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2 • Trabalho • Brasília, domingo, 15 de julho de 2012 • CORREIO BRAZILIENSE

CONTINUAÇÃO DA CAPA As instituições de ensino são o ambiente de trabalho favorito dos mestres e doutores. Programa governamental oferece incentivo para que esses profissionais estejam também na iniciativa privada

Pós-graduados preferem a academia Antônio Cunha/Esp CB/D.A Press

ivulgação Editora Gente/D

Planejamento tributário — Teoria e prática

Contratação difícil Thiago teve dificuldade para preencher a vaga, apesar de o Distrito Federal ser a unidade da federação que mais concentra doutores a cada 1 mil habitantes (5,4). “Fizemos uma pesquisa por palavra-chave na base de currículos Lattes, na área de atuação em que precisávamos. Encontramos de 25 a 30 doutores. Todos estavam empregados, principalmente no meio acadêmico”, revela. Como os projetos são muito curtos — dois anos, no caso da Kryos —, Thiago diz que é preciso contratar um especialista na área. Eles finalmente encontraram um doutor em física que atendia ao perfil desejado. Porém, Leandro Carlos Figueiredo, 34 anos, saiu pouco antes de a bolsar terminar, pois recebeu uma proposta da Universidade de Brasília (UnB). “No meio acadêmico, a oferta está muito maior. Uma das poucas possibilidades que eu tive de trabalhar numa empresa foi nessas condições”, relata. Por ser de pequeno porte, a Kryos não teve recursos para contratar o profissional. Leandro conta que a experiência foi essencial para perceber a diferença com relação à academia. No setor privado, os prazos costumam ser menores e têm de ser cumpridos, sob o risco de perder clientes e dinheiro. Hoje, Leandro é bolsista da Instituto de Física da UnB e lamenta não ter tido a oportunidade de continuar trabalhando em empresas, onde acredita ser possível alcançar salários melhores.

Autor: Silvio Aparecido Crepaldi Editora: Saraiva Edição: 1ª Páginas: 392 R$ 64

Empresário na área de TI, Thiago confirma ter dificuldade para preencher vagas que pedem alta qualificação

Inovação acontece nas empresas. As universidades servem para aprender coisas novas, formar pessoas” Glaucius Oliva, presidente do CNPq

Anote! RHAE-Pesquisador na Empresa Informações: (61) 3211-9753 www.cnpq.br/rhae

» Leia na próxima edição Para o país crescer e receber turistas durante os dois maiores eventos esportivos do mundo, o brasileiro precisa dominar uma segunda língua

SEGURO-DESEMPREGO Fotos: Elio Rizzo/Esp. CB/D.A Press

Curso obrigatório a partir de agosto

O povo fala

Jéssica Sousa, 28 anos, vendedora

Ajuda temporária O seguro-desemprego garante assistência aos demitidos sem justa causa. O menor valor equivale ao salário mínimo, que hoje é de R$ 622, e o maior é de R$ 1.163,76. O cálculo é feito com base na média salarial dos últimos três meses trabalhados e pago em até cinco parcelas.

pelo Instituto Federal de Brasília (IFB) e pelas instituições de educação profissional que fazem parte do Sistema S, como o Senac e o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai). As inscrições vão ser feitas na própria agência do trabalhador. Uma lista de opções estará disponível ao candidato. O curso será totalmente gratuito, com carga horária mínima de 160 horas, e o governo fornecerá transporte, material didático e auxílio-alimentação. No DF, segundo o Ministério da Educação (MEC), 137 trabalhadores já foram pré-matriculados e aguardam o início das aulas, que será no segundo semestre. No IFB, alguns dos cursos ofertados são de auxiliar administrativo, auxiliar de eletricista, encanador e instalador predial, entre outros. A coordenadora do Pronatec na instituição, Priscila Silva, estima que a primeira turma comece em

A remodelação das funções do departamento tributário é tema do livro de Silvio Aparecido Crepaldi. O autor apresenta sugestões de como tornar a área mais dinâmica e capaz de atender às necessidades das organizações. Fazem parte do público-alvo estudantes, contadores, administradores e advogados.

Manual do CEO — Um verdadeiro MBA para o gestor do século XXI Autor: Josh Kaufman Editora: Saraiva Edição: 1ª Páginas: 400 R$ 55 A proposta do livro de Josh Kaufman é reunir os principais ensinamentos do mundo dos negócios e explicar conceitos básicos do mercado. Criador do site PersonalMBA (www.personalmba.com), o escritor compartilha no livro Manual do CEO elementos de economia, empreendedorismo, marketing, negociações e vendas.

O que você acha da decisão?

“Acho interessante porque muitos se acomodam esperando o pagamento das parcelas do seguro-desemprego e ficam em casa. É algo a mais no currículo”

Leannes Teixeira se matriculou na turma de recepção de eventos do Senac 20 de agosto. O IFB está presente em sete cidades do DF e todos os câmpus devem receber os beneficiários do programa. Priscila acredita que o auxílio será eficaz na reinserção profissional dos trabalhadores. “Muitas vezes, o desempregado não tem condições financeiras para investir em um curso profissionalizante de qualidade, que o permita buscar uma recolocação no mundo do trabalho.” O Senai, que oferece cursos como almoxarife de obras, padeiro e eletricista, tinha seis turmas previstas para iniciar no último dia 6, prazo que foi adiado. “Por falta de inscritos, tivemos de reprogramar a data de início para agosto”, explica Cláudio Tavares, gerente de formação profissional do Senai. Os trabalhadores serão encaminhados pela Secretaria do Trabalho, que ainda está em fase de pré-matrícula. No caso do Senac, onde a vendedora Leannes Teixeira fará o curso de recepção

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A vendedora Leannes Teixeira, 27 anos, perdeu o emprego pela terceira vez em abril. A empresa em que ela trabalhava faliu e não pôde mais manter os funcionários. Ao entrar com o pedido de seguro-desemprego em uma agência da Secretaria do Trabalho (Setrab), Leannes soube que, para receber o benefício, teria de fazer um curso profissionalizante. Ela imediatamente foi pré-matriculada na turma de recepção de eventos do Serviço Nacional de Aprendizagem Nacional (Senac), área com a qual sempre teve afinidade. “Eu já tinha procurado esse curso por conta própria uma semana antes”, conta a jovem, que tem o ensino médio completo e se animou com a perspectiva de poder se qualificar. “Achei ótimo. Depois de cursar, vou procurar emprego na área.” A partir de agora, assim como Leannes, pessoas que reivindicarem o seguro-desemprego pela terceira vez ao longo de 10 anos só receberão o auxílio se frequentarem um curso de qualificação em uma área de interesse. A medida faz parte do Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec), instituído pelo governo federal. A nova regra já entrou em vigor em quase todo o país, inclusive Brasília, onde os cursos serão oferecidos

Aprender a se superar e a exercer papéis de liderança são habilidades necessárias ao sucesso empresarial. O Código da superação — Uma fascinante jornada além da conquista é um estudo aprofundado dos elementos que alimentam a alma humana a sair do lugar comum, inclusive no que diz respeito aos negócios.

ivulgação Editora Saraiva/D

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Autor: José Luiz Tejon Megido Edditoora: Gente Edição: 1ª Pááginas:: 152 R$ 24,90

de eventos, as aulas devem começar em outubro. O secretário-geral da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Quintino Severo, aprovou a iniciativa da bolsa formação, mas ressaltou que essa ação precisa vir acompanhada de outras medidas. Para Severo, além da qualificação, também deve haver uma intermediação entre o trabalhador e as empresas. “Essa nova decisão é um primeiro passo no sentido de integrar as políticas de emprego”, explica o secretário, “mas é insuficiente para garantir que o trabalhador volte ao mercado de trabalho.”

Informações Setrab-DF Tels: (61) 3224-4433 e (61) 3321-6645 www.trabalho.df.gov.br

GabrielaRodrigues, 18 anos, estudante “É muito bom. Aumentam as oportunidades de ter outros empregos. Alguns jovens não têm qualificação”

Johnatas Brito, 24 anos, atendente e suporte técnico “Sinceramente, achei ridículo. Logo depois de perder o emprego, a pessoa tem de fazer um curso, às vezes nem é da área dela. É o mesmo que dizer que o trabalhador é incompetente”

Dervanir Cardoso, 45 anos, carpinteiro “É bom porque dá oportunidades para a pessoa que não estudou. O Brasil ainda tem muitas pessoas analfabetas. Tudo que for feito para o trabalhador é bem-vindo”

ivulgação Editora Saraiva/D

maior parte dos pós-graduados stricto sensu do Brasil atua no setor de educação. O índice alcança quase 77% entre os que possuem doutorado e 43% dos mestres, segundo dados do Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE). Para suprir a necessidade de pesquisadores nas empresas, o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) criou, há 25 anos, o Programa de Capacitação de Recursos Humanos para o Desenvolvimento Tecnológico (RHAE). “Inovação acontece nas empresas. As universidades servem para aprender coisas novas, formar pessoas”, observa o presidente do CNPq, Glaucius Oliva. A partir de 2007, o programa passou a se chamar RHAE-Pesquisador na Empresa e os editais começaram a incentivar especialmente a entrada de mestres e doutores nas organizações, com bolsas mais altas para esses pesquisadores. O edital de 2012, lançado em 19 de junho, é o que destina maior número de recursos desde o início da nova fase. Enquanto em 2007 a verba foi de R$ 20 milhões e houve 131 projetos selecionados, este ano serão R$ 60 milhões e o CNPq pretende contemplar 350 projetos. “Durante o mestrado e o doutorado, o pesquisador já precisa ter contato com as corporações, preferencialmente em projetos de pesquisa que sejam em parceria entre Estado e empresa”, afirma Glaucius Oliva. Ele explica que nem sempre o resultado é o mais importante, mas, sim, formar profissionais com pós-graduação que desenvolvam linhas de pesquisa mais adaptadas às necessidades das organizações. A Kryos Tecnologia foi contemplada duas vezes no edital do RHAE, em 2007 e em 2009. “Montamos uma empresa de base tecnológica numa linha de serviço que demandava intensidade de

pesquisa para podermos mostrar resultados aos clientes”, conta o mestre em física Thiago Melo, 33 anos, coordenador dos projetos financiados pelo RHAE na empresa. As duas primeiras bolsas foram para graduados, e a seleção ocorreu com certa facilidade. No segundo projeto, porém, quando precisavam de um doutor especialista em magnetismo, a situação foi diferente.

O código da superação

Matemática financeira Autorres: Aderbal Nicolas Müller e Luis Roberto Antonik Edittoraa: Saraiva Edição:: 1ª Págiinas: 440 R$ 82 Como usar a matemática no ambiente empresarial é a premissa desse livro. Colocando na prática conceitos como regimes de capitalização, taxas e juros, os autores simplificam a contabilidade não só para universitários, mas também para empresários e gestores. O manual traz ainda material de apoio com exemplos ilustrados e estudos de caso. ivulgação Editora Saraiva/D

» MARIANA NIEDERAUER

Na estante


5 pós graduados preferem a academia