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 Manutenção y qualidade


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Diretora Responsável Raquel Rodrigues (Reg. Mtb RJ 12705JP) Diretora Dilze Silva Redação Flávia Sanches (RJ) priscila botelho (SP) Projeto Gráfico e editoração Marigilio santos Impressão Stamppa gráfica & editora Tiragem desta edição 15.000 exemplares Conselho Consultivo Técnico Alexandre Fróes (NSK) Attílio Bruno Veratti (Icon Tecnologia) Bendt Lassé Hansen (Vitek) Kleber Siqueira (SQL Systems) Lourival Augusto Tavares (Consultor) Marcelo Ávila Fernandes (Astrein) Marcelo Salles (remosa) Renato Herrera (Shell Services) Sérgio Nagao (Rede Família Manutenção) rio de janeiro sede própria Av. Venezuela, 131 Grupos 906 a 908 Cep 20081-901 - Rio de Janeiro - RJ Tel/Fax: (21) 2516-0004

À

s máquinas que movem a economia, todo cuidado é pouco. E atenção especial deve ser dada aos componentes de sua ‘corrente sangüínea’: graxas e lubrificantes. Mas será que o tratamento dispensado a elas é o adequado e os óleos têm grande parcela de culpa nas falhas dos equipamentos? Como destaca matéria de capa, em número significativo de indústrias – claro, toda regra tem exceções –, a lubrificação ainda não assumiu o posto como atividade estratégica nas empresas e, por contágio, até mesmo a área de Manutenção acaba não dando o devido valor. Com o palavra, fabricantes do calibre da ExxonMobil, Petrobras Distribuidora e Shell. No seu negócio que vai muito além de venda de produtos, são constatados verdadeiros atentados ao bom senso profissional. Confiram as afirmações e tirem a prova dos nove! Ao virar a página, o artigo premiado “O uso da tecnologia móvel no gerenciamento de ativos” mostra como a Manutenção – e a empresa como um todo – tem na palma da mão uma ferramenta que faz toda a diferença no mundo globalizado – tempo é dinheiro, já contabiliza mais ganhos na unidade de papel e celulose da Suzano. Mais uma vez convidamos à leitura atenta da coluna de Lucas Siqueira sobre a importância das normas na gestão das organizações de Manutenção. O mesmo vale para o artigo “RCM quantitativa: modelagem dos tempos até a falha e o reparo em equipamentos industriais”, de autoria de Miguel Afonso Sellitto. EM TEMPO: Aproveitamos para registrar que a seção sobre Manutenção de Válvulas de nosso colunista Osmar Jose Leite da Silva teve que fazer pit stop estratégico nesta edição. Será retomada com todo gás na próxima MyQ.

Nesta edição 4 ISO 9000 LUCAS SIQUEIRA 6 Lubrificação Industrial SHELL 8 Seção Técnica SUZANO PAPEL E CELULOSE

myq@myq.com.br

14 Capa LUBRIFICAÇÃO INDUSTRIAL

depto. comercial São paulo Valdir Dalle Déa

26 Ferrografia TRIBOLAB

valdir@myq.com.br

28 Artigo Especial EXXONMOBIL

Tel/fax: (11) 6408-4727 internet

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30 Estratégias de Manutenção MIGUEL SELLITTO 32 Capa Eventos EXCELÊNCIA CONSULTORIA

Se você ainda não recebe e/ou quer indicar um amigo para receber, basta encaminhar um e-mail para myq@myq.com.br com a palavra CADASTRAR no assunto e será incluído no mailing de nossa publicação virtual, que já é enviada para mais de 30 mil profissionais.

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Publicação bimestral da Novo Polo Publicações e Assessoria Ltda

índice


sistema de gestão integrado Sistema de Gestão Integrado em Organizações de MANUTENÇÃO ISO 9001, ISO 14001, OHSAS18001, SA 8000

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Integração das Normas ISO 9001, ISO 14001, OHSAS 18001 na Gestão das Organizações de Manutenção

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Gestão da Manutenção nas empresas e organizações prestadoras de serviços está passando por uma grande transformação. Na busca de atender aos grandes clientes e conquistar maior fatia do mercado de Manutenção, estas empresas e organizações estão aprimorando a sua forma de Gestão através da adequação desta aos requisitos das normas ISO 9001, ISO 14001 e OHSAS 18001. Considerando que uma tarefa de Manutenção impacta simultaneamente na Qualidade final

do serviço, na Segurança e Saúde do trabalhador e no Meio ambiente, esta combinação mais do que nunca precisa ser tratada de uma forma sistemática e sustentada desde o pedido até a entrega e pós-entrega do serviço ao cliente. Tudo começa na definição e efetiva implementação de uma Política empresarial que seja abrangente em todas as dimensões e que atenda a cada stakeholder: Cliente, Acionista/ Sócios/Propriétário, Pessoas, Sociedade e Fornecedores.

No inicio da década de 90 a preocupação central era em atender aos requisitos da Qualidade da norma ISO 9001. Na década atual estarão à frente aquelas organizações que mais rápido incorporem em seus processos estas três dimensões: Qualidade, Segurança e Saúde e Meio ambiente. Para tanto o cumprimento às normas ISO 14001 e OHSAS 18001, além da ISO 9001, é o diferenciador. Manter o equilíbrio no atendimento a cada stakeholder sem perder o foco no resultado e no cliente é o grande

A ISO 9001-2000 vai mudar

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Norma ISO 9001-2000, que estabelece requisitos para o Sistema de Gestão da Qualidade de uma organização, está em fase final de revisão por parte do Subcomitê Técnico ISO/TC-176/SC-2 da International Organization for Standardization (ISO). Entre julho (mês corrente) e agosto próximo, será feita a votação do FDIS (Draft Final) a partir do qual a nova versão da norma – a ISO 9001-2008 – estará apta para entrar em vigência até o final deste ano ou no máximo no início de 2009. Desde que foi lançada, esta é a quarta versão da norma ISO 9001 – a primeira data de 1987, seguida das revisões de 1994 e 2000.

Duas alterações na ISO 9001:2008 Apresentamos a seguir, duas alterações planejadas para a norma ISO 9001:2008, com base no último draft emitido. Vale ressaltar que algumas mudanças ainda poderão ocorrer até a votação do FDIS da norma citada:

• Item 7.6 – controle e dispositivos de medição e monitoramento: no texto original em inglês, o termo empregado “device” possui vários significados que estavam confundindo um pouco a aplicação deste item e será mudado para “equipment”. Em português, sai o termo

“dispositivo de medição” e no lugar entra “equipamento de medição, que não representa uma mudança significativa no caso brasileiro. Será incluída também uma nova nota referente à “confirmação da capacidade de software de computador para satisfazer aplicação pretendida” que incluirá a sua verificação e a gestão de configuração para manter a adequação para uso. Especialistas acreditam que, mesmo a atual norma se referindo aos softwares de calibração, nas próximas edições da ISO 9001 os softwares, tanto de calibração como de produção, merecerão mais atenção devido à grande tendência de automação de processos produtivos, estendendo-se à medição e monitoramento de produtos. É preciso dispor de garantia do funcionamento adequado dos softwares utilizados.

• Na cláusula 8 que trata de medição, análise e melhoria, haverá uma nova nota sobre “o monitoramento da percepção do cliente que poderá incluir pesquisas de satisfação do cliente, dados do cliente referentes à qualidade do produto entregue”. Este monitoramento poderá também considerar análises sobre a perda de negócios, reclamações de garantia, pesquisas sobre a opinião de usuários, relatórios de distribuidores do produto e outros.


sistema de gestão integrado

desafio empresarial do gestor da Manutenção. Um grande obstáculo a esta nova etapa são os fatores educação, treinamento e produtividade em todos os níveis. A carência de mão-de-obra direta especializada e preparada para a evolução que se aproxima somada à carência de nossos supervisores e líderes nas ferramentas de gestão tornam o cenário cada vez mais desafiador na gestão da Manutenção. As Normas citadas ajudam às Organizações no direcionamento de ações que otimizem os recursos necessários. O cuidado principal na aplicação destas Normas é o de não burocratizar com excessos de procedimentos e formulários, além da preocupação com a preciosidade e excessos no conteúdo destes documentos. As normas muito pouco exigem de documentos e registros necessários à conformidade. Portanto as organizações devem enxugar ao máximo a necessidade de documentos e formulários seguindo estritamente aquilo que as normas exigem e onde sejam essenciais para a eficiência, produtividade e eficácia da gestão integrada. Sugiro que a estrutura da ISO 9001 sirva de base, e se acrescente a esta

apenas alguns requisitos adicionais exigidos pela norma ISO 14001 e OHSAS 18001: aspectos e impactos ambientais (ISO 14001), perigos e riscos (OHSAS 18001), requisitos legais e outros (comum a ISO 14001 e OHSAS 18001), preparação e resposta à emergência (comum à ISO 14001 e OHSAS 18001). Os demais requisitos das três normas são comuns, devendo ser feitas apenas pequenas adaptações para adequação completa. Estamos próximos de uma nova revisão da norma ISO 9001, que está na fase de Draft Final (FDIS) para a aprovação formal pela ISO. A publicação da versão ISO 9001:2008 está sendo prevista para outubro-novembro 2008. A preocupação maior é justamente a intercambialidade com a Norma ISO 14001 e OHSAS 18001 para proporcionar uma maior facilidade na integração do sistema de gestão. A norma OHSAS 18001 foi recentemente revisada também seguindo o princípio da ISO 9001. O ISO 9001:2008 proposta não introduz exigências adicionais comparadas à última edição em 2000 e não muda a intenção em relação à versão ISO 9001:2000. A proposta para o novo Padrão Internacional ISO

9001 foi aprovado em maio 2008 na reunião da ISO - comitê técnico ISO/TC 176. A proposta para a ISO 9001:2008 será circulada em julho como um Draft Final Internacional quando será votado. Para as Organizações em estágio mais avançado na aplicação das 03 normas sugiro uma análise contínua dos processos e procedimentos tornando-os mais amigáveis e que tragam mais facilidade de aplicação na busca de obter uma maior produtividade das equipes. Para as Organizações em fase de integração aproveitem a experiência de consultores mais experientes que proporcionem simplificação e facilidade de aplicação das 03 normas de forma simultânea, sem perder o foco no resultado e no cliente.

O AUTOR Lucas da Silva Siqueira Auditor líder ISO 9001:2000 CQE, CQA, CRE- ASQ

ImproQuality Ltda Consultoria para Excelência na Gestão Empresarial Consultoria, Treinamento e Auditoria em: ISO9001, ISO14001, OHSAS18 001, SA8000, 5S, TPM, PNQ

www.improquality.com.br Tel: (71) 9973 3859 E-mail: lucas@improquality.com.br improquality@improquality.com.br

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“O cuidado principal na aplicação destas Normas é o de não burocratizar com excessos de procedimentos e formulários, além da preocupação com a preciosidade e excessos no conteúdo destes documentos”.


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Lubrificação de engrenagens abertas

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plicado na maior parte dos setores industriais, o acionamento por meio de engrenagens abertas é responsável por manter em movimento ou deslocar intermitentemente equipamentos de grande porte e que, na maioria das vezes, constituem fatores de alta criticidade para o processo produtivo. Os engrenamentos abertos têm alto custo de fabricação, sendo comumente considerados um dos sobressalentes de maior valor da máquina ou do equipamento. Instalados nos equipamentos de duas formas básicas – pinhão e coroa ou pinhão e cremalheira, estes sistemas de acionamento demandam cuidados especiais para sua preservação. Equipamentos como moinhos, fornos, tambores rotativos (secadores e granuladores), discos pelotizadores, escavadeiras e draglines apresentam em sua construção o engrenamento com pinhão e coroa, a fim de promover o movimento giratório contínuo ou alternado. Já algumas máquinas ferramentas de grande porte como mandrilhadoras e tornos têm deslocamento linear sobre seus barramentos acionados por cremalheira e pinhão, assim como grandes equipamentos nas siderurgias, sendo, na maioria das vezes, com movimentos intermitentes. O ajuste do engrenamento tem extrema importância para a precisão do movimento e para o prolongamento da vida útil do mesmo, em ambos os tipos de acionamento, com a necessidade de se manter uma lubrificação acompanhada de um perfeito alinhamento e nivelamento do conjunto, principalmente para acionamentos do tipo coroa e pinhão. A Manutenção e o ajuste do engrenamento demandam expertise de profissionais qualificados, que irão inspecionar, avaliar e definir intervenções de acordo com as condições de trabalho do conjunto, em que se avaliam as condições de alinhamento, nivelamento, performance do lubrificante e eficiência do sistema de lubrificação. Tais ações visam garantir o perfeito funcionamento do

conjunto e eliminar a possibilidade de falhas prematuras na superfície dos dentes do pinhão. Alinhamento Engrenagens abertas exigem atenção especial no que se refere à Manutenção. É necessário observar o ajuste de montagem do conjunto, buscando, por meio do alinhamento, regular a folga de fundo de dente, definida pelo fabricante do equipamento, e garantir o maior contato possível entre os dentes. Neste último item, o ideal é sempre atingir contato superior a 80%, pois assim se consegue melhor distribuição da carga no ato do acionamento e, conseqüentemente, menor aquecimento durante a operação, além de maior vida útil do conjunto, principalmente do pinhão. O ajuste da folga denominada Back Lash – folga existente entre as faces opostas de contato dos dentes – aliado à folga de fundo de dente são os principais parâmetros para a obtenção de um funcionamento silencioso e sem risco de danos ao engrenamento.

Engrenamento com Pittings em estágio avançado em função de deficiência do lubrificante e da lubrificação


Lubrificação A lubrificação das engrenagens abertas consiste em outro fator de grande relevância para a Manutenção e conservação do engrenamento, pois a forma de aplicação, a quantidade aplicada e a qualidade do lubrificante podem contribuir para a extensão ou redução da vida útil do conjunto. A falha do lubrificante seja por performance ou por baixa quantidade aplicada pode levar à geração de danos irreparáveis nos dentes do engrenamento, como: abrasão, pitting, scuffing e spaling. A aplicação e a distribuição corretas do lubrificante também contribuem para a lubrificação do engrenamento. Para se ter uma perfeita cobertura dos dentes há necessidade de ajuste nos seguintes itens:

• Ângulo de inclinação dos bicos pulverizadores; • Pressão pneumática de pulverização; • Distância entre bicos; • Distância dos bicos ao engrenamento. Estes itens precisam ser checados constantemente, principalmente em engrenamentos lubrificados à graxa. A quantidade de lubrificante a ser aplicado em um determinado conjunto de engrenagens abertas pode ser definida pelo fabricante do lubrificante ou por tabelas da American Gear Manufacturers Association (AGMA 9005), de acordo com as dimensões do engrenamento. As quantidades de lubrificantes estabelecidas pela AGMA não consideram as condições locais de trabalho dos equipamentos, que, na maioria dos casos, estão expostos à contaminação em função do processo e, em algumas

Bicos sprays com boa regulagem promovendo cobertura total da superfície lubrificada

situações, instalados em ambientes sem cobertura, o que torna ainda mais agressiva a condição de trabalho dos engrenamentos abertos. Nesse contexto, o fabricante do óleo é quem melhor pode determinar a quantidade de aplicação, principalmente nos casos das graxas, pois, não só avaliam a real condição de trabalho do equipamento como também a qualidade do produto indicado. Para auxiliar seus clientes na hora da decisão, a Shell Lubrificantes dispõe de uma equipe técnica treinada, com know-how em aplicação e inspeção destes conjuntos. Disponibiliza também a linha de graxas semifluidas Shell Malleus, que atende a todas as exigências de um conjunto de engrenagens abertas. Este resultado se deve ao fato de, em sua composição, aliar óleo básico sintético a três tipos de aditivos sólidos. Tudo cuidadosamente selecionado para garantir um ótimo desempenho. Além disto, as graxas Shell Malleus destacam-se por não conter asfalto, chumbo e solventes clorados em sua formulação.

O AUTOR Edevaldo Souza Engenheiro de Aplicação da Shell Lubrificantes Engenheiro mecânico formado pela Unileste-MG. Atua há treze anos na área de Manutenção, com experiência em indústrias siderúrgicas, fabricação/usinagem e mineração, com atuação nas áreas de planejamento de Manutenção, inspeção de fundidos e usinados, automação e engenharia de Manutenção.

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Bicos sprays mal regulados gerando deficiência na lubrificação do engrenamento


seção técnica

O Uso da Tecnologia Móvel no Gerenciamento de Ativos

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Trabalho premiado (1º lugar) no 15º Seminário Brasileiro de Planejamento e Informatização da Manutenção, realizado pela Excelência Eventos, em maio 2008, em São Paulo.

1) Introdução – Nos dias de hoje, a competitividade de uma empresa está intimamente ligada aos sistemas de informação que permeiam todas as áreas de negócio ligadas ao resultado. Com o time de Manutenção inserido neste contexto, cada vez mais o gerenciamento dos ativos se torna uma ferramenta estratégica para a tomada de decisão. Para que o gerenciamento destes ativos seja realizado de forma eficaz, é essencial que os dados utilizados para a tomada de decisão sejam precisos e que todas as ocorrências relevantes sejam inseridas no sistema de informação. Como realizar esta tarefa de forma ágil, eficaz e com a entrada de dados precisa? Por outro lado, as organizações passam por grandes transformações em suas estruturas na busca constante de otimização da mão-de-obra e na criação de valor para as atividades de Manutenção. Após décadas de cortes de custo utilizando métodos tradicionais como a redução de pessoas e níveis de estoque, os times de Manutenção descobriram que eventuais reduções nestas áreas hoje em dia são limitadas ou quase impossíveis de se realizar. Diferentemente dos parceiros de produção, times de Manutenção sempre trabalham com um amplo espectro de tarefas. Algumas são rotinas, outras são regulares, mas não freqüentes e algumas vezes estes times se deparam com atividades que eles nunca realizaram antes. Cada dia de uma equipe de Manutenção é um dia diferente que pode trazer uma combinação destas tarefas sempre com a pressão da perda de faturamento e a necessidade de combinar habilidade, conhecimento técnico e necessidade constante de informação.

Se os times de Manutenção forem eficientes em realizar os desafios relacionados, este time irá necessitar de indicadores que descubram as “forças ocultas” da Manutenção. Forças estas que revelem recursos a serem organizados para reduzir o custo unitário de Manutenção. Estas mesmas organizações buscam, assim, um volume cada vez maior de informações precisas e detalhadas para a tomada de decisão. Como realizar a junção destes dois fatores de modo a não prejudicar as atividades essenciais de Manutenção? Como alcançar a excelência no gerenciamento de ativos de uma maneira fácil de implementar, manter e medir? A adoção da tecnologia móvel torna isto possível às organizações, criando facilidades no gerenciamento dos ativos bem como reduzindo o tempo do técnico na execução de atividades administrativas, garantindo maior efetividade do uso da mão-de-obra. 2) Passos importantes para a implementação da tecnologia – Para implementar o uso da tecnologia móvel, alguns fatores devem ser considerados para o sucesso da solução. Habilidade Computacional: A habilidade computacional continua a ser um obstáculo na implementação deste tipo de solução. Muitos técnicos não estão familiarizados com trabalhos no computador. No entanto muitos trabalham bem com uma interface menos intimidadora do Pocket PC. Não existe “reboot”, não existe mouse. Não há necessidade de “configurar” a aplicação para limitar o que cada trabalhador vê, porque num Pocket PC os dados são apresentados como eles são necessários. Motivação: A implementação de qualquer novo sistema gera resistência. Quando o sistema de tecnologia móvel implantado possui regras bem definidas, os trabalhadores ganham poder para fazer a diferença, melhorando a qualidade de seu trabalho e contribuindo para o sucesso da empresa. Trabalhando com Inteligência: Quando os técnicos realizam uma ordem de serviço, eles possuem todas as informações de que necessitam – histórico do equipamento, detalhes das permissões, esquemas, desenhos ou lista de partes para seu uso? O papel não fornece esta quantidade


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3) A “Mudança Cultural” – Quando se pensa em criar um sistema de gestão de ativos baseado em tecnologia móvel, existe a tendência natural de pensar no que é necessário ser modificado. Este processo leva impreterivelmente a determinar que os componentes do processo atual que não existem e devem ser criados ou que existem, mas não funcionam no nível desejado. O problema é que, enquanto as melhorias em planejamento, programação e execução podem ter sucesso no curto prazo, as mudanças de longo prazo são altamente indesejáveis. A razão deste acontecimento pode ser atribuída ao fato de que os esforços para a mudança não são endereçados a todos os níveis necessários para que o desenho do processo seja modificado como um todo. A mudança deve compreender elementos como liderança, processo de trabalho, estrutura, aprendizado em grupo, tecnologia, comunicação, inter-relacionamento e recompensa. Estes elementos são importantes por si só, porém, muito mais importantes se considerados em conjunto. Além destes elementos, deve-se levar em consideração a cultura organizacional que é composta dos seguintes elementos: valores organizacionais, regras e infra-estrutura organizacional. É muito importante reconhecer que qualquer esforço deve ser endereçado a estes elementos para que a mudança tenha sucesso. Se uma iniciativa de mudança não for endereçada a todos eles, o resultado poderá não ser o esperado pela organização. 4) O desenvolvimento da solução – Para que a solução móvel tenha sucesso, é muito importante que no desenho da solução os técnicos que realizam as atividades participem da criação das regras do negócio, elaborando funcionalidades que atendam suas necessidades específicas na realização dos trabalhos. Os técnicos desta maneira sentem-se parte integrante da solução e valorizam ainda mais suas atividades. A solução móvel desenvolvida pela Suzano Papel e Celulose foi realizada em 4 grandes fases com seu término previsto para julho de 2008 após a adoção da tecnologia wireless.

O cronograma base da solução contou com o desenvolvimento das seguintes funcionalidades:

Para o bom desenvolvimento de uma solução “tempo é tudo”. O retorno do investimento em tecnologia móvel é baseado no ganho de tempo dos técnicos frente ao desktop para a realização das atividades de execução dos trabalhos e de inspeção dos ativos. Para que exista o retorno efetivo é muito importante que o desenho da solução baseie-se em funcionalidades simples e intuitivas. De modo objetivo, os custos envolvidos na criação da solução baseiam-se em quantificar as horas de desenvolvimento do projeto como um todo e os custos de Manutenção da solução após sua implantação. Porém, quando se pensa em solução móvel o custo do investimento em hardware é bastante significativo. E para que este custo seja bem detalhado é importante considerar os pontos abaixo. Comunicação wireless ou via doca: se os técnicos são móveis eles não necessariamente necessitam de uma solução wireless. Podem-se desenvolver algumas funcionalidades em que a comunicação “real-time” possa tornar-se atrativa. É necessário avaliar se a alternativa wireless torna a vida dos técnicos mais simples, melhorando sua eficiência e o tempo de entrada de dados na solução móvel. Se a empresa já possui uma infra-estrutura wireless ou se a área abrangida pela solução é bastante extensa, a solução wireless pode ser combinada com a solução via doca. Equipamentos comerciais ou industriais: Atualmente existem diversos fornecedores de equipamentos móveis portáteis. Podemos aqui citar como hardware comercial aparelhos que se apresentam viáveis para a solução móvel os modelos HP Ipaq ou Dell Axim que atendem às necessidades para desenvolvimento do software. Existem também os hardwares industriais como o Symbol 8100 e a série 700 da Intermec. Para selecionar o equipamento é necessário considerar seus usuários e em que condições

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de informações simultaneamente. Um Pocket PC permite que técnicos tomem as melhores decisões baseadas em dados relevantes e precisos quando trabalham num equipamento crítico para o negócio. Tempo Real de Trabalho: Esta é a quantidade de tempo realmente gasta na execução de uma ordem de serviço. Muitas organizações não conhecem a relação entre o tempo real de trabalho e o tempo administrativo de cada trabalhador. Com a aplicação correta na mão de cada técnico, os equipamentos móveis aumentam o tempo real de trabalho reduzindo o tempo administrativo.


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ele será operado. Se os técnicos operam os equipamentos em um ambiente agressivo, existe a tendência de quebra dos equipamentos. Então os equipamentos industriais são recomendados. A solução da Suzano Papel e Celulose utiliza equipamentos industriais que em seus quatro anos de operação apresentou apenas um único defeito.

automatizados. A automação do processo da rotina de trabalho envolve a distribuição das ordens de trabalho, as atividades relacionadas como materiais e recursos. Além do registro das ações para a realização do trabalho, envolve também a distribuição das ordens de inspeção preventiva e sensitiva, a realização do trabalho, identificação das anomalias e registro do histórico correspondente. Nesta etapa é muito importante a participação da equipe técnica que irá utilizar a solução, ajudando no desenho das funcionalidades do projeto.

Equipamento utilizado na solução móvel

Uso do código de barras: O uso de uma solução móvel que utilize a leitura de códigos de barra facilita a entrada dos dados de processo, ajudando a garantir que a entrada de dados seja completa e precisa. Entre as vantagens do uso do código de barras podemos listar: substitui a entrada manual de dados e informações, reduz o manuseio de papéis e garante a integridade dos dados.

Equipe reunida para desenvolvimento das funcionalidades do projeto

A solução criada pela Suzano Papel e Celulose engloba as seguintes funcionalidades: l Execução da Ordem de Manutenção; l Consulta de Itens de Segurança; l Consulta do Objeto de Referência da Ordem de Manutenção; l Consulta/Manutenção dos Meios Auxiliares de Produção; l Consulta dos Materiais da Ordem de Manutenção; l Verificação do estado atual da Ordem de Manutenção; l Consulta/Execução das Operações da Ordem de Manutenção; l Consulta de Materias do estoque; l Abertura e/ou Execução de Nota de Manutenção; l Consulta/Manutenção dos Itens da Nota de Manutenção; l Criação de Ordem de Emergência; l Criação de Reserva de Material; l Movimentação de Equipamentos; l Cadastro de Locais de Instalação; l Atualização de Locais de Instalação;

Layout do uso do código de barras nos ativos da empresa

Quando se implementa uma solução móvel, é muito importante determinar quais processos do negócio serão

l Pontos de Medição para Ordens de Inspeção; l Administração de Imagens; l Interface com Software de Bloqueio de segurança.


Tela inicial do sistema Easy Way

O que a empresa buscou com a solução foi integrar dentro da tecnologia móvel sua estratégia de Manutenção, criando assim o uso de modo irrestrito pelos profissionais de Manutenção da tecnologia móvel agregada ao software desenvolvido. Portanto, todos os modelos de Manutenção adequados às necessidades da Suzano Papel e Celulose foram implementados no equipamento iniciando-se pela Ordem Corretiva Imprevista, passando pela Ordem Corretiva Programada e finalmente pelas Ordens de Preventiva Sensitiva (rota), Preventiva Sistemática e Preditivas. Deste modo a Suzano impôs sua filosofia de trabalho dentro do software, personalizando a aplicação às suas reais necessidades em termos de dados confiáveis (normalmente tabulados), execução adequada dos processos e geração do histórico dos ativos da planta. A arquitetura do sistema é composta de um servidor de administração de usuários/segurança que autentica os equipamentos permitidos de acessarem o serviço do SAP, além de certificar o uso dos equipamentos com antena wireless. Além disto, existe um repositório intermediário onde diversas tabelas são atualizadas através de rotinas diárias/semanais, garantindo performance ao sistema, pois no momento da sincronização não existe o acesso direto ao SAP. A conexão com o SAP é feita através de um único usuário garantindo assim a necessidade de apenas uma licença de uso para a aplicação móvel. A figura abaixo ilustra o desenvolvimento da arquitetura do sistema:

Arquitetura do Sistema Easy Way – Suzano Papel e Celulose

5) Resultados: Com a implementação da solução móvel denominada Easy Way, podemos agora fornecer evidências quantitativas de como tomar decisões sobre a redução de custos de Manutenção baseados na melhoria das práticas. Gerenciamento do trabalho: Todos os técnicos de Manutenção responsáveis por ordens de serviço têm agora suas ordens de trabalho e relata, através delas, detalhes da execução na ponta de seus dedos. Eles são capazes de previamente verificar a execução dos trabalhos, verificar as peças e partes envolvidas e criar ordens de serviço que não estavam previamente documentadas. Técnicos de Manutenção responsáveis por atividades das ordens de serviço agora têm a habilidade de rapidamente receber suas ordens de trabalho em seu Pocket PC, realizar seu trabalho e devolver as informações realizando o encerramento do trabalho, incluindo o registro do histórico das atividades e defeitos encontrados. Mais de uma hora por técnico por semana foi economizada pelo fato deste não permanecer na frente de um desktop realizando o encerramento de seu trabalho. Os dados agora são inseridos no momento em que a tarefa acontece. Gerenciamento das inspeções: Técnicos de Manutenção agora são capazes de estabelecer, documentar e implementar rotas de Manutenção bem como manutenções baseadas na condição e no tempo. Isto era feito anteriormente, mas os dados nunca foram armazenados digitalmente e as folhas de dados com as observações dos executantes eram armazenadas em arquivos por determinado período de tempo, tomando espaço e dinheiro. Com muitos dados inseridos de maneira tabulada, os técnicos de Manutenção auxiliam as equipes de engenharia de Manutenção a prever determinadas falhas em equipamentos. Gerenciamento das equipes: A programação de trabalhos tem sido sempre um desafio para as equipes de Manutenção. Com a solução móvel implantada, a empresa pode efetivamente distribuir o trabalho para as pessoas corretas, no tempo certo e utilizando as ferramentas adequadas.

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A distribuição das ordens de modo efetivo provou ser algo bastante efetivo na redução do backlog e tarefas de Manutenção preventiva. Existe ainda uma grande dificuldade em se estabelecer indicadores mensuráveis que apontem de modo amplo os benefícios do uso da tecnologia móvel. Dentre os indicadores podemos apresentar:

Existem outros dados não quantificáveis que representam grande parte do sucesso do projeto, como o aumento do número de dados relacionados aos ativos da planta para tomada de decisão, a resposta quase que “real-time” na execução das ordens de serviço e registro do histórico das ações que aumentam gradativamente a capacidade da empresa em realizar uma análise detalhada e com dados estruturados das principais anomalias dos ativos.

Principais resultados do uso do sistema móvel

6) Conclusão – O uso da tecnologia móvel garante aos seus usuários inegáveis benefícios relacionados ao planejamento, programação e execução de ordens de serviço. Garante também a diminuição significativa do técnico frente ao desktop realizando trabalhos administrativos, valorizando assim sua função dentro das atividades da empresa. Para implementação desta tecnologia é necessária uma análise cuidadosa das atividades que deverão fazer parte das regras de negócio, bem como criar maneiras de realizar medições da eficiência da tecnologia móvel frente ao uso do papel como meio de armazenamento de informação. O gerenciamento dos ativos da planta passa a ser realizado de forma estruturada, pois os dados do sistema, além de simples e intuitivos, são tabulados, o que facilita a análise e tomada de decisão. Como principais desafios e barreiras a vencer, existem resistências à sua implantação, sendo assim o “Change Management” é item obrigatório dentro de um escopo de implantação da tecnologia móvel, bem como sua aceitação pelos técnicos de Manutenção que possuem dificuldade em trabalhar com tecnologia. A disseminação das informações, a criação de usuários chaves dentro de cada setor da Manutenção, bem como a análise constante dos dados de modo a identificar lacunas do uso, são fatores fundamentais para o sucesso da implantação deste projeto.

O AUTOR Geraldo Rodrigues de Souza Junior Engenheiro Elétrico formado pela Escola Federal de Engenharia de Itajubá, Pós-graduado em Automação Industrial pela FEI (Faculdade de Engenharia Industrial), curso de Especialização em Capacitação Gerencial pela FIA-USP e Project Management Professional (PMP) – certificado em março de 2008. Responsável pelas equipes de Manutenção Programada Elétrica e Instrumentação, Inspeção Sensitiva, Preventiva e Preditiva, Alta Tensão e Turnos de Revezamento da Unidade Suzano. Desenvolve projetos voltados à agregação de valor entre Manutenção e Tecnologia da Informação, dentre eles o Easy Way, projeto de tecnologia móvel, e outro ligado a Business Intelligence da Manutenção.


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Excelência em lubrificação industrial: diferencial no desempenho de máquinas

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+ valor em confiabilidade e produtividade operacional

J

Foto: Alexandre Loureiro

á não se discute que a gestão eficiente da Manutenção é um dos fatores estratégicos para que uma empresa alcance sucesso em seu negócio. Afinal, a área é responsável por disponibilizar o máximo de operação com aumento de vida útil de todo tipo de equipamento. Sem acidentes e paradas não programadas. E na mais surpreendente de todas as máquinas – a dos seres vivos e, em particular, a humana –, a corrente sangüínea desempenha papel essencial para manter o seu pleno funcionamento. Lubrificantes e graxas têm também função similar em relação à operação do maquinário industrial, pois formam uma espécie de corrente para, em relação a guias de apoio, eixos, engrenagens, rolamentos etc., reduzir o atrito entre os componentes da máquina de modo a evitar o desgaste das peças em movimento, proteger contra a corrosão entre outros aspectos. Deste modo, é possível produzir trabalho eficiente para a geração de bens de capital com o mínimo de perda de potência, calor produzido e menor desgaste possível prolongando, aumentando assim a vida útil do próprio equipamento.

“No dia-a-dia das indústrias em geral, más práticas ocorrem por conta de armazenamento e procedimento incorretos”. Álvaro Longo, Petrobras Distribuidora

A partir do conceito sintetizado de lubrificação que acaba de ser descrito, é preciso refletir: as empresas, através em especial de sua área de Manutenção, dão o devido valor à lubrificação industrial, considerando-a também uma área estratégica para manter bem azeitado o pleno funcionamento de seus equipamentos? E por que ocorrem tantas falhas de equipamentos atribuídas a problemas com graxas e lubrificantes? Para responder a esta e outras questões, a MyQ realizou entrevista junto a três importantes fabricantes de graxas e lubrificantes – ExxonMobil, Petrobras Distribuidora (BR) e Shell – que representam em grande parte o universo de


fornecedores que atuam no mercado nacional. Nesta matéria especial e com o peso que estes fabricantes têm no mercado – dois deles verdadeiras multinacionais e o outro começando a se expandir com meta de atingir o mesmo posto –, são apresentadas as suas respectivas visões sobre o patamar atual da indústria nacional no tratamento dispensado à área de lubrificação. E a abordagem vai mais além com foco também em aspectos como prestação de serviço e lançamento de produtos. E já de pronto, em resposta à primeira indagação formulada na matéria, as três companhias são unânimes em afirmar: de um modo geral, ainda são constatados problemas nas indústrias com relação aos cuidados internos que se deve ter com toda a cadeia que compõe o processo de lubrificação. Este gargalo impede, inclusive, que até mesmo indústrias nacionais de grande porte e com ampla atuação internacional possam ser realmente consideradas de classe mundial. Para tal, elas precisam agregar excelência também em planejamento de lubrificação. Como já destacado em diferentes eventos realizados pela Associação Brasileira de Manutenção (Abraman) e por renomados profissionais em artigos, palestras e livros, este é um ponto que as empresas precisam atacar. O engenheiro mecânico Júlio Nascif Xavier, co-autor com Alan Kardec do livro ‘Manutenção - Função Estratégica’, já ensina em seu trabalho intitulado ‘Manutenção Classe Mundial’ que “não há empresa excelente sem que os seus diversos segmentos também não o sejam”. E continua: “a grande diferença entre as nações que obtêm excelentes resultados e o nosso país está em um pequeno detalhe de enorme importância: eles conhecem e fazem; nós conhecemos e não fazemos”. Lido o recado, confira logo a seguir os ‘pecados capitais’ praticados na indústria em geral no tocante à área de lubrificação e que chegam a comprometer não só

a atividade de Manutenção como a própria produtividade e rentabilidade de um negócio como um todo. Pecados capitais – Para Benício José Silva, coordenador de Marketing Industrial & B2B da ExxonMobil Lubricants & Specialties no Brasil, muitas falhas em equipamentos costumam ocorrer por aplicação incorreta do lubrificante. Isto se verifica como conseqüência direta de ela não ser assimilada como atividade complexa e estratégica para uma empresa – leia, inclusive, artigo de sua autoria publicado também nesta edição da revista. Outro ponto crucial destacado que compromete o funcionamento de uma máquina: falta ou excesso de lubrificantes. “Este é também um ponto comum constatado nas indústrias em geral. O excesso pode ser pior do que a falta. A graxa quando aplicada a mais restringe a operação interna de uma máquina”. Períodos de troca mal dimensionados, outro sério problema recorrente. “Muitas vezes, por questões de segurança, são feitas trocas de carga de lubrificantes com freqüências excessivas, o que ocasiona dispêndio financeiro desnecessário com a compra de novos lotes de produto. Ou se deixa tempo demais um produto que não apresenta mais condições funcionais satisfatórias, comprometendo a operação de um sistema que pode levar à paralisação de toda uma planta industrial, independente de seu porte”. A não inclusão da lubrificação como parte integrante de um plano de Manutenção preditiva é preocupante, alerta Benício Silva que acrescenta: “Isto é uma falha também usual em muitas indústrias. A análise de óleo usado, por exemplo, precisa estar ligada diretamente ao plano de Manutenção da planta como um sistema de Manutenção preditiva. Muitas vezes as empresas não adotam este procedimento e isto é um erro”.

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“A lubrificação foi muito negligenciada e ainda continua sendo”. Augusto Fernandes Jorge Neto Shell

Contaminação de lubrificante é mais um grave problema que costuma ocorrer mesmo com o equipamento em operação – às vezes por conta de um sistema de filtragem deficiente. Segundo o executivo da ExxonMobil, o comprometimento do produto (graxa ou lubrificante) também se dá por armazenamento inadequado. “Se a graxa ou lubrificante não forem armazenados adequadamente, no local e na posição corretos, pode haver contaminação por água ou umidade – como conseqüência do famoso respiro. Já constatamos contaminação de graxas por tambores não estarem completamente vedados após a retirada de parte do produto para uma dada aplicação. Há casos ainda de comprometimento a partir do manuseio incorreto”. Álvaro Longo, da Gerência de Marketing Industrial da Petrobras Distribuidora (BR), confirma que é muito comum ocorrer no dia-a-dia das indústrias em geral más práticas tanto por conta de armazenamento quanto por procedimento incorreto de manuseio de graxas e lubrificantes. “Não são observados cuidados básicos como manter o ambiente e equipamentos sempre limpos. Trata-se de uma questão simples, mas que acaba negligenciada na rotina das indústrias. É preciso rigor nestes aspectos para se evitar problemas sérios como o de contaminação. Por conta disto, constata-se prejuízo quanto ao desempenho do lubrificante no momento da lubrificação”. E frisa ainda: “às vezes, o que se atribui como problema ocasionado pelo lubrificante é algo decorrente de lubrificação mal feita, verificada não só no momento em que o produto está dentro da máquina, mas quando processado em toda a sua cadeia: desde o recebimento pelo cliente, passando pela forma como é armazenado e manuseado, até o ponto de abastecimento no equipamento”. Antonio Traverso Jr., da coordenação de Suporte Técnico de Lubrificantes também da BR, lembra que não é raro constatar nas áreas industriais a falta de capacitação técnica por parte de equipes que atuam com lubrificação. Mesmo adiantando que algumas empresas já estão revertendo a situação, Álvaro Longo lembra que, por conta da área ter sido encarada ao longo dos anos como “uma atividade secundária, ainda não é percebida como agregadora de valor em confiabilidade e produtividade operacional”. “Durante muito tempo deu-se às costas para a atividade de lubrificação e a sua cultura não se desenvolveu, deixandoa suscetível a problemas que poderiam – e podem – ser resolvidos com medidas simples”. Assim como os outros fabricantes, Augusto Fernandes Jorge Neto, gerente de Desenvolvimento de Negócios de Graxas Brasil da Shell, reforça que o principal problema da área está em a “lubrificação ter sido muito negligenciada


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Augusto Fernandes ressalta ainda que há empresas que chegam a fazer projetos “faraônicos” de Manutenção, dispondo de uma excelente equipe de inspeção, preditiva e planejamento, com a realização de investimentos em equipamentos e softwares de alta tecnologia. Contudo, quando é chegado o momento de uma parada programada, há a contratação de serviços de terceiros que não apresenta qualificação suficiente, podendo comprometer todo um trabalho não só relacionado com a área de lubrificação como de outras. “Não se deve ser contra, mas é preciso muito critério com a terceirização. Não é raro, por exemplo, ocorrer uma montagem errada de um componente em um equipamento por parte da contratada, sem que houvesse também controle quanto à contaminação de lubrificante”.

“A parada, mesmo programada, é um ponto crítico em toda indústria. O seu planejamento pode ser excepcional, mas a falta de controle em sua execução pode comprometer a performance e a vida útil de um equipamento. De nada adianta um alto investimento em inspeção, análise e planejamento, se a execução não apresenta o mesmo nível de excelência. Se a lubrificação de rotina das empresas já não é alvo de atenção central, em uma parada ela acaba muito mais negligenciada”. O executivo da Shell chama atenção ainda para outro ponto essencial relacionado à área de lubrificação industrial: a pouca valorização do profissional que atua na área. A falta de reconhecimento está na relação direta quanto à falta de visão estratégica que boa parte das empresas ainda dispensa à atividade. “Algumas empresas do setor siderúrgico costumam dar mais atenção à área de lubrificação, em particular aquelas que atuam na fabricação de alumínio, com destaque também paras as do segmento de alimentos em função das peculiaridades deste setor. Porém, mesmo em empresas destes setores são constatadas deficiências na área de lubrificação; e especificamente nas do setor alimentício,

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e ainda continuar sendo” nas indústrias em geral. Como em uma conta matemática de chegada, recomenda visita à área de lubrificação para se estabelecer, em pouco tempo, o retrato de uma empresa. “Para se certificar se ela está bem ou não estruturada, é possível conhecê-la a partir da área de lubrificação, seja conversando com os seus profissionais ou visitando o seu almoxarifado. Dá até mesmo para dizer se a empresa é ou não de classe mundial”.


capa onde o foco ainda é apenas a segurança alimentar (certificações), a performance dos produtos é negligenciada. Com as empresas em geral mantendo ativos de custos elevados, costumam ser praticados investimentos relativamente baixos em lubrificação. Para se ter uma dimensão de perdas financeiras, os fabricantes de rolamentos apontam que aproximadamente 60% das falhas destes componentes estão relacionadas a lubrificantes ou processo de lubrificação deficientes”, contabiliza Augusto Fernandes.

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Inovação tecnológica – Com a economia brasileira aquecida, as indústrias trabalham a pleno vapor. Como decorrência, elas investem em expansão de suas unidades e até mesmo na atualização de parte de seus equipamentos. E a ordem do mercado em todos os sentidos é uma só: aumento de produtividade e confiabilidade. Graxas e lubrificantes precisam também estar em linha com esta demanda, oferecendo melhor desempenho para o funcionamento dos equipamentos através da reformulação de produtos já comercializados pelos fabricantes e até mesmo por lançamentos que trazem embutidas vantagens adicionais. A ExxonMobil acaba de colocar no mercado uma nova linha de lubrificantes premium para aplicação em engrenagens. A partir de sua formulação, ele oferece maior desempenho, por exemplo, na prevenção do micropitting (desgaste por fadiga de contato) e corrosão. O produto acompanha a natural evolução tecnológica das caixas de engrenagens e, conseqüentemente, está em linha com a maior necessidade por parte dos profissionais de Manutenção que demandam óleos para este tipo de equipamento com desempenho mais elevado de modo a aumentar sua durabilidade e desempenho.

“A lubrificação ainda não é assimilada como atividade complexa e estratégica para uma empresa”. Benício José Silva ExxonMobil

Conforme ressalta Benício José Silva (ExxonMobil), há alguns anos a companhia tem focado mais seu esforço comercial na linha de produtos sintéticos, pois a empresa considera que eles, por apresentarem alto desempenho e maior valor agregado, conseguem demonstrar melhor os benefícios oferecidos ao cliente. Contudo, isto não significa que os produtos à base de outras soluções tenham sido deixados de lado – no ano passado foi feito o lançamento de uma nova linha de graxa mineral à base de complexo de lítio, com características superiores de resistência à lavagem e pulverização de água, estabilidade rotacional e resistência a altas temperaturas. Na área de óleos para turbinas a gás e vapor (geração de energia), já está disponível no mercado uma nova solução para aumentar a vida útil dos componentes das turbinas, com o conseqüente aumento de produtividade das plantas de geração, além de ser isento de zinco, reduzindo o impacto ambiental, e ter


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“Estamos trazendo para o Brasil tecnologia de ponta. Na área de lubrificantes tanto minerais quanto sintéticos, nossa tecnologia é uma das melhores do mercado. A companhia investe continuamente milhões de dólares anualmente em pesquisa e desenvolvimento, justamente para se alcançar um nível de qualidade acima da média do mercado – este foi sempre o nosso foco. Entendemos que, quando se consegue agregar valor ao produto e mostrar os benefícios de sua aplicação, a contrapartida será obtida através da estreita confiança firmada com o cliente final. A partir daí, é estabelecida a fidelização e, mesmo que o cliente pague um pouco mais caro, os custos iniciais acabam se diluindo com a confiabilidade operacional do equipamento que se traduz em resultados obtidos a médio e longo prazo, como a extensão de vida útil do equipamento, o menor número de paradas de máquinas para Manutenção entre outras vantagens”, enumera Benício Silva.

A ExxonMobil destaca ainda como mercados importantes para o seu negócio os segmentos de manufatura em geral, papel & celulose, açúcar e álcool, energia, processo e alimentos. De acordo com o gerente da companhia, em relação ao setor alimentício haverá novidades. “Atualmente dispomos de produtos que são aprovados na esfera de órgãos reguladores dos EUA como FDA (Food and Drug Administration), USDA (United States Departament of Agriculture), e internacionais como a NSF (National Sanitation Foundation). Atendemos uma gama de indústrias neste setor como frigoríficos, fabricantes de bebidas etc. Contudo, estamos reformulando muita coisa e preparados para trazer novidades para o mercado brasileiro”. De acordo com Álvaro Longo (Petrobras Distribuidora), com o ritmo acentuado de inovação tecnológica em equipamentos industriais, a área de lubrificantes precisa se preparar para atender a contento as necessidades do mercado. “Revisamos permanentemente nossa linha de produtos para acompanhar as inovações que surgem no mercado de equipamentos industriais. E isto inclui impreterivelmente o desenvolvimento de novos produtos. A BR mantém um corpo técnico tanto interno quanto de campo atento a esta evolução. Contamos ainda com o apoio do Cenpes (o centro de pesquisa da Petrobras)

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aprovação de 19 especificações do setor e de fabricantes de turbinas. Acaba também de ser lançada uma nova geração de óleo para motores a gás que proporciona maior vida útil do óleo, aumentando assim o intervalo de troca, além de apresentar como características estabilidade à oxidação e resistência à nitração.


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“O que se atribui como problema ocasionado pelo lubrificante pode ser algo decorrente de lubrificação mal feita”. Álvaro Longo, Petrobras Distribuidora

e também de alguns parceiros externos que procuram a companhia para compartilhar nossa expertise tecnológica e a grande penetração que temos no mercado brasileiro”. A Petrobras Distribuidora tem como meta o lançamento, em média, de cinco novos produtos ao ano. Contudo, nem sempre se consegue atingir este quantitativo. André Seixas Lobo, que também trabalha na Gerência de Marketing de Indústria da empresa, lembra que é feito todo esforço para se atingir o planejado, mas um lançamento pode ser eventualmente postergado devido a vários fatores, dentre eles o de não atingir o desempenho desejado em teste de campo e precisar ser reformulado. Com novos produtos chegando ao mercado para diferentes segmentos industriais, a companhia prepara uma graxa para aplicação em motores elétricos. Além disto, tem sido feito desenvolvimento para o segmento de papel & celulose e também sucro-alcooleiro. Álvaro Longo acrescenta ainda que, no desenvolvimento de boa parte dos novos lubrificantes e graxas, a BR procura agregar o máximo de versatilidade sem abrir mão dos benefícios aos clientes. “Ao se desenvolver um produto, é importante conferir-lhe um algo a mais de modo que ele possa atender a mais de uma demanda. Ou seja, sem perder de vista as várias necessidades do mercado, é importante dotar o novo produto com características ampliadas para que possa ter uma abrangência maior. É algo que a empresa tem pensado a cada novo desenvolvimento”. Segundo ele, os lubrificantes para motores a diesel constituem o carro-chefe para a maioria dos fabricantes. “Apesar de ser destinado para aplicação em veículos, muitas indústrias contam com frota de transporte industrial, seja de carga ou a exemplo de máquinas colheitadeiras, perfuratrizes, equipamentos de mineração etc. Além disto, há produtos de grande volume que servem para todo tipo de indústria e se destacam como produtos chave, a exemplo de óleos para uso hidráulico, em engrenagem e turbinas”. Longo esclarece também a importância de se comercializar produtos específicos. Mesmo com relativa baixa demanda, a BR seleciona aqueles que são estratégicos para “mantê-los em linha e complementar o atendimento ao cliente”. O ano de 2005 foi um marco para a Shell. Foi neste período que a empresa se reestruturou em nível global e passou a atuar por especialidades. Na área de graxas e lubrificantes, foram formatados três setores chaves: graxas, produtos para metal-mecânica (Metal Working) e alimentício. E o Brasil passou a compor o ranking dos Top Six Shell. Ao lado de Alemanha, China, Estados Unidos, Índia e Rússia, estes seis países formam atualmente a “locomotiva” que responderá por 70% de todo o crescimento dos negócios de lubrificantes da


Shell em nível mundial. E por isto mesmo, ela está também empenhada em novos lançamentos, com vários projetos em andamento – alguns para lançamento ainda este ano – que compreendem novos produtos e revitalização de outros (em nível de formulação e até mesmo de embalagem), a exemplo do que ocorre com suas concorrentes.

traga vantagens tanto para o fornecedor quanto, em particular, para o cliente. Este é um ponto crucial e tem exigido empenho redobrado por parte de fornecedores. Em se tratando dos fabricantes de graxas e lubrificantes industriais, produto se conjuga com serviço que por sua vez se materializa na oferta de soluções com confiabilidade.

No âmbito industrial, ganham destaque os produtos dedicados para os setores de siderurgia, mineração, metalmecânica e alimentício, principais segmentos que vão contar com lubrificantes específicos. Conforme destaca Augusto Fernandes, há lançamentos destinados a redutores com foco em redução de micropitting, laminação, mancais, engrenagens abertas, compressores e turbinas. No tocante à graxa, serão também introduzidos novos produtos, além de revitalização de alguns já comercializados aqui. Tanto que a fábrica da Shell localizada na cidade do Rio de Janeiro, sem representar necessariamente aumento de capacidade, está passando por ampla reestruturação. Com isto, adianta Fernandes, “haverá uma adequação de processos com o objetivo de alcançar os padrões da fábrica da Shell na Bélgica, referência em excelência de produção em nível mundial”. Ele revela que a Shell está introduzindo ainda este ano no Brasil o lubrificador de ponto simples. Um grande sucesso da Shell no mundo e que trará benefícios significativos a seus clientes.

“Nosso objetivo é demonstrar ao cliente o conjunto de benefícios relacionados à adoção de uma lubrificação eficiente, ao que denominamos Custo Total de Propriedade (Total Cost of Ownership) através do qual podemos apresentar os benefícios globais que o cliente final poderá obter a partir de nossos produtos”, afirma Benício Silva (ExxonMobil). De acordo ainda com o executivo, uma das premissas da companhia foi sempre quantificar estes benefícios a partir da correta aplicação de lubrificantes. Assim, estabeleceu-se a filosofia de vendas por benefícios, sendo possível estruturar uma equipe de suporte capacitada a desenvolver trabalhos junto às plantas industriais de seus principais clientes. Por conta disto, é possível acompanhar o desempenho do produto usado atualmente em comparação aos adotados anteriormente, em relação à durabilidade do óleo no equipamento, falhas por problemas de lubrificação, paradas de máquinas por falta ou excesso de lubrificante etc.

Para o segmento alimentício, a Shell apresenta diversas novidades de produtos e serviços, sendo mais uma vez pioneira, tornando-se a primeira empresa a receber a cerificação NSF ISO 21469 no mundo. Os lubrificantes de grau alimentício em conformidade com esta norma oferecem novas garantias aos fabricantes de alimentos, atendendo os requisitos de higiene e segurança alimentar. A norma especifica os requisitos de higiene para formulação, produção, uso e manuseio destes lubrificantes. Para Francisco Gadelha, Gerente de Desenvolvimento de Negócios de Lubrificantes Food Grade Brasil, “a certificação não é um evento momentâneo e sim um caminho de melhoria contínua dos nossos produtos, permitindo proteger os processos, os produtos e a reputação da marca dos nossos clientes”. Gadelha acrescenta que ainda este ano a Shell lançará no Brasil produtos de grau alimentício para bombas de vácuo, recravadoras, compressores e graxas para aplicação a baixas temperaturas. Solução com confiabilidade – Produto mais prestação de serviço. A soma dos dois pontos agrega valor a um negócio. Isto já se sabe. Mas o quanto se pretende valorar o negócio de modo a se estender os ganhos? A resposta passa necessariamente – mas não só – pela construção sólida, qualitativa em todos os seus aspectos, de uma relação comercial que

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“No escopo de nossos serviços, disponibilizamos ao mercado o monitoramento de análise de óleos usados que considera não só a verificação da qualidade do óleo que está em operação como também os níveis de contaminação e partículas metálicas presentes oriundas de desgaste de peças ou componentes do equipamento. Desta forma, podemos apresentar um diagnóstico ao cliente para que sejam tomadas as devidas providências para se evitar preventivamente uma falha operacional”. “Este é um aspecto que damos muita ênfase e está sendo cada vez mais utilizado nas indústrias em geral como parte da Manutenção preditiva associada a outras técnicas como a de análise de vibração. Através da combinação de resultados, consegue-se um diagnóstico antecipado quanto à provável falha de equipamento”. Segundo o executivo da ExxonMobil, a companhia dispõe também do serviço denominado Óleo Scan. Na prática, trata-se de um software que, a partir das informações inseridas no programa, realiza o monitoramento de uma gama de equipamentos previamente selecionados para avaliação do desempenho de operação dos equipamentos do ponto de vista das cargas de óleo. Há também um software – o ePlus – voltado para o gerenciamento da lubrificação. Através dele, faz-se o cadastro de uma planta industrial para se monitorar as freqüências de lubrificação, sendo possível receber alertas quanto ao momento de se realizar uma relubrificação, a troca de carga, o registro do tipo de ocorrências por ponto de lubrificação etc. As informações coletadas podem servir de banco de dados para registro no software de gerenciamento de Manutenção do cliente.

“A não inclusão da lubrificação como parte integrante de um plano de Manutenção preditiva é preocupante”. Benício José Silva ExxonMobil

“Em atuação junto a diferentes indústrias, nas quais são feitos os registros em seus próprios programas de Manutenção, muitas vezes os alertas que damos a partir do controle ou acompanhamento das cargas de óleo são inseridos nos sistemas do cliente. Atualmente, o ePlus tem sido utilizado como ferramenta de suporte à lubrificação em clientes exclusivos, em contas nas quais temos uma grande participação ou quando atuamos dentro de uma determinada área do cliente, como a aciaria ou laminação de uma siderúrgica, gerenciando aquela área especificamente”. Benício Silva ressalta que o cliente recebe treinamento para operar a partir do programa da ExxonMobil. Para levar a efeito este tipo de serviço, a companhia dispõe do Serviço de Engenharia de Campo (Field Engineering Sevices). Trata-se de um grupo de engenheiros de campo altamente qualificado, cujo trabalho é justamente dar suporte às contas estratégicas, em sua grande maioria industriais, e em conjunto com os representantes de vendas, que por sua vez estabelecem contato direto com o responsável pela


“Nossa filosofia sempre foi trabalhar a venda como benefício. Para isto temos que agregar valor ao nosso produto. Como? Com produtos de alta tecnologia e prestação de serviço no mesmo nível para quantificar os benefícios apresentados por nossa equipe de profissionais”. Na esteira da comercialização de produtos + serviços alicerçada na apresentação de soluções com confiabilidade, a ExxonMobil atua também através de uma aliança estratégica na área de Manutenção industrial: PTA (Power Transmission Alliance), que reúne ainda SKF, Chesterton e Goodyear Engineered Products, com o mercado tendo à disposição um conjunto de soluções relacionadas a rolamentos, vedações, correias de transmissão, além de lubrificantes, itens essenciais para o funcionamento de máquinas e equipamentos. A ExxonMobil conta ainda no país com uma rede de 15 distribuidores exclusivos, que dispõem de filiais regionais, para o atendimento de todo o mercado brasileiro. Esta rede trabalha com equipes de vendas estruturadas para atender o segmento industrial. “A qualificação destes profissionais constitui também ponto importante para a companhia, tanto que recebem atenção especial e treinamento constante da companhia. Posso afirmar que o nível de capacitação da equipe dos distribuidores na área de lubrificação é similar ao de nossos próprios engenheiros de campo”. Como também salienta Álvaro Longo (Petrobras Distribuidora), “o mercado busca cada vez mais soluções completas”. “Lubrificante é uma commodity (produto básico). As empresas querem produtividade e disponibilidade de suas máquinas, com elas lubrificadas e disponíveis para operação com confiabilidade. Todo tipo de serviço que puder ser agregado ao lubrificante é bem-vindo e aceito pelo mercado. A BR vem intensificando iniciativas neste sentido, já tendo sido, inclusive, responsável pelo sistema de lubrificação de importantes plantas industriais”. Para continuar seguindo em frente a partir desta perspectiva, a BR está prestes a reestruturar a sua atividade com foco em serviços, “com o objetivo de agregar valor e contar com diferencial mercadológico”, ressalta Antonio Traverso. “Nesta nova concepção de atuação, será dada ênfase tanto nas fases de venda como pós-venda. Até dois anos, tínhamos uma atuação mais reativa. Com a nova estrutura, vamos partir para o mercado com todo um escopo de trabalho estruturado a partir de novo conceito”.

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área de Manutenção da fábrica, que pode se configurar na figura do engenheiro, gerente ou até mesmo diretor de Manutenção.


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“A contratação de serviços de terceiros que não apresenta qualificação compromete todo um trabalho”. Augusto Fernandes Jorge Neto Shell Enquanto a área comercial aguarda o aval da diretoria para colocar em prática a nova filosofia de trabalho, a BR – segundo Traverso – vem adotando uma postura mais reativa. Ou seja, “faz o atendimento quando ocorre uma consulta direta a partir de solicitação do cliente ou decorrente da identificação por parte de seu profissional de campo, em função de visita ao cliente, de alguma oportunidade”. Independente de sua reestruturação, Álvaro Longo esclarece que a Petrobras Distribuidora disponibiliza hoje ao mercado dois tipos de serviços: um expresso de análise de óleo em uso para auxílio a programas de Manutenção preventiva e preditiva – o envio dos resultados é realizado por fax ou internet em até 72 horas a partir da data de recebimento da amostra; e outro que consiste em software específico para gerenciamento da lubrificação, que conta inclusive com versão voltada para a área de transporte em geral como o ferroviário e outra customizada para navios (motores navais e estacionários de grande porte como grupos geradores). Em linha com suas concorrentes, Augusto Fernandes (Shell) enfatiza que tanto a sua empresa como o próprio mercado não pretende manter uma relação comercial de venda/compra de produto. “O que a Shell vende atualmente é o que o cliente realmente quer comprar, ou seja, confiabilidade, e a nossa reestruturação que culminou no ano-marco de 2005 tem como objetivo trazer toda a expertise técnica da empresa líder mundial em lubrificantes para seus clientes”. No Brasil, a Shell mantém uma estrutura comercial dividida em gerentes de conta setoriais e consultores de vendas regionais, além de contar com uma rede de distribuidores próprios e franqueados, abrangendo todo o território

brasileiro. Este time é sistematicamente treinado técnico e comercialmente para atender os seus clientes. Além de ser suportado por um corpo de engenheiros de aplicação altamente capacitados, que atuam como consultores, fazendose presente dentro das unidades industriais dos principais clientes. Ou seja, estão aptos a identificar oportunidades de trabalhos e apresentar soluções rentáveis aos clientes. Entre as soluções que a companhia mantém no seu portfólio podem ser enumerados o monitoramento de condições de equipamentos suportado pelo Shell e-Quip e o Shell Lube VideoCheck. O primeiro consiste no monitoramento de condições de equipamentos pela análise do lubrificante. O segundo refere-se à inspeção das partes internas de um motor, transmissão, turbina ou sistemas diversos através da técnica de videoscopia. Outra solução inovadora está presente no segmento de alimentos. Trata-se da auditoria para identificação dos LCCP’s (Pontos Críticos de Controle de Lubrificação) que utiliza uma ferramenta de alta tecnologia neste processo (lâmpada UV). “Quando você contribui na solução de um problema do cliente, você começa a construir uma relação de confiança e parceria. E diversas outras oportunidades aparecem, tanto para o cliente, quanto para a Shell. Quando os benefícios alcançados são apresentados a partir de um trabalho bem estruturado junto à área de Manutenção, reduzindo custos diretos e indiretos e otimizando a operação, os ganhos do cliente são maximizados com nossa presença solidificada. Isto nos permite um maior investimento neste cliente, gerando um circulo virtuoso. Equipamento parado é passivo e apresenta alto custo operacional, enquanto equipamento em funcionamento é ativo e seu custo é bem menor”, sintetiza Augusto Fernandes.


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Ferrografia: luz às máquinas

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omo técnica da Manutenção Preditiva, a ferrografia é a análise de equipamentos e não de lubrificantes. Porém, como “o desempenho do lubrificante é dado pelo modo desgaste, seu entendimento e explicação são funções primordiais da ferrografia”. Entendeu? Como bem ressalta o engenheiro e professor Tarcisio D’Aquino Baroni, muitos profissionais não têm a noção correta do que venha a ser ferrografia. Aqui, além de esclarecer, mostra a sua importância e a relação com os lubrificantes industriais. Ele também é diretor da Tribolab, empresa especializada nesta técnica com utilização em diferentes segmentos (mineração, siderúrgico, farmacêutico, papel & celulose, usinas termonucleares, petróleo e gás etc.) tanto no país como no exterior. MyQ - Por que existe tanta confusão entre ferrografia e análise de óleos? Não são a mesma coisa? Baroni - Ferrografia não é análise de óleo. Aliás, esta noção incorreta tem feito muitos profissionais não se aproveitarem adequadamente da técnica. É verdade que tudo se inicia com uma amostra de lubrificante. Eles não sabem que o lubrificante é a primeira coisa que “jogamos fora” quando são iniciados os ensaios ferrográficos. Nos corpos de prova do laboratório ficam apenas as partículas de desgaste e vários outros tipos de partículas e compostos. As partículas de desgaste formam o retrato da máquina. Portanto, a ferrografia é análise de máquina. É permitido dizer que ferrografia é análise de desgaste de partes lubrificadas. É técnica integrante da filosofia de Manutenção preditiva e está muito mais próxima da análise de vibrações do que dos ensaios físico-químicos. Na verdade, a ferrografia sequer está limitada às máquinas. Temos inúmeros trabalhos na área médica, estudando desgaste de próteses “in vivo”.

Metais por espectrometria de emissão atômica de íons até 15µm

MyQ - Seria correto dizer que, ao avaliar partes lubrificadas, é possível também avaliar o desempenho do lubrificante? Baroni - Sim, está correto. O desempenho do lubrificante é dado pelo modo de desgaste. Seu entendimento e explicação são funções primordiais da ferrografia. As condições do lubrificante são avaliadas por ensaios físico-químicos, tais como viscosidade, acidez, comportamento sob o infravermelho, teor de água etc. MyQ - Dentre as suas aplicações, a ferrografia costuma ser utilizada pelos fabricantes para o desenvolvimento de lubrificantes? Baroni - A ferrografia vem trazendo luz a todos os passos que envolvem a vida da máquina. E isto se inicia logo no projeto. Já são muitos os fabricantes que se utilizam da ferrografia para melhorar seus materiais. Dentre eles, evidentemente, está o lubrificante. Aqui temos a primeira grande contribuição: permitir a escolha mais adequada do lubrificante. CASO PRÁTICO: Antigamente, víamos lubrificantes sendo ofertados aos colegas da Manutenção para testes. Ao final de um ano ou mais, o fabricante retornava ao cliente na esperança de tê-lo convencido sobre seu bom produto. Hoje já temos vários exemplos de demonstrações em poucos meses. Há pouco tempo uma determinada empresa solicitou-me uma forma de acabar com as famosas


lendas sobre lubrificantes equivalentes. Os pretendentes foram convidados a fornecer uma pequena carga de óleo que fosse equivalente ao produto que estava sendo utilizado. Os testes aconteceram em alguns sistemas hidráulicos que já possuíam histórico ferrográfico sólido. Um a um foram instalados e monitorados. Em menos de seis meses o resultado foi:

• 80% foram homologados para uso geral na empresa • 15% foram homologados apenas para uso em equipamentos de pe•

quena responsabilidade 5% foram reprovados e retirados do teste antes que provocassem algum mínimo dano

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Conclusão: Tendo uma prova científica de desempenho, o departamento comercial daquela empresa pode se preocupar apenas com as questões comerciais. Este trabalho não seria possível executando-se apenas os ensaios físico-químicos. Um benefício muito interessante foi separar o “joio do trigo”. Ou seja, separar os fabricantes que investem pesado em melhorias daqueles que são apenas engarrafadores de óleo (mas juram que produzem lubrificantes equivalentes). MyQ - Como a Ferrografia vem contribuindo para minimizar ou mesmo debelar desgastes em equipamentos por conta de aspectos relacionados a lubrificantes? Baroni - A principal contribuição vem do conhecimento que é adquirido sobre a máquina. O profissional de lubrificação começa a perceber que ele é muito mais importante do que pensava (ou faziam com que ele pensasse). Ele passa a ter que estudar a máquina para descobrir, por exemplo, qual o componente fabricado em aço cementado tem apresentado desgaste. MyQ - No monitoramento por ferrografia, qual a diagnose mais freqüente constatada em relação aos lubrificantes e que impactam diretamente no desgaste usual das máquinas? Baroni - Em meados de 2000, foi publicado o resultado de um trabalho acadêmico que desenvolvi e o título era justamente “O descaso para com a lubrificação”. A triste notícia é que este descaso ainda é o diagnóstico mais freqüente. Ainda existem muitos profissionais que não entendem que o lubrificante é um elemento de máquina, assim como um rolamento ou uma engrenagem. Ensaio de água por Karl Fisher

Professor Baroni realiza ensaio de desgaste


artigo especial

Lubrificantes industriais agregam valor ao produto final

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Inspeção de motor a gás

uando se fala em mercado de lubrificantes industriais existe uma tendência cultural de considerá-lo mais simples do que ele realmente é. Esta tendência é percebida tanto por parte de alguns consumidores finais, quanto por parte de alguns fabricantes, que tendem a generalizar certas aplicações no intuito de compensar certas deficiências em linhas de produtos. Para se ter uma idéia, do mercado total de lubrificantes do Brasil (que vale aproximadamente 1,007 bilhões** de litros/ano), cerca de 25% corresponde ao mercado de lubrificantes industriais (aprox. 256 milhões de litros/ano), sendo que este volume ainda pode ser dividido por aplicações em diversos setores industriais, tais como Manufatura em Geral, Metais Primários, Energia, Processo e Papel e Celulose, dentre outros, e por Sub-setores, como Plásticos e Metal Mecânico (Manufatura em Geral), Laminação de Aço e Alumínio (Metais Primários), Indústrias de Alimentos e Bebidas, Indústrias Cimenteiras e de Borracha, Processo etc. O mercado de lubrificantes industriais cresceu cerca de 9% nos últimos 3 anos, fortemente impulsionado pelo crescimento dos setores automobilístico, máquinas e equipamentos e energia. Para se ter uma real noção da complexidade deste mercado, em cada setor ou sub-setor, existem lubrificantes industriais que só se aplicam em equipamentos específicos como, óleos para Sistemas de Lubrificação de Mancais de Laminadores de Usinas Siderúrgicas, óleos para Sistemas Circulatórios de Máquinas de Papel, óleos para lubrificação de Motores a Gás em Sistemas de Cogeração de Energia etc. Existem também aqueles que podem ser utilizados em praticamente todos os setores, como óleos hidráulicos, óleos de Engrenagens e Redutores, Óleos para Sistemas de Transferência de Calor, Graxas com aditivos de Extrema-Pressão para múltiplas aplicações industriais, entre outros. Isto sem falar nas variações de viscosidade e aditivação para uma mesma linha de produtos, que visam aplicações em condições de operação diferenciadas nos equipamentos, tais como variações de velocidades, pressão e temperatura. Este é o universo dos lubrificantes industriais e, basicamente, ao que todos os fabricantes devem se adequar para conseguir garantir seu espaço neste mercado. Digo basicamente porque este é o mínimo necessário para poder sobreviver neste ambiente altamente competitivo. Aos componentes essenciais de Marketing (3P’s e 2C’s - Produto, Preço, Pessoas, Comunicação e Canal), devem-se adicionar os ingredientes necessários para que haja uma diferenciação da concorrência, de forma que possa ser alcançada a liderança em determinado(s) segmento(s). E estes ingredientes são, principalmente, a diversificação e a inovação, aliados às novas tecnologias de produtos e serviços. Por este motivo, as companhias de petróleo são obrigadas a oferecer, cada vez mais consistentemente, diferenciais em produtos e serviços de forma a


artigo especial

Análise de óleo usado

atingir os seus objetivos de crescimento, sob pena de não conseguir sobreviver neste mercado caso as expectativas dos clientes finais e fabricantes de equipamentos não sejam alcançadas. Os indicadores de performance de equipamentos (KPI’s) tornam-se cada vez mais importantes nas indústrias, como forma de medir a eficiência dos processos de produção e Manutenção, além de serem uma importante ferramenta para controle de custos. Alinhados a esta tendência, os fornecedores de lubrificantes devem se tornar importantes aliados das indústrias, agregando cada vez mais valor aos seus produtos finais, por intermédio da alta qualidade de seus produtos e serviços. Entenda por qualidade aquilo que o cliente realmente necessita, seja ele um usuário final dos produtos ou um fabricante de equipamentos industriais que irá recomendar o lubrificante nos manuais técnicos de suas máquinas e/ou equipamentos. Nos dias de hoje já não basta apresentar apenas o produto (lubrificante) ao cliente, principalmente o industrial. Existe uma demanda cada vez maior por parte das indústrias para a compra de pacotes de serviços integrados, sejam eles feitos com mão de obra própria ou contratada. Especialmente na área de lubrificação, é possível englobar o fornecimento de produtos e serviços tais como: o Gerenciamento Total da Lubrificação de uma planta (TFM), ou um serviço específico, como uma purificação de carga, um “flushing” em um sistema de lubrificação ou uma inspeção em uma engrenagem ou redutor. Em qualquer um destes casos, o que importa para o cliente final é o “Custo Total da Lubrificação” na vida útil do seu equipamento, e este é o principal indicador que deve ser trabalhado na indústria. As indústrias de Papel e Celulose, Siderurgia e Automobilística, principalmente, têm seguido fortemente esta tendência. Isso ocorre por envolverem grandes volumes de lubrificantes industriais e automotivos, além de uma diversidade extrema de produtos utilizados, incluindo minerais, sintéticos e de alto valor agregado. As crescentes demandas dos últimos anos nestes mercados - principalmente pelo au-

Preocupação com o Meio Ambiente A preocupação com o meio ambiente também é uma importante exigência do mercado atual e um grande cuidado das companhias. No caso do lubrificante, devido à exigência de normas ambientais e da própria ISO 14000, é cada vez mais importante disponibilizar produtos e serviços que reduzam o impacto ao meio ambiente. Os serviços de purificação e descarte de óleos lubrificantes são importantes ferramentas para a redução do impacto ao meio ambiente. O primeiro, por conta da reutilização de cargas de óleo - que, a princípio, estariam sendo descartadas ou “perdidas” em vazamentos, mas que ainda poderiam ter condições de uso após serem purificadas -, e o segundo, pela adoção de processos de coleta e controle das cargas que não teriam mais condições de utilização. Quanto aos produtos, a utilização de lubrificantes sintéticos de alta performance pode contribuir significativamente, desde que bem utilizados, para uma redução dos índices de lubrificantes descartados no meio ambiente. Isto ocorre pela maior durabilidade destes produtos nos equipamentos, reduzindo o consumo e, conseqüentemente, os níveis de descarte de óleo. Sem falar nos benefícios proporcionados aos equipamentos pelas melhores condições de lubrificação obtidas, aumentando a vida útil dos mesmos. Os produtos biodegradáveis e atóxicos também são de grande importância para a redução do impacto de possíveis vazamentos em mares, rios e no próprio solo. Face a tudo isto, o que ainda precisa ser feito é voltar o foco de boa parte das indústrias para o conjunto de medidas que, no final das contas, convergirão para economias significativas no tocante ao “Custo Total da Lubrificação na vida útil do equipamento”, o que as permitirá investir cada vez mais na busca por novas tecnologias que as levará a este objetivo. E este é o nosso trabalho!!! **

Fonte: Relatórios do SINDICOM – base 2007

O AUTOR Benício Silva, Engenheiro, Coordenador de Marketing de Lubrificantes Industriais da ExxonMobil Lubricants & Specialties no Brasil

29 Manutenção y qualidade

mento das exportações - têm feito com que estas indústrias se dediquem cada vez mais às suas atividades finais.


estratégias da manutenção

RCM quantitativa: modelagem dos tempos até a falha e até o reparo em equipamentos industriais

30 Manutenção y qualidade

N

a coluna anterior, abordei a gestão da disponibilidade de equipamentos industriais. A disponibilidade é a probabilidade de um equipamento estar disponível quando requisitado e é dada por Av = MTBF/[MTBF + MTTR]. Nesta coluna, abordarei a modelagem de duas importantes variáveis aleatórias em Manutenção, os tempos até a falha e até o reparo em equipamentos industriais. Não é meu objetivo avançar em conceitos matemáticos. Apenas observo que uma variável aleatória não pode ser predita por uma equação ou uma constante. Pode, no máximo, ser associada a uma distribuição de probabilidade representada por modelo analítico ou empírico. Algumas dezenas de modelos já foram propostos, dos quais alguns podem contribuir mais em estudos de Manutenção: os modelos exponencial, We i b u l l , g a m m a , l o g n o r m a l e normal. A modelagem de variáveis aleatórias é um processo pelo qual se tentam ajustar diversas distribuições conhecidas a um conjunto de dados que representa a variável. O processo inicia com a coleta de dados em campo, geralmente nos sistemas de informação de Manutenção ativos nas empresas. Um cuidado é importante. Muitos dos sistemas de informação em uso nas empresas não foram concebidos como sistemas de Manutenção, mas como sistemas de produção. Esta diferença é relevante, pois tais sistemas podem relatar como interrupções de Manutenção outras interrupções, originadas de falhas operacionais, não de quebras de

equipamento. Por exemplo, se falta matéria-prima para uma máquina e esta deve parar sua produção, é possível que o gerente de Manutenção aproveite a oportunidade para intervenções. Se o sistema foi concebido para gerenciar a produção, a anotação é: interrupção para Manutenção. Se o sistema foi concebido para gerenciar a Manutenção, a anotação é: aproveitamento de interrupção de produção para serviços de Manutenção. A diferença é decisiva: no primeiro caso, o dado não se refere a uma quebra de equipamento, mas participa da modelagem do tempo até a falha. No segundo caso, o dado não faz parte da amostra, pois não se refere a uma quebra de máquina, mas a uma intervenção oportunista, que aproveita uma parada estranha à Manutenção. Se o dado estranho participar da modelagem, contaminará o resultado. Se a contaminação for expressiva, é possível que o resultado seja tão diferente do verdadeiro que a conclusão seja imprópria, gerando decisões inadequadas e descrédito na estratégia de Manutenção. Havendo a garantia que apenas quebras de máquinas foram consideradas na amostra, pode-se modelar as duas variáveis de interesse. O ajuste a distribuições pode e deve ser feito por software. Como já mencionei, uso o software Proconf, desenvolvido no ambiente do PPGEP-UFRGS (informações sobre o Proconf em chtech@terra.com.br). O Proconf testa, pelos métodos do Qui-quadrado e KS, as distribuições exponencial, Weibull, gamma, lognormal e normal. O Proconf informa


estratégias da manutenção ma que falha causa a falha geral do equipamento. O procedimento de reparo é cognitivo: exige conhecimento e habilidade específica e capacidade intelectiva de interpretar a situação. Valem as distribuições de Weibull e lognormal. Os dados usados e os resultados da modelagem surgem nas tabelas. A significância é a probabilidade que o ajuste não tenha sido alcançado por acaso. Usualmente, significâncias maiores do que 0,05 não permitem rejeitar a distribuição. Os modelos escolhidos foram Weibull para o tempo até a falha e lognormal para o tempo até o reparo. Calculados os MTBF e MTTR pelo Proconf, a disponibilidade da válvula é de 99,35%. Observem que os valores de MTBF e MTTR oferecidos pelo Proconf são levemente diferentes das médias aritméticas das amostras, respectivamente (6,08 e 6,14 horas para o reparo; e 950 e 959 horas para a falha). Convido os leitores de MyQ a repetirem o procedimento com dados extraídos dos sistemas de informação de suas empresas. Escolham um equipamento importante e filtrem os dados para haver certeza de que não há contaminação. Caso precisem de ajuda para a modelagem, contatemme que atenderei com prazer.

Tempo para reparo (horas) Tempo entre falhas (horas) 2,00 2,50 3,00 4,00 286,00 303,50 405,50 449,00 4,00 5,00 5,50 6,00 472,50 496,25 714,50 739,00 6,50 7,00 7,50 7,50 784,00 884,00 975,00 1029,00 7,75 8,00 8,00 8,50 1097,50 1168,50 1316,00 1935,25 8,75 9,00 2080,00 2130,00 Fonte: sistema de informação da empresa

Weibull Gamma Lognormal Normal Exponencial

MTTR e significância MTBF e significância 6,08 (0,10) 950 (0,22) 6,26 (0,20) 992 (0,27) 6,23 (0,10) 965 (0,21) 6,14 (0,17) 959 (0,06) rejeitada rejeitada Fonte: software Proconf

Manutenção yy qualidade qualidade 31 31 Manutenção

quais as distribuições que devem ser rejeitadas, diminuindo o tamanho do problema. Cabe ao analista, dentre as que não puderem ser rejeitadas, escolher aquela que mais bem descreve a natureza qualitativa da falha do equipamento. Se basta que um sub-sistema falhe para que o equipamento falhe, vale a distribuição de Weibull. Se a falha acontece quando o último sub-sistema falha, a distribuição indicada é a gamma. Quando a falha é multiplicativa ou aditiva, valem a lognormal e a normal, respectivamente. Se a falha é aleatória ou sem memória (a próxima falha independe da anterior), vale a exponencial. Para o tempo até o reparo, se o procedimento é mais intelectivo ou cognitivo, vale a lognormal. Se for mais uma sucessão seqüencial de tarefas, como no gerenciamento de projetos, vale a normal. Exemplifico o processo de modelagem com um trabalho feito pelo engenheiro Régis André Wütke, meu ex-aluno e orientando do curso de engenharia elétrica da UNISINOS. O engenheiro Régis modelou o comportamento de uma válvula petroquímica, composta por sub-sistemas e componentes, cujos modos de falha competem entre si pela falha geral: o primeiro componente ou sub-siste-

Na próxima coluna continuamos. Até lá e boa leitura de MyQ a todos. Miguel Afonso Sellitto Doutor em Engenharia, professor e pesquisador do PPGEPS UNISINOS sellitto@unisinos.br


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Eventos da Excelência reúnem 280 participantes

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epresentando as mais importantes empresas brasileiras, 280 profissionais marcaram presença no 14º Seminário Brasileiro de Manutenção Preditiva e Inspeção de Equipamentos e no 15º Seminário Brasileiro de Planejamento e Informatização da Manutenção e exposições paralelas, que aconteceram em maio passado, no Centro Empresarial de São Paulo. Inclusive a mudança de local foi bastante comemorada, já que tradicionalmente estes encontros eram realizados no Instituto de Engenharia de São Paulo. Segundo os organizadores na avaliação dos participantes as instalações do novo local escolhido “são modernas, o ambiente é climatizado e o espaço e a estrutura do Centro de Eventos atendeu as expectativas de todos”. Como nos anos anteriores, estes eventos, que são realizados sempre no mês de maio, alcançaram grande sucesso e já se inseriram definitivamente no calendário dos grandes acontecimentos do setor. O apoio veio das empresas expositoras: 01 dB Brasil, Astrein, Confiabilidade, Contemp, Engeman, Flir Systems, Fluke, Hot Tec, Infrared Service, Logical Soft, Meditec, Royal Purple, SKF, Spes Engenharia, Vaibro, Vitek Consultoria. Os 26 palestrantes, os convidados e os visitantes representaram as seguintes empresas: Accentum Manutenção, Aibel Óleo e Gás, ArcelorMittal, ArcelorMittal Tubarão, Banco do Brasil, Bunge Fertilizantes, Chesf, Cia Brasileira de Energia Renovável, Cia Piratininga de Força e Luz, Columbian Chemicals Brasil, Comau, Condomínio Centro Empresarial de São Paulo, Copasa, Copel Distribuição, Duratex, Eletronorte, Excellence Consulting, Fosfértil, Fundação Nova América, Furnas, Gerdau Aços Especiais, Gerdau Aços Longos, Globo Comunicação, Grupo Guascor, Hospital Albert Eistein, Iberdrola Energia do Brasil, Intermec South América, JWB, Klabin, Lwarcel Celulose e Papel, Mercedes-Benz do Brasil, Metrô – SP, MMX Minas

Rio Mineração, Moinho Paulista, MRS Logística, MTA Engenharia, Novelis do Brasil, Petrobras (BA, RJ, RN, SP), Pini Engenharia, PSA Peugeot Citroën, Rhodia, Samarco Mineração, Schaefler Brasil, Suzano Papel e Celulose, Termo Norte Energia, Unifei/Fupai, Universidade Federal de São João Del Rei, Usiminas, V&M do Brasil, Vale, Veracel, Voith Siemens representando os seguintes estados do Brasil: Acre, Bahia, Ceará, Distrito Federal, Espírito Santo, Minas Gerais, Mato Grosso, Pernambuco, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rondônia, Rio Grande do Sul e São Paulo. Todos os participantes foram brindados com uma assinatura da revista Manutenção y Qualidade por um ano. Os premiados – Além da assinatura, os melhores trabalhos apresentados, na avaliação dos participantes, serão publicados nas próximas edições de nossa revista. Os premiados do 14º Seminário Brasileiro de Manutenção Preditiva e Inspeção de Equipamentos são: 1º lugar - “Análise de Vibrações em Ventiladores Centrífugos – Cases Histories”, de autoria dos professores da Unifei/Fupai e diretores da empresa MTA Engenharia de Vibrações, Dr. Márcio Tadeu de Almeida e Dr. Fabiano Ribeiro do Vale Almeida; 2º lugar - “Análise Preditiva de Motores Elétricos Através de Zonas de Falha”, de Pedro Alcântara de Souza Alves – Gerente Técnico da Vitek Consultoria Ltda.;


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3º lugar - Vibração de Turbomáquinas: As Engrenagens Também Dobram!, de Rogério Tacques – Consultor Técnico e Marcelo Valois – Técnico de Inspeção de Equipamentos e Instalações Pleno. Ambos da Petrobras – CENPES / PDP / TMEC. Os premiados do 15º Seminário Brasileiro de Planejamento e Informatização da Manutenção são: 1º lugar - O Uso da Tecnologia Móvel no Gerenciamento de Ativos, de Geraldo Rodrigues de Souza Júnior, engenheiro

As exposições paralelas – A feira mais uma vez foi um grande sucesso. Todos os estandes foram vendidos e as empresas presentes se destacam por estar no mercado há muito tempo e desfrutar de grande credibilidade junto ao mercado. O destaque em termos de espaço foi da SKF que participou com uma área de 100 m² repletos de novidades. Segundo Paulo Manoel, gerente de vendas de produtos Condition Monitoring da SKF, a Predict 2008 é um dos mais importantes eventos do setor de Manutenção preditiva do país. “Estivemos reunidos com os principais players deste mercado e foi uma ótima oportunidade para mostrar nossas novas tecnologias”, analisa o executivo, lembrando que o mercado de serviços tem se tornado cada vez mais importante para os negócios da SKF como um todo.

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de Manutenção da Suzano Papel e Celulose (publicado nesta edição); 2º lugar - Qualidade de Informação nos Registros de Manutenção: Construindo uma Base Sólida para as Engenharias de Manutenção e Confiabilidade, de Flávio Marcelo Risuenho dos Santos - Engenheiro de Equipamentos Pleno da Petrobras – UN-RIO / ENGP / EMI; 3º lugar - A Falha não é uma Opção, de José Wagner Braidotti Júnior, Diretor Técnico de Engenharia de Manutenção da JWB Engenharia e Consultoria.

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radicional fornecedora da solução diferenciada para Gerenciamento da Manutenção de Ativos denominada LS-Maestro, a Logical Soft apresentou na 15ª Exposição de Informatização da Manutenção sua nova versão de software para Gerenciamento da Manutenção de Imóveis Complexos, denominada SGUARDO, fruto da parceria celebrada entre a Logical Soft e a Pini Engenharia, empresa distribuidora dos famosos “Catálogos Pini”, referência obrigatória para construtoras e empresas de engenharia que neles buscam listas de insumos, preços de mercado e descritivos dos serviços de engenharia. O novo SGUARDO trará assim, dentro da melhor tecnologia, todo o acervo informacional necessário e suficiente para que grandes proprietários de redes de imóveis possam acompanhar, de modo sintético ou analítico, em plataforma gráfica e pela WEB, o planejamento da conservação de seus ativos.

www.logicalsoft.com.br

55 11 3895.8414

Rua Diogo de Quadros, 369, São Paulo (SP)


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Solicitamos a algumas empresas que nos descrevesse o que mostraram durante a Feira. O que recebemos está publicado a seguir.

A Commtest participou da Feira, em parceria com a Infrared Service, exibindo sua linha de produtos: os coletores de dados de vibração, analisadores de vibração portáteis e sistemas de monitoramento on-line de máquinas, que utilizam uma interface de software amigável e inteligente, o software Ascent®. O destaque ficou por conta do VBSeries (foto), que tem 1, 2 ou 4 canais, balanceamento e/ou vibração e permite a criação de parâmetros de medição e alarmes automatizados utilizando o “The Proven Method” da Technical Associates.

Os novos Termovisores Fluke Ti25 e Ti10 (foto) foram apresentados com grande sucesso na Exposição. Segundo a empresa são ferramentas perfeitas para reparo e Manutenção preventiva em qualquer aplicação industrial ou ambientes elétricos e são vencedores nos quesitos robustez e custo-benefício. Suas principais funções incluem: • Tecnologia IR-Fusion®; • Capacidade de até 3.000 imagens; • Display grande widescreen, registro de voz embutido e o software para relatórios incluso.

A Logical Soft apresentou o seu tradicional software LSMaestro, solução tradicional para Gestão da Manutenção de Ativos e como novidade muito recente lançou, tanto na Feira como numa palestra durante o evento, o Sguardo, de Gerenciamento da Manutenção de Imóveis Complexos. De acordo com Nivaldo Pinto, diretor da Logical Soft, este lançamento marcou uma parceria de sucesso entre a sua empresa e a Pini Engenharia, produtora dos famosos “Catálogos Pini”. “O conteúdo dos catálogos passarão a ser acessados diretamente através das telas do Sguardo, dentro da intuitividade do negócio, facilitando sobremaneira o processo de programar a Manutenção predial, de obter sua projeção de custos e cronogramas (acervo informacional embarcado), preservando ainda a estrutura sistêmica já presente no LS-Maestro”.

Durante o evento, a SKF apresentou ao mercado uma série de novidades desenvolvidas especificamente para o setor de Manutenção industrial. Entre os produtos lançados pela empresa na ocasião, destaques para o Baker Explorer 3000, equipamento de análise preditiva em motores elétricos, DMx e IMx, sistemas de monitoramento online de vibração, Wireless V/T, sistema wireless para monitoramento de vibração e temperatura, e o Wireless MCD, sensor sem fio para inspeção de equipamentos. Já na área de serviços, a empresa sueca apresentou uma nova solução para análise de perfil de rolos, bem como um sistema para alinhamentos especiais de máquinas de papel, motores diesel e turbo máquinas. E isto para falar apenas de alguns produtos e serviços apresentados.


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Manutenção y Qualidade - Edição 75  

A revista referencia no mercado de Manutenção. www.myq.com.br