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A Web 2.0

1. Quem a criou e quando e como surgiu A Web 2.0 surgiu por influência do chamado «estouro da bolha», uma crise das empresas «ponto-com» nas bolsas de valor, em Abril de 2000 (Brandizzi, s/d: 01), acontecimento que potenciou várias mudanças na forma como se cria e se navega na Web. A Web 2.0 surge então, como maneira de colmatar as necessidades de partilha, interacção e comunicação, sendo um conceito proposto desde Outubro de 2004 pela autoria de Tim O’Reilly, numa sessão de brainstorming no MediaLive Internacional e interpretado, num sentido lato, como as novas facetas da internet. Antes de aprofundar de que forma a Web 2.0 se desenvolveu, bem como quais são as suas características e ferramentas mais utilizadas, importa referenciar brevemente quem a criou. Tim O'Reilly, nascido em 1954, em Cork, na Irlanda, é o criador da O'Reilly Media, um admirador dos movimentos de apoio ao software e código livre.

2. O que é a Web 2.0? Na perspectiva do seu criador (O’Reilly, 2005), A Web 2.0 é a mudança para uma internet como plataforma, e um entendimento das regras para obter sucesso. (…) A regra mais importante é desenvolver aplicativos que aproveitem os efeitos da rede para se tornarem melhores quanto mais forem usados pelas pessoas, aproveitando a inteligência colectiva. Isto é, a Web 2.0 nasce como uma plataforma da internet que descreve várias acepções e a sua própria atitude face às tecnologias, nomeadamente através de novas ferramentas e serviços da Web. Por Ferreira, Silva & Simam (s/d: 03), a Web 2.0 compreende um conjunto de tecnologias


interactivas, ou seja, a função da internet evoluiu na sua componente de leitura, pois esta passou a compartilhar equitativamente a componente leitura-escrita, em que o receptor é simultaneamente emissor e ambos compõem um papel activo na comunicação (Patrício, Gonçalves & Carrapatoso, 2008: 109). Com o surgimento da Web 2.0, a informação é reunida em sistemas de elearning, gestores de conteúdo, plataformas colaborativas (Patrício, Gonçalves & Carrapatoso, 2008: 110). Já para Primo (2006, citado por Patrício, Gonçalves & Carrapatoso, 2008: 110), (…) é a segunda geração de serviços online e caracteriza-se por potenciar as formas de publicação, partilha e organização da informação, além de ampliar os espaços para interacção entre os participantes do processo. Nesta ideia, a principal característica da Web 2.0 é o facto de esta fomentar as publicações e organização da informação dos utilizadores, conseguindo quebrar as lacunas e limitações nas interacções entre os mesmos. No entanto, Coutinho e Bottentuit Junior (2007: 01) consideram muitas outras características, sendo que podemos enumerar algumas: a) Possui interfaces ricas e fáceis de usar; b) O seu sucesso depende do número de utilizadores, uma vez que eles podem tornar o sistema melhor; c) A gratuitidade da maioria dos sistemas; d) A maior facilidade em armazenar dados e criar páginas online; e) A mudança constante das informações; f) A constante actualização dos sistemas, com vista à melhoria dos benefícios para os seus utilizadores; g) A criação de comunidades de pessoas interessadas em determinado tema, por meio dos softwares da Web 2.0.

A Web 2.0 combina técnicas informáticas e um conjunto de novas estratégias de teor metodológico, cujos efeitos são significativos para a sociedade, visto que potenciam processos de trabalho colaborativo, de troca afectiva, de produção e circulação de informações, de construção social de conhecimento apoiado pelas TIC (Patrício, Gonçalves & Carrapatoso, 2008: 110). Logo, potencia também a


cooperação, a troca de informações e a sua posterior circulação. A sua utilização evidencia uma transformação do paradigma sobre a concepção da internet e as suas funcionalidades (Patrício, Gonçalves & Carrapatoso, 2008: 110), desenvolvendo-se redes sociais e outras tecnologias do mesmo cariz. Para Romani e Kuklinski (2007, citado por Patrício, Gonçalves & Carrapatoso, 2008: 110), esta é a actual fase em que se encontra a rede, cujo processo é de uma extrema e frequente expansão e sempre focado para o bem da sociedade. Podemos verificar que são vários os autores que acrescentam ou alteram aspectos inerentes à caracterização da Web 2.0. No entanto, todas estas acepções contêm um ponto em comum, de acordo com Patrício, Gonçalves & Carrapatoso (2008: 111), nomeadamente a possibilidade de qualquer pessoa poder criar, publicar e partilhar informação, de forma gratuita, rápido simples e fácil. Neste sentido, esta plataforma poderá então propiciar experiências enriquecedoras, mesmo no âmbito da Educação, experiências das quais falaremos um pouco mais adiante.

3. De que forma se distingue da Web 1.0? A Web 1.0 assumiu-se como a primeira geração da internet, tendo dado início à publicação em via online e o posterior acesso à informação. Nesta Web, o utilizador tem acesso à informação por meio de inúmeras páginas disponíveis mas sem a possibilidade de alterar ou reeditar o seu conteúdo (Ferreira, Silva & Simam, s/data: 03), aceitando o papel de mero espectador (Coutinho e Bottentuit Junior, 2007: 01). Isto é, na Web 1.0 os utilizadores apenas têm acesso à informação como leitura e visualização dos mais variados conteúdos, não havendo, no entanto, a possibilidade de lhe acrescentar, modificar ou organizar novas ideias e conhecimentos, uma vez que as páginas eram trabalhadas enquanto unidades isoladas. Assim sendo, com a enfâse na publicação e participação colaborativa, a


Web passa agora para uma estrutura integrada de funcionalidades e conteúdo (Primo, 2007: 02). Segundo Simão (2006) citado por Ferreira, Silva & Simam (s/data: 03) a maior facilidade de produzir conteúdo e de o colocar online gerou várias alterações na Web, havendo por isso uma efectiva diferenciação entre a Web 1.0 e a Web 2.0. A primeira alteração verificou-se na capacidade de os utilizadores possuírem agora novas maneiras de dialogar, não havendo limites nesse processo e podendo criar comunidades que se centram em torno de um interesse ou temática comum aos mesmos, o que leva à criação de relações interpessoais (Ferreira, Silva & Simam, s/data: 03). Assim sendo, a Web 2.0 passou a ser encarada como uma plataforma, na qual tudo está facilmente acessível e em que publicar online deixa de exigir a criação de páginas (…) e de saber alojá-las num servidor. A facilidade em publicar conteúdos e em comentar os «posts» fez com que as redes sociais se desenvolvessem online (Carvalho, 2008: 08). Esta afirmação indica-nos que comentar alguma opinião e posteriormente publicá-la são agora complementares, ajudando a desenvolver a capacidade de argumentar criticamente e a aumentar as interacções sociais por via online, pois quanto mais intervenientes estiverem inerentes na execução de uma determinada temática, maior é a qualidade. Desta forma, é possível destacar as grandes diferenças entre a Web 1.0 e a Web 2.0 (adaptado de Coutinho e Bottentuit, 2007: 02):

Web 1.0

Web 2.0

O utilizador é o consumidor da informação.

O utilizador é consumidor e produtor de informação.

Dificuldades inerentes à programação e à aquisição de software específico para a criação de páginas na web.

Mais facilidades de criação e edição de páginas online.

Para ter um espaço na rede na maioria dos servidores é preciso pagar.

O utilizador tem vários servidores para disponibilizar as suas páginas de forma gratuita.

Possui um menor número de ferramentas e possibilidades.

Número de ferramentas e possibilidades ilimitadas.


4. Tecnologias e ferramentas da Web 2.0 Enquanto ferramenta de carácter tecnológico, a Web 2.0 está a transformar a internet, cujo desenvolvimento relaciona-se com a própria evolução das tecnologias em que as aplicações compreendem tecnologias interactivas. Destas tecnologias destacam-se primeiramente o AJAX (Asynchoronous JavasScript And XML), sendo a tecnologia de desenvolvimento Web presente nos navegadores (…) para criar aplicações interactivas, mais dinâmicas e criativas (Patrício, Gonçalves & Carrapatoso, 2008: 111). Esta tecnologia engloba uma componente que tem como objectivo proporcionar o dinamismo e a criatividade dos seus utilizadores. As suas principais características são a apresentação baseada em padrões (…) exposição e interacção dinâmica (…) intercâmbio e manipulação de dados (…) e (…) recuperação dos dados (Patrício, Gonçalves & Carrapatoso, 2008: 111). A segunda tecnologia é a API (Application Programming Interface), enquanto interface de comunicação entre componentes software, que permite a outras aplicações (…) electrónicas aceder a funcionalidades ou a dados que armazenam (Patrício, Gonçalves & Carrapatoso, 2008: 111). Deste modo, a API é constituída por várias funções programáveis que permitem complementar os pontos fortes das suas aptidões. Por fim, a última tecnologia é a Web Syndication, enquanto tecnologia que partilha e reúne os conteúdos em formato digital. Reconhecida socialmente por RSS (Really Simple Syndication), enquanto sistema de assinaturas no qual se (…) pode escolher que informações quer receber em software agregador (Primo, 2007: 03), isto porque atribui feeds que proporcionam aos utilizadores receber comunicações automáticas referentes aos conteúdos das fontes de informação. Conjuntamente, estas três tecnologias permitem implementar softwares para a criação de redes sociais (…) Ferramentas de escrita colaborativa (…) de comunicação online (…) de publicação de vídeos online (…) de publicação de


fotografias online (…) de Social Bookmarketing (…) Plataformas de e-learning (…) e Ambientes de realidade/interacção virtual (Patrício, Gonçalves & Carrapatoso, 2008: 111). É importante referir que o seu desenvolvimento evoluiu os modelos de push (conteúdo é cedido ao receptor) e pull (o conteúdo é puxado pelo receptor) que constituem a circulação das informações, bem como apresenta um processo de organização e recuperação de documentos electrónicos, como o Social Bookmarketing. Deste modo, os seus recursos potencializam a construção e organização proporcional e autónoma de informações através de associações, cuja credibilidade e relevância dos materiais publicados é reconhecida a partir da constante dinâmica de construção e actualização colectiva (Primo, 2007: 04). Isto é, a viabilidade, importância e rigor das publicações é reconhecida por momentos de actualização permanente, sendo este fenómeno designado por arquitectura de participação (Primo, 2007: 04) devido aos seus recursos de gestão colectiva do trabalho comum. As suas interacções são condicionadas pelo teor tecnológico em jogo, uma vez que uma rede social forma-se pela conexão de terminais através de um processo emergente que (…) busca evitar uma visão polarizada da comunicação (Primo, 2007: 04). Com base nesta ideia, podemos completar que a Web 2.0 abarca uma panóplia de ferramentas e serviços por via online, cujo propósito é facultar e fomentar a interacção, sendo os seus produtos agregados, concebidos e modificados por acções intencionais dos utilizadores. Como ferramentas que têm despertado o interesse dos utilizadores, no âmbito educativo, Coutinho e Bottentuit Junior (2007: 02-03) apresentam-nos os Blogs e as Wikis, considerando que os primeiros são mais utilizados nesse contexto. É, segundo Gomes (2005, citado por Patrício, Gonçalves & Carrapatoso, 2008: 112), uma página da Web que se pressupõe ser actualizada com grande frequência através da colocação de mensagens (…) constituídas por imagens e/ou textos de (…) pequenas dimensões (…) e apresentadas de forma cronológica. Ou seja, um blog é uma página que tem o intuito de ser constantemente actualizada com base numa


ordem temporal de breves informações. Alguns exemplos destes serviços gratuitos são o WorldPress, Sapo Blog, Webnode. No que se refere às possíveis utilizações pedagógicas dos blogs, os autores Coutinho e Bottentuit Junior (2007: 02) organizam-nas em duas categorias possíveis: 1. Como recurso pedagógico: a. Como um espaço de acesso à informação; b. Como um espaço de disponibilização de informação por parte do professor.

2. Como estratégia educativa: a. Como um portfólio digital; b. Como um espaço de intercâmbio e colaboração; c. Como um espaço de debate; d. Como um espaço de integração. Por conter um cariz moldável e versátil no que diz respeito à gestão e orientação das publicações efectuadas na Web, cede várias potencialidades no que concerne ao contexto educativo. Uma dessas potencialidades é a facilidade em criar componentes ricas e apelativas, integrando ferramentas e sendo acessíveis em qualquer lugar da internet e também, por dar a possibilidade aos utilizadores de poderem deixar sugestões ou comentários à informação disponível. Uma outra ferramenta merecedora de ser mencionada é a Wiki, que significa “rápido” e foi criada por Ward Cunningham em 1995. Representa a concepção de um sistema de produção para divulgação de conteúdos e conhecimentos para a sociedade, tendo sido popularmente associada à Wikipédia, uma vez que permite, rapidamente a qualquer utilizador adicionar, editar e anular conteúdos, mesmo sendo feitos por outros autores. A sua formação é organizada por hipertexto, temáticas ou conceitos. Assim sendo, as Wiki são espaços online, fáceis de criar e permitem a inserção de conteúdos multimédia (Patrício, Gonçalves & Carrapatoso, 2008: 113). Para Ferreira, Silva, & Simam, s/data: 05), a ferramenta Wiki é um conjunto de páginas sem estrutura


hierárquica à priori, ligadas entre si e que permite ao utilizador disponibilizar conteúdos. Ou seja, a Wiki deixa a todos os utilizadores escrever qualquer informação em torno de um interesse comum e depois disponibilizá-los. São alguns exemplos desta, o PodCast, Orkut, Skype, Messenger, entre outros. No campo da educação, as Wiki poderão ser uma mais-valia pelo facto de serem de simples utilização e, ao mesmo tempo, por favorecem uma aprendizagem baseada na colaboração, na interacção e dinâmica dos relacionamentos entre os seus intervenientes; faculta a comunicação na partilha de informação, na melhoria da gestão e organização da informação e dos conhecimentos e proporciona o estímulo, a reflexão, respeito e negociação entre os alunos. Esta ideia justifica-se por Ferreira, Silva & Simam (s/data: 05), quando mencionam que a Wiki é um interface que em contexto pedagógico potencializa a troca e a construção de informações e de conhecimento entre os elementos de uma comunidade educativa.

5. Contributos da Web 2.0 para a educação Segundo Carvalho (2008: 07), com o aparecimento da World Wilde Web alterou-se a forma como aceder à informação e como se passou a pesquisar, preparar aulas (…) ou a comunicar com os outros. A ideia de partilha (…) contribuiu para o seu sucesso, tendo o seu crescimento superado qualquer expectativa. De acordo com esta percepção é possível compreender que a sociedade actual evolui frequentemente e de uma maneira bastante complexa, o que faz emergir novas problemáticas e desafios aos quais esta deverá estar preparada para os resolver. Uma solução foi então o surgimento da “WWW”, sendo uma forma de aceder à informação, repartir e comunicar mais facilmente. Esta configuração de comunicar e de aceder à informação foi também um marco bastante importante para a área da Educação, pois tal como dize Ferreira, Silva e Simam (s/data: 01): “As Tecnologias de Informação e Comunicação aplicadas à Educação proporcionam um ilimitado contacto com a informação ao mesmo tempo que oferece ferramentas e interfaces para que o sujeito interaja de forma


autónoma com essa informação, modificando, interpretando, elaborando saberes e compartilhando-os”.

Com base nesta referência, é possível constatar que as TIC, quando implementadas em âmbito educacional, promovem o acesso ilimitado à informação, nomeadamente na cedência de mecanismos que fazem com os seus intervenientes possam interagir livremente com a informação e em simultâneo alterá-la, compreendê-la, desenvolver novos conhecimentos e partilhá-la. Estas alterações benéficas também se podem manifestar na organização pedagógica, mais concretamente nas relações estabelecidas entre professor-aluno. Contudo, a sua inserção em contexto educativo envolve elevados desafios, nomeadamente compreender como o uso do computador, como mediador do processo de ensino e aprendizagem, provoca um redimensionamento dos conceitos já conhecidos (…) e ao mesmo tempo impulsiona à compreensão de novas ideias e valores (Ferreira, Silva e Simam, s/data: 01). Este desafio tem inerente também, perceber e investigar como é que se pode aprender e ensinar através do seu recurso, dando-se especial enfâse ao papel desempenhado pelos professores. Neste sentido, verificam-se actualmente mudanças na componente educativa visto que, a aprendizagem torna-se cada vez mais voltada para a colaboração no teor das interacções. As TIC podem então ser uma vantagem na aprendizagem de novas maneiras de ensinar, uma vez que poderão fomentar o desenvolvimento do raciocínio. Por esta razão, é importante reflectir sobre a necessidade de inseri-las no contexto escolar e bem como se pode superar a matriz de trabalho individual através de um trabalho colectivo. Torna-se também importante repensar o papel da Escola, pois tal como menciona Patrício, Gonçalves & Carrapatoso (2008: 108) cabe à escola fazer face a estes desafios, oferecendo oportunidades de formação que preparem o cidadão para a realidade da sociedade do conhecimento e minimizando a exclusão social.


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