida, por que resolveram parar ? BS – Na verdade a gente não terminou. Existe uma frase de um rapper chamado Emicida que diz: “Quando os caminhos se confundem, volte ao começo, é necessário voltar ao começo”. O que a gente fez foi voltar ao começo, pensar em tudo que a gente tinha feito, por que a gente tinha feito, como tinha feito e entender que como a gente vinha fazendo estava alinhado com o que a gente sempre quis. Começamos a entender que as coisas mudam, o mundo mudou, a globalização trouxe mudanças expressivas na forma de se articular coletivamente. Começamos a entender que o que a gente acreditava, e acredita desde o começo, o simples ato de ir para a Paulista - que é muito simbólico, muito valoroso, a gente não está se desfazendo do valor disso que a gente fez, de ir pra rua, de mostrar a cara – mas ele não surtia mais o mesmo efeito que surtiu há 13 anos atrás. Então decidimos entrar em stand by, pelo menos em São Paulo. Há 3 anos tivemos o advento das manifestações populares que ganharam a rua, fizeram barulho, ratificando muito nossa atuação. Quando aquilo aconteceu, a gente falava: há 10 anos fazemos isso e agora a sociedade vem enxergando o valor da mobilização social nas ruas e correndo atrás dos seus direitos. Mas isso acabou se deturpando com o andar da carruagem, começou muito partidarismo, a própria época, que era do passe livre, acabou se deturpando e muitos partidos políticos se vinculando, querendo tirar proveito dessa mobilização. E aí, o mais agravante, é que a sociedade em geral começou a descreditar esse tipo de manifestação. Não que ela não tenha valor,

mas no sentido do caos que ela causa na cidade. Então, depois de tanto caos que a gente viu com as manifestações, de quebra quebra, de saqueamento de lojas, incêndio na porta da Prefeitura, coisas que trouxeram uma visão negativa para esse tipo de manifestação, fez com que isso respingasse no SuperAção, que é um movimento pacífico, de empoderamento da pessoa com deficiência. Começamos a perceber que a sociedade leiga, que também é nosso alvo quando a gente faz uma manifestação na Paulista, não quer entender do que se trata, se isso está pautado numa causa legítima. Eles acabam olhando com maus olhos, tipo: “Poxa, tem manifestação na Paulista de novo ?”. Quando a gente fazia, conseguia transmitir para a sociedade que a causa é justa. A gente nunca fechou a Paulista inteira, apenas duas faixas para que o trânsito não ficasse um caos. Mas, com o andar da carruagem, com essa evolução das manifestações, a gente entendeu que era hora de voltar para o começo, voltar para dentro de casa e repensar. E talvez fazer formatos de eventos menores ou ações menores, que causem mais impacto do que fazer uma passeata. RR – E vocês já pensaram em um novo formato de manifestação ? BS – A gente pretende fazer algo sim, mas eu não posso adiantar nada agora, até por que eu estou num processo também de stand by, por conta do nascimento da minha filha. A gente virou o ano, todos estão meio de stand by no SuperAção, planejando. A gente sempre conversa, os diretores, os voluntários e todo o pessoal envolvido, mas ainda não tem um formato definido. Temos algumas ideias, entendemos que a situação mudou. A importância da articulação social, de divulgação de ideias, de conceitos e de valores para a mudança cultural no Brasil também se fortaleceu muito no meio digital, então temos planos de atuar de uma forma mais contundente nas redes sociais do que a gente já vem fazendo. E articular ações que sejam interligadas, tanto na rua ou num evento fechado quanto na rede. Que sejam simultâneas, que conversem e que estrategicamente consigam surtir mais resultado, com foco realmente na mudança cultural e na conscientização do público que ainda é leigo, que ainda ignora uma vaga para a pessoa com deficiência, que ainda ignora os nossos direitos e acha que estão nos fazendo favores, o que não é a realidade.

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entrevista RR - O que mudou para as pessoas com deficiência desde que você se acidentou ? BS – Nós vivemos na era da informação e a mudança mais importante foi realmente o fluxo de informações para desmitificar a realidade da pessoa com deficiência. A globalização ajudou bastante, acho que a internet ajudou bastante. Hoje as pessoas se articulam mais rapidamente, buscam informação mais rapidamente do que quando eu me tornei cadeirante. Para comprar uma cadeira de rodas era muito difícil. Hoje nós temos acesso, por mais que ainda seja muito caro - é quase impossível ter poder aquisitivo por conta da realidade histórica que a pessoa com deficiência vive, de exclusão, de falta de estudo, falta de trabalho - mas hoje a gente tem acesso a muito mais tecnologia assistiva de outros países, material importado, cadeira importada, que a gente não tinha. Acho que foi a informação, a grande mudança foi o fluxo de informações para desmistificar e derrubar preconceitos. Ainda falta muito, mas eu acho que hoje a sociedade é muito mais consciente da realidade da pessoa com deficiência no Brasil, dos direitos que nós temos e para quebrar preconceitos que há muito tempo, historicamente, existem e segregam a pessoa com deficiência na vida social e impedem a sua cidadania. RR – O que ainda falta conquistar ? BS – Por mais que tenhamos tido mudanças importantes, ainda evoluimos muito pouco, por uma questão de acesso realmente, tanto acesso a essa informação, que a pessoa com deficiência, por diversos fatores, ainda é segregada dos meios de informação, como escola, como o próprio poder aquisitivo para poder se capacitar melhor profissionalmente. Ou até o acesso a livros, à internet, enfim, todos os meios de comunicação. As mídias que nós temos são muito precárias para capacitar as pessoas com deficiência, ainda falta acesso arquitetônico para ela chegar aos locais onde pode se desenvolver. Falta capacitação dos profissionais que trabalham nas escolas para atender essas crianças com deficiência, que serão os futuros cidadãos capacitados para atuar profissionalmente, para poder exercer o seu poder e a sua utilidade na sociedade. Da minha época até agora, as crianças que estudavam naquela época, ou não estudavam por falta de acesso, por exemplo, hoje são adultos com deficiência não capacitados e despreparados para o mercado de traba-

lho. Em 2014 teve o Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) assinado pela Secretaria Estadual da Pessoa com Deficiência, junto com Secretaria do Trabalho e Ministério Público, dando mais 15 anos de prazo para as escolas estaduais serem arquitetonicamente acessíveis, por exemplo. É uma medida que atrasa cada vez mais essa inclusão. Enquanto a criança com deficiência não estiver na escola, para se desenvolver e ter capacidade de se autoreconhecer como cidadão, de evoluir a sua autoestima, tendo um trabalho e uma vida digna, a gente vai ter pessoas com deficiência excluídas e segregadas. RR- Qual a contribuição que a Lei Brasileira de Inclusão - LBI, que entrou em vigor em janeiro, pode dar para mudar essa situação ? BS – A contribuição é que as leis foram aprimoradas, mas leis boas a gente sempre teve. Não desfazendo da LBI, eu admiro o trabalho que foi feito, valorizo essa lei ter sido aprovada, mas ela tem que sair do papel, como sempre teve que sair do papel. Se ela continuar sendo apenas uma lei que não é cumprida e fiscalizada, como sempre foi, de nada vai adiantar, vai ser só mais uma. A ajuda que essa lei pode dar é se tornar realmente prática, sair do papel e se tornar prática. Só que para isso muita coisa tem que mudar. O problema é a prática. Se essa LBI não sair do papel, vai se tornar apenas mais uma lei falida. RR – A visão que se tem das pessoas com deficiência oscila entre os exemplos de superação e o “coitadismo”. Até que ponto é possível romper com essa visão ? BS – Isso é do ser humano, o ser humano é muito exagerado. Muitas vezes ele se sente culpado e trata a pessoa com deficiência de forma assistencialista, como um coitadinho, põe aquela musiquinha triste de fundo e fala que o cara é genial por que correu cinco mil quilômetros em meia hora, porque remou mais rápido que todo mundo, porque escalou

o monte Aconcágua, mesmo tendo uma deficiência.... Enquanto a abordagem for essa, é difícil a equiparação de oportunidades. Sempre vai ter uma comparação. A gente não precisa disso, a gente precisa equiparar as oportunidades, é a faixa do meio. Me dê oportunidade de igual para igual e me deixe mostrar quem eu sou. E eu posso não ser bom. Não é toda pessoa com deficiência que vai conseguir se superar, mas eu também não preciso ser o coitadinho, o estropiado que nunca conseguiu conquistar nada. Eu posso ser um cidadão mediano, comum. Me equipare as oportunidades e eu posso ser um cidadão que tem um emprego comum, um salário comum, e vou viver a minha vida. Eu não preciso ser a super pessoa com deficiência, mas eu também não quero ficar sendo o bode expiatório da sociedade, sempre, com todos os fardos que a sociedade já tem... se você for ver hoje em dia, qualquer pessoa está vivendo uma situação muito difícil no Brasil. Para sobreviver, está muito difícil. E a pessoa com deficiência tem as questões referentes à falta de acesso à educação, à cultura, saúde, ao mercado de trabalho, enfim... RR – Deixe seu recado para os leitores da Revista Reação. BS - Todos somos responsáveis por uma mudança cultural. Não é só o poder público, não é só o poder privado, não é só a sociedade que não tem deficiência. Todos, inclusive as pessoas com deficiência, são responsáveis por uma mudança cultural. Uma mudança cultural leva tempo, é provável que nossa geração não veja o mundo... não é nem o mundo ideal porque o mundo ideal está muito longe, é uma mudança minimamente expressiva para a pessoa com deficiência começar alcançar a sua cidadania e viver com dignidade. É bem provável que nossa geração não veja isso, apesar de muita coisa ter mudado. Mas esse trabalho tem que ser constante. Se não tem mais uma passeata, nós faremos outra coisa. Só que não basta só a nossa atitude, a atitude de nossos familiares, nós precisamos da atitude da sociedade integralmente. Toda a sociedade tem que estar articulada e conscientizada de que essa mudança é responsabilidade de todos. Até porque todos são passíveis de um dia precisar dessas mudanças. Então é essa conscientização que eu quero deixar nesse recado: todos são responsáveis, o poder público, privado, terceiro setor, e todas pessoas, com ou sem deficiência, são responsáveis por essa necessária mudança cultural.


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coluna especial

por Romeu Kazumi Sassaki

Rumo ao transporte inclusivo Parte I

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oi divulgada no último dia 26/1 a notícia de que o Fórum de Direitos da Europa (EDF, na sigla em inglês) manteve uma reunião com a Comissão da União Europeia para Transporte e Mobilidade a fim de estudarem as recomendações conclusivas da ONU sobre as melhores formas de promover o direito ao transporte coletivo de seus 80 milhões de pessoas com deficiência. Em resumo, a ONU recomenda à União Europeia: (1) Fortalecer o monitoramento e a implementação da legislação relativa ao direito dos passageiros da União Europeia e (2) Harmonizar o trabalho dos órgãos nacionais de execução para assegurar o efetivo e igual usufruto dos direitos de todos os passageiros com deficiência na Europa. Além de discutir estas recomendações, o EDF analisou a recém-publicada Lei Europeia da Acessibilidade para verificar se a acessibilidade do transporte foi contemplada a contento. Com esta introdução, pretendo relembrar as situações encontradas e as lutas protagonizadas por pessoas com deficiência em relação ao transporte coletivo brasileiro nos últimos 35 anos, individualmente ou via associações representativas. Muitas das lutas foram trazidas ao conhecimento público através de jornais e revistas. Vou reper-

cutir algumas das matérias publicadas a partir de 1980, não desmerecendo o protagonismo demonstrado antes daquele ano. O leitor poderá também observar as terminologias utilizadas tanto pela mídia como por pessoas com deficiência. Copiei ipsis litteris alguns trechos de cada matéria e, quando necessário, inseri meus comentários entre colchetes. Deficientes recebem apoio da EBTU (Correio Braziliense, 27/10/80). “O presidente da Empresa Brasileira dos Transportes Urbanos (EBTU) lançou, no encerramento do I Encontro Nacional de Entidades de Pessoas Deficientes, o ‘Programa de Transportes para o Deficiente de Locomoção’, que entrará em vigor até o final do ano em todo o Brasil. O objetivo principal é adaptar os sistemas de transportes urbanos, para melhorar o deslocamento dos deficientes na cidade, possibilitando maior facilidade de acesso a edifícios,logradouros públicos, criando com isso maiores condições para o trabalho”. [O Programa tem 55 pág. bem ilustradas] Veículos especiais para deficientes em estudos (Folha da Tarde, 27/3/81). “A CMTC informou ontem que está estudando as sugestões apresentadas por deficientes físicos, para adaptação de ônibus especiais para deficientes: destacam-se a adaptação de um elevador na porta dos veículos e de uma rampa, para acesso de cadei-

ras de rodas e a substituição de uma parte dos bancos por encaixes, onde ficariam essas cadeiras”. [Em maio de 1981, a CMTC, Companhia Municipal de Transportes Coletivos, apresentou o documento ‘Transporte de Deficientes Físicos - Estudo Preliminar de Adaptação de Ônibus da CMTC’, de 12 pág. CMTC é a antiga sigla da atual SPTrans] Deficientes ainda esperam: Apesar do Ano Internacional, pouco se faz em São Paulo para ajudá-los (Cecília Pires, Folha de S.Paulo, 24/5/81). “São Paulo é uma cidade proibida para o deficiente físico. Esta é a principal conclusão dos encontros, debates, conferências e cerimônias para a comemoração do Ano Internacional das Pessoas Deficientes, instituído pela ONU. (...) A CMTC inaugurou uma linha especial para passageiros deficientes que está circulando praticamente vazia, pois ainda não foram colocados em operação os carros adaptados. (...). Embora saliente que o deficiente típico da cidade é o de baixa renda, Cândido [Pinto de Melo] acredita que a segunda prioridade, depois do transporte coletivo especial para o deficiente, seria criar incentivos e facilidades para o transporte individual adaptado.(...) A mobilização para resgatar o papel de deficiente na sociedade, como cidadão participante e consciente de seus direitos, surgiu há muito pouco tempo no Brasil. Em São


coluna especial Paulo, especificamente, esta preocupação deu origem ao Movimento pelos Direitos das Pessoas Deficientes [MDPD], que se diferencia das demais entidades assistencialistas por defender a igualdade plena deste tipo de população, sem paternalismos”. Rede depredada e sem recursos (Folha de S.Paulo, 30/6/81). “Se o Metrô está se estruturando para melhor atender os passageiros deficientes, o mesmo não se pode dizer da Rede Ferroviária Federal (RFFSA) que transporta seiscentas mil pessoas por dia de Santos a Jundiaí e de São Paulo a Mogi das Cruzes. Alberto Júlio Scielleski, presidente da Associação Brasileira de Medicina e chefe do serviço médico do Detran, confirmou a decisão do órgão de entrar em contato com indústrias automobilísticas para que seja realizada pesquisa sobre os tipos de deficiência mais comuns entre usuários. ‘De 1974 a 1980 - diz ele - examinamos aproximadamente cem mil deficientes. Essas pessoas são as que menos provocam acidentes no trânsito. Hoje, os deficientes auditivos não precisam mais usar a placa verde e vermelha em seus carros e os paraplégicos podem dirigir carros mesmo não sendo

hidramáticos, desde que devidamente adaptados’.”. Deficientes só têm promessas de melhorias nos transportes (Catarina Arimatéia, Folha de S.Paulo, 30/6/81). “O Movimento pelos Direitos das Pessoas Deficientes (MDPD), junto com a Associação de Integração dos Deficientes (Aide), promoveram (...) mesa-redonda com a presença de representantes [das organizações EBTU, Geipot, Detran, Conatran, RFFSA, CMTC, CDI, Metrô, Promec e Volkswagen]. (...) Quanto à implantação de rotas e ônibus especiais, [Luís Henrique] Fragomeni [assessor da presidência da EBTU] é contrário à ideia pois, segundo ele, ‘discriminaria os deficientes. É necessário adequar o nosso sistema de transportes aos deficientes, mas rotas especiais não’.”. No próximo número, a Parte 2.

Romeu Kazumi Sassaki Romeu Kazumi Sassaki é consultor de inclusão social e presidente da Associação Nacional do Emprego Apoiado (gestão 2014-1016) E-mail: romeukf@uol.com.br

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associações

Instituto Novo Ser:

acessibilidade e inclusão social !

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té o próximo dia 30 de abril, as pessoas com deficiência do Rio de Janeiro podem desfrutar das atividades tradicionais de esporte adaptado e lazer aos sábados e domingos, entre 9h e 14h, em Copacabana (entre os Postos 5 e 6) e na Barra da Tijuca (em frente ao Posto 3). É a oitava temporada do “Praia para Todos”, um dos projetos desenvolvidos pelo Instituto Novo Ser, tradicional entidade carioca que luta pela inclusão da PcD. Muitas atividades são oferecidas no “Praia para Todos”, como banho de mar com cadeiras anfíbias, escolinha de vôlei sentado e de surf adaptados e handbike stand up padde. Há esteira para passagem de cadeiras de rodas, vagas de estacionamento reservadas, banheiros adaptados e sinalização sonora, além de rampas de ma-

deira e concreto para acesso à areia. Todas as atividades são gratuitas e ministradas por profissionais das áreas de educação física, fisioterapia e terapia ocupacional, além de estagiários e voluntários do Instituto. “Nesta temporada, que começou em 19 de dezembro, esperamos ter uma frequência média de 20 a 30 usuários por dia. A temporada passada foram 330 pessoas que frequentaram o projeto, dos quais 10 % pela primeira vez na vida”, conta Nena Gonzales, diretora executiva do Instituto e uma de suas fundadoras. Ela tem um filho, Ricardo, que se tornou tetraplégico em um acidente automobilístico em 1997, aos 15 anos. A família não tinha nenhum conhecimento sobre a situação das pesso-

as com deficiência. Foi de sua luta para dar as melhores condições possíveis ao filho que resolveu fundar, em 2002, o Instituto Novo Ser, junto com a fisioterapeuta Sheyla Mattos. “Tínhamos o desejo de compartilhar o aprendizado e as conquistas que vínhamos alcançando com a nossa experiência. Isso se mostrou fundamental para aqueles que, como nós, antes buscavam informações e alternativas para superarem suas dificuldades. Hoje, Ricardo está muito bem e ajudando a criar e desenvolver os projetos do Instituto”, explica Nena. Ela lembra que, na época da fundação


associações do Novo Ser, a situação no Rio de Janeiro era de muita exclusão e preconceito, nada muito diferente do que é observado hoje em dia. “Contudo, com o passar do tempo, observamos avanços graduais na sociedade de forma geral, o que torna nosso trabalho ainda mais estimulante”, garante a diretora.

de emprego para pessoas com deficiência. “Os problemas são muitos, desde a falta de cumprimento da Lei de Cotas até a desigualdade de oportunidades oferecidas às pessoas com deficiência. A capacidade dessas pessoas ainda é muito subvalorizada e mal aproveitada”, analisa. A entidade não tem ainda sede própria. Conta com cinco funcionários fixos e profissionais remunerados e voluntários específicos para cada projeto desenvolvido. Mas depende de doações de pessoas físicas e jurídicas para sua manutenção. Uma nova identidade visual do Instituto acaba de ser criada e, em breve, estará à disposição um novo site. Os planos para 2016 incluem ainda, o lançamento de um programa de reconhecimento de voz para pessoas tetraplégicas, totalmente gratuito e com recursos inovadores. “Estamos criando um setor de tecnologia no INS, voltado para inclusão digital”, anuncia a diretora, confiante no futuro da entidade.

Outros projetos O Instituto também foi o criador do primeiro time de Futebol em Cadeira de Rodas da América Latina (Power Soccer). Em 2015 os atletas disputaram e ganharam todos os torneios de forma invicta, sendo tricampeões brasileiros e campeões da Copa Powerchair Libertadores, disputada no Uruguai. “Por ser ainda um esporte pouco conhecido, precisamos muito de pessoas e empresas interessadas em apoiá-lo e divulgá-lo”, explica Nena. O Instituto oferece também palestras e capacitações às empresas e divulga vagas

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educação

Grupo da Universidade Federal de Alagoas investe em inclusão

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Núcleo de Acessibilidade (NAC) já é uma realidade em Maceió/AL, no campus A.C. Simões, sede da Universidade Federal de Alagoas (UFAL). Coordenado pela professora Neiza Fumes, foi fundado no esteio das políticas do governo federal, a partir do Programa Incluir, de 2005. O campus de Arapiraca/AL também está empenhado na criação de um núcleo para que a comunidade acadêmica do interior possa ter um contato mais próximo com esse “ambiente de referência” e com o fomento de estudos e pesquisas na área. Incentivado pela professora Lívia Couto Guedes, que ministra disciplinas da área de Gestão Escolar e Práticas Educativas, o NAC começou a ser estruturado em 2010, quando ela começou as atividades no campus, em conjunto com Nágib Mendes, um docente e pesquisador especialista nos temas da Inclusão Social da Pessoa com Surdez e Sudocegueira. A ideia já era alimentada por professores da UFAL e o primeiro passo foi aprovar, junto à Pró-reitoria de Gestão de Pessoas, um curso de capacitação para técnicos da universidade, realizado em 2003. A iniciativa envolveu a divulgação da temática, da legislação e especialmente dos direitos e deveres da universidade para com a inclusão das pessoas com deficiência e acessibilidade. Um dos resultados concretos foi a criação de uma página com o nome do curso, “Ações de Acessibilidade”, em uma rede social, a qual é alimentada regularmente. “A partir daí, coordenei, em parceria

com o professor Nágib, um projeto de pesquisa e extensão que teve duração de três semestres letivos, intitulado ‘Ações de Acessibilidade voltadas à Inclusão Social/ Educacional de Pessoas com Deficiência no Ensino Superior’, do qual participaram formalmente 11 membros, quatro docentes, três técnicos e quatro estudantes bolsistas. Mas outros se somaram aos nossos esforços, voluntariamente”, lembra a professora. Nessa fase, de setembro de 2014 a dezembro de 2015, foram realizadas importantes parcerias com a sociedade, através do fomento de eventos acadêmicos – alguns deles realizados em espaços itinerantes – e de um grupo de estudos permanente, aberto ao público, no qual participaram membros de algumas Secretarias Municipais de Educação e de entidades locais que possuem o mesmo objetivo, além de interessados da própria comunidade acadêmica. Esse trabalho resultou em artigos escritos coletivamente, abordando aspectos da acessibilidade no campus, como a questão arquitetônica e comunicacional. Também produziu um significativo estudo que visou

construir a versão em Libras do Projeto Pedagógico do Curso de Pedagogia. Foi feita ainda a coluna “Você Sabia?”, através da qual conversavam com a comunidade acadêmica via cartazes afixados nos murais do campus, contendo informações sobre a inclusão das pessoas com deficiência na sociedade, legislação, direitos humanos e outros itens. Foram ainda confeccionadas placas informativas acessíveis em língua portuguesa, Libras, Braile e imagem associada, reproduzidas a partir de materiais de baixo custo e afixadas em portas do campus. Outras ações do projeto deverão ser levadas a diante no futuro.

Quantas são as pessoas com deficiência ? Um aspecto curioso, é que não se sabe ao certo quantos alunos possuem deficiência por lá. Entre novembro e dezembro de 2015 o Núcleo fez um levantamento piloto e descobriu que há distorção entre a realidade e o registro institucional feito sobre quantas pessoas apresentam algum tipo de deficiência no campus, o que foi considerado muito grave. “Nesse censo inicial, registramos - apenas para o curso de Pedagogia - a presença de estudantes com baixa visão, cegueira e deficiência física. Suspeitamos que haja outras deficiências, transtornos e/ou síndromes que ainda não foram declaradas entre os membros da comunidade acadêmica e esperamos que haja uma presença mais significativa de discentes nos próximos anos”, explica a professora. “Ainda lidamos com entraves clássicos, tais como a negação da deficiência, a ignorância a respeito do tema e barreiras


educação

programáticas e metodológicas, entre outras. Negação e ignorância são manifestações muito comuns de duas barreiras atitudinais que, quando praticadas, podem causar exclusão e atentar contra os direitos legais já assegurados pela Constituição Federal, Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional e o Estatuto da Pessoa com Deficiência”, afirma Lívia. Para a professora, a luta é travada em prol da sensibilização de todos, mas primeiros dos gestores, dos colegas de trabalho, das esferas superiores da gestão, já que a dificuldade maior em reconhecer e assumir o discurso e a prática da inclusão reside na percepção cultural. “Para tanto, é preciso dar a conhecer o paradigma da inclusão, dialogar sobre ele, colocá-lo em evidência nas mídias sociais, nas escolas, nas universidades, na imprensa em geral, considerando que a inclusão atende aos apelos da democracia e se afina com a prática efetiva dos direitos humanos”, garante. Ela considera que, a primeira demanda, é tornar a universidade acessível e inclusiva, e ter um Núcleo de Acessibilidade em Arapiraca - cidade considerada

a segunda capital do estado – é de suma importância, já que, na UFAL, o campus de Arapiraca/AL é responsável por quatro unidades acadêmicas - Arapiraca, Penedo, Palmeira dos Índios e Viçosa. “Ainda não há núcleos além de Maceió, mas apenas iniciativas isoladas, por exemplo, em Palmeira dos Índios/AL, que são frutos dos esforços dos servidores de lá, que estabeleceram parceria com a professora Neiza Fumes. Mas essas ações precisam urgentemente ser fortalecidas com a devida estrutura institucional, em todos os campi”, acredita Lívia. O núcleo busca no momento, uma sede física para suas atividades. “No que se refere ao compromisso do NAC com a formação, pretendemos com este espaço sedimentado, seguir participando dessas formações continuadas de docentes e técnicos da universidade, levando o ponto de vista do paradigma da inclusão. Acreditamos que esse caminho poderá auxiliar na formação da própria sociedade alagoana e, para tanto, lutamos pela aquisição de um espaço físico no campus”, declara a professora.

Como são docentes lotados no Núcleo Pedagógico e possuem contato com as secretarias municipais e coordenadorias regionais de educação, a ideia em Arapiraca é unir forças para que o trabalho, enquanto Núcleo de Acessibilidade, também possa atingir os docentes da educação básica. “Para tanto, uma estratégia é continuar a parceria com as entidades locais, produzir conhecimentos e estabelecer diálogos que contribuam com a formação dos nossos atuais licenciandos, que durante a graduação têm contato com as escolas da rede pública estadual e municipal e, acreditamos, podem ser agentes de transformação”, acrescenta. “Esperamos que ações de acessibilidade desenvolvidas pela UFAL possam ser reconhecidas como referência para outras universidades; esperamos seguir aprendendo mais com as pessoas com deficiência, produzir mais conhecimentos e, a cada dia, envolver mais gente nessa luta que é de todos e só engrandece a universidade pública e a sociedade em geral. Que essa seja a nossa bandeira de luta pela democracia participativa”, acrescenta.

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novidade

Mudanças na comunicação com Surdos e Pessoas com Deficiências Visuais

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esde 18 de janeiro deste ano, os cartórios de todo o estado de São Paulo passaram a disponibilizar tradução em LIBRAS, numa iniciativa da Associação dos Notários e Registradores (ANOREG/SP), com base na entrada em vigor da LBI - Lei Brasileira de Inclusão. De acordo com dados disponíveis do IBGE, o estado tem cerca de 586 mil pessoas com deficiência auditiva. O novo sistema passa a integrar o atendimento presencial no cartório a um intérprete de LIBRAS que estará disponível por teleconferência. De acordo com o presidente da ANOREG/SP, Leonardo Munari, “é preciso tratar a inclusão das pessoas com deficiência com consciência e responsabilidade, vislumbrando uma oportunidade de crescimento social e não como uma mera obrigação jurídica”, afirma.

Na tevê Até 2017, toda a programação transmitida pela TV aberta deverá contar com os recursos de legenda oculta (closed caption) e dublagem. A meta foi estabelecida pela Norma Complementar Nº 01/2006, do Ministério das Comunicações (MC). A legenda atende não só deficientes auditivos, mas também a uma gama maior de usuários, como idosos e telespectadores em ambientes com limitação de áudio. A acessibilidade na TV aberta começou a ser implantada em 2008, quando pelo menos duas horas diárias do conteúdo exibido pelas emissoras passaram a contar com legenda oculta e dublagem. Esse número de horas aumentou progressivamente, e, em 2015, chegou a 20 horas diárias. Já a janela de LIBRAS, na qual a imagem do intérprete humano ou virtual é apresentada sobre o vídeo original, pode vir incorpora-

da, aberta a todo o público, ou por meio de tela secundária em receptores com software de suporte. A norma do MC estabelece que essa janela deverá aparecer nos programas de propaganda político-partixdária e eleitoral, além de campanhas institucionais e informativos de utilidade pública. A ampliação dessa obrigatoriedade está em discussão pela ABNT - Associação Brasileira de Normas Técnicas.

No caso da audiodescrição, que favorece pessoas com deficiência visual, a obrigação atual é que seja presente somente nas transmissões digitais e durante 6 horas semanais da programação da emissora. O cronograma vigente prevê o aumento progressivo dessa facilidade, alcançando 20 horas semanais nas emissoras até julho de 2020.

No Cinema O Ministério Público Federal (MPF) em São Paulo, apresentou ação civil pública contra a ANCINE - Agência Nacional de Cinema e dez distribuidoras de filmes que atuam no País para que todos os filmes nacionais e estrangeiros tenham legendas e janela com intérprete de LIBRAS. As distribuidoras não poderão fornecer apenas cópias dubladas, e a ANCINE deverá fiscalizar o cumprimento da ordem. Em inquérito feito pelo Ministério Público, verificou-se que muitos cinemas no País disponibilizam somente cópias dubladas dos filmes, o que inviabiliza a compreensão do conteúdo

pelas pessoas com deficiência auditiva, apesar de a legislação brasileira garantir a elas o direito de acesso aos meios de comunicação. Na ação, o MPF pede a adoção dos recursos técnicos necessários para a acessibilidade.

Dicionário de sinais A Câmara dos Deputados firmou acordo com o Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão e a Universidade Federal da Paraíba (UFPB) para incluir termos do cotidiano legislativo no dicionário de sinais do aplicativo VLIBRAS, que converte conteúdos da internet para a linguagem de sinais. Atualmente, esse software faz a tradução de 7.400 sinais de sites comerciais e do governo e, com o dicionário elaborado pela Câmara, serão incluídos mais 1.200 sinais. Caberá aos intérpretes de Libras da TV Câmara, traduzir para a língua de sinais as informações do legislativo. Esse material será enviado para a Universidade Federal da Paraíba, onde a figura humana será substituída por um avatar - expressão que traduz uma figura gráfica no meio digital. Segundo a coordenadora de acessibilidade da Câmara, Adriana Januzi, o dicionário legislativo de sinais deve estar completo no próximo mês de julho. A versão atual do aplicativo VLIBRAS está disponível nas versões Android e iOS para smartphones e tablets e pode ser baixada de forma gratuita pelo site: www.vlibras.com.br


notas

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Foto: O Globo

Escola de samba inova em comissão de frente

No primeiro dia dos desfiles das escolas de samba do Rio de Janeiro, a segunda escola a passar chamou a atenção do público pela qualidade e inovação de sua comissão de frente. A União da Ilha, trouxe para a passarela o enredo “Olímpico por Natureza, todo Mundo se Encontra no Rio” e abriu o desfile com um grupo de guerreiros que contou com 6 atletas cadeirantes da equipe Santer Rio Rugby e mais Felipe Berty, bailarino do Grupo de Dança sobre Rodas Corpo em Movimento, da ANDEF - Associação Niteroiense de Deficientes. O tema do grupo era: Transcender, Superar e Vencer. Os participantes treinaram por quatro meses com o coreografo Patrick Carvalho. Os atletas não tinham experiência com desfiles, mas Berty já

participou por seis vezes da comissão de frente da Embaixadores da Alegria, uma escola de samba formada por pessoas com deficiência, tradicional nos desfiles cariocas. A ideia do grupo era apresentar a guerra e tinha também andantes. Foi encenado um confronto entre os dois grupos até serem surpreendidos pela “Deusa da Vitória”, quando se chegava ao ponto principal da coreografia: um movimento olímpico junto ao surgimento da pira. A performance dos dois atletas, um cadeirante e um andante sobre o carro, a sete metros do chão, empolgou o público. De acordo com o coreografo, as Olimpíadas vieram para apaziguar as guerras, daí optarem por esse início do desfile.

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informe publicitário

Certeza de crescimento

O Grupo Grand Brasil sempre obteve bom desempenho em volume de vendas para PCD e, nos últimos anos, o grupo vem aumentando a equipe especializada nesse nicho, por acreditar em tal mercado. Quem explica é Marcel Adipietro, diretor comercial do Grupo Grand Brasil. Ele conta, por exemplo, que a BMW entrou no mercado de PCD no ano passado, um dos motivos para as grandes expectativas deste ano. “Além das isenções para PCD serem um direito legal do consumidor, temos feito da acessibilidade uma preocupação do grupo”, conta Adipietro. Uma das iniciativas é o aumento de equipe especificamente para PCD em todas as marcas pertencentes à empresa. “Diferentemente do ano passado, estamos criando um budget exclusivo para PCD”. Isso significa que, como as equipes de vendas são separadas, departamentalizar a operação facilita foco total no segmento. Além disso, o grupo desenvolve atualmente um “trabalho muito forte online”. Essa opção de vendas teve início no ano passado e conta com um vendedor dedicado somente aos contatos pela internet. Marcel Adipietro relata ainda que a empresa tem apostado em anúncios via Google ou no próprio site do Grupo

Grand Brasil, com retorno positivo. “O público é mais online do que nunca e não estávamos preparados para atender prontamente a essa demanda. Melhoramos e agora estaremos preparados para isso”. A tendência online é geral, não apenas no segmento de PCD, que também possui clientes muito conectados e que procuram informações pela internet. As equipes, que antes eram as mesmas para outros tipos de clientes, agora são totalmente independentes. E graças a investimentos em treinamento e formação especializados, o time de vendedores para PCD está apto a responder quaisquer dúvidas que possam surgir por parte dos consumidores em potencial. Conforme a tendência de 2015, independentemente da queda geral das vendas no varejo, “PCD é um mercado à parte e o Brasil está entendendo melhor esse cliente, que antes não sabia sobre seus direitos de isenções”. Adipietro comenta inclusive que alguns compravam no showroom não dedicado a PCD, por causa desse desconhecimento. Hoje, com ajuda das mídias especializadas no setor e das próprias concessionárias, o cenário se reverteu. “Era uma demanda desatendida, por isso acreditamos em um bom crescimento. Ainda tem muita gente chegando nesse mercado, inclusive o não condutor.” Ou seja, são aquelas pessoas que utilizam o veículo para auxiliar algum parente ou familiar PCD em sua rotina. Em relação aos produtos mais buscados, na Hyundai predomina o HB 20,

“muito desejado”, e o mesmo ocorre na Toyota, com o Corolla. Este ano, o grupo tem a certeza de uma grande demanda de PCD pelo Etios com câmbio automático, lançamento muito relevante. Adipietro mostra confiança na continuidade do crescimento neste nicho de mercado, exatamente pelo nível mais alto de informação sobre o assunto entre a população. Os lançamentos ao longo do ano também devem trazer ainda mais dinamismo a esse tipo de vendas. O diretor comercial do Grupo Grand Brasil enxerga o segmento de PCD como permanete na sociedade, que precisa ser atendido e, não, como algo momentâneo. “Hoje, muitas concessionárias têm pelo menos um vendedor nesse segmento e sabem que precisam melhorar”. O próprio envelhecimento da população, tendência inevitável no país e no mundo, também deverá contribuir para a estabilidade dessa vertente. Diante da atual crise econômica, o desempenho das vendas diretas para PCD acaba funcionando como um fator que ajuda montadoras e concessionárias a atravessar as dificuldades, amortizando, por exemplo, os custos de estoque. É fundamental também ter a consciência de que toda uma cadeia produtiva se beneficia desse contexto, incluindo despachantes, empresas especializadas, mídia segmentada, empresas de adaptação, etc. Ou seja, é um nicho que ajuda a impulsionar toda a economia brasileira e, inclusive por esse motivo, “merece muito respeito”.


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trabalho

Empresas ganham prêmio por inclusão de trabalhadores com deficiência

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uas empresas se destacaram em 2015 na área da inclusão: o Citibank e o Senac/SP. Elas acabaram empatadas em primeiro lugar no II Prêmio Melhores Empresas para Trabalhadores com Deficiência, entregue em dezembro passado pela Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência, em São Paulo. A premiação, idealizada pela consultoria i.Social, foi instituída em parceria com a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (FIPE) com o objetivo de dar visibilidade às boas práticas relacionadas à inclusão profissional de pessoas com deficiência, ao reconhecer e estimular as demais organizações a aperfeiçoarem seus programas de respeito a diversidade humana. Participaram 58 empresas que empregam mais de 500 mil funcionários, dos quais cerca de 17 mil são trabalhadores com deficiência. Elas foram avaliadas em quesitos como

promoção da política dos direitos da pessoa com deficiência; igualdade de oportunidades; autonomia e independência no ambiente de trabalho; respeito à legislação (Lei de Cotas); grau de sustentabilidade dos projetos e disponibilidade de recursos materiais e psicológicos que viabilizem ao trabalhador condição plena para o desempenho de suas funções, entre outros.

A experiência do Citi Brasil Empresa global, o Citi tem no Brasil 72 agências e 4.500 funcionários, sendo 229 com deficiência. Pela Lei de Cotas, devem empregar 5 % de trabalhadores com deficiência, o que significa que superaram o esperado. Existe uma área de Diversidade estabelecida, dedicada a trabalhar com mulheres, etnia, LGBT, aprendizagem, pessoas com deficiência e Citi Master (pessoas acima de 50 anos). Em relação às pessoas com deficiência, são desenvolvidos vários programas como

Projeto SOMAR (deficiência intelectual), Projeto SOMAR TEC (autistas, para tecnologia), Projeto Sorriso (deficiência visual), Projeto sem Fronteiras (deficiência auditiva), Projetos de Capacitação (em conjunto com a Federação Brasileira de Bancos, área de tecnologia), Assessment (avaliação, gestão profissional), Aprendiz, Estagiário e Realocação desses trabalhadores. De acordo com Adriano Bandini, especialista em Diversidade do Citi Brasil, há uma política global de inclusão na empresa, mas cada país tem liberdade para atuar da forma que julgar mais adequada. “Em toda a América Latina, entre os países com presença do Citi, somos reconhecidos pelas boas práticas no tema e compartilhamos nossos avanços”, conta Bandini.


trabalho O especialista diz que a cada ano a empresa recebe mais candidatos com deficiência qualificados, que querem desenvolver uma carreira e serem vistos como profissionais e não apenas como pessoas com deficiência. Uma vez admitido, o funcionário passa por avaliação ergonômica e de acessibilidade para que receba tudo o que for necessário para eliminar eventuais barreiras. Alguns recebem treinamentos específicos para a área em que atuam, outros recebem assessment, e outros são acompanhados por equipes de especialistas em emprego apoiado, especialmente os com deficiência intelectual do Projeto SOMAR. “Atuamos permanentemente para a promoção da acessibilidade atitudinal, ou seja, o relacionamento é de respeito e inclusão. Quando identificamos algum ponto a melhorar, fazemos intervenções para que o relacionamento saudável seja sempre efetivo”, explica Bandini. “Orientamos não apenas a equipe de trabalho daquela pessoa mas todas as pessoas do andar e até mesmo do prédio para ampliar a assertividade da acessibilidade e descontruir mitos. Toda a equipe ganha muito com esses momentos”, afirma Adriano. Agora em 2016 o projeto é ampliar soluções de LIBRAS e expandir o SOMAR, projeto que já existe há mais de 8 anos. A proposta é contratar autistas para trabalhar com programação em tecnologia da informação e aproveitar a mesma metodologia de emprego apoiado que o Projeto SOMAR apresenta para o desenvolvimento e crescimento de cada funcionário.

A inclusão no Senac/SP O Senac é uma instituição educacional que completa 70 anos de atividades neste ano, especializada em ensino nos setores de comércio de bens, serviços e turismo. No estado de São Paulo são 59 unidades e em todas existem trabalhadores com deficiência. O número também supera as contratações exigidas pela Lei de Cotas: são 8.946 funcionários, sendo 456 com deficiência. Os coordenadores do Programa de Inclusão, Andreza Gonçalves Matsumoto e Mario Augusto Costa Valle, explicam

que a contratação dos profissionais não é feita com base em mapeamento de cargos, mas são considerados os pré-requisitos da vaga e as competências exigidas. “Desta maneira, podemos afirmar que o Senac tem por princípio contratar a pessoa e não a sua deficiência, tornando seus processos acessíveis a todos os candidatos, visando proporcionar a participação em condição de igualdade”, afirmam. O Programa de Inclusão paulista foi formalmente constituído em 2002. Ele vem se aprimorando e, atualmente, está sob a gestão do Núcleo de Educação Corporativa, ligado à gerência de pessoal. “O objetivo é promover ações de orientação e sensibilização de todos os funcionários, garantir a disponibilização de recursos para que os trabalhadores com deficiência possam desempenhar o seu trabalho na plenitude de suas potencialidades e disseminar a cultura inclusiva na organização”, explicam os coordenadores. Para seu desenvolvimento, foram estabelecidas diretrizes em conjunto com diversas frentes da organização, com o objetivo de eliminar barreiras que impeçam a participação desses funcionários. O fornecimento de recursos tecnológicos assistivos, por exemplo, é gerido pela área de Recursos Humanos em conjunto com a área de Tecnologia. Como política de

benefícios, esses funcionários são liberados do pagamento de coparticipação no plano de saúde e possuem apoio da cooperativa de crédito para adquirir próteses médicas, como pernas ou braços mecânicos, coletes, aparelhos auditivos ou outras próteses. As adaptações físicas e arquitetônicas são definidas pelo Serviço de Engenharia em conjunto com uma consultoria especializada, por meio da análise individual das unidades, conforme normas vigentes e da adoção, quando possível, de soluções de desenho universal. Além disso, para garantir o processo de inclusão existem os representantes da inclusão, um grupo formado, atualmente, por mais de 60 funcionários, que têm a missão de promover e apoiar a contratação dessas pessoas, sensibilizar e orientar as equipes locais, além de proporcionar a ambientação desses funcionários conforme as diretrizes do programa de inclusão. “No período de 2008 a 2015, registramos mais de 4,6 mil funcionários capacitados presencialmente nos cursos do portfólio de inclusão, ministrados por multiplicadores preparados internamente. O grande investimento em ações de conscientização e desenvolvimento das equipes e lideranças favoreceu a eliminação de barreiras comportamentais e atitudinais, consideradas questões-chave no processo de inclusão”, afirmam os coordenadores. Para este ano, a intenção é intensificar o número de ações de sensibilização, bem como propor estratégias que possam estimular a discussão do tema de maneira mais aprofundada. Um exemplo é o Encontro da Relações de Trabalho que vai debater o processo de desenvolvimento profissional da pessoa com deficiência, envolvendo lideranças e funcionários (com e sem deficiência) a partir da reflexão sobre as atribuições e os processos de trabalho no qual estão envolvidos. “O compromisso com a disseminação da cultura inclusiva é um princípio, uma razão de ser, que coloca como prioridade o desenvolvimento de produtos e serviços que contribuam para o desenvolvimento das discussões sobre o tema na sociedade”, concluem Andreza e Valle.

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movimento

Lei Brasileira de Inclusão já está em vigor !

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epois de quase 15 anos de tramitação no Congresso Nacional, desde primeiro de janeiro deste ano, está em vigor a nova LBI, legislação referente às pessoas com deficiência. A Lei Nº 13.146/15 começou a valer após 180 dias da sanção presidencial, garantindo novos direitos e prevendo punições mais severas aos infratores. A legislação classifica o que é deficiência, prevê atendimento prioritário em órgãos públicos e fixa pena de prisão de um a três anos para quem discriminar pessoas com deficiência, entre outras questões. O estatuto também estabelece que “a deficiência não afeta a plena capacidade civil da pessoa, inclusive para: I - casar-se e constituir união estável; II - exercer direitos sexuais e reprodutivos; III - exercer o direito de decidir sobre o número de filhos e de ter acesso a informações adequadas sobre reprodução e planejamento familiar; IV - conservar sua fertilidade, sendo vedada a esterilização compulsória; V - exercer o direito à família e à convivência familiar e comunitária; e VI - exercer o direito à guarda, à tutela, à curatela e à adoção, como adotante ou adotando, em igualdade de oportunidades com as demais pessoas. Na esfera criminal, a pena para quem comete discriminação é ampliada em um terço se a vítima encontrar-se sob responsabilidade do agente e pode chegar a cinco anos de prisão caso a discriminação seja cometida por meios de comunicação social. Apropriar-se de bens e benefícios dessas pessoas também pode render reclusão, de até 4 anos. Impedir ou dificultar o ingresso da pessoa com deficiência em planos pri-

vados de saúde rende pena de dois a cinco anos de detenção, além de multa. A mesma punição se aplica a quem negar emprego, recusar assistência médico-hospitalar ou outros direitos a alguém, em razão de sua deficiência. Fica proibida ainda a cobrança de valores adicionais em matrículas e mensalidades de instituições de ensino privadas. Outra novidade é a possibilidade de o trabalhador com deficiência recorrer ao Fundo de Garantia por Tempo de Serviço quando receber prescrição de órtese ou prótese para promover sua acessibilidade. A nova lei obriga ainda reserva de assentos em teatros, cinemas, auditórios, estádios, ginásios de esporte e outros locais similares, em áreas com boa visibilidade e de acordo com a capacidade de lotação. Legislações anteriores já previam a reserva de 2% das vagas dos estacionamentos públicos para pesso-

as com deficiência, mas o novo texto garante que haja no mínimo uma vaga em estacionamentos menores. Os locais devem estar devidamente sinalizados e os veículos deverão conter a credencial de beneficiário fornecida pelos órgãos de trânsito. Hotéis e pousadas devem garantir 10 % dos dormitórios acessíveis. O poder público deve criar programas de habilitação profissional, promover a inclusão em atividades culturais, estimular a oferta de livros e artigos científicos acessíveis e apoiar a manutenção de moradia para a vida independente da pessoa com deficiência, além de capacitar tradutores e intérpretes da Libras. Municípios devem elaborar plano de rotas acessíveis, entre outros artigos. É muita coisa boa e necessária... Vamos ficar atentos e cobrar o Ministério Público e as autoridades, vamos fazer valer nossos direitos e fazer da LBI a nossa bandeira !!!


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crônica

por Deborah Prates

A advogada com deficiência ficou do lado de fora !

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rande conquista histórica foi alcançada pela mulher advogada através do Provimento 164/2015 do Conselho Federal da OAB, que criou o Plano Nacional de Valorização da Mulher Advogada, com vigência a partir de 2016. As seccionais terão até janeiro de 2017 para as necessárias providências administrativas, objetivando o cumprimento do Plano. A ideia do fortalecimento dos direitos humanos da mulher fora justa e seria mais uma vitória da democracia se, de fato, todos os tipos de preconceitos que circundam a vida de todas as mulheres fossem combatidos por uma classe profissional que deveria ser um exemplo para a sociedade brasileira. O texto legal é expresso ao contemplar a igualdade de gêneros e a participação das mulheres nos espaços de poder. Lindo! Pela norma estão contempladas: a defesa humanitária das mulheres encarceradas; a defesa e a valorização das mulheres trabalhadoras rurais e urbanas; a defesa e a valorização das mulheres indígenas; o combate ao racismo e à violência contra as mulheres negras. Ora, diante das especificações acima, fica flagrante que as mulheres COM deficiência foram, no mínimo, esquecidas ! A falta de reconhecimento, melhor dizendo, da valorização da mulher advogada com deficiência, sem dúvida alguma, compromete o seu bem-estar emocional e profissional. Isto porque as mulheres advogadas com deficiência têm, infinitamente, menos chances do que as advogadas sem deficiência por todos os motivos já sabidos, em especial o preconceito pela deficiência que as tornam, diante da cegueira voluntária social, incapacitadas para a vida laboral. Essa crônica vem frisar o sentimento de pertencimento à espécie da mulher advogada com deficiência ! O contexto social brasileir o e políticas desiguais geram às mulheres sem deficiência capacidades humanas desiguais.

Por esse triste panorama é que a EXCLUSÃO da advogada com deficiência do Plano Nacional de Valorização da Advogada foi o suprassumo da crueldade, da desumanidade ! O Artigo 5º da Constituição da República ordena que todos sejam iguais perante a lei. No entanto, para a lei em enfoque (Plano de Valorização) a mulher advogada com deficiência fora tida como menos igual que as demais advogadas. Ou será que foram consideradas quase humanas para serem flagrantemente menosprezadas, deslembradas, desrespeitadas ? Seria, sem dúvida, mais uma oportunidade de consciencialização dos advogados e coletividade para que, dentre um leque de motivos, compreendessem que, por ilustração: ser mulher, cega, cinquentona, profissional liberal excluída do mercado de trabalho por motivo de gênero, deficiência, idade e pelo Processo Judicial Eletrônico (PJe) é imensurável monstruosidade ! Preconceito de todo lado ! Até pelo Plano Nacional de Valorização da Mulher Advogada ! Venho fazendo um corpo a corpo severo com a advocacia, afirmando que o imensurável desafio a ser vencido é o relativo ao terrível preconceito e, é claro, a seguida discriminação. Estou convicta de que falta o estudo da ética no Brasil, a fim de que seja alcançada a solidariedade. Talvez temperando a democracia com os princípios republicanos... Ah, como seria bacana, salutar, se a advogada sem deficiência se colocasse, um tiquinho que fosse, no lugar da advogada com deficiência ! Certamente mudaria as egoístas atitudes. Mas como se ela nem nos vê ? É questão mesmo de fazer as pazes consigo mesma para ter condições de perceber o outro, melhor dizendo a outra. Sim ! A advogada com deficiência ! Ética é a palavrinha do momento para alcançar a acessibilidade atitudinal. Finalizo as presentes reflexões com um pensamento de Augusto Cury: “Todos fecham seus olhos quando morrem, mas nem todos enxergam quando estão vivos”.

Deborah Prates é cega, advogada, delegada da Comissão OAB-Mulher do Rio de Janeiro, membro efetivo do Instituto dos Advogados Brasileiros (IAB) e integrante da comissão de Direitos Humanos da entidade. Desenvolve o blog http://deborahpratesinclui.blogspot.com.br/ e a página facebook.com/deborahpratespalestrante


por Fábio de Seixas Guimarães

rio de janeiro

“Chegou 2016 ou melhor, alguns de nós chegamos em 2016”

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arecia tão distante o Ano da Olimpíada e Paralimpíada quando sentei em uma cadeira de rodas emprestada do amigo André Fuentes, em junho de 2013. Na minha primeira saída com a cadeira, atravessei a Avenida Atlântica, em Copacabana – Rio de Janeiro/RJ – com a dificuldade de quem está dando seus primeiros “passos”. Não mais de 200 metros “cadeirando” (tocando a cadeira) e cheguei exausto, mas vitorioso, ao calçadão da praia. Como prêmio, me dei um chopp no primeiro pitstop que fiz. Em seguida, telefonei para meu primo Beto Seixas, médico e cadeirante, que mora em São José do Rio Preto/SP. Foi ele quem propôs que eu sentasse em um cadeira de rodas para entender as

dificuldades de um cadeirante. Ao falar que estava na Praia de Copacabana em uma cadeira de rodas, ele riu e me deu um novo desafio: “ Quero ver você sair daí agora e andar por Copacabana”, disse Beto. E lá fui eu. Faltavam rampas – rebaixamentos - nas travessias entre as esquinas e calçadas mal conservadas. Foi o que encontrei. A partir daquele momento começou a “cair a minha ficha” sobre a realidade de uma Pessoa com Deficiência numa cadeira de rodas no Rio de Janeiro. Enquanto os jovens iam para as ruas protestar contra o aumento das passagens, em meio a tanto “blá, blá, blá”, eu iniciava então o “Projeto BLA – Busco Legados de Acessibilidade”, num voo solitário de um cidadão de 54 anos. Minha camiseta levava a frase: Não sou cadeirante, mas... e se fosse ?

Participamos de muitos eventos, conhecemos pessoas engajadas na causa e apuramos nosso olhar em relação à (in) acessibilidade na cidade. Participamos da Marcha em Defesa dos Direitos das PcD, na mesma Praia de Copacabana, ao lado do amigo e militante Geraldo Nogueira,

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rio de janeiro organizador do evento, e com Elizabeth Marge, Izabel Maior, Regina Cohen e Andrei Bastos, e tantos outros. Depois, fomos à uma reunião no COMDEF – Conselho Municipal de Defesa dos Direitos da PcD e, em evento pelos direitos das PcD na OAB-RJ. Em 2014, veio a Copa e o Dia Internacional da Luta das PcD. E os “Cadeirantes da Lei Seca”, com Robson Goulart e Ana Claudia Monteiro, hoje Presidente do COMDEF. Foi lá que conheci Robson, morador de Mesquita, Baixada Fluminense. Um desses caras incansáveis que lutava diariamente pela melhoria da qualidade de vida de todos com deficiência. E em um de nossos vários encontros presenciei ele ensinando um motorista de ônibus na Barra da Tijuca a manusear o elevador/ plataforma do veículo, para descer um cadeirante. Era e é nítido o despreparo desses profissionais. Mas, infelizmente, esse nosso “parceiro de batalha” ficou pelo caminho, faleceu no início de outubro de 2015 e não chegou até 2016 para conferir se ficarão ou não legados de acessibilidade para as PcD, após os grandes eventos deste ano. Uma pessoa que valorizou o nosso trabalho no BLA e que, sem dúvida, merecerá sempre o reconhecimento de todos nós. Para nossa grata surpresa, no final de 2013, inspirados no nosso Projeto e slogan, o Comitê Rio 2016 lançou internamente o Programa: “Não sou cadeirante, mas e se eu fosse ?”. Sabrina Porcher, coordenadora

Beto Seixas e a minha filha Anna Carolina

Geraldo Nogueira e Elizabeth Marge

de Legados do Rio 2016, fez um trabalho que sensibilizou muitos colaboradores do Comitê, no período de 2013 a 2015, e continua em 2016 também com os patrocinadores. Augusto Fernandes, que também conhecemos em um dos movimentos na

Comitê Rio 2016

Praia de Copacabana, que é Coordenador de Acessibilidade no Rio 2016, foi quem levou a nossa ideia para Sabrina. Entramos em 2014 animados com a possibilidade da Copa do Mundo, participamos de algumas reportagens para TV, Jornais e Revistas. Fomos a Salvador/BA ver de perto a acessibilidade da Arena Fonte Nova e a falta dela nos seus arredores. Desfilamos na Marquês de Sapucaí na Escola Embaixadores da Alegria, fizemos o “Movimento BLARIO 2014”, identificando a falta de rampas. Visitamos a feira REATECH em São Paulo, a feira REHACARE em Dusseldorf na Alemanha, entre tantas outras atividades. Produzimos um vídeo - BLARIO 2014 - com legendas em português e inglês, e interpretação LIBRAS, com patrocínio de várias pessoas através do patrocínio coletivo CATARSE. No vídeo, entrevistei o então Consultor de Acessibilidade João Carlos Farias da Rocha, sobre o transporte público para PcD no RJ. E ele respondeu assim: “Moro no Largo do Machado há mais de 20 anos, sou cadeirante a mais de 30, conheço bem esta cidade. Infelizmente, se for olhar para o tempo que eu estou na cadeira e olhar para o transporte que hoje é oferecido às PcD, eu vou dizer que a única coisa que avançou foi a minha condição de reabilitação e disponibilidade de andar na cidade, porque em relação a questão de transporte, ela ainda não atende”. E o


rio de janeiro elo entre um bom equipamento, que gera liberdade e autonomia para uma pessoa que se sentia limitada em sua cadeira de rodas, me deu um prazer enorme. Um prazer que aprendi com o BLA.

notas Projeto na Câmara propõe nova isenção de impostos para PcD

ASA – Ações e Soluções em Acessibilidade destino levou João também... no final de novembro de 2014. Lá se foi mais um guerreiro que não chegou em 2016. Pois é, passou a Copa do Mundo, e o que ficaram foram algumas poucas “Ilhas de Acessibilidade”. Um exemplo são os novos estádios - Arenas da Copa 2014 - com elevadores, rampas, locais reservados para PcD, mas como chegar até eles ? Em janeiro de 2015, conversando com Rodrigo Rosso, editor desta revista, vimos a oportunidade de representar e divulgar mais a Revista Reação no Rio de Janeiro. Em fevereiro entramos para o quadro de “Voluntários Pioneiros no Rio 2016”. A partir de março começamos a escrever esta seção na revista em todas as edições. A vivência nesta trajetória com o BLA, somada ao nosso espírito empreendedor nos fez enxergar uma possibilidade de criar um negócio, que beneficiasse o público PcD, sem que ele precisasse ter despesas com isso. Foi assim que colocamos um “carro escalador de escadas” a serviço de empresas que precisavam proporcionar acessibilidade em eventos no Rio de Janeiro. Foram mais de 10 eventos até agora. No meio de 2015, conhecemos o “Kit Livre”, uma ideia do engenheiro mecatrônico Júlio Olivetto, que monta o equipamento em São José dos Campos/SP. A sensação de liberdade dada ao transformar a cadeira de rodas manual num triciclo motorizado, nos levou a pegar a representação do produto para o RJ. Um retorno bacana dessa experiência aconteceu em dezembro último, quando fui entregar um kit em Duque de Caxias/RJ. Escutei da senhora de 80 anos que acabava de ganhar o presente de um dos filhos: “Você é um anjo que surgiu na minha vida”... Sei que não sou um anjo, longe disso, mas o fato de poder ser o

No final de 2015, nasceu o ASA, fruto de todas essas vivências e da vontade de nos juntarmos àqueles que estão dispostos a mudar o mundo. É com orgulho que cito a Revista Reação e empresas como a Livre Montadora, Casa Ortopédica RJ, Elleva Acessibilidade, Azul Locadora, Instituto Novo Ser, Espaço Ideal Eventos, dentre outras tantas, e pessoas que entenderam nossa relação com as Pessoas com Deficiência e com mobilidade reduzida. Hoje, o BLA acabou se transformando em um dos Projetos da ASA, pois já temos o protótipo do novo Projeto “CadeirAlimentar”, que se propõe a incluir, inicialmente, cadeirantes em eventos, na forma de vendedores, garçons, atendentes, caixas etc. Saiba mais no site: www.asaparatodos.com.br

Ih ! Chegou 2016... Então amigos, parceiros, sociedade e governantes, estamos na reta final para uma real possibilidade de mudanças na “mobilidade urbana do Rio de Janeiro”. Uma mobilidade que, se boa para as Pessoas com Deficiência, será boa para todos os cidadãos. Só assim poderemos transformar o Rio, em uma verdadeira “Cidade Maravilhosa”... Porque, se não for agora, perderemos o trem da história ! Fábio de Seixas Guimarães não é cadeirante (mas e se fosse ?), é paulista radicado no Rio de Janeiro desde 1978. Foi oficial da Marinha até 1995, quando deixou o serviço militar para trabalhar na Rede Globo, onde foi Diretor de programas de TV. Posteriormente, passou a ser produtor independente. É o criador e responsável pelo Projeto BLA e da empresa ASA– Ações e Soluções de Acessibilidade. Site: www.buscolegados.com E-mail: buscolegados@gmail.com

Pessoas com deficiência física, visual e auditiva poderão ficar livres do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) na compra de smartphones, computadores pessoais, tablets, notebooks, modems e acessórios importados, sem que existam similares produzidos no Brasil. O projeto PL Nº 1685/15, em tramitação na Câmara Federal, é de autoria do deputado Aelton Freitas (PR-MG). Pela proposta, a isenção será válida a cada 2 anos e caberá à Receita Federal verificar a adequação do requerente. De acordo com a Agência Câmara de Notícias, para pessoas com deficiência física, a isenção vale para quem apresente alteração completa ou parcial de um ou mais segmentos do corpo humano, acarretando o comprometimento da função física, membros com deformidade congênita ou adquirida, exceto as deformidades estéticas e as que não produzam dificuldades para o desempenho de funções. No caso das pessoas com deficiência visual, o benefício será concedido em três situações: para aqueles que apresentem acuidade visual igual ou menor que 10 % no melhor olho, após a melhor correção, aqueles que tenham campo visual inferior a 20°, ou ocorrência simultânea de ambas as situações. Para deficiência auditiva, a proposta determina a isenção para quem apresente perda bilateral, parcial ou total, de 41 decibéis (dB) ou mais. O projeto, que tramita em caráter conclusivo, será analisado pelas comissões de Defesa dos Direitos das Pessoas com Deficiência; de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania. Se aprovado, não precisará ser aprovado em plenário.

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sexualidade

por Edson Luiz Defendi

A pessoa com deficiência e a prevenção de DSTs/AIDS

É

muito comum o aumento de campanhas de prevenção de Doenças Sexualmente Transmissíveis/AIDS no período do Carnaval. Mesmo sabendo que campanhas educativas sobre prevenção de DSTs/AIDS são fundamentais, é nesse período carnavalesco que elas surgem com mais frequência. A construção de uma cultura de prevenção é de extrema importância para que as pessoas exerçam seu direito à sexualidade de forma saudável e com mais consciência. Sabemos que informação apenas não muda comportamento, principalmente quando o assunto é sexualidade, DSTs/AIDS e outros temas relevantes, como: gravidez na adolescência, métodos contraceptivos e outros. É necessário que as politicas públicas relacionadas à prevenção de DSTs/AIDs e outros temas relevantes comecem a fazer parte da nossa cultura, de forma constante e sistêmica e não apareçam meramente como peças ou campanhas informativas em períodos restritos, como na época de Carnaval, por exemplo. Num País como o Brasil no qual a cultura sexista prevalece, campanhas de prevenção são pouco estimuladas, inclusive questionadas sobre sua importância. Pesquisam mostram que apenas 5 % das escolas possuem um programa de educação sexual que trabalham temas preventivos. Esse é um dado extremamente preocupante, pois a educação sexual é um poderoso recurso da construção de uma cultura de prevenção. Se esses dados são preocupantes, cabe-nos uma importante reflexão: as campanhas de prevenção de DSTs/AIDS são construídas de forma acessível para incluir as pessoas com deficiência ? Essa reflexão leva-nos a considerar a vulnerabilidade que pessoas com deficiência possuem quando expostas a situações de risco referentes às DSTs/AIDS. A vulnerabilidade da pessoa com deficiência está relacionada a vários fatores de saúde, culturais e sociais acerca deste público. Percepções equivocadas e preconceituosas como o mito sobre a pessoa com deficiência como sendo um “ser assexuado”, a exclusão de pessoas com deficiência em campanhas de prevenção, a falta de planejamento de comunicações e informações acessíveis colaboram sobremaneira para aumentar a vulnerabilidade de PcD. Um importante documento elaborado pelo Ministério da Saúde, intitulado Direitos Sexuais e

Reprodutivos na Integralidade da Atenção à Saúde de Pessoas com Deficiência, deixa claro a relevância em considerar a PcD como público das campanhas de prevenção. Destacamos os seguintes pontos: - Adotar estratégias, mídias, métodos, didática, formas e conteúdos adequados aos diferentes tipos de deficiência e em diferentes fases do ciclo de vida, no desenvolvimento, execução, monitoramento e avaliação de materiais de informação e prevenção de DSTs/ AIDS voltados às pessoas com deficiência; - Desenvolver material de informação e comunicação dirigido às pessoas com deficiência, focado nos direitos de acesso e acessibilidade aos serviços de saúde que integram o SUS – Sistema único de Saúde; - Disponibilizar informação adequada sobre sexualidade, direitos sexuais e reprodutivos, em formato acessível às diversas deficiências, e respeitando os diversos ciclos de vida; - Desenvolver, executar e avaliar ações para informação e educação em sexualidade para crianças, adolescentes, jovens, adultos e idosos com deficiência; - Adaptar material informativo já existente em direitos sexuais e reprodutivos, por intermédio da adoção de estratégias, mídias, métodos, didática, forma e conteúdo adequados aos

diferentes tipos de deficiência e às fases do ciclo de vida. Concluindo, estamos dizendo, que na prática é mais que urgente que as campanhas de prevenção precisam ter vídeos, mídias, folhetos, informações acessíveis, ou seja, com audiodescrição, Braile, legendagem e LIBRAS para pessoas com deficiência visual e deficiência auditiva. Esses materiais precisam também ser elaborados com uma linguagem adequada para atingir pessoas com deficiência intelectual. Essas pessoas precisam participar, aparecer em campanhas educativas, a visibilidade é fundamental para romper barreiras. Precisamos discutir questões específicas sobre prevenção, sexualidade e deficiência física. Direitos sexuais são direitos humanos. As campanhas preventivas não devem e não podem excluir de seu escopo o público com deficiência. Vamos incentivar esse debate e garantir campanhas de prevenção inclusivas e democráticas para todos. Outra dica de leitura é o livro da educadora Jimena Furlani editado pela autêntica editora, chamado “Educação sexual na sala de aula” – relações de gênero, orientação sexual e igualdade étnico-racial, numa proposta de respeito às diferenças. Nele você encontra uma discussão ampla sobre sexualidade e prevenção, além de dicas de atividades para educação sexual, como aspecto fundamental para a construção de uma cultura de prevenção. O documento citado no texto elaborado pelo Ministério da Saúde pode ser encontrado no site: www.unfpa.org.br/Arquivos/direitos_ sexuais_integralidade_pessoas_deficiencia.pdf

Edson Luiz Defendi é Doutorando em Psicologia Clínica pela PUC-SP. Especialista em Psicologia Hospitalar e Reabilitação de pessoas com deficiência pela Faculdade de Medicina da USP. Psicólogo clínico, terapeuta familiar e educador. É colaborador da área de serviços de apoio a inclusão da Fundação Dorina Nowill e coordenador do grupo de pais homossexuais – GpaiH. E-mail: edsondefendi@uol.com.br


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evento

Mobility & Show será em junho no Campo de Marte, em São Paulo/SP e é o único evento para PcD em 2016 !!! Devido ao grande sucesso do evento que ocorreu em setembro do ano passado no Autódromo de Interlagos, organizadores e expositores preparam a segunda edição em novo local e com muitas novidades...

A

Mobility & Show 2016 acontecerá nos dias 24, 25 e 26 de junho próximo, no PAMA - Parque de Material Aeronáutico de São Paulo – mais conhecido como Campo de Marte – na pista de manobra das aeronaves, na pista dos aviões. O evento é uma exposição de automóveis, veículos e adaptações, equipamentos e serviços para pessoas com deficiência e familiares, idosos e pessoas com mobilidade reduzida e sequelas motoras. Lançada no Brasil em 2015, a mostra ocorre nos moldes da “Mobility Road Show”, feira que acontece há mais de 30 anos em Londres – Inglaterra. No ano passado, a primeira edição da feira, realizada em Interlagos, contou com quase 30 expositores, recebeu cerca de 3 mil visitantes e realizou 989 test-drives em apenas 2 dias de evento... Sucesso Absoluto !!! Quem participou, aprovou o sistema inovador, direto, prático e objetivo que a feira foi montada e estruturada. Sem luxo, sem privilégios e padronizada na participação dos seus expositores, a exposição foi focada na satisfação do público que busca por soluções para compra do carro 0Km e CNH, bem como, equipamentos e dispositivos para uma melhor qualidade de vida. Sem dispersão, sem apelos e sem assistencialismos. “Acredito que esse foi o grande sucesso da Mobility & Show... a fórmula adotada veio para suprir em cheio as necessidades do mercado atual, tanto para expositores – que buscam um evento simples e de resultados efetivos, com baixo investimento – como do

visitante, que quer encontrar um evento simples de ser visitado, não tão grandioso, mas que traz sem dispersão os produtos e serviços que ele realmente foi buscar. E o melhor, na Mobility & Show tudo está à disposição de forma gratuita, desde o transporte adaptado saindo de estações do Metrô mais próximas, até a entrada e o estacionamento, assim como as informações e soluções que podem ser encontradas nos postos de isenções, pré-avaliação médica, CNH, test-drive organizado... tudo de graça e feito por especialistas. Essa fórmula vitoriosa será repetida em junho no Campo de Marte e com algumas melhorias”, garante o organizador do evento, Rodrigo Rosso, diretor/editor da Revista Reação e criador da REATECH, feira que organizou e promoveu também com muito sucesso até 2012. Rodrigo trouxe toda sua experiência dos mais de 10 anos à frente da REATECH, para a Mobility & Show, permitindo perceber e realizar um evento do tamanho e do formato que o mercado e os consumidores queriam.

A feira A fim de integrar a cadeia produtiva – prestadores de serviço e os consumidores – a feira reúne em único local, montadoras de automóveis com seus modelos de veículos para exposição e test-drive; despachantes e autoescolas para instrução e esclarecimento de dúvidas sobre direitos e documentação; adaptadoras veiculares; atendimento médico para avaliação prévia; seguradoras, bancos – linhas de crédito e financiamento, plataformas/elevadores e rampas, cadeiras de rodas motorizadas e triciclos, produtos e equipamentos de Tecnologia Assistiva e tudo mais correspondente ao universo da pessoa com deficiência, que ofereça maior e melhor mobilidade e qualidade de vida. Diferente e despojada, na Mobility & Show não existem estandes montados. Todos os expositores ficam em tendas tipo chapéu de bruxa, padronizadas, ao ar livre. O credenciamento é inteligente, identificado para quem quer e pode fazer test-drive – só para habilitados ou com acompanhantes – e a pista de test-drive é a maior já disponibilizada no Brasil para um evento desse tipo, com mais de 40 veículos adaptados ou não à disposição dos visitantes, com instrutores treinados. A praça de alimentação é composta por Food-Trucks, com atendentes, disponibilizando o que há de mais interessante na gastronomia contemporânea.


evento Apoios importantes A Mobility & Show 2016 contará com o apoio de importantes órgãos e organizações. Como por exemplo, o apoio do Governo Federal, através da Secretaria Especial de Direitos Humanos e Ministério das Mulheres, da Igualdade Racial e dos Direitos Humanos. A feira também conta com o apoio da Prefeitura de SP, da Secretaria Municipal da Pessoa com Deficiência, além do Grupo Bandeirantes de Rádio (Radio Bandeirantes, Band News FM e Rádio Sulamerica Trânsito. A ABRIDEF – Associação Brasileira das Indústrias e Revendedores de Produtos e Serviços para Pessoas com Deficiência também é parceira do evento, assim como a Baccarelli Consultoria. A realização é da C&G 12 Comunicação e Marketing – com promoção da Revista Reação. “Quem visitou no ano passado no Autódromo tem que visitar novamente este ano no Campo de Marte. Lá tivemos todo charme da pista de corridas, agora, teremos o charme da pista dos aviões, o aeroporto, enfim... quem já foi tem que ir novamente. Quem não teve a oportunidade de visitar em 2015, não pode deixar passar essa oportunidade em 2016. A feira é uma delícia. Esperamos receber mais de 5 mil pessoas em 3 dias e bater o recorde de realização de test-drives. Estamos esperando pessoas de todas as regiões do País. Será um prazer receber a todos”, convida Rodrigo Rosso.

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SERVIÇO MOBILITY & SHOW 2016 24, 25 e 26 de junho de 2016 Horários: 24 de junho - Sexta-feira - 12h às 18h 25 de junho - Sábado - 09h às 18h 26 de junho - Domingo - 09h às 18h Local - Campo de Marte Av. Santos Dumont, Nº 2241 - Santana Zona Norte - São Paulo/SP • Estacionamento Gratuito no local. • Acessibilidade: empréstimos de cadeiras de rodas motorizadas, manuais e triciclos (Sujeito à disponibilidade no momento da visita). TRANSPORTE GRATUITO Ida e Volta até o evento – leva e traz – feito pelas Vans do Programa ATENDE e Vans adaptadas, saindo da Estação Tietê do Metrô. Embarque e desembarque na Rua Marechal Odylio Denis, ao lado da Saída do Metrô Tietê.

DESPACHANTE Desp. Responsável Mauro Matsumoto SSP 7423

FONE: 11 2942-1450

ID: 2*24520/ 2*832910 / 2*832911 Site: www.lyondespachante.com.br

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veículos e adaptações

por Hermes de Oliveira

Direto do interior do Paraná... um cadeirante taxista. E de forma legal !

P

or fim saiu meu Alvará de taxi... Já não era sem tempo. Venho lutando para voltar a ser um motorista profissional, desde quando sofri um capotamento com uma carreta em 2002, onde fiquei paraplégico, e após minha reabilitação, concluiu-se que eu estava hábito ao trabalho. Mas que tipo de trabalho se eu era motorista profissional e agora na legislação de trânsito estava escrito que pessoas com deficiência estavam proibidas de exercer atividades remuneradas ? Foi aí que iniciei a minha luta para mudar isso no Brasil, escrevi email até para o CONADE - Conselho Nacional da Pessoa com Deficiência, em Brasília/DF. Escrevi um livro - Um Motorista Especial de Carreta - registrado em 2006, reclamando sobre esta proibição. E logo veio a decisão do juiz federal Danilo Almasi Vieira Santos, da 10ª Vara Cívil de São Paulo, que vai contra a norma do CONTRAN - Conselho Nacional de Trânsito, que proibia as pessoas com deficiência de exercer a profissão de motorista profissional. A medida vai de encontro à Consti-

tuição Federal, que garante a igualdade de tratamento a pessoas com deficiência, bem como exercícios plenos dos direitos sociais e individuais, incluindo o direito ao trabalho. Ok, então pronto. Tudo certo ?!? Mas, não ! Eu verifiquei que no Brasil não existia autoescola preparada para atender uma pessoa com deficiência que quisesse fazer uma CNH especial de motorista profissional ! Única saída era ser taxista na categoria B especial, fiz todos os cursos necessário e fiz um pedido de um alvará, na prefeitura de São Paulo/SP, onde eu morava. Mas o pedido foi negado. Fui ao Ministério Público, onde fui informado que eu teria que entrar com ação contra a

Prefeitura, com obrigação de fazer. Mas não fiz isso. Resolvi voltar a morar na cidade de onde nasci, a pequena Boa Esperança/PR. E pedi ao então prefeito, Cláudio Gotardo, um Alvará de taxi e este me foi autorizado. Fiz todo o processo novamente no CIRETRAN da cidade de Goioerê/PR e a vistoria do INMETRO feita no meu veículo, e por fim, o emplacamento de veículo de aluguel. Nossa que correria ! Agora já estou pronto para o trabalho. É só avaliar como vai ser a reação dos clientes e como vai ficar a questão econômica. Lembrando que, naquela época ainda não, mas atualmente, já existem no Brasil, autoescolas preparadas para atender pessoas com deficiência para tirar habilitação nas categoria A, B e D. Lembro também ainda, que sou apenas mais um nessa luta que já existe há muito tempo. Como disse meu amigo Rodrigo Rosso, editor dessa revista: “sempre é bom ter uma ‘Boa Esperança’ na vida”... Eu sempre tive. E deu certo ! Deixo aqui meus agradecimentos à Revista Reação e a todas as pessoas envolvidas que estiveram e estão sempre me apoiando nessa luta. Agora sou um taxista, um motorista profissional legalizado outra vez... Ninguém me segura !

Hermes Oliveira é cadeirante, piloto de Parakart patrocinado pela Revista Reação, estudante de administração de empresas, autor do livro “Um motorista especial de carreta”. www.hermespilotoblogsport.com.br


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O CARRO DO ANO´2015

PARA PESSOAS COM DEFICIÊNCIA !!!

1º lugar

NOVO COROLLA (TOYOTA)

Em 18 anos ininterruptos da realização dessa pesquisa, os leitores e assinantes da Revista Reação, formadores de opinião e usuários de veículos – pessoas com deficiência, familiares e também profissionais da área – elegem, através do voto direto, pelo nosso site ou no cupom Carta-Resposta encartado na própria revista: “O Melhor Carro Para a Pessoa com Deficiência”


2ยบ lugar

3ยบ lugar HRV (HONDA)

DUSTER (RENAULT) ECOSPORT (FORD)

CITY (HONDA) NOVO FIT (HONDA)


pesquisa

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C

omo já é tradição, há 18 anos a pesquisa do “Carro do Ano para PcD” é realizada pela Revista Reação, tornando-se referência para as montadoras de veículos em seus departamentos de Vendas Diretas ou Vendas Especiais e, também, principalmente, referência para o consumidor de automóveis com deficiência e seus familiares. Realizada através do voto direto, nessa Pesquisa é o leitor da revista quem expressa sua opinião e os resultados são computados ao final, sem qualquer ingerência, influência ou opinião da publicação. A pesquisa é livre e realizada junto aos leitores e assinantes da Revista Reação, consumidores de veículos comercializados com isenção de impostos. O resultado NÃO é uma eleição do “modelo mais vendido” para o segmento, não é ranking de vendas. É o voto do consumidor no modelo que eles acham ser o melhor para cada um, os mais admirados, desejados, que atendem mais suas expectativas, enfim, a pesquisa leva em conta a opinião de quem vota. A pesquisa para eleição do “Carro do Ano para Pessoas com Deficiência 2015” teve inicio no mês de outubro de 2015 e se estendeu até o final de janeiro de 2016. Foram cerca de 100 dias de votação. Essa é a forma mais clara de expressão do consumidor a respeito do seu desejo e gosto. Prova disso é a participação expressiva que temos dos leitores que votam. Nessa edição da pesquisa, recebemos 1.987 votos, com quase 85 % deles chegando através do site da Revista Reação, pelos posts no Facebook, ou seja, pela Internet. O restante ainda vem através dos Correios, pelo formato de cupom de Carta-Resposta – com postagem gratuita. Todos os que votam levam em consideração, na hora de eleger os melhores modelos, alguns itens e a relação custo x benefício, sem contar no atendimento. São eles, certamente:

RESULTADO DA PESQUISA - 2015 1º LUGAR

NOVO COROLLA (TOYOTA)

19,5 %

2º LUGAR

CITY (HONDA) / NOVO FIT (HONDA)

17,5 %

3º LUGAR

HRV (HONDA) / DUSTER (RENAULT) / ECOSPORT (FORD)

15 %

4º LUGAR

HB20 SEDAN (HYUNDAI) / NOVO CIVIC (HONDA)

13 %

5º LUGAR

RENEGADE (JEEP) / UP! (VW) / DOBLO (FIAT) SPIN (GM)

11 %

6º LUGAR

ONIX (GM) / VOYAGE (VW) / FOX (VW) / ETIOS (TOYOTA) / NOVO FOCUS (FORD)

8%

7º LUGAR

CRUZE (GM) / PAJERO (MITSUBISHI) / SW4 (TOYOTA) 6 %

8º LUGAR

408 (PEUGEOT) / C3 (CITROEN) / PRISMA (GM) 5% SIENA (FIAT) NEW FIESTA (FORD) / 308 (PEUGEOT) / 320 i (BMW) 3,5 % LANCER (MITSUBISHI) – C4 LOUNGE (CITROEN)

9º LUGAR

10º LUGAR

OUTROS

1,5 %

- Beleza; - Acessibilidade aos comandos de painel; - Espaço interno e de porta-malas; - Design e estilo; - Acessibilidade e transferência; - Funcionalidade e visibilidade; - Tecnologia e acessórios; - Motor, câmbio e suspensão; - Conforto, desempenho e dirigibilidade; - Preço e condições de compra; - Atendimento da rede de concessionárias. Num ano difícil para as montadoras, como foi 2015, as vendas de automóveis para pessoas com deficiência – as chamadas Vendas Especiais – foram um de seus sustentáculos, somadas aos outros segmentos das Vendas Diretas. O varejo, as vendas comuns aos consumidores finais, caíram vertiginosamente em 2015. Só que, na contramão dessa crise, o consumidor com deficiência e seus familiares continuaram comprando normalmente. Pelo contrário, as vendas para esse segmento cresceram mais de 26 % em relação a 2014.

O trabalho das montadoras se reflete também no resultado Durante todos esses 19 anos de Revista Reação e 18 anos de realização dessa pesquisa, em todas as nossas edições, as montadoras, num sistema de parceria com nossa publicação, nos enviam modelos de automóveis – que são devidamente adaptados em empresas parceiras da revista – para


pesquisa que nossa equipe de técnicos especializados – equipe essa, competente, única e exclusiva – possa testar cada um deles. Depois disso, publicamos matérias especiais de test-drive, onde também convidamos pessoas com deficiências e familiares para testarem os modelos. Todos expressam suas opiniões que, por sua vez, são publicadas nas matérias, de forma isenta, objetiva, imparcial e bastante pertinente, levando em conta pontos específicos do uso diário do carro em situações cotidianas de PcD e suas famílias. O que sempre percebemos é que os carros que são testados pela publicação chamam a atenção dos leitores, e logicamente, acabam sendo lembrados com mais facilidade na hora do voto. Outro ponto que sem dúvida nenhuma reflete demais na hora do voto, é o trabalho que cada montadora faz durante o ano junto a esse público consumidor. O investimento que cada uma faz na comunicação direta com o público com deficiência, como anúncios dos modelos em revistas especializadas, patrocínio de eventos, participação em feiras, ações na rede concessionária etc... salvo raras exceções, faz com que os modelos de determinadas montadoras sejam mais votados que outros, por exemplo. Isso faz valer o velho ditado popular: “quem não é visto, não é lembrado !”. E é verdade. Mas, o ponto que deve ser um dos mais importantes na tomada de decisão e passa às vezes “invisível” numa avaliação menos criteriosa dos fatos é, sem dúvida, o atendimento que a rede concessionária dá ao cliente com deficiência e seus familiares. Saber atender, com informações corretas e respeito, vale mais do que qualquer coisa no ponto de vista desses consumidores. Um bom atendimento é mais de 80 % da venda feita. Por isso, o investimento das montadoras na formação da sua rede, dos profissionais que atendem o público PcD, é primordial.

Análise do resultado O Novo Corolla foi eleito pelos leitores mais uma vez como o “Melhor Carro para a Pessoa com Deficiência”. O modelo

foi lançado e conquistou o primeiro lugar em 2014, repetindo o feito em 2015. Os modelos da Honda, a montadora mais premiada desses 18 anos de pesquisa, ficaram juntos, dois deles, empatados no 2º lugar. Mas, o que mais chamou a atenção mesmo nos resultados dessa eleição foi, sem dúvida, a alavancada dos modelos SUV. Isso comprova a preferência de boa parte do consumidor brasileiro – com deficiência ou não – que vem cada vez mais adotando essa categoria. E também o destaque para os sedans, que continuam aparecendo bem, sendo os preferidos da maioria. Vamos conhecer um pouco mais de cada um dos modelos citados em suas colocações da pesquisa 2015:

Deu Corolla mais uma vez em 1º lugar !

Honda como companheiro, o City, que por um empate técnico, divide o segundo lugar com o Fit. Tanto o City quanto o Fit sempre ocuparam as primeiras colocações dessa pesquisa, já tendo sido campeões em outros anos. A Honda com esses dois modelos e também com o Civic, tem um público bastante fiel e comprador entre as PcD.

Em 3º lugar, a hora e a vez das SUVs !

As ruas acabam refletindo a vitória do Novo Corolla também nessa pesquisa. O modelo é um dos mais vendidos e desejados do público com e sem deficiência no Brasil e no mundo. Desde o seu lançamento, o Novo Corolla caiu mesmo nas graças do consumidor. A marca é sinônimo de segurança, prestígio, economia e ótima relação custo x benefício. Isso tudo, aliado ao bom atendimento que a rede Toyota oferece ao consumidor PcD, certamente influenciaram nos votos dos leitores e assinantes da Revista Reação. Essa foi a 5ª vitória do Corolla desde que essa pesquisa começou a ser realizada há 18 anos.

Dois modelos da Honda em 2º lugar ! Em 2014, o Novo Fit já conquistou a 2ª colocação nessa pesquisa. Só que em 2015, ele ganhou outro modelo da marca

Não tem jeito, já não é mais uma tendência apenas, é uma realidade: as SUVs estão conquistando o consumidor brasileiro. E no meio das pessoas com deficiência e familiares não é diferente, pelo contrário. Esse tipo de modelo vem atender em cheio as necessidades desses consumidores, que precisam de espaço interno e de porta-malas e, também, porque atende, em grande parte, uma parcela de consumidores com deficiência ou

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pesquisa Quatro modelos em 5º lugar ! Foram quatro modelos empatados na 5ª colocação dessa pesquisa. O grande lançamento do ano e um dos mais procurados modelos dos últimos tempos: Renegade (Jeep) dividiu sua posição com outra

mobilidade reduzida que preferem carros altos, não só para dirigir, mas para entrar e sair deles. Inclusive alguns cadeirantes. Este ano, a pesquisa traz o lançamento da Honda, o HRV, em 3º lugar. Esse foi um dos modelos mais disputados pelos consumidores em 2015. E ele vem acompanhado, num empate técnico entre eles, do Duster (Renault) e do Ecosport (Ford). Todos eles na mesma categoria e com características muito parecidas.

novidade, mas de categoria diferente: o UP! (VW) e mais dois velhos conhecidos,

compacto e outro sedan. Deles, o Fox foi o que mais subiu, saindo da nona colocação na pesquisa passada para a sexta em 2015. E eles vem com a companhia do Onix (GM) – um dos modelos mais

Dois sedans na 4ª posição ! Em 4º lugar, dois modelos sedan dividem a opinião do público. Um deles é o HB20 Sedan (Hyundai), que já figurou na 4ª posição

a Dobló (Fiat) – que em 2013 e 2014 vendidos do varejo no Brasil – e o Etios (Toyota) que nem sequer ainda tem a

na pesquisa anterior e manteve seu lugar como um dos mais procurados na categoria. Já o outro, que vem dividindo a colocação, é o maior vencedor dessa pesquisa nesses 18 anos de história. Ninguém menos que o Civic (Honda), que em 2013 foi o campeão,

em 2014 caiu para a terceira posição e agora, chega em 4º lugar empatado tecnicamente com o HB20 Sedan (Hyundai).

ocupou a terceira colocação – e a Spin (GM), que vem subindo ano a ano na preferência do consumidor PcD.

versão do câmbio automático, além do Novo Focus (Ford), que nem aparecia na edição passada da pesquisa, em 2014.

Dois da VW e mais três modelos ocupam a 6ª colocação !

Em 7ª e 8ª lugares, aparecem 7 modelos bem diferentes !

O 6º lugar vem com 2 modelos da alemã Volkswagen: o Fox e o Voyage. Um

Na sétima posição, o Cruze (GM), com modelos nas versões hatch e sedan, em-


pesquisa gimento da Pajero, além de provar que os SUVs estão ganhando cada vez mais espaço, prova também que aparecer com a marca no universo da PcD faz a diferença. E foi o que aconteceu para a Mitsubishi. Em 8º lugar, 4 modelos, sendo 3 deles sedans – o bom e velho 408 (Peugeot), patou tecnicamente com duas SUVs: a SW4 (Toyota), que em 2014 ficou na

o Prisma (GM) totalmente repaginado e

A BMW já vem mostrando sua cara entre os 5 modelos na 9ª colocação... Já em 10º, 1 % dos votos para outros modelos somados !

quarta colocação, e mais uma novidade na pesquisa: a Pajero (Mitsubishi). O sur-

o também tradicional Siena (Fiat) – dividiram a colocação com o compacto C3 (Citröen).

Na 9ª posição, uma surpresa: o modelo 320i (BMW) já começa a mostrar sua cara e marcar território no mercado Premium entre os consumidores com

A crise aqui não tem vez !

Mercado de automóveis fecha com praticamente 106 mil carros vendidos com isenção para PcD em 2015... um crescimento de 26,5 % Ainda com a crise no setor automotivo, o segmento de vendas de automóveis com isenção de impostos para pessoas com deficiência e familiares cresceu cerca de 26,5 % em 2015. Esse é o balanço final que chegamos após ouvir praticamente 24 montadoras de automóveis em seus departamentos de Vendas Diretas e sua rede, formal e informalmente. Até porque, muitas não revelam seus números neste setor. Mesmo assim, constatamos um salto enorme e um cenário extremamente positivo e crescente, o que reflete a realidade vivida nas concessionárias no ano passado e atualmente. É nitido o aumento da procura por automóveis com isenção de impostos. Com cada vez mais pessoas informadas sobre as isenções, principalmente para as deficiências não tão “aparentes” e para os chamados “não condutores”, esse aumento será cada ano maior. Afinal, se somadas todas as patologias que podem gerar sequelas motoras numa pessoa, somados também a esse número as pessoas idosas – que pela idade certamente possuem, em sua maioria, sequelas de mobilidade – e as próprias pessoas com deficiência e seus familiares, chegamos ao espantoso número de 150 milhões de brasileiros, praticamente. Ou seja, quase 1 em cada 2 cidadãos. Pouco mais da metade da população brasileira, se levarmos a legislação e suas vertentes à risca, “podem” ter direito à isenção de impostos na compra do carro 0Km. Obviamente que

nem todos tem... por isso, as pessoas precisam passar pela avaliação médica do Detran para obter os laudos. Mas, hoje esse fator é uma realidade. Praticamente um em cada 10 ou 15 clientes que buscam uma concessionária de veículos em busca do carro 0Km, hoje em dia, são cadeirantes, por exemplo. A maior parte nem aparenta deficiência alguma ou são familiares. O mercado mudou. E as montadoras e concessionárias, assim como as adaptadoras de veículos, despachantes, empresas de isenções e autoescolas, estão precisando se adequar à essa nova realidade. O volume de vendas é grande, porém, pode ser ainda maior do que este, se levarmos em conta que uma boa parte dos consumidores que tem direito às isenções, acaba desistindo da compra com o benefício, empurrados pela burocracia e a demora nos processos. Estes mais intolerantes e impacientes, acabam comprando seus carros sem usufruir do benefício e ficam fora das estatísticas. Outra parcela que fica fora deste número são as PcD que optam pela compra de um veículo importado. Prova disso são as montadoras do chamado segmento Premium, que começaram a despertar para as vendas para PcD, investindo em programas internos de atendimento para esse público. Algumas dessas montadoras já produzem automóveis no Brasil ou passarão a produzir nos próximos meses.

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pesquisa

deficiência e familiares. Agora, com o recém lançado programa de vendas para PcD da montadora alemã, que já está fabricando alguns modelos no Brasil, a BMW promete chegar com tudo para ocupar uma fatia até então pouquíssimo disputada entre PcD, mas, com um potencial enorme, mesmo contando apenas com a isenção de IPI em seus modelos, por conta dos valores. Junto com a BMW, estão na mesma colocação o New Fiesta (Ford), o 308 (Peugeot), o Lancer (Mitsubishi) e o C4 Lounge (Citröen).

O paulistano Rodrigo Rezende levou para casa o Prêmio da votação de 2015 !!! A pesquisa para eleger o “Melhor Carro para Pessoas com Deficiência” do Brasil acontece há 18 anos e é feita junto aos leitores e assinantes da Revista Reação. Todos os anos, a revista promove um sorteio entre aqueles que enviam seus votos, tanto pela Carta-Resposta (Correios), como pela Internet. Nessa edição da Pesquisa, sorteamos entre os votantes uma Fritadeira Elétrica (Air Fryer). E o grande sortudo que levou o eletrodoméstico para casa, foi o jovem com deficiência (paralisia cerebral), Rodrigo Rezende Gomes, de 32 anos, advogado e bancário, morador do bairro de Chácara Inglesa, na zona sul da capital paulista. Rodrigo é assinante da Revista Reação. Ele fez sua assinatura durante a feira Mobility & Show 2015, no Autódromo de Interlagos/SP, em setembro, durante sua visita ao evento. Ele optou em votar pelo site: “votei no Cruze (GM), até porque é o carro que eu tenho... e tive muita sorte, porque é o primeiro ano que eu voto e fui sorteado em meio a quase duas mil pessoas”, comentou o rapaz, que visitou a redação da Revista Reação para retirar o seu prêmio e conhecer a equipe. O diretor e editor da publicação, Rodrigo Rosso, xará do ganhador, fez questão de entregar a fritadeira pessoalmente. Parabéns Rodrigo Rezende !!!

lição de vida

Fábio Souza e sua vida dedicada ao esporte !

A

os 43 anos de idade, paraplégico, casado e com uma filha de 11 anos, Fábio Souza continua fazendo o que gosta: trabalhando com esporte, agora não mais atuando nas quadras, mas no Comitê que prepara os Jogos Olímpicos e Paralímpicos que acontecerão no próximo semestre, no Rio de Janeiro. Seu cargo, desde novembro de 2015, é de Especialista em Serviços no Basquetebol em Cadeira de Rodas e auxílio no Basquete Olímpico. “Fiquei sabendo da vaga disponível e fiz todo o processo de entrevistas, sempre ansioso para que desse certo. Finalmente me juntei a uma equipe fantástica de profissionais muito comprometidos e competentes”, conta Souza. A nova atividade parece ser a consequência lógica para quem foi um dos astros do grande e lendário “Magic Hands”, time de basquete em cadeira de rodas da ADD - Associação Desportiva para Deficientes, entidade paulista referência em esportes para PcD. Ele foi um dos fundadores do grupo e jogou lá de 1977 a 2004. O “Magic Hands” era uma equipe brilhante, considerada na época, praticamente imbatível. “Fundamos uma nova perspectiva para os atletas do basquete em cadeira de rodas, com uma equipe multidisciplinar, incentivando os participantes ao estudo e oferecendo condições que eram raras até então, como cadeiras de rodas ‘de ponta’ e condições profissionais de treino. Foi um tempo incrível, sem dúvida, aprendi muito, fui capitão do time por um bom tempo, participamos de alguns torneios internacionais, tínhamos um grupo muito capacitado e entrosado, foi o melhor momento como atleta na minha vida”, recorda Souza. “Depois joguei no Clube Amigos dos Deficientes de São José do Rio Preto (CAD), onde encerrei a carreira como atleta, e lá também tivemos momentos inesquecíveis. O CAD já nasceu com um espírito campeão, mostran-


lição de vida

do alguns anos depois que foi criado e dirigido com muita capacidade e visão”.

A importância do esporte O basquete foi fundamental na vida de Souza. Nascido em Estância, interior de Sergipe, aos 10 anos de idade começou a apresentar dores musculares nas duas pernas, que evoluíram rapidamente. Em uma semana não sentia mais nada da altura do peito para baixo. Depois de muita fisioterapia, conseguiu recuperar alguma sensibilidade, mas a mobilidade nunca voltou, com a lesão estabilizada na T11. “Nunca tive um diagnóstico preciso e definitivo”, comenta o aleta.

Souza conta que a adolescência foi o período mais complicado de sua vida, mas que, com o apoio da família, conseguiu superar essa fase. “Cinco anos depois, minha irmã também teve algo muito estranho e também ficou paraplégica. Pode ser algo genético, claro que pode, mas nenhum médico jamais afirmou isso, alguns até falaram que poderia ter sido uma terrível coincidência. Eu não acredito muito nisso, mas todas as possibilidades foram consideradas”, conta Fábio. O convite para jogar basquete em cadeira de rodas veio de um amigo. No início ele relutou porque não sabia como era. “Comecei jogando no Águias de São Paulo, depois na Associação dos Deficientes Físicos de Santos (ADFISA) e passei pelo Clube dos Paraplégicos de São Paulo (CPSP)”, ele relembra. A possibilidade de jogar lhe deu outra perspectiva de vida: “percebi que se eu podia fazer uma cesta de três pontos ou participar de competições tão importantes, poderia também fazer qualquer outra coisa que quisesse em minha vida. Os limites

ficaram mais distantes, as possibilidades foram ampliadas, socialmente foi muito positivo, pois o esporte permite uma interação fundamental para a inclusão social”, afirma. “Psicologicamente foi muito significativo, pois resgatou minha autoestima. Acho que esses pontos são importantes para as pessoas que, por algum motivo, adquirem uma deficiência”, destaca o atleta. Fora do esporte, ele já trabalhou com seguros em um grande banco, e em uma empresa especializada, mas considera que a possibilidade de estar no Comitê Rio 2016 é parte do sonho de participar dos Jogos Paralímpicos. Não conseguiu como atleta, mas será possível agora na organização. “Especialmente sendo em nosso País, é uma oportunidade ímpar, não sei quando teremos outro evento como esse na América Latina e estou super feliz e motivado com essa oportunidade”, reforça. Depois dos jogos, Fábio Souza pensa em voltar ao mercado financeiro ou continuar no esporte, dependendo das oportunidades que virão.

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são paulo

por José Luiz Zanzini (Zézinho)

Movimento social das Pessoas com Deficiência e Mobilidade Reduzida na cidade de São Paulo

A

Cidade de São Paulo sempre esteve na vanguarda dos movimentos sociais brasileiros. Lembro-me de 1980, quando minha filha com deficiência Intelectual tinha um ano, e apenas a APAE - Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais de São Paulo, na Direção do Dr. Antonio dos Santos Clemente Filho e Dona Jô Clemente, se desdobravam para dar o tratamento neste procedimento específico de “DI” com qualidade, acompanhados sempre do filho Zequinha, que era Down. Na APAE, aprendi com o Dr. Clemen-

te, duas palavras que ele instituiu como padrão de vida a quem fazia o bem à população carente: “OBRIGADO” e “POR FAVOR”...Nunca esqueci dessas palavras e as mesmas me direcionaram em meu voluntariado. Ainda no início da década de 1980, na iniciativa privada, busquei os grupos que atuavam na área de pessoas com deficiência intelectual e Down, visto desde 1974 estar apenas auxiliando voluntariamente a Casas André Luiz, a Casa de Davi, a APAE-SP, a Associação de Assistencia à Criança Defeituosa, como a AACD era conhecida na época... o GRAAC, a Casa Santa Terezinha, o Kodomo

No Sono e outras instituições de menor porte. Encontrei a instituição do MDPD – Movimento em Defesa das Pessoas Portadoras de Deficiência, e nessa instituição, fui descobrindo os segmentos que existiam dentro do movimento das pessoas com deficiência. Por estar na iniciativa privada, muitos dos eventos não participava, me tornei um espectador, e me envolvi na luta contra o preconceito às pessoas com deficiência. A época, o MDPD organizou as atividades do AIPD – Ano Internacional das Pessoas Deficientes, com representantes como: Sandra Maciel, Nice Loureiro, nossa saudosa e querida amiga Dorina Nowill, Aristides Santos, Luiz Moura do NID, Luiz Augusto Machado, Robson de Carvalho, querido Prof. Candido Pinto de Melo, José Evaldo Doin, e o guerreiro dentro dos movimentos em prol das pessoas com deficiência, um nome inexquecivel, o batalhador e fotógrafo, Romeu Kazumi Sassaki - ele que é hoje uma sumidade na área de pessoas com deficiência e inclusão. O AIPD, foi realizado com enorme sucesso em 1981, e desse ano ao início de 1983, todos os meios de comunicação só falavam das pessoas com deficiência, depois do dia para a noite, a imprensa em todos os seus níveis, esqueceu que existiam pessoas com deficiência no Brasil. Mas os gritos pelos direitos à inclusão continuaram em direção a Constituição de 1988, o movimento lá estava, buscando seus direitos. Eram instituições, associações, sociedade civil, representantes sociais, sindicais, de educação, exigindo que a nossa Constituição nos reconhecesse como cidadãos produtivos


são paulo e parte da sociedade Brasileira. Conseguimos com pressão e luta que a Constituição Federal, dentro dos dispositivos referentes às pessoas com deficiência, garantisse os direitos especificados em 5 títulos, 7 capítulos, 8 artigos, 3 seções, 9 itens e 3 parágrafos, onde constitucionalmente descreve-se todos os direitos das pessoas com deficiência. Com muitas decisões a nivel de políticas públicas, o movimento tomou grande impulso a partir de 1994, buscando o fundamental para a inclusão, como a “Educação Inclusiva”, que desde as mudanças da PNE - Plano Nacional de Educação, vem gerando um desgaste muito grande aos gestores educacionais, visto as salas de aulas não estarem adaptadas e a parte de recursos humanos educacionais, sem treinamento especifico a cada tipo de deficiência. Em vez dessas instituições fazerem a inclusão, acabam fazendo a exclusão, com as pessoas com

deficiência ignoradas na sala de aula, professores sem a mínima condição de dar atenção especial a criança ou jovem com deficiência. Outra preocupação é quanto à “Acessibilidade e a Mobilidade Urbana”. Ao analisarmos a Lei Nº 16050/2014 do PDE - Plano Diretor Estratégico, quanto aos mecanismos de qualificação e uma estruturação de deslocamentos articulados na cidade, que promova a acessibilidade e a mobilidade, fala-se apenas sobre bicicletas e circulação de pedestres. O poder público municipal se exime das referências sobre pessoas com deficiência, mobilidade reduzida e idosos. Como pode as pessoas com deficiências exercerem o seu direito de ir e vir, se o “PDE” não os consultou para as reformas Urbanas de mobilidade e acessibilidade na Cidade de São Paulo de 2016 a 2030 ? Poderíamos listar uma série de irre-

gularidades, uma delas, as escadas nas instituições de ensino, que inibem as PcD a exercerem o seu direito de votar, e que registro esse fato desde 2002. Além de outros pontos na cidade, onde a mobilidade e acessibilidade são o absurdo do absurdo. Outras escadas complicadas para as pessoas com deficiência, mobilidade reduzida e idoso, são as escadas de muitos ônibus na cidade, nunca vi uma pessoa com mobilidade reduzida ou idoso, entrando pela porta dos cadeirantes nos coletivos ! Outro problema é a chamada “Lei de Cotas” e o ingresso da pessoa com deficiência no mercado de trabalho, a Lei Nº 8213/91, veio para agilizar o processo de admissão das pessoas com deficiência, durante 10 anos a mesma ficou esquecida por falta de fiscalização direta nas empresas, apenas em 2001, o segmento tomou a direção para o qual a lei foi criada. Hoje depois de 26 anos, as empresas

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são paulo buscam cumprir sua responsabilidade social, com muitos problemas a serem resolvidos, dentro de um desenvolvimento econômico oscilante, que complica a recolocação das pessoas com deficiência no mercado de trabalho. Uma alternativa seria as empresas e seus profissionais com deficiência, fazerem uma mescla de funções, com análises de cargos e salários, no reaproveitamento hierárquico das instituições, abrindo vagas a profissionais que estão iniciando no mercado e em processo de especialização profissional para carreiras de sucesso. O atendimento do SUAS Sistema Único de Assistência Social, que seja entendido, “um direito do cidadão e um dever do Estado”, desde que o mesmo passou a ser um direito na Constituição Federal de 1988, e ter um caráter diferenciado de Previdência Social, visto esse tipo de Assistência Social não exigir contribuição do cidadão, o mesmo, tem como objetivo, atender a população Brasileira que necessita desse beneficio. Em 6 de junho de 2011, para garantir a continuidade da Proteção Social Básica, que cobre riscos sociais e pessoais e a Proteção Social Especial, famílias e pessoas em situação de risco, por maus tratos, abandono, vícios de drogas, abuso sexual, estupro etc... Foi sancionada a Lei Nº 12.435, que coube ao Estado a coordenação política para o desenvolvimento desse programa, voltado aos municípios, a todas ONGs e iniciativa privada. Quanto a “Inclusão Social”, desde 1974 quando iniciei no movimento, tenho ouvido que Inclusão são nossas ações direcionadas as pessoas com deficiência e outras lutas humanitárias, voltadas a inclusão que beneficiam a vida dessas pessoas, dentro da sociedade, nos segmentos das relações públicas e sociais, o que não acontece, fazendo com que o grito dos interessados tome a rua e cheguem aos governantes. Isto mostra, que precisamos olhar as pessoas com deficiência com proximidade e fazer com que, seus direitos sejam respeitados, sem pressão da sociedade, mas dentro das Leis que já existem e os

amparam, nas limitações e dificuldades do dia-a-dia. É, exatamente esse processo que não vem acontecendo, uma vez que as pessoas ditas “normais”, sempre buscam descaracterizar os direitos conseguidos das pessoas com deficiência, inclusive em nível do governo federal, que na LBI - Lei Brasileira de Inclusão, vetou seis artigos, para aprovar a mesma. Outro impasse é questionar as “tecnologias desenvolvidas para o mundo das pessoas com deficiência”, porque o acesso a todos esses benefícios se tornaram praticamente impossível, começando pelos custos de aquisição. Há uns 3 anos atrás, descobri que o Brasil tem leis que incentivam a tecnologia e a bioengenharia dentro do território nacional, bem como facilita a aquisição e importação de produto que beneficie e promova a Inclusão Social de pessoas com deficiência. O motivo pelo qual, essas informações não são amplamente divulgadas ainda não sei, mas o beneficio dentro de uma população de 45,6 milhões de pessoas com deficiência, muitos poderiam ser beneficiadas e empresas especializadas poderiam reduzir os custos exorbitante de muitos equipamentos, onde uma bengala, com uma pequena luz auxiliar, chega a custar cerca de R$ 1 mil. Lembrando que a pessoa com mobilidade reduzida, o idoso e quem necessita desse equipamento, não precisa de luxo e sim da ferramenta. São esses e outros absurdos que as pessoas com deficiência questionam para o mundo da Tecnologia direcionada. Quanto a Lei N° 13.146/15, conhecida como LBI – Lei Brasileira de Inclusão, tivemos uma caminhada de 15 anos na tramitação da mesma dentro do Congresso Nacional, com o evento em 2006 na Convenção Internacional sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência na ONU – Organização das Nações Unidas, onde foi ratificada a Convenção por meio de emenda Constitucional em 2008. Em junho de 2015 a Presidente da República, assina o Estatuto da Pessoa com Deficiência. No caso da LBI, dos 127 artigos, seis foram vetados, ficando 121 dentro do

estatuto. Um dos mais importantes é o que pune criminalmente a discriminação contra a pessoa com deficiência, além de muitos outros artigos, importantíssimos para o respeito dos direitos as leis e a inclusão das pessoas com deficiência, passando a vigorar a partir de janeiro de 2016 nas pastas de saúde, educação, transporte, esporte e cultura. No campo da Inclusão, da Acessibilidade e quedas de barreiras, tem muitas coisas a realizar. Entre os maiores desafios é mostrar culturalmente aos brasileiros, as questões inclusivas e fazê-los se integrar aos movimentos, para maiores ações sociais e de Direitos Humanos. Neste século, são muitas ONGs sendo criadas, novos segmentos se especializando e abraçando o movimento de pessoas com deficiência, muitas já trabalhando em cima dos problemas dos ostomizados e na área do nanismo. Assim caminha esse segmento na Cidade de São Paulo, com 2,8 milhões de pessoas com deficiência. E aquilo que não conseguirmos pelo Decreto Federal Nº 5296/2004, agora temos também a Lei Nº 13146/2015, para discutirmos e, buscarmos soluções junto ao governo e da sociedade civil organizada.

Professor José Luiz Zanzini (Zezinho), tem 61 anos, é palestrante e conferencista, atua no movimento das pessoas com deficiência, idosos e crianças em risco de rua há 42 anos de maneira voluntária. É jornalista, pós-graduado em Sociologia, Gestão Ambiental e Teologia. É filósofo, gestor de serviços públicos e gestor em administração. Escritor da ONE - Ordem Nacional dos Escritores, com milhares de artigos, textos, matérias escritas em jornais, revistas, internet etc. Ativista ambiental, poeta do Movimento Poético Nacional, da Casa do Poeta Lampião de Gás, Associação dos Poetas Portugueses, 28 livros de antologias poéticas publicados no Brasil e Portugal, imortal da Academia Ipuense de Letras e Artes Cênicas de IPU-Ceará. E-mail: jzanzini@yahoo.com.br


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paralimpíadas

Atletas premiados se preparam para as Paralimpíadas !

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festa de premiação dos melhores atletas Paralimpícos de 2015 aconteceu em dezembro passado, no Rio de Janeiro. Foi uma prévia dos grandes nomes que disputarão a próxima

Paralimpíada, marcada para o período de 7 a 18 de setembro de 2016, também no Rio. Foram agraciados os nomes de maior destaque em cada uma das 22 modalidades que compõem o programa dos jogos. No total, poderemos ver em

Lista de premiados das outras categorias Atletismo Felipe de Souza Gomes Basquete em cadeira de rodas Lia Maria Soares Martins Bocha Maciel Sousa Santos Canoagem Luis Carlos Cardoso da Silva Ciclismo Lauro César Mouro Chaman Esgrima em cadeira de rodas Jovane Silva Guissone Futebol de 5 Ricardo Steinmetz Alves

Futebol de 7 Marcos dos Santos Ferreira Goalball Victoria Amorim do Nascimento Halterofilismo Maria Rizonaide da Silva Hipismo Sérgio Froés Ribeiro de Oliva Judô Wilians Silva de Araújo Natação Daniel de Faria Dias Remo Josiane Dias de Lima

setembro a disputa de 528 provas que valem medalhas, sendo 226 femininas, 264 masculinas e 38 mistas. A edição 2015 da premiação teve votação popular para os melhores atletas. Os vencedores foram o piauiense Luis Carlos Cardoso, canoísta ouro em Toronto 2015 e campeão mundial em duas modalidades, 200m KL1 e 200m VL1, e a sul-matogrossense Silvania Costa, campeã do salto em distância no Mundial de Atletismo, em outubro, e medalha de ouro nos Jogos Parapan-Americanos de Toronto. Já nas categorias, os melhores em cada esporte foram definidos por um grupo de diretores e chefes técnicos do Comitê Paralímpico Brasileiro e por representantes do Conselho de Atletas. Um dos destaques foi o atleta revelação Daniel Tavares, de 19 anos que, no Mundial de Atletismo de Doha, ganhou o primeiro ouro Rugby em cadeira de rodas Alexandre Vitor Giuriato Tênis de mesa Cátia Cristina da Silva Oliveira Tênis em cadeira de rodas Natália Mayara Azevedo da Costa Tiro com arco Jane Karla Rodrigues Gogel Tiro esportivo Geraldo von Rosenthal Triatlo Fernando Aranha Rocha Vela Tui Francisco Andrade de Oliveira Voleibol sentado Suellen Cristine Dellangelica Lima


notas

paralimpíadas

Pinacoteca paulista apresenta fotos feitas por PcD visuais

Foto: Daniel Zappe

A exposição “Transver - fotografias feitas por pessoas com deficiência visual” reúne trabalhos na Pinacoteca do Estado de São Paulo até dia 3 de abril próximo. Seus 10 autores participaram do “Curso de Fotografia para Deficientes Visuais”, realizado entre agosto e outubro de 2015. A exposição foi aberta em novembro passado. As aulas foram iniciativa do Núcleo de Ação Educativa (NAE) do museu, que faz parte da Secretaria de Cultura do Estado. O curso teve três módulos que mesclaram ensinamentos teóricos e práticos, sob a coordenação do fotógrafo João Kulcsár, que desenvolve um método especializado desde 2008. Ele é coordenador do projeto de fotografia com deficientes visuais do Senac-SP. Entre as atividades propostas nas aulas, os participantes foram sensibilizados pelas poesias de Manoel de Barros, pelos trabalhos de fotógrafos contemporâneos, pelas visitas à Pinacoteca e seu entorno e pelo uso de diversos materiais multissensoriais do Programa Educativo para Públicos Especiais do NAE. Com diferentes graus de deficiência visual, os alunos aprenderam a lidar com o equipamento, a desenvolver as competências básicas necessárias e a perceber o espaço a partir dos outros sentidos. Não está ainda definido pela Pinacoteca quando haverá outro curso na área. Estão expostas uma foto de cada participante, acompanhadas de pranchas táteis, audiodescrições e textos em Braile. Um código QR possibilitará que os visitantes assistam aos depoimentos gravados pelos artistas participantes da mostra, tornando a exposição acessível aos diversos públicos. A Pinacoteca fica na Praça da Luz, região central da capital paulista. Vale a pena visitar ! da delegação brasileira, com a vitória nos 400m T20, para atletas com deficiência intelectual. A premiação lembrou também dos técnicos: Fábio Dias, do atletismo, recebeu o prêmio de melhor técnico de modalidades individuais. Nos esportes coletivos, o troféu ficou com Dailton Freitas, treinador da seleção feminina de goalball. Andrew Parsons, presidente do Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB), destacou o trabalho dos atletas em 2015. “Foi espetacular. A cereja do bolo foram os Jogos Parapan-Americanos, quando ganhamos 257 medalhas. Só não subimos ao pódio em uma das modalidades”, lembrou Parsons. Na oportunidade, foi lançada a nova campanha do CPB rumo aos jogos do Rio: “Coração Paralímpico” !.

Ford lança modelo adaptado nos Estados Unidos O Salão de Chicago, aberto para o público em fevereiro, trouxe dois modelos personalizados do Explorer, tradicional SUV da Ford. Um deles, adaptado para cadeirantes: o BraunAbility MXV. O Explorer é considerado o utilitário esportivo mais vendido do mundo há 25 anos. Os SUV, com suas características de veículos de passeio combinadas com utilitários para todo o terreno (off-road), aliam conforto, espaço e versatilidade e fazem parte do segmento que mais cresce em vendas no mundo. O BraunAbility MXV é produzido pela Ford em parceria com a BraunAbility, empresa líder na adaptação de veículos. É o primeiro utilitário esportivo de série com acesso para cadeirante. Já à venda nos EUA, conta com porta deslizante e rampa automática, bancos do motorista e do passageiro removíveis e outras adaptações para oferecer a mesma funcionalidade de uma van com o estilo e liberdade de um SUV. Pena que é só nos EUA e não no Brasil.

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esporte

por Adriana Buzelim

Está chegando a hora !

O

novo ano chegou trazendo muitas expectativas para o Esporte Paralímpico, afinal a cidade maravilhosa será sede das Paralimpíadas Rio 2016. Os olhares de todo o mundo estarão voltados para nós. Nossa casa, o Brasil será anfitrião de um dos eventos mais inclusivos do planeta. Estaremos mostrando a importância do esporte adaptado que sempre inclui, integra e agrega. É dessa integração das pessoas com deficiência com o esporte que diminuímos nossas diferenças, mostrando que somos capazes. Capazes de competir e conquistar medalhas como quaisquer atletas sem deficiência em uma grande Olimpíada. Acostumados com obstáculos diários do nosso cotidiano, os atletas paralímpicos nos orgulham com sua capacidade de superação. Não só se superam, como superam suas deficiências, mostrando ao mundo a beleza do esporte. E fazem bonito ! Fazem tão bonito que em 2015, nos Jogos Parapan-Americanos de Toronto, no Canadá, a delegação dos 272 paratletas brasileiros saiu dos jogos com 109 medalhas de ouro, 74 de prata e 74 de bronze. O País conquistou um expressivo 1º lugar, com uma diferença de 36 medalhas para o 2º colocado, o país anfitrião (Canadá), que alcançou 221 medalhas. Com tudo isso, saímos com a autoestima elevada para enfrentar os Jogos Paralímpicos de 2016 em nossa casa. No Rio 2016 serão apresentadas 23 modalidades, como: atletismo, basquetebol em cadeira de rodas, canoagem, bocha, ciclismo de estrada, esgrima em cadeira de rodas, futebol de 5,

ciclismo de pista, futebol de 7, goalball, halterofilismo, hipismo, judô, rugby em cadeira de rodas, tênis de mesa, natação, remo, tênis em cadeira de rodas, tiro com arco, tiro esportivo, triatlo, vela e voleibol sentado. Orgulhosos de sermos brasileiros, de sermos atletas paralímpicos e de sediar esse maravilhoso evento, iremos mostrar ao mundo a grandeza do esporte adaptado. Estarei aqui, nas próximas edições, falando de cada modalidade e de como estamos nos preparando para esta grande festa !

Adriana Buzelin cursou relações públicas, produção editorial e design gráfico. Modelo publicitária antes de se acidentar, hoje faz parte da agência de modelos inclusivos Kica de Castro. É a primeira mergulhadora tetraplégica mineira registrada pela HSA. É criadora da Revista Digital Tendência Inclusiva e encara batalha pela inclusão social. Site pessoal: http://www.adrianabuzelin.com Site da revista: www.tendenciainclusiva.com.br


atitude

Projeto Pedaleiros espalha bicicletas pelo Rio de Janeiro

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egos e pessoas com deficiência visual severa têm a oportunidade de passear de bicicleta acompanhados por um guia treinado que também descreve a paisagem por onde passam. Desde o último mês de dezembro, o Parque Madureira e a Orla de Copacabana veem passar o grupo animado que também pode incluir pessoas com os olhos vendados que querem experimentar a sensação de pedalar sem enxergar. “A ideia surgiu em 2015, com a missão de ‘olhar’ e ‘ver’ para além das possibilidades dos nossos olhos, de conseguir perceber no outro as suas necessidades mais básicas, deixando de lado as nossas próprias vontades e estabelecendo relações de ajuda mútua”, explica Rafaello Ramundo, sócio-diretor da Novo Traço, empresa que trabalha com leis de incentivo, desenvolve ações de merchandising e produz eventos. “A partir disso, desenvolvemos um projeto que oferece lazer e entretenimento, com segurança, para pessoas com deficiência visual. Ele ainda estimula a mobilidade dessas pessoas”. Até 14 de fevereiro foram realizados um evento-teste e três passeios. A ideia é terminar esta fase do projeto em março, mas o objetivo é realizar outras pedaladas ao longo do ano e nos próximos, abrangendo diferentes cidades do Rio e até de outros estados brasileiros. “Para isso, estamos conversando com novas empresas e parceiros estratégicos que realmente compreendam o conceito do projeto e desejem se engajar com o intuito de criar essa experiência única para as pessoas”, conta o organizador. O Pedaleiros conta com patrocínio de Furnas, apoio da Prefeitura do Rio de Janeiro, Secretaria de Ordem Pública, Guarda Municipal e Wöllner, e dispõe de 11 bicicletas de dois lugares compradas pela Novo Traço. Tem uma página oficial - www.facebook. com/projetopedaleiros - que anuncia e comenta a programação, além de servir como plataforma para a seleção dos instrutores, já

que os interessados devem fazer um curso de “pedaleiro guia” para poder participar. O treinamento conta com uma palestra que explica o conceito do projeto, tem instruções técnicas e teóricas e uma palestra que aborda a parte psicológica da atividade, além de teste psicotécnico, módulo de primeiros socorros e módulo prático. “Após o curso, é realizada uma cerimônia para entrega dos certificados dos pedaleiros guias. Eles também recebem uma insígnia, que chamamos de ‘brevê’, em alusão aos diplomas de piloto que completam um curso de aviação, uma vez que os participantes descrevem a experiência como um verdadeiro voo. Hoje, já formamos mais de 30 Pedaleiros Guias e temos muitos outros interessados”, garante Ramundo. No evento teste e nas duas primeiras edições o organizador acredita que mais de 200 deficientes visuais passearam de bicicleta, fora as quase 100 pessoas sem

deficiência que também participaram de olhos vendados mas esse número tende a crescer com mais divulgação dos eventos. “É incrível como conseguimos atingir aquilo que desejávamos, que é mexer com a vida das pessoas. Os relatos que recebemos são impressionantes, tanto por parte dos deficientes visuais quanto dos não deficientes, que passam a enxergar seus problemas diários sob uma nova perspectiva. É muito legal ver que estamos conseguindo tocar a vida das pessoas”, analisa Ramundo. O último evento da temporada está previsto para 12 de março próximo. “Nosso maior objetivo é gerar cultura e entretenimento e tirar as pessoas com deficiências visuais de dentro de suas casas. Queremos fazer com que as pessoas vejam o que as possibilidades físicas dos olhos não podem ver e se mobilizem em torno de uma causa capaz de gerar alegria inestimável para o seu próximo”, finaliza.

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bate bola

por Júlio Cesar de Sousa

Copa e Jogos Olímpicos e Paralímpicos: quem ganha é a Pessoa com Deficiência !

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ssim que foi anunciado que a Copa mundial de futebol seria no Brasil, por ter sido um jogador de futebol profissional, com passagem em grandes clubes e na própria Seleção Brasileira, muita gente me perguntou: - Você acha que o Brasil tem condições de sediar uma Copa do Mundo de futebol ? Eu respondia sempre que nós tínhamos muitos problemas prioritários a serem resolvidos antes de fazer um investimento astronômico em uma competição esportiva em nível mundial. É óbvio que todos sabiam, antes mesmo do Romário falar, que a Copa foi trazida para o Brasil com finalidades políticas eleitoreiras do PT, além de abrir muitas oportunidades de desvio de verba por parte de políticos e seus conchavos. E foi exatamente o que aconteceu. Mas se tratando de Brasil, não é necessário realizar uma Copa do Mundo para desviar

dinheiro. Aqui isso acontece diariamente e de várias formas. Veio então a segunda pergunta... e inevitável: - O que o Brasil ganha sediando a Copa do Mundo ? E eu respondia: tirando a FIFA, a conta bancária dos cartolas do futebol e da política, uma das poucas coisas que a sociedade brasileira ganhará com o tal “legado da Copa”, será a estrutura que terá que ser preparada para o evento, e particularmente foi o nosso segmento – da pessoa com deficiência – quem mais se beneficiou com isso, uma vez que, pelo menos alguma coisa do tão dito “ Padrão FIFA”, realmente foi feito e com alto padrão. Muita coisa foi feita pensando na “inclusão da PcD”, até porque, principalmente na Europa isso é levado a sério já que o povo europeu é mais educado e politizado, não só cobra como respeita os direitos das pessoas com deficiência e a FIFA tem isso como padrão. E foi com muita alegria que após a Copa eu comprovei que estava certo em minhas respostas. Estive recentemente no estádio do Corinthians e no do Palmeiras, em São

Paulo/SP, assistindo a jogos da Copa do Brasil e Campeonato Brasileiro, e fiz questão de ficar na área reservada a PcD, uma vez que sou Surdo. E confesso que foi uma grata surpresa ! A começar pelo fato da PcD não pagar pelo ingresso, e se estiver com acompanhante, ele só paga metade do valor normal. A área inclusiva é de fato inclusiva, com placas de orientação e localização por todo estádio, assentos preparados, área para cadeirantes e pasmem... Esta área fica no melhor local dos estádios ! Pude perceber vários funcionários dos estádios – agora chamados de Arenas – nesta área, preocupados em fazer o que fosse possível para que a PcD de fato tivesse todo conforto e um melhor atendimento. Os banheiros limpos e de fato inclusivos, bem adaptados. Só faltou darem um Kit lanche para cada PcD na entrada dos jogos (o que não seria má ideia). No estádio do Palmeiras foi o mesmo procedimento e a mesma organização encontrada no chamado Itaquerão, a Arena Corinthians. Enfim, temos estrutura para receber dignamente a PcD e


bate bola

notas E o movimento perdeu Benomia...

para que ela possa participar, torcer pelo seu time como qualquer pessoa. Após pesquisar outros estádios, descobri que todos aqueles que sediaram jogos da Copa do Mundo ofereciam a mesma estrutura e isso foi uma exigência mesmo da FIFA. Logicamente outros estádios importantes que não sediaram os jogos da Copa terão também que acompanhar o mesmo padrão para atender aos torcedores PcD, como consequência natural de ter uma estrutura inclusiva. Agora teremos as Olimpíadas, seguida das Paralimpíadas, e isso trará ainda mais inclusão e maiores benefícios às PcD, pois não se estenderá apenas aos locais dos jogos, mas também aos pontos de turismo, rede hoteleira, restaurantes, entre outros segmentos, pois a presença de torcedores de outros países é muito maior nesses eventos do que na Copa. Além disso, as Paralimpíadas por sí só, será o evento ícone do público com deficiência. O que se espera, entretanto, não é

apenas a inclusão física da PcD, mas principalmente a inclusão atitudinal... que é muito mais difícil, uma vez que para isso é necessário muito treinamento para aqueles que irão atender as pessoas com deficiência vindas de todas as partes do mundo. Além de educação para que todos respeitem as leis e os direitos das PcD, e é aí que o Brasil não está preparado. Ainda não se respeita vagas em estacionamentos ou qualquer outro direito adquirido por lei. O próprio governo deixa a desejar em realizar campanhas para informar a sociedade sobre as necessidades das PcD, e continua tudo igual no País do “faz de conta”... Salvo raras exceções, que de fato trabalham para melhorar a vida e ver cumprido os direitos da PcD. Apesar desta triste realidade, com toda certeza, não só a Copa do Mundo de futebol como os Jogos Olímpicos e Paralímpicos serão um grande passo para dar mais estrutura ao nosso segmento. Júlio Cesar de Sousa é Embaixador da Pessoa com Deficiência no Brasil, palestrante empresarial nas áreas de Inclusão e Motivação. Fundador do Instituto Jogadas da Vida, é ex-jogador de futebol, pianista, escritor e compositor. E-mail: julio@jogadasdavida.com.br

No último dia 12 de fevereiro, o movimento da PcD no Brasil teve a triste notícia que a querida Benomia Maria Rebouças havia falecido, depois de 7 dias em coma em João Pessoa/ PB. Ela foi uma mulher engajada no movimento da Pessoa com Deficiência, mas o seu maior foco eram as mulheres com deficiência. Benomia tinha Ostegenese Imperfecta, mais conhecida como OI ou Ossos de Cristal. No entanto, sua deficiência sempre a motivou a lutar. Era formada em pedagogia na Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN) e com pós-graduação em Direitos Humanos, era servidora estadual e atuava na área de Educação Inclusiva. Foi uma precursora nesta luta, uma grande feminista, visionária e adorava estar em todos os lugares que tivesse a PcD em pauta. Também era Coordenadora do RN da Ong “Essas Mulheres”, pois acreditava no potencial da Inclusão e sonhava com um mundo melhor, sem diferenças e exclusão. Para Benomia, fica aqui expresso o sentimento de todos os amigos, de eterna saudade e gratidão por tudo que fez pelas pessoas com deficiência e pelo movimento durante sua trajetória de vida.

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campanha

notas

Projeto Abraça quer conseguir próteses biônicas

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ma nova ação colaborativa pela Internet, o “Projeto Abraça”, está em curso para conseguir realizar o sonho de Carolina Tanaka, que nasceu sem os dois braços. Casada, ela quer ter um filho e poder segurá-lo no colo, além de andar de mãos dadas com ele no futuro. “Quero reconquistar minha autonomia para poder criar meu filho”, ela explica ela, que ficou famosa há alguns anos quando apareceu na TV dirigindo um carro com os pés. O objetivo da campanha é conseguir angariar doações no valor de R$ 700 mil para adquirir duas próteses biônicas e um colete em fibra de carbono para sustentação. No site é dito que será a primeira tentativa no mundo de realizar essas próteses. Ela já fez testes de captação cerebral na sede da Ortopedia Conforpés, especialista neste tipo de equipamento, em Sorocaba/SP, e eles foram todos positivos. As duas próteses ortopédicas terão as seguintes características: cartucho confeccionado em fibra de carbono e sourlin flexível, acompanhando o formato do ombro contralateral com eletrodos de captação de sinal cerebral embutidos,

correias de sustentação e opção de mudança de sistema através de microchave, cotovelo com ativação elétrica de flexão e extensão, antebraço confeccionado em fibra de carbono e bateria embutida para melhora da cosmética. A mão biônica virá com motores concentrados na palma para equilíbrio de peso e a palma será emborrachada para melhor apreensão de objetos. Terá botão de desligamento e mudança de função embutido na membrana da região dorsal da mão, movimentação independente de cada dedo, proporcionando diversos tipos de pinça e apreensão, força de apreensão próxima a do ser humano, com software para diversos tipos de comando da mão através do computador, com punho de ativação myoelétrica de prono-supinação, luvas em silicone de características humanas e um carregador de baterias. Os recursos arrecadados vão para os custos das peças, já que os componentes são todos importados da Alemanha e da Inglaterra, o que os encarece muito devido à alta do dólar. Quem quiser colaborar, a campanha está no ar no site: www.kickante.com.br/ abraca

Multa por estacionamento proibido aumenta 140 %

Motoristas que estacionam irregularmente em vagas destinadas a pessoas com deficiência, gestantes e idosos estão pagando mais caro desde janeiro último. A multa deixou de ser uma infração leve, com valor de R$ 53,20 e 3 pontos na carteira, e passou para a categoria grave, valendo R$ 127,69 e 5 pontos. O veículo ainda pode ser removido pela autoridade de trânsito. A mudança no Código de Trânsito Brasileiro (CTB) foi feita pela Lei Nº 13.146, de 06 de julho de 2015, que criou a LBI - Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência. Vale lembrar que quem tem direito ao estacionamento precisa de uma comprovação, a chamada credencial para vagas especiais. Sem ela, o motorista também poderá ser autuado e o carro guinchado. Vale lembrar que, pela legislação, 2 % das vagas em vias públicas nos municípios devem ser destinadas a pessoas com deficiência e 5 % para idosos.


cultura

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Novos livros chegam ao mercado editorial

foto: Victoria Barros

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mercado editorial brasileiro tem expandido o número de títulos que remetem à questão da deficiência, com diferentes percepções e abordagens variadas. Três lançamentos recentes se debruçam sobre o tema. “História de Missy - uma história de amor”, de Izabella Menicucci Badra, foi produzido com o objetivo de ser acessível a todas as crianças, com ou sem deficiência. O livro mostra o amor de sua própria família pela cadela Missy, da raça Pointer Inglês. Acompanha cada exemplar um CD com audiodescrição e uma música composta pela cantora e compositora Martinha. O texto foi desenvolvido também em Braile, com letras grandes e texturas. Na contra capa há um “QRCode” e o conteúdo de texto pode ser visto por meio de LIBRAS - língua brasileira de sinais. O projeto foi realizado por meio da Lei de Incentivo à Cultura e contou com a orientação da Fundação Dorina Nowill e do Estúdio Serigráfico Efeito Visual para elaboração dos recursos de acessibilidade. É o primeiro livro da autora mineira, bailarina, dona de escola e professora de balé por vários anos, que muitas vezes trabalhou com crianças com deficiência intelectual e baixa visão em conjunto com o restante dos alunos, obtendo bons resultados. Essa ideia de inclusão ela levou para o livro, imaginando duas crianças lendo juntas o mesmo texto, mas de maneiras diferentes. “O principal objetivo do projeto é trazer a criança com deficiência para o

convívio com a sociedade, vivendo todos juntos sem preconceitos. Missy mostra isso com os seus amigos, pois alguns são muito diferentes dela. Para Missy, isso não tem a menor diferença, o que importa é o que sentem um pelo outro. A criança se espelha na Missy e pode ver que ter amiguinhos diferentes não tem nenhum problema”, explica a autora. “Fazendo esse trabalho com as crianças é muito mais fácil, pois a criança cresce um adulto melhor, sem preconceitos”, afirma Izabella. A autora gostou tanto da experiência que pretende escrever outros livros no gênero. A obra já foi doada para duas escolas paulistas, a Escola Municipal José Cândido de Souza, que inclui crianças com deficiência intelectual, e para a Escola Municipal de Educação Bilíngue para Surdos Anne Sullivan. O livro pode ser adquirido pelo site: www.lojinhadamissy.com.br

Síndrome de Down “O Clube dos Livros Esquecidos” é o quarto livro de autoria de

Fábio Monteiro, e tem Flora como personagem principal. Professor de história, ele é hoje coordenador pedagógico do Colégio Parthenon em Guarulhos/SP e alimenta o blog: comohistorias.blogspot. com.br. Na definição do autor, Flora é uma menina de olhos amendoados, mãos e pés pequenos, com características físicas similares às crianças com Síndrome de Down. Dona de singularidades, luta por seu lugar numa infância saudável, na defesa da sua imaginação e espaço social. Ela faz parte de um clube que se reúne todas as semanas para seus membros comentarem o último livro que leram. “Flora é uma criança com deficiência, mas uma cidadã capaz de revolucionar as ideias de quem a conhece e, por isso, digo que ela é uma personagem capaz de transformar preconceito em reconhecimento de suas eficiências”, explica o autor.


cultura Ele conta que Flora foi uma personagem que aconteceu em sua história para o desafiar a pensar sobre as diferenças de cada um. “No meu cotidiano, lido com a deficiência em várias instâncias profissionais e procuro garantir espaço para todas as pessoas. Reconhecer a deficiência é importante e eficaz no trabalho a ser realizado, mas isso nunca poderá ser o limite, aliás, quando falamos do ser humano, penso que ao constituirmos espaços acessíveis e acolhedores, todos podem desenvolver suas capacidades além do esperado”, garante. O livro está à venda nas livrarias e também na loja virtual da editora, no site: www.editoradobrasil.com.br

Registro em fotos O livro “Diversos Íntimos” da fotógrafa Bárbara Coufal, lançado em novembro passado, registra o dia a dia de pessoas com deficiência e também se tornou viável por meio da Lei de Incentivo à Cultura. Foi a primeira vez que ela trabalhou com o tema apesar de ser muito próxima a ele, já que a avó paterna fundou e dirigiu o primeiro educandário do Rio Grande do Sul para crianças com deficiência. Para fazer suas fotos, ela se inspirou em Brandon Stanton, um fotógrafo americano que iniciou o projeto H.O.N.Y (Humanos de Nova York), em que fotografa pessoas comuns, moradores da cidade de NY, em situações rotineiras, em locais públicos como: Metrô, parques e ruas. Ele retrata e conversa com elas. As fotos, no início, eram colocadas em um site/blog que criou, acompanhadas de uma frase ou depoimento. Em 2014 ele lançou um livro com o mesmo título. “Quando comecei a escrever e idealizar o meu projeto, eu vinha acompanhando o trabalho dele e pensei que poderia desenvolver uma proposta parecida para falar dos meus personagens, retrato mais depoimento”, conta a fotógrafa, que buscou pessoas com diferentes tipos de deficiência e que

tinham um histórico de vida relevante. “O ensaio é um conjunto de fotos de minha autoria e dos próprios personagens, são pontos de vista que se complementam”. Bárbara explica a escolha do nome da obra: “Diversidade = Diversos. E Íntimos porque realmente foi uma experiência de aproximação. As fotos sempre foram feitas após longas conversas e entrevistas com os personagens. Assim como em qualquer relação, com alguns eu consegui uma abertura maior, outros menos, e isso influenciou diretamente no resultado”, conta. Apesar de não trabalhar rotineiramente com o tema, a fotógrafa disse foi conquistada por ele, o que a tornou uma pessoa com visão de mundo diferente. “Aprendi muita coisa com este projeto e com os personagens, que vou levar para toda vida. Hoje me sinto muito à vontade para desenvolver outro projeto com o mesmo tema, é questão de oportunidade”, garante. O livro pode ser solicitado via e-mail e enviado pelo correio: barbaracoufalphotos@gmail.com

Romeu Sassaki lança livro/ cartilha com apoio da Secretaria Estadual da Pessoa com Deficiência de São Paulo De forma bastante direta, o autor – Romeu Kazumi Sassaki – um dos ícones da inclusão no Brasil, reconhecido nacional e internacionalmente pela sua história, trajetória e conhecimento no meio da pessoa com deficiência, com mais de 50 anos de experiência, trata de forma objetiva no seu recém lançado livro “As Sete Dimensões da Acessibilidade”, temas como: eliminação de barreiras na sociedade, nomenclaturas da acessibilidade, o que dizem os dicionários sobre o tema e muito mais.

notas Lançamento do livro “LBI na Prática”

No dia 21 de janeiro último, às 18h30, na Livraria Cia. dos Livros da Universidade Mackenzie, na capital paulista, a jornalista Maria Isabel da Silva – assessora técnica da Secretaria Estadual da Pessoa com Deficiência de São Paulo – lançou o seu mais recente trabalho baseado na Lei Brasileira de Inclusão: o livro “LBI na Prática”, que traz de forma direta, simples e objetiva, para que todos possam entender a aplicação da lei na vida cotidiana das pessoas com deficiência. A autora recebeu vários amigos que prestigiaram mais esse importante trabalho realizado por ela em sua brilhante carreira dedicada às pessoas com deficiência. Parabéns e Sucesso !

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artigo

notas

por Jony da Costa e Ananda Leal

Conquistas x Desafios

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uito se fala sobre inclusão e suas vertentes, mas a questão é: as entendemos de fato ? Sabemos realmente qual a nossa parte nesta realidade ? Toda a luta tem seu início, com as pessoas com deficiência não é diferente. Ao longo do tempo elas vêm conquistando seu espaço na sociedade em variados segmentos. Se pensarmos que há pouco tempo as pessoas com deficiência eram isoladas com pouca visibilidade, fica difícil acreditar que hoje temos várias delas no mercado de trabalho e buscando seu espaço na educação. Todas estas conquistas vieram aliadas à uma mudança no Brasil que, seja por pressão social ou outro motivo qualquer, entendeu que era preciso começar a reparar as injustiças sociais. Para começar, era necessária a derrubada de paradigmas e pré-conceitos que cercavam as pessoas com deficiência. A luta em seu início se juntou a de outros grupos que, na época, buscavam seu espaço. Entre eles: as mulheres, os negros, os homossexuais. A segregação de direitos vinha de diversas formas, até mesmo com a não garantia de direitos civis. Isso foi mudando e aos poucos foi se entendendo que era preciso buscar formas diferentes para atender as necessidades de cada pessoa com deficiência. Foi preciso se construir lideranças que representassem o seguimento. Elas se fortaleceram, trilharam um caminho sólido para as novas gerações e

hoje temos um conjunto de leis que protegem direitos básicos, como a educação, por exemplo. Esses direitos são estabelecidos pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB). A lei traz regras que devem ou deveriam, ser seguidas para a inclusão de todos na escola, em nível fundamental, médio e superior. Ela diz que: “A educação é direito de todos”. Mas apesar desta garantia, as dificuldades na educação inclusiva são muitas, elas variam de profissionais não preparados para receber alunos com deficiência até o preconceito, que não deixa de ser uma forma de excluir. Vamos entender melhor isto ? Socialmente falando, o termo EXCLUSÃO pode ser definido e entendido como a combinação de falta/escassez de meios e condições econômicas, físicas, estruturais e afins, que impeçam qualquer indivíduo de participar plenamente da vida econômica, social e civil de sua comunidade e/ou qualquer ambiente onde esteja inserido. Ananda Leal é escritora de livros Infantis e poetisa, artesã, atriz, colunista, blogueira e palestrante. Idealizadora do projeto Expressões do Coração, vice-diretora do projeto Inclusão para Todos, revisora de textos e pesquisadora nas áreas da educação inclusiva e inclusão. E-mail: ananda.cl@bol.com.br

Jony da Costa Naim é pessoa com deficiência, escreveu dois livros: um de poesias variadas e outro infantil. É idealizador do projeto INCLUSÃO PARA TODOS e atua como repórter e palestrante na área da inclusão de pessoas com deficiência. É dramaturgo e cursou teatro e expressão corporal. É conhecido como o “Repórter Inclusão”. E-mail: reporterinclusao@hotmail.com

“Além das Convenções”

Aconteceu em dezembro de 2015, no Conjunto Nacional, em São Paulo/SP,  a exposição fotográfica “Além das Convenções”, em comemoração ao Dia Internacional da Pessoa com Deficiência. A autora das fotos é a fotógrafa Kica de Castro. Foram expostos retratos de  9 mulheres com deficiência, num total de  27 telas,  em poses de nu artístico, valorizando o corpo como ele é, beleza natural, sem intervenção de programas de computação gráfica. Em uma sociedade que valoriza  padrões muito restritos de beleza feminina, e deteriora e despreza a diversidade, o projeto estimulou o olhar e a reflexão sobre o papel e a forma do corpo da mulher com deficiência. As pessoas com deficiência, e principalmente as mulheres, nunca tiveram destaque estético. A beleza de seus corpos nunca foi valorizada ou reconhecida, restando-lhe até então, a quase invisibilidade. A exposição fotográfica foi uma iniciativa da Agência Kica de Castro, com o apoio ONG Essas Mulheres, Tv Cidade - programa Viver Eficiente, Revista Reação, revista digital Tendência Inclusiva e REC 7 Produções, além do apoio do deputado estadual Marcos Martins e da Secretaria Municipal da Pessoa com Deficiência e Mobilidade Reduzida. Em abril, a exposição estará na Erotika Fair 2016.


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Vem aí o primeiro Concerto Jogadas da Vida !

No dia 19 de maio próximo, às 21 h, o Teatro MUBE, que fica no bairro dos Jardins, área nobre da capital paulista, receberá um espetáculo único e inclusivo: o Concerto Jogadas da Vida. A apresentação conta a incrível história de vida de Julio Cesar de Souza, ex-jogador da seleção brasileira, campeão na década de 80 pelo Corinthians em plena “Democracia Corinthiana”, sua experiência jogando na Bélgica, entre outros fatos marcantes, engraçados e emocionantes. Julio Cesar ficou surdo aos 30 anos e teve que abandonar o futebol. Depois disso, aprendeu piano e mesmo completamente surdo, compôs o Concerto Jo-

gadas da vida, que nos passa através da música, as emoções que vivenciou durante sua trajetória de vida. Neste espetáculo, serão apresentadas ainda, músicas consagradas, como: “Sonata ao Luar”, de Beethoven e tema do filme “ Romeu e Julieta”, bem como, demais composições do pianista e ex-jogador Surdo. Durante o espetáculo, Julio Cesar contará ao público as passagens mais emocionantes de sua trajetória no futebol, e como conseguiu aprender piano e, principalmente, compor seu Concerto musical, mesmo sem ouvir absolutamente nada. O espetáculo contará com a partici-

pação da Camerata Acadêmica FIAAM-FAAM, que será regida pelo Maestro Rodrigo Vitta. E para interpretar as músicas, a linda voz de Luiza Caspary, primeira cantora brasileira a realizar shows inclusivos. O evento contará ainda com vários recursos para receber pessoas com deficiência, como: audiodescrição, intérprete de LIBRAS, legendas e acesso para cadeirantes no MUBE, que é totalmente acessível. Os ingressos serão vendidos a preços promocionais e PcD pagarão meia entrada, bem como seus acompanhantes. Será uma apresentação única e o Teatro MUBE tem poucos lugares, portanto, é preciso reservar o seu ingresso o quanto antes. O concerto conta com o apoio do FIAM/ FAAM – Centro Universitário, da Revista Reação e do Instituto Jogadas da Vida. Não Percam !!!

Atleta de handbike busca vaga em Paralimpíada Jady Malavazzi está em busca de uma vaga para a disputa no Rio de Janeiro. Aos 21 anos, ela participa de temporada de treinos e em fevereiro disputou, com mais de 50 paratletas, de uma competição em Clermont, na Flórida (EUA), onde sua handbike, a Bólido CX1, estreou em uma competição internacional. Ela fez parte de um “Training Camp” durante 15 dias com paratletas americanos e eu-

ropeus, parte deles iniciantes e outros profissionais, sendo alguns campeões mundiais. Aproveitando a oportunidade, a handbike de Jady foi submetida a algumas alterações para ficar personalizada e assim conseguir a melhor performance para o conjunto paratleta/ equipamento. A Bólido CX1 foi desenvolvida pela Vemex e outros parceiros como a Shimano, Univap e Fatec, em um projeto financiado pela Finep.

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oportunidade

Massagem: uma opção profissional para pessoas cegas !

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om base na última pesquisa do IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, no Brasil são mais de 528 mil pessoas cegas e mais de 6 milhões com baixa visão ou visão subnormal. Com o número crescente de pessoas com algum tipo de deficiência visual, cresce a necessidade de inclusão profissional e social desse contingente. A área da massagem, por exemplo, pode ser uma boa perspectiva de trabalho. É o que acredita Alice Kuhl Rossi, fundadora e diretora administrativa da “Serenidade do Toque”, empresa paulistana especializada na capacitação profissional na área. “Acreditamos que todas as pessoas merecem ter oportunidades igualitárias, a pessoa com deficiência visual se desenvolve perfeitamente bem na área da massagem, pois a ausência de visão faz com que ele tenha mais foco. Sendo assim, não dispersa a atenção, que deve ser o bem estar do seu cliente”, explica Alice. A ideia de promover essa capacitação surgiu em 2007. Alice conheceu o parceiro Cicero de Oliveira Mesquita em um curso técnico de massoterapia do Senac. Eles abriram uma clínica, a Serenos Espaços Terapêuticos, mas

desde a formatura, tinham o desejo de levar o conhecimento deles a pessoas carentes. Inicialmente pensaram em fazer um trabalho voluntário em asilos, mas um telefonema da área de telemarketing da Laramara - Associação Brasileira de Assistência à Pessoa com Deficiência Visual, solicitando doações, deu a ideia: “vamos ensinar a essas pessoas um ofício com o qual elas dependam unicamente delas mesmas, a massagem”, conta a diretora. A Laramara se entusiasmou com a parceria e até agora já foram formadas 17 turmas. Também foram desenvolvidos cursos com a Fundação Dorina Nowill para Cegos, além de cursos próprios e de outras parcerias. “Não temos como objetivo apenas ensinar um ofício às pessoas com deficiência visual, mas também inseri-las socialmente”, afirma Alice. Os cursos são em apostila em áudio, com aulas 100 % práticas e uso de peças anatômicas para maior conhecimento das áreas a serem trabalhadas. “Nós tínhamos experiência em ensinar pessoas que enxergavam, de início foi tudo novidade, mas fomos interagindo com as pessoas com deficiência visual, conhecendo seu universo e buscando entender como elas ‘enxergavam’ através do toque. Assim desenvolvemos nosso próprio método de ensino”, explica a diretora. As técnicas ensinadas são de quick massage e reflexologia podal. O curso varia de 44 a 120 horas, dependendo da disponibilidade de agenda das instituições. Nesses casos, são totalmente gratuitos e geralmente há uma lista de espera nas duas instituições, é preciso consulta prévia. Pode ser feito por pessoas acima de 18 anos, sem limite máximo. Como

muita gente fica com alguma deficiência visual já em idade adulta, é comum as turmas terem em torno de 30 % de pessoas acima de 50 anos. Fora das instituições, na sede da empresa, o curso é pago. A diretora se entusiasma com os resultados obtidos: na Associação Laramara foram 168 pessoas formadas desde 2007; na Fundação Dorina, 70 pessoas desde 2012; na cidade de Campos do Jordão/SP, junto à prefeitura, foram 16 pessoas em 2010. Já no espaço próprio, foram 28 pessoas desde 2014. “Ao todo, são 282 pessoas formadas e capacitadas, com mais de duas mil vidas transformadas. Em nosso espaço terapêutico, todas as pessoas que atendem são formadas e capacitadas por nós”, explica. Quando o trabalho de formação foi iniciado, os sócios não tinham noção da dimensão que poderia tomar. Nos 5 primeiros anos, mantiveram os cursos junto à Laramara com recursos próprios, mas isso se tornou inviável para a empresa. Foi a partir de 2011 que começaram a ser remunerados por instituições e empresas que voltaram seus olhos para as questões de responsabilidade social no país. “O número de pessoas com deficiência visual sem nenhuma ocupação ainda é alarmante. Muitos necessitam de uma nova perspectiva de vida”, avalia Alice. No momento, a Serenidade está cada vez mais engajada em buscar patrocinadores e parceiros nesse processo inclusivo, porque não só forma e capacita, mas também busca a empregabilidade ou através da inclusão por Lei de Cotas ou em eventos com foco na qualidade de vida que promove dentro das empresas. “Nosso trabalho só é possível graças a pessoas e empresas que acreditam em nossa missão e contribuem para o desenvolvimento de nossos projetos, além de continuarem facilitando a inclusão de centenas de pessoas com deficiência visual que nos procuram anualmente”, conclui Alice.


informe publicitário

Segmento consolidado

Todas as lojas Viamar possuem atendimento exclusivo para PCD, de acordo com uma tendência de crescimento desse nicho que “continua muito forte”, conforme explica Sandra Falchi, gerente regional de Vendas Diretas do Grupo Viamar. Nas 6 unidades, os clientes do segmento podem optar pelo agendamento para serem atendidos, realizar test drive e contar com vendedores exclusivos. Esses profissionais acompanham todo o processo, inclusive esclarecendo aos clientes que buscam orientações de como obter a possibilidade das isenções. “São vendedores preparados para orientar desde o início, mostrar todo o caminho, os passos que devem ser percorridos, e acompanham o cliente em toda essa trajetória”, explica Sandra. O time é exclusivo e dedicado em tempo integral a PCD. Foram realizados treinamento específicos e a maioria dos colaboradores já está no segmento de Vendas Diretas há muitos anos. “Eles têm mais tempo disponível para o cliente, tanto na loja quanto externamente”, continua Sandra Falchi. Basta entrar em contato com o vendedor exclusivo de Venda Direta PCD, e consultar o agendamento de atendimento no próprio showroom ou no lo-

cal onde a pessoa desejar, serviço que acaba sendo solicitado muitas vezes por clientes que têm mobilidade reduzida. As lojas, claro, são todas preparadas especialmente para atender questões de acessibilidade, como estacionamento especial e banheiros devidamente adaptados. Desde 2015, o uso do WhatsApp tem se intensificado, e todas as unidades da Viamar possuem vendedores sempre conectados. A gerente conta, ainda, que o maior volume de clientes PCD no Grupo Viamar atualmente é composto por pessoas com deficiência visível ou não, que têm dúvida sobre a possibilidade de conseguirem as isenções. “Quando eles iniciam, há um longo trajeto e, na realidade, vamos atender esse cliente várias vezes, acompanhando e dando assessoria.” Inclusive orientando após a concretização da venda e licenciamento do veiculo , onde informamos ao cliente a importância de ficar atento no prazo limite para requer a isenção do IPVA e Rodízio, quando o beneficiário for o condutor. O Grupo Viamar completa o pacote de ações para PCD com um leque de parcerias com despachante, empresas de adaptações e escritórios especializados em isenções. “O cliente também pode escolher entre nossos Parceiros, e/ou nos trazer o Escritório de Isenções de sua preferência”, destaca Sandra. O atendimento pós-venda acompanha “o padrão diferenciado que a rede GM já possui, completo e com conveniências ao

proprietário da marca”, com técnicos treinados e experientes no atendimento ao portador com deficiência. Diversos produtos da GM têm registrado bastante procura no nicho de PCD dentro da rede Viamar, em todas as regiões de São Paulo/SP. Onix, Prisma, Novo Cobalt e Spin, possuem transmissão 100% automática com 06 (seis) velocidades, e ofertam espaço e conforto interno, com porta malas que atendem ao público cadeirante. O modelo Spin, oferece ainda a opção de adaptação da rampa que auxilia a acessibilidade do cadeirante. O Cruze sempre foi muito procurado. E este ano, a empresa se surpreendeu com o aumento do interesse pela Trailblazer. Tendo em vista, que ambos os modelos citados estão acima do limite de R$ 70 mil para isenções do ICMS. “Nossa expectativa é que esse limite seja revisto, porque houve vários aumentos e não houve alteração nesse teto”, comenta Sandra. Isso vai ampliar a gama de opções para os clientes, que demonstram a mesma expectativa. Mesmo assim, há um volume significativo de compradores do segmento que abrem mão da isenção de ICMS, quando estão interessados em um veículo de valor mais elevado como Cruze e a Traiblazer. “Eles aproveitam a isenção de IPI e o desconto da própria fábrica, que é muito interessante e busca incentivar esse consumidor.” Sandra observa, ainda, que outra tendência no nicho de PCD é a maior conscientização sobre isenções para não condutores. Por isso, as vendas nessa categoria também têm crescido, pois o não condutor possui também a isenção de ICMS, e não somente de IPI como no passado, podendo adquirir veículo automático ou mecânico, com a facilidade de não alterar a categoria da sua CNH (Carteira Nacional de Habilitação). A maior parte dos veículos comercializados para PCD possui transmissão automática, mas no caso da isenção para não condutores, esse motorista também acaba optando pelo câmbio mecânico em alguns casos. Finalmente, Sandra Falchi analisa que o bom desempenho da Viamar se deve também ao custo X benefício dos veículos GM atuais frente à concorrência. “São carros muito completos e outras montadoras não atingem o mesmo nível nessa equação.” Confira a lista de vendedores especializados do grupo e seus contatos.

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acontecendo

Chef Cenoura:

receitas vegetarianas especiais em Libras

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s pessoas surdas que gostam de cozinhar e são fluentes em LIBRAS - Língua Brasileira de Sinais, contam com um canal no YouTube: o “Chef Cenoura”, especializado em receitas vegetarianas. Desde novembro de 2015, os gaúchos: Débora Pereira Cláudio Dable e Felipe Figueras Dable ensinam a fazer pratos variados, como risoto de palmito com pesto de rúcula, hambúrguer de grão-debico, massa com couve-flor e por aí afora, tudo bem explicado por ela em Libras. Morando atualmente em Curitiba/PR, eles começaram com um blog de mesmo nome em 2014 - www.chefcenoura.com. br - para mostrar aos conhecidos que não comiam apenas saladas. O amigo Lucas Costa, que é fotógrafo profissional, deu a ideia de gravar as receitas e colocar no YouTube, mas foi só em 2015 que o casal se animou e Lucas foi encarregado de fazer a captação e a edição das imagens. A mãe do Felipe trabalha com culinária francesa e toda a família tem muito gosto pela cozinha. Já a opção pela tradução para Libras surgiu como consequência da experiência familiar e profissional de Débora, que é intérprete e professora de Libras na Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) e na Universidade Positivo. Felipe é psicólogo clínico e professor na Positivo. “Nasci em uma família bilíngue e aprendi Libras como primeira língua. Minha irmã mais velha, Janaína, é surda e foi com ela e por ela que a família ingressou em um mundo visual. Comecei a atuar como intérprete em casa”, conta Débora. “Quando assistíamos a um filme ou desenho, era eu quem, na maioria das vezes, traduzia do Português para a Libras para minha irmã. Minha mãe sempre dizia: ‘se você, Débora, estiver assistindo a alguma coisa e a Janaína estiver junto, ela tem direito de saber o que é que está sendo dito na televisão’. Isso se tornou muito natural no nosso dia a dia”, conta.

Felipe achou a ideia ótima: “conheço a família da Débora há 16 anos e sempre observei a Libras como algo super natural e que proporcionava uma interação entre todos. Nunca tive dificuldades em me comunicar com a Janaína e até arrisco alguns sinais”, ele explica, contando que os dois são casados há 7 anos. De acordo com Débora, o canal em Libras foi pensado porque não há nenhum similar, pelo menos que conheçam, que seja inclusivo tanto para o ouvinte quanto para o surdo. “Ou os canais são só em Libras, ou só falados em português e torça para a legenda estar certa!”, ela diz. “Não há inclusão nisso. Como vivi a inclusão de forma tão natural em casa, tão leve e descontraída, pensamos em dividir isso com mais pessoas, cozinhando e dando amor”, completa. A repercussão, até agora, tem sido sensacional, segundo o casal. Diariamente chegam mensagens de surdos, de seus amigos e parentes, estudantes de Libras e mesmo pessoas que não têm envolvimento direto com a questão. Uma que os tocou especialmente foi dos pais de uma menina surda de 2 anos, que estão fazendo aulas de Libras

a conselho do fonoaudiólogo dela. “Além disso, se reúnem para fazer as receitas do Chef Cenoura e aprender novos sinais. A gratidão e o imenso carinho e amor das mensagens é de arrepiar. Somos felizes demais com este canal”, garante Débora. Agora em 2016, eles pretendem continuar com as gravações, mas estão preocupados com o custo de produção, que é alto. Algumas empresas ajudam enviando panos de prato, aventais, toalhas e cerâmicas, mas eles esperam conseguir outros parceiros. “Queremos que mais e mais surdos possam aprender receitas novas com a gente. Esperamos que esse clima descontraído que buscamos ter no canal, chegue nas casas onde moram surdos, muitas vezes com uma família toda de ouvintes. Ter um surdo na família não é um problema. A inclusão pode sim, ser leve e gerar lindos aprendizados a todos”, conclui Débora.


por Suely Carvalho de Sá Yañez

ponto de vista

Um incentivo à CRIATIVIDADE ferramenta importante na reabilitação, no trabalho, no dia a dia...

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omo tem sido a abordagem que fazemos com as pessoas ? Como têm sido nossos atendimentos, quer seja em Reabilitação, na promoção de empregos ou outras frentes ? Temos nos relacionado com “autoridade”, dando direções, mas também permitindo o crescimento e desenvolvimento de cada um, estimulando descobertas e aprendizados com profundidade, ou temos usado o “autoritarismo”, ditando regras rígidas, estabelecendo metas inflexíveis sem levar em consideração limites e tempo de cada pessoa que está sob nossos cuidados ? Quando queremos resultados melhores, contextualizados e renovadores (e cada vez mais precisamos de novos horizontes e ajustes, sem descartar o que sempre foi bom), percebemos o valor de levar o indivíduo a pensar, refletir, participar de situações e desafios em sua reabilitação, trabalho, relacionamentos... em sua vida ! É por causa de nossa criatividade que descobrimos formas de fazer algo diferente e mais eficientemente todos os dias. A criatividade tem sido o foco de várias pesquisas acadêmicas que têm como objetivo explicar e até sistematizar o pensamento criativo. Não iremos aqui abordar esse assunto profundo. Embora a criatividade seja importante para o desenvolvimento e solução de dificuldades de qualquer área da nossa vida, alguns fatores podem influenciar no bloqueio de um processo criativo. Não é raro encontrarmos em instituições, trabalho ou outros locais, algumas situações que sabotam o processo criativo. Uma visão exageradamente sistemática e padronizada de atividades visando apenas resultados em tempo recorde, pode não

contribuir para a criatividade de cada um. Um planejamento não é negativo, mas é importante ressaltar que uma padronização inflexível ou a mecanização dos atendimentos são consideradas fatores bloqueadores para o desenvolvimento da criatividade... e de uma reabilitação plena. Dependendo do ambiente no qual estamos inseridos podemos inibir ou estimular uma pessoa na capacidade de ver oportunidades ao invés de problemas nas diversas situações cotidianas. Ter flexibilidade é bom... Alguns fatores organizacionais como o estilo de liderança,

a estrutura organizacional e os propósitos organizacionais podem ou não comprometer o potencial criativo, de acordo com as condições propícias ao desenvolvimento da criatividade. Sabemos que a capacidade cognitiva dos indivíduos também pode inibir o processo criativo. O processo criativo é desenvolvido na prática da busca pelo novo, a também fazer perguntas ao invés de apenas se contentar com respostas prontas, por exemplo. Os bloqueios à criatividade fazem o contrário, pois inibem o potencial criativo das pessoas, permitindo apenas que fiquem na “zona de conforto”, em que tudo é mais seguro e previsível. A zona de conforto é um bloqueador da criatividade, pois não desperta nas pessoas a vontade de pensar ou criar de forma diferente. Alguns fatores contribuem para a paralização da criatividade e de um bom resultado em programas de reabilitação e também em empresas que contratam pessoas (com alguma deficiência ou não). Em alguns depoimentos de pessoas com deficiência visual (de diversos locais), podemos perceber algumas situações e exemplos interessantes: • Não tenho oportunidades de expor ideias. Tudo é corrido; • Tenho medo das opiniões dos outros, medo do ridículo, de errar, isso me faz tremer e aí travo; • Já fui podado nas minhas ideias quando criança; • Tenho medo de enfrentar algo novo; • No meu trabalho não tem liberdade, incentivo, nem motivação; • Se eu fosse menos criticado com broncas constantes poderia me soltar;

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notas

ponto de vista • Tenho preguiça; • Meu professor é muito autoritário e opressivo e tenho medo da crítica destrutiva; • Sou insegura, não acredito em mim; • Quando vou fazer uma atividade, a pessoa acaba fazendo por mim, não me deixando terminar a tarefa sozinho; • Minha chefe chega estressada, não confia nem delega funções a outras pessoas e não podemos nem sorrir no ambiente. Bloqueios... São obstáculos que nos impedem de perceber corretamente um problema ou conceber uma solução. Pela ação destes bloqueios nós nos sentimos incapazes de pensar e fazer algo diferente, mesmo quando há necessidade. Os bloqueios emocionais também podem contribuir para o impedimento à criatividade, devido à história de vida da pessoa, traumas, medos, dificuldade com autoridade ou outras situações não superadas. Alguns bloqueios até podem ser criados por nós mesmos, como temores, percepções, preconceitos, experiências, emoções etc. São paredes invisíveis que nos impedem de sair do “casulo”. Em todas as atividades no setor de Terapia Ocupacional - e em todas as outras que se propõem a contribuir para a melhoria do indivíduo e suas realizações - deve existir o espaço para o desenvolvimento da criatividade. Momentos de música, de pausas, conversas, interações, reflexões, atividades físicas, atividades expressivas, exploratórias, imaginativas, lúdicas, atividades estruturadas e livres e outras atividades são extremamente ricas. Costumo sempre citar um exemplo em que um rapaz com deficiência visual era cobrado por sua família para que colocasse chocolate em pó no seu copo de leite. Porém, ele tinha muitas dificuldades de realizar essa cobrança da família (e até da própria instituição), por apresentar dificuldades de coordenação motora fina, o que o deixava bastante aflito. Foram necessários alguns exercícios para que ele adquirisse os requisitos básicos e criasse o caminho para realizar essa tarefa. No

tempo dele, conseguiu colocar adequadamente o chocolate no copo de leite e tomar a bebida com gosto, sem o estresse das cobranças. Mesmo que em alguns serviços forem estipulados resultados em tempo diferente do tempo da pessoa, um acordo pode ser estabelecido. Alguns itens são muito importantes para que nossa criatividade seja estimulada. Quando nos sentimos confiantes e motivados, crescemos. Um ambiente ameaçador não cria novas soluções. O medo é inibidor da nossa criatividade. É preciso dar tranquilidade ao nosso cérebro para que ele possa criar. A nossa motivação está relacionada com o quanto gostamos do que estamos fazendo e também das recompensas que conseguimos ao atingir nossos objetivos. Estas recompensas vão desde elogios até salários melhores. Mas nós mesmos podemos melhorar nossas recompensas se estivermos atentos e valorizarmos nossos esforços e resultados (itens baseados em estudos da neurocientista Dra. Carla Tieppo). Trabalhar com situações diferentes com pessoas que pensam, agem e conhecem coisas diferentes de nós pode ser muito bom. Ser criativo é ter pensamentos ágeis, ser curioso e motivado, ter produtividade e ter a mente tranquila. Podemos contribuir para isso ? Que possamos não apenas ser criativos, mas que possamos estimular as pessoas que estão ao nosso redor para isso, seja com um aluno, cliente, paciente, chefe, funcionário, amigos, familiares... “Se teus olhos forem bons... tudo será luminoso”... (Jesus)

Suely Carvalho de Sá Yañez é Terapeuta Ocupacional especializada em Orientação e Mobilidade para pessoas com deficiência visuaL e atua na área de reabilitação e Consultoria.

Agora sim ! Ministério Público aciona emissoras de rádio, TV e a União por descumprimento de lei... Para garantir o direito à acessibilidade das pessoas com deficiência auditiva, o Ministério Público Federal, em São Paulo, por meio da Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão, ajuizou ação civil pública, no início de fevereiro, com pedido liminar, em relação a 7 emissoras de televisão que, segundo o procurador da República, Pedro Antonio de Oliveira Machado, não estão cumprindo na íntegra a legislação vigente em relação a recursos de acessibilidade, inclusive legenda oculta. De acordo com o inquérito, duas empresas não cumpriam a lei na totalidade e outras cinco cumpriam parcialmente. Estas, porém, passaram a seguir a legislação, após cobrança do Ministério das Comunicações. Foram acionadas: Fundação Padre Anchieta, Fundação Evangélica Trindade, Rádio e Televisão Capital, Rádio e TV CV Ltda, TV Studios de Brasília Ltda, Rádio e Televisão Bandeirantes Ltda e Fundação Sara Nossa Terra. A União também foi colocada como ré na ação. O MPF pede que esta, através do Ministério das Comunicações, não edite normas que venham a restringir as obrigações e deveres atualmente previstos quanto à implementação de Tecnologias Assistivas pelas concessionárias de radiodifusão de sons e imagens para os PcD visuais, auditivos e/ou sensoriais. A União também não poderá ampliar o cronograma e prazos atualmente previstos para a implementação de tais tecnologias, como a janela de libras, dublagem e audiodescrição. O MPF requer ainda que em seus próximos editais e contratos de publicidade, a União somente contrate empresas de radiodifusão de sons e imagens que disponibilizem as citadas Tecnologias Assistivas. Em caso de descumprimento de quaisquer dos pedidos, o procurador pede que as rés arquem com multa diária de R$ 50 mil.


por Alex Garcia

espaço aberto

Alex Garcia - 15 anos de graduação !

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lá colegas do Espaço Aberto ! Nesta 1ª edição de 2016, vou destacar a conquista que tive no mês de janeiro: Alex Garcia - 15 anos de graduação ! Exatamente. O tempo passa e eu completei o 15º aniversário, desta, que foi a minha maior conquista: cursar a faculdade ! Esta data foi especial não apenas pelos 15 anos, mas, por dois motivos fundamentais: 1º - Fui a primeira Pessoa Surdocega do Brasil a cursar a Universidade. 2º - Fui a primeira Pessoa com Deficiência a ingressar no curso de Educação Especial da UFSM. Estes fatos serviram e ainda servem de inspiração a outras Pessoas com Deficiência, para que acreditem que sim, é possível. Como pode observar, abrir portas e derrubar barreiras é a essência. O encontro para comemorar os 15 anos aconteceu dia 16 de janeiro na cidade de Santa Maria/RS. A turma de Educação Especial da UFSM, que se graduou em 2001, foi reunida. As colegas, hoje, vivem e atuam em distintas cidades do Rio Grande do Sul e do Brasil. Emociono-me ao observar que muitas colegas são “mães de família”. Muitos filhos já chegaram. Os bebês são muito graciosos ! Mesmo com a distância, muitas pessoas do Brasil, da América Latina e do Mundo comemoraram comigo estes 15 anos, escrevendo mensagens. Confira algumas: - “Amigo Alex ! Você é a superação mais especial para Deus. Merece tudo de mais belo da vida. Digo isso com muita certeza, pois pude compartilhar de tuas vivências como Secretária do Curso de

Educação Especial. Força, coragem, sucesso e muito amor e paz no seu coração”, Maria Odet Portes Martins. Servidora Pública Federal Aposentada. Canoas/RS. - “Alex é uma pessoa mais que especial, ele tem luz ! É um exemplo de determinação e força, admiro muito ! Quando aluno, convivi com ele na UFSM e sempre foi positivo e alto astral ! Parabéns Alex, todo sucesso e felicidades pra Você ! Grande abraço !”, Gilce Maria Fenner de Souza. Servidora Pública da UFSM, Coordenadora da Assessoria de Comunicação do Centro de Educação. Santa Maria/RS. - “Caro Alex ! Obrigado por me deixar ser parte de uma celebração muito especial. Quando alguém se gradua é motivo de alegria para a pessoa, família e amigos. No seu caso, transcende um marco na carreira dos graduados e nas vidas das pessoas com deficiência para ampliar seus horizontes e aumentar a consciência. Estes 15 anos foram um recorde de reconhecimento público e apreciação que, além do título-essência é a sua presença, a sua luta incessante, o seu compromisso e envolvimento. Parabéns ! Um abraço e que o bom Deus continue a guiar seus passos”, Pilar Samaniego, Maestra, Quito, capital do Equador. Enfim, para mim, a vida tem sentido porque vivo emoções ! Alex Garcia é gaúcho e Pessoa

Surdocega. Presidente da Agapasm. Especialista em Educação Especial. Autor do livro “Surdocegueira: empírica e científica”. Vencedor do II Prêmio Sentidos. Rotariano Honorário - Rotary Club de São Luiz Gonzaga/ RS. Líder Internacional para o Emprego de Pessoas com Deficiência pela Mobility International USA/MIUSA. Membro da Federação Mundial de Surdocegos. Site: www.agapasm.com.br E-mail: contato@agapasm.com.br

“Alequinho Surdocego” é o boneco inspirado no Alex Garcia. Confeccionado por sua amiga Eloa Araújo, de Ouro Preto/MG, é todo feito de retalhos e costurado a mão. Alex e seu boneco Alequinho buscam, juntos, romper paradigmas e acima de tudo romper com a invisibilidade das pessoas Surdocegas, assim, colaborando com a inclusão. Estão sempre unidos nas viagens, fazendo grande sucesso. O boneco está disponível para compra e custa R$ 35,00 (mais o valor de frete). Toda quantia arrecadada contribui para manutenção do trabalho do Alex mundo a fora. Pedidos, consultas ou dúvidas, escreva para: surdocegueira@gmail.com

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terceiro setor

por Ricardo Beráguas

O ano de 2016 promete muita visibilidade para as entidades que forem criativas e tiverem sua documentação em ordem O “Instituto de Apoio Operacional e Assistencial – IAPAS” é uma entidade filantrópica de assistência social, fundada em 2008, cujo foco é ajudar as entidades sem fins lucrativos a superar as barreiras da burocracia em prol da sustentabilidade

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ela primeira vez o País não está enfrentando (ainda) uma crise financeira ou de crédito, mas sim uma crise de credibilidade. Há recursos disponíveis para investimento, mas não há confiança. As pessoas e empresários que tem por missão investir em projetos sociais tornaram-se mais seletivos em razão da baixa auto-estima que está assolando o país como um todo. As entidades sociais, além de precisar sair da mesmice para fazer brilhar os olhos dos investidores e deverão estar atentas aos detalhes técnicos e de burocracia que farão toda a diferença para o futuro dos projetos sociais. Vamos fazer um exercício: Devemos começar pela leitura dos objetivos sociais descritos no Estatuto Social. Tenha a certeza de que os objetivos que estão descritos ali estão no contexto do seu projeto social. Uma falha aqui pode arruinar um projeto. Agora olhe para seu cartão de CNPJ e veja se os Códigos de Atividade Econômica também estão de acordo com o que se pretende desenvolver. No próximo passo é analisar o documento de cadastro da Prefeitura (CCM) e verificar se possui algum código de serviço. É fundamental existir um código para quem prestar algum serviço ou pretender receber algum recurso além de mensalidade.

Como a associação lida com recursos de terceiros, as atas de prestação de contas são um excelente elemento motivacional para exibir aos financiadores. E ela deve vir acompanhada de uma Certidão Negativa de Tributos Federais que é emitida gratuitamente pela Receita Federal, uma do FGTS para provar que não está em débito com esta obrigação e uma de tributos municipais para comprovar que não está em débito com a Cidade. Quem estiver em dia com as obrigações não terá dificuldades em obter as certidões, pois todas são expedidas gratuitamente. A lei determina que as assembléias de prestação de contas sejam elaboradas até o final do mês de abril de cada ano e sua realização demonstrará a lisura dos dirigentes dando-lhes uma quitação de suas obrigações. Agora que se tem a documentação fisco-legal, chegou a hora do projeto que servirá para captação dos recursos e deverá ser composto de 3 partes. Inicialmente, monte um projeto com toda a sua informação técnica, descritivos e materiais de apoio, além dos materiais burocráticos acima mencionados.

A seguir, faça uma planilha contendo os gastos previstos para o seu projeto, sem contingenciamentos e, por fim um material super resumido do projeto em papel e slides. Lembre-se de que a pessoa que vai receber o seu material não lhe conhece, não conhece seu trabalho e precisará ser envolvido carinhosamente com a sua obra. Ele precisará saber que você, realmente, quer fazer algo. E que isso é importante, que vai de encontro com os sonhos dele e que os investimentos dele estão sendo feitos em local confiável: no site www.iapas. org.br, está disponibilizado uma planilha de cálculos como exemplo, para donwload. Outra recomendação de grande importância é que a entidade tenha um site rico em informações, para que sejam consultadas pelos investidores. Lembrando que, o recibo de qualquer associação pode ser dedutível do imposto de renda das empresas tributadas pelo lucro real. Antes era só das OSCIP e Utilidade Pública, agora vale para qualquer uma. Bons investimentos e bom projeto ! Ricardo Beráguas

é contador e proprietário da A2 Office, especializada em terceiro setor e presidente do Instituto de Apoio Operacional e Assistencial – IAPAS E-mail: info@iapas.org.br Informações e orientações ao público: www.iapas.org.br


mais eficiente

música e arte

por Samara Del Monte

Pessoas Com Deficiência fazem o Carnaval Inclusivo !!!

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arnaval, sinônimo de alegria, e não podemos ficar de fora não ! A Escola de Samba Imperador do Ipiranga, que surgiu em 1968 como forma de protesto pelas enchentes do bairro na época, atualmente conta com 1.200 componentes, entre eles, vários com deficiência. “A quadra tem acessibilidade para as pessoas com deficiência, que participam o ano inteiro de nossos ensaios e comemorações. Já tivemos, anos atrás, alas específicas, porém entendemos que eles devem sair na ala que escolherem, e não numa ala específica imposta. Então, hoje temos PcD em várias alas da escola, inclusive na bateria”, diz o ritmista Leandro Lima Soares. Também encontramos na bateria do Grêmio Recreativo Cultural Escola de Samba Mocidade Alegre, que tem 48 anos e 3.500 componentes, sambistas com deficiência na bateria, mas não em todas as alas, como explica o diretor cultural Fábio Cavicchio Parra: “Não dá para inserir em qualquer ala os cadeirantes, pois algumas alas são coreografadas e podem oferecer riscos por causa do volume de ferragens na fantasia”. O Grêmio Recreativo Escola de Samba Amizade Zona Leste tem 1.200 componentes e 100 são cadeirantes que estão numa ala específica desde 2005. Percebendo a audição apurada dos sambistas cegos, o presidente da escola, Camilo Augusto Neto, foi um dos idealizadores do curso de formação de jurado cego do quesito bateria do carnaval de São Paulo. O curso inédito teve início em 2011, com duração de 3 meses e aulas teóricas. “O critério para avaliação da bateria é essencialmente auditivo, sendo assim resolvemos convidar os cegos que já eram componentes das escolas de samba a participar desse curso de jurado”. Então seja na passarela do samba ou no grupo de jurados, seja em São Paulo ou em outra cidade, também estamos na maior festa popular do Brasil !

Samara Andresa Del Monte é jornalista, idealizadora da Revista Mais dEficiente, tem paralisia cerebral, é cadeirante, se comunica com símbolos bliss e escreve no computador usando capacete com ponteira. E-mail: samarandresa@gmail.com

Jogos, músicas, brincadeiras e o amor materno ajudam Vinícius no hospital

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i, pessoal ! Conversei com a maravilhosa Elisangela, mãe do Vinícius que tem 8 anos de idade. Ele nasceu em Avaré/SP e sofre da Síndrome do Intestino Curto, alimenta-se por um cateter venoso central (NPP - Nutrição Parenteral Parcial), bebe pouca água e usa uma sonda na barriga, por onde sai o suco gástrico e o líquido bilioso. Com 4 meses de vida, fez uma cirurgia e tirou uma pequena parte, com 4 anos tirou totalmente o intestino, teve algumas infecções generalizadas e os médicos da UTI não davam muito tempo de vida para ele. Quando sua mãe (os pais são separados) soube, ficou sem chão e está nessa luta diária com o filho, internado há 4 anos em São Paulo/SP, sem poder sair do hospital. Algumas pessoas ajudam como podem, mas precisa de um transplante muito caro, cujo processo é burocrático, por isso foi criada a página no Facebook: Ajudem o Vinícius Thimoteo. Ambos tiveram que se adaptar a essa realidade e Vinícius estuda português e matemática. Mas gosta mesmo é de ver vídeos e jogos no celular e no tablet. Sempre brinca com seus super-heróis quando está na cama e, quando se levanta, quer correr, brincar de pega-pega e esconde-esconde no quarto e pelos corredores. Também adora ouvir as músicas da Celelê, dançar, pintar desenhos em papel ou isopor e fazer pinturas a dedo com guache e pincel. Essas atividades ajudam-no a superar todas as dificuldades. Seu sonho é ir para casa, estudar numa escola, ter amigos para brincar, conviver com o irmão Giovanni de quem sente saudades, e poder comer tudo o que tem vontade, como uma criança normal. Ele diz que o hospital é chato, faz muitos exames e queria tirar férias. Sua mãe, com todo o seu amor, diz a ele que espere mais um pouco, tenha paciência, pois um dia, com fé em Deus, irão para casa. Emocionei-me com a história deles, que são exemplos de coragem e luta ! Celise Melo (Celelê) é cantora, compositora, atriz, autora, educadora, musicoterapeuta e é sucesso de público e crítica há 22 anos. Site: www.celeleeamigos.com.br E-mail: musicoterapia@celeleeamigos.com.br Facebook: Celelê e Talili Fan Page Facebook: Celelê

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moda e beleza

por Kica de Castro

DNA da Beleza:

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enho algo para te contar. Uma descoberta científica que poucos sabem: todo ser humano nasce com o DNA da B-E-L-E-Z-A ! Ainda é uma descoberta recente para a maioria de nós. Ano após anos, a história da HUMANIDADE vem nos mostrando que a beleza passa por períodos históricos. Em cada momento da evolução, um tipo de característica física tem seu destaque. Infelizmente, existe um pequeno grupo, chamado MÍDIA que, sorrateiramente, foi tomando o controle de tudo. Por vários anos, a mídia conseguiu vender a ideia de que a beleza deveria seguir um padrão. A todo o momento, somos bombardeados com imagens e discurso que valorizam um determinado tipo de estética e o pior (!), o rotulam como padrão de beleza a ser seguido. Por sorte, ainda existem pessoas que não aceitam ser excluídas. Com o crescimento da tecnologia e das redes sociais, tornou-se mais fácil comprovar que a mídia mentiu e escondeu-nos a verdade durante anos. O primeiro ponto foi mostrar que não existe perfeição. Há vários artigos que comprovam que, as mulheres, consideradas mais belas, têm suas imagens transformadas em programas de computação gráfica, antes de serem divulgadas na mídia. Isso reforça o discurso de supervalorização de um tipo físico que nem a cirurgia plástica é capaz de atingir. A chegada da TV em alta definição veio para mudar esse discurso mentiroso. Ela realmente serve de contradição para os manipuladores, pois nela não é possível esconder nenhum detalhe, mesmo usando muita maquiagem. A beleza é composta pela diversidade estética ! O único momento em que a beleza fica

conheça o seu !

Foto: Kica de Castro / Maquiagem: Andre Lima / Revisão: Silvio César Carvalho

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Thuani Gogliano, mulher sem deficiência que tem visual alternativo, tatuagens e alargadores nas orelhas. Audrey Top, drag queen e sem deficiência, e Paula Ferrari, que é fisioterapeuta com mielite, usuária de cadeira de rodas.

escondida é quando não nos aceitamos como somos. Não importa o quanto a HUMANIDADE fala que para ser bonito tem que ser assim ou de outro jeito. O que você deve saber é que se você se aceitar como é, com certeza, descobrirá que a beleza existe. O conceito de beleza é variável, de acordo com a cultura e com a opinião de cada um. O que é belo para uma pessoa, pode não ser belo para outra. Mesmo correndo o risco de cair no clichê, afirmo: beleza, de fato, vem de dentro para fora. Na recente descoberta do DNA da Beleza, o que determina o que é belo ou não, é o nosso pensamento ! Podemos ver na capa da revista uma pessoa bem diferente do nosso biótipo. No entanto, o fato dela estar na capa e você não, não é mo-

tivo para você achar que ela é mais bonita que você. Nesse caso, ela só está ali por ter colocado isso como objetivo de vida, transformando isso em profissão. Quando queremos algo e temos foco e determinação, as oportunidades aparecem. Tenha em mente que as coisas não acontecem de um dia para outro. É preciso dedicação. É uma batalha diária até conquistarmos o que desejamos. A pessoa que está em destaque, como referência de beleza, está um passo à sua frente, pois lutou mais que você. O DNA da Beleza existe. Todas as pessoas nascem com ele. Resta saber como cada pessoa vai lidar com o seu. Kica de Castro é publicitária e fotógrafa. Tem uma agência de modelos exclusiva para profissionais com alguma deficiência desde 2007.  Site: www.kicadecastro.com.br E-mail: kicadecastro@gmail.com


por Márcia Gori

mulher

Tenhamos mais paz em nossos corações...

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amos tocar em um assunto que me incomoda muito e que está tão entranhado em nossas vísceras que parece ser normal perante a sociedade, porém não tem nada de positivo: a desunião entre nós mulheres. Fico intrigada como somos tão manipuladas pelo machismo e por nossas próprias mães, que somos educadas desde pequenas a não confiar em outra mulher, somos alertadas da falsidade que pode existir entre amigas, porque seremos traídas por elas e nossos namorados, afinal: somos um perigo. Essa rivalidade entre as mulheres é uma forma de nos enfraquecer, fragilizar, sendo alimentada por todos os lados, porque é inconcebível ver mulheres sendo amigas e leais umas com as outras. Se forem muito próximas gera desconfiança da família, amigos, namorado, enfim dizem que a amiga está levando a outra para o mau caminho. Chega a ser engraçado essas atitudes preconceituosas, essa misoginia instituída, reforçada contra nós, é muito negativa, assim como não traz be-

nefício nenhum para nossa convivência social. Para quem não sabe, “misoginia” é repulsa, desprezo ou ódio contra as mulheres. Esta forma de aversão mórbida e patológica ao sexo feminino está diretamente relacionada com a violência que é praticada contra a mulher. Etimologicamente, a palavra “misoginia” surgiu a partir do grego “misogynia”, ou seja, a união das partículas “miseó”, que significa “ódio”, e “gyné”, que se traduz para “mulher”. Um indivíduo que pratica a misoginia é considerado “misógino”. A cultura popular do machismo está intrinsecamente presente em quase todas as sociedades humanas há séculos. O conceito da superioridade de gênero, instituído pelo patriarcado ao longo dos anos, e o sexismo ajudam a alimentar a idéia da desvalorização e preconceito contra as mulheres. Devemos praticar a filoginia, que é o amor, afeto, apreço e respeito pelo sexo feminino, é tão mais fácil quando temos uma pessoa em quem confiar, dividir as coisas boas ou ruins, e porque não ser outra mulher, uma amiga, companheira ? Filoginia significa carinho ou amor direcionado exclusivamente às mulheres. Teoria que se baseia na igualdade ou correspondência intelectual entre homens e mulheres. Vem do grego: philos + gyne. Não é bacana ? Também pratiquei este ato insano na educação de minhas filhas, até tomar consciência do erro, do quanto o machismo, o sexismo está dentro de nós levou um tempo para que a ficha caísse e observasse que somos responsáveis pelo abuso, violência contra a mulher, pois os nossos algozes são educados por quem ? Nada menos do que outra mulher, educados para serem duros e machões com namoradas, esposas ou peguetes. Será que inconscientemente sentimos necessidade de judiar de outra mulher ? Isso

também é uma prática de misoginia, de certa forma mais cruel, porque sabemos como somos tratadas em uma sociedade injusta e desigual, é de interesse desta sociedade patriarcal a nossa desunião, o antagonismo nosso, pois são fortalecidos laços deles contra nós, nos subjugando, pisando em nossa autoestima. Penso eu que tudo precisa chegar ao fim e mudarmos nosso caminho e ponto de vista. Sugiro fazermos uma longa reflexão, ler mais sobre feminismo, tirar o nosso preconceito de que feminista é mulher macho que não gosta de homem, ao contrário, gostamos demais, somente deixamos de ser escravas e submissas a eles... Até nosso próximo encontro !!!

Márcia Gori é bacharel em Direito-UNORP, Presidente-fundadora da Ong “ESSAS MULHERES”, Idealizadora da Assessoria de Direitos Humanos - ADH Orienta- ção e Capacitação LTDA, Ex-presidente do Conselho Estadual para Assuntos da Pessoa com Deficiência - CEAPcD/SP 2007/2009, ex - apresentadora do Programa Diversidade Atual no canal 30-RPTV, ex-Conselheira Estadual do CEAPcD/SP 2009/2011, ex-Presidente do Conselho Municipal da Pessoa com Deficiência de São José do Rio Preto/SP 2009/2012. Idealizadora do I Simpósio sobre Sexualidade da Pessoa com Deficiência do NIS – Núcleo de Inclusão Social da UNORP, Seminário sobre Sexualidade da Pessoa com Deficiência na REATECH 2010 a 2014, co-realizadora do I Encontro Nacional de Políticas Públicas para Mulheres com Deficiência em 2012, capacitadora e palestrante sobre Sexualidade, Deficiência e Inclusão Social da Pessoa com Deficiência, modelo fotográfico da Agência Kica de Castro Fotografias. E-mail: marcia_gori@yahoo.com.br Blog/site: www.marciagori.net Site: www.essasmulheres.org

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mãe

por Karolina Cordeiro

Aquele dia... como me tornei mãe

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embro como uma cicatriz, que a gente passa a mão e logo arrepia a espinha, porque volta na mente tudo de uma vez, como num filme, o dia em que descobri o que você tinha. O que mudou nossa vida não foi um diagnóstico, foi o amor. Mas esse amor veio de uma dor, sim, até física, porque ardia o meu peito no dia em que ouvi que você tinha Síndrome de Aicardi Goutieres. Cheguei do médico e, com você nos braços, sorri e o coloquei no berço. No meu quarto, despenquei na cama e, com o rosto enfiado no colchão, chorei. Não foi um chorinho triste, foi um choro urrado... mistura de grito abafado, uma dor. Acho que era de tanto medo. Tive o Pedro de parto natural. E na hora que ele estava nascendo, gritei de dor, mas sorrindo, “vem Pedro, vem Pedro”.... No dia do diagnóstico, nesse choro estava parindo novamente. Mas não era um Pedro, era uma mãe. E como doeu este parto ! Não pela gravidade da síndrome, mas porque crescer dói. E naquele momento, toda casca, tudo o que fui até ali, naquele momento, estava ficando para trás. A jornada de mãe com um filho com deficiência é um processo,

uma caminhada de descobertas, dia a dia. Neste dia me senti muito pequena diante de Deus. E com tanta humildade, pedi: “Oh meu Deus, me dê forças para carregar meu filho !”. Fui em silêncio e, sem ele me ver, ajoelhei. “Que eu tenha olhos de alegria, para que meu filho enxergue em mim toda cor. Que eu possa aceitar sem revolta novos dias que virão. Que ele nunca veja sua deficiência refletida em meus olhos. Que eu enxergue nele uma humanidade. Que ele seja a criança que sempre sonhei”.

Eu acho que é porque as pessoas nunca imaginam que um filho possa parir uma mãe.... Um diagnóstico, uma síndrome rara, uma deficiência transforma uma vida. Eu fui presenteada com o poder da escolha. Escolher olhar meu filho, não a síndrome. Escolher lutar pelos seus direitos e não ser vítima da própria história. A gente dança, a gente corre, a gente ri muito. Sim, estas são suas doses de medicamentos diárias. Um diagnóstico não é muitas das vezes para o filho, mas para a mãe. O que faz uma menina se transformar em mulher não é um homem, mas um filho. E todos os dias agradeço este “parto às avessas”. Seu sorriso é a NOSSA cura.

Neste dia, nasci para meu filho. Nasci para meu Pedro. Neste mesmo momento eu estava recebendo o maior presente que alguém poderia ganhar, até mesmo no dia das mães: uma nova mãe, uma nova mulher. Muitos anos se passaram e hoje, com olhar de espanto, muitas pessoas se perguntam, me perguntam....: “Como essa mãe pode ser tão feliz ? Será que ela não tem noção ? Por que sentes tanta gratidão ?”

Karolina Cordeiro é geógrafa, corredora do Angel Hair Team e coordenadora do Movimento: Eu Respeito As Vagas e Você ?


por Dudé

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opinião

Mulheres até o último detalhe

entro das experiências de vida, algumas luzes nos são jogadas para determinados assuntos considerados obscuros. Situações testemunhadas, muitas vezes, longe das vistas dos intitulados especialistas no assunto. Longe de questionar os teóricos e seus estudos, quero fazer apenas uma pequena ressalva para aqueles que seguem as teorias à risca, sem ao menos viver algo na prática para comprová-las. Por exemplo, alguém sabe me dizer, ou me comprovar, da onde vem o raciocínio que desejo, feminilidade, beleza e deficiência são incompatíveis ? Ou de que, no caso das mulheres, sua sensualidade se torna impossível de se comprovar sem associá-la à sua patologia? Bom, deixe-me desatar o nó que criei na cabeça do caro leitor escrevendo de forma mais direta. E o farei através de uma história simples e de fácil assimilação. Entre outubro e novembro de 2015, a banda Dudé e A Máfia, iniciou os preparativos para a produção do seu novo clipe que seria lançado em dia 03 de dezembro - Dia Internacional de Luta Pelos Direitos da Pessoa Com Deficiência. O objetivo: criar um vídeo que, através de uma linguagem simples, ajudasse a mudar a visão social da mulher com deficiência. Para tal, escolhemos como modelos as lindíssimas Marinalva de Almeida e Lucianna Trindade e as colocamos num ambiente comum a tantas mulheres paulistanas. O cenário escolhido foi o bar que funciona como sede do Pepe Legal Moto Clube. O clima foi regado com liberdade, alegria e música. Aliás, típica de qualquer balada. Fizemos dessa forma para que a interação entre os frequentadores do bar (as filmagens se deram numa noite normal de funcionamento) e as nossas musas, se desse da forma mais natural possível. E confesso a vocês que funcio-

nou muito além do que imaginávamos, muito antes mesmo do clipe ir para o ar. Digo isso porque ao colocar duas mulheres lindas e carismáticas num ambiente de balada, não demorou muito para os flertes começarem. E posso adiantar a vocês... nossa, e como aconteceram ! Mas também pudera, como não se apaixonar pela Lucianna ou pela Marinalva ? Vamos fazer um ligeiro exercício mental: que tal enxergá-las apenas pelo que são: mulheres ? Pois é, foi o que fizeram os frequentadores do bar Pepe Legal. E estamos falando de um lugar onde as duas nunca estiveram antes e com pessoas que nem sequer as conheciam. Tudo acontecendo da forma mais natural possível, dentro de uma cadeia de eventos que poderia acontecer em qualquer outro lugar da famosa noite paulistana. Ali, o que havia eram duas mulheres lindas e atraentes e ponto final. Isso me fez pensar com meus botões por um instante. Sim, o preconceito existe e ele ainda é parte da nossa rotina. Ainda mais aqui no Brasil, onde o preconceituoso se manifesta no covarde manto velado da falsa cultura do “’povo descolado, residentes do país abençoado por Deus e bonito por natureza”. Mas será que nesse combate contra a discriminação e a favor de nosso lugar ao sol, não nos perdemos no ressaltar demais nossas deficiências ? É claro que nenhuma deficiência deve ser motivo de vergonha ao ponto de escondê-la, não quero ser interpretado de forma errada. Mas na nossa busca pela igualdade de oportunidades e, porque não dizer, da nossa interação nas relações interpessoais,

não seria mais coerente nos ressaltarmos e, consequentemente, nos reafirmarmos como seres humanos antes de darmos tanto valor às nossas patologias ? Talvez, na busca por igualdade, nos apegamos a alguns princípios que acabam por evidenciar nossas diferenças. Diferenças essas que, ao mesmo tempo, nos esforçamos tanto em fazer que o mundo entenda que elas não fazem diferença alguma. Deixei esse parágrafo propositalmente redundante para que ficasse claro o que, na minha visão, é uma filosofia contraditória. Na minha visão de homem, as mulheres são fascinantes por vários aspectos. Uma lista enorme onde o quesito deficiência passa batido. Cada uma à sua maneira, as mulheres são lindas, carismáticas, sexys, inteligentes, sensíveis, misteriosas e intrigantes. Sério mesmo que dentro dessa lista fantástica de virtudes, a deficiência precisa se fazer valer ? Acho que não. Porém, não nos enganemos que ressaltar a deficiência, pesando-a na balança das relações pessoais, é uma via de mão dupla. Por isso, quero terminar esse artigo dando um toque às mulheres com deficiência: olhem pra si com orgulho, pois sua feminilidade não provém da sua patologia, mas da sua essência como mulher. E isso, todas as mulheres do planeta Terra têm, sem exceção. Para delírio de nós homens. E quem quiser ver o clipe, está em: https://youtu.be/V_OkQulpR94 Dudé – Eduardo José Magalhães Martins Junior – é pessoa com deficiência, músico, professor de canto popular, ator e produtor musical. Atualmente está à frente das bandas: “Dudé e A Máfia” e “Dudé Blues Band”. Blog: www.exemplodeque. blogspot.com.br/ E-mail: dudevocalista@gmail.com

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aconselhamento

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por Celia Buratto

Profilaxia

ermo muito usado na Medicina e Odontologia, a profilaxia significa um conjunto de precauções e cuidados especiais, afim de evitar doenças e problemas, relacionados com a saúde. Como já dissemos em nossas matérias anteriores, vamos hoje nos reportar ao encerramento de princípios básicos: a preparação da futura mãezinha, durante seu período gestacional. Falamos de preparação psíquica, física, social e encerraremos este ciclo com uma assunto fundamental, que é o PROFILÁTICO... embora possa parecer uma palavra de difícil assimilação (pois é técnica), não é difícil de nos acostumarmos com ela. Profilaxia nada mais é, do que uma higiene mais detalhada, cuidados especiais com as estrias, exercícios próprios para o trabalho de parto, como respiração especial para relaxar, iniciação aos movimentos de ginástica (preparo físico, sempre orientado por profissionais), ou seja, vamos iniciar hoje com o preparo de Higiene. Cuidados especiais deverão ser acrescentados no seu dia a dia à espera do bebê e, também, após o parto. Vejamos: 1: Tenha as mãos sempre limpas, ao sair e entrar em casa, utilizando álcool, álcool gel, soro que poderá ser substituído por água e sal na dificuldade de acesso a outras substâncias, mesmos que tenha feito um simples passeio a pé... 2: As unhas das mãos deverão estar preferivelmente limpas e bem aparadas. Sim aparadas, pois após o nascimento do bebê, todo cuidado é pouco, pois a pele do bebê é macia e sensível. Procure também ao usar esmalte, escolher cores claras, de preferência tons como, o natural ou base transparente. 3: Maquiagens também deverão ser

leves e suaves. E os cabelos deverão ser lavados com frequência com shampoo em aromas suaves, de preferência naturais, de frutas, flores etc. Hoje existe a técnica Co-Wash, para lavar os cabelos com um leve condicionador. 4: Ao usar sabonete que seja hidratante, de leite, glicerinado etc. Hoje temos muitos produtos para escolher de sua preferência, sempre contando com seu apurado senso de controle de aromas. Não esqueça, agora você lida com seu bebê diretamente. Lembre-se tudo deve ser sempre feito com cautela e bom senso. 5: Para as estrias (mesmo sem tê-las), após 5 mês de gestação você deverá fazer aplicações com massagens circulatórias e leves com Glicerina líquida e Vaselina cristalina;

Como evitar estrias: Material: • Glicerina Liquida; • Vaselina Cristalina. Toda noite, aplicar uma noite Glicerina e outra com Vaselina, ou seja, dias alternados.

Para a barriga, pegar um chumaço de algodão, ou gaze. Derrame algumas gotas de Glicerina Liquida sobre a barriga e levemente faça com o algodão ou a gaze, movimentos circulatórios durante 5 minutos. Cubra a barriga com um pano leve (bandagem) e durma tranquila. No dia seguinte, fazer o mesmo procedimento, só que agora com a Vaselina Cristalina. Nos seios deverá ter os mesmos cuidados especiais, com as mesmas bases: Glicerina Líquida, Vaselina Cristalina, Algodão e Gaze. Deitar de costas, aplicar gotas de Glicerina Líquida sobre a barriga e com algodão ou gaze, fazer massagens leves sobre os seios, de cima para os mamilos. Preste atenção: não é necessário aplicação sobre o bico dos seios, somente da parte alta do seio na direção dos mamilos. Cobri-los com um pano leve. Fazer essa aplicação todas as noites antes de dormir. Nas coxas, os procedimentos e materiais são os mesmos utilizados, com a diferença do tipo de massagem. Em pé, com os materiais de uso, ensopar o algodão e em movimentos de cima para baixo, na parte alta das coxas, do lado de fora, passar várias vezes nos lugares comuns de estrias. A seguir, faça o mesmo na outra coxa e não é preciso cobri-las com panos. Lembre-se sempre: você não está doente e sim é uma Gestante, todo o cuidado com você só lhe traz saúde, beleza e autoestima, que são presentes do Nosso Criador !!! Celia Buratto

é Fisioterapeuta, foi palestrante, elaborou e desenvolveu o Curso Psíquico-físico-profilático para gestantes; foi cofundadora da Associação Brasil – Parkhinson e Diretora Executiva da Feneis/SP.


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por Luciene Gomes

Viajem ao Rio de Janeiro: experiências de uma turista pronta para tudo

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ecesso de final de ano é “quase” férias e, como nas minhas estava me recuperando de uma cirurgia, o local da viagem foi deliciosamente programado. Juro, demoramos mais de um mês para escolher. Afinal, cadeirante tem muitas restrições para decidir uma viagem e tudo fica um pouquinho mais difícil quando junto vai minha “irmã postiça” que tem lúpus, a Fabiana, que eu chamo de Ex. Para quem não sabe, em muitos casos a doença restringe (e muito) a condição física da pessoa, sem contar a restrição ao sol, e no auge do verão brasileiro e minha mãe com a coluna bem comprometida, isso tudo deveria ser considerado. Optamos por Reveillon no Rio de Janeiro (sim, Rio 40 graus). A cidade é relativamente acessível, linda sempre, minha mãe já havia ido para a “virada do ano” e disse que era incrível, o Johan marido da Ex iria, assim como o amigo Marcelo. A Ex e o Marcelo não conheciam a cidade, e eu não me canso de voltar. Passagens compradas e surgem, claro, as primeiras dificuldades: alugar um apartamento acessível próximo a Copacabana ou no bairro, local com edifícios muito antigos e acessibilidade quase nenhuma. Foram muitos (mesmo) apartamentos consultados em sites especializados em locação de imóveis, mas o que se encontrava eram: corredores e portas incrivelmente estreitos, escadas, degraus, elevadores pequenos etc... Quase desistimos, já que alugar um apartamento era mais barato que ficar em um hotel nos mesmos locais. Nos 45 minutos do segundo tempo conseguimos (ufa!!!), no Leme na divisa com Cobacabana de frente pro mar ! Gol !!! Antes de sairmos, resolvi não ir com a cadeira motorizada, decisão muito acerta-

da ! São Carlos/SP até Campinas/SP de carro, que ficou em um estacionamento próximo ao aeroporto, com translado feito em uma van que, claro, não tinha rampa para cadeira de rodas, mas possuía bancos bem altos. Foram necessários três homens e minha mãe (sempre) para me colocarem sentada no banco e, dez minutos depois, o mesmo trabalho para descer. Algumas malas (...), cadeira, eu, eles, check-in, espera, 5 horas da manhã, sem dormir, revista, espera, chamada prioritária e lá vamos eu e a Ex que, embora ande, por conta da doença também tem atendimento prioritário. De repente percebo que terei que subir em uma “cadeira de propulsão elétrica” que é bem estreita e, infelizmente, sem regulagem de altura. Para quem não sabe, sou tetra com alguns movimentos nos braços, magra, mas com 1,81m de altura (sou alta sentada) e bem medrosa. O assento era baixinho e minhas pernas foram abrindo cada vez mais, um funcionário me puxava, o outro tentava ajeitá-las sem sucesso, eu apavorada e a Ex rindo muito alto. Sentar na cadeira do avião naquele momento foi o mesmo que deitar na minha cama, uma delícia. Almofada comigo para não correr o risco de ser danificada e recomendações infinitas para que tivessem cuidado com a cadeira. Voo rápido e logo chegamos e, para meu alívio, no Santos Dumont tem Ambulift. Uma dica na aterrissagem para

quem é tetraplégico: peça para alguém apoiar seu corpo com as mãos, como a pista é menor, a freada pode ser um pouco brusca ! Saindo do aeroporto, onde fui conduzida por um funcionário até a porta, utilizamos um táxi comum até o prédio que tinha entrada acessível, mas elevador pequeno. Para encaixar a cadeira era necessário entrar, alguém levantá-la para caber bem apertadinha, a motorizada não caberia nem se flutuasse. No apartamento, em apenas um dos quartos a porta era larga, no corredor do banheiro não era possível passar, então o banho foi improvisado entre a cozinha e a área de serviço, sem estresse. No Réveillon pudemos assistir a queima de fogos de forma privilegiada, bem na nossa frente na cobertura, mas claro, o elevador não chegava até lá. Os meninos e minha mãe me carregaram com cadeira e tudo escada acima. Foi muito difícil e perigoso, mas valeu. Foi lindo, lindo, lindo ! Não tínhamos um roteiro pré-estabelecido, mas tínhamos bloqueador, chapéu, bom humor e vontade de ser feliz ! As calçadas do bairro do Leme, Copacabana, Leblon, São Conrado, Lagoa, Lapa e no Centro da cidade, perto de muitas por aí, estão bem razoáveis. É claro que na orla as pedras portuguesas estão em melhores condições que as que encontramos no interior dos bairros, duas vezes quase cai, porque as rodinhas ficaram presas em buracos (a cadeira fica e eu vou). Para chegarmos próximo à Praia Vermelha, no bairro da Urca, é preciso de alguém forte que empurre a cadeira por paralelepípedos e, para chegarmos até a pista Cláudio Coutinho, há uma subida bem íngreme com paralelepípedos (obrigada Marcelo !), mas o visual compensa. Em todos os lugares que fui, andei quase sempre pelas calçadas e muito pouco


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mesmo pelas ruas, como de costume. Em alguns bairros as guias rebaixadas são facilmente encontradas, e quase sempre passíveis de uso. Mas é importante deixar claro, o Rio está em obras. Um dia, resolvemos usar o ônibus, quase todos identificados como “acessíveis”, só que não... Alguns passavam sem ao menos parar, e juro, tentamos mais de VINTE ônibus e em nenhum deles a rampa funcionou. Além disso, os motoristas estão completamente despreparados para utilizarem os equipamentos e lidar com uma pessoa com deficiência, uma vergonha, me senti muito triste por passar por situação tão constrangedora. Chamamos a polícia, que o máximo que fez foi parar os ônibus. Finalmente um parou, a rampa funcionou, mas cadê o cinto ou qualquer equipamento de segurança para segurar eu e a cadeira ? O equipamento foi minha mãe... Uma decepção ! No Metrô tive experiências bem contrastantes... Nas estações pelas quais passei, encontrei funcionários que passam por treinamento para conduzir cadeirantes, elevadores ou plataformas foram instalados, mas na Estação Cardeal Arcoverde, uma das mais antigas (ou a mais) do Rio, localizada em Copacabana, só é possível circular pela escada rolante ou por plataformas elevatórias instaladas nas escadas.

O funcionário, com muita pressa, resolveu usar a escada rolante: a primeira, foi. Na segunda, ele não conseguiu encaixar a cadeira no degrau, a cadeira foi tombando, minha mãe tentando segurar, acabou caindo, e eu e ele quase.... Foi assustador ! Só então ele entendeu que seria mais seguro usar a plataforma na escada. Como eu estava assustada, ele foi comigo na plataforma (que certamente precisa de manutenção), e claro, não aguentou o peso e parou no degrau, para piorar eu de frente, estagnada, presa olhando escada abaixo, são muitos lances e é muito íngreme. Nas outras vezes, utilizei os elevadores e deu tudo certo, inclusive para subir nessa mesma plataforma que anda bem devagar, outro funcionário foi subindo ao meu lado pela escada até vencermos todos os lances, me senti um pouco mais segura. Também utilizei o táxi adaptado, e não sei porquê, a tarifa é mais cara do que a cobrada pelo táxi comum. O taxista foi bem cuidadoso, rampa automática e altura suficiente para que cadeirantes se sintam confortáveis no interior do carro. Mas, na maior parte do tempo, utilizei um táxi comum com um motorista “gente boa” demais. Fomos ao Museu do Amanhã, literalmente horas de fila, aquele calor carioca. Em alguns momentos, o bom humor não supera o cansaço. Entramos, tivemos pouco tempo para visitar, mas pude verificar que a acessibilidade física está boa, mas há a necessidade de melhorar o mobiliário para cadeirantes e disponibilizar recursos para que pessoas com diferentes deficiências possam interagir com o acervo disponível. Há muito que melhorar, mas valeu a experiência.

Meus amigos foram embora três dias antes, e fui com a minha mãe para um hotel de uma famosa rede no centro, quase na Lapa, com quarto acessível previamente reservado. “Adaptado” é sempre uma surpresa, mas foi ótimo, espaçoso, cederam uma cadeira de banho e os funcionários foram muito solícitos. Infelizmente, no dia que iria ao Projeto Praia Acessível fez “frio” e choveu em alguns momentos, mas não senti falta de entrar no mar. Olhar, sentir o cheiro, sentir o sol, clima de praia, ah, isso não tem preço. Por conta da data, a cidade estava muito cheia, com preços altos, fila grande para tudo, por isso, eu e minha mãe abrimos mão de irmos até o Corcovado e o Pão de Açúcar dessa vez, e sem nenhum arrependimento ! A volta foi tranquila, com exceção da descida da escada do avião na cadeirinha, mas como não cai, já está bom ! E os funcionários dos aeroportos Santos Dumont (RJ) e de Viracopos em Campinas/SP, assim como o da companhia aérea, foram atenciosos. Resumindo, foram dias lindos, onde o bom humor prevaleceu e a vontade de ser feliz estava acima de tudo ! Espero que tudo melhore quanto à acessibilidade na Cidade Maravilhosa, e agora é pensar na próxima viagem. Bóra ???

Luciene Gomes é cadeirante, arquiteta e urbanista. Doutoranda em Terapia Ocupacional pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) nas áreas de Acessibilidade e Desenho Universal. Docente do SENAC São Carlos na área de Arquitetura e Design. E-mail: arquiteturaparatodos@hotmail.com


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A Arena Corinthians, em São Paulo, é acessível ?

Foto: Zanoni Antunes e Ton David

P

ara responder a pergunta, a equipe do Biomob – www. biomob.com.br – aplicativo que vistoria a acessibilidade de locais públicos e estabelecimentos comerciais, visitou o local no bairro de Itaquera, zona leste paulistana, que sediará os jogos de futebol na Olimpíada de 2016, no próximo mês de agosto. O grupo foi formado por 8 pessoas que fizeram o percurso a partir da Estação Sé do Metrô, utilizando as duas saídas possíveis para quem vai ao estádio: as estações de Arthur Alvim e Corinthians/Itaquera. “A acessibilidade nas três estações é muito boa, porém o percurso de Arthur Alvim até o estádio é muito ruim”, comenta Valmir Souza, professor de educação física e um dos idealizadores do Biomob. A avaliação constatou que o percurso é longo, árido e com péssimas condições de acessibilidade, além de passar por uma região pouco segura e praticamente não haver nenhum estabelecimento acessível no caminho, como lanchonetes, lojas e bares. Ele recomenda às pessoas com deficiência a utilização da Estação Corinthians/ Itaquera, mas alerta para que os torcedores fiquem atentos aos procedimentos que são adotados quando há um evento de grande porte, como o isolamento de 1 Km, o que praticamente inviabiliza a acessibilidade. Chegando ao estádio, a situação muda: “a acessibilidade é muito boa, lugares com ótima visibilidade, espaço para acompanhante e bons banheiros, percebemos um grande avanço com relação aos estádios antigos”, garante Valmir. As notas dadas pelo Biomob vão de 0 a 5 e a calçada do estádio, entrada principal, acesso a veículos, circulação interna e banheiros ganharam a nota máxima, sendo considerados ótimos. O único item em que a nota foi 3, que significa um índice bom, foi a sinalização que, segundo ele, precisa ser otimizada já que as distâncias percorridas

são muito grandes. “É importante sinalizar melhor onde ficam os acessos para as pessoas com deficiência mas, no geral, a nota do estádio é muito boa”. Ele afirma que a acessibilidade, de uma maneira geral, está melhorando e que nas novas edificações esse processo é bem mais simples, o que é o caso do estádio. “É importante salientar que, esse processo é mais atitudinal do que arquitetônico, enquanto a sociedade, de uma forma geral, não se conscientizar que as pessoas com mobilidade reduzida, deficiência física, visual, auditiva e intelectual possuem as mesmas necessidades que as outras, não enxergaremos essa evolução. Tornar um estabelecimento acessível não é privilegiar e sim fazer cumprir os direitos de ir e vir, estabelecidos pela convenção da ONU”, explica o avaliador. O Biomob é uma iniciativa da Goodbros e da Bio+, empresas que atuam para melhorar o bem-estar das pessoas com deficiência. O aplicativo pode ser baixado gratuitamente no GooglePlay (https://goo.gl/2n3WaM). Atualmente está disponível somente na versão para Android, mas os organizadores esperam disponibilizar a versão IOS provavelmente no mês de março.

Projeto quer tornar parques acessíveis

O

s parques públicos poderão ter equipamentos de lazer adaptados para pessoas com deficiência. A Comissão de Defesa dos Direitos das Pessoas com Deficiência da Câmara Federal aprovou o Projeto de Lei Nº 3276/15, de autoria do senador Vicentinho Alves - PR/TO. O objetivo é ampliar a exigência contida na Lei de Acessibilidade (Nº 10.098/00) que estabelece: parques de diversões, públicos e privados, devem adaptar, no mínimo, 5 % de cada brinquedo e equipamento, e identificá-lo para possibilitar sua utilização por pessoas com deficiência ou com mobilidade reduzida, tanto quanto tecnicamente possível. O projeto Nº 3276/15 prevê essa mesma regra para “vias públicas, parques e demais espaços de uso público existentes”. De acordo com a relatora, deputada Zenaide Maia (PR-RN), “é essencial que os espaços públicos e privados de uso público, onde existam equipamentos de lazer e brinquedos, estejam adequados para receber as crianças com deficiência ou mobilidade reduzida. Para tanto, propõe-se essa modificação na Lei de Acessibilidade, uma vez que ela versa apenas sobre parques de diversão, o que não apresenta a devida inclusão de outros espaços destinados a lazer”. A proposta ainda será analisada pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania em caráter conclusivo. Se for aprovada, não precisará ser votada em Plenário, salvo se houver recurso de 10 % dos deputados para sua apreciação.


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ensaio

“O espelho tinha razão, sou linda” (Kica de Castro - em palesta de autoestima)

Modelo: Priscila Menucci - nanismo Foto: Kica de Castro


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