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O Profeta Florianópolis, 28 de junho de 2016 - Edição 1 - Ano 1

O Profeta

Curso de Jornalismo da UFSC Atividade da disciplina Edição Professor: Ricardo Barreto Edição, textos, planejamento e editoração eletrônica: Maria Fernanda Somenzi Salinet Serviços editoriais: Jornalismo, crítica e ética; A rotativa parou! Impressão: Post Mix Junho de 2016 1-A

Memórias do criador do Última Hora são cruciais para entender o século XX

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agitada trajetória do jornalista Samuel Wainer tem como pano de fundo as nuances do poder. Ele conta em suas memórias como um pobre menino judeu, do Bom Retiro, o velho bairro de São Paulo, alcançou o prestígio e admiração por meio de um jornalismo popular. Rodeado por grandes empresários, aristocratas da sociedade brasileira e, principalmente, por presidentes da República, influenciou na tomada de decisões do país e teve acesso à informação de uma forma que poucos jornalistas conseguiram. Ao longo de 1980, Wainer relata sua história aos jornalistas Sérgio de Souza e Marta Góes. Divididos em três etapas, os depoimentos somam 53 fitas gravadas. Organizado e editado por Augusto Nunes, o livro é lançado em 1987, sete anos após a morte do “Profeta”, maneira carinhosa pela qual Getúlio Vargas referia-se a Wainer. Em 282 páginas, o leitor é convidado a vivenciar eventos pela ótica de Wainer, não somente como testemunha, mas como protagonista da História. De repórter dos Diários Associados, cadeia de jornais do ambicioso Assis Chateubriand, a criador do revolucionário Última Hora, Wainer fez um jornalismo para o povo, que defendia o país das privatizações e ameaçava os “barões da imprensa” brasilei-

Lançamento sem grandes novidades

ra. Esses barões, hostis a Vargas, perceberam um ousado jornalista que, em suas publicações, além de apoiar e defender o presidente, arrebatava leitores e conquistava anunciantes. “O tempo das ironias passara; agora eles me temiam”, constata Wainer, ainda sentindo-se um “hóspede tolerado” entre os donos de jornais, em 1951. Havia a suspeita de que ele obtivera favores oficiais para a formulação do UH, por isso não é de se surpreender a campanha contra ele e contra Getúlio Vargas, formulada pelos grandes donos de jornais e pelo maior inimigo do “Profeta”, o jornalista Carlos Lacerda. Apesar de não ter contado com favorecimento ilegal para criar o Última Hora, foi instaurada uma CPI que investigou o emprésti-

mo concedido pelo presidente do Banco do Brasil, Ricardo Jafet, ao jornal. Outra questão foi a sua verdeira nacionalidade. No relançamento da obra, em 2006, pela editora Planeta, a promessa de uma grande revelação decepionou. Depois da morte de Wainer, a origem bessarabiana voltou à tona, e o que a editora tratara como novidade, há muito já não era segredo para ninguém. Wainer assegurou em suas memórias que deve sua projeção histórica a três fatos, entre eles a entrevista com Vargas, em que o político declara que voltaria ao poder como líder de massas. Sem dúvida, o relacionamento entre eles foi o que orientou a carreira e a vida do jornalista. Além disso, também fica evidente que a consideração e a amizade que Wainer cultivara com Vargas não eram correspondidas do mesmo jeito. Mas o jornalista parecia não se importar, seja pela sua vaidade por estar próximo aos donos do poder, seja pela profunda admiração que sentia pelo líder gaúcho. Eles eram amigos, mas mantinham somente uma amizade que o jogo de interesses permitia. “O antigo ditator nunca teve amigos nem inimigos. Vargas era um animal político, destituído de emotividade.” Samuel Wainer sabia em quem estava depositando sua confiança. O suicídio de Getúlio Vargas em agosto de 1954 foi um forte

golpe ao Última Hora e ao Profeta. Em outubro de 1955, Wainer é preso pelo crime de falsidade ideológica e condenado a um ano de prisão. Contudo, em novembro do mesmo ano, é julgado um recurso a seu favor. Aos olhos do país, o Supremo Tribunal Federal entendera que o judeu do Bom Retiro era brasileiro. Com o Golpe de 1964 e o exílio de Wainer, a cadeia de jornais Última Hora mostrou-se preparada para suportar a tormenta apenas em alguns estados e por pouco tempo. O Última Hora de Pernambuco, por exemplo, fora fechado logo no primeiro dia da ditadura militar. Ao longo dos quatro anos em que passou exilado, Wainer recebeu algumas propostas para a compra da poderosa marca UH. Mas em 1968 entendeu que chegara o momento de retornar ao que restava da obra de sua vida. Àquela altura faltava tudo para o pleno funcionamento de qualquer publicação. Então, decidiu que o Última Hora carioca deveria não ter um final tão melancólico quanto os outros jornais. Por isso, o livro termina exatamente no dia da venda do UH, oito anos antes de sua morte. Samuel Wainer “fez horrores para conseguir anúncios, vendeu sua alma ao diabo, corrompeu-se até a medula”, tudo em razão de seu jornal. Sua lealdade era ao personagem que mais prendeu sua atenção. Ele foi sua razão de viver..

Os grandes jornais ignoram a ética em suas coberturas. Como fizeram com Vargas, silenciam Dilma Rousseff

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o dia em que Getúlio Vargas iniciou sua campanha à presidência, Samuel Wainer o alertara: “A imprensa pode não ajudar a ganhar, mas ajuda a perder”. A mídia atacou brutalmente Vargas ao longo da campanha e endureceu as críticas depois de sua vitória nas urnas. Como naquele período, o discurso das classes dirigentes também reflete-se hoje nas coberturas jornalísticas. “Apurar e publicar a verdade dos fatos de interesse público, não admitindo que sobre eles prevaleçam quaisquer interesses”, é o que garante o código de ética da Associação Nacional de Jornais. Dito isso, não está sendo levantada a utópica imparcialidade, mas a busca pela mínima isenção na apresentação dos fatos. São muitos os episódios que podem servir para analisar a decadência ética em que se encontram algumas publicações. Desde que a presidente Dilma Rousseff, atualmente afastada do cargo, assumiu seu segundo mandato em 2014, a oposição tentou derrubá-la a todo custo, inclusive apontando a possibilidade das eleições terem sido fraudadas. Nos últimos meses, a postura dos grandes jornais e emissoras de televisão foi de apóio à saída da presidente do poder. No início de março deste ano, a revista Isto É publicou uma matéria com o vazamento de trechos da delação premiada do senador Delcídio Amaral, em que ressalta o envolvimento do ex-presidente Lula e a presidente Dilma em fatos investigados na Operação Lava-Jato. A revista saiu um dia antes do habitual, na quinta-feira. Na mesma noite, o Jornal Nacional da Rede Globo divulgou uma reportagem de 40 minutos sobre a delação premiada. O telejornal que tem em média 30 minutos durou mais de 1h20, em que usou metade do tempo para enfatizar a suspeita sobre Lula

e Dilma. No dia 16 de março, o JN também fez uma edição especial, quando foram divulgadas as interceptações telefônicas de Lula e Dilma. Os apresentadores William Bonner e Renata Vasconcellos dedicaram um bloco inteiro para a teatral leitura dos áudios vazados. Após o afastamento de Dilma, aprovado pelo Senado no dia 12 de maio, a imprensa não tem sido tão dura com seu vice, o presidente interino Michel Temer. Sob Temer pairam as mesmas acusações de “pedaladas fiscais”, a prática dos governantes de atrasar pagamentos, que fizeram a presidente ser afastada. Mas ao contrário de Dilma, ele é citado como beneficiário nos escândalos de corrupção investigados na Lava-Jato. Para o historiador Marco Napolitano, professor da USP, em entrevista ao portal RFI, a imprensa tem extrapolado sua função e, em muitas vezes desde o início da atual crise política, tornou-se partidária. “O impeachment é um instrumento legítimo e já foi u t i l i z a d o no passado para tirar um governo eleito. Para isso, é preciso ter um crime comprovado, mas as investigações ainda não se esgotaram. A imprensa conservadora condenou o governo muito antes da justiça.” Vargas conseguiu quebrar o silêncio na imprensa com a criação do Última Hora. Ao menos hoje a mídia independente tem a internet para noticiar o que os grandes querem esconder.

Sistema do arquivo do Estado de São Paulo (Saesp)

O jornalista que influenciou presidentes

Wainer esteve detido na PM do Rio

Wainer pode não ter nascido no Brasil, mas era brasileiro  “A verdade é que sempre fui um aventureiro, e um aventureiro é por definição um otimista.” Samuel Wainer foi um homem de muitas aventuras. A maior delas foi se atrever a criar um jornal para o povo, em meio a uma imprensa que servia aos seus próprios interesses. Ele era de uma família de imigrantes da Bessarábia, território pertencente à URSS. Da mãe, dona Dora, herdou a vocação para liderança. A matriarca fazia da casa dos Wainer um ponto de encontro de imigrantes. O pequeno Samuel cresceu em meio à alegria de um lugar movimentato, com seus pais e mais oito irmãos. Aos 16 anos foi morar no Rio de Janeiro. Ali descobriu que era um jornalista. Mesmo aficcionado por livros, não escrevia tão bem, muito pela dificuldade com o idioma. Em 1933, em franca expansão do nazismo, foi colunista do Diário de Notícias, expondo pontos de vista da colônia israelita. A coragem sempre foi a maior de suas qualidades. Editor da revista Diretrizes, sofreu com a censura imposta pelo Estado Novo. Foi correspondente de guerra para a mesma publicação e o único jornalista brasileiro a cobrir o maior acerto de contas entre a comunidade judaica e os criminosos nazistas, o julgamento em Nuremberg. Em 1949, entrevistou Getúlio Vargas e, a partir dessa amizade, surgiu o Última Hora. Um jornal para apoiar segundo mandato do gaúcho e para proteger os interesses do Brasil. Nacionalista e getulista, o UH foi um enorme sucesso de público. Sua origem bessarabiana quase o fez perder o controle do jornal, mas nunca um estrangeiro defendeu tão bem o Brasil. Casado com Danuza Leão, teve três filhos. Em suas memórias, fala pouco de sua família e muito menos das mulheres com quem se envolveu. O jornalismo parece ter consumido grande parte de sua vida.

“Eu sabia que fundar um jornal fora dos grupos oligárquicos que controlavam a imprensa significava desafiar um poder desumano, absolutista”


O Profeta

O Profeta

Curso de Jornalismo da UFSC Atividade da disciplina Edição Professor: Ricardo Barreto Edição, textos, planejamento e editoração eletrônica: Maria Fernanda Somenzi Salinet Serviços editoriais: Jornalismo, crítica e ética; A rotativa parou! Impressão: Post Mix Junho de 2016 2-A

O revolucionário Última Hora nasceu para apoiar o novo governo de Getúlio Vargas. Favorável, mas ainda crítico ao governo, o jornal foi criado quando o presidente percebeu o que iria enfrentar politicamente caso permitisse que a imprensa o silenciasse. Em 1951, a pergunta de Varg a Samuel Wainer “por zque tu não fazes um jornal?” abriu as portas da grande aventura de sua vida. O presidente não se envolveu diretamente no desenvolvimento do diário, mas sua influência determinou a captação dos recursos necessários. Uma publicação de tendência trabalhista, que deveria representar a comunicação direta entre Vargas e a classe proletária. Esperavase um veículo jornalístico que falasse das necessidades do povo e estivesse aberto às aflições do dia-a-dia. O UH cumpriu seu propósito. As seções criadas pela equipe do jornal aproximavam os leitores. A vida como ela é... trouxe à página policial o brilhantismo de Nelson Rodrigues ao grande público. O dia do presidente trazia as notícias feitas pelo repórter Luís Costa, plantonista no Palácio do Catete, em contato

direto com o presidente. Wainer inovara em tudo, principalmente no salário pago à sua equipe. Ao contrário dos outros jornais, ele remunerava muito bem seus funcionários. O núcleo da equipe era formado por Octávio Malta, João Etcheverry, o chargista Augusto Rodrigues e o diagramador Andrés Guevara. Na apresentação gráfica, o jornal inovou em reabilitar a cor azul expressa em seu logotipo. Ele imitava letras manuscritas, passando a sensação de agilidade, que era o espírito de uma publicação dinâmica, escrita às pressas, em cima dos fatos, à última hora. Nos anos 60, o jornal estava presente em sete cidades: Rio, São Paulo, Curitiba, Porto Alegre, Niterói, Belo Horizonte e Recife. Com JK, Wainer descobriu a figura do empreiteiro . Com Jango, o jornalista viveu seu auge. Mas o golpe de 64 destruiu o vigor do UH. Em 1965, exilado, Wainer vende a versão paulista a Otávio Frias de Oliveira, para a alegria dos industriais de São Paulo. Em 1968 com o AI 5 em vigor, a sobrevivência do jornal fica insustentável. Por isso, o UH é vendido em 21 de abril de 1972.

Justiça absolve Wainer e jornalista reassume diário A ideia da constituição de uma Comissão Parlamentar de Inquérito partiu do próprio Samuel Wainer, durante uma viagem de carro entre São Paulo e o Rio, com Maurício Goulart. No início de 1953, a campanha comandada por Carlos Lacerda contra o dono do Última Hora estava intensa, foi quando ocorreu a Wainer a possibilidade de uma CPI. Ao pensar que o governo tinha maioria no Legislativo, concluiu que poderia neutralizar as armadilhas feitas pela oposição udenista. Quando as investigações fossem concluídas, que certamente indicariam a absolvição do Última Hora, seria difícil Lacerda continuar sua perseguição. Maurício concordou com o jornalista. Wainer admitiu ter sido esse seu grande erro. A maioria governista no Congresso era, na verdade, ilusória; muitos deputados não hesitariam em trair o presidente. Além disso, faltava mesmo aos parlamentares getulistas simpatia por Wainer. Ainda pior, quando o jornalista propôs a formação da CPI, o “Corvo”, apelido dado a Lacerda por Wainer, estava perdendo força. Faltou a Wainer

e a Getúlio Vargas a percepcção do cenário perigoso que se formava. Por isso, o presidente aprovou a ideia de imeditato. A CPI tinha como objetivo investigar os empréstimos que foram concedidos para a criação do UH e provar que Wainer, de origem judaica, não era brasileiro. Com isso, o “Profeta” seria impedido de dirigir o jornal, atividade proibida por lei a qualquer estrangeiro. Na verdade, o alvo principal da ofensiva era o presidente, mas a presença de Wainer entre os influentes do Catete intensificava os ataques. Em 1955, o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro condenou o jornalista pelo crime de falsidade ideológica. A pena seria de um ano de prisão. O “Profeta” estava em São Paulo quando soube o veredito. Decidiu imediatamente voltar ao Rio, para não dar a impressão de que pretendesse fugir. Mas em novembro daquele ano, preso no hospital militar, foi absolvido pelo STF. Os ministros apenas entenderam que não existiu a intenção de praticar crime algum. Na manhã seguinte, Wainer reassumiu seu lugar na redação.

Autor revela que escondeu de Pinky Wainer páginas escritas por seu pai Us dolorporro voluptiae Augusto Nunes acredita que none cone Samuelpligent Wainer quae não teria latur? Quibus natibus adis publicado suas memórias da eumquae derovid moluptis forma como ele as editou no ea dolo est, razão con consequo livro Minha de viver

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ara ele, mesmo em tempos de crise no jornalismo, sempre há espaço para bons profissionais. Aos 67 anos, 45 de profissão, Augusto Nunes acredita que a necessidade de “gente que saiba publicar uma informação em um texto bem escrito” permanece. Em 1971, iniciou sua carreira como revisor dos Diários Associados, do magnata da mídia Assis Chateaubriand, rival de Samuel Wainer. Foi redator-chefe da revista Veja e diretor das revistas Época e Forbes, além dos jornais O Estado de S. Paulo, Jornal do Brasil e Zero Hora, de Porto Alegre. Atualmente é colunista de Veja.com, em que opina sobre política e critica fortemente o Partido dos Trabalhadores. Também é mediador do programa Roda Viva, da TV Cultura. Em 1998, ele publicou as memórias de Samuel Wainer, com o título “Minha razão de vi- sf ver - memórias de um repórter”. fsf

O Profeta: Como as memórias do

Samuel Wainer chegaram até você?

Augusto Nunes: Eu sempre fui muito amigo da Pinky, filha do Samuel. Um dia ela me disse que o pai tinha concedido entrevistas a dois jornalistas, pouco tempo antes de morrer. Ela pediu que eu indicasse alguém para editar esse material, então eu dei uma olhada. Era uma bomba! Um material espetacular. Nas entrevistas ele estava em uma trip interior, ele viajava. Na verdade, o Samuel estava falando para si mesmo e, seguramente, ele reescreveria aquilo. Era um copião, não eram as memórias que ele publicaria. Foi franco demais, contou tudo. Disse para Pinky que se fosse sobre o meu pai, eu não publicaria; mas se ela estivesse disposta, eu escreveria. Ela aceitou. Por que ela fez isso? Não tem experiência com jornalismo, não sabe a diferença entre um copião e um texto final. Isso eu escondi da Pinky: no meio dessas páginas achei duas folhas datilografadas pelo Samuel, em um tom completamente diferente do que o livro teve. Começava mais ou menos assim “duas pessoas balizaram a minha vida: Getúlio Vargas e Carlos Lacerda”. Era meio chato. A partir dali comecei a escrever o livro durante dois anos.

O Profeta:

Depois você contou para Pinky que viu isso?

Augusto Nunes: Sobre aquelas duas laudas? Não, ela vai saber pelo teu trabalho. Quando o livro

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foi lançado, teve uma matéria na revista Playboy, em que eu dei destaque para a história dos empreiteiros no coração do poder em Brasília. Ela ficou brava, disse que eu havia tratado o pai como um gângster. Mas eu disse a ela que o pai dela era um gângster, simpaticíssimo, mas um gângster. O Samuel dizia que o dinheiro não era para ele, mas para o jornal. De fato, ele morreu pobre.

Veja

“Por que não fazes um jornal?”

Florianópolis, 28 de junho de 2016 - Edição 1 - Ano 1

O Profeta:

O que você pensa do jornalista e homem Samuel Wainer?

Augusto Nunes: A melhor Jornalista é vencedor de quatro Prêmios Esso reportagem do Samuel foi a vida dele, porque ele tinha dele era maravilhosa, ele juntou tudo para não dar certo, pelas craques. Rubem Braga, Nelson Roorigens. Foi o jornalista que teve drigues, João Saldanha, Tarso de a relação mais íntima com um Castro, Paulo Francis, esses caras presidente da república. A rela- sabiam fazer um jornal popular ção dele com Getúlio nunca se entendido por qualquer leitor. repetiu. Ele não era um jornalista Ele também mostrou como fazer brilhante, era um chefe de jornal funcionar uma cadeia de jornais brilhante. O próprio Samuel di- editadas em várias capitais, zia que não escrevia com brilho; com uma logística muito ruim não era como Carlos Lacerda ou e infraestrutura precária. Não a turma que trabalhava com ele. tínhamos internet, nada disso e Ele nasceu para ser um fazedor o cara consegue fazer isso tudo? de jornal e de revista. Além disso, tinha uma sorte maravilhosa, O Profeta: O que o você acha da sempre estava no lugar certo, na relação do Wainer com o Vargas, hora certa. Samuel estava pre- de lealdade e dedicação? sente no julgamento em Nurem- Augusto Nunes: É o tipo de reberg, na fazenda do Getúlio no lação que eu condeno, íntima dia em que ele estava disposto demais, eu acho que deforma o a falar, essas coisas acontecem. trabalho jornalístico porque eles amigos. Eu começo o livro O Profeta: Você acha que o eram com uma entrevista em que o Wainer tinha uma sede pelo poder Samuel escreve as perguntas e igual à vontade de ser um bom respostas. Ele é de uma época em jornalista? que os jornais eram órgãos partiAugusto Nunes: Ele adorava o dários e você publicava o que inpoder porque era sua vitória pes- teressava ao teu partido político soal. Um dos episódios presentes ou ao político que você apoiava. no livro que Isso é uma deformais me immação jornalística. pressionou foi quando O Profeta: ele troca os Você pensa que sapatos com hoje é diferente? o pai. De Augusto Nunes: repente, ele Claro, imagina é badalado quem é o jornalisem salões de ta que tem intimiParis, condade com a Dilma vive com como ele teve com celebridades Getúlio? Ninguém. internacionais. Foi um O Profeta: Mas vitorioso, o jornalismo que se gastou tudo, faz hoje ainda levanta muitas banmas ganhou muito dinheiro. Ele teve uma vida de cinema. deiras partidárias, certo? Augusto Nunes: Não há problema O Profeta: Qual a importância nenhum, você tem que ter opinião dele para o jornalismo brasileiro? num país como o Brasil. Qual é o Augusto Nunes: Importante foi problema em ter opinião? Eu, por a fundação do jornal popular. A exemplo, escrevo artigos para exÚltima Hora foi importantíssi- ternar a minha opinião, mas não ma. Foi o único jornal popular tenho ligação nenhuma com eles. que já existiu, o resto é popula- nem financeiro nem ideológico, resco, é bem diferente. A equipe diferente do Wainer com Getúlio.

A fundação da Última Hora foi importantíssima. Foi o único jornal popular que já existiu, o resto é popularesco, é bem diferente

“ ‘Alzira, diga ao Profeta que no Brasil não há divórcio’, dizia o bilhete, que chegara às mãos da minha amiga, junto ao livro que eu tentara devolver”

Jornal-mural - O Profeta  

Trabalho desenvolvido na disciplina Edição, do curso de Jornalismo da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), durante o primeiro seme...

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