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Centro de Tecnologia da Indústria Química e Têxtil Faculdade SENAI CETIQT Curso de Bacharelado em Design

Marina Mikalauskas Dias

REDESIGN Um produto criativo híbrido desenvolvido para a Osklen

Rio de Janeiro 2018


Centro de Tecnologia da Indústria Química e Têxtil Faculdade SENAI CETIQT Curso de Bacharelado em Design

Marina Mikalauskas Dias

REDESIGN Um produto criativo híbrido desenvolvido para a Osklen

Trabalho de Conclusão a ser submetido à Comissão Examinadora do Curso de Bacharelado em Design, da Faculdade SENAI CETIQT, como parte dos requisitos necessários à obtenção do grau de Bacharel em Design com ênfase em Moda. Prof.ª Orientadora: Gláucia Curtinaz Centeno

Rio de Janeiro 2018


Ficha catalográca Dias, Marina Mikalauskas Redesign: Um produto criativo híbrido desenvolvido para a Osklen. / Marina Mikalauskas Dias. – Rio de Janeiro, 2018. 198 p. Trabalho de Conclusão a ser submetida à Comissão Examinadora do Curso de Bacharelado em Design com ênfase em Moda, da Faculdade SENAI CETIQT, como parte dos requisitos necessários à obtenção do grau de Bacharel em Design.

1. Design de Moda. 2. Hybrid Fashion. I. Título.


Marina Mikalauskas Dias

REDESIGN Um produto criativo híbrido desenvolvido para a Osklen Trabalho de Conclusão a ser submetida à Comissão Examinadora do Curso de Bacharelado em Design, da Faculdade SENAI-CETIQT, como parte dos requisitos necessários à obtenção do grau de Bacharel em Design com ênfase em Moda. Prof.ª Orientadora: Gláucia Curtinaz Centeno

Data de Aprovação: 15/6/2018.

Banca Examinadora:

________________________________________________________ Gláucia Curtinaz Centeno Mestre em Comunicação, Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, Docente, SENAI CETIQT

________________________________________________________ Rosanna Naccarato Especialista em Educação Estética pela Arte, Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro, Docente, SENAI CETIQT

________________________________________________________ Nina Almeida Braga Mestre em Ciências, Fundação Oswaldo Cruz, Diretora, Instituto E

___________________________________________ Marco Aurélio Lobo Junior Coordenador do Bacharelado em Design


Dedicatória À minha família, em especial minha avó Edna (in memorian).


«Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já tem a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos cado, para sempre, à margem de nós mesmos – O medo é o maior gigante da alma.»

Fernado Teixeira de Andrade


Agradecimentos Agradeço à Deus, por permitir escrever mais esse capítulo da minha história. À minha amada família, em especial meus pais Evaldo e Elizabeth por serem meu exemplo de vida provedores dos meus sonhos. Aos amigos Katheleen Santa Rosa, Laura Martins, Thainá Dolavale, Lucas Menezes, Vitória Meirelles, Frederico Leite e Rubia Correia por terem sido grandes parceiros dessa jornada. Aos docentes Rosana Naccarato, professora referência para minha formação de Designer de Moda, por ter me passado o conceito de que “para criar, não há regras”, e aos demais que zeram dessa teoria fazer sentido na prática. São eles: Solange Santos, que foi responsável pela minha paixão por modelagem; Iria Wesley e Anna Virgínia Eccard, por ensinar a dar vida as criações, na confecçao de vestuário; Rones Herminio, pelo gosto do processo de gestão da produção de vestuário; Nina Braga, mentora e inspiradora pelo trabalho que faz em prol do desenvolvimento humano sustentável; Renata Estefan, pela troca de experiência e amadurecimento do projeto; e a principal orientadora, Gláucia Centeno, que acompanhou todo o processo, lapidou e fez o projeto acontecer. Obrigada pela conança, paciência e cuidado, pois fez toda a diferença. Enm, deixo registrado minha gratidão por esses grandes mentores que contribuíram para minha formação pessoal e acadêmica até aqui, e compartilharei os ensinamentos por onde for.


Resumo Este projeto tem como objetivo desenvolver uma linha de produtos de moda para a marca Osklen, com base no conceito de produto criativo híbrido. Para isso, será apresentada uma análise da marca, identicando suas principais características, potencialidades e interfaces com ações de responsabilidade socioambiental. Foram feitas pesquisas bibliográcas, de observação e experimental sobre os mercados Slow Fashion; Fast Fasion e Hybrid Fashion. Também foram investigados temas como consumo consciente, upcycling e zero waste. O trabalho apresenta ainda experiências criativas com base nas metodologias handstorm e fashion folio. Palavras-chave: Design de Moda. Slow Fashion. Sustentabilidade. Upcycling. Zero Waste. Redesign.


Abstract This project aims to develop a line of fashion products for the Osklen brand, based on the hybrid creative product concept. For this, a brand analysis will be presented, identifying its main characteristics, potentialities and interfaces with social and environmental responsibility actions. Bibliographical, observational and experimental research was done on the Slow Fashion markets; Fast Fashion and Hybrid Fashion. We also investigated topics such as conscious consumption, upcycling and zero waste. The work also presents creative experiences based on handstorm and fashion folio methodologies. Keywords: Fashion Design. Slow Fashion. Sustainability. Upcycling. Zero Waste. Redesign.


21 - 25

45 - 51-29

12 INTRODUÇÃO

1. HYBRID FASHION: Um novo caminho entre o Slow e o Fast

2. OSKLEN 2.1 Projetos, Produtos, Materiais e Processos 2.2 Análise de Marketing


79-82-85

91-166-189-194

34 3. REDESIGN 3.1 Produto Criativo Híbrido 3.2 Métodos de Desenvolvimento

4. GÊNESE Considerações Finais Referências Anexos


intro


dução


Introdução

Este projeto de conclusão de curso tem como objetivo o desenvolvimento de uma coleção baseada no conceito de produto criativo híbrido, aplicado a uma marca de moda, a Osklen - reconhecida mundialmente pela representatividade do lifestyle carioca, mantendo o equilíbrio entre a ética e a estética nos produtos. Se falar de moda evocamos um universo de valores complexos, não é diferente com a questão da sustentabilidade. Essa temática, ainda mais fortemente na contemporaneidade, gera contínuos desdobramentos e impõe problemas inéditos, que nos obrigam a repensar nossas atitudes diárias e práticas de negócio de forma ampla. Sustentabilidade não está apenas relacionada a ações de lantropia, gestão de resíduos ou plantio de árvores, mas a uma reorganização da visão de mundo de cada cidadão. É algo que requer uma profunda e íntima reexão sobre o que é considerado desenvolvimento e para onde esse desenvolvimento está levando a humanidade, quais as suas consequências, que preços estamos pagando por ele e como temos nos relacionado com a natureza, da qual fazemos parte. (BERLIM, 2012, p. 14)

Lilyan Berlim, em Moda e Sustentabilidade, além de julgar necessário uma reexão sobre esse assunto, conta que o desenvolvimento sustentável se baseia em três pilares de igual valor: social, econômico e ambiental. Um novo paradigma da relação entre o ser humano e o meio ambiente, sem desprezar a questão econômica. Segundo a ABIT (Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção), há uma perspectiva da área têxtil/confecção no cenário atual do país em relação a sustentabilidade. Atualmente o Brasil é o 4º maior parque produtivo de confecção do mundo, 2º maior empregador da indústria de transformação além do maior gerador de primeiro emprego produzindo em média 5,4 bilhões de peças; a moda brasileira está entre as cinco maiores Semanas de Moda do mundo. Ou seja, temos motivos para continuar gerando lucratividade e responsabilidade para gerar produtos que tenham uma preocupação sócio ambiental.

A sustentabilidade não é mera tendência de moda, e sim parte fundamental desse universo. São inúmeras empresas espalhadas pelo mundo que se tornaram cases de sucesso por perceberem antecipadamente a mudança de mentalidade dos consumidores, hoje mais preocupados com as consequências de suas práticas de consumo. Essas empresas apostam na transição de um processo estritamente tradicional de criação e passam para um modelo que emprega os conceitos socioambientais. O que move esse projeto de conclusão de curso é, justamente, a identicação de uma marca de moda, que já possui potencial inovador em processos sustentáveis, e a proposição de métodos que irão auxiliar ainda mais nessa proposta ecofriendly, remanejando resíduos e insumos de coleções passadas. Todos os dias, são descartadas dezenas de milhares de peças em aterros gigantes ao redor do mundo. REDESIGN|21


Introdução

Com isso, a pergunta que surge é: quais as estratégias para tornar a indústria da moda mais sustentável? A sustentabilidade proporciona os ns dos quais precisamos para orientar a inovação. Como diz Manzini (2008), em A Matéria da Invenção, a propriedade mais importante necessária nos materiais de amanhã é a leveza. As estruturas que projetamos precisam atuar de forma leve, além de serem leves – leves para construir, leves para montar, leves para operar, leves para recuperar e leves para reciclar. Os produtos e serviços de moda sustentável estão sendo desenvolvidos justamente com o objetivo de causar menos danos ao meio. É possível aplicar esse conceito em todo o ciclo de vida do produto, como por exemplo, a escolha dos fornecedores, das matérias-primas, até mesmo na fase do descarte desse produto. “A moda no séc. XXI precisa ter um propósito onde a estética e a ética caminhem juntos, caso contrário não faz o menor sentido”, arma Nina Braga, diretora executiva do Instituto E. No que diz respeito à vida cíclica de um produto de moda em especíco, Manzini e Vezzoli, acatando os valores da engenharia de produção e também da losoa slow, a dividem em quatro etapas: a pré-produção (ou criação), produção, consumo e descarte– momento em que o produto cumpre seu ciclo produtivo primário, e é posteriormente redirecionado após procedimento de reuso, como, como por exemplo, a técnica upcycle, aumentando sua utilidade. No mundo de hoje, extremamente conectado em rede, faz mais sentido pensar no design como um processo que, continuamente, dene as regras de um sistema ao invés de seus resultados. REDESIGN|22

Nesse projeto, para o desenvolvimento do produto, não se faz necessário, por exemplo, fornecedores de matériaprima pois a própria marca se torna um fornecedor, revendo peças que sejam descartadas para reuso na elaboração de novos produtos. De acordo com o Departamento de Produção e Consumo Sustentáveis do Ministério do Meio Ambiente (2015), há uma valorização das iniciativas socioambientais das empresas, dando preferência às companhias que mais se empenham na construção da sustentabilidade por meio de suas práticas cotidianas, contribuição voluntária e solidária para garantir a vida no planeta. E os designers são fundamentais nesse processo, pois têm o poder de proteger um ecossistema. Diante do cenário atual da indústria da moda, torna-se imprescindível e urgente incorporar práticas sustentáveis à cadeia têxtil e de confecção. O papel do prossional que tem interesse em proteger esse cenário é alinhar seus projetos de desenvolvimento de produto para que sejam de fato sustentáveis.


Introdução

Na primeira parte do projeto serão apresentados os temas sustentabilidade e moda com propósito, denindo os termos Slow Fashion, Fast Fashion e Hybrid Fashion, que serão pontualmente citados no decorrer do estudo. Também abordaremos o consumo consciente, que é esperado para uma sociedade de nicho de mercado ecofriendly, salientando especialmente a política, os projetos e a função do designer nesses processos.

Na segunda parte da pesquisa será apresentada uma análise da marca em questão, a Osklen, uma vez que a coleção será criada para ela. E serão analisados seu mix de marketing, métodos pontuais, além de produtos e materiais sustentáveis que a marca desenvolve. A terceira etapa, nomeada “Redesign”, discorrerá sobre a nalidade dessa pesquisa, que é o desenvolvimento de produtos com baixo impacto ambiental. Nesse capítulo será encontrado o conceito norteador do projeto, o produto criativo híbrido de moda, além de estratégias e métodos desse processo. Na quarta e última parte, concentra-se a metodologia usada para criação de uma coleção experimental utilizando todos os conceitos abordados acima, com um destaque particular para criação de produtos a partir do reaproveitamento de produtos de coleções antigas da marca, com a nalidade de aumentar o ciclo de vida das peças. A abordagem central desse projeto trata da questão da sustentabilidade e sua relação com o setor têxtil e de confecção, o sistema da moda e o consumo. Hoje, o planeta passa por um esgotamento de seus recursos naturais que afeta em cadeia global os sistemas socioambientais. Nesse cenário, além do desgaste ambiental, há implicações que podem conter características indiretas, como a saturação do mercado, o desemprego, o aumento das guerras regionais pelo comando de recursos naturais, entre outros. Promover a sustentabilidade é uma responsabilidade que devemos assumir em relação às gerações futuras.

REDESIGN|23


1. Hybrid Fashion: Um novo caminho entre o Slow e o Fast

A decisão de escolha do indivíduo em

Sobre a adequação corporativa para

adquirir ou utilizar determinado produto

que se possa começar um trabalho

legitima sua existência e compactua

com moda sustentável, parcerias e

com os efeitos ambientais ligados à

associações, é importante tomar

produção, emprego e escoamento.

ciência sobre os métodos a serem

Porém, isso não gera carga de

seguidos. A empresa apresenta a

responsabilidade aos consumidores.

escala mais eciente para a introdução

Evidente que suas escolhas estão

de mudanças fundamentais nas

condicionadas a diversos fatores,

modalidades do consumo. Reformar as

independentemente de suas vontades.

ferramentas do mercado, que são o

Segundo Manzini e Vellozi (2011), o

marketing e o design, em prol de um

melhor modo para seguir nos

desenvolvimento sustentável permitirá

parâmetros da sustentabilidade é que

superar uma primeira etapa que, hoje

cada potencial consumidor aja com

em dia, parece ambiciosa demais,

base em seus próprios valores, critérios

olhando em direção à massa

de qualidade e expectativa de vida.

consumidora e pelo sistema econômico. (Kazazian, 2005, p.27)

É importante observar que, para que isto aconteça, se fazem necessárias três

A sustentabilidade certamente não é

condições fundamentais:

vendável, porém complexa. Por esse motivo cabe ao consumidor ter atenção necessária ao fazer suas

1 1. Que os consumidores tenham

escolhas e buscar informações corretas

feedbacks ambientais corretos;

sobre cada produto. A teoria de um “consumo verde” ou “consumo

22. Q u e a o s c o n s u m i d o r e s s e j a m

consciente” ainda caminha em passos

oferecidas alternativas de sistemas

lentos, embora a maioria das questões

socialmente favoráveis ao meio

que envolvam a sustentabilidade

ambiente;

ambiental acabem caindo sobre os meios de dimensão social e política,

33. Q u e d e s e n v o l v a u m a c u l t u r a

além do mercado,

adequada para interpretar corretamente os feedbacks ambientais e reconhecer os valores reais.

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1. Hybrid Fashion: Um novo caminho entre o Slow e o Fast

há um potencial relevante na troca de

medida, abrindo um espaço para

informações através da comunicação.

interação dos usuários com

De acordo com o pesquisador do

possibilidade de questionamento aos

Instituto Politécnico de Milão, Carlo

criadores em relação à moda-

Vezzoli (apud SCHULTE, 2006), existem

sustentabilidade-consumo.

algumas possibilidades de cenários para que os produtos de moda tenham

São pequenas modicações de

um ciclo de vida mais longo.

comportamento, em prol do verdadeiro equilíbrio socioambiental,

É pouco provável que ao comprar uma camiseta de algodão convencional o consumidor pense que está comprando um produto que, até chegar as suas mãos, consumiu 160 gramas de agrotóxicos, uma determinada quantidade de energia e que causou danos sérios ao solo, à água e aqueles que trabalharam no cultivo do algodão. Tampouco sabe que ele estará gerando novos impactos ambientais cada vez que sua camiseta for lavada e passada. A roupa está tão próxima ao nosso corpo que acabamos por não a percebê-la enquanto produto. O que vestimos é parte de nós, por isso é mais frequente usarmos do sentimento de moda para entendermos uma roupa do que a racionalizarmos como produto. (BERLIM, 2012, p. 32)

que acabam impactando em reais mudanças. Esse é um modelo de design participativo, mais um drive de interação entre usuário e designers, que também promove o compartilhamento do conhecimento. Nesse contexto, o consumidor desaparece e entram em cena seres humanos compartilhando saberes. Esses consumidores estão cada vez mais atentos aos princípios éticos, esperam das marcas um sistema transparente, de monitoramento honesto aos códigos de conduta. Além das transformações na economia,

No contexto sobre identidade

fazem o consumidor começar a pensar

emocional do produto, o consumidor

sobre o viés do conceito do produto e

passa a ter comprometimento e

não no produto em si, apenas como um

responsabilidade com o produto, além

objeto. A informação acontece de

do consumo em si. O primeiro cenário

forma orgânica e serve de termômetro

seria o consumidor participar da

das vendas, experiências e mensagens

criação e produção, personalizando as

que são passadas através dos produtos

peças. O segundo cenário seriam as

propostos pela marca, tanto no

empresas/lojas oferecerem serviços de

momento da compra, quanto depois.

manutenção, restauração e roupas sob REDESIGN|28


1. Hybrid Fashion: Um novo caminho entre o Slow e o Fast

Assim como a relação de consumo

A busca por satisfação pessoal, sendo

como um artefato material de compra

um agente transformador da sociedade

e venda. Uma vez que os produtos se

por meio dos seus atos de consumo é o

encontram cada vez mais criativos e

que move esse nicho de mercado. E os

inovadores proporcionam experiências

designers já perceberam

satisfatórias ao consumidor, pois a

antecipadamente essa mudança de

criatividade é um grande diferencial

mentalidade do consumidor, que se

das atividades do mundo moderno. Ela

mostra preocupado com as

gera inovação, novos formatos dos

consequências sofridas pelo planeta e

produtos, novas aplicações, novos

pela sociedade. As buscas pela

públicos e novas linguagens.

mudança é que zeram a transição do processo tradicional de criação para o

Se estamos em uma era em que é preciso um reposicionamento perante o meio ambiente e as gerações futuras, é preciso reetir sobre como nos vestimos, o que compramos, como compramos, por que compramos e que diálogo estamos travando com a natureza e com o próximo por meio da moda. Assim também estaremos reetindo sobre nossos anseios e nossa trajetória. (BERLIM. 2012, p. 14)

mais sustentável possível. Essa é uma questão que nasce das experiências do consumidor com a moda. O fast fashion por muito tempo, esteve por trás desse consumo vendendo uma ideia de que moda é circunstancial, vendendo produtos a preços inacreditáveis de tão baratos e que nem de perto pagam o custo. De acordo com Kotler (2017), os

A capacidade do consumidor de fazer

consumidores ainda continuam

perguntas sobre toda a cadeia

expostos aos excessos: características

produtiva de uma mercadoria cria uma

dos produtos, promessas de marcas e

mudança permanente e positiva em

argumentos de vendas. Confusos com

todo o mundo. A transformação de

mensagens publicitárias que parecem

mão dupla na produção e no consumo

ser boas demais para serem verdadeiras,

inuencia ações como consumir

costumam ignorá-las, preferindo se

menos, pressionar por mudanças

voltar às fontes mais conáveis. A

positivas e comprar melhor. Há muitas

transparência exige uma prestação de

formas de se envolver para quem

contas, e quando esse potencial

deseja fazer parte da mudança.

consumidor consciente passa por essa experiência, acontece a mudança. REDESIGN|29


1. Hybrid Fashion: Um novo caminho entre o Slow e o Fast

O Fashion Revolution, por exemplo, é um

A co-fundadora do movimento Fashion

movimento da indústria sustentável de

Revolution, Orsola de Castro, acredita

moda. Foi criado por um conselho global

que a indústria da moda pode liderar o

de líderes, que se uniram após o

avanço do pensamento sustentável. A

acidente ocorrido em Bangladesh, em

moda é uma força a ser considerada,

2013 - o desabamento do edifício Rana

pois ela inspira, provoca, conduz e

Plaza, onde se localizava uma fábrica de

cativa. O slogan “Quem fez as minhas

roupas. O ocorrido deixou milhares de

roupas? ” é um grito do consumidor

mortos e feridos, todos operários que

para a cadeia de indústria têxtil. Mas

trabalhavam em péssimas condições. A

essa mobilização não parou só neles, as

campanha surgiu, justamente, com o

próprias marcas que não costumavam

objetivo de aumentar a conscientização

divulgar seus processos de produção

sobre o verdadeiro custo da moda e seu

passaram a ser mais transparentes. Para

impacto em todas as fases do processo

Orsola, devemos enxergar a moda

de produção e consumo, mostrando ao

como a pele que escolhemos sendo um

mundo que a mudança só é possível

reexo de nossa imagem pessoal, além

quando há uma força tarefa em cima de

de ser uma grande indústria com altos

um só objetivo, no caso, criar conexão

retornos na economia. As roupas

de informações, levando conhecimento

afetam 100% da população, então o

a todo setor têxtil do mundo, exigindo

setor só tem como crescer em estatura

mais transparência.

e expansão. Também é a única indústria que tem a obsolescência

Com isso, os clientes já estão

programada em sua essência, exigindo

começando a se posicionar perante às

assim mudança e reinvenção

marcas questionando “quem faz suas

constante. É a máquina de produção

roupas”, “de que materiais são feitas”,

em massa perfeita. Todo mundo quer

“onde e como são feitas”. A

uma casquinha da moda , arma. Por

sustentabilidade deve ser parte

esse motivo teve tanta repercussão. Ela

integrante da narrativa da marca e de

diz ainda que “essa ação irá incentivar

seus produtos. Eles querem ver a relação

as pessoas a imaginarem o ‘o

entre o produtor e o produto, e, se a

condutor’ do vestuário, desde o

narrativa for positiva, a experiência do

agricultor que cultiva o algodão, que

consumidor será mais rica e o

dá origem aos tecidos, até chegar ao

relacionamento com o produto mais

costureiro. ”

profundo. REDESIGN|30


1. Hybrid Fashion: Um novo caminho entre o Slow e o Fast

O Fashion Revolution Day há 5 anos

fonte energética, alimentando fornos

v e m

e s s a

de cimento. Segundo a empresa, esse

conscientização sobre o fato de que a

processo não gera cinzas nem emissões

compra é apenas o último passo de

para o meio ambiente e segue as

uma longa jornada que envolve

normas da legislação ambiental

centenas de pessoas, realçando a

vigentes no Brasil.

a u m e n t a n d o

força de trabalho invisível por trás das roupas que vestimos. Essa e outras informações estão disponíveis no site o  c i a l

d o

m o v i m e n t o

(www.fashionrevolution.org). Como forma de se adaptar a essas questões, surgiram exemplos de estratégias para atingir esses consumidores. A Adidas, empresa alemã de artigos esportivos, lançou no Brasil um programa de logística reversa chamado Programa Pegada Sustentável, em janeiro de 2012, com o objetivo de estimular que os consumidores possam realizar o descarte adequado de tênis velhos e sem condições de uso, minimizando os impactos ambientais e contribuindo para a Política Nacional de Resíduos Sólidos. No Pegada Sustentável, o

A Adidas pretende se tornar responsável por todo o ciclo do produto, da fabricação ao descarte, mas para isso tem como um dos principais desaos engajar os consumidores na iniciativa. Nesse sentido, três linhas de ação estão sendo reforçadas: disponibilização do maior número possível de postos de coleta, para facilitar o acesso dos consumidores, r e la c io n a m e n to v ia r e d e s sociais e premiação por meio de brindes. O consumidor que doa seu tênis recebe 5% de desconto para a compra de outro calçado da marca. O programa, que nos seus primeiros meses esteve restrito à Grande São Paulo e capital, agora está sendo ampliado para as 43 lojas espalhadas em todo o Brasil. Até o momento, a Adidas contabilizou um total de 224 doações de calçados no Estado. (UNIETHOS, 2013)

consumidor pode entregar o calçado esportivo – de qualquer marca – em

Em conformidade aos movimentos

uma das lojas Adidas e assinar um termo

sustentáveis tão presentes na moda,

de doação autorizando que o mesmo

consumidores e empreendedores

seja enviado para reciclagem. Os

estão cada vez mais apostando na

produtos entregues seguem para uma

moda consciente e na elaboração das

empresa de logística reversa e gestão

coleções para o público ecofriendly –

ambiental parceira no programa e,

uma ideologia que incentiva a

depois de desmontados, se tornam

proteção ao meio ambiente e a REDESIGN|31


1. Hybrid Fashion: Um novo caminho entre o Slow e o Fast

sociedade através do estilo de vida. Essa proposta ressignica as peças que têm seu valor acrescido por se tornarem exclusivas. Desde as mais conceituadas grifes de moda até os novos estilistas, essa tendência tem tomado forma à medida que esses produtos apresentam representatividade sustentável emplacando de forma sensorial nesse novo nicho de mercado/consumo. A diversidade de manipulações nas peças e abordagem de formas são primordiais para o desenvolvimento de produtos como esse, respeitando o código da estética. O movimento Slow Fashion indicou novos caminhos estratégicos no rumo da sustentabilidade. A pesquisadora da Chelsea College of Art and Design e do Goldmsmiths College, da Universidade de Londres, Katie Fletcher, é uma das mais antigas fomentadoras desse conceito, há mais de vinte anos promove uma visão holística do mundo ao seu redor e da relação com a natureza, seus estudos se estendem para a área dos têxteis e da moda slow, que cou conhecida na indústria do vestuário por transmitir um conceito consciente, sustentável, social e econômio. Em busca de novas alternativas atreladas ao design, à produção, consumo consciente e à ética, este conceito pode ser representado num só objetivo: ser justo e responsável com o meio ambiente. Seus projetos estão em constante evolução. Entre construção e experimentação, são eles:

SABEDORIA LOCAL

Explorar o uso do artesanato;

TEMPO DE VIDA

Rápido e lento, o metabolismo da moda;

CUIDADOS

Minimizar as lavagens e tempo de passadoria;

REUSO

Recondicionamento e reciclagem para que as roupas durem;

SATISFAÇÃO

REDESIGN|32

Roupas que nos fazem felizes.


1. Hybrid Fashion: Um novo caminho entre o Slow e o Fast

Por outro lado, o fast fashion se baseia

maior do que o outro com prazo

no consumo de moda, onde a pressa

temporal de validade. Portanto, tornar

de consumir gera um sentimento de

sustentável a moda exige adaptações

atraso e estagnação em relação as

e investimentos, a cultura da

peças que são produzidas em massa,

sustentabilidade torna em médio e

com poucas variações entre os

longo prazo uma economia e não um

produtos. No momento em que o

custo para a empresa. Ajuda a

consumidor percebe, a moda volta a

eliminar/realocar todas as perdas.

era da busca por um diferencial, que pode estar atrelado à aplicação de

A indústria da moda cria produtos que

elementos de design nos produtos,

geram desejo através de coleções

tornando as peças únicas e com valor

sazonais. Entende-se que esse ciclo é

comercial agregado.

uma apropriação do empoderamento

Passa então a existir um critério de

socioeconômico do consumidor e da

consumo que vai além desses

demanda das tendências oferecidas

movimentos.

pelo fast fashion. “Porque hoje um bom modelo de negócios vale mais que

C o n c i l i a r m o d a e sustentabilidade é, inegavelmente, um grande desao. O produto criativo híbrido de fato se compõe de dois elementos intrinsecamente relacionados. O primeiro, o valor cultural, que em si, por sua imaterialidade, é ecológico por ser reutilizável muitas vezes; o segundo, o valor material, que para ser produzido necessita de uma utilização intensiva de recursos naturais. (CIETTA, 2017, p.432)

uma boa coleção”. CIETTA (2017). O autor faz uma reexão a respeito do uso de slogans como “slow/fast” no lugar de raciocínios, pois acaba radicalizando ambos discursos desses movimentos, e, quase sempre não levam a nada. Para além da provocação, conclui que a saída não é consumir menos, mas sim tornar mais sustentável o veículo do consumo, através de estratégias de mercado. Precisamente pela utilidade de uma

Para Cietta, o produto criativo híbrido

visão irrestrita é que é indispensável

pode ser considerado uma alternativa

pensar não exclusivamente na

nesse processo. O consumo desse

sustentabilidade de cada “padrão”,

produto está atrelado ao seu valor

mas na sustentabilidade do modelo de

material e imaterial, respectivamente,

negócio/mercado como um todo.

um tem seu tempo de uso em potencial REDESIGN|33


1. Hybrid Fashion: Um novo caminho entre o Slow e o Fast

A tabela a seguir destaca as principais referências dos segmentos abordados, respectivamente, o slowfashion, o hybrid fashion e o fast fashion:

SLOW

HYBRID

FAST

CARACTERÍSTICAS

Geralmente empresas de pequeno porte que têm como público as classes A e B.

Empresas de vários formatos focadas em clientes das classes A, B e C.

Domina quase todo mercado de moda e atende todas as classes sociais.

SUSTENTABILIDADE

Fabricação mais cuidadosa que respeita o meio ambiente e os trabalhadores.

Fabricação mais cuidadosa que respeita o meio ambiente e os trabalhadores.

Di cil ser é co quando se produz em al ssima escala e gera tanto desperdício.

MARKETING

Es mula o consumo consciente com coleções atemporais e duráveis.

Es mula o consumo consciente com coleções atemporais e duráveis.

Es mula o consumo através das tendências e obsolescência programada.

Métodos de fabricação que sejam é cos e sustentáveis.

MÉTODOS

Métodos tradicionais de confecção de vestuário/têx l e técnicas de ngimento.

A superprodução cria inúmeros problemas sociais, ambientais e é cos.

ÉTICA

Ajuda a desenvolver pequenas fábricas artesanais pagando salários justos.

Com a produção local pode-se pagar salários justos e inves r em sustentabilidade.

Trabalhadores tem que produzir muito, mas recebendo pouco e em condições di ceis.

TRANSPARÊNCIA

Busca transparência nos custos e métodos de produção.

Busca transparência nos custos e métodos de produção.

Poucos dados de como seus produtos são fabricados realmente.

REDESIGN|34


1. Hybrid Fashion: Um novo caminho entre o Slow e o Fast

Pouca variedade de produtos, cores e estampas que seguem um es lo atemporal.

Variedade de produtos, cores e estampas com grades completas mas com es lo atemporal.

Variedade de produtos, cores e estampas com grades completas seguindo as tendências.

Tecidos orgânicos ou materiais reciclados. Tingimento natural.

Tecidos orgânicos, reciclados e feitos de forma sustentável.

80% da produção é feita de algodão convencional e tecidos sinté cos.

QUALIDADE

Roupas atemporais projetadas para durar, mas com custos mais elevados.

Roupas duráveis com design atemporal e custo um pouco acima do fast fashion.

Roupas baratas feitas de tecidos de baixa qualidade, projetados para não durar.

A produção é feita localmente respeitando as leis trabalhistas.

FORÇA DE TRABALHO

Normalmente produz localmente e emprega dentro da comunidade local.

A produção é feita em países asiá cos onde quase não existem direitos trabalhistas.

VOLUME

Baixo volume e normalmente só produz novos e los duas vezes por ano.

Médio ou grande volume com 3 ou 4 lançamento de coleção ao ano.

Alto volume de produção com novas coleções nas lojas a cada duas semanas.

TOXINAS

Fibras orgânicas e materiais reciclados com processo de fabricação segura.

Fibras orgânicas e materiais reciclados com processo de fabricação segura.

Usa muitos produtos químicos e corantes tóxicos para produzir tecido e fazer roupas.

DIVERSIDADE DE PRODUÇÃO

MATERIAIS

Tabela 1: Características do slow, hybrid e fast Fonte: Elaborada pela autora, 2018

Podemos observar na tabela que o movimento fast adota a produção desenfreada a todo custo, já o slow ameniza os impactos gerados pela produção. Mas analisando as particularidades do produto criativo híbrido, surgem novas perspectivas para a moda sustentável.

REDESIGN|35


1. Hybrid Fashion: Um novo caminho entre o Slow e o Fast

A moda híbrida poderia ser uma

com que sua principal tarefa seja

alternativa mais equilibrada, mantendo

identicar problemas e gerar soluções.

o consumo, mas de forma ética e

De tal modo que prioriza o processo

sustentável, desenvolvendo um

colaborativo entre equipes

caminho alternativo para essa rota. É

multidisciplinares, que trazem olhares

possível produzir moda de forma

diversicados e oferecem

consciente, diminuindo o impacto, sem

interpretações variadas sobre o

desacatar as demandas

conceito dos produtos acerca das

socioeconômicas.

questões sustentáveis, gerando, assim, soluções inovadoras.

Um aspecto importantíssimo nessa análise é a percepção de que o

Seguindo os modelos circulares que

produto criativo híbrido é uma

vêm sendo abordados sobre

alternativa entre os excessos do fast

sustentabilidade na moda, algumas

fashion e as limitações do slow fashion.

q u e s t õ e s

Nesse sentido, o produto criativo híbrido

consideravelmente entre consumidor e

possui uma demanda diferenciada,

os prossionais de design.

s e

d e s t a c a m

maior dedicação dos prossionais envolvidos em sua criação e produção,

São elas:

gerando um maior envolvimento dos designers. Serão eles os responsáveis por garantir, como mostra na tabela, a

Relações e dicotomias entre a cultura e a moda e a sociedade de consumo;

variedade, a durabilidade, a atemporalidade, o custo e a certeza de novidade dos produtos. O designer é o prossional que enxerga como problema

Estudo aprofundado da sustentabilidade como macrotendência mundial e sua expressão na moda contemporânea; Introdução à ecologia, à biodiversidade nacional e os recursos vegetais têxteis;

tudo aquilo que

prejudica ou impede a forma de

Reciclagem, reuso, reforma e redução de materiais/ recursos;

expressão, seja, emocional, cognitiva ou estética. Tal qual, promove o bemestar na vida das pessoas, considerando todos os aspectos que a cercam como trabalho, lazer, relacionamentos e cultura. Isso faz REDESIGN|36

Estudos dos conceitos de ecodesign, novos materiais, ciclos de vida da cadeia têxtil e ciclo de vida dos produtos.


1. Hybrid Fashion: Um novo caminho entre o Slow e o Fast

Certamente, nenhum designer está

através de produtos inovadores,

determinado em acabar com o

observando o que acontece e o

planeta através de suas invenções,

quadro global que está em constante

porém, pequenas ações podem gerar

mudança.

efeito signicativo e muita das vezes inesperado. Quando o designer

A maior parte da perigosa condição

enxerga que a solução se encontra

atual do planeta é derivada dos

dentro do problema, ele passa a mudar

produtos, serviços e infraestrutura desse

seu processo de criação. Começa a

setor. As decisões moldam os processos

gerar inovação colaborativa através

de desenvolvimento por trás dos

do conjunto dessas pequenas ações,

produtos, seus materiais e a energia

aplicado nos projetos de produto. No

necessária para produzí-los, o modo

livro Plano B: O design e as alternativas

como é utilizado no dia-a-dia e

viáveis para um mundo complexo,

principalmente o que acontece com

Trackara, arma que as decisões de

eles quando perdem a utilidade. Nessa

design moldam os processos por trás

nova era de inovação colaborativa, os

dos produtos que utilizamos. Talvez

prossionais de design evoluem de

essas questões podem parecer fora do

criadores para agentes capacitadores.

controle – mas não fora do alcance. Nesse exato momento há um designer

Através dessa denição de design,

se empenhando para projetar novos

seguem alguns pontos norteadores que

serviços e sistemas, cada vez mais

permeim um projeto de

sustentáveis. Trinta anos atrás, em

sustentabilidade e moda. Uma vez que

Design for the Real Word, Victor

a sustentabilidade é o escopo, o que

Papanek observou que há prossões

exatamente essa palavra signica e

mais prejudiciais do que o design

como será a vida quando tivermos

industrial – mas só algumas poucas.

atingido esse objetivo? E, em segundo

John Trackara (2008) cria uma reexão

lugar, como chegaremos lá? Que

sobre os problemas enfrentados pelo

estratégia de design nos levará daqui

designer, e também o que os faz

até lá?

cometê-los. O foco do design num produto de moda está vinculado,

Com base nessas questões, podemos

geralmente, aos serviços e sistemas, e

apontar alguns fatores que podem

não a coisas. O autor discute sobre

inuenciar o designer com propósitos

como é possível transformar o cenário

estratégicos: REDESIGN|37


1. Hybrid Fashion: Um novo caminho entre o Slow e o Fast

Pensar nas consequências das ações antes de promovê-las levando em consideração os sistemas naturais, industriais e culturais;

Pensar em uxo de matérias e energia em todo sistema do projeto;

Priorizar o ser humano e não tratá-lo como um mero “fator”;

Entregar valor às pessoas e não entregar pessoas aos sistemas;

Tratar o ”conteúdo” como algo que se faz, não algo que se vende;

Lidar com a diferença cultural, local e de tempo como valores positivos, não como obstáculos;

As considerações anteriores apontam que o desao do design não é desacelerar tudo, mas, na linguagem da sustentabilidade, mudar o termo “mais veloz” para “mais próximo”, criando novas orientações para o design. Além disso, Trackara apresenta alguns requisitos, baseados em estudos e discussões voltados para o designer e pesquisadores de estilo. Segundo ele, as sete regras de envolvimento são: ·O desenvolvimento começa em casa. É mais fácil melhorar os recursos humanos, a cultura, a herança, as tradições, as habilidades da cultura local do que de uma cultura distante. Respeite o que já existe. A maioria dos designers é treinada para mudar as coisas primeiros e fazer perguntas depois. Capacite o pessoal local. A sensibilidade de uma proposta de design é se perguntar se ela capacita as pessoas e aumentar o controle sobre o próprio território e recursos. ·Comprometa-se em longo prazo. Leva tempo entender uma situação, escutar o pessoal local e conquistar sua conança para que as soluções apropriadas venham à tona. Trabalhe para pessoas reais, não para categorias. Essa inclui “os pobres”, “os idosos”, “os cegos” e “os decientes”. Pequenas ações de design podem ter grandes consequências, muitas das quais podem ser positivas.

·Pense em termos de sistemas integrados.

REDESIGN|38


1. Hybrid Fashion: Um novo caminho entre o Slow e o Fast

Essas “regras” servirão para dar

produtos desse tipo, despertando

embasamento na proposta de um

ainda mais o desejo do consumo

projeto inovador sustentável, voltado

consciente.

para orientar o designer em seus

Podemos citar como exemplo alguns

desenvolvimentos de criação, onde a

slow inuencers ou designers que

sustentabilidade sai da condição de

inspiram. Como por exemplo:

mera tendência e se transforma em realidade no universo da moda. O sistema-produto, cujo conceito é

E s t e l l a McCartney

gerado dentro do sistema de desenvolvimento de produto é um conjunto orgânico e coerente de várias mídias (produto, serviço e comunicação) com as quais uma empresa constrói sua própria identidade, posicionando-se no mercado e denindo o sentido de sua missão na sociedade. O sistema-produto-serviço não tem total controle sobre a experiência, mas busca projetar condições para que uma dada experiência se estabeleça. Há, portanto, um consenso de que não é possível incluir uma emoção ou sentimento em um projeto, mas sim, de se criar ambiente ideal para que este venha à tona. (HOFFART, 2008 apud BATH, 2016, p.27).

Certamente Estella é um dos nomes com maior visibilidade no cenário da moda sustentável internacionalmente. Filha de Paul McCartney, cresceu na contracultura europeia e americana convivendo com ícones do pop. Essa experiência atribuiu-lhe um olhar além

Logo, há uma conscientização

do estabelecido pelo senso comum. O

orgânica, no campo da moda, quando

fator que mais presa em seus conceitos

a coleção é apresentada como uma

é a ética, palavra que a questiona

campanha com propósito de

sobre representatividade de

sustentabilidade, demonstra o cuidado

movimentos ambientalistas e de

que o designer teve ao desenvolver

preservação de animais. REDESIGN|39


1. Hybrid Fashion: Um novo caminho entre o Slow e o Fast

Essa determinação inabalável é inspiradora e serve de exemplo para outras empresas. Quando fez sua linha com a H&M, a rede de fast fashion começou a introduzir iniciativas sustentáveis, entre elas uma que reuniu a própria Stella e a organização Ginetex. Eles criaram um sistema de educação do consumidor mostrando como o impacto diminui quando uma peça é bem cuidada. Lavar menos, por exemplo, é uma atitude simples e efetiva. (YAHN, 2017)

material biológico que imita a seda real feita por aranhas, uma das mais fortes bras naturais.

Estella não é a estilista que mais vende, também não é a mais imaginativa, mas seus valores a colocam muito à frente na construção da moda de um futuro próximo. “Ela acaba vendendo menos por causa desses materiais, mas é a escolha que fez”, diz a consultora Karen Harvey. Mas, por outro lado, sua voz, visão e convicções, fazem com que seja muito inuente e popular. Aliada às empresas que usam tecnologia e alta performance, ela criou um mercado. Sua expertise está em fazer roupas desejáveis, bonitas, contemporâneas e confortáveis, tudo o que os

O tecido foi lançado em 2017 no SXSW e

engenheiros, biólogos e cientistas por

deve entrar no mercado em três anos.

trás das inovações precisam.

Juntos, eles criaram um vestido dourado que foi desenhado por ela,

A estilista que nunca deixou de buscar

mas feito por eles. A peça foi vista na

soluções, continua rme. No momento

exposição Is Fashion Modern? no

ela está colaborando com a startup

MoMA.

Bolt Threads, criadora do Microsilk, REDESIGN|40


1. Hybrid Fashion: Um novo caminho entre o Slow e o Fast

A l e x a n d r e Herchcovitch

Todas as roupas e acessórios nascem do reaproveitamento. Mesmo as novas criações são elaboradas com tecido 100% reciclado. O conceito de Herchovitch é privilegiar o que está há mais tempo no mundo.

O fashion designer Alexandre Herchcovith é um dos adeptos do movimento sustentável, reconhece o verdadeiro valor que um produto como esse representa. Sem perder a qualidade e sosticação, utiliza insumos de coleções passadas em suas novas criações. A marca À La Garçonne existe desde 2009, porém só em 2016, fez sua estreia nas passarelas do São Paulo Fashion Week. Alexandre é um dos sócios e faz parte da direção criativa, da marca. Suas criações surgiram da reinvenção de peças já existentes, a maioria delas vintage, reformadas, reconstruídas ou

Mas sem radicalismos, abre espaço

incrementadas com detalhes e

também para tecidos novos. O design

aplicação de tecidos e pinturas à mão.

das peças é contemporâneo e atual. REDESIGN|41


1. Hybrid Fashion: Um novo caminho entre o Slow e o Fast

Oskar Metsavaht

sustentabilidade. Através do exercício de questionar surge a possibilidade de criar com mais ética e responsabilidade. No catálogo da coleção A21, em 2012, Oskar faz uma reexão sobre o comportamento e a sustentabilidade: Uma geração que vive em um dos períodos mais importantes da civilização, este momento exato de transição, a virada de um planeta que estava morrendo para um planeta sustentável. Mas esta transição depende de nós, nós temos a chance de nos salvar e aos que virão depois de nós [...] somos os guardiões deste planeta. Somos a brigada da Terra. (Metsavaht, 2012)

Diretor criativo da Osklen, marca para a qual será desenvolvida a coleção apresentada nesse projeto. Oskar valoriza as raízes de sua trajetória de vida e a responsabilidade ambiental. São aspectos que denem bem, tanto o “criador” quanto a “criatura”, pois os dois se complementam no momento da criação. Não é à toa que Oskar carrega Metsavaht no sobrenome estoniano, cujo signicado é “guardião da oresta. A atitude que cabe ao designer diante de uma marca é fornecer propósitos, isso é o que enriquece a bagagem da marca. Nesse sentido, o designer se torna extremamente inuenciador na medida em que a tomada de decisão é solicitada no desenvolvimento de produto, os métodos tomam outras proporções quando o objetivo é a REDESIGN|42

A imersão no desenvolvimento de produtos seguindo critérios socioambientais começou em 1998 quando foi produzida a primeira t-shirt em algodão orgânico.


1. Hybrid Fashion: Um novo caminho entre o Slow e o Fast

Como vimos até aqui, o estudo sobre a sustentabilidade na moda vai além dos dogmas ou preconceitos que delimitam esse assunto. Identicar esse cenário em prol do desenvolvimento humano sustentável aponta que a moda pode, sim, adotar práticas menos agressivas, criando produtos que demonstrem a essência, o cuidado e a consciência de nossa responsabilidade perante às futuras gerações. É possivel, ainda, através dessas práticas, estimular a capacidade que um designer tem de atuar num mercado diferenciado de forma ética e inspiradora. No capítulo a seguir, faremos uma imersão na marca usada como referência para este projeto - a Osklen, com o objetivo de reunir informações para a criação da coleção.

REDESIGN|43


OSKLEN

2


‘’

O novo luxo é a despretensão pelo status de valores antigos que todas as grandes marcas buscam passar, mas acabam se esquecendo de valorizar o que está por trás de todo o processo. (METSAVAHT, Oskar, 2013)


2.Osklen

A Osklen, como dito anteriormente,

com a TESLA, como “Future Maker”,

será a referência para a criação de

pela World Wide Fund for Nature do

uma coleção baseada no conceito de

Reino Unido (WWF-UK), representando

produtos criativos híbridos, já

a autenticidade e a genuinidade do

apresentado no capítulo 1.

estilo de vida brasileiro, ao mesmo

A marca representa um seleto grupo de

tempo em que é contemporânea e

empresas que reconhece os impactos

cosmopolita.

gerados pela indústria têxtil, além de

A história da marca começa há pelo

transmitir o conceito da ética e da

menos três décadas por um jovem

estética em suas coleções, atrelado ao

gaúcho chamado Oskar Metsavaht –

life style carioca, representados pelas

médico especialista em traumatologia,

misturas entre urbano e natural, global

e que tinha como hobby a prática de

e local, orgânico e tecnológico.

esportes radicais e viagens de

Seus valores estão pautados na

aventura. Em1986, morando no Rio de

criatividade, equilíbrio, sosticação,

Janeiro, foi convidado a participar de

despojamento, técnica,

uma expedição ao monte Aconcágua,

c o n t e m p o r a n e i d a d e

e

na Cordilheira dos Andes, para realizar

sustentabilidade. Numa pegada

pesquisas sobre o condicionamento

vanguarda e desprendida das

físico de atletas, expostos em baixas

tendências, a Osklen conquista o

temperaturas. Oskar era o médico da

mercado internacional. Tem a missão

equipe e identicou um décit em

pautada em promover a

vestuário adequado às condições

responsabilidade social e a

climáticas amenas, na neve, tendo que

consciência ecológica através dos seus

recorrer à bibliograa estrangeira para

produtos, assim como no

pesquisar tecidos e modelos especiais.

desenvolvimento de seus projetos,

Logo após, idealiza o Storm Tech

numa percepção integrada entre

System, cujo material é constituído por

natureza, cultura e sociedade.

um tecido com membrana interna

A Osklen está entre as dez marcas mais

permeável que faz com que o suor

inuentes e inspiradoras do mundo,

evapore mantendo o corpo seco e

segundo a WGSN - empresa líder em

aquecido. De forma despretensiosa,

previsão de tendências para a indústria

foram confeccionados dez casacos,

criativa. E também foi apontada, junto

ainda artesanalmente com esse mesmo material. Instigado por seus amigos, REDESIGN|47


2. Osklen

Metsavaht tocou a produção

Oskar só ca satisfeito quando os

confeccionando mais peças. Três anos

elementos propostos para cada peça,

depois, foi inaugurada sua primeira loja

como as cores, as texturas e as silhuetas

na Região dos Lagos, em Búzios, no Rio

passam a ser usados pelos personagens

de Janeiro.

do lme que cria.

A região escolhida para

É reconhecido como um dos

implementação da loja foi uma das

precursores do movimento de

primeiras ações estratégicas da marca,

sustentabilidade, levando ao mercado

pois previamente seria loucura vender

a ideia de “novo luxo". E foi nomeado

uma roupa para ser usada na neve em

pela revista Fast Company como a

uma cidade praiana. Porém, era de

quarta pessoa mais inovadora do Brasil

conhecimento de Oskar que o público

e uma das cem pessoas de negócios

que frequentava hotéis em Búzios

mais criativas no mundo. Ele é

também visitava países estrangeiros de

frequentemente convidado para

clima frio. Com a aceitação

participar como palestrante sobre o

estabelecida, amplia sua linha de

tema em conferências mundiais, tais

casacos de neve acrescentando novos

como a Milano Fashion Summit e o

produtos como mochilas, camisetas e

Ethical Fashion Paris.

bermudas.

Ao lado de nomes como Arcade Fire,

Sobre o processo criativo, Metsavaht

Chris Milk, Takeshi Murata, Oskar foi

começa com uma cena, uma história,

convidado para integrar o elenco do

um estilo, um conceito e, a partir disso,

“The Creators Project", projeto mundial

surgem as ideias para a criação de

da Vice em parceria com a Intel, que

climas, atmosferas, looks e atitudes. Na

visa reunir os artistas mais expressivos

maior parte das vezes, a campanha

das áreas de arte, design, moda e

toma forma antes mesmo da coleção –

música. Segundo ele, hoje é possível

uma vez que a direção de arte do

entrelaçar os e tecer teias de

photoshooting é garantida por ele. Cria

informações que conferem sentido à

a atmosfera da história e faz seus

associação entre indústria, moda,

próprios lmes, através dos quais pode

consumo e sustentabilidade.

compartilhar a cena que imagina, do início ao m do processo. As peças são

A seguir será apresentado uma linha do

desenhadas para serem o gurino

tempo, destacando as principais ações

desse “lme”. E é possível “assisti-lo” em

sustentáveis da marca.

cada detalhe da coleção. REDESIGN|48


2. Osklen

LINHA DO TEMPO OSKLEN – AS PRINCIPAIS AÇÕES SUSTENTÁVEIS

1998 – Início dos projetos socioambientais, quando ainda não havia histórico de práticas sustentáveis no Brasil.

1999 – Lançamento da primeira t-shirt feita com cânhamo (bra resistente que não utiliza produtos químicos em sua produção); e inicia o desenvolvimento do algodão orgânico em parceria com a Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) e a ONG Esplar, no Ceará.

2000 – Lançamento das primeiras t-shirts de algodão orgânico com assinatura e-brigade, movimento “Save your Lifestyle. Act Now” com objetivo de combater a desinformação quanto ao movimento sustentável, ambiental e social.

2006 – Projeto E-fabrics, cujos produtos têm origem em materiais reciclados, orgânicos, naturais e artesanais, desenvolvidos por comunidades, cooperativas, ou por grupos industriais, em parceria com o Instituto E.

2007 – A coleção de inverno Amazon Guardians convoca uma brigada urbana contra a degradação do meio ambiente, onde o homem e a mulher assumem o papel de guardiões da Amazônia.

2008 – Nomeada, junto a TESLA, como “Future Maker”,pela World WideFund for Nature do Reino Unido (WWF-UK), umas das maiores e mais inuentes ONGs do mundo. Esse período também cou marcado pela coleção icônica United Kingdonof Ipanem pelo life style carioca. REDESIGN|49


2. Osklen

2009 – Projeto TRACES em parceria com o Instituto E e o Ministério do Meio Ambiente, com objetivo de analisar a coleta dos materiais utilizados na fabricação das peças até a chegada dos produtos e-fabrics às lojas Osklen.

2011 – Reconhecimento pela UNESCO com o título Embaixador para a Cultura da Paz e da Sustentabilidade, pelo seu trabalho voltado para a conservação do meio ambiente através do e-brigade, destinado a preservação do planeta e as condições de vida.

2012 – A21 Colletion, coleção inspirada na Agenda 21 – (documento que resulta da conferência ECO 92) e estabelece a importância da busca de soluções para os problemas socioambientais pelo mundo todo; no mesmo advém o E-Ayiti, parceria entre Instituto E e Ethical Fashion Iniciative (EFI), um projeto do International Trade Centre (ITC) agenciado à ONU e à Organização Mundial do Comércio (OMC). Com o slogan “NotCharity, Just Work” (Não é caridade, apenas trabalho).

2015 – Lançamento da coleção Ashaninka, que resulta num trabalho criativo desenvolvido pelo povo nativo da Amazônia, na região do Acre e Peru.

2018/ASAP – Conceito que traz para o dia a dia a urgência de agir de forma mais sustentável possível. A coleção foi desenvolvida com o maior número de processos e materiais que minimizam os impactos socioambientais, reforçando o compromisso da marca em fazer uma moda pautada pelo constante desenvolvimento sustentável. REDESIGN|50


2.1Projetos, produtos, materiais e processos

2.1

PROJETOS, PRODUTOS, MATERIAIS E PROCESSOS A Osklen é uma empresa referência em ações socioambientais através dos projetos interdisciplinares que desenvolve na indústria têxtil brasileira. Assume uma postura sustentável em defesa das causas que lidera desde os anos 1990, como mostra o quadro anterior. A maior parte de seus projetos envolve o Instituto E, além das demais parcerias. As informações podem ser facilmente encontradas no site da marca – (www.osklen.com) e no IE (www.institutoe.org.br), acessando as páginas dos respectivos projetos. Todas as experiências são divulgadas e podem ser devidamente acompanhadas, além das redes sociais. A seguir serão apresentados projetos, bem como os produtos, materiais e processos de manipulação utilizado pela marca.

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2.1Projetos, produtos, materiais e processos

E-BRIGADE

Em 1998, a Osklen lança o movimento Ebrigade, através dos princípios Carta da Terra, da Agenda 21, da Convenção da Biodiversidade e do Protocolo de Kyoto. Tem o objetivo de juntar ambientalistas, pesquisadores, ativistas, jornalistas e empresas para combater a falta de informação sobre desenvolvimento sustentável. Com o slogan “Save your lifestyle. Act now” “Salve seu estilo de vida. Aja agora! ”, mobiliza a sociedade em torno de um assunto pouquíssimo difundido na época, transformando conceitos sustentáveis em atitudes através dos produtos.

E-FABRICS

Entre os anos de 2000 e 2006, o projeto foi incubado pela marca, e lançando no começo de 2007 durante o São Paulo Fashion Week. O projeto valoriza a ideia da brasilidade e do trabalho de experimentação com matérias-primas ecologicamente corretas, comércio justo e desenvolvimento sustentável.

Alguns desses materiais são: lã orgânica, couro ecológico dublado com sarja, tricô de palha de seda, shantung de seda e tresset de palha de seda que possam ser utilizadas pela indústria têxtil e pela cadeia produtiva da moda, estimulando assim, uma cultura de consumo consciente. E faz a interlocução entre produtores de materiais ecológicos e estilistas e suas grifes, apresentando-lhes matérias-primas de caráter renovável a serem utilizadas pela cadeia produtiva da moda em geral.

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2.1Projetos, produtos, materiais e processos

O e-fabrics é identicado com a colocação de um tag no produto. A missão do projeto é contribuir na constituição de uma base de sucesso para a moda brasileira pelo mundo, associando à sensualidade e criatividade, o valor de suas principais riquezas e singularidades: a biodiversidade e as tradições culturais do país. O projeto visa a promoção do estudo dos impactos socioambientais no processo produtivo, a preservação da diversidade e das relações sociais com comunidades. Para a identicação E-fabrics de tecidos e materiais, estes são avaliados a partir de cinco critérios de conformidade:

Matérias-primas de origem sustentável, renováveis ou recicladas;

Impacto do processo produtivo no meio-ambiente natural;

Resgate e preservação da diversidade e tradições culturais;

Fomento às relações éticas com comunidades e colaboradores;

Design, atributos comerciais e viabilidade econômica.

Entre as técnicas artesanais aplicadas estão: tecelagem e ação; tingimento de os de algodão; tingimento de couros; curtimento de couro "bio". E entre os materiais demostrados, encontramos: tecidos de algodão; tecidos de bras; tecidos alternativos e couros alternativos. O E-fabrics não é uma certicação como um “label” de identicação, a sua losoa abraça inclusive os “transition products”, aqueles que já estão se adequando a uma futura certicação, seja ela social ou ambiental, mas que necessitam ainda de massa crítica para sua viabilização.

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2.1Projetos, produtos, materiais e processos

INSTITUTO E O Instituto E é um grupo interdisciplinar, ocializado em 2006 pela Osklen, fundado e presidido por Metsavaht e dirigido pela socióloga Nina Braga, com a missão de promover no Brasil o desenvolvimento humano de maneira sustentável.

O IE desenvolve pesquisa e curadoria de projetos da marca, como o e-fabric, assim como de outras instituições que queiram assumir a causa, na área do desenvolvimento sustentável social, ambiental e cultural, disseminando ideias e práticas de sustentabilidade de forma criativa e sensibilizando um grande número de pessoas. Inovação e originalidade norteiam essas iniciativas e, para tanto, conta com uma equipe xa de prossionais e um grupo de colaboradores especialistas nas áreas de comunicação, crédito de carbono, design, educação, eciência energética, gestão de resíduos, dentre outras.

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O Instituto-E é uma OSCIP Organização da Sociedade Civil de Interesse Público – que acredita que compartilhar informações é o primeiro passo p a r a p r o m o v e r o desenvolvimento humano sustentável. A partir dessa concepção e do desejo de inovar, recorre a uma linguagem alternativa e multimídia para canalizar a energia da sociedade e direcioná-la para a defesa da nossa biodiversidade, do direito à informação e à educação e do patrimônio histórico e cultural do Brasil. O Instituto-E visa cumprir sua missão por meio da criação e gestão de uma rede que potencialize sinergias entre diferentes iniciativas e agentes da sociedade. (INSTITUTO-E, 2006)


2.1Projetos, produtos, materiais e processos

Foi realizada para este projeto uma entrevista com a diretora do Instituto E, Nina Braga, mentora da autora desse trabalho no programa de mentoria do SENAI CETIQT. A entrevista foi bastante esclarecedora e permitiu conhecer um pouco mais sobre os projetos. Nina otimiza a visão de que a OSCIP possa transformar o Brasil em referência de desenvolvimento sustentável, menciona a quantidade imensa de desperdícios provenientes da indústria de moda e arma que o quadro ambiental está cada vez pior. Segundo ela, iniciativas como essa fazem as pessoas prestar mais atenção e carem preocupadas com esse cenário, assumindo um consumo consciente. Ela acredita que há um futuro sustentável, mesmo na moda nacional. “A tendência é comprar menos, mas com mais qualidade, junto à ética e estética, que caminham juntos”, arma. A atuação do IE se concentra nas áreas que compõem o ideário dos seis “e’s”: earth, environment, energy, education, empowerment e economics.

Earth – Terra: responsabilidade e missão. Indicadores fundamentados na Carta da Terra cuja temática central é a responsabilidade comum de todos.

Environment

– Meio ambiente: Impacto ambiental, gestão de recursos naturais e programas de conservação. Indicadores fundamentados na Convenção da Biodiversidade, cuja temática central é a conservação dos ecossistemas.

Energy – Energia:

Energia renovável e eciência energética para mitigação das mudanças climáticas, previstas no acordo de Paris.

Education – Educação: Difusão de conhecimento, capacitação e educação são indicadores fundamentados nos objetivos do desenvolvimento sustentável.

Empowerment – Empoderamento: Ações de desenvolvimento local, geração de renda, melhoria da qualidade de vida. Indicadores fundamentados na Agenda 21, cuja temática central é o desenvolvimento. Economics – Economia: Ações de desenvolvimento sustentável e de responsabilidade socioambiental. Indicadores fundamentados no Triple Botton Line - social, ambiental e econômico - da sustentabilidade.

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2.1Projetos, produtos, materiais e processos

TRACES O projeto TRACES é mediado pelo IE e em 2009, rmou parceria também com o Ministério do Meio Ambiente, Terra e Mar da Itália para analisar as pegadas de carbono social presente nos materiais dos produtos e-fabrics como: algodão orgânico, algodão reciclado, PET reciclado, couro de pirarucu e eco-juta. As equipes multidisciplinares da marca e o IE percorrem diversas regiões do Brasil, da Amazônia ao Sul do país, analisando de perto cada etapa da cadeia produtiva destes e-fabrics. É mensurada a quantidade de CO2 liberada desde a coleta dos materiais utilizados na fabricação das peças até a chegada dos produtos às lojas Osklen. Também é avaliado o número de trabalhadores beneciados pelos programas de responsabilidade social dos produtores. As peças submetidas a esta análise ganharam etiquetas que informavam ao cliente suas pegadas de carbono e social. O produto que apresentou a maior pegada de carbono teve suas emissões de combustível por energia solar, algo inédito no mundo. Trata-se de um projeto original e inovador que não só rastreou o impacto ambiental e social, expressos nos tags que acompanham estes produtos, como também introduziu medidas de redução em algumas das comunidades produtoras como a da Ilha de Mexiana, no arquipélago de Marajó, por exemplo. Pode-se armar que o TRACES indica maneiras de reduzir e aliviar as emissões de gases de efeito estufa do setor têxtil que geram mais de trinta milhões de postos de trabalho ao redor do mundo, ao mesmo tempo em que é responsável por um dos mais elevados – dentre as atividades manufatureiras – índices de consumo de recursos naturais.

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2.1Projetos, produtos, materiais e processos

Imagem 13: Water Traces Fonte: Elaborado pela autora, 2018

WATER TRACES Na mesma linha de ação do projeto anterior, o Water Traces é mais um projeto pioneiro e criativo, a equipe de especialistas novamente percorreu algumas regiões do Brasil – Centro-Oeste; Sudeste e Sul – para investigar os processos. Dessa vez foi acompanhada a quantidade de água utilizada nas etapas de plantio e fabricação das peças, bem como as ações sociais que acompanham estas cadeias produtivas. A água é essencial e está presente em tudo que tem vida neste planeta. Todavia nem todos têm consciência de que também há água em produtos inanimados como peças de vestuário. Justamente por isto é que, depois da equipe ter realizado, através do projeto Traces, o rastreamento da pegada de carbono e social de seis e-fabrics usados pela marca, o Instituto E e o IMELS, em parceria com o Fórum das Américas, decidiram empreender o levantamento da pegada hídrica em mais quatro produtos da Osklen, parceira desde o princípio. Ao longo desta análise, mais de uma vez se deparam com boas práticas, seja no uso dos recursos hídricos como o reuso ou um tratamento adequado na pós-produção. A importância de se destacar o que é feito com a água em uma atividade econômica de peso como o setor de moda ca evidente quando levamos em consideração que – ao contrário do que muita gente pensa – a água é nita e de difícil acesso para mais de um bilhão de pessoas no mundo. Zelar por este recurso natural é imperativo e uma das formas de exercer este cuidado é chamar atenção sobre sua presença nos processos produtivos, exatamente como faz o projeto Water Traces.

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2.1Projetos, produtos, materiais e processos

A21 Em 2012 foi lançada A21 Colletion – Pratice #1, que são produtos à base de couro de pirarucu e salmão, que são confeccionados através de práticas sustentáveis ancoradas no seguinte tripé: econômico, social e ambiental. O pirarucu é uma espécie protegida, deste modo a pele é vinda de fazendas sustentáveis do estado de Rondônia, na Amazônia, que seguem os padrões estabelecidos pelo IBAMA. Consequentemente, a marca protege a espécie, além de equilibrar a fonte de alimentos e a economia da região. Criadores de pirarucu suplementam sua renda familiar, atingindo 40% mais do que criadores de gado, isso signica que esse sistema emite muito menos gás carbônico e, em contrapartida, também ajuda no reorestamento da Floresta Amazônica. O pirarucu é um peixe destinado basicamente à alimentação, tendo como subproduto a comercialização de suas vísceras para a produção de ração. Sua pele costuma ser descartada como lixo. Portanto, seu aproveitamento combate o desperdício e a geração de resíduos. A captura do pirarucu se faz de forma consciente e não predatória, com respeito às leis ambientais e aos períodos de reprodução da espécie. O comércio do couro de pirarucu contribui para a formação de associações de pequenas colônias de pescadores. Importante salientar que não existe trabalho escravo ou infantil envolvidos nesses processos, bem como não são feitas modicações genéticas ou hormonais nos peixes. Segundo a Vogue (2016), em matéria intitulada “sustentabilidade para gringo ver”, a seriedade com que o carioca trata a sustentabilidade e o uso de materiais reciclados – o couro de peixe é resultado das sobras da indústria alimentícia – é um dos destaques dados pela mídia internacional. A coleção da grife, recebeu ótimas críticas e marcou presença em Nova York ao apresentar a exposição da linha conceitual A21, formada por acessórios de couro de pirarucu. A nova iniciativa reforça a ideologia sustentável responsável por uma recepção entusiasmada das criações de Oskar Metsavaht no exterior. REDESIGN|58


2.1Projetos, produtos, materiais e processos

No primeiro semestre de 2018, a Osklen lançou uma coleção de inverno, nomeada ASAP: AS SUSTAINBLE AS POSSIBLE. AS SOON AS POSSIBLE, proveniente da urgência da adoção de práticas e atitudes mais sustentáveis. O desle consagra a busca pela moda consciente que começou há 20 anos - a coleção é 98% sustentável. Num mix entre peças comerciais da linha e-basics e peças elaboradas especialmente para a apresentação, a marca misturou moletom, franjas com o utilitário, pirarucu com alfaiataria, em looks ricos em texturas, fazendo um jogo de contrastes. O conceito de sustentabilidade esteve presente na matéria-prima, nas cores das peças, que foram concebidas com o que tinha disponível, materiais sustentáveis e-fabrics, feitos até o momento pela marca, como seda orgânica, tricô, nilon vitricado, algodão desbrado, couro de pirarucu, angorá eco e algodão reciclável proveniente do pet. De acordo com uma pesquisa feita pela marca, o uso da malha pet, por exemplo, cresceu mais de 1000% em 10 anos, o pirarucu, um dos carros chefe tanto do IE quanto da Osklen, já corresponde a 50% do couro usado pela marca; os refugos do pirarucu também são utilizados. Outro ponto importante do movimento slow fashion, que o instituto faz questão de respeitar, é oportunizar o trabalho para comunidades. Só no estado do Rio de Janeiro, os projetos alcançam mão-de-obra das localidades de Cabuçu, Queimados, Alemão, Pavuna, Itaperuma, entre outros.

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2.1Projetos, produtos, materiais e processos

E-BASICS Atrelada à coleção ASAP, a Osklen lançou uma nova linha permanente nomeada como e-basics que consiste em peças básicas feitas com materiais sustentáveis, em parceria com o IE. São peças atemporais e produzidas com o menor impacto socioambiental, assim como a proposta ASAP. As produções dessas peças são feitas toda a partir de matéria-prima sustentável como os e-fabrics: algodão reciclado; algodão orgânico; algodão brasileiro responsável e PET reciclado; dessa forma, mais resíduos passam a ser transformados em moda, promovendo a economia circular, de reuso e reaproveitamento de matérias-primas, impedindo que esse material vá parar no meio ambiente.

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2.1Projetos, produtos, materiais e processos

PRODUTOS E MATERIAIS SUSTENTÁVEIS A seguir serão apresentados os principais materiais que se destacam nos produtos efabric. As descrições estão disponíveis no site do projeto (http://www.efabrics.com.br) Dentre todos os materiais, destacam-se os reciclados, pois o impacto ambiental da confecção desse tipo de tecido reciclado é bem menor que quando se usa bras virgens. A economia de energia na produção reciclada é de 76% e a redução de emissões de CO2 é de 71%. Além disso, a manipulação destes e-fabrics, como no tingimento por exemplo, envolve processos naturais, que não poluem o meio ambiente.

ALGODÃO ORGÂNICO O algodão orgânico possui os mesmos atributos da bra convencional. É cultivado sem uso de substâncias tóxicas ao meio ambiente, consequentemente, é antialérgico no contato com a pele. A produção gera renda e cria oportunidades de negócio para as agriculturas familiares. Esse material está presente na maioria das peças, mais precisamente nas t-shirts.

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2.1Projetos, produtos, materiais e processos

BRIM ORGÂNICO Tecido resistente, se assemelha ao coutil, jeans ou denim. Sua composição assim como o algodão, não emprega produtos químicos. Pode ser encontrado em peças como calças, bermudas, e principalmente nos casacos como as parkas, que transmitem o DNA da marca, assim como nos volumes dos bolsos.

CREPE DE SEDA É um tipo de tecido muito leve com aspecto em textura levemente ondulada, feito com os altamente torcidos de seda ou lã (ambos naturais), com o mesmo segmento da seda orgânica. Pode ser encontrado nas peças como blusas, sobreposições, vestidos, com aspecto de uidez.

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2.1Projetos, produtos, materiais e processos

LINHO O linho possui os mesmos atributos da bra convencional, com a possibilidade de confecção de diferentes construções de tecidos planos, acessório, sapatos etc, um tecido proveniente das bras mais longas. Possui aspecto rústico e é resistente. Também é de fácil manuseio, não encolhendo ao lavar. É um material bastante utilizado pela marca e aparece em toda coleção MEIA MALHA EM ALGODÃO ORGÂNICO A meia malha também é conhecida como Jersey ou Jérsei, é um tecido de malha leve e de ligamento simples, deixando as peças com aspecto delicado, promovendo o conforto no corpo. As peças que contém esse tipo de material são: vestidos, t-shits, calças etc.

TYVEK E RESÍDUOS TÊXTEIS Esse material é proveniente dos resíduos da indústria como: palha, látex, cortiça e arroz, pode ser chamado de Tyvek. Está presente nos solados dos sapatos da coleção ASAP. REDESIGN|63


2.1Projetos, produtos, materiais e processos

MALHA EM PET RECILADO Esse tecido é composto por bra de poliéster reciclada, a partir de embalagens PET com algodão, que permite a criação de uma malha com resistência e durabilidade maior do que as tradicionais e solidez de cores idênticas aos produtos fabricados com poliéster convencional. Possui maior solidez na cor (não desbota facilmente) e estabilidade dimensional (impede que o tecido encolha ou entorte). É um dos primeiros materiais sustentáveis trabalhados pela Osklen, ainda no início dos anos 2000. O material pode ser criado em casacos, calças e vestidos.

LÃ ECOLÓGICA A lã ecológica possui um aspecto rústico decorrente de seu processo manual de cardagem, ação e tecelagem, o que confere aos os e a seus produtos uma estética única e alinhada ao conceito de sua origem artesanal, natural e ecológica. A lã é ecológica por não haver uso de pesticidas em pastos ou nos animais. Pode ser encontrada nas peças como casacos, calças, acessórios e principalmente nos sapatos. REDESIGN|64


2.1Projetos, produtos, materiais e processos

ECO-JUTA/TRACES A eco-juta é uma matéria-prima típica da Amazônia, onde é feito o plantio e extração. Esse material é facilmente decomposto. Leva em torno de dois anos para desaparecer, quando descartado, enquanto o algodão comum leva 10 anos e o poliéster pode levar até 100 anos. É um material que apresenta qualidade, durabilidade e resistência. Pode ser encontrado em acessórios como bolsas, carteiras e sapatos como tênis e sandálias.

SEDA ORGÂNICA A seda orgânica é um dos materiais de origem sustentável rastreados pelo projeto Traces. É fabricada a partir de casulos rejeitados pela indústria tradicional por estarem fora do padrão e aproveitado pela Osklen, inclusive na coleção ASAP estava presente nos acessórios e sapatos. No processo de manipulação do tecido como a tintura, são utilizados apenas corantes naturais e os teares utilizados na produção são manuais, economizando energia e preservando a tradição local. REDESIGN|65


2.1Projetos, produtos, materiais e processos

TRICÔ DE ALGODÃO RECICLADO O tricô de algodão reciclado é feito de os de algodão desbrado, proveniente do reuso de sobras de matéria-prima da indústria têxtil. O o do tricot foi construído com os retalhos destes tecidos cortados em tiras. E pode ser encontrado nos casacos, sobreposições, proporcionando maior conforto. O processo é realizado pelo Grupo de Mulheres Tricoteiras de Queimados, região da Baixada Fluminense. Além de reaproveitar um material em estoque, há incentivo do trabalho 100% feito à mão, apoiando mulheres que preservam a técnica milenar do tricot.

LONA STONE Esse material tem aspecto de lona envelhecida, é obtido através de um processo de estonagem que preserva suas características rústicas e duráveis, levando o conceito de durabilidade das lonas de algodão a um novo patamar. Ideal para bolsas , pois é bastante resistente.

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2.1Projetos, produtos, materiais e processos

COURO DE PIRARUCU O couro do peixe pirarucu - maior peixe da água doce do Brasil - tem uma resistência maior que a do couro bovino, embora seja mais no e macio. Material versátil, é inodoro e resiste ao ataque de microrganismos, durando i n d e  n i d a m e n t e . Mede em média 1 m x 60 cm, e seu peso é variável de acordo com o produto nal e acabamento utilizado. O couro de pirarucu é usado na confecção de acessórios, tênis, bolsas e carteiras.

MICROFIBRA A microbra é um material bastante utilizado pela marca, presente nos shorts, calça e também pode ser encontrado nos acessórios como bolsas e carteiras. Esse material é composto por um mix de materiais reciclados como poliéster, reconstituído a partir de materiais pós-industriais como lmes plásticos de sucata, que seriam descartados. Se comparado ao couro feito a partir de peles de animais, este material apresenta benefícios sustentáveis. REDESIGN|67


2.1Projetos, produtos, materiais e processos

SARJA NATURAL EM ALGODÃO ORGÂNICO Tecido básico e versátil que apresenta um excelente caimento, com bom aspecto após lavagem e combina com qualquer tipo de clima. Está presente nas peças como shorts, calças, casacos, etc.

COURO DE SALMÃO O couro do salmão, além de apresentar características estéticas adequadas para sua utilização na moda por conta de sua beleza e exotismo, possui também uma excelente resistência mecânica. O material é versátil, os couros de peixe são inodoros e resistentes ao ataque de microrganismos, durando indenidamente. A captura do salmão se faz de forma consciente e não-predatória, com respeito às leis ambientais e ao período de procriação. Disponível em acessórios, sapatos, bolsas etc. REDESIGN|68


2.1Projetos, produtos, materiais e processos

COURO ECOLÓGICO O produto é um material à base de látex natural aplicado sobre tecido, proveniente da Amazônia. Através de inovações tecnológicas, chegou-se a um aperfeiçoamento de todo o processo de produção do couro vegetal. A fumaça, outrora empregada durante a vulcanização, foi substituída pela secagem ao calor do sol, não afetando a saúde dos produtores. O material devolve à borracha nativa os melhores padrões de qualidade e possibilita sua utilização na fabricação de artigos de vestuário, bolsas, mochilas, pastas e demais acessórios. Suas características estéticas são similares às do couro convencional. A produção desse couro ecológico é uma alternativa ambiental para a oresta e econômica para populações seringueiras, contribuindo para a valorização de culturas tradicionais e para preservação e uso sustentável da biodiversidade por manter intactas as árvores das quais se retira o látex - sua extração respeita a sazonalidade da seiva, entre janeiro e agosto. A comercialização do couro ecológico colabora para o fortalecimento das comunidades, que permanecem na oresta, evitando a migração para as periferias das REDESIGN|69


2.1Projetos, produtos, materiais e processos

TECELAGEM E FIAÇÃO A tecelagem artesanal está presente na produção de tecidos que mesclam materiais diversos como algodão, linho, seda, sementes, palha de milho, assim como redes de pesca, sobras de lã e retalhos. Produzidos por artesãs e trabalhadoras rurais, os os e tecidos produzidos resgatam a identidade auxiliando-as a transformar em fonte de renda capaz de mudar a vida em pequenas comunidades.

TINGIMENTO DE FIOS DE ALGODÃO O tingimento natural para os de algodão é um processo que utiliza matérias-primas vegetais como cascas de árvores e de tubérculos, folhas e sementes, mas também emprega terra (triângulo mineiro dá a cor preta), serragem de madeira (cores variadas) e peças de ferro-velho (cor de ferrugem). O açafrão (cor mostarda) e o urucum (marrom) são exemplos dessa sinergia. No cerrado brasileiro existem inúmeras plantas estudadas que são boas para a produção de corantes naturais. Anileiras (azul), cedro (rosa), barbatimão (vinho), garapa (amarelo), jenipapo (cinza), ipê (rosado) e jatobá (marrom ou cinza) dão ótimos tingimentos. As folhas de eucalipto (cinza azulado) e as cascas da cebola (laranja) são alternativas. Atualmente, a qualidade de um tingimento em os de algodão é comprovada e já bastante usada por cooperativas e comunidades produtivas.

TINGIMENTO DE COUROS O tingimento para o couro é um processo diferente dos convencionais citados acima. As linhas de corantes mais comuns são:

Corantes naturais: Extraídos de madeiras, plantas e outros elementos da natureza, estes materiais são pouco usados nos curtumes, pois contém um leque pequeno de cores, geralmente com pouca intensidade e com pouca solidez à luz. REDESIGN|70


2.1Projetos, produtos, materiais e processos

Corantes sintéticos: Não possuem metal em sua composição. O leque de cores é maior que o dos corantes naturais e já são utilizados em formulações da produção de couros;

·Corantes ácidos: A maior parte deles possui metal em sua composição, porém em doses comparáveis às de nosso organismo. O couro tingido com este material possui cores mais bonitas e intensas, e com um grande leque de opções. E são ainda considerados ecológicos. A melhor maneira de diferenciar um couro curtido e tingido naturalmente é queimando-se um pedaço do material - o couro tradicional irá gerar um pó esverdeado, que é justamente o cromo, que não se desintegra.

CURTIMENTO DE COURO “BIO” O curtimento é a transformação da pele animal em couro. O couro, portanto, é a matéria orgânica tratada pelo processo de curtimento para que não entre em decomposição. Pode-se, então, denir um couro natural, ou ecológico, como aquele cujo curtimento é isento de aditivos poluentes ao meio ambiente e nocivos ao ser humano.

Prós e contras do couro ecológico ·Mercado consumidor cada vez mais propício a adquirir este tipo de material

·Oportunidades de mercado para couros alternativos (peixe, rã,etc.)

Couros de peixe (pescada, dourado e tilápia) são muito resistentes por suas bras serem naturalmente entrelaçadas REDESIGN|71


2.1Projetos, produtos, materiais e processos

·A produção do couro “ecológico” é um pouco mais demorada por ser semi-artesanal;

·O custo do couro “ecológico” ainda é maior;

A produção do couro “ecológico” requer maior acompanhamento pelo maior grau de diculdade do processo

Dentre todos os materiais que entraram nessa pesquisa, nenhum teve um crescimento tão expressivo quanto o algodão orgânico; o couro vegetal, a bra de poliéster obtida através da reciclagem de garrafas PETs; assim como a utilização de retalhos e sobras de tecidos para ação de novos os. Essa inovação da indústria têxtil absorvida nos produtos da marca rearmam o conceito dos projetos, processos e materiais. É um caminho guiado pela proposta da marca e que da indícios à novas práticas, em que o produto criativo híbrido está a poucos passos de acontecer. Nessa análise foi possível conhecer um pouco mais desses materiais, além do papel da empresa em relação a responsabilidade ambiental e ao equilíbrio de impactos. Esse e outros cenários estão presentes em toda a cadeia de marketing da marca, uma estratégia importante, uma vez que o produto e suas especicidades são apenas uma parte do todo, representado pela marca. A pesquisa a seguir será sobre um levantamento de informações da comunicação e o marketing da Osklen, com objetivo de traçar as principais informações para mantê-la como referência no setor em que atua.

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2.2 Análise de marketing

2.2

ANÁLISE DE MARKETING

As estratégias adotadas pela marca visam otimizar suas ações, consequentemente, equilibra a produção, a oferta de mercadorias, serviços, necessidades e preferências dos consumidores. O marketing considera pesquisas de mercado, o design, campanhas e atendimento pós-venda. O conceito do marketing pode ser equiparado à macroeconomia, onde representa um conjunto de variáveis que inuenciam a forma como os consumidores respondem ao mercado, numa constante mudança de comportamentos. Novas estratégias surgem e junto a isto, o sentido de inuenciar a procura por novos produtos, visando alcançar o nível desejado do negócio. (KOTLER, 2017). E para melhor compreender o mercado em que a Osklen está inserida e a forma como se relaciona com o consumidor, primeiramente, será elaborado um estudo através do conceito dos 4C’s, apresentado por Philip Kotler, em Marketing 4.0, seu novo livro. O objetivo é analisar o nicho de público consumidor da marca, em seguida será feita uma análise Swot da Osklen e de outras marcas que inspiram o projeto Redesign. De acordo com Kotler, historicamente, o marketing está dividido em 4 fases. No Marketing 1.0 o objetivo era redução de custo de produção, feita para servir ao mercado de massa e atingir um número maior de pessoas que pudessem adquirir aqueles produtos. Ou seja, foco na venda. No Marketing 2.0, era da informação, os consumidores passam a conhecer mais os produtos e escolher as marcas que, de fato, desejam consumir. As suas preferências moldam segmentações de mercado e os prossionais de marketing seguem mapeando esses consumidores, o foco desta fase do marketing é o consumidor.

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2.2 Análise de Marketing

No Marketing 3.0 os consumidores

iremos começar pela análise de

deixam de ser tratados apenas como

relacionamento que a marca tem com

tal e passam a ser vistos como seres

os consumidores.

humanos que possuem valores, opiniões, desejos e ideologias. Desse

O mix de marketing, conhecido como

modo há uma mudança considerável

estratégia dos 4P’s (produto, preço,

de comportamento em que são

praça e promoção), foi uma teoria

atribuídos signicados de: missão, visão

desenvolvida por Jerome Mc Carthy e

e valores, oferecendo soluções para os

difundida por Philip Kotler. É uma

problemas da sociedade. Nesta fase, o

ferramenta importante para conhecer

foco é a humanização do consumidor.

a marca, porém, os 4C’s trazem uma

Já no Marketing 4.0, voltado para a era

abordagem atual com foco em quem

digital, o caminho do consumidor é

realmente interessa para a marca: os

reescrito a partir dos “5 A’s”:

clientes. Os 4 C’s são compostos por

assimilação, atração, arguição, ação e

Cliente, Custo, Conveniência e

apologia. Ou seja, o consumidor exerce

Comunicação.

a escolha (assimilação) do produto e

CLIENTE

da marca (atração), logo, em seguida, faz uma breve investigação do produto

Trata das necessidades e dos desejos

(arguição) antes da compra (ação) e

dos consumidores, focando apenas na

quando a aquisição é bem-sucedida

vida desse consumidor.

ele passa a defender aquele produto

No caso da Osklen, o relacionamento

de determinada marca (apologia).

da marca com seus clientes vem sendo

Essa interação é feita através dos

trabalhado desde o princípio, quando

mundos digital (on-line) e físico (off-

Oskar identicou a oportunidade na

line).

venda dos casacos direcionada a amigos mais próximos. A partir disso, foi

Com o objetivo de denir o subconjunto

conquistando seu público, agregando

de um público especíco, Kotler arma

sua ideologia ao conceito da marca,

que é necessário traçar quem são os

pois, para ele, a sustentabilidade

consumidores e seus desejos; identicar

precisava ser uma missão, não uma

seus pers e personas, para

ação de marketing à curto prazo.

posteriormente traçar estratégias

Surgem então os primeiros clientes que

fazendo uma concepção e

se interessam pela marca, por já

planejamento de conteúdo. Portanto,

praticarem um consumo consciente,

REDESIGN|74


2.2 Análise de marketing

eles sabem que existe um valor na peça

Segundo Gavin Ambrose e Paul Harris,

que vai além do preço na etiqueta. O

em Design Thinking, a diferença entre

produto, de fato, causa desejo, tem

persona e público alvo é que o público

qualidade, elementos de design, mas a

alvo representa uma parcela

interatividade com o consumidor ainda

abrangente da sociedade que mais se

precisa ser repensada.

identica com a marca, com os produtos ou serviços que ela propõe. Já

Os interesses do grupo de consumidores

a persona é a caracterização do

da Osklen revelam muito sobre sua

consumidor de forma mais humanizada

cultura dominante. São pessoas que

e personalizada. O objetivo da criação

possuem uma postura renada e

dessa persona é enviar a mensagem

sensível, com uma estética visual que

certa para as pessoas certas e, assim,

vai além das imposições midiáticas de

ter um bom diálogo e relacionamento

mercado, por exemplo. E esse público

com o consumidor. Logo, a pesquisa de

está no centro da revolução ética,

imersão é uma das metodologias

construindo seu bem-estar. Seu

usadas para denir essas personas, com

consumo é baseado na tomada de

objetivo de realizar a segmentação do

decisões, relacionada ao seu cotidiano

perl do público desejado, seus desejos

e estilo de vida. Os produtos oferecem

e limitações, além de sedimentar o

uma série de códigos estéticos e novas

mercado, guiar decisões sobre o

linguagens, pois acreditam que suas

produto.

escolhas fazem parte de sua personalidade e visão de mundo. O

CUSTO

cuidado pessoal também é

A análise de custo do produto é

colaborativo. Procuram estar em

diferente do preço uma vez que o

ambientes que geram prazer físico e

preço é apenas um pequeno

mental, portanto, frequentam centros

segmento do custo global de compra

de cuidados com o corpo, esportes

de um produto para um consumidor. Os

urbanos e naturais, eventos culturais, em

custos dos produtos são relativamente

busca de novas experiências,

equiparados a matéria prima dos

relacionamentos, nos quais satisfazem

produtos que são desenvolvidos com a

seus anseios. Assim como uma

curadoria do IE. É garantida pela Osklen

renovação pessoal e de qualidade de

a qualidade dos produtos, que

vida, mostram estar realmente

geralmente estão interligados a um

interessados em criar um futuro melhor e

custo alto, reetindo no preço nal que

em tecnologias sustentáveis. REDESIGN|75


2.2 Análise de Marketing

Pode variar

concentração de lojas são: São Paulo,

entre R$105, e R$4.000, dependendo do

com 18, e Rio de Janeiro, com 25 lojas;

produto. As formas de pagamento são

no estado do Rio de Janeiro as regiões

acessíveis, há também descontos que

com maior índice de loja são

podem ser aplicados num “sale”, por

respectivamente: Zona Sul (9), Centro

exemplo.

(4), Zona Oeste (3), Zona Norte (2),

chega ao consumidor.

CONVENIÊNCIA

Litoral (2) e Serrana (1). No exterior são seis: Japão – Tokyo (2); USA – Miami

A análise de convivência é comparada

Beach e New York; Grécia; Uruguai –

com a praça na estratégia dos 4P’s.

Punta Dell Este.

COMUNICAÇÃO

Porém, esse novo parâmetro vai além de simplesmente identicar o local onde o produto é vendido. Nesse

A análise de comunicação substitui o

estudo são analisados os hábitos dos

conceito da promoção. A

clientes, o comportamento na compra

comunicação oferece uma maior

online e física, assim como sua

importância para o marketing, pois é o

disposição para efetuar a compra.

momento em que a marca se

O custo global do produto pode

comunica com o cliente diretamente.

determinar parte da conveniência

Ou seja, a promoção de um produto é

desse público (o local ou a plataforma

usada para inuenciar ou persuadir os

em que ele será vendido). O objetivo é

consumidores a m de fazê-los comprar

propor um produto pelo custo-

um produto. No caso da Osklen esse

benefício para que o cliente consiga

processo deve ser bem trabalhado

adquirir sem diculdades.

pois, além de ter um conceito diferenciado das outras marcas de

Os pontos de venda estão distribuídos

moda, a marca singulariza seu DNA nos

no país e no exterior, além do e-

materiais sustentáveis. Segundo o site

commerce. São denominados como

da marca, “a nobreza passa pela

FlagshipStores; Showroom; International

preocupação social e a preservação

Sales; International Distributors;

dos recursos naturais para as próximas

Revendedores Autorizados e Lojas

gerações”.A maior parte da

físicas. A região do Brasil que tem a

comunicação que a marca

maior concentração de lojas é o

estabelece com seus clientes é através

Sudeste com 50 pontos no total; os dois

das plataformas de mídias sociais como

estados que apresentam maior

Instagram, Facebook e também do Site.

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2.2 Análise de marketing

ANÁLISE SWOT A Análise SWOT é uma ferramenta utilizada para fazer estudos de cenários de mercado como base de gestão e planejamento estratégico da marca.

Por

apresentar características muito especícas, a Osklen não apresenta concorrentes no setor em que atua e segue se mantendo referência em inovação e sustentabilidade. Portanto, essa análise será aplicada à marca com o objetivo de avaliar sua organização, através das quatro variáveis: internas - Strengths (força) e Weaknesses (fraquezas); externas - Opportunites (oportunidades) e Threats (ameaças).

FORÇAS A maior força da marca é a forte ligação com os projetos que desenvolve junto ao Instituto E, profundamente conectado com a responsabilidade ambiental e a sustentabilidade. Outra grande força é o investimento em pesquisas e parcerias que vêm desenvolvendo durante esses vinte anos por meio de programas sustentáveis que viabilizam a produção de seus produtos e geram o desejo das pessoas que almejam compartilhar do life style carioca que a marca proporciona. Os clientes acreditam que os produtos ofertam maior qualidade. A experiência de consumo Osklen inspira, inclusive, os clientes à explorarem o que o Brasil tem de melhor para oferecer, sua matéria prima natural.

FRAQUEZAS Ainda há diculdade de comunicação entre marca e consumidor, faz-se necessário um estudo da relação da marca com seu público a m de conhecer seu comportamento de compra e saber o que considera viável ou não nos produtos que a marca desenvolve. Talvez um grupo focal em que a marca possa consultar e identicar o que pode ser melhorado pelo olhar do cliente em uma das coleções, por exemplo, ou aplicar uma experiência de co-criação. Quando esse feedback vem apenas dos gerentes das lojas, algo se perde pelo caminho. Em marcas com propósito há necessariamente que a comunicação seja eciente para integrar ainda mais os clientes com a marca, aumentando a delidade e o alcance de clientes. REDESIGN|77


2.2 Análise de Marketing

OPORTUNIDADES Com a liderança do setor de moda sustentável, a marca está em vantagem nacional e internacionalmente por ser uma marca de moda com pegada socioambiental, onde nenhuma outra se assemelha ao seu empenho e equilíbrio já construídos ao longo de sua trajetória. Por esse motivo tem a oportunidade de aumentar sua transparência e seu engajamento com a comunidade local, de forma a desenvolver em cada loja, por exemplo, programas de interatividade.

AMEAÇAS A maior ameaça da empresa não são os concorrentes, pois, como já dito, a marca não os possui. Contudo, luta contra a cultura de um mercado que pode oferecer um produto semelhante ao seu, esteticamente apenas, por um preço menor. Nesse caso, o fast fashion é o maior vilão do consumo consciente. Após essas análises, serão identicadas, no próximo capítulo, as principais referências para a construção do conceito Redesign, que será apresentado como base para elaboração da coleção a ser criada. Os estudos realizados até agora serão de suma importância para a continuidade do projeto.

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REDESIGN

3


3. Redesign

3. REDESIGN Segundo o Sebrae (2017), o redesign é um conceito de moda sustentável, pois produz de maneira mais consciente por meio do reuso de peças que seriam descartadas. As ações que podem ser feitas, por exemplo, são a criação de um novo modelo com base em uma peça que já existe; aperfeiçoamento de uma peça, com ajustes, retirada ou acréscimo de detalhes; readequação da modelagem e reutilização da matéria-prima para novas peças. Entre os benefícios dessas ações para a empresa, está a reutilização de produtos do encalhe, que possivelmente seriam descartadas, o que ajuda na redução de custos e no incremento dos lucros. É muito positivo informar ao consumidor que, ao adquirir um produto fruto dessa iniciativa, estará sendo protagonista de um consumo mais sustentável, além disso, esse serviço se diferencia dos demais oferecidos pela marca, trata-se de uma nova prática criativa de aproveitamento dos produtos. Portanto, o objetivo deste capítulo é reetir sobre esse conceito aplicado numa metodologia capaz de desenvolver um produto criativo híbrido, seguindo as referências de alguns autores como Ezio Manzini, em Desenvolvimento de Produto Sustentável; e Enrico Cietta, em A Economia da Moda.

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3.1 O Produto Criativo Híbrido

3.1

O PRODUTO CRIATIVO HÍBRIDO

O produto criativo híbrido diz bastante sobre a sustentabilidade, relaciona o desenvolvimento do produto à práticas que não agridem o meio ambiente. Os quatro pilares do conceito de sustentabilidade são: reduzir, reparar, reciclar e reutilizar. Esse ciclo integral é composto pelo processo de criação-produção-distribuição-consumo, frisa CIETTA (2017) em seu discurso sobre o processo de criação/produção híbrida. Modicar este fenômeno e criar novos processos que fomentam o mercado da moda é justamente fazer o que ela de tempos em tempos sempre fez, modicar-se. As principais características de uma moda híbrida são:

Elaboração de até 4 coleções por ano; Transparência dos custos de produção; Produção em média ou grande escala com preços acessíveis; Grades completas com variedade de cores e estampas; Criação de modelagens atemporais e multiuso; Fabricação local respeitando as leis trabalhistas; Produtos de moda projetados com matéria prima de qualidade

Utilização de tecnologias sustentáveis para evitar o desperdício de água, energia e produtos químicos; Tecidos e materiais sustentáveis que podem ser reutilizados seguindo o conceito da economia circular. Além disso, o desenvolvimento de produtos sustentáveis apresenta alguns processos e características especícos, que serão apresentados a seguir com base nos estudos de Manzini:

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3.1O Produto Criativo Híbrido

PROCESSO CRIATIVO

PROCESSO COMUNICATIVO

Nesse processo inicial o designer

A comunicação com o consumidor é

precisa considerar a vida útil do

tão importante quanto o trabalho do

produto e promover em sua

designer ao projetar o produto, e todo o

concepção visual formas clássicas e

discurso sustentável reete no

neutras que garantam a criação de

marketing, que serve como promoção

peças atemporais e universais, isentas

desse consumo consciente e

às mudanças sugeridas pela moda

signicativo, ao invés do consumo

sazonal. Estamos falando de peças

excessivo. A transparência é primordial

duráveis, que atendam necessidades e

em todas as etapas de produção

com um design consciente.

mesmo posteriormente à aquisição, bem como no pós-uso. A durabilidade

PROCESSO PRODUTIVO

está atrelada a essas orientações que

É o momento de executar o plano

mantém a roupa funcional, confortável

estratégico, com métodos justos em

e com boa aparência. Nesta etapa

cadeia produtiva transparente, que

valoriza-se o consumo consciente, a

atenda às necessidades dos

promoção da transparência, a

consumidores bem como a

manutenção e descarte e a

rentabilidade do negócio. Em geral,

comunicação.

essa produção preza pela qualidade,

PROCESSO DESCARTE

diminuindo seu impacto, acatando

O equilíbrio entre os recursos materiais e

valores éticos, ambientais e

a valorização da mão-de-obra que

econômicos ao invés do modo

fomenta essa cadeia sustentável e

produtivo modelar gerado pela

produtiva oferece uma alternativa

quantidade acoplado aos preços

reexiva ao movimento slow. Estar

baixos, que o desvaloriza. A garantida

sempre atualizado a novas

de um comércio justo está diretamente

adaptações dos produtos, hábitos e

atrelada ao real custo de produção.

valores (materiais e imateriais), numa

Assim como a valorização da mão-de-

era global e midiática, signica

obra, em sua maioria, vinda da

oferecer essas condições de vida

comunidade, pois a produção

saudável e a demonstração da

local/nacional enriquece ainda mais o

capacidade de cada um poder

produto. Portanto, aqui destacam-se o

contribuir. Aqui o que importa é fechar

método produtivo, a confecção local e

o ciclo, o reuso, a reciclagem, o

a transparência na cadeia produtiva.

Redesign. REDESIGN|83


3.1 O Produto Criativo Híbrido

Com essas quatro denições, pode-se

Podemos, portanto, contar toda a vida

armar que o produto sustentável de

de um produto como um conjunto de

moda é muito mais que um sistema e

atividades e processos. Porém, surgem

processos, é estratégia de inovação,

algumas dúvidas: Como produzir melhor os produtos e os serviço? Como

O projeto Redesign deverá envolver

ampliar o sistema de descarte em um

aspectos dos processos citados, porém,

reuso? Por que necessitamos das

destacam-se o processo criativo da

coisas? Como eliminar aquilo que não

produção e o descarte, os principais

mais necessitamos? Isso, em termos

pontos de atuação. Posteriormente

operativos, signicaria: Por que produzir

serão analisados cada um e suas

e consumir os produtos e os serviços

respectivas diculdades.

existentes?

O produto obedece um ciclo de vida,

No momento de fazer o descarte do

refere-se às trocas (input e output) entre

produto, abre-se uma série de opções

o ambiente e o conjunto dos processos

sobre o seu destino nal. Pois pode-se

que acompanham o “nascimento”,

recuperar a funcionalidade do produto

“vida” e a “morte” de um produto. O

ou de qualquer componente; pode-se

mesmo é interpretado em relação aos

recuperar as condições do material

uxos – de matéria, energia e emissão –

empregado ou o valor empírico do

das atividades que o acompanham

produto; ou optar por não recuperar

durante toda a sua vida. Em “ciclo de

nada do produto. São as escolhas do

vida” considera-se o produto desde a

designer que irão determinar se o

extração dos recursos necessários para

produto será ou não sustentável

a produção dos materiais que compõem seu nascimento (fabricação) até o último tratamento (descarte) desses mesmos materiais após o uso do produto. O termo ciclo de vida de um produto é ambíguo, sendo usado no âmbito administrativo para indicar as várias fases que diferenciam a entrada, a permanência e a saída de um produto no mercado.

REDESIGN|84


3.2 Métodos de Desenvolvimento

3.2

MÉTODOS DE DESENVOLVIMENTO

O ecodesign talvez seja a parte mais

Segundo Lipovetsky (1989), a vida útil

importante de todos esses processos e

de produtos de moda tende a ser

práticas, pois ele está na base de todo

menor e mais frágil pois são geridos

e qualquer produto. É na concepção

dentro da lógica da moda sazonal,

do produto, quando seu custo ainda é

sistema esse que dignica o presente e

zero e seu impacto é nenhum, que são

a efemeridade.

denidas todas as suas características: material, durabilidade, estilo, cor,

E para que verdadeiramente possa ser

forma, métodos de fabricação,

criado um produto sustentável de

estratégias de fabricação, atividades

moda é essencial o planejamento de

pré-produção, produção e

todas as etapas, e aplicar a

comercialização. (BAXTER, 1995). Ou

técnica/estratégia mais adequada,

seja, ao invés de conceber o produto

dependendo da nalidade do produto,

da metodologia linearmente, parando

pois para cada tipo de matéria-prima

na comercialização, a ideia é

disponível há uma forma de se propor

transformá-lo num modelo circular,

um novo design. É dentro desse universo

considerando todo seu ciclo de vida,

que serão apresentadas as principais

durabilidade e seu retorno à produção

técnicas alternativas e estratégias para

por meio da reciclagem ou reutilização,

que torne viável o desenvolvimento

sendo o mais sustentável possível.

desses produtos.

Antes de iniciar o processo de planejamento da coleção, a seguir, será apresentado alguns conceitos importantes para o desenvolvimento do produto.

REDESIGN|85


3.2 Métodos de Desenvolvimento

LOGÍSTICA REVERSA Para o Ministério do Meio Ambiente, “a logística reversa é um instrumento de desenvolvimento econômico e social caracterizado por um conjunto de ações, procedimentos e meios destinados a viabilizar a coleta e a restituição dos resíduos sólidos ao setor empresarial, para reaproveitamento, em seu ciclo ou em outros ciclos produtivos, ou outra destinação nal ambientalmente adequada”. Entre suas principais vantagens estão: Criar uma imagem sólida e positiva; Explorar ações de marketing a m de conscientizar o consumidor e gerar uma publicidade positiva; Melhorar o processo de produção, diminuir o consumo e os custos de matériasprimas; Gerar produtos mais ecientes, adotar tecnologias mais limpas, simplicar a reutilização e a criação de produtos que podem ser reciclados com maior facilidade; Estimular os consumidores a serem mais conscientes, educá-los sobre a importância das práticas sustentáveis, bem como a coleta seletiva, a separação e o descarte dos resíduos.

As empresas precisam ter mais responsabilidade quanto ao ciclo de vida dos produtos, adotando uma postura consciente sobre os resíduos produzidos dentro da cadeia de consumo. Em linhas gerais, as corporações devem adotar práticas para assumir o retorno de seus produtos descartados, viabilizando sua destinação apropriada ao m de seu ciclo de vida útil. É nesse contexto que entra a logística reversa, que apesar de associada principalmente ao conceito de sustentabilidade, apresenta benefícios importantes ao empreendimento e à marca, uma vez que cria uma identidade ecologicamente correta. (VINCI FILHO, 2016) REDESIGN|86

Como forma de recuperar esse produto de maneira peculiar e ainda ser sustentável se faz necessário transformar esse resíduo em matériaprima, consequentemente, gerando valor a outro produto e ao mesmo tempo fomentando a prática do consumo consciente.


3.2 Métodos de Desenvolvimento

ZERO WASTE

Segundo Sabrá, em Modelagem: Tecnologia em produção de vestuário, a modelagem traçada sobre uma base têxtil possibilita a construção de

Esse processo é uma das estratégias de design que visa a redução dos impactos ambientais. Ou seja, utilizar todo o gasto sem nenhum desperdício. Um processo que é elaborado durante o processo criativo e que visa antecipadamente a eliminação do resíduo têxtil de toda ou maior parte do processo produtivo. As peças criadas normalmente possuem maior valor simbólico, tornando-se objeto de status mais elevado. O desenvolvimento criativo de um produto como esse é um mix de criação, modelagem e costura até que o protótipo nal agrade ao estilo. Logo, modelar é a gramática do design de moda. Sem o domínio da modelagem o traçado se torna em vão, o desenho de moda, um rabisco. A modelagem é como a estrutura de uma edicação. Resguarda em suas linhas o espaço e o conforto para o corpo que nele habitará. É a inteligência do desenhar, a sabedoria do fazer. (JUM NAKAO, 2012)

determinado produto gerado acerca de uma ideia. A prática de transformar uma peça de tecido em roupa é recorrente e antiga, por ser comum, doméstico e artesanal, geralmente não recebe o valor que lhe é digno. Contudo um material têxtil como matéria-prima envolve, protege, e adorna um objeto ou até mesmo reveste um corpo como uma escultura, envolve muito estudo e planejamento, obtém valor cultural, social e econômico pertinente à sociedade. Essa relação reete o real signicado de uma peça de vestuário e ganha importância digna de reexões e questionamentos. Para a construção desse produto, pode-se usar diferentes técnicas como de drapping/moulage (a partir do corpo físico tridimensional, com manipulação de tecido) ou modelagem plana (a partir de projeções, bidimensional). Ambas possuem tecnologia de produção e de gestão de produtos a m de obter resultados adaptados ao mercado. Desse modo, um bom prossional que atue na indústria têxtil e de confecção, REDESIGN|87


3.2 Métodos de Desenvolvimento

por mais que se especialize em uma

através da forma de trabalho do

determinada área, deveria ter como

ambientalista Reine Pilz, em 1994.

base da sua formação conhecimentos

Posteriormente, em 2002, o arquiteto

que englobem todas essas áreas.

em seu livro:

(SABRÁ, 2009, p.7) Existem várias maneiras de repensar estratégias de design que promovem a redução de impactos ambientais e que podem ser aplicados na indústria do vestuário. Por exemplo, as sobras do corte podem ser aproveitadas, são pequenas, porém em sua totalidade, em grande volume, se tornam perdas consideráveis. Estima-se que a quantidade gira em torno de 10% a 15% do tecido que é utilizado para produção das peças, que cam no chão do setor de corte.

UPCYCLING

`

É um termo moderno que denomina

O upcycling é uma das formas de contribuição para se pensar em um novo uso da moda utilizando como base o consumo sustentável. Este procedimento acarreta em um prolongamento do ciclo de vida do produto, que ao invés de ser descartado, terá seu resíduo reutilizado através da criação de novas peças, muitas vezes, com maior valor simbólico, tornando-se objeto de um status mais elevado.[...] A efervescência desses conceitos e a mudança no perl de consumo denotam uma preocupação com a moda mais ética e sustentável, de modo que essa tendência vem se fortalecendo ao longo dos últimos anos no Brasil, onde empresas brasileiras procuram seguir o mercado internacional que utilizam a Logística Reversa e o Consumo Sustentável como suporte para aplicar a sustentabilidade na moda. (ARAÚJO, BEZERRA, GUIMARÃES, OLIVEIRA e VILLACA, 2016)

uma prática de reaproveitamento residual, seu signicado literal é a

O SEBRAE lançou recentemente um

reciclagem. Denido como um

boletim especial da Inteligência Setorial

fenômeno inovador para o polo de

que apresentava o upcycling como

produção de cunho industrial, salienta

conceito em expansão por toda

o modo de conversão de um material

indústria da moda, trazendo benefícios

noutro de valor similar ou superior em

às empresas que optarem por aderir a

seu novo ciclo. A primeira

esse método de produzir moda. De

manifestação dessa prática veio

acordo com o boletim:

REDESIGN|88


3.2 Métodos de Desenvolvimento

Quinto colocado na indústria têxtil mundial, o Brasil produz cerca de 9 bilhões de peças de roupa por ano, sendo que em torno de 15 a 20% do tecido é desperdiçado por cada peça cortada. A indústria do setor deve ter preocupação ambiental e praticar atos que minimizem o impacto do seu processo produtivo ao meio ambiente. Além da responsabilidade ambiental, os empreendimentos que inovam seus processos, reutilizando insumos e contendo desperdícios, podem economizar e competir melhor no mercado. (SEBRAE, 2017)

pouca frequência; 17,1% se arrependem por comprar produto que não era necessário. E apenas 5,8% vêem benefício ao meio ambiente como vantagem de consumir com consciência. Outros 18,6% se interessam pelas próximas gerações. Por outro lado, 30,1% se interessam mais pela sociedade e 35% pelas vantagens nanceiras. Através dessas informações podemos identicar que, de fato, as campanhas precisam estar mais claras para esse

Para Mafra, “o conceito é contrário ao

consumidor, fazendo-o repensar seu

da “obsolescência programada”. Ou

comportamento de consumo.

seja, as coisas devem ser projetadas de forma a prever sua reintrodução no

Sobre o desenvolvimento de produto:

ciclo, seja por reciclagem, por reaproveitamento, ou utilizadas como

A criação e a modelagem são dois

matéria prima para serem

fatores complementares. A seguir essas

transformadas em outros produtos, não

relações serão classicadas segundo a

perdendo a qualidade quando

metodologia de produção de produto

recicladas”. (MAFRA, 2013)

de moda. A criação é o coração na elaboração do produto, pois nele está

CAMPANHAS

^

empiricamente o conceito elaborado pelo designer e a proposta que presente lançar. A pesquisa de tendência de moda não é necessária nesse tipo de produto, mas sim as

Uma pesquisa elaborada em 2015

tendências de comportamento para

aponta que 84,1% dos consumidores

que a marca faça uma releitura dessa

não ligam para marcas e priorizam

pesquisa transformando em design.

qualidade; 40,9% preferem alugar ou pegar emprestado algo que usam com REDESIGN|89


3.2 Métodos de Desenvolvimento

O tema da coleção é livre e pode ser abordado de várias maneiras, respeitando a identidade da marca. Já a modelagem de um produto é elaborada por intermédio da pesquisa iniciada na criação, onde é feita uma seleção dos elementos de shapes, têxtil style, etc. Após esses estudos serão aplicadas as técnicas pertinentes nos modelos proposto, num mix de estilo, criação, modelagem, corte e costura para que verique a viabilidade das peças. A seguir apresentaremos um check list das principais estratégias de design sustentáveis, apresentadas anteriormente e que será proposto para este projeto:

LOGÍSTICA REVERSA

Elaborar um programa que seja possível manter uma logística reversa na marca.

ZERO WASTE

Criação, modelagem, corte e costura; produtos exclusivos em peças atemporais;

UPCYCLING

Aplicação dessa técnica em determinados produtos da coleção fazendo o reaproveitamento de resíduos têxteis;

CAMPANHA

Elaborar campanhas interativas com o objetivo de aproximar o cliente da marca.

Com base nessas informações, no capítulo a seguir apresentaremos o processo criativo da coleção.

REDESIGN|90


GÊNESE

4


4. Gênese

4. GÊNESE A palavra ‘gênese’ tem um signicado particular, simboliza o início de tudo ou um conjunto de elementos que contribuem para a produção de alguma coisa. Nesta coleção, a palavra representa a busca das origens, uma maneira de escapar das transformações impostas pelo mundo contemporâneo. Os quatro elementos - fogo, terra, ar e água - estão presentes na criação. A critério de inspiração, estão associados ao que faz pensar, sentir, reetir e gerar ações de criação e inovação. Com o auxílio da disciplina Handstorm, ministrada pela professora Rosana Naccarato, e do curso Fashion Folio, ministrado por Renata Estefan, foi possível gerar ideias que impactaram na elaboração de coleção. O curso Fashion Folio apresenta uma metodologia criada na escola inglesa Central Saint Martins – um dos principais centros de ensino de arte e design do mundo. O objetivo é desenvolver no aluno um critério de conceito pessoal artístico, assim como um olhar crítico entre a teoria e a prática, em que o designer formula o melhor caminho a comunicar sua narrativa visual. A ideia direcionada ao projeto é elaborar peças que simbolizam a coleção, representando os conceitos autorais que serão investigados nas pesquisas durante o processo, incorporados nos looks da coleção, nas linhas e nos demais elementos. A seguir apresentaremos um passo a passo do processo criativo:

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4. Gênese

1ª ETAPA

BRAINSTORM

O brainstorm, também conhecido como tempestade de ideias, é um processo livre, criado para deixar uir os mais diversos tipos de pensamentos, ideias e reexões. Através desta ferramenta foi possível a geração do moodboard. Nele, as imagens transmitem a atmosfera da coleção, assim como o conceito do tema, referências de moda, formas, texturas e cores. Foi necessário elaborar dois moodbords para dar inicio ao processo criativo da coleção, um para representar o conceito e o outro a proposta. Ou seja, o primeiro mood, nomeado Genese, estabelece uma identidade propositalmente mininamista em sua representação de cores P&B, que propositalmente foram escolhidas para trazer o equilíbrio pra coleção, uma vez que no segundo moodboard, nomeado Inside Osklen, já se espera um mix de estampas signicativo. Além de servir para direcionar as linhas, que serão apresentadas na 5ª etapa. Foram pesquisadas as cinco últimas coleções da marca, que serviram como inspiração para coleção, como dito anteriormente, para investigação de formas, texturas, estampas e cores. São elas: Golden Espirit FW16; Monbupurih SS16/17; Soundtrack FW17; Tarsila SS17/18; e Asap Fw18. A forma de investigação do tema é mais um processo autoral de inspiração. A seguir será apresentado como procedeu a pesquisa de moodboard. Na foto a seguir é possível identicar uma pintura livre de como a autora enxerga os elementos que pretende trabalhar. A pintura recebe o mesmo nome do tema mas sua simbologia referente aos elementos de criação (fogo, terra, ar e água) recebem novos formatos de leitura visual.

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4. Gênese

2ª ETAPA

LINE UP CREATIVE

O Line Up Creative são croquis feito a partir de montagem, e tem o objetivo de servir como inspiração no processo criativo. As montagens foram elaboradas usando a seleção de imagens da pesquisa de brainstorm, especicamente, com os lookbooks e campanhas da Osklen. Com isso, foram criados dezoito croquis, que começam a dar forma a coleção. A principal característica que aparece nessa etapa são as estampas, cores e formas expressivas. O mix de estampas nas montagens representa boa parte da proposta da coleção, dessa forma foi mantido o formato original delas, sem manipulação, com o intuito de ativar a memória efetiva do consumidor ao recordá-las nos produtos. Além disso, a cartela de cores que já começa a aparecer a partir da etapa anterior em que são feitas as seleções das imagens, no moodboard Geneses, por exemplo, as referências dos tons black, off white e gray são bem marcantes e é conduzida por uma pequena diversidade de tons neutros, claros e escuros, que representam a atemporalidade da coleção. Cores all black, off white, tons de cinza, e tons complementados por outras tonalidades no moodboard Inside Osklen, em peças lisas, como a neutralidade do nude e ferrugem, presente em algumas peças.

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4. Gênese

3ª ETAPA

DESIGN INVESTIGATION

Desgin Investigation é a fase que engloba as outras duas etapas do processo de desenvolvimento, a pesquisa e a manipulação da pesquisa em croquis criativos. A investigação de design em shapes (formas) reais, materiais e aviamentos, acabamento e modelagem, é representada por sketchs/ esboços de croquis feitos à mão, sinalizando as ideias. O planejamento de materiais nessa etapa é essencial para criar os sketchs para ter uma liberdade maior no momento de criar. Portanto, a seguir serão apresentadas as cartelas de cores, tecidos, estampas e materiais que foram selecionados para o desenvolvimento da coleção, escolhidos a partir da pesquisa temática, assim como das coleções que serviram de inspiração.

CORES

Pantone 11-0601White

Pantone 18-1340 Rust

Pantone 17-3914 Grey

Pantone 17-3914 Grey Dark

Pantone 19-4010 Black

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4. Gênese

TECIDOS Para montar a cartela de tecidos para a coleção foi feita uma pesquisa dos principais tecidos utilizado nas coleções da marca. E a cartela de tecidos escolhida apresenta um mix de tecidos leves com tecidos pesados.

Linho Comp.: Viscose 55% Linho 45% Ref.:T005

Sarja Comp.: Algodão 79% Poliéster 21% Ref.: T50012

Malha Canelada Comp.: Algodão 96% Elastano 4% Ref.: T0009

Seda Comp.: Seda 100% Ref.: TS002

Zibeline Comp.: Seda 100% Ref.: TZ001

Crepe de Seda Comp.: Poliéster 100% Ref.: TCS008

` Lã Comp.: Algodão 55% Acrílico 45% Ref.: Tl007

Ribana Crepe de Comp.: Algodão 97% Elastano 3% Ref.: Tr0025

Linho Upcycle Comp.: Viscose Linho 45% Ref.: TU005 REDESIGN|109


4. Gênese

ESTAMPAS

Golden Espirit Ref.: E007

Monbupurih Ref.: E0014

Soundtrack Ref.: E0015

Tarsila Ref.: E0013

Asap Ref.: E0334

Listras Genese Ref.: CL001

MATERIAIS

Linha Ref.: L0431

Zíper metal Ref.: E248

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Fio Ref.: F292P

Elástico Ref.: E248

Zíper invisível Ref.: A236

Ponteira Ref.: P3498

Fivela Ref.: FC10


4. Gênese

4ª ETAPA

FITTING

O tting é o processo em que as peças são confeccionadas e as provas são feitas na modelo. Nessa etapa, foram escolhidas quatro peças para representar a coleção, sendo quatro looks entre feminino e masculino. As peças foram modeladas, costuradas e foram ganhando forma na medida em que eram feitas as provas. Nesses testes são analisados os tecidos corretos para a confecção dos modelos, os acabamentos mais adequados, costuras e principalmente o caimento da peça na modelo. A elaboração do protótipo foi feita através do estudo dos sketchs de croquis da etapa anterior, foi analisado shapes e posteriormente os croquis para esboçar as ideias. Antes mesmo da line up nal da coleção, foram confeccionados os 4 looks, divididos em feminino e masculino. O resultado foi positivo e considerado além do esperado. Esse processo de montagem das peças, referente à modelagem, corte, costura e acabamentos, durou 2 semanas. E em seguida feito o shooting, antes mesmo da coleção car pronta. Isso aconteceu devido ao estudo de materiais feito anteriormente. A seguir será apresentado os protótipos.

CALÇA CLOCHARD RECYCLE A história dessa calça surgiu quando buscava por alguma modelagem que representasse a identidade da marca, e após a pesquisa de materiais logo adquiri o tecido que me chamou atenção na loja. Ainda sem saber o que modelar, usei um tecido que já tinha para fazer um teste de uma calça, mas a modelagem cou estreita para caber na modelo, foi então que tive a idéia de acrescentar um recorte lateral e adicionando um detalhe a mais na peça. Além disso, foi aplicado um zíper na barra da calça deixando-a interessante, como mostra a sequencia de imagens a seguir.

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4. Gênese

CALÇA CLOCHARD RECYCLE

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4. Gênese

Foi necessário alguns ajustes no gancho da calça para melhorar o caimento do centro costas. E após a correção, foi feito outras investigações na forma da calça, so que agora aplicado no tecido que foi adquirido (na imagem abaixo), porém o tecido é estampado em listras, e não seria interessante mantê-lo. Portanto, surge a idéia de aplicar recortes na modelagem e para isso foram feitos sketchs para identicar o melhor recorte na calça. Feito as devidas investigações, os recortes e a modelagem, os moldes foram encaixados de diversas formas para o corte, no sentido enviesado, no o e no contra-o do tecido. Após a nova calça pronta foi feito um novo tting para fazer a prova de roupa na modelo. Além disso, foi elaborado um cropped para deixar o look completo.

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4. Gênese

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4. Gênese

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4. Gênese

VESTIDO ZERO WASTE RECYCLE

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4. Gênese

O vestido zero waste foi idealizado após a pesquisa Inside Osklen, que serviu de inspiração para criar a modelagem abaixo. E o tecido utilizado foi retirado do acervo pessoal. Ou seja, não houve desperdícios, nem gastos. Portanto, esse modelo representa um dos propósitos da coleção. Abaixo está representado a modelagem aberta (na esquerda)e fechada na (direita).

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4. Gênese

CONJUNTO RECYCLE

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4. Gênese

O conjunto Recycle masculino foi elaborado a partir do look feminino, portanto possui o mesmo conceito. A modelagem foi feita a partir de uma base pronta. No momento do corte não havia tecido suciente para fazer a blusa completa mas não foi um problema pois havia retalhos que formaram metade da parte da frente que faltava. E as costas deu lugar a um tecido leve e frensco.

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4. Gênese

MACACÃO UPCYCLE

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4. Gênese

O macacão masculino foi elaborado a partir do conceito upcycle, que teve como reaproveitamento um vestido em desuso (cedido por Nina Braga). Foi aplicado detalhes do tecido do vestido na pala do macação, na barra da calça e no cós. A imagem abaixo ilustra o que sobrou do vestido, e que ainda pode ser aproveitado em alguma criação.

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4. Gênese

4ª ETAPA

LINE UP FINAL

Na quinta etapa, já é possível visualizar a coleção completa com todos os croquis, protótipos e ideias alinhadas. O line up nal são representados por croquis com uma base real de modelo, sobreposto com as peças em desenho técnico, alguns feitos à mão, com o intuito de tornar mais real possível. O desenho técnico de cada peça está registrado na cha de desenvolvimento, que contém todas as especicações do produto.

MIX DE PRODUTOS

Para tornar esses produtos especiais dentro do contexto desse projeto, foi aplicado em algumas peças técnicas como a modelagem zero waste e o upcycling, que puderam ser transformadas para ganhar um novo propósito e estender sua vida útil. Assim, os sketches dos coordenados de produtos começaram a ser elaborados, até a coleção tomar forma. A seguir será apresentado o mix dos produtos que foram desenvolvidos. No total são 23 produtos compostos por 8 tops (parte de cima), 7 bottons (partes de baixo), 8 inteiros e 1 overtop (sobreposição). Durante o desenvolvimento da coleção, o principal foco foi criar peças com formas atemporais para reforçar o conceito de roupas que sobrevivem ao tempo, com variações de modelagens assimétricas, detalhes em recortes. As peças fazem contraste, do basic ao sosticado dentro do lifestyle carioca.

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4. Gênese

TOPS Os tops apresentam blusas com diferentes tipos de comprimento para manter a variedade da coleção: modelos de croppeds aparecem em modelagem mais ampla com mangas curtas e compridas, de cava reta e raglan, além de blusas com tecidos mais estruturados ou delicados. O overtop que é uma peça coringa e compõe com todos os looks.

BOTTONS Os bottons apresentam modelos como calças, saias e bermudas, com modelagens e formas básicas com detalhes dos recortes das estampas, aplicados nas peças; as calças aparecem nos modelos pantalona, alfaiate e boyfriend; as saias têm o comprimento midi, com fendas e amarrações. As bermudas masculinas aparecem em modelos de estilo alfaiate.

INTEIROS Nos inteiros, as peças apresentadas são: vestidos, na linha feminina, e macacão, na linha masculina. Os vestidos têm shape mais reto em comprimentos curto e midi. O macacão masculino foi elaborado no conceito upcycling (apresenta partes de uma peça de roupa Osklen).

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4. Gênese

AS LINHAS DA COLEÇÃO

As linhas da coleção surgiram ainda na primeira etapa do processo criativo, mas foi necessário percorrer até aqui para certicar todos os ajustes que foram feitos. A primeira linha foi nomeada Recycle, pois boa parte das referências estéticas formam as peças que foram criadas a partir do conceito upcycle e zero waste. Já a segunda linha que foi nomeada Reviver, pois traz bastante particularidades das coleções antigas da marca, que é o propósito da coleção, fazendo releitura de formas, texturas, cores, estampas, etc.

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REVIVER


RECYCLE


MIX N’ MATCH


FICHAS


OSKLEN Gr0023 Rec001 Re1001 Recycle

Cropped Recycle Fem

DESCRIÇÃO: Cropped com recorte assimétrico frontal.

TECIDO Ziberline

ESTAMPA/COR Genese

AVIAMENTO Linha

Fio

Ref.: L0431 | Ref.: F292P Ref.: TZ001

Ref.: CL001

OBSERVAÇÃO: Cropped com recortes na parte frontal com direcionamento de tecido no viés.


OSKLEN Re1002 Rec001 Gr0023 Recycle

T-shirt Recycle reclycle Masc T-shirt

DESCRIÇÃO: T-shirt com recorte frontal e aplicação de zíper no ombro.

TECIDO Ziberline

Ref.: TZ001

AVIAMENTO

ESTAMPA/COR Seda

Ref.: TS002

Genese

Ref.: CL001

Black

Ref.: CB002

OBSERVAÇÃO: Tecido 001 na frente e 002 nas costas.

Linha

Fio

Zíper

Ref.: L0431 | Ref.: F292P | Ref.: Z2022


OSKLEN Re1003 Recycle

Calça Clochard

DESCRIÇÃO: Calça Clochard com cinto amarração e zíper na barra da calça.

TECIDO Ziberline

Ref.: T001

AVIAMENTO

ESTAMPA/COR Genese

Ref.: E0016

Linha

Fio

Zíper

Ref.: L0431 | Ref.: F292P | Ref.: Z2022

OBSERVAÇÃO: Calça com recorte lateral e aplicação de zíper na bainha.


OSKLEN Re1004 Recycle

Short boyfriend Masc

DESCRIÇÃO: Short boyfriend com amarração com cinto regulável.

TECIDO Ziberline

Ref.: T001

AVIAMENTO

ESTAMPA/COR Seda

Ref.: T002

Genese

Ref.: E0016

Linha

Fio

Fivela

Ref.: L0431 | Ref.: F292P | Ref.: FC10

OBSERVAÇÃO: Bermuda com dobra de 5 cm na bainha. Aplicação de fivela no cinto.


OSKLEN Re1005 Recycle

Vestido zero waste Fem

DESCRIÇÃO: Vestido zero waste curto com recorte frontal

TECIDO Crepe de Seda

Ref.: TCS008

AVIAMENTO

ESTAMPA/COR White

Ref.: C0037

OBSERVAÇÃO: Acabamento com viés de seda.

Black

Linha

Fio

Viés

Ref.: L0431 | Ref.: F292P | Ref.: V2940


OSKLEN Re1006 Reviver

Cropped Reviver Fem

DESCRIÇÃO: Cropped com recortes assimétricos .

TECIDO Lã

Ref.: TL007

ESTAMPA/COR Grey

Ref.: C0035

OBSERVAÇÃO: Aplicação de recorte raio com pesponto.

AVIAMENTO Linha

Fio

Ref.: L0431 | Ref.: F292P


OSKLEN Re1007 Recycle

: Macacão upcycle Masc.

DESCRIÇÃO: Macacão upcycling com recorte frontal e na barra.

TECIDO Linho

AVIAMENTO

ESTAMPA/COR Black

Linho upcycle

Grey

Linha

Fio

Elástico

Zíper

` Ref.: T005

Ref.: TU005

Ref.: CL002

OBSERVAÇÃO: Uso de resíduo têxtil.

Ref.: C0035

Ref.: L0431 | Ref.: F292P | Ref.: E248 | Ref.: E248


OSKLEN Re1008 Reviver

Vestido curto Fem

DESCRIÇÃO: Vestido curto assimétrico com amarração na lateral.

TECIDO Seda

Ref.: T0011

AVIAMENTO

ESTAMPA/COR Tarsilla

Ref.: E0013

Grey dark

Ref.: CGD001

OBSERVAÇÃO: Aplicação de cadarço na lateral da frente.

Linha

Fio

Ponteira

Ref.: L0431 | Ref.: F292P | Ref.: P3498


OSKLEN Re1009 Recycle

Vestido midi Fem

DESCRIÇÃO: Vestido midi com gola alta, recorte frontal e lateral.

TECIDO Malha canelada

Ref.: T0009

ESTAMPA/COR White

Ref.: CO0003

OBSERVAÇÃO: Aplicação de recortes com pesponto.

Black

Ref.: CL002

AVIAMENTO Linha

Fio

Ref.: L0431G | Ref.: F266A


OSKLEN Re1010 Recycle

Overtop Recycle Fem

DESCRIÇÃO: Sobretudo midi com fenda e recorte no centro costas.

TECIDO Malha Canelada

Ref.: T004

ESTAMPA/COR Black

Ref.: C0033

OBSERVAÇÃO: Aplicação de bainha na overloque.

AVIAMENTO Linha

Fio

Ref.: L0431 | Ref.: F292P


OSKLEN Re1011 Recycle

T-shirt Recycle Masc

DESCRIÇÃO: T-shirt sem manga com recorte assimétrico na lateral direita.

TECIDO Linho

Ref.: T005

AVIAMENTO

ESTAMPA/COR Golden Spirit

Black

Ribana

Ref.: E007 Ref.: CL002 Ref.: TR0025

OBSERVAÇÃO: Aplicação de ribana 1,5 cm no decote.

Linha

Fio

Ref.: L0431 | Ref.: F292P


OSKLEN Re1012 Reviver

Vestido Gola Alta Fem

DESCRIÇÃO: Vestido curto com gola rolê, recorte na parte frontal e ribana nas mangas.

TECIDO Malha canelada

AVIAMENTO

ESTAMPA/COR Soundtrack

Black

Ribana

Linha

Fio

Ref.: L0431 | Ref.: F292P Ref.: T0009

Ref.: E0015 Ref.: CL002 Ref.: TR0025

OBSERVAÇÃO: Bolso invisível no recorte.


OSKLEN Re1013 Reviver

Camisa Reviver Fem

DESCRIÇÃO: T-shirt com recorte nas mangas e zíper no centro costas.

TECIDO Crepe de Seda

Ref.: T006

ESTAMPA/COR Off- White

Ref.: CO0003

OBSERVAÇÃO: Acabamento de limpeza no decote.

AVIAMENTO Linha

Fio

Ref.: L0431G | Ref.: F266A


OSKLEN Re1014 Recycle

: Vestido curto Rec. Fem.

DESCRIÇÃO: Vestido curto com manga Haglan e aplicação de estampa na parte frontal.

TECIDO linho

Linho

Ref.: T005

AVIAMENTO

ESTAMPA/COR Golden Spirit

Ref.: E007

Black

Ref.: CL002

OBSERVAÇÃO: Aplicação de zíper invisível no centro costas.

Linha

Fio

Zíper

Ref.: L0431 | Ref.: F292P | Ref.: Z2022


OSKLEN Re1015 : Vestido recorte midi Fem

Reviver DESCRIÇÃO: Vestido midi assimétrico com fenda e recorte frontal

TECIDO

Tarsilla

Seda

Ref.: TS002

AVIAMENTO

ESTAMPA/COR

Ref.: E0013

OBSERVAÇÃO: Aplicação da estampa.

Ferrugem

Ref.: CF1202

Linha

Fio

Zíper

Ref.: L0433 | Ref.: 295P | Ref.: A236


OSKLEN Re1016 Reviver

Cropped Reviver Fem

DESCRIÇÃO: Cropped com aplicação de recorte nas laterais e zíper no centro costas.

TECIDO Cambraia de linho

Tarsilla

Ref.: T003

Ref.: E0013

AVIAMENTO

ESTAMPA/COR

OBSERVAÇÃO: Limpeza no decote.

Off- White

Ref.: CO0003

Linha

Fio

Zíper

Ref.: L0431 | Ref.: F292P | Ref.: Z2022


OSKLEN Re1017 Reviver

T-shirt Reviver Fem

DESCRIÇÃO: T-shirt com recorte raio na lateral esquerda.

TECIDO Cambraia de linho

Ref.: T003

ESTAMPA/COR Black

Ref.: C0032

OBSERVAÇÃO: Aplicação de recorte raio com pesponto.

AVIAMENTO Linha

Fio

Ref.: L0431G | Ref.: F266A


OSKLEN Re1018 Reviver

: Vestido curto Fem

DESCRIÇÃO: Vestido curto com recortes geométricos na parte frontal.

TECIDO Seda

Ref.: T0020

ESTAMPA/COR Soundtrack

Ref.: E0015

Off- White

Ref.: CO0003

OBSERVAÇÃO: Acabamento de limpeza no decote. Aplicação dos recortes.

AVIAMENTO Linha

Fio

Ref.: L0431G | Ref.: F266A


OSKLEN Re1019 Reviver

: Saia Reviver Fem

DESCRIÇÃO: Saia assimétrica com amarração com cinto.

TECIDO Seda

Ref.: TS002

OBSERVAÇÃO:

AVIAMENTO

ESTAMPA/COR Tarsilla

Ref.: E0013

Linha

Fio

Fivela

Ref.: L0433 | Ref.: 295P | Ref.: FC10


OSKLEN Re1020 Reviver

: Calça Pantalona Fem

DESCRIÇÃO: Calça esporte pantalona com bolso traseiro no lado esquerdo.

TECIDO Sarja

Ref.: T0013

AVIAMENTO

ESTAMPA/COR

ASAP

Ref.: E0334

Grey

Ref.: C0035

Linha

Fio

Elástico

Ref.: L0431 | Ref.: F292P | Ref.: E248

OBSERVAÇÃO: Aplicação de elástico 10 cm rebatido no cós da calça. E a plicação de bolso traseiro.


OSKLEN Re1021 Recycle

Bermuda Rec. Man

DESCRIÇÃO: Bermuda sport com recorte traseiro e dois bolsos frontal e traseiro.

TECIDO Linho

Ref.: C0033

AVIAMENTO

ESTAMPA/COR Off- White

Ref.: CO0003

OBSERVAÇÃO: Aplicação de bolso pespontado.

Black

Ref.: CL002

Linha

Fio

Zíper

Ref.: L0431 | Ref.: F292P | Ref.: Z2022


OSKLEN Re1022 Reviver

: Calça Alfaiataria Fem.

DESCRIÇÃO: Calça alfaiataria assimétrica com recortes frontal na lateral esquerda e traseira.

TECIDO Sarja

Ref.: T0012

AVIAMENTO

ESTAMPA/COR Mumburih

Ref.: E0014

OBSERVAÇÃO: Aplicação da estampa.

Grey

Ref.: C0035

Linha

Fio

Zíper

Ref.: L0431 | Ref.: F292P | Ref.: A235


OSKLEN Re1023 Reviver

Saia midi Reviver Fem

DESCRIÇÃO: Saia midi com recorte frontal na lateral direita e aplicação de bolso.

TECIDO Sarja

Ref.: TS0012

AVIAMENTO

ESTAMPA/COR Grey

Ref.: C0040

Grey

Ref.: C003

Linha

Fio

Zíper

Ref.: L0431 | Ref.: F292P | Ref.: A235

OBSERVAÇÃO: Aplicação de bolso pespontado e zíper aparente. E aplicação de zíper no centro costas.


4. Genese

6ª ETAPA

SHOTTING

A sexta e última etapa desse processo de desenvolvimento criativo é selada pelo shooting, o registro fotográco das peças, momento em que o conceito da coleção ganha vida através da história que é contata pelas lentes. Os looks que irá compor o o shotting são os mesmos que foram elaborados na 4ª etapa - tting, da linha Recycle, composto pelo macacão upcycle, conjunto feminino e masculino , além do vestido zero waste. O primeiro passo dessa etapa é elaborar o breang da campanha. Sabendo que a identidade fotográca das campanhas Osklen é marcada por uma narrativa singular do life style carioca, ora sosticado ora minimalista, contrastando o urbano e a natureza. E para a campanha da coleção Gênese, permanece essa mesma estética. O próximo passo foi escolher os prossionais que farão parte da equipe do editorial. Espera-se que sejam compatíveis com o brieng pautado, onde os modelos, homem com feição marcante e mulher mais delicada. O prossional da beleza precisava fazer uma maquiagem natural e deixa-los com aparência viçosa. O estilo de trabalho do fotógrafo precisava ter a mesma identidade da marca. Portanto, foi convidado o designer e fotógrafo Lucas Menezes para colaborar com a direção criativa; o maquiador escolhido foi o especialista da Loreal SP, Allan Ferc que captou as referências e deixou os modelos, Felipe e Evellyn, com aspecto bem natural. A escolha da locação foi estudada para atender a toda essa expectativa. Com isso, o cenário escolhido foi o entardecer às margens do Pier Mauá, espaço turístico localizado no centro do Rio de Janeiro. O conceito da campanha foi representada pelo céu avermelhado como fogo ao horizonte, o mar de fundo representando a grandeza das águas, o ar simbolizando subjetivamente o rmamento e a energia da terra como base de todos os outros elementos.

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GÊNESE MARINA MIKALAUSKAS DIAS Designer, produção e styling

LUCAS MENEZES Fotógrafo e direção criativa

ALLAN FERC Beleza artística EVELLYN CANTELMO Modelo FELIPE CARDOSO Modelo


Considerações nais

CONSIDERAÇÕES FINAIS A conclusão desse trabalho permitiu muitas interpretações e apontamentos. Seu desenvolvimento possibilitou conhecer um pouco mais não apenas o tema norteador do projeto - a sustentabilidade, mas principalmente sua interface com a indústria moda, fazendo reetir sobre como é possível minimizar os impactos da produção industrial de vestuário, sem deixar de criar algo inovador, como pede o sistema da moda. Também foi possível reetir sobre a importância do prossional de design nesse processo, pois, através de suas criações, ele pode inspirar ações que permitam reetir sobre as mudança que queremos implementar, começando pelo modo como nos vestimos, valorizando as pessoas e o meio ambiente e eliminando

desperdícios.

Através dos experimentos realizados foi possível colocar em prática conceitos que antes estavam apenas no campos das ideias. As metodologias aplicadas em todo processo de pesquisa e desenvolvimento tiveram grande relevância nesse processo, que uiu de forma multidisciplinar reunindo conhecimentos adquiridos em diferentes disciplinas ao longo do curso, como a modelagem, a costura e o marketing. Pretende-se com este trabalho construir um repertório ainda maior, capaz de orientar na direção de novos projetos e estudos, assim como o que já venho desenvolvendo no programa de mentoria do Senai Cetiqt. Promover a sustentabilidade é uma questão de escolha, que nem sempre é fácil, sobretudo para o mercado. O trabalho é árduo, porém necessário. É chegada a hora da mudança. Precisamos nos engajar como consumidores e como prossionais. Nesse sentido, esperamos que este projeto seja uma forma de impactar também outros designers, colaborando com suas pesquisas e ajudando a construir uma conscientização maior no campo da moda.

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Referências

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Referências

Imagem 4: Desles de peças upcycling Fonte: Elaborado pela autora, 2018 41 p. Imagem 5: Oscar Metsavaht Fonte: Elaborado pela autora, 2018 42 p. Imagem 6: T-shirt algodão orgânico Fonte: Elaborado pela autora, 2018 42 p. Imagem 7: Bolsa Osklen Fonte: Elaborado pela autora, 2018 46 p. Imagem 8: Act Now Disponível em: https://creatorsimages.vice.com/blog_article_images/images/000/033/366/manifesto_1_detail_em.j pg?1344953525 51 p. Imagem 9: E- Brigade Disponível em: http://4.bp.blogspot.com/-8zGRvpHxn0o/Uhj2NdnJUI/AAAAAAAAAe8/-JXfQgqyMyQ/s1600/ebrigade.jpg 52 p. Imagem 10: E- Fabrics Disponível em: https://http2.mlstatic.com/camiseta-osklen-original-e-fabricspromoco-frete-gratis-top-D_NQ_NP_664369-MLB27036413548_032018-F.jpg 52 p. Imagem 11: Instituto E Disponível em: https://institutoe.les.wordpress.com/2013/01/instituto-e-mission-andlogo.jpg 54 p. Imagem 12: Traces Disponível em: (http://www.tracesefabrics.org/index.php#product) 56 p. I

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Referências

Imagem 13: Water Traces Disponível em: https://i.ytimg.com/vi/B_zPn8JcIrI/maxresdefault.jpg 57 p. Imagem 14: A21 Disponível em: https://pbs.twimg.com/prole_images/2331004872/A21.jpg 58 p. Imagem 15: ASAP Fonte: Elaborado pela autora, 2018 59 p. Imagem 16: E Basics Disponível em: https://i.ytimg.com/vi/5k18W6tePFg/maxresdefault.jpg 60 p. Imagem 17: E T-shirt algodão orgânico Disponível em: (HTTPS://D.FACEBOOK.COM/OSKLEN/?__TN__=%2AS-R) 61 p. Imagem 18: Camisa Brim orgânico Disponível em: http://dz3n5fc706193.cloudfront.net/media/catalog/product/cache/1/image/1800x /040ec09b1e35df139433887a97daa66f/_/m/_mg_5233_1_3.jpg 62 p. Imagem 19: Vestido crepe de seda Fonte: Elaborado pela autora, 2018 62 p. Imagem 20: Sapato linho Disponível em: https://http2.mlstatic.com/sapatnis-tnis-osklen-soho-em-linho-cinzaskm-408-D_NQ_NP_922915-MLB25327863350_012017-F.jpg 63 p. Imagem 21: Vestido Meia malha orgânico Disponível em: http://www.cinemaskope.com/wpcontent/uploads/2017/12/Vestido-Fluid-Sleeves-.jpg 63 p.

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Referências

http://dz3n5fc706193.cloudfront.net/media/catalog/product/cache/1/image/1800x /040ec09b1e35df139433887a97daa66f/_/m/_mg_0098_4_5.jpg) 64 p. Imagem 24: Sapato lã ecológica Fonte: Elaborado pela autora, 2018 64 p. Imagem 24: Sapato lã ecológica Fonte: Elaborado pela autora, 2018 65 p. Imagem 26: Bolsa Seda Orgânica Disponível em: http://www.almasurf.com.br/arquivos/Image/2017/osklen-tarsila-doamaral.jpg 65 p. Imagem 26: Bolsa Seda Orgânica Disponível em: https://i.pinimg.com/564x/9e/3a/d2/9e3ad28eb9d63c381bfef4e8207bb0ae.jpg) 66 p. Imagem 28: Bolsa Lona Stone Fonte: Elaborado pela autora, 2018 66 p. Imagem 29: Acessórios Couro Pirarucu Fonte: Elaborado pela autora, 2018 67 p. Imagem 30: Short microbra Disponível em: https://osklen.vteximg.com.br/arquivos/ids/167712-320-445/539691038_BERMUDA_CARGO_FLOWER_TORN_diag.jpg?v=636398763280300000 67 p. Imagem 31: Bolso sarja natural Disponível em: https://www.shop2gether.com.br/media/catalog/product/cache/1/image/9df78ea b33525d08d6e5fb8d27136e95/i/m/img_2421_7.jpg 68 p. Imagem 32: Sapatênis couro de salmão Fonte: Elaborado pela autora, 2018 68 p.

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Anexos

ANEXO ENTREVISTAS: Foram feitas entrevistas a partir de questionário elaborado com o objetivo de coletar informações para complementar a pesquisa de estudo da marca e aprimorar a proposta do projeto. Entrevista 1 Entrevistada: Nina Braga – Diretora Instituto E Entrevistadora: Marina Mikalauskas Data: 13/04/2018 Local: Programa de mentoria – SENAI CETIQT Sobre o propósito de sustentabilidade da marca: 1. A relação entre Instituto E e Osklen, são projetos desenvolvidos que auxiliam no equilíbrio do impacto socioambiental ou se preocupam em repor o que foi tirado pela marca do meio ambiente? Resp.: “Oskar me chama em 2006 para fazer parte do Instituto E, desde então a curadoria feita pela ONG norteia o processo de criação dos produtos, essa preocupação vem atrelada aos materiais sustentáveis que o IE consegue trazer para a coleção da Osklen. ” 2. A Osklen se considera slow fashion ou hybrid fashion? Em quais aspectos? Resp.: “Bom, a marca é classicada por vários autores como Slow Fashion, inclusive Lilian Berlin relata em seu livro um pouco do desenvolvimento da Osklen e do IE.” 3. Que outras iniciativas, a marca desenvolve nesse setor? Resp.: “A Osklen está sempre absorvendo as novidades em que o IE disponibiliza em aspecto de materiais que podemos fazer ou encontrar nos fornecedores e agregar nas peças das coleções. A marca é muito bem vista internacionalmente por esse trabalho.”

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Anexos

Sobre a coleção ASAP: A Osklen é referência na indústria da moda em desenvolvimento de produtos sustentáveis. A coleção ASAP, a mais sustentável possível, teve as peças provenientes de resíduos de materiais. 4. É considerável que seja uma prática permanece nas demais coleções? Adotar medidas como upcycle de produto acabado e zero wast de tecidos e aviamentos, de coleções passadas, estão dentro desse conceito? Resp.: “Acredito que sim, essa coleção foi muito importante para despertar o consumidor aos processos em que as peças as Osklen passam até chegar nas lojas com apelo informativo. ” Sobre os objetivos desse projeto: O projeto Redesign que está sendo elaborado para a Osklen tem o objetivo de desenvolver uma linha de produtos criativos híbrido. Ou seja, utilizar resíduos de produtos acabados e propor um novo design a eles, acerca dos métodos alternativos apresentados no item 4. 5. Como colaborador ativo da marca, qual sua opinião sobre esse projeto? Considera viável ou não? Explique sua opinião. Resp.: “O seu projeto tem um grande potencial para dar certo e possui uma iniciativa nobre, que com engajamento e orientação da sua professora, ele acontece. Inclusive a Osklen está cogitando idealizar uma coleção a partir desse seu cenário de reaproveitamentos. É uma boa oportunidade de fazer um excelente trabalho.”

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Anexos

Entrevista 2 Entrevistada: Eduardo Varela – Coordenador Criativo Osklen Entrevistadora: Marina Mikalauskas Data: 10/05/2018 Local: Sede da empresa Osklen Sobre logística reversa de resíduos têxteis: 1. Qual a estimativa de desperdício de matéria prima/insumos e produtos acabados por coleções? Qual destino desses resíduos têxteis? Resp.: “Não é possível estimar a quantidade exata desse desperdício pois a Osklen tem uma gama enorme de fornecedores nacionais e internacionais. ” 2. Caso a confecção das peças sejam terceirizadas, há uma logística reversa entre a facção e a marca? Há uma dimensão desse desperdício feito por eles? Resp.: “A logística reversa acontece quando há sobra de tecidos estampados, que são devolvidos a empresa, pela exclusividade. Mas quando esses tecidos são lisos não há necessidade de devolução, apenas um remanejamento dos materiais posteriormente ou créditos para novos orçamentos. ” 3. Existe um setor ou um responsável que controla esses resíduos? Resp.: “Esse processo ca responsável pelas auditorias, que acompanham as produções. São feitas pela marca junto com a Alphargatas (grupo em que a Osklen faz parte). Acompanham os resíduos, os processos dos materiais com o meio ambiente, relações trabalhistas dos funcionários, etc. ” 4. Qual destino dos produtos em desuso de produtos acabados de lojas e bazar? (Peças com defeito, que não passaram no controle de qualidade; peças de coleções passadas, que não foram vendidas e estão em desuso) Resp.: O destino dos resíduos de produtos acabados que não são vendidos é feito uma liquidação das peças das lojas físicas e online; bazar anual físico; e encaminhado para Outlet que ca em São Paulo. E atualmente algumas dessas peças são encontradas no site Off Premium, que fazem a venda de produtos ponta de estoca de grandes marcas como a Osklen. REDESIGN|199


Anexos

Sobre o propósito de sustentabilidade da marca: 5. A relação entre Instituto E e Osklen, são projetos desenvolvidos que auxiliam no equilíbrio do impacto socioambiental ou se preocupam em repor o que foi tirado pela marca do meio ambiente? Resp.: “Os dois. A Osklen não surge debaixo desse conceito, porém Oskar sente o desejo de tornar seus produtos sustentáveis pela vivencia e importância que dá ao meio ambiente, e cria o Instituto E para dar esse suporte, não só a marca, mas como outras que assumem a causa. ” 6. A Osklen se considera slow fashion ou hybrid fashion? Em quais aspectos? Resp.: “A Osklen tem sua característica Slow Fashion pelas ações que executa nos produtos. O Hybrid Fashion é um conceito novo, mas pelo seu conceito também faz parte dos processos que a marca desenvolve nos produtos. ” 7. Que outras iniciativas, a marca desenvolve nesse setor? Resp.: “A marca está sempre atualizando o cenário socioambiental com ajuda do Instituto E que faz toda parte de curadoria desses produtos para a Osklen.” Sobre a coleção ASAP: A Osklen é referência na indústria da moda em desenvolvimento de produtos sustentáveis. A coleção ASAP, a mais sustentável possível, teve as peças provenientes de resíduos de materiais. 8. É considerável que seja uma prática permanece nas demais coleções? Adotar medidas como upcycle de produto acabado e zero wast de tecidos e aviamentos, de coleções passadas, estão dentro desse conceito? Resp.: “Sim. O conceito da coleção ASAP não só está presente nessa coleção com já faz parte dos critérios de desenvolvimento de produtos da marca, por ser mais sustentável possível. Esse cenário apelativo permanece nas próximas coleções.”

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4. Genese

Sobre os objetivos desse projeto: O projeto Redesign que está sendo elaborado para a Osklen tem o objetivo de desenvolver uma linha de produtos criativos híbrido. Ou seja, utilizar resíduos de produtos acabados e propor um novo design a eles, acerca dos métodos alternativos apresentados no item 8. 9. Como colaborador ativo da marca, qual sua opinião sobre esse projeto? Considera viável ou não? Explique sua opinião. Resp.: “No seu formato de projeto é possível sim! Seu produto é nobre e tem um valor expressivo. O que impede a marca de executa-lo é a questão burocrática desses “resíduos” ou doações”, que juridicamente são orçadas e possuem um custo mesmo sendo “desperdícios”, pois sai como matéria-prima. Existem alguns formatos que estão sendo discutido pela Osklen para ser executado. O primeiro é a venda dos resíduos para o fornecedor (a preço de custo, R$10,00), por exemplo, para que confeccione a peça (valendo R$80,00) e posteriormente passado para o cliente, custaria ainda mais caro. Dependendo desse trâmite o custo nal caria proibitivo. O segundo é através das doações das peças dos consumidores à marca, uma forma mais socialmente e economicamente assertiva. O cliente fornecendo essas peças ganharia um voucher com um valor em desconto.”

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Redesign completo  
Redesign completo  
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