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INFOGRÁFICO Os perfis de liderança de Game of Thrones

ACADÊMICO A relação da Escola Clássica e os novos negócios

TROCA DE IDEIAS abril/maio de 2013 – ano 2 – no 20 www.administradores.com R$ 12,50

Conversamos com o criador do polêmico e útil Waze

STORYTELLING Descubra como a arte de contar histórias pode ser a mais implacável conquistadora de corações e mentes de todas as eras


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EDITORIAL

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Assinaturas www.administradores.com.br/revista PUBLICIDADE comercial@administradores.com.br +55 (83) 3247 8441 correspondência Av. Nossa Senhora dos Navegantes, 415 / 304 - Tambaú - João Pessoa - Paraíba CEP 58039-110 redação revista@administradores.com.br

Deixe-me contar algo... Você sabe o que uma religião, um time de futebol, um filme e uma marca bem-sucedida têm em comum? Todos sabem contar boas histórias. A religião, por exemplo, independente de qual ela seja, possui seus livros sagrados e os seus rituais. Os times de futebol não são diferentes. Histórias são contadas e recontadas de geração para geração com seus craques, títulos e conquistas. Converse com um fã de Star Wars ou com um apaixonado pela Apple por 15 minutos sobre esses temas e você vai escutar boas peripécias de como Skywalker ou a maçã mordida conseguiram auxiliar os seus mundos. Reparou em uma coisa? Todos esses elementos nos dão a sensação de pertencermos a um grupo e nos engajam a segui-lo mais. O compartilhamento de histórias, sentimentos e experiências, aliás, está na base da cultura humana e é um elemento condicionado até mesmo por nossa fisiologia. Na Administração e no próprio dia a dia das empresas e dos profissionais não é diferente. A arte de contar histórias pode ser aplicada para mostrar o posicionamento da marca junto aos consumidores, vender produtos, serviços, ideias e aproximar as pessoas das empresas. No lado profissional, ela pode estar relacionada ao poder de convencimento (e persuasão) em uma negociação, nas apresentações, em uma promoção, na liderança etc. É sobre esse tema que resolvemos nos aprofundar em nossa reportagem de capa desta

edição. A incrível arte de contar histórias, realmente, está imperdível (pág. 36). A edição também navega por outros horizontes. Ela mostra desde o empreendedorismo da dama do Champanhe (ADM na História), passa pela Escola Clássica de Taylor e Fayol (Acadêmico), invade o mundo literário de Game of Thrones (Infográfico), debate questões como publicidade infantil (Contraponto) e mostra até como a nossa repórter conseguiu reprovar seis vezes para tirar a carteira de motorista (Jornalismo Gonzo). Escolha os seus “enredos” prediletos e divirta-se.   Aproveito o ensejo para contar a nossa história e agradecer a você - leitor pela companhia. Começamos o projeto da revista Administradores no final de 2010 com a edição piloto zero e completamos neste exemplar a 20ª edição. Para nós, é extremamente gratificante e nos enche de orgulho poder, ao longo desse período, trabalhar em prol da Administração e do compartilhamento de conhecimento. Que muitos outros capítulos ainda possam vir. Boa leitura!

Publisher Leandro Vieira leandro@ administradores.com.br Redação Editor Fábio Bandeira de Mello fabio@ administradores.com.br Repórteres Agatha Justino agatha@ administradores.com.br Eber Freitas eberfreitas@administradores.com.br, Fábio Bandeira de Mello, Mayara Chaves mayara@ administradores.com.br e Simão Mairins simao@administradores.com.br Revisão Danielle Vieira COLABORADORES Agnelo Pacheco, Antonio Celso Webber, Davi Bertoncello, Flávio Lettieri, Ginka Toegel, Gustavo Bastos, Henry Mintzberg, Javier Estrada, Jean-Louis Barsoux, Mariana Bonfim, Raniere Rodrigues, Roberto Dias Duarte, Seth Godin e Stephen Kanitz ARTE DIREçÃO João Faissal | Imaginária Design design@ imaginaria.cc Design e ilustração Thiago Castor thiago@administradores. com.br EDITOR DE vÍDEO Daslei Ribeiro daslei@administradores. com.br COMERCIAL Diretor Comercial Diogo Lins diogo@administradores.com.br FINANCEIRO Anna Vita Vieira annavitavieira@administradores.com.br Atendimento ao Leitor Anna Valéria Onofre annavaleria@administradores.com.br Impressão Gráfica Moura Ramos www.mouraramos.com.br

Fábio Bandeira de Mello editor

abril/maio 2013

administradores.com

3


índice

06

07

AGENDA

08

ambiente externo

09

12

16

19

20

Professora de Harvard mostra lições de liderança no resgate dos mineiros do Chile

Escola Clássica e os novos negócios: uma união possível?

Como empoderar sem perder o controle?

Olhando à frente do desenvolvimento

feedback

entrevista

ACADÊMICO

PEI, BUF!

ONLINE

insight

24

26

28

30

Preparado para liderar?

Não se deixe deslumbrar pelo glamour do crescimento

Você é a favor da publicidade infantil?

Os perfis de liderança de Game of Thrones

carreira

32

TROCA DE IDEIAS

Afinal, quais são os segredos de sucesso do Waze?entre os concorrentes

estratégia

35

o que drucker faria

As dúvidas dos leitores tiradas com os conceitos do pai da Administração

contraponto

36

negócios

Estratégias que (infelizmente) valem a pena

46

48

49

O que aprendi sobre perseverança na autoescola

Dez lições que as empresas podem aprender com os aeroportos | Seth Godin

Você realmente quer que eu visite a sua cozinha? | Flávio Lettieri

jornalismo gonzo

51

ADMINISTRADOR DO FUTURO 4

administradores.com

MENTE ABERTA

52

FORA DO QUADRADO

abril/maio 2013

artigo do leitor

INFOGRÁFICO

38

capa

A incrível arte de contar histórias

50

ADMINISTRADORES NA HISTÓRIA A primeira mulher de negócios do século XXI

54

58

- Curiosidades e humor - Ações para um mundo melhor - Leitura: Apresentação zen - Cinema: Argo

O Líder em xeque | Antonio Celso Webber

ENTRETENIMENTO

ponto final


CAPA 1

SUGESTÃO

EDIÇÃO 2

Administração sempre será “a bola da vez” para qualquer profissional ou organização que almeja qualidade de serviço e bons resultados!

Como sugestão, gostaria de solicitar que fizessem uma matéria com as diversas ferramentas que um administrador dispõe para desenvolver estratégias, como por exemplo: Análise SWOT, Balanced Scorecard, Análise das 5 forças de Porter, entre outras. Isso poderá consolidar ainda mais a ideia de que não é qualquer um que pode administrar uma empresa.

A revista, como sempre, está de PARABÉNS! Edição maravilhosa, principalmente no momento de formação em que me encontro. AMO a Revista Administradores e SUPER recomendo.

Patrícia Freitas

CAPA 2

É inegável a importância que a Administração está ganhando nos últimos tempos e como ela será imprescindível para o futuro do nosso país.

Hélio Andrade

Pablo Urpia

A MÃE CAPA 3

Fantástico! Este tema fortalece ainda mais a nossa missão, e convida outros para uma reflexão acerca desta área. Tem muita gente que nos subestima, por achar mais fácil criticar do que criar. Sheila Shew

ADM DO PRESENTE

Na revista bimestral existem as colunas Administrador na História e do Futuro. Por que vocês não criam também o Administrador do Presente? Seria bem interessante e uma dica seria falar de Eike Batista, Roberto Justus, Silvio Santos, João Doria... Paulo César

6

Primeiramente venho parabenizá-los pelo ótimo conteúdo disponibilizado. Queria contar que até minha mãe, que não tem nenhum envolvimento com o ambiente administrativo, gosta das matérias. Assim que eu leio, ela já pega a revista e não larga mais. Acho que isso mostra a qualidade do material, não é mesmo?

EDIÇÃO 3

A edição está supercompleta, matérias que retratam bastante o nosso universo, dicas importantes e informações significativas e bem escritas. Revista Administradores, como sempre trazendo o que tem de melhor para nós administradores e para a sociedade. Danilo Campos

NO TABLET

Li a revista no tablet voltando do intercâmbio. Vocês estão de parabéns! Excelente conteúdo! Jon Castro

Emanoel de Medeiros Vieira

EDIÇÃO 1

Muito boa a edição, com certeza imperdível! Já li esta inteira. Está recheada de informações sobre Administração. Vale a pena conferir! Caio César Moreira

administradores.com

Vanessa Lemos

abril/maio 2013

Mande também O seu recado para a Administradores através do revista@administradores.com.br


EVENTOS 07 DE maio

10 DE MAIO

19 de maIO

Family Business 2013

17º Encontro Regional dos Estudantes de Administração - Nordeste

IV Encontro de Administração da Informação - EnADI

Responsável: RDreams Local: Macéio – AL Info: adm.to/eread13ne

Responsável: Anpad Local: Bento Gonçalves - RS Info: adm.to/Enadi2013

Responsável: HSM Local: São Paulo – SP Info: adm.to/family13

19 maio

22 MAIO

VI Encontro de Estudos em Estratégia - 3Es Responsável: Anpad Local: Bento Gonçalves - RS Info: adm. to/3es_2013

Educar 2013 Responsável: Jorge Cury Local: São Paulo – SP Info: adm.to/ educar13

07 JUNHO

02 agosto

13 agosto

04 outubro

21º Encontro Regional dos Estudantes de Administração - Sul

ENEAD 2013 Responsável: RDreams Local: Fortaleza - CE Info: adm.to/ enead13

1º Encontro de Administração de Floriano Responsável: UFPI Local: Floriano - PI Info: adm.to/enaf_pi

11º Encontro Regional dos Estudantes de Administração - Norte

Responsável: RDreams Local: Balneário Camboriú – SC Info: adm.to/ eread13sul

Responsável: RDreams Local: Manaus - AM Info: adm.to/ eread_no

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AMBIENTE EXTERNO | RÁPIDAS

FRASES

Novo tipo de gripe aviária

shutterstock

A China confirmou a morte de pessoas causadas pelo novo tipo do vírus da gripe aviária H7N9. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), em todos os casos confirmados até agora os pacientes foram infectados pelo contato com aves - não há relatos de transmissão do vírus de um humano para outro. Uma característica dessa gripe, no entanto, preocupa a OMS: os pássaros infectados praticamente não apresentam sintomas, o que dificulta a prevenção da doença. Apesar dos temores, por enquanto, a OMS descarta a possibilidade de uma pandemia de gripe aviária.

Carregue um pouco de dinheiro (para satisfazer o ladrão), mas poucos cartões Recomendação dada no site oficial da Secretaria de Segurança Pública da Bahia sobre como agir durante um assalto. Após reclamações na Assembleia Legislativa do estado, o governo retirou a mensagem da lista de “dicas” da página.

Não se pode medir um homem com 140 caracteres

Marco Feliciano na pressão

Marco Feliciano

pastor e presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara. Em 2011, ele criticou homossexuais e negros no Twitter.

Alexandra Martins / Câmara dos Deputados

shutterstock

No dia 02 de março, a Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados elegeu o pastor Marco Feliciano (PSC-SP) para presidir o colegiado. Líder da igreja Assembleia de Deus, o deputado causou polêmica ao fazer declarações de cunho racista e homofóbico em seu Twitter. A decisão de torná-lo presidente provocou revolta nos deputados Jean Wyllys e Domingos Dutra (PT-MA), ex-presidente da Comissão. Desde então, o pastor vem sofrendo pressões nas redes sociais e do Congresso para renunciar ao cargo. Como presidente, ele poderá colocar ou retirar de pauta projetos voltados aos direitos humanos e à defesa de minorias.

Morte por armas de fogo cresce 346% Uma pesquisa realizada pelo Centro Brasileiro de Estudos Latino-Americanos revelou que em trinta anos - 1980 até 2010 - as mortes causadas por armas de fogo aumentaram 346% no Brasil. O número de vítimas subiu de 8.710 vítimas, em 1980, para 38.892, em 2010. Os homicídios cresceram 502,8%. Em dez anos as mortes causadas por armas de fogo cresceram 414% entre os jovens de 15 a 29 anos.

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Você viaja feliz, sabendo que pagou apenas pelo seu próprio peso… nada a mais

Samoa Aira

da Samoa Americana, a primeira companhia aérea a cobrar passagem conforme o peso de cada passageiro. Segundo a Organização Mundial da Saúde, 94% da população do país é obesa.

Se alguém tiver um produto brasileiro e tiver vergonha de vender, me dê que eu vendo

Luiz Inácio Lula da Silva ex-presidente do Brasil. De 30

viagens que fez ao exterior após deixar o cargo, 13 foram pagas por empreiteiras com negócios naqueles países.


ONLINE | www.administradores.com

ARTIGOS

ENQUETE

#FICADICA

REPEAT CheckList

Como você avalia o mercado brasileiro para administradores? Há muitas oportunidades, sendo a maioria atrativa

Há um número suficiente de oportunidades e estas são atrativas

O monge e o executivo José Augusto faz uma análise, entendendo o conteúdo, à essência e alguns equívocos sobre o livro

9,46%

11,16%

O aplicativo permite a criação de listas de checagem para as tarefas mais importantes que você faz repetidamente.

Glympse

As oportunidades são poucas, porém atrativas

Através do sistema de geolocalização, o aparelho compartilha o local com quem você quiser. Muito útil para reuniões e checagem de endereços.

9,33%

ENTREVISTA VÍDEOS

adm.to/monge_analise

17,22% Há um número suficiente de oportunidades, mas elas não são atrativas

Como ter uma carreira internacional?

26,78% Há muitas oportunidades, mas são pouco atrativas

26,05%

Renato de Castro, apresentador do Executivo Global, compartilha sua experiência de administrador que percorre o mundo fazendo negócios

Há poucas oportunidades e, mesmo assim, não são atrativas

Roube essa ideia

adm.to/admtalks_renato

Sustentabilidade para quê?

TWITTER

Orkut

FACEBOOK

LINKEDIN

@admnews

adm.to/ orkutadm

adm.to/ facebookadm

adm.to/ linkedinadm

Ricardo Voltolini, diretor da consultoria Ideia Sustentável, fala sobre os desafios para incluir o tema na pauta das empresas adm.to/admtalks_ricardo

FOI DESTAQUE NA WEB

shutterstock

shutterstock

adm.to/roubar_ideias

shutterstock

Fábio Zugman mostra que, diferentes de outros enfoques, “roubar” uma ideia pode ser bem positivo para ambas as partes

APP

Conheça as 10 instituições de ensino que mais formaram bilionários

Veja 14 dicas de etiqueta empresarial

Estudante que colocou receita de miojo em redação do Enem obtém 560 pontos

A maioria das escolas fica nos Estados Unidos. Harvard aparece no topo do ranking, com 52 ex-alunos bilionários

São conselhos no trato entre pessoas e empresas, pelo bom comportamento, convenções sociais e ética profissional

De acordo com a redação do candidato, a receita foi para o texto “não ficar cansativo”

adm.to/escolas_bilionarios

adm.to/miojo_enem

adm.to/14_etiqueta

abril/maio 2013

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Elimine os focos do mosquito da dengue. Fique atento aos locais que podem acumular água: MANTENHA A CAIXA D’ÁGUA FECHADA

MANTENHA A LIXEIRA FECHADA

NÃO DEIXE ÁGUA ACUMULADA SOBRE A LAJE

MANTENHA AS CALHAS LIMPAS


E não se esqueça: se sentir febre, com dor de cabeça, dor atrás dos olhos, no corpo e nas juntas, pode ser dengue. Procure uma unidade de saúde.

www.facebook.com/combataadengue

Melhorar sua vida, nosso compromisso.


ENTREVISTA | AMY C. EDMONDSON

Lições de liderança no resgate dos mineiros do Chile Especialista em liderança e trabalho em equipe, a professora da Harvard Business School, Amy C. Edmondson, explica como o resgate dos mineiros chilenos em 2010 se assemelha ao cotidiano dos administradores e à importância da valorização do aprendizado nas organizações. por agatha justino

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|

,

,

fotos brian smale hugo infante e alex ibañez

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E

m outubro de 2010, o mundo acom-

A professora de liderança e gestão da Harvard Business

panhou o resgate de 33 mineiros que

School, Amy C. Edmondson, resolveu estudar as formas de or-

ficaram soterrados a uma profundi-

ganização e liderança usadas na situação e como elas se apli-

dade de 700 metros, por mais de dois

cam ao cotidiano da administração. No Brasil, para participar

meses em uma mina de cobre, no norte do Chile. O proces-

da conferência Summit - Entre Líderes, a professora conver-

so de salvamento movimentou uma equipe especializada

sou com a Revista Administradores sobre seus dois objetos de

durante 22 horas e se tornou um exemplo mundial do que o

estudo: o caso dos mineiros chilenos e a construção de equi-

esforço coletivo é capaz de fazer.

pes preparadas para a era do conhecimento.

“Foi um caso que envolveu incertezas, uma necessidade de resultados rápidos, uma enorme pressão quanto à agilidade”

Quais as principais lições que as empresas podem extrair do processo de salvamento dos mineiros chilenos?

Eu acredito que seja possível adquirir muito conhecimento acerca de um novo modelo de liderança e uma nova maneira de reagir que combina o ato de oferecer direções, o uso crescente da criatividade e do aprendizado. É uma situação presente no cotidiano de muitas organizações. Empresas enfrentam diariamente seus problemas com bastante ambiguidade e incerteza, e absolutamente nenhum blueprint (suporte utilizado por arquitetos e engenheiros nos desenhos técnicos). Não existem soluções prontas para resolver esse tipo de problema e a abordagem da liderança que funciona neste contexto é bem demonstrada em diferentes níveis dentro desse estudo de caso. Então, as pessoas vão aprender sobre como liderar quando existe um grande número de perguntas para as quais não existem respostas prontas. É um momento em que você precisa criar condições para outras pessoas entrarem no processo e ajudarem a organização a trabalhar o mais rápido para alcançar os resultados desejados.

Como podemos associar esse caso ao dia a dia dos administradores?

Podemos fazer uma associação porque esse caso possui muitas características que os administradores enfrentam. Foi um caso que envolveu incertezas, uma necessidade de resultados rápidos, uma enorme pressão quanto à agilidade. Também houve uma grande diversidade de indivíduos cujas habilidades eram imprescindíveis. Era necessário unir essas habilidades e integrá-las para alcançar os resultados. Então, o que aconteceu ali foi uma versão mais intensa do que os administradores vivenciam diariamente.

A atividade de liderar durante uma crise, quando as pessoas estão mais dispostas a colaborar, é mais fácil?

Sim, as pessoas ficam mais dispostas a ajudar já que ali existem vidas humanas em risco e isso desperta o que há de melhor nas pessoas, a boa vontade. Mas isso não significa que seja fácil, porque ainda envolve um grande modelo de liderança e um trabalho de equipe impecável para se manter ativo dia após dia, noites em claro em circunstâncias extremamente difíceis.

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ENTREVISTA | AMY C. EDMONDSON

Você poderia exemplificar algumas empresas que possuem reações rápidas?

É bem arriscado citar quais empresas sabem reagir melhor às surpresas desagradáveis. Nenhuma empresa reage perfeitamente sempre. Algumas se saem melhor em algumas situações, dependendo do período em que o problema aconteceu. Mas existem certas empresas que gostei de estudar e identifiquei respostas ágeis, bem adaptadas a esse mundo em transformação em que vivemos. Uma delas é a Danone, uma empresa francesa que está presente em 120 países. Eles estão sempre em alerta, são rápidos e sabem compartilhar informações. É uma ótima referência dentro das empresas alimentícias. Outra companhia que sabe como se manter inovadora, sempre apresentando novos serviços e produtos criativos, é a Procter and Gamble. No ramo da tecnologia Apple, certamente é uma empresa que se sobressai, mantendo uma ótima relação com seus consumidores. Outra pequena empresa que eu adoro é a IDEO, ela fornece serviços de consultoria em inovação.

Em meio ao caos, sem dúvida, contar com ideias criativas pode ser uma solução. Mas como podemos construir equipes criativas dentro das empresas?

Equipes criativas são provenientes primeiramente da união entre habilidades individuais e experiências diversificadas. Por exemplo, eu posso ter uma experiência em engenharia elétrica, mas se eu sempre realizei o mesmo tipo de projeto, eu não serei um membro tão valioso como eu seria se tivesse participado de vários projetos diferentes. A formação de times criativos envolve diversidade, expertise, experiências e processos que ajudem a tornar a comunicação mais eficaz.

E qual o papel dos times nas organizações hoje em dia?

Quem atua em organizações sente a necessidade de colaborar com pessoas diferentes, em tarefas variadas, e é nesse momento que nós desvendamos o papel dos times. Geralmente, formamos times com pessoas diferentes. Isso é mais comum do que trabalhar com times estáveis, intactos; times aos quais já estamos familiarizados, onde convivemos com pessoas as quais já estamos acostumadas. É uma confiança que precisamos desenvolver.

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“Envolve um grande modelo de liderança e um trabalho de equipe impecável para se manter ativo dia após dia, noites em claro em circunstâncias extremamente difíceis”

Ainda sobre essa questão dos times, como um líder pode tornar seus funcionários menos competitivos e mais colaborativos?

Parte desta resposta é encontrada, enfatizada e comunicada a partir do propósito mútuo ou o objetivo comum, a razão pela qual estamos juntos. Ou seja, algo que responda a pergunta: “por que é importante cumprir essa tarefa?”. Então, um dos trabalhos que os líderes devem ter dentro das organizações é ajudar as pessoas a criarem uma experiência de sentido coletivo, que esteja além das ambições e compensações individuais. É necessário criar oportunidades de participação em algo maior, com um significado que vá além do “eu mesmo” e o primeiro desafio é enfatizar que o principal motivo pelo qual estamos juntos é uma “informação” crítica, que nos leva a cooperar em vez de competir. Outro processo importante é fornecer uma ambiente psicologicamente seguro, onde as pessoas estão em uma posição confortável e têm liberdade para se manifestar com perguntas e ideias. O terceiro fator é descobrir como ajudar as pessoas a trabalharem juntas. E esse tipo de estrutura auxilia a minar a tendência que as pessoas têm de competir ou brilhar mais que os outros.

Mas isso não eliminará os conflitos de egos...

Sim, claro, o papel do líder é motivar você a se importar menos com seu próprio ego. O ego sempre existirá, mas ele deve ser o servo do bem maior e não o chefe.

Qual é a principal diferença entre introvertidos e extrovertidos dentro de um time? Introvertidos podem ser líderes tão bons quanto os extrovertidos?

Eu acredito que sim. Introvertidos e extrovertidos são extremamente capazes de construir o mesmo comportamento. A grande diferença é que para os introvertidos o ato de interagir com outras pessoas exige mais energia e eles precisam estar sempre se replanejando ou recarregando depois, em diferentes formas, seja lendo relatórios, em um momento de reflexão, ou praticando algum esporte. Já os extrovertidos têm como fonte de energia a própria interação, mas quando eles precisam sentar para escrever os relatórios é aí que se desgastam. Parte do desafio de lidar com personalidades distintas é entendê-las individualmente, ser aberto em relação a isso: “o que eu preciso de você e o que você precisa de mim?”. E então todos nós estaremos em nossas zonas de conforto por ao menos um momento. A meu ver, a maioria dos introvertidos que atuam em grandes empresas aprendem a se comportar da maneira que os outros esperam, eles só precisam encontrar outras maneiras de recarregar suas energias, como resultado.

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acadêmico | TEORIAS

a c i s s á l C Escola

: s o i c ó g e n s o v o n s o e

o ã i n u a um ? l e v í s pos por mayara chaves

|

imagem shutterstock

Veja de que maneira as teorias encabeçadas por Taylor e Fayol são colocadas em prática nas empresas da atualidade e descubra se esses princípios permanecem alinhados com a atuação das companhias no mercado.

C

riatividade, inovação e tecnologia – com certeza esses quesitos estão nas empresas antenadas e são colocados em

prática pelos empreendedores que vêm conquistando seu espaço. No entanto, é comum que muitos executivos consultem referenciais próximos e casos recentes no mercado para alavancar os negócios. Mas será que o conhecimento aprendido durante a graduação, com teorias surgidas na primeira metade do século XX, pode ser usado como um instrumento para implementação de uma empresa nos dias de hoje? É claro que existem aqueles empreendedores que sequer tocaram em um livro sobre Teorias da Administração ou leram algum princípio da Escola Clássica, mas que possuem negócios bem-sucedidos. No entanto, ter um conhecimento teórico na área da Administração possibilita que o empresário entenda melhor o que pode ou não dar certo dentro de uma empresa. Mas é aí que surge o questionamento: até que ponto as teorias da Escola Clássica contribuem efetivamente para 16

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uma empresa atual? A realidade em que surgiram esses conhecimentos mudou muito de lá para cá, mas muitos desses princípios ainda estão presentes nos negócios, como explica Adriano Gomes, professor do curso de Administração da ESPM. “Essas teorias são e sempre serão atuais. Fayol, por exemplo, preocupava-se com a estrutura da organização e com as funções administrativas (compra, venda, logística, produção, financeira e recursos humanos)”, afirma o professor. José Carlos de Souza Lima, coordenador do curso de Administração da Universidade Cruzeiro do Sul, também acredita que na base de todas as empresas ainda estão os princípios elencados no início do século passado. “As funções planejar, organizar, dirigir e controlar, inerentes à Teoria do Processo Administrativo, são praticadas em qualquer modelo de gestão, pois sem elas não há como gerir adequadamente a

abril/maio 2013

empresa ou qualquer parte dela. Em relação à Teoria da Administração Científica, mesmo que a empresa adote a gestão por processos (em que prevalece a estrutura matricial), por exemplo, ainda haverá uma Unidade de Comando, mesmo que seja exercida pelo próprio CEO”, assegura José Carlos.

A Escola Clássica hoje

A maneira de as empresas atuarem está mudando e, por isso, o modo como alguns dos princípios teóricos da Escola Clássica são levados em consideração também é alterado. Assim, alguns negócios já não obedecem inflexivelmente a uma estrutura hierárquica (com divisões de departamento), e constantemente adéquam o seu modelo de negócio, de modo que ele sempre represente um diferencial e tenha um “quê” de originalidade em relação aos concorrentes. (veja ao lado) Um dos exemplos é a empresa Prestus, que oferece suporte para


s a i r o e t s a u s e a Escola Clássic Teoria do Processo Administrativo Henry Fayol

Teoria da Administração Científica or Frederick Tayl

Contribuições iciência dos - Melhora a ef utivos; processos prod rotinas de - Propõe novas trabalho; a evolução - Coopera com pulação ao econômica da po icas. redor das fábr

Princípios nto - Estabelecime a ra pa de métodos abalho execução do tr os das ri por funcioná empresas; citação - Seleção e capa os; dos funcionári orientação - Supervisão e ecutadas das tarefas ex dores; pelos trabalha di da visão - Solidificação e os de tarefas entr empregados.

Contribuições m ser nções que deve - Elenca as fu hias, s pelas compan desempenhada a, comercial, que são: técnic abilidade e gurança, cont financeira, se administração; 16 deveres dos - Estabelece os tão: manter tre os quais es executivos, en idades compensar ativ a disciplina, re ades e ordenar ativid realizadas, co esforços; ração, ios da Administ - Lista os princíp zação, amento, organi que são: planej le. ro denação e cont comando, coor

Princípios abalho; - Divisão do tr de; responsabilida - Autoridade e - Disciplina; mando; - Unidade de co reção; - Unidade de di ante ral mais import - Interesse ge e individual; que o interess - Remuneração; o; - Centralizaçã ; - Hierarquia - Ordem; - Equidade; res; dos trabalhado - Estabilidade - Iniciativa; s. iosa das equipe - União harmon

com base no livro Infográfico feito ção, do professor . História da Administra Rebouças de Oliveira Djalma de Pinho

abril/maio 2013

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acadêmico | TEORIAS

escritórios virtuais. Segundo Alexandre Borin Cardoso, CEO da empresa e MBA pelo Insper/Ibmec, os princípios da Escola Clássica são inerentes às ações da companhia. “De Taylor, observamos a obsessão por processos e metodologia que temos que aplicar, em cada tarefa ou atendimento realizado por nossas assistentes. De Fayol, a crença absoluta de que a especialização e o foco de cada profissional naquilo em que ele é excelente é algo essencial para a maior produtividade nas empresas”, argumenta Alexandre. As teorias encabeçadas por Fayol e Taylor também contam com a utilização de muitos de seus princípios na escola de treinamentos e educação corporativa Boteco do Conhecimento. Já pelo nome, percebemos que a companhia tem uma proposta diferente, que reinventa a maneira de educar. “Vemos o surgimento de novos recursos tecnológicos, mas o mesmo modelo se mantém em sala de aula: o professor é o senhor da verdade e o aluno está ali para um processo de aprendizado. Nós questionamos isso e quisemos montar na nossa empresa um modelo em que se possa ter total interação com o aluno e em que o professor seja um facilitador”, afirma Augusto Uchôa, sócio do

Boteco do Conhecimento e mestre em Administração de Empresas pelo Ibmec-RJ. Ainda que a proposta da empresa seja diferenciada em relação à maneira como a sociedade está acostuma-

formos analisar o foco tarefa, essas teorias fazem parte do que falamos na nossa empresa. Só que demos uma mexida nessa tarefa, porque naquela época era ‘cada um no seu quadrado’, ou seja, o

tor da empresa de consultoria e educação corporativa RYO Consulting e MBA em Gestão Empresarial pela FGV-RJ, não acredita que a Escola Clássica corresponda totalmente às demandas de mercado, mas explica que conhecê-la é fundamental. “Compreender essas teorias nos ajuda a entender a evolução histórica da Administração. Não que possam ser consideradas teorias atuais, pois seu foco era uma visão mecanicista, baseada em tarefas. Mas compreender esta transformação da Administração nos ajuda a buscar modelos mais aderentes às necessidades atuais, focando no homem, na sociedade e no planeta”, ressalta. É certo que alguns postulados da Escola Clássica não podem ser utilizados da maneira literal como foram concebidos nos dias atuais. A realidade mudou e já não é o mesmo modo de organização e execução do trabalho quando comparamos ao contexto social e econômico do início do século XX. Ainda assim, muitos aspectos essenciais dos processos, funções das empresas e atuação dos próprios empresários e funcionários propostos nessas teorias sobrevivem e ainda são referência na Administração, tanto como ciência quanto como prática.

“As funções planejar, organizar, dirigir e controlar, inerentes à Teoria do Processo Administrativo, são praticadas em qualquer modelo de gestão”

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da a receber a educação, os processos e as funções no Boteco do Conhecimento ainda se assemelham ao que é proposto pela Escola Clássica. No entanto, Uchôa faz algumas ressalvas em relação à aplicabilidade desses princípios na atualidade. “Se abril/maio 2013

profissional tinha que ser um especialista dentro da tarefa que se está predispondo a fazer. Hoje podemos nos adaptar mais, sem precisar de um especialista, mas que pode ter uma noção maior do todo”, indica. Já Ricardo Yogui, dire-


O poder nas mãos da equipe: como fazer dar certo? por simão mairins

O

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termo já está bastante difundido no meio corpo-

líder só para me passar o trabalho que deveria ser dele”. Do lado da

rativo e nas escolas de negócios: empowerment.

liderança, pode faltar pulso e organização para manter o trem nos

Em português, significa empoderamento e a ideia

trilhos e as chances de descarrilamento são reais.

consiste, como o próprio nome já diz, em com-

“Muitas vezes, os gerentes, inadvertidamente, pressupõem que

partilhar ou mesmo transferir para a equipe liderada funções que,

os membros de sua equipe reagirão automaticamente de forma po-

historicamente, cabiam exclusivamente aos líderes. Com isso, os

sitiva aos seus planos e desejos de descentralização. Não percebem,

processos podem se tornar mais ágeis e a tomada de decisões mais

no entanto, a realidade das relações de trabalho como os subordina-

democrática. Lindo. Fazer a coisa funcionar na prática, entretanto, é

dos a fazem”, destaca Wagner Siqueira, presidente do CRA/RJ.

outra história.

Como fazer, então, com que essa boa ideia seja tão boa na

Do lado da equipe, a proposta pode soar como mera transferência de responsabilidade: “o chefe vem com essa de eu também ser

1. Disposição psicológica da equipe “O grande desafio é que os membros da equipe tenham disposição psicológica para participar do processo de empowerment, o que pressupõe uma mudança substancial na cultura das relações de trabalho. Os subordinados precisam acreditar que o executivo está de fato aberto às questões suscitadas por eles”, destaca Wagner Siqueira.

2. Histórico de boa relação Para o presidente do CRA/RJ, a credibilidade necessária para o sucesso de uma experiência de empowerment “decorre amplamente da experiência anterior que o superior tem como executivo, de como ele responde hoje e respondeu ontem à proposição de suas ideias, críticas e sugestões. A biografia do relacionamento chefe/ subordinados facilita ou dificulta a implementação desse sistema”.

prática quanto na cabeça de quem a teve? Wagner Siqueira aponta alguns caminhos.

3. Líder tem que transmitir confiança

4. O que cada um ganha com isso?

“Os membros da equipe precisam confiar na capacidade de o executivo tomar decisões consistentes e adequadas. Um executivo errático, inseguro ou contraditório não estabelece um clima de confiança capaz de implementar uma cultura de empowerment. Assim o fazendo, acaba disseminando a certeza de que apenas o faz para ‘se livrar do abacaxi’, que pretende tão somente ‘ficar à toa’, enquanto eles – subordinados – ficam com toda a carga de trabalho”, afirma Wagner Siqueira.

O presidente do CRA/ RJ também acredita que “os membros da equipe devem perceber que a decisão do empowerment terá consequências significativas para eles como pessoas e profissionais, para toda a equipe e até para o conjunto da organização. As pessoas desejam participar do que é importante, têm o sentido de contribuir e de integrar uma equipe que vence. Se não perceberem que o empowerment é de fato importante, dificilmente se engajarão com convicção e empenho no exercício de novas tarefas e responsabilidades. Preferirão manter o status quo”.

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5. O fator empatia

Por fim, Wagner Siqueira chama atenção à importância do fator empatia para o sucesso da iniciativa. “Empatia é a capacidade de se colocar na situação do outro, incorporar-se ao seu mundo, vivenciar a sua realidade e ver como o outro vê, e não como você veria se fosse o outro. A empatia, portanto, é uma condição essencial para o desempenho do papel educativo do gerente no processo de empowerment dos subordinados”, afirma.

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INSIGHT treinamento

Olhando à frente do desenvolvimento por henry mintzberg

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Conheça práticas simples de Administração que podem fazer a diferença para o aprimoramento do profissional e, consequentemente, das organizações.

Henry Mintzberg é um dos autores mais produtivos da Administração na atualidade, com 16 livros publicados, quase todos considerados referências na área. Ele é professor na McGill University, cofundador do International Master’s Program in Practicing Management, usado por institutos de ensino em Administração no Canadá, Inglaterra, Índia, China e Brasil. Mintzberg também é responsável pelo desenvolvimento do curso CoachingOurselves, que em solos brasileiros é gerenciado pelo Grupo A. www.impm.org www.coachingourselves.com

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É

uma manhã agitada como de costume. Você está lutando para manter sua cabeça acima da água e daí chega um e-mail do RH: aparentemente, está na hora de participar de mais um programa de desenvolvimento. Era só o que faltava. Você se lembra do último: foi bom o suficiente, especialmente as discussões com outros gerentes nos corredores. Você até recolheu algumas boas ideias na sala de aula (quais eram elas?). Daí você volta para sua pilha de trabalho, sem falar nos comentários dos colegas: “nossa, deve ter sido muito difícil com aquela comida toda”. E os dias seguem complicados, como se nunca tivesse acontecido. Espere um minuto: você está lendo esse artigo, e esse é um bom começo. Você sabe mais do que ninguém que se fizer o que sempre fez, sempre receberá o mesmo. Então está na hora de um reenquadramento. E se manter distância das pressões realmente ajudasse? E se o aprendizado no seu próximo programa fosse

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baseado não na experiência de outras pessoas, mas na sua própria experiência? E se você fosse a esse programa, não como um lobo solitário, mas motivado pelos interesses da sua organização, a fim de torná-la um lugar melhor? Ainda não tem certeza? Ok, e se todo kit que for levado para seu espaço de trabalho acontecesse de uma maneira que permitisse ao grupo tomar uma iniciativa que revigorasse sua companhia? Isso está lhe soando como uma utopia? Bem, continue lendo, porque nós desenvolvemos práticas que foram bem sucedidas durante 15 anos em programas familiares e práticas gerenciais. Eu deixarei os administradores contarem suas próprias histórias.

Esse é o melhor livro de Administração que eu já li!

Silke Lehnhardt veio ao nosso International Masters in Practicing Management (IMPM.org) como parte de um time enviado pela Lufthansa. Imagine-a sentada com os colegas em uma das quatro mesas redondas da sala de aula, para que eles possam

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discutir melhor. Juntos, eles estão passando cerca de metade do tempo do programa refletindo sobre suas próprias experiências e compartilhando os resultados. Todo dia começa com “reflexões matinais” – primeiro, em alguns minutos para escrever pensamentos em seu “livro do insight”, entregue no início do programa vazio. Então, eles dividem esses insights entre si pela mesa e finalmente fazem um círculo para discutir essas ideias em conjunto. Em uma dessas reuniões, Silke levantou seu livro de insights e declarou: “esse é o melhor livro de Administração que eu já li!”. Não deveria ser o melhor livro de Administração aquele que cada um escreveu como resultado de seu próprio desenvolvimento?

Foi ótimo me encontrar!

Nós organizamos nossos programas de acordo com alguns pilares da Administração: reflexão (sobre gerir a si); análises (sobre como gerir organizações); mundanismo (sobre como gerir o contexto das organizações); colaboração (sobre como administrar relações); e ação (sobre mudanças administrativas). A primeira vez que nós oferecemos o programa, no final do primeiro módulo a respeito da reflexão, enquanto as pessoas diziam umas às outras: “foi um prazer conhecê-lo”, Alan Whelan, um gerente de vendas, anunciou: “foi ótimo me conhecer!”.


“Quando você diminui o ritmo, reflete e faz um balanço, você pode ver o passado de pressões da Administração e se torna hábil em funcionar menos freneticamente e mais efetivamente” Pense no quanto melhor a Administração pode ser quando praticada por pessoas que se conhecem verdadeiramente. Como Saul Alinksy escreveu em seu livro Regras para radicais que: “a maioria das pessoas não acumulam uma experiência quando enfrentam alguns acontecimentos que não são bem digeridos. Acontecimentos se tornam experiências quando são digeridos e refletidos”. Whelan, por sinal, teve uma surpresa quando chegou em casa após seus módulos subsequentes. O lugar não tinha virado uma bagunça enquanto ele estava fora. Quando você diminui o ritmo, reflete e faz um balanço, você pode ver o passado de pressões da Administração e se torna hábil em funcionar menos freneticamente e mais efetivamente.

Por que você está digitando?

Nós chamamos de “troca de gestão” uma experiência interessante e global do programa. Aqui os gerentes formam pares e trocam de escritório durante partes da semana. O convidado assiste às reuniões

e pode oferecer conselhos ao colega. Os participantes gostam da experiência porque é uma chance de se aprofundarem no trabalho do outro gerente. A primeira troca aconteceu quando Mayur Voya, um empresário de Puna, na Índia, visitou o escritório da Cruz Vermelha, comandado por Françoise LeGoff, em Geneva, na Suíça. Dias depois, durante a cerimônia de recepção, os dois não conseguiam conter o entusiasmo e precisaram contar a história na porta. Por exemplo, no começo, Mayur viu Françoise trabalhar no computador e perguntou: “por que você está digitando? Sua secretária não pode fazer isso?” Foi possível perceber a diferença entre o tratamento dado aos funcionários na Índia e na Suíça. Esse foi o primeiro passo para construir uma visão global. No último dia, Mayur propôs que Françoise lhe apresentasse sua equipe. Então, ela a reuniu, incluindo as secretárias, para discutir aquele modelo de gestão. Melhor que um 360°. “Ele foi um espelho para mim”, afirmou Françoise, apesar de não ter sido sempre fácil. Na abril/maio 2013

segunda-feira seguinte, dois assistentes dele propuseram mudanças específicas.

A história das histórias

O que podemos concluir a partir disto? Essas histórias nos mostram que o desenvolvimento pode se tornar uma experiência de aprendizado com impacto: • Desenvolvimento funciona melhor quando é encarado como um aprendizado social e natural, em grupos pequenos onde experiências possam ser trocadas. • Desenvolvimento deve fazer com que os gestores reflitam sobre o contexto de suas ações. • Empresas e outras organizações funcionam melhor quando são consideradas comunidades de seres humanos; programas de desenvolvimento devem ser capazes de aprimorar este aspecto. Coloque esses elementos juntos e o programa de desenvolvimento pode se tornar algo que faz administradores e organizações olharem para frente. administradores.com

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CARREIRA | LIDERANÇA

Preparado para liderar? -

por ginka toegel e jean louis barsoux

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Descubra qual é o papel da sua personalidade para uma liderança mais eficaz e veja como os exageros de certas características podem minar esse desenvolvimento.

A

luta dos líderes com alguns elementos de sua personalidade é muitas vezes subestimada. A verdade é que a maioria dos líderes

eficazes – mesmo aqueles considerados “natos”, como Richard Branson ou Indra Nooyi, da PepsiCo – tiveram que trabalhar bastante para administrar seu perfil e chegar onde estão hoje. Há incontáveis traços que nos distinguem uns dos outros – alguns herdados, outros aprendidos ao longo da vida –, mas pesquisas recentes têm resumido essas características em cinco amplas dimensões, as quais chamamos de “Big Five”. Infelizmente, os traços que auxiliam os executivos em um determinado cargo de liderança nem sempre ajudam em outro. Ao avançar na carreira, chegando a novas posições ou ambientes, executivos precisam fortalecer ou encarar diferentes aspectos de sua personalidade. Em qualquer nível, os líderes ficam sob intensa pressão para ir mais rápido e além. Quanto mais alto o cargo, maior será sua influência sobre os outros e mais será sua colocação à prova – portanto, a autoadministração dos traços de sua própria personalidade torna-se essencial para o sucesso. A seguir, delineamos as armadilhas da liderança que todo 24

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executivo deve estar ciente referente às dimensões de personalidade do “Big Five”.

1. Necessidade de estabilidade

A estabilidade emocional é um recurso valioso para executivos, ajudando-os a lidar com o estresse, contratempos e incertezas. Ser uma pessoa estável transmite profissionalismo aos outros, mas ser estável demais também pode transmitir que o executivo é emocionalmente monótono, excessivamente confiante ou que lhe falta um senso de urgência. Por outro lado, ser inflamado ou impaciente pode levar a um resultado contrário. O método mais simples para evitar a exacerbação é verbalizar emoções negativas. É comum os executi-

vos temerem que mostrar a emoção vá fazê-los parecerem fracos, quando na verdade mostram confiança.

2. Ser extrovertido

A extroversão pode ser vantajosa na liderança, mas também tem seus efeitos negativos. Em demasia pode desencadear a percepção de que o executivo é muito dominador ou que não ouve bem os outros. Da mesma forma, aqueles bastante enérgicos podem aumentar a energia dos outros e inspirá-los, mas podem também intimidar os introvertidos. Líderes com tendências de extroversão precisam estar cientes de que sua disposição pode criar tensões entre os colegas introvertidos, pois muitas vezes os extrovertidos são vistos como


cansativos demais. Em contrapartida, executivos altamente introvertidos, muitas vezes, precisam aprender a se comportar como um extrovertido para aspirar a posições de liderança. Carol Bartz, ex-CEO da Yahoo, embora bastante confiante, admite ser tímida. Para compensar esse traço, ela teve de aprender a adotar tendências mais sociáveis, enquanto ainda mantinha sua personalidade nata.

3. Abertura

Um executivo aberto demonstra curiosidade intelectual e tem uma visão mais ampla das coisas. Embora essas sejam importantes características de um líder, elas não necessariamente ajudam a criar relações. Por exemplo, ser muito inovador pode frustrar os colegas que buscam clareza e consistência. Um líder com essa qualidade às vezes precisa de alguém para lhe estabilizar de tempos em tempos. Da mesma forma, executivos altamente criativos podem sobrecarregar os outros com a complexidade do que tentam comu-

nicar, resultando em confusão em vez de iluminação. Enquanto isso, certos líderes são resistentes a novas ideias, ou excessivamente cautelosos, e precisam de grandes quantidades de dados antes de se atreverem a tentar algo novo. Líderes com esta tendência devem trabalhar para serem mais abertos, fazendo questão de saírem de suas zonas de conforto.

4. Socialização

Enquanto a maioria dos executivos eficazes se aglomera em uma determinada extremidade do espectro referente às três dimensões acima, não podemos dizer o mesmo a respeito da socialização. Quem não é muito social normalmente produz bons resultados, o que é ótimo para os negócios, mas seu exagero pode levar à ineficácia. Executivos “cabeças-duras” e diretos tendem a ser inflexíveis diante de um conflito ou ao lidar com dificuldades. A maneira como comunicam comentários ou feedback é crucial: é preciso criticar a ideia, e não a pessoa. Assim, será criado um vínculo de confiança com

os colegas e subordinados. No outro extremo do espectro, executivos altamente atenciosos promovem colaboração e são atentos às opiniões e bem-estar dos outros. Porém, aqueles que são muito atenciosos podem ter dificuldades em expor feedback negativo ou tomar decisões que magoam o próximo, pois querem sempre agradar a todos. Esses líderes têm de refletir sobre até que ponto é interessante essa necessidade de “ser querido” pelos colegas e subordinados.

5. Consciência

Ímpeto e persistência são qualidades importantes para os líderes, mas podem ser disfuncionais se não forem devidamente direcionados. O perfeccionismo dos líderes altamente conscientes pode levá-los a perder de vista o escopo geral das questões. Corre-se o risco também de se tornar um workaholic, o que aumenta o desgaste e a exaustão. Por outro lado, executivos que tendem a ser mais espontâneos e flexíveis podem tomar decisões precipitadas, colocando-os em

apuros enquanto escalam a hierarquia e sofrem maiores pressões. Para tomar decisões mais ponderadas, líderes assim podem nomear alguém da equipe para ser o advogado do diabo.

Aprendendo a administrar a si mesmo

O ponto de partida para equilibrar os traços da personalidade é aprender a se administrar através do aumento da autoconsciência. Sem ela, os executivos terão muitas dificuldades para evoluir ou encontrar estratégias apropriadas. O sucesso em qualquer cargo será improvável, a menos que o líder possa aceitar e superar tais pontos cegos. No entanto, a autoadministração não requer transformar sua personalidade. Ela permite que você seja você mesmo, porém com mais habilidade. Simplificando: para crescer como líder, é preciso refinar sua capacidade de conhecer e gerenciar suas tendências mais fortes e, ao mesmo tempo, estar disposto a reconhecer e compensar suas fraquezas.

necessidade de estabilidade Como você lida com emoções negativas

Extroversão

ALTO

BAIXO

Seu nível de conforto com relacionamentos

abertura Sua abertura a novas ideias ou experiências

Socialização Sua capacidade de se relacionar com outros

Ginka Toegel é professora de Comportamento Organizacional e Liderança no IMD.

Consciência

Jean-Louis Barsoux é pesquisador contribuinte do IMD.

Sua vontade de impor ordem e precisão

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ESTRATÉGIA | ECONOMIA

Não se deixe deslumbrar pelo glamour do crescimento por javier estrada

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O crescimento econômico de uma região e o retorno financeiro para investidores podem não possuir (e geralmente não têm) nenhuma relação. Por isso, é bom ficar atento onde, quando e o melhor momento para saltar a um novo mercado.

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uitos executivos supõem que investir em economias de crescimento acelerado como China e Índia é um caminho certo para um bom retorno

de patrimônio. No entanto, como mostram dados históricos, isto é uma falácia. Por um período de mais de 100 anos não existe correlação entre crescimento econômico e o retorno sobre o patrimônio para o investidor. Por que isso acontece ao contrário da sabedoria popular? Destaco três razões principais para esta discrepância. 1. Divisão desproporcional do retorno de patrimônio das multinacionais. Geralmente, as empresas que mais se beneficiam com o crescimento de um dado país tem sua base em uma nação diferente. Organizações como Nike, Coca-Cola e Nokia obtêm uma porção substancial de seus lucros através da venda de produtos nas economias de crescimento acelerado e os acionistas destas e de outras multinacionais lucram com tal crescimento. 2 .Exposição de grandes companhias locais para mercados internacionais. As maiores companhias tendem a vender seus produtos e serviços em mercados internacionais fazendo com que, de alguma maneira, se isolem dos ciclos de negócios locais. Sendo assim, mudanças na economia da região podem não ter um grande impacto na lucratividade dessas empresas. 3. Tendência dos investidores em pagar excessivamente por perspectivas de crescimento. Talvez o fator mais crítico seja o preço pago pelos investidores. Mais precisamente, a possibilidade de investir no crescimento de um país é tão grande que eles ignoram amplamente o preço que devem pagar. Desse modo, os investidores ficam tão ofuscados pela perspectiva de crescer que se encontram dispostos a participar por qualquer preço.

Crescimento corporativo e retorno sobre o patrimônio

Enquanto investidores pensam ser verdade que economias de rápido crescimento proporcionarão um excelente retorno sobre o patrimônio, a mesma suposição é feita em relação ao crescimento corporativo. Mais uma vez, isso é um equívoco. Excelentes performances corporativas podem traduzir-se em baixo retorno para investidores, enquanto performances medíocres podem acabar produzindo retornos excepcionais. Como exemplo, o Google no início de 2006 até 30 de junho de 2010. O preço da ação foi de US$ 414,90 para US$ 445, deste modo, cresceu 1,6% ao ano. Uma vez que o Google não paga dividendos, isso é tudo que os investidores embolsaram. No entanto, curiosamente, o lucro por ação do Google no mesmo período foi de US$ 5,02 para US$ 23,03, portanto, crescendo em uma taxa anual de 40,3%. Por isso, embora o ganho por ação do Google tenha crescido 40% no ano, o retorno embol-

sado pelos investidores foi de meros 1,6% ao ano. Qual o motivo para isso? Apesar do lucro do Google ter crescido a uma taxa alta, sua avaliação preço/lucro – ou seja, apreciação de valor – se moveu na direção oposta, cancelando a maioria dos impactos positivos. Simplificando, investidores pagaram demais por crescimento.

Empresas para o crescimento X empresas para o valor

Companhias orientadas para o crescimento são aquelas com grandes perspectivas de evolução – mais frequentemente do que não, “empresas com glamour”, para as quais os investidores estão dispostos a pagar altos preços. Organizações orientadas para o valor, em contraste, são empresas maduras com perspectivas moderadas de crescimento, geralmente fora dos holofotes e pelas quais os investidores estão dispostos a pagar valores moderados. A evidência mostra claramente que, ao longo do tempo, o valor supera o crescimento, um fenômeno bem documentado ao qual muitos se referem como “efeito de valor”. Por exemplo, nos EUA, entre 1927 e 2011, valor e crescimento proporcionaram aos investidores retornos anuais de 12,8% e 9,5%, respectivamente. Além do mais, apesar do alto retorno, o valor dos investimentos não sofreu alta volatilidade.

Nada vem de graça

De modo algum, um investimento em valor oferece gratuidade para os investidores. Podem existir riscos

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escondidos ou inquantificáveis. Investidores podem achar que, por diversas razões, é mais fácil falar sobre investir em empresas fora dos holofotes do que fazer. Não é fácil ser um investidor contrário arando fundos em empresas das quais o mercado se afasta enquanto evita as que o mercado ama; é um caminho que poucos escolhem percorrer. Por exemplo, quantas pessoas teriam coragem de investir em utilitários ou ferrovias e não em ações da Internet entre 1997 e 1999? Se o mercado estiver disposto a pagar altos múltiplos para algumas empresas e baixos múltiplos para outras, muitos investidores podem pensar que o mercado sabe algo e eles não. Enquanto o valor supera o crescimento em longo prazo, o oposto ocorre mais vezes. Mesmo assim, apenas investidores que se atêm ao valor, seja ele alto ou baixo, podem obter os retornos mais altos discutidos.

Javier Estrada é professor de Direção Financeira e pesquisador do CEM - Center for Emerging Markets do IESE Business School. Economista pela Universidad de La Plata, mestre em Finanças pela Universidade de Illinois em UrbanaChampaign e PhD. em Economia pela Universidade de Illinois em UrbanaChampaign.

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(Debate) contraponto | PUBLICIDADE

Você é a favor da publicidade infantil? por agnelo pacheco e davi bertoncello

Vulneráveis ao consumo ou exagero dos conservadores? Quando o assunto é publicidade para crianças, o tema facilmente ganha opiniões diferentes. No Brasil, ainda não há uma legislação específica para a publicidade de produtos destinados a esse público, de modo que o controle e moderação ficam sob a responsabilidade apenas dos pais e do Conar (Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária). Convidamos dois especialistas, com diferentes pontos de vista para destacar o que acham sobre este tema.

Agnelo Pacheco é publicitário e foi eleito como um dos 50 craques da Propaganda Brasileira pela Revista Propaganda. Já conquistou diversos prêmios nacionais e internacionais e é o presidente e diretor nacional de criação da Agnelo Pacheco Comunicação. 28

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credito que a resolução do Conar sobre o merchandising voltado para crianças está correta. Sou a favor de que campanhas dirigidas ao público infantil tenham abordagens que respeitem a influência que a publicidade tem. Mas, daí a proibir toda e qualquer publicidade destinada às crianças é de um radicalismo que cheira a mofo, a um passado de censura que muita gente nem viveu. O maior merchandising que existe é o Papai Noel. O velhinho de barbas brancas, que antes só aparecia em dezembro, mas que hoje, face à competição furiosa do comércio, chega no final de outubro, é um exemplo histórico de merchandising para crianças que, até os 8 anos, sonham com os brinquedos que vieram lá da Lapônia, terra do Papai Noel. Ele e o tradicional “jingle bells” anunciam, para todas as crianças, que é tempo de desejos, que é hora de pedir, de escrever a cartinha. Os que combatem toda forma de publicidade ou merchandising voltado para as crianças deveriam tentar banir o bom velhinho. Quem defende isto é um público conservador, cada vez mais reduzido e que vê a publicidade como vilã, como a razão de todos os males. E estes defensores da proibição dos anúncios infantis, geralmente na média idade, pensam que as crianças de hoje são como eles eram no passado. Atualmente, o público infantil é totalmente diferente. Aos três anos, a criança está manuseando iPads e, aos quatro, já está pedindo celulares. Não é a publicidade voltada para ela que desperta estes abril/maio 2013

SIM!

desejos. É o mundo à sua volta. Falar em banir a publicidade infantil é dar a ela uma força bem maior do que tem. Os programas de televisão, as novelas e os shows desfilam, com muito mais força, produtos que despertam desejos. E a própria escola é hoje uma grande vitrine, porque a coleguinha mais simples quer a mesma roupa da amiga que tem pais com poder aquisitivo maior. Não será impondo restrições à publicidade infantil que vamos deixar de expor nossas crianças ao risco da comunicação. Os jornais de TV, ao longo de todo o dia, anunciam assaltos e crimes bárbaros, e as novelas reforçam separações e traições. O horário eleitoral na TV passa quando as crianças estão bem acordadas. Acho que tudo isto é muito mais danoso para uma criança do que uma publicidade que tenta falar com ela. Hoje, até por um comportamento natural do mercado, em que as grandes marcas estão preferindo investir no ponto de venda, raramente você vê um comercial vendendo um chocolate para crianças. No passado, quando era diretor de criação de outra agência, a Nestlé colocava no ar, todas as semanas, um comercial novo de Suflair, Chokito e outros. Uma preocupação maior do que a publicidade infantil deveria ser a penetração principalmente da televisão em todas as classes sociais, de A a D. O fato de ver, desejar e não poder nem pensar em comprar deve ser um dos motivos para o aumento da criminalidade, não um brinquedo que a criança viu anunciado na televisão e não podia ganhar.


) NÃO!

A

inda que os setores favoráveis à publicidade para crianças argumentem que os pais deveriam ter o controle sobre seus filhos, e estimulem a capacidade de discernimento das crianças, acredito que a dinâmica da sociedade atual não permite que os pais venham a conseguir monitorar toda a informação que os filhos recebem. Daí se faz necessário o auxílio de uma regulação oficial do que é transmitido. Tenho os seguintes argumentos que fortalecem minha tese: 1) A criança é, em essência, hipervulnerável. Ela ainda não desenvolveu plenamente seus processos biofísicos e psíquicos e, portanto, ainda não possui a totalidade de suas habilidades necessárias para o desempenho de uma adequada interpretação crítica dos apelos publicitários, os quais lhe são diretamente transmitidos. De acordo com estudos do Instituto Alana (entidade que luta a favor da proibição de qualquer publicidade para crianças abaixo de 12 anos), a criança não possui capacidade de separar a programação de TV dos seus comerciais. Para ela, tudo se trata de um mesmo programa televisivo. Assim, qualquer produto inserido nos comerciais do desenho preferido da criança estará subliminarmente e eficientemente incorporado aos desejos do pequeno. 2) A publicidade voltada à criança contribui para a disseminação de valores materialistas e modismos comerciais. É a busca capitalista por mais um “mercado” composto por crianças. Tam-

bém contribui para o aumento de problemas sociais e de saúde, como obesidade, consumo desenfreado, estresse familiar, violência, erotização precoce e vício em um ou mais produtos. O incentivo ao consumo tem sido tão grande que as crianças acabam não se satisfazendo com nada. Quando recebem um, querem outro. Recebem outro, mas acabam querendo outra coisa. E, ao longo do tempo, acabam por acumular várias coisas que não utilizarão mais. A publicidade infantil tem por objetivo atingir os adultos através das crianças. É uma covardia. Os cientistas publicitários sabem que os anúncios são veiculados em locais e horários nos quais o público infantil geralmente está longe dos pais. Também sabem que muitos pais são cheios de culpas pessoais em relação à criação de seus filhos, e acabam por comprar o que eles pedem quando são pressionados. Tudo isso acaba sendo uma “contra educação” que as crianças vêm recebendo por meio da publicidade cuidadosamente planejada pelas corporações. Acredito, portanto, que mais importante do que o debate se é ético ou não fazer publicidade voltada para uma camada do mercado psicologicamente frágil, é preciso que se criem mecanismos legais para que esta publicidade seja regrada, quando direcionada às crianças e adolescentes. Se a sociedade civil não se organizar contra abusos da publicidade destinada aos nossos pequenos, teremos futuras gerações cada vez mais consumistas, autoritárias, alienadas e com menos saúde física e mental. abril/maio 2013

“O incentivo ao consumo tem sido tão grande que as crianças acabam não se satisfazendo com nada. Quando recebem um, querem outro”

Frederico Cesarino é educador, especialista em Educação Infantil e Mestre em Sociologia. Professor da Secretaria Municipal de Educação de Manaus e pesquisador da Universidade Federal do Amazonas. Já desenvolveu algumas pesquisas a respeito do comportamento da criança perante as publicidades voltadas a ela.

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troca de ideias | uri levine

Afinal, quais são os segredos de sucesso do Waze? por agatha justino

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imagem divulgação

Imagina consultar um dispositivo e descobrir rotas para se livrar (em partes) daquele imenso trânsito de sua cidade? Um grupo de amigos criou um aplicativo assim, que vem conquistando milhares de motoristas em todo o mundo. Conversamos com Uri Levine, presidente do Waze, que revelou os motivos para tanto sucesso.

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C

riar um produto inovador que possa facilitar a

Desde que foi lançado nos EUA, em 2009, o Waze angariou mais

vida de um grande número de pessoas; saber

de 20 milhões de usuários no mundo (1,4 milhão no Brasil) e foi

onde está concentrado o trânsito e encontrar

eleito o “aplicativo do ano para iPhone” pela Apple, sendo destaca-

uma alternativa para não precisar encará-lo;

do pela empresa como uma das alternativas ao fracassado Apple

criar um sistema de interação entre motoristas

Maps. Entretanto, o sucesso do Waze é cercado por polêmicas, já

para que possam compartilhar informações sobre o tráfego em

que ele também é utilizado por motoristas que comunicam a outros

tempo real. Essas são apenas algumas das propostas de um apli-

onde estariam montadas as blitz da Lei Seca. A Administradores

cativo que tem se espalhado entre os usuários de smartphones

conversou com o israelense Uri Levine, um dos cofundadores e

pelo mundo, o Waze.

presidente do Waze, para saber todos os detalhes deste negócio.

Como surgiu a ideia de criar uma rede social voltada essencialmente para motoristas, como o Waze?

Na verdade, tudo começou com a ajuda de Ehud Shabtai, engenheiro de software. Ele estava brincando com um aparelho de navegação e queria adicionar mais conteúdos. Foi então que percebeu que para fazer isso ele precisaria de um mapa. Esse mapa deveria ser digital, para poder ser editado e expendido. Shabtai também percebeu que se ele estava planejando desenvolver algo voltado para o uso da comunidade, então a comunidade deveria estar habilitada para mapear a área também. Foi assim que surgiu a primeira versão do aplicativo, que se chamava Free Map. O Free Map era capaz de fazer navegação, mas não disponibilizava as informações em tempo real e estava sempre colhendo informações dos usuários para construir o mapa. Em 2007, nós nos juntamos – Eu, Ehub e Amir Shinar – ao aplicativo e raciocinamos o seguinte: muitas vezes, quando viajamos e queremos voltar para casa, existem várias opções de estradas disponíveis e nós sempre queremos saber qual se encontra menos engarrafada. E o fato de que existem outros motoristas que saíram antes de você e estão dirigindo na sua frente é a maneira mais eficaz de descobrir qual o melhor caminho. Então nós decidimos converter essa ideia em um aplicativo para smartphones e assim saber onde estão os engarrafamentos, em tempo real.

Qual a principal diferença entre o Waze e os outros mapas, como o Google Maps ou o GPS comum?

Existem alguns fatores que podem explicar a diferença. A primeira é o poder do crowdsourcing: toda informação disponibilizada pelo Waze foi gerada pelos usuários; foi criada pelos motoristas e para os motoristas, é como a Wikipedia deles. Doze anos atrás, não existia Wikipedia, mas hoje, quem não existe é a enciclopédia Brittanica. O segundo fator é o que chamamos de “mapa ao vivo”, ou seja, uma plataforma que sofre transformações todos os dias. Se você viaja para um novo lugar, ele será adicionado no outro dia ao aplicativo e estará disponível para todo mundo. A comunidade agora está habilitada a se amparar. As pessoas que estão sofrendo paradas no trânsito podem se ajudar. A principal diferença entre o que nós estamos fazendo e o que os outros estão fazendo não está na navegação, e sim na interação entre quem está dirigindo.

Aqui no Brasil algumas autoridades afirmam que as redes sociais e aplicativos como o Waze estão ajudando pessoas que bebem e dirigem a fugir das blitz organizadas pela polícia. O que você diria sobre isso?

Não apoio quem bebe e decide pegar no volante, mas não acredito que uma pessoa bêbada consiga utilizar o Waze. Na realidade, não sei de pessoas que utilizam o aplicativo com essa finalidade. Mas tenho conhecimento de motoristas que utilizam o Waze para fugir dos radares de velocidade. Mas esse comportamento está dentro dos nossos objetivos: que os motoristas saibam onde estão os radares e diminuam a velocidade. Queremos que as pessoas dirijam devagar e com segurança.

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troca de ideias | uri levine

Algumas publicações especularam sobre uma parceria entre a Apple e o Waze. Essa parceria pode acontecer?

Nós do Waze não gostamos de comentar acerca de rumores, mas acreditamos sim em parcerias. Inclusive, nós temos um grande parceiro no Brasil, a Multispectral, com quem trocamos muitas informações.

No Brasil, o Waze atingiu a marca de mais de um milhão de usuários em um curto período. O que você acha que pode mudar no trânsito com a ajuda do crowdsourcing?

Eu acredito que temos hoje um milhão e meio de usuários brasileiros participando do Waze. Nós estamos crescendo aproximadamente 2.500 usuários por mês. E, no geral, estimulamos a interação entre os motoristas, para que eles comecem a se ajudar, fornecendo as informações necessárias para que os outros escolham o melhor caminho sem se preocupar com o trânsito. Em termos práticos, nós economizamos 15% do tempo do motorista. Uma pessoa que passa 100 horas por mês na estrada tem a possibilidade de economizar 15 horas com o uso do Waze. É um tempo significante, não é simplesmente evitar polícia, é conhecer o que está acontecendo nas ruas, quanto tempo é necessário para se chegar a um determinado lugar. Acredito que os motoristas no Brasil percebem e valorizam este fator. Há um mercado enorme no país, veja a quantidade de veículos em São Paulo. É interessante perceber que sempre que vou a uma metrópole diferente, os cidadãos do lugar acreditam que o seu trânsito é o mais engarrafado do mundo.

E qual é a cidade que você acredita ter os maiores engarrafamentos do mundo?

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Na realidade, o que nós medimos é a velocidade média na hora do rush. Esse número reflete o quão devagar ou rápido as pessoas andam. Em São Paulo, temos 20 km por hora; em Jacarta, na Indonésia, temos 17 km; Já em Lagos, na África, são 14 km por hora.

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“Toda informação disponibilizada pelo Waze foi gerada pelos usuários; foi criada pelos motoristas e para os motoristas, é como a Wikipedia deles” Você poderia explicar como funciona o sistema de mapeamento e medição de tráfego?

Essencialmente, quando você dirige com o aplicativo, nós coletamos dados de rastreamento do GPS que está no smartphone. Com base nisso, nós podemos dizer exatamente onde você está e a velocidade com que está dirigindo. Dessa maneira, calculamos a média de cada motorista e encontramos uma média para cada trecho da rodovia. É assim que obtemos a velocidade e o tempo médio do tráfego no sistema, utilizando os dados de rastreamento do GPS que estão no seu aparelho. Nós conectamos todos os pontos – o sistema faz isso automaticamente. Além disso, nós damos oportunidade para que a comunidade possa participar desse processo. Com as ferramentas de edição do mapa, é possível adicionar informações como os nomes de ruas. Nós demos aos motoristas dois mecanismos: o automático e o manual, para que eles possam escrever aquilo que acham necessário. É um processo 80% automático e 20% manual, com a ajuda da população.


DÚVIDAS | DRUCKER RESPONDE

FALAR EM PÚBLICO

INOVAÇÃO INSTANTÂNEA

Ingressei este ano em Administração Pública, porém sou uma pessoa meio tímida e vi que a profissão exige muita comunicação e relação com as pessoas. Gostaria de saber se uma pessoa pode adquirir essa característica de falar bem em público e liderar, ou isso é algo que a gente já nasce?

Como empreender em um mundo onde as coisas acontecem de maneira tão instantânea? Nos dias atuais as pessoas mudam de opinião rapidamente devido à velocidade da informação. Gostaria de saber o que Peter Drucker faria se fosse criar um empreendimento hoje? jessica charlanie

daniel ferreira

Daniel, esta é uma questão clássica na Administração. Existem pessoas que possuem por natureza esta habilidade, mas ela pode ser desenvolvida sim, e como pode! Recomendo que você procure treinamentos como: técnicas de comunicação; oratória; como falar em público? e etc. Elas irão ajudar você a desenvolver esta habilidade. A timidez é uma característica inerente à pessoa, mas a comunicação é uma habilidade profissional. Perceber dessa forma ajuda o indivíduo a desenvolver-se. Treine, envolva-se em trabalhos comunitários e sociais. Eles podem te ajudar também. FORA DA CAIXA

O que Drucker faria? por raniere rodrigues

Além de mais competitivo, o administrador terá mais desafios em permanecer no mercado e precisará ter uma visão maior, “pensar fora da caixinha”. O que mais um administrador poderá fazer, em um futuro próximo, para se diferenciar e garantir seu lugar no mercado? jéssica barra

Essa pergunta é um desafio, Jéssica, e o Peter Drucker estaria entusiasmado com a perspectiva da resposta. O administrador precisa dominar mais a própria Administração. O futuro será das pessoas mais inteligentes; pessoas em cooperação e não em competição. A diferença está nisso, na construção colaborativa, expansão da mente, multifuncionalidade profissional, capacidade de adaptação às transformações e adoção de novas demandas de conhecimento. O administrador é por natureza um generalista, e no futuro ele vai prosperar se for mais agregador, se estiver aberto aos novos conhecimentos. Mas devemos nos alertar sobre a profissionalização deste perfil: teremos generalistas experientes, com visões diversas, mas bem estruturadas, focadas no conhecimento real de cada coisa, com base especializada.

Peter Drucker diria “a inovação é o instrumento específico dos empreendedores, o meio pelo qual eles exploram a mudança como uma oportunidade para um negócio diferente ou um serviço diferente”. Nesse sentido, Jessica, ele certamente agiria com ousadia e discernimento, tentando aprender com a experiência e praticando os conceitos, ou seja, sendo pesquisador, objetivo, assertivo e consciente dos riscos. O empreendedorismo não é uma falácia, mas uma alternativa para o desenvolvimento. Não há como ser empreendedor sem correr riscos. Você está certa, vivemos em constantes incertezas, mas é possível se precaver, fazendo boas pesquisas e consultas ao mercado. Além disso, aplicando bem as ferramentas de análise da viabilidade dos negócios e planejamento.

Tire suas dúvidas através da ótica dos pensamentos de Peter Drucker, considerado o pai da Administração moderna. Basta enviar a sua pergunta, curiosidade ou questionamento para revista@administradores.com.br O responsável pelas respostas é o professor Raniere Rodrigues dos Santos, diretor geral da The Drucker Society of Brazil – Recife, professor de Administração da Universidade Federal de Pernambuco, Coordenador de Extensão na Faculdade dos Guararapes e um dos principais pesquisadores de Peter Drucker no Brasil.

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CONFLITOS DE GERAÇÕES Como colocar suas ideias sem ofender pessoas de gerações mais velhas que a sua? leonardo dos passos

Com controle emocional, Leonardo. A Gestão de Pessoas descreve técnicas de análise situacional, onde poderemos desenvolver as habilidades principalmente de comunicação e codificação de informações, evitando assim “ruídos”, ou seja, o conflito de ideias e percepções nos diversos contextos. Drucker saberia direcionar esta questão com exemplos e diálogos explicativos, pois a melhor forma de expor uma ideia está na clareza quanto aos objetivos e resultados. Estes precisam gerar benefícios e rentabilidade, e corresponder aos interesses das pessoas mais velhas. Uma coisa importante é fazê-los digerir as novas ideias aos poucos – as pessoas, independentemente da idade, são resistentes ao novo. Então, paciência. Querer a resposta imediata é um erro. administradores.com

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negócios | enrolação

Estratégias que (infelizmente) valem a pena por simão mairins

| imagem shutterstock

Justiça morosa, cidadãos apáticos e, claro, uma boa dose de falta de ética por parte de algumas empresas fazem com que desrespeitar o consumidor brasileiro ainda seja um bom negócio.

O

advogado Luiz Gouvêa descobriu que, durante um bom tempo, foram debitadas de sua conta bancária faturas em um serviço de TV a cabo que

nunca contratou. Ao identificar o problema, ele procurou o banco, explicou o caso e pediu uma solução. “Ora, a partir do momento em que meu dinheiro vai para o banco, é o banco que tem de garanti-lo”, ressaltou. Mas, depois de uma breve primeira batalha (das muitas que ainda viriam pela frente), só conseguiu uma resposta, no final das contas (sem trocadilho): “procure a Justiça”, contou ele. Assim o fez. E ganhou. Recebeu em dobro o valor que havia sido debitado. Mesmo assim, garantiu: “foi um ótimo negócio para o banco”.

“Quando você vir que recebi em dobro, você dirá: ‘olha, você se deu bem!’. Mas, na verdade, eu não ganhei nada. Com o valor de multa que é aplicado pela Justiça brasileira, você vai ver que o banco me pagou 10% do que ganhou com meu dinheiro durante esse período do processo. O banco me pagou o dinheiro corrigido, mas com base em juros simples. O cheque especial (capital que é disponibilizado pela instituição financeira na condição de empréstimo a correntistas), entretanto, tem rendimento calculado por juros compostos. Ou seja, o banco ganhou bem mais do que 36

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me pagou, com um dinheiro que não lhe pertencia”, afirmou o advogado. A história de Luiz é apenas mais uma entre tantas que diariamente chegam aos sites de reclamação, Procons ou à Justiça, e ilustra muito bem a realidade do Brasil. Os setores financeiros e de telecomunicações são os líderes em reclamações. De acordo com dados divulgados pelo Procon/SP, por exemplo, os dois segmentos foram responsáveis, juntos, por mais de 60 mil atendimentos no estado, em 2012. Especificamente no setor bancário, a cobrança indevida é a principal causa de demandas.

se não reclama, não ganha

Uma pesquisa realizada pelo Centro de Justiça e Sociedade da FGV/Rio constatou que, embora 82% dos brasileiros afirmem conhecer seus direi-

tos, 62% nunca ou raramente reclamam quando se sentem lesados. De acordo com o professor Ricardo Morishita Wada, um dos coordenadores da pesquisa, os principais motivos para a apatia do consumidor em relação aos seus direitos, conforme constatação do levantamento, são a ideia de que “não compensa” e de que a solução “demora muito”. “O consumidor acha que a reclamação só vale a pena quando o objeto tem um valor considerável. Numa época em que grande parcela do tempo é dedicada ao trabalho, reclamar seus direitos é realmente um desafio para os consumidores”, disse o professor em comunicado da FGV/Rio sobre a pesquisa. Para o advogado Leonardo Amarante, entretanto, mesmo sem o brasileiro ter o hábito de reclamar, é responsabilidade das empresas e,


práticas comuns

principalmente dos órgãos de fiscalização, garantir a saúde das relações no mercado brasileiro. “Não se pode atribuir ao desconhecimento da população a culpa por essa situação. Se o nível de educação da população no Brasil é em média inferior ao dos outros países, isso não pode servir de explicação para o fenômeno. Acho que a passividade maior pode ser atribuída aos órgãos que exercem o controle e a defesa do consumidor, que muitas vezes são omissos e morosos na aplicação de sanções”, afirma.

vencendo pelo cansaço

Outros especialistas que acompanham diariamente os embates entre consumidores e empresas reforçam a conclusão da pesquisa da FGV/Rio no que diz respeito à morosidade da Justiça e dos órgãos de defesa do consumidor. Para o advogado Hércules Amaral, ex-presidente da Comissão Especial de Defesa do Consumidor da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), por exemplo,

As pegadinhas dos contratos

Dificuldades para encerrar vínculo

A desatenção do consumidor e o desinteresse de fornecedores em deixar as coisas claras, normalmente, geram imbróglios. “Nunca acredite somente no vendedor ou em palavras que não consegue entender. Contrato tem que ser claro. O tamanho de letra tem que ser no mínimo 12. Coisas importantes têm que ser feitas com destaque, em negrito. É nesse caminho que as empresas vão utilizar o ‘se colar, colou’”, afirma o advogado especialista em Direitos do Consumidor Dori Bocault.

Não é raro empresas dificultarem o encerramento dos contratos. Provavelmente, você conhece alguém que já teve problemas com isso. “Muitas vezes, o consumidor está insatisfeito, mas fica espremido pelo contrato, que impõe, em caso de rescisão antecipada, uma multa que, às vezes, sequer há como pagar. Isso está errado. Se o serviço não está sendo cumprido conforme o combinado, o cliente tem o direito de cancelar”, garante o advogado Hércules Amaral.

o Brasil precisa atuar melhor na regulação do mercado. “A grande empresa, principalmente do setor financeiro, descobriu que, com a timidez do poder público e a aplicação de multas baixas, é mais fácil embutir o custo dos problemas do que mudar suas práticas. Esse ambiente permissivo que acaba assimilando o fato de as empresas encararem as indenizações por desrespeito ao consumidor como custo fixo tem que ser revisto. Isso denota uma economia arcaica, ultrapassada”, afirma Hércules Amaral. Luiz Gouvêa, aquele advogado que citamos no início desta matéria, tem outra história curiosa, que ilustra bem (e até demais!) a questão da morosidade. Um cliente seu abriu um processo contra um banco em 1994, devido a um extravio de R$ 4,5 mil de sua conta corrente. No ano passado, 18 anos depois, o advogado conseguiu algo inédito: o banco foi condenado a ressarcir o cliente, com os mesmos juros e correção monetária aplicados ao che-

que especial. O resultado: uma indenização de R$ 1 trilhão. Evidentemente, ninguém pagou essa conta. A Justiça considerou o valor “surrealista” e anulou a execução.

Renovação automática

Quando feita com boa fé, a renovação automática de contrato tem tudo para ser algo positivo, principalmente nos casos de fornecimento de serviços contínuos. Mas quando a má fé impera, a coisa complica. Este repórter que aqui escreve, por exemplo, também tem uma história para contar. Há algum tempo, paguei por um ano do serviço de um grande provedor nacional de hospedagem de sites, não gostei e decidi que não iria continuar com a companhia no ano seguinte. Simplesmente, então, esperei o contrato acabar e procurei outro fornecedor. Alguns dias depois, entretanto, a surpresa: chegou à minha casa a cobrança pelo segundo ano do serviço. O contrato foi renovado automaticamente. abril/maio 2013

Líderes em reclamações* bancos

35.012 reclamações

empresas de telefonia

28.332 reclamações

Procon/SP; 2012*

Quando tentei informar que não gostaria de continuar, fiquei sabendo que no contrato que assinei inicialmente havia uma cláusula que dizia algo mais ou menos assim: “caso tenha interesse em não renovar o contrato, avise antes que seja renovado automaticamente”. Foi a primeira vez em que me deparei com uma situação em que o cliente precisa dizer que não quer comprar algo. Conforme destaca Hércules Amaral, em situações desse tipo, em que o consumidor considerar que a cláusula é abusiva, ele pode requerer administrativa ou judicialmente a anulação da mesma. Se for verificado que, de fato, houve má fé por alguma das partes, o contrato perde seu valor. Eu, infelizmente, faço parte daquela estatística de brasileiros que preferem evitar a fadiga. Fui passado para trás. O estresse de lutar pela correção da injustiça começou a ser maior do que a vontade de ver meus direitos garantidos e acabei desistindo. Não sigam meu exemplo. administradores.com

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CAPA | storytelling

A incrível arte de contar histórias por eber freitas

| fotos shutterstock

Ao navegar nos meandros desta aventura, o leitor será seduzido pelo doce e suave toque da mais implacável conquistadora de corações e mentes de todas as eras: a narrativa.

C

onta-se que, nos idos do século IX a.C., um rei de territórios situados entre a Índia e Indochina, bravo guerreiro e cavaleiro, achava-se

satisfeito com suas posses, casamento e concubinas. Shariar era seu nome. Até que um dia, ele soube que a mulher o traía com um servo chamado Mascud, a cada oportunidade que a ela era apresentada. Furioso, ordenou que o seu vizir, o servo mais fiel, matasse sua mulher. Mas sua mente, tomada por uma obsessão doentia, fê-lo resolver que apenas isso não seria suficiente: todas as noites tomaria uma esposa e, ao amanhecer, mandaria matá-la para que não fosse traído novamente. 38

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E assim aconteceu por várias noites, até que uma das filhas do vizir, Sharazad, letrada e sábia, resolveu pôr fim ao ciclo de assassinatos, lançando mão de uma estratégia ousada e que poderia lhe custar a própria vida: casar-se com Shariar. A despeito dos protestos do pai, levou a cabo seu intento e se ofereceu de corpo e alma ao rei. Na noite de núpcias, começou a narrar a história do mercador e do gênio, envolvendo-o com o encanto e o suspense do enredo. Mas não a concluiu. Então Shariar exclamou: “como são

belas e espantosas as suas histórias!”, ao que Sharazad respondeu: “isso não é nada perto do que vou contar na próxima noite. A continuação da história é melhor e mais espantosa do que o relato de hoje”. E assim ela sobreviveu, noite após noite, durante 1001 noites. A história do Livro das Mil e uma noites ocupa uma condição rara na literatura mundial: é uma história sobre histórias. O seu real valor reside em mostrar que o poder de uma narrativa bem construída vai muito além de entreter. O filósofo Michel

S


S Foucault, conhecido por suas obras de análise de discurso, foi um reconhecido entusiasta do livro, que o caracteriza como “o avesso escarniçado do assassino, o esforço de noite após noite para conseguir manter a morte fora do ciclo de existência”. Ora, se a narrativa chega a ter algum poder sobre a morte, qual é a extensão da sua influência quando aplicada ao cotidiano das empresas? Esse questionamento já é feito por especialistas como Stephen Dennings, ex-diretor do Programa de Gestão do Co-

nhecimento no Banco Mundial e escritor da área de Negócios. Essa habilidade ganhou até uma denominação global estrangeirizada: storytelling. E, aos poucos, as empresas estão percebendo que a arte de contar histórias é fundamental para o engajamento das pessoas em torno das ideias. E disso dependem as organizações. “Ao tentar comunicar uma nova ideia para uma audiência cética, descobri que as virtudes de precisão, rigor e transparência não estavam funcionando. Tendo passado a vida toda

acreditando no sonho da razão, fiquei pasmo ao descobrir que uma história contada apropriadamente tinha o poder de fazer o que um estudo analítico rigoroso não conseguia: comunicar uma estranha ideia nova com facilidade e de forma natural, motivando rapidamente as pessoas a agirem com grande entusiasmo”, relata Dennings no livro O poder da narrativa nas organizações. Histórias são envolventes, sedutoras e parte inseparável do desenvolvimento intelectual humano. Para constatar isso, abril/maio 2013

basta vasculhar a memória ou observar: tente lembrar-se de um professor que já lhe transmitiu o conteúdo por meio de uma narrativa e compare com outro mais ortodoxo, técnico. Não há dúvidas de que o aprendizado foi mais natural e eficiente com a história oral. Ela gera empatia, e aqui nós podemos evocar um pouco de ciência para entender como o storytelling sempre foi o modo mais utilizado para transmitir conhecimentos, tradições, mitos e não apenas sustentar a sobrevivência física, mas assegurar a evolução cultural. administradores.com

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CAPA | storytelling

As histórias nos conduziram até aqui A evolução dos organismos e das espécies é uma teoria controvertida e objeto de intensos (e inconclusivos) debates. Mas a evolução do pensamento, da cultura e da intelectualidade humana é um fato. E ela se deve, sobretudo, à nossa habilidade de criar e compartilhar histórias, formatar tradições e mitos e, assim, moldar a sociedade continuamente. “Contar histórias é uma habilidade tão antiga quanto a própria humanidade”, explica Tamer Thabet, doutor em Teoria dos Jogos e Estudos Literários e professor da Universidade de Londrina (UEL). Nesse sentido, a máxima “penso, logo existo”, de Descartes, que lançou os fundamentos do pensamento moderno e da ciência tal como é praticada hoje, bem que poderia ser repensada. “Histórias são poderosas, porque podem nos transportar mentalmente para o centro de mundos imaginários, e uma vez lá, permanecemos engajados em muitos níveis, como emocional, intelectual, psicológico e moral”, acreditava. Mesmo em uma cultura pretensamente racionalista, as pessoas sempre tendem mais a acreditar em histórias – reais ou não – do que em fatos, assim como aconteciam com os mitos da antiguidade. Muitos arqueólogos e historiadores greco-romanos passavam anos buscando por ossadas de centauros e titãs. O fascínio de Adolf Hitler por relíquias sagradas é tão conhecido que inspirou o roteiro de filmes e documentários. Hoje, estudiosos sérios tentam provar a existência de vida alienígena e suas relações com a Terra. A despeito da factualidade ou 40

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não das provas, o certo é que todo esse fascínio é provocado por histórias. “Se avaliarmos as formas de interação quando nascemos, seja entre familiares e crianças, seja entre as próprias crianças, e mesmo nas primeiras experiências de socialização em creches ou ensino formal, é possível lembrar a assertividade das histórias”, lembra Rodrigo Cogo, mestre em storytelling pela USP e um dos principais especialistas brasileiros no assunto. “O componente conversacional sempre foi muito forte e não é diferente agora, com as redes sociais digitais de compartilhamento de experiências”, prossegue.

Cérebro e comportamento Um estudo conduzido pelos norte-americanos Paul Zak, doutor em neuroeconomia, e William Casebeer, especialista em neurobiologia das narrativas, mostrou como o cérebro humano reage a uma narrativa. Voluntários assistiram a um vídeo sobre a história de um garoto de dois anos que sofre de uma doença terminal e seu pai. O enredo é conduzido com a técnica do arco dramático, um método básico desvendado há 150 anos pelo dramaturgo alemão Gustav Freytag, e que prevê cinco etapas: exposição, ação ascendente, clímax, ação decrescente e desfecho. Todas as pessoas que foram expostas à história se tornaram mais sensíveis e empáticas. Os voluntários demonstraram mais disposição em doar dinheiro a outros voluntários ou para instituições de caridade. Ou seja, uma história consistente e bem contada pode se reverter imediatamente em resultados concretos. “Histórias são podeabril/maio 2013


rosas porque nos transportam para o mundo de outras pessoas. Fazendo isso, elas mudam a maneira como o nosso cérebro trabalha e potencialmente altera a sua química – e é isso o que significa ser uma criatura social”, conclui Zak, no documentário Empathy, Neurochemistry, and the Dramatic Arc. Neste ponto, você pode

a morte de Steve Jobs, foi lançada a sua biografia autorizada. Alguns anos antes, o relato extraoficial sobre a sua vida, assinado pelo escritor Michael Moritz, traçou a história da Apple e do excêntrico executivo desde a origem até o seu primeiro bilhão. Há pouco mais de uma década, outro livro se propôs a analisar a volta

“Como diz Tom Peters, se uma empresa quer valorizar o cliente, deve colocar acima dele o colaborador. No processo de storytelling não pode ser diferente” estar questionando se o storytelling pode ser tão vital para um negócio quanto o fluxo de caixa e muito mais importante do que qualquer estratégia Porteriana de mercado. Antecipando o desfecho dessa história, a resposta é sim: vence a empresa que melhor dominar a arte da narrativa. A questão é: como?

Era uma vez uma marca... O filme Piratas do vale do silício (1999) revela a trama tecida durante a construção de dois dos maiores impérios da informática atual, a Apple e a Microsoft. Dias após

de Jobs à companhia após ter sido despedido na década de 80. Na verdade, dezenas de livros e filmes citam o falecido CEO, quando não versam exclusivamente sobre ele. Qual o padrão aqui? Tudo é história. “O grande contador de histórias da Apple era o Steve Jobs”, acredita Moisés Fry Sznifer, especialista em estratégia empresarial e professor da FGV, autor do livro Pessoas extraordinárias e suas incríveis histórias. “Ele passava um certo afeto, na forma como se expressava, vestia e falava”, diz Sznifer. Dessa maneira, foi criada uma marca imbatível, uma das empresas com maior abril/maio 2013

valor de mercado do mundo. Uma aura de histórias foi criada não apenas ao redor de Jobs, mas também dos produtos que mais tarde se tornaram o carro-chefe da companhia, principalmente o iPhone. Outras empresas do mesmo ramo também utilizam a narrativa para cativar os clientes; não é por acaso que o slogan do Samsung Galaxy S3 é “designed for humans” (criado para humanos). O objetivo é criar empatia dos consumidores com a marca e o produto. A Xerox e a IBM, bem mais tradicionais e com serviços destinados a outras empresas, pouco utilizam essa abordagem. Para Thabet, storytelling é a técnica de marketing mais antiga – e mais eficiente. “Um vendedor pode criar um profundo e fascinante halo em torno do produto, engajando a mente do consumidor em outras questões além do que se espera do produto em si, como funcionalidade e preço”, afirma. “A Apple conseguiu aproveitar o poder da imaginação em suas campanhas publicitárias, e fez dos seus produtos uma cultura”, conclui. Empresas brasileiras não ficam para trás. “Só para ficar entre as maiores empresas, a Petrobrás e a Vale adotam o storytelling para explicar à população as suas operações e para sensibilizar públicos sobre determinados assuntos, inclusive em campanhas internas de prevenção de acidentes”, lembra Tatiana Maia, diretora da agência de comunicação Makemake. Outra marca que tem sucesso utilizando o storytelling é a Natura. Mas os campeões no uso das narrativas para atingir determinados objetivos são personagens inesperados e muitas vezes apontados como vilões: “os políticos são ainda administradores.com

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CAPA | storytelling

quem mais usam o storytelling para melhorarem suas imagens e conseguirem votos. As campanhas eleitorais são riquíssimas em cases, alguns ótimos, outros desastrosos”, aponta Tatiana.

… e a marca era feita de pessoas Como diz Tom Peters, se uma empresa quer valorizar o cliente, deve colocar acima dele o colaborador. No processo de storytelling não pode ser diferente. É preciso estimular o engajamento, esquecer a ideia de “vadiagem sistêmica”¹ preconizada por Taylor e contar histórias. Não é tão simples; as pessoas de uma empresa formam públicos distintos e diversos, e é necessário saber como lidar com cada um deles. “Uma boa base de relacionamento com os colaboradores é um elemento gerador de motivação”, garante o psicanalista e consultor Homero Reis. “Mas isso depende do nível em que essas pessoas estão dentro da hierarquia. Os profissionais têm níveis de percepção da realidade diferenciados, que variam conforme o momento pelo qual estão passando dentro da empresa”. É diferente conversar com um profissional jovem e ambicioso, que está construindo a carreira, e com outro mais experiente, que já experimentou momentos de crise e calmaria na empresa e está mais interessado em manter a estabilidade. As histórias devem abraçar todos. Para Gislayne Avelar Matos, autora de Storytelling: líderes narradores de histórias, esse é um papel que vem se tornando fundamental para o exercício da liderança desde o final dos anos 90 nos Estados Unidos e Europa – e, de ma42

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neira mais recente, no Brasil. A narrativa é uma “ferramenta imprescindível na gestão do conhecimento, na construção da memória organizacional e na humanização do ambiente de trabalho”. E isso não combina nem um pouco com o engessamento organizacional. Stephen Dennings aponta que em empresas pouco flexíveis, as pessoas não querem aderir ao paradigma de trabalho colaborativo. Na verdade, elas vão apenas en-

as e esses conjuntos, ou seja, o gestor não tem o poder da autoridade para impedir a formação de uma rede, embora possa formar uma equipe. Mas uma equipe ou comunidade de alto desempenho vai além disso tudo. Todo empresário quer ter uma equipe dessas, mas um “time de elite” na empresa não é criado por decreto, simplesmente porque não há como garantir o desempenho de uma equipe. “Abordagens de controle e comando têm as suas

“Existem vários métodos para a criação de narrativas, utilizando diferentes mídias como suporte” xergar isso como um esforço desnecessário a mais, e nada vai mudar. “Isso se dá porque a maioria das pessoas já foi submetida a um excesso de nonsense hipócrita sobre o valor de uma falsa colaboração”, escreve. Como superar essa dificuldade? Para o autor, existem quatro formas principais de trabalho em grupo: grupos de trabalho, equipes, comunidades e rede, cada uma com características particulares. Não existe nada de arbitrário, pelo contrário: há uma intensa mobilidade entre as pessoabril/maio 2013

limitações”, lembra. A saída é utilizar a narrativa para criar valores compartilhados e significados comuns a esses talentos. “Um líder que tenha dominado todas as ferramentas narrativas ajuda as equipes de alto desempenho ou comunidades a estabelecerem objetivos motivadores e a modelarem ativamente as expectativas daqueles que utilizam os resultados produzidos pelo grupo”, afirma Dennings. Quanto mais cedo a empresa perceber a importância que as histórias têm dentro desse panorama, melhor irá enfren-

Arquitetura e storytelling A narrativa pode ir além da imaginação. Utilizar o storytelling no ponto de venda é uma tendência já notada por empresas como a Chilli Beans – que cresceu apostando em quiosques abertos para vender óculos – e O Boticário. O arquiteto Ricardo Campos, do escritório Santa Irreverência, desenvolveu um conceito para algumas lojas da marca: a “The Beauty Box”, que estimula a experimentação e leva as consumidoras a explorarem outros sentidos, principalmente o olfato. Quem disse que histórias precisam ser lidas ou ouvidas? A experiência começa na entrada da loja, onde uma bolsa é entregue à consumidora para que ela possa colocar as compras. “Dentro de cada uma existe um produto complementar à próxima. Além disto, fizemos uma espécie de penteadeira onde a cliente pode sentarse e usar à vontade os produtos, tocar, ver cores, testar. Não existe a interferência do vendedor”, revela. “É uma área para clientes ficarem o tempo que quiserem”. ¹ Para Taylor, os trabalhadores apresentavam uma tendência natural à procrastinação e redução proposital do trabalho em até um terço, sem terem reduzidos os seus salários.


tar as crises e os concorrentes. Os efeitos das narrativas podem não ser tão mensuráveis quanto o simples estabelecimento de metas, mas podem significar a diferença entre a derrota e o sucesso.

Quer contar histórias? Escute-as primeiro Um dos maiores pesquisadores da área de educação foi um brasileiro: Paulo Freire. Seu maior legado foi criar um paradigma de educação que considera todo o contexto onde a pessoa está inserida, a sua realidade social, o seu discurso e o vocabulário. A educação, na sua visão, deixa de ser um processo de transferência de conhecimentos para se tornar uma troca de experiências, onde tanto o educador quanto o educado aprendem mais e melhor. Isso significa trocar histórias, uma abordagem inédita na educação brasileira, à época. Ele utilizava codificações feitas pelas pessoas para ajudá-las no processo de alfabetização, algo bem diferente da “educação de cartilha” do governo. Uma brasileira tem se destacado na aplicação de uma metodologia semelhante em comunidades latino-americanas nos Estados Unidos. A pesquisadora e artista plástica Flávia Ramos-Matoussi desenvolveu um método para a educação informal de mulheres adultas chamado FotoDialogo. Consiste em representações visuais feitas a partir do relato das mulheres do grupo de estudo, que compartilham situações e experiências traumáticas ligadas à sua realidade social. A partir do seu trabalho, médicos, assistentes sociais e agentes de políticas públicas ganham empatia com essas abril/maio 2013

pessoas e atendem de maneira mais sensível e eficaz. São basicamente duas fases: na primeira, as mulheres, de várias faixas etárias, são entrevistadas individualmente, onde são convidadas a compartilhar cinco fatos marcantes na sua vida. A partir desses relatos, Flávia produz desenhos em preto e branco em folhas de papel comuns. Daí, nas sessões seguintes, os desenhos são distribuídos aleatoriamente para que as mulheres – divididas em grupos de 6 a 12 – desenvolvam novas histórias a partir das suas próprias interpretações. “Na abordagem freudiana, tudo o que você fala projeta experiências que você tem. Nós não criamos experiências e histórias além da realidade com a qual temos contato”, explica. “Essa metodologia poderia ser aplicada também nas empresas, para entender e conhecer melhor o cliente. O produto pode ser um sistema de educação ou um programa de assistência social; então é entender da parte do cliente o que ele precisa para resolver o seu problema”, compara Flávia. Para Tatiana Maia, esse é o caminho para contar excelentes histórias. “Para ter adesão é preciso gerar empatia. Para ter empatia é preciso falar a mesma língua. Para ser um bom contador de histórias é preciso entender a cultura de um modo mais abrangente, distinguir o que é importante e o que fará com que as pessoas se identifiquem com a mensagem”, explica. É importante notar que esse modelo anula o velho paradigma de que a comunicação se dá entre um emissor para um receptor através de um meio, gera um efeito e ponto final. Isso é uma teoria da propaganda norte-americana ineficaz administradores.com

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CAPA | storytelling

atualmente, quando os clientes vivem em inúmeros contextos, conectados pelas mídias sociais. “De que adianta uma empresa fazer um lindo vídeo contando os seus 20 anos de atuação, de modo super fabricado para passar uma imagem positiva, se os consumidores relatam péssimas experiências com tal empresa para seus grupos de amigos e nas redes sociais? Storytelling, diferente do que muitos defendem, não é varinha mágica. Está bem mais próximo de ‘a vida como ela é’”, revela Tatiana.

Perdi meu amor na balada... só que não Boas histórias não devem apenas ser bem escritas e apresentáveis. Não precisam ser realistas (quem não prefere uma história fantástica?), mas devem ser verdadeiras em relação às suas intenções, principalmente quando elas geram esse tipo de expectativa no seu público. Essa lição a Nokia aprendeu com o próprio erro. No ano passado, um vídeo “anônimo” pipocou na internet. Um jovem relatava que, numa ida à balada, conheceu uma garota com quem conversou e terminou por se apaixonar. Mas não conseguiu mais encontrá-la nem na mesma noite nem no dia seguinte, porém não desistiu: divulgou o vídeo na internet na esperança de encontrá-la. Uma boa história. Boa narrativa. Utilizou símbolos e linguagens próprias da juventude paulistana classe média do terceiro milênio. Gerou empatia e conquistou a internet em pouco tempo, e durante dias as pessoas compartilhavam o vídeo para ajudar o rapaz a encontrar sua amada. Os internautas se engajaram na causa, porque a mesma história poderia acon44

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tecer com qualquer um deles. Mas um tempo depois a fabricante de celulares revelou que estava por trás da ação, algo que já se especulava. “Foi um balde de água fria. Quem se encantou, quem passou aquela história para seus amigos e tentou ajudar, se sentiu enganado”, afirma Marco Franzolim, diretor-executivo da Monkey Business. “A história da Nokia era muito boa, tão boa que encantou e engajou as pessoas. Essa parte eles acertaram em cheio. O erro foi terem mentido e depois revelado que aquilo não existiu. Foi um pouco parecido com o final de Lost”, brinca. Por outro lado, o caso mostra que as pessoas são sensíveis às histórias, e até aceitam fazer parte dela: basta encontrar a “pegada” certa. “Casos como da Nokia revelam que as pessoas não querem ser enganadas, que elas de fato têm prontidão para engajamento em uma causa e não acham nenhuma graça em depois descobrir que se trataria de um argumento publicitário-comercial de um novo aparelho telefônico”, argumenta Rodrigo Cogo. “Em longo prazo, esse erro faz a diferença”, finaliza.

Como criar boas histórias? Existem vários métodos para a criação de narrativas, utilizando diferentes mídias como suporte. Mas no contexto organizacional, o objetivo não é criar uma narrativa tarantinesca, e sim algo com uma estrutura lógica e linear. Os elementos básicos para uma história eficaz são personagens (eventualmente um “herói” ou “heroína”), enredo, clímax e desfecho. Mas o essencial é a criatividade na hora de escrever a narrativa, de escolher o meio, o

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conceito e o alinhamento com a estratégia corporativa. “Todos sabem contar histórias, mas a verdadeira dificuldade é cativar durante este processo. Para isso, é preciso ser assertivo com as informações e planejá-las para que conduzam o espectador, ao invés de dispersá-lo em meio aos detalhes. É sentir o ritmo”, aponta Alexandre Franzolim, consultor de apresentações do TEDx no Brasil. Em primeiro lugar, fuja dos contos de sucesso, com excesso de positividade. Esse tipo de abordagem já não produz o mesmo efeito, de tão saturado. Rodrigo Cogo aponta alguns estilos úteis para evitar o clichê: tom confessional, narrativa em primeira pessoa, repertório coloquial, exposição de vulnerabilidade, proposta inspiracional, universalidade temática, jogo de suspense, curiosidade e vigor emocional. “Veja que ‘vulnerabilidade’ é um dos pontos, e expressa exatamente a abertura para as fraquezas e os insucessos dos personagens de nossas histórias – empresas, produtos, chefes, colegas, familiares e nós mesmos”, diz. “As pessoas cansaram do ‘mundo-rosa’ e idealizado da publicidade, ou dos enredos de novela baseados na ‘burguesia’. O mundo vai muito além destes estereótipos”, indica. Vez por outra é bom apostar no fracasso e na negatividade. “Pessoas aprendem mais a partir dos seus erros do que de suas virtudes”, relata Dennings. Exemplos máximos desse tipo de narrativa são a graphic novel Watchmen e a série literária Game of Thrones, negações veementes das virtudes e da honra em favor do maquiavelismo e da astúcia. Utilize a narrativa transmídia. Uma história é construída

continuamente, e com o tempo cria-se um universo próprio de signos, aberto à participação dos consumidores. Para isso, o uso de diversos suportes para a contação de histórias é um aliado fundamental, uma vez que cada mídia conta com linguagens particulares: vídeo, texto, hiperlinks, QR Code, livros, tudo pode ser útil para a maneira como a história será contada. Mas é preciso notar que cada uma irá atingir públicos distintos, e nunca perder de vista o principal: tudo depende de uma boa história. Um exemplo recente é o jogo Angry Birds. No início, a narrativa era breve: um vilão provocava o protagonista e o jogador tinha que ajudá-lo a se vingar e recuperar o que foi roubado. Em pouco tempo o jogo fez sucesso e a história foi sendo ampliada para conquistar mais clientes; logo a Rovio lançou brinquedos, bichos de pelúcia e até parques temáticos sobre Angry Birds. O que parecia um jogo mobile inocente se tornou uma grande história. Por último, a empresa deve ter em mente que as histórias são contadas, independente de existir ou não uma ação estratégica nesse sentido. Como uma habilidade natural, as pessoas criam, fantasiam e narram, dentro ou fora do seu alcance. Não é garantido que uma história conquiste a atenção das pessoas, dado o volume de informações que consumimos cotidianamente – aliás, é nesse contexto que as boas narrativas e a criatividade se sobressaem. O certo é que empresas que não contam histórias estão condenadas a ser um subproduto do passado. Subestimar ou tentar anular o compartilhamento de histórias é tão útil quanto bloquear a luz com uma peneira.


Y O que uma história precisa ter?

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Um ou mais personagens. Pessoas que irão à busca de algo além do comum. O personagem principal deve ser alguém com quem o público possa se identificar.

Sentimentos. Para mexer com a emoção das pessoas, a história deve ser como uma música, misturando momentos de calmaria, tensão, alegria e melancolia.

Uma situação extraordinária ou quebra de rotina. Algo que vai fazer a personagem principal deixar o cotidiano para realizar um feito épico.

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Um antagonista. Uma situação, pessoa ou grupo que irá fazer frente ao personagem principal e tentar impedir a todo custo o seu avanço.

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Roteiro. A estrutura é essencial para que a história não perca de vista o seu propósito. O roteiro deve ter começo, meio, clímax e fim, intercalando plot points (momentos que darão sentido à narrativa).

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JORNALISMO GONZO | autoescola

O que aprendi sobre perseverança na autoescola por agatha justino

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Reprovar seis vezes em uma baliza sempre deixa alguma lição. A repórter da Administradores conta qual seria.

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erseverança: uma palavra repetida na Bíblia e nos livros motivacionais. Está na boca dos exemplos mais inspiradores pelo mundo e também nos para-choques dos caminhões. Geralmente, o termo vem logo após um

contratempo, como aquele suspiro de esperança em reverter algo. Mas a verdade é que ninguém quer falhar e, quando isso acontece com bastante frequência, a sensação de que não se está fazendo o suficiente se mistura com a de vergonha. Nessa hora, o velho “continue tentando” começa a aparentar um conselho inútil. 46

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E o fracasso pode vir em diferentes formas, dimensões e épocas. Pode ser desde aquele colega que já tentou cinco vezes passar em um concurso público, a amiga que trava uma luta (real) contra a balança ou até quem tenta abrir um negócio e se depara com mil barreiras. Os práticos dirão: quer passar na prova, estude; quer emagrecer, faça uma dieta; quer abrir um negócio, invista. Mas até eles sabem que nem sempre é tão fácil assim. Todo mundo já se sentiu mal por não ter con-


seguido algo aparentemente simples. E quem reprovou na autoescola seis vezes, assim como eu, pode dizer isso com propriedade. Comecei a saga assim que completei 18 anos e com certa dose de arrogância: tirar a carteira de habilitação seria muito fácil, qualquer um consegue e em três meses eu estaria dirigindo pela orla sentindo o vento balançando meus cabelos. Mal podia esperar para dizer adeus aos cobradores, paradas de ônibus e aos funkeiros sem fone de ouvido. Bem, quatro anos depois, o único balanço que eu senti foi o sacudir da condução. Falhei logo na primeira prova. O psicotécnico, que deveria ter sido o mais fácil, foi apenas um prenúncio do que ainda estava por vir. Não entendi o porquê da reprovação, também não questionei, apenas fiz outra. Assisti com afinco a todas as aulas teóricas e (teoricamente) aprendi sobre mecânica, leis de trânsito e direção defensiva, o suficiente para atravessar a segunda fase. Chegando a terceira etapa paguei 14 aulas práticas, que segundo a autoescola, seriam suficientes. Sandro, meu instrutor, me buscaria pelas manhãs para treinarmos os três desafios da prova do Detran: meia-embreagem, baliza e, por fim, garagem. Lembro que na época, não paravam de repetir para mim que na hora da prova, se não obedecesse a placa PARE, a reprovação era automática. Fácil! Não ia esquecer isso. Estava empolgada e aparentemente nada poderia dar errado. Aparentemente. Logo no primeiro dia entrei em uma via errada no campinho e dei uma batidinha, de leve, em outro carro da autoescola. Eu devia ter captado o sinal, aquilo não poderia acabar bem. As 14 aulas foram um desastre. Eu não tinha dimensão da baliza e meu cérebro ainda não entendia qual era

o mistério que envolvia o ato de estancar. Foi assim que enfrentei a primeira prova e como já adiantei no início, não passei. Reprovação é uma palavra muito feia. As pessoas deveriam usar algo mais sutil como um karaokê: tente outra vez ou você está quase lá. O tempo passava enquanto eu continuava batendo na baliza. Quando finalmente consegui vencê-la, fui cegada por uma felicidade tão grande que não vi a placa do pare. Lá pela quarta vez, já tinha amizades pelo

me colocava para pensar “dirigir não é para mim”. Céticos diziam que faltava apenas um pouco de prática. O que precisava mesmo era treinar fora da autoescola, com alguém paciente e em uma rua não muito movimentada. Resolvi fazer isso no carro da minha mãe e bati numa SW4 que cruzava a rua. Um conselho de direção defensiva que você nunca receberá na autoescola: sempre fuja de carros maiores que o seu.

A decepção de fracassar é uma sensação que passa tão rápido quanto a euforia de ser bem sucedido Departamento de Trânsito: o vendedor de água de coco dizia: “força, querida. Seu Inácio, responsável por conferir os documentos, se tornou o melhor coach que já conheci – o homem tinha uma fé inabalável. Ele costumava me surpreender com comentários do tipo: “da última vez que você veio aqui estava mais gordinha. Emagreceu. Parabéns!” ou “sabe aquele livro Nunca desista dos seus sonhos? Você deveria ler, vai te ajudar”. Pois é, amigos leitores, a essa altura eu já tinha virado caso de livro de autoajuda, pior, caso de Augusto Cury. A torcida era boa e contagiante como um pênalti de Copa do Mundo, mas não era o suficiente. Cada reteste

O certo e o errado O campo de batalha já estava me cansando financeiramente (já que o reteste custava R$ 120,00 e eu ainda precisava pagar novas aulas), fisicamente (quem não se sente cansado em tentar demais?!) e psicologicamente (se algumas pessoas eram motivadoras, outras só achavam uma grande piada). Então, apareceu um instrutor da autoescola (que não era Sandro), oferecendo a carteira por meio de um “esquema” em troca de uma quantia, que ele chamava de um jeito malandro: “a importância”. Segundo ele, eu deveria reprovar na pista e – um amigo responsável abril/maio 2013

por fazer as carteiras dentro do Detran – criaria a minha em um passe de mágica. Situações desesperadas pedem medidas desesperadas? Nem sempre. Eu, pelo menos, não ia aceitar entrar nesse esquema. E olha que se tivesse aceitado poderia nem estar contando essa história para vocês. No outro dia, uma operação da polícia prendeu 30 pessoas envolvidas em um esquema de venda de carteiras. A lição permaneceu: tentar vencer algo na falcatrua nunca é uma boa opção. Passado um ano de tentativas frustradas, não consegui tirar a carteira e perdi o processo. Senti-me mal, mas conheci outras pessoas na mesma situação, o que não deveria ajudar, mas ajuda. Sobraram, na verdade, duas escolhas que não faltam defensores para ambos os lados, principalmente, na Administração: “não desistir”, ou “abandonar a ideia e procurar um novo caminho”. Já fiz a minha escolha. Utilizo o transporte público, mas desistir de tirar a carteira não consta nos meus planos, assim como não pretendo deixar qualquer objetivo de lado diante das dificuldades. Das questões mais simples aos problemas mais sérios é preciso ter em mente que a decepção de fracassar é uma sensação que passa tão rápido quanto a euforia de ser bem sucedido. Novos desafios sempre tomam o espaço dos resultados passados e quanto maior a dificuldade, melhor o sabor da vitória. Ainda neste semestre marcarei a próxima prova (a sétima). Quem sabe, em uma próxima oportunidade (e logo), poderei contar para vocês a história do que passei para tirar a carteira de motorista. Afinal, descobri que é a perseverança a última que morre. administradores.com

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MENTE ABERTA voo

Dez lições que empresas podem aprender dos aeroportos por seth godin

Seth Godin escreveu 13 livros que foram traduzidos em mais de 30 línguas. Cada um tem sido best-seller. Ele escreve sobre a revolução pós-industrial, a forma como difundir ideias, marketing, parar de fumar, liderança e, acima de tudo, como mudar tudo.

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ercebi que não odeio voar; odeio aeroportos. E existem muitas coisas que você pode aprender com os erros que eles cometem. Mas é claro que esse texto não se trata exatamente sobre aeroportos. 1. Ninguém está no comando. O aeroporto não aparenta ter um CEO, e se existe você nunca o vê, não escuta falar sobre ele ou interage de alguma forma. Quando a pessoa que está no topo não se importa, esse comportamento se espalha por outros setores. 2. Problemas persistem porque as organizações defendem seus territórios ao invés de encarar o problema. Os responsáveis pela segurança culpam os operadores, que culpam outras pessoas e por aí vai. 3. Como nas faculdades, os aeroportos enxergam seus clientes como pessoas transitórias e sem poder. Ei, você está indo embora amanhã, mas eles ainda estarão aqui. 4. Tirando a negligência, os aeroportos criaram uma estrutura falha. A fim de aumentar o lucro, as companhias trabalham para aumentar o máximo que podem o número de voos por dia. Resultado: não existem peças de reposição, tempo de inatividade e resistência. As empresas presumiram que os consumidores preferem economizar dinheiro e não ansiedade; assim criaram um sistema doente. 5. O TSA (Transportation Security Administration – responsável pela segurança em transportes nos Estados Unidos) é administrado por superstições, não fatos. Eles agem sem dados e apresentam um teatro inútil. Dez anos depois, o teatro está se tornando o status quo impregnado.

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6. O ad hoc é proibido. Imagine um funcionário trazendo uma régua de energia para lidar com a ocorrência de passageiros que usam a única tomada. Impossível. Há uma tendência para o permanente e melhorado, e não o rápido e eficaz. 7. Todos são tratados da mesma forma. Organizações eficazes tratam pessoas de maneira diferenciada. Enquanto algumas vitrines estão dando o seu melhor, no geral, aeroportos insistem em um tamanho único para caber todos. 8. Existem várias surpresas ruins em potencial, mas nunca boas. Você pode ter seu voo cancelado, ser revistado ou até ir para o aeroporto errado. Mas toda possibilidade de uma situação agradável é excluída. Não precisaria de muito para transformar essa experiência maçante em algo divertido. 9. Eles são estéreis. Todos que passam não deixam traços, toda manhã começa diferente. Não existe conexão entre as pessoas, nem passageiros ou funcionários. Ninguém diz “bem-vindo de volta”, e isso é honesto, porque ninguém se sente bem-vindo de fato. 10. Ninguém está se divertindo. A maioria das pessoas que trabalham em aeroportos tem o mesmo comportamento de quem trabalha em um cemitério. O sistema se tornou industrial e qualquer expressão pessoal parece ser proibida. Nós vemos que muitas organizações terminam assim: os erros cometidos pelos aeroportos dominaram o mercado e criaram o monopólio do “você não tem outra opção” (sim, nós temos: ficar em casa). E na busca pelos resultados previsíveis, essas companhias tornaram tudo desumano, fingindo que isto aumentará os lucros, quando na realidade o que acontece é o oposto.


ARTIGO DO LEITOR dois lados

Você realmente quer que eu visite a sua cozinha? por flávio lettieri

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Flávio Lettieri é Sócio-diretor da Somma. Com mais de 15 anos de experiência já ministrou treinamentos para mais de 20.000 pessoas. É pós graduado em Administração do Terceiro Setor, Psicanálise e Psicologia Aplicada aos Negócios. Consultor e autor do Livro “Sonhar é Preciso”.

Este artigo pode ser conferido no Administradores adm.to/hoteladm

Queremos o seu texto publicado aqui na revista Cadastre-se em administradores.com e publique artigos em sua conta. Os textos mais interessantes serão selecionados e poderão estar na próxima edição da Administradores.

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or força do meu trabalho, visito hotéis muito regularmente. Dias atrás tive uma experiência em um bastante conhecido, que muito me fez refletir sobre os bastidores de algumas empresas de serviços. Havia um treinamento para ministrar no período da tarde e, como o grupo estava utilizando a sala onde aconteceria o evento, precisei preparar o material durante o almoço dos participantes. Ou seja, precisava fazer algo muito comum na rotina de quem trabalha com eventos e treinamentos: intercalar o almoço com o dos participantes. A única restrição era que o restaurante do hotel não estaria aberto no horário em que eu precisava almoçar. Assim, muito gentil e proativamente, a pessoa do evento perguntou se eu me importaria de almoçar no refeitório dos funcionários do hotel. “Sem problemas”, respondi, até porque isso é algo comum em virtude dos horários alternativos. O problema foi que ali descobri um mundo que em nada se parecia com o bom atendimento aos eventos e a elegância das instalações do hotel. O primeiro ponto que chamou a minha atenção foi a localização do refeitório: bem escondido das instalações, em um local feio, que muito contrastava com a beleza do resort. Passei pela catraca de acesso e logo à direita estavam os pratos e talheres. Ninguém falou nada. Ninguém perguntou nada. Peguei o prato e, como sempre faço, coloquei primeiro a salada. Mas, no momento em que ia temperar, ouvi a voz estridente de uma senhora que parecia ser a chefe da cozinha: “ei, onde está seu ticket?”. Nesse momento, todos os olhares do local se voltaram a mim. As pessoas, disfarçando a curiosidade, queriam saber onde iria parar aquela conversa. “Oi, senhora, não tenho nenhum ticket. Fui instruído pela responsável dos eventos para vir almoçar aqui”. “Não pode não. Sem o ticket não pode comer”, falou com rispidez, tentando dar um ponto final à conversa.

Querendo resolver aquela situação desagradável e, confesso, constrangedora, procurei conciliar: “como já coloquei a comida no prato, será que eu não poderia primeiro comer e depois buscar o ticket para a senhora?”. “Não, moço. Essa é a ordem que tenho”. Ainda tentei insistir: “mas, senhora, o que eu faço com a comida?”. “Pode deixar que jogo fora”, disse ela pegando o prato da minha mão e acabando de vez com a conversa. Fiquei inconformado ao perceber a enorme distância entre o atendimento que é dado aos hóspedes e aos funcionários e prestadores de serviço naquele hotel. Perguntando depois a um funcionário, ele disse (confidencialmente) que a comida servida no refeitório é bem diferente daquela servida no buffet. “Mas você não acha natural que os hóspedes tenham um buffet mais variado?”, perguntei a ele. “Isso eu acho sim. Só não acho certo servir carne de primeira aqui e de terceira lá no refeitório”, respondeu-me com naturalidade. Como eu poderia discordar dele? Acredito que isso não seja uma questão de economia, mas sim de valor dado ao ser humano. Como uma prestadora de serviços pode pedir que seus funcionários sirvam seus clientes com excelência se eles mesmos não são tratados com a merecida dignidade pela empresa? Diante desse episódio, tomei uma decisão: sempre que for fazer uma visita técnica para selecionar um hotel, quero conhecer o refeitório dos funcionários. Não farei questão de encontrar luxo, mas espero um ambiente de bom gosto e cuidado com carinho. Não esperarei um cardápio variado, mas pretendo encontrar uma comida feita com qualidade. Não espero ver os funcionários se divertindo e relaxando como hóspedes, mas pessoas sendo tratadas com respeito, dignidade e, de fato, reconhecidas como fundamentais para o bom atendimento aos clientes.

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ADMINISTRADOR NA HISTÓRIA | Barbe-Nicole Ponsardin

Barbe-Nicole Ponsardin A primeira mulher de negócios do século XXI por agatha justino

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/ léon cogniet

foto reprodução

LINHA DO TEMPO A viúva ignora o Assume os negócios, bloqueio continental após a morte do marido, de Napoleão e envia François Clicquot garrafas à Rússia

1805

Aos 27 anos, essa empreendedora deixou de ser Barbe-Nicole para se tornar a Viúva de Clicquot e lançar um negócio que sobrevive até hoje.

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1777

Nasce Barbe-Nicole Ponsardin na cidade de Reims

ma jovem de 27 anos perdeu o marido e, apesar de não ter nenhuma formação e ter uma filha para criar, assumiu a empresa da

família, operando uma transformação na companhia. Em pouco tempo, a marca desenvolveu novos métodos de fabricação, estratégias de marketing e um modelo de negócios agressivo. Quem pensou que essa mulher com o espírito ousado viveu no século XXI, se enganou.

Barbe-Nicole Ponsardin nasceu em 16 de dezembro de 1777, na cidade de Reims, na França, mas seu nome ficou marcado na história como a Veuve* Clicquot ou a “grande dama do Champanhe”. Casada com François Clicquot, Barbe-Nicole era uma esposa diferente das outras. Interessava-se pelo trabalho do marido, aprendendo com ele um pouco sobre uvas, fermentação e transporte de mercadorias. Após o falecimento de François, em 1805, ela optou por tomar as rédeas dos negócios. Se antes a companhia dividia-se em serviços bancários, comércio de lã e fabricação de bebidas, sob o seu comando a empresa focou-se apenas na produção de Champanhe. Com uma maneira de gerir audaciosa, Barbe-Nicole resolveu focar o seu produto na sociedade burguesa que ascendia após a Revolução Francesa. Ela tornou a bebida popular entre os soldados estrangeiros que lutavam na França e, ao voltarem aos seus países de origem, ajudavam a difundir a marca. No ano de 1811, as condições climáticas permitiram uma boa colheita de uvas e, 50

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1814

Morre aos 89 anos em Boursault

1866

1810

1816

A Madame cria o primeiro champanhe vintage

Cria a table de remuage, responsável por clarificar o vinho

com sua visão empreendedora, a viúva aproveitou a safra para produzir champanhes que só ficariam prontos nos anos seguintes. Quando as guerras napoleônicas acabaram, em 1815, a exportação de vinho saltou de 400 mil litros para cinco milhões. Desafiando o bloqueio continental imposto por Napoleão, ela financiou uma embarcação que venderia mais de 10 mil garrafas na Rússia, o que tornaria o Veuve Clicquot a bebida preferida da aristocracia local. Obcecada pela inovação, ela desenvolveu uma técnica chamada “table de remuage”, que sedimentava impurezas e revelava o brilho do champanhe, um processo utilizado até hoje. Barbe-Nicole se preocupava não apenas com o sabor, mas também com a estética do produto. Para isso, enviava cartas de reclamação aos fornecedores quando as embalagens não seguiam suas exigências. Participando de cada etapa

1972 É criado o “Prêmio Veuve Clicquot da Mulher de Negócios”

da comercialização do produto, ela se tornou a primeira mulher de negócios da era moderna e fez do Veuve Clicquot o maior representante da sua categoria. “Chamar a viúva” foi por muito tempo sinônimo de pedir um champanhe nas festas. Celebrações que a própria evitava. Antissocial, uma de suas poucas imagens está cravada, desde 1972, na tampa de metal das garrafas da marca que hoje pertence ao conglomerado de luxo LVMH (Louis Vuitton Moët Hennessy). Madame Clicquot faleceu no dia 29 de julho de 1866, aos 89 anos, sem nunca ter casado novamente. Para lembrar a importância do seu legado, a Maison criou em 1972 o “Prêmio Veuve Clicquot da Mulher de Negócios”, que celebra administradoras com o mesmo espírito de liderança que tinha a idealizadora da marca.

*viúva, em francês


Administrador

do futuro por mayara chaves

No primeiro “Administrador do Futuro” internacional entrevistamos o chileno Pablo Ambram, que contou a sua inovadora ideia: a Agent Piggy

Pablo Ambram agent piggy

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ducação Financeira é uma expressão que ganha mais espaço e importância na nossa sociedade, em que o consumo é cada vez mais desenfreado. Saber lidar com dinheiro, economizar e, principalmente, fazer com que o patrimônio e os rendimentos cresçam, é fundamental para se colher e desfrutar os benefícios salariais ou os lucros dos negócios. E o tema, não se engane, não é apenas “coisa de adulto”. Crianças também consomem e necessitam de educação para pensar no dinheiro de forma consciente. E foi com esse pensamento que o chileno Pablo Ambram resolveu criar a startup Agent Piggy. O site é a primeira plataforma especializada em educação financeira infantil na América Latina e já foi reconhecido por diversas instituições, entre as quais, Founder Institute, Start-Up Chile, The Next Web, Wayra e Banco BBVA. A iniciativa de Pablo, CEO da empresa, fez com que não tivéssemos dúvida: ele tem a iniciativa de um administrador do futuro.

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imagem divulgação

Como surgiu o Agent Piggy? A ideia do Agent Piggy nasceu em 2010, quando fazia parte do “Founder Institute de San Diego”. Nesse período, os Estados Unidos estavam envolvidos na crise do subprime e as pessoas começavam a sentir os reflexos. Em todos os lugares, pessoas comuns perdiam suas casas e vendiam os bens mais valiosos para pagar dívidas. Tudo isso pela falta de preparação e educação financeira. Ninguém os ensinou a gerenciar melhor seu dinheiro, nem mostrou as formas de fazer isso. A empresa nasceu como uma solução para esse problema, com foco em um segmento da população a quem se pode ensinar de forma eficaz os conceitos financeiros básicos e hábitos: as crianças. Elas são mais capazes do que os adultos em adquirir, reter e, em seguida, usar esse conhecimento e hábitos. Por isso é importante educá-las.

Quais são os métodos para educar crianças em relação ao dinheiro? O Agent Piggy coloca o lado prático do dinheiro para crianças e famílias. Assim, quando a criança começa a usar a plataforma, o sistema cria automaticamente três contas onde ela coloca o dinheiro em: gastar, poupar e doar. Além disso, as crianças podem criar um objetivo financeiro, para o qual desejam poupar, tornando a experiência mais tangível e específica. Na plataforma, os pais também podem criar tarefas em que as crianças são abril/maio 2013

responsáveis em casa, desde o básico, pelas quais as crianças não recebem recompensa (por exemplo, estudar) até as tarefas extras (como cortar a grama), para estas definindo um prêmio. Se a criança realiza a atividade, o pai recebe uma notificação em seu e-mail para checagem. A ideia é conectar a noção da importância do trabalho com uma recompensa.

O projeto já auxiliou quantas crianças? Mais de 1.500 crianças utilizam ou já utilizaram o Agent Piggy na sua versão web. Em 2013, estamos experimentando um crescimento acelerado dessa base e esperamos chegar a mais de 10 mil antes do final do ano. Além disso, estamos lançando um produto nos colégios de educação infantil, que são as aulas de finanças para crianças. Neste ano, mais de 15 colégios privados e subsidiados no Chile utilizarão nosso plano de aula, o que representa mais de 600 crianças. E isso é só o começo.

O que você fazia antes de fundar a Agent Piggy? Gosto de observar o mundo e procurar maneiras de melhorar. Antes de fundar o Agent Piggy, passei mais de três anos na construção de um software para bancos e aplicações financeiras, onde tive clientes da América Central e Equador. Também fundei duas startups. Uma delas, por várias razões, não funcionou, mas me deu o conhecimento para consolidar e seguir adiante com a Agent Piggy. administradores.com

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FORA dO QUADRADO Você já ouviu falar do Kickstarter? É um site que criou uma maneira coletiva de financiar projetos. Pessoas comuns, com ideias diferentes, lançam o seu plano e qualquer um pode contribuir. Desde o seu lançamento, em 2009, mais de 3,7 milhões de pessoas já comprometeram US$ 551 milhões. Separamos doze projetos que obtiveram sucesso através desse modelo. por eber freitas e fábio bandeira de mello

1 Oculus Rift

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fotos divulgação

5 Zombicide

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Window6 farms Arrecadado

Arrecadado

Arrecadado

US$ 257.307

US$ 2,4 milhões

US$ 781.597

Windowfarm é um sistema de jardinagem para o cultivo de plantas em ambientes fechados (como apartamentos), sem causar sujeira. Ele funciona como um jardim vertical que permite controlar o volume de água e a temperatura. A água é bombeada a partir de um reservatório, na base do sistema, e banha as raízes ao longo do caminho. O kit custa a partir de US$ 199 e já pode ser encomendado no site windowfarms.com

O Oculus Rift foi um dos projetos que recebeu mais investimento do KickStarter e ganhou status de “revolucionário”, capaz de trazer uma experiência inovadora relacionada aos games virtuais. Ele funcionará como uma espécie de capacete, com o qual, a pessoa será posta dentro do jogo, dando uma experiência de realidade virtual nunca ainda vista. O produto, no entanto, ainda não tem data marcada ou preço de lançamento confirmado.

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2 Alpha Watch Arrecadado

US$ 321.314 Pessoas que sofrem com pressão alta ou baixa têm uma nova opção para monitorar a frequência cardíaca. O Alpha é um relógio que faz essa medição sem a necessidade de uma cinta ou qualquer outro objeto amarrado no corpo. O monitor utiliza electro-óptico e um par de feixes de luz para controlar o volume de sangue sob o pulso. Ele ainda pode passar informações cardíacas através de um aplicativo instalado no

smartphone. O valor é de US$ 199.

3 Hand Stylus

4 Zboard

Arrecadado

Arrecadado

US$ 313.490

US$ 278.767

Essa pode ser uma boa ferramenta para quem trabalha com artes gráficas ou que simplesmente deseja ter mais um acessório para seu tablet. A caneta Hand Stylus surgiu para ser utilizada justamente nos gadgets com tela touchscreen. O diferencial está em sua precisão, fazendo com que aqueles traços com a mão, que geralmente ficam toscos, saiam bem delineados. http:// handstylus.com

Inclinar para frente para ir. Inclinar para trás para parar. A iniciativa de criar o skate elétrico Zboard surgiu quando os próprios desenvolvedores sentiram a necessidade de ir a algum lugar muito distante para ir andando, mas muito perto para ir dirigindo. O Zboard pode ser carregado através de uma tomada simples e atinge uma velocidade de até 17 quilômetros por hora. Por US$ 649, ele pode ser encontrado em www. zboardshop.com/

Fãs de zumbis, preparem-se. Zombicide é um jogo de tabuleiro em que os participantes assumem o papel de sobreviventes – cada um com habilidades únicas – e aproveitam os seus conhecimentos contra as hordas de mortos-vivos. Ele tornou-se um dos itens mais financiados da história da Kickstarter, ultrapassando o objetivo de arrecadar US$ 20 mil. A versão brasileira do Zombicide sai ainda este ano pela Galápagos Jogos.

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9 11 7 12 Twine Arrecadado

US$ 556.541

7 Lumityping Arrecadado

US$ 268.437 Dois amigos criaram um processo de fotografia que imprime qualquer tipo de imagem em tecido usando um corante especial (qualquer coisa mesmo). Ele é à base de água e desenvolve a sua cor de forma permanente com a exposição ao sol. Dá para fazer estampas em camisas, sofás, cortinas e onde a criatividade permitir. O projeto atraiu mais de 3.000 apoiadores e está disponível em http://lumi.co/

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8 CloudFTP Arrecadado

US$ 262.351 Essa é para nerd nenhum botar defeito. CloudFTP é um adaptador do tamanho de bolso que pode transformar qualquer dispositivo de armazenamento USB em um servidor de arquivos sem fio. Ele também pode se conectar automaticamente à Internet para fazer backup e sincronizar os dados do USB com populares serviços de nuvem on-line de armazenamento como iCloud, Dropbox e box. net. Recentemente ele foi renomeado para iUSBport e é vendido no http://hyperShop. com por US$ 100.

8

9 CineSkates Arrecadado

US$ 486.518 Se você já sentiu dificuldades em fazer bons vídeos na sua câmera portátil ou quer dar um ar mais profissional com aquela cybershot que possui, a CineSkates pode ser uma boa solução. Trata-se de um tripé portátil com rodas projetadas para ajudar o fotógrafo (ou cineasta) a fazer movimentos com ângulos bastante complicados. O produto é vendido por US$ 150 no site http://store.cinetics. com/cineskates/

11 Brydge

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Arrecadado

Arrecadado

US$ 797.979

US$ 305.393

Quem adora o iPad, mas sempre o desejou com um teclado físico, vai gostar do Brydge. Ele é uma solução elegante para quem sente falta de um teclado nesse dispositivo da Apple. O gadget possui uma estrutura que se acopla no tablet e faz com que as duas partes pareçam ser o mesmo aparelho. O Brydge ainda contém alto-falante estéreo e, uma vez fechado, o iPad é desligado automaticamente. Veja como funciona em adm.to/brydge_ipad

Alguma vez você já perdeu uma chamada porque não podia ouvir o telefone? Ou ficou verificando constantemente a caixa de e-mail para ver se aquele importante tinha chegado? O relógio COOKOO vai deixar você saber o que está acontecendo em seu telefone em tempo real – mesmo se não puder vê-lo ou alcançá-lo. “Fique conectado a qualquer hora, em qualquer lugar”. Essa é a promessa do COOKOO, que funciona como extensão do smartphone. Mas fazemos um alerta: cuidado com o vício.

Twine é um sensor interno que pode ser colocado em diferentes ambientes e, caso tenha alguma anomalia, ele avisa via e-mail ou redes sociais. Por exemplo, quer saber quando o correio chega? Fixe o Twine e quando alguém colocar uma carta no dispositivo, ele avisará. O produto pode funcionar com um acelerômetro interno (para detecção de impacto), chave magnética (útil para portas e qualquer outra coisa que se move) e sensor de umidade (detectar a presença de água). Detalhes em adm.to/twine_adm

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ENTRETENIMENTO | curiosidades, humor e sustentabilidade

MKT de guerrilha

Computador que lê sonhos em tempo real Cientistas japoneses desenvolveram um computador capaz de ler os sonhos de uma pessoa enquanto ela dorme. A técnica combina o mapeamento do cérebro e foi testada em um grupo de voluntários. A máquina recebeu dados de 200 sonhos com 80% de precisão. Por enquanto, o equipamento reconhece palavras como “carro”, “homem” ou “mulher”, mas já representa um progresso. “Saber como os sonhos se relacionam com a atividade cerebral pode nos ajudar a entender sua função”, diz o neurocientista Yukiyasu Kamitani, um dos autores do estudo. abril/maio 2013

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Londres disponibilizou nas ruas da cidade dezenas de lixeiras inteligentes. Elas mostram as previsões do tempo, notícias em tempo real (com opções de temas sobre cultura, esporte, meio ambiente, mercado financeiro e entretenimento), enviam mensagens de emergência e avisam os pontos de bicicletas disponíveis no sistema de aluguel público. Sim, elas também servem para você jogar o lixo fora. O projeto já tem previsão para chegar em outros lugares do mundo como EUA, Singapura e Japão. Faltou o Brasil nessa lista.

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Lixeiras públicas “bem” inteligentes

através dos pedidos e mensagens que chegavam pelo Twitter. Para participar do outdoor interativo, bastava publicar um tweet com a hashtag: #ScribeBillboard. Veja o vídeo dessa ação em scribebillboard.com/

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Na edição passada, neste espaço, falamos de um outdoor que ocupava um quarteirão. Agora, resolvemos falar novamente desta plataforma, mas com um anúncio bem diferente. Em uma ação da papelaria Scribe, realizada na Cidade do México, a empresa colocou uma ilustradora para literalmente morar em um outdoor. Durante dez dias, Cecilia Beaven ficou em um contêiner acoplado ao anúncio, com uma missão diária: ilustrar desenhos na placa dia e noite

Que tal fazer um casaco com pelos? Quem tem cães como animais de estimação já sabe: é quase sempre inevitável que eles deixem pelos espalhados. No entanto, alguém imaginou um destino diferente da lixeira para os tufos descartados pelos bichanos. O fotógrafo francês Erwan Fichou, através do Dogwool, fotografou pessoas usando casacos feitos com esses pelos. No projeto, cada proprietário apareceu ao lado do bichinho que, indiretamente, contribuiu para o seu look. E você, usaria um casaco assim? Fotos em www.erwanfichou.org/.


AçÕES para um mundo melhor

DES COM Rio Noyyal: PLI a sujeira CAN limpando do desenvolvimento DO por

eber freitas

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MENTORING Profissional mais velho, com experiência e habilidade de relacionamento, que acompanha e passa para o mais novo suas ideias sobre o trabalho e a carreira.

DISPLAY ADVERTISING Propaganda ou anúncio que não se limita à forma simples, como os classificados, mas que contém elementos de desenho ou arte, visando despertar maior atenção.

COO (CHIEF OPERATING OFFICER) Executivo-chefe de operações. Geralmente o braço direito dos CEO´s.

Um dos pontos mais sensíveis quando se fala de sustentabilidade – no seu sentido mais amplo – é o uso e tratamento dos recursos hídricos do planeta. A utilização da água perpassa boa parte de nossas necessidades, seja na sua ingestão pura, na irrigação de plantações ou no esgoto. “Há um ditado em hebraico que diz: ‘Qualquer tolo pode jogar uma pedra no poço. Mas para tirar essa pedra, precisa-se de várias pessoas sábias’”, afirma o professor israelense Yoram Oren, especialista em dessalinização e tratamento de água pela Universidade de Ben-Gurion. “É assim que acontece com a água: é muito fácil e muito rápido de poluir, mas a limpeza e o tratamento requerem um longo prazo, grandes esforços e muitos gastos”, diz. Há quatro anos, ele foi convidado a montar um laboratório na Universidade de Karunya, na Índia, para investigar as causas e possíveis soluções à poluição do Rio Noyyal, um dos principais da localidade. Estima-se que o rio, que também é sagrado na cultura local, já foi capaz de prover água para a agricultura de 20 mil acres de terra. As fontes de poluição no local são as indústrias têxteis, especialmente as que trabalham com tingimento de algodão. Yoram passou a implementar não apenas técnicas

de tratamento – especialmente a nano-filtragem, capaz de remover sólidos dissolvidos na água –, como também a conscientização das indústrias locais. “Visitamos as indústrias, conversamos com as pessoas, ouvimos seus problemas para entender o que eles enfrentam com o tratamento de água, coletamos o material utilizado no tingimento e formulamos soluções para a descontaminação dos efluentes”, explica. E não é apenas uma questão de pura consciência ambiental: o desperdício significa perda de dinheiro, e a prática comum das indústrias era descartar a água utilizada nos processos. Mas boa parte desses recursos passou a ser reaproveitado, o que por si só diminuiu a carga ambiental. “A situação atual é um pouco melhor do que anos atrás”, explica Yoram. Isso também se deve aos avanços da lei indiana nas últimas décadas e à conscientização crescente das pessoas acerca da conservação e preservação do meio ambiente e dos recursos hídricos. Apesar disso, a água do Rio Noyyal ainda está longe de ser novamente própria para o consumo; ainda são necessários anos de trabalho e de esforços. Mas é um investimento necessário. “Não é questão de dinheiro, não é uma opção, é algo que precisa ser feito”, declara Yoram.

humor

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ENTRETENIMENTO | Leitura e cinema

LEITURA sentações. Programas como o Power Point, o Key Note e agora o Prezi passam a falsa mensagem de que basta utilizá-los para a exposição de ideias ser um sucesso. Contudo, o que se vê na prática são apresentações enfadonhas, cansativas, e pior: mais atrapalham que ajudam na comunicação. Nos tempos atuais, raros são os profissionais que não precisam expor ideias, resultados e projetos para outras pessoas, no intuito de convencê-las de algo. Por mais simples que seja a apresentação, realizá-la sem o mínimo de técnica pode ser desastroso, um arranhão sem tamanho para a imagem e a reputação do profissional. O livro Apresentação zen, ideias simples sobre design de apresentações, de Garr Reynolds, nasceu quando o autor, em viagem ao Japão, observou um executivo “revisando uma ‘montanha’ de slides de PowerPoint impressos. Dois slides por página, uma página após a outra, cheias de boxes lotados com textos tediosos em japonês em várias cores diferentes. Nenhum espaço vazio. Nenhum gráfico exceto pelo logo da empresa no topo de cada slide. Slide após slide de textos, títulos de assuntos, bullet points e logotipos.” O que Reynolds descreve é o que mais ocorre aqui no Brasil (com textos em português, claro). Será que alguém realmente acredita que a plateia pode prestar atenção no que é falado e ler o texto dos slides, ao

mesmo tempo? A partir desta pergunta, o autor motivou-se a escrever um livro que ajudasse os outros a “olhar para a preparação, o design e o ato da apresentação” de um modo diferente, que fosse realmente eficaz na comunicação. Apresentação zen é uma abordagem, não um método. Não espere dele um passo a passo, uma receita de bolo, uma promessa infalível de sucesso. O livro oferece um direcionamento sobre uma nova forma de pensar mais simples, mais visual e mais significativa. Para quem gosta de realizar apresentações, o livro de Reynolds é delicioso. Cada página deve ser saboreada como um gourmet se delicia com um bom livro de culinária. Muitas vezes, há mais sabedoria em um único parágrafo do que em dezenas de manuais com técnicas de apresentação tipo fast food. Para quem tem dificuldade e medo de realizar apresentações, a obra é fundamental. Ter um bom material de apoio o deixará mais seguro e preparado. Em ambos os casos, pode acreditar: após ler, reler e estudar esse livro, seu desempenho será outro, antes, durante e depois das apresentações.

O Dilema do Crescimento

Bem-me-quer, Malmequer

por laurence capron

por fernanda e stella angerami

Expõe cinco ações utilizadas pelos autores para prosperar, contra todas as probabilidades, nas mesmas circunstâncias que provocam o fracasso de muitos outros.

O livro busca orientar a criação de um negócio relevante e eficiente, apontando os melhores caminhos a serem seguidos em busca de oportunidades.

A obra mostra os desafios e conquistas da mulher que antes não tinha o direito ao voto e hoje ocupa cargos importantes, além de corresponder às exigências do mercado.

Leya, 352p. R$ 39,90

Campus/Elsevier, 256p. R$ 59,90

Integrare Business, 272p. R$ 49,90

Apresentação zen, ideias simples sobre design de apresentações por roberto dias duarte

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Quem nunca experimentou o suplício de participar de uma apresentação feita com aqueles intermináveis slides de Power Point, com as letrinhas tão miúdas que já na primeira tela bate um sono incontrolável? Assim como depois do advento da máquina digital todos se consideram fotógrafos profissionais, o mundo corporativo sofre de mal similar com relação às apre-

Ed. Alta Books, 229p. R$ 67,50 Roberto Dias Duarte é administrador de empresas, palestrante e professor de pós-graduação da PUC-MG.

ESTANTE Confiança Inteligente ,

por stephen covey greg link

e rebecca merrill

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assista ao trailer

CINEMA

Argo a dupla virada por

O filme ganhador do Oscar de Melhor Filme em 2013 mostra a tentativa de resgate de um grupo de americanos presos na embaixada canadense da cidade de Teerã, no Irã.

gustavo bastos

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Vendo o filme Argo, dirigido e estrelado por Ben Affleck, é possível extrair duas lições sobre o tema “virada de vida”. Presenciamos uma guinada incrível na tela e outra ainda mais impressionante fora dela. Dentro do filme, a virada a que me refiro é o resgate arriscado e criativo de reféns americanos escondidos na embaixada do Canadá em Teerã, no Irã, na época da revolução dos Aiatolás. Mais de 50 americanos são feitos reféns na embaixada dos Estados Unidos e meia dúzia escapa e se esconde na casa do embaixador canadense. A ideia é tirá-los de lá antes que o exército dos aiatolás perceba a falta dos americanos. A partir daí, a tempestade de ideias, das mais sem imaginação às mais loucas, são pensadas e discutidas sem preconceito, o que já é uma lição: para encontrar a saída de um problema você tem que colocar muitas ideias na mesa, discutir com os colaboradores mais próximos e pedir cabeça aberta a todos. No filme, é graças à mente livre que o plano que parecia mais estapafúrdio é aprovado: A CIA finge que vai procurar locações no Irã para um filme de ficção científica tipo Star Wars, que na época era novidade. Todo empresário, empreendedor ou administrador, às vezes, se vê em uma sinuca de bico. Em um daqueles becos que parecem sem saída na vida e precisa lançar mão de muita criatividade, perseverança e uma boa dose de sorte para se livrar das cordas e continuar na luta. A lição extraída do filme vem do cuidado para colocar a ideia em pé, com todos os detalhes pensados e repensados. E ainda o investimento para que ela vire um suabril/maio 2013

cesso, o que no caso de Argo só vendo para saber. Mas a maior lição vem mesmo de fora da tela, da própria produção do filme, da vida de um galã desacreditado que deu a volta por cima de forma sensacional. Ben Affleck praticamente começou a carreira subindo ao palco do Oscar ao lado de Matt Damon como coroterista de Gênio indomável, longa que também contava com ambos os atores. Daí para frente eles tomaram caminhos bem diferentes e Afleck acabou por se meter numa enrascada, ao participar de blockbusters ruins como Pearl Harbor e deitado na fama de bonitão-canastrão (dizem que é culpa de sua ex-namorada Jeniffer Lopez). Pois bem, Affleck certamente enfrentou muito ceticismo do mercado até levantar financiamento para o filme, uma equipe e atores de primeira e uma distribuição decente. O preconceito é tanto que Argo ganhou o Oscar e nem teve o nome de Affleck indicado para melhor diretor. Mas ele enfrentou, conseguiu um belo roteiro, cuidou de colocar sua ideia em pé com afinco, igual ao de seu personagem no filme, e mostrou que é muito mais do que um galã de segunda categoria. Mas para isso teve que ter muita perseverança, acreditar nele mesmo e no projeto que abraçou para tirá-lo do papel de levar, pelas salas de cinema, até o reencontro com o palco do Oscar

Gustavo Bastos é publicitário e diretor da agência 11:21 administradores.com

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PONTO FINAL liderança

O Líder em xeque por antonio celso webber

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Antonio Celso Webber é economista, com atualização em Administração e Marketing na Universidade do Sul da Califórnia e no Insead. Foi professor nos cursos de Pós-Graduação em Administração na PUC-RS e na Universidade de Caxias do Sul. Destaque em Educação pela ABTD - PR, é palestrante e consultor de diversas empresas de todo o Brasil. Autor de O líder em xeque e Afinal, onde estão os líderes? (Bookman Editora)

O livro tem como foco situações normalmente varridas para debaixo do tapete pelos próprios líderes: os fracassos.

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s líderes são infalíveis? Os líderes são heróis? São especiais e diferenciados? Talvez sim, talvez não. Devemos encará-los como pessoas comuns enfrentando situações incomuns, obtendo resultados diferenciados em função de algumas características pessoais que eventualmente possuem e do ambiente em que atuam. Ao longo de muitos anos, desenvolvendo lideranças empresariais, pude constatar que a maioria das pessoas desenvolveu e criou uma visão distorcida do líder como sendo esse super-homem. Um líder nato e diferenciado nos aspectos humanos e que deveria ser seguido quase cegamente. E as pessoas formataram esses modelos mentais de imagem dos líderes muito influenciadas pela visão midiática construída em torno de alguns deles. Desde os idos tempos até os nossos dias, os líderes são percebidos como visionários e condutores na implantação de significativas mudanças e realizações, sejam elas no campo social, militar, religioso, organizacional ou tantos outros. Porém, duas grandes mudanças de paradigmas ocorreram nos últimos tempos com relação à visão da figura do líder e da sua infalibilidade na condução de agrupamentos humanos em busca de algum objetivo, meta ou mudança. Uma delas está relacionada à questão conceitual ampla, já que não existe um consenso: o líder é um indivíduo que possui um conjunto harmônico de conhecimentos e competências comportamentais aderentes ao seu ambiente de atuação, visando conduzir pessoas, equipes e/ou grupos na busca de objetivos comuns. A inclusão da palavra “indivíduo” no conceito sinaliza que qualquer pessoa, em determinado tempo e circunstância, pode exercer a liderança. Assim, verificamos a migração do comando dos altos escalões do poder formal e hierárquico para todos aqueles indivíduos que, independentemente de terem uma posição de comando ou não, conseguem influenciar

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comportamentos e atitudes em determinada direção. Quanto à infalibilidade dos líderes, o livro O Líder em xeque busca desmistificar um pouco essa visão através da narrativa de diversos casos reais, onde o fracasso na concretização dos objetivos propostos teve como causa principal o comportamento desvirtuado do líder. Jogos de poder, insegurança, manipulação, centralização no processo decisório e total falta de envolvimento e comprometimento dos liderados foram os principais aspectos não observados pelo líder e, em consequência, as causas principais de seus fracassos. Cientes desses dois importantes aspectos relacionados com a liderança contemporânea, as organizações estão investindo intensamente no desenvolvimento de novas lideranças em todos os níveis da organização, incluindo-se, nessa política, líderes de projetos e líderes potenciais. Afinal, como já afirmava Tom Peters em suas memoráveis palestras, “ótimas são as perspectivas de sucesso para as empresas que possuem líderes liderando líderes”.


NOVA LEI SECA. MAIS RIGOR, MENOS VIOLÊNCIA NO TRÂNSITO. Não adianta recusar o bafômetro.

Mais do que punir, a Nova Lei Seca tem como objetivo reduzir o número de tragédias no trânsito. Veja o que muda e não corra o risco de se tornar um criminoso como outro qualquer. Quanto de álcool eu posso consumir? Antes, o condutor alcoolizado só era preso se estivesse com concentração de álcool por litro de sangue igual ou superior a 6 decigramas, ou sob a influência de qualquer outra substância psicoativa que determinasse dependência.

Agora é tolerância zero. Qualquer concentração de álcool no sangue implica as penalidades. Quais são as penalidades? (até ou igual a 0,34 miligrama de álcool por litro de ar) Antes, a multa era de R$ 957,70 e o condutor sofria suspensão do direito de dirigir por 1 ano, tinha o carro retido e a habilitação recolhida.

Agora a multa mais que dobrou (R$ 1.915,40) e as demais penalidades continuam as mesmas. Se houver reincidência dentro de 1 ano, a multa é de R$ 3.830,80.

Quando passa a ser crime? (acima de 0,34 miligrama de álcool por litro) O condutor pode pegar de 6 meses a 3 anos de cadeia, além de sofrer as demais penas administrativas.

Como pode ser comprovado? As provas podem ser obtidas mediante teste de alcoolemia, exame clínico, perícia, vídeo, testemunha ou outros meios de atestar em direito admitidos, observada a contraprova.

AGORA É TOLERÂNCIA ZERO. facebook.com/paradapelavida paradapelavida.com.br


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