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SOUND AND VISION

NOVEMBRO 2011

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patti smith

Vanguart Jason Mecier

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ACABOU até a próxima!

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SOUND AND VISION EDITORIAL

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A Revista Sound And Vision busca interligar diversos assuntos da Cultura Alternativa, misturando música com artes plásticas, shows e indicações de livro. O nome da Revista ““Sound and Vision”” é uma referência a David Bowie, ícone musical, além de ser idolatrado e bastante inuente na cena ““alternativa””. Ancorada na linha ““música e atitude””, seu conceito é basicamente este. Seu público alvo faz parte desse universo, com diversas faixa etárias. De 16 –– 30 anos, de fato é uma revista voltada para o público jovem, mas não é infatil. público jovem-adulto Nesta primeira edição, a matéria de capa é sobre o best-seller ““Just Kids”” (Só Garotos, em português) da cantora, poetisa e percussora do punk, Patti Smith. Inspirada na extinta revista MTV e nas revistas culturais, de baladas, shows, ““do underground ao mainstream””. O projeto gráco idealizado, visa a introdução no mercados das revistas de bolso, que são distruibuídas gratuitamente (e pa-

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NOEL GALLAGHER Noel Gallagher & The High Flying Birds

livros •• lmes •• reviews

trocinada por casas noturnas) em bares, baladas, estúdios, lojas de instrumentos, lojas de discos, festivais independentes. Algumas de suas seções são xas, como por exemplo: Livros, Filmes e Reviews, nessas seções o uso de cores azul, roxo e verde foram escolhidas para facilitar a navegação. Para uma leitura mais ““clean”” principalmente nessas seções, a fonte escolhida foi Gill Sans 10,5 pt/ entrelinha13pt, mediatriz de 3,5 mm margem interna 15 mm, margem externa 20 mm e margens interna e externa 12mm. Apesar de buscar uma leitura legível para uma revista pequena, de bolso, no seu projeto conceitual tem como proposta ruídos visuais, principalmente nas imagens, daí o nome Sound and Vision. Projeto Gráco: ““Sound And Vision”” // Diretor de Criação: Maria Schneider // Livros: sugestões de Maurício Eça // Reviews: textos de Juliana Dias, Daniel Sannes, Fernando Halal. // Entrevista: Vanguart // Primeira Edição // #01 Mês: Novembro 2011. Ano 1 3º Semestre Comunicação Visual

As melodias envolventes e as letras armarguradas estão todas lá –– a diferença é que os solos de guitarra são feitos para estádios cederem espaço ao intimismo folk dos pubs. São tantas canções espetaculares (““If I Had a Gun”” nasceu clássica) que dá para imaginar seus ex-companheiros se contorcendo de inveja. A vida segue, anal. E o placar está em Noel 1 a 0.

LOU REED & METALLICA Lulu

Com faixas longas e divididas em dois discos, o projeto consiste em uma espécie de metal vanguardista em que o ex-lider do Velvet Underground despeja letras fortes e faladas sobre uma base ora eciente, ora monótona. São necessárias muitas e pacientes audições para que a coisa de torne mais palatável. No geral, sobra ousadia e falta inspiração.

RED HOT CHILI PEPPERS I’’m With You É fácil detoná-lo: basta dizer que John Frusciante está fora (outra vez) e que a banda não faz mais nada de inovador há 20 anos. No entanto, este disco traz pequenas surpresas. Especialmente em relação ao que o RHCP vem fazendo desde Californication. Em resumo: I’’m With You não é nenhuma obraprima, mas passa longe do abominável como estão dizendo por aí.

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reviews CAMARONES ORQUESTRA GUITARRÍSTICA Espionagem Industrial

Puramente guitarrístico, ou melhor, instrumental, o novo álbum do Camarones é é composto de um lado A, com 11 faixas, e 6 músicas no lado B. Segundo a integrante Ana Morena: ““O principal é que somos uma banda de rock focada em elementos visuais, as nossas músicas tem sempre uma história por trás. Quando compomos já temos uma clipe da música na nossa cabeça. Todas elas contam histórias””, explica. O nomes das faixas sugerem as imagens de cada uma: ““Com a Água no Pescoço”” começa com rapidez e chega em ““Peggy Loucura””, até chegar na faixa título, ““Espionagem Industrial””, uma das mais pesadas da lista, que lembra os lmes de nada menos que…… espionagem (!). A ““Trama”” parece o desenrolar a música anterior, como em uma sequência de perseguição. ““Festa dos Gatos”” e ““Beijar seus Pés”” têm acordes mais rápidos, enquanto ““Surfando em Boa Viagem”” (segunda música esse ano a falar do bairro recifense no universo indie) aposta no surf music. O disco segue balanceando entre lentidão e distorções, com leves paradinhas. O lado B começa mais descontraído, e chega na faixa nal, ““Trilha Invisível””, a mais longa de todo o combo. É um álbum para ver e ouvir de duas formas: com os integrantes tocando, e também para viajar nas interpretações das faixas. Ele compõe um recorte de inuências que relembram cenas de lmes, quadrinhos, séries, de faixas independentes, todas com narrativas e bastante descontraídas. Um dos melhores discos nacionais do ano, com certeza.

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Patti Smith

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5 Planeta Terra

As principais atrações deste ano são The Strokes (foto), Interpol, Beady Eye, Goldfrapp, Bombay Bicycle Club, Groove Armada, Peter Bjorn and John, A banda de Eddie Vedder retorna ao Toro Y Moi e Broken Social Scene. Os Morumbi no dia 3. Outros shows do brasileiros Criolo e Garotas Suecas Pearl Jam ocorrem no Rio de Janeiro. também se apresentam. (dia 6, Praça da Apoteose), Curitiba (dia 9, Estádio do Paraná Clube) e Porto Alegre (dia 11, Estádio do Zequinha).

3 Pearl Jam

O artista americano Jason Mecier usa pílulas para construir mosaicos de guras pop. Se funciona? Bom, digamos que as imagens são nítidas, bem feitas e ele ainda da as conserva muito bem com uma tinta acrílica. A técnica deu tão certo que ele Jason também usa doces e grãos de cereais. Suas inspirações são ““Bernard Pras, Charles Ray, Salvador Dali, Giuseppe Arcimboldo, Sandy S. (in

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Jason I LoveMecier my Pills

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agenda

particular her Cheetos and raw hamburger art pieces), Matthew Barny, Jeff Koons, Adam Ansell and Andy Warhol. It doesn’’t happen often, but I know I love an art piece when I become simultaneously confused, enraged, jealous and inspired!””, confessa em seu site, criado com cores berrantes e misturas e misturas coloridas do tipo ‘‘roxo-com-bolinhas-verde-limão’’.

12 SWU

Dos dias 12 a 14 , a segunda edição do festival vai ter entre outras atrações, Kanye West, Black Eyed Peas, Ash, Snopp Dogg, Peter Gabriel, Duran Duran, Chris Cornell, Faith No More, Sonic Youth, Alice in Chains e Stone Temple Pilots.

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Amy Winehouse, Michael Jackson e Courtney Love são alguns dos artistas retratados pelo artista plástico Jason Mecier.

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12 RINGO STARR

Pela primeira vez no Brasil, o ex-beatle repassa sua carreira ao lado de sua All Star Band. Ringo se apresenta no Credicard Hall nos dias 12 e 13. Toca também no Rio de Janeiro (Citibank Hall, dia 15); Belo Horizonte (Chevrolet Hall; dia 16) Brasília (Ginásio Centro de Convenções Ulysses Guimarães, dia 18) e Recife (Crevrolet Hall, dia 20).

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DZI CROQUETTES (Brasil, 2009). 1h50. Documentário Direção: Tatiana Issa Premiado na Mostra de São Paulo e Festival do Rio, o lme recupera a memória do criativo carioca, que chegou a ter sucesso internacional. Dzi Croquettes, homens que se vestiam de mulheres e deslavam, de várias maneiras, os rigores da ditadura militar, nos anos 70.

HADEWIJCH (França, 2009). 2h. Drama Direção: Bruno Dummont Jovem rica, lha de um ministro, tenta torna-se freira. Aproxima-se de um jovem muçulmano, cujo irmão é pregador numa mesquita. Duas formas de fundamentalismo se expressam com grandes riscos à vida. Dummont fez aqui a sua obra mais acessível. sem abrir mão da ousadia..

OS FAMOSOS E OS DUENDES DA MORTE (Brasil, 2009). 1h51. Drama. Direção: Esmir Filho Numa pequena cidade de colonização alemã, no extremo sul do Brasil, adolescente, orfão de pai, vive recluso em suas emoções. Ele se expressa apenas através da internet, onde ele se relaciona com uma garota e compartilha sua xação por Bob Dylan. Esmir Filho mapeia a inqueitação de uma geração.. 17

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12º PROJETA BRASIL

Rede exibe lmes brasileiros a R$ 2

No dia 7 de novembro acontece o 12º Projeta Brasil, que exibe lmes brasileiros a R$ 2 nas unidades do Cinemark. Entre os destaques está ““Os 3””, primeiro longa de Nando Olival (codiretor de ““Domésticas””), ainda inédito. A história dos amigos quese envolvem em um triângulo amoroso e participam de um reality show discute os limites entre realidade e cção. As comédias ““Cilada.com””, de José Alvarenga Jr,““O Palhaço””, de Selton Melo e ““Não se Preocupe, Nada Vai Dar Certo””de Hugo Carvana, também estão na programação, além do drama ““Bruna Surstinha””.

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A PELE QUE HABITO (Espanha, 2011). 2h13. Drama. Direção: Pedro Almodóvar Richard é um cirurgião plástico que após a morte de sua mulher se interessa pela criação de uma pele com a qual poderia tê-la salvo. Doze anos depos, ele consegue cultivar esta pele em laboratório, aproveitando os avanços da ciência.O noir, terror e até a cção cientíca, o diretor consegue levar novamente às telas. Facínio e o suspense almodovariano de sempre.

A C I S U

Vanguart

M

filmes

O Vanguart sempre teve papel importante para Hélio Flanders. Quando ainda tinha a banda como um projeto de gaveta, a ideia do grupo foi suciente para que o compositor não sucumbisse ao desespero total, muito por conta de drogas e desilusões. ““Coisa de jovem””, como diz Flanders.

Sobre este novo trabalho, o intuito foi falar de amor nas mais diferentes formas? O que podem nos falar sobre o conceito do álbum? Eu escrevi 75% dessas canções sem saber do que elas se tratavam, de forma bem insconsciente. Eu colocava pra gravar e saia tocando e falando, cantando as letras, depois ouvia e transcrevia. Na maioria das vezes cava surpreso com as próprias coisas que havia falado, então comecei a dizer pro Reginaldo [baixista e parceiro de algumas com posições] que eu estava nalmente me auto-psicografando (risos). O resultado é um álbum muito confessional e corajoso eu diria, pois encarei assuntos em que eu racionalmente só pensava em fugir. Alguns disseram que é um álbum sobre o divórcio, eu discordo Bob Dylan moldou minha maneira de ler e escrever música, de empunhar um violão e de balbuciar métricas livres. Há muitos anos já não tem feito parte das coisas que escuto em casa, mas ele sempre estará presente. Acho que esse disco se aproxima em temática de Blood On The Tracks, o meu favorito dele. A diferença é que ele é o Dylan.

““De fato eu sabia que estava cantando sobre rompimentos amorosos e uma nova vida sem minha parceira do lado, mas não imaginava que iria tão fundo nos temas. Foi muito doloroso, mas necessário”” Vocês chegaram a explicar a capa do disco, mas gostaria de voltar a esse ponto. Como foi fazer a produção da capa e no que ela contribui para o conceito do álbum? A imagem da capa foi se formando na minha cabeça, quei lendo as letras e viajando na coisa das mulheres corajosas, que seguram a onda, matam bandidos, cuidam das crianças e não perdem sua doçura nem sua força. O mundo está cheio de mulheres assim, com toda sua nobreza e maternidade, é muito bonito. Foi uma maneira de homenageá-las. Vocês perceberam como mudou a cena da qual faziam parte? Ou não conseguem mais acompanhar o que tem sido feito de novo? Estamos acompanhando sempre, buscando pessoas com quem a gente se identique. A alegria e euforia tem sido grande, pois grandes álbuns estão nascendo: Los Porongas e Pública até agora zeram melhores os álbuns de rock de 2011 até agora.

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ROLLING STONES –– UNDER THEIR THUMB. Bill German Nova Fronteira, 2011. ““Acabei de ler. É a história de um jovem que passou parte da vida acompanhando os Stones, Bill escrevia um fanzine que virou ocial da banda e, lado a lado com os integrantes, entendeu os meandros do show business””

I AM OZZY, Chris Ayres Editora Benvira.2010. ““É uma biograa que faz o leitor rir, se emocionar e, mais que tudo, se divertir demais! Ozzy faz virar ouro cada linha que você lê. Imperdível para quem gosta de música e de histórias de vida””.

HEAVIER THAN HEAVEN –– MAIS PESADO QUE O CÉU, Charles R. Cross Hyperion Books, 2011. ““Uma das biograas mais densas que já li. Demora a te pegar, mas é um registro sensacional de Kurt Cobain, um jovem que queria fazer sucesso, mas que sofreu para alcançar e se manter.””

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Quando não está por trás de uma câmera, um dos maiores hobbies do cineasta Maurício Eça é mergulhas na leitura de obras relacionadas ao mundo do rock. Não por acaso, são estes os livros que ele indica a seguir.

SÓ GAROTOS, Patti Smith Companhia das Letras, 2010.

““Esse livro me surpreendeu demais, porque mostra a artista imensamente inteligente, que escreve uma narrativa apaixonante nos levando a visualizar e sentir cada sensação pela qual ela passa.””

VIDA, Keith Richards Editora Globo, 2010. ““Realmente imperdível. Sem papas na língua, entendemos como o menino e o jovem viraram Keith Richards e sacamos a história dos Rolling Stones e sua relação turbulenta com Mick Jagger, companheiro de banda há quase 50 anos””

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Só Garotos

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livros

Em ““Só Garotos””, Patti Smith conta o início de sua carreira como artista junto a Robert, ex-namorado e grande amigo. Vencedor do National Book Awards na categoria de não cção, o livro expõe os momentos decisivos que transformaram Patti Smith na grande compositora e performer que é hoje.

Patti Smith começou desenhista, virou poeta e assim foi por um grande tempo até ceder à ideia de ser cantora. Já na infância mostrava que tinha um futuro ligado à arte, ao devorar livros e criar histórias para seus irmãos mais novos, deslumbrada com o que conhecia através dessas invenções. Sua vida sempre seria dedicada à criação. Mas Só Garotos não conta apenas a vida de Patti. Na verdade, o livro não existiria sem Robert Mapplethorpe: fotógrafo que participou ativamente da vida da cantora, tanto na prossional e principalmente na pessoal. A garota do interior que se muda para Nova York sabia que era diferente. Em muita coisa. Ela não se vê como dona de casa, namorada, nem garçonete. Tem um lho, mas é muito jovem e não tem condições nanceiras para criar. É uma negação em ser vir os clientes das lanchonetes. Não tem planos de seguir prossões liberais para realizar os sonhos. É por isso que, aos poucos, Patti vai deixando para trás aquilo que trouxe consigo. Põe seu primeiro lho para a adoção. Não vê graça no namorado que é o pai da criança —— e nem nos outros que vem depois. Muda de

cidade para encon trar algo que tenha algum sentido. Usa o uniforme de garçonete que ganhou da mãe, para ser vir os clientes, apenas uma vez, no primeiro dia desastroso de trabalho. É quando ela derrama a comida em cima do cliente. Se haviam razões para duvidar que seria artista, elas todas se conrmam ao longo da sua vida. E ela vai fazendo cada vez mais parte da metrópole. No início, Patti conta que observa apenas os artistas de longe. Longe na distância e longe na mentalidade. Aos poucos, vai se tornando um deles. Mas, primeiro, Patti precisa se encontrar. Por isso, muda para a capital. Lá, ela encontra Robert Mapplethorpe. Eles são jovens, cheios de ideias e com muito em comum, apesar de criações em famílias diferentes: Robert é um ““menino bom querendo ser mau””. Ela ““é uma menina má tentando ser boa””. Eles moram juntos, se separam, depois retornam a conviver. É no Hotel Chelsea onde quase tudo acontece. No início eles são só…… garotos. Sua jornada por tantos lofts e apartamentos, descobrindo cores e cheiros, é também uma exploração de si mesma —— um encontro à sua

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essência. E nós acompanhamos com ela. Sua narração tem lembranças vívidas. Primeiro, Patti passa pela poesia. Lê livros de sebos, amigos e as ““bíblias”” que a acompanham. É assídua de Rimbaud e dos escritores franceses. Arrisca alguns versos, sempre inacabados. Depois, ela experimenta as artes visuais. Faz desenho, pintura e fotografa com Robert. Tenta car atrás da câmera: gosta dos resulta dos na polaroid, mas não tanto do processo de posar. Fica nos bastidores do teatro para decorar textos. Só não tem exatamente o perl que esperam dela: longe do padrão de beleza, é escalada para papéis que não se identica. Por m, acaba por voltar às suas origens, na poesia musicada. Faz performances que dão certo. É como performer e compostora que Patti se sente, nalmente, parte do grupo de artistas. Ela se encontra e escreve letras para revelar, também, outras pessoas. Talvez por ter visto e absorvido tanto que, em nenhum momento, Patti Smith estranha as pessoas incomuns (mendigos, hippies, ricos ou pobres) que convive, os apartamentos sujos ou hotéis baratos que habita, as experiências com drogas ou as descobertas sexuais feitas por Robert. Tudo lhe parece um caminho normal a ser percorrido, a parte de um sonho e uma revelação. São elementos que aoram sua personalidade e a inspiram. É nas festas estranhas com gente esquisita que ela faz parte. Enquanto Robert revela seus pensamentos mais obscuros na arte sado masoquista e no contraste fotográco

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do preto com o branco, Patti encontra na poesia e na leveza das palavras a expiração dos seus pecados. É a musa de Robert, mas ele também é seu muso. Ela começa a com por com ““Gloria”” —— e a partir daí não para mais. A essa altura, como leitor, nos damos conta de onde vem toda a essência de Patti Smith (e da humildade com que carrega todo o seu talento). E, claro, a certeza do amor que Robert e Patti nutrem um pelo outro. Mesmo com altos e baixos, além desencontros devido ao Robert não assumir a homossexualidade, ainda assim é um amor pleno. Passa pela empatia instantânea, depois a paixão, o amor, e vem enm a amizade. É a cumplicidade de uma vida, desdobrada em duas. Cada fase é sentida e repassada com plenitude no livro. Sua força se expressa nas palavras e suas convicções a cada capítulo de sua história. Quando encontra com Janis Joplin e cita ““On stage I make love to twenty ve thousand people; and then I go home alone””, Patti já não é mais uma observadora, é uma criadora. E é aí que tudo começa. Bandas, viagens…… viver apenas de música e da arte. Patti se torna a poetisa do rock. E conforme o prometido, ela escreve a história que teve com Robert —— que transformou sua vida —— e ajudou a criar esse maravilhoso livro. Ainda com o espírito de viver como…… apenas, garotos. Apesar de tudo. SMITH, Patti. Só Garotos. Companhia das Letras, 2010. Tradução: Alexandre Barbosa

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Sound and Vision  

Projeto Gráfico: “Sound And Vision ” // Diretor de Criação: Maria Schneider // Livros: sugestões de Maurício Eça // Reviews: textos d...

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