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Claudio Rocha http://www.nowtype.com.br/


Entrevista realizada para o módulo Pontos de Vista Tipográficos, ministrado por Cláudio Ferlauto. ...inicialmente queria saber onde e quando nasceu e sua formação. Nasci em são paulo, capital, em 1957. Eu cursei editoração na ECA- USP mas não me formei... Quando iniciou seu interesse por famílias tipográficas? Sempre gostei de desenhar, desde pequeno e fui crescendo junto com o desenho. Quando pequeno, eu desenhava personagens de histórias em quadrinhos. Depois passei a desenhar carros de corrida, bandas de rock, mulher pelada, fui desenhando a vida inteira... e nos carros de corrida apareciam números e logotipos dos patrocinadores. Aprendi insistindo... ficava incomodado porque era difícil copiar, as letras saíam defeituosas. Mais tarde, como profissional esse treino foi muito útil e serviu para me direcionar, escolhendo a tipografia como especialização em design gráfico. A tipografia surgiu no inicio da minha profissionalização, não se pode fazer design gráfico sem conhecer tipografia, absolutamente. Eu entendi isso por mim mesmo, pois não haviam escolas ou professores e nem livros em português. Nao se discutia tipografia nos anos 1970 e 1980. Eu desenhavas as letras dos layouts das capas de livros que apresentava aos meus clientes. A tipografia se tornou o centro da minha atividade profissional quando eu entrei em uma crise profissional no meio da decada de 1990. Olhando para trás, vi que o desenho de alfabetos era muito gratificante. Dai em diante, fui me aprimorando e estudando o assunto. Atualmente, quase não faço mais trabalho comerciais em design gráfico. Me dedico a publicações sobre o assunto, além de lecionar e a produzir fontes eventualmente. O que mais te agrada nos tipos? Não saberia por onde começar... o desenho tipográfico é um programa de design muito estimulante, com variáveis e constantes desafiadoras. Como é o seu proceso na criação das fontes? Geralmente faço fontes com características manuscritas ou desenhadas. Inicío no papel, depois digitalizo, faço os ajustes em um programa vetorial e implanto em um programa de geração de fontes digitais. Porque a criação da Gema? Gosto de desenhar letras e tenho particular interesse em letras “stencil”. A Gema foi uma adptação livre desse estilo de letras, somada ao meu estilo particular de desenho tipográfico... tem uma descriçao da Gema no site www.itc.fonts.com. About ITC Gema: Brazilian graphic designer Claudio Rocha continues to explore the possibilities of rough handwriting fonts in his new typeface design, ITC Gema. Like his previous work, ITC Underscript, Gema was originally written with a felt-tip pen, “but I did it in a small size,” says Rocha, “to keep the surface irregularity of a non-coated paper when enlarged for use as a display font.” He also gave Gema the visual effect of a stencil face by not quite joining some of the strokes; it’s this stencil look combined with the rounded roughness of a felt-tip that characterizes the typeface. “Some characters have my own handwriting gestures, like the elongated endings of E and A, as well as the angular shape of P, D and R,” he says. “Besides that, the ligatures emphasize the handwritten style.” Rocha designed an unusually wide variety of ligatures and alternate characters, which occupy the lowercase keyboard positions in this all-caps font.


Qual a sua aplicação? ela funciona bem em corpos maiores que o 18, em uso editorial ou mesmo em material promocional e embalagem... Como surgiu a Underscript? Esse já foi o meu estilo de escrever normalmente... eu costumo escrever com maiúsculas. No site da ITC tem essa descirçao da fonte. About ITC Underscript: Underscript, from designer Claudio Rocha, is an alphabet of capital letters in handwritten style. Each letter has a corresponding alternative form and using both randomly in a text can give it the look of real handwriting. One constant element in the font is its stroke width. The strong figures are even and have rounded corners, lending them a cheerful appearance. All other attributes vary from letter to letter. Wide and narrow, high and low, the figures line themselves up unevenly on the base line. So can Underscript create a dynamic overall image with contrast. Underscript is perfect for cartoons, comics and anything light and carefree. Como foi trabalhar com o Millôr? Fizemos duas materias para revista Tipografia 2 sobre tipografia nos cartuns, uma com o Millôr Fernandes e outra sobre o Saul Steinberg. Eu ja conhecia o Millor e a ideia da fonte surgiu naturalmente, a partir do contato com as assinaturas do nome dele feitas para suas colunas na imprensa. No e-mail onde o Millôr faz comentários sobre o projeto, ele explica que “essa fonte tem um título que é inventivo e preciso: PERPLEXTIVA, mistura de perspectiva com perplexa. Aliás, essa era uma ideia antiga minha, mas achava difícil, senão impossível de fazer, com aquele tipo de letra”. Depois ele corrigiu para PERSPLEXITIVA. Eu pensava que essa fonte era a Meyer Grotesca, da qual havia ouvido falar no círculo de amigos do Millôr. O trabalho foi feito a partir de caracteres catados aqui e ali, em livros e jornais, nos quais eu havia separado algumas palavras. Várias letras foram redesenhadas e, em seguida, digitalizadas para serem implantadas no programa Fontographer. Qual o maior desafio na criação de uma família? Fontes de texto são mais desafiadoras e complexas... eu tenho algumas encaminhadas, mas ainda nao consegui finalizar do jeito que gostaria. Os ajustes de espaçamento e kerning devem ser muito precisos para que a fonte resulte harmoniosa para a leitura. E fazer isso consome um tempo enorme. Qual a importância das publicações de livros e artigos de design e famílias tipográficas? Tipografia é arte e ciência ao mesmo tempo, sempre digo isso. Portanto, estudar o assunto em todos os seus aspectos é indispensável... Como surgiu a ideia da Tupigrafia? A TUPIGRAFIA COMEÇOU POR BRINCADEIRA. Em 1999 eu estava com a grana curta para viajar para Boston, onde ia acontecer o congresso anual da Associação Tipográfica Internacional – ATypI. Resolvi fazer um ciclo de palestras, chamado Tipografia e Prática, para angariar fundos para a viagem. Na volta, em agradecimento aos participantes eu fiz uma palestra extra, contando e mostrando o que havia rolado no evento. Convidei alguns amigos e o Tony de Marco compareceu. No final, ele falou: “vamos fazer uma revista de tipografia”. Eu respondi: “demorou!” e ele me disse: “já tenho o nome: Tupigrafia.” Eu: “legal!”.


Em setembro de 2000 saiu o primeiro número. Formato de 16 x 22,5cm, com lombada quadrada, impressa em quadricromia sobre papel couché. Eu e o Tony já tínhamos bastante experiência em editar revistas. Fui editor de arte das revistas de bordo da Varig e da Vasp, entre outras. O Tony, editor de arte da seminal Macmania. Quando sentamos para definir o projeto editorial e gráfico, estabelecemos alguns princípios que vêm sendo mantidos desde então e, em parte, explicam o crescente sucesso da revista. São poucos esses princípios e bastante abertos. Primeiro, não queríamos criar um projeto gráfico que amarrase a publicação. Isso implicaria em definir uma ou algumas famílias de tipos para as seções (também não queríamos seções) e matérias. O argumento da revista é tipografia – história, mercado, personagens, tecnologia (menos, mas sempre que desejável), linguagem, e fixar os tipos não seria uma boa ideia, seria limitante. Também não fixamos a mancha da página. Cada edição teria uma matéria principal, de capa, com desdobramentos em outras matérias, na sequência da paginação. Também mudamos o logotipo da revista, a cada número, pelo puro prazer de ajustar o melhor lettering à imagem e à ideia da capa. Isso também funciona em relação aos artigos, uma simbiose tipográfica, um laboratório editorial com total liberdade, transferida também aos colaboradores. Freqüentemente eles são convidados a desenvolver suas matérias, texto, imagens, diagramação. O briefing é simples: formato tal, fique à vontade. Só isso. Claro que o teor e a ideia da matéria são discutidos previamente. Para o polêmico designer inglês Bob Gill (para os desavisados, não é o também inglês e polêmico Eric Gill, autor do tipo Gill Sans), a resposta para um problema está no próprio problema. Assim, cada solução gráfica para a diagramação das matérias segue mais os princípios funcionais e menos a preocupação em fazer um design “moderno e estiloso”. O material disponível para a diagramação mostra as pistas para a seleção e a edição gráfica das imagens. Os textos não costumam ser muito extensos: procuramos a síntese, para deixar mais espaço para as imagens, que invariavelmente são tipográficas. Muitas vezes as matérias são redigidas diretamente no próprio programa de editoração, fazendo com que as matérias se desenvolvam de maneira orgânica. Dessa forma, também preservamos a integridade de cada material e, no fim, acabamos por criar um ritmo peculiar para a publicação. O formato foi motivado por dois aspectos. O primeiro sendo de ordem econômica, já que ficava mais barato num formato menor. O segundo e mais importante era um formato diferente das revistas convencionais, no 21 por 28, que iria permitir soluções inovadoras na diagramação das matérias. Por se tratar de uma revista sem periodicidade (a idéia era fazer uma por ano, quando desse) também queríamos garantir uma certa dignidade, aproximando-a do conceito do livro. As matérias também seriam atemporais, não datadas, garantindo uma vida útil maior. Nosso sonho era fazer uma revista que parasse em pé, literal e figurativamente. Conseguimos isso com a Tupigrafia 4, com quantidade de páginas suficiente para que ela não tombasse quando colocada na vertical, e com maior consistência editorial.


Cada edição tem uma pauta, formada na ocasião do fechamento. Essa lista vem crescendo e já temos possíveis matérias, suficientes para fechar umas três edições. Os amigos e colaboradores sugerem assuntos, dão dicas e vamos incluindo na lista. A seqüência dos assuntos de capa foi: Graffiti, na edição 1, Cartum na 2, Livro na 3, Caligrafia brasileira na 4, Tipografia nas Artes Plásticas na 5, Revistas Tipográficas na6 e Posters na 7. A matéria de capa da Tupigrafia 8 será Poesia. Juntamos a caligrafia com a tipografia no universo da revista por questão de respeito aos mais antigos (a caligrafia). Sabemos da relação intrínseca entre ambas. Além disso, no Brasil a caligrafia é tão pouco valorizada e utilizada raramente no design gráfico nacional, que achamos necessário dar uma força. Nossa carreira internacional está decolando. Não por sermos exóticos, mas porque não somos comportados, entediados ou previsíveis. A riqueza da cultura visual brasileira que gerou e continua gerando projetos tipográficos é enorme. Na próxima esquina pode-se achar um boa idéia para uma fonte. Nos dois últimos anos fomos convidados para fazer palestras e montar exposições no exterior. Eles já perceberam que temos muita coisa para mostrar. O Brasil não tem a menor tradição em tipografia, mas a revista tem funcionado como catalisadora nesse processo de recuperação de atraso e também como estimulante na perda de pudor tipográfico por desconhecimento de causa. Estamos vivendo a história. E, em decorrência, fazendo História. Quem viver, poderá escrever com tipos brasileiros. Acredita que os tipógrafos brasileiros tenham um estilo característico? De forma alguma. Não temos tradição nessa área e, portanto, não teria como se conseguir um estilo em pouco tempo. Tipografia está ligada à cultura visual e ainda demoraremos um pouco para poder definir a nossa identidade tipográfica. O que falta para a tipografia brasileira? Falta experiência, mas acredito que seja somente uma questão de tempo. A produção brasileira está aumentando rapidamente e a qualidade também, com alguns designers estudando e trabalhando no exterior. Qual o projeto que está executando hoje? Estou me dedicando à produção das revistas Tupigrafia e Tipoitalia, isso toma bastante tempo e energia. Meus projetos de fontes estão parados no momento.


Parar no caminh

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ho, sem entrar.

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Parar pra respira

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ar. Refrescar-se.

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Fazer um lanche n

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no parque, na rua.

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Deitar na grama d

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depois de comer.

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palavras Jogo de

Recorte o cubo abaixo e cole suas abas. Para jogar, basta lanรงar o dado e montar o seu poema sem repetir as palavras. Anote abaixo o verso que conseguiu: EX: a poesia comeรงa assim ou termina aqui

comeรงa

a

ou

a poesia

as

si

m

q u i

termina


#2 abril 2010 o conteúdo deste caderno reflete uma pequena mostra de expressões e pensamentos formado por algumas marias e antönios, que estão em busca de novas experimentações e de descobrir suas reais identidades. http://cargocollective.com/mariantonios http://www.flickr.com/zinemariantonia organizadores andrécatoto antoniocarraranouh lucianainhan colaboradores alexandrecosta andrécoelho andrégarbeline cristinavieira gabriellovato josérobertod’elboux julianacsilva miriampappalardo nicolepartos priscilaaraújo ricardodavino rodrigofigueiredo



mariantönios #2