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latino

HEY Experiências El actor de teatro, conocido por su simplicidad, hoy hace televisón y se abre en el ensaio de MB magzine, cómo el bueno y viejo baiano de Salvador de Bahia

Barcelona El destino más conocido de Brasil enseña sus encantos y bellezas, un viaje a una ciudad completa.

Trabalhos La riqueza de un país que les hunde por la ganacia de las empresas de los países desenvolvidos.

3,50 € Junio 2007 Año 1 Nº 25

setembro 2007 nº 26

Andrea Cho Chang

Una de las productoras de cinema más poderosa del mundo, ayudó el cinema brasileño salir a la escena internacional con Ciudade de Dios, habla cómo concilia la vida de madre con la de executiva, productora, jefa...


Mujeres que dicen sí Chega de garotas que fazem joguinhos com medo de ganhar fama de fácil. Inauguramos este Badulaque do mês dos namorados fazendo um apelo: diga sim! E, como diria Iggy Pop: “We need love, not games” “O futuro começa esta noite. Então eu te convido: vamos arrumar alguma diversão e fazer algum sexo.” Jarvis Cocker, em Tonite Ouça um bom conselho que eu te dou de graça. Não faça jogos. Se quer mesmo ficar com aquele cara – ou até se não tem muita certeza, mas sabe que ele é legal – não pense duas vezes, diga sim. Se você mora em Marte ou em outra sociedade avançada, vai achar que sou uma louca dizendo o óbvio. Claro, desde quando a gente deixa de dizer sim para as coisas que quer? Se você mora no planeta Terra e é mulher, sabe que há muito tempo a gen te sabe falar sim para trabalho extra e até para o homem chato do telemarketing. O único não que nós, garotas, aprendemos na vida é o não sexual. Na adolescência, começa com o “não passa a mão no meu peito”.

para sempre por uma noite, o que já é uma grande coisa). E por que a gente diz não para uma coisa que quer? Pra não ficar com fama de fácil? Pois seja uma mulher fácil! Qual é a vantagem de ser uma pessoa difícil? E por que a gente diz não para. Facilite um pouco as coisas pra você e aprenda que dizer sim é liberdade.

O resultado disso tudo são garotas e garotos voltando sozi nhos para casa (quando na verdade queriam voltar juntos e ser fe lizes

3 Editorial

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Colaboradores

Cecilia Gomes - Diseñadora de Daniel Mazzo - Periodista moda

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izem que Santo Antônio a gente tem que ganhar de uma amiga. Nina ganhou e logo arrumou um namorado. Um belo dia ele levou um tombo e perdeu a cabeça, que foi pregada com Super Bonder. O namoro já tinha acabado e ela desencanou do santo. Até que deu de cara com ele, com a cabeça pendurada, meio de la do. E assim permanece até hoje, no altar da editora desta seção, ao lado de um Freud e de um Fidel Castro. O que aconteceu com a vida sentimental da moça só ele, o Freud.

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privada da casa da jornalista Jô Hallack e da fotógrafa Dani Dacorso (irmãs e colaboradoras da Tpm) entupiu do além (literalmente). Depois de tentarem todas as técnicas de desentupimento, as meninas chamaram um encanador. O homem deu um berro do banheiro. Ele tinha acabado de encontrar uma imagem de Nossa Senhora das Graças afogada no vaso!!! Detalhe: na época as duas tinham um altar no banheiro (!) e quem fazia a faxina era uma empregada evangélica, que tinha medo dos santos.

4 Colaboradores

Mariana Pérez - Fotógrafa

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erá que promessa para Santo Expedito funciona? Bem provável que sim, senão não veríamos tantas faixas de agradecimento na rua. A editora desta seção resolveu testar. Por via das dúvidas, colocou uma faixa na rua antes de ter o objetivo alcançado. E, por motivos inexplicáveis que só acontecem por aqui, fez uma promessa versão remix que misturou Santo Expedito com,

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10 Entrevista Cho Chang reinventa el cinema brasileño y es reconocida cómo unas de las productoras más influentes del mundo 16 Ensaio Wagner Moura: Actor de teatro que ahora se consagra cómo un vilano en la televisión abre las puertas de su casa en Salvador 20 Reportagem Africa y Diamantes, una atroz y paradójica ecuación: la riqueza del subsuelo se convierte en la causa directa de la pobreza de sus habitantes 26 Por aí Um roteiro com o melhor do Rio de Janeiro, um destino perfeito para o verao. Nao é a toa que é considerada a cidade maravilhosa 32 Moda Hippie Chic volta com uma releitura mais ousada e elegante 38 Badulaque Teatro, cinema, livros....todos os melhores lançamentos e estréias do mês 42 Colunas

6 Indice

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HEY Sofia Coppola es una de esas directoras que con dos películas ha demostrado que el talento no se hereda. Aunque quizá sea pronto para afirmar tajantemente tal cosa, pero bueno, premios ya se los han dado, asi que hay gente que opina lo contrario. Después de las flojas y aburridísimas ‘Las Vírgenes Suicidas’ y ‘Lost in Translation’, a finales de año, con vistas a los Oscars del 2007, nos llegará su tercera película como realizadora, que lleva por título ‘Marie Antoinette’. Viendo el trailer no sería de extrañar que esta película estuviera entre las finalistas dentro de un año (todavía no se han entregado los Oscar de este año, y ya pensando en los del siguiente). Su ambientación parece muy cuidada. Pero lo que llama la atención es el anacronismo de la música utilizada en el trailer, y que a mí personalmente me produce cierto rechazo.

8 Creditos

Diretor de Redação: Mariana Pérez Redator-Chefe: Gustavo Cocate Editores Executivos: Joana Blass, Jaime Klintowitz, Marcio Aith, Vilma Gryzinski

Editores: Carlos Rydlewski, Diogo Xavier Schelp, Felipe Patury, Isabela Boscov, Julio Cesar de Barros, Karina Pastore, Lizia Bydlowski, Miguel Icassatti, Monica Weinberg, Okky de Souza, Thaís Oyama Editor Especial: Roberto Pompeu de Toledo Repórteres: Anna Paula Buchalla, Camila Antunes, Camila Pereira, Cintia Cancian Borsato, Eduardo Burckhardt, Eduardo Gracioli Teixeira, Fábio Portela Savietto, Gabriela Carelli, Giuliano Guandalini, Heloisa Joly, Isabel Moherdaui, Jerônimo Teixeira, Julia Duailibi, Juliana Linhares, Leoleli Camargo, Laura Ming Bordokan, Letícia Francisco Sorg, Marcelo Carneiro, Marcelo Marthe, Marcos Todeschini, Paula Beatriz Martins Neiva, Rafael Corrêa, Renata Andrada Pena, Roberta de Abreu Lima, Rosana Zakabi, Sandra Brasil, Sérgio Martins, Victor Martino Sucursais: Belém - Leonardo Coutinho, Belo Horizonte José Edward Vieira Lima, Brasília - Chefe: André Petry; Repórteres:

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Ella hace cinema Motor que faz girar a engrenagem da O2 Filmes, umas das maiores produtoras de cinema da América Latina, ela fez acontecer os filmes e os seriados de TV que tiram a produçao nacional do limbo. Ousada, invocada e eficiente, Cho Chang tem o dom de enxergar além do previsível.

Por Gustavo Cocate |Fotografia Mariana Pérez

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À esq., em 2000, quando decidiu fazer o caminho de Santiago e aprendeu que “atravesaremos as pontes quando nelas chegamos”. Acima, na estréia de Cidade de Deus, em 2002.

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em tendência à obsessão pelo trabalho, à responsabilidade e ao perfeccionismo. É intolerante a pessoas desfocadas, vagarosas e prolixas. Pode vir a ter falta de paciência, um coração agoniado, cansaço agudo e gastrites vez ou outra. Quadro geral: excesso de intensidade. Esse poderia ser o diagnóstico de um médico, mas é a conclusão da repórter que, depois de conversar por quase três horas com a produtora Andrea Barata Ribeiro, saiu com o diagnóstico evidente gravado nas fitas que documentaram esta entrevista. O mulherão que mora em um corpinho esguio de pouco mais de metro e meio de altura e 55 quilos de uma magreza saudável – mantida ao longo dos 42 anos de vida e depois do parto de Kether, 6, e Zoe, 4 – é uma das “50 produtoras de cinema mais influentes do mundo”. O título foi dado pela revista Variety, a mais importante publicação sobre cinema do mundo, em agosto de 2005. E, embora ela tenha suas dúvidas, faz jus à personagem. Sócia da O2 Filmes, uma das maiores produtoras de publicidade e cinema da América Latina, Andrea é a mulher que fez acontecer o filme que ressuscitou do caixão o cinema nacional, Cidade de Deus –, e que levou seriados com requinte de cinema para a TV. Produtora, ao lado de Fernando Meirelles e Paulo Morelli, os outros sócios da O2, ela cuida do business da empresa e faz as coisas acontecerem. Viaja umas cinco vezes por ano para lugares como Berlim, Cannes, Hollywood, Veneza e Sundance, onde acontecem os maiores festivais de cinema do mundo, para vender seus projetos e sacar as novas tendências do mercado. Na maioria das

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Invocada, rápida e atenta, ela não perde um movimento. É responsável pela parte estratégica da produtora e orienta o barco que, agora, está quase totalmente voltado para o mercado internacional. No currículo, tem os longas Domésticas, Cidade de Deus, Viva Voz, Contra Todos e Antonia. Agora, se ocupa da produção de duas séries de TV, de mais cinco filmes, e espera estrear seus trabalhos mais recentes: Não Por Acaso, de Philippe Barcinski, e Cidade dos Homens, de Paulo Morelli, que entram em cartaz em maio e agosto, respectivamente. Realizada, não consegue se imaginar em outro trabalho. Mas quer ter tempo para não fazer nada. Casada há seis anos com o produtor de cinema alemão Hank Levine, pai de suas duas meninas, ela tem a vida a dois que pediu a Deus. Mas quer aprender a ser menos chata. Comanda um exército de 80 funcionários, mas quer ter mais paciência com as pessoas. Trabalha dez horas por dia, cuida de uns 50 assuntos diferentes só na parte da manhã, lê roteiros e senta no chão para brincar com a ams snhar con o mundo .

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“Temos consciência de que a vida pessoal é importante. Se pessoa coloca todas as expectativas de felicidade dela no trabalho, vira uma loucura. Devemos saber dividir trabalho e vida pessoalo”

Algumas pessoas dizem que você é brava no trabalho. É verdade? Andrea. Antes de ter filho, era mais estourada. Tenho esse problema de ser muito impaciente, principalmente com pessoas desfocadas. Hoje melhorei muito, me sinto muito mais controlada. O que é as pessoas terem medo de você? Um sentimento horrível, que te coloca numa posição tirânica. E tudo que eu não quero é ser tirana. Como foi quando se viu na Variety como uma das 50 produtoras mais influentes do mundo? Foi uma surpresa, porque não me vejo nessa posição. Na verdade acho que eles foram um pouco democráticos. Estavam procurando alguém da América Latina, aproveitaram que eu fui produtora de Cidade de Deus e me escolheram. Mais prestígio para a O2, abre portas para conseguirmos emplacar novos projetos. Seu trabalho é muito business. Onde entra a parte criativa? Minha função é muito estratégica. Olhar as tendências e ver para onde temos que ir. A parte criativa entra quando dou palpite

nos projetos, leio roteiros. Mas estratégia também não deixa de ser criação, afinal, tenho que descobrir soluções inovadoras o tempo todo. Foi você quem leu Cidade de Deus e falou para o Meirelles que daria um bom filme? Um dia saí para almoçar com meu amigo Heitor Dhalia [diretor de O Cheiro do Ralo] e ele ficou me falando que eu tinha que ler este livro, que dava um bom filme. Comecei a ler, me empolguei, falei pro Fernando, e ele: “Não, tá louca, Rio de Janeiro, favela...”. Aí foi ler o livro e, num domingo, toca o telefone. Era o Fernando. Estranhei, porque ele jamais me ligaria num domingo. Estava empolgadíssimo: “Vamos comprar os direitos e filmar!”. Aí foi aquele sucesso. Que desencadeou as séries pra TV, quatro temporadas de Cidade dos Homens e tudo O filme, além de ser um marco da retomada do cinema nacional, alavancou a sua carreira? Sem dúvida. Depois, o Fernando fez O Jardineiro Fiel, e a HBO veio me pedir um projeto sobre Carnaval, que acabou sendo

dirigido pelo Cao Hamburger e se chamou Filhos do Carnaval. Depois teve a primeira temporada de Antonia, da Tata Amaral, estamos produzindo a segunda agora. E tem outros projetos em desenvolvimento. Blindness, longa novo do Fernando, baseado em Ensaio sobre a Cegueira, do [José] Saramago, e um longa do Heitor, À Deriva, que vamos produzir também e será um filme de dimensão internacional. Vou para Cannes fechar esse negócio agora. Quando você vai para os festivais lá fora, gasta um tempo pensando em que roupa vai levar? Tenho uma certa prática em arrumar a mala. Já sei quais são os climas dos lugares, não fico mais enlouquecendo se o traje é gala ou não. Agora tenho uns vestidos de frio e uns de calor, e é com eles que vou. Repito a roupa numa boa. Não vou ficar comprando um vestido para cada evento. Prefiro gastar meu tempo e meu dinheiro com outras coisas. Com o que gosta de gastar dinheiro? Viajando, por exemplo. Esse foi meu grande barato por muito tempo. Fiz viagens super-

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Algumas pessoas dizem que você é brava no trabalho. É verdade? Andrea. Antes de ter filho, era mais estourada. Tenho esse problema de ser muito impaciente, principalmente com pessoas desfocadas. Hoje melhorei muito, me sinto muito mais controlada. O que é as pessoas terem medo de você? Um sentimento horrível, que te coloca numa posição tirânica. E tudo que eu não quero é ser tirana. Como foi quando se viu na Variety como uma das 50 produtoras mais influentes do mundo? Foi uma surpresa, porque não me vejo nessa posição. Na verdade acho que eles foram um pouco democráticos. Estavam procurando alguém da América Latina, aproveitaram que eu fui produtora de Cidade de Deus e me escolheram. Mais prestígio para a O2, abre portas para conseguirmos emplacar novos projetos. Seu trabalho é muito business. Onde entra a parte criativa? Minha função é muito estratégica. Olhar as tendências e ver para onde temos que ir. A parte criativa entra quando dou palpite nos projetos, leio roteiros. Mas estratégia tam-

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bém não deixa de ser criação, afinal, tenho que descobrir soluções inovadoras Foi você quem leu Cidade de Deus e falou para o Meirelles que daria um bom filme? Um dia saí para almoçar com meu amigo Heitor Dhalia [diretor de O Cheiro do Ralo] e ele ficou me falando que eu tinha que ler este livro, que dava um bom filme. Comecei a ler, me empolguei, falei pro Fernando, e ele: “Não, tá louca, Rio de Janeiro, favela...”. Aí foi ler o livro e, num domingo, toca o telefone. Era o Fernando. Estranhei, porque ele jamais me ligaria num domingo. Estava empolgadíssimo: “Vamos comprar os direitos e filmar!”. Aí foi aquele sucesso. Que desencadeou as séries pra TV, quatro temporadas de Cidade dos Homens e tudo O filme, além de ser um marco da retomada do cinema nacional, alavancou a sua carreira? Sem dúvida. Depois, o Fernando fez O Jardineiro Fiel, e a HBO veio me pedir um projeto sobre Carnaval, que acabou sendo dirigido pelo Cao Hamburger e se chamou Filhos do Carnaval. Depois teve a primeira temporada de Antonia, da Tata Amaral, es-

tamos produzindo a segunda agora. E tem outros projetos em desenvolvimento. Blindness, longa novo do Fernando, baseado em Ensaio sobre a Cegueira, do [José] Saramago, e um longa do Heitor, À Deriva, que vamos produzir também e será um filme de dimensão internacional. Vou para Cannes fechar esse negócio agora. Quando você vai para os festivais lá fora, gasta um tempo pensando em que roupa vai levar? Tenho uma certa prática em arrumar a mala. Já sei quais são os climas dos lugares, não fico mais enlouquecendo se o traje é gala ou não. Agora tenho uns vestidos de frio e uns de calor, e é com eles que vou. Repito a roupa numa boa. Não vou ficar comprando um vestido para cada evento. Prefiro gastar meu tempo e meu dinheiro com outras coisas. mais interesantes. Com o que gosta de gastar dinheiro? Viajando, por exemplo. Esse foi meu grande barato por muito tempo. Fiz viagens superlegais. Índia, Nova Zelândia inteira de carro, Bali, Antártica dCompostela. Conheci Barcelona, Portugal e França. Todas eu ja conhecia por causa do trabalho.

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conto mis historias de una manera sincera y creo que eso es lo que atrae el publico hacia is peliculas. 15


wagner moura Nas coxias dos teatros de Salvador, ele conheceu Lázaro Ramos e Valdimir Brichta. Com eles estreou a peça A máquina, no Rio de Janeiro, em 2000. Do palco carioca para a tela da Globo, foi um minuto. Hoje, na novela das oito, faz o vilao Olavo, crado pelo mesmo Gilberto Braga que eternizou Odete Roitman. Neste ensaio clicado por sua mulher, você vê o bom e velho baiano de Salvadori Por Gustavo Cocate |Fotografia Mariana Pérez

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“Quando eu vi que o Lázaro tinha virado uma celebridade achei muito bacana. Ele, além de tudo, tem um papel social importante”

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gora que você se convenceu de que o Wagner Moura é um cara realmente bacana e não só um rostinho bonito da TV, a gente pode falar mais dele. E até sobre o vilão Olavo, de Paraíso Tropical. E tam bém contar como é o mo mento em que o ator de Salvador, criado no teatro junto com amigos como Lázaro Ramos, vi rou protagonista de uma novela das oito da TV Globo. O melhor de falar sobre o “auge” de carreira com Wagner é que ele parece não ligar muito (na verdade, nem se sente “no auge”). “O texto do Gilberto Braga é inacreditável de bom. Quando pensei que ia fazer um vilão escrito pelo cara que criou Odete Roitman, fiquei chocado.” - Mas sua vida não mudou agora que você faz um galã na Globo? - Não... - Você não é muito assediado na rua? - Não. Wagner fala isso com tranqüilidade e eu garanto – depois de conversar com ele na casa onde mora com a mulher, a fotógrafa Sandra Delgado, autora das fotos deste ensaio, e o filho, Ben, de 9 meses – que ele diz a verdade. Andamos juntos pelas ruas do Jardim Botânico até um táxi. Ninguém olha para ele de um jeito estranho. Ninguém se cutuca. O ator anda na rua como se fosse um amigo qualquer. “Acho que a postura que eu tenho, de não me expor, não aparecer com a minha família nos lugares, faz com que as pessoas percebam que a minha praia não é essa”, conta o baiano de 30 anos. O sucesso, que chegou para ele e os amigos de maneira acachapante depois que a A Máquina, dirigida por João

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Falcão, estreou no Rio de Janeiro em 2000, não fez com que ele se deslumbrasse, tampouco panicasse. Foi depois dessa peça que ele e seus amigos Vladimir Brichta e Lázaro Ramos viraram estrelas. - [Risos] Não, quando eu vi que o Lázaro tinha virado uma celebridade achei muito bacana. Ele, além de tudo, tem um papel social importante hoje. E foi com Lázaro, amigo de todas as horas, que Wagner passou por uma das poucas situações bizarras de um vilão protagonista de novela. “A gente tava na rua e uma senhora parou e começou a falar para o Lázaro: ‘Diz pro seu amigo que ele não presta, que é um absurdo ele fazer as coisas que faz’. Ela estava com tanta raiva de mim que se recusou a olhar na minha cara!”, lembra o vilão, que, definitivamente, não se enxerga como uma pessoa famosa. E também não se acha bonito, nem nada. continua o papo com a reportagem da Tpm dizendo que não quer fazer outra novela tão cedo. Está louco para voltar ao palco

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“Acho que a postura que eu tenho, de não me expor, não aparecer com a minha família nos lugares, faz com que as pessoas percebam que a minha praia não é essa.”

- Sabia que quando eu disse que ia te entrevistar algumas amigas disseram: “Manda um beijo pro Wag? [Silêncio longo]. Acho isso muito estranho. Quando me convidaram para fazer par romântico com a Adriana Esteves [em A Lua Me Disse, 2005], pensei: “Como pode?”. Achei muito louco. Mas pensei que tinha mais a ver com o trabalho que eu tinha feito do que com essa coisa estética. Fico constrangidíssimo quando estou com meus amigos em Salvador e chega uma menina pedindo autógrafo. E continua o papo com a reportagem da Tpm dizendo que não quer fazer outra novela tão cedo. Está louco para voltar ao palco do teatro. Quer escrever, dirigir, produzir. Pra ele. “Sempre trabalhei muito para os outros. Nunca fiz um projeto meu e acho que chegou a hora.” Teatro é mais que uma paixão para ele. Nos palcos e coxias de Salvador ele cresceu e encontrou amigos que pensavam como ele. “Tive uma adolescência péssima. Vivia sozinho. Não

tinha amigos. Só ouvia músicas tristes e lia coisas depressivas. O teatro me resgatou. Foi lá que encontrei amigos”, solta. A turma do teatro, vocês já sabem, é formada por João Falcão, Lázaro Ramos, Vladimir Brich. Foi com eles que Wagner, em 2000, veio para o Rio de Janeiro. E é com os mesmos amigos que são passados noites e dias importantes, como longos almoços de domingo e noites de Natal. O que não quer dizer que não sonhe com outras viagens. Adora São Paulo e conta que, antes de seu filho, Ben, nascer, ele e Sandra chegaram a ter vontade de vi ver na cidade. Mas diz que foi só um lapso e que, na verdade, eles têm vontade mesmo é de voltar para Salvador. “Às vezes a gente olha e pensa: ‘Será que temos mesmo de ficar no Rio?’.” E esse, certamente, é mais um motivo para achar que Wagner Moura é um cara legal, que não se acomoda. E, mais que isso, ao contrário das celebridades que exalam perfeição na capa das revistas e fazem com que qualquer pessoa normal se sinta um “creep”, o baiano, assim como a gente,

coisas depressivas. O teatro me resgatou. Foi lá que encontrei amigos”, solta. A turma do teatro, vocês já sabem, é formada por João Falcão, Lázaro Ramos, Vladimir Brichta. Foi com eles que Wagner, em 2000, veio para o Rio de Janeiro. E é com os mesmos amigos que são passados noites e dias importantes, como longos almoços de domingo e noites de Natal. O que não quer dizer que não sonhe com outras viagens. Adora São Paulo e conta que, antes de seu filho, Ben, nascer, ele e Sandra chegaram a ter vontade de vi ver na cidade. Mas diz que foi só um lapso e que, na verdade, eles têm vontade mesmo é de voltar para Salvador. “Às vezes a gente olha e pensa: ‘Será que temos mesmo de ficar no Rio?’.” E esse, certamente, é mais um motivo para achar que Wagner Moura é um cara legal, que não se acomoda. E, mais que isso, ao contrário das celebridades que exalam perfeição na capa das revistas e fazem com que qualquer pessoa normal se sinta um “creep”, o baiano, assim como.

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Africa y diamantes Diamantes en África: Riqueza o pobreza?

En algunos países de África se verifica una atroz y paradójica ecuación: la riqueza del subsuelo se convierte en la causa directa de la pobreza de sus habitantes. Los diamantes son utilizados como moneda de cambio para la adquisición de armas con las que perpetuar guerras como las de Angola o el triângulo Sierra LeonaLiberia-Guinea.

Por Gustavo Cocate |Fotografia Mariana Pérez

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À esq., em 2000, quando decidiu fazer o caminho de Santiago e aprendeu que “atravesaremos as pontes quando nelas chegamos”. Acima, na estréia de Cidade de Deus, em 2002.

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éctor Oliva, del gabinete de prensa de Intermón Oxfam en Barcelona, argumenta que los países africanos con recursos naturales de valor, tales como son los diamantes, tienden a ser víctimas de situaciones de conflicto. Según afirma, es preciso un proyecto internacional de certificados de origen de los diamantes con el fin de parar el ciclo de explotación que contribuye directamente a las guerras civiles. En algunos países de África se verifica una atroz y paradójica ecuación: la riqueza del subsuelo se convierte en la causa directa de la pobreza de sus habitantes. Los diamantes son utilizados como moneda de cambio para la adquisición de armas con las que perpetuar guerras como las de Angola o el triângulo Sierra LeonaLiberia-Guinea.

structura escolar y sanitaria devastada, unos presupuestos del Estado cuya partida militar es la más cuantiosa, y una población que apenas puede cultivar sus campos porque están minados. Angola es, juntamente con Afganistán y Camboya, uno de los tres países más minados del mundo, y está considerado por UNICEF como el peor país para que un niño crezca saludable y bien.

En Angola, por ejemplo, el ciclo de la riqueza se caracteriza, por ejemplo, por una guerrilla -UNITA- que obtiene más de 200 millones de dólares anuales por la venta de diamantes en bruto de alta calidad (la mayor parte tienen un valor de 300 dólares el quilate). UNITA controla una infraestructura muy poderosa gracias a los diamantes: los individuos al servicio de UNITA, como Victor Bout, poseen companías aéeas capaces de hacer llegar grandes arsenales de armas desde la Europa del Este hasta las bases de operaciones de la guerrilla, haciendo escala en numerosos países africanos.

El proceso histórico de Angola corre paralelo al de Mozambique. Ambos países atravesaron un longevo período colonial, una guerra de independencia contra la metrópoli portuguesa, y una guerra civil alimentada desde los Estados Unidos y la Unión Soviética. Si Mozambique, que firma los acuerdos de paz en 1991, es hoy uno de los países con mayor crecimiento economico, es, en gran parte, porque no posee en su subsuelo una riqueza como la de Angola capaz de atraer los intereses de quienes se benefician en perjuicio de la población.

El ciclo de la pobreza, paralelo e íntimamente vinculado al ciclo de la riqueza, es devastador: más de 25 años de guerra civil, 800.000 muertos, más de 3 millones de desplazados, una infrae-

El mapa de las guerras civiles africanas encaja demasiado bien con el mapa de los recursos más preciados: RD Congo (oro y

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diamantes), Angola (diamantes y petróleo), Sudán (petróleo), Sierra Leona (diamantes) o Liberia (madera y paso de diamantes) son los ejemplos más evidentes. En todos estos conflictos armados intervienen, atraídos por la riqueza del subsuelo, agentes externos, como traficantes de diamantes o companías petroleras, que alimentan directa o indirectamente el conflicto y la pobreza africana sin recursos El problema actual del diamante reside en que, al ser importado, viene acompañado de un documento demasiado pobre en información. Así, cuando una piedra es importada a España, la única información “etimológica” que contiene es el país de procedencia, por ejemplo, Bélgica o Suiza, pero no el país de origen, el país en el que la piedra fue extraída de la tierra. Actualmente, pues, es imposible rastrear el periplo de un diamante por el mundo: la escasez de información acude en favor de la protección de los villanos. Desde hace un tiempo, en las Naciones Unidas parece existir la suficiente voluntad

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política para romper estos ciclos. La clave del êxito para el control y la identificación de los diamantes de conflicto es la implantación de un sistema internacional de certificación del origen de los diamantes, medida que Intermon Oxfam apoya a través de su campana Negocios Fatales. Desde el ano pasado, más de 40 países se reúnen bimestralmente, en lo que se conoce como el proceso de Kimberley, para poner a punto esta certificación internacional de los diamantes para finales del 2001.

de diamantes, como Canadá, Rusia o Australia, no parecen demostrar gran entusiasmo. Hay quien afirma, entre pasillos, que la confusión actual en torno a las gemas africanas genera mayor demanda a estos países, y de ahí su interés en mantener la confusión. Estados Unidos y la Unión Europea adoptan, por el momento, una postura más de observadores que de facilitadores del proceso, y están lejos de tener una voluntad política tan decidida como las Naciones Unidas.

Desde hace años Africa esta en la lucha co Estas mini-cumbres, en las que Oxfam Internacional asiste como observador, arrojan más de una sorpresa. Los principales interesados en acelerar y perfeccionar el proceso de certificación internacional son los países africanos, liderados por Sudáfrica y con el apoyo de Bélgica. Buena parte de la industria del diamante se ha puesto también manos a la obra, sobre todo por el efecto negativo que podría tener sobre el sector continuar con un sistema de información precario. Por el contrario, algunos países no africanos productores

Los países reunidos en el proceso de Kimberley deben decidir, en el fondo, si los diamantes son una fuente de riqueza o, por el contrario, de pobreza. Del êxito de este proceso y de la voluntad política de todos ellos, dependerá el êxito o el fracaso de la erradicación del tráfico internacional de diamantes que genera conflictos armados. os países africanos, liderados por Sudáfrica y con el apoyo de Bélgica. Buena parte de la industria del diamante se ha puesto también manos a la obra, sobre todo por el efecto negativo que podría tener sobre el

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Unidas parece existir la suficiente voluntad política para romper estos ciclos. La clave del êxito para el control y la identificación de los diamantes de conflicto es la implantación de un sistema internacional de certificación.

mación “etimológica” que contiene es el país de procedencia, por ejemplo, Bélgica o Suiza, pero no el país de origen, el país en el que la piedra fue extraída de la tierra. Actualmente, pues, es imposible rastrear el periplo de un diamante por el mundo: la escasez de información acude en favor de la protección de los villanos. Desde hace un tiempo, en las Naciones Unidas parece existir la suficiente voluntad política para romper estos ciclos. La clave del êxito para el control y la identificación de los diamantes de conflicto es la implantación de un sistema internacional de certificación del origen de los diamantes, medida que Intermon Oxfam apoya a través de su campana Negocios Fatales. Desde el ano pasado, más de 40 países se reúnen bimestralmente, en lo que se conoce como el proceso de Kimberley, para poner a punto esta certificación internacional de los diamantes para finales del 2001. Estas mini-cumbres, en las que Oxfam Internacional asiste como observador, arrojan más de una sorpresa. Los principales

interesados en acelerar y perfeccionar el proceso de certificación internacional son los países africanos, liderados por Sudáfrica y con el apoyo de Bélgica. Buena parte de la industria del diamante se ha puesto también manos a la obra, sobre todo por el efecto negativo que podría tener sobre el sector continuar con un sistema de información precario. Por el contrario, algunos países no africanos productores de diamantes, como Canadá, Rusia o Australia, no parecen demostrar gran entusiasmo. Hay quien afirma, entre pasillos, que la confusión actual en torno a las gemas africanas genera mayor demanda a estos países, y de ahí su interés en mantener la confusión. Estados Unidos y la Unión Europea adoptan, por el momento, una postura más de observadores que de facilitadores del proceso, y están lejos de tener una voluntad política tan decidida como las Naciones Unidas conocida por las causas. Los países reunidos en el proceso de Kimberley deben decidir, en el fondo, si los diamantes son una fuente de riqueza o, por el contrario, de pobreza.

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Rio de Janeiro

Minha alma canta Vejo o Rio de Janeiro Estou morrendo de saudades Rio, seu mar Praia sem fim Rio, você foi feito prá mim Cristo Redentor Braços abertos sobre a Guanabara Este samba é só porque Rio, eu gosto de você A morena vai sambar Seu corpo todo balançar Rio de sol, de céu, de mar Dentro de um minuto estaremos no Galeão Este samba é só porque Rio, eu gosto de você A morena vai sambar Seu corpo todo balançar Aperte o cinto, vamos chegar Água brilhando, olha a pista chegando E vamos nós Aterrar... Por Gustavo Cocate |Fotografia Mariana Pérez

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Badalada por natureza – o Rio é sede de grandes eventos culturais e esportivos ao longo do ano -, a cidade fica ainda mais movimentada no verão, quando as duas principais festas do país.

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enhuma outra cidade do mundo ostentaria com tanto charme o título de “Maravilhosa” como o Rio de Janeiro. Aos caprichos da natureza, que colocou mar e montanha lado a lado em perfeita harmonia, juntam-se o Cristo Redentor, o Pão de Açúcar, o Maracanã e o estilo de vida despojado e festeiro do carioca. Mais que um cartão-postal, o Rio é um estado de espírito, sempre alegre e de alto-astral. Também, pudera – a cidade tem cerca de 30 quilômetros de orla contornada por calçadões e ciclovias tomadas por gente o dia inteiro caminhando, pedalando, correndo ou apenas observando o movimento. Além das praias – da democrática Copacabana à extensa Barra da Tijuca, passando pela neo-hippie Ipanema – tem ainda a Lagoa Rodrigo de Freitas, o Parque do Flamengo e a Floresta Tijuca, emolduradas por belos cenários naturais e espaços de sobra para a prática de esportes ao ar livre. O Rio, porém, também é da noite e reflete na Lapa toda a sua boemia. O bairro, que passou por um longo período de decadência, volta a ser ponto de encontro dos fãs do samba – mas também abre espaço para os mais diversos estilos musicais que invadem casas como o Circo Voador e a Fundição Progresso. Pertinho da Lapa, a antiga capital do Império e da República guarda um belíssimo acervo arquitetônico dos séculos XIX e XX que hoje abriga museus e espaços culturais. Reunidos no Centro da cidade, os prédios podem ser conhecidos em um passeio a pé pela Cinelândia, onde estão construções como o Theatro Municipal e o Museu Nacional de Belas Artes; e arredores da Praça XV, contornada pelo Paço Imperial, o Centro Cultural Banco do Brasil, a Casa França-Brasil... Uma vez na região central, aproveite para pegar o bondinho, atravessar os Arcos da Lapa e aportar no bucólico bairro de Santa Teresa, com ruas estreitas e repletas

de sobrados que funcionam como ateliês, bares e lojas. Badalada por natureza – o Rio é sede de grandes eventos culturais e esportivos ao longo do ano -, a cidade fica ainda mais movimentada no verão, quando as duas principais festas do país atraem gente do mundo todo. No Réveillon, toneladas de fogos de artifício colorem os céus de Copacabana para saudar o Ano Novo, enquanto no Carnaval a folia toma conta das ruas, tendo sua apoteose no Sambódromo, cenário dos concorridos desfiles das escolas de samba. E por falar nas agremiações, assim como elas e os times de futebol, todo carioca tem seu boteco do coração. Programa obrigatório depois da praia, o chope bem tirado conduz aos botequins – pés-sujos ou bem limpinhos - onde petiscos como caldinho de feijão, pastéis e sanduíches de pernil valem por uma refeição Organize a agenda para conferir todos os encantos da Cidade Maravilhosa. E aproveite para curtir o Rio de Janeiro do mesmo jeito como fazem os cariocas, que não abrem mão do mergulho no mar, do chope gelado, da atividade ao ar livre e do sambinha na Lapa. Só não esqueça dos “programas de turista”, como visitar o Cristo Redentor, o

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donde ir Programa de turista - conhecer o Cristo Redentor e o Pão de Açúcar Muitos cariocas não conhecem os principais cartões-postais da cidade. O que eles não sabem é que vale, e muito, dividir espaço com japoneses, paulistas, americanos, mineiros... na hora de tirar foto com o Cristo ao fundo ou apreciar o visual do alto do Pão de Açúcar. Sem contar que os passeios no trenzinho do Corcovado e no bondinho do Pão de Açúcar são emocionantes. Bater perna pelo Rio Antigo .O conjunto arquitetônico dos séculos XIX e XX, que enche de beleza o Centro do Rio, merece uma visita a pé. Reunidos na Cinelândia (Theatro Municipal, Biblioteca Nacional, Museu Nacional de Belas Artes e Centro Cultural Justiça Federal) e nos arredores da Praça XV (Paço Imperial, Centro Cultural Banco do Brasil, Casa França-Brasil e Espaço Cultural

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dos Correios) os espaços oferecem atividades diversas como exposições, filmes, espetáculos de dança e peças de teatro. Na hora de comer, escolha algum dos muitos restaurantes tradicionais - a Confeitaria Colombo, por exemplo, teve Chiquinha..ou o resustaurante da Silva.Circular pelas praias, ciclovias e calçadões Antes de escolher sua praia, dê uma circulada pelas democráticas areias de Copacabana, verifique o estilo neo-hippie do Posto 9 em Ipanema, confira o charme do Leblon, mergulhe na imensidão da Barra da Tijuca e curta o sossego da Prainha. Mas deixe um tempinho livre para caminhar ou tomar um coco no calçadão. Noite na Lapa. Sinônimo da boemia carioca, o bairro tem lugar para fãs de todos os estilos musicais. O samba, entretanto, é.

Programa de carioca - curtir a Lagoa, ir as livrarias do Leblon, tomar chopp. A orla da Lagoa Rodrigo de Freitasfreqüentemente tomada pelos cariocas, seja para caminhar, correr, pedalar ou simplesmente passear com a família e petiscar nos muNoite na Lapa. Sinônimo da boemia carioca, o bairro tem lugar para fãs de todos os estilos musicais. O samba, entretanto, é o carro-chefe e domina a programação nas casas insta. Antes de escolher sua praia, dê uma circulada pelas democráticas areias de Copacabana, verifique o estilo neo-hippie do Posto 9 em Ipanema, confira o charme do Leblon, mergulhe na imensidão da Barra da Tijuca e curta o sossego da Prainha. Mas deixe um tempinho livre para caminhar ou tomar um coco no calçadão. inônimo da boemia carioca, o bairro tem lugar para fãs de todos os estilos musicais.

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Programa de turista - conhecer o Cristo Redentor e o Pão de Açúcar Muitos cariocas não conhecem os principais cartões-postais da cidade. O que eles não sabem é que vale, e muito, dividir espaço com japoneses, paulistas, americanos, mineiros... na hora de tirar foto com o Cristo ao fundo ou apreciar o visual do alto do Pão de Açúcar. Sem contar que os passeios no trenzinho do Corcovado e no bondinho do Pão de Açúcar são emocionantes. Bater perna pelo Rio Antigo O conjunto arquitetônico dos séculos XIX e XX, que enche de beleza o Centro do Rio, merece uma visita a pé. Reunidos na Cinelândia (Theatro Municipal, Biblioteca Nacional, Museu Nacional de Belas Artes e Centro Cultural Justiça Federal) e nos arredores da Praça XV (Paço Imperial, Centro Cultural Banco do Brasil, Casa França-Brasil e Espaço Cultural dos Correios) os espaços oferecem atividades diversas como exposições, filmes, espetáculos de dança e peças de teatro. Na hora de comer, escolha algum dos muitos restaurantes tradicionais - a Confeitaria

Colombo, por exemplo, teve Chiquinha, ou o restaurante da Silva....

Noite na Lapa . Sinônimo da boemia carioca, o bairro tem lugar para fãs de todos os estilos musicais. O samba, entretanto, é o carro-chefe e domina a programação nas casas instaladas nos belos sobrados.

Programa de carioca - curtir a Lagoa, ir as livrarias do Leblon, tomar chopp A orla da Lagoa Rodrigo de Freitas é freqüentemente tomada pelos cariocas, seja para caminhar, correr, pedalar ou simplesmente passear com a família e petiscar nos muitos quiosques com música ao vivo. Não muito longe dali, as aconchegantes livrarias do Leblon, um dos bairros mais charmosos da cidade, ficam abertas até altas horas mesmo nos dias em que não são cenários de lançamentos. Por toda a Zona Sul, botequins tradicionais e moderninhos, além de casas de sucos, disputam as esquinas. Para acompanhar o chope, não hesite em experimentar acepipes como pastéis e bolinhos. Já os refrescos pedem no calor do verao carioca.

A orla da Lagoa Rodrigo de Freitas é freqüentemente tomada pelos cariocas, seja para caminhar, correr, pedalar ou simplesmente passear com a família e petiscar nos muitos quiosques com música ao vivo. Não muito longe dali, as aconchegantes livrarias do Leblon, um dos bairros

Antes de escolher sua praia, dê uma circulada pelas democráticas areias de Copacabana, verifique o estilo neo-hippie do Posto 9 em Ipanema, confira o charme do Leblon, mergulhe na imensidão da Barra da Tijuca e curta o sossego da Prainha. Mas deixe um tempinho livre.

Circular pelas praias, ciclovias e calçadões Antes de escolher sua praia, dê uma circulada pelas democráticas areias de Copacabana, verifique o estilo neo-hippie do Posto 9 em Ipanema, confira o charme do Leblon, mergulhe na imensidão da Barra da Tijuca e curta o sossego da Prainha. Mas deixe um tempinho livre para caminhar ou tomar um coco no calçadão.

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Donde Comer A geografia carioca, que permite circular facilmente pela cidade, pode ajudar também na hora de escolher onde e o que comer. Restaurantes italianos e franceses tomam conta das mais diversas esquinas de Ipanema, Leblon e Jardim Botânico, enquanto os típicos estabelecimentos de pescados conduzem a um longo passeio à Vargem Grande e Barra de Guaratiba – e vale a pena! No Centro, Lapa, Flamengo e Botafogo, as gastronomias brasileira e de botequim imperam nos cardápios. Já em Copacabana, o mix de variedades inclui dos tradicionais sanduíches do Cervantes, que valem por uma refeição; às cozinhas dos hotéis internacionais, comandadas por estrelados chefs europeus. Na Barra da Tijuca, as opções se concentram especialmente nos shoppings, como o Rio Design Barra, que tem um andar quase todo tomado por bons restaurantes de cozinhas variadas.

Porcão

Satyricon

Com filiais espalhadas pelo mundo, o Porcão serve um excelente churrasco rodízio e tem um ótimo atendimento. Bufê com fartura de saladas, acompanhamentos, comida japonesa e frutos do mar. A unidade de Ipanema é muito badalada, encontra-se com freqüência artistas de televisão e outras celebridades. Rua Barão da Torre 218, Ipanema (tel. 3202-9155) Informe-se também neste telefone pelos endereços das outras unidades (Barra, Flamengo, Centro, e outros). $$$

Excelente em todos os sentidos. Artistas estrangeiros como Madonna e Mick Jagger já saborearam sua cozinha, especializada em frutos do mar. Destaque para comida e atendimento. É um restaurante caro. Rua Barão da Torre 192, Ipanema (tel. 2521-0955)

La Mole

Capricciosa

Sushi Leblon

Cipriani

Pizza de massa fina e muito saborosa. Forno a lenha. A pizza é preparado no meio do restaurante a olho dos visitantes. Grande variedade de sabores. Destaque também para a mussarela de búffala. O preço é um pouco salgado. Rua Vinícius de Moraes 134, Ipanema (tel. 2523-3394). Outras filiais na Barra, Jardim Botânico e Copacabana. $$$

Restaurante japonês fundado pelo herói da asa delta, Pepê. Hoje quem administra o local é a esposa do ídolo falecido. Comida de excelente qualidade e preços altos. Foi um dos restaurantes responsáveis por difundir o suhi no Rio de Janeiro. Costuma ter filas grandes de espera por uma mesa. Rua Dias Ferreira, 256, Leblon (tel. 2274-1342). $$$

Tradicional rede de restaurantes do Rio de Janeiro, tendo filiais por toda a cidade. Ficou famoso entre os cariocas por oferecer, durante muitos anos, o melhor couvert da cidade. Tem uma boa pizza e o cardápio oferece diversas massas e carnes. Av. Armando Lombardi, 175, Barra da Tijuca (tel.34600800). $fone pelos endereços das outras unidades (Barra, Flamengo, Centro).

Considerado por muitos o melhor italiano da cidade. Some isto ao ambiente com bela vista para a piscina do Copacabana Palace. Destaque para o ótimo atendimento. É um restaurante caro. Av. Atlântica 1.702, Hotel Copacabana Palace, Copacabana , zona sul do RIo.(tel. 2545-8747). $$$

A geografia carioca, que permite circular facilmente pela cidade, pode ajudar também na hora de escolher onde e o que comer. Restaurantes italianos e franceses tomam conta das mais diversas esquinas de Ipanema, Leblon e Jardim Botânico, enquanto os típicos estabelecimentos de pescados conduzem a um longo passeio à Vargem Grande e Barra de Guaratiba – e vale a pena! No Centro, Lapa, Flamengo e Botafogo, as gastronomias brasileira e de botequim imperam nos cardápios. Já em Copacabana, o mix de variedades inclui dos tradicionais sanduíches do Cervantes, que valem por uma refeição; às cozinhas dos hotéis internacionais, comandadas por estrelados chefs europeus. Na Barra da Tijuca, as opções se concentram especialmente nos shoppings, como o Rio Design Barra, que tem um andar quase todo tomado por bons restaurantes de cozinhas variadas.

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donde Quedar A geografia carioca, que permite circular facilmente pela cidade, pode ajudar também na hora de escolher onde e o que comer. Restaurantes italianos e franceses tomam conta das mais diversas esquinas de Ipanema, Leblon e Jardim Botânico, enquanto os típicos estabelecimentos de pescados conduzem a um longo passeio à Vargem Grande e Barra de Guaratiba

Hoteles

Pizza de massa fina e muito saborosa. Forno a lenha. A pizza é preparado no meio do restaurante a olho dos visitantes. Grande variedade de sabores. Destaque também para a mussarela de búffala. O preço é um pouco salgado. Rua Vinícius de Moraes 134, Ipanema (tel. 2523-3394). Outras filiais na Barra, Jardim Botânico e Copacabana. $$$

Hostales

Restaurante japonês fundado pelo herói da asa delta, Pepê. Hoje quem administra o local é a esposa do ídolo falecido. Comida de excelente qualidade e preços altos. Foi um dos restaurantes responsáveis por difundir o suhi no Rio de Janeiro. Costuma ter filas grandes de espera por uma mesa. Rua Dias Ferreira, 256, Leblon (tel. 2274-1342). $$$

Como llegar Por avión

Un enorme y moderno aeropuerto internacional -Santos Dumont-, y otro, próximo a la ciudad -el Aeroporto do Galeão-, que opera en vuelos al interior del país, cubren las necesidades de Río de Janeiro. El Aeroporto Galeão se encuentra a 15 km al norte de la ciudad; hay autobuses hasta el centro. El Aeroporto Santos Dumont está en medio de la ciudad, en la bahía; se utiliza para los puentes aéreos hasta Sao Paulo y otros vuelos nacionales. Es posible tomar el mismo autobus para llegar al aeropuerto Galeão o bien dirigirse a la ciudad y tomar un taxi; o ir andando al aeropuerto desde el centro.

Por carretera

Desde Río también tienen salida autobuses a casi todos los destinos. El mayor punto de concentración es la Novo Rio Rodoviária. Cada 15 minutos aproximadamente pueden tomar excelentes autobuses que parten hacia Sao Paulo. Para los destinos principales también es posible optar por los autobuses “leito”, muy cómodos, con servicio de noche.a Bahia, llegan al Río. Desde Minas Gerais deben utilizarse la BR-040. AS estradas brasileiras sao mal cuidadas quando voce^sai das principais vias, mas a BR 040 recem refor.

Informaciones Prácticas: Informações Turísticas Tels: 2542-8080 / 0800-285-0555 Postos de Atendimento ao Turista Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro Galeão . Terminal 1: Desembarque Internacional - Setor Azul Tel: 3398-4077 Desembarque Vôos Domésticos - Setor Verde Copacabana Av. Atlântica, esquina com Av. Rainha Elizabeth - Tel: 2513-0077 Av. Princesa Isabel, 183 Tel: 2541-7522 Aeroportos Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro Av. Vinte de Janeiro - Ilha do Governador Tel:3398-4527/ 3398-2155 Praça Senador Salgado Filho, s/nº - Centro Tel: 3814-7246 Rodoviária Novo Rio Av. Francisco Bicalho, 01 - Santo Cristo

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Hippie Chic Nas coxias dos teatros de Salvador, ele conheceu Lázaro Ramos e Valdimir Brichta. Com eles estreou a peça A máquina, no Rio de Janeiro, em 2000. Do palco carioca para a tela da Globo, foi um minuto. Hoje, na novela das oito, faz o vilao Olavo, crado pelo mesmo Gilberto Braga que eternizou Odete Roitman. Neste ensaio clicado por sua mulher, você vê o bom e velho baiano de Salvado-

Por Gustavo Cocate |Fotografia Mariana Pérez

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Im iureet, vel dio odipit, quat. Duis do odoloreet la corem eum ilis nullum at. Umsandre commy nonsent utpat. Orper sustin

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Im iureet, vel dio odipit, quat. Duis do odoloreet la corem eum ilis nullum at. Umsandre commy nonsent utpat. Orper sustin

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Im iureet, vel dio odipit, quat. Duis do odoloreet la corem eum ilis nullum at. Umsandre commy nonsent utpat. Orper sustin

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Guardiao de Memorias, KIM EDWARDS

livros

Com mais de três milhões de exemplares vendidos nos Estados Unidos, O Guardião de Memórias é uma fascinante história sobre vidas paralelas, famílias separadas pelo destino, segredos do passado e o infinito poder do amor verdadeiro. Inverno de 1964. Uma violenta tempestade de neve obriga o Dr. David Henry a fazer o parto de seus filhos gêmeos. O menino, primeiro a nascer, é perfeitamente saudável, mas o médico logo reconhece na menina sinais da síndrome de Down. Guiado por um impulso irrefreável e por dolorosas lembranças do passado, Dr. Henry toma uma decisão que mudará para sempre a vida de todos e o assombrará até a morte: ele pede que sua enfermeira, Caroline, entregue a criança para adoção e diz à esposa que a menina não sobreviveu. Tocada pela fragilidade do bebê, Caroline decide sair da cidade e criar Phoebe como sua própria filha. E Norah, a mãe, jamais consegue se recuperar do imenso vazio causado pela ausência da menina. A partir daí, uma intrincada trama de segredos, mentiras e traições se desenrola, abrindo feridas que nem o tempo será capaz de curar. A força deste livro não está

Cacador de Pipas, KHALED HOSSEINI

O caçador de pipas, livro que já vendeu mais de 2 milhões de exemplares só nos EUA, está sendo conside rado o maior sucesso da literatura mundial dos últimos tempos. Este romance conta a história da amizade de Amir e Hassan, dois meninos quase da mesma idade, que vivem vidas muito diferentes no Afeganistão da década de 1970. Amir é rico e bemnascido, um pouco covarde, e sempre em busca da aprovação de seu próprio pai. Hassan, que não sabe ler nem escrever, é conhecido por coragem e bondade. Os dois, no entanto, são loucos por histórias antigas de grandes guerreiros, filmes de caubói americanos e pipas. E é justamente durante um campeonato de pipas, no inverno de 1975, que Hassan dá a Amir a chance de ser um grande homem, mas ele não enxerga sua redenção. Após desperdiçar a última chance, Amir vai para os Estados Unidos, fugindo da invasão soviética ao Afeganistão, mas vinte anos depois Hassan e a pipa azul o fazem voltar à sua terra natal para acertar contas com o .“Esta é uma daquelas histórias inesquecíveis, que permanecem na nossa memória por anos a fio. Por

A Menina que roubava livros, MARKUS ZUSAK

Entre 1939 e 1943, Liesel Meminger encontrou a Morte três vezes. E saiu suficientemente viva das três ocasiões para que a própria, de tão impressionada, decidisse nos contar sua história, em A Menina que Roubava Livros, livro há mais de um ano na lista dos mais vendidos do The New York Times. Desde o início da vida de Liesel na rua Himmel, numa área pobre de Molching, cidade desenxabida próxima a Munique, ela precisou achar formas de se convencer do sentido da sua existência. Horas depois de ver seu irmão morrer no colo da mãe, a menina foi largada para sempre aos cuidados de Hans e Rosa Hubermann, um pintor desempregado e uma dona de casa rabugenta. Ao entrar na nova casa, trazia escondido na mala um livro, O Manual do Coveiro. Num momento de distração, o rapaz que enterrara seu irmão o deixara cair na neve. Foi o primeiro de vários livros que Liesel roubaria ao longo dos quatro anos seguintes. E foram estes livros que nortearam a vida de Liesel naquele tempo, quando a Alemanha era transformada diariamente pela guerra, dando trabalho dobrado à Morte. O gosto de rouba-los deu à menina uma alcunha e uma ocupação; a sede de conhecimento deu-lhe um propósito. E as palavras que Liesel encontrou em suas páginas e destacou delas seriam mais tarde aplicadas ao contexto a sua própria vida, sempre com a assistência de Hans, acordeonista amador e amável, e Max Vanderburg, o judeu do porão, o amigo quase invisível de quem ela prometera jamais falar. personagens

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Teatro A CASA DOS BUDAS DITOSOS FERNANDA TORRES INTERPRETA UMA LIBERTINA BAIANA DE 68 ANOS EM A CASA DOS BUDAS DITOSOS, ADAPTAÇÃO PARA O TEATRO DO LIVRO DE JOÃO UBALDO RIBEIRO Com direção de Domingos de Oliveira, espetáculo já rendeu à atriz a vitória do Prêmio Shell em São Paulo e Prêmio Qualidade Brasil de melhor atriz, diretor e comédia em 2004. Mais de 150.000 espectadores confeririam este sucesso. Em A Casa dos Budas Ditosos, uma comédia afrodisíaca adaptada por Domingos de Oliveira do romance homônimo de João Ubaldo Ribeiro, a atriz Fernanda Torres interpreta uma libertina baiana sexagenária que detalha as incontáveis experiências sexuais que teve ao longo da vida. Depois de elogiadas temporadas, o espetáculo volta em 2006 graças a uma parceria com o Banco Mercedes-Benz em São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre e Recife. Quando Domingos de Oliveira há cerca de quatro anos, leu pela primeira vez a obra de João Ubaldo percebeu imediatamente

DAnza grupo corpo - ongoto A atribuição sub-reptícia da criação do Universo à cultura anglo-saxônica dominante contida na expressão Big-Bang, que dá nome à grande explosão primordial – a gênese cósmica ou cena de origem do Universo – , levou Caetano Veloso a pensar em escrever um ensaio sobre o tema e ocupou o centro de pelo menos uma entre tantas intermináveis conversas mantidas pelo compositor baiano, ao longo de trinta anos de amizade, com o ensaísta, compositor e professor de Literatura Brasileira na USP José Miguel Wisnik. O bate-papo sobre o princípio do mundo seria entrecortado por estrepitosas gargalhadas quando veio à lembrança de Wisnik uma assertiva enunciada pelo genial jornalista e dramaturgo pernambucano Nelson Rodrigues (1912-1980) em depoimento sobre a clássica rivalidade entre dois times cariocas de futebol: “O Fla-Flu começou quarenta minutos antes do nada”. Ou seja, sob este bem-humorado prisma rodrigueano, o Cosmos teria sido “concebido” sob

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Cinema Cidade de Deus Filme evoca os grandes momentos do cinema social em trágica sequência com os meninos da “caixa baixa”. É um filme para refletir sobre o momento social pelo qual o país passa “Cidade de Deus”, de Fernando Meirelles, é um filme de utilidade pública. Gostese ou não do tratamento que dá à instalação e crescimento do tráfico de drogas nas favelas brasileiras, a partir dos anos 70, todos hão de concordar que o filme chegou na hora certa. Servirá, doravante, como elemento fertilizador no mais que urgente debate sobre a exclusão social. Problema grave, que coloca o Brasil incomodamente ao lado dos países mais pobres do mundo. O livro que deu origem ao filme (“Cidade de Deus”, de Paulo Lins) é um livro de reconhecido valor literário, teve boa vendagem e inseminou projetos diversos. Mas o filme, por sua maior facilidade de difusão (e recepção), deve cumprir, neste alvorecer do século XXI, papel que “Los Olvidados” (1950), de Buñuel, exerceu no

O jardineiro fiel Dirigido por Fernando Meirelles sem a menor concessão à ‘sensibilidade’ pasteurizada do Cinema do primeiro mundo, que costuma maquiar até mesmo a mais brutal das realidades (ver Falcão Negro em Perigo), O Jardineiro Fiel retrata a miséria colossal da África de maneira angustiante: com uma fotografia granulada que dá ênfase às cores mais quentes, o visual concebido por Meirelles e por César Charlone é suficientemente (e corretamente) cru para evitar qualquer tipo de confusão com relação ao que significa viver naquele universo – e os planos realizados com a câmera na mão nos levam a mergulhar ainda mais naquela tragédia social (além disso, o filme retrata o enorme abismo entre ricos e pobres ao mostrar, através de um único e elegante movimento de câmera, a proximidade geográfica entre um campo de golfe restrito aos milionários e a colossal favela localizada ao lado). Da mesma forma, Charlone e Meirelles utilizam a fotografia para ilustrar a trajetória emocional de seus personagens, começando já no plano que abre o filme, quando vemos Justin, sempre na sombra, se despedir de Tessa, que caminha sob o sol e é envolvida por uma luz calorosa que simboliza sua própria vivacidade

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Exposicoes Sebastiao Salgado Sebastião Salgado se tornou uma lenda do fotojornalismo. Este artigo examina suas representações da América Latina, começando com seu primeiro trabalho na área, “Other Americas” (Outras Américas) (publicado em inglês, espanhol e francês em 1986, mas uma edição brasileira não surgiu até 1999). Esse livro pode ser visto como edificador de uma descrição retrato-grotesca de uma situação aparentemente enigmática de pobreza, morte e alienação. O artigo continua comparando a estética do “mistério exótico” com suas visualizações posteriores do continente: imagens de garimpeiros, fotos de trabalhadores migrantes e fotos ao longo da fronteira dos EUA com o México.

Picasso na Oca Las colecciones del Museo Picasso revelan, en gran medida, las relaciones que el artista mantuvo con Barcelona y retratan los momentos clave de esta amistad. De hecho, gran parte del fondo actual proviene de la donación que, en el año 1970, hizo el propio Picasso de todas sus obras de juventud. De ahí que el museo sea riquísimo, podríamos decir que prácticamente exhaustivo, en lo relativo a los periodos de formación del artista. Por otra parte, el museo cuenta con una importante representación de obras de 1917, año en que Picasso conoció a Olga Koklova y fue a Roma con los ballets de Diaguilev para preparar Parade y después viajó a Barcelona para presentarla.

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As maes sempre choram Por Cecília Gomes

Dia das Mães, todo ano a gente faz tudo sempre igual. Passados os ritos comerciais e gastronômicos, de tudo resta um pouco. São coisas não ditas, afeto que não se deixa encerrar, presentes de grego. Entre os silêncios, pelo cordão umbilical que nunca se corta, transitam inúmeros segredos femininos, coisas que mulheres não passam de mãe pra filha, que não contam nem umas às outras, que ginecologistas não alertam e pediatras são obrigados a suportar. Dizem alguns que esses segredos visam preservar socialmente a maternidade, que, caso informadas do que nos espera, não a cometeríamos. Duvido. Dizem também que somos tagarelas e incapazes de guardar segredos, também não é bem Só, somente só Ocultamos umas das outras que as mães sempre choram, e não somente lágrimas de ternura. Não me refiro aos momentos de celebração ou de conflito, em que se chora de tristeza ou de alegria pelo filho, mas àqueles em que choramos por nós mesmas. No momento inaugural da maternidade, a puérpera chora porque aquela criaturinha parece incompreensível e está querendo demais. Além disso, ela está surpresa de que o papel da mãe caiba a ela, que ainda é tão filha. Sente-se abandonada pelas mulheres mais velhas, que por vezes ajudam, mas parecem não compreender pelo que ela está passando. Mas acima de tudo é um choro inexplicável, de emoção pura, de vazão a uma experiência que é engolfante e inefável. Desculpem a comparação, mas é como quando descobrimos em nós um câncer que, por minúsculo que seja, virará nossa vida do avesso, arrombará nossa rotina com o processo de sua cura, destruirá nosso modo de ver a vida, nos obrigará a reinventar tudo.O encontro com a nova vida de um filho é tão maluco como o encontro com a morte. Ambos tornam nosso passado aparentemente obsoleto e, assim, precisaremos recuperar aos poucos nossa identidade das ruínas. Por trás do rótulo mãe Passada essa tempestade inicial, a mãe já lembra bem quem ela era, mas não tem certeza de que saberá retomar. Já sabe que não é incapaz de ser mãe, mas chora porque teme a exclusão social, acha que vai ser esquecida em todos os ambientes que, agora, está limitada para freqüentar. Na infância do filho, ela descobre que não construiu a criatura perfeita e chora, julgando-se fracassada. Se for chamada na escola, ou o filho for excluído do time, ou da festa de pijama. Finalmente, a mãe madura chora o vazio que resta depois de cumprida a tarefa, quando terá que reorganizar sua cabeça para voltar a priorizar tudo o que antes era prescindível. Mas nenhuma delas assumiria essas lágrimas sem morrer de vergonha, como se fosse a única a sentir tudo isso. Se ela contar para alguém, será acusada

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Belezas japonesas Por Daniel Mazzo

Quando era adolescente, conheci, por meio do filme Furyo – Em Nome da Honra (de Nagisa Oshima, 1983), a melodia que até hoje mais encanta meus sentidos. Música japonesa do compositor e produtor Ryuichi Sakamoto, que se tornou para mim u ma referência do pop progressivo e da bossa-house. Na mesma época, fui surpreendida por um outro filme chamado Sonhos (de Akira Kurosawa, 1990) e este imprimiu na minha alma o eterno desejo íntimo de desvendar essa cultura. Assim começou minha adoração pelos japoneses... Possuem um respeito intrínseco pelo outro e levam as coisas bem a sério. Protagonistas do ritual do chá, do budismo, do shiatsu, do kimono com chinelinho. Me fizeram viciar em sashimi, missoshiru, ofurô, cosméticos Shiseido e perfumes Issey Miyake. Me sensibilizam quando fazem reverência e falam “sumimasen” (desculpa!) para tudo. Gosto de assistir àqueles gordinhos lutando sumô com shortinho e “chuquinha” na cabeça, e aprecio os traços imprevisíveis do arquiteto Tadao Ando. Quando eu era criança, tinha um caderno de escola com uma capa da cidade de Osaka. Era de matemática e muitas vezes ficava olhando a metrópole enquanto pensava... Estou no trem-bala (shinkansen) indo de Tóquio para Osaka. É a segunda vez que venho ao Japão a convite do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) para fazer pesquisas. Há um ano, o objetivo era estudar acessibilidade e associações ligadas a pessoas com deficiência. Desta vez, vim para me aprofundar em desenho universal e tecnologias assistivas. É contagiante ver como essa cultura é diferente da nossa. Por um lado, a tecnologia de vanguarda mantendo a vida sistematizada. Por outro, uma tradição milenar arraigada em cada passo, literalmente, já que as japonesas caminham com seus pés virados pra dentro arrastando os sapatos. Uns dizem que elas gostam e que é fashion, outros dizem que não. Alguns dizem que é de tanto sentar sobre os pés no tatame, outros ainda dizem que é de fechar as pernas para proteger a genitália. Não estará no código genético como os olhos puxados? Assim como o charme imprescindível do vão entre as coxas, provocando mínimo espaço para caber um hashi. São numerosíssimos (127 milhões de habitantes em uma área 40 ve zes menor que a do Brasil) e caminham olhando para baixo. Ou para o celular, num gesto submisso transformado num ato de contínuo download. stou no trem-bala (shinkansen) indo de Tóquio para Osaka. É a segunda vez que venho ao Japão a convite do BID (Banco Interam.stou no trem-bala (shinkansen) indo de Tóquio para Osaka. É a segunda vez que venho ao Japão a convite.

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