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FEC / Unicamp Trabalho Final de Graduação - 2019 Aluna: Mariana Rios Castro Orientação: Profa. Dra. Vanessa Gomes

algaroba. CENTRO DE TURISMO


algaroba

CENTRO DE TURISMO

Universidade Estadual de Campinas Faculdade de Engenharia Civil, Arquitetura e Urbanismo Trabalho Final de Graduação 2019 Aluna: Mariana Rios Castro Orientação: Profa. Dra. Vanessa Gomes


pág. 9

01

Localização

O parque Os municípios Clima e paisagem O local pág. 44

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Programa arquitetônico

Introdução

pág.18

02

Temática

Parques nacionais Usuários do Parque Nacional da Serra da Capivara Centro de visitantes hospedagem pág. 66

Referências

pág. 90

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Proposta Conceito Programa Projeto


agradecimentos Ao João e à Jaci, pela inspiração deste trabalho e pela inspiração em tudo. À Adriana, pela companhia e cuidado. Ao Rodolfo, pelo apoio intelectual, emocional e de vida. À Vanessa, pela orientação e ensinamentos. À Niède e ao Parque Nacional da Serra da Capivara, pelo apoio e luta na conservação e disseminação de grandes riquezas arqueológicas. À Deus, por permitir que eu chegasse até aqui e por fazer do sertão nordestino forte e resiliente, em sua história e em seu povo.


Vista para cânion no interior do parque. Foto: Mariana Rios Castro Fig.1.


INTRODUÇÃO

O turismo tem se configurado como uma das atividades econômicas que mais crescem nos últimos anos. Segundo a Organização Mundial do Turismo, o turismo mundial tem previsão de crescimento entre 3% e 4% em 2019. Além disso, de acordo com o último levantamento da entidade, o setor registrou, em 2018, o segundo melhor resultado dos últimos 10 anos, atingindo a marca de 1,4 bilhão de chegadas internacionais no mundo todo, um aumento de 6% em relação a 2017. Apesar do resultado positivo, países do continente americano se localizam nas últimas posições de crescimento, com 3% de alta no período 2017/2018 [1]. No Brasil espera-se crescimento do setor em 2019. Para isso, devem ser gerados recursos para o incremento da competitividade e incentivo à inovação na área. De acordo com o ministério, um novo ambiente de negócios promove um mercado de viagens mais acessível, gerando em-

pregos, renda e desenvolvimento [1]. Diversos países, que almejam um aumento no número de visitantes, têm buscado diversificar sua oferta turística, fornecendo produtos e serviços que vão desde o turismo praia-sol até o turismo de eventos, ecoturismo e turismo cultural. Dentro do Brasil a busca pelo turismo praia-sol está em primeiro lugar nas preferências da população, seguido pelo ecoturismo e turismo cultural [2]. Este Trabalho Final de Graduação discute o incremento e desenvolvimento do turismo cultural. Esse tipo de turismo está associado ao fenômeno da globalização e gera, por parte das culturas receptoras, uma necessidade de redescobrir e fortalecer sua identidade cultural e de ressignificar seu patrimônio. Já por parte visitantes, a globalização gera o interesse pela cultura de outros grupos [3]. O turismo cultural procura no patrimônio cultural uma nova fonte de atrati-

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LOCALIZAÇÃO | O PARQUE vos turísticos visando não somente atender crescente demanda que se observa neste segmento, como também à forma-

sileiro mais bem sucedido no que diz respeito à apresentação de registros e objetos arqueológicos. Sua importância cultural e

tação de novos e diferenciados produtos. Neste contexto inclui-se o patrimônio arqueológico (também cenário para o trabalho aqui apresentado), uma vez que este é parte integrante do patrimônio cultural de uma nação [4]. Em países como o México, Peru e Egito, o patrimônio arqueológico apresenta-se por meio de estruturas de alta

histórica deve-se ao fato de que o parque conta com a maior concentração de sítios arqueológicos por km² do continente americano e mais de mil sítios com pinturas e gravuras rupestres pré-históricas, tendo a maior concentração de pinturas rupestres do mundo [5]. Apesar de tamanha relevância histórica, a infraestrutura turística no parque

visibilidade. Isso atrai grandes fl uxos turísticos de diferentes partes do mundo, promovendo, além da rentabilidade eco-

e seu entorno ainda são incipientes. Tanto em seu interior quanto noseu entorno há pouca oferta de hospedagem e alimenta-

nômica, a conservação desse patrimônio. No Brasil, o uso do patrimônio arqueológico com fi nalidades turísticas ainda é incipiente se comparado a outros países. Poucos são os sítios arqueológicos que apresentam projetos turísticos ou museológicos onde os vestígios estudados

ção. O acesso ao parque não é facilitado e poucas são as informações turísticas disponibilizadas nas cidades do seu entorno. Esses fatores além de difi cultarem a atração de mais turistas para esse patrimônio, não permitem atender a demanda de mais de 200% de crescimento no número de visitantes prevista para este ano [6].

podem ser observados e compreendidos através de informações e sinalização adequadas. Como premissa e principal indutor deste trabalho temos o Parque Nacional da Serra da Capivara, no Piauí, exemplar bra-

O presente trabalho propõe então a criação do Complexo de Turismo e Lazer Algaroba, como apoio ao Parque Nacional da Serra da Capivara. O projeto se constitui por um centro de visitantes principal e um centro de hospedagem. O objetivo do

10 10


LOCALIZAÇÃO | O PARQUE complexo é, além de atender uma demanda de visitação iminente, promover a divulgação deste patrimônio arqueológico

da sobre a gestão, organização e funcionamento do Parque Nacional da Serra da Capivara e outros parques nacionais; (3)

mas, por meio da atração de mais visitantes. Para a concepção deste trabalho acredita-se que o turismo arqueológico seja capaz de atuar como instrumento de revitalização do patrimônio arqueológico. Assim, o incentivo a este tipo de turismo estimula e incita a aplicação de mecanismos de proteção, conservação e divulga-

uma exploração dos diferentes programas relacionados ao turismo cultural e ao ecoturismo; e (4) uma descrição da proposta e das soluções arquitetônicas. Cabe ainda explanar sobre o nome do projeto. Algaroba (fi g. 2) é o nome dado ao fruto da algarobeira, planta largamente difundida e cultivada na região do semi-árido nordestino. É possível observar a

ção do patrimônio. O projeto busca se conceber de modo a se conectar ao espaço no qual está inse-

presença dessa árvore em diversas casas do sertão piauiense, sendo ela bastante estimada pelos moradores. A árvore rece-

rido; uma localidade complexa no que diz respeito às características climáticas, geomorfológicas, sociais e econômicas. Ao mesmo tempo, surge a indagação por uma arquitetura autoral, que respeite o espaço que acolhe o projeto e que vislumbre em meio a este cenário novas possibilidades estéticas, as quais também devem atuar

be a alcunha de “planta mágica” graças à sua alta resistência à seca, não perdendo suas folhas nem mesmo nos períodos mais secos do ano. Por isso, é comum observar cotidianemente as pessoas se abrigando na sombra dessas árvores, para conversas entre familiares e amigos. Do mesmo modo, vislumbra-se

um novo atrativo para o local. Desse modo, este trabalho se divide em quatro frentes: (1) uma explanação sobre o Parque Nacional da Serra da Capivara e suas questões geográfi cas e de infra-estrutura; (2) uma defi nição mais detalha-

esse projeto como um fragmento vivo em meio ao árido da caatinga nordestina. O complexo visa abrigar a população local aqueles que tenham interesse por esse lugar tão singular, enigmático e encantador.

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11


LOCALIZAÇÃO | O PARQUE

1. MINISTÉRIO DO TURISMO. Crescimento do turismo mundial pode chegar a 4% em 2019. 2019. http:// www.turismo.gov.br/%C3%BAltimas-not%C3%ADcias/ 12306-crescimento-do-turismo-mundial-pode-chegar-a-4-em-2019.html 2. MINISTÉRIO DO TURISMO. Caracterização e Dimensionamento do Turismo Internacional no Brasil – 2012-2016. Relatório Descritivo 2012 – 2016. FIPE, São Paulo, 2017 3. TOSELLI, C. Turismo Cultural, participación local y sustentabilidade: algunas consideraciones sobre la posta en valor del patrimônio rural como recurso turístico en Argentina. Portal Iberoamericano de Gestión Cultural. 2003. 4. VELOSO, Tânia Porto Guimarães; CAVALCANTI, José Euclides Alhadas. O turismo em sítios arqueológicos: algumas modalidades de apresentação do patrimônio arqueológico. Revista de Arqueologia, v. 20, n. 1, 2007. 5. FUMDHAM. Parque Nacional da Serra da Capivara. http://www.fumdham.org.br/parque/ 6. NOVA VITRINE NO SERTÃO. Pesquisa Fapesp, São Paulo, 2018. http://revistapesquisa.fapesp.br/2018/10/17/

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nova-vitrine-no-sertao


LOCALIZAÇÃO | O PARQUE Algarobeira no quintal de uma casa no interior de São Raimundo Nonato. Foto: Mariana Rios Castro Fig.2.

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13


14 14


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LOCALIZAÇÃO o parque O Parque Nacional da Serra da Capivara foi criado em 5 de junho de 1979, com área total de 130.000 hectares, sendo apenas 30% dessa área visitável. A proteção ao Parque foi ampliada pelo decreto de nº 99.143 de 12 de março de 1990 com a criação de Áreas de Preservação Permanentes adjacentes, as quais tem um total de 35.000 hectares [7]. O Parque localiza-se no semi-árido nordestino, na porção sudeste do Estado do Piauí, fronteira entre duas formações geológicas, sendo caracterizado pela presença de serras, vales e planície, e fauna e fl ora específi cas da Caatinga. Devido ao seu valor histórico e cultural, o Parque Nacional da Serra da Capivara foi declarado em 1991 pela Organização das Nações Unidas pela Educação, Ciência e Cultura (Unesco) como Patrimônio Cultural da Humanidade [7]. Em 1993 foi tombado como Patrimônio Cultural Material pelo IPHAN, com registro no Li-

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ÁREA EQUIVALENTE

164,5

Parque do Ibirapuera (área total)

Piauí

3

Zion Nation Park (área visitável)

2

Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros (área total)

Parque Nacional da Serra da Capivara

F


PARQUE NACIONAL DA SERRA DA CAPIVARA

LOCALIZAÇÃO | O PARQUE vro do Tombo Arqueológico, Etnográfi co e Paisagístico. Isto evidencia o reconhecimento da importância do Parque tanto no contexto local, nacional e internacional [8]. O principal atrativo do Parque Nacional de Serra da Capivara (fi g. 3) são as paisagens e os sítios arqueológicos com pinturas e grafi smo rupestres. O Parque possui 1223 sítios com arte rupestre cadastrados. A infraestrutura do Parque conta com acesso a 16 circuitos turísticos que abarcam 128 sítios arqueológicos, três guaritas de entrada, toaletes, loja de souvenir, um centro de visitantes, exposição e lanchonete, 300 km de trilhas carroçáveis, mais de 100 km de trilhas para pedestres,

N

0 Fig.3.

Vista aérea do Parque Nacional da Serra da Capivara. Fonte: Google Earth

30 km

placas indicativas ao longo dos circuitos turísticos e 35 condutores de turistas [8] [5]. Entretanto, durante visitas foi possível observar que embora a estrutura física esteja presente no parque, muitas delas estão deterioradas e fora de funcionamento. Por exemplo, a loja de souveniers e a lanchonete no interior do parque foram fechados, os toaletes apresentam falta de

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17


0 30

PARQUE NACIONAL DA SERRA DA CAPIVARA

-8°30'

Fig.4.

Mapa geral do Parque Na-

cional da Serra da Capivara.

50 0

-8°35'

40 0

0

50

50

0

50 0

500

-8°40'

-8°45'

LEGENDA

500

500

500

50

0

Museu do homem americano

Coronel José Dias 600

-8°50'

Museu da Natureza 500 900

Guarita entrada turística

0

50

60

0

-8°55'

N

Limite do parque Rodovias

-9°

São Raimundo Nonato 400

Centro de visitantes

Estrada carroçavel

30 km

0 0

-9°5'

60

0

50

400

Estrada 4x4 Trilhas


LOCALIZAÇÃO | O PARQUE manutenção, bem como as placas indica- o passar do tempo. Embora o acesso a este tivas, e nem todas as guaritas se encon- circuito seja facilitado ele não é universal, tram em funcionamento. pois não é adptado a pessoas com defi ciPara se ter acesso ao Parque é necessária a contração de um condutor de visitantes reconhecido pela FUMDHAM e pelo ICMBIO, por meio da realização de cursos de condução de visitantes. Para isso foi criada a Associação de Condutores de Visitantes Ecoturísticos do Parque Nacional Serra da Capivara–ACOVESP. [7] Um dos circuitos mais procurados

ência [8]. Embora o Circuito do Desfi ladeiro da Capivara atraia muitos visitantes o Circuito Boqueirão da Pedra Furada ainda é o é o mais tradicional e procurado. A imagem da Pedra Furada (fi g. 5) é o símbolo do parque, evidenciando sua notoriedade. Este circuíto possui quatorze sítios, sendo sete destes parcialmente adaptados para

para vistação é o Circuito do Desfi ladei- cadeirantes [8]. ro da Capivara, devido a sua facilidade de Segundo a FUMDHAM [5] o parque acesso e atrativos. Esse circuito é compos- possui ao todo 17 sítios adaptados para deto por onze sítios arqueológicos e localiza-se próximo a BR 020. Dentre seus atrativos está sua confi guração natural, já que o desfi ladeiro conserva melhor a umidade e faz com que as plantas sofram menos os efeitos da seca. O circuito conta ainda com uma trilha que leva ao Boqueirão do Paraguaio, onde há grandes fi guras huma-

fi cientes físicos. Entretanto, CARVALHO [8] afi rma, embasado em visitas de campo e medições em loco, que estes sítios não são completamente acessíveis. Por exemplo, a Toca do Boqueirão da Pedra Furada, embora possua acesso pavimentado desde o estacionamento (fi g.6), possui largura de calçada, em alguns trechos, inferior a

nas estilizadas e decoradas com traçados geométricos. Outro trajeto mais íngreme (2h30 de caminhada) leva aos sítios do Circuito dos Veadinhos Azuis, no qual há pinturas que adquiriram tom azulado com

1,20m (largura mínima de acordo com a norma da ABNT). O mesmo acontece na Toca do Fundo do Baixão da Pedra Furada, onde a largura é de 0,90 m. Já no Boqueirão da Pedra Furada o espaço de manobras

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Fig.5. Vista para Pedra Furada.

Foto: Mariana Rios Castro

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LOCALIZAÇÃO | O PARQUE é inferior ao necessário (1,50mx 1,50m). Esse tipo de situação se repete em outros sítios arqueológicos que apresentam algum tipo de adaptação. Além disso, os sanitários do centro de visitantes não são adaptados e em nenhum dos sítios pesquisados encontrou-se qualquer placa informativa em Braillee, nem sinalização tátil nos pisos. Para os defi cientes auditivos a maior difi cultade se encontra na comunicação, já que durante visitas não foi verifi cada a presença de condutores com conhecimento em libras. Embora existam placas autoexplicativas com informações gerais em algum sítios, muitas destas não encontram-se em bom estado de conservação, difi cultando a compreensão por parte dos visitantes. Tendo em vista a questão de acessibilidade a pessoas com defi ciência física, busca-se neste trabalho incorporar não somente o uso do desenho universal no projeto como um todo, mas também pre-

Fig.6.

Rampa do Boqueirão da Pedra Furada. Foto: Mariana Rios Castro

ver a criação de espaços que demonstrem atenção à acessibilidade. Para isso, estes espaços inseridos nos edifícios propostos devem conectar e aproximar este tipo de usuário às informações e à experiência

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30 0

Sítios e circuitos ar-

Fig.7.

queológicos

2 Sítio do Meio (Sítio do)

23 Casa do avô do senhor Nivaldo - Neco Coelho (Sítio da)

3 Pedra Furada (Toca do Boqueirão da)

24 Pica-pau (Toca do)

4 Extrema II ou do Gato (Toca da)

25 Nova do inharé (Toca)

5 Oitizeiro (Toca da cacimba do)

26 Serrote do tenente Luís (Toca do)

1 Barreirinho (Sítio do)

50 0

Morcego

8 0 40

22

0

Serra Branca 24

4

Boa Vista

16

13

5

10

27

7 Oitenta ou do Henrique (Toca dos)

50 0

18

6 Morcego (Toca do) 500

25

20

50

São João Vermelho

27 Gamela (Toca da)

8 Pinga da escada (Toca do)

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Congo

9 Aldeia da queimada Nova (Sítio da) 10 Congo I ou do Jorge (Toca do)

Desfiladeiro da Capivara

Zabelê

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11 Coqueiros ou do raimundo Velho (Toca dos) 500

12 Serrtote das moendas (Toca do)

500

500

50

0

9 3

600

11

Serra talhada Serra vermelha

1

2

Barreirinha

14

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Coronel José Dias

13 Baixa do carvoeiro (Sítio da)

Região dos serrotes

14 Antonião (Toca da Janela do)

12

17

15 Gordo do garrincho (Toca do)

23 7

500

16 Tanque de São João Vermelho (Sítio em frente do morro do )

0

50

15

17 Cima dos coqueiros (Sítio de)

N

18 Cachoeira da estrada do olho d’água do congo (Sítio) 19 Araras do gongo I (Paredão das)

30 km

0

0

0

50

400

Limite do parque

20 Leguas (Toca das)

Rodovias

21 Baixão do saco (Sítio do)

Estrada carroçavel

22 Pau doida (Toca do) 60

400

São Raimundo Nonato

Estrada 4x4 Trilhas


LOCALIZAÇÃO | O PARQUE turísticas e educacional do parque. Este assunto será abordado mais profundamente durante a explicitação da pro-

pré-históricos, urnas funerárias e esqueletos, além das imagens desenhadas e a descrição da megafauna que viveu na re-

posta, no capítulo 4. Além dos sítios arqueológicos e da paisagem deslumbrante o Parque Nacional da Capivara possui dois atrativos museológicos: o Museu do Homem Americano (fi g.8) e o Museu da Natureza (fi g. 9). O primeiro situa-se na sede da FUMDHAM e foi inaugurado em 1994,

gião. A exposição se encerra com amostras da biodiversidade atual. Já o Museu da Natureza propõe ao visitante uma viagem multissensorial, através de uma narrativa apresentada no decorrer da exposição, que mostra a criação do universo e os impactos climáticos nas constantes transformações da fauna e da fl ora. O museu foi construído numa

com o objetivo de divulgar a importância do patrimônio cultural deixado pelos povos pré-históricos na região.

região de grande concentração de sítios arqueológicos e tem seu acervo dedicado aos fósseis, aos levantamentos geológicos

A exposição mostra os resultados de mais de quatro décadas de pesquisas realizadas na região do Parque. O museu conta com um acervo que se inicia com uma visão da evolução dos hominídeos e a apresentação das teorias de povoamento da América, seguida da vida do Homo Sapiens na região duran-

e à natureza da região. O museu destaca as mudanças climáticas e os eventos geológicos que ocorreram na região do Parque. Por exemplo, há 9 mil anos a porção alta da Serra da Capivara era composta pela Floresta Amazônica e a planície pela Mata Atlântica. Com as mudanças climáticas, a fl oresta desapareceu e a Caatinga se ins-

te o Pleistoceno e o Holoceno. Durante a visita é possível também conhecer a história da escavação arqueológica do sítio do Boqueirão da Pedra Furada. Também estão expostos instrumentos

talou. Ainda hoje há espécies animais e vegetais desses dois biomas que sobreviveram na região. Inaugurado no fi nal de 2018, o novo museu se apresenta como a mais recen-

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LOCALIZAÇÃO | O PARQUE

Fig.8.

Paredão com pinturas rupestres no interior do parque. Foto: Mariana Rios Castro

Fig.9.

Percurso dentro de um dos sítios arqueológicos. Foto: Mariana Rios Castro

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LOCALIZAÇÃO | O PARQUE

7. ICMBIO. Parque Nacional da Serra da Capivara. http://www.icmbio.gov.br/portal/visitacao1/unidades-abertas-a-visitacao/199-parque-nacional-da-serr -da-capivara 8. CARVALHO, S. M. S. (2012). Acessibilidade do Turismo no Parque Nacional Serra da Capivara–PI. Revista Turismo em Análise, 23(2), 437-463. 9. OLIVEIRA FILHO, R., & MONTEIRO, M. DO S.2 Ecoturismo no Parque Nacional Serra da Capivara: trata-se de uma prática sustentável?. Revista Turismo Em Análise, 20(2), 230-250. 2009. 10. G1. Aeroporto internacional avaliado em R$ 17 milhões está subutilizado no PI. http://g1.globo.com/ pi/piaui/noticia/2016/10/aeroporto-internacional-avaliado-em-r-17-milhoes-esta-subutilizado-no-pi. html

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LOCALIZAÇÃO | O PARQUE te estrtatégia de divulgação do parque e atração de visitantes [5]. Na época da inauguração do museu, Niède Guidon,

ao aeroporto tinha a capacidade máxima de transportar 32 passageiros por voo. A quantidade de voos e passageiros passou

diretora-presidente da FUMDHAM e o maior nome na história do Parque, concedeu uma entrevista afi rmando que para estimular o turismo na região é necessário fomentar a construção de hotéis de qualidade [6]. Atualmente, o acesso ao parque pode ser realizado de ônibus a partir de Teresina-PI (522 km), de onde partem

então a não viabilizar o funcionamento do aeroporto, já que os custos de manutenção. do aeroporto chegam, em um ano, a R$ 4 milhões. Em 2017 a empresa de transporte aéreo suspendeu as atividades no aeroporto e atualmente este recebe apenas voos particulares [10]. Na época, o então secretário de transportes do Piauí justifi cou a ausência

ônibus três vezes ao dia ou a partir de Petrolina-PE (304 km), de onde os ônibus partem uma vez ao dia [5]. Essas duas ci-

de voos para o Parque Nacional da Serra da Capivara como um consequência da ausência de variedade e qualidade hoteleira

dades possuem aeroportos que recebem vôos domésticos. Em 2016 foi inaugurado o Aeroporto Internacional Serra da Capivara em São Raimundo Nonato, com o objetivo de facilitar o acesso de turistas ao Parque Nacional. Incialmente o aeroporto recebia quatro voos regulares por semana, os

na região. Esta situação diminui o interesse de turistas em visitar o parque, uma vez que difi culta sua permanência no local. Por isso, acredita-se que a proposição de um serviço hoteleiro na região, ao auxiliar na atração de mais visitantes, possa contribuir para o desenvolvimento de outras práticas e serviços na localida-

quais eram realizados por uma companhia aérea subsidiada pelo governo do estado, uma vez que as companhias aéreas privadas não demonstravam interesse em atuar na região. A única companhia que voava

de. Assim, é possível despertar o intersse por parte de companhias áreas em adicionar este destino em suas rotas e assim viabilizar o funcionamento do aeroporto. Com a presença do aeroporto e de servi-

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LOCALIZAÇÃO | O PARQUE ços hoteleiros diversos e de boa qualidade, alavanca-se o turismo e contribui-se para o desenvolvimento social e econômico da região.

Fig.10.

Museu do Homem Americano. Foto: Mariana Rios Castro

Museu da Natureza. Fonte: https://super.abril.com.br/ciencia/museu-da-natureza-o-mais-novo-atrativo-da-serra-da-capivara/ Fig.11.

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LOCALIZAÇÃO | OS MUNICÍPIOS Fig.12. Os municípios integrantes do

Parque Nacional da Serra da Capivara. Fonte: IBGE. Edição: Mariana Rios

os municípios O Parque Nacional da Serra da Capivara localiza-se em quatro cidades na porção sudeste do Piauí. São elas: São Raimundo Nonato, Coronel José Dias, João Costa e Brejo do Piauí. São Raimundo Nonato é a com maior PIB (Produto Interno Bruto) e a maior dentre elas, com cerca de 35 mil habitantes. Esta cidade é o mais importante centro econômico da Região Sudeste do Estado e concentra a maior oferta hoteleira da

Castro

dade passou a contar com políticas estruturantes para integrar a cidade ao mundo através da arqueologia. A partir de então o Estado se fez mais presente e várias instituições do poder público foram implantadas na cidade, fazendo com que ela passesse a desempenhar um papel de cidade média no semiárido

região. A economia municipal se sustenta predominantemente nas atividades do setor de prestação de serviços, que responde por 77% do PIB do município. Em seguida aparece o setor de indústrias com 13% do PIB [11]. Em 1970 a descoberta de vestígios arqueológicos na região de São Raimundo Nonato impulsionou sua economia, através da criação do Parque Nacional Serra da

nordestino [13]. Junto aos outros três municípios São Raimundo integra a região turística do polo das origens, onde o Parque Nacional da Serra da Capivara, junto ao Parque Nacional da Serra das Confusões, são os principais atrativos. O polo das origens foi defi nido em 2009 por meio do Programa de Desenvolvimento do Turismo - PRODETUR, um programa implementado pelo Governo Federal, por meio do Ministério do Turismo (MTUR) e que visa aumen-

Capivara. Com a possibilidade de exploração turística e estudos científi cos, a ci-

tar a capacidade competitiva de destinos turísticos brasileiros e consolidar

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1 2

3

4

N

LEGENDA 1. Brejo do Piauí 2. João Costa 3. Coronel José Dias 4. São Raimundo Nonato Parque Nacional da Serra da Capivara


LOCALIZAÇÃO | OS MUNICÍPIOS a política turística nacional [12]. A escolha dos municípios que integram o Parque Nacional Da Serra da Capivara evidencia

região como patrimônio arqueológico [14]. O turismo possui destaque na

que a importância e potencial turístico da região são reconhecidos pelos órgãos competentes. Já Caronel José Dias é um município com cerca de 4.541 habitantes, sendo que 90,8% desse total são residentes da zona rural. Sua economia gira basicamente em torno dos setores primário e terciário. Em 2011, cerca de 71% do PIB do município

economia local, pois possui algumas pousadas rústicas localizadas mais próximas das portarias do Parque Nacional da Serra da Capivara, as quais são procuradas especialmente pelos turistas que não vão ao Parque em veículos próprios e precisam se estabelecer em local mais próximo. Recentemente, com a implantação do Museu da Natu-

era proveniente da prestação de serviços [11]. O município fazia parte da área de São Raimundo Nonato e foi desmembrado e

reza no município, acredita-se no incremento da economia local. O museu é um dos maiores investimentos em

instalado ofi cialmente em 1 de janeiro de 1993 [14]. Coronel José Dias abriga a maior parcela em área do parque (28,80 %). O nome do município é uma homenagem ao coronel José Dias de Sousa. que exerceu larga infl uência no cenário político e social da região. Parte das terras que perten-

ciência e cultura do interior nordestino [15]. João Costa é um pequeno município brasileiro com cerca de 3.000 habitantes, sendo que 73,3% desse total são residentes da zona rural. A economia é centrada basicamente nos setores primário e terciário, mais especifi -

cem ao Parque Nacional da Serra da Capivara eram de propriedade do coronel José Dias de Sousa. Os seus descendentes as doaram à República Federativa do Brasil, num gesto que valorizou a importância da

camente nas atividades de agricultura e prestação de serviços [11]. O município foi criado em 14 de dezembro de 1995, sendo instalado em 1 de janeiro de 1997 por desmembramento do município

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LOCALIZAÇÃO | OS MUNICÍPIOS de São João do Piauí [16]. A área da cidade que abriga o parque não concentra sítios arqueológicos, fazendo com que o turismo não impacte signifi camente na economia local. O mesmo acontece Brejo do Piauí, que abriga uma área ainda menor do parque. O munícipio possui cerca de 5.000 habitantes [11]. Esse panorama dos municípios mostra que as cidades que abrigam as maiores parcelas em área do parque são aquelas que sofreram impactos signifi cativos em sua história e economia com as descobertas dos vestígios arqueológicos. Entranto, mesmo com o potencial apre-

Fig.13. Centro de São Raimundo Nonato. Fonte: Mariana Rios Castro

Fig.14. Centro de Coronel José Dias. Fonte: Mariana Rios Castro

Fig.15. Centro de São João do Piauí. Fonte: http://saojoaodopiaui.pi.gov.br/turismo

Fig.16. Centro de Brejo do Piauí. Fonte: https://www.consolidesuamarca.com.br/ registro-de-marcas-brejo-do-piaui-pi

sentado, a economia desses municípios ainda se mostra incipiente quando relacionada ao turismo. Por isso, acredita-se que a implantação do projeto proposto neste Trabalho de Graduação seja pertinente e necessário, por permitir um maior desenvolvimento social e econômico da região.

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LOCALIZAÇÃO | CLIMA E PAISAGE,M

clima e paisagem O clima na região onde se insere o Parque Nacional da Serra da Capivara é semiárido. Duas estações bem dife-

meses mais quentes, os quais coincidem com o início do período chuvoso (fi g. 15). As chuvas se estendem de forma mais sig-

renciadas se alternam originando uma grande variação no cenário natural. Parte da característica da paisagem deve-se ao grande volume de água que escorre com força pelas rochas no período chuvoso, causando forte efeito erosivo nas rochas que compõe o espaço. Na época de chuvas (fi g. 15), o Parque torna-se uma pradaria com múltiplas tonalidades de verde e ve-

nifi cativa de outubro a abril, enquanto o período de seca se estende de maio a setembro, sendo mais signifi cante de junho a agosto (fi g. 16). A precipitação média anual é de 697 mm e de modo geral o verão nessa localidade é escaldante, de ventos leves e de céu parcialmente encoberto, enquanto o inverno é morno, abafado, com baixa pre-

getação exuberante [5]. Com o fi m das chuvas a paisagem torna-se mais seca (fi g. 16) e se transfor-

cipitação, de ventos fortes e céu limpo (fi g. 17). A melhor época do ano para visitar o Parque Nacional da Serra da Capivara é do

ma rapidamente em um emaranhado de troncos esbranquiçados, retorcidos e cobertos por espinhos. Apesar de ser o período mais seco da região, não é a época mais quente [5]. O parque tem uma temperatura média anual de 28 ºC, sendo julho o mês mais frio e de setembro a dezembro os

fi m de maio ao fi m de setembro, devido às temperaturas mais amenas e umidade relativa do ar agradável. Em relação a sua paisagem o Parque abriga oito vegetações diferentes, sendo que a maior proporção de sua área é composta por uma vegetação arbustiva alta de 6-10m nas áreas planas, e ou-

31 31


LOCALIZAÇÃO | CLIMA E PAISAGEM

Fig.18. Pluviosidade média ao longo de um ano - Parque Nacional da Serra da Capiva. Fonte: EPW

Média Mínima média Mínimamáxima

32 32

Mínima

Máxima média

Umidade relativa do ar %

Máxima absoluta

Média

Máxima

Fig.17. Médias mensais mínimas e máximas de temperatura de bulbo seco e resitência a umidade - Parque Nacional da Serra da Capivara. Fonte: EPW


LOCALIZAÇÃO | CLIMA E PAISAGE,M

Fig.20. Vegetação - Parque Nacional da Serra da Capivara Fonte: Perez, 2008

Velocidade dos ventos (m/s)

Frequência dos ventos ( % de vezes)

Fig.19. Rosa dos ventos - Parque Nacional da Serra da Capivara. Fonte: EPW

33 33


LOCALIZAÇÃO | CLIMA E PAISAGEM tras vegetações que variam de fl orestas nos canyons até formações arbustivas nas áreas rochosas, compostas em sua

nico proposto, o qual será mais abordado no capítulo 4. Outra característica presente no

maior parte por cactos e bromélias [16]. Durante a época seca a maior parte das árvores perdem suas folhas com exceção da Algarobeira, espécie que serviu de inspiração para o nome do projeto proposto, devido justamente a sua resiliência e capacidade de servir abrigo. A topografi a do Parque consiste em sua maior parte num platô rodeado

projeto proposto, e que advém da análise e do conhecimento da paisagem e do clima local, é o uso de estratégias bioclimáticas para a composição do projeto. Considerando as especifi cidades climáticas do local de implantação, vê-se necessária o uso de estratégias projetuais que auxiliem e permitam o bom funcionamento dos edifícios, mesmos nos períodos mais secos e

de barrancos de 50 até 200 m de altura. Este platô é cortado por uma série de vales e cânions, localizados em sua

quentes. Essas estratégias dizem respeito a questões de efi ciência energética, conforto e sustentabilidade ambiental, e se-

maior parte perto dos limites da reserva [16]. A paisagem do Parque merece destaque por sua singularidade geomorfológica, com formações areníticas, cânions profundos e boqueirões, onde há o acumulo de água. O cenário natural do parque é permeado por va-

rão abordas mais profundamento no capítulo 4.

riações tonais nas rochas que vão desde um laranja escuro, quase vermelho, até bege claro, quase branco (fi g. 1). Essas cores são fonte de inpiração para a linguagem plástica do projeto arquitetô-

34 34


Fig.21. Parque no período de seca. Fonte: FUNDHAM

LOCALIZAÇÃO | CLIMA E PAISAGE,M

11. INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICAS. Produto Interno Bruto dos municípios. 2016. Site IBGE. Consultado em 9 de março de 2019 12. MINISTERIO DO TURISMO. Plano de desenvolvimento integrado do turismo sustentável Polo das Origens. http://www.turismo.gov.br/sites/default/turismo/DPROD/ PDITS/PIAUI/PDITS_POLO_DAS_ORIGENS.pdf 13. RIBEIRO, Antonio José Castelo Branco. O Parque Nacional da Serra da Capivara e a urbanização de São Raimundo Nonato: transformações socioespaciais no Piauí e suas repercussões no entendimento de sertão. 2015.

Fig.22. Parque no período de chuva. Fonte:

FUNDHAM

14. SECRETARIA DO ESTADO DO TURISMO - SETUR. Coronel José Dias. http://www.turismo.pi.gov.br/coroneljosedias/ 15. CIDADE VERDE.COM. Museu em construção no Piauí movimenta economia do sertão. http://g1.globo.com/pi/ piaui/noticia/2016/10/aeroporto-internacional-avaliado-em-r-17-milhoes-esta-subutilizado-no-pi.html 16. CENTRO DE PESQUISAS ECONÔMICAS E SOCIAIS DO PIAUÍ. Município de João Costa. http://www.cepro.pi.gov. br/download/200801/CEPRO22_04cea7f8c7.pdf 17. PEREZ, Samuel Enrique Astete. Ecologia da onça-pintada nos parques nacionais Serra da Capivara e Serra das Confusões, Piauí. 2008. 106 f. Dissertação (Mestrado em Biologia Animal)-Universidade de Brasília, Brasília, 2008.

35 35


LOCALIZAÇÃO | O LOCAL

o local Levando em consideração as questões aqui expostas sobre a região no qual o projeto proposto se insere, defi niu-se seu local de implantação. Primeiramente foram levantadas as caracterÍsticas necessárias para o local de implantação do projeto, as quais tornariam determinado espaço em uma área em potencial. Vale ressaltar que o projeto proposto localiza-se em uma área rural, ou seja, não urbanizada. Deste modo, as áreas analisadas não possuem limites defi nidos (como lotes, por exemplo), se aproximando das características de uma gleba. As premissas para a escolha do local de implantação estão ilustradas na fi gura 21 e foram buscadas em áreas disponíveis na região que se aproximassem ao máximo dessas particularidades. De forma preliminar foram selecionadas 3 áreas, as quais foram analisadas levando em consideração as necessidades pontuadas.

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vista interessante para paisagem

proximidade com o Parque Nacional da Serra da Capivara

vias de acesso asfaltadas ou carroçaveis

maior proximidade com centro urbano

Fig.23. Características esperadas para o local de implantação. Fonte: Mariana Rios Castro


600

LOCALIZAÇÃO | O LOCAL

OPÇÃO 1

500 900

OPÇÃO 2

OPÇÃO 3

37 37


LOCALIZAÇÃO | O LOCAL A primeira opção para a implantação do projeto possui cerca de 2.800 m² e localiza-se a 6km da BR 020, a 2km do

profundidade e é considerado pelos próprios visitantes como um espetáculo da natureza imersivo e inspirador. O acesso

Museu da Natureza e a 1,85km da entrada da Pedra Furada. Embora a sua localização seja promissora no que diz respeito ao acesso ao Parque (devido a proximidade e a presença de vias carroçáveis), as visuais a partir desta área não são muito interessantes. A área localiza-se em meio a diversas glebas vazias, evidenciando a presença de áreas inutilizadas. Além disso, esta

ao Parque a partir desta área é feito por vias carroçáveis e a distância até os centros de ensino é de cerca de 25km. A terceira área também possui vistas privilegiadas para a paisagem do entorno do Parque, devido a sua elevada altitude. Localiza-se a 4km da BR 020 e 12km da guarita do Baixão das Andorinhas e 13km da guarita da Pedra Furada. Apesar

área localiza-se a cerca de 45 km dos dois maiores centros de ensino da região (UNIVASF e IFPI), que funcionam como pontos

das características positivas, a área não é muito acessível, pois não possui vias carroçáveis de acesso. Além disso, a área é

articuladores do programa do complexo. A segunda opção conta com vista privilegiada para a Serra Talhada e para Serra Vermelha. A área encontra-se entre duas das guaritas turísticas, a da Pedra Furada (12 km de distância) e a da Serra Vermelha (6km de distância). Assim como o circuito da Pedra Furada, o circuito do

coberta por vegetação nativa, a qual seria retirada em caso de implantação do projeto nesta região. Considerando os aspectos de cada uma das áreas, a opção que atende melhor as características postas como necessárias para a área de implantação, é a opção 2. Os aspectos mais relevantes dessa área

Baixão das Andorinhas, na Serra Vermelha também é bastante procurado. O circuito recebe este nome pois, diariamente, andorinhas descem em velozes mergulhos para as fendas de um cânion de 90 m de

são sua vista imediata para o limite do Parque e sua facilidade de acesso.

38 38


LOCALIZAÇÃO | O LOCAL Fig.24. Baixão das Androinhas. Fonte: Mariana Rios Castro

39 39


40 40


02 41 41


TEMÁTICA parques nacionais O Parque Nacional da Serra da Capivara é uma Unidade de Conservação– UC do tipo proteção integral, pertencente à categoria Parque Nacional [8]. Por esse motivo decidiu-se implantar o projeto aqui proposto nas suas imediações, e não em seu inteiror. Pela mesma razão tem-se nesse trabalho a premissa de oferecer uma proposta com enfoque no desenvolvimento sustentável e no equilíbrio entre turismo e meio ambiente. Parques Nacionais tem como objetivo a preservação dos ecossistemas naturais de grande relevância ecológica e beleza cênica. Também possibilita a realização de pesquisas científicas e o desenvolvimento de atividades de educação, de interpretação ambiental, de recreação em contato com a natureza e de turismo ecológico [8]. Os trabalhos de preservação do Parque Nacional da Serra da Capivara e dos seus sítios arqueológicos consistem

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em uma ação conjunta do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade – ICMBio, o IPHAN e da FUMDHAM. O Parque conta, ainda, com apoio financeiro de outras instituições, como a Petrobrás, Grupo Abengoa e Banco BNDES. O ICMBio é uma organização responsável pelas Unidades de Conservação brasileiras, cabendo a ele propor, implantar, gerir, proteger, fiscalizar e monitorar as Unidades instituídas pela União. Também é de responsabilidade da organização fomentar e executar programas de pesquisa, proteção, preservação e conservação da biodiversidade e exercer o poder de polícia ambiental para a proteção das Unidades de Conservação federais [18]. A Fundação Museu do Homem Americano (Fumdham) foi criada para garantir a preservação do patrimônio cultural e natural do Parque Nacional Serra da Capivara. Em 1970, um grupo de arqueólogos brasileiros e franceses, dirigidos pela ar-


TEMÁTICA | PARQUES NACIONAIS queóloga Niède Guidon, iniciou as pesquisas na região com fi nanciamento da França. Em 1986 foi criada a FUMDHAM,

vação de sua biodiversidade e atividades científi cas e culturais. Em relação as atividades turísticas

com o objetivo de proteger o Parque Nacional Serra da Capivara e dar continuidade às pesquisas interdisciplinares. A fundação é um órgão sem fi ns lucrativos, declarada de interesse público pelo governo brasileiro, a qual realiza atividades científi cas interdisciplinares, culturais e sociais. Atualmente desenvolve-se atividades de pesquisa nas áreas de paleonto-

valer tomar como referência O Zion National Park, um bom exemplo de gestão e funcionamento de parque nacional. Sua administração refl ete na qualidade e efi ciência dos serviços e infraestrutura turística oferecidos. Localizado em Utah, a oeste dos Estados Unidos, O Zion National Park situa-se em três cidades: Washington, Iron, and

logia, arqueologia, arte rupestre, biologia e bioarqueologia [5]. A sede da FUMDHAM localiza-se

Kane Counties. O parque tem como objetivo educar os visitantes e o público em geral sobre o ambiente natural no qual está

no Centro Cultural Sérgio Motta. No seu edifício estão instalados os laboratórios de pesquisas, os escritórios administrativos, o centro de documentação, a biblioteca, o auditório e o anfi teatro. A instituição disponibiliza aos seus pesquisadores e técnicos os recursos e equipamentos necessários para as pesquisas.

inserido. A gestão do parque além de dar atenção a atividades turísticas, também conta com diversos programas educacionais, como cursos para guardas fl orestais e promoção de cursos à distância com foco na preservação ambiental. O parque foi criado no início do século XX, quando as qualidades cênicas do

O Parque Nacional da Serra da Capivara está respaldado por duas instituições importantes, as quais administram o parque de forma muito efi ciente, principalmente no que diz respeito a conser-

sul de Utah e do Zion Canyon foram reconhecidas como um destino potencial para o turismo. O parque foi criado em 1919 e e é administrado pelo Serviço Nacional de Parques (NPS), uma agência do governo

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TEMÁTICA | PARQUES NACIONAIS

federal dos Estados Unidos que gerencia todos os parques nacionais, monumentos nacionais e outras propriedades de conservação [18]. Diferentemente do Parque

fazem parte da missão do Parque Nacional da Serra da Capivara e pretende-se que esses mesmos objetivos sejam parte do projeto aqui proposto.

Nacional da Serra da Capivara que engloba duas entidades administrativas, o NPS tem o duplo papel de preservar a integridade ecológica e histórica dos locais confi ados à sua administração, além de tor-

O Zion National Park é conhecido por abrigar o mais bonito desfi ladeiro nos Estados Unidos, onde as paredes de arenito sobem 600 a 1000 metros [20]. A estrutura do parque em si localiza-se em uma

ná-los disponíveis e acessíveis para uso público e diversão [19]. O Zion National Park recebeu cerca de 4 milhões de visitantes no último ano e tem defi nidos objetivos para sua atuação. Dentre esses objetivos estão: proporcionar aos visitantes oportunidades educativas e recreativas que estimulem a valorização do parque e seus recursos; assegurar que

área mais baixa do terreno, assim como no Parque Nacional da Serra da Capivara. O parque americano oferece uma variedade de atividades recreativas como percursos de carro em estradas cênicas, caminhadas, fotografi a e observação da vida selvagem [21]. Esse tipo de atividade atualmente não ocorre no Parque Nacional da Serra da Capivara, embora seja

os impactos do visitante não prejudiquem os recursos do parque; gerenciar recursos culturais e físicos para garantir a integridade a longo prazo; e assegurar que o ambiente construído forneça usos seguros

muito adequada à localidade e permita a diversifi cação da oferta de entretenimento. Essas práticas podem ser oferecidas no projeto proposto neste trabalho, tanto por intermédio do centro de visitantes,

aos visitantes e funcionários de maneira sustentável [20]. Muitos desses objetivos

quanto do centro de hospedagem. A infraestrutura interna do Zion

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TEMÁTICA | PARQUES NACIONAIS Fig.25. Infraestrutura do Zion National Park. Fonte: https:// www.myutahparks.com/basics/ shuttle-buses

National Park se dispõe, em sua maioria, ao longo de um eixo que surge a partir da entrada principal (fi g.24). O parque conta com áreas de alimentação (1 restaurante, 1 café e 5 áreas de pic-nic), 1 hotel, 5 áreas de camping, transporte (shuttles e bonde), lojas de presentes, livrarias e sala de convenções (no hotel), dois museus (Human History Museum e Nature Center) e dois centros de visitantes. Além disso, o Zion tem áreas expositivas em outros edifícios, como no hotel e nos seus dois centros de visitantes [21]. O programa arquitetônico do Zion National Park se enquandra como exemplo para as atuais necessidades do Parque Nacional da Serra da Capivara, no que diz respeito principalmente a difusão do turismo no local. Por isso, pretende-se englobar, no projeto deste TFG, áreas que sirvam de infraestrutura ao parque, mas que atualmente não estão presentes. Um outro bom exemplo de gestão e infraestrutura de parque nacional é o Parque Nacional Mesa Verde (fi g. 26), localizado no Colorado (EUA). Considerado Patrimônio Mundial pela UNESCO, as-

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TEMÁTICA | PARQUES NACIONAIS sim como o Parque Nacional da Serra da Capivara. O Parque Nacional Mesa Verde possui vestígios arqueológicos de cerca de 600 habitações construídas nas paredes de penhascos e cerca de 5.000 sítios arqueológicos. O terreno é dominado por cadeias de morros e vales, que cortam o parque de norte a sul. Assim como o Zion Nation Park, o Mesa Verde é administrado pelo NPS [22]. Em 2012 foi inaugurado um novo centro de visitantes para o parque, com destaque para sua certifi cação LEED (Leadership in Energy and Environmental Design), evidenciando o caráter sustentável da construção. O edifício localiza-se na entrada do parque e também abriga uma instalação de pesquisa e armazenamento dos arquivos do parque e da coleção de mais de três milhões de objetos [23]. O parque está aberto todos os dias do ano, porém fecha ocasionalmente no inverno devido às tempestades de neve. Os meses mais movimentados do ano são julho e agosto. A infl uência do clima na quantidade de visitantes é uma semelhança com o Parque Nacional da Serra da Capivara, já que o este recebe menos visi-

46 46

Fig.26. Zion National Park. Fonte: https://utah.com/zion-national-park


TEMÁTICA | PARQUES NACIONAIS tantes nos meses mais quentes do ano (janeiro e fevereiro) [23]. Embora o Mesa Verde seja cerca de duas vezes menor que o Zion isso não diminiu a qualidade de sua infraestrutra e muito menos sua importância. Além do centro de visitantes o parque conta com um hotel, 1 área para acampamentos, 1 café e 2 restaurantes.Também conta com atividade ecoturísticas, como trilhas e caminhadas guiadas [24]. A presença de opções de hospedagem dentro dos parques nacionais analisados evidencia a atenção dada por parte de seus gestores para a infraestrutura e atividade turística. Embora no trabalho proposto o hotel não localize-se dentro do parque, acredita-se que isso não seja um desmérito, já que o edifício estará inserido próximo a entrada do parque e com acesso facilitado. A investigação por bons exemplos de

Fig.27. Mesa Verde National Park. Fonte: http://npmaps.com/mesa-verde/

Parques Nacionais que ofereçam atividades com temáticas semelhantes a do Parque Nacional da Capivara se mostra como uma importante estratégia para fundamentação e elaboração do projeto

47 47


TEMÁTICA | PARQUES NACIONAIS

18. ICMBIO | INSTITUOTO CHICO MENDES DE CONSERVAÇÃO DA BIODIVERSIDADE. O instituto. http://www.icmbio. gov.br/portal/oinstituto 19. NATIONAL PARK SERVICE | ABOUT US. htps://www.nps. gov/aboutus/index.htm 20. NATIONAL PARK SERVICE | FOUNDATION DOCUMENT ZION NATIONAL PARK. https://www.nps.gov/ zion/learn/management/upload/ZION_Foundation_Document_SP-2.pdf 21. NATIONAL PARK SERVICE | MANAGEMENT ZION NATIONAL PARK. https://www.nps.gov/zion/learn/management/upload/ZION-SE-Appendix-A-10-28-16.pdf 22. NATIONAL PARK SERVICE | MANAGEMENT MESA VERDE NATIONAL PARK. https://www.nps.gov/zion/learn/management/management.htm 23. NATIONAL PARK SERVICE | PLAN YOUR VISIT MESA VERDE NATIONAL PARK. https://www.nps.gov/zion/learn/ management/management.htm 24. NATIONAL PARK SERVICE | PARK STATISTICS MESA

Fig.28. Habitações antigas nos paredões do Mesa Verde National Park. Fonte:

VERDE NATIONAL PARK. https://www.nps.gov/meve/le-

https://www.nps.gov/meve/index.htm

arn/management/statistics.htm

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TEMÁTICA | USUÁRIOS

usuários do Parque Nacional da Serra da Capivara

Conhecer os usuários do Parque Nacional da Serra da Capivara é parte fundamental para propor este projeto

Como este trabalho tem foco no turismo cultural, investigou-se mais detalhadamente o perfi l dos turistas. A maioria

e assim adequar seu programa e outras questões. O parque recebe muitos visitantes pesquisadores principalmente da área de arqueologia, biologia e geografi a. Esse perfi l de usuário passa um tempo mais prolongado do que turistas no parque, devido a realização de pesquisas de campo e escavações. Os pesquisadores se utilizam da infraestrutura da sede da

dos visitantes do Parque é brasileiro (fi g. 28). Já em relação ao perfi l ocupacional a maioria dos visitantes tem ligação com educação, como professores ou estudantes (fi g. 29). Essa característica de deve-se principalmente a falta de divulgação do Parque de forma mais abrangente, fazendo com que apenas o público que já tenha algum tipo de contato com questões aca-

FUNDHAM, a qual oferece laboratórios e salas especializadas. Esse tipo de usuário costuma hospedar-se nas pousadas mais

dêmicas o conheçam. A proposta deste trabalho é promover um espaço mais democarático, e que

próximas do parque, mesmo que a infraestrutura delas seja mais precária. Isso ocorre porque, para este tipo de público, a proximidade com o parque muitas vezes é um fator de escolha mais relevante do que atividades de entretenimento, ou até mesmo o próprio conforto da acomodação.

atenda um público mais diverso, para assim expandir o acesso ao conhecimento do Parque. Para isso, é necessário o fornecimento de uma infraestrutura receptiva e turística mais bem elaborada do que a existente. De acordo com pesquisa realizada para analisar o comportamento turístico

49 49


TEMÁTICA | USUÁRIOS

Perfil ocupacional dos visitantes do Parque Nacional da Serra da Capivara

Perfil dos visitantes do Parque Nacional da Serra da Capivara

94,68% Brasileiros e 5,32% Estrangeiros

59,21% dos visitantes ligados a educação

Piauí Professores Pernambuco

Estudantes Func. públicos

São Paulo

Comerciantes Outros

Bahia

0

0

10

20

30

40

50

60

5

10

15

20

25

30

35 %

%

Fig.29. Proporção de visitantes brasileiros e estrangeiros

Fig.30. Perfi l ocupacional dos visitantes do Parque Nacional da Serra da Ca-

no Parque Nacional da Serra da Capivara. Fonte: DE OLI-

pivara. Fonte: DE OLIVEIRA FILHO, 2009.

VEIRA FILHO, 2009.

50 50


TEMÁTICA | USUÁRIOS

25. DE OLIVEIRA FILHO, Raimundo Coelho; MONTEIRO, Maria do Socorro Lira. Ecoturismo no Parque Nacional Serra da Capivara: trata-se de uma prática sustentável?. Revista Turismo em Análise, v. 20, n. 2, p. 230-250, 2009. 26. MESQUITA, Rafael Fernandes de et al. Comportamento turístico dos visitantes do Parque Nacional da Serra da Capivara. Tourism & Management Studies, v. 11, n. 2, p. 78-85, 2015.

do visitante do Parque Nacional da Serra da Capivara, a maioria dos visitantes se mostra insatisfeiro com a qualidade dos

do por meio da oferta de seviços de maior qualidade, como por exemplo um hotel mas bem estruturado.

serviços oferecidos [25]. A pesquisa foi realizada em loco por meio da aplicação de questionários. Dentre as variáveis analisadas na pesquisa foram selecionadas duas que impactam diretamente neste trabalho. A primeira delas é a satisfação dos turistas em relação a visita à cidade de São Raimundo Nonato (fi g. 30). Vale ressaltar

Um outro parâmetro analisado que ajuda a fundamentar este trabalho é o de comportamento futuro em relação a São Raimundo Nonato (fi g.31). Esse parâmetro identifi ca a qualidade da visita sob a perspectiva do usuário. A menor nota nesse parâmetro diz respeito a qualidade dos serviços oferecidos quando comporados a outros destinos turísticos.

que a pesquisa foi feita com base na cidade de São Raimundo Nonato, pois, dentre as quatro cidades que compõe o Parque,

Por meio dessa pesquisa é possível identifi car as principais defi ciências da cidade em relação a oferta de produtos e

esta é a com maior infraestrutura turística. Os visitantes deram notas de 1 a 5 para os parâmetros listados. Na tabela estão em destaque os parâmetros que receberam notas baixas e que podem ser alterados pelo projeto proposto neste trabalho de fi nal de graduação. Por exemplo, a interação com outros turistas pode

serviços turísticos. Desse modo, fi ca evidente a necessidade de novos equipamentos que forneçam uma experiência turística mais prazerosa e agradável. A proposta deste trabalho tem por objetivo implantar projetos que infl uenciem os parâmetros que obtiveram avaliações negativa e assim possam melhorar a experiência do visi-

ser melhorada através do oferecimento de espaços que permitam o encontro de pessoas, como o centro de visitantes e o próprio cento de hospedagem. Já o parâmetro custo/benefício pode ser melhora-

tante.

51 51


Variáveis de satisfação em relação a visita à cidade de São Raimundo Nonato Variáveis Interação com outros turistas Facilidade de acesso Cidade limpa e organizada Fáceis informações sobre São raimundo Nonato Preço e qualidade (custo/benefício) Várias atividades culturais Ótima gastronomia Clima agradável Estilo de vida local agradável Muitas atrações turísticas Cidade tranquila Paisagens bonitas

Médias Médias altas baixas 3,051 3,249 3,373 3,433 3,793 3,829 3,839 3,922 4,088 4,387 4,488 4,839

Fig.31. Satisfação em relação a visita à cidade de São Raimundo Nonato.

Fonte: MESQUITA, 2015.

Variáveis de intenção de comportamento futuro em relação a visitas à cidade de São Raimundo Nonato Variáveis A cidade fornece qualidade de serviço superior quando comparado a outros locais que visito. São Raimundo Nonato será minha primeira escolha na próxima oportunidade de viagem. São Raimundo Nonato tem mais benefícios quando comparado com outros locais. Gostei de ficar mais em São Raimundo Nonato que outros destinos. Qualidade geral de São Raimundo Nonato é melhor como um destino turístico Adorei ficar em São Raimundo Nonato. Se tiver oportunidade, pretendo continuar a visitar São Raimundo Nonato.

Médias Médias altas baixas

2,894

3,014 3,152 3,382 3,654 4,456 4,483

Fig.32. Intenção de comportamento futuro em relação à visitas à São Rai-

mundo Nonato. Fonte: DE OLIVEIRA FILHO, 2009.


TEMÁTICA | HOSPEDAGEM E CENTRO DE VISITANTES

centro de visitantes e hospedagem Para auxiliar na concepção do projeto deste trabalho fi nal de graduação foram observados projetos de centro de visitantes e hospedagem, os quais loca-

do os arquitetos, o edifício se materializa como um prelúdio ao monumento e por isso sua forma arquitetônica e seu caráter não deve diminuir o impacto visual do pa-

lizam-se dentro de parques nacionais e foram considerados bons projetos com implantação e programa semelhante ao projeto aqui proposto. Primeiramente tem-se o Centro de

trimônio [27]. Daí surge a oposição entre ambos: enquanto o Stones está exposto, massivo e propositalmente posicionado, o centro está coberto, leve e informal. Por um lado tem-se um monumento que pa-

Visitantes Stonehenge (fi g. 32), projetado pelo escritório Denton Corker Marshall. O novo edifício foi inaugurado em 2014, recebe mais de um milhão de visitante por ano e possui uma área de 1515 m². Situado a 1,5 km a oeste do círculo de pedra na Airman’s Corner, o famoso monumento considerado Patrimônio da Humanidade (fi g. 33), o novo centro de visitantes foi

rece estar incrustado na terra e do outro lado o centro, que apenas se apoia em sua superfície, evidenciando que o edifício não deseja se sobrepor ao monumento de nenhuma forma [27]. O centro de visitantes tem seu espaço dividido em três espaços: o maior deles é revestido em madeira e abriga o museu e os serviços. O segundo é revesti-

desenhado como um toque especial na paisagem: um edifício discreto e sensível ao seu entorno [27]. O projeto localiza-se em um relevo acidentado, se concebe como um gru-

do em vidro e acomoda a base educativa, um elegante café e as instalações comerciais. Situado entre eles está o menor, que é revestido em zinco e oferece os serviços de bilheteria e guias [27]. Nota-se que os

po sutil de caixas que se apoiam sob uma plataforma de pedra calcária e possui uma cobertura ondulada e perfurada. Segun-

materiais foram escolhidos de acordo com a função de cada bloco e com a sensação a ser provocado por cada um deles.

53 53


TEMÁTICA| HOSPEDAGEM E CENTRO DE VISITANTES O edifício parece refl etir a geografi a local, ao apoiar-se sobre 211 colunas inclinadas irregularmente posicionadas, que se encontram com uma cobertura de metal revestida em sua parte inferior porpainéis de zinco (fi g. 34) [27]. O projeto demonstra uma preocupação com o ambiente no qual está inserido, especialmente em relação a questões de sustentabilidade ambiental e o impactos que podem ser causados pela construção do edifício. Por isso sempre que possível foram utilizados materiais locais, recicláveis e renováveis, e foram adotadas estratégias para assegurar que o centro respeite o meio ambiente e utilize os recursos naturais de uma maneira responsável. Essas estratégias vão desde proteção solar natural utilizando a copa das árvores, favorecendo a ventilação natural e reduzindo a necessidade de refrigeração nos espaços, até as soluções mais técnicas, como bombas de calor e isolamento de alta efi ciência. O projeto ainda engloba em suas estratégias bioclimáticas um sistema que bombeia água subterrânea através de um elemento que injeta/extrai a energia térmica do solo, atuando tanto

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Fig.33. Implantação do Centro de Visitantes - Stonehenge. Fonte: ARCHDAILY


TEMÁTICA | HOSPEDAGEM E CENTRO DE VISITANTES como fonte de calor, permitindo o aquecimento da construção, quanto também como forma de resfriamento; paredes totalmente isoladas através de revestimento em madeira; reutilização de água da chuva coletada no terraço do edifício, a qual é utilizada posteriormente nos sanitários; e tratamento de água no local para evitar a abertura de valas para as conexões da rede

Fig.34. Stonehenge. Fonte: https://en.wikipedia.org/wiki/Stonehenge

de água e esgoto [27]. Uma outra questão abordada no projeto se relaciona ao conceito de reversibilidade, ou seja, capacidade de devolver o local em seu estado natural se assim for necessário. De acordo com os arquitetos, o edifício vai perdurar o tempo que for necessário, mas poderá, se for o caso, ser retirado do local com um baixo impacto na paisagem [27]. Para isso, o edifício foi construído sobre uma base de concreto, com um recorte mínimo no solo. Isso se viabiliza por meio do uso de colunas esbeltas de metal, paredes leves emolduradas e espaços semi-externos, que permitem que a profundidade das fundações seja minimizada [27]. O centro de visitantes oferece instalações dedicadas totalmente à apresen-

Fig.35. Destaque para as colunas delgadas e para a cobertura do projeto do centro de visi-

tantes Stonehenge. Área educacional ao fundo.Fonte: ARCHDAILY

55 55


TEMÁTICA| HOSPEDAGEM E CENTRO DE VISITANTES tação do Stonehenge, como uma grande área de projeção de vídeos e painéis explicativos (fi g. 25). A partir do edifício os visitantes podem ir caminhando até o monumento ou fazer um passeio motorizado de dez minutos, percorrendo um trajeto que emerge lentamente na paisagem local. O projeto do Centro de Visitante de Stonehenge engloba conceitos que serão aplicados no projeto apresentado nesse trabalho fi nal de graduação, especialmente no que diz respeito a estratégias bioclimáticas e a criação de um edifício com arquitetura autoral. Ao mesmo tempo que essa arquitetura é atrativa, ela não sobre-

Fig.36. Área expositiva do centro de visitantes Stonehenge.Fonte: ARCHDAILY

põe a beleza da paisagem nem a importância histórica do local. Muito pelo contrário, em vez de sobrepor ao patrimônio, o edifício deverá funcionar como uma introdução, valorização e complemento ao monumento. Um outro projeto que foi estudado para a concepção deste trabalho é o Centro de Visitantes principal do Zion National Park. Com 706 m² de área construída, o edifício localiza-se dentro do parque, próximo a entrada principal e está implantado a uma distância caminhável de

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Fig.37. Centro de visitantes Stonehenge. Fonte: ARCHDAILY


TEMÁTICA | HOSPEDAGEM E CENTRO DE VISITANTES pontos de ônibus e comércios [28]. O projeto desse centro de visitantes ganhou destaque pelo uso de estratégias bioclimáticas como iluminação natural,

como destaque o Zion National Park Lodge, hotel localizado dentro do parque. O projeto foi construído em 1924 e reformado em 1990. Localizado a 6,92km

torres de refrigeração descentralizadas para resfriamento por ventilação natural e painéis fotovoltaicos (fi g 38). Além disso, nesse projeto os materiais utilizados foram produzidos em um raio máximo de

do centro de visitantes, o hotel conta com 40 chalés, sendo um acessível, 75 quartos de hotel (4 acessíveis), 6 suítes, compostas pela área do quarto mais uma pequena sala; restaurante; café, que funciona sa-

800km do local de implantação [29][30]. Uma redução de 70% no uso de energia foi atendida através do projeto com a implementação de ventilação e iluminação natural, envidraçamento efi caz, isolamento, torres de refrigeração passivas, paredes Trombe (parede de elevada inércia térmica utilizada para aquecimento), painéis fotovoltaicos e

zonalmente de acordo com a lotação do parque, loja de presentes e recepção. O hotel segue a mesma linguagem arquitetônica do centro de visitantes do parque, com inspiração na paisagem local, por meio do uso de madeira, pedra e tons terrosos (fi g. 39). O hotel possui acesso imediato às reservas naturais e trilhas para caminha-

um sistema de gerenciamento de energia [32]. Para o projeto também foram selecionadas plantas tolerantes à seca, devido ao clima desértico da região, e utilizada pavimentação de cor clara para reduzir o

das e faz um intermédio de diveras atividades a serem realizadas no parque, como passeios à cavalo e aluguel de bicicletas. Além do hotel localizado dentro do parque, o Zion National Park possui uma

efeito de ilha de calor [32]. Além de centros de visitantes em parque nacionais, estudou-se também sobre acomodações dentro de parques nacionais. Para isso, tem-se

grande oferta de hospedagem disponível em suas proximidades. Adicionalmente, o parque conta com áreas de camping dentro e fora de seus limites. A qualidade e diversifi cação dos

57 57


TEMÁTICA| HOSPEDAGEM E CENTRO DE VISITANTES serviços oferecidos pelo Zion Lodge Accomodation servem de referência para o projeto proposto neste trabalho. Trata-se de um hotel que valoriza o local que está implantado e suas atividades, mas que ao mesmo tempo fornece infraestrutura hoteleira de qualidade. Por fi m, tem-se como referência a caverna de Lascaux, localizada no sudoeste da França, a quarenta quilômetros de Périgueux. Encontrada por quatro adolescentes em setembro de 1940, a gruta possui indícios de que foi ocupada em três períodos entre o Paleolítico Superior e começo do Holoceno. As paredes possuem

Fig.38. Centro de visitantes Zion national Park. Fonte: ARCHDAILY

diversos inscrições enigmáticas datadas a partir de 17.000 a.C., desde pontos, linhas pontilhadas, fl echas, triângulos e outras formas geométricas. Não obstante, as paredes da gruta de Lascaux também tem representações facilmente identifi cadas de animais, como touros, bisões, auroques (ancestrais das vacas), veados, cabritos-monteses, mamutes, felinos, uma rena, um urso e um rinoceronte, além de uma única fi gura humana, feita com traços simples. Ao todo, os visitantes do local podem observar cerca de 1500 gra-

58 58

Fig.39. Corte esquemático das estratégias bioclimáticos.Fonte: ARCHDAILY


TEMÁTICA | HOSPEDAGEM E CENTRO DE VISITANTES

vuras e 600 desenhos pintados em amarelo, marrom, vermelho e preto. Além das pinturas, a caverna também revelou diversos objetos usados para iluminação,

precisa foi aberta em dezembro de 2016, desta vez nomeada de Lascaux IV. A proposta arquitetônica do Cen-

tro Internacional (International Centre gravação e pintura, tal como alguns out- for Cave Arte) é proporcionar ao visitante ros provavelmente de cunho decorativo e uma experiência de integração do meio natural com a construção. O edifício é ferramental. O comprimento total da área semi-enterrado no sopé da colina Lascaux acessível da caverna não passa de 235 met- e uma frente de vidro gigantesca convida o ros, com uma profundidade de 13 metros público a visitar um universo fi rmemente até a Galeria Axial e mais 19 metros até a focado nas proezas tecnológicas. A conbase do Poço. Tradicionalmente, o achado strução não possui paredes retas, mas um arqueológico foi dividido em sete setores: emaranhado de salas com formas atípicas Sala dos Touros, Galeria Axial, Passagem, que leva o visitante ao coração de um edifício de 8.000 metros quadrados com seis Nave, Câmera dos Felinos, Abside, Poço. Desde 1963, a caverna encontra-se salas de exibição que retratam a história fechada para o público. Durante 15 anos de descoberta de Lascaux. Os diversos espaços incentivam o público durante toda mano e a dióxido de carbono exalado por a visita a desfrutar de uma experiência cerca de 1200 visitantes diários, o que imersiva e personalizada, através de ferculminou em danos às pinturas do local. ramentas digitais de realidade aprimoraVisando a exposição dos artefatos e das da e telas 3D. Em média, o centro recebe obras do local, uma réplica de Lascaux, 3300 visitantes por dia e recebeu 260000 nomeada Lascaux II foi aberta em julho visitantes somente no primeiro semestre de 1983, a 200m da caverna original. En- de 2017. o monumento fi cou exposto ao calor hu-

tretanto, uma réplica nova, maior e mais

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TEMĂ TICA| HOSPEDAGEM E CENTRO DE VISITANTES

Fig.40. Vista para a fachada do Zion National Park Lodge. Fonte: https://maps.roadtrippers. com/us/zion-national-park-ut/accommodation/zion-national-park-lodge

27. ARCHDAILY. Centro de visitantes Stonehenge. https:// www.archdaily.com.br/br/01-179666/centro-de-visitantes-stonehenge-slash-denton-corker-marshall 28. UTAH.COM. Zion national Park Visitor Center. https:// utah.com/zion-national-park/visitor-center 29. U.S. DEPARTMENT OF ENERGY. Zion Canyon National Park Visitor Center. https://buildingdata.energy.gov/project/zion-national-park-visitor-center 30. GREEN BUILDING BRAIN. Zion Canyon National Park Visitor Center. https://greenbuildingbrain.org/buildings/ zion_visitor_center 31. MUSEUMS / VISITORS CENTERS. Zion Canyon National Park Visitor Center. https://www.zionnationalpark.com/ explore/things-to-see/museums-visitors-centers/

Fig.41. Vista para a fachada do Zion National park Lodge. Fonte: https://maps.roadtrippers.

com/us/zion-national-park-ut/accommodation/zion-national-park-lodge

60 60

32. THE AMERICAN INSTITUTES OF ARCHITECTS Zion Visitor Center. http://www.aiatopten.org/node/202


TEMÁTICA | HOSPEDAGEM E CENTRO DE VISITANTES

Fig.42. Pintura rupestre na caverna de Lascaux. Fonte: LASCAUX CENTRE

Fig.43. Centro de visitantes caverna de Lascaux. Fonte: LASCAUX CENTRE

61 61


62 62


03 63 63


PROGRAMA ARQUITETÔNICO referências

Centro de vitantes Stonehenge

Área por ambiente (m²)

Prédio 1

Para a concepção do programa arquitetônico deste trabalho final de graduação usou-se como referência projetos semelhantes ao proposto, como programa e local de implantação. Para a utilização dos projetos como referência programática, foram observadas a relação entre ocupação (número de visitantes/hóspedes) e a proporção/dimensão das áreas. Desse modo, as áreas definidas para o projeto proposto derivam da observação e análise dos projetos de referência programática. Também foram utilizados como referência textos acadêmicos que tratam da mesma temática. O primeiro projeto a ser exemplificado é do Centro de Visitantes de Stonehenge (fig. 43), o qual já foi apresentado no capítulo anterior. A escolha desse projeto como exemplo de programa se dá principalmente pelo seu conceito de transformar o edifício em uma introdução ao monumento, sem interferir drastica-

64 64

mente na paisagem, e em torno disso definir seus espaços. O projeto de Stonehenge tem área total de 1515 m² e abriga áreas de recepção, exposição, centro educacional, restaurantes e outras facilidades (fig. 42). Todos os ambientes desse projeto se enquadram nas necessidade de um centro de visitantes para o Parque Nacional da Serra da Capivara [27]. Os espaços são distribuídos de acordo com a tabela a seguir e suas áreas são divididas nos setores indicados pela figura 41. Outro projeto utilizado como referência programática é o Zion Canyon Visitor Center, o principal dentre os três centros de visitantes do National Park, o qual também já foi apresentado anteriormente. O edifício conta com rececepção/lobby; loja, escritórios; banheiro, além de estacionamento e áreas de estar e de exposição na área externa

recepção

260

projeção

78,5

quarto dos objetos

40,25

área técnica

60,47

banheiro fem

75,3

acesso ao telhado trocador para bebes ambulatório banheiro acessível (2)

1,7 11,15 12,5 11,74

banheiro masc

62,3

sala dos membros

17,6

Prédio 2 bilheteria

24,75

Prédio 2 depósito loja lobby de inverno

259,1 17

restaurante

222,7

cozinha

26,43

loja

22,41

caixa eletronico lixo

9,34 5,1

centro educacional

100

armários

13,1

banheiros menores

13,1

banheiro funcionários

3,5


TEMÁTICA | REFERÊNCIAS

Centro de Visitantes Stonehenge - Distribuição de áreas

área de projeção

área técnica

banheiros área de expositiva

recepção

comércio

alimentação

área educacional

apoio

bilheteria

ADM

Fig.44. Distribuição de áreas do Stonehenge Visitor Center. Fonte: ARCHDAILY

recepção/projeção

1230

visitantes/dia

338,5 m²

restaurante 250 m²

área de shuttle 207

comércio 22,1 m²

área de exposição

40,25 m²

centro educacional

administração 17,6

banheiros/apoio

100 m²

1550 m²

574,55 m²

65 65


Fig.45. Planta baixa Stonehenge Visitor Center. Fonte: Archdaily

do edifício [31]. Diferentemente do centro de visitantes de Stonehenge, o Zion Canyon Visitor Center não se configura como um espaço de permanência prolongado, o que ése refle em seu programa e sua dimensão. Entratando, o projeto ainda cumpre sua função de receber o visitante e apresentá-lo ao parque de forma introdutória. O prédio projetado em 2000 reflete em sua arquitetura um conceito mais rústico, inspirado nas rochas da paisagem local. Como no projeto deste trabalho de graduação pretende-se incorporar uma arquitetura mais contemporânea, a referência deste edifício restrige-se as áreas de seu programa e suas estratégias bioclimáticas, apresentadas anteriormente. O terceiro projeto utilizado como referência para o centro de visitantes proposto é o Centro de Visitantes do Parque Nacional Cabaneros (fig. 43), localizado em Horcajo de los Montes, Cidad Real, Espanha. Nesse projeto, o edifício do centro de visitantes conta com um museu interativo (fig. 49) e seu objetivo como um todo é promover o ecoturismo, através da in-


TEMÁTICA | REFERÊNCIAS

Zion Canyon Visitor Center - Distribuição de áreas

ADM

recepção

comércio

recepção

353 m²

comércio 262,4

1038

visitantes/dia

banheiros

706

administração 35,3

administração 35,3

67 67


TEMÁTICA| REFERÊNCIAS

Fig.46. Centro de Visitantes Cabaneros. Fonte: ARCHDAILY

Fig.47. Implantação do Centro de Visitantes Cabaneros. Fonte: ARCHDAILY

68 68


TEMÁTICA | REFERÊNCIAS

Fig.48. Planta baixa do Centro de Visitantes Cabaneros. Fonte: ARCHDAILY

69 69


TEMÁTICA| REFERÊNCIAS

Fig.49. Perspectiva volumétrica de Centro de Visitantes Cabaneros. Fonte: ARCHDAILY

70 70


TEMÁTICA | REFERÊNCIAS formação, exposição, pesquisa e cuidado dos principais valores desse espaço natural [28]. Tais objetivos também são almejados pela proposta deste trabalho. Os arquitetos defi nem este centro de visitantes como um complemento do Parque Nacional; uma porta de entrada para o conhecimento e entretenimento para os visitantes [28]. O hall, a cafeteria e o centro de informações localizam-se no volume de entrada do complexo. Na parte mais alta do terreno localiza-se semi enterrada a área de exposição. Além disso, o centro de visitantes conta com uma bilioteca, um auditório, uma loja, área de projeção, es-

Fig.50. Elementos da paisagem inseridos na arquitetura da área de exposição. Fonte: ARCH-

DAILY

tacionamento e áreas técnicas (fi g. 45). O projeto distribui sua área por meio da implementação de diferentes volumes (fi g. 46), com o objetivo de apresentar uma humanização gradual no espaço. Durante a construção, foi dada especial atenção para não danifi car a vegetação do entorno, de modo que as árvores próximas à cobertura contribuam para esconder a intervenção arquitetônica, que assim pode se misturar a paisagem (fi g. 44) [28]. O projeto prioriza a proteção do edifício contra a radiação solar para evi-

Fig.51. Área de exposição do Centro de Visitantes Cabaneros. Fonte: ARCHDAILY

71 71


TEMÁTICA| REFERÊNCIAS

Centro de Visitantes Cabaneros - Distribuição de áreas

auditório

exposição

estacionamento

área técnica

hall, informação, cafeteria

área de projeção

ADM biblioguarita comércio teca

Fig.52. Distribuição de áreas do Centro de Visitantes Cabaneros. Fonte: ARCHDAILY

biblioteca

recepção 387 m² área de projeção 203

279

visitantes/dia

72 72

97,46 m²

área de exposição 1392 m²

auditório 238,8 m²

administração 76,40

estacionamento/apoio

4637

comércio 162,40 m²

2319 m²


TEMÁTICA | REFERÊNCIAS Centro de Visitantes Parque Nacional Cabaneros

Área por ambiente (m²)

exposição permanente área técnica hall, informação, cafeteria área de projeção escritório biblioteca guarita loja auditório estacionamento

1392.00 675.12 387.00 203.00 76.40 97.46 52.20 162.40 238.87 1151.61

Fig.53. Ambientes do Centro de Visitantes Cabaneros. Fonte: ARCHDAILY

Fig.54. Restaurante do Hotel Las Piedras. Fonte: ARCHDAILY

tar gastos com ar condicionado durante os meses quentes. As medidas arquitetônicas do projeto passivo, como orientação dos edifícios, uso da terra subterrânea como isolamento térmico e incorporação de luz natural graduada na área de exposição, contribuem para alcançar alta efi ciência energética do edifício [28]. O Parque Nacional Cabaneros recebeu 112.000 visitantes em 2017 e tem sua arquietura inspirada na paisagem local. Por exemplo, as colunas inclinadas que

Fig.55. Acomodações Hotel Las Piedras. Fonte: ARCHDAILY

73 73


TEMÁTICA| REFERÊNCIAS sustentam a laje mimetizam o tronco das árvores de carvalhos que estão espalhadas pelo parque [28]. Além disso, a planta arquitetônica do centro de visitantes é permeada por áreas verdes no interior do edifício, com o objetivo de trazer parte da natureza para o interior da construção. Essa inspiração na paisagem evidencia o quanto os elementos da natureza foram levados em consideração durante a concepção desse projeto. Em relação as referências de hospedagem foram selecionados três projetos. O primeiro deles é o Hotel Las Piedras, um empreendimento construído em Punta del Este, no Uruguai. A escolha desse projeto como referência programática se dá principalmente pelo local de implantação do hotel e seu conceito (fi g. 51). O hotel projetado pelo escritório Isay Weinfeld se localiza numa ampla área de 4,8 km², dominada por uma paisagem dramática e deslumbrante: árida, rochosa e de vegetação esparsa e rasteira. [33] Segundo os arquitetos o estudo detalhado do programa e a infl uência da paisagem local levaram à opção por uma Fig.56. Implantação Las Piedras. Fonte: ARCHDAILY

74 74


TEMÁTICA | REFERÊNCIAS Las Pedras Hotel Área por ambiente Restaurante deck salão cozinha área técnica depósito banheiro funcion. banheiro 2 banheiro 3 Bangalô 1 Bangalô 2 SPA sala de ginástica sala privativa recepção sauna seca sauna úmida escritório sala de funcionários sala de tratamento 1 sala de tratamento 2 sala de tratamento 3 piscina área de descanso piscina jardim entrada Espaço para eventos Recepção e restaurante Las Piedras sala de estar recepção cofre escritório biblioteca hall sala de funcionários

270 120 87.75 40.25 8.3 2.62 2.2 3.5 5.25 80 120 465 140 40 6.86 8.5 8.5 15 13.28 18.32 8.68 13.47 88.94 32.86 45 25 65.6 525 52.8 23.8 4.37 11.21 81 12.54 14.35

Quantidade

1 1 1 1 1 1 1 1 1 12 8 1 1 1 1 1 1 1 1 2 2 1 1 1 1 1 1

Área total (m2)

1 1 1 1 1 1 1 1

Fig.57. Áreas por ambiente. Hotel Las Piedras. Fonte: ARCHDAILY

270 120 87.75 40.25 8.3 2.62 2.2 3.5 5.25 960 960 465 140 40 6.86 8.5 8.5 15 13.28 36.64 17.36 13.47 88.94 32.86 45 25 65.6 525 52.8 23.8 4.37 11.21 81 12.54 14.35

75 75


TEMÁTICA| REFERÊNCIAS varanda depósito de malas cozinha restaurante pátio banheiro 1 banheiro 2 Piscina e bar bar cozinha copa hall chuveiro sauna piscina e bar Quadra de tênis Serviços Estacionamento

121.43 10.47 33.76 61.87 89.6 4.8 3.05 115 57.86 17.2 2.78 4.52 19 12.7 50 393 695 812

1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1

121.43 10.47 33.76 61.87 89.6 4.8 3.05 115 57.86 17.2 2.78 4.52 19 12.7 50 393 695 812

33. ARCHDAILY. Centro de visitantes Parque Nacional Cabaneros. https://www.archdaily.com/784594/cabaneros-national-park-visitors-center-and-interactive-museum-alvaro-planchuelo 34. ARCHDAILY. Hotel Las Piedras. https://www.archdaily. com.br/br/01-30866/fasano-las-piedras-hotel-isay-

76 76

-weinfeld/30866_309274


TEMÁTICA | REFERÊNCIAS

Hotel Las Piedras - Distribuição de áreas

área técnica e serviços

alimentação eventos

hospedagem

lazer

estacionamento

recepção

ADM

apoio

Fig.58. Distribuição de áreas do Hotel Las Piedras. Fonte: ARCHDAILY

40

leitos

acomodações 1920 m²

eventos

recepção/lobby 247,2 m²

administração 14,35 m²

restaurantes 487,05 m²

piscina e quadra de tênis 508 m²

SPA 465

estacionamento/apoio 3017,15 m²

65,6 m²

6710 m² 77 77


TEMÁTICA| REFERÊNCIAS implantação pulverizada das unidades habitacionais que compõem o complexo, concebidas e distribuídas como módulos

centro de hospedagem o mais democrático possível, sua escolha como referência se deu principalmente pela sua respon-

isolados (fi g 53). As acomodações (fi g. 52) “pousam naturalmente” sobre o terreno, como as próprias pedras [33]. Essa solução se relaciona ao contexto local, uma vez que visa evitar a construção de grandes prédios ou volumes que interfi ram drasticamente na paisagem. O projeto reúne cerca de 5.000 m² de área construída, conforme a tabela (fi g.54)

sabilidade com o entorno. A concepção do projeto se deu a partir de duas premissas básicas: oferecer uma ampla experiência turística por meio de uma arquitetura integrada com a paisagem, um dos maiores atrativos do local. Por fi m, tem-se como referência programática o Nest at Amami Beach Villas, um hotel em uma ilha subtropical com 60

Além das áreas habitacionais no estilo mil habitantes, que atualmente aguarda o bangalô, o hotel reúne outras amenida- registro de Patrimônio Natural da Humades, como spa, centro equestre e campos nidade pela UNESCO. Suas fl orestas são de polo. O hotel conta com duas piscinas. A primeira delas, climatizada, foi instalada em uma das áreas mais altas do terreno, com vista privilegiada da paisagem ao redor. A outra, ao ar livre, foi posicionada em uma depressão natural do terreno, entre as pedras. Ao lado dela foi colocado um container de aço corten para abrigar os

ricas em fl ora e fauna e é cercada por belos recifes de corais [34]. O objetivo de incentivar o turismo e a semelhança do local de implantação do projeto com a região do Parque Nacional da Serra da Capivara, por tratar-se de uma área reconhecida como patrimônio e por sua riqueza ambiental, foram indutores para a escolha deste pro-

vestiários, o bar e o lounge que atende os hóspedes na piscina [33]. Embora o Hotel Las Piedras seja um hotel de alto padrão, e a proposta deste trabalho fi nal de graduação seja criar um

jeto como referência programática. A região onde o hotel se encontra chama a atenção de turistas pelo seu aspecto de natureza intocada. A ilha tem como principal atividade econômica a

78 78

35. ARCHDAILY. Nest at Amani Beach Villas. https://www. archdaily.com/896372/nest-at-amami-beach-villas-atelier-tekuto?ad_medium=gallery


TEMÁTICA | REFERÊNCIAS agricultura, principalmente o cultivo de cana-de-açúcar. As indústrias tradicionais também ocupam espaço na economia local, como a produção têxtil de Oshima Tsumugi (tecido quimono de seda tingido com lama rica em ferro) [34]. Apesar dos atrativos culturais e naturais da ilha, via-se no espaço a necessidade de acomodações mais bem equipadas. O arquiteto Yasuhiro Yamashita buscou pessoalmente o local ideal para a implantação do projeto (fi g. 57), que se concebe respeitando a paisagem e a ecologia. O complexo é composto por um prédio

Fig.59. Implantação. Nest at Amami Beach Villas. Fonte: ARCHDAILY

administrativo com recepção e restaurante, 3 unidades habitacionais com piscina e 10 vilas germinadas (fi g. 58), totalizando 14 edifícios com 23 quartos no total. O hotel tem sua área de cerca de 2.300 m² distribuída de acordo com a tabela (fi g. 60). O local tem uma diferença de nível de 25 m com o caminho tranquilo e intimista que leva em direção a praia [34]. Segundo o arquiteto, o conceito do projeto associa senso de tradição e novidade, por meio da implementação de aspectos da arquitetura tradicional e contemporânea. A partir disso, desenvolveu-se

79 79


TEMÁTICA| REFERÊNCIAS

Fig.60. Acomodações do Nest at Amami Beach Villas. Fonte: ARCHDAILY

Fig.61. Materiais tradicionais utilizados no Nest at Amami Beach Villas.. Fonte: ARCHDAILY

80 80


Nest at Amami Beach Villas Prédio principal restaurante recepção terraço escritório cozinha bar SPA Key Villa hall banheiro quarto terraço Pool Villa hall quarto banheiro terraço piscina banheiro masculino banheiro social 2 Estacionamento

Área por ambiente (m²)

Quantidade

TEMÁTICA | REFERÊNCIAS

Área total (m²)

250.11

1

250.11

65

1

65

20.7

1

20.7

57.5 19.75 37 17.3 32.86 48.67 5.9 8.87 25.55 8.35 110.82 7.3 37.5 10.12 32.72 12.18 5.05 5.95 1235

1 1 1 1 1 10 1 1 1 1 3 1 1 1 1 1 1 1 1

57.5 19.75 37 17.3 32.86 486.7 5.9 8.87 25.55 8.35 332.46 7.3 37.5 10.12 32.72 12.18 5.05 5.95 1235

uma arquitetura exclusiva para o local, utilizando métodos das indústrias tradicionais e novos materiais (fi g. 59) [34]. Assim como os outros projetos apresentado como referência programática, o hotel Nest at Amami Beach Villas foi selecionado pelas características em comum com o trabalho aqui proposto, como implantação em um local naturalmente sensível e busca pela associação entre arquitetura tradicional e contemporânea. Por fi m, tem-se o projeto Glamping for glampers, do estúdio ArchiWorkshop. A escolha deste projeto como referência deve-se ao fato deste ser uma solução inovadora para a prática de acampamento. Como esta prática é comum dentre os visitantes do Parque Nacional da Serra da

Fig.62. Áreas por ambiente. Nest at Amami Beach Villas Fonte: ARCHDAILY

Nest at Amani Beach Villas - Distribuição de áreas

Capivara, acredita-se que seja necessário buscar referências desse tipo de hospedagem. O projeto Glamping for glampers se defi ne como uma experiência única de

estacionamento

hospedagem

lazer ADM

Fig.63. Distribuição de áreas do Nest at Amami Beach Villas. Fonte: ARCHDAILY

recepção

alimentação

camping. Sua solução apresenta dois tipos de unidades habitacionais que os arquitetos defi nem como Glamping, com design contemporâneo posicionado em meio a natureza. O projeto localiza-se

81 81


TEMÁTICA| REFERÊNCIAS

26

acomodações 820,16 m²

estacionamento

recepção/lobby 20,7 m²

SPA 32,86

restaurante 176,8 m²

leitos

em Gyeonggi-do, na Coeia do Sul e tem por objetivo proporcionar a possibilidade de aproximação da natureza por parte dos visitantes, ao mesmo em que oferece uma experiência arquitetônica. Essas questões levaram à criação desse projeto na na Coréia do Sul, um lugar onde natureza, valores ecológicos, conforto e design moderno são combinados para uma experiência inovadora [34]. O projeto apresenta-se a partir de duas unidades de glamping: a primeira denominada como Stacking Doughnut foi inspirada em pedras de seixo típicas da região, e a segunda denominada como Modular Flow, é formada por uma estrutura extensível justaposta a painéis de piso modulares. As unidades de glamping são

82 82

revestidas por membranas com proteção UV, à prova de água e resistentes ao fogo.

1235 m²

2305 m²


TEMÁTICA | REFERÊNCIAS

Diante das referências apresentadas, observa-se a presença de características em comum dentre os projetos, principalmente em relação ao conceito

tenimento. Já os hotéis tem a maior parte de sua infraestrutura dedicada a hospedagem, seguidos pelas áreas de lazer e alimen-

e implantação. Tanto os centros de visitantes quantos os hotéis tem por objetivo principal o incremento ao turismo local, sem causar prejuízo a paisagem e ao patrimônio.

tação. Essa proporção já era esperada, já que o principal objetivo desses edifícios é permitir a alocação dos visitantes, aliado a opções de gastronomia e entretenimento. Assim, o edifício hoteleiro viabiliza a atra-

Em relação ao programa, os centros de visitantes tem a maior parte de sua área destinada à recepção, seguida por alimentação. A área expositiva juntamente com a de projeção também ganha destaque. Por isso, nota-se a preocupação dentro desses edifícios em se apresentarem como uma introdução ao patrimônio, seja ele cultural ou natural e ao mesmo tempo oferecer

ção e permanência de turistas na região. Vale ressaltar que nenhum dos projetos apresentados como referência tem um programa que se adeque totalmente as necessidades do projeto proposto neste trabalho fi nal de graduação. Por isso, retirou-se de cada projeto as características que mais se relacionavam com a proposta, e não o projeto como um todo.

infraestrutura adequada de lazer e entre-

83 83


8

TEMÁTICA| REFERÊNCIAS

CENTRO DE VISITANTES STONEHENGE Stonehenge, Amesbury, Reino Unido

84 84

CENTRO DE VISITANTES PARQUE NACIONAL CABANEROS Horcajo de los Montes, Cdad. Real, Espanha

CENTRO DE VISITANTES ZION NATIONAL PARK Hurricane, Utah, Estados unidos

123 /hora

31 visitantes/hora

115 visitantes/hoa

1515 m²

4637 m²

706 m²

12,37 m² / pessoa

150 m² / pessoa

6,14 m² / pessoa


8

TEMÁTICA | REFERÊNCIAS

HOTEL LAS PIEDRAS

Punta del Este, Uruguai

40 hóspedes/dia 5000 m²

125 m² / pessoa

NEST AT AMAMI BEACH VILLAS Oshima-gun, Kagoshima, Japão

26 hóspedes/dia 2300 m²

89 m² / pessoa

85 85


86 86


04 87 87


PROPOSTA conceito O centro de turismo Algaroba é formado por um centro de visitantes e um centro de hospedagem. Os edifícios serão implantados em áreas com acesso facilitado para a entrada do Parque Nacional da Serra da Capivara, no Piauí, e tem como objetivo principal a atração e divulgação do Parque e de seus registros arqueológicos. Para isso, propõe-se uma infraestrutura turística que hoje é inexistente no parque e em seus arredores: diversificação da oferta de hospedagem por meio de um novo hotel e um edifício que receba seu visitantes e apresente o Parque de acordo com a sua importância e as riquezas históricas que ele abriga. O projeto proposto coloca o turismo como estratégia para gestão do patrimônio arqueológico, com o objetivo de fortalecimento da identidade cultural e resignificação de seu patrimônio. Acredita-se que esse tipo de turismo possa ser um instru-

88 88

mento de revitalização do patrimônio arqueológico através de mecanismos de proteção, conservação e divulgação. Além disso, acredita-se que a proposição do patrimônio do Parque Nacional da serra da Capivara como turismo, viabilize o desenvolvimento econômico e social da região [4].

DIVULGAÇÃO PROMOÇÃO SUSTENTAÇÃO

PRESERVAÇÃO

PATRIMÔNIO COMO TURISMO

DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO E SOCIAL


PROPOSTA | CONCEITO Para propiciar uma maior infraestrutura turística ao Parque Nacional da Serra da Capivara, propõe-se primeiramente um centro de visitantes. Atu-

vidades de qualifi cação profi ssional e outras práticas instrutivas. A disseminação de informações sobre a região também pode ser feita por meio do comércio de produtos produzidos

almente, o Parque abriga um centro de visitantes (fi g.61) próximo a sua guarita principal. A decisão de propor um novo edifício para essa fi nalidade se originou da observação de que o Parque, devido

pela população local. Essa atividade acontecerá em uma loja localizada dentro do centro de visitantes, onde serão comercializados produtos em cerâmica. A Cerâmica Serra da Capivara (fi g.

as riqueza que abriga deveria possuir um local com maior infraestrutura, que estimule as pessoas a conhecerem e visitarem-o e que possua uma arquitetura que possibilite isso. O principal objetivo do centro de visitantes é que ele atue de forma a acolher os visitantes e servir como uma introdução ao Parque. Por isso, o edifício

64), foi fundada em 1992, pela arqueóloga Niède Guidon e atualmente emprega cerca de 30 artesãos que moram no entorno do Parque. Trata-se de um projeto que procura aliar a preocupação ambiental com inclusão social e econômica. A cerâmica possui desenhos inspirados nas pinturas rupestres presentes no Parque (fi g. 65). Os artesãos da Cerâmica Serra da

deve fornecer primeiramente ferramentas de divulgação do local e seu patrimônio, por meio da implantação de espaços dedicados a isto, como áreas expositivas e recepção. A presença de espaços de ali-

Capivara que já detinham o saber da cerâmica manual, aprenderam o ofício de produção de cerâmica de alta temperatura na escola da Fundação Museu do Homem Americano (Fumdham). A cerâmica pro-

mentação fornecem infraestrutura aos visitantes, além de difundir a culinária regional. O edifício também contará com espaços educacionais, voltados para ati-

duzida possui certifi cações de sustentabilidade, devido ao seu manejo consciente, não havendo prática de escavação do solo. Além disso, o processo de queima das pe-

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PROPOSTA | CONCEITO ças é feito a gás e não a lenha [35]. A Cerâmica Serra da Capivara também será comercializada dentro do centro de hospedagem, auxiliando na propagação da produção local. O centro de hospedagem contará com acomodações, áreas de lazer e restaurante, provendo infraestrutura e incentivando a vinda de visitantes ao parque. O hotel também contará com um pequeno centro de convenções, podendo abrigar congressos, seminários e outros eventos. A recepção, bem como outros ambientes, serão permeados por informações sobre os atrativos do parque, como sua paisagem exuberante e sua riqueza histórica e cultural. O centro de hospedagem e o centro de visitantes devem ser mais do que espaços simplesmente agradáveis, sendo capazes de comunicar e de provocar signifi cado; de propor uma idéia ou ideal, sendo uma associação cognitiva através da linguagem do espaço. Por esta lógica, a linguagem espacial deve ser capaz refl etir esses conceitos e assim se integrar-se com as particularidades do Parque e sua paisagem.

90 90

Fig.64. Centro de visitantes Parque Nacional da Serra da Capivara.

Foto: Mariana Rios Castro


PROPOSTA | CONCEITO

Fig.65. Cerâmica Serra da Capivara. Fonte: FUMDHAM.

35. FUNDHAM. Cerâmica Serra da Capivara. http://www.

Fig.66. Cerâmica com pinturas rupestres. Fonte: FUMDHAM

fumdham.org.br/cpt_noticias_anexos/ceramica-serra-da-capivara/

91 91


PROPOSTA | PROGRAMA

PROPOSTA programa A defi nição das áreas de cada ambientes foi feita com base nas referências apresentadas, nas atividades a serem exercidas e também com o auxílio de textos acadêmicos. Foram considerados o tipo de edifício e o número de visitantes projetado para a Serra da Capivara, que deve subir dos atuais 16.000/20.000 ao ano, para 35.000 [6]. Para o dimensionamento das áreas do hotel, além do uso das referências programáticas apresentadas, foram utiliza-

CENTRO DE TURISMO ALGAROBA

TURISMO ARQUEOLÓGICO

INFRAESTRUTURA TURÍSTICA

das pesquisas sobre dimensionamento de projetos hoteleiros. O número de unidades habitacionais foi defi nido a partir da taxa de ocupação verifi cada nos empreendimentos já existentes na região. Para isso, atingiu-se uma taxa de ocupação mínima de 70% dentre todos os empreendimentos hoteleiros. Essa taxa é defi nida como o valor mínimo para que os empreendimentos apresentem resultados satisfatórios no âmbito econômico [35].

92 92

CENTRO DE VISITANTES 36. MATTOS, ANDREA CILENE DE. Diretrizes para o dimensionamento do número de unidades habitacionais de hotéis resort. 2004. TESE DE DOUTORADO. UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO.

CENTRO DE HOSPEDAGEM


PROPOSTA | PROGRAMA

divulgação do comércio local

ÃO PÇ E C

CENTRO DE VISITANTES

C E NT R

ONAL ACI UC ED

RIAL NSO E SS TI UL

divulgação da culinária local

AÇÃO ENT IM AL

ESP AÇ O

M

disseminação do acervo do Parque

LOJA

O

RE

divulgação do Parque (acervo e paisagem)

incentivo ao desenvolvimento social

Fig.67. Relação entre programa e conceito para o Centro de Visitantes. . Fonte: Mariana Rios Castro

93 93


PROPOSTA | PROGRAMA O programa do centro de visitantes foi denifi do a partir de seu objetivo principal: divulgar o Parque Nacional da Serra

sons do Parque, além de exibir réplicas de fósseis e animais típicos da região. Um bom exemplo desta prática é a

da Capivara e apresentar as peculiaridades geográfi cas e ambientais do seu local de implantação. A área de cada ambiente foi defi nida com base na observação dos projetos referenciais já apresentados e para ambientes mais específi cos, como o espaço multissensorial foram buscadas outras referências. O espaço multissensorial tem o ob-

exposição The Senses: Design beyon vision ( Sentidos: design além da visão), uma experiência de exibição acessível que acolhe visitantes de todas as habilidades, indo além das práticas comuns de desenho universal [37]. A exposição demonstra que, abrindo-se a múltiplas dimensões sensoriais, os designers conseguem alcançam uma

jetivo de apresentar o Parque da forma mais democrática possível. Tem como público alvo todos os visitantes do Parque,

gama diversifi cada de usuários. Por exemplo, mapas que podem ser tocados e visualizados facilitam a mobilidade e o conhe-

mas especialmente turistas com algum tipo de defi ciência, já que o Parque não apresenta um projeto arquitetônico acessível (como apresentado no primeiro capítulo). Neste espaço todos devem poder receber informações, explorar o Parque e suas características e satisfazer suas

cimento de usuários com ou sem visão. Dispositivos de áudio traduzem o som em vibrações que podem ser sentidas na pele. [38] A exposição encontra-se em exibição no Cooper Hewitt Smithsonian Design Museum, em Nova York. Já o centro educacional se concebe como um espaço que tem por objetivo in-

curiosidades essenciais, através de experiências sensoriais diretas que permitam tocar, ouvir, ver e cheirar. Assim, o espaço deve ser permeado pela textura dos paredões da Serra da Capivara, pelos cheiros e

centivar o desenvolvimento social e econômico da população local, por meio de cursos de aperfeiçoamento e profi ssionalização. As atividades podem acontecer em

94 94


PROPOSTA | PROGRAMA

Fig.68. Exposição The senses: design beyond the vision. Fonte: STUDIO JOSEPH

37. STUDIO JOSEPH. The senses: design beyond the vision.

https://www.studiojoseph.com/project/senses-de-

sign-beyond-vision/ 38. COOPER HEWITT. The senses: design beyond the vision.https://www.cooperhewitt.org/2018/02/27/cooper-hewitt-smithsonian-design-museum-to-present-the-senses-design-beyond-vision/?utm_medium=website&utm_source=archdaily.com.br 39. UNIVASF. Campus Serra da Capivara. http://portais. univasf.edu.br/campi/campus-sao-raimundo-nonato 40. IFPI. Campus São Raimundo Nanato. http://libra.ifpi. edu.br/saoraimundononato/o-campus/cursos

Fig.69. Interação tactível e olfativa durante exposição. Fonte: COOPER HEWITT

95 95


PROPOSTA | PROGRAMA parceria com os dois centros universitários públicos presentes em São raimundo Nonato, a UNIVASF (Universidade Fedral do Vale de São Francisco) e o IFPI (Instituto Federal do Piauí). A primeira delas possui cursos voltados para área de arqueologia,química e biologia, enquanto a segunda tem seus cursos focados na área de gastronomia e turismo. Os tipos de cursos ofertados pelas universidades envidenciam áreas de atuação profi ssional potenciais para a região, como a arqueologia, o turismo e o atendimento ao público. A criação do projeto aqui proposto vai de encontro com essas potencialidades, e estimula ainda mais a demanda por esses tipos de profi ssionais. Além disso, o centro educional pode ofertar diversas atividades relacionadas ao turismo [39][40].

96 96

Fig.70. UNIVASF - Campus São Raimundo Nonato. Fonte: UNIVASF

Fig.71. IFPI - Campus São Raimundo Nonato. Fonte: IFPI


PROPOSTA | PROGRAMA

CENTRO DE VISITANTES

programa

hall de entrada loja

280

visitantes/dia

92 m²

27.5 m²

bilheteria 16,5 recepção

sala diretor 11,25 m²

16,5 m² 65 m²

espaço multissensorial 120 m² café 65,25 m²

1350

sala de reunião 18 m²

área de projeção

guarita 9,63

trocador bebês 14,4 m²

administração 22,5 m² copa 10 m² sanitários func. 16,8 m² sanitários visitantes 36 m² estacionamento 718,25 m²

97 97


8

PROPOSTA | PROGRAMA

21. 20. 19. 18. 17. 16. 15. 14. 13. 12. 11. 10. 9 . 8 . 7 . 6 . 5 . 4 . 3 . 2 . 1 . hall de entrada

1.

loja

2. 3.

bilheteria

4.

recepção

5. 6.

café + cozinha

8.

restaurante + cozinha

9.

centro educacional doca

11.

depósito loja

12.

guarita

13. 14.

sala de reunião/imprensa

21.

2

proximidade terciária

3

proximidade desnecessária 4 5 evitar proximidade

copa

17.

20.

1

proximidade secundária

administração

16.

19.

proximidade primária

sala diretor

15.

18.

área de projeção espaço mulitissensorial

7.

10.

guarda-volumes

sanitário funcionários sanitário visitantes trocador de bebês

estacionamento

CENTRO DE VISITANTES matriz de relações

98 98


8

PROPOSTA | PROGRAMA depósito loja

CENTRO DE VISITANTES diagrama de bolhas

doca

proximidade primária proximidade secundária proximidade terciária

café

restaurante

bilheteria guardavolumes

loja

área de projeção

copa recepção adm

reunião

diretoria

w.c. funcionários

estacionamento

hall entrada

espaço multissensorial

guarita

w.c. visitantes

centro educacional

99 99


8

PROPOSTA | PROGRAMA

ACESSO

estacionamento

CARGA E DESCARGA

doca depósito loja

hall entrada

bilheteria

recepção

restaurante

café

loja

área de projeção

espaço multissensorial

guardavolumes adm w.c.

centro educacional

acesso semiprivado acesso privado

copa

reunião

CENTRO DE VISITANTES

fluxograma

100 100

diretoria


PROPOSTA | PROGRAMA O programa do centro de hospedagem se concebe a partir de seu objetivo de oferecer infraestrutura turística de qualidade e novos atrativos para a região, para assim disseminar a visitação ao Parque Nacional da Serra da Capivara. A área de cada ambiente foi defi nida com base na observação dos projetos referenciais já apresentados e em produções acadêmicas que tratam do tema, como o livro de ANDRADE, BRITO E JORGE [41] e a dissertação de ANGELIS [42]. Para ambientes mais específi cos, como a área para a produção de cosméticos, foram buscadas outras referências, programáticas e conceituais. O SPA, juntamente com um espaço dedicado para a produção de cosméticos

41. ANDRADE, Nelson; BRITO, Paulo Lucio de; JORGE, Wilson Edson. Hotel: planejamento e projeto. 2000. 42. ANGELIS, Caroline de. Dimensões para projetos hoteleiros. Dissertação (mestrado em arquitetura e urbanismo). Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, Universidade São judas Tadeu, São Paulo, 2010.

naturais, têm o propósito de incrementar o programa do centro de hospedagem, atraindo assim mais visitantes, e disseminar as riquezas naturais da localidade, que ainda são pouco conhecidas em outras regiões do país. Essa prática valoriza as características naturais da Serra da Capivara, além de oferecer a possibilidade de novas práticas profi ssionais para a população local.

101 101


PROPOSTA | PROGRAMA

divulgação do comércio local

102 102

CONV EN Ç ÕE S

OLOGIA SMET CO

Fig.72. Relação entre programa e conceito

para o Centro de Hospedagem. Fonte: Maria-

CENTRO DE HOSPEDAGEM

ALIME N T A ÇÃ O

incentivo ao desenvolvimento social

permanência dos visitantes

AC OM

divulgação da culinária local

ZER LA

divulgação de produtos locais e desenvolvimento econômico

LOJA

ÃO PÇ E C

S ÕE AÇ OD

RE

acolhimento de visitantes e divulgação do Parque

diversificação de opções de entretenimento


PROPOSTA | PROGRAMA O SPA deve fornecer tratamentos baseados no uso produtos naturais e típicos da região, os quais serão produzidos em pequena escala no próprio centro de

do Parque. O Espaço Colletivo + Casa Manual (fi g. 71), do Galeazzo Design é uma referência conceitual para esta área do com-

hospedagem. O espaço contará com áreas de decanso, salas de tratamento e áreas multifuncionais. Para a produção dos cosméticos propõe-se um espaço de cosmetologia.

plexo. Os arquitetos defi nem esse espaço como uma experiência de “artesanato contemporâneo”, onde são confeccionados e comercializados produtos artesanais. O espaço tem seu ambiente marcado

Esse espaço deve estar preparado para transformar matéria prima bruta em cosméticos. Para isso, deve contar com áreas para preparo da argila (típica da região) para utilização em tratamentos estéticos; retirada do extrato da fl or de mandacaru e do óleo do licuri para produção de hidratantes; utilização da polpa do umbu para confecção de produtos adstringen-

pelo uso exclusivo de madeira, compensado, bambu e vergalhões de ferro [43]. O projeto se concebe como um espaço amplo onde estão alocadas grandes bancadas, que funcionam como estações de trabalho e também como áreas para vendas/exposição de produtos. Para espaços mais privativos, foram defi nidas as “ocas”, que têm sua forma inspirada no

tes e extração do óleo de amburana para a produção de fragâncias. Uma vez que as atividades realizadas no espaço de cosmetologia valorizam as características naturais da região, o

ritmo das tipicas danças índigenas da cultura brasileira [43]. O Espaço Colletivo + Casa Manual tem como principal conceito a capacidade dos ambientes em interagir com seus

espaço no qual está inserido deve refl etir o mesmo conceito. O espaço deve ser permeável, com o uso de divsória apenas quando necessário, para garantir a entrada de luz natural e vista para o entorno

usuários, e como estes podem adotar o ambiente como parte de si e como parte do próprio processo criativo [43]. Pretende-se que esse mesmo conceito seja adotado para o espaço de cos-

103 103


PROPOSTA | PROGRAMA metologia, que deve além de confeccionar os produtos, estar ocasionalmente aberto para a visitação de turistas. Desse modo, tanto visitantes quanto a população local podem adotar esse espaço para si, vivenciando uma nova experiência e se concectando de forma mais efetiva ao local. Uma outra referência para esta área do complexo é o espaço de exposição da Mini Casa Natura (fi g. 71), do escritórios EPIGRAM e FGMF. Neste espaço os visitantes são convidados a conhecer, experimentar e participar da confecção de diversos produtos. Sua estrutura conta com estantes para disposição dos produtos e

Fig.73. Espaço Colletivo + Casa Manual. Fonte: ARCHDAILY

bancadas para o oferecimento de ofi cinas [44]. Considerando o apelo ecológico e sustentável que a implantação deste espaço traz para o projeto, bem como suas necessidades funcionais, notou-se a necessidade de que as espécies utilizadas na área de cosmetologia estejam presentes no projeto. Assim, essas árvores farão parte do projeto paisagístico do complexo, auxilindo na defi nição de percursos e oferecendo também sombreamento. de cosmetologia, permitir ao visitante

104 104

Fig.74. Mini Casa Natura. Fonte: REVISTA AU


PROPOSTA | PROGRAMA Além disso, a gastronomia é um campo de interesse para região, como citado anterioremente, já que uma das principais universidades da cidade de São Raimundo Nonato tem a maioria de seus cursos voltados para essa área. Uma outra evidência do crescimento desse setor na região é a realização no IFPI de um congresso de ecogastronomia, prática que tem o consumo do alimento com foco na preservação da biodiversidade, o res-

43. ARCHDAILY. Espaço Colletivo + Casa Manual. hthttps://www.archdaily.com.br/br/913054/espaco-colletivo-plus-casa-manual-fabio-galeazzo?ad_medium=gallery 44. REVISTA AU. FGMF e Epigram Group se unem para projetar Casa Natura, em São Paulo. http://au17.pini.com.

peito ao alimento e ao agricultor, o uso consciente dos recursos naturais e a escolha de ingredientes de qualidade [40]. Desse modo, a a presença dessas espécies no complexo não só vai de encontro ao conceito do projeto, mas se enquadra nas demandas e nos potenciais observados na região.

br/arquitetura-urbanismo/189/fgmf-e-epigram-group-se-unem-para-projetar-casa-natura-158171-1.aspx 45. ARCHDAILY. Vila Qinmo / Rural Urban Framework. https://www.archdaily.com.br/br/01-123115/vila-qinmo-slash-rural-urban-framework?ad_medium=gallery 46. ARCHDAILY. Mirante das Mangabeiras. https://www. archdaily.com.br/br/909063/mirante-das-mangabeiras-grupo-arquitetos-e-urbanistas?ad_medium=gallery45.

105 105


8

PROPOSTA | PROGRAMA

106 106


PROPOSTA | PROGRAMA

CENTRO DE HOSPEDAGEM programa

hall de entrada/lobby recepção loja

96 m²

16,5 m²

depósito loja

usuários/período

acomodação tripla

378 m²

acomodação quádrupla depósito de malas

486 m²

12,5 m²

3814 m²

piscina SPA

manutenção 27,5 m² sala de reunião 17,25 m² sala gerente 11,25 m² administração 25 m² copa

bar/café 38,5 m² restaurante 138,05

37,5 m²

lavanderia e gorvernança 37,95 m²

25 m²

acomodação dupla 450

113

doca 45 m²

sanitários funcionários 18,90 m²

sanitários visitantes

250 m²

28,8 m²

trocador de bebês 14,4

345 m²

espaço cosmetologia

9,9 m²

78 m²

estacionamento

500 m²

107 107


8

PROPOSTA | PROGRAMA

27. 26. 25. 24. 23. 22. 21. 20. 19. 18. 17. 16. 15. 14. 13. 12. 11. 10. 9 . 8 . 7 . 6 . 5 . 4 . 3 . 2 . 1 . hall

1. 2.

loja

3.

acomodações 2 pessoas

4.

acomodações 3 pessoas

5.

acomodações 4 pessoas

6.

depósito de malas

7.

bar/café

8.

restaurante + cozinha

9.

mirante

10.

piscina

11.

bar piscina + cozinha

12.

SPA

13.

espaço cosmetologia

14.

sala de eventos

15.

depósito loja

4

proximidade desnecessária

5

evitar proximidade

sala gerente administração

22.

copa

23. 25. 27.

proximidade terciária

sala de reunião

20. 21.

26.

proximidade secundária

manutenção

19.

24.

2

proximidade primária

3

lavanderia e governança

18.

1

doca

16. 17.

recepção

sanitário funcionários sanitário visitantes trocador de bebês

estacionamento

CENTRO DE HOSPEDAGEM matriz de relações

108 108


8

PROPOSTA | PROGRAMA

CENTRO DE HOSPEDAGEM diagrama de bolhas

proximidade primária proximidade secundária proximidade terciária

espaço cosmetologia manutenção

SPA

piscina

lavanderia e governança

doca

depósito loja

restaurante

ria

w.c. func.

w.c. reunião

loja eventos bar/café

copa ADM

gerência

recepção malas

lobby

estacionamento

acomodações

109 109


8

PROPOSTA | PROGRAMA CARGA E DESCARGA

ACESSO

estacionamento

doca depósito loja

loja

bar

lobby

restaurante

espaço cosmetologia

eventos recepção

acomodações

piscina

SPA

malas

w.c.

adm

lav. e governança

manutenção

acesso semiprivado acesso privado

copa

110 110

reunião

gerência

CENTRO DE HOSPEDAGEM

fluxograma


PROPOSTA | PROGRAMA

centro de visitantes

hotel

gráfi co de disposição das áreas proporcionalmente

111 111


PROPOSTA | PROJETO O centro de Algaroba totaliza uma área construída de 5344 m². Alguns dos espaços apresentados no programa de

CENTRO TURÍSTICO

INFRAESTRUTURA TURÍSTICA

TURISMO ARQUEOLÓGICO

número de usuários um valor equivalente ao número de leitos disponíveis (93) adicionados de 20%, totalizando 113 pessoas.

CENTRO DE TURISMO

CENTRO DE VISITANTES

CENTRO DE HOSPEDAGEM

112 112

algaroba.

1530 m² 3814 m²

cada um dos edifícios serão compartilhados pelo complexo, como o estacionamento. O hotel receberá além de seus hóspdes, visitantes que desejam passar o dia no complexo e aproveitar de parte de sua infraestrtura, como SPA e restaurantes. Para o dimensionamento do centro de hospedagem foram considerados então como o

5344

Esse cálculo foi realizado uitlizando como referência a métrica de dimensionamento de área aplicado para o Hotel Sesc Bertioga, referência em turismo social no Brasil. Além disso, todas as áreas do complexo serão projetadas de modo a garantir acessibilidade e aplicar o desenho universal. Por isso, todo o dimensionamento deve ser baseado na ABNT NBR 9050, a fi m de proporcionar a mobilidade do maior número de pessoas possível no estabelecimento.


PROPOSTA | PROJETO

projeto O projeto foi implantando em uma área que enaltece a paisagem local e provoca uma sensação única para o usuário, no que diz respeito a conexão do edifício com o entorno. A área em questão também possui acesso facilitado para duas guaritas do Parque e para a BR 020. A localização do projeto se dá então próximo ao limite do Parque e é adjacente a uma área montanhosa com a mesma altitude que as serras do interior do Parque. Essa semelhança faz com que, mesmo estando fora dos limites do Parque, o usuário tenha a mesma sensação ao adentrar o complexo que ele teria a adentrar o Parque: um refúgio em meio as serras da caatinga. A escolha desse local leva em consideração a possibilidade de, através desta intervenção arquitetônica, poder recuperar uma área em desuso e parte da vege-

Fig.75. Implantação. Sem escala.

tação nativa local. Além disso, essa área possui vista para a Serra Talhada e para Serra Vermelha, as quais são destaque na paisagem e abrigam importantes sítios arqueológicos. A gleba encontra-se fora

113 113


PROPOSTA | PROJETO do limite do parque entre duas das atuais guaritas turísticas, a da Pedra Furada da Serra Vermelha. Entretanto, a mais próxima delas localiza-se a 18 km por vias carroçáveis do local de implantação do projeto. Por isso, propõe-se a implantação de uma nova entrada a 8 km, por meio da reativação de uma guarita já existente, localizada na estrada que leva ao Baixão das Andorinhas.

114 114

local de implantação

acesso ao Parque

vias existentes

guarita

nova via

limite do Parque

São Raimundo Nonato 17km Pedra Furada 19km Nova guarita 4,3 km


PROPOSTA | PROJETO

CONCEITO E PARTIDO ARQUITETÔNICO A criação do projeto arquitetônico para o centro de turismo Algaroba teve como ponto de partida valorização de materiais locais e integração com o entorno e com o Parque Nacional da Serra da Capivara. Por isso, inicialmente escolheu-se como técnica construtiva o uso de paredes em taipa e estrutura em madeira. Essa escolha permitiu acesso a materiais e mão de obra locais, além de estabelecer uma relação íntima com o local, sua paisagem

divisão do edifício em lâminas alongadas para a divisão entre setores (centro de visitantes e hotel).

divisão do edifício ao norte do terreno para alocação do hotel e sua setorização áreas privadas (quartos mais ao norte) e áreas comuns (ao sul) e estabelecimento do volume do centro de visitantes como uma lâminas delgada.

criação de elementos para estabelecer um grande átrio para o hotel, com o objetivo de oferecer ventilação cruzada e maior permeabilidade ao projeto. .

divisão das lâminas do hotel em volumes menores e de diferentes alturas para maior dinamicidade. Coberturas avantajadas oferecem sombreamento

e história. Incialmente, estabeleceu-se que a implantação do projeto consistiria em um volume alongado no sentido leste-oeste com o objetivo de priorizar o conforto ambiental. Além disso, optou-se por um edifício térreo, que não se sobrepusse-se a paisagem.

e evidenciam os 3 átrios menores, além de atuarem como conectoras dos volumes. O bloco central abriga a recepção do hotel e quartos de dois andares, funcionando como volume ramifi cador do projeto.

115 115


PROPOSTA | PROJETO

SISTEMA ESTRUTURAL

Para este projeto propõe-se a real- tecnologias envolvendo madeira fornecem ização da estrutura em madeira, mais es- novas possibilidades no que diz respeito à pecifi camente em CLM (madeira lamina- construção civil. A madeira laminada cruda colada), alinhado-se ao local do projeto e as premissas de sustentabilidade aqui previstas. Para isso o projeto se concebe a partir do sistema pilar-viga, onde vezes as paredes de taipa, devido a seu comportamento estrutural, atuam como suporte para as vigas. O projeto ainda se utiliza de pilares árvores para suportar maiores vãos da cobertura, deixando livre o solo. Para a

zada, ou Cross Laminated Timber (CLT), possui propriedades equiparáveis ao concreto, se usadas de forma correta. Seu uso em estrutura pode variar desde pequenas passarelas e escadas, até grandes estruturas com formas estéticas variadas, incluindo grandes vãos, de até 100m sem apoio intermediário. O desempenho da madeira laminada cruzada é superior ao da madei-

elaboração da estrutura de modo mais efi - ra maciça [47]. ciente criou-se um grid de 6x6m. O sisteO material é resultado da união de ma estrutural escolhido foi forte indutor tábuas ou lâminas que formam uma única do resultado fi nal deste projeto, já que tanto a taipa quanto a madeira possuem restrições bastante específi cas no que diz respeito a suas características físicas e determinação de vãos. Sobre os materiais utilizados, vale ressaltar a madeira CLM, a taipa de pilão e o vidro low E. O desenvolvimento de novas

116 116

peça estrutural. Basicamente, a colocação intercalada das fi bras de cada lâmina de madeira, longitudinal ou transversalmente, reduzem os graus de contração e dilatação do painel, melhorando a carga estática e a estabilidade da forma. Além do peso reduzido (1m³ de CLT pesa 400 kg, enquanto o equivalente de concreto pesa

47. Amorim, s. T. A.; mantilla, j. N. R.; carrasco, e. V. M. Análise dos métodos analíticos de dimensionamento de lajes de madeira laminada cruzada analytic design methods analysis of cross laminated timber plates.


PROPOSTA | PROJETO 2,7 ton), a CLT tem alto grau de fl exibil- tal qual seja possível compactar a terra idade e precisa passar por grandes defor- sem que ocorra o afastamento das tábuas. mações para quebrar e desmoronar. Por Quando executada manualmente, a comfi m, o processo de fabricação consome 24 vezes menos energia do que o aço, 14 vezes menos que o vidro e 5 vezes menos do que o cimento, sem considerar que pode ser facilmente obtivo de fl orestas sustentáveis e replantadas [47]. Já a taipa de pilão consiste na compressão de terra de maneira a garantir uma estrutura resistente e durável. O pro-

pactação da terra deve ser executada com uma camada de 10 a 15 cm de altura, enquanto se realizada com pilão pneumático a camada pode atingir de 20 a 30 cm por compactação [47] . Quando produzidas corretamente, as paredes de taipa são tão resistentes quanto as de concreto, já que a compressão da terra faz com que as paredes,

cesso no Brasil é utilizado há mais de 300 depois de secas, permaneçam compactanos e traz grandes benefícios associados adas, sólidas e menos permeáveis. Adiao conforto térmico e ao custo de pro- cionalmente, a própria compactação faz

48. Mchenry, paul graham. Adobe and rammed earth buildings: design and construction. University of arizona press, 1989. 49. Middleton, george frederick. Build your house of earth. 1953.

dução, visto que os materiais em grande parte podem ser provenientes da própria construção. Para a construção de taipa é necessária uma base sólida de concreto ou pedras, de forma a distribuir o peso das paredes igualmente no solo e impedir a capilaridade. A partir dessa base, tábuas

com que haja baixa retração do material, não apresentando trincas e rachaduras. As seções da taipa devem ser construídas da mesma maneira como uma parede de tijolos, intercalando uma fi leira com a outra, garantindo maior travamento, especialmente nos cantos. Idealmente, a parede em taipa de pilão não deve ser projetada

de madeira devem ser dispostas em sobreposição à base de concreto, de maneira a produzir uma forma, comumente denominada de taipais. Tais formas são presas de ambos os lados por grampos metálicos,

para permanecer em balanço e deve estar encaixada em outras estruturas [49]. Paredes de taipa costumam apresentar espessuras a partir de 30cm e permitem ainda a construção de edifícios

117 117


PROPOSTA | PROJETO com mais de um pavimento. Em média, a Por fi m, os vidros Low-E são vidros de cada pavimento, deve-se considerar um baixa emissividade e tem como caracaumento de 9cm na espessura da parede. terística principal proporcional baixa Apesar de ter atributos estruturas e poder exercer a função de coluna, é necessário que durante o projeto haja a avaliação do peso que a parede de taipa suportará. A relevância de tal ponderação é para que toda a carga não fi que concentrada em um único ponto. Portanto, ao fi nal e acima da parede, destaca-se a necessidade de colocação de uma verga de madeira ou barra

emissividade de calor, representando um grande ganho no controle térmico de ambientes. O material é comumente utilizado em fachadas de edifícios para melhorar o conforto ambiental e a efi ciência energética do projeto [50]. O material possui um revestimento extrafi no de metais e óxidos metálicos, que apesar de serem invisíveis a olho nu, tem a capacidade de absorver

metálica na largura da parede, de modo a garantir a distribuição do peso sobre a parede como um todo. Vãos de portas e

raios infravermelhos. Outro ponto positivo é o elevado nível de transparência (70 a 80% de transmissão luminosa) e baixa re-

janelas também requerem a colocação de verga de madeira. Apesar de permitir a passagem de sistemas elétricos e hidráulicos, a recomendação para questões desse tipo é a utilização de cantoneiras ou tubulações aparentes, visos que as propriedades da estrutura podem acabar fi cando comprometidas. A depender do cli-

fl exão (8 a 10% de refl exividade externa), o que garante um ótimo aproveitamento da luz natural e redução do efeito de espelhamento comumente visto em fachadas envidraçadas [50]. Por permitir a iluminação natural interna sem comprometimento do conforto térmico, o material tem a capacidade de reduzir a necessidade

ma da região e do tipo de terra utilizado, recomenda-se o acréscimo de alguns elementos para melhorar o desempenho do material, como hidrofugantes, para repelir água [49].

de climatização e iluminação artifi cial, reduzindo consequentemente o consumo de energia elétrica. Por fi m, Vidros Low-E podem ser curvos, insulados, temperados e laminados [51].

118 118

50. Dos santos, Iara gonçalves. Análise de envoltória e do sistema de iluminação a partir do regulamentotécnico da qualidade para eficiência energética de edifícios comerciais, deserviços e públicos para avaliação de desempenho de sistemas de fachada e de proteções solares. 2009. 51. Dos santos, Iara gonçalves; de souza, roberta vieira gonçalves. Proteções solares no regulamento brasileiro de eficiência energética de edifícios comerciais, de serviços e públicos. Ambiente construído, v. 12, n. 1, p. 227-241, 2012.


PROPOSTA | PROJETO

MADEIRA CLT

VIDRO LOW E

TAIPA DE PILÃO

REVESTIMENTO MINERAL

119 119


PROPOSTA | PROJETO

ESTRATÉGIAS DE CONFORTO TÉRMICO Para verifi car as estratégias projetuais necessárias de conforto térmico para os ocupantes do Centro de TurismoAlgaroba, foram utilizados o programa

sitantes permanece aberto apenas durante parte do dia, reduzindo a necessidade de garantia de conforto apenas ao seu período de funcionamento. Já o

Climate Consultant e dados meteorológicos do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET). A partir de dados detalhados do clima da região de São Raimundo Nonato, constatou-se que as principais estratégias

centro de hospedagem terá frequentadores diuturnamente, fazendo com que as estratégias projetuais contemplem o conforto dos usuários também no período noturno (fi g. 79). Ressalta-se ainda

a serem adotadas para garantir o bem-estar dos usuários nos ambientes internos do centro de visitantes são: sombreamento; resfriamento, desumidifi cadores se necessários; elevada massa térmica; e ventilação de conforto conforme modelo adaptativo”, conforme fi gura78. Já com relação às dependências do centro de hospedagem, as principais estratégias a se-

que para cálculo das estratégias projetuais utilizou-se o modelo de conforto adaptativo ASHRAE Standard 55-2010. Portanto, considerando as estratégias projetuais de conforto térmico sugeridas, constatou-se que uma boa opção de técnica construtiva seria a taipa de pilão. Este material confere tanto uma adaptabilidade da constru-

rem adotadas são: ventilação de conforto conforme modelo adaptativo; sombreamento; resfriamento adicionado de desumidifi cação se necessário; elevada massa térmica, conforme fi gura 79.

ção às características ambientais e culturais do local, quanto também garante conforto aos usuários do centro de visitantes e de hospedagem. Construções em terra possuem

Embora as estratégias dos dois edifícios sejam similares, as diferenças entre elas se dão pelo fato de que o centro de vi-

resistência térmica relevante e são bastante útil em locais onde há grande amplitude térmica. Apesar de não ter

120 120


PROPOSTA | PROJETO um bom isolamento, a taipa possui grande utilizada como uma forma de ressignifi massa térmica, segurando e liberando ca- car a técnica que geralmente é associada lor lentamente, o que permite um balan- pela maioria das pessoas a um passado de ceamento da temperatura dos ambientes internos e diminui a quantidade de energia necessária para a climatização artifi cial [52]. Além das características térmicas muito favoráveis à manutenção da temperatura, o material também é bastante efi ciente no que diz respeito a manter a umidade relativa interna mais estável.

pobreza e que precisaria ser esquecido. A construção do hospital foi realizada usando uma mistura de terra areia, cascalho e água comprimida dentro de formas de madeira ou de metal, dispensando o uso de cimento e de trabalhadores especializados [54]. No projeto aqui proposto o uso da taipa de pilão se torna válido tanto pelas

O barro tem a capacidade de absorver e questões de conforto térmico, sustentenrepelir umidade mais rapidamente e em tabilidade e efi ciência energética, quanto maiores quantidades do que outros ma- pela questão estética. A taipa de pilão conteriais. Por fi m, a terra utilizada para a construção em taipa é um material facilmente disponível na região do projeto, permitindo uma redução de gasto energético e dos custos da construção, além de ser um material reutilizável [53]. Como referência para a utilização da taipa de pilão, tem-se o projeto do Cen-

fere tons terrosos ao edifíco dispostos em faixas, similares a aparência da paisagem do Parque, provocada pela estratifi cação de suas rochas. Uma outra estratégia bioclimática implantada no projeto e que se relaciona com o local no qual este está inserido é o uso de espelho d’agua para resfriamento

tro de Cirurgia Infantil Emergencial em Uganda (fi g. 76), do escritório Renzo Piano Building Workshop. Uma das exigências para o projeto era de que ele fosse “racional, tangível, moderno, belo e fi rmemente ligado à tradição”. A taipa de pilão foi

evaporativo. O projeto é então pemeado por espelho d’água ao longo dos pátios e no SPA. O objetivo é fazer da água um ponto marcante no projeto, assim com esta se faz na vida da população nordestina. Levando em consideração as ques-

121 121


PROPOSTA | PROJETO tões de abastecimento e disponibilidade de água na região, prevê-se a instalação de recursos que auxiliem no uso consciente da água dentro do projeto.

to de esgoto através de Living Machine tem capacidade para atender ao descarte de água tanto municipal quanto de alguns tipos de indústrias. Apesar da utilização de

Atualmente, as edifi cações vizinhas bem como o Parque, são abastecidos a partir de reservatórios localizados nas extremidades das estradas que levam até o Parque. Essa água é então tratada no interior do Parque, entretanto no perído de seca é necessário o abastecimento a partir de carro-pipas. Para o centro de turismo Algaroba

organismos vivos, o método também utiliza-se dos mesmos processos aplicados em tratamentos convencionais, tais como sedimentação, fi ltração, clarifi cação, adsorção, nitrifi cação e desnitrifi cação, volatilização e decomposição anaeróbica e aeróbica [55]. Apesar de não ser necessário às temperaturas encontradas no estado do Piauí,

tem-se como diretriz a implantação de uma ETA (Estação de tratamento de água), poço artesiano e Living Machine. A Living Machine é uma forma ecológica de tratamento de esgoto bastante adequada a locais em que outros métodos não são tão viáveis. O método possui o respectivo nome dado às características

as Living Machines podem ser dispostas em estufas em locais em que as temperaturas são mais baixas, de modo a garantir a qualidade de vida dos organismos e do processo de tratamento de esgoto [55]. Todo o processo é implementado no projeto de forma a funcionar como uma estação de tratamento de água (ETA) e es-

do processo de tratamento de água, onde há a existência de seres vivos, tais como microrganismos, protozoários, plantas e alguns animais maiores, tais como caracóis. O processo utiliza-se de uma série de tanques com a devida vegetação e variedade de organismos necessária. O tratamen-

goto (Living Machine) do conjunto. Para evidenciar aos usuários a importância dada a água pelo projeto, os espelhos d’água tem seu desenho inspirados no relevo do Parque, observados no topo de suas serras. O curso d’água artifi cial cruza o hotel, conectando áreas comuns.

122 122


PROPOSTA | PROJETO

52. MAIA, Leonardo Ribeiro. O conforto da habitação de terra. Proceedings of Euro Elecs 2015. Guimarães, Portugal, 2015. https://www.researchgate.net/profile/Leonardo_Maia2/ publication/282849634_O_conforto_da_habitacao_de_ terra/links/561e543308ae50795afdff05.pdf 53. ACHCAR, Maria Leticia da Silveira. Edificações em terra: processo de produção e evolução da taipa.

Dissertação

do

Instituto

de

Pesquisas

Tecno-

lógicas do Estado de São Paulo. São Paulo, 2016. http://cassiopea.ipt.br/teses/2016_HAB_Maria_Leticia. pdf38. COOPER HEWITT. The senses: design beyond the

Fig.76. Estratégias projetuais de conforto térmico. Fonte: CLIMATE CONSULTANT

vision.https://www.cooperhewitt.org/2018/02/27/cooper-hewitt-smithsonian-design-museum-to-present-the-senses-design-beyond-vision/?utm_medium=website&utm_source=archdaily.com.br 54.

ARCHDAILY.

Renzo

Piano

projeta

hospi-

tal em Uganda com paredes de taipa de pilão. 2019. https://www.archdaily.com.br/br/914711/renzo-piano-projeta-hospital-em-uganda-com-paredes-de-taipa-de-pilao?ad_source=myarchdaily&ad_medium=bookmark-show&ad_content=current-user 55. DEPLAZES, Anna; HUPPENBAUER, Markus. Synthetic organisms and living machines. Systems and synthetic biology, v. 3, n. 1-4, p. 55, 2009.

Fig.77.

Estratégias projetuais de conforto térmico. Fonte: CLIMATE CONSULTANT 123

123


PROPOSTA | PROJETO

Fig.78. Centro de Cirurgia Infantil Emergencial. Fonte: STUDIO JOSEPH

124 124


PROPOSTA | PROJETO

Fig.79. Taipa de pilão. Fonte: ARCHDAILY

125 125


URA

EDUCAÇÃO ENTRETENIMENTO

DIVULGAÇÃO

ambiente

atividade

nº pessoas

equipamentos

área x AS

área de circulação área total

requisitos de desempenho

características arquitetônicas grandes aberturas; materiais que remetam ao entorno

1.

hall de entrada

introduzir ao local

45

-2m²

90

15%

103.5

introdução ao patrimônio; iluminação e ventilação natural

2.

loja

venda de produtos locais

10

estantes

25

10%

27.5

difundir os produtos locais; garantir visibilidades dos produtos ; circulação funcional entre clientes e funcionários; iluminação e ventilação natural

fluxos com 1.5m

3.

guarda-volumes

guardar mochilas

12

10

10%

11

iluminação e ventilação natural

grandes aberturas

4.

bilheteria

venda de ingressos

2

15

10%

16.5

iluminação e ventilação natural

grandes aberturas

5.

recepção

oferecer informações e receber

2

armários 1 balcão de vendas 2 cadeiras 2 computadores 1 balcão de vendas 2 cadeiras 2 computadores

15

10%

16.5

iluminação e ventilação natural

materiais que remetam ao entorno

6.

área de projeção

informar e apresentar o local

20

tela de projeção e asentos

50

30%

65

iluminação natural e artificial controladas; ventilação controlada

área circular e centralizada

7.

espaço mulitissensorial

eapresentação do parque por meio de atividades sensoriais

10

suporte adequados para peças históricas

100

20%

120

iluminação natural e artificial controladas; ventilação controlada

iluminação zenital

8.

café

servir bebidas e refeições ligeiras

2

35

15%

40.25

espaço amplo; vista exterior; iluminação e ventilação naturais

grandes aberturas

9.

cozinha café

prepara bebidas e refeições ligeiras

2

20

25%

25

boa ventilação (higiene)

aberturas menores e mais altas

10.

restaurante

servir refeições

3

150

15%

172.5

espaço amplo; vista exterior; iluminação e ventilação naturais

grandes aberturas avarandadas

11.

cozinha restaurante

preparar refeições

3

38

25%

47.5

boa ventilação (higiene)

aberturas menores e mais altas

12.

centro educacional

cursos de qualificação e aperfeiçoamento

30

30 mesas individuais 1 lousa 1 mesa professor

65

15%

74.75

iluminação e ventilação natural

grandes aberturas controladas por persianas

13.

doca

carregar/descarregar

1

-

36

25%

45

aberturas controláveis

14.

depósito loja

armazenar produtos

1

-

30

25%

37.5

iluminação controlada

8.75

10%

9.625

iluminação e ventilação natural

aberturas voltadas para os acessos da instituição

15

20%

18

iluminação e ventilação natural

grandes aberturas controladas por persianas

9

25%

11.25

iluminação e ventilação natural

grandes aberturas controladas por persianas

15.

guarita

fazer a segurança do local

1

16.

sala de reunião/imprensa

promover encontros administrativos

1

sala diretor

dirigir

1

126 17. 126

atividades relativas a

1 mesa 2 cadeiras 1 balcão 1 fogão 1 pia 1 armário 1 mesa 4 cadeiras 2 fogão 2 pias 2 armários

1 mesa 1 cadeira 1 banheiro 2 mesas 4 cadeiras 1 mesa para coquetel 1 mesa 2 cadeiras 1 estante 3 mesas

caixa fechada com aberturas somente para acessos (segurança) aberturas menores e mais altas

grandes aberturas


m

as

a

EDUCA INFRAESTRUTURA

m

12.

centro educacional

cursos de qualificação e aperfeiçoamento

30

1 lousa 1 mesa professor

65

15%

74.75

iluminação e ventilação natural

13.

doca

carregar/descarregar

1

-

36

25%

45

aberturas controláveis

14.

depósito loja

armazenar produtos

1

-

30

25%

37.5

iluminação controlada

8.75

10%

9.625

iluminação e ventilação natural

aberturas voltadas para os acessos da instituição

15

20%

18

iluminação e ventilação natural

grandes aberturas controladas por persianas

9

25%

11.25

iluminação e ventilação natural

grandes aberturas controladas por persianas

18

25%

22.5

iluminação e ventilação natural

grandes aberturas controladas por persianas

9

10%

9.9

iluminação e ventilação natural

aberturas controladas por persianas

1 mesa 1 cadeira 1 banheiro 2 mesas 4 cadeiras 1 mesa para coquetel 1 mesa 2 cadeiras 1 estante 3 mesas 3 cadeiras 3 estantes 1 pia 1 mesa pequena 4 cadeiras

grandes aberturas controladas por persianas

caixa fechada com aberturas somente para acessos (segurança) aberturas menores e mais altas

15.

guarita

fazer a segurança do local

1

16.

sala de reunião/imprensa

promover encontros administrativos

1

17.

sala diretor

dirigir

1

18.

administração

atividades relativas a organização da instituição

3

19

copa

fazer o café

5

20.

sanitário funcionários feminino

utilizar os sanitários

2

2 vasos sanitários 1 pia

8

5%

8.4

iluminação e ventilação natural

aberturas menores e mais altas

21.

sanitário funcionários maculino

utilizar os sanitários

2

2 vasos sanitários 1 pia

8

5%

8.4

iluminação e ventilação natural

aberturas menores e mais altas

utilizar os sanitários

4

15

20%

18

iluminação e ventilação natural

utilizar os sanitários

4

15

20%

18

iluminação e ventilação natural

12

20%

14.4

iluminação e ventilação natural

625

15% total

718.75 1659.73 1350

22. 23.

sanitário visitantes feminino sanitário visitantes masculino

24.

trocador de bebês

trocar bebês

2

25.

estacionamento

estacionar

1

4 sanitários 4 pias 4 sanitários 4 pias 1 bancada 1 pia 1 poltrona 50

aberturas menores e mais altas aberturas menores e mais altas aberturas menores e mais altas -

ANEXO PROGRAMA CENTRO DE VISITANTES

a o

as

as

127 127


DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO / SOCIAL

LAZER

INFRAESTRUTURA HOSPEDAGEM

ambiente

atividade

área (m²)

área x n (m²)

nº pessoas

equipamentos

100

1

80

quantidade (n)

área de circulação

área total

requisitos de desempenho

características arquitetônicas

20%

96

apresetação do lcoal; iluminação e ventilação natural

grandes aberturas; materiais que remetam ao entorno; pé direito alto

1.

hall

introduzir ao local / recepcionar

-

sofás entretenimento

2.

recepção

oferecer informações e recepcionar

2

1 balcão 2 cadeiras 2 computadores

15

1

15

10%

16.5

iluminação e ventilação natural

grandes aberturas e pé direito alto

3.

loja

armazenar produtos

10

estantes

20

1

20

25%

25

difundir os produtos locais; garantir visibilidades dos produtos; circulação funcional entre clientes e funcionários; iluminação e ventilação natural

fluxos com 1.5m

4.

acomodações 2 pessoas

oferecer permanência e conforto aos turistas

2

25

15

375

20%

450

iluminação e ventilação natural; equipamentos que garantam conforto

grandes aberturas avarandadas

5.

acomodações 3 pessoas

oferecer permanência e conforto aos turistas

3

35

9

315

20%

378

iluminação e ventilação natural; equipamentos que garantam conforto

grandes aberturas avarandadas

6.

acomodações 4 pessoas

oferecer permanência e conforto aos turistas

4

45

9

405

20%

486

iluminação e ventilação natural; equipamentos que garantam conforto

grandes aberturas avarandadas

10

1

10

25%

12.5

garantir a segurança dos pertences

espaço recuado

35

1

35

10.00%

38.5

iluminação e ventilação natural

grandes aberturas

88

1

88

10%

96.8

iluminação e ventilação natural

grandes aberturas

7.

depósito de malas

guardar malas

3

8.

bar/café

servir bebidas e refeições ligeiras

6

9.

restaurante

servir refeições

40

2 fogões 2 pias 2 armários decks bancos quadros informativos 1 piscina 5 espreguiçadeiras 5 mesas 4 cadeiras 1 balcão 5 banquetas 1 fogão 1 pia 1 armário sofás mesas de massagem poltronas

37.5

1

37.5

10.00%

41.25

iluminação e ventilação natural

150

1

150

20%

180

vista privilegiada para as serras

área aberta e segura

160

1

160

20.00%

192

iluminação e ventilação natural; vista para paisagem

área aberta

30

1

30

10%

33

iluminação e ventilação natural

área área aberta com vista para paisagem

20

1

20

25.00%

25

iluminação e ventilação natural

aberturas menores e mais altas

300

1

300

15%

345

espaço amplo; vista exterior; iluminação e ventilação naturais

grandes aberturas avarandadas

bancadas de trabalho armazenamento

65

1

65

20%

78

espaço amplo; iluminação e ventilação naturais

grandes aberturas

72

1 palco 70 poltronas

51

1

51

30%

66.3

iluminação natural e artificial controlada; ventilação também controlada

aberturas controladas por persianas

carregar/descarregar

1

-

36

1

36

25%

45

aberturas controláveis

caixa fechada com aberturas somente para acessos (segurança)

armazenar produtos

1

-

30

1

30

25%

37.5

iluminação controlada

aberturas menores e mais altas

cozinha restaurante

preprarar refeições

3

11.

mirante

contemplação

10

12.

piscina

oferecer atividades de entretenimento

20

13.

bar piscina

servir bebidas e refeições ligeiras

6

14.

cozinha bar piscina

preparar e servir bebidas e refeições ligeiras

2

15.

SPA

oferecer atividades de relaxamento e estética

12

17. espaço cosmetologia

produção de cosméticos naturais

15

18.

sala de eventos

promover encontros, palestras e congressos

doca

20.

mesas com cadeiras

aberturas menores e mais altas

10.

128 128 19.

1 cama de casal 1 armário 1 escrivaninha 1 banheiro 1 cama de casal + 1 de solteiro ou 3 camas solteiro 1 armário 1 escrivaninha 1 banheiro 4 camas solteiro 1 armário 1 escrivaninha 1 banheiro armários tipo "locker" 1 balcão 4 banquetas


oferecer atividades de relaxamento e estética

12

17. espaço cosmetologia

produção de cosméticos naturais

15

18.

sala de eventos

promover encontros, palestras e congressos

19.

doca

20.

1 armário sofás mesas de massagem poltronas

300

1

300

15%

345

espaço amplo; vista exterior; iluminação e ventilação naturais

bancadas de trabalho armazenamento

65

1

65

20%

78

espaço amplo; iluminação e ventilação naturais

grandes aberturas

72

1 palco 70 poltronas

51

1

51

30%

66.3

iluminação natural e artificial controlada; ventilação também controlada

aberturas controladas por persianas

carregar/descarregar

1

-

36

1

36

25%

45

aberturas controláveis

caixa fechada com aberturas somente para acessos (segurança)

depósito loja

armazenar produtos

1

-

30

1

30

25%

37.5

iluminação controlada

aberturas menores e mais alta

21.

lavanderia e governança

garantir limpeza e organização das acomodações

2

33

1

33

15%

37.95

iluminação e ventilação natural

aberturas menores e mais altas

22.

manutenção

garantir o bom funcionamento da infraestrutura

2

22

1

22

25%

27.5

iluminação e ventilação natural

aberturas menores e mais altas

23.

sala de reunião

promover econtros administrativos

6

15

1

15

15%

17.25

iluminação e ventilação natural

grandes aberturas controlad por persianas

24.

sala gerente

gestão do centro de hospedagem

1

6 cadeiras

9

1

9

25%

11.25

iluminação e ventilação natural

administração

atividades relativas a organização da instituição

3

1 mesa de apoio

20

1

20

25%

25

iluminação e ventilação natural

9

1

9

10%

9.9

iluminação e ventilação natural

aberturas controladas por persianas

15.

SPA

grandes aberturas avarandad

ito

s

aisagem

s

das

INFRAESTRUTURA GERAL

is pé

DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO / SOCIAL

as

25.

armários bancadas armários 1 mesas 1 cadeira 1 mesa 6 cadeiras 1 mesa de apoio

grandes aberturas controlad por persianas grandes aberturas controlad por persianas

26.

copa

fazer o café

5

1 pia 1 mesa pequena 4 cadeiras

27.

sanitário funcionários feminino

utilizar os sanitários

2

2 vasos sanitários 1 pia

9

1

9

5%

9.45

iluminação e ventilação natural

aberturas menores e mais alta

28.

sanitário funcionários maculino

utilizar os sanitários

2

2 vasos sanitários 1 pia

9

1

9

5%

9.45

iluminação e ventilação natural

aberturas menores e mais alta

utilizar os sanitários

4

12

1

12

20%

14.4

iluminação e ventilação natural

aberturas menores e mais alta

utilizar os sanitários

4

12

1

12

20%

14.4

iluminação e ventilação natural

aberturas menores e mais alta

12

1

12

20%

14.4

iluminação e ventilação natural

aberturas menores e mais alta

400

1

400

25% total

3333.3 3814

29. 30.

sanitário visitantes feminino sanitário visitantes masculino

31.

trocador de bebês

trocar bebês

2

32.

estacionamento

estacionar

-

3 sanitários 2 pias 3 sanitários 2 pias 1 bancada 1 pia 1 poltrona 40 vagas

500

-

-

ANEXO PROGRAMA CENTRO DE HOSPEDAGEM

r

s

as

129 129


Profile for Mariana Rios Castro

Algaroba. Centro de turismo  

Trabalho final de graduação (TFG) apresentado para conclusão do curso de Arquitetura e Urbanismo na Universidade Estadual de Campinas (UNICA...

Algaroba. Centro de turismo  

Trabalho final de graduação (TFG) apresentado para conclusão do curso de Arquitetura e Urbanismo na Universidade Estadual de Campinas (UNICA...

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