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2ª Guerra Mundial A nova segunda guerra mundial. A guerra como você nunca viu!

A queda do Führer

Arrogante e teimoso, o ditador perdeu a guerra quando decidiu liderá-la!

EDITORA SPIN

Revista: Mundo Curioso Tema: Segunda Guerra Mundial Edição: Ed.01 - Março de 2014


Nesta edição da revista iremos analisar e contar um outro ponto de vista da segunda guerra mundial. Onde Hitler errou, onde acertou, tudo o que fez e o que deixou de fazer para chegar aonde chegou e cair de onde caiu. A trajetória dos judeus, a resistência judaica que causou mais de 400 baixas nazistas e sobreviveu até o final da segunda guerra mundial. Novos dados e documentos estão reescrevendo a história do maior conflito da humanidade. Para começar, agradeça aos comunistas por nos livrarem de Hitler. A Segunda Guerra começou em Gdansk, às 4:45 de 1de setembro de 1939, quando um navio alemão atacou um forte polonês, e terminou em Tóquio, ao meio-dia de 15 de agosto de 1945, quando o imperador japonês se rendeu à bomba atômica americana. Após décadas de filmes, livros e capas de revista, o que mais há para dizer sobre o que aconteceu sobre essas duas datas? Quase tudo. Aconteceu que, se o começo da 2ª guerra tem 70 anos, sua versão consagrada não tem menos de 60. Além de datada, ela é parcial: cada país tem sua visão do conflito. O Brasil chega a ter duas: a ufanista em que salvamos a Europa, e a antimilitar, em que passamos vergonha. Mas agora o maior conflito de todos os tempos está sendo revisto e ampliado. Valendo-se dos arquivos que o fim do comunismo tornou disponível e exercendo um saudável distanciamento, novas obras estão questionando velhos mitos. Hitler não era um gênio do mal, mas um estrategista lamentável que levou o Exército ao caos. Os judeus não marcharam passivos para as câmaras de gás, milhares contra atacaram. No Dia D, a guerra já estava ganha pelos soviéticos, que mataram 10 vezes mais alemães que americanos e britânicos juntos. E foram 70 milhões, não 40 milhões de mortos. A história está sendo reescrita: conheça a 2ª Guerra versão 2014.

Editor – Mário Barbosa e Marcílio Henrique | Coordenação - Mário Barbosa e Marcílio Henrique Redação – Mário Barbosa e Marcílio Henrique | Projeto Gráfico - Mário Barbosa e Marcílio Henrique | Direção de arte - Mário Barbosa e Marcílio Henrique | Diagramação - Mário Barbosa e Marcílio Henrique | Produção Gráfica - Mário Barbosa e Marcílio Henrique | Fotos - Mário Barbosa e Marcílio Henrique | Pré-impressão – nome da gráfica | Impressão – nome da gráfica | Tiragem – 2 000 cópias

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SUMÁRIO Arrogante e teimoso, o ditador perdeu a guerra quando resolveu liderá-la.

Hitler: mais sorte que juízo Pág. 4 Os nazistas davam duas opções aos judeus: Morrer ou colaborar, para morrer mais tarde. Alguns escolheram matar.

Holocausto de cada um

Pág. 6

Antes do famoso Dia D, vitórias sangrentas dos soviéticos sobre os nazistas decidiram a guerra

OS DIAS A,B e C

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Destreinados, desinformados e desprevenidos, os brasileiros foram anti-heróis na Itália. E esquecidos na volta.

Samba, suor e lágrimas As mais diversas curiosidades sobre a Segunda Guerra Mundial. Estratégias, estatísticas de baixas durante a guerra e muito mais.

Curiosidades

30 DVDs com 95 documentários, remasterizados - originalmente gravados em película. E 65 deles coloridos digitalmente. Compre já o seu!

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70º Aniversário da 2ª Guerra Mundial

Editor – Mário Barbosa e Marcílio Henrique | Coordenação - Mário Barbosa e Marcílio Henrique Redação – Mário Barbosa e Marcílio Henrique | Projeto Gráfico - Mário Barbosa e Marcílio Henrique | Direção de arte - Mário Barbosa e Marcílio Henrique | Diagramação - Mário Barbosa e Marcílio Henrique | Produção Gráfica - Mário Barbosa e Marcílio Henrique | Fotos - Mário Barbosa e Marcílio Henrique | Pré-impressão – nome da gráfica | Impressão – nome da gráfica | Tiragem – 2 000 cópias Revista: Mundo Curioso Tema: Segunda Guerra Mundial Edição: Ed.01 - Março de 2014

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Pág. 14


1939 1940 1941 1942 1943 1944 1945 A expansão nazista

HITLER: MAIS SORTE QUE JUÍZO

Arrogante e teimoso, o ditador perdeu a guerra quando resolveu liderá-la. S e t e n t a , o u m e l h o r, 6 9 a n o s atrás, a frase acima pareceria insanidade. Depois de anexar Áustria e Checoslováquia, a Alemanha nazista inaugurou a 2ª Guerra em 1º de setembro de 1939, quando invadiu e tomou metade da Polônia – a outra tinha dona: a URSS. Em 1940, vieram vitórias sobre Dinamarca, Noruega, Holanda, Bélgica, Luxemburgo e França. Portugal, Espanha, Suíça e Suécia não estavam dominados, mas eram neutros – equivale a voto em branco, concorda com q u e m v e n c e r. L o n d r e s , b o m b a r deada e passando por racionamentos, parecia destinada a se r e n d e r. O s u c e s s o f e z H i t l e r s e r visto como um gênio político e m i l i t a r, c o m p a r a d o a N a p o l e ã o . Ao do hospício, talvez: dos erros considerados cruciais para a derrota alemã, em 1945, boa p a r t e c a i n a c o n t a d o F ü h r e r. S e g u n d o A . J . P. Ta y l o r, u m dos maiores historiadores do século 20, intelectuais ocidentais ajudaram a criar a imagem de Hitler como mestre estrategista. Por esse raciocínio, o alemão era um grande adversário que fez tudo ao seu alcan-

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FÜHRER ACERTOU

Q UEM POUPA TEM Já em 1935, Hitler começou a reestruturar o Exército alemão. Quando a guerra começou já tinha gente treinada e experiente.

ATAQUE

RELÂMPAGO Ao apostar na blitzkrieg, o ditador inovou. Só apartir de 1942 é que os soviéticos responderam à altura.

SE FOÚ RM IA

Com seu discurso inflamado de revanche, racismo e conquista territorial, conseguiu ser idolatrado pelo povo alemão.

ce: logo, o nazismo não tinha m e s m o c o m o t r i u n f a r. S e m e s paço para “e se”. A visão atual, no entanto, não se preocupa em enaltecer o adversário. “Enquanto os líderes ocidentais eram essencialmente conservadores, e enquanto Stálin era tão cauteloso quanto astuto. Hitler era u m a p o s t a d o r, u m b l e f a d o r, u m desavergonhado exibicionista”, escreve Norman Davies em Europa na Guerra. Mas como explicar os seus sucessos iniciais? Bom, é preciso reconhecer que a blitzkrieg (“guerra relâmpago”, em alemão), ataque acelerado e simultâneo de aviões, blindad o s e s o l d a d o s , i n o v o u e s u rpreendeu a todos. E ainda que seu inventor fosse o general Heinz Guderian, Hitler teve coragem de autorizá-la. Mas os adversários facilitaram (ainda que até hoje exaltem seus supostos feitos). Na tomada da França, os exércitos eram até arelhos – 3,3 milhões do Eixo contra 2,8 milhões dos Aliados -, mas a estratégia de defesa era do tempo da 1º Guerra Mundial (1914–1918). A vitória nazista foi tão fácil que inspirou a lenda de que os generais franceses haviam entregue seu país. Depois de um 1º turno bem sucedido, porém, o técnico do time alemão adotou a arrogância como tática. É consenso: ninguém iria dissuadir o ditador de atacar a URSS. Afinal, ele já tinha esse plano na


cabeça havia tempo – está lá no livro que escreveu na cadeia em 1924, Mein Kampf (“Minha Luta”). Pouco importou o pacto de não agressão assinado dois anos antes. Hitler tinha tanta certeza da vitória que fez um agrado aos aliados japoneses e declarou guerra aos EUA, crente que tudo estaria acabado antes que ele tivesse de responder pela fanfarronice.

A grande virada N o l i v r o H i t l e r a s Wa r L o r d (“Hitler como Senhor da Guerra”, lançado e ignorado em 1949), o general Franz Halder afirma que seu chefe mudou muito após a invasão da URSS. Antes, era atento aos conselhos dos auxiliares. Depois, fascinado com seus talentos, passou a seguir seus instintos. Sob seu temperamento volúvel, o alto comando era de alta rotatividade. Ve i o a o b s e s s ã o e m o c u par Stalingrado, um ponto importante, mas não imprescindível. Na verdade, seus principais assessores militares preferiam como estratégia ocupar Oriente Médio, garantindo acesso a uma reserva infinita de petróleo e uma segunda rota de entrada na URSS. Mas só de pensar em dominar países cheios de árabes – no seu ranking de racismo, tão desprezíveis quanto os judeus -, o Führer mudava de assunto. Preferia pensar nos comunistas. Era questão de honra para ele tomar uma ci-

FÜHRER

ERROU

C H AO S INTERNO

Hitler estimulava competição interna, criando instituições redundantes e rivais, um caos que acelerou a derrota.

TANQUE

VA Z I O Dos territórios conquistados, só a Romênia tinha petróleo. Quando faltou combustível, o destino alemão estava selado.

FUGA DE CÉREBROS

Se não tivesse perseguido os judeus e, assim, os cientistas judeus Hitler poderia ter a bomba atômica antes de seus inimigos.

dade que tinha o nome do inimigo: mas Stálin, outro orgulhoso, ordenou a resistência a qualquer custo. Nas ruínas de Stalingrado, a blitzkreig, eficiente em campos abertos, foi anulada pela guerrilha do Exérc i t o Ve r m e l h o , q u e s e a n i m o u e virou o jogo da guerra (como você verá adiante). Na frente ocidental, Hitler também fez bobagem. É famosa a história de que ninguém teve coragem de acordar o Führer no Dia D – uma das tantas vezes em que o Exército foi prejudicado porque as pessoas tinham medo de lhe dar más notícias. Pio: Hitler ordenou que os blindados alemães continuassem esperando em Calais o “verdadeiro” desembarque inimigo – os tanques foram presa fácil. Prensada, a Alemanha se rendeu, Hitler se matou e deixou um país arruinado por seus e r r o s . M a s e m T h e S t o r m o f W a r, lançado neste ano, o historiador britânico Andrew Roberts afirma que o Führer poderia ter até vencido a guerra: bastava não ser tão nazista. Para Roberts, a obsessão por uma nação ariana atrapalhou os planos militares. Um exemplo: ao mobilizar o Estado a matar judeus, ciganos e homossexuais, foram desviados recursos que poderiam estar na guerra e eliminados milhões de possíveis trabalhadores. Além disso, a ideologia privou a Alemanha de seus melhores cientistas – judeus como Albert Einstein e Leo Szilard, membro do Projet o M a n h a t t a n . To l e r a n d o f í s i c o s “inferiores”, um governo menos lunático poderia ter alcançado primeiro a bomba atômica. Desse holocausto fomos poupados.

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1939 1940 1941 1942 1943 1944 1945 Implementação da solução final

HOLOCAUSTO DE CADA UM

Os nazistas davam duas opções aos judeus: morrer ou colaborar, para morrer mais tarde. Alguns escolheram matar. Em 20 de janeiro de 1942, 15 oficiais nazistas graduados se reuniram em uma mansão de Wa n n s e e , u m a p r a z í v e l s u b ú rbio de Berlim. Pauta do dia: “solução final para a questão judaica”. Em 90 minutos, o ge neral Reinhard Heydrich relatou os aspectos básicos da operação, que consistia em transportar todos os judeus em território sob domínio alemão para o Leste Europeu, onde trabalhar i a m a t é m o r r e r. H e y d r i c h e n fatizou que contava com todos, deixando subentendido que aquele era o desejo do próprio H i t l e r. Naquele ano, os judeus da Europa nazista começaram a perceber as conseqüências da c o n f e r ê n c i a d e Wa n n s e e . C o m o t o d o s d e v i a m s a b e r, 6 m i l h õ e s foram mortos, a maioria em campos de extermínio. O prisioneiro raquítico de uniforme listrado se tornou um ícone tão forte que virou sinônimo de trajetória dos judeus na 2 Guerra Mundial. Mas nem todos tiveram o mesmo destino: alguns d e c i d i r a m c o n t r a - a t a c a r. E o u t r o s , c o l a b o r a r c o m o o p r e s s o r.

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Na natureza selvagem Em outubro de 1942, judeus da cidadezinha polonesa de Kamionka sentiram os efeitos da c o n f e r ê n c i a d e Wa n n s e e : f o r a m informados de que seriam levad o s a u m g u e t o e m L u b a r t o w. O filho de pequenos comerciantes Frank Bleichman, 19, desconfiou e decidiu abandonar a família para se esconder no campo. Mais tarde, soube que o destino de seus amigos e familiares era um campo de extermínio. Frank juntou-se a um grupo de 100 judeus que se escondiam em condições primitivas nas florestas da região, um dos vários grupos de guerrilheiros fugidos de guetos e campos de concentração que lutaram contra os invasores nazistas no Leste Europeu. To c a i a d o s e n t r e a s á r vores, conseguiam interceptar carregamentos de comida para as tropas alemãs, sabotar usinas elétricas e fábricas, descarrilar trens de inimigos e, quando possível, matar algum nazista – mas sem denunciar a posição do acampamento. Esse era o grande drama dos Irmãos Bielski, da Bielo-Rússia. No princípio, em 1942, e r a m s ó o s 4 . Tu r v i a , Z u s , A z a e l e Aron. Mas seu sucesso começou a atrair gente, gente inclusive sem vocação para se esconder e guerrear no mato e no frio – no auge, quando o grupo tinha 1200 membros, 70% eram velhos, mulheres e crianças.


ESTRELA DO

XERIFE

Com tanta gente, era preciso se esconder em regiões muito remotas, como pântanos a que os alemães nem sabiam como c h e g a r. C o m o r e l a t o u o g u e r r i lheiro Norman Salsitz: “Quanto pior as condições, melhor para nós”. Os caras não procuravam brigas, mas não fugiam: calcula-se que chegaram a matar 400 inimigos. Em 1944, quando a Bielo-Rússia voltou a ser dos soviéticos, o grupo saiu da floresta – sobrevivera aos nazistas.

Gueto da discórdia No entanto, o combate armado contra alemães foi exceção. No g u e t o d e Va r s ó v i a , o m a i o r d e les, com 445 mil judeus, a reg r a e r a a p a s s i v i d a d e . “O m e d o era de que a resistência levaria à retaliação. Por isso, era interpretada como tentativa de suicídio em massa”, escreve Is rael Gutman, em Resistência – O L e v a n t e d o G u e t o d e Va rsóvia. E não era um medo sem fundamentos: os nazistas costumavam aplicar punições coletivas por desvios individuais. Muitos ainda espetavam por algum milagre quando, em setembro de 1942, começou a evacuação para o campo de ext e r m í n i o d e Tr e b l i n k a – o m a i s eficiente, onde 99% eram mortos em até duas horas após a chegada. Esse foi o gatilho para que finalmente se organizasse uma resistência armada. Os guerrilheiros do guetos sa-

Dentro dos guetos, existia a instituição da política judia, submetida ao judenräte. Para a função, os nazistas escolhiam judeus sem conexão com aquela comunidade - o que, na teoria, estimularia mais dureza com o povo do gueto. Pela maioria dos depoimentos, costumava f u n c i o n a r.

biam que morreriam, mas dessa vez impuseram um preço pela vida dos judeus. No fim da batalha, 14 mil judeus morreram – contra 16 baixas admitidas pelos nazistas. Outros 60 mil foram capturados. Mesmo que a resistência tenha sido apenas simbólica diante dos tanques, metralhadoras e artilheiros alemães, atrasou em quase um mês o fim da operação – e fez ressonar insurreições em mais de 100 outras cidades e vilarejos.

Inimigo íntimo Campos de concentração também tiveram colaboradores. Prisioneiros de confiança da SS chamados “Kapo” receberam melhores roupas, comida e alojamento para, em troca, supervisionar grupos de prisioneiros. A posição de poder que ganhavam permitiu-lhes internalizar a truculência da SS. Já nos campos de extermínio, os Sonderkommandos (Comandos especiais) judeus faziam o que a SS considerava sujo demais – guiar as vitimas às câmaras de gás, depois remover os cadáveres, retirar seus cabelos e dentes, cremar os corpos e jogar fora as cinzas. Isso rendia algumas semanas a mais de vida. Dos 15 presentes na reun i ã o d e Wa n n s e e , a p e n a s u m recebeu punição semelhante à que achou que os judeus mereciam. Apões a guerra, Adolf Eichmann fugiu para Buenos Aires, na Argentina. Se escondeu lá até 1960, quando foi encontrado pelo serviço secreto de Israel. Julgado, foi executado em 1962.

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1939 1940 1941 1942 1943 1944 1945 O contra ataque dos aliados

OS DIAS

A,B e C

Antes do famoso Dia D, vitórias Sangrentas dos soviéticos sobre Os nazistas decidiram a guerra. A tradição divide a 2ª Guerra entre antes e depois de 6 de junho de 1944, quando os Aliados desembarcaram no n o r t e d a F r a n ç a – o D i a D. a t é e s s a Dara, diz a lenda, os nazistas tinham o mundo na mão. Aí vieram bombardeiros, paraquedistas, navios, aqueles soldados todos morrendo na praia e, graças a esse sacrifício, Hitler perdeu a guerra. Devemos agradecer aos americanos (e seus aliados britânicos, sempre excluídos dos filmes e séries) por vencerem o nazismo? A verdade é que, quando os soldados Ryans apareceram nas praias da Normandia, a guerra já estava ganha. Tu d o g r a ç a s a b a t a l h a s s a n g r e n tas, gigantescas e pouco conhecidas, travadas do outro lado do continente, em que os soviéticos derrotaram e mataram muitos alemães – foram 4 milhões de baixas nazistas no leste, contra 400 mil no oeste. “Se a justiça fosse feita, todos os livros sobre a 2 Guerra Mundial na Europa devotariam três quartos à frente oriental”, escreve Norman Davies em Europa na Guerra.

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O dia A, para manter o padrão, ocorr e u 1 6 m e s e s a n t e s d o D i a D, e m 2 d e fevereiro de 1943. Foi o fim da Batalha de Stalingrado, a mais mortal de todos os tempos. Após passarem o inverno empacados, pela primeira vez os nazistas souberam o que era se r e n d e r. E c o m e ç a v a a m a r c h a s o v i é t i c a de 2 mil quilômetros até Berlim. A vitória comoveu o mundo, até Carlos Drummond de Andrade (“Stalingrado, miserável monte de escombros, entretanto resplandecente!”), mas no meio do caminho tinha uma pedra. Os nazistas – ao menos o maior deles – ainda acreditavam na vitória, e prepararam uma emboscada perto da cidade de Kirsk, quase fora da Rússia. Foi a maior batalha de blindados de todos os tempos, 3 mil para cada lado, mas o Dia B, 4 de julho de 1943, terminou com uma vantagem decisiva para os comunistas.

Plano quinquenal Nesse ponto da guerra, as forças soviéticas nem pareciam aquelas que haviam sido postas para correr em 1941. Hoje se sane que parte da derrota inic i a l s e e x p l i c a p o r q u e o E x é r c i t o Ve rmelho estava enfraquecido pelos expurgos: o líder da revolução executou 13500 soldados e oficiais, deixando o Exército com poucos líderes experientes para enfrentar os alemães.


DIA E

9/8/1945 Mas afora era diferente. Por um processo de seleção natural, a maioria dos comandantes soviéticos ineficientes havia sido eliminada. E Stálin, por mais cruel que fosse, não era louco: logo no início da invasão alemã, ordenou a transferência de cerca de 1500 fabricas de armas para longe do front. Da série “coisas que só o comunismo totalitário faz por você”: uma cidade inteira, Chelyabinsk, foi evacuada, destruída e reconstruída com indústrias e repovoada com operários – virou Ta n k o g r a d o , c i d a d e d o s t a n ques. Graças a exemplos como esses, enquanto o bicho pegava na frente oriental, nos confins da Rússia uma nova e melhor geração de armamentos estava no forno. E quem iria puxar os gatilhos? Camponeses, operários, seus filhos, suas filhas, suas mulheres. Enquanto não tinha um Exército estruturado para contra-atacar os nazistas, os comunistas não tiveram escrúpulos de usar toda a população disponível como bucha de canhão. Como deserção era execução certa, o camarada ia para a guerra – era côo se já estivesse morto mesmo. Era comum que os comunistas vencessem combates perdendo mais gente. Os números de sacrifício, recalculados com documentos disponíveis após o fim da Guerra Fria: foram de 27 milhões de mortos. A Ucrânia, foi o país mais castigado, perdeu 30% de sua população – a Ale-

Neste dia os americanos jogaram a segunda bomba atômica sobre o Japão, em Nagasaki. Não demoramos para falar do Japão por acaso: a onda que está revisando a 2ª Guerra na Europa não chegou ao Pacífico. A maior novidade é que o império guerreiro que desafiou os EUA também fez seu Holocausto: segundo um estudo da Universidade do Havaí, nos países que ocupou (China, Indonésia, Filipinas e outros) os japoneses mataram 6 milhões de pessoas.

manha, derrotada, não perdeu mais que 10%. É bem diferente do que defendia George Patton, lendário general american o : “O o b j e t i v o d a g u e r r a n ã o é morrer pelo seu país. É fazer o idiota do outro lado morrer pelo dele”.

Stálin puxa o freio Depois de Kursk, a superioridade já era tanta que o nosso Dia C foi uma investida com data simbolicamente marcada: 24 de dezembro de 1943. Para estragar a véspera de Natal do Eixo, a ofensiva de inverno atravessou as estepes ucranianas destruindo 18 divisões e comprometendo outras 68. Em abril de 1944, 3,8 milhões de comunistas estavam prestes a entrar no Reich. Mas não entraram, Stálin não tinha nenhuma vontade de arcar com os custos e riscos de ocupar a Alemanha, e preferiu conquistar Bálcãs, já planejando uma futura área de influência. A conquista soviética da capital nazista do Reich só ocorreu em 1945, e, outra data simbólica: 1º de maio. Então, finalmente, em a g o s t o , c h e g o u o D i a D. “ F o i uma operação bastante arriscada, magnificamente executada e de importância vital para os interesses ocidentais. Caso tivesse falhado, o destino da Europa seria exclusivamente d e c i d i d o p e l o E x é r c i t o Ve r m e lho”, escreve Davies. No fim, os comunistas passaram a decidir o destino de pelo menos metade do continente, desde a queda de Berlim, em º de maio de 1945, até a queda de seu muito, longo 44 anos depois.

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1939 1940 1941 1942 1943 1944 1945 A queda do reich

SAMBA,

SUOR E LÁGRIMAS Destreinados, desinformados e Desprevenidos, os brasileiros foram anti-heróis na Itália. E esquecidos na volta. A relação dos brasileiros com a 2ª Guerra Mundial costuma variar entre dois extremos> a patriotada (em que as vitórias brasileiras mudaram o destino da guerra) e o complexo de vira-lata (em que um bando de trapalhões foi passear na Europa). Nem tanto à direita nem tanto Á esquerda. Os brasileiros realmente foram para o norte da Itália fazer um papel secundário e , em condições tão adversas, até que não foram mal. Não foi por desencardo de consciência que o Brasil entrou em conflito com o qual não tinha nada a v e r. E l e q u e r i a a l g o e m t r o c a – p o r e l e , e n t e n d a - s e G e t ú l i o Va r g a s , p r e sidente do Brasil de 1930 a 1945. Durante um tempo prevaleceu a corrente que dizia que Getúlio, que afinal d e c o n t a s e r a u m d i t a d o r, q u e r i a s e aliar ao Eixo, mas teria sido impedido pela opinião pública. Na verdade, ele era mais esperto: ficou numa posição ambivalente, até que alguém lhe d e s s e m o t i v o p a r a d e c i d i r. N o c a s o , foram os EUA, que, além de conhecido apoio financeiro e técnico para a construção de uma siderúrgica, acenaram com a possibilidade de o Brasil ter destaque na futura Organização das Nações Unidas. Bom, a CSN está

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l á e m Vo l t a R e d o n d a , j á n o s s a c a d e i ra no Conselho de Segurança da ONU segue um sonho. Mas os nazistas não perdoaram. Em agosto de 1942, submarinos alemães afundaram 6 navios brasileiros, matando 607 pessoas – até o final do conflito, seriam 31 embarcações. O povo exigiu, e o Brasil declarou guerra – o único latino-americano a enviar tropas. Que só partiram quase dois anos depois, em julho de 1944. O motivo: não havia homens suficientes que preenchessem os requisitos de ter pelo menos 60 quilos, 1,60 e 26 dentes. Além disso, o sujeito precisava ser capaz de ler mapas e utilizar bússola. O fato de que queria levar 100 mil homens, mas se contentou com 25 mil mostra que o Brasil fez o p o s s í v e l p a r a l e v a r o m e l h o r, n ã o esfarrapados. Esfarrapados eles iam f i c a r, m a s n a E u r o p a .

Campanha do agasalho A Força Expedicionária Brasileira (FEB) desembarcou em Nápoles, e foi incorporada ao 5º Exército dos EUA, que combatia os nazistas na Itália. Quase toda a guerra travada pela FEB na Itália foi realizada em montanhas. “No nosso treinamento, nunca se falou em montanha”, disse o pracinha Newton Lascaléia em depoimento ao historiador César Maximiano. Aliás, treinamento foi bondade do seu Newton: os brasileiros chegaram lá totalmente despreparados: os soldados não conheciam direito seus armamentos e os oficiais precisaram aprender um jeito novo de organizar seis batalhões, em sintonia com as práticas de guerra modernas.


PRACINHAS E

PRAÇÕES A falta de planejamento voltou a dar as caras no fim do ano: os pracinhas não tinham roupas para suportar um inverno de -20°C, e tiveram de pedir roupas emprestadas ao Exército dos EUA – que, aliás, também cuidava da saúde dos pracinhas. Após tentar e não conseguir tomar Monte Castelo 3 vezes, os brasileiros esperaram a primavera para ter sua vitoria mais famosa. Depois dessa experiência, foi só vitoria. Na jornada de um ano em solo italiano, a FEB, com seus 25 mil homens, enfrentou continuamente 239 dias de combate, encarou 10 divisões alemãs, 3 divisões italianas e somou 20,5 mil prisioneiros em combate. Te v e q u a s e 2 m i l b a i x a s – m a i s de 400 mortos e cerca de 1,5 mil feridos.

Entre os que foram para a Itália e fizeram carreira depois estão Castelo Branco, primeiro presidente da ditadur a m i l i t a r, Cordeiro de Farias, seu ministro, e Golbery do Couto e Silva, a emergêncua parda do governo Geisel, criador do Serviço Nacional de Informações (SNI).

sua rendição, eles foram proibidos de fazer declarações públicas, de trajar nas ruas seus uniformes com medalhas e condecorações. O fato é que a luta na Europa criou um clima para a q u e d a d e Va r g a s , m a s p o u c o s pracinhas tiraram proveito disso. Piorou com golpe de 1964, quando a antipatia aos militares se estendeu aos pracinhas. O ranço durou até a redemocratização do país, quando se passou a dar um novo olhar à história da FEB. Quando a Constituição de 1988 assegurou aos veterano pensão e assistência médica, menos de 10 mil dos 25 mil expedicionários estavam vivos.

Amargo regresso Em julho de 1945, com o fim da guerra, a FEB retornou ao Brasil. Os expedicionários foram recebidos com chuvas de papel picado nas ruas do Rio e de São Paulo. “Mas, para o go v e r n o Va r g a s , a F E B s e c o n v e rteu num estorvo, na medida em que sua imagem associava-se à luta pela democracia”, descre veu o historiador Boris Faust o n o l i v r o G e t ú l i o Va r g a s – O Poder e o Sorriso. O governo se pôs a desmobilizar os expedicionários. Até o fim definitivo da guerra, em setembro de 1945, quando o Japão assinou

Soldados do FEB (Força Expedicionária Brasileira)

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CURIOS A causa imediata do conflito foi a invasão da Polônia pelos alemães, no dia 1ª de setembro de 1939, depois de o líder Adolf Hitler já ter anexado a Áustria e u m p e d a ç o d a Tc h e c o s l o v á q u i a . Mas apenas no ano seguinte o conflito começou. A guerra se internacionalizou com o ataque japonês à base d e P e a r l H a r b o r, e m 7 d e d e z e m bro de 1941.

Pearl Harbor era a maior base americana no oceano Pacífico. Situava-se na ilha Oahu, no Havaí. O local era chamado de Wai Momi (“águas de pérolas”) pelos havaianos por causa das ostras de pérolas que já haviam existido lá. O ataque ao porto, em 7 de dezembro de 1941, foi reflexo de uma década de tensões entre Estados Unidos e o crescente expansionismo e militarismo japonês. O Japão havia invadido a China em 1937, se aliado com Alemanha e Itália no Eixo em

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1940, e ocupado a Indochina francesa em julho de 1941. Os Estados Unidos tinham interesses comerciais naquela região da Ásia e responderam ao Japão impondo sanções econômicas ao país. Como represália, a aviação japonesa atacou Pearl H a r b o r. O primeiro torpedo estourou em Pearl Harbor às 7h55 (hora local). Em seguida, surgiram cerca de 350 aviões japoneses que, em duas horas, acabaram com a frota americana que estava no porto: 21 navios foram afundados ou seriamente danificados e 188 aeronaves foram destruídas. Um dos 8 encouraçados abatidos afundou com 1.177 tripulantes americanos. Entre os 2.403 mortos, 68 eram civis. Foram contabilizados 1.178 feridos. Entre os japoneses, 64 pessoas morreram, 29 aviões foram abatidos e 5 pequenos submarinos afundados. No dia seguinte, os Estados Unidos declararam guerra ao Eixo.


SIDADES O exército alemão dominava quase todo o continente europeu. Mas no dia 6 de junho de 1944, os aliados começaram a d e r r o t a r o Te r c e i r o R e i c h , d e A d o l f H i t l e r, c o m a r e t o m a d a d a região da Normandia, litoral da França. Uma invasão usando a Inglaterra como base era previsível demais, pensavam os alemães. Hitler imaginava que eles viriam por Pás-de-Calais, o local em que o Canal da Mancha é mais estreito. Errou. A Operação Overlord, a mais espetacular ação militar de todos os tempos, envolveu 3 milhões de soldados, 5339 embarcações, 11 mil aviões e 15 mil tanques e veículos blindados. Morreram 80 295 soldados alemães, 34 417 soldados aliados e 12 850 civis franceses.

o Japão rendeu-se. A rendição formal foi feita, solenemente, a bordo do navio “Missouri”, no dia 2 de setembro. .

O saldo foi de quase 60 milhões de mortos, sendo 6 milhões de judeus (um terço da população judaica do mundo). Calcula-se que, na Europa Ocidental, 1,5 milhão de edifícios foram destruídos. Durante a guerra, 108 generais alemães suicidaram-se.

A guerra terminou no dia 8 de maio de 1945, com a vitória das Forças Aliadas, formadas por 25 países. No dia 14 de agosto,

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CURIOS Em 1943, uma renomada fundação inglesa de proteção aos animais decidiu criar uma condecoração para atos de bravura praticados pelos bichos.

A Medalha Dickin teve seu nome escolhido em homenagem à então diretora da fundação, Maria Dickin. Marinha, Exército e Aeronáutica Inglesa utilizaram os pombos em missões perigosíssimas, nas quais as aves deveriam cruzar o território inimigo levando mensagens presas nas pernas ou costas. 54 medalhas

foram

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entregues

entre

1943

e

1949, homenageando 32 pombos, 18 cachorros, 3 cavalos e 1 gato por suas contribuições durante e após a Segunda Guerra.

O gato Simon era mascote do navio de guerra inglês Amethyst. Ele recebeu a Dickin por Bravura Evidente e Devoção ao Serviço na Guerra. Já Rob, um dos cachorros condecorados, saltou mais de 20 vezes de para-quedas em missões secretas no campo inimigo.


SIDADES A tropa de artistas que enganou Hitler na Segunda Guerra Mundial. A história dos soldados norte-americanos que usava tanques infláveis e efeitos sonoros para espantar os inimigos

vel. Este episódio foi documentado numa pintura (logo abaixo) por um dos soldados da tropa, que era mais conhecida como The Ghost Army (o Exército Fantasma).

Rick Beyer/Hatcher Graduate Library

Hitler foi um sobrenome gerado pelo erro de um padre. Mar i a A n n a S c h i k l g r u b e r, s u a a v ó , havia sido empregada doméstica na mansão de um barão celibatário e mulherengo do clã Rothschild, em Viena, e por ele engravidada, sendo então, devolvida à casa paterna, onde contraiu núpcias com um trabalhador rur a l d e n o m e J o h a n G e o r g H i e d l e r, que criou a criança bastarda, de n o m e A l o i s S c h i k l g r u b e r. S o m e n te aos 40 anos, Alois Schiklgruber veio a ser perfilhado por seu t i o J o h a n N e p o m u c k H i e d l e r, d e quem recebeu o nome de família H i e d l e r. A l o i s H i e d l e r e r a o p a i d e A d o l f H i t l e r, a s s i m n o m e a d o por um erro do pároco em seu registro de nascimento.

Mais uma daquelas histórias impressionantes da Segunda Guerra Mundial que virou documentário: era junho de 1944 quando dois franceses desavisados entraram no perímetro de s e g u r a n ç a d a V i g é s i m a Te r c e i r a Tr o p a d e F o r ç a s E s p e c i a i s d o s EUA e viram, incrédulos, quatro soldados norte-americanos carregando um grande tanque de guerra. Um dos soldados, diante da cara dos franceses, apenas r e s p o n d e u : “O s a m e r i c a n o s s ã o muito fortes.” No entanto, não se tratava da força dos soldados, mas da leveza do tanque que era, na verdade, feito de borracha inflá-

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