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Um dia em Roma Pela mão de Mário, um próspero mercador romano, visitamos os principais marcos de uma cidade que vivia o seu apogeu no século I Estamos na primavera do ano 92, em Roma, a capital de um império que estende os seus domínios das névoas da Caledónia (atual Escócia), no Norte da Grã-Bretanha, e das chuvosas margens do Rena e do Danúbio até aos desertos do Oriente, para além da Síria. Mário, um comerciante de garum, o saboroso Trajano inaugurou a molho de peixe que importa da Hispânia, acorda na sua vivenda. Teve suficiente inteligência e visão não só para adquirir uma frota de barcos que trouxesse o saga hispânica apreciado produto como, além disso, para comprar algumas tabernas na Subura, o Marco Úlpio Trajano, natural bairro mais populoso de Roma. Ali, as refeições, condimentadas com o melhor de Itálica (perto de Sevilha), foi o primeiro imperador de molho recém-chegado ao porto fluvial da cidade, atraem centenas de clientes Roma que não nasceu em desejosos de jantar bem e barato. Itália. Subira no cursos honorum (carreira política) A Subura não é uma zona nobre, bem pelo contrário: cheia de altas insulae durante a dinastia flaviana e (edifícios de sete ou oito pisos) é um fervedouro de milhares de romanos da classe era muito respeitado no exército do Reno, ao ponto média e, cada vez mais, da plebe, que se aglomeram em busca de uma renda de um envelhecido Nerva, barata. Mário já pensou em entrar no negócio do arrendamento, mas ainda não se com a Guarda Pretoriana em insurreição, o ter adotado e decidiu. Um amigo seu possui várias habitações em andares elevados que arrenda escolhido para sucessor. a preços exorbitantes aos recém-chegados que vêm à procura de fazer fortuna na Após a morte de Nerva, no ano 98, Trajano subiu ao amontoada capital do império (Roma tinha cerca de 1,5 milhões de habitantes no trono. século I). Todavia, o negócio implica lidar com os aquarii (encarregados de levar Naquela altura, apesar da sua reputação, ainda água aos pisos mais altos), com os scaparii (responsáveis pela limpeza) e com os constituía um enigma: seria ostiarii (porteiros), todos eles de trato difícil. um hispânico capaz de salvaguardar os limites do Com a primeira luz da aurora, Mário sai de casa sem despertar a mulher, que Império perante os cáticos, dorme noutro quarto. A Subura é imprevisível de madrugada, e o comerciante fazsármatas e dácios, cada vez mais fortes, que tinham se acompanhar por dois robustos escravos que levam cajados para o caso de aniquilado duas legiões? terem de defender o amo contra os derradeiros malfeitores noturnos. Mário e a Trajano não apenas defendeu as fronteiras como família ocupam todo o piso inferior de uma grande insula. É melhor viver no andar conduziu Roma à sua máxima de baixo, pois não é preciso subir escadas e torna-se mais fácil fugir em caso de expansão; além disso, incêndio, algo muito frequente em Roma. também se preocupou em

Enquanto comem, os clientes comem os últimos mexericos

TERTÚLIA MATINAL

distribuir alimentos entre os desfavorecidos, reconstruiu e embelezou a capital e resgatou as contas do estado e a administração pública. Surpreendentemente, a sua figura nunca mereceu uma atenção especial. Houve ainda mais três césares de origem hispânica: Adriano, Marco Aurélio e Teodósio, o Grande; este último, nascido em Coca, perto de Segóvia, seria o último a governar todo o mundo romano. Após a sua morte, no ano 395, o Império separou-se definitivamente em duas partes: Ocidente e Oriente.

Mário detém-se numa das suas tabernas, mesmo ao voltar da esquina. Os primeiros clientes estão a chegar para tomar o pequeno-almoço. Ele já comeu papas de trigo e alguma fruta em casa; enquanto bebe leite, dedica· se a escutar as conversas dos habitantes do bairro que se distribuem pelas mesas, todas de aspeto gorduroso, é preciso reconhecê-lo.


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“O imperador Domiciano não deveria ter ordenado a morte de Cornélia, a principal vestal”, atreve-se a murmurar um dos recém-chegados. As vestais eram as sacerdotisas encarregadas de manter aceso o fogo sagrado no templo de Vesta, situado no Fórum, e tinham de ser virgens. Domiciano mandara executar Cornélia por esta ter supostamente violado o voto de castidade, mas muitos pensam que o imperador está a enlouquecer. Tratase da quarta vestal que é morta; nunca antes um imperador agiu assim. Após a execução das três primeiras, as tropas romanas sofreram uma grande derrota no Danúbio, onde a Legião V Alaudae foi aniquilada. "Dizem que a sobrinha do césar, Flávia Júlia, a filha de Tito, morreu em circunstâncias estranhas”, acrescenta outro cliente. “E eu ouvi que a Legião V foi destruída pelos sármatas. Já são duas legiões perdidas, o assunto é grave”, afirma um terceiro, que se prepara para prosseguir quando o taberneiro desata a tossir. Mário volta-se e vê uma dezena de guardas pretorianos que atravessam a rua mesmo em frente ao estabelecimento. Todos se calam. Quando a patrulha desaparece, reata-se a conversa, mas ninguém volta a referir o caso das vestais executadas. “Deram-me um palpite; sei quem vai ganhar a corrida de quadrigas desta manhã”, adianta um dos tertulianos. Todos se juntam, inclinando-se sobre a mesa que partilham, de modo que Mário não consegue ouvir mais nada, mas também não lhe interessa. A essa hora, milhares de falsos palpites sobre as corridas circulam pelas tabernas de todo o bairro. Seja como for, irão seguramente vencer os dourados ou os púrpura, as duas novas corporações de quadrigas que o imperador Domiciano acrescentou aos clássicos azuis, verdes, vermelhos e brancos, as esquadras de sempre.

PASSEIO PELO CAIS O nosso protagonista sai do estabelecimento e dirige-se, acompanhado pelos dois escravos armados, ao porto fluvial. É um percurso longo, mas necessário esta manhã: um dos seus barcos procedeu à descarga, na véspera. em Óstia, o porto nas margens do Mediterrâneo mais próximo da capital, e as pequenas embarcações que trazem a mercadoria pelo rio Tibre acima devem estar a descarregá-la no cais a essa hora, pois são seis da manhã. Mário deixa o bairro da Subura e contorna o grande anfiteatro flávio (o Coliseu), que irá reabrir essa tarde, segundo anunciou o imperador, após as obras de ampliação. Em seguida, atravessa o Fórum, passando, à sua esquerda, pela encosta do monte Palatino, onde se ergue a Domus Flavia (o palácio imperial), e, por fim, chega à margem esquerda do Tibre. Depois, continua a andar, rio abaixo, até alcançar os gigantescos horrea, os armazéns do porto fluvial. O mais imponente é o Porticus Aemilía, o edifício de maiores dimensões de toda a cidade, com sete grandes naves longitudinais e 50 transversais cobertas por monumentais abóbadas que parecem tornar tudo pequeno. É ali que se depositam as grandes ânforas de garum salgado que Mário importou e cujo conteúdo será depois transferido para vasilhas mais pequenas, a fim de ser distribuído pelas diferentes lojas e tabernas da cidade. Os enormes recipientes cheiram tanto a peixe quando ficam vazios que já não servem para transportar mais nada e são lançados para o monte Testaceus, o qual 2


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emerge por detrás dos armazéns portuários. É menos dispendioso desfazer-se das velhas ânforas do que levá-las de volta à Hispânia para tornar a enchê-las de garum. Compensa aos armadores e comerciantes efetuar a rota de regresso com outros produtos que lhes tornem a viagem rentável. Assim, pouco a pouco, o montículo de ânforas partidas misturadas com cal, que se deita por cima para desinfetar o local, transformou-se num impressionante aterro, uma colina artificial e malcheirosa que cresce a sul da cidade. Depois de comprovar que as operações de descarga dos produtos estão em andamento, Mário dirige-se para as termas de Tito a fim de tomar banho e livrar-se do mau odor do porto, dos armazéns e do aterro. Em jovem, ia sempre com o pai às termas de Agripa, depois do Campo de Marte, mas um incêndio no ano 834 ab urbe condita (data a contar desde a fundação da cidade, equivalente ao ano 80 da era cristã) deteriorou-as e estão a ser restauradas. Ainda é possível banhar-se ali de forma gratuita, mas a presença de operários a trabalhar e o pó que levantam tornam-se incómodos. Assim, o comerciante ruma ao Palatino para usufruir do novo estabelecimento termal mandado construir por Tito (Tito Flávio Sabino, segundo imperador da dinastia flávia). Em Roma, todos sentem saudade do divino imperador, que, além de derrotar os judeus e conquistar Jerusalém, lhes ofereceu o anfiteatro e deu provas de solidariedade com os herculanos e os pompeanos, enviando-lhes comida e outros viveres quando o Vesúvio arrasou as suas cidades. Domiciano, seu irmão e sucessor, é outra coisa, mas Mário fecha os olhos enquanto mergulha no caldarium, a piscina de água quente das termas. Depois, passa para o tepidarium, o tanque de água morna, e, finalmente, para o frigidarium, onde a água fria lhe serve de estímulo para enfrentar com ânimo o resto do dia. Escravos trazem-lhe os strigiles, pequenos arcos de ferro com cabo que, ao serem passados suavemente sobre a pele, ajudam a eliminar a água e os restos de sujidade antes de se secar bem com uma toalha.

Nas corridas de quadrigas, o imperador Favorecia uma fação A EMOÇÃO DAS CORRIDAS Mário chega com os seus escravos a uma das entradas do grande Circo Máximo (palco de espetáculos populares e a maior pista de corridas de Roma), onde combinou com vários amigos, comerciantes como ele, assistir às corridas de quadrigas dessa manhã. São grandes adeptos, como quase todos os habitantes da cidade. Tanto os seus conhecidos como ele próprio são apoiantes da factio dos vermelhos. Há bastante tempo que os desta cor não têm um bom auriga (condutor), e os verdes e azuis acumularam vitórias nos últimos anos, até o imperador Domiciano criar as corporações dos púrpura e dos dourados. Os imperadores favoreciam, frequentemente, uma fação contra as outras, chegando mesmo a agir com violência. Mário não esquece que, no ano 69, quando ainda era criança, Vitélio ordenou à Guarda Imperial o assassínio de cinquenta pessoas por terem pateado o auriga dos azuis, a corporação que o Imperador apoiava. Não é o caso hoje. Domiciano está mais entretido com as lutas que trava contra o Senado. Agora, é a vez de os senadores serem executados, mas Mário e os amigos não querem pensar nisso nem nos problemas surgidos nas fronteiras do Império. Do seu lugar, o comerciante aprecia os desultore, acrobatas que saltam de um cavalo para outro enquanto estes galopam em redor da grande espinha central do Circo e amenizam a espera dos 200 mil espetadores que compareceram para presenciar as corridas. No extremo sudoeste do Circo, nos cárceres, os compartimentos em que cada quadriga e o seus auriga aguardam que se abram as portas para sair a galope, os animais batem com as patas dianteiras no chão e relincham, nervosos com a expectativa. Os aurigae atam as rédeas em redor da cintura e enfiam de um lado um pequeno punhal, bem afiado, para poderem cortar as rédeas em caso de perda de domínio dos cavalos. Muitas vezes, não conseguem desatá-las a tempo. Trata-se de condutores muito jovens, que começam a competir na adolescência, e muitos não chegam a sobreviver mais de quatro ou cinco anos às corridas. De facto, grande parte do público, que não dispõe de dinheiro para apostar, só quer ver acidentes espetaculares com carros, animais e aurigae lançados pelo ar num caos ensanguentado de destroços de ferro e de madeira. Finalmente, as portas abrem-se e as quadrigas arrancam a toda a velocidade. Começa a primeira das sete voltas. Mário apostou, tal como os seus amigos, nos vermelhos. Para todos, trata-se de uma questão de honra manter-se 3


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sempre fiéis a uma fação. Infelizmente, os púrpura lideram a corrida. A moderação é fundamental. Mesmo no caso de se perder tudo, os corretores de apostas deixam que se aposte a si próprio se se quiser continuar a jogar. No Circo Máximo, a pessoa pode entrar pobre e sair rica, mas também chegar na qualidade de abastado comerciante e partir como escravo para ser vendido no primeiro mercado junto ao próprio Circo. Vencem os púrpura do imperador Domiciano. O auriga dos vermelhos sobreviveu a um terrível acidente por uma unha negra, mas os dos azuis e dos verdes, a par de vários cavalos, morreram ao colidir na quinta volta. Mário e os seus companheiros não querem assistir a mais corridas. Estão mais interessados em chegar cedo ao anfiteatro, que reabre essa tarde após permanecer vários anos encerrado para as complexas e controversas obras de ampliação ordenadas pelo imperador Domiciano.

COLlSEU RENOVADO Enquanto deambulam pelas ruas de Roma, os amigos comentam as últimas noticias sobre a legião XXI e a sua alegada destruição no Danúbio, enquanto, no Reno, um legatus chamado Trajano parece capaz de resistir aos ataques dos catos (ou cáticos) à frente do seu exército. Mário já ouviu falar nesse tal Trajano. Numa ocasião, na sua taberna, alguém sugeriu que seria melhor para Roma ter um imperador como ele do que um fraco como Domiciano. Ninguém levou muito a sério a possibilidade: um hispânico no trono?! Por fim, chegam a uma das 80 portas do Coliseu: 76 destinam-se à entrada e saída do público; uma é para o imperador; outra, a da Vida, é por onde entram os lutadores; pela da Morte, retiram-se os cadáveres. Resta uma última para as sagradas sacerdotisas vestais. Chegados ao interior, os espetadores admiram os resultados da ampliação decidida por Domiciano: acrescentou-se um piso completamente novo sobre o qual foi instalado um gigantesco velarium (toldo), que está a ser estendido por várias dezenas de marinheiros da frota imperial de Miseno. “Já não vamos morrer de calor”, ouve-se comentar. Os ludi (jogos) começam com a recriação de uma caçada na qual os venatores, lutadores especializados em combater contra animais selvagens, fazem as delícias do público matando vários hipopótamos, rinocerontes, leões e antílopes. No fim, o bestiarius Carpóforo, treinador das feras, entra na arena e, no meio dos aplausos do público, retira os sobreviventes (vários leões e um tigre) dessa primeira orgia de sangue. Em seguida, surgem os andabatae, que andam aos trambolhões, pois trata-se de condenados à morte que são obrigados a lutar na arena com as cabeças cobertas por capacetes sem viseiras, completamente fechados, de modo a combaterem às cegas. Esgrimem desajeitadamente as espadas e ferem-se uns aos outros enquanto o público se diverte gritando-lhes instruções, frequentemente falsas para os confundir ainda mais, ou fazendo apostas sobre os que conseguirão sobreviver à chacina. Por vezes, não resta ninguém com vida e, nessa altura, comparece na arena um escravo vestido como Caronte, o barqueiro do submundo, para enterrar os seus ganchos de ferro nos cadáveres e arrastá-los pelo chão até à Porta da Morte.

CARNE PARA AS FERAS Todos esperam que entrem já os gladiadores, mas Domiciano quer aproveitar a inauguração para executar algumas dezenas de cristãos que se negaram a adorá-lo como dominus et deus (senhor e deus). Há mulheres e crianças entre os condenados. Novas feras irrompem na arena, mas, desta vez, para deleite da plebe, os animais saem de debaixo de terra através de alçapões cujas tampas se levantam, em diversos pontos da praça, e aterrorizam os infelizes antes de os devorar sem piedade. 4


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Mário não aprecia demasiado o espetáculo: prefere a luta, um bom combate. Aqueles miseráveis quase não oferecem resistência, mas gostou do truque dos alçapões. Os cristãos... Mário ouviu falar de um profeta chamado João, que se supõe ter conhecido o mais importante daqueles condenados, um tal Cristo. O imperador deu ordens para capturarem esse João e trazeremno de Éfeso para Roma a fim de ser julgado. Deverá ser interessante. Finalmente, surgem na arena os gladiadores, doze pares de combatentes que se colocam na frente do camarote do imperador e proferem a sua saudação: Ave, Caesar, morituri te salutant! (Ave, César! Os que vão morrer saudam-te!). Os combates entre os gladiadores são emocionantes, mas, quando todos pensam que o espetáculo terminou, a Guarda Pretoriana começa a acender archotes e, de imediato, voltam a surgir dos túneis situados sob a praça, do chamado hipogeu, outros dois lutadores, só que, neste acaso, se trata de mulheres. O poeta Estácio recordaria posteriomente a ocasião nos seus versos: “No meio de tanta excitação e estranhos luxos, o prazer dos jogos desvanece-se com rapidez. Surgem então mulheres, mal treinadas no uso da espada, atrevendo-se a lutar em combates de homens!” Mário aprova em silêncio. É preciso reconhecer que Domiciano sabe como entreter o povo. A gladiadora germânica, alta e loura, atravessa com a espada a ibérica, que, apesar de tudo, combateu com uma ferocidade viril.

CAI A NOITE SOBRE ROMA Mário e os seus amigos despedem-se à saída do anfiteatro. O veterano comerciante de garum regressa a casa, sempre escoltado pelos escravos. A Subura é especialmente perigosa de noite. Cruzam-se com vários indivíduos embriagados. Em casa, Mário estende-se, cansado, no triclinium, junto da mulher. Enquanto ceia com apetite, conta tudo o que viu no Circo e no anfiteatro. As mulheres podem entrar em ambos os recintos, mas Drusila prefere passar o dia com as crianças, algo que se torna incompreensível para o marido. Não têm convidados nessa noite, pelo que não se produz a longa comissatio (ou sobremesa), habitual noutros serões. Mário e Drusila dão um casto beijo na face do outro e cada um retira-se para a sua alcova. Ao fechar os olhos, O nosso protagonista não se sente perturbado por todo o sangue que viu derramar durante a tarde, nem pelas crianças mortas, as mães devoradas ou os andabatae forçados a lutar às cegas. Em vez disso, Mário pensa que deve comprar uma villa no Sul, talvez em Neapólis, tal como lhe pediu a mulher em mais de uma ocasião, para poder passar o tórrido verão perto do mar. Outra alternativa é adquirir uma residência na própria praia de Óstia: ali, poderia controlar as operações de descarga dos seus navios. Tem de pensar bem no caso. Entretanto, nas entranhas do Coliseu, num túnel escuro que termina numa divisão húmida e sem ventilação, o spoliarium (espoliário, o lugar onde se despia e desmembrava os gladiadores mortos ou se exterminava os feridos), um grupo de escravos apressa-se a cortar em pedaços os corpos dos que caíram na arena. Carpóforo, o bestiário, mantém-se à espera para recolher braços e pernas com que alimentar as suas feras. O sangue corre para uma sarjeta que o despeja nos esgotos de Roma até desaguar num Tibre que se tinge de vermelho no seu percurso em direção ao mar. in, Revista Superinteressante, nº 162, Out. 2011

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