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Diretora Responsável Raquel Rodrigues (Reg. Mtb RJ 12705JP) Diretora Dilze Silva Redação Flávia Sanches (RJ) priscila botelho (SP) Projeto Gráfico e editoração Marigilio santos Impressão Stamppa gráfica & editora Tiragem desta edição 15.000 exemplares Conselho Consultivo Técnico Alexandre Fróes (NSK) Attílio Bruno Veratti (Icon Tecnologia) Bendt Lassé Hansen (Vitek) Kleber Siqueira (SQL Systems) Lourival Augusto Tavares (Consultor) Marcelo Ávila Fernandes (Astrein) Marcelo Salles (remosa) Renato Herrera (Shell Services) Sérgio Nagao (Rede Família Manutenção) rio de janeiro sede própria Av. Venezuela, 131 Grupos 906 a 908 Cep 20081-901 - Rio de Janeiro - RJ Tel/Fax: (21) 2516-0004

myq@myq.com.br depto. comercial São paulo Valdir Dalle Déa

valdir@myq.com.br

O

sucesso empresarial não se faz sozinho, já ensina a história – somente a conjugação de esforços e fatores leva ao patamar mais elevado. E o mesmo se aplica em termos técnicos como na área de Manutenção onde a associação de técnicas preditivas de análise – vibração, falha e termografia – contribui de maneira preponderante para aumentar, sim, a confiabilidade operacional de um equipamento e eliminar gastos desnecessários, conforme ensinam os professores Márcio Tadeu de Almeida e Fabiano Ribeiro do Vale Almeida em um estudo de caso que a MyQ publica com exclusividade. Na seção Lubrificação Industrial, há uma importante informação para os profissionais: saiba quais são os dados que devem compor um correto plano de lubrificação – com a palavra Sandro Cattozzi, coordenador de contrato da Shell Lubrificantes, que monta inclusive um quadro resumido para que ninguém se perca no “X” da questão. E como acontece anualmente, a Excelência Consultoria realiza este mês, em São Paulo, mais uma edição de dois de seus prestigiados eventos: 14º Seminário Brasileiro de Manutenção Preditiva e Inspeção de Equipamentos; e 15º Seminário Brasileiro de Planejamento e Informatização da Manutenção. O destaque da capa fica por conta do trabalho da MGS Tecnologia na empresa Votorantim Metais, onde concluíram a instalação física do sistema on-line de vibração na Unidade Vazante, em Minas Gerais. Vale a pena conferir.

Nesta edição 4 ISO 9000 LUCAS SIQUEIRA 6 Lubrificação Industrial SHELL 10 Seção Técnica UNIFEI 14 Estratégias de Manutenção MIGUEL SELLITTO 16 Matéria Especial Sabesp Móvel 17 Evento 19º SEMINÁRIO ESPÍRITO-SANTENSE DE MANUTENÇÃO 20 Capa MGS TECNOLOGIA 22 Matéria Especial CTDUT

Tel/fax: (11) 6408-4727

24 Manutenção de Válvulas OSMAR LEITE

internet

25 Seção Técnica FRAS-LE

www.myq.com.br

33 Capa EVENTOS EXCELÊNCIA

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Publicação bimestral da Novo Polo Publicações e Assessoria Ltda

índice


sistema de gestão integrado Sistema de Gestão Integrado em Organizações de MANUTENÇÃO ISO 9001, ISO 14001, OHSAS18001, SA 8000

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Certificações ISO 9001 e ISO 14001 no Mundo

A

s certificações ISO 9001 (Sistema de Gestão da Qualidade) e ISO 14001 (Sistema de Gestão Ambiental) são indicadores de desenvolvimento e crescimento de um País. Empresas, Organizações e Governos em todo o Mundo introduzem em seu Planejamento Estratégico a busca de Certificação nestas Normas de Gestão. Além de melhorar a competitividade e o desempenho geral, é uma forma de comprometimento em bem atender e cumprir os requisitos dos Clientes, Usuários, Legislações, Partes interessadas e da Sociedade. Apresento ao lado o Ranking dos 10 primeiros países que mais conquistaram estas Certificações. Como vemos são as maiores potências econômicas. Se quisermos chegar lá, temos que nos aprimorar cada vez mais, adequando a nossa forma de Gestão a estas Normas, educando nosso povo e transformando a nossa atual forma de viver, trabalhar e produzir para manter a nossa sobrevivência e para sermos felizes.

ISO 9001 China:

ISO 14001 143 823

Japan:

23 466

Italy:

98 028

China:

12 683

Japan:

53 771

Spain:

8 620

Spain:

47 445

Italy:

7 080

United Kingdom:

45 612

United Kingdom:

6 055

USA:

44 270

USA:

5 061

Germany:

39 816

Korea, Rep. of:

4 955

India:

24 660

Germany:

4 440

France:

24 441

Sweden:

3 682

Australia:

16 922

France:

3 289

8 533

Brazil:

2061

Brazil:

Total de certificações ISO 9001 emitidas no Mundo: 776.608

Total de certificações ISO 14001 emitidas no Mundo: 111.162 Fonte: ISO - Referência: Dez 2005

O AUTOR Lucas da Silva Siqueira Auditor líder ISO 9001:2000 CQE, CQA, CRE- ASQ

ImproQuality Ltda Consultoria para Excelência na Gestão Empresarial Consultoria, Treinamento e Auditoria em: ISO9001, ISO14001, OHSAS18 001, SA8000, 5S, TPM, PNQ

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Elaboração de um plano de lubrificação eficiente

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Lubrificantes de alta performance, monitoramento on-line, coletores de dados, ferramentas via web etc. Novas tecnologias surgem a cada ano para aumentar a vida útil dos equipamentos, mas nada disto terá o efeito desejado caso não se tenha um bom alicerce: um plano de lubrificação eficiente.

Q

uebras por falta de lubrificação acontecem todos os dias. Isto é fato. Muitas vezes, quando se realiza uma análise de quebra, chega-se à conclusão que a falha ocorreu, não raramente, por esquecimento ocasionado pela inexistência de um plano de lubrificação. Equipamentos mecânicos podem ter diversos pontos de lubrificação e a falta de lubrificação em apenas um deles por incorreção ou falta de informação pode ser catastrófica. Mas, quais informações são necessárias para a elaboração de um bom plano de lubrificação? Primeiramente, devemos ter em mente que não basta apenas conhecer os pontos de lubrificação. O plano também deve conter outras informações relevantes como a criticidade do equipamento ou do componente, períodos de relubrificação, volume a ser reposto, método de aplicação e o lubrificante adequado. Alguns destes dados são encontrados no manual do fabricante do equipamento e, deve-se, sempre que possível, seguir estas recomendações, mas vale ressaltar que pequenos ajustes podem ser necessários. Neste caso, conhecer a fundo a aplicação do lubrificante e entender as diferentes condições operacionais de cada equipamento podem fazer a diferença, interferindo diretamente no desempenho da lubrificação. Quando o manual não apresentar informações suficientes, uma inspeção em campo no equipamento é obrigatória. Pode ser necessária uma análise em pontos de difícil visualização e acesso, onde é comum encontrarmos componentes lubrificáveis. São estes componentes, localizados em locais inacessíveis, os grandes causadores de quebras. Para evitar que isto ocorra, é recomendada a utilização de identificação visual em todos os pontos de lubrificação a fim de garantir que nenhum deles seja esquecido.

Para a coleta de informações em campo pode-se usar uma planilha que será preenchida com os dados que irão compor o plano de lubrificação. Cada empresa pode elaborar um modelo adequado ao nível de informações desejado. Abaixo segue uma sugestão de informações a serem coletadas durante a elaboração do plano.

Fig. 1 – Identificação visual dos pontos de lubrificação

Fig. 3 – Estrutura hierárquica do plano de lubrificação

Fig. 2 – Modelo de planilha para elaboração do plano

A localização geográfica do equipamento também é importante para facilitar a elaboração da rota de lubrificação, que, em síntese, significa qual o percurso ideal que o lubrificador deve seguir para otimizar o tempo na execução de suas atividades. Uma rota adequada possibilita reduzir em muito as perdas de tempo ocasionadas por deslocamentos desnecessários. A árvore hierárquica a ser utilizada no plano pode depender da estrutura de cada empresa. Abaixo segue um modelo simplificado.


Fig. 4 – Registro fotográfico do equipamento

Também durante a elaboração do plano, pode-se definir qual a taxa de reposição de lubrificante para cada componente. Esta informação é importante, pois será o termômetro que irá dizer se seu equipamento está consumindo muito lubrificante. Sempre que o consumo exceder a taxa de reposição, deve-se traçar um plano com ações para corrigir o desvio. Para sistemas hidráulicos, costuma-se utilizar uma taxa de reposição de 5% sobre o volume instalado. Desta forma, um reservatório com 200 litros de óleo poderá ter um consumo mensal de até 10 litros. Qualquer valor superior serve como indicador de que o sistema está consumindo em excesso e de que ações corretivas devem ser tomadas. Outros índices que devem ser verificados são a temperatura de trabalho do lubrificante e o nível de limpeza para sistemas hidráulicos. No caso de temperatura alta do lubrificante, o lubrificador deve inspecionar o sistema de arrefecimento do equipamento para identificar possíveis problemas. Já sistemas hidráulicos que exigirem nível de limpeza superior aos óleos novos, o plano deve informar ao lubrificador que a reposição do nível de óleo deve ser feita com lubrificante pré-filtrado e quais cuidados serão necessários para impedir a entrada de contaminantes no sistema. Se houver um histórico de falhas de equipamento, deve-se inserir estas informações no plano de lubrificação. Assim é possível prever falhas comuns a determinados tipos de equipamentos e evitar que se repitam. Por exemplo, se um motor elétrico tiver histórico de quebra causado por aquecimento, deve-se incluir no plano de lubrificação a verificação da temperatura deste equipamento evitando que a falha ocorra novamente. Também baseado no histórico de falhas, talvez haja a necessidade de revisar o lubrificante recomendado, pois não raramente estas falhas ocorrem devido à utilização de lubrificantes inadequados para a aplicação. Hoje temos disponíveis lubrificantes de alta performance que proporcionam uma maior lubricidade ao componente, minimizando desta forma os efeitos causados pelo desgaste prematuro. Para a especificação de lubrificantes, recomenda-se a consulta com equipe técnica a fim de que se obtenha todo o suporte necessário na especificação correta do lubrificante mais indicado. Com este intuito, a Shell disponibiliza, a seus clientes, engenheiros de aplicação com larga experiência em Manutenção

e lubrificação industrial e automotiva, que podem auxiliar no correto dimensionamento dos lubrificantes e especificação de um plano de lubrificação adequado. Além dos engenheiros de campo, os clientes podem contar ainda com o Serviço de Atendimento Técnico da Shell, o Teletec, que pode ser contatado pelo e-mail teletec@shell.com ou pelo telefone (11) 2171-0440. Após o término da elaboração do plano, é comum concluir que a empresa utiliza uma variedade muito ampla de lubrificantes, pois cada fabricante de equipamento recomenda produtos de marcas específicas. Esta diversidade provoca um volume muito grande de lubrificantes em estoque, ocupando espaço em excesso na fábrica, diminuindo os recursos e aumentando o risco de mistura de lubrificantes por descuido. Analisando e comparando cada tipo de produto, é possível racionalizar os estoques. A Shell, como provedora de soluções em produtos e serviços, pode ajudar seus clientes a encontrar tais saídas. Todo plano de lubrificação deve ser revisado periodicamente, pois se deve sempre levar em consideração as alterações ocorridas no processo da fábrica. Da mesma forma, equipamentos novos devem entrar no plano e equipamentos desativados precisam ser removidos do plano para agilizar o trabalho do lubrificador. Investir tempo e recursos na elaboração de um bom plano de lubrificação pode consistir na chave para a redução de custos com falhas de lubrificação. Vale ressaltar que este trabalho deve ser realizado por um profissional ou empresa qualificada para tal atividade. Resumindo as etapas do processo:

1. Levantamento de informações por meio do manual do fabricante 2. Inspeção visual do equipamento em campo para levantamento ou confirmação das informações obtidas do manual 3. Registro das informações encontradas (setor, localização geográfica, equipamento, componente, lubrificante, volume, período, criticidade etc.) e preenchimento da planilha 4. Definição da rota (percurso ideal) 5. Registro fotográfico de cada ponto (opcional) 6. Inserção os dados em um software de gerenciamento 7. Identificação dos pontos de difícil acesso com etiquetas (opcional) 8. Definição de indicadores de desempenho (taxa de reposição, histórico de falhas etc.) 9. Acompanhamento do plano por meio de auditorias nos equipamentos

O AUTOR Sandro Cattozzi – Coordenador de contrato da Shell Lubrificantes. Oito anos de experiência em gestão da lubrificação e planejamento em refinaria de petróleo e indústria automotiva. Instrutor de cursos na área de lubrificação. Graduando em Mecânica de projetos pela Fatec.

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Outra ferramenta eficaz no plano de lubrificação é o registro fotográfico de cada ponto. Mesmo que no software adotado não tenha como adicionar a foto do equipamento, vale manter um banco de dados fotográfico para utilização como material de pesquisa sempre que houver necessidade.


seção técnica

Análise de vibrações em ventiladores Caso estudado - desgaste excessivo em rolamentos com baixa carga no mancal

Resumo – Este artigo descreve a associação das técnicas preditivas de Análise de Vibrações, Análise de Falhas e Análise Termográfica em diagnósticos de problemas em mancais de rolamento de ventiladores.

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Figura 1 - Conjunto motor-ventilador A

Figura 2 - Análise de ODS do ventilador A (3 x a freqüência de rotação)

m janeiro de 2005 foram realizadas diversas medidas em dois conjuntos motores e ventiladores que apresentavam problemas em seus rolamentos. O objetivo deste trabalho é estudar e analisar estes equipamentos, pois, a cada 06 meses de operação aproximadamente, os rolamentos dos ventiladores apresentavam problemas e conseqüentemente eram trocados, tendo ocorrido diversas intervenções durante os anos de 1998 a 2004. O custo total calculado das intervenções realizadas nos anos de 1998 a 2004 foi de R$ 197.000,00. Em todas as suas intervenções, os respectivos rolamentos dos ventiladores estavam com marcas em suas pistas e, conseqüentemente, este problema parava a produção da caldeira da fábrica. O intuito desse estudo foi solucionar esses problemas através da análise de falhas, vibração e termografia com o objetivo de aumentar a confiabilidade desses equipamentos e principalmente a vida desses rolamentos. A figura 1 mostra o conjunto motor-ventilador A analisado pelos autores deste artigo: Os maiores níveis globais (overall) de vibrações nos dois ventiladores A e B aconteciam nas direções axiais, tanto no mancal 1 (lado do motor) como no mancal 2 (lado da turbina). Ventilador A – Direção Axial – Mancal 1 – Lado do Motor – Nível Global: 5,24 mm/s – Velocidade - RMS Ventilador A – Direção Axial – Mancal 2 – Lado da Turbina – Nível Global: 6,82 mm/s – Velocidade - RMS Ventilador B – Direção Axial – Mancal 1 – Lado do Motor – Nível Global: 7,50 mm/s – Velocidade - RMS Ventilador B – Direção Axial – Mancal 2 – Lado da Turbina – Nível Global: 5,94 mm/s – Velocidade - RMS

Figura 3 - Espectro de vibração em velocidade

Os dois ventiladores apresentavam em seus respectivos espectros níveis de vibrações em muitas harmônicas da freqüência de rotação, indicando características de folgas em seus rolamentos. Na análise de ODS (Operational Deflection


 Manutenção y qualidade


seção técnica

Manutenção y qualidade y qualidade 1010Manutenção

Figura 4 - Ventilador A - Espectro de vibração em envelope de aceleração – Direção Vertical

Figura 5 - Pista externa do rolamento marcada

Figura 6 - Mancal 1 (ponto 3 - lado do motor) – Antes das modificações

Figura 7 - Mancal 1 (ponto 3 - lado do motor) – Depois das modificações

Shape) realizada, conforme a figura 2, ficou comprovada que ocorria uma maior flexibilidade dinâmica nas direções axiais, na qual se destaca uma maior amplitude na terceira harmônica da freqüência e rotação do ventilador (89 Hz). A figura 3 mostra o espectro de vibração em velocidade, na direção axial do ventilador A. Antes da troca dos rolamentos, notamos a presença dos níveis de vibrações em 1 x BPFO (freqüência de defeito da pista externa) com suas respectivas harmônicas em envelope de aceleração, utilizando o filtro 3 (500 Hz – 10000 Hz). Veja o espectro de vibração em envelope de aceleração na direção vertical na figura 4. Em relação à análise de temperaturas dos conjuntos, notamos que os níveis de temperaturas medidos nos dois mancais do ventilador apresentavam uma diferença muito grande da região de carga em relação à direção vertical. Já na análise de falhas realizada depois da troca dos rolamentos, notamos que o problema estava nitidamente mostrando que o desgaste do rolamento se dá por smearing, ou seja, o rolamento não possuía uma carga radial mínima necessária para o seu funcionamento adequado (Carga Mínima do Rolamento: 11040 N). No caso, o rolamento estava trabalhando com uma carga abaixo da carga mínima (Carga do Ventilador 3600 N). O esmerilhamento é quando duas superfícies inadequadamente lubrificadas deslizam uma contra a outra sob carga; o material desgastado é transferido de uma superfície para a outra. As superfícies envolvidas são marcadas com uma aparência específica como se fossem lixadas. Este atrito era provavelmente maior na parte superior (direção vertical – fora da zona de carga) onde a sua temperatura era maior. A figura 5 mostra a pista do rolamento marcado: Aparência: Marcas e áreas descoloradas nas pistas e nas superfícies dos rolos. Causa: Aceleração dos rolos na entrada da zona de carga. Como as características dos dois ventiladores eram semelhantes, durante a parada de Fevereiro de 2005 foram realizadas algumas modificações, como as trocas dos lubrificantes (óleo para graxa), reforços nos pedestais metálicos e também corrigido o apoio do mancal 2 (ponto 4 – lado da turbina) dos dois ventiladores que estavam com parte em balanço. Este balanço também contribuía para o aumento dos níveis de vibrações nas suas direções axiais. As figuras 6, 7, 8 e 9 mostram as modificações dos pedestais dos ventiladores. Podemos observar que antes das modificações, os níveis de temperaturas estavam mais altos nas direções axial e vertical, principalmente na parte superior do mancal, pois a lubrificação era mais deficiente. E o nível de vibração mais alto era na direção axial. Após as modificações, a temperatura do mancal além de ficar a metade do que


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seção técnica

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Figura 8 - Mancal 2 (ponto 4 - lado da turbina) – Antes das modificações

Figura 10 - Ventilador A - Mancal 2 (ponto 4 - lado da turbina) – Antes das Modificações

Figura 9 - Mancal 2 (ponto 4 - lado da turbina) – Depois das modificações

Figura 11 - Ventilador A - Mancal 2 (ponto 4 - lado da turbina) – Depois das Modificações

Figura 12 - Ventilador A - Direção Axial - Velocidade - Mancal 2 (ponto 4 – lado da turbina)

era, é fácil observar na análise termográfica mostrada na figura 1 que a temperatura está bem distribuída pela área do mancal, e só temos um valor mais elevado na parte axial do mancal que é transmitido pela própria temperatura da turbina. Fica fácil evidenciar isto observando a proteção do acoplamento, que está na mesma temperatura que a pequena parte aquecida do mancal axial. Em relação aos ventiladores, os mesmos estão operando atualmente 24 horas por dia e a temperatura ficou na metade do valor em que trabalhava antes das modificações. Especificamente o ventilador A com as modificações ficou com 35 graus celsius do lado do motor e 43 graus celsius do lado da turbina. As figuras 10 e 11 mostram uma análise termográfica usada para comparar antes e depois das modificações, onde ficou visível a diferença de atuação do efeito da temperatura do mancal. Nota-se que aquele aquecimento na parte superior do mancal desapareceu. Na análise de vibração, os níveis de vibrações também diminuíram principalmente nas suas direções axiais, depois das modificações. Veja as curvas de tendências dos ventiladores A e B: No espectro de vibração em envelope de aceleração (filtro 3 – 500-10000 Hz), medido na direção vertical, após as modificações realizadas, nota-se que os níveis de vibrações das freqüências de defeitos desapareceram juntamente com o ruído. Em outubro de 2007 fez 32 meses que os mancais dos ventiladores das caldeiras estão trabalhando 24 horas sem nenhuma intervenção. Com isto, conseguimos aumentar a vida dos seus rolamentos, tempo de operação e uma maior confiabilidade de operação destes equipamentos. Portanto, concluímos neste caso estudado que, ao associarmos a Análise de Vibração, Análise de Falhas juntamente com a Análise Termográfica, podemos eliminar dúvidas na hora do diagnóstico de problemas de cargas mínimas em mancais de rolamento e realizar uma tomada de decisão correta. Sem dúvida nenhuma são ferramentas importantes na Manutenção Preditiva e também para o aumento da confiabilidade nos equipamentos prioritários de uma indústria. REFERÊNCIAS

Figura 13 - Ventilador A - Mancal 1 (ponto 3 - lado do motor) – Direção Axial - Velocidade

• Taylor, J. L., 1991, “Evaluation of Machinery Condition”, Chapter Four, Vibration Institute, New Orleans, USA; • Almeida, M. T e Almeida, F.R.V., 2006, “Análise de Vibrações I-Medidas e Diagnósticos”, FUPAI, Itajubá/MG, Brasil; • Almeida, M. T e Almeida, F.R.V., 2006, “Análise de Vibrações II – Rolamentos e Engrenagens”, FUPAI, Itajubá/MG, Brasil; • Almeida, M. T e Almeida, F.R.V., 2006, “Análise


seção técnica

OS AUTORES: Dr. Márcio Tadeu de Almeida – mtaev@uol.com.br Dr. Fabiano Ribeiro do Vale Almeida – mtaev@mtaev.com.br Professores da Universidade Federal de Itajubá - Brasil

Figura 14 - Ventilador B - Mancal 2 (ponto 4 - lado da turbina) - velocidade – direção axial

Figura 15 - Ventilador A - Mancal 2 (ponto 4 - lado da turbina) – Direção vertical

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de Vibrações III – Tópicos Especiais de Medidas e Análise de Vibrações”, FUPAI, Itajubá/MG, Brasil; • Almeida, M. T e Almeida, F.R.V., 2006, “Curso Customizado e Avançado de Análise de Vibrações”, FUPAI, Itajubá/MG, Brasil; • Almeida, M. T e Almeida. F.R.V., 2006, “Balanceamento de Rotores”, FUPAI, Itajubá/MG, Brasil; • Almeida, M. T e Almeida, F.R.V., 2006, “Vibrações em Motores Elétricos”, FUPAI, Itajubá/MG, Brasil; • Almeida, M. T e Almeida, F.R.V., 2006, “Análise de Vibrações em Bombas”, FUPAI, Itajubá/MG, Brasil; • Almeida, M. T e Almeida, F.R.V., 2006, “Análise de Vibrações em Ventiladores”, FUPAI, Itajubá/MG, Brasil; • Almeida, M. T e Almeida, F.R.V., 2006, “Análise de Vibrações em Compressores de Parafusos”, FUPAI, Itajubá/MG, Brasil; • Almeida, M. T e Almeida, F.R.V., 2006, “Análise de Vibrações em Rolamentos de Baixa Rotação”, FUPAI, Itajubá/MG, Brasil; • Almeida, M. T e Almeida, F.R.V., 2006, “Isolação de Vibração em Máquinas”, FUPAI, Itajubá/MG, Brasil.


estratégias da manutenção

MAIS RCM: Manutenção Centrada em Confiabilidade

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a coluna anterior, iniciamos a descrição da RCM pela gestão da disponibilidade de equipamentos industriais. A disponibilidade é a probabilidade de um equipamento estar disponível quando requisitado e foi calculada como Av = MTBF/[MTBF + MTTR]. Na ocasião, alertei para um problema que pode ocorrer no cálculo dos MTBF e MTTR. Já vi empresas serem penalizadas por auditores de qualidade por calcularem estes parâmetros pela média aritmética. Esta é uma estimativa para valores passados ou para algumas distribuições. Para projeção do tempo até a próxima falha, em distribuições assimétricas de probabilidade dos tempos, é mais correto ajustar uma distribuição conhecida e calcular seu valor esperado. Até hoje, tenho visto muito mais distribuições assimétricas do que simétricas em Manutenção, portanto é necessário identificar uma distribuição da qual os dados de falha tenham se originado. O ajuste pode e deve ser feito por software, já que os métodos manuais são trabalhosos e os softwares tornaram-se muito baratos. Uso o Proconf. Algumas linhas podem ser colocadas antes de usar o software. Estas linhas foram propostas por Hahn e Shapiro em uma clássica obra de 1967. Se um equipamento ou sistema é composto por diversas máquinas e basta que uma máquina falhe para que o sistema falhe, então, a priori, a distribuição de Weibull pode ser usada. Se o sistema é composto por máquinas ou subsistemas em paralelo, tais como sensores com redundância, linhas de transmissão ou casas de compressores, no qual a falha acon-

tece quando o último subsistema falha, a distribuição indicada é a gamma. Quando a falha se origina de um processo multiplicativo, ou seja, a causa final resulta da multiplicação de inúmeras pequenas causas, como em corrosão, a distribuição indicada é a lognormal. Se resulta da soma de inúmeras pequenas causas, a distribuição indicada é a normal. Por fim, se a falha não resulta de um processo de degeneração cumulativa, ocorrendo aleatoriamente, como a queima de lâmpadas, a distribuição é a exponencial. Outras distribuições, mais avançadas, como a de Gompertz, podem comparecer em estudos mais avançados, mas, por ora, podem ser negligenciadas. Outro ponto importante em RCM diz respeito a arranjos produtivos. Arranjos mais avançados são possíveis, mas por ora examinaremos as configurações série-paralelo. Arranjos podem ser seriais, como em células de fabricação, ou paralelos, como em sensores redundantes. No caso serial, a confiabilidade do arranjo é menor do que a confiabilidade de cada uma das partes. A confiabilidade final é o produto das confiabilidades das partes. No caso paralelo, a confiabilidade do arranjo é maior do que a confiabilidade de cada uma das partes. O complemento da confiabilidade final [1 - R] é o produto dos complementos das confiabilidades das partes [1 - Ri]. O cálculo das disponibilidades em arranjos é importante em RCM. Por exemplo, seja uma célula de fabricação na qual todas as máquinas operam em série e basta que uma máquina falhe para que a cé-


estratégias da manutenção

lula pare. Dados os MTBF e MTTR e as disponibilidades das máquinas, a disponibilidade geral da célula é dada pela multiplicação das disponibilidades individuais. Se, no entanto, houver uma operação paralela, por exemplo, uma tarefa que pode ser feita em uma de duas máquinas, a disponibilidade do paralelismo é dada pela união das disponibilidades. Se a célula puder ser considerada como um circuito misto série-paralelo, a disponibilidade final será uma composição série-paralela. Um exemplo é mais esclarecedor. Seja uma célula de fabricação composta por uma máquina 1 em série com duas máquinas 2 e 3 em paralelo, como na figura acima. A produção exige a máquina 1 para a primeira operação e uma das outras duas máquinas. Se 1 falhar, a célula falha. Se 2 e 3 falharem, a célula falha. As três máquinas são assumidas como independentes, ou seja, a falha ou o reparo em uma não implica falha ou reparo em outra. Os MTBF, MTTR e Av são dados na tabela abaixo. A disponibilidade final da célula é dada por: AvF = Av1 x [Av2 + Av3 – (Av2 x Av3)].

Aplicando os valores da tabela, chega-se a AvF = 0,989, ou seja, a probabilidade de que a célula esteja disponível quando for requisitada pela produção é de 98,9%. Mais uma vez não sabemos se este valor é alto ou baixo, pois para tal é necessária modelagem com os custos de Manutenção e o lucro da produção. Mas suponhamos que se queira aumentar a disponibilidade geral da célula. Uma maneira é colocar redundância na primeira operação, por exemplo, agregando uma nova máquina, igual a 1. A disponibilidade passa a ser 99,95%. Se não for possível ou viável agregar uma nova máquina, a opção é aumentar o MTBF ou reduzir o MTTR da máquina 1. Não é vantajoso gerenciar as máquinas 2 e 3, pois o sub-sistema composto por estas duas máquinas já tem uma disponibilidade elevada, de 99,96%. Por exemplo, se for possível passar o MTBF para 1.500 horas, a disponibilidade da célula passa para 99,3%. Cuide que modificações importantes no MTBF ou no MTTR de equipamentos podem não depender apenas de esforços gerenciais da Manutenção. Podem ser necessárias modificações conceituais no projeto do equipamento.

Máquina MTBF (horas) MTTR (horas) Av

1

1.000

10

0,99

2

500

10

0,98

3

500

10

0,98

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Célula de fabricação com configuração série-paralelo

Na próxima coluna continuamos. Até lá e boa leitura de MyQ a todos. Miguel Afonso Sellitto Doutor em Engenharia, professor e pesquisador do PPGEPS UNISINOS sellitto@unisinos.br


manutenção móvel

Equipe de campo da Sabesp utiliza computadores de mão para atender mais de 1,6 milhão de ordens de serviços

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A

s equipes de Manutenção da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), na região metropolitana de São Paulo, agora vão para as ruas com PDAs ou assistente pessoal digital. São mais de 1400 computadores de mão (inclui mão-de-obra própria e contratada) – modelo iPAQs 6945, da HP – que incorporam funções GPS (sistema de posicionamento global), conexão wireless (GPRS), GIS (geographic information system) e câmera fotográfica. Os funcionários destas equipes são responsáveis pelo atendimento de mais de 1,6 milhão de ordens de serviços solicitados pelos clientes anualmente. As chamadas envolvem problemas de vazamentos, ligações de água e de esgoto, trocas de hidrômetros etc. Responsável pela área de saneamento básico da capital e de 368 municípios paulistas, onde atende 25 milhões de pessoas, a Sabesp adotou PDAs para facilitar o acesso, em tempo real, dos funcionários de campo a plantas e croquis.

A MC1, integradora de soluções de mobilidade, foi responsável pelo desenvolvimento do sistema que roda nos PDAs. Já a MGI – como revenda autorizada HP – atua no projeto não só como fornecedora dos equipamentos mas também na implementação da solução e do projeto. A MGI também é responsável pelos serviços de assistência técnica e pela atualização tecnológica quando o cliente manifestar interesse na troca do parque de equipamentos. Wagner Ribeiro Manzatto, coordenador do Projeto Siges (Sistema de Gestão dos Serviços de Campo) na Sabesp, afirma que o projeto de capacitação técnica e comportamental para o uso de PDAs envolveu (em uma versão parcial) 1.500 pessoas. Começou há dois anos com o front-office e o back-office, sistemas de interface com os usuários e clientes e sistemas de suporte e retaguarda, respectivamente, e demandou investimentos de quase R$ 3 milhões. Os treinamentos para a versão final tiveram início em dezembro de 2007 e a implantação aconteceu em fevereiro de 2008. Através dos recursos disponíveis nos novos PDAs é possível informar às equipes de campo o local da chamada, disponibilizar os mapas da área, o nome da rua, os horários de início e também o término do trabalho ao pessoal de retaguarda na central. Como são equipados com câmeras, os PDAs fotografam o local antes, durante e após o serviço, controlam também os materiais que serão utilizados na obra e trafegam arquivos de texto, mapas e croquis entre a central e as equipes de campo. Além de mapas de cartografia, a solução permite


manutenção móvel O computador de mão registra ainda o horário de início do serviço, as pausas e a finalização e passa estas informações para a central via wireless para que esta coordene os trabalhos on line. Apenas as fotos do local, feitas antes, durante e depois do trabalho (é obrigatório que o funcionário faça três fotos) são enviadas via berço, no escritório, para o arquivo e uso posterior. Todas as informações disponibilizadas na tela dos iPAQs estão centralizadas no SIGES. A conexão instantânea entre o sistema de gestão e os PDAs é realizada por tecnologia GPRS (rede telefônica móvel). Para viabilizar a baixa dos serviços no PDA, a área de TI da Sabesp amarrou determinadas palavras à composição do código de execução final dos serviços. “Nossas equipes de campo foram treinadas exaustivamente para manejar o equipamento, mas achamos por bem facilitar ao máximo a linguagem e o tráfego das informações já que nem todos têm facilidade e intimidade com tecnologia”, finaliza Manzatto.

Os funcionários destas equipes são responsáveis pelo atendimento de mais de 1,6 milhão de ordens de serviços solicitados pelos clientes anualmente

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visualizar ortofotos (imagens que são mapas), redes de água, esgoto e gás e vincula às ordens de serviço, fotos com coordenadas de GPS. Manzatto ressalta que a mobilidade oferece maior produtividade e qualidade no oferecimento dos serviços. “O tráfego de informações flui em tempo real entre o nosso pessoal de retaguarda, na Central de Atendimento, e as centenas de equipes de Manutenção que estão nas ruas executando os serviços”. O técnico, ao abrir uma vala para executar o serviço numa rede de água, por exemplo, dispõe de informações importantes na tela do PDA, como profundidade e largura da rede, a posição que ela está em relação ao imóvel e que para realizar os trabalhos, a equipe vai precisar de alguns materiais em tais quantidades. “O sistema oferece para o funcionário uma lista de materiais de uso padrão pela companhia e, caso necessite, pode fazer o pedido imediatamente para que a obra não sofra atrasos por falta de insumos”.


evento especial

18 Manutenção y qualidade

19º Seminário Espírito-Santense de Manutenção

A

regional capixaba da Abraman realiza de 27 a 30 de maio, no Centro de Convenções de Vitória, o 19º Seminário Espírito-Santense de Manutenção, cujo tema central da edição deste ano é “Manutenção alinhada à qualidade de vida”. Durante os quatro dias do evento, serão realizadas palestras, mesas-redondas, sessões de trabalhos técnicos e minicursos. Em paralelo, acontece a exposição de produtos e serviços, a Expomanes, que está em sua 14ª edição e reúne 39 expositores com a expectativa de continuar atraindo um grande número de visitantes – em 2007, foram registradas mais de três mil pessoas. Importantes trabalhos técnicos estão programados no seminário deste ano que muito interessam aos profissionais que atuam na área de Manutenção como “Prolongamento da vida útil de ativos, uma experiência útil”, de Agnaldo Pacífico Alves, gerente da Manutenção Mecânica de Produção de Gusa e Energia da ArcelorMittal Tubarão; “Ações de Manutenção que elevam o desempenho de uma central hidrelétrica”, que será apresentado por profissional da Escelsa; e “Manutenção Industrial: desdobramento e

aplicação dos princípios do direito ambiental”, a cargo de representante da ABB. Em relação às palestras, destaque para “Estratégia de planejamento de parada geral baseada na gestão de risco” de Alfredo Merçoni, coordenador da parada geral da Aracruz Celulose. Haverá, ainda, um mini curso sobre Lubrificação Centralizada. E os participantes do evento não podem perder a palestra de encerramento do hoje empresário José Maria do Amaral Ferreira que preparou uma verdadeira aula de auto-estima quando falará sobre “Relações humanas e qualidade de vida, a arte de viver no equilíbrio” – aposentado da ArcelorMittal Tubarão e pós-graduado em gestão empresarial, Ferreira dedica-se atualmente a ministrar palestras e treinamentos em grandes empresas sempre enfocando a qualidade de vida. Mais informações sobre o 19º Seminário Espírito-Santense de Manutenção podem ser obtidas no site da Abraman (www.abraman.org.br) ou através do e-mail abraman-es@abraman.org.br ou ainda pelo telefone (27) 3225-3090.

Os artigos técnicos aprovados

O

s trabalhos técnicos que, após seleção, foram aprovados para apresentação durante o evento são: • Alto índice de quebra interna do moto-redutor da torre de resfriamento (Vale); • Ações de Manutenção que elevam o desempenho de uma central hidrelétrica (Escelsa); • Estabilização da máquina de sinter após falha generalizada nos rolamentos de pressão dos carros grelha (Arcelor Mittal Tubarão); • Painel para bomba de aspersão do sistema do meio ambiente do virador de vagões VV02 (Vale); • A solda a frio como opção para reparos e reforço em tubulações e equipamentos (Tecnofink); • Perfil de perdas de produção relacionado a falhas elétricas: o estudo de caso das usinas de peloti-

zação da Vale no Complexo Industrial de Tubarão (Vale); • Desgaste de rodas de locomotivas - estudo de caso (Vale); • Estudo de caso da ocorrência de falta de fase do transformador de força 138/69/13,8kV - 15/20MVA na subestação de João Neiva (Escelsa); • Estratégias de gerenciamento de Manutenção de controle de processo e utilização de ferramentas preditivas adotadas nos projetos e testes do alto forno 3 e PCI 3 com foco em segurança e redução de variabilidade no processo (Arcelor Mittal Tubarão); • Projeto de cabos elétricos especiais móveis para sistema de power-track (Vale); • Metodologia de troca dos trilhos (Demil Manutenção Industrial); • Análise da falha elétrica do transformador


evento especial Uma aula de auto-estima

A

posentado da ArcelorMittal Tubarão, graduado em Direito e pós-graduado em Gestão Empresarial, José Maria do Amaral Ferreira hoje dedica seu tempo a palestras e treinamentos em grandes empresas sempre enfocando a qualidade de vida. Além deste trabalho, também dá aulas de ioga e é terapeuta, na área de reflexologia. Voluntário da Associação Feminina de Combate ao Câncer (Afecc), no Hospital Santa Rita de Cássia, em Vitória, José Maria também presta atendimento gratuito a pessoas com dependência química, depressão, síndrome do pânico e estresse.

E

xpositores de todo o país estarão reunidos na XIV Expomanes, que acontece paralelamente ao XIX Seminário Espírito-Santense de Manutenção. A feira terá 39 estandes, de fornecedores de produtos e serviços, e trará as principais novidades da área de Manutenção. Além dos profissionais, os estudantes da área também terão a oportunidade de visitar o local durante o terceiro dia do evento. Em 2007, mais de três mil pessoas visitaram a Expomanes. As empresas expositoras – ABS Indústria de Bombas Centrífuga (Paraná); • Açoforja (Minas Gerais); • Automação Sistemas Hidráulicos e Pneumáticos (Espírito Santo); • Brumetal Indústria e Comércio (Espírito Santo); • Centro Universo de Educação e Desenvolvi-

mento (Espírito Santo); • Dieckmann Indústria e Comércio (São Paulo); • Engefiltro Comercial Importação e Exportação (São Paulo); • Estel Máquinas e Serviços Industriais (Espírito Santo); • Eximport Indústria e Comércio (São Paulo); • Flir Systems Comércio de Câmeras Infravermelhas (São Paulo); • Fluid Controls do Brasil (Espírito Santo); • Gevisa (São Paulo); • Henfel Ind. Metalúrgica (São Paulo); • Hidrauvit Equipamento Industrial (Espírito Santo); • Hilub Produtos de Lubrificação e Abastecimento (São Paulo); • HP Comércio Hidráulica e Pneumática (Espírito Santo); • HPL – Sérvios e Representações (Espírito Santo); • Hydac Tecnologia (São Paulo); • ITW Chemical Products (São Paulo); • Imetame Metalmecânica (Espírito Santo); • Itamil - Itapemirim Mecânica Industrial (Espírito Santo);

de força 34,5/11,4kV - 18/24MVA na subestação de distribuição de Príncipe (Escelsa); • Sistema de controle e proteção de torque em acionamento de grelhas móveis de usinas de pelotização e similares (Vale); • Gestão de Manutenção de máquinas elétricas como fator de sucesso para a estabilidade dos processos produtivos (Arcelor Mittal Tubarão); • Adequações nas usinas de moagem de carvão (Samarco); • Planejamento para elevação de tensão das subestações de Venda Nova e Viçosa sem impacto nos índices DEC/FEC da região (Escelsa); Durabilidade do concreto armado em indústrias de produção de celulose (Depran); • Implantação do novo sistema de supervisão de distribuição de ener-

• Lúcio’s Rolamentos (Espírito Santo); • Magnesita Service (Minas Gerais); • Metso Automation (Espírito Santo); • NM Serviços Brasil (Espírito Santo); • Repal Comércio (Espírito Santo); • Rotec (Espírito Santo); • HDA Acessórios e Equipamentos (São Paulo); • Sew-Eurodrive Brasil (São Paulo); • Sideral Indústria e Comércio (Espírito Santo); • Silubrin Lubrificação Industrial (São Paulo); • Sime do Brasil Indústria e Comércio (São Paulo); • Tector Indústria Comércio Equipamentos (São Paulo); • Tecnofink (Minas Gerais); • Tereme Engenharia de Manutenção (Espírito Santo); • Vector Comércio e Manutenção (Espírito Santo); • Vini Soluções Integradas (Espírito Santo); • Vulkan do Brasil (São Paulo); • Weir do Brasil (Espírito Santo); • W-Service Comércio e Serviços em Equipamentos Elétricos.

gia elétrica da Arcelor Mittal Tubarão; • Metodologia utilizada para recuperação dos canais de corrida do alto forno II da Arcelor Mittal Tubarão; • Estruturação do grupo de confiabilidade para tratamento de falhas na Manutenção de locomotivas (Vale); • A verdade do óleo limpo (Silubrin); • Bloqueio elétrico - adaptações painéis/equipamentos (Vale); Gestão de Manutenção do sistema de detecção e alarme de incêndio (Arcelor Mittal Tubarão); • Manutenção industrial: desdobramento e aplicação dos princípios do direito ambiental (ABB); Confiabilidade na Manutenção: a função estratégica do laboratório de calibração da Arcelor Mittal Tubarão na garatia da confiabilidade metrológica na Manutenção.

19 Manutenção y qualidade

Expomanes terá 39 expositores


capa

Votorantim Metais EM FOCO

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A

MGS TECNOLOGIA & PRÜFTECHNIK CM concluíram nesta última semana a instalação ‘’física’’ do VIBRONET SIGNAL MASTER na Votorantim Metais da cidade de Vazante, localizada no noroeste mineiro. O VIBRONET é um equipamento com características muito especiais, responsável por monitorar, sozinho, até 162 pontos on-line de vibrações em máquinas rotativas. Além do VIBRONET SIGNAL MASTER, foram instalados 2 VIBNODES que podem monitorar até 6 pontos on-line de vibrações cada um, totalizando assim mais de 170 pontos em toda a planta. Em uma fase inicial, os sistemas serão responsáveis pelo monitoramento da Estação de Bombeamento da Mina onde estão instalados 09 conjuntos moto-bombas e por garantir a coleta dos dados de vibração em 05 exaustores dos Pátios de Exaustão da Mina, localizados

em pontos de difícil acesso. Para se ter uma idéia, o técnico responsável pela coleta de vibração em campo, fazia um percurso de 11 km de carro para chegar ao local onde estão instalados 02 destes 05 exaustores, que são responsáveis por manter a ventilação da Mina. O projeto de instalação do sistema on-line teve como responsáveis os engenheiros Elias Amaral e Elias Rodrigues de Paula. Segundo Elias Rodrigues, a grande vantagem de se utilizar um único banco de dados para os equipamentos monitorados ON-LINE e OFF-LINE (utilizando-se de um Coletor também da Prüftechnik CM, o VIBXPERT 2 Canais, adquirido no último ano) e a possibilidade de não perder o histórico gerado no banco de dados off-line foi um grande atrativo para inserção do sistema on-line nestes equipamentos. Assim os analistas da planta podem, com um único Software de análise, (OMNITREND), manter os

olhos para os espectros gerados pelo sistema on-line sem maiores dificuldades para continuarem a analisar os dados provenientes das medições feitas pelo coletor portátil. Outra novidade em relação ao sistema instalado é que ele pode ser totalmente integrado a um webserver, o que permite que em caso de necessidade o técnico responsável pela análise possa visualizar os espectros medidos, mesmo estando fora da planta, utilizando-se apenas de um navegador web comum e uma conexão de internet padrão. Enfim, o sistema on-line instalado busca benefícios diversos como melhoria nos custos de Manutenção preditiva, otimização do tempo gasto entre coleta e principalmente melhoria direta na segurança da planta monitorando de forma on-line equipamentos estratégicos ao bem-estar dos funcionários em atividade na mina.

MGS Tecnologia investindo sempre em pós-vendas com responsabilidade


PROTEÇÃO DE MÁQUINA Sensor de vibração nível global em velocidade (mm/s) para proteção de máquinas essenciais na sua linha de produção. 10 grandes razões para acompanhar a vibração com o VIBROTECTOR: 01 02 03 04 05 06 07 08 09 10

- Monitoramento permanente de vibrações - Fácil montagem - Custos de instalação mínimos - Nenhum hardware adicional é necessário - Não é necessário alimentação do sensor - Design robusto e compacto - Rosca de fixação M8 evita quebras por cisalhamento - Saída 4-20 mA de acordo com ISO 10816-3 - Range de frequência: 2 Hz - 1 kHz - Dispensa software de interface para comunicação com PLC

Aplicação: Bombas, Exaustores, Sopradores, Compressores, Espaçadores e outros equipamentos rotativos de aplicação industrial

Desde que a MGS Tecnologia passou a representar a Thermoteknix Systems no Brasil, uma empresa fabricante de câmeras de visualização infravermelho, a empresa demonstrou grande interesse em criar uma estrutura de suporte técnico para os atuais clientes e futuros. Com isto a MGS em uma primeira etapa anuncia que já está disponível no Brasil a calibração de Scanners para Altos Fornos, inclusive com algumas calibrações já realizadas. Além de disponibilizar câmeras Termográficas Portáteis e Scanners Térmicos para Altos Fornos, a MGS Tecnologia comercializa também Câmeras para visualização interna do Forno (imagem real ou infravermelha). Estas câmeras também podem ser utilizadas para outros monitoramentos industriais como aplicações em termoelétricas e fábricas de papel e celulose.

*Sensor de Proteção de Máquinas: Conheça o VIBROTECTOR e as vantagens em se instalar um sensor de proteção por medição de nível global de vibração.

*Monitoramento Industrial: A MGS Tecnologia já está capacitada a calibrar Scanners de Monitoramento Térmico do casco de Altos Fornos (Calibrado no Brasil) – Scanners TK20, 25 e 30 da Thermoteknix System.

mgs@mgstecnologia.com.br • www.mgstecnologia.com.br

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capa


matéria especial

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Tecnologia de ponta a serviço dos dutos

C

entro brasileiro, localizado no município fluminense de Duque de Caxias, destaca-se como referência mundial em pesquisa dutoviária que incluem avaliações no âmbito da Manutenção. O Centro de Tecnologia em Dutos (fotos) está ampliando suas instalações com destaque à implantação de dois circuitos de dutos (loops) que deverão estar à disposição do mercado até 2010 para a realização de análises de desempenho no transporte de óleo e gás. Com 2 km de extensão – uma linha tem 12 polegadas (óleo) e a outra 16 polegadas (gás) –, através deste sistema poderão ser realizados, por exemplo, testes de calibração para se avaliar o potencial de Manutenção nos dutos. Dentre eles, destacam-se os testes com pigs (equipamentos de inspeção em dutos), com a planta sendo uma das poucas certificadoras no mundo neste tipo de equipamento. Localizado no município fluminense de Duque de Caxias, o CTDUT é o único laboratório

da América Latina voltado à pesquisa em escala real para o desenvolvimento compartilhado de novas tecnologias em dutos, testes de produtos, equipamentos e sistemas de proteção ambiental utilizados em malha dutoviária. Raimar van den Bylaard, presidente do conselho executivo do CTDUT, ressalta ainda que o centro não pretende ficar restrito às pesquisas de dutos voltados para óleo e gás. Com a crescente oferta de novos combustíveis e conseqüente necessidade de implantação de malha de dutos diferenciada, é preciso acompanhar a demanda do mercado. Nesta linha, está em fase de análise a implantação de dois novos circuitos: um para etanol e outro para biodiesel. “Atualmente, estamos em discussão quanto às características destes novos loops. Teremos maior clareza dentro de dois a três meses no que diz respeito ao projeto. Quando for finalmente aprovado e contar com os recursos financeiros para sua implantação, levará de 10 meses a um ano para ser construído”.

Bylaard esclarece que o sistema voltado para pesquisa e testes com o transporte do etanol representa um desafio à parte. E isto deve-se em particular à dificuldade em simular em laboratório as causas do SCC (Stress Corrosion Cracking), problema que se configura no “calcanhar de Aquiles” nos EUA. Com vistas à sua maior capacitação nesta área, o centro deve receber em breve como sócio o Instituto Nacional de Tecnologia (INT), uma das instituições técnicas brasileiras que vem se dedicando a realizar batelada de ensaios em relação a este sério problema, conforme já noticiado pela MyQ Online, publicação virtual da Revista Manutenção y Qualidade. O presidente do conselho do CTDUT diz também que em parceria com o Inmetro está sendo implantado um novo sistema para a realização de testes de calibração de medidores de vazão de combustíveis em geral – o projeto está previsto para entrar em operação em 2009.


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manutenção de válvulas

Principais tipos de válvulas de Bloqueio

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P

rezado leitor, atendendo aos vários pedidos, é com satisfação que escrevo sobre este assunto. Começaremos uma série de artigos que tem por objetivo orientar os profissionais da área de Manutenção, Inspeção e Engenharia nos conceitos fundamentais dos projetos construtivos de Válvulas de Bloqueio. Iniciaremos com a Válvula Gaveta. É o modelo de válvula mais utilizada no setor de petróleo e gás, chegando a representar, em média, mais de 50% do total de válvulas instaladas. São válvulas de bloqueio de líquidos, desde que estes não sejam muito corrosivos nem deixem muitos sedimentos ou possuam grande quantidade de sólidos em suspensão. A principal característica da válvula gaveta está na mínima obstrução à passagem do fluxo do fluido. Quando totalmente aberta não provoca turbulência, e seu diferencial de pressão é desprezível. A abertura e fechamento de uma válvula gaveta são feitos através do movimento de uma peça chamada obtu-

rador (gaveta ou cunha). Este movimento atua perpendicularmente à linha da trajetória de circulação do fluido. A válvula gaveta pertence à categoria bloqueio, portanto trabalha parcialmente aberta ou parcialmente fechada, causa perda de carga muito elevada, muitas vezes acompanhada de cavitação e violenta erosão e corrosão. Normalmente a válvula gaveta é empregada em processo onde não há necessidade de operação freqüente de abertura e fechamento. Sua movimentação é lenta, comparada a outros modelos de válvulas. O tempo necessário de movimentação deste modelo de válvula é proporcional ao seu tamanho, o que é uma vantagem, porque assim evita-se os efeitos dos golpes de aríete sem função da paralisação repentina da circulação de um líquido. Para que uma válvula gaveta seja considerada estanque, é necessário testá-la completamente fechada em bancada de testes, submetendo-se um dos lados da válvula à máxima pressão de serviço.

DESCRIÇÃO DAS PEÇAS 1 Corpo 2 Castelo 4 Haste 5 Cunha 9 Sede 11 Flange das gaxetas 12 Bucha das gaxetas 13A Anel de gaxeta trançado 13B Anel de gaxeta de grafite 15A Prisioneiro do flange das gaxetas 15B Prisioneiro do corpo/castelo 16A Porca do flange das gaxetas 16B Porca do corpo/castelo 18 Contra seda 19 Junta 26 Chaveta 27 Embuchamento do estribo 30 Porca da volante 33 Volante 34 Engraxadeira 39 Pino de encaixe 55 Bucha 57 Arruela 61 Grampo de mola 66A Placa de identificação 67 Chaveta Fig 1 - Válvula gaveta 88 Porca da haste

Fig 2 - Modelos de corpos, castelos , conexões, vedações e trim de válvula gaveta

Fig 3 - Válvula Gaveta com obturador paralelo

Fig 4 - Válvula Gaveta com castelo selado


Vantagens

• Trajetória de circulação do fluido fica reta e desimpedida;

manutenção de válvulas

mínima perda de carga.

• Aplicação para amplas faixas de pressões e temperaturas. • Construção em ampla gama de tamanhos. • Estanque para qualquer tipo de fluido. • Permite o fluxo de fluido em dois sentidos. Desvantagens

• Não podem ser utilizadas para regulagem e estrangulamento do fluxo de fluido.

• Não são indicadas para operações freqüentes. • Ocupam grande espaço devido ao movimento de transPrincipais componentes da Válvula Gaveta

Fig 5 - Válv. Gaveta com obturador em cunha

Carcaça - É o invólucro externo de pressão de uma válvula. Na carcaça estão instaladas as sedes de vedação onde é assentado a peça de fechamento e os flanges de ligação com a tubulação. Obturador - Elemento de vedação que pode ter as seguintes formas construtivas: • Cunha Sólida – Peça maciça com faces oblíquas utilizada para trabalhos com vapor e fluidos impuros e densos. • Cunha Flexível – Dois discos justapostos, com faces oblíquas, unidos por ressaltos circulares, localizados nas faces internas, o que possibilita a absorção de movimentos de dilatação ou contração. Válvulas com este modelo de cunha podem ser instaladas em qualquer posição. • Disco Duplo – Dois discos independentes e paralelos. Entre eles há um dispositivo de expansão que permite às duas partes um autoajuste à sede, proporcionando uma melhor vedação. Este obturador compensa movimentos de contração e dilatação da válvula, quando a mesma está fechada. São normalmente utilizadas para líquidos e gases a temperatura ambiente e baixas pressões. Este modelo de válvula deve ser sempre instalado na posição vertical. • Cunha Bipartida – Este tipo de cunha dispõe de discos unidos, com uma Esfera e Soquete no meio deles, de maneira que as duas faces são livres para movimentarem-se independentemente uma da outra. Este tipo de cunha proporciona fechamento duplo, para que qualquer distorção entre as faces, causada por contrações térmicas, seja compensada pela própria flexibilidade da cunha. Este tipo de cunha é empregado quando o serviço é corrosivo, criogênico ou quando contém algumas partículas sólidas em suspensão.

Fig 6 - Válvula Gaveta com bucha de acionamento externa

Fig 7 - Cunha de disco duplo

Na próxima coluna continuaremos examinando os demais componentes deste modelo de válvula assim como casos clássicos de falhas e melhores práticas de Manutenção. Até lá se DEUS quiser.

O AUTOR Osmar Jose Leite da Silva Consultor Técnico de Valvulas osmarvalvula@yahoo.com.br

Fig 8 - Cunha sólida

25 Manutenção y qualidade

lação do obturador.


seção técnica

Sistema de Manutenção para Ambiente da Produção Enxuta e da Teoria das Restrições Centrado na Utilização da Manutenção Puxada Um Estudo de Caso de Implementação em uma Empresa Metalúrgica do Setor Automotivo

26 Manutenção y qualidade

Artigo técnico premiado (2º lugar) no 14º Congresso Brasileiro de Planejamento e Informatização da Manutenção, ocorrido em maio de 2007 e promovido pela Excelência Consultoria.

RESUMO – Em geral, o setor de Manutenção sempre foi objeto de críticas e pressões internas em decorrência de ser um setor de apoio e responsável por um percentual significativo dos custos. Podese acrescentar também que o setor é responsável pelo comprometimento dos prazos de entrega e pelas não conformidades dos produtos através do mau estado de conservação dos equipamentos de produção. Esta conjuntura fez com que as empresas promovessem mudanças, buscando soluções inovadoras para gestão da Manutenção. Uma inovação proposta por este trabalho é a Manutenção PUXADA. Ela se apresenta como uma forma de gerenciar os tempos, as atividades e os indicadores de resultado. As novas práticas de gestão de Manutenção propostas trazem no seu escopo um modelo mental diferente de entender as funções e as atividades de Manutenção. Buscar um novo modelo mental de pensar a Manutenção requer novos conceitos, novas práticas e formas de medir desempenho operacional dos funcionários de Manutenção e do próprio setor de Manutenção. No entanto, existem carências empíricas e pouca bibliografia sobre esse tema. Logo, o objetivo deste artigo é a descrição de uma proposta de Manutenção PUXADA a partir de um estudo de caso.

1 Introdução Em geral, é possível afirmar que até o aparecimento da Teoria das Restrições (TOC) e do Sistema Toyota de Produção (STP), os setores das empresas não pensavam suas atividades como um elo de uma “corrente” (TOC) ou de um processo (STP). Como evidência, pode-se buscar os seus Sistemas de Indicadores de Desempenho das empresas. Para Dias (2005), os indicadores de desempenho das empresas se dividem em indicadores financeiros, que refletem o Resultado Operacional da Empresa (ROE) e Taxa Interna de Retorno (TIR); e os não financeiros que refletem a Produtividade do Trabalho (horas aplicadas por horas produzidas, totais de peças fabricadas ou disponibilidade geral das máquinas de produção). É possível verificar, atualmente, que os departamentos ou setores das empresas não têm seus indicadores operacionais ligados ao (ROE). O “modelo mental de pensamento” destes setores internos da empresa está alinhado com o pensamento de “elo” e não da “corrente” ou “operação” e não “processo”. Observa-se no setor de Manutenção, por exemplo, a utilização do indicador “horas de máquina parada ou disponibilidade geral das máquinas” como indicador do seu desempenho. A fim de buscar sua meta, o setor de Manutenção monta um grupo

tarefa para aumentar a disponibilidade geral das máquinas. No entanto, em diversos casos, não é pensado “máquina crítica ou gargalo” ou “processo de fabricação”. Por conseguinte, apesar da disponibilidade das máquinas aumentar, o atraso do prazo de entrega dos produtos ou serviços da empresa não diminui. Este fato pode ser considerado uma evidência de se pensar e agir setor “elo ou operação” ao invés de empresa “corrente ou processo”. A partir destes fatos e na busca de tentar resolver estes problemas, o trabalho tem como objetivo discutir e propor um modelo de gestão das atividades de Manutenção para um ambiente da Teoria das Restrições e do Sistema Toyota de Produção. 2 Sistema Toyota de Produção ao Produção Puxada O conceito de produção Puxada surgiu no Japão por volta dos anos 50 através de estudos feitos pelos engenheiros Eiiji Toyoda e Taiichi Ohno. À partir da visita a empresa da Ford Motor nos Estrados Unidos, que utilizava o sistema de produção em massa, eles concluíram que seria necessário construir um novo sistema de produção que buscasse a eliminação dos desperdícios em suas linhas de produção,


27 Manutenção y qualidade


seção técnica principalmente em termos de material, tempo e mão-deobra. Mais tarde este sistema foi também conhecido como Sistema Toyota de Produção (STP). Esta forma de produzir (Just In Time - JIT) apenas no momento certo e na quantidade certa é conseguida a partir da operacionalização do sistema puxado de produção. Contudo, o Sistema Toyota de Produção (STP) foi somente divulgado ao mundo ocidental a partir dos anos 90 com a publicação do livro “A máquina que mudou o mundo – Womack Apud Ghinato (1996)”. Para o autor, o STP ou Lean Production é conceituado por:

• Ser um sistema com foco no fluxo de produção,

28 Manutenção y qualidade

• • • • •

produção Just-In-Time em pequenos lotes e estoques reduzidos; Propiciar ações preventivas de defeitos em vez de corretivas; Ser flexível, equipe de trabalho formado por funcionários polivalentes; Atuar com produção PUXADA em vez da produção EMPURRADA baseada em previsões de demanda; Buscar a solução efetiva das causas de problemas maximizando o valor agregado do produto final; Buscar relacionamento de parceria desde o primeiro fornecedor até o cliente final.

Ainda segundo Ghinato, as empresas cujos processos produtivos são considerados enxutos devem apresentar:

• Valor definido pelas necessidades dos clientes; • Cadeia de valor; • Fluxo; • Produção Puxada; • Círculo virtuoso permanente de criação de valor e eliminação do desperdício.

3 Teoria das Restrições Teoria das Restrições (Theory of Constraints – TOC), também conhecida como Gerenciamento das Restrições (GDR), foi criada pelo físico israelense Elyahu M. Goldratt no início dos anos 70 em Israel. Pode-se afirmar que a grande obra responsável pela difusão do conceito para grande parte do mundo foi a publicação em 1984 nos Estados Unidos do livro “A Meta” (Goldratt e Cox, 1994). O entendimento de Goldratt sobre uma organização é fortemente sistêmico ao colocar como pressuposto básico a afirmativa de que a soma dos ótimos locais de uma empresa não é igual ao seu ótimo global (Rodrigues, 1990). Para Cox III e Spencer: O Gerenciamento das Restrições tem seu maior impacto na medida em que permite aos gerentes desenvolver uma visão da organização como um sistema, contrária à visão do gerenciamento tradicional que consiste em otimizar o desempenho de cada departamento de forma isolada. (COX III e SPENCER, 2002, p. 66).

A Teoria das Restrições tem por objetivo básico assegurar o melhor desempenho econômico-financeiro das Organizações (a meta é ganhar dinheiro “hoje” e no “futuro”), através da utilização sistemática, abordagem dos 5 passos de melhorias da TOC, baseado nas restrições do sistema produtivo (ANTUNES, 1998). O processo de aprimoramento continuo em 5 passos Passo Focado

Descrição

Passo 1: Identificar a restrição

1. Identificar o recurso que é o obstáculo principal para o progresso em direção à meta

Passo 2: Decidir como explorar a restrição

2. Elaborar um plano de utilização que use a restrição de forma eficiente. Muitas restrições são mais devidas à má utilização do que à falta de capacidade instalada

Passo 3: Subordinar tudo mais à decisão acima

3. Administrar as políticas, processos, e outros recursos na direção de apoiar a decisão do passo 2

Passo 4: Levantar (aumentar, remover, quebrar) a restrição

4. Se após melhorar a utilização o recurso continuar sendo uma restrição, adicionar capacidade ou, de alguma outra maneira, modificar a situação do recurso como restrição dominante

Passo 5: Retornar ao Passo 1, mas não deixar que a inércia se torne uma restrição

5. Retornar ao Passo 1, mas não permitir que as decisões previamente tomadas nos passos 1 a 4 se tornem restrições

Fonte: adaptado de McMullen (1998) e Cox e Spencer (2002)

4 Manutenção Puxada O método “MANUTENÇÃO PUXADA” tem como escopo PUXAR a realização da Manutenção e da conservação das máquinas e dos equipamentos da produção a partir de um “padrinho” responsável. A Manutenção PUXADA deve ter suas atividades orientadas pelas necessidades do mercado “produção”, pelo resultado operacional da empresa e pelos objetivos estratégicos do setor de Manutenção. O principal objetivo da Manutenção PUXADA é propiciar à empresa uma melhoria no seu resultado operacional, mediante produtos, processos e serviços adequados ao mercado a um preço competitivo. Ela foi pensada, desenvolvida e implementada a partir de dois princípios: A) Puxado A implementação das atividades dos planos de Manutenção deve ser Puxada pela produção ou pelo Planejamento da produção. O planejamento e a execução das atividades dos planos de Manutenção devem ser feitos pelo “padrinho” da


seção técnica máquina e puxados a partir dos tempos disponíveis de produção - figura 1. Para isto, o desempenho da Manutenção PUXADA deve ser medido pelos indicadores de produção e Manutenção.

Figura 1 - Relação do tempo de parada das máquinas e tempo de Manutenção preventiva.

B) Dinâmico A utilização do padrinho no processo de gestão da máquina e dos seus indicadores de desempenho para sincronização contínua das demandas das atividades de Manutenção, conhecimentos e recursos necessários. Neste princípio, o plano de Manutenção preventivo, o seu planejamento e a execução não devem ser rígidos. É preciso haver prontidão e percepção do padrinho da máquina sobre as necessidades de produção, Manutenção e do conhecimento do ritmo de produção da referida máquina de maneira dinâmica e orquestrada, e que esteja sempre em movimento e na direção da melhoria do resultado operacional da produção e da empresa. Um ponto importante para a implementação da Manutenção PUXADA é a definição dos Indicadores Estratégicos de Desempenho da Manutenção de cada padrinho e sua respectiva máquina, pois eles irão puxar todos os treinamentos operacionais, elaboração dos Planos de ação e implementação de melhorias e servirão com base para as reuniões de Gestão dos resultados operacionais da Manutenção Puxada. No entanto, para que haja uma padronização no critério de escolha dos indicadores de Manutenção, a Manutenção PUXADA definiu um modo de como o padrinho deve ENXERGAR a Manutenção dentro do contexto da empresa - figura 2 - e definir seus indicadores estratégicos de desempenho. Como podemos ver, o primeiro OLHO é o que enxerga o CLIENTE ou O MERCADO. A Manutenção precisa ter indicadores que mostrem o RISCO da falta ou atraso de produção HOJE e no FUTURO por motivos de Manutenção. O segundo OLHO é o que enxerga o RESULTADO OPERACIONAL da empresa. Apesar do MERCADO ou do CLIENTE ser

importante para qualquer empresa, ela só sobreviverá se o custo de Manutenção não comprometer o seu RESULTADO OPERACIONAL. O terceiro OLHO é o que enxerga o Tempo de Reparo “MTTR” e o Tempo entre Falha “MTBF”, ou seja, a disponibilidade das máquinas. Eles são importantes para o Custo Operacional, prazo de entrega e quantidade produzida “Faturamento da empresa”. A Manutenção PUXADA, seguindo critérios da produção, Manutenção, qualidade e segurança, está dividida em 6 etapas:

• Definir máquina crítica; • Definir padrinhos para máquina crítica; • Elaborar plano de Manutenção preventiva – Má• • •

quina crítica; Subdividir plano de Manutenção em atividades externas e internas; Implementar Manutenção Puxada – utilizar o tempo de máquina parada para a execução das atividades internas; Implementar rotina de reunião de análise crítica – diária, semanal, mensal.

Sendo que as três primeiras e a última podem ser realizadas de forma direta e a quarta etapa combinada com o Plano de Manutenção. O agrupamento destas etapas, veremos no estudo de caso a seguir. 5 Estudo de Caso O estudo foi realizado em uma empresa de grande porte do Rio Grande do Sul. Tendo em vista o seu relevante prestígio dentro do ramo automobilístico combinado com o elevado grau de necessidade de melhoria do processo de Manutenção diante da crescente competitividade em que a empresa está inserida. O trabalho foi acompanhado pelo idealizador e pautou-se na troca de conhecimento entre o autor e os funcionários de produção, Manutenção e qualidade. Para o coordenador de Manutenção da empresa do presente estudo de caso, pode-se afirmar que o início da imple-

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Figura 2 - Modo de enxergar as atividades da Manutenção PUXADA


seção técnica

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Figura 3 - Sistema de Manutenção redesenhado – Fonte: autores

mentação da Manutenção Puxada na empresa foi a partir da constatação do: I) baixo nível de implementação dos Planos de Manutenção; II) alto índice de horas de Manutenção corretiva; e III) total de horas de máquinas paradas superior ao total de horas necessárias para execução do plano de Manutenção preventiva. Concluiu-se que a primeira ação deveria ser o redesenho do sistema de Manutenção da empresa - figura 3. Resumidamente, pode-se afirmar que o novo sistema de Manutenção apresenta como diferenças os seguintes tópicos: I) Indicadores de Manutenção – agora orientados com o Sistema Toyota de Produção e a Teoria das Restrições; II) Histórico dos problemas; III) Gestão Visual da Manutenção no posto de trabalho; IV) Reuniões diárias, semanais e mensais de análise crítica; V) Manutenção Puxada; e VI) Manutenção Autônoma. A segunda etapa da Manutenção Puxada é a definição dos padrinhos das máquinas críticas. A empresa preferiu escolher dois padrinhos de Manutenção - figura 4 - para cada máquina crítica. O padrinho mecânico puxa as atividades relativas à área mecânica e o padrinho eletricista puxa as atividades relacionadas com as características elétricas e eletrônicas. A terceira etapa é definir ou corrigir e subdividir as atividades dos Planos de Manutenção das máquinas críticas em atividades de menor tempo. Nesta etapa os padrinhos definem ou revisão o plano de Manutenção preventiva considerando os itens responsáveis pelas condições básicas de funcionamento da máquina ou equipamento relacionado com o foco de criticidade da máquina. É importante ressaltar que a definição do novo plano de Manutenção preventiva deve ser feita pelos funcionários dos respectivos setores críticos. Isto possibilitará a inserção de itens de Manutenção relacionados com a qualidade do produto final. Após definição do plano, o mesmo deve ser subdividido em atividades menores, ou seja, cada atividade deve ser dividida na menor atividade independente possível. A quarta etapa é a implementação da Manutenção Puxada propriamente dita. Esta etapa inicia com os padrinhos mecânico e elétrico separando as atividades dos seus planos de Manutenção em atividades externas e atividades internas. Consideram-se atividades externas aquelas atividades que podem ser realizadas com a máquina funcionando. As ativi-

dades internas são atividades que só podem ser realizadas com a máquina parada. Esta separação é importante para a atividade de Manutenção Puxada, pois reduz a necessidade de máquina parada para implementação total do plano de Manutenção. Com o final da separação, os padrinhos planejam as atividades internas de Manutenção nas paradas realizadas pela produção, ou seja, nos intervalos de setup, troca de turno, falta de operador, pequenas paradas e outras. Essa atividade de planejamento de Manutenção deve acontecer em reuniões com a presença dos padrinhos das máquinas e a chefia de produção. Percebe-se que a dinâmica da empresa e do setor de produção é intensa. Isto faz com que algumas paradas não previstas apareçam e outras paradas previstas deixem de acontecer. Isto leva à necessidade de constantes replanejamentos. A última etapa da Manutenção Puxada é a implementação das rotinas das reuniões diárias, semanais e mensais de análise crítica dos indicadores de desempenho dos padrinhos. Seus principais objetivos estão descritos na figura 4. Nestas reuniões são analisados os seguintes indicadores: I) Horas de Manutenção Planejada X Horas de Manutenção Corretiva - figura 6; II) Horas de Manutenção Corretiva figura 7; III) Máquina parada por motivo de Manutenção no IROG (Índice de Rendimento Operacional Global) - figura 9; IV) Aderência a execução do Plano de Preventiva - figura 8; V) Despesa de Manutenção - figura 5.

Figura 4 - Atividades e rotina das reuniões dos padrinhos – Fonte: autores


seção técnica 6 Análise dos Resultados O artigo buscava apresentar uma proposta de um sistema de Manutenção aplicado ao ambiente de fabricação com utilização do Sistema Toyota de Produção e a Teoria das Restrições. Para isto foi desenhado um sistema de Manutenção - figura 3 - a partir da Manutenção Puxada. Como resultado, o trabalho coloca algumas observações, tais como: I) A análise da figura 5 revela que a despesa de Manutenção não só ficou abaixo da meta definida pela empresa como reduziu ao longo do período.

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Figura 7 - Horas de Manutenção corretiva – Fonte: Dados da empresa

Figura 4 - Despesa de Manutenção – Fonte: Dados da empresa

II) A figura 6 aponta para a migração das atividades de Manutenção corretiva para as atividades de Manutenção Planejada. A empresa definiu como meta a relação de 80% de Manutenção Planejada X 20% de Manutenção Corretiva.

Figura 8 - Aderência ao plano de Manutenção – Fonte: Dados da empresa

IV) A figura 9 apresenta o número de máquinas em que a parada da máquina por motivo de Manutenção está entre o primeiro ou o segundo maior motivo de parada das máquinas gargalos controladas pelo IROG – Índice de Rendimento Operacional Global. Pode-se observar que em janeiro, fevereiro e março os números foram 3, 2 e 1, respectivamente de máquinas que apresentavam a Manutenção como o primeiro ou segundo maior motivo de parada de produção.

Figura 6 - Horas de Manutenção Corretiva X Planejada – Fonte: Dados da empresa

III) A análise das figuras 7 e 8 mostram que as atividades de Manutenção corretiva estão consumindo menos horas dos mecânicos ao longo do período. Pode-se afirmar que este fato se deve a uma maior aderência dos planos de Manutenção - figura 8 - pelo setor de Manutenção, ou seja, a equipe de técnicos de Manutenção está implementando de forma preventiva os planos de Manutenção das suas respectivas máquinas.

Figura 9 - Máquinas com paradas de Manutenção X máquinas com IROG – Fonte: Dados da empresa


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seção técnica 7 Considerações Finais O artigo buscou apresentar as principais características de um sistema de Manutenção para um ambiente da produção enxuta e a teoria das restrições. Os autores procuraram expor as principais definições e passos de implementação em termos do que realmente é importante quando se trata da Gestão da Manutenção das máquinas e equipamentos de produção suportada pela Manutenção Puxada. Buscar a melhoria do resultado operacional da empresa a partir de uma maior eficiência de todo o sistema de produção, assim como conservar o parque de fabricação a um custo compatível foi o que estimulou os autores a desenhar e implementar este sistema de Manutenção. É possível observar pelo estudo que uma vez que o setor de produção tenha disponível uma quantidade de horas de máquina parada superior à necessária para implementação da sua Manutenção preventiva, pode-se pensar na utilização da Manutenção Puxada. Os resultados obtidos demonstram de forma empírica a importância da utilização da Manutenção Puxada, fornecendo às empresas brasileiras novas maneiras de pensar as atividades de Manutenção e do setor de Manutenção. Desta forma, os autores suportam a hipótese de que, pela aplicação da Manutenção Puxada de maneira eficiente, os setores de produção e as empresas podem alcançar seus objetivos estratégicos e estarem assim melhor preparadas para lidar com os constantes desafios de um mercado competitivo. Por fim, os autores enfatizam que a adoção de um modelo de sistema de Manutenção que utilize a Manutenção Puxada aponta para uma gestão mais eficaz das máquinas e equipamentos do setor produtivo. Para que isto possa ser feito, é necessário que além de identificar todas as restrições dos sistemas produtivos e disponibilizar os recursos materiais necessários para a transformação, os gestores

padrinhos sejam tratados como atores importantes deste processo, pois assim, a empresa pode buscar um melhor resultado econômico-financeiro.

8 Referências Bibliográficas ANTUNES, J. (1998) – Em Direção a uma Teoria Geral do Processo na Administração da Produção: Uma Discussão Sobre a Possibilidade de Unificação da Teoria das Restrições e da Teoria que Sustenta a Construção de Sistemas de Produção com Estoque Zero, Dissertação de Doutorado no PPGA/UFRGS, Porto Alegre; • COX III, James F.; SPENCER, Michael S. Manual de Teoria das Restrições. Porto Alegre: Bookman, 2002; • DIAS, S. L. V. Análise Histórica da Trajetória de Alinhamento dos Sistemas de Produção, Custo e Indicadores de Desempenho. Tese (Doutorado em Programa de Engenharia de Produção). Rio de Janeiro: UFRJ, 2005; • GHINATO, P. Sistema Toyota de Produção – Mais do que simplesmente Just-In- Time. Caxias do Sul: Editora da Universidade de Caxias do Sul, 1996; • GOLDRATT, E. M. & COX, J. F. A Meta. São Paulo: Editora Educator, 1994; • McMULLEN, Thomas B. Theory of constrains (TOC) management system. Boca Raton: APICS/St. Lucie Press, 1998; • RODRIGUES, Luis Henrique. Apresentação e análise crítica da Tecnologia da Produção Otimizada (Optimized Production Technology - OPT) e da Teoria das Restrições (Theory of Constrains - TOC). In: Encontro Anual da ANPAD, 14.,Anais.. Florianópolis: 1990.

OS AUTORES Prof. Dr. Sergio Luiz Vaz Dias e os seguintes profissionais da Fras-le S.A.: Ms. Elton Fabro; Eng. Luciano G. Minussi; Téc. Leandro de Moraes Tavares.

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os dias 14 e 15 de maio acontecem, desta vez no Centro Empresarial de São Paulo, dois dos mais tradicionais eventos da área: 15º Seminário Brasileiro de Planejamento e Informatização da Manutenção e 14º Seminário Brasileiro de Manutenção Preditiva e Inspeção de Equipamentos. Nas Exposições paralelas, algumas empresas vão aproveitar o acontecimento e apresentar ao mercado seus novos produtos e/ou serviços. Aquelas que até o fechamento desta edição tinham confirmado

15º SEMINÁRIO BRASILEIRO DE PLANEJAMENTO E INFORMATIZAÇÃO DA MANUTENÇÃO Dia 14/05/2007 n A Falha não é uma Opção Autor: José Wagner Braidotti Júnior - Diretor Técnico de Engenharia de Manutenção da JWB Engenharia e Consultoria n Estruturação do Processo de Manutenção de Vulcanização Autor: Sanderson do Espírito Santo Pitomba - Supervisor de Manutenção de Processo da Vale - Vitória / ES n Informática e Acervo Técnico de Engenharia Voltados para a Manutenção de Edifícios de Uso Complexo e de Ativos Civis da Indústria Autor: Mário Sérgio Pini - Diretor da Pini Engenharia / Logical Soft Informática

sua presença são: 01 dB Brasil; Astrein; Confiabilidade; Contemp; Engeman; Flir Systems; Fluke; Hot Tec; Infrared Service; Logical Soft; Meditec; Royal Purple; SKF; Spes; Vaibro; e Vitek. Programação completa - De modo a destacar as palestras que serão apresentadas durante os dois eventos, a revista MyQ publica a seguir uma programação dos dois dias de intensas atividades.

n Definição da Estratégia de Manutenção para Frota de Bombas através do Conceito de Criticidade e Caracteríswtica das Falhas Autores: Hermes Dias Godinho - Engenheiro de Manutenção e Confiabilidade do Complexo de Mineração de Tapira - Fosfértil Fertilizantes Fosfatados S.A. e Prof. Dr. Jorge Nei Brito da Universidade Federal de São João del Rei. n O uso da Tecnologia Móvel no Gerenciamento de Ativos Autor: Geraldo Rodrigues de Souza Júnior - Engenheiro de Manutenção da Suzano Papel e Celulose n Gestão do Planejamento da Manutenção - SAP/Rhodia Autor: Camilo Donizeti Pereira Coordenador de Planejamento de Manutenção

n Planejamento, Programação e Controle da Equipe de Apoio Elétrico da ArcelorMittal Tubarão Autor: Paulo Luiz Ferreira - Técnico de Planejamento e Programação de Manutenção Elétrica da empresa Dia 15/05/2007 n Planejamento de Manutenção em Subestações de Alta Tensão Autor: Adílson Peixoto - Técnico em Eletrotécnica da Vale - Itabira n Gestão do Conhecimento Aplicada na Implantação de Software EAM/CMMS em Indústria Alimentícia de Grande Porte Autor: Kivis Santos de Souza Gerente de Engenharia da Astrein Engenharia de Manutenção S.A. n Experiência da Comau na Implantação do ERP SAP (Módulo PM) no Grupo FIAT Autor: Toni Augusto da Silva - Analista de Tecnologia Industrial da Comau

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Mais uma vez os dois seminários da Excelência Consultoria, realizados anualmente, têm expectativa de reunir grande público.


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n Vallourec & Mannesmann - Mobilidade Geográfica na manutenção e Inspeção de Equipamentos por meio da Solução SIGGA SM2 Autor: Zander Reis - Gerente de Tecnologia da SIGGA n Qualidade de Informação nos Registros de Manutenção: Construindo uma Base Sólida para as Engenharias de Manutenção e Confiabilidade Autor: Flávio Marcelo Risuenho dos Santos - Engenheiro de Equipamentos Pleno Petrobras - UNRIO / ENGP / EMI n Planejamento de Paradas Utilizando os Conceitos de Gestão de Projetos Autor: Sérgio Kimimassa Nagao - Diretor da Excellence Consulting e Services

14º SEMINÁRIO BRASILEIRO DE MANUTENÇÃO PREDITIVA E INSPEÇÃO DE EQUIPAMENTOS Dia 14/05/2007 n Diagnóstico de Falhas em Conjuntos Motor-Bomba Alimentados por Inversores de Freqüência através de Análise de Vibração e Redes Neurais Artificiais Autor: Prof. Dr. Jorge Nei Brito do Depto de Mecânica da UFSJ Universidade Federal de São João del Rei n A Manutenção Preditiva de Equipamentos de Subestações de Extra-alta Tensão Inserida no Gerenciamento de Riscos da Empresa Autor: José Reinaldo Bezerra Neto - Assessoria da Gerência Regional de Operação Leste da Chesf

n Sistema de Gerenciamento de Preditiva Autores: Emerson Franco Supervisor de Manutenção; e Luís Carlos Alves Rodrigues - Técnico em Mineração, ambos da Vale - Itabira n Vibração de Turbomáquinas: As Engrenagens também Dobram Autores: Rogério Tacques - Consultor Técnico; e Marcelo Valois - Técnico de Inspeção de Equipamentos e Instalações Pleno da Petrobras CENPES / PDP / TMEC n Diagnóstico a Jusante (Upstream) e a Montante (downstream) da Alta Resistência de Contato (HCR), e o Efeito do Desequilíbrio de Tensão na Eficiência de Motor Elétrico Autor: Prof. Ernesto Wiedenbrug, Ph.D. - Gerente de Engenharia da Divisão On-0line da Baker Instrument Company, an SKF Group Company n Análise Preditiva de Motores Elétricos através de Zonas de Falha Autor: Pedro Alcântara de Souza Alves - Gerente Técnico da Vitek Consultoria Ltda. n Emissão Acústica na Eletronorte como Ferramenta de Engenharia Preditiva de Manutenção - Ensaios e Tendências de P&D Autores: Giorgio Moisés de Oliveira Pereira - Engenheiro Eletricista; e Oswaldo Gonçalves dos Santos Filho - Engenheiro Sênior da empresa

Dia 15/05/2007 n Análise de Vibrações em Ventiladores Centrífugos - Cases Histories Autores: Prof. Dr. Márcio Tadeu de Almeida; e Prof. Dr. Fabiano Ribeiro do Vale Almeida, ambos da UNIFEI FUPAI / MTA Engenharia de Vibrações n Monitoramento de Vibração Online - Confiabilidade Assegurada com Otimização de Custos Autor: Daniel Leopoldo Elias Analista de Vibração da klabin S.A. n @PTITUDE Suite de Monitoramento de Condição em Ambientes Corporativos Autor: Luis Econom - Gerente de Produto da SKF Condition Monitoring, Inc. n Manutenção Preditiva em Equipamentos de Mineração através da Gestão de Fluidos Autores: Mauro Lúcio Lopes Técnico de Manutenção; e Hécio Diniz - Supervisor de Manutenção, ambos da Vale - Itabira n Inovações Tecnológicas e Novos Conceitos de Manutenção Aplicados na Sinterização da ArcelorMittal Tubarão Autores: Ivan Soella - Especialista de Manutenção Eletroeletrônica; e Riberte Dias de Souza - Técnico de Predição e Inspeção Elétrica da empresa n Manutenção Preditiva em Equipamentos Rotativos da UTE Gov. Leonel Brizola - Petrobras Autor: Fabiano Pires de Almeida Técnico de Manutenção Pleno


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Manutenção y Qualidade - Edição 74  

A revista referência do Mercado de Manutenção

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