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Do outro lado da vida…


Do outro lado da vida‌


Ficha técnica Título

Do outro lado da vida…

Autores

Jovens CEPAO: Operador de Acabamentos de Madeira e Mobiliário e Operador de Pré-impressão

Conceção , coordenação e execução Manuela Curado

Data de edição maio de 2014


Do outro lado da vida‌


Ah, se nós fossemos poderosos, Bem mais do que muitos são, Transformaríamos o mundo, viveríamos a união! OPI – Um desejo de Natal


Sumário 08

Um quase introito

09 Passoa passo, gota a gota 11 Viajo dentro de mim 13 Nada muda, tudo muda 14 Antes, durante e depois 16 De dentro vem a mudança 18 Antes, durante e depois – Uma história de bairro 24 O triunfo de um novo eu 25 Mês cultural 27 Vida velha, vida nova 28 Sem retrocesso 29 Antes, durante e depois 31 Num novo homem me estou a tornar 32 Antes, durante e depois 34 De pequeno engatinhei 36 Mês cultural


38 Antes, durante e depois 40 O meu caminho encontrei 41 MĂŞs cultural 43 Oportunidade 45 Antes, durante e depois 48

Em jeito de conclusĂŁo


Um quase introito Do outro lado da vida, lá para cima, ou lá para baixo, onde respiram, o ruído dos pensamentos toca o infinito. Sente-se cair o tempo, sopro, a sopro, sem que nenhum se ouça cair. Apertam-se corações, dói a memória, que ainda agora era e já não é. Gente, vultos, imagens, sombras, cérebros cansados, difusos, tudo é tão tanto, tudo é tão mundo, tudo é tão bairro, tudo é tão bando… Passam silêncios, esfarrapam-se almas, lados escuros irrompem, demónios e fantasmas espreitam, agitam-se as almas, insatisfeitas. Escravos das circunstâncias, perdidos na solidão, encontram mais um apeadeiro, mais um desvio, e assim vão caminhando, ziguezagueando, na sua inconsciência, por vezes, consciente, na monotonia dos dias ou na alegria do instante. Aqui se concentram todas as ambições, todas as esperanças, aqui se cruzam desesperos e alentos, aqui vagueiam sonhos e ilusões. Eles não são mais, não têm mais, mas querem ser mais, muito mais, querem ser inteiros, livres, muito livres, verdadeiros, novos, velhos, velhos-novos, muito novos! Descobri-os, achai-os (ou não), eles aqui estão!


Passo a passo, gota a gota Passo a passo, Gota a gota, A mudança bate à porta. Quero, não quero, Sou eu, sou o outro. Sou melhor, sou diferente. Inovo constantemente, Aprendo e vivo contente. Tudo muda, Vai e vem. Eu não dependo da vontade de ninguém! Minha mudança é só minha. Só ela me leva mais além.   Do velho que já fui, O novo despontou, Transformando-se no jovem, Que agora sou.   B. Almeida., OPID


B. A.


Viajo dentro de mim O tempo muda e mudo eu, Mudamos constantemente O pensamento corre, veloz como o vento Nem sempre melhor, mas persisto, tento Tudo passa por nós, não culpemos o outro O mundo precisa de nós, é um mundo louco. Transformação, caminho, direção Tudo está na minha mão Mudar, mudei, mudarei Viajo dentro de mim A viagem não tem fim E um sonho que sonhei. O. Trindade, OPID


O. T.


Nada muda, tudo muda Nada muda, tudo muda… Mas que grande confusão! Velho ou novo, Melhor ou não! Quero tudo, quero mais Encontro desilusão, anseio pela união. O erro ensina A mudança impera O mundo gira E por nós espera. Tudo muda em mim E ,à minha volta, O tempo passa e consome Esta revolta J. Rodrigues, OPID


Antes, durante e depois Já lá vão 8 messes e acho que tudo o que aprendi aqui foi essencial para o meu futuro. Se não tivesse parado para pensar, a esta hora talvez estivesse noutro sítio bem pior ou até mesmo já não existisse. Já vou em metade da minha medida e, até agora, sinto-me arrependido pelo que fiz e pelo tempo que me faz perder, fechado. Mas, de certo modo, sinto que me deram uma coisa muito valiosa: uma última oportunidade. Aqui vejo outra realidade. É cada um por si, lá fora existe mais união. Não era o que eu queria, mas foi o melhor para mim. Agora tenho todo o tempo necessário para pensar no meu futuro. No meu dia a dia, penso em tudo o que tenho lá fora, como se não me conseguisse desligar da sociedade. Neste tempo aprendi a dar a volta a várias situações, e a perceber que os conflitos não são a melhor solução. Agora, apenas reflito sobre o meu passado e planeio o meu futuro, para poder ser alguém na vida. Mês Cultural Este mês é especial para nós, porque nos ajuda a passar o tempo de uma forma diferente. Realizam-se várias atividades, algumas muito interessantes, outras menos, mas o suficiente para o tempo passar e nos distraírmos de uma forma rápida e boa. Também serve para aprendermos várias coisas que não sabíamos. É o mês mais importante para mim aqui dentro. J. Rodrigues


J. R.


De dentro vem a mudança De dentro vem a mudança, Para equilibrar a balança, Mudar é sempre bom Como uma dança e um bom som. É tempo de mudar, e melhorar. Muda-se o ser, muda-se o estar. A mudança está de volta, Batendo à nossa porta, Girando como uma tonta.   Há quem não sinta a mudança. Pois, gente sem esperança, Não sabem que o tempo também dança. E que “Quem espera sempre alcança”? Do novo surge o velho, Do velho faz-se novo. Palavras de um fedelho Que anseia por um mundo novo. Mas tal coisa teima em demorar. Será questão de trabalhar, Melhorar e deixar de lamentar? A resposta está no ar!


Tempo vai, tempo vem, Sol vai, sol vem. É tempo de quem? De quem tem tempo e o tempo o tem. Estamos em sintonia, Como o sol e a luz do dia. Se lamentas, eu lamento, Quando tentas, eu tento, A um ritmo lento, Vou deixando de ser violento. Tudo se cura com o tempo. Pode ser um tormento, Mas eu aguento. Como Deus faz novas flores, O mundo está cheio de pecadores. O cozinheiro traz novos sabores. Haverá humildade entre salteadores? Vontade entre perdedores? Variedade de cores? Alívio para as dores? Obras sem construtores? Música sem cantores? Jardim sem flores? Respondam a este perguntador, Que um dia será doutor.   B. Grilo, OPID


Antes, durante e depois – Uma história de bairro Leonardo era um jovem a viver uma fase agradável da sua vida. Era assim uma espécie de “teenager`s way of life”: estudava e trabalhava em part time, ia a discotecas, tinha “bons” amigos, namorava uma rapariga toda jeitosa, tinha uma grande casa e uma choruda conta bancária, da qual tinha sido herdeiro, por ser o único filho de uma das famílias mais ricas daquela zona. Mas... Mas a vida de Leonardo nem sempre fora um modelo de vida. Até chegar à idade adulta, Leo havia percorrido um longo caminho. Inteligente e ótimo aluno a Matemática, chegou ao 9º ano sem repetências. O ano letivo era o de 2002/2003 e o regresso às aulas acontecia como qualquer outro: quase tudo novo, incluindo o seu penteado, tinha agora uma crista e também uma argola na orelha. Entrou na sala de aula, o barulho cessou e deu origem a um estranho silêncio, quebrado por um “Então, colegas, como vão?”, seguido por “ Então, babes, como vão?”, dirigido às raparigas. Ouviram-se alguns risos. Leonardo tinha mudado, estava à vista de todos. A origem da mudança Leo não tinha mudado de um dia para o outro. Como qualquer rapaz de quinze anos, Leo teve o seu, ainda que curto, tempo de mudança. Tudo começou com a vinda de um casal, do sul do país, para a sua área de residência. O casal tinha um filho da sua idade e Leo pensou que era desta que iria ter um amigo a dois passos de casa. Encontraram-se duas semanas mais tarde no


no campo de basquete, era, a olhos vistos, um atleta: um metro e oitenta e músculos bem tonificados. - Vai uma joga? Perguntou o rapaz. - Vai uma coça, queres tu dizer. Retorquiu ele. O rapaz sorriu e com um gesto de mão convidou-o a jogar. Seguiu-se uma partida, disputadíssima, e, no fim, sentados no banco, apresentaram-se: - Leonardo. - Kennedy, prazer. - Americano, JFK? - Nem pensar! Repara no meu cabelo, nos meus olhos, na minha pele branca, polaco à vista... - Que piada! Há mais povos com essas características, até os... - Nazis, sim, sou um pouco. - Um pouco? - Sim, um pouco. - Hum... - Mudemos de assunto. Leonardo da Vinci, di Caprio? - Sim, italiano. - Quantos anos tens, Itália? - Quinze, e tu? - Dezasseis, acabados de fazer. - Eh, pá, já podes conduzir, beber, fumar, essas coisas todas... - Fixes, essas coisas, não? - Não são é muito a minha onda


- Anda daí, já mudas de opinião. - Não acho muto boa ideia. - Espera até veres. Antes disso não sabes. Posso chamarte Itália? - Sim, se não te importares que te chame Key. E riram-se os dois. Chegaram a casa do key e Leo deparou-se com uma bandeira nazi na entrada. Fingiu que não viu. Subiram, tomaram um banho e vestiram umas roupas do Key. - Ficam-te giras! – disse. Desceram para almoçar e bazaram. Na garagem, Key pegou no seu citroöen e arrancaram a todo o gás. Leonardo estava extasiado, a sua ideia de boa vida tinha-se alterado um pouco desde há três horas. Durante a viagem, até um bar, fumaram e beberam cervejas. No bar conheceu gente nova e, daí em diante, a sua rotina era esta, fazendo passar o verão num piscar de olhos. A sua aparência mudara radicalmente. Agora tinha uma crista grande e espetada, uma argola reluzia numa das orelhas, as calças eram bem justas e toda a sua roupa era escura. Estava de novo na escola, mas aquele entusiasmo dos anos anteriores tinha-se desvanecido. Uma semana passou e as faltas injustificadas superavam já as presenças nas aulas. CoCom o passar do tempo, quase deixou de ir à escola, o que antes era tabaco e cerveja era agora ganzas e whiskey...


Certo dia, o key atirou-lhe com um saco cheio de um pó branco. - Farinha, vamos fazer um bolo? - É coca, inteligente! Vamos nessa? - Não sei se será boa ideia. O que dirão os nossos pais? - Os meus nada dirão, como sabes, morreram recentemente naquele desastre de avião… Olha, vamos experimentar e voltas para casa, ok? - Aquelas palavras ecoaram por uns dias na cabeça de Leo, pareceu-lhe tudo de uma grande insensibilidade. Durante alguns dias, afastou-se do amigo e dobrou o consumo de álcool e de drogas, desistindo da escola. Numa tarde, em que Leo estava mesmo mal, encontraramse os dois em casa do Key, que reparou na sua expressão: - Que tens? - Foram os meus pais, deram-me uma coça e partiramme um braço. - Pais, pais, quem precisa de pais – disse ele, chiando. - Ninguém, nem deviam existir! (resposta provocada pelo uso das drogas). - Vou contar-te uma coisa, mas não digas a ninguém. - Desembucha! - O acidente dos meus pais não foi nada do que te contei, eu é que os matei… acho que devias fazer o mesmo. - Não sei se tenho coragem, meu… Ao dizer isso, questionou-se: não restavam dúvidas de que tinha mudado muito, mas não ao ponto de se tornar


um assassino capaz de tirar a vida a alguém, muito menos aos progenitores. Se não estivesse sentado, desmaiaria, de certeza, sentia-se gelado por dentro, e a arder por fora, transpirava e tremia, simultaneamente. Key, apercebendo-se quis acalmá-lo, mas com um falso e prático reconforto: a droga, fazendo-o passar de um estado penoso para um estado de adrenalina pura e a questão da coragem desapareceu quando Key insistiu dizendo: - Cheira mais uma beca, meu! Ele conhecia muito bem o resultado da junção de álcool e drogas. Dito e feito, não conto o resto da tarde, devido à morbidade da situação, mas o que é facto é que Leo matou os pais… Mais tarde, já sóbrio, arrependeu-se e dirigiu-se à esquadra local confessando o seu crime. Apanhou 3 anos num Centro Educativo. Key, por ser mais velho, apanhou 11 anos por coautoria e encobrimento de provas e está, atualmente, a cumprir pena numa prisão estatal, espera-se que saia em liberdade em finais de 2014. Leonardo saiu do Centro Educativo, herdou a fortuna e organizou a sua vida. Já não consome drogas e trabalha. Mas nem sempre foi assim, pois não? B. Grilo.


B. G.


O triunfo de um novo eu Sinto que estou a mudar, Para um futuro melhor alcançar. Estou, lentamente, a amadurecer, Porque o meu passado quero esquecer.   Tenho, às vezes, vontade de desistir, Mas sei que preciso evoluir. As minhas memórias me causam dor, Às coisas boas não dei valor.   “Deus escreve direito por linhas tortas” Não consigo viver sem fazer batota. Sinto que estou a adoecer, Preciso lutar para sobreviver.   Não soube aproveitar a liberdade, Sou uma pessoa com muita vaidade! Na rua, me olham como a um criminoso. Confesso que, por vezes, sou um pouco maldoso.   Sou uma pessoa muito confiante, Da realidade, estou muito distante. Nunca soube o que era amar, Mas, finalmente, aprendi a perdoar.   A. Bandeira, OAMM


Mês cultural O mês cultural é um mês que me transmite muitos conhecimentos e que muda muito a minha maneira de pensar. Normalmente, pensamos que sabemos tudo e acabamos sempre por desvalorizar as coisas. O que mexeu mas comigo foi a conversa que tivemos sobre Nelson Mandela. Gostei muito, porque nunca lá fora ouvi falar sobre este homem. Aprendi que somos todos iguais e que temos os mesmos direitos. O que me deixou mais espantado foi saber que, durante os 27 anos em que esteve preso, aproveitou o tempo para refletir e para se tornar um homem melhor. A. Bandeira


A.B.


Vida velha, vida nova Estou a caminhar, Para um novo rumo encontrar. Tento fugir, para me esconder, Quero parar de sofrer.   Um novo amor quero encontrar, Para uma família formar. Os meus filhos verei crescer, Com saúde e muito p´ra viver.   Mudança   A minha vida quero mudar Para a minga família alegrar. Um rapaz novo e mudado, Muito mais organizado. À minha terra natal vou voltar, Com a família vou estar. Velhos amigos reencontrar Para muito festejar. A. Maia, OAMM


Sem retrocesso Quero, vou, estou a caminhar, Ouço alguém que me está a chamar. Às vezes sinto vontade de perceber, De noite, vultos vejo aparecer. Uma coisa má estou a pressentir. De vez em quando, no coração, tenho uma dor A minha alma estará a partir, Ou serão saudades do meu grande amor? Aqui fechado começo a enlouquecer, Por mal poder respirar. Privado da liberdade onde conseguia sobreviver, Na sociedade não fui capaz de me integrar. Cheguei a beber para tentar não roubar. Minha mentalidade cresceu e comecei a perceber: O mundo trouxe-me outro mundo, Escolhera o caminho errado, não posso retroceder. I. Segundo, OAMM


Antes, durante e depois Quando aqui entrei, senti-me mal dentro de mim, não só pelo mal que fiz lá fora, mas também porque nunca tinha estado muito fechado como aqui estou… O meu primeiro mês aqui dentro foi o pior, porque ainda me estava a habituar à ideia de estar fechado (o que é certo, é que mesmo fechado, até agora, a minha cabeça está sempre lá fora, não me consigo desligar dos outros facilmente). Depois deste período, custame, mesmo muito, viver fechado, mas entendo o facto de estar a pagar pelo mal que fiz aos outros. Aqui dentro temos tudo (não quer dizer que lá fora não tivéssemos). Temos roupa lavada, comer, dormir… mas custanos viver com isso tudo, mas fechados. Algumas pessoas abusam pelo facto de nós estarmos fechados e de não lhes podermos responder na mesma moeda, mas lá fora o jogo é outro. Eu acho que antes era mais impulsivo e, na minha cabeça não existiam regras, mas estava enganado. Aqui, nós, de certa forma, aprendemos, mas, por outro lado, acho que ficamos piores, porque vamos sair mais revoltados com a vida e vamos continuar a fazer o que fazíamos ou pior, por estarmos fechados muito tempo. Não nascemos num berço de ouro, e os meios onde vivíamos também não nos ajudavam a seguir um bom rumo. I. Segundo


I. S.


Num novo homem me estou a tornar Tenho um objetivo na vida Que jamais será esquecido: Cuidar da minha mana, que aí vem, E organizar a minha vida, também. O que será de mim quando sair? Lutarei sem nunca desistir. Estou farto de sofrimento, Mas sei que sou capaz, Que tenho talento.   Estou a caminhar, Para a minha mãe se orgulhar. Para meu futuro melhorar Estou sempre a lutar.   Não tenho medo de morrer, Mas sim de sofrer. Ainda tenho muito p`ra aprender.   Sei que tenho de aproveitar, Não adianta culpar o azar. Estou a aprender a respeitar. Num novo homem me estou a tornar. J. Correia, OAMM


Antes, durante e depois Já lá vão quase dois anos. Tudo o que aqui aprendi foi essencial para mim. Se não tivesse vindo aqui parar, nada disso teria sido possível. O meu percurso, até agora, teve altos e baixos: no início fui um jovem exemplar, que respeitava, ouvia e mostrava interesse em saber mais, depois algo em mim mudou, o meu comportamento piorou, até que, de novo, descobri o que queria e qual a atitude que mais longe me levaria. Todo este tempo me fez pensar que não valeu a pena fazer asneiras. Vejo agora uma realidade diferente daquela que via lá fora. O meu sonho não era este, porém, a vida tem-me ensinado imensas coisas: a pensar mais na minha família, no que quero fazer da minha vida, naquilo que é realmente importante para mim. Olho para mim e sinto-me culpado por ter feito sofrer a minha mãe. Tudo o que agora quero é aprender a dar a volta, aprendendo com o meu passado. Não quero pensar na minha saída, pois temo entrar em depressão de tanta ansiedade. Quero não pensar, mas não consigo… J. Correia


J. C.


De pequeno engatinhei De pequeno engatinhei, Cresci, ergui-me, andei e sonhei. Sonhei com um computador, Mas encontrei um grande amor. Quero agora ter meus filhos, trabalhar, Nunca parar de sonhar! Â

H. EstĂĄcio, OPID


H. E.


Mês Cultural Uma das atividades de que eu mais gostei foi a Demonstração de Capoeira, com o Sr. Lusa , porque mostrou que a capoeira, para além de ser uma arte marcial, é uma vida onde há regras, desportivismo, entusiasmo, união e respeito de uns pelos outros, é como se fosse uma família. Gostei muito. Outra de que também gostei foi a Visita dos representantes de Socorros a Naufragos , porque nos ensinaram como socorrer uma pessoa , e demonstraram que o trabalho dum nadador salvador não é só ir para a praia no verão ver as raparigas e ir à água, mas sim prevenir e assegurar a segurança da respetiva praia. Também apreciei muito a visita de Francis Obikuélo que, para além dum grande atleta, é um grande homem, com uma experiência de vida, a que muitos não dão valor. Foi uma pessoa que me transmitiu força para enfrentar a vida, crescer, criar objetivos e lutar por eles, sem nunca desistir: qu nada nos cai do céu, mas tudo se consegue com esforço e dedicação. G. Pissarra, OAMM


G. P.


Antes, durante e depois Quando aqui cheguei estava muito nervoso, por ter deixado as pessoas que amo. Agora, que já estou aqui há 10 meses é mais fácil para mim, porque tenho de pensar que um dia vou sair e vim para cá, porque cometi erros e tenho que pagar por eles. Estou muito arrependido do que fiz. Aqui no Centro sou muito bem tratado pelos adultos, o que também me ajuda muito a cumprir a minha medida. Isto aqui é uma ultima oportunidade que me deram e, quando eu sair, se Deus quiser, vou arranjar trabalho e construir a minha família. Enquanto cá estou vou aproveitar tudo, vou esforçar-me ao máximo nas diferentes disciplinas e na formação prática. Estou com muita vontade de aprender tudo o que puder. Nunca me porto mal nas aulas e respeito muito os adultos. O Centro ensinou-me a portar-me bem e a respeitar para ser respeitado. Não vou voltar a portar-me mal lá fora, quando sair daqui, porque já aprendi a lição. Os primeiros meses aqui, para mim, foram como o fim do mundo. Pensava que nunca ia chegar até onde estou agora, era tudo muito complicado para mim. Mas depois pensei que já não sou nenhuma criança e que tinha de ter força para aguentar isto. Também os meus pais e a minha namorada me ajudaram imenso, porque vieram cá visitar-me. Foi uma surpresa muito boa. E agora só espero que o tempo passe depressa para eu voltar para a minha ilha. P. Silva, OAMM


P.S.


O meu caminho encontrei Vim para o Cepao procurar minha mudança,. Com algum tempo encontrei a confiança. Agora já tenho minhas qualidades, Começo a descobrir minhas verdades. Minha vida agora melhorou. Para sempre lutarei, Pois agora sei quem sou, E meu caminho encontrei.   Não importa que me olhem de lés a lés, Porque nunca farão minha cabeça, E nunca chegarão aos meus pés   R. Rosa, OAMM


Mês cultural No mês cultural, do que gostei mais foi da experiência de jogar basquetebol em cadeiras de rodas adaptadas. Foi algo que nunca tinha feito nem pensava experimentar, mas agora já tenho uma ideia sobre o desporto para pessoas sem possibilidades para andar. Todos nós temos capacidades para fazer desporto, basta insistir. Se insistirmos, um dia mais tarde, iremos conseguir. Nunca se deve desistir, seja qual for o problema que tivermos. R. Rosa


R. R.


Oportunidade Olha à tua volta, como que a procurar Ainda a podes encontrar. Desistir? Não, tens que lutar para teus sonhos realizar. Se não podes esquecer e deixaste passar, Nunca, mas nunca mais vai voltar. Estava numa má fase da minha vida, Perdera toda a minha alegria. Já há algum tempo que eu não a via. Mas, agora que a encontrei, Nunca mais a perderei.   Esta é minha verdade, Minha última oportunidade!   R. Cordeiro, OAMM


R. C.


Antes, durante e depois A minha vida lá fora estava bastante complicada, porque desisti de muita coisa quando era mais jovem. Os meus pais andavam sempre em cima de mim, aquando do 2º ciclo, porque sabiam que naquela escola havia muitos jovens problemáticos e o meio onde eu morava não ajudava muito, por ter jovens que incentivavam outros para o mal. Naquela altura, achava banal o facto de não ir à escola e foi aí que tudo começou. Comecei a faltar às aulas, juntamente com outros miúdos e houve um ano em que acabámos por ser expulsos. No tempo em que faltávamos às aulas, os meus pais os meus pais não sabiam, porque eu acabava por não lhes dizer nada e partia os seus cartões de telemóvel para que não recebessem telefonemas da escola. Enquanto estive sem ir à escola, comecei a fazer muitos disparates e a polícia, bem como o tribunal tomaram conhecimento da minha situação e resolveram pôr-me em tribunal com a possibilidade de ir para um Centro Educativo. A minha vida bloqueou. Com a possibilidade de ir para o Centro Educativo, não me inscrevi em nenhuma escola com o receio de não ter oportunidade de acabar. Mantiveram-me nessa situação durante dois anos e, entretanto, engravidei a mãe do meu filho. Decidimos ter a criança e, quando tudo já parecia mais calmo e o nosso filho estava prestes a nascer, fui chamado a tribunal. 45


No dia em que fui a tribunal, levei comigo a mãe do meu filho, para que vissem que eu ia ser pai e tomassem uma decisão que não prejudicasse a minha relação com o meu filho. O tribunal não estava nem aí!.... Aplicaram-me 2 anos e seis meses em regime fechado e, no final da audiência, perguntaram-me o que pensava acerca da decisão que haviam tomado. Respondi, com mágoa e raiva, que eles é que mandavam e que, portanto, nada mais tinha a dizer. No dia 27 de janeiro foram buscar-me a casa para vir para o Centro e, mal sabia eu, que seria o melhor que me poderia ter acontecido. No dia anterior, tinha-me zangado com a mãe do meu pequenote, porque ela dizia que eu não fazia nada da vida e que não queria um pai para o filho dela que nem o 5º ano de escolaridade tinha. Disse-lhe então que ia para o Centro Educativo onde poderia concluir o 9º ano de escolaridade e iria, depois, ter condições para sustentar o nosso filho, mas que ela não contaria comigo para mais nada. No Centro Educativo encontrei boas pessoas que, até hoje, me ajudam. Acabei por concluir o 2º ciclo e estou agora, também, a acabar o 3º ciclo com bastante mérito. Lá fora irei frequentar um curso que me permita concluir o 12º ano, para poder vir a ter uma vida melhor e poder fazer coisas boas, que me deem prazer, como por exemplo, tirar a carta de condução. 46


Irei mostrar a todos os que gostam de mim que

sou capaz e que sou forte. G. Graรงa , OPID


G.G: 48


Em jeito de conclusão Este singelo livro digital surge no âmbito do tema de vida, para o ano letivo 2013/14 “Nada nasce do nada . O novo nasce do velho e por isso mesmo é novo ”, e emerge na sequência de várias atividades de reflexão e de escrita, realizadas no decorrrer das aulas de CE (Cidadania e Empregabilidade). Aqui se reúnem, portanto, alguns dos trabalhos produzidos e que, de algum modo, revelam claramente a identidade e o carácter dos seus autores que, como inicialmente referido, “Do outro lado da vida, lá para cima , ou lá para baixo” eles querem, acima de tudo, ser livres e, principalmente, ser novos.


Cepao 2013/2014

Do outro lado da vida  
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