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OSKLEN

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O novo luxo é a despretensão pelo status de valores antigos que todas as grandes marcas buscam passar, mas acabam se esquecendo de valorizar o que está por trás de todo o processo. (METSAVAHT, Oskar, 2013)


Osklen

A Osklen, como dito anteriormente,

com a TESLA, como “Future Maker”,

será a referência para a criação de

pela World Wide Fund for Nature do

uma coleção baseada no conceito de

Reino Unido (WWF-UK), representando

produtos criativos híbridos, já

a autenticidade e a genuinidade do

apresentado no capítulo 1.

estilo de vida brasileiro, ao mesmo

A marca representa um seleto grupo de

tempo em que é contemporânea e

empresas que reconhece os impactos

cosmopolita.

gerados pela indústria têxtil, além de

A história da marca começa há pelo

transmitir o conceito da ética e da

menos três décadas por um jovem

estética em suas coleções, atrelado ao

gaúcho chamado Oskar Metsavaht –

life style carioca, representados pelas

médico especialista em traumatologia,

misturas entre urbano e natural, global

e que tinha como hobby a prática de

e local, orgânico e tecnológico.

esportes radicais e viagens de

Seus valores estão pautados na

aventura. Em1986, morando no Rio de

criatividade, equilíbrio, sosticação,

Janeiro, foi convidado a participar de

despojamento, técnica,

uma expedição ao monte Aconcágua,

c o n t e m p o r a n e i d a d e

e

na Cordilheira dos Andes, para realizar

sustentabilidade. Numa pegada

pesquisas sobre o condicionamento

vanguarda e desprendida das

físico de atletas, expostos em baixas

tendências, a Osklen conquista o

temperaturas. Oskar era o médico da

mercado internacional. Tem a missão

equipe e identicou um décit em

pautada em promover a

vestuário adequado às condições

responsabilidade social e a

climáticas amenas, na neve, tendo que

consciência ecológica através dos seus

recorrer à bibliograa estrangeira para

produtos, assim como no

pesquisar tecidos e modelos especiais.

desenvolvimento de seus projetos,

Logo após, idealiza o Storm Tech

numa percepção integrada entre

System, cujo material é constituído por

natureza, cultura e sociedade.

um tecido com membrana interna

A Osklen está entre as dez marcas mais

permeável que faz com que o suor

inuentes e inspiradoras do mundo,

evapore mantendo o corpo seco e

segundo a WGSN - empresa líder em

aquecido. De forma despretensiosa,

previsão de tendências para a indústria

foram confeccionados dez casacos,

criativa. E também foi apontada, junto

ainda artesanalmente com esse mesmo material. Instigado por seus amigos, REDESIGN|47


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Metsavaht tocou a produção

Oskar só ca satisfeito quando os

confeccionando mais peças. Três anos

elementos propostos para cada peça,

depois, foi inaugurada sua primeira loja

como as cores, as texturas e as silhuetas

na Região dos Lagos, em Búzios, no Rio

passam a ser usados pelos personagens

de Janeiro.

do lme que cria.

A região escolhida para

É reconhecido como um dos

implementação da loja foi uma das

precursores do movimento de

primeiras ações estratégicas da marca,

sustentabilidade, levando ao mercado

pois previamente seria loucura vender

a ideia de “novo luxo". E foi nomeado

uma roupa para ser usada na neve em

pela revista Fast Company como a

uma cidade praiana. Porém, era de

quarta pessoa mais inovadora do Brasil

conhecimento de Oskar que o público

e uma das cem pessoas de negócios

que frequentava hotéis em Búzios

mais criativas no mundo. Ele é

também visitava países estrangeiros de

frequentemente convidado para

clima frio. Com a aceitação

participar como palestrante sobre o

estabelecida, amplia sua linha de

tema em conferências mundiais, tais

casacos de neve acrescentando novos

como a Milano Fashion Summit e o

produtos como mochilas, camisetas e

Ethical Fashion Paris.

bermudas.

Ao lado de nomes como Arcade Fire,

Sobre o processo criativo, Metsavaht

Chris Milk, Takeshi Murata, Oskar foi

começa com uma cena, uma história,

convidado para integrar o elenco do

um estilo, um conceito e, a partir disso,

“The Creators Project", projeto mundial

surgem as ideias para a criação de

da Vice em parceria com a Intel, que

climas, atmosferas, looks e atitudes. Na

visa reunir os artistas mais expressivos

maior parte das vezes, a campanha

das áreas de arte, design, moda e

toma forma antes mesmo da coleção –

música. Segundo ele, hoje é possível

uma vez que a direção de arte do

entrelaçar os e tecer teias de

photoshooting é garantida por ele. Cria

informações que conferem sentido à

a atmosfera da história e faz seus

associação entre indústria, moda,

próprios lmes, através dos quais pode

consumo e sustentabilidade.

compartilhar a cena que imagina, do início ao m do processo. As peças são

A seguir será apresentado uma linha do

desenhadas para serem o gurino

tempo, destacando as principais ações

desse “lme”. E é possível “assisti-lo” em

sustentáveis da marca.

cada detalhe da coleção. REDESIGN|48


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LINHA DO TEMPO OSKLEN – AS PRINCIPAIS AÇÕES SUSTENTÁVEIS

1998 – Início dos projetos socioambientais, quando ainda não havia histórico de práticas sustentáveis no Brasil.

1999 – Lançamento da primeira t-shirt feita com cânhamo (bra resistente que não utiliza produtos químicos em sua produção); e inicia o desenvolvimento do algodão orgânico em parceria com a Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) e a ONG Esplar, no Ceará.

2000 – Lançamento das primeiras t-shirts de algodão orgânico com assinatura e-brigade, movimento “Save your Lifestyle. Act Now” com objetivo de combater a desinformação quanto ao movimento sustentável, ambiental e social.

2006 – Projeto E-fabrics, cujos produtos têm origem em materiais reciclados, orgânicos, naturais e artesanais, desenvolvidos por comunidades, cooperativas, ou por grupos industriais, em parceria com o Instituto E.

2007 – A coleção de inverno Amazon Guardians convoca uma brigada urbana contra a degradação do meio ambiente, onde o homem e a mulher assumem o papel de guardiões da Amazônia.

2008 – Nomeada, junto a TESLA, como “Future Maker”,pela World WideFund for Nature do Reino Unido (WWF-UK), umas das maiores e mais inuentes ONGs do mundo. Esse período também cou marcado pela coleção icônica United Kingdonof Ipanem pelo life style carioca. REDESIGN|49


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2009 – Projeto TRACES em parceria com o Instituto E e o Ministério do Meio Ambiente, com objetivo de analisar a coleta dos materiais utilizados na fabricação das peças até a chegada dos produtos e-fabrics às lojas Osklen.

2011 – Reconhecimento pela UNESCO com o título Embaixador para a Cultura da Paz e da Sustentabilidade, pelo seu trabalho voltado para a conservação do meio ambiente através do e-brigade, destinado a preservação do planeta e as condições de vida.

2012 – A21 Colletion, coleção inspirada na Agenda 21 – (documento que resulta da conferência ECO 92) e estabelece a importância da busca de soluções para os problemas socioambientais pelo mundo todo; no mesmo advém o E-Ayiti, parceria entre Instituto E e Ethical Fashion Iniciative (EFI), um projeto do International Trade Centre (ITC) agenciado à ONU e à Organização Mundial do Comércio (OMC). Com o slogan “NotCharity, Just Work” (Não é caridade, apenas trabalho).

2015 – Lançamento da coleção Ashaninka, que resulta num trabalho criativo desenvolvido pelo povo nativo da Amazônia, na região do Acre e Peru.

2018/ASAP – Conceito que traz para o dia a dia a urgência de agir de forma mais sustentável possível. A coleção foi desenvolvida com o maior número de processos e materiais que minimizam os impactos socioambientais, reforçando o compromisso da marca em fazer uma moda pautada pelo constante desenvolvimento sustentável. REDESIGN|50


2.1Projetos, produtos, materiais e processos

2.1

PROJETOS, PRODUTOS, MATERIAIS E PROCESSOS A Osklen é uma empresa referência em ações socioambientais através dos projetos interdisciplinares que desenvolve na indústria têxtil brasileira. Assume uma postura sustentável em defesa das causas que lidera desde os anos 1990, como mostra o quadro anterior. A maior parte de seus projetos envolve o Instituto E, além das demais parcerias. As informações podem ser facilmente encontradas no site da marca – (www.osklen.com) e no IE (www.institutoe.org.br), acessando as páginas dos respectivos projetos. Todas as experiências são divulgadas e podem ser devidamente acompanhadas, além das redes sociais. A seguir serão apresentados projetos, bem como os produtos, materiais e processos de manipulação utilizado pela marca.

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2.1Projetos, produtos, materiais e processos

E-BRIGADE

Em 1998, a Osklen lança o movimento Ebrigade, através dos princípios Carta da Terra, da Agenda 21, da Convenção da Biodiversidade e do Protocolo de Kyoto. Tem o objetivo de juntar ambientalistas, pesquisadores, ativistas, jornalistas e empresas para combater a falta de informação sobre desenvolvimento sustentável. Com o slogan “Save your lifestyle. Act now” “Salve seu estilo de vida. Aja agora! ”, mobiliza a sociedade em torno de um assunto pouquíssimo difundido na época, transformando conceitos sustentáveis em atitudes através dos produtos.

E-FABRICS

Entre os anos de 2000 e 2006, o projeto foi incubado pela marca, e lançando no começo de 2007 durante o São Paulo Fashion Week. O projeto valoriza a ideia da brasilidade e do trabalho de experimentação com matérias-primas ecologicamente corretas, comércio justo e desenvolvimento sustentável.

Alguns desses materiais são: lã orgânica, couro ecológico dublado com sarja, tricô de palha de seda, shantung de seda e tresset de palha de seda que possam ser utilizadas pela indústria têxtil e pela cadeia produtiva da moda, estimulando assim, uma cultura de consumo consciente. E faz a interlocução entre produtores de materiais ecológicos e estilistas e suas grifes, apresentando-lhes matérias-primas de caráter renovável a serem utilizadas pela cadeia produtiva da moda em geral.

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2.1Projetos, produtos, materiais e processos

O e-fabrics é identicado com a colocação de um tag no produto. A missão do projeto é contribuir na constituição de uma base de sucesso para a moda brasileira pelo mundo, associando à sensualidade e criatividade, o valor de suas principais riquezas e singularidades: a biodiversidade e as tradições culturais do país. O projeto visa a promoção do estudo dos impactos socioambientais no processo produtivo, a preservação da diversidade e das relações sociais com comunidades. Para a identicação E-fabrics de tecidos e materiais, estes são avaliados a partir de cinco critérios de conformidade:

Matérias-primas de origem sustentável, renováveis ou recicladas;

Impacto do processo produtivo no meio-ambiente natural;

Resgate e preservação da diversidade e tradições culturais;

Fomento às relações éticas com comunidades e colaboradores;

Design, atributos comerciais e viabilidade econômica.

Entre as técnicas artesanais aplicadas estão: tecelagem e ação; tingimento de os de algodão; tingimento de couros; curtimento de couro "bio". E entre os materiais demostrados, encontramos: tecidos de algodão; tecidos de bras; tecidos alternativos e couros alternativos. O E-fabrics não é uma certicação como um “label” de identicação, a sua losoa abraça inclusive os “transition products”, aqueles que já estão se adequando a uma futura certicação, seja ela social ou ambiental, mas que necessitam ainda de massa crítica para sua viabilização.

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INSTITUTO E O Instituto E é um grupo interdisciplinar, ocializado em 2006 pela Osklen, fundado e presidido por Metsavaht e dirigido pela socióloga Nina Braga, com a missão de promover no Brasil o desenvolvimento humano de maneira sustentável.

O IE desenvolve pesquisa e curadoria de projetos da marca, como o e-fabric, assim como de outras instituições que queiram assumir a causa, na área do desenvolvimento sustentável social, ambiental e cultural, disseminando ideias e práticas de sustentabilidade de forma criativa e sensibilizando um grande número de pessoas. Inovação e originalidade norteiam essas iniciativas e, para tanto, conta com uma equipe xa de prossionais e um grupo de colaboradores especialistas nas áreas de comunicação, crédito de carbono, design, educação, eciência energética, gestão de resíduos, dentre outras.

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O Instituto-E é uma OSCIP Organização da Sociedade Civil de Interesse Público – que acredita que compartilhar informações é o primeiro passo p a r a p r o m o v e r o desenvolvimento humano sustentável. A partir dessa concepção e do desejo de inovar, recorre a uma linguagem alternativa e multimídia para canalizar a energia da sociedade e direcioná-la para a defesa da nossa biodiversidade, do direito à informação e à educação e do patrimônio histórico e cultural do Brasil. O Instituto-E visa cumprir sua missão por meio da criação e gestão de uma rede que potencialize sinergias entre diferentes iniciativas e agentes da sociedade. (INSTITUTO-E, 2006)


2.1Projetos, produtos, materiais e processos

Foi realizada para este projeto uma entrevista com a diretora do Instituto E, Nina Braga, mentora da autora desse trabalho no programa de mentoria do SENAI CETIQT. A entrevista foi bastante esclarecedora e permitiu conhecer um pouco mais sobre os projetos. Nina otimiza a visão de que a OSCIP possa transformar o Brasil em referência de desenvolvimento sustentável, menciona a quantidade imensa de desperdícios provenientes da indústria de moda e arma que o quadro ambiental está cada vez pior. Segundo ela, iniciativas como essa fazem as pessoas prestar mais atenção e carem preocupadas com esse cenário, assumindo um consumo consciente. Ela acredita que há um futuro sustentável, mesmo na moda nacional. “A tendência é comprar menos, mas com mais qualidade, junto à ética e estética, que caminham juntos”, arma. A atuação do IE se concentra nas áreas que compõem o ideário dos seis “e’s”: earth, environment, energy, education, empowerment e economics.

Earth – Terra: responsabilidade e missão. Indicadores fundamentados na Carta da Terra cuja temática central é a responsabilidade comum de todos.

Environment

– Meio ambiente: Impacto ambiental, gestão de recursos naturais e programas de conservação. Indicadores fundamentados na Convenção da Biodiversidade, cuja temática central é a conservação dos ecossistemas.

Energy – Energia:

Energia renovável e eciência energética para mitigação das mudanças climáticas, previstas no acordo de Paris.

Education – Educação: Difusão de conhecimento, capacitação e educação são indicadores fundamentados nos objetivos do desenvolvimento sustentável.

Empowerment – Empoderamento: Ações de desenvolvimento local, geração de renda, melhoria da qualidade de vida. Indicadores fundamentados na Agenda 21, cuja temática central é o desenvolvimento. Economics – Economia: Ações de desenvolvimento sustentável e de responsabilidade socioambiental. Indicadores fundamentados no Triple Botton Line - social, ambiental e econômico - da sustentabilidade.

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TRACES O projeto TRACES é mediado pelo IE e em 2009, rmou parceria também com o Ministério do Meio Ambiente, Terra e Mar da Itália para analisar as pegadas de carbono social presente nos materiais dos produtos e-fabrics como: algodão orgânico, algodão reciclado, PET reciclado, couro de pirarucu e eco-juta. As equipes multidisciplinares da marca e o IE percorrem diversas regiões do Brasil, da Amazônia ao Sul do país, analisando de perto cada etapa da cadeia produtiva destes e-fabrics. É mensurada a quantidade de CO2 liberada desde a coleta dos materiais utilizados na fabricação das peças até a chegada dos produtos às lojas Osklen. Também é avaliado o número de trabalhadores beneciados pelos programas de responsabilidade social dos produtores. As peças submetidas a esta análise ganharam etiquetas que informavam ao cliente suas pegadas de carbono e social. O produto que apresentou a maior pegada de carbono teve suas emissões de combustível por energia solar, algo inédito no mundo. Trata-se de um projeto original e inovador que não só rastreou o impacto ambiental e social, expressos nos tags que acompanham estes produtos, como também introduziu medidas de redução em algumas das comunidades produtoras como a da Ilha de Mexiana, no arquipélago de Marajó, por exemplo. Pode-se armar que o TRACES indica maneiras de reduzir e aliviar as emissões de gases de efeito estufa do setor têxtil que geram mais de trinta milhões de postos de trabalho ao redor do mundo, ao mesmo tempo em que é responsável por um dos mais elevados – dentre as atividades manufatureiras – índices de consumo de recursos naturais.

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Imagem 13: Water Traces Fonte: Elaborado pela autora, 2018

WATER TRACES Na mesma linha de ação do projeto anterior, o Water Traces é mais um projeto pioneiro e criativo, a equipe de especialistas novamente percorreu algumas regiões do Brasil – Centro-Oeste; Sudeste e Sul – para investigar os processos. Dessa vez foi acompanhada a quantidade de água utilizada nas etapas de plantio e fabricação das peças, bem como as ações sociais que acompanham estas cadeias produtivas. A água é essencial e está presente em tudo que tem vida neste planeta. Todavia nem todos têm consciência de que também há água em produtos inanimados como peças de vestuário. Justamente por isto é que, depois da equipe ter realizado, através do projeto Traces, o rastreamento da pegada de carbono e social de seis e-fabrics usados pela marca, o Instituto E e o IMELS, em parceria com o Fórum das Américas, decidiram empreender o levantamento da pegada hídrica em mais quatro produtos da Osklen, parceira desde o princípio. Ao longo desta análise, mais de uma vez se deparam com boas práticas, seja no uso dos recursos hídricos como o reuso ou um tratamento adequado na pós-produção. A importância de se destacar o que é feito com a água em uma atividade econômica de peso como o setor de moda ca evidente quando levamos em consideração que – ao contrário do que muita gente pensa – a água é nita e de difícil acesso para mais de um bilhão de pessoas no mundo. Zelar por este recurso natural é imperativo e uma das formas de exercer este cuidado é chamar atenção sobre sua presença nos processos produtivos, exatamente como faz o projeto Water Traces.

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A21 Em 2012 foi lançada A21 Colletion – Pratice #1, que são produtos à base de couro de pirarucu e salmão, que são confeccionados através de práticas sustentáveis ancoradas no seguinte tripé: econômico, social e ambiental. O pirarucu é uma espécie protegida, deste modo a pele é vinda de fazendas sustentáveis do estado de Rondônia, na Amazônia, que seguem os padrões estabelecidos pelo IBAMA. Consequentemente, a marca protege a espécie, além de equilibrar a fonte de alimentos e a economia da região. Criadores de pirarucu suplementam sua renda familiar, atingindo 40% mais do que criadores de gado, isso signica que esse sistema emite muito menos gás carbônico e, em contrapartida, também ajuda no reorestamento da Floresta Amazônica. O pirarucu é um peixe destinado basicamente à alimentação, tendo como subproduto a comercialização de suas vísceras para a produção de ração. Sua pele costuma ser descartada como lixo. Portanto, seu aproveitamento combate o desperdício e a geração de resíduos. A captura do pirarucu se faz de forma consciente e não predatória, com respeito às leis ambientais e aos períodos de reprodução da espécie. O comércio do couro de pirarucu contribui para a formação de associações de pequenas colônias de pescadores. Importante salientar que não existe trabalho escravo ou infantil envolvidos nesses processos, bem como não são feitas modicações genéticas ou hormonais nos peixes. Segundo a Vogue (2016), em matéria intitulada “sustentabilidade para gringo ver”, a seriedade com que o carioca trata a sustentabilidade e o uso de materiais reciclados – o couro de peixe é resultado das sobras da indústria alimentícia – é um dos destaques dados pela mídia internacional. A coleção da grife, recebeu ótimas críticas e marcou presença em Nova York ao apresentar a exposição da linha conceitual A21, formada por acessórios de couro de pirarucu. A nova iniciativa reforça a ideologia sustentável responsável por uma recepção entusiasmada das criações de Oskar Metsavaht no exterior. REDESIGN|58


2.1Projetos, produtos, materiais e processos

No primeiro semestre de 2018, a Osklen lançou uma coleção de inverno, nomeada ASAP: AS SUSTAINBLE AS POSSIBLE. AS SOON AS POSSIBLE, proveniente da urgência da adoção de práticas e atitudes mais sustentáveis. O desle consagra a busca pela moda consciente que começou há 20 anos - a coleção é 98% sustentável. Num mix entre peças comerciais da linha e-basics e peças elaboradas especialmente para a apresentação, a marca misturou moletom, franjas com o utilitário, pirarucu com alfaiataria, em looks ricos em texturas, fazendo um jogo de contrastes. O conceito de sustentabilidade esteve presente na matéria-prima, nas cores das peças, que foram concebidas com o que tinha disponível, materiais sustentáveis e-fabrics, feitos até o momento pela marca, como seda orgânica, tricô, nilon vitricado, algodão desbrado, couro de pirarucu, angorá eco e algodão reciclável proveniente do pet. De acordo com uma pesquisa feita pela marca, o uso da malha pet, por exemplo, cresceu mais de 1000% em 10 anos, o pirarucu, um dos carros chefe tanto do IE quanto da Osklen, já corresponde a 50% do couro usado pela marca; os refugos do pirarucu também são utilizados. Outro ponto importante do movimento slow fashion, que o instituto faz questão de respeitar, é oportunizar o trabalho para comunidades. Só no estado do Rio de Janeiro, os projetos alcançam mão-de-obra das localidades de Cabuçu, Queimados, Alemão, Pavuna, Itaperuma, entre outros.

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2.1Projetos, produtos, materiais e processos

E-BASICS Atrelada à coleção ASAP, a Osklen lançou uma nova linha permanente nomeada como e-basics que consiste em peças básicas feitas com materiais sustentáveis, em parceria com o IE. São peças atemporais e produzidas com o menor impacto socioambiental, assim como a proposta ASAP. As produções dessas peças são feitas toda a partir de matéria-prima sustentável como os e-fabrics: algodão reciclado; algodão orgânico; algodão brasileiro responsável e PET reciclado; dessa forma, mais resíduos passam a ser transformados em moda, promovendo a economia circular, de reuso e reaproveitamento de matérias-primas, impedindo que esse material vá parar no meio ambiente.

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2.1Projetos, produtos, materiais e processos

PRODUTOS E MATERIAIS SUSTENTÁVEIS A seguir serão apresentados os principais materiais que se destacam nos produtos efabric. As descrições estão disponíveis no site do projeto (http://www.efabrics.com.br) Dentre todos os materiais, destacam-se os reciclados, pois o impacto ambiental da confecção desse tipo de tecido reciclado é bem menor que quando se usa bras virgens. A economia de energia na produção reciclada é de 76% e a redução de emissões de CO2 é de 71%. Além disso, a manipulação destes e-fabrics, como no tingimento por exemplo, envolve processos naturais, que não poluem o meio ambiente.

ALGODÃO ORGÂNICO O algodão orgânico possui os mesmos atributos da bra convencional. É cultivado sem uso de substâncias tóxicas ao meio ambiente, consequentemente, é antialérgico no contato com a pele. A produção gera renda e cria oportunidades de negócio para as agriculturas familiares. Esse material está presente na maioria das peças, mais precisamente nas t-shirts.

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BRIM ORGÂNICO Tecido resistente, se assemelha ao coutil, jeans ou denim. Sua composição assim como o algodão, não emprega produtos químicos. Pode ser encontrado em peças como calças, bermudas, e principalmente nos casacos como as parkas, que transmitem o DNA da marca, assim como nos volumes dos bolsos.

CREPE DE SEDA É um tipo de tecido muito leve com aspecto em textura levemente ondulada, feito com os altamente torcidos de seda ou lã (ambos naturais), com o mesmo segmento da seda orgânica. Pode ser encontrado nas peças como blusas, sobreposições, vestidos, com aspecto de uidez.

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LINHO O linho possui os mesmos atributos da bra convencional, com a possibilidade de confecção de diferentes construções de tecidos planos, acessório, sapatos etc, um tecido proveniente das bras mais longas. Possui aspecto rústico e é resistente. Também é de fácil manuseio, não encolhendo ao lavar. É um material bastante utilizado pela marca e aparece em toda coleção MEIA MALHA EM ALGODÃO ORGÂNICO A meia malha também é conhecida como Jersey ou Jérsei, é um tecido de malha leve e de ligamento simples, deixando as peças com aspecto delicado, promovendo o conforto no corpo. As peças que contém esse tipo de material são: vestidos, t-shits, calças etc.

TYVEK E RESÍDUOS TÊXTEIS Esse material é proveniente dos resíduos da indústria como: palha, látex, cortiça e arroz, pode ser chamado de Tyvek. Está presente nos solados dos sapatos da coleção ASAP. REDESIGN|63


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MALHA EM PET RECILADO Esse tecido é composto por bra de poliéster reciclada, a partir de embalagens PET com algodão, que permite a criação de uma malha com resistência e durabilidade maior do que as tradicionais e solidez de cores idênticas aos produtos fabricados com poliéster convencional. Possui maior solidez na cor (não desbota facilmente) e estabilidade dimensional (impede que o tecido encolha ou entorte). É um dos primeiros materiais sustentáveis trabalhados pela Osklen, ainda no início dos anos 2000. O material pode ser criado em casacos, calças e vestidos.

LÃ ECOLÓGICA A lã ecológica possui um aspecto rústico decorrente de seu processo manual de cardagem, ação e tecelagem, o que confere aos os e a seus produtos uma estética única e alinhada ao conceito de sua origem artesanal, natural e ecológica. A lã é ecológica por não haver uso de pesticidas em pastos ou nos animais. Pode ser encontrada nas peças como casacos, calças, acessórios e principalmente nos sapatos. REDESIGN|64


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ECO-JUTA/TRACES A eco-juta é uma matéria-prima típica da Amazônia, onde é feito o plantio e extração. Esse material é facilmente decomposto. Leva em torno de dois anos para desaparecer, quando descartado, enquanto o algodão comum leva 10 anos e o poliéster pode levar até 100 anos. É um material que apresenta qualidade, durabilidade e resistência. Pode ser encontrado em acessórios como bolsas, carteiras e sapatos como tênis e sandálias.

SEDA ORGÂNICA A seda orgânica é um dos materiais de origem sustentável rastreados pelo projeto Traces. É fabricada a partir de casulos rejeitados pela indústria tradicional por estarem fora do padrão e aproveitado pela Osklen, inclusive na coleção ASAP estava presente nos acessórios e sapatos. No processo de manipulação do tecido como a tintura, são utilizados apenas corantes naturais e os teares utilizados na produção são manuais, economizando energia e preservando a tradição local. REDESIGN|65


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TRICÔ DE ALGODÃO RECICLADO O tricô de algodão reciclado é feito de os de algodão desbrado, proveniente do reuso de sobras de matéria-prima da indústria têxtil. O o do tricot foi construído com os retalhos destes tecidos cortados em tiras. E pode ser encontrado nos casacos, sobreposições, proporcionando maior conforto. O processo é realizado pelo Grupo de Mulheres Tricoteiras de Queimados, região da Baixada Fluminense. Além de reaproveitar um material em estoque, há incentivo do trabalho 100% feito à mão, apoiando mulheres que preservam a técnica milenar do tricot.

LONA STONE Esse material tem aspecto de lona envelhecida, é obtido através de um processo de estonagem que preserva suas características rústicas e duráveis, levando o conceito de durabilidade das lonas de algodão a um novo patamar. Ideal para bolsas , pois é bastante resistente.

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COURO DE PIRARUCU O couro do peixe pirarucu - maior peixe da água doce do Brasil - tem uma resistência maior que a do couro bovino, embora seja mais no e macio. Material versátil, é inodoro e resiste ao ataque de microrganismos, durando i n d e  n i d a m e n t e . Mede em média 1 m x 60 cm, e seu peso é variável de acordo com o produto nal e acabamento utilizado. O couro de pirarucu é usado na confecção de acessórios, tênis, bolsas e carteiras.

MICROFIBRA A microbra é um material bastante utilizado pela marca, presente nos shorts, calça e também pode ser encontrado nos acessórios como bolsas e carteiras. Esse material é composto por um mix de materiais reciclados como poliéster, reconstituído a partir de materiais pós-industriais como lmes plásticos de sucata, que seriam descartados. Se comparado ao couro feito a partir de peles de animais, este material apresenta benefícios sustentáveis. REDESIGN|67


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SARJA NATURAL EM ALGODÃO ORGÂNICO Tecido básico e versátil que apresenta um excelente caimento, com bom aspecto após lavagem e combina com qualquer tipo de clima. Está presente nas peças como shorts, calças, casacos, etc.

COURO DE SALMÃO O couro do salmão, além de apresentar características estéticas adequadas para sua utilização na moda por conta de sua beleza e exotismo, possui também uma excelente resistência mecânica. O material é versátil, os couros de peixe são inodoros e resistentes ao ataque de microrganismos, durando indenidamente. A captura do salmão se faz de forma consciente e não-predatória, com respeito às leis ambientais e ao período de procriação. Disponível em acessórios, sapatos, bolsas etc. REDESIGN|68


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COURO ECOLÓGICO O produto é um material à base de látex natural aplicado sobre tecido, proveniente da Amazônia. Através de inovações tecnológicas, chegou-se a um aperfeiçoamento de todo o processo de produção do couro vegetal. A fumaça, outrora empregada durante a vulcanização, foi substituída pela secagem ao calor do sol, não afetando a saúde dos produtores. O material devolve à borracha nativa os melhores padrões de qualidade e possibilita sua utilização na fabricação de artigos de vestuário, bolsas, mochilas, pastas e demais acessórios. Suas características estéticas são similares às do couro convencional. A produção desse couro ecológico é uma alternativa ambiental para a oresta e econômica para populações seringueiras, contribuindo para a valorização de culturas tradicionais e para preservação e uso sustentável da biodiversidade por manter intactas as árvores das quais se retira o látex - sua extração respeita a sazonalidade da seiva, entre janeiro e agosto. A comercialização do couro ecológico colabora para o fortalecimento das comunidades, que permanecem na oresta, evitando a migração para as periferias das REDESIGN|69


2.1Projetos, produtos, materiais e processos

TECELAGEM E FIAÇÃO A tecelagem artesanal está presente na produção de tecidos que mesclam materiais diversos como algodão, linho, seda, sementes, palha de milho, assim como redes de pesca, sobras de lã e retalhos. Produzidos por artesãs e trabalhadoras rurais, os os e tecidos produzidos resgatam a identidade auxiliando-as a transformar em fonte de renda capaz de mudar a vida em pequenas comunidades.

TINGIMENTO DE FIOS DE ALGODÃO O tingimento natural para os de algodão é um processo que utiliza matérias-primas vegetais como cascas de árvores e de tubérculos, folhas e sementes, mas também emprega terra (triângulo mineiro dá a cor preta), serragem de madeira (cores variadas) e peças de ferro-velho (cor de ferrugem). O açafrão (cor mostarda) e o urucum (marrom) são exemplos dessa sinergia. No cerrado brasileiro existem inúmeras plantas estudadas que são boas para a produção de corantes naturais. Anileiras (azul), cedro (rosa), barbatimão (vinho), garapa (amarelo), jenipapo (cinza), ipê (rosado) e jatobá (marrom ou cinza) dão ótimos tingimentos. As folhas de eucalipto (cinza azulado) e as cascas da cebola (laranja) são alternativas. Atualmente, a qualidade de um tingimento em os de algodão é comprovada e já bastante usada por cooperativas e comunidades produtivas.

TINGIMENTO DE COUROS O tingimento para o couro é um processo diferente dos convencionais citados acima. As linhas de corantes mais comuns são:

Corantes naturais: Extraídos de madeiras, plantas e outros elementos da natureza, estes materiais são pouco usados nos curtumes, pois contém um leque pequeno de cores, geralmente com pouca intensidade e com pouca solidez à luz. REDESIGN|70


2.1Projetos, produtos, materiais e processos

Corantes sintéticos: Não possuem metal em sua composição. O leque de cores é maior que o dos corantes naturais e já são utilizados em formulações da produção de couros;

·Corantes ácidos: A maior parte deles possui metal em sua composição, porém em doses comparáveis às de nosso organismo. O couro tingido com este material possui cores mais bonitas e intensas, e com um grande leque de opções. E são ainda considerados ecológicos. A melhor maneira de diferenciar um couro curtido e tingido naturalmente é queimando-se um pedaço do material - o couro tradicional irá gerar um pó esverdeado, que é justamente o cromo, que não se desintegra.

CURTIMENTO DE COURO “BIO” O curtimento é a transformação da pele animal em couro. O couro, portanto, é a matéria orgânica tratada pelo processo de curtimento para que não entre em decomposição. Pode-se, então, denir um couro natural, ou ecológico, como aquele cujo curtimento é isento de aditivos poluentes ao meio ambiente e nocivos ao ser humano.

Prós e contras do couro ecológico ·Mercado consumidor cada vez mais propício a adquirir este tipo de material

·Oportunidades de mercado para couros alternativos (peixe, rã,etc.)

Couros de peixe (pescada, dourado e tilápia) são muito resistentes por suas bras serem naturalmente entrelaçadas REDESIGN|71


2.1Projetos, produtos, materiais e processos

·A produção do couro “ecológico” é um pouco mais demorada por ser semi-artesanal;

·O custo do couro “ecológico” ainda é maior;

A produção do couro “ecológico” requer maior acompanhamento pelo maior grau de diculdade do processo

Dentre todos os materiais que entraram nessa pesquisa, nenhum teve um crescimento tão expressivo quanto o algodão orgânico; o couro vegetal, a bra de poliéster obtida através da reciclagem de garrafas PETs; assim como a utilização de retalhos e sobras de tecidos para ação de novos os. Essa inovação da indústria têxtil absorvida nos produtos da marca rearmam o conceito dos projetos, processos e materiais. É um caminho guiado pela proposta da marca e que da indícios à novas práticas, em que o produto criativo híbrido está a poucos passos de acontecer. Nessa análise foi possível conhecer um pouco mais desses materiais, além do papel da empresa em relação a responsabilidade ambiental e ao equilíbrio de impactos. Esse e outros cenários estão presentes em toda a cadeia de marketing da marca, uma estratégia importante, uma vez que o produto e suas especicidades são apenas uma parte do todo, representado pela marca. A pesquisa a seguir será sobre um levantamento de informações da comunicação e o marketing da Osklen, com objetivo de traçar as principais informações para mantê-la como referência no setor em que atua.

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2.2 Análise de marketing

2.2

ANÁLISE DE MARKETING

As estratégias adotadas pela marca visam otimizar suas ações, consequentemente, equilibra a produção, a oferta de mercadorias, serviços, necessidades e preferências dos consumidores. O marketing considera pesquisas de mercado, o design, campanhas e atendimento pós-venda. O conceito do marketing pode ser equiparado à macroeconomia, onde representa um conjunto de variáveis que inuenciam a forma como os consumidores respondem ao mercado, numa constante mudança de comportamentos. Novas estratégias surgem e junto a isto, o sentido de inuenciar a procura por novos produtos, visando alcançar o nível desejado do negócio. (KOTLER, 2017). E para melhor compreender o mercado em que a Osklen está inserida e a forma como se relaciona com o consumidor, primeiramente, será elaborado um estudo através do conceito dos 4C’s, apresentado por Philip Kotler, em Marketing 4.0, seu novo livro. O objetivo é analisar o nicho de público consumidor da marca, em seguida será feita uma análise Swot da Osklen e de outras marcas que inspiram o projeto Redesign. De acordo com Kotler, historicamente, o marketing está dividido em 4 fases. No Marketing 1.0 o objetivo era redução de custo de produção, feita para servir ao mercado de massa e atingir um número maior de pessoas que pudessem adquirir aqueles produtos. Ou seja, foco na venda. No Marketing 2.0, era da informação, os consumidores passam a conhecer mais os produtos e escolher as marcas que, de fato, desejam consumir. As suas preferências moldam segmentações de mercado e os prossionais de marketing seguem mapeando esses consumidores, o foco desta fase do marketing é o consumidor.

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2.2 Análise de Marketing

No Marketing 3.0 os consumidores

iremos começar pela análise de

deixam de ser tratados apenas como

relacionamento que a marca tem com

tal e passam a ser vistos como seres

os consumidores.

humanos que possuem valores, opiniões, desejos e ideologias. Desse

O mix de marketing, conhecido como

modo há uma mudança considerável

estratégia dos 4P’s (produto, preço,

de comportamento em que são

praça e promoção), foi uma teoria

atribuídos signicados de: missão, visão

desenvolvida por Jerome Mc Carthy e

e valores, oferecendo soluções para os

difundida por Philip Kotler. É uma

problemas da sociedade. Nesta fase, o

ferramenta importante para conhecer

foco é a humanização do consumidor.

a marca, porém, os 4C’s trazem uma

Já no Marketing 4.0, voltado para a era

abordagem atual com foco em quem

digital, o caminho do consumidor é

realmente interessa para a marca: os

reescrito a partir dos “5 A’s”:

clientes. Os 4 C’s são compostos por

assimilação, atração, arguição, ação e

Cliente, Custo, Conveniência e

apologia. Ou seja, o consumidor exerce

Comunicação.

a escolha (assimilação) do produto e

CLIENTE

da marca (atração), logo, em seguida, faz uma breve investigação do produto

Trata das necessidades e dos desejos

(arguição) antes da compra (ação) e

dos consumidores, focando apenas na

quando a aquisição é bem-sucedida

vida desse consumidor.

ele passa a defender aquele produto

No caso da Osklen, o relacionamento

de determinada marca (apologia).

da marca com seus clientes vem sendo

Essa interação é feita através dos

trabalhado desde o princípio, quando

mundos digital (on-line) e físico (off-

Oskar identicou a oportunidade na

line).

venda dos casacos direcionada a amigos mais próximos. A partir disso, foi

Com o objetivo de denir o subconjunto

conquistando seu público, agregando

de um público especíco, Kotler arma

sua ideologia ao conceito da marca,

que é necessário traçar quem são os

pois, para ele, a sustentabilidade

consumidores e seus desejos; identicar

precisava ser uma missão, não uma

seus pers e personas, para

ação de marketing à curto prazo.

posteriormente traçar estratégias

Surgem então os primeiros clientes que

fazendo uma concepção e

se interessam pela marca, por já

planejamento de conteúdo. Portanto,

praticarem um consumo consciente,

REDESIGN|74


2.2 Análise de marketing

eles sabem que existe um valor na peça

Segundo Gavin Ambrose e Paul Harris,

que vai além do preço na etiqueta. O

em Design Thinking, a diferença entre

produto, de fato, causa desejo, tem

persona e público alvo é que o público

qualidade, elementos de design, mas a

alvo representa uma parcela

interatividade com o consumidor ainda

abrangente da sociedade que mais se

precisa ser repensada.

identica com a marca, com os produtos ou serviços que ela propõe. Já

Os interesses do grupo de consumidores

a persona é a caracterização do

da Osklen revelam muito sobre sua

consumidor de forma mais humanizada

cultura dominante. São pessoas que

e personalizada. O objetivo da criação

possuem uma postura renada e

dessa persona é enviar a mensagem

sensível, com uma estética visual que

certa para as pessoas certas e, assim,

vai além das imposições midiáticas de

ter um bom diálogo e relacionamento

mercado, por exemplo. E esse público

com o consumidor. Logo, a pesquisa de

está no centro da revolução ética,

imersão é uma das metodologias

construindo seu bem-estar. Seu

usadas para denir essas personas, com

consumo é baseado na tomada de

objetivo de realizar a segmentação do

decisões, relacionada ao seu cotidiano

perl do público desejado, seus desejos

e estilo de vida. Os produtos oferecem

e limitações, além de sedimentar o

uma série de códigos estéticos e novas

mercado, guiar decisões sobre o

linguagens, pois acreditam que suas

produto.

escolhas fazem parte de sua personalidade e visão de mundo. O

CUSTO

cuidado pessoal também é

A análise de custo do produto é

colaborativo. Procuram estar em

diferente do preço uma vez que o

ambientes que geram prazer físico e

preço é apenas um pequeno

mental, portanto, frequentam centros

segmento do custo global de compra

de cuidados com o corpo, esportes

de um produto para um consumidor. Os

urbanos e naturais, eventos culturais, em

custos dos produtos são relativamente

busca de novas experiências,

equiparados a matéria prima dos

relacionamentos, nos quais satisfazem

produtos que são desenvolvidos com a

seus anseios. Assim como uma

curadoria do IE. É garantida pela Osklen

renovação pessoal e de qualidade de

a qualidade dos produtos, que

vida, mostram estar realmente

geralmente estão interligados a um

interessados em criar um futuro melhor e

custo alto, reetindo no preço nal que

em tecnologias sustentáveis. REDESIGN|75


2.2 Análise de Marketing

Pode variar

concentração de lojas são: São Paulo,

entre R$105, e R$4.000, dependendo do

com 18, e Rio de Janeiro, com 25 lojas;

produto. As formas de pagamento são

no estado do Rio de Janeiro as regiões

acessíveis, há também descontos que

com maior índice de loja são

podem ser aplicados num “sale”, por

respectivamente: Zona Sul (9), Centro

exemplo.

(4), Zona Oeste (3), Zona Norte (2),

chega ao consumidor.

CONVENIÊNCIA

Litoral (2) e Serrana (1). No exterior são seis: Japão – Tokyo (2); USA – Miami

A análise de convivência é comparada

Beach e New York; Grécia; Uruguai –

com a praça na estratégia dos 4P’s.

Punta Dell Este.

COMUNICAÇÃO

Porém, esse novo parâmetro vai além de simplesmente identicar o local onde o produto é vendido. Nesse

A análise de comunicação substitui o

estudo são analisados os hábitos dos

conceito da promoção. A

clientes, o comportamento na compra

comunicação oferece uma maior

online e física, assim como sua

importância para o marketing, pois é o

disposição para efetuar a compra.

momento em que a marca se

O custo global do produto pode

comunica com o cliente diretamente.

determinar parte da conveniência

Ou seja, a promoção de um produto é

desse público (o local ou a plataforma

usada para inuenciar ou persuadir os

em que ele será vendido). O objetivo é

consumidores a m de fazê-los comprar

propor um produto pelo custo-

um produto. No caso da Osklen esse

benefício para que o cliente consiga

processo deve ser bem trabalhado

adquirir sem diculdades.

pois, além de ter um conceito diferenciado das outras marcas de

Os pontos de venda estão distribuídos

moda, a marca singulariza seu DNA nos

no país e no exterior, além do e-

materiais sustentáveis. Segundo o site

commerce. São denominados como

da marca, “a nobreza passa pela

FlagshipStores; Showroom; International

preocupação social e a preservação

Sales; International Distributors;

dos recursos naturais para as próximas

Revendedores Autorizados e Lojas

gerações”.A maior parte da

físicas. A região do Brasil que tem a

comunicação que a marca

maior concentração de lojas é o

estabelece com seus clientes é através

Sudeste com 50 pontos no total; os dois

das plataformas de mídias sociais como

estados que apresentam maior

Instagram, Facebook e também do Site.

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2.2 Análise de marketing

ANÁLISE SWOT A Análise SWOT é uma ferramenta utilizada para fazer estudos de cenários de mercado como base de gestão e planejamento estratégico da marca.

Por

apresentar características muito especícas, a Osklen não apresenta concorrentes no setor em que atua e segue se mantendo referência em inovação e sustentabilidade. Portanto, essa análise será aplicada à marca com o objetivo de avaliar sua organização, através das quatro variáveis: internas - Strengths (força) e Weaknesses (fraquezas); externas - Opportunites (oportunidades) e Threats (ameaças).

FORÇAS A maior força da marca é a forte ligação com os projetos que desenvolve junto ao Instituto E, profundamente conectado com a responsabilidade ambiental e a sustentabilidade. Outra grande força é o investimento em pesquisas e parcerias que vêm desenvolvendo durante esses vinte anos por meio de programas sustentáveis que viabilizam a produção de seus produtos e geram o desejo das pessoas que almejam compartilhar do life style carioca que a marca proporciona. Os clientes acreditam que os produtos ofertam maior qualidade. A experiência de consumo Osklen inspira, inclusive, os clientes à explorarem o que o Brasil tem de melhor para oferecer, sua matéria prima natural.

FRAQUEZAS Ainda há diculdade de comunicação entre marca e consumidor, faz-se necessário um estudo da relação da marca com seu público a m de conhecer seu comportamento de compra e saber o que considera viável ou não nos produtos que a marca desenvolve. Talvez um grupo focal em que a marca possa consultar e identicar o que pode ser melhorado pelo olhar do cliente em uma das coleções, por exemplo, ou aplicar uma experiência de co-criação. Quando esse feedback vem apenas dos gerentes das lojas, algo se perde pelo caminho. Em marcas com propósito há necessariamente que a comunicação seja eciente para integrar ainda mais os clientes com a marca, aumentando a delidade e o alcance de clientes. REDESIGN|77


2.2 Análise de Marketing

OPORTUNIDADES Com a liderança do setor de moda sustentável, a marca está em vantagem nacional e internacionalmente por ser uma marca de moda com pegada socioambiental, onde nenhuma outra se assemelha ao seu empenho e equilíbrio já construídos ao longo de sua trajetória. Por esse motivo tem a oportunidade de aumentar sua transparência e seu engajamento com a comunidade local, de forma a desenvolver em cada loja, por exemplo, programas de interatividade.

AMEAÇAS A maior ameaça da empresa não são os concorrentes, pois, como já dito, a marca não os possui. Contudo, luta contra a cultura de um mercado que pode oferecer um produto semelhante ao seu, esteticamente apenas, por um preço menor. Nesse caso, o fast fashion é o maior vilão do consumo consciente. Após essas análises, serão identicadas, no próximo capítulo, as principais referências para a construção do conceito Redesign, que será apresentado como base para elaboração da coleção a ser criada. Os estudos realizados até agora serão de suma importância para a continuidade do projeto.

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Redesign parte 2 corrigida  
Redesign parte 2 corrigida  
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