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SALVADOR

SALVADOR DOMINGO 6/1/2013

REGIÃO METROPOLITANA

Joá Souza / Ag. A TARDE / 7.12.2012

OBESIDADE Limite para intervenção bariátrica no SUS cai de 18 para 16 anos

Redução de idade para cirurgia gera discussão CAMILLA FRANÇA E MARIA GARCIA

A decisão do Ministério da Saúde, que determinou a redução da idade mínima para a realização de cirurgia bariátrica de 18 para 16 anos, por meio do Sistema Único de Saúde (SUS), retomou a discussão sobre a idade, a necessidade e consequências desta intervenção cirúrgica. A determinação entra em vigor neste ano. O Ministério da Saúde explica que a iniciativa foi tomada a partir de estudos que indicam uma perspectiva crescente da obesidade entre os adolescentes, como a Pesquisa de Orçamento Familiar de 2009 (POF). Na faixa etária de 10 a 19 anos, 21,7% dos pesquisados apresentaram excesso de peso. A endocrinologista Cecília Bourbuat acredita que o tratamento precoce da obesidade pode amenizar problemas correlatos, como as doenças cardiovasculares. A indicação da cirurgia para adolescente segue as mesmas orientações para adultos. Antes do procedimento, o paciente entre 16 e 65 anos deve passar por avaliação clínica e cirúrgica e ser acompanhado por uma equipe multidisciplinar por cerca de dois anos. "Esta fase pede bem atenção, pois o paciente é submetido à dieta, exercícios físicos. além do acompanhamento psicológico", acrescenta Cecília. Além disso, o candidato de-

ve apresentar quadro de obesidade mórbida com risco de morte ou índice de massa corporal superior a 40, além de sofrer de patologias como hipertensão e diabetes. O cadastro inicial é feito em uma unidade municipal de saúde onde o paciente preenche um formulário de solicitação do serviço e é encaminhado Centro de Endocrinologia da Bahia (Cedeba), segundo a diretora do Núcleo de Obesidade da instituição, Teresa Arruti. Já no Cedeba, o candidato passa por uma avaliação e, se for comprovada a necessidade, passa para a fase de consulta em hospital habilitado. O Cedeba também é responsável pelo acompanhamento da equipe multidisciplinar. "A indicação é para os casos de obesidade que não responderam a outros tipos de tratamento, além de ser necessário um acompanhamento psicológico antes e depois da cirurgia", explica a endocrinologista Cecília.

Números

Na Bahia, foram realizadas 107 intervenções em 2010 e 128 em 2011. Entre 2007 e 2011, o Cedeba encaminhou 669 pacientes para cirurgia. Em 2010, aos 16 anos, a estudante Bianca Mattos conseguiu permissão judicial para realizar o procedimento. Na época, a mesma pesava 150 kg, resultado de uma obesidade que lhe acompanhou

Os pacientes devem passar por avaliação clínica e cirúrgica, além de acompanhamento por equipe multidisciplinar

“A indicação é para os casos de obesidade que não responderam a outros tipos de tratamento” CECÍLIA BOURBUAT, médica endocrinologista

Novas regras incluem pacote com cinco exames para o pré-operatório A idade não é a única novidade do decreto, que inseriu um pacote com cinco exames para o período pré-operatório, entre eles a ecocardiografia transtorácica, a ultrassonografia de abdome total, além da prova de função pulmonar completa com broncodilatador. O Ministério da Saúde também divulgou acréscimo de 22% nos investimentos de combate a obesidade, além de disponibilizar a cirurgia de correção na área dorsal. Antes o paciente só tinha direito a correção do abdômen.

"A inclusão deste benefício altera todo o processo. Se fosse agora, até me sentiria mais confiante ", comenta Lusa Bittencourt, contemplada com a cirurgia em 2008. Hoje com 72 kg, na época ela pesava 125 kg e não teve direito a cirurgia plástica pelo SUS. A técnica usada para o procedimento também deverá ser alterada a partir deste ano. Hoje em dia, o SUS permite a aplicação de três metodologias de cirurgia bariátrica, conhecidas como gastroplastia com derivação intestinal, gastrectomia com ou sem desvio

duodenal e gastroplastia vertical em banda. Esta última sofre críticas, por apresentar um número relevante de pacientes, que apesar de operados, voltam a engordar. A expectativa é que a nova técnica, chamada de gastroplastia vertical em manga, apresente melhores resultados. Segundo informações da diretora do Núcleo de Obesidade do Cedeba, Teresa Arruti, nenhum paciente, entre 16 a 18 anos, foi encaminhado para a realização da cirurgia desde o ano passado.

“Não pode fazer a cirurgia em um paciente sem maturidade psicológica, principalmente no caso de adolescentes” TERESA ARRUTI, do Cedeba

desde a infância. “Sempre fui gorda. Tentei dietas, mas não resolveu”, afirma. Ela ainda acrescenta que a cirurgia foi válida. “Minha vida é outra. Agora saio, curto, tenho amigos e me sinto melhor e feliz”, afirma Bianca, hoje com 18 anos de idade. No entanto, a diretora do Cedeba pondera que a estrutura psicológica e corporal devem ser consideradas. "Não pode fazer a cirurgia em um paciente sem maturidade psicológica, principalmente no caso de adolescentes. É im-

portante, também, analisar se a estrutura corporal da pessoa está preparada".

Riscos

O cirurgião Marcos Leão aponta menor risco em submeter adolescentes à cirurgia bariátrica. "Existem menos impactos das doenças relacionadas à obesidade, o que reduz o risco quando comparado ao adulto. Além da distribuição da gordura diferenciada. O adulto acumula gordura visceral, o que atrapalha mais a cirurgia", informa.

Carlos Casaes /Ag A TARDE/ 3.3.2005

Além da intervenção, foi disponibilizada a correção na área dorsal aos pacientes

Teresa Arruti é diretora do Núcleo de Obesidade do Cedeba

Cirurgião aponta menor risco em submeter adolescentes à cirurgia

Redução de idade para cirurgia gera discussão  
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