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Nº 98 - ANO XXII - OUTUBRO/NOVEMBRO/DEZEMBRO DE 2011 - DISTRIBUIÇÃO GRATUITA

“O Espiritismo não encerra mistérios, nem teorias secretas; tudo nele tem que estar patente, a fim de que todos o possam julgar com conhecimento de causa.” - Allan Kardec

MÉDIUM ESPÍRITA NÃO É PRIVILEGIADO O movimento espírita brasileiro, na manhã da terçafeira 15 de novembro, foi surpreendido pela notícia de que o médium e expositor espírita RAULTEIXEIRAhavia sofrido um AVC (acidente vascular cerebral) quando viajava de avião para os Estados Unidos, onde faria uma série de palestras. Como a viagem era noturna, só após a aterrissagem, 5 ou 6 horas depois, é que o problema foi percebido, o que agravou a situação. Até a conclusão deste texto, as notícias eram de que Raul Teixeira seguia com diversos tratamentos para recuperar a capacidade de falar e escrever. A condição de médium espírita, ao contrário do que alguns imaginam, não atrai privilégios de qualquer natureza. Como qualquer outro espírito encarnado, o médium luta com as próprias dificuldades e tem também compromissos a saldar e provas a vencer. Os espíritos mentores não o livram de experiências ou de doenças, porquanto são necessárias ao burilamento da alma, embora o amparo constante, segundo a permissão divina. Chico Xavier desde jovem apresentou grave catarata inoperável em um dos olhos e na longa jornada ainda suportou a angina. Divaldo Pereira Franco, agora com 84 anos, padeceu igualmente problemas do coração, asma e bronquite. Apesar disso, nunca desistiram do trabalho e o levaram até o fim, sendo exemplos de coragem, resistência e perseverança no Bem. Emmanuel, o mentor de Francisco Cândido Xavier, assinala: “Se tens a consciência desperta, perante as necessidades da própria alma, entenderás facilmente que a mediunidade é recurso de trabalho como qualquer outro que se destine à edificação. Por enquanto, no mundo, não há médiuns perfeitos como não existem criaturas humanas perfeitas. Cada instrumento medianímico, tanto quanto cada pessoa terrestre, carrega consigo determinadas provas e problemas determinados. A mediunidade é ensejo de serviço e aprimoramento, resgate e solução.” (Seara dos Médiuns, tema “Mediunidade e Imperfeição”). A propósito, o escritor Ramiro Gama, no livro “Lindos Casos de Chico Xavier”, conta-nos interessante situação envolvendo o médium e seu mentor, conforme transcrevemos: “Em 1940, ficou gravemente enfermo. O médico que lhe assistia fez o diagnóstico, prevendo um ataque de uremia. Se a retenção perdurasse por mais 24 horas, teria o Chico um colapso e desencarnaria.

Assim lhe dissera o médico, colocando-o a par da realidade dolorosa. O facultativo saiu e Chico notou que, do Alto, Bezerra de Menezes, André Luiz e Emmanuel providenciavam-lhe recursos, entremostrando-lhe que era grave seu estado. Preparou-se, então, para morrer bem. Pediu, em prece sentida, a Emmanuel, que o recebesse na Espiritualidade. Seu amoroso Guia, sentindo-lhe a intenção, considerou: — Não posso, Chico, auxiliá-lo no seu desencarne. Tenho muito que fazer. Mas se você sentir que a hora chegou, recorra aos amigos do “LUIZ GONZAGA”. Você não é melhor que os outros.” Dessa forma, devemos tratar os médiuns com naturalidade, aceitando suas dificuldades e limitações e procurando auxiliá-los nas suas atividades, com simplicidade.

CANTANDO POR UM MUNDO MELHOR palestra e música com

Cantor lírico e orador espírita de São Paulo DOMINGO CENTRO ESPÍRITA LUZ, FÉ E CARIDADE Rua Gonçalves Dias, 464 Marília/SP REALIZAÇÃO

MARÍLIA

ENTRADA GRATUITA HAVERÁ VENDA DE CD

Participem !


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LIVRE-ARBÍTRIO

Amar de Verdade

Edson Tomazelli Muito se tem discutido, falado e escrito sobre o livre-arbítrio, contudo, nunca chegando a uma conclusão definitiva. Uns aceitam-no como regra basilar para sua conduta, outros, ainda, acreditam que somos regidos pelo “destino”. Assim, cada um tem o seu conceito. Na verdade, trata-se de uma questão bem simples! Já conseguimos entender que Deus é a inteligência suprema e causa primária de todas as coisas e também sabemos que estamos vinculados pelas leis naturais ou divinas que nos regem e que não podemos sobrepujar, pois enquanto envolvidos no corpo material e preso a um organismo sujeito às várias circunstâncias de nossa existência, tais como a própria lei biológica, o meio social onde vivemos, o aspecto cultural e educação recebida pela família, não podemos agir com total liberdade, sempre esbarrando na liberdade alheia, evidenciando o próprio conceito humano de liberdade. Ora, se estamos sujeitos a essa Lei Universal e, portanto, de Deus, devemos pensar que o nosso aproveitamento nesta existência será regido sempre pelo nosso livre-arbítrio, ou seja, estamos sempre entregues a nós mesmos para decidir o que queremos da vida, dentro da vivência de todos os desafios que se colocarem no nosso caminho. Através do conhecimento e na medida que tomamos consciência de nossa existência e sua finalidade, tornamo-nos seres mais reflexivos, inteligentes e racionais, conquistando passo a passo nossa liberdade, que aumenta na medida em que progredimos. Daí porque o Espiritismo ensina: “o livre arbítrio é sempre proporcional ao grau de evolução do espírito”. Quanto maior for nosso grau de evolução maior será nossa liberdade, por conseguinte maior será nossa responsabilidade diante de cada ato, porquanto, apesar de sermos livres para pensar, querer e agir, nossa liberdade, contudo, é limitada pelas nossas próprias condições acima citadas. Então, conclui-se que o homem é livre: pode ser útil ou inútil, bom ou mau, segundo a sua própria deter-

minação, porém sempre na construção do seu próprio destino. Por consequência, a razão de todo sofrimento e infelicidade, do desespero humano, é simplesmente a violação das leis divinas ou naturais, pois se todos seguissem essas leis atingiriam mais rapidamente a perfeição sem maiores dificuldades. Mas, devemos lembrar que, embora tenhamos nos desviados dessas leis, não quer dizer que estejamos para sempre perdidos. Todos fomos criados para ser felizes e para conquistar a plenitude de consciência e sabedoria, o que somente é possível pelo uso do livrearbítrio. Por mais que o Espírito se desvie, um dia chegará em que ele terá de voltar à integração das leis naturais. O item 126 de “O Livro dos Espíritos” explica: “Deus contempla os extraviados com o mesmo olhar, e os ama a todos do mesmo modo”. Portanto, somos espíritos em evolução. Bom ou mau, virtuoso ou criminoso, pecador ou santo, estamos aqui e agora para desenvolver e crescer espiritualmente, buscando a nossa realização junto com Deus, tendo como modelo o ensinamento de Jesus. Aliás, quando Kardec questiona os Espíritos Superiores acerca do exemplo humano que a Humanidade deveria seguir, a resposta sem ressalvas foi: JESUS! E Kardec explica: “Jesus é para o homem o tipo da perfeição moral a que pode aspirar a humanidade na Terra”. Dessa forma, como já dissemos, a conclusão é simples, no sentido de que, se estamos sofrendo, é porque infringimos as Leis Divinas. Afinal, todos não temos exatamente aquilo que precisamos e merecemos na vida? Assim, ao invés de ficarmos culpando os outros por nossas desgraças e sofrimentos, deveríamos procurar entender melhor essas leis e deixar de se auto enganar, lembrando o que disse o magistral poeta argentino Jorge Luis Borges: “...a escolha é sua e o importante é que você sempre tem escolha. Pondere bastante ao se decidir, pois é você que vai carregar – sozinho e sempre – o peso das escolhas que fizer”.

O que será, Senhor, Amar de verdade, Atingir o esplendor Da maior felicidade? O que será esse amor, De que fala a escritura, Origem e fim da criatura Por vontade do Criador? Sigo na busca incessante Como simples viandante, Sem tempo para chegar. Mas sei que não vou sozinho, Porque sinto o teu carinho, Nos braços a me amparar.

Donizete Pinheiro Quem quiser receber informações do movimento espírita de Marília por e-mail, envie solicitação para donizete.pinheiro@gmail.com

-EXPEDIENTEÓrgão de Divulgação da Doutrina Espírita Coordenador: Donizete Pinheiro Correspondência: Rua Mecenas Pinto Bueno, 905 Marília/SP - CEP 17.516-030 Telefone: (14) 3454-6393 Internet donizete.pinheiro@gmail.com

www.mariliaespirita.jor.br

MARÍLIA ESPÍRITA rede de comunicação


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Experiência Salutar Orson P. Carrara 116 - São raros os que se preocupam em ajuntar conhecimentos nobres, qualidades de tolerância, luzes de humildade, bênçãos de compreensão. Impomos a outrem os nossos caprichos, afastamo-nos dos serviços do Pai, esquecemos a lapidação do nosso espírito. Ninguém nasce no planeta simplesmente para acumular moedas nos cofres ou valores nos bancos. É natural que a vida humana peça o concurso da previdência, e é justo que não prescinda da contribuição de mordomos fiéis, que saibam administrar com sabedoria; mas ninguém será mordomo do Pai com avareza e propósitos de dominação. ENCONTRO SINGULAR 117 - É grande felicidade reconhecer os próprios erros. 118 - Não tema insucessos. Toda vez que oferecemos raciocínio e sentimento ao bem, Jesus nos concede quanto se faça necessário ao êxito. 119 - Empreender ações dignas, quaisquer que sejam, representa honra legítima para a alma. 120 - Nossos adversários não são propriamente inimigos e, sim, benfeitores. O SONHO 121 - O trabalho é tônico divino para o coração. 122 - É indispensável converter toda a oportunidade da vida em motivo de atenção a Deus. 123 - Nos círculos inferiores, o prato de sopa ao faminto, o bálsamo ao leproso, o gesto de amor ao desiludido, são serviços divinos que nunca ficarão deslembrados na Casa de Nosso Pai; aqui, igualmente, o olhar de compreensão ao culpado, a promessa evangélica aos que vivem no desespero, a esperança ao aflito, constituem bênçãos de trabalho espiritual, que o Senhor observa e registra a nosso favor... 124 - O Evangelho de Jesus lembra-nos que há maior alegria em dar que em receber. Aprendamos a concretizar semelhante princípio, no esforço diário a que formos conduzidos pela nossa própria felicidade. Dá sempre, sobretudo, jamais esqueças dar de ti mesmo, em tolerância construtiva, em amor fraternal e divina compreensão. A prática do bem exterior é um ensinamento e um apelo, para que cheguemos à prática do bem interior. Jesus deu mais de si para o engrandecimento dos homens, que todos os milionários da Terra congregados no serviço, sublime embora, da caridade material. 125 - Deus nos vê e acompanha a todos, desde o mais lúcido embaixador de sua bondade, aos últimos seres da Criação, muito abaixo dos vermes da Terra. 126 - Todo administrador sincero é cioso dos serviços que lhe competem; todo pai consciente está cheio de amor desvelado. Deus também é Administrador vigilante e Pai devotadíssimo. A ninguém esquece e reserva-se o direito de entender-se com o trabalhador, quanto ao verdadeiro proveito no tempo de serviço. 127 - Toda compensação exterior afeta a personalidade em experiência; mas, todo valor de tempo interessa à personalidade eterna, aquela que permanecerá sempre em nossos círculos de vida, em marcha para a glória de Deus. É por essa razão que o Altíssimo concede sabedoria ao que gasta tempo em aprender e dá mais vida e mais alegria aos que sabem renunciar!...

Quando garoto sempre presenciei o hábito de meus pais de ler e estudar. Estavam sempre com livros às mãos, embora não tivessem qualquer formação além do curso primário. Por outro lado, meu pai sempre me presenteou com os conhecidos gibis de Walt Disney, estimulando-me à leitura. Hoje constato o quanto estes dois fatos foram importantes em minha vida. O hábito da leitura e o estímulo oferecido para ler foram vitais para que eu também me tornasse um assíduo leitor, ávido por livros. Por sua vez, o hábito da leitura permanente, quase diária, incentivou o hábito de escrever, continuamente. O exemplo de meus pais contagiou-me. Fiz o mesmo com os filhos, que encontram hoje facilidade para escrever, pois também, desde pequenos, sempre estiveram envolvidos com livros e gibis. O leitor talvez estranhe porque abordo esse assunto pessoal e familiar numa coluna de jornal. É que, num país onde o hábito da leitura está muito longe dos padrões que poderiam ser considerados como ideais, o incentivo para tal prática é sempre muito bem vindo. Quem lê abre suas perspectivas mentais. Quem lê amplia todas as suas possibilidades. Então, pergunto: não é salutar incentivar as crianças para que se tornem adultos que amam a leitura? Gostaria, pois, de sugerir aos leitores que escrevam cartinhas para as crianças em fase escolar, que lhes presenteiem igualmente com livros e gibis. Isso será grande estímulo, cujas sementes germinarão gradativamente ao longo da vida, tornando-os adultos conscientes, pois que em contato permanente com a cultura disponível no planeta, especialmente se semearmos o princípio do bem e do amor ao próximo nestes seres que iniciam sua caminhada. Inclusive quero sugerir também acessarem o site do escritor Adeilson Salles, consagrado autor de literatura infantil. O site é muito bom e interativo para as crianças. Acesse e mostre a seus filhos: www.adeilsonsalles.com.br Afinal, convenhamos, se reduzirmos as causas dos males humanos a apenas duas, constataremos que elas classificam-se em: a) ignorância e b) imperfeições do caráter. Ambas, como é fácil de constatar, podem ser alteradas completamente pelo estudo permanente e a orientação segura da educação que se adquire nos bons livros e no hábito da leitura, aliado, é óbvio, pela força dos exemplos na conduta.

CLUBE DO LIVRO ESPÍRITA LUZ E VERDADE CENTRO ESPÍRITA LUZ E VERDADE Rua XV de Novembro, 1146 - Marília - telefone: 3454-2071


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29º ENCONTRO DE DIRIGENTES E TRABALHADORES ESPÍRITAS DA REGIÃO DE MARÍLIA O evento, realizado no dia 23 de outubro, na cidade de Gália foi um sucesso, em todos os aspectos. Um recorde de público, com 201 pessoas participantes dos estudos e mais uma equipe de suporte de 25 pessoas. Estiveram representadas 25 casas espíritas. Todos foram recebidos com muita alegria e fraternidade pela equipe organizadora das cidades de Gália e Garça. A harmonia era geral e todos se sentiram à vontade, colaborando com a organização e a disciplina de horários. O tema "Continuando a Transformar Assistidos em Assistentes", coordenado pelo médico Alexandre Perez, foi motivo de muito debate e reflexão. Alexandre inicialmente apresentou uma motivação, levantando situações que ocorrem nas casas espíritas. Em seguida, os participantes foram divididos em grupos e debateram cinco casos. Após o almoço, dúvidas e questionamentos dos grupos foram apresentados a uma mesa composta por Alexandre, Donizete, Benevides e Luis, que apresentaram seus pensamentos e experiências a respeito. O assunto foi concluído por Alexandre, o qual encerrou com uma manifestação mediúnica da espiritualidade. As cidades participantes foram as seguintes: Marília, Garça, Tupã, Gália, Vera Cruz, Quintana, Bastos, Lupércio, Pongaí, Herculândia e Ribeirão Preto. Em 2012, o 30º Encontro deverá ser realizado na cidade de Tupã.

OBSERVATÓRIO ESPÍRITA Estamos de olho no trabalho de ADEILSON SALLES. * É metalúrgico aposentado, natural da cidade de Guarujá, Estado de São Paulo, nasceu em 23 de outubro de 1959. * Colabora como articulista na imprensa espírita produzindo materiais para revistas, sites e jornais, tendo como foco principal o desenvolvimento da literatura espírita infantil. * Tem dezenas de obras editadas por várias editoras, entre elas a FEB, Solidum Editora e Boa Nova. * Seus livros infantis estão traduzidos para outros idiomas. * Viaja por todo o Brasil realizando palestras de fácil entendimento e trabalhando na divulgação da Doutrina Espírita. * As atividades de Adeilson podem ser acompanhadas acessando: http://www.adeilsonsalles.com.br/

A Humanidade tem realizado, até ao presente, incontestáveis progressos. Os homens, com a sua inteligência, chegaram a resultados que jamais haviam alcançado, sob o ponto de vista das ciências, das artes e do bem-estar material. Resta-lhes ainda um imenso progresso a realizar: o de fazerem que entre si reinem a caridade, a fraternidade, a solidariedade, que lhes assegurem o bem-estar moral. Não poderiam consegui-lo nem com as suas crenças, nem com as suas instituições antiquadas, restos de outra idade, boas para certa época, suficientes para um estado transitório, mas que, havendo dado tudo o que comportavam, seriam hoje um entrave. Já não é somente de desenvolver a inteligência o de que os homens necessitam, mas de elevar o sentimento e, para isso, faz-se preciso destruir tudo o que superexcite neles o egoísmo e o orgulho (Cap. XVIII).


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FÉ E MEDICINA NO PROCESSO CURATIVO Karina Rafaelli “E ele lhe disse: tem bom ânimo, filha, a tua fé te salvou; vai em paz.” (Lucas, 8: 48) O conceito de saúde dado pela OMS (Organização Mundial de Saúde) é de um completo bem-estar físico, social, mental e, nós espíritas acrescentamos, espiritual. De acordo com Emmanuel, saúde é uma perfeita harmonia da alma. De fato, diversas vertentes de estudos científicos apontam que o indivíduo mais espiritualizado tem menor chance de desenvolver doenças, melhor recuperação e responde mais aos tratamentos médicos. A fé é uma das virtudes que potencializam os resultados e podem modificar a evolução da doença, tendo sido apontada como fator de resistência às enfermidades. O estado otimista proporcionado pela fé ajuda o paciente a suportar melhor, a reagir, desencadeando reações orgânicas semelhantes às observadas nos estados afetivos e de tranquilidade. Esse enfoque, atualmente, está sendo mais bem aceito pela comunidade científica, já que temos inúmeros estudos que relacionam saúde e espiritualidade. Dr. Harold Koenig, médico americano pioneiro na pesquisa da relação da fé com a medicina, da Universidade de Duke, acredita que existem crescentes evidências de efeitos positivos dos aspectos espirituais e religiosos sobre a saúde. Outro pesquisador de neurociência nas experiências religiosas e espirituais é o médico nuclear Dr. Andrew Newberg, da Universidade da Pensilvânia. Seus experimentos mostraram que pessoas espiritualizadas apresentam alterações cerebrais no momento de “êxtase espiritual”, verificadas nos exames de neuroimagem funcional. Entre os achados, as imagens revelaram que o córtex frontal (relacionado às funções mais nobres do cérebro) mostrou-se mais ativo e o lobo parietal (responsável por percepções temporais e espaciais), menos ativo. Os cientistas consideram um avanço poder acompanhar através de exames “as impressões digitais químicas e elétricas da fé”, como descreveu o Dr. Newberg, já que a fé, teoricamente, não poderia ser quantificada, pois estaria fora da realidade física. A importância dessas abordagens científicas é o suporte para a mudança de paradigma na investigação do ser humano. O enfoque do homem integral sinaliza para uma renovação nos procedimentos de tratamento do paciente, visando ao seu reajuste íntimo. Efetuando-se a cura, para que não haja recidiva da doença, o empenho em condutas salutares, tanto morais como físicas, é necessário. Lembrando das palavras de Jesus sobre a cura do paralítico de Jerusalém: “Eis que já estás são; não tornes a pecar para que não te sucedas algo pior” (João, 5: 14). Mesmo no caso de uma patologia grave, cujo processo curativo envolve uma complexidade de fatores, de acordo com as necessidades evolutivas e o merecimento de cada um, a fé promove uma maior tolerância ao sofrimento, independentemente da crença do indivíduo.

Santo Agostinho, no capítulo V de “O Evangelho segundo o Espiritismo”, diz: “É a fé o remédio certo do sofrimento; ela mostra sempre os horizontes do infinito, diante dos quais se apagam os poucos dias sombrios do presente.” A fé, portanto, é uma grande aliada no processo curativo, ajudando o doente a suportar o sofrimento e o tratamento com serenidade, otimismo, resignação e paciência. Mas, sozinha, a fé religiosa não é suficiente à cura, razão pela qual não devemos desprezar o tratamento da medicina humana, que também é de origem divina e permitida por Deus para o bem-estar da criatura. A Doutrina Espírita, conciliando os aspectos científicos e morais, traz-nos a lição da fé raciocinada, esclarecendo que o estado de confiança deve ser solidificado pela força da razão e da compreensão e que o caminho da cura é a prática do bem, assim reforçando a recomendação de Jesus.

* Em novembro, o Centro Espírita Luz, Fé e Caridade, de Marília, comemorou 83 anos de fundação, com palestras proferida por Donizete Pinheiro, sobre o tema “Funções do Centro Espírita”, e por Alexandre Perez, sobre o tema “O que a Doutrina Espírita nos oferece”. * O Lar Amélie Boudet também promoveu palestras comemorativas à sua fundação. No dia 26, José Maria Souto Netto falou sobre "Aprendendo a amar-se"; e, no dia 03 de dezembro, Leon Deniz de Oliveira Borges (de Franca), expôs sobre o tema: "Meio homem.Meio máquina:Amorte dos sentimentos". * No dia 03 de dezembro, o Centro Espírita Luz e Verdade promoveu confraternização de encerramento, com momento musical apresentado pelo cantor Sérgio Santos, da cidade de Uberaba. * A palestra mensal de dezembro do Núcleo Espírita Amor e Paz será no dia 21, quarta-feira, 20 horas, sobre o tema “Caminho, Verdade e Vida”, a cargo de Donizete Pinheiro. * As inscrições para o próximo Congresso Estadual de Espiritismo, promovido pela USE Estadual, deverão ser feitas até o próximo dia 31 de dezembro de 2011. O evento será realizado na cidade de Franca, no período de 28 de abril a 1º de maio de 2012. O tema central de estudo será: “Solidariedade - uma outra forma de conhecer”. Informações pelo e-mail: congresso@usesp.org.br e http://usesp.org.br/congresso/


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FERNANDO ORTIZ E O ESPIRITISMO José Benevides Cavalcante Fernando Ortiz Fernandez, etnólogo, sociólogo, jurista e linguista cubano, professor na Universidade de Havana, lançou no ano de 1951 (portanto, há precisamente 60 anos) um livro intitulado “A FILOSOFIA PENAL DOS ESPÍRITAS – ESTUDO DE FILOSOFIA JURÍDICA” – aliás, uma das dezenas de obras que escreveu, investigando a origem e a evolução do direito. Ortiz, falecido em 1969, aos 88 anos de idade, buscava compreender como a noção de justiça, aplicada ao Direito, veio evoluindo, desde as comunidades mais primitivas ao século XX. Ele começa essa obra, FILOSOFIA PENAL DOS ESPÍRITAS, afirmando: “Não sou espírita”. Com certeza, para deixar claro que as ideias e os conceitos desse livro não estão vinculados a uma fé religiosa, mas se baseiam no resultado de estudos imparciais sobre princípios da Doutrina Espírita, e em observações e conclusões que a Antropologia deles pode inferir para sua possível contribuição à Filosofia do Direito. Fernando Ortiz, acima de tudo, foi um cientista. Daí a importância desse livro para o Espiritismo, pois o autor, ao analisar as obras de Allan Kardec, onde a noção de justiça está baseada na lei de evolução e na reencarnação, mostra as importantes implicações da visão espírita na consolidação desse ideal de justiça. Tanto assim que o livro acabou sendo traduzido ao português pelo Dr. Carlos Imbassahy, advogado e escritor espírita, e trazido ao Brasil pela Editora LAKE – Livraria Allan Kardec Editora, de São Paulo. Aproveitamos a oportunidade para dizer que os espíritas, advogados e acadêmicos de Direito, principalmente, não deveriam perder a oportunidade de conhecer essa obra de Fernando Ortiz, um dos mais ilustres pesquisadores do Direito. Dias atrás, um colega advogado – que também não é espírita – fez algumas considerações sobre o caso de um jovem de 19 anos, que morrera brutalmente assassinado por seus comparsas, como tantos outros nos dias de hoje. Ele ponderava o fato de o rapaz ter nascido numa favela, em meio a um ambiente hostil – do ponto de vista moral e social – ter sofrido violência desde criança, convivido e se integrado no mundo do crime, e ter sido sumariamente executado, sem ao menos saber o que é ser amado e respeitado. A sociedade lhe negou todos os valores que podem dignificar a pessoa humana. E o nosso colega questionava, nesse caso, onde estava a Justiça de Deus, deduzindo que, se não era justo que esse jovem criminoso fosse para o céu, também Deus não poderia mandá-lo para o inferno, uma vez que não lhe deixou escolha: o jovem perseguiu o único caminho que conheceu, tornando-se vítima das circunstâncias e de si mesmo. Dentro da concepção de um Deus justo e bom, só a reencarnação poderia dar uma explicação convincente para esse caso, equacionando a devida justiça. Nesse caso, não precisamos e nem quisemos forçar nenhuma conclusão, já que ele próprio concluiu não restar outra alternativa que possa dar uma explicação convincente à vida do rapaz. É o que o Espiritismo nos ensina e o que Ortiz,

certamente, respeitou na doutrina, por encará-la não apenas como expressão de uma simples fé religiosa, mas sobretudo enfatizando sua base racional para compreensão das leis da vida, perfeitamente aplicável à sociedade de nosso tempo. Kardec deixou muito claro, n ' O E VA N G E L H O S E G U N D O O ESPIRITISMO, que o espírita não deve forçar ninguém a pensar como ele pensa, tampouco a sair de outra religião para abraçar a sua, só porque ele, como espírita, inadvertidamente, possa achar-se dono da verdade. Daí concluirmos que é um erro tentar impor a nossa verdade a quem não está preparado sequer para ouvi-la.Abusca da verdade deve partir das necessidades, das indagações e das aspirações de cada alma. E nesse particular – ou seja, com relação ao fato de as pessoas terem o direito de decidir por si sobre o roteiro a seguir – Allan Kardec, com a dignidade e a elegância que lhe eram peculiares, afirmou, em 1868, com muita convicção: “Se eu tiver razão os outros acabarão por pensar como eu, se eu não tiver razão, acabarei por pensar como os outros”.

Sarau Espírita No domingo 27 de novembro, no período da tarde, na Comunidade Eurípedes Barsanulfo, em Marília, os jovens espíritas realizaram um Sarau com apresentações artísticas, tais como canto, declamação, instrumental e banda, com o fim de confraternização e arrecadação de renda para a Comenoesp 2012, que será em Marília. Participaram cerca de 90 pessoas, inclusive jovens deAssis e Bauru.


O VERDADEIRO ANIVERSARIANTE Na véspera de Natal o pai questionou os dois filhos: – Quem faz aniversário amanhã? As crianças responderam em uma só voz: – O Papai Noel! – Mas como Papai Noel, esqueceram-se de Jesus? E as crianças em coro: – Quem? Então, sem graça, o pai percebeu que jamais falara de Jesus para os filhos, limitando o Natal como o tempo de presentes e exaltando apenas a figura folclórica do “bom velhinho”. O diálogo acima leva-nos às seguintes reflexões: Estamos falando de Jesus para nossos filhos? Estamos contando sobre sua vida, seus exemplos e lições e narrando a sua epopéia pela Terra? Caso nossas respostas às duas indagações acima sejam negativas, certamente nossos filhos reconhecem Papai Noel como o protagonista de 25 de dezembro.

Contudo, convenhamos: Papai Noel não pode ficar à frente de Jesus! Os presentes não podem ser o tema mais importante em nossos comentários sobre o Natal. Nada contra os presentes que oferecemos aos nossos filhos, todavia tudo a favor de que as lembranças de Natal não ocupem o lugar do aniversariante: Jesus! Imprescindível, pois, analisarmos não apenas nesse tempo natalino, mas em todas as épocas do ano se promovemos o salutar encontro de nossos filhos com as sublimes lições de Jesus. Os presentes se vão com o tempo; quebram, são esquecidos, tornam-se obsoletos, sendo ultrapassados por mais novos. Contudo, os ensinamentos do Mestre de Nazaré são imperecíveis, ultrapassam os milênios, sendo úteis para toda a jornada do espírito imortal rumo à conquista da plenitude. Presenteemos nossos filhos, porém não nos esqueçamos em nenhum tempo de apresentar-lhes Jesus, o verdadeiro aniversariante de todo dia 25 de dezembro. Pensemos nisso.

palavras de

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Emmanuel Emmanuel INVERNO "Procura vir antes do inverno." - Paulo (II Timóteo, 4:21)

Claro que a análise comum deste versículo revelará a prudente recomendação de Paulo de Tarso para que Timóteo não se arriscasse a viajar na estação do frio forte. Na época recuada da epístola, o inverno não oferecia facilidades à navegação. É possível, porém, avançar mais longe, além da letra e acima do problema circunstancial de lugar e tempo. Mobilizemos nossa interpretação espiritual. Quantas almas apenas se recordam da necessidade do encontro com os emissários do Divino Mestre por ocasião do inverno rigoroso do sofrimento? quantas se lembram do Salvador somente em hora de neblina espessa, de tempestade ameaçadora, de gelo pesado e compacto sobre o coração? Em momentos assim, o barco da esperança costuma navegar sem rumo, ao sabor das ondas revoltas. Os nevoeiros ocultam a meta, e tudo, em torno do viajante da vida, tende à desordem ou à desorientação. É indispensável procurar o Amigo Celeste ou aqueles que já se ligaram, definitivamente, ao seu amor, antes dos períodos angustiosos, para que nos instalemos em refúgios de paz e segurança. A disciplina, em tempo de fartura e liberdade, é distinção nas criaturas que a seguem; mas a contenção que nos é imposta, na escassez ou na dificuldade, converte-se em martírio. O aprendiz leal do Cristo não deve marchar no mundo ao sabor de caprichos satisfeitos e, sim, na pauta da temperança e da compreensão. O inverno é imprescindível e útil, como período de prova benéfica e renovação necessária. Procura, todavia, o encontro de tua experiência com Jesus, antes dele. do livro “VINHA DE LUZ” psicografia de Francisco Cândido Xavier

COMENOESP EM MARÍLIA 05 a 08 de abril de 2012 DM/USE


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A Estrelinha

Histórias de Tiamara

Morava em uma colônia no céu um grupo de brilhantes estrelas. Todos os dias, as estrelas se reuniam antes do anoitecer para limpar com o pó mágico as pontinhas de seus corpos. Viviam felizes! Um dia, o Pai Criador enviou para a colônia uma estrelinha. O grupo não gostou, pois agora teria que dividir um espaço com a visitante e ela também era muito pequenina e iria ofuscar o brilho da colônia. Assim, antes do anoitecer, diziam: – Não precisa, pequena, se preocupar em polir suas pontinhas, não vai mesmo aparecer! Somos maiores! A estrelinha ficava muito triste! Mas, mesmo tendo que ficar escondida atrás das colegas, orava ao Pai Criador pela oportunidade de brilhar e alegrar a Terra. Um dia, todas as estrelas começaram a observar que a pequena estrelinha tinha um brilho diferente nas pontinhas, e lhe perguntaram: – Como você conseguiu esse brilho diferente? Aestrelinha se sentiu muito feliz. Era a oportunidade que tinha de brilhar ao lado das companheiras. Então disse: – Como não posso ter o pó mágico, eu seguro nas pontinhas do meu corpo e oro agradecida ao Pai Criador pela oportunidade de trabalho. As estrelas começaram a sorrir e algumas até diziam: – Como você é tola! Não vê que brilha porque fica atrás de todas nós! A pobre estrelinha já não sabia mais o que fazer para ser aceita por todas da colônia. Resolveu que iria fugir antes do anoitecer, no momento em que todas estariam se

enfeitando. Estava decidida. Ajeitou tudo e partiu. Naquela mesma noite, sozinha, orou com todo o seu amor, e logo ouviu na Terra um pedido: – Estrelinha, estrelinha, brilha, brilha, sem parar! Ilumina, nesta noite linda, com sua luz o nosso lar! Então, a estrelinha apanhou seu pó mágico e passou pelas pontinhas, sempre orando e agradecendo ao Pai! E foi nessa noite linda que a pequena estrelinha acompanhou o nascimento do menino Jesus e para ali também guiou muitas pessoas, iluminando seus caminhos! A estrelinha brilhou sozinha, mas radiante orou muito por todas as colônias de estrelas, que sentiram e aprenderam que a oração e o agradecimento devem ser cheios de amor! Então, todas as estrelas ouviram: Estrelinhas, estrelinhas, brilham no nascimento! Fortalecendo o amor, a todo o momento! Crianças: Todas as vezes que olharem para o céu e verem uma estrelinha sozinha, é a nossa amiguinha orando e agradecendo ao Pai criador! Depois, quando todo o céu estiver repleto de estrelas, são todas dizendo ao seu coração que Jesus nos ama! Que Jesus Cristo, possa brilhar sempre no coração de todos vocês! Paz e Luz!

PRESÉPIO DE NATAL Nosso colaborador Wellington escreveu sobre o destaque que a sociedade atualmente dá a Papai Noel, em detrimento do verdadeiro aniversariante, que é Jesus. Embora a Doutrina Espírita não tenha no presépio um símbolo, posto que desprovida de representações materiais, é interessante lembrar do seu significado, uma vez que nos reporta à simplicidade do nascimento de Jesus e do seu exemplo de humildade, pois, sendo o maior dentre todos, se fez pequeno para estar entre nós e nos ensinar o caminho para o Reino de Deus. Consta que o primeiro presépio do mundo teria sido montado em argila por São Francisco de Assis em 1223. Nesse ano, em vez de festejar a noite de Natal na Igreja, como era seu hábito, o Santo fê-lo na floresta de Greccio, para onde mandou transportar uma manjedoura, um boi e um burro, para melhor explicar o Natal às pessoas comuns, DEVOLUÇÃO PELO CORREIO PARA Rua Mecenas Pinto Bueno, 905 - Marília/SP- CEP 17.516-030

camponeses que não conseguiam entender a história do nascimento de Jesus. O costume espalhou-se por entre as principais Catedrais, Igrejas e Mosteiros da Europa durante a Idade Média, começando a ser montado também nas casas de reis e nobres já durante o Renascimento. Em 1567, a Duquesa de Amalfi mandou montar um presépio que tinha 116 figuras para representar o nascimento de Jesus, a adoração dos Reis Magos e dos pastores e o cantar dos anjos. Foi já no Século XVIII que o costume de montar o presépio nas casas comuns se disseminou pela Europa e depois pelo mundo (explicação colhida na Wikipedia).


Edição 98