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Paranormalcy 2 – Supernaturally

Traduzido por Grupo Shadows Secrets

Kiersten White

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Paranormalcy 2 – Supernaturally

Kiersten White

CRÉDITOS TRADUÇÃO: Grupo Shadows Secrets

REVISÃO Grupo Shadows Secrets e Traduções After Dark

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SINOPSE Evie finalmente tem a vida normal que sempre quis. Mas ela fica chocada ao descobrir que ser normal pode ser... meio entediante. Logo quando Evie começa a ansiar por seus dias na Agência Internacional de Contenção Paranormal, a ela é dada uma chance de trabalhar para eles novamente. Desesperada por um tempo longe de toda a normalidade, ela aceita. Mas à medida que uma missão desastrosa leva a outra, Evie começa a perguntar-se se ela tomou a decisão correta. E quando o ex-namorado faerie de Evie, Reth, aparece com revelações devastadoras sobre o passado dela, ela descobre que há uma batalha se formando entre as cortes faeries que poderia jogar todo o mundo paranormal em caos. O prêmio em questão? A própria Evie. Tanto esforço pela normalidade...

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INESPERADO Oh, merda. Eu iria morrer. Eu teria uma morte horrível, medonha e dolorosa. Minha mão estremeceu para o lado, alcançando o taser rosa que eu sabia que não estava lá. Por que diabos eu quis isso? O que eu estava pensando? Trabalhar na Agência Internacional de Contenção Paranormal podia parecer um trabalho escravo e, com certeza, eu tive algumas discussões desagradáveis com vampiros e bruxas e faeries extremamente arrepiantes, mas não era nada em comparação com o perigo que eu enfrentava agora. Garotas da ginástica. Estávamos jogando futebol... sem caneleiras. A garota que eu deveria cobrir (uma criatura tão corpulenta que eu poderia jurar que ela era um troll) avançava em minha direção, com vapor praticamente saindo de suas narinas. Eu esperei pelo impacto. E então fiquei maravilhada com o céu azul claro de outono. Nenhuma nuvem à vista. Mas por que eu estava olhando para o céu? Talvez isso esteja conectado com minha súbita incapacidade de respirar. Vamos lá, pulmões. Vamos. Eles tinham que começar a trabalhar no fim das contas, certo? Pontos brilhantes dançavam diante de meus olhos e eu já conseguia ver meu obituário: Tragédia Acontece Durante Jogo de Futebol. Que humilhante. Finalmente, um abençoado ar conseguiu infiltrar-se. Um rosto familiar, emoldurado por cabelos longos e escuros inclinou-se sobre mim. Minha única amiga normal, Carlee. “Você está bem?” Ela perguntou. “Green!” Alguém vociferou. Eu tinha quase certeza de que a Srta. Lynn tinha uma voz mais grossa do que a de meu namorado. ”Levante sua bunda e volte para jogo!” Ah, Green. Parecia um sobrenome tão bonito quando Lend falsificou meus documentos legais. No entanto, quanto mais a Srta. Lynn gritava menos eu gostava dele. “GREEN!” Carlee estendeu a mão e ajudou-me a levantar. “Tudo bem. Eu sou péssima no futebol, também.” Ela sorriu e saiu correndo. Ela definitivamente não era péssima no futebol.

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Não era justo. Ali estava eu, de pé como uma idiota em um campo lamacento, enquanto Lend estava longe na faculdade. Que desperdício de tempo. E quem sabe quanto tempo me restava, afinal? E se eu estivesse gastando os restos preciosos de minha alma no futebol? Talvez eu pudesse obter um atestado médico. Eu podia até imaginar: “Para quem possa interessar: Evie apresenta uma condição rara em que ela não tem alma o suficiente para viver uma vida normal. Portanto, ela deve ser imediatamente e permanentemente dispensada de todos os esforços físicos envolvendo transpiração e ser derrubada no chão.” Ridículo. Mas, novamente, talvez valesse a pena tentar. O pai de Lend tinha algumas conexões no hospital. Esquivei-me enquanto a bola passava zunindo por minha cabeça. Uma de minhas companheiras de equipe, uma ruiva depravada, praguejava enquanto corria. “Cabeceie, Green. Cabeceie.” Carlee parou. ”Apenas finja estar com cólica.” Ela piscou uma pálpebra carregada de rímel. Eu coloquei minhas mãos em minha barriga e arrastei-me até a Srta. Lynn que estava examinando o jogo como um general em guerra na linha pintada de branco na grama. Ela revirou os olhos. ”O que foi agora?” Esperando que meu rosto pálido fosse conveniente pela primeira vez, eu choraminguei. “Cólica. Demais.” Ela não acreditou e nós duas sabíamos disso, mas em vez de falar alguma coisa, ela revirou os olhos e apontou seu polegar em direção à margem. “Da próxima vez você joga como goleira.” Muito obrigado, Carlee. Brilhante ideia. Coloquei alguma distância entre nós e caí no chão, cutucando o capim ralo e escuro. Não era assim que o ensino médio deveria ser. Não me interpretem mal, eu sou super grata por estar aqui. Eu sempre quis ser normal, ir para uma escola normal, fazer coisas normais. Mas é tudo tão, tão... normal. Desde que as aulas começaram há um mês não houve uma única briga. Nenhuma festa selvagem onde os policiais foram chamados, e quanto a bailes de máscaras, encontros ao luar e beijos apaixonados nos corredores, bem, tudo o que eu posso dizer é que Easton Heights, minha

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antiga série de TV preferida, tomou uma grande crítica em minha avaliação. Eu ainda acho que armários são incríveis, no entanto. Eu mantive a mão em minha barriga pelas aparências. Deitar no chão era uma condição muito mais agradável quando feita voluntariamente. Observei um fiapo minúsculo de um fluxo de nuvens através do céu. Eu franzi as sobrancelhas. Era uma nuvem estranha. Toda solitária no céu que caso contrário estaria em branco. Havia mais alguma coisa sobre aquilo... Algo diferente. Aquilo foi um relâmpago? “Eu disse, você vai assistir a sua próxima aula?” Assustada, sentei-me e fiz uma careta para a Srta. Lynn. “Sim, com certeza, obrigada.” Corri para dentro. As coisas realmente deviam estar chatas se eu já estava à procura de alguma diversão nas nuvens. Eu passei minha próxima aula calculando o número exato de minutos que faltavam até o fim de semana, quando eu poderia ver Lend. A resposta: eram muitos. Mas desvendar tal coisa era mais interessante do que, digamos, prestar atenção na leitura de meu professor de Inglês sobre os papéis dos gêneros em Drácula e nem me faça começar a falar sobre esse livro. Bram Stoker não era um investigador preciso. Minha cabeça vagava em direção a uma inevitável colisão com a mesa quando a porta se abriu e uma assessora de gabinete veio com uma nota. “Evelyn Green?” Sacudi uma das mãos e ela balançou a cabeça. “Pode sair.” Eu animei-me. Eu nunca tinha sido tirada da escola antes. Quem sabe Arianna quisesse sair. Ela era esquisita e temperamental o suficiente para planejar algo assim. Então, novamente, nem tanto. Ela não sairia durante um dia assim claro, não com essa coisa de ser-uma-vampira. Meu estômago embrulhou. E se houvesse algo errado? E se Lend sofreu um acidente no campus, caiu inconsciente e ficou invisível? E se o governo pegou-o e ele está sendo enterrado em alguma instalação da AICP? Esforçando-me ao máximo para não correr, eu segui a assessora, uma pequena mulher com um surpreendente cabelo loiro natural.

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“Você sabe quem está aqui para me pegar?” “Sua tia, eu acho.” Bem, isso esclarece as coisas ou pelo menos esclareceria, se eu tivesse uma tia. Corri através da lista de mulheres, todas paranormais, que poderiam se passar por um parente. Não era uma longa lista e eu não conseguia pensar por que uma delas estaria aqui. Entrei no escritório. Uma mulher com sensíveis (leia-se: feios) sapatos e cabelos negros puxados em um coque severo estava de pé, com as costas viradas para mim. Não podia ser. Raquel virou-se e sorriu. Meu coração veio à boca. Era Raquel e ela era o mais próximo que eu já tive de uma mãe. Por outro lado, era Raquel e ela era uma das mandachuvas da AICP, a instituição que pensava que eu estava morta. A instituição que eu realmente não queria que me encontrasse. E a organização de que eu pensava estar sendo protegida por Raquel. “Aí está você.” Ela empurrou sua bolsa e fez um gesto em direção às portas duplas de saída. “Vamos.” Eu segui-a, completamente confusa. Lá fora, na brilhante luz do dia em minha escola de ensino médio, parecia errado estar com a mulher que representava tudo o que eu tinha deixado para trás. Eu ficava querendo inclinar-me e abraçá-la, o que era estranho, uma vez que nós nunca realmente tivemos um relacionamento envolvendo abraços. Claro, eu também queria correr na direção oposta. Ela era da AICP. “O que você está fazendo aqui?”Perguntei. “A julgar por sua surpresa, eu vou presumir que David não vem passando minhas mensagens.” “O pai de Lend? Que mensagens?” Ela suspirou. Minhas habilidades de interpretação estavam enferrujadas, mas aquele suspiro soou como um sinal de: Estou cansada e isto vai levar muito tempo para explicar. Uma sombra passou sobre o sol e eu olhei para cima para ver meu fiapo de nuvem. Definitivamente havia alguma coisa embaixo dela, mas não um raio. Algo cintilante. Algo paranormal. Algo com um glamour que somente eu podia ver. “O que é...” Fui interrompida por meu próprio grito quando a nuvem mergulhou para fora do céu, envolvendo-se em torno de mim e voando de volta para dentro do azul.

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LIÇÕES DE VOO Eu ainda estava gritando quando fiquei sem ar. Engolindo uma respiração, encarei o chão. Tentáculos da nuvem deslocavam-se em torno de mim não fazendo o suficiente para esconder o fato de que a paisagem cheia de árvores estava muito distante embaixo de nós. Eu forcei outro grito e encarei minha cintura. Enrolados em mim estavam dois braços que pareciam terrivelmente inconsistentes. Eu não tinha ideia de como alguma coisa que parecia tão leve como a brisa estava me segurando aqui, mas eu não podia pensar nisso agora. Tinha problemas mais urgentes. Como para onde a nuvem estava me levando e por quê. Ainda pior, pequenas faíscas estavam voando a nosso redor e eu não gostava das chances que tinha de não ser eletrocutada. Os cabelos em meus braços arrepiaram-se, formigando com a energia crepitante em volta de mim. Muito, muito ruim. Eu estava pronta para dar adeus a Terra quando vi minha cidadezinha abaixo de nós e alguma coisa estalou dentro de mim. Essa era minha cidade. Eu estava cansada de ser manipulada por paranormais. Se esta coisa pode tocar-me, então tenho certeza como o inferno que eu a podia tocar também. E se eu podia tocar... Fechei os olhos e respirei fundo. Teria de ser feito. Não porque eu queria, mas era uma questão de vida ou morte. As chances eram de que não iria funcionar, eu poderia ser uma Vazia, capaz de sugar as almas dos paranormais, mas eu só tinha feito isso uma vez antes. E aquilo tinha sido diferente, as almas tinham sido presas e elas queriam vir a mim. Esta coisa provavelmente não queria me dar sua energia vital. Mesmo assim valia a pena tentar. Joguei meu ombro para trás, sentindo tudo a meu redor e coloquei a palma de minha mão contra a primeira coisa sólida que encontrei, rezando para que independentemente de que criatura esta nuvem fosse, tivesse um peito. Eu entreguei-me, desejando que o canal entre minha mão e a alma da Nuvem Arrepiante abrisse-se. Eu quero isso, pensei, minha mente gritando em desespero. Eu preciso disso. Meus olhos abriram-se em choque, a alma crepitando com um seco e pesado calor, enquanto corria por meus braços até minhas entranhas, filtrando para fora até que cada

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parte de meu corpo formigou. A criatura soltou um grito agudo de surpresa e dor. Ela puxou de volta, quebrando a conexão, minha cabeça rodava, bêbada com o aumento da nova e estranha energia. E então caímos. Que ideia brilhante, Evie, vá em frente e sugue a energia da coisa que lhe mantém a milhares de metros no ar. Mas aquilo ainda estava aguentando de algum jeito, nós estávamos girando sem controle, mas não estávamos caindo tão rapidamente quanto deveríamos. Se pudéssemos chegar até o chão, ficaríamos bem. Ela soltou-me. Eu gritei, lutando e agarrando em seu pé. Ela gritou de frustração, expulsando-me, mas eu não estava disposta a soltar. Nós estávamos juntas nessa. A terra acelerou em nossa direção: um tapete verde e laranja de árvores. Antes que eu pudesse me preparar, bati contra alguns galhos, folhas voando a meu redor enquanto eu agarrava um ramo e soltava o pé da nuvem. Outro ramo golpeou em meu quadril, retardando-me o suficiente para que quando o chão e eu finalmente nos encontrássemos, só parecesse como se eu tivesse sido atingida por um caminhão. Todos os ossos de meu corpo tinham que estar quebrados. Não havia a mínima possibilidade de que eu pudesse estar com tanta dor e ter algum osso sobrevivente. Eu ficaria engessada pelo resto de minha vida. Isto iria complicar os amassos com Lend. Pelo menos eu ficaria fora da escola por um tempo. E eu definitivamente não precisaria fazer Educação Física. Sensações de formigamentos elétricos corriam de cima para baixo em meu corpo, substituindo a dor e fazendo-me sentir dormente, como se meus membros estivessem desconectados. Oh, merda. Eu estava paralisada. Em pânico, eu saltei em meus pés, passando minhas mãos sobre meu corpo em horror. Bem, uh. Se eu podia fazer isso, provavelmente não estava paralisada. Por que eu me sinto tão estranha, então? E onde estava a Nuvem Arrepiante? “Coisa horrível!” Disse asperamente uma voz como o vento através das árvores mortas. “O que fez comigo?” Ainda coberta por tentáculos das nuvens, a pequena criatura rastejou pela sujeira em minha direção. Embora na forma de uma pessoa, ela era delicada, quase infantil. Seus olhos faiscavam um branco brilhante como um relâmpago, mas o resto de suas características estavam borradas e indistintas, mesmo sua cor parecia uma pálida sombra

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de uma nuvem. Para qualquer outra pessoa, seria como uma seção de névoa sólida animada, mas meus olhos que penetravam o glamour viram tudo. Eu dei um passo para trás, tentando não tropeçar nas raízes expostas da árvore, grandes o suficiente para fazer-me cair. “Ei, eu não pedi para ser arrebatada e transportada!” “Você pegou...Pegou parte de mim. Devolva-me.” Apoiei-me contra o tronco da árvore. A criatura levitou girando na vertical e pairou diante de mim. Traços finos de raios a cercavam como uma teia. Seus membros entrando e saindo da nuvem, às vezes lá, às vezes não, mas havia uma inegável sensação de poder e força naquilo. Eu estava tão fora de meu mundo aqui. Levantei minha mão e tentei parecer mais corajosa do que me sentia. “Deixe-me em paz ou eu vou pegar tudo.” Minha voz tremeu, parte de medo e parte de cobiça, meus dedos formigando, meu corpo ansiando. Um pouco não era suficiente. Eu queria o resto. Não, eu não queria. Eu não poderia ter. Eu não queria isso. Eu não era aquela pessoa. Eu devolveria se eu pudesse, mas eu não sabia como. A Nuvem Arrepiante estreitou seus grandes e brilhantes olhos para mim. O ar entre nós era seco e quente, carregado com eletricidade crepitante. Ela matar-me-ia. Eu respirei profundamente imaginando o quanto iria doer, quando a coisa disparou para o céu com uma rajada estridente de ar. Eu observei enquanto aquilo foi mais para o alto, ocasionalmente desviando para o lado ou perdendo altitude antes de subir novamente. E então se foi. Deixando escapar um suspiro de alívio, eu inclinei-me contra a árvore. Quando eu sonhava sobre algo acontecendo para tornar minha vida mais interessante novamente, isso não era o que eu tinha em mente. É evidente que eu esqueci o que estar envolvida com paranormais (paranormais reais e incontroláveis) implicava. Medo. Montes e montes de medo. E agora eu não tinha sequer Tasey comigo para confortar-me. Dei um passo à frente firmemente, fazendo um balanço de minha situação. Tinha deixado cair minha bolsa

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quando a Nuvem Arrepiante me agarrou, o que significava que eu estava sem celular. E embora eu estivesse certa de que nós estávamos perto de casa quando caímos do céu, quem sabia o quão longe do curso nossa queda nos tinha levado? Ainda assim, quão grande poderia ser uma floresta no meio da Virgínia? Sem dúvida eu ia descobrir. Na hora em que eu achei uma estrada, uma hora depois, eu estava cansada, suada e deprimida. Quais eram as chances de que Raquel aparecesse no exato momento em que um paranormal tentou me raptar? O que ela estava planejando? Fingindo deixar-me fora de perigo da AICP, em seguida, vindo atrás de mim? Eu achava difícil acreditar que seu objetivo fosse me atrair para fora da escola de modo que a Nuvem Arrepiante pudesse me pegar, mas parecia a explicação mais provável. A ideia de que Raquel, que havia sido como uma mãe para mim durante meus anos no Centro, pudesse fazer algo como aquilo quebrava meu coração. Tudo bem, no entanto. Se a AICP queria jogar assim, que assim seja. Estalei minhas mãos e sorri, um cruel e presunçoso sorriso. Eu podia cuidar de mim agora. Estremeci, sacudindo minha mão para livrar-me dos formigamentos. Não. Eu nunca iria fazer aquilo de novo. Nunca. Eu gostei demais. Minha bússola interna era melhor do que eu dava crédito, porque consegui achar a direção certa na estrada. Praticamente chorando de alívio, eu vi o desvio para a casa de Lend. Minha antiga casa, antes dele se mudar e eu ir morar com Arianna, para evitar o constrangimento de morar com o pai de meu namorado. Eu corri a longa e sinuosa distância e explodi através da porta para a sala de estar. Raquel estava sentada no sofá. “O quê?” Gritei. Ela levantou-se e agarrou-me antes que eu pudesse pensar em bloqueá-la. Fiquei tensa. E então percebi que ela estava me abraçando. “Eu não vejo você há meses e você é sequestrada na primeira oportunidade! Eu pensei que você estava tentando ser normal!” Ela afastou-se, olhando para mim com lágrimas nos olhos. “Quer dizer que você não enviou aquela coisa?” “Meu Deus, não!”

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“O que era aquilo?” David tropeçou na sala, um telefone na mão e um olhar aliviado em seu rosto. “Você está bem!” “Além de ter sido sequestrada por uma nuvem com vida e cair milhares de metros até o chão? Sim, eu estou uma belezinha.” “Então foi uma sílfide!” David apontou triunfante para Raquel. “Eu disse que elas existiam!” Os lábios de Raquel apertaram-se e era tudo o que ela podia fazer para segurar um suspiro. “Sim, parece que você estava certo.” “Uau”. David passou as mãos por seus grossos e escuros cabelos, olhos brilhando de excitação. “Uau. Uma sílfide. Eu acho que foi o primeiro contato confirmado!” Eu levantei minha mão. “Umm, Olá? Menina que foi sequestrada pela tal sílfide? Alguém quer me explicar o que é e porque ela decidiu me dar uma excursão aérea por nosso maravilhoso estado?” “Sílfides são elementais do ar.” Raquel falou rapidamente, dando um olhar perturbado a David, como se ela quisesse provar que, mesmo que ela não acreditasse nelas, ela ainda sabia mais sobre elas do que ele. “Acredita-se serem parentes distantes das faeries. Acreditava-se que nunca existiram ou simplesmente deixaram de viver. Mas isso é porque uma sílfide nunca poderia voluntariamente tocar o chão, tornando assim impossível encontrá-las e procurar por elas é um enorme desperdício de tempo.” Ela disparou mais um daqueles olhares para David. “Oh, qual é? Só porque minha especialidade eram os elementais e a sua era focada em paranormais comuns, como unicórnios e duendes.” David piscou para mim, como se eu fosse de alguma forma, entender esta piada. “Ela está sempre com inveja, pois eu conheço os mais legais.” Agora eu era a única segurando um suspiro irritado. “Elemental do ar, entendi. Excelente. Agora alguém sabe o porquê? Você disse que eles eram relacionados com faeries, talvez?” Todo meu aborrecimento esmagou-se em uma bola de medo. Eu não queria a volta de faeries em minha vida. Nenhum deles disse nada. Então Raquel limpou sua garganta, sua voz tensa.

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“Podemos sempre perguntar a Cresseda se ela sabe de alguma coisa.” Ela disse “Cresseda”, Mãe de Lend e a moradora elemental da água, com uma ênfase estranha. “Não, nós não podemos, na verdade.” David arrastou os pés no tapete. “Eu não tenho conseguido trazê-la à superfície há dois meses agora. Desde que Lend saiu de casa.” Sua voz era suave, mas a dor subjacente a suas palavras era óbvia. Eu queria abraçá-lo. Já era ruim o suficiente que ele tivesse se apaixonado por uma imortal ninfa da água, pior ainda ela só ter permanecido humana com ele por um ano. Mas agora ela o abandonar completamente porque Lend tinha ido embora? Eu não podia imaginar a dor. Na verdade, eu poderia imaginar. Eu frequentemente imagino. Há alguns dias tudo o que eu poderia fazer era tentar não imaginar. Ser a mortal em um duo mortais/imortais era algo que eu entendia muito bem. Eu ainda não tinha contado a Lend que ele nunca iria morrer. O pensamento de que ele poderia desistir dessa vida, essa aqui comigo, para descobrir como ser um imortal aterrorizava-me. Eu diria a ele, no entanto. Em breve. No fim das contas. Raquel endireitou-se, parecendo satisfeita. “Pois bem, isto é algo que eu posso ajudar. Vou mandar todos meus pesquisadores focarem-se em elementais do ar. É estranho que eles apareçam agora, especialmente considerando as agitações recentes das populações elementais. Vamos descobrir isso. Mas não é por isso que estou aqui.” Eu fiz uma careta. “Por que exatamente você está aqui?” “A AICP precisa de sua ajuda.”

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Entrevista de emprego “Raquel.” A voz de David era baixa e irritada “Evie não vai voltar para a AICP. Qual é a razão de dizer a todos que ela está morta se seis meses depois você vem aqui e a pega de volta?” “Eu disse-lhe, a situação é diferente agora.” Eu levantei minha mão de novo, cansada deles falando a meu redor. “Eu posso cuidar disso, obrigada. Eu senti sua falta, claro, mas eu não quero voltar para a AICP. Vocês castram lobisomens!” Esse era um dos crimes que eu descobri que a Agência Internacional de Contenção Paranormal cometia em nome de manter o mundo um lugar seguro. Raquel tinha uma expressão apertada ao redor dos olhos. “Essa prática não está mais em vigor. Como eu já expliquei a David, as coisas mudaram drasticamente desde que você se foi. Nossas políticas paranormais não agressivas passaram por uma séria revisão, incluindo melhores direitos aos lobisomens. Toda e qualquer eugenia1 foi inteiramente jogada fora. Tinha muita coisa de errado com a AIPC, ainda tem, mas você e eu sabemos quão bem ela faz. Eu sou uma supervisora agora, o que significa que tenho a palavra final na maioria das políticas.” Eu cruzei os braços, franzindo a testa. “Eu não vou trabalhar com faeries.” Eu não tinha visto Reth desde que ele tinha vindo me visitar no hospital depois que eu liberei as almas e eu nunca quis novamente. Ele ou qualquer outro faerie sinistro, manipulador, amoral, psicótico, qualquer-adjetivo-negativo-que-você-quiser-colocar-aqui. Especialmente depois de hoje, se a sílfide estava com eles. Eu não estou prestes a chamar sua atenção para mim, jogando tempo fora no terreno das faeries. Ela sorriu. “Eu entendo. Na verdade, uma de minhas primeiras iniciativas foi o desmame da dependência mágica das faeries na AICP. Eu acho que você ficará contente em descobrir que agora usamos somente 40% do que usávamos antes.” “Quarenta por cento, hein? Isso ainda é cerca de cem por cento a mais do que eu fico feliz.” “Nós temos uma maneira de que você seja eficaz sem qualquer interação faerie.” 1

Eugenia é um termo criado em 1883, significando "bem nascido". Galton definiu eugenia como "o estudo dos agentes sob o controle social que podem melhorar ou empobrecer as qualidades raciais das futuras gerações seja física ou mentalmente”.

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“Eficaz fazendo o quê?” Ela olhou para David, que fez uma careta. “Eu não vou fazer parte disso.” “Com isso em mente,”disse Raquel, levantando arrogantemente suas sobrancelhas. “Eu gostaria que você saísse da sala. Eu não posso dar informações classificadas para duas pessoas mortas, depois de tudo.” Eu estava confusa até que lembrei que David trabalhou para a extinta Agência Americana de Contenção Paranormal há dezoito ou mais anos, quando ele falsificou sua própria morte para sair. Essa parecia ser uma opção popular por aqui. Claro, eu não falsifiquei a minha; Raquel fez por mim, para que não viessem atrás de mim depois que eu desapareci. David bufou. “Você parece ter esquecido que eu sou o guardião legal de Evie.” “E você parece ter esquecido que não há absolutamente nada legal sobre sua tutela, considerando que todos os documentos foram forjados.” “Não comece comigo sobre a legalidade! Uma organização internacional que age com absoluta impunidade nas costas Americanas, para não mencionar...” A porta da frente abriu-se e Lend entrou. Meu coração deu um salto feliz em meu peito, como faz toda vez que ele me surpreende. Sua aparência de costume, o moreno gostoso de olhos escuros, brilhava sobre sua aparência real, que era como água em forma humana. E absolutamente lindo. “Evie!” Ele jogou seus braços em volta de mim, levantou-me do chão em um abraço tão apertado que de repente eu estava ciente que eu tinha, de fato, mantido alguns machucados sérios. Eu ri com a dor, feliz de que pelo menos eu tinha algum tempo extra com Lend para sair dessa bagunça toda. Ele colocou-me para baixo, segurando-me no comprimento do braço e examinando-me. “Você está bem?” “Apenas algumas contusões. Eu estou bem, no entanto, de verdade.” “Como foi que você escapou?” Oh, merda.

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Raquel e David deram-me um olhar espantado. “Como foi que você escapou?” Raquel perguntou. Em sua ânsia de brigar, eles haviam se esquecido de perguntar-me. Eu meio que preferi daquele jeito. Mordi o lábio. “Eu, bem, nós estávamos no alto? Muito, muito alto. E era essa nuvem estranha com relâmpagos e coisa de faerie. Eu não sabia onde ela estava me levando ou por que e eu estava tão assustada que fiz a única coisa que eu consegui pensar.” “Que foi?” Lend cutucou, preocupação passando por seu rosto. Dei de ombros, um gesto pequeno, culpado.“Eu peguei um pouco.” Odiando a preocupação em seus olhos, eu continuei. “Só um pouquinho, não o suficiente para machucá-la, sério, apenas o suficiente para surpreender e, em seguida, nós caímos, e ela tentou derrubar-me, mas eu agarrei-me em algumas árvores que amorteceram minha queda. E depois a nuvem estranha ficou bem, sério, ficou bem. Apenas um pouco irritada. E então ela voou para longe.” Eu não mencionei o padrão errático de voo. Foi provavelmente uma tontura. Minha história foi recebida com um silêncio de morte. E, de repente em vez de sentir-me culpada, eu estava completamente louca. Quem eram eles para me julgar? Não é como se eu estivesse virando uma Vivian, sugando a vida de tudo a meu redor. “Eu não tinha quaisquer outras opções! Vocês deveriam estar contentes por eu ter uma maneira de defender-me.” Lend rapidamente balançou a cabeça, apertando minha mão. “Eu estou. Sério. Eu só me lembro do que isso fez com você antes e eu preocupo-me que...” “Você não precisa! Foi praticamente nada. Prometo.” Vivian tinha enlouquecido e sugado as almas de todos os paranormais que pôde encontrar, sob o pretexto de “libertá-los” deste mundo, mas realmente porque gostava de como isso a fazia sentir. Ter todas essas almas em mim depois que eu as tomei dela...Por alguns minutos eu era uma imortal. Foi tão estranho, maravilhoso e estonteante ser poderosa que me desconectou de minha vida mortal. Por um momento terrível, eu fui tentada a abandonar inteiramente a mortalidade... Pegar a alma de Lend. Eu não gosto muito de pensar sobre isso também. “Isto ainda está dentro de você?” Lend perguntou. Eu ainda não tinha pensado em olhar. Um nervoso formou-se em meu estômago enquanto eu estendia meus braços, em busca de alguma coisa sob minha pele. Nada. Tirando uma pequena faísca debaixo da palma de minha mão. E então ela se foi. Isso, provavelmente, não foi nada. Definitivamente nada.

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“Não,” eu disse com certeza. “Não deve ter tido o suficiente para que ela tivesse um efeito. Não consigo ver nada, só simplesmente a velha Evie.” Lend sorriu, puxando-me para mais perto. “Você nunca foi simples.” David pigarreou. “Bem, então, enquanto você estiver bem, isso é que é importante. Por que vocês dois não vão conseguir alguma coisa para comer?” Os lábios de Raquel franziram em aborrecimento. Aparentemente deixá-la louca era uma coisa de pai e filho para os Pirellos. Lend tinha o mesmo jeito para isso que David. “Eu não terminei de falar com ela,” Raquel disse. David olhou pronto para argumentar o contrário, então eu me intrometi. “Relaxe, está tudo bem. Ela pode dizer-me o que ela precisa, que mal pode fazer?” Lend e David usavam a mesma expressão franzida. Não tinha jeito de que eu e Raquel fôssemos capazes de ter uma conversa real. E, ao contrário de Lend e seu pai, eu gostava dela. Muito. Eu queria saber como ela estava, descobrir como as coisas ficaram depois que eu saí, coisas assim. De repente minha vida antiga estava sentada na sala comigo e eu percebi que eu sentia falta dela. Lish, especialmente, mas ela tinha ido embora para sempre. Virei-me para Lend. “Por que você não vai ver sua mãe? Perguntar se ela sabe alguma coisa sobre a sílfide.” “Sílfide? Sério?” Ele olhou para o pai, compreendendo o quão animado David estaria sobre isso. Ou talvez o interesse de Lend fosse baseado no fato de que ele era meio elemental. Eu perguntei-me o quanto esse mundo significava para ele, o quanto ele queria saber sobre isso e, portanto, sobre si mesmo. Melhor não deixá-lo perder tempo com isso. Eu queria que ele ficasse firmemente neste mundo. “É. Então, sua mãe?” Eu poderia oferecer-me para ir com ele mais tarde, mas a verdade era que Cresseda ainda meio que me assustava. Elementais imortais funcionam num plano tão diferente do nosso, que há muito pouco que se conecta. Como, por exemplo, tentar entender matemática teórica antes de você ter suas tabelas, você sai duvidando de que você sequer entendeu o que os números são, para começar. Era tão estranho pensar que Lend veio de Cresseda. Ele era tão humano, tão ligado. Mas isso teria que desaparecer eventualmente. Será que ele vai lentamente parar de se preocupar, lentamente tornar-se como sua mãe: bonita, estranha e sempre outra? Ou que ele

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apenas vai acordar um dia e desistir dessa vida por uma eterna? Quanto tempo eu teria antes dele se tornar como os outros elementais imortais? “É mais provável ela aparecer para você,” disse David a Lend. Olhei para ele. Ele era tão bom em esconder a dor de seu filho, mas eu podia vê-la escrita em seus ombros baixos. Por favor, por favor, não deixe que eu seja assim um dia. Lend parecia dividido em deixar-me com Raquel, mas acenou com a cabeça. “Eu já volto.” Ele correu para fora da porta. “Antes de mais distrações, deixe-me ler os termos”. Raquel conduziu-me para o sofá e sentou-se. “Você estaria trabalhando para a AICP como um empregado temporário contratado.” “O que isso significa?” “Isso significa que você trabalha para nós porque você quer e apenas nos projetos que você escolher. Se você quiser parar, você para. Você não tem que voltar ao Centro. Vamos chamar quando precisarmos de você. Não há obrigações, sem outra supervisão a não ser a minha. Você não vai estar de volta à AICP, na verdade não, você simplesmente estará me ajudando em algumas coisas que suas habilidades são particularmente adequadas.” Eu fiz uma careta. Ela estava disposta a admitir que eu não estava realmente morta e ela descobriu uma maneira para eu trabalhar com eles sem trabalhar para eles. A AICP era tudo sobre controle. Se eles estavam ignorando isto para ter minha visão especial de volta, eles devem realmente estar mudando. “Como? O que você disse a eles? Você ficou em apuros?” Eu perguntei. “Coisas mais estranhas têm acontecido do que paranormais voltando dos mortos. Já que nunca tivemos uma “prova” de que você estava morta, meus colegas supervisores não questionaram quando eu disse que a tinha encontrado viva. Deixei claro que você não ia se comunicar com ninguém além de mim e recusei-me a contatá-la até que fosse concordado por unanimidade que você estaria completamente autônoma, não classificada ou regulamentada pela AICP.” “Você não entrou em apuros?” “Depois da má gestão em abril passado que resultou em tantas mortes e desaparecimentos, ninguém está em posição de me deixar em apuros.”

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“Mas eles concordaram com tudo isso? Sério?” Raquel suspirou um Eu preciso de férias. “Honestamente, nós estamos lutando. Depois de Viv... Após esses infelizes acontecimentos, estamos seriamente sem pessoal. Não temos sido capazes de responder o mais rapidamente ou de forma eficiente relatórios de vampiros ou lobisomens, nossas medidas de rastreamento parecem estar falhando inteiramente para paranormais que costumavam ficar em uma área específica e há rumores não confirmados de que uma colônia de trolls assumiu um bairro na Suécia. Além disso,” ela fez uma careta, “um poltergeist tem como alvo o Centro e ninguém foi capaz de indicar sua localização para um extermínio.” “Basicamente, vocês são horríveis sem mim.” Eu não poderia manter um sorriso maroto afastado de meu rosto. Era uma espécie de gratificação saber que, sem meus olhos, a AICP estava caindo aos pedaços. Raquel olhou para o teto e soltou outro suspiro sem fim. “Essa é uma maneira de colocar.” “Isso não é problema de Evie,” interrompeu David. “Se a AICP está afundando, eu digo boa viagem.” Meus olhos estreitaram-se involuntariamente, defensiva por meus antigos empregadores. Claro, os vampiros aqui estão se autorregulando, mas eu quase fui morta por um, quando tinha oito anos de idade. O resto do mundo não era um paraíso paranormal como esta cidade. As coisas eram assustadoras. As coisas eram mortais. E a maioria das pessoas não tinha absolutamente nenhuma ideia do que significava não ter nenhuma maneira de se proteger. Raquel ignorou-o. “Suas atribuições seriam simples e seguras. E, como eu disse, inteiramente voluntárias.” “Como é que vai funcionar? Eu estou na escola.” Tão chato quanto isso era, eu precisava fazer isso direito. Eu tenho que entrar em Georgetown como Lend. “Nós vamos trabalhar em torno de sua programação.” “Isso está soando suspeitosamente dependente dos Caminhos das Faeries.” Lend bateu a porta da frente, com o rosto encoberto com preocupação. “Ela não quis aparecer.” David sacudiu a cabeça. “Ela não aparece sempre. Não leve para o lado pessoal.” Isso foi interessante, Lend não sabia que Cresseda não iria aparecer mais para David?

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Raquel olhou atentamente para Lend e, em seguida, David, era claro que as rodas em sua cabeça estavam girando, mas eu não tinha ideia do porquê. Lend esfregou a mão sobre o rosto, depois olhou para Raquel. “O que você está fazendo aqui, afinal?” “Estou aqui para pedir a ajuda de Evie com alguns projetos. A sua, também, se você estiver disposto.” David endireitou-se e Lend cerrou o maxilar, seu glamour ondulando com a raiva mal contida. “Não estamos.” Ele estava respondendo por mim? Tanto quanto eu o amava, esta não era sua hora. “Lend, posso falar com você?” Ele ergueu as sobrancelhas e seguiu-me até a cozinha. As paredes alegres amarelas não me ajudaram muito hoje. Ele agarrou minha mão, puxando-me para perto, sua carranca aprofundando. “Você não está considerando seriamente isso, está? Eu posso ter sido o que eles trancaram, mas você era apenas mais uma prisioneira lá. Depois de tudo que você já viu, como pode sequer pensar nisso? E você não achou um pouco suspeito que nós não tenhmos tido nenhum problema até Raquel aparecer?” Raiva queimava fortemente em meu peito. Claro, eu brevemente pensei a mesma coisa, mas ela era Raquel. Minha Raquel. “Ela não faria isso. Ela estava tão preocupada quanto você. Além disso, o que eu estou fazendo aqui? Indo para a aula, trabalhando no restaurante, contando os dias até o fim de semana? Pelo menos com a AICP eu estava ajudando as pessoas!” “Sim, ajudando as pessoas! Mas quantos paranormais vocês machucaram?” Lágrimas picaram meus olhos. Ele não entendeu. Ele nunca podia ver nada além de coisas ruins na AICP. Mas eles tinham me resgatado, tinham tomado conta de mim. Eu nem sequer quero pensar onde eu teria ido sem eles. “Quantos paranormais estou ajudando agora, hein? As coisas mudaram na AICP. Eu posso ajudar paranormais também, como os lobisomens que não sabem o que está acontecendo, ou esta colônia de trolls, eu posso encontrá-los e convencê-los a mudarem-se antes de se meterem em encrenca!” Lend balançou a cabeça. “Podemos fazer isso com meu pai.” “Nós não podemos! Nós não temos os recursos!” “Como faeries?”

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Eu odiava que ele estivesse usando meu passado contra mim. Eu não tinha certeza se eu queria trabalhar para Raquel antes, mas por alguma razão, sua insistência para que eu não fosse parecia estar empurrando-me direto em direção a ela. Estava tudo muito bem para ele, fora na faculdade, fazendo grandes coisas importantes para seu futuro. Um futuro que iria durar para sempre, mesmo que ele não soubesse. Mas eu estava presa aqui, entediada e solitária, queimando lentamente sem nada para mostrar. Eu estava lutando para encontrar uma resposta quando o contorno brilhante de uma porta de faeries escreveu-se na parede.

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Abre-te Sésamo Eu pisquei contra a luz, congelada com descrença. Eu não tinha visto uma porta faerie desde aquela noite com Vivian e Reth. E esperava que nunca mais tivesse que ver. Lend, no entanto, não estava congelado. Correndo para o outro lado da cozinha, pegou uma das panelas de ferro fundido que seu pai sempre deixava de fora. Uma figura saiu da escuridão, virando a cabeça a tempo de ver Lend balançando o braço com toda sua força. A faerie desviou, girando e pulando vários metros de distância. Lend virou para atacar novamente. “Ei... Oh, o que é isso?” A faerie disse com uma risada. Havia algo de errado, algo estranho sobre a coisa toda. Apertei os olhos para a Faerie. Minha altura, com cabelos loiros cor de areia, olhos azuis brilhantes, covinhas, e... “Lend, pare!” Reagindo a meu grito, ele levantou o braço para cima, perdeu o equilíbrio e tropeçou no balcão de granito. Ele olhou para mim, confuso. Eu balancei a cabeça, sentindo-me da mesma maneira. Eu não tinha ideia de como era possível, mas não havia como negar o que eu vi debaixo da pele do menino. Nada. “Ele não é uma faerie,” disse eu. Olhei para a porta, mas já tinha sumido. Eu estava olhando o tempo todo, ele fora a única coisa a sair. Nenhuma Faerie. Isso era impossível. “Você tem certeza?” Lend ainda segurava a panela na mão, sem tirar os olhos do menino. Ou cara, na verdade. Ele parecia ter nossa idade, talvez um ou dois anos mais jovem. O não-faerie sorriu para mim e piscou, saltando para sentar no balcão. “Não é bem a recepção que eu estava esperando, mas vou dar um desconto para seu garoto, ele é emocionante.” Raquel correu para o cômodo, olhando com uma carranca para o loirinho. “Você está atrasado.” Ele deu de ombros e serviu-se de uma maçã da fruteira ao lado dele. “Eu perdi-me.” E deu uma grande mordida, mastigando bem alto antes de empalidecer e cuspir

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na pia. Com um suspiro arrependido, ele jogou a maçã para Lend, que deixou a panela cair em sua reação instintiva para pegá-la. O metal ainda estava tinindo quando David veio atrás de Raquel. “Quem é esse?” “Não uma faerie, isso é certo,” eu respondi. O loirinho levantou-se em cima do balcão, com a cabeça quase roçando o teto. Então, com uma saudação alegre, ele saltou, aterrissando em seus pés. Eu fiquei olhando, procurando por algo, qualquer coisa sob sua pele. Não existia glamour. Suas roupas eram normais, também: uma camiseta azul clara, calça jeans legais. “Como você fez isso?” Eu perguntei. “Muita prática. Você deveria ver-me andar sobre as mãos.” “A porta! Como você veio através de uma porta faerie sozinho?” “Oh, isso?” Ele passou a mão por seus cachos e olhou para onde a porta tinha estado. “Fácil. Você anda até uma parede, e”...Ele aproximou-se, todos nós nos inclinando com ele, observando sem fôlego... “abre-te sésamo!” Ele levantou os dois braços drasticamente no ar. Nada aconteceu. “Huh.” Ele virou-se e deu de ombros. “Bem, acho que estou preso.” Raquel deu um suspiro que eu conhecia bem, era seu suspiro Evie, Evie, Evie. Mas desta vez ela seguiu-o com um cansado, “Jack. Por favor, pare de brincar. Estamos aqui para negócios.” “Sim, senhora”, disse ele, os olhos arregalados e sérios. Raquel virou-se para voltar para a sala e Jack puxou levemente a extremidade de meu rabo de cavalo, em seguida, caminhou atrás dela. Quem diabos era essa pessoa? Lend pegou minha mão. “Você tem alguma ideia do que está acontecendo?” Eu balancei a cabeça. Eu nunca tinha visto alguém que pudesse passar por uma porta faerie ou navegar por seus Caminhos, a não ser que fossem acompanhados por uma faerie. Você não podia nem soltar sua mão sobre os Caminhos ou você estaria perdido eternamente na escuridão infinita. Eu ainda tinha pesadelos sobre estar lá sozinha.

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David, Lend e eu andamos com cuidado para a outra sala, tensos por um ataque. Mas Jack estava sentado, casual ao máximo, encostado no sofá. “Jack é sobre quem eu estava tentando contar para você, Evie.” Raquel sorriu presunçosamente para nós. “Graças a ele, podemos transportar você para locais com a mesma velocidade de uma faerie. Você nunca vai ter que trabalhar com elas.” “Como?” Eu tinha visto isso com meus próprios olhos, mas eu ainda não conseguia acreditar. Então, alguma coisa me atingiu. “Tire sua camisa!” “Eu não sou esse tipo de cara!” Ele franziu a testa, pensativo. “Pensando bem, por que não?” Ele puxou a camisa sobre a cabeça, revelando um torso que em outras circunstâncias eu poderia ter admirado, mas hoje apenas tornou tudo mais confuso. Mais uma vez, não havia absolutamente nada cintilante por baixo. Minha teoria de que ele estava escondendo algo paranormal sob sua roupa já era. Corei com raiva e olhei para Raquel. “O que ele é? Eu não vejo nada!” “Ele não é ‘nada’. Apenas um garoto talentoso.” “Então como é que ele faz uma porta? Como ele conseguiu?” “Espere, então eu estou autorizado a colocar a camisa de volta? Ou você quer que eu tire minhas calças também?” Lend e eu unimos forças em um olhar sombrio. “Só se você quiser que eu vomite,” eu atirei. O comunicador de Raquel deixou escapar um pequeno bip e ela puxou-o para fora, lendo a mensagem. “Jack, nós temos que ir. Evie, pense sobre minha oferta e vamos conversar novamente em alguns dias.” Ela olhou para mim e sorriu, desta vez tocando seus olhos severos, fazendo-a surpreendentemente encantadora. “E foi bom ver você de novo.” Eu joguei meus braços em torno dela em um abraço. “Você também.” “David,” disse ela, com a voz mais forte quando se virou para ele e balançou a cabeça. Ele acenou com a cabeça para trás, os olhos demorando-se nela por um pouco mais de tempo do que o necessário. “Lend.”

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Lend sacudiu a cabeça olhando para o lado com frustração. Jack pulou do sofá, puxando sua camisa de volta. “Da próxima vez, se você quiser, eu virei sem,” disse ele, sorrindo para mim. Tomando a mão de Raquel, ele caminhou até a parede da sala e colocou a mão sobre ela. Pela primeira vez seu rosto perdeu a arrogância e o tom de brincadeira e pareceu esticar-se em concentração. Muito mais lento do que seria necessário para uma faerie, o contorno de uma porta brilhante formou-se na parede, abrindo-se para a escuridão. Raquel e Jack atravessaram e então ela se fechou atrás deles, não deixando nenhuma evidência de que sequer existiu em primeiro lugar. Lend virou-se para mim. “Bem, isso foi interessante. E um desperdício de tempo. No entanto, como eu já estou aqui, o que você acha de fazer algo para compensar sua tarde terrível?” Eu gostaria de poder fazê-lo entender que Raquel não era só minha chefe, ou pior, minha sequestradora, como ele parecia ver qualquer um que trabalhasse para a AICP. E Jack intrigou-me demais, mas o tempo extra com Lend rapidamente tirou minha mente desses problemas em particular. “O que você está pensando?” “Que tal o shopping?” “Espera... Você quer dizer o shopping, como em um monte de museus em DC2 que iríamos passear e eu iria fingir que entendo arte moderna quando realmente penso, caramba, um gremlin poderia ter pintado isso e pelo que sabemos pintou ou o shopping, como na escolha de um novo par de sapatos, comer comida que é terrível para nós e inventar histórias de vida para todas as pessoas que passarem por nós?” “Eu posso ver agora que eu sugeri o segundo.” “Que garoto esperto.” Eu sorri e ele puxou-me para perto. ***

“Eu continuo a dizer que o cara era da CIA. Espião, com certeza.” Eu ri, virando-me para encará-lo, enquanto estacionava na frente do restaurante. “Lend, ele tinha menos de um metro.” “Exatamente! Você nunca suspeitaria dele. Ele é o tipo quieto, sem aparência chamativa, que não parece ser uma ameaça de forma alguma, até... BAM. Diga adeus a todos os segredos de seu país!” 2

Distric of Columbia. É a capital dos EUA.

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“Ok, tudo bem. Ele era um espião.” “Nós deveríamos ter visto esse filme, no entanto. Eu acho que algumas explosões teriam feito bem pra você, ajudaria a relaxar depois de um dia difícil.” “Não é minha culpa eu não ter permissão para entrar sem um adulto e você ter esquecido sua licença.” Lend revirou os olhos, fazendo uma cor grisalha passar por seu cabelo quase preto e eu ri, empurrando-o. “Pare com isso. É assustador. Além disso, se você fingisse ser um velho para colocar-me para dentro seria super nojento se começássemos a beijar-nos ou algo assim. Sem mais cabelo grisalho.” “Tudo bem.” Seu cabelo enrolou-se em cachos, virando um vermelho acobreado. Eu ri. “Pare com isso! Alguém vai ver você.” Seus olhos ficaram sérios e seu cabelo mudou de volta para sua aparência normal. “Tem certeza que você não quer que eu fique? Posso matar aula amanhã, se você não estiver se sentindo bem.” “Você realmente não precisa.” Lend nunca perdeu aulas. Adorei que ele estivesse disposto a faltar por mim e parte de mim ficou tentada pela oferta... Mas eu sentir-me-ia muito culpada. Ele suspirou. “Eu tenho laboratório de bio. Você está realmente bem? Nada doendo de sua queda? Nenhum estranho efeito colateral da sílfide?” “Eu estou bem.” “Tudo bem. Vejo você no sábado.” “Não sexta à noite?” Eu odiei o lamento que rastejou em minha voz. Eu não seria aquela namorada, a chorona pegajosa que não poderia ter uma vida fora de seu namoro. Mesmo que ela justificadamente não queira nada mais do que passar cada minuto de sua vida com ele. Não. Não aquela menina. “Eu tenho um projeto de grupo de anatomia de vertebrados e a única hora que pudemos marcar foi essa. Duvido que seja feito com antecedência o suficiente para eu chegar aqui com uma hora decente e se eu ficar em meu dormitório, onde não existem distrações bonitas e divertidas, eu posso terminar minha lição de casa e ser absolutamente seu no fim de semana.” Ele inclinou-se e beijou-me. Eu desejava que ele pudesse derreter seu glamour e beijar-me como ele mesmo, falar comigo como ele mesmo, mas isso não faria nenhum bem se alguém passasse e me visse beijando uma silhueta quase invisível. A desvantagem de namorar um elemental meio-humano-meio-água, eu suponho.

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Afastando-se muito mais cedo do que eu queria que ele se afastasse (o que, vamos encarar, poderia ter sido horas, eu nunca me canso de beijá-lo), ele saiu e abriu a porta para mim. No segundo em que eu saí do carro, um frio estranho envolveu-se em torno de mim. Todos os pelos de meus braços levantaram-se em resposta. Tremendo, abracei firmemente Lend, ignorando meus machucados. “Não faça isso, ok?” Ele sussurrou. “Fazer o quê?” “Trabalhar para a AICP. Apenas... Simplesmente não faça.” Eu olhei para o rosto dele. “E se eu puder fazer algo de bom?” “Você está fazendo o suficiente sendo você mesma. Eu preocupo-me com o que pode acontecer com você.” Eu fiz uma careta, fazendo um barulho evasivo, que ele pareceu tomar como um acordo, a julgar por seu sorriso. “Vejo-lhe no sábado.” Ele beijou-me novamente e então esperou que eu subisse os degraus antes de voltar para seu carro e ir embora. Relacionamentos de longa distância? São uma merda. Suspirando, eu entrei e andei através do restaurante iluminado. David comprou o On the Hoof uma década atrás, como uma fachada para sua operação de esconder paranormais. Ele forneceu empregos para paranormais que estavam precisando e um bom lugar para todos se conhecerem e controlarem um ao outro. A decoração era alegre, um pouco anos cinquenta. Nona, a gerente, acenou para mim, seu glamour lindo de loira pairando sobre a pele marrom e cabelo de carvalho. Supostamente ela morava no apartamento no andar de cima comigo e com Arianna, mas na verdade ela voltava para a floresta à noite, estabelecendo raízes até o sol nascer. Espíritos da Árvore, outra espécie de paranormais. Eu nunca conheci um no plantão da AICP. Eu era toda sobre a violência e caos na época. Balancei a cabeça distraidamente para vários dos frequentadores, principalmente vampiros e lobisomens, observando ainda outra paranormal nova que eu nunca tinha conhecido que fez meu coração doer um pouco, pois ela parecia um cruzamento entre Lish e um ser humano completo, com guelras em seu pescoço e barbatanas alinhando suas pernas nuas sob o glamour. Ultimamente estávamos vendo mais e mais espécies que nem David nem eu jamais tínhamos visto. Pensando sobre isso, um monte de novos paranormais além das variedades de lobisomens ou vampiros esteve visitando Nona, passando pelo restaurante ou encontrando com ela nos fundos. E a sílfide era certamente nova. Talvez Nona fosse...

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Eu gritei, evitando por pouco tropeçar no gnomo da cozinha, um espécime particularmente ranzinza chamado Grnlllll. Pelo menos, eu acho que era o nome dela. Ou o nome dele. Difícil dizer com gnomos. Talvez por isso ela (ele?) me odiasse. O glamour parecia muito feminino. O desejo de ficar longe dos olhares maléficos de Grnlllll superou meu desejo de falar com Nona e eu passei pela porta da cozinha.No andar de cima, finalmente, eu desabei sobre o sofá floral desbotado. “Evie?” “Sim.” Arianna pulou para o quarto, um copo na mão. Eu deliberadamente não olhei para o que estava nele. Eu nunca evitava olhar para Arianna, mesmo que seu corpo de cadáver murcho sob seu glamour normal (se você considerar pele assustadoramente branca e cabelo vermelho e preto espetado normal) assustasse-me tanto quanto o de outros vampiros. Iria ferir seus sentimentos e apesar de nosso começo difícil na primavera passada, eu realmente pensava nela como uma amiga. Não era como se ela tivesse pedido para ser o que ela era e ela nunca bebia sangue humano. Além disso, ela pode ser muito divertida quando não está chateada comigo. “Grande tarde?” Arianna sentou e pegou o controle remoto mudando a televisão para nosso show. “Você poderia dizer isso.” Eu esfreguei meu quadril machucado, imaginando quão roxa eu estaria na parte da manhã. “Tudo bem. O perdedor lava a louça por uma semana. Aposto que Landon e Cheyenne vão sair, mas terão uma briga e terminarão tudo até o final do episódio.” Tentando soar mais entusiasmada do que me sentia, eu rebati. “Não, Cheyenne rejeita-o por causa de algum mal-entendido e ele começa a ser rodado de novo.” “Apostado.” Arianna inclinou-se para frente, devorando o drama desenrolando na tela em frente a nós. Olhei tristemente para o teto, tentando ignorar a sensação de formigamento fraco em meus dedos. Eu sabia que deveria ouvir Lend, ficar longe da AICP, ser grata a minha vida normal, chata. Eu deveria viver para os fins de semana, quando eu posso vê-lo e ignorar a dor lancinante sempre puxando a parte de trás de minha mente, de que não importava quanto tempo eu passasse com ele, o quanto eu o amasse, ele nunca poderia ser

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verdadeiramente meu, porque eu era temporária e ele era para sempre. Eu estava bem. Isso é o suficiente. Além disso, Lend não quer que eu ajude a AICP. Mas Lend não estava aqui, estava?

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Faíscas deixam tudo melhor “Acorde,” uma voz como a água ondulando sobre rochas sussurrou em meu ouvido. Eu sorri e estendi os braços até que encontrei o pescoço de Lend. Eu sabia o que eu iria ver quando eu abri meus olhos. Meu Lend em sua verdadeira forma. Apertando os olhos contra a luz do meio da manhã, olhei em seus olhos de água. “Bom dia,” ele disse e eu derreti. “Bom dia.” Eu tentei puxá-lo a meu lado, mas ele riu e mergulhou debaixo de meus braços. “Levante, preguiçosa. A menos que você queira dormir em vez de sair comigo?” “Eu não sei.” Fechei meus olhos novamente. “Eu estou muito cansada.” Ele respondeu lançando um travesseiro em meu rosto. Eu ri e rolei para fora da cama para escovar os dentes e mudar de roupa enquanto ele conversava com Arianna na sala de estar. Meu quarto era pequeno, um glorificado closet, realmente, mas eu pintei as paredes “ofensivamente rosas”, para citar Arianna. Eu sentia falta de meus cartazes do Centro, mas eu estava fazendo lentamente meu lugar aqui. Esboços de Lend ocupavam a maior parte do espaço livre, o que me fazia sentir como se ele estivesse por perto, mesmo quando ele não estava. “É claro que eu sou uma necromante,”Arianna estava explicando a Lend. Ela estava sentada na frente do desktop elegante, jogando seu jogo favorito. “É irônico. Na vida real eu sou uma das hordas de mortos-vivos e em minha vida online eu controlo-os.” Ela passava quase cada hora do dia lá, completando missões com companheiros de pele violeta pouco vestidos. Algumas semanas atrás, eu estava irritada por nunca ser capaz de verificar meu e-mail e insinuei sarcasticamente que ela arrumasse algo produtivo para fazer com seu tempo. Ela fez questão de mostrar-me quanto tempo um vampiro pode ficar sem se mexer. É um longo tempo. Mas, pior ainda, depois de um par de dias em seu protesto passivo, eu ouvi-a chorando. Não mencionei mais nada desde então sobre como ela usa seu tempo. Ter a vida eterna parece uma ideia legal o suficiente, mas tê-la forçada em você daquela forma? Não muito. Imortais, como Nona, experimentam ser meio-humanos de vez em quando para se

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divertir, mas eles foram feitos para ser para sempre. As pessoas não. E o corpo cadavérico de Arianna sob seu glamour era um lembrete constante disso para mim. “E é por isso que eu tinha que o matar. A faca de O'orlenthaal deveria ter sido minha o tempo todo. Agora temos que lutar contra sua aliança, que é onde minha capacidade de levantar exércitos de mortos cai bem.” “Então o que você está dizendo é que você tem estado ocupada.” Lend sorriu para ela e Arianna riu. Ela tratava-o como um irmão mais novo. Lend, por sua vez, tratava-a como se ela fosse totalmente normal. Adorava isso nele; ele sempre tratou cada paranormal por seu verdadeiro valor e eu poderia dizer que isso significava o mundo para aqueles como Arianna e a maioria dos lobisomens que lutavam com o que eram. Lend tinha um dom incrível para equilibrar o paranormal e o normal e fazer com que todos se sentissem como se eles pertencessem a algum lugar. “Totalmente ocupada. Eu também desenhei alguns vestidos. Aqueles idiotas dos realitys shows não tem a mínima chance contra mim.” “Eu estou dizendo a você, comece um site! Você poderia fazer tudo aqui e depois vender online. Você mostra-me esboços de seu vestido, eu faço o site e você e Evie podem ser as modelos.” Arianna encolheu os ombros, contorcendo-se em seu assento. Ela estava na escola de design de moda, quando foi transformada. Lend estava sempre tentando fazer com que ela voltasse, mas por algum motivo ela nunca ia adiante Ele olhou para cima e sorriu quando me viu no corredor. “Pronta?” “Sempre. Certeza que você não quer sair, Ari?” Eu perguntei. Por favor, não queira sair, eu pensei. Nós tínhamos planos para um filme com ela esta tarde, mas eu queria um pouco de tempo apenas com Lend. Ela acenou com a mão no ar, focando novamente no computador. “Tenho que terminar este ataque.” Uma explosão de carinho por esse jogo estúpido brotou dentro de meu peito. Um viva para RPG e sua eficácia em deixar-me sem companhia!

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Lend segurou minha mão na sua, enquanto caminhávamos na manhã de outubro e uma brisa passou para cumprimentar-nos assim que pisamos na calçada. O verão tinha demorado a passar este ano, relutante em desistir de seu aperto. Somente na última semana o frio penetrou nas noites. As folhas estavam sugerindo mudança, dourado e vermelho tecendo seu caminho. Depois de viver no Centro por muito tempo onde o clima era controlado, eu era definitivamente uma fã dessa coisa toda de estações. Eu também era fã de meu namorado. A luz do sol dava um brilho extra a seus olhos de água e seu glamour quase negro estava brilhante e, oh, tão adorável. O dia não poderia ser mais perfeito. “Eu tenho um presente para você,” disse Lend. Eu disse que o dia não poderia ser mais perfeito? Porque absolutamente ficou ainda melhor. “Para quê?” Eu guinchei, sem tentar esconder minha emoção. Presentes no Centro haviam sido poucos e distantes e, com Raquel como a presenteadora principal, dolorosamente práticos. Houve o kit de primeiros socorros para meu aniversário de doze anos, a infame enciclopédia de Natal (honestamente, quem compra isso ainda? Já existe a internet) e, claro, o auge dos presentes ruins: meias. A. Cada. Ano. Mas a caixa que Lend tirou do bolso definitivamente não tinha meias dentro. “É brilhante?” Eu saltava impaciente em meus calcanhares, enquanto ele a abria. Ele riu e puxou uma corrente de prata delicada, introduzida através de um pingente em forma de coração aberto. Três pedras rosa revestiam uma borda e destacaram-se em contraste com o metal escuro do coração. Eu puxei meu cabelo do pescoço e ele colocou-o lá, o traço de seus dedos contra minha pele levantando arrepios. Eu toquei o metal frio. “É lindo!” “Que bom. Eu nunca tinha dado joia antes.” “Bem, você estabeleceu um padrão ridiculamente alto para si mesmo. Deveria ter começado com algo brega.” Eu coloquei meus braços ao redor de seu pescoço e abracei-o, puxando-o para mais perto, respirando seu perfume fresco.

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“Não é apenas belo, entretanto.” “Não?” “Prático, também. O coração é feito de ferro.” Calor inundou através de mim, um jorro de afeto que eu já deveria ter me acostumado por agora, mas que ainda assim sempre conseguia me surpreender. Deixe para Lend encontrar uma maneira de proteger-me com ferro repelente de faeries. É claro, isso significava que ele era quase tão prático quanto Raquel, mas sua prática era brilhante e bonita. Corri meus dedos por seu cabelo. “Perfeito.” “É?” “Você é. Mas o colar também.” Nós beijamo-nos até que uma senhora de idade andando com seu cachorro tossiu alto em nossa direção, lembrando-nos que estávamos, de fato, na calçada e não em nosso próprio mundo. Eu sorri timidamente para ela, só então percebendo que ela era uma paranormal com glamour. Seu rosto de sapo, mosqueado verde, realmente não combinava com seu vestido caseiro e chinelos florais. Esta cidade? Estranha. Ela não parava de encarar. Eu não conseguia descobrir o que ela era e de repente eu estava nervosa. Olhei para o céu para verificar se haviam nuvens errantes, mas não vi nada. Puxei a mão de Lend para continuarmos caminhando e escondi minha inquietação. “O que mais está na agenda para esta manhã?” Eu perguntei. “O colar não me tira da linha de planejar as coisas?” “Tudo bem. Mas ele vale apenas por hoje. Você ainda tem que pensar em algo para fazer amanhã. E, por agora, eu acho que comida é uma boa pedida. Muito boa. Esqueci-me de comer no café da manhã.” “Ok, nós podemos...” O telefone de Lend tocou e ele puxou do bolso, franzindo a testa para o número. “Um segundo.” Ele atendeu e eu imaginei o que fazer com o resto das horas no fim de semana. Havia os filmes desta tarde com Arianna, depois eu tinha um plano secreto para arrastá-la para fora para o karaokê. Ela negou, mas eu totalmente a peguei cantando Duran Duran no chuveiro. Se isso não funcionar, eu estava pensando em boliche. Eu nunca tinha ido e era

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garantido que seria horrível, mas seria divertido com Lend. Talvez pudéssemos até mesmo fazer um encontro duplo com Carlee e qualquer garoto que ela estivesse atualmente namorando. Meu estômago afundou como em sintonia com a conversa. “Tudo isso?” Lend perguntou, sua voz firme.“Você pode... Não, calma, está tudo bem, não é culpa sua. Estou feliz que você não se machucou. Eu posso voltar. Tem certeza de que as coisas de todo mundo se foram?” Ele fechou os olhos, segurando um suspiro. “Tudo bem, dê-me uma ou duas horas para chegar lá.” Ele desligou e olhou para o telefone como se pudesse apagar a conversa. E, como num passe de mágica, meu fim de semana evaporou-se. “O quê?” “Natalie, uma menina de meu grupo, foi a encarregada de compilar tudo. Um cara roubou sua bolsa na estação de metrô e levou seu laptop, todas as anotações, tudo. Estamos ferrados. Eu tenho que ir e ajudá-los a organizar tudo de novo. Vale três semanas de trabalho.” Sua mandíbula estava cerrada com o estresse. Por um breve momento, eu estava tentada a dizer-lhe que obter um duplo diploma em biologia e zoologia não importava. Não mesmo. No grande esquema de sua vida imortal, este estúpido trabalho de grupo para a faculdade? Nem mesmo uma gota em um balde. Mas... Se ele soubesse que era mais elemental do que humano, ele iria abandonar a escola? Desistiria de sua vida normal? Desistiria de mim? Sim, então não vou lhe dizer. Não agora, de qualquer maneira. Quer dizer, se ele tinha a eternidade, que diferença faria se eu dissesse a ele amanhã ou daqui a dez anos? Ele não estava ficando menos imortal. É claro, talvez se eu dissesse a ele, eu poderia estar perto dele sem me sentir culpada. Mas eu esperei tanto tempo e eu não queria fazer o dia de hoje ainda pior. “Evie?” “O quê?” “Eu sinto muito. Eu sei que isso é uma merda, ok?” “Ah, sim. Quer dizer, é uma porcaria, mas você tem que fazer o que tem que fazer, certo?”

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Eu dei-lhe meu melhor sorriso eu não sou uma namorada solidária? Nós corremos de volta para o restaurante, a feliz primavera e meus passos mortos. Então as árvores estavam mudando de cor. Grande merda. Lend fez alguns telefonemas, mas apesar de seus melhores esforços, ficou claro que ele precisava estar lá para ajudar a consertar. Ele deixou-me com um beijo persistente e arrependido e nada para fazer nos próximos dois dias, exceto lição de casa. “Já está de volta?” Arianna perguntou quando eu entrei, com fones de ouvido de forma que sua voz ficou muito alta. “Ele teve que voltar para a escola.” “Que saco.” Ela realmente olhou pra cima e franziu a testa, vendo meu rosto. “Isso meio que acabou com seu fim de semana, não é mesmo? Quer ir... Eu não sei, sair para algum beco escuro comigo até o sol se pôr?” Eu forcei uma risada. “Não se preocupe. Continue exigindo vingança virtual. Nós ainda veremos o filme esta tarde.” “Tudo bem, mas eu não vou ficar segurando sua mão.” “Graças a Deus por isso.” Ela colocou seus fones de ouvido novamente.Eu marchei para meu quarto e caí em minha cama. E gritei quando minha porta se fechou. Uma figura saiu de trás dela. “Bastante rosa aqui, não é?”

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Vida de Lixo Meu coração parou. Por um momento horrível eu pensei que Reth estava em meu quarto. E então eu peguei o objeto mais próximo, um sapato, e joguei na direção da cabeça de Jack. “O que você está fazendo aqui, sua pequena doninha?” Ele pegou meu sapato de onde tinha caído no chão depois de bater na porta atrás dele. “Como é que você anda nestes saltos?” Ele sentou-se e tirou o próprio sapato, tentando enfiar o pé em meu sapato roxo e eu persegui-o e tirei de sua mão. “Quantos anos você tem, cinco? Responda minha pergunta.” Ele olhou para mim, seus grandes olhos azuis arregalados de inocência. “Eu pensei que nós éramos amigos, depois que você me fez tirar a roupa e tudo.” “Eu vou ligar para Raquel.” “Tudo bem, tudo bem. Eu só estava fazendo um reconhecimento.” “Reconhecimento?” “Oh, desculpe, isso é uma grande palavra, não é? Significa que eu estava observando a cena, recebendo o...” “Eu sei o que significa! A AICP está investigando-me agora? Foda-se, eles podem esquecer minha ajuda.” “Você nunca deixa ninguém terminar uma frase?” Ele sorriu para meu olhar fulminante, suas covinhas aparecendo. “Assim é melhor. Você é muito mais bonita quando não está falando. Verdade para a maioria das pessoas que eu conheço. Enfim, eu precisava ver o endereço que Raquel me deu para que eu pudesse encontrá-la novamente.” “Por quê?” “Como você tão graciosamente apontou outro dia, eu não sou uma faerie. Eu preciso ver um lugar antes que eu possa abrir uma porta. Ou pelo menos, uma porta exata. Caso contrário, é como adivinhar o quão perto eu vou chegar.” Sentei-me na beira de minha cama. Já que o esquisitão já estava aqui, eu poderia muito bem obter algumas

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respostas. Isso tinha me incomodado: como ele poderia fazer o que ele faz? Não deveria ser possível. “Como foi que você aprendeu? Usar os Caminhos, quero dizer.” Sua boca torceu-se em um sorriso travesso. “Não deixe minha boa aparência enganá-la. Sou muito inteligente.” Revirei os olhos. “Claramente. Mas você ainda assim não deveria ser capaz de usar os Caminhos.” Ele deu de ombros, em pé. “Veja e espere o tempo suficiente, queira algo com muita vontade e você pode descobrir uma maneira de fazer isso acontecer. Eu faço um monte de coisas acontecerem.” Sorrindo enigmaticamente, ele estendeu a mão em minha parede. “Eu venho buscar você mais tarde?” “Eu não concordei com nada.” Estreitei meus olhos. “É claro”, disse ele, distraído, enquanto se concentrava nas linhas brancas serpenteando para fora para fazer uma porta. “Então, eu venho buscar você mais tarde.” “Não! Você não ouve nada? Diga a Raquel que eu não vou.” Antes que eu pudesse terminar minha frase, ele entrou pela porta das faeries, murmurando algo que parecia suspeitosamente como: “Garotas são irritantes.” A parede formou-se novamente atrás dele, tornando-se o destinatário inocente de meu fulminante olhar. Jack pode parecer ter minha idade, mas era como uma criança com taxas elevadas de açúcar precisando de umas boas palmadas. Deus do céu, isso soou horrível. Deitei-me na cama e fechei os olhos. Que confusão. Eu concentrei-me em deixar o estresse sair de meu corpo, deixando-me flutuar em um tranquilo estado sem pesos. Parecia que se eu pudesse encontrar a paz, pensar sobre as coisas, tudo ficaria bem em minha vida, com Lend e eu. Eu poderia descobrir como lhe dizer a verdade corretamente, de modo que ele não iria sequer pensar em desistir de seu estilo de vida mortal. Eu arrumaria alguma maneira de ajeitar as coisas para a gente, para eu ter todas as pessoas importantes de minha vida em minha vida, por tanto tempo quanto quisesse. Umas batidas fortes na porta sacudiram-me, quebrando qualquer epifania que eu estava, sem dúvida, a ponto de alcançar. “EVELYN, TIRE SUA BUNDA PREGUIÇOSA, BRANCA E MAGRA DA CAMA AGORA MESMO!”

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Abri os olhos com um rolar, em seguida, saí para a sala, sentindo-me justificadamente grosseira. “Você tem controle de volume nessa boca?” Arianna encolheu os ombros. “Você dorme como os mortos. Nona precisa de ajuda lá embaixo.” “Ótimo. Exatamente como eu queria passar meu fim de semana. Sem Lend e entupida de gordura3.” “Engraçado, eu escolheria dormir e ir às compras, mas cada um na sua. Lá para baixo.” “E nosso filme?” Eu gemi, esperando que Arianna me ajudasse a escapar do trabalho. “Criatura da noite e todo esse jazz. Eu estou de boa com um filme atrasado.” “Tudo bem.” Eu marchei descendo as escadas, puxando meu avental do gancho na parede e vestindo-o com mau humor. Era ótimo ter uma renda agora que eu não tinha uma conta da AICP (e, confie em mim, eu sentia saudade daquela conta ferozmente), mas trabalhar em um restaurante era um pouco menos interessante do que ir a missões de apanhar e classificar. E por pouco eu quero dizer muito. Mantendo o tema charmoso de cowboy no restaurante, nós tivemos que usar saias à lá poodle, com estampa de vaca. Estampa de vaca. Há muitas estampas de animais que são fabulosas em qualquer estilo. Vaca não é uma delas. É um insulto, de verdade. Era por isso que eu teimosamente mantinha meus próprios jeans skinny por baixo. Eu não estava programada. Eu não me vestiria de bovina. Que sorte a minha, Grnlllll (ou eram quatro l's? Ou r duplo, triplo l? Se você acha que Galês é estranho, tente ler Gnomês) estava na cozinha. Os gnomos são elementais da terra e geralmente vivem sob a terra, minerando e escavando. Eles parecem mais como toupeiras, com cabeças peludas, pequenos olhos apertados e narizes mais pontudos do que qualquer outra coisa. Eles são mais felizes escavando no escuro úmido. Que diabos Grnlllll estava fazendo nesta cozinha brilhante eu ainda tinha que descobrir, mas o que quer que fosse certamente não estava fazendo por vontade própria.

3

Do Original: Lend free and grease filled.

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E suas batatas fritas? Não são boas. Grnlllll resmungou algo para mim que eu não me incomodei tentando interpretar e eu saí para anotar os pedidos. Negócios à tarde eram bastante típicos, na maior parte os paranormais locais, o que significava uma abundância de bifes tão raros que eu mal podia aguentar olhar para eles e shakes, dos quais eu não queria nem pensar nos ingredientes. As coisas aumentaram quando a noite começou a ondular contra as janelas com fria insistência. Meus pés e costas doíam e se eu tivesse que sorrir mais uma vez e fingir que eu não percebi o vamp no canto lambendo os lábios sempre que eu passava, eu tinha certeza que iria gritar. Já era ruim o suficiente que metade dos vampiros locais tentasse usar seus poderes de controle da mente para convencer-me de que eu não queria uma gorjeta. Eu sempre quero gorjeta, seus velhacos mortos-vivos. Ainda assim, era engraçado ver vampiros ficarem mais e mais frustrados quando não conseguiam me convencer. David e Arianna mantiveram minha habilidade com o glamour em segredo, o que me agradou. Isso tornou as coisas menos complicadas. Eu rasguei a conta e bati sobre a mesa do lambedor-de-lábios. “Quinze por cento, como sempre.” Ele fez uma careta, então seu rosto se suavizou em um sorriso deslumbrante. Deslumbrante se você não pudesse ver através de seu glamour para notar que cada um dos dentes estava sorrindo para mim através de suas bochechas podres. Ele estendeu a mão para tentar tomar a minha, mas eu a levantei. “Sério. Quinze por cento ou eu vou derramar alho em pó em seu próximo Bloody Mary.” Ele encarou-me com uma carranca que poderia lançar mil livros. Eu sorri. Murmurando coisas assassinas sob sua respiração, ele puxou a carteira e entregou o dinheiro. “Volte logo,” eu cantei radiante enquanto ia de volta para a caixa registadora. Eu posso não ter mais a Tasey, mas eu ainda podia ter o melhor contra os vampiros. Nona passou. Mesmo a maneira que ela andava parecia uma árvore balançando ao vento. Caras locais, não-paranormais, apareciam no restaurante algumas vezes para vê-la. Se eles pudessem ver seu tronco oco de uma volta completa, com cauda, eles provavelmente pensariam de maneira diferente.

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Então, novamente, você nunca sabe nada quando se trata de caras. E ela era uma árvore muito linda. Ela parou em minha frente, sorrindo. “Obrigada por trabalhar esta noite.” “Claro. Oh, ei,” eu disse, lembrando-me de minha pergunta anterior. “Eu tenho visto mais e mais paranormais que eu não reconheço. David sabe sobre eles?” Eu encontrava-me com ele e Arianna muito regularmente para ver papelada e detalhes sobre sua pequena operação, mas eu não sabia de tudo. Nona acenou com a mão graciosamente pelo ar. “Não há perigo. Você importar-se-ia de ajudar Grnlllll na cozinha? Ela não pode levar o lixo para fora por conta própria.” Meu estômago afundou. Lixo. Maravilha. O gnomo era menor do que os sacos de lixo, mas é claro que não poderíamos obter bolsas menores, oh não, então eu tenho que ser chamada a qualquer momento que o lixo estiver cheio. E tirar o lixo significava abrir a lixeira e eu tive que realmente a tocat para conseguir abri-la e foi pegajoso. PEGAJOSO. Eu realmente não sou uma pessoa preguiçosa, mas durante os últimos oito anos de minha vida, tudo o que eu tinha a fazer era pegar minhas coisas. Eu não poderia exatamente tirar o lixo do Centro para o meio-fio, considerando que era um complexo fechado subterrâneo. O lixo do restaurante foi o suficiente para fazer-me ficar nostálgica sobre corredores esterilizados e brancos. Melhor esterilizado do que pegajoso e malcheiroso. De volta à cozinha, Grnlllll apontou na direção do lixo que ela tinha deixado transbordar e derramar no chão. Tentando ignorar a construção de uma bola no fundo de minha garganta, ergui o saco para fora da lata. Ele caiu em minha perna, deixando uma mancha vil, repugnante e escura em meus jeans. Brilhante. A voz de Grnllll berrou algo para mim enquanto ela apontava furiosamente para o rastro que eu estava criando conforme arrastava o saco ao longo do chão, mas neste momento eu não me importava. Eu deveria ter tido este fim de semana de folga. Eu deveria estar aconchegada ao lado de Lend agora, tirando sarro de um filme ruim com ele e Arianna. Eu não pedi por isso. Além disso, ela pode ser pequena para a lixeira, mas ela não era muito pequena para enxugar. Eu chutei a porta de metal que conduzia à rua escura, engolindo o ar da noite

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enquanto o cheiro de comida podre assaltava minhas narinas. Eu podia senti-lo alojando-se em minhas cavidades e perguntei-me se eu seria capaz de cheirar qualquer outra coisa. A única luz acima da porta piscou. Eu provavelmente teria que trocar a lâmpada, também. Estúpido gnomo. Respirando fundo, eu fui até o lixo entre nossa parede de tijolo e a do prédio ao lado, abri a tampa e joguei o saco. Uma grande gororoba de algo caiu diretamente em meu sapato. “Pii!” Eu gritei para a parede em frente de mim. “Pii, pii, pii!” Eu chutei a lixeira, em seguida, agarrei meu pé. Agora eu estava suja, meus dedos machucados e sentia-me como uma idiota. Fechei os olhos, apertando a ponte de meu nariz. Está tudo bem. Está tudo bem. Gostaria de ir para cima, tomar um banho e ir para cama. Pelo resto do fim de semana. A luz apagou, então voltou. Muito brilhante. Clara demais. Eu abri meus olhos para ver as linhas de outra porta das faeries formando-se na parede ao lado da lixeira. “Vá embora,” eu atirei. “Eu não estou no clima.” Se Raquel pensou que enviar o idiota do Jack repetidamente ajudaria sua causa, ela estava errada. Uma figura, mais alta que Jack e muito mais bonita do que qualquer outra pessoa que eu conhecia saiu da porta. “Agora, realmente,” ele disse, sua voz de ouro líquido. “Dificilmente esse era o 'bem-vindo' que eu esperava, meu amor.”

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Ex Marca o Local Reth. Em minha frente. No beco atrás do restaurante. Eu não conseguia descobrir se a agitação em meu estômago era medo ou excitação. Como eu esqueci a linda, linda coisa que ele era? Olhando para ele agora, brilhando fracamente com calor no escuro e frio, todos os sentimentos que eu já sentira por ele inundaram-me de volta. Incluindo todo o terror e dor que ele causou, então sim, eu não pularia nele nem nada. Mas ainda assim, ele era muito para se olhar. E a última coisa que eu queria ver agora. Ou nunca, realmente. Eu levantei a mão, com a palma para fora. “Eu não vou para lugar nenhum com você!” Reth ergueu uma sobrancelha. “Não há necessidade de ameaças. Não quero levar você a nenhum lugar. Exceto, talvez, fora deste beco, em um esforço para escapar um pouco do mau cheiro.” Ele olhou incisivamente para meu avental manchado. “Oh.” Baixei minha mão, deflacionada e confusa, e coloquei meu nariz disfarçadamente em meu ombro.Eu realmente fedia? E desde quando Reth não me quer? Ele sempre me quis. Mas eu não queria que ele me quisesse, então por que eu estava decepcionada? Deixe com ele tirar-me da raiva para confusão em cinco segundos. “Caminha comigo? Gostaria de oferecer meu cotovelo como um cavalheiro, mas sua mão parece bastante pegajosa.” Fiz uma careta. “Por que diabos eu caminharia para qualquer lugar com você?“ Ele estendeu uma perfeita e magra mão para a porta da cozinha do restaurante. “Minhas desculpas, por todos os meios, vá para dentro. Mais sujeira, sem dúvida, espera-lhe.“ Olhei para a porta, em guerra comigo mesmo. Por um lado, eu odiava fazer qualquer coisa que Reth quisesse que eu fizesse. Por outro lado, tinha um esfregão com meu nome lá dentro... “Tudo bem, mas se você tentar qualquer coisa...” “Realmente, Evelyn, como eu senti saudades do charme de sua companhia.”

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Mantendo um olhar atento sobre a faerie, eu segui-o através do beco. Nós caminhamos na rua de lâmpadas alinhadas, seu passo tão leve que beirava a dança. Eu senti-me um torrão sem graça ao lado dele. Depois, tinha o aspecto de sua etérea, quase angelical beleza comparada a minha... Bem, para o bem de minha autoestima, era melhor não comparar. Abracei-me, dando de ombros contra o frio, a brisa fazendo cócegas enquanto minha respiração se espalhava em minha frente. Eu não tinha dúvida de que eu me arrependeria de ir com ele, mas parte de mim estava contente por esses estranhos acontecimentos novos. Eles fizeram-me lembrar de que eu não era apenas uma garota ruim no futebol. Mesmo que eu não soubesse seu nome verdadeiro e, portanto, não pudesse controlá-lo, dessa vez eu senti-me quase igual aReth. O conhecimento de que eu poderia machucá-lo se eu precisasse, se eu quisesse, deu-me uma inebriante sensação de poder. Provavelmente não era saudável. Ainda assim, se ele fizesse algo estúpido e forçasse-me a drená-lo, bem, eu não iria chorar sobre isso. “Então, existe alguma razão para esta caminhada? Porque eu estou meio com frio.” Reth riu, aquela musical e prateada risada, e inconscientemente eu me inclinei para perto dele. Balançando a cabeça, eu dei um passo firme em direção à rua. Estávamos chegando à fronteira de árvores frondosas que estavam ao longo das bordas da pequena cidade. Olhei para ele, notando pela primeira vez que ele estava com seu glamour. Não que fosse muito menos lindo que seu verdadeiro rosto, mas surpreendeu-me. Quando ele estava na AICP e era obrigado a usar o glamour, ele quase nunca fazia e eu não conseguia descobrir por que ele se importaria agora que estava livre (o que era na maior parte por minha culpa, mas, realmente, uma menina não pode ser obrigada a ser mais esperta que uma faerie durante a execução de sua própria morte, pode?) “Ainda com frio, meu amor? Eu posso cuidar disso.” “Sim, eu lembro. Acho que vou passar.” Eu esfreguei meu pulso, onde eu podia ver a impressão rosada de sua mão, queimada lá para sempre. Eu tive o suficiente de seu calor para durar uma vida. Reth parou e eu também, relutantemente olhando para ele. Raiva latente brotou em mim. Eu queria gritar com ele, atacá-lo. A culpa de Lish estar morta era dele, ele que deixou Viv entrar no centro. Mas se ele não tivesse, eu não teria saído da AICP nunca. E eu definitivamente não teria sido capaz de resgatar Lend. Por tudo que eu sabia, ele ainda

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estaria em uma célula no Centro e Vivian ainda estaria lenta, mas seguramente matando cada paranormal ao redor. Fez-me doente pensar nisso. Nada era simples com Reth, nada. “Por que você está aqui?” Eu perguntei, toda minha raiva reprimida esvaindo até a exaustão. Ele estendeu um dedo, quase tocando meu rosto, mas acariciando o ar na frente dele, em vez disso. “Você acreditaria que eu meramente queria vê-la?” “Não.” Ele sorriu. “Não, eu acredito que não. Inicialmente pensei em tomar você. Eu poderia, você sabe. Eu sempre fui tão gentil.” “Gentil?” Eu olhei para ele, incrédula. “Sim, eu não a posso compreender, também. Outros métodos teriam sido muito mais simples. Mas, por alguma razão, eu encontrei-me encantado por você e preocupado com seus melhores interesses.” “Você não pode evitar não superar seus próprios níveis de loucura, pode? Meus melhores interesses? Você raptou-me! Você queimou-me! Você tentou forçar-me a ser algo que eu nunca quis ser!” “Evelyn, querida criança, simplesmente porque você não pode entender o que está em seus melhores interesses não significa que eu não possa. E se o que é melhor para você também lhe machuca, bem, não altera a necessidade de tornar-se o que você deve ser.” “Você está...Eu... Augh! Você não tem ideia de quão louco você é. Se você realmente se importasse comigo, você não me machucaria. Mas você não se importa, porque você não pode! Você não pode se preocupar com qualquer coisa, exceto você mesmo.” Seus olhos brilharam, o amarelo-ouro escurecendo. “Eu cuido de você mais do que ninguém neste triste e redondo mundo cuida. Eu não teria derramado minha própria alma em você se isso não fosse verdade.” Eu estava feliz de ter libertado qualquer que fosse a alma que Reth me dera com todas as outras. Saber que eu tinha tido parte de sua alma em mim, fez com que eu me sentisse, bem, nojenta. Eu levantei meu queixo desafiadoramente. “Lend ama-me. Ele nunca me machucaria.”

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“E sem dúvida ele faria qualquer coisa por você.” “Sim!” “Faria o que fosse preciso para lhe proteger.” “Sim!” “E se a única maneira de lhe proteger e salvar sua vida fosse feri-la?” Bati meus lábios fechados contra o sim que estava prestes a sair. Eu poderia bater em Reth? Eu poderia, por favor, por favor, apenas bater nele? Ele sorriu, sabendo que ele me pegara.“Lend não pode amar você, porque ele não lhe conhece de verdade. Não importa o quanto você queira essa vida, ela não é sua. Nunca foi. Essa não é sua casa, Evelyn .” Lágrimas de raiva picaram meus olhos. “Vá embora.” “Venha comigo.” “Nunca! E você não pode me fazer ir. Se você realmente pudesse me levar, você já o teria feito.” Ele estalou a língua, impaciente. “Meus métodos anteriores encontram-se... desaprovados por minha rainha. Às vezes eu me pergunto se eu escolhi certo quando me alinhei com um tribunal.” “O que você quer dizer? Ou você é Seelie ou Unseelie.” Eu posso não saber tanto sobre faeries quanto eu deveria, mas eu sei que elas estavam em um dos dois tribunais: Seelie, que significa bom, ou melhor, bonzinho, já que não eram realmente faeries do bem ou Unseelie, que significa definitivamente, definitivamente ruim. Seu sorriso mudou e eu vi algo selvagem e primitivo sob seus recursos refinados. “Ninguém é bom ou ruim, meu amor. Nós todos temos pedaços de ambos; nós simplesmente optamos por alinhar-nos com qualquer lado que tenhamos uma forte atração. Minha escolha de envolver-me foi motivada por uma muito triste, garota vazia, com olhos como córregos de neve derretendo.” Então agora Reth estava dizendo que ele só foi com o tribunal bom por minha causa? Ou ele estava dizendo algo completamente diferente? Só ele poderia fazer isso comigo, fazer com que eu me sentisse terrível e confusa. Quando eu estava com Reth, tudo

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era solitário e meu coração partido parecia bem à superfície, implorando para ele levar tudo isso embora. “Eu odeio você,” eu sussurrei, minha voz rachando. Ele fechou os olhos nos meus, puxando-me mais perto, sua voz deslizando em torno de mim como uma rede de ouro. “Bobagem. Minha rainha proibiu-me de forçar você a vir comigo novamente, mas eu não consigo entender por que eu deveria precisar disso. Não tem que ser dessa maneira. Pode ser fácil, seguro, quente. E quando você voltar para casa, nada disso vai importar, tudo irá embora, todo o escuro e frio, nada menos que um sonho. Você nunca terá que se preocupar ou perguntar novamente. Basta escolhê-lo, Evelyn. Saia do apego deste mundo de perdas e venha comigo. Sou capaz de preencher o vazio que você tem. Torne-se o que você deve ser, e ajude-nos a voltar para onde nós pertencemos. Venha comigo.” Eu suspirei, respirando profundamente, meu rosto contra seu peito. O batimento cardíaco era estranho, muito lento, mas ele era aquecedor e seus braços a meu redor eram maravilhosos e como eu cheguei aqui mesmo? Eu não queria seus braços em volta de mim. Eu queria? Houve alguém... Alguma coisa... Alguma razão. Será que isso importava? Reth virou para longe, seu nariz perfeito enrugado. “Oh, que colar monstruoso. De onde você tirou tal coisa abominável?” Eu pisquei, confusa, e meus dedos foram até meu pingente. Quando toquei o ferro frio, a realidade voltou ao lugar. “Você está brincando comigo? Você vem aqui e usa seu estúpido truque faerie e então você se afasta de mim? Há alguma coisa em sua cabeça dourada que faça sentido? O quê? Você pensou: ei, Evie está, provavelmente, tendo uma noite ruim, por que não vou mexer com ela? Enquanto você está nisso, há provavelmente alguns filhotes que você poderia chutar!” Eu virei-me, andando de volta para o restaurante. Eu deveria saber, deveria saber, que aquela seria uma ideia horrível, era uma péssima ideia. Evie idiota. Virando a esquina, parei na mira de Reth, inclinando-se casualmente contra um poste de luz, cercado por uma poça de luz e parecendo um anúncio de uma impossível realidade perfeita. “Você precisa vir comigo. As coisas têm sido postas em movimento e eu não posso controlar todas as variáveis. Eu não posso esconder você para sempre. Posso, no entanto,

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mantê-la segura e fazê-la feliz. Dê-me sua mão.” Ele estendeu a sua; Eu poderia quase ver as ondas de calor que irradiavam a partir dela. Eu fiz uma careta, pensando na sílfide. É evidente que algo descobriu onde eu estava. Pensando nisso, o que garante que ele não enviou a sílfide a mim para enganar-me pensando que eu estava em perigo? Soava exatamente como ele. A coisa toda cheirava a maldade das faeries. “Vá se danar! Eu e minhas mãos mágicas vamos ficar bem, muito obrigada. Eu vou ficar bem onde estou.” Ele sorriu, ajeitando-se para ficar em minha frente. “Muito bem. É evidente que esta vida que você tão desesperadamente ansiava é tudo o que você esperava que fosse. Aquece-me vê-la realizada e...” ele inclinou-se, sussurrando em meu ouvido, “feliz.” Fechei os olhos, apertando meu queixo. Se ele acha que pode vir aqui e começar a brincar com minha vida novamente, ele está errado.“Olha, só porque...” Eu abri meus olhos para encontrar-me completamente sozinha. A lâmpada que parecia brilhar antes, agora estava dura, criando sombras e linhas cortantes, mas sem iluminar nada. A escuridão da noite pressionada em mim de todas as direções e meus dentes começaram a bater. “O que estou fazendo aqui?” Eu sussurrei. E, em seguida, rapidamente corrigindo: “Aqui fora. Eu quis dizer aqui fora.” Voltei para o restaurante. Ignorando Grnlllll, fui direto para o andar de cima, tirei minhas roupas sujas e fiquei no chuveiro até que a água quente acabou. Miseravelmente e inexplicavelmente triste, eu queria ligar para Lend. Eu nunca me senti vazia perto dele. Mas então eu teria que lhe dizer sobre hoje à noite e ele ficaria preocupado que Reth aparecesse novamente e eu não queria que ele se estressasse sobre isso. Em vez disso eu disse à Arianna que me sentia mal, subi na cama e fechei os olhos. As coisas estariam melhores de manhã. Elas tinham que estar. Meu cérebro e corpo finalmente desconectaram e eu cochilei para um abençoado sono. “Ei, estúpida,” disse Vivian. “Oh, Viv.” Eu quebrei em lágrimas. “Estou tão feliz por você estar aqui.”

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Em Sonho “O que há de errado?” Vivian perguntou. Sentamos em uma colina com vista para o mar, estrelas no céu negro da noite refletido na água. Ela colocou o braço em volta de mim sem jeito e eu deitei minha cabeça em seu ombro. Quando ela começou a aparecer em meus sonhos novamente depois de abril do ano passado, ela assustou-me para valer. Ela era tão solitária, embora eu não pudesse deixar de falar com ela. Eu ainda não a tinha perdoado por ter matado Lish, acho que nunca iria, mas era um tema que tínhamos evitado para que pudéssemos conhecer uma a outra. Entendi agora um pouco melhor de onde ela veio e eu sempre simpatizei com o quão profundamente sozinha ela tinha sido. Além de ser criada por faeries, ela foi obrigada a fazer más escolhas. Nós tratamos com leveza temas difíceis e em algum lugar ao longo do caminho parecia que realmente tínhamos nos tornado as irmãs que ela sempre quis que fôssemos. Exceto que ela nunca usou minhas coisas, o que era bom. Limpei as lágrimas. “Eu não sei o que estou fazendo. Estou triste e eu não sei por que e eu não deveria...E aqui estou eu, reclamando para você quando você não...” Parei, incapaz de terminar. Vivian não ia acordar nunca mais. Quando eu tirei as almas dela, ela não tinha tido o suficiente de sua própria alma para viver uma vida normal. Era minha culpa. “Ei, shhh, não se preocupe comigo. Eu estou bem.” “Você não tem visitado há algum tempo.” “Não tenho?” Ela olhou pensativamente para a água. “Estou aqui ou estou em lugar nenhum ou estou em outro lugar inteiramente. Isso me dá muito tempo para pensar. Mas eu nunca consigo chegar a algum lugar com isso.” “Sinto muito.” “Eu sei. Eu também. Eu tento fazer com que minha vida seja diferente em minha mente, que eu seja aquela que foi forte o suficiente para deixar para lá.”

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“Você foi, no entanto.” Cutuquei-a com meu cotovelo. “Você não tomou minha alma.” “Isso é algo, mas realmente não compensa pelas que eu tomei, não é?” Não. Não, compensa. “Às vezes... Às vezes eu desejo que você tivesse me enviado com eles.” Ela pega minha mão na dela, traçando o contorno da porta das estrelas por onde eu tinha enviado as almas. Nenhuma de nós realmente entendeu o que aconteceu naquela noite. Nós podemos ser As Vazias, capazes de abrir portas entre os mundos, mas isso não significava que nós tínhamos alguma ideia de como fazer. “Eu pergunto-me o que teria acontecido se as faeries não me tivessem enviado atrás de você, se elas percebessem que eu tinha energia suficiente para abrir uma porta sozinha. Sorte nossa que minhas faeries eram idiotas, mas não posso deixar de imaginar isso. Acho que eu gostaria de ver o que está lá fora.” Deixei um suspiro pesado escapar. “Um dia nós vamos.” Ela riu novamente. “Ei, estúpida, não é uma coisa ruim.” “É outra maneira de perder as pessoas,” Eu sussurrei. “Eu sinto que estou condenada a perder todos, sempre. Não consigo manter as pessoas que eu amo.” Ela apertou minha mão. “Eu sei. O lado bom, eu não vou a lugar nenhum.” Sua voz tinha essa borda de ironia, da qual eu me lembrava tão bem; engraçado que o que costumava me assustar sobre ela, agora era reconfortante, familiar. Estarmos juntas foi como um pequeno toque de casa, um conceito estranho para nós duas. Ela olhou para minha mão; Eu achei que vi um pequeno flash de luz, juntamente com o formigamento. “O que foi isso?” Eu tinha esquecido sobre a sílfide estúpida. Este não era o lugar para isso. Outra coisa para preocupar-se. “Eu não vi nada,” eu disse. “Se você vai mentir, você realmente deveria fazer melhor.”Ela deitou na grama para olhar para o céu. “Então, você está triste. Qual é o problema?”

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Suspirando pesadamente, deitei também. “Eu não sei. Eu finalmente tenho a vida que eu quis por muito tempo. E é ótimo, realmente e Lend...” “Gosto de ouvir sobre ele.” “Eu gosto de falar sobre ele. E ele é maravilhoso. Mas eu não tenho... Eu ainda não disse a ele.” “Sim, eu percebi. Você não é muito boa com a coisa de honestidade.” “Olha quem fala!” “Ei, sempre fui honesta sobre o que estava fazendo.” Ela mostrou um sorriso perverso, lembrando-me que não era tão inocente como eu gostava de acreditar. “Mas não é sobre isso que você está triste, porque você já sabe da alma de Lend faz um tempo.” Mudei-me desconfortavelmente. “Reth visitou-me hoje à noite.” “Sério? Queria que ele me visitasse...” “Vivian!” “O quê? Uma garota fica sozinha em coma e, faerie ou não, ele é bonito.” Eu não tinha certeza se ela queria-o para arrumar confusão por aí ou para suga-lo completamente, e estava igualmente incerta sobre qual opção me assustava mais. “Vá em frente, continue.” “Eu não sei. Ele deixou implícito que eu não estou realmente feliz com a vida que eu escolhi.” Eu odiava como ele sempre parecia ver diretamente através de mim. Se ele não tinha que lidar com constrangimento ou emoções mortais imprevisíveis, por que ele tinha que ser tão bom em lê-las? “Bem, você está feliz?” “Sim! Eu estou! Claro que estou. É o que eu sempre quis”. “Mas...” “Nada. É estúpido.”

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“Bem, uh. Você, minha querida irmã, é estúpida sobre um monte de coisas.” Eu olhei para ela. “Poxa, doeu, ok?” Ela deu de ombros. “Como eu disse, eu sou sincera. Continue. É o que você sempre quis, e?” “E não é, sabe? Lend está sempre fora e mesmo quando ele está aqui eu não posso evitar me preocupar que essa não seja a vida que ele escolherá quando descobrir que ele é como sua mãe. E então Raquel apareceu esta semana e lembrou-me de como as coisas costumavam ser. Elas não eram boas, mas meio que sinto falta...” Eu pensei no que minha vida tinha sido na AICP, o quanto eu sonhava em ser normal, nesta vida que eu tenho agora. Do que é que eu sinto falta? Não eram das missões, das restrições, do estilo de vida. Era de ser importante. “Sinto falta de ser especial. Na AICP, eu era especial. Eles precisavam de mim. E no mundo real, eles... não precisam.” Lágrimas começaram a aparecer novamente e eu limpei-as, envergonhada. “Sinto muito. Como sou fraca, lamentei-me a vida toda sobre ser diferente e então odeio ser igual a todos os outros.” Viv apoiou-se em seus cotovelos, fazendo cara feia para mim. “Mas você não é. Você nunca foi igual. Então eu não entendo, você não mudou. Qual é o problema aqui?” “Eu não sei.” “Supere isso, então. Faça alguma coisa.” “O quê?” Ela acenou uma mão com desdém. “Tudo o que você desejar. Essa é a glória de ser você, Evie. Você tem uma escolha. Eu não recomendo uma matança paranormal maciça, porém. Não sairia tão bem assim para você.” Deixei sair um riso estrangulado. “Você é terrível.” “Não me diga.” Ficamos quietas, ambas perdidas em nossos problemas. Finalmente, Vivian pegou minha mão novamente em sua mão ainda mais fria, puxando-me para sentar ao lado dela.

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“Bem, chega com esta festa de lamentações. Se eu estive fora por um tempo, há coisas importantes que precisamos falar.” “O que é?” “Hum, olá? Você precisa atualizar-me sobre Easton Heights. Eu não ouvi o resumo das três primeiras temporadas para você deixar-me de fora agora.” Eu ri. “Importante, hein? Muito bem.” E eu compartilhei um pouco sobre o mundo exterior, aqui em meu mundo de sonhos escuros onde Vivian e eu nos conhecemos. Às vezes parecia mais real do que qualquer outra coisa. Quando acordei de manhã, minha mão ainda estava enrolada como se eu estivesse segurando a de Vivian. Eu suspirei. As noites com Viv sempre me deixavam com a estranha combinação de bem-estar e pesar. E então, naturalmente, a culpa sobre ser amiga da menina que matou Lish. Mas Lish entenderia. Eu espero. As faeries que criaram Vivian nunca a deixaram pensar que ela tivesse escolha. Ela sempre sentiu como se sua vida tivesse sido determinada para ela. Acho que ela percebeu que não fora, agora que era tarde demais. Isso me fez pensar: se eu tivesse me conectado com ela mais cedo, eu poderia ter parado tudo. Pensar nisso era o suficiente para deixar uma pessoa louca. No final, Vivian tinha feito suas escolhas e pagou por elas. Graças às faeries, ela estava fora das opções. Mas eu não estava. Eu faria dessa vida o que eu queria que ela fosse. Que se dane Reth, eu seria feliz. Eu teria meu bolo e comê-lo-ia. Ou melhor, ser normal e ter meu paranormal, também. Eu era especial; por que fingir o contrário? Eu precisava enviar um e-mail para Raquel. Ela estava prestes a ganhar o dia.

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Como Afrodite Usando Anabolizantes “Cale a boca.” Eu ri, fechando meu armário. “Não, sério,” Lend continuou. “Falando sério. O cara é um duende.” “Seu professor de redação técnica não é um duende.” “Como você sabe? É por isso que você precisa faltar na próxima semana e vir para a aula comigo. Para você poder confirmar. Agora tudo o que sei é que ele tem cabelo vermelho, pele vermelha, tem cerca de um metro e vinte de altura e não usa nada além de verde.” Eu rolei meus olhos, sabendo que ele não poderia vê-los através de meu celular rosa brilhante. “E por que um duende teria um doutorado?” “Eu não sei. Passar tempo na parte inferior do arco-íris ficou chato, ele estava cansado de trevos, potes de ouro perderam seu brilho para ele, faça sua escolha. Mas eu estou certo. Na verdade, já lhe contei que minha assistente de laboratório pode ou não ser uma dríade?” “Espere, elas não são notavelmente vigorosas?” Houve uma pausa na outra extremidade da linha. “Oh, você não irá para o laboratório de novo.” Lend riu e eu fechei os olhos, imaginando como ele ficaria em minha frente. “Confie em mim, só há uma paranormal que eu gostaria que fosse notoriamente vigorosa para mim.” Eu suspirei. “Ok, mas eu não acho que eu posso encontrar uma bruxa em tão pouco tempo.” Ele riu novamente, quase cobrindo o som do sino. Eu olhei ao redor, em pânico. Um papel solto vagabundeava através dos corredores agora abandonados. “Merda, eu vou chegar atrasada! Ligo para você mais tarde, tudo bem?” Fechando meu celular, corri para o vestiário. Pelo menos era o ginásio e havia pouco espaço de manobra.

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Ou assim eu pensava. Sra. Lynn, aquela criatura horrível, estava esperando na porta, marcando as garotas conforme iam entrando. Ela olhou para cima e sorriu, satisfeita por ter me pego em uma evidente infração. “Isso é a metade de seus pontos de participação para o dia, Green. Outro atraso e eu acredito que você vai se qualificar para suspensão na escola.” Onde estava Tasey quando eu precisava dela? Usei toda minha força de vontade para suprimir um rolar de olhos enquanto entrava nos vestiários. O aroma fraco de suor e bolor cumprimentou-me e passei pelas meninas despidas em vários estágios para chegar a meu armário. Eu não estava tão apaixonada por este. Carlee puxou seus tênis, já pronta para ir. Honestamente, como os peitos dela poderiam ser tão empertigados em um sutiã esportivo, eu nunca iria entender. Ou parar de invejar. Ela balançou a cabeça. “Você deve ser mais cuidadosa. A Sra. Lynn realmente não gosta de você.” Eu suspirei, arrancando minha roupa de ginástica. Que escola escolhe amarelo e marrom para suas cores? Nojento. Apenas nojento. “O sentimento é mútuo.” “Então, como foi seu fim de semana?” “Pessimástico.Lend teve que voltar para a escola.” “Chato. Sinto muito.” “Como foi o seu?” Seu rosto iluminou-se. “Ótimo! John e eu reatamos, certo? E no começo eu estava toda, tipo, impressionada! Mas então na sexta-feira à noite ele deveria ligar e ele não ligou, então eu tava tipo...” Meus olhos ficaram vidrados enquanto tentava prestar atenção. Gostava de Carlee e gostava de ter uma amiga que não estivesse morta-viva, mas às vezes o esforço para manter um relacionamento entre amigas é muito grande. “... e, em seguida, ele era como, 'se você não quer...”

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Um grito irrompeu do outro corredor. Não sei se deveria ser grata pela interrupção ou temer o que poderia estar acontecendo. Carlee e eu corremos para o canto e encontramos meninas cobrindo-se e gritando. “O que é?” Eu gritei, jurando nunca mais deixar Tasey em casa. Uma das garotas apontou para a próxima fila de armários e eu rastejei em direção a ela, com todos os músculos tensos e de costas para a parede. O corredor abriu-se em frente a mim e eu gritei, pronta para pular em... Jack. Estúpido, estúpido Jack, parado em cima de um dos bancos de madeira que se alinhavam no meio do corredor, mãos na cintura enquanto observava a ala vazia como se fosse um conquistador bizarro. “O que você está fazendo aqui?” Eu perguntei, horrorizada. Ele olhou para mim. “Oh, aí está você. Eu vim dar-lhe uma coisa.” “E você não poderia me dar em algum outro lugar?” Eu olhei em volta, exasperada e ansiosa. As garotas estavam começando a correr, passado pelo primeiro estado de choque e agora curiosas. “O que há de errado com este lugar? Parece muito bom para mim.” Ele bateu em seus bolsos, finalmente murmurando “Aha!” antes de pegar algo familiar parecido-com-um-celular. Um comunicador da AICP. Eu havia esquecido o quão chato eles eram comparados com meu celular super fofo. Ele sorriu e deixou-o escorregar por seus dedos. Eu ofeguei e avancei, mas ele jogou-o para cima e arrebatou para fora do ar. Sorrindo, ele entregou-o para mim com um floreio. “Raquel quer que você ligue para que ela saiba uma boa hora para falar de novo, uma vez que ela não quer atrapalhar sua vida.” “E o que você acha que está fazendo agora?” Uma limpada de garganta perto de mim e eu percebi Carlee parada lá. Seus ombros estavam jogados para trás e ela estava olhando para Jack de forma estranha. Não, não de forma estranha... Um olhar: “Ei, baby, bom ver você aqui”. “Quem é seu amigo?” Ela perguntou, uma risadinha seguindo sua pergunta. “Não é meu amigo! Definitivamente, não é meu amigo.”

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“Como você entrou aqui, então?” A Ruiva Perversa do futebol perguntou. Ela estava olhando para ele com uma mistura de desconfiança e interesse. “Você vai ficar aqui?“ O que havia de errado com aquelas garotas? Um garoto psicótico aparece no meio do vestiário e elas estavam prontas para flertar? Elas não assistiram nenhuma comédia de colegial? Nós deveríamos chicoteá-lo com toalhas molhadas nesse ponto, ferozes em nossa fúria de proteger a santidade do vestiário feminino. Em vez disso, elas estavam se concentrando em uma postura de turnos estratégicos para máxima bustização. Honestamente, ele não é tão fofo. Seu cabelo loiro enrolado e seus olhos azuis grandes demais me davam nos nervos. Oh, olhe para mim, eu sou tão adorável e inocente, eu posso aparecer onde eu quiser e ferrar com a vida da Evie! “Ok,” eu sibilei, nervosa com a multidão crescente. A senhora Lynn só percebeu que algo estava acontecendo quando ninguém se apressou para começar a se alongar. Os mais zelosos estavam sempre de pé antes para se aquecerem. “Obrigada pela entrega, agora vai! Anda! Vai!” “Mas eu acabei de chegar aqui.” Ele fez um falso beicinho com o lábio inferior. “Rápido, antes que senhora Lynn...” “Antes que eu o quê?” Uma voz familiar perguntou atrás de mim. Minha coluna endureceu em terror. Não era minha culpa! Certamente eu não poderia me meter em encrencas por isso. A Sra. Lynn colocou sua mão carnuda em meu ombro e era tudo que eu podia fazer para ficar de pé sob o peso. Jack tomou seu doce tempo, olhando-a de cima a baixo, seus olhos persistindo em sua linha de trás. Ela rosnou, “E quem é seu amigo, Green?” Eu estava morta. Eu estava muito, muito morta. Eu estava prestes a ser expulsa e aí eu nunca conseguiria chegar a Georgetown e eu trabalharia no restaurante pelo resto de minha vida e Lend casaria com a assistente de laboratório dríade e eles teriam bebês meio-árvore-e-um-quarto-coisa-de-água e ninguém saberia exatamente o que eles eram, mas eles seriam lindos. E eu servi-los-ia batatas fritas quando eles viessem me visitar. Jack olhou para mim, uma expressão exageradamente confusa e perturbada em seu rosto. “Eu não a conheço.”

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“Oh, sério.” Senhorita Lynn estava tentando não soar divertida, mas eu podia ouvir a satisfação em sua voz. Isso ia ser muito melhor do que me fazer de indolente. “Não. Eu vim aqui para ver você. Eu não acreditei nos rumores, mas depois de ouvir em tantos continentes, eu tive que vir ver eu mesmo.” “Ver o quê?” Seus olhos abriram-se em bajulação, sua voz assumindo um tom respeitoso. “Se era verdade que Helena de Tróia, ou melhor, a própria Afrodite, tinha reencarnado na forma de professora de ginástica.” O vestiário estava completamente silencioso. Com exceção da mandíbula da Ruiva Perversa caindo no chão com um pouco de plink. Ou, talvez, eu tenha imaginado isso. Então, a turma fez a pior coisa possível: começaram a rir. Senhorita Lynn matar-me-ia. Jack caiu de joelhos no banco, seus olhos rolando em êxtase enquanto ele agarrava seu coração com as duas mãos. “Oh, o paraíso está acima, para ter visto tanta beleza com meus próprios olhos! É mais do que eu esperava. Mas como eu posso viver agora, sabendo que você não é minha? Por favor.” Ele arrastou-se para frente até o limite do banco. “Case-se comigo. Ou melhor, casamento irá nos custar preciosos momentos juntos. Deixe-nos fazer um doce e apaixonado amor aqui. Deixe-me ser pai de seus filhos.” Um grunhido primal sinalizou que senhorita Lynn estava saindo de seu choque, sendo abordada assim. Ela avançou; Jack habilmente rolou para fora do banco, pulando para fora de seu alcance. “Deus, eu não esperava que você ficasse tão animada com meus avanços. Se eu não jogar pesado, como vou saber se você respeita-me ou não?” Outro resmungo, esse soou como “você!” Ou, talvez, “eew!” porque foi certamente assim que eu me senti sobre essa mudança toda. Todos pararam de rir e começaram a assistir, olhando com horror, sem saber se ficavam ou se distanciavam do inevitável que estava para acontecer, o que provavelmente envolveria um desmembramento de Jack. Eu não sabia para quem torcer. Esquivando-se de outra garra, Jack usou o banco como um ponto de lançamento, saltando e impelindo-se para o topo da fila de armários. Se eu não soubesse com certeza que ele era humano, eu teria suspeitado de algo paranormal por trás de suas acrobacias. Ele teria futuro nas Olimpíadas, caso senhorita Lynn não o matasse antes.

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“E se eu ligar? Nós podemos sair para almoçar”. Ele mandou um beijo em direção ao rosto cada vez mais roxo da senhorita Lynn e pulou para fora em direção à próxima linha. Eu notei um pequeno flash de luz. O pânico surgiu em meu peito, mas toda a atenção da sala se reunia aqui. Ninguém mais viu. Senhorita Lynn empurrou-me para trás, correndo para impedir a saída. “Vigiem a porta do ginásio,” ela gritou, os olhos brilhando de raiva quando assumiu sua posição e esperou. E esperou. E esperou. Mas Jack estava longe, tendo escapado da senhorita Lynn e de qualquer repercussão sobre suas ações idiotas. Ela fixou seus redondos olhos negros em mim e meu estomago afundou-se com o conhecimento de que eu não teria tanta sorte. Muito obrigada, Raquel.

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Não há lugar como o lar “O que você estava pensando, mandando aquele macaco raivoso para minha escola?” Gritei para meu comunicador. “Perdão?” Raquel disse. “Jack. Minha escola. Vestiário feminino. Lembra-lhe alguma coisa? Se Carlee não tivesse jurado para a ogra de minha professora de educação física que Jack não era nem meu namorado nem meu irmão, eu provavelmente seria suspensa!” “Sua professora de educação física é uma ogra?” “Foco! Se eu fosse suspensa minhas notas cairiam. Se minhas notas caíssem, eu não poderia entrar para a Geogetown. E eu vou entrar na Georgetown.” “Estou feliz que você finalmente está tomando frente quanto a sua educação. E desculpe-me sobre Jack; pedi a ele para entrar em contato com você discretamente.” “Aquele garoto não saberia o que é descrição nem se sapateasse em sua estúpida cabeça loira.” “Ainda assim, se isso fosse um discreto sapateado, isso não seria muito discreto, seria?” “Cale a boca,” eu disse, tentando não sorrir. Eu estava irritada. Sem sorrisos. “Quando você ficou engraçada?” “Vou falar com Jack e dizer a ele para não entrar em contato com você na escola.” “De qualquer forma, qual é a dele? Ele é a pessoa mais esquisita que eu conheço e isso quer dizer muita coisa.” “Jack teve... uma formação pouco convencional. Vocês dois tem mais em comum do que você pensa. Sua vida foi interrompida pelos sobrenaturais, também. Ele é um menino notável e um ótimo recurso. Nós tivemos sorte dele nos encontrar.” Fiz uma careta. Fazia sentido que Jack tivesse alguma conexão com as faeries, com suas habilidades. “Tudo bem. Sem mais visitas escolares então. E diga a ele para não vir a meu quarto sem aviso prévio.” “Então, você tem certeza que quer nos ajudar?”

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Hesitei, mordendo meu lábio. Parecia que eu estava me equilibrando num muro. Aponte para um lado, diga não e eu sabia exatamente o que eu acharia quando caísse. Tudo igual. Diga sim e aponte para o outro lado, e... Eu não tinha ideia. Mas o muro continuaria ali e eu poderia sempre achar meu caminho de volta, certo? “Duas condições,” eu disse, praticamente sentindo seu alívio e excitação escoando pela conexão. “Um: Eu não sou nível sete ou nada em nenhum sistema. Eu não sou da AICP. Se eu não gosto de uma missão, eu não faço. Isso será totalmente de meu jeito.” “Feito. E a segunda?” “Eu quero meu cartão de crédito de volta.” Claramente eu estava prestes a aventurar-me no desconhecido e para isso precisaria de um guarda roupas novo. “Muito bem. Enquanto reservá-lo apenas para emergências.” “Sério, Raquel, quando você ficou tão engraçada?” Ela parou. “Evie, estou... Estou muito feliz que você irá nos ajudar novamente.” “Eu também senti sua falta.” Quero dizer, meu coração brilhou, mas estava surpresa por uma desconfortável coceira em minha garganta e a coisa picando meus olhos. Céus, eu não estava prestes a chorar em uma ligação com Raquel. Além do mais, meu 17° aniversário estava chegando, eu estava vivendo por mim mesma, independente, forte. Eu estava fazendo isso porque eu queria – não porque sentia falta dela. Isso seria estupidez. Depois de um pigarro suspeito, a voz de Raquel estava viva, com um tom de negócio. “Excelente. Eu mandarei Jack para você por volta das 8 horas.” “Nossa, essa noite? Tão cedo?” “Eu não estava brincando quando disse que precisamos de ajuda. Ultimamente, parece que tudo que pode dar errado dá. E tem havido mudanças estranhas no mundo paranormal, nada comparado a abril, mas o suficiente para termos sido forçados a usar mão de obra que não temos que rastrear.”

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“Eu acho que posso dar um jeito nisso, então.” Uma noite sem cópias de vacas e graxa? Claro que eu posso fazer isso. “Mas onde? Itália? Islândia? Ooh, eu poderia ir para o Japão.” “Na verdade, é um pouco menos exótico que isso. O Centro.” E foi assim que toda minha emoção foi substituída por um sonho gelado. Eu não podia voltar lá. O centro era um túmulo. Para mim não tinha mudado nada desde a última noite em que estive lá. Vampiros sem vida alinhados pelos corredores, estranhamente iluminados por uma luz estroboscópica de alerta, que falharam quando tentaram salvar uma sereia que eu adorava. Eu não suportaria imaginar revisitar o lugar que foi nossa casa. “Raquel, eu...” “Vemo-nos às 8 horas!” A linha ficou muda e eu fiquei parada ali, olhando o comunicador. Duas horas depois eu ainda estava em minha cama, olhando para o teto. Nem mesmo o contorno familiar da Tasey que eu segurava em minha mão fez-me melhorar. Eu tinha que contar a Raquel que o acordo acabou. Não tinha jeito, eu estava voltando atrás. Quanto mais cedo eu pudesse entrar em contato com ela, melhor. Mas eu não podia suportar escutar o desapontamento em sua voz. Ela estava emocionada, simplesmente feliz porque iríamos trabalhar juntas de novo. Estar feliz não era uma coisa que ela fazia com frequência. E agora eu tinha que dizer que não iria, porque eu simplesmente estava surtando. Lamentável. Eu virei de lado. O pingente começou a brilhar na mesa de cabeceira e eu estendi a mão para pegá-lo, correndo a mão para o lado do coração. Por que as coisas nunca são fáceis? Ás vezes eu queria pegar uma memória, uma perfeita memória, enroscar-me nela e ir dormir. Como meu primeiro beijo roubado. Eu poderia viver com essa memória para sempre. Apenas nós e nossos lábios e descobrindo como eles combinam perfeitamente juntos. Se tudo fosse assim, a vida seria melhor. “Honestamente, Evie,” Eu bufei e voltei para o centro da cama e continuei olhando para o teto. “Por que você não lamenta um pouco mais ao invés de não fazer nada?”

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“Conversar com você mesma é o primeiro sinal de loucura,” Arianna voluntariou-se, apoiando-se no batente de minha porta aberta. “Sim, assim como ver coisas que mais ninguém vê, mas as pessoas aparentam gostar disso em mim.” “Bem pensado. A probabilidade é que você tenha estado louca durante anos. Eu provavelmente não sou nada mais do que uma invenção de sua imaginação.“ “Se isso fosse verdade, eu teria lhe imaginado menos pateta.” Ela suspirou. “Não é triste que você se odeie tanto que nem consegue sonhar com uma colega de quarto adorável?” “Não é tão triste quanto admitir que você seja uma péssima puxa saco4.” Com um sorriso perverso, ela estreitou os olhos. “Eu usaria o termo chupar com moderação perto de mim. Não queira ir plantando ideias em minha cabeça morta.” Eu joguei um travesseiro nela. “Enfim,” ela disse, ajeitando o cabelo espetado vermelho e preto (muito mais agradável do que os fios que se agarravam à cabeça atrofiada sob seu glamour, não olhe, eu lembrei a mim mesma), “Está escuro lá fora. Vamos ao cinema. Estou tão entediada que poderia morrer.” “Muito tarde.” Ela jogou o travesseiro em mim e foi para a sala principal. Eu sentei no canto da cama e tive uma visão. O comunicador mandava ondas de culpa na posição em que estava próximo do travesseiro, mas eu não conseguia ligar para Raquel. Ela descobriria que eu não iria em, olhei para o relógio, 10 minutos. Era provavelmente o melhor. Oh, pii, como se eu ainda soubesse o que era melhor. Sacudindo a cabeça, eu peguei a Tasey e andei até meu armário, abrindo a gaveta de meias. “Desculpe-me, amiga,” eu sussurrei. “Talvez outra hora.”

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No original ela usa “suck” e é por isso que na frase seguinte ela diz “chupar”. É um trocadilho.

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Eu escutei a porta da frente abrir e Arianna gritou. “Estou indo embora agora. Encontre-me lá se você quiser ir.” “Ok, deixe-me pegar meu...” Uma luz brilhou e uma mão atravessou a parede e agarrou meu braço, puxando-me para a escuridão infinita.

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Velhas Assombrações Eu gritei quando o pequeno retângulo que segurava a porta de meu quarto, minha vida, fechou, deixando-me no escuro tão espesso e completo que eu pude sentir na pele. “Nossa, acalme-se.” Eu virei, dando um tapa no peito de... Jack. De novo. Sinceramente, vou acabar matando-o acidentalmente. Ou de propósito. E eu não pediria desculpas. “Qual seu problema? Largue-me!” Ele ergueu a sobrancelha e agarrou meu pulso. “Sério? Ok, se você insiste.” Se ele tivesse me soltado, eu estaria perdida na escuridão. Sozinha. Para sempre. A única coisa que dava para ver no caminho era a pessoa com quem eu estava, não havia nada lá. Eu não queria usar o caminho das faeries nunca mais e agora aquele temor familiar estava preenchendo todo meu corpo. Eu agarrei seu braço com minha mão que estava livre. “Para com isso! Por que você me agarrou daquele jeito? Aterrorizar-me na escola não foi o suficiente?” Ele encolheu os ombros. “Raquel disse-me para buscá-la ás 8 horas.” “O nome disso é bater, indivíduo inteligente!” “Eu sei que fiz parecer sem esforço, mas criar portas entre os reinos não é tão fácil assim. Puxar você era mais fácil do que entrar em alguma conversa educada e talvez um pouco de chá, em algum momento eu teria que fazer outra porta. Eu não sabia que você gritaria como uma menininha.” “Eu não gritei como uma menininha.” Piscando suas covinhas, ele tomou uma enorme quantidade de ar e explodiu em um ensurdecedor e, decididamente um pouco menininha, grito. “Assim. Apenas com os olhos mais loucos e mais agitados.” “Cale a boca.” “Alegremente. Estamos começando a atrasar-nos.”

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Ele escorregou sua mão de meu pulso e segurou minha mão e então começamos a caminhar. “Meu Deus, suas mão estão geladas.” Eu nunca pensei que preferiria o silêncio mortal do caminho que qualquer outra coisa, mas seria melhor do que escutar esse idiota. E eu não precisava que ninguém ficasse me lembrando de que minhas mãos estavam geladas. Geladas, mortas, mãos de morto. “Podemos não conversar?” “Mas você é uma conversadora charmosa. Ainda assim, se você preferir, pode simplesmente se aquecer em minha gloriosa companhia, eu entendo. Você provavelmente deve estar sobrecarregada de ficar o tempo todo segurando minha mão e quer apenas curtir o momento.” Eu revirei os olhos. “É tudo o que posso fazer para não desmaiar, mas vou tentar conter-me.” “Eu acho que desmaiar está um pouco subestimado. Você pode trazê-lo de volta a moda.” Eu virei a cabeça para olhar para ele ao invés de focar no escuro a nosso redor. Parecia que as pessoas existiam lá fora, mas do lado de dentro não havia nada. Jack e eu éramos as únicas criaturas vivas, pelo menos era o que parecia. Que pensamento horrível. “De que lugar do planeta você veio?” Eu perguntei. Ele sorriu, mas tinha um estranho aperto em seu rosto. “Falar sobre minha historia iria pedir uma conversa e ao que me parece você pediu para que não acontecesse. E aqui estamos nós!” Como um floreio, ele acenou... para o nada. Eu apenas fiquei olhando. Nada aconteceu. “Você consegue sentir?” Ele perguntou, os olhos dele apertaram. “Sentir o quê?” “Vamos lá, você esteve aqui mais tempo do que eu estive. Você nunca tentou descobrir?” Eu cometi o erro de olhar para meus pés enquanto estávamos na escuridão e agora estava com vontade de vomitar.

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“Será que poderíamos sair logo daqui?” “Sinceramente, Evie, você não sabe como se divertir, não é?” Ele colocou uma mão para fora e seus olhos fixaram-se para concentrar-se. A escuridão estava chegando ao fim, uma luz dilacerante apareceu, mas apenas iluminando uma porta que se formava ao fundo, abrindo em um doloroso e familiar corredor branco. “Lar doce lar,” Jack cantou, puxando-me para fora com ele. A porta fechou-se atrás de nós. Eu senti como se tivesse andado em um sonho. Quando deixei isso para trás, eu fiz uma parte minha acreditar que isso deixou de existir. Apesar das luzes fluorescentes sobre minha cabeça, parecia que a única coisa diferente naquele lugar era eu. Nós viramos a cabeça e olhamos para o comprimento do corredor. Uma mulher que eu não conhecia, vestida com um terno listrado, correu por nós, gritando assassinato sangrento e deu um golpe no ar ao redor de sua cabeça. Eu suspirei. “É, o lar doce lar está prestes a desmoronar.” Eu olhei para o corredor novamente e minha atenção foi atraída por uma batida suave que vinha de lá. Dessa vez a mulher no terno não estava tão insana, ou pelo menos não estava correndo ao redor do corredor, tipo gritando. “Evie,” Raquel disse, apertando a boca e evitando sorrir. Outro grito ecoou; eu peguei o vislumbre de alguém correndo entre um dos corredores atrás da gente. Ele parecia suspeitosamente como Bud, meu duro e áspero professor de defesa pessoal. “Eu saí por alguns meses e esse lugar está em pedaços.” Raquel balançou a cabeça, olhando para os gritos irritantes que vinham do corredor. “Bom, como você chegou na hora, por que eu não lhe mostro a área problemática?” “Parece-me legal.” Estar aqui foi como um déjà vu. Quanto mais rápido eu resolvesse o problema, mais cedo eu poderia sair dali e enlouquecer em particular.

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“Seja bem vinda.” Jack acenou alegremente e começou a correr, dando várias voltas no corredor. Eu virei para a Raquel. “Acho que ele está quebrado.” Ela disse suspirando: “E eu não sei disso! O passado de Jack não contribui para sua estabilidade. Mas ele é um bom garoto.” Ele quase me fez ser expulsa por minha professora de ginástica. Bom menino ele não era. Mais gritos soaram pelo corredor. “Sério, o que está acontecendo aqui?” “É o poltergeist5. Aparentemente nós identificamos sua localização atual.” “Oba.” “Se conseguirmos que este pequeno problema seja resolvido, estou certa de que os outros problemas seriam muito fáceis de resolver. Já não é fácil manter os empregados trabalhando, os arquivos importantes estão desaparecendo.” Eu segui-a pelo corredor, tentando não pensar em todas as vezes em que corri por aqui. Aqui não era mais minha casa. Eu estava aqui a trabalho. Um emprego. Eu poderia destacar-me profissionalmente. Enquanto nós não tivéssemos que ir... Central de processamento. Raquel parou em frente às portas corrediças. Claro. Porque nada poderia ser fácil essa noite. “Aqui?” Eu perguntei, já sabendo a resposta. De todos os lugares do centro, o poltergeist tinha que tomar lugar justamente aqui. Eu fechei meus olhos, retratando como era o aquário: água verde azulada; peixes tropicais; um recife de corais; a feliz, engraçada e capaz Lish no meio de tudo isso, capaz de lidar com tudo e controlar os computadores, dizendo pii. Não importa quanto tempo eu tentasse segurar a imagem na cabeça, eu só conseguia me lembrar do buraco irregular no vidro, irradiando luzes de corpos sem vida como se estivessem deitados na beirada de uma piscina. Eu abri meus olhos, percebendo que Raquel estava falando há um tempo. 5

Aquele que anteriormente Raquel disse que não sabia onde estava.

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“... Entender o porquê eu não posso ir com você.” Eu franzi a testa. “Ah, tudo bem.” Eu levantei a mão para o palm pad... Nada aconteceu. O estranho sentimento de traição e abandono passou por mim. Eles trocaram as fechaduras? “Desculpe-me por isso,” Raquel disse, esperando que eu me movesse para que ela pudesse abrir a porta. A porta abriu com um silvo e ela recuou um pouco saindo de meu campo de visão. “Vou deixar destrancado.” Respirando fundo, eu entrei. O vazio da grande sala branca e circular bateu-me como um sopro. O aquário havia sumido. Não deixou nenhum traço exceto um anel fraco no meio do chão. Parecia que nunca havia existido. A porta fechou-se atrás de mim e eu deslizei contra o chão. Eu definitivamente não estava pronta para isso. Um pequeno sopro gelado levantou os pelos de meu pescoço. Alguma coisa escura foi arremessada passando pelo ângulo de minha visão. Eu virei a cabeça, mas não tinha nada lá. As luzes começaram a piscar e depois apagaram, exceto uma única luz fraca. “Eu estava esperando por você,” uma voz fraca soprou em meu ouvido. Uma cosquinha em meu braço chamou minha atenção para a aranha preta com uma ampulheta na barriga que estava subindo por meu braço. A última luz apagou-se e um grito de morte foi rasgado pelo quarto, enquanto mergulhava na escuridão.

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Reuniões Mortais No breu a única sensação era a da aranha com patas sinistras em meu braço. “Você vai morrer neste quarto,” uma voz sussurrou em meu ouvido. Eu não seria a primeira. Meu peito apertou, pensando nos últimos momentos de Lish. Ela estava com medo? Será que doeu? As luzes piscaram de volta revelando meu corpo todo coberto por uma massa fervilhante de viúvas negras. “Oh, cai fora,” eu bati, levantando. Eu tenho certeza de que estaria com medo, aterrorizada até, se não fosse o fato de que eu podia ver através das pequenas aranhas. As projeções do poltergeist eram uma combinação de glamour e manipulação do ar para criar a ilusão da sensação. Puro truque. Fez-se uma pausa e então as aranhas sumiram, substituídas por um vento uivante. O sangue atravessou as costuras entre a parede e o telhado, caindo bem em meu rosto. Eu passei a mão por ele e deixei a ilusão do sangue passar por mim. “Da próxima vez tente xarope de milho e corante vermelho.” Um rosnado baixo ecoou na sala, o que procedeu em um explodir de chamas crepitantes que devoravam as paredes e cercavam-me. “Você está acabando? Porque tudo isso é muito impressionante, mas hoje é a noite dos deveres da escola e eu tenho muito trabalho para fazer e preciso voltar.” As chamas desapareceram da face da terra, deixando o quarto mais primitivo e vazio do que estava antes. “Eu vou matar você,” a voz resmungou e alguma coisa desencadeou uma memória. “Steve?” O ar brilhou em minha frente revelando uma imagem translucida de... Sim, o vampiro Steve. Ou pelo menos, o que costumava ser Steve o vampiro. Considerando que agora ele estava morto mesmo, ao invés de morto-vivo e ele não era tecnicamente um vampiro. Ele fez uma careta para mim. “Você não é nem um pouco engraçada.”

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“Uma estraga prazer extraordinária, é o que sou. O que você está fazendo aqui?” “O que parece que estou fazendo?” Ele levantou as mãos e elas explodiram em chamas. “Parecem truques baratos de salão para mim. Sério, da última vez que o vi...” A ultima vez que o vi, ele estava tão fora de si por ter sido trazido para o Centro, que ele mordeu Raquel, sabendo que isso poderia desencadear uma injeção de água benta e sua morte. De novo. Mas permanentemente. Os olhos dele estavam raivosos. “Fico feliz em ver que você ainda se lembre de mim.” “Mas é claro que lembro. Mas o que você ainda está fazendo aqui?” “Estou aqui para fazer com que eles paguem por tudo. Todos eles irão. Eles vão lamentar o dia em que me trouxeram para essa prisão.” Steve sempre teve dom para o drama. Ele deveria ter levantado uma mão fantasmagórica no ar enquanto ele dizia isso, para um efeito completo. Eu sentei, apontando para a porta. “Eu acho que é justo o suficiente.” “Você está tentando exorcizar-me?” “Nah. Não é meu departamento.” “Oh.” Ele mordeu os lábios, ou pelo menos tentou, mas falhou devido a seu corpo imaterial. “Bem, então, o que agora?” “Ooh, você pode fazer com que pareça que insetos estão explodindo para fora de minha pele?” Ele caiu alguns centímetros no ar. “Sério?” “Pode ser legal, não é? Se você quiser, eu posso fingir que é assustador.” “Não é a mesma coisa se você está fingindo.” Ele abaixou-se no nível de meu olho; ele deixou cerca de metade do corpo embaixo do chão, mas ele não pareceu notar. “Desculpe-me, mas não posso lhe ajudar nisso.” Nós ficamos sentados por um tempo, Steve estava procurando uma posição que deixasse seu corpo etéreo confortável. “Eu tenho uma pergunta,” eu falei, finalmente quebrando o silêncio.

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Ele animou-se. “O quê?” “Eu não entendo. Quer dizer, você odiava a ideia desse lugar, certo? Você cometeu haraquiri6 para evitar ser preso nesse lugar por poucos dias.” “Sim. E?” “Eu não entendo o porquê, depois disso tudo, você escolheu passar a eternidade aqui.” Os olhos dele focaram-se, o contorno do corpo dele balançando levemente. “Eu... Eles precisam... Estou fazendo-os pagarem.” “Ok, eu entendi isso. Mas tirando a parte que você quer causar pesadelos a eles, isso não faz sentido, você não pode fazer nada, pode? Tudo o que você fez foi prender-se mais ainda do que eles esperavam.” Os ombros dele caíram. Cara, pobre garoto. Eu arruinei sua vida. Eu tentei fazê-lo sentir-se melhor, mas não cheguei nem perto. Isso provavelmente fez com que ele se sentisse pior do que se eu tivesse passado por cima dele. “Humm, não se preocupe com isso. Você não está verdadeiramente preso, apesar de tudo.” Eu “coloquei” a mão no ombro dele de uma forma que eu esperava ser reconfortante. Ele já estava começando a perder definição. Não é fácil aguentar uma vez que se está morto e se você tirasse a vontade deles de assombrar, eles normalmente desapareceriam diretamente para onde eles deveriam estar. Não importa como. Mas a maioria das pessoas não conseguia aguentar tempo o suficiente por aqui para marcar um lugar para um exorcismo, ou, como nesse caso, uma boa e velha conversa. E por isso, eu sempre estava no plantão poltergeist na AICP. Steve assentiu. Suas extremidades já haviam desaparecido. “Você está certa. Sobre o tempo que eu perdi com esse tiro no vazio.” “Esse é o espírito!” Eu sorri encorajando.

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Suicídio japonês onde se corta a barriga em cruz.

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“Obrigado. Ao menos um de nós estará livre desse pesadelo.” “Oh, eu...” Eu ia explicar que eu estava livre e agora era minha escolha querer passar a noite lá, ou pelo menos algo do tipo, uma vez que Jack não me tinha dado realmente uma chance de mandá-lo embora, e honestamente meus sentimentos estavam tão misturados com a coisa toda, que eu não sabia o que dizer a Steve, até porque eu não era uma prisioneira ou mesmo uma empregada e ele não deveria ter assumido que eu era... Antes de eu formar um pensamento coerente, ele desapareceu. Para o bem, dessa vez. Eu espero. “Tchau Steve,” sussurrei para o quarto vazio. Sentei lá por alguns segundos, mas ficar sozinha aqui era muito mais assustador do que qualquer assombração. Este quarto não precisava de drama para dar-me pesadelos. Eu subi, esperei a porta abrir-se e cambaleei pelo corredor. “Raquel?” O salão branco esticou-se vazio. Ótimo. Eu andei pelo escritório, com os pensamentos em Lish e no pobre Steve e todas as outras almas que enviei desta vida, algumas literalmente. Para onde foram? Será que Steve foi para o mesmo lugar que Lish? E era Steve vampiro ou Steve normal? O que acontece exatamente com as almas quando seus corpos humanos morrem e transformam-se em vampiros? E quando os corpos de vampiro morrem? Olá dor de cabeça. Suspirei e coloquei minha mão no bloco da porta. Somente quando não abriu que eu olhei para cima e percebi que inconscientemente havia voltado para minha antiga unidade. Encarei, surpresa, a porta. Parecia que parte de mim, a velha Evie, deveria romper com o resto, sorrir e acenar, depois passar e cair fracassadamente no sofá roxo. Ao invés disso, tudo em mim estava no limite, barrada numa vida que eu disse que estava farta. Eu tinha pensado tantas vezes sobre as coisas, coisas físicas reais, que tinha deixado para trás. Um par de saltos altos vermelhos em particular atormentava-me. Agora eu realmente tinha desculpas para usá-los e eles estavam presos em minha unidade. Eu até tinha feito uma lista em minha cabeça com todas as coisas que eu iria roubar de meu quarto se eu tivesse chance.

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Mas eu não podia entrar, nem podia voltar. Eu não acho que queria também. Essa unidade foi um túmulo para a Evie que morou lá, alheio às complexidades do mundo a sua volta, sem pistas sobre o que realmente era. Eu não queria nada dela. Virei e fui cuidadosamente para o escritório de Raquel. Eu precisava sair daqui. Agora. Claustrofobia havia se instalado como uma vingança e o pânico repentino de perceber que eu não podia sair a menos que eles me deixassem, fez com que fosse difícil respirar. Virei a esquina e quase corri para Jack, que parecia igualmente surpreso em me ver. “Por que, Evie, parece que você viu um fantasma?” “Ha, ha.” Senti-me espremida, vazia. Eu queria ir para casa. “Raquel está em seu escritório?” “Como eu saberia?” “Você não estava lá?” “Não.” “Oook.” “Evie?” Virei ao som da voz de Raquel enquanto ela andava atrás de mim. “Como foi?” “O Centro está oficialmente não assombrado.” Pelo menos, não por fantasmas. Se memórias fossem fantasmas, estaria positivamente escorrendo com eles. E nesse momento eu estava também. “Posso ir agora? Estou bastante cansada.” “Claro. Jack, se você...” Fomos interrompidos por uma porta que se formava na parede perto da gente. Uma faerie alta com um cabelo branco puro e pele da cor do pêssego entrou. “Você!” Sua voz parecia metal frio no corredor. Pulei para trás. “Eu não...” “Eu não fiz isso!” Jack gritou, interrompendo-me. Olhei para ele, perplexa. Será que ele achava que a faerie estava atrás dele? Ela deu um passo em nossa direção. Jack virou-se, reservando-se para baixo no corredor e

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deslizando em torno do canto, deixando Raquel e eu com a faerie. A forma com que seus olhos de cobalto rastrearam-no, fez com que eu me perguntasse de quem ela realmente estava atrás. A quem eu estava enganando. Com as faeries era sempre sobre mim. Raquel recuperou-se mais rápido que eu. Ela enfiou a mão em sua jaqueta e tirou um pequeno cilindro de ferro. Com um movimento elegante de seu punho ela puxou para fora um tipo de bastão. “Eu sugiro que você vá embora.” A faerie olhou-a com frieza, depois recuou para a parede fora do Centro. Olhei com os olhos arregalados para Raquel. “Caramba, Raquel, você é totalmente fo...” “Por favor, não termine a frase.” Ela pôs o bastão de volta em sua menor forma e colocou de volta em sua jaqueta. “Agora, você tem alguma ideia do que isso se tratava?” Balancei minha cabeça. “Não. Reth visitou-me na outra noite, mas ele não tentou me levar de novo.” Bem, não tentou na maior parte. Ele tinha tentado? Reth estúpido. “Agora são três: a sílfide, Reth e a faerie. E parece que há muito mais paranormais estranhos aparecendo na cidade.” Lembrei-me da mulher sapo em seu vestido caseiro. Não era só por serem estranhos; era que eles estavam me notando. Interessados em mim. Mordi o lábio, nervosa de repente. Era demais para ser coincidência. Havia algo acontecendo. “Isso complica as coisas. Pensei que tivéssemos passado desse interesse das faeries em você. Eu sentir-me-ia mais segura se você ficasse aqui essa noite.” “Eu... Oh, não. Não. Eu não quero ficar aqui. Jack pode levar-me para casa.” Eu virei, mas Jack não estava em nenhum lugar à vista. Raquel sorriu e eu estava presa no Centro. De novo.

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Morda Minha Língua “Olha,” Arianna falou de repente. Ela parou na frente de minha escola tão rápido que eu quase fui estrangulada por meu cinto de segurança. “Se você não quer sair comigo, tudo bem. Mas não me dispense e depois vá ficar com um amigo por dois dias sem nem se incomodar em ligar.” Sombras cobriam o rosto dela, mas eu poderia lê-la bem o suficiente por agora. Ela estava magoada. “Mandei e-mail,” disse sem muita convicção. “Sim. Ótimo. Apenas... Tanto faz. Saia.” Eu abri minha porta e pisei na calçada. “Obrigada pela...” Ela arrancou o carro para frente e bateu a porta. Fabuloso. Que maneira agradável de começar minha primeira manhã de volta. Eu não tinha tentado abandoná-la... Sério. Nada disso foi culpa minha. Eu tinha sido praticamente raptada por Jack, no final das contas. “Evie, você está bem?” Eu olhei na cara preocupada de Carlee. Eu não tinha percebido que eu ainda estava de pé na calçada, ombros caídos e de cabeça baixa. “Estou cansada.” Isso foi um eufemismo. Eu mal dormi nas duas últimas noites no sofá de Raquel. Não só eu estava apavorada por ter sido presa no Centro, mas para uma mulher tão pequena, Raquel roncava como um hipopótamo. Vai entender. Jack, o pequeno informante, finalmente apareceu esta manhã e eu mal consegui voltar a tempo para o primeiro horário. Uma missão estúpida e eu senti-me completamente sugada de volta para a AICP... Raquel tinha até me pedido para apresentar relatórios sobre desaparecidos para elementais enquanto esperávamos Jack voltar. Eu suspeitava que ela amasse cada minuto disso e que se ela tivesse as coisas como queria, eu mudar-me-ia de novo para dentro. O pii que eu iria. “Temos teste no ginásio hoje, não se esqueça.” Carlee andou em minha frente, seu passo leve e saltitante.

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Fiz meu caminho através da multidão de estudantes. Medo de faeries, paranóia de sílfide e, como sempre, minha culpa crescente sobre não dizer a Lend que ele era imortal torciam-se juntos em meu estômago. Agora eu poderia adicionar o mentir sobre trabalhar para a AICP novamente. E isso foi o que fez tudo mais difícil: não ser capaz de falar com minha melhor amiga sobre tudo. Fiquei na frente de meu armário, mão na fechadura. E, pela primeira vez, eu não conseguia lembrar minha combinação. “Pii,” eu murmurei. Até meu armário estava perdendo seu encanto. “Eu não acho que a senhorita Lynn vai deixar você ficar doente novamente. Ela odeia você,” Carlee disse. “Eu sei.” “Não, ela, tipo, realmente odeia você.” “Não, eu, tipo, realmente sei. Confie em mim.” Ela sentou-se no banco a meu lado, onde eu ainda estava olhando a pilha amarela e marrom que era minha roupa de ginástica. “Tem certeza que você está bem?” Carlee era minha amiga. Por que não tentar ser honesta com ela pela primeira vez? “Estou preocupada que talvez esteja morrendo, faeries podem estar tramando outra ofensiva para roubar-me e também estou com uma sensação estranha desde que eu suguei um pouco da alma de uma sílfide, coisa que eu definitivamente não deveria ter feito.” Ela piscou. Lentamente. “Brincadeira.” Mostrei a ela uma careta que eu esperava que parecesse com um sorriso. “Não tenho dormido direito.” “Oh. Isso é fácil. Beba chá de camomila antes de dormir. Minha mãe, tipo, jura que funciona.” “Chá de camomila. Vou fazer.” Sem dúvida que resolveria todos meus problemas. “Então, sobre o outro dia.” Oh, Jack. Não nos falamos desde que ela me apoiou. “Obrigada de novo, a propósito. Você salvou meu coro com a senhorita Lynn.” “Por nada! Mas quem era aquele cara?”

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Rolei meus olhos. “Um incômodo.” “Porque, bem, John e eu terminamos e aquele cara era muito bonito e eu estava pensando em talvez...” “NÃO!” Seus olhos arregalaram-se em estado de choque “Desculpe-me, eu...” “Não, sério, quero dizer, ele é meio louco, sabe? Tipo, instável. E ele recusa-se a tomar os remédios.” “Sério? Que chato. Aquelas covinhas...” “Totalmente psicótico!” Ela deu de ombros sorrindo enquanto levantava. “Melhor vestir-se.” “Green!” “Tarde demais,” Carlee sussurrou. A senhorita Lynn veio pelo canto da linha de armários, aborrecida. Não, aborrecida é muito delicado para ela. Bufando seria o mais apropriado. “O quê?” Eu perguntei com um suspiro. Ela apontou seu polegar em direção à porta. “Escritório”. Levantei-me, encolhida. “Eu não estou atrasada! Eu não fiz nada de errado hoje!” “Emergência de família,” ela rosnou. “Saia daqui.” “Eu... Ah. Ok.” Verificação de novo? O que Raquel estava fazendo? Eu tinha o comunicador em minha bolsa. Ela definitivamente não tentou entrar em contato comigo desde que eu saí. Ainda assim, o tempo não poderia ser melhor. Eu joguei minha roupa de ginástica para o armário e tentei parecer nervosa enquanto passava pela senhora Lynn. Realmente tudo que eu poderia fazer era não sair pulando. Eu não me importo de ser sequestrada novamente, desde que me levassem embora do ginásio. Joguei-me através da porta aberta do escritório e parei. Não era Raquel desta vez. Era o pai de Lend. Ou pela opinião da glamurosa atendente do secretário, meu tutor legal, David. Ela não podia ver através do glamour do encanto que era o rosto de Lend.

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Ele virou-se e sorriu para mim com o rosto de seu pai e depois de alguns segundos eu fui capaz de substituir minha expressão chocada com o que eu esperava que fosse um sorriso padrasto-enteada. “Hum, oi.” “Obrigado mais uma vez, Sheila,” Lend como David disse, sorrindo para ela. Eu não sabia se sentia ciúmes, ficava mortificada, ou até divertida pelos olhos brilhando dela. Andei rigidamente ao lado dele para o estacionamento, amando que ele estava aqui, querendo nada mais do que jogar meus braços em torno dele e obter o abraço que eu tão desesperadamente necessitava hoje, mas não faria isso enquanto ele se parecesse com seu pai. Subimos em seu carro e eu encarava-o, tentando ver só ele debaixo de seu glamour. “Qual é minha emergência familiar?” “Eu estive preocupado. Você não responde minhas ligações há um tempo.” Isso seria porque o submundo do Centro não tinha recepção celular. “Perdi meu celular,” menti, odiando-me. “Imaginei. Estar preocupado era apenas uma desculpa para tirá-la de lá.” Ele sorriu de lado e saiu do estacionamento, dirigindo pelas ruas arborizadas em direção à estrada. “Minha aula da tarde foi cancelada e eu tinha uma suspeita que você não se importaria de faltar a educação física.” “Lindo e inteligente. Eu sou uma garota de sorte. Mas, hum, é meio estranho sentir-me atraída por você, quando você parece exatamente como seu pai. Mudança de glamour?” Ele riu, o rosto de seu pai brilhando em padrão olhos e cabelo escuros, lindos, do Lend. “Melhor?” “Definitivamente. Eu não preciso de terapia agora. Bem, muita.” Ele riu novamente, alcançando e tomando minha mão na sua. “Ainda assim, é um bom truque para resgatar minha namorada da tortura.” “Eu não estou reclamando.” Eu estabeleci-me em meu lugar, amando a sensação da pele de Lend na minha. Eu nunca cansei dos contornos da palma de sua mão, a maneira que seus dedos se atavam

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através dos meus era como se eles fossem projetados para se encaixar e como ele inconscientemente acariciou meu polegar com o seu. Era onde eu pertencia. Ele estacionou em uma área desconhecida, parando em frente a um restaurante tailandês. “O que estamos fazendo?” “Vamos ver se finalmente podemos encontrar algo muito quente para você.” Desde que ele descobriu há uns meses que eu poderia comer alimentos picantes, alimentos muito picantes, sem pestanejar, ele tinha feito sua missão pessoal de encontrar algo quente demais para meu gosto. “Só porque você tem uma língua fraca não significa que eu tenha,” eu disse. Ele sorriu maliciosamente para mim. “Lingua fraca, né? Mais tarde tenho que lhe mostrar o que ela pode fazer.” Bati em seu ombro, incapaz de segurar outra risada. “Ah, eu sou uma fã de sua língua, não há preocupações.” “Eu gostaria de ter isso impresso em uma camiseta.” “Pelo menos eu sei o que lhe dar para o Natal.” Caminhamos para o restaurante e uma hora mais tarde saímos de lá. Lend fez uma careta de frustração. “Um dia encontrarei algo demasiado picante para você.” “Que pena, nós teremos de ter alguns encontros, enquanto pesquisa.” “Infelizmente, todas as causas nobres requerem sacrifício.” Voltamos para casa, mas em vez de levar-me para o apartamento, Lend foi por uma estrada estreita que levou para as árvores e serpenteava em volta até o final do caminho. Meu comunicador apitou bem alto em minha mochila e eu pulei. Lend olhou, levantando uma sobrancelha. Oh merda, oh merda, oh merda, eu fui descoberta. “Parece que encontramos seu telefone.” Deixei escapar uma risada nervosa. “Sim. Em minha mochila o tempo todo. Oops.” Ele sorriu estacionando enquanto eu tentava acalmar meu coração. Manter segredos matar-me-ia um dia desses. Ele desligou o motor. “Esta é nossa parada.”

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Eu olhei ao redor, não vendo nada além de árvores. Ele puxou um par de cobertores para fora da parte de trás, em seguida, abriu a porta para mim. Andamos pela floresta e paramos em uma lagoa tranquila. As folhas de outono refletidas nas bordas, fazendo parecer que a água estava ardendo. Lend espalhou os cobertores no chão e deitou-se sobre eles, batendo no espaço ao lado dele. Depois de me sentar, comecei a aconchegar-me e olhei com cautela para a água. “Sua mãe não está lá, está?” Ele riu. “Não. Faz tempo que eu não fico perto da água.” Eu fiz uma careta, preocupada. A água estava chamando-o agora ou coisa do tipo? Ou ele simplesmente acha calmante por causa de sua infância? Deitei-me, aconchegando-me a seu lado com minha cabeça em seu peito. A mão acariciando meu cabelo perdeu o pigmento e eu soltei minha respiração e sorri, mesmo que eu não pudesse ver seu rosto. Ele ainda era meu Lend. O Lend que ninguém mais podia ver. “Eu não vejo minha mãe há um tempo,” disse ele, uma pitada de preocupação em sua voz. “Não?” “Não. Acho que isso pode ser o tempo mais longo que ela já passou sem aparecer.” Algo de um dos formulários que eu preenchi apareceu em minha mente, algo sobre ser incapaz de responder por elementais locais. Eu fiz uma nota mental para perguntar a Raquel sobre isso, já que eu não poderia conversar sobre isso com Lend. Querendo que ele falasse, eu perguntei, “Como foi tê-la como mãe?” Ele deu de ombros, minha cabeça em seu peito subindo com o gesto. “Eu não sei, não é como se eu tivesse alguma coisa para comparar. Eu acho que meu pai compensou da melhor forma que podia e quando eu era criança, eu não sabia de nada. Ele tinha que me manter isolado, então eu imaginei que a maioria das mães às vezes estava e às vezes não, falavam engraçado e davam de presentes peixes tropicais no meio de uma lagoa na Virgínia.” “Eu acho que foi adorável” “Foi. Eu amo minha mãe. Foi difícil por um tempo, quando eu percebi que nós nunca poderiamos realmente compartilhar uma vida, mas é o que é. E eu sei que ela me ama.”

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“Como não poderia?” Uma dor familiar revolvia-se em meu peito. Mesmo Lend com sua mãe elemental da água pelo menos tinha algo: o conhecimento de que ele era e sempre foi amado. E sempre seria, também, uma vez que ele iria viver para sempre como Cresseda. “Você já se perguntou, se talvez...” Ele perguntou, sumindo, mas eu sabia como ele iria terminar. Lá fora. Se em algum lugar meus pais (se eu ainda os tinha) estavam vivendo e cuidando de suas vidas normais. Sem mim. “Eu não sei. Eu não gosto de pensar sobre isso. E se eles simplesmente me abandonaram, deram-me para as faeries? Ou se eu fui feita... Se as faries são... Eu não sei. Não vale a pena pensar nisso.” Ele estendeu a mão e acariciou meu cabelo. Nós conversamos sobre assuntos de minha família antes, mas qual era o ponto? Eu não estava recebendo qualquer resposta e eu não gosto das perguntas. Eu nunca tive uma casa real ou uma mãe que me trouxesse cardumes de peixes para entreter-me e eu nunca teria. Ele estava bem. Eu estava bem. “Passou bastante tempo desde que tivemos um momento como esse.” Lend disse depois de alguns minutos de silêncio. Sua voz real era como uma cascata, quente e líquida e tão deliciosamente sexy que eu poderia jamais ouvir algo e ser perfeitamente feliz. Deixei que o efeito disso trabalhasse em mim, liberando a tensão que eu tinha construído em meus ombros. Aquela coisa não importava. Isso importava. “Mmm hmm.” Eu fechei meus olhos e respirei o aroma dele. Uma brisa fria agitou-se sobre nós e eu senti meu cabelo elevar-se em resposta, sentindo todos meus membros mais leves, desconectados e mais conectados ao mesmo tempo. Era como se meu corpo respondesse ao vento. Isso era novo. Lancei um rápido olhar para o céu, mas não havia sinais de sílfides. Lend puxou o outro cobertor para cima, tapando-me da brisa. Eu estava ao mesmo tempo aliviada e estranhamente decepcionada com a perda da sensação nova. “Fale-me sobre a faculdade,” eu disse, banindo todos os pensamentos de paranormais. Além de nós, é claro. Eu escutei, prestando atenção somente pela metade a suas excitantes histórias de professores e classes enquanto eu curtia o subir e o descer de seu peito. Ele sempre foi tão

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animado, falando sobre os horários para o próximo ano, seminários, estágios. Seu objetivo era obter diplomas em biologia e zoologia, em seguida, buscar um mestrado em zoologia, para no final focar em estudos intensivos de criptozoologia, o estudo das criaturas à beira da ciência. Dado ao que ele sabia, ele tinha uma vantagem natural.E realmente, era perfeito para ele. Ele poderia ser normal, mas ainda ajudar os paranormais que ele tanto amava. Sua aspiração principal agora era estudar lobisomens e tentar isolar o que os deixou assim, talvez até mesmo os curar. Ele adorava pensar, planejar e trabalhar para o futuro. Ele fez meu coração doer. Eu perguntei-me novamente como as coisas iriam mudar quando ele descobrisse que não era mortal. Será que ele ainda seria tão apegado a esse futuro que ele tinha traçado? Ou seria essa sensação inútil para ele à luz do fato de que ele tinha a eternidade? Será que ele mudaria para atividades imortais como... hmm, viver em lagoas e dar conselhos incompreensíveis? Eu perguntava-me o que havia de errado comigo. Eu não tinha nenhuma meta. Sempre que eu tentava pensar em algo que eu ficaria feliz fazendo para o resto de minha vida, eu só podia me preocupar que o resto de minha vida não fosse tempo suficiente para fazer alguma coisa. Eu queria desesperadamente ir para Georgetown, mas era apenas para que eu pudesse estar com Lend. Meu futuro parecia um vazio enorme, dependente de variáveis que eu não podia controlar. “Eu ainda não decidi se devo ou não ir para a escola de medicina. Mas onde mais eu vou estudar biologia celular?” Ele suspirou, riu. “Ok, chega disso. O que você tem feito nos últimos dias?” Mordi o lábio. A coisa toda do espírito não valia a pena mencionar. Ou o mundo das faeries. Ou concordar com uma atribuição estúpida com a AICP e ficar presa no Centro. Isso o incomodaria e, realmente, não tinha sido lá grande coisa. Mas seria bom ser capaz de falar com ele sobre o quanto eu sentia falta de Lish ultimamente, como era estranho não ser capaz de entrar em minha antiga unidade, como estar com Raquel fez-me feliz e chateada ao mesmo tempo. Pena que eu não podia. “Oh, você sabe. O de sempre. Com você longe e Easton Heights em reprises, minha vida é um buraco negro de tédio e desespero.” “Então, basicamente você está fazendo dever de casa.” “Como eu disse, buraco negro.”

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Ele acariciou meu cabelo enquanto eu tentava não pensar em todas as coisas que eu não estava lhe dizendo. “Como você está se sentindo?” “Abraçada?” “Não, eu quero dizer, após a sílfide. Nada estranho?” Indiscutivelmente os arrepios que eu estava sentindo agora na brisa poderiam ser de muitas fontes, até mesmo do que meu namorado incrivelmente maravilhoso estava fazendo com meu cabelo. “Não”. “E quanto ao resto?” Foi uma questão em aberto, mas eu sabia o que ele estava falando. Reth e Vivian, os únicos que entendiam o que eu era: uma vazia, tinham me avisado que eu iria queimar através de minha própria alma rapidamente. Eu suspirei, levantando-me para ficar apoiada em meus cotovelos. Abri minha camisa e olhei para meu coração. Chamas de ouro líquido rodaram preguiçosamente, brilhantes o suficiente para ver só quando eu estava olhando diretamente para elas.“Nenhuma mudança, realmente.” Eu não sabia se isso era uma coisa boa ou não. Eu olhei para elas tantas vezes que era difícil dizer se estavam ficando mais escuras ou mais claras. Em seguida, uma faísca brilhante cintilou no meio e eu fiz uma careta. Aquilo era novo. Lend sentou-se, esticando o pescoço para ver minha camisa, que eu apressadamente coloquei de volta no lugar. “Da última vez que chequei, você não podia ver almas.” Ele deu de ombros, um olhar exagerado de inocência em seu rosto. “Ainda assim, não faria mal eu tentar, não é?” “Você tem que ser o namorado mais altruísta do mundo.” “Como eu disse, qualquer coisa que vale a pena, vale a pena fazer sacrifícios.” “Falando nisso, você não vai me dar uma demonstração de língua?” Muito em breve Lend tinha que me levar de volta para a escola a tempo para a aula de Inglês. Antes de virar para a estrada principal, ele colocou de volta o glamour habitual. Eu mordi um sorriso irônico, lembrando quão estranho foi vê-lo como seu pai.

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E então eu percebi, a solução para todo o problema imortal. Lend nunca precisaria saber.

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Atividades Extracurriculares Eu cantarolei no chuveiro. Não era minha atitude de costume em uma segunda de manhã, mas as coisas estavam fantásticas. Desde a semana passada, eu sentia-me melhor sobre tudo. Eu não tinha que contar para Lend! Como eu pude não ver isso antes? O Glamour dele mostraria o que quer que ele achasse que deveria, o que significava que ele iria envelhecer (ou pelo menos, aparentar envelhecer) junto comigo. E ele nunca poderia ver realmente como ele se parecia, então ele não saberia que não estava envelhecendo. Nós poderíamos continuar juntos nossa vida inteira e ele nunca teria que lidar com o fato de que ele não iria morrer. Afinal, Lend estava planejando um futuro. Um futuro muito humano. Contar a ele agora só o deixaria confuso, fá-lo-ia questionar suas decisões. Ele não precisava disso. Eu contaria a ele um dia com certeza. Quando nós tivéssemos tipo... oitenta e eu estivesse em meu leito de morte. Assumindo que minha alma durasse isso tudo. Mas o formigar em meus dedos lembrava-me de que havia formas de fazer isso durar. Formas inocentes. Afinal, a sílfide não estava morta, ou sequer realmente machucada. De fato, eu tinha certeza que a sílfide estaria feliz em saber que isso tinha contribuído para minha habilidade de viver uma vida longa e feliz com Lend. “Ei,” Arianna enfiou a cabeça para dentro de meu quarto quando eu terminava de secar o cabelo. “Você quer fazer algo depois da escola?” Ela disse isso em seu tom naturalmente irritado, mas havia um que de hesitação. Ela mal tinha reconhecido minha existência desde que ela achou que eu tinha lhe dado um bolo para o filme, era como uma nuvem negra que pairava em nosso apartamento inteiro. “Claro! eu tenho que trabalhar as sete, mas eu estou livre depois da escola até lá. O que você quer fazer?” Os ombros dela relaxaram.“Shopping? Eu não tenho estado próxima do mal verdadeiro por um tempo.” “E o shopping é o melhor lugar para isso?” “Você tem visto o que a maioria da população tem usado? Eu acho que vou ter que assassinar a próxima pessoa que eu vir usando calças que se transformam em shorts. E

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também, leggings com galochas são um crime contra a humanidade. Ninguém com uma pulsação deveria ter livre e espontânea vontade de usar essas coisas. Eu não tenho um batimento há vinte anos e até mesmo eu posso lhe dizer isso.” “Mas e se forem galochas cor de rosa? Com certeza...” Meu comunicador apitou em minha gaveta de cabeceira e meu estômago contorceu-se. Pii, eu tinha esquecido que Jack estava vindo hoje de tarde para um rápido trabalho de rastreamento de vampiro. “Oh... eu acabei de lembrar... eu tenho uma... coisa de estudos. Depois da escola. Com Carlee, para uma aula.” Os olhos de Arianna estreitaram-se e depois ficaram tensos de novo naquela estranha posição protetora. “Tá certo. Não é grande coisa.” “Mas depois do trabalho nós poderíamos...” Ela balançou a mão. “Tanto faz, não se preocupe com isso.” Ótimo. Agora eu estava dispensando minha amiga vampira para ir dar um choque em um vampiro. Arianna e Lend não ficariam maravilhados se soubessem? Mesmo assim, eu não estava fazendo nada que o grupo do pai dele pudesse ficar com raiva. Sem perseguição a lobisomens e apenas neutralizando vampiros violentos. O que quer que David e o grupo dele pensassem, Arianna não era típica. Eu suspirei pesadamente descendo as escadas para o ponto de ônibus. Eu iria dar um jeito... Balancear isso tudo. Escola, Lend, estar lá para Arianna, trabalhos aleatórios para a AICP. Afinal, atividades extracurriculares não são necessárias para as inscrições de faculdade? A viagem de semana que vem para a Suíça para rastrear uma colônia Troll e resgatar os humanos que eles tinham sequestrado pareceria super impressionante em minha inscrição para Georgetown. É, eu provavelmente deveria me juntar ao clube de xadrez em vez disso. Depois de um dia longo, eu nem sequer me importava com a humilhação de entrar no velho ônibus amarelo com os assentos quebrados. Eu era a única veterana sem um carro, mas nenhum deles estava embarcando em missões internacionais de salvamento de vidas humanas depois da escola. Fracassados. Além do mais, eu tinha calculado meu salário da AICP e com oito anos de salário atrasado (uma condição que Raquel colocou, abençoado seja o coração dela), eu seria capaz de pagar pela faculdade e comprar um carro no final do ano. “Arianna?” Eu gritei, derrubando minha mochila na porta.

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Eu esperara que ela estivesse em casa então nós poderíamos conversar, mas não havia sinal dela. Eu fá-la-ia sair comigo hoje, talvez comprar para ela algo bonito. Ou, bem, algo depressivo e preto. Ela gostaria disso. Isso concertaria as coisas. Ter um plano fazia com que eu me sentisse melhor, então quando eu entrei em meu quarto para encontrar Jack sentado em minha cama, passeando pelas páginas de meu diário cor de rosa, eu nem sequer gritei com ele. Muito. Depois que eu terminei de bater na cabeça dele com o dito diário, eu deixei de lado minhas coisas da escola e coloquei um casaco mais quente. “Então,” eu subi o zíper e desejei ter um chapéu felpudo e fofo para combinar. “Trabalho com vampiros. Você sabe onde está indo, certo?” Ele pulou de minha cama (literalmente, pulando tão alto que quase bateu a cabeça no teto) e assentiu. “Claro.” O capuz azul escuro que ele estava usando fazia com que seus olhos parecessem impossivelmente grandes e brilhantes e os cachos loiros ficaram presos nas pontas. Eu acho que eu podia ver o que Carlee tinha visto nele. Pena que ele era um lunático, eles teriam feito um belo casal. Eu conseguia ver os encontros de casal agora... Não. Eu definitivamente não conseguia. Eu esperei enquanto ele fazia a porta em minha parede, então estendi minha mão e peguei a dele. Ele caminhou para frente e eu segui-o, mas assim que eu alcancei a borda entre meu quarto e os Caminhos das faeries, um terrível peso que queimava me atingiu no peito, derrubando-me no chão. Eu ofeguei, encarando o teto tonta. “O que aconteceu?” O rosto de Jack pairou sobre minha visão; ele franziu a testa para mim. “O que você fez?” “Nada! Isso nunca aconteceu antes”. Ele abaixou o zíper de meu casaco e alcançou minha camiseta antes que eu pudesse me livrar. “Afaste-se, pervertido!” “Aha!” Ele tirou meu colar debaixo do suéter. “Ferro.” Eu bati na mão dele e agarrei o pingente. “E daí?” “E daí, por quanto tempo você trabalhou com as faeries? Paraíso e inferno, você não sabe de nada, né? A razão pela qual as faeries não gostam de ferro é que os prende com

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muita força nesse mundo. Os Caminhos não são parte desse mundo, você não pode levar ferro para lá. Ele não vai deixar.” Eu franzi as sobrancelhas. “Você sabe que isso não faz o mínimo sentido.” “Diferente de ser capaz de abrir uma porta na parede e levar-lhe para outro hemisfério em uma questão de minutos? Que estranho! Tudo sobre faeries é geralmente tão racional.” Eu não consegui segurar o sorriso e ele rolou os olhos. “Tire isso para que a gente possa ir logo, isso é entediante.” Eu alcancei o fecho hesitantemente, parecia como um tipo de pequena traição, tirar o colar que Lend me deu para fazer algo que eu sabia que ele não aprovaria. Mesmo assim, eu estava fazendo o bem. Tinham pessoas que precisavam de mim. E eu colocaria o colar de volta assim que chegasse a casa. Eu fiquei parada e então levei o colar até minha gaveta de meias, traçando o coração uma ultima vez antes de virar-me para Jack. “Mais alguma coisa de ferro em você?” Ele perguntou impacientemente. “Só meu piercing de língua.” Ele parecia um misto de curiosidade e horror. “Eu estou brincando, idiota. Vamos lá.” Ele abriu a porta e pegou minha mão enquanto nós andávamos através dela. Eu tentei ignorar o escuro opressor. “Então, como eu consigo levar a Tasey pelos Caminhos?” Jack deu de ombros “Toda a tecnologia da AICP foi desenvolvida especialmente para ser compatível com mágica faerie.” “Como você sabe de tudo isso?” “Acontece que eu sou mais inteligente que você, só isso.” Eu belisquei a mão dele tão forte quanto eu podia e então decidi mudar de assunto. Meio que me incomodava que Jack soubesse mais sobre essas coisas do que eu... Eu não devia ser a expert? “Onde está esse vampiro mesmo?” Eu estava um pouco surpresa que Raquel estivesse me colocando em uma missão básica de apreensão e rastreamento de vampiro.

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Eles realmente estavam necessitando de ajuda. É claro que eu era mil vezes mais eficiente porque eu não tinha que me incomodar com espelhos e água benta, mas qualquer um que soubesse pelo que estava procurando podia conduzir uma captura eficiente. Oh, mate-me. Um sorriso esperto espalhou-se pelo rosto de Jack. “Vampiro? quem disse algo sobre um vampiro?” “Uhmm, você? Eu achei que Raquel quisesse que eu derrubasse e rastreasse um vampiro.” “Quem disse algo sobre Raquel?” “Do que você está falando? Onde nós estamos indo?” “Eu achei que você e eu merecíamos um pouco de diversão.” Jack parou, o sorriso irônico alargando-se enquanto ele abria a porta. Eu assisti, mais excitada do que eu queria admitir, para descobrir o que, exatamente, o garoto lunático considerava divertido.

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Sonhos Virgens Eu balancei a cabeça em descrença para a criatura em pé no meio de uma campina, salpicada e iluminada pelo sol, olhando para mim com seus tristes olhos castanhos. Minha posse de infância mais estimada (crescendo em um orfanato, eu não tinha muitas) tinha sido um daqueles cartazes de feltro e marcadores que eu mesma colori: um unicórnio empinando-se na frente de um arco-íris e uma cachoeira. Eu tinha dado a ele uma juba multicolorida, mas mantive o pelo branco puro, como todos os unicórnios deveriam ter. Eu sonhava acordada com mais frequência do que era saudável que eu tinha de alguma forma sido transportada para aquela fantasia forrada de veludo, para perto do unicórnio, e juntos nós cavalgaríamos para uma casa atrás do arco-íris, feliz e forte, e nós nunca estaríamos sozinhos novamente. Aquele unicórnio era poderoso e magico e a beleza encarnada. Aparentemente este unicórnio não tinha recebido o memorando. Ele era feio. Tipo, gravemente feio. Revestido de marrom e cinza manchado; o chifre era uma coisa sombria e atarracada, o pelo era uma bagunça emaranhada. Parecia mais um bode do que qualquer outra coisa, com uma barba pequena e suja e pupilas quadradas. Ah e o fedor? Gambás perdem feio para os unicórnios. O maldito continuava tentando roçar em mim enquanto eu fazia meu melhor para evitá-lo. Demais para imagens dramáticas de cavaleiros em unicórnios garanhões, também. Esta criatura não podia levar uma criança, muito menos um homem de armadura. Sua cabeça quase se encostou a meu peito e isso acrescentou um novo nível de desconforto para suas contínuas tentativas de aconchegar-se. Jack estava pendurado de cabeça para baixo em um galho de uma das árvores ao redor. Eu não conseguia localizar onde estávamos, mas estava quente o suficiente para que meu casaco ficasse desconfortável e o sol filtrasse-se através das folhas em uma névoa verde e dourada. Realmente, o prado em si era quase mágico, se o unicórnio não estivesse estragando o cenário idílico. Jack riu de minhas tentativas de evitar ser apalpada por um animal mítico. “Aparentemente, você é virgem.” “Cale a boca! Como se isso fosse de sua conta!” Ele deu de ombros, o movimento menos efetivo de cabeça para baixo. “Unicórnios amam donzelas. Você não fez qualquer investigação?”

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“O quê? Você fez?” Ele quebrou o galho, surpreendendo tanto o unicórnio que ele saiu correndo do prado. Graças a Deus. “Armários de arquivamento do Centro não são realmente um problema se você pode abrir uma porta através de qualquer parede e não é uma faerie.” “Então, o quê? Você lê arquivos secretos?” “Entre outras coisas. Alguém realmente deveria dizer para Raquel modernizar-se. Papel é tão medieval. Agora,” Ele estendeu seu cotovelo em um gesto dissimuladamente cavalheiresco. “Que tal irmos nos divertir de verdade?” “O quê? E acabar com minha única fantasia existente não foi o suficiente?” Faeries não têm asas e beiravam a maldade; Duendes eram sujos, selvagens e tinham tendência a morder, e sereias não tinham nem cabelos, nem gloriosos sutiãs de conchas. Agora, isso sobre unicórnios. Às vezes a realidade era uma merda. “Você sempre pode perseguir o unicórnio, se você quiser. Leve-o para um passeio.” Eu tremi ao pensar e sentei-me, inclinando-me de costas contra a árvore e abrindo meu casaco. “Não, obrigado. Mas vamos ficar aqui por um tempo. É quente.” Jack desabou a meu lado, deitado com as mãos atrás da cabeça. “Eu sempre consigo encontrar calor.” “Isso deve ser bom.” Ele riu. “Vem em boa hora.” “Onde estamos exatamente?” “Uma espécie de privilégio sobrenatural para animais selvagens paranormais que foram ameaçados de extinção. Os unicórnios são os mais comuns. Mais fedidos, também.” “Sem brincadeira. Então, que outros segredos você sabe?” “Se eu lhe dissesse, estragaria toda a diversão. Eu gosto de surpreender as pessoas.” Apesar de seu rosto inocente, algo em sua expressão deixou-me nervosa. Eu estava cheia de segredos e reconheci a mesma coisa em Jack. “Por favor, não me diga que nossa próxima viagem nos levará ao Pé Grande.”

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“Não, de acordo com o material de Raquel, eles foram extintos por volta da virada do século.” “Que século?” Ele franziu a testa. “Boa pergunta. Pena que eu não posso pedir a ela esclarecimentos, considerando que eu não deveria saber.” Troquei a posição de minhas costas para ficar mais confortável e fechei os olhos, tentando absorver o sol. “Você vem muito aqui?” “Às vezes.” “Aonde você vai quando você não está no centro?” “Casa.” “Onde é isso?” Ele suspirou. “Não é essa a questão? Onde é sua casa?” “Umm, o quarto que você criou o hábito de violar?” “Não pense nisso. Quando eu digo 'casa' o que é a primeira coisa que vem a sua cabeça?” Eu fiz uma careta, imagens voaram diante de minhas pálpebras. Costumava ser o Centro, mas minha recente visita apagou qualquer sentido remanescente de casa que eu um dia pude ter sentido lá. Meu quarto com closet rosa parecia mais como um espaço reservado, um lugar que eu estava hospedada antes de partir para outro lugar. A casa de Lend parecia um lar. Mas não o meu. “Eu honestamente não sei. Em nenhum lugar, realmente.” “Algo que temos em comum, então, além da cor de cabelo mais perfeita do mundo. Nós dois fomos criados por ninguém e vivemos em lugar nenhum.” Eu contorci-me, abrindo os olhos. Ele tinha razão, mas não uma que eu especialmente gostasse. Eu estava conectada às pessoas, aos lugares. Não estava? Havia algo em Jack que eu conseguia me relacionar, porém, em um nível que eu não entendia muito bem. Aqui e ali, quando ele não estava sendo um idiota, havia esse tipo de... desespero. Como se ele estivesse tentando encontrar alguma coisa, mas ele não sabia o que era ainda. Era um sentimento que eu conhecia muito bem. Vivian entendia, também. Lend nunca poderia. Mas estar com Lend fazia essa sensação desvanecer, como se o problema

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desconhecido não fosse tão importante quanto costumava ser e talvez um dia não fosse mais um problema. Jack ainda não havia respondido a nenhuma de minhas verdadeiras perguntas, no entanto. “Mas o que você fazia antes de começar a trabalhar para a AICP?” “Sobrevivia.” Peguei um punhado de grama e joguei em cima dele. “Que tal uma resposta real?” Ele sorriu. “Eu sou de Oregon, ou pelo menos é o que eu acho que eu me lembro. Mas, infelizmente, não vale a pena ser uma criança linda quando faeries perdidas vagueiam pela cidade. Agora eu sou daquela escura paisagem onírica, beleza e terror eternamente misturados, blá, blá, blá.” Eu fiz uma careta para ele, perplexa. “Ei, eles precisam de entretenimento e escravos mesmo nos reinos das faeries?” “Espera, você... Você vive nos Reinos Faerie?” “Por agora.” Isso não era possível. Faeries tinham um péssimo hábito de sequestrar mortais e levá-los para seus reinos. Era uma viagem só de ida. Uma vez que você fosse levado para lá e tivesse experimentado os alimentos das faeries, você nunca poderia voltar. Mesmo que você de alguma forma tenha encontrado uma faerie disposta a trazer você de volta para a Terra, a alimentação humana nunca bastaria e você definharia até virar nada. Ah... Por isso Jack cuspiu a maçã na casa de Lend. “Então as faeries criaram você?” Ele soltou uma risada. “Eu não chamaria disso, não.” Vivian tinha sido criada por faeries, mas, tanto quanto eu sabia, elas nunca a levaram para os Reinos. Ela falava sobre isso, às vezes, como as faeries a levavam para onde elas queriam ir sem nenhum cuidado para saber como ela se sentia. Uma vez ela quase congelou até a morte porque eles decidiram ter uma esfera congelada. Cuidadoras excelentes, as Faeries. Eu só estive nos Reinos um par de vezes, ambas as vezes Reth obrigou-me e era tão estranho e alienígena, que eu não poderia me imaginar crescendo lá. Como Jack poderia navegar por dois mundos, até mesmo sobreviver nos Reinos Faeries, estava além de mim.

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Seria ele um servo específico das faeries? Talvez ele fosse uma espécie de empregado das faeries por contrato, como eu era para a AICP e elas ensinaram-lhe como usar os Caminhos. Descobrir mais sobre Jack só fez dele um enigma maior.“Como, porém? Quer dizer, eu sinto muito, mas muitas pessoas são raptadas e levadas para os Reinos e eu nunca ouvi falar delas voltando. Como você faz isso? Elas ensinaram você?” “Viver lá, bem, isso muda você. E, além disso, se você estivesse sendo constantemente deixada sozinha em lugares, sem maneira de sair deles a menos que uma faerie aparecesse e encontrasse-lhe, o que às vezes leva um tempo muito longo, na verdade, você ficaria um pouco inovadora, também, não é? É incrível o que se pode aprender se isso significa não morrer de fome. Faeries não são tão místicas como elas querem que você pense. Eu vou ensinar-lhe alguns truques um dia desses.” Eu ajustei minha cabeça contra o tronco. “Eu vou passar, obrigada. Eu já tive o suficiente de faeries para uma vida. Várias vidas, na verdade.” O estômago de Jack rosnou alto. “Eu preciso de comida.” “Eu tenho um turno no restaurante esta noite. Eu provavelmente poderia conseguir um jantar grátis para você.” As palavras saíram de minha boca antes que eu percebesse o que significaria trazer Jack de meu trabalho secreto para meu trabalho real. Não é uma boa ideia. Além disso, eu não tinha certeza de quanto eu o queria em minha vida, de qualquer maneira. Existia essa conexão que tínhamos, sim, mas isso me fazia mais desconfortável do que qualquer outra coisa. Eu senti em Jack muitas das coisas que eu não gostava em mim mesma, as mentiras, as atitudes evasivas, o egoísmo. Ele parecia completamente à vontade com essas características, no entanto. “Sim,” ele disse, “e eu provavelmente poderia vomitar a comida podre toda de volta em cima de você. Eu vivo em Faerie, lembra?” Eu fiz uma careta. “Oh, uh. Sinto muito.” “Eu vou comer algo rápido. Você quer vir comigo?” “Não há um pingo de mim que tenha qualquer desejo que seja de colocar os pés nos Reinos das Faeries de novo.” “Chata. Eu volto logo.” Ele pulou e foi embora antes que eu tivesse a chance de dizer a ele que ele poderia me deixar no restaurante primeiro. Olhei cautelosamente ao redor do prado, na esperança de que o unicórnio mantivesse seus problemas de espaço

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pessoal muito, muito longe de mim. Relativamente certa de que minha virgindade estava segura, fechei os olhos. Talvez Jack não fosse tão ruim, afinal. Sentimentos estranhos à parte, esta tarde tinha sido muito divertida. Ele parecia ser bom em se divertir. Eu gostava disso. Tirei um cochilo decente antes de Jack voltar. “Então, o que devemos fazer agora?” Ele perguntou, positivamente elétrico com a sensação de estômago cheio. “Agora,” eu disse, esfregando meu pescoço que tinha enrijecido por causa de minha posição. “Devemos levar-me de volta para que eu possa trabalhar meu turno no restaurante.” “Quem se preocupa com o restaurante? Qualquer pessoa pode se mover em torno de pratos e ser ranzinza com clientes. Que tal encontrar alguns dragões? Ou cuspir em cima do Empire State Building? Ooh, tem que haver uma estreia de filme em algum lugar que possamos pegar.” “Ah, Cale a boca. Eu tenho que trabalhar.” “Por quê?” Eu dei de ombros, segurando minha mão. “É parte de minha vida.” “Mais uma vez eu pergunto, por quê?” Porque eu não podia admitir que eu tinha outra fonte de renda e que não precisava mais daquele trabalho. Porque eu tinha que manter as aparências de que a AICP não fazia parte de minha vida novamente. Porque eu sentia que devia isso a David por abrigar-me. “Porque é isso. Vamos.” “Admita. Você gosta de usar aqueles uniformes elegantes.” Eu ri, batendo em seu ombro. “Nada é mais sexy do que vacas. Mas, espere, quando você me viu no uniforme?” Ele ergueu a mão livre enquanto se concentrava em abrir uma porta em uma árvore enorme. Ele tinha um talento especial para não responder as perguntas. Uma porta apareceu e nós esprememo-nos através dela. Jack sempre precisava de uma superfície para abrir portas, mas eu tinha visto Reth abrir portas no meio do ar antes. Eu perguntei-me se isso era mais difícil. “Pegue o ritmo, Evie. Se queremos chegar ao trabalho a tempo temos que nos mooooover mais rápido.”

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Eu gemi, rindo. “Esse deve ser o pior trocadilho que eu já ouvi em minha vida.” Eu ainda estava rindo quando Jack abriu uma porta e saímos em meu quarto quase esbarrando em Lend, cujos olhos pararam na porta das faeries, Jack e em nossas mãos entrelaçadas em uma única varredura. Pii.

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Oh, Tão Ferrada Olhei de boca aberta para Lend. O que eu poderia dizer? Como eu poderia escapar disso? “Ei... Oh! Ainda bem que não há frigideiras à mão esta noite!” Jack sorriu, depois olhou de Lend para mim, enfiou as mãos nos bolsos e voltou através da porta. “Uh, boa sorte com isso, então,” ele disse enquanto a porta fechava. Eu meio que esperava que Lend começasse a gritar, o que ele nunca tinha feito comigo antes, mas ele apenas ficou lá. A raiva e a mágoa sangravam juntas em seu rosto e aquilo me matava. “Olha, Lend eu posso explicar. Nós...” “Quanto tempo?” “O quê?” “Há quanto tempo você trabalha com a AICP?” “Eu não tenho feito muito, de verdade! Algo com um poltergeist no Centro. E agora mesmo eu nem estava trabalhando para eles!” “Então, o quê? Vocês dois estavam apenas saindo juntos?” “Eu... Não pensei... Jack disse algo sobre uma missão, mas então não tinha uma.” Lend não poderia ter ciúmes de Jack. Pode parecer ruim, mas ele tinha que entender que não havia mais ninguém para mim. Jack era divertido, bonito até, mas não havia nada em mim que se sentisse atraída pelo pequeno maníaco. Lend balançou a cabeça e olhou para o teto, evitando meus olhos. “Os dois dias que eu não consegui falar com você. Você não perdeu seu telefone, não é?” “Não,” eu sussurrei. “Onde você estava?”

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“Eu fiquei presa no Centro após a coisa do poltergeist. Não é grande coisa.” Ele olhou para a porta. “Pensei em surpreender você e passar por aqui enquanto trabalhava. Eu tenho que... Estou indo agora.” “Lend, espere!” Eu agarrei o braço dele. “Ouça! Eu senti saudades de Raquel e ela precisava de minha ajuda e eu não estou fazendo nada de perigoso ou ferindo paranormais. Além disso, eles estão pagando-me, o que significa que tenho dinheiro suficiente para a faculdade agora, para que seu pai não tenha que tentar me ajudar. Não é realmente grande coisa!” “É sim grande coisa! Você mentiu para mim. Você tem mentido para mim este tempo todo. Como não é uma grande coisa?” Senti as lágrimas nascendo em meus olhos e lutei para que elas voltassem. “Eu não quero que você fique bravo.” Ele soltou uma risada estrangulada, começou a dizer algo, em seguida, balançou a cabeça e saiu. Segui-o desesperadamente pelas escadas. “Não podemos falar sobre isso?” Ele parou na porta da cozinha do restaurante e respirou fundo. “Sim. Mas não agora. Eu sempre fui honesto com você e mata-me que você não confie em mim o suficiente para fazer o mesmo. Mesmo se você acha que vai me incomodar. Especialmente se você acha que vai me incomodar.” “Lend, Eu...” Ele sacudiu a cabeça. “Eu estou muito bravo para falar agora e eu amo-lhe demais para dizer qualquer coisa que possa me arrepender.” “Ok,” eu concordei, minha voz vacilante. Eu não queria pressiona-lo, mas eu precisava saber que nós iríamos ficar bem, que íamos superar isso. Ele hesitou, então se inclinou e beijou-me mais ou menos em minha testa. “Eu ligo para você mais tarde.” Ele abriu a porta e olhou para mim. “Há algo mais que você esteja escondendo?” “Não!”

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Ele balançou a cabeça e caminhou para a cozinha. E praguejou em voz alta. Subi depois dele. Reth estava com Nona e Grnlllll perto dos fogões, enchendo a cozinha com seu esplendor. Ele olhou para nós e sorriu. “Adorável ver você de novo, Evelyn.” Eu apontei para ele, olhando para Lend enquanto minha voz se levantava pelo menos uma oitava. “Eu não sabia que ele estava aqui!” “Nona?” Lend perguntou, tenso como se ele não tivesse certeza de que deveria lutar contra Reth ou virar-se e deixar-nos para trás. “Acalme-se, criança. Não se meta em assunto de faeries.” “Ele é perigoso.” “Indo embora.” Reth mergulhou em um arco de zombaria, então piscou para meu namorado lívido. “Bom encontrá-los, como sempre.” Ele saiu por uma porta na parede, a cozinha positivamente explodindo em silêncio em sua ausência. Lend virou sua carranca para Nona. “Meu pai sabe que está trabalhando com faeries?” Nona sorriu para Lend, balançando e batendo no ombro dele enquanto se movia para sair da frente. “Não se preocupe. Ela sempre estará segura aqui. Evie? Nós precisamos de você essa noite no caixa.” “Eu... Sério? Depois disso, ele, aqui, você ainda espera que eu trabalhe?” Nona manteve o mesmo sorriso insanamente calmo em seu rosto. Olhei para ela. Eu sempre tinha confiado nela, mas ao vê-la falando com Reth, como se acontecesse todos os dias... Eu não sei. Talvez ela estivesse apenas dizendo para ele sair. E ele foi-se, depois de tudo. Virei-me para Lend. “Pode esperar?” Eu perguntei,desesperada para corrigir isso. “Você realmente não sabia que Reth estava aqui?” “Não! Você está brincando? Eu odeio Reth. Você sabe disso.” Lend esfregou os olhos, cansado. “Eu preciso de algum tempo para lidar com isso. Eu estou indo. Ver-lhe-ei este fim de semana.”

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Eu balancei a cabeça, engolindo de volta tudo o que eu queria dizer a ele. Ele precisava de tempo para processar. Conversaríamos em breve. Ficaria tudo bem. Três horas mais tarde, meus pés estavam doendo, eu fiz uma careta para Kari e Donna, um par de selkies ainda sentadas à mesa de canto, tendo seu tempo agradável com seus sanduíches de agrião. Kari e Donna não eram seus nomes reais e eu nunca tinha certeza de quem era quem, de qualquer maneira, mas desde que seus nomes reais seriam tipo yips, barks ou alguma espécie estranha de ruído de beijo, era mais fácil para todos se usassem seus apelidos. Seus enormes, redondos e lacrimejantes olhos castanhos eram quase completamente íris, com quase nenhum branco aparente. Elas eram estranhas, não usavam glamour para parecerem humanas, elas realmente removeram sua pele de foca. Mas, além de uma névoa fraca que sempre se agarrava a elas (e que só eu podia ver), havia algo estranho. A maneira como elas usavam seus dedos era desajeitada e frequentemente riam quando tentavam pegar as coisas, recorrendo ao uso de sua mão inteira como uma barbatana. Eu acho que elas eram novas pela área. David nem mesmo sabia que elas estavam aqui até que eu indiquei. Normalmente eu não me importava com os selkies, uma vez que eram agradáveis e divertidos e decididamente vãos, sempre me mostrando novos truques para fazer meu cabelo, mas esta noite eu queria que elas se apressassem e sumissem. O que havia com paranormais e a habilidade de não prestar atenção no tempo? Um luxo da imortalidade, eu suponho. Finalmente elas terminaram e eu fechei a loja, arrastando-me para cima para enrolar-me em uma bola de tristeza e encarar meu telefone, esperando que Lend me mandasse uma mensagem. Ele não mandou. *** Eu deixei minha cabeça descansar contra a janela do restaurante, vendo passar carros e desejando que Lend estivesse aqui. Nós escolheríamos um número, digamos quatro, e o quarto carro a passar era nosso. De alguma forma eu sempre acabava com carros batidos. Lend geralmente pegava minivans, de modo que equilibrava um pouco. Mas ele não estava aqui. “Ok, então precisamos de certidões de nascimento para Stephanie e Carrie, Patrick precisa de outra licença, porque ele parece muito jovem para sua data de nascimento agora

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e aquela família nova de lobisomens precisa de gaiolas instaladas em seu porão.” David olhou para cima em sua agenda. Arianna estava sentada preguiçosamente mais para baixo no banco a meu lado. “Fico com os documentos oficiais. Há um cara novo no escritório do registro do condado. Um olhar em meus hipnotizantes olhos e curiosamente ele está disposto a fazer qualquer coisa que eu pedir...” Ela bateu o saleiro, entediada, como se falar sobre sua capacidade vamp fosse a mesma coisa que falar sobre qualquer outra habilidade de trabalho. Datilógrafa excelente, sem parar, pode obrigar os outros a fazerem suas coisas. “Excelente. Evie, eu queria saber se você poderia encontrar-se com um casal de vampiros que querem sublocar o apartamento ao lado, apenas se certificar de que está tudo certo. Eles não podem compelir você, então você vai ser capaz de dizer muito rapidamente se eles estão mentindo sobre qualquer coisa.” “Claro.” Eu apunhalei com mau humor meus ovos. Normalmente eu gostava de minhas reuniões semanais com David e Arianna. Desde que paranormais não estavam mais correndo com medo de Viv, as coisas tinham se acalmado, mas sempre havia algo que precisava ser feito em sua pequena operação. Hoje, no entanto, parecia inútil. Tudo parecia sem sentido. Lend ainda não tinha ligado. Tinha passado apenas dois dias, mas parecia como toda uma vida. Nós nunca tínhamos ficado tanto tempo sem nos falar. Gostaria de saber, também, se ele iria ou não contar a seu pai que eu estava de volta com a AICP. David não tinha dito uma palavra, tinha me cumprimentado com seu habitual sorriso acolhedor e um abraço de lado. Não que fosse problema dele, também. Ele era meu tutor legal, mas, como Raquel apontou, realmente não havia muito de legal sobre isso. Ainda assim, ele tinha me acolhido quando Lend e eu saímos do Centro, confiou que eu não iria trair seus segredos e sempre fez tudo o que podia para ajudar-me. Eu também não gostava de sentir como se talvez eu o tivesse traído. Eu não gostava nada disso. Eu fiz uma carranca para fora da janela novamente, direcionando meus humores sujos para os pedestres inocentes andando na calçada. Uma mãe e um pai andavam com uma menina entre eles, todos de mãos dadas. Por alguma razão isso me fez querer chorar. Um carro buzinou bem alto, chamando minha atenção para longe da família, diretamente para uma mulher, calmamente andando pelo meio da rua como se fosse dona do lugar. Ela usava um vestido fluído roxo, tinha cabelo castanho brilhante, e... Merda. Eu enfiei-me debaixo da mesa.

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“Que...? Evie?” David perguntou. “Faerie!” Eu assobiei. “Lá fora!” Arianna inclinou-se para a janela. “Onde?” “A mulher em roxo! Não, não olhe! Quero dizer, você não será capaz de dizer, ela está com glamour! Mas não atraia sua atenção para cá.” Depois de um minuto tenso que pareceu mais como uma hora, Arianna chutou-me. Não muito gentilmente. “Ela foi-se. Você pode levantar agora.” Olhei hesitante para fora, escaneando para cima e para baixo da rua para garantir que a faerie realmente se foi, então me sentei. Meu coração estava disparado. “Você conhece?” David perguntou, franzindo a testa. “Não! Nunca vi aquilo em minha vida.” “Eu pergunto-me o que ela estava fazendo aqui.” O aviso de Reth sobre minha segurança passou por minha mente. “Procurando por mim?” “Eu não sei.” disse Arianna, traçando padrões em um fio fino de ketchup que ela derramou sobre a mesa. “Ela realmente não parecia como se estivesse à procura de qualquer coisa. Ela apenas meio que caminhava pela rua casualmente, nem mesmo olhando de um lado para o outro.” “Não pode ser uma coincidência. Quantas faeries você recebe aqui?” David encolheu os ombros. “Eu não tenho ideia, na verdade. Pelo que Arianna e eu sabemos, ela poderia estar aqui constantemente. Ela parecia uma pessoa normal para mim.” “Mais quente, porém.” Arianna acrescentou. “Então, devemos dizer a você toda vez que virmos alguém que seja realmente quente?” Eu olhei para ela. “Sim, isso seria muito útil, obrigada.” “Ainda assim, você está certa. Isso é incomum.” David franziu a testa, pensativo. “Eu vou perguntar a Nona sobre isso.” “Ela vai ser de muita ajuda.”

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“Por quê?” Eu dei de ombros. “Tem havido um monte de paranormais estranhos aqui recentemente. E Lend e eu pegamo-la falando com Reth na cozinha outra noite.” “Sério? Isso... Isso é estranho.” Arranhando a barba, David levantou-se. “Eu vou falar com ela agora. Estava querendo, de qualquer maneira. Eu ainda não fui capaz de ver Cresseda e Raquel estava dizendo algo sobre a falta de elementais de fogo e terra.” Ele olhou para uma mancha na parede, perdido em seus próprios pensamentos, então balançou a cabeça e sorriu tranquilizador para mim. “Eu quero que você se sinta sempre segura aqui, Evie e você sabe que eu vou fazer o que puder para ter certeza de que isso seja possível.” “Obrigada.” Brilhante. Exatamente o que eu precisava, mais uma confirmação de que algo estava acontecendo. E ainda menos ideia do que era. Levantei-me e virei para ir até o apartamento, apenas para descobrir Grnlllll parada perto do balcão, olhos negros olhando fixamente para mim. Em seguida, ela fez a coisa mais assustadora que eu já a vi fazer. Ela sorriu. Algo estava definitivamente acontecendo.

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Perspectivas Cruéis “Eu não tenho certeza se deveria ir.” Jack rolou os olhos, entrando com tudo em meu quarto e deixando a porta fechar-se atrás dele. “É por causa de seu namorado nervosinho?” Lend tinha me mandado mensagens algumas vezes desde segunda, mas ele não chegaria aqui até amanhã à noite. Parecia que eu o estava traindo outra vez, saindo em uma missão na quinta à tarde. Por outro lado, ele sabia que eu estava trabalhando com a AICP. E eu não tinha dito a ele que pararia. “Eu não sei.” Eu murmurei. “Olha, se você não quiser vir, não é grande coisa. Eu tenho certeza que aquelas famílias mantidas como reféns escravas de Trolls vão entender completamente que você está enrolando por causa de seus estúpidos problemas de relacionamento.” Eu encarei-o. “Ótimo.” Eu concordei com essa missão de Trolls desde o início quando Raquel me pediu para voltar e eles finalmente cercaram a área da cidade onde acham que os Trolls estão. Jack já tinha estado lá com uma Faerie ontem para verificar as extensões e conseguir uma entrada. Seria de pequena escala, para dentro e para fora. Eu não tinha que confrontar nada nem ninguém, só ver um troll, anotar a localização e reportar para a AICP. Eu estava ajudando pessoas. Era importante. Sentindo-me aborrecida e um pouco doente do estômago, eu levantei e peguei a mão de Jack. Eu resisti à tentação de fechar os olhos quando entramos nos Caminhos. Talvez se eu fingisse que não estava assustada, eu superasse isso. Jack parecia incomumente ansioso, guiando-me em frente. “Sua mão está toda suada” Eu reclamei, desejando poder tirar a minha de seu aperto para secá-las em meus jeans. “Está nervoso ou algo assim?” Ele deixou escapar uma rápida, breve risada, mas não respondeu. Depois de alguns minutos ele desacelerou, com uma carranca de concentração enquanto levantava uma mão e sentia através do nada.

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“Perdido?” Um sorriso quebrou seu foco “Não. Aqui estamos. Apresento-lhe Trollhatthan, Suécia.” Uma porta abriu-se em nossa frente e eu vi um flash de árvores verdes e céus cheios de nuvens. Eu soltei-o e caminhei para frente. Diretamente para uma queda livre. Meu grito foi extinto quando eu mergulhei em águas cruelmente escuras e geladas. Ela inundou meus sentidos, achando seu caminho para meus olhos, nariz, ouvidos e boca. Tudo era cinza e verde e gelado. Eu engasguei, lutando para empurrar-me de volta para a superfície. Porém, meu casaco estava ensopado e eu mal podia arrastá-lo através do líquido fétido. Eu procurei freneticamente através da escuridão por Jack, mas ele não tinha caído perto de mim, ou talvez, no choque, eu tivesse perdido isso. Ele podia estar bem de meu lado e eu nunca saberia. Meus pulmões queimavam, mas um vislumbre de luz acima de minha cabeça atraiu-me. Mais alguns centímetros e eu irrompi para a superfície, enchendo o pulmão de ar, grata e desesperada. Eu estava cerca de vinte pés de distância da bacia de sujeira revertida de verde. Eu virei a cabeça e vi, para meu horror, um tipo de portão no estreito, no fim do levantamento da hidrovia. Levantando-se e inundando em minha parte do rio com uma corrente que me virou e arrastou de volta para baixo, sem direção. Eu lutei, chutando selvagemente, mas eu nem mesmo sabia mais para que lado estava a superfície. Eu afogar-me-ia... Oh Piii, eu afogar-me-ia sozinha na Suécia... Quando uma mão surgiu e agarrou meu braço. Jack! Se eu pudesse, eu teria chorado de alívio. Eu virei para encará-lo e encontrei-me olhando para uma pessoa estranhamente linda. Ele encaixava-se aos verdes e cinzas da água em nossa volta, com olhos que tomavam quase metade de seu rosto. Olhos cheios com alma. Famintos. Seus lábios cheios partiram-se em um sorriso e eu sorri de volta. A voz dele movia-se através da água, dolorosamente doce e adorável. Eu fechei os olhos, perdida na melodia. Eu nunca tinha ouvido uma música tão poderosa, tão sedutora. Ele puxou-me para frente e colocou seus lábios gelados sobre os meus, sua música, de algum jeito, continuou enquanto ele gentilmente partia meus lábios e beijava-me, puxando meu fôlego para si.

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Nós afundamos juntos, girando suavemente, até que meus pés descansaram contra o irregular e macio lodo do fundo do rio. Entre os lábios dele e a música, o ardor em meus pulmões desapareceu à distância, dificilmente notável. Eu abri meus olhos, sonolenta e deliciosamente contente, para ver os olhos dele encarando-me. Eu empurrei-me para trás, um grito crescendo por minha garganta. Porque agora que eu olhei, eu podia ver que ele era ambos: esse lindo homem e um cavalo, um cavalo com olhos de navalha, dentes pontudos e cabelos como fios de erva daninha. O cabelo chicoteou para frente, agarrando-se a meus quadris enquanto ele me puxava para perto de novo. A melodia havia mudado, tornando-se uma canção de ninar assustadora, cheia de ânsia, tristeza e fim. Sono. Frio, ensopado, sono eterno. Eu balancei minha cabeça, aterrorizada, mas o lindo homem-cavalo sorriu de novo, embalando-me em seu peito. Erro dele. Eu bati minha palma contra ele, o curso entre nós abrindo-se com um dilúvio mais poderoso do que o rio jamais seria. Agora eram os olhos dele que estavam abertos com terror quando ele me largou e recuou para trás. Eu mantive minha mão em seu peito, o rugido em meus ouvidos ecoando por todo meu corpo em um dilúvio esmagador. Uma corrente de fuga chocou-se contra mim e desconectou-nos. Em um instante, ele tinha sumido e eu estava irritada. Eu gritei com raiva na água. Ele tinha tentado matar-me, vingança era algo justo, até onde eu sabia. Que esporte medíocre. A água não me incomodava mais. As correntes não estavam mais trabalhando forçadamente contra mim, mas sim coisas vivas que eu podia ler e entender. Eu deixei-as erguerem-me até que minha cabeça atingiu a superfície outra vez. Eu respirei fundo relutantemente, uma estranha parte de mim querendo esgueirar-se de volta para baixo e descobrir que mistérios o rio sussurrava para mim. Em vez disso, eu meio que nadei, meio que deixei a água carregar-me até a margem. Escalando, eu desabei para o lado e olhei para o frio céu cinzento. O enlace do ar era estranho e vazio; Faltava aquela carícia e toque da água. “Evie!” A voz de Jack flutuou até mim. Ele ajoelhou-se perto de mim, preocupação distorcendo suas feições. Era uma aparência nova nele. “Evie, você está bem? Eu não sabia! Você pisou fora muito rápido e então eu tive que achar uma porta para a margem e eu não conseguia encontrar você. Você está bem?”

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Eu suspirei, meu casaco ensopado fazendo-me tremer até os ossos “Bem. Fiz um novo amigo.” Ele puxou-me para cima pela mão, desabotoando meu casaco e arrancando-o de mim. “Camiseta também, por favor.” “Não!” “Não é justo, eu lembro-me de você fazer-me tirar a roupa quando nos conhecemos. Além disso, vai ficar muito mais frio e nós não temos tempo para uma mudança de traje.” Já tremendo, eu deixei meu casaco cair no chão e despi minha camiseta, quase com frio demais para estar ciente de meu quase inexistente decote, em um sutiã roxo. Jack deu-me seu casaco e eu contorci-me para dentro dele, grata pelo calor que o corpo dele havia deixado. Eu olhei para a água, seria mais quente lá, não seria? Talvez apenas uma nadada rápida. O que tinha de errado comigo? Jack franziu a testa. “Não tem nada que possamos fazer sobre suas calças. As minhas provavelmente não caberiam e não seria bom eu andar por aí sem calças, apesar de que seria o melhor dia de sua vida.” “Está tudo bem.” Meus dentes batiam violentamente e meus seios escorriam tanto quanto se metade do rio tivesse engatado uma corrida neles. “O que é esse lugar?” “O rio Göta älv. É um sistema fechado, com portões que mudam o nível da água. É uma história grande de trocas e auxílio da revolução industrial de Trollhatthan.” “Deixe-me adivinhar: Raquel colocou-lhe com um tutor também?” “Só quando ela consegue me pegar. Você quer que eu lhe leve de volta? Podemos tentar de novo amanhã.” Eu balancei minha cabeça. Eu tinha certeza que se eu parasse para pensar nas coisas, eu teria um ataque, mas eu não queria ter que voltar amanhã. Ou nunca, na verdade, com Jack de guia. Além disso, amanhã eu estaria com Lend e eu faria as coisas ficarem bem. Eu só precisava terminar o trabalho e ir para casa. Então eu podia aguentar. “É um caminho bem curto para a cidade,” ele disse. “Posso tentar outra porta se você quiser...”

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“Não! Não, eu não me importo em caminhar, muito obrigada!” Nós ficamos quietos por um instante, caminhando entre as ervas daninhas e pedras cinzentas. Era lindo. Ou teria sido, se eu não estivesse tremendo até os ossos e congelando. “O que você estava dizendo sobre ter feito um novo amigo?” Jack perguntou. Uma onda de frio espalhou-se por meu coração e veias, como uma injeção da água do rio. Talvez fosse extinguir o formigamento na ponta de meus dedos. “Hum, é, por amigo eu quero dizer alguém que tenta me afogar. Já ouviu falar de um fossegrim7?” Ele balançou a cabeça. “Kelpie? Nix? Não? Todas as variações do mesmo tipo adorável de paranormal que anda pela água e afoga pessoas por chutes.” Eu tinha aprendido sobre eles com Lish. Diferentes áreas do mundo tinham raças diferentes, variando de um tipo parecido com cavalo ou com dragões. Julgando pela aparência do homem bonito e a musica, eu apostaria em um fossegrim. Supostamente, você podia matá-los se dissesse seu nome mas, a) Como você descobriria, em primeiro lugar? e b) É um pouco difícil falar quando seus pulmões estão se enchendo lentamente de água. Mesmo assim, a lenda dizia que eles eram ocasionalmente benignos, dando lições de música e até mesmo casando com mortais de vez em quando. Eu não tive a impressão de que aquele tivesse alguma intenção de fazer votos. “Então vocês não vão ser melhores amigos?” “Eu não sei, ele pode ser divertido em festas na piscina. Assumindo que você odeie todo mundo que convidou.” Nós andamos em silêncio por um tempo, ambos nos arqueando sob o frio da tarde, até que entramos nas redondezas de uma cidade que era muito bonita e charmosa para ser confundida com qualquer lugar na América. Os prédios eram de tijolos vermelhos e madeira, com um sentimento clássico que fazia os carros estacionados do lado de fora nas ruas de pedra de carvão parecerem ridiculamente deslocados. Eu meio que esperava uma carruagem puxada por cavalos descer chacoalhando pela rua, seguida por moradores com tranças, cantando e dançando. Ou talvez eu tenha assistido muitos musicais.

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Espíritos da água que geralmente aparecem em forma humana.

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“A vizinhança é a alguns quarteirões por aqui,” Jack disse, depois de ler algumas placas de rua procurando orientação. Lâmpadas acenderam-se e eu adicionei Trollhattan na lista de lugares que eu gostaria de visitar por diversão um dia. Eu conseguia totalmente me ver em um traje tradicional sueco, meu cabelo em laços, andando de mãos dadas pelas ruas com Lend. Como ele ficaria em um lederhosen8? Pensando nisso, ninguém aqui estava usando um lederhosen. Mas isso não queria dizer que Lend não podia usar um, apesar de tudo... É claro, primeiro, ele teria que me perdoar por esgueirar-me sem que ele soubesse. Uma viagem celebrativa para a Suécia seria um bom jeito de compensar, certo? Guardando essa ideia para um encontro mais tarde, eu comecei a olhar (realmente olhar) para as pessoas pelas quais passávamos na rua enquanto chegávamos perto do potencial distrito Troll. Pela primeira vez, eu misturei-me bem, bem mais fácil me misturar na Escandinávia do que na maioria dos outros países. “Alguma coisa?” Jack choramingou depois de já estarmos vagando há mais ou menos meia hora. Estava quase escuro agora e nós dois estávamos tremendo. Bolhas já haviam clamado cada pedaço disponível de meus sapatos e meias encharcadas. Se eu não visse algo logo, essa viagem toda seria um fracasso. Eu odiava pensar que as pobres pessoas sequestradas e forçadas à escravidão pelos Trolls fossem ter que esperar até semana que vem para serem resgatadas, mas não tinha mais nada que eu pudesse fazer essa noite. “Não, nada mes...” Uma garota jovem arremessou-se na rua em minha frente. Coisinha fofa com um nariz amassado, bochechas coradas, cabelo loiro e... E uma pequena cauda escapando debaixo de sua saia.

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Tipo de roupa típica sueca para homens. É um tipo de macacão com suspensórios, geralmente na cor verde.

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Amigável Para Turistas Eu agarrei o braço de Jack e apontei para a menininha. Ele olhou para ela e então deu de ombros. “Isso quer dizer que acabamos?” “Vamos lá. Vamos checar para ter certeza de que sabemos qual é a casa.” Nós arrastamo-nos atrás dela pelas ruas, passando pelas áreas comerciais até o distrito residencial. As casas de tijolo e madeira eram elegantes e bem construídas, as ruas limpas sobre luzes quentes. As caixas de flores embaixo das janelas estavam vazias agora, mas eu imaginei o quão encantador esse lugar deveria ser na primavera e no verão, coberto de flores. Eu tentei manter uma distância discreta da garotinha. Meu único trabalho era descobrir onde ela estava morando e reportar para a central. Sem contatos de nenhum tipo, o que eu estava mais do que de acordo. Eu nem sequer tinha trazido a Tasey comigo, um fato pelo qual agora eu estava extremamente grata, já que meu pequeno mergulho não teria sido bom para ela. Nós passamos por algumas pessoas sentadas em alpendres, quando eu fiz contato visual, eu sorri e então acenei com a cabeça de volta hesitantemente. Se eles ao menos soubessem o que estava entre eles. Uma mulher em um bonito casaco de lã vermelha estava parada perto de um dos postes de luz, discando em seu telefone. Ela olhou para cima, um pequeno olhar de surpresa no rosto dela quando ela encontrou meus olhos, provavelmente por causa de meu cabelo que ainda estava pingando. Ela piscou para mim e eu dei um pequeno aceno. Os Suecos mereciam totalmente sua reputação de amigáveis. Outra esquina e a garotinha pulou os degraus e entrou em uma casa indeterminada. “Bingo!” Eu estava para contar a Jack que nós finalmente podíamos ir quando o som de alguém limpando a garganta atrás de nós me fez virar. Cada uma das pessoas pelas quais tínhamos passado em nosso caminho para cá, incluindo a mulher no casaco vermelho, estavam atrás de nós, formando um semicírculo. Um semicírculo distintamente ameaçador. “Uhmm, Jack?” Eu puxei-o pelo braço. Ele olhou por cima do ombro e então olhou de volta para a casa, alcançando um comunicador no bolso de sua calça. “O quê?” A multidão moveu-se para ainda mais perto.

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“Jack!” Ele virou-se, lançando-me um olhar irritado. “Deixe-me ligar logo, eu estou com frio!” Ele não podia vê-los. O que queria dizer que eles eram invisíveis. O que queria dizer que eram Trolls. Trolls que sabiam que eu podia vê-los. “Ooops!” Eu murmurei. Como eu pude esquecer os glamours de invisibilidade deles? Agora que eu estava olhando, eu podia ver pequenos traços de distorção em volta de seus rostos, minha visão estúpida penetrando diretamente através da invisibilidade. Eles sabiam que algo estava errado no momento em que eu os vi nas ruas. Eu acenei para os Trolls. “Uhmm, nós estávamos apenas indo...” Eu agarrei o braço de Jack, surpreendendo-o a largar o comunicador e começar a recuar, colidindo com um cara particularmente grande, quem, agora eu notei ter um nariz estranhamente plano. E uma calda. Nós estávamos cercados. Ele prendeu uma mão enorme em meu ombro. Eu mordi seu polegar, esquivando-me para longe de sua mão. “CORRA!” Eu gritei através da multidão que crescia, mas Jack, incapaz de vê-los, continuou lá como um grande imbecil. Eu parei, despedaçada. Eles tinham-no cercado. Houve um leve brilho, como se uma onda de calor tivesse subido das ruas geladas e, pelo olhar no rosto de Jack, eu sabia que eles estavam visíveis para ele também agora. Eles aproximaram-se, fazendo Jack recuar para a parede. A mulher no casaco vermelho olhava para mim. Eu queria gritar em frustração. Depois de tudo que eu já tinha passado hoje, agora eu tinha que enfrentar uma horda de Trolls raivosos para salvar Jack. Jack. Estúpido, louco, Jack. Eu andei para trás, meus pés como se pesassem uma tonelada. Jack lançou um olhar para mim como se para dizer “O quê?!” e eu balancei minha cabeça. É obvio que eu não o deixaria. Eu alcancei a borda do círculo e o grande Troll agarrou meu braço, ficando cuidadosamente longe do alcance de minha boca. “Evie, sua idiota!” Jack disse. “Eu tinha que voltar por você!”

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“Não! Você realmente não tinha!” E foi quando eu notei a mão dele na parede, que se abriu em escuridão. Jack fez uma careta para mim, então escorregou para dentro e desapareceu, para a grande surpresa dos Trolls. “Seu pequeno traidor!” Eu gritei, para a agora sólida, parede. Aqui estava eu, voltando para que ele não morresse sozinho e ele abandona-me! Depois de me jogar em um lago e quase me matar! Se eu chegar a vê-lo outra vez, ele irá ser apresentado apropriadamente à Tasey. Os Trolls sussurravam uma conversa em uma linguagem forte e gutural. Eu contorci-me, mas a mão do Grande Cara Troll não estava indo a lugar nenhum. Depois de um momento, eles empurraram-me para dentro da casa mais próxima e jogaram-me em um sofá florido. Tinha pelo menos vinte deles agora e eles bloqueavam todas as saídas. A sala não era exatamente o que eu esperava de um covil Troll. Em vez de ossos roídos e lixo, era incrivelmente limpo com uma pintura de tons quentes e belas estampas. Eu perguntava-me onde estava a família que realmente era a dona disso, por quanto tempo eles estavam sendo mantidos prisioneiros. E querendo ou não, eu estava prestes a juntar-me a eles. Mas ficaria tudo bem, no final. Jack sabia onde eu estava. Ele conseguiria ajuda e trá-los-ia aqui... Bem como quando ele desapareceu e deixou-me abandonada na Central por dois dias. Eu estava tão ferrada. Eu observei os Trolls cuidadosamente. Muitos deles estavam fazendo ligações (desde quando trolls usavam celular?), mas os outros estavam encarando-me. Agora que eu olhava mais de perto, lá estavam as diferenças óbvias entre eles e humanos, além das caudas. Narizes bonitos e maiores, olhos próximos e juntos, e todos eram de um cinza vivo. A maioria deles tinha um pedaço de cabelo que era selvagem e despenteado, que ficava estranho com suas roupas chiques e profissionais. Eu deveria ter reconhecido o olhar antes, invisível ou não, mas eu não lidava com Trolls desde meus doze anos. Finalmente, a mulher no casaco vermelho, o cabelo preso em tranças como ouro torcido, colocou-se em minha frente com as mãos nos quadris enquanto sua cauda chicoteava rapidamente de um lado para o outro. “Nós sabemos quem você é.” O inglês dela tinha um sotaque pesado, mas era claro. Eu levantei minhas sobrancelhas. Aparentemente mesmo depois de vários meses fora do jogo da AICP minha fama tinha se espalhado. “Então você sabe que devia me deixar ir.” Blefar era minha única opção nesse momento, então eu me sentei reta e mantive contato visual.

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Ela deixou escapar uma risada. “Para você fazer mais carnificina com nossas crianças?” Meu queixo caiu e então eu suspirei exausta. Quando os paranormais iriam parar de me acusar de assassinato?

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Um bom momento De Ranger Os Dentes Os trolls encaravam-me, esperando por uma resposta. Um estranho rangido fragmentado e barulhento veio de minha esquerda; Eu não conseguia identificar o que era até eu perceber que o grande Troll perto de mim estava rangendo os dentes, cada músculo em seu corpo consideravelmente musculoso tenso. Nada bom. Eu ergui minhas mãos. “Primeiro de tudo, eu não mato crianças! Ou ninguém, aliás! Quem vocês acham que eu sou?” A mulher de casaco vermelho estreitou os olhos. “Se você não é aquela criatura imunda, como consegue nos ver?” “De que tipo de criatura imunda nós estamos falando aqui?” Eu perguntei, rapidamente mudando de assunto. Minhas habilidades não eram algo que eu queria que essa multidão soubesse. “Vampiro,” Um troll ancião perto da porta cuspiu, os lábios dele tremendo de raiva. “Eu totalmente, definitivamente não sou uma vampira!” Meu peito aliviou consideravelmente. Isso seria fácil o suficiente para provar... E para resolver. “Dê-me um espelho, ou água benta. Eu posso até a beber se quiserem!” Eu arfei enquanto alguém atirou água benta em minha bochecha. “Um pequeno aviso, da próxima vez, seria bom.” Eu limpei minha bochecha com a manga do casaco de Jack e assisti os rostos em minha volta mudarem de assassinos a confusos. “Quem é você?” Casaco Vermelho perguntou. Eu não sabia se deveria ou não mentir, então eu optei por uma combinação. “Eu estou com a AICP.” O troll cuspiu outra vez. Encantador, aquele lá. Casaco Vermelho atirou um olhar para ele e então se virou para mim. “Como você consegue nos ver?”

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Eu encolhi os ombros. “Eu sou talentosa. Eu tenho treinado para conseguir identificar a maioria dos paranormais.” “E que interesse a AICP tem conosco?” “Tudo que a AICP quer é libertar quaisquer humanos que vivam aqui.” Ela balançou a cabeça e então gesticulou para a porta e disse algo naquela linguagem gutural. A maioria dos Trolls, exceto Grandão Rangedor de Dentes e o Velho da Saliva saíram. Casaco Vermelho sentou-se no braço da cadeira em minha frente, juntando as mãos em seu colo. “Qual seu nome, criança?” “Evie” “Chamam-me de Birgitta. E agora que nós já trocamos nomes, vamos começar a ser honestas uma com a outra. Essa sua AICP não quer apenas qualquer humano precioso que nós, Trolls assassinos nojentos, tenhamos pego.” Eu contorci-me sob o olhar penetrante dela. “Eu não sei do que está falando.” A mentira tinha um gosto pesado e ácido em minha língua. Eu sabia tudo sobre a relocação forçada e o monitoramento. Eu ajudei a AICP a identificar uma colônia de Trolls anos atrás, depois disso Lish tratou deles por semanas. Eu nem sequer tinha certeza de para onde eles levam os Trolls, mas eles definitivamente não os deixariam viver em casas roubadas. “Eu só deveria encontrar vocês.” “E se eu lhe dissesse que não há nenhum humano?” Meus olhos arregalaram-se com o terror. “O que vocês fizeram com eles?” Ela olhou para o teto, o rosto dela uma verdadeira amostra de exaustão. “Nunca houve nenhum. Nós compramos todas essas casas. Nós temos vivido por suas regras, no mundo de vocês. E agora estamos para ser removidos por isso?” “Espera... Vocês não expulsaram as pessoas e tomaram suas coisas?” Isso era o tipo de coisa que os Trolls faziam. Eles tomavam as casas, às vezes vilarejos inteiros, sequestrando as pessoas para seus lares subterrâneos para que fossem servos. E eles eram ladrões notórios: comida, ouro, castelo, até bebês! Dedos pegajosos e com caudas.

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“Não são sempre os Trolls que expulsam humanos de suas próprias casas. Mais de um século atrás, nós vivíamos em ilhas no rio e embaixo dele. Nós tínhamos nossos... desentendimentos... com a população humana local, mas nós estávamos separados deles e estávamos felizes assim. E então eles represaram o rio com seus portões e cadeados e afogaram a colônia que tínhamos passado séculos construindo. Nossas casas foram inundadas, alguns de nós clamavam por vingança. Mas a maioria de nós estava cansado de trabalhar contra os incansáveis ataques dos humanos. Nós decidimos parar de lutar. Nós pegamos nosso ouro e compramos nosso caminho na sociedade humana.” “Vocês são donos de tudo isso?” Ela levantou o queixo orgulhosa. “Por que você acha que essa cidade cresceu tanto depois da construção dos prédios? Pelo aumento de trocas conosco! Nós não temos a mesma habilidade mecânica de vocês humanos, mas nós gerenciamos praticamente todos os negócios daqui.” “Então vocês não estão machucando ninguém mesmo?” Bem, droga. Isso fazia as coisas mais complicadas. Muito mais complicadas. Se ela estava dizendo a verdade e ela não tinha nenhum motivo para mentir para mim, então a AICP não tinha nada a ver com eles. O maior interesse da AICP era impedir os paranormais de machucar humanos e esses não estavam fazendo mal nenhum. Mas eu não acho que a AICP vai ver desse jeito. Trolls eram Trolls para eles. Eu esfreguei meu rosto, cansada e com frio e desejando que o mundo fosse preto e branco outra vez. “Ok. Eu posso... Eu não sei. Vamos fingir que nada disso aconteceu.” O velho da saliva gruniu algo para Birgitta e ela assentiu. “Você trabalha para a AICP. Seu trabalho é encontrar, mas também proteger paranormais, certo?” “Sim, eu acho que pode ser interpretado desse jeito.” Se você considerar monitorar, deter e controlar como proteger, que é o que a AICP fazia. “Então você tem que nos ajudar.” Ela alegou isso como se fosse um fato. “Você vê coisas que ninguém mais pode ver. Você vai encontrar o vampiro que nos persegue.” “Eu não...” “Encontrar um paranormal para levar de volta para a AICP e proteger aqueles de nós que não estão fazendo mal nenhum. Esse é seu trabalho.” Os olhos ardentes dela perfuravam os meus, amolecendo nos cantos. “Por favor! Nossas crianças, os pequenos bebês Troll. Nós temos tão poucos deles e eles são muito mais preciosos do que qualquer vida que tenhamos construído aqui. Ajude-nos!”

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Como poderia dizer não? Eu continuei parada. “Ok. Vamos pegar um vampiro!” Trinta minutos depois eu estava vagando pelas ruas no fim de tarde com Rangedor de Dentes a meu lado. Birgitta tinha me dito sobre o vampiro perseguindo-os. Trolls só tem crianças uma ou duas vezes por século e os bebês troll não sabem como usar os glamours de invisibilidade por várias décadas, o que os deixa vulneráveis. Dois já haviam sido mortos e uma seriamente ferida. A coisa toda me deixava doente do estômago. Esses eram os vampiros que eu conhecia. Era por isso que a AICP ainda precisava estar nesse mundo, não importava o que Lend pensasse. Os Trolls tinham feito uma armadilha para o vampiro, na qual eu inconscientemente caí, seguindo a garotinha Troll que servia de isca. Agora era minha responsabilidade congelar meu traseiro e encontrar o perseguidor escorregadio deles. Mas eu não sabia como acharia qualquer um nessas circunstâncias. Rangedor respirava tão alto que eu mal podia ouvir meus próprios passos. Estava acabando com meu estilo. “Eu acho que eu vou ter mais sorte sozinha.” Eu sorri, então ele não levaria aquilo para o lado errado. Ele franziu a testa, suas sobrancelhas quase cobrindo seus olhos entreabertos. “Não é seguro.” “Confie em mim, eu já estive por essas bandas algumas vezes. Eu posso lidar com um vampiro.” “Invisível.” Ele gesticulou para ele mesmo. Eu balancei a cabeça. Um vampiro ainda podia sentir o cheiro dele, o que era sem dúvidas o motivo pelo qual eles ainda não tinham tido qualquer sorte rastreando-o. Encarando-me duvidosamente, ele hesitou e então se virou e voltou pela direção da qual viemos. Eu deixei um suspiro de alívio escapar. Os Trolls dessa cidade podem ser inofensivos, mas isso não fazia deles menos intimidantes. Minhas mãos encontraram meus bolsos e coxas que já se colavam ao tecido por eu ter andado por aí tanto tempo com jeans molhados e eu vaguei pelas ruas, escolhendo as direções ao acaso. Havia muita coisa para pensar. Para começar a estranha sensação líquida que se manteve flutuando em cima de mim. O jeito que o ar frio parecia me seguir como um pequeno filhote perdido. O teste de inglês para o qual eu estaria muito, muito cansada de manhã. O que eu iria dizer a Lend para fazer as coisas se acertarem. Como eu iria conseguir

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uma carona para casa sem nenhum comunicador. Quão forte eu iria bater em Jack por me abandonar. Aquele último pensamento aqueceu-me um pouco. Eu continuava achando que estava ouvindo passos seguindo a sombra dos meus, mas não importava quantas vezes eu me virasse, ninguém estava lá. Quando eu me encontrei completamente perdida, uma voz suave com um leve sotaque veio de uma varanda escura perto de mim. “Eu acho que você está na parte errada da cidade.” Eu podia ouvir o sorriso através da escuridão. Eu parei, encarando-o. “Não, eu tenho bastante certeza que estou na parte certa.” Ele encaminhou-se para a luz, olhos brancos devidamente reluzentes por baixo de seu glamour e presas encaixavam-se em um sorriso prazeroso. Isso, exatamente onde eu deveria estar. Pode vir, homem morto!

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Como um filme ruim Ainda sorrindo, o vampiro balançou a cabeça. “Você devia ter cuidado por onde anda nessa cidade, Liebchen9, monstros andam com rostos humanos.” Eu bufei. “Não me diga.” Essa era a primeira vez desde meus oito anos que eu enfrentava um vampiro sem apoio ou sem a Tasey. Mesmo assim, eu não iria recuar. Eu definitivamente podia dar conta de um vampiro solitário. O cabelo dele era escuro e cacheado, mais longo do que a maioria dos vampiros usava, dando a ele um ar quase artístico. Bem, menos o cadáver balançando por baixo do Glamour. Ele colocou as mãos nos bolsos e deu de ombros. “Tem coisas nesse mundo que é melhor que você não saiba. Vá para casa e deixe a noite e seus mistérios.” “Wow, Melodramático demais? Vocês vampiros sempre se levam tão a sério.” Os olhos dele saltaram de surpresa. “É, eu sei que você é uma criatura da noite. Portador da morte, sugador de sangue, precisando de um bronzeado e assim por diante. E por incrível que pareça, eu ainda não estou impressionada.” Ele estreitou os olhos. “Como você sabe o que eu sou, criança?” O que é isso com os paranormais de me chamarem de “criança”?! Eu teria dezessete em dezembro. Que tal um bom “Senhora” ou algo assim? “Eu sei porque é meu trabalho. E também é meu trabalho lhe dizer que toda essa coisa de perseguir Trolls que você anda fazendo acaba aqui.” Ele lançou a cabeça para trás e riu. Eu senti como se eu tivesse andado para dentro de algum filme de vampiro elegante. Finalmente terminando com seu pequeno show de convicção sinistra, ele focou os olhos em mim. “Você vai levar-me de volta aos trolls.” Os truques de controle da mente dos vampiros são dependentes do Glamour deles e com minha ótima visão direta para os olhos brancos e cadavéricos dele, ele parecia simplesmente besta. Eu deixei meu rosto sem expressão e assenti devagar. “Sim. Os trolls. De volta. Comigo. Não posso formar. Frases. Completas.” Eu balancei minha cabeça. “É, não vai acontecer.” Ele considerou-me, irritado e sem saber o que fazer em seguida. “Eu não mato humanos.” 9

Amada, querida.

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“Nem eu! Vê? Já estamos em um solo comum.” “Então eu suponho que nós deveríamos, nós dois, tomarmos nossos caminhos.” Eu pus minhas mãos no quadril. “Não, não deveríamos. Eu não vou deixar você matar mais nenhuma criança Troll.” Ele suspirou. “Então eu suponho que nós teremos que perder nosso solo comum aqui.” Liberando as presas, ele moveu-se para frente. Eu movi meu braço para trás e soquei-o bem no rosto. “Ow!” Nós dois gritamos em uníssono enquanto ele cobria o nariz e eu balançava minha pobre, pobre mão. Por que ninguém nunca me disse que socar rostos dói? “Você bateu-me!” “Você estava tentando morder-me!” Nós encaramo-nos, sua intensidade diminuiu um pouco por causa da mão que ele ainda segurava no nariz. “Então, o que agora?” Ele perguntou, a voz suave abafada. “Eu ainda não pensei tão longe.” Eu não o deixaria ir, mas eu não tinha nem armas, nem vontade para matá-lo. Depois de outro momento tenso, ele sentou-se no alpendre da varanda. Com um suspiro pesado, eu sentei-me do lado dele, envolvendo meus braços em volta de meus joelhos em uma tentativa patética de diminuir o frio. Parecia que as bolhas em meus pés tinham se acoplado e começavam a formar pequenas famílias de bolhas. Hoje estava uma merda. Eu virei-me para o vampiro. “Você não morde humanos, huh?” Ele inclinou-se para trás, encarando a noite. “Não por um longo tempo, agora.” “Por quê?” Eu conhecia muitos vampiros como Arianna que não bebiam sangue humano, mas eles também não bebiam sangue de Troll. Essa era a primeira vez que eu ouvia sobre paranormais serem alvos de um sanguessuga. “Porque, Liebchen, eu lembro-me de como era ter batimentos cardíacos, um pulso. Eu lembro-me de como era não ser um monstro. Eu estou contente em observar a humanidade rodopiando em minha volta, crescendo e envelhecendo e mudando de formas que eu nunca irei.” “Justo. Mas se você é assim tão pacifista, por que assassinar crianças Troll?”

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Ele virou-se para mim, o cansaço que ele tinha mostrado enquanto falava sobre humanidade substituído por uma raiva quase palpável. “Porque eu sou eterno e o sangue chama-me. Chama-me em todos os lugares que eu vou, implorando-me para pegá-lo, deformando-me com a sede. O que me fez desse jeito? O que mais no mundo permanece intocado pelo tempo? Essas criaturas e outras como elas. Se eu sou um monstro, vou interpretar meu papel. Mas eu vou fazer das presas minhas companheiras monstras e um dia eu vou descobrir como eles corromperam as vidas humanas para fazer vampiros e eu vou matar todos eles.” Eu tremi e não tinha nada a ver com minhas roupas molhadas. Quando Viv estava em sua loucura, pelo menos ela achava que estava ajudando os Paranormais libertando-os. Esse vampiro simplesmente os odiava. Eu resisti à urgência de correr para longe dele. “Por que você decide? Não é como se as crianças trolls escolhessem estar aqui. Está fora do controle delas, como sua... uh... mudança foi. Você está punindo-as pelo que elas são. Como isso faz sentido?” Um sorriso mais frio do que a noite escura espalhou-se pelo rosto dele. “Eu tenho tido quatrocentos anos para pensar desse jeito. Você é muito doce, mas quando se tem sido um monstro há tanto tempo quanto eu, 'sentido' deixa de ter qualquer influência.” Eu contorci-me, meu traseiro querendo dormir contra os degraus de concreto. No que eu fui meter-me? Meu comunicador ainda estava em meu casaco molhado, o qual eu estupidamente abandonei no leito do rio. Talvez eu pudesse simplesmente bater nele até que ele ficasse inconsciente e então achar Rangedor de Dentes Gigante e os outros Trolls. Mas eles provavelmente o matariam. Mas ele meio que merecia isso, não é? E pensar sobre isso não me fazia tão má quanto ele? “Eu devia ter ficado em casa estudando.” Eu murmurei. Ele deixou escapar uma risada baixa “Realmente. Parece que chegamos a um impasse. Eu não irei parar e você comprometeu-se a parar-me, não?” Eu dei de ombros. “É meu trabalho. Mais ou menos.” “Eu devo compartilhar um segredo com você então.” “O que é?” Ele inclinou-se para perto de mim. “Você não cheira totalmente como humana.”

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É isso. O cara vampiro ia cair! Quão difícil podia ser levar um cadáver à inconsciência? Eu levantei-me, fechando minhas mãos em punhos. “Diga-me algo que eu não saiba.” Ele levantou-se também, um sorriso cruel distorcendo os apodrecidos e desidratados restos do rosto real dele. “Algo que você não saiba? Muito bem. Eu descobri que sangue Paranormal traz mais benefícios do que sangue humano.” Antes que eu pudesse mover-me, ele alcançou e agarrou meu pulso. Eu tentei puxar de volta, mas não conseguia quebrar o aperto muito mais forte dele. Oh, piii.

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Eu Gosto da Vida Noturna Eu puxei contra o aperto do vampiro novamente, mas ele não se moveu. Isso não estava acontecendo. Isso não poderia estar acontecendo. Vampiros não eram tão fortes! Vendo meu pânico crescente, ele sorriu. Eu queria chutar seus dentes podres. Aquele sorriso me dava náuseas. “Não é o que você esperava? Eu avisei.” Eu joguei um soco selvagem com a mão esquerda, mas ele desviou facilmente. O vampiro empurrou-me para frente e derrubou-me na escada da varanda. Eu caí duro para trás, batendo meu cóccix contra o canto do degrau e soltei um grito agudo de dor. Ele colocou a mão sobre minha boca. Sua mão fez-me fechar os olhos deixando-me tonta, incapaz de concentrar-me em seu glamour ou seu corpo real. Pele lisa, pele morta, pele lisa, pele morta, eu engoli contra a náusea. “Silêncio, agora, não queremos chamar atenção extra. Eu vou fazer isso rápido, meu pequeno monstro.” Ele empurrou minha cabeça para o lado para expor meu pescoço. Gritando frustrada, eu mordia seus dedos o mais forte que eu podia. Ele empurrou-me de volta e eu ofeguei em busca de ar, engasgando com o pensamento de que eu tinha acabado de colocar uma mão morta em minha boca. Eu abaixei-me para o lado e tropecei fora de seu alcance. Assim que recuperei o equilíbrio, eu saí correndo, com a respiração irregular. Corri pela rua, virando uma esquina quando eu olhei atrás de mim quase batendo em uma parede. Xingando, eu corri mais rápido, mas era tarde demais. Ele já havia bloqueado o caminho de saída, olhando confiante de soslaio. “Você não quer fazer isso.” Eu disse, segurando minhas mãos. “Eu realmente quero fazer.” “Não! Eu...” A brisa gelada pulsava através de mim e o formigamento em minhas mãos ficou mais forte. Eu podia sentir o ar girando em redemoinhos pequenos em torno de mim,

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ligando-me a ele de uma maneira nova. De repente, meu corpo cansado e dolorido estava leve, sem substância, mas poderoso. E eu podia sentir a alma do vampiro, também, em minha frente. Chamando-me. Eu poderia até ver o mais fraco brilho em torno de seu coração. Fechei os olhos, lutando contra o desejo de diminuir a distância entre nós. ”Por favor,” eu sussurrei. ”Eu não quero lhe machucar.” Ele riu. ”Você está confusa, Liebchen?” Meus olhos abriram-se. Algo em sua expressão mudou quando ele viu o olhar lá, seu desprezo predador substituído pelo medo. Eu apertei minhas mãos em punhos. Não outra vez. Não, a menos que eu tivesse que fazer. Segurar-me de volta levou toda minha força e minha voz saiu baixa e dolorida. ”Você deveria correr.” Eu esperava que ele não fizesse isso. Ele franziu a testa, depois recuou lentamente para fora do beco, sem tirar os olhos brancos mortos de mim. Quando chegou à rua, um taco de beisebol balançado na noite rachou em seu crânio. Jogada para fora de meu desejo horrível, minha visão abriu-se. Jack sorriu e bateu o bastão em sua mão. ”Gostaria de um jogo rápido?” Meu olhar desviou-se para o vampiro deitado no chão. Ele estava desamparado agora. Completamente indefeso. O que significava que não havia desculpa para drenar mais dele. Eu tomei uma respiração estremecendo e tentei limpar minha cabeça, concentrando-me em Jack. “Jack! Onde você estava, seu pequeno miserável estranho?” Ele ergueu as sobrancelhas, com um olhar de mágoa falsa em seu rosto. “Este é o agradecimento que recebo?” “Dê-me o bastão e eu vou lhe mostrar como sou grata, covarde!” “Ei... Oh, não vamos ter pressa. Que bem teria feito se eu tivesse sido pego também? Além disso, eu voltei .Na hora certa, pelo que parece.” Ele sorriu, mas algo em seus olhos era intenso, acusatório, quase como se ele soubesse o que eu estava prestes a... Não, o que eu poderia ter feito. “Mas você tinha tudo sob controle, certo?” Eu arranquei o bastão de suas mãos. “Você pelo menos tem alguma coisa útil? Rastreadores de tornozelo? Um comunicador livre?”

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Ele fez um show elaborado para verificar sua apertada camisa de manga longa, os bolsos, depois deu de ombros. ”Eles estão todos em meu casaco.” Eu olhei para o casaco de lã de Jack sob medida. O casaco que eu estava usando o tempo todo. Enfiei a mão dentro e, com certeza, em um bolso escondido perto de meu coração, tinha um comunicador e um rastreador de tornozelo único. Figuras. “‘Esteja preparado’, esse é meu lema.” Ele sorriu presunçosamente para mim. “Isso e ‘durma sempre que possível.’ Ah e ‘Se você não notar que sumiu, qual o problema de eu pegar?’” “Chame o Centro.” Eu disse, inacreditavelmente cansada e querendo estar longe desse vampiro. Joguei o comunicador para Jack e curvei-me, meus dedos contraindo-se quando liguei o rastreador no tornozelo do vampiro. Eu não queria olhar para o coração do vampiro. Eu não queria tocá-lo. Eu coloquei meu polegar sobre o rastreador para ativá-lo, mas nada aconteceu. “Parece que eles não confiam em você com rastreadores. Pergunto-me por quê?” Jack inclinou-se para assumir o controle. Talvez sua desconfiança tivesse algo a ver com o fato de eu ter libertado Lend? Ou que eu era responsável pela liberação de quase todos os lobisomens que tinham? Eu provavelmente não confiaria em mim, também. Dei vários passos para trás e encostei-me na parede, olhando para o céu nublado da noite, tentando pensar em qualquer coisa para tirar meu foco do vampiro. Jack ficou de pé. “Eles estão a caminho.” Ele jogou o comunicador preguiçosamente no ar e pegou-o nas costas. ”Onde estão os trolls?” Ah, merda. Os trolls. Como eu ia mentir para sair dessa? Eu não estava disposta a entregá-los a AICP, também. Em minha opinião, eles ganharam suas vidas aqui. Esta criatura vil no chão em minha frente era a única ameaça que precisava ser eliminada. Eu abri minha boca para tecer uma história, quando uma porta se abriu na parede em frente a nós e dois homens em blusas de gola alta preta saíram rapidamente através de escoltas, suas faeries permanecendo anônimas no escuro. Eles olharam em ambas as direções antes de andar para frente e ajoelharem-se ao lado do corpo. Um dirigiu-se a mim, seus olhos amarelos de lobo brilhando sob os marrons. Huh. Imagino que a AICP não perdeu todos seus lobisomens, depois de tudo.

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“Os trolls?” Eu fiz uma careta que esperava parecer lamentável. “Longe. Eles estavam rastreando o vampiro em algum tipo de vingança de sangue. Coisa tribal. Mas quando eles descobriram que eu estava com a AICP eles se foram para não serem presos. Eu estava seguindo-os quando me encontrei com o vampiro.” “Eles não têm uma base aqui? Nenhum ser humano foi tomado?” “Não. Só de passagem. Eles levaram-me para um galpão vazio, onde eles estavam acampados. Nenhum sinal de qualquer pessoa.” Eu podia sentir os olhos de Jack em mim e deliberadamente evitei olhar para ele. Eu venderia essa mentira. O único que poderia me contradizer era o vampiro. Talvez eu devesse ter drenado ele... Mas, não. Raquel acreditaria em mim e não nele. O lobisomem assentiu, então ajudou seu parceiro a levantar o vampiro pelas axilas. “Tenha cuidado. Ele é muito forte. Tipo, mais forte do que você.” O lobisomem olhou-me em dúvida. “Não, sério. Ele mata...” Eu parei, meu estômago afundando-se percebendo o que essa informação poderia causar se fosse espalhada. “É melhor eu falar com Raquel. Certifique-se de que ele não acorde até que você o coloque na detenção. Um rastreador de tornozelo não vai ser suficiente com esse aí.” Eles concordaram, meio carregando, meio o arrastando de volta através da porta. Eu peguei um vislumbre de uma das faeries, mas eu não a reconheci. Suspirando, deslizei pela parede até sentar no chão e encolhi-me com a dor esfaqueando-me na parte inferior de minhas costas, irradiando para fora de meu cóccix. Alguns turnos dolorosos e eu estava confortável, em uma espécie de não-vou-morrer-agora-mas-talvez-mais-tarde. Um movimento no final da rua chamou minha atenção. Birgitta, invisível aos olhos de qualquer outra pessoa, acenou para mim, depois desapareceu de volta para as sombras. Pelo menos eu tinha feito a coisa certa hoje. Talvez. Provavelmente. “Então.” Jack sentou a meu lado. “Uma vala cruel, trolls e um super vampiro, tudo em uma noite. Eu mudei de ideia, você realmente sabe como se divertir.” À beira das lágrimas, inclinei-me até que minha cabeça estivesse descansando em seu ombro. “Você não tem ideia.” Eu não conseguia tirar o desejo, a necessidade, de drenar o vampiro de minha cabeça. Meu estômago vazio agitou-se com a culpa. Mas eu não tinha

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feito nada. Eu não teria feito, de qualquer forma, mesmo se Jack não tivesse salvado o dia. Meus dedos formigavam, discordando de mim e eu fechei minhas mãos em punhos. Não. Ficamos em silêncio por um tempo, Jack tenso debaixo de minha cabeça, desconfortável, mas legal o suficiente para não se mover. Eu senti-me estranhamente perto dele naquele momento, como se fôssemos as duas únicas pessoas sãs em um mundo cheio de loucura e morte. Eu podia sentir os fios desse mundo tentando me puxar e eu estava me agarrando em qualquer coisa que pudesse servir de âncora. Mesmo que ele fosse um pesadelo loiro. Eu levantei minha cabeça para olhar para ele. ”Como você me encontrou?” “Só sorte.” A resposta era suave, mas ele a deixou escapar com muita facilidade. Apertei os olhos, mas ele continuou. ”Por que você mentiu sobre os trolls?” “Não menti.” Ficamos ali sentados, olhando um para o outro, dois mentirosos experientes, até que eu não aguentei mais. ”Jack?” “Hum?” “Obrigada.” Minha voz falhou um pouco. ”Se você não tivesse aparecido...” “Se eu não tivesse aparecido, você ficaria bem. Não precisa ficar melosa comigo quando eu decidi que você pode ser uma diversão decente depois de tudo. Agora, você está vestindo meu casaco mais legal. Eu gostaria muito de recuperá-lo, então vamos levá-la para casa, não é?” Eu não podia discutir com isso.

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Uma mentirosa honesta Raquel franziu a testa para mim por cima de seu café preto. “Só de olhar para sua bebida dá-me cárie.” “Que bom que a AICP tem um excelente plano odontológico.” Sorri e usei um bastão doce para mexer meu chocolate quente com duplo chantilly. A cafeteria é pequena, com acolhedoras paredes amarelas e puffys em cantos mal iluminados, com clientes espalhados e curvados sobre seus laptops digitando duvidosas obras de gênios abastecidos de cafeína. Escolhi esse lugar porque eles se abasteceram com doces de Natal ridiculamente cedo (apesar das várias aranhas e morcegos pendurados em honra ao Dia das Bruxas) e porque eu estava trinta minutos de ônibus longe de minha cidade, então havia pouca chance de encontrar algum conhecido. Eu duvidava que qualquer um de meus amigos lobisomens e vampiros reconheceriam Raquel, mas eu preferia evitar descobrir. “Isso é legal.” Ela limpou um canto na mesa, novamente, e olhou para um casal fazendo o mesmo na ponta oposta a nossa. Pelo menos ela concordou em encontrar-me aqui. Principalmente porque eu havia absolutamente me recusado a voltar ao Centro para o interrogatório sobre a missão. Bom, para mentir sobre quase tudo, se você quer ser técnico. Nós já tínhamos superado minha história sobre os trolls que se foram. Resisti à vontade de perguntar se o vampiro havia dito qualquer coisa sobre eles. Se ele houvesse dito e eu tivesse sido pega, eu saberia. Odeio manter segredos de Raquel, mas algumas coisas pedem por isso. Jack havia mencionado o quase afogamento, então eu alimentei sua bobagem de como o fossegrim não havia me matado porque uma corrente nos separou e fez com que eu conseguisse sair da água. Não havia razão para dar a ela mais preocupações. Além do que, o vampiro foi sobrecarga de informação suficiente para uma visita. Estremeci sobre a lembrança de seu aperto em meu pulso e o que eu queria fazer com ele. “Você não o está deixando fora da Contenção, certo?” “Claro que não. Ele está instável demais até mesmo para a mais básica atribuição. Mas você está certa sobre não dizer a mais ninguém porque ele está tão forte. É um desenvolvimento preocupante. Nunca havia me deparado com um vampiro que está caçando paranormais e o fato de que isso o ajuda a superar suas fraquezas de vampiro...

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Bom, é melhor manter isso estritamente sob sigilo.” Ela soltou um suspiro de as coisas nunca são simples, são? “Bom. Ele é um psicopata, até mesmo para os padrões dos vampiros. E isso quer dizer alguma coisa.” Inclinei-me para trás, tentando achar uma posição que não fizesse doer meu cóccix machucado. Tinha que descobrir como esconder isso de Lend quando ele chegasse à noite. Não. Sem mais esconder. “Ei e os elementais? Você acha que talvez o vampiro...” Senti-me um pouco mal, preocupada com a repetição da farra de Viv. Eu não acho que eu poderia lidar com mais paranormais mortos do que eu já havia descoberto. Raquel balançou sua cabeça. “Não, eu não acho que tenha relação. Não houve nenhuma morte ou corpos. Praticamente todos os elementais que nós identificamos e contatamos desapareceram, mas os elementais são incomuns... Você entende. Nós só estamos no rastro deles a poucas décadas, então baseado em tudo que nós sabemos, este é um comportamento comum.” Assenti, aliviada. Sem mais violências. Eu tinha que dizer a Lend, assegurar que ele soubesse que não foi apenas sua mãe que desapareceu. Claro, eu não tinha certeza se isso fazia soar melhor ou pior. Raquel tomou um gole de sua bebida. “É muito ruim sobre os trolls, no entanto.” Engoli meu chocolate quente, queimando minha garganta. “Sim. Muito ruim. Ainda assim, eu trouxe um paranormal perigoso, que foi sempre o objetivo, certo?” “Claro e você fez bem. Sinto muito que não tenha sido uma missão tão simples quanto o prometido.” “É, bom, consiga um GPS para Jack ou algo assim. Ele está um passo mais próximo das faeries, mas só isso. Pelo menos elas nunca me derrubaram em um rio. Não me dê nenhuma tarefa próxima de penhascos, ok? Tremo só de pensar que Jack pode me jogar de lá.” “Da próxima vez, deixe-o cair primeiro.” Eu ri balançando a cabeça. “Boa ideia.” Para minha surpresa, ela perguntou-me sobre a escola e soou surreal e perfeitamente natural conversar com Raquel sobre minha tentativa com o grande Drácula,

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o teste de inglês em que eu caí no sono durante a manhã por culpa da aventura com o troll e minhas reclamações sobre a senhorita Lynn. Tive um flash back de todas as vezes que fingi que Raquel era minha mãe, sonhando sobre fazer algo assim com ela. Era bom. “E como Lend está?” Olhei para baixo, para meu chocolate quente que diminuiu. “Não tão bem. Eu, hmm, meio que não contei a ele que estava trabalhando com você novamente.” Ela ergueu as sobrancelhas. “E ele descobriu.” “É. Você pode imaginar que não correu muito bem.” Ela assentiu simpaticamente e segurou minha mão entre as suas. “Lend e eu certamente não começamos com o pé direito...” Raquel estava se referindo a Lend esmurrando-a e então sobre como nós o aprisionamos em uma cela na AICP e o interrogamos como sendo o ‘pé errado’... “mas ele sempre foi bom para você e eu não tenho dúvidas que vocês dois vão ser capazes de dar um jeito nisso.” “Obrigada. Eu...” Mas o bip de seu comunicador empurrou-nos para fora de nosso pequeno momento de normalidade. Ela leu a mensagem e suspirou em seu modo não-há-horas-suficientes-em-um-dia, então ela olhou para mim para desculpar-se. Balancei a mão. “Não se preocupe. Vá salvar o mundo. Eu vou terminar de conseguir uma cárie.” Ela fez uma pausa. “Realmente sinto muito, Evie. Algumas vezes me preocupo por ter lhe puxado de volta e que tenha sido a coisa errada a fazer. Talvez tenha sido egoísta de minha parte. Mas não posso lhe dizer o quanto eu aprecio isso.” Ela sorriu acariciando minha mão. “Vou estar em contato.” “Eu sei.” “Deixe-me saber se você precisar de alguma ajuda nessa tarefa. E se eu puder ajudar na situação com Lend.” Quando ela se foi, senti-me mais aquecida por dentro e não só pelo chocolate. Apesar da bagunça que a última missão fora, as coisas deram certo. E ter Raquel de volta em minha vida significa mais para mim do que eu jamais imaginei. Para isso valia a pena

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algumas experiências de quase morte na Suécia, certo? Lend entenderia. Tenho que fazê-lo entender. Um ônibus e três horas depois estou exausta de tanto tentar descobrir como fazer isso. Lend não me deu uma hora específica de quando ele estaria aqui, então eu fiquei no sofá com meu telefone, trocando de posições até achar uma que não machucasse meu cóccix. As aventuras da noite anterior pegaram-me e eu tirei uma soneca profunda. Uma suave mão afastando o cabelo de meu rosto acordou-me. Lend agachou-se no chão, os olhos no nível dos meus. “Ei!” Disse ele, sua voz suave. “Ei!” Levantei-me rapidamente, rápido demais, e guinchei pelo choque de dor. “O que há de errado?” “Nada...” Interrompi-me. “Machuquei bem feio meu cóccix ontem à noite.” “Como?” “Cai em um degrau.” “Onde?” “Na Suécia.” Um pouco de preocupação atingiu seu rosto, fazendo-o sentar sobre os calcanhares. “Ah. E o que você estava fazendo na Suécia que lhe fez cair de um degrau?” “Lutando com um vampiro?” Seu rosto ficou rígido. “Então você está totalmente segura trabalhando para a AICP de novo. Ótimo. Você vai voltar com ossos quebrados da próxima vez? Entende? Era exatamente disso que eu estava falando! A AICP tem você em suas garras novamente; e você está mentindo para mim, escondendo coisas e você já foi levada ao Centro e feriu-se! Por que você estava lutando com um vampiro?” Balancei minha cabeça. “Não era para ser sobre um vampiro, eu apenas supus que...” “Não! Nunca é o que você supõe ser. Não acredito que Raquel trouxe você de volta para fazer o trabalho sujo por eles.”

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E de repente passei de desesperada por explicar para totalmente zangada. “Você não tem ideia do que está falando. Você acha que porque os vampiros por aqui jogam limpo vai ser assim em todo lugar? Que bem faz os pequenos experimentos de David para proteger as pessoas dos paranormais que não querem descobrir melhor sua natureza? Alguns deles são monstros, Lend. Você sabe disso! Sim, a AICP é foda algumas vezes, mas pelo menos eles estão fazendo alguma coisa! Não há nada mais que eu gostaria do que sentar em algum lugar nessa cidade servindo panquecas, mas advinha só? Você não é o único que quer ajudar paranormais! Posso não fazer isso da mesma forma que você, mas não me acuse de estar fazendo o trabalho sujo da AICP. O precioso vampiro? Ele estava perseguindo e matando crianças trolls! E se não fosse por mim, quem sabe quantas mais ele teria matado?” “Crianças trolls?” Fiz uma carranca. “É, fui para Suécia para rastrear uma colônia troll.” “Você encontrou-os?” “Claro que eu os encontrei. Porque é isso que eu faço e eu sou boa nisso. Os trolls pediram-me ajuda e como eles não estavam incomodando ninguém, eu protegi-os do que os estava machucando. E, antes que você pergunte, não, eu não os entreguei a AIPC, mas, sim, eu fiz isso com o vampiro psicótico. Então talvez eles estejam me usando, mas eu estou usando-os também e eu apreciaria se você não me visse como uma idiota que faz qualquer coisa que me mandam fazer.” Ele ficou quieto por um minuto e eu preparei-me para seu próximo argumento. “Sinto muito.” “Eu... Espera, o quê?” “Sinto muito. Você está certa. Não entendo porque você acha que a AICP é o melhor caminho para seguir, mas nunca fui capaz de ser imparcial quanto a eles. Não gosto disso e eu vou continuar não gostando; têm muitas formas de você sair machucada. Mas se você acha que isso é importante, então eu posso lidar com isso. Você não é uma idiota... Eu sei disso... Você é a melhor e mais brilhante pessoa que já conheci.” “Então... Nós estamos bem?” Esperança rasgou em meu peito, liberando um pouco da ansiedade que esteve me corroendo durante toda a semana. “Só se você me prometer que acabaram as mentiras. Eu odeio que a AIPC ainda seja parte de sua vida, mas eu posso aceitar isso se você parar de esconder as coisas de mim.

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O que mais me incomoda é que você sinta que não pode ser honesta comigo. Você vê-me de uma forma que ninguém mais vê... O verdadeiro eu... O tempo todo. Quero a mesma coisa com você.” Assenti, lágrimas surgindo em meus olhos. Ele estava certo. Ele não podia esconder nada de mim. Não era justo que eu escondesse as coisas dele. “Então sem mais mentiras?” Engoli em seco. Você é imortal, Lend. “Sem mais mentiras.” Menti. Ele suspirou aliviado e cuidadosamente se sentou próximo de mim, colocando seu braço ao redor de mim e descansando sua cabeça contra a parte de trás do sofá. “Então, hmmm, o que você quer fazer agora?” Eu gostaria de saber.

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Mentiras, Lábios e Lunáticos “Eu não consigo fazer.” Sussurrei, sentindo-me enjoada. Lend colocou sua mão sobre a minha, envolvendo o outro braço por minha cintura. Eu inclinei minha cabeça contra ele, grata por isso. Por nós. As coisas não estavam de volta ao normal, mas elas estavam chegando lá. “Claro que você consegue.” Ele empurrou meu dedo no Enter e assim eu tinha me inscrito na única faculdade que eu queria entrar. “Eu vou vomitar.” “Bem, nesse caso, use o banheiro, porque eu tenho que dormir aqui esta noite.” Ele riu, levemente beijando meu pescoço. Eu caí para trás em sua cama, aproveitando o confortável edredom azul. Estarmos juntos na casa de seu pai fazia parecer como nos velhos tempos, quando tínhamos acabado de sair do Centro e eu estava vivendo aqui. “Eu deveria ter lido minhas redações mais uma vez. E meus SATs? Minha pontuação em matemática poderia ter sido melhor. Deveria ter sido melhor. E minha nota idiota em Inglês.” Eu cobri o rosto com as mãos. “Eu não consigo respirar. Você conseguia respirar quando você se inscreveu? Isso é normal?” Lend sentou a meu lado, seu peso afundando a cama o suficiente para que eu rolasse para seu lado. “É normal. Senti-me exatamente do mesmo jeito. Mas se isso ajuda, você fica muito mais bonita pirando do que eu jamais fiquei.” Eu dei uma espiada por minhas mãos. “Mas e se eu não conseguir entrar?” Ele passou os braços em volta de mim. “Pare de se preocupar com isso. Você vai entrar.” “Ótimo. Alguém precisa manter um olho em você e naquela dríade sujinha assistente de laboratório.” Ele riu, apertando-me até que eu não consegui mais respirar. “Por que eu iria querer uma robusta árvore ninfa se eu posso ter uma Evie hiperventilante?”

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Livrei meus braços e espetei o lado de seu corpo, fazendo cócegas nele até ele soltar-me. E, em seguida, incapaz de resistir ao quão adorável sua boca estava enquanto ria, eu beijei-o, deixando meu estresse derreter em seus lábios. Deus do céu, o menino tinha até o gosto bom. Justamente quando eu estava relaxando em uma boa sessão de amassos, fomos interrompidos por vozes levantando o tom lá embaixo. “Vocês estão esperando visitantes?” Eu perguntei, sentando-me. Lend desembaraçou os dedos de meu cabelo. “Não que eu saiba.” As vozes ficaram mais altas, obviamente discutindo. “Espera aí, essa é Raquel.” Ótimo. É claro que ela iria aparecer justamente quando as coisas estavam ficando bem entre Lend e eu. Eu não preciso do drama da AIPC logo agora para lembrá-lo de minhas mentiras. Corremos para a cozinha. David estava apoiado contra o balcão, seu rosto em uma mistura estranha de raiva e timidez. Raquel olhou para ele, apontando uma figura em seu peito e pontuando cada frase com um golpe de ênfase. “Não fale comigo sobre confiança, David Pirello! Não se atreva a falar comigo sobre confiança! Se você sabe algo sobre onde eles estão e você não...” David pigarreou alto e Raquel virou-se para ver-nos ali. Seu rosto estava vermelho com emoção, algo que eu raramente tinha visto. Ela parecia bem, com bochechas rosadas e olhos brilhantes. A carranca diminuiu um pouco, mas ela rapidamente mudou para uma expressão neutra. “Ah. David não me disse que vocês dois estavam aqui.” Ela alisou sua saia como se isso pudesse liberar a emoção que ela tinha reprimido assim que entramos no lugar. “Evie, eu queria lhe perguntar sobre como sua procura por faculdades está indo.” Eu sorri, desconfiada, certa de que esse não era nem de perto o motivo pelo qual ela veio. “Concluída. Terminei minha inscrição para Georgetown cerca de cinco minutos atrás.” “Você deveria inscrever-se para pelo menos três outras, só por segurança.” Eu resisti à vontade de encarar. Meu orientador educacional ficava dizendo a mesma coisa, mas para mim, havia apenas Georgetown. “Bom conselho. Obrigada.” “O que você está fazendo aqui?” Lend perguntou.

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“Houve alguns acontecimentos recentes e eu queria a opinião de seu pai. Infelizmente ele não foi útil.” Ela disparou uma olhar na direção de David. Ele parecia irritado. “Evie, mantenha-me informada.” Sorrindo para mim, ela passou por nós e saiu pela porta da frente. “Desde quando ela usa portas normais?” Lend perguntou. “Ela está sendo educada.” Eu fiz uma careta, sentindo-me protetora. “O que ela realmente quer?” David balançou a cabeça. “Mais elementais e paranormais locais específicos escapando de sua rede. De qualquer forma, não é nossa preocupação. A AIPC cria problemas, então eles podem lidar com eles, também. Mais poder para qualquer pessoa que conseguir passar por cima deles.” Eu mexi-me desajeitadamente sobre meus pés. Eu não tinha ideia de que lado eu estava neste caso em particular. Provavelmente ambos. Ou não. Lend estava quieto e eu vasculhei meu cérebro por algo que eu pudesse dizer para preencher o silêncio cada vez maior. Meu celular tocou em meu bolso. Graças a Deus. “É Arianna... Só um segundo.” Eu abri o telefone e entrei em outro quarto. “Arianna? Fale.” “Há alguma razão para um garoto loiro estar pulando em sua cama, ou eu deveria matá-lo?” “Não se incomode,” eu rosnei. “Eu vou matá-lo.” Se eu tivesse que lidar com Jack brincando com minha vida novamente... Lend entrou quando eu fechei meu celular com raiva. “Algo errado?” Coloquei o telefone no bolso, evitando cuidadosamente seus olhos. Isto não era um trabalho da AICP. E nós estávamos tendo uma tarde ótima antes de Raquel aparecer. Não há motivo para forçar as coisas. Eu suspirei. A verdade. Eu dir-lhe-ia a verdade sempre que possível para compensar pelas vezes que eu não podia. “Jack está no apartamento incomodando Arianna.” Lend fez uma careta. “O que há de errado com ele?”

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“Não faço ideia. Eu tenho que voltar para meu turno, de qualquer maneira.” Eu realmente estava sendo desleixada no restaurante recentemente. Eu não precisava mais do dinheiro, mas eles ainda precisavam de ajuda e eu sentia-me culpada de não ir. Além disso, o trabalho era uma maneira fácil de manter o olho em Nona. Eu não tinha visto mais faeries, mas isso não significava que nada estava acontecendo. “Quer que eu vá ajudar?” Eu sorri para ele, agradecida por ele não estar pirando por causa de Jack. Sem dúvida que o esforço ali era enorme. “Você deve escolher um filme. Dessa forma, só um de nós ficará com cheiro de comida gordurosa. Eu preciso de um encontro agradável para ficar ansiosa...” “Eu quis dizer ajuda com Jack.” “Ah. Não. Ele é apenas um pouco desequilibrado e solitário.” Ele colocou os braços em volta de minha cintura, franzindo a testa. “Ele não pode ser alguém solitário e desequilibrado perto da namorada de outra pessoa?” “Vou sugerir isso. Pegue-me às oito?” Ele inclinou-se e beijou-me suavemente. “É. Ligue-me se você tiver qualquer problema.” Eu duvidava que eu ligasse para Lend, mas eu não tinha dúvidas de que onde quer que Jack fosse, problemas o seguiriam.

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Estilos de Vida Alternativos Jack estava no meio de um salto quando eu entrei em meu quarto. Agarrei seu tornozelo, lançando-o na horizontal. Ele bateu com força em minha cama e rolou para o chão. E riu. “Vamos fazer isso de novo! Mas desta vez eu vou saltar ainda mais alto.” “Não! Não, você não vai! O que você está fazendo aqui?” Ele sentou-se no chão e encolheu os ombros. “Eu estava entediado.” “Eu não me importo! Eu não sou sua babá!” Seus olhos azuis brilharam. Honestamente, que olhos brilhavam de verdade? Então seu rosto se enrugou, seu lábio inferior projetou-se, e ele piscou os cílios ridiculamente longos para mim. “Eu pensei que nós fossemos amigos.” “Ah, pare com isso.” “Vamos.” Ele pulou e agarrou minha mão. “Vamos fazer algo divertido.” “Eu não posso! Eu tenho que trabalhar e depois eu tenho um encontro.” “Menino Frigideira de novo? Eu pensei que vocês tinham terminado.” “Não! Por que nós terminaríamos?” Jack encolheu os ombros. “Não sei. Ele não parecia entusiasmado da última vez que eu o vi. Que seja, então. Eu queria verificar e ter certeza de que você estava bem. Parece que você está, embora eu ainda ache ele entediante. Ele pode levar-lhe para ver Krakens?” “De jeito nenhum! Sério? Eles são reais? Eu sempre quis...” Eu parei, respirando fundo. “Sério. Estou ocupada. Com meu namorado.” Dessa vez eu pensei ter visto um flash de algo verdadeiro em sua expressão desapontada. Ótimo. Outra pessoa que eu estava decepcionando. Eu sabia de onde ele estava vindo, no entanto. Se tudo o que ele tinha para escolher era o Centro e os Reinos Faerie, bem, ele merecia um amigo. “Podemos remarcar? Fins de semana são movimentados para mim.”

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Ele deu de ombros, seu sorriso havia voltado a sua permanente glória. “Você provavelmente descobriria alguma maneira de quase se matar, de qualquer forma.” Arianna pigarreou alto na porta. Eu tinha passado direto por ela, sem explicar e sem dúvida eu teria que fazer isso agora. O problema era descobrir o que explicar. “Oh, humm, Arianna, este é Jack. Ele, uh, bem, o que ele lhe disse?” Ela rolou seus olhos chocolate, glamour imitando as ações de seus olhos de cadáver branco-leitoso. “Ele disse que estava aqui para inspecionar as camas. Eu imaginei que ele era um de seus velhos amigos.” “Não, ele não é... bem, um pouco... Ele não é uma faerie, ele é humano, mas, uh...” Eu não tinha contado para Arianna sobre meu novo acordo com a AIPC. Lend já estava louco o suficiente sobre isso, eu não queria que minha colega de quarto ficasse irritada comigo, também. “Jack.” Ele deu-lhe seu sorriso mais digno e estendeu a mão. “Definitivamente humano, mas,” ele pegou sua mão e apertou os lábios nela, “eu poderia estar disposto a experimentar um estilo de vida alternativo se isso significasse conhecer você melhor.” “Humm, nojento?” Arianna puxou sua mão, com o rosto enojado, mas com um sorriso puxando no canto de sua boca. “A vida eterna é ruim o suficiente sem oferecê-la para pragas como você.” Ele suspirou profundamente. “As meninas são maldosas. Pelo menos as faeries simplesmente matam você se elas não lhe querem por perto.” Ele colocou uma mão na parede, inclinando-se contra ela e bateu o pé impaciente. “Onde você vai?” Eu perguntei, sentindo-me culpada por não poder sair com ele. “Encontrar uma faerie disposta a matar-me, é claro.” Ele piscou para nós, então fingiu cair direto pelo portal das faeries quando ele se abriu. Até mesmo Arianna riu quando a porta se fechou atrás dele. “Onde você encontrou esse?” “Eu não tenho ideia. Eu sou um imã para loucos, eu acho.” “Eles devem ser capazes de sentir um espírito semelhante.” “Olha quem fala. Você não tem multidões de mortos-vivos para liderar em uma revolução gloriosa?”

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“Zumbis, não mortos-vivos. Há uma distinção. E não. Agora eu estou explorando novos talentos. A revolução gloriosa vem amanhã.” “Boa sorte com isso. Ei, você quer sair? Lend ficará aqui o fim de semana todo.” Ela encolheu os ombros. Ela tinha estado mais e mais retraída ultimamente. Mas, a não ser que acontecesse um apocalipse fey, eu definitivamente não cancelaria com ela desta vez. “Claro. Sim. Maratona de Easton Heights?” O bônus nisso tudo era que Arianna não dormia e podíamos assistir DVDs durante toda a noite, o que significava que eu não precisaria ficar separada de Lend. Plano excelente em meu livro. Eu balancei a cabeça e sorri com entusiasmo. “Festa!” “Lend vai choramingar.” “Ele é bonito quando choraminga.” “Há algo de errado com você.” disse ela. Havia um monte de coisas erradas comigo, mas amar Lend definitivamente não era uma delas. “Oh, ei,” disse ela, apontando para algumas pastas grossas sobre a mesa. “Eu pedi materiais de algumas outras faculdades de DC.” “Por quê?” “Plano reserva você sabe, só para o caso...” Eu fiz uma carranca. Você pensaria que ela era a que estava saindo escondida com Raquel. “Eu não preciso de um plano alternativo.” Ela revirou os olhos de novo. “Não seja uma idiota. Às vezes as coisas não dão certo. Você sempre deve dar a si mesma opções. Você tem sorte de tê-las.” “Eu não preciso de opções. Eu vejo-lhe mais tarde.” Eu fechei a porta atrás de mim e um pouco mais ruidosamente do que era necessário. Quando cheguei lá embaixo eu entrei na cozinha para encontrar Nona e Grnlllll de pé lado a lado e inclinando-se sobre algo no braço de Nona. Eu espremi meus olhos e com certeza eu estava vendo errado. Parecia que elas estavam falando com uma espécie de salamandra ou lagartixa laranja brilhante, o que não podia estar certo. Então, novamente,

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Nona era uma árvore. Então praticamente nada que ela fazia era estranho. Ou tudo era. Não há realmente um padrão paranormal aqui. “Ei, Nona?” Ela endireitou-se, puxando seu braço protetoramente para trás de suas costas com um olhar severo. Eu fiz uma careta, perguntando-me se eu não deveria ter visto aquilo, ou se ela estava chateada comigo por não trabalhar muito mais. “Você precisa de mim nas mesas ou no caixa hoje?” “Nenhum deles, Evie. Obrigada. Você pode ir.” “O-kay...” Havia definitivamente uma vibração estranha lá. Entre suas conversas sussurradas com Grnlllll e o encontro com Reth, Nona estava assustando-me seriamente. E havia este jeito que ela me observava, quando ela pensava que eu não estava prestando atenção, como se ela estivesse apenas, eu não sei, esperando. Por alguma coisa. Estava bastante segura que eu não queria saber o quê. Enquanto eu andava pelo restaurante para sair, eu juro que cada par de olhos lá dentro, nenhum deles sendo humanos, observava-me. Lutando contra um calafrio, eu retirei meu telefone para ligar para Lend e pedir uma carona. De jeito nenhum eu andaria na rua a céu aberto hoje. *** Minha cabeça flutuou perigosamente perto de minha mesa. Até mesmo aquele pedaço de plástico com um falso aspecto de madeira estava convidativo e até mesmo o zumbido suave da voz de meu professor de Inglês ao fundo parecia ser a cura ainda desconhecida para a insônia. Eu não conseguia lembrar a última vez que eu tinha estado tão entediada. Se ao menos eu já estivesse oficialmente aceita em Georgetown. Então eu poderia relaxar. Neste momento eu não podia me dar ao luxo de dar mais algum escorregão, apenas no caso deles verificarem minhas notas. Que era o motivo pelo qual eu estava fazendo outra atividade divertidíssima por créditos extras para a senhorita Lynn hoje no almoço. “Divertido” de fato, que irônico. Isso seria como dizer “Diabinho calmo” ou “Bruxa agradável.” Ou “Livro de história divertido.” Era a terceira vez esta semana e eu tinha certeza de que eu estava sacrificando anos de minha vida já breve, por uma pii nota. Ainda assim, pelo menos a corrida era tão exaustiva que eu não conseguia ficar entediada. Ao contrário de agora.

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Eu abafei um bocejo. Eu queria que algo... Que qualquer coisa acontecesse. Talvez Lend pudesse vir me resgatar de novo e poderíamos ir a outro encontro maravilhoso e superar a tensão que ainda insistia em permanecer entre nós nos momentos de silêncio. Descansando minha cabeça em meu punho, eu olhava para a porta. E se um zumbi entrasse, cheirando a morte e decadência? Ele totalmente pegaria a cruel menina ruiva do time de futebol sentada à direita da porta. Eu poderia aguentar um zumbi. Essa régua na mesa do professor parecia ter uma borda afiada e quão legal meus colegas pensariam que eu era? Especialmente se eu tivesse Tasey. Eu suspirei, inclinando a cabeça para trás e olhando para o teto. Nunca iria funcionar. Nenhuma régua seria afiada o suficiente. Além do mais, eu nunca trago Tasey para a escola. E mesmo se eu salvasse todo mundo da classe, eu provavelmente ainda seria expulsa devido à política da escola de tolerância zero contra violência. Eu só tenho que viver sem a apreciação e admiração eterna de meus colegas de classe. A verdade é que a maioria deles mal me notava. Eles tinham suas panelinhas estabelecidas, e mesmo que eles fossem amigáveis o suficiente, eu não socializava com ninguém fora da escola. Parte disso não era minha culpa, com todo o tempo que gasto trabalhando no restaurante e dedicando meus fins de semana a Lend. Se for para ser honesta, isso acontecia principalmente porque, por mais que eu quisesse, eu não me encaixava aqui. Seus dramas giravam em torno de quem estava saindo com quem, quem disse o que para quem e quem tem o que e onde e assim por diante. Meus dramas envolviam basicamente porquê's, como em: porque na face da terra aquela criatura horrível está prestes a rasgar minha garganta? Ou pelo menos costumava ser assim. Eu tinha estado na margem durante toda a semana. Raquel não precisou de mim para nada, o que deixou muito tempo sobrando para que eu me estressasse sobre tudo. Não havia nenhum lugar que eu pudesse ir que eu me sentisse segura ou calma. No restaurante eram todos paranormais e mesmo Nona agindo da mesma maneira de sempre, eu tenho arrepios cada vez que ela olha para mim agora. Arianna era como meu próprio poltergeist, sempre em casa, sempre infectando o apartamento com seus humores. Fora de casa eu sentia-me muito nervosa: a brisa que me acompanhava em todos os lugares, constantemente ter que observar o céu procurando por sílfides e as multidões por Faeries. Eu não tinha nenhum lugar para ir que fosse meu. Era como Jack disse: eu era uma sem-teto.

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Mas agora eu estava apenas entediada. Então, talvez um vampiro vagabundo venha para a escola e... Um papel escorregou sobre minha mesa e eu demorei alguns segundos para perceber o que eu estava olhando. Meu teste. Meu último teste! Meu teste com um... Não, isso não pode estar certo. Eu olhei incrédula a letra enfeitando a página. C+? C+? Será que ele não sabia quanto tempo eu passei estudando para este estúpido e inútil teste? Será que ele não sabe que eu passei metade da noite anterior lutando contra as forças do mal? Ele não sabia que eu precisava entrar em Georgetown? O C+ parado ali, zombando de mim. Era provavelmente bom que eu não tivesse Tasey em minha bolsa, ou eu teria queimado a abominável letra da página. A aula acabou antes que eu pudesse registrar quaisquer instruções de despedida que o professor nos deu e Carlee estava de pé ao lado de minha mesa. “Um C+? Legal!” “Legal não vai me fazer entrar em Georgetown,” eu gemi, perto de desabar em lágrimas. Por favor, por favor, deixe que eles chequem minha redação antes que minhas notas sejam postadas. “Você vai entrar com certeza! Você é tão inteligente. Não se preocupe.” Ela colocou o braço em volta de meus ombros enquanto caminhávamos juntas para o almoço. “Vamos falar de coisas boas. O que eu deveria usar para o Dia das Bruxas? Não consigo decidir entre uma vampira sexy ou uma faerie sexy. Eu tenho um tubo inteiro de glittler corporal em gel para qualquer uma das fantasias, se você quiser ser a que eu não vou ser!” Faeries e vampiros eram brilhantes agora?

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Complicações Revestidas de Caramelo Eu gemi, segurando meu estômago. “Isso nunca apareceu em Easton Heights. Voz com sugestão dramática: ‘No novíssimo episódio: Halloween deu errado. Carys consome quantidades letais de açúcar. Será que ela vai viver para ver? E, mais assustador ainda, alguém vai convidá-la agora que ela ganhou três quilos?” Arianna franziu a testa enquanto colocava minha peruca no lugar. “Ninguém forçou você a comer um saco inteiro de Tootsie Rolls. Fique parada.” Arrumar-nos seria mais fácil se pudéssemos usar um espelho, mas Arianna odiava, então eu estava sentada em uma cadeira no meio da pequena sala de estar. Eu não poderia reclamar muito, já que não havia nenhum jeito na terra de que eu pudesse ter feito uma fantasia boa assim por conta própria. Às vezes valia a pena ter uma morta-viva-ex-estudante-de-moda como colega de quarto. “Tudo bem.” Ela deu um passo para trás, admirando seu trabalho com um firme aceno. “Você está pronta.” Eu pulei e fui olhar-me no espelho do banheiro. “Oh, Arianna, isto é incrível!” Minha peruca vermelha e bandana roxa complementavam meu vestido roxo, calça rosa e lenço de seda verde. Eu sempre adorei a turma do Scooby-Doo. Eles eram como meus exatos opostos. Eles caçavam monstros que acabavam por ser humanos e eu tenho que ver humanos que eram na verdade monstros. Eu acho que eles tinham um acordo melhor. Sem falar que eles tinham uma van bacana também. “Coube, então?” Arianna perguntou do outro quarto. “Você é absolutamente um gênio! Eu sou a melhor Daphne que já existiu!” “E a mais humilde, também.” Fui até ela. Ela já estava no computador com seu jogo. “Você quer vir com a gente?” Eu perguntei. “Eu não curto Halloween.” “Ah, vamos lá, o Halloween é sua noite!” Ela olhou para cima e deu-me um olhar mortal. “Obrigada, mas eu vou passar.”

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Eu hesitei, sentindo-me culpada. Eu não tinha passado muito tempo com ela recentemente. Eu até mesmo dormi por 30 minutos em nossa maratona de noite inteira na outra semana. Eu não queria admitir, mas aquele estúpido vampiro na Suécia trouxera toda minha repugnância por vampiros de volta à tona e eu estava tendo dificuldade em olhar diretamente para Arianna. Além disso, nas últimas semanas ela parecia estar realmente retraída e antissocial. Bem, mais retraída e antissocial do que o normal, pelo menos. Mas ela tinha gasto tempo para fazer esta fantasia maravilhosa para mim. O mínimo que eu podia fazer era tirá-la de casa. “Vamos lá. Vai ser divertido! Além disso, os vampiros estão na moda este ano, assim você já é automaticamente legal! Você realmente não quer passar o Halloween escondida nesse apartamento estúpido, não é?” Seus olhos estreitaram-se. “Isso é exatamente o que eu quero fazer. Muito, muito obrigada. Além disso, eu odiaria forçar minha companhia em você quando você claramente não a aprecia. Eu não quero sua pena, Evie.” “Não é nada disso!” Ela suspirou, voltando-se para o jogo. “Está tudo bem, que seja. Eu entendi. Eu não gostaria de sair comigo também.” Eu estava prestes a contradizê-la quando uma buzina soou lá fora. Eu coloquei minha mão em seu ombro, mas ela livrou-se de meu toque, nem mesmo olhou para mim. Quando Arianna estava com seu humor sombrio, não havia jeito de fazê-la mudar. Tentei ignorar a culpa enquanto eu corria escada abaixo e passei pelo restaurante. Lend saiu do carro enquanto eu saía do restaurante. Ele fez uma viagem especial de volta para casa nesta quinta-feira apenas por mim. Eu fiz uma careta. “Você não se vestiu!” Ele sorriu, abrindo a porta para mim. “Claro que sim. Eu estou vestido como o homem não-invisível!” Eu bati em seu peito. “Preguiçoso.” “Ei, eu uso uma fantasia cada hora que passo acordado. Você só usa uma vez por ano, o que eu acredito que faz de você a preguiçosa. No entanto, você está realmente linda em calça cor de rosa, por isso vou deixar passar.” “Que nobre de sua parte.” Ele beijou-me, demorando-se em meus lábios e eu estava repleta de uma quente felicidade. Nós iríamos ficar bem.

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Eu observava as janelas enquanto nós dirigimos para a casa de seu pai, entusiasmada ao ver os primeiros grupos de gostosuras ou travessuras. Eu lembrava vagamente de ter feito isso quando eu era pequena. Uma de minhas famílias adotivas fazia disso uma grande coisa, nós tínhamos que esculpir abóboras e tudo. A mulher que dirigia meu último lar adotivo não achava seguro, então tínhamos que ficar em casa e assistir Charlie Brown por três vezes. Desde esse dia, eu parei de gostar de beagles. Raquel, é claro, achava que esse feriado era um absurdo, com pessoas correndo por aí fingindo serem as coisas das quais nós as protegíamos. Além disso, ela sempre se preocupava em ofender nossos “colegas de trabalho”, fazendo graça de sua existência. A julgar pelo humor de Arianna, talvez Raquel estivesse certa sobre isso. Virei-me para Lend. “O que está na agenda para hoje à noite?” “Primeiro, esculpir abóboras. Eu já elaborei alguns projetos.” Eu sorri, ansiosa para ver o que ele tinha desenhado. A maior parte de seus esboços recentemente era para sua aula de anatomia humana. Eu preferia quando ele fazia isso por diversão. “Incrível. E depois?” “Nós fazemos maçãs caramelizadas e cuidamos da porta. As únicas pessoas que pedem travessuras lá são os lobisomens locais com crianças, por isso é sempre divertido vê-los.” “Ah. Ótimo!” Eu disse como se fosse verdade. Mas fiquei decepcionada. Este era meu primeiro Halloween, como uma adolescente normal. Eu tinha em meu coração algo um pouco mais emocionante do que passar doces para filhotes de lobisomens. Carlee ia dar uma festa esta noite, sua festa anual de Halloween, embora eu não saísse com qualquer pessoa que estaria lá, eu estava meio curiosa. As únicas festas de verdade que eu já vi foram na TV. Ou no Centro, mas aquelas eram sem graça. Era sempre estranho socializar com paranormais que eu tinha pessoalmente prendido e rotulado. Além disso, ninguém nunca colocava álcool escondido nas bebidas. No entanto, estar com Lend superava todo o resto e ele odiava festas. Ele era meio que uma pessoa caseira, desde que ele teve que ser isolado quando era pequeno antes que ele pudesse controlar sua mudança de forma. E mesmo quando ele ficou mais velho e teve o potencial de ser bastante popular (leia-se: Olá, delicia), ele sentia-se como se ninguém jamais pudesse o conhecer de verdade. Até eu aparecer, é claro. O que me fez muito feliz.

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Lend olhou para mim e sorriu. “Você é tão ruim em fingir emoção. Isso não é tudo que faremos.” Eu animei-me imediatamente. “Sim?” “Bem, você já está vestida para isso, então eu pensei que nós poderíamos ir no... Disco Bowling.” “Disco Bowling? Sério? Existe uma coisa dessas?” Ele riu. “Eu nunca fui, mas você mencionou boliche há algumas semanas e eu pensei que de todas as noites, hoje eu poderia ir em frente e impressionar-lhe com minha insana falta de habilidades no boliche. Além do mais, você está muito linda e seria desperdício ir apenas pedir guloseimas. Eles têm um concurso de fantasias, você está preparada.” Eu ri como uma boba e segurei sua mão para beijar os nós de seus dedos. Eu sabia que ele preferia ficar em casa, mas ele planejou hoje à noite com a intenção de fazer-me feliz. E ele queria exibir-me, o que fez mais bem para minha vaidade do que eu queria admitir. Melhor. Namorado. Do. Mundo. “Fotos, por favor? E se vamos ao Disco bowling, você terá que se vestir também.” Ele fingiu um suspiro, mas o glamour de seu cabelo cresceu em um enorme 147ower 147ower e eu gritei de alegria. Em seguida, ele mudou para um cabelo mais curto, com um topete loiro. “Eu acho que com um lenço e calça azul eu posso fazer um bom Fred para sua Daphne, certo?” Esta noite seria perfeita. ***

“Esses não são para as crianças da pré-escola?” Eu não conseguia parar de rir enquanto Lend tirava os protetores de nossas canaletas. O lugar estava todo iluminado com luzes de néon, com uma esfera de discoteca gigantesca lançando reflexos cintilantes em toda parte. Música pulsava tão alto que tínhamos de gritar para sermos ouvidos, mas todos estavam se divertindo. Nós até mesmo vimos Kari e Donna algumas pistas abaixo, suas risadas latidas lembrando as focas que geralmente eram. Acenaram alegremente para mim, ignorando a enorme fila de caras tentando flertar com elas.

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“Sim, protetores são para crianças da pré-escola ou dois adolescentes que não conseguem parar de atirar bolas nas canaletas como se suas vidas dependessem disso. E, felizmente, não dependem. Porque estaríamos ferrados.” Peguei minha brilhante e quente bola rosa (que eu estava seriamente pensando em comprar) e imitei perfeitamente a posição que o cara de moicano ao lado estava fazendo. Em vez de disparar direto pela pista e derrubar todos os pinos, minha bola inexplicavelmente saiu voando para trás na direção de Lend. “Ok, agora nós estamos ficando perigosos.” Lend trouxe minha bola de volta, enrolando-se em mim e nós a jogamos juntos. Após rebater nos amortecedores em ambos os lados, derrubou um total de três pinos. Eu saltei de cima para baixo, gritando. “Isso é praticamente um strike, certo?” “Bom o suficiente para mim!” Na rodada seguinte Lend agachou-se, lançando a bola com ambas as mãos entre suas pernas e diretamente para a pista do cara de moicano. Ele não estava nem de perto se divertindo como nós, mas Lend sorriu e pediu desculpas, usando seu charme para ficar fora de confusão. “É uma coisa boa que nós sejamos bonitos de se olhar.” Eu disse enquanto Lend sentava no assento de plástico laranja a meu lado. “Porque não temos mais nada trabalhando a nosso favor, como jogadores.” “Então você acha que o cabelo loiro ficou bom?” Corri meus dedos por seu cabelo ridículo. “Realmente, realmente não. Eu gosto de você alto, moreno e bonito. Bem, meu favorito é alto, invisível e bonito, mas ainda assim.” Um locutor parou a música de discoteca estridente para declarar o início do concurso de fantasias. Lend levantou-me e nós começamos de novo, quando eu senti minha bolsa vibrando. Meu telefone! Puxei-o para fora e fiquei surpresa ao ver o nome de Carlee no identificador de chamadas. Oh, merda, eu esqueci-me de dizer a ela que não iria a sua festa? “Carlee? O que há? Desculpe, eu não consegui ir,” gritei sobre o ruído, puxando Lend até as portas duplas pela entrada, onde estava um pouco mais tranquilo. Eu não queria que a Carlee achasse que eu a abandonei. Embora eu tenha.

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“Evie! Evvvvvvie!” Ela chamou meu nome e por trás dela eu podia ouvir a conversa de muitas vozes adolescentes. “Menina, você voltou atrás por mim! Devo-lhe uma!” “O quê?” “Seu amigo! Você disse a ele sobre a festa, sua pequena dissimulada.” “Que amigo?” “Jack, é claro!”

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Feliz Maldito Halloween Eu coloquei um dedo em meu ouvido livre para ouvir o telefone melhor, inclinando-me para longe de Lend. “Espere, o quê? Quem está aí?” Carlee não poderia ter dito o que eu pensei que ela disse. “Jack, o bonitinho! Obrigado por dizer a ele para vir. Eu definitivamente já superei John! E estou tão feliz de ter escolhido a fantasia de anjo sacana! Você pode dar-me alguma dica? Seus gostos, desgostos, qualquer coisa?” “Ele... Jack está aí? Agora?” Lend virou a cabeça acentuadamente, de repente focado na conversa. “Sim, ele... Espere...” Uma menina gritou agudamente no fundo e então aplausos irromperam. Carlee pestanejou, rindo. “Ele deu uma cambalhota da varanda do segundo andar e aterrissou no hall de entrada!” Eu coloquei a mão sobre os olhos, tentando descobrir uma maneira de melhorar isso. Jack não poderia estar lá. Meus mundos não deveriam se misturar desse jeito. Como ele descobriu isso, para começo de história. E, conhecendo Jack, ele estava destinado a colocar-se em algum tipo de problema. É o que ele faz. Além do que, o pensamento de Jack e Carlee dandos uns amassos fez-me sentir vagamente doente e eu sabia que não era por causa das maçãs caramelizadas que eu comi na casa de Lend. O que aconteceria quando ele desaparecesse e a magoasse? Eu perderia a única amiga normal que eu tinha. E se ele disser a ela sobre sua vida real? Bem, ela provavelmente pensaria que eu era louca por associação. Eu não quero passar o resto de meu último ano totalmente sem amigos. “Você pode passar o telefone para ele? Carlee? Coloque Jack no telefone.” Ela estava rindo e gritando algo que eu não conseguia entender acima do ruído de fundo. “Ok, eu tenho que ir... Todo mundo está indo para o cemitério! Obrigado mais uma vez... Conto-lhe tudo amanhã, menina!” A linha ficou muda. “Oh, pii.” Eu fechei meu telefone, momentaneamente paralisada. Isso tinha desastre escrito por toda parte. Jack não era exatamente a imagem de discrição, ou sanidade, se isso importa e se ele disser a ela meus segredos... “Jack, hein.” A voz de Lend era calma, cuidadosamente controlada.

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Eu balancei a cabeça, odiando Jack por estragar nossa noite perfeita. “Eu acho que ele apareceu na festa da Carlee.” “Ah.” Lend não disse nada. Eu não poderia lutar contra o crescente pânico sobre o que Jack iria fazer ou dizer. As luzes diminuíram quando o desfile de fantasias começou. E nós estávamos perdendo-o. “Eu deveria... Eles todos estão indo para o cemitério. Eu deveria garantir que Jack não entre em apuros.” “Se você pensa assim.” Mais uma vez com a voz calma. Lend tentando não demonstrar qualquer emoção era muito pior do que ele ficando abertamente chateado com alguma coisa. “Eu tenho que voltar para a faculdade esta noite, de qualquer maneira. Posso deixar-lhe lá, é no caminho... Você vai ter carona para voltar?” “Sim, eu posso pegar carona com Carlee.” Mesmo se eu não pudesse, o cemitério era apenas a uma milha do restaurante. Seria mais fácil andar de volta do que pedir para Lend esperar ou ir comigo. Nossa noite não deveria terminar assim. “Você tem certeza?” “Eu tenho certeza. Obrigada.” A viagem até o cemitério foi dolorosa e cada minuto que se passava em silêncio tenso me deixou muito mais decidida a torcer o pescoço de Jack. Meu telefone tocou, quando estávamos quase lá e eu atendi. “Carlee? O que aconteceu?” “É Arianna.” “Ah. O que há?” “Eu não posso ficar neste apartamento mais um minuto. Eles estão fazendo uma maratona de filme de terror no Teatro Crown. Onde vocês estão?” Meu coração afundou-se. Perfeito. Ela escolheu logo agora para querer socializar. “Umm, na verdade, eu estou indo para uma festinha, Lend vai voltar para a faculdade. Mas eu posso talvez lhe encontrar mais tarde?”

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Eu esperei por sua resposta, mas a linha ficou muda. “Ótimo.” Eu murmurei, jogando o telefone em minha bolsa. Lend estacionou em frente à cerca de ferro forjado que circulava o perímetro do cemitério. Era um lugar bonito, confie em mim, eu já vi mais do que minha parcela de cemitérios. Enormes árvores cobertas de hera sombreavam a coisa inteira e davam uma sensação de privacidade. Estreitas vias pavimentadas manchavam o chão todo, alinhadas com bancos de pedra. Durante o dia era tranquilo, adorável, o mais agradável lugar para o descanso eterno que você poderia querer. À noite? Sim, um pouco assustador. Você não poderia ver além de seis metros em qualquer direção graças às árvores e a coisa toda estava mal iluminada por um ocasional patético poste de luz. “Você está com Tasey?” Lend perguntou. Deixei escapar um riso nervoso. “Estranhamente, eu não costumo levá-la em nossos encontros. Além disso, este é um território de seu pai. É provavelmente o mais seguro cemitério do mundo.” Os vampiros aqui eram quase militantes em seu regulamento de um com o outro. Não há nenhuma maneira de eles deixarem alguém bagunçar perto de sua área e chamarem a atenção. “Você está com seu colar, pelo menos?” Eu sorri para ele e puxei algo debaixo de meu vestido. “Sim. Eu vou ficar bem. E se eu tivesse Tasey, eu provavelmente só usaria em Jack.” Eu esperei por uma risada, mas Lend suspirou e acenou com a cabeça. “Eu vou ver você amanhã à noite, então.” “Sim.” Inclinei-me e fui recompensada com um beijo rápido, nossos lábios mal se encostando. Jack, idiota, idiota. Eu saí do carro e Lend esperou até que eu estivesse passando pelo portão e seguindo o caminho um pouco mais abaixo antes de dirigir para longe. Um grito e algumas risadas nervosas e distantes ecoavam através das árvores e eu cerrei os dentes. Depois de várias voltas e voltas, eu encontrei o grupo, reunido em torno de um dos bancos. Eles pareciam estar focados em alguém de pé no banco do centro. Eu cheguei mais perto e estreitei os olhos. Jack... Claro. Ele deu um salto mortal para fora do banco e parou

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em pé, sob aplausos. Então ele me notou e sorriu como se me ver fosse uma surpresa bem-vinda. “Evie! Você veio!” “É, engraçado, isso. Eu fui convidada. Como você chegou aqui?” “Evie! Ei!” Carlee jogou os braços ao redor de mim. Ela tinha que estar congelando em um minúsculo vestido branco sem mangas, botas de stripper e asas. “Isso não é incrível?” “Ah. Sim. Totalmente. Amo cemitérios. Deixe-me adivinhar... ideia de Jack?” “Sim!” Ela riu. “Eu não sei por que não pensei nisso mais cedo!” Os olhos de Jack estavam brilhantes, quase febris em sua excitação. “Não é divertido? Eu não tenho ido a uma festa como esta, desde, bem, sempre!” Eu ainda o odiava por arrastar-me aqui, mas parte de mim tinha inveja. Isso era exatamente o que eu sempre tinha imaginado de uma festa na noite de Halloween, mas eu tinha que bancar a senhorita Responsável agora e afastá-lo antes que ele causasse qualquer dano. Então, novamente, isso não parecia nem de longe tão divertido quanto o boliche tinha sido. Estava na maior parte apenas frio e metade dos estudantes parecia estar trabalhando em ficar bons e bêbados. “Ei!” Um cara magro, de cabelos escuros, que eu reconhecia dos corredores da escola, ficou em pé no banco para atrair a atenção de todos. “Esconde-esconde! Sintam-se livres para esconderem-se em pares.” Ele deu uma piscadela maliciosa, em seguida, saltou para baixo. Carlee virou-se para Jack, muito animada, mas o cara deu um tapa em seu ombro. “Está com Carlee!” Com gritos, todos se espalharam na escuridão. Carlee estalou seu lábio com um beicinho exagerado. “Não se esconda demais, tudo bem, Jack?” Ele piscou para ela. Ela riu. E eu vomitei um pouco em minha boca. Ele virou-se para correr para as árvores e eu fui forçada a segui-lo. Se isso era o que festas eram, bem, elas eram uma merda. Embora eu provavelmente não estivesse pensando que era uma merda se eu estivesse aqui com Lend. Quando eu o alcancei, eu agarrei seu braço. “O que você está fazendo aqui?”

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“Escondendo-me! É assim que você brinca, certo? Eu pensei que o título de esconde-esconde era bastante autoexplicativo. Então, novamente, você é loira.” “Você também é, idiota. Mais uma vez, o que você está fazendo aqui?” Ele deu de ombros. “Eu pensei que seria divertido. Eu encontrei o convite em sua cama na outra semana.” Eu não tinha visto Jack desde que eu recebi o convite. O que significava que ele estava em meu apartamento quando eu não estava em casa e bisbilhotando minhas coisas. “O que você estava fazendo em meu quarto?” “Eu passei por lá para ter certeza de que estava tudo bem. Você tem estado meio para baixo ultimamente.” Eu fiz uma careta, surpresa. Eu esperava uma resposta fácil, mas ele parecia sincero. “Ah. Bem, não mexa em minhas coisas. E você não deveria estar aqui.” “Vamos lá. O que há de errado com o que estamos fazendo? Nem tudo é vida ou morte. Uma pequena festa nunca fez mal a ninguém.” Ele virou-se e correu por entre as árvores e eu segui-o com um gemido. Eu precisava tirá-lo daqui, mesmo que ele realmente parecesse estar se divertindo e não tivesse causado qualquer dano visível. Até agora. Mas como ele se atreve a acusar-me de não ser capaz de me divertir? Eu estava divertindo-me muito antes dele arruinar tudo. Meu telefone tocou e eu peguei-o. Lend. “Alô?” “Você encontrou-o?” “Sim. Nós estamos indo.” “Ele vai voltar com você?” “Não! Eu estou apenas tentando o manter longe das inocentes garotas escolares.” Alguém gritou por perto e eu endureci, todos os sentidos em alerta, mas então o grito derreteu em gargalhadas e gritos alegres. “Provavelmente é uma boa ideia.” Mordi o lábio, procurando na escuridão por Jack. Eu perdi-o.

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“É.” Lutei por algo mais a dizer. “Ligue para mim quando chegar a casa, ok? Eu quero ter certeza de que você chegou segura.” “Claro, claro.” Ele suspirou profundamente. “Eu deveria ter ficado. Eu estou voltando.” “Não, sério, não tem problema. Jack é problema meu, não seu. Vou ligar para você quando eu chegar a casa e você estará de volta amanhã à noite.” “Tudo bem.” O silêncio estático entre nós pareceu como se os quilômetros estivessem aumentando, aprofundando. “Falo com você em breve então?” “Sim. Tchau.” Eu desliguei o telefone, olhando tristemente para ele por um momento. Então eu olhei em volta, determinada a encontrar Jack e tira-lo daqui para que eu pudesse ligar para Lend de volta. Eu estava mais longe no cemitério do que eu jamais estive; na verdade, eu me perguntava se eu ainda estava nele ou se não havia uma cerca separando os limites dos bosques que o circulavam. Os cabelos em minha nuca arrepiaram. Parecia que eu estava sendo observada. “Ei... Oh, você está nervosa essa noite?” Jack sorriu para mim. Eu chutei-o na canela, depois me abaixei e peguei meu telefone. Eu guardei e virei-me para Jack. “Vamos.” Ele animou-se. “Onde? Se você está entediada aqui, tenho certeza de que eu poderia encontrar uma festa mais divertida em Nova York.” Ele estendeu a mão e embora estivesse muito escuro para ver suas covinhas, eu praticamente podia senti-las. “Vamos.” Eu balancei a cabeça. Eu não podia sair com Jack, mesmo se ele fosse levar-me em lugares que eu nunca poderia ir de outra forma. Seria uma traição muito grande à Lend. “Eu estou indo para casa.” Uma voz de veludo sangrou para fora da escuridão.

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“Tão cedo, Liebchen?”

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Super pii Eu congelei, aterrorizada, enquanto uma sombra se desprendia de uma árvore próxima e andava para frente. “Você está surpresa em ver-me, monstrinha?” Sua voz era suave, com um traço de sotaque alemão baixo e sutil. Engoli em seco, balançando a cabeça antes que eu pudesse pensar melhor. Que pii que o super-vamp estava fazendo aqui? E como eu iria sair dessa? Ele sorriu, seus perfeitos e encantados dentes brancos brilhando sobre seus dentes mortos e escuros. “Se isso faz você se sentir melhor, eu estou extremamente surpreso de ver você também.” “Como você chegou aqui?” Eu perguntei, dando um pequeno passo para trás enquanto tentava pensar em uma maneira de enrolar e ligar para a AICP pedindo ajuda, tentar fazer qualquer coisa. Vampiros não precisavam ser fortes. Isso tornava as coisas muito mais complicadas. E assustadoras. “Eis a questão, agora, não é?” Ele avaliou-me com calma, não se movendo para frente. “Eu estava em minha cela naquela detestável instituição quando alguém me atacou por trás e então eu acordei aqui. E agora você está aqui, também. Aparentemente esta é uma noite de estranhas coincidências e monstros no escuro.” “Espera... Alguém pulou em você? Em sua cela trancada? E você não o viu?” Ele acenou com a cabeça, perplexo. “Onde estamos?” Eu fiz uma careta, ignorando sua pergunta. Não havia nenhuma maneira disso ser uma coincidência estranha. Alguém o apagou, tirou-o do Centro e trouxe-o aqui, de algum modo sabendo exatamente onde eu estaria. Havia apenas um tipo de alguém que poderia fazer isso. Faeries. Claro. Tinha que ser uma faerie. A questão era, qual? Isso era algum tipo de piada da parte de Reth? Ele tinha deliberadamente me colocado em perigo antes quando ele trouxe Vivian para o Centro. Mas eu não podia ver nenhuma lógica para isso.

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Então, novamente, havia uma corte inteira de faeries que me odiava, não menos que isso, havia Fehl, que foi quase morto por Vivian na primavera passada. E havia a faerie que apareceu no Centro. Ela não parecia muito simpática. Além de Nona, que estava definitivamente em contato com pelo menos uma faerie que eu soubesse. E se o que Reth tinha dito fosse verdade, eu deveria fazer algo para seu grupo de faeries. Quando eu não quis, eu meio que estraguei todos seus grandes planos proféticos. Então, basicamente, você teria que se esforçar muito para achar uma faerie que não queira me machucar. A sílfide, o fossegrim, e agora isso... Tem que haver alguém por trás disso. Alguém lá fora tentando me pegar. Os mesmos que sempre tentaram me pegar. “Malditas Faeries.” Eu murmurei sombriamente. Por que não podiam me deixar em paz? Os olhos do super-vamp iluminaram-se. “Faeries? Você sabe onde eu posso encontrar alguma?” Revirei os olhos. “Confie em mim, se eu pudesse, eu deixar-lhe-ia saber.” Alguém gritou e riu por perto e atraiu minha atenção, assim como a do super-vamp para a direção do som. “Amigos seus?” Ele perguntou e gelo espalhou-se por meu estômago. “Humanos.” “Pena. Estou muito sedento. Ainda assim, você e eu temos negócios inacabados, Liebchen.” Eu belisquei a ponta de meu nariz. Eu não queria ficar perto dele, ser lembrada do quanto eu queria ter pegado sua alma naquela noite. “Olhe. Estou cansada e as coisas não foram da maneira que eu queria esta noite. Eu realmente prefiro não lidar com você agora, então o que você acha de deixar Jack aqui acompanhá-lo de volta ao centro. Vou visitá-lo em breve e então podemos ter uma agradável e longa conversa.” Ele riu. “Eu acho que não.” Algo clicou e eu sorri para ele. “Bem, isso realmente não importa, de qualquer maneira, uma vez que seu rastreador no tornozelo informa a AICP exatamente onde você está e eles estarão aqui a qualquer minuto.” Oh, abençoada seja a tecnologia da AICP.

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Ele olhou ao redor, seus movimentos lentos e despreocupados. “E ainda, aqui estamos nós e eles não estão em lugar nenhum.” Eu fiz uma careta. Ele tinha razão. Eles deveriam ter vindo para cá quase que instantaneamente. Por que não vieram? “Umm,” Jack disse, lembrando-me que ele ainda estava de pé atrás de mim, “alguma ideia, Evie? Eu pareço estar sem bastões de beisebol.” Super-vamp dirigiu um olhar frio na direção de Jack. Eu amaldiçoei interiormente aquele garoto idiota por abrir a boca e colocar-se em perigo, também. “Eu suponho que você não trouxe seu comunicador.” “Pensando bem, não foi uma atitude inteligente de minha parte.” Então nós estávamos por nossa conta. Estendi a mão para Tasey antes de lembrar que eu a tinha deixado em casa, sã e salva em minha gaveta de meias. Nada bom. Nós todos ficamos lá, a tensão palpável na escuridão. Super-vamp inclinou-se para frente e eu gritei, tentando dar um pontapé nele. Ele lançou-se para o lado, esquivando-se de mim e eu abaixei-me e peguei um pedaço de pau do chão da floresta. Abençoe a visão não intencional de Jack em nos trazer de volta aqui. Eu quebrei o pau na metade em meu joelho, e o estendi, pronta para sua investida. Eu nunca tinha estacado um vampiro antes, o pensamento deixou-me enjoada, mas eu faria uma exceção se isso significasse não morrer. Esperava que ele estivesse fraco por não beber sangue paranormal durante seu tempo no Centro. De repente, alguém veio pulando para fora da escuridão ao lado dele. “Jack! Aí está você!” Carlee gritou. Não ela! “Carlee corra!” “Vem cá, minha querida.” Super-vamp disse, em voz baixa e comandante. Corri para frente, mas era tarde demais. Ela olhou em seus olhos e isso bastou. “Claro.” Ela murmurou, sua voz sonolenta, feliz e absolutamente dopada. Ela inclinou-se para ele e ele colocou o braço a seu redor, olhando para mim com um sorriso exultante. Ótimo. Minha amiga doce e sem noção agora estava sob a influência do mais forte vampiro vivo e era minha culpa por ser um ímã de assassinos paranormais.

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“Deixe-a ir.” Ele acariciou seu pescoço com sua mão morta enquanto ela se aninhava alegremente em seu ombro. “Largue a estaca.” Encolhi-me, tentando pensar em alguma forma de sair dessa situação. Eu poderia alcançá-lo. Se eu fosse rápida o suficiente, ele não teria tempo para desviar. “Eu vou quebrar o pescoço dela.” Ele disse alegremente, antecipando meus pensamentos. Respirando fundo, eu balancei a cabeça. Eu não queria ficar de mãos vazias. Eu não queria ter que fazer esta escolha. Não agora. Não com ele. Meus dedos já começavam a formigar, meu pulso acelerou e eu estava hiper consciente do ar da noite quase me empurrando para frente. Na escuridão eu podia vê-lo, aquela insinuação de luz em torno de seu coração. “Confie em mim,” sussurrei “eu sou mais segura armada.” Seus dedos apertaram o pescoço de Carlee, cavando em sua pele. Sua respiração ficou presa, mas, mais que qualquer coisa, ela parecia feliz. “Agora, por favor.” Deixei cair o bastão e perder esse peso em minha mão parecia como perder minha última defesa. Não havia nada entre mim e a alma do vampiro agora. Eu olhei para o céu noturno, coberto de nuvens, sem um toque de estrelas. Por que nada poderia ser fácil? “Faça alguma coisa.” Jack cutucou por trás de mim. Eu atirei um olhar de volta para ele. Essa coisa toda era culpa dele. Não, a culpa era das faeries. Eu deveria estar ganhando um concurso de fantasias com Lend, não lutando por minha própria alma e pela vida de Carlee. Soltei um grunhido frustrado. “Eu estou tão cansada de dilemas morais!” Super-vamp franziu a testa. “Perdão?” “Não me faça fazer isso. Você lembra-se no beco? Você soube na hora. Eu vi seus instintos gritando, dizendo para você ter medo de mim.” Eu inclinei para frente, minhas mãos fechadas em punhos e tremendo.

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“Você deveria ouvir seus instintos.” Ele sorriu, lambendo os dentes afiados. “Eu receio estar mais curioso do que assustado. Eu quero lhe provar, descobrir que tipo de monstro você é.” “Boa sorte com isso.” Apertei os olhos, esticando meus dedos. Não há escolha. Eu não tive escolha. Isso não foi minha culpa. Eu estava sem opções. Ele riu e antes que eu pudesse reagir, ele jogou Carlee para Jack, derrubando os dois no chão. Meus olhos ainda estavam nos dele e eu não estava preparada quando ele se chocou comigo. Voamos através do ar juntos, aterrissando com força no chão, ele em cima de mim. Ele rosnou, mostrando os dentes e foi em direção a minha garganta. Suas presas perfuraram meu pescoço. Eu gritei e enfiei minha mão contra seu peito. Desta vez, quando o canal abriu eu estava pronta. Raiva correndo através de mim, eu abri ainda mais o canal, puxando tanto quanto eu poderia, o mais rápido que eu conseguia. Esquecendo-me de defender-me. Eu acabaria com isso. Suas costas arquearam, mas ele estava muito chocado, com muita dor para fugir. Então, alguém gritou e chocou-se contra o Super-vamp, tirando-o de cima de mim e quebrando a conexão. Meu coração voltou a bater e eu recuperei o fôlego, meu corpo tremendo com a energia externa e deliciosa. Eu queria o resto dele. Eu forcei-me a sentar, querendo encontrar o vampiro, drená-lo completamente. Foi quando eu vi Lend, em cima de Super-vamp, socando ele de novo e de novo até que teve certeza de que o vampiro não iria a lugar nenhum. E então o que eu tinha feito, o que eu iria acabar, desabou sobre mim. Eu caí sobre minhas costas e coloquei minhas mãos sobre meu rosto. Eu tê-lo-ia matado. Eu queria.

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Culpado é Quem Age Errado Lend não tirou o braço ao redor de meus ombros, abraçando-me tanto quanto me segurando. Embora eu estivesse vibrando com a nervosa e culpada energia, eu sentia-me oca, como se fosse entrar em colapso a qualquer momento. Raquel andava para trás e para frente diante de nós, seus saltos esmagando os galhos. Depois de David ligar para ela, ela quis levar-nos para o Centro para conversar, mas Lend recusou. Jack apareceu, sem fôlego. “Disse a todos que os policiais estavam vindo. O cemitério está vazio.” Felizmente Carlee não lembrava nada de estar sob a compulsão do vampiro, ela só se sentiu um pouco tonta e suspeitava que alguém tivesse colocado algo em sua bebida. Quem dera. Jack tinha-a levado de volta ao grupo. Ele olhou para Lend e franziu a testa. “Eu estava prestes a salvá-la. Você não precisava vir.” Eu olhei para ele. Ele não me tinha salvado. Lend tinha. Ele pensava ter me salvado de ser drenada, mas na verdade ele tinha me salvado de drenar o vampiro. Eu fico imaginando o que ele pensaria se soubesse que tinha atacado o monstro errado. Não. Eu não era um monstro. Super-vamp merecia. E Lend salvou-me de mim mesma. Estava tudo bem. “Olha,” eu disse, “não faz sentido. Não há outra explicação além das faeries!” “Mas por que uma faerie tiraria o vampiro do Centro?” Eu esforcei-me para não rolar os olhos. “Umm, para matar-me? Porque elas me odeiam? Elas enviaram Vivian atrás de mim uma vez. Esta é, provavelmente, apenas uma nova tática da Rainha das Trevas. Tem havido muitas coincidências e ataques estranhos ultimamente.” “Mas apenas as faeries de transporte sabiam sobre o vampiro estar no centro.” “Basta apenas uma, não é?” Lend disse. Raquel suspirou e eu estava muito cansada e nervosa para até mesmo tentar interpretar. “Eu verifiquei nossos logs e ambas as faeries que transportaram o vampiro estavam em missão e ocupadas toda a noite.”

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“Então como você explica o rastreador no tornozelo dele estar desativado?” Eu perguntei. Ela esfregou os olhos. “Eu não posso explicar. Poderia ter sido um conjunto de erros nos dados... Não podemos saber se o rastreador havia sido ativado corretamente para começar, o que não deveria ser um problema, já que ele nunca deveria ter sido liberado da contenção.” “Eu estou tão confortada.” “Nós colocá-lo-emos em nossa seção de segurança máxima agora e eu prometo-lhe, não há como nem mesmo uma faerie tirá-lo de lá.” Eu cruzei os braços. Eu sabia que estava sendo petulante, mas era tarde, eu estava cansada e meu nível de açúcar havia caído da pior maneira possível. Eu odiava esta noite. Eu odiava o que eu tinha feito. Eu odiava o fato de eu não odiar nada disso e que uma parte de mim se sentia como se fosse totalmente justificado. Havia perguntas sem resposta o suficiente em minha vida, eu não gosto de ter que me perguntar se eu sou ou não uma boa pessoa. “Tudo bem. Eu estou indo para casa. E se eu atrasar-me para a escola por dormir demais, eu espero que você ligue para lá e dê alguma desculpa.” Dando-me tapinhas na mão, Raquel verificou meu pescoço de novo, então Lend me levou para casa. Ele foi para o andar de cima comigo e segurou-me quando eu explodi em lágrimas assim que cheguei a meu quarto. “Eu sinto muito, eu nunca deveria ter deixado você ir sozinha. Se eu não tivesse voltado... Eu não posso nem pensar nisso. Evie, eu sinto muito, muito mesmo.” Eu balancei a cabeça, enterrando meu rosto em seu peito. Ele não tinha ideia. “Não é culpa sua. Obrigada por salvar-me.” Ele ficou comigo até duas ou três horas. Eu não estava mais chorando, então depois de verificar meu pescoço novamente e fazer-me jurar ligar para ele se eu precisasse de qualquer coisa, ele voltou para a escola e para sua aula de laboratório no começo da manhã. Deitei na cama, totalmente vestida com minha fantasia estúpida, exausta, mas incapaz de fazer minha mente parar de girar em círculos. Claro que tinha sido uma faerie que libertou o Super-vamp para cima de mim. Aparentemente, agora que eu sou perigosa, eles estavam enviando outros paranormais para fazer seu trabalho sujo.

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Típico das faeries: desonestas e preguiçosas. Foi culpa delas eu ter perdido controle e quase drenado o vampiro, para começo de história. Culpa delas, não minha. Eu não sabia que tinha adormecido até que percebi Vivian sentada a meu lado em uma colina toda coberta de mato. “O que há de errado desta vez?” Eu assustei-me, olhando para ela e mordendo o lábio. Eu não tinha falado com ela desde a sílfide. Ela era a pessoa mais propensa a entender o que eu estava passando, como me sentia mal sobre o que eu tinha feito, mas como foi justificado, também. Ela também era a última pessoa no planeta que eu poderia falar. Porque se eu fizesse, então eu admitiria que eu era tão fraca quanto ela. Não. Eu não era como ela. Eu estava me defendendo! Mas, novamente, não era realmente culpa dela, não é? “É tudo culpa das faeries. Tudo. Você não deveria estar aqui, desse jeito.” Ela estreitou os olhos, pensativa, em seguida, olhou para a grama em que estava sentada, puxando algumas entre seus dedos. “Eu fiz minhas escolhas, Evie. E elas foram escolhas erradas.” “Mas as faeries forçaram você! Enganaram você!” A culpa era delas, tudo de errado era culpa delas, culpa delas Lish estar morta, culpa delas eu não conseguir ser feliz. Ela suspirou. “Ouça. Eu fiz o que eu fiz. E eu não posso mais consertar. Nenhuma Faerie me fez matar aqueles paranormais. Eu gostava do que eu estava fazendo.” Eu abri minha boca para argumentar com ela, mas ela colocou a mão sobre a minha. “Não. Eu sei que você está tentando me perdoar, mas não racionalize. Você deve a seus amigos mais do que isso. Eu não os matei porque faeries me obrigaram, eu matei-os porque eu estava desesperada e sozinha e porque eu quis. Eu pensei que lhes estava fazendo um favor, mas, mais do que isso, eu gostava da maneira que aquilo me fazia sentir. E essa é a pior parte. Sempre foi sobre mim. E se você não tivesse me parado, eu provavelmente ainda estaria fazendo aquilo.” Suas palavras ficaram penduradas como um peso entre nós. Uma escuridão feia, fria e vazia atravessou minha triste e pequena alma. Eu queria que ela culpasse as faeries. Por que ela tinha que trazer a tona tudo isso quando eu queria esquecer? E por que suas confissões me fizeram sentir tão culpada?

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“Mas as faeries,” eu disse, um gemido rastejando em minha voz. “Elas arruinaram sua vida. Elas não vão parar de fazer uma bagunça com a minha. Sem elas, nós poderíamos ter... Tudo seria diferente. Mais fácil.” Vivian riu, sua voz dura. “Que se danem as fey. Não podem me tocar agora. E eu não posso tocá-las, o que é uma pena. Eu mataria cada uma delas se eu pudesse, pelo que fizeram com a gente. Mas eu tenho certeza que sem elas nenhuma de nós existiria. Provavelmente é melhor eu estar presa aqui na terra dos sonhos para que eu não tenha mais nenhuma alma em minhas mãos. Literalmente.” Ela sorriu maliciosamente e deu-me uma cotovelada. Soltei um riso aflito, mas na verdade tudo o que eu queria era uma noite normal de sono, livre de conversas que fizessem a mim e minha cabeça doerem. Fechei meus olhos e abri-os em meu quarto escuro. Por um minuto eu pensei que eu ainda estivesse dormindo, que Viv e eu tínhamos trocado de lugares, até eu perceber que a pessoa sentada na beira de minha cama olhando para mim não era minha irmã louca.

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Questões de Vida e Morte-Viva Sentei-me na cama, com meu coração acelerado e engoli um berro apenas a tempo de reconhecer o cabelo espetado. Eu acendi a lâmpada ao lado de minha cama. “Arianna? Você assustou-me para caramba. O que há de errado?” Ela não estava olhando para mim, mas sim para minha direita, em um ponto além de minha cabeça, um espaço vazio na parede. Seus olhos encantados pareciam tão mortos quanto seus reais. “Eu não entendo isso. Nada disso.” “Desculpe-me?” Seus olhos focaram em mim e ela balançou a cabeça lentamente. “Lend contou-me o que aconteceu. Com o vampiro. Evie, eu não quero ser uma vampira. Isso não é quem eu sou, essa coisa, essa vida, esse pesadelo interminável que eu me tornei. Eu não deveria existir. Eu gostaria que eu não existisse.” Sua voz estava muito baixa. Aquilo não seria mais assustador se ela estivesse chateada ou chorando. “Você sabe que meu nome não é Arianna? Era Ann. Eu odiava aquele nome. Simples e entediante, como eu, minha vida e minha família. Eu odiava minha família também. Eles eram WASPs10 de classe média tão convencional quanto possível. Minha mãe fazia artesanato e trabalhava no conselho escolar e meu pai era um contador. Eles queriam que eu fosse loira, feliz e entrasse em equipes. Eles estavam sempre me pressionando para entrar na equipe de natação, ou ser líder de torcida, ou estudar música, não importa onde, eles só queriam que eu me encaixasse em algum lugar. E essa era a última coisa que eu queria...”

“... Minha mãe e eu costumávamos brigar sobre a cor de meu cabelo, um novo piercing, a música que eu ouvia. Quando eu saí de casa e fui para a faculdade de moda, eu não disse adeus, ou obrigada, ou eu amo você. Fiquei feliz de deixá-los. Eles disseram-me que eu estava sendo idiota, mudando para uma cidade grande, onde eu não conhecia 10

White, Anglo-Saxon and Protestant. Significa: Branco, anglo-saxão e protestante. É normalmente usado com sentido pejorativo.

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ninguém e não tinha dinheiro o suficiente para sustentar-me... Eu não me importava. Eu finalmente iria descobrir quem eu era, encontrar algum lugar que eu pudesse ser diferente...” “... Então eu conheci Félix, ele era sombrio e delicioso e tudo o que minha família não era. Ele disse-me que eu pertencia a ele, que nosso amor iria durar para sempre, que ele via quem eu realmente era, quem eu poderia ser. Ele prometeu mostrar-me o mundo. Eu jamais percebi que seu mundo era sempre à noite. E então ele me mordeu, na primeira vez eu gostei. Mas então, ele fez de novo e bebeu meu sangue e eu desmaiei. Quando acordei ele me disse o que ele era. Eu não acreditei nele, achava que ele era louco...” “...Eu tinha o deixado ficar intimo muito rápido e ele sabia onde era minha faculdade, onde eu trabalhava, onde eu morava. Eu não me sentia segura em lugar nenhum. Então eu fui para casa. Eu cheguei lá à noite, estacionei em frente da casa. Eu podia ver meus pais através de uma abertura na janela, lendo na sala de estar, era leve, quente e seguro. Eu comecei a andar e então Felix estava lá, sentado em minha varanda, esperando por mim. Meus pais encontraram-me na manhã seguinte, morta.” Eu lutava contra as lágrimas. Eu nunca a tinha ouvido falar sobre como isso aconteceu com ela. Vampiros sempre fizeram o mínimo sentido para mim, como poderia um ser humano tornar-se um imortal paranormal e por que podem usar o glamour? Lobisomens eram estranhos, claro, mas eles não têm a imortalidade ou a capacidade de usar glamour. Raquel nunca tinha sido capaz de explicar de onde os vampiros vieram. Tudo que ela sabia era que, para tornar-se um, você tem que ser mordido mais de uma vez ao longo de um mês ou algo assim e o vampiro tem que deixá-lo viver apenas o suficiente para que a transformação aconteça antes de seu coração parar. Não é fácil e a maior parte dos vampiros não tem interesse em aumentar sua população. O que era uma coisa boa, porque se tudo o que bastasse fosse uma mordida, o mundo teria sido invadido por sanguessugas séculos atrás. Arianna parecia sempre tão forte, tão fechada, às vezes eu me perguntava se ela tinha ido atrás de um vampiro e pedido para ser transformada. Apesar de seu tom de voz sem emoção, meu coração partiu-se sabendo a verdade, ela era apenas uma garota tentando encontrar um lugar em que pertencesse. Soava familiar. Ela continuou. “É claro, eu não me lembro deles me encontrarem. A próxima coisa que eu lembro é que eu acordei em um necrotério. Félix estava lá, esperando por mim, com este olhar em seu rosto. Ele estava tão animado. Ele pensou que tinha feito algo maravilhoso.”

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“Onde ele está agora?” Eu sussurrei. “Eu fui com ele, porque não tinha outro lugar para ir e nenhuma ideia de como viver como uma vampira. Então, ele escolheu uma menina solitária e com habilidades artísticas, seguimo-la e ele atraiu-a para um beco.” Meu estômago apertou-se. Eu nunca achei que Arianna já havia matado uma pessoa. David sabia sobre seu passado? Ela fechou os olhos. “E quando Felix a encantou para que curvasse a cabeça para o lado e oferecesse a nós seu pescoço, eu matei-o.” “Espera... Você matou-o?” Ela olhou para mim pela primeira vez desde que começou sua história. “Eu já era essa coisa, essa paródia de vida. Ele tirou de mim tudo o que eu tinha tudo o que eu poderia ter sido. Eu não o deixaria fazer isso com mais ninguém.” Eu estava sentada em silêncio, sem nenhuma ideia do que dizer. Ela e David eram totais pacifistas quando se tratava de lidar com outros paranormais, mas ela matou outro vampiro para proteger uma menina inocente. Isso justificava o que eu havia feito? Porque o Super-vamp teria ferido outras pessoas. Carlee e as outras pessoas que estavam lá. Eu sei que ele teria. Eu balancei a cabeça, concentrando-me. “Arianna, eu sinto muito.” Ela sorriu tristemente. “Não importa. Por fim, eu encontrei David e aqui estou eu. E aqui eu vou ficar, porque a vida eterna não é vida nenhuma e eu não tenho ideia do que fazer sobre isso. Ann está morta e eu estou presa aqui, viva e morta e nenhum dos dois.” Eu coloquei minha mão em seu ombro. “Você está viva! Você ainda é uma pessoa.” Ela olhou para mim, seus olhos afiados, mais uma vez. “Não minta para mim, Evie. Você pode ver exatamente o que eu sou.” Eu encolhi-me, imaginando que trabalho péssimo eu tinha feito todos estes meses fingindo que eu não estava horrorizada com a aparência dela por trás de seu glamour. “Isso não é você!” “Eu sei o que eu sou. Eu só não entendo por quê.” Ela levantou-se. “Eu não deveria ter acordado você. Às vezes eu gosto de ver você dormir, no entanto. Eu gostaria de poder dormir. Dormir e nunca mais acordar.”

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Antes que eu pudesse dizer qualquer coisa, ela saiu de meu quarto e foi para fora do apartamento. Sentei-me espantada e então caí para trás em minha cama. Por que eu alguma vez fui idiota o suficiente para pensar que a vida seria mais fácil fora do Centro?

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Abraçadora de Árvores Lend sentou-se a meu lado, encostando-se a mim de nossos ombros até nossos pés, em uma cabine no restaurante. Uma vantagem de ter sido atacada pelo Super-vamp foi que Lend tinha ficado distintamente em silêncio sobre a questão dos métodos de contenção da AICP. Ver em primeira mão o que alguns paranormais faziam, deixou os padrões da AICP bem menos suspeitos. Infelizmente essa foi a única coisa boa vinda de ontem à noite. Eu estava dando tudo de mim para não ficar balançando para cima e para baixo na cadeira, meus dedos batiam um padrão nervoso sobre a mesa. Eu sentia-me tensa, repleta de uma energia ansiosa. Eu não queria pensar de onde isso estava vindo. Eu apenas esperava que não fosse da alma do Super-vamp dentro de mim. Era apenas... Eu não sei, restos de nervosismo. Era isso. Eu pulei quando Nona colocou nossos pratos sobre a mesa, em seguida, correu de volta para a cozinha. “Você tem certeza de que está bem?” Lend perguntou. “Bem. Bem. Eu estou bem.” Eu levantei a mão para coçar meu pescoço, mas parei-me. Estava dolorido, mas já sarando. Se ficasse uma cicatriz, Super-vamp iria pagar. Então, novamente, ele já tinha pagado. Meu estômago revirou e o sanduíche de queijo grelhado em minha frente de repente não me parecia muito apetitoso. “Ei, crianças.” David deslizou em nossa frente, a preocupação vincando sua testa enquanto olhava para meu pescoço. “Como você está, Evie?” Acenei com uma mão em desdém, balançando meu joelho para cima e para baixo por baixo da mesa. “Só cansada. Faltei à aula hoje para poder dormir. Eu vou ficar bem. Onde está Arianna?” Ela não tinha estado em casa esta manhã. Ela estava sempre em casa. A maneira como ela falou ontem à noite, eu não podia deixar de imaginar que talvez ela estivesse cansada o suficiente da vida eterna para fazer algo a respeito. O espírito de Steve passou por minha mente e eu esforcei-me para não entrar em pânico. O que quer que Arianna fosse, ela era minha amiga. Eu não podia perdê-la.

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“Ela mandou uma mensagem, disse que não poderia chegar a tempo para a reunião de hoje.” Eu não tinha certeza se isso era um bom sinal ou não. Pelo menos ela ainda estava em contato com David. Eu tenho que ficar a sós com ela, falar com ela, fazer algo para melhorar as coisas. Se eu pelo menos conseguisse descobrir como. “Raquel ligou esta manhã, também.” Olhei para cima, surpresa. “Você dois falaram bastante?” David deu de ombros, evasivo. “Ela queria ter certeza de que eu estava mantendo os olhos em você. Ela está preocupada. Você acha que o ataque na noite passada estava relacionado às faeries?” Lend gentilmente tirou minha mão de onde eu estava inconscientemente arruinando meu curativo. Ele manteve minha mão na dele, fazendo carinho com o polegar. Parei meu joelho e respirei fundo. Concentrar na mão de Lend ajudou a acalmar-me. “É. Eu acho. Houve muitas coisas estranhas. Primeiro a sílfide, então o fossegrim...“ “Mas isso não foi aleatório? Jack derrubou você na água.” “Ah.” Eu fiz uma careta. Eu não tinha pensado sobre isso. Como as faeries saberiam que eu bateria lá na água? Talvez minha sorte apenas fosse horrível. Então, novamente, eu já sabia disso. “Mas Reth esteve aqui algumas vezes e então houve a faerie que eu vi andando na rua, além de uma faerie que apareceu no Centro, quando eu estava lá, Raquel teve de livrar-se dela. E depois o vampiro. Ninguém além de uma faerie conseguiria ter planejado tudo isso.” “Verdade.” David esfregou os olhos, cansado. Lend fazia exatamente a mesma coisa quando ele estava preocupado. Às vezes, as semelhanças deles, como a maneira que riam de piadas antigas que eu nunca entendia, o jeito caloroso e brincalhão que tinham um com o outro, feria-me. Lend tinha tanta sorte de ter um pai como David. Eu queria que fosse meu pai correndo daqui para lá, preocupando-se comigo, não o pai de meu namorado. Senti olhos em mim, olhei para cima e vi a mesma velha parecida com um sapo que tinha implicado comigo e com Lend quando estávamos nos beijando na calçada, no que

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parecia ter sido há uma eternidade. Ela estava no lado de fora do restaurante, olhando através da janela. Para mim. Eu estreitei meus olhos, mas a mulher olhou para além de mim, para outra coisa e abruptamente se virou e foi embora. Eu virei-me para ver Grnlllll, fazendo um movimento furioso enxotando a velha com suas pequenas mãos. “O que foi aquilo?” Eu perguntei, mas a gnoma ignorou-me completamente, indo para trás do balcão, onde ela não podia ser vista. Kari e Donna estavam sentadas nas banquetas, pratos de linguado ainda intocados em sua frente, enquanto me observavam com seus enormes olhos redondos. Eles desmancharam-se em sorrisos brincalhões e idênticos. Sorrisos maléficos. “Talvez não sejam somente as faeries, porém,” eu disse, a suspeita subindo. Levantei-me e fui direto para a cozinha. Grnlllll pulou em minha frente, tentando bloquear meu caminho e resmungando alguma coisa, mas eu passei por ela e explodi através da porta. Nona estava lá, debruçada sobre uma grande tigela de madeira esculpida. E estava conversando com ele. “... sob nossos cuidados. Continue a reunião. As coisas estarão em seus lugares quando for a hora certa, e...” Nona olhou para cima, surpresa ao ver-me. “Com quem você está falando?” Eu exigi, aproximando-me rapidamente. Antes que eu pudesse chegar à tigela, ela balançou sua mão na superfície e quando eu me inclinei tudo que eu vi eram ondulações na água. “O que você está fazendo?” Seus belos lábios franziram-se naquele mesmo sorriso irritante. “Nada, criança.” “Mentirosa!” Gritei. Eu ouvi a porta atrás de mim abrir novamente. “Qual é o problema?” David perguntou. “Ela é!” Eu apontei um dedo irritado para o espírito de árvore. “Ela está mentindo! Ela estava conversando com um balde de água. Algo está acontecendo, mas ela não vai me dizer o quê. Primeiro, ela encontrou-se com Reth, agora há todos esses paranormais estranhos e novos na cidade e eles observam-me! Eu sei que eles estão me observando!” Eu voltei meu olhar para ela. “Você está trabalhando com as faeries, não é?” O rosto de Nona ficou sério. “Não, criança. Eu não estou. Os fey não são amigos de minha espécie. E eu prometo a você o que eu tenho sempre prometido: você está segura

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aqui. Eu nunca vou deixar males caírem sobre você enquanto você estiver sob meus cuidados.” “Mas eu não estou sob seus cuidados!” “Evie,” disse David, enquanto ele colocava a mão em meu ombro. Lend estava protetoramente de meu outro lado. “Eu conheço Nona há um longo tempo. E huldras não podem mentir. Ela não está tentando prejudicá-la.” “Por favor, deem-me licença,” Nona disse, pegando a tigela e levando-a consigo para fora da porta traseira. Fiquei furiosa. “Como é que você sabe que elas não podem mentir? Além disso, o que ela está fazendo aqui? Por que o espírito de uma árvore iria querer comandar um restaurante?” David encolheu os ombros. “Um monte de elementais e paranormais misturam-se com os seres humanos de vez em quando. É divertido para eles, eu acho.” Era assim que ele via o relacionamento de Cresseda com ele? Ele divertia-a um pouco? Eu não entendia como ele vivia com esse tipo de dor e rejeição. Eu balancei a cabeça. “Eu não acredito.” Minha cabeça doía. Meu pescoço doía. Meu cérebro doía. Minha vida inteira doía hoje. “Se Nona quisesse machucar-lhe ou entregar-lhe para as faeries, ela já não teria feito?” Lend perguntou. “Eu quero dizer, você tem vivido aqui há meses. Eu sei que coisas estranhas têm acontecido, mas eu realmente não acho que Nona está por trás delas.” Eu suspirei. Ele provavelmente estava certo. “Mas e sobre elas ficarem observando-me? Elas estão sempre olhando para mim!” “Você é bastante agradável de olhar, você sabe.” “Ha, ha.” “Falando sério agora, eles provavelmente estejam apenas curiosos. A maioria deles não sabe o que você é, mas sabem que você sabe o que eles são. Não é normal. Simples curiosidade.” “Tudo bem.” Eu murmurei. Talvez eu estivesse ficando paranóica. Lend colocou os braços em volta de mim, descansando sua testa contra a minha. “Acredite ou não, preocupo-me mais com sua segurança do que você própria. E se você

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está realmente preocupada com isso, vamos tirá-la daqui. Você pode voltar a morar com meu pai. Certo?” David concordou. “Se isso vai fazer você sentir-se melhor, é claro.” Eu balancei a cabeça. Eu não queria viver com David novamente sem Lend lá. Eu gostava dele, mas seria estranho. E eu realmente não queria deixar Arianna sozinha. Eles estavam certos. Eu estava provavelmente exagerando quanto a Nona. Isso era maldade de faerie, não dela. Ainda assim, eu sabia quando eu estava sendo enganada. E eu nunca mais iria levar o lixo para fora para aquela pequena e impertinente gnoma.

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Vamptástico Eu iria ficar louca. Porque a decisão inicial não poderia ser tomada bem mais cedo? Toda essa bobagem de início de dezembro era irritante. Quanto tempo era necessário para ver um monte de notas, um par de resultados de testes e algumas redações sem sentido? Imagens de uma pilha de papéis com todo meu futuro dentro apenas parado na mesa de alguém me atormentavam, enquanto eu ouvia o zumbido dos professores falando sobre algo que possivelmente não podia ser mais importante. Quando a faculdade avaliar como aceitável minha cabeça cheia de hipotenusas e ligações químicas e metáforas, eu estarei livre. Quanto a meu novo ritual, eu implorei a Carlee para dar-me uma carona até em casa para que eu pudesse chegar à caixa de correio mais cedo. Ela sacudiu a cabeça enquanto eu balançava nervosamente em meu lugar. “Se eles disseram no início de dezembro, não vai estar lá ainda. Se vier hoje, provavelmente vai ser mais tarde.” “Eu sei.” Ela estava certa. Eu sabia que ela estava certa. Mas eu não poderia me acalmar até que eu tivesse certeza de que ela estava certa. Eu assisti as árvores passarem voando, pela primeira vez sem ter medo da irregular e rápida condução de Carlee. Mais rápido, mais rápido! “Além disso, você não está esperando tanto tempo assim. Meu primo teve que esperar, tipo, quatro meses por sua carta de aceitação para VU.” Eu suspirei pesadamente. “É como se eu estivesse esperando desde sempre.” Eu tinha sido paciente (muito, muito paciente) desde que eu enviei minha aplicação 11 . Ser atacada pelo Suber-vamp e tentar conversar com uma Arianna completamente indiferente após seu pequeno bate-papo da meia-noite foram distrações (não necessariamente agradáveis) e eu estava tentando concentrar-me em outras coisas. Ainda assim, eu não acho que eu possa aturar muito mais tempo de espera. Como eu poderia pensar em outra coisa? Diga o que quiser sobre zumbis e seus problemas de 11

É o processo pelo qual todo aluno (nos EUA/UK) que deseja uma vaga numa universidade deve passar. Ele inclui o envio de currículo com suas notas, referências acadêmicas e uma carta dizendo por que você quer fazer o curso.

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higiene, pelo menos eles matam-lhe rápido. O Concelho de aceitação para entrar na faculdade? Eles gostam de prolongar a tortura ao máximo possível. “Então, você ouviu falar de Jack ultimamente?” Eu remexi-me com culpa em meu lugar, forçada a pensar em alguma coisa além de Georgetown. Carlee podia não se lembrar de Super-vamp jogando-a de um lado para o outro no Halloween, mas ela certamente se lembrava de dar em cima de Jack como um raio. “Não, ele meio que sumiu do mapa. Ele faz isso.” “Ah.” Ela assentiu, mas pareceu desapontada. Eu gostaria de conhecer algum rapaz simpático e normal para apresentar a ela, para redimir-me por ter colocado Jack em seu mundo. Mas só havia um menino legal em minha vida e ele estava longe de ser normal. Além disso, ele era todo meu. Nós paramos em frente ao restaurante e eu quase caí do carro, perto de não consegui ofegar um adeus à Carlee enquanto eu corria direto para a caixa de correio. Eu sabia que era irracional, mas eu tive uma sensação estranha sobre o dia de hoje. Premonição havia me enchido a tarde toda e agora parecia que eu estava pronta para explodir. Faltava apenas duas semanas para a data que nos deram. Além disso, era terça-feira, o que significava que eles tiveram segunda-feira para recuperar o atraso e enviar, por isso, se eu recebesse agora eu ligaria para Lend e ele voltaria para casa mais cedo para comemorar e planejaríamos nossas vidas juntos e... A caixa de correio estava vazia. Eu falei uma série de palavrões que colocaria até mesmo o vestiário dos meninos em desgraça, terminando com um pontapé enfático na base da caixa de correio. E a pior parte era, é claro, não estava lá ainda. Meus nervos estranhos durante todo o dia foram inúteis. Eu fui para o andar de cima, ignorando as ordens latidas de Grnlllll para fazer uma coisa ou outra. Raquel não precisou de mim nas últimas duas semanas (eu suspeitava que ela se sentisse culpada por Super-vamp e pelo fato de que eu só o conheci por causa de uma missão que ela me enviou), então eu estava inventando turnos. Embora ainda houvesse um número incomum de paranormais novos na cidade, eu não tinha visto mais faeries e Nona continuou desafiando minhas tentativas de pegá-la fazendo algo suspeito. Hoje, no entanto, eu tinha coisas melhores para fazer do que ajudar na cozinha e preocupar-me com paranormais. Meus planos giravam em torno de ir para meu quarto e

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ficar lá por várias horas. Eu caí em minha cama e tentei fazer um buraco no teto com meu olhar. Foi uma coisa boa não receber a carta hoje. Se eles rejeitar-me-iam, fariam provavelmente mais cedo. Aquelas lindas e espessas cartas de aceitação levam tempo para arrumar. Sem dúvida que eles colocavam cada folha, cada papel com amor e atenção personalizados. Eu entraria. Eu tinha que entrar. Mas por que, por que, eles não podiam simplesmente me dizer e libertar-me desta agonia? Meu comunicador apitou de seu honrado lugar em minha gaveta de meias. Fiquei chocada ao perceber quanto tempo eu havia ficado distraída, já era crepúsculo. Ansiosa por algo, qualquer coisa para distrair-me do purgatório da aceitação, joguei minhas meias pela sala, escavando pelo comunicador. A mensagem dizia: “Trabalho de Vamp imediatamente, sim ou não.” Ok, talvez houvesse coisas piores do que esperar. Vampiros estúpidos. Ainda assim, tinha que ser feito. Respondi um rápido sim e mal tinha tirado o colar e colocado Tasey em meu cinto, quando uma luz brilhou na parede e Jack estendeu a mão. Eu peguei antes da porta se fechar e ele puxou-me para dentro. “Olá, Evie. Tendo um dia agradável?” Eu fiz uma carranca. “Não. Vamos acabar logo com isso. E se você deixar-me cair em outro rio, juro que desta vez eu vou levar você comigo.” Ele riu, o garoto idiota, e apressamo-nos através do vazio juntos. Tentei focar em minha raiva e aborrecimento e não pensar em enfrentar um vampiro novamente. Eu não ficaria tentada a drenar outro paranormal. Nunca mais. Lend e eu estávamos em um bom lugar e eu estava melhor. Eu não me sentia mais estranha na maior parte do tempo. A brisa ainda permanecia em mim, eu estava gastando mais tempo do que o habitual no banho e parecia sentir a água corrente sempre que havia uma próxima, mas esta nova energia nervosa era apenas estresse. Isto é tudo. Eu achei que realmente não tinha pegado muito de Super-vamp e quanto mais eu pensava nisso, mais eu tinha certeza que tinha sido a escolha certa. Ainda assim, ter de enfrentar outro vampiro deixou-me nervosa. Saímos em um beco sujo e estreito entre dois brilhantemente pintados edifícios de madeira. “E sem caídas mortais, também!” Jack soou demasiado satisfeito consigo mesmo. Gritos ecoaram no final do beco, o que fazia sentido, já que estávamos em um carnaval barato, repleto de multidões de pessoas e cantos escuros. Vamptástico.

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Eu verifiquei para ter certeza que Tasey estava facilmente acessível. “Fique aqui, eu já volto. Isso não deve demorar muito.” Eu virei para o carnaval, mas Jack segurou meu braço. “Você não pode marcar, lembra? O que faz de mim a outra metade de nossa dupla fabulosa de pegar e marcar.” Segurei-me para não fazer um comentário ácido, sabendo que não era culpa dele eu estar estressada. “Tudo bem. Tente acompanhar...” Eu avancei pela multidão, sem tentar absorver a atmosfera como eu costumava fazer. Eu não precisava dar olhares invejosos para a humanidade. Eu tive muito dela nos corredores da escola. Depois de frustrantes trinta minutos, eu finalmente avistei uma cabeça de cadáver sob o efeito de glamour no meio de uma multidão, esperando sua vez na roda gigante. Ele tinha os braços em volta de uma linda jovem em uma roupa incrivelmente inadequada para aquele clima, que mostrava seu pescoço bem magro e repleto de muito sangue. Ela olhava para ele daquela forma monótona e intoxicada que era usada apenas por mulheres sob o controle de um vampiro. Ou do jeito que eu fico às vezes quando estou olhando para cupcakes. Mmm. Cupcakes. Estreitando os olhos, eu peguei Tasey. Sem dúvida, o vampiro estava pensando em levá-la para um passeio que ela nunca iria esquecer ou sair. Ele provavelmente iria mordê-la lá em cima, um toque dramático e doentio, e então, agir como se ela estivesse bêbada, enquanto a arrastava para algum canto escuro para terminar o trabalho. Raiva acendeu dentro de mim, pensamentos sobre a inocente Arianna passavam como flashs por minha mente. O protocolo da AICP para vampiros dizia que eu tinha que atraí-lo para um local isolado, de modo que ninguém mais ficasse ciente sobre as criaturas assassinas andando entre eles. Eu apressei-me através da multidão, batendo em seu ombro e usando Tasey nele. Seus olhos arregalaram-se em surpresa antes que ele caísse no chão tendo espasmos. Sua ex-fútura vítima encarou-o por alguns segundos antes de soltar um pequeno grito. A multidão afastou-se de nós, formando uma espécie de círculo em torno da sanguessuga inconsciente. Revirei os olhos para a garota-pescoço-saboroso. “Oh, supere isso. Este teria sido o menor relacionamento de sua vida.”

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Jack aproximou-se por trás de mim, sorrindo timidamente para a multidão enquanto se inclinava e colocava o rastreador no tornozelo. Eu agarrei o pulso do vampiro e arrastei-o sem cerimônia para fora do círculo e em direção ao beco. Pessoas (ingênuas, ingênuas pessoas) ficaram ali, olhando em confusão enquanto tentavam descobrir qual o tipo de show que eu estava fazendo e se eles deveriam bater palmas ou chamar a polícia. “Chame os transportadores.” Eu disse, jogando o vampiro na entrada do beco. Graças ao Super-vamp, uma nova regulamentação dizia que todos os vampiros deveriam ser detidos imediatamente, sem precisar que seus direitos fossem lidos ou direcionados a uma instalação de processamento. Jack apertou o botão, em seguida, olhou para mim. “Aquilo foi... sutil.” “Dane-se.” Eu murmurei. Se a população em geral fosse finalmente informada sobre o fato de que o sobrenatural estava vivendo e bem entre eles, seria realmente uma coisa ruim? Para protegê-los do conhecimento dessas coisas, nós estávamos também criando vítimas como Arianna. Além disso, atrair o vampiro teria tomado muito tempo. E enfrentar o vampiro sozinha... Não teria me tentado. Eu apenas queria ir para casa e isso é tudo. Assim que os transportadores chegaram lá, eu empurrei Jack para a parede. “Casa, agora.” Ele curvou-se zombeteiramente, escoltando-me por uma porta e para a escuridão, de volta para o familiar conforto de meu glorificado quarto/closet. Nós atravessamos a parede e a primeira coisa que eu vi foi uma carta. Em minha cama. Uma carta branca. Com um endereço de retorno que eu queria ver há semanas. Em um envelope que era muito, muito menor do que deveria ser.

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Indo a Lugar Nenhum, Indo a Algum Lugar “Evie? Evie! Ouch!” Jack puxou sua mão da minha, sacudindo-a e olhando para mim. “Eu vou precisar desses dedos mais tarde.” Eu não podia me mover. Meu futuro estava deitado em minha cama, como foi parar lá? Por que não estava na caixa de correio? Grnlllll. Ela estava tentando chamar minha atenção quando eu cheguei da escola. Ela deve ter pegado as correspondências, o que significava que ela sabia que minha carta estava aqui. Arianna provavelmente também sabia, uma vez que Grnlllll não subia as escadas. Arianna teria sido a que colocou a carta em minha cama. Meus olhos ardiam com lágrimas e vergonha, meu estômago já estava torcido em um nó doentio. Talvez não fosse uma rejeição. Talvez eles estivessem aderindo a um movimento “verde” e era uma aceitação com instruções para acessar as informações que eu precisava online. Talvez. Por favor. Por favor, por favor, por favor. Peguei meu colar da cômoda, segurando-o como um talismã enquanto eu caminhava para frente, cada passo fazendo meu estômago doer um pouco mais. Peguei o envelope, tremendo. Por que não podiam ter esperado mais duas semanas para enviá-lo para mim? “Eu não posso fazer isso.” Eu sussurrei. “Não pode fazer o quê?” Jack perguntou, bastante curioso agora que ele deixou a porta Faerie fechar. “Eu não posso abrir.” Apertando meus olhos cerrados, eu estendi a carta para ele. “Você faz isso.” Pela primeira vez ele não fez algum comentário idiota, apenas pegou o envelope de minha mão. Cada som de rasgar do papel rasgava um pedaço de minha alma. Talvez não tenha sido uma rejeição. Talvez não tenha sido uma rejeição. Talvez não tenha... “Querida Senhorita Green, blá, blá, blá, gostaria de agradecer em nome de blá, blá, blá, lamento que neste momento não possamos aceitar...” Ele parou e o mesmo aconteceu com meu coração. Eu não conseguia abrir os olhos. Eu não iria abrir. Eu não iria para Georgetown. Era isso. Tudo pelo que eu tinha trabalhado, tudo o que eu tinha perseguido desde que

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deixei o Centro, tudo se foi. Eu iria trabalhar no restaurante pelo resto de minha vida, esgueirar-me em ínuteis e estranhos trabalhos para a AICP e Lend iria entediar-se comigo e casar com a sensual assistente de laboratório e eles seriam felizes e lindos para sempre e eu nunca chegaria a lugar nenhum. Meu futuro era um vazio, pior ainda do que o Caminho Faerie, porque pelo menos eles sempre tiveram um destino. Eu não tinha destino agora. “Você está assustando-me.” A voz de Jack finalmente me cortou e eu finalmente abri meus olhos, mal sendo capaz de enxergar. “Ok, bom, sim, respirar... Respiração ajuda a ficar viva, eu descobri. O que na Terra pode ser tão ruim sobre uma faculdade idiota lhe dizer não?” “Minha vida,” eu ofeguei. “Acabou. É o fim. Tudo.” Ele franziu a testa em dúvida. “Quem gostaria de ir para um lugar chamado Georgetown, de qualquer forma? Ridículo. Agora, eu poderia compreender sua devastação se tivesse um nome distinto como, digamos, Jacktown, mas assim, você está exagerando. Por que você quer ir estudar mais? Eu fui para escola uma vez por algumas horas e quase perdi a cabeça.” “Mas, eu... Isso é tudo que eu tinha planejado, e...” Ele balançou a mão no ar, como se estivesse golpeando meus sonhos irritantes. “Faça novos planos. Você realmente não quer isso, de qualquer maneira. Você pode pensar que você quer, mas essa não é sua realidade.” Ele sorriu para mim, seus olhos azuis eram a única coisa que eu enxergava claramente através de minhas lágrimas. Eu chorei ainda mais. Suspirando, ele trocou desajeitadamente de pé para pé. “Você quer que eu chame Raquel? Ou seu namorado nervosinho?” “Não!” Eu não poderia enfrentar Lend, não poderia dizer a ele que eu não era boa o suficiente. Raquel, também. Ela ficaria desapontada comigo. Eu tentei ser normal, tentei fazer um lar para mim neste mundo e falhei total e completamente. Por que Lend era tão bom em ambos os mundos, mas eu não conseguia ser em nenhum? Por que eu era tão ruim na vida? Jack jogou seus ombros para trás. “Parece que, como sempre, tudo depende de mim. Ainda bem que eu estou sempre pronto para um desafio.”

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Ele pegou minha mão na sua e abriu uma porta, puxando-me para passar. Eu estava chorando demais para protestar quando o colar de Lend foi tirado de minha mão. Eu olhei para trás enquanto a porta fechava, o colar brilhando em um bolo amassado no chão que era minha vida. “Jack, eu...” Minha respiração veio em suspiros agora e eu não conseguia conciliar mais do que algumas palavras de cada vez. “Eu não... Quero... Por favor.” Ele parou em sua caminhada, franzindo a testa para mim. Levantando uma sobrancelha como se considerando um particularmente intrigante problema, ele colocou a mão livre atrás de meu pescoço e hesitou por um momento. Então ele me beijou. Chocada para fora de meu choque, registrei seus lábios nos meus, mas não conseguia processar. Eles estavam cheios e quentes o suficiente, mas os movimentos estranhos amassando minha boca que ele estava tentando fazer estavam longe dos beijos que eu tantas vezes tinha desfrutado com Lend. E... Era Jack. Jack. Das muitas coisas que eu tinha imaginado fazer com ele, a maioria envolvia violência. Nenhuma delas envolvia ação de lábio-a-lábio. Eu empurrei minha cabeça para trás, mas não foi difícil me afastar, uma vez que ele se afastou no mesmo momento. Ele torceu o nariz. “Bem, isso foi... interessante. Sempre quis experimentar, mas agora que eu experimentei, tenho certeza que eu nunca quero fazer isso de novo.” Furiosa, eu bati em seu ombro com minha mão livre, odiando o fato de que nós ainda tínhamos que ficar de mãos dadas para que eu não ficasse perdida para sempre. “Sua...” tapa “pequena...” tapa “aberração!” tapa “O que foi isso?” TAPA. Ele esquivou-se de outro tapa. “Eu tinha a impressão de que o depois seria um pouco menos...” ele fez uma careta enquanto eu batia mais forte, “doloroso.” “Ouça, esquisitão, se eu quisesse que você me beijasse eu teria pedido! E eu não fiz. E eu nunca faria isso! E se você tentar isso novamente, então Deus me ajude, eu vou achar aquele fossegrim e jogar-lhe lá para ter uma morte aguada!” E então, como se o estranho e horrivel beijo não fosse ruim o suficiente, ele começou a rir. “CALE A BOCA!”

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Ele balançou a cabeça, sorrindo presunçosamente. “Vê? Duas metas compridas. Um: tentar beijar. Enorme fracasso, sem dúvida foi culpa sua, mas um esforço nobre, no entanto. Eu deveria procurar sua amiga Carlee, ela é provavelmente melhor nisso do que você.” Porque meus olhos que conseguiam ver através do glamour não tinham função laser? Eu não o mataria. Eu apenas gravaria a palavra “aberração” em sua testa. “Você não vai me perguntar qual era minha segunda meta?” Ele piscou seus cílios para mim. “Não, eu não vou.” Ele cutucou-me nas costelas com seu cotovelo. “Você não está mais chorando, está?” Eu teria que soltar a mão para estrangulá-lo. Então essa opção foi descartada. “Estar tão enfurecida que eu gostaria de matá-lo, é melhor?” Seu sorriso apertou. “Estar irritado é sempre melhor do que estar triste. Outro de meus lemas, na verdade. Agora, você quer chorar sozinha em seu quarto, ou você quer ter uma aventura?” Eu hesitei, cautelosa como sempre com a ideia do que Jack tinha de uma aventura, mas não querendo ir para casa, também. E ele tinha uma certa razão, pelo menos eu não estava mais chorando. Eu sabia que assim que eu caminhasse de volta para meu quarto com essa carta, eu perderia a cabeça. Mesmo pensar nisso me deixava em cacos e... Esqueça. Apertei sua mão com mais força do que o necessário. “O que você tem em mente?” Ele estreitou os olhos e sorriu, o rosto angelical de repente perverso. “Vamos brincar.” Ele arrastou-me atrás dele enquanto acelerava através dos Caminhos. Ele ficava mudando de direção, alterando seu curso para a direita ou para a esquerda, no entanto, sempre seguindo uma trilha em constante mudança. Eu nunca tinha visto alguém ir a qualquer direção senão para frente. “Você sabe onde você está indo?” Eu perguntei, cada vez mais nervosa. Eu não estava entusiasmada com a ideia de estar perdida nos Caminhos das Faeries com Jack ou qualquer outra pessoa. E quanto mais tempo estávamos presos no escuro, mais eu tinha que lutar contra o pânico.

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“Ele muda. Nunca no mesmo lugar duas vezes. O que o torna bastante difícil de encontrar, especialmente quando se está sendo importunado, mas agora nós...” Ele parou, triunfante. “Aqui. Coloque sua mão. Diga-me o que você sente.” Revirando os olhos, coloquei minha mão junto a dele, contra o vazio e... havia algo lá. Ou talvez não algo, mas a ideia de algo. Não era tangível e eu não tinha certeza de como eu estava sentindo aquilo, além da agitação leve sob meus dedos, o reconhecimento de um lugar no meio do nada. Eu imaginava que era semelhante a sentimentos fantasmas ou membros fantasmas, só que neste caso era uma porta fantasma. Não havia nada lá, mas deveria ter. Jack observava-me atentamente. “Você pode sentir isso, não é?” Eu balancei a cabeça. “Eu acho que sim, eu não sei. É estranho.” “Não há nenhuma razão para que eu possa fazer isso e você não. Na verdade, você pode abrir muito mais do que apenas portas. Seria bem mais fácil se você colocasse sua pequena mente ocupada um pouco mais nisso, em vez de preocupar-se com notas e escolas e beijos. Especialmente com beijos, coisa desagradável essa.” “É, desagradável quando é com você. Mas como você pode fazer isso?” “Eu acho que a comida das faeries muda você um pouco. Além disso, se você observar tempo suficiente e quiser muito alguma coisa, você ficará surpresa com o que você pode fazer. Com o que você vai fazer. O Caminho das Faeries significava liberdade para mim.” Meu coração bateu triste em meu peito, lembrando-me da vida de Jack com as faeries. Assim como Vivian, mas Jack parecia tão certo de si mesmo, mais saudável do que ela havia sido. O que significa muito, mas ainda assim. Ele não era completamente desequilibrado. “Eu sinto muito sobre sua infância, Jack. Deve ter sido difícil.” Ele sorriu, um mostrar de dentes. “Ah, mas olha só que pedação de jovem eu tornei-me. Eu não tenho ninguém, senão as faeries para agradecer pelo que sou hoje.” “Você pode sair, no entanto! Por que você ainda vai para os Reinos das Faeries então? Por que não volta completamente para a Terra, deixa isso para trás?” “Voltar para o quê? Além disso, uma vez que você provou a comida fey, você nunca irá voltar. Nunca consegue voltar.”

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“Você não poderia trazer um monte de comida com você ou algo assim? Armazenar?” Ele balançou a cabeça. “Receio que de uma forma ou de outra as Faeries e eu estejamos conectados. Eu não terminei com elas ainda.” Seu sorriso pareceu-me mais como um glamour do que qualquer outro que eu já tinha visto. Logo quando eu pensei que estava aprendendo alguma coisa sobre ele, aquele sorriso surgia, afastando qualquer emoção real. Como eu poderia algum dia ler o que estava debaixo dele? “Seguindo em frente,” ele disse. “A porta. Você pode sentir.” “O que estou sentindo, exatamente?” Ele traçou seus dedos quase com reverência ao longo do espaço onde a porta esperava por nós, olhando para a escuridão. “Você sabe quando você está em uma barreira entre acordado e dormindo? E que o sonho que você está deixando parece mais real para você do que qualquer coisa que o mundo tem a lhe oferecer? Ao abrir os olhos é como se uma boa parte de você tivesse ficado lá e você sabe que nunca vai sentir as coisas tão profundamente, experimentá-las tão verdadeiramente como você tinha experimentado naquele pequeno espaço de consciência entre escuridão e luz. Nós estamos indo para esse lugar.” Eu segurei minha respiração e ele saiu de qualquer estado em que ele estava antes. Piscando, ele abriu uma porta. “Bem vindo ao Reino Faerie.”

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Incendiário, Incendiário Antes que eu pudesse dizer não a Jack, atravessamos a porta e entramos nos Reinos Faerie. As únicas vezes que eu havia ido para lá tinha sido com Reth, em salas de pedras douradas, campos rodopiantes e móveis muito extravagantes. Eu nunca pensei que eu iria querer voltar, mas eu aceitaria o quarto de Reth em um piscar de olhos no lugar disso. O céu acima era vermelho carmesim, uma vasta extensão salpicada por pontinhos pretos brilhantes, como se ilustrassem a ausência de estrelas. Embora eu pudesse ver claramente, o ar era denso e pesado como uma noite de verão, carregado com uma pitada de canela queimada. Nós estávamos parados às margens negras de um enorme lago, ele era prata, mas não refletia nenhuma imagem, como se desafiasse o céu. Rochas gigantescas quebravam a monotonia da planície em torno de nós, espalhadas como se fosse por um ato de violência, retorcidas e torturadas. Todo o cenário era fascinante, belo, mas errado. “Jack,” sussurrei, segurando em sua mão. “Nós não deveríamos estar aqui.” “Você está certa,” disse ele e eu deixei escapar um suspiro de alívio. “Esqueci-me dos suprimentos.” Ele levantou sua mão e deslizou-nos lateralmente, o ar mudando conforme a paisagem-pesadelo era substituída por um quarto. A tontura fez-me oscilar. “Desculpe por isso.” Jack soltou minha mão e foi para uma mesa no canto. “Uma vez que você está realmente nos Reinos é mais fácil ir de um lugar para outro. No entanto, leva algum tempo para ficar acostumado. Cuidado com o tapete se você for vomitar.” Eu agarrei a borda de um sofá para equilibrar-me e olhei ao redor. Esse tinha que ser o ambiente mais estranho que eu já vi. As paredes eram de rochas verdes claras e iluminadas por uma invisível luz ambiente. A mobília era semelhante a que eu tinha visto no quarto de Reth, de madeira com rolagens e veludos ricos. No entanto, espalhadas através de toda elegância faerie, estavam meias imundas, calças descartadas e tênis sujos. Deixe para um menino o trabalho de fazer com que o Reino Faerie pareça um lixo. Jack levantou uma caixa de papelão rasgada e colocou-a sobre a mesa de carvalho, em seguida, pegou uma fruta luminosa de uma bacia. Parecia com um pêssego, se pêssegos

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fossem azuis e feitos de pedaços do céu. Ele fechou os olhos quando mordeu, com uma expressão voraz e de êxtase em seu rosto. Eu nunca havia experimentado nada tão bom quanto aquela fruta parecia ser. Eu respirei por minha boca, tentando não sentir o cheiro. Depois que ele terminou, ele ofereceu-me a tigela. “Quer um?” “Eu vou passar, obrigada.” Ele deu de ombros. “Você não tem ideia do que está perdendo. Ah, bem, eu trabalho melhor com o estômago cheio. Agora que temos suprimentos, podemos voltar.” “Whoa, não tão rápido. O que era aquele lugar? Eu não quero ir lá novamente.” O quarto de Jack, pelo menos, era contido, fechado. Nas margens do lago estranho nós tínhamos estado completamente expostos. Eu não queria ir a nenhum lugar do mundo Faerie, se isso conta, mas eu realmente, realmente não queria voltar para lá. “Desculpe, não há tempo a perder. Nós temos um barco para pegar.” Jack equilibrou a caixa contra seu quadril e agarrou minha mão antes que eu pudesse fazer qualquer coisa. Com outro embrulho no estomago estávamos de volta às margens do lago. Mas desta vez não estávamos sozinhos. Um grande navio, que refletia escuridão enquanto flutuava, silenciosamente passou por nós. A água prateada continuou intacta mesmo com sua passagem, nem mesmo uma ondinha foi formada ao redor. Encolhi-me, mas o barco continuou sem incidentes, chegando a uma parada próxima à curva da margem. Uma ponte arqueada apareceu dos lados do navio. Eu estava aterrorizada para ver quem sairia de lá. “Jack?” Eu sussurrei com urgência. “Ah, certo. Nós não deveríamos ser vistos. Eu não acho que eles nos matariam, mas nunca se sabe.” “Eu vou matar você!” Eu assobiei enquanto nos escondíamos atrás de uma das horríveis pedras. Jack espiou em torno da borda. Eu encolhi-me. Passei muito tempo correndo de Faeries para vir aqui por vontade própria, praticamente me oferecendo a elas. “Vamos sair daqui!” “Você deveria ver isso.” “Não! Não, eu realmente não deveria e você não deveria também! Vamos sair daqui.”

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“Olhe.” Jack puxou-me mais até que eu pude ver, também. A procissão era tão silenciosa quanto assustadora. Faeries, belas e terríveis ao mesmo tempo, descendo da ponte, seus passos cuidadosamente calculados. Elas tinham todas as cores de cabelo que se possa imaginar, do preto para o branco-ofuscante, mas seus rostos eram astutos, crueldade marcava a perfeição. Suas roupas, uma sombra singular de roxo escuro, flutuavam ao redor deles em uma brisa imaginária. Após o último membro, as faeries todas se viraram para o barco. Prendi a respiração em expectativa. As próximas figuras apareceram e eu mordi meu lábio para não gritar de horror. Pessoas, humanos, arrastavam-se de quatro, suas cabeças raspadas, completamente nuas, tirando os brilhantes padrões prateados pintados em seus corpos. Em suas costas havia uma plataforma finamente forjada, todas esbanjando prataria e eles rastejavam em perfeita uniformidade como se para não perturbar aquilo. Sem qualquer sinal, eles então pararam, esperando. Eu lutei contra a formação de bile em minha garganta. Muito pior do que seus corpos despidos, magros e vigorosos, era o olhar em seus rostos. Eles estavam felizes. Mais do que felizes, eles estavam fascinados, suas expressões estavam beirando o êxtase. “Para que eles servem?” Eu sussurrei, mas Jack cortou-me com um olhar rápido. Eu não tive que esperar muito tempo para saber a resposta. Uma mulher, mais alta do que o resto das faeries por pelo menos uma cabeça, deslizou para frente. E naquele momento eu sabia que beleza e terror eram a mesma coisa, inseparáveis. Como uma coisa que desperta nada menos do que verdadeiro terror poderia ser tão bela? Seu cabelo era como petróleo, negro, um arco-íris escuro caía como cascata por suas costas. Seus olhos eram de um negro puro, o alabastro de sua pele e seus cheios lábios de cor violeta eram cruéis, sem falhas. Qualquer coisa que saísse daqueles lábios seria dor e prazer, inevitável, irresistível. Aqui, então, era a eternidade. Eu iria até ela, eu tinha que ir para ela. Em um mundo em constante mutação, sempre morrendo, ela era uma absoluta, ela era a gravidade, ela era tudo. Eu queria perder-me nela para sempre. Jack apertou meu braço, torcendo a pele entre seus dedos. Ofegante, eu virei-me para olhar para ele. Ele revirou os olhos. “Novata. Tente não se jogar para a Rainha das Trevas, ok?” Eu balancei a cabeça, tentando tirar dela os restos de desejo e necessidade. Essa passou perto.

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Muito perto. Eu odeio faeries. Eu virei-me, determinada a não me perder em sua atração novamente. Eu concentrei-me em qualquer coisa além dela, observando seus escravos, o lugar. Em uníssono as pessoas caíram em seus estômagos quando ela pisou na plataforma, levantando o ar atrás dela. Enquanto eles voltavam a rastejar, ela encarava friamente através de sua comitiva. As faeries formaram uma fila atrás dela e ela foi transportada através da planície. Quanto mais longe ela ficava, mais fácil ficava de respirar. Recostei-me na rocha, exausta do esforço de resistir à atração da Rainha das Trevas. Se ela era das trevas, isso fazia dela a rainha do Tribunal da Escuridão. Os que fizeram Vivian. Aqueles que me queriam morta. Grande distração, Jack. O que era não entrar em Georgetown comparado com encarar a morte e querer jogar-se a seus pés? Parando para pensar nisso, Jack havia me colocado em muitas experiências potencialmente fatais recentemente. Teríamos que falar sobre isso. Ele inclinou-se, vasculhando sua caixa. “Quem eram essas pobres pessoas?” Eu sussurrei, ainda enjoada demais de lembrar os olhares em seus rostos. Ele deu de ombros sem olhar para cima. “Não exatamente pessoas, não mais. Animais de estimação de Unseelie não duram muito tempo.” Estremeci, passando os braços em volta de mim. “Você precisa levar-me para casa. Eu acho que essas faeries estão procurando por mim e eu realmente prefiro não ser encontrada. Por que estamos aqui, afinal?” Jack esticou-se com um largo sorriso que me fez sentir ainda pior do que os escravos. Em cada mão ele segurava uma garrafa de vidro com líquido âmbar. “Você quer que a gente fique bêbado?” “Não seja estúpida. Ficar bêbado não faz dos Reinos um lugar mais legal. Segure isto.” Ele entregou-me as garrafas, em seguida, pegou duas longas tiras de pano úmido, enfiando-as nas garrafas abertas, de modo que apenas alguns centímetros ficaram pendurados para fora. “O que...”

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“Você nunca cala a boca?” Terminado com o pano, ele enfiou a mão no bolso e tirou uma caixa de fósforos. Oh, pii não. “Jack! O que você está...” Ele acendeu as duas tiras e agarrou uma das garrafas. Sorrindo loucamente para mim, ele virou-se e atirou a garrafa. Girando preguiçosamente no ar, um rastro de luz surgiu e então desapareceu atrás do convés do navio. Talvez não tenha funcionado. Talvez... Uma enorme bola de fogo formou-se, chamuscando o ar e florescendo ao longo do barco. “Evie? Você pode querer jogar essa coisa.” Eu olhei horrorizada para meu próprio coquetel Molotov em chamas, então o atirei para tão longe de mim quanto consegui. Ele despedaçou-se contra o lado do barco, a maioria das chamas caiu na água de prata. Que começou a pegar fogo. “Uau. Eu não esperava por isso!” Jack acenou com a cabeça em agradecimento enquanto as chamas se espalhavam, comendo seu caminho para fora do lago. O barco, agora envolvido pelo fogo, rangia e soltava seu grito de morte. “Adicionar um toque de licor Faerie com gasolina deu um toque extra, eu acho.” Um grito sobrenatural rasgou o ar, perfurando-me até os ossos. Eu não queria conhecer o proprietário daquela voz. Jack riu, pegando minha mão trêmula. “Esta é a parte onde corremos.”

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Velhos Amigos “Jack!” Minha voz saiu irreconhecível, quase uma oitava acima. Parte foi de terror, mas a maioria foi uma reação à fumaça densa e picante, sólida como um punho, empurrando seu caminho em minha garganta. O ar ficou carregado enquanto o lago atrás de nós se tornou um inferno. Eu mal podia ver Jack, sua mão era minha única salvação neste pesadelo. “Prepare-se.” Gritou e com uma vertiginosa torcida a paisagem deformou-se. Nós ainda estávamos no mesmo plano, mas longe o suficiente para estar fora de perigo. Cachos de fumaça agarravam-se a nós como se fossem seres vivos e eu tentei meu melhor para limpá-las de mim. Observei as nuvens escuras ondulando sinuosamente, escurecendo o vermelho céu noturno. O lago queimava de maneira uniforme, um único conjunto de chamas, e o barco da Rainha das Trevas era pouco mais do que uma pilha de fogo agora. Jack pôs as mãos nos quadris, examinando a cena com um aceno satisfeito. “Isso ficou muito melhor do que eu esperava.” “Por favor, vamos embora!” Se nós ainda podíamos ver o caos, estávamos muito mais perto do que eu queria estar. Eu podia imaginar como o olhar de meia noite da Rainha das Trevas seria se ela encontrasse-nos. Minha pele arrepiou-se com o medo ou expectativa, eu não poderia dizer. Não era bom. “Qual é a pressa? Vamos ter um momento para aproveitar a satisfação de um trabalho bem feito.” “Eu não queria fazer isso!” “Não?” Ele levantou a cabeça e levantou as sobrancelhas. “Eu pensei que você odiasse as faeries.” “Eu odeio, mas isso não significa que eu quero correr pelos Reinos Faries colocando fogo em tudo!” “Qual é o ponto em odiar algo, se você não for proativa?” Ele colocou o braço em volta de meus ombros, guiando-me para olhar para o inferno com ele. “Você não pode me dizer que isso não lhe dá satisfação, não depois do que viu. Faeries importam-se com

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poucas coisas, mas elas são muito afeiçoadas por suas bugigangas. Esse barco era um favorito particular dela, por não falar do lago. Todos os séculos que ela passou elaborando essa paisagem, então, puf! Uma bomba incendiária perfeitamente lançada e você já a fez sentir raiva e dores mais profundas do que ela provavelmente já sentiu. E muito menos do que ela merece sentir.” Observando as chamas, era como se a persistente fumaça tecesse seu caminho em meu peito, escura e lenta, substituindo meu medo com raiva. Ele estava certo. Elas mereciam isto. Elas mereciam muito, muito pior do que isso. Apertei os olhos até que a linha brilhante de fogo era tudo o que eu podia ver. Agora que pensei nisso, era exatamente o que esta paisagem precisava. O fogo pertencia a esse lugar. Virei-me para Jack. “O que mais você tem em mente?” Seu rosto explodiu em um sorriso com covinhas. “Eu sabia que você não era inútil. Uma parada rápida para recolher mais suprimentos e...” “Você.” Nós dois pulamos em estado de choque, virando-nos para encontrar a fonte da voz, rouca e horrível. Algo agachado, feroz e estranho. Com o cabelo selvagem e emaranhado, cobrindo e escondendo suas feições. O que tinha sido uma vez, sem dúvida, roupas elegantes, eram agora imundas e rasgadas. Mas, então, eu encontrei seus olhos. Olhos de rubi. Olhos de rubi vermelho que algum tempo atrás combinavam com uma voz de vidro quebrado. Fehl. A última vez que a vi foi na cozinha de Lend, quando Vivian tentou tirar a vida dela. Ela tinha conseguido fugir, mas aparentemente estava muito pior. Desaparecer era a etérea, desconectada graça das fey. Ela tornou-se uma coisa enlouquecida, com olhos febris, movimentos irregulares e desleixados. “Você fez isso comigo.” Levantei minhas mãos, dando um passo para trás. “Não, eu não fiz. Eu sinto muito, mas...” Fiz uma pausa.

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Eu não sentia muito. Fehl tinha se desviado das regras da AICP para trabalhar com Vivian e levar-me para o que ela achava que seria minha morte. O que quase tinha sido minha morte. Além disso, eu salvei a vida dela aquela noite, impedindo Viv de drená-la completamente. Pensando bem, talvez eu não devesse ter feito aquilo. Fiquei reta. “Eu lembro-me de você fazer isto para si mesma.” Ela soltou uma gargalhada, algo entre um grasnido e um tossir. “Sim, um trabalho bem feito e bem recompensado. Mas se eu terminar, se eu levar um prêmio de volta para minha rainha, ela vai amar-me novamente. Ela vai consertar-me.” Fehl levantou-se, fazendo uma careta, como se pensar naquilo doesse. “Você quebrou uma faerie?” Jack afastou-se, não tirando seus olhos dela. “Um pequeno aviso teria sido bom. Eu não quero morrer agora que as coisas finalmente ficaram divertidas.” “Relaxe,” eu respondi. “Nós não vamos morrer. Ela não pode me machucar.” Fehl riu de novo, uma pontada de sua antiga forma aparecendo. “Garotinha, você não tem ideia do que eu posso fazer.” “Você pode lidar com ela?” Jack perguntou e eu percebi que, pela primeira vez desde que o conheci, ele parecia assustado. Eu não queria nem saber o que ele tinha enfrentado nas mãos das faeries. Faeries como Fehl. Eu não o deixaria se machucar novamente. Eu estendi meus dedos, pensando sobre qual a sensação de uma faerie enquanto observava Fehl deslocar-se para trás e para frente em seus pés, contorcendo-se como um gato esperando para atacar. Não era errado, não poderia ser errado, tirar um pouco de sua alma se isso significasse me proteger e proteger pessoas indefesas como Jack. Não era muito diferente do que a AICP fazia, de qualquer maneira. Eu era como uma Tasey humana. Fehl rosnou, depois saltou para frente, cobrindo a distância entre nós mais rápido do que eu pensava ser possível. Eu esquivei-me, mas tropecei e caí de costas em minha pressa para sair de seu caminho. Ela ultrapassou-me, deslizando no chão antes de girar ao redor enquanto eu me debatia para trás sobre minhas mãos, tentando conseguir mais espaço entre nós. Ela mostrou os dentes para mim em um sorriso doente e espreitou lentamente para frente. Jack estava atrás de Fehl, agora franzindo a testa enquanto assistia. Eu queria gritar para ele correr, mas ele estava provavelmente em estado de choque. Por que ele não fazia

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uma porta para longe daqui? Eu não conseguia me levantar sem dar a Fehl uma abertura para atacar-me. Vasculhei minha mente, desesperada por um plano, quando me bateu. “Denfehlath,” gritei. “Pare!” Seus olhos arregalaram-se com fúria, cada músculo paralisado em uma única freada. Ela estava de pé, imóvel, congelada antes de um salto. Eu poderia ter perdido a capacidade de controlar Reth quando ele me enganou para deixá-lo escolher um novo nome, mas eu ainda sabia o nome de Fehl. Que pena para ela. Eu parei, espanando minhas mãos em minhas calças, “Não se mova,” e contive um sorriso exultante, observando seu rosto torturado. Ela estava a poucos centímetros da vingança que ela ansiou por muito tempo, mas não havia nada que ela pudesse fazer. Jack caminhou para mim e olhou para Fehl congelada como se considerando uma escultura em um museu. “Interessante. A AICP nunca me deu os nomes das faeries. Eu sempre quis saber sobre comandos a partir de nomes.” Ele virou-se para mim. “Bem, o que agora? Você vai deixá-la aqui?” Eu considerei isso. Meus dedos contraíram-se a meu lado e eu fiquei super consciente da energia extra, o sempre presente formigamento e a sensação de frio fluindo que às vezes corria por minhas veias. Eu podia ver o brilho no peito de Fehl muito mais brilhante em faeries do que em vampiros. Talvez, para ensinar-lhe uma lição, só um pouco... Alguém limpou a garganta atrás de nós. “Evelyn. Eu pensei ter sentido você. A que devo o prazer de sua companhia, meu amor?” Meu coração afundou-se em meu estômago. Momento errado, seu nome é Reth. Eu virei-me de frente para ele, dolorosamente lindo, comicamente fora de lugar nesta paisagem infernal, com seu terno Vitoriano branco e cabelo dourado. Ele olhou desdenhosamente para Fehl, fez um barulho suave com a boca, em seguida, olhou para o inferno ainda pegando fogo. “Nossa, você tem estado ocupada hoje, não é?” Jack cutucou-me com o cotovelo. “Não suponho que você saiba o nome dele, também?”

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“Não temos tanta sorte,” eu murmurei, ainda amarga. Reth franziu a testa para Jack, a expressão nada fazendo para manchar seu liso e perfeito rosto. “O que você está fazendo aqui, menino? Acredito que Dehrn está procurando por você. Algo sobre roubar seus livros de sabedoria.” Jack olhou, uma resposta petulante formando-se em seus lábios, mas não respondeu. Um grito, carregado com mais energia e poder destrutivo do que qualquer fogo, chegou até nós vindo do lago. “Hora de ir.” Jack agarrou minha mão e a paisagem torceu-se para longe de nós, deixando Reth e uma congelada Fehl, seus olhos gritando a fúria que o corpo não conseguia expressar. Eu senti uma pontada de raiva por perder minha chance de... Eu precisava parar de pensar nisso. Ela não podia nos ferir agora, era isso que importava. Essa foi a única razão de eu ter sequer considerado tocá-la. Paramos e eu afundei no chão do quarto de Jack, suspirando com alívio de todas as balas que tínhamos escapado. “Eu não posso acreditar que conseguimos escapar.” “Nem eu,” respondeu Reth, segurando uma meia suja à distancia de um braço de comprimento. “Ainda assim, sempre adorável ter convidados.” Lá se foi meu conseguir escapar.

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Não Pergunte, Não Diga “Vai!” Eu gritei para Jack, ainda segurando sua mão. Eu não queria enfrentar Reth, não em seu próprio território e não depois do que eu tinha feito. Jack apertou-me quando a sala girou em torno de nós. Fechei os olhos e tentei não deixar a tontura chegar a mim. “Ok.” Jack soltou e eu abri meus olhos. Nós estávamos em um campo retangular, cercado por grama laranja que batia em nossa cintura, macia como penas e segredos sussurrando para a brisa deliciosamente doce que nos circulava. O campo era cercado por árvores brancas puras, que se curvavam sob o peso de mais de uma fruta azul, que eu definitivamente não chegaria perto. “Por que não viemos aqui primeiro?” Eu perguntei. Algumas partes dos Reinos eu poderia acostumar-me. Além da fruta, um mal tentador, é claro. “Isso tudo é um pouco cansativo.” Eu virei-me para encontrar Reth de pé bem atrás de nós. Novamente. Peguei a mão de Jack, mas Reth agarrou meu pulso, sua mão encaixando-se perfeitamente ao redor da cicatriz desbotada que tinha deixado lá. “Deixe-me poupar-lhe o trabalho. Não há nenhum lugar nos Reinos Faeries que você possa ir que eu não possa encontrá-la.” Eu olhei. ”O que é que isso quer dizer?” “Isso significa que correr como um casal de crianças desobedientes não serve para nada. Agora, o que você está fazendo aqui? Depois de todas as vezes que eu lhe convidei, estou um pouco magoado por você ter entrado com a ajuda dele.” Jack arrepiou-se a meu lado, olhando para Reth. “Eu vou fazer o que eu quiser.” Eu atirei. “Minha querida, você tem um senso subdesenvolvido chocante de autopreservação. Eu recomendaria evitar a ira da Rainha Negra, pois ela já tem uma opinião de bastante baixo valor sobre sua vida. Agora.” Ele tirou um relógio de bolso e franziu a testa para ele. “Foi lindo, mas eu realmente devo ir. Tente não destruir o prado, se não for muito problema.” Ele soltou meu pulso e meu sangue ferveu. Eu tive o suficiente dele mostrando-se, soltando alguns comentários críticos e depois desaparecendo novamente. Estendi a mão e agarrei seu braço. Ele olhou-me, surpresa moldando suas sobrancelhas.

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“Não! Por que você está enviando criaturas para atacar-me? E o que você quer dizer, você pode encontrar-me em qualquer lugar? E se você queria-me aqui tanto assim, por que está deixando-me agora que eu finalmente vim?” Reth sorriu, seus olhos como um sol líquido. ”Eu não sei a que você está se referindo, se meu único objetivo sempre foi protegê-la. Eu nunca iria mandar algo para atacá-la. No entanto, eu acho que nós estabelecemos que você não é nada além de teimosa e categoricamente incapaz de escolher as coisas que são boas para você.” Ele tocou em minha testa, então em meu coração e eu vacilei longe de seus dedos. ”Se somente sua cabeça fosse um pouco vazia, como sua alma. Vou recebê-la em casa sempre que você escolher, mas eu estou expressamente proibido de forçá-la. O Tribunal Unseelie não deu a Vivian nenhuma escolha na matéria e olha o quão bem isso acabou. Falando nisso, você vai deixar essa faerie miserável congelada para sempre?” “Fehl merece... Não mude de assunto! Você nunca respondeu como sabe onde eu estou o tempo todo.” Ele estendeu a mão livre e sem esforço arrancou meus dedos de seu pulso. Estúpida força faerie. ”Se você não se importa, meu amor, seus dedos são desconfortavelmente frios. E para responder sua pergunta, como eu poderia não saber onde você está? Dói-me você não poder sentir nossa ligação.” Eu olhei. ”Especulador.” Reth riu, a grama laranja em torno de nós balançando no tempo, dançando na beleza de prata do som. ”Eu suponho que saber seu verdadeiro nome ajuda.” Ele já me havia provocado com isso antes na noite que eu o libertei, ordenando-o a tomar um novo nome. Eu não acreditei. “Sim, bem, odeio dizer isso a você, mas todo mundo sabe que meu nome é Evelyn, então você não é exatamente especial. E não me venha com essa porcaria de “nome real”. Se eu tenho um e você sabe, por que demorou tanto tempo para encontrar-me?” Ele não podia negar isso. Faeries colocam muito trabalho nos nomes e, onde quer que eu fosse as faeries não sabiam sobre mim, até um par de anos atrás, no mínimo. Quando Reth me encontrou no Centro, ele nem sequer prestou atenção em mim, no começo. Então, um dia tudo mudou, como se de repente ele tivesse me notado. Na época, eu tinha me sentido lisonjeada (leia-se: com uma queda enlouquecedora), mas desde que eu aprendi que as faeries foram de alguma forma responsáveis por minha existência, eu fiquei meio louca tentando descobrir como a) eles não sabiam onde eu tinha estado, e b) como ele tinha descoberto quem eu era.

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Reth assentiu. ”Ah, uma excelente história. Talvez seu amigo deva ficar para isso?” Virei-me para ver que Jack havia ido lentamente em direção às árvores. Eu balancei a cabeça, olhando. ”De jeito nenhum, Jack. Você trouxe-me até aqui, você fica comigo até eu chegar a casa.” Ele suspirou, jogando-se para sentar-se no chão, com a grama fazendo cócegas em seu rosto. Virei-me para Reth. ”Vá em frente.” Se ele dar-me-ia respostas, realmente me daria respostas, valia a pena arriscar um pouco mais de tempo nos Reinos Fairies. Os cabelos de meu pescoço formigavam. Ele sabia que se eu achasse que estava no controle, eu provavelmente ficaria. Ah, eu odeio ele. Mas eu tinha que saber. “Sem dúvida, você lembra-se de quando nos conhecemos.” Ele sorriu e eu odiava que ele soubesse que eu me lembrava de cada minuto que nós já tínhamos passado juntos. Ex’s... Como se eles não fossem ruins no geral, o meu tinha que ser imortal e uma quase divindade. Ainda bem que eu tinha terminado com imortais. Ah, pii. Mas Lend não conta como um imortal. “Quando eu descobri suas habilidades únicas na AICP, eu disse a minha rainha sobre você e ela perguntou-se se, finalmente, tínhamos encontrado a Vazia que foi criada e depois,” ele fez uma pausae uma sombra breve pairou em sua radiante face, “perdida.” “Você não me criou,” gritei, surpresa com minha própria veemência. ”Você está mentindo. Você provavelmente me roubou e me mudou, como você roubou Jack e quem sabe muitos outros! Mas eu escapei!” “Se você diz que sim.” “Cale a boca! Diga-me a verdade ou eu juro que vou queimar esse lugar até virar pó!” Reth teve a coragem de parecer divertido. ”Parece que seu novo amigo é uma má influência. Ainda assim, eu posso ver que isso está incomodando você. Embora eu não esteja autorizado a dar essa informação a ninguém fora de fey, você está, no momento, pelo menos, em Faerie, o que poderia ser interpretado como estar dentro de fey, não poderia?” “Você perdeu-me no 'embora'.”

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Ele acenou com a cabeça, aparentemente satisfeito. ”Sim, isso está ótimo. Agora que você veio para os Reinos das Faeries por sua própria vontade, que foi o que minha rainha estipulou, isso abre todos os tipos de possibilidades.” Ele estendeu a mão. Eu não a peguei, não a poderia pegar e seu sorriso tinha uma borda estranhamente macia. ”Agora, agora, Evelyn. Não há necessidade de ter medo.” Eu apertei meu queixo, olhando. Eu não estava com medo dele. E eu não estava com medo de finalmente obter algumas respostas. Oh, quem eu estou tentando enganar. Eu estava apavorada. Havia tantas coisas que eu poderia descobrir que eu não queria saber. Nada de bom viria do que ele estava prestes a me dizer. Mas isso não mudava nada. Eu tinha que saber. Eu dei-lhe minha mão. Ele colocou-a na dobra de seu cotovelo com um tapinha condescendente. ”Acredito que senti falta disso.” Ele virou-se e andamos por uma porta que estava agora diante de nós. Um grito de pânico soou e eu quase fui derrubada quando Jack me agarrou, quase caindo diante da porta fechada. Reth suspirou impacientemente. ”Ele precisa vir junto?” Eu não podia acreditar que eu tinha me esquecido de exigi-lo. Cinco minutos com Reth e eu já estava virando uma estúpida. ”Sim, ele deve.” Jack pegou minha mão e nós três caminhamos juntos através da escuridão. Eu queria perguntar para onde estávamos indo, mas eu não queria dar a Reth a satisfação de ouvir como eu estava apavorada. Ele saberia no segundo que eu abrisse minha boca. Ele abriu uma porta e saiu para o sol ofuscante. Eu estava desorientada, como quando você vai ao cinema à tarde e sai na noite escura. Quando se tornou dia novamente? Era tarde quando saímos de meu apartamento. Estávamos do outro lado do mundo ou algo assim? “O Reino das Fairies mexe com os parafusos do tempo,” Jack murmurou, como se estivesse lendo minha mente. “Então, onde estamos?” Tínhamos chegado através de uma parede de blocos de concreto branco, em frente a um estacionamento enorme. Olhei para um lado e para o outro, querendo saber que lugar místico tinha tanta necessidade de um estacionamento. E de um banheiro feminino.

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Reth, em vez de responder, caminhou ao longo da calçada. Jack e eu tivemos que correr para alcançá-lo. Quando viramos a esquina, eu parei em choque. De todos os lugares para aprender sobre quem eu realmente era, o que eu realmente era, este não tinha passado por minha mente como uma possibilidade. Nós estávamos em uma competição da NASCAR. “O que diabos estamos fazendo aqui?” Eu deveria ter pensado melhor antes de confiar em Reth. Ele nunca tinha sido de piadas, mas é claro que ele iria escolher justamente esse momento para arranjar um senso de humor. Sem dúvida, ele pensou que a coisa toda era hilária. Ele virou-se para mim, nenhum traço de riso em seus olhos reais, brilhando sob seu glamour. “Eu acho que está na hora de você conhecer seu pai.”

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Reuniões de Família Sempre São uma Droga “Meu pai?” Eu encarei Reth, tentando processar o que ele disse. “Eu vou encontrar-me... Eu tenho um pai? E ele está aqui?” Carros com logos coloridos passaram rugindo na pista, separados de nós somente por uma grade de metal e uma área de manutenção. Era muita coisa para processar. Apesar de Reth e Vivian afirmarem que eu tinha sido 'feita', eu tinha um pai. Um pai que estava vendo a NASCAR ao invés de, digamos, cuidar de mim. Reth examinou a cena a nosso redor, seu rosto uma imagem de desprezo. “Infelizmente, sim. Por aqui, por favor.” Ele teceu seu caminho pela multidão que estava indo ou vindo de seus assentos. Quase derrubaram cerveja em mim três vezes, mas todos saíam de seu caminho para ele, a maioria (homens e mulheres) parando para encarar sua charmosa glória. “Então,” Jack disse no momento que começamos a subir um infinito conjunto de escadas de concreto pelos estandes, “Isso é excitante!” “Podemos não falar?” Eu estava finalmente recebendo respostas e estava assustada para pii. Reth virou em um setor de cabines que pareciam de longe melhores que os bancos de alumínio por toda parte. Na cadeira do centro, observando a corrida, sentava um homem com os cabelos de um marrom rico na altura dos ombros, que pareciam como madeira polida. Suas costas estavam voltadas para nós e ele inclinava-se para a corrida, atento. “Seja um bom garoto e traga-me algo para beber?” Reth pediu para Jack, batendo a porta na cara dele antes que ele pudesse entrar. O homem na cadeira não tinha virado ainda e Reth revirou seus olhos em aborrecimento. “Lin.” O homem dispensou-nos com um aceno de sua perfeita e esbelta mão. Uma mão Faerie. Meu estômago revirou-se. Não. Não, não isso. Tudo menos isso. Não podia ser... Ele não podia ser... Eu não podia ser. Reth botou seus braços ao redor de meus ombros, direcionando-me gentilmente para a janela. Quando a face de Lin ficou à vista, não havia

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como negar. Seu glamour era impreciso, quase como se não tivesse e seu rosto tinha todos os traços de faerie. Grandes olhos amendoados, nariz delicado, lábios carnudos e pele jovem. Mas seus olhos, um verde esmeralda não natural, estavam tingidos de vermelho, como se ele não tivesse dormido por dias. Eu nunca tinha visto uma faerie, fora a danificada Fehl, que parecesse com algo que não fosse primitivo. “Lin,” Reth disse de novo, sua voz de ouro forte. “Oh, vá embora. Trinta e três está fazendo uma passagem.” Eu olhei para Reth, não querendo mais olhar o estranho faerie. Ele irritava-me, algo nele fazendo com que eu me sentisse desconfiada, cansada. Tinha algo ali, algo que fez cócegas no fundo de minha mente. Por favor, não deixe isso ser reconhecimento. Reth parecia angustiado enquanto Lin abria outra Coca e bebia-a. “Melinthros,” Reth disse, sua voz rugindo poderosamente pelo box. A faerie olhou para cima, finalmente olhando para nós. “Cuidado, menino bonito. Tenho uma horrível dor de cabeça e se você ficar por aí liberando meu nome, as coisas vão ficar realmente feias por aqui.” Desde quando faeries chamam um ao outro de “garoto bonito”? Lin voltou para a corrida. “Não!” Ele gritou, jogando sua lata vazia contra o vidro. Depois, um sorriso perverso cruzou seus suaves traços e ele sussurrou algo por baixo de sua respiração, sacudindo sua mão na direção dos carros. O carro da frente capotou para o lado, deslizando enquanto seus pedaços voavam e faíscas faziam um rastro no chão. Os carros detrás dele bateram nele e uns nos outros, incapazes de evitar a batida. Um carro amarelo bateu em outro e passou por cima dele, caindo e esmagando-se no chão antes de bater na parede. Tudo aconteceu em menos de dez segundos e assim a corrida tornou-se uma bagunça de fumaça e pedaços coloridos do que tinham sido carros. O zumbido do anunciador ao fundo disse uma longa sequência de palavrões, declarando que essa foi a pior batida na história. Lin sentou ereto, um sorriso satisfeito no rosto. “Eu amo esse esporte.” Ele pegou outra coca do chão e drenou-a, limpando a boca antes de olhar para Reth. “O que você está fazendo aqui de novo?” “Trouxe sua filha.” A voz de Reth estava desprovida de emoção enquanto destruía minha vida.

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Eu não podia respirar, não podia processar isso, não podia dizer se era o cômodo que estava girando, ou eu. Reth apertou meu ombro, guiando-me para uma das cadeiras. Eu sentei pesadamente, encarando o chão. Eu não podia ser parte faerie. Não podia! Não fazia nenhum sentido. Oh, pii, quando algo tinha feito sentido em minha vida? “Essa não é ela.” Lin franziu a testa, segurando sua mão próxima ao chão. “Ela era dessa altura, não falava muito, chorava muito. Deve estar aqui em algum lugar.” Ele olhou por cima de uma das cadeiras, como se a “eu” com três anos de idade pudesse estar ali, brincando. Os olhos dourados de Reth escureceram. “Sim, isso foi uma descrição precisa, mas de quatorze anos atrás, quando você a perdeu.” “Eu não a perdi.” Lin corrigiu indignado. “Ela...” Ele pausou, coçando sua cabeça, depois olhou para mim de esguelha. “Bem, imagine só. Você está certo. Ela é uma pequena coisa trágica e pálida, não é? Ainda assim, aqui está ela. Leve-a para a rainha ou qualquer coisa que tenha que ser. Eu esqueci. Ooh, eles estão limpando a pista!” Ele encarou, paralisado, enquanto o que restava dos carros era levado da pista e paramédicos carregavam algumas pessoas em macas. Olhei para Reth, meus lábios tremendo. Eu não sabia o que era pior: meu pai ser uma faerie, ou que ele passou os últimos quatorze anos absorto do fato de que eu estava desaparecida. A boca de Reth estava franzida, seus lábios cheios esmagados em uma fina linha de reprovação. Ele pegou uma lata, segurando com a ponta dos dedos como se estivesse contaminada. A AICP tinha descoberto, com grande perda, que a única coisa de nosso mundo que afetava as faeries era a gaseificação; era como uma bebida alcoólica. O que fazia de meu pai uma faerie alcoólica. Claro. Brilhante. Reth colocou a lata gentilmente no chão. “É por isso que eu evito os negócios da corte. Misturar nossos destinos com os dos humanos nunca terminou bem. É vergonhoso. Isso é o que vem, quando se força uma faerie a viver fora de nossos Reinos. Nós fomos todos infectados pela tolice e decadência desse mundo.”

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“Reth.” Eu sussurrei, assim minha voz não se quebraria. As lágrimas já estavam fora, mas eu não queria surtar. Não aqui. Não na frente da coisa que era meu pai. “Por favor. Eu não entendo nada disso.” Pegando uma cadeira, ele sentou-se a meu lado. “Eu esperava que ele pudesse explicar, mas mais uma vez eu estava errada.” Reth fixou seus olhos sem profundidade nos meus e pegou minhas mãos nas dele. Não havia nenhuma chama forçada como antes, apenas uma pressão tranquilizadora, como se tentando me ancorar. “Eu imagino que a ideia para você começou a cerca de 20 anos atrás.” Ele traçou um dedo para baixo por minha bochecha. “Era uma má ideia desde o começo.”

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O Que Ele Disse “Minha rainha clamava que era nossa responsabilidade aceitar que criamos nós mesmos nossa própria prisão no Reino das Faeries. A Rainha Negra, porém, tinha outras ideias. Depois de muitos erros, cada um mais desastroso que o último, a maioria das fae achava que criar um Vazio, alguém que pudesse criar e controlar portões, era impossível. Nós seríamos relegados ao Reino das Faeries e a esse monte de terra triste e suja. Alguns pediam a minha rainha por ajuda, mas ela havia se recusado, o amor irracional dela pela vida humana influenciando-a. Eu sempre achei que, com certeza, ela podia fazer pelo menos melhor do que os vampiros.” “Vampiros?” Ele acenou com desdém. “Vampiros foram um dos maiores erros anteriores da Rainha Negra. Ela achava que se ela pudesse primeiro matar os humanos e depois recriá-los com sua magia, eles tornar-se-iam Vazios e tomariam almas. E ao invés disso, eles tomavam vidas, não almas. Muito desagradável, na verdade.” “Espera... Vocês fizeram os vampiros?” Era culpa deles que Arianna estivesse amaldiçoada desse jeito? “Por favor, não interrompa, meu amor. Nossa mágica tornou-se mais e mais diluída quanto mais esse mundo nos infectava, o que era o motivo pelo qual nós não estávamos assistindo o que a Rainha Negra fazia para ter sucesso. Quando minha rainha soube de Vivian, uma verdadeira Vazia, ela sabia que tinha que fazer uma também, ou haveria o risco de a Rainha Negra abrir um portão e trancar o resto de nós aqui para sempre. E então, sem que ninguém soubesse, ela selecionou uma fae de nossa corte...” ele olhou ironicamente para Lin, extasiado com a corrida. “E atribuiu a ele que criasse um Vazio.” “Criasse?” Sussurrei. Eu não queria saber. “Não é fácil para faeries passarem grandes períodos de tempo nesse reino mortal. Eventualmente ele nos drena, puxando as cordas que nos conectam com a eternidade. Nós tornamo-nos meras sombras do que deveríamos ser.” O glamour trêmulo de Lin fazia sentido agora, até mesmo as características fae dele pareciam cansadas. “Mas para fazer o que ele precisava, ele foi forçado a ficar aqui. Achar uma mulher mortal disposta não foi um desafio, é claro.”

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“Minha mãe?” Eu tinha uma mãe. Uma mãe humana. “Ninguém tinha pensado em tentar isso desse jeito, com relações humanas sendo tão estúpidas e confusas. Mesmo assim, Melinthros foi suficientemente insensível e foi capaz de fazer você.” “Então eu sou... Eu sou metade faerie?” Meu estômago agitou-se. Eu iria vomitar. Até o jeito com que Reth disse isso: fez-me. “É claro que não, não funciona desse jeito. Você não pode se tornar parte da eternidade com um ponto de partida tão definido.” “O que você está dizendo, então?” “Por ter uma mãe mortal e um pai fae, você não é metade faerie. Você apenas não é exatamente mortal. Menos que mortal, em um sentido. Nada fae se transfere.” O sentimento frio, vazio do qual eu venho fugindo por tanto tempo brotou novamente, ameaçando sobrecarregar-me com tudo que me faltava. Eu não era especial. Eu não era paranormal. Eu não era nem sequer normal. Eu não era nenhum dos dois. Nada. “É necessário, é claro. Almas humanas, frágeis como são, são incrivelmente complexas, sempre mudando. Impossível de adicionar ou tirar algo. Um humano de verdade nunca seria capaz de funcionar como um condutor ou trazer mais energia para si mesmo. Você é única em todos os reinos nos quais pode deslocar energia. Quanto ao porquê de você ser capaz de criar portais, eu nunca tive certeza, apesar de minha rainha achar que gira em torno de algum bizarro senso humano de casa, combinado com a energia extra e a vontade das almas de deixar esse mundo.” Ele parou, como se esperasse que eu lhe dissesse alguma coisa. O que eu possivelmente podia dizer? O que eu podia dizer para qualquer outra pessoa, agora? “É claro, teve o problema de Lin perder você e você tem nossas sinceras desculpas por isso. Aliás, ninguém realmente sabia que você existia, exceto a rainha e ela não sabia que Lin tinha lhe perdido, já que ela nunca visita o reino mortal. Imagine a surpresa dela quando eu descrevi suas habilidades únicas e ela percebeu que você era a Vazia e que Lin não estava lhe preparando para nós! Infelizmente, eu não fui o único a lhe reconhecer, o que levou a corte Unseelie a complicar as coisas enviando Vívian atrás de você. Minha rainha deu-me o nome de Melinthros e encarregou-me de determinar o que, exatamente, tinha acontecido e como transformar você no que nós precisávamos que você fosse. Eu sempre evitei me envolver em assuntos políticos da corte antes. Sabiamente, eu devo

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acrescentar. Tem sido muito exaustivo. Foi ideia minha dar-lhe alma extra, mas isso acabou sendo um desastre.” Ele passou os dedos por minha cicatriz. Eu balancei minha cabeça, muita informação congestionando meus pensamentos. “Eu realmente não pertenço a lugar nenhum, não é?” “Sem sentido.” Ele acariciou meu pulso. “Eu disse que você foi um erro desde o começo, mas você é um erro realmente cativante e com a quantidade certa de ajustes, você vai encaixar-se muito bem em meu Reino. E se você servir aos propósitos da rainha, melhor ainda. Você não foi feita para essa terra, Evelyn. Você não merece ser frágil, corruptível, morrer. Você deveria ser eterna.” Ele inclinou-se para perto, um sorriso igualmente gentil e possessivo iluminando seu rosto perfeito. “Eterna comigo.” Eu tinha que ter um lugar aqui, uma casa. Eu tinha que ter alguma coisa. “E minha mãe?” O sorriso de Reth caiu e ele virou-se para o outro fae. “Você encontrou a mãe da garota?” Lin murmurou algo inteligível. “O que ele disse?” “Que ele não sabe onde ela está.” “Não,” eu sussurrei. “Eu sinto muito. Amar os fae não é saudável para mortais. Torna-se um vício e se o objeto de sua obsessão é removido, eles perdem-se. É desencorajado em minha corte, a menos que você traga o mortal para os Reinos onde eles possam ser saciados vivendo entre as faeries.” Eu congelei, luto ameaçando sobrecarregar-me. Eu não podia lidar com isso. Era muito grande. Como o arrastar da Rainha Negra, esse sentimento engolir-me-ia inteira, consumir-me-ia. Eu precisava substituí-lo. As palavras de Jack cantaram em minha cabeça, era sempre melhor ficar com raiva do que triste. “Você.” Eu andei para frente, ficando diretamente diante do fae que tinha me criado. Ele não olhou para cima. “Melinthros, você vai olhar para mim.” A cabeça dele estalou para cima, olhos embaçados encarando os meus. “Diga-me o que aconteceu com minha mãe.”

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Ele falou como se as palavras estivessem sendo forçadas para fora dele, que, aliás, estavam, graças a meu comando. “Ela tomou conta do bebê até que não fosse mais necessário.” “Onde ela está agora?” “Eu não sei.” “Diga-me onde ela está!” Eu gritei. “Eu não posso!” Minhas mãos flexionaram-se a meu lado. Ele tinha que me dizer. Eu fá-lo-ia dizer-me. “Evelyn.” A voz de Reth era gentil, assim como seu toque em meu ombro. “Eu tentei achá-la eu mesmo um ano atrás. Eu sinto muito.” Os olhos dourados de Reth trouxeram-me de volta para a realidade. Uma realidade onde eu estava mais sozinha do que jamais tinha estado. Tão ruim quanto era saber que eu era a mesma coisa que Vivian quando ela saiu em seu surto assassino, não era nada comparado ao que eu sentia agora. Pelo menos naquela época eu apenas tinha sido forçada a admitir que eu não era completamente normal. Eu assumi que significava que eu era mais do que humana. Não menos. “Venha comigo. Não tem nada para você aqui, minha adorável Neamh.” A última palavra alcançou-me e correu por meu corpo como eletricidade. Eu conhecia aquela palavra. Eu era aquela palavra. Ele realmente soubera meu nome esse tempo todo. Mas eu não era uma fey e meu nome não tinha nenhuma reivindicação em minha vontade. Ninguém tinha direito de me reivindicar. “Eu não sou sua,” eu sibilei. A porta escancarou-se e Jack estava lá, respirando de forma pesada, segurando um cálice dourado em uma mão. “Sua bebida.” “Jack.” Eu andei até ele, cambaleando, precisando estar em outro lugar. Precisando ser outra pessoa. “Por favor, leve-me para casa.” “Você não está a salvo da Rainha Negra aqui e você nunca vai se sentir completa. Deixe-me levar-lhe para casa.” Reth disse, a voz dele fatiando por entre meus tremores. Ele não queria dizer meu apartamento.

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Virei-me para ele. Ele conhecia-me. Ele sabia o que eu era, quem eu era. Isso era culpa dele, dele e de todas as outras faeries. Elas destruíam tudo que tocavam, mas duas pessoas podiam jogar esse jogo. “Melinthros,” eu disse, a imagem da batida de carro fresca em minha mente, “Você vai retornar ao Reino das Faeries e nunca mais vai voltar.” Os olhos injetados de sangue dele saltaram de sua cabeça e ele agarrou uma lata de coca. Tremendo, andou mecanicamente para a parede e criou uma porta, desaparecendo desse mundo para sempre. Um alívio. Eu esperava que sua retirada durasse uma eternidade. Ele merecia muito, muito pior. Talvez algum dia quando eu pensasse em uma punição ruim o suficiente, eu encontra-lo-ia outra vez. Peguei a mão de Jack e caminhei para fora de ambas as portas antes de pausar. “Se eu vir-lhe outra vez, Reth.” Eu disse, “Eu vou matar-lhe.”

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A Verdade Lhe Libertará... Ou Quebrará Seu Coração Eu empurrei Jack para trás de mim, tropeçando pelas escadas e mal sendo capaz de ver através de minhas lágrimas. Eu precisava sair daqui, agora. “O que aconteceu?” Ele perguntou, carrancudo enquanto tentava abrir uma porta na parede. “Ele machucou você?” Eu balancei minha cabeça, incapaz e sem vontade de falar sobre isso. Pessoas passavam por nós em seus caminhos para o banheiro, mas eu não me importava de esconder a porta para proteger a preciosa pouca visão do mundo que eles tinham. Por que eles deveriam viver uma vida feliz, inocente e protegida? O mundo era um lugar monstruoso. Um lugar monstruoso no qual eu não tinha lugar. Finalmente, luz traçou uma porta na parede. “Casa?” Ele perguntou. Eu apertei a mão dele, fechando meus olhos contra o escuro claustrofóbico dos Caminhos e não abrindo até que nós caminhamos para dentro de meu pequeno quarto. “Evie!” Lend pulou de minha cama, o rosto dele cheio de preocupação. “Onde você tem estado? Arianna ligou sobre a carta, disse que você não voltou para casa na noite passada e quando eu cheguei aqui, encontrei isso.” Ele segurava meu colar de ferro, que eu tinha deixado largado no meio do chão. “E eu achei... Eu estava tão preocupado que Reth tivesse...” Ele parou, olhando de mim para Jack, que ainda estava segurando minha mão. “Você estava com ele?” O rosto de Lend mudou e ele praguejou baixinho. “Eu achei que você estivesse machucada ou tivesse sido sequestrada. Eu tenho ligado para todo mundo que meu pai conhece, doente de preocupação! E você tem estado com ele o tempo todo! Por quê?! O que você estava fazendo de tão importante que você não podia nem ter ligado? E por que não veio até mim primeiro quando descobriu sobre Georgetown?!” Eu balancei minha cabeça, lágrimas correndo por meu rosto. “Eu não podia... Eu...” “Você podia dizer a ele, mas não para mim? Você prometeu-me, você prometeu que iria parar de esconder as coisas. Você mentiu!”

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Ele parecia tão magoado. Eu não tinha achado que meu coração pudesse se quebrar ainda mais, mas ver os olhos dele matou-me. “Eu não podia lhe encarar! Lend, aquilo era nossa vida, aquilo era tudo! E eu falhei! Eu não consegui. Eu não sou boa o suficiente!” Ele pegou-me pelos ombros, levando-me para longe de Jack. “Evie, existem outras opções. Isso é uma merda, mas não é o fim do mundo. Isso não muda nada sobre nós. Eu não sei por que você acha que vai! Nós ainda temos o mesmo futuro.” “Não, nós não temos! Nós nunca tivemos o mesmo futuro! Eu tentei o máximo que podia consertar isso, mas nós nunca teremos! Eu não sou... Eu não sou nem mesmo humana! E nem você! Então a gente deveria parar de fingir que isso tem alguma chance de funcionar!” O rosto dele caiu. “Nós sempre soubemos que não éramos normais. Por que isso importa de repente? Então nós somos Paranormais, grande coisa.” “Você não entende!” “E ele entende?!” Lend apontou raivosamente para Jack. “Não! Eu não sou paranormal, eu não sou nada! Só mais uma experiência das faeries que deu terrivelmente errado. E nós não temos um futuro juntos, porque o meu está indo de um fim mortal para o esquecimento e o seu vai continuar para sempre!” Ele congelou, a expressão dele chocada. “Do que você está falando?” Eu fechei meus olhos. Eu não podia suportar olhar para o rosto dele, não agora e nem nunca mais. Eu não o podia ter e isso destruía o que quer que tivesse restado de meu coração. Eu fui tão estúpida de sequer achar que nós poderíamos estar juntos. Tão idiota. “Você é imortal,” eu sussurrei. “Sua alma é brilhante e luminosa e perfeita e eterna. Você não vai morrer. Nunca.” Lend deixou suas mãos caírem de meus ombros. Eu não iria abrir os olhos, eu não podia ver o olhar no lindo rosto dele. “Há quanto tempo você sabe disso?” “Desde a noite do baile. Quando eu fiquei cheia com as almas, eu podia ver diretamente através da sua, e... Não importa. Eu sinto muito eu não ter lhe dito. Eu não

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queria lhe perder.” Eu ri amargamente, abrindo meus olhos para encarar o chão. “Mas isso era inevitável, não era?” “Evie, eu... O que eu deveria dizer sobre isso?” “Você vai descobrir. Você tem a eternidade para isso.” A voz dele estava com raiva, desesperada. “Mas nós ainda podemos...” “Não!” Eu finalmente ergui meus olhos para encarar os olhos de água dele, aqueles olhos que um dia eu esperei que guardassem todo meu futuro. O coração partido dele fazia espelho ao meu. Mas diferente de mim, ele iria superar isso. “Nós não podemos. Eu não vou ser como seu pai, deixada para trás, agarrando-me para sempre em um amor perfeito que nunca vai funcionar! Eu não vou ser essa pessoa. Eu amo-lhe demais para fazer-lhe tentar ficar comigo, quando eu sei que você vai querer seguir em frente. Você vai ter que seguir em frente e tornar-se o que quer que você deva ser. Eu não vou ficar aqui e esperar isso acontecer.” Eu virei-me para Jack, que tinha aberto uma porta na parede e erguia sua mão. Eu peguei-a, incapaz de resistir a dar um último olhar para Lend. Ele deu um passo para trás, não encontrando meus olhos, enquanto silenciosamente balançava a cabeça. “É o melhor a se fazer.” Eu sussurrei, desejando, desesperadamente esperando que ele fosse discordar de mim, parar-me, fazer qualquer coisa. Ele apenas continuou lá. E então eu andei para a escuridão com Jack.

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Bela Adormecida “Onde?” Jack perguntou. Eu percebi que não estava chorando mais. Não valia a pena. Eu era uma concha de menina inútil e quebrada. Toda minha existência, um erro. Eu não tinha casa, nem família, nem futuro. Tudo o que eu sentia era dormência. Afinal, por que lamentar a perda de coisas que eu nunca deveria ter tido para começar? Balancei minha cabeça, minha voz vazia. “Isso não importa.” “Você, uh, quer falar sobre isso?” “Você não entenderia.” Ninguém jamais entenderia, porque ninguém era igual a mim. Não, isso estava errado. Vivian. Ela e eu éramos a mesma coisa. Fui atingida por uma necessidade súbita e dolorida de vê-la. Realmente a ver. Eu perguntei-me se ela sabia sobre nós, sobre o que nossos pais foram. Mas ela teria me dito se ela soubesse. Agora, mais do que nunca, eu poderia entendê-la, perdoá-la pelo que ela tinha feito. Pelo menos eu tinha sido capaz de crescer com a ilusão de normalidade. Ela nunca teve uma vida livre das faeries. “Você poderia encontrar alguém? Eu não sei onde ela está, mas a AICP tem sua localização.” Jack sorriu para mim na escuridão. ”Se a AICP tem-na, eu posso encontrá-la.” Ele virou para o lado e abriu uma porta para um corredor branco que eu conhecia muito bem. Corremos em direção ao escritório de Raquel. “Espere aqui”. Jack virou a esquina fora de vista. Eu ouvi-o bater. ”Jack? O que foi?” Raquel perguntou. “Evie está desaparecida!” “O quê? O que quer dizer, desaparecida?” “Eu fui visitá-la, mas sua vampira e o menino estúpido que ela gosta estavam em pânico. Eles não sabem onde ela está.”

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“Reth.” A voz de Raquel cortou o ar, tão ameaçadora que eu até fiquei um pouco assustada. ”Não se preocupe, Jack. Eu vou cuidar disso. Eu nunca a deveria ter deixado no mundo, desprotegida, mas eu vou trazê-la de volta.” O som de seus passos no corredor foi seguido por Jack espreitando ao virar a esquina, sorrindo. ”Então, tudo certo.” “Você poderia ter escolhido algo mais agradável para dizer a ela. Eu não quero que ela se preocupe.” “Oh, relaxe. Quer bisbilhotar em seu escritório comigo, ou se esconder no salão como uma boa menina?” Encarei-o. Ele abriu a porta e entrou como se fosse o dono do lugar, sentando-se em sua mesa e apoiando os pés sobre ela quando abriu uma das gavetas. “Quem estamos procurando?” “Vivian? Ela estaria... Eu não sei. Em algum lugar seguro, onde faeries não pudessem chegar? E com material médico. E ela é uma paranormal nível Sete, se isso ajuda.” Sem dúvida, os pesquisadores da AICP ficariam encantados com a informação que eu poderia lhes dar sobre mim agora. Eles nunca tinham sido capazes de entender-me antes. Sorte a deles; a ignorância era uma virtude. Ou pelo menos, menos doloroso. Ele cantarolava alegremente enquanto folheava as pastas. Eu remexia-me, certa de que a qualquer momento Raquel iria voltar e eu seria pega. Eu não conseguiria a encarar agora. Ela tentaria racionalizar isso, confortar-me. Não havia nenhuma maneira de fazer isso melhor. Nunca haveria. “Aqui vamos nós. A ala de ferro.” “A ala de ferro?” “Há toda uma seção de Contenção, onde as paredes são revestidas com ferro. Torna impossível abrir uma porta de faeries lá.” Interessante. Isso poderia ter sido bom de saber enquanto eu estava aqui. Outro exemplo de informação que a AICP não tinha confiado a mim. Eu nunca tinha sido um deles, nunca fui realmente um membro. De nada.

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Nós tomamos uma rota indireta para a Contenção, então passamos por uma porta de suprimentos que eu nunca tinha me incomodado em abrir. Isso nos levou a um corredor longo e estreito. Eu agradeci qualquer sorte que eu ainda tinha (nesse momento, não parecia muito) que nós não encontramos ninguém. Jack parou em frente a uma porta comum, com uma placa pequena e temporária ao lado rotulada de “Medicina, sete.” Eles não poderiam ter usado o nome dela, pelo menos? Eu abri a porta e lá, em uma cama no meio da sala perfeitamente branca, estava a pessoa que estava mais perto e que eu jamais teria como família. Caminhei lentamente, observando as muitas intravenosas, máquinas e monitores que estavam engatados a ela. E em vez do conforto que eu estava procurando, fiquei sobrecarregada com a culpa. “O que aconteceu com ela?” Jack perguntou, inclinando-se contra a parede ao lado da porta. “Eu,” sussurrei. Por que eu não continuei tentando chegar a ela? Eu poderia tê-la parado, poderia tê-la convencido a parar de matar paranormais. Em vez disso eu tirei as almas e joguei-as longe dela, deixando-a com apenas o suficiente para sobreviver. Mas se eu não tivesse tomado as almas, Lish ainda estaria presa, nunca posta em liberdade. Eu odiava isso. Por que eu não podia amar alguém sem ter que me preocupar com as outras formas que ela me fazia sentir? Eu peguei a mão gelada de Vivian em minha própria, com cuidado para não perturbar a intravenosa. “Ei, Viv.” Coloquei uma mecha de cabelo loiro atrás de sua orelha, mas seus olhos permaneceram fechados, a única evidência de vida sendo o sinal sonoro rítmico de um dos monitores. Sua respiração quase não aparecia nos cobertores. “Então.” Eu contive as lágrimas, tentando manter minha voz a mesma. “Acontece que você estava certa o tempo todo. Nós realmente não pertencemos a lugar algum, não é? Eu tentei. Eu tentei tanto, mas...” Então os soluços vieram e eu inclinei minha cabeça em seu ombro. “Sinto muito,” eu chorei, minhas palavras abafadas por seu corpo. ”Eu sinto muito.” Depois de alguns minutos eu senti uma mão em minhas costas. Levantei-me, limpando meu rosto. Ótimo, agora eu tinha deixado sua camisa molhada, depois de todo o resto. “Não é culpa sua,” Jack disse, com a voz mais suave que eu já ouvi.

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“Diga isso a ela.” “Evie. Você não fez nada disso. As faeries fizeram. É culpa delas. Tudo isso.” Fechei meus olhos. Ele só estava tentando me fazer sentir melhor. Eu tinha feito isso com ela. Mas, novamente, ele tinha razão. Se as faeries não a tivessem criado da forma como fizeram, tentando colocá-la contra mim, esse confronto não haveria existido. Foram elas que a quebraram, torcendo-a até que ela não pensasse em nada além de roubar a energia vital de cada paranormal que pudesse encontrar. Pii, em primeiro lugar, foram elas que nos fizeram. Era culpa delas eu ser essa coisa, essa casca, fria e vazia que não pertencia a lugar nenhum. Era culpa delas que Vivian estivesse deitada lá, que ela nunca fosse acordar novamente. Era culpa delas que Arianna tivesse sido condenada a uma vida eterna que ela nunca quis. Todas as pessoas que tinham sido mortas ou transformadas por vampiros ao longo dos séculos. Todas as crianças como Jack, que tinham desaparecido, forçadas a viverem entre as faeries como animais de estimação ou pior. Minha mãe, ausente ou morta, mas que já havia partido, nunca minha. Tudo culpa delas. “Eu odeio-as.” Sussurrei. “É claro que você odeia.” Jack colocou o braço em volta de meu ombro. “Vamos lá, temos que ir antes que Raquel perceba que você está fora comigo.” Eu balancei a cabeça e apertei a mão de Vivian uma última vez. Nós andamos para trás, fora do salão, passando pelas celas abertas que eu tinha ignorado antes, a maioria vazia. Pulei, assustada, com uma voz. “Liebchen.” De pé atrás de uma porta de campo elétrico estava o Super-vamp. Ele sorriu, um canto de sua boca virando-se, com os olhos languidamente meio fechados. Ele não estava em pé de uma forma tão ereta quanto antes e até mesmo seu glamour tinha uma cor doente agora. “Você parece infeliz. Venha para mim, deixe-me levá-la para partir deste mundo, meu pequeno monstro.”

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Eu olhei fixamente para ele. Portanto, este era o lugar onde Raquel o tinha colocado para ter certeza de que ele não iria sair de novo. Jack revirou os olhos e sacudiu o vampiro fora, pegando minha mão na sua e puxando-me corredor abaixo. Eu encarei o vampiro por tanto tempo quanto eu pude, refrigerada pelo olhar em seus olhos, a memória de como havia sido drenar algo dele. Suas palavras soaram em meus ouvidos. Pequeno Monstro. Era verdade. Jack encontrou o mais próximo corredor que não estava coberto com ferro e fez uma porta. Eu não olhei para trás quando entramos. Eu nunca iria voltar para o Centro novamente. Suprimi um arrepio na escuridão dos Caminhos e fechei os olhos. “Você realmente odeia isso aqui, não é?” Perguntou. “Assim é como eu imagino o inferno. Nenhum fogo e enxofre, apenas preto e vazio, e solidão para sempre.” Ele riu. ”O inferno, hein? Bem, espero que nós sejamos capazes de refutar essa teoria em breve. Além disso, se fosse o inferno, eu estaria aqui com você?” “Eu não sei, se o inferno estivesse chamando para uma eternidade de aborrecimento em vez de tormento, talvez.” “Eu gosto mais de você a cada dia. Mas nenhum de nós se qualifica para o inferno. Nós somos vítimas.” Ele sorriu, a última palavra misturada com veneno. ”E se nós somos ocasionalmente ímpios, bem, certamente estamos justificados.” Eu perguntei-me se ele estava tentando consolar-me sobre Vivian, mas ele olhava ao longe como se visse um futuro ruim. Ele estava querendo que eu acendesse o fogo dessa vez? Eu não acho que estava pronta para mais destruição. Ele abriu uma porta para seu quarto no Reino das Faeries. Desabei em um sofá de veludo verde. ”Por favor, posso ir dormir e nunca mais acordar?” “Eu acredito que sua irmã já cobriu essa base.” Eu olhei para ele e ele levantou as mãos. ”Desculpe. Assunto delicado. Que tal eu ir buscar alguma coisa para comer?” Eu não estava com fome, mas precisava de um tempo para ficar sozinha e desligar. Jack era tão cinético, sempre falando, sempre em movimento. Ele nunca se

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esgotava, mesmo quando eu não me sentia assim. Ainda assim, era como se ele fosse meu único amigo no mundo e eu estava grata a ele. Nós entendíamo-nos, um ao outro. “Comida real, por favor. Este é o último lugar que eu quero ser amarrada para o resto de minha vida patética.” “Seu desejo é uma ordem.” Ele desapareceu através da parede e eu deitei-me, fechando os olhos e tentando não pensar em nada, nunca mais. Se eu pudesse dormir, dormir e não ter que pensar em um futuro sem Lend, o vazio dentro de mim seria o suficiente. Eu estava quase dormindo quando um par de mãos duras agarrou meus ombros e jogou-me do outro lado da sala. Meu braço bateu no canto de uma mesa emitindo um afiado crack e eu fiquei no chão, atordoada. Podia sentir sangue escorrer de cortes de unhas em meus ombros. O que estava acontecendo? “Levante-se,” a voz horrível de Fehl raspou em mim. ”Eu quero ver o quanto eu posso lhe machucar sem lhe matar.” Olhei em seus olhos febris quando ela sorriu para mim. “Com quantos de seus membros você pode viver sem?” Ela colocou a mão em meu cabelo, levantando-me do chão. Eu gritei, meu braço ardendo em agonia por causa do movimento. Agarrei-o e o rosto de Fehl iluminou-se com um prazer cruel. Ela agarrou direto onde estava quebrado e eu gritei, luzes nadando em minha visão. Eu não podia lidar com toda essa dor, iria desmaiar. Eu queria desmaiar. “Evie!” Jack gritou. ”Não deixe que ela faça isso! Lute contra!” O rosto de Fehl estava bem na frente do meu, seu hálito quente e feroz. Raiva queimou em mim através da dor, raiva contra essa faerie e contra tudo o que ela fez comigo, com Vivian. O que a espécie dela tinha feito para o mundo. Enfiei minha mão boa em seu peito. Era hora de terminar o que Vivian tinha começado. Abri as “portas” e os olhos de Fehl arregalaram-se em estado de choque e medo. Um tremor passou por mim, vendo seu rosto. Ela merecia esse olhar. Sua alma conectou-se com a minha em uma corrida de energia e de familiaridade, minhas faíscas e correntes inundando-se para enfrentá-la, acolhendo-a, querendo que eu a trouxesse para dentro. Sua alma era uma coisa escura, uma coisa selvagem e apressada, o

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vento uivante correndo eternamente através de um desfiladeiro negro. Eu poderia provar sua escuridão, o que seria a sensação de possuí-la. E naquele momento eu soube que não queria qualquer parte de Fehl dentro de mim. Empurrei-a para longe e ela estremeceu, agachada no chão e abraçando-se. “O que você está fazendo?” Jack chorou. Eu tremia, drenada do esforço que tinha tomado para fechar a conexão antes de pegar qualquer parte da alma de Fehl. Exausta além da crença, meu braço com tanta dor que eu mal conseguia ver direito, balancei a cabeça. “Eu não quero ter nada a ver com ela. Denfehlath,” eu disse e sua cabeça ergueu-se com atenção. “Vá embora e nunca mais chegue perto de mim ou de Jack novamente.” Ela empurrou-se, seus movimentos rígidos e forçados como uma marionete viva e desapareceu por uma porta na parede. Eu afundei no chão, tremendo. “Por que você não a matou?” Jack olhou para mim, incrédulo e furioso. ”Depois de tudo o que ela fez?” “Você não entende. Eu levaria sua alma. Mas eu não quero que ela faça parte de mim, Jack. Uma alma de faerie seria pior do que nada.” Parecia que ele estava prestes a estourar, então soltou um suspiro profundo. “Tudo bem, então.” Sentado no chão a meu lado, ele pegou minha mão boa na sua. “Não importa, de qualquer maneira. Não depois do que vamos fazer.” “O que vamos fazer?” Um sorriso extasiado espalhou-se por seu rosto, transformando-o de travesso para angelical. “Nós vamos salvar o mundo, Evie. Garantir-nos de que nenhuma faerie faça mal a mais ninguém, nunca mais.”

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Covinhas do Terror Eu balancei a cabeça para Jack, confusa. ”O que você quer dizer? Como é que vamos parar as faeries? Eu não vou drená-las. Nenhuma delas. Além do que, mesmo se eu quisesse, eu nunca seria capaz de absorver todas elas.” “É mais simples do que isso. Simples e óbvio. Elas não pertencem a este lugar. Nós vamos enviá-las para outro lugar.” “Elas não voltariam? Elas podem fazer as portas.” “Nós não vamos usar uma porta. Você vai fazer um portão. Eles só podem acessar os Reinos das Faeries e a Terra com suas portas. Se você abrir um portão para outro lugar, eles não seriam capazes de voltar.” Como ele sabia sobre os portões? Eu não conseguia lembrar se eu tinha ou não dito a ele. Talvez Raquel tivesse dito. Seja qual for o caso, ele obviamente não entendia como eles funcionavam. Bem, é claro que ele não entendia. Eu não tinha ideia de como eles funcionavam e eu tinha feito um. “Eu acho que realmente não posso fazer isso. Além do que, não é isso o que elas querem? Reth estava sempre me falando sobre enviá-las de volta para o lugar de onde vieram. Eu acho que isso significa fazer um portão. Eu não quero trabalhar especialmente com quaisquer faeries agora, ou nunca. E eu não estou a fim de torná-las felizes, dando-lhes um portão novo e brilhante para onde quer que elas queiram ir.” “Há outros lugares para enviá-las.” O sorriso de Jack ainda estava firmemente no lugar, mas seu tom era frio, ameaçador. Eu balancei a cabeça. Ele não estava entendendo. “Mas como é que nós vamos convencê-las a ir até o portão? E onde eu devo abri-lo para isso? E como eu vou abri-lo em primeiro lugar? Eu só fiz um uma vez e foi apenas uma coincidência.” A noite que eu tinha liberado todas as almas que Vivian tinha tomado, o portão nas estrelas chamou-me. As almas de todos os paranormais que Viv roubou me mudaram, ajudaram-me a ver coisas que eu não podia antes e não tinha desde então. Eu duvido que pudesse encontrar aquele portão (ou quaisquer outros, se havia outros) de novo. “Relaxe, Ev. Eu tenho tudo planejado. Há apenas uma porta para os Reinos das Faeries nos Caminhos, certo?”

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Eu balancei a cabeça, lembrando-me de como pareceu quando Jack me mostrou. “Muito bem. Essa porta abre-se para qualquer área, mas ainda é a mesma porta. Então, se você abrisse um portão no mesmo lugar...” “As faeries iriam passar sem querer.” Eu olhei, finalmente entendendo. Seria como um alçapão. Um portão armadilha. “Exatamente! Não há necessidade de confronto. Elas iriam deslizar pelo portão antes de sequer saberem o que está acontecendo.” “Eu acho que poderia funcionar.” Eu fiz uma careta. ”Mas mesmo se eu pudesse descobrir como fazê-lo de novo, eu não tenho energia suficiente para abrir um portão. Eu tinha todas aquelas almas de Vivian antes.” Ele ergueu as sobrancelhas. ”E você está dizendo-me que não tem qualquer extra flutuando em torno de você?” O vampiro, a sílfide, e o fossegrim: fragmentos de suas almas corriam através de mim. Encolhendo os ombros, nervosa, eu balancei a cabeça. “Talvez um pouco, mas não de propósito. Bem, eu quero dizer, eu tive que fazer. E não é o suficiente.” “Como você sabe se não tentou?” “Eu acho que eu poderia tentar.” “Isso, boa menina! E se isso não for suficiente, nós podemos conseguir mais. Muito ruim ter enviado Fehl para longe, porém. Poderíamos tê-la usado.” “Não é assim.” Apertei os olhos, desconfortável com a forma como ele tratou casualmente o roubo de almas. “Qual é?” Ele agarrou minha mão boa e puxou-me através da parede para os Caminhos, praticamente saltando. Eu tropecei, muito cansada, muito sobrecarregada para protestar. “Aqui estamos.” Ele sorriu para a escuridão em frente a nós e eu reconheci a sensação da porta. “Então eu vou mandá-los para casa?” Eu estava rasgada. Por um lado, era o que elas queriam. Mas, por outro lado, elas iriam embora. Isso não poderia ser uma coisa ruim.

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“Como eu vou saber que portão usar? Eu não acho que eu possa encontrar um.” Jack virou-se para mim, os olhos febris. Algo em seu rosto me lembrou de Fehl e meu estômago revirou-se nervosamente. “Você não está os enviando para casa. Eu li tudo o que há sobre portas e portões e há um destino muito melhor para elas do que suas casas.” “Qual?” “O inferno, é claro.” Eu empalideci e ele apertou minha mão. “Pense nisso, Evie. Por que elas deveriam conseguir o que querem, depois de tudo que elas fizeram? Elas criaram os vampiros. Elas destruíram Vivian. Elas arruinaram sua vida e elas roubaram a minha. ‘Muito mau para o céu e muito bom para o inferno’ não se aplica mais. Se algum tipo de criatura merece o tormento eterno, são elas. Eles mereceram isso. Elas fizeram você, forçaram-lhe a esta vida, só para que você pudesse abrir um portão para elas. Então vá em frente, abra um portão!” “Eu não sei.” Uma coisa era se livrar delas, mas condenar todas elas para esse inferno que Jack achava que eu poderia encontrar? “É claro que você sabe! Você tem que saber! Você tem alguma ideia de como é crescer com elas? Desesperado por amor, por atenção, por alguma coisa? Adorado, então descartado por um capricho? As coisas que elas fizeram para mim... As coisas que eu estava disposto a fazer por elas. E eu ainda não era nada, nem mesmo um animal de estimação. Você não pode me dizer que elas não merecem isso! Você viu a Rainha das Trevas, o que ela faz! Você acha que esses seres humanos merecem o inferno em que vivem? E você não vai me ajudar a consertar isso?” Os olhares nos rostos dessas pessoas passavam na frente de meus olhos, assombrando-me, corroendo-me. Elas estavam despojadas de tudo, até mesmo de sua livre vontade pelas faeries. E não foi isso o que as faeries sempre fizeram? Tirar nossas escolhas, obrigando-nos a jogar seus joguinhos doentes? “E o que dizer de Reth?” A voz de Jack era mais suave agora, insistente. “Depois de tudo o que ele fez com você, o jeito que ele tentou lhe fazer sua? Você pode realmente ver sua cicatriz e não querer que ele se fosse para sempre?”

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Eu balancei a cabeça lentamente, olhando para meu pulso. Faeries eram más. A dor nauseante em meu braço quebrado era mais uma prova disso. Eu estava parando de pensar nelas como amorais. Elas poderiam não ter as mesmas concepções de vida que os humanos, mas elas estavam em nosso mundo. Nós não éramos aqueles ferrando com suas leis, suas vidas, seus direitos. E se elas fossem embora, eu finalmente estaria segura. Sem mais me preocupar com o que elas estavam planejando, o que elas estavam tentando fazer, como elas iriam atacar-me no instante seguinte. Jack estava certo. Começando a pensar sobre o assunto, eu não conseguia me lembrar de ter dito a Jack sobre minha cicatriz. Ou quaisquer detalhes sobre Reth. Ou que as faeries tinham feito os vampiros. E eu tinha certeza de que eu nunca tinha mencionado os portões. “Como você sabe de tudo isso?” Eu perguntei. “Eu já disse a você. Eu passei muito tempo estudando. Nos registros da AICP, os livros de sabedoria das faeries.” “Espera, você estava me estudando?” “É como com os Caminhos. Eu aprendi a usá-los, porque isso significava liberdade. E eu aprendi sobre você, porque você queria, quer, a mesma coisa. Liberdade das faeries, para sempre.” Sua mão na minha estava apertada, desesperada. Por quanto tempo ele esteve me guiando a esse momento? Ele poderia estar certo, eu não sei, eu não tinha como saber, mas eu não podia fazer isso agora. “Eu preciso... Eu preciso pensar.” Eu estava com muita dor para pensar racionalmente. “Não. Nós precisamos fazer isso agora. Não deixe que as faeries machuquem mais ninguém. Olhe para o portão. Sinta-o. Ele virá a você, eu sei que vai.” Um sentimento crescente de possibilidades em torno de mim estava incomodando-me desde que Jack sugeriu a abertura de um portão. Eu sabia que, com um pouco mais de pressão, eu poderia encontrar um. Portões. Centenas e milhares, infinitas possibilidades e todas elas estavam em torno de mim. Parecia o puxar da Rainha das Trevas, inevitável, afogativo, pesado. Eu poderia abrir qualquer uma dessas portas e perder-me para sempre. Ou perder toda uma raça para sempre.

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Enquanto naquela noite com Vivian, somente o portão certo tinha vindo até mim, agora parecia que todas as portas erradas estavam pedindo, puxando meus sentidos, implorando-me para serem abertas. Talvez os portões que eu estava achando fossem um reflexo da turbulência em mim. Talvez o fluxo dos Caminhos, sua própria natureza, levava os portões para as... trevas. “Pense em Arianna,” Jack sussurrou. ”Pense em Vivian. Pense sobre sua mãe. O que aquele faerie fez com ela, usando-a, abandonando-a, em seguida, esquecendo você. Ela está perdida para sempre por causa deles e você nunca a conheceu.” Fechei os olhos. Como é que Jack sabia sobre isso? Será que isso importa? As faeries mereciam isso, elas precisavam ser interrompidas. E eu estaria ajudando, protegendo tantas pessoas inocentes. O caos que puxava meus dedos assustou-me, no entanto. E se eu não tivesse energia para fechar o que eu abri? Posso não saber nada sobre portões, mas eu sabia que estava mexendo com forças muito maiores e mais fortes do que eu. Eu não queria deixar algo assim aberto. “Eu não sei se eu posso fazer isso.” Jack suspirou, irritado. “Tudo bem, você precisa de mais poder? Que tal esse vampiro louco? Ele deve dar, certo?” “O quê? Vamos usá-lo como uma espécie de bateria viva?” “Ele não merece?” Esfreguei minha testa, tentando pensar. Claro, o vampiro matara as pobres e indefesas crianças trolls e tentou matar-me, mas... Bem, mas o quê? Por que eu não deveria? Não era como se eu já não tivesse tomado uma alma. E, além disso, toda minha vida eu tinha sido usada, pela AICP, pelas faeries. Certamente a vida do vampiro seria mais do que bem usada para livrar o mundo da ameaça das faeries. Ele certamente não ganhara sua alma imortal. Ele não tinha feito nada com ela, pelo menos nada de bom. Como as faeries, ele era um monstro. Quais tinham sido suas palavras? ”Eu vou matar todos eles.” Ele estava estupidamente empenhado em destruir outros imortais paranormais apenas por serem o que eram. “Oh,” eu disse, baixinho. Monstro de fato, por odiar outras criaturas com base em sua existência. O clamor de portões invisíveis girava em torno de mim, zumbindo em meus olhos e fazendo com que meus dedos formigassem, mas em vez de sedutor, fez-me sentir doente. Como eu poderia sequer considerar isso? Quem era eu para decidir o destino que

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as faeries deveriam ter? Eu não poderia condenar toda uma raça de criaturas para o inferno por serem o que eram. Eu tinha uma escolha e eu não iria me transformar em um monstro, em nome de proteger os inocentes. Eu perdi tanto de mim nessas últimas semanas. Eu tinha perdido meu passado, meu futuro, minha casa, mas esse último restinho, esse senso do certo e errado, isso era humano. Humano e ninguém poderia tirar de mim. Pensei em Lend e sobre o que falamos tantas vezes, argumentando sobre os métodos de seu pai contra os da AICP. Ninguém estava totalmente certo. Você não pode colocar as coisas em categorias de “boas” ou “ruins”. O Super-vamp era ruim. Arianna era boa. Mas ambos eram vampiros. Independentemente do que algumas faeries estavam fazendo (e eu não poderia argumentar que a Rainha das Trevas não merecia o inferno), isso não significava que todas elas eram irremediáveis. Olhei para Jack, seu rosto de querubim torcido com ansiedade e raiva. Ele estava deixando seu ódio pelas faeries destruí-lo, da mesma forma que Vivian tinha deixado sua amargura pelo mundo destruí-la. Eu não daria a vitória às faeries. Não importa o que aconteceu em minha vida, ainda era minha vida e nem Reth, nem Jack iriam me obrigar a tornar-me alguém que eu não conhecia. “Eu não posso,” eu disse suavemente. “É errado. Faeries são terríveis, mas eu não sou sua juíza. Talvez se eu soubesse como enviá-las para casa... Mas eu não vou bani-las para o inferno por serem o que são.” “O que você está dizendo?” A voz de Jack era baixa, tremula. Não havia nenhum traço de seu sorriso desarmante agora. “Eu não posso fazer isso. Esses lugares, eu posso senti-los e eu não posso fazer isso, não é possível enviar qualquer coisa para lá.” Eu pulei assustada quando Jack soltou uma risada aguda. “Você não pode? Você não pode? Eu tenho vivido no inferno nos últimos treze anos e você está hesitando sobre o envio desses demônios para o lugar deles?” Ele apertava minha mão com tanta força que doía. “Eu receio que isso não seja aceitável. Não depois de todo o trabalho que eu tive para trazer você até aqui.” Eu nunca pensei que teria medo de Jack, o bobo, sorridente Jack, mas olhando em seus olhos, eu sabia que paranormais não eram os únicos monstros no mundo.

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“Podemos ir a outro lugar e falar sobre isso?” “Não, não podemos ir a outro lugar e falar sobre isso.” Ele imitou minha voz, zombando. ”Você sabe quanto tempo eu demorei a armar isso? Roubar livros das faeries, juntar-me à AICP, convencer Raquel a trazê-la de volta? Quantas missões eu tive que estragar, quantos problemas eu tive que criar, até que ela estivesse desesperada o suficiente para chamá-la? E você tem alguma ideia, alguma ideia mesmo, de como é difícil rastrear uma sílfide?” “Você estava... Foi você?” As coisas começaram a encaixar-se no lugar. Coisas terríveis. Naquela noite, no Centro, a faerie não estava atrás de mim. Ela estava atrás de Jack por roubar seus livros. Reth realmente não estava por trás de qualquer um dos ataques. “Encontrar o fossegrim foi um pouco mais fácil, mas eu quase me afoguei explicando o que eu queria que ele fizesse. E mesmo assim, você não tomou quase nada dele! Então nós tivemos sorte em encontrar o vampiro. Você teve tempo mais que suficiente para drená-lo na Suécia, mas não, você disse a ele para fugir, então eu tive que arrastá-lo inconsciente através dos Caminhos no Halloween. E nem me fale sobre Fehl. Eu espero minha sangrenta vida inteira por um nome de faerie, em seguida, uso meu único comando para que ela lhe machuque sem lhe matar. E o que você faz? Bane-a! Céus e infernos, Evie, você não vale nada!” Eu olhei para ele, chocada. ”Todo esse tempo. Você manipulou-me, tentando fazer-me... Como você pode?” “Olha no que todo esse trabalho deu!” Seu rosto queimava com ódio. “Abra o portão. Agora.” “Não!” Ele chamou atenção para seu aperto em minha mão e eu senti uma nova onda de pânico. ”Jack, eu...” “O que foi que você me contou sobre seu inferno pessoal? Ficar perdida nos Caminhos para sempre?” Lágrimas caíram de meus olhos. ”Por favor.” “Abra o portão.” “Por favor, leve-me para casa. Por favor.”

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Seu sorriso de covinhas, o mal em sua inocência, voltou ao lugar. “Você não tem uma casa. Mas o justo é justo. Você não vai enviar as faeries para o inferno, então eu vou enviá-la ao seu.” “Não!” Eu gritei, tentando agarrar sua mão com toda minha força, ofegante por causa da dor em meu braço quebrado. Ele livrou-se de mim sem esforço nenhum e piscou com um sorriso final antes de pisar para trás na escuridão, longe de mim. E então eu estava sozinha.

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Olá, Inferno Eu estava sozinha. Sozinha nos Caminhos das Faeries. Uma vez que a conexão se quebra, você nunca mais vai achar aquela pessoa novamente. Nunca. Mais. E ninguém seria capaz de encontrar-me nessa escuridão infinita. Todas as vezes que eu tinha acordado, em pânico e suando por causa desse pesadelo e agora... Oh por favor, por favor, deixe que isso seja um pesadelo. Eu freneticamente olhei ao redor. Talvez eu pudesse encontrar Jack de novo. Talvez o que eu tinha ouvido sobre os Caminhos fosse mentira, só mais uma coisa que Raquel tinha me dito para eu não ficar bagunçando nos transportes. “Jack?” Eu chamei, minha voz soando através do silêncio, quase tão assustadora quanto o próprio silêncio. Porque uma vez que minha voz parou sem um eco, apagou-se como uma lâmpada, o silêncio parecia ainda mais pesado, um peso palpável sobre meus ombros. Eu tinha opções. Tinha que haver opções. A porta! Nós estávamos bem na porta para o Reino das Faeries! Eu estendi minha mão, tremendo e desesperada, tateando por ela. A única coisa que eu senti foram as faíscas dos portões para o Caos (Inferno) aqueles confusos lugares ruins para os quais Jack queria que eu enviasse as faeries. E se ao invés de abrir uma porta eu abrisse um portão? Oh pii, eu estava no inferno e minhas únicas opções para sair dele eram infernos também. Ficaria tudo bem. Alguém me ajudaria. Alguém tinha que me ajudar. “Reth!” Eu estava desesperada de repente pela visão de seu rosto dourado. “Lorethan!” Eu gritei, sabendo que não iria funcionar, mas esperando que talvez, de alguma forma, ele ainda tivesse alguma ligação com seu antigo nome. Ele viria por mim. Ele mesmo disse-me isso: ele sempre sabia onde eu estava. Ele saberia e ele viria. Eu só tinha que esperar.

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Já não tinha passado tempo suficiente? Com certeza tempo suficiente para ele encontrar-me. Eu contei até mil, combinando minhas respirações com os números. Dois mil. Três Mil. Eu ia morrer. Quatro mil. Eu ia morrer aqui, no silêncio obscuro, sozinha. Cinco mil. E ninguém nunca saberia e ninguém iria se importar. Seis mil. Onde diabos você está, Reth? Onde você está? Ele não viria. Minha respiração tornou-se mais rápida, meu coração pulsando em meu peito, tentando bater seu caminho para fora de meu corpo. Eu dei um passo e então outro e então outro e outro e outro, correndo, mas não tinha vento em meu cabelo, nenhum senso de movimento além de meus pés que continuavam indo e indo e indo e indo. Para lugar nenhum. Não tinha lugar nenhum para ir. Eu era a única coisa que existia aqui. Eu olhei para baixo e fui atingida por uma onda de vertigem. Como eu sabia que estava em pé em alguma coisa? E se eu estivesse caindo esse tempo todo e fosse cair aqui na escuridão para toda a eternidade? Eu abaixei-me, curvando-me em uma posição fetal. Tudo estava morto, insensível. Até mesmo meu braço quebrado mal doía agora. Eu não podia sentir nada a minha volta enquanto me perguntava o que me mataria primeiro. Sede? Fome? Finalmente achar o fim do abismo? Ou, e se eu nunca morresse ao todo? E se eu simplesmente continuasse aqui na escuridão para sempre? Meu peito estava apertado, muito apertado, meus batimentos cardíacos uma dor real. Talvez eu fosse morrer de ataque cardíaco. Eu ia morrer. Eu ia morrer e nunca mais veria Lend outra vez. Ele nunca saberia o que tinha acontecido comigo. Eu nunca iria pedir desculpas a ele, ou dizer o quanto eu o amava e o

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quanto eu sempre o amaria, mesmo que eu tivesse que o deixar. E Raquel, Arianna, David, até mesmo Vivian e Carlee, eu tinha deixado todos eles sem sequer uma palavra de explicação. Eu estava tão desesperada para descobrir quem eu era, achar meu lugar nesse mundo, que eu menti para eles e deixei para trás as pessoas que me amavam e que estavam dispostas a dar-me um lugar, não importando quem ou o que eu era. Agora a pobre Vivian estaria sozinha para sempre em seus sonhos. Talvez antes que eu morresse, eu pudesse dormir e daí visitá-la-ia uma última vez. Eu gostaria de fazer isso. Eu podia imaginar Lend com David e Arianna, preocupando-se. O rosto de Lend... Eu odiava-me pelo que isso faria com ele, pelo que eu já tinha feito a ele. Como eu pude ter sido tão egoísta, mentindo por tanto tempo? Ele merecia a chance de decidir-se sobre o que queria fazer, mas eu tinha tirado isso dele, escondendo a verdade, como tanta gente tinha escondido de mim. E, é claro, ele não teria me escolhido, não iria me escolher, mas era a escolha dele. Pelo menos pelo tempo que nós tivemos, eu fui mais feliz do que eu jamais seria em toda minha vida. E eu tinha tido um armário. Isso era algo, também. Respirei fundo, estremecendo, tentando acalmar o ritmo de meu coração. Se eu ia morrer, eu queria que fosse em paz, pelo menos. Eu deitar-me-ia aqui e morreria enquanto pensava sobre Lend, Raquel, Arianna e David. Deslizar para o esquecimento preenchida com meu amor por eles não era um jeito ruim de ir. Eu sorri, relembrando a vez que Arianna amaldiçoou Reth e foi atirada em uma árvore por seus esforços. Infelizmente, nunca descobriríamos se Cheyenne e Landon terminariam juntos. Eu esperava, pelo bem de Arianna, que sim. Ela já tinha tido decepções o suficiente em sua vida e morte, pelo que eu sei. David e sua fé ridícula em todo mundo em volta dele, seu amor imortal por uma paranormal que nunca iria, nunca sequer poderia, o amar de volta do mesmo jeito. Ele não era estúpido nem cego. Amar alguém completamente desse jeito era muito mais corajoso do que eu jamais dei crédito a ele. Raquel. O delicado sotaque espanhol e seu infinito arsenal de suspiros. Eu perguntava-me qual deles ela iria usar quando eu nunca voltasse. Eu não me perguntei se ela ficaria triste. Eu sabia disso agora, eu sabia que eu era como uma filha para ela assim como ela era uma mãe para mim. E se nós duas desentendêssemo-nos, bem, quanto mais eu via da vida normal, mais eu percebia que isso era típico.

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E Lend. Meu Lend. Tudo que eu tinha que fazer era pensar no rosto dele. Isso seria o suficiente para sustentar-me no vazio. Pensar nele sempre tinha me feito sentir como se eu não estivesse vazia. Eu nunca estive vazia com Lend. Meu coração acalmou-se, a dor substituída por algo novo: um estranho tipo de puxão gentil, como se eu fosse a agulha em um compasso. Quanto mais eu pensava sobre as pessoas que eu amava, especialmente Lend, mais forte isso ficava. Eu queria-o. Eu queria estar com ele mais do que qualquer coisa no mundo todo. Eu levantei, muito assustada para pensar sobre o que eu estava fazendo, muito assustada para ter esperança. Eu segui a sensação, pensando em Lend. Como era segurar sua mão, assisti-lo desenhar, aquelas vezes preciosas em que ele tinha que ser nada além dele mesmo perto de mim. O jeito que ele ria, o olhar que ele sempre tinha no rosto quando ia dizer algo que ele sabia que era inteligente, o jeito que ele olhava para mim enquanto eu falava, como se eu fosse tudo o que ele já quis no mundo todo. Eu fechei meus olhos, andando para frente com minha mão boa erguida, sorrindo enquanto eu seguia esse sentimento. Eu segurei-me na imagem de Lend, cercado por Arianna, Raquel e David. Aquela imagem parecia um lugar, parecia como eu sempre tinha imaginado que 'casa' seria. O ar morto em minha frente mexeu-se, solidificou-se e eu tropecei e tombei para fora da escuridão e diretamente para Lend. Meu Lend. E então ele estava me abraçando e eu estava chorando e Raquel e David e Arianna estavam lá também. Lend acariciou meu cabelo, repetindo a mesma coisa de novo e de novo. “Está tudo bem, você está em casa. Está em casa.” E pela primeira vez em minha vida, eu sabia que era verdade.

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Paranormalcy 2 – Supernaturally

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Encontre-me na Metade do Caminho “Honestamente, sua pequena pirralha,” Arianna disse, cuidadosamente colocando os últimos ajustes em minha tala, “se eu soubesse que você teria uma manutenção tão alta, eu não teria concordado em ser sua colega de quarto.” Eu sorri, meus dentes cerrando-se contra a dor. “Eu também amo você, Ar.” “E você é uma idiota, aliás. Se você tivesse me deixado falar com você, eu teria explicado que eu tomei a liberdade de fazer a inscrição para a Universidade da América e Universidade George Washington por você, sendo que ambas são há uma viagem de trem bem rápida de Georgetown.” “Você... O quê?” “E se essas não funcionarem, eu estou mais do que disposta a usar meus truques de vampira em algum trabalhador do escritório de admissão. Só porque eu não posso ter uma vida, isso não quer dizer que eu vou lhe deixar ser tão estúpida sobre a sua. Você pode agradecer-me depois.” Eu encarei-a, chocada. Eu não sabia o que dizer. Eu tinha estado tão focada em Georgetown, que eu nunca estive aberta para pensar nas outras opções. Eu estava além de tocada pelo fato de que Arianna tinha tomado conta de mim desse jeito. É claro, estar perto de Lend talvez não importasse mais. “Você tem certeza de que não quer ir para o hospital agora?” Os olhos de Raquel ainda estavam muito estreitos de preocupação. Ela tinha vindo direto para a casa de David quando Jack disse a ela que eu tinha desaparecido. Eles sentavam-se agora ombro a ombro. “Pode esperar até amanhã.” Raquel soltou um suspiro de 'por que você tem que ser tão teimosa' e então balançou a cabeça. “Eu não consigo acreditar nisso sobre Jack. Nós temos estado em busca dele e se nós o pegarmos, as celas de ferro vão segurá-lo. O pequeno demônio não pode fazer portas lá. Falando nisso, eu ainda não tenho certeza de como você saiu dos Caminhos sozinha.”

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“Eu não sei, Reth e Jack, ambos disseram que você tinha que ter consciência do lugar para o qual queria ir, ter uma conexão com ele. Para Reth eram nomes, para Jack era tê-los visto antes. Para mim foi...” Eu corei, olhando para cima para Lend, que se sentava perto de mim, mas não 'me-tocando-de-tão-perto'. “Bem, foi você. Todos vocês. Enquanto eu me focava em memórias de vocês, eu meio que senti meu caminho até aqui.” Arianna parecia confusa. Reconhecidamente, eles tinham muitas coisas para digerir, entre toda a coisa de 'Jack-é-um-psicopata-que-queria-que-eu-destruísse-uma-espécie' e também a coisa de 'Acontece-que-eu-sou-menos-humana-do-que-pensamos’. Lend continuou em silêncio o tempo todo, o que me deixava cada vez mais nervosa. Ele ficaria estranho perto de mim agora? Eu ainda o amava, eu sempre amaria e eu faria o que quer que ele quisesse com nosso relacionamento, mas toda essa coisa de 'não-encostando-não-falando' ia ter que acabar. Ok, então talvez eu não estivesse muito pronta para deixá-lo ir. Ok, provavelmente eu nunca estaria pronta para deixá-lo ir. Arianna franziu a testa. “Mas quando você estava presa nos Caminhos, por que você não chamou aquele fae, seu pai? Reth não lhe disse o nome dele?” Meu queixo caiu. “Pii. Wow. Isso nem sequer passou por minha cabeça.” Eu não conseguia acreditar no quão estúpida eu era, pronta para apodrecer e morrer nos Caminhos quando eu conhecia outro nome fae além do da Fehl homicida. Mas aquilo significava outra coisa também. Quando as coisas ficaram ruins, eu nem sequer pensei em meu “Pai” ou de onde eu vim. Eu pensei nas pessoas que eu tinha, as pessoas que significavam algo para mim. Então, toda a coisa de parentesco com faeries? Que se dane! Saber de onde eu vim não mudava quem eu era. Meu pai estúpido podia apodrecer no Reino das Faeries pelo resto da eternidade. Ele não era nada para mim. E também, definitivamente, eu não era nada. Muito ruim que eu não consegui perceber isso antes de destruir meu relacionamento com o amor de minha vida. Eu baguncei tudo, tão fixada em tentar criar meu próprio ideal de uma vida e tão paranoica sobre perder Lend e ser magoada, que eu

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sabotei a mim mesma. Eu olhei para Lend, desejando que ele fizesse algo, dissesse algo. E, como se em resposta, ele levantou-se e estendeu a mão. “Podemos dar uma caminhada?” “Claro!” Eu deixei-o levantar-me, sem ter certeza se eu podia ou não continuar segurando a mão dele. Mas ele não largou a minha enquanto me levava para fora e para o caminho do lago. Ele parou abruptamente a meio caminho de lá. “Eu não consigo...” O rosto dele mudou para algo que era entre raiva e tristeza. “Eu não consigo acreditar que você não me disse. Por quê?” Eu não conseguia suportar olhar para o rosto dele, então eu estudei o cobertor de folhas mortas no chão. “Você é a pessoa mais importante de minha vida, a melhor coisa que já aconteceu comigo. E eu meio que odeio isso, o quanto eu amo você. Porque eu fui deixada muitas vezes em minha vida e amar você significava que isso aconteceria de novo. O pensamento de ver você ir, tornar-se como sua mãe, que não poderia me amar mais... É mais fácil superar isso se acontecesse logo. Não me mataria agora, eu acho que não, mas mataria depois. E eu sinto muito, eu devia ter lhe contado, mas eu achava que se você não soubesse, a gente podia tentar fazer isso funcionar de algum jeito. Você sempre me fez sentir aquecida, esquecida do vazio. Foi egoísta e não foi justo de minha parte. Todo mundo merece saber quem é.” “Evie... Você... GAH!” Lend gritou e eu olhei para cima para ele em surpresa. Ele tinha ambas as mãos fechadas em punhos ao lado do corpo e estava encarando o céu noturno. Depois de alguns segundos ele olhou de volta para mim, toda a raiva desaparecida de seu rosto. “Eu não sou um imortal.” “Mas eu vi...” “Eu sei o que você viu e eu tenho certeza de que você estava certa, mas ser um imortal não faz de mim um imortal. Não me trate como se eu fosse como minha mãe. Ela sempre foi daquele jeito, ela não pode ser de nenhum outro jeito. Ela não cresce, ela não muda. Você está dizendo que eu sou a mesma coisa?” “É claro que não!”

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“Então não aja como se eu não tivesse escolha! Eu nunca quis aquela vida, aquele mundo. Agora, eu sei que eu vou ter que decidir o que fazer algum dia, mas pii, Evie, eu tenho dezoito anos! Eu não tenho que enfrentar a eternidade por um bom tempo ainda!” “Mas você vai ter, eventualmente.” Ele rolou os olhos. “Você age como se eu fosse fazer minhas malas e pular dentro do rio mais próximo semana que vem! O que seria uma ideia terrível porque eu tenho um trabalho gigante para entregar. Aquele não é meu mundo. Esse é. E eu vou viver minha vida do jeito que eu quero. Que é conseguir um diploma e dar saltos e grandes passos em criptozoologia e ter filhos e ser ridiculamente convencional, tirando o fato de ajudar a tomar conta de criaturas paranormais e ser capaz de mudar de forma. E eu vou fazer tudo isso, cada minuto disso, com a garota que eu amo, que vai me prometer que sempre vai ser honesta comigo sobre tudo a partir de agora, para que eu possa realmente estar lá por ela.” Eu pisquei para afastar as lágrimas. Isso era exatamente o que eu queria ouvir, o que eu não tinha sequer ousado ter esperanças de ouvir. Mas ele não sabia. Como ele podia ter certeza? “E se você mudar de ideia? Eu nem sei quanto tempo eu vou viver.” Ele andou até mim, acabando com a distância entre nós quando encostou sua testa na minha. “A única vida que eu quero é uma vida com você. Eu não entendo esse abismo que você vê entre nós, mas você não pode me encontrar em algum lugar na metade do caminho?” “Na metade do caminho de quê?” “Eu não sei, na metade do caminho de amanhã e para sempre, metade do caminho entre a vida e a morte, metade do caminho entre o normal e o paranormal. Onde nós sempre estivemos.” Eu mordi meu lábio, concordando contra a testa dele. “Tem um lugar para nós lá, certo?” “Sempre!” Ele colocou seus lábios sobre os meus, selando nosso próprio pequeno lugar no mundo. Juntos.

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FIM

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No próximo livro... O passado paranormal de Evie continua voltando para assombrá-la. Um novo diretor na Agência Internacional de Contenção Paranormal quer arrastá-la de volta para o quartel-general. A Rainha Negra das Faeries está torturando humanos em seu reino venenoso. E criaturas sobrenaturais continuam insistindo que Evie é a única que pode salvá-las de um misterioso e perigoso destino. O relógio está rodando em todo o mundo paranormal. E seu destino está somente nas mãos de Evie. Tanto pelo normal.

EM BREVE!

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Paranormalcy livro 02 supernaturally kiersten white  
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