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Bauru: A Springfield Brasileira

The Bauru ACONTECIMENTOS Fatos bizarros e situações engraças marcam tanto Springfield quanto Bauru, além de semelhanças assustadoras.

PERSONALIDADES Pelé, Geisel, Maurício de Sousa, Marcos Pontes e muitos outros que nasceram ou passaram pela cidade lanche.

E MUITO

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CURIOSIDADES


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Bauru: A Springfield Brasileira

Editorial

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Charge

Você, leitor, deve estar se perguntando que grandes semelhanças Bauru poderia ter com a cidade dos Simpsons, Springfield. Pois nós te respondemos: muitas, enormes, gigantemente assustadoras, e para provar selecionamos as mais interessantes e de maior relevância. Para começar, as duas são do Interior, médias para pequenas, e por isso poderia se esperar que os acontecimentos dessas cidades não tivessem muita repercussão no âmbito nacional. Mas na prática não é isso que acontece, direta ou indiretamente, elas têm grande influência além de seus territórios. Como você poderá ver em matérias como do apagão, do Pelé, do Maurício de Sousa, do Marcos Pontes e do acidente ocorrido com o presidente Geisel em 1977. Outro fator em comum entre Bauru e Springfield são os acontecimentos absurdos e alguns até engraçados que você não poderia imaginar que seriam possíveis de serem reais (pelo menos no caso de Bauru eles são), como o carro que caiu em uma cratera, a mobilização que o bordel da Eny causou na região, o ex-prefeito Izzo Filho que foi preso por ameaça de bomba contra a oposição e a falta de gerador na maior maternidade local. Outras pessoas já haviam percebido essas paridades antes deste suplemento, como se pode ver na comunidade do Orkut “Bauru, Springfield Brasileira” que já tem mais de 1.400 membros. Gabriela Valderramas, a dona da comunidade, disse que percebeu as semelhanças durante um papo com seu marido e um amigo tomando uma cervejinha num barzinho. “Tanta coisa estranha que fica impossível não comparar, né?”, diz Gabriela. É verdade! Então esperamos que gostem e se divirtam com essas peculiaridades que tornam esses dois lugares tão especiais. Da Redação

Equipe

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Edgar

Marina

Saraiva

Crespo

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Patrícia Vergara

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Paula Lopes

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Bauru e seu lanche, Springfield e seu limoeiro Bauru guarda uma série de singularidades e excentricidades – a começar pelo próprio símbolo que leva seu nome: um sanduíche. Quer dizer, você já parou para pensar sobre como é engraçado morar em uma cidade que é reconhecida principalmente pelo nome de um lanche? Acredite ou não, muita gente conheceu primeiro Bauru, o sanduíche e só depois Bauru, a cidade. Mas não somos os únicos com um símbolo engraçado. Se isso faz de Bauru mais comum, saiba que nossa Springfield tem como símbolo nada mais nada menos que um limoeiro. Nada comum, certo? Começam por aí as semelhanças entre Bauru e a terra natal de Homer Simpson. Mas agora vamos conhecer um pouco mais sobre a origem de nosso famoso lanche e entender porque ele leva o nome da cidade. É só chegar à Rodoviária de Bauru que os turistas já se deparam com nosso

a morte de seu pai, Zé do Esquinão, em 2002. Atualmente, a lanchonete está localizada na Rua Rio Branco, esquina com a Júlio Maringoni, e segundo Marquinhos, sua clientela é formada por pessoas de todos os lugares da cidade, do Brasil e até de outros países, conseguindo atender desde jovens que buscam uma refeição depois da balada até famílias que vem para o almoço de domingo. “Vem muita gente de fora para conhecer o lanche, principalmente quando estão muRestaurante Ponto Chic, 19xx, onde foi criado o lanche bauru. Imagem doada pelo Ponto Chic dando para a cidade. Hoje, é um ponto de famoso Baruzinho, uma dante de direito Casimiro começou a fazer o lanche réplica do lanche feito Pinto Neto na lanchone- e entregar para as seus referência em Bauru, mesmo que de pão francês sem mio- te Ponto Chic, SP – para clientes experimentarem. outros lugares façam o lanche. Nós lo, fatias de rosbife, quei- Bauru. Inaugurado em Sem saber, meu pai foi somos a primeira lanchonete a fajo derretido, rodelas de 1971, na Rua Rodrigues fazendo um trabalho de zer o sanduíche. Somos mais tradiMarquinhos. tomate e picles. É impos- Alves, no Centro, o Ski- marketing”, conta o sim- cionais”, conclui sível passar pela cida- não foi uma vitória para pático Marquinhos, que de sem experimentar o Zé, que antes trabalhava comanda o local sanduíche conhecido por como garçom. “Quando o desde todo o Brasil. O principal Ponto Chic fechou, em responsável pela fama 1973, meu pai viu de Bauru é José Francisco nos jornais e achou Junior, o Zé do Esquinão, que o sanduíche que trouxe o lanche – cria- não podia morrer. do em 1934, pelo estu- Ele sabia da receita,

Episódio citado # O Limoeiro de Tróia - 23o

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episódio da 6a Temporada

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O Roubo do Bauruzinho

Universitários roubando o Bauruzinho. Imagem doado pelos próprios que não quiseram se identificar.

Que bela noite em Springfield! Bart Simpson precisava de algo empolgante para melhorar sua semana, que tinha começado com aulas na escola dominical – sem revistas em quadrinhos e sem estilingadas. E lá vai o skatista mais travesso de Springfield aprontar uma das grandes para impressionar sua gangue de trombadinhas. Inspirado pelos dizeres de seu honroso pai – “Ser popular é a coisa mais importante do mundo” – Bart resolve roubar a cabeça da estátua do fundador da cidade, Jebediah Springfield. E daí que o tal Jebediah tinha matado um urso com as próprias mãos? Eis que Springfield amanhece completamente chocada e apagada. Onde estaria a cabeça do valente Jebediah? Acompanhado por um Homer arrependido de seus conselhos, Bart tenta devolver a cabeça quando percebe o dano que causou à honra da cidade. Mas os dois são pegos no flagra por um

exército munido de tochas e foices. O que restava agora? Havia outra possibilidade senão a morte? Bart toma coragem e se explica diante dos moradores, pedindo desculpas e devolvendo a cabeça ao seu dono. Mas vamos deixar a ficção de lado para falar de desventuras mais infelizes e não menos travessas que as de Bart Simpson. Bauru, a cidade literalmente sem limites, também é palco frequente de algumas excentricidades que acabam causando muito prejuízo. Não é difícil perceber que a maior parte dos estudantes forenses tem uma estranha tendência a roubar coisas aparentemente inúteis que fazem parte do patrimônio público. Na maioria dos casos, essas imprudências são cometidas furtiva e humildemente. Quer dizer, quase todos ficam contentes e realizados com simples cones sinalizadores e placas de trânsito discretas. Carrinhos de supermercado, no máximo. Entretanto, não satisfeitos com isso e cansados da rotina, alguns estudantes resolveram ser Episódio ci tado Bart por um dia, investindo em uma operação mais de# Conversa Fia da - 8o episód safiadora e perigosa: roubar io da 1a Temporada o símbolo da cidade. Com seus olhos de picles, seus pés

feitos de tomates, um palito espetado na testa e sua língua de rosbife, o Bauruzinho encantava a todos os que passavam pelo parque Vitória Régia, até a madrugada do dia 5 de agosto de 2008, quando sofreu o atentado. Mas esses estudantes não imaginavam que a réplica do sanduíche – criada por um morador bauruense – não seria um alvo assim tão fácil. Seu tamanho indiscreto e suas cores pouco camufláveis com certeza não ajudaram na operação: a aventura acabou no xadrez e foi notícia nos principais jornais do país. De acordo com o comandante da Polícia Militar, William Carlos Vieira, os estudantes Rafael Rodrigo de Oliveira Filho, Marcelo Henrique Furini, William Massao Obata e Paulo Otávio de Azevedo foram presos em flagrante. Um deles cursava Administração de Empresas na USC, dois estudavam Engenharia Civil e Biologia na UNESP e um era aluno de mestrado na mesma universidade. “Os indivíduos foram presos em flagrante como tentativa de furto e conduzidos até o plantão. Quando perguntamos o motivo do roubo, disseram que iriam enfeitar a república”, relembra o comandante William Vieira. Os elementos, entre seus 20 e 25 anos, além de terem sido pegos no

pulo, ainda tiveram outras aquisições descobertas. Os policiais precisaram de um furgão para levar os outros bens roubados encontrados na república. Placas de trânsito, cavaletes, cones, carrinhos de supermercado e por aí vai. Nada de decapitação de estátuas, pelo menos. Como punição, os universitários tiveram que descarregar o furgão e devolver tudo aos seus devidos lugares. “A gente não imaginou que isso fosse causar a repercussão que causou. Foi uma coisa meio impulsiva”, comenta Marcelo Furini. Os estudantes não possuíam antecedentes criminais e responderam ao processo em liberdade. Apesar de não terem sido presos e nem ameaçados por tochas e foices, a dor de cabeça não foi pequena para nenhum dos infratores. “Depois disso encontramos formas menos perigosas de decorar nossa república”, brinca Paulo de Azevedo. Para os jovens universitários, a popularidade não compensou o preço alto, diferentemente do que acreditou Bart. A partir do episódio, o sanduíche não voltou mais para seu lugar original. Atualmente, ele dá boas vindas, de braços abertos, aos que chegam ao movimentado terminal rodoviário de Bauru.

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Um Desenho dentro de Outro Quem já assistiu algum episódio de Simpsons já deve ter visto “Comichão e Coçadinha”, que é o desenho animado mais popular entre as crianças da série. É uma sátira clara de “Tom e Jerry”, só um “pouquinho” mais violento (algo como um cortar a cabeça fora do outro, ou se matarem a facadas ou a tiros). Mas nosso foco não vai tanto para o gato e o rato, mas sim para Chester J. Lampwick, criador do Comichão e do Coçadinha, que é, nada mais nada menos, nascido em Springfield. Deixando de lado a diferença de estilo dos desenhos, podemos fazer uma relação com um dos maiores desenhistas infantil que o Brasil tem: Maurício de Sousa. E parte da biografia desse gênio das histórias em quadrinhos foi vivida em Bauru,

aproximadamente do final da década de 50 e início da década de 60. Seu casamento com a primeira mulher foi realizado aqui e sua filha que deu origem à sua maior criação é uma bauruense, a dentucinha Mônica. “Bauru foi minha primeira tentativa de trabalhar fora de São Paulo”, disse Maurício em entrevista recente. Na época ele já publicava tirinhas em jornais, mas acabou voltando para a capital por sentir falta da cidade grande. Além de sua filha Monica, Bauru também rendeu inspiração para mais alguns personagens dele: o Titi e o Franjinha, que eram seus sobrinhos e moravam na cidade lanche. No Portal da Turma da Monica (www.turmadamonica. com.br), o desenhista e escritor publica crônicas sobre diversos

Da direita para a esquerda: Monica e Magali. Imagem retirada do Twitpic do Maurício de Sousa.

assuntos, e alguns tratam de sua passagem por Bauru. Em uma delas ele ainda conta que teve que convencer o Pelé a deixálo fazer histórias em quadrinhos sobre seus tempos de menino, no

fim ele conseguiu fazer o “Pelézinho”. Ele ainda fala sobre as vezes em que encontrou o jogador e eles recordaram os momentos vividos em Bauru.

Musa do Cazuza Episódios citados # O dia em que a violência morreu - 18o episódio da 7a Temporada # Cara, cadê meu rancho 18o episódio da 14a Temporada

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A garota de Bauru, não é apenas um adjetivo para falar apenas de garotas que nasceram ou moram na cidade. Desde que um dos ícones do rock nacional passou pela cidade, essa frase tornou-se também, nome de uma música. Até hoje não se sabe quem é a famosa garota citada nas letras do poeta, contudo, poucas rádios tocavam a canção. A letra com palavras pejorativas, foi censurada pela grande maioria das rádios da cidade

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e até hoje é um pouco rejeitada. Na animação, houve o inverso. Uma letra depreciando uma pessoa de Springfield virou hit na cidade e dela, várias versões foram criadas. A pessoa citada é Ned Flanders, vizinho católico de Homer que nunca é bem vindo com suas teorias e que dessa vez, tenta ajudá-lo a compor uma música natalina. Homer ao invés de criar a música para homenagear o nascimento de Jesus, decide criar uma canção para zombar da cara de Ned. Até o

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próprio fica feliz com a popularidade que ganhou. Programas como do já falecido Flávio Pedroso, da rádio Auri-Verde, boicotava a canção e afirmava que a música era um acinte para a cidade tocar algo assim, depreciativo. Quem ajudou Cazuza a compor a música da garota que não era um sanduíche, foi João Rebouças. No entanto, ainda hoje continua o grande mistério: Quem seria a tal Garota de Bauru? Só ela mesma poderia responder..

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Bauru e Springfield vão para o espaço

O astronauta Marcos Pontes. De acervo digital.

As coisas não iam nada bem para Homer Simpson. Por toda a sua carreira, ele havia esperado ganhar o prêmio “Operário da Semana” – que a propósito já honrara todos os funcionários da Usina Nuclear de Springfield – mas nem mesmo o artigo 26 do sindicato pôde garantir que esse sonho se realizasse para o pobre Simpson – Todo empregado deve ganhar pelo menos uma vez o prêmio “Operário da Semana”, não importa se é um incompetente, obeso e fedorento. Por falta de quem premiar, o Sr. Burns homenageia com o título uma bela barra de carvão inanimada. Em casa, nem a família de Homer o respeitava mais. Um pouco irritado por não ter conseguido ler o que Bart escrevera em sua nuca durante o jantar – “Coloque um cérebro aqui” – Homer resolve se entregar a sua fiel TV. Mas ultimamente os canais só passavam tediosos lançamentos de foguetes. “Alô, é da NASA?” – Homer não poderia aturar mais um desaforo – “Olha aqui, eu estou farto desses seus lançamentos chatos!”. Mas, o que ele não esperava era que a NASA estava à procura de uma personalidade po-

pular que atraísse a audiência para os lançamentos de foguetes. A disputa para ser o primeiro astronauta de Springfield não foi nada fácil. De lutas com lanças a competições de traje de banho, Homer acaba sendo selecionado para ir em missão ao espaço. Mal o Simpson tinha decolado – fazendo a audiência do lançamento ser a maior dos dez últimos anos – e já estava danificando os instrumentos espaciais com batatas chips. E isso era só o começo. Homer ainda consegue destruir um aquário de formigas em experimento e estragar a maçaneta da saída principal da nave. É quando, por acaso, Homer consegue trancar a porta com uma barra de carvão inanimado, salvando a vida de todos. Entretanto, no fim da missão, todos os créditos do grande feito vão para a bela barra de carvão e Homer não recebe nenhum reconhecimento. A única coisa que lhe restava naquele momento era voltar para o aconchego de seu lar – onde Bart escreveria Hero em sua nuca na hora do jantar. Agora, você deve estar se perguntando o que essa história maluca tem a ver com Bauru, certo? Pois bem, digamos que de Springfield Bauru tem quase tudo – inclusive um astronauta. Nossa sorte (e da NASA também) é que de Homer, Marcos Pontes não tem nada. O cara é ninguém mais ninguém menos que o Tenente Coronel Aviador da Força Aérea Brasileira (FAB), e seu grande feito – ser o primeiro astronauta do Brasil e de todo o Hemisfério Sul – não é apenas uma conquista pessoal, mas para todo o país e também para sua terra natal: Bauru. Filho caçula de Virgílio e Zuleika Pontes, Marcos foi apaixonado pelo céu desde sua infância. “Ele vivia no Aeroclube admirando a Esquadrilha da Fumaça. Marcos também gostava muito de visitar a Academia das Forças Aéreas, onde o tio dele era sargento da equipe de manutenção

de aeronaves”, relembra Marivaldo Campos Brito, amigo de infância de Marcos. Aos 14 anos, o bauruense começou a trabalhar como aprendiz de eletricista para pagar seu curso de Eletrônica no Colégio Liceu Noroeste. Por três anos, Marcos frequentou um curso técnico na Rede Ferroviária Federal durante a tarde e se dedicou à Eletrônica no período da noite. No fim de seus cursos, Marcos Pontes passou no processo seletivo da Academia das Forças Aéreas e em 1984 recebeu o bacharelado em Tecnologia Aeronáutica. No ano seguinte, foi transferido para Natal para fazer um curso de piloto de caça. Em 1986, Marcos integrouse ao “Esquadrão Centauro”. Três anos depois, retornou para o interior de São Paulo, onde se formaria em Engenharia Aeronáutica pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA). Em 1988, o Brasil entrou para o Programa Estação Espacial Internacional, abrindo uma seleção de astronautas para representar o país. Marcos Pontes foi escolhido pela Agência Espacial Brasileira e foi morar nos Estados Unidos, onde faria sete anos de treinamento na NASA. Declarado como astronauta oficial da NASA, Marcos decolou com destino a Estação Espacial Internacional, no dia 29 de Março de 2006, a bordo da Soyuz TMA-8. O astronauta brasileiro homenageou Santos Dumont pelo centenário de seu primeiro voo, levando com ele para o espaço o chapéu e o relógio do inventor. Com duração de 10 dias, a missão alcançou o sucesso e oito experimentos científicos criados por universidades e centros de pesquisas brasileiros foram realizados. Em seu retorno para a Terra, Marcos foi prestigiado com a Medalha de Ouro Yuri Gagarin, pela Federação Aeronáutica Internacional e com a Medalha Santos Dumont. No dia 20 de Abril, O astronauta foi

condecorado pelo Presidente Luís Inácio Lula da Silva recebendo a Ordem Nacional do Mérito. No dia seguinte, Marcos Pontes foi homenageado em Bauru por um público de cinco mil pessoas e pela Esquadrilha da Fumaça – o que, cá entre nós, faria Homer Simpson ter uma crise de ciúmes, já que Springfield não foi nem um pouco receptiva com ele. Atualmente, Marcos trabalha para o Programa Espacial Brasileiro e continua suas atividades no Centro Espacial Johnson, em Houston, Texas. “Marcos lutou muito pelos seus ideais desde a infância e hoje é motivo de orgulho nacional. Ele sem dúvidas é um grande amigo, um grande pai, marido, filho e um grande brasileiro”, diz Marivaldo quando perguntado sobre o significado de Marcos como pessoa e como profissional.

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- 15o a t u a ron er Ast Temporada m o H # da 5a o i d ó s i ep

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Pelé, de Bauru a Springfield “Os Simpsons” é uma série que tem grandes participações de artistas e pessoas famosas (como em Bauru) e o nosso rei do futebol não poderia faltar (como em Bauru, de novo). Apesar de não ter muito do que se orgulhar de sua aparição, já que ele é satirizado no breve momento em que apare-

ce. No episódio “Família Cartucho” Pelé aparece antes de uma partida de futebol para fazer propaganda de um produto. Ele fala durante alguns segundos e logo depois um responsável pelo evento vai lá e entrega um saco de dinheiro para ele, dando a entender que ele é um mercenário. Mas enfim, tirando a piadinha, o fato importante é que Pelé, considerado por muitos como o melhor jogador de futebol do mundo, esteve em Springfield, uma cidadezinha pequena do interior. E o que muita gente não sabe é que Pelé também deu uma “passadinha” por Bauru. Quer dizer, essa “passadinha” significa que ele morou durante 12 anos nessa cidade (1944 a 1956) e ainda jogou no Bauru Atlético Clube (BAC) O historiador e jornalista Luciano Dias Pires, editor do Bauru Ilustrado (publicação mensal no Jornal da Cidade), é uma das pessoas mais consultadas sobre o jogador. Pires acompanhou a “carreira” de Pelé na cidade lanche. Como ele mesmo diz “não é uma redundância falar que Pelé nasceu para o futebol em Bauru”. Em uma recente coletiva de imprensa em comemoração aos seus 70 anos, Pelé falou de primeira sobre sua vida em Bauru, o que surpreendeu muita gente, já que está # Família Cartucho - 5o episódio da é uma parte da 9a Temporada vida dele que não

Episódio citado

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Carteirinha de Pelé na Liga Bauruense de Futebol, em 1956. Do livro: Pelé - Minha vida em imagens

é muito comentada pelo jogador. E ainda desmistificou o fato de que muitos achavam que ele não gostava da cidade. “Em Bauru, tinha que vender jornal (na época, a molecada vendia os jornais de São Paulo que chegavam a Bauru por trem) e amendoim para comprar uma camisa. Fazíamos jogos na esquina da rua 7 de setembro com a Rubens Arruda. Os meninos que moravam ali faziam os campinhos e os campeonatos. E eu me lembro, logo que cheguei em Bauru, que meu pai falou: ‘Não tem nada de começar a fazer esses joguinhos não, você vai ter de ir para a escola senão não vai jogar. Fui para o grupo escolar Ernesto Monte, que foi o primeiro grupo que fui estudar, no primeiro ano”, recordou Pelé na coletiva. Outra curiosidade de sua vida que também não é muito conhecida, é a origem do seu apelido “Pelé”, que só existe graças à essa cidade de passagens. Em Três Corações, cidade mineira em

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que ele nasceu, tinha um jogador que chamavam de Bilé. Como em Bauru não conheciam Edson direito, então não pronunciavam o apelido certo e ao invés de “Bilé” falavam “Pelé”. “Mas um garoto me chamou de Pelé e fui e briguei com ele. Peguei três dias de suspensão, chamaram meu pai e foi uma briga danada. Daí o grupo todo, todos os meninos, começaram a me chamar de Pelé, e aí não teve jeito mais de tirar o apelido. Depois é que você vai começando a imaginar que o que acontece, às vezes, na vida da gente não tem muita explicação. E assim vem acontecendo na minha vida. Muitas vezes as pessoas não sabem e nem a gente sabe por que você é encaminhado para certas coisas”. Realmente, tem pequenas coisas que podem mudar completamente a vida de uma pessoa. Se Edson Arantes do Nascimento não tivesse vindo morar em Bauru, provavelmente ele não teria se tornado o “Pelé” que nós conhecemos, pelo menos não com o mesmo nome.

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O dia em que Bauru Tremeu! No dia 13 de agosto de 1976, um trecho da avenida Nações Unidas explodiu de repente. De acordo com o historiador Célio Losnack, o trecho afetado pela explosão atingiu do que hoje é a escola SENAC, até o Supermercado Paulistão. Segundo a versão oficial, um caminhão de combustível teria tombado na avenida Duque de Caxias, próximo ao semáforo da parte lateral da igreja Santa Rita e o combustível do caminhão teria esparramado para as galerias da cidade. No parque Vitória Régia, há a nascente de um córrego que descia pela avenida. Esse córrego foi canalizado e foi para esses dutos soterrados que o combustível acabou escoando e resultou na formação de gases que provocaram as explosões na maior e principal avenida da cidade. Uma bituca de cigarro teria causado o estrago.Não há registros de vítimas, mas o estrago foi grande. Devido à força da explosão, tampas de concreto de bueiros, foram jogadas a metros de

distância do seu local de origem, caindo e cravando em pé na terra. O canteiro central da avenida, em quase toda sua extensão, ficou destruído. O acidente na Nações Unidas levou, de imediato, a imaginar que se tratava de um tremor de terra ou atentado. Isso porque naquele dia Bauru, em plena ditadura militar, recebia a visita do então presidente Ernesto Geisel, que havia passado pela Rodrigues pouco antes, com destino a Jaú. Em Springfield, diversos presidentes já deram a honra de sua presença pela cidade mais famosa dos desenhos animados. Bill Clinton, Barack Obama, Jorge W. Bush, são as mais recentes aparições, sem contar os inúmeros outros presidentes mais marcantes da história norte-americana que

foram citados. Vale lembrar, que cada pessoa que se torna personagem nos Simpsons, é dublada por ele mesmo, ou seja, os próprios presidentes dublaram a versão original. A diferença desses presidentes que passaram pela cidade e de Geisel por Bauru, é que ninguém quis explodir o caminho por onde eles passaram. Até porque J. Kennedy foi assassinado fora de Springfield.

Versão 1: Ele passou, sim! O Ministro da Secretaria Nacional de Direitos Humanos, Paulo Vanucchi, declarou em 19 de Setembro de 2010, na OAB: Che Guevara de fato prestigiou esse solo no ano de 1966, em plena Ditadura Militar. Paulo Vanucchi conversou com um ex-soldado de Che, após uma pa-

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PRETEXTO PRA NASCER A NOVA NAÇÕES

TEORIA DA CONSPIRAÇÃO: SEXTA-FEIRA 13 Esse suposto atentado teria sido armado na ocasião pelo MR8, o Movimento Revolucionário 8 de Outubro, planejava explodir a Avenida Nações Unidas quando o comboio presidencial passasse. Houve uma série de investigações sobre o caso. Seria muita coincidência acontecer um acidente desse porte, justamente quando o presidente ditatorial está na cidade?

A Avenida Nações Unidas, sempre foi feita aos pedaços. O então prefeito da cidade, na época da explosão da avenida, Alcides Fransiscato, conseguiu, com a ajuda do Governo Federal, o investimento necessário para a reconstrução e o prolongamento da avenida. O fato do acidente ter sido causado justamente quando o presidente da república passava pela cidade e as investigações feitas após aquele 13 de agosto, ajudaram na liberação dos recursos e a ampliação da avenida. Hoje a Avenida Nações Unidas começa atualmente na Avenida Moussa Tobias e termina na Rodovia Bauru-Ipauçú, com um projeto a ser executado para seu prolongamento: a Nações Unidas Norte, que hoje começa na confluência com a Av. Nuno de Assis, será construída no fundo de vale entre o Jardim Godoy e a Bela Vista, ligando a região central à Rodovia BauruMarília (Distrito Industrial III).

farçado na figura do velho Ramón, se despediu de sua esposa Aleida, dos filhos e amigos. Sentia uma tristeza. Che pegou um avião de Havana para a Europa, e somente depois de lá partiu para a Bolivia entrando via Peru. Uma base em Salta, estava sendo montada para a guerrilha. Em novembro Che já estava em terras bolivianas e no dia 2 de dezembro de 1966 Aleida recebe uma das primeiras cartas de Che enviada pelo peruano Juan, que depois foi se juntar a guerrilha em Ñacahuasú. O Brasil como podemos ver nunca foi rota nos planos de Che, a Versão 2: Ele não passou, não! idéia era justamente evitar rotas co Em meados de outubro de 1966 nhecidas, sem contar que uma visita ao Che estava em Cuba, já novamente dis- Brasil militar e se encontrar com Ma-

riguela seria chamar muita atenção e correr riscos desnecessários. Há ainda o tempo que se levaria um percurso de trem naquela época até a Bolívia, não havia trem bala, nem uma linha direta sem paradas, é inconsistente até nesse ponto de tempo. Isso faz com que o sonho da passagem pelo revolucionário pelo Brasil e principalmente por terras bauruenses, vá por água abaixo. Até mesmo a afirmação do Ministro da Secretaria Nacional de Direitos Humanos, Paulo Vanucchi, em sua passagem por Bauru em julho deste ano, fica sem argumentos perante os dados citados nos dizeres da ex-mulher de Che.

Diários De La Controvérsia Um dos pontos mais controversos das histórias de Bauru é se o guerrilheiro Che Guevara teria passado pela cidade sanduíche ou não. Os que afirmam que ele deu um pulinho por aqui afirmam com toda a certeza, e os que dizem que ele nem chegou perto, também afirmam com toda a certeza.

Por mais que a Arena, base governista fosse maioria na cidade, os grupos de esquerda faziam certo barulho na região.

lestra a respeito da vida do revolucionário. Quando perguntado sobre a trajetória secreta feita pelos dois, o ex-ordenança – como se chamavam os soldados cubanos – disse a Vanucchi que se lembrava da passagem pela cidade. De acordo com o ex-soldado, Che pegou um trem em São Paulo, ao chegar de sua missão na África, desembarcando em Bauru, de onde seguiria com rumo à Bolívia, onde tinha o objetivo de estabelecer uma base guerrilheira, através da qual planejava unificar a América Latina.

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Eny e a “Casa de Borlesco” Não há como negar, que em toda cidade do mundo, existe alguma “casa do prazer”, “prostíbulo”, “Casa de Borlesco”. Claro que em Bauru não seria diferente. Porém, o que chama a atenção é que não é apenas uma casa para tais feitos. Bauru teve nada mais, nada menos que o Grande Bordel brasileiro.

Eny. Imagem retirada do livro.

A dona do recinto, Eny Cesarino, era filha dos imigrantes José Cesarino, italiano, e de Angelina Bassoti Cesarino, francesa. Nasceu em 1916 no bairro da Aclimação em São Paulo, morou em Uruguaiana e, aos 23 anos, em 1940, trabalhou como inquilina de Nair, na Pensão Imperial. Passou a gerente, arrendou e finalmente comprou o “ponto” e a casa da antiga zona de meretrício, na rua Rio Branco 5-50, esquina com a Costa Ribeiro, em Bauru-SP, tendo logo se destacado dos demais lugares do ramo, pela sofisticação e luxo que seu bordel oferecia. A Springfield brasileira tinha, assim como a da animação, uma casa muito luxuosa. Os serviços mais destacados eram a qualidade das mulheres, o sigilo e discrição garantidos pela proprietária. Na verdade, sua marca registrada. Vinham as lindas moças de toda a parte, recrutadas até do Paraguai, Argentina e Uruguai. Eny investia nelas: adiantava-lhes dinheiro para

roupas finas, jóias caras e salões de beleza. Tudo do bom e do melhor para a clientela constituída por gente muito rica, famosa, políticos e afins. Segundo se diz, passaram pelos aposentos da Eny, dois terços de todas as assembléias legislativas do Estado de São Paulo nos últimos anos, muitos governadores de Estado e prefeitos da região, boa parte dos grandes plantadores de cana e os filhos deles e pelo menos um Presidente da República. Na memória de quem trabalhou lá, como garçons e novas donas de bordéis locais, iniciadas por Eny, são citados nomes de personalidades como Chico Anísio, Juca Chaves, Clodovil, Roberto Carlos, Vinicius de Morais, Jô Soares, Laudo Natel, Paulo Maluf, José Sarney, Orestes Quércia, para citar os mais conhecidos. O fato é que a Casa de Eny era usada como “centro de convenções” do estado, muito antes de terem sido criados os primeiros deles. Bauru já era o lugar escolhido para fechamento de grandes acordos de empresas e indústrias de porte. Ao menos é o que noticiava a imprensa local inúmeras vezes. As comemorações de grandes negócios na Casa da Eny, tinham que ser fechadas com chave de ouro. A Bardahl e a Dedini promoviam no Bordel suas convenções de final-de-ano para diretores e representantes, além das reuniões para os delegados das convenções políticas, no período da ditadura militar. O bordel de Springfield também tinha a visita de várias personagens da cidade. Desde o faxineiro da escola, o Diretor da escola, a irmã da Marge, homens casados e até o prefeito, que de forma alguma, queria impedir que manifestantes demolissem e acabassem com a casa de burlesco da cidade. Uma situação parecida aconteceu no grande bordel brasileiro. Nicola Avallone Junior, ex-prefeito de Bauru, conta que delegado de polícia, querendo agradar o Jânio Quadros,

o grande derrotado nas eleições pelo colégio eleitoral bauruense, fechou a Casa da Eny. O fechamento durou três horas. Avallone reabriu com a presença do Juiz Otávio Stuchi, uma personalidade fantástica. Foi feito um comício em prol da Eny e foi provado ao Juiz que a grande meretriz era um elemento agregador e não desagregador para a cidade. Só faltou a música cantada por Homer Simpson para o real ser totalmente imitado pela comédia norte-americana. Eny Sarino, como também era conhecida, foi muito mais que uma meretriz. Ela teve tanta visão que transformou-se na Dama da Caridade. Queriam tirar a zona da 5-50 da rua Rio Branco, porque ficava a 50 metros do cinema, na área central. A prefeitura ajudou a transferência do bordel para a rodovia Bauru-Ipaussu. Quem decidiu o local foi o próprio Nicola Avallone. Ela financiava escolas, creche, entidades de freiras. Uma mulher fantástica, de marcante presença na vida fraterna de Bauru. O maior e mais luxuoso bordel do Brasil e provavelmente da América Latina, tinha 5.000 m² de área construída, distribuídos em 12 conjuntos, 7.000 m² de jardins e alamedas floridas, protegidas por muros, com a maior piscina particular da cidade, sauna, restaurante e lanchonete, além dos 40 quartos e suítes, com cama redonda e poltronas Luís XV, e uma suíte presidencial, com entrada privativa. A pista de dança, ao ar livre, tinha formato de violão, cujo “braço” era a entrada para a churrascaria. Tal pista remetia à imagem do corpo das mulheres que ali estavam: Corpo Violão, com a cinturinha bem fina, com bustos e coxas que levavam os homens de várias partes do país à loucura. Tudo de uma beleza e requinte inconcebíveis para um bordel, em 1963 (anos antes do La Licorne, um dos maiores bordeis do Brasil, na rua Maria Antônia, na capital).

Por duas décadas (1963 – 1983), o Casarão teve sua fase áurea situado junto ao trevo rodoviário que liga as rodovias Mal. Rondon, Cte. João Ribeiro de Barros e Eng. João Batista Cabral Rennó – hoje oficialmente denominado Trevo da Eny. Quando comprado por Nicola Avallone, o local estava abandonado. Era um posto de gasolina. A Casa da Eny foi uma referência na cidade, quase tão famosa quanto o lanche. Até poucos anos atrás, no tempo dos viajantes, era só falar de Bauru, que a sacanagem era logo pensada. Esse pensamento se deve justamente a ela. O interessante é que Eny traz para a memória dos cidadãos bauruenses que viveram aquela época, uma saudade diferente. Podemos afirmar que Eny nos faz ter a saudade do pecado.

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Tudo em nome de um raio O dia nasceu e em Springfield e nem o girassol agüenta o calor. Sabe aquela sensação de estar grudando de tão quente? A maioria dos bauruenses sabe bem como é isso. Altas temperaturas durante o dia e até a noite. Nos Simpsons, por conta da onda de calor, a cidade inteira está vivendo a base do ar-condicionado, sobrecarregando o sistema elétrico. Mesmo estando na capacidade máxima, o prefeito, Mrs. Burns, garante que a usina nuclear consegue suportar a grande demanda. Sem ar condicionado em casa, Homer decide ligar seu papai-noel que canta para que eles tenham um gostinho do inverno. É só colocar o papai-noel na tomada que pronto: Homer causa um blecaute em toda a Springfield. É assim que começa “Tudo em Nome da Lei” (Papa’s Got a Brand New Badge) episódio 17 da 13ª temporada. Em 1999, Bauru ficou conhe-

cida por ter sido a última a usar a tomada - e causar um dos maiores blecautes da história do Brasil. Até agora ninguém sabe exatamente o que foi ligado – e quem foi o Hommer da vez – para deixar o país inteiro às escuras. Apesar do forte calor característico de Bauru e do período de seca que o país inteiro se encontrava, não foi o uso dos arescondicionados que causou o grande apagão. E mesmo assim, na época, colocaram a culpa no clima – mas ao contrário, em uma tempestade de

raios. O blecaute aconteceu no dia 11 de novembro, por volta das 22h; 31 milhões de pessoas ficaram sem luz por até quatro horas; semáfaros pararam de funcionar, trazendo caos no trânsito das principais capitais; trens e metrôs ficaram paralisados, deixando presos seus passageiros, emissoras de rádio e TV saíram do ar. Depois do apagão, o governo brasileiro começou a buscar respostas para o que tinha acontecido. Foi aí que surgiu a versão onde o culpado era uma tempestade de raios, Quando a que atingiu uma subestação da Comluz acaba, Moe, dono bar, diz “E u vou perd do panhia Energética de São Paulo, em er FOX Ce Boxing!”, q lebrity Bauru. Desculpa essa que se mostrou ue é um pro grama exib no mesmo id tão improvável como algumas históhorário do s Simpsons. o Brasil, a R No rias de Springfield. “A chance de um ede Globo teve que e dois episód xibir raio provocar um apagão é de uma ios seguido s da série quinha Gon “Chi- em um milhão. Como não havia uma zaga”, que estava nos pítulos fina cais. rede de monitoramento estabelecida

na época, demorou dois meses para provar que a tempestade não ocorreu”. Explica Osmar Pinto Júnior, coordenador do Grupo de Eletricidade Atmosférica do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). O Ministério das Minas e Energia acabou admitindo que havia redução dos níveis de segurança e dos padrões de serviço de manutenção. Bem à cara de Springfield, houve até rumores que faltavam peças para reposição. A situação foi agravada por um longo período de escassez de chuvas que derrubou o nível dos reservatórios dos quais depende a matriz hidrelétrica do país. Bauru ficou conhecida no país inteiro como a cidade do raio, e muita gente ainda acredita que ele foi o Homer da história– ou o culpado por tudo que aconteceu onze anos atrás. Mas a relação da cidade com a energia (ou a falta dela), assim como em Springfield, não para por aí.

es d a d i s o i r u C

gunda vez, raios foram apontados como os culpados. A cidade escolhida dessa vez como culpada foi a pequena Itaberá, também no interior de São Paulo, mas nem por isso Bauru ficou de fora dos noticiários. Seis bebês estavam internados na UTI da Maternidade Santa Isabel - única da cidade e referência na região- quando aconteceu o blecaute, por volta das 22h. Sem gerador, o prédio ficou às escuras por cerca de 40 minutos e a equipe médica teve que agir rapidamente para salvar os bebês que precisavam de ajuda para respirar. Sem saber quando a energia voltaria, e nervoso com a situação que não parecia ter solução, Sérgio Henrique Antônio, diretor clínico e técnico da maternidade, conseguiu entrar em contato com a rede afiliada à rede Globo, a TV Tem, e pediu ajuda. “Nunca passei por uma situação

Curiosida

des

Mais um Apagão, Mais uma Manchete De repente, tudo escuro. De novo? Será que é só minha casa ou a cidade inteira? Ao olhar para as ruas, tudo apagado também. Ligo para o prefeito, mas ele diz saber apenas que a falta de luz é em todo o país. Corta. Cena 1: País sem energia, hospital sem energia. Aparelhos ligados à pacientes param de funcionar, médicos e enfermeiras não sabem o que fazer enquanto parentes andam pelos corredores tentando entender o que está acontecendo. Cena 2: Cadê o gerador? Dinheiro existiu, mas local para instalação está às moscas. Cena 3: uma emissora

de tv é que empresta um pequeno gerador para que ninguém tenha que ser transferido para outro lugar. E pra completar: os pacientes são bebês, já que o hospital é uma maternidade. Uma maternidade, sem gerador? Coisa de Springfiel, Os Simpsons adoram exagerar em tudo. Springfield, só se for a brasileira: todas as cenas acima aconteceram em 2009, em Bauru. Dez anos depois de um dos maiores blecautes da história do Brasil, onde Bauru foi apontado como ‘culpado’, a falta de luz voltou a assombrar as autoridades

No episódio O Conto de duas Springfields, da 12ª tempo rada dos Simpsons, Hommer deslig a a energia elétrica de metade da cidade. O hospital, também sem ge rador, fica sem luz no meio de uma cir urgia. Na cena, há o diálogo: Enfermeira: Oh, não! Você não pode fazer uma cirurgia de cora ção no escuro (Doutor) Hibbert: Soa co mo um desafio para mim Krusty (na mesa de cirurg ia) : Eu gostaria de um pedaço disso !

da cidade - e de todo o país. Cerca de 40% do território brasileiro foi afetado no apagão do dia 10 de novembro de 2009, e pela se-


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tão difícil”, disse na tarde de ontem, ainda sem dormir. “Tive que ter bastante lucidez para não provocar pânico nas outras pessoas”, disse, na épocam, em entrevista ao Jornal BOM DIA. Com ajuda dos técnicos da emissora, um pequeno gerador foi emprestado para que os aparelhos da UTI voltassem a funcionar. Mesmo assim, quatro bebês - um de dois anos, um de um ano e sete meses e dois récem-nascidos - foram transferidos para o Hospital de Base, próximo a região - e com gerador. Âmbulancias do Samu foram usadas para levar os pacientes, berços e camas. Apenas uma criança de 20 dias ficou no local, pois seu estado era grave. Sem qualquer equipamente, enfermeiras pediam lanternas

para os jornalistas da emissora que estavam no local, enquanto médicos iluminavam os corredores do hospital com celulares. E o gerador? Segundo o diretor clínico, Sérgio Henrique, o pedido da compra de um gerador já havia sido feita dois anos antes do apagão, mas a resposta obtida pela Associação Hospitalar de Bauru era que não havia local adequado para a instalação do aparelho. Foi necessário a doação de um gerador pelo empresário Jad Zogheib, do Grupo Confiança para que a maternidade obtivesse o aparelho. O grupo se comprometeu a instalar o equipamento, mesmo sendo preciso uma reforma no prédio para isso.

Investigações

O casal disse que o buraco foi abrindo enquanto o carro passava por cima, a profundidade chegou a passar de 1 metro. O provável motivo da abertura teria sido o rompimento da tubulação. Mas a verdadeira “simpsada” foi quando o DAE (Departamento de Água e Esgoto) apareceu no local para verificar a situação, mas

o veículo do departamento também caiu no buraco. Um guincho teve que tirar os dois automóveis de lá. Os bauruenses já estão cansados de saber que o asfalto da cidade é um dos piores do estado de São Paulo, mas não é o único lugar do mundo com esse problema. Sim, Springfield também é uma “buracolândia”, e a semelhança não poderia ser mais surpreendente. No episódio “Marge contra o monotrilho”, em uma das cenas aparece a avenida principal completamente esburacada, e um dos carros cai dentro de uma das crateras. Acontece que o Simpsons é um desenho satírico e para fazer humor exagera a maior par-

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Pro

blema Na época do apagão, a de outr o maternidade já estava sob de- mundo? núncias de desvio de verba. O Ministério Público entrou com in- a cidade tem ‘difi Não é de hoje que culdad vestigação para apurar a falta à energia elétrica. Se es’ relacionadas gundo Bra de gerador, o que resultou em d sileira de Estudos de Sociedade ores, Discos cerca de seis pessoas presas e funcio em 1968, o recém-co Voantratad nário uma nova diretoria para a As- Estado de da Companhia Elétrica o do São sociação Hospitalar de Bauru. veira, encontr Paulo, Daildo de Oliou em Mais de um ano depois, ape- sub-estação de Bau seu escritório, na ru, trê sar das prisões, ainda não há nhos, que seriam extra s seres estraterrest ETs a uma denuncia formalizada no pa tacaram o funcionário res. Os lavras e diziam Ministério Público. Estima-se ram em desconhecidas; depois, fugiuma a que foi desviado 16 milhões relato, pare eronave, que segundo o ça um de reais, e que, atualmente, voava. Autorida furgão – mas que des m a dívida da AHB supera os naram o local, e enco ilitares examintraram ap marcas estra enas nhas de mã 150 milhões. Além da materos em um d arquivos do os local. Daild nidade, o Hospital de Base, ra fo o de Olive i entrevista ido pela Ae um dos principais de Bauru, pelo Rep ro n á u ti ca, órter ES também está envolvido nos de São Paulo SO da TV Canal 4, , e por vá rios jornais escândalos de desvio de do país. verbas.

Bauraco Imagine você passeando com seu carro, num dia ensolarado, os passarinhos cantando, sua esposa grávida do seu lado cantando Lady Gaga. Quando de repente, “ploft”, seu veículo cai dentro de uma cratera no meio da rua. Sim isso aconteceu de verdade em Bauru (tirando a parte da Lady Gaga).

Carro caído em cratera de Bauru

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Veículo caindo em cratera de Springfield

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te das situações. Ou seja, o que os roteiristas usaram como uma circunstância absurda e extrema, ocorreu de verdade em Bauru. Ponto para a Cidade Lanche. Até o grupo A-Ha ficou admirado com nossos buracos, e tiraram uma foto ao lado de um deles como recordação em sua visita à cidade.

Episódios citados

(PAGS. 10 E 11)

# Tudo em Nome da Lei” - 17o episódio da 13a Temporad a. # Um conto de Duas Sprin gfields 2o episódio da 12a Temp orada. # Marge Contra o Mono trilho 12o episódio da 4a Temp orada

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Prefeito de um, focinho de outro

A cidade de Springfield tem entre seus vários personagens politicamente incorretos um que os representa da forma mais literal possível: um político completamente incorreto. O prefeito Joe Quimby é Democrata e conhecido por ser corrupto e populista. Existem muitos episódios em que ele aparece, e sempre fazendo algo ilegal, como se apropriar dos impostos ou aceitar propina. Em um deles ele chega até a admitir que usa o dinheiro da cidade para pagar os assassinos de seus inimigos. Mas o episódio em que mais mostra as ações ilegais do prefeito é “Homer, o guarda-costas”. Nele, Homer se torna segurança de Quimby, e por isso presencia vários atos de corrupção. Em uma cena eles vão para o bar do Moe, que os atende super bem, e serve diversas bebidas de graça para eles, quando o

prefeito diz: “Sua generosidade é enormemente apreciada em especial durante a época de inspeção sanitária”. Moe entende a indireta e paga propina para que ele não faça a inspeção. Ironicamente, neste momento, aparece um monte de baratas em cima do balcão. Mas o desfecho da história acontece quando o prefeito está negociando com Tony Gordo (o ‘poderoso chefão’ da cidade), e na fala mostra que ele concedeu o direito de fornecer leite para a escola de Springfield aos mafiosos. Homer acaba descobrindo que o leite é de rata, fica em choque e sai gritando isso por onde passa. O prefeito diz: “Ratas? Mas que trapaça! Você prometeu que seria de cachorro”. E o que isso tem a ver com Bauru? Tudo! A cidade também teve um prefeito com muitas provas de corrupção, e que chegou até a ser preso por isso. Izzo Filho cumpriu 5 anos de prisão (de 1999 a 2004) pela acusação de ter desviado verba federal na aplicação de recursos em infra-estrutura dos lotes urbanizados e aceitar propina da empresa de transporte público municipal. Em novembro de 2005 a Justiça determinou a volta dele à prisão após a condenação pelos atentados a bomba contra vereadores.

Curiosidade

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Após a cena o b alcão, Homer es tá em casa cont do bar eles pass ando para famíli aram na lancho a que depois nete do Krusty uns trocados”, el e o prefeito sa e ainda diz que iu com “mais pediu um sanduí quádruplo. Ele che duplo, e eles termina falando deram um que o Apu, dono uns trocados pro da mercearia, ta prefeito. m bém deu Bart: “Pai, você não entende o q ue está acontec Lisa: “Esses troca endo?” dos são propina s!” Homer: “oh, que rida, não seja tã o ingênua! É ass claro que o pre im que o mundo feito aceita alg funciona! É umas propinas, no horário’, ora m a s ele ‘faz os tren bolas.” s andarem Lisa: “Não senh or, está engana do! Os trens sã mento federal d o fiscalizados p e transportes, e elo departaestudos recentes Homer usa sua mostram que...” técnica que apre ndeu na escola ralisar Lisa. de guarda-cost as para pa-

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Por esse crime, Izzo recebeu pena de 8 anos e 10 meses. Desde 2009 que ele está solto em condicional. Tudo começou logo em que Izzo foi eleito, em 1997, e prometeu um aumento de salário de até 46% para 75% dos servidores públicos. Essa notícia saiu em vários jornais, foi muito discutida e causou muita euforia para esses trabalhadores. Porém o que se concretizou foi o oposto. Por assumir o cargo após um governo bastante endividado, ele usou isso como desculpa para atrasar o pagamento do salário dos servidores. Como sua popularidade era grande na época, a população ainda aceitou bem no começo. O problema é que a cada mês que se passava, a prefeitura atrasava ainda mais para fazer o pagamento. Até que chegou a um ponto em que esses servidores não receberam o seu salário. O que o governo alegava é que não tinha dinheiro para fazer os pagamentos, mas para outras dívidas, que deveriam ser secundárias ele tinha. Como no caso da Coesa Empreiteira, que foi o que levou à sua primeira cassação. Essa empresa surgiu “do nada” cobrando uma dívida milionária que, segundo ela, a prefeitura devia desde o primeiro mandato de Izzo, que foi de 1989 a 1992. Isso fez com que algumas pessoas começassem a se perguntar o porquê dessa empreiteira aparecer cobrando essa dívida depois de tantos anos e exatamente no governo do mesmo prefeito. E uma dessas pessoas foi Sandro Fernandes, que na época tinha acabado de ser eleito diretor do Sinserm (Sindicado dos Servidores Públicos Municipais de Bauru). Sandro, que é advogado, foi até o Fórum Municipal para tentar descobrir o que estava acontecendo na realidade. E qual não foi sua surpresa ao desarquivar o acordo feito entre o prefeito Izzo Filho e a empreiteira

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Coesa. O prefeito havia feito uma alegação oficial dizendo que devia R$1,8 milhões para a Coesa, mas a empresa não aceitou, alegando na verdade que eram R$4,5 milhões. E nesse acordo constava que os dois chegaram ao valor intermediário de R$2,5 milhões que deveria ser pago em 4 parcelas. Toda essa história já era suspeita, primeiro pela demora da cobrança, segundo pela prefeitura aceitar pagar mais do que ela achava que devia, e terceiro, o mais estranho de tudo, é que as 4 parcelas eram no mesmo mês. Esse ocorrido foi o que levou ao seu primeiro pedido de cassação. Mas ele ainda se livrou dessa. Po r é m , logo depois Izzo sofreu a acusação de participar de um esquema de cobrança de propina da empresa que cuidava do transporte coletivo na época. O Ministério Público apontou que as empresárias Carmem Quággio Bresolim e Nerle Quággio Bresolim eram obrigadas a pagar propina mensal, sob a ameaça de não serem liberados os valores obtidos com a venda de passes. Eram ameaçadas ainda com a perda da permissão para o transporte coletivo. De acordo com o MP, o esquema teria obtido indevidamente cerca de R$ 2,3 milhões. A empresa de transporte coletivo acabou falindo. O segundo mandado de prisão foi feito também por Sandro Fernandes, do Sinserm, que acabou fortalecendo o sindicato dos servidores e praticamente dobrou o número de filiados após essas ações. Tudo isso significa que além de tudo Bauru está a frente de Springfield, porque conseguiu uma peculiaridade: punir os atos ilegais de um político.

Episódio citado # Homer, o guarda-costa - 9o episódio da 10a Temporad a

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Crônica: Uma Noite em Bauru A madrugada estava muito quente em Bauru, especialmente na famosa Casa da Eny. O homenageado da noite era o recém-chegado do espaço, Marcos Pontes. Com seus cabelos grisalhos e seu sorriso carismático, Pontes estava sentado em um longo e luxuosos estofado, sob a luz avermelhada das luminárias de parede. Aquela era uma noite especial, muitos convidados ainda estavam por chegar. As luzes coloridas que piscavam sem parar faziam os movimentos das dançarinas parecerem quase surreais. Longos balcões de bebidas serpeavam as extremidades do salão, onde uma variedade incrível de bebidas era servida. Lindas mulheres desfilavam por todos os lados. Suas curvas sob as roupas elegantes hipnotizavam e suas joias brilhavam altivas. Marcos deixou a companhia de seus amigos e fãs e resolveu sair, pela primeira vez na noite, daquele sofá. Já estava particularmente cansado das fotos e autógrafos. Precisava encontrar seus convidados mais importantes. Como eles podiam ter se atrasado tanto? O motivo começava a preocupá-lo. Ele se infiltrou na massa de gente, se sentindo contagiado pelo ritmo da música. Quando chegou à outra extremidade do salão, sentou em um dos banquinhos estofados e pediu uma bebida. – Lugar improvável, Puentes – uma voz carregada pelo sotaque espanhol o fez olhar para o ocupante do banco ao lado. Um homem de traços marcantes, barba por fazer e cabelos crescidos o observava. Sua expressão parecia ser natural e permanentemente intrigada. Marcos via nele uma semelhança que sua memória não conseguia recuperar. O estranho ergueu as sobrancelhas, tomou sua dose em um único gole e depois sorriu, voltando a observar Marcos. – Bela noite – comentou – Pena que estou apenas de passagem. – Para onde está indo? – perguntou Marcos. Uma ânimo um tanto quanto maroto tomou seu rosto. Ele limpou o suor da testa e se levantou. – Sólo Dios sabe, mi amigo – disse erguendo as palmas das mãos –

Algum lugar não tão longe quanto o espaço. Antes que Marcos pudesse dizer algo, o homem deu uma piscadela e virou as costas, desaparecendo em meio à massa de pessoas. O astronauta riu e um insight inundou sua mente. A semelhança era realmente incrível. O homem que deixara o balcão há pouco poderia ser irmão ou filho de Che Guevara. – ELES FORAM POR ALÍ! – o grito fez Marcos sair sobressaltado de sua reflexão. Policiais invadiam o salão e se infiltravam entre os convidados. As pessoas continuavam dançando e rindo, embaladas pela bebida. Mas que diabos estaria acontecendo? – O que está havendo, você sabe? – perguntou Marcos confuso, para a bela moça que estava atrás do balcão. – A Eny autorizou a entrada dos policiais. Parece que uns trombadinhas invadiram a festa... Ouvi algo sobre eles terem roubado um tal de Bauruzinho. Você sabe o que é isso? – ela parecia mais confusa do que o próprio Marcos. Com uma pontada de preocupação, ele deixou o balcão. Seu celular tocou. – Oi, Marcos? Aqui é o Maurício. – O que aconteceu, vocês se perderam no caminho? – perguntou Marcos rindo. – Cara, você não vai acreditar. Um caminhão de combustível tombou e a Nações Unidas explodiu. O corpo de bombeiros está cercando toda a região. – A Nações explodida? Cara, isso é inacreditável... Mas não tem como você chegar aqui? Todos estão esperando, eu disse que Maurício de Sousa estaria aqui. – Na verdade, já estou no caminho para casa. O Pelé também não vai consegui chegar. Parece que o carro dele caiu em um buraco causado pela tempestade de ontem... Acredite se quiser amigo... – Como assim? O carro foi engolido por um... buraco? Mas ele se feriu? Como está? – agora o pânico realmente começava a tomar conta

dele. – Não, não... Está tudo bem. Ele deve estar no num helicóptero para São Paulo agora. – Tudo bem. Me ligue se souber de algo... A gente se vê em outra ocasião então. – Ok. Desculpe Marcos, eu realmente sinto muito. Até mais. Ótimo. Lá estavam seus dois principais convidados, apanhados pelos excêntricos acasos de Bauru. Em pensar que seria tão interessante reunir naquela noite seus dois amigos que como ele, haviam começado suas carreiras naquela singular cidade... Marcos olhou para o outro lado do salão e viu que os policiais haviam apreendido os quatro jovens que procuravam. A festa corria ainda mais animada, como se a normalidade nunca tivesse sido sequer ameaçada. No momento em que Marcos pensou em sair para ir embora – Com medo de que mais alguma coisa desse errado naquela noite – o palco acendeu e a música cessou. Todos se viraram curiosos. Eny apareceu com um microfone, extremamente bela e elegante. – Nessa noite, estamos reunidos por um motivo especial – começou com um sorriso cordial – É uma honra ter como convidado o primeiro astronauta desse país, Marcos Pontes. No momento seguinte, todos se viraram para a direção onde Marcos estava, ainda fazendo menção de sair. Os policiais do outro lado também pareciam interessados nele. Marcos sorriu e acenou quando um foco de luz atingiu seu rosto. – E para demonstrar o tamanho de nossa honra, preparamos algo para você, Marcos – disse Eny olhando para o fundo do palco, onde, no segundo seguinte, letras enormes se acenderam em letras de néon, formando a frase “Bauru tem orgulho de seu filho Marcos Pontes”. Nesse instante, as luzes de todo o salão piscaram e apagaram, fazendo tudo mergulhar na escuridão. Um falatório se seguiu e Marcos ouviu os policiais gritarem que os jovens apreendidos haviam fugido. Um apagão. Era tudo o que faltava para completar a noite. Marcos riu interiormente. Bauru continuava a mesma.


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“Bom, esse quadro realmente mostra aquilo que parece ser.”*

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Bauru agrega o maior campus da Universidade Estadual Paulista , com 19 cursos e mais de 6 mil estudantes. Diferente o que aconteceu com os outros campus, a Unesp em Bauru foi criada a partir da estatização de uma instituição de ensino privado, a Universidade de Bauru. O que talvez “explique” a falta de um Restaurante Universitário e Moradia para os alunos – obras que são prometidas e reivindicadas há décadas.

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Construído em 1978, um dos “pontos turísticos” de Bauru pode ser encontrado em frente à outra grande universidade da cidade: uma réplica da Torre Eiffel, do Instituto Toledo de Ensino, a ITE. Segundo os fundadores da universidade, a réplica representa os valores da Revolução Francesa, liberdade, igualdade e fraternidade.

*Sábia frase proferida por Hommer J. Simpsons.

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Já imaginou Bauru como a capital do Estado de São Paulo? Pois é, alguns políticos já. Paulo Maluf, nos anos 80, sugeriu a mudança da Capital para a região central do Estado, mais para Oeste, para contrabalancear e homogeneizar a população, criando assim um novo pólo de desenvolvimento na região. Foi então que surgiu os boatos que Bauru seria a cidade perfeita para abrigar a capital, por estar no centro do Estado, e ter vis de aceso rápidas a outras cidades importantes, como Riberão Preto, Presidente Prudente, Campinas e mesmo São Paulo. O assunto voltou em 2008, com o Deputado Gilson De Souza, mas não foi pra frente. Outras cidades cotadas como possíveis capitais foram Pirassununga e Santos.

3 Dança do Quadrado: Criada no primeiro InterUnesp (jogos universitários que reúnem todos os campus da universidade durante quatro dias) por alunos de Bauru, virou tradição nos jogos, e a idéia acabou se tornando sucesso no país inteiro quando foi gravada pela cantora Sharon, no carnaval de 2008.

Francisco de Assis Pereira, o Maníaco do Parque, passou por Bauru em 1995, como professor de patinação. Segundo a Revista Época divulgou (edição 13, de 17/08/1998), Francisco recebeu uma queixa na delegacia da cidade após tomar os patins de Jonas Moreira para entregá-los a um de seus alunos, que havia tido o apetrecho roubado.

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Além de Pelé, Mônica e Marcos Pontes, Bauru foi berço de outras personalidades conhecidas em todo o Brasil. Não sabe quem? Dá uma olhada: • Palmirinha Onofre – sim, a querida vovó da televisão brasileira nasceu em 1931, e ficou em Bauru até os anos 40, quando mudou para São Paulo. • Edson Celulari também nasceu aqui, em 1958, e se mudou aos 16 anos, para estudar na USP, aos dezesseis anos. • O jornalista Luiz Carlos Azanha, atualmente na Rede Record. Foi o primeiro repórter estrangeiro a fazer uma entrevista improvisada com um líder soviético, ao conversar com Mikhail Gorbatchev, no Kremlin, em 1988. • Toninho Guerreiro. Jogador de futebol começou sua carreira no Noroeste, e fez história no São Paulo e Santos. Centroavante foi um dos parceiros de mais sucesso do Pelé. • Ozires Silva , oficial da Aeronáutica e engenheiro formado pela ITA (Instituto Tecnológico da Aeronáutica). Ajudou na criação do grupo Embraer, foi presidente da Petrobrás até 1989 e da Varig, por três anos. • Antônio Carlos Barbosa, dirigiu a seleção brasileira feminina de basquete por oito anos, conquistando o bronze nas Olimpíadas de 2000. • Luiz Edmundo Carrijo Coube. Foi prefeito de Bauru, e filho do fundador da Tilibra – que está na cidade até hoje.

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No aeroclube de Bauru encontra-se o maior centro de vôo a vela do Brasil, com o maior número e variedade de planadores do país. Nesse esporte, Bauru ocupa atualmente a liderança do ranking nacional. O atual campeão nacional da modalidade é o bauruense Henrique Navarro.

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Bauru é sede nacional e sul-americana do Templo Tenrikyo, religião de origem japonesa. Lembra da propaganda em que um homem tentava comprar passagens para um vôo em Bauru, mas o sistema não identificava a cidade? Na época, o aeroporto de Bauru era o único que não tinha nenhuma companhia aérea funcionando. Atualmente, a cidade conta com três linhas.

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A cidade quase foi responsável pelo fim da banda de rap Racionais MCs. Em 2005, um jovem foi assassinado em um show da banda em Bauru; após uma cena aterrorizante, o vocalista Mano Brown decidiu acabar com o conjunto – e depois, em conversa com o restante do grupo, voltou atrás.

A banda A-HA também anunciou a última turnê de sua carreira, e o primeiro show no Brasil foi em Bauru, no Shopping Alameda Quality Center.

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Dezembro/2010

Bauru: A Springfield Brasileira

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Bauruxspringfieldcerto  

Trabalho de jornalismo para Unesp/Bauru

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