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OBJETOS

Daniela Seixas | Mariana Katona Leal Vera Beatriz Siqueira (org.)

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PROJETO GRÁFICO Bia Moraes Daniela Seixas

Daniela Seixas

Mariana Katona Leal

TEXTO Raphael Fonseca | Vera Beatriz Siqueira FOTOS Daianne Moraes (p. 32 ,45) |Daniela Seixas (p. 12, 21, 29, 31, 38, 41, 47, 50, 51) | Magali Oliveira (p.15-18, 20, 22-27, 30, 39) | Mariana Katona Leal (p. 36, 43, 44, 46, 48) | Raphael Fonseca (p.19, 34, 37, 52) PRODUÇÃO GRÁFICA Hexis Selo Editorial IMPRESSÃO Singular

Siqueira, Vera Beatriz Objetos / Daniela Seixas, Mariana Katona Leal ; organização e apresentação Vera Beatriz Siqueira ; curadoria Raphael Fonseca. Rio de Janeiro : Editora UERJ, 2011. 52p. : il. Exposição realizada no Centro Cultural Fazenda da Posse, Barra Mansa/ RJ, no período de junho e julho de 2011 ISBN 978-85-63266-04-0 1. Arte contemporânea - Séc XXI - Brasil - Exposições - Catálogos. 2. Arte brasileira - Exposições - Catálogos. I. Siqueira, Vera Beatriz II. Fonseca, Raphael III. Leal, Mariana Katona IV. Seixas, Daniela. V. Título. 11-7242. 25.10.11 03.11.11

CDD: 709.81 CDU: 7.036(81) 030925

OBJETOS Organização e apresentação Vera Beatriz Siqueira

Curadoria Raphael Fonseca

1ª Edição Rio de Janeiro Instituto de Artes-UERJ 2011 Exposição realizada no Centro Cultural Fazenda da Posse - Barra Mansa /RJ Rio de Janeiro - Junho|Julho 2011


Apresentação

Vera Beatriz Siqueira

Desde 2002 desenvolvo o projeto de pesquisa Estilo e Instituição: arte e cultura contemporânea no Brasil, no qual procuro pensar nos objetos artísticos na relação intrínseca com as suas estratégias de culturalização. A partir de 2009, esta investigação passou a contar com o apoio da Faperj, através da concessão da bolsa Jovem Cientista do Nosso Estado. O que permitiu uma ampliação da área de atuação do projeto, incluindo atividades em escolas e instituições culturais, procurando pensar nos vínculos entre a própria pesquisa acadêmica e sua atuação institucional. A realização deste catálogo de exposição se insere nessa perspectiva, pois permite que o conhecimento produzido quando dos processos de criação artística, curadoria e montagem da mostra sejam instituídos e passem a circular. Reunindo jovens artistas e

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Raphael Fonseca

crítico, a exposição Objetos pretende tomar para si o espaço da

Uma casa construída no século XVIII. Uma exposição de arte

instituição que habita ao recuperar a sua anterioridade como casa

contemporânea. De qual forma seria possível ocupar este espaço,

e rediscuti-la no novo quadro de atribuições culturais da antiga

agora público, mas um dia residencial? As artistas Daniela Seixas

fazenda. Mas a proposição de diálogos entre campos tradicional-

e Mariana Katona Leal optaram por tomá-lo tal qual uma casa de

mente estanques não para por aí, uma vez que a exposição apro-

família, espalhando aquilo que possivelmente saturava o espaço

xima e confronta as esferas da tradição e da contemporaneidade,

interno desta arquitetura colonial: objetos. O local, que um dia

do privado e do público, do objeto e do conceito, do interior e do

foi tomado por robustos móveis de madeira, agora será perme-

exterior. Espero que esses diálogos – tensos ou afetivos, ásperos

ado por outra categoria de objetos, os artísticos, que incentivam

ou acomodatícios – se difundam a partir do campo das reflexões

e pedem que o amplo espaço da arquitetura desta construção

estéticas e assumam o seu papel na construção do valor cultural

respire e permita ao visitante a possibilidade de enfrentar o es-

que atribuímos aos objetos de arte.

paço vazio.

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Os objetos expostos não foram construídos artesanalmente tal

No trabalho de Mariana Katona Leal temos outra forma ex-

como uma escultura onde se extrai do mármore bruto uma figu-

positiva. A artista muda o tempo dos objetos cotidianos, eter-

ra humana. No lugar da extração de formas, encontramos aqui a

nizando-os em forma de vídeos. A tridimensionalidade vista no

apropriação das mesmas dada pelo deslocamento espacial; coi-

trabalho de Daniela Seixas dá lugar à tentativa de se eternizar

sas meramente banais são recodificadas enquanto objetos artís-

de modo audiovisual, em duas dimensões. Com a figura de um

ticos.

livro, Mariana dá indícios de movimento em “A mulher desilu-

Neste ato, Daniela Seixas se utiliza de um livro, objeto sagrado

dida”, referência a Simone de Beauvoir. O movimento nunca se

do conhecimento. No lugar de pautas ou de texto impresso, a ar-

dá de modo completo; é fragmentado tal qual a técnica de stop

tista embala as páginas com plástico-bolha. Há aqui uma junção

motion utilizada para a sua realização, assim como o processo

entre a dimensão industrial da matéria e do trabalho feito pelas

de cicatrização da ferida que sangra e que escorre pelas páginas

próprias mãos da artista. O objeto utilizado para leitura tende,

escritas pela autora francesa.

portanto, para outro sentido, o do tato. Mas o público irá tocar

A expectativa pelo movimento é quebrada quando Mariana nos

sem titubear um objeto de arte inserido dentro de um contexto

presenteia com a imagem fixa de um telefone fora do gancho e

museográfico? Uma tensão instaura-se e a ironia salta aos olhos

que vai contra sua costumeira função. Trata-se da representação

em “Sem título (ou braile para reticências)”.

de um objeto sempre em estado de espera, assim como o nome

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dado à música que ouvimos de fundo. Espera curiosa, cronometrada, racionalizada. Quando temos o movimento das frutas que caem, dando vida à “Natureza-morta”, este é interrompido, impedindo que o espectador se depare com a totalidade da ação. Enquanto isso, Daniela Seixas apresenta alguns desenhos-projetos em forma de porta-retratos. Memórias de objetos impossíveis, essas imagens ocupam as paredes brancas desta casa colonial/cubo branco de modo afetivo e fabuloso. Esses desenhos e folhas de caderno dão origem a uma narrativa familiar para o espaço e criam uma ficção crível para os objetos artísticos que neste momento ocupam seu interior. Aqui, portanto, os objetos se tornam os donos do espaço, sendo distribuídos como os cômodos de uma casa ainda em atividade familiar.

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Em uma das salas da exposição, a artista nos mostra seus “Segredos para os dias lotados”: uma sacola plástica alça vôo por alguns segundos, tal qual uma pipa e, rapidamente, retorna para o chão mais uma vez. Não existe espaço de descanso aqui e os dias lotados apenas podem ser combatidos com uma rápida intercalação entre as tentativas falhas de alçar vôo e de repousar. Do lado de fora do edifício, mais um objeto da impossibilidade, uma escada que apresenta apenas início e fim, onde o “entre” foi suspenso da contemplação do espectador. É exatamente nesta condição que o público fica ao se deparar com os trabalhos das duas artistas: um espaço do meio. Entre o acerto e a falha narrativos, entre o objeto utilitário e o objeto estético, entre a história deste edifício e as múltiplas possibilidades que a arte contemporânea possibilita.

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Daniela Seixas Escada (série Afasia) objeto/instalação escada de dois degraus e capacho 240 x 38 cm 60 x 30 cm 2011 OBJETOS

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Detalhe escada do interior da casa > 18

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Mariana Katona Leal Canção de ninar vídeo/instalação móvel de madeira e player portátil 5´1’’ 2009

Detalhe do vídeo > 20

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Daniela Seixas Sem título (ou braile para reticências) livro páginas em branco revestidas indvidualmente com plástico bolha 31 x 23,5 x 6 cm 2010 < Detalhe do livro > 22

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Mariana Katona Leal Natureza-morta em gravidade vídeo 50’’ 2009 <

Janelas do salão principal da casa > 24

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Daniela Seixas O casal objeto moldura de madeira e transferência sobre papel vegetal 47 x 57 x 6 cm 2008 <

Daniela Seixas Desenhos de família (série) desenho nanquim sobre papel e molduras dimensões diversas 2010/2011 > 26

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Planta da casa, cedida pelo Centro de Cultura <

Detalhe do ch達o da casa > 28

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Daniela Seixas Instalação com os trabalhos Quando o céu vir a mar e Segredos para os dias lotados_desenho Quando o céu vir a mar vídeo 2’ 2010 Segredos para os dias lotados_desenho (série Afasia) nanquim sobre papel 10 x 15 cm 2010 <

Frames do vídeo Quando o céu vir a mar v

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Daniela Seixas Desenhos de família (série) nanquim sobre papel e molduras dimensões diversas 2010/2011 OBJETOS

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Mariana Katona Leal Mulher desiludida vídeo/instalação 50’’ 2009 34

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^ Detalhe do vĂ­deo Natureza-morta em gravidade

Frame do vĂ­deo Mulher desiludida <

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^ Instalação com o trabalho Foz de todo nome

Foz de todo nome copo e caneta marcador 10 x 7 cm 2009 >

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Daniela Seixas Segredo para os dias lotados_ objeto (série Afasia) objeto/instalação ventilador, circuito ^ eletronico, linha, saco plástico 2011 <

Detalhe do mobiliário da instalação com Quando o céu vir a mar e Segredos para os dias lotados_desenho > 40

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Daniela Seixas Segredos para os dias lotados (sĂŠrie Afasia)_desenho nanquim sobre papel 10 x 15 cm 2010 > Detalhe de Segredo para os dias lotados_objeto (sĂŠrie Afasia) >

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Detalhe do desenho Travesseiros para manhãs desperdiçadas (2010), incluído na série Desenhos de família >>

Detalhe do vídeo Canção de ninar > OBJETOS

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Detalhe do desenho Mesa de Jantar, incluído na série Desenhos de família >

Detalhe da fotografia utilizada na realização do vídeo Canção de Ninar >

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Frame do vĂ­deo Natureza-morta em gravidade >


Detalhe do desenho Dois, incluído na série Desenhos de família >

Sequência do objeto/instalação Segredos para os dias lotados_objeto (série Afasia) v

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