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Trindade Times Florianópolis, 3 de novembro de 2011

Ano I Edição I - Fechada às 23h59

Marília Marasciulo/ Scanner

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xiste um conto medieval sobre um viajante que encontra três cortadores de pedra ao longo de uma estrada e lhes pergunta o que estão fazendo. O primeiro responde: “Estou cortando pedra”. O segundo diz: “Estou fazendo uma pedra angular”. E o terceiro replica: “Estou construindo uma catedral”. Contado por Iphigene Sulzberger, herdeira de Adolph Ochs, dono do New York Times, para explicar que a força do jornal está no fato de que a maioria de seu pessoal é construtor de catedrais e não cortador de pedras, a moral do conto está presente em todos os capítulos de O reino e o poder, mesmo que indiretamente. Nele, Gay Talese traça um perfil do jornal mais influente do mundo, desde sua criação até o final dos anos 60 – com direito a um pósfacio com atualizações (disponível na 2º edição da Companhia das Letras, 2009), escrito em 1992. Conhecer a trajetória do Times é quase como aprender a história do jornalismo. Fundado em 1851 pelo político Henry Raymond, ele foi comprado 45 anos depois por Ochs, que o transformou em um produto jornalístico ao eliminar folhetins de ficção, notícias baseadas em fofocas (sensacionalistas) e expandir a cobertura de transações financeiras e atividades oficiais. O jornal ganhou um caráter de testemunha, com o objetivo de reportar tudo o que estivesse ao alcance da equipe de redação, sob o slogan “todas as notícias dignas de publicar”. Após

Edição com atualizações do autor três anos da nova direção, a circulação diária aumentou de 25.726 para 76.260 exemplares, e o crescimento da publicidade seguiu o mesmo ritmo. Vem também de outro lema de Ochs uma das qualidades mais valorizadas – e nem sempre alcançada – entre jornalistas e jornais no mundo: “Dar notícias com imparcialidade, sem medo ou favor, independentemente de qualquer partido, seita ou interesse envolvido”. Nem sempre o próprio Times conseguiu ser fiel a esta ideia, e são esses conflitos, momentos de tensão, que ganham destaque no livro de Talese. Há uma espécie de guerra de egos, luta pelo controle de sucursais e editorias, definidas pelo autor como “feudos”, que acaba prejudicando a cobertura de determinadas notícias. É o caso da disputa entre as

sucursais de Washington e Nova York pela cobertura política. A equipe da capital se considerava responsável por tudo que envolvia o assunto, e, portanto, desejava cobrir visitas de senadores/deputados/presidente à Nova York, o que gerava atrito com a equipe local. Este é apenas um exemplo entre tantos outros, até o momento em que Arthur Ochs Sulzberger (filho de Iphigene) se torna publisher, em 1964, e inicia mudanças na redação para acabar com os “feudos”. Outra editoria poderosa era a internacional. Com correspondentes espalhados em pontos estratégicos por todo o mundo, o jornal garantia a melhor cobertura dos assuntos estrangeiros. Na guerra do Vietnã, por exemplo, quando os outros jornalistas só obtinham permissão para visitar a região Sul do país (aliada aos Estados Unidos), um repórter do Times conseguiu o visto para o Vietnã do Norte. O impacto das matérias foi tão grande que Talese arrisca afirmar que foram responsáveis pelo movimento pela paz, em 1967. E não foi só durante esta guerra que um correspondente se destacou: em geral, a maioria das reportagens internacionais era capa do jornal, e eram tão importantes (se não mais) quanto às locais ou nacionais. Foi também durante a guerra do Vietnã que as transmissões televisivas ganharam força, com uma cobertura “surrealista”, conforme descreve o autor. Mas a televisão já vinha dando dor de cabeça ao publisher, especialmente na década

de 50, quando a imagem passou a ser colorida. “O jornal não poderia concorrer com a velocidade da televisão na cobertura das notícias, nem poderia igualar sua apresentação dramática [...]”, descreve Talese. É interessante analisar a semelhança da preocupação com o “fim do jornal impresso” à época, por causa da TV, e hoje, por causa da internet. A solução encontrada pelo Times é curiosa: “Os repórteres de jornais teriam que cavar mais fundo em mais áreas e informar o público de modo mais completo; não podiam mais simplesmente registrar todos os fatos, mas sim, com frequência, interpretar o significado por trás deles”. Coincidência ou não, esta é uma das saídas que têm sido apontadas por estudiosos para a atual crise do jornalismo impresso. O reino e o poder permite muitas análises e traz muitas lições, mas é preciso atenção. O livro é pesado: são 558 páginas de muito conteúdo. Um jornal como o Times tem muita história para ser contada, e Talese, detalhista como só ele, não deixa escapar nada. Para que o leitor não perca nenhuma informação, ou não se perca em meio a elas, um bloquinho de anotações é útil: marcar nomes de diretores de redação, datas, observações, é essencial para a compreensão deste livro, que deveria ser leitura obrigatória para estudantes de jornalismo, jornalistas e para o público em geral. Afinal, nunca é demais saber como funciona uma das instituições mais poderosas do mundo.

Uma profissão que não existe mais

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les chegavam quando todos da redação estavam indo embora, trabalhavam silenciosamente até tarde corrigindo, ajeitando e reescrevendo textos. Eram homens anônimos, mantenedores das regras, odiados por repórteres que não aceitavam ter suas frases modificadas. No New York Times da época de Talese, os copidesques tinham um poder (nãooficial) importante: o da decisão. Eram eles que decidiam o que era brilhante ou não, o que era digno de publicar, e zelavam pelos padrões estabelecidos por Adolph Ochs. Na década de 50, sob a direção do gramático Theodore Bernstein, o poder da bancada chegou ao ápice. Bernstein criou um boletim chamado Vencedores e Pecadores, distribuído a toda a equipe, com exemplos de erros e acertos cometidos pelos repórteres. Até o editor da edição de domingo, a mais prestigiada, entrou na briga, reclamando das limitações impostas pelo manual.

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No Brasil, não era diferente. O jornalista e poeta Nei Duclós coleciona histórias de seus tempos como copy. “Quando eu comecei a trabalhar na Folha de São Paulo uma repórter veio reclamar no dia seguinte: “Da próxima vez, não assine meu nome, essa reportagem não fui eu quem escreveu!” Depois de um tempo, ela viu que eu melhorava seus textos, e viramos amigos”. Havia aqueles que abusavam. “No Estado de São Paulo, há um exemplo famoso: o editor estava desconfiado de abusos do copy e pediu a ele para ajeitar o texto de um “correspondente em Portugual”. Quando ele terminou, toda a redação gritou: “ele copidescou o Eça de Queiroz!””. O exemplo serve para mostrar que o copidesque deveria ser um aliado ao repórter, não um demagogo que cortava só por cortar, e não corrigir só a gramática. “Os repórteres estavam no front; nós tínhamos o plano geral”. Textos “redondinhos”, que prendiam a atenção do leitor do início ao fim,

eram resultados de um bom trabalho em dupla. Hoje tudo mudou. Os principais jornais do país já não possuem copidesques, para não dizer todos. A função foi tão reduzida que nem a Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ) sabe informar se algum jornal ainda a mantém. “O copidesque foi excluído das redações na década de 80, com a informatização do processo de produção dos jornais e revistas. A categoria não resistiu”, afirma a vice-presidente da FENAJ Maria José Braga. Para Duclós, isso foi resultado da greve dos jornalistas de 1979, quando os donos de jornais perceberam que “era possível fazer um jornal sem jornalistas” e começaram a acumular cargos. O de copidesque passou a ser desempenhado pelo editor ou subeditor, que raramente dão conta de tantos detalhes. A consequência disso está todos os dias nos jornais. “Encontro tanto erro simples que atualmente só leio metade da manchete, não consigo ler o resto”,

ironiza Duclós. Além dos erros, os lugares-comuns, jargões e “muletinhas”, que tinham sido eliminados na década de 60, estão voltando aos textos. Ele lista os inaceitáveis: Falou à reportagem – “a do concorrente é que não iria ser!”; jamais poderia imaginar – “é como se o leitor, ou a fonte, fossem desprovidos de imaginação, talento restrito ao jornalista”; segundo, de acordo, suposto – “nenhum repórter assume nada, a informação é terceirizada”; e o que pouca gente sabe – “em algum momento da profissão, o jornalista se sente uma divindade por possuir todo o conhecimento do mundo”. Mas o pior de tudo, para Duclós, é que os repórteres de hoje não têm mais a “escola de texto” de antigamente. Sem bons exemplos para seguir e movidos pela vaidade excessiva que não aceita nenhum tipo de crítica, matérias “redondinhas” ficam cada vez mais escassas – e os leitores cada vez menos interessados.

1861 a 1865 – Guerra Civil Americana: Acelerou o crescimento do jornal. 1896 – Adolph Ochs compra o New York Times. 1912 – Naufrágio do Titanic: O diretor de redação Van Anda deduziu o que aconteceu quando o Furo mundial rádio ficou mudo, e conseguiu um furo mundial. A cobertura consolidou a credibilidade do jornal. REX

Como funcionava a redação do New York Times, o jornal mais influente do mundo

Coberturas marcantes da História

1914 a 1918 – Primeira Guerra Mundial: Van Anda registrava o curso das batalhas em mapas militares , antecipando campanhas futuras, o que garantiu uma cobertura insuperável. 1917 – Revolução Russa: Cobertura foi muito criticada. Para os editores, o correspondente se tornara um apologista de Stalin. 1939 a 1945 – Segunda Guerra Mundial: Times aumentou sua equipe, não economizou na cobertura e reduziu publicidade para dar Adolph Hitler mais espaço às notícias. Blog o povo na luta

Os bastidores do quarto poder

1961 – Invasão à Baía dos Porcos: Um dos fatos que mais causou discórdias na redação, quando o publisher (Orvil Dryfoos) decide não publicar tudo o que sabia. 1964 – Guerra do Vietnã: Jornal publicou uma série de documenVietnã do Norte tos secretos do pentágono em 1971. Deutsche Welle

Editora-chefe: Marília Marasciulo

Serviços Editoriais: Folha de S. Paulo, Valor Econômico, Observatório da Imprensa, The New York Times, documentário Page One Impressão: Postmix Novembro de 2011

2001 – Atentados de 11 de setembro: Capa do jornal inteiramente dedicada ao assunto, sob a manchete “EUA atacaTorres Gêmeas dos”. Steve Ludlum/NYT

Curso de Jornalismo da UFSC Professor: Ricardo Barreto Disciplina: Edição Edição, textos, planejamento e editoração eletrônica: Marília Marasciulo

2003- Guerra do Iraque: Times tem credibilidade afetada após publicação de matérias falsas, escritas por Jayson Blair.

Eles exigiam o Times como prova necessária da existência da Terra. Gay Talese sobre os leitores do NYT


Trindade Times

Editora-chefe: Marília Marasciulo

Florianópolis, 3 de novembro de 2011

Gay Talese critica falta de ceticismo da nova geração de repórteres

Serviços Editoriais: Folha de S. Paulo, Valor Econômico, Observatório da Imprensa, The New York Times, documentário Page One Impressão: Postmix Novembro de 2011 Ano I Edição I - Fechada às 23h59

Jay Hawker/ Flickr

Curso de Jornalismo da UFSC Professor: Ricardo Barreto Disciplina: Edição Edição, textos, planejamento e editoração eletrônica: Marília Marasciulo

Pressa e uso excessivo de tecnologia também são problemas

Trindade Times: Depois de escrever um livro sobre a história do Times, o que o senhor acha que mudou no jornal? Gay Talese: Eu acho que ele mudou para melhor, porque as ameaças e as preocupações dos últimos anos tornaram os jornais melhores. TT: Então o senhor não acha que o jornalismo está em crise? GT: Não, eu não acho que esteja em crise, embora devesse. Tivemos notícias ruins até o ano passado sobre o fato de que jornais vão ser obsoletos, dinossauros, mas elas pararam de circular. Acredito que essa crise teve um efeito positivo, fez as pessoas que trabalham em jornais e os donos de jornais fazerem um trabalho melhor. Às vezes, quando se é ameaçado, você reage com atenção. TT: Quais são seus jornais, revistas e escritores preferidos? GT: Eu leio os jornais de Nova York (New York News, New York Post e New York Times), um jornal semanal, o New York Observer, e o Wall Street Journal às vezes. Não leio jornais de fora da cidade. Das revistas, leio a Time, a Newsweek, a New York Magazine e a The New Yorker. Essa é a que eu leio com mais vontade, escrevo para a New Yorker às vezes. E sobre os escritores, gosto de Oscar Hijuelos, autor de Os Mambos Kings tocam canções de amor. E Philip Roth, leio seus livros o tempo inteiro. TT: Qual é o maior problema do jornalismo atual? GT: Eu vou falar sobre os Esta-

David Shankbone/ Creative Commons

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ay Talese atende o telefone. Ele acaba de chegar a sua casa em Manhattan, ainda nem ouviu suas mensagens. “Achei que combinamos de conversar amanhã, já até arrumei a casa!”, ele responde, surpreso, quando digo que estou ligando do Brasil. “Espere, você não é a Carol da Silva?”. Quem dera. Ela vai conversar com um dos melhores jornalistas dos últimos 50 anos (esse é seu tempo de carreira), autor de livros como A mulher do próximo e Honra teu pai. Agora, está escrevendo sobre o casamento com a editora Nan Talese. Referência como um dos criadores do Novo Jornalismo, gênero que coloca reportagem em narrativa, Talese defende que um bom repórter deve “sujar os sapatos”. Apesar da confusão, ele responde às minhas perguntas e dá uma aula de jornalismo.

Talese: veterano continua na ativa dos Unidos, não posso falar sobre o Brasil nem por nenhum outro lugar no mundo, mas sei bem o que está acontecendo por aqui. Os jornalistas de hoje tiveram uma educação muito melhor do que os da minha época, na década de 50. Nós não tivemos uma educação tão boa quanto às pessoas no poder, sobre quem escrevíamos. A maioria dos repórteres era a classe mais baixa. Hoje eles são tão bem educados quanto às pessoas que entrevistam. Quando eu era um jornalista jovem, nós estudávamos em universidades do Estado, as mais baratas. E quando entrevistávamos alguém, éramos outsiders [marginal]. Agora, o jornalista não é um outsider! Ele provavelmente estudou com algumas das pessoas do governo, de Wall Street, das indústrias. E seus filhos estudam no mesmo colégio, nadam na mesma piscina, vão às mesmas festas em Washington... O segundo fator é a maldita tecnologia, que tornou essa classe mais introspectiva. Eles pesquisam no Google, não aprendem o que não querem aprender, são orientados por metas. Nos meus tempos, éramos mais serendipitosos, demorávamos mais, as coisas não eram fáceis. A tecnologia deixou tudo muito rápido, fácil. Tudo é instantâneo! Por exemplo, eu e você, nós poderíamos ter conversado por e-mail, em um segundo você teria tudo. Tudo é rápido e eficiente. Você sabe o que quer, pesquisa no Google, encontra. Antes você tinha que pesquisar em bibliotecas, e ler enciclopédias. E às vezes você estava folheando a enciclopédia e descobria algo que nem sabia que queria! Apesar de nós sermos mais lentos, descobríamos coi-

sas novas, compreendíamos melhor as informações, porque tínhamos tempo, e tempo para pensar. As pessoas não têm mais tempo para pensar! Elas só pensam pela metade. E não há ceticismo. Os repórteres costumavam ser muito céticos sobre tudo que escreviam. Agora são inocentes, não checam informação, tudo é tão rápido, eles nem têm tempo! Por causa dos deadlines – nós tínhamos deadlines, mas pelo menos tínhamos quatro ou seis horas, agora eles têm quatro ou seis minutos! E isso produziu um tipo de jornalismo instantâneo junk food: o sabor é sempre o mesmo; é tudo rápido; está em todo lugar. É um jornalismo de franquia. E você não encontra versões diferentes. Eles possuem bons diplomas, usam palavras melhores. E geralmente são mais refinados, mas não são tão bons quando o assunto é revelar mentiras. Na minha época, nós tínhamos grandes repórteres, como na guerra do Vietnã. Aqueles repórteres realmente expunham as mentiras do governo... Esse negócio que está acontecendo, o Ocupe Wall Street, é ótimo, porque não são os jornalistas que estão fazendo isso. Eles estão cobrindo agora, mas estão atrasados, como sempre. Assim como se atrasaram na revelação da fraude das armas de destruição em massa, que nos colocou naquela guerra estúpida do Iraque. Quando o assunto é expor os problemas, o jornalismo de hoje não está tão bom. TT: O que o senhor recomenda a um estudante de jornalismo? GT: Ceticismo. Não acredite em nada a menos que você possa provar. Não acredite em ninguém, até que você vá até lá e tenha certeza de que está certo. Faça você mesmo, não delegue. Se levar um pouco mais de tempo, e daí? Você não tem que fazer em quatro minutos, faça em cinco horas, mas faça direito. Leve o tempo que precisar, porque o quê você escreve hoje significa algo sobre amanhã. Eles [jornalistas] pensam que escrevem hoje, e que amanhã tem outra coisa, mas eles têm que saber que devem demorar mais. Faça um trabalho melhor, porque as pessoas precisam saber a verdade, e elas não têm recebido muita verdade ultimamente. Elas recebem especulação, muita informação que vem de fontes pouco confiáveis.

“As pessoas não têm tempo para pensar!”

Documentário Page One acompanhou a rotina da redação durante um ano

Jornal esteve à beira da falência

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té quem não acompanha a indústria de jornais percebeu a crise que tomou conta do setor nos últimos cinco anos. Nos Estados Unidos, grandes jornais fecharam, e um dos maiores grupos de comunicação, a Tribune Company, anunciou bancarrota. As atenções se voltaram ao New York Times e seu possível fim. Na tentativa de esclarecer a dúvida, os documentaristas Andrew Rossi e Kate Novack passaram um ano dentro da redação do jornal. O resultado está em Page One, ainda sem previsão de lançamento no Brasil. Os personagens principais do filme são repórteres e editores da editoria de Mídia, criada em 2008 no auge da crise, que muitas vezes tiveram que escrever sobre o próprio Times: em seu pior período, houve um declínio de 30% na receita de publicidade. Sites de classificados e maior abrangência da internet tornaram os anunciantes independentes dos jornais. A internet também foi culpada pela diminuição de leitores, com sites agregadores de conteúdo. No filme, o analista James McQuivey, da Forrester Research, fala sobre o que ele chama “o efeito New York Times”. Antigamente, se o jornal publicasse uma matéria sobre determinado assunto, no dia seguinte todos os outros trariam o mesmo. “O problema de hoje é que quando a notícia chega ao público ele nem sabe que veio do Times”. Sem publicidade e sem leitores (pagantes), a condição financeira

ficou preocupante, e no início de 2009 o bilionário mexicano Carlos Slim emprestou US$ 250 milhões à New York Times Co. (grupo que controla os jornais New York Times, Boston Globe e Internacional Tribune) a uma taxa de juros anual de 14%. Além do empréstimo, Slim recebeu a opção de compra (warrants) de 15,9 milhões de ações. Com isso, ele tem aumentado sua participação no grupo: em outubro comprou mais 850 mil títulos, totalizando 11,9 milhões. Slim é o maior acionista do grupo, o que não altera o controle da família Ochs-Sulzberger. As ações da companhia estão divididas em classes A, que podem ser compradas no mercado (Slim detém 8,1%) e B, que elegem a diretoria. A família detém 89% dessas ações, o que garante seu domínio – a não ser que seis dos oito membros que as administram decidam vendê-las. Enquanto Slim aumenta sua fatia no grupo, as notícias sobre o fim do Times lentamente param de circular. Neste trimestre, o jornal teve um lucro de US$ 15,7 milhões - no mesmo período no ano passado, houve prejuízo de US$ 4,3 milhões. O avanço se deve principalmente a internet – que ironicamente iniciou a crise. Em março, o jornal começou a cobrar pelo acesso a seu conteúdo on-line, e a experiência parece estar dando certo: o número de assinantes aumentou de 224 mil para 324 mil, do segundo para o terceiro trimestre. Agora, o grupo já fala em quitar a dívida com Slim três anos antes do vencimento.

Ficha técnica e expediente Publisher: Arthur Ochs Sulzberger Jr. Editora Executiva: Jill Abramson Circulação: 876.638 diariamente e 1.352.358 aos domingos Equipe: 1150 jornalistas

Curiosidades: O NYT ganhou 101 prêmios Pulitzers, cinco a mais que os outros jornais do mundo. A reunião diária com os editores às 16h, criada por Turner Catledge (diretor de redação) na década de 50, continua acontecendo.

(Fontes: New York Times media kit “Did you know?”, março/2010; Boston Globe/ outubro 2010)

Jornalistas são incansáveis voyeurs que veem os defeitos do mundo. Gay Talese sobre a profissão

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Trindade Times  

Trabalho final da disciplina de Edição, do curso de Jornalismo da Universidade Federal de Santa Catarina. Autor: Marília Conill Marasciulo

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