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200% iguais por dentro – Marcos 7.24-30 [SLIDE 01] Este mês estamos falando dos paradoxos presentes na vida de Cristo. Semana passada, por exemplo, estudamos como Jesus contagiou o mundo com a cura do pecado. Hoje, veremos que somos todos diferentes por fora, mas iguais por dentro. É isso o que Jesus mostra aos discípulos judeus e aos fenícios, um povo de linhagem grega. Eles eram diferentes por fora, mas exatamente iguais por dentro. 200% iguais. OS INVENTORES DO ALFABETO [SLIDE 02] Uma mulher fenícia pedir a ajuda de um judeu era mais absurdo do que um judeu ajudar uma mulher fenícia. Isso por uma série de razões históricas, culturais e religiosas. Para entender isso melhor, vamos tentar reconstruir a vida e a mentalidade daquela mulher de Sidom que buscou a ajuda do Messias judeu. Para começar, os fenícios eram um povo fantástico. Parentes dos gregos, também buscavam os avanços culturais, tecnológicos e comerciais. As conquistas territoriais não eram lhes aguçavam a ganância. O negócio deles era controlar o mar, estabelecer postos comerciais e estudar muito. Eles se expandiram por todo o norte da África e sul da Europa. [SLIDE 03] Sua expansão parou no poderio bélico dos romanos. A guerra do Peloponeso (não precisam guardar o nome) selou a vitória final dos romanos sobre os orgulhosos fenícios. No entanto, mesmo derrotados, os fenícios deixaram para os romanos (e para nós também) um legado inestimável. Eles eram os inventores do alfabeto, que deu origem a todos os alfabetos ocidentais. Se você escreve e lê, deve agradecer aos fenícios, que habitam hoje o Líbano, país que fica a noroeste de Israel. Por tudo isso, era compreensível o orgulho que os fenícios e todos os gregos tinham de sua cultura. Em toda a Europa, eles eram os donos da arquitetura mais avançada e refinada; possuíam o sistema político mais democrático da época; e produziam a mais refinada arte e literatura. Sua superioridade cultural ficava clara também na aversão ao domínio militar, que era objetivo de quase todos os povos da época. Sabiam que somente homens livres seriam capazes de produzir cultura. Quando Cartago caiu, essa derrota militar para os romanos foi motivo de vergonha e medo. Vergonha pela derrota e medo de que os romanos dizimassem 1


a cultura fenícia e grega. Mas, na época de Jesus, o medo havia passado e o orgulho voltara. Afinal de conta, os romanos aproveitaram todos os avanços culturais e os costumes dos gregos e fenícios. Para os habitantes de Tiro e Sidom, cidades fenícias, o Império era Romano, mas sua alma e sua mente eram gregofenícios. DEUSES FENÍCIOS OU MESSIAS JUDEU? [SLIDE 04] Nesse contexto, era inconcebível que uma mulher de Sidom pedisse a ajuda de um Rabino judeu. O que um deus tribal de um povo tão atrasado como os judeus poderia fazer? Afinal de conta, nem mesmo os deuses antigos foram capazes de ajudar a pobre filha da mulher. Na visão fenícia, os judeus eram um povo atrasado, sem arquitetura, sem arte, sem literatura respeitável e preso a pesadas regras morais. O que o Deus dos judeus ou o famoso Messias judeu era capaz de fazer? No entanto, aquela mulher vai atrás de Jesus. Ela certamente ouvira boatos sobre a vinda de Jesus para as terras fenícias. A mulher viu esperança no líder daqueles treze homens judeus, que buscavam paz e descanso na Fenícia. O relato dos milagres que aquele homem havia realizado era impressionante. Ela sabia que Jesus era capaz de fazer o que os deuses fenícios não podiam! Muitos fenícios tentaram dissuadi-la: “Você está louca? O que um Messias judeu pode fazer contra um ‘daimonion’ fenício? Se nem Zeus, Júpiter ou conseguiram curar sua filha, não será um mestre judeu que resolverá o problema.” OS FILHOS DE ABRAÃO[SLIDE 05] Os discípulos pensavam a mesma coisa: “O Rabino Jesus não deve ajudar essa “goin”, essa estrangeira adorada de deuses falsos. Ela é abominável e provavelmente muito impura.” Os dozes discípulos eram filhos de sua Era. Se os fenícios menosprezam os judeus pelos seus pobres avanços tecnológicos e culturais, os judeus, por sua vez, abominavam os fenícios por sua idolatria e sua dieta com carne impura. Além disso, os fenícios não guardavam o Sábado e adoravam centenas de deuses. Era um povo muito impuro. Pior que eles só os cananeus e os samaritanos – pensavam os judeus. Com base nesse sistema de valores, é fácil imaginar a falta de empatia dos judeus com aquela mulher fenícia que clamava alto: “Mestre, tem piedade. Sara minha filha. Ela está possuída por um ‘daimonion’.” Para os judeus aquela mulher era duplamente impura: primeiro, ela era fenícia, comia carne de porco e oferecia sacrifícios a ídolos; segundo, ela possuía uma filha endemoninhada. Mas, o pior de tudo é que aquela mulher ousara falar

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em grego com o Mestre! Se ao menos ela se esforçasse para falar em aramaico ou hebraico... Mas, não! Ela ousava clamar em grego! No entanto, foi em grego que Jesus respondeu (7.27): “Deixe que os filhos comam primeiro. Não está certo tirar o pão dos filhos e jogá-lo para os cachorros.” FILHOS E CACHORRINHOS [SLIDE 06] É forte ouvir essa resposta de Jesus, não é? Vocês podem não ter coragem de me dizer, mas eu sei o que vocês estão pensando: “Jesus não poderia ter dito outra coisa menos preconceituosa? Ele chama os fenícios de cachorros? Não são todos iguais perante Deus.” Bom, não sou advogado de Jesus, porque Ele não precisa de um; mas, preciso adverti-los a não julgar o passado com os olhos do presente. O que Jesus disse foi dito em um contexto histórico-cultural de 2000 anos atrás. Encontrar preconceito ou racismo na resposta de Jesus é igual mandar prender nossos pais que, por ignorância dos avanços pedagógicos, nos educaram com a “pedagogia da cinta”. Não é possível julgar o passado com os olhos de agora. No entanto, o Jesus disse não foi tão “forte” assim. Vou explicar o porquê.  Primeiro: A palavra “cachorros” (em grego) dita por Jesus não se refere a cães comuns. “Kynariois” refere-se a “cãezinhos de estimação” – bichinhos amados. Seriam os nossos “pets”.  Segundo: Jesus constatou o óbvio: Ele era, primeiramente, o Messias dos judeus – o Filho de Deus que nasceu em Belém para “glória do povo de Israel”. No entanto, Ele não era apenas o Messias dos “filhos”, mas também dos “cãezinhos queridos”, dos demais povos. Ele era a salvação “preparada perante a face de todos os povos, a luz para alumiar as gentes”. Assim sendo, o que Jesus disse, na verdade, trouxe conforto ao coração da pobre mulher fenícia. Ela respondeu (7.28): “Mas, senhor, até mesmo os cachorrinhos que ficam debaixo da mesa comem as migalhas de pão que as crianças deixam cair”. Onde nós vemos preconceito e racismo, a mulher fenícia viu esperança e cura. Ela sabia que uma mísera migalhinha da graça e do poder de Jesus eram suficientes para curar sua filha. Naquele que os fenícios viram um caipira atrasado, a mulher viu Salvação. E, em quem os judeus viam impureza e abominação, Jesus viu uma “mulher”, uma “mãe”, um ser humano que precisava de consolo e salvação. 3


Naquele dia, os discípulos e a mulher aprenderam grandes lições. Os discípulos começaram a compreender que o Messias era Salvador de todos os povos. Jesus havia mostrado que por dentro, no coração, todos eram iguais (eram impuros e carentes de consolo e perdão). A mulher, por sua vez, teve sua fé confirmada quando chegou em casa e viu sua filha libertada do ‘daimonion’. Ela testemunhou que o Messias não era apenas um Rabino judeu, mas o Salvador universal capaz de dominar qualquer entidade espiritual. DIFERENTES POR FORA, 200 % IGUAIS POR DENTRO [SLIDE 07] Somos diferentes por fora, mas iguais por dentro. Por causa do pecado, somos 100% iguais por dentro. “Todos pecaram” – diz a Bíblia. “Se dissermos que não temos pecados, a verdade não está em nós” – escreve João. Não há dúvidas, somos 100% iguais. No entanto, a história não acaba aí. Ao “abrir mão de sua glória para tomar a forma de servo” (Filipenses 2), Jesus se torna igual a nós por fora para nos salvar. Sua obediência e morte na cruz nos tornam iguais a Deus, pois nEle “somos feito santos”, salvos, sem pecado. Cristo pagou por cada um de nossos delitos e pecados, por isso “somos santos”. 100% iguais a Deus em santidade. Dessa forma, por meio de sua graça, Deus nos torna 200% iguais. “Como pode ser isso, pastor?” Não, eu não estou louco e também não errei a conta. Vejamos. Todos os crêem são, ao mesmo tempo, 100% pecadores e 100% santos. Dessa forma, somos 200% iguais por dentro: pecadores e santos – tudo ao mesmo tempo. Esse paradoxo começou quando a graça de Deus, esse presentão, alcançou nossos corações e nos deu fé. E, somos fortalecidos nesses 200% todas as vezes que recebemos o corpo e sangue de Cristo na Santa Ceia ou meditamos na Palavra. PALAVRAS FINAIS [SLIDE 08] Fenícios, judeus, negros, europeus, asiáticos, índios – todos! Somos 100% pecadores e, em Cristo, somos 100% salvos, santos! Essa matemática espiritual paradoxal será assim até a Volta de Cristo. Até lá, devemos proclamar a salvação que temos no Messias universal para que as pessoas que são apenas 100% iguais a nós (pecadoras) sejam transformadas, pela Palavra de Deus, em 200% iguais a nós (pecadoras e salvas/santas). Pastor Mário Rafael Yudi Fukue 09/09/2012

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mensagem marcos 7.24-30