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REVISTA


A surdez

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Ana Kelly Pinheiro de Lima

A descoberta

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Ana Kelly Pinheiro de Lima

O preconceito com os surdos, dificuldade de interação com os ouvintes

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Elaine de Albuquerque Fernandes

Educação

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Marília de Souza Carneiro

Libras e Oralismo

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Anderson Clay Feitoza dos Santos

Profissional Intérprete

44

Gracielle Kelly de Andrade Alencar

Surdo Empreendedor

52

Karolina Veras de Oliveira

Politicas públicas

60

Adriele Martins Pontes

Estudo de caso: ICES

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Ana Kelly Pinheiro de Lima

Depoimentos

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Bibliografia

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A SURDEZ Ana Kelly Pinheiro de Lima


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A udição

é o sentido que mais nos coloca dentro do mundo e a comunicação humana é um bem de valor inestimável. Costuma-se não perceber a importância da audição em nossas vidas a não ser quando começa a faltar a nós próprios. A surdez, por ser um defeito invisível, não recebe da sociedade a mesma atenção que é dada a portadores

de outras deficiências. O deficiente auditivo tende a se separar de outras pessoas, trazendo para si as consequências do isolamento. A dificuldade maior ou menor que ele tem para ouvir e se comunicar depende do grau de surdez, que pode ser leve, moderada, severa e profunda.


GRAUS DE SURDEZ: COMO SE OUVE?

Nas perdas auditivas de grau leve os pacientes costumam dizer que ouvem bem, mas, às vezes, não entendem o que certas pessoas falam. Para haver uma boa comunicação temos que ouvir e entender. Não basta somente ouvir. Um teste de audição (audiometria) vai revelar se há, de fato, alguma deficiência auditiva. Nas perdas auditivas de grau moderado para severo, os sons podem ficar distorcidos, e na conversação as palavras se tornam abafadas e mais difíceis para entender, principalmente quando as pessoas estão conversando em locais com ruído ambiental ou salas onde existe eco. O som da campainha e do telefone tornam-se difíceis de serem ouvidos; o deficiente auditivo pede a todo momento que falem mais alto ou que repitam as palavras. Nas perdas auditivas profundas existe apenas um resíduo de audição. O deficiente ouve apenas sons intensos ou percebe somente vibrações. Crianças com problemas de audição terão dificuldades no

desenvolvimento da linguagem. Se a criança estiver ouvindo mal, o aprendizado na escola será mais difícil. Como o ouvido é dividido: - Ouvido externo: pavilhão auricular, conduto auditivo e tímpano. - Ouvido médio: os 3 ossinhos (martelo, bigorna , estribo), abertura da tuba auditiva. A função da tuba auditiva é manter o arejamento da cavidade do ouvido médio. - Ouvido interno ou labirinto, é formado pela cóclea (audição) e aparelho vestibular (equilíbrio). O ouvido é dividido em três partes: externo, médio e interno. O ouvido externo é formado pelo pavilhão auricular e canal auditivo com a membrana timpânica no fundo do canal. No ouvido médio estão os três ossículos (martelo, bigorna, estribo) e a abertura da tuba auditiva. O ouvido interno também chamado de labirinto é formado pelo aparelho vestibular (equilíbrio) e cóclea (audição). O som chega ao cérebro através do nervo coclear.


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TIPOS DE SURDEZ

Condução Percepção Mista A perda auditiva pode ser de condução quando existe um bloqueio no mecanismo que conduz o som desde o canal auditivo até o estribo. Algumas causas importantes de surdez de condução: - Acúmulo de cera no canal do ouvido. - Perfuração no tímpano. - Infecção no ouvido médio. - Lesão ou fixação dos pequenos ossinhos (martelo, bigorna, estribo). A surdez de percepção ou sensorioneural (lesão de células sensoriais e nervosas) é aquela provocada por problema no mecanismo de percepção do som desde o ouvido interno (cóclea) até o cérebro. Algumas causas importantes de surdez de percepção ou sensorioneural: - Ruído intenso é causa frequente de surdez. Intensidades de som acima de 80 decibéis podem causar perdas auditivas induzidas pelo ruído (PAIR). As lesões no ouvido interno podem ocorrer após uma exposição simples ao ruído ou após exposições prolongadas de meses ou anos. Exemplos de ruídos mais comuns causadores de surdez: máquinas industriais, armas de fogo, motocicletas, máquinas de cortar grama, música em volume alto, estouro de foguetes. -Infecções bacterianas e virais, especialmente rubéola, caxumba e meningite. - Certos medicamentos como alguns antibióticos, ácido acetilsalicílico e outros. - Idade. A perda auditiva gradual devido ao fator idade, denominada presbiacusia, é uma ocorrência quase habitual nos idosos. A deficiência auditiva abrange cerca de 30 por cento nas pessoas acima

de 65 anos e 50 por cento acima de 75. A presbiacusia é a causa mais comum de surdez e provavelmente resulta de uma combinação de vulnerabilidade genética, doenças e/ou distúrbios metabólicos ( diabete, por exemplo) e exposição a ruídos. É um processo degenerativo de células sensoriais do ouvido interno e fibras nervosas que conectam com o cérebro. - Surdez congênita. Quando uma criança nasce surda a causa pode ser hereditária (genética) ou embrionária (intra-uterina). Entre as causas intra-uterinas mais freqüentes estão a rubéola, sífilis, toxoplasmose, herpes, alguns tipos de vírus e certos medicamentos usados na gestante. - Variação de pressão no líquido do ouvido interno pode ocasionar perda gradativa da audição; esta alteração é chamada doença de Menière e vem acompanhada, em sua forma clássica, de vertigem e zumbido. - Tumores benignos e malignos que atingem o ouvido interno ou a área entre o ouvido interno e o cérebro podem causar surdez, como por exemplo, o neurinoma, colesteatoma,glómus, carcinoma. A surdez é mista quando ambos mecanismos (condução e percepção) estão alterados.


PERGUNTAS QUE VOCÊ PODE FAZER AO SEU MÉDICO

Por que estou com surdez? Qual é a causa da minha surdez? O que fazer para melhorar minha audição? O que devo fazer para evitar que minha audição não piore?

Níveis de Surdez IMPLANTE COCLEAR - IC

O implante coclear é um dispositivo eletrônico de alta tecnologia, também conhecido como ouvido biônico, que estimula eletricamente as fibras nervosas remanescentes, permitindo a transmissão do sinal elétrico para o nervo auditivo, afim de ser decodificado pelo córtex cerebral. O funcionamento do implante coclear difere do Aparelho de Amplificação Sonora Individual (AASI). O AASI amplifica o som e o implante coclear fornece impulsos elétricos para estimulação das fibras neurais remanescentes em diferentes regiões da cóclea, possibilitando ao usuário, a capacidade de perceber o som. Atualmente existem no mundo, mais de 60.000 usuários de implante coclear. SELEÇÃO DE CANDIDADOS AO USO DO IMPLANTE COCLEAR Com a evolução tecnológica, os implantes cocleares atuais já são considerados de 3ª geração. Com isso, são considerados candidatos ao uso do dispositivo de Implante Coclear, crianças a partir dos 12 meses de idade e adultos que apresentam deficiência auditiva neurossensorial bilateral de grau severo e profundo e que não obtiveram benefícios com o uso de Aparelhos de Amplificação Sonora Individual. A avaliação dos pacientes candidatos ao Implante Coclear é realizada por meio de uma equipe interdisciplinar, composta por médicos otologistas, fonoaudiólogos, psicólogos e outros.


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No entanto, os resultados variam de individuo para individuo, em função de uma série de fatores, entre eles, memória auditiva, estado da cóclea, motivação e dedicação e programas educacionais e/ou de reabilitação. Candidatos que poderão apresentar um melhor benefício com o uso do implante Adultos: - idade acima de 18 anos, com deficiência auditiva neurossensorial pós lingual bilateral severa ou profunda; - que não se beneficiarem do aparelho de amplificação sonora individual (AASI), ou seja, apresentarem escores inferiores a 40% em testes de reconhecimento de sentenças do dia a dia; - tempo de surdez ser inferior a metade da idade do candidato (em deficiências auditivas progressivas não há limite de tempo); - deficiência auditiva pré-lingual tem benefício limitado e só é indicado em pacientes com fluência da linguagem oral e com compreensão desta limitação; - apresentarem adequação psicológica e motivação para o uso do Implante Coclear.

Crianças: - idade até 17 anos, com deficiência auditiva neurossensorial bilateral severa ou profunda; - preferencialmente indica-se o Implante Coclear em deficiência auditiva pré -lingual até os 6 anos de idade. Salienta-se que a idade ideal é a partir de 1 ano; - adaptação prévia de AASI e (re)habilitação auditiva intensiva para verificar se há benefício deste dispositivo principalmente nas deficiências auditivas severas; - apresentarem incapacidade de reconhecimento de palavras em "conjunto aberto"; - serem provenientes de famílias adequadas e motivadas para o uso do Implante Coclear;


CUIDADOS COCLEAR

APÓS

O

IMPLANTE

Cuidados necessários para obter o funcionamento adequado do Implante Coclear, relacionadas aos aspectos ambientais:·. Radiação Eletromagnetica (monitores de televisão, computadores e micro-ondas em funcionamento: Os usuários de Implante Coclear devem evitar a aproximação direta à monitores de televisão, computadores e forno de microondas quando os mesmos encontram-se em funcionamento, uma vez que a radiação eletromagnética presente nestes equipamentos pode ser capaz de alterar a função do circuito eletrônico do Implante Coclear e ocasionar alteração na qualidade do som e falha no envio da estimulação. Sistema de vigilância eletrônica, supermercados e grandes magazines: No momento em que os usuários de Implante Coclear passam com o dispositivo em funcionamento entre as barras de sistemas de Vigilância Eletrônica, presentes na grande maioria de lojas e supermercados, pode ocorrer uma sensação sonora distorcida. É aconselhável que o usuário desligue o processador de fala no momento em que ocorre a aproximação do sistema. Épouco provável que o Implante Coclear dispare o alarme presente nos sistemas de vigilância eletrônica. Sistema de detectores de metais (bancos, aeroportos,etc): Os materiais presentes no IC são capazes de ativar o sistema de detectores de metais. Assim sendo, o usuário deve apresentar a carteira de identificação do Implante Coclear fornecida pelo fabricante e entregue após a cirurgia. Vôos aéreos: Como solicitado para qualquer equipamento eletrônico, o processador de fala do Implante Coclear

deve ser desligado durante o pouso e decolagem de aeronaves. Eletricidade estática: A eletricidade estática é definida como o acúmulo de carga elétrica em uma pessoa ou objeto, capaz de criar um campo magnético. Níveis elevados de eletricidade estática podem danificar dispositivos eletrônicos, inclusive o Implante Coclear. Os Implantes Cocleares apresentam um circuito protetor contra este tipo de eletricidade, oferecendo um alto grau de proteção. No entanto alguns cuidados devem ser tomados: - Colocação de tela protetora para o monitor do computador - Retirar o processador de fala no momento em que as crianças usuárias de Implante Coclear estão em contato com piscina de bolinha e escorregador de plástico. Ultrasom: A utilização de ultrasom terapêutico está contra-indicada (proibida) em regiões próximas ao Implante Coclear. O ultrasom diagnóstico não oferece riscos aos usuários de Implante Coclear. No entanto, para a realização de qualquer procedimento que não seja considerado de rotina, é aconselhável que o usuário ou seus familiares, entrem em contato com a equipe do Programa de Implante Coclear.


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Raio X : As doses de radiação utilizadas na radiologia médica não oferecem riscos aos usuários de Implante Coclear. No entanto, durante o procedimento, o componente externo do dispositivo deve permanecer desligado. Ultravioleta: A utilização de luz ultravioleta em clínicas odontológicas e camas solares não oferecem riscos aos usuários de Implante Coclear. Bisturi elétrico ou eletrocautério: A utilização de bisturi elétrico ou eletrocautério em cirurgias está proibida em usuários de Implante Coclear. Para maiores informações, é aconselhável que

o cirurgião entre em contato com a equipe de Implante Coclear. Ressonãncia Magnética: Está proibido aos usuários de Implante Coclear tanto a realização da ressonância magnética, bem como a entrada em salas em que este procedimento é realizado. Em indivíduos usuários do sistema Nucleus 24, em situações em que se faz de extrema necessidade a realização deste procedimento, existe a possibilidade de remoção do magneto interno por meio de uma pequena cirurgia.


A DESCOBERTA Ana Kelly Pinheiro de Lima


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Q uando uma família ouvinte descobre que

tem um filho surdo como essa informação é digerida? Depois da descoberta o que a família deve fazer para se adaptar com a nova realidade? Estamos falando justamente do impacto que a família sofre, em ver que a sua realidade não será mais a mesma, porém comum como a de qualquer outra pessoa. Pode parecer complicado, mais você irá compreender. Sociologicamente falando, a família é definida como um sistema social pequeno e interdependente, dentro do qual podem ser encontrados temas ainda menores, dependendo do tamanho da família e da definição de papéis. Em geral, a família constitui a esfera em que ocorrem os primeiros contatos e trocas sociais de uma criança. Assim sendo, o núcleo familiar é o local no qual surgem os primeiros vínculos comunicacionais, tem papel determinante sobre a formação da personalidade humana, moldando comportamentos do homem e influenciando suas relações com o meio ambiente. É na família que o ser humano consegue sobreviver, aprender valores, desenvolver uma cultura, sentimentos de amor, amizade e afeto.

E o que acontece com a família de uma criança surda, é a diminuição dessas interações, devido às dificuldades de comunicação, o que cabe à família adequar-se a essa nova realidade. A verdade é que a expectativa dos pais em relação à criança idealizada torna a notícia que seu filho é deficiente auditivo, um evento frustrador. Porém depois de passado o primeiro momento é comum entrarmos famílias, principalmente mães que fazem de tudo para que seus filhos consigam ter qualidade de vida, se desenvolver e serem felizes como qualquer outra criança. Como exemplo dessas mães temos o relato de Sabine Shaade que após descobrir que seu filho Guilherme nasceu surdo criou o Blog “ Filhos Especiais, Pais abençoados” e relata as dores e as alegrias de ser mãe de surdo.


Relato: Sabine Shaade Não importa se recebemos a noticia dias após o nascimento ou um pouco mais tarde. O fato é que quando ela chega parece que falta o chão. Ficamos desesperadas, frustadas, as vezes até anestesiada sem saber por onde correr. A primeira pergunta que vem é o por que? Por que comigo? Voltando ao passado que nem faz tanto tempo assim já que mês que vem Gui completa 4 anos, lembro de ter passado 9 meses carregando meu bebê no ventre, imaginando sua carinha, fazendo o pré natal direitinho, exames, enxoval e tudo o que uma mãe tem direito até o dia que amado filho nasce. Ele vem para os meus braços e olho ele inteiro. Está tudo ok! Dois braços, duas pernas, cabeça redondinha, choro forte e algumas horas depois lá vem ele no quarto mamar. Tudo perfeito! Perfeito? Simmmm perfeito No meu caso a notícia veio muito rápido, 1 dia depois do nascimento com a negativa do teste da orelhinha. Claro que não é nesse momento que alguém fala que seu filho é SURDO, ainda tem o retorno depois de um mês, outro teste, outro exame mas mesmo assim...Isso já quebra todo o encanto, tira todo o "barato" da família. Teste da orelhinha. Necessário e obrigatório Você sai da maternidade com um ponto de interrogação na cabeça e um bebê no colo.

A primeira coisa que fiz quando cheguei da maternidade foi deitar o Gui na minha cama e bater tudo quanto é tipo de objetos na orelha dele para ver se ele respondia. Nada! Então o jeito foi esperar o retorno. Enquanto isso durante um mês inteiro eu mal vivi. A pior coisa que existe é viver com dúvida. Esse um mês antes do retorno me pareceu um ano! Depois de um retorno e mais um exame enfim a noticia: Seu filho é surdo, seu filho é surdo profundo, D.A, seu filho tem Perda auditiva neurossensorial profunda. A única coisa que resta para qualquer mortal é chorar Ha eu chorei, chorei bastante. É o famoso luto! É importante passar por ele. É o momento em que temos que enterrar o filho que sonhamos e idealizamos na nossa cabeça e construir um novo. Não é fácil! Como construir? Por onde eu começo? Como é? Quanto tempo dura? Quando vou aceitar o fato de ter um filho deficiente?


Para o mundo que eu quero descer! Não foi isso que eu escolhi não. Isso é algo particular de cada mãe e família. Não tem tempo certo nem errado. Cada um digere da sua forma e no seu tempo. Ninguém escolheu isso. Eu não escolhi, você não escolheu. A dor é nossa, só quem é mãe sabe. Conheço mãe que o filho já é grandinho e ela ainda vive no luto. A dor é imensurável e não cabe a ninguém julga-la. O meu não durou muito não. Chorei, levei um choque mas logo comecei a procurar tudo sobre surdez. Fui lendo, aprendendo, escutando várias histórias diferentes e isso foi me ajudando muito. Me lembrei também que quando estava grávida do Gui conheci uma mãe em um evento que a filha teve paralisia cerebral e me lembro que fiquei admirada com a dedicação daquela mãe. De onde vinha tanta força e coragem? Do amor de mãe! Isso é que nos move. Então eu acredito que Existem 2 caminhos: O da lamentação e o de "Colocar a mão na massa" e tocar o barco. Eu escolhi e de tocar o barco. Minha maior e única inspiração sempre foi ele: Construímos um vínculo inabalável. Nos falávamos com o olhar, o toque, sorriso. Fui ficando mais forte.

O peso da surdez foi ficando tão mais leve. Mas não pensem que o caminho é fácil. Não é! O peso da deficiência fica sim mais leve no momento em que você aceita o seu filho como ele é, mas por trás da surdez existe muitas coisas e escolhas. É a oralidade, IC, Libras, fono, exames...Escolhas...Várias escolhas cada uma com o seu peso e uma baita responsabilidade. Cobranças de todos os lados. Pessoas criticando o caminho escolhido. Mas a escolha é você quem faz! Esteja segura (o) para fazer o melhor para o filho. Observe, pergunte, questione e seja sensível para conseguir perceber o que seu filho realmente precisa. E não pense duas vezes em mudar de opinião, conhecer outras alternativas ou até começar tudo de novo porque nada está escrito em pedras. O que eu garanto é que ao longo dessa caminhada ganhamos força, coragem e muito aprendizado. Eu aprendo cada dia algo novo com o Gui e essa troca é maravilhosa. Permita-se curtir e amar seu filho plenamente! Choros, frustrações, dificuldades, cansaço, alegrias e vitórias faz parte da vida, mas olhe seu filho muito além que um aparelho e uma orelha. SEJA FELIZ que de recompensa você terá um filho feliz! Um beijo Sabine Schaade. Contato: sabine.schaade@bol.com.br


O que faz uma criança nascer surda? Bebê - 0 a 28 dias 1. HISTÓRIA FAMILIAR - ter outros casos de surdez na família 2. INFECÇÃO INTRA-UTERINA - provocada por citomegalovírus, rubéola, sífilis, herpes genital ou toxoplasmose 3. ANOMALIAS CRÂNIOS-FACIAIS deformações que afetam a orelha e/ou o canal auditivo (p.ex.: duto fechado) 4. PESO INFERIOR A 1.500 GR AO NASCER 5. HIPERBILIRUBINEMIA - doença que ocorre 24 horas depois do parto. O bebê fica todo amarelo por causa do aumento de uma substância chamada bilirubina. Ele precisa tomar banho de luz e fazer exosangüíneo transfusão 6. MEDICAÇÃO OTOTÓXICAS - uso de antibióticos do tipo aminoclicosídeos que podem afetar o ouvido interno 7. MENINGITE BACTERIANA - a surdez é umas das conseqüências possíveis quando o bebê tem este tipo de meningite 8. NOTA APGAR MENOR DO QUE 4 NO PRIMEIRO MINUTO DE NASCIDO E MENOR DO QUE 6 NO QUINTO MINUTO - Todo bebê quando nasce, recebe uma nota, composta por uma avaliação que inclui muitos fatores. Apgar era o nome do médico que inventou o teste. 9. VENTILAÇÃO MECÂNICA EM UTI NEONATAL POR MAIS DE 5 DIAS - quando o bebê teve que ficar entubado por não conseguir respirar sozinho 10. OUTROS SINAIS FÍSICOS ASSOCIADOS À SÍNDROMES NEUROLÓGICAS - p.ex.: Síndrome de Down ou de Waldemburg


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Criança - 29 dias a 2 anos OS PAIS DEVEM OBSERVAR SE HÁ ATRASO DE FALA OU DE LINGUAGEM - aos 7 meses ele já deve imitar alguns sons; com 1 ano já deve falar cerca de 10 palavras e com 2 anos o vocabulário deve estar em torno de 100 palavras 1 MENINGITE BACTERIANA OU VIRÓTICA - esta é a maior causa de surdez no Brasil 2 TRAUMA DE CABEÇA ASSOCIADA À PERDA DE CONSCIÊNCIA OU FRATURA CRANIANA MEDICAÇÃO OTOTÓXICA - uso de antibióticos do tipo aminoglicosídeos que podem afetar o ouvido interno 3 OUTROS SINAIS FÍSICOS ASSOCIADOS À SÍNDROMES NEUROLÓGICAS - por ex.: Síndrome de Down e de Waldemburg 4 INFECÇÃO DE OUVIDO PERSISTENTE OU RECORRENTE POR MAIS DE 3 MESES OTITES 5 Além daqueles encontrados nas crianças, os adultos podem adquirir a surdez através de: Uso continuado de aparelhos com fone de ouvido (I-Pod, MP3, etc) 6 Trabalho em ambiente de alto nível de pressão sonora 7 Infecção de ouvido constante e acidentest


O PRECONCEITO COM OS SURDOS E AS DIFICULDADES DE INTERAÇÃO COM OS OUVINTES. Elaine de Albuquerque Fernandes


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F alar de preconceito acerca de quem é

surdo é narrar uma das vertentes da surdez. O ser surdo é desde o início, considerado como alguém incapaz de realizar muitas atividades, alguém deficiente. Desde o início da história do povo surdo, todo tipo de violência foi cometida, sendo física ou não. A criança com deficiências auditivas busca desde início de sua vida, ter alguma forma de comunicação com os demais seres ao seu redor, verificando os movimentos dos lábios, e as expressões feitas, apesar de não ser muito fáceis de decifrar, em um ambiente em que o

O mercado de trabalho tem abertura para recebimento de pessoas com deficiência auditiva, e até mesmo com surdez, porém não está preparado para absorvê-los. Muitas vezes para obter sucesso, estes deficientes se destacam por vontade própria, com muito esforço, e estudando sozinhos. Independente do grau de surdez, eles precisam dominar tanto sua linguagem de sinais, para comunicação entre surdos, assim como também precisa ter o domínio da língua portuguesa para obter destaque no mercado. “A Lei de Cotas 8.213/91 (Artigo 93) abriu oportunidades em termos de quantidade de vagas, mas não

mesmo já tenha convivido diariamente, o indivíduo passa a compreender a intenção da pessoa. Porém, se qualquer uma destas expressões mudarem, a comunicação se torna muito mais difícil entre surdos e ouvintes no mesmo ambiente. O preconceito acerca o deficiente auditivo, mas o próprio ser que tenha essa deficiência deve ter autoestima para esta pessoa, verifica-se que pessoas que tem este tipo de deficiência, muitas vezes têm um preconceito consigo próprias, achando-se incapaz.

exatamente de qualidade. A educação brasileira não acompanha a formação dessas pessoas que, apesar de brasileiras, não são usuários fluentes da língua portuguesa”, explica Jarbas Batista de Oliveira, diretor da escola de Educação Básica da Divisão de Educação e Reabilitação dos Distúrbios da Comunicação (Derdic) da PUC-SP. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Brasil tem quase 6 milhões de pessoas com deficiência auditiva e em torno de 170 mil delas se declaram surdos – cerca de 35% dessas pessoas estão ocupadas. O Derdic da PUC-SP estima que o país tem cerca de 1 mil surdos em universidades.


Muitas organizações cometem o erro de preferir contratar deficientes auditivos, porque não precisa de muito custo com adaptação, por exemplo, rampas para deficientes físicos, porém ao contratar surdos, a empresa se depara com uma realidade completamente diferente, com um alto grau de problemas de comunicação. A grande maioria dos surdos tem dificuldade em se destacar na empresa, pois lhe aparecem poucas oportunidades, quando acontece isto, geralmente os ouvintes consideram os deficientes como indivíduos com pouca capacidade intelectual, porém podem

estar enganados, pois o surdo tem a mesma capacidade intelectual que um ouvinte.

As grandes empresas vêm buscando fazer a contratação de pessoas com deficiência auditiva, para atender a legislação, e é uma prioridade contratar funcionários capacitados, porém quando isto não é possível, as empresas são quase que fadadas a contratar pessoas sem qualificação profissional, apenas para preenchimento da cota de pessoas com deficiência, o que torna a empresa responsável pela formação inicial deste colaborador. E os surdos, como estão no mercado de trabalho? Como estão sendo aproveitadas as habilidades de

deficientes auditivos? Na comunidade surda, as pessoas vêm a cada dia se qualificando para o mercado de trabalho, sendo que muitas delas, na hora da qualificação, preferem uma profissão que não tenha muito contato com o público, que possam exercer a procissão independente de sua condição bilíngue (utilização da língua portuguesa e da linguagem através de sinais). Vejamos o exemplo de uma instituição privada da grande São Paulo, um centro universitário que proporciona aos alunos surdos cursar o ensino superior com o


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serviço especializado de Tradutores/ Intérpretes de língua de Sinais nas aulas, com o acompanhamento pedagógico e orientação educacional. São 14 Intérpretes contratados pela instituição, é importante salientar que a presença do Tradutor/ Intérprete de língua de sinais- português na CURSO

universidade está garantida também por força de Lei, pelo Decreto nº 5.626/2005, que prevê as condições essenciais para a educação de surdos. Nesta instituição, dentre as 24 opções de cursos de graduação e 14 cursos tecnológicos, existem surdos matriculados em 10 cursos diferentes. Observe o quadro: TIPO - DURAÇÃO

QUANTIDADE DE ALUNOS SURDOS

Administração

Graduação – 4 anos

8

Ciências Contábeis

Graduação – 4 anos

3

Engenharia da Computação

Graduação – 4 anos

1

Engenharia de Produção

Graduação – 4 anos

1

Pedagogia

Graduação – 4 anos

2

Técnico em Análise e Desenvolvimento de Sistemas

Tecnológico – 2,5 anos

3

Técnico em Design Gráfico

Tecnológico – 2,5 anos

5

Técnico em Manutenção de Aeronave

Tecnológico – 2,5 anos

1

Técnico em Recursos Humanos

Tecnológico – 2,5 anos

7

Técnico em Redes de computadores

Tecnológico – 2,5 anos

1

TOTAL

32

Tabela 1: Cursos elegidos pelos alunos do centro universitário. Fonte: http://www.porsinal.pt/index.php?ps=artigos&idt=artc&cat=12&idart=299 Banco de dados do centro universitário (2011)

O quadro acima mostra evidentemente que os surdos preferem atuar na área administrativa e gerencial (25%). Pode ser que isto ocorra, porque na conclusão de tais cursos, o surdo não precisa ter condições linguísticas para atuar na área em que se formar. O contrário ocorre na área da saúde, em que o trabalho é direto com o público, pois precisam de um maior desenvolvimento de ambas as línguas, algo que nem todos os deficientes auditivos têm desenvolvido. Um conceito criado na Universidade da Ásia, em Taiwan, pode contribuir para

resolver este problema. Trata-se de um conjunto de anéis e braceletes que servem para traduzir a língua de sinais para quem não a compreende. Funciona assim: o gadget detecta os movimentos feitos pela pessoa que está usando, identifica aquele sinal específico, e o transforma em uma mensagem de áudio. A pessoa que ouve a tradução do sinal também pode falar na sua própria língua – o aparelho é capaz de compreender a língua falada e transformá-la em um texto, que pode ser lido no visor do bracelete.


Vale lembrar que a língua de comunicação através de sinais não é a mesma, pois se muda de local, o modo de fala e escrita, também muda por consequência. A Política Nacional de Educação Especial (1994) estabelece que são alunos com necessidades especiais “aqueles que apresentam deficiências (mental, auditiva, física, visual e múltipla), super dotação ou altas habilidades ou condutas típicas devido a quadros de síndromes, neurológicos, psiquiátricos e psicológicos que alterem sua adaptação social a ponto de exigir intervenção especializada”. Já a Declaração de Salamanca em seu artigo 3º(1994, p. 3) advoga: “O princípio que orienta esta Estrutura é o de que escolas deveriam acomodar todas as crianças independentemente de suas condições físicas, intelectuais, sociais, emocionais, linguísticas ou outras. Aquelas deveriam incluir crianças deficientes e super-dotadas, crianças de rua e que trabalham, crianças de origem remota ou de população nómada, crianças pertencentes a minorias linguísticas, étnicas ou culturais, e crianças de outros grupos desprotegidos ou marginalizados.”

A inclusão deve ser feita com os deficientes auditivos, não porque eles estão exclusos da sociedade, mas pelo fato de que cada ser humano é diferente um do outro, e o indivíduo quer tratar o surdo como alguém com necessidades especiais, mas como tudo depende da finalidade, realmente precisam de algumas atenções especiais, mas conseguem sobreviver. Inserido nesta sociedade sortida de preconceito e discriminação, o indivíduo surdo fica excluído da sociedade, necessitando assim de auxílio de familiares e professores para se reintegrar ao meio social. O papel do professor é justamente entender as habilidades e as competências destas pessoas, e destaca-las no mercado de trabalho. Para que haja um avanço nesta inclusão, é necessário que haja o esclarecimento para todos os ouvintes.


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No dia Nacional do surdo, 26/03/2012, foi lançando ProDeaf Móvel para Windows Phone, o primeiro aplicativo para smartphones e tablets capaz de traduzir fala em português para a Língua Brasileira de Sinais (Libras). De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Brasil conta com cerca de 10 milhões de surdos e, deste total, 2,7 milhões não conhecem a Língua Portuguesa. Hoje, a prática de Libras já alcança mais de cinco milhões de brasileiros (incluindo

ouvintes, como familiares, amigos, educadores etc.). Assim, o ProDeaf Móvel foi lançado no mercado para facilitar a comunicação entre pessoas fluentes em um dos dois idiomas oficiais do Brasil: a Língua Portuguesa e a Língua Brasileira de Sinais (Libras). O projeto é fruto de um investimento de R$ 500 mil, feito pelo próprio ProDeaf com financiamento do Sebrae e do CNPQ. Além disso, a distribuição do aplicativo é totalmente gratuita.


...a surdez foi de grande valia para mim. Poupou-me o trabalho de ficar ouvindo grande quantidade de conversas inĂşteis e me ensinou a ouvir a voz interior.

Thomas Edison


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Há três tipos de condutas que ainda fazem com que o preconceito prevaleça diante das qualidades de um deficiente auditivo: “a indiferença, a caridade e o paternalismo” (POZZOLI, 2006, p. 192). Há vários fatores que influenciam nestes conceitos, sendo que um deles é o fator religioso, que torna as pessoas mais protecionistas, porém este é um conceito de preconceito que se formou há muito tempo atrás, e que até os dias de hoje ainda não foi difundido e modificado, conceito este que considera as pessoas deficientes como indivíduos incapazes de realizar qualquer atividade sozinhos,

que a qualquer realização precisam do auxílio de um familiar, ou então um professor, mas nunca sozinhos. Os desafios para inclusão são delicados, pois dependem de desfazer um conceito feito há tempos, para construir uma nova imagem para a sociedade, do que realmente se trata uma pessoa deficiente, refazer valores éticos e humanos, para que cada um possa ser valorizado com as habilidades que já possuir, É devido a isto, que atualmente existem leis que obrigam a existência de funcionários portadores de deficiência em alguns tipos de empresa, é

com o intuito de quebrar o paradigma que que este é um indivíduo incapaz. As barreiras devem ser quebradas, cada um tem suas características que são necessárias em uma organização, ou até mesmo na sociedade, uma pessoa surda, para aprender, basta apenas ter as mesmas características de um ouvinte, que é querer aprender, após isso, cada um aprende a sua forma, com a linguagem mais adaptável, e então

aprendendo e se capacitando, todos poderão concorrer igualmente um espaço no mercado de trabalho. Um deficiente auditivo precisa de uma atenção especial, afinal, ele não escuta, ou pouco escuta aqueles que estão ao seu redor, e para agir comumente precisa ter estes reflexos, mas paradigmas não podem existir, pois o hoje é pequeno demais para nos entretermos com preconceitos.


A EDUCAÇÃO DOS ALUNOS SURDOS Marília de Souza Carneiro


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O sistema educacional, em função de

sua história, sempre teve por tendência a exclusão. Desde os seus primórdios, a escola brasileira foi seletiva, atendendo os mais privilegiados e desprestigiando os menos privilegiados. Dessa forma, grande parte dos alunos que ingressavam no sistema escolar sempre foram excluídos, devido à exaustiva repetência e à evasão escolar propiciadas pela dificuldade de aprendizagem. Em 1990, foi realizada a Conferência Mundial Educação para Todos, surgiu a Declaração de Salamanca (1994), que põe em pauta o regime de inclusão, quando todas as crianças devem ter acesso a uma escola de qualidade, respeitando-se suas diferenças e promovendo-se sua aprendizagem. No que se refere ao aluno surdo e à surdez, é necessário ter alguns conhecimentos sem os quais fica difícil promover o ensino e a aprendizagem. A surdez, segundo Perlin (1998), deve ser encarada como uma diferença a ser respeitada, e não como uma "anomalia" a ser eliminada, pois o surdo apresenta cultura e identidades próprias. Só teremos uma inclusão satisfatória das

pessoas deficientes auditivos quando o preconceito em relação a esses alunos forem desfeitos, sendo realizados intervenções e esclarecimentos pelo professor ou o profissional responsável da escola. No mundo todo, o atendimento de crianças com necessidades especiais em escolas regulares passou a representar um tema bastante preocupante. Sabendo-se dessa realidade, a educação de indivíduos surdos, quando comparada com a dos ouvintes, ficava muito aquém, apesar de apresentarem competências iniciais semelhantes quando os alunos surdos e ouvintes iniciavam seus primeiros estudos.


É necessário fazer a distinção entre surdos congênitos e adquiridos: estes perderam a audição depois da aquisição da linguagem, enquanto aqueles já nasceram surdos. Tal diferenciação é fundamental, pois o surdo adquirido, dependendo da idade na qual adquiriu a surdez, já apresentava a língua oral e escrita dos ouvintes, o que proporciona a esses indivíduos melhor desenvolvimento cognitivo e rendimento escolar quando incluídos no ensino regular. Em contraposição, o surdo congênito,

por não ter acesso à língua oral e escrita dos ouvintes, tem na língua de sinais a sua língua natural, o que lhe impõe maiores dificuldades em relação à inclusão quando os professores e os alunos da sala não se comunicam em libras, dificultando-se, assim, a sua aprendizagem, já que é através da língua de sinais que esses alunos vão construir seus conhecimentos, elaborar seus pensamentos e, futuramente, apropriar-se da língua portuguesa como sua segunda língua. A política de inclusão, tal como foi proposta, contradiz a realidade do sistema educacional brasileiro, que se caracteriza por apresentar em seu universo classes superlotadas, prédios com arquitetura e instalações elétricas incompatíveis com a realidade das pessoas com necessidades educacionais especiais e docentes cuja formação incapacita-os ou impossibilita-os para a função de educadores de pessoas surdas. A desinformação dos professores e o desconhecimento sobre a surdez e sobre os modos adequados de atendimento ao aluno surdo são frequentes, o que compromete o processo de inclusão, visto que a maior parte das inclusões escolares é pouco responsável. As escolas inicialmente se mostram abertas ao receber os alunos,


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por força da Lei nº 1.0436/02, discutem suas características no momento de sua entrada, mas depois os inserem na rotina sem qualquer cuidado especial. O regime de inclusão de alunos surdos, devido à sua defasagem auditiva, faz com que enfrentem dificuldades para entrar em contato com a língua portuguesa oral e escrita. Como o aluno surdo tem uma língua própria, a qual não é conhecida pelos professores nem compartilhada pelos demais alunos, ele sofre uma desigualdade linguística, sem ter garantia de acesso aos

conhecimentos necessários ao seu desenvolvimento cognitivo. O modelo de inclusão atual não determina o aprendizado dos alunos surdos; apenas se constitui em mero "depósito" no qual o aluno surdo fica sozinho e, quando muito, apresenta-se como "copista", sem ter noção de sua realidade, sentindo-se cada vez mais confuso. Assim, esse aluno recebe a certificação de 9º ano (terminalidade específica), com competências em língua portuguesa e matemática semelhante às da 3ª ano do ensino fundamental.


É preciso pensar em um modelo de inclusão que promova a convivência entre surdos e ouvintes de forma benéfica para todos, no qual os ouvintes possam aprender a conviver com as diferenças e os surdos possam realmente aprender. Também necessitamos de um modelo novo de escola, que não tente fazer com que o aluno surdo caiba no modelo antigo, pois o modelo de escola que temos é aquele concebido para a semelhança, e não para o acolhimento das diferenças

Dependendo da metodologia adotada as escolas podem ser um dos fatores de integração ou desintegração das comunidades surdas, ou seja, se uma escola rejeita a língua de sinais, as crianças surdas que estudam nesta escola não vão conhecer a comunidade surda de sua cidade e conseqüentemente não aprenderam uma língua de sinais ou poderão interagir com os surdos de sua cidade somente após a sua adolescência.


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Prefeitura de Fortaleza cria primeira escola municipal bilíngue para surdos. A Escola Municipal de Educação Bilíngue Francisco Suderlan Bastos Mota ofertará ensino em tempo integral para, aproximadamente, 200 alunos nas etapas da Educação Infantil e do Ensino Fundamental. A instituição irá basear-se numa proposta em que a Língua Brasileira de Sinais (Libras) se constitui como primeira língua, e a Língua Portuguesa em sua modalidade escrita - como segunda.


VOCÊ SABIA? Surdos enxergam melhor que ouvintes? Discovery: Os cientistas descobriram que as retinas de pessoas que nasceram surdas, ou que perderam a audição no início da vida, desenvolvem de forma diferente - e isso significa que eles têm uma melhor visão. Pesquisadores da Universidade de Sheffield descobriram que as células nervosas da retina são distribuídas de forma diferente para aqueles que são surdos e aqueles que podem ouvir. Isso os fazem priorizar o que eles podem ver na sua visão periférica mais distante, perto de seus ouvidos.Enquanto pesquisas anteriores já haviam descoberto o vínculo entre a surdez e aumento da visão periférica, os cientistas pensavam que o córtex visual no cérebro era responsável, não as retinas. Cientistas dilataram as pupilas dos participantes e depois digitalizaram suas retinas. Eles também mediram os campos visuais de ambos os olhos, para comparar com as digitalizações da retina. Os resultados, publicados na revista PLoS ONE, mostram uma significativa correlação entre as mudanças na distribuição da retina em indivíduos surdos e o efeito que isso teve, ampliando a sua visão periférica. Co-autor do estudo, o Dr. Charlotte Codina disse: "Nossa esperança é que, como nós entendemos melhor a retina e a visão das pessoas surdas, podemos melhorar os cuidados visuais delas."


Olhe para o mundo com a coragem do cego, entenda as palavras com a atenção do surdo, fale com a mão e com os olhos como fazem os mudos Cazuza


LIBRAS E ORALISMO Anderson Clay Feitoza dos Santos


FONTE: http://www.renzelberg.de/historyover/Spanien.htm

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ORIGEM DA LINGUA DE SINAIS

No final do século XV, ainda não havia

escolas especializada para surdos, antes só pessoas ouvintes que tentavam ensinar aos surdos. O Método usado para ensinar através de sinais e linguagem escrita surgiu na Europa com italiano Giralamo Cardamo (1501-1576), médico italiano interessado em estudar o caso do seu filho surdo. Cardano encontrou por casualidade o livro de Rudolphus Agricola. Defendeu que o emprego de palavras faladas não era indispensável para se compreender as ideias, mas defendeu que era necessário aprender a ler e a escrever. No Mesmo século o monge espanhol Pedro Ponce de Leon (1520-1584), no Mosteiro de Salvador, perto de Madrid, foi o primeiro a ensinar varias pessoas surdas. Ele ensinava aos surdos primeiro a escrever mostrando-lhes o objeto, depois vocalizavam as palavras a que correspondiam. Foi o criador deste método a que os alunos reagiam bem. Guardou os registos dos seus métodos, mas foram destruídos por um incêndio.

Só em 1756, o francês Abbé Charles Michael de I’ Épée que ficou conhecido mundialmente como Pai dos Surdos, cria em Paris a primeira escola para surdos, o Instituto Nacional de Jovens Surdos de Paris. O seu método de educação centrava-se no uso de gestos (sinais, no Brasil), baseando-se no princípio de que "ao surdo-mudo deve ser ensinado através da visão aquilo que às outras pessoas é ensinado através da audição". Foi a primeira vez na história, que os surdos adquiriram o direito ao uso de uma língua própria. O que diferencia l'Épée dos educadores de surdos antes dele, foi ter permitido que os seus métodos e o acesso às suas aulas fossem abertos ao público e a outros educadores, reconhecimento dos surdos como ser humano. Em resultado desta abertura, tanto quanto ao seu sucesso, os seus métodos influenciam toda a educação de surdos até hoje.

Carlos Michel de L´Epee (1712-1789) Foi sacerdote durante 25 anos e mais tarde interessou-se pelo ensino dos surdos. Em 1760, iniciou o Refúgio para o Surdo em Paris para surdos de meios sociais desfavorecidos e ensinou as crianças surdas na escola em Truffaut, França, entre 1762-63. Em 1776, publicou Instrução do Signo Surdo e Mudo Metódico. Ficou famoso na Europa devido ao seu trabalho com os surdos. Reconheceu o valor da Língua Gestual dos surdos.


ORALISMO

Mesmo com os sinais metódicos de I'Épée, os surdos foram proibidos de usa-los durante 100 anos e adotar o oralismo (Conhecido como Método Alemão) que acreditava na fala como única forma de inserir o surdo na sociedade, porém o que realmente se escondia na defesa dessa corrente eram questões nacionalistas, onde vários países da Europa dominados pela 1

ditaduras não aceitavam uma segunda língua em seu país. O oralismo surgiu por volta do século XVIII e a partir das resoluções do Congresso de Milão (1880). O Congresso durou 3 dias, nos quais foram votadas 8 resoluções, sendo que apenas uma (a terceira) foi aprovada por unanimidade. As resoluções são:

O uso da língua falada, no ensino e educação dos surdos, deve preferir-se à língua gestual;

O uso da língua gestual em simultâneo com a língua oral, no ensino de surdos, afeta a fala, a leitura labial e a clareza dos conceitos, pelo que a língua articulada pura deve ser preferida;

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Os governos devem tomar medidas para que todos os surdos recebam educação;

O método mais apropriado para os surdos se apropriarem da fala é o método intuitivo (primeiro a fala depois a escrita); a gramática deve ser ensinada através de exemplos práticos, com a maior clareza possível; devem ser facultados aos surdos livros com palavras e formas de linguagem conhecidas pelo surdo;

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Os educadores de surdos, do método oralista, devem aplicar-se na elaboração de obras específicas desta matéria;

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Os surdos, depois de terminado o seu ensino oralista, não esqueceram o conhecimento adquirido, devendo, por isso, usar a língua oral na conversação com pessoas falantes, já que a fala se desenvolve com a prática;

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A idade mais favorável para admitir uma criança surda na escola é entre os 8-10 anos, sendo que a criança deve permanecer na escola um mínimo de 7-8 anos; nenhum educador de surdos deve ter mais de 10 alunos em simultâneo;

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Com o objetivo de implementar, com urgência, o método oralista, deviam ser reunidas as crianças surdas recém admitidas nas escolas, onde deveriam ser instruídas através da fala; essas mesmas crianças deveriam estar separadas das crianças mais avançadas, que já haviam recebido educação gestual, a fim de que não fossem contaminadas; os alunos antigos também deveriam ser ensinados segundo este novo sistema oral.

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Na época a língua de sinais foi oficialmente proibida nas escolas e a comunidade surda foi excluída da política e instituições de ensino. Essa proposta pretendia que os surdos fossem reabilitados, ou “normalizados”, pois, a surdez era considerada uma patologia, uma anormalidade. Eles deveriam comportar-se como se ouvissem, ou seja, deveriam aprender a falar. A oralização foi imposta a fim de que eles fossem aceitos socialmente. Como nem todos eram capazes de desenvolver a oralidade, muitos eram excluídos da possibilidade educativa e do meio social. Portanto, a maioria dos surdos vivia de forma clandestina. Para os oralistas, a linguagem falada é prioritária como forma de comunicação dos surdos, sendo indispensável para o desenvolvimento integral das crianças. Sinais e alfabeto digitais são proibidos, recomenda-se que a comunicação seja feita pela via auditiva e pela leitura orofacial. Fato curioso sobre o oralismo é o experimento do espanhol Ramirez de

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Carrion que, em uma tentativa desesperada, no intuito de solucionar os males causados pela surdez, criou uma receita para “curar” surdos, a qual consistia em: raspar a cabeça do doente, aplicar uma mistura de brandy, salitre, óleo de amêndoas e petróleo, em seguida se posicionar atrás do deficiente e fazer uma reza medieval em voz alta. Claro que a receita não funcionava, mas a calvice era certa! Por quase um século essa abordagem não foi questionada, embora a maioria dos surdos profundos não desenvolvesse a fala satisfatoriamente, conforme era exigido pelos ouvintes. Essa filosofia educacional desencadeava um atraso global no desenvolvido, que resultava em falta de estímulo e evasão escolar. Os alunos frequentavam a escola mais para aprender a falar do que propriamente para receber os conteúdos escolares.

Curiosidade Alguns recursos para capacitar o surdo a desenvolver ou manter a linguagem oral e escrita envolvem sessões com fonoaudiólogos, leitura labial, uso de aparelhos auditivos, implantes cocleares, sonorização especial de ambientes, legendas, equipamentos para facilitar a comunicação e participação ativa da família.


Houve o incremento do uso de próteses, mesmo assim, os métodos eram basicamente treinamentos de fala, desvinculados de contextos dialógicos propriamente ditos. A impossibilidade de interação com ouvintes e os problemas comunicativos entre professores e alunos surdos propiciaram, na década de 1960, a associação da Língua de Sinais à oralização, dando origem ao português sinalizado ou bimodalismo. O que parecia solução gerou outro problema, porquanto não é possível unir a Língua Portuguesa e a Língua de Sinais em uma única estrutura

gramatical, a do Português como intencionado por este método, uma vez que ambas dispõem de métodos gramaticais distintos. Por volta de 1960, surgiram alguns estudos sobre a língua de sinais utilizada pelas comunidades surdas. Apesar da proibição, era natural encontrarem em escolas ou instituições de surdos a comunicação por sinais de modo velado.

SURGIMENTO DA LINGUA DE SINAIS NO BRASIL

No Brasil, a educação dos surdos teve inicio durante o Segundo Império, com a chegada do educador francês Hernest Huet a convite de Dom Pedro II. A primeira escola de surdos foi criada pela Lei nº 839, de 26 de Setembro de 1857, por Dom Pedro II, no Rio de Janeiro, o Imperial Instituto dos Surdos-Mudos, hoje, Instituto Nacional de Educação de Surdos (INES) mantido pelo governo federal. O Imperial Instituto dos Surdos-Mudos era voltado para a educação literária e ensino profissionalizante e que teve como professor o francês Hernest Huet (surdo e partidário de I’Epée), Ele acreditava que a deficiência auditiva não impediria o processo educacional. A partir de então, os surdos brasileiros passaram a contar com uma escola especializada para sua educação e tiveram a oportunidade de criar a Língua Brasileira de Sinais – LIBRAS,

mistura da Língua de Sinais Francesa criada pelo francês I’Épée com os sistemas de comunicação já usados pelos surdos das mais diversas localidades. Em 1881, a história narra o fato da Língua de Sinais ter sido proibida no INES e em todo o Brasil. Como consequência dessa proibição, em 1895, teve o declínio do número de professores Surdos (22%) nas escolas para Surdos e aumentaram os professores ouvintes. Atualmente os surdos continuam estudando no INES, porém, com outra realidade, que não é mais internato. Hoje o ensino se dá em três períodos: manhã, tarde e noite. Além disso, recentemente, foi aberto um curso superior no INES, com oferta na área de pedagogia e que prevê a inclusão de alunos ouvintes, misturados aos alunos Surdos.


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ORIGEM DA LINGUA DE SINAIS

A Língua Brasileira de Sinais é a língua própria dos surdos sendo um sistema linguístico legítimo e natural, utilizado pela comunidade surda brasileira, de modalidade gestual-visual e com estrutura gramatical independente da Língua portuguesa falada no Brasil. Assim como as diversas línguas naturais e humanas existentes, ela é composta por níveis linguísticos como: fonologia, morfologia, sintaxe e semântica. Assim sendo, para se comunicar em Libras, não basta apenas conhecer sinais. É necessário conhecer a sua gramática para combinar as frases, estabelecendo comunicação. Os sinais surgem da combinação de configurações de mão, movimentos e de pontos de articulação — locais no espaço ou no corpo onde os sinais são feitos também de expressões faciais e corporais que transmitem os sentimentos que para os ouvintes são transmitidos pela entonação da voz, os quais juntos compõem as unidades básicas dessa língua. A LIBRAS possibilita o desenvolvimento linguístico, social e intelectual daquele que a utiliza enquanto instrumento comunicativo, favorecendo seu acesso ao conhecimento cultural-cientifico, bem como a integração no grupo social ao qual pertence. Na década de 70 o Bilinguismo se inicia no Brasil, Linguistas b r a s i l e i r o s começaram a se interessar pelo estudo da Língua de Sinais Brasileira – LIBRAS, e da sua contribuição para a educação do surdo. Nos anos 80 é criado um

projeto que visa à implementação da comunicação total em todas as escolas. Na década de 90 com o avanço tecnológico surgiram muitas transformações no Brasil. Em 1994, Começa a ser exibido na TV Educativa o programa VEJO VOZES, usando a Língua de Sinais Brasileira - LIBRAS. Apenas no ano de 2002 a língua brasileira de sinais foi oficialmente reconhecida e aceita como segunda língua oficial brasileira, através da Lei 10.436, de 24 de abril de 2002 sancionada pelo então Presidente Fernando Henrique Cardoso, que dispõe sobre a Língua Brasileira de Sinais, conhecida popularmente como lei de LIBRAS, a lei reconhece “como meio legal de comunicação e expressão a Língua Brasileira de Sinais”, além de garantir aos surdos sinalizadores uma serie de direitos relativos às suas especificidades linguísticas. Mesmo com um andamento lento o progresso para a cultura Surda acontece. O século XXI começou e fez a LIBRAS realmente avançar. Em 2005, através do decreto 5.626 a língua brasileira de sinais foi regulamentada como disciplina curricular. A publicação do decreto nº 5.626 não apenas promulgaram as leis nº 10.098


e nº 10.436, firmando a obrigatoriedade do ensino da Língua de Sinais nos cursos de formação de professores para o exercício do magistério, em nível médio e superior, iniciando nos cursos de Pedagogia, Fonoaudiologia e Educação Especial com ampliação progressiva às demais licenciaturas, como também despertou a atenção para uma “segunda” língua brasileira. Já em 2007, a estrutura de língua foi aplicada a Libras, já que ela é uma língua natural e possui complexidades próprias e comunicação eficaz. Em 2010 foi regulamentada a profissão de Tradutor\ Interprete de Libras, simbolizando mais uma grande conquista. E a dificuldade atual está na prática desta segunda língua, inclusive nos meios universitários, já que, mais de uma década após a primeira lei, são poucas as instituições de ensino superior no território nacional que dispõem de cursos para formação de professores de Libras, ou seja, licenciatura plena em Letras: Libras ou Letras: Libras/Língua Portuguesa. Tal preocupação se deve ao fato de que a disciplina deveria ser ministrada por uma pessoa dotada de todas as habilidades e profundo conhecimento da cultura surda, o que nem sempre ocorre. A ausência destas pessoas faz com que universidades se valham de professores não surdos, quais nem sempre têm a

devida fluência em Libras e acabam por transmitir aos alunos um breve histórico sobre a Língua de Sinais até sua chegada ao Brasil e conceitos básicos como alfabeto, tipos de saudação, alguns verbos, objetos, frutas, animais e cores, formando futuros professores com uma simples noção da segunda língua oficial do país e sem a mínima estrutura dialógica. Vale lembrar que os pedagogos que estão sendo formados darão aulas e educarão enumeras crianças, adultos do futuro, que independente de serem surdas ou não têm o direito de aprender Libras para compreender e se comunicar com os surdos, que também serão ensinados e necessitam, desde o início, assumir e conhecer sua cultura. Tomando como exemplo a educação de crianças surdas, para as quais a Língua de Sinais é a primeira língua, constataremos a necessidade de um professor/educador que conheça profundamente Libras. Neste caso, o ideal é que tal profissional também seja surdo, porque a Língua de Sinais é sua forma nativa de comunicação, tornando-o apto ao atendimento de um grupo que, em sua maioria, vem de famílias ouvintes sem o domínio de Libras. Crianças surdas têm estágios de desenvolvimento semelhantes aos de crianças ouvintes, mas precisam da aquisição de uma linguagem que permita o desenvolvimento de suas funções cognitivas.


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Se a aquisição da Língua de Sinais pelo próprio surdo é complexa, como não será para o ouvinte, que além de também necessitar de um profissional qualificado, ainda precisa aprender a viver como surdo, partilhando não apenas de seu meio de comunicação, mas também de sua cultura. Não obstante, a aprendizagem de Libras, como de qualquer outra língua, também está diretamente ligada à metodologia utilizada para o ensino, que, em muitos casos, privilegia a estrutura gramatical e apresenta situações descontextualizadas, contribuindo para a dificuldade de compreensão e levando ao desinteresse. O aprendizado efetivo virá com a convivência junto à comunidade surda e o uso diário de Libras em situações do cotidiano, mas é preciso propor atividades que ponham os alunos em situações próximas de sua realidade, valorizando a participação do mesmo. Hoje os indivíduos surdos demonstram que a Língua de Sinais apresenta uma organização neural semelhante à língua oral, ou seja, que esta se organiza no cérebro da mesma maneira que as línguas faladas. A Língua de Sinais apresenta, por ser uma língua, um período crítico precoce para sua aquisição, considerando-se que a forma de comunicação natural é aquela para o qual o sujeito está mais bem preparado, levando-se em conta a noção de conforto. Chega de excluir e ser excluído por ser diferente. É hora de se orgulhar e trocar com o outro as peculiaridades de cada cultura que compõe uma mesma nação. É hora de surdos e ouvintes se unirem, cada qual com sua língua, em prol de um ensino efetivo de Libras, como língua nacional, para que todos possam se entender e se fazer entender.

OS CINCO PARÂMETROS DA LIBRAS 1 Configuração das Mãos: É a forma das mãos presente nos sinais. Nas LIBRAS há 64 configurações. Elas são feitas pela mão dominante ou pelas duas mãos dependendo do sinal. Exemplos: APRENDER (na testa), LARANJA (na boca) e DESODORANTE (na axila). 2 Ponto de Articulação: É o lugar onde incide a mão predominante configurada, podendo esta tocar alguma parte do corpo ou estar em um espaço neutro vertical e horizontal. Exemplos espaço neutro: TRABALHAR, BRINCAR, PAQUERAR. Exemplos parte do corpo: ESQUECER, APRENDER, DECORAR. 3 Movimento: Os sinais podem ter movimentos ou não. Exemplos com movimentos: CHORAR, RIR, CONHECER. Exemplos sem movimento: AJOELHAR, EM PÉ, SENTAR. 4 Orientação / Direcionalidade: Os sinais tem uma direcionalidade com relação aos parâmetros citados. Exemplos: Verbo IR e VIR, SUBIR, DESCER, ACENDER, APAGAR. 5 Expressão Facial e/ou Corporal: Muitos sinais além dos quatro parâmetros mencionados acima em sua configuração têm como traço diferenciador também a expressão facial e corporal. Exemplos: ALEGRE, TRISTE. Há sinais feitos somente com a bochecha como: LADRÃO, ROUBAR, sinais feitos com a mão e expressão facial como o sinal de BALA, e há ainda sinais em que os sons e expressões faciais complementam os traços manuais como os sinais HELICOPTERO e MOTO. Na combinação destes cinco parâmetros, ou quatro, tem-se o sinal. Falar com as mãos é, portanto, combinar estes elementos para formarem as palavras e estas formarem as frases em um contexto.


DIFERENÇAS BÁSICAS ENTRE PORTUGUÊS LIBRAS Língua de modalidade oral-auditiva

Língua de modalidade espaço-visual

Unidade mínima: som (fonema)

Unidade mínima: item lexical (sinal)

Possui um alfabeto com relação letra-som (oralizado) através do qual todo léxico da língua é formado.

A partir das CMs existentes na LIBRAS, criou-se um alfabeto manual dactilologizado: A) Auxilia na digitação de nomes próprios da LP; B) Auxilia na soletração rítmica.

Ritmo da fala oral: representado oralmente pela entonação e por pausas (ex: representação gráfica pela pontuação)

Ritmo da fala espaço-visual representado por expressões faciais, pausas e alguns CLs de organização frasal.

Artigos: determinam o gênero: Definidos: O, A, OS, AS Indefinidos: UM, UMA, UNS, UMAS.

Artigos: o gênero é determinado pelo acréscimo do item lexical sinalizado correspondente a HOMEM e MULHER, quando necessário. Só aparece para seres humanos e animais.

Plural na LP é redundante. A flexão de numero ocorre basicamente pelo acréscimo de “S” para os substantivos. Ex: GATO, GATOS; AZUL, AZUIS; MAL, MALES, etc.

Flexão de numero: repetição de itens lexicais. Ex: CASAS = CASA + CASA + CASA.

Estrutura : S V O Ex: O homem subiu na montanha.

Estrutura: O S V Ex: Montanha homem Subir.

ONDE APRENDER LIBRAS?

NA INTERNET

EM IGREJAS

NAS ESCOLAS ESPECIAIS

EM ASSOCIAÇÕES


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PROFISSIONAL INTÉRPRETE Gracielle Kelly de Andrade Alencar


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O INTÉRPRETE E SUA IMPORTÂNCIA

O interprete é a pessoa que interpreta de

uma língua (língua forte) para outra (língua alvo) o que foi dito, portanto o interprete de Língua de Sinais é a pessoa que interpreta de uma dada língua de sinais para outra língua de sinais É profissional quem domina a língua de sinais e a língua falada do pais e que é qualificado para desempenhar a função de interprete. No Brasil, o interprete deve dominar a língua brasileira de sinais e a língua portuguesa. Ele também pode dominar outras línguas como o inglês, o espanhol, a língua de sinais americana a fazer a interpretação para a língua brasileira de Sinais ou vice-versa (por exemplo, conferencias internacionais). Alem dos domínios das línguas envolvidas no processo de tradução e interpretação, o profissional interprete também deve ter qualificação para atuar como tal. Isso significa ter domínio dos processos, dos modelos da estratégia e técnicas de tradução e interpretação, no entanto também devem ter formação especificada na área de sua atuação (como exemplo, na área da educação). O profissional interprete precisa ter

alguns princípios para prosseguir nessa profissão, como por exemplo o sigilo profissional, deve ser neutro e não interferir com opiniões próprias, precisa estabelecer limites no seu envolvimento durante a atuação, separar sua vida profissional de interprete e sua vida pessoal e também devem manter a interpretação fiel, ou seja, o interprete não pode alterar a informação por querer ajudar ou ter opiniões a respeito de algum assunto, o objetivo da interpretação é passar o que realmente for dito.


FACILITANDO A COMUNICAÇÃO COM A PESSOA SURDA A forma mais adequada para estabelecer a comunicação com pessoas surdas é por meio da lingua de sinais, sua lingua natural, que utiliza o canal gestual-visual, o que facilita a interpretação. No entanto quando isso não for possível, há algumas dicas que podem ajudar nesse processo: Utilize diferentes formas de linguagem – gestos naturais, dramatização, apontações, entre outros; Não é necessário gritar ou exagerar na articulação, seja natural; Use as expressões faciais para demonstrar duvidas questionamento, surpresa, entre outros sentimentos e emoções; Tenha calma se você não entender o que uma pessoa surda esta querendo dizer, se necessário peça a ela para repetir ou escrever; Ao abordar uma pessoa surda toque delicadamente seu ombro para ter sua atenção, ou coloque-se dentro do campo visual do surdo e sinalize para chama-lo, não adianta chamar ou gritar, se ela estiver de costas; Fale sempre de frente, pausadamente e, sempre que possível, de pistas visuais sobre a mensagem (gestos, apontamentos, etc.) PROCURA POR TRADUTOR E INTÉRPRETE DE LIBRAS CRESCE NO PAÍS Profissional é requisitado junto ao meio empresarial, no âmbito educacional e em todas as situações sociais que exigem a inclusão de pessoas com deficiência auditiva. A profissão de tradutor e intérprete de língua de sinais está ganhando espaço no mercado de trabalho. Desde 2010, quando a Lei nº 12.319 regulamentou a atividade, muitos avanços já foram constatados na área. “A norma é uma conquista da comunidade surda”, diz a professora Vânia Chiella, coordenadora do curso de extensão em Língua Brasileira de Sinais, da Unisinos. “Entretanto, fica claro que este é um processo relativamente novo, que exige ainda uma caminhada para o fortalecimento da categoria.” Segundo a docente, o desejo de regulamentar a profissão foi motivado

pela luta da comunidade surda (surdos e intérpretes de libras) desde o final dos anos noventa. De lá para cá, intensificaram-se as mobilizações pelo reconhecimento da língua de sinais no Brasil, o que gerou o aumento da demanda pelo país e, em especial, no interior. Hoje, o tradutor e intérprete é requisitado junto ao meio empresarial, em eventos como seminários, congressos e conferências; no âmbito educacional, em cursos técnicos, graduação e pós; e em todas as outras situações sociais que exigem a inclusão de pessoas com deficiência auditiva.


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FORMAÇÃO DO TRADUTOR E INTERPRETE DE LIBRAS A formação do tradutor e intérprete de libras pode passar por curso técnico, graduação e pós. Também pode ser complementada pela extensão universitária e por ofertas de formação continuada. “É primordial que o profissional tenha competência e fluência em libras para realizar a interpretação das duas línguas, de maneira simultânea e consecutiva”, salienta Vânia. Outro ponto que não pode faltar é a comprovação da proficiência por meio do exame Prolibras, promovido pelo MEC e exigido no momento da contratação. “O teste habilita o intérprete a realizar a interpretação da língua de sinais para o português e vice-versa”, diz a professora. PERSPECTIVA FINANCEIRA No Rio Grande do Sul, a Associação Gaúcha de Intérpretes de Língua de Sinais recomenda em tabela o valor-hora para o profissional. O valor varia de R$ 50,00 – correspondente ao período das 6h às 22h em dias de semana, para o profissional com Ensino Médio completo, curso de capacitação de tradutor/intérprete de libras/português e exame Prolibras – a R$ 315,00 – relativo ao mesmo horário, em finais de semana e feriados, para o profissional pós-graduado (mestrado e doutorado), com curso de capacitação de tradutor/intérprete de libras/português e exame Prolibras.


VALORIZAÇÃO PROFISSIONAL Conforme o último censo do IBGE, cerca de 9,7 milhões de brasileiros possuem deficiência auditiva – o que representa 5,1% da população do país. Desse total, no Rio Grande do Sul, aproximadamente 19 mil pessoas não conseguem ouvir de modo algum, 119 mil possuem grande dificuldade de ouvir e 478 mil apresentam certa dificuldade. Esses números comprovam, de certa forma, o apontamento da professora Vânia sobre o crescimento da demanda profissional. “Hoje, muitos surdos não concordam com a presença de um intérprete que não seja qualificado e proficiente”, comenta. Nem sempre foi assim. De acordo com Vânia, houve, por longo período, uma negação em relação à crença da importância do tradutor e intérprete, provavelmente apoiada na negação em relação à capacidade linguística das pessoas surdas. “Ainda hoje, onde há preconceito em relação à língua de sinais, há desvalorização do profissional.” Apesar disso, a tendência da profissão é crescer cada vez mais. Desde 2005, a

língua de sinais é atividade obrigatória em cursos de formação de professores e profissionais da educação. Na Unisinos, a disciplina de Cultura Surda e Libras é também obrigatória nas ofertas de graduação 100% a distância, e optativa aos demais cursos presenciais da instituição. “A profissão está em processo de consolidação. Há caminhos a percorrer”, pontua a professora Vânia. Os intérpretes brasileiros não agem de forma isolada. Eles buscam qualificação em associações ou na academia, por meio de pesquisas científicas sobre os processos de atuação. “Há, portanto, uma constante preocupação por parte desses profissionais em relação à qualidade e à postura ética profissional”, conclui a docente. PÂMELA OLIVEIRA - Unisinos

TRADUTOR VERSUS INTERPRETE DE LIBRAS Há uma figura muito importante que faz parte da comunidade surda e que é responsável pela mediação entre surdos e ouvintes: o intérprete. Por dominar a Libras e também o português, esse profissional pode viabilizar a interação entre pessoas que desconhecem essas linguagens. O trabalho do intérprete consiste em transpor textos ou discursos de uma língua para outra, permitindo que pessoas que escrevem e falam em línguas diferentes possam se comunicar entre si. Assim como esse profissional, há outro sujeito, também envolvido na comunidade


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surda e com o mesmo domínio linguístico do intérprete, que, porém, desempenha um trabalhado diferenciado — o tradutor. A principal diferença entre a atuação de um e de outro profissional está no fato de que o tradutor trabalha com textos escritos e o intérprete com discursos orais. Desta feita, pessoas surdas podem atuar como tradutores quando leem textos em português e o traduzem para Libras. Podem também ser intérpretes quando veem a língua sinalizada de um país específico e a transpõem para a língua de sinais de outro país. Para tanto, os tradutores leem e estudam o texto original, apreendem o seu sentido geral e, em seguida, procedem à sua tradução, procurando respeitar as ideias e o pensamento nele presentes e aplicando a terminologia mais adequada. Já as pessoas ouvintes que atuam profissionalmente como intérpretes transpõem um discurso oral emitido em uma língua para outra língua e funcionam como elo entre pessoas que se comunicam verbalmente entre si em idiomas diferentes. Para desempenhar bem esse trabalho, o profissional intérprete pode escolher uma das principais modalidades de interpretação existentes: 1) Interpretação de acompanhamento: exerce essa atividade o profissional que, acompanhando determinada pessoa, traduz, em ambos os sentidos, os diálogos que esta estabelece com interlocutores que se comunicam em uma outra língua, ou seja, quando o surdo fala, o intérprete transpõe a Libras para o português a fim de que o interlocutor entenda o que se disse e, quando o ouvinte fala, o intérprete sinaliza para o surdo. 2) Interpretação judicial: é a interpretação realizada no âmbito de um julgamento. 3) Interpretação de conferência: é a que tem lugar em reuniões multilíngues formais, tais como congressos, seminários, conferências, mesas-redondas, encontros ou jornadas. Essa última forma de atuação é bastante comum em relação à Libras, pois nessas situações formais normalmente se solicita a presença do profissional intérprete a fim que os participantes surdos possam acompanhar os eventos.


Quando o intérprete está mediando uma relação entre surdos e ouvintes em reuniões multilíngues formais, ele pode optar por desempenhar seu trabalho de forma consecutiva ou simultânea. A interpretação consecutiva é mais adequada às conversações que envolvem um número reduzido de participantes, tais como pequenas reuniões técnicas entre especialistas. Nesses casos, o intérprete encontra-se junto do orador, ouvindo a sua intervenção e fazendo apontamentos; em seguida, interpreta integralmente em uma outra língua o discurso, como se este fosse seu (isto é, na primeira pessoa do singular). Já a interpretação simultânea é mais adequada a encontros que envolvem muitos participantes, garantindo a transposição quase imediata dos discursos orais. A esse mediador de relações entre surdos e ouvintes são outorgadas, pelo menos, três grandes responsabilidades: 1 - Conhecimento profundo sobre as línguas em questão, nesse caso, Libras e português; 2 - Conhecimento sobre as culturas envolvidas, quer dizer, de surdos e de ouvintes; 3 - Conhecimento sobre atualidade política, econômica e social.

Além disso, esse profissional precisa ter clareza do que ouve para interpretar adequadamente o sentido, o estilo e oespírito do discurso apresentado. Para isso, precisa ter grande capacidade de concentração e de memória, treino auditivo e rápida compreensão dos discursos orais, de forma a não perder nenhuma informação. Isso é importante porque o intérprete nunca tem a possibilidade de ouvir novamente o que foi dito e, por isso, é essencial que ele também tenha excelente faculdade de análise e de síntese, de forma que


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preservando a continuidade e o sentido dos discursos orais, consiga manter o ritmo da intervenção, sem perder informações. Diante de tantas exigências para atuação, vemos quão árdua é a profissão de intérprete e quão importante esse profissional se torna para que a interação social entre falantes de línguas diferentes seja bem-sucedida. Os intérpretes de Libras merecem, pois, nosso respeito e nossa consideração pelo grande trabalho desempenhado junto às pessoas surdas. Você sabia?

Existe uma série de bonecas Barbie (americanas) que sinalizam "I Love You".


SURDO EMPREENDEDOR Karolina Veras de Oliveira


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É muito provável, que você, caro leitor(a),

já deve ter se deparado lendo histórias de superação de dificuldades, das deficiências, dos obstáculos, mais principalmente histórias reais de pessoas que quebraram paradigmas em busca de seus sonhos e conseguiram. E tratando-se de pessoas surdas tais histórias não mudam e sempre tem o desfecho com sucesso, pois a determinação é algo inato em cada deficiente auditivo. E são justamente essas histórias, que nos permitem modificar as nossas concepções de surdez, e o estereótipo que temos da pessoa com perda auditiva. Levando em consideração histórias de sucesso alcançado, temos como raiz principal de tal êxito, a criatividade que é por sinal umas das principais características atribuídas à um deficiente auditivo. A realidade é que sua criatividade é nítida, possibilitando o mesmo a criar coisas, ter idéias geniais e meios de comunicação, que jamais foi pensado anteriormente por alguém. O espírito empreendedor automaticamente passa a ser aguçado, dando-os chances de crescer em sua vida profissional e realizando-se como pessoa. Empreendedorismo sem limites, essa sim é a expressão correta usada, onde nenhuma limitação os faz de desistir de empreender algo novo e surpreendedor os que não acreditam em sua capacidade. Um exemplo de espírito empreendedor e beleza é o da simpática, linda e independente jovem de 28 anos, Vanessa Lima Vidal, natural de Fortaleza/Ceará, ganhou o título de Miss Ceará 2008, foi a segunda colocada no Miss Brasil 2008 e a primeira candidata deficiente auditiva a concorrer ao título de Miss Brasil. Com surdez congênita, ela enfrentou dificuldades durante a infância e a adolescência, mas superou os obstáculos impostos pela sociedade e

venceu na vida. Ela correu atrás de seu sonho, acreditou no seu potencial e em 2008 foi eleita a Miss Ceará. Hoje, trabalha na Comissão da Pessoa com Deficiência, cursa duas faculdades, Ciências Contábeis e Letras com especialização em libras (Língua Brasileira de Sinais) e lançou o seu livro autobiográfico “A Verdadeira Beleza”. Aos olhos do mundo, ela era somente mais uma deficiente auditiva, que poderia ter se acomodado, mas não, desde pequena convenceu a todos que poderia ir a escola, se comunicava através das libras, galgando sua aprovação no curso de Ciências Contábeis na Unifor, com direito a intérprete, o que antes não existia nesta instituição, e que somente com a sua luta foi possível. Engajada com sua causa é membro fundador da COMPEDEF – Comissão Técnica Municipal para Elaboração de Políticas Públicas Municipais para Atenção às Pessoas com Deficiência, onde busca amenizar as barreiras e o sofrimento dos deficientes em geral.


Outro exemplo de sucesso empreendedor é o do empresário Éden Veloso, de 37 anos, que não precisou ir muito longe para ter uma boa idéia de negócio. A sua própria experiência de vida foi o suficiente para motivá-lo a ser um empreendedor. Éden é surdo profundo de nascença, mas em nenhum momento a falta da audição foi um fator limitador para ele investir na sua própria empresa. Em 2009, ele fundou a Editora Mão Sinais com o sócio, Valdeci Maia, também surdo. A principal publicação, “Aprenda Libras com eficiência e rapidez”, volumes 1 e 2, acompanha um dvd com diálogos em Libras (Língua Brasileira de Sinais), e já vendeu mais de 30 mil exemplares em todo o Brasil. O livro reúne o aprendizado de 1,2 mil sinais da Libras, que engloba no total mais de 7 mil códigos de comunicação. Ainda no segundo semestre de 2013, a editora lançou os volumes 3 e 4 com outros 1,4 mil sinais. “O principal objetivo é colaborar com a inclusão social e o contato com a cultura

surda. Quem aprende Libras amplia sua rede de comunicação, enriquece sua atividade profissional e favorece a inclusão do surdo”, explica Éden Veloso. O livro, reforça ele, é fruto de muita pesquisa e foi pensado para os ouvintes aprenderem Libras mais rápido. “Reunimos materiais de diferentes experiências de ensino com a língua”, afirma Éden Veloso, que é formado no curso de Licenciatura em Letras/Libras pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).


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Além de todo esse quadro criativo de histórias empreendedoras de sucesso, podemos ver a iniciativa de muitos empresários em dá oportunidade de pessoas surdas à crescer profissional, ensinando-os de certa forma, à futuramente empreender. Este é o caso da empresa Nana Grassi, onde faz arte em cosméticos, da empresária Patrícia Rodrigues. Localizada em Fortaleza/Ceará, o negócio emprega 10 moças surdas e mudas na produção de sabonetes. Produz barras de sabonete e cosméticos a partir de extratos de frutas brasileiras. Noventa por cento do quadro de empregados é de surdas e mudas. Segundo a empresária Patrícia Rodrigues, a mão-de-obra dessas funcionárias agrega valor ao produto. “Elas trabalham muito o lado do tato, pois têm essa percepção da delicadeza mais aguçada. Acertei muito quando passei a

trabalhar com esse tipo de colaboradoras”, afirma Patrícia Rodrigues. A consciência social de Patrícia não para aí. A empreendedora só compra a matéria-prima de fornecedores também preocupados com a sustentabilidade do planeta. “Todos os óleos, manteigas, princípios ativos das nossas frutas, sementes e ervas, além dos acessórios, caixas e embalagens, são feitos por comunidades sustentáveis ou cooperativas.” A responsabilidade social de Nana Grassi é uma excelente ferramenta de marketing, e isso também serviu para equiparar os produtos da fabricante brasileira com os de marcas internacionais famosas. Hoje, a maioria absoluta das vendas da Patrícia é para o mercado externo. “A gente vende para a França, Suíça, Cabo Verde, Holanda, Itália, Bélgica e Dubai’’, diz a empresária.


O reconhecimento da diferença e o engajamento na aceitação da comunidade surda propõe às famílias, no início, um caminho desconhecido e um esforço extraordinário. Portanto, o papel da família nesse processo de desenvolvimento profissional e pessoal do surdo é de uma imensurável importância. E o caso de Jonas Pacheco, encaixa-se perfeitamente nesse contexto. Jonas Pacheco, é bancário e pai de Guilherme e Júlia, sendo Guilherme surdo. Moram em São Paulo – Capital. O objetivo de Jonas, juntamente com sua esposa, é buscar o melhor para seus filhos e para a comunidade surda em geral. Ambos tem convívio constante com surdos, principalmente em uma igreja Batista. Jonas possui um site www.jonas.com.br, que está operando desde 1999 e foi idealizado com o objetivo de atingir pais e amigos de surdos, que necessitando de apoio, achassem na web informações úteis e as pessoas podem contribuir no desenvolvimento e aprimoramento da página, fazendo crítica.

Com o passar do tempo, foi atingido este público alvo, porém foi perceptível que outro segmento que não tinha sido pensado, e igualmente importante, acessava as páginas do site. São os profissionais e estudantes da área de fonoaudiologia, psicologia, pedagogia e otorrinolaringologia, que, como formadores de opinião neste segmento, são imprescindíveis na divulgação e conscientização de toda a sociedade. A partir de fevereiro de 2004 foi assumido o site www.surdo.org.br como página institucional principal.


Podemos perceber que todo trabalho desempenhado pelo público surdo, além de agregar valor em suas próprias vidas, vem ajudando a diminuir o preconceito, a promover a acessibilidade ao mercado de trabalho e a aumentar a sua participação como indivíduos produtivos na sociedade, mudando a visão de muitas pessoas que a surdez é mais um aspecto das infinitas possibilidades da diversidade humana.


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Curiosidade

Surdo-mudo é, provavelmente, a mais antiga e incorreta denominação atribuída ao surdo, e ainda utilizada em certas áreas e divulgada nos meios de comunicação. O fato de uma pessoa ser surda não significa que ela seja muda. A mudez é uma outra deficiência, sem conexão com a surdez. São minorias os

surdos que também são mudos. Portanto, o termo surdo-mudo tem sido encarado pela cultura surda, como um erro social, dado ao fato de que o surdo viveria num "silêncio" rotulado pela própria sociedade (por falta de conhecimento do real significado das duas palavras).


BEETHOVEN O compositor alemão Ludwig von Beethoven (1770 - 1827) perdeu a audição progressivamente ao longo de três décadas (entre os 20 e os 50 anos), quando já se encontrava na fase adulta. Como não nasceu surdo, ele tinha memória auditiva suficiente para compor em sua mente. Mesmo surdo, Beethoven compôs obras grandiosas. A 'Nona Sinfonia', criada poucos anos antes de sua morte, foi declarada patrimônio mundial pela Unesco.


POLITICAS PÚBLICAS Adriele Martins Pontes


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Observa-se as dificuldades das pessoas

surdas em desenvolver e afirmar sua identidade cultural por conta da opressão clara ou mascarada, da ideologia ouvintista, sendo assim, fazem necessárias políticas sociais que possibilitam aos surdos, acesso, permanência e aproveitamento das produções culturais da comunidade surda e, também dos serviços de educação, saúde, lazer, trabalho, entre outros. As pessoas surdas ao longo da história foram, e ainda são tratadas como deficientes que não têm capacidade de realizar muitas atividades, inclusive sendo privados de terem os mínimos direitos de cidadãos respeitados por não se comunicarem oralmente e, por não fazerem parte da cultura da sociedade ouvinte. Foram muitas as lutas, os movimentos e os conflitos da sociedade Brasileira para a conquista dos seus direitos. Houve momentos da história que nem mesmo o direito à vida era garantido aos surdos. E infelizmente, ainda hoje essas pessoas vivem marginalizado e sacrificado pela sociedade, devido á falta de respeito aos seus direitos. A conquista de vários direitos deu-se a partir de lutas das

comunidades, entidades e movimentos de surdos, que permanecem presentes na sociedade, lutando pra que lhes sejam garantidos o acesso aos serviços públicos e privados e para que sejam reconhecidos. As Nações Unidas (ONU) aprovou em 2006, a "Convenção sobre os direitos das pessoas com deficiência". Foi promulgada pelo Brasil através do Decreto nº 6.949, de 25/08/2009. Este documento é um marco na história, pois apresenta como princípios o respeito pela dignidade inerente à pessoa humana, autonomia individual, incluindo a liberdade de fazer suas próprias escolhas e o direito à preservação da identidade. A comunidade surda, após histórica luta de mobilização por seus direitos, conseguiu, no Brasil, por via da Lei nº10.436/2002, o reconhecimento oficial da língua Brasileira de Sinais (Libra) como meio legal de comunicação e expressão das pessoas surdas. E no ano de 2005, esta Lei passou a ser regulamentada pelo Decreto nº 5.626, que estabelece inúmeras prerrogativas em relação aos direitos dos surdos a uma educação bilíngue.


Juntos somos

mais fortes.

WFD-WORLD FEDERATION OF THE DEAF

A WFD é uma organização internacional não governamental que representa aproximadamente 70 milhões de Surdos em todo o mundo. Podemos calcular que mais do que 80 por cento deste número vivem nos países em desenvolvimento, onde autoridades desconhecem suas necessidades. Essa entidade representa os surdos em organizações mundiais como a ONU, OEA, OIT, sempre trabalhando no sentido de garantir os direitos culturais, sociais e lingüísticos da comunidade surda mundial. Quando necessário a WFD utiliza medidas legais ou administrativas para garantir que Surdo, como indivíduo, em todos os países tenha o direito de manter e preservar sua própria língua de origem, a língua de sinais. Além de preservar a organização cultural destes, visa obter oportunidades iguais em todas as esferas de sua existência, incluindo o acesso dos Surdos à educação e informação.


FENEIS- Federação Nacional de Educação e Integração dos Surdos

A criação das associações foi, sem dúvida, um passo decisivo para a autonomia dos surdos. Com passar do tempo, sentiu-se a necessidade de fundar uma organização nacional que atendesse a todas as pessoas surdas do país. Como resultado da reunião de várias entidades que já trabalhavam com essa temática, em 1977 foi fundada a Federação Nacional de Educação e Integração dos Deficientes Auditivos, Feneida. Entretanto a representatividade dos surdos estava comprometida, pois a nova entidade era composta apenas por pessoas ouvintes. Como resposta a essa exclusão, em 1983, a Comunidade Surda criou uma Comissão de Luta pelos Direitos dos Surdos, um grupo não oficializado, mas com um trabalho significativo na busca de participação nas decisões da diretoria da Feneida. Até então esse direito lhes era negado por não se acreditar na capacidade de que poderiam coordenar uma entidade. Mas, não demorou muito e devido à grande credibilidade adquirida, a Comissão conquistou a presidência da Feneida. Em 16 de maio de 1987, em Assembléia Geral, a nova diretoria reestruturou o estatuto da instituição, que passou a se chamar Federação Nacional de Educação e Integração dos Surdos - Feneis. A Feneis incentivada pela Coordenadoria Nacional para a Integração de Pessoas Portadoras de Deficiência - CORDE, do Ministério da Justiça, iniciou a realização de convênios para a inserção de surdos no mercado de trabalho. O primeiro deles foi assinado com a DATAPREV, posteriormente, vieram outros que hoje empregam mais de seiscentos surdos.

INES- Instituto Nacional de Educação de Surdos

Atual Instituto Nacional de Educação de Surdos foi criado em meados do século XIX, por iniciativas do surdo francês E. Huet. Em junho de 1855, Huet apresenta ao Imperador D. Pedro II um relatório cujo conteúdo revela a intenção de fundar uma escola pra surdos no Brasil. O INES se caracteriza como uma Instituição que atua na perspectiva da efetivação do direito à educação de crianças, jovens e adultos surdos, produzindo conhecimento e apoiando diretamente os sistemas de ensino que contemplam sua singularidade lingüística. O Instituto Nacional de Educação de Surdos, único em âmbito federal, ocupa importante centralidade na educação de surdos, tanto na formação e qualificação de profissionais na área surdez, por meio da Educação superior- Ensino de Graduação e Pós Graduação, Pesquisa e Extensão, quanto na construção de difusão do conhecimento, seminários e congressos, cursos de extensão assessoriais, em todo o Brasil.


FITA AZUL, ORGULHO SURDO

Na Segunda Guerra Mundial, era comum o uso de eutanásia nos hospitais, onde eram mortos bebês surdos. Posteriormente, tornou-se comum a prática do aborto, que era aplicada quando se suspeitava que os fetos poderiam ter deficiências congênitas, ou qualquer tipo de doença, como no caso da surdez. Poucos surdos escaparam, sobrevivendo em guetos e nos campos de concentração. Na Antigüidade os chineses lançavam-nos ao mar, os gauleses sacrificavam-nos aos deuses Teutates, em Esparta eram lançados do alto dos rochedos. Na Grécia, os Surdos eram encarados como seres incompetentes. Aristóteles, ensinava que os que nasciam surdos, por não possuírem linguagem, não eram capazes de raciocinar. Essa crença, comum na época, fazia com que, na Grécia, os Surdos não recebessem educação secular, não tivessem direitos, fossem marginalizados (juntamente com os deficientes mentais e os doentes) e que muitas vezes fossem condenados à morte. Tornou-se parte da cultura surda usar uma fita azul, Sentimento azul? Celebrem! Com todas as fitas, alfinetes, pulseiras e Camisetas. Uma conhecida fita azul representa um motivo: ela engloba uma história, uma

cultura, uma língua, um povo. A fita azul representa a opressão enfrentada pelas pessoas surdas ao longo da história. Hoje em dia ela representa as suas silenciosas vozes em um mar de línguas faladas. A fita azul foi introduzida em Brisbane, na Austrália, em julho de 1999, no Congresso Mundial da Federação Mundial de Surdos. Durante o evento foi feita a sensibilização da luta dos Surdos e suas famílias ouvintes, através dos tempos. A cor azul foi escolhida para representar "O Orgulho Surdo", para homenagear todos os que morreram depois de serem classificados como "surdo" durante o reinado da Alemanha nazista. Ao recordarmos a opressão dos Surdos no passado e hoje, está se tornando claro para um número maior de pessoas que os surdos podem fazer qualquer coisa, exceto ouvir. Aqueles que usam a fita azul têm orgulho em mostrar um pouco de sua própria cultura: A Cultura surda. Surdez não é uma deficiência, mas uma cultura.


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UNIVERSIDADE GALLAUDET

A universidade é a única comunidade de aprendizagem composta por 1.100 alunos de graduação e 400 estudantes de pós-graduação que são surdos ou têm deficiência auditiva. É a única instituição de ensino superior do mundo onde todos os programas e serviços são especialmente elaborados para alunos surdos ou com deficiência auditiva. Todos os cursos são ministrados na linguagem americana de sinais e em inglês. A missão da escola é manter “uma orgulhosa tradição de pesquisa e atividades escolares e (preparar) seus alunos para oportunidades de carreira em um mundo altamente competitivo, tecnológico e que muda rapidamente”, de acordo com a declaração da missão da escola. A Gallaudet também visa melhorar a vitalidade intelectual, social, linguística e econômica das pessoas surdas, local e internacionalmente, para preservar a história dessas pessoas e “promover o reconhecimento de que as pessoas

surdas e suas linguagens de sinais são recursos vastos, com contribuições significativas à dimensão cognitiva, criativa e cultural da diversidade humana”. Localizada em Washington, a Gallaudet oferece cursos de bacharelado em Artes e em Ciências em mais de 40 especializações. Seus programas de graduação conferem graus de mestre em áreas como administração e desenvolvimento internacional, e doutorado em psicologia clínica e linguística, entre outras.

26 DE SETEMBRO - DIA DO SURDO

A comunidade Surda Brasileira comemora em 26 de setembro, o dia nacional do surdo, data em que são relembradas as lutas históricas por melhores condições, saúde, dignidade e cidadania. No Brasil, o dia 26 de setembro é celebrado devido ao fato desta data relembrar a inauguração da primeira escola para surdos no país em 1857, a INES. Toda esta história começou em 26 de setembro de 1857, durante o Império de D. Pedro II, quando o professor francês HernestHuet fundou, com o apoio do imperador o Imperial Instituto de Surdos. Huet era surdo. Na época, o instituto era um asilo, onde só eram aceitos surdos do sexo masculino. Eles vinham de todos os pontos do país e muitos eram abandonados pelas famílias.


ICES -Instituto Cearense da Educação de Surdos

Atualmente, com mais de 52 anos de existência, o ICES é a única Instituição Pública Estadual do Ceará destinado exclusivamente para a Educação dos Surdos. Em 2010, a escola tem em seu registro de matrícula ao todo 500 alunos: 12 na Educação Infantil, 126 no Ensino Fundamental I, 266 no Ensino Fundamental II, 64 no Ensino Médio e 32 na Educação de Jovens e Adultos. A grade curricular e a carga horária são as mesmas do ensino da rede escolar estadual, tendo como diferencial a disciplina Libras, que está presente em todas as turmas da escola com carga horária semanal de 4h/a e é ministrada por professores surdos. CARTEIRA DE HABILITAÇÃO

Dados do instituto brasileiro de geografia e estatística ( IBGE) mostram que no Brasil, há cerca de 10 mil motoristas com deficiência auditiva, porem nem todos possuem a carteira nacional de habilitação ( CNH) em virtude da desinformação, do medo e da falta de incentivo por parte dos familiares. Quem tem deficiência auditiva pode obter a carteira de habilitação, uma vez que o principal sentido exigido para essa prática é a visão. Porém, é necessário que o motorista que não ouve utilize um adesivo no veículo com o símbolo internacional de surdez uma exigência pouco conhecida. O símbolo serve para alertar os demais motoristas de que o condutor do veículo é portador de deficiência auditiva, o que gera maior segurança e respeito à condição especial do condutor no trânsito. O símbolo deve ser fixado no vidro traseiro do veículo, para informar que qualquer solicitação deve ser feita por meio dos faróis altos e também pode ser colocado no vidro dianteiro, para facilitar a identificação por agentes de trânsito e demais autoridades de trânsito no momento da abordagem. O candidato à obtenção de carteira nacional de habilitação, portador de deficiência auditiva igual ou superior a 40 debicais, considerado apto no exame otonerológicos, só poderá dirigir veículo automotor das categorias A ou B. O candidato deverá levar à junta médica do DETRAN um laudo médico especificando o seu problema físico. No caso do deficiente auditivo levar o exame audiométrico, com laudo. Para obter a permissão para dirigir: o candidato deverá realizar o exame psicotécnico antes do exame médico. O exame médico inicial deverá ser efetuado pela junta médica da Comissão de Exames Especiais do DETRAN que irá sugerir ou não adaptações para o veículo e observar se a categoria pretendida pode ser concedida. A continuidade do processo de habilitação será na Delegacia da Comarca ou Delegacia Regional, da cidade de residência do candidato. Após aprovação no exame psicotécnico e médico, o candidato continuará seu processo de habilitação submetendo-se, a prova teórica e prática de direção, em veículo adaptado se for o caso.


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Curiosidade


ESTUDO DE CASO: INSTITUTO CEARENSE DE EDUCAÇÃO DE SURDOS Ana Kelly Pinheiro de Lima


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Instituto Cearense de Educação de Surdos

A

História da Educação de Surdos no Estado do Ceará começou a partir da intenção do Professor Hamilton Cavalcante de Andrade, em fundar uma Instituição que viesse atender pessoas com surdez. A ideia surgiu após ter conhecido o Instituto Nacional de Educação de Surdos – INES no Rio de Janeiro quando então era estudante nesta cidade. Ao retornar para Fortaleza, como professor das duas Universidades Públicas do Estado do Ceará (UFC e UECE) na área de linguística, usou de seu prestígio junto ao Secretário da Educação e seu grande amigo Joaquim de

Figueiredo Correia, para implantar uma escola para surdos aqui no Ceará. Por determinação do então Governador do Estado, José Parsifal Barroso, coube ao Secretário da Educação acompanhar de perto o trabalho de fundação do Instituto Cearense de Educação de Surdos, que teve seu primeiro prédio alugado à Rua Visconde do Rio Branco. Sob a direção do Professor Hamilton Cavalcante Andrade, foi montado um quadro de profissionais na área da surdez, e providenciado um curso no INES, do Rio de Janeiro, para os que não possuíam habilitação no ensino especial.


A escola foi fundada em 25 de março de 1961, utilizando a filosofia oralista, onde se priorizava a fala, e permaneceu dessa forma até 2001. O Instituto Cearense de Educação de Surdos – ICES é a única instituição pública estadual do Ceará destinada exclusivamente ao atendimento a pessoa surda. Com 53 anos de existência, O ICES atende cerca de 450 alunos distribuídos em três turnos, nas modalidades de ensino fundamental I e II, ensino médio e educação para jovens e adultos (EJA). A partir de três anos de idade, as crianças do Instituto são atendidos na sala de estimulação precoce e ensino regular. O Currículo e a carga horária são os mesmos da escola de ensino regular adaptados às condições específicas do Deficiente Auditivo – D.A., ou seja, a partir de 2002 foi incluída a Libras - Língua Brasileira de Sinais como língua primeira da escola atendendo assim às peculiaridades da deficiência; nessa perspectiva, a duração das turmas poderá também sofrer adaptações. Sua sede possui 24 salas de aula (térreo

e primeiro andar), Refeitório, quadra esportiva coberta, pátio de lazer, Secretaria, Sala de Professores, Sala de Vídeo, Sala de Artes, Oficina de Português, Estimulação Precoce e Laboratório de Informática. O ICES conta ainda com serviços complementares como o Soe – Serviço de Orientação Educacional, Serviço de Supervisão Escolar e Intérpretes que auxiliam os professores em sala de aula. Está agregado à escola desde 2003, o CAS – Centro de Apoio ao Surdo, que veio para contribuir junto à comunidade surda oferecendo treinamentos, capacitações e cursos, tanto para os surdos como para os profissionais que atuam na área de Surdez. São cursos de Libras para professores, alunos, familiares e comunidade como um todo, oficinas de português e inglês para surdos, cursinhos pré-vestibular para surdos, cursos de informática básica para surdos, atendimentos em grupos de psicologia, fonoaudiologia, psicopedagogia, psicomotricidade, professores itinerantes para acompanhamento das inclusões e reforço em língua portuguesa.


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Objetivos OICES tem como meta principal o desenvolvimento da língua de sinais. Propõe-se a ser uma escola bilíngue onde a LIBRAS deve ser respeitada como a língua natural do surdo. Para tanto, seus profissionais desde o ano de 2002 veem sendo capacitados em língua de sinais para uma melhor interação e aprendizagem dos alunos. Os objetivos estratégicos são: elevar o desempenho acadêmico dos alunos, investir na formação continuada da equipe escolar e estabelecer normas de convivência e regulamentos escolares claros e divulgar para a comunidade interna e externa. Visite o site:

Missão O ICES é um instrumento na formação plena do aluno surdo, respeitando a sua cultura, sua língua, possibilitando meios para que ele possa crescer nos aspectos cognitivos, emocionais e sociais, transformando-o em um ser crítico e participante de nossa sociedade. Visão de Futuro Que os alunos sejam capazes de participar da sociedade, competindo igualitariamente em todos os segmentos. Valores Transparência: Oferecemos à comunidade transparência em todos os prestados.

escolar serviços

Respeito: Oportunizamos dentro do ambiente escolar, o respeito pelo surdo, para que o mesmo possa desenvolver-se integralmente dentro de suas potencialidades tornando-se agente transformador da sociedade. Criatividade: Incentivamos a criatividade de nossa equipe escolar e de nossos alunos, através de atividades diárias que possuem relevante importância dentro da Proposta Pedagógica desta Instituição.


Participação: Trabalhamos com a participação de toda a comunidade escolar em busca da melhoria da qualidade de ensino, visando sempre uma unidade na ação pedagógica objetivando o crescimento da aprendizagem da clientela surda. Propósito Educar para a vida formando sujeitos críticos, competentes e conscientes do seu papel como sujeito ativo e transformador na sociedade. Exercendo assim o pleno exercício de sua cidadania. Desafios Organizar o currículo em uma perspectiva visual-espacial. (Pedagogia visual/da diferença) para garantir o acesso a todos os conteúdos escolares em LIBRAS; Aprimorar a qualidade do ensino e a aprendizagem dos alunos; Qualificar todos os profissionais da escola de LIBRAS; Difundir o direito da avaliação bilíngue; Oficina de LIBRAS para a Família. Endereço do ICES Av. Rui Barbosa, 1970, Aldeota Fortaleza - CE Fone: (85) 3101.1391 e-mail: isurdos@escola.ce.gov.brv Núcleo Gestor Débora de Vasconcelos Souza Conrado Diretora surda Diná Santana e Luíza Rochelle Coordenadoras Maria do Carmo Bezerra da Silva Secretária


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PROJETOS E PROGRAMAS PROJETO PRIMEIRO PASSO O Primeiro Passo objetiva a inclusão social e ampliação do acesso dos jovens ao emprego. Coordenado pela STDS, o programa atua na preparação da classe juvenil, através de cursos profissionalizantes nas áreas de serviços, turismo e administração. Os jovens são qualificados em três linhas de ação: Jovem Bolsista, Jovem Aprendiz e Jovem Estagiário. PROJOVEM URBANO Um dos grandes problemas enfrentados pelos Jovens Surdos em nossa sociedade refere-se à inclusão social nas mais diversas instâncias da sociedade: educação, trabalho, arte, lazer, cultura, saúde. Posto que para os Surdos, a dificuldade ao acesso a escolas adequadas para as suas necessidades linguísticas, a dificuldade de se inserirem em atividades profissionais reconhecidas, a dificuldade com a comunicação, dentre outros fatores, criam barreiras para o seu desenvolvimento e inserção na sociedade. Com o intuito de criar as condições necessárias para romper o ciclo de reprodução das desigualdades e restaurar a esperança dos jovens surdos em relação ao futuro do Brasil, o Instituto Cearense de Educação de Surdos, em 2010, aderiu ao projeto do Ministério do Trabalho, ProJovem Urbano, que tem como finalidade elevar o grau de escolaridade visando ao desenvolvimento humano e ao exercício da cidadania, por meio da conclusão do ensino fundamental, de qualificação profissional

e do desenvolvimento de experiências de participação cidadã. Este projeto constitui uma reformulação do ProJovem – Programa Nacional de Inclusão de Jovens. Trata-se de uma política de focalização, na qual se destina a promover a inclusão social dos jovens brasileiros de 18 a 29 anos que, apesar de alfabetizados, não concluíram o ensino fundamental, buscando sua reinserção na escola e no mundo do trabalho. O curso tem a duração de 18 meses, oferece formação no ensino fundamental, cursos de iniciação profissional, aulas de informática e auxílio de R$ 100,00 por mês.


OFICINA DE LIBRAS Família e Libras: comunicar é preciso, ser feliz também! A Língua Brasileira de Sinais – LIBRAS é a língua oficial da Comunidade Surda Brasileira. É a língua L1, isto é, a língua natural do surdo. Por isso ela é de fundamental importância para sua vida. Através da LIBRAS, é possível que o surdo desenvolva sua capacidade linguística, tornando mais fácil o aprendizado de qualquer outra língua, inclusive o Português, pois já terá um elemento comparativo: a LS. Além disso, ela é um instrumento que facilita a compreensão do mundo (a realidade que nos cerca). Qualquer conceito é mais facilmente aprendido se pudermos compará-lo a situações vivenciadas por nós ou situações vivenciadas pela nossa sociedade. PRINCIPAIS CONQUISTAS E SERVIÇOS: I Congresso de experiência exitosas em educação bilíngue para surdos 2011 (50 anos do ICES); Mais profissionais surdos na escola; Provas bilíngues (LP e Libras); Implantação do ensino médio; Reforma geral da escola e aquisição de materiais educativos; Pedagogia surda; Estúdio ICES; Programa Mais Educação; PAIC MIS (programa alfabetização na idade certa); Projeto pedagogia visual (um computador por aluno); Projeto preparação rumo à universidade; X Projeto família bilíngue.

E como a maioria dos surdos são filhos de ouvintes que não sabem LIBRAS, faz-se urgente o aprendizado desta língua por parte da família que é a primeira escola na vida do surdo. Já que eles se comunicam em línguas diferentes e de forma ineficiente. Nesse sentido, a realização deste projeto justifica-se pela necessidade da aquisição da LIBRAS pela família do surdo a fim de tornar eficiente a comunicação entre eles. As atividades realizadas na oficina são de português, matemática e artes, filmes e palestras com temas sobre Surdez e outros assuntos relacionados, dinâmicas e pesquisas na internet.


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Débora de Vasconcelos, primeira diretora surda do Brasil Filha do Sr. Moisés e de D. Ana Maria, Débora, devido a uma complicação no parto, nasceu totalmente surda em 30 de dezembro de 1979, na cidade de Maranguape/Ceará, mas esse fato não a impediu de obter um grande sucesso na sua vida profissional. A VIDA Aos 5 anos de idade iniciou seus estudos no Colégio Sebastião de Abreu, em Maranguape e em Fortaleza estudou nos colégios , Mascote, Instituto Fillipo Smaldone, Instituto Cearense de Educação de Surdos e Colégio São Paulo Em 2007 formou-se formou-se em Pedagogia, foi professora de várias instituições, inclusive da UECE. Hoje, Débora é licenciada em Letras-Libras, especialista em gestão escolar, tutora da Universidade Federal do Ceará e diretora do Instituto Cearense de Educação de Surdos- ICES. Apesar da sua deficiência auditiva, Débora leva a vida como a maioria das mulheres da nossa atualidade, tem carteira de habilitação e dirige muito bem, cuida da beleza, realiza atividades físicas e ainda arranja tempo pra cuidar do marido e do filho de 7anos, que é ouvinte. Casou-se aos 22 anos com André Henrique Aguiar Conrado, que também é surdo. Eles se conheceram e estudaram juntos na infância, no Fillipo Smaldone, de lá, cada um seguiu se caminho e um dia se reencontraram, começaram a namorar, casaram e hoje trabalham juntas no ICES. AS BARREIRAS A grande responsável por seu sucesso chama-se D. Ana Maria, pois sem se acomodar com o fato, enfrentou como uma verdadeira guerreira os desafios que foram aparecendo no decorrer da vida de sua filha, desbravando 3 grandes barreiras: a da distância, pois como moravam em Maranguape, tinha que levar diariamente a filha para estudar em Fortaleza, passando assim o dia inteiro na capital, pois ela estudava em um turno na escola regular e o outro em uma escola para surdos; a do preconceito, encarando como uma leoa quem destratasse ou sentisse pena de sua filha; e a da comunicação, pois apesar de não saber a linguagem de sinais conseguiu ensinar muito bem para sua filha a ter garra e vencer com o estudo.


A INCLUSÂO Débora, como ela mesma gosta de enfatizar, ser surda não a faz deficiente e sim diferente, é assim que ela se considera, apenas diferente de algumas pessoas. Mas quem não é diferente? Quem não tem nenhuma limitação na vida? O que há de especial nessa história, é que a sua garra desde criança, o seu estudo, sua vontade de vencer, a sua liderança nata a sua paixão pela educação, a sua maturidade, a sua independência fazem com que hoje ela seja uma referência para todos os jovens surdos na luta por uma educação de qualidade, defensora da educação bilíngue como o melhor caminho para promover o aprendizado e o desenvolvimento dos alunos surdos, pois desta forma os educandos convivem, aprendem e compartilham conhecimentos nas diversas disciplinas em suas duas línguas – a língua de sinais e a língua portuguesa. O DESAFIO O seu grande desafio hoje é mostrar para a sociedade a importância desta educação diferenciada para os surdos, que necessitam de uma metodologia de ensino que utilize recursos visuais e mnemônicos (referente à memória), já que a maioria das informações que chegam a eles é por meio dos canais visuais e sinestésicos (referente a sinais). A frente da direção do Instituto Cearense de Educação de Surdos, como a 1” Diretora Surda do Brasil, com esse verdadeiro exemplo de vida, ela dá uma lição para todos e não só para os surdos, de que tudo é possível por meio do estudo, da perseverança e da auto confiança.


Visita ao Instituto Cearense de Educação de Surdos


Primeiramente quero agradecer a Deus por me dá a chance de fazer tal trabalho, onde teve um significado muito especial para mim, pois através dele tive a oportunidade de enxergar a vida de um outro ângulo, que até então desconhecia. Gostaria de agradecer também ao professor Wanderlei, que nos deu a oportunidade de fazer um trabalho tão maravilhoso, onde agregou valor tanto na minha vida profissional como pessoal e às todos componentes da equipe. Sem dúvidas, foi muito gratificante todo resultado obtido, pelo qual vou levar por toda minha vida, por se tratar de um trabalho onde abordamos o tema sobre surdos e por ser um projeto de integração da turma! Karolina Veras de Oliveira

Foi imensa a satisfação e a dedicação para a realização dessa revista. Conhecer outra cultura foi fantástico, aprendi muito com as lindas histórias que conhecemos ao logo desses dois meses. Histórias de grandes conquistas e superações, que serviram para mim como uma lição de vida. Posso garantir que nunca voui esquecer desse maravilhoso trabalho. Quero agradecer e parabenizar a minha equipe pelo esforço e dedicação total para a realização desse excelente trabalho. Adriele Martins Pontes

A experiência de conhecer a cultura surda foi um aprendizado extremamente gratificante, ver na prática pessoas que empreendem e obtêm sucesso no que realizam, apesar de não terem o sentido auditivo, e mesmo assim não desistem, continuam lutando por seus sonhos, sendo criativos e inovando. A equipe e ao professor desta cadeira de Gestão de Pequenas e Médias Empresas, Wanderlei Gomes Filho, um agradecimento especial pelas vivências proporcionadas. Elaine Albuquerque Fernandes


Fazer parte desde trabalho foi extremamente gratificante, pois além de agregar conhecimento, vem junto a satisfação de conhecer esse mundo do silêncio, que sempre esta se renovando e trazendo novas curiosidades sobre este assunto. Foi excelente! Gracielle Kelly de Andrade Alencar

Fazer parte desse trabalho foi muito gratificante, pois além do conhecimento acadêmico tive a oportunidade de conhecer melhor a comunidade surda. Foi um aprendizado que levarei para a vida. Através da revista experimentei a importância de conhecer outra cultura até mesmo para conhecer nichos de mercado ainda não totalmente explorados. Foi uma mudança de visão profissional e pessoal. Ana Kelly Pinheiro de Lima

O aprendizado adquirido neste trabalho foi de extrema importância, pois conseguimos adquirir experiência não só com o tema abordado, mais com o trabalho em equipe. Deixo aqui os meus agradecimentos ao professor Wanderley e aos meus colegas da equipe. Marilia de Souza Carneiro

É muito gratificante saber que, por meio do nosso trabalho, é possível transformar as perspectivas de uma pessoa, de uma família e até de uma sociedade. Hoje percebo muito mais os surdos como cidadãos capazes e atuantes na sociedade, por desenvolverem a língua de sinais para expressar seus sentimentos e opiniões. Agradeço as seis mulheres guerreiras dessa esquipe que deram o máximo para que esse projeto desse certo, foi um prazer indescritível trabalhar com vocês. Afirmo que foi uma experiência transformadora, mas só ficarei realizado quando terminar meu curso de LIBRAS e começar a conversar com essas pessoas que nos dão todos os dias grandes exemplos de vida. Anderson C. Feitoza


Revista para revisão  
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