Revista abcc junho 2013 edição fenacam

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Sumário 16

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Carcinicultura Brasileira: o perfil do setor em cada unidade federativa produtora em 2011

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Cultivo de camarões em sistema de bioflocos: realidades e perspectivas

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Carcinicultura Marinha: Audiência Pública realizada em 14/05/13 na Comissão de Agricultura e Pecuária da Câmara dos Deputados, Brasília (DF)

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Rua dos Caicós 1865, 1º andar Dix Sept Rosado, Natal, RN 59052-700 Tel/Fax: 84-32319786 / 32316291 www.abccam.com.br abccam@abccam.com.br Redação

A Importância da Aquicultura e da Carcinicultura no Contexto da Produção Mundial de Pescado: Desafios e Oportunidades para o Brasil

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Expediente

Artigo

Cultivo do Beijupirá no Vietnã e os ensinamentos para o Brasil Mais artigos - Ações/Notícias ABCC, pág. 6 | Causa da Doença de Camarão EMS (Síndrome de Mortalidade Precoce) Identificada, pág. 50 | ems - A nova doença de crustáceos – Síndrome da Necrose aguda do Hepatopâncreas (ahpns), pág. 52 | O MP e o Código Florestal, pág. 56 | Qualidade da água e influência iônica no cultivo do camarão marinho, pág. 58 | CAMARÃO E ACEROLA – a receita da qualidade?, pág. 60 | O Desafio Beijupirá, pág. 64 | Resultados recentes e análise econômica preliminar de estudos super intensivos, sem renovação de água, dominados por bioflocos, com o Camarão Branco do Pacífico, Litopenaeus vannamei, no Laboratório de Pesquisas Texas A&M Agrilife Mariculture Research, localizado em Flour Bluff, Texas, pág. 68 | Estatísticas ABCC, pág. 77

Conselho Editorial Itamar Rocha Eduardo Rodrigues Colaboradores Itamar Rocha Eduardo Rodrigues Alberto J.P. Nunes Raúl Madrid Josemar Rodrigues Diego Maia Rocha Marcelo Lima Marcelo Borba Joana Nogueira Tzachi M. Samocha Terryl Hanson Timothy C. Morris Vitalina Magalhães Bob Advent André Braga Adriene de Oliveira Maria Abrantes Alex Gonçalves Jean Berg da Silva Jorge L Chavez Rigali Aldo Rebelo Donald Lightner Timothy W.Flegel Wilson Wasieiesky Dariano Krummenauer Gabriele Lara Geraldo Fóes Luis Poersch Carlos Massad Os artigos assinados são de responsabilidade dos autores DIRETORIA Presidente: Itamar de Paiva Rocha Vice – Presidente: Cristiano Maia Diretor Financeiro: José Bonifácio Diretor Comercial: Livino J. Sales Diretor Técnico: Enox Maia Diretor Secretário: Emerson Barbosa Diretor de Insumos: José W. R. Coutinho Conselho Fiscal Titulares: Álvaro Acácio Filho, Luiz Sólon Beltrão Suplentes: Flávio dos Santos Oliveira, Orígenes Neto Capa / Arte: Rodrigo N. Cavalcante Editoração Eletrônica: José Junior

PERFIL Sociedade de classe, a ABCC tem entre outros, os objetivos de promover o desenvolvimento da carcinicultura em todo o território nacional; amparar e defender os legítimos interesses de seus associados; promover o camarão de cultivo brasileiro nos mercados internacional e nacional; proporcionar treinamento setorial em gestão de qualidade e outros temas de interesse ao setor; promover estudos e pesquisas em áreas estratégicas para o setor; organizar e patrocinar encontros empresariais e conferências técnico-científicas; e editar publicações especializadas. Neste sentido, a ABCC é a entidade que mantém a união dos atores envolvidos na cadeia produtiva do setor, o intercâmbio de informações entre produtores e a comunicação destes via parceria formais. O desenvolvimento ordenado e sustentado do camarão cultivado no Brasil se deve, em grande parte, à sólida união dos produtores em torno da ABCC.

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MENSAGEM DO

Presidente Itamar Rocha, Engº de Pesca, CREA-7226-D | Presidente da Associação Brasileira de Criadores de Camarão

Prezados associados e demais leitores,

Estamos diante de um problema que está exigindo uma atuação redobrada da Diretoria da ABCC e dos líderes setoriais, tendo em vista que a decisão do MPA de liberar as importações de camarão selvagem da Argentina, demandou a tomada de providencias e decisões fora do contexto usual confrontado pelo setor carcinicultor, nos últimos 30 anos. Trata-se da intempestiva e injustificada decisão do Ministério da Pesca e Aquicultura, o mesmo que aguerridamente lutamos pela sua criação junto ao Presidente Lula e, aprovação junto ao Congresso Nacional, que de repente, sob o comando de quem não conhece, não quer conhecer e não tem noção da sua importância no contexto nacional e internacional, se posiciona favorável à importação do camarão Pleoticus muelleri da Argentina, desconsiderando os graves e reais riscos de introdução de doenças virais que estarão associados a essa temerária operação, indo na contramão dos legítimos interesses do setor carcinicultor. Inicialmente, como pano de fundo foi tentado passar a fantasiosa justificativa de que se tratava de uma decisão da Presidenta Dilma, atendendo um pedido da Presidenta da Argentina, que mesmo tendo sido alertada sobre os riscos que essa operação traria para a sanidade dos crustáceos naturais e cultivados do Brasil, determinou a continuidade da operação. Ocorre que a máscara sobre essa falácia do compromisso Presidencial, finalmente caiu, pois a SEMOC/MPA, mais uma vez, de forma intempestiva e equivocada, baixou uma nova Portaria (Nº 32/13), desta feita, colocando em consulta pública, uma ampla e genérica ARI (Análise de Risco de Importação), envolvendo nada menos do que 10 gêneros de camarões e, naturalmente um sem número de espécies, tanto cultivadas como extrativas, de qualquer

país. Trata-se portanto, de um verdadeiro crime de lesa à Pátria, especialmente quando se considera que existem pelo menos 35 vírus e cepas virais de doenças de notificação obrigatória pela OIE, afetando os crustáceos nativos e cultivados dos países objetos da fantasiosa e malfadada ARI disponibilizada pela SEMOC/MPA, para uma consulta pública de 30 dias.. Em realidade, essa Portaria e respectiva ARI trata-se de um desvario e uma inconsequente atitude da SEMOC/MPA, constituindo-se uma clara e real posição de confronto e de declarada agressão aos produtores de crustáceos do Brasil, incluído camarões, caranguejos e lagostas, que estariam seriamente ameaçados pelos reais riscos de contaminação viral se essas importações e sequencial reprocessamento dos camarões se realizassem. Por outro lado, essa temerária atitude da SEMOC/ MPA, mostra claramente que o comando do Ministério da Pesca, definitivamente está perdendo o rumo, inclusive, indo de encontro às recomendações da Comissão de Agricultura e Pecuária da Câmara Federal, que em consequência da audiência pública, que mesmo tendo tratado apenas dos riscos das importações do camarão Pleoticus muelleri para os crustáceos nativos e cultivados do Brasil, entendeu a extensão dos riscos associados, aprovando e encaminhando uma recomendação oficial ao Ministro Marcelo Crivella (MPA), solicitando a imediata suspensão da referida importação. Nesse contexto, destacamos inclusive, que ainda no mês de Abril, levamos ao conhecimento do MPA, que em consequência do grave problema confrontado atualmente pela carcinicultura da China,Tailândia, Vietnã e Malásia, decorrente de uma nova e devastadora doença, a EMS (Sindrome da Mortalidade Precoce), já se projetava uma redução de 400.000 t na produção de camarão cultivado da Ásia em 2013, um volume superior a toda a produção dessa commodity no Continente Americano.

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Na mesma oportunidade, ressaltamos ao Ministro Crivella, que diante dessa grave crise que está afetando os principais países produtores de camarão da Ásia, surgiram oportunidades para o camarão brasileiro no mercado internacional, cuja oferta de preços para a classificação 80 -100 (US$ 6,2/kg) e para a classificação 100-120 (US$ 5,7/kg), à partir de 01-05-13, já sinalizava para um possível retorno do camarão cultivado do Brasil ao mercado Europeu. De forma que se o MPA desistisse da ideia fixa de importar camarão da Argentina, devolvendo a segurança sanitária ao nosso setor, assumiríamos o compromisso formal com o MPA, de em 2 (dois) anos, dobrarmos a produção brasileira de camarão cultivado.. Como não obtivemos resposta ou sucesso na nossa proposta e alerta, muito pelo contrário, como já demonstramos acima e, diante da iminente realização da FENACAM’13, que este ano estará comemorando sua 10ª Edição, o que significa dizer que estaremos promovendo um grandioso evento, não nos restou outra alternativa senão tomar a difícil, porém coerente decisão de nos contrapormos judicialmente a equivocada e desproposital decisão do MPA de liberar as importações do camarão P. muelleri da Argentina. Assim, na certeza de que contaremos com o apoio de todos sobre essa difícil decisão, reiteramos nossa disposição de ir até as últimas conseqüências, para manter nossa intransigente defesa da proibição das importações de camarão, que estranhamente, antes da existência do Ministério da Pesca e Aquicultura, vinha sendo mantida pelo MAPA (IN 39/99). Na verdade, a IN 39/99, embora tenha sido publicada em 04 de Novembro de 1999, já vinha vigorando desde 20 de Junho do referido ano, mantendo a proibição das importações de crustáceos, em todas as formas e de qualquer origem, até o início do presente ano, em cujo período, não ocorreu nenhuma contestação por parte de qualquer país, da OMC ou do MERCOSUL, colocando por terra o falso argumento do MPA, de que o Brasil é signatário de acordos comerciais e não pode se fechar ao livre comercio. Por isso, aproveitamos a oportunidade, para reafirmar nossa convicção de que com o apoio da sua cadeia produtiva, a ABCC sairá vitoriosa de mais essa luta em defesa do setor carcinicultor, que atualmente representa a alternativa de maior viabilidade para a inclusão social e geração de empregos, rendas e oportunidades de

negócios para micro, pequenos, médios e grandes produtores no meio rural da Região Nordeste e das demais Regiões brasileiras. Nesse contexto, destacamos ainda, que o conjunto da nossa indústria, cuja base produtiva conta com a participação de 1.545 micros, pequenos, médios e grandes produtores, cuja exploração de 21.000 há, de um total de 1.000.000 de hectares disponíveis, contribuiu para uma produção de 75.000 t, gerando de 70.000 empregos e uma receita de Rs$ 1,12 bilhão de reais em 2012. No entanto, quando se compara a performance da carcinicultura brasileira, com o desempenho da carcinicultura equatoriana, que conta com apenas 600 km de costa, mas explora 180.000 ha de viveiros, cuja produção de 2012 foi da ordem de 300.000 t, tendo exportado 204.621,8 t com captação de US$ 1,133 bilhão de dólares de divisas, fica claro as perdas de oportunidades pelo Brasil e, o diferencial dos apoios concedidos pelos 2 (dois) países. Pelo acima exposto, não restam dúvidas de que o MPA precisa mudar o rumo da sua política, notadamente quando se leva em conta que a Presidente Dilma e o Ministro Crivella lançaram no final de Outubro de 2012, um ambicioso e aplaudido Plano Safra da Pesca e Aquicultura, cujo montante de investimentos previa a aplicação de R$ 4,3 bilhões de reais, com metas de dobrar a produção de pescado até 2014. Ocorre que passados 7 (sete) meses, o que estamos assistindo, frustrados e perplexos, de um lado, é a continuidade do crescimento das importações, gerando milhares de empregos produtivos e oportunidades de negócios em dezenas de países e, de outro, é o aumento do desembolso com o seguro defeso, incentivando a ociosidade e alimentando os escândalos, que no presente estão tirando o sono dos aproveitadores de plantão e mostrando a fragilidade das políticas públicas para resolver os graves problemas do carente e necessitado setor da pesca artesanal brasileira, que seguramente, merece políticas públicas sérias e consistentes, dentre as quais se destacam a carcinicultura e a aquicultura familiar.

Atenciosamente, Itamar Rocha, Presidente da ABCC (abccam@abccam.com.br)

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AÇÕES | NOTÍCIAS ABCC

ABCC reage a suspensão de financiamento para carcinicultura por parte do Banco do Nordeste

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ais uma adversidade para os criadores de camarão. O Banco Nordeste suspendeu, desde o último dia 21 de janeiro, qualquer operação de crédito para carcinicultores. Sem apresentar justificativa, o Banco enviou uma nota bloqueando os investimentos às agências. “A Diretoria de Gestão do Desenvolvimento, a Diretoria Financeira e de Mercado de Capitais e a Diretoria de Negócios comunicam a toda a rede de agências que, até comunicação em contrário, fica suspensa a partir de 21.01.2013 a contratação de novas operações de custeio ou de investimento na atividade de Carcinicultura”, diz a nota. Esse é mais um golpe sofrido pelos empresários do ramo. O primeiro foi a decisão do MPA de aprovar a importação do camarão Pleoticus muelleri da Argentina. Agora, o próprio Banco do Nordeste, que deveria incentivar a atividade de cultivo de camarão nos estados produtores, fechou as portas para os criadores. No entanto, diante da dura reação do setor, que conseguiu agendar uma audiência pública no âmbito da Comissão de Agricultura e Pecuária da Camara Federal, realizada em Brasília em 14.05.2013, o representante do Banco do Nordeste declarou que o Banco havia concluído os estudos sobre o setor e declarou que os fi nanciamentos haviam sido reabertos, porém até o fechamento desta edição, a ABCC não tinha sido informada dessa mudança. A verdade é que, tão logo saiu a notícia da suspensão de qualquer operação de crédito para o setor, o Presidente da ABCC, Itamar Rocha, enviou correspondência ao Presidente do Banco do Nordeste protestando veementemente pela intempestiva atitude do Banco conforme reproduzimos abaixo: “Ilustríssimo Senhor Ary Joel de Abreu Lanzarin MD Presidente do Banco do Nordeste C.c- Diretoria do BNB Re: Restrições do BNB ao Setor de Carcinicultura

Senhor Presidente, Dirigimo-nos a Vossa Senhoria para manifestar-lhe, em nome de todos os atores envolvidos com os diversos segmentos da cadeia produtiva do camarão cultivado, a nossa contrariedade e o nosso veemente protesto pela intempestiva e injustificada medida adotada pela Diretoria do BNB, de suspender toda e qualquer operação de crédito para a carcinicultura do Nordeste. A medida foi dirigida às agências dessa conceituada instituição sem dar o motivo ou motivos de sua adoção. Entendemos Senhor Presidente, que o BNB como Instituição Financeira de caráter público regional, para cujos créditos de

Investimentos e fomento, opera basicamente com recursos do Fundo Constitucional do Nordeste (FNE), que visam prioritariamente, a promoção do desenvolvimento de atividades que possam contribuir para a melhoria da socioeconomia regional, reduzindo as desigualdades que colocam a nossa Região em desvantagem comparativa com outras regiões do Brasil, tem prioridades diferenciadas de outros Agentes Financeiros. Nesse contexto, é nossa compreensão de que o BNB tem a função de contribuir para a correção, do ponto de vista econômico e social, das enormes diferenças de desenvolvimento que ainda marcam o Nordeste em relação às demais macrorregiões do Brasil. Ou seja, o Banco tem uma responsabilidade de desenvolvimento diferenciada em relação à Região Nordeste e, para tanto conta com recursos especiais. Pelas razões expostas, naturalmente as decisões do BNB sobre clientes individuais ficam restritas à sua Diretoria. Nisso, estamos de acordo. Entretanto, medidas drásticas que afetam um setor produtivo do Nordeste, não podem nem devem ser tomadas no âmbito fechado da Diretoria do Banco, sem antes manter um dialogo prévio ou entendimento com as lideranças políticas, com o próprio setor e as comunidades afetadas. No passado, mesmo em momentos mais difíceis da carcinicultura, houve o necessário entendimento entre o Setor Carcinicultor e as autoridades do BNB. Foi o que aconteceu por ocasião das enchentes de 2004, 2008 e 2009. É com essa compreensão que não podemos aceitar e que estranhamos que essa drástica medida, como já comentada, seja tomada pelo BNB sem uma conversação prévia ou sem uma troca de pontos de vista com os representantes do setor prejudicado, no caso a carcinicultura, que é uma atividade típica do Nordeste e que está contribuindo para a geração de emprego, renda e oportunidade de negócios no meio rural da Região. Consideramos um grave erro de avaliação por parte da Diretoria do BNB, contra um setor estratégico da economia nordestina, o cultivo do camarão L. vannamei, uma atividade primária que já ocupou o 2º lugar da pauta das exportações do setor primário da Região Nordeste e contribuiu com 55% das exportações do setor pesqueiro brasileiro em 2003. Apenas essas informações deveriam ser suficientes para receber uma atenção diferenciada de um Agente Financeiro que tem a função de primar pelo desenvolvimento regional, afora o fato de que essa atividade se destaca como principal geradora de emprego (3,75/há) para trabalhadores sem qualificação profissional no Nordeste. Se as razões da adoção dessa drástica medida não foram explicitadas e como não houve nenhum esforço do BNB para comunicar-se com o Setor, não nos resta alternativa distinta daquela de entendê-la como uma violência administrativa, o que é inaceitável para os 1.544 produtores e 70.000 trabalhadores

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envolvidos direta e indiretamente com a carcinicultura no Nordeste. Veja Vossa Senhoria e demais Diretores do BNB as razões que nos levam à essa fi rme e justa contestação: Como explicar a forte restrição imposta pelo Banco do Nordeste à carcinicultura regional ??:

• Quando na tramitação do novo Código Florestal a atividade do cultivo do camarão, juntamente com a produção de sal, foi reconhecida em um capítulo especial, no texto da Lei, como as únicas atividades que podem explorar os terrenos de apicuns e salgados dos estuários, para a produção de sal e camarão. • Quando a Presidente Dilma Rousseff, ao reconhecer o enorme potencial do Brasil para a produção de pescado, via aquicultura, lança o Plano Safra das Águas, com recursos superiores aos R$ 4,3 bilhões, para promover a aqüicutlura e a pesca em todo o território nacional. • Quando o BNDES lança um programa especial de crédito para investimentos e custeios da produção aquícola brasileira, contendo condições creditícias que atendem as demandas e, levam em consideração as peculiaridades da aqüicultura brasileira. • Quando o BNDES, em uma das melhores monografias setoriais já escritas sobre a aqüicultura no Brasil, analisa criticamente o seu desempenho em nível nacional e regional, propõe saídas para os gargalos que impendem o seu desenvolvimento e, reporta que a Região Nordeste se destaca como maior produtora aquicola do Brasil. • Quando está mais que demonstrado que a aqüicultura do camarão contribui para a inclusão social no campo, não apenas com a geração de emprego para trabalhadores de baixa qualificação profissional, mas também para a constituição da micro e pequena unidade de produção, no meio rural da Região Nordeste. • Quando em pronunciamento público, feito em 19 de Novembro passado, em Natal, Rio Grande do Norte, o Ministro Marcelo Crivella, do MPA, afirma que a produção de camarão cultivado seria duplicada em dois anos. Por tudo isso, para surpresa geral, o BNB, que por motivos injustificados, desconsiderando os inúmeros estudos realizados por diversas instituições públicas e privadas, que colocam em destaques os benefícios econômicos sociais que a carcinicultura apresenta para a inclusão social e o desenvolvimento rural do Nordeste, em perfeita harmonia com a preservação

do meio ambiente adjacente a suas explorações, simplesmente decide não mais financiar esse estratégico setor. Por todos esses motivos, aos quais podemos somar o bom momento de reativação da carcinicultura regional com base no mercado doméstico, que já absorve 100% da sua produção mas que a crescente demanda exige o aumento da produção interna, cuja a saída é a intensificação da produção, que mesmo sem expansão da base física requer financiamentos bancários, consideramos que a medida adotada pelo BNB está na contramão dos acontecimentos setoriais e, portanto, escapa completamente da nossa compreensão. Notadamente, porque o Censo Setorial concluído recentemente identificou um total de 1.544 produtores de camarão, dos quais 92% estão situados na Região Nordeste, sendo que do total de empreendimentos ativos, 74,5% são representados por micro e pequenos produtores, 20,3% por médios produtores e, apenas 5,2% por grandes produtores. Ou seja, a atividade está promovendo a verdadeira inclusão social no meio rural da nossa carente Região. Um desafio que parecia intransponível, em termos de políticas públicas para o setor pesqueiro. Tudo isso, com o destaque para o fato de que apenas 84 projetos, ou seja 5,44% do universo de 1.544 empreendimentos, foram financiados por Agentes Financeiros, um feito sem precedentes em qualquer outro setor primário do Brasil. Daí, é que em representação de todos os atores que direta e indiretamente participam da carcinicultura do Nordeste, apresentamos o nosso veemente protesto por essa equivocada atitude do BNB, para a qual solicitamos a imediata reconsideração/revogação, restabelecendo os fi nanciamentos e o salutar diálogo que sempre nortearam o relacionamento do nosso setor com esse conceituado e importante Agente Financeiro. Atenciosamente, Itamar de Paiva Rocha, Engenheiro de Pesca CREA 7226-D/PE Presidente da ABCC Membro Titular do CONAPE / Diretor/Conselheiro do DEAGRO/CONSAG-FIESP C/C: Ministros: Marcelo Crivella, Fernando Bezerra, Garibaldi Alves e Agnaldo Ribeiro Governadores do Nordeste (MA, PI, CE, RN, PB, PE, AL. SE e BA) Senadores e Deputados Federais (MA, PI, CE, RN, PB, PE, AL. SE e BA). Deputados Estaduais (MA, PI, CE, RN, PB, PE, AL. SE e BA) Associados: ABCC, ACCC, ANCC, ACCN, ACCPB, ACCPI, SINDPEPB, ACCSE, ACCBA Superintendências e Agencias do BNB” Revista ABCC | 7

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Presidente da ABCC declara “Dobraremos a produção de camarão no Brasil se Governo desistir das importações” O Brasil produziu aproximadamente, 75 mil toneladas de camarão em 2012, cujo destino foi 100% para atender o mercado interno. Contudo, se o Governo Federal acha que ainda é preciso mais, para o presidente da Associação Brasileira de Criadores de Camarão (ABCC), Itamar Rocha, tudo bem. Os produtores brasileiros tem condições de dobrar essa produção em apenas dois anos, sendo que para isso, o Ministério da Pesca precisaria desistir da ideia de importar camarão da Argentina ou de qualquer outro país. Segundo o presidente da ABCC, é totalmente possível essa ampliação da produção de camarão. Até mesmo porque neste ano a expectativa já é de uma produção bem maior. “Podemos produzir mais, mas precisamos dessa garantia para que os necessários investimentos possam ser realizados, evitando assim, os reais riscos sanitários das importações”, ressaltou Rocha. É importante destacar que atualmente o Governo Federal sinaliza não só com a importação do camarão selvagem da Argentina, mas também já estuda importar do Equador, Panamá, Índia, Senegal e Noruega. Contudo, é com o crustáceo “hermano” que a negociação para a importação está mais adiantada, mesmo sem o país ter dado as garantias sanitárias requeridas pela Legislação brasileira e inerentes a todas as relações comerciais internacionais de alimentos.

Itamar Rocha, Presidente da ABCC

Afinal, a carne brasileira, por exemplo, precisa atender a uma série de exigências sanitárias para entrar em outros países do mundo. “O que a ABCC quer é que se use o princípio da precaução, pois é justo e lúcido importar um produto como esse sem a garantia de que não vai trazer doenças. E não estou dizendo isso baseado em suposições, são estudos realizados por pesquisadores argentinos que mostram que a prevalência da mancha branca (WSSV) já é de 10% nos crustáceos naturais do mar da Argentina, ou seja, onde convive o P. muelleri, portanto não há garantias que esse camarão, oriundo da pesca extrativa da Argentina, seja livre de doenças”, afirmou Itamar Rocha.

Tanto é assim que Itamar Rocha levou o assunto e suas preocupações ao grupo de trabalho criado pelo CONAPEConselho Nacional de Aquicultura e Pesca que contarà com a participação das principais representações do setor pesqueiro, para dentro de 180 dias se posicionar sobre as importações de pescado pelo Brasil. Ocorre que a SEMOC/MPA, sem nem esperar o início dos trabalhos já colocou em consulta pública uma ARI para a importação de camarão extrativo ou de aquicultura, atropelando essa importante iniciativa afirmou Rocha. Diante desse desrespeito, ressaltou que se o CONAPE não reverter essa posição da SEMOC/MPA, não restará outra alternativa a ABCC que não seja sair do referido grupo e do CONAPE, bem como entrar com uma ação na Justiça Federal para impedir essas iniciativas de importações de camarão da Argentina ou de qualquer outro país, onde haja ocorrência de doença de notificação obrigatória pela OIE. Jornal Nacional destaca importância da carcinicultura na geração de emprego São 30 mil empregos diretos e indiretos em uma região que encontra muita dificuldade na geração de oportunidades de trabalho e renda no meio rural. Esse é um resumo claro da importância da carcinicultura na economia do Rio Grande do Norte e do Nordeste de forma geral. Números que ganharam destaque no “Globo Natureza”, exibido em 30 de Março, no Jornal Nacional da Rede Globo. Segundo informações da Embrapa, o agronegócio da aquicultura é o maior negócio primário do mundo. A produção de pescado via aquicultura é duas vezes maior que a produção de soja, sete vezes maior que a da carne e nove vezes maior que a do frango. O Brasil é o maior exportador mundial de soja, o segundo maior produtor de frango e é líder absoluto na produção de carnes. Mas no segmento da aquicultura participa com apenas 0,6% da produção mundial desse setor. Números que mostram que a aquicultura brasileira, detentora de enorme potencial e excepcionais condições edafo-climáticas, precisa urgentemente, priorizar políticas públicas e definir estratégias para evoluir e possibilitar que essas invejáveis potencialidades, dulciaquícolas e marinhas, sejam transformadas em oportunidades de negócio, gerando emprego, renda, divisas e, promovendo a verdadeira inclusão social no meio rural, especialmente da Região Nordeste. “Por outro lado, não há nenhuma outra atividade no setor primário do Brasil mais promissora que a carcinicultura, onde o Rio Grande do Norte tradicionalmente sempre ocupou a posição de líder na produção de camarão cultivado do Brasil. No entanto, recentemente perdeu essa liderança para o Ceará, que cresceu muito em produção e em número de pequenos produtores, numa prova de que a inclusão social no meio rural via carcinicultura é uma realidade na Região Nordeste. Na verdade, a participação do micro, pequeno e médio produtor, já corresponde a 94% do total de empreendimentos desse setor em operação no Brasil, onde a Região Nordeste contribuiu com 99,48% da produção em 2011”, destacou Orígenes Monte, presidente da ANCC, Associação Norte-Rio-Grandense de Criadores de Camarão.

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A reportagem do Jornal Nacional, equivocadamente e sem a mínima fundamentação técnica, mencionou os riscos ao meio ambiente e ao manguezal causados pelas fazendas de camarão e a ANCC, representada pelo Presidente Orígenes Monte, falou a respeito do problema. “Hoje existe uma regulamentação e a fiscalização é constante nas fazendas. O mangue não é afetado e o nosso setor obedece e respeita a legislação e as exigências dos órgãos ambientais competentes, de forma que a atividade se desenvolve em perfeita harmonia com um meio ambiente preservado. O importante é que a regulamentação seja implementada de forma que possamos aliar nosso crescimento produtivo com a manutenção das características ambientais das áreas adjacentes ás explorações de cada empreendimento”, destacou. A importância da carcinicultura para o RN e a Região Nordeste, está diretamente relacionada ao fato peculiar de que o cultivo de camarão marinho é uma das poucas atividades primárias do Nordeste brasileiro que não depende das chuvas regulares para que sua exploração seja viabilizada, o que no presente momento, onde a Região Nordeste está afetada pela maior seca dos últimos 50 anos, aumenta a sua relevância para a sua economia primária, pois garante ao trabalhador rural e ao pescador artesanal, em qualquer estação do ano, quer chova ou quer faça sol, trabalho permanente, com dignidade e, um negócio com rentabilidade e sustentabilidade.

De. João Maia (PR/RN) reunido com Cristiano Maia (ACCC), Itamar Rocha (ABCC) e Sergio Pinho Assessor Parlamentar da ABCC/ ACCC/ACCN

O parlamentar se mostrou preocupado com a situação do segmento de carcinicultura do Rio Grande do Norte e se manifestou antes de viajar em Missão Oficial para a Colômbia. Ele argumenta que “o objetivo é restabelecer a competitividade para um setor estratégico da economia primária da Região Nordeste do Brasil, que ao longo dos últimos anos diminuiu demasiadamente a sua participação no mercado externo exatamente pela falta de incentivos, tanto para compensar os efeitos adversos da ação antidumping como da brutal desvalorização cambial”. Considerando a importância desse segmento na geração de emprego e renda para o Rio Grande do Norte e o Nordeste, o deputado João Maia solicitou apoio ao Presidente da Câmara dos Deputados, Henrique Eduardo Alves, apoio para sensibilizar o relator da MP Nº 609, Deputado Edinho Araújo (PMDB-SP).

Orígenes Monte, Presidente da ANCC lembra que carcinicultura é a atividade mais promissora do setor primário do Nordeste.

ABCC apresentou sugestão de Emenda em defesa da carcinicultura e o Deputado João Maia encampou e encaminhou ao Relator da MP 609/13, Dep. Edinho Araujo Para conhecimento de todos, apresentamos o ofício que o Deputado Federal João Maia (PR-RN) encaminhou ao Dep. Edinho Araújo (PMDB/SP), Relator da Comissão Mista da MP 609/13,solicitando a inclusão de uma Emenda demandada pela ABCC, na qual solicitamos e justificamos a inclusão do camarão cultivado e seus dois principais insumos (pós-larvas e ração), no contexto da MP 609/2013, que desonera da PIS/ COFINS, produtos da cesta básica.

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(Assessor ABCC/BSB) e o Advogado Dr. Cleanto Jales, se reuniu com o Senador Ciro Nogueira, Presidente Nacional do PR, quando solicitou apoio para a manutenção da proibição das importações de camarão e para a inclusão do camarão cultivado na MP 609/13, que isenta de PIS/COFINS produtos da Cesta Básica, que incluiu salmão, bacalhau, truta, outros peixes, etc, mas excluiu o camarão, que constava do Decreto Original de Getúlio Vargas, datado de 1938, que serviu de base para a referida MP. O Senador Ciro Nogueira (PP-PI), Presidente do PP Nacional, bem como posteriormente o Senador João Vicente, (PTB-PI) receberam em mãos a Carta da ABCC justificando a inclusão do camarão na MP 609/13, que trata da desoneração PIS/ COFINS da sexta básica e se comprometeram a atuar junto ao relator e revisor da emenda.

ABCC celebra contrato com INFOFISH ABCC celebrou em maio deste ano Contrato de Colaboração com a INFOFISH Malásia, para elaboração de Estudo sobre o Mercado Mundial de Camarão, com destaque para a Ásia. Este estudo de mercado vai ser desenvolvido considerando as quedas de produção devido a EMS na Ásia e seu impacto nos níveis globais de camarão em relação a oferta e preços. Adicionalmente, o estudo analisará a situação dos principais países importadores levantando os níveis de consumo e seus efeitos sobre os níveis de preços bem como as tendências de crescimento da demanda. Perspectivas e evidências de novos mercados, caso exista, serão apresentadas. Os desafios da produção de camarão para atender a demanda global serão analisados e comentados. Dentro do contexto de produção, oferta e demanda, considerando a queda na produção asiática relacionada a EMS, o estudo vai trabalhar com dois cenários distintos: o primeiro otimista sobre o controle da doença e seu impacto na produção e oferta de camarão nos mercados globais, e o segundo pessimista sobre a doença afetando a produção na Ásia. Em ambos os casos, projeções para os próximos 5 anos e se possível 10 anos serão apresentadas. O estudo deve ser fi nalizado no mês de junho deste ano. ABCC solicita apoio em Brasília a desoneração do PIS/COFINS Em 3 de Abril de 2013, a ABCC, representada por Santana Júnior (Aquafarm, Luis Correia-PI), junto com Lucídio Júnior

Lucidio Carneiro (Assessor ABCC/BSB), Dr. Cleanto Jales (Advogado OABPI-Acquabrasilis/Aquafarm), Santana Júnior (Acquabrasilis/Aquafarm), Senador Ciro Nogueira (Presidente Nacional do Partido Progressista)

Senador João Vicente (PTB-PI): Santana Júnior (Acquabrasilis/Aquafarm), Dr. Cleanto Jales (Advogado OAB-Pi -Acquabrasilis/Aquafarm).

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Projeto de Desenvolvimento Tecnológico com Boas Práticas de Manejo e Biossegurança para a Carcinicultura no Nordeste - Parece que vai sair do papel!! Na edição anterior da nossa revista, informamos aos leitores que no decorrer de 2012, a Diretoria e o Setor Técnico da ABCC tinha elaborado um amplo e vigoroso Plano Regional de Capacitação intitulado “Projeto de Desenvolvimento Tecnológico com Boas Práticas de Manejo e Biossegurança para a Carcinicultura no Nordeste” dirigido a todos os atores envolvidos nos segmentos da cadeia produtiva do camarão cultivado: laboratórios de pós-larvas, fazendas de engorda, centros de processamento e fábricas de ração. O Plano foi apresentado ao Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA) na forma de um projeto de desenvolvimento setorial, e já tinha sido aprovado no 2º semestre de 2012 para início de execução em 2013. Lembrando que o objetivo principal é disseminar em todo o Nordeste o uso das Boas Práticas de Manejo (BPMs) com Biossegurança, por ser a ferramenta indispensável para o êxito da carcinicultura regional, tal como está ocorrendo nos países produtores de camarão do Continente Asiático. Após meses de espera, fi nalmente em correspondência eletrônica enviada em 15 de Maio por Renata Silveira, Chefe de Divisão da CAMER, Coordenação ligada à Secretaria de Planejamento e Ordenamento da Aquicultura, SEPOA/MPA, a ABCC foi informada que a primeira parcela do Convênio nº 013/2012, estaria sendo liberada nos dias seguintes. Até o fechamento desta Edição o valor ainda não fora creditado na conta específica do Convênio, muito embora a ABCC, face à forte demanda por parte dos carcinicultores brasileiros, já vem a muito trabalhando no Projeto. O valor da primeira parcela deverá cobrir os custos com pessoal técnico devidamente qualificado, adequação da sala a ser utilizada ao longo da vigência do Convênio, além da aquisição do material permanente e de consumo necessários e, fi nalmente, a elaboração e impressão do material técnico a ser utilizado nos Cursos de Capacitação em Boas Práticas e Manejo e Biossegurança Aplicada. A ABCC disporá, contratualmente, de 04 meses a partir da data de ingresso dos recursos referentes à primeira parcela do Convênio, para proceder com o cumprimento das metas supramencionadas, após o quê se espera, ainda com mais afi nco, a liberação da segunda parcela, com a qual será viabilizada a necessária e esperada programação e ministração dos 67 cursos programados no Nordeste do Brasil, afi rmou a engenheira de pesca Joana Nogueira, do Setor Técnico da ABCC. A programação fi nal dos cursos, informando datas e locais, será disponibilizada no site da ABCC – www.abccam.com. br – tão logo disponível.

ABCC inicia os trabalhos referentes à elaboração do Plano de Desenvolvimento da Carcinicultura do Estado do Maranhão Em 04 de Maio do corrente, os Coordenadores do Plano de Desenvolvimento da Carcinicultura do Estado do Maranhão Josemar Rodrigues e Marcelo Borba, na condição de representantes da ABCC, pisaram em solo maranhense para dar início efetivo à sua elaborarão como resultado de Convênio firmado entre o Ministério da Pesca e Aquicultura e a Associação Brasileira de Criadores de Camarão. Ao longo das duas semanas subsequentes, os Coordenadores tiveram contato com vários Secretários de Estado e/ou prepostos, dentre os quais o da recém-criada Secretaria de Pesca e Aquicultura – SEPAQ, da Secretaria de Desenvolvimento, Indústria e Comércio – SEDINC; da Secretaria de Meio Ambiente – SEMA; da Secretaria de Planejamento – SEPLAN, da Secretaria de Infraestrutura – SEINFRA, da Secretaria de Desenvolvimento Social e Agricultura Familiar – SEDES, do Instituto de Terras do Maranhão – ITERMA, da Secretaria de Ciência e Tecnologia, além da Universidade Estadual do Maranhão – UEMA, entidade parceira na Elaboração do Plano, assim como da não menos importante visita às dependências da Superintendência Federal do Ministério da Pesca e Aquicultura do Maranhão – SFPA/MA. Dentro do Contexto do Plano e em virtude das suas especificidades, vários pontos concernentes à sua estruturação foram abordados sob diferentes vieses junto a cada uma das instituições visitadas. Desta forma, foi possível aos Coordenadores do Plano, não só estabelecer suas diretrizes gerais e prévia seleção dos potenciais Polos de Carcinicultura, bem como estruturar a agenda de incorporação dos Consultores Especialistas selecionados, em consonância com os Termos de Referência Específicos para cada um dos trabalhos a serem executados. Dentre os vários gargalos identificados para que se desenvolva, nem que parcialmente, o vasto potencial que tem o Maranhão para a carcinicultura não apenas localmente, mas em termos nacionais, as questões de cunho fundiário, ambiental e de infraestrutura de acesso e energia elétrica parecem apresentar os maiores desafios. Muito embora fique claro que, pela totalidade dos Secretários de Estado que receberam a Equipe de Coordenadores da ABCC, juntamente com o Assessor Especial e o Superintendente de Aquicultura da SEPAQ, existe uma excelente recepção e disposição em contribuir para o bom andamento dos trabalhos. Os próximos passos já estão sendo trabalhados e dois dos seis consultores previstos no Convênio já foram contratados. Os resultados dos trabalhos destes consultores deverão nortear e alicerçar as principais bases de sustentação do Plano, que agora entra na fase de definição dos Polos e os necessários e imprescindíveis estudos a estes associados, informou Marcelo Borba, Coordenador Técnico, Administrativo e Financeiro do Convênio. Revista ABCC | 11

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Josemar Rodrigues e Marcelo Borba, representando a ABCC, em reunião com a equipe da Secretária do Desenvolvimento, Indústria e Comércio do Maranhão

ABCC presente em Sergipe Itamar Rocha, na condição de Presidente da ABCC, se reuniu com produtores do estado de Sergipe em 16 de maio deste ano onde apresentou palestra sobre as ações da ABCC e discutiu problemas setoriais. Itamar Rocha aproveitou a ocasião para ressaltar a importância dos produtores se unirem em uma única associação estadual que por sua vez trabalhe mais de perto com a ABCC. O estado de Sergipe vem se destacando na carcinicultura, cujo Censo, realizado pela ABCC em 2011 apontou um aumento expressivo tanto no número de produtores (de 69 em 2004 para 204 em 2011) como da área cultivada (de 514 ha em 2004 para 1.040 ha em 2011) com destaque para a participação de micro e pequenos produtores, cuja esmagadora maioria, não conta com Licença Ambiental e são permanente ameaçados por ações judiciais por parte do MPF e Justiça Federal. Como resultado dessa reunião, ficou agendada uma outra reunião, com as representações das várias Associações locais para o dia 22 de Maio, que deverá contar com a participação do Dr. Marcelo Palma, advogado da ABCC.

Palestra do Presidente da ABCC com produtores de camarão de Sergipe no dia 16 de Maio

Relatório do Banco Rabobank: Brasil pode se tornar um gigante da indústria de pescado no futuro Um dos principais bancos de investimento no agronegócio do mundo, o RABOBANK, com sede na Holanda, publicou um relatório em Fevereiro deste ano afirmando que o Brasil tem todos os ingredientes necessários para se tornar a próxima potência mundial de pescado com condições de competir com países já estabelecidos como a Tailândia, Noruega e até a China. O relatório destaca que apesar dos seus recursos naturais intrínsecos e grande disponibilidade de grãos, a indústria de pescado do Brasil ainda tem que superar barreiras significativas para atingir seu potencial. Tais barreiras incluem a burocracia existente para a obtenção de licenças para novos empreendimentos aquícolas, baixa produtividade e uma indústria de ração relativamente subdesenvolvida. A visão do RABOBANK é que apesar dos desafios, o setor de aquicultura no Brasil liderado por investimentos privados e governamentais vai crescer de importância no cenário aquícola global. Guilherme Melo, analista do RABOBANK, comentou: “Os recursos naturais intrínsecos do Brasil o torna uma potência aquícola em potencial. Sua Zona Econômica Exclusiva (ZEE)-e águas territoriais, o torna um dos principais países de áreas de superfície de água do mundo, totalizando 3,5 milhões km2. Sua longa linha de costa e áreas de água doce passam através de uma diversa faixa de climas tropicais e subtropicais ideais para a aquicultura e similar ao clima do sudeste asiático e China atualmente responsáveis por mais de 80% da produção aquícola global.” “Adicionalmente, a vasta produção brasileira de grãos junto com o seu potencial de aumento desta produção, proporciona ao país a vantagem de produzir espécies que consomem uma dieta vegetariana, uma vez que o custo de ração compõe aproximadamente 60% do custo direto total da produção de pescado. Uma vantagem no custo da ração foi um importante fator por trás do crescimento das indústrias avícola e de suínos no Brasil, que hoje ocupa a segunda e a quarta posição mundial de produção respectivamente” declarou Melo. RABOBANK identificou uma série de gargalos que o Brasil tem que superar para realizar seu potencial conforma abaixo: Regulamentação: no que diz respeito a regulamentação, um dos pontos fracos é o marco legal referente o uso de águas para aquicultura. Existe uma considerável burocracia a ser superada para a obtenção de todas as licenças e permissões para iniciar uma operação de aquicultura. Baixos rendimentos e heterogeneidade de tamanhos também impedem o crescimento do setor no Brasil. Esta questão poderia ser parcialmente resolvida caso as relações entre os elos da cadeia fossem melhor coordenadas e integradas como é o caso na produção avícola e de suínos. Indústria de ração subdesenvolvida: Como existem várias espécies sendo cultivadas com uma ampla gama de hábitos alimentares e condições de cultivo – normalmente cultivos de pequena escala – não é economicamente viável para empresas produzirem em grande escala rações específicas adequadas para cada situação. Infraestrutura é outro obstáculo importante para o setor. Muitas áreas onde existem fazendas de aquicultura são distantes

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de estradas, portos, fornecedores de ração, áreas de consumo, etc, o que apresenta desafios adicionais para a operação e consequente viabilidade econômica de tais projetos. Informação Pública: A falta de informações públicas sobre o setor tem provavelmente impedido investidores de melhor avaliar o potencial deste mercado. Embora existam vários desafios a serem superados. RABOBANK acredita que as perspectivas para o setor de pescados no Brasil é bastante positivo. Além de ter todos os ingredientes necessários para aumentar a oferta, o crescente consumo doméstico, juntamente com oportunidades de exportação, irão contribuir para colocar o país no radar das empresas líderes da indústria global de pescado e também pode atrair gigantes do setor de carnes do Brasil a investir na aquicultura. Decreto do Rio Grande do Norte sobre licenciamento ambiental de pequenas propriedades A Governadora Rosalba Ciarlini do Rio Grande do Norte assinou Decreto que modifica as exigências para o licenciamento ambiental de pequenas propriedades do setor da aquicultura. O Decreto foi elaborado pelos técnicos da Subsecretaria de Pesca e Aquicultura. Os projetos até 3 hectares de espelho d’água ficam liberados da licença do IDEMA; os projetos até 10 ha só precisam de uma licença simplificada. Assim, para uma grande parte dos micro e pequenos produtores de peixes

será mais fácil legalizar o empreendimento deles e garantir os investimentos. Foi facilitado também o uso de pequenos açudes, até um espelho d’água de 40 ha, que deve resultar num grande impulso para a aquicultura do Estado. Esse Decreto teve como base um decreto semelhante do Estado de São Paulo, sendo que estranhamente e inexplicavelmente, pois o pleito foi levado a Governadora pela ABCC e ANCC, a carcinicultura, que no Decreto de São Paulo, que não tem criadores de camarão, até 5 há está isenta de Licença Ambiental, no Decreto do Rio Grande do Norte, que tem centenas de pequenos produtores de camarão, não foi incluída no Decreto do RN . Regulamenta dispositivos da Lei Estadual n.º 8.769, de 21 de dezembro de 2005, e dá outras providências. A GOVERNADORA DO ESTADO DO RIO GRANDE DO NORTE, no uso das atribuições que lhe confere o art. 64, V, da Constituição Estadual e com fundamento na Lei Estadual n.º 8.769, de 21 de dezembro de 2005, DECRETA: Art. 1º Este Decreto disciplina regras relacionadas à atividade de aquicultura no Estado do Rio Grande do Norte, para a utilização de espécies nativas ou estabelecidas, em águas continentais ou interiores, nos termos da Lei Estadual n.º 8.769, de 21 de dezembro de 2005.

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Art. 2º O Instituto de Gestão das Águas do Estado do Rio Grande do Norte (IGARN) terá competência para dispensar a outorga do direito de uso dos recursos hídricos para projetos de aquicultura nos açudes, lagos ou lagoas, com até 40 (quarenta) hectares de bacia hidráulica na cota de sangria, calculados a partir do projeto ou de imagens de satélite. Parágrafo Único. Os empreendedores responsáveis pelos projetos de aquicultura objeto do caput deste artigo efetuarão o cadastramento junto ao IGARN para obtenção da dispensa de outorga do direito de uso dos recursos hídricos. Art. 3º Fica determinado que o Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente do Rio Grande do Norte (IDEMA), para fins de licenciamento ambiental dos empreendimentos localizados fora do corpo hídrico, adotará o seguinte critério para fins de licenciamento: I - dispensa de licença, nas hipóteses previstas da legislação vigente, para empreendimentos com área de até 3 hectares; II - licença simplificada, no caso de empreendimentos com área superior a 3 hectares e inferior a 10 hectares; e III - licença prévia, licença de instalação e licença de operação, no caso de empreendimentos com área superior a 10 hectares. Art. 4º Fica determinado que o IDEMA, para fins de licenciamento ambiental dos empreendimentos localizados dentro do corpo hídrico, adotará o seguinte critério para fins de licenciamento: I - dispensa de licença, nas hipóteses previstas da legislação vigente, para empreendimentos de piscicultura em gaiolas ou tanques rede com até 0,5 hectare ou no máximo 450m3 de volume de gaiola ou tanque-rede; II - licença simplificada, no caso de empreendimentos com área acima de 450m3 e inferior ou igual a 900m3 de volume de gaiola ou tanque-rede e ocupação máxima de 10.000m2 de espelho d’água; e III - licença prévia, licença de instalação e licença de operação, no caso de empreendimentos acima de 900m3 de volume de gaiola ou tanque-rede e ocupação máxima de 20.000m de espelho d’água. Art. 5º Caberá ao IDEMA adotar providências no prazo de até sessenta dias para viabilizar a revisão e adequação dos critérios fixados na Resolução CONEMA n.º 002, de 11 de outubro de 2011, ao disposto neste presente Decreto. Art. 6º Este decreto entra em vigor na data de sua publicação. Palácio de Despachos de Lagoa Nova, em Natal – RN, 20 de Abril de 2013, 192º da Independência e 125º da República. Deputado Federal Raimundo Gomes de Matos critica importação de camarão A importação de camarão da Argentina, segundo o Deputado Federal Raimundo Gomes de Matos (PSDB-CE), é um grande risco, porque poderá não apenas desestabilizar o comércio do crustáceo no País, mas também influir na qualidade do alimento oferecido à população. Ele se mostrou altamente contrário à iniciativa do MPA/Governo brasileiro de liberar a importação de camarão da Argentina. “O mais grave foi que o Banco do Nordeste e o Banco do Brasil, diante dessa equivocada decisão, cancelaram todos os financiamento para esse setor. Isso é um verdadeiro absurdo, que precisa ser corrigido, porque o Brasil, principalmente o Nordeste, e o Ceará, tem condição de produzir camarão para atender o

mercado interno e, inclusive exportar”, disse. Essa transação comercial, segundo ele, foi um acordo que a Presidenta Dilma Rousseff fez com a Presidenta Cristina Kirchner da Argentina, “Esse acordo além dos reais riscos sanitários vai prejudicar o mercado de venda de camarão, especialmente aqui no Nordeste”, lembrou. E o prejuízo maior deverá ficar com o Estado do Ceará, que é o maior produtor de camarão em cativeiro do País. Bangladesh desafia as mudanças climáticas associando o cultivo de arroz à aquicultura do camarão Aquicultura litorânea integrada com cultivo de arroz pode fortalecer a segurança alimentar em Bangladesh e combater as mudanças climáticas A expansão do cultivo do camarão pode ajudar o crescimento econômico de Bangladesh. A combinação da aquicultura com o cultivo inundado de arroz nas áreas costeiras de Bangladesh pode ajudar a resolver os aspectos críticos de segurança alimentar e das mudanças climáticas. O enfoque promete um alimento mais nutritivo sem causar estragos na meio ambiente, com o potencial de provocar uma “revolução verde-azul” nas áreas agrícolas existentes de Bangladesh, estendendo-se para cerca de 10.m hectares (25.m acres) e para uma área adicional de cerca de 3.m hectares que se mantém coberta de água durante quatro a seis meses do ano. “A capacidade instalada dessas terras e águas adicionais, quando plenamente utilizadas, pode aumentar a produção de alimento e o crescimento econômico.” disse Nesar Ahmed, autor da reportagem publicada no último mês no Ocean & Coastal Management. Ahmed, um pesquisador em manejo de pescado da Universidade Agrícola de Bangladesh, Mymensingh, afirmou a SciDev. Net que existia um “vínculo vital entre o cultivo de camarões na costa de Bangladesh e uma “economia verde” que pode contribuir para a solução da crise econômica e ambiental”. Enamul Hoq, cientista senior do Instituto de Pesquisa de Pesca de Bangladesh, concorda com que a revolução verde-azul “não apenas gera enormes benefícios econômicos, mas também resolve a crescente crise das mudanças climáticas.” ‘’A aquicultura melhora a fertilidade do solo com as descargas dos efluentes e contribui para o controle de insetos e de diversas variedades de alimento de peixes que prejudicam a produção agrícola” Hoq destacou. O setor da aquicultura costeira de Bangladesh, que é dominado pela produção exportável do camarão de água doce e do camarão de água salobra, dá uma significante contribuição ao desenvolvimento econômico. A reportagem de Ahmed mostra que se o cultivo do camarão é expandido para 2.83m hectares de terras agrícolas periodicamente inundadas, Bangladesh ganharia uma renda adicional equivalente a 6,3 bilhões de Libras Esterlinas anualmente. Igualmente, se o cultivo de arroz é também estendido para toda a área agrícola inundada durante a estação do ano, 1,58m toneladas adicionais de arroz poderiam ser produzidas anualmente. De acordo com Niamul Naser, professor de zoologia da Universidade de Dhaka, o cultivo do camarão de água doce no Barind (noroeste de Bangladesh) tem resistido consistentemente às condições extrema do clima em recentes anos.

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Nazrul Islam, ex-diretor de informação do Ministério da Agricultura disse a SciDev.Net: “A combinação arroz e cultivo de pescado é a resposta para os problemas das mudanças climáticas, particularmente nas áreas costeiras onde o incursão das águas salinas se realiza de forma extraordinária. Fonte: Naimul Haq para SciDev parte da Guardian development network

Estudo realizado nos Estados Unidos sugere que comer peixe prolonga a vida Pessoas com mais de 65 anos que comem peixes podem viver cerca de dois anos a mais do que aqueles que não consomem os ácidos graxos ômega-3 encontrados principalmente em peixes e mariscos, disse um estudo realizado nos Estados Unidos. Pessoas com altos níveis de ácidos graxos ômega-3 no sangue também parecem ter um risco 27% menor de morte de qualquer tipo, e um risco 35% menor de morte por doença cardíaca do que aquelas com níveis mais baixos de ômega-3 no sangue, segundo o estudo. A pesquisa foi conduzida por cientistas da Escola de Saúde Pública da Universidade de Harvard e publicado na revista Annals of Internal Medicine, publicada em conformidade com http://www.emol.com/. Outros estudos já haviam mostrado uma ligação entre os ácidos graxos ômega-3 e uma redução do risco de doença cardíaca, mas este estudo analisou os registros médicos de mais de 65 anos para determinar qualquer ligação entre o consumo de peixe e o risco de morte. Os pesquisadores revisaram os registros médicos de 2.700 norte-americanos com mais de 16 anos num período de 65 anos. Aqueles considerados para o estudo não estavam tomando suplementos de óleo de peixe, para eliminar qualquer confusão sobre o uso de suplementos alimentares. Aqueles com níveis mais elevados de ácidos graxos ômega-3 no sangue, encontrados principalmente em peixes como salmão, atum, sardinha, arenque e cavala, estavam num grupo de menor risco de morrer de qualquer causa, e viveram uma média de 2,2 anos do que aqueles com níveis baixos. Os pesquisadores identificaram o ácido docosahexaenóico (DHA) como o mais associado com um menor risco de morte por doença cardíaca coronária. Ácido eicosapentaenóico (EPA) foi fortemente associada com um risco reduzido de infarto do miocárdio não-fatal e docosapentaenóico (DPA) foi mais fortemente associado a um menor risco de morte por derrame. Os resultados persistiram após os pesquisadores fizeram ajustes para a dieta, estilo de vida e fatores demográficos. “Nossos resultados destacam a importância de ter níveis adequados de ômega-3 no sangue para a saúde cardiovascular, e sugerem que os benefícios futuros podem realmente aumentar a expectativa de vida”, disse o autor principal, Dariush Mozaffarian, professor associado do Departamento de Epidemiologia da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de Harvard. “Ementário da Legislação de Aquicultura e Pesca do Brasil - Quarta Edição Atualizada – 2013” A Revista da ABCC informa aos seus leitores que foi publicado em versão eletrônica o livro de autoria de Gláucio Gonçalves

Tiago “Ementário da Legislação de Aquicultura e Pesca do Brasil - Quarta Edição Atualizada – 2013”. Ferramenta de inestimável utilidade para profissionais, estudantes e demais interessados na gestão socioambiental, pesqueira e aquícola, congregando centenas de diplomas legais brasileiros que disciplinam as cadeias produtivas da Aquicultura, da Pesca e de Peixes Ornamentais. Obra voltada a todos os interessados em Pesca e Aquicultura, apresentando as mais recentes e importantes alterações introduzidas na legislação de gestão sustentável, governança ambiental e licenciamento ambiental destas atividades. Disponibiliza ainda, legislação brasileira de meio ambiente, água, sanidade de produtos pesqueiros, navegação, e de outros ramos do direito, correlata à atividade aquícola e pesqueira. Além de tabelas com dados sintetizados de defesos, cotas e tamanhos mínimos de captura permitidos para a pesca, em território brasileiro. Atualizado até março de 2013, as cópias do E-Book, autorizadas pelo autor, estão disponíveis para download (534 KB) no sítio http://www.almalivre.org. Segundo o New York Times, aquicultura vai ultrapassar a pesca ainda em 2013 Na sua edição de 24 de janeiro de 2013, o conceituado jornal New York Times publicou matéria destacando que em algum momento de 2013, vamos passar um marco na história da humanidade: a maioria do pescado que consumimos será de cultivo e não de captura. O artigo informa que enquanto que a produção aquícola tem crescido exponencialmente durante os últimos 20 anos, a produção de captura tem permanecido estável. Consequentemente, a não ser que a produção de pesca de captura tenha um ano excepcional, pela primeira vez na história a maior parte do pescado para consumo virá da aquicultura e não dos rios e oceanos. Estas informações têm como base dados do relatório da Organização das Nações Unidas para Alimentos e Agricultura (FAO) intitulado o Estado da Pesca e Aquicultura Mundial 2012. O artigo em nenhum momento sugere que a pesca vai acabar. Embora deixe claro que a pesca comercial vai continuar existindo independentemente do crescimento na aquicultura, é a aquicultura que tem um melhor potencial de lidar com o dilema malthusiano de alimentar uma população humana que deve crescer 50% nos próximos 50 anos. Um dos motivos para isto, segundo o artigo, é que a aquicultura é o mais eficiente produtor de proteína animal. Fatores de Conversão Alimentar (FCA) para várias espécies aquícolas já estão se aproximando de 1:1, o que significa que para cada quilo de ração utilizado, a espécie de cultivo ganha um quilo de peso. Em termos de comparação, o animal terrestre com a FCA mais eficiente é o frango de corte com um FCA de 1,6:1. Embora o artigo mencione que a aquicultura não está completamente livre de problemas tais como doenças e outros diversos, o mesmo finaliza colocando que a agricultura tem um período de 12.000 anos de aprendizado enquanto que a aquicultura em grande escala apenas 60 anos. Há muito ainda a aprender na aquicultura, mas uma coisa já esta clara, a mudança de captura para cultivo já está quase completa. Revista ABCC | 15

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ARTIGO

A Importância da Aquicultura e da Carcinicultura no Contexto da Produção Mundial de Pescado: Desafios e Oportunidades para o Brasil Itamar de Paiva Rocha Presidente da ABCC abccam@abccam.com.br

A

Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), com base na evidente: (1) limitação dos estoques naturais de pescado, (2) no domínio das tecnologias de reprodução e cultivo das principais espécies aquáticas, especialmente as marinhas e, (3) na crescente demanda mundial por alimentos protéicos de origem pesqueira, preconiza que a aquicultura será a atividade do setor primário da economia mundial que mais crescerá nas próximas três décadas. Inclusive, no seu recente estudo: Perspectivas Alimentares, a FAO informa que durante o ano de 2011 o setor pesqueiro mundial apresentou transações comerciais no valor global de US$ 290 bilhões, destacando que “as previsões supõem um novo despertar do setor após três anos de leves quedas e crescimento moderado, em sintonia com a crise econômica internacional.” As exportações mundiais estão sendo feitas atualmente por países da Ásia e África, nessa ordem, e nominalmente pela China, Tailândia, Indonésia e Vietnã, bem como por Marrocos, Namíbia e África do Sul, salientando-se que todos esses países produtores são importantes fornecedores de pescado tanto para o bloco da União Europeia, como para Estados Unidos e Japão. Do lado dos importadores se destacam em ordem decrescente e cifras anuais: Europa (US$ 60 bilhões), Estados Unidos (US$ 35 bilhões) e Japão (US$ 25 bilhões). Por outro lado, “países como China, Brasil, Índia e Malásia estão exibindo uma intensa voracidade por produtos pesqueiros, sejam provenientes de captura ou da aquicultura e, acumulando uma quota de crescimento da ordem de 8% ao ano”. O Bloco Ocidental de alguma forma a pagará por essa crescente demanda, que provém tanto do fortalecimento de suas respectivas moedas em relação ao dólar americano, como da rápida expansão de consumo de pescado, ressaltou a Agência das Nações Unidas. Por isso, de acordo com a FAO, não se deve ignorar essas macro-magnitudes derivadas das enormes necessidades de alimentação da população mundial, que correspondem a cifras gigantescas em termos de volumes de produção e de valor das correspondentes transações comerciais. Nesse contexto, consequentemente, está considerado o consumo com os ecossistemas marinhos submetidos a altos níveis de exploração e a aquicultura produzindo tudo o que pode, mas por ser a única alternativa para atender a crescente demanda por pescado, certamente exigirá que um possível custo ambiental do aumento da sua produção, seja analisado sob uma perspectiva, onde a necessidade de médio prazo seja priorizada.

Finalmente, a FAO destacou que a produção mundial de pescado, somando captura e aquicultura, foi de 146,3 milhões de toneladas, em 2011, das quais 83,7 milhões foram oriundas da pesca extrativa, enquanto 62,6 milhões tiveram origem na exploração aquícola (excluídas as plantas aquáticas). O volume de pescado produzido no referido ano, em milhões de toneladas, se destinou basicamente: para consumo humano (122 milhões), consumo animal (20 milhões) e usos diversos (4,3 milhões). Diante desses fatos e considerando as oportunidades que se apresentam para o Brasil, em todas suas macro-regiões, para a produção de pescado via aquícultura, faz-se um alerta e ao mesmo tempo, uma contribuição sobre a necessidade de um maior comprometimento das autoridades brasileiras, bem como da classe política, dos centros de formação acadêmica, dos técnicos setoriais, privados e públicos e de forma especial, dos produtores aquícolas, com o desenvolvimento dessa importante atividade, no contexto nutricional, social e econômico, para a população brasileira e mundial. Nesse sentido, nas tabelas e gráficos que se apresenta a seguir, são disponibilizadas e comentadas as recentes estatísticas sobre a situação em que atualmente se encontra a aquicultura no Brasil e no Mundo, ressaltando adicionalmente, sua relevância para o fortalecimento do setor pesqueiro nacional. Adicionalmente, o presente trabalho dá especial destaque para o segmento da carcinicultura ao analisar os dados relativos à evolução da sua produção, realçando a participação dos principais países produtores, enfatizando a premente necessidade de se dispensar um maior apoio aos produtores brasileiros, que a despeito de disporem de excepcionais condições edafo-climáticas, infraestruturais e locacionais em relação aos principais países produtores e mercados consumidores, não se destacam no contexto da produção mundial desse setor. Por isso, uma preocupação que prevalece na análise dos gráficos e tabelas adiante apresentados é a comparação do desempenho do Brasil, cujo excepcional potencial vem sendo pouco utilizado para a exploração da aquicultura e da carcinicultura, com os demais países produtores, o que ajuda a conhecer e entender as dificuldades, os entraves e as oportunidades que estão sendo perdidas pelos produtores brasileiros, pela sociedade e pelo país, em decorrência da já referida falta de incentivos e prioridades governamentais. Assim, além de se enfatizar as amplas perspectivas que o Brasil oferece para se transformar num grande produtor de pescado, via aquicultura, se ressalta a necessidade de se por em prática, planos e projetos de promoção desse

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Figura 01: Evolução da Produção Mundial de Pescado: Período de 1999 a 2011.

Por outro lado, na Figura 02, adiante apresentada, fica patente que a participação da Ásia no contexto da produção aquícola mundial é de uma relevância inquestionável, embora não haja motivos para justificar o pífio desempenho do Continente Americano e, de forma especial, da América do Sul, onde o Brasil se destaca como um péssimo exemplo. Nesse mesmo contexto, a Tabela 01 abaixo detalhada, mostra o preponderante destaque da China (50.173.130 t) na produção aquícola mundial, correspondente a uma participação de 60,00% em 2011. Em contraste e em termos comparativos, como se observa na mencionada tabela, a posição do Brasil foi insignificante, tanto em cifras absolutas (630.039 t) quanto relativas (0,75%), especialmente quando se considera o excepcional potencial natural e as invejáveis vantagens climáticas e locacionais (proximidade da EU e EUA), que o país dispõe para a produção aquícola e a comercialização de seus produtos.

Figura 02: Produção Mundial da Aquicultura: Continente e grupo de espécies em 2011.

Tabela 01: Principais Produtores p q da Aquicultura ( Mundial) (2003 – 2011)

Fonte: FAO, Abril, 2003 (Incluindo plantas aquáticas)

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desenvolvimento, com a ampliação da oferta de um alimento de elevado valor protéico/nutricional, para contribuir com o esforço global de aumento da produção de pescado, tendo em vista atender a crescente e insatisfeita demanda mundial por esse nobre e cada vez mais desejado produto. É importante notar no quadro adiante apresentado, que enquanto a produção mundial de pescado de origem extrativa, manteve-se praticamente estabilizada (2,0%), a produção da aquicultura, incluindo plantas aquáticas, mais do que dobrou de volume (111,42%) entre 1999 e 2011, contribuindo decisivamente para o aumento da oferta mundial de pescado e para a estabilidade dos preços desse importante alimento (Figura 01).

Além disso, no contexto mundial, a Indonésia se sobressai como o segundo maior produtor global de pescado via aquicultura, tendo ocupado o primeiro lugar em termos de crescimento relativo da produção desse setor, entre 2003 e 2011 (546,04%). Da mesma forma, o Vietnã, esse pequeno país asiático, a despeito da sua limitada área territorial (320.000 Km2), da qual apenas 80.000 Km2 são agriculturáveis, afora o fato de ter sido afetado por 50 anos de guerras no século passado, de forma surpreendente, sua produção aquícola (3.052.500 t) apresentou um expressivo aumento (215,5 %) entre 2003 a 2011, colocando o país na quarta posição no ranking mundial da produção da aquicultura. Enquanto isso, o Brasil, embora tenha apresentado um crescimento de 130,55% na sua produção aquícola, o volume correspondente em 2011 (630.039 t) representou apenas 1,26% da produção da China (50.173.139 t), 20,6 % da produção do Vietnã e 0,75% da produção mundial desse setor (83.729.315 t), o que dá uma ideia dos desafios que precisam ser superados para que o país ocupe a posição de destaque que suas potencialidades permitem e que todo o mundo espera que aconteça. Notadamente, quando se leva em consideração que o Brasil conta com excepcionais condições edafo-climáticas e invejáveis espécies de peixes de água doce com potencial para a exploração da piscicultura, associado ao fato de que a tecnologia que revolucionou a piscicultura mundial, a hipofização, foi descoberta por pesquisadores brasileiros, em meados da década de 20 do século passado. Enquanto isso, a despeito de dispor de importantes espécies de peixes e moluscos marinhos e estuarinos, com potencial para a exploração da maricultura, essa atividade no Brasil encontra-se praticamente na estaca zero, tendo participado com apenas 0,10% (18.340 t) da produção mundial desse setor em 2011. Em realidade, esse pífio desempenho, não condiz com a tradição e com a história da aquicultura estuarina brasileira, que remonta da ocupação holandesa, na primeira metade do século XVII. Nesse mesmo contexto, quando se analisa a produção mundial de camarão (captura e cultivo) das últimas três décadas, verifica-se que houve um crescimento exponencial, onde a Revista ABCC | 17

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participação da carcinicultura na produção reportada pela FAO (2013) para o ano de 2011 (3.930.059 t) superou a produção extrativa de camarão (3.288.467 t), tendo como destaque, o fato de que embora a produção derivada do cultivo tenha crescido 6.099% (63.398 t/1979) para (3.930.059 t/2011), a produção extrativa de camarão aumentou 114,18 %, passando de 1.535.335 t (1979) para 3.288.467 t em 2011(Figura 03). Em realidade, esse desempenho da produção extrativa de camarão, desmistifica e coloca por terra as falsas acusações de que a carcinicultura degrada o meio ambiente adjacente a sua exploração. Na verdade, esses números mostram exatamente o contrário, pois não existe nenhum exemplo de crescimento da produção extrativa de qualquer outro pescado no mundo, de forma que podemos afirmar, sem a menor sombra de dúvida, que a carcinicultura contribuiu positivamente e definitivamente, para o incremento da produção extrativa de pescado.

Figura 03: Evolução da Produção Mundial de Camarão Marinho: Cultivado X Capturado (1979 a 2011)

A análise do quadro geral dos principais produtores de camarão cultivado, mais uma vez revelou que a produção mundial desse setor (85,91%) se concentra no Continente Asiático, mais precisamente na: China, Tailândia, Vietnã, Indonésia, Índia, Bangladesh e Filipinas, seguidos por Equador, México e Brasil, do Continente Americano (Tabela 02). Tabela 02: Principais Produtores de Camarão Cultivado: 2003 a 2011.

AMÉRICA CENTRAL: Venezuela, Peru, Panamá, Nicarágua, Honduras, Guyana, Guatemala, El Salvador, Republica Dominicana, Cuba, Costa Rica, Colômbia, Belize.

Fonte: FAO. Abril, 2013.

A produção de camarão cultivado da China cresceu 126,2% entre 2003 e 2011, tendo como destaque o fato de que atualmente essa produção tem origem predominante na exploração do L. vannamei, originário do Pacífico, que foi introduzida no país apenas em 1999. Da mesma forma, na Tailândia, segundo maior produtor mundial, 90% da produção de camarão cultivado é constituída do L. vannamei, introduzido no país apenas em 2002, cujo crescimento entre 2003 e 2011 foi de 55,46 %. No Vietnã, a produção derivada da carcinicultura cresceu 114,05 %, entre 2003 e 2011, tendo como realce a utilização de 850.000 hectares de viveiros, majoritariamente ocupados por micro e pequenos empreendimentos. O Equador tem mantido a liderança da produção e das exportações de camarão nas Américas, com relevo para o ano de 2011 cuja produção foi de 260,000 t, correspondeu a um crescimento de 235,92 % em relação a 2003, da qual foram exportadas 142.469 t, correspondente a US$ 801.5 milhões em divisas. Enquanto isso, o Brasil, que havia produzido e exportado mais do que o Equador em 2003, além de ter diminuído sua produção em 27,19%, reduziu suas exportações de 58.455 t/US$ 226,0 milhões em 2003 para 0,0 t em 2012. Antes da ação anti-dumping imposta pelos EUA em 2003 a vários países, o camarão cultivado do Brasil ocupou o primeiro lugar (23,51%) das importações do camarão pequeno/médio dos EUA, seguido pela China (19,22%), Equador (18,32%) e Tailândia (12,19$). Com o advento da referida ação, mesmo com a taxa de dumping considerada razoável para o camarão brasileiro (7,05%) em relação à do Vietnã (25,76%) e à da China (112,81%), o nosso produto perdeu competitividade de tal ordem que, em 2011, saiu completamente do referido mercado (Tabela 03), enquanto a Tailândia, com uma taxa de dumping de 5,95%, ou seja, apenas 1,1% inferior á do Brasil, elevou suas exportações para o mercado Americano, de 133.220 t / 2003 para 136.092 t / 2012. Tabela 03 – Origem das Importações de camarão pelos Estados Unidos (2003/2012)

Diante dos efeitos adversos da ação anti-dumping (USA), o camarão cultivado do Brasil teve suas exportações redirecionadas para a Europa, e, em 2004, ocupou o 1º lugar (43.019 t) das importações de camarão tropical daquele continente. Contudo, em decorrência da expressiva valorização do real em relação

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ao dólar americano, sem qualquer compensação financeira, o produto brasileiro voltou a perdeu competitividade, desta feita, de tal ordem, que decresceu sua participação para o 59º lugar (250 t) em 2011 e, em 2012, saiu completamente desse importante mercado. Mais uma vez o mercado interno foi a salvação, já absorvendo 100% da produção de camarão nacional, produção esta que voltou a crescer em 2012 (Figura 04) e projeta um novo crescimento para 2013, haja vista que os preços mantidos pelo mercado interno e esperados para o mercado Europeu são competitivos, levando a crer que se manterão atrativos para o retorno das exportações, já no ano de 2013.

Figura 04: Evolução da Carcinicultura Brasileira: 1997 a 2012 (1)

A cadeia produtiva da Carcinicultura Brasileira é composta basicamente por: Fazendas de Engorda, Unidades de Maturação e Larvicultura, Fábricas de Ração e Unidades de Beneficiamento. No período de 1982 a 2012, o total de financiamentos destinado a todo o setor, correspondeu a um montante nominal de pouco mais de R$ 500 milhões de reais, incluindo investimentos e custeio, sendo que mesmo com essa gritante falta de incentivos e apoio financeiro, o conjunto das unidades de recria e engorda (1.544 empreendimentos), juntamente com os demais elos da cadeia produtiva, geraram oportunidades de negócios cujo faturamento foi de R$ 1,12 bilhão de reais e com a geração de 70.000 empregos, diretos e indiretos, em 2012 (Figura 05).

Figura 05 – Perfil da Cadeia Produtiva da Carcinicultura Brasileira em 2012

Estes são números tão expressivos, que por serem reais e disponíveis, deveriam merecer uma maior consideração por parte do Governo Federal, dos Governos Estaduais, da classe política, da academia e da sociedade, que inexplicavelmente, quase sempre permanecem alienados dessa expressiva realidade setorial. Como exemplo muito simples e recente, da falta de prioridades para esse estratégico setor, cita-se a MP 609/2013, que dentre vários produtos da cesta básica isentados das contribuições sociais PIS/COFINS, incluiu o foie gras, o salmão, a truta do pacífico, o bacalhau, ou seja, produtos importados que não geram emprego no Brasil, deixando de fora o camarão, um produto 100% produzido no Brasil, que gera oportunidade de negócios para micro e pequenos produtores e emprego para mão de obra sem qualificação profissional, cujo preço das primeiras vendas, é inferior ou rivaliza com os tradicionais e antes populares: feijão e farinha de mandioca por exemplos. A Sustentabilidade da Carcinicultura Brasileira tem como base e suporte técnico, a adoção das Boas Práticas de Manejo e Biossegurança, códigos de conduta para todos os elos da cadeia produtiva, cursos de Capacitação e um rígido controle sobre os números do setor, desenvolvidos com a participação direta da ABCC. No plano econômico, por sua intrínseca característica de produção intensiva e por seus resultados em termos de geração de renda por hectare, a atividade atende aos requerimentos básicos para o bem estar de uma parcela significativa da população rural litorânea e do interior do Nordeste, não só com a produção empresarial, mas também, com a constituição e fortalecimento da pequena unidade de produção ou empresa familiar. No plano social, os requerimentos de mão-de-obra por parte do cultivo de camarão são de tal ordem que a atividade se destaca, na Região Nordeste, como o segmento do setor primário da economia regional que mais gera emprego permanente por unidade de área explorada. Merece relevo especial, o fato adicional de que a grande maioria desses empregos é ocupada por pescadores artesanais ou trabalhadores rurais com um mínimo de qualificação profissional, incluindo um número significativo de mulheres nas indústrias de processamento do camarão. No plano ambiental, estudos acadêmicos mostram que a água de cultivo de camarões apresenta melhor qualidade biológica e química do que a água de captação dos estuários (Figura 06), revelando ainda que a carcinicultura praticada nas áreas estuarinas do Nordeste não afetou as suas florestas de mangue, muito pelo contrário, num período de 26 anos, um estudo realizado nos principais Estados produtores de camarão, mostrou um incremento de 35,1% na cobertura vegetal desse ecossistema. Aliás, um fato inédito em termos desse ou de qualquer outro tipo de bioma florestal, no Brasil ou no Mundo.

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Figura 06: Perfil das principais variáveis hidrológicas, comparando o ponto de captação (Rio Paraíba) com a drenagem dos viveiros da Aquamaris (170 Há), João Pessoa – PB

Por outro lado, a adaptação da espécie L. vannamei às águas continentais do Nordeste, salitradas em muitos casos e, portanto, não aptas para o consumo humano ou para a irrigação, vem criando amplas perspectivas para a interiorização dessa atividade, fortalecendo o desenvolvimento da pequena unidade de produção familiar, que já se constitui numa importante alternativa econômica de interiorização das ações desenvolvimentistas, diversificando a produção nas comunidades rurais do Nordeste, de um alimento de fácil comercialização e grande apelo nutricional e gastronômico, (Tabela 04).

Tabela 04: ABCC, 2013 - Produção de L. vannamei em águas continentais no Brasil

Nesse contexto, se destaca que a participação do mercado interno brasileiro no consumo da produção do camarão cultivado, no período de 2003 a 2012 cresceu de 22,0% para 100 %, sendo que, enquanto o consumo per capita de camarão pelos brasileiros foi de apenas 0,55 kg per capita em 2011, o de carnes vermelhas foi de 55,8 kg e o de aves foi 47,4 kg (Figura 07), o que mostra as amplas oportunidades para o camarão cultivado no mercado interno, especialmente quando se compara o preço do camarão com o das carnes e, os saudáveis benefícios que o camarão oferece aos seus consumidores.

Figura 07: Brasil – Consumo de carnes e pescado em 2011 (Kg per capita/ano)

Nesse sentido, uma recente reportagem “Gordura do Bem”, da Revista Veja (27/06/12), comparou o percentual de gordura saturada de diversas fontes de origem animal e vegetal, destacando o camarão com 0,4% de gordura total (0,1% saturada), o salmão com um 8,5% de gordura total (2,5% saturada) e a picanha sem capa de gordura com 10,13% de gordura total (4,5% saturada), o que associado a atratividade gastronômica e aos preços competitivos em relação ao conjunto das carnes, abre amplas oportunidades para o aumento da produção e do consumo de camarão no Brasil (Figura 08).

Figura 08: Reportagem a Revista Veja: A Gordura do Bem

Notadamente, porque a Carcinicultura Brasileira vem priorizando a qualidade de seus produtos, utilizando códigos de conduta para todos os elos da cadeia produtiva e observando e adotando os compromissos exigidos para a obtenção da certificação e dos Selos de Qualidade: Selo Verde e Selo de Garantia de Qualidade da ABCC, contando inclusive com o primeiro certificado: DOC (Domínio de Origem Conhecida) para o camarão da Costa Negra (Itarema, Acaraú, Cruz e Jijoca – estado do Ceará). Também merece destaque, um estudo patrocinado pelo Ministério da Integração/SUDENE e realizado pelo Grupo Monitor e a FGV, em 2002 que identificou a carcinicultura

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dentre as principais atividades produtivas que poderiam ser priorizadas no Nordeste. No total, foram selecionadas 5 (cinco) segmentos produtivos: carcinicultura, frutas, gesso, software e têxtil (Figura 09), dos quais a carcinicultura apresentou o melhor desempenho quando analisados os impactos dos resultados e o nível de comprometimento abaixo referenciado. Assim, a pergunta que se faz com propriedade é: porque, diante de tantos insuspeitos predicados positivos, decorridos 10 anos da realização desse importante estudo, essa atividade ainda não recebeu a devida prioridade governamental?

Pelo contrário, na contramão de todo esse mar de oportunidades, a despeito do Congresso Nacional ter aprovado uma Lei de Aquicultura e Pesca e a Lei que criou o Ministério de Aquicultura e Pesca ambas no ano de 2009, dois importantes instrumentos de política pública, suficientemente fortes para dar o pontapé para promover uma nova ordem e um novo tempo para o setor pesqueiro brasileiro, mas em realidade, passados 4 (quatro) anos, o marasma setorial continua o mesmo. Basta dizer que as já referidas perdas de competitividade, associadas à falta de compensações financeiras, contribuíram para o fiasco das exportações brasileiras de pescado, que de uma maneira geral, apresentaram um declínio consistente entre 2003 e 2012, tanto no volume (-126,0%), quanto no valor (-41,37%). Enquanto isso, pressionadas pela crescente demanda interna e diante da falta de incentivo e prioridade para a produção nacional, as importações desses nobres produtos, entre 2003 e 2012, foram incentivadas de tal ordem que cresceram exageradamente (Figura 10), tanto em volume (+126,0%) quanto em valor (+517,6%). A opção brasileira pelas importações de pescado em detrimento da produção interna está contribuindo para gerar riquezas e milhares de empregos produtivos em dezenas de países.

Figura 09: MI/SUDENE: Cluster-Matriz de Priorização – Ponderação Quantitativa, 2002

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Figura 10: Exportações e Importações de Pescado do Brasil

Nesse contexto, as importações de pescado da China pelo Brasil se destacaram de tal ordem que apenas em 3 (três) anos (2009 a 2012), apresentaram um incremento de 900,99% em volume e 701,53% em valor,. Os preços praticados merecem uma consideração especial já que experimentaram incrementos de 452% (US$ 0,52/kg/2005 para US$ 2,87 /kg/2012) no período de 2005 a 2012 (Figura 11).

Figura 11: Evolução das Importações de Pescado da China (2005 – 2012).

De forma idêntica, as importações de pescado do Vietnã, em 2012, predominantemente do panga (Pangasius sp.), cresceram 948,2% em volume e 1.144,44 % em valor, em relação a 2009 (Figura 12).

Figura 12: Evolução das Importações do Pangasius do Vietnã (2009 a 2012)

Quanto às importações globais, cabe mencionar que enquanto no setor das carnes cujo valor global foi de US$ 46,4 bilhões em 2011, o Brasil contribui com US$ 15,8 bilhões (34%), nas importações mundiais de pescado de 2011 (US$ 120,0 bilhões) a contribuição brasileira foi de apenas 0,21% (US$ 250.9 milhões). No segmento de camarão, o valor das importações mundiais em 2011 foi de US$ 14,9 bilhões, cuja participação do Brasil foi de apenas US$ 900 mil. As evidências aqui apresentadas e as oportunidades para o setor pesqueiro brasileiro devem ser analisadas sob a ótica de que a China, apesar de ter uma produção de pescado 50 vezes maior do que a do Brasil, já ocupa a terceira posição dentre os maiores importadores mundiais dessa commodity, cujo consumo per capita vem crescendo exponencialmente nos últimos 30 anos, mas que está muito distante do patamar desejável pelos chineses. Por isso, alimentar a China será um desafio e uma oportunidade especial e de muito futuro para o Brasil. Basta comparar a evolução do crescimento econômico da China, com o respectivo consumo per capita/ano de pescado, para que fique evidenciado que enquanto em 1980 o consumo médio foi de apenas 10 kg/per capita, nos anos de 2000 e 2010 estas cifras chegaram a 20 kg/per capita e 28 kg/per capita, respectivamente (Figura 13). Com o continuado crescimento econômico da China e a reconhecida preferência por pescado da sua população, o desafio dessa década será: quem deverá alimentar a China? O Brasil caso desenvolva o seu enorme potencial aquícola? Ou a África, se conseguir superar seus graves problemas econômicos, sociais e ambientais? As oportunidades estão postas, os Agentes Públicos, Federais e Estaduais, os Agentes Financeiros, o Congresso Nacional e a sociedade brasileira vão priorizá-las e transformá-las em benefícios para sua população? Ou vão continuar passivamente dificultando o desenvolvimento de sua promissora indústria aquícola? Com a resposta, os governantes, a classe política, os empresários, a academia e a sociedade, pagadora das contas, mas comodamente alienada. Pela falta de alerta, certamente não será.

Figura 13: Evolução do consumo per capita de pescado da China (1980 a 2010)

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A célebre indagação, “quem vai alimentar a China da mandatária da Argentina, que teve suas exportações com pescado?”, não encontra resposta no contexto atual de camarão para a Espanha, suspensas em retaliação da produção setorial, pois o Brasil, considerado pela FAO a decisão do seu Governo de expropriar a Petrolífera como a principal fronteira capaz de atender o apetite Espanhola. chinês por pescado, a despeito de tantos predicados A prova do desacerto dessa decisão pode ser mais naturais e biológicos, continua deitado em berço, não bem avaliada quando se tem presente que os principais mais tão esplêndido, mas profundamente adormecido, de países produtores de camarão da Ásia (China, Tailândia, forma que um universo de mais de 1.100.000 pescadores Vietnã e Malásia), estão enfrentando graves problemas artesanais continuam dependendo desesperadamente de com o surgimento de uma nova doença (EMS - Síndrome um seguro defeso, que além do incentivo a ociosidade, da Mortalidade Precoce), que vem dizimando 90% dos tem se destacado pelas irregularidades e corrupção de camarões juvenis nos primeiros 30 dias e que já projeta agentes públicos setoriais. uma redução de 400.000 t na produção de camarão da Por outro lado, não será pela equivocada via das Ásia em 2013, um volume superior à produção de camarão importações de pescado, como tem priorizado o Governo cultivado das Américas. Brasileiro, que esses problemas serão resolvidos. No Assunto este que está mobilizando todos os países entanto, depois de lançar com estardalhaço, no final de produtores de camarão cultivado, onde o Equador e o Outubro/2012, um ambicioso Programa: Plano Safra das México já baixaram medidas restritivas para evitar a Águas, supostamente de Apoio ao Setor Pesqueiro, com entrada de crustáceos, incluindo do próprio Brasil. Nesse uma meta de investir R$ 4,3 bilhões de reais e dobrar a contexto a ABCC levou o assunto ao conhecimento do produção de pescado do Brasil até 2014, em realidade, MPA, enfatizando os reais riscos que as importações de passados 6 (seis) meses, nenhuma efetiva medida foi toma- camarões poderão representar para os crustáceos natida, muito pelo contrário, o BNB suspendeu os financiamentos para a carcinicultura e o MPA de um lado, aprovou a importação de camarão da Argentina e de outro, continua incentivando as importações de pescado, que nos primeiros meses de 2013 apresentaram crescimento de 8% em relação a igual período de 2012. Em realidade, de forma absurda, o Brasil a muito vem se destacando como o maior importador de pescado da América Latina, cujo volume importado (363.039 t) em 2012, contribuiu para uma sangria de US$ 1,23 bilhão das nossas divisas, gerando oportunidade de negócios e emprego para milhares de trabalhadores, em dezenas de países, enquanto no solo pátrio, cerca de 700.000 pescadores artesanais já são dependentes de um insustentável e impopular seguro defeso (R$ 1.900,00/pescador/ano), que Figura 14: Principais Doenças que Afetam a Carcinicultura da Tailândia e do Equador cresceu de R$ 62 milhões em 2002 para R$ 1,3 bilhão em 2011. vos e cultivados do Brasil, destacando que a Argentina O caso mais emblemático do desgoverno na política importou 54.819 t de pescado de dezenas de países em pesqueira brasileira é sem dúvida, a decisão do MPA/ 2011, sendo, 13.430 t do Equador e 13.175 da Tailândia, Governo Brasileiro de autorizar a importação de cama- incluído 454 t de crustáceos, nos quais existem 19 (dezerão selvagem da Argentina, contrariando importantes nove) doenças ou cepas virais de notificação obrigatória medidas de proteção sanitária (IN MAPA N 39/99) e IN pela OIE (Figura 14). MPA (N 14/10), que desde 1999 protegem os crustáceos Nesse mesmo contexto, foi ressaltado para o MPA nativos e cultivados do Brasil das dezenas de doenças as oportunidades presentes para o camarão brasileiro de Notificação Obrigatória pela OIE. diante dos efeitos adversos da EMS na Ásia, haja vista que O interessante dessa equivocada e temerária decisão, em decorrência das significativas previsões de quebra segundo o MPA, é que trata-se de um compromisso polí- de produção de camarão na China, Tailândia, Vietnã e tico da Presidência da República, atendendo a um apelo Malásia, os preços praticados pelo mercado Francês em Revista ABCC | 23

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01/05/13 para o camarão inteiro na classificação 100 -120 peças/kg já atingiram US$ 5,70/kg e US$ 6,20/kg para a classificação 80 – 100 peças/kg, o que de certa forma, já conferem competitividade as exportações do camarão brasileiro. Especialmente, quando se leva em conta que á partir de Julho/Agosto de 2013, a Europa deverá oferecer preços bem mais elevados. O apelo e alerta apresentado, visou acima de tudo, motivar o MPA para juntamente com a ABCC e suas afiliadas estaduais, promoverem a necessária mobilização do setor produtivo (investimentos/intensificação da produção), dos Governos Estaduais (licenciamento ambiental), dos Agentes Financeiros - BNDES, BB e BNB (financiamentos) e, naturalmente, a suspensão das ameaças de importações de camarão, da Argentina ou qualquer outro país. Mas, insensível ao nosso apelo e proposta de dobrar a produção de camarão cultivado em 2 anos, o MPA tomou a iniciativa de liberar as importações do camarão selvagem, Pleoticus muelleri, da Argentina, passando por cima de sólidas evidencias da existência de riscos epidemiológicos, como bem demonstram as fartas informações da lavra de pesquisadores da própria Argentina, apresentadas ao MPA. Naturalmente que os produtores de camarão do Brasil, tanto do setor extrativo quanto de cultivo, não concordam com essa decisão do Governo Brasileiro e, nesse sentido, contestaram veementemente a ARI (Análise de Risco de Importação) elaborada pela SEMOC/MPA, que se posicionou favorável a importação do referido camarão, que, no entanto, não atendeu o lúcido e embasado apelo de reconsideração setorial. Assim, diante da insensibilidade e real descompromisso do MPA/Governo Federal com a precaução da sanidade dos nossos crustáceos, associado aos insucessos das ações políticas, a ABCC tomou a única decisão cabível, a adoção de medidas judiciais, que serão impetradas tanto no âmbito da Justiça Federal quanto do MPF. Da mesma forma, em uma ação paralela, essa equivocada e temerária decisão do MPA foi contestada pela a ABCC, ACCN e UFCE, numa Audiência Pública que se realizou no dia 14/05/13, na Comissão de Agricultura e Pecuária da Câmara dos Deputados, onde o MPA e o BNB foram questionados e denunciados: (1) o MPA, pela temerária decisão de liberar a importação de camarão da Argentina, mesmo diante dos fundados argumentos e reais evidencias sobre os graves problemas de ordem sanitária confrontados pelos camarões selvagens daquele país, notadamente diante da EMS e do fato de que no mar da Argentina a prevalência dos vírus WSSV e IHHNV nas populações naturais de seus crustáceos já é de 10%, o que associado ao fato de que o país importa pescado da Tailândia (13.175 t, incluindo 454 t de crustáceos) e do Equador (13.430 t), que juntos

possuem 19 doenças de notificação obrigatória pela OIE, no mínimo deveria merecer por parte de quem tem a responsabilidade constitucional de zelar pela sanidade aquícola do Brasil, a adoção do princípio da precaução. (2) o BNB, que precisa explicar como num ano da maior seca do Nordeste dos últimos 50 anos, promove uma suspensão compulsória dos financiamentos para o setor carcinicultor, que está em franco processo de recuperação, utiliza águas salitradas e salgadas e emprega mão de obra sem exigência de qualificação profissional. Isso, sem falar que dos 1.545 produtores de 2011, a participação de micros (915), pequenos (236) e médios (314), somaram 1.465 (94,8%), enquanto os grandes representaram apenas 5,2% (80). Adicionalmente, merece um especial destaque, a informação oriunda do próprio Banco, de que no período de 2000 a 2012, o total de financiamento ao setor carcinicultor foi de R$ 361 milhões, dos quais, R$ 161.611.725,75, foram financiados no período de 2005 a 2012, sendo 53 empréstimos para grandes, 39 para médios e 182 para pequenos produtores. Ocorre que essa informação não bate com os dados do Censo de 2011 realizado pela ABCC, que identificou apenas 34 financiamentos para micro (24) e pequenos (10) produtores, ou seja um número muito inferior ao reportado pelo BNB, o que leva a crer que certamente foram incluídos nos números divulgados pelo BNB, os financiamentos para marisqueiras, prioridades do MPA/Governo Federal, como sendo pequenas carcinicultoras. Na contramão dessa atitude, se destaca que o BNB chegou a financiar R$ 400 milhões de reais para um único empreendimento do setor de eólica, portanto, um valor superior ao dispensado à toda carcinicultura do Nordeste, cujo compromisso era gerar apenas 12 empregos, mesmo assim de nível médio e superior, o que mostra o quão equivocada está sendo a prioridade de aplicação desses importantes recursos constitucionais, que acintosamente estão sendo desviados dos nobres propósitos que nortearam e justificaram a criação dessa importante ferramenta (FNE) de compensação e recuperação das desigualdades regionais. Com a consciência do dever cumprido, com base em 40 anos de experiência e vivenciado conhecimento da realidade da aquicultura e da carcinicultura brasileira e internacional, esperamos que a análise dessas informações nos ajude a ampliar a base da nossa resistência, tendo presente que já está sendo forjado nos subterrâneos da SEMOC/ MPA, várias ARI - Análises de Risco de Importação, para camarões e tilápias cultivados, originários de dezenas de países, reconhecidamente portadores de doenças de notificação obrigatória pela OIE e, que não adotam os compromissos sociais, nem a mesma proteção trabalhista e ambiental, que os produtores brasileiros são submetidos.

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ARTIGO

Carcinicultura Brasileira: o perfil do setor em cada unidade federativa produtora em 2011 Marcelo Borba- Consultor ABCC Joana Nogueira – Eng. de Pesca ABCC abccam@abccam.com.br

Nota do editor: Na sua última edição, esta Revista publicou um artigo sobre os resultados preliminares do Censo da Carcinicultura Brasileira em 2011 com dados gerais da atividade em todo o território brasileiro. O artigo publicado resume os resultados do extraordinário esforço de planejamento sistêmico e de execução do Setor Técnico da ABCC que, graças ao apoio financeiro do MPA, levantou, sistematizou e analisou as informações de cada uma e do conjunto das unidades de produção que integram os segmentos da cadeia produtiva do camarão marinho cultivado no Brasil (laboratórios de larvicultura, fazendas de criação, centros de processamento e fabricas de ração). Nesta edição, estamos publicando de forma bastante resumida à situação de cada estado produtor dentro do contexto nacional. O leitor deve considerar que ambos os artigos aqui mencionados servem apenas como uma apresentação do grande trabalho realizado pela ABCC. Para informações detalhadas sobre o CENSO 2011, a publicação “LEVANTAMENTO DA INFRAESTRUTURA PRODUTIVA E DOS ASPECTOS TECNOLÓGICOS, ECONÔMICOS, SOCIAIS E AMBIENTAIS DA CARCINICULTURA MARINHA NO BRASIL EM 2011” está disponível gratuitamente para todos os interessados. Uma cópia desta publicação estará na Pasta da FENACAM`13, ou pode ser solicitada através de e-mail para abccam@abccam.com.br

U

m dos aspectos que caracterizou a realização do Censo da Carcinicultura Brasileira em 2011, entre outros, foi à obtenção exitosa das informações no âmbito das unidades de produção com um nível de aprofundamento tal que está permitindo a ABCC transmitir às autoridades governamentais e aos interessados em geral como é desenvolvido o camarão cultivado nos Estados produtores e em seus municípios. Para mostrar o desdobramento da produção de camarões cultivados por Unidade Federativa em termos do número de produtores, da área cultivada e da produção total, foi adotado um comparativo entre os Censos de 2004 e 2011, conforme reportado na Tabela I. Em 2011, como mostra a Tabela I, o Brasil produziu 69.571 toneladas de camarão em 19.345 hectares, obtento, uma produtividade média nacional de 3.505 kg/ha/ano, comparado com 75.904 t, 16.598 ha e 4,573kg/ha/ano de 2004. Tabela I – A Carcinicultura Nacional por Unidade Federativa (2004 e 2011) Estados AL BA CE ES MA PA PB PE PI PR RN RS SC SE Total

Levantamento 2004 Levantamento 2011 Nº de Área Produção Nº de Área Produção Produtores (Ha) (Ton) Produtores (Ha) (Ton) 2 16 102 1 12 170 51 1.850 7.577 63 2.096 7.050 191 3.804 19.405 325 6.580 31.982 12 103 370 7 85 226 5 152 253 5 38 242 1 4 56 68 630 2.963 53 681 1.530 98 1.108 4.531 147 1.541 4.309 16 751 2.541 20 968 3.079 1 49 310 1 49 47 381 6.281 30.807 361 6.540 17.825 1 8 20 4 10 21 95 1.361 4.267 17 173 276 69 514 2.543 224 1.040 2.973 997 16.598 75.904 1.222 19.845 69.571

Os perfis resumidos da carcinicultura em cada Estado são a seguir apresentados em tabelas acompanhadas de breves comentários que fazem comparações com a situação em nível nacional. I. A Carcinicultura no Estado do Ceará Tabela II – A Carcinicultura no Estado do Ceará Categorias Micro Pequeno Médio Grande Total

Levantamento 2004 Levantamento 2011 Nº de Produção Categorias Nº de Produção Área (Ha) Área (Ha) Produtores (Ton) Produtor (Ton) Micro 170 343 1.410 119 604 3.502 Pequeno 49 413 2.417 58 1.439 7.493 Médio 76 1.870 9.307 14 1.761 8.410 Grande 30 3.953 18.848 191 3.804 19.405 Total 325 6.580 31.982

Atualmente, o estado do Ceará ocupa a primeira posição na produção da carcinicultura brasileira, estando bem à frente dos demais Estados produtores. A Tabela II mostra que as 31.982 toneladas produzidas em 2011 corresponderam a 45,9% da produção nacional. Em relação ao número de produtores, ao comparar os censos de 2004 e de 2011, registra-se um extraordinário aumento de 70,0%, com destaque para o micro (até 5 há) e o pequeno produtor (de 5,1 a 10 hectares) que, juntos, contribuíram com uma produção de 3.827 toneladas. Os médios produtores (10,1 a 50 há), corresponderam a 9.307 ton, enquanto que os grandes produtores (acima de 50,1 hectares), com apenas 30 unidades, foram responsáveis por 60,0% da produção do Estado. São 21 os municípios do Ceará nos quais a carcinicultura se desenvolvia em 2011. A produtividade do Estado foi de 4,86 ton/ha/ano, cifra esta que se apresenta bem acima da média nacional de 3,51 ton/ha/ano.

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II. A Carcinicultura no Estado do Rio Grande do Norte Tabela III – A Carcinicultura do Estado do Rio Grande do Norte Categorias Micro Pequeno Médio Grande Total

Levantamento 2004 Levantamento 2011 Nº de Área Produção Categorias Nº de Área Produção (Ton) (Ton) Produtores (Ha) Produtores (Ha) Micro 168 322 1.075 280 972 4.250 Pequeno 76 565 1.611 82 1.824 8.661 Médio 89 1.846 4.790 19 3.485 17.896 Grande 28 3.807 10.350 381 6.281 30.807 Total 361 6.540 17.825

O Rio Grande do Norte, tradicional produtor de camarão, até o ano de 2009 liderou a produção desse crustáceo no Brasil. Já em 2011, ao ser comparada os dados do censo com os de 2004, observou-se uma pequena redução do número de produtores e da área em operação, como fica revelado na Tabela III. O que chama a atenção é a drástica queda registrada na produção (-58,0%) de 30.807 toneladas para 17.825, o que, em todo caso, permitiu manter o Estado ocupando o segundo lugar no ranking da carcinicultura brasileira com a participação de 25% da produção nacional em 2011. As inundações ocorridas em 2004, 2008 e 2009 nas principais áreas produtoras e enfermidades virais foram responsáveis pela acentuada queda da produção estadual. A produtividade do Rio Grande do Norte de 2,71 ton/ha/ano é inferior à média nacional de 3,51 ton/ha/ano podendo ser considerada baixa tendo em vista a tecnologia de manejo atualmente disponível e a qualidade dos recursos naturais do Estado. A carcinicultura Potiguar se caracteriza pela acentuada participação do micro e do pequeno produtor (até 5 e até 10 hectares) que perfazem 67,6% quanto ao número de empreendimentos e que gera uma produção anual equivalente a 15,1% do total produzido. Já os grandes empreendimentos (acima de 50 ha), que perfazem 8,0% das unidades, geraram 57,9% da produção estadual. São 27 os municípios do Ceará nos quais a carcinicultura se desenvolvia em 2011. A produtividade do Estado foi de 2,725 ton/ ha/ano, cifra esta que se apresenta abaixo da média nacional de 3,51 ton/ha/ano. III. A Carcinicultura no Estado da Bahia Tabela IV – A Carcinicultura no Estado da Bahia Levantamento 2004 Levantamento 2011 Produção Produção Categorias Nº de Nº de Área (Ha) Área (Ha) (Ton) (Ton) Produtores Produtores Micro Micro 35 63 162 Pequeno 33 137 285 Pequeno 5 44 66 Médio 12 233 480 Médio 17 407 979 Grande 6 1.480 6.812 Grande 6 1.582 5.843 Total 51 1.850 7.577 Total 63 2.096 7.050

Categorias

O Estado da Bahia vem se mantendo como o terceiro maior produtor de camarão do país nos últimos dois Levantamentos (2004 e 2011), sendo que neste último censo houve um aumento de cerca de 10,0% no número de produtores ativos, de 13,0% da área em operação, porém foi registrado um leve declínio (7%) da produção total. A situação das diferentes fontes de captação de água para abastecimento dos viveiros mostra que o cultivo do camarão na Bahia usa água dos três

tipos de ambientes: estuários, oceânico e de rios. Enquanto a produtividade média destoa ao comparar os ambientes de rio e de estuário (3,92 e 2,96 ton/ha/ano, respectivamente), este parâmetro em água oceânica é superior aos demais ao apresentar 4,26 ton/ha/ano. São 11 os municípios baianos nos quais se desenvolve o cultivo do camarão, sendo que em 03 deles (Nilo Peçanha, Jaguaripe e Canavieiras) estão situados 63,0% dos empreendimentos. Entretanto, em termos de área cultivada e de produção se sobressaem os municípios de Jandaíra, Canavieira e Salinas da Margarida com 1.116 hectares (53,0% do total) e uma produção de 3.437 toneladas (48,7% do total). A região de Valença que tem três unidades produtivas com 754 ha e uma produção de 3.136 toneladas, que corresponde a 44,4% da produção total do Estado. IV. A Carcinicultura no Estado de Pernambuco Tabela V – A Carcinicultura no Estado de Pernambuco Levantamento 2004 Levantamento 2011 Produção Produção Categorias Nº de Nº de Área (Ha) Área (Ha) (Ton) (Ton) Produtores Produtores Micro Micro 124 135 354 Pequeno 88 110 468 Pequeno 4 33 97 Médio 7 131 763 Médio 15 280 1.201 Grande 3 867 3.300 Grande 4 1.094 2.657 Total 98 1.108 4.531 Total 147 1.542 4.309

Categorias

O Estado de Pernambuco, com uma produção de 4.309 toneladas de camarão em 2011, ocupou a quarta posição no ranking nacional do cultivo do camarão marinho. As categorias micro e pequeno, juntas, representam 87,0% do total de produtores. O micro em particular equivale a 84,0% do número total, o maior percentual entre todos os Estados que praticam a carcinicultura. A média da área de cultivo em Itamaracá e Recife é respectivamente de 3,1 e 3,0 hectares/produtor. Esses, em número, usam três fontes de captação para abastecimento de seus viveiros: a de rio (60,0%) e a de estuários (38,0%) e a oceânica (2,0%). Vale ressaltar que os produtores localizados em Recife e Itamaracá (municípios predominantemente urbanos) estão localizados em áreas periféricas das respectivas municipalidades, nas quais prevalecem precárias condições sociais e econômicas com acentuados níveis de desemprego e subemprego, sendo a carcinicultura uma saída para a geração de renda e ocupação da mão de obra familiar. V. A Carcinicultura no Estado do PiauÍ Tabela VI – A Carcinicultura do Estado do PiauÍ Categorias Micro Pequeno Médio Grande Total

Levantamento 2004 Levantamento 2011 Nº de Produção Categorias Nº de Produção Área (Ha) Área (Ha) Produtores (Ton) Produtores (Ton) Micro 2 8 38 7 42 114 Pequeno 8 66 344 4 86 202 Médio 5 96 473 5 623 2.225 Grande 5 798 2.224 16 751 2.541 Total 20 968 3.079

Em 2011 o estado do Piauí, com 3.079 toneladas numa área de 968 hectares de viveiros, ocupou a quinta posição no ranking nacional dos Estados produtores de camarões. A produtividade Revista ABCC | 27

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do Estado se situou em 3,18 ton/ha/ano, inferior à média nacional de 3,51 ton/ha/ano. São quatro os municípios piauienses que produzem camarão cultivado, dentre os quais se destaca Cajueiro da Praia com o maior número de produtores, (45,0%) de área cultivada (64,0%) e de produção (59,0%), A metade dos produtores, independentemente de seus tamanhos, dispõe de licença ambiental, o que coloca o Piau, entre os Estados produtores, com um bom índice de seus empreendimentos regularizados ambientalmente. VI. A Carcinicultura no Estado de Sergipe Tabela VII – A Carcinicultura no Estado de Sergipe Levantamento 2004 Produção Categorias Categorias Nº de Área (Ha) (Ton) Produtores Micro Micro Pequeno 58 190 757 Pequeno Médio 10 224 1.036 Médio Grande 1 100 750 Grande Total 69 514 2.543 Total

Levantamento 2011 Nº de Produção Área (Ha) Produtores (Ton) 174 305 745 27 204 507 22 424 1.371 1 108 350 224 1.040 2.973

A Tabela VII contém números que marcam dois aspectos básicos da carcinicultura de Sergipe: (i) a apreciável expansão da atividade entre os dois Censos (2004 e 2011), principalmente em número (225,0%) de produtores (de 69 para 224) e em área (102,0%) cultivada (de 514 para 1.040 hectares); (ii) a proporção predominante do micro produtor em 2011 com 77,6% da quantidade total do Estado como uma das mais elevadas entre as Unidades Federativas produtoras de camarão. Essas duas características permitem afirmar que a carcinicultura sergipana é, em geral, caracterizada pela pequena unidade de produção ou empresa familiar. A falta de licença ambiental é notória pois 94% dos produtores apresentavam situação irregular em 2011. VII. A Carcinicultura no Estado da Paraíba Tabela VIII – A Carcinicultura no Estado da Paraíba Categorias Micro Pequeno Médio Grande Total

Levantamento 2004 Levantamento 2011 Nº de Produção Categorias Nº de Produção Área (Ha) Área (Ha) Produtores (Ton) Produtores (Ton) Micro 34 86 478 59 170 739 Pequeno 9 65 286 7 164 850 Médio 8 233 429 2 296 1.374 Grande 2 298 337 68 630 2.963 Total 53 681 1.530

Com uma produção de 1.530 toneladas em 2011, a Paraíba ocupou a sétima colocação no ranking dos Estados brasileiros produtores de camarão, o que, em todo caso, indica a queda de uma posição em relação ao Censo de 2004. Embora o Estado tenha mantido uma área cultivada praticamente igual entre os dois Censos (2004/2011), o número de produtores apresentou uma queda de 22,1% e a produção total de 48,3%. A análise dos diversos ambientes aquáticos usados pelos empreendimentos de carcinicultura da Paraíba ressalta que a maior área de

Municípios

Nº de Produtores

Maragogi

1

produção (630 hectares) é abastecida com água estuarina mostrando uma produtividade baixa de 1,58 ton/ha/ano. Por outro lado, as fazendas que usam água doce do Rio Paraíba, com 49 hectares de viveiros, revelaram uma produtividade de 10,2 ton/ha/ano, se destacando como a maior produtividade de toda a Região Nordeste. VIII. A Carcinicultura no Estado de Santa Catarina Tabela IX – A Carcinicultura no Estado de Santa Catarina Categorias Micro Pequeno Médio Grande Total

Levantamento 2004 Levantamento 2011 Nº de Produção Categorias Nº de Produção Área (Ha) Área (Ha) Produtores (Ton) Produtores (Ton) Micro 5 15 24 48 276 958 Pequeno 5 35 25 45 953 2.909 Médio 7 124 227 2 132 400 Grande 95 1.361 4.267 Total 17 173 276

Ao comparar os resultados dos dois levantamentos (2004/20011), a Tabela IX mostra a contundência dos efeitos do vírus da mancha branca (WSSV) na carcinicultura de Santa Catarina. As cifras referentes à redução da quantidade de produtores, da área cultivada e da produção são reveladoras da dimensão do estrago ocasionado pela presença da referida enfermidade viral. A produção estadual de 4.267 toneladas em 2004 foi reduzida a 276 toneladas em 2011. Do total de fazendas que chegou a ter Santa Catariana, 95 em 2004 e 123 em 2005, 05 delas nunca foram afetadas pela enfermidade da mancha branca, as quais responderam por 72% do total produzido em 2011, sendo uma característica comum entre elas, o isolamento geográfico em relação às demais. IX. A Carcinicultura no Estado do Maranhão Tabela X – A Carcinicultura no Estado do Maranhão Levantamento 2004 Levantamento 2011 Produção Produção Categorias Nº de Nº de Área (Ha) Área (Ha) (Ton) (Ton) Produtor Produtor Micro Micro 1 3 2 Pequeno 4 17 76 Pequeno Médio 3 63 304 Médio 4 148 251 Grande Grande Total 7 80 380 Total 5 151 253

Categorias

Apesar do enorme potencial que detém o Maranhão para a carcinicultura, o desenvolvimento desta atividade em seu território é ainda incipiente. Houve, inclusive, um aumento da área cultivada entre os Censos de 2004 e 2011. As fontes de captação de água para abastecimento dos viveiros são de origem estuarina e de rio. Ao comparar o Maranhão com as demais Unidades Federativas que produzem camarão, constata-se que a totalidade de seus empreendimentos conta com o licenciamento ambiental. X. A Carcinicultura no Estado de Alagoas

Tabela XI – A Carcinicultura no Estado de Alagoas Densidade Origem dos Principal Fonte Área Produção Produ vidade de Gramatura de Licenciamento Recursos para de Captação de Operação em (Ton) (Ton/Ha/Ano) Estocagem Despesca (g) Ambiental implantação do Água 2011 (Ha) (Cam/m²) Empreendimento Rio 12 170 14,2 66 Entre 10 e 12 gramas Sim Financiamento

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O estado de Alagoas é o único Estado da Região Nordeste onde, praticamente, a carcinicultura não foi desenvolvida, mesmo apresentando bom potencial para o desenvolvimento da atividade. A carcinicultura estadual (Tabela XI) conta com um único empreendimento de 12,0 hectares que usa água de rio, que opera com bons parâmetros tecnológicos e que apresenta a melhor produtividade dentre todas as unidades produtivas visitadas pelo Censo 2011, ou seja, de 14,2 ton/ha/ano. XI. A Carcinicultura no Estado do Pará Tabela XII – A Carcinicultura do Estado do Pará

Municípios

Nº de Produtores

Curuçá

1

Principal Fonte Área Produção Produ vidade de Captação de Operação (Ton) (Ton/Ha/Ano) Água em 2011 (Ha) Estuário

4

56

14

Densidade de Estocagem (Cam/m²)

Gramatura de Despesca (g)

65

Até 10 g

Licencia mento Ambient al Sim

Origem dos Recursos para implantação do Empreendimento Financiamento

Como único representante da Região Norte do Brasil entre os Estados produtores de camarão, o Pará conta apenas com uma unidade produtiva em operação, no município de Curuçá, onde outras duas unidades encontram-se paralisadas. A Tabela XII indica a situação desse micro empreendimento que usa água de estuário, mostra um bom nível de tecnologia e que apresenta, por suas peculiaridades, a segunda maior produtividade (14,0 ton/ha/ano) verificada no Brasil em 2011. XII. A Carcinicultura no Estado do Paraná Tabela XIII– A Carcinicultura do Estado do Paraná Principal Origem dos Área Densidade de Nº de Fonte de Produção Produ vidade Gramatura de Licenciamento Recursos para Municípios Operação Estocagem Produtores Captação de (Ton) (Ton/Ha/Ano) Despesca (g) Ambiental implantação do em 2011 (Ha) (Cam/m²) Água Empreendimento Paranaguá

1

Estuário

49

47

0,96

15

Entre 10 e 12 g

Sim

Financiamento

No Estado Paraná existe apenas um empreendimento (Tabela XIII) operando intermitentemente há mais de 10 anos em uma área de 49 hectares, abastecido com água estuarina, e que apresenta baixa produtividade de 0,96 ton/ha/ano, quando comparada com a média nacional de 3,51 ton/ha/ano. XIII. A Carcinicultura no Estado do Rio Grande do Sul Tabela XIV– A Carcinicultura do Estado do Rio Grande do Sul Levantamento 2004 Área Produção Categorias Categorias Nº de Produtores (Ha) (Ton) Micro *Micro Pequeno 1 8 20 Pequeno Médio Médio Grande Grande Total 1 8 20 Total

Levantamento 2011 Nº de Área Produção Produtores (Ha) (Ton) 3 2,4 13,2 1 8 8 4 10,4 21,2

Dentre os quatro produtores de camarão do Rio Grande do Sul, em 2011, há dois micro-empreendimentos que trabalham com sistema superintensivo de produção, além de um terceiro, da mesma categoria, que opera dentro do sistema tradicional em voga no Brasil. O quarto empreendimento enquadra-se na categoria de pequeno produtor e, também, trabalha com o sistema tradicional de produção. A área total em operação no Estado é de 10,4 hectares, nos quais foram produzidas 21,2 toneladas de camarão. Interessante destacar ques os quatros empreendimento existente no Estado são abastecidos com difrenetes fontes de captação de água, sendo os empreendimentos tradicionais abastecidos com água de estuário e açude, e os empreendimento superintensivos, com água oceânica e de poço. Com essa radiografia, se demonstra que a carcinicultura, utilizando o camarão L. vannamei, pode ser praticada com bom desempenho e sucesso, em qualquer unidade da federação, exigindo apenas que os Estados priorizem e concedam o necessário Licenciamento Ambiental, agregando os necessários fi nanciamentos bancários, tanto para investimentos como para custeio da produção.

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ARTIGO

Cultivo de camarões em sistema de bioflocos: realidades e perspectivas Wilson Wasielesky, Dariano Krummenauer, Gabriele Lara, Geraldo Fóes e Luis Poersch Universidade Federal do Rio Grande, Instituto de Oceanografia, Programa de Pós-graduação em Aquicultura. Rua do Hotel, 02, Cassino, Rio Grande, RS, CEP 96210-030.

Introdução A Carcinicultura brasileira é uma realidade consolidada na área de produção de alimentos de origem aquática. Esta atividade apresenta uma série de aspectos positivos, tais como ser uma alternativa à produção pesqueira que é cada vez menor, produtividades relativamente elevadas por unidade de área quando comparada com a produtividade de outros países e ser uma atividade geradora de emprego e renda. Apesar disso, a Carcinicultura Brasileira não vem apresentando taxas positivas de crescimento. Problemas com as doenças como o vírus da mionecrose muscular (NIM) e vírus da mancha branca (WSSV) têm causado mortalidades em diferentes estados do país. Produtores, pesquisadores e empresas do setor vêm buscando alternativas e metodologias para garantir produções mais sustentáveis. Experimentações vêm sendo realizados com sistemas que incluem policultivo com tilápias, sistema asiático e sistema em bioflocos, além de alterações no manejo de cultivo para garantir melhores resultados zootécnicos. O sistema de cultivo em bioflocos (Biofloc Technology System – BFT) é realizado praticamente sem renovação de água e com aproveitamento dos microorganismos como alimento natural, o que reduz o uso de rações. Decorrentes disso, além de melhorar os índices de produtividade, se comparado com os sistemas tradicionais de criação, o sistema BFT apresenta maior biossegurança, pois diminuem intercâmbios de água e, conseqüentemente, as possibilidades de doenças (Avnimelech, 2009; Krummenauer et al., 2011). Histórico Apesar de ser essa tecnologia historicamente utilizada para o tratamento de efluentes domésticos, principalmente para a degradação de matéria orgânica, nos anos 80 ela passou a ter sua história na Aquicultura. Naquela década o Dr. Gerard Cuzon induziu a formação de flocos microbianos, os quais eram chamados de “moulinetes” como forma de realizar a manutenção de reprodutores de camarões peneídeos na Polinésia Francesa. Nos anos 90 o Dr. Yoram Avnimelech, em Israel, realizou vários experimentos para induzir a formação de uma cadeia microbiana baseada em bactérias heterotróficas, por meio de mudanças na relação Carbono:Nitrogênio da água de cultivo. Nesse mesmo período, Dr. Hopkins e colaboradores iniciaram nos Estados Unidos da América

no Waddell Mariculture Center (WMC) pesquisas para o desenvolvimento de tecnologias ambientalmente amigáveis, com objetivos de diminuir a emissão de efluentes em viveiros revestidos. A produtividade nesses sistemas foi acima de 5000 kg/ha/safra sendo atribuída à diminuição da renovação de água e consequente indução e intensificação da cadeia microbiana. Nesse mesmo centro de pesquisa, a partir dos anos 2000, iniciaram-se pesquisas para cultivos em sistemas superintensivo em “raceways”. Segundo Browdy (2001) (Pesquisador do WMC) os sistemas de cultivo da próxima geração deveriam incluir: (1) Sistemas fechados e biosseguros com avançada engenharia; (2) Alta produção por unidade de área e múltiplas safras por ano para ter menor custo de produção; (3) Uso de pós-larvas livre de patógenos e selecionados para crescimento rápido; (4) Sistemas automáticos para reduzir uso de água; (5) Baixa salinidade e reuso da água. Aplicando essas propostas, as produtividades alcançaram marcas acima de 6 kg/m2, ou seja, equivalentes a 60 toneladas/ha/safra. Apesar dos excelentes resultados, os quais demonstraram viabilidade científica e técnica, o sistema americano com bioflocos em raceways é uma estratégia cara de produzir camarões em diferentes países, em função dos altos custos energéticos e de aquisição de equipamentos. Mesmo assim, algumas unidades vêm operando esse sistema nos Estados Unidos e Coréia do Sul, pois o valor de mercado do camarão fresco nesses locais é alto, além do baixo custo da energia elétrica e baixo custo dos equipamentos, tornando-o assim economicamente viável. Também na década passada foi instalada uma fazenda em Belize na América Central para cultivar camarões marinhos em sistema BFT em viveiros revestidos. A viabilidade técnica foi alcançada, confirmando a possibilidade de uso do sistema BFT para o cultivo de camarões em sistema intensivo, atingindo produtividades de 10 a 15 toneladas/ha/safra em viveiros. Nos últimos 5 anos essa tecnologia foi adaptada às condições asiáticas e vem sendo bastante difundida naquela região, obtendo-se produtividades acima de 10 toneladas/ ha/safra, com maior biossegurança e maiores garantias de produção. No Brasil, nos últimos anos podemos destacar principalmente as universidades FURG, UFSC, UFC e UFRPE que vêm desenvolvendo e aprimorando a tecnologia de cultivo de camarões marinhos em bioflocos. Na FURG, as pesquisas

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com sistema BFT iniciaram em 2005. Além de desenvolver tecnologias de cultivo, os pesquisadores da FURG tiveram participação nos projetos de 5 empreendimentos privados que estão sendo operados no Sul do país. Portanto, independentemente do local, ao longo destes 30-40 anos muitas pesquisas e tentativas foram realizadas para dominar esta nova tecnologia obtendo-se sucessos e fracassos. Entretanto, os bons resultados obtidos sinalizam para uma nova maneira de cultivar camarões em sistemas intensivos e super intensivos, utilizando fortemente a cadeia microbiana, ou seja, os “bioflocos”. Formação dos Bioflocos O processo de formação dos bioflocos envolve interações físicas, químicas e biológicas. O início da agregação das partículas ocorre pela adição de fontes de carbono (melaço de cana de açúcar, dextrose, farelos de trigo e arroz, entre outros) com o objetivo de modificar a relação Carbono:Nitrogênio na água e estimular o crescimento das bactérias heterotróficas. Essas bactérias se desenvolvem quando a relação C:N é mantida em torno de 15-20:1. Com oxigênio abundante na água devido à alta aeração que o sistema necessita, juntamente com as fontes de carbono, matéria orgânica e outros materiais em suspensão na água de cultivo, começam a surgir bactérias que secretam muco, o qual contribuiu para a agregação e formação dos flocos microbianos. A partir daí, a comunidade de micro-organismos começa a se desenvolver e diversificar cada vez mais, assim, além das bactérias heterotróficas e autotróficas, observa-se microalgas, protozoários ciliados e flagelados, nematoides e rotíferos. Uma série de relações de predação ocorre entre os organismos dessa comunidade microbiana estimulada que, por sua vez, é predada pelos camarões cultivados. Como há pouca ou nenhuma renovação de água no sistema, ao longo do tempo, essa comunidade vai se diversificando e ocorrem alterações em parâmetros como oxigênio dissolvido, pH, compostos nitrogenados e sólidos suspensos totais. Assim, com o aumento da biomassa microbiana, a necessidade de monitoramento e controle desses parâmetros é crucial para o sucesso dessa modalidade de cultivo. A fertilização orgânica no sistema segue alguns métodos básicos para o estímulo do crescimento dos bioflocos e controle dos compostos nitrogenados (principalmente a amônia). Primeiramente, nos primeiros dias após a estocagem, a adição da(s) fonte(s) de carbono é feita de acordo com a quantidade de ração que entra no sistema. Assim, os cálculos da relação C:N são feitos sempre de acordo com a entrada de nitrogênio a partir da ração. Isso é feito porque, nos primeiros dias de cultivo, as concentrações de amônia ainda não atingiram níveis detectáveis. A partir do momento em que as concentrações de amônia começam a aumentar (efeito das elevadas densidades de estocagem sem renovação de água), a fertilização orgânica é feita assumindo que para cada 1g de amônia total dissolvida na água, devem ser

adicionados 6g de carbono por meio da fonte de carbono. Assim, de uma maneira geral, pode-se dizer que os bioflocos são formados aproveitando as sobras de ração e as excretas e mudas dos camarões que, em um sistema convencional, seriam eliminados do sistema pelas renovações. Os efeitos benéficos dos bioflocos para a nutrição e saúde dos camarões cultivados já foram comprovados por vários autores, desde que os primeiros trabalhos com essa tecnologia e apareceram. A biomassa microbiana contribui para a redução das quantidades de ração utilizadas, servindo como fonte de alimento suplementar para os camarões. Além disso, a disponibilidade de alimento 24 horas por dia por meio dos bioflocos também contribui para o crescimento dos animais. Os micro-organismos dos bioflocos também podem competir com possíveis patógenos dentro do sistema, o que pode ser mais uma vantagem do sistema. Aspectos fundamentais para o funcionamento do sistema BFT No cultivo de camarões em sistemas convencionais existem requisitos mínimos em termos de qualidade da água como, por exemplo, temperatura, salinidade, oxigênio dissolvido dentre outros fatores, são semelhantes para o sistema BFT. Entretanto, os parâmetros alcalinidade, pH, CO2, amônia, nitrito, nitrato e sólidos suspensos que se diferenciam fortemente. Portanto devem ser tratados com muita atenção. 1. Alcalinidade, pH e CO2 De acordo com Furtado et al. (2011) ao longo do cultivo de L. vannamei em sistema BFT, necessita-se de monitoramento constante dos parâmetros de qualidade de água, sendo que uma das interações relevantes está entre pH, alcalinidade e dióxido de carbono dissolvido (CO2). Isso se deve ao fato de que ocorre um declínio dos níveis de alcalinidade e pH em função de um incremento dos níveis de sólidos suspensos totais e, também, um aumento das concentrações de dióxido de carbono dissolvido. Essa redução do pH e alcalinidade no sistema BFT ocorre devido ao consumo da alcalinidade pelas bactérias heterotróficas e nitrificantes que formam os bioflocos. Ao longo do cultivo em sistema BFT os níveis de sólidos suspensos totais aumentam e a comunidade bacteriana heterotrófica passa a ser predominante. Nessa situação ocorre uma atenuação da oscilação diária nos valores de pH, visto que o processo de fotossíntese é reduzido pela turbidez elevada e consequente redução da luminosidade na coluna d’água. Os mesmos autores citam que os níveis de alcalinidade e pH decrescem ao longo do cultivo em sistemas BFT afetando negativamente o desempenho de crescimento e produtividade quando os níveis de alcalinidade permanecem por longos períodos abaixo de 100 mg CaCO3/L e o pH abaixo de 7. Segundo Furtado et al (2013), alguns pesquisadores consideram como ideal para o cultivo de camarões marinhos o nível de alcalinidade igual ou superior a 150 mg CaCO3/L. No cultivo de camarões marinhos em sistemas Revista ABCC | 31

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BFT deve-se atentar para a manutenção da alcalinidade em níveis que atenuem a flutuação diária do pH, mantendo-o acima de 7, favorecendo o crescimento dos camarões e dos bioflocos. Para a correção da alcalinidade pode ser aplicado dosagem de 0,05 g/L de cal hidratada sem gerar danos para os camarões, no entanto deve-se tomar cuidado quanto ao acúmulo das concentrações de CO2, para que os camarões não sofram danos pela toxicidade deste composto. 2. Compostos Nitrogenados O ciclo do nitrogênio no sistema de bioflocos é um dos fatores mais importantes no cultivo. Isso porque, logo que as concentrações de amônia começam a aumentar nos viveiros ou tanques, deve ser feita a fertilização orgânica para a estimulação do crescimento de bactérias. Essas bactérias vão fazer com que o ciclo prossiga, transformando a amônia em nitrito e, posteriormente, a nitrato. O controle da ciclagem dos compostos nitrogenados é de extrema importância, visto que esses compostos (principalmente amônia e nitrito) podem atingir concentrações tóxicas aos camarões cultivados, causando perdas aos produtores. Normalmente, com a fertilização orgânica, as concentrações de amônia reduzem, chegando próximas a valores nulos em 15 a 20 dias de cultivo. Logo que a amônia desaparece, as concentrações de nitrito começam a aumentar, e, se as bactérias nitrificantes já estiverem estabelecidas no sistema, o nitrato começa a aparecer, chegando ao final do cultivo como a forma nitrogenada prevalecente, já que o sistema é fechado e a água não é descartada ou renovada. O gráfico abaixo mostra as principais vias de aporte de nitrogênio e suas transformações no sistema de bioflocos.

Diagrama esquemático do ciclo dos principais compostos nitrogenados no sistema BFT (Adaptado de Crabet al. 2007).

3. Sólidos Suspensos A intensificação do cultivo em sistema BFT disponibiliza muito material particulado em suspensão. Esse material, constituído em sua maior parte de matéria orgânica, necessita de suprimento elevado de oxigênio dissolvido na coluna de água que atenda às necessidades respiratórias dos microorganismos durante a decomposição da fração

orgânica. Essa demanda pode comprometer as concentrações de oxigênio dissolvido no ambiente de cultivo, chegando a concentrações abaixo do recomendado para a espécie cultivada. Outras interações dos sólidos suspensos totais também podem ocorrer de forma a implicar na redução da qualidade de água, tais como, as concentrações de amônia, nitrito, nitrato, pH e alcalinidade. As diferenças de manejo e de dinâmica de movimentação da água entre viveiros e tanques, provocadas, respectivamente, por aeradores de pá na superfície da água e sopradores com ar difuso na coluna da água, determinam as concentrações de sólidos suspensos totais na água do cultivo de camarões marinhos tornando-se necessário a intervenção por métodos que controlem este parâmetro. Nesse sentido, existem técnicas para a redução e manutenção das concentrações de sólidos suspensos totais em 500 mg/L (Samocha et al. 2007). Além da limitada ou nenhuma taxa de renovação de água ao longo do período de cultivo, outros estudos propõem técnicas para melhorar a qualidade da água, dividindo-se em diferentes estratégias tais como utilização de organismos fi ltradores como moluscos e assimiladores de nutrientes como microalgas e macroalgas, tratamentos integrados entre sedimentação, macroalgas e moluscos, e tanques de sedimentação e clarificação para remoção de sólidos. Esta última consiste em uma ferramenta que pode ser utilizada de forma fácil e prática pelos produtores com o uso de clarificadores montados com caixas de água, por exemplo. A técnica está fundamentada na ação da gravidade para o deslocamento das partículas ao fundo do clarificador. Outra vantagem desse método está no fato de se manter um fluxo constante durante a aplicação da clarificação, ou seja, um pequeno volume de água restrito ao clarificador é suficiente para a remoção de sólidos suspensos. O efeito da clarificação está em melhor qualidade de água e, consequentemente, em melhores índices de desempenho zootécnico. Fato este verificado por Ray et al. 2010 aplicando a técnica em cultivo de Litopenaeus vannamei em duas dietas ofertadas e Gaona et al. 2011, mantendo concentrações de sólidos suspensos totais em 500 mg/L alcançaram maior produtividade com a mesma espécie. Cultivo em Raceways A criação de camarões em raceways cobertos (estufas) tem despertado interesse de pesquisadores e produtores em alguns países do mundo, incentivando a criação de camarões peneídeos em regiões com clima subtropical e/ ou temperado. Nos Estados Unidos da América (Carolina do Sul, Virgínia, Maryland, Texas, Havaí, entre outros) muitas pesquisas têm sido realizadas para a produção em estruturas fechadas. Na Coréia do Sul, Indonésia Itália e Holanda, sistemas BFT também já estão sendo utilizados para a engorda de camarões. Um aspecto importante desse sistema de cultivo é a utiliza-

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ção de menor quantidade de água, quando comparado com os sistemas convencionais. Isso representa uma diminuição na emissão de efluentes, podendo produzir até 1 kg de camarões utilizando menos que 100 litros de água, enquanto nos sistemas convencionais são utilizados até 50.000 litros para se obter a mesma produção (Samocha, et al., 2010). Ao longo dos últimos anos vários trabalhos foram realizados na EMA/IO/FURG com objetivo de desenvolver tecnologia específica para o cultivo superintensivo em raceways. Os resultados podem ser observados na tabela baixo. Os resultados evidenciam que é possível cultivar camarões em sistema BFT em altas densidades de estocagem, sendo este sistema viável economicamente para o Brasil. Inicialmente realizaram-se testes em berçários intensivos com densidades entre 1.500 e 6.000 camarões/m2. Os resultados são estimuladores, pois as sobrevivências ficaram acima de 90 % em diferentes densidades, sem renovação de água. Na fase de engorda, Krummenauer et al. (2011) testaram as densidades de 150, 300 e 450 camarões/m2 durante 90 dias (a partir de 1g). Os melhores resultados foram observados na densidade de 300/m2, com crescimento semanal de 0,82 g, sobrevivência acima de 85% e taxa de conversão alimentar de 1,3:1. A produtividade foi de 3,9 kg de camarões/m2 (39 toneladas/ha/ciclo). Bezerra et al. (2013) analisando o crescimento compensatório em sistema superintensivo, obtiveram biomassas acima de 5 kg/m2. Os experimentos com raceways têm apresentado resultados animadores, demonstrando que a técnica é uma realidade e está pronta a ser aplicada em cultivos comerciais no país. Desempenho médio do camarão-branco L. vannamei em raceways com sistema BFT, nas instalações da Estação Marinha de Aquacultura (EMA/IO/FURG).

Figura 1: Estufa (585m2) para testes piloto com tanques revestidos com geomembrana (PEAD) da Estação Marinha de Aquacultura da FURG, Rio Grande, RS

Cultivo em Viveiros Nos últimos anos vários experimentos em viveiros revestidos com geomembrana foram executados na FURG, com objetivo de desenvolver tecnologia específica para cultivos intensivos de L. vannamei em sistema BFT. Experimentos realizados comparando cultivo em sistema BFT com sistema tradicional de renovação de agua, na densidade de estocagem 85 camarões/m2, alcançaram valores de produtividade de 8,8 ton/ha para o primeiro e 6,8 ton/ha para o segundo. Em outro experimento estudando a utilização de despescas parciais e densidade de 75 camarões/m2, alcançou-se produtividade de 9,2 ton/ha em viveiros onde não houve despescas parciais e de 8,6 e 8,7 ton/ha para viveiros onde houve uma ou quatro despescas parciais, respectivamente. Também em viveiros Costa et al. (2011) em experimento de comparação de densidades, alcançaram pesos Densidade de Peso Final Sobrevivência Biomassa Dias de Produtividade médios fi nais de 10,10 g e 10,14 g e produtiviData FCR Estocagem (g) (%) Final (Kg) Cultivo (kg/m2) dade de 12,7 e 14,5 ton/ha para densidades de Set/2006 300/m2 9.33 80.9 154,58 2.1 120 2.20 120 e 180 camarões por m2, respectivamente. Jan/2007 300/m2 13.1 84.8 233,46 1.27 120 3.33 Nos mesmos viveiros Magalhães et al. (2012) 2 em experimento comparando a utilização de 8.36 77.7 181,88 1.35 120 2.59 Jan/2007 400/m dois ciclos curtos (75 dias) ou um longo (150 2 Jan/2008 500/ m 9.68 72.4 245,29 1.43 120 3.50 dias) devido o clima subtropical da região Jan/2009 300/m2 15,9 83.2 277,97 1.29 120 3,97 conseguiram pesos médios de 26,12 g e 11,70 g, Fev/2011 400/m2 15,6 85,0 324,10 1.19 120 4,63 sobrevivências de 68 % e 80% e produtividade Dez/2012 340/m2 14,1 91,8 154,1 1,44 120 4,42 de 9 e 9,5 ton/ha para um ciclo longo e dois Mar/2013 520/m2 10,4 95,1 180,18 1,24 120 5,14 ciclos curtos, respectivamente. Entretanto, todos os experimentos realizaDados médios referentes à 60 ciclos de cultivo em sistema BFT na EMA/IO/FURG dos apresentaram um sério problema. Após a Estima-se que os cultivos em raceways no sistema BFT seja despesca dos viveiros, observou-se um expressivo acúmulo de uma alternativa viável a ser aplicada em diferentes locais em matéria orgânica anóxica no fundo dos viveiros. Com objetivo função de ocupar áreas muito pequenas. Os resultados aqui de reduzir ou eliminar essas zonas de acúmulo, Zemor et al. apresentados mostram que é possível se trabalhar com produ- (2013) realizaram um experimento sobre utilização de difetividade acima de 51,1 ton/ha/ciclo ou acima de 150 ton/ha/ano. rentes posicionamentos de aeradores e também de emprego de um sistema misto de aeração com uso de aerador de pás em conjunto com soprador de ar (blower). A densidade de estocagem foi 100 camarões/m2. Os resultados desse experimento encontram-se na tabela apresentada a seguir. Revista ABCC | 33

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Tratamentos

Peso Inicial (g)

Peso Final (g)

C.A.A.

Cresc. Sem.(g)

Produt. (ton/ha)

Sobrev. (%)

PaddleWheell

1,5

14,25

1,5

0,82

12,5

88

Raceway

1,5

15,14

1,5

0,87

12,4

82

Misto

1,5

14,23

1,5

0,82

12,7

90

Desempenho zootécnico de L. vannamei cultivado em sistema BFT com diferentes sistemas de aeração e circulação de água

Não foram observadas diferenças significativas entre os resultados de desempenho zootécnico entre os tratamentos. Além disso, os três tratamentos foram eficientes na manutenção da matéria orgânica na coluna da água e na não deposição no fundo dos viveiros. Em todos os resultados foi comprovada a viabilidade econômica do cultivo em sistema BFT em viveiros no Sul do Brasil.

adotados para permitir a produção de camarões sem a influência do vírus. A fazenda possui 18 hectares de lâmina d’água, dividida em quatro viveiros. Parte de um viveiro foi transformada em quatro viveiros berçários com área de 2.000 m2. Paralelamente, medidas simples de biossegurança foram adotadas para evitar possíveis fontes de entrada do vírus no ambiente de cultivo, entre elas:

• Rodolúvios na entrada da fazenda e dos viveiros, para desinfecção dos veículos; • Restrição dos acessos na fazenda, com a circulação na área de produção somente para pessoal autorizado (funcionários e pesquisadores); • Higienização das mãos e botas de todas as pessoas que entram na área de produção, passando também por pedilúvio. Além disso, botas e roupas não saem daquele ambiente; • Instalação de dispositivos para evitar a entrada de pássaros e caranguejos nos viveiros; • Cuidadosa desinfecção dos antigos equipamentos da fazenda (aeradores, comedores, redes) antes de serem utilizados. • Tratamento da água que ingressa nos viveiros antes da produção com cloro; • Instalação de geomembrana (PEAD) nos viveiros.

Figura 2: Monitoramento do volume de bioflocos na estufa para cultivo de camarões da Estação Marinha de Aquacultura da FURG (Fonte: Dariano Krummenauer)

Foram utilizados aeradores tipo pá (paddlewheel). Os viveiros utilizados foram recobertos com mantas de geomembrana - espessura de 0,8 mm - com objetivo de isolar o cultivo de possíveis vetores do vírus da mancha branca, evitar perda de oxigênio dissolvido devido à respiração do solo e também percolação de água para o lençol freático. Durante todos os ciclos de cultivo, amostras de camarões foram coletadas pela CIDASC e pela FURG para determinação da presença do vírus nos camarões. As análises histopatológicas e de PCR realizadas mostraram resultados negativos para o vírus. Na tabela abaixo estão apresentados os resultados observados ao longo dos três ciclos realizados entre fevereiro de 2011 e abril de 2012:

Biossegurança - O caso Laguna, SC A partir do ano de 2004, as fazendas na região de Laguna e, posteriormente, em todo estado de Santa Catarina foram fortemente atacadas pelo vírus da Mancha Branca (WSSV). O resultado foi que a produção do estado reduziu de quatro mil toneladas em 2004 para pouco mais de 170 toneladas em 2009 e menos do que isso atualmente. Peso Peso A direção da empresa “Aquicultura Catarinense Densidade Tempo Sobrev. Produtividade Ciclos inicial fi nal CAA Natubrás” buscou em 2010 uma parceria com a (dias) (cam m-2) (%) (ton/ha) (g) (g) Universidade Federal do Rio Grande (FURG) para 1 100 63 0,008 10,1 63 1,32 6,36 implantação de um cultivo intensivo de camarões 2 118 75 0,005 9,0 75 1,25 7,97 em sistema de bioflocos em uma fazenda atingida pelo vírus em Laguna. Após a aquisição da área de 3 100 75 0,9 8,5 75 1,15 6,75 uma antiga fazenda, vários procedimentos foram Desempenho zootécnico de L. vannamei cultivado no sistema BFT em uma fazenda infectada por WSSV.

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Os resultados negativos para o vírus da mancha branca se sobrepõem aos resultados zootécnicos, já que apontam um caminho para recuperação da atividade em locais afetados pela doença. Portanto, a utilização do sistema BFT, associada a medidas de biossegurança é uma interessante alternativa para outras regiões do país que sofrem ou necessitam prevenir a entrada de doenças em seus empreendimentos.

Figura 3: Tanques para o cultivo de camarões em sistema BFT na Estação Marinha de Aquacultura da FURG: aula prática durante o curso para cultivo em sistema BFT. (Fonte: Fabiane Serra)

Figura 4: Viveiros para o cultivo de camarões em sistema BFT na Estação Marinha de Aquacultura da FURG. (Fonte: Júlio Zemor)

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Vantagens e desvantagens O sistema BFT apresenta vantagens e desvantagens sobre os sistemas convencionais. Apesar disso, os sistemas não são excludentes, pois para cada região, para cada mercado ou até mesmo para tipo de investidor, um sistema ou o outro pode ser o mais favorável. Vantagens Aumento da produtividade Utilização de menores áreas de cultivo Aumento da biossegurança Diminuição ou isenção da renovação de água Maior estabilidade do sistema Diminuição da quantidade de proteína nas rações Maior disponibilidade de alimento natural

Figura 6: Vista aérea dos viveiros da Estação Marinha de Aquacultura da FURG. (Fonte: Paulo Iribarrem)

Comunidade microbiana atuando como probiótico Menores unidades de cultivo com maior controle Menor impacto ambiental Possibilidade de cultivo em regiões afastadas da costa Desvantagens Maior custo de instalação Maiores gastos de energia (aeração) Maior custo operacional Acúmulo de fósforo no sistema (risco com cianobactérias) Principais vantagens e desvantagens do sistema BFT de cultivo para camarões marinhos

Perspectivas Futuras De acordo com os resultados apresentados, o sistema BFT é um modelo que utiliza menores unidades de cultivo e, consequentemente, são necessárias menores áreas, tornando possível a construção de unidades junto à linha de costa, onde os custos são elevados. Por outro lado, também é factível a construção de pequenas unidades distantes da costa, utilizando águas de baixa salinidade. Além disso, o sistema BFT apresenta maior biossegurança sendo uma alternativa para produzir com menor risco. Nos últimos anos, muitos pesquisadores, produtores e empresários têm procurado junto ao Laboratório de Carcinicultura da FURG, informações sobre este novo tipo de sistema de cultivo. Já foram realizados até o momento, estágios, visitas técnicas e cursos com o objetivo de aumentar os conhecimentos sobre o assunto. Em função desse crescente interesse, espera-se que o cultivo em sistema de biof locos torne-se uma realidade no país.

Os autores agradecem ao CNPq, MPA, CAPES, FINEP e FAPERGS pelo financiamento dos projetos de pesquisa. Os autores também agradecem aos colaboradores: Centro Oeste Rações S.A. (GUABI), Trevisan Equipamentos Industriais, Inve do Brasil e Aquatec Industrial Pecuária Ltda.

Referencias utilizadas disponíveis na ABCC abccam@abccam.com.br Figura 5: Vista aérea geral da Estação Marinha de Aquacultura da FURG. (Fonte: Paulo Iribarrem)

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Carcinicultura Marinha: Audiência Pública realizada em 14/05/13 na Comissão de Agricultura e Pecuária da Câmara dos Deputados, Brasília (DF) Itamar de Paiva Rocha, Eng de Pesca CREA 7226-D/PE Presidente da ABCC e Diretor/Conselheiro do DEAGRO/CONSAG-FIESP

A

Câmara Federal, através da sua Comissão de Agricultura e Pecuária, por iniciativa do Deputado Raimundo Gomes de Matos (PSDB-CE), atendendo um pleito da ABCC, realizou no dia 14 de Maio de 2013, uma Audiência Publica, com o objetivo de levar ao conhecimento da Câmera dos Deputados dois assuntos de fundamental importância para a carcinicultura brasileira: (1) A decisão do MPA de liberar a importação do camarão selvagem (Pleoticus muelleri) da Argentina e, (2) a medida administrativa do Banco do Nordeste (BNB), de suspensão dos financiamentos para a carcinicultura. Nesse contexto, foram convidados para esclarecer e defender suas posições, de um lado, o Secretário Executivo do MPA (Brigadeiro Átila Maia) e o Gerente de Recuperação de Crédito do BNB (Edilson Ferreira) e, de outro, o Presidente da ABCC (Itamar Rocha), da ACCN (Livino Sales) e o Representante da UFCE (Prof. Hiran Costa), sob a Presidência do Deputado Raimundo Gomes de Matos (PSDB-CE), contando ainda com a presença do Deputado Cleber Verde (PRD/MA), Presidente da Frente Parlamentar de Pesca e Aquicultura da Câmara dos Deputados, além de outros parlamentares e das principais lideranças do setor de carcinicultura, de técnicos do MPA, da CNA, de assessores parlamentares, bem como, do Deputado Estadual Roberto Mesquita (PV-CE), que ao final, por ser carcinicultor e representante popular do Estado líder na produção de camarão, foi convidado a contribuir com o objeto da Audiência Pública.

Participantes da Audiência Pública Edilson Ferreira (BNB), Brigadeiro Átila Maia (MPA), Dep. Fed. Raimundo Gomes de Matos, Itamar Rocha (ABCC), Prof. Hiran Costa (UFCE), Livino Sales (ACCN)

Primeiramente, se destaca que ficou patente a falta de sintonia entre as afirmações do Secretário Geral do MPA, Brigadeiro Atila Maia, proferidas por ocasião da Audiência, com as declarações que o Ministro Marcelo Crivella vem prestando à imprensa do Nordeste. Pois, enquanto o Secretário Executivo justificou a medida como parte da missão do Ministério da Pesca de facilitar a entrada de camarões mais baratos para o prato de 200 milhões de brasileiros e brasileiras, o Ministro Marcelo

Itamar Rocha (Presidente ABCC) em reunião com o Deputado Federal Raimundo Gomes de Matos (PSDB-CE)

Crivella, que embora sempre repassando a responsabilidade de sua decisão para a Presidenta Dilma, não deixa de destacar que a importação se justificava pela obrigação do governo brasileiro de ajudar aos irmãos argentinos que passam por momentos de dificuldades. Nesse sentido, enquanto o Ministro tem declarado à imprensa que iria autorizar a entrada de 5 mil toneladas do camarão selvagem Pleoticus muelleri da Argentina, o Secretário afirmou que a competência do Ministério da Pesca se resume, neste caso, à análise da sanidade do produto, deixando subentender que o controle de quantidades não cabe ao MPA. Em realidade, deixou bem claro que era responsabilidade do MPA facilitar a vida de cadeias de restaurantes e supermercadistas que de forma silenciosa assistiam ao debate, aguardando o final da fala do secretário para se manifestarem com efusivos aplausos e abraços. Insistiu o Secretário Átila que a decisão de liberar as referidas importações, teve por base a ARI - Análise de Risco de Importação, realizada pela equipe técnica da SEMOC/MPA, observando os moldes científicos e técnicos que este tipo de análise requer, e desafiou os presentes a provar o contrário. Inclusive, o representante do MPA, não rebateu e fez vista grossa às apresentações da ABCC e da UFCE onde foram sobejamente demonstradas a inépcia, fragilidade técnica e científica e os erros grosseiros da mencionada ARI, que de forma amadorística concluiu pela aprovação da importação do Pleoticus muelleri da Argentina, desconsiderando as fundadas evidencia das ocorrências de doenças virais de notificação obrigatória pela OIE nas populações selvagens de crustáceos no mar da Argentina, como atestam os vários relatos científicos de renomados pesquisadores da própria Argentina, adiante destacados, bem como, o fato de que os principais fornecedores de pescado (58.912 t) em 2011 para a Argentina foram o Equador (13.430 t) e Tailândia (13.175 t, dentre os quais 454 t foram de crustáceos), que ambos contam com 29 doenças de notificação obrigatória pela OIE.(Figura 01).

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Martorelli, et al., 2010 – First report of viral pathogens WSSV and IHHNV in Argentine crustaceans [Note]: Resumo Executivo: Os vírus patogênicos de camarões peneídeos, vírus da síndrome da mancha branca (WSSV) e o vírus da necrose hematopoiética infecciosa e hipodérmica (IHHNV) são relatados pela primeira vez da Argentina, ambos em crustáceos selvagens no estuário da Bahia Blanca, com o WSSV detectado por PCR ou real time quantitativo PCR (qPCR) métodos com amostras infectadas tão altas como 56% para os peneídeos Artemesia longinaris Bate, 1888, 67% para os grapisoides Cyrtograpsus angulatus Dana, 1851, e 40% para a espécie Palaemon macrodactylus Rathbun, 1902. A mais alta detecção foi de 39,600 copias/μg DNA. O IHHNV foi testado usando PCR somente na espécie A. longinaris, na qual 30% das amostras estavam infectadas. 2 Martorelli, et al., 2012 – New location and parasitological findings for the invasive shrimp Palaemon macrodactylus in temperate southwestern Atlantic costal waters: Resumo Executivo: No presente trabalho, a prevalência do vírus da síndrome da mancha branca (WSSV) foi de 10% no estuário da Bahía Blanca. Os resultados obtidos sugerem fortemente que o WSSV está se espalhando em populações de crustáceos no mar argentino e que o P. Macrodactylus desempenha um importante papel na ecologia de infecções por parasitas neste ambiente. 3 Martorelli, S. R.; 2013 - Current state of knowledge about oie-notifiable viral pathogens in crustaceans from argentina: Resumo Executivo: Desde 2003, duas das mais importantes espécies de camarão comercializada na Argentina (Artemesia longinaris, e o Pleoticus muelleri) foram examinados junto com outros crustáceos de especial interesses ecológico, com relação a parasitas, epibionticos e patógenos. Em 2008 várias espécimes dos camarões peneídos, A. longinaris originários do estuário da Bahía Blanca foram detectadas com numerosos sinais de WSSV na carapaça do cefalotórax. Em alguns desses espécimes, os estudos histológicos (H&E) mostraram a presença de corpos de inclusão, Crowdy type A, geralmente coincidentes com a presença da doença da mancha branca (WSSV/WSD).

Figura 01: Principais Doenças de Notificação Obrigatória pela OIE

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Para se ter uma ideia do absurdo dessa ARI, assinado por quatro técnicos; dos quais, dois já haviam declarado em ocasião anterior exatamente o contrário e os outros signatários não tem expertise no assunto de viroses em organismos aquáticos, tendo em vista que possuem especialização em gastrenterite canina. Também se destaca que a primeira ARI produzida pelo MPA pelo amadorismo dos seus técnicos e consultores, foi cometido um imperdoável descuido do tipo Control C Control V, ficando esquecido no cabeçalho de um documento oficial do MPA/Governo Brasileiro, com brasão da republica do Brasil, um destaque da bandeira da Argentina. Em realidade, estão ameaçados, com esta equivocada autorização do MPA, além do agronegócio da carcinicultura, a sanidade das populações naturais dos crustáceos (Camarões, Lagostas, Goiamuns, Caranguejos, Siris, Aratus,), que habitam nosso litoral e que no seu conjunto geraram 100.000 empregos e milhares de oportunidades de negócios para Carcinicultores, armadores e pescadores, produzindo um alimento nobre e crucial para a economia pesqueira.. Por outro lado, enquanto o Secretário Executivo representava o MPA na referida Audiência Pública, o Ministro Marcelo Crivella, numa clara tentativa de esvaziamento da audiência, convocou para se fazerem presentes ao seu gabinete ministerial, algumas lideranças do setor da carcinicultura que estavam na Audiência Pública, sendo que diferentemente do que acreditavam os líderes setoriais, o Ministro repetiu a sua fraca argumentação e, mantendo o mesmo proselitismo, tentou justificar sua atitude como sendo uma determinação expressa da Presidenta Dilma, para atender um pleito da sua colega da Argentina, justificando que afinal de contas, tratava-se de apenas 5.000.t. Mais uma vez, ficou claro que o MPA/Governo Federal não está dando a mínima importância aos reiterados apelos e alertas da ABCC, sobre os reais e graves riscos que as referidas importações poderão trazer para a biodiversidade brasileira. Em realidade, ficou patente a falta de compromissos com o bem estar do setor carcinicultor e pesqueiro, da parte de quem tem o dever constitucional de defender os seus legítimos interesses. Nesse contexto, se destaca ainda, que o MPA/Governo Federal não levou em conta o imenso potencial que o Brasil apresenta, em todas suas macro regiões, inclusive interioranas, para o desenvolvimento da carcinicultura, atividade primária cujo principal destaque é o fato de que gera emprego, renda e oportunidades de negócios para micro, pequenos e médios produtores no meio rural, especialmente da Região Nordeste, onde está promovendo uma verdadeira inclusão social e melhorando a sócio economia de suas regiões de intervenções.. Em relação ao Banco do Nordeste, como esperado, não foi representado por nenhum dos seus Diretores, mas sim pelo Gerente de Recuperação de Crédito, Dr Edilson Ferreira, o qual logo de início falou que o BNB já havia concluído seus estudos e os financiamentos para a carcinicultura estavam abertos novamente, desde que os interessados apresentem seus pleitos. Em seguida deu por encerrada sua intervenção, sem

justificar as razões que levaram o BNB a adoção das referidas medidas, nem da suspensão dos financiamentos nem da sua retomada. Na mesma oportunidade, procurou demonstrar que não havia correlação entre a possibilidade de importação com as restrições aos financiamentos impostas pelo BNB, mas não justificou porque o BNB efetivamente não participou da recuperação setorial e do excepcional desempenho da sua cadeia produtiva em 2012. Dados oficiais, gráficos e informações apresentadas nas diversas intervenções, especialmente por parte do Presidente da ACCN, Livino Sales, demonstraram que desde a criação do BNB (60 anos), pouco mais de R$ 500 milhões de reais foram emprestados á carcinicultura, sendo que entre o Ano 2.000 e 2012, o total de fi nanciamentos do BNB para esse estratégico setor correspondeu a apenas R$ 361 milhões de reais (Figura 2). Ou seja, quando se considera tratar-se de uma atividade primária da Região Nordeste que em 2012, ano da maior seca dos últimos 50 anos, faturou R$ 1,12 bilhão de reais, gerando 70 mil empregos e oportunidades de negócios para 1.550 micro, pequenos, médios e grandes empreendedores, fica claro o descaso do BNB a esse estratégico setor.. Este valor financiado se for comparado com o Seguro Defeso pago aos pescadores artesanais (R$ 1,3 bilhão de reais em 2011), daria para pouco mais de três meses, ou um mês do valor das importações de pescado pelo Brasil, que em 2012, correspondeu a US$ 1,231 bilhão de reais.

Figura 2: Financiamentos do BNB para a Carcinicultura Brasileira

As oportunidades para a carcinicultura brasileira já haviam sido identificadas e destacadas num importante estudo realizado pela Fundação Getúlio Vargas e o Grupo Monitor, realizado em 2002 para o Ministério da Integração Nacional e a SUDENE, mas que inexplicavelmente, não foi levado em consideração por quem deveria cuidar dos interesses setoriais e brasileiros. De qualquer forma, por acreditarmos que estamos defendendo o que é certo para o Brasil, iremos até as últimas consequências para resguardar nossos direitos e nesse contexto já contratamos um renomado escritório de advocacia para defender os interesses da ABCC e, naturalmente do Brasil.

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Um diferencial na promoção da aquicultura brasileira 11 a 13 de junho | Centro de Convenções – Natal/RN

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www.fenacam.com.br | fenacam@fenacam.com.br | skype: fenacam | Fones: +55 84 3231.9786 ABCC_Jun_2013.indb 2

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ARTIGO

Cultivo do Beijupirá no Vietnã e os ensinamentos para o Brasil Raul Malvino Madrid, Dr. raulmalvino@yahoo.com.br Alberto J. P. Nunes, Ph.D. alberto.nunes@ufc.br LABOMAR - Instituto de Ciências do Mar Universidade Federal do Ceará Fortaleza, Ceará

E

xistem muitas diferenças quando comparamos os aspectos geográficos, demográficos e econômicos entre o Brasil e o Vietnã (Tabela 1). Geograficamente, o Brasil possui uma área territorial, extensão de costa e população bem superiores ao Vietnã. Em termos de coordenadas geográficas, o Vietnã se encontra no hemisfério norte em latitudes que transportadas ao hemisfério sul, estariam entre os estados de Pernambuco e Espírito Santo. Com relação aos aspectos demográficos, o Brasil tem o dobro da população do Vietnã, com um crescimento anual similar de 1,10% e 1,05%, respectivamente. Na estrutura etária verifica-se que a população vietnamita, comparada à brasileira, é um pouco mais jovem, 33,9% e 31,5%, respectivamente, na faixa de 0 a 24 anos. Já nos aspectos econômicos, são observadas diferenças significativas quando analisamos o PIB dos dois países. O Brasil, segundo o Fundo Monetário Internacional, ocupou em 2011 o 6º lugar e o Vietnã o 58º lugar. No entanto, a economia vietnamita cresceu neste mesmo ano 5,1%, enquanto a brasileira somente 1,3%. TABELA 1. Principais diferenças geográficas, demográficas e econômicas entre o Brasil e o Vietnã. Variáveis

Brasil

Vietnã

Área territorial

8.514.877 km2 (terra: 8.499.417 km2 e água: 55.460 km2)

331.210 km2 (terra: 310.070 km2 e água: 21.140 km2)

Extensão da costa

7.491 km

3.444 km

População

199.321.413 habitantes

91.519.289 hab.,

Produto Interno Bruto (PIB)

USD 2.362 trilhões (USD 12.000,00 per capita)

USD 320,5 bilhões (USD 3.500,00 per capita)

Entretanto, é na estratégia formulada para aumentar a produção pesqueira onde encontramos uma grande diferença favorável ao Vietnã. Não é inteiramente verdade quando se afirma que os países asiáticos, como o Vietnã,

têm uma antiga tradição pesqueira. Se nos remontamos ao ano 1987, segundo dados estatísticos da FAO, o Brasil teve uma produção de pescado equivalente a 947.992 ton., 9,09% maior que a produção de pescado do Vietnã (869,000 ton.). No entanto, transcorridos 23 anos, a produção vietnamita foi para 4.832.900 ton. enquanto a brasileira alcançou somente 1.241.048 ton. Houve um o aumento incremental anual de 7,75% e 1,18%, respectivamente, para o Vietnã e o Brasil. Esse aumento na produção de pescado vietnamita atribui-se tanto ao crescimento da pesca como da aquicultura. Em 2009, a pesca contribuiu com 2.243.100 ton. e a aquicultura com 2.589.800 ton. Enquanto o Brasil não consegue abastecer sua população com a produção nacional de pescado devendo importar mais de USD 1 bilhão anuais, o Vietnã exportou, em 2012, USD 6,13 bilhões, destacando-se, em ordem de importância, camarão, panga, atum e cefalópodes. Ainda assim, o pescado que fica no mercado doméstico permite um consumo per capita superior ao brasileiro, de 37,2 versus 8,3 kg/ ano. No presente artigo pretendemos mostrar como está a piscicultura marinha vietnamita com ênfase no cultivo do beijupirá, abordando informações técnicas, econômicas e de mercado, apresentando ainda como ensinamentos, tanto positivos como negativos, podem ser absorvidos pela aquicultura brasileira. A realidade atual da produção de beijupirá (cobia) proveniente de cultivo é bem diferente das informações que chegavam ao Brasil cinco anos atrás. O cultivo do beijupirá cresceu rapidamente. De 3.200 ton. em 2001 passou para 36.000 ton. em 2010. A mídia especializada colocava o cultivo do beijupirá como uma nova espécie que iria revolucionar a piscicultura marinha, sendo considerada como o salmão de águas tropicais, com inúmeros atributos que a diferenciava das demais espécies de peixes marinhos (Tabela 2). Então a pergunta que se faz: com todos esses atributos por que a produção em cativeiro da espécie em nível mundial está diminuindo significativamente?

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TABELA 2. Principais atributos do beijupirá apontados como vantagem para seu cultivo. Parâmetros

Atributos

Crescimento

Duas vezes mais rápido que o salmão, podendo alcançar de 6 a 8 kg dentro de um ano.

Reprodução e larvicultura

Facilidade de desovar de forma espontânea, com alta fecundidade. Os ovos são grandes, apresentando uma alta sobrevivência na fase larval comparada as demais espécies de peixes marinhos tropicais.

Resistência

Tolera amplas faixas de temperaturas e salinidade.

Carne

Carne branca com textura firme, de excelente sabor, se adaptando a variedade ampla de formas de preparo. Textura pouco afetada pelo processo de congelamento.

Na China, que em 2010 foi responsável por 80% da produção global do beijupirá, somente nas províncias de Hainan e Guangdong que juntas atingiram mais de 18.000 ton. em 2011, a produção despencou para 800 ton. Taiwan, 2o maior produtor mundial da espécie, reduziu para mais da metade sua produção. No Vietnã onde está a maior fazenda de beijupirá do mundo, a Marine Farms Vietnam, subsidiária da empresa norueguesa Marine Farms ASA, atualmente dedica cerca de 70% da sua capacidade de cultivo para produção do pampo, Trachinotus blochii. O grupo obteve no ano de 2003 a licença para instalação de 10 áreas de cultivo no mar, onde se poderia instalar 180 gaiolas e produzir um máximo teórico de 6.000 ton. de beijupirá. Em 2012, a empresa produziu 700 ton. de pampo e 330 ton. de beijupirá (Figura 1).

apresenta no decorrer do ano altamente irregular. Quando o povoamento em gaiolas é realizado entre os meses de abril e maio, com alevinos provenientes de ovos produzidos a partir da primeira desova após o inverno, o resultado zootécnico é altamente favorável. Nessa condição é possível alcançar peixes com um peso de 4,5 a 5,0 kg já nos meses de novembro e dezembro. Acredita-se que a qualidade dos alevinos e as condições ambientais nessa época são fatores fundamentais para obter os melhores padrões zootécnicos de cultivo. Explica-se que a razão para um melhor desempenho do beijupirá está no fato da espécie, ao alcançar o inverno, já ter desenvolvido seu sistema imunológico, sendo capaz de lidar melhor com as intempéries ambientais (Figura 2). Nestas condições, o cultivo de beijupirá se apresenta economicamente viável. Entretanto, quando os cultivos se iniciam nos meses posteriores a maio, a velocidade de crescimento vai diminuindo significativamente acompanhada de um aumento da mortalidade e do consumo de ração. Essa situação gera prejuízos consideráveis que neutralizam os ganhos auferidos no 1o cultivo do ano. No Vietnã, especificamente na província de Khanh Hoa, onde se encontram instaladas as gaiolas da Marine Farms Vietnam, as condições de temperatura flutuam pouco, de 26 a 30oC. No entanto, estas pequenas variações térmicas são consideras significativas para o beijupirá, desencadeando uma situação de estresse. Um estudo econômico do cultivo de beijupirá (Aquacult. Int. 2009, 17:125-149) realizado em Taiwan analisando a escala de produção ( tamanho dos projetos) e a localização: Pindong e Ponghu (aprox. 200 km de distância) verificou-se uma diferencia significativa, favorável a Pindong, atribuída às diferenças das condições ambientais:

FIGURA 1. Gaiolas de engorda do beijupirá da fazenda Marine Farms Vietnam, localizada na província de Khanh Hoa, comparadas com gaiolas de um pequeno produtor da espécie em Bà Rịa–Vũng Tàu.

Em visita realizada recentemente ao Vietnã, onde percorremos esse país do sul ao norte, por meio dos depoimentos colhidos verificamos com clareza que a diminuição da produção do beijupirá estava intimamente ligada a problemas de índole econômica e de mercado. O cultivo do beijupirá se

temperatura e velocidade das correntes. Observando as coordenadas geográficas das localidades de Pindong e Ponghu, as mesmas se encontra no hemisfério norte em latitudes que transportadas ao hemisfério sul, estariam, respectivamente, em São João da Barra, RJ. e Ubatuba, SP.

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FIGURA 2. A larvicultura do beijupira no Vietnã é comumente realizada por pequenos produtores de forma extensiva em viveiros escavados com água verde (direita), que obtém ovos fertilizados da espécie de terceiros, coletados diretamente de gaiolas onde são mantidas matrizes da espécie (esquerda).

É necessário ressaltar que os parâmetros mais significativos na sensibilidade econômica do cultivo do beijupirá são o preço de venda da espécie e a produtividade alcançada nas gaiolas. Neste último ponto, deve-se ter em mente a diferença que existe entre o fator de conversão alimentar biológico e o fator de conversão alimentar econômico (FCAe). O FCA biológico abate dos cálculos a mortalidade de peixes ocorrida durante os cultivos, ao contrário do FCAe. Assim, ao se analisar somente a produtividade dos cultivos, verifica-se que a sensibilidade não é tão importante uma vez que na medida em que esta diminui, também se reduzem os custos variáveis que compõem aproximadamente 70% dos custos totais. Quando a diminuição da produtividade vem acompanhada com um aumento do FCA, a situação se torna altamente desfavorável para a viabilidade da operação de cultivo. Outro parâmetro zootécnico determinante para a viabilidade econômica dos empreendimentos aquícolas envolvidos com o cultivo do beijupirá é o FCA. Nas condições ideais, ou seja, ao se realizar a estocagem de alevinos em períodos mais favoráveis, é possível alcançar um FCAe de 1,9, embora a média anual ultrapasse 2,3. Quando o peso corporal do beijupirá excede 2 kg, o FCA sofre um detrimento significativo. A velocidade de crescimento da espécie torna-se mais lenta. Não há ainda consenso

ou argumentos técnicos confiáveis que identifiquem o que leva a esta condição que, para ser superada. a sardinha fresca (trash fish) é incorporada de forma gradativa a alimentação dos animais até se eliminar 100% da ração seca na alimentação com peixes de 4 kg, quando estão prontos para comercialização. Essa estratégia, se por um lado beneficia a velocidade de crescimento, por outro, encarece o item alimentação. O trash fish custa USD 0,50/kg e o FCA é de 7, ou seja, USD 3,5/kg. No passado, empresas de grande porte no Vietnã importavam ração do Canadá e Chile, mas dificuldades logísticas na compra, no desembaraço alfandegário, na manutenção constante de um estoque mínimo e problemas de ordem zootécnica, inviabilizaram este procedimento. Atualmente a comercialização de ração do beijupirá para grandes operações de cultivo é dominada por uma única empresa local que comercializa as rações de engorda e terminação para a espécie ao preço de USD 1,55/kg (Figura 3). Para visualizar melhor a situação econômica que se encontra o cultivo de beijupirá em nível mundial, tomamos como referencia o salmão. Atualmente, o custo de produção dessa espécie é de USD 3,00/kg. O melhor resultado alcançado pela Marine Farms Vietnam com o beijupirá foi de USD 4,70/kg, mas o cálculo médio fica perto dos USD 6,00/kg, ou seja, o dobro do salmão. O beijupirá ainda necessita de rações com alto conteúdo de farinha de

FIGURA 3. Uso do trash fish em combinação com ração comercial a partir de 2 kg tem sido a estratégia usada por algumas empresas para controlar o alto FCA.

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pescado (>50% da composição). Nos dias de hoje, se torna muito mais difícil para que o cultivo de beijupirá alcance parâmetros tecnológicos similares ao do salmão. Embora décadas atrás, o salmão também apresentava elevados índices de FCA, similares aos apresentados pelo beijupirá, o preço de venda da espécie na época era significativamente superior, ao redor de USD 20,00/ kg. Essa condição possibilitou que tentativas e erros acontecessem na produção do salmão, e ainda assim permanecer uma atividade lucrativa, até se alcançar os FCA atuais, entre 1,0 e 1,2. Como os preços para o beijupirá desangrado e eviscerado para o mercado japonês alcançava USD 5,00/kg, havia obviamente prejuízo na atividade. Com isso, a comercialização da espécie voltou-se para o mercado interno vietnamita, sem haver a necessidade de desangrar e eviscerar. Acredita-se que o grande erro estratégico na avaliação inicial para o cultivo de beijupirá, foi considerar que não haveria concorrentes, já que a produção de beijupirá silvestre em nível mundial é irrisória. Premissa verdadeira, mas com poucos resultados práticos. Um dos grandes problemas na comercialização do beijupirá nos principais mercados, como o americano, europeu e japonês, é o desconhecimento dessa espécie por grande parte dos consumidores e compradores. Iniciativas bem elaboradas, mas, pelo que me parece, pouco eficazes, foram realizadas nas últimas feiras de frutos do mar de Bruxelas e Boston, sendo este peixe considerado a vedete entre as principais espécies comercializadas. O desconhecimento sobre a espécie associado aos custos de produção elevados fez com que a produção mundial de beijupira cultivado diminuísse significativamente, sendo substituído pelo cultivo de outras espécies mais conhecidas e com preços mais competitivos. O mercado japonês requer beijupirá de tamanho superior a 5 kg. Nesse mercado, o preço de venda da espécie é similar ao das espécies amplamente conhecidas como, por exemplo, o bacalhau. Já o mercado americano aceita filés de espécies de carne branca oriunda de peixes entre 2 e 3 kg, mas existem mais de 20 espécies diferentes tradicionalmente consumidas pela população.

explicações era que o beijupirá cultivado de menor tamanho apresentava pouca gordura. Pelo menos no caso brasileiro, essa explicação não retrata a verdade. Analise centesimal realizada pelo Departamento de Tecnologia de Alimentos da Universidade Federal do Ceará com beijupira de cultivo com aproximadamente 2 kg e da pesca com 3,5 kg mostrou resultados de gordura de 4,41% (lombo) e 16,70% (parte abdominal) versus 0,22% (lombo) e 1,23% (parte abdominal), respectivamente. Comerciantes de pescado locais argumentam que o beijupirá de aproximadamente 2 kg tem a carne muito mais tenra que a de pesos maiores, e a esse tamanho configura-se como o melhor peixe para fazer as peixadas e moquecas. Nessa situação desfavorável, o futuro do cultivo de beijupirá é incerto. A meta seria reduzir os custos de produção pela metade para USD 3,00/kg, similar aos do salmão. Para isso é necessário um grande input tecnológico que dê respostas às dúvidas nutricionais, fisiológicas e osmorregulatórias e que permitam obter no decorrer do ano um resultado de produção similar aos obtidos quando o cultivo se inicia, após os meses de inverno. Também é importante baixar os custos de produção reduzindo a dependência da farinha de peixe incluída nas rações, tendo como referência o que foi feito com o cultivo do salmão. A grande questão é saber quem financiaria essas pesquisas. Diante de tudo isso, o que se recomendaria para o Brasil? Não há dúvida que no caso brasileiro temos uma grande vantagem que é o potencial do mercado interno. Podemos afirmar que o beijupirá é ainda o principal expoente entre as espécies propicias para desenvolver a piscicultura marinha. Os resultados de degustações realizadas em Fortaleza, Recife e Brasília não deixam dúvida da aceitação e da versatilidade gastronômica do beijupirá. No entanto, para tornar o cultivo em uma realidade de negócio, faz-se necessário levar em conta os ensinamentos vietnamitas. A experiência do cultivo da espécie realizada em Ilha Grande, município de Angra dos Reis, RJ, mostraram como é importante que o cultivo de beijupirá se realize somente em épocas

FIGURA 4. Postas e sashimi feitas a partir do pampo e beijupirá cultivado. Os peixes são apreciados pela textura, cor e sabor da carne.

É interessante destacar que em mais de uma ocasião foi relatado que o beijupirá com peso inferior a 2,5 kg não apresentava um sabor bom, e por esta razão não conseguia competir com o barramundi (robalo Asiático), garoupa e pampo, que são comercializados no Vietnã com peso < 1 kg. Uma das

com condições ambientais mais favoráveis. Dos três cultivos realizados, um foi muito bom, o segundo foi um desastre, e o terceiro, apenas regular. Todos eles foram iniciados em épocas diferentes. Esse Município tem a grande vantagem de dispor de trash fish obtido de forma gratuita, proveniente da sardinha Revista ABCC | 47

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imprópria para consumo humano. Além do Estado de Rio de Janeiro, essa situação pode ser repetida nos Estados de São Paulo, Paraná, Santa Catarina onde existem lugares abrigados (near shore) e refugos da sardinha. A Bahia é o único estado do Nordeste que apresenta lugares abrigados, adequados para instalação de gaiolas. Em direção ao Norte temos a vantagem de ter condições bioambientais menos variáveis, como é o caso da temperatura, mas não existem locais abrigados no mar, assim os cultivos deverão ser em mar aberto (offshore). Embora existam benefícios nesse tipo de cultivo, há também muitas dificuldades. Em ambos os casos, a logística de produção deve ser devidamente estudada. A logística a ser empregada será fundamental para o sucesso do cultivo. Os restaurantes no Brasil estão ávidos por peixes nobres de qualidade, que neste momento somente a aquicultura pode fornecer. Ao mesmo tempo não se deve desconsiderar que aproximadamente 30% do pescado consumido no decorrer do ano é oriundo de Semana Santa. Os laboratórios não devem se limitar a produção de uma única espécie, e sim procurar outras que sejam tolerantes a mudanças ambientais, como temperatura e salinidade. O Brasil deve explorar a grande vantagem que possui na aquicultura que é determinar a espécie mais indicada para um determinado momento, sabendo quando se inicia e quando termina o processo produtivo. Considerações finais A partir das informações obtidas no Vietnã verifica-se que em nível internacional a tecnologia de cultivo do beijupirá ainda não esta desenvolvida ao ponto de torná-la competitiva com a de outras espécies de carne branca. No Brasil, a possibilidade de aumentar a produção de pescado oriunda da pesca é muito remota, assim, a única alternativas de substituir as importações crescentes de pescado é por meio da aquicultura. A aquicultura continental está bem atendida pela iniciativa privada na produção de formas jovens, após décadas de funcionamento de estruturas governamentais pertencentes ao DNOCS e ao IBAMA. Já a piscicultura marinha está sem rumo e sem uma política concreta para visualizar um horizonte mais promissor. Isso não é devido à falta de um modelo de desenvolvimento, o modelo existe. O Brasil se destaca em nível mundial como líder na produção de grãos e principalmente de animais terrestres de criação. A EMBRAPA é a grande responsável por colocar o Brasil numa situação de liderança com conhecimentos profundos em estratégias para melhorar as características zootécnicas dos animais terrestres de criação, além de contar com especialistas nas áreas de biossegurança, transformação e mercadológica. Embora de forma tímida, a EMBRAPA vem participando na aquicultura continental, mas está totalmente ausente da piscicultura marinha. Se quisermos ter um crescimento da produção aquícola similar ao Vietnã, que em 23 anos passou de 141.747 ton. (1987) para 2.589.800 ton. (2009), necessariamente deverá haver um planejamento a médio e longo prazo, precedidos da implantação de estruturas compatíveis com recursos humanos de alto nível. O Vietnã implantou três grandes

centros de pesquisa em aquicultura distribuídos estrategicamente de norte a sul. O centro de reprodutores de peixes marinhos já tem 10 anos, que é o tempo necessário para ter alevinos com a rusticidade e com a alta produtividade desejadas. Mesmo com toda a boa vontade das universidades brasileiras em desenvolverem pesquisas sobre piscicultura marinha, a burocracia, a falta de recursos financeiros permanentes e as exigências em mostrar produção científica, em prejuízo de oferecer ao setor produtivo soluções tecnológicas e econômicas, não se constituem na solução para o aumento da produção aquícola. Acredita-se que para desenvolver a piscicultura artesanal deve-se ainda ser implantado um modelo de extensão aquícola. A melhor fórmula para transferir conhecimentos e “vender a atividade” é mostrar na prática que se está ganhando dinheiro exercendo-a. Para isso, é necessário oferecer condições aos cursos profissionalizantes em aquicultura dos Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia para instalarem estruturas de modelos de produção de alevinos e de engorda de peixes marinhos. Acredita-se que essas medidas, além de um marco regulatório para o funcionamento da atividade com vistas aos futuros investidores, oferecendo também facilidades aos pequenos produtores, são ações prioritárias para que na próxima década a piscicultura marinha ainda não seja considerada como uma atividade do futuro. O incentivo para atrair tecnologia e investimentos internacionais para projetos offshore também deve ser considerado. Neste ponto seria de grande importância que se aplicassem as mesmas condições de financiamento às embarcações de apoio da piscicultura marinha daquelas do PROFROTA - Programa Nacional de Financiamento da Ampliação e Modernização da Frota Pesqueira Nacional. Segundo informações do diretor presidente da AQUALIDER, Manuel Tavares, de um investimento de aproximadamente seis milhões de reais (48 gaiolas), 30% correspondiam às embarcações de apoio. A desoneração de imposto desta atividade emergente também seria muito bem vinda. Agradecimentos A viagem ao Vietnã foi financiada com recursos aprovados no Edital 036/2009 – Chamada 2, MCT/CNPq/ CT-AGRONEGÓCIO/MPA, Processo No. 559527/2009-8. A elaboração deste artigo somente foi possível com acesso às instalações de cultivo autorizadas pelas seguintes empresas privadas e órgãos governamentais do Vietnã: National Breeding Center for Marine Aquaculture do Norte e Sul (Research Institute for Aquaculture No. 1 e 2), Australis Vietnam Ltd., InVivo NSA Vietnam e Marine Farms Vietnam. Somos muito gratos pela receptividade e informações gentilmente compartilhadas por aquicultores locais e pelo Sr. Nguyeu Hiu Thaul (RIA2), Dra. Dang To Van Cam (RIA2), Sr. Marc Campet (InVivo NSA Vietnam), Dr. Carlos Massad (Blue Genetics), Sr. Jorge Alarcon (Marine Farms Vietnam) e Sr. Cao Van Hanh (RIA1). O segundo autor é pesquisador do CNPq/MCT em Produtividade em Pesquisa (Processo No. 305513/2012-5).

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NOTA TÉCNICA

Causa da Doença de Camarão EMS (Síndrome de Mortalidade Precoce) Identificada

Histórico Uma nova doença, cuja causa era desconhecida até recentemente, ameaça a indústria de camarão da Ásia. A Síndrome de Mortalidade Precoce conhecida como ESM e também tecnicamente como AHPNS apareceu pela primeira em fazendas de camarão na China em 2009, chegando no Vietnã em 2011 e na Tailândia em 2012. A EMS afeta tanto o Black Tiger (P. monodon) como o camarão branco do Pacífico (Litopenaeus vannamei). A doença geralmente aparece nos primeiros 30 dias após o povoamento do viveiro quando os camarões se tornam letárgicos e para de se alimentar com mortalidades de 70% podendo chegar até 100%. Para maiores informações sobre as características da doença, veja o artigo DOENÇAS DE CRUSTÁCEOS – SÍNDROME DA NECROSE AGUDA DO HEPATOPÂNCREAS (AHPNS) publicado nesta edição da Revista da ABCC. Produção Afetada Desde que EMS foi reportada pela primeira vez na China em 2009, a doença tem se espalhado pelo Vietnã, Malásia e Tailândia, causando perdas anuais de mais de US$ 1 bilhão Na Tailândia, onde existem mais informações disponíveis, a doença tem sido culpada por forte queda de produção em 2012. Como exemplo, as exportações de camarão deste país para os Estados Unidos caíram 26,7%, o equivalente a quase 110 milhões de libras comparado com os números de 2011. De acordo com a Associação Tailandesa de Alimentos Congelados, as exportações de camarão como um todo até Novembro de 2012 tinha diminuído 14,88% se comparado a 2011. Vale ressaltar que especialistas do setor projetam uma redução de 400.000 t na produção de camarão da Ásia em 2013, um volume superior à produção de camarão cultivado das Américas. Adicionalmente, esta doença está mobilizando os países produtores de camarão cultivado. Alguns países tem implementado políticas que restringem a importação de camarão congelado ou outros produtos de países afetados por EMS como medida de biossegurança. Equador e México, inclusive, já baixaram medidas restritivas para evitar a entrada de crustáceos, incluindo do próprio Brasil. Causa da Doença Identificada Após meses de investigações por uma equipe de pesquisadores liderados pelo Dr. Donald Lightner na Universidade do Arizona, o elusivo patógeno que causa o Síndrome de Mortalidade Precoce, uma emergente doença da camarão no Sudeste da Ásia conhecida tecnicamente como síndrome da necrose aguda do hepatopâncreas (AHPNS), tem sido identificado. Os pesquisadores descobriram que EMS é causada por uma bactéria que é transmitida oralmente, coloniza o trato gastrointestinal do camarão e produz uma toxina que causa a destruição do tecido e disfunção do órgão digestivo do camarão conhecido como hepatopâncreas. O ser humano não é afetado. A equipe do Dr. Lightner identificou o patógeno EMS/AHPNS como uma cepa singular de uma bactéria relativamente comum, Vibrio parahaemolyticus, que é infectada por um vírus conhecido como fago, o que faz com que a bactéria libere uma toxina potente. Um fenômeno similar ocorre na doença humana de cólera, onde um fago faz com que a bactéria Vibrio cholerae bacterium seja capaz de produzir uma toxina causadora da diarreia com risco de vida da cólera. A pesquisa continua visando o desenvolvimento de um teste de diagnóstico para a rápida detecção do patógeno de EMS/AHPNS a fim de permitir um melhor manejo de larviculturas e viveiros e contribuir para uma solução de longo prazo para a doença bem como permitir uma melhor avaliação dos riscos associados com a importação de camarão congelado ou outros produtos de países afetados por EMS.

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Serviço: * Consultoria e treinamento para criação intensiva de camarão * Visitas técnicas a fazendas de camarão na Tailândia e China Equipamentos: * Alimentador automá co para CAMARÃO, PEIXE e LARVICULTURA * Alimentador automá co de energia solar para CAMARÃO e PEIXE * Aeradores Caracterís cas: * Um controlador pode controlar até 8 alimentadores automá cos * Intervalos de alimentação precisos e consistentes e menos quan dade * Economize até 30% de ração * Mantém a ração sempre fresca e em boa qualidade * Reduz o risco de doenças * Economize mais de 30% de mão de obra

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ARTIGO

EMS - A nova doença de crustáceos – Síndrome da Necrose Aguda do Hepatopâncreas (AHPNS) Prof. Donald Lightner - Aquaculture Pathology Laboratory Department of Veterinary Science and Microbiology - University of Arizona Building 90, Room 202 Pharmacy/Microbiology, Tucson, AZ 85721 - USA dvl@u.arizona.edu Prof. Timothy W. Flegel – Centex Shrimp, 4th Floor Chalermprakiat Building Faculty of Science, Marhidol University - Rama 6 Road, Bangkok 10400 Thailand - sctwf@mahidol.ac.th (Tradução: Marcelo Lima Santos, Biólogo ABCC)

Nota do Editor: Quando da tradução deste artigo, a causa da doença conhecida como EMS ou tecnicamente AHPNS ainda não tinha sido identificada. Um pouco antes da revista ir para a gráfica, uma equipe de pesquisadores liderados pelo Dr. Lightner identificou a causa da mesma (ver nota técnica nesta edição). Mesmo assim, consideramos importante publicar este artigo na sua íntegra, destacando os vários aspectos da doença e a preocupação gerada pelo seu aparecimento.

SINTOMATOLOGIA CLÍNICA DA ENFERMIDADE Na ausência da identificação de agentes etiológicos, bióticos ou abióticos, causadores da síndrome, as seguintes sintomatologias da enfermidade podem ser observadas por meio de análises presuntivas e confirmativas. SINTOMATOLOGIAS OBSERVADAS NOS VIVEIROS • Em muitas situações o hepatopâncreas pode se apresentar com coloração pálida devido à perda de pigmentação nas cápsulas do tecido conectivo, • Marcada atrofia do Hepatopâncreas,

Foto 01: Juvenis de Litopenaeus vannamei do Vietnam - A esquerda animal apresentando AHPNS e a direita um animal saudável.

• Muitas vezes a carapaça se apresenta flácida e o intestino apresenta-se com descontinuidade no conteúdo ou totalmente vazio, • Pontos negros, ou estrias, são algumas vezes visíveis no tecido do hepatopâncreas, • Hepatopâncreas não desmancha facilmente quando macerado entre os dedos da mão, • A manifestação dos sinais clínicos, e início das mortalidades, começam precocemente nos 10 primeiros dias após a estocagem das PL’s, • Camarões moribundos afundam no viveiro. Foto 02: Juvenis de Litopenaeus vannamei apresentando hepatopâncreas pálido e atrofiado, iicativo da AHPNS.

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SINTOMATOLOGIAS DA ENFERMIDADE POR MEIO DE ANÁLISES DE HISTOPATOLOGIA • Degeneração aguda e progressiva do hepatopâncreas acompanhada inicialmente pela diminuição das células R, B e F seguida pela marcada redução da atividade mitótica das células-E, • O progresso do desenvolvimento das lesões é no sentido proximal para distal com a desfunção das células R, B e F e depois pelas células E, com as células da mucosa dos tubulos apresentando proeminente cariomegalia (núcleos aumentados) sendo observado um arredondamento e descamação no lúmen do túbulo afetado.

Foto 03: Juvenil de Penaeus monodon do Vietnam apresentando hepatopâncreas pálido e atrofiado, indicativo da AHPNS.

Foto 04: Progressão da lesão proximal para distal no hepatopâncreas, com disfunção das células R, B, F e E.

Foto 05: Camarão com hepatopâncreas normal – células intactas do tipo R, B, F e E. Fonte: D Lightner.

Foto 06: descamação das células do hepatopâncreas

Foto 07: ausência de mitoses nas células E.

Foto 08: ausência de células B, F e R.

Foto 09: Células com núcleo expandido

Foto 10: Presença de infiltração hemocítica.

Foto 11: Infecção secundária causada por bactéria.

Fotos 06, 07, 08, 09 10 e 11: Histopatologia de hepatopâncreas Litopenaeus vannamei de camarões da Tailândia afetado pela AHPNS. Fonte: TFlegel.

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• As células mortas se transformam em nichos propícios para um intenso crescimento bacteriano, o que resulta em uma massiva infecção secundária por bactérias do gênero Víbrio spp, e a completa destruição do hepatopâncreas na fase terminal da enfermidade, • Acompanhando a descamação inicial das células epiteliais do lúmen do túbulo do hepatopâncreas, e o desenvolvimento da infecção secundaria provocado por Víbrios spp, é possível observar uma intensa infiltração hemocítica intertubular e a encapsulação hemocítica das partes necrosadas com a evidência de melanização das porções mais proximal do túbulo em alguns camarões. AGENTE ETIOLÓGICO CAUSADOR DA ENFERMIDADE Enfermidade Idiopática – Nenhum agente específico causador da enfermidade (infeccioso ou tóxico) foi identificado até o momento.

NOTA IMPORTANTE Enquanto a aparente disseminação da AHPNS na Ásia sugere que um agente infeccioso possa estar envolvido, até agora as pesquisas de laboratório tem apresentado resultados negativos nos ensaios para a verificação da transmissão horizontal e nenhum agente infeccioso ou toxina foi identificado. As observações realizadas na Histopatologia sugerem lesões provocadas por toxidade. Ensaios com rações coletadas em fazendas atingidas pela enfermidade, e de dois crustacidas incluindo Cypermethrim, não conseguiram reproduzir a doença. A AHPNS não está relacionada com nenhuma das enfermidades já conhecidas como é o caso da WSSV, YHV, IMNV e TSV. No momento a causa da enfermidade é desconhecida e a possibilidade de que um agente infeccioso e/ou toxina possa estar envolvido com a enfermidade não deverá ser desconsiderada.

POSSÍVEIS HOSPEDEIROS AHPNS afeta tanto o P. monodon quanto o Litopenaeus vannamei. O P. chinensis também reportou ser hospedeiro da enfermidade em ensaios realizados na China.

OUTRAS INFORMAÇÕES Maiores e mais recentes informações sobre a AHPNS, relatórios de pesquisas e gravações de 19 palestras técnicas apresentadas durante a Ásia Pacific Regional Emergency Consultation, realizada em Bangkok/Tailândia, na data de 9 a 10 de agosto de 2012, estão disponíveis nos seguintes Links:

PRESENÇA NA ÁSIA-PACÍFICO AHPNS foi oficialmente reportada na China e no Vietnã (2010), na Malásia (2011) e na Tailândia em 2012.

http://www.enaca.org/modules/news/article.php?article_id=1952 http://www.enaca.org/modules/wfdownloads/singlefile. php?cid=11&lid=1059 http://www.enaca.org/modules/podcastprogramme.php

A preparação deste documento foi baseado nos resultados da ÁsiaPacíficEmergency Regional Consultation na EarlyMortalitySyndrome(EMS) / AcuteHepatopancreaticNecrosisSyndrome (AHPNS) realizada em Bangkok, Tailândia, na data de 9 a 10 de agosto de 2012. O Workshop foi co-organizado pela Australian Government Department of Agriculture, Fisheries and Forestry e Network of Centres inAsia-Pacífic.

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ARTIGO

O MP e o Código Florestal Aldo Rebelo - Ministro do Esporte e Relator do Código Florestal.

N

a história recente do Congresso Nacional, nenhuma lei foi tão debatida, internamente e em audiências públicas, quanto a do novo Código Florestal. Foram dez anos de discussões e consultas à sociedade. Como todo acordo razoável, o resultado final não agradou inteiramente às partes, grosseira e impropriamente polarizadas em ruralistas e ambientalistas. Mas a lei veio à luz para cumprir o seu papel ambivalente de zelar pela conservação do meio ambiente e tornar viável a atividade agropecuária. De um cenário de campo conflagrado, as cicatrizes estavam se fechando; a segurança do agricultor, em reconstrução; a pujante agricultura nacional, incentivada a continuar conquistando mercados dominados por países ricos - até que apareceu o Ministério Público (MP) para reabrir o debate ao questionar a constitucionalidade de 23 dispositivos da nova legislação. A Procuradoria-Geral da República encaminhou ao Supremo Tribunal Federal três ações diretas de inconstitucionalidade (Adins) que estigmatizam reformas feitas pelo Congresso acerca das áreas de preservação permanente (APPs) e de reserva legal e da suposta anistia a produtores rurais punidos por degradação ambiental. Ao contrário do que argumenta a Procuradoria, contudo, a Lei 12.651, ainda retocada por nove vetos da presidente da República, Dilma Rousseff, não encerra retrocesso nem ofende a Constituição. O mesmo artigo 23 da Carta Magna que atribui competência ao poder público para “proteger o meio ambiente” e “preservar as florestas, a fauna e a flora” também determina que lhe compete “fomentar a produção agropecuária e organizar o abastecimento alimentar”. Ao conciliar as vertentes de preservação e produção, o Congresso aperfeiçoou e manteve a nossa legislação ambiental como a mais rigorosa do mundo. Difícil é desfazer a lenda maliciosa, urdida no exterior e aqui medrada, de que os brasileiros calcinam o meio ambiente, pois, em verdade, somos o país que mais preservou suas florestas. Enquanto os Estados Unidos e a Europa destruíram as deles e as da Ásia, o Brasil manteve em pé nada menos que 69,4% da vegetação nativa. Não é, portanto, a proteção da natureza que está no centro da questão. A agressividade ambientalista, recheada de alarmismo, que grassa entre nós como erva daninha, tem como pano de fundo o crescente protagonismo do Brasil no comércio de produtos agrícolas. Incapazes de concorrer com as vantagens comparativas de que dispomos, para produzir alimentos fartos e baratos que lhes tomam divisas, países desenvolvidos desfraldam a bandeira de “florestas lá, agricultura aqui”. Quanto maiores forem as salvaguardas ambientais impostas ao concorrente, as mesmas que eles não seguem, menor será o crescimento da agropecuária brasileira. Daí por que, incentivadas por seus governos, e contando com a boa-fé de militantes engajados nesta justa causa

da humanidade, organizações não governamentais (ONGs) ambientalistas de origem estrangeira tentam inscrever na lei brasileira a defesa dos interesses estratégicos que representam. A legislação ambiental do Brasil, preconizada pelo Patriarca da Independência, José Bonifácio de Andrada e Silva, no século 19, é salutar e rigorosa. O primeiro Código Florestal, de 1934, foi radicalmente alterado em 1965, embora conservando os parâmetros que revestiam sua ambivalência. Nas décadas de 1980 e 1990, uma série de mudanças abusivas foi introduzida, algumas delas por medida provisória, como o aumento das áreas de preservação permanente. Um monstrengo jurídico passou incólume pelo escrutínio seletivo dos jurisconsultos de ocasião: a tipificação de crime ambiental com efeito retroativo. O produtor rural dos nossos dias passou a ser responsabilizado por desmatamentos praticados desde o início da exploração da terra, não importa se nos primórdios da colonização do País. Muitíssimos foram multados em valores que excediam o da propriedade. Outros, impedidos de receber financiamento. Todos deveriam arrancar lavouras para replantar mata nativa. A deformidade prejudicou principalmente os pequenos proprietários, que dispõem de pouca terra para semear. Dos 5,1 milhões de imóveis rurais cadastrados no Brasil, 4,3 milhões (84,4%) classificam-se como de agricultura familiar, com área média de 18 hectares. Os grandes proprietários (acima de mil hectares) controlam 46 mil estabelecimentos. O Congresso Nacional agiu para simultaneamente preservar a natureza e tirar o agricultor da ilegalidade. As multas absurdas podem ser convertidas em serviços de preservação, melhoria e qualidade do meio ambiente. A isso se chamou indevidamente de anistia, cabendo citar aqui, mais uma vez, a definição do Barão de Itararé (o humorista político Apparício Torelly, 1895-1971): “Anistia é o ato pelo qual o governo perdoa generosamente crimes que ele próprio cometeu”. Outro avanço da reforma foi respeitar a atividade agrícola nas várzeas - prática mundial tão antiga quanto a agricultura, mas que o Código Florestal criminalizava. A exigência de replantio de mata nas áreas cultivadas às margens dos cursos d’água passou a ser proporcional ao tamanho do imóvel. Tais avanços são tachados de inconstitucionais. Como as ONGs não têm legitimidade para propor Adins, um setor do Ministério Público assumiu a tarefa de desqualificar o Congresso em seu papel soberano e discricionário de legislar ungido da prerrogativa de poder popular por excelência. Leis são pactos sociais costurados com a linha da democracia pelos representantes do povo. Tal poder é exclusivo do Parlamento. Vem a propósito a observação de renomado professor de que “o MP é o braço institucional das ONGs”, na medida em que essas entidades tentam extorquir “dos Poderes constituídos o que estes, e só estes, podem fazer - em especial o que depende de se legislar ou de ou de se fazer cumprir a lei”.

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ARTIGO

Qualidade da água e influência iônica no cultivo do camarão marinho Biólogo Jorge L. Chávez Rigaíl SLA, Sociedad Latinoamericana de Acuacultura jorgechavezrr@hotmail.com

Introdução. Em geral, considera-se que o estudo da “Qualidade da água” está voltado para a revisão dos parâmetros biológicos, físicos e químicos de forma isolada. Entretanto, nós os estudamos em conjunto, o que nos levou a formar uma nova expressão conhecida como “estudo do equilíbrio iônico”, que ademais dos parâmetros mencionados, a eles somamos o estudo dos principais 07 íons componentes da salinidade: Ca+, Mg+, K+, Na+, Cl- CO3- y SO4. Agora com uma visão diferente devido a que esses íons são, também, os principais macro elementos que nutrem todas as células vivas, podemos considerar que: “Mais importante do que conhecer a salinidade, será conhecer as principais relações iônicas em cada massa de água”. Em 1876, W. Dittmar logrou realizar as primeiras análises químicas da água do mar. No entanto, as relações iônicas básicas: Na/Ca=26, Na/K=28, Na/Mg=8, Ca/K=1 e Mg/Ca=3 somente foram verificadas um século mais tarde, descobrindo-se que a maioria das relações marinhas corresponde quase que exatamente com as relações iônicas do sangue dos vertebrados e invertebrados. Isto certificou o que C. Darwin, 1844, sinalizou há mais de dois séculos: que todos os animais terrestres e dulceaquícolas tinham um ancestral comum procedente do mar, e que a cada mudança química no meio ambiente está embutida uma adaptação que começa sendo fisiológica para, logo depois de um determinado tempo, terminar como uma adaptação morfológica. Assim, os peixes e crustáceos iniciaram seus ciclos de vida. Nos trabalhos realizados por S. Laramore, em HBOI, 1992, a primeira “equação de vida” foi determinada ao relacionar o Cálcio com o Magnésio e com o Potássio entre si, para o cultivo do L. vannamei, cuja relação foi de (1–2–0,5). Anos mais tarde, em 1998, o autor modifica sua equação de vida para (1–3–0,75), e ainda mais tarde, no ano de 2002, para, finalmente, determinar que a equação (1–3–1) é a mais próxima da equação do Oceano Pacífico, estudo este que teve uma limitação, já que não foram feitos testes desenhados e provados em cultivos de água doce. Este trabalho apresenta a amostragem realizada no Equador, México e Venezuela, com a qual se demonstra que as taxas de crescimento e sobrevivência do camarão estão diretamente relacionadas com a composição iônica de suas águas; comprovando a hipótese de que: “Não existe patologia alguma que não tenha sido iniciada por um desequilíbrio iônico de suas águas”. JCHR, 2005 O presente trabalho demonstra que a falta ou abundância de certos íons, não apenas é uma característica dos cultivos em águas doces, mas também em meios ambientes como os

estuarinos e marinhos, onde também ocorrem com muita frequência a “descompensação iônica”, que termina com o desvio das energias adquiridas por meio da nutrição para compensar os desgastes osmorregulatórios da espécie em cultivo, inclusive podendo ocasionar-lhe a morte por haver utilizado mal toda a energia processada para manter a homeóstase de seus tecidos. Hipótese Determinar qual é a melhor equação de vida que corresponda à densidade de povoamento e à salinidade média onde se trabalha, é a prioridade de todos os técnicos envolvidos com a aquicultura, para que sejam obtidos os melhores resultados em crescimento e sobrevivência dentro de uma fazenda. Com esse posicionamento, comparamos os resultados de três cenários diferentes para encontrar una correta equação de vida para cada setor analisado. 1. Fazenda situada nas margens do Lago Maracaibo, Venezuela, salinidade de 3ups e com uma densidade de povoamento de 200.000 PL 20 por hectare. 2. Fazenda localizada nas margens do estuário Sabana Grande, Equador, salinidade de 30ups e com uma densidade de povoamento de 60.000 PL 20 por hectare. 3. Fazenda situada na Baía de Kino, México, salinidade de 50ups com uma densidade de povoamento de 300.000 PL 20 por hectare. Metodologia Os animais em cultivo foram submetidos semanalmente a análises de patologia, de bacteriologia e químicas de águas, tanto do canal reservatório quanto dos viveiros de cada setor. Os equipamentos usados foram: microscópio binocular, incubadora, agar TCBS e espectrofotômetro YSI 9300. Análises As análises químicas mostraram uma marcada diferença em relação aos valores referenciais do Oceano Pacífico, devido a que muitas das águas costeiras recebem forte influência das saídas subterrâneas de águas continentais com salinidades e composições químicas bem diferentes das águas do mar aberto. Resultados Na tabela #1 estão especificados os valores médios de cada elemento do Oceano Pacífico, junto aos valores mínimos e máximos de cada setor de trabalho.

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Tabela #1. Variações químicas dos elementos iônicos nestas zonas. Elemento Químico

Oceano Pacífico

1. Lago Maracaibo

2. Sabana Grande

3. Baía de Kino

Ca. (min-máx.)

400

47 – 90

60 - 116

52 - 196

Mg. (min-máx.)

1270

440 - 700

500 - 1215

840 - 2200

k. (min-máx.)

375

6 – 70

38 - 102

51 - 76

Defi nidos os requerimentos iônicos das águas de cada fazenda, a biocompensação foi o seguinte passo do presente trabalho. A literatura recomenda a biocompensação nas águas de cada viveiro; entretanto, devido ao elevado custo econômico que isso ocasionaria, desenhou-se uma alternativa mais econômica para corrigir os desequilíbrios mediante dietas nutricionais. Por meio de medições constantes das taxas de crescimento semanal, encontrou-se a melhor equação de vida para cada fazenda, realizando-se a correção de 1,2% do valor faltante na água, adicionada à ração balanceada, seguindo as recomendações de Shiau and Shieh, 2001. Os íons foram previamente dissolvidos e quelados através de uma solução de melaço, concentrado de nucleótidos e água doce.

O resumo dos últimos seis meses do trabalho nos três ambientes controlados com diferentes salinidades, 3ups, 30ups, 50ups, mostram um ganho médio de 14% em sobrevivência e um ganho médio em crescimento de 25%, utilizando a informação química da água e biocompensando o referido faltante na ração balanceada. Com este trabalho determina-se que a relação Ca:K está diretamente relacionada com a sobrevivência da espécie e que a relação entre Ca:Mg está diretamente relacionada com o crescimento. Adicionalmente, os valores de 80 mg/L para o íon Cálcio e 60 mg/L CO3Ca como alcalinidade se convertem no umbral do cultivo, e a relação Ca:Mg:K está diretamente relacionada com o crescimento do L vannamei.

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ARTIGO

CAMARÃO E ACEROLA – a receita da qualidade? Adriene Rosceli Menezes de Oliveira1, Maria Rociene Abrantes1, Alex Augusto Gonçalves2, Jean Berg Alves da Silva2 1 Mestranda do Programa de Pós-Graduação em Ciência Animal (PPGCAN/UFERSA) 2 Professor do Programa de Pós-Graduação em Ciência Animal (PPGCAN/UFERSA) Programa de Pós-Graduação em Ciência Animal (PPGCAN) – Departamento de Ciências Animais (DCAN), Universidade Federal Rural do Semi Árido (UFERSA), Av. Francisco Mota, 572 – Bairro Presidente Costa e Silva – 59625-900 – Mossoró – RN – Brasil

A problemática da melanose A melanose, também conhecida como “black spot” é a grande vilã da longevidade comercial dos crustáceos, principalmente dos camarões. Apesar de não representar nenhuma diminuição no valor nutricional do produto final ou ameaça à saúde humana, o enegrecimento das articulações, cefalotórax e exoesqueleto destes animais é um dos maiores problemas da indústria de alimentos aquáticos (Figura 1), pois reduz a aceitabilidade do produto no mercado e, consequentemente, provoca prejuízo financeiro ao produtor.

submetidos à imersão em solução aquosa com gelo e metabissulfito (Figura 2). Embora sejam eficientes no combate à melanose, estudos demonstram que os sulfitos podem ter efeitos patológicos, especialmente relacionados a reações alérgicas e problemas respiratórios.

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Figura 1. Camarão branco apresentando melanose no cefalotórax, articulações e cutícula. Fonte: arquivo pessoal.

O mecanismo de formação da melanose não está totalmente elucidado, e existem divergências entre pesquisadores no que diz respeito às enzimas envolvidas nesse processo (García-Carreño et al. 2008; Whitaker et al., 2003). Porém, sabe-se que o escurecimento do crustáceo é iniciado quando compostos incolores chamados fenóis são oxidados devido à ação enzimática, transformando-se em quinonas, que por sua vez reagem com o oxigênio atmosférico e polimerizam-se dando origem a um pigmento negro denominado melanina (García-Carreño et al., 2008). De acordo com Martínez-Álvarez et al. (2008), assim que o crustáceo é retirado da água já começa a formação da melanose. A refrigeração ou o armazenamento no gelo diminuem a velocidade do processo, no entanto, até camarões congelados podem desenvolver manchas negras pelo corpo depois do descongelamento (Díaz-Tenorio et al., 2007). Uma prática comum para prevenir a melanose é o tratamento com misturas (blends) de sulfitos e outros agentes antimelanósicos (anti-melanosic agents). Geralmente, assim que são coletados dos viveiros, os camarões são

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c Figura 2. Formas de aplicação do metabissulfito de sódio: a) imersão; a) pulverização com pó; c) spray. Fonte: Crustaxyl®

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Onde entra a acerola? Eventuais reações alérgicas devido a agentes antimelanósicos, as alterações deletérias que eles podem causar nas características sensoriais, as regulamentações impostas por agências governamentais de saúde e, acima de tudo, o surgimento de um novo consumidor, consciente e preocupado em relação à segurança sanitária do seu alimento, são as razões que levam à busca por uma alternativa natural e orgânica que resolva de maneira satisfatória o problema da melanose em camarões. Rica em niacina, tiamina, riboflavina, carotenoides e sais minerais como ferro, fósforo e cálcio, a acerola entra na equação trazendo um teor de vitamina C (ácido ascórbico) até 30 vezes maior que o da laranja (Andrade, Diniz, Neves, & Nóbrega, 2002), e um potencial antioxidante inigualável entre as frutas tropicais (Melo, Maciel, Lima, & Nascimento, 2008; Prado, 2009) (Tabela 1). Tabela 1. A atividade antioxidante de plantas está correlacionada à quantidade de compostos fenólicos, cujos valores estão aqui demonstrados: Fruta

Fenólicos totais (mgAG/g polpa*)

Abacaxi

3,62 ± 0,05

Acerola

156,00 ± 1,00

Manga

5,57 ± 0,06

Maracujá

3,67 ± 0,05

Melão

1,26 ± 0,05

Goiaba

5,60 ± 0,01

Pitanga

11,5 ± 0,10

Primeiro passo Exemplares de camarão-branco (Litopenaeus vannamei) foram cedidos pela empresa Aquarium Aquicultura do Brasil Ltda. (Mossoró, RN) para serem utilizados no experimento. Os camarões foram coletados diretamente do viveiro, acondicionados em recipiente isotérmico, com gelo e transportados ao Laboratório de Tecnologia e Controle de Qualidade do Pescado (LAPESC, UFERSA), que se localiza aproximadamente a 22 km de distância da fazenda de cultivo. A acerola fresca e a polpa pasteurizada de acerola foram adquiras no comércio da cidade Mossoró (RN), e o metabissulfito foi adquirido em loja especializada na comercialização de produtos químicos. No laboratório, três soluções foram preparadas: 1) suco da acerola fresca (S): 400 g da fruta madura triturado com 500 ml de água e em seguida, feito o peneiramento (Figura 4); 2) suco com a polpa pasteurizada de acerola (P): foram utilizadas quatro unidades de polpa (100 g cada) e 800 ml de água, seguido de homogeneização em liquidificador (Figura 5); 3) solução de metabissulfito de sódio (M): 12,5 g de Na2S2O5 em 1000 ml de água destilada, para que o dióxido de enxofre (SO2) residual não ultrapassasse 100 mg/kg (Oliveira, 2005) (Figura 6). Todas as soluções foram mantidas na temperatura próxima a 2°C durante os 10 minutos de imersão. Para o grupo controle (C), os camarões não sofreram nenhum tipo de tratamento com imersão.

*Teor de compostos fenólicos equivalentes ao ácido gálico nas polpas das frutas. Adaptado de Prado (2009).

Também conhecida como “cereja-das-antilhas” ou “cereja-de-barbados”, a acerola (Malpighia glabra L., M. punicifolia L. ou M. emarginata DC.) é amplamente cultivada no nordeste brasileiro (Figura 3) e chamou nossa atenção exatamente por causa da sua elevada atividade antioxidante. Imaginamos que ela poderia ser usada na prevenção da melanose, já que o ácido ascórbico purificado é uma das substâncias utilizadas nas misturas antimelanósicas. Para descobrir o verdadeiro efeito da acerola sobre a melanose em camarões realizamos o seguinte experimento.

Figura 4. Preparação da solução S (suco da acerola fresca). Fonte: Arquivo pessoal.

As amostras de camarão foram divididas em 8 grupos (19 amostras, cada uma contendo 160 g de camarão) de acordo com a solução utilizada na imersão e com o tipo de embalagem (Tabela 2).

Figura 3. Aceroleira e fruto em destaque. Fonte: http://www.flickr.com/ photos/jackhana.

Segundo passo Para o teste de qualidade do camarão armazenado sob refrigeração (5°C), utilizou-se o Método de Índice de Qualidade (MIQ), que emprega pontos de demérito para avaliar a qualidade de um produto, ou seja, quanto menor a pontuação da amostra, maior sua qualidade e vice-versa. Neste experimento, o MIQ foi baseado naqueles descritos por Oliveira et al. (2009) e Otwell e Marshall (1986). Revista ABCC | 61

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No terceiro e sexto dia de armazenamento foram analisadas oito amostras, uma de cada grupo: SA, PA, MA, CA, SV, PV, MV e CV. Porém no dia 9, apenas três amostras foram analisadas: SA, MA, CA. O MIQ era realizado logo após a abertura da embalagem, e eram observados o aroma, a presença de melanose, a textura do camarão e a aparência geral (Tabela 3).

Tabela 3: Esquema do MIQ desenvolvido para esta pesquisa Parâmetro de qualidade

Aroma

Tabela 2. Classificação dos grupos de acordo com os tratamentos realizados e quantidade de amostras em cada grupo: Tipo de embalagem

Ar

Vácuo

Tipo de imersão

Grupo

N° de amostras

Suco da acerola fresca

SA

3

Polpa pasteurizada da acerola

PA

2

Metabissulfito a 1,25%

MA

3

Controle

CA

3

Suco da acerola fresca

SV

2

Polpa pasteurizada da acerola

PV

2

Metabissulfito a 1,25%

MV

2

Controle

CV

2

Figura 5. Preparação da solução P (suco da polpa de acerola pasteurizada). Fonte: Arquivo pessoal.

Figura 6. Preparação da solução M (Metabissulfito de sódio 1,25%). Fonte: Arquivo pessoal.

Melanose

Textura

Aparência geral

Descrição

Pontos

Fresco, suave de algas marinhas Fraco, lembrando o mar (maresia) Amoniacal fraco Amoniacal forte, pútrido Ausente Pouca, presente em até 25% dos camarões Pouca, presente em até 50% dos camarões Moderada, presente em até 65% dos camarões Muita, presente em até 85% dos camarões Muita, presente em 100% dos camarões Normal, em até 50% dos camarões Amolecida, em até 50% dos camarões Excelente

0 1 2 3 0 2 4 6

Ótima Boa Ruim Péssima Inaceitável

8 10 0 2 0 2 4 6 8 10 0-25

Índice de qualidade total Os índices de qualidade total (IQT) do terceiro dia foram os menores, com uma média de 4,0 pontos, no sexto dia o IQT médio foi de 11,1 pontos, enquanto no nono dia foi de 10,3 pontos (Tabela 4). Como o MIQ é baseado em deméritos, como já foi mencionado, estes números significam que no terceiro dia a qualidade geral dos camarões estava, aproximadamente, duas vezes melhor que a dos camarões do nono dia. A média do grupo S foi de 7,8 pontos durante os nove dias; a do grupo P foi de 6,7 pontos; o grupo M ficou com a média de 6,4 pontos; e por fim, o grupo C teve média de 10,8 pontos. Este resultado demonstra que não houve grande diferença entre o aspecto sensorial do grupo P das amostras que foram imersas em polpa pasteurizada de acerola, e o do grupo M das amostras mergulhadas em metabissulfito a 1,25% (Figura 7). O próximo passo Os resultados dessa pesquisa mostram que a acerola pode sim ser usada como uma alternativa ao metabissulfito, apesar de não ser tão eficiente quanto este composto químico. O suco da fruta fresca e a polpa pasteurizada da acerola apresentaram um bom potencial antimelanósico, já que os camarões submetidos à imersão nessas substâncias obtiveram melhores resultados que os do grupo controle na análise sensorial. Entre o suco da fruta fresca e a polpa pasteurizada, esta última se saiu melhor na análise sensorial, apresentando um IQT quase igual ao do grupo submetido ao metabissulfito. Para confirmar os resultados encontrados e descobrir novos caminhos a serem percorridos, é necessário aprofundar-se nesta pesquisa, tendo sempre em vista a melhoria na qualidade do camarão oferecido ao consumidor, sem esquecer o lucro do produtor. Referências disponíveis na ABCC: abccam@abccam.com.br

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Tabela 4. Resultado do MIQ para os camarões avaliados nos dias 3, 6 e 9 do experimento Dia 3 Parâmetros

S

P

Dia 6 M

C

S

P

Dia 9 S

M

C

V

A

V

A

V

A

V

A

V

A

V

A

V

M A

V

C A

A

A

A

Nº de camarões

14

16

13

13

14

12

14

15

13

14

13

12

13

13

15

14

12

14

14

Aroma

1

1

1

0

1

0

1

1

1

1

2

2

2

1

2

2

3

2

2

Melanose

0

2

0

2

0

0

0

2

4

6

4

4

4

2

4

8

0

0

2

Textura

0

0

0

0

2

0

0

0

0

0

0

0

0

0

0

0

0

0

2

Aparência Geral

4

2

2

0

4

0

4

2

4

4

6

4

4

4

6

8

6

6

8

IQT

5

5

3

2

7

0

5

5

9

11

12

10

10

7

12

18

9

8

14

S: Suco de acerola fresca; P: Suco da polpa de acerola pasteurizada; M: Metabissulfito 1,25%; C: controle; V: Embalado a vácuo; A: Embalado no ar atmosférico; IQT: Índice de Qualidade Total.

A

B

C

Figura 7: Camarões de cada grupo nos dias 3 (A), 6 (B) e 9 (C) de armazenamento. Fonte: Arquivo pessoal. Legenda: S - amostra imersa em suco de acerola fresca; P - amostra imersa em suco da polpa de acerola pasteurizada; M - amostra imersa em metabissulfito de sódio 1,25%; C - controle; V - amostra embalada a vácuo; A - amostra embalada com ar atmosférico.

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ARTIGO

O Desafio Beijupirá Carlos Massad, Blue Genetics

A aquicultura está à procura de um peixe de carne branca para competir com o domínio do salmão. No entanto, a expectativa de ter uma única espécie de peixe de carne branca para igualar a participação de mercado do salmão, não é realística. O sucesso no mercado de peixe de carne branca vai depender de: • Encontrar uma espécie que possa ser geneticamente selecionada para acomodar regiões e mercados específicos; • Custos de produção alinhados com preços de mercado; e • Sustentabilidade com a combinação de fatores econômicos e biológicos que permitam a longevidade de um projeto.

Números de Produção De acordo com os últimos números da FAO, a produção de beijupirá está aumentando. No entanto, esses números estão disponíveis somente até 2010. Nos últimos três anos, a produção tem diminuído drasticamente em todo o mundo. Em termos de cultivo do beijupirá, a China tem sido o país dominante com 80% da produção mundial, o que se traduziu em aproximadamente 36.000 ton em 2010. No entanto, de acordo com algumas projeções, a China não deve manter esse nível produtivo. Por exemplo, as províncias chinesas de Hainan e Guangdong tiveram a sua maior produção de 2006 para 2007, com aproximadamente 18.000 ton. Porém, após 2011, a produção caiu drasticamente para menos de 800 ton.

Figura 1: Taxa de crescimento de várias espécies da aquicultura

Vários candidatos têm surgido com o potencial para atender essas demandas; pargo, atum, beijupirá, garoupas, pampo, barramundi, mahi-mahi, e Seriola sp. Dentro desse grupo, o beijupirá tem sido considerado uma estrela em ascensão. Seus grandes filés são ricos em Omega-3 e possuem excelentes qualidades alimentares. Adicionalmente, o beijupirá se ajusta bem a gaiolas, tem um crescimento rápido, e um fornecimento de ovas o ano inteiro pode ser desenvolvido. Mesmo assim, apesar do potencial para uma produção eficiente, evidências recentes mostram que a produção de beijupirá não está apenas num ritmo mais lento, mas, na verdade, está diminuindo. Levantando a questão do por que?

Taiwan, o segundo maior produtor, atingiu seu pico produtivo durante o mesmo período. Em 2007 a produção foi de 4.000 ton e até 2010 tinha caído para 2.152 ton. A situação do Vietnã parece ter se espelhado nessa tendência. Setenta e cinco por cento da produção vietnamita de beijupirá é originária de uma única empresa que, nos últimos anos, começou a diversificar sua oferta optando por peixes de maior produtividade, como o pampo. Apesar dessa apreciável redução do beijupirá, ainda existem projetos em desenvolvimento em outras regiões do mundo. Cultivos têm sido registrados nas Filipinas, Índia, Iran, Japão, Panamá. Colômbia e Chile. A produção desses países é insignificante no cenário mundial com exceção do Panamá, onde a empresa Open Blue tem planos ambiciosos. Ela projeta 1.300 ton para 2013 e 3.000 ton em 2014.

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Alto Custo O custo de produção por quilo na Ásia para um beijupirá de 3,5 quilos é o seguinte: FCA 2,5 x 1,50USD/quilo ração

=3,75 USD/kg

Juvenis (75% sobrevivência) Mão de obra/depreciação Transporte até a praia Um quilo de peixe na praia Transporte até beneficiamento 35% rendimento filé sem pele Custo beneficiamento e embalagem

+0,16 +0,50 +0,05 =4,46 USD/kg +0,02 =12,80 +1,20

1 quilo de filé sem pele

=14,0 USD/kg EX FAB

Falta de bom fornecimento de juvenis Atualmente, produtores locais no sudeste da Ásia, Colômbia e Miami, Flórida, produzem juvenis de beijupirá. No sudeste da Ásia, a maior parte dos fornecedores de juvenis é pequena e inconstante, com produção e qualidade variáveis. Adicionalmente, não existe no mercado um programa de seleção genética para beijupirá. A indústria não pode crescer sem um fornecimento confiável de juvenis. O modelo do Salmão como solução A Noruega e o Chile são os fornecedores dominantes de salmão de cultivo do mundo. Inovações em ração e tecnologia de cultivo têm impulsionado para baixo os custos de produção, enquanto que, inversamente, aumentado a produção. O resultado: preços de mercado mais baixos e aumento da demanda, eventualmente solidificando a Noruega e o Chile como os maiores produtores de salmão de cultivo. 60

Custo de mercado vs preço com vendas de Salmão Noruegues

55

800.000

50 700.000

45 40

600.000

35

500.000

30 400.000

25 20

Um quilo de filé desse peixe sem pele tem um custo superior a US$ 14,00, antes sequer de chegar ao mercado. Mercados Considerando os números apresentados, o alto FCA do beijupirá torna seu cultivo até tamanhos maiores um processo caro; consequentemente, um peso de 3,5 quilos é razoável para despesca. Entretanto, como regra geral, consumidores da China e do Taiwan gostam desse peixe inteiro e grande, com peso superior a 5 quilos. Por isso, ainda não é possível produzir de forma eficiente um tamanho adequado para esses mercados. Nos Estados Unidos, o mercado prefere filés grandes sem pele e sem espinhas. O custo do beijupirá de mais de US$ 14,00 por quilo de filé, o coloca num mercado de nicho e, consequentemente, em competição direta com outras espécies de carne branca topo de linha como linguado, robalo chileno e garoupa. Nesse mercado de topo de linha, o beijupirá está em desvantagem já que não tem o mesmo reconhecimento de nome para competir nos cardápios americanos.

900.000

Tonnes HOG

Alto FCA O FCA do beijupirá ainda é muito alto, ficando numa faixa de 2,5 ou superior, o que torna economicamente inviável a produção de peixes com mais de 3,5 quilos. O motivo por este alto FCA é o fato de o beijupirá ter uma demanda nutricional muito elevada, e uma fórmula eficiente para uma ração peletizada ainda não foi desenvolvida. Esforços para remediar esse alto FCA existem no sentido de modificar as fórmulas peletizadas e produzir ração úmida. No entanto, as rações peletizadas ainda deixam a desejar. Se o beijupirá for alimentado com trash ish, consegue atingir uma alta taxa de crescimento com boa saúde, alcançando mais de 7 quilos em 01 ano. Entretanto, essa abordagem não pode ser utilizada num processo altamente industrializado; o trash fish está se tornando mais caro e seu uso não é viável no médio prazo.

Os japoneses são muito tradicionais e não aceitam facilmente novos peixes, mas após 03 anos de convencimento de compradores atacadistas e supermercados em Tokyo, o Japão aceitou o bejupirá de 3 a 4 quilos de tamanho. No entanto, a produção não foi o suficiente para atender a demanda, o que se tornou uma grande oportunidade perdida para a indústria desse peixe.

NOK

Por que a produção está diminuindo?

300.000

15

200.000

10 100.000

5 0 1993

1995

1997

1999

2001

2003

2005

2007

2009

0 2011

Year Price

Cost

Quantity

Para poder utilizar a “solução do salmão”, mais pesquisa e desenvolvimento requerem investimentos na aquicultura do beijupirá. Especificamente, rações, tanto seca como úmida, precisam ser desenvolvidas para baixar o FCA a níveis razoáveis e lucrativos. A indústria atual no sudeste asiático é muito dependente de trash fish e de fontes inconstantes de juvenis para ser bem sucedida. Com um aumento na pesquisa e desenvolvimento de tecnologia do beijupirá, os produtores podem aumentar quantidades e diminuir o FCA. Isso, junto com uma melhor promoção da espécie, pode levar o beijupirá a finalmente alcançar seu potencial.

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ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE CRIADORES DE CAMARÃO

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ARTIGO

Resultados recentes e análise econômica preliminar de estudos super intensivos, sem renovação de água, dominados por bioflocos, com o Camarão Branco do Pacífico, Litopenaeus vannamei, no Laboratório de Pesquisas Texas A&M Agrilife Mariculture Research, localizado em Flour Bluff, Texas Tzachi Samocha1, Terryl Hanson2, Timothy Morris1, Vitalina Magalhães3, Bob Advent4, e André Braga3 1

Texas A&M AgriLife Research Mariculture Lab at Flour Bluff, 4301 Waldron Rd., Corpus Christi, TX 78418. Phone: 361-937-2268; email: t-samocha@tamu.edu Department of Fisheries and Allied Aquacultures, 203 Swingle Hall – Auburn, Alabama USA 36849 3 Estação Marinha de Aquacultura, Instituto de Oceanografia, Universidade Federal do Rio Grande, C.P. 474, Rio Grande (RS), 96201-900, Brazil 4 3 a All-Aqua Aeration, 1111 Kennedy Ct. Suite 1 – Titusville, FL 32780 2

P

erdas devido a surtos de doenças virais e o potencial impacto negativo de efluentes ricos em nutrientes sobre corpos d’água receptores são dois grandes desafios para o desenvolvimento de práticas sustentáveis e biosseguras e de custo eficientes de cultivo de camarão, O uso de sistemas de aquicultura super intensivos, dominados por bioflocos e com renovação zero de água podem aliviar esses problemas; no entanto, a operacionalização de sistemas de bioflocos em altos níveis de produção (> 6 kg/m3) requer substanciais insumos para satisfazer a alta demanda de oxigênio do camarão e das comunidades microbianas. Nos últimos anos, estudos realizados no laboratório de pesquisa Texas A&M AgriLife Research Mariculture Lab em Flour Bluff tem focado no uso de uma dieta especialmente elaborada por Zeigler Bros. (HI-35, Zeigler Bros., Gardners, PA), formulada para uso em sistemas super intensivos, dominados por bioflocos com renovação zero de água para a produção do Camarão Branco do Pacífico, Litopenaeus vannamei.

Esses estudos foram realizados em seis raceways de 40 m3 cobertos (estufas) e revestidos com EPDM, cada um equipado com sistemas de monitoramento de oxigênio dissolvido on-line YSI, airlift, difusores de ar e injetor Venturi acionado por bomba capaz de injetar ar atmosférico e/ou oxigênio puro num tubo de distribuição central ao longo do fundo. Esse sistema tem funcionado bem para numerosos estudos no passado, produzindo 8-9,58 kg/m3 de camarão de tamanho comercial, com uma boa sobrevivência, sem renovação de água e sob alta densidade (500 camarões/m3), utilizando apenas fracionadores de espuma e tanques de sedimentação para regular os níveis de matéria particulada no meio de cultivo. No entanto, em 2010, num esforço visando reduzir custos de produção (i.e.,suplementação de oxigênio e uso de energia elétrica), o laboratório começou a testar injetores não Venturi para aeração e mistura em raceways de 100 m3 dominados por bioflocos.

Foto 1. Protótipo injetor a3

Foto 3. RW de 100 m3 RW – Visão Geral

Foto 2. Protótipo injetor tipo a3 em RW 100 m3

Esses injetores (a3, All Aqua Aeration, Orlando, FL) são atualmente utilizados em várias estações de tratamento de águas residuais nos Estados Unidos e requerem pouca manutenção, se comparados a outros métodos de aeração. Essa tecnologia pode ser transferida com sucesso para biofloco e outros tipos de sistema de aquicultura. De acordo com as especificações do fabricante, o injetor proporciona uma relação ar para água de 3:1. Em contraste, o nosso sistema Venturi atual proporciona

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uma relação < 1:1 e requer o uso de oxigênio suplementar numa alta carga de biomassa (> 6 kg/m3) para manter os níveis de OD (oxigênio dissolvido) desejados. O teste de 2010 foi realizado em dois raceways (RW) de 100 m3 e resultou na produção de 6,4 kg camarão/m3 na despesca, enquanto que um teste subseqüente, em 2011, resultou em 8,4 kg/m3. Em ambos os casos, os injetores foram capazes de proporcionar uma mistura adequada por toda a coluna d’água, eliminando a necessidade de usar dispositivos de aeração periféricos (i.e., soprador de ar, difusor de ar, airlift). Embora o FCA em ambos os testes tenha sido incomummente alto, 2,46 e 1,77, respectivamente, e tenha havido a necessidade de um pouco de suplementação de oxigênio no teste de 2011, nós estávamos confiantes que poderíamos aumentar a produção, reduzir o FCA e reduzir ou eliminar a suplementação de oxigênio em futuros testes de produção.

Os objetivos do estudo de 2012 nos dois raceways de 100 m3 foram: 1. Avaliar o desempenho de camarão juvenil produzido de um cruzamento entre linhagens de Crescimento-Rápido e Resistente a Taura, povoados com 500 camarões/m3 e alimentados com uma ração comercial formulado para sistemas de cultivo de alta densidade com renovação mínima de água; 2. Avaliar melhor a capacidade de injetores de manterem níveis adequados de OD e de mistura em sistemas de raceways dominados por bioflocos, super intensivos, com renovação zero de água; e 3. Avaliar o benefício de utilizar o sistema de monitoramento contínuo de OD YSI 5200 em sistemas de produção de camarão super intensivos, dominados por bioflocos. Adicionalmente a estes objetivos, esperávamos reduzir o FCA para níveis inferiores aos alcançados em testes anteriores, principalmente mediante uma alimentação contínua 24 hrs por dia; e antecipando que essa estratégia, também eliminaria quedas drásticas em níveis de OD relacionadas à ração e diminuiria a necessidade por oxigênio suplementar.

Foto 4. Aeração & Mistura RW 100 m3

Os estudos realizados em 2012 utilizaram ambos os sistemas para a produção de Camarão Branco do Pacífico de tamanho comercial. Os objetivos do estudo no sistema de seis RW de 40 m3 foram: 1. Estudar o efeito de duas dietas comerciais em camarões juvenis produzidos de um cruzamento de linhagens de Crescimento-Rápido e Resistente a Taura sobre indicadores selecionados de qualidade de água com renovação zero de água; 2. Monitorar o crescimento e sobrevivência do camarão, bem como FCA com renovação zero de água; 3. Produzir L. vannamei de tamanho de mercado numa densidade de povoamento de 500/m3; e 4. Avaliar o benefício de utilizar o sistema de monitoramento contínuo de OD YSI 5500 em sistemas de produção de camarão super intensivos, dominados por bioflocos.

Foto 5. Leitura no local YSI 5200 em RW100 m3

Foto 6. Bomba e bacia de despesca RWs

O estudo de comparação de dietas foi realizado em seis raceways de 40 m3/68.5 m2. Cada RW de 25.4 m x 2.7 m RW foi revestido com liner EPDM (Firestone Specialty Products, Indianapolis, IN).Os RWs foram equipados com uma divisória central longitudinal posicionada sobre um tubo de PVC de 5.1 cm com bicos de pulverização. Cada RW tinha seis grupos de três airlifts de 5,1 cm posicionados equidistantemente em ambos os lados da divisória. Além disso, cada raceway tinha seis difusores de arde 0,91 cm de comprimento (1.9 cm OD, Aero-TubeTM, Tekni-plex Aeration, Austin, TX), uma bomba centrífuga de 2,0 HP com injetor Venturi capaz de introduzir ar atmosférico ou uma mistura de oxigênio e ar. Os RWs foram abastecidos com uma mistura de água utilizada num estudo anterior de berçário de 49-d, água marinha e água doce municipal, para alcançar uma salinidade de 30 ppt. Cada RW foi equipado com um pequeno fracionador de espuma (FE) comercial (VL65, Aquatic Eco System, Apopka, FL) e um tanque de sedimentação (TS) artesanal. O camarão utilizado nesse estudo foi produzido de um cruzamento de linhagens genéticas de Crescimento-Rápido e Resistente a Taura desenvolvidas por Shrimp Improvement Systems (Islamorada, FL). Os RWs foram povoados com camarão juvenil (2,66g) numa densidade de (2.66 g) 500 camarões/m3.

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Foto 7.Camarão despescado (100 m3 RWs)

O estudo que comparou as duas rações foi realizado com três réplicas cada e incluiu uma dieta semi-intensiva (SI-35) com 35% PB, 7% de lipídeos e 4% de fibra, e uma dieta hiper-intensiva (HI-35) com 35% PB, 7% de lipídeos e apenas 2% de fibra, ambas produzidas por Zeigler Bros., Gardners, PA. Três RWs foram designados para o tratamento HI e outras três para o tratamento SI. O camarão foi alimentado manualmente e por alimentadores automáticos de esteira durante os primeiros 11 dias. Do dia 12 até o final do estudo, a alimentação foi feita por alimentadores de esteira. Durante o primeiro mês, as doses diárias de ração presumiam um crescimento de 1,5 g/semana, FCA de 1,4 e uma taxa de mortalidade de 0,5%semana. As doses foram ajustadas posteriormente com base no consumo observado de ração e na taxa de crescimento do camarão, que foram ajustadas para 2,56 g/semana. O uso dos FEs e TSs teve início 7 e 44 dias do início do estudo, respectivamente. Esses dispositivos de controle de matéria particulada foram operados de forma intermitente, almejando a água do cultivo.

mente. A alcalinidade foi medida duas vezes por semana. O SST foi monitorado três vezes por semana, enquanto que a turbidez, VSS, cBOD5, TAN, NO2, NO3, e PO4-P foram monitorados semanalmente. Cada RW foi equipado com um sistema multiparâmetro de monitoramento e alarme YSI 5500 com uma sonda ótica de OD (YSI Inc., Yellow Springs, OH). Os dados coletados pelo sistema de monitoramento foram carregados em um computador no laboratório, que também podia ser acessado de localidades remotas para o monitoramento em tempo real do OD nos seis RWs. Dados diários e semanais de qualidade da água dos dois tratamentos foram analisados por meio de Modelos Lineares Mistos, utilizando o Fator Analítico, (Primeira Ordem, Heterogêneo). Os pesos médios fi nais, a taxa semanal de crescimento, a sobrevivência (arcoseno transformado), o FCA e a produtividade total foram analisados utilizando ANOVA de via única.

Foto 9. RW 40 m3 vazia

Foto 10: Sonda ótica de OD Foto 8. RW 40 m3 abastecida

Concentrações de Sólidos Suspensos Totais (SST) entre 200 e 400 mg/L e sólidos sedimentáveis entre 10 e 12 mL/L. Os RWs foram mantidos com zero renovação de água durante o estudo e água doce clorada municipal foi acrescentada para compensar as perdas por evaporação e operação dos FEs e TSs. Temperatura, salinidade, oxigênio dissolvido e pH da água foram monitoradas duas vezes por dia utilizando uma multi-sonda YSI 650 Series (YSI Inc. Yellow Springs, OH). Os sólidos sedimentáveis foram monitorados diaria-

Foto 11: Fracionador de espuma RW 40 m3

Um nível significativo de p<0.05 foi utilizado para todos os testes estatísticos. A suplementação de oxigênio teve início no dia 17 e continuo até o fi nal do estudo de 67 dias. Do dia 17 até dia 38, a suplementação foi relacionada a eventos diários (i.e, alimentação, acréscimo de melaço). A partir do dia 39, quando a biomassa de camarão estava estimada em 6 kg/m3, oxigênio suplementar foi utilizado 24 hr/dia numa vazão de 3.4-8.2 LPM devido ao OD baixo nos RWs. Os monitores e suas sondas óticas YSI 5500 provaram ser uma valiosa ferramenta para o manejo do cultivo super intensivo de camarão, permitindo a realização de rápidos

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ajustes para minimizar o estresse decorrente de OD baixo, enquanto que estabelecendo limites superiores e inferiores para OD ajudou a otimizar o uso de oxigênio. As tabelas 1 e 2 resumem os valores médios dos indicadores diários e semanais de qualidade de água monitorados neste estudo. Não houve diferenças estatisticamente significativas em OD, temperatura, salinidade, pH, NAT, NO2-N, NO3-N, PO4, cBOD5 e SS entre tratamentos (Tabelas 1 & 2). Tabela 1. Valores médios de indicadores diários de qualidade de água durante estudo de engorda com L vannamei em RWs de 40 m3 HI-351

SI-352

Média

Min - Max

Média

Min – Max

a.m.

29.6

27.46 – 30.71

29.5

28.06 – 30.47

p.m.

30.46

28.23 – 31.59

30.3

28.81 – 31.54

a.m.

5.9

4.56 – 6.96

5.9

4.61 – 7.58

p.m.

5.5

4.65 – 6.61

5.5

4.49 – 6.96

a.m.

7.1

6.59 – 7.50

7.1

6.66 – 7.49

p.m.

7.1

6.24 – 7.57

7.1

6.25 – 7.51

28.3

24.44 – 36.51

28.3

24.56 – 36.69

Temperatura (C)

OD (mg/L)

pH

Salinidade (ppt) 1 2

RWs onde o camarão foi alimentado com HI-35 Zeigler Bros. RWs onde o camarão foi alimentado com SI-35 Zeigler Bros.

Tabela 2. Valores médios de indicadores semanais de qualidade de água durante estudo de engorda com L vannamei em RWs de 40 m3 HI-351

SI-352

Média

Min – Max

Média

Min – Max

NAT (mg/L)

0.22

0.08 – 0.49

0.26

0.10 – 0.51

NO2-N (mg/L)

0.40

0.06 – 2.24

0.47

0.10 – 1.22

NO3-N (mg/L)

140

39.53 – 358.72

136

45.54 – 285.71

cBOD5 (mg/L)

37

10.40 – 69.50

37

14.50 – 62.80

ALK (mg/L) SST (mg/L)

a

208

a

123 – 274

171

b

102 – 230

b

155 – 460

223

115 – 551.70

278

161a

92 – 435

205b

116.70 – 287.50

PO4-P (mg/L)

9

0.52 – 16.37

10

0.28 – 21.06

SS (mL/L)

8

2 – 21

11

SSV (mg/L)

Turb. (NTU)

a

90

45.70 – 132

125

de SST, turbidez e SSV no tratamento SI permaneceram significativamente mais elevados do que o tratamento HI. Esses resultados podem estar relacionados aos níveis mais altos de componentes não-digeríveis contidos na ração SI-35, conforme determinado por análises realizadas pelo New Jersey Feed Lab (fibra na ração de 2.69% vs. 1.61%) e (cinza 11.11% vs. 9.55%) comparados com a ração HI-35. Bicarbonato de sódio foi inicialmente acrescentado aos RWs com base em experiência passada (equivalente a ~20% do peso da ração) almejando 160 mg/L CaCO3. No entanto, a ração HI não reduziu a alcalinidade na mesma taxa ocorrida com a ração SI-35. Isso, rapidamente, resultou em diferenças de alcalinidade entre os tratamentos devido à sobre compensação inicial no tratamento HI. Já na semana 05, os níveis de alcalinidade em ambos os tratamentos eram similares e assim permaneceram até o fi nal do estudo. O uso de oxigênio no tratamento HI foi 21% menor comparado com o tratamento SI, e o volume de água utilizado para produzir 1 kg de camarão foi ligeiramente inferior no tratamento HI comparado com o SI (125 L vs. 138 L, respectivamente, Tabela 3). As análises do desempenho do camarão com base nos dados de despesca (Tabela 3) demonstram pesos finais médios (22,33 vs. 19,79 g), produtividade (9,75 vs. 8,71 kg/ m3), crescimento semanal (2,03 vs. 1,76 g/semana) e FCAs (1,25 vs. 1,43) significativamente melhores para o camarão alimentado com a dieta HI-35. Não foram encontradas diferenças estatisticamente significativas entre os tratamentos no que se refere à sobrevivência (87,27% para HI vs. 88,18% para tratamentos SI). Esse estudo demonstrou que camarão de tamanho comercial pode ser produzido com zero renovação de água e embora a diferença de custo entre as rações HI e SI seja significativa ($1,75/kg vs. $0,99/kg), e uma análise econômica preliminar de lucratividade indica que ambas as rações podem ser viáveis comercialmente com uma vantagem de lucratividade a favor da ração. Tabela 3. Resumo de média de peso final, crescimento semanal, produtividade, sobrevivência, RFCA, e uso de água de um estudo de engorda de 67-d com Litopenaeus vannamei em raceways cobertas (estufas) operadas sem renovação de água Peso Sobrevivência Peso Crescimento Produtividade Sobrevivência Crescimento Ração Produtividade Médio FCA Ração Médio FCA (%) (kg/m33)) (g/wk) (%) (kg/m (g/wk) (g) (g)

2.5 – 27 b

67.90 – 246

1

RWs onde o camarão foi alimentado com HI-35 Zeigler Bros. RWs onde o camarão foi alimentado com SI-35 Zeigler Bros. Letras diferentes nas mesmas fileiras representam diferenças estatísticas. 2

1

Os níveis de nitrogênio amoniacal permaneceram abaixo de 0,5 mg/L durante o estudo, enquanto que o nível de NO2-N permaneceu abaixo de 1,22 mg/L (Fig. 2) sem diferenças significativas entre os tratamentos. Enquanto que os sólidos foram controlados pelo uso de FEs e TSs; níveis

2

Uso de de Uso Água Água (L/kg (L/kg shrimp) shrimp)

HI-3511 HI-35

9.74 9.74

87.3% 87.3%

22.12 22.12

2.03 2.03

1.25 1.25

124.7 124.7

22

SI-35 SI-35

8.71 8.71

88.3% 88.3%

19.74 19.74

1.76 1.76

1.43 1.43

138.3 138.3

Dif. Dif.

1.03 1.03

2.38 2.38

0.27 0.27

0.18 0.18

13.6 13.6

RWs onde o camarão foi alimentado com HI-35 Zeigler Bros. RWs onde o camarão foi alimentado com SI-35 Zeigler Bros.

O segundo teste durou 63 dias e foi realizado em dois RWs de 100 m 3 revestidos de EPDM. Para proporcionar aeração e mistura adequada, 14 injetores não-Venturi Revista ABCC | 71

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Figura 1: Am贸nia-N (100 m3 RWs)

Figura 5: Turbidez (100 m3 RWs)

Figura 6: SST (100 m3 RWs) 3

Figura 2: NO2-N (100 m RWs)

Figura 7: SSV (100 m3 RWs) Figura 3: NO3-N (100 m3 RWs)

Figura 8: SS (100 m3 RWs) Figura 4: Alcalinidade (100 m3 RWs)

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foram posicionados paralelos à direção do f luxo ao longo da parte inferior de cada parede dos RWs. Os sistemas podem ser operados utilizando uma única bomba de 2 hp ou, quando as condições assim ditarem (i.e., biomassa alta, sólidos carregando, baixo OD), duas destas bombas operando juntas. Para permitir a remoção de matéria orgânica particulda e dissolvida, cada RW teve disponível um injetor adicional para alimentar um fracionador de espuma artesanal e um tanque de sedimentação simples e cônico de 2 m 3 .Os RWs foram inicialmente abastecidos até 72 m 3 com uma mistura de água do mar (23 m 3), água doce clorada municipal (24 m 3) e água rica em biof locos (25 m 3) de um estudo de berçário anterior. Enquanto que o camarão juvenil (3,14 g) no estudo de 2011 foi de uma linhagem Resistente a Taura com povoamento de 390 juvenis/m 3, o camarão utilizado no presente estudo foi de um cruzamento das linhagens genéticas de Crescimento-Rápido e Resistente a Taura (Shrimp Improvement Systems, Islamorada, FL), e os juvenis (3,60g) foram povoados a uma densidade de 500 camarões/m 3 . O camarão foi alimentado com uma dieta de 35% de proteína bruta (Hyper-Intensive-35, Extra Short-cut, Zeigler Bros. Gardners, PA) sete dias por semana utilizando quatro alimentadores de esteira 24-hr por RW. No dia 7 os RWs foram abastecidos ao máximo da sua capacidade (100 m3) com uma mistura de 14 m3 de água doce e 14 m3 de água do mar. As doses diárias iniciais de ração presumiam um FCA de 1:1,4, crescimento de 1,5 g/semana e taxa de mortalidade de 0,5%/semana. As doses foram ajustadas posteriormente com base nos resultados de amostragens de crescimento do camarão realizadas duas vezes por semana e nas observações sobre o consumo de ração. Os RWs foram mantidos sem renovação de água, e água doce foi acrescentada semanalmente (equivalente a aproximadamente 0.475 m3/d) para manter a salinidade e compensar pelas perdas de água associadas ao uso de fracionadores de espuma e tanques de sedimentação. Temperatura, salinidade, oxigênio dissolvido e pH da água foram monitorados duas vezes por dia utilizando uma multi-sonda YSI 650 Series (YSI Inc. Yellow Springs, OH). Cada RW também foi equipado com um sistema de alarme e monitoramento de OD (YSI 5200, YSI Inc., Yellow Springs, OH) para fortalecer o manejo de OD. Alcalinidade foi medida duas vezes por semana e ajustada para 160 mg/L (como CaCO3) utilizando bicarbonato de sódio. Os sólidos sedimentáveis (SS) foram medidos diariamente e os sólidos suspensos totais (SST) foram medidos pelo menos duas vezes por semana. Turbidez, SSV, cBOD5, NAT, NO2, NO3, and PO4-P foram monitorados semanalmente. As Tabelas 4 e 5 resumem os indicadores de qualidade de água diários e semanais.

Tabela 4. Resumo da media de parámetros diários de qualidade de água durante estudo de engorda de 63-d com L. vannamei em dois raceways de 100 m3 com 500 shrimp/m3 utilizando injetores a3 para aeração e mistura Média (± DP)

Min- Max

a.m.

29.34 ± 0.48

28.16 – 30.65

p.m.

29.81 ± 0.54

28.38 – 31.07

a.m.

29.27 ± 2.70

25.43 – 34.70

p.m.

29.18 ± 2.71

25.95 – 34.81

a.m.

5.65 ± 0.41

4.92 – 6.77

p.m.

5.43 ± 0.37

4.40 – 6.33

Temperatura (ºC)

Salinidade (ppt)

OD (mg/L)

a.m.

7.07 ± 0.22

6.54 – 7.40

p.m.

7.12 ± 0.24

6.25 – 7.47

pH

As médias de temperatura, salinidade, OD e pH da água foi 29,6 C, 29,3 ppt, 5,5 mg/L e 7,1, respectivamente. NAT e NO2-N permaneceram baixas durante o estudo, <0,6 mg/L e <1,5 mg/L, respectivamente, e níveis de NO3-N aumentaram de 67 mg/L no povoamento para uma média de 309 mg/L na despesca. As Figuras 1 a 8 proporcionam uma representação gráfica das mudanças durante o estudo em indicadores de qualidade de água selecionados. Os fracionadores de espuma foram acionados a partir do dia 8 e o uso de tanques de sedimentação teve início no dia 23 quando os SS atingiram 23 mL/L em um dos RWs. A vazão para os FEs foi de 28 LPM enquanto que nos TSs a vazão variou entre 8.5-20 LPM. Ambos os métodos de remoção de sólidos foram utilizados intermitentemente e os níveis médios de SST e SS (Tabela 5) foram 292 mg/L e 12 ml/L, respectivamente. Tabela 5. Resumo da media de parámetros semanais de qualidade de água durante estudo de engorda de 63-d com L. vannamei em dois raceways de 100 m3 com 500 shrimp/m3 utilizando injetores a3 para aeração e mistura Média (± DP)

Min – Max

cBOD5 (mg/L)

48.0 ± 16.9

28.3 – 87.2

Alcalinidade(mg/L)

170.8 ± 17.7

120.0 – 201.4

SST (mg/L)

292.4 ± 75.5

137.5 – 475.0

SS (mL/L)

12.2 ± 3.5

2.0 – 23.0

SSV (mg/L)

193.4 ± 38.6

127.5 – 258.3

Turbidez (NTU)

116.2 ± 42.1

58.3 – 218.0

NAT (mg/L)

0.30 ± 0.14

0.15 – 0.59

NO2-N (mg/L)

0.36 ± 0.29

0.10 – 1.45

NO3-N (mg/L)

172.4 ± 91.7

46.7 – 364.7

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ratório Texas A&M AgriLife Research Mariculture Lab em Flour Bluff, Corpus Christi, Texas têm sido bastante animadoras. Uso Água RW Despesca Cresc. Sobre. Produt. Povoamento Conforme descrito anteriormente, o estudo nos FCA (L/1 kg) (g) (g/sem) (%) (kg/m3) (Juveniles/m3) (g) seis raceways de 40 m 3 comparou duas rações co1 500 3.60 22.76 2.13 80.82 9.20 1.43 139.5 merciais com 35% de proteína bruta (PB); uma delas 2 500 3.60 22.67 2.12 78.19 8.86 1.53 148.9 formulada para uso em sistemas super intensivos, dominados por biof locos, com zero renovação de Média 22.72 2.12 79.50 9.03 1.48 144.2 água (HI-35; US$1.75/kg) e a outra constituída de uma ração padrão de 35% PB formulada para a Uma baixa mortalidade foi observada a partir da terceira produção semi-intensiva de camarão (SI-35; US$0.99/kg). semana de cultivo e uma suplementação de oxigênio foi Por outro lado, o camarão no segundo teste, realizado em proporcionada no dia 22, para aliviar o potencial de estresse dois raceways de 100 m 3, foi alimentado exclusivamente e tentar deter a mortalidade. O oxigênio suplementar não teve com ração HI-35. O camarão para ambos os testes veio qualquer efeito perceptível sobre mortalidade e no dia Day- da mesma população (Crescimento-Rápido x Resistente 44 quando a biomassa foi estimada em aproximadamente a Taura). Os resultados de 2012 foram comparados aos 8,2 kg camarão/m3 e a segunda bomba de 2 hp foi ativada melhores resultados dos testes de 2011. É interessante para aumentar a aeração. A suplementação de oxigênio foi observar que os melhores resultados dos testes de 2011 descontinuada três dias depois. No dia 64, foi feita a despesca foram alcançados por uma linhagem pura de “Crescimento(foto 7) utilizando uma máquina de despesca (Magic Valley -Rápido” alimentada com um ração HI-35. Os resultados Heli-Arc & Mfg., Inc. Twin Falls, ID). O peso médio fi nal do de produção do melhor cultivo de 2011 e dos três cultivos camarão foi de 22,72 g e o crescimento médio foi de 2,12 g/ de 2012 são apresentados na Tabela 7. semana, com uma produtividade média de 903 kg por RW de Utilizando resultados de produção e extrapolando-os 100 m3 (Tabela 6). A sobrevivência foi moderada (79,5%), no para instalações comerciais, foram desenvolvidos f luxos entanto, os níveis médios de produção no estudo atual foram de caixa e orçamentos corporativos para proporcionar superiores aos de 2011 (9,03 vs. 8,4 kg/m3), e o FCA também indicadores comparáveis financeiros e de lucratividade foi reduzido (de 1,77 para 1,48). Os injetores conseguiram (custo de produção, rentabilidade líquida, valor presente manter níveis adequados de OD e de mistura para a produção líquido, taxa interna de retorno e tempo de retorno). Para de camarão de tamanho comercial num sistema dominado efeito dessa análise hipotética, cada estufa contém 10 por bioflocos com uma carga substancial de biomassa (>9 kg/ raceways: oito raceways de 500 m 3/m 2 utilizados para m3), mantendo os níveis de oxigênio nos dois RWs acima de engorda e dois raceways de 500 m 3/m 2 utilizados na 5 mg/L (83-86% saturação) na maioria dos casos. Embora o fase berçário para o cultivo das pós-larvas de 10 dias oxigênio suplementar tenha sido, eventualmente, conside- (PL ) até atingirem o tamanho de camarão juvenil de rado desnecessário no atual estudo, esta suplementação foi 2.7 g10 ou 3.6 g utilizados nas nossas simulações. As anáreduzida aproximadamente 15% em relação a 2011 mesmo lises incluem um componente de custo fixo cobrindo com uma maior biomassa (8.4 vs. 9.03 kg/m3). A alimentação construção e custos de equipamentos/maquinaria (incontínua 24 hr/dia parece ter eliminado eventos de baixo vestimento inicial de aproximadamente US$ 992.000). OD observados no passado após a alimentação manual e Outros custos e preços críticos utilizados nas análises pode ter contribuído para a diminuição do FCA. O principal incluem o preço de venda do camarão (US$7.20/kg), desenvolvimento do estudo atual foi a redução do ciclo de as duas rações utilizadas (veja preço já mencionado), produção de 106 dias em 2011 para 63 dias em 2012 devido custos de produção de juvenis de US$20,00 por 1.000 a um crescimento semanal sustentável de > 2 g/semana. pós-larvas de 10 dias (PL ), e uma taxa de juros de 10 Claramente, a utilização de camarão da linhagem genética 8% de empréstimos para construção, equipamentos e Crescimento-Rápido pode aumentar de forma significativa custos operacionais. o número de cultivos potenciais por ano, tornando estes As questões econômicas respondidas nessas análises sistemas mais economicamente viáveis. indicam que os resultados de produção são financeiramente positivos considerando que uma ração é Análise Econômica Preliminar muito mais cara que a outra, e, em segundo lugar, que A produção de camarão em sistemas cobertos super inten- o progresso obtido entre 2011 e 2012 está melhorando a sivos com recirculação pode produzir grandes quantidades de lucratividade desses sistemas de produção de camarão camarão, mas podem ter custos iniciais de investimento super intensivos, de biof locos e com recirculação. e operacionais elevados. As análises econômicas dos Na Tabela 7 podemos observar que cada teste teve a mesma testes em dois sistemas de produção em 2012 no labo- densidade de povoamento de 500 juvenis/m3. O tamanho de

Tabela 6. Resumo do desempenho de camarão L. vannamei após periodo de engorda de 63-d em dois raceways de 100 m3 utilizando injetores a3 para aeração e mistura

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em relação ao teste de 2011 para os testes de HI-35 40 m3 e SI-35 40 m3, respectivamente, enquanto que o teste de HI-35 100 m3 viu uma diminuição na sobrevivência de 2.6% quando comparado com HI-35 100 m3 o teste de 2011. 500 O tamanho da despesca nos testes de 2012 0% diminuiu 5.5%, 16.1% e 3.8% para os testes HI-35 79.5 -2.6% 40 m3, SI-35 40 m3 e HI-35 100 m3, respectiva2.13 mente. A produtividade por ciclo medida em kg/ +15.1% m3 foi ligeiramente maior para o teste de HI-35 3.6 +100% 40 m3 comparada com o teste de 2011; e menor 22.7 para os testes de SI-35 40 m3 (-9.1%) e HI-35 100 -3.8% m3 (-5.7%). Mas, colocada em perspectiva, uma 1.48 +3.5% produção acima de 9 kg/m3 é muito boa. O FCA 63 melhorou (diminuiu em valor) 12.6% para o teste -24.1% de HI-35 40 m3 comparado ao teste de 2011. Não 9.03 -5.7% houve diferença entre o teste de 2011 e o teste de 2012 SI-35 40 m3; e houve um melhor FCA para o teste de HI-35 100 m3 comparado com o teste de 2011 nesses raceways de 100 m3. Os efeitos positivos de aumento de tamanho do povoamento, taxa de crescimento e sobrevivência resultaram num menor tempo de cultivo. Em todos os casos, os testes de 2012 tiveram um menor tempo de cultivo, o que leva a um maior número de cultivos por ano. Houve uma redução de 19.3%, 19.3%, e 24.1% em dias de cultivo entre o teste de 2011 e os testes de

Tabela 7. Resumo de produção para sistemas de produção de camarão super intensivos com recicurlação. Teste de 2011 comparado com testes de 2012 , com o percentual de mudança nos valores do item de tratamento comparando os resultados 2011 A com os tratamentos HI-35 40 m3, SI-35 40 m3, e HI-35 100 m3, respectivamente. Tratamento

2011 A

Densidade povoamento (Juvenil/m3) Taxa de sobrevivência (%) Taxa de crescimento (g/wk)

500

1.85

Tamanho no povoamento (g)

1.8

Tamanho na despesca (g)

23.6

FCA

1.43

Tempo de cultivo (dias)

83

Produção (kg/m3)

9.58

81.6

HI-35 40 m3 500 0% 87.3 +7.0% 2.03 +9.7% 2.7 +50% 22.3 -5.5% 1.25 -12.6% 67 -19.3% 9.74 +1.7%

SI-35 40 m3 500 0% 88.2 +8.1% 1.76 -4.9% 2.7 +50% 19.8 -16.1% 1.43 0% 67 -19.3% 8.71 -9.1%

povoamento do camarão juvenil foi 50% maior nos dois testes de 40 m3 e 100% maior no teste de HI-35 100 m3 comparado com o tamanho juvenil de povoamento em 2011. A taxa de crescimento (g/semana) aumentou 9.7% e 15.1% para os testes HI-35 40 m3 e HI-35 100 m3, respectivamente, quando comparada com os testes de 2011, enquanto que a taxa de crescimento do teste SI-35 40 m3 diminuiu 4.9% quando comparada ao teste de 2011. A taxa de sobrevivência melhorou 7.0% e 8.1%

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duas questões econômicas listadas anteriormente são: (1) a dieta mais cara, HI-35, superou fi nanceiramente a dieta mais barata (SI-35) nos teste de 40 m3 e 100 m3; e 3 3 3 2011 HI-35 40 m SI-35 40 m HI-35 100 m (2) as melhoras nos testes de 2012 comparados com o teste de 2011 resultaram num desempenho financeiro Produção, kg/cultivo 38,320 38,960 34,840 36,120 bastante superior. Cultivos por ano 4.4 5.5 5.5 5.8 Agora, a velho ditado “se parece muito bom para ser Produção, kg/ano 168,608 214,280 191,620 209,496 verdade, então não deve ser verdade” pode ser o caso aqui. Os resultados financeiros altamente favoráveis dos testes Produção Ton/ano 169 214 192 209 de 2012 precisam ser vistos com cuidado uma vez que Preço de venda, US$/kg 7.20 7.20 7.20 7.20 importantes premissas são utilizadas nesse tipo de análise. Vendas anuais totais U$ 1,213,978 1,542,816 1,379,664 1,508,371 Em primeiro lugar, o modelo presume que há uma plena oferta de PL10 durante todo o ano (o que pode ser difícil HI-35 40 m3, SI-35 40 m3 e HI-35 100 m3, respectivamente. de aceitação nos Estados Unidos continental); e em segundo Essa redução de dias até a despesca resultou em 5,5 cultivos lugar, testes de pesquisa utilizando esses sistemas ainda não por ano para os testes de HI-35 40 m3 e SI-35 40 m3, um aurealizaram ciclos de cultivo um após o outro. Adicionalmente, mento de 25% em relação aos 4,4 cultivos por ano dos testes questões relacionadas à reutilização da água têm que ser levadas de 2011; e um aumento de 32% (5,8 cultivos por ano) para em consideração (i.e., como a água pode ser utilizada em ciclos o teste de HI-35 100 m3, comparado com o teste de 2011. A de produção até a sua total reposição ou que pode ser necessário Tabela 8 apresenta a produção por cultivo, cultivos por ano, para manter o balanço iônico). Adicionalmente, a energia elétrica produção total anual e vendas totais anuais para o teste de utilizada para produzir 1 quilo de camarão em cada sistema terá 2011 e os três testes de 2012. Uma combinação de melhoras que ser avaliada para poder determinar qual sistema é o mais em vários fatores de produção resultou numa produção total economicamente viável. Embora um cultivo de pesquisa por maior e vendas para os dois testes de HI-35 (40 m3 e 100 m3) ano seja uma realização, para realmente produzir 5,8 cultivos e para o teste de SI-35 40 m3 em relação ao teste de 2011l. Na por ano (o resultado do teste de HI-35 100 m3) com o mesmo Tabela 9, o resumo de um orçamento corporativo, com base alto nível de produção é muito mais difícil de ser conseguido. nos resultados de 2011 e 2012, indica uma rentabilidade líquida Estas ressalvas são importantes e precisam ser abordadas. No positiva por quilo de camarão produzido. Os três testes de entanto e enquanto isso, as análises financeiras aqui realizadas 2012 tiveram um retorno superior a US$2.00/kg com o teste utilizando um modelo bio-econômico testado com resultados de HI-35 40 m3 tendo um retorno líquido de US$2.67/kg. Os atuais de pesquisa positivos podem ajudar pesquisadores a três testes de 2012 tiveram custos variáveis de produção de focar os seus esforços sobre fatores que proporcionem o maior US$0.84 a US$1.32/kg inferior aos custos variáveis do teste retorno quando aprimorados e isto pode ajudar a melhorar de 2011. Igualmente, o período de retorno para os testes de a competitividade desses sistemas intensivos de bioflocos de 2012 foi de 1 a 1.5 ano inferior comparado ao teste de 2011. produção de camarão. Todos os valores presentes líquidos para os testes de 2012 foram duas a três vezes superior ao de 2011, e a taxa interna de retorno para os testes de 2012 ficou numa faixa de 50.1 a Reconhecimentos Os autores gostariam de agradecer CSREES, USDA 66.6%, bastante superior à taxa interna de retorno de 33.1% Marine Shrimp Farming Program, Texas A&M AgriLife para o teste de 2011. Consequentemente, as respostas para as Research, Capes e CNPq pelo financiamento. Adicionalmente, Shrimp Improvement Systems, Tabela 9. Resumo de orçamento corporativo para o sistema de produção de camarão super intensivo, Islamorada, FL pelo fornecimento de com recicurlação, comparando o melhor teste de 2011 com os três testes de 2012, em US$/kg. pós-larvasa um custo reduzido, Zei3 3 3 2011 HI-35 40 m SI-35 40 m HI-35 100 m gler Bros., Gardners, PA pela doação Receita bruta 7.20 7.20 7.20 7.20 das rações, YSI Inc., Yellow Springs, Custo variável 5.38 4.06 4.54 4.31 OH por proporcionar os sistemas de monitoramento multi parâmetros Receita após custo variável 1.82 3.14 2.66 2.89 YSI 5200 e 5500, Aquatic Eco SysCusto fixo 0.59 0.47 0.53 0.48 tem, Apopka, FL pela doação dos Total dos custo especificados 5.97 4.53 5.07 4.79 fracionadores de espuma, Tekni-plex Aeration, Austin, TX pela doação dos Rentabilidade líquida após custo 1.23 2.67 2.13 2.41 difusores Aero-TubeTM, e F+irestone Período de retorno, anos 2.9 1.4 1.9 1.6 Specialty Products, Indianapolis, Valor presente líquidio($ milhão) 1.0 2.9 2.0 2.6 IN pela doação do liner utilizados neste estudo. Taxa Interna de Retorno (%) 31.3 66.6 50.1 60.6 Tabela 8. Resumo de produção e vendas para a operação de produção de camarão super intensive com recirculação extrapolada para escala commercial, com os resultados de testes de 2011 comparados a três testes de 2012

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ESTATĂ?STICAS ABCC

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Fonte : Aliceweb , Maio, 2013

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Fonte : Aliceweb , Maio, 2013

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Fonte : Aliceweb , Maio, 2013

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Fonte : Aliceweb , Maio, 2013

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Conservas** - Capitulo 16

Fonte : Aliceweb , Maio, 2013

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Fonte : Aliceweb , Maio, 2013

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Fonte : Aliceweb , Maio, 2013

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Fonte : Aliceweb , Maio, 2013

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Fonte : Aliceweb , Maio, 2013

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