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01 a 15 de junho de 2009

Um nova maneira de beber Aumento do poder aquisitivo da classe média leva consumidores a procurarem qualidade nas cervejas Foto: ARQUIVO PESSOAL

MARIANE GALACINI O número de brasileiros que se aventura no mercado das cervejas especiais cresce a cada ano que passa. Diferentes aromas, sabores, estilos, nacionalidades e os mais de 120 diferentes tipos vêm atraindo, cada vez mais, a atenção de consumidores da bebida. Isso se deve ao fato de que o poder aquisitivo da classe média do País aumentou, fazendo com que mais pessoas procurassem uma melhor qualidade naquilo que já consumiam. Segundo um levantamento da Secretaria Nacional Antidrogas (Senad) e da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), 61% das doses consumidas anualmente pelo brasileiro são de cerveja, tornando-se a bebida mais consumida no País. Dentro dessa porcentagem, as cervejas especiais representaram 5% do mercado nacional em 2010. De acordo com o sommelier de cerveja e gerente de um bar especializado em Campinas Wellington da Costa Alves, o mercado das cervejas artesanais e importadas cresce, em média, de 80% a 90% a cada ano, com um crescimento anual de 30% no mercado de Campinas. Com um maior poder aquisitivo das classes B e C e uma maior variedade nos bares da cidade, que aproveitam o aumento da procura, já é possível fugir das cervejas convencionais pagando um pouco mais. “Existem quatro ingredientes básicos na fabricação da cerveja: água, malte, lúpulo e levedura. Desses quatro, somente temos um deles em abundância, que é a água. A grande maioria dos ingredientes de boa procedência não é do Brasil”, diz Alves, justificando o preço e sabor das cervejas especiais e artesanais no País. Essas cervejas se diferenciam pela

Para Raquel, a maior variedade de bares que oferecem cervejas especiais na cidade fez com que o custo diminuísse utilização da matéria prima – de melhor qualidade –, com nenhum ou poucos aditivos químicos, além de um maior cuidado no preparo, tendo como resultado final um melhor sabor. A universitária Raquel Hatamoto conta que sempre consumiu cervejas especiais, mas que tinha dificuldades em encontrá-las nos bares da cidade. “Faz uns três anos, porém, que os bares começaram a oferecer mais variedades e isso fez com que o preço ficasse melhor, devido ao aumento da oferta”, diz. “Não dispenso um bar com os amigos, com cervejas convencionais, mas aí é mais pelo social, por estar com todo mundo do que pelo tomar cerveja. Felizmente, estou em uma fase da minha vida em que posso gastar um pouco mais com qualidade”, continua. Segundo Alves, as cervejas

CERVEJA VIROU HOBBY Consumir cerveja nem sempre significa ter que ir ao bar. Há quem fabrique suas próprias bebidas em casa para consumo próprio, hobby denominado de homebrew. Esse movimento – que teve início nos Estados Unidos –, já é bastante utilizado no Brasil, no qual as pessoas se juntam com amigos e parentes para fabricar suas próprias bebidas, da maneira que preferirem. Muitas das experiências são trocadas na internet, em sites especializados no assunto. Também é possível encontrar no mercado cursos especializados em fabricação de cervejas, além de cursos de degustação.

passam a ter uma maior relação com a gastronomia, ao serem combinadas com comidas, assim como o vinho. Porém há uma maior variedade e diversidade, facilitando nas harmonizações, realçando os sabores e enriquecendo a experiência gastronômica. Existem três tipos de harmonizações: a por semelhança, quando pratos e cervejas possuem elementos sensoriais que se assemelham e se agregam, a de contraste, quando há características diferentes e a combinação acaba valorizando ambos (como queijo gorgonzola com uma cerveja escura e adocicada, por exemplo) e a de corte, quando elementos da cerveja, como a carbonatação e amargor, “quebram” a gordura e o apimentado presente no prato, limpando o paladar (carne ao molho poivre com uma cerveja lupada, como exemplo). Para o sommelier, a ideia dos bares com maior variedade da bebida é educar as pessoas para que elas consumam produtos melhores, criando um vínculo com esse tipo de mercado. “Cada cerveja é feita para agradar um tipo de público: os que querem sentir o sabor daquilo que estão consumindo ou aqueles que só querem sentirse descontraídos naquele momento”, afirmando que as pessoas não precisam

ficar bêbadas, mas sim terem novas e melhores experiências gastronômicas. O engenheiro ambiental Luiz Fernando Hirayama, que sempre consumiu esse tipo de bebida, conta que percebeu um aumento do consumo desse tipo de cerveja por parte dos amigos, mas que nem sempre está relacionado meramente a uma questão de paladar. “Consumir as cervejas importadas e

artesanais passou a ser visto por alguns como símbolo de refinamento e bom gosto. Muita gente ostenta um pedantismo manifesto principalmente através de um vocabulário especializado, como frutado, amadeirado, mas que na verdade está mais preocupada com o status que aquele padrão de consumo pode lhe significar do que com o prazer sensorial em si”, afirma. Foto: MARIANE GALACINI

Mercado de cervejas especiais cresce 30% em Campinas

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