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Para as inspirações diárias da minha vida. E para a minha maior inspiração. Te amo.


Como tudo começou O sol estava nascendo, derretendo tudo que via pela frente. Tava muito quente. Celulares sem bateria, saltos gastos, roupas sujas e corações leves. Tati, Dani e Beta estavam sentadas na areia com as mesmas roupas da noite passada. Aliás, que noite longa. 1 mês atrás. Beta chegou numa nova cidade, seu pai transferido arrastou a família (que na verdade era ela e a mãe só). Ela era gay. Sabia disso e não tinha problemas em assumir. Seu pai achava que era fase, mas não discutia. Sua mãe achava que era fase, mas fazia de tudo pra "passar logo".


Primeiro dia de aula na nova escola e Beta chegou atrasada. Normal isso. Ficou esperando a primeira aula terminar, sentada na escada lateral. Viu ela correndo lá no fim da rua. Cabelos vermelhos como fogo, do tipo natural sem tintura. Calça jeans meio larga e uma regata branca comprida. Livros na mão e o celular na outra. Tati também estava atrasada. Sentou ao lado de Beta e sem nem pensar duas vezes, disparou a falar. Ela sempre fazia isso. Tati não era gay. Ou pelo menos nunca tinha experimentado. Ainda. Tati e Dani eram melhores amigas desde sempre. Dani era do tipo "foda-se" o mundo. Ela só queria ir a festas e beijar o maior número de caras possíveis. Se apaixonou uma única vez. Ele a traiu com a professora de química no banheiro do colégio. Ela desistiu de vez. Terceira semana de aula da Beta. Mais um dia atrasada. Ela e Tati já eram figurinhas marcadas na escada lateral, onde os atrasados esperavam. As três estavam em quase todas as aulas juntas, e não demorou


pra se tornarem inseparáveis. Beta se apaixonou por Tati, mas fingia que era animação de novas amizades. Sexta, sábado e domingo tinha festa, night, boate, social. Ou qualquer outra desculpa para as três saírem e beberem muito. Dani beijava todos. Tati beijava alguns e Beta, quando aparecia, beijava algumas. Viviam muito bem assim, felizes e contentes aproveitando a vida. Até que coisas começaram a mudar.


Sensações Depois daquele mês de farra e tudo mais, as três comecaram a se conhecer mais a fundo. Os pais de Beta adoravam Tati e Dani. Aliás, gostavam de ver a filha com novas amigas. Seu pai tinha medo de ter traumatizado ela pra sempre ao se mudarem do nada. Tati vivia na casa da Beta, seus pais eram super tranquilos com isso, e na verdade também gostavam muito de Beta. Era bom ver a filha deles com outra amiga a não ser a Dani, que eles achavam meio "louquinha" para ser a melhor amiga da filha deles. Mal sabiam eles… E a verdade é que Dani era desligada. Amava as duas companheiras, mas também gostava de passar o dia em casa cuidando de sua vó e desenhando. Ela era foda nisso! Por isso Beta e Tati estavam mais tempo juntas do qualquer outra pessoa.


E isso tinha outros motivos do que simplesmente a bela amizade. Foi em um sábado desses onde não tinha nada pra fazer. O trio resolveu comprar duas garrafas de vodka, refrigerante e energéticos e as três foram a praia ver as ondas baterem enquanto ficavam muito bebadas. Lá pela metade da segunda garrafa, quando o mundo inteiro já girava sem parar Dani começou a entrar em um estágio meio depressivo. Ela tinha disso. Surtava quando ficava muito bêbada. Deixou Beta e Tati com mais meia garrafa de vodka, porque ela parou, e uma bêbada chorando sob um céu estrelado com lua cheia. As duas não decepcionaram, acabaram com a garrafa. derretendo tudo que via pela frente. Tava muito quente. Celulares sem bateria, saltos gastos, roupas sujas e corações leves. Tati, Dani e Beta estavam sentadas na areia com as mesmas roupas da noite passada. Aliás, que noite longa.


Cansadas e felizes resolveram ir. Dani com o rosto inchado de tanto chorar pegou o caminho contrário para o final da rua. Onde ficava sua casa. Tati e Beta foram pra casa de Beta dormir lá. Os pais de Tati não podiam nem imaginar que ela bebia daquele jeito. Não a menininha deles! Foram cruzando as pernas, se apoiando uma na outra pela rua, que graças a Deus, era uma reta até a casa de Beta. Depois de umas duas tentativas, abriram a porta e subiram correndo para o quarto, que também era suíte da filha única do casal. Tati, que já era de casa, correu no banheiro para fazer xixi, afinal, foram duas garrafas de vodka. Beta ficou no quarto esperando. Com a porta só encostada Tati pôde ver os cabelos bem pretos e lisos de Beta caindo em suas costas nuas enquanto ela vestia a blusa do pijama, viu a cena com um arrepio constante na pele Beta tirar a calça jeans,


meio sem jeito e tonta e colocar aquele shortinho que ficava justinho do pijama, vermelho com desenhos em azul. Ela já tinha visto aquela cena tantas outras vezes. Mas o arrepio agora foi diferente. Deitadas na enorme cama de casal de Beta, Tati se arriscou e chegou mais perto, passou o braço pela barriga de Beta e sem que ela percebesse a puxou pra mais perto. Respirou fundo e sentiu o cheiro do perfume misturado com o cheiro da vodka e do cigarro de menta que ela fumava. Sem perceber, ou mesmo percebendo, chegou mais perto até encostar os lábios no pescoço quente de Beta e se arrepiou toda. Beta, que parecia estar dormindo, puxou o braço de Tati que estava por cima de sua barriga e a trouxe perto o suficiente para….


Lábios diferentes que seus lábios ficassem então a poucos milimetros de se encontrar. A respiração ofegante de Tati pareceu parar. Ela nunca tinha beijado uma menina antes. E teve vontade de beijar Beta naquele instante. Mas


será que Beta também queria? Ou era a vodka em excesso falando mais alto? Beta, sem mexer a cabeça virou seu corpo de lado, seus olhos fixados no de Tati, que estavam iluminados pelos raios de sol, do amanhacer que entravam pela cortina mal fechada. Ela queria tanto beijar Tati, que não sabia o que fazer. Pensou na amizade, pensou em Dani, pensou na vodka, e não pensou em nada. A mão de Tati escorregou da barriga de Beta, aonde estava há um tempo, se arrastou pela cama para chegar ao rosto de Beta. Tati fez um carinho de leve, e disse em um sussurro praticamente inaudível. "Você é linda." Beta riu sem graça, sem tirar os olhos fixos dos olhos de Tati, puxou sua mão, a apertou bem forte entre as suas e sussurrou "Fecha os olhos, por favor". Sem nem perguntar, ou duvidar, Tati os fechou. Beta ainda não sabia o porque tudo aquilo estava acontecendo. Mas a beijou.


Um beijo lento, molhado, ambas de olhos fechados e corpo congelado. A língua de Beta abria caminho na boca de Tati, que pela primeira vez recebia um beijo tão macio e delicado que não teve como parar. Não que ela quisesse. Esperou por isso a noite toda, mesmo que não soubesse. O beijo foi esquentando. E as línguas iam se encontrando e se conhecendo. As mãos se soltaram e se grudaram nas costas uma da outra. Beta em um movimento quase que automático estava em cima de Tati com as mãos em seu pescoço. Ela nunca tinha beijado uma menina tão especial daquela maneira. Tati estava em extase. Ainda não sabia o que queria de verdade, mas preferiu não pensar mais nisso. Nada mais estava em sua cabeça, a nao ser as pernas de Beta no meio das suas. As mãos já não se satisfaziam mais, e as de Beta escorreu até a cintura de Tati, apertandoa de leve, fazendo seu corpo inteiro sentir uma


onda de calor e se contrair de prazer. Quando Beta passou os dedos por entre o short curtinho que Tati estava vestindo para tomar o celular tocou. As duas pararam imediatamente. O tempo tinha passado e não dava para ter percebido. Eram 10:30, o toque, da Dani, avisava que o domingo já tinha começado.

O dia seguinte O celular continuou tocando ate que Beta saísse de sua posição para pega-lo. Ela nao queria ter que se mover. Estava em cima de Tati com as mãos escorrendo em direção ao tao conhecido short curtindo que sua amiga (ou algo que ela ainda nao sabia o que era) usava. Mas o olhar meio confuso de Tati com o toque do celular a convenceu. Ela levantou e foi atender a Dani que já estava combinando a programacao do dia. Atendendo com a voz


de sono mais falsa que conseguiu Beta convenceu Dani a ligar em pelo menos uns 20 minutos. E o que ela mais tinha medo aconteceu. Tati usou a movimentação obrigatória de Beta para sair da cama. Em pouquíssimos passos estava no banheiro de porta fechada. Trancada. Beta surtou. Nao sabia se devia ir atras e pedir a ela para que abrisse a porta ou devia simplesmente deixa-la lá. Ela tambem tinha surtado na primeira vez. Tati saiu do banheiro logo depois e já com a roupa que estava na noite passada. Beta correu para fora da cama: "voce já vai?" "preciso ir, já já minha mae liga querendo saber se estou viva" "nos vemos hoje de novo?" "de repente sim! Vamos ver como vai ser o dia!" E assim, saiu. Encostou a porta toda. E quando Beta já se virava de costas prestes a


se jogar na cama, ouviu a maçaneta se mover, virou rapidamente e viu Tati de volta. Ela veio correndo deu um beijo rapido nos lábios de Beta e sem olhar pra traz desta vez, bateu a porta. E agora? O que era aquilo? Aquele beijo significa o que exatamente? Ela tinha gostado? Ou só quis ser legal? Mas ninguém da um beijo pela segunda vez sem ter gostado na primeira, certo? E a Dani, como ela reagiria? E os pais da Tati? Mas peraí, sera que ela iria querer contar para os pais? A cabeça de Beta explodia cada minuto mais de tantas perguntas. Novamente ela foi interrompida. Era o celular, dessa vez uma mensagem! O nome de Tati na tela fez seu coracao acelerar, ou parar. Nao sabia. Apertou para ler a mensagem enfim....


Uma nova chance Por alguns segundos que pareciam horas, não conseguiu acreditar no que estava bem a sua frente. A mensagem era curta, simples e ao mesmo tempo, muito complexa. "A noite foi muito boa. Desculpa ter saído tão rápido." E agora? Será que ela estava falando de tudo que aconteceu na praia? Da vodka e das risadas de sempre? Ou ela estava falando do que tinha acontecido depois? De qualquer maneira não ia adiantar muito ficar surtando, mais do que ela já estava, nesse momento. Respondeu a mensagem e


se jogou na cama. Repassou cada segundo daquela noite na cabeça, desejando que tudo aquilo não acabasse nunca. Ela não fazia ideia do que significaria para a amizade das tres, mas preferiu não pensar nisso nesse momento. Se levantou lentamente para começar a ir viver, foi a hora que o celular tocou e o coraçao dela, disparou mais uma vez. Foi correndo atras do aparelho, mas quando olhou, era Dani. Tinha esquecido dela. Mais rapido do que Beta, Dani, disparou a falar a programaçao que tinha para o domingo. Beta deixou ela falar tudo que quis e no final fez a pergunta que estava rodeando sua cabeça desde o início da ligaçao. "E a Tati, vai?" E a resposta que ela nunca esperou ouvir: "Lógico! Ela que deu a idéia!" Beta tremeu, mas isso devia significar alguma coisa, Tati queria sair com ela, mesmo depois que tudo tinha acontecido. Ela sorriu, terminou


de falar com Dani, levantou direto pro banho, esse dia ia ser especial. Muito especial. Ela só não sabia o quanto ainda.

Aquele dia O banho durou 10 minutos, ou 10 horas, não saberia dizer. Foram pensamentos e sensações percorrendo seu corpo, relembrando a noite/manhã que teve. Pensando na mensagem que veio depois, no que a Tati disse pra Dani. Era muito. Muita coisa para uma cabeça só confusa como estava a dela. Saiu do chuveiro enrolada na toalha, o cabelo pingando, molhando o quarto todo como de costume, abriu o armário e pela primeira vez em um bom tempo ela teve dúvidas de que roupa iria vestir. Dani tinha avisado no telefone que iam se encontrar na pracinha da cidade, aquele lugar onde todo mundo vai? Pois é! Só que elas tinham um cantinho especial. Passavam os


bancos, sempre ocupados, a pista de skate cheia de meninos e meninas pra lá e pra cá, passavam os brinquedos das crianças, e depois de uma curva, um pouco atrás de umas árvores altas, tinham pedras que pareciam ter sido moldadas para sentar. Não era de todo escondido, dava para uma rua, do outro lado da praça, mas era sempre mais reservado, elas podiam falar o que quisessem e não teria ninguém por perto ouvindo. Iam pra lá com um sonzinho, que ficava baixinho só de fundo, uma garrafa de uma bebida qualquer, chocolate e uma vez ou outra Dani surgia com um baseado, só pra relaxar e alegrar. Por incrível que pareça, elas eram inocentes, e encaravam isso tudo, como uma passagem obrigatória pela adolescencia! Domingo era melhor ainda, a praça ficava ainda mais vazia do que o normal e elas sabiam que ninguém iria atrapalhar o momento. Já eram 5 pras duas. Faltavam só 5 minutos para o horário que elas combinaram chegar.


Beta ainda estava em casa, ansiosa, mas terminando de almocar com seus pais, o que eles praticamente tiveram que obrigar dessa vez, já que a filha quase não parava em casa! O relógio no pulso nunca recebeu tanta atenção, e finalmente o prato estava vazio e os pais a deixaram sair de casa sem mais fazer drama e chantagem que estavam com saudade. A sensação era de que seus pés estavam correndo, sem que ela permitisse em direção a praça. E realmente deviam estar, porque ela nunca tinha chegado tão rápido quanto dessa vez. E meio cansada até. Atravessou a praça toda, quase que deserta, e quando chegou no lugar de sempre, tomou um susto, Tati e Dani já a esperavam. A primeira com uma cara de quem não estava entendendo muita coisa e a segunda com uma cara de quem entendia menos ainda. Beta paralisou.


Voltando a ser o que s達o


Em passos lentos, foi chegando mais perto das duas amigas, não sabia se perguntava o que era ou se preferia não ficar sabendo. Dani a puxou pela mão, colocou o dedo na cara dela e falou nem um pouco baixo: "da próxima vez que você quiser ficar com a minha amiga, você tem que me pedir ok?" Beta podia sentir a raiva em sua voz e a cara de Tati continuava imutável, ela sabia ali que tinha perdido as melhores amigas que já teve e instantaneamente começou a se desculpar, sem nem mesmo conseguir completar uma frase. Dani caiu na gargalhada. Era típico dela fazer esse tipo de brincadeira. Puxou e Beta e a abraçou forte, dizendo que achava super legal elas terem ficado. Tati segurou sua mão de leve, agarrando pelo dedinho mindinho com uma cara de quem não sabia muito bem o que estava fazendo, a puxou de leve e quando Beta se rendeu ao movimento foi surpreendida por um beijo de leve nos lábios. Não em nenhum momento que Tati iria fazer isso, e enquanto isso lá estava Dani com uma cara de boba, daquelas


que ficamos quando unimos um casal fofo! E Beta ainda nem sabia se elas eram um casal! Beta sentou junto com as duas nas pedras, acenderam um baseado para comemorar e começaram a beber uma quase-cheia garrafa de Martini, afinal de contas, era domingo a tarde e elas precisavam de algo leve, sabe como é né? Lá pro meio do baseado, onde a erva e o álcool já estavam deixando seu efeito a mostra Beta não resistiu e perguntou a Tati se ela tinha contado para mais alguém! Na verdade, Beta queria mesmo era saber o que tinha se passado na cabeça dela nas poucas (ou muitas) horas que se passaram depois de que tudo aconteceu! Tati, já meio alta, respondeu com toda sinceridade possível, "só achei que a minha melhor amiga devia saber de uma coisa tão legal que aconteceu comigo" Beta realmente não esperava essa quasedeclaração de Tati. As três ainda riram muito, beberam, acabaram com o baseado e se declararam amigas


eternamente. Tati sempre dava um jeito de pegar na mão de Beta, que a segurava com toda força que podia, não queria que aquele momento passasse. Aquele frio na barriga característico, aquela vontade de parar o tempo e o mundo, para que as três pudessem descer e serem somente elas. A vontade que não passava de que tudo se repetisse eternamente, os beijos de manhã, as mensagens, a mão encaixada. Estava tudo perfeito demais para ser verdade. Beta já estava com medo, esperando o momento onde tudo ia desandar. Ela realmente, devia esperar por esse momento, as experiências diziam, que ele não ia demorar.

Um olhar escondido Beta não pensou nisso no primeiro momento, apesar de desconfiar que algo iria dar errado! Deixou os minutos passarem lentamente, tentando aproveitar cada segundo, cada


momento ali vivido. Era melhor não perder nada, para depois não se arrepender! A garrafa já estava quase-no fim quando o celular de Tati tocou. O toque era único. Sua mãe. Na verdade já estava até demorando, ela não tinha dormido em casa, almoçou correndo e depois saiu de novo, ela até demorou para ligar dessa vez! Aproveitaram a pressão da mãe de Tati e resolveram levantar acampamento! O baseado já tinha acabado, e o efeito dele também, a garrafa com um finalzinho quase insignificante foi deixada lá mesmo, como uma maneira de lembrar aquele dia tão bom. Fizeram como sempre, Dani foi pra casa e Beta e Tati andaram juntas em direção a delas. Aproveitaram o momento para irem conversando. Beta quis entender um pouco mais o que se passava na cabeça de Tati. Tati por sua vez, ainda não tinha entendido as coisas muito bem, mas estava gostando do


que estava sentindo. Admitiu que já tinha sentido vontade de beijar Beta antes, mas nada comparado aquele dia, e por isso tinha decidido tomar alguma atitude. Tati falou também que tinha gostado muito, mas deixou bem claro pra Beta que ainda não sabia onde tudo aquilo iria dar e que não queria apressar nada, queria deixar as coisas rolarem sem nenhuma pressão. A verdade é que Beta gostou da maturidade que Tati demonstrou, o que serviu para ajudar os sentimentos dela a se confundirem ainda mais. Chegaram enfim na casa da Tati, o momento que iam se despedir. Meio que sem saber o que fazer, se olharam bem sem graça e com um sorriso de canto de boca e o coração extremamente acelerado, deram um abraço apertado. Não daqueles normais, mas daqueles que se dá de olhos fechados, movimentos lentos e corpos apertados. Foi um abraço como nunca tinham sentido antes. Daqueles que faz o corpo todo se aquecer e a vontade de continuarem ali agarradas, era


maior do que qualquer outra. O abraço durou mais do que o normal, e toda a linguagem corporal das duas dizia o quanto aquele abraço tinham milhões de significados juntos. E pra quem quisesse ver aquilo ali estava cheio de fogos, calores, carinhos, beijos e abraços. Mas em uma rua onde não tinha ninguém esse problema não importava. Elas só não sabiam que a mãe da Tati estava esperando a filha chegar olhando pela janela de casa. E presenciou toda a cena. E aí aquele momento de pefeição ganhou seu primeiro obstáculo.


Descobertas da vida A mãe de Tati em nenhum momento julgou o abraço que tinha acabado de ver, não só porque gostava de Beta, mas porque confiava em sua filha. E se algo de diferente acontecesse, ela seria, sem dúvidas, a primeira a ficar sabendo. Tati entrou em casa, com uma cara de boba, meio que flutuando sem perceber. Sua mãe não deixou aquela carinha diferente passar despercebida, e a trouxe para o mundo real


com uma pergunta sem nenhuma maldade. "Quem fez minha filha chegar em casa com essa carinha tão feliz?" Tati estava realmente bem feliz, e bem distante, a ponto de estar com a cabeça em outro mundo. Tanto que tomou um susto com a pergunta da mãe e respondeu meio que sem pensar. "Não é ninguém em especial mãe, apenas tive um bom fim de semana." E assim meio rindo, meio viajando, ela subiu para o quarto com a desculpa de que precisava de um banho e já já voltava para jantar com seus pais. Enquanto Tati subia as escadas descalças e com a calça jeans já aberta, sua mãe ficava olhando seu bebe se movimentar pela escadas, assim como ficava olhando quando ela era uma criança se movimentando pela casa. Sonia, mãe de Tati, sabia da opção sexual de Beta, na verdade, não tinha certeza, mas desconfiava, por algumas conversas que já tinha escuta da sua filha com a nova amiga.


Mas no fundo gostava muito dela, era uma menina super educada e de boa índole, tinha um bom coração e estava sempre sorrindo e de bom humor. Mas se preocupava, com as influencias que poderia passar para sua filha. Será que sua menininha iria ceder a esse tipo de influencia? Sonia, preferiu não pensar nisso agora, mas a sementinha estava plantada na sua mente. A ponto dela sonhar com isso naquela noite. Segunda feira estava chegando, e Sonia, não tinha como proibir sua filha de ir a escola, mas na segunda, enquanto Tati se arrastava na cozinha para ir a aula, sua mãe levantou um pouco mais cedo, só para lembrar a filha de que a queria direto em casa depois da aula. Tati não entendeu muito bem aquele recado, mas fingiu que estava tudo bem, pegou sua xícara de café de sempre e saiu andando. Tati já desconfiava do caminho que aquilo estava tomando, mas preferiu não entrar em discussão com sua mãe, iria a partir de agora, tomar mais cuidados. Mas primeiro de tudo, preferiu conversar com Beta e Dani, além de


Beta ser parte envolvida da situação, Dani precisava estar junto na conversa. Ela sempre precisava estar junto. Mandou uma mensagem pras duas e combinaram de matar o primeiro tempo de aula, juntas. Iam se encontrar na parte detrás do colégio, a escada onde tudo tinha começado.


Pela manhã Tati foi andando com passos acelerados, queria colocar tudo para fora que estava tirando a sua respiração. Conhecia sua mãe e sabia que aquela leve indireta de manhã tinha muitos significados por trás, e além do mais ela não tinha dormido metade da noite, ficou rondando pela casa e ela só fazia isso quando estava muito preocupada com alguma coisa. Ela sabia que as coisas iam começar a dar errado e isso a apavorava. Chegando no quarteirão onde ficava a escola, viu a bicicleta de Beta parada na porta junto com todas as outras, era fácil reconhecer, era a única cheia de adesivos de bandas


desconhecidas que só ela adorava. Já no gramado artificial, Tati acelerou ainda mais o passo, e de longe viu Beta sentada na escada, com uma carinha de preocupada e de repente parou. Ficou de longe olhando para aquela menina, que parecia ser tão marrenta, mas que ela sabia, era a pessoa mais fofa do mundo. Ela estava com a calça jeans de sempre meio surrada e rasgada, o all star vermelho que já não era mais vermelho e uma camiseta bem justa que deixava uma parte da sua barriga de fora. Tati ficou parada olhando pra ela, ficou relembrando como era bom o beijo com ela, o abraço, o carinho, o cheiro, o calor do corpo…ficou lembrando como o coração dela nunca tinha acelerado do jeito que acelerava com ela. Voltou a realidade aos poucos e começou a andar novamente em direção a ela. Agora devagar, aproveitando aquela cena que estava fazendo tanto bem! Quando chegou mais perto Beta a viu e sorriu, muito feliz enquanto ela se aproximava, aquele sorriso foi o que fez Tati ter certeza de que ia lutar para viver aquela aventura,


mesmo sem saber onde tudo aquilo ia dar. As duas se abraçaram apertado e Beta disse bem baixinho perto do ouvido de Tati: "Já estava com saudades" Tati riu e respondeu: "Senti sua falta essa noite" E as declarações poderiam continuar por muito tempo enquanto estavam abraçadas, se não fosse Dani chegando logo depois e já cortando o romantismo: "Vocês podem deixar para continuar quando eu não estiver por perto? Fico com ciúmes assim!" As duas rindo abraçaram Dani e as três por pouco não caíram no gramado. Ficaram rindo por alguns segundos, e aí Tati interrompeu o momento e lembro o motivo pelo qual tinha convocado aquela reunião de emergência. Escolheram uma mesa do pátio bem afastada, onde tinham certeza que


ninguém iria ouvi-las. Tati sentou do lado de Beta, bem grudadinha para sentir sua perna encostando na dela e Dani sentou de frente para as duas. Tati contou da noite insônia da mãe e da estranha recomendação durante a manhã e disse para as amigas (ou o que quer que fossem) que sabia o motivo dessa desconfiança toda. Beta fechou a cara, sabia como era aquilo, chegou, por alguns segundos, a ter dúvida se estava disposta a encarar aquela loucura toda, e aí viu de canto de olho Tati sorrindo por alguma besteira qualquer que Dani tinha falado e aí viu ali, naquele sorriso, que valeria a pena. Depois de quase 2 horas de conversa (acabou que mataram duas aulas) muitos risos, momentos tensos, combinações e planos, ficaram decididas que Tati e Beta iriam se afastar, pelo menos na teoria. Para todos os efeitos Tati estaria sempre com Dani, que já estaria preparada para acobertar sempre que necessário. Mas a verdade é que Tati e Beta teriam raríssimos momentos juntas e as duas


prometeram, ali, naquela união sagrada de amizade que fariam de tudo para passar por isso sem machucar ninguém, e saíriam dali, melhores do que agora. Elas iriam tentar, iriam fazer de tudo pra dar certo. Beta resolveu não se chatear desde então, mas sabia que aquilo não acabaria bem. Já tinha vivido antes e viveria de novo. Será que Tati aguentaria? Será que valeria a pena? Será que tudo isso não ia acabar com a coisa mais bonita que já tinha tido na vida? A amizade que elas três mantinham!

A força do amor


Beta não parava de pensar nisso tudo, já tinha perdido muitas pessoas na sua vida por preconceito e por não aceitação de família. Sabia o quão difícil era tudo aquilo, e não queria perder as duas pessoas que mais ela amou na vida. Beta e Tati estavam no quarto de Beta, já que o de Tati era território proibido nesse momento. Iam estudar, estavam prestes a começar semana de provas, e como em todos os outros trabalhos/testes/provas que tinham tido até aqui, estudavam juntas, as três. Dani já estava para chegar, resolveu passar em casa antes para dar um tempinho a sós para o novo casal. Beta e Tati não precisavam nem pedir essas coisas, Dani estava sendo a melhor amiga possível. Beta estava deitada, e Tati no seu colo, abraçada com o nariz no seu pescoço, estavam falando de besteiras e coisas que não tinham sentido, riam com alguma palhaçada, Tati deva beijinhos de leve no


pescoço de Beta e Beta a atacava com cosquinhas, até Tati implorar para ela parar. Em um desses ataques, Beta pulou e ficou em cima de Tati rindo e brincando, até que pararam e perceberam a posição que tinham chegado, Beta então colocou uma das mãos na cintura de Tati, apertou de leve e se aproximou para beijá-la, Tati retribuiu o beijo, colocou suas mãos na nunca de Beta e a puxou para mais perto. A mão na cintura de Tati escorreu para dentro da calça jeans, que por enquanto estava fechada, mas que parecia que não ia durar muito tempo ali. Beta não queria apressar nada, mas estava morrendo de tesão e não conseguiu pensar muito em controlar alguma coisa. Tati não sabia o que fazer, já não era mais virgem, mas nunca tinha feito sexo com mulheres antes, ouvia muitas historias, mas não tinha certeza do que era verdadeiro ou não. Só sabia que a sensação das mãos de Beta percorrendo seu corpo era a melhor do mundo, e decidiu que não ia mandar ela parar, queria ver aonde ia chegar tudo aquilo. Estava


gostando, e principalmente, estava querendo mais. As mãos rápidas de Beta desabotoaram a calça de Tati que soltou um gemido quando sentiu a calça aberta, Beta sabia exatamente o que fazer. Tati estava em extase desde já. Beta puxou o corpo de Tati para cima do seu e a encaixou nas suas pernas, de modo que o corpo das duas pareciam feitos um para o outro, era o encaixe perfeito que tinha levado as duas a loucura. As mãos de Tati já estavam embaixo da blusa de Beta, chegando nos seios dela, bem devagar, aproveitando o momento que estavam tendo, Beta já estava prestes a tirar a blusa de vez, quando ouviram a campainha lá embaixo tocar. E poucos segundos depois, ouviram a voz, inconfundível de Dani: "Meninas, to subindo, cheguei hein!"


Corpos quentes Beta rapidamente tirou Tati de cima dela e arrumou a blusa enquanto Tati abotoava a calca novamente. E neste exato momento Dani abriu a porta, e como nao era boba,


sacou que tinha interrompido alguma coisa. Perguntou se elas queriam que ela voltasse depois, mas as duas disseram que nao, iam se acostumar com o tempo a namorar as escondidas. Ou pelo menos sรณ com Dani sabendo. O estudo em grupo era sempre igual, muitas piadas, historias, risadas e alguns poucos momentos de estudo realmente. A unica coisa que mudava agora era que toda vez que Dani saia para ir ao banheiro ou pegar comida, Tati e Beta aproveitavam para trocar beijos rรกpidos e gostosos. Estavam apaixonadas e ainda nem sabiam. O dia foi chegando perto do fim, quando a mae de Beta bateu na porta do quarto dizendo que a mae da Tati estava no telefone querendo falar com ela. Na mesma hora as tres congelaram e engoliram seco. O coraรงao de Tati acelerou e ela teve vontade de chorar. Nao estava acostumada a mentir para a mae, e sabia que isso ia dar problemas. Saiu do quarto e foi atender o telefone no corredor. Para a mae de Tati ela estava estudando na


casa de Dani. No telefone a voz propositalmente fria da mae, deixou Tati ainda mais arrepiada, e mesmo assim ela tentou falar como se estivesse tudo bem, e foi de cara surpreendida pela pergunta que nao queria calar. "Porque voce mentiu pra mim Tati?" Com a melhor voz que conseguiu Tati respondeu: "Viemos pegar uns resumos que estavam aqui mae, e acabamos ficando" "Tudo bem, nao demore, seu irmão esta vindo jantar conosco." Aquela frase mudou tudo. Tati estava morrendo de saudades do irmão. Ele morava na capital e estudava em uma faculdade super reconhecida, queria ser advogado!! Chique né? Ele era o amor da vida de Dani, e ela ficou em êxtase quando soube que o irmao estava vindo para o jantar, seria a sua salvação essa noite.


Terminou de falar com a mae, correu no quarto e contou a novidade. Dani que já sabia do irmão ficou feliz e comemorou com a amiga, já Beta sentiu uma pontinha de ciumes por nunca ter ficado sabendo daquele irmão que ela tanto adorava. Mas ignorou e ficou feliz pela namorada. Esse irmão ter chegado poderia deixar ela mais feliz, já que andava tao preocupada com os problemas em casa. E ele seria bem útil a elas, sim. E elas ainda nem sabiam disso.

Fator surpresa Tati recolheu suas coisas, deu um beijo longo na namorada e foi correndo pra casa. Dani e Beta continuaram nos "estudos". Beta não conseguia se concentrar, eram milhões de pensamentos passando por sua cabecinha, até que preferiu, colocar para fora e perguntar a Dani: "Qual a história do irmão dela?"


"É simples, eles sempre foram muito ligados, super amigos. Aí ele decidiu ir fazer faculdade na cidade. E ele é tipo um geniozinho. Ela ficou arrasada, foi a época que mais nos aproximamos até, mas com o tempo você se acostuma. Hoje ele é o xodó e orgulho da familia toda, e continua sendo o grande herói amigo dela!" "Entendi….e você acha que ela pode contar a ele?" "Sinceramente? Não sei, mas se contar, pode ser uma coisa boa, ele é menino de cidade grande, entende isso!" Foi o desabafo mais rápido da vida de Beta. Dani conseguiu ao mesmo tempo tranquilizar a amiga e desesperá-la. Ela não queria que Tati contasse tudo pra ele, tinha medo do que podia acontecer e de perder seu mais novo amor. Ficou com medo, tentou esquecer de tudo aquilo e chamou Dani para ir dar uma volta e beber um pouco. As duas passaram a noite fora. Beberam


muito mais do que "um pouco", amanheceram na praia com uma garrafa de vodka vazia e muita dor de cabeça vindo pela frente, e ainda era meio da semana, para fechar com chave de ouro, decidiram ir direto para a aula. Chegaram com aquelas roupas amassadas, areia no tenis e um sorriso meio lesado. Beta foi correndo abraçar Tati assim que ela chegou e aí é que as coisas não ficaram muito legais. Tati não gostou nem um pouco de saber que sua namorada tinha passado a noite fora, bebendo, sem contar a ela. Tati alegou que não queria atrapalhar o jantar em família, e elas tinham combinado de reduzir o número de mensagens enquanto Tati estava em casa, e nem o argumento de que Dani é que estava junto adiantou para diminuir a irritação e o ciúmes de Tati. Todas as aulas foram iguais, Tati olhava fixamente pra frente, não necessariamente prestando atenção, apenas evitando os olhares de Beta. E neste momento Dani preferiu ficar na sua e não se envolver na briga, mas no fundo se sentia um pouco


culpada. Na hora do intervalo, foram conversar perto da quadra e Tati deixou bem claro que se fosse para elas namorarem esse tipo de coisa ela não permitia. O mínimo que ela tinha que ter feito era avisar. Beta, por incrivel que pareça, se limitou a chorar um pouco, não queria ter brigado com sua namorada. Mais aulas se passaram, e por mais que tudo estivesse "desculpado" o clima continou péssimo. Tocou o sinal e todos juntos saíram da última aula. Tati foi com pressa na frente e quando Beta conseguiu puxar o braço dela já estavam no pátio da frente e o carro do irmão de Tati esperando ela. Ele assistiu de longe enquanto Beta dava um beijo no rosto de Tati e segurava sua mão meio que devagar, sem querer soltar. Beta lembrou a Tati o quanto a amava e deixou sua menina ir embora. Tati entrou no carro do irmão, deu um beijo nele, virou o rosto pra olhar pra Beta enquanto o carro andava e deixou uma única lágrima cair nesse momento. Sem Tati perceber, seu irmão


mudou o caminho e quando ela se deu conta, estavam na praia. Com uma cara de confusa, Diego olhou para irmã mais nova, sorriu e explicou: "Já que hoje estou aqui, o dia é nosso, como antigamente, eu e você e mais ninguém" Tati no fundo sabia que aquilo era um pouco de influencia de sua mãe, mas ficou feliz, precisava dele. Pararam o carro e sentaram em um quiosque onde dava pra ver o mar batendo e pegar aquele vento da praia. Diego foi direto ao ponto e Tati não esperava que fosse diferente. "Não conheço sua nova amiga, quem é?" "Relatório da mamãe pra voce?" - Tati estava um pouco sem paciência pra essas coisas. "Não preciso disso para me preocupar e cuidar da minha irmã, nem sou desse tipo, você me conhece." - a questão de falar o que pensa, é de família.


"Eu sei, desculpe, é só que ela está no meu pé com isso" "Ok, eu sei como ela pode ser. Agora responde pro seu irmão, quem é ela?" Tati ficou uns 15 segundos calada, pensando no que responderia. Será que Diego era o mensageiro de sua mãe ou seu irmão querido? Sem perceber, falou sem pensar. "Minha amiga, que eu amo e que se tornou minha namorada há algum pouco tempo atrás." Diego, por mais que desconfiasse, não esperava a resposta da irmã e demorou mais uns 20 segundos, pelo menos, para conseguir formular a resposta. E não era nem um pouco o que Tati esperava.


Verdades ditas e n達o ditas Foram os 20 segundos mais longos da vida de Tati, e ela fez uma cara de quem estava super tranq端ila, ignorando o fato de que tinha acabado de jogar uma bomba no ar esperando pra que ela explodisse. Diego, como se fosse tudo muito normal, respirou fundo para nao falar nada de errado e resolveu comecar com o que ele achava ser uma boa "entrada". "Entao porque voces brigaram hoje?" Definitivamente nao era o que Tati esperava! Depois de uma revelacao daquela ele simplesmente quer saber porque elas brigaram? Ela riu. E ele tambem. "Ela passou a noite com a Dani bebendo na praia e nao me avisou, fiquei meio puta, mas


acho que jĂĄ passou." Diego parecia vindo de outro tempo, ele falava umas coisas.... "O amor nao precisa afastar a pessoa de quem ela realmente ĂŠ. Sao duas pessoas que se amam e aceitam do jeito que sao." Tati entendeu o recado, nao podia pedir para que Beta de uma hora pra outra mudasse, e na verdade nem queria isso. A amava do jeito que era. Diego nao perguntou mais nada sobre as duas, mas precisou entrar no assunto que mais amedrontava Tati. Sua mae. "Voce sabe que Dona Ana esta inquieta com essa amizade de voces nĂŠ?" "Eu sei, ela tem estado atras de mim, mais do que o normal." "Voce pretende contar?" "O que voce acha?"


Os dois riram, Diego levantou para pegar algo para comerem enquanto a tarde corria. Nessa hora o celular de Tati vibrou em cima da mesa, era uma mensagem de Beta. Abriu e resolveu ler, mesmo estando ainda um pouco puta. "Desculpa, nao queria te fazer chorar, eu te amo e cada lagrima sua dói mais em mim, acredite. Curta o seu dia e mais tarde me liga. Queria te ver" Tati riu igual uma boba, era bom saber que tinha alguem em algum lugar pensando nela dessa maneira. Respondeu dizendo que iria tentar ir vê-la, e que já estava tudo resolvido quanto ao "incidente" da noite passada. Diego voltou a tempo de ver sua irmã com um brilho lindo no olhar, do jeito que ele nunca tinha visto antes. "Nao a conheço mas qualquer pessoa que deixe minha irmã com esse sorriso, eu já gosto"


Os dois riram, comeram o lanche que Diego trouxe, conversaram sobre mais algumas coisas da vida dos dois, e quando foram embora Tati pediu a Diego que a deixasse na casa de Beta, ia chegar de surpresa. Diego a deixou lĂĄ, com ordens expressas de contar a D. Ana que tinha deixado Tati na casa de Dani. O dia estava mais ou menos no meio ainda.

Beijo de atĂŠ logo


Tati tocou a campainha e a mãe de Beta veio atender. Deixou a namorada da filha entrar e a mandou subir logo, Beta estava deitada a tarde toda, nao tinha nem aparecido lá embaixo, sua mãe até achou bom Tati chegar, estava preocupada com a filha. Tati subiu as escadas bem devagar para que Beta não ouvisse, mas mesmo que ela subisse correndo, Beta estava com fones de ouvido tão altos que não ouviria nada. Abriu a porta devagar e viu Beta deitada na cama, de lado, de costas para a porta. Olhou em volta e viu as roupas espalhadas, a mochila jogada e o tênis virado. De ponta de pé, deitou atras dela na cama, a abraçou e deu um beijo no pescoço de surpresa. Beta levou um susto, virou rapidamente e se deparou com sua namorada, com aquele sorriso que ela tanto amava ali, na frente dela, só pra ela. Deu um beijo longo, demorado, lento e cheio de vontade na namorada. Largou o fone e o MP3 de lado, segurou os braços de Tati contra a cama, a beijou com mais vontade, desceu para o pescoço e quando sua mão já estava


correndo o corpo da namorada na sede de têla, Tati empurrou Beta e subiu em cima dela, agora foi a vez dela de segurar os braços da namorada e beija-la com vontade. Quando Beta estava se rendendo pronta para tirar a roupa Tati parou. Beta quase gritou de tesão. Tati riu, saiu de cima da namorada sem nenhuma explicação, deitou ao seu lado apoiada no braço, olhando para ela, a beijou no rosto e pediu desculpas pela sua atitude durante a manhã, mas relembrou que não gostou de saber que Beta tinha passado a noite fora bebendo. Se isso fosse se repetir, exigia que ficasse sabendo. Beta se desculpou e disse que nunca mais faria aquilo. Depois de mais um beijo gostoso, Tati se levantou para ir embora. Beta, em uma atitude desesperada, correu para a porta e disse que ela não sairia dali jamais. Tati riu da atitude fofa da namorada, disse que se ela a deixasse sair ela faria uma surpresa mais tarde. Beta parou uns 10 segundos e olhou para a cara da namorada que estava com aquela atitude de "sou eu que


mando, me obedeça já" e resolveu deixa-la ir. Mas que iria cobrar a surpresa! Deram mais um beijo e Tati desceu as escadas, dessa vez correndo. Gritou um tchau para a mãe de Beta e saiu pulando pela rua indo pra casa. Estava feliz. Mais do que feliz até.

O Amor, Simplesmente Chegou em casa, e aí sim as coisas pareciam estranhas! Sua mãe estava fritando camarão, a comida preferida do seu irmão. Ele iria ficar mais essa noite e saíria umas 4h da manhã para ir direto para aula.


Na cozinha Diego e D. Ana estavam rindo e relembrando coisas antigas. A chegada de Tati foi a deixa perfeita para começarem a falar de como ela era quando criança, desastrada e moleque demais. Ficaram os tres rindo durante um bom tempo, como não faziam há algum tempo. Foi muito bom. E lá pro final do tabuleiro de camarão, D. Ana virou e falou para Tati: "Filha, sei que ultimamente tenho estado mais no seu pé do que o normal, mas é coisa de mãe tá? Eu te amo muito, e quero que você seja feliz, só isso". Silêncio no ar. Tati por um momento pensou que Diego tivesse contado, mas quando encontrou o olhar do irmão sabia que ele tinha conversado com ela sim, mas nada que não deveria. E foi o próprio irmão que quebrou o silêncio. "Amo vocês, mas vou dormir que amanhã eu to indo embora muito cedo." Dani seguiu o irmão até o quarto dele, disse que iria ajuda-lo a arrumar a mala. "Você conversou com ela né?" - perguntou


antes mesmo da porta fechar! "Conversei, mas não contei nada. Só disse pra ela ter mais calma com você, que parecia estranho, mas você estava crescendo." irmão mais lindo do mundo né? "Obrigada!" Deram um abraço apertado e se despediram, afinal de contas quando Diego saísse Tati ainda estaria dormindo, ou pelo menos deveria estar. Tati deu boa noite a todos, era cedo, mas disse que estava cansada e se trancou no quarto, sabia que lá, ninguém entraria. Tomou banho e mandou uma mensagem para Beta. "Minha linda, dorme bem e com a janela aberta! Boa noite" Beta não entendeu a mensagem, tinha acabado de sair do banho. Colocou sua blusa de dormir e uma calcinha qualquer, deitou e deixou a janela aberta, como foi pedido.


Já passavam de 1 da manhã, a cidade estava em silêncio, e um vulto corria pelo jardim da casa de Beta. Parou embaixo da janela aberta, escalou pela cerca que tinha ao lado, se segurou no parapeito da janela e puxou o corpo pequeno e magro para dentro do quarto. Silêncio total. Deixou a mochila que carregava de lado, tirou os sapatos, a calça, a blusa e em pouquissimos passos, estava na beira da cama de Beta. Tati ainda estava meio confusa de como fazer aquilo, mas sabia que queria, e muito! Afastou o edredon de cima de Beta, beijou seu pescoço para deperta-la, nesse momento já estava montada em cima dela, e quando Beta finalmente entendeu o que estava acontecendo, as mãos de Tati já estavam entre suas pernas, se aproximando de sua calcinha, já molhada. Beta abriu os olhos e pode ver os cabelos cor de fogo de Tati nas sombras do quarto escuro. E enquanto procurava falar algo, sentiu os dedos de Tati a invadindo, sua blusa saiu sem que ela percebesse e os seus seios já estavam na


boca quente de Tati enquanto o prazer a dominava. Antes de gozar, reuniu forças e conseguiu virar Tati. Ficou nua em cima dela, as coisas estavam acontecendo muito rápido, mas deu tempo de ver o sorriso bobo e cheio de tesão de Tati, e isso a enlouqueceu ainda mais. Tati estava com uma lingerie simples, mas linda, que rapidamente foi parar no chão do quarto. Foram mãos, bocas, línguas e dedos correndo todo o corpo das duas. Beta nunca tinha sentido tanto prazer, deixou Tati a tocar como ela queria. Gozou e fez Tati gozar. Fez um oral que Tati nunca mais iria esquecer, fizeram amor, sexo até o sol começar a raiar. E aí, dormiram. Nuas e abraçadas, tinham algumas poucas horas até dar horário do colégio. Mas todo o sono que sentiriam na aula, valeria a pena.


O Amor, Simplesmente