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SOCIAL MEDIA NOVO MEIO DE DIVULGAÇÃO JORNALÍSTICA [Escreva o conteúdo da barra lateral. Uma barra lateral é um suplemento autónomo do documento principal. Está frequentemente alinhada à esquerda ou à direita da página, ou localizada na parte superior ou inferior. Utilize o separador Ferramentas de Desenho para NA ELABORAÇÃO DESTE TRABALHO PUDE COM A AJUDA DE BRILHANTES PROFISSIONAIS DA ÁREA JORNALÍSTICA COMO alterar a formatação da caixa de CONTAR texto da barra lateral.] PAULO QUERIDO, ALEXANDRE GAMELA, PAULO PINTO MASCARENHAS, CARLOS VARGAS E PEDRO TEICHGRÄBER.

MARIANA GUERRA BRANCO, Comunicação Social


SOCIAL MEDIA BLOGS, MICROBLOGS E REDES SOCIAIS. PEQUENA INTRODUÇÃO

“PRODUÇÃO DE CONTEÚDOS DE FORMA DESCENTRALIZADA

Os processos de comunicação, delineados pelas transformações culturais, podem moldar o pensamento e a sensibilidade do ser Humano como também proporcionar o surgimento de novos canais e ambientes socioculturais, em especial, na hipermédia. Assim, as manifestações da cibercultura são um universo infindável de conteúdos.

E SEM O CONTROLE

O ciberespaço, dotado de características de facilidade de acesso e manuseio, é o campo ideal para a construção de uma grande “aldeia global”. As medias sociais são exemplos da ascensão da internet (2.0), permitindo a criação e troca de conteúdos criados pelo utilizador. Nunca foi tão fácil compartilhar informações. Dados, com os mais variados formatos (texto, imagem, áudio), podem ser publicados e visualizados.

GRUPOS. SIGNIFICA A

EDITORIAL DE GRANDES

PRODUÇÃO DE MUITOS PARA MUITOS.” (WIKIPÉDIA)

O advento da popularização das tecnologias digitais paralelamente com a hiperconexão proporcionada pela Internet, criou o que muitos hoje chama de ambiente digital. Neste espaço, vimos nascer uma nova ecologia do conhecimento e cultura que tem gerado impactos significativos nos processos de acesso, produção, reprodução, distribuição e armazenamento de conteúdos. Na sociedade de informação, liberdade de expressão, criatividade digital, inovação científica e outros benefícios potencializados pela rede global, dependem directamente do reconhecimento da importância de uma esfera pública fortalecida. As ferramentas disponibilizadas são cada vez mais fáceis de utilizar por toda a gente e cada vez menos dependentes do conhecimento de linguagens de programação. Este aspecto ajudou a potencializar o aumento de blogs , uma ferramenta gratuita, existente em diferentes versões, com formatos pré-definidos, seleccionados perlo futuro blogger. Existem dois tipos de blog: uns, diários online, onde os seus autores descrevem sentimentos e acontecimentos da sua rotina; outros, informativos (seguindo um tema específico ou não), que reúnem links e textos. Alguns são frequentados por centenas ou milhares de pessoas, que os usam como fonte de informação. Em redor deste fenómeno, formaram-se grandes comunidades. Muitos internautas, interessados em assuntos diversos, encontram neste método comunicativo, espaços de informação especializada, dado que, habitualmente, os bloggers são especialistas na área sobre a qual escrevem. Estas publicações têm, na perspectiva dos visitantes, a vantagem de não sofrerem censura e de apresentarem o ponto de vista do autor. Alguns bloggers realizam um óptimo trabalho de selecção, redacção e interpretação de diversas notícias.

“O SER HUMANO É ANTES DE TUDO UM SER SOCIAL, AS FERRAMENTAS SOCIAIS ESTÃO POTENCIALIZANDO ESSA TENDÊNCIA E ALTERANDO COMPLETAMENTE A COMUNICAÇÃO DESSA NOVA ECONOMIA” (ALAN DUBNER) 1


Estando organizados como comunidades, criam espaços de discussão interessantes, através da partilha de links , comentários e informações recolhidas em diversos locais da rede. No entanto, parte considerável da informação é retirada de órgãos de comunicação social. Muitos bloggers apresentam-se como jornalistas amadores, baseando-se no facto de realizarem acções semelhantes às dos jornalistas profissionais: na procura de informação, contacto com as fontes, selecção e apresentação de notícias. Com a ascensão de utilizadores de Internet, muitos jornalistas profissionais adquiriram social medias onde publicam assuntos que não são integrados nas publicações onde trabalham. Deste modo, recebem feedback daquilo que escrevem e estabelecem relações com os seus leitores. Alguns autores defendem a utilização destes meios como fonte benéfica: os jornais ao disponibilizar espaços aos seus jornalistas e leitores, criavam ligações para os artigos que consideram mais interessantes e ouvir (ou melhor, ler) o que os seus leitores pensam acerca do que o jornal produz.

CREDIBILIDADE? “Um comunicador credível será entendido pelo público como alguém que tem informação correcta sobre algum ponto e além disso não parece ter uma intenção oculta para mostrar as coisas de outro modo diferente ao correcto” (LÉON, JOSÉ LUIS: 1996)

Os cidadãos têm vindo a participar de forma mais activa no debate e na transmissão de informação e conteúdos noticiosos, o que remete para uma possível redefinição dos tradicionais mediadores de conteúdos e, consequentemente, para uma fragmentação do espaço público. Neste domínio, é importante pensar também acerca da credibilidade. Com a quantidade, crescente, de informação, disponibilizada nos blogs e redes sociais, é necessário um cuidado acrescido no sentido de identificar o que é ou não credível. Com o aparecimento destas plataformas há quem as tenha identificado, de imediato, (pelo menos algumas) com o jornalismo.

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De facto existem algumas que se caracterizam sobretudo pela informação que transmitem, expõem opiniões, entrevistas, aproximando-se mesmo da prática jornalística. No entanto estas são duas áreas distintas que não devem ser confundidas, apesar de poderem ser complementares ou até alternativas. O jornalismo é uma actividade profissional que deve obedecer a regras específicas em qualquer dos meios em que seja exercida. Por essa razão, a definição de jornalismo depende de muitos factores, normalmente ligados a esta actividade profissional. Enumeram-se algumas das características do jornalismo estabelecendo desde logo aspectos fundamentais que o diferenciam dos social media:

a) PROFISSIONALIZAÇÃO

Falar de jornalismo implica falar dos profissionais desta área. “Fazer notícias exige preparação intelectual, deontológica e prática, e presumir possuir tais virtudes não é o mesmo que ser capaz de efectivamente exercer. Além disso, fazer notícias implica processos de verificação semântica, isto é, presenciar acontecimentos, o que é sempre dispendioso em termos de logística, e requer, as mais das vezes, uma organização burocrática, de retaguarda algo rígida. Já que se fala em burocracia, aceder às fontes também é um processo que conhece alguma, incluindo a indispensável credenciação dos jornalistas, e a identificação, sem margens para dúvidas, dos órgãos onde exercem a sua actividade” (GRADIM, ANABELA)

“Há pessoas não consideradas como jornalistas que criam conteúdos seguindo procedimentos jornalísticos, mas a grande maioria tem apenas valor como testemunha e participante dos acontecimentos.” (ALEXANDRE GAMELA)

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b) O EDITOR

Noticiar um acontecimento implica determinadas rotinas. “As notícias não são espelhos rígidos e fiéis dos fenómenos, mas construções metonímicas que se desenvolvem segundo formas de produção ritualizadas e passam por patamares diversos de selecção: das secretarias aos editores e chefias, passando pelos olhos, preconceitos, crenças e formação cultural dos jornalistas, para, no limite, produto pronto, terem de competir em visibilidade com todas as outras notícias do dia, submetendo-se ao espaço limitado do jornal, onde um anúncio de última hora pode significar peça no cesto dos papéis” (GRADIM, ANABELA). Resumindo, existem normas que o jornalista deve respeitar e cumprir, para além da existência sempre presente de um editor que verifica a sua aplicação correcta. Deste profissional depende a coordenação, as ideias, sugestões e o estímulo feito aos jornalistas que com ele trabalham. “Ser jornalista envolve um certo número de práticas fundamentais” (GILMOR, DAN: 205), características muito próprias. Trata-se de alguém que avalia as notícias e que pode propor, aceitar ou recusar os temas a tratar, em conciliação com a linha editorial do órgão de comunicação para o qual trabalha. O critério da actualidade e veracidade são pontos fundamentais da prática jornalística e, enquanto prática profissional, implica procurar fontes credíveis, trabalho de campo, para confirmar a veracidade dos factos. Ao escrever nos social media, o autor tem total liberdade, é editor de si mesmo, não está obrigado a seguir critérios editoriais que lhe sejam impostos externamente. 4


c) FACTOR TEMPORAL

O jornalismo é uma corrida constante contra o tempo. Segundo Nelson Traquina, a realidade é, muitas vezes, “contada como uma telenovela, e aparece quase sempre fragmentada em acontecimentos, uma avalancha de acontecimentos perante a qual os jornalistas sentem como primeira obrigação dar resposta através de noticias, rigorosas e se possível confirmadas, o mais rapidamente possível, confrontados com a tirania do factor tempo” (TRAQUINA, NELSON: 2002). Esta é, sem dúvida, uma condicionante do trabalho jornalístico como também poderá ser considerada a principal causa da existência do jornalismo. Na escrita nos social media, não existe esta limitação temporal, decorrente de prazos de encerramento nem de fecho de edição, embora que, tal e qual como numa agência noticiosa, se tiver intenção de apresentar informações completamente actuais, necessita ser rápido na sua exposição. O tempo é precisamente um elemento básico na distinção da notícia de outro tipo de informação. A essência do acontecimento jornalístico é a actualidade. Para uma informação ser designada de notícia requer a conjugação de três requisitos: ser recente, ser imediata e, que circule.

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José Luis Léon considera o conceito de credibilidade da fonte composto por vários atributos, referindo três em especial: a referência, a confiança e o status-prestígio. Quanto à experiência, o autor refere que “uma fonte pode ser entendida como especialista opor diversas razões: pela sua formação cultural, pela sua informação ou pela sua profissão” (LÉON, JOSÉ LUIS: 1996). A confiança “dependerá em boa medida se a fonte é entendida como objectiva, honesta e não movida por interesses suspeitos” (LÉON, JOSÉ LUIS: 1996). O conceito de status -prestígio está relacionado com o papel de um indivíduo famoso ou especialista em determinado assunto: “ O papel é a posição ou função desempenhada em relação a uma actividade. O status é o prestígio social correspondente ao papel” (LÉON, JOSÉ LUIS: 1996). Podemos concluir que, na sua perspectiva, um comunicador ou uma fonte prestigiada terá possibilidade de ser mais persuasiva e talvez por isso, as personalidades que preenchem este requisito tenham, à partida, sucesso no mundo da informação online. No caso dos blogs, quem escreve e assina com o seu nome, assumindo uma verdadeira identidade, produz uma espécie de efeito de transparência. Um anónimo nunca terá a mesma credibilidade de alguém perfeitamente identificado e a quem possam ser imputadas responsabilidades sobre o que é dito. O anonimato pode servir para fazer acusações, difamar ou até especular. Quer nos blogs, quer nas redes sociais é sempre possível encontrar autores anónimos ou contas criadas com uma “identidade falsa”. Apesar disso, é necessário ter em consideração que existem informações que apenas podem ser divulgadas de forma anónima. Caso contrário, o/os seu/s autor/es podem sofrer represálias. Em caso de infracção, os

sites podem ser encerrados e aos infractores, aplicadas multas pesadas. É neste caso que o anonimato, incluindo de jornalistas, parece ser a única forma de continuar a dar opinião livre e a transmitir informações além-fronteiras, mesmo que contra o regime. Para além da identificação do autor existe outro aspecto importante para a credibilidade: citação das fontes utilizadas para a divulgação de determinada informação. Ao nível jornalístico, as fontes são algo essencial. “Nenhum jornal sobrevive sem fontes, e o perfil destas varia consoante a natureza e a área de implantação da publicação” (GRADIM, ANABELA: 2000). Para avaliar a fiabilidade da informação, os jornalistas utilizam diversos critérios na avaliação das fontes: a autoridade, a produtividade e a credibilidade. A relação do jornalista com as fontes e a procura constante de fontes credíveis e fiáveis é muito importante e disso depende também a agenda. Nesta relação, as fontes gozam, de um certo poder, no sentido em que é com base nos dados que estas transmitem, e que muitas vezes estabelecem a agenda, que 6


o jornalista desenvolve a sua actividade. As fontes são assim um factor determinante na credibilidade de um meio que tenta satisfazer o público ao qual se destina. A agregação e a distribuição de conteúdos são, actualmente, facilitados com o uso da tecnologia RSS, que pode ser utilizada para a sindicação de textos, imagens, vídeo e áudio. Este fenómeno pode ser considerado com uma forma de atribuir credibilidade ao revelar a fonte de pesquisa. Este método dá ao leitor o primeiro parágrafo de um artigo obrigando o usuário a visitar a respectiva página, onde o material se encontra hospedado, para que tenha acesso ao texto integral. O RSS é bastante utilizado na disseminação de notícias, seja por meio da plataforma Web, ou por aplicativos disponíveis móveis. Assim, é possível indexar um sumário de notícias geradas a partir de outros espaços numa rede de conexões que cresce como resultado da actividade colectiva dos usuários, num ambiente típico da Web 2.0.

CASOS EM QUE O JORNALISMO FOI SUPERADO Jay Rosen explica que a cobertura de um acontecimento é muitas vezes mais rápida e eficiente via online que pelo método tradicional. O autor lembra a catástrofe do tsunami na Ásia. Lee Rainie, por seu lado, acrescenta que “os blogs trazem novas vozes e informação para o espaço público “os blogs trazem novas vozes e informação para o espaço público. A fronteira entre produzir e consumir informação está a ser obliterada e não é preciso muito para os ver como separados e distintos domínios. Também os bloggers podem ser material em bruto para media tradicionais. Basta testemunhar como os repórteres mainstream citaram e usaram imagens dos bloggers nos primeiros dias depois do tsunami”. A um nível global, podemos falar no furacão Katrina, o 11 de Setembro, a Guerra no Iraque e as eleições norte-americanas como momentos marcantes que fizeram enaltecem o papel dos blogs. Os atentados em 7


Londres, o 11 de Março em Espanha, a crise política em Portugal, o caso Marcelo Rebelo Sousa, as últimas eleições legislativas (autárquicas e presidenciais), permitiram também a utilização dos selfmedia como espaço de transmissão e debate sobre os assuntos em causa. Alguns dos casos referidos são apenas exemplos de assuntos que através destas plataformas referidas, assumiram proporções gigantescas e dominaram durante um largo período de tempo, os espaços noticiosos. Permitem criar uma verdadeira esfera de visibilidade pública. A principal novidade foi o poder de intervenção ganho pelo público. Verifica-se que “cada vez mais, as audiências chegam a ser parte interessada no processo noticioso. Em vez de aceitarem passivamente a cobertura noticiosa decidida por um punhado de editores, disparam correio electrónico, publicam em weblogs e fóruns as suas críticas sobre as deficiências editoriais que percebem e apoiam ou financiam empresas editoriais independentes” (BOWMAN, SHANE & WILLIS, CHRIS: 2003). Talvez a grande atracção destes meios seja o facto de os utilizadores poderem ser simultaneamente informadores, comentadores, editores ou simplesmente escritores. O utilizador tem o poder nas mãos, algo que nunca tinha sido tão fácil.

“No caso do avião do Rio Hudson em 2008 a notícia espalhou-se ainda antes do avião ter amarado, e as primeiras fotos espalharam-se rapidamente pelo mundo inteiro 15 minutos depois do primeiro Tweet.”. (ALEXANDRE GAMELA)

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JORNALISMO PARTICIPATIVO “Há condições e potenciais enormes para o jornalismo participativo nas redes sociais, como se tem visto nos últimos anos, mas é preciso saber identificar o que é testemunho pessoal e o que é jornalismo. E como disse, jornalismo é uma prática, e as redes sociais são um canal intenso de partilha de informação e interacção, logo encarar as redes sociais enquanto jornalismo participativo é uma má premissa, devendo-se partir do princípio das redes como um espaço fulcral para o jornalismo participativo nos dias de hoje. “ (ALEXANDRE GAMELA)

Também designado por jornalismo cívico, jornalismo de raízes, jornalismo de fonte aberta. Para Hendrickson (2007:191), estes jornalistas alcançam audiências elevadas sem que haja uma grande organização na produção e distribuição de conteúdos. Existe, evidentemente, grandes diferenças entre estes e as organizações noticiosas, que possuem orçamentos elevados, pessoal muito habilitado e mecanismos de confirmação de fontes, e que, por isso, obtêm melhores produtos noticiosos que os blogues. Para Rutigliano (2007:225), o jornalismo cívico usa os media para encorajar a participação e o debate entre o público, característica que identifica alguns blogs. Estes autores entre outros trazem Habermas (1984) à discussão. A esfera pública de Habermas é útil para conceptualizar a ideia de jornalismo participativo. Este autor referiu-se aos media como um espaço capaz de desenvolver o discurso público democrático. Numa época de crescimento de conglomerados e da concentração da propriedade dos media, são necessárias estruturas mais democráticas que podem ser proporcionadas pelos meios digitais de informação . Rutigliano (2007:230) aponta três tipos de grau de liberdade editorial: controlada, com conteúdo produzido por um só autor (geralmente o fundador do sítio),

híbrida, com recurso a um pequeno grupo de voluntários, e aberta, com um administrador e um conselho editorial, mas com um grau pequeno de direcção ou intervenção. O modelo híbrido é o mais participativo pelos cidadãos. 9


Um blog ou microblog de comunidade, onde há a prática de um jornalismo cívico, é um sistema aberto. Este tipo de jornalismo não torna os jornalistas obsoletos mas cria um novo papel: gerir a complexidade, deslocando o lado de emissor para o de emissor-receptor do novo jornalista. O jornalismo participativo exibe características de sítios de partilha e discussão, pois realça a participação e troca de ideias. Ocorre quando um cidadão, ou grupo de cidadãos, assume uma função activa no processo de recolha, reportagem, análise e divulgação de notícias/informação (BROWMAN E WIILIS, 2003: 9 ). Segundo os argumentos dos defensores desta prática, existem diversas vantagens:

Permite o acesso de muitas pessoas à produção e divulgação pública de mensagens, construindo uma óbvia vantagem comparativa por parte de grupos de cidadãos que queiram constituir-se como públicos e que se encontram numa situação periférica; Está menos dependente de dilemas éticos que são colocados aos media tradicionais, como o confronto com a necessidade de retrair as suas críticas pelo receio de perderem dinheiro da publicidade ou o acesso aos níveis mais elevados de decisão política; Permite a cobertura de notícias que os media tradicionais não consideram rentáveis; Permite uma discussão mais substancial dos acontecimentos da actualidade de uma forma que os media tradicionais jamais poderiam permitir (além de que possibilita o adicionar de comentários aos artigos).

Gaye Tuchman desenvolveu uma análise detalhada das condições de produção jornalística. Evidencia, na atitude tomada por estes, a ausência de postura reflexiva: os jornalistas afirmam uma postura pragmática que opera, por razões profissionais, de acordo com algumas evidências adquiridas, práticas organizacionais burocratizadas, rotinas solidificadas pela experiência e necessidade de organizar o mundo de acordo com necessidades espaciais e temporais. Como processo do processo de criação de rotinas, os jornalistas usam esquemas classificatórios de forma a reduzir a contingência intrínseca ao trabalho noticioso. Transformam ocorrências do dia-a-dia em materiais que podem facilmente ser processados e divulgados. Analisando a

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linguagem jornalística, detecta-se um conjunto de procedimentos, fórmulas discursivas, técnicas narrativas e descritivas. Através de um jornalismo participativo, caracterizado por um mais veemente impulso público, pode-se dispôs de dispositivos que tornem possível uma narrativa alternativa, propondo a adopção de práticas que confiram ao jornalismo uma dimensão conversacional, permitindo a participação na deliberação pública. A deliberação é um processo que implica a participação diversificada e plural, isto é, escutar vozes que não pertençam necessariamente a um consenso pré-determinado; possibilitar pôr em causa pontos de vista rotineiros, através de um exercício colectivo de racionalidade. O jornalismo cívico abre possibilidades de debate que vão para além do conhecimento socialmente determinado pelas práticas rotineiras de pesquisa institucional, constrangidas pela presença social dos mais poderosos.

“As redes sociais são uma evolução na possibilidade que a internet trouxe em dar aos utilizadores um papel mais activo no processo de criação e produção de conteúdos, jornalísticos ou não. Nas redes, mais do que a criação, é a partilha que se torna predominante. Ao termos um canal pessoal onde podemos veicular a realidade que nos rodeia do ponto de vista individual e ao mesmo tempo inseridos numa comunidade que vive ou está interessada nessa realidade, toda a informação ganha um peso enorme. Podemos verificar isso nas recentes revoluções no mundo árabe, onde grande parte da informação era constituída por fragmentos que juntos dão um quadro bastante abrangente da situação que se viveu.” (ALEXANDRE GAMELA)

A introdução de mecanismos interactivos (nomeadamente de mecanismos que possam comentar criticamente a notícia, interpelando enquadramentos seleccionados, questionando informações e convocando pontos de vista adicionais) permite pensar na possibilidade de conferir uma agilidade ao jornalismo. O problema da ideologia relacionado por muitos autores com o acesso burocratizado e rotineiro a um número restrito de jornalistas cívicos pode confrontar-se, neste caso, com possíveis contributos para a sua interpelação. O risco de um enquadramento rotineiramente estabelecido por uma mediação institucionalizada que contribua para uma estereotipização de fenómenos e agentes pode, segundo esta perspectiva, ser 11


desafiado pela possibilidade atribuída aos públicos para que interfiram nas práticas e no processo de enquadramento e agendamento. O jornalismo participativo, apesar de possuir algumas vantagens, como fazer ouvir novas vozes, denunciar, à partida, algumas fragilidades, existem também aspectos negativos. São necessárias cautelas redobradas com a especulação, as fontes anónimas e a fiabilidade das informações transmitidas.

A origem do termo mashup remonta ao ambiente de músicas electrónicas. O termo é tomado emprestado do cenário de música Pop, “onde um mashup é uma nova música que é misturada a partir das vozes e do instrumental de duas músicas-fonte (geralmente dois géneros distintos) ” (MERRILL, 2006). Como aplicativos na Web, mashup corresponde à mistura de dados provenientes de mais de uma fonte, podendo ser considerado como jornalismo participativo. São aplicativos ou sites que misturam conjuntos de dados diferentes ou até funcionalidades de tecnologias externas (de outros aplicativos ou sites) para a criação de informações novas e únicas, ou até mesmo, de novas funcionalidades, novas formas de interacção com a informação.

Mais do que uma tecnologia, o mashup é uma prática ligada aos princípios da rede – como a abertura, a livre-iniciativa, a colaboração. É publicar informações com a intenção de que elas sejam reaproveitadas por desenvolvedores capazes de construírem cruzamentos, aplicativos e visualizações de dados diferenciados, agregando-lhes valor e mais possibilidade de uso.

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Quanto às mashups disponíveis no TWITTER, podemos destacar 3 géneros:

a) MASHUPS DE VISUALIZAÇÃO EXTERNA

São aqueles que utilizam o conteúdo produzido em uma ou mais contas do Twitter , com a finalidade específica, de ser exibido em outro espaço virtual fora do sistema. Assim, misturase o conteúdo do Twitter com um suporte para visualização diferenciada, como ao incluir as últimas actualizações do Twitter numa secção de portal ou numa notícia. Nesse primeiro grupo, foram incluídas as ferramentas criadas por organizações jornalísticas para exibir o conteúdo produzido em uma ou mais contas, controladas pela própria organização ou pelos seus jornalistas, em alternativas de visualização desses conteúdos em páginas de Web.

b) MASHUPS COLABORATIVOS

Os mashups colaborativos são aqueles que dependem da actuação de várias pessoas para que se produza conteúdo e para os quais qualquer um pode contribuir (desde que possua conta no

Twitter).

Nessa categoria entram, também, mashups cujo conteúdo produzido possui carácter jornalístico. Desse modo, mashups colaborativos correspondem a iniciativas, vinculadas a organizações jornalísticas ou não, que envolvem a produção de conteúdo de carácter jornalístico por um grupo de pessoas de forma descentralizada (ou seja, de várias contas), A colecta de conteúdo pode se dar de forma automática, com participação involuntária, ou mediante colaboração espontânea.

c) MASHUPS MISTOS

Por fim, foram classificados como mashups mistos aqueles que tanto representam uma forma diferenciada de visualizar dados do Twitter em outros sites (sem que com isso se tornem sites independentes) quanto envolvem a produção colectiva de conteúdo (como no caso de coberturas colaborativas realizadas por meio de tags, cujo resultado é exibido na página de um webjornal). 13


 Actualmente existem vários exemplos de mashups disponíveis na Internet. Num site (HOTSPOTS), pertencente ao jornal público, foi criado um mapa de Portugal, com os locais onde se pode aceder à Internet, gratuitamente. Seleccionando o distrito pretendido, os pontos conhecidos aparecerem de seguida no mapa. É possível fazer zoom para encontrar, com precisão, o local. Ao clicar-se num ponto, obtém-se a descrição (caso exista), fornecida pelos leitores. Torna-se assim um site participativo, que conta com a colaboração alheia, na descoberta de bons sítios onde “basta ligar o portátil para ter acesso à Internet”.

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 A VAGA DE FRIO EM PORTUGAL – criado por Alexandre Gamela (partilha de fotografias da vaga)

 TEMPORAL DA MADEIRA – mapa de Alexandre Gamela e Alexandre Antunes (informações acerca do incidente na Madeira, em 2010- partilha de fotografias, pedidos de colaboração, donativos, entre outros)

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O CASO DO TWITTER “O Twitter tem tanta importância para um jornalista como um carro, só tem utilidade se for bem usado”. (ALEXANDRE GAMELA)

O Twitter é uma ferramenta de microblog com carácter híbrido, entre blog, rede social e mensageiro instantâneo (IM). Desafia os perfis a adoptarem um discurso minimalista e directo, através da limitação de cento e quarenta caracteres. Criado em 2006, como serviço interno para os funcionários da Odeo (empresa de podcast), O Twitter era inicialmente uma ferramenta voltada para compartilhar com amigos, por mensagens SMS, o que se estava a fazer num determinado momento. Em Julho de 2006, o serviço tornou-se público e em Abril de 2007, uma companhia autónoma. Desde então, passou a ser constantemente apropriado e adaptado pelos seus utilizadores, que levaram ao surgimento de convenções e recursos como os replies, retweets , entre outros. Desde a sua criação, o Twitter tem sido utilizado para as mais diversas finalidades. Entre outras possibilidades, é possível criar mashups jornalísticos de dados, que podem ser separados em três grupos: de visualização externa, colaborativos e mistos.

“O Twitter ao ser um rio de informação pode ser uma excelente ferramenta de recolha e pesquisa de informação, já que pode entrar directamente em contacto com um utilizador que esteja no local do evento que se quer cobrir, e questioná-lo directamente de forma imediata, algo que antes não seria possível.” (ALEXANDRE GAMELA)

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O uso jornalístico do Twitter, no contexto actual, está relacionado com a larga utilização da rede pelas empresas de comunicação, viram nela diversas potencialidades. A rápida veiculação de factos, o carácter instantâneo, a fácil manutenção, a possibilidade em estabelecer um diálogo com a audiência em tempo real e a capacidade de medir o impacto de uma notícia são alguns factores que levaram o jornalismo a aderir o

Twitter. Tais características revelam a vocação jornalística do Twitter que, além dos aspectos já citados, oferece a oportunidade de gerar uma aproximação mais imediata entre jornalista e público-alvo.

Assim como notícias em primeira mão são agora mais “primeiras” do que nunca, os negócios podem se armar com o imediatismo do Twitter para inovar e construir relacionamentos como nunca. (COMM, p. 22, 2009)

ROSS DAWWSON, reconhecido mundialmente como um expert sobre o futuro dos negócios e da tecnologia, analisa o impacto do Twitter no jornalismo a partir de cinco fundamentos:

1. O Twitter tem uma função no plantão noticioso, no facto do „aqui e agora‟ por ampliar o alcance de nossas percepções. O que vemos, ouvimos e pensamos pode ser twitado com instantaneidade a milhões de pessoas conectadas no mundo. 2. Apesar de nem toda informação transmitida via Twitter ser confiável, é interessante considerar dados iniciais que podem ser visualizados e complementados, enquanto prerrogativa da imprensa. 3. O aumento da velocidade de transmissão de informações, ampliou a competição entre os meios de comunicação pelas notícias em primeira mão, o „furo‟. 4. Publicar a notícia em primeira mão? Descer no ranking da velocidade em favor da informação confirmada e correcta? É a decisão editorial que vem guiando esse equilíbrio e deve criar uma hierarquia de credibilidade dos meios de comunicação junto ao público. 5. Há uma simbiose entre os dois universos. O Twitter está se tornando o principal acesso pela qual as pessoas acedem aos meios de comunicação. Em contrapartida, o microblog constrói-se como fonte de „breaking news‟, bem como da dinâmica e do sentimento social, com potenciais histórias para os meios de comunicação.

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Como tentativa de sistematizar as estratégias que podem vir a ser utilizadas pelos usuários no compartilhar de informações, podem identificar-se: os links, retweets , hashtags, sistema de procura em tempo real e reportagem de acontecimentos originais,

a)

– partilha de informações acompanhadas de links, muitas vezes com a URL compactada por serviços externos ao Twitter. Ao apontar links para outros espaços da Web, muitas vezes PARTILHA DE LINKS

para informações jornalísticas, os usuários podem trazer novas informações úteis para os seus contactos. O carácter jornalístico da informação estará no conteúdo da mensagem linkada, ou no texto/comentário que acompanha o link no Twitter.

b)

RETWEETS

– compreende a reprodução de uma mensagem ( tweet) enviada originalmente por outro

usuário, precedido por indicadores como “RT” ou “RET”, seguido do nome de usuário que originalmente enviou a informação para o Twitter. O carácter jornalístico da informação compartilhada dependerá, muitas vezes, do conteúdo reproduzido via retweet.

c)

ESCOLHER QUEM SEGUIR

– O próprio facto de que no Twitter se pode escolher quem seguir, e as

conexões entre os atores não serem necessariamente recíprocas, contribui para que determinados indivíduos acabem por exercer o papel de filtro de informações jornalísticas para suas redes sociais – alguns, por conta da relevância do conteúdo compartilhado – podem vir a atrair um maior número de seguidores, vindo a ocupar posições mais centrais na rede. O carácter jornalístico dessa escolha dá-se na medida em que se procura seguir indivíduos que forneçam informações relevantes para o seguidor.

d) HASHTAGS – O emprego de tags para organizar a informação pode tanto servir para quem compartilha uma informação que considera relevante ao ponto de ser, posteriormente, recuperada (através de uma busca pela tag) ou ainda para aqueles que procuram determinadas informações, e podem depender de outros que já tenham marcado suas informações com aquela mesma tag. O carácter jornalístico estará no conteúdo da informação que contém a hashtag. As informações podem ainda ser encontradas directamente pela procura através de palavra-chave.

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e) SISTEMA DE

– A possibilidade de pesquisa em tempo real também é uma ferramenta que pode ser usada como estratégia para filtrar informações jornalísticas no Twitter. O carácter BUSCA EM TEMPO REAL

jornalístico está no tipo de informação que pode ser encontrada na procura em tempo real no sistema, bem como pela possibilidade de se saber o que está a ser dito num determinado momento sobre um determinado assunto.

f)

– Também é possível que cidadãos comuns utilizem a ferramenta para reportar acontecimentos originais os quais tenham tomado parte ou presenciado. Nesse caso, o carácter jornalístico da informação fica mais evidente, manifestando-se na forma de uma produção colaborativa de notícias. Esses conteúdos podem ainda ser retwitados. O carácter jornalístico está na produção colaborativa do conteúdo. REPORTAR ACONTECIMENTOS ORIGINAIS

OPINIÃO JORNALÍSTICA NOS SOCIAL MEDIA “Na minha opinião, um jornalista não deve ter outra militância que não seja a informação. Aceito obviamente opiniões contrárias, mas entendo que ser militante de um partido é incompatível com a prática de jornalismo político, como ser sócio de um clube de futebol deveria ser incompatível com o jornalismo desportivo. “ (PAULO PINTO MASCARENHAS)

Será o jornalista livre de expressar o que pensa, revelar a sua opinião pessoal, revelar partidos sem que isso comprometa a sua vida profissional? Será o jornalista livre de expressar o que sente numa rede social? Terá apenas que divulgar a informação "nua e crua", sem direito a opinião já fora da "zona de conforto" profissional?

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Estas são questões às quais não se obtém uma resposta uniforme. Considerando que os jornalistas representam empresas, foram já várias as organizações dos media que elaboraram recomendações a seguir no que diz respeito à utilização deste meio. Um caso português é o da RTP. José Alberto Carvalho, Director de Informação da estação pública, até Fevereiro de 2011, justificou a criação de um conjunto de medidas aplicadas à divulgação de opinião jornalística dos selfmedia. Alguns jornalistas utilizavam esta plataforma de uma forma que colidia com o seu desempenho profissional e com os deveres públicos da RTP 2. O responsável, reconheceu ter-se inspirado em outros meios de comunicação que, também em 2009, adoptaram normas relativamente a estas práticas (como é o caso do jornal The Washington Posto, Âgência Reuteurs, BBC , entre outros). Num conjunto de nove regras, aborda questões relacionadas com a imparcialidade dos jornalistas e com a credibilidade profissional.

EIS AS REGRAS APLICADAS:

1) Nada do que fazemos no Twitter, Facebook ou Blogues (seja em posts originais ou em comentários a posts de outrem) deve colocar em causa a imparcialidade que nos é devida reconhecida enquanto jornalista. 2) Os jornalistas da RTP devem abster-se de escrever, "twitar" ou "postar" qualquer elemento - incluindo vídeos, fotos ou som que possa ser entendido como demonstrando preconceito político, racista, sexual, religioso ou outro. Essa percepção pode diminuir a nossa credibilidade jornalística. Devem igualmente abster-se de qualquer comportamento que possa ser entendido como antiético, não-profissional ou que, por alguma razão, levante interrogações sobre a credibilidade e seriedade do seu trabalho. 3) Ter em conta que aquilo que cada jornalista escreve, ou os grupos e "amigos" a que se associa, podem ser utilizados para beliscar a sua credibilidade profissional. Seguindo a recomendação do "NY Times", por exemplo, os jornalistas - deverão deixar em branco a secção de perfil de Facebook ou outros equivalentes, sobre as preferências políticas dos utilizadores. 4) Uma regra base deve ser "Nunca escrever nada online que não possa dizer numa peça da RTP". 5) Ter particular atenção aos "amigos" friends do Facebook e ponderar que também através deste dado, se pode inferir sobre a imparcialidade ou não de um jornalista sobre determinadas áreas. 6) Enunciar, de forma clara, no Facebook e/ou nos blogues pessoais que as opiniões expressas são de natureza estritamente pessoal e não representam nem comprometem a RTP. 7) Meditar sobre o facto 140 caracteres de um twit poderem ser entendidos de forma mais deficiente (e geralmente é isso que acontece!) do que um texto de várias páginas, o que dificulta a exacta explicação daquilo que cada um pretende verdadeiramente dizer. 20


8) Não publicar no Twitter ou em qualquer plataforma electrónica documentos ou factos que possam indicar tratamento preferencial por parte de alguma fonte ou indiciem posição discriminatória sobre alguém ou alguma entidade. 9) Ter presente que todos os dados eventualmente relevantes para fins jornalísticos devem ser colocados à consideração da estrutura editorial da RTP, empresa de media para a qual trabalham.

José Alberto Carvalho considerava que, pela responsabilidade que tem em sociedade “um jornalista nunca é um mero cidadão”. Não relacionada apenas com a auto-regulação, refere que “o problema aqui é de cariz

tecnológico: é a falsa sensação de liberdade absoluta que estes novos meios proporcionam. Pode parecer que não se está tão exposto, mas isso é ilusório, pois quem escreve num blogue está a divulgar a sua opinião a um público indistinto e que não controla. Tal como num jornal.”

Algumas regras aplicadas pela Agência Reuteurs aos seus jornalistas constam aspectos como não dar notícias em primeira mão através do Twitter, não utilizar a Wikipédia como fonte, não revelar filiações políticas nas redes sociais ou blogues pessoais, entre outras. O Twitter, só poderá ser utilizado profissionalmente após autorização superior. O jornal The Wahington Post, proibe tweets assim como a publicação de fotografias ou vídeos onde possam ser observadas tendências políticas, religiosas, racistas ou outras que de algum modo possam colocar em causa a independência e a credibilidade jornalística. Ainda no Twitter, os jornalistas foram recomendados a não responderem a críticas.

”As perspectivas políticas e pessoais são muitas vezes assumidas nas perguntas que se fazem numa entrevista ou na forma como se descreve um acontecimento, é uma questão baseada no mito da imparcialidade. Os jornalistas são as pessoas com mais opiniões à face da Terra, e ainda bem, porque têm que reflectir sobre a quantidade de informação a que têm acesso e são acima de tudo humanos, contrariamente ao que muitos pensam. Têm é que ter mais cuidado na forma como expressam as suas opiniões em público já que lhes pode causar dificuldades ou desconfiança por parte das instituições com que tem que lidar e do seu público.” (ALEXANDRE GAMELA)

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Alguns jornais parecem, apesar das normas impostas, incentivar a utilização dos selfmedia como forma de interacção com os seus leitores. Em todas as regras o que pode não ficar claro está relacionado com o limite que separa a vida pessoal da profissional, ou antes, a dificuldade crescente em separar a espera privada da pública. Quanto às regras promovidas pelos vários meios de comunicação podemos constatar que umas são mais restritivas que outras. Esta restrição pode implicar a perda de muitas oportunidades. Contudo, podemos reconhecer a importância de recomendações que lembram questões como a confirmação, o rigor, a exactidão, a imparcialidade e a credibilidade.

“O jornalista é livre de expressar o que pensa, mas há uma regra que ultrapassa tecnologias ou plataformas: o bom senso. O jornalista tem obrigações e deveres que as pessoas em geral não têm, em primeiro lugar com os leitores do jornal em que trabalha. Mas também com a sua entidade patronal, uma vez que o Twitter é uma plataforma de comunicação social - e não deve ser utilizada anarquicamente.” (PAULO PINTO MASCARENHAS)

“O que defendo é que os jornalistas têm que saber definir quando é que falam em nome próprio ou em nome da publicação, sem se desvirtuarem como indivíduos e cidadãos, e que saibam e estejam dispostos a arcar com as consequências disso, porque se começam logo por ter medo de mostrar a sua opinião pessoal ou não a sabem demonstrar convenientemente não servem para uma profissão que do ponto de vista pessoal e de princípios é muito desgastante e exigente. E como disse antes, todos os jornalistas têm opiniões, se dizem o contrário é porque estão a mentir, e mentir não se coaduna com o objectivo da profissão, por mais que isso aconteça. (ALEXANDRE GAMELA)

“Como em todas as profissões, existem bons e maus jornalistas, mas o importante é manter as boas práticas e a credibilidade” (PEDRO TEICHGRÄBER)

“O jornalista é livre de publicar opiniões pessoais numa rede social mas deve ter cuidado com a sua reputação (…) deve cuidar de que as suas opiniões não prejudiquem a sua relação com o jornal/TV onde trabalhe. E respeitar eventuais regras” (PAULO QUERIDO)

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“Sou 100% a favor do direito dos jornalistas à opinião pessoal e do direito à sua expressão e conhecimento público. É parte da democracia.” (CARLOS VARGAS)

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IBLIOGRAFIA

GRADIM, ANABELA; MANUAL DE JORNALISMO, COLECÇÕES ESTUDOS EM COMUNICAÇÃO, COVILHÃ, UNIVERSIDADE DA BEIRA INTERIOR, 2000; TRAQUINA, NELSON; JORNALISMO, LISBOA, QUIMERA EDITORES, 2002; DOCUMENTO: DESAFIOS PARA A CREDIBILIDADE JORNALÍSTICA: O USO DO TWITTER NOS CONFLITOS DO EGIPTO; CARVALHO, GYL DAYANNA & TAVARES, OLGA; DOCUMENTO: PRODUÇÃO E CONSUMO DE NOTICIA: O TWITTER ENQUANTO FERRAMENTA JORNALÍSTICA: CARVALHO, DIEGO & GARCIA, RAPHAEL TSAVKKO; REVISTA ÉPOCA: 16 MARÇO 2009 – ARTIGO: “VOCÊ JÁ USOU O TWITTER?”; LIVRO BLOGS.COM; ESTUDO SOBRE BLOGS E COMUNICAÇÃO AMARAL, ADRIANA & RECUERO, RAQUEL & MONTARDO, SANDRA CIDADANIA DIGITAL; LABCOM 2010; MORGADO, ISABEL SALEMA & ROSAS, ANTÓNIO; OLHARES DA REDE; MOMENTO EDITORIAL 2009; BRANCO, CLÁUDIA CATSTELO & MACHADO, MURILO & OFUGI, FABRÍCIO & DE ALMEIDA, RODRIGO FONSECA & MATSUZAKI, LUCIANO; DOCUMENTO: O TWITTER COMO FONTE PARA O JORNALISMO; ZAGO, GABRIELA DA SILVA; DOCUMENTO: RECIRCULAÇÃO JORNALÍSTICA NO TWITTER; ZAGO, GABRIELA DA SILVA DOCUMENTO: PROCESSO DE COLABORAÇÃO NO TWITTER E OS NOVOS PADRÕES DE INTERACTIVIDADE DA WEB; SANTOS, DENISE CRISTINA SILVA; DOCUMENTO: APROPRIAÇÕES JORNALÍSTICAS DO TWITTER, A CRIAÇÃO DE MASHUPS; ZAGO, GABRIELA DA SILVA; DOCUMENTO: UM ELO DE 140 TOQUES ENTRE O PÚBLICO E O JORNALÍSTA; PADILHA GOIS, LUCAS & MASTELLA DA SILVA, VERONICA.

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